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Full text of "Raças, usos e costumes dos indigenas da districto de Inhambane, acompanhado de um vocabulario em shitsua, guitonga e shishope"

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Raças, Usos 



L 



E Costumes 



DOS indígenas 

DO biSTfílCTO 

DE INHAMBANE 

Acompanhado de um vocabulário em 

SHITSUA. GUITONGA E SHISHOPE^ ^ L-^ / J^^ .^ X^ 




Augusto Cabral 




LOURENÇO MARQUES 

IMPRENSA. NA-OIONAIj 

1910 






/ 






\ 



e justiça que um ente inferior merece sempre de um outro, que 
lhe é e será sempre superior. Trabalhando para elles, trabalhamos 
para nós. 

Esta aproximação entre branco e preto é absolutamente ne- 
cessária, devendo-se sempre, de preferencia, recorrer aos meios 
suaves e persuasivos, destruindo-lhe os defeitos e elevando-lhe 
as qualidades, e só quando não puder deixar de ser, recorrer 
aos outros também. 

Constitue problema bastante complexo, para as nações colo- 
niaes, a administração da justiça sobre as populações indigenas 
africanas, mas quer-me parecer que tal problema se simplificava 
muito se antes de educar o preto se educasse o branco que se 
destina ás colónias. D^isto se tem descurado. 

Finda a primeira phase, a do dominio pela força das armas, 
procurou-se tentar a aproximação, lançando-se mão dos missio- 
nários, uma vez, por iniciativa própria dos Governos, outras vezes, 
por protecção á iniciativa alheia, mas ambas as formas falha- 
ram. 

Muito pouco se adiantou; e senão vejamos como o missionário 
comprehendeu a sua missão. O missionário antigo ainda tinha um 
mérito; embora a sua obra fosse de todo o ponto nuUa, pois que 
d^ella poacos vestigios existem, vinha por vocação, devido ao 
misticismo da época, aproveitado como instrumento politico, e 
a Africa de então não era a Africa de hoje, e não poucas vezes 
os indigenas agradeciam, com uma azagaiada bem lançada, os 
cuidados espirituaes que os missionários lhes procuravam minis- 
trar. 

Dado este improfícuo resultado, alhearam-se d^elle os Gover- 
nos. Começou então a iniciativa particular, que, olhada a prin- 
cipio com interesse e benevolência, degenerou em escolho, que 
pode trazer graves embaraços ao regular andamento da adminis- 
tração sobre indigenas. 

Vejamos também como o missionário moderno comprehende 
o seu papel. 

Há o missionário pratico^ que pouco se importa com a cultura 
espiritual do indígena. A casa da missão é um estabelecimento 
commercial, e os discipulos os caixeiros d^elle; a venda de um 
pano de algodão vale bem uma lição de moral! e uma saca de 
amendoim tem mais valor que uma definição sobre a omnipotência 
de Deus. Estes são os menos perigosos! 



Temos em seguida o missionário commodista. Boa casa, boa 
mesa, boa cama e molecas (leia-se discipulas) para todo o ser- 
viço. 

Tempo perdido a ensinar moral e religião aos indigenas! Assim 
pensa e assim vae colhendo as palmas do martyrio. Prega ás ve- 
:zes, por distracção, a temperança; o caso de Frei Thomaz. . . 

Também não é perigoso e ás vezes até concorre para o au- 
:gmento da população. 

Temos chegado ao missionário politico. Prega ao indigena a 
igualdade em tudo para com o branco e, o que é peor, o direito 
Á sua completa independência. O branco é um intruso! A Africa 
*é d^elles (e dos missionários). O europeu é um inimigo que o indí- 
gena deve procurar expulsar. O indigena não deve trabalhar para 
o branco! 

E, além d'estas, outras theorias similhantes. 

Estão vendo os bellos resultados de similhante maneira de ca- 
thechizar! A theoria menos perigosa, das enunciadas, dá, segun- 
do o raciocinio do indigena, o seguinte: Para o preto, o branco 
nunca trabalha. Estar um dia agarrado a uma mesa a escrever, 
Acender ao balcão mercadorias ou fazer qualquer outra coisa, para 
o indigena não representa trabalho. Por trabalho só entende 
^quillo que elle próprio faz; por exemplo: cavar com uma en- 
jcada, que é justamente o que elle não vê fazer ao branco, em 
Africa, e seguindo o seu raciocinio, e considerando -se igual ao 
branco, entende que também não deve trabalhar!' O resultado 
das outras theorias só pode trazer revoltas, em que o indigena 
Tia de sempre ficar de peor partido; vidas a menos, dinheiro gasto 
inutilmente e tornar mais profundo o ódio de raça. Sobre as ori- 
;gens da guerra de 1894-1895, muito haveria a dizer a tal res- 
peito. As repetidas revoltas do Natal são exemplos bem frisantes. 

Estes missionários, como são intelligentes, explorando a inge- 
nuidade do indigena, vão fazendo o seu pé de meia, e, um bello 
'dia, vão descançar após tão laboriosos e fatigantes trabalhos. 

As vezes vão mais depressa do que queriam, devido a compli- 
•cações com as autoridades. 

Neste districto, por ora^ o indigena dá antes a preferencia á 
politica da autoridade, apesar de todos os defeitos d'ella, que ás 
innumeras vantagens oíFerecidas por esta espécie de missiona- 
xios. 

Como vêem, as desveladas protectoras das missões africanas 



melhor seria empregarem o seu elevado altruísmo com os muitosi 
milhares de desgraçados que lá teem ao pé da porta e que são 
seguramente muito mais infelizes que os indigenas africanos (pelo» 
menos os doeste districto), para quem a natureza foi pródiga, 
pondo-lhes ao alcance da mão tudo quanto necessitam. 

Dos missionários catholicos pouco ha a dizer. Não são praticas^ 
commodistas ou políticos. Mal pagos, são missionários por neces- 
sidade. 

Vão para as missões, como poderiam ir para um estabeleci- 
mento esperar os freguezes. São missionários como poderiam ser 
alfaiates: fatos feitos e por medida, á vontade do freguez. Umí 
ou outro dá que falar de si, entretem-se com os discípulos em» 
coisas demasiadamente profanas. 

Aqui ficam esboçados, ainda que ligeiramente, quaes os meios^ 
empregados pelos missionários encarregados de levantar o nivel 
intellectual do indígena africano; mas os negrophilos da Europa, 
não desistem. 

As experiências que já teem feito não lhes servem de ensina- 
mento. A da Republica da Libéria devia-lhes mostrar que trilham», 
caminho errado. 

Doesta experiência o que resultou? 

Um Estado para rir e sêllos para colleccionar; a alfandega, 
hypothecada e meia dúzia de caixas de genebra para os ministros 
beberem; a receita dos correios hypothecada também a uns far- 
dos de algodão para tangas; e entrevistas com o presidente a- 
troco de umas garrafas de aguardente. 

Atavismo e regresso não são palavras vãs! 

As incoherencias dos taes negrophilos são manifestas. Em prin- 
cipio, parecem que desejam que o intellecto do negro se nivele, 
ou, quiçá ainda, exceda o do branco. (Salvo melhor opinião, par- 
rece-me que até a natureza a isto se oppÕe). Em seguida, gover- 
nar-se o indígena a si próprio, efti completa independência. Feliz- 
mente que existem muitas outras razoes que obrigam a caminhar* 
sempre no campo da utopia os sectários de similhante doutrina, 
por numerosos que sejam e por muito elevadas que sejam as suas> 
vozes. 

Mas cabe perguntar aqui, de onde é que, em geral, saem estas. 
vozes? Da America e da Inglaterra, onde, justamente, existem, 
mais arreigados os preconceitos de raça; na America, onde ainda 
hoje se lyncham os pretos; na mesma America, onde ainda ha. 



ibem pouco se levantou enorme celeuma porque o então presi- 
dente Rosevelt sentou á sua mesa um professor de cor; na In- 
glaterra, que estremeceu de horror porque num coUegio de uma 
<;olonia se deu o desfloramento de uma educanda por um homem 
de côr^ o enorme escândalo que houve quando em Londres uma 
dama raptou um zulo, que pertencia a uma troupe^ e tantos outros 
•exemplos. 

Eu próprio fui testemunha de um caso, que é flagrante. Na 
missão de... doeste districto, foi encontrado em doce tête-à-tête 
uma missionaria europeia com um missionário de cor, liberiano. 
Para abafar o escândalo, foram obrigados a casar pelo bispo. As 
idades doestes dois noi^^os sommavam o bonito numero de 120 ân- 
uos, pelo menos! Aconteceu que, tendo de ir á Beira, encontrei 
no mesmo vapor o ditoso par; o vapor era inglez e escusado 
^erá dizer que, á mesa, nunca se sentou o infeliz marido; comia 
sósinho em cima (?!). Por acaso fomos para o mesmo hotel, tam- 
hem inglez! A mesma scena! O marido servindo como um criado, 
de pé, a esposa; e nesta mesa estavam outros missionários. Quiz 
observar se o homemzinho comeria na cozinha e fui esperando. 
Toda a gente se foi retirando, inclusive a esposa, até que fiquei 
-eu só na sala com o padre liberiano. Nesta occasião veiu um 
-criado ter commigo, pedir-me se não me incommodava, visto já 
ier acabado a refeição, que o padre se sentasse a uma mesa para 
^oder comer. 

Outra vez, estando eu em Durban, num hotel, vi toda a gente 
retirar-se quando um homem de cor se sentou a uma mesa. Era, 
.segundo me disseram, um ricaço e apresentava-se bem vestido. 
Nos comboios não é permittido a um homem de cor ir em qual- 
quer classe e o mesmo succede a bordo dos vapores, e muitos 
«outros casos. 

Onde está, pois, essa tão apregoada igualdade? 

Mesmo sem pedir desculpa, direi que ha, por parte dos taes 
megrophilos, uma boa dose de hypocrisia e, assim, por exemplo, 
ininguem se incommoda quando na Macedónia se dão carnificinas 
^ que não escapam mulheres e crianças. 

Em compensação, por causa de um indigena do Natal, que 
«estava preso e condemnado a ser fuzilado pelo crime de rebelliâo, 
^té interpellaçÕes houve no parlamento inglez e coUocaram em 
grandes embaraços o Governo. 

Nos seus resultados práticos, o negrophilismo de muitos brancos, 



8 



que do indígena africana só conhecem o que leram na La Case* 
de VOncle Tom^ de M. Beecher Stow, concorre mais para o atrazo 
dos indígenas que as leis administrativas, por mais defeituosas- 
que sejam. Em resumo: o que pretendem os negrophilos e certos, 
legisladores, que entendem applicar a brancos e a pretos as mes- 
mas leis? 

Os primeiros pretendem fazer do indigena um ente pensante^, 
profundo em sciencias abstractas, úm sábio em theologia, um. 
philosopho em moral, um pensador em religião ! . . . 

Saber manejar uma ferramenta, plantar uma arvore, escolher 
uma semente, isto é bom só para brancos ! ! ! 

Chegam a querer regalias e direitos para o indigena, que o* 
branco na Europa não tem ; mas não dormem com certeza menos^ 
tranquillos depois de receberem os avultados dividendos das: 
acçSes das minas do Transvaal, que custam a vida de muitos, 
milhares de indigenas. 

Dos preclaros legisladores só uma profunda ignorância Ihes^ 
serve de desculpa. 

A uns e outros responderei, segundo o meu modo de ver, sob^ 
a forma de educar o indigena, que seja ao mesmo tempo útil e- 
pratica. 

Julgo ser uma chimera pensar que um indigena pode assimilar- 
por completo a civilização europeia; em primeiro logar, porque^ 
a isso se opp5e a natureza, e, se a sciencia anthropologica não^ 
é um mytho, esta demonstra facilmente a veracidade da affir- 
mação. Diz-se que se atrazaram na marcha da civilização. E pos- 
sivel que as mesmas causas de hoje fossem as de então, mas se- 
não foram, dar-se-ia o caso que, quando chegassem até nós, já. 
nós também estaríamos tão afastados d^elles como hoje estamos. 
Depois, ha defeitos de raça no indigena doeste districto, e só a. 
estes me refiro, que por maior que fosse o grau de civilização- 
a que chegassem, duvido que desapparecessem. Ha opiniões em 
contrario, e é possivel que seja eu que erre, mas o futuro se- 
encarregará de demonstrar quem acertou, e digo no futura- 
na hypothese de que os frisantes exemplos já colhidos, no pas- 
sado e no presente, nas outras colónias, ainda não sejam suffi- 
cientemente convincentes para os idealistas, suppondo que os haja. 
de boa fé. E assumpto que dá logar a larga controvérsia, quando 
não ha mais nada em que pensar. 

Na generalidade, ainda noto outra lacuna no indigena: a falta. 



•de memoria e difficuldade enorme em comprehender as coisas 
mais simples. 

Não sei se ha civilização possivel que possa supprir estas 
faltas. 

Encarando por outro lado a questão, pretende-se, diz-se, civi- 
lizar o indigena criando-lhe necessidades. Eu sou apologista doesta 
theoria, mas dentro de uns certos limites, e assim, por exemplo, 
fraca idéa lhe daríamos da nossa civilização obrigando o indigena, 
nos primeiros passos doesta senda, a andar calçado, o que só ser- 
viria para o incommodar. Postas certas restricç5es nesta forma 
•de civilizar exteriormente, e aparte o que ha de hypocrisia na 
«accepção em que a palavra civilizar é tomada (sim porque, na 
verdade, o que ha é a necessidade dos brancos venderem os seus 
productos, que outros brancos fabricam), direi que este é um dos 
<;aminhos a seguir para combater um dos seus maiores defeitos, 
^ sua natural indolência. 

Este meio, porém, só, não basta: é preciso fazel-o trabalhar, 
^inda que não queira. 

Outra necessidade é combater o uso do álcool e isto se está 
fazendo, um pouco violentamente, é certo, mas de effeitos mais 
.seguros que quantas predicas lhe pudessem pregar os missio- 
nários. 

Deixa de beber álcool porque não tem com que o fazer e não 
poT virtude, ainda que durante séculos lhe mostrassem os effeitos 
perniciosos d^elle. Os outros defeitos podem ser attenuados, mas 
jiunca desapparecerão por completo. 

Civilizar o indigena não é fazer d'elle um bacharel ou um li- 
terato e sim um bom trabalhador ou um bom operário. 

O campo e a oíEcina vale bem mais para o indigena que a uni- 
T^ersidade ou o lyceu. Já por cá temos algumas amostras do que 
aproveitaram nas escolas da Europa alguns indígenas que para 
lá mandaram estudar. Sabem escrever o suíBciente para fazer 
vales falsos em nome dos patrões. 

Na confecção das leis administrativas a applicar a indigenas, 
deve-se sempre ter em vista que ellas sejam simples e claras, só 
alterando os seus usos e costumes quando for absolutamente ne- 
<5essario e d^ahi provenha alguma utilidade^ e não pelo simples 
desejo de querer coUocar brancos e pretos no mesmo pé de igual- 
dade. 

Doestas ultimas já, infelizmente, temos algumas, e os resulta- 



10 



dos são, como não podia deixar de ser, contraproducentes. Não» 
podendo praticamente serem applicadas, e estando, todavia, em 
vigor, resultam, é claro, flagrantes contradicçÕes que devem dar 
ao indigena uma péssima idéa da, justiça de branco! 

E opinião minha, assente sobre uma longa pratica de convivio- 
com o indigena doeste districto, que se pode fazer d^elle um bom 
agricultor e um bom operário, o que, a meu ver, é o sufficienter 
e para isso possue qualidades que devem facilitar a tarefa. É 
submisso e dócil e mostra aptidões para a agricultura e para os^ 
trabalhos manuaes, e combatido que seja o seu maior defeito,. 
a preguiça, muita coisa se pode obter d*elle com utilidade e pro^ 
veito para todos. 

Antes de terminar, lancemos um golpe de vista retrospectivo, 
pelo que nos vae cá por nossa casa, como quem diz^ no districto* 
de Inhambane. 

A nossa politica para com o indigena, desde a nossa occupação,, 
pode dividir-se em três períodos. 

O primeiro, que abrange um longo espaço de tempo de quatro» 
séculos, desde a descoberta e occupação até 1894, não nos deixa 
vestigios do que tivéssemos feito em nosso proveito ou no do indi- 
gena. A nossa situação, até á invasão dos Vatuas, era a de vizi- 
nhos indifferentes, deixando á mercê da Divina Providencia a 
continuação do tremular das quinas no alto de um mastro, na 
villa de Inhambane. 

A providencia, neste caso, apparecia-nos disfarçada no espirito 
pouco bellicoso e egoista dos indigenas, pouco propensos a allian- 
ças entre elles, e assim deixavam o governador e as restantes^ 
autoridades numa relativa tranquillidade. 

Esta estéril situação foi de repente abalada com a chegada do 
conquistador negro, collocando-nos num plano ainda mais inferior. 
D^aquella data em diante, é em volta dos régulos Vatuas, torna- 
dos astros de primeira grandeza, que gravita toda a politica in- 
digena. A nossa presença de nada servia, aos indigenas; quando^ 
muito, limitavamo-nos a servir de intermediários nas questões 
entre estes e contra as investidas do Manicusso e seus succes- 
sores. 

Neste papel de medianeiros ou de pretensos protectores nem 
sempre nos saímos bem, como succedeu no combate do Chicun- 
gussa contra a gente do Gungunhana, em que o nosso prestigio- 
levou golpe profundo. 



11 



A razão principal da nossa existência devia-se á exportação 
^e escravos, cera, marfim, e á limitada importação de meia dúzia 
de enxadas, fardos de algodão, espingardas e missanga. Se os 
indígenas, além do milho, outras culturas conheceram, isso se deve 
á iniciativa particular. Dos missionários que por cá andaram 
nem a mais pequena amostra que nos permitta ajuizar do valor 
•da sua ohra. 

Resumindo, temos que, neste primeiro periodo de quatro se- 
-culos, a acção governamental limitou-se a valorizar o Brasil com 
a exportação de escravos que para lá mandávamos. 

Depois da abolição da escravatura até 1894, nada se fez, além 
da manutenção de meia dúzia de oíBciaes e soldados e de uma 
•dúzia de presidiários. 

Não se educou o indigena, não se desenvolveu o commercio 
nem a agricultura; nada de útil, emfim. 

Que a Africa era só boa para degredados. Assim se pensava 
-€ se procedia no Terreiro do Paço. 

O segundo periodo, comprehende de 1894 a 1904. A guerra 
•de 1894 e a prisão do Gungunhana veiu mudar por completo o an- 
terior estado de coisas, no que respeita á nossa occupação. Esta 
•deixa de ser nominal para se tomar effectiva. Começa o domínio 
pela espada, fazem-se fortunas nos commandos militares. Tem 
•começo a era dos impostos, dos sellos e dos papeis. 

Paga o preto e paga o branco. Das nossas relações com os in- 
dígenas não se cura, nem d^isso se preoccupam os ministros. 

Não ha regulamento de trabalho, não ha escolas de artes e 
•officios, quintas experimentaes ou introducção de novas culturas, 
nada se faz que torne menos pesado ao indigena o nosso domínio. 

O Governo explora a emigração, obriga os indígenas a traba- 
lharem de graça nos commandos, recrutam-se voluntários (á força) 
para o serviço militar, prohibe-se-lhes a caça de toda e qualquer 
•espécie e cría-se-lhes um imposto sobre a pesca; mas, em com- 
pensação, o indígena é cidadão eleitor perante a lei ! ! ! 

Resumindo, temos que, neste periodo de dez annos, além da 
•occupação eflfectiva, nada mais se fez. 

Chegámos, emfim, ao terceiro periodo. Entra em vigor o novo 
legimen de administrações civis, cujos effeitos, até agora, só se 
teem feito sentir apenas sob o ponto de vista moral, evitando 
«ertos abusos que nos envergonhavam e rebaixavam aos olhos 
dos indígenas. 



< 



12 

No resto, como antes, nem escolas de artes e oí&cios, quintas 
experimentaes, distribuição de sementes aos indigenas, ou en- 
saios por estes de novas culturas. O Governo continua a viver 
da emigração e do imposto de palhota. 

Este, que era de meia libra, passou para uma libra, sem que- 
todavia alguma compensação fosse dada aos indigenas. 

O processo de recrutamento continua a ser o mesmo. Nao ha- 
um regulamento de trabalho nem um código de justiça indigena.. 

No relatório do sr. Augusto Cardoso, de 1907, a paginas 112, 
e referindo-se á emigração, vê-se o seguinte: 

. . e dado que nós Dada fazemos para nos tomarmos sympaticos á nossa, 
população indígena e para a fixarmos, não é exaggerado prever que em dez 
annos o numero de indigenas fixados, ou residindo temporariamente no* 
Transvaal, será, pelo menos, de 50:000, com prejuízo muito sensível para 
a agricultura e commercio do districto 

Uma absoluta modificação a este estado de coisas presumo- 
estar ainda longe, pois antes que se modifique o estado social e- 
económico do indigena, temos primeiro que alterar o nosso, se no» 
derem tempo. 

Inhambane, 21 de janeiro de 1908. 

Augusto Cabral. 



NOTA PRÉVIA 



Para designar as três raças existentes neste districto emprego 
Ires vocábulos, um dos quaes não é o verdadeiro, sob o ponto de 
vista scientifico. 

Temos em primeiro logar o Landim. Sobre a origem da pala- 
vra, diz o sr. Torre do Valle *, falando dos Landins ou Barongas 
de Lourenço Marques: 

A origem doeste nome (Landim) não é perfeitamente clara, mas julga 
poder attribuil-a ao verbo ku landya, seguir; d'ahi: di landye ou landi, se- 
gue-me (de onde provém nandua, nanda ou landya, escravo, súbdito, criada). 
A língua portugueza parece ter horror ás terminações em i, de onde resulta 
nella se nasalarem com m final: si, sim; cherubi, cheruhim; rubi, rubim; 
mendoi, mendoim, etc. 

Nas províncias do norte de Portugal diz-se mesmo: aquin, aqui; vin, vi, 
etc. Nada, portanto, mais natural que á pergunta dos primeiros portuguezes 
desembarcados na costa do districto, de : Quem sois vós? os indígenas, não 
comprehendendo, respondessem : di landi, segue-me ou di landya, eu sou 
escravo, ou súbdito. Conclue-se talvez d'aqui, que eram landis ou landinsy 
e o nome fícou. 

A explicação do termo, se não é a verdadeira, é, pelo menos, 
muito acceitavel, mas, apesar d^isto, eu resolvi (talvez mal) con- 
tinuar com o termo landim (no singular). Qualquer outro nome 
que adoptasse para designar esta raça, seria completamente novo 
neste districto, e como a palavra landim é, desde de remotas 
eras, aqui conhecida até entre os indigenas, adoptei-a neste pe- 
queno trabalho e ainda porque o uso faz lei. 



Diccionario Shironga-Portugutz^ Portuguez-Shironga, 



14 



O dialecto landim denomina-se Shitsua. 

Referindo-me aos Batongas, direi que todos os europeus dizem, 
e officialmente escrevem: Bitongas^ quando se referem aos indí- 
genas da raça Tonga. 

O termo é incorrecto. Tonga se diz no singular, e no plural 
Batongas^ e guitonga o seu dialecto. Ba e a forma do plural dos 
substantivos que designam pessoas. 

Pela mesma razão se devia dizer Bashopes e esta era a forma 
verdadeira, mas snccede que é exactamente aquella que não tenho 
visto empregar. Uns, dizem MuchopeSy aportuguezando a forma 
do plural, o que redunda em gorda asneira, porque mu é a forma 
do singular e quer dizer: um shope] outros, dizem Machopesj 
que também é erro; 7na é uma forma do plural que se refere a 
coisas. Também tenho visto escripto AVchops. Não sei o que quer 
dizer o apostrophe e tão pouco o ps no final da palavra. Eu es- 
creverei Bashopes (no pi.), que é o que deve ser, e ao seu dialecto 
shishope. 

Os mesmos erros de pronuncia e orthographia se notam sempre 
que os europeus se referem aos nomes próprios que começam 
por nhy antepondo-lhe um i e nasalando a palavra, e assim se 
diz: Inhambane, Inharrime, Inhassune, Inhadugua, Inhaxinga, 
etc, quando devia ser: Nhambane, Nharrime, Nhassune, Nhadu- 
gua, Nhaxinga, etc. 

Como, porém, este vicio de pronunciação é muito antigo e está 
profundamente inveterado, melhor será não lhe tocar, principal- 
mente quando houver referencias a regiSes, rios, etc, que são 
já conhecidos. 



Raças, nsos e costmes dos indigenas 
do distncto de Mambane 



Existem no districto de Inhambane três raças distinctas, a 
saber: Landins, Bashopes e Batongas. 

Devido a uma errada interpretação, já muito arreigada entre 
os antigos residentes, davam-se ainda como existentes outras 
duas raças: Badongues e Macuacuas. Ora os primeiros são ape- 
nas o producto do cruzamento entre Landins (sexo masculino) e 
Bashopes (sexo feminino). Os segundos, conhecidos pelo nome de 
Macuacuas, são puros e genuinos Landins, sem mistura de outra 
raça. 

As raças mencionadas acham-se assim distribuídas pelo dis- 
tricto: 

ViLLANCULOS. — Landins. 

Massinga. — Landins. 

Panga. — Landins, Bashopes e alguns Batongas. 

MOKRJMBENE. — Batongas jb alguns Landins. 

HoMOiNE. — Landins (Macuacuas e outros), Bashopes e Ba- 
tongas. 

Maxixe. — Batongas e Landins. 

Chicomo. — Bashopes e raças cruzadas (Badongues). 

Panda. — Landins (Macuacuas e outros) e alguns Bashopes. 

Inharrime. — Bashopes, Landins, Batongas e Badongues (raça 
cruzada). 

Zavalla. — Bashopes, Landins e Balengues (raças cruzadas). 

GuiLALA. — Batongas e Landins. 

CuMBANA. — Batongas, Landins e Bashopes (estes últimos em 
menor numero). 



De onde vieram estas raças? 

Qual a sua origem e o seu primitivo habitat f 

A época provável doestas invasões? 



16 



A taes perguntas só se pode responder com hypotheses, mais 
ou menos acceitaveis, mas que de forma alguma resolvem por 
completo o assumpto. 

Dos indígenas de Inhambane, as informações mais antigas que 
temos são as cartas do padre André Fernandes, que datam dos 
meados do século xvi, que pouco elucidam. 

Estes povos não conservam tradiçSes, o que mais diíBcil torna 
a tarefa de procurar conhecer-lhes a origem. 

As informações que dos actuaes indigenas se obteem são, por 
assim dizer, quaái nullas, por serem muito recentes. 

Temos, pois, que acceitar uma das duas hypotheses, únicas 
que se apresentam, emqnanto á origem das três íaças existen- 
tes: ou descendem dos Hottentotes ou Buschmans, os presumí- 
veis primitivos habitantes da Africa Austral, ou ainda do cruza- 
mento doestes, e, por ultimo, hypothese mais provável, da grande 
família Bantu. Quem conhece ainda hoje o Hottentote e as des- 
cripçoes que temos do Buschman, terá occasíão de ver quanto 
superiores a estes são os Bachopes, Landins e Batongas, tanto 
moral como physícamente. Os Hottentotes e os representantes 
actuaes do Buschman são de baixa estatura, feições grosseiras^ 
formando um todo antipathieo e repellente, e, apesar da pro- 
gressiva evolução a que estão sujeitos todos os seres, conservam 
ainda quasi todos os característicos que primitivamente possuíam. 

Ora os Batongas, Landins e Bashopes são em -tudo superiores 
áquelles e mostram aptidões que nos outros se desconhecem. 

EV porém, do estudo comparado dos dialectos falados pelas 
raças de Inhambane e outras que habijtam o norte e centro da 
Africa, que se obtém quasi a certeza que Batongas e Landins 
pertencem á grande família Bantu. 

Sobre os Bashopes ainda pode haver duvidas e estas apoiam-se 
nas seguintes observações: O Mushope é considerado como um 
ente inferior pelos Batongas e Landins e é tratado com desprezo 
por estes, desprezo a que elle humildemente se submette; come 
tudo que aos outros causa repugnância: cobras, lagartos, croco- 
dilos, milhafres, etc. ; é desconfiado e ganancioso em extremo ; 
o uso e fabrico exclusivo que o Mushope faz do muputo *, que 
substitue os tecidos de algodão com que se cobre e que elle co- 
nhece desde remotos tempos ; a sua destreza e aptidão no fabrico 
de cordas vegetaes ; a facilidade com que a mulher Shope se en- 
trega aos indigenas de outras raças. 

Em òpposição a estas observações, que nos podiam levar a crer 
que o Mushope poderia descender, não directamente do Busch- 
man ou do Hottentote, pelos argumentos já citados, mas do cru- 
zamento de uma doestas, raças com qualquer ramo Bantu, temos 
que o Mushope é justamente, de todos os indígenas, o que mais 



^ Mechallo ou txalo {Fícils Sp.) 



Hullior Landim 



17 



s« 'dedica á agricultura, e é de todos, também, o mais industrioso 
e commerciante. Como os Batongas e Landins, tem também o 
costume da circumcisão. A raça Shope apresenta também, como 
as outras, bons exemplares altos, fortes e bem constituídos. No 
trabalho das minas, no Transvaai, é o indigena shope preferido 
para os trabalhos subterrâneos, por se mostrar mais submisso que 
qualquer outro ás ordens que recebe de descer á mina. E também 
o indigena que mais emigra para o Transvaai. Nos dialectos fala- 
dos por Bashopes, Landins e Batongas dão-se os mesmos casos 
Antagónicos. 

Palavras do dialecto Shishope com a mesma significação, apre- 
sentando grande analogia com as dos outros dialectos, e outras, 
pelo contrario, parecendo que nenhuma affinidade teem com ellas. 

Exemplos: 



Shishope 


Landim 

• 


Guitonga 


Portugnez 


Utau 

Tenga 

Tissimbo 

Nhama 

Kume 

Ingoma 


Monduane 

Achacana 

Mavella 

Nhama 

Kume 

Ingoma 


Libaguéu 

Bangoag^ana 

Mavella 

Nhama 
Licume 
Ingoma 


Depois de amanhã 

Está bom 

Seio 

Carne 

Dez 

Tambor-batuque 



O que concluir? 

Faltam-me dados e conhecimentos para resolver tal problema. 



Quando é que estas invasSes se deram? 

Da raça Landim, sabemos nós que foi a ultima, recorrendo ao 
que a tal respeito nos dizem os indigenas e por factos que ainda 
hoje se observam. Das outras duas só temos o que nos diz o 
Erei André Fernandes h ^e a causa doestes Mocarangos estarem 
entre os Batongas, cercados de todas as partes, foi porque um 
Rei Mocarango veiu com a sua gente e pelejou com o senhor d'eUe 
e tomou-lhe as terras, e assim ficou entre os Batongasy>^ etc. 

Na nota segunda, a paginas 23, da memoria do sr. Ayres de 
Ornellas, Eaçus e línguas em Moçambique, lê-se o seguinte: 

(íTongaj capital do reino de Gamha^, diz o padre Gonçalves; 
Paiva e Pona accrescenta: atalvez onde está Pachamoyí; <inão co- 
nhecemos logar nenhum.^ no districto de Inhambane, com esse nome», 
diz o sr. Ayres de Ornellas; e accrescenta: ae afigura-ssmsèos^ue 



í Extraindo da memoria do sr. Ayres de Ornellas, Raças e línguas indí- 
genas em Moçambique, 



18 



esse reino de Gamba são hoje os Guambás ou Guawbés, Ora a 
povoação du Guamba Grande, distava de Inhambane^ quando lá 
passámos em 1895, cento e dez a cento e vinte kilometrosj». 

Diz mais a nota: ^Este logar está sentado sobre um grande rio 
que vein do mxirí» . Em seguidí^ commenta o sr. Ayres de Ornei- 
las: ^E' possível que nessa época o Inkarrime desaguasse ainda 
no mxirít. 

Como o sr. Ayres de Ornellas, não conheço logar algum cha- 
mado Pachama e a presumpção que aquelle senhor tem que o 
reino de Gambá seja o que hoje se chama Guambá (Guambá 
Grande e Guambá Pequeno) é de todos os pontos acceitavel, e, 
segundo as informações que alli obtive, estes logares sempre se 
chamaram Guambás e foram, desde remotos tempos, habitados 
por Bashopes. 

Na mesma nota, mais adiante: (ítrinta léguas pelo sertão den- 
tro-d. 

Observa o sr. Ayres de Ornellas, e com razão: «.que só dista 
cento e dez a cento e vinte kilometros de Inharríbane-d. Que o padre- 
Gonçalves se tivesse enganado em alguns kilometros é erro sem. 
importância e fácil de comprehender. 

E continua: a Este logar está assentado sobre um grande rio- 
que vem do mar.i» A isto diz o sr. Ayres de Ornellas: fuE^ possí- 
vel que nessa época o Inkarrime desaguasse no mari>, 

A supposição é verdadeira, e observações feitas, posteriores 
a 1895, provam que o Inharrime desagua no mar ainda hoje. 

E', portanto, licito suppor que, quando se deu a invasão Shope^ 
já existiam Batongas ao longo da costa, como ainda hoje se con- 
servam; que da mesma forma o núcleo da raça Shope ainda hoje 
habita as margens do rio Inharrime, e o facto de algumas fami- 
lias Bashopes se terem dispersado pelo districto foi devido ás 



Portngnez 



Iiihambane 



Shitsua 



Guitonga 



Shishope 



Quellmane 



Ichuabo 



Sofala 



Iboani 



Sena 



Issena 



Tete 



Inhnngne 



TJaze- 
rum 



Abelha 

Cafia (palhota) 

Dente 

Fome 

Dia 

cao 

Gallinha .... 

Chnva 

í^eios 

Atar 

Barriga 

Lingna 

Abrir 

Hombro 



Inhoxe 


Inhosse 


Inju 


Nhnmba 


Tino 


Liguá 


lujala 


lojala 


Lissiko 


Lissigo ■ 


Inguana 


Imbua 


Uko 


Kugo 


Vula 


Janje 


Vele (ma. pi.) 


Bele 


Kabôa 


Guiinga 


Marrnmbo 


Guirrumbo 


Lirrime 


Lidime 


Kuvulula 


Gutnla 


Likaxa 


Likata 



Inombe 

Nhnmba 

Liknaza 

Inzala 

Lixigo 

Imbua 

Kuko 

Kn-a 

Tsumba 

Kasunga 

Xirrumbo 

Lidime 

Kutnla 

Likata 



Nui 


Khuohi 


iNhuohi 


Nhuohi 


Nnmba 


Nhumba 


Nhumba 


Nhnmba 


Lino 


Zino 


Zino 


Zino 


Dala 


Jara 


Jara 


Jara 


Sika 


Jiko 


Siku 


Sinko 


Mnanabua 


Imbria 


Muanambua 


Bnaya 


Ku 


Uku 


Knku 


Knnkn 


- 




- 


~ 



Jnnsi 

Mumba 

Mino 

Nzjiri 

Zna 

Imbua 

Uku 



19 



amiudadas razzias que as impis dos Yatuas faziam naqucUa re- 
gião. 

A única coisa que se sabe com certeza da época das duas in- 
vasSes, Tonga e Shope, é que foram anteriores ao século XV. 

Não é difficil de acreditar que a raça Tonga tivesse vindo do 
norte da Provincia e que, quando d'ahi saiu, do seu contacto 
«com os traficantes árabes tivesse trazido o costume da circumci- 
são e o seu gosto pelas coisas do mar. Para reforço doesta hy- 
pothese, temos ainda a similhança dos costumes dos Batongas 
•com os povos de Sofala e outras regiões de além Save, e, o 
mais importante, a similhança e profunda analogia de muitas pa- 
lavras empregadas nos dialectos falados não só pelos Batongas, 
mas também pelos Landins e Bashopes, com os dialectos de va- 
rias raças do norte. 

Exemplos: 

Famo (Guitonga), que quer dizer: regulo ou cabo. Nos povos de 
Sofala emprega-se a mesma palavra para designar a mesma coisa. 

Entre os Maraves diz-se: mueneuluzi, chefe de povoação, e, 
•entre os Batongas, muenedanga. 

Como se vê, muene é commum a ambos os dialectos. 

Ha ainda melhores exemplos: 

Nhamuj carne, commum a todos os três dialectos, significa a 
mesma coisa e diz-se da mesma forma em Macua e Suahili, 

O mesmo succede com a palavra ngoma, tambor ou batuque; 
^lutOy pessoa; e muitas outras que apresentam grandes aíB- 
nidades. 

De uma velha memoria, extrahi o seguinte quadro compara- 
tivo de algumas palavras dos dialectos do norte e dos dialectos 
falados neste districto: 

No vocabulário appenso apresentarei outros exemplos. 



Xoçamblqnê' 


• 




Cabo Delgado 


Bomma 


Lomné 


Moçam- 
bique 


Angoebe 


Makanga 


Marave 


Maganja 


Ajana 


Mayia 


Makonde 


Maca a 


Maeúa 


Maoúa 


Macúa 


Jnnchi 


Nhnohi 


Njnohi 


Nhnohi 


^ 


„_ 


_ 


_ 


— 


. 


Manhnmba 


Nhnmba 


Nhnmba 


Nhnmba 


- 


- 


- 


- 


- 


- 


Caiibuaao 


Tsino 


Dzino 


Lino 


- 


- 


- 


- 


- 


- 


Honjnra 


- 


Njara 


Sala 


- 


- 


- 


- 


- 


- 


Massiko 


Nsana 


Sika 


Liúa 


- 


- 


- 


- 


- 


- 


Gam 


Gam 


Garu 


Mbna 


- 


- 


- 


- 


- 


- 


Kassipassere 


Kako 


Nkuku 


Ngukn 


- 


- 


•* 


- 


- 


- 


- 


- 


- 


- 


Mbnla 


Mbnla 


Ipnia 


Ebula 


Epnla 


Epnla 


- 


- 


- 


- 


Mavele 


Maneie 


- 


- 


- 


- 


- 


- 


- 


- 


Ku UDga 


Kn nnga 


- 


- 


- 


- 


— 


— 


. 


— 


Kitnmbri 


Chitnmbn 


- 


- 


- 


- 


. 


_ 


m. 


m. 


— 


— 


Nlimi 


Liml 


- 


Lime 


.. 


m. 


. 


— 


- 


- 


Uknnula 


- 


Utugnla 


Ujnla 


- 


- 


- 


- 


- 


- 


Nikata 


— 


Ekata 


Nikata 



20 



Parece que, em seguida, se deu a invasão Shope e, por fim,. 
a Landina, mas esta muito modernamente. 

Da ultima, também nós sabemos que se deu por duas vezes: 
a primeira, nos fins do século xviil, e a segunda, nos principies 
do século XIX, que deu logar ao nome por que ficaram senda 
conhecidos estes Landins: Macuacuas, 

A origem doeste acontecimento foi o seguinte: 

O pae do Espadanhana *, Binguana, e o avô de Magandane 2, 
Dindane, filhos de Cambahane, por causa da successao por morte- 
d'este, vieram ás mãos, tendo sido batido o Dindane e obrigada 
a refugiar-se em terras de Inhambane com os seus adeptos ► 
Kão tendo, nos primeiros tempos, productos agrícolas com que 
se alimentassem, viram-se obrigados pela fome a comerem frutos, 
silvestres que encontravam. Entre estes abundava a macuacua, 
de que faziam largo consumo, e d^isto lhes veiu o nome. 

O nacleo dos Landins, doesta segunda invasão, tendo encon- 
trado o litoral e o sul já occupados, e sendo o norte pouco fértil, 
concentraram-se ao centro do districto. 

Sem deixar uma lacuna importante, não podia deixar de me 
referir aos Badongues, Balengues (raças cruzadas), Mandaus e 
Landins vatualizados. 

Badongues. — Como anteriormente disse, são o producto do 
cruzamento entre Landins (sexo masculino) e Bashopes (sexo fe- 
minino), e hoje formam uma parte relativamente importante da 
população do districto. Devido, porém, ao cruzarem-se também, 
entre si, mostram claramente signaes de degenerescência physica. 

São de fraca constituição, e nelles as doenças de peito fazem 
mais estragos que em quaesquer outros. A sua linguagem é uma. 
mistura de shitsua e shishope e o mesmo succede com os seus 
usos e costumes.^ 

Balengues. — E facto apurado que os Batuas ou Vatuas, que 
fixaram as suas residências em terras de Gaza, se cruzaram com 
as raças alli existentes. 



* Espadanhana succedeu a seu pae Binguana no regulado. As suas ter- 
ras estendiam-se, para oeste até quasi ao rio Limpopo, e este, até aos Shopes. 

Era o único que fazia frente ás investidas do Gungunhana. 

Foi deposto e desterrado para Moçambique pelo então governador de 
Gaza, Gomes da Costa, em 1898, por querer guerrear um seu vizinho, o re- 
gulo Cuio. 

Mais tarde, foi de novo mandado regressar ás terras, attendendo aos 
bons serviços prestados á columna durante a guerra com o Gtmgunhana. 

2 Magandana. Por morte de seu pae Maunze, succedeu-lhe no regulado^ 
mas, desconfiado e medroso em extremo, recusava-se a comparecer nas- 
banjas para que era chamado, e, apesar de cumprir todas as ordens que lhe 
eram transmittidas pelas autoridades, não havia forma alguma de falar 
com elle pessoalmente. 

Como similhante facto ameaçasse complicações, foi resolvido entre pa- 
rentes eleger um outro regulo, succedendo^lhe então um tio, Cocalane, que 
ainda hoje exerce essas funcções. 



21 



Um doestes cruzamentos entre Bashopes (sexo feminino) e os 
Vatuas, deu origem aos Balengues. 

Estes occupam hoje as regiões limitrophes de Manjacaze * e 
lagoa sul ao sul doesta, estendendo-se até ás terras da circum- 
scripção de Zavalla, na parte que limita com terras de Gaza. 

Mandaus. — E sabido que os Vatuas 2, nas suas invasões ás- 
terras de Gaza, se faziam acompanhar de gente pertencente a. 
raças avassalladas. Quando o Gungunhana se veiu fixar em Gaza, 
acompanharam-no grande quantidade de individues pertencentes 
a uma raça, da qual nenhumas indicações tenho em referencia á 
sua origem ^. A única informação que d'elles pude obter é que, 
do rio Save ás terras dos seus antapassados, ia uma grande dis- 
tancia e lá haviam grandes mares, segundo elles próprios dizem^^ 
E possivel que tivessem saído da região dos lagos. E curioso 
observar que os Mandaus, ao contrario das outras raças que es- 
tiveram sob o dominio dos Vatuas, foram um pouco refractários 
á adaptação dos usos e costumes doestes, e assim é que ainda, 
hoje se observam nos Mandaus o uso de furarem o lábio superior 
e arrancarrem os dois dentes da frente, uso que, aliás, tende a 
desapparecer. 

O que caracteriza profundamente estes indígenas é a hypocrisia 
rematada de que*' são possuidores. Pródigos nos comprimentos e- 
nos sorrisos, são de uma velhacaria que os torna despreziveis. 

Note-se que isto não são apenas observações minhas, são obser- 
vações também feitas pelos outros indigenas. Hábitos adquiridos- 
por escravos que temem e desejam agradar ao seu senhor. São 
tão característicos estes traços moraes, que por elles se fazem 
immediatamente conhecer. Quando, em terras de Gaza, alli ouvi 
que o próprio Gungunhana d^elles se arreceava. Depois da prisão- 
d'aquelle potentado, muitos regressaram ás terras de onde tinham 
vindo. Hoje, os Manduas encontram-se no districto misturados 
principalmente com os Landins (Macuacuas). 

Landins vatualizados. — Existem, como umas pequenas coló- 
nias, no districto de Inhambane, mas em numero muito limitado.. 
A maior parte, e esta mesma não vae além de três ou quatro po- 



* Manjacaze, celebre por ter sido residência do Gungunhana. A lagoa, 
sul fica ao pé, e creio se»* alli ainda a sede de uma circumscripção. Ignora 
se, ultimamente, foi d^alli mudada. 

2 Era Graza, por mais diligencias que fizesse, não consegui nunca que os- 
indigenas me explicassem satisfatoriamente a origem da palavra vatua e, 
o que ainda mais, desconliecem-na na accepção em que os europeus a tomam,, 
ou, se hoje conhecem, é por a terem ouvido aos europeus. Os Landins e Ba- 
tongas d'este districto dizem: munguno e haiiguno (pi.), unguno e manguno 
(pi.). Os Bashopes: muttba e hatua (pi.). Nos três dialectos: gente, povo, 
diz-se : vanu e vatu^ hantu e hatu^ para designar muita gente. Vatiuis^ dize- 
mos nós quando nos referimos aos guerreiros que acompanhavam Manicusso^ 
Muxila e Gungunhana, que eram zulos. Deve ter havido corrupção das pa- 
lavras hatua ^ hantu ou hatu. 

2 Também são conhecidos por Munhaes. 



22 



voaçSes, encontra-se quasi a meio caminho da estrada de Cumbana 
para Coguno, em Chagazane, circumscripção de Inharrime. Ao 
•contrario dos Mandaus, sendo Landins de origem, adquiriram 
todos os usos e costumes dos Vatuas. 

# 
# * 

Para facil distincção de raças temos, em primeiro logar, os 
<5aracteres physicos de cada individuo, mas estes, nas três raças 
•existentes, sao uniformes; porisso os principios applicados a uma, 
na generalidade, podem ser applicados a todos. 

Em homens escolhidos ao acaso obtive a seguinte média da 
£ua altura: 

Landins, 1".66; 

Bashopes, l'",69; 

Batongas, 1™,64. 

Coloração da pelle: cor parda, mais ou menos escura. O negro 
-carregado é menos vulgar; muitos casos de xanthismo e alguns 
«de albinismo. Carapinha na cabeça, barba rala e menos encara- 
pinhada. São raros os casos de calvice. Fronte estreita, beiços 
muito grossos, nariz largo, ventas achatadas e abertas. 

Entre os Landins encontram-se mais facilmente typos com as 
feiçSes mais finas e correctas, tendo todos boas dentaduras. Em 
:geral são fracos e acanhados de feitio, embora aqui e alli appa- 
xeçam ainda alguns bons exemplares, e o que hoje se torna regra, 
^ram antes excepções. 

E nos indigenas de mais de quarenta annos que se observa este 
facto: como num período relativamente curto, o definhanmento 
da raça se germinou e como a sua marcha se tornou rápida. 
Vê-se que eram homens fortes, de solido organismo, o contrario 
do que succede á moderna geração. Não foram causas hereditá- 
rias que deram logar a esta transformação, e única e simples- 
mente se devem procurar no alcoolismo e na emigração. Estas 
duas causas, além de atacarem profundamente a sua constituição 
physica, veiu trazer também, como não pode deixar de ser, um 
mal social de funestas consequências: o decrescimento da popu- 
lação. 



Impossível se torna preencher o enorme vácuo que o longo 
período de quasi quatro séculos, desde a descoberta até 1845, 
deixa na historia dos povos do districto de Inhambane, motivado 
pela falta absoluta de quaesquer documentos elucidativos que se 
diz terem desapparecido numa explosão de pólvora que se deu 
íintes de 1845. 



23 

Reza outra versão, que, tendo a villa sido atacada, antes d'a- 
quella mesma época, os sitiados lançaram mão de todos os papeis 
antigos para fazerem buchas para as espingardas. Por outro lado, 
a ausência total de lendas ou tradições, e ainda a curta memoria., 
dos indigenas, concorre também para converter as opiniões que 
sobre o assumpto se formem em hypotheses de fraca authenti- 
cidade. 

Os esclarecimentos que obtive dos chefes indigenas, mesmo* 
de alguns de idade avançada, nada adiantam e, quando muito, as 
suas reminiscências, no que respeita á sua ascendência, não vão- 
além dos seus antepassados que deram os nomes ás terras que, 
habitam e dirigem. 

Presume-se que, depois da descoberta, Inhambane tivesse es- 
tado durante muito tempo por occupar e que, só de passagem^ 
algum missionário, como succedeu a Frei André Fernandes, por 
aqui se tivesse demorado algum tempo. 

A descoberta ter-se-ia dado, talvez, devido aos acasos de uma. 
arribação forçada, a que tão sujeitas estavam as naus nas suas. 
aventurosas viagens; mas, não lhe merecendo o porto o valor de 
uma occupação, e mormente nesta época, em que todas as atten- 
çoes convergiam para os portos mais ao norte, de que se diziamt 
coisas maravilhosas, o abandonassem depois de curta demora. 

E possivel mesmo que, entre este facto e a palavra Inhambane, 
exista uma certa relação: Inhambane parece ser a corrupção da. 
palavra guitonga amhane (adeus), e assim ter-se-ia formado umiv 
lenda: que, quando os portuguezes partiam, os indigenas do li- 
toral, á despedida, dissessem — adeus fambane). 

Mais tarde, os portuguezes, parece terem estabelecido uma. 
feitoria, tendo como principal objectivo o trafego de escravos,, 
cujo destino principal era o Brasil. 

Supp5e-se que a construcção da praça, de que hoje não res- 
tam vestigios alguns, coincide com a data da invasão do Mani- 
cusso (1820) *. 

E de presumir que antes não houvera necessidade de criar uma 
defesa permanente, devido á exiguidade da população e á sua. 
Índole pacifica, accrescendo também que a idéa da conquista de 



^ Manicusso era um dos chefes de guerra de mais prestigio do grande 
regulo zulo Tchaka. Cançado de fazer conquistas para o seu amo e senhor^ 
resolveu, de accordo com um outro chefe de guerra, Muzilektazi, fazerem 
novas conquistas em beneficio próprio, tornando-se independentes. 

Muzilektazi dirigiu-se para a região dos Mashonas, e Manicusso invadia,, 
em 1819, os territórios de Lourenço Marques; seguiu depois o Limpopo e 
invadia o Bilene; e, em 1820, invadia por sua vez as terras de Inhambane.- 
O Tchaka mandou um outro chefe de guerra, de nome Kaba, em sua per- 
seguição, mas este foi batido em toda a linha, ficando o Manicusso senhor 
absoluto de immensos territórios. Viveu algum tempo na Mussapa, ao norte 
do Save, vindo depois fixar definitivamente a sua residência no Bilene^ 
onde morreu. 



24 

novos territórios parecia ter sido posta de parte, substituindo-a 
por fins puramente commerciaes. 

O que era a nossa occupação fora da villa, ainda mais meio 
■século depois, isto é, 1853, dil-o o governador de Inhambane, 
Pedro Valente da Costa Loureiro, num oíBcio ao ministro da Ma- 
linha: 

As terras do dominio portuguez neste districto são habitadas por Baton- 
^as, calculando a sua população em 30:000 habitantes, dividida em quatro 
43ecções, a saber: 

1.* Sudoeste: terra dos Munhambes ou Inhambane Velho; 

2." Ao sul: terras de M arranje, comprehendendo o regulo Nhampossa, 
Nhamelala e o regulo Cumbana, nos limites das terras ; comprehendendo os 
<!abos Coguana, Matenga e Nhamuxinga (junto á praia da Maxixe) ; 

3." Ao norte: régulos Pautagana, Jogo, Furvela e Cundula; 

4." Noroeste: limitava com os régulos ínguana e Savanguana. 

Em 1830 ainda o regulo Cumbana era independente e tinha 
•dado alguma coisa que fazer ás autoridades. No officio referido, 
fazia o governador outras olservaçSes: que os Batongas eram 
humildes e cobardes. 

Por aqui se vê quanto limitada era a nossa soberania quando 
se deu a invasão dos Vatuas. 

As perturbações causadas por estes foram enormes, e abala- 
ram por completo o relativo socego que os indigenas até alli tinham 
posado. 

Calli em diante propagam-se os hábitos guerreiros dos Vatuas, 
^urge a necessidade da defesa dos povos opprimidos, nasce a 
urgência das allianças e começa para nós uma serie de vergonhas 
-e desastres, que só terminam em 1895. 

A nossa inação perante o chefe Vatua dá logar a que os indi- 
:genas, reconhecendo a nossa fraqueza, se insurjam contra a auto- 
ridade dos seus chefes, nossos alíiados ou avassallados, e as dis- 
sençÕes entre elles se tornem vulgares. Os menos irrequietos 
<íonservam-se neutraes, á espera de ensejo favorável para se 
passarem com armas e bagagens para o lado do mais forte. 

Uma ligeira noticia do que consta do archivo da secretaria 
dará uma idéa aproximada dos vexames a que nos sujeitaram 
os Vatuas e o estado de abandono a que este districto esteve 
votado até 1895. 

Anteriormente a 1845, o Manicusso, depois de ter invadido as 



Ainda ha pouco tempo fui testemunha de um facto que mostra bem o pres- 
tigio que envolvia o 5lanicusso. Tendo ido a Chaimite, onde Mousinho de 
Albuquerque prendeu o Gungunhana, fui propositadamente ao local onde 
se diz estar enterrado o Manicusso e que dista d'aquelle ponto uns dois 
Mlometros. Acompanhava-me um sipal de Chibuto. Quando alli chegámos, 
o sipal, apesar das tinturas da civilização que parecia possuir, não se pôde 
«onter que não tirasse o cofio e não soltasse um sonoro e prolongado bacte 
diante da moita de arbustos que nada tem de especial e que ensombreiam 
a jazida dos restos mortaes do potentado. 



25 

terras de Gaza, invade também as de Inhambane e, avassallando 
todos os régulos independentes, chega até á villa, que ataca, nada^ 
se sabendo, porém, sobre os resultados doeste ataque. Tempos 
depois invadiam os Vatuas novamente as terras, vindo até Ma- 
xixe, ao local onde hoje se encontra a sede da circumscripção- 
doeste nome. 

Em 1844 procuram, mais uma vez, atacar a villa, saíndo-lhes. 
ao encontro o governador, major Chaves, com os poucos sol- 
dados que tinha e os auxiliares que pôde arranjar, tendo-se dado- 
um combate perto do rio Parrué *. Nelle morreram o governador^, 
um alferes, quatorze soldados e um grande numero de auxi- 
liares. 

Em 1847 os Vatuas tentam, pela ultima vez, apoderar-se da. 
villa, chegando até Cobane. Apesar de não conseguirem realizar 
o seu intento, não íoram poucos os damnos causados, pois, na. 
sua marcha, assassinavam os habitantes, queimavam as povoações, 
destruindo e saqueando tudo que encontravam. 

No mesmo anno, o Maunze, chefe da tribu Landim-Macuacua, 
invadido pelo Manicusso, mandava embaixada ao governador,, 
A. Paulo de Sousa, pedindo protecção ao Governo Portuguez e 
propondo uma alliança. Este Maunze, que de futuro nos havia- 
de dar bastante que fazer, era filho de Dindane, que, pelos mo- 
tivos já referidos, emigrara de terras de Gaza por desavenças 
com um irmão, Bingoana, e viera occupar as terras ao centro do- 
districto. Bingoana e Dindane eram filhos de Cambanhane e netos 
de Zó, o maior regulo das terras de Gaza* antes da invasão- 
Vatua. O Manicusso, sabedor do acto praticado pelo Maunze e 
não ignorando que a villa estava defendida, mandava a Inham- 
bane uma embaixada, com um dente de marfim de presente, per- 
guntar se o Maunze era nosso tributário, e, sendo verdade, que 
este lhe fosse entregue. O governador respondeu evasivamente- 
e ao mesmo tempo, aproveitando a saída de um navio de vela,, 
que ia para Moçambique, officiava ao governador geral, pedindo^ 
com urgência forças e géneros para sustento dos habitantes da. 
praça, por recear hostilidades por parte do Manicusso, e pedia, 
também que lhe fosse permittido alliar-se com Maunze. 

Este mesmo governador queixava-se, noutros officios, que o- 
contrabando de armas e pólvora se fazia abertamente; que com 
os Batongas se não podia contar, por serem muito cobardes, e que 
fugiam ao primeiro rebate ; que, para complicar mais a situação, 
todos os dias se davam questSes entre brancos e pretos por causa 
dos escravos e do marfim. 

Em 1849 o governador, Francisco Xavier Ferreira, com- 
municava que tinha vindo encontrar a villa e o sertão em guerra^ 



* A doze kilometros da villa. 

* Terras pertencentes hoje á circumscripçâo dos Shopcs de Gaza* 



26 



Queixava-se que do tempo do seu antecessor se tinham feito es- 
tragos em terras do regulo Inguana, nosso alliado, motivo por que 
este e o Savanguana invadiam as terras dos Batongas, e que as 
Terras da Coroa se limitavam ao litoral. Fazia queixumes, dizendo 
^ue o commandante da companhia era cobarde, os soldados in- 
subordinados, e as poucas forças que tinha entregues a civis. 

Em 1850 dizia o mesmo governador para o Governo Geral 
>que os Landins se achavam todos sublevados, tendo á sua frente 
•o mais importante, o Inguana, não deixando tranquillos os Ba- 
tongas; que, emquanto se defendiam pelo norte, eram atacados 
jpelo sul, e que todos os Landins eram tributários do Manicusso. 
Pedia mantimentos para prover a praça no caso de um ataque 
^eventual e dizia, textualmente, o seguinte: «e não tendo eu 
força mais que para defender a villa, ficam as machambas ex- 
j)ostas á pilhagem d^elles e então teremos que ver a mais horrí- 
vel fome ir devastando estes infelizes habitantes ; por todos estes 
motivos, rogo a v. ex.*, condoendo-se das infelicidades doeste dis- 
íricto, o soccorrer com mais cinco ou seis mil panjas ^ de man- 
timentos, além das que peço noutro officio», etc, e mais adiante: 
<e também que, por meio do governador de Lourenço Marques, 
V. ex.* dê as suas ordens para que se façam as pazes entre o 
referido Manicusso e este districto». Por ultimo, este governador 
«dizia num oíHcio que o governador seu antecessor tinha sido o 
■causador de revoltas por motivos de historias de marfim. 

Este anno (1850) parece ter sido fértil em acontecimentos. 
A população amotina-se, prende o governador e outros funccio- 
narios por arbitraridades commettidas ; são embarcados á força 
jium brigue e enviados para Moçambique para o Governo Geral. 
A anarchia era completa. Os indígenas chegavam a desarmar a 
.guarda do forte. A chegada do novo governador, a população 
ve os soldados, com receio de represálias, abandonam a villa e 
fogem para Cobane. E necessário parlamentar, e o novo gover- 
nador garantir que tudo será esquecido, para os habitantes vol- 
tarem para as suas casas. 

Em 1851, o governador, Pedro Valente da Costa Loureiro, 
pede a demissão por não poder cumprir, segundo elle diz, as 
promessas que tinha feito aos indigenas. Neste anno, o Manicusso 
,manda uma embaixada para fazer as pazes. 

Em 1852, as coisas parece não terem melhorado, porque o go- 
vernador lamentava-se, dizendo que as banjas não se podiam 
Tealizar devido ao estado de rebellião dos indigenas e que as 
únicas communicaçÕes que existiam com Lourenço Marques, que 
•eram por terra, se não podiam effectuar, por serem a maior parte 
>das vezes interceptadas no caminho. 



litros. 



1 Medida antiga para sólidos, usada neste districto, equivalente a trinta 
os. 



27 



Em 1856, o governador, A. Correia da Silva Leote, pedia que 
lhe dessem guarnição para poder defender a villa e informava, 
que os portuguezes nem mesmo o commercio com os indígenas, 
já tinham, porque este estava nas mãos dos hollandezes. 

Em 1859, sendo governador M. Nicolau Pontes de Atayde, 
apresentou-se o regulo Nhacoongo a prestar vassallagem e, no* 
mesmo anno e para o mesmo fim, apresentavam-se os régulos- 
Inguana, Savanguana e Zonguza, dizendo não poderem suppor- 
tar mais as exigências do Manicusso. Neste anno morre este 
famoso regulo, dando-se immediatamente muitas desordens no» 
interior. Logo no anno seguinte Maunze começa a dar de si. Re- 
cusa-se a entregar os escravos pertencentes aos europeus e que- 
se tinham refugiado nas suas terras. Invade e apodera-se das- 
terras do Nharruluga. Em resposta ao Governo, que o intima a 
fazer a entrega das terras ao regulo invadido, responde: que só* 
as entregaria quando nós lhe entregássemos também a gente do- 
regulo Xindavana *, refugiada nas Terras da Coroa. 

No anno seguinte, o Maunze pagava caro estas gentilezas, pois^ 
que o successor do Manicusso, seu filho Mauéua, mandava uma^ 
embaixada ao governador de Inhambane, lembrando-lhe o que 
antes se havia combinado entre elle e os portuguezes, de, alliados, 
fazerem a guerra ao Maunze, de que ambas as partes tinhano 
aggravos. Os aggravos a que o Mauéua se referia eram por 
o Maunze, logo depois da morte do Manicusso, se ter recusado* 
a prestar-lhe vassallagem. 

Tendo o governador concordado, formou-se uma columna, com- 
posta de trezentas e sessenta espingardas, três bocas de fogo, 
oitenta praças da companhia dos mouros e auxiliares, comman- 
dada pelo governador, tendo-se-lhe juntado a,s mangas^ enviadas 
pelo Mauéua, com quatro mil homens. 

Pouco depois deu-se o combate em Muconja, tendo sido o- 
Maunze complttamente derrotado. Pouco antes de terminar o- 
combate, e já quando a derrota do chefe Macuacua era inevitá- 
vel, a familia d'elle ainda tentou fugir, mas os Vatuas, apesar da- 
opposição feita pelo governador, assassinaram-lhe a mãe e um 
filho, assim como os prisioneiros, que já tinham em seu poder. O* 
regulo Matimbi, parente e alliado do Maunze, tentou fazer as 
pazes com os Vatuas, mas estes recusaram se. Pouco depois^ 
d'estes acontecimentos, o governador mandava uma embaixada^ 



' Ignoro quem fosse este regulo. Consta apenas que elle foi morto pelo- 
Maunze, tendo nesta occasião fugido toda a gente d'elle para as Terras da 
Coroa. 

^ Mangas, termo Zulo, similhante ás nossas divisões. Os Vatuas tinham 
os seus guerreiros divididos por columnas e estas em destacamentos. Cada. 
região tinha a sua manga e o seu chefe próprio. O recrutamento fazia-se 
proporcionalmente, conservando-se apenas metade do exercito em serviço 
activo, fazendo-se, porém, rapidamente a mobilização. Surprehende simi-^ 
Ihante organização. 



28 

•cujo chefe era o capitão-mór das terras, Francisco A. Rangel, 
ao Mauéua, agradecendo-lhe, por elle ter cumprido a sua pala- 
vra e, ao mesmo tempo, communicava-lhe ter reintegrado nas 
-suas terras o Nharruluga e perguntava- lhe também quem tencio- 
nava coUocar no logar do Maunze, que constava ter morrido no 
combate. A embaixada foi encontrar o Mauéua muito zangado 
-comnosco (sic) por termos, segundo elle dizia, dado abrigo ao 
Maunze para lhe ficarmos com as terras, e que tendo elle Mauéua 
4ado ao ajudante das terras, Dauto Amade, um dente de marfim, 
este não lhe tinha mandado o que promettera em troca. Succe- 
deu que, antes doesta embaixada se retirar, appareceu uma outra 
•do Maunze, tendo-se apurado nesta occasião que elle conseguira 
fugir, auxiliado pelo chefe das mangas Vatuas, que era seu genro. 
JEm acto continuo o Mauéua deu ordem para cortar a cabeça ao 
tal chefe. Mais tarde o governador demittia, para dar satisfação 
ao Mauéua, o tal Daúto. Tempos depois mandava o Mauéua, por 
sua vez, uma embaixada a Inhambane, dizendo que promettia 
<;astigar os roubos; não consentiria mais caça aos elephantes e 
-que mandaria retirar a gente que hostilizava o presidio (Baza- 
ruto) *. 

Em 1862 apresentava-se ao governador um chefe Vatua do 
Muzila 2j communicando que o Mauéua tinha sido batido e sub- 
.stituido por seu irmão Muzila e que convidava o governador a 
fazer-se representar na sua coroação. Informava também que, 
como successor do Manicusso, desejava viver bem com os por- 
iiuguezes ; que castigaria todos os roubos praticados no tempo do 
^eu irmão e que sabia muito bem que a bandeira de Lourenço 
Marques era a mesma de Inhambane. Ao passo que assim falava 
um chefe de cor, dava-se um conflicto entre o governador de 
Inhambane, Guilherme de Portugal, e o de Lourenço Marques, 
porque, segundo este dizia, o primeiro protegia os régulos tribu- 
tários de Muzila e dava guarida aos chefes de guerra de Mauéua, 
com quem mantinha relações secretas. O resultado doeste con- 
flicto não tardava que produzisse os seus effeitos, começando 
novamente a serem invadidas as terras de Inhambane. No mesmo 
anno, o governador, J. Eduardo Ribeiro, dizia para o Governo 
Oeral que nestas questões entre o Muzila e Mauéua quem pagam 
'OS differenças são os povos de Inhambane e que procurava ter re- 



* As ilhas do Bazaruto foram dadas ao Governo em 1857 pelo regulo 
Micissa. 

* Por morte do Manicusso, dois dos seus filhos, Mauéua e Muzila, julga- 
ram-se ambos com iguaes direitos á successão. D'esto facto surgiu um con- 
flicto armado entre elles, tendo o Muzila de fugir, indo refugiar-se no Trans- 
vaal. Em 1862, Muzila, auxiliado pelo governador de Lourenço Marques, 
"travava varias batalhas, onde o Mauéua perdeu o poder, tendo de emigrar 
para o norte do Transvaal. O Muzila compromettera-se com o Governo, em 
•em troca do auxilio prestado, a constituir-se vassallo de Portugal. Muzila 
jnorreu na Mussápa, succedendo-lhe seu filho Gungunhana. 



Boinein Uodlm-ilBcuacua — Cbefe de poToaíIo 



29 



iaçoes amigáveis com o Muzila, senhor de facto de todos os ser- 
mões (sic) e que lhe mandara uma embaixada que trouxera a se- 
guinte resposta: Que desejava manter boas relações com os 
portuguezes, permittindo o negocio no mato e poderem caçar 
elephantes, mas, em troca, exigia que lhe entregassem dois che- 
fes antigos do Mauéua e umas mulheres Vatuas que estavam em 
poder da gente de Inhambane. A esta exigência respondeu o go- 
vernador: que os homens não os entregava por se acharem ao 
abrigo da bandeira portugueza e as mulheres não sabia onde se 
encontravam. 

Na villa davam-se diariamente questões entre mouros e chris- 
tãos, e os caçadores de elephantes, que de Lourenço Marques 
vinham ás terras de Inhambane, originavam muitos milandos. 
O regulado de Zavalla principiava a fazer falar de si, pelo 
;grande numero de roubos e assassinatos que alli se praticavam, 
«m virtude do que o governador, Guilherme Frederico de Por- 
tugal e Vasconcellos, resolveu lá mandar uma força e auxiliares, 
sob o commando de João Loforte. Quando a força chegou a 
líhangela, apresentou-se o regulo Mocumbi a prestar vassallagem 
•e, dois dias depois, o Guilundu. Chegou a força a Zavalla e o re- 
gulo desculpou-se com o seu vassallo chamado Dunhe, contra 
^uem foram dirigidas as operações, tendo o Dunhe de fugir, de- 
pois de ter offerecido uma pequena resistência. Ainda este inci- 
dente não estava terminado, outro surgia no Inguana. Os Vatuas 
tinham ido ás terras doeste regulo para roubarem marfim, tendo- 
Ihes sido apanhadas grandes quantidades pela força que lá foi, 
dirigida também por J. Loforte *. 

Sendo governador, pela segunda vez, João Eduardo Ribeiro, 
«m 1869, vem o regulo Macupulana^, de Gaza, pedir uma alliança 
oom o Governo. Este regulo sustentara uma guerra de seis me- 
xes com o Muzila e Maunze, alliados. O governador recusou-se, 
-e, confidencialníente ao Governo Geral, explicava: que sem armas 
não serviam para nada as allianças com pretos. 

Até os Batongas se insurgiam contra a nossa autoridade. Tendo 
morrido o regulo Jigódodo, de Cumbana, apresentaram-se dois 
pretendentes : Guemete e Quingane. Como o segundo tivesse sido 
pelo regulo, á hora da morte, indicado para seu successor, foi 
elle o escolhido, O Guemete recusou-se a reconhecer o novo re- 
gulo e exigia ao Governo que o fizesse também regulo e lhe 
desse parte das terras. Foi preciso mandar para lá uma força, 
para obstar a que o regulo fosse corrido e expulso das terras. 
Em terras do Savanguana também se davam distúrbios por 



^ Era conhecido entre os indígenas por Nhafo<*o, corrupção de Loforte, 
Durante muito tempo, e ainda hoje, fora do districto os indígenas de Inham- 
bane são conhecidos por Nhafôcos. 

2 As terras d'este regulado pertencem hoje â circumscripção dos Shopcs 
de Gaza. 



30 



causa da successão. Novamente o Zavalla se queixava de se te- 
rem revoltado contra a sua autoridade os seus cabos Cavela e 
Dacale. O governador manda intimar os referidos indigenas a 
prestarem obediência ao regulo, mas estes declaram que não 
acatavam a intimação e que se sentiam dispostos a repellir qual- 
quer força. Teve o governador de enviar novamente uma força 
e auxiliares a Zavalla, que atacou as povoações e fez fugir os 
rebeldes. 

Em 1869 ainda informava o mesmo governador ao governador 
geral da Província, o seguinte: aNeste districto, a situação que 
occupa Muzila, a uma distancia de trinta dias, pelo menos, o Mu- 
zila tem todo o território e dominio, que qualquer força saída 
doeste districto tem forçosamente de percorrer para lá chegar; 
tem o regulo Muzila uma grande parte da sua força em destaca- 
mentos pelas terras. Esta gente não deixaria de certo passar uma 
diligencia, ainda que forte, saída doeste districto com destino ao 
seu regulado, e qualquer força mandada, a não ser respeitável, 
se ria forçosamente sacriíicada, correndo também o districto grave 
risco de ser evadido pela gente de Muzila, estabelecida no Bilene, 
e pelo nosso vizinho Maunze, que é súbdito do Muzila, o qual já 
sustentou uma guerra com este districto por dois annos; estando 
em nosso auxilio a gente do Mauéua-Maunze, foi batido, mas não 
foi sujeito e de certo não perderia um bom ensejo de hostilizar 
o districto», etc, e, adiante: «O regulo Muzila, apesar das dili- 
gencias que tem tido com seu irmão Mauéua, dispõe de muita 
gente que tem no Bilene, ao sul doeste districto, espalhada pelas 
terras que domina e outra, junta de si, além do Save. Seria 
grande vantagem para toda a Província, e especialmente para 
os portos do sul, bater-se este regulo e limpar o sertão doesta 
maldita raça de Vatuas, desde Lourenço Marques até ás proxi- 
midades de Senna, porém, Inhambane, por si só, nada pode fazer, 
a não ser declarar-se uma guerra muito forte a Muzila, saída a 
ao mesmo tempo de Lourenço Marques, Inhambane e Sofala, 
saída a maior força para o regulo, na posição que occupa». 

Esta nota referia-se ao pedido de alliança e vassallagem do 
Macupulana. 

Em 1870, parte dos súbditos do Inguana, auxiliados pelo 
Maunze, revoltavam-se contra o regulo, tendo-se conseguido 
nesta occasião, com o auxilio de força armada, aprisionar os 
principaes cabecilhas, Guipene e Marrivatana. 

Em 1875, o regulo Bogucha, desapossado das suas terras pelo 
Maunze, de quem era tio, vinha pedir auxilio ao Governo, prom- 
ptiíicando-se a prestar vassallagem; mas o governador, V. Sil- 
veira Maciel, recusou-se a intervir, com receio de complicações. 
A mesma resposta dava ao regulo Guilundu, que pretendia ser 
súbdito da Coroa. Numa nota, communicava o governador que 
o Zavalla se apossara de terras pertencentes á Coroa Portugueza. 

Em 1877, vem o regulo Mazive pedir protecção, queixando-se 



31 



de ter sido desapossado das suas terras pelo Muzila, de quem era 
súbdito. O governador, todavia, recusou-se a ter qualquer inter- 
ferência no assumpto, pois, como elle próprio dizia num ofiicio : 
«Era intervir e hostilizar Muzila, o que seria um grande erro, 
cujas consequências podiam ser ao districto bastante funestas 
por ser muita a gente do Muzila e estarem as terras da Coroa, 
vergonha é dizel-o, em completo estado de abandono» e, mais 
iidiante: «Além d'isto, de nenhuma vantagem seria para o Go- 
verno emprehender uma guerra, que poderia num momento fazer- 
Ihe perder o pouco prestigio que ainda tem entre os cafres, só 
com o fim de conquistar terras de pouca importância e tornar a 
coUocar um regulo que só agora se lembra da protecção do Go- 
verno Portuguez». Neste anno morre o Maunze, succedendo-lhe 
Canhavano. 

Em 1880, Muzila invadia novamente as terras dos régulos Mo- 
cumbi e Cumbana. 

O capitão-mór requisitava armas e o governador respondia- 
Ihe que só poderia fornecer . . . umas oito espingardas era bom 
estado. Sobre esta nova proeza do Muzila, officiava o governador 
que se conservava na espectativa a ver em que paravam as modasl 
{sic) e explicava as intenções do Muzila e os motivos por que este 
queria bater o districto. Muzila mandara a sua gente fazer guerra 
s, Manoel António, mas um dos seus chefes de guerra, de nome 
Chaficar, nao se apresentou com a sua gente, tendo, porisso, sido 
condemnado á morte ou, na alternativa, de lhe ser<^m apresenta- 
das quarenta pessoas da familia d'elle. O tal chefe fugiu, tendo 
ido pedir protecção ao Mauéua, que o não pôde attender, tendo 
toda a familia vindo refugiar-se nas terras da Coroa, facto que 
não era ignorado pelo Muzila. Noutras notas dizia também este 
governador que a situação do districto era miserável, exposto 
diariamente ás correrias dos Vatuas, e que o nosso domínio sobre 
as limitadíssimas Terras da Coroa eram, por assim dizer, nuUas. 
Previa também graves acontecimentos por morte de Muzila. Num 
relatório dizia, entre outras coisas: «As Terras da Coroa estão 
cercadas pelos pretos Landins chamados Vatuas, cujo chefe, uo 
norte, é actualmente Muzila, filho do antigo potentado Mani- 
cusso. E aquella raça nossa inimiga figadal e também dos indi- 
g-enas avassallados que constituem raças mui diversas d*aquellas: 
Bitonga, Midonga e Burrangueira (!?). Esta mesma diversidade de 
raças tem protegido o districto t). 

Em 1879, o governador, J. C. de Almeida, queixava-se amar- 
gamente dos funccionarios que superintendiam sobre as Terras da 
Coroa e que uma grande parte das vezes concorriam para as 
questões indígenas. Tentou-se, pela primeira vez, fazer uma pa- 
lhota na Maxixe, mas foi impossível. Apresentou-se neste anno 
a prestar vassallagem o regulo Matímbine, facto de que se orgu- 
lhava o governador, e neste sentido felicitava o governador ge- 
ral ! Começa a emigração de indígenas para o Natal. Eevoltam-se 



32 



r 

OS régulos Zavalla e Mindu. E para lá enviada uma pequena^ 
expedição, commandada por José Loforte, e em que tomou parte 
também Caldas Xavier. Esta campanha durou quatro mezes, 
tendo sido, por ultimo, batidos os dois régulos. Nella morreram 
alguns europeus. 

Em 1882, o Canhavane invadia o Mocumbi. O então governa- 
dor, F. Augusto Schwalbach, certificava que era com extrema 
difficuldade que se cobrava o tributo dos régulos avassallados *. 
Numa nota, referia que os capitães-móres tícavam com a parte 
de leão e que exigiam outros tributos illegaes aos indigenas e que 
estes se não queixavam com receio de serem punidos por elles. 
E criado o commando militar de Inharrime. 

Em 188Õ, apresenta novamente o regulo Zavalla a sua sub- 
missão, promptificando-se o Governo a esquecer as suas faltas 
passadas. 

Em 1886, revolta-se o Quissico contra Zavalla. Intervém no 
conflicto o Governo com uma força. Neste anno presta vassalla- 
gem o Binguana^. No mesmo anno, sendo já governador A. Vidal 
de Sousa, apresentaram-se para prestar vassallagem os régulos. 
Mazive e Muabsa, mas o governador não a quiz acceitar, com 
receio de complicações de Gaza, e censurava o facto de se ter 
acceitado a vassallagem do Binguana. O residente junto do Gun- 
gunhana communicava que este ia mandar fortes coíumnas atacar 
os régulos Villanculos, Masive, Tenane, Muabsa e Inguana. Re- 
solveu o governador enviar ao encontro do chefe de guerra das 
mangas Vatuas, chamado Mapiniana, o general Fomazíni, com 
instrucçSes para se avistar com elle e mostrar-lhe a necessidade 
de sustar as suas forças, fazendo-lhe ao mesmo tempo ver que o 
Governo não tinha acceitado a vassallagem d^aquelles régulos. 
Partiu, eífecti vãmente, o general, mas, pouco depois, sabia que 
os Vatuas já tinham invadido as terras pelo norte e que o re- 
gulo Massinga fora batido. Como os Vatuas mostrassem inten- 
ções de atacar a villa pelo sul, foram também para alli mandadas 
forças. Os régulos do norte mobilizam todos os seus guerreiros. 
O mesmo fazem os do sul. Os régulos Macuacuas quedam-se 



* Este tributo consistia em cereaes e só mais tarde começaram a pagar 
em dinheiro. 

2 Binguana, irmão do Dindane e suceessor de Cambanhane, foi um do» 
régulos de Gaza que nunca se submetteu completamente aos régulos Va- 
tuas e o único que lhes offereceu séria resistência. Umas vezes só, outras 
vezes alliado com os regules Shopes, sustentou varias guerras com Mauéua^ 
Muzila e Gungunhana. Por morte do Binguana, suceedeu-lhe seu filho Es- 
padanhana, que igualmente se conservou hostil ao Gungunhana. Ainda 
hoje existem vestígios das palissadas e fossos que os povos avassallados do 
Binguana e Espadanhana construíam para resistirem aos Vatuas. Eefugía- 
yam-se também no centro das lagoas, onde construíam palhotas em cima 
de estacas, por ser expressamente defeso aos Vatuas entrarem dentro de 
agua. Desconheço a origem d'este singular costume, assim como o de não 
poderem comer peixe. 



33 



neutraes. As forças que tinham ido para o sul são mandadas re- 
tirar para Cobane, não se sabendo porquê, e as forças do norte 
estacionam em Morrumbene. Poucos dias depois, os Vatuas in- 
vadem o Inguana. O general Fornazini envia as forças de seu 
commando ao seu encontro. 

A 23 de outubro de 1886 dava-se o combate do Chicungussa *, 
em que fomos completamente derrotados, tendo morrido alguns 
brancos e muita gente dos régulos alliados. Em seguida ao de- 
sastre, como os Vatuas teimassem em permanecer nas terras, prin- 
cipia a luta de emboscadas e guerrilhas, que a natureza do ter- 
reno e matas densas favorecem. Nâo tarda que os Vatuas come- 
cem a enfraquecer; alguns morrem envenenados por terem 
comido géneros deixados por uns missionários. Os mantimentos 
faltam e a morte dizima-os em grande numero, pelo que se vêem 
na necessidade de se retirarem. 

Em 1887, os Vatuas invadem outra vez as terras, vindo até 
Mutamba. O mesmo fazem em terras do Binguana, que, com 
o nosso auxilio, consegue fazer frente aos Angonis^. 

E certo que os Vatuas soíFrem revezes, mas a falta de socego 
continua, obrigando a conservar-se uma permanente vigilância. 
Ao norte, uns cabos de Mazive revoltam-se contra o regulo e 
passam-se para os Vatuas. O regulo pede auxilio ao Governo, 
mas este recusa a intrometter-se, e o regulo vê se obrigado, só 
por si, a mettel-os na ordem. Neste anno vieram prestar vassal- 
lagem os régulos Mazive e Tenane. O Magandane ^, successor 
de Canhavano, declara-se abertamente pelos Vatuas. São criados 
os commandos militares de Tembe * e Maxixe. O regulo Matimbe 
é preso e enviado para Moçambique, por se ter envolvido em 
guerra com um seu vizinho, o regulo Nhamussua, por uma ques- 
tão de limites. 

Em 1889, o intendente de Gaza avisava o governador de 
Inhambane que todas as forças do Gungunhana, com este pró- 
prio á frente ^, deviam atravessar o districto em direcção ao Bile- 
ne, recommendando que devia haver toda a cautela, muito princi- 
palmente pelo ódio que o Gungunhana nutria pelo Binguana. No 
mesmo sentido se manifestava o governador geral, dizendo que 
devia haver muita prudência e se devia mandar ao encontro dos 
Vatuas gente conciliadora, a fim de evitar conflictos. Sobre a 
passagem do Gungunhana, dizia o governador, para o Governo 



* Chicungussa fica em terras do regulo Inguana> circumscripçâo de 
Panga, e a uns vinte kilometros da sua sede. 

* Nomes por que eram conhecidos os Vatuas. 
3 Successor do seu irmão Maunze. 

* Depois mudou-se definitivamente para as terras do cabo Manhica. 

* Viveu durante muito tempo na Mussápa vCompanhia de Moçambique). 
Nessa occasiao resolveu fixar a sua residência no Bilene, por lhe terem 
morrido alli duas das suas mulheres. 



34 



Geral, entre varias coisas: «Que estou certo serem as inten- 
s5es do Gungunhana as melhores possíveis com relação aos povos 
de Inhambane e nem menos era de esperar do animo generoso do 
vencedor de 1886 (referia-se ao combate de Xicungussa). O que, 
porém, julgo é que será difBcil evitar conflictos. Gungunhana 
traz, segundo affirma o residente chefe de Gaza, cerca de cem 
mil homens», etc, e depois: «para evitar complicações, mandei que 
os régulos do norte retirassem para o Mongo *, onde acamparão 
durante os dias que durar a passagem dos Vatuas. A todos fiz 
saber que o Gungunhana vinha com intenções pacificas e que á 
nossa gente era absolutamente prohibido provocar os Vatuas í. 
Sobre um conselho do governador de Lourenço Marques, para 
ter toda a gente armada, na eventualidade de qualquer aconteci- 
mento, o governador de Inhambane pedia instrucções ao Governo 
Geral, dizendo: «que preparar-se para a defensiva era uma or- 
dem quasi de guerra». O governador geral respondeu: «que não 
devia armar ninguém, por ser imprudente». Depois da passa- 
gem do Gungunhana, oíficiava o governador para Moçambique, 
com immenso regosijo: «não ter havido guerra com os Vatuas 
na sua passagem pelas Terras da Coroa; que elles tinham rou- 
bado os mantimentos, mas não tinham morto ninguém; que tudo 
isto se devia ás ordens dadas, conseguindo-se fazer respeitar 
pelos régulos, gente em extremo aguerrida {sic) e ter feito com 
que estes tivessem offerecido presentes ao Gungunhana e víveres 
a seus guerreiros!» 

Tendo já o Gungunhana fixado a sua residência em Gaza, veiu 
o regulo Espadanhana^ implorar protecção ao Governo contra 
o cerco dos Vatuas e que lhe fazia morrer muitos dos seus 
vassallos de fome. O governador de Inhambane avistou-se com 
o intendente Casaleiro para pôr termo a este cerco. O Casaleiro 
declarou, porém, existir um tratado com o Gungunhana, pelo 
qual se lhe promettia as terras do Espadanhana, e que elle não 
podia, sem quebra da sua dignidade e sem passar por desleal, 
obstar a que elle se apoderasse das terras que o Governo lhe 
dera. A população de Inhambane fez, nesta occasião, uma repre- 
sentação ao governador, pedindo-lhe para o Espadanhana con- 
tinuar na posse do que era d^elle, tendo ido uma embaixada 
implorar do Gungunhana que levantasse o cerco. O governador 
informava ao Governo Geral textualmente o stguinte: «E pos- 
sível que haja engano nas noticias e que o Gungunhana nem 
sequer pense (por agora) em atacar de novo as terras, mas o que 
é certo é estarem os régulos receosos, e não obedecerem ao Go- 
verno, por temerem desgostar o Gungunhana, que julgam mais 
forte-b. 



* A dezoito kilometros da Maxixe. 
2 Filho do Binguana. 



35 

cQue o Gungunhana, esquecendo os compromissos contrahidos 
com o Governo Portuguez, vae, pouco a pouco, esbulhando os povos 
que nos pertencem e a quem devemos protecção», etc, e depois: 
te. . . muito embora os residentes e intendentes asseverem, por 
conveniência d^elles, o contrario.^ a verdade é que os factos es- 
tão demonstrando o contrario. E tal o receio que a gente de 
Inhambane tem dos Vatuas, que quasi posso affiançar que basta 
uma manga de Vatuas para ir do sul ao norte, levando diante de 
si, aterrados, os sipaes das terras». Noutras notas, fazia queixa 
dos intendentes, que, segundo as suas próprias palavras, só en- 
tendiam das suas conveniências. Como prova de boa fé do Gun- 
gunhana, communicava que, naquella data, agente do Gungunhana 
invadira os Shopes e acampara no Guilundu, de onde não que- 
riam sair sem aprisionar o regulo de Zavalla. 

Em 1891, o intendente, Paiva Raposo, officiava ao governador 
declarando que o Gungunhana queria novamente bater o Quissico 
e Zavalla, e pedia se auxiliasse o Gungunhana com uma metra- 
lhadora, e, por fim, informava que elle próprio também ia com as 
rnangas. No mesmo anno, o Gungunhana mandava emissários ao 
Inguana a fim d'este lhe prestar vassallagem. O Guilundu pratica 
uma serie de extorsões e assassinatos. O Governo, depois de 
muitas queixas, intervém e intima o regulo a apresentar-se, o 
que este só fez sob a ameaça de uma guerra immediata. 

Em 1892, o Zavalla, Mavilla, Canda e Zandamella, alliados, 
declaravam guerra ao Quissico, Mindu e Guilundu, matando-lhes 
muita gente. Averiguada a origem doesta guerra, veiu a saber-se 
que fora o chefe das terras de Zandamella, induna e irmão do 
Gungunhana, que, por ordem doeste, a determinara e a dirigira 
com outros chefes Vatuas. Irisava o governador, em nota, acerca 
d'este facto, a facilidade com que os régulos Shopes, victimas 
do Gungunhana, se puzeram de repente dispostos a auxiliar este 
contra povos da mesma raça e vizinhos, sendo todos nossos avas- 
sallados. No mesmo anno, um cabo de Cumbana, Jano, auxiliado 
pelo regulo, destruia e matava muitos indigenas das terras de 
um seu tio, Nhancaje. O governador mandou que um major pro- 
cedesse immediatamente contra os dois, mas este recusou se, não 
se sabe porquê. Queixava-se o governador que estes casos de insu- 
bordinação eram notórios. E criado o commando de Chicomo. 

Em 1893, o Gungunhana, sob pretexto de uma caçada, quer 
reivindicar as Terras da Coroa, que dizia pertencerem-lhe, por 
terem sido do seu pae Muzila. 

Em 1894, o regulo Massinga não quer obedecer ao Governo, 
não tendo chegado a haver coisa de maior, por ter para lá mar- 
chado uma força. Dois cabos do regulo Machavela guerrearam-se 
e combateram á vontade, sem que o Governo, ou o regulo, in- 
terviessem. Segundo a opinião do governador, a sua abstenção 
explicava-se por a insubordinaqào não ser contra o Governo, No 
mesmo anno é enviada uma força ao Nhakutô, a castigar este, 



36 



para dar satisfação ás reclamações do Gungunhana, que se quei- 
xava do Nhakutô dar protecção e acceitar toda a gente que lhe 
fugia. E, finalmente, neste anno que se iniciaram as operações 
de guerra, que terminaram no anno seguinte tão gloriosamente 
para nós. Resultou doesta campanha o aniquilamento do império 
dos Vatuas, tornando eíFectiva a nossa soberania, que até alli só 
existia nas cartas geographicas. Demos aos indígenas um forte 
exemplo de força, que elles nos não suppunham e se tornava 
absolutamente necessária, tirando-lhes, de futuro, quaesquer vel- 
leidades de resistência. 

# # 

Tanto quanto nos é dado conjecturar, cada raça teria tido um 
só chefe ou chefes por tribus emigradas em épocas diffe rentes. 
No sul, e não em tempos muito longinquos, devia ter sido um 
ascendente do Zavalla o chefe supremo e fundador da dynastia 
Shope. Um ascendente do Mocumbi, teria sido simplesmente o 
chefe de uma tribu Landim e não o chefe doesta raça, pois que ou- 
tras tribus com a mesma origem, com os seus chefes próprios, 
teriam vindo occupar o norte, e é natural que estas tribus não 
viessem ao mesmo tempo. A agricultura, por exemplo, desde tem- 
pos immemoriaes, era conhecida dos Landins do sul, émquanto 
que, á data da invasão dos Vatuas, era ao norte quasi desconhe- 
cida, e, tanto assim, que estes últimos chamavam aos Landins 
do norte Machenguas, que significa gente que vive só de raizes, 
de fruta e da caça *. 

No sentido em que os Vatuas empregavam o termo queriam 
significar o seu desprezo. Os successores e representantes dos 
antigos chefes dos Landins do norte deviam ter sido o Mazive 
e o Villanculos. Todos os outros régulos, como o Massinga, o 
Inguana e o Savanguana, são régulos de data relativamente re- 
cente. Com os Batongas deve-se ter dado o mesmo caso dos 
Bashopes. Creio ser um antepassado do Cumbana o chefe da 
raça Tonga. O chefe dos Landins-Macuacuas foi, como se sabe, 
o Dindane. O grande numero de régulos independentes que hoje 
existem é a consequência natural do desenvolvimento da popu- 
lação e inevitável expansão. Também contribuiu a politica seguida 
pelo Governo, a quem convinha este desmembramento de terras 
e de gente, mas que degenerou em excesso, criando embaraços 
á boa administração sobre os indigenas. 

Procurei restabelecer a ascendência, por ordem chronologica, 
dos régulos actuaes, e outros detalhes que interessassem á sua 
historia, mas, como se vê, pelas razoes já citadas, ficou este tra- 
balho muito incompleto, o que foi independente da minha vontade. 



^ Ainda o anno passado encontrei nas margens do rio Aluize alguns 
Landins vivendo nestas condiçOes, miseravelmente. 



37 



1.* circumscripção 

Villanculos 

Regalado. — Mazive. 

Regalo. — Zilo. 

Raça. — Landim (1.* invasão). 

limites das terras. — Terras dos régulos Inguana, Manhiça e 
Muabsa; terras do Guijá e rio Aluize. 

Ascendeacia. — Mazive: deu o nome ás terras. Xicassa, neto de 
Mazive. Tanguana, primo de Xicassa. Move, primo de Tan- 
guana. Macuene, primo de Move. Massalala, irmão de Macuene. 
Ulane, irmão de Massalala. Chuboma, irmão de Ulane. Boelela, 
irmão de Chuboma. Chingogoluane, irmão de Boelela. Zilo, ir- 
mão de Chingogoluane e regulo actual. 

Regulado. — Muabsa. 

Regalo. — Macachula. 

Raça. — Landim (1.* invasão). 

Limites das terras. — Terras dos régulos Mazive, Manhiça, Ma- 
pinhana e territórios da Companhia de Moçambique. 

Ascendência. — Muabsa: deu o nome ás terras. Ucbico, filho de 
Muabsa. Chichime, irmão de Uchico. Macuene, sobrinho de Chi- 
chime. Mauelele, irmão de Macuene. Riguinhane, irmão de Maue- 
iele. Minhane, irmão de Riguinhane. Macachula, filho de Minhane 
e regulo actual. 

Regalado. — Manhiça. 

Regalo. — Tandavato. 

Raça. — Landim (1.* invasão). 

limites das terras. — Terras dos régulos Inguana, Mazive, Vil- 
lanculos, Zonguza e Mapinhana. 

Ascendência. — Manhiça: deu o nome ás terras. Caicai, filho de 
Manhiça. Milalene, irmão de Caicai. Muluguiane, irmão de Mi- 
lalene. Manhicane, irmão de Muluguiane. Rucuane, sobrinho de 
Manhicane: este regulo teve a revolta de dois cabos seus subor- 
dinados. Chanzucane, irmão de Rucuane: teve guerra com os 
régulos Inguana e Savanguana. Pachane, sobrinho de Chanzu- 
cane. Inze, tio de Pachane. Xigamane, sobrinho de Inze. Tan- 
davato, irmão de Xigamane e regulo actual. 

Mazive e Muabsa eram filhos de Massingue ; Manhiça era irmão 
de Massingue; Massingue, filho de Xissuane; Xissuane, filho de 
Oangaza Rigane, o chefe da tribu e fundador da dynastia. 

Regalado. — Mapinhana. 

Regalo. — Colela. 

Raç9. — Landim (1.* invasão). 

limites das terras. — Terras dos régulos Manhiça, Muabsa, Vil- 



38 

lanculos, Oceano Indico e territórios da Companhia de Moçam- 
bique. 

Ascendência. — Mapinhana: deu o nome ás terras. Muchesse^ 
íilho de Mapinhana. Maulela, filho de Muchesse. Chimbutza, ir- 
mão de Maulela. Goleia, filho de Chimbutza e regulo actual. 

Regalado. — Villanculos. 

Regalo. — Mucosse. 

Raça. — Landim (1.* invasão). 

Limites das terras. — Terras dos régulos Mapinhana, Manhiça,. 
Zonguza e Oceano Indico. 

Ascendência. — Villanculos: deu o nome ás terras. Xivessele, 
filho de Villanculos. Mocumbi, irmão de Xivessele. Machanissa, 
sobrinho de Mocumbi. Manguele, primo de Machanissa. Mas- 
selane, irmão de Manguele. Nhabanhane, irmão de Masselane» 
Moiovane, irmão de Nhambanhane: foi deposto por incapacidade» 
Mucosse, irmão de Maiovane e regulo actual. 

Villanculos era filho de Rechilambo; Mapinhana, neto de Re- 
chilambo, o provável fundador d'esta dynastia. 

2.* ciroumscripção 

Massinga 

Regulado. — '^unguza. 

Regalo. — Macache. 

Raça. — Landim (1.* invasão). 

Limites das terras. — Terras dos régulos Inguana, Villanculos^ 
Massinga e C. I. Malova, Licumbe, Agui, Guizugo e Mahocha» 

Ascendência. — Chilombo: foi um dos régulos do districto que- 
mais tempo reinou nas suas terras; era cabo avassallado de Vil- 
lanculos, e, tendo-se revoltado, tornou-se independente; foi in- 
vadido pelo Manicusso, de quem se tornou tributário. Mac^jmba, 
filho de Chilombo. Macache, filho de Macomba: invadido pelos 
Vatuas no tempo do Gungunhana; tornou-se vassallo do Groverno» 
em 1859; é o regulo actual. 

Regalado. — Massinga. 

Regalo. —Vago. 

Raça. — Landim (1.* invasão). 

Limites das terras. — Terras dos régulos Villanculos, Zonguza,. 
C. I. Chilacua, Basso e Oceano Indico. 

Ascendência. — Massinga: deu o nome ás terras; era vassallo do. 
regulo Villanculos; revoltou-se, tomando-se independente e obri- 
gando o regulo Villanculos a retirar-se. mais para o norte, para. 
as terras que presentemente occupa. Chuóhu, filho de Massingar 
foi invadido pelo Manicusso. Liango, filho de Chuóhu: invadida 
pelo Manicusso. Limane, filho de Liango: inv^-dido pela gente do- 



39 

Mauéua. Nhafole, filho de Timane: este regulo foi assassinado 
jor ordem do Inguana Mabacanhe, irmão de Nhafole: invadido 
pelo Gungunhana, de quem se constituiu tributário. Chipumbo, 
filho de Mabacanhe. Mazonda, irmão de Chipumbo. Modumo, 
tio de Mazoma. Gumena, irmão de Muduma. Machochuana, ir- 
mão de Gumena: foi deposto e desterrado para Zavalla por des- 
obediência ao Governo. Chipendane, irmão de Machechuana: 
deposto e desterrado para Viiianculos, onde ainda vive. 

3.* circumscripção 

Panga 

Regulado. — Inguana. 

Regalo. — Mussanhana. 

Raça. — Landim. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Zonguza, Massinga, 
Mazive, Viiianculos, Savanguana, Peúga, Guifutela, Cundula, 
-Jogo e C. I., Quissico Grande, Cabo Primeiro e Madanjela. 

Ascendência. — Mataleque: um dos ascendentes doeste regulo era 
-cabo avassallado do regulo Viiianculos; tendo-se revoltado com 
-os outros cabos Savanguana e Massinga, ficou sendo cabo doeste 
4iltimo; mais tarde, um outro seu ascendente revoltou-se também 
•contra o Massinga, tornando-se completamente independente. 
Boane, filho de Matalégue: invadido pelo Manicusso, de quem se 
tornou tributário; foi deportado para Moçambique, por ter guer- 
reado com um chefe indígena. Marrumba, irmão de Boane: in- 
vadido pelos Vatuas do Mauéua. Chigamane: teve guerra com 
os portuguezes, originada por uma questão de um dente de ele- 
phante; prestou vassallagem ao Governo; era irmão de Mar- 
rumba. Manhalacule, irmão de Chigamane: teve uma revolta dos 
seus cabos Guipene e Marivatana, que erain auxiliados pelo 
Maunze; interveiu o Governo, que auxiliou o regulo, aprisio- 
-nando os dois cabos. Linguelo, irmão de Manhalacule. Mapu- 
anule, irmão de Linguelo. Chicoze, irmão de Mapumule: foi no 
tempo doeste regulo que se deu o combate do Chicungussa, em 
1886, contra os Vatuas. Togomela, sobrinho de Chicoze. Gueve, 
irmão de Togomela: invadido pelos Vatuas do Gungunhana. 
Marrivatana, primo de Gueva: esteve interinamente governando 
as terras por estar ausente o Mussanhana, em Moçambique, 
'Como soldado. Mussanhana, irmão de Marrivatana e regulo actual. 

Regalado. — Savanguana. 
Regalo. — Vago. 
Raça. — Landim. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Inguana, Mazive, Ma- 
.chavela, Furvela e rio Domo. 

Ascendência. — Savanguana, antigo cabo Viiianculos: depois da 



40 

revolta do Massinga, passou a ser cabo avassallado doeste; re- 
voltou-se depois contra o Massinga, tornando-se independente. 
Manengue, irmão de Savanguana: prestou vassallagem ao Go- 
verno. Pó, irmão de Manengue. Malacha, irmão de Pó: no tempo- 
doeste regulo deu-se o combate do Chicungussa. Minhota, irmãO" 
de Malacha. Macachula, irmão de Minhota: foi deposto e dester- 
rado. Manicua, irmão de Macachula e ultimo regulo: foi deposto 
e desterrado para Zavalla, por falta de pagamento de imposto 
de cabaia. 

4.* circumscripção 

Morrumbene 

Regnlado. — Guifutela. 

Regulo. — Marrenguissa. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Cundula, Cocane, Gui- 
longo e C. I., Nhacoe e Madajela. 

Ascendência. — Macucha: os seus antepassados eram vassallos 
do regulo Massinga; prestou vassallagem ao Governo. Nhaben- 
gue, irmão de Macucha. Nhaxerre, irmão de Nhabengue. Ma- 
cuamula, filho de Nhaxerre. Maxongane, irmão de Macuamula- 
Marronguene, sobrinho de Machongane. Mafele, irmão de Mar- 
ronguene. Marrenguissa, irmão de Mafele e regulo actual. 

Regalado. — Peluga. 

Regulo. — Gamene. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Guilondo, Jogo, Cun*- 
dula e Guifutela. 

Ascendência. — Godela: veiu de Inhambane Velho ; prestou vas- 
sallagem ao Governo. Peluga, filho de Godela: deu o nome ás 
terras. Mamiela, irmão de Peluga. Massarrongue, filho de Ma- 
miela. Macarrala, irmão de Massarrongue. Gamene, irmão de 
Macarrala e regulo actual. 

Regulado. — Mata. 

Regulo. — Magol. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Magumbu, Pataguana,. 
C. I. Massave e Oceano Indico. 

Ascendência. — Muende: os seus antepassados eram vassallos do 
regulo Massinga; prestou vassallagem ao Governo. Nhamende, 
filho de Muende. Guiono, irmão de Nhamende. Xingane, irmão* 
de Guiono. Dulage, irmão de Xingane: foi deportado para o Ba- 
zaruto por se ter recusado a cumprir as ordens da autoridade, 
Magol, irmão de Dulage e regulo actual. 



41 



Regnlailo. — Guilongue. 

Regulo. — Guibando. 

Raça. — Tonga. 

Limit<^8 das terras. — Terras dos régulos Cundula, Peluga, Gui- 
futela, Jogo e rio Furvela. 

Ascendência. — Guilongue: deu o nome ás terras; os seus ante- 
passados eram vassallos do regulo Massinga; prestou vassalla- 
^em ao Governo. Cobine, filho de Guilongue. Machangue, filho 
de Cobine. Machenhe, irmão de Machengue. Khamanje, irmão 
de Machenhe. Matuve, irmão de Nhamanje. Mangaúla, filho de 
Matuve. Machimbane, irmão de Mangaúla. Guibando, irmão de 
Jíachimbane e regulo actual. 

Regulado. — Pataguana. 

Regalo. — Chengane. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Magumbu, Guifutela e 
O. I. Mabuana. 

Ascendência. — Pataguana: deu o nome ás terras; os seus ante- 
passados eram vassallos do regulo Massinga; prestou vassalla- 
^em ao Governo. Bume, filho de Pataguana: teve guerra com 
um irmão de nome Nhangole por causa da successão, tendo in- 
tervido o Governo em auxilio do primeiro. Nhabanguele, irmão 
<le Bume. Machoze, irmão de Nhabanguele. Mapenguissa, sobri- 
nho de Machoze. Marrambane, irmão de Mapenguissa. Chen- 
gane, irmão de Marrambane e regulo actual. 

Regnlado. — Cocane. 

Regulo. — Maputumane. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Cundula, Guifutela e 
TÍo Duane. 

ascendência. — Cundula: as suas terras foram divididas, consti- 
tuindo dois regulados. Cocane: deu o nome ás terras; genro de 
Cundula e seu cabo avassallado, revoltou-se, tornando-se inde- 
pendente; foi castigado mais tarde, por se ter recusado a forne- 
•cer auxiliares na guerra com o Zavalla, Marrenguene, filho de 
Cocane. Maputumane, filho de Marrenguene. Marrenguene, ir- 
mão de Maputumane e regulo actual. 

Regalado. — Cundula. 

Regulo. — Daniela, 

Raça. — Tonga. 

limites das terras. — Terras dos régulos Cocane, Guifutela, Gui- 
longo e rio Furvela. 

Ascendência. — Cundula: deu o nome ás terras; as terras doeste 
regulado foram offerecidas ao Governo pelo regulo Massinga. 
Imbuinde, filho de Cundula. Colela, irmão de Imbuinde. Marri- 



42 



vata, filho de Goleia. Jiono, irmão de Marrivata. Jijila, irmão 
de Jiono. Daulela, filho de Jijila e regulo actual. 

Regalado. — Magumbu. 

Regulo. — Xurrane. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Cocane, Linga-Linga> 
e Pataguana. 

Ascendência. — Magumbu: prestava vassallagem ao Groverno; 
deu o nome ás terras. Guirronde, irmão de Magumbu. Currussa, 
filho de Guirronde. Pataleigue, filho de Currussa. Tombuane, 
irmão de Pataleigue. Jamula, irmão de Tombuane. Xurrane, ir- 
mão de Jamula e regulo actual. 



I. — Linga-Linga. 

Regalo. — Marrieta. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras do regulo Magumbu e Oceano In- 
dico. 

Ascendência. — Ingogue: prestava vassallagem ao Governo. Jo- 
mane, filho de Ingogue. Ronda, irmão de Jomane. Pagane, irmão 
de Ronda. Vuca, irmão de Pagane. Marrieta, irmão de Vuca e^ 
regulo actual. 

Regalado. — Marrucua. 

Regalo. — Tomo. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos C. I. Matapiça, Malai, Mam- 
buila e Muagui. 

Ascendência. — Guiane: era cabo avassallado do regulo Mas- 
singa. Buvane, sobrinho de Guiane. Marrucua, filho de Buvaner 
prestou vassallagem ao Governo; deu o nome ás terras. Maca^ 
che, irmão de Marrucua. Matengue, filho de Mafache. Mauéua„ 
tio de Matengue. Tomo, sobrinho de Mauéua e regulo actual. 

Regalado. — Jógó *. 

Regalo. — Cypriano. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Furvela, Guilongue^ 
Inguana e rio Jógó. 

Ascendência. — Tagu: era cabo avassallado do regulo Inguana; 
teve guerra com este por querer prestar vassallagem ao Go- 
verno, que veiu em seu auxilio, tornando-o regulo independente; 
mais tarde, esteve preso na villa por desobediência ao Governo ; 



* Jógôj em guitoDga, quer dizer macaco. A origem d'este nome proveiur 
do facto de, durante a guerra do Inguana com o Tagu, este, não podendo 
atacar abertamente o Inguana, que era poderoso, o hostilizava por meio da 
embuscadas e sempre occulto no mato. 



43 



foi assassinado por gente do Inguana; Marrumane, filho de Tagu. 
•Quengue, irmão de Marrumane. Salela, irmão de Quengue. Cun- 
zumula, sobrinho de Salela. Bambamaioana, filho de Cunzumula. 
Xumelo, irmão de Bambamaioana. Cypriano, sobrinho de Xu- 
melo e regulo actual. 

Regulado. — Furvela. 

Regulo. — Maubane *. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Jógó, Inguana, Savan- 
g-uana e rio Nhanombe. 

Ascendência. — Nhamague: o seu ascendente, Furvella, era cabo 
Avassallado do Savanguana; prestando vassallagem ao Governo, 
tornou-se independente. Goi, filho de Nhamague. Peni, filho de 
•Goi. Xicapane, irmão de Peni. Marrive, irmão de Xicapane. 
Madingue, filho de Marrive. Madaucanhe, sobrinho de Madingue. 
Fonseca, irmão de Madaucanhe. Maubane, irmão de Fonseca e 
regulo actual. 

5.^ circumscripção 

Homoine 

Begolado. — Mocumba. 

Regalo. — Uputo. 

Rj»ça. — Landim-Macuacua (2.* invasão). 

Limites das terras. — Terras dos régulos Machavela, Bogucha, 
Cocalane, Magóle e rio Nhanombe ou Nhamussua. 

Ascendência. — Cucua, também conhecido por Mocumba ou Mo- 
-cumbana, irmão de Dindane e tio de Maunze: deu o nome ás 
terras; este regulo, tendo fugido do Bilene, veiu para as terras 
de Inhambane, dando origem a dois regulados: Bogucha e Mo- 
•cumba; este regulo prestou vassallagem ao Governo. Xacanhete, 
irmão de Cucua. Xocolatane, irmão de Xacanhete, Xiéa, irmão 
de Xocolatane. Mabecuana, primo de Xiéa. Vuca, irmão de Ma- 
becuana. Xipumbo, irmão de Vuca: foi invadido pela gente do 
Magandane. Mazonda, irmão de Xipumbo: auxiliou o Governo 
na guerra do Xicungussa. Tenga, irmão de Mazonda. Panga, 
jprimo de Tenga: morreu, estando preso na villa. Naianga, so- 
brinho de Panga. Xizavana, irmão de Naianga: foi deposto e de- 
portado para o Guizugo. Uputo, sobrinho de Xizavana e regulo 
-actual. 

Regulado. — Bogucha. 
Regulo. — Zulo. 



* Este regulo poucos esclarecimentos pôde dar, devido á sua avançada 
Âdade e estado de demência. 



44 



Raça. — Landim-Macuacua (2.' invasão). 

Limites das terras. — Terras dos régulos Mocumba, Cocalane e 
Cumbana. 

Ascendeacia. — Xilatana, filho de Macumbana, primo de Maunze^ 
tributário do Manicusso: foi para o Bilene, onde morreu, tendo 
deixado no regulado seu sobrinho Bogucha. Bogucha, sobrinho 
de Xilatana: deu o nome ás terras; invadido pelo Maunze, fugiu 
para Guilála, voltando mais tarde ás terras ; prestou vassallagem 
alguns annos depois. Xixangue, irmão de Bogucha. Biane, so~ 
brinho de Biane e regulo actual. 

Regalado. — Nhamussua. 

Regulo. — Marrenjo. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Mocumba, Moguba^ 
Matimbe, Machavela e Bembe. 

Ascendeacia. — Marrive: era tributário do Governo; teve guerra 
com Matimbe por uma questão de limites. Xiluate, irmão de 
Marrive. Guinhale, irmão de Xiluate. Xigombà, irmão de Gui- 
nhale: entrou no combate de Xicongussa, tendo-lhe morrido al- 
guma gente. Matimbe, irmão de Xigomba. Nhamututuana, so- 
brinho de Matimbe. Nhissa, irmão de Nhamututuana. Vuca, ir- 
mão de Nhissa. Marrenjo, primo de Vuca e regulo actual. 

Regalado, — Urrene. 

Regalo. — Xipumbo. 

Raça. — Landim-Macuacua (2.* invasão). 

Limites das terras. — Terras dos régulos Bogucha, Quengue^ 
Machavela, Savanguana, Cocalane, Manguele e Mazive. 

Ascendência. — Urrene: tributário, primeiro de Dindane e depois 
de Maunze. Guma, filho de Urrene: morreu envenenado por or- 
dem de Maunze. Guilane, irmão de Guma: foi invadido pelos 
Vatuas. Matimela, irmão de Guilane: morreu, quando fugia aos 
Vatuas. Bamane, irmão de Matimela: prestou vassalagem ao Go- 
verno; morreu no Bembe, para onde tinha fugido. Rivalua, irmão- 
de Bamane: morreu no Nhamussua, onde se tinha refugiado* 
Mandaucane, irmão de Rivalua. Macuarrumula, irmão de Man- 
daucane. Mafôce, irmão de Macuarrumula: invadido pelo Maunze^ 
fugiu para o litoral. Chipumbo, sobrinho de Mafôce e regulo- 
actual. 

Regolado. — Machavela. 

Regalo. — Dinguindo. 

Raça. — Landim-Macuacua (2.^ invasão). 

Limites das terras. — Terras dos régulos Matimbe, Quengue^ 
Urrene, Mocumba, Bogucha, Savanguana e rio Bomo. 

Asceodencia. — Matimbe: era cabo avassallado do Mocumba; 
revoltou-se e, com o auxilio de Maunze, tornou-se independente^ 



Tatuagem do muíber Tiinga 



45 



ficando a pagar um tributo a este; foi morto numa caçada por 
gente do Mocumba. Xilemane, sobrinho de Matimbe. Nhaxe- 
cuana, filho de Xilemane: prestou vassallagem ao Governo. Din- 
guindo, irmão de Nhaxecuana e regulo actual. 

Regulado. — Moguba. 

Regalo. — Amane. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos tegulos Nhamussua, Matimba, 
?urvela e Savanguana. 

Ascendência. — Gobane: era tributário de Maunze; foi invadido 
pela gente do Muzila. Macocane, irmão de Gobane: prestou vas- 
sallagem ao Governo. Maulela, irmão de Macocane: morreu no 
commando, onde estava preso por falta de pagamento do imposto 
ce palhota. Amane, irmão de Maulela e regulo actual. 

Regnlado. — Quengue. 

Regulo. — Vago. 

Raça. — Landim-Macuacua (2.* invasão). 

Lífliítes das terras. — Terras dos régulos Urrene, Savanguana e 
Cocalane. 

Ascendência. — Quengue: deu o nome ás terras; foi tributário de 
Bindane e depois de Maunze. Xabelane, filho de Quengue. Bilane, 
irmão de Xabelane. Marrinhane, irmão de Bilane. Xissengane, 
irmão de Marrinhane: prestou vassallagem ao Governo. Mapuune, 
irmão de Xissengane. Umulane, sobrinho de Mapuune: invadido 
pela gente do Mogandane, fugia para terras do Savanguana. Ta- 
ningane, irmão de Umulane: foi deposto e desterrado para Cum- 
bana. Machonganhane, primo de Taningane e ultimo regulo. 

Regulado. — Matimbe. 

Regulo. — Machachulane. 

Raça. — Landim. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Nhamussua, Moguga, 
Machavela e Savanguana. 

Ascendência. — Matimbe: deu o nome ás terras; era tributário 
de Maunze; teve guerra com o Nhamussua por questão de limi- 
tes; tendo intervido o Governo em auxilio de Nhamussua, foi 
aprisionado e enviado para Moçambique; antes tivera guerra 
também com o Mocumba, tendo estado durante algum tempo re- 
fugiado em terras de Savanguana. Massemane, irmão de Ma- 
timbo. Jingo, irmão de Massemane. Xicoane, tio de Jingo: inva- 
dido pelos Vatuas, fugiu para terras de Cumbaua, onde morreu. 
Mussuvela, irmão de Xicoana: invadido pela gente do Mauéa, 
por ter querido prestar vassallagem ao Governo, foi morto pelo 
inimigo. Mussungunhana, irmão de Mussuvela: prestou vassalla- 
gem ao Governo em 1879. Machachulane, sobrinho de Mussun- 
gulane e regulo actual. 



46 



6/ circumscripçâo 

Maxixe 

Regnlatlo. — Nhatitima. 

Regulo. — Nharruluga. 

Raça. — Tonga. 

Límiles das terras. — Terraâ dos régulos Macupula, Bemb^ 
C I., Chambone e bahia. 

Asceiídciicia. — Saranga. Nhaurriane, filho de Saranga: invadidí) 
pelos Vatuas do Mauicusso. Nhatitima, primo de Nhaurriane: 
deu o nome ás terras. Dado, filho de Nhatitima. Muando, irmão 
de Dado. Matenga, filho de Muando: emigrou para o Transvaai- 
Nharruluga, irmão de Matenga e regulo actual. 

Regnlado. — Macupula. 

Regalo. — Marrunguja. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Nhatitima, Bembe, 
C. I., Macuanene e bahia. 

Ascendência. — Pande. Guichongue, irmão de Pande: invadido 
pelos Vatuas do Manicusso, fugiu para a villa. Uába, filho de 
Guichongue. Macupula, irmão de Uába: deu o nome ás terras- 
Marrunguja, filho de Macupula e regulo actual. 

Regnlado. — Rumbana. 

Regalo. — Embête. 

Raça. — Tonga. 

Límiles das terras. — Terras dos régulos Nhampata, Nhabanda, 
Moguba e rio Nhamussua. 

Ascendência. — Guirrute. Muendane, filho de Guirrute. Nha- 
pundula, irmão de Muendade. Jéve, irmão de Nhapendula. Ma- 
tambe, irmão de Jéve: invadido pelo Manicusso, prestou vassal 
lagem ao Governo. Rumbana, sobrinho de Matambe: deu o nome 
ás terras. Nharrote, irmão de Rumbana. Quengue, irmão de 
Nharrote. Embête, filho de Quengue e regulo actual. 

Regnlado. — Tinga-Tinga. 

Regalo. — Malonguene. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras do regulo Nhabanda, rio de Mar- 
rombene e bahia. 

Ascendência. — Ambe. Bavume, filho de Ambe. Guiombane, 
irmão de Bavumane: deposto por incompetência. Nhaxumuedo, 
irmão de Guiombane. Malóôde, irmão de Nhaxumuedo: deposto 
e deportado para o Guizugo, por incompetência. Malonguene, 
filho de Malóôde e regulo actual. 



47 



Regalado. — Nhaguiviga. 

Regulo. — Fumune. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Cumbana, Zulo, C. I., 
Mucherre e bahia. 

Ascendência. — Matengue, avassallado do regulo Cumbana, tor- 
nou-se independente. Nhaguivigo, cunhado de Matengue: deu o 
nome ás terras. Cambaiie, irmão de Nhaguiviga: prestou vassal- 
lagem ao Governo. Nhamalejo, irmão de Cambane. Fumune, 
filho de Nhamalejo e regulo actual. 

Regulado. — Chambone. 

Regalo. — Bata. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. —Terras dos régulos Nhatitima, Rumbana, 
Bembe e bahia. 

Ascendência. — Tamane. Tingue, irmão de Tamane. Nhampata, 
irmão de Tingue. Tembeleia, irmão de Nhampata. Muimane, filho 
de Tembeleia. Bata, irmão de Muimane e regulo actual. 

Regalado. — Bembe. 

Regulo. — Pessula. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras do^ régulos Chambone, Zualo, Ma- 
cupula e rio Nhamussua. 

Ascendência. — Chipongondo: veiu de Marrombene. Morrele, 
irmão de Chipongondo. Chipihene, irmão de Morreh. Pessula, 
irmão de Chipihene e regulo actual. 

Regulado. — Nhampata da Palha. 

Regalo. — Machambo. 

Raça. — Tonga 

Limites das terras. — Terras dos régulos Zualo, C. L, Macua- 
roene, Jiguni e bahia. 

Ascendência. — Congosse: veiu de Massinga. Gombe, irmão de 
Gongosse. Jimo, irmão de Gombe. Nhamtomo, irmão de Jimo 
Songane, irmão de Nhamtomo. Chingueno, irmão de Songane. 
Malandele, sobrinho de Chingueno. Machambo, irmão de Malan- 
dele e regulo actual. 

Regalado. — Zualo 

Regalo. — Levunze. 

Raça. — Landim. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Bembe, Nhampata da 
Palha, C. I., Jiguni e rio Inhanombe. 

Ascendência. — Charrine: veiu de Mapinhana de Villanculos, 
quando as terras foram invadidas pelo Gungunhana. Chuanga, 
filho de Charrine: prestou vassallagem. Pessula, filho de Chuan- 



48 



ga. Guebuza, filho de Pessula. Levunze, filho de Guebnza e re- 
gulo actual ; este regulo passou ultimamente a pertencer á circum- 
scripção da Maxixe. 

Regulado. — Khabanda. 

Regalo. — Maluene. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Tinga-Tinga, Pumbana 
e Furvela. 

Ascendência. — Guiovane. Quatata, irmão de Guiovane. Perren- 
gue, irmão de Quatata. Mafumissa, irmão de Perrengue. Nhabande, 
lilho de Mafumissa. Maluene, filho de Nhabande e regulo actual. 

Regulado. — Dambo. 

Regulo. — Massunga. 

Raça. — Tonga. 
. Limites das terras. — Terras do regulo Mocumba, C. I., Mu- 
cherre, Magol e Cala. 

Ascendência. — Dambo: deu o nome ás terras, prestou vassal- 
lagem ao Governo. Chicucute, irmão de Dambo. Zanha, irmão 
de Chicucute. Madindussa, irmão de Zanha. Sagata, sobrinho de 
Madindussa. Malavana, irmão de Sagata. Simba, irmão de Ma- 
lavana. Massanuga, filho de Simba e regulo actual. 



7.* circumscripção 

Ch-icoino 

Regnlado. — Goambá Pequeno. 

Regalo. — Balata. 

Raça. — Dongue (raças cruzadas). 

Limites das terras. — Terras do Goambá Grande e rios Nhami- 
tende e Inharrime. 

Ascendência. — Maomé: teve guerra com seu irmão Matoma, a 
quem prestava vassallagem; tendo ficado vencedor tornou-se in- 
dependente; era tributário de Maunze. Xigavangava, irmão de 
Maôme : teve guerra com seu irmão Maôme por causa da succes- 
são, tendo pedido auxilio a Maunze ; morreu no combate. Va- 
vate, irmão de Xigavangava. Xiconguangua, irmão de Vavate. 
Ximana, irmão de Xiconguangua. Massava, irmão de Ximana : 
auxiliou o Governo na guerra do Gungunhana. Pinzula, irmão 
de Massana. Maparatuana, irmão de Pinzula. Majongota, filho 
de Pinzula. Ximanguanha, irmão de Majongota. Balata, irmão 
de Ximanguanhana e regulo actual, 

Regoladfl. — Goambá Pequeno. 
Regulo. — Xongne. 



1 



i / 



• • • < 



49 



Itaça. — Dongiie (raças cruzadas). 

Limites das terras. — Terras dos régulos Mocumbij Goambá Pe- 
-queno e rios Inhassune e Nhamitende. 

Ascendência. — Matona: teve guerra com seu irmão Matona. Ma- 
xambo, filho de Matona: morreu numa das investidas dòManicusso. 
Xiquene, irmão de Maxambo. Maveque, irmão de Xiquene: mor- 
reu na guerra com Maôme por questões de vassallagem. Bonha- 
ne, irmão de Maveque: morreu em terras do regulo Mocumbi 
onde se fora refugiar perseguido pela gente do Manicusso. 
Xhassanane, irmão de Bonhane. Coguno, irmão de Nhassanane: 
deu o nome ás terras. Maaquenha, irmão de Coguno. Xomela, 
irmão de Maaquenha. Sunganhana, irmão de Xumela. Nhaman- 
dane, irmão de Sunganhana. Xongue, filho de Nhamandane: re- 
•gulo actual. Todos estes régulos foram tributários do Manicusso, 
Muzila e Gungunhana e só em 1895 passaram definitivamente a 
serem vassallos da Coroa Portugueza. 



8.* circumscripção 

Panda 

Regalado. — Cocalane. 

Regalo. — Cocalane. 

Raça. — Landim-Macuacua (2.* invasão). 

Limites das terras. — Terras dos régulos Magunhana, Goambá 
'Grande, Goambá Pequeno, Fujuca de Gaza, Mazive, Bogucha, 
Quengue, Urrene e rios Inhassune e Aluize. 

Ascendência. — Dindane: filho de Cambanhane e neto do Zo; 
tendo emigrado de Gaza, por questões de successão oom seu 
irmão Benguana, veiu occupar as terras do centro do districto. 
Maúnze, filho de Dindane e um dos régulos mais turbulentos 
que teve o districto; tendo invadido as terras do Nharruluga, foi 
intimado pelo Governo a entregal-as, ao que elle se recusou, dando 
logar a uma guerra em que foi completamente derrotado por di- 
versas vezes, e em épocas differentes invadiu as terras dos régu- 
los do sul, do Cumbana e dos outros régulos Macuacuas; foi por 
sua vez invadido pelo Manicusso, com quem durante muito 
tempo se conservou em guerra aberta, tendo-lhe por fim pres- 
tado vassallagem ; por morte do Manicusso, recusou-se a reconhe- 
cer o seu successor, por quem foi novamente invadido, andando 
muito tempo homisiado; tornou-se depois alliado do Muzilla, a 
quem prestou vassallagem, tendo ficado seu alliado, representante 
e induna grande ; auxiliou o Gungunhana na guerra do Chi- 
cugussa. Mailene, irmão de Maunze : este regulo morreu pouco 
tempo depois. Canhavano, irmão de Mailene : invadiu as terras 
do regulo Boguçha; pouco viveu depois de succeder a Mailene. Ma- 
candane, filho de Maunze e sobrinho de Canhavano: durante a sua 
menoridade dirigiu o regulado o seu irmão mais velho Panda; 



50 

por morte doeste substituiu-o sua mãe Macoomane, que ainda, 
hoje vive; este regulo recuson-se sempre a comparecer nas han- 
jas para que era chamado, tendo estado na villa preso por este- 
. motivo; regressou novamente ás terras, não sendo, comtudo, possí- 
vel fazel-o comparecer diante de um branco; como este facto- 
ameaçasse complicações, resolveram os parentes nomear Coca- 
lane. Cocalane, tio de Magandane e regulo actual. 

Regalado. — Manguele (extincto). 

Regalo. — Massavane (ultimo regulo). 

Raça. — Landim. 

Limiles das terras. — Terras dos régulos Magunhane, Cocalane 
e Mazive. 

Ascendência. — Nhamangua. Malambequana, filho de Nhamangua^ 
Massavane, primo de Malambequana: por morte doeste regulo 
foram as terras annexadas ás do Magunhana; este regulado era, 
insignificante e as suas terras quasi despovoadas. 

Regalado. — Magunhana. 

Regalo. — Sembelane. 

Raça. — Landim. 

Limites das terras. — Terras do Pire (Guijá), Cocalane, Mazive,, 
Chiconguanhana de Gaza e rio Aluize. 

Ascendência. — Magunhana: deu o nome ás terras; era tributário» 
do Muzila. Sembela, sobrinho de Magunhana e tributário do Muzila^ 
Zavalla, irmão de Sembela e tributário do Muzila. Nhacache, so- 
brinho de Zavalla e tributário do Gungunhana. Sembelane, irmão, 
de Nhacache, o regulo actual, e um dos melhores régulos do dis- 
tricto. 

9.* circuinscripção 

Inharrime 

Regalado. — Mocumbe. 

Regalo. — Mabona-Panje. 

Raça. — Landim. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Nhanombe, Cocalane,, 
Cumbana, Goambá Grande e rio Inharrime. 

Ascendência. — Mocumbi: deu o nome ás terras; era tributaria 
do Dindane. Massinhane, filho de Mocumbi e tributário de Din- 
dane. Mambique, filho de Massinhane e tributário de Maunze. 
Xixocolomué, filho de Mambique e tributário de Maunze. San- 
gue, irmão de Xixocolomué e tributário de Maunze. Eugunha, irmão 
de Bangue e tributário de Maunze. Juvane, primo de Eugunhar 
foi invadido pelo Muzila, de quem ficou tributário. Xirrambo^ 
irmão de Juvane. Nhamuti, irmão de Xirrambo. Xiguinha, irmão 
de Nhamuti: prestou vassallagem ao Governo. Mabona-Panje, 
iimão de Xiguinha e regulo actual. 



51 



Regalado. — Nhanombe. 

Regalo. — Saite. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Nharruluga, Mocubi, 
lagoa Poelela ou rio Inharrime e Oceano Indico. 

Asceodeocia. — Nhanombe ; deu o nome ás terras; cabo avassal- 
lado do regulo Cumbana. Nhangoé, filho de Nhanombe: tornou-se 
independente com o auxilio do Governo, a quem prestou vassal- 
lagem. Xinhembui, filho de Nhangoé: foi invadido pelo Maunze. 
Maxondete, filho de Xinhembui. Maduvela, irmão de Maxondete. 
Alfredo, irmão de Maduvela. Madumelane, irmão de Alfredo: 
deposto por demência. Madiquisse, irmão de Madumelane. Saite, 
ilrmão de Madiquisse e regulo actual. 

Regulado. — Nharruluga. 

Regalo. — Dina. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Nhanombe, Cumbana 
•e langua Xicengoengo. 

Asceodencia. — Nhamarriguire ou Nharruluga: deu o nome ás 
terras; os seus antepassados eram cabos avassallados de Cum- 
bana; invadido pelo Dindane. Colombine, filho de Nharruluga: 
invadido pelo Maunze. Matane, filho de Colombine: invadido pelo 
Maunze. Marremula, filho de Matane: invadido pelo Maunze, 
fugiu para a villa onde se veiu refugiar e prestar vassallagem; 
morreu nesta occasião. Nhampabele, irmão de Marremula: au- 
xiliado pelo Governo, foi coUocado nas terras do irmão, a quem 
succedeu no regulado. Uáéne, irmão de Nhampabele: deposto e 
-desterrado para a Maxixe por cumplicidade nuns assassinatos, 
quando se deu o naufrágio do Carnarvon. João, irmão de Uáéne: 
deposto e desterrado para Massinga por incompetência. Totuane, 
irmão de João : deposto por cumplicidade num assassinato. Dina, 
irmão de Totuane e regulo actual. 

Regalado. — Nhacoongo. 

Regalo. — Vungane. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Nharruluga, Cumbana 
-e Oceano Indico- 

Ascendencia. — Nhacoongo: deu o nome ás terras; prestou vas- 
sallagem ao Governo em 1859; os seus antepassados eram ca- 
bos avassallados de Cumbana. Jeque, filho de Nhacoongo. Mair- 
rane, filho de Jeque: teve guerra com o Nharruluga por que- 
stões de limites, tendo intervido o Governo; auxiliou este no 
conflicto com o Zavalla. Mafoéla, irmão de Mairrane. Male- 
mane, sobrinho de Mafoéla. Guicupula, irmão de Malemane. 
Nhamune, irmão de Guicupula. Vungane, irmão de Nhamune e 
regulo actual. 



52 



Replado. — Guilundu. 

Regalo. — Guissossuane. 

Raça. — Shope. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Mindu, Quissico, C I.^. 
Muane e rio laharrime. 

Ascendência. — Guilundu: deu o nome ás terras; prestou vassal- 
lagem ao Governo. Massolela, filho de Guilundu. Dembela, ir- 
mão de Massolela. Gondo, irmão de Dembela: teve guerra com 
o Zavala e com o Mindu, alliados, tendo de intervir o Governo 
em se a auxilio; depois foi novamente invadido pelo Zavalla, Ma- 
vila, Kanda e Zandamela, alliados ao Gungunhana; interveiu o 
Governo, que conseguiu fazer a paz. Lipuve, irmão de Gondo; 
Lenda-Lenda, sobrinho de Lipuve: invadido pelo Gungunhana; 
praticava violências nas terras; depois revoltou-se contra o Go- 
verno, tendo sido mais tarde perdoado por se ter submettido- 
Guissossuane, irmão de Lenda-Lenda e regulo actual. 

Regnlado. — Mindu. 

Regnio. — Guissanga-Sanga. 

Raça. — Shope. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Guilundu, Xissico e- 
rio Inharrime. 

Ascendência. — Mindu: deu o nome ás terras. Nhancangala, fi- 
lho de Mindu: tributário do Manicusso. Lai, filho de Nhancangala: 
tributário de Muzila. Macuela, filho de Lai: tributário do Gun- 
gunhana. Guezume, irmão de Macuela: alliado com o Zavalla,. 
guerreou o Mindu; tendo sido batidos pelo Governo, que interveiu,. 
prestou vassallagem; foi, mais tarde, invadido também por Za- 
valla e outros régulos alliados. Manhone, irmão de Guezume* 
Guissanga-Sanga, irmão de Manhone e regulo actual. 

10.* circumscripção 

Zavalla 

Regnlado. — Zavalla. 

Itegnio. — Bimaíca. 

Raça. — Shope. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Xissico, Banguza, Ma- 
vila, Nhaoutô, Mindu e rio Inharrime. 

Ascendência. — Zavalla: deu o nome ás terras; este regulo teve 
de suíFocar varias revoltas dos seus vassallos, sendo a primeira, 
com Paqué, ascendente do actual regulo de Nhacutô ; a segunda, 
com Cavela e Dáculo, intervindo o Governo em seu auxilio; e a 
terceira, com Biane, ascendente do actual regulo Xissico, que 
nesta occasião se tornou independente com o auxilio do Governo 
e contra quem o Zavalla se revoltara; invadiu as terras de Mindu 
e Guilundu. Dunha, tio do Zavalla: teve guerra com seu irmão 



53 



Matena por causa da successâo. Khabinde, irmão de Dunha. 
Panga, irmão de Nbabinde: morreu em combate numa das in- 
cursões dos Vatuas. Ximolane, irmão de Panga. Monhé, sobri- 
nho de Ximolane. Macavane, irmão de Monhé: revoltou- se contra 
o Governo, depois de ter invadido o Guilundu ; foi esta a maior 
revolta que os portuguezes tiveram nos Shopes; no combate, 
que deu a expedição que alli foi, morreram alguns brancos, mas 
conseguiu-se aprisionar o Macavane, que morreu em Inhambane. 
Xivunhe: teve guerra com Xissico, não tendo levado a melhor, 
pelo que pretendeu alliar-se com o Gungunhana, ao que este não 
annuiu. Bimaíca, irmão de Xivunhe e regulo actual. 

Regalado. — Xissico. 

Kegnlo. — Xissico. 

Raça. —Shope. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Zavalla, Nhacutô, Gui- 
lundu, C. I., Cala, Jipual e Oceano Indico. 

Ascendência. — Libete, cabo avassallado do Zavalla. Sacate, ir- 
mão de Libete e cabo avassallado do Zavalla. Bingana, irmão de 
Sacate e cabo avassallado do Zavalla. Chiquelo, irmão de Bingana 
e cabo avassallado do Zavalla. Serroro, irmão de Chiquelo e caba 
avassallado do Zavalla. Nhamuane, sobrinho de Sorroro e cabo 
avassallado do Zavalla. Mucômo, irmão de Nhamuane e cabo 
avassallado do Zavalla. Biane, irmão de Mucômo: era cabo avas- 
sallado do Zavalla, tendo-se revoltado por duas vezes contra o 
Zavalla; da segunda vez tornou-se independente com o auxilio 
do Governo, a quem prestou vassallagem. Maqueletela, primo 
de Biane. Guelane, irmão de Maqueletela: foi deposto e dester- 
rado para Moçamtique por ter morto um filho numa desordem. 
Fumbarrete, primo de Guelane. Xissico, primo de Fumbarrete e 
regulo actual. 

Regnlado. — Nhacutô. 

Ilegnlo. — Nhamudulane. 

Raça. — Shope. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Zavalla, Xissico, Mavila, 
Canda e Oceano Indico. 

Ascendência. — Nhacutô: deu o nome ás terras; cabo avasssyllado 
do Zavalla, tendo-se revoltado varias vezes contra a autoridade 
d'este. Nhanguaque, filho de Nhacutô: cabo avassallado do Za- 
valla. Malambane, irmão de Nhanguaque: cabo avassallado do 
Zavalla. Paqué, filho de Malambane : cabo avassallado do Zavalla 
contra quem se revoltou, tendo morrido em combate. Xinhangue, 
irmão de Paquó: cabo avassallado do Zavalla. Lipuva, sobrinho 
de Xinhangue: depois da prisão do Gungunhana foi tornado re- 
gulo independente. Anhane, prinio de Lipuva. Malacanhe, irmão 
de Anhane. Mossumbula, irmão de Malacanhe. Nhamudulane, 
sobrinho de Mossumbula e regulo actual. 



Õ4 



Regalado. — Canda. 

Regnio. — Xivacane. 

Raça. — Shope. 

Lifliites das terras. — Terras dos régulos Nhacutô, Mavila, Zan- 
•damela, Nhatumbo de Gaza e Oceano Indico. 

Ascendência. — Canda: deu o nome ás terras; tributário do Ma- 
nicusso. Unhamuete, filho de Canda: tributário do Manicusso. 
Xiissane, irmão de Unhamuete: tributário do Manicusso. Dauze, 
irmão de Lissane: tributário do Manicusso. Gogulue, irmão de 
Dauze: tributário do Manicusso. Oiane, irmão de Gogulue: tri- 
butário do Manicusso. Nhamuguiane, irmFío de Oiane: tribu- 
tário do Muzila. Guelane, irmão de Nhamuguiane: tributário do 
Gungunhana. Xu-au-au, sobrinho do Guelane: invadido pela 
gente do Gungunhana por se ter recusado a pagar-lhe o tributo, 
fugiu para Inhambane ; depois da prisão do Gungunhana foi tor- 
nado independente. Xivacane, irmão de Xu-au-au e regulo actual. 

Regalado. — Zandamela. 

Regulo. — Zate. 

Raça. — Lengue * (raças cruzadas). 

Limites das terra». — Terras dos régulos Canda, Muzila, Nha- 
tumbo, Saiabo e Barramo de Gaza. 

Ascendência. — Zandamela: deu o nome ás terras; de origem 
landina, era cabo e tributário do Maunze; foi invadido pelo 
Mauéua. Xinhungulane, filho de Zandamela: tributário do Maun- 
ze. Marrurrela, filho de Xinhungulane: tributário do Maunze. 
Mavulula, filho de Marrurrela: tributário do Maunze. Vuca, ir- 
mão de Mavulula: tributário do Maunze; invadido pela gente de 
JMuzila, foi morto em combate. Tombulane, irmão de Vuca: tor- 
nou-se independente do Maunze e constituiu-se tributário do Es- 
padanhana. Maungane, irmão de Tombulane: cabo de Espada- 
nhana; invadido pelo Gungunhana, foi morto em combate; o seu 
successor, Libenuca, tinha sido aprisionado em pequeno e con- 
servava-se junto do Gungunhana, ficando a dirigir as terras um 
induna do Gungunhana. Libenuca, irmão de Maungana: depois 
•da prisão do Gungunhana foi reintegrado nas suas terras e tor- 
nado regulo independente; mais tarde foi deposto e desterrado 
por se terem revoltado dois dos seus cabos, Xitocorro e Ma- 
«assimo, em 1900. Zate, irmão de Libenuca e regulo actual. 

Regelado. — Mavila. 
Regalo. — Xidacua. 
Raça. — Landina. 

Lioiites das terras. — Terras dos régulos Canda, Nhacutô, Za- 
valla, Banguza e Zandamela. 



^ O regulo e seus ascendentes são de origem landina. 



55 

Ascendência. — Ma vila: veiu do Bilene; deu o nome ás terras; 
era cabo e tributário do Espadanhana. Nhassiolôme, filho de Ma-r 
vila: cabo e tributário do Espadanhana. Mamite, irmão de Mas- 
sioiôme: cabo e tributário do Espadanhana. Fumane, filho de- 
Mamite; cabo e tributário do Espadanhana; foi morto em com-^ 
bate quando as suas terras foram invadidas pelo Muzila. Xisôo, 
irmão de Fumane: cabo e tributário do Espadanhana. Maioio^. 
irmão de Xisôo: cabo e tributário do Espadanhana. Majaanhe, 
sobrinho de Maioio: foi aprisionado em pequeno pela gente do 
Muzila, tendo ficado prisioneiro até á prisão do Gungunhanaf 
por esta occasião voltou ás terras, de que tomou posse, tornan- 
do-se independente. Nhamitengane, irmão de Majaanhe: morrea 
na sede da circumscripção, onde estava preso. Xidacua, sobrinho* 
de Nhamitengane e regulo actual. 

Regulado. — Banguza. 

R^gnlo. — Shuquela. 

Raça. — Lengue. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Zavala, Mavila, riO' 
Inharrime e com Guie Guel e Saiabo de Gaza. 

Ascendência. — Banguza: cabo e tributário do Zandamela; deu 
o nome ás terras. Mudumane, irmão de Banguza: cabo e tribu- 
tário do Zandamela; depois da prisão do Gungunhana foi tornado- 
regulo independente pelo Governo; foi deposto por corrupção^ 
Shuquela, irmão de Mudumane e regulo actual. 

11.* circumscripção 

Gruilala 

Regalado. — Guilala. 

Regnlo. — Cassiano. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Nhanala, Nhampossa^ 
Oceano Indico e bahia. 

Ascendência. — Guilala: deu o nome as terras. Benhane, filho de^ 
Guilala: morreu afogado. Tande, irmão de Benhane: deposto e- 
desterrado para Moçambique. Marremula, filho de Tende: foi de- 
posto e desterrado para o Guizugo. Cassiano, regulo actual. 

Regalado. — Nhanala. 

Regalo. — Jijile. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Bambamba, Cumbanar 
e rios Parrue e Giuua. 

Ascendência. — Maussane: Tombologo, irmão de Maussana. Sinja^ 
primo de Tombologo: estev^e dirigindo as terras durante a me- 
noridade de um filho de Tombologo, que morreu antes de ser re- 



56 



guio. Peula, irmão de Maunguene. Jijile, irmão de Pessula e re- 
gulo actual. 

Regulado. — Nhampossa. 

Regulo. — Alexandre da Fonseca. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Guilala, Nhanala, rio 
Parue e bahia. 

Ascendência. — Mucune. Baluane, irmão de Mucune. Nhampossa, 
irmão de Beluane: deu o nome as terras. Marralaje, sobrinho de 
ííhampossa. Alexandre da Fonseca, irmão de Marralaje e regulo 
actual. 

12.* circumscripção 

Cumbana 

Regulado. — Cumbana. 

Regalo. — Maôpa. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Bambamba, Zulo, Mo- 
oumbi, Nharruluga, "Nhacongo, Nhanala e Oceano Indico. 

Ascendência. — Cumbana: deu o nome ás terras; invadido pelo 
Manicusso, prestou-Ihe vassallagem, ficando seu tributário. Bongo, 
filho de Cumbana: invadido pelo Maunze. Guimanga, irmão de 
Bongo: invadido pelo Maunze. Massalela, irmão de Guimanga. 
XJiirre, sobrinho de Massalela. Zulo, ii-mâo de Uúrre. Pézula: 
prestou vassallagem ao Governo; irmão de Zulo. Jigódodo, irmão 
de Pézula: auxiliou o Governo na guerra do Zavalla. Ugungo, 
irmão de Jigódodo: teve guerra com Gumete por motivo da suc- 
cessão. Pindula, irmão de Ugungo. Jicuenda, irmão de Pindula: 
morreu assassinado por um soldado angola. Guissanza, irmão de 
Jicuenda. Jane, filho de Guissanza. Velemo, irmão de Jane. Gui- 
j emane, irmão de Velemo. Peni, irmão de Guizane: foi deposto, 
tendo estado em Moçambique; ainda vive. Maôpa, irmão de Peni 
e regulo actual. 

Regelado. — Matenga. 

Regulo. — Maeja. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Bambamba e Nhaguiviga. 

Ascendência. — Matenga: deu o nome ás terras; os seus ascen- 
dentes eram tributários do Cumbana: prestou vassallagem ao Go- 
verno. Bonguane, irmão de Matenga: auxiliou o Governo na 
guerra do Zavalla. Sucamere, irmão de Bonguane e antigo in- 
duna doeste. Macatane, filho de Sucamere. Xuxululo, irmão de 
Macatane: foi deposto e deportado temporariamente por questões 
com os seus vassallos. Guivangala, sobrinho de Xuxululo. Maeja, 
filho de Guivangala e regulo actual. 



Õ7 

Regalado. — Bambamba, 

Regalo. — Jiocho. 

Raça. — Tonga. 

Limites das terras. — Terras dos régulos Matenga, Cumbana^ 
Mocumba, Nhanala e rio Ave. 

Ascendência. — Bambamba, que deu o nome ás terras, prestou 
vassallagem ao Governo: foi invadido pelo Maunze. Macocane, 
filho de Bambamba: foi também invadido pelo Maunze. vind(> 
refugiar-se em Inhambane. Pauássa, irmão de Macocane. Séula, 
filho de Pauássa: auxiliou o Governo na guerra com o Zavallal. 
Maulela, irmão de Séula. Queda, irmão de Maulela. Lindela^ 
irmão de Queda: foi deposto e deportado para Moçambique por 
estar implicado numas mortes commettidas pelos seus indunas* 
Jiocho, irmão de Lindela e regulo actual. 

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# # 

Os cabos independentes são outros tantos régulos que ante» 
eram cabos avassallados e que o Governo fez independentes^ 
conservando aquella denominação, pela qual são ainda hoje co- 
nhecidos, devido, talvez, a serem as suas terras pouco povoadas 
e de pequena importância; no resto, as suas responsabilidades e 
attribuições são as mesmas dos régulos. 

A maior parte dos régulos tem cabos, e alguns doestes, por 
serem grandes, teem ainda subcabos. 

Na successão dos régulos e cabos seguem-se os mesmos pre- 
ceitos e ceremonias que com os outros indigenas. 

Até uma certa data, parece que a successão se dava de pães- 
para filhos, mas este costume julgo ter sido modificado, ignoro- 
por que motivos. 

As mulheres são excluidas da successão, tenlo, todavia, a mu- 
lher grande do regulo bastante preponderância sobre a politica, 
indigena. 

No tempo das colheitas, são os cabos obrigados a levar ao re- 
gulo presentes de mantimentos e bebidas cafreaes. 

Cada chefe de povoação paga ao cabo um imposto de cereaes, 
e, depois que começou o imposto de palhota em dinheiro para 
o Governo, pagam também os indigenas, ao cabo ou ao regulo, 
liJõOO réis por povoação, em dinheiro. Por morte do regulo, são- 
os indigenas Landins e Shopes obrigados a pagar um imposta 
variável ao novo regulo. Costumam os régulos receber, por cada 
indigena regressado do Transvaal, uma libra em auro. 

Teem os régulos Landins e Shopes o costume de fazerem re- 
presentar cada presente que recebem dos seus súbditos por um 
bocado de pau, que, cuidadosamente, guardam nas povoações^ 
em monte, e a que chamam Maganzelo (Landim) e Madando (Shi- 
shope). 

Era costume, antigamente, quando os régulos se apresentavana 



58 

a prestar vassallagem, oflferecerem um saco de terra e uma za- 
gaia, ou flecha, como sigaaes de submissão. Em troca, recebiam, 
se eram régulos, uma cabaia de flanela encarnada, um barrete 
•da mesma cor e um bastão, e, se eram cabos indepemlentes, um 
casaco curto de flanela azul e um barrete, uso que ainda se con- 
serva neste districto. 

Em nada mais differem os usos e costumes das autoridades 
•cafreaes dos outros indigenas. 

O regulado mais popu- 
loso do districto .... Mocumbi, de Inharrime. 

O regulado maior em 

terras Mazive, de Villanculos. 

O regulado mais peque- 
no em terras Macupula, da Maxixe. 

O regulado menos popu- 
loso Pelugue, de Morrumbone. 

O regulo mais idoso. . . Maeja (Matenga), de Cumbana. 

O regulo mais novo . . . Malonguene (TingaTinga), de Maxixe. 

O mais antigo no regu- 
lado Macache (Zonguza), de Massinga. 



No seu relatório de 1906-1907, e baseando-se nalguns cál- 
culos, computa o sr. governador de Inhambane em 418:610 o 
numero de habitantes indigenas do districto, incluindo homens, 
mulheres e crianças, e homens ausentes no Transvaal, tendo sido 
de 146:881 o numero de palhotas arroladas naquelle anno, o que 
dá o coefiBciente de 2,85 habitantes por palhota. 

No seu relatório de 1907-1908 apresenta o mesmo governador 
os seguintes dados estatísticos: 

Numero de palhotas arrroladas, 149:571; 

Numero de habitantes, 311:696. 

E curiosa a conclusão que se tira da comparação dos números 
referentes a 1907-1908. Ao passo que o numero de palhotas, em 
1908, apresenta uma difí^erença, ^ara mais, de 2,690, o numero 
de habitantes apresenta uma difi*erença, para menos, de 106,914! 

O mesmo governador confessa a impossibilidade de se obter, 
por emquanto, um numero, mesmo aproximado, do censo da po- 
pulação e a pouca confiança que, pelos motivos que expSe, lhe 
merecem os recenseamentos ultimamente feitos. 

Corroborando a insuspeita opinião do governador de Inham- 
bane, accrescento ainda alguns detalhes, por mim observados, 
que mostram claramente o pouco valor dos algarismos, ten- 
dentes a provar quanto difiBcil se torna fazer um censo rigoroso. 



59 



Passo a citar o que pessoalmente observei quando se faziani 
os recenseamentos. 

A maior parte das vezes, a autoridade encarregada de tal ser- 
viço assentava arraiaes numa povoação e ahi se apresentavam os 
indígenas de uma região inteira, de centenas de kilometros qua- 
drados, não havendo, doesta forma, possibilidade de se verificar 
se os indígenas falavam ou não verdade. E, porém, de suppor 
que a maior parte das vezes mentissem, visto ter-se apoderado 
d^elles, desde o inicio dos recenseamentos, o temor de que teriam, 
que pagar um imposto novo de capitação. 

Tão verdade é isto que, tratando também as autoridades de^ 
fazer os arrolamentos dos gados existentes, os indígenas, num» 
grande numero de regiões, começaram de matar e comer todos- 
os carneiros, cabras, porcos, etc, que possuíam, com receio de: 
novos impostos! 

Pois se até alguns brancos os imitaram ! 

Por outro lado, a pouca comprehensão dos indígenas e assim^ 
por exemplo, as seguintes respostas: 

— Quantas mulheres tens na povoação? 

— Três, respondia o indígena. 

— Mas eu vejo quatro palhotas! 

— Sim, mas essa mulher não conto : é minha mãe. 

— Quantas mulheres tens na povoação ? 

— Duas. 

— Mas aqui ha mais mulheres ! 

— Uma está na machamba: essa não conto. 

— Quantas mulheres existem na povoação ? 

— Cinco. 

— Mas eu estou vendo seis! 

— Uma pertence ao meu cunhado. 

E como esta, outras respostas similhantes: 

— Quantos filhos tens? 

— Quatro, responde. 

— Mas eu estou vendo cinco ! 

O indígena continua teimando que são quatro. Mostra-se-lhe- 
todos os filhos, incluindo um que, por ser ainda pequeno, anda 
ás costas da mãe. Responde o indígena: 

Que aquelle não conta porque ainda não é gente ! 

Só a muita pratica com o indígena e persistente investigação, 
se pode chegar a uma conclusão que se aproxime da verdade^ 

Os números que apresento são, como não podia deixar de ser,, 
differentes dos números officiaes, e, apesar de considerar os meus 
um pouco mais conscienciosos, tenho a certeza absoluta que ainda, 
estão longe de serem os verdadeiros. 



60 



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61 



Home dos régulos, cabos, numero de poYoaçSes e palhotas existentes 
nas clreumscripçOes do dlstrlcto de Inbambane 

TILLÀNCULOS — (l.* circamgcripç2o) 



Nomes dos régulos 



Komes dos oabos 



Numero 

de 

povoaçSeH 



Numero 

de 
palhotas 



Mazive 



Manhiça 



Villanculos, 



Cindane 

Funhalouro 

Gabiço 

Mapanjone 

Peloule 

Capo 

Cubo 

Seoane 

Machale 

Decuza 

Mambuila 

Tomo 

Maquene 

Barata 

Marrilane 

Gomane 

Zambete 

Zemane 

Papatane 

Pomelane 

Milanzo ... 

Macuacua 

Mabote 

Chibique 

Manhique 

Chave 

Massavane ... . . 

Meloguiane 

Manhicane 

Macangane 

Chichava-Chava . . 

Chicomo 

Baca-Baca 

Balanhana 

Mecosso 

Merrur 

Macanavane 

Inhanomera 

Mengondo 

Mamite 

Machonguel 

Machacane 

Maçasse 

Mangata 

Mechulo-Chulo 

GoDgane 

A transportar 



257 

16 

8 

28 

242 

88 

31 

94 

82 

18 

85 

37 

101 

110 

23 

38 

67 

4 

9 

22 

36 

56 

32 

52 

10 

27 

94 

59 

8 

69 

29 

17 

7 

85 

17 

36 

199 

13 

48 

22 

19 

32 

27 

51 

42 

8 

7 

8 

21 



2:491 



5Í2 
52 
15 
49 

460 

154 
61 

172 

227 
56 

174 
71 

161 

229 
49 
76 

103 
16 
31 
30 
46 
83 
45 
74 
12 
35 

197 

154 
18 

151 
88 
46 
19 

224 
39 
99 

526 
30 
40 
56 
35 
87 
64 

121 
93 
20 
12 
13 
32 



5:157 



62 



Nomes dos regalos 



Villanculos 



Mapinhane 



Muabsa 



Nomes dos oabos 



Numero 

de 

povoações 



Numero 

de 
palhotas 



IVansporte 

Chicassa 

Massango 

Chicula-Cula 

Ronga 

Funhalouro 

Mahasse 

Senga 

Muchua 

Macumba 

Mavanza 

Maquane 

Palau 

Machauica 

Maluieque 

Malanguete 

Mailene 

Magul 

Marrivane 

Cachane 

Merrecane 

Mapia 

Macumbane 

Cachane de Macumba 
Mocumba 



Lavane 

Xirruala . . . . 
Mahane . . . . 
Cachane . . . . 
Chechocane . 

Checane 

Mecbungo . . . 
Faiquete . . . . 
Quer- Quer . . 
Massunguine 
Machuquei a . 
Chinguinine . 

Chibo 

Machopane . . 
Faiquete . . . . 



Quer-Quer 

Chiguirriba 

Rebocasse 

Gonhamo 

Mungazi 

Machane 

Chiamel 

Vimbane 

Chissecane 

Inhapele 

Somma 



2:491 

46 

22 

51 

4 

9 

20 

11 

37 

24 

20 

11 

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33 

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82 

96 

14 

17 

47 

28 

47 

16 

40 

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34 

47 

9 

15 

13 

125 

14 

12 

10 

24 

15 

7 

9 

39 

21 

48 



4:243 



5:157 

115 

48 

102 

14 

2a 

42 
29 

109 
60 
49 
33 
95 

377 
20 
23 
55 

10Í> 
34 
17 
5 
21 
Tò 
99 
78 

720 

162 

141 
22 
3H 
92 
36 

9a 

32 
9) 
12 
77 
78 
1(> 
25 
29 
252 
27 
28 
28 
46 

3a 

14 
30 
64 
45 
68 



8:869 



Regules, 5; cabos, 95; população (aproximada) 24:318 habitantes. 



63 



MáSSINGá — (2.* eircamgcrlpçSo ) 



Nomes dos regfulos 


Nomes dos oabos 


Numero 

de 

povoações 


Numero 

de 
palhotas 


Massiníra 


Tiane 


3 

3 

9 

4 

66 

65 

39 

21 

11 

17 

48 

9 

8 

11 

120 

24 

17 

83 

6 

24 

4 

3 

9 

6 

5 

29 

42 

4 

9 

13 

40 

8 

8 

2 

37 

14 

78 

5 

54 

8 

19 

12 

2 

24 

2 

7 

9 

33 

14 

12 

13 

11 


16 




11 




Chilebuane 


11 




Bambatela 

Lino . 


45 
139 




IVíatinfirane 


128 




Chibane . . 

M adivitaDô 


108 
39 




Chochua 

Massassa 

Tevele 

Murry 

Macachul 


22 
33 

89 
20 
15 




Minerva 

Chigomba 

Tiane 

Matubesruela 


30 

202 

56 

25 




Machocane 


207 




Murrenie 


11 




MacheDucane 


51 




Mahata 

Tinela 


7 
6 




Manhengue . . 

Limoeze 


16 
17 




Mabecuana 

Mapanguela 

Paunde 


13 
63 

87 




Macauze 


6 




Penicele 

Cimbe 


13 
27 




Juvane 


97 




(^hituane 


27 




Bambo .... 

Rundunía 


48 
10 


f 


Mudussa 


98 




Zilo 

Guma . . . . 

Muvambua 

Jange 

MatinfiTue 


42 
170 

10 
144 

25 




Nhacuacua 

Mabiale 

Chadine 


37 

32 

6 




Muvamba 


54 




Muchiche 


6 




Mahungo 

Viffue 


20 
17 




Chibana 

Macomba 


96 
26 




Chiouio 


32 




Silencia 


24 




Cunane 

A transportar 


24 




1.124 


2:558 



64 



Nomes dos régulos 



Nomes dos oabos 



Nnmero 
de ^ 
povoações 



Nnmero 
do 

palhotas 



Massinga. 
ZoDguza . 



Machocha-Mucome, C. I . . . . 

Agui-Marrenjo, C. I 

Licumbe-Muchoane, C. I. . . . 
Gadi-Marrenjo, C. I 



Transporte 

Muaudo 

Macache 

Guema 

Macache 

Sepane 

Muchacho 

Biane 

Muchava 

Chucane 

CJticera 

Mutussa 

Chongane 

Machupucane. . . 

Mabela 

Chaleqaane . . . . 

Butane 

Rulane 

Rabiane 

Chiguieto 

Chiuzanana . . . . 
Mucliiquitana . 

Maculane 

Lípaze 

Tiane 

Chipumbo 

Marrenguene . . 

Murriane 

Jamo-Jamo 

Gentimane 

Maileue 

Mahala 

Mabumane 

Machiguissa . . . . 

Anguluve 

Mugo 

Maoicane 

Guerredo 

Vinbane 

Marrule 

Guicope 

Chuinze 

Machambo 

Machavachava. . 

Pahane 

Pocorrodo 

Macaze 

Machonguene . . . 
Marrucua 



A transportar. 



1:124 

7 

4 
258 
62 
13 
11 
45 
8á 
32 
51 
2 

10 

14 

18 

tí 

21 

10 

11 

17 

69 

12 

24 

9 

9 

13 

3 

6 

10 

• 7 

16 

2 

1 

5 

74 

9 

10 

19 

8 

19 

11 

46 

11 

11 

25 

4 

7 

8 

16 

90 

23 

119 

53 



2:548 



2:558 

18 

16 

642 

210 

41 

30 

130 

202 

99 

162 

10 

37 

37 

40 

16 

65 

32 

24 

48 

197 

43 

64 

40 

42 

30 

12 

17 

23 

17 

56 

4 

1 

12 

261 
38 
36 
39 
32 

104 
41 

103 
45 
45 
83 
13 
19 
34 
54 

270 
51 

310 

102 



6:655 



6Õ 



Nomes dos régulos 


Nomes dos cabos 


Numero 

do 

povoações 


Numero 

do 
palhotas 




Tranttvorte 


2:548 

28 

13 

15 

9 

8 

57 

35 

106 

61 

8 

11 

48 

10 

51 

35 


6:655 


MarriitiGrulo. C. I 


\IaDiituinane 


48 


Nhabacal, C. I 

Chondelo, Cl 

Mangonha-Macuana, C. I. . . 
J?'ajene, Cl 


27 
44 
35 
17 
146 


Malova-Macavane, C I 

Guizugo-Chicane, Cl 

Maagui, C I 

Hasso. C. I 


•«■Mi* 

Mailene 


89 
364 
111 

12 


Chilacua. Cl 


23 




120 


Massambi-Faife, C I 

Rovene-Nhaussuana, C I.. . 
Guiduca, Cl 


Somma 


13 

139 

52 




3:044 


7:900 









Kegulos, 19; cabos, 101; população (aproximada), 21:661 habitantes. 



FANGÁ — (3.* circumscripçfio) 



Nomes dos régulos 


Nomes dos eabos 


Numero 

de 

povoações 


Numero 

de 
palhotas 


SavaníTuana ;.•.... 


Chibada . 

Dindane 1." 


13 
46 
33 
27 
48 
23 
31 
22 
32 
71 
21 
81 
50 
24 
28 
25 
52 
44 
75 
50 
221 
25 


37 




123 




BataDO 


115 




Manjóo 

Come 


68 
98 




Matacal 

Chicochoane 


53 
89 




M^rrambanc 


47 




Mazehuco 


100 




Murri 


183 




Toncrane 


60 




Vembane 

Malate 1.' 


194 
120 




Maiote 


65 




Benhane 1.° 


54 




Cheoculo 


69 




BiníToane 1.° 


161 




Mahohoa •«■ .... 


152 




Seifana 


180 




Derrote . . 

Benhane 2.° 


155 

718 




Canhavano 


54 




A transportar 






1:042 


2:895 



3 



66 



Nomes dos regalos 



Nomos dos oabos 



Nnmero 

de 
povoações 



Numero 

do 
palhotas 



Savanguana 



Insruana 



Transporte 

Macovele 

Dindane 2.° 

Vavate 

Vuca 

Pombe 

Dóle 

Como 

Guambi 

Manhenge 

Catine 

Cliirrenguete 

Chipucha 

Gochane 

Macaúleza 

Dáize 

Macuana 

Magnezulaiie 

Malate 2." 

Bingoane 2.° 

MaiTule 

Nhanice 

Zacanhe 

Matine 

Maguelane 

Chiacho 

Ocuxo ... 

Chigualane 

Mutombo 

Mutoliotoho 

Buvape 

Macharrane 

Chirrugiie 

Mu cambe de Baixo 

Bonigo 

Tambajane 

Cocoerre 

Boiígaue 

Uiane 

Macarringa de Rale 

Macarringa de Baixo 

iMaimela 

Bambaluaiie , 

Chicongussa 

Ongonbane 

Mugoguane 

Gotite 

Boane 

Mucarabe das Urrongas. . . 

Barraue 

Mabaiane 

A transportar 



1:042 

25 

43 

110 

117 

118 

94 

114 

8 

7 

40 

18 

9 

2(5 

43 

4 

6 

10 

82 

19 

52 

22 

10 

115 

58 

497 

169 

103 

68 

24 

39 

48 

36 

28 

128 

411 

575 

62 

57 

31 

158 

85 

93 

74 

269 

75 

24 

70 

308 

82 

22 

33 



5:737 



2:895 

86 

139 

306 

281 

352 

329 

259 

12 

15 

74 

33 

16 

12 

42 

89 

6 

12 

15 

192. 

51 

94 

37 

26 

274 

115 

1:574 

405 

250 

136 

46 

81 

83 

32 

47 

304 

1:244 

1:293 

151 

198 

76 

448 

168 

281 

275 

603 

101 

41 

154 

806 

254 

79 

68 



14:860 



67 



Nomes dos régulos 



Nomes dos cabos 



Numero 

de 

povoações 



Numero 

de 
palhotas 



Inguana 



Transporte 

Madila 

Mahate 

Malaehe 

Citil:i 

Mahabice 

Tiane 

Matende 

Matala 

Mucheque 

Maciibano 

Diniaude 

Maoia 

Chicota 

Manhaucela 

Chiuana 

Madila 

Seifana 

Mazeuga 

Taela dos Monzos . . . 

MaDgorro 

Bengane 

Mabinguene 

Chilaúla 

Chicnmba 

Taela de Mapanhe . . 

Coxaubane 

Macarringa Chichol . 
Mucambe Murrongue 
Chimangane 

Somma 



5:737 

29 

34 

34 

21 

19 

1 

3C 

7 

16 

2õ 

16 

6 

2 

14 

4 

1 

6 

13 

1 

3 

2 

10 

77 

4 

6 

8 

148 

71 

17 



6:362 



14:860 

100 

118 

82 

64 

48 

1 

91 

19 

32 

75 

40 

21 

5 

2s 

10 
o 

11 

23 
4 
5 
6 

12 

213 

8 

10 

16 
400 
152 

33 



16:590 



Regalos, 2; cabos, 102; população (aproximada), 45:489 habitantes. 



MOBBUMBENE — (4.' circnmscripçfio) 



Nomes dos regnlos 



Nomes dos cabos 



Numero 

de 

povoações 



Numero 

de 
palhotas 



Cccane. . . 
Cnndula . 

Guifutela 



Cimbo 

Dongue 

Chirrungo 

Nhaôa 

Doga 

Magogoro 

A transportar 




192 

86 
137 
99 
39 
132 
46 
36 
17 



784 



68 



Nomes dos régulos 



Guifutela 

Jf f 
ogo .... 



Pataguana 



Furvela 



Nomes dos cabos 



Numero 

de 

povoações 



Numero 

de 
palhotas 



Linga-Linga 

Marrucua 

Mata 

Guilongue 

Maguinbu 

Pelugue 

Quisàico Grande, C. I 

Pagula, Cl 

ifiaiaia, v/. x«# .•.••..*.. . 

Matapiça, C. I . . . 

Panga, C. I 

Guielo, C. I 

Primeiro, C. I 

Imbia, C. I 

Covelo, C. I 

Mau, C. I 

Mangue, C. I 

Macassele, C. I 

Nhaconda, C. I 



Tranêporte 
Maunguane ... 
Nhassengo . . . . , 

Siagane 

VI atuve 

Barca 

Bala-Bala 

Benhane , 

Quembe 

Víachota 

Goche 

Magumbana ... 

Guambe 

Nhacumbe 

Maerrula 

Guidangue 

Nhai 

Paelo , 

Nhamugue .... 

Mabongue 

Dongue , 

Muengue 

Nhalibaie , 

Séôa 

Nhabundo , 

Marrivata 



Nhatumbela ■ 
Cbandane. . . 
Madevela . . . 

Chipambate . 
Babiane 



A transportar 



137 
13 
IG 

24 
29 
19 
23 
32 
17 
20 
38 
15 
13 
28 
23 
14 

209 
12 
17 
15 
14 
38 
87 
7 
30 
54 
17 

107 
38 
49 
29 
54 
33 
56 
69 
44 
31 
19 
57 
98 
84 

145 
b7 
49 

198 
18 

123 
28 
11 
41 
15 
22 
19 



2:465 



784 

41 

67 

136 

157 

87 

123 

162 

44 

51 

207 

41 

40 

120 

55 

36 

688 

27 

48 

43 

35 

73 

208 

21 

73 

154 

24 

309 

110 

177 

86 

111 

104 

233 

272 

167 

100 

51 

195 

307 

271 

303 

169 

87 

434 

21 

353 

98 

37 

147 

45 

44 

31 



7:799 



G9 



Nomes dos re^^ilos 


Nomes dos cabos 


Numero 

do 

povoações 


Numero 

de 
palhotas 




Trnnjmnrt.p. 


2:465 
140 
60 
90 
45 
41 
41 
62 
29 
88 
61 


7:799 


Mambuila, C. I 


S : 


95 


^^'hibobochila, C. I 


257 


Fungue, Cl. 

ii^uiásico Pequeno, C. I 

xsliacóó, C. I 


178 
81 
80 


Muxacua, C. I 


160 


"J^égue, Cl 

Ouiambnana, C I 


166 
124 


Madauiela 


180 


xsharrumbo 


121 




5:386 


9:249 









Régulos, 35; cabos, 36; população (aproximada), 25:360 habitantes. 



HOMOINE — (5.* clrcam8cripçÍlo) 



Nomes dos régulos 


Nomes dos cabos 


Nume 

de 

povoações 


Numero 

de 
palhotas 


JVíocumba • 


Golo 


192 

497 

375 

30 

335 

124 

541 

19 

25 

39 

84 

20 

247 

69 

45 

73 

12 

lU 

72 

112 

173 

131 

134 

110 

86 

38 

30 

47 


697 




1:299 




Mafuiane 

Cote 


1:009 
57 




1 lomoine 

Meu 


992 
375 




Manhiça 

Xirrelele 

1 uiane 


1:874 
69 
54 




Anbane 


161 




Sicate 

Xirrinze.. . , 

Unuto 


301 
63 

781 


Nliamussua 


Madéluane 


215 




126 




NhamansTua •. 


169 




Nhen^^ue 


35 




Dome 

Madeúla 


207 
221 




Petane 


333 


Machavela 


Xicuarra 

1 )anlamaze ,,...«........ 


580 
518 
533 




1 )iinande •.... 


299 




Madoúcane 


339 




Maála 


179 




Covene 

Gruiuza 


92 
221 




A transportar 




. 


3:730 


11:799 



70 



Nomes dos regrnlos 


Nomes dos cabos 


Numero 

de 
povoações 


Numero 

dH 
palhotas 


. 


Traiísvortt 


3:730 

11 

13 

27 

51 

244 

48 

90 

39 

94 

105 

135 

39 

3 

10 

125 

22 

47 

167 

225 

283 

202 

187 

838 

464 


11:799 


Machavelã 


Maquemulane 


43 




Maiiene 

Marrinhela 


2» 
116 




MualuDfiTO 


161 


Bogucha 


Nhachocho 


62& 




164 




Maiiene 

Xicomo 


378 
110 




Xiambo 


28í> 




CanbavaDO .../.. 


697 




Mabecua 


376 




Malaissa 

ToiífiTuane 


116 
17 




Pambale 

Macause 


22 
687 




Macupulana 


56 




Pinzula 

NhafuníTuaiia 


124 
635 




NhaDUDO 


551 




Cambane 


775 


Moguba 

Matimbe 

Ouení2rue 


Somina •. 


547 

572 

2:198 


Urrene .,, 


902 








7:199 


21:997 









Kegulos, 9; cabos, 44; população (aproximada), 60:315 habitantes. 



MAXIXE — (6.« circumscripçOo) 



Nomes dos regrnlos 



Nomes dos cabos 



Numero 

de 
povoações 



Numero 

de 
palhotas 



Nhaguiviga 

Mucheue, C. I 

Dambo 

Magole, C. I 

Tala, C. I 

Coguana, C. I 

Nhamguile, Cl.... 

Nhaxinga, C. I 

Bembe 

Guitata (a) l 



Couanè 

A transportar 




2:521 



(a) O regulo morreu, tendo sido substituído pelo Zualo. 



71 



Nomes dos régulos 



Nomes dos cabos 



Numero 

de 
povoaçSes 



Numero 

de 
palhotas 



•Guitata 



Nhampata da Palha 

JMacuamene, C. I 

MacupuJa 

^hatitinie 

íshampata de Chambone. . . . 

Jiguni, Cl 

Nhabande 

^hambiu, C. I 

Ilumbana 

Tinga-Tinga do Norte — Ma 
loode 



Funja, 
Zualo 



Transporte 



Tiuíía-Tinga do Sul — Nlia- 



inaxaxa, 



Cbinde.... 
Nhampsala 
Hiivalo . . . . 
MajiJa . . . . 
TxoDduane . 
Beula . . . . 

Guja 

Nliaussana 



Suhunga . . 
Gongo .... 
Nhapapa . . . 
Barrane (a) 
Manhala . 



Somma 



974 

82 

1.54 

IGO 

110 

183 

75 

223 

86 

75 

154 

328 

44 
7 
42 
6 
37 
21 
46 
41 
21 

86 
57 
79 
86 
130 
35 



3:341 



2:521 
241 
436 
357 
195 
374 
135 
493 
164 
116 
309 
558 

81 
12 
65 
7 
42 
33 
94 
72 
31 

154 
95 
140 
165 
268 
7i 



7:229 



Régulos, 21; cabos, 16; população (aproximada), 19:821 habitantes. 



CHICOMO — (7.* circnmscripçfio) 



Nomes dos régulos 


Nomes dos cabos 


Numero 

de 

povoações 


Numero 

de 
palhotas 


•Ooamba Peauene 


Aucoca 


14 
5 
8 
3 
5 

11 
5 


239 




Bubula 

Boauico 


114 
199 




Chicopa 

Cuaiaia 


72 
95 




Dacanhela 


241 




Marrime 

A transportar 


121 




51 


1:081 



ia) Posteriormente, alguns d'e8tc8 cabos indepcudent s foram annexados a outros rogulop. 



72 



Nomes dos regalos 



Nomes dos cabos 



Namero 

de 

povoações 



Numero 

de 
palhotas 



Goamba Pequeno 



Goamba Grande 



Transporte 

Mavela 

Majungota 

Mabongo 

Mahamo 

Majoota 

Macome 

Mussana 

iMaliane 

Naila 

Nhapadiane . . . . 

Nebe 

Sinduza 

Dinhume 

Xinana 

Amba 

Chicalanguana . 

Chavissa 

Chouzela 

Chicaca 

Chissaca 

Cucua i 

Dalala 

Injomane 

Madeuda 

Mogongo 

Matemapelela ., 
Marrungota . . . . 
Machambo. ,.,,. 

Nhadada 

Nhamat alana . . . 

Somma . . . . 



51 
6 
9 



5 



i 

4 

12 
8 

22 
7 
2 
9 
7 
3 

19 
5 
3 
7 
3 

14 

17 
3 

14 
3 
2 
4 
1 

24 
2 



28;" 



1:081 

235 

199 

122 

132 

330 

79 

501 

7» 

488 

337 

7T 

Itíl 

117 

78 

214 

125 

10 

77 

G(> 

152 

298 

124 

297 

04 

42 

72 

13 

590 

45 

78 



6:285 



Régulos, 2; cabos, 37; população (aproximada), 17:233 habitantes. 



PANDA — (8.« circuinscrlpçao) 



Nomes dos regalos 



Nomes dos oabos 



Namero 

de 

povoações 



Numero 

de 
palhotas 



Cocalane 



Maioane 

Mabeque 

Chacotane , 

Massalane 

Mugome 

Ambuca 

Massingapanze .... 

A transportar 




2:670 



73 







Numero 


Numero 


Nomes dos régulos 


Nomes dos oabod 


de 


de 






povo aç Ses 


palhotas 




Transporte 


714 


2:670 


í^^nonlaup. - ..... 


ImooDe 


36 


91 


^/VlV/CllCtUC •••■ ••••*••••••• 


Chibaino 


18 


52 




Chicamba 


15 


66 




Nhamazana 


11 

6 

23 


34 




Chibanza 


21 




Cavacavane 


79 




Jacubecua 


35 


78 




Matimamba 


30 
19 
15 


80 




Massuve 


42 




Mapasselane 


35 




Macocumlumbane 


40 


117 




Mavumc l.** 


80 
45 


194 




Miigu-u 


137 




Chitozo 


20 
101 


85 




B<aiane 


266 




Maanche 


43 


109 




Machamale 


42 


108 




Bilanhambe 


98 


259 




\f acaxula 


91 
128 


240 




Mafumane 


317 




Pano 


60 


114 




Griíinhan&rane 


39 


126 




M asscmane 


40 
54 


79 




Quacale 


92 




MuaduD£rane 


8 


19 




Manchava 


14 


32 




Bahaoe 


32 


61 




Opondo 


25 


45 




Maúéla 


83 


247 




Nhanombanbaoa 


49 


132 




Bachavana 


55 


175 




Peiiane 


24 
33 


52 




Massuque 


ICO 




Maúvane 


45 


131 




Qiiine 


25 
7 


49 




Gumbo 


102 




Macocane 


59 


153 




Chivalo 


31 
16 


100 




Chiiiane 


49 




Mavume 2.*» 


8 


15 




Mazueane 


15 
96 


45 


Manguuhana 




172 


Maaffuele (a) 


Somma 


26 


31 




2:454 


7:201 









Refles, 3; cabos, 48; população (aproximada), 19:745 habitantes. 



(a) As terras d'oste regulo foram annexadas ás terras do regulo Magunhana. 



74 



INHARBIME— (9.* circnmscrlpçao) 



Nomes dos regalos 


Xoraes dos cabos 


Numero 

de 

povouçoes 


Numero 

do 
palhetas 


MocuDibi 


Cocbe 

Shacana 


11 

Só 

42 

11 

21 

13 

35 

11 

4 

5 

4 

7 

8 

4 

4 

G 

3 

3 

3 

11 

5 

8 
G 
3 
3 
8 
4 

18 
4 

14 
5 

14 
2 
3 

10 

19 

14 
2 
6 
3 
3 
1 

11 
3 
9 
G 
2 
9 

13 
7 
4 


315 




G38 
764 




Calaiicrana 


27^ 




Masonda .... 

Masrule 


5oa 

155 




MavuniaDa 


634 




UssaCíi 


169 




Guitave 


94 




Guixaxa 


81 




Massice 


57 




Marrucula 

Mangorro 

Nbadugo 

Nhacuabe 


12(> 
194 
129 
329 




13oinboIa 

Chirrambo 


l7c> 
71 




Buxo 

Maguiibana 

Malialambe 

Muende 

Mabalene 

Cobe 

Cliisseve 


84 

552 
IGa 
381 
172 
121 




Nhacongo 

Limão 


58 
105 




Chambe 


253 




Gonzane 


12G 




Nhavile 

Machongolo 

Nhatava 


339 
179 
552 




Chalahuane 

Chirreu 


229 
315 




Mauírita 


m 


Mindu 


Manhicuana 

Mahuaia 

C/hicalan£rana 


75 

19a 

l:44f> 


Guilundu 


491 




149 




Nhacundela 

Guie 


266 
295 




Gulula 


99 




Quambe 

Carrenerane 


30 
415 




Mahocha 


116 


■ 


Duluto 


572 




Elle 

Biucruene 


415 
92 




Deveze 

Gondo 

Cbongone 

Chioole 


311 
768 
215 
15(> 




A transportar 






467 


14:582 



75 



Nomes dos regnios 


Nomes dos eabos 


Numero 

de 

povoações 


Numero 

de 
palhotas 


Oailundu 


Transporte 

Malambe 


467 
1 
2 
2 

17 

10 
2 
3 
8 
3 
1 
1 
2 
1 
2 
4 

14 
3 
3 
5 
5 

11 
8 
3 
6 
3 
5 
3 

29 
1 
2 
2 
2 
1 
3 
4 
6 
4 
5 

14 
9 

27 
6 
6 
7 
5 

10 
2 
2 

34 

13 
4 
3 


14:582 
24 




Rava 


105 




Macuarro 


106 


NhacohonfiTO 


Nbacohongo Mafassana. . . 

Congy ^ 

^' aconguela ' 

Cuaguana 


631 




276 
30 
37 

3ò5 




Cambula 


114 




Chigoudo 

TeDuete 


34 
27 




Chilatane 


41 




Matimbi 


19 




BaDgalati 

Pende 


13 
45 


Nharruluga 


Gulela 


429 
101 


« 


Doveltí 

DoroDa 


100 
206 




JuDia 

CanbaDfiTue 


269 
154 




Guixaxa 

Macapala 

Nhamuesse 

Goleie 

Maessa • 

Machive 


251 
107 
107 

47 
140 

33 


Nhanombe 


Macanza 

Coucrue 


951 

106 
114 




Nhoco 


54> 




Nhafunhula 

(^hicueti • 


55 
23 




Pindula 

Sihane 

Chongola 

Quemane 

Gulela 


132 
163 

118 
111 

84 




Nhancondo 


330 




Nhancololo 

MacuDulane 


197 
453 




Banzai 


144 




Nhatumbo 

Ucuane 

Bia 


130 

200 
91 




Ucul a 


318 




Chavissela 


132 




Nhacondo 


126 


Muane, C. I «... 


A transportar 


1:607 


Calla, C. I 


642 


Nhamafireu, C. I 


184 


Cbambula. Cl 


153 








796 


25:003 



76 



Nomes dos régulos 


Nomes dos cabos 


Numero 

de 

povoações 


Numero 

de 
palhotas 


NhauiDalala. Cl 


Transporte 

Somma 


796 
22 

G 


25:00a 
698 


GruiDuala. C. 1 


329 








824 


26:050 



Kegulos, 12; cabos, 94; população (aproximada), 71:547 habitantes. 



ZAViXLA — (10.* circuinscripçâo) 



Nomes dos régulos 


Nomes dos cabos 


Numero 

de 

povoações 


Numero 

de 
palhotas 


NhafiTUtOO 


Gungurriilo * ... 

Zandainella 


12 

32 

10 

12 

51 

13 

3 

4 

12 

16 

19 

8 

5 

7 

2 

3 

1 

9 

19 

22 

12 

17 

23 

19 

G 

17 

22 

13 

36 

14 

9 

19 

17 

5 

18 

21 


318 




748 
270 




Macucula 


212 


Ouissico 


Ducuc 

Mavillane 

Doluto 

Vuugana 


1:438 




6Í)9 

162 

630 




Daiâcambe 


88iJ 




Massava 


1:036 




Dacallo 

Nhacodue 


375 

203 




Mahena 

Chicoeno 


271 
147 




Doncramissa 


12G 


Jifavilla 


Muendula 

Nhamajangal 

Nliacuanffue 


68 
281 
309 




452 




Doo 

Chissoo 

Matanato 


441 
477 
b\0 


Canda 


Murruco 

Maxalatuana 


328 




109 

20G 




Bahulana 


42G 




Chibembe 

Mtuti 

Nhamaango 

Guni 


25(> 
565 
184 
216 


Zavala 


Chitoudo 

Gomene 

Matona 

Inhambele 

A transportar 


324 
479 




189 
635 
642 




528 


14:86G 



i i 



Nomes dos regnioc 


Nomes dos cabos 


Numero 

de 

povoaçõe» 


Numero 

de 
palhotus 


Zavalla 


Transporte 

Bahulane 


528 
9 

4 

7 

1 

3 

7 

2 

28 

38 

37 

22 

22 

1 

18 

8 

17 

40 

9 

11 

24 

13 


14:8í;(> 
478 




Matimela 

Mahite 


206 

284 




Chissambula .... 

Dinhe 

Macruencrue 


8G 
102 
203 


Banguza 


Deveka 

Muendula 


53 

458 
7(12 




Maculuve 


(j95 


Zandamella . 


Lixanga 

Inhaumenda 

Mangazilo 

lUissi 

Macacimbe 

Mavululana 


(JB3 
704 
09 
311 
153 
187 
757 




Molli 


150 




Macanda 

Mahauiba 


32 
335 




Cliinibibirrc 


131 




Manibucho 


231 




Somma .•.. 






8()2 


21:918 









Régulos, 7; cabos, 51; população (aproximada), 60:082 habitantes. 



GUILLALA — (11«" circuinscripçâo) 



Nomes dos régulos 


Nomes dos cabos 


Numero 

de 

povoações 


Numero 

de 
palhotas 


Guillala 


ConíTuiane 


178 
85 
72 

14;. 

124 
81 

117 

169 
50 

122 
35 
7 
20 
21 
15 
75 


322 




215 




Nhamua 


147 




NhafiTuiue 


300 




Machavencra 


248 




Salela 


84 




Seanirriva 


323 




.Vladeira 


294 




Marrombone 


73 


NhamDOssa 


Malembuana 


292 




Guitambatuno 

Mabanga 

Chambe 

Guia 


77 
24 
52 
39 




Manguele 

Paindane 

A transportar 


56 
173 




1:314 


2:719 



78 



Nomes dos régulos 


Nomes dos cabos 


Numero 

de 

povoações 


Numero 

de 
palhotas 


Nlianala 


Transporte 

Nbapapa. 


1:314 
56 
63 
19 
23 
20 
20 
46 

8 

6 
37 
31 
41 

4 
16 

3 
22 

6 
37 
26 

2 

2 
54 
19 
.■)2 
60 
14 
62 


2:719 
134 




Rivane 


148 




NhadasTua 


37 




Ussuana 


87 




Sinia 


69 


1 


iTi au a V <!'•■••• •••• •••• 

iVIalaissa 


66 
136 




Malacanba 


23 




CbicimuDzo 


13 




Faftine 

Tariibissa 

Gulcuacua 


70 

90 

Hl 






17 




Guilambo 

Nhagulambe 

Maiigavane 

Bongo 

Guiiata 


47 
13 

48 

26 

150 




Massavaue 


80 




SifiTuela 


8 




Toela 


46 




Gumula 


206 




Gala 


46 




Mangoo 

Maunza 

Macoola 

Goxana 


76 

119 

30 

12H 




Somma . 






2:043 


4:743 



Régulos, 3; cabos, 42; população (aproximada), 13:005 habitantes. 



CUMBAXA— (12.> circoinscripç&o) 



Nomes dos régulos 


Nomes dos cabos 


Numero 

de 

povoações 


Numero 

de 
palhotas 


Oumbana 


Massalela 

Quissembe 


70 
20 
13 
26 
14 
56 
27 
132 
26 
15 
14 


689 




195 




Bongo 

Magumbela 

Gala 


76 
167 
139 




Jane 


759 




Mallaissa 


531 




Nhancoia 


2:785 




Mahema > . . . 


258 




Maputumane 

Guirruta 

A transportar 


209 
124 




413 


5:932 



Taluagpm di; mulher Shor-e 



79 



Nomes dos regules 



Nomes dos cabos 



Nnmcro 

de 

povoações 



Numero 

de 
palhotas 





Transnorte 


413 

6 

126 

18 

49 

26 

4 

4 

148 

147 

113 

48 

28 

19 

69 

11 

75 

35 

24 

11 

91 


5:932 


Cainbana 


Gucolocolo 

Mabelane 

Guͣrueuia 


34 




2:147 
269 




MadoD^ra 


554 




Jicoudo 

Cache 

Mabuce 


209 
26 
30 


1 

Bambamba .* 


Jangamo 

Guifugo 

Indudo 

Inhacula 

Guiniarra 


588 

1:380 

338 




118 
203 




Guiniereeo 

Lindela 

Bahane 

Mafaeaviane 


194 

379 

52 

338 




Marriína 

Biane 


191 

86 




Chamoane 


123 


Matenca • 


Somina 


216 








1:465 


13:407 









Régulos, 3; cabos, 30; população (aproximada), 36:761 habitantes. 



Quando uma mulher sente as dores da maternidade, manda, 
chamar a parteira *, e é no collo doesta e dentro da palhota que 
tem o parto. A parteira, algumas vezes, vem acompanhada de 
uma feiticeira que faz previsões ao pae e a este communica os 
successos e, em caso de diíficuldade, pratica ceremonias de fei- 
tiçaria. Nas crianças do sexo masculino, o cordão umbilical é cor- 
tado abaixo do joelho, por os indigenas possuírem a crença que 
da extensão d'elle depende o maior ou menor desenvolvimento 
do órgão sexual. No sexo feminino, é o cordão umbilical cortado 
acima do joelho. 

Em seguida ao parto, é a criança mostrada aos assistentes, que 
teem que contribuir com qualquer presente á parteira. 

A mãe imta com azeite de amendoim, mafurreira ou xicun^o 
os mammilos, a fim de fazer apparecer o leite. Pelo pae é dada 
uma pequena festa ás pessoas de família presentes que teem as- 



* Vide app. 



80 



sistido ás operações de parto e onde, como é da praxe, se dis- 
tribue larga porção de qualquer bebida. Depois da festa, e dois. 
ou três dias depois do parto, sae a parturiente da palhota com o 
íilho ás costas, seguida da parteira, que vae destruindo os ves- 
tígios de todas as pegadas dadas pela mãe. Depois de todas as 
pessoas se terem retirado, fazem uma ceremonia *, que consiste 
no seguinte : 

Na esteira é estendido o pano que serve para trazer a criança 
amarrada ás costas, e sobre esse pano são coUocados, depois de 
torcidos pelo marido, dois iios de linhas. Sobre esse pano e fios 
se deitam o marido e a mulher com a criança ao meio e, em 
seguida, teem relações sexuaes. No dia seguinte, ao romper 
do dia, deixam cair sobre os fios a agua com que se lavam e, 
em seguida, os fios são coUocados á cintura da criança. Estes 
íios, muitas vezes, são enfeitados com missanga, que fica até 
cair. 

Estas praticas teem por fim, segundo os indigenas crêem, ga- 
rantir o desenvolvimento da criança. Logo que um rapaz chega 
uos seis annos, pouco mais ou menos, tem logar uma das prati- 
cas mais importantes observadas nestes indigenas: a da circum- 
oisão. Obtida licença da respectiva autoridade cafreal, prepa- 
ra-se no mato denso um terreno, que se limpa e cerca de forma 
que de fora nada se veja. Neste logar se faz uma barraca de 
folha de palmeira ou de palha e nella se encontra o doutor ou 
operador, que vae recebendo os rapazes. Estes veém acompa- 
nhados cada um de um homem, espécie de padrinho, encarregado 
de cuidar e tratar d^elles. O operador recebe determinada quan- 
tia por cada rapaz, além da autoridade cafreal, que também re- 
cebe ims emolumentos. Esta quantia é variável em 200 réis e 
uma gallinha, ou 500 réis, e ás vezes mais. Em seguida começa 
a operação do corte do prepúcio a cada um dos rapazes, feita 
rapidamente pelo operador com o auxilio de um canivete bem 
afiado. Na ferida são collocàdas umas folhas cozidas em agua a 
ferver, acompanhadas de massagens até parar o sangue. 

Depois doestas operações conservam-se ainda os rapazes alguns 
dias com o feiticeiro, a fim de aprenderem, por meio de pergun- 
tas e respostas, os seus deveres futuros como homens nas suas 
relações sexuaes com as mulheres. 

Entre os Bashopes ha o costume de os rapazes se cobrirem 
com molhos de palha, a fim de não serem conhecidos pelos es- 
tranhos. 

Durante o tempo que os rapazes se conservam neste logar, as 
mães levam-lhes a comida, que deixam ficar fora do recinto e 
onde cada padrinho a vae buscar para a entregar ao seu afi- 
lhado. 



* Vide app. 



81 



E expressamente defeso, durante as ceremonias da circumcisão, 
aos pães terem relações sexuaes, na crença que, se as tiverem, 
os filhos morrerão. 

Depois de todab estas ceremonias, são os rapazes levados para 
um outro recinto, onde as familias os vão buscar, para o que lhes 
levam roupas novas e de onde saem ás costas das raparigas que 
não sejam suas parentes, as quaes os levam em visita aos paren- 
tes mais próximos e, em seguida, ás casas dos pães, onde se dá 
uma pequena festa. E^ costume os rapazes, linda a ceremonia da 
circumcisão, adoptarem outro nome e abandonarem aquelle que 
lhe fora dado pela mãe na occasiao do seu nascimento. A única 
occupação dos rapazes, emquanto não chegam á idade de pode- 
rem emigrar, é apascentar os gados, e é curioso ver, ás vezes a 
distancias grandes das povoações, garotos de seis e sete annos a 
guardarem grandes manadas de bois, carneiros e cabritos. 

Nas raparigas, logo que ppparece a primeira menstruaçFxo, é 
a rapariga isolada numa palhota, tratando d^ella uma mulher que 
que seja mãe de filhos, porisso que nào pode ser tratada por uma 
mulher estéril, pelo receio de lhe transmittir a esterilidade. A ra- 
pariga não pode falar com pessoa alguma, a não ser com a refe- 
rida mulher, e, se tem necessidade de sair da palhota, não pode 
levantar os olhos do chão. Findo o periodo da menstruação, sae 
a rapariga para fora, com roupas novas e muitos enfeites de 
missanga no pescoço e na cabeça, para que os rapazes a vejam 
e saibam que está apta para ter filhos/ As raparigas landinas, de- 
pois da primeira menstruação, a primeira vez que se vão banhar 
vão acompanhada^ por muitas mulheres, uma das quaes a vae 
empurrando e puxando violentamente, emquanto que as outras 
cantam acompanhadas por um pequeno tambor que uma toca. 
Esta pratica quer significar, segundo ellas, que a rapariga 
quando casar deve ser diligente e trabalhadora. As raparigas 
começam, desde muito pequenas, a trabalhar, na companhia das 
mães no amanho das terras e a cozinhar para os parentes. Da 
mesma forma adoptam outro nome. 

E também no periodo da adolescência que se pratica a tatua- 
gem. E neste uso que os costumes dos indígenas d'este districto 
diíFerem sensivelmente. 

Só as mulheres Batongas usam a seguinte tatuagem : na cara 
e nos braços, com tinta de lula, e com um molho de seis agulhas 
fazem umas pintas pretas. Também aguçam os dentes com auxi- 
lio de um pequeno formão, martelo e lima. 

Os Batongas do sexo masculino não usam tatuagem alguma e, 
quando muito, apenas furam as orelhas para usarem brincos. 
Existe, porém, uma tatuagem commum ás mulheres de todas as 
raças, que consiste nuns golpes dados com um instrumento em 
forma de raspadeira e com o auxilio de um pequeno gancho, de 
modo a que a pelle fique levantada. 

Nas Batongas e nas Landinas esta tatuagem é limitada á parte 



82 



inferior da barrig^a, na cintura e no alto das coxas, mas nas 
Bashopes esta tatuagem estende-se quasi por todo o corpo. Esta 
mesma tatuagem é usada pelos Bashopes do sexo masculino no 
rosto, mas este uso tende a desapparecer, por motivo da troça 
que os outros indigenas lhes fazem. 

Entre os Bashopes alguns ha que limam os dentes, aguçan- 
do-os, mas a maioria abandonou esta pratica, que nunca se tornou 
um característico de raça. 

Usavam também os Bashopes o singular costume de darem 
uns cortes na cara, no sentido horizontal, significando cada corta 
a morte de um inimigo. Como até á data da prisão do Gungu- 
nhana eram vulgares os conflictos sangrentos não só com a gente 
d'este, mas também entre si, não é raro encontrarem-se indige- 
nas com estes signaes. Estou, porém, convencido que muitos 
d'elles, embora por vaidade digam o contrario, nunca mataram 
inimigo algum. 

A mulher Landina usa ainda uma espécie de tatuagem pecu- 
liar á sua raça, que é uma pequena linha, em sentido horizontal, 
de pequenos golpes, que se estende quasi desde uma orelha até 
ao canto do olho. Também só nos homens Landins se encontra o 
uso de rasgarem largamente o lóbulo da orelha, onde lhe mettem, 
ás vezes, canudos de folha do rapé. Este uso, na gente nova, 
também tende a desapparecer. 

Os Landins da segunda invasão e do seu contacto com os Va- 
tuas trouxeram também^ o uso da rodela de cera na cabeça, tão 
vulgar entre os Zulos. E principalmente nos Landins-Macuacuas 
que este costume se observa. Esta rodela é formada por um 
entrançado de fio e do cabello e envolto em cera preta *. O in- 
dígena que se presa traz sempre a sua rodela muito lustrosa. Só 
a podem, porém, usar o chefe da povoação e herdeiro dos seus 
antepassados e só depois de entrar na idade madura. Só a tiram 
temporariamente por morte da mulher grande. 

Teem as mulheres Landinas e Bashopes o costume, depois de 
parirem, de se untarem, e untarem os recemnascidos e os panos 
com barro cozido vermelho, misturado com azeite de mafurreira. 
Dizem os indigenas que esta pratica evita as mulheres cheirarem 
mal ! 



A polygamia é, desde tempos remotos, usada entre os indige- 
nas doeste districto, e, á excepção dos régulos, o maior numero 
de mulheres que um indígena possue não vae além de três ou 



* A cera preta é extrahida das colmeias que as abelhas fazem no solo. 



83 



quatro, e mesmo estes números não formam a maioria. O mais 
vulgar é uma ou duas mulheres, sobretudo depois que se deu o 
augmento do imposto de palhota. 

Tornou-se facto vulgar o repudio de herança de mulheres, e, 
sendo de uso que cada mulher tenha a sua palhota, o indigena 
não quer assumir mais encargos. Em regra, um indigena não 
compra mais de uma ou duas mulheres; e se mais tem, foram 
herdadas. 

Por morte do chefe da família, as mulheres e os filhos, se são 
pequenos, são herdados pelo irmão que se lhe seguia em idade, 
e assim por diante. No caso de não haver irmão, por terem mor- 
rido, a herança é recolhida pelo sobrinho ou filho do irmão mais 
velho e, a seguir a este, os outros irmãos ou sobrinhos, e, se- 
^aiindo-se nesta ordem, passarão aos filhos do terceiro irmão, etc. 
Dado o caso que, morto o chefe de familia, não tivesse deixado 
irmãos ou sobrinhos, a herança pertencerá ao filho mais velho, 
a cargo de quem ficarão as mulheres do pae e os irmãos pe- 
quenos. Se forem raparigas, as quantias por que estas forem 
vendidas, assim como nos casos antecedentes, pertencem áquelle 
que foi considerado herdeiro. Estas regras, devido ás difl'e rentes 
interpretações que lhes teem dado as autoridades na resolução 
das questiJes, já não são tão rigorosamente observadas como eram 
d'antes. 

As mulheres, gosando de uma liberdade que não tinham, não 
lhe agradando o novo marido, emancipam-se, e é esta uma das 
origens de questões. Bem se faz nisto sentir a falta, como noutras 
coisas, de um regulamento de justiça cafreal. 

Não ha preferencias ou desigualdades entre os filhos de diflFe- 
rentes mulheres. Os filhos das mulheres herdadas, sobrinhos ou 
primos, são considerados pelos herdeiros como filhos também 
e como tal tratados. 

As mulheres, ou por morte do novo marido ou ás vezes antes 
d^isso, vão viver para a povoação de um dos filhos. 

Logo que o indigena chega á puberdade, trata de procurar 
mulher. Os Batongas e Bashopes não vão longe procural-a, ao 
contrario do Landim que viaja bastante até encontrar mulher a 
seu gosto. 

E vulgar verem- se rapazes, ainda muito novos, de quatorze 
a quinze annos, já terem mulheres mais novas ainda. 

Devido á liberdade de que gosam os indígenas de ambos os 
sexos, as relações tornam-se fáceis, mesmo antes do consenti- 
mento dos pães. Uma vez realizada esta ligação, lá está o pae 
da rapariga um dia a pedir as libras ao genro ou ao pae doeste. 
Se este as não tem, o rapaz emigra immediatamente. 

O Landim é de todos os indígenas aquelle que procura ter 
mais mulheres. O Muchope e o Tonga contentam se muitas vezes 
só com uma. Quando um homem volta do Transvaal e não tinha 
antes nenhum compromisso, vae aos batuques arranjar noiva e, 



84 



por meio de uma intermediaria *, trata de saber se á ráparig:i. 
que lhe agradou deseja casar. Se esta diz que sim, entende-se 
então a intermediaria com os pães ou representando como taes 
e, assente o preço, trata-se o dia do casamento. 

Pelo noivo sao ofFerecidos presentes ^ á futura sogra, tudo 
acompanhado de bebidas, que são indispensáveis. 

Em seguida, pelos parentes do noivo é entregue ao pae a 
somma ajustada"^. Se este tem mais .filhos, esta quantia é guar- 
dada para a compra de uma mulher para outro filho que tenha. 

líesta occasião, a mãe da noiva participa ao noivo que desej:t 
fazer as papas de farinha de mexueira fermentada e milho, indo 
o noivo a casa do pae dar-lhe d^isto conhecimento. Logo que o 
pae do noivo a este diz que a mãe da noiva pode fazer as papas, 
o noivo assim o vem participar á futura sogra. Feitas as papa*?^ 
o noivo, acompanhado da noiva e dos pães d'esta, dirige-se a 
casa dos pães d'aquelle, sendo a panela 2, onde fermentaram 
e conduzem as papas, recolhida pela mãe da noiva, que as come 
juntamente com as crianças ou família e, na falta d'estas, com 
quaesquer outros. A noiva é obrigada a carregar com a panela. 

Na povoação dos pães do noivo e dada a este e á noiva uma 
palhota onde, nessa noite, devem ter as suas primeiras relações 
sexuaes, noite em que os pães do noivo as não podem ter. 

Na madrugada seguinte, e em metade da casca de um coco, 
ou de maçala, se é para o interior, onde não ha coqueiros, es 
noivos deitam cada um um bochecho de agua, com a qual, á 
porta da palhota, lavam as mãos, vindo em seguida os pães d^elle 
pisar o sitio onde essa agua caiu. 

Na noite d'esse dia os noivos não teem relações, tendo-aí?, 
porém, os pães d'elle, que na madrugada seguinte fazem a mes- 
ma ceremonia da agua, indo os noivos pisar o sitio onde a agua 
caiu. Dias depois repetem-se as ceremònias precedentes em casa 
dos pães da noiva, findas as quaes estes acompanham os recem- 
casados á povoação onde tencionam ir viver. 

O Landim, em geral, faz povoação nova, ao contrario do Mu- 
chope que se agrupa. O Tonga, umas vezes, agrupa-se, outras 
vezes, isola-se, e, assim, ha povoações com uma só palhota e ha 
outras com cincoenta e mais. 

Compete ao homem fazer a palhota. Esta compoe-se de uma 
cúpula em forma de funil, composta de paus delgados, entran- 
çados e presos uns aos outros por cordas vegetaes. Esta cúpula 
é coberta de colmo. O corpo da palhota é de caniço, entrançado, 
e revestido interiormente de barro amassado ou areia argillosa *. 
Esta ultima operação pertence ás mulheres. 



í Como se trata de três raças, é ao vocabulário que pertence a tradu- 
ceão de varias palavras onde se encoutrara os três dialectos. 
2 Vide app. 



(« i^iaiyifc' 






'i 



\ 



85 



Aos homens pertence ainda a confecção de artigos de uso do- 
mestico: o pilão, escudelas de madeira, colheres de pau, esteiras, 
cabos de enxadas, cabos de machadinhas indigenas, etc. Quando 
um indigena pretende casar com outra mulher, ó a primeira sem- 
pre consultada e fica sendo sempre, para todos os effeitos, a mu- 
lher grande e as outras reconhecem-lhe a autoridade. 

Constituido o mtnage, entram os noivos na sua vida habitual. 
A mulher levanta-se muito cedo para pilar o milho e preparar 
a refeição da manhã. O indigena, ao contrario do que muita 
gente imagina, não é madrugador, sobretudo no inverno. Logo 
que se levanta, trj,ta de comer. As refeições dos indigenas doeste 
(listrioto comp5em-se do seguinte: farinha de milho, mexueira ou 
mandioca com molho de amendoim, mafurreira, ou de coco, se é 
no litoral. Também usam o azeite de castanha de caju. Estes 
óleos, que constituem os taes molhos ou caril, são misturados com 
folhas de diversas plantas bravas, taes como a inganga ou inkaka, 
imboa^ etc, ou com a rama de abóbora, feijão e batata doce. 
No litoral, ao caril é addicionado marisco ou peixe, e no interior, 
quando é apanhada, alguma peça de caça ou qualquer outro ani- 
mal. Da mesma forma são aproveitados todos os animaes domés- 
ticos que morrem de qualquer doença e, uma vez por outra, 
matam uma gallinha, porco ou cabrito. 

Finda a refeição da manhã, o indigena do sexo masculino vae 
passear até á povoação dos vizinhos, conversar, saber novidades, 
beber e fumar o bangue^ que não é mais que o conhecido nar- 
guillé asiático: um chifre de boi, cheio de agua, um receptáculo 
para depositar o tabaco em contacto com uma brasa, e um ca- 
nudo de ligação entre o deposito e a agua. O grande luxo entre 
os indigenas é de mostrarem, após duas ou três aspirações pro- 
longadas, quanto tempo podem conservar o fumo sem o expel- 
lir. ^Pode-se calcular quanto este uso é pernicioso. 

A hora do calor regressa a casa e, estendido numa esteira, 
dorme até á tarde, em que dá novo passeio. Volta ao escurecer, 
come e acocora-se em volta da fogueira até ás nove ou dez ho- 
ras, em que se vae deitar. Umas vezes por outras faz esteiras 
ou vae á caça, por distracção, com o arco e flecha ou fazendo 
armadilhas. 

O Muchope é o único que trabalha nos campos ao lado da mu- 
lher. Além d'isso, trabalha em ferro e na confecção dos txalos^ 
(panos de casca de arvore). 

A mulher, de manhã, depois de preparada a refeição, se não 
a fez de véspera, vae cultivar, volta á hora do calor e, de tarde, 
vae novamente cultivar ; ao entardecer volta a preparar nova re- 
feição, finda a qual se senta em voita da fogueira até recolher 
á sua palhota. Cada mulher tem uma palhota, separada. 

Como se vê, não é muito movimentada a vida dos indigenas. 

Além dos trabalhos de cultura e domésticos, teem ainda as 
mulheres a occupação de fazerem o sal. Nas praias lodosas, 



86 



junto ao mar, em certas planícies e margens de alguns rios, 
com a casca de um caracol grande, vazia, recolhem o salitre 
que á superfície alli se encontra, depois do que o dissolvem em 
agua salgada ou salobra. Em seguida é a agua deitada numa pa- 
nela, ao fogo, até que, pela evaporação, a agua desapparece, 
ficando o sal depositado no fundo. 

Os Bashopes, quasi pelo mesmo systema que se usa para seccar 
o peixe, fazem pedras grandes de sal, que é artigo de permuta 
entre os indigenas. 

Teem também os homens uma occupação especial: a de fazer 
o lume. Com dois paus, de pequenas dimensões, de duas arvores 
resinosas *, tendo um d^elles um pequeno buraco ao centro e o 
outro terminado em ponta, que entra no buraco, tendo prévia- 
mente coUocado qualquer coisa sêcca posta nelle, obteem o lume 
pela fricção. Esta operação não é feita amiudadas vezes, porque 
as mulheres, quando se ausentam, teem o cuidado de deixar ar- 
dendo grossos madeiros; de noite conservam sempre o lume na 
palhota e, além d^isso, o uso dos phosphoros está bastante vnl- 
garizado. 

Antes de terminar este capitulo, não quero deixar de me referir 
a uma curiosa pratica dos indigenas. 

Quando um indígena casado se deseja queixar á sogra, por 
quem nutre muito respeito, que a esposa d'elle não tem os cui- 
dados hygienicos secretos, que deve ter nas suas relações intimas 
com o marido, leva um gallo morto, sem pennas no rabo, á sogra, 
sem dizer palavra, e uma gallinha, sem pennas no rabo também, 
quando a esposa a si própria não cura dos mesmos cuidados. 
Em geral referem-se á pratica de todos os indigenas raparem á 
navalha todos os pêlos que teem nos sovacos ou no baixo ventre. 



As duas fontes perennes e originarias de doenças, que pode- 
rosamente devem affectar a economia physica do indigena doeste 
districto, são, sem duvida, a emigração e o alcoolismo e, quando 
tratei d'este capitulo, já a ellas me referi. Os algarismos officiaes 
dão-nos a percentagem de 3 ^/o de indigenas mortos no Trans- 
vaal. 

Segundo os cálculos que eu próprio fiz, obtive uma média de 
8 %, não entrando neste numero os indigenas cujo paradeiro se 
ignora, não constando ás familias os seus fallecimentos. 

Para ennegrecer o quadro, temos ainda a enorme percentagem 



* Vide app. 



87 

de crianças recemnascidas que morrem devido, em parte, a cau- 
sas hereditárias e, parte, aos poucos cuidados e ignorância total 
dos principies mais rudimentares de hygiene por parte das mães. 
Por ultimo, a lepra, com todos os seus horrores característicos, 
vem ainda augmentar este fúnebre cortejo com uma percentagem 
que julgo não inferior a 1 ^/o- 

Encerra este capitulo matéria delicada, para que um estranlio 
em sciencia medica, e sem conhecimentos technicos, possa nelles 
espraiar-se e, porisso, apenas me limito ao que tenho observado 
e, ao mesmo tempo, descrevendo certas praticas indígenas, obser- 
vadas nalgumas doenças. 

A marcha da doença no tisico é rápida, devido á forma como 
o indigena se alimenta. A sua maneira de viver só se modifica 
quando a morte vem, que, na maioria dos casos, não se faz es- 
perar muito, o que, no meu entender, ó ainda um bem. O feiti- 
ceiro limita-se a explorar o doente, tendo conhecido desde logo 
que a doença é das que não tem cura. Algumas vezes a familia, 
com o receio do contagio, ou por ser uma boca inútil, abandona 
o tisico no mato ou á beira de um caminho. Quando morre um 
tisico, os Landins não pegam no cadáver: atam uma corda ao 
pescoço do morto e arrastam-no para fora da palhota, e só entFio 
é que lhe pegam até á cova. Quando morre mais de um tisico 
na mesma povoação, mudam-se para outra região. 

Os Bashopes teem uma pratica muito curiosa: quando morre 
um tisico, o irmão ou o parente mais próximo abre o cadáver e 
tira-lhe o coraçiio, fígado e baço, depois do que o cadáver é en- 
terrado, tendo-lhe antes coUocado o fruto da maçala em cima 
da cabeça. Depois' da cova estar tapada com terra, collocam os 
despojos (coração, fígado e baço) em cima d'ella, ligeiramente 
cobertos com terra. Em seguida cercam com ramos de arvores 
espinhosas a cova onde jaz o morto, a fim de evitar que os ani- 
maes ahi penetrem. E assim se evita o contagio, segundo elles 
dizem! 

Quando uma mulher pare um feto, é este mettido dentro de 
uma panela e deitado num pântano. Se assim não fizer, é crença 
dos indigenas que a mulher se tornará estéril. Se a criança nas- 
ceu morta, deve também ser deitada em sitio pantanoso. E' at- 
tribuida a falta de chuvas o não ter sido observada esta pratica 
por qualquer mulher. Em qualquer dos casos, são sempre as mu- 
lheres encarregadas doestas operações. Para evitar a falta de 
chuvas, costumam também os Landins e Batongas deitar em sí- 
tios pantanosos os cadáveres de homens ou mulheres que mor- 
rem hydropicos ou com qualquer outra doença de que resulte 
inchar demasiado o ventre. 

Entre os Bashopes, com esta ultima doença, procede-se de 
uma forma bastante barbara: o cadáver do homem ou da mulher 
é mettido dentro de uma cova e ligeiramente coberto com terra. 
Depois, com paus aguçados, batem na barriga do morto até a 



88 



terem furado bastante, só depois do que é completamente 
cheia a cova de terra. Com excepção da varíola, procede-se 
sempre, no caso de morte, com as ceremonias já descriptas nou- 
tro capitulo. 

A varíola, antes das providencias tomadas pelo Estado, fazia, 
sempre que apparecía, ímmensas victimas, e só depois da epide- 
mia ter desapparecido por completo ó que se procediam ás ce- 
remonias. 

A não serem tomadas as medidas que a gravidade da lepra 
attinge pelo contagio, é de prever que o numero de leprosos seja, 
dentro em pouco, enorme e assuma as proporções de uma ver- 
dadeira calamidade. Tenho visto nalgumas povoações leprosos 
adultos e, nas mesmas povoações, algumas crianças já com os 
signaes doesta repugnante doença, sem que estas sejam filhas 
dos primeiros, o que só se explica pelo contagio, o que não deve 
admirar, vendo-os comer do mesmo prato e dormindo na mesma 
esteira. 

Creio ainda hoje não ser conhecida a origem da elephantiasis, 
mas o que é certo é que esta doença só se observa junto ao li- 
toral e numa faixa muito restricta, que começa na Mutamba e 
acaba em Morrumbene, na margem esquerda da bahia, e desde 
Cobane até acima de Mocucune, na margem direita. 

Os indígenas dentro doestas áreas todos os dias vão apanhar 
marisco na praia, quando a maré vasa, e alli passam horas. O 
marisco é também uma parte integrante da sua alimentação. 
Para o interior nem um só caso se observa de elephantiasis. 
Também é muito mais frequente nas mulheres que nos homens. 

A syphilis é relativamente pouco abundante, e, quanto mais 
para o interior, menos existe. O contagio d'esta doença é pouco 
para temer, e explica-se este facto pelo seguinte: em primeiro 
logar, porque qualquer doença nos orgfios genitaes do mdigena, 
por muito insignificantes que sejam, attingem desde logo enormes 
proporções, devido á falta de hygiene e remédios apropriados, 
que o impossibilitam de ter coito; e, em segundo, porque o in- 
dígena evita ter contacto com qualquer mulher quando se sente 
doente. Nisto são superiores a muitos brancos. 

Conheço casos de morte produzidos por simples blennorrha- 
gias. 

O hydrocele é vulgarissimo em todo o districto. 

Ao contrario do que se julga na Europa, o indígena é bastante 
atacado de febres, e algumas de caracter pernicioso, de que 
morrem em algumas horas. Não teem nome especial para desi- 
gnar a febre, e dizem simplesmente estarem doentes. Doenças 
no baço e no fígado são vulgares e curam-se fazendo pequenas 
incisões na parte affectada. A sarna é vulgar e cura-se untan- 
do-se com azeite de mafurreira. Possuem um grande remédio, 
appHcado exteriormente, para o rheumatismo muscular. 

Pena é que a flora d'esta província esteja ainda por estudar, 



89 



pois que neste campo muita coisa se aprendia. A parte a intru- 
jisse e impirismo, de que todo e qualquer feiticeiro dá provas, é 
certo que conhecem as propriedades therapeuticas de muitas 
plantas, que são desconhecidas dos europeus. 



No caso da morte de um indígena, ha um representante da fa- 
milia encarregado de receber os cumprimentos. Se a mulher que 
morre era casada, é o marido; se é o marido que morre, é a mu- 
lher grande, se houver mais do que uma; sendo tilhos, os pães. 

Quando morre um indigena nào faltam as visitas de mulheres 
que vêem para chorar e beber, e homens que vêem só para be- 
ber. As mulheres que vêem chorar rodeiam o cadáver, pedindo 
em altos gritos ao morto que transmitia recados aos parentes 
fallecidos. O cadáver é envolto num pano e dobrado até chegar 
com os joelhos á boca, e é nesta posiçào que é enterrado. En- 
terram os cadáveres perto das povoações, para o que deixam sem- 
pre perto da povoação um bocado de mato denso. 

O cadáver segue para o local onde deve ser enterrado, e as 
mulheres voltam para dentro da palhota a continuar a carpir e a 
beber por alguns dias. Se sao indigenas importantes, dão-se ba- 
tuques grandes; se não são, pequenos batuques, onde os rapazes 
e as raparigas vão dançar. Em acto continuo á saida do cadá- 
ver, são colhidas umas folhas, que se pisam em agua, e com as 
quaes todos os parentes e pessoas presentes besuntam as mãos 
e o rosto, depois do que cada um ss pode retirar. No ultimo dia 
do carpimento tem logar a ceremonia de lavar o sujo, que consta 
do seguinte: pelos parentes do fallacido é chamado o feiticeiro, 
que nesta occasião faz diversas scenas de nigromancia, para co- 
nhecer se o serviço que vae fazer lhe sairá bem, e pede um 
gálio e uma gallinha, que amarra em qualquer parte. Em se- 
guida; o representante da familia (suppondo que foi um homem 
que morreu) deita num pilão uma porção de mexueira, que pila 
ate ficar reduzida a farinha, e com esta são feitas umas papas 
pelo feiticeiro, a que junta umas ervas. Depois de feitas as pa- 
pas, são comidas pelos parentes do morto e pelo feiticeiro, ti- 
rando antes uma pequena porção com que besuntam uma arvore. 
A arvore besuntada serve para que os parentes ausentes, que 
não tenham assistido ás respectivas ceremonias, embora regres- 
sem bastantes annos depois, dêem uma volta á roda da arvore, 
sem o que se não podem utilizar de qualquer coisa que lhes seja 
oíFerecida pelos* parentes. Na noite em que comem as papas ó 
lavado o sujo pela seguinte forma: se é o marido que morreu, a 
mulher viuva, com o cunhado mais velho, entra numa palhota e 



90 



tem com este relações sexiiaes por duas vezes, uma ao deitar e 
outra de madrugada. Nessa madrugada, ao levantar-se, a mulher 
vae buscar agua, de que deita num coco, ou noutra coisa qual- 
quer, um bochecho e o cunhado outro. A mulher, então, sae 
com a agua contida no coco para fora da palhota e lava as mãos, 
deixando cair parte d'esta no chão, para que todos os parentes 
venham pisar esse sitio finda que seja a ceremonia^ e a outra 
parte da agua é lançada sobre o tronco da arvore que foi besun- 
tado com as papas. 

Em seguida tem logar outra ceremonia. 

A mulher viuva e o cunhado mais velho, já considerados ma- 
rido e mulher, sentam-se á porta da palhota, um ao pé do outro, 
tendo junto a si uma pequena panela com agua e uma navalha. 
Os parentes vêem vindo, um por cada vez, e sentam-se defronte 
da mulher e ao pé d'esta, molhando uma pequena porção de ca- 
bello doesse parente com agua que com os dedos tira da panela; 
pega em seguida na navalha e corta a parte do cabello que se 
molhou, parte geralmente tão pequena que mal se conhece, de- 
pois do que torna a collocar a navalha em cima da panela. Por 
sua vez, o parente, molhando também os dedos e uma parte do 
cabello da mulher, a esta faz a mesma operação, e depondo a 
navalha sobre a panela vae sentar-se em frente do ' marido 
d^aquella e junto a ella. O marido faz e recebe a mesma opera- 
ção, e assim seguidamente até ao ultimo parente presente. De- 
pois d'esta operação, em geral, os indígenas rapam o cabello á 
navalha, em signal de luto. A' proporção que cada parente vae 
terminando esta ceremonia, é mandado pela viuva pisar o sitio 
onde a agua caiu, como ficou referido na precedente ceremonia. 
Depois, o feiticeiro mata a gallinha e o gallo, fazendo sobre es- 
tes uma espécie de rezas. O gallo e a gallinha são assados, 
partidos aos bocados e repartidos estes pelos parentes, sendo os 
dois primeiros bocados dados á viuva e ao seu novo marido, e 
tendo previamente vindo numa gamella de bebida feita de me- 
xueira, que a viuva lança no chão com referencias ao morto e 
pedindo-lhe que esteja em descanço. O feiticeiro dá á viuva uma 
vara, com a qual ella bate em todos os objectos que pertenceram 
ao fallecido para lhes tirar o sujo. 

Nenhuma mulher se pode negar á ceremonia de lavar o sujo 
porque, negando-se, os parentes a tal a obrigam, para não serem 
prejudicadas as restantes ceremonias, sem as quaes ninguém podie 
retirar-se para casa. 

O lavar do sujo de pães para filhos obedece aos mesmos pre- 
ceitos. Sendo mulher casada que morre, o marido lava o sujo 
com a segunda mulher, mas, não a tendo, é chamado um irmão 
d'elle, que, com a respectiva mulher, faz por aquelle as respe- 
ctivas ceremonias. 

A cor branca é, entre os indígenas, a que symboliza a dor 
por morte de alguém. 



91 



O signal de luto mais usado entre os indígenas é a pratica de 
trazerem nos tornozelos, nos pulsos, ao pescoço e na cabeça íi- 
])ra de palmeira-leque (milala), em forma de pulseiras e cordoes. 

Quando os indígenas tomam qualquer bebida espirituosa, al- 
gumas vezes deitam uns bochechos fora dedicados á memoria 
dos mortos. 

Os Landins-Macuacuas costumam também deitar uma pequena 
porção de milho, amendoim e outros quaesquer géneros que pos- 
suam perto da palhota onde vivia o parente que morreu. O 
mesmo praticam quando, por morte de um parente, mataram 
algum animal para obsequiar os convidados, indo deitar peque- 
nos pedaços d^elle perto da palhota. 



Quando me referi á emigração, citei já duas espécies de ques- 
tões a que ella deu logar. 

Referir-me-ei a outras que, pela sua importância, merecem 
nào âcar esquecidas, mencionando também a forma como ellas 
eram resolvidas pelos indígenas ^ 

1.® Quando a mulher foge ao marido sem forte motivo; 

2.® Quando foge ao marido por maus tratos recebidos doeste; 

3.® Quando foge para se unir a outro homem. 

1.® O marido tem o direito a receber a quantia por que comprou 
a mulher, ou receber novamente a mulher ou uma irmã doesta. 
Em qualquer doestes casos, o marido tem a preferencia da es 
colha. 

2.® Quando se prove que a mulher era maltratada, o marido 
não tem direito a quantia- alguma, e quando muito, a levar no* 
vãmente a mulher. 

3.® A questão é resolvida como para o primeiro caso, ficando 
o direito ao sogro, ou representante como tal, de exigir a mesma 
quantia que foi obrigado a dar (suppondo que se tenha dado 
esta hypothese) ao segundo marido que a mulher escolher. 

São motivos de repudio: 

1.^ Esterilidade ; 

2.® Entregar-se á prostituição; 

3.® Recusar-se a trabalhar. 

Em qualquer doestes casos, o marido tem direito a receber no- 
vamente o dinheiro ou uma irmã, querendo. 

E causa de litigio: 

1." A morte da mulher antes de ter tido um filho, tendo mor- 



* Vide nota final. 



92 



rido em casa dos pães d'ella. — Esta questão é vulgar, apesar das 
injustiças a que ella dá logar. Muitas vezes o marido, vendo a 
mulher doente, sob qualquer pretexto empurra-a para casa da 
familia. Para não ter que dar novamente o dinheiro, a família 
também nao a quer receber, e assim anda a pobre mulher, em- 
purrada de um lado e de outro. 

2.® Quando um indigena morre no Transvaal e deixou uma mu- 
lher que ainda não estava paga. — A familia recebe novamente a 
mulher, podendo-a casar com outro homem. Em todo o caso o her- 
deiro tem a preferencia de ficar com a mulher, mas tem que 
pagar a quantia antes ajustada com o homem que morreu. Nesta 
hypothese, se ficou um filho, este* pertence sempre á familia do 
morto, mas tem que dar uma ind^.mnizaçào á familia da mulher. 
Esta indemnização é, em geral, de uma libra. 

Não é causa de litigio o facto de o marido não encontrar vir- 
gem a mulher com quem casa. 

São origem de questões o rec(»nhecimento de herdeiros. Este 
género de demandas não é fácil de resolver, principalmente por 
brancos, e pelo seguinte: Os indígenas chamam a todos os primos 
mais velhos, e em qualquer grau, pães; aos filhos doestes, filhos; 
aos outros primos, chamam irmãos. Aos tios, e em qualquer grau, 
pães; e estes, por sua vez, aos filhos, sobrinhos. A única distin- 
oção que existe é: pães grandes e mães grandes^ dado aos verda- 
deiros pães, e aos tios, em primeiro gr&u'^ pães pequenos e mães 
pequenas^ ás madrastas e tias noutros graus. Apesar doeste paren- 
tesco ser já complicado em extremo, ainda não fica por aqui. 

Também são consideradas mães as. outras mulheres dos pães 
e os parentes d^ellas também. Todos os parentes da mulher ca- 
sada são da mesma forma parentes do marido e vice- versa. Por 
muito menos se suicidou o policia da anedocta. . . 

Assim, fica explicado um facto que causa sempre admiração 
aos europeus: o do indígena, em viagem, encontrar sempre pa- 
rentes em todas as regiões. 

Temos, em seguida, as questões de terrenos. São de duas espé- 
cies: terras pertencentes a collectividades, e as partes litigantes 
são dois régulos ou cabos limitrophes, ou parcellas individuaes 
de terrenos, e que se dá entre dois indígenas. No primeiro caso, 
a questão é sempre resolvida pelas autoridades. Antes do nosso 
domínio ser verdadeiramente eífectivo, vencia, em geral, o mais 
forte, ou era chamado um terceiro regulo para servir de arbitro. 
Este género de questões dava e ainda hoje dá logar a conflictos 
sangrentos. 

Tratando-se de dois indígenas, o mílando resolve-se facilmente, 
provando qualquer d^elles que o terreno em disputa já era antes 
por elle cultivado ou pertencia ao pae ou ao avô. 

Ao contrario do que se dá com a herança das mulheres, os 
terrenos são herdados pelos filhos e pertencem ás mães d^elies 
no caso de ficarem em companhia doestes. 



93 



Os limites de terrenos de culturas, entre indigenas, são feitos, 
na generalidade, com ananazes ou arvores. Terras de régulos ou 
cabos: arvores e marcas. 

Nos crimes de assassinato resolvia-se de duas maneiras: ou 
era observada á risca a pena de Talião, ou uma indemnização 
por parte do assassino á familia do assassinado. 

A primeira solução era a mais vulgar e ainda hoje se dá. Na 
segunda hypothese, antes de os indigenas conhecerem as libras, 
cotava-se a vida de um homem em vinte peças de lopa (algodão 
azul), que passou depois para vinte libras. 

Para o assassino ficar limpo da consciência bastava-lhe um 
entendimento com o feiticeiro e este, por meio de qualquer scena 
de nicromancia, se encarregava d'isso. Nos crimes de roubo era 
o ladrão condemnado a pagar três libras ao queixoso e os emo- 
lumentos ao juiz^ que, em todo o género de questões, era sempre 
o regulo ou cabo. Nas povoações dos régulos era uso haver um 
instrumento de castigo — o pique — bocado de tronco cavado, 
onde se mettiam os pés e as mãos dos accusados: ladri5es, de- 
sordeiros e devedores renitentes ; ou, para substituir o calabouço, 
o mesmo género de castigo, com a differença que os pés e as 
mãos eram mettidos no buraco de uma arvore. Apesar de ser 
prohibido, ainda hoje se encontram nas povoações dos régulos 
ou cabos os taes piques e as arvores com buracos, e ainda hoje 
applicam estes castigos. Os desordeiros eram obrigados a pagar 
uma indemnização variável ao queixoso. 

As dividas eram e são herdadas de pães para filhos e ás ve- 
zos até dos avós. 

O crime de adultério resolve-se pagando o delinquente uma 
indemnização, ao marido, de três libras. Esta indemnização é 
vulgarmente conhecida pelo nome de Godé, Por esta forma fica 
completamente illibada a honra do indigena. 

Da forma de resolver uma questão por meio do monso ou 
uanga^ a que nós chamamos muave^ já a ella me referi noutro 
capitulo. 

Tanto os queixosos como os accusados, na resolução das suas 
pendências e quando se dirigiam ou dirigem ao regulo, tinham 
e teem que dar a este diversas quantias. 

Uma observação digna de nota. Quando um indigena se deseja 
queixar de entro, vae ter com este, que immediatamente o acom- 
panha ao regulo ou ao commando, ainda mesmo que tenha quasi 
a certeza de perder o litigio. 

No caso de empréstimos, quem os adquirir é obrigado a res- 
tituir na mesma espécie e quantidade. Na falta de cumprimento 
doesta obrigação, será obrigado a restituir o seu equivalente em 
dinheiro, gados ou uma mulher. Além doesta obrigação, terá 
ainda que pagar uma indemnização por perdas e damnos. 

No caso de estupro violento, o delinquente será obrigado a pa- 
gar uma indemnização igual ao valor da mulher, sem que, com- 



94 



tudo, fique com direito a ella. Antigamente este crime era pu- 
nível com a morte. 

Sobre heranças, já tratei no capitulo Casamentos. 

Na generalidade, quasi todas as questões dos indígenas se re- 
solvem por meio de indemnizações, que formam a base da justiça 
indigena, ainda que, como já referi, se trate de ferimentos, fogo 
posto ou casual, roubos, etc. 

Quando as questões são resolvidas pelos régulos ou cabos, teem 
os indigenas litigantes o uso, depois de resolvido o milando, de 
darem com uma machadinha uns cortes numa arvore, ao mesm(» 
tempo que declaram: «Nunca mais farei esta questão». Chamam 
a esta ceremonia: Gu hixa jikugo (cortar as gallinlias). Antiga- 
mente fazia-se esta ceremonia com uma gallinha. Cortava- se a 
gallinha ao meio, ficando dividida em duas partes, que eram 
comidas, depois da questão, por ambos os contendores. 

Teem os indigenas um nome especial para applicar á indem- 
nização por ferimentos: Guiola-gante^ que significa limpar o san- 
gue caído. 

No caso, já referido, em que o devedor não tenha com que 
pagar a divida que contrahiu, e se veja obrigado a dar como 
pagamento uma mulher, empregam também a palavra Marrumhi 
(coilo ou regaço). Referem-se ao costume dos régulos, nas reu- 
niões, deitarem a cabeça no coUo da mulher grande. 

Juramentos. — Teem os indigenas doeste districto duas formas 
de jurar: a primeira, um pouco á similhança dos europeus; se é 
homem, jura pelas irmãs vivas ou mortas; se é mulher, pelos 
irmãos. A segunda, consiste em encher a mão de areia e asso- 
prar esta, chegando, por vezes, a engulir parte, quando querem 
tornar mais enérgico esse juramento. 

O Muchope emprega sempre, como formula obrigada no jura- 
mento, a palavra Vote! que pode ser tomada na accepção de Juro, 



O conhecimento, pelos indigenas, do fabrico de bebidas des- 
tilladas não deve ir além de trinta annos e parece ter-lhes sido 
ensinado pelos asiáticos. 

Até 1902, os canos de ferro (dos que servem para canalização 
de vapor e cujo diâmetro, em geral, não tem mais de uma pol- 
legada) eram artigos de largo commercio para os negociantes 
asiáticos. Prohibida a sua venda, recorreram os indigenas aos 
canos de espingardas, que possuíam em grande numero. As es- 
pingardas que tinham e que ainda hoje teem, todas de systema 
antiquado, de carregar pela boca, eram antigamente também ar- 
tigo de largo commercio. 



95 



O principio em que se fundam os alambiques indigenas é exa- 
ctamente o mesmo dos alambiques aperfeiçoados. 

O alambique indígena comp5e-se de uma panela grande de 
b:vrro, outra mais pequena que serve de capacete á grande, cuja 
juncção é cuidadosamente coberta com barro; um cano, que sae 
do capacete, é assente dentro de um bocado de casca de arvore, 
de forma concava e cheio de agua. 

Todos os indigenas do districto destillam, mas em maior quan- 
tidade o Mushope. Um Landim ou Tonga poucas vezes tem mais 
que um ou dois alambiques. 

O Mushope tem cinco e mais. 

Um vi eu já com nove. 

O Mushope destilla tudo: mandioca, milho, caju, laranja, ana- 
naz e frutos silvestres; o Landim, mandioca, milho e caju; o 
Tonga, caju. 

O Mushope, em regra, é o único que trabalha com as mulhe- 
res no fabrico da aguardente. Os Bashupes e Tongas destillam 
para vender e beber. O Landim só para beber, e, caso curioso, 
é de todos o menos bêbedo. 

A aguardente preferida é a de caju, e a de eífeitos mais per- 
niciosos a de farinha de mandioca, por nesta entrarem principies 
bastante tóxicos. 

Eis como os indigenas procedem com o fabrico das diíFerentes 
espécies de aguardentes: 

CoUocam o milho dentro de agua até grelar um pouco e de- 
pois começa a fermentação; a fécula de mandioca é cortada aos 
bocados e exposta ao sol e humidade, a fim de accelerar a po- 
dridão e inhe rente fermentação; em seguida é reduzida a farinha 
o misturada com o milho. Toda esta massa, depois de addnzida 
uma porção de agua, é posta num deposito de casca de arvore, 
com a capacidade, em média, de dois metros cúbicos, por alguns 
dias, findos os quaes está prompta a entrar no alambique. Esta 
^.issa deita, como é natural, um cheiro nauseabundo. Os fru- 
tos, depois de algum sumo extrahido, deitam-se em deposito até 
fermentarem e vão em seguida para o alambique. 

Divide-se em duas épocas distinctas o fabrico das bebidas 
destilladas: de novembro a fevereiro, de caju e outros frutos; 
de maio a outubro, de farinha de mandioca. 

E^ principalmente na primeira época que o indigena se entrega 
por completo á embriaguez; d^ahi o accrescimo de crimes e au- 
gmento da mortalidade que se dá durante esta quadra. 

Além das bebidas destilladas, também os indigenas fazem 
lirgo consumo das bebidas fermentadas: sumo de cana, sura de 
caju, uputo e pombe. Parece estar provado scientificamente que, 
ajisim como as bebidas destilladas são de perniciosos resultados 
para o futuro doestas raças, as bebidas fermentadas são neces- 
sárias á vida do indigena. Attribue-se mesmo ao sumo do caju a 
propriedade de ser um depurativo de primeira ordem. Se os in- 



96 

digenas se limitassem apenas ao uso das bebidas fermentadas, o 
mal nSo seria grande, mas o peor ó que bebe também, em ex- 
cesso, aguardentes, peor ou melhor fabricadas, e sempre de fu- 
nestos eífeitos. 

A embriaguez causada pelas bebidas fermentadas (sumo de 
caju, sura e sumo de cana) é de pouca duração e manifesta-se 
por ruidosa alegria. A embriaguez causada pelas aguardentes de 
cajii e farinha de mandioca (sobretudo esta ultima) prolonga-se 
bastante e desenvolve-lhes os seus instinctos sanguinários. 

O indigena embriagado com a aguardente de farinha de man- 
dioca desfigura-se por completo, incham-lhe as pálpebras, os olhos 
injectam-se-lhe de sangue e, ou lhes dá para desordens, ou caem 
por completo numa imbecilidade muito próxima do idiotismo. 

Pode dizer-se que ÕO % dos crimes de assassinato que se com- 
mettem são devidos aos eíFeitos das bebidas alcoólicas, e d'estas 
se originam também os crimes mais repugnantes e menos vul- 
gares de matricidio, parricidio e fratricídio. 

Bebem todos, velhos e novos, homens e mulheres. Estas 
mesmo, nem no periodo da gravidez se cohibem, e, o que é mais 
ainda, dão a beber ás crianças que amamentam. Criados nesta 
escola, presume-se o que farão quando adultos e quanto o seu 
desenvolvimento physico soífre. 

Podem os indígenas, ao serviço dos europeus, possuir algumas 
qualidades boas, mas se encontrarem ao seu alcance alguma 
coisa que lhes pareça que contém algum álcool, é certo que ha 
de roubar para beber. Nem mesmo a agua de Colónia e outras 
essências escapam, e é porisso que os casos de envenenamento, 
se não fossem os cuidados dos patrões, seriam vulgarissimos. 

Aguardentes com menos de 15® são consideradas como bebi- 
das muito ordinárias. 

Álcool de 90® já eu vi beber, e conheço mesmo alguns casos 
em que uns indígenas, tendo apanhado garrafSes de álcool de 90®, 
tanto beberam, que alguns morreram pouco depois. Sempre que 
um europeu se dirige a um indigena, que não seja para lhe dar 
uma ordem, terá quasi como certo que elle diga que tem injala 
(fome), que neste caso se traduz por sede (que não é de agua)! 

No tempo quente, bebe, diz, para se refrescar; no tempo frio, 
para se aquecer; se está cançado, por causa da fadiga; se não 
está, para criar força; se está de saúde, para não adoecer; e se 
está doente, para melhorar. Nascimentos, casamentos e mortes 
são outros tantos pretextos para beberem até cair. 

Quando um indigena visita outro, o dono da casa sentir-se-ia 
o ser mais infimo da terra se não tivesse alguma coisa de beber 
para ofFerecer ao seu hospede, e se, casualmente, não tem, irá 
pedir emprestado para comprar e fará todos os sacrifícios para 
obter; se assim não procedesse, teria que mudar de região, pois 
seria considerado pelos outros como um ente villissimo e indi- 
gno. Ceremonia alguma se faz sem muito se beber. 



97 



A embriaguez representa para o indígena uma obrigação, 
quasi como uma religião: bebe para se embebedar. 

Temos ainda o vinho branco, veneno de origem e fabrico eu- 
ropeu, que de Portugal para cá nos exportam com o suggestivo 
nome de vinho branco para pretos f ou vinho colonial. 

D'este netn ao menos se pode dizer o que Ramalho Ortigão 
dizia do vinho que se exportava para o Brasil: «que, além de 
muitas outras coisaâ, até tinha algum sumo de uva!». 

O que os médicos teem dito sobre tal beberagem ó sufBciente 
para que se., torne preciso alongar-me mais sobre a sua compo- 
sição. Ao principio, o indigena» neste districto, bebeu o vinho 
branco como uma novidade; mas as doenças intestinaes prove- 
nientes do uso d^elle, e,, por ultimo, a lenda que se espalhou en- 
tre os indigenas, que o vinho branco era feito na Europa com 
sangue de preto, fazem com que a sua venda seja hoje insigni- 
^cante. 

O cur^io e origem da lenda deve-se, segundo se diz, aos mis- 
sionários indigenas, e, a ser líerdade, é o único serviço útil que 
se lhes conhece. Asseveram mesmo os indigenas que nos Shopes 
se encontrou um dedo de um homem de cor. Na \erdade, os 
missionários de cor aconselhavam os indigenas a não beber, mas, 
ou porque elles não acompanhavam de exemplos as suas predi- 
cas — o caso de frei Thomaz — ou porque, como alguns já me 
disseram, eram ameaçados de pancadas quando pregavam a tem- 
perança, o certo é que ss deixaram d'isso. 

Resta-me descrever o fabrico das bebidas fermentadas. 

Jambarau^ (sumo de caju, que fermenta depressa). — Attri- 
bue-se a um Loforte, então capitão-mór das terras, a introdu- 
cção do cajueiro neste districto. 

Sopé ou chuaioaio. — Sopé se chama no litoral ao sumo da 
cana fermentada e chuaioaio mais para o interior. A cana sac- 
charina é esmagada em trapiches de ferro e o seu sumo reco- 
lhido em depósitos de madeira; no tempo quente a sua fermen- 
tação é rápida. Antes de 1902 os indigenas também usavam 
trapiches de madeira rudimentares, imitação dos trapiches usa- 
dos pelos europeus. A cana saccharina parece ter sido introdu- 
zida neste districto pelos europeus, ahi por 1870, tendo vindo das 
Maurícias. 

Sura. — Bebida extrahida de duas espécies de palmeira: no 
litfhil, do coqueiro (Cocos Nucifera L.), e, no interior, de uma 
palmeira brava, anã, a Borassus Flabellifer, muito vulgar nas 
planicies de Panda. A extracção da sura do coqueiro é simples. 
Um homem sobe ate á parte superior do coqueiro, corta a ex- 
tremidade ao pedúnculo floral antes das flores abrirem ; liga essa 
parte e faz uma incisão abaixo da ligadura; em seguida liga-se 



* Palavra de origem Macúa. 



98 

ao pedúnculo o invólucro da amêndoa do coco vazio para reco- 
lher a sura. Todos os dias se faz esta operação e todos os dias 
também é recolhido o liquido de manhã. Só os Batongas se de- 
dicam á extracção da sura dos coqueiros e os que se dedicam 
a este mister são chamados mugueimas. São frequentes os desas- 
tres, pois os indígenas sobem ás palmeiras muitas vezes embriaga- 
dos, e, perdendo o equilibrio, não raro caem de grandes alturas. 

A extracção da sura da palmeira brava é mais simples. Cor- 
ta-se-lhe o olho ou gomo terminal e prende-se-lhe um vaso, em 
geral a casca da maçala, em que se recolhe a seiva, que só é 
bebida depois de fermentada; ás vezes também a destillam, e a 
aguardente produzida é artigo de largo commercio entre Landins 
e Bashopes, que ambos se dedicam à extracção doesta espécie 
de sura. Doce, é uma bebida bastante agradável e fresca. 

Putso e pomba. — A differença entre uma e outra bebida é 
pequena e consiste em que a massa liquida fique mais ou menos 
compacta. Comp5e-se de milho grelado e já em estado de fer- 
mentação, a que se mistura farinha de mexueira, o que tudo é 
amassado, e addicionada uma porção de agua, torna-se num li- 
quido mais ou menos grosso. 



Desde a descoberta das minas de diamantes de Kimberley que 
o indigena doeste districto emigra e ainda hoje mesmo dizem al- 
guns, quando vão para o Transvaal, que vão para Daimane *. 

Data d'esta época o começo da compra das mulheres por di- 
nheiro. Até alli fazia-se por bois, peças de loupa ^ e enxadas ca- 
freaes, cujo numero era variável, como ainda hoje é o numero 
de libras por que o indigena compra uma mulher ; entre os Ba- 
tongas, de cinco a quinze libras ; entre os Landins e Bashopes, 
de quinze a trinta libras. Ha, comtudo, tendência para baixarem 
estes preços. 

O motivo principal que leva o indigena a emigrar é a necessi- 
dade de arranjar dinheiro para a compra de uma ou mais mu- 
lheres, o que consegue pelo systema empregado nas minas, do 
indigena ter pouca liberdade emquanto alli está e só receber por 
inteiro quando resolve regressar. Com liberdade e recebendo se- 
manalmente, o indigena regressava tão pobre como tinha ido, 
pois é sabido a sua facilidade em gastar dinheiro e a falta da 
verdadeira noção do valor d'elle. 



^ Corrupção da palavra Diamant. 
2 Algodão azul ordinário. 



99 

Outros motivos existem também, além do principal menciona- 
do, se bem que em menor escala, que levam os indígenas a emi- 
grar: quando as autoridades eram obrigadas a fornecer car- 
regadores para o transporte de géneros dos negociantes ; quando 
as autoridades pretendem recrutar indígenas para o serviço mi- 
litar ; nas proximidades da cobrança do imposto de palhota ; para 
fugirem ao castigo por algum crime commettido ; e, por ultimo, 
o indígena sentir-se-ia humilhado e seria objecto de troças dos 
outros se uma vez não tivesse emigrado. 

O indígena que nunca emigrou é chamado pelos outros Mu- 
barra *, que quer dizer: estúpido, bruto, que nunca viu nada. 

Ligai * se chama áquelle que já emigrou. A traducção d'esta 
palavra é a antíthese da outra. 

A idade mais vulgar do indígena que emigra é dos quinze aos 
vinte e cinco annos. Raro é o homem que já com quarenta annos 
ainda emigre. 

Antes de legalizada a emigração por Mousinho de Albuquer- 
que, o indígena ia sem auxilio de intermediários, e a pé até ás 
minas. A sua bagagem consistia numa esteira, uma almofada *, 
uma manta, um pequeno rolo de tabaco, um pequeno saco de 
pelle de cabrito, com farinha de mandioca para comer no cami- 
nho ; e uma cabaça para agua. Hoje só tem que se dirigir aos 
acampamentos da companhia de emigração, que esta se encarrega 
de os transportar por mar e por terra até ao ponto 'de destino. 
A bagagem ainda é a mesma, com excepção do cobertor e da 
farinha, que são fornecidos pela companhia. 

A emigração veiu modificar bastante o systema physíco e so- 
cial do indígena. Já apontei o que se deu com a compra da mu- 
lher. Tornaram-se vulgares as questões provenientes da circula- 
ção de dinheiro. 

Entre estas as principaes são as seguintes : 

O indígena tem por costume, sempre que um seu companheiro 
da mina regressa, encarregal-o de trazer algumas economias á 
família; mas não poucas vezes acontece que o portador gasta em 
seu proveito as quantias recebidas. E também vulgarissimo o 
facto de, quando o indígena regressa, encontrar a mulher que 
deixou, e lhe pertencia, na companhia de outro marido. 

A questão resolve-se facilmente quando o primeiro marido 
opta pelo dinheiro que representa o preço por que comprou a 
mulher e o pae doesta ainda o conserva e a mulher não tem fi- 
lhos do primeiro mando. 

Quando este ultimo facto se não dá, o caso complica-se. Se 
teve filhos do primeiro marido, estes pertencem ao pae ; se o in- 
dígena regressa do Transvaal e encontra a mulher com um filho, 
embora não seja d^elle, pertence-lhe — nasceu no curral. 



* Vide app. 



100 

Da mesma forma lhe pertence, mesmo que receba o dinheiro 
em troca da mulher. 

Existe ainda outra forma de resolver a questão : 

Se o pae da mulher já tiver gasto o dinheiro, ou lhe dá outra 
iilha, se a tiver, ou recebe igual quantia do segundo marido, que 
entrega ao primeiro; mas, para chegarem a uma conclusão, que 
serie interminável de reuniões e consultas entre os parentes de 
uns e de outros ! 

A morte do indigena no Transvaal também dá logar a questSes 
de herança. A noticia da morte do emigrante é trazida á familia 
por um seu companheiro da mina e então procede-se ás ceremo- 
nias como se elle tivesse morrido entre os seus parentes. 

O indigena regressado do Transvaal traz, em média, mais de 
dez libras *. 

Além das libras, traz o indigena emigrante a bagagem que é 
de uso e costume trazer, e succede, em geral, que quem viu a 
bagagem de um emigrante viu a bagagem de todos : 

Uma mala de folha; 

Uma manta; 

Chalés de lã e algodão ; 

Casacos e coletes; 

Camisolas e camisas; 

Um chapéu para a cabeça; 

Um chapéu de sol; 

Chitas ; 

Lenços de algodão; 

Um par de polainas; 

Um cinto ; 

Uma escova de cabello, de espelho; 

Pentes de difFerentes cores ; 

Corrente de metal ordinário; 

Anéis ordinários ; 

Essências e pomadas ordinárias; 

Uma colher de folha; 

Caixinhas para rapé; 

Uma faca grande para cortar mato ou. uma machadinha ; 

Anilhas (entrançado de arame amarelo); 

Sedas de rabo de cavallo para porem ao pescoço ; 

Um par de botas (só se servem d^ellas três dias, findos os quaes 
são abandonadas ou vendidas). 

Além doestes objectos, que, como disse, são da praxe os indi- 
genas trazerem, muitos outros objectos trazem também, dos 
quaes, a maior parte das vezes, desconhecem o seu uso : reló- 
gios de nickel e alguns de prata, que dentro em pouco vendem 



* Aqui não estou de aceordo com os algarismos officiaes, que dizem ser 
a média de quinze libras. 



101 

pela decima parte do seu valor; estereoscópios, que lhes duram 
três dias; porte-manteaux, de que nunca fazem uso; meias que 
nunca usam; lápis, não sabendo escrever; livros com imagens^ 
não sabendo ler; esporas, campainhas de mesa, espingardas de 
oriança, bicycletas e até machinas de costura, etc. 

Trazem ainda objectos cujo uso os torna ridiculos: romeiras, 
chapéus, véus e capas de senhoras, casacas, sobrecasacas e smo- 
<kings, etc. 

Compram todas estas coisas por preços elevadissimos, sem re- 
gatear, no que despendem quantias nunca inferiores a dez libras. 

Mal o emigrante desembarca, apodera-se d^elle a mania da 
^grandeza. Dá immediatamente a transportar a sua bagagem, o 
<jue lhe custa bem bom dinheiro. 

Chega a casa da família, senta-se no ch?io e conserva-se silen- 
<3Íoso, e aos cumprimentos da familia e ás novidades que lhe 
contam, que se deram durante a sua ausência, apenas responde 
<íom monosylabos. No dia seguinte, porém, desforra-se larga- 
mente e conta então o que viu e o que não viu ! Começa a dis- 
tribuição dos presentes aos membros da familia : casacos e chapéus 
ao pae e tios, camisolas e coletes aos irmãos e panos ás mulhe- 
res. Seguem-se depois as visitas das pessoas estranhas, que vêem 
perguntar noticias dos seus e pretexto para beberem, o que se 
faz em largas quantidades e durante dias, até se esgotar uma 
boa parte das economias. Finda a serie de bebedeiras, resolve 
fazer-se janota e ir procurar noiva. 

Durante estes primeiros tempos, e emquanto lhe duram as 
•economias, torna-se vaidoso e trata por cima dos hombros os 
outros indigenas, o que lhe custa, por vezes, dissabores; fala em 
jjcicnfula^ e diz: yess; adopta outro nome, que é uma palavra 
ingleza ou portugueza, ou a corrupção de uma d'ellas ; exemplo: 
Peni, Pond, Naife, Sabão, Sabonete, Pincel, Stimela, Chapo, etc. 

Estas observações entendem-se, é claro, com aquelles que re- 
gressam de perfeita saúde, o que muitas vezes se não dá; muitos 
•chegam estropiados ou doentes dos órgãos respiratórios, mor- 
rendo, na maioria, pouco tempo depois. 

Infelizmente não sao só estas as funestas consequências da 
emigração; outras existem ainda. 

Actualmente estão no Transvaal 35:000^ homens validos. Cada 
indigena é obrigado a permanecer alli, pelo menos, um anno. 
Durante este lapso de tempo terão ficado um grande numero de 
mulheres (quasi o dobro) inhibidas de cohabitar, e se o fazem 
<}om os outros indigenas, para evitar futuros milandos, tomam 



* Vide app. 

2 Algarismos officiaes. Devem estar muitos mais, que ainda alli se con- 
servam desde a guerra anglo-boer. Só quando esta terminou se começou ao 
certo a saber o numero de indigenas que emigravam, não entrando em 
<;onta aquelles que já alli existiam. 



102 

certas drogas abortivas, que as tornam estéreis para o resto da. 
vida. 

Por ultimo, accrescente-se que a percentagem dos indigenas- 
que morrem nas minas é de oito por cento ^ e terei sufficiente- 
mente demonstrado que a emigração trará um progressivo e as- 
sustador decrescimento na população. 



O indigena cultiva: o milho, que hoje é de inferior qualidade^ 
o feijão, o amendoim, a batata doce e a mandioca; nos fundos: 
dos valles, meia dúzia de pés de cana. 

No litoral, os Batongas plantam, de preferencia, a mandioca, a. 
mexueira e milho miúdo; nas povoações, um ou outro pé de jikungo^ 

O tabaco é só plantado, cultivado e colhido pelos homens. 
Não se julgue, porém, que são enormes traços de terreno culti- 
vados de tabaco. A maior plantação não tem mais de vinte me- 
tros quadrados. Mal plantado, mal colhido e peor preparado, o- 
tabaco é de inferior qualidade. 

Nos terrenos húmidos, ou nas povoações, plantam bananeiras: 
de má qualidade, não tanto pelo fruto, mas por causa das folhas,, 
que são aproveitadas para fazerem os canudos ^ ou mortalhas- 
com que embrulham o tabaco picado. 

A castanha de caju é também aproveitada, ou para fazer mo- 
lho para a farinha, ou é comida assada. 

O azeite da mafurreira é muito apreciado para molho. Também 
se untam com elle os indigenas. 

O azeite de jikungo é aproveitado para misturar com os re- 
médios, principalmente em feridas. 

Os indigenas cultivam também duas espécies de abóboras,, 
amarela e abóbora cabaça. 

Numa ou noutra povoação encontram-se alguns pés de couve, 
de má qualidade, degenerada. 

O ananaz nasce espontâneo, e, embora não lhe dediquem quaes- 
quer cuidados, colhem-lhe os frutos. 

Servem-se doestas plantas para limitarem as machambas *. Nas 
povoações, principalmente entre os Bashopes, plantam muitas 
laranjeiras, cujos frutos são de fr^ca qualidade. O cajueiro e a 
mafurreira, hoje, nascem por toda a parte, sem ser necessário, 
plantal-os. 



^ Os algarismos officiaes dão apenas 3%, mas, por motivos obvies d& 
mencionar, no Transvaal occulta-se um pouco a verdade. 
2 Vide app. 



103 



No litoral, o Tonga planta coqueiros, mas em pequena escala 
e sem que lhes dedique maiores cuidados. 

O indígena, na forma de cultivar, emprega meios muito rudi- 
mentares e nocivos. Quando pretende lançar o fogo ao mato, 
^ue curtou, nao limita a extensão do terreno que pretende cul- 
tivar, e assim succede que, para cultivar meio hectare, ardem 
dezenas de hectares de floresta. 

Outro tanto succede no litoral com o capim, e doesta forma 
^ueimam-se centenas de palmeiras, que, embora não morram, 
iicam damnificadas. Para subirem ás palmeiras, a fim de extra- 
liirem a sura ou colher os cocos, fazem degraus nas arvores, que 
bastante prejudicam a palmeira. Num hectare não devem ser 
plantadas mais de 156 palmeiras: pois ha hectares com 1:000 
«e mais! 

Também nunca são limpas ou lhes dedicam outros cuidados. 

Os Batongas fazem pequenas barracas com a folha da palmeira, 
^e assim é vulgar vêrem-se palmeiras quasi sem folhas, sendo a 
frutificação necessariamente escassa. 

A cavadela com a enxada é bastante superficial, de forma 
-que as ervas damninbas não tardam a apparecer, e a terra nào 
-é suíficientemente revolvida e arejada. 

Não faz selecção de sementes e, para evitar mais trabalho, 
cultiva, muitas vezes, terrenos já cançados e esgotados, para não 
ter de arrotear mato. 

O indígena é o ente menos previdente que existe. Na contin- 
gência de um anno escasso em chuvas, não procura, num anno 
bom, augmentar as culturas, a fim de estar prevenido contra a 
fome. Cultiva o restríctamente necessário para comer nesse 
anno. 

O Muchope, apesar de ser o mais trabalhador, ou antes, o me- 
nos preguiçoso, também se resente, menos, é verdade, do mes- 
mo mal. 

O indígena tem um desprezo absoluto pelas flores. Se vê um 
branco plantar qualquer coisa que não conhece, pergunta se se 
<5ome. Quando a resposta é negativa, pensa e communica aos 
outros que o branco ó doido! 

No mato existe, em certos pontos, café em abundância, mas 
raros são os indígenas que o colhem, e quando o fazem é por 
absoluta necessidade de dinheiro e na impossibilidade que teem 
•de arranjal-o noutra parte. O mesmo succede com a borracha 
Landolphia, Só a colhe por dilettantismo. 

Se alguma cera vende é porque isso lhe dá pouco trabalho: 
um cortiço de casca de arvore, em cima de uma arvore, á es- 
pera que, casualmente, appareça um enxame. A maneira de 
colher é bastante rudimentar: uma fogueira, para fazer fugir as 
abelhas, e eis tudo. 

O Tonga cria pouco gado e raros são os que possuem gado 
bovino. Tem também, em muito pequena quantidade, gado lani- 



104 

gero, caprino e suíno. O llushope tem, em grandes quantidades^ 
porcos, carneiros e, raras vezes, gado tovino. 

A criação dos bovideos pertence, quasi exclusivamente, aos 
Landins, sobretudo aos Landins-Macuacuas ; criam também pou- 
cos porcos e muitas cabras e carneiros. 

O leão faz bastantes estragos em Panda, no gado bovino, mas 
o indigena, com a sua natural imprevidência, pouco se preoccupa. 
com isso : deixam apodrecer com o tempo os paus que circumdam 
os curraes, e descurando de os arranjar, não pòem o gado ao abrigo- 
dos animaes ferozes, o que aliás era fácil. 

Em certas regiões existe também o algodão bravo, que o in- 
dígena não aproveita. 

Os indígenas, em geral, conhecem pouco as propriedades me- 
dicinaes ou outras das plantas doesta região. O conhecimento- 
d'ellas é monopólio dos feiticeiros ou doutores, que se absteem. 
de as fazer conhecer. 

Os indígenas, tenho notado, pouco apreciam os frutos por si 
próprios e sim pelas bebidas que d^elles se podem extrahir. 

Quando cultivam, pouco se importam de damuificar uma planta. 
de valor industrial ou de recreio, mas outro tanto não acontece, 
por exemplo, com um cajueiro, com o qual teem todo o cuidado 
em não molestar. Não comprehendem mesmo como os brancos 
os mandam algumas vezes cortar. 

Os indígenas não teem absolutamente noções algumas de agri- 
cultura e o que fazem é somente por simples intuição. Não conhe- 
cem os meios de fecundação das plantas, de cruzamento, de se- 
lecção, de degenerescência, etc. Nesta parte teem, entre brancos, 
neste districto, quem os iguale ou os exceda ainda em igno- 
rância. 

O indígena, num anno de estiagem, é uma victíma do nego- 
ciante asiático, ou, para melhor dizer, uma victíma de si proprio- 
Tendo cultivado pouco no anno anterior, se alguma coisa lhe 
sobeja vende ao negociante, o que dá em resultado, não tendo- 
guardado uma reserva, vêr-se obrigado a ir comprar por cem. 
o que vendeu por dez. E então a exploração do asiático não co- 
nhece limites: ganha muito mais num anno calamitoso do que 
num anno prospero. 



Os artigos de commercio do indigena podem dividir-se em 
duas classes: os que vendem aos negociantes asiáticos e europeus 
e os que vendem ou permutam entre si. Aos asiáticos vendem a. 
mafurreira, o amendoim, o milho, a farinha de mandioca, feijãa 
e mexueira, pelles, cera, copra e borracha. Estes últimos três- 



105 



^irtigos em pequena quantidade. A venda ou é feita a dinheiro, 
ou em troca de fazendas de algodão estampado. 

Aos europeus vendem gado bovino (raras vezes fêmeas), laní- 
gero e caprino, gallinhas e ovos. 

Artigos de venda entre indígenas 

Tabaco, folhas de banana, sura e aguardentes. 

Industria dos Landins : 
Mel, esteiras, cascas de cocos para agua, quissapos e quitundos. 

Industria dos Bashopes : 
Txalos (panos de casca de arvores), flechas e zagaias de ferro, 
enxadas, machadinhas e pelles de macacos e gatos bravos. 

Artigos de permuta entre Indigenas 

Industria dos Batongas : 
Sal, panelas de diversos tamanhos, sacos de palmeira brava, 
marisco sêcco, milho e amendoim. 

Artigos de compra do indígena ao asiático 

Cobertores *, panos de algodão branco e estampado, chitas, 
enxadas, facas, missanga, etc. 

Artigos de ferro que constituem industria 

dos Bashopes 

O material que constitue a forja de um Mushope compoe-se do 
seguinte ^ : um folie de pelle de carneiro com duas aberturas, 
que, com duas mãos, abre e fecha alternadamente. E trabalho 
âo ajudante de ferreiro, que faz esta operação sentado. A extre- 
midade do folie assenta sobre um bocal de barro e este em cima 
de carvão de madeira. 

A bigorna, que a maior parte das vezes é um pedaço de ferro 
grosso, um martelo e uma tenaz, são as ferramentas com que 
um mestre ferreiro Mushope trabalha. O ferro que, em geral, 
serve para o fabrico de zagaias, machadinhas, etc, são os arcos 
dos barris e de fardos. 



* A venda existem ainda outros artigos que, pela sua pouca importância 
•e pouco consumo, não vale a pena mencionar, taes como espelhos peque- 
nos, canivetes, etc. 

2 Vide app. 



106 



Fabricação de «tzaloi» 

Corta-se a casca de arvores exactamente como se faz com a 
cortiça. Em seguida é assente sobre um tronco de madeira bas- 
tante liso, depois do que começa a maceração com martelos de 
madeira até écarem bem distendidos os filamentos. 



Fabrico de panelas de barro 

Depois de formada uma bola de barro bem amassada, é collo- 
cada em cima de uma panela e com os dedos se lhe vae danda 
a forma de panela. 

Como se vê, isto demanda muita paciência e está longe de se* 
parecer com a forma simples e rápida com que os oleiros na Eu^ 
ropa trabalham. Em seguida são postas a seccar á sombra, de- 
pois do que se cobre de lenha, a que se larga fogo. Por este pro- 
cesso perdem-se muitas. Nada mais sabem fazer do que panelas* 

Pouco mais industrias teem os Bashopes. São hábeis em cor- 
doaria. Com a fibra de ananaz fazem cordas de differentes di- 
mensões e resistentes. Fazem também o fio par^ coser esteiras, 
para linhas de pesca, etc. 

Trabalhos em madeira, além dos copos, travesseiros, escudelas 
e os feitios que dão ás bengalas que usam, mais nenhuns conheço* 

Perto da villa já se encontram carpinteiros, pedreiros e cala- 
fates razoáveis, mas que se resentem da falta de ensino profis- 
sional. Não me parece que estes indígenas nas artes possam dar 
alguma coisa. 

Pelas pinturas que se encontram nalgumas palhotas se vê que 
não é este o seu forte. São pinturas toscas, que nada se pare- 
cem com o que elles procuraram imitar. 

Tenho observado que muitos indígenas teem uma negação 
absoluta para traçar rectas. Esta negação vae tão longe que nem 
mesmo com o auxilio de uma corda ou de uma régua conseguem 
fdzer uma linha recta. 



O único indígena verdadeiramente caçador é o Landim, como 
o Tonga é pescador e o Mushope, como já disse, é, sobretudo,, 
agricultor. 

Além de algumas espingardas de carregar pela boca, de que 
hoje fazem pouco uso, pela difficuldade na acquisição da pólvora, 
teem diversos géneros de armadilhas. 



107 



E na região dos Macuacuas que ainda se encontram algumas 
armas. Não os prende a falta de chumbo apropriado, pois que 
para este fim todo e qualquer bocado de ferro serve e ainda, 
na falta d'este, empregam pedras. Carregam brutalmente as es- 
pingardas até ao meio do cano e a sua detonação mais parece a 
de uma peça de artilharia que a de uma espingarda ordinária. 
O coice é formidável, e conheço um caso de um indigena que, 
tendo atirado a um cavallo marinho, ficou com o hombro deslo- 
<íado, devido ao recuo da arma. No tempo em que d^ellas se 
serviam eram objecto de escrupuloso cuidado e conservavam-nas 
sempre em rigoroso estado de limpeza. 

Antes de caçarem, e ainda hoje, quando acompanham na caça 
algum europeu, observam certas ceremonias. 

O Tixólo * é sempre consultado para saberem se a caça será 
ou nao de bom êxito. Costumam também metter a espingarda 
dentro de uma panela de barro, onde previamente lançaram agua 
oom a casca de uma espécie de saponaria, que, agitada, desenvolve 
uma espuma muito parecida com a espuma do sabão, depois do 
que submettem a espingarda a um banho total. Também quando 
-é morto um animal e que se lhe encontra a bala, é esta embe- 
bida no sangue do coração e guardada religiosamente. Segundo 
-elles dizem, são praticas de bons augúrios para o feliz resultado 
<ie futuras caçadas. 

Nunca apontam com o dedo indicador e, quando querem mos- 
trar onde o animal se encontra, é sempre com a mão fechada. 
Explicam que este uso é para evitar que o animal adivinhe a pre- 
.sença do caçador. Esta mesma pratica se observa quando a um 
indigena se pergunta esta ou aquella região, estrada ou povoa- 
rão, etc. 

O tiro dado pelo indigena, quando caça sósinho, é quasi sempre 
<íerteiro, o que não deve causar admiração, porque só atira á 
queima-roupa e com a certeza de matar ou, pelo menos, ferir. 

Dispõe o caçador Landim de uma vista e ouvido finíssimos, o 
•que, aliás, não deve surprehender muito, attendendo ao meio 
^m que vivem. Só uma coisa me admirou sempre: é o indigena, 
depois de ter dado immensas voltas no mato ou em planicies, 
mesmo em regiões onde não esteve antes, nunca se desorientar 
^ saber sempre, em qualquer momento que se lhe pergunte, para 
que lado fica o ponto de partida. Note-se, porém, que esta facul- 
dade é só peculiar ao Landim. 

E depois da caça morta e esquartejada que quem se der ao 
trabalho de estudar a individualidade do indigena tem largo 
campo para observações. Mais parecem uma alcateia de lobos que 
seres humanos. A carne mal assada é mesmo assim devorada e 
só uma pequena parte que resta é depois cozida. Nada se des- 



* Vide Religião e moral e app. 



108 



perdiça, tudo se aproveita e ha mesmo certas partes do corpo 
do animal que são consideradas como finissimos manjares. A parte 
dos intestinos que encerra os escrementos e estes, que ainda nâo- 
foram digeridos, pertencem a este numero. Nem uma única parte 
é submettida a qualquer lavagem, porque isso seria, segundo a. 
sua opinião, tirar-lhes o gosto. Tudo o mais que surprehende 
o europeu, como, por exemplo, distinguir as pegadas dos diíFe- 
rentes animaes, a sua recente ou antiga passagem, é apenas uma. 
questão de habito, que o europeu também pode adquirir. 

Certos factos, que ao europeu se afiguram actos de bravura, não- 
são mais que o profundo conhecimento que o indigena tem dos 
animaes que ataca. O que se não pode negar-lhes é o sangue 
frio que na caça raras vezes o abandona, qualidade esta devera» 
apreciável. O indigena sabe muito bem que ha certos animaes 
com os quaes é perigoso entrar em luta e porisso evita-os, apesar 
de estes, por vezes, lhe causarem damno, e neste numero entra 
o leão; e os casos, raríssimos, que conheço dos indigenas ataca- 
rem o leão foram em condições especialissimas e com grandes 
probabilidades de saírem vencedores. 

Usa o indigena de duas espécies de armadilhas : uma, destinada 
especialmente aos carnívoros e que se comp5e de uma espécie 
de corredor de estacaria, enterrada no chão, estando suspenso^ 
sobre este mesmo corredor, um grosso madeiro que se desloca 
á minima pressão que o animal faça, ao entrar dentro da estaca- 
ria, caíndo-lhes em cima. Apanham nesta armadilha leopardos^ 
cheetas, hyenas, chacaes, etc. A outra armadilha é composta de 
um pau, a cuja ponta se acha presa uma corda; a outra extre- 
midade forma um laço com um nó corredio; o animal, ao passar, 
enfia a cabeça no laço, e o pau, que se achava vergado pelo re- 
tezado da corda, retoma a posição vertical e o animal morre es- 
trangulado. Nesta, apanham gazellas, cabritos do mato, etc. 
O mesmo systema é usado para outras espécies de animaes mais 
pequenos, como perdizes, gallinhas do mato, gatos bravos, etc. 
Estas armadilhas são collocadas em passagens frequentadas pelos 
animaes e ainda para este fim fazem uma espécie de sebe num 
espaço grande de terreno. Além d'este género de caça, matam- 
na também com o auxilio do arco e flechas. 

Ha indigenas que são habilissimos nestes exercicios. Como va- 
riante á sua habitual preguiça, costumam reunir-se em grupos, 
acompanhados por muitos cães e armados de arcos e cacetes, 
para irem bater mato á caça. Os principaes caçadores são os 
cães, que, sendo de raça ordinarissima, dão mostras de serem 
óptimos para tal serviço. 

L theoria observada pelos indigenas, e seguida á risca, que o 
dono não deve dar nada de comer aos cães e estes teem de re- 
correr ás suas habilidades se não quizerem morrer á fome. 

O Tonga ó pescador, e, para aquelle que reside junto do litoral, 
é a pesca o seu principal recurso não só como objecto de com- 



CofluQifS de íTuerra ou linluquc 



109 

mercio, como também faz parte integrante da sua alimentação. 
O seu principal apparelho de pesca comp5e-se de duas sebes de 
varas delgadas, entrançadas, formando um angulo quando assen- 
tes no fundo. Na juncção das duas linhas existe um deposito em 
circulo, de caniço entrançado. Na base do deposito ha uma es- 
pécie de funil, também de caniço. O peixe, na vazante, procura 
uma saída e enfia para dentro do funil e, uma vez lá dentro, já 
não sae mais. 

Usam também pequenas redes de arrastar, feitas por elles 
próprios. Pescam também á linha com anzol. No interior também 
os indigenas usam umas armadilhas similhantes á primeira de 
que fiz menção. A pesca do anzol é só feita por garotos. 



IMCixslceii, caLeiínseiiS & JosTOs 



Só duas raças teem os seus cantos, dansas e instrumentos ca- 
racterísticos : Shope e Tonga. 

O Landim adoptou e imitou, nesta parte, os costumes dos 
outros. 

Os únicos instrumentos de origem Landim sao os tambores 
grandes e pequenos, que hoje também são usados nas danças dos 
outros indigenas, e a que chama ingoma (pi. tingoma), os spin- 
dane e ligulo, 

O tambor * compoe-se de um tronco de arvore cavado no cen- 
tro, uma pelle de boi a servir de tampo e nada mais. Os tambo- 
res são de differentes tamanhos, desde 1",50 de altura e 1 metro 
^e diâmetro, de 2 metros até aos mais pequenos, de 0™,30 de 
diâmetro e outros de 0^,30 de altura. 

Os spindane e ligulo são instrumentos também de simples com- 
posição. Um arco com arame e apenas se difFerença um do outro 
porque o primeiro tem a metade de uma cabaça vazia presa ao 
arco e toca-se com um caniço batendo no arame, e o segundo 
toca-se encostando o arco á boca; o caniço é substituído pelos 
dedos e é mais pequeno. Estes últimos instrumentos, se assim se 
pode chamar, são tocados só por gente nova. Como se vê, não 
são complicados nem o que tocam é divertido. 

Usam ainda os pequenos pastores flautas apenas com três bu- 
racos, de que tiram magníficos sons, mas cuja ária única tocada 
é, como se pode calcular, pouco variada. 

Por ultimo, uns pequenos brimbaus com fibra de palmeira 
brava, que, pela sua pequena importância, não merecem maior 
menção. 



* Vide app. 



110 



As dansas dos Landins, como disse, nada teem de caracterís- 
ticas. 

Os Landins do sul dansam o macocate, dansa de contorções, 
ao som dos tambores, que nada ofFerece de interessante oa 
curioso. 

Os Landins-Macuacuas imitam as dansas que os Vatuas ti- 
nham trazido para Gaza e a que chamam messongola. 

O messongola é de origem Zulo e tanto os cantos como a dansa 
são em extremo monótonos e sem variantes; mas, apesar d'isso, 
os indígenas estão horas inteiras dansando. 

A sua descripção é simples. Os indigenas formam em semicir- 
culo e, acompanhando os cantos, batem com os pés no chão, ao 
mesmo tempo que com as machadinhas, zagaias ou cacetes de 
que estão armados fazem gestos de arremesso a um inimigo in- 
visivel. Em frente estão as mulheres em grupo, cantando tam- 
bém. Quando se dá um doestes batuques os indigenas vestem-se 
a capricho. Além das armas, levam na cabeça tufos de pennas pre- 
tas de avestruzes, e rabos de boi nas pernas e braços, escudos de 
pelle e bastantes panos de differentes cores. As mulheres também 
p5em os seus melhores panos e coUares variados de missanga. 

Este costume de se enfeitarem homens e mulheres nos batu- 
ques é commum a todas as raças. 

Todos os batuques sao annunciados na véspera, ou com mais 
dias de antecedência, com repetidos toques de corno de boi, jpaía- 
jjala ou kudo. por rapazes que percoi*rem a região annunciando 
o batuque. 

O único instrumento de origem Tonga é um pedaço de cana, 
em geral enfeitada com missanga e rabo de boi, de que tiram uns 
sons de genuina e pura cana rachada e a que chamam massava, 
que dá o nome aos batuques Batongas. Os homens e rapazes 
formam em circulo, em fila indiana, e as mulheres da mesma 
forma, formando um circulo exterior, e, ao som da musica, ca- 
minham em sentido contrario os homens das mulheres. Esta 
dansa é acompanhada, além das massavas, que são tantas quantos 
os homens e rapazes que dansam, por tambores e duas ou três ma- 
rimbas, e ainda pelos manganzas^ que são frutos sêccos de pal- 
meira brava cujas sementes deixam ficar dentro e que alguns 
rapazes trazem presos ás pernas, com os quaes fazem também 
-acompanhamento, batendo com os pés no chão, a compasso. 

Além da massava^ teem as mulheres Batongas uma dansa pró- 
pria do seu sexo e a que chamam Guidadah. As mulheres for- 
mam em circulo, batem as palmas, cantando, e, uma a uma, saem 
do circulo até ao centro, levantam uma perna e voltam ao seu 
logar. 

Ainda ha poucos annos havia dois batuques especiaes, um de 
homens no regulado de Nhanalla, de Guillala, e outro de mulhe- 
res no cabo Mabelana, de Cumbana, que, depois de vários can- 
tos, imitavam com as pessoas do seu sexo os actos sexua.es. 



111 

Temos por ultimo as dansas Shopes. Ao seu batuque se chama 
Vfoloé Os seus instrumentos são as marimbas. Os sons tirados 
d^ellas obedecem á escala musical, começando sempre em dó, 
percorrem toda a escala e recomeçam de novo se teem mais de 
oito notas. É o único instrumento usado pelos indígenas doeste 
districto cuja confecção revela engenho. São pequenos pedaços 
de madeira de casuarina *, ligados uns aos outros por tiras del- 
gadas de coiro. Por debaixo de cada pedaço de madeira, duas 
cabaças, uma grande e outra pequena, ligadas com cera e em 
forma de 8. As cabaças de baixo são de diíFerentes tamanhos 
para corresponderem á escala musical. Nas bocas das cabaças pe- 
quenas, umas pelliculas extrahidas dos intestinos de uma espécie 
de porco da índia, a que os indígenas chamam Beba, que se en- 
contra nos terrenos alagados ou pantanosos, ou, na falta d'elles, 
das asas do morcego. Estas pelliculas são artigo de commercio 
entre os indígenas. Uma armação de madeira a que se acham 
ligadas as tabuinhas e as cabaças, e temos presente o ^*ano indí- 
gena. Tem também duas vaquetas, cujas cabeças são feitas com 
borracha extraliida de uma Landolphia, que servem para ferir os 
pedaços de madeira. Além das marimbas vulgares, outras teem 
só usadas nos grandes batuques e que se compõem apenas de 
quatro grandes tábuas e quatro cabaças de correspondente gran- 
deza, que só servem para acompanhamentos. 

Em geral, cada regulo Shope tem o seu batuque, que se com- 
põe, em média, de dezaseis ou dezasete marimbas {Imòila, pL 
Timbila) de tamanho vulgar e de três ou quatro grandes. Cada 
batuque tem o seu maestro ou induna^ das marimbas, encarre- 
gado da parte musical, e outro induna^ grande do batuque, encar- 
regado da disposição scenica dos figurantes na dansa, e a maior 
ou menor variante nella depende do génio inventivo do seu dire- 
ctor. Como nos batuques de origem Zulo, os indígenas formam 
em circulo defronte da banda de musica, armados e enfeitados 
da mesma forma descripta já para os Landins. Cantam primeiro 
e depois, a certo ponto, batendo com os escudos no chão, come- 
çam numa serie de saltos e gestos, figurando combaterem o ini- 
migo. Por vezes deítam-se todos no chão, fingindo-se mortos, e 
algumas mulheres saem de um grupo procurando entre elles os 
que lhes pertencem, depois do que se tornam a levantar e reco- 
meçam os cantos. O que ha de curioso nestes batuques, e por 
alguns momentos prende a attençao do europeu, é a uniformidade 
e regularidade com que, a compasso, as marimbas acompanham 
os cantos e dansas. Os coros mesmo são unisonos, pouco varia- 
dos, é verdade, mas regulares. 



* Só esta espécie de madeira é empregada. Esta conífera só se encontra 
na circumscripçíio de Cumbana, no Guifugo, junto ao mar, e num outro ponta 
da circumscripção de Morrumbene, também junto á costa. 

^ Vide app. 



112 



No batuque do regulo Banguza havia uma variante nos cantos 
que produzia magnifico eíFeito. Os indigenas dansantes formavam 
em quadrado. Uma das faces cantava em voz baixa, a segunda, 
terceira e quarta alternada, mas em tom de voz diffe rente. 

O thema das canções dos Bashopes e Landins é quasi sempre 
o mesmo: os brancos que venceram o Gungunhana; os brancos 
que venceram o Maguiguana; as lanchas a vapor que os brancos 
trouxeram para os rios e que vomitavam fogo ; os vapores que 
vinham da terra dos brancos e que traziam muita gente ; na agua 
já não podem fazer fogo com as suas armas; já não podem con- 
quistar terras e mulheres á força das armas, etc. 

Entre os Landins havia uma canção que dizia: «Que os bran- 
cos mataram o Gungunhana porque era mau, mas os brancos não 
são melhores *». 

E uso nos batuques coUocarem os seus chefes, nos logares 
onde elles se realizam, um grande ramo de arvore onde os espe- 
ctadores vão dar golpes no final das dansas, mostrando assim o 
seu apreço. 

Além doestes batuques, que mereçam especial menção, só exis- 
tem os batuques da circumcisão e a Imbuía, 

Como já ficou referido, o batuque da circumcisão é no local 
onde se procede á ceremonia da circumcisão e comp5e-se só de 
cantos onde se fazem perguntas e respostas. 

Do batuque da Imhuta, noutra parte farei a elle referencia. 

Teem os indigenas, quando se acham ou viajam em grupos, 
umas canções cuja musica e letra são antigas e se conservam e 
outras que são de occasião, para o que qualquer coisa serve de 
pretexto. De umas e de outras dou apenas alguns exemplos, por- 
que a maioria d^ellas são em extremo obscenas. 



Cantigas tongas 

Cantiga do batuque das mulheres, a que chamam guidadcãe: 

Uama uango agupúálo senda. 
Está para chegar o meu noivo. 

Nhamalejo ingápua chuélo. 

Quero um homem que tenha barba para dormir commigo. 

Nhifade kuguléva divála libála. 

Bebeu e ficou bêbedo e esqueceu-se do que lhe era preciso. 

Xuane dá jego nhamalejo uango gouguangua gane manga-nai á 
áté náje xissolutuno assamo. 

Um homem, com a matacanha, ficou doente, e a mulher quer 



* Referiam-se ao augmento do imposto de palhota. 



113 



consultar o Tixolo e nao sabe se no dia seguinte ha de acordar 
com elle. 

Delo ta laia orra nilo, 

O homem está ao pé do lume e a mulher chama-o para vir 
dormir. 

Cantigas landinas 

Quando os carregadores carregam com uma machila, um canta: 

Xíhanda ó xaca ta huia kambe! O coro repete: ó ó ta buia 
kambe! 

Os brancos prenderam o Gungunhana por ser maU; mas fazem 
carregar os pretos com a machila. 

Muana assáte loio muana uassáte loio ta mu bona muana uás- 
^ate loio. 

Quando um rapaz morre da operação da circumcisão, os indí- 
genas dizem que morreu porque a mãe era feiticeira. 

A traducção da cantiga é, pouco mais ou menos, o seguinte: 
Correndo entre os indigenas que um rapaz tinha morrido, attri- 
buiram esta morte ao facto de a mãe ser feiticeira. No dia em 
que os rapazes sairam todos, eprovando-se que o rapaz não ti- 
nha morrido, a mãe então canta: vejam o filho da mulher que 
<li£iam que era feiticeira. 

Xlka kuji koma komajá ila, 
Deixa-me, não me pegues que faz mal. 

A cMsseve seve xissmete marrurnbo á munkoana. 

Um rapaz que vae buscar uma rapariga com quem casou. A 
sogra acompanha o genro cantando e apontando para a barriga, 
querendo dizer que alli foi a rapariga gerada. 

Salane á mamana manziko zia d kaia moxirrero leia d kaia. 
Uma mulher que casa, mas que frequentes vezes deixa o ma- 
rido para ir para casa da mãe. 

Xi'ô xio-o xiokuana kangulela guiala. 

Tendo morrido uma criança numa povoação, vem a gente de 
fora para chorar e canta que a familia deve matar uma gallinha 
para comerem depois de beberem. 

Utela ku ta rila aí rilane inchumo. 

Eu vim para chorar, mas não chorei nada. 

Nooanhane ma kaia ku femba. 
Nariz que não cheira. 

A bula mane pupulo pupulo bula mane pupulo. 
Falar a quem? Parvo! Se estás sósinho, parvo! 



114 



Quando os homens vão para o Transvaal, cantam: 

JVÃa mãe né xongóla mikuko ta sala rnimbaá. 
Vão-se embora os gallos e ficam as gallinhas. 

Cantiga do batuque nsonga ou msongola 

Ma manga xitê né huza á buiana ma moja. 

Os brancos queriam matar a gente do Gungunhana, etc. 



Cantigas shopes 

O xiaU'áu o ximanhasana âu, 

O regulo de Canda, chamado Xiau-au, na guerra, matava 
gente como quem matava caça no mato. 

Soê, ioé, amhuja ku oka gonhane ka Doéne nango kambana ku 
xlsua d Doéne xanguanhana 6 malaxa anga duma tiuane xanguil& 
lovile elisanga hona mixâva quélo hãe imbile gamo in Gungunhana 
ona muxava ka Manikusse ó gume kossue ba mama batua áxiúme 
guipué kuima kossue ba mama, 

O vencedor, em combate, dizia aos fugitivos: escusas de fugir, 
porque, mesmo que fujas para as terras do Gungunhana, hei de 
vos apanhar. A gente do Gungunhana chegou ás terras e dizia, 
que não encontrava mulher alguma, que já se tinham afastada 
para longe e que a gente era doida. 

Cantigas do batuque Shope lifolo 

Tatá uamane á dana matonga, Kw Xissikuene, Nhakutô ku tekcn 
pingo xi nika lungo arritate uáko. Malaia manango ku kuningua 
mafáko ku ombila commandante ku á te zibe qu á ceúa kassador 
d Z avalia xikóla kólo ambuquissa xis sela ambuquissa comman- 
dante mabasse Farande, João dunha ambu xifu a koma xinolane 
xigango matona mazambe, 

A gente do regulo Zavalla foi pedir gente a Gaza para se jun- 
tarem e fazerem guerra á gente do Guissico, mas esta matou a 
outra (gente de Zavalla) durante a viagem. Porque é que meu 
pae foi morto por gente do Guissico que não vale nada? per- 
guntava um filho do induna de guerra do regulo Zavalla. O re- 
gulo Nhacotô foi buscar presentes para dar aos brancos e o seu 
povo dizia que era melhor ficar o regulo com elles. 

No tempo dò Gungunhana as mulheres de Zavalla fugiram e 
no caminho foram agarradas por gente do Guissico. Os guer- 
reiros do regulo Zavalla foram combater o povo de Guissico, e 
este regulo foi dar presentes e pedir auxilio ao commandante, e 



115 

• 

OS de Zavalla perguntavam então porque é que o Gruissico tinha 
levado os presentes ao commandante e não ao regulo de Zavalla. 
O Xigango (nome) pergunta á gente por que motivo escondem 
,as novidades ao regulo se João Mabasse e Farande (nomes) di- 
-zem que o regulo é Bimaika (nome). 

Mamane oku xamba ka sôps, 

A minha mãe é tão boa como aguardente. 

Nhandede 6 mndia ô doriê. 

Commandante gona tanhe teka ku daia mano uango siloode mame 
iSuma sango sarna duko sakanau uá uluta, 

Commandante ordenou a Nandedo (nome) para agarrar as mu- 
lheres e mettel-as no calabouço. Mataram meu marido e o di- 
aiheiro com que me comprou onde está? 

As traducçÕes são libérrimas, porque, feitas á letra, dariam 
uma coisa completamente disparatada, e mesmo para se enten- 
derem as suas cançSes é necessário conhecer nao só a fundo os 
•dialectos iniigenas, como também os factos anteriores a que elles 
se referem. O indígena, em três ou quatro palavras apenas, faz 
allusão a um acontecimento que, narrado, seria bastante extenso. 
D'aqui a confusão que muitas vezes se dá quando um europeu 
pretende saber a letra de uma canção, e, quando lhe é dada uma 
explicação muito comprida, fica sempre na duvida se será ver- 
•dade por ter ouvido apenas duas ou três palavras. E' isto tão 
verdadeiro que um indigena, embora da mesma raça, mas de re- 
gião differente, não se tratando, é claro, de cançSes já vulgari- 
zadas, muitas vezes as não entende e pergunta. 

Jogos. — Temos o jogo Txuva ou Siiva, que se joga no chão, 
onde se fazem quatro carreiras de oito, doze e dezaseis covi- 
nhas. Pequenas pedras (ou sementes) em cada cova nas duas 
•carreiras de fora e duas em cada cova nas duas carreiras do 
meio, á excepção da ultima cova da segunda carreira e da ter- 
ceira carreira em sentido opposto, que não levam pedras. Podem 
jogar duas, quatro, seis ou oito pessoas. As pedras mudara-se e 
comem-se como nas damas. Explicar completamente a marcha 
do jogo é-me totalmente impossível, pois foi jogo que nunca 
comprehendi, a despeito de muitas explicações, e não conheço 
nenhum europeu que o saiba. 

Magixane ou Manjave. — Este jogo consiste em espetar com um 
pau pequenos pedaços de tronco de palmeira. Apesar de também 
ser jogado por homens, é muito infantil. 

Uma espécie de jogo do croquete com uma moca e pequenos 
paus, jogado em geral pelos rapazes. 

Temos por ultimo o jogo das mulheres, Xidoxo e Tidoxo^ que 
é uma perfeita imitação do nosso popular jogo das cinco pedri- 
nhas. 



116 



Cumprimentos. — Teem os indígenas varias formas de se cum- 
primentarem. 

Entre indigenas do sexo masculino é uso apertarem-se as 
mãos á primeira vez, como os europeus, e á segunda, apertando 
apenas os poUegares. 

Quando chegam a uma povoação, sentam-se spbre os calca- 
nhares e batem as palmas. As mulheres, em idênticas circum- 
stancias, ajoelham-se. Da mesma forma se ajoelham as mulheres. 
da povoação quando fornecem agua ou lume aos recemchegados, 
querendo assim indicar o seu respeito. 

Quando um indígena cumprimenta um branco, ou curva um 
pouco os joelhos fazendo uma mesura, ou simula uma continência, 
miUtar. Teem as mulheres, quando saúdam um branco, o mesmo 
costume de se curvarem e da mesura. 

Quando um europeu pernoita numa povoação, é costume quasi 
geral ser presenteado com uma gallinha pelo chefe da povoação» 

Parece que este uso foi, no tempo dos capitães-móres, uma. 
obrigação. 



Portuguez 



Shitsna 



Gnitonga 



Shishope 



Como está ? . . . . 
Estou bom! Evób? 



Uaanha kane?. . . . 
lá-anhe! Uene ka- 
ne? 



Uade gane? 



Nheuade! ruade 
nutí? 



Uanhc kane? 



Uá-ânhe! á-áte 
áiié! 



O indigena doeste districto não tem religião alguma ; nem mes- 
mo é fetichista, no sentido rigoroso da palavra, pois, apesar de 
ter fetiches, não tem idolos e não adora manipansos. 

Sendo o espirito do indigtna naturalmente pouco propenso a 
locubraçoes e pouco se importando com as causas que produzem 
certos effeitos, o feitiço, como explicação para tudo que não com- 
prebende, torna-se para elle uma necessidade e parte integrante 
dos seus usos e costumes. 

O feitiço, considerado pelo indigena como origem de todos os 
seus males e revezes da vida, e contra o qual, segundo pensa, 
é inútil lutar, dá-lhe uma resignação e propensão para o fatalis- 
mo, que se conjugam perfeitamente com a sua pouca actividade 
physica e intellectual. Estou por certo que, qualquer religião 
que o indigena adoptasse, nenhuma lhe seria tão commoda como 
esta forma de pensar que tem para seu uso, em concordância 
absoluta com os seus hábitos. Por estes mesmos motivos se ex- 



117 



plica a relutância que o indígena doeste districto tem em acceitar 
os principies da religião christã com todos os seus mysterios 
nesta e noutra vida, ou as problemáticas bemaventuranças do 
islamismo no outro mundo. 

Da immortalidade da alma, apenas crê que as almas dos mortos 
se introduzem no corpo dos vivos para os atormentarem, e para 
isto mesmo foi preciso uma causa physica: é assim que a loucura 
e o hysterismo são, por esta forma, explicados, á falta de melhor. 
De resto, esta crença só o preoccupa individualmente e só quando 
lhe diz respeito. Tudo o mais que nesta matéria se lhe possa 
ouvir e que pode dar logar a errados julgamentos, são apenas 
obra dos feiticeiros. 

O indígena crê na existência de um ente supremo, mas a que 
nâo procura dar forma, e quando a elle se refere é sempre va- 
gamente. Só conheço dois casos em que a idéa de Deus é invo- 
cada pelos indígenas: um, quando se dá o caso de um homem 
ou mulher serem de idade avançada, e então os outros dizem 
tque Deus se esqueceu d'elles e porisso não morrem» ; e o outro, 
o nome que dão á lepra — Doença de Deus. Quiz, neste campo, 
devassar um pouco mais as idéas dos indígenas, mas nada mais 
obtive que: Onde estava Deus? — apontaram-me para o céu. 

O feiticeiro é um producto do meio; medico do corpo e da 
alma; conhecedor das propriedades therapeutícas das plantas 
da regíiio e da ingenuidade dos indígenas. O feiticeiro é, por via 
de regra, um indígena superior em íntellígencia a todos os outros, 
e d'esta superioridade vive. Os seus conhecimentos médicos são, 
em geral, herdados, assim como a velhacaria. O grau de esperteza 
é que varia de indivíduo para indivíduo. A medicina, nelles, anda 
sempre alliada ao empirismo. Todo o feiticeiro é um pouco pres- 
tidigitador. 

Um indígena sente-se doente, manda chamar ó feiticeiro. Este 
começa por consultar o Tlxolo. 

O Tixoln é de origem Landim e é entre estes indígenas que se 
acha mais espalhado o seu uso. O Tixolo comp5e-se de pequenos 
pedaços de ossos de diíFerentes anímaes, de cabritos do mato, de ca- 
vallos marinhos, de crocodilos, pedras pequenas, que o mar arroja 
á praia, caroços do fruto da ocanheira, pedaços de carcaça de 
kagado, etc. Cada um doestes objectos representa homens, ani- 
maes e coisas. Todos elles são guardados cuidadosamente num 
pequeno saco de palha. Quando querem consultar o Tixolo^ co- 
lhem todos os objectos nas duas mãos, lançam-os ao ar, e da 
sua posição na esteira, onde caem, se colhem os oráculos. Esta 
operação é tantas vezes feita quantas vezes se torna necessário 
paj-a que um dos objectos se destaque dos outros. 

Os indígenas ou teem o Tixolo para uso próprio, ou para uso 
dos outros, e, neste caso, o oráculo é bom ou mau, consoante o 
valor da espórtula da consulta, cujo preço nunca é inferior ao de 
uma gallínha. 



118 

O Tixolo é consultado em tudo e para tudo: se a viagem será 
boa; se o casamento é auspicioso; se o parto será fácil; se o 
doente melhora; se o litigio será resolvido a seu favor, etc. 

O feiticeiro que se preza tem outras coisas, além do Tixolo^ e 
com que se paramenta nas occasiòes solemnes: pelle de leão ou 
leopardo; pelle de cobra; anilhas, que prende ao pescoço; rabos 
de boi, de elephante, cavallo marinho ou de outro animal; tiras de 
chitas de diflferentes cores, missangas, ossos, etc. 

Nem todos os indígenas que teem o Tixolo são feiticeiros. São 
doutores amadores. A maior parte dos feiticeiros usa, como dis- 
tinctivo, a carapinha comprida e, algumas vezes, untada com 
barro encarnado, o que lhes dá a apparencia de cães de agua. 

E da raça Landim de onde, geralmente, saem os feiticeiros. 

Nunca a acção do feiticeiro se limita só á applicação dos remé- 
dios. Estes são sempre acompanhados de praticas que sirvam 
para ferir a imaginação dos indigenas. Feiticeiro que assim não 
fizesse, pouca consideração teria. 

Apresento vários exemplos: 

Um indígena manda chamar o feiticeiro porque tem dor de 
ouvidos. Este applica-lhe ó remédio, deitando dentro do ouvido 
qualquer liquido extrahido de uma determinada erva e ao mesmo 
tempo mostra ao doente umas lagartas ou qualquer outro insecto 
que de antemão tinha arranjado, como sendo a causa da doença 
e que elle, feiticeiro, só com o auxilio dos seus feitiços o« tinha 
podido tirar. 

Um indigena tem uma dor em qualquer parte — nevralgia, cólica 
hepática ou intestinal, enxaqueca, etc. Consultado este, em geral 
faz-lhe um pequeno golpe ou sangria, a que applica, depois, como 
emplasto, umas ervas. Nesta occasiíio apresenta também ao 
doente ossos, pedras, pêlo de animaes, bocados de arame, di- 
zendo ser esta a origem da doença porque elle tinha-os no corpo. 

Se a doença obriga a tomar qualquer remédio interno, o doente, 
além da poção ou cozimento de certas folhas, raizes ou frutos, 
de que, em geral, são compostos os medicamentos indigenas, in- 
gere também outras drogas, taes como: bocadinhos de pelle de 
cobra, raspas de unhas de leão ou de corno de alguns antilopes, 
etc. Esta é a parte empirica do medicamento. 

Não ficam por aqui só as pantominices do feiticeiro. Se a doen- 
ça se prolonga e o doente é bom cliente, mette dansas e outras 
ceremonias, em que toma parte activa o feiticeiro. 

A dansa ou batuque pode ser dansado por diversas pessoas, 
ou a sós*pelo feiticeiro. Dansando differentes, é o batuque vulgar, 
e se é só pelo feiticeiro, este, além dos saltos e contorções em 
volta da fogueira, se é de noite, diz coisas que não são enten- 
didas pelos indigenas e que elle diz ser evocações aos espirites 
maus ; faz com uma varinha diversos desenhos na areia, que não 
se entendem, ou lança no fogo diversos pós. Nos descansos, 
bebe. 



• M> _^>a 



119 

Se a doença se prolonga e o feiticeiro não vê que ella dê mos- 
tras de declinar, ou se se aggrava, indica uma pessoa qualquer, 
em geral uma mulher viuva ou velha, como sendo ella a causa- 
dora da doença e ser, segundo a própria expressão indigena, 
feiticeira. Este caso, infelizmente ainda hoje vulgarissimo, apesar 
dos esforços das autoridades neste sentido, dá, como se pode 
presumir, logar a muitos abusos, que acabam, um grande numero 
de vezes, por assassinatos. Como se comprehende, o feiticeiro, 
ignorando os remédios para a doença, ou conhecendo que o doente 
morrerá, e não querendo deixar a sua sciencia por menos valiosa, 
escolhe de preferencia um ente para sua victima, que, por falta 
de protector, não tenha quem a defenda. 

O feiticeiro, um grande numero de vezes, também conhece que 
a doença é das que não teem cura, como succede com a tisica, 
mas nunca o diz, porque a explicação para o caso de morte sempre 
a encontra, e emquanto o doente vive o dinheiro e os presentes 
vão correndo. 

Perto do meu acampamento de . . . havia uma mulher tisica. 
Todas as noites o feiticeiro fazia as suas ceremonias e dansas* 
O filho e marido doesta mulher, ambos meus serviçaes, não fa- 
ziam senão procurar dinheiro para pagarem as visitas ao doutor, 
apesar dos meus conselhos em contrario, dizendo-lhes que a mu- 
lher tinha doença incurável e que nem todos os feiticeiros doeste 
mundo a poderiam curar. Foi tempo perdido. As exigências da 
feiticeiro eram cada vez maiores. Resolvi intervir pessoalmente 
no caso, mandando chamar o feiticeiro, e disse a este que a mu- 
lher estava tisica e que todos os seus feitiços, por muito bons 
que fossem, para nada serviriam, e terminei dizendo-lhe que era 
opinião minha que a mulher não viveria dois mezes. A resposta 
do feiticeiro foi: que o seu modo de vida era aquelle e que sabia 
muito bem que doença era, e que só não duraria dois mezes, mas 
nem mesmo três dias, e que elle, para me fazer a vontade, se 
iria embora, mas que seriam os parentes que novamente o cha- 
mariam e, portanto, não era culpa d'elle. De facto, tudo se rea- 
lizou como o feiticeiro previra. Quiz-se ir embora e não o dei- 
xaram, e a mulher morria passados dois dias! 

Também os feiticeiros se aproveitam da superstição dos indi- 
genas para praticarem outras patifarias. Uma, por exemplo: uma 
mulher estava gravida e mandou chamar o feiticeiro. Este, como 
desejasse possuir uma mulher de outro indigena, declarou á par- 
turiente que o parto não seria feliz e a criança nasceria morta 
se ella não fizesse com que a tal mulher tivesse relações sexuaes 
com elle. A familia da doente não descansou emquanto o feiti- 
ceiro não conseguiu o seu fim. 

Um dos mais grosseiros embustes em que o feiticeiro toma 
uma parte activa é no mandíque ou xiguembo. JFJ facto notado /^ 
que o systema nervoso no indigena africano é menos desenvol- ^ 
vido do que no braff gD, e istu nuta-jc - piindpalmBii t^ tias opera- ^ 



120 



çÕes cirúrgicas, em que o indigena mostra uma indifferenca á 
dor, que surprehende. Suppondo, porém, que esta livpothese seja 
contestável, o certo é que o indígena é pouco atacado de doenças 
nervosas, loucura, etc, o que nao quer dizer que não hajam 
exemplos de hysterismo, e quando este caso se dá diz-se ter 
mandique ou xiquemho, que significa ter no corpo a alma ou o 
espirito mau de uma pessoa fallecida. 

O remédio do feiticeiro compSe-se então de dansas e exor- 
cismos, em que o feiticeiro parece possesso, taes são as cabriolas 
e esgares que faz; num momento dado, o feiticeiro finge que o 
espirito mau do doente passou para o corpo d'elle e, depois de 
uns fingidos ataques hystericos, foge de repente para o mato a 
deixar alli. segundo elle diz, o espirito. Este género de doença 
e cura prolonga-se consoante os recursos pecuniários do doente. 
Estas dansas são sempre acompanhadas de pequenos tambores e 
fazem-se geralmente de noite. Quando a doença é verdadeira, o 
doente chega a curar-se, tal é o poder da suggestão. 

Parece haver contradicção quando se disser que os batuques de 
mandique são frequentes, apesar da pouca disposição do indígena 
para o hysterismo. Os motivos são, porém, outros. 

A maior parte das vezes a doença é também fingida, princi- 
palmente nas mulheres quando pretendem obter dos maridos 
certas coisas: quando teem ciúmes do marido e este dá prefe- 
rencia a outra mulher e poucas vezes dorme com ella; quando o 
marido é avaro com ella na dadiva de panos; quando o marido 
tenciona abandonal-a, etc. Ora tudo quanto a mulher pede quando 
atacada de mandique, e com a indispensável assistência do feiti- 
ceiro, tudo é satisfeito pelo marido. O outro motivo é o feiticeiro 
ignorar o género de doença que tem o indígena e, á falta de 
melhor explicação, dá a do mandique. 

Falta, por ultimo, referir-me a um outro género de trabalhos 
a que o feiticeiro também se dedica: descobrir o autor de certos 
roubos. 

Nesta parte dá ás vezes mostra de ser um hábil policia. Pre- 
tende-se saber quem é o autor ou autores de um determinado 
roubo. Chamado o feiticeiro, este pede um certo prazo de tempo, 
que, em geral, é curto, quando o feiticeiro pertence á mesma re- 
gião onde se praticou o furto. A tatica do .feiticeiro consiste em 
investigar, como faria qualquer policia, quaes os indígenas que 
teem hábitos dissipadores, má reputação, etc, e vigiando em se- 
guida, observa as condições em que se deu o roubo com a mais 
escrupulosa attenção. Quasi certo de saber quem é, ou presume 
ser, o ladrão, num dia determinado é dado um batuque em que 
comparece toda a gente da região. Depois de varias dansas e 
outras manigâncias de feitiçaria, o feiticeiro, que é também phi- 
sionomista, e que não deixa de observar o ladrão, em certo mo- 
mento mostra á multidão o culpado. 

Este, em geral, pelo mal estar em que se encontra e porque, 



121 



por vezes, já tem dado mostras de desassocego, confessa imme- 
diatamente o crime com receio do feitiço. 

Usam também os feiticeiros de outros trucs. Uma panela de 
agua quente e uma outra servindo de tampa. O feiticeiro ordena 
que todos os assistentes teem que metter os dedos da mão direita 
dentro da panela da agua depois de levantar a tampa, dizendo 
ao mesmo tempo que o culpado ficará sem pelle. A* operação 
dos indigenas metterem a mão só o feiticeiro assiste. Em geral 
succede que o delinquente se recusa a metter a mão e confessa 
o crime, ou, se a mette, não chega a molhar os dedos, o que o 
feiticeiro logo descobre. 

Manda formar todos os homens em semi-circulo, distribue a 
cada um d'elles um pequeno pau, todos da mesma grandeza. 
Depois ordena-lhes que o fechem nas mãos e colloquem estas 
atrás das costas. Em seguida diz-lhes que aquelle que for o cul- 
pado o pauzinho d'elle terá crescido, ficará maior do que os ou- 
tros. Passados alguns minutos, o feiticeiro ordena que abram as 
mãos e mostrem os pauzinhos. O culpado, receando que o pau- 
zinho d'elle esteja maior, teve o cuidado de lhe partir um bocado 
e assim o feiticeiro descobre immediatamente o gatuno. 

Outro: um polvorinho de chifre de boi e este fechado de am- 
bos os lados. Na parte mais estreita uma rolha de madeira como 
se usam nas borrachas de vinho. Tanto o bocal como a rolha 
teem umas ranhuras. Formados os homens e coUocada a rolha 
no polvorinho, dá esta a tirar a cada um dos homens. Todos a 
tiram com facilidade, nias quando chega ao homem que o feiti- 
ceiro presume ser o culpado, este, por mais força que empregue, 
não consegue tirar a rolha. 

Em ultimo recurso, o feiticeiro não se prende com preconcei- 
tos: á falta de verdadeiro criminoso, não tem duvidas em accusar 
um innocente. 

Falta falar da ceremonia do muav^ * ou uanga-nanga, espécie 
de juizo de Deus, que os indigenas antes empregavam em pes- 
soas e hoje em gallinhas. O muave consiste no cozimento de rai- 
zes de uma certa arvore, que o feiticeiro divide em duas partes 
iguaes, e tendo as duas partes litigantes trazido cada uma d^el- 
las uma gallinha, são estas obrigadas a ingerir o liquido prepa- 
rado pelo feiticeiro. Não tarda que uma d^ellas venha a morrer. 
O dono ou donos doesta perdem então a questão. E' fácil de 
suppor a que serie de injustiças não dava logar esta pratica, es- 
tando a solução do litigio apenas dependente da vontade do fei- 
ticeiro, que na occasião opportuna deitava na poção um veneno 
violento. Vencia quem mais generoso se mostrava com o feiti- 
ceiro. Um grande numero de vezes este ia feito com o regulo, 
diante de quem sempre se fazia esta ceremonia. 



* Vide app. 



122 



Antes de 1894,. ainda entre os Landins-Macuacuas era vulgar 
o uso do muave entre os próprios litigantes, o que dava origem 
s, muitas mortes. Entre os Batongas nunca o muave se generali- 
zou. O uso do muave parece ter sido trazido pela gente do Gun- 
gunhana. Hoje, mesmo com gallinhas, esta pratica está em de- 
cadência e tende a desapparecer. 

Certas lendas que existem no districto devem a sua conser- 
vação aos feiticeiros, que as exploram em proveito próprio. Te- 
mos a lenda d^. arvore da morte, bem conhecida em toda a re- 
gião dos Bashopes. Reza a lenda o seguinte: 

Em terras do regulo Bimaica, regulado de Zavalla, na circum- 
scripção do mesmo nome e a uns kilometros da povoação d^ 
mesmo regulo, existe uma arvore, que, segundo dizem os indíge- 
nas, quem d^ella se aproximar morre immediatamente, e tão cren- 
tes estão os indigenas nisto, que, ainda distantes da referida ar- 
vore, já não ha forças que os obriguem a aproximar-se. Uma vez 
que eu estava em Quissico com o meu amigo Luiz Mascarenhas 
Gaivão, distincto engenheiro sylvicultor, mostrou este desejos 
de colher um ramo da tal arvore para analyse, pelo que resolve- 
mos ir ao próprio local examinar a arvore. Escusado será dizer 
que, quando estávamos próximos da arvore, nenhum dos carrega- 
dores, sipaes e outros indigenas que nos acompanhavam se atre- 
veu a seguir-nos, a despeito de ordens e ameaças, com a sua bor- 
doada á mistura. Colhido um ramo, passámol-o a examinar e 
apenas notámos que a arvore era uma. . . accacia vulgarissima 
em todo o districto. Também a lenda dizia que qualquer pássaro 
que pousasse morria também, e foi facto que nós logo notámos 
estarem duas rolas pousadas sem darem indícios de qualquer in- 
commodo. Foi preciso empregar a força para obrigar a conduzir 
o meu companheiro, porque todos os indigenas fugiam á nossa 
aproximação. A explicação que mais tarde deram foi que, ante- 
cipadamente, nós tinhamos feito feitiço grande de branco e por- 
isso não nos acontecera mal algum. 

Mais tarde procedi a investigações por minha conta e apurei o 
seguinte : parece que numa das investidas do Gungunhana ás 
terras dos Bashopes, alguns dos guerreiros acamparam perto da 
arvore. No dia seguinte appareceram mortos. Pode muito bem 
ter acontecido que elles morressem com qualquer bebida vene- 
nosa que tivessem tomado sem que a arvore para ahi concorresse 
com qualquer coisa. Mas apurei também que havia um feiticeiro 
naquella região que só elle com o auxilio poderoso de certos fei- 
tiços podia chegar e dormir ao pé da arvore sem lhe acontecer 
mal algum e que por este facto era um feiticeiro muito grande, 
de muito respeito e nomeada! 

A lenda das cavernas de Villanculos diz que qualquer indígena 
(excepto o feiticeiro, está entendido) que entre nellas, morre imme- 
diatamente. Nada poderei dizer sobre taes cavernas, pois que, ape- 
sar de ter passado perto d'ella^, não tive opportunidade de visital-as. 



123 



Tudo que deixei dito em referencia dos feiticeiros se pode ap- 
plicar ás feiticeiras e se ellas não desempenham o papel de poli- 
cias, teem outras coisas no seu activo, a começar pela responsabi- 
lidade que lhes cabe nos partos prematuros e esterilidade de 
muitas mulheres, assim como é exclusivo seu a direcção e ignó- 
bil exploração da Imòuta. Vários europeus teem feito tudo quanto 
é possivel para conseguir ver este batuque secreto de mulheres, 
mas não teem conseguido. Entre outras difBculdades, ha as de 
não encontrar indigena algum que lhe possa servir de guia ou 
interprete e, o que é mais, os indígenas nada querem ouvir a tal 
respeito e tapam as orelhas '"lom as mãos; e a outra difficuldade 
é de se ignorar o local onde as mulheres dansam. Que as feiti- 
ceiras bem sabem que se o branco tiver visto o batuque lá se vae 
a lenda com todos os seus feitiços. 

A Imhuta representa uma fonte de receita continua da feiticeira. 
Esta, de cumplicidade com uma outra mulher, faz a esta desempe- 
nhar o seguinte papel: a cúmplice aproxima-se de uma mulher qual- 
quer da região, em geral quando se encontra sósinha a cultivar no 
campo. Desperta-lhe o interesse, falando-lhe dos mysterios da 
Imhuta. Depois de bem espalhada a semente, diz-lhe que, se ella 
não for á Inibuta, succeder-lhe-á desastre certo e lhe prevê mui- 
tas desgraças. Por um lado a curiosidade, por outro o terror, obri- 
gam a mulher a confessar que quer o batuque. A cúmplice então 
ensina a desempenhar o papel que tem que representar perante 
o marido. Recolhe a casa e nem uma palavra a este dirige, e 
neste estado se conserva até que o esposo, com medo de endoide- 
cer, vae consultar a feiticeira, que diz ser preciso fazer o batuque 
da Lnbuta e para que este se possa realizar tem que dar diver- 
sas quantias em dinheiro e presentes em cereaes, panos, etc. 

O batuque da Imhuta consiste no seguinte: 

No inverno, o batuque realiza-se dentro de uma palhota, de 
verão, dentro de um pequeno cercado. Não ha perigo que qual- 
quer homem se aproxime, pois que este, mal ouve o pequeno 
tambor usado neste batuque, faz enorme rodeio até deixar de o 
ouvir com receio de ficar doido. As mulheres formam em circulo 
e uma, completamente nua, dansa ao centro uma espécie de dansa 
de ventre, também usada noutros batuques. Depois vem uma 
outra dansar e, a certa altura, simulam o acto sexual, tendo a se- 
gunda atado á cintura um pedaço de madeira enfeitado com mis- 
sanga, imitando o penis. Recomeça novamente a mesma dansa 
até estarem fatigadas para serem rendidas por outras. 

A mulher em honra de quem foi dada a Iviòuta assiste na pri- 
meira noite ao espectáculo sem tomar parte nelle e apenas a fei- 
ticeira a obriga a tomar certos ingredientes e a esfregar-lhe a 
barriga com raizes. Na noite seguinte á mulher é-lhe feita uma 
operação nos grandes lábios e umas maçagens especiaes que, diz 
a feiticeira, servem para desenvolver o clitóris. 

Nas outras noites dansa também. Durante o tempo que dura 



124 

o batuque, a mulher não troca uma palavra com homem algum 
e, se é encontrada isolada em qualquer parte, qualquer homem a 
pode possuir, sem que ella oflFereça a menor resistência. Este ba- 
tuque costuma durar oito dias. Entre Landins e Bashopes, quando 
se realiza o batuque^ ha sempre um certo numero de iniciadas, ao 
contrario do que succede com os Batongas, onde, em geral, se faz 
com uma só. Entre Landins e Bashopes, os régulos ou cabos re- 
cebem também emolumentos doeste batuque, embora não tomem 
parte nelle. E entre os Bashopes que este batuque é mais vul- 
gar. Desconheço qual a sua origem. 

Julgo ter mostrado quanto o indigena é supersticioso, mas não 
é este o seu maior defeito. Outros tem, que nasceram com elle, 
defeitos de raça, impossiveis, na minha opinião, de fazel-os desap- 
parecer por completo. Demais não são apenas observações mi- 
nhas, são de toda a gente que tem estado em contacto com os 
indigenas doeste districto. 

Não tenho pretensões a julgar que esta serie de apontamentos 
mereçam alguma vez ser discutidos e um dos motivos que me 
levam a pensar assim é que as minhas observações apenas dizem 
respeito aos indigenas do districto de Inhambane e não á raça 
negra em geral. Nem a capacidade do autor, nem a indole doeste 
livro, dão margem a qualquer discussão neste campo, ainda que, 
excluida a primeira razão, se por necessidade de defesa eu fosse 
a isso impellido, iria em muito boa companhia. Posto isto e limi- 
tando-me só ao que durante quinze annos tenho observado em 
permanente contacto com este indigena, direi que quatro defeitos 
capitães formam os traços moraes mais salientes nelle. E pre- 
guiçoso, ingrato, mentiroso e bêbado. Os outros defeitos, assim 
como as suas qualidades, são de difficil julgamento, attendendo 
ao que de incompleto, antagónico e de súbita transição em todos 
elles se nota. 

Já em differentes passagens tenho tido occasião de evidenciar 
a indolência natural do indigena e a sua congénita inclinação 
para beberricar, pelo que pouco mais considerações farei a tal 
respeito. Muito boa gente se illude julgando que o indigena tra- 
balha voluntariamente e a prova é que vae para o Transvaal 
sem ser a isso obrigado ! Assim succede, mas não o faz por ne- 
cessidade orgânica ou por comprehensão moral. No fundo é jus- 
tamente o seu maior defeito que o obriga a expatriar-se. Em 
duas palavras : num anno o indigena pode arranjar dinheiro para 
comprar uma mulher para trabalhar para elle e íicar assim satis- 
feita a sua maior ambição na terra (que em coisas do céu não 
pensa), que é: não trabalhar ou trabalhar o menos possivel. A 
quem duvidar do que affirmo, aconselho- lhe um pequeno passeio 
até ás povoações dos indigenas e asseguro que ficará identificado 
por completo. 

O único acto da vida do indigena em que noto actividade é para 
beber. De saúde, doentes ou quasi mortos, de dia ou de noite, 



125 

com calor ou frio, alegres ou tristes, estão sempre promptos para 
ingerir qualquer bebida, e, caso único em que mostram coheren- 
cia, até muita agua bebem. Nestes dois defeitos os Batongas le- 
vam a palma aos outros. Menos preguiçoso, o Mushope; menos 
bêbedo, o Landim. 

Passando aos outros dois defeitos, direi que conheço immen- 
sos casos de ingratidão de indigenas para com europeus e nem 
ao menos um em contrario para apresentar como excepção. O 
Jau (se é que existiu) não deixou por aqui imitadores. Esta má 
qualidade nelles é tão característica que é frequente observal-a 
mesmo de indigena para indigena. O lílho muitas vezes aban- 
dona a mãe quando esta já não pode trabalhar. Um irmão aban- 
dona outro quando este enferma de doença incurável, e de 
casos similhantes muitos ha a citar. Mais frequentes no Mushope 
e menos no Landim. 

A mentira do indigena doeste districto é uma necessidade. 
Mente por habito e tão arreigado tem este vicio que, quando é 
apanhado em flagrante contradicção, fica na mesma e até conven- 
cido que era verdade. Quem é que tem viajado um pouco no in- 
terior que não observa, por exemplo, o encontro de dois indigenas 
mesmo desconhecidos um do outro? 

Um d^elles pede rapé ao outro, o que é do estylo. Resposta 
invariável do segundo: 

— Era exactamente o que eu te queria pedir. Vinha com im- 
menso desejo de cheirar e o meu rapé acabou-se. 

Seguem as outras perguntas, também do estylo : 

— Quem és? De onde vens? E o que vaes íazer? 

O outro responde a tudo e faz as mesmas perguntas. Findo 
este dialogo, o segundo tira a caixa ou canudo do rapé e offerece 
ao outro. Nenhum dá mostras de ter notado a mentira e cada um 
segue o seu caminho. 

Ouvi, varias vezes, a indigenas que me acompanhavam na 
caça, contar peripécias a outros que se tinham dado com elles, e 
com tal accento de verdade que, se eu não soubesse que eram 
refinadas patranhas, eu próprio acreditaria. Mentem em tudo, 
por tudo e a todos os momentos. Toda a gente tem observado, 
quando se pergunta a um indigena o seu nome, que elle dá um, 
ao acaso. Pergunta-se-lhe segunda vez e dá outro, porque, ás 
vezes, já se esqueceu do primeiro, e dá tantos quantas as vezes 
Ih^q perguntarem. Mentem mesmo com prejuizo d^elles. 

E raro que a familia de um indigena que morre no Transvaal 
receba o espolio, porque nunca se chega a saber quem é, por 
ter dado nome falso ou trocado. Na cobrança do imposto de pa- 
lhota succede a mesma coisa, apesar de saberem que podem, 
porisso, pagar duas vezes. Nem centenas de folhas chegariam 
para citar exemplos. Além de mentir, exaggeram e inventam 
coisas disparatadas. Para amostra, a celebre historia do naufrá- 
gio do Camarvon. Sobre este defeito não te em, os indigenas das 



126 



três raças differentes, que se julgarem inferiores uns aos outros: 
mentem todos por igual, e os Batongas e Balengues, como dignos 
descendentes d'ellas, lêem pela mesma cartilha. 

Anteriormente disse, e de novo repito, que não é fácil fazer 
um juizo seguro que nos permitta avaliar os defeitos e qualidades 
moraes dos indigenas d'esta região, tantos e tão diversos são os 
aspectos sob os quaes elles nos apparecem; e, por consequência, 
apenas de passagem, e ao de leve, mais algumas palavras direi 
sobre o que de momento me occorre. 

O indigena tem noções de pudor, ás vezes elevado até ao 
exaggero, e já mostrei o caso da queixa á sogra; mas ha mais. 
Um indigena desgosta-se sensivelmente quando se lhe dirige qual- 
quer gracejo um tanto livre estando alguma pessoa de familia 
presente, mesmo sendo muito afastada, o que não impede de que 
se lhe oiça cantar diante dos alhos ou dos pães as cantigas mais 
obscenas. 

Não se pode dizer, em absoluto, que o indigena considera a 
fêmea unicamente como animal de trabalho. E isto e, ás vezes, 
mais alguma coisa. Tenho visto, muitas vezes, os indigenas recu- 
sarem o dinheiro da compra cia mulher, em questões, e quererem, 
por força, esta. Não sei se a razão doesta preferencia será igual 
áquella que um branco pode ter, por exemplo, em face de duas 
charruas de igual valor. O que sei também é ter visto indigenas 
perfeitamente doidos atrás de mulheres, cujo único mister é pros- 
tituirem-se a quem mais paga, ou velhos atrás de raparigas novas. 
Conheço alguns casos de ciúmes em que a contenda se dege- 
nerou em tragedia. Um indigena, tendo encontrado a mulher com 
outro homem na palhota, fechou a porta, de maneira que não pu- 
dessem fugir, e largou-lhe fogo. Escusado será dizer que os dois 
amantes morreram queimados. Assassinatos por adultério, não 
são raros. Indigenas ha que, pelo contrario, até vivem da pros- 
tituição das mulheres. Muitos repudiam uma mulher pelo mais 
fútil pretexto. 

Umas vezes, são completamente dominados pela mulher, outras 
vezes, são sovas de deixarem aleijões. Os ciúmes, nas mulheres, 
são mais raros e só um caso conheço em que o marido, tendo 
sido apanhado em flagrante pela mulher, soffreu uma amputação 
que o impossibilitou para o futuro de pensar mais em mulheres. 

A mãe, em geral, é dedicada pelos filhos, o que não obsta a 
que tenha descuidos imperdoáveis. Tem acontecido a mãe deixar 
cair, de noite, a criança no lume que conserva na palhota, ou 
embebedar-se e ficar nos campos com o filho exposto á chuva, 
ao frio ou ao relento. Infanticidios, são rarissimos. Outra tanto 
não succede com os partos prematuros, ou com as drogas que 
usam para não emprenhar. 

Tenho notado casos de dor real, nas mães, por perda de um fi- 
lho, mas tenho também visto o seguinte: uma mulher, quando lhe 
deram a noticia de que os dois únicos filhos que tinha ambos haviam 



127 



morrido no Transvaal, exclamou: «Agora não tenho quem pague 
a palhota!» E por aqui se quedaram os seus queixumes. Outra 
mulher, leprosa, sem se poder mover, tendo-lhe morrido uma 
filha que tudo lhe fazia, nos seus lamentos só dizia: «Quem lhe 
havia de fazer comida!» A um pae, a quem tinha morrido um filho 
de vinte 6 tantos annos, ouvi, também, «que tinha outros em 
casa ! » 

Um indígena, homem ou mulher, que, pela sua avançada ida- 
de, já nada possa fazer, é considerado um fardo pesado e que já 
não merece cuidados, e levam a crueldade, algumas vezes, aponto 
de o deixar morrer á fome ou abandonai- o. 

O indigena recebe com relativa indifferença a noticia da morte 
do ente que lhe pertence, mesmo de um filho, o que é contra- 
dictorio com o seu desejo de ter muitos. A polygamia e certas 
praticas que usam, assim como a inclinação para o fatalismo, 
concorre para que certos sentimentos nobres, como o amor pa- 
terno, materno e fraternal, sejam nelles pouco desenvolvidos. 

A amisade é coisa quasi desconhecida entre elles. Julgo notar, 
no fundo de todos os indígenas, uma grande dose de egoismo, 
apesar de haver um facto, observado por toda a gente, que des- 
mente esta theoria até certo ponto: o indigena nunca deixou de 
repartir a comida ou bebida, por pouca que seja, com outro ou 
outros indígenas que no momento apparecem, embora desconhe- 
cidos. 

Um indigena doente receia pouco a morte. Mostra, em deter- 
minadas circumstancias, actos de coragem que estão pouco em 
harmonia com a sua habitual cobardia. 

Comparado com o indigena da costa occidental^ sendo verdade 
o que se diz, o indigena de Iiihambane nao é ladrão^ pelo menos 
com os brancos, salvo guardadas as devidas excepções e o caso 
das bebidas, e assim é que se lhe entregam quantias importan- 
tes e cargas para levarem a pontos distantes, e nunca faUa 
coisa alguma; outro tanto não succeds de indígenas para indí- 
genas, que, sempre que podem, a salvo, roubar alguma coisa, 
o fazem sem escrúpulos; mas nisto, como noutras coisas, as ano- 
malias existem. 

E raro o indígena que nao traz, regressado do Transvaal, di- 
nheiro de outros para as suas famílias. Os indígenas que regres- 
sam são por milhares e os casos de roubos por dezenas. 

Outro facto ainda. Em geral, os indígenas confessam as divi- 
das e, sempre que podem, pagam. Se perde, no chão, 10 ou 20 
réis, é capaz de procural-os um dia inteiro. Por uma insignificante 
quantia fará uma longa questão, mas gasta uma libra com a 
mesma facilidade com que daria um passeio. 

Em regra, o indigena doeste distrícto é dócil e submisso, 
com especialidade os Batongas. As poucas tentativas de rebellião 
ou desobediência ás autoridades, que conheço, partiram sempre 
das raças cruzadas; mas convém dizer, em abono da verdade, 



128 

que para isso concorreram algumas autoridades por desnecessa-^ 
rias violências ou por absoluta falta de energia. 

Duas lacunas importantes noto ainda no indigena : pouca me- 
moria e grande difBculdade de comprehensão. Tenho presenciado 
casos que se podem julgar exaggerados e, no entanto, são verda- 
deiros: perguntar-se, de repente, a um indigena que tem três oa 
quatro mulheres, quaes os nomes d^ellas e não se lembrar dos de 
todas ; esquecer pór momentos o nome da mãe ou de todos os 
filhos. 

Tão pouca confiança tem na sua memoria que costuma, quauda 
lhe nasce um filho ou se dá um outro facto importante na sua 
vida, marcar ou plantar uma arvore. Os resultados doestes cos- 
tumes são, todavia, negativos, pois, não tendo noção do tempo, 
também se esquece da época em que marcou ou plantou a ar- 
vore. 

Também é notável a sua falta de raciocinio e comprehensão, 
mesmo das coisas mais simples, e o desconhecimento, por parte 
úe alguns europeus, d'estas fraquezas dos indigenas dá logar a 
injustiças. 

Muitas vezes, se o indigena não obedeceu ou cumpriu mal 
uma ordem, foi devido aos motivos apontados e não á má von- 
tade ou propositado desejo de ser contrario á vontade do patrão 
ou autoridade a quem está sujeito. Para corroborar o que ex- 
ponho, basta lembrarmo-nos que, se muitos desastres se não dão, 
é devido aos brancos que com elles trabalham. Para estes males, 
só conheço um remédio : paciência e muita paciência. 



NOTA 



Kâo qniz terminar esta serie de apontamentos sem deixar 
indicadas quaes a>s medidas que ao Governo compete pôr em 
execução immediata, e que, a meu vêr, são de capital impor- 
tância. 

Sem umas, a administração sobre indígenas continuará, como 
tem sido até aqui, antiquada, defeituosa e injusta; sem outras, 
eomprometter-se-á gravemente o futuro da população indigena, 
que ao presente já mostra symptomas característicos de uma 
rápida degenerescência e, porventura, um dia, do seu aniquila- 
mento. 

Não vou apresentar novos alvitres, mas reforçar o que já por 
varias vezes se tem pedido e indicado como medidas de inadiá- 
vel urgência, e que representam problemas de fácil execução, de 
que sempre se tem descurado. 

O presente estado de coisas, que revela um atrazo de alguns 
séculos, dá logar á justa crítica da raça branca de fora e da 
raça negra de dentro. Ainda é tempo de não deixar morrer a 
gallinha dos ovos de ouro. 

Regulamento de justiça indígena. — O que se passa sobre este 
assumpto é um verdadeiro chãos. 

As questSes dos indígenas resolvem-se umas vezes á preto, 
outras á branco, umas pelos methodos antigos, outras pelos me- 
thodos modernos. As questões também são resolvidas umas 
Vezes por brancos, outras por pretos. Ora, não havendo re- 
gras estabelecidas e que pela sua simplicidade estivessem ao 
alcance de todos, e estando, pela falta de um regulamento ade- 
quado, as resoluçSes dos milandos dependentes do livre critério 
e arbitrio de varias autoridades, pode suppôr-se o que a admi- 
nistração de justiça não será: ama confusão onde ninguém se 
entende. 

As questSes resolvidas por brancos á preto — o que, diga- se en- 
tre parenthesis, ainda é a melhor forma de resolvel-as — podem, 



130 



todavia, dar logar a injustiças, desde que não existam princí- 
pios, dos quaes, sem grave responsabilidade para o julgador, 
este se nSo possa afastar. 

Um bom regulamento de justiça indígena deve cingir-se, tanto 
quanto possível, aos usos e costumes dos povos a quem elle deve 
ser applicado, tendo em vista modifical-os na parte em que elles 
se resentem ainda do barbarismo e estado selvajem de passados 
tempos em que viviam. 

Outro tanto não suecede com a forma pratica como são resol- 
vidas certas questSes pelos indígenas, em que a systema de in- 
demnizações é applicado em larga escala. E' principio para ser 
seguido e respeitado. 

As questSes resolvidas á branco degeneram em verdadeiros 
absurdos. 

Já tenho presenciado vários julgamentos de indígenas no tri- 
bunal judicial da comarca. Alguns são simplesmente irrisórios e 
ridículos. As anomalias apparecem a cada passo, collocando em 
embaraços os magistrados e dando ao indígena uma idéa com- 
pletamente errada do que seja a justiça. Réus e testemunhas 
entram e saem do tribunal sem a mais pequena noção do que alli 
foram fazer e do que alli se passou. 

Applicar a indígenas ainda não civilizados as complicadas leis 
do não menos complicado meio social em que o homem branco 
hoje vive, é de uma absoluta incoherencia. 

E' forçoso também destrinçar onde acaba a alçada das auto- 
ridades indígenas e onde começa a das autoridades brancas nos 
julgamentos dos milandos. 

Por ultimo, torna-se também necessário um Regulamento admi- 
nistrativo indígena, em que se regulem as attribuiç5es dos ré- 
gulos, cabos e chefes de povoações, constituição da família e outras 
obrigações. 

Pode parecer á primeira vista difficil confeccionar os dois re- 
gulamentos mencionados, mas não é, se se attender aos seguintes 
princípios: 

Conhecer bem os usos e costumes dos indígenas; 

Menos bacharéis e mais homens práticos do meio indígena; 

Não esquecer que os usos e costumes dos indígenas mudam de 
districto para distrícto; 

E, depois... bom senso. 

Regulamento de trabalho^. — Fazendo-se, diariamente, sentir 
a falta de um regulamento de trabalho, dando logar a continuas 
questões entre administradores, agricultores e indígenas, foi, 
pelo governador de Inhambane, nomeada uma commissão, com- 
posta de quatro administradores e quatro agricultores, encarre- 
gada de elaborar o regulamento que hoje vigora a contento de 



Esto regulamento começou a vigorar em abril de 1909. 



131 



todos, e, apesar de não ser a ultima palavra no género, veiu 
preencher uma lacuna importante. 

Abstenho-me de quaesquer commentarios, por ter feito parte 
da referida commissão. 

Colónia agrícola correccional. — A este respeito diz o ex."*^ sr. 
Augusto Cardoso, governador de Inhambane, no seu relatório 
de 1906-1907: cA necessidade da criação de tal estabelecimento 
não carece de grandes demonstraçSes. Da leitura do projecto de 
regulamento se vê qual o effeito salutar que tal estabelecimento 
produziria na raça indigena; e quanto ás vantagens de uma es- 
tação de estudos agrícolas, são tão manifestas que julgo ocioso 
mencional-as ; só lembrarei que todos os paizes dedicam sonmias 
mais ou menos importantes a taes estabelecimentos», etc. 

Duas escolas de artes e officios. — Uma ao norte e outra ao 
sul do districto. 

Os argumentos empregados para a criação de uma colónia 
agrícola são os mesmos a applicar ás duas escolas de artes e 
officios. 

Dois postos médicos. — Um ao norte e outro ao sul do districto, 
servindo de residência eíFectiva a dois médicos do quadro de 
saúde, dois enfermeiros e respectivas ambulâncias. 

Julgo desnecessário encarecer a utilidade de tal medida. 

A estes médicos cumpriria, além das visitas períodicas aos 
centros populosos e outros encargos da sua profissão, o estudo 
da flora dentro da área da sua jurísdição. 

Gafaria, — Tudo quanto se possa dizer é pouco, sobre a neces- 
sidade immediata da criação de um posto onde se possam isolar 
os leprosos. 

Algures, calculei em um por cento o numero de leprosos em 
todo o districto. 

Esta percentagem pode parecer exaggerada, mas, em dois cál- 
culos rigorosos que fiz, obtive o mesmo resultado. Quem per- 
correr, frequentes vezes, o interior, terá occasião de vêr, como 
eu, que é enorme o numero de leprosos de ambos os sexos, e, 
a não ser que desde já se providencie, dentro em pouco aquella 
percentagem ha de augmentar. 

Repressão do álcool. — No capitulo em que tratei do alcoolis- 
mo já largamente me referi a este assumpto. 

Sou de opinião que a repressão do álcool se deve fazer sem 
tergiversações, activa e energicamente. Não estou, porém, de 
accordo com o actual systema de multas pecuniarías, como cas- 
tigo aos delinquentes. 

Os alambiques apprehendidos e os seus possuidores castigados 
com trabalhos correccionaes, concordo; que os encarregados da 
fiscalização tenham uma percentagem — sem o que, seria de prever, 
pouco ou nada fariam — mas que ella saísse de uma verba especial 
destinada a esse fim, também é necessário. 

Emigração. — A emigração representa um mal, immoral mesmo, 



132 

de péssimas consequências económicas e sociaes para o futuro 
dos indígenas e da provincia de Moçambique, mas a doença é 
das que, por emquanto, não teem remédio ; o que se pode é atte- 
nuar de alguma forma os seus perigosos resultados. 

Antes do tratado, muitos inaigenas deixavam iá a vida, mas 
os que voltavam traziam dinheiro. Agora, continuam lá ficando 
e o dinheiro também. 

Calculei em oito por cento o numero de indígenas que mor- 
riam no Transvaal. Antecipadamente sei que este numero vae 
levantar reparos, que julgam, e facilmente me provam, por meip 
de estatísticas, que errei e exaggerei extraordinariamente. Se 
este livro fosse de critica ou de combate, simplesmente lhes di- 
ria: 

Que a verdade, a tal respeito, sempre se tem occultado, cá e 
láj por motivos que é obvio expor; 

Que as estatísticas se manipulam tem absoluta concordância 
com o que acima deixei dito ; 

Que ainda, por outros motivos que uma parte das autoridades 
desconhecem, também as estatísticas nslo merecem confiança; 

Que este calculo de oito por cento não foi feito ao de leve e 
sem conhecimento de causa, e que estou prompto a provar o que 
digo. 

Para este mal, ainda conheço dois remédios: 

O primeiro, compete ao Groverno. A lição recebida, e dez annos 
para decorar, dâo-Ihe tempo sufficiente para collocar a provincia 
de Moçambique em condições de independência, que agora não 
tem, e a emigração deixará de ser uma obrigação e uma neces- 
sidade. 

O segundo, depende do indígena. Quando este se convencer 
de que no Transvaal já não existe o incentivo que antes o levava 
a emigrar, e que regressa tão pobre como tinha ido, o seu desejo 
de se expatriar será cada vez mais limitado. 

O calculo, que antes fizera, de uma média de dez libras por 
indígena regressado das minas, era antes do tratado. Agora, a 
média, será, quando muito, de cinco libras, com accrescimo de 
bagagem. 

Admittíndo-se que o indígena nunca chegue a attingir o limite 
dos 60 kilos de bagagem, os eíFeítos deploráveis doesta clausula 
não deixam de existir, e é assim que elle pode trazer todo o seu 
dinheiro empregado em objectos de bastante valor e pouco peso. 

Transcrevo do relatório do ex.™® governador de Inhambane, 
de 1907-1908, a parte onde se indicam os meios para combater 
a importação de bagagens do Transvaal: 

1.* Instituição de uma agencia official que, gratuitamente, guarde os sa- 
lários e os transfira, do Transvaal, para as famílias dos indígenas que lá 
trabalham, realizando-se estas transferencias, sobre quaesquer quantias, a 
partir de dez shillings. 

2.* Abaixamento dos direitos aduaneiros sobre todos os artigos consu- 



133 

mldos pelos indígenas, de fonna que estes os possam adquirir mais barato 
aqui do que no Transvaal. 

3.* Nomear bons agentes de propaganda no Transvaal, encarregados de 
mostrar as vantagens dos serviços da agencia e da compra de fazendas 
aqui. 

Âs medidas apontadas não são de largos dispêndios nem de 
diiScil execução e tão somente representam uma justa compen- 
sação áquelles que muito teem dado e nada teem recebido. Não 
se colhe sem se semear. 



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VOCABULÁRIO 



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VOCABULÁRIO 



Preliminares 

A despeito de todos os esforços que empreguei, devido ao 
atrazadissimo estado intellectual do indigena doeste districto, im* 
possível me foi apresentar mesmo um ligeiro esboço de gram» 
matix^a ou construcçâo grammatical dos dialectos falados neste 
districto. 

Não é, porém, caso para desanimar e, se algum curioso se quizer 
dar ao trabalho doeste estudo, encontrará na Grammaire Ronga, 
do padre Junod, 1896, e nos preliminares do Diccionario Shironga- 
Portuguez e PoHuguez-Shironga, do sr. E. Torre do*Valle, 1906, 
todos os elementos necessários, visto a construcçâo grammatical 
ser similhante á de todos os outros dialectos falados ao sul d'este 
districto, até aos Libombos. Na confecção do presente vocabu- 
lário puz de parte todo e qualquer systema scientifico. O dilemma 
era este: ou tinha que ser scientifico ou pratico, e digo pratico 
tanto quanto se pode ser neste género de trabalhos em que ainda 
está por se descobrir um systema que satisfaça por completo, 
por não haver letras ou signaes que possam reproduzir todos os 
sons emittidos pelos indígenas africanos quando pronunciam cer- 
tas palavras. Adoptei no vocabulário os princípios em que assenta 
a linguagem sónica. Pretendo que se leia como está escripto, e 
se assim alguém se não fizer comprehender dos indígenas, du- 
vido que o possa conseguir adoptando qualquer outro methodo. 

Não darei, pois, novidade alguma quando disser que muitas 
palavras serão difficílmente comprehendidas, ou não o serão de 
todo, attendendo á impossibilidade incompleta de as reproduzir. 
A pratica se encarregará de demonstrar se não foi de todo per- 
dido este meu insignificante trabalho. 

Outra lacuna existe ainda: a omissão de muitos vocábulos. 
Devo, todavia, dizer em minha defesa que não tive a pretensão 
de fazer um diccionario e sim um pequeno vocabulário, onde se 
encontrassem um certo numero de palavras de maior necessi- 
dade, na linguagem corrente, e, por assim dizer, de uso diário. 



138 



Por ultimo, e como desculpa, permitta-se-me que declare que 
apenas procurei neste pequeno livro fornecer algum auxilio a 
quem, além da devoção (como eu), tenha também a obrigação de 
produzir obra de maior fôlego, para o qual não me julguei ha- 
bilitado. No appenso ao vocabulário vão indicadas algumas pala- 
vras que correm como pertencendo aos dialectos falados neste 
districto, quando são por completo estranhas a elles, e outras para 
as quaes não temos verdadeiros significados. 

Por meio de chamadas apresento vários exemplos da affinidade 
e similhança dos três dialectos de Inhambane e o Macua ', e se- 
gundo o que me dizem, este caso dá-se com outros dialectos fa- 
lados ao norte da Provincia, o que parece confirmar a theoria 
que a invasão doestas raças deu-se do norte para o sul e tiveram 
a mesma origem, que causas diversas separam do tronco com- 
mum. 

Neste districto o dialecto Landim ou Shitsua tende a avas- 
sallar os outros dois e é, além de possivel, provável que, num fu- 
turo mais ou menos próximo, o Shishope e o Gruitonga venham a 
desapparecer. Para isto também concorrem os europeus, que mais 
facilmente aprendem o Landim que qualquer outro dialecto. 

Seguindo o mesmo systema adoptado para a pronuncia, dou 
também algumas amostras da literatura indigena, a que elles 
chamam Karringudla ou Karringane (hiâtorias ou contos). 

São sempre passados entre animaes, sem terem o fim morai 
das fabulas, 'e que revelam muita pobreza de imaginação. 

Algumas d^essas historias são intermináveis e na maioria d'ella$ 
é o coelho que desempenha o papel mais importante. 

As traducç5es são livres, pelos motivos já expostos quando tra- 
tei das canções. 

Resta-me explicar alguns termos empregados no vocabulário : 
ku é sempre a forma do infinito do verbo. 

Algumas vezes os Batongas e Bashopes pronunciam o ku como 
gu, mas a verdadeira forma é ku. O singular e o plural dos 
substantivos forma-se com mu e ia, quando se referem a pessoas. 
Mu e mi, para coisas e seres inanimados. 

7, Zí, shi e ji no singular e ti, si e ji (Landim e Shishope) ma 
e bu (raramente) para o plural, para todas as outras palavras,, 
havendo comtudo algumas excepções. 

O ji é um prefixo para o plural em Shitsua e Guitonga e tam- 
bém prefixo para o singular neste ultimo. Di como prefixo para 
o plural só é empregado no dialecto Shishope. 

Os Bashopes pronunciam o si plural nalgumas palavras como 
zi; ex. : Zinhana^ (pássaros), mas a verdadeira forma é si. 



* Estes exemplos foram estrahidos do vocabulário Portugiiez-Macua è 
Mactuz-Portuguezj do sr. António Camisão, publicado nA revista Portugal em 
Africa, 



139 






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Historia landina 

Mun-é infutzo mun-e injofo Um kagado apostou com um 

vanga péguezaae á quêne infutzo elephante que ingeria toda a be- 

ái kône ku núa aguala. Áiéne a bida que este tivesse, apesar da 

kuí nago á rumbo ku núa agua- sua barriga ser muito pequena. 

la. Injofo á bika aguála ku bu- O elephante trouxe a bebida. O 

fila aguála ku teka mafutzo ku kagado, depois de ter bebido, 

ramba maxáka iáqúé ku beka foi chamar todos os outros ka- 

me kuatine. Ku tamun-é kama gados seus parentes e cada um 

injofo ta umessa aguala unila veiu por sua vez também beber, 

xurra á uma iena ata mun-é illudindo assim o elephante, que 

ane. Ânua á xurra á fambakua- julgava ser sempre o mesmo e, 

tine u-ata mun-é ane. Aguala doesta forma, acabaram com a 

etile. Injofo teka uássate hu nika bebida, pelo que o elephante, 

ká infutzo. julgando ter perdido, foi buscar 

uma mulher, que representava 
o valor da aposta, e deu-a ao 
kagado. 

Historia guitonga 

Nhafakande moio, issía moio Um camaleão apostou com 

upegajane tutuma kába aé-bôa uma gazela, qual d'elles, corren- 

Tamba. Elo xigo gu gupela gu do, chegava mais depressa á 

ája tutuma vago kála danga Mutamba. Quando a gazela co- 

moio ája tutuma gu jega nhafa- meçou a correr, o camaleão 

kande guilo-ai á gumola bangui agarrou-se-lhe ao rabo. Quando 



latuno inha issia á gu tutuma á 
guia boa Tamba. Issia kui-é gu 
gukála jikálo nhafakande gu 
rendi veja gunhe bona gane ? 



chegaram á Mutamba, o cama- 
leão subiu para cima de uma 
cadeira. A gazela ia sentar-se 
também, mas o camaleão em- 



Gu bonile line? Gunhe bona purrou-a dizendo: Não me vês? 
gane. Nha ine gatanga bele nhi- — Vieste quando? — Não me 
ta kála jikalo issia ine mu ninga viste adiante de ti? — A gazela, 
mangaje. julgando ter perdido, deu uma 

mulher, valor da aposta, ao ca- 
maleão. 

Historia Shope 



Karringane ó karringane: Te- 
ka mavunja á xidima lipango á 
xienga ussuxé á xidana majofo, 
a xidana mavú-ú, á xidana ma- 
nhóqúé, á xidana mabálále, á xi- 
dana mamuti, á xidana mainhar- 
re, á xidana mafutzo á xigula us- 



coelho abriu um caminho, 
mandou preparar pombe (bebi- 
da) e depois chamou o elephante, 
o hippopotamo, a cobra, a ga- 
zela, o cabrito, o búfalo e o ka- 
gado. O coelho apostou com este 
ultimo que elle não era capaz 



190 



suxé ba xisséla ba xikássa ó xibuá 
mafutzo bá ximutéla ussuxé bá 
ximuninga ku tizive ku tutsuma 
ái tutumene ba ku tatuma ni 
mavunja ene átxi ku tutuma 
guxi tingane mavunja á tutuma 
gu lipango xiquene unzi xulile 
mafutzo ái tutume majofo ba 
tutuma ni mafutzo á siúa kambe 
ene majofo ba buia teka uá xi- 
peni á ku ene majofo ku titive 
tutsuma ane na ene ba tutsuma 
ane na ene ba tutsuma á mu- 
xula mu á xipeni ba buia teka 
mamuti á ku ta tutsuma na ane 
ba tutsuma ba xuluá mamuti ba 
buia á uma manhóqué ba tutsu- 
ma á xuiua manhóqué ba buia. 



de beber muitos copos. Pediu o 
kagado para ir ao mato satis- 
fazer uma necessidade e, cha- 
mando outros kagados, combi- 
nou com elles que fossem a um 
e um beber, fingindo que era 
um só kagado, e assim fizeram, 
tendo o coelho ficado vencido. 
Querendo este vingar-se fez com 
o kagado nova aposta, de quem 
chegaria primeiro numa corrida. 
O kagado acceitou, tendo com- 
binado com os outros kagados 
que se coilocassem ao longo do 
caminho, mas occultos na erva, 
e cada vez que o coelho cha- 
masse por elle responderia o ka- 
gado que estivesse mais próximo 
d'elle. Começou o coelho a cor- 
rer e perguntando pelo kagado, 
respondiam-lhe sempre, da erva 
e á frente: Estou aqui. 

Foi-se o coelho, desalentado, 
contar aos outros animaes que 
não conseguia vencer o kagado 
na corrida, saindo então o ele- 
phante; mas teve o mesmo in- 
successo do coelho, e da mesma 
forma o hippopotamo, a cobra, a 
gazela, o cabrito, e o búfalo, que, 
não tendo descoberto o estrata- 
gema do kagado, foi este pro- 
clamado vencedor. 



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Teem ainda os indígenas uma espécie de adivinhas a que cha- 
mam: Teka-tekane. (Toma, responde!). Do verbo Ku teka (to- 
mar). 



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Encerrando esta serie de apontamentos, cumpre-me agra- 
decer a s. ex.* o governador geral, major Freire de Andrade, 
pela benevolência com que se dignou acolher este insignifi- 
cante trabcdho e a todas as pessoas que de alguma forma 
me auxiliaram. 



Inhambane, 6 de julho de 1 9 1 o. 



Augusto Cabral. 



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