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PURCHASED FOR-THE 



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FOR THE SUPPORT OF 



Brazilian Studics 



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REVISTA 



DO 



Archivo Publico Mineiro 



DIRECÇÃO F, REDACÇÃO 

DE 

J. P. XAVIER DA VEIGA 

Director do mesmo Archivo 

Anno I - Fascículo l.*^ — Janeiro a Março de 1896 




OURO PRETO 

IMPRENSA OFFICIAL DE MlxNAS GERAES 
1S96 



SUMMARIO DESTE FASCÍCULO 



1 — Palavras preliminares Pag. — 1 

II — Governo de Minas Geraes » — 3 

III — Representantes de Minas Geraes .... » — 23 

IV — Primeiras administrações electivas em 

Minas Geraes » — 97 

V — Autos da creação da villa de Barbacena, 

na comarca do Rio das Mortes .... » — 119 

VI - Chorographia Mineira » — 129 

VII — Bibliographia Mineira >» — 155 

VÍII — «O Aleijadinho» (esboço biographico) . » — 161 

IX — Archivo Publico Mineiro (Lei e Regula- 
mento da Repartição) » — 175 



COLLABORAÇÂO 



Acceitam-se para serem insertos nesta Revista os artigos 
que nos forem offerecidos, uma vez que sejam elles escriptos em 
termos convenientes e tenha sua matéria interesse real para os 
fins do — Archivo Publico Mineiro. 



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REVISTA 



DO 



Archivo Publico Mineiro 



Direcção e Redacção de 



J P. XAVIER DA VEIGA 



Director do mesmo Archivo 



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Anno I - 1S96 



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Ouro Preto 

Imprensa Official de Minas-Geraes 
1896 



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REflSTA DO ÂRCHIYO PUBLICO MINEIRO 



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PALAVRAS PRELIMINARES 



Notável escriptor contemporâneo, referindo-se a um incêndio que 
ameaçou recentemente destruir a Torre do Tombo, conta-nos a apprehen. 
Sí\o esmagadora que por alguns minutos dominou-o, persuadido, como 
estava, que «extincto esse riquíssimo e incomparável Archivo, Portugal 
perdia os documentos de sua autonomia moral, e ficava reduzido a um 
simples território que mais facilmente se tornaria um annexo da Hes- 
panha». 

Esta plirase de Theophilo Braga, applicavel em substancia aos gran- 
des Archivos de todos os povos, condensa em singeleza eloquente o 
pensamento civilisador que desde remotos séculos tem ditado a funda- 
ção e a manutenção de taes instituições em todas as nacionalidades adi- 
antadas das quaes são ellas, com a tradição e o lustre do passado, en, 
sinamento, luz e estimulo fecundo para as novas gerações. 

Nessa phrase como que resume-se o luminoso phenomeno histórico 
que entre os povos cultos repete-se, a partir de remotíssima antiguidade 
até os ncssos dias, mostrando-nos : — que, nos seus tempos primitivos, 
já o velho Egypto possuía e zelava Archivos, confiados á vigilância dos 
seus sacerdotes; — que os antigos reis persas solícitos accommodavam 
nos próprios palácios os Archivos nacionaes; - que o Archivo politico e 
religioso dos Hebreus tinha a sua installação venerável a princípio na 
Arca da Alliança, depois no Templo de Jerusalém; — que, outr'ora, pos' 



II 

siiia cada ciiliidc da Cirocia o seu deposito sagrado de papeis itublicos. 
e em Roma era no templo de Saturní) (pie os edis conservítvam, catalo- 
gados, esses documentos, objecto de cuidados e vigilância particulares;— 
que. na idade média, os monumentos graphicos da intelligencia huma- 
na, escapos das convulsões sociaes pela solicitude corajosa e illuminada 
de monges beneméritos, acharam Arcas salvadoras nos Archivos dos con- 
ventos e abbadias, esses asylos da pa« onde, no dizer de Lamenais, quan- 
do a espada dos bárbaros desmembrava pedaço a pedaço o império ro- 
mano, se abrigaram, como o alcyão debaixo da flor marinha, a sciencia, 
o amor, a íò, quanto consola, quanto encanta e regenera a humanidade; 
— e. finalmente, que nos tempos modernos, sobretudo na época presen- 
te em a qual cuhnina a sua civilisaçâo, os governos dos paizes mais adi' 
antados rivalisam em esforços para desenvolverem e aperfeiçoarem a or- 
ganisaçíio já sumptuosa e scientifiramente admirável de seus Archivos, 
que elles consideram entre os primeiros dos institutos nacionaes. 

No Brasil escasseiam, infelizmente, estabelecimentos deste género e 
os que existem ainda carecem de amplitude, não só nos edifícios re- 
spectivos como na organisaçâo efficaz dos múltiplos e importantes servi- 
ços que Ihessao peculiares, nomeadamente o da publicidade— que alarga 
e vivifica o effeito benéfico da instituição á medida por que ella se dila- 
ta por todos os circulos sociaes. Nem escapam a essa deficiência, que 
urge remediar-se, vários Archivos da Capital Federal, aliás institutos im- 
portantissimos, que guardam innumeras preciosidades insubstituíveis, e 
que, sob a direcção zelosa e proficiente de Brasileiros distinctos, teeni 
recebido nos últimos tempos notáveis melhoramentos e são de utilidade 
crescente para a publica administração e para quantos se dedicam ao es- 
tudo da sciencia e das cousas pátrias. 



Estabelecido com a Republica o regimen federativo, isto é, descen- 
tralisada a vida nacional e desjjertos os Estados da velha apathia lethar- 
gica. já começam elles a prover sobre a necessidade, essencial á própria 
autonomia, de organisarem séria e systematicamente os seus Archivos, 
que ao tempo das antigas províncias eram. por via de regra, parcellados 
por diversas repartições, e parcellados a esmo, desdenhosa e desordena- 
mente. sem nenhuma methodisaçâo ou nexo. Acervos de documentos, 
muitos destes de valor subido e quasi todos de considerável utilidade 
administrativa, histórica e politica, eram atirados e esquecidos em recan- 
tos sombrios, amalgamados num verdadeiro labyrintho sem fio conductor, 
ás vezes pasto de traças e expostos á humidade que os delia, quando 
outras e criminosas espécies de devastação não inutilisavam porção delles 
para sempre. . . 



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o Estado dp Minas Geraes, por seus poderes Legislativo e Executi- 
vo, acaba de prover acerca deste assuinjjto, de magnitude e alcance in- 
tuitivos, com a clarividência e zelo patriótico consoantes ás normas que 
observadores competentes e insuspeitos reconhecem e applaudem na Or- 
ganisaçao Mineira, elaboraA com a reflexão e a calma imprescindíveis 
no estudo das necessidades publicas e na decretação das medidas por 
«HIas reclamadas. 

A's suggestões imperiosas da nova forma politica federativa e de 
uma adminisfra(;ão esclarecida, accresce que em todo o Brasil é o Estado 
Mineiro aquelle onde mais radicadas se acham as tradições, veneradas e 
amadas na vida retrospectiva do passado. Para o temperamento do bom 
Mineiro não vem dahi a debilitante melancolia que emerge das cousas 
inanimadas, mas o conforto ajjrazivel ao espirito meditativo e piedoso 
evocando nomes e feitos memoráveis de antepassados beneméritos. 

Por tudo isso, o Archivo Publico Mineiro, agora fundado, é institui- 
ção que consagra sentimento e idéa popular. Modesto nas suas propor- 
ções apparentes, modesto pelo local e meios de installaçio, nem assim 
deixa de ser importante e precioso sob vários aspectos. Bastara dizer-se 
que no acervo, ainda não ordenado, dos documentos que contêm, estão 
não só, em original ou impressos, actos constitucionaes, legislativos e 
governativos concernentes ao Estado e ás antigas Província e Capitania 
mas também outros títulos históricos de nossa existência já duas vezes 
secular, honrosissimos padrões que, si recordam gemidos de oppressos e 
soluços de niartyres, relembram também, e em maior copia, acções he- 
róicas, commetimentos de patriotismo intemerato, sublimes voos do pen- 
samento illuminado e inolvidáveis revoltas da dignidade humana. 

Esses documentos, explicando os successos a que se filiam, esclare- 
cendo acontecimentos por vezes apparentemente confusos ou contradi- 
ctorios— são, por certo, elos de im|)ortancia capital para a nossa vida col- 
lectiva, elos que cumpre examinar e estudar attentamente para, bem co- 
nhecendo-os, bem presal-os. 

Sem eiles,— obscurecida ou deturpada a verdade dos factos á feição 
dos interesses e das paixões, eliminadas as fontes de que emanâo para 
a Historia a própria origem e a austeridade fecunda de seus conceitos— 
não raro careceria o investigador sincero ser illuminado, o que só aloan- 
ção génios privilegiados, dessa c intuição quasi prophetica do passado 
intuição ás vezes mais difficultosa que a do futuro», na phrase profunda 
do illustre Alexandre Herculano. 

Sem elles, pois,— quantos enygmas e mysterios impenetráveis nas 
paginas do passado ! quantos ensinamentos perdidos ! e quantos sacrifí- 
cios desaproveitados, feitos por homens de tempera rija, de intelligencia 
rutila e de coração alentsdo, em lutas a prol da Liberdade, da Justiça, do 
Progresso e da Pátria, lutas repetidas e frequentemente dolorosas nas 
quais não poucos se glorificarão como heróes ! 



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Nao exageramos por suggestão de nativismo. Sobejâo depoimentos 
insuspeitos na apreciação honrosissima do caracter mineiro, franco, leal- 
indómito no amor da Liberdade. 

Revelou-se assim desde os primeiros tempos do periodc colonial, que 
loi o du formnçílo na escola rude do soffrimeBto e da luta, sombra e san- 
gue dessa lungu |)hase crepuscular da vida mineira. Já em 1720 o capi- 
tào-general Assumar, tenente do despotismo reinante e elle mesmo dés- 
pota por conta própria, pintava horrorisado a D. João V «o inveterado e 
sempre abominável costume de Minas Geraes, onde se entende que ser 
traidor aos disparates de um povo é muito maior crime que ser traidor 
contra as leis e resoluções de vossa magestade...» De feito, em quanto 
vigorou a tyrannia metropolitana a attitude do povo mineiro foi uma «In. 
confidencia» permanente, protestante e conspiradora, que teve em 1789 
o lampejo é|)ico de sua mais alta indignação. Por tudo isso, pôde com razão 
um egrégio Fluminense, F. Octaviano, em artigo que vale uma ode, 
evocar em 1860 as tradições da «formosa Terra Mineira, estrella brilhan- 
te do Sul, cujos filhos, gigantes de talento e de animo, escalarão o Olym' 
po da monarchia absoluta...» 

Nâo ha negar, e explicitamente confessou eminente escriptor portu- 
guez, que os actos de nossa historia colonial constituirão sempre o sys- 
tema de uma e.xploração egoista, por vezes depredadora; e não raro, 
accrescentaremos, revoltantemente cruel. Não obstante, como observa 
ainda Oliveira Martins, si podemos e devemos criticar e lamentar que a 
administração portugueza fosse má, em caso idêntico, estão os Portugue- 
zes, pois não foi melhor a administração metropolitana. O mal era da 
essência do próprio regimen dominante. Não iremos por isso renegar a 
nossa historia e a nossa ascendência, nem decretar o cdio aos nossos 
maiores, erigindo-o em base de patriotismo. 



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Urge, no entanto, proceder-se á selecção criteriosa, discriminando por 
ella as consequências inherentes e fataes do systema governativo op- 
pressor, e os actos condemnaveis de natureza e responsabilidade pessoal. 
Para isso é indispensável accumular, ordenar e methodizar os elementos 
do processo histórico, fundamento e luz para sentenças justas de que 
emanem para os beneméritos o galardão; o indulto para os que errarão 
bem intencionados, e a execração para os perversos. 

Esse nobilíssimo desideratum, as múltiplas conveniências quotidianas 
da administração estadual e os altos interesses que se prendem a ina- 
lienáveis e sacratíssimos direitos de nossa integridade territorial, forão 
por certo outros tantos ineluctaveis incitamentos para a creação do Ar- 






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chivo Publico Mineiro, como repositório systematisado de documentos va- 
liosos para aqiielles e outros úteis destinos. A lei respectiva contém cla- 
ramente os seus delineamentos básicos, e o regulamento que seguio-se- 
Ihe traçou com minúcia as normas organisadoras. Ambos estes actos of- 
ficiaes v^o no fim do presente fascículo, para elucidação plena dos fins 
do instituto e dos meios eflicazes para a sua almejada consecução. 



Como desenvolvimento natural da lei orgânica do Archivo, determi- 
nou o decreto que a regulamentou a creação de uma Bibliotheca Mineira 
— comprchendendo livros, opúsculos, mappas, periódicos e mais impres- 
sos concernentes á historia, homens e cousas de Minas Geraes, em to' 
dos os tempos, e quaesquer publicações de auctores mineiros. Empre- 
henflimento semelhante acabamos de ver decretado pelo governo da Suis- 
sa. Reconhecemos assaz a difficuldade de attrahir para um repositório 
único exemplares de innumeras publicações feitas no longo período de 
quasi dois séculos, muitas delias de pequeno tomo esparsas por toda par- 
te em mãos de grande numero de possuidores e que, na sua maioria, 
não se encontrão á venda nas livrarias do paiz e do estrangeiro. Nem 
por isso, comtudo, deve-se renunciar ao pensamento e ao esforço no em- 
penho de — quanto possivel— realisar-se o fim almejado, de alcance má- 
ximo para o estudo de nossa terra sob os variadíssimos aspectos que 
elle offerece e para o necessário preparo da Hibliographia Mineira, lau- 
rea devida áquelles que já derão provas de merecimento intellectual e 
incitamento para novas e idênticas locubrações. 

A formação, pois, da BibUotlieca Mineira, já iniciada, no Archivo Pu- 
blico do Estado, depende do franco e generoso concurso dos escriptores 
nossos conterrâneos e de todas as pessoas que possuão publicações de 
qualquer género de auctor mineiro, especialmente com relação a livroS' 
opúsculos, mappas, collecções de periódicos, etc, que não podem ser ad- 
quiridos por compra, pelo esgotamento das respectivas edições ou por 
outras causas. Agradeceremos, portanto, como valioso serviço ao Estado, 
a remessa de qualquer exemplar que obsequiosamente nos facão de taes 
publicações, destinadas ao fim já indicado, de utilidade e importância 
manifestas Exaramos aqui o instante pedido, que renovaremos por ou- 
tros meios. 



O empenho de facilitar, pelos meios que ficão já expostos, o escla- 
recimento de pontos controvertidos ou obscuros de nossa historia, um 
dos objectivos que visou a instituição do Archivo Publico Mineiro, é táo 
amplo nos benéficos effeitos colimados que pode revestir o caracter de 
interesse nacional. Tem-n'o sempre a cultura intellectual pela investiga- 
ção conscienciosa dos fastos da Pátria. D'ahi a ideia de vulgarisarem-se 
as noticias e documentos conducentes áquelle fim cujo alcance não es- 
capa a nenhum espirito esclarecido; e para a realisação dessa ideia 
providenciou expressa e effica/mente a lei. 

R. A. 1 



VI 

Em verdade, sem o recurso de larga publicidade a todos accessivel, 
ficaria restricta a utilidade da instituic^rio a limitadissimo circulo de pes- 
quisadores pacientes, e ainda assim exigindo tempo e labores conside- 
ráveis. Tal o motivo determinante da creação desta Revista, que é de 
algum modo o complemento imi)rescindivel do próprio Archivo e que— 
pelas lacunas e senões do seu preparo inicial— espera do publico illus- 
trado a precisa indulgência. 

Que torne-se extensiva essa indulgência ao director deste nascente 
instituto : elle confessa a própria fraqueza para o posto honroso mas de- 
licado e de grande responsabilidade em que collocou-o a confiança ge- 
nerosa do patriótico governo do Estado. Afiirma, porém, a sua inteira e 
sincera boa vontade para o cumprimento do dever. 

Seja essa boa vontade amparada pela benevolência publica ! Vivifi - 
que-a e illumine-a o conselho dos competentes! 

Eis os nossos votos e a esperança que nos anima. 

Ouro Preto, 28 de março de 1896. 



Governo de Minas Geraes 



período colonial 



1-CAPlTANIA DO RIO DE JANEIRO, S. PAULO E MINAS GERAES 



GOVERNADORES 



1 — António Paes de Sande 

—Governo interino de André Cura- 
co, de 7 de outubro de 1694 a 
18 de abril de 1695. 



DATA DA. POSSE 

23 de março de 1693 (1) 



(11— Anteriormente a 1693 já as minas haviam sido visitadas por ser- 
tanistas ousados, buscando aprisionar e captivar os bugres, ou á cata do 
ouro. Mas só do fim do governo de António Paes de Sande data a ex- 
ploraçAo regularisada e em continuo incremento do território mineiro. 
«Pouco antes de sua morte, observa um chronista (Revista do Instituto 
Histórico e Geographico Brazileiro, tomo 11—1840), teve António Paes de 
Sande a satisfação de ver as amostras do primeiro ouro que appareceu 
nas Minas Geraes, apresentado pelos Paulistas Carlos Pedroso da Silveira 
e Bartholomeu Boeno de Cerqueira em principies de 1695; as suas mo- 
léstias e a sua morte lhe privaram o gosto de o remetter á sua magesta- 
de» . Foi feita ao rei de Portugal d. Pedro II essa remessa do supposto 
primeiro ouro de Minas Geraes pelo governador Sebastião de Castro Cal- 
das, a 16 de junho do mesmo anno de 1695. 

— E dizemos— supposto— porque dois annos antes (1693) já António 
Rodrigues Arzão, que com uma comitiva de cincoenta homens recolhia-se 
de Minas para S. Paulo passando pela Victoria (Espirito Santo), apresen- 
tara ao capitáo-mór regente dessa, então, villa, três oitavas de ouro extra- 
hido do sitio Casa da Casca, donde vinha. Desse ouro, considerado por 
alguns escriptores o primeiro tirado em Minas, foram feitas duas memo- 
rias, ficando uma com Arzão e outra com o capitão-mór. E' provável, 
no entanto, que o facto não fosse communicado ao governador António 
Paes de Sande, e d'ahi a prioridade de descoberta erroneamente attrihui- 
da a Carlos Pedroso da Silveira e Bartholomeu Boeno; sendo também 
provável que essa prioridade não caiba nem mesmo a A. R. Arzão, mas 
ao tenente-general Borba Gato e aos do seu séquito ([ue. cerca de vinte 
annos antes, perlustrarani as margens do Rio das Velhas e consta, com ap- 
parencias de verdade, que ali colheram muitas amostras do precioso metal 



tlRVlSTA DO 



2 — Sebastião de Castro Caldas 
3 — Arthur de Sá e Menezes. . 
— Governos interinos de Martim 
Correia Vasques e Francis- 
co de Castro Moraes: o 1.° 
de 15 de outubro de 1697 a 
16 de julho de 1699, em 
quanto o governador effe- 
ctivo se achava em S. 
Paulo; — o 2." de 15 de 
março de 1700, até 8 de 
julho de 1702, durante a 
ausência de Arthur de Me 
nezes, em excursões por 
Minas Geraes . 
4— D. Álvaro da Silveira Albuquerque 
5— D. Fernando Martins Mascare- 
nhas de Lencastro (3) 
— Na ausência deste 

dor— que veio a Minas 
Geraes — ficou governando 
no Rio de Janeiro um trium 
virato, composto do bispo 
da diocese, d. Francisco de 
S. Jeronymo, do mestre de 
campo Martim Corrêa Vas 
quês e do mestre de campo 
Gregório de Castro Moraes 
6— António de Albuquerque Coelho 
de Carvalho . . 



governa- 



19 de abril de 1695 (1) 
2 de abril de 1697 (2) 



15 de julho de 1702 



1.° de agosto de 1705 



11 de junho de 1709 



{l)-0 Visconde de Porto Seguro, na sua Historia Geral do Brazil diz 
— 17 de abril. A data que indicamos acima encontramol-a em «memorias» 
e catálogos de governadores do Rio de Janeiro, na Reuista do Instituto 
Histórico, tomos II e XXI (1840 e 1858). 

(2)— Diversos escriptores têm mencionado para a posse de Arthur de 
Sá e Menezes o dia 16 de outubro de 1695. Ha nisso equivoco manifesto. 

A patente do governador Arthur de Menezes, registrada no Liv. 10 do 
Reg. de Ordens Reaes, da Camará do Rio de Janeiro, tem a data de 12 
de janeiro de 1697. Isto diz tudo. 

Foi este o primeiro governador que, por ordem regia, veio a Minas (no 
anno de 1700), «examinar os riquíssimos thesouros que proximamente se 
tinham descoberto em diversos logares daquella vasta região», diz um ve- 
lho chronista. 

(3) — Nos últimos tempos deste gcvernador, a começar em 1707, exer- 
ceu çfoverno de facto em Minas Geraes o celebre Manoel Nunes Vianna, 
apoiado por grande numero de homens, reinos como elle, de quem an- 
teriormente já se constituirá protector, conselheiro e chefe, na guerra en- 
tre Portuguezes e Paulistas. Seus sequazes, formando um verdadeiro exer- 
cito, expelliram em 1707 a d Fernando Mascarenhas, das Minas, achan- 



\R(.!!:^f) i r::i,ico mineiro 



II-CAPITANIA DE S PAULO E MINAS GERAES 
(Cre ida pela carta regia de 9 de novembro de 1709) (/) 



GOVERNADORES 

1 — António de Albuquerque Coe- 

lho de Carvalho 

2 — D Braz Balthazar da Silveira 

3 — D. Pedro de Almeida, Conde 

de Assumar 



DATA DA í'OSSE 



18 de junho de 1710 
31 de ciííosto de 1713 



4 de setembro de 1717 
III- CAPITANIA INDEPENDENTE DE MINAS-GERAES 
(Creada por alnará de D. João V, de 2 de dezembro de 1720 (2) 



GOVKRNAOORES 

1 — D. Lourenço de Almeida. . 
2— André de Mello e Castro, Con- 
de das Galveas 



DATA DA i'OSSE 



18 de agosto de 1721 (3) 
1 de setembro de 1732 (4) 



do-se este em Congonhas do Campo, aonde acabava de chegar vindo do 
Rio de Janeiro,— e acciamaram governador a Manoel Nunes Vianna, 
homem intrépido, activo e intelligente, que effectivamente praticou mui- 
tos actos como si legalmente fosse governador, e era respeitado como 
tal por grande parte do povo e temido pelos que não o acompanhavam. 

Só em outubro de 1709 pôde o novo governador legal, António de 
Albuquerque Coelho de Carvalho. i|ne para i^so veiu ás Minas, regulari- 
sar as cousas, a elle se submettcndo Nunes Vianna, que revelou durante 
O seu governo qualidades notáveis, pelo acerto e rectidão de seus actos, 
como pela sagacidade e energia com que soube se haver em circumstan- 
cias difficeis. 

(1)— E não de 23 de novembro, como se lê na Historia do Brasil do 
Visconde de Porto Seguro (vol. 2." pag. 1.215), e nem 3 de novembro, 
como escreveu Azevedo Marques, nos seus Apontamentos históricos da 
província de S. Paulo. No Archivo Publico Mineiro ha registro que au- 
thentica a data de 9 de novembro, em carta regia para a creaçílo da 
capitania de S. Paulo e Minas, separada da do Rio de Janeiro. Eno Archivo 
Publico do Rio de Janeiro existe o original da carta- regia que nomeou 
António de Albuquerque para governador da nova capitania, com a data 
referida de 9 de novembro de 1709, 

(Vide vol. 1." pag. 215 das Publicações do Archivo Publico Nacional). 

(2) — O Visconde de Porto Seguro, na sua Historia do Brasil, indica 
—doze de dezembro e nfio dous, para a data do alvará. Equivocou-se. 
Alem de ser esta a data mencionada por muitos chronistas, existe no Ar- 
chivo Publico do Estado de S. Paulo o próprio original do alvará, que o 
comprova, conft)rnie se vè de uma copia publicada pelo Cobreio Paulista- 
no em julho de 1893, e reeditada em 1895 nas Publicações officiaes do 
referido Archivo de S. Paulo 

(3) — O supra-citado historiador diz ter sido a posse a 28 de agosto, 
e Abreu Lima. na sua Sijnov^p ctiron^^tor/ico da historia do Brazil, a 8. 
Ambos equivocaram-se A posse do governador d. Lourenço de Almei- 
da foi, como indicamos acima, a 18 de agosto de 1721, conforme verificá- 
mos no termo respectivo, que se acha no Aichivo Publico Mineiro. 

(4) - Diz o Visconde de Porto Seguro ter sido a 10 de setembro. Náo 
encentramos ainda no Archivo do Estado registro do facto, mas o dr. 



6 



REVISTA DO 



3 — Gomes Freire de Andradci, Con- 
de de Bobadella 

— Governo interino de Martinho 
de Mendonça de Pina e de 
Proença, no impedimento 
do Conde de Bobadella . 

3 — Gomes Freire de Andrada, Con- 
de de Bobadella, {2^ exer 

cicio) 

— Governo interino de José An- 
tónio Freire de Andrada 
(2.° Conde de Bobadella e 
irmão do 1.") 

3 — Gomes Freire de Andrada, Con 
de de Bobadella (3.° exer 

cicio) .... ..... 

— Governo interino do bispo do 
Rio de Janeiro, d. Frei An- 
tónio do Desterro, do bri- 
gadeiro José Fernandes Pin- 
to Alpoim e do chanceller 
da Relação, João Alberto 
Castello Branco, desde a 
morte de Gomes Freire de 
Andrada (1.° de janeiro 
de 1763) até 16 de outubro 
do mesmo anno; e do vice- 
rei Conde da Cunha (d. An- 
tónio Alvares da Cunha), 
de 16 de outubro de 1763 
até a posse do 4.'' gover 
nador effectivo, a 28 de de 
zembro do dito anno. 



26 de março de 1735 

15 de maio de 1736 (1) 
26 de dezembro de 1737 

17 de fevereiro de 1752 
28 de abril de 1758 (2) 



1." de janeiro de 1763. 



16 de outubro de 1763 



Cláudio Manoel da Costa, no fundamento histórico do seu poema Villa 
Rica, aifirma ter -se effectuado a posse do Conde das Galveas no 1 ° de 
setembro de 1732, e o mesmo declara o notável chronista desembartrador 
Teixeira Coelho, na f/istrucção para o governo da Capitania de Minas- 
Geraes. Outros escriptores também indicam para o facto o dia 1.° de 
setembro. Esperamos poder ainda, á vista do assentamento official que 
procuramos, firmar este ponto. 

(1) — A me^ma lacuna e pesquisa occorrem quanto ao assentamento 
official concernente á posse de Martinho de Mendonça. Os referidos chro- 
nistas divergem e outros igualmente estão em desaccordo, uns indicando 
março e outros maio, no que, aliás, talvez haja simplesmente confusão 
typographica. 

(2) — Foi este o dia em que regressou o Conde de Bobadella ao Rio 
de Janeiro, de sua commissâo militar no Sul do Brasil, continuando no 



A.RCHIVO PUBLICO MINEIRO 



28 de dezembro de 1763. 



16 
22 



de julho de 1768. 
de maio de 1773. 



13 
29 



de janeiro de 1775. 
de maio de 1775. 



4 — Luiz Diogo Lobo da Silva. • . 
5 — Conde de Valladares (d. José 
Luiz de Menezes Abran- 
ches Castello Branco) 

6 — António Carlos Furtado de Men- 
donça ..... 

— Governo interino do coronel 
Pedro António da Gama 
Freitas (em virtude de or- 
dens regias e carta do vi- 
ce-rei Marquez de Lavradio 
de 27 de dezembro de 1774) 

7 — D. António de Noronha 

8 — D. Rodrigo José de Menezes 
(Conde de Cavalleiros).. . 
9 — Luiz da Cunha Menezes (Con- 
de de Lumiares) ... ... 

10 — Luiz António Furtado de Men- 
donça (Visconde de Bar- 

bacena) 

11 — Bernardo José de Lorena (Con- 
de de Sarzedas) 

12— Pedro Maria Xavier de Athayde 
e Mello (Visconde de Con 

deixa) 

— Governo interino do bispo de 
Marianna, d. Frei Cypriano 
de S. José. 
13 — D. Francisco de Assis Mas 
carenhas (Conde da 

Palma) 

14 — D. Manoel de Portugal e Castro) 
De 23 de janeiro a 22 de 
abril de 1817, tendo o go- 
vernador obtido uma li- 
cença para ir ao Rio de 

governo das três capitanias do Rio. S. Paulo e Minas. Apezar disso, seu 
irmão, o coronel José António Freire de Andrada, continuou interinamen- 
te na administração da capitania de Minas-Geraes até o fallecimento de 
Gomes Freire. Deu-se assim uma espécie de exercicio simultâneo de dous 
governadores, mas o interino, em Villa Rica, estava subordinado ao effe- 
ctivo. então no Rio de Janeiro, e que accumuiava o governo dessa capi- 
tania e o das de S. Paulo e Minas. Nesse periodo, pois, José António 
Freire de Andrada não era, em Minas Geraes, sinão o logar-tenente de 
seu irmão, o 1.° Bobadella. 

(1) — Findou a 21 de setembro de 1821 a sua administração como ex- 
clusivo governador da capitania. 



20 de fevereiro de 1780 

10 de outubro de 1783. 

11 de julho de 1788. 
9 de agosto de 1797. 

21 de julho de 1803. 



5 de fevereiro de 1810. 
11 de abril de 1814(1) 



8 



RBVl&TA DO 



1 



Janeiro, íoi substituído por 
uma junta composta do ou- 
vidor (António José Duarte 
de Araújo Gondim) e do 
commandante da força pu- 
blica, o brigadeiro João 
Carlos Xavier da Silva Fer- 
rão, na forma do alvará de 
12 de dezembro de 1770 
A 23 de abril, d Manoel 
de Portugal e Castro reas- 
sumiu o governo da capi- 
tania. I jí 

Governo provisório 

1.^ JUNTA-ELEITA A 20 DE SETEMBRO DE 1821 
(Posse a 21 do mesmo mez e anno) 

D. Manoel de Portugal e Castro— presidente. (1) 
Dr. José Teixeira da Fonseca Vas- 
concellos (depois Visconde de Caeté — vice-presidente 
Dr João José Lopes Mendes Ribeiro — secretario 

Coronel António Thomaz de Figueiredo Neves ^ 
Dr. Theotonio Alvares de Oliveira Maciel . . . i 
Tenente-coronel Francisco Lopes de Abreu . . . i \ 

Coronel José Ferreira Pacheco [ \ 

Joaquim José Lopes Mendes Ribeiro .... Membros * 

Capitão-mór José Bento Soares 

Dr. Manoel Ignacio de Mello e Sousa (depois 

Barão de Pontal) 

Padre José Bento Leite Ferreira de Mello. .... 



Sob o regimen colonial houve para Minas Geraes (1693— 1821)— 23 
governos effectivos e 9 interinos: — total 32. Média para cada admi- 
nictração— 4 annos e 11 dias. 

(1) — Logo depois de empossado retirou-se para o Rio de Janeiro ,só 
regressando a 16 de julho do annu seguinte, para funccionar na 2.^ Junta, 
da qual foi também presidente- 



ARCHIVO PUBIJCO MINEIRO 



9 



2.^ JUNTA - ELEITA A 23 DE MAIO DE 1822 (1; 

(Posse a 24 Maio do dito anno) 

D. Manoel de Portugal e Castro — presidente . (2) 
Luiz Maria da Silva Pinto .. secretario i 

Capitão-mór Custodio José Dias / 

Coronel Romualdo José Monteiro de Barros. ' jviembros 
Cónego dr. Francisco Pereira de Santa Apo- 
lónia ■ ■ • 

Luiz Pereira dos Santos 

Capitão-mór Manoel Teixeira da Silva 

período imperial 

GOVERNO PROVINCIAL 



PRESIDENTES E;VICE-PRESIDENTES 

1 — Dr. José Teixeira da Fonseca 
Vasconcellos (depois Barão e 
Visconde de Caeté) — presi- 
dente 

— Dr. Theotonio Alves de Oli- 
veira Maciel — vice-presidente 

— Cónego dr. Francisco Pereira 
de Santa-Apolonia — vice-pre- 
sidente 

1 — Dr. José Teixeira da Fonseca 
Vasconcellos. (presidente) reas- 
sume o governo em 

— Cónego dr. Francisco Pereira 
de Santa Apolónia — vice- 
presidente 



DATA DA POSSE 



29 de fevereiro de 1824. 
2 de maio de 1826. 

29 de maio de 1826 

6 de outubro de 1826. 

19 de março de 1827. 



(1) — Em diversas publicações, inclusive algumas de caracter semi- 
officiaí, se dá erroneamente esta Junta como eleita a 20 de maio. O pro- 
cesso eleitoral começou effectivamente nesse dia, mas a Junta só ficou 
eleita a 23 de maio, (1822). Veja-se o Livro de Acconiams da camará mu- 
nicipal de Ouro Preto, dos annos de 1809 a 182(3). 

(2) — Pouco depois de proclamada a Independência e da acclamaçâo 
de Pedro 1.° como Imperador, d. Manoel de Portugal e Castro deixou a 
administração, retirando-se de Minas (13 de outubro de 1882) e do Bra- 
sil, porque, dizia elle, «era d. Manoel de Portugal...* 

Substituiu-o na presidência da Junta o cónego dr. Santa-Apolonia. 



REVISTA DO 



10 

2 — Desembargador João José Lo- 
pes Mendes Ribeiro — pre- 
sidente 

— Cónego dr. Francisco Pereira 

de Santa Apolónia — vice- 
presidente 

2 — Desembargador João José Lo- 
pes Mendes Ribeiro (presi- 
dente) 2." exercicio 

— Cónego dr. Francisco Pereira 

de Santa Apolónia — vice- 
presidente , 

2 — Desembargador João José Lo 

pes Mendes Ribeiro (presi- 
dente — 3.° exercicio 

3 — Marechal José Manoel de Al 

meida — presidente... . . 

4 — Desembargador Manoel Antó- 

nio Galvão — presidente.. 

5 — Desembargador Manoel Igna- 

cio de Mello e Souza (de- 
pois barão do Pontal) — 
presidente . 

— Desembargador Bernardo Pe- 

reira de Vasconcellos — 
vice-presidente 

5 — Desembargador Manoel Igna- 

cio de Mello e Souza — (pre- 
sidente) 2>' exercicio 

— Tenente coronel Manoel Soa- 

res do Couto, vice-presi- 
dente intruso, acclamado 
na sedição militar que ir- 
rompeu em Ouro Preto (na 
noite de 22 de março) . . 

6 — Dr. José de Araújo Ribeiro (de- 

pois Visconde do Rio Gran 
de — presidente 



18 de dezembro de 1827. 

18 de abril de 1828. 

13 de outubro de 1828. 

19 de abril de 1829. 

3 de outubro de 1829. 
22 de abril de 1830. 
3 de fevereiro de 1831. 

22 de abril de 1831 

23 de janeiro de 1833. 
21 de fevereiro de 1833. 



23 de março de 1833. (1) 



4 de julho de 1833. 



(1) — Goverrou de accordo com os revoltosos até 23 de maio do mes- 
mo anno. Ausente (em Marianna) o presidente effectivo Mello e Souza, 
o vice-presidente Bernardo Pereira de Vasconcellos installa a 5 de abril o 
governo legal em S. joflo d'El-Rey, onde a 10 do dito mez reassume a 
administração o desembargador Mello e Souza, que a 26 de maio seguin- 
te chega a Ouro Preto, já evacuado pelos sediciosos, ahi continuando no 
governo legal. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 



11 



7 — Dr. António Paulino Limpo de 
Abreu (depois Visconde de 

Abaete)— presidente 

— João Baptista de Figueiredo — 
vice-presidente 

7 — Dr. António Paulino Limpo de 

Abreu (presidente) 2." exer- 
cicio 

— Desembargador Bernardo Pe- 

reira de Vasconcellos — 
vice-presidente 

— Desembargador Manoel Igna- 

cio de Mello e Souza, vice- 
presidente 

8 — José Feliciano Pinto Coelho da 

Cunha (depois Barão de Co- 
caes) presidente 

9 — Dr. Manoel Dias de Toledo — 

presidente.. . . ... 

— Desembargador António da 

Costa Pinto — vice-presi- 
dente 

10 — Desembargador António da 

Costa Pinto — presidente... 

1 1 — Desembargador José Cesário 

de Miranda Ribeiro (depois 
Visconde de Uberaba) — 
presidente - • ■ . .. 

12 — Conselheiro Bernardo Jacintho 

da Veiga — presidente. . . . 

13 — Marechal Sebastião Barreto 

Pereira Pinto — presidente. 

14 — Desembargador Manoel Ma- 

chado Nunes — presidente. 

15 — Desembargador José Lopes 

da Silva Vianna — vice-pre- 
sidente. . . 

16 — Dr. Carlos Carneiro de Cam- 

pos (depois Visconde de Ca- 
ravellas)— presidente . . ... 

— Herculano Ferreira Penna — 

vice-presidente.. 

17 — Conselheiro Bernardo Jacintho 

da Veiga — presidente .... 



5 de novembro de 1833. 
31 de março de 1834. 

3 de dezembro de 1834. 

5 de abril de 1835. 

11 de maio de 1835. 

1 de junho de 1835. 

19 de dezembro de 1835. 

19 de abril de 1836. 

2 de outubro de 1836, 

13 de novembro de 1837. 

21 de março de 1838. 

22 de agosto de 1840. 
7 de junho de 1841. 

16 de julho de 1841. 

15 de janeiro de 18 12. 
18 de abril de 1842. 
18 de maio de 1842. 



12 

18 

19 



REVIST.V DO 



20 



21 — 



22 

23 



24 



25 — 



26 — 



Tenente general Francisco José 
de Sousa Soares de An- 
dréa (depois Barão de Ca- 
çapava) — presidente • • 
Brigadeiro João Paulo dos 
Santos Barreto — presi- 
dente 

Dr. Quintiliano José da Silva 

— vice-presidente 

Dr. Quintiliano José da Silva 

— presidente 

Conselheiro José Pedro Dias 

de Carvalho — vice-presi- 
dente 

Conselheiro José Pedro Dias 
de Carvalho — presidente. 
Dr. Manoel José Gomes Re- 
bello Horta — vice-presi- 
dente 

Dr. Bernardino José de Quei- 
roga — vice-presidente. 

Dr. Bernardino José de Quei- 
roga — presidente 

Dr. José Ildeíonso de Souza 
Ramos (depois Visconde de 
Jaguary — presidente . 
Barão de Sabará (Manoel An- 
tónio Pacheco) vice-pre- 
sidente 

Dr. Alexandre Joaquim de 
Siqueira — presidente • . . 

Coronel Romualdo José Mon- 
teiro de Barros (depois Ba- 
rão de Paraopeba) — vice 
presidente 

Dr. José Ricardo de Sá Rego 
presidente 

Conselheiro Luiz António 
Barbosa — vice-presidente 

Conselheiro Luiz António Bar 
bosa — presidente 

Desembargador José Lopes 
da Silva Vianna — vice- 
presidente 



23 de março de 1843. 

1 de julho de 1844. 

17 de dezembro de 1844. 

I de outubro de 1845. 

29 de dezembro de 1847. 
14 de março de 1848. 

10 de abril de 1848. 

II de maio de 1848. 
22 de junho de 1848. 

4 de novembro de de 1848. 

29 de novembro de 1849. 
1 de março de 1850. 

10 de junho de 1850. 
17 de julho de 1850. 
4 de abril de 1851. 
13 de janeiro de 1852. 

12 de maio de 1852. 



ARCHIVO PUBIJCO MINElftO 



13 



26 — Conselheiro Luiz António Bar- 

bosa (presidente) 2." Exer- 
cido.. 

— Desembargador José Lopes 

da Silva Vianna — vice- 
presidente. 

27 — Dr. Francisco Diogo Pereira 

de Vasconcellos — Presi- 
dente 

— Desembargador José Lopes da 

Silva Vianna — vice-pre 
sidente 

27 — Dr. Francisco Diogo Pereira 

de Vasconcellos fpresiden 
te) 2." exercício 

28 — Conselheiro Herculano Fer- 

reira Penna — presidente. 

— Dr. Joaquim Delíino Ribeiro 

da Luz — vice-presidente. 

29 — Conselheiro Carlos Carneiro 

de Campos — presidente.. 

— Dr. Joaquim Delfino Ribeiro 

da Luz — vice-presidente. 

29 — Conselheiro Carlos Carneiro 

de Campos (presidente) 2." 
exercício 

— Manoel Teixeira de Souza 

(depois Barão de Camar- 
gos) vice-presidente 

— Dr. Joaquim Delfino Ribeiro 

da Luz — vice-presidente 

30 — Conselheiro padre dr. Vicen 

te Pires da Motta — pre- 
sidente • • . 

— Senador Manoel Teixeira de 

Souza — vice-presidente . 

31 — Conselheiro José Bento da 

Cunha Figueiredo — pre 
sidente (depois Visconde 
de Bom Conselho, . . . 

— Coronel Joaquim Camillo Tei- 

xeira da Motta — vice-pre 
sidente .... 

— Senador José Joaquim Fer 

nandes Torres — vice-pre 
sidente ... 



24 de setembro de 1852. 



19 de abril de 1853. 



22 de outubro de 1853. 



1 de maio de 1854. 



6 de novembro de 1854. 
2 de fevereiro de 1856. 
1 de junho de 1857. 
12 de novembro de 1857. 
1 de maio de 1859. 



22 de setembro de 1859. 

22 de abril de 1860. 
3 de maio de 1860. 

13 de junho de 1860. 

2 de outubro de 1861. 

25 de outubro de 1861. 
17 de maio de 1862. 

3 de novembro de 1862. 



REVISTA DO 



14 

32 — Conselheiro Francisco Diogo 

Pereira de Vasconcellos — 
presidente 

— Senador Manoel Teixeira de 

Sou/a — vice-presidente . 

— Senador José Joaquim Fer- 

nandes Torres — vice-pre- 
sidente 

33 - Conselheiro João Chrispinia- 

no Soares — presidente... 

— Dr. Fidelis de Andrade Bo- 

telho — vice-presidente 

34 — Desembargador Pedro de Al- 

cântara Cerqueira Leite (de- 
pois Barão de S. JoãoNe- 
pomuceno) — presidente. 

35 — Conselheiro Joaquim Sadal- 

nha Marinho — presidente 

— Cónego Joaquim José de Sant' 

Anna — vice-presidente . . 

35 — Conselheiro Joaquim Salda- 

nha Marinho — (presiden- 
te) 2.° exercício.. 

— Dr. Elias Pinto de Carvalho 

— vice-presidente 

36 — Dr. José da Costa Machado 

de Souza — presidente 

— Barão de Camargos — vice- 

presidente. ..... 

37 — Dr. Domingos de Andrade 

Figueira — presidente .... 

38 — Dr. José Maria Correia de Sá 

e Benevides presidente. 

— Barão de Camargos — vice- 

presidente 

— Dr. Agostinho José Ferreira 

Bretãs — vice-presidente.. 

39 — Dr. António Luiz Affonso de 

Carvalho - presidente 

— Dr. Francisco Leite da Costa 

Belém — vice-presidente.. 



9 de dezembro de 1862 

27 de fevereiro de 1863. 

11 de março de 1863. 
4 de junho de 1863. 
2 de abril de 1864. 

26 de setembro de 1864. 
18 de dezembro de 1865. 
24 de março de 1866. 

2 de novembro de 1366. 

28 de junho de 1867. 

24 de outubro de 1867. 

10 de agosto de 1868. 

25 de agosto de 1868. 
14 de maio de 1869. 
16 de maio de 1870. 

26 de maio de 1870. 

27 de outubro de 1870. 
27 de abril de 1871. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 



15 



40 — Dr. Joaquim Pires Machado 

Portella — presidente 

Dr. Francisco Leite da Costa 
Belém — vice-presidente 

41 — Senador dr. Joaquim Flo- 

riano de Godoy — presi- 
dente 

— Dr. Francisco Leite da Costa 

Belem — vice-presidente. . . 

42 — Dr. Venâncio José de Oli- 

veira Lisboa — presidente.. 

— Dr. Francisco Leite da Costa 

Belem — vice-presidente. . .: 

43 — Desembargador João Antó- 

nio de Araújo Freitas Hen- 
riques — presidente 

— Dr. Francisco Leite da Costa 

Belem — vice-presidente.. . 

44 — Dr. Pedro Vicente de Aze 

vedo — presidente. . 

— Senador Barão de Camargos 

vice-presidente . 

45 — Barão da Villa da Barra (dr 

Francisco Bonifácio de 
Abreu) — presidente. . . . 

— Senador Barão de Camargos 

— vice-presidente 

46 — Conselheiro dr, João Capis 

trano Bandeira de Mello— 
presidente. 

— Desembargador Elias Pinto 

de Carvalho — vice-presi- 
dente 

47 — Conselheiro Senador Francisco 

de Paula Silveira Lobo — 
presidente . . ... 

— Cónego Joaquim José de Sant'- 

Anna — vice-presiden- 
te 

48 — Conselheiro Manoel José Go- 

mes Rebello Horta — pre- 
sidente 

— Cónego Joaquim José de 

SanfAnna — vice-presi 
dente 



8 de novembro de 1871 . 
28 de abril de 1872. 

11 de junho de 1872. 
17 de janeiro de 1873. 
1 de marco de 1873. 
27 de maio de 1874: 

26 de outubro de 1874. 
6 de março de 1875. 
22 de março de 1875. 
26 de janeiro de 1876. 

10 de março de 1876. 

1 de dezembro de 1876. 

24 de janeiro de 1877. 

11 de fevereiro de 1878 
6 de maio de 1878. 

26 de novembro de 1878. 
5 de janeiro de 1879. 
8 de dezembro de 1879. 



16 



REVISTA DO 



49 — Dr. Graciliano Aristides do 

Prado Pimentel — presi- 
dente 

— Cónego Joaquim José de 

SanfAnna — vice-presi- 
dente ... 

— Dr José Francisco Netto 

(depois Barão de Coroman- 
del) — vice-presidente 

50 — Senador João Florentino Mei- 

ra de Vasconcellos — pre- 
sidente 

— Cónego Joaquim José de 

SanfAnna — vice-presi 
dente 

51 — Dr. Theophilo Ottoni — pre 

sidente 

— Dr. Henrique de Maga 

Ihães Salles — vice-presi- 
dente 

52 — Dr. António Gonçalves Cha 

ves — presidente ..... 

— Dr. Carlos Honório Benedicto 

Ottoni vice-presidente. 

— Desembargador José António 

Alves de Britto — vice-pre- 
sidente. . • 

— Dr. António Gonçalves Cha 

ves (presidente) — 2.° exer- 
cicio - . 

53 — Conselheiro dr. Olegário Her- 

culano de Aquino e Cas- 
tro — presidente. ■ 

Desembargador José António 
Alves de Britto — vice 
presidente. 

— Dr. António Teixeira de 

Sousa Magalhães (depois 
Barão de Camargos) — 

vice-presidente 

54 — Dr. Manoel do Nascimen- 
to Machado Portella — pre 
sidente. ... . . 

— Dr. António Teixeira de 

Sousa Magalhães — vice 
presidente . 



22 de janeiro de 1880. 
24 de abril de 1880. 

30 de dezembro de 1880. 
5 de maio de 1881 . 

12 de dezembro de 1881. 

31 de março de 1882. 

27 de dezembro de 1882. 

7 de março de 1883. 
22 de maio de 1884. 

28 de maio de 1884. 

8 de junho de 1884. 

4 de setembro de 1884. 

13 de abril de 1885. 

2 de setembro de 1885. 
19 de outubro de 1885. 
13 de abril de 1886. 



AHCIIIVO PUBLICO MINEIRO 



17 



55 — Desembagador Francisco de 
Faria Lemos — presiden- 
dente.. 

— Dr. António Teixeira de Sou- 

sa Magalhães — vice-pre- 
sidente 

55 — Desembargador Francisco de 
Faria Lemos — (presidente) 
— 2'.' exercício 

— Dr. António Teixeira de 

Souza Magalhães — vice- 
presidente ... 

56 — Dr. Carlos Augusto de 
Oliveira Figueiredo — pre- 
sidente 

— Dr. António Teixeira de Sou- 

za Magalhães — vice-pre- 
sidente... 

57 — Dr. Luiz Eugénio Horta Bar- 

bosa — presidente . . . . 

— Dr. António Teixeira de Sou- 

za Magalhães — vice-pre- 
sidente. . . 

58 — Dr. António Gonçalves Fer- 

reira — presidente 

— Barão de Camargos — vice- 
presidente 

— Conselheiro cónego Joaquim 

José de SanfAnna — vice- 
presidente . . 

59 — Barão (depois Visconde) de 

Ibituruna (dr. João Ba- 
ptista dos Santos) — presi 



1 de maio de 1886. 

8 de junho de 1886. 
14 de junho de 1886. 
1 de janeiro de 1887. 

4 de fevereiro de 1887. 

9 de julho de 1887. 

20 de agosto de 1887. 

1 de junho de 1888. 
7 de dezembro de 1888. 
29 de abril de 1889. 

18 de junho de 1889. 



28 de junho de 1888 (até 17 
de novembro do mesmo 
anno). (1) 



(1) — Durante o regimen presidencial no Império, teve a provincia 
122 periodoi administrativos: 59 presidentes e 63 vice-presidentes em 
exercício. Descontando cinco destes, que, sem interrupção, passaram a 
Presidentes, ficam 117 períodos, durante 65 annos, 8 mezes e 16 dias (de 
29 de fevereiro de 1824 a 17 de novembro de 1889). 

Daqui resulta para cada administração a média de 6 mezes e 22 dias 
apenas. 



R A 



18 



REVISTA DO 



REGIMEN REPUBLICANO 



GOVERNO PROVISÓRIO 



GOVERNAIJOKKS 10 \ ICK OOVERNA- 
DORES 

— Dr. António Olyntho dos 
Santos Pires (governador) 
interino 



Dr. José Cesário 
Alvim - 



de Faria 



governador. . . 



Dr João Pinheiro da Silva 
— vice-governador 



Noiíifacuo c exercido 



Dr. João Pinheiro da Silva 
— governador . 



4 — 



Dr. Domingos José da Ro- 
cha — vice-governador 



Dr. Chrispim Jacques Bias 
Fortes — governador 



Dr. Domingos José da Ro- 
cha — vice-governador. . . . 

Dr Chrispim Jacques Bias 
Fortes (governador) — 2." 
exercício 



Nomeado a 16 de novembro 
de 1889, esteve em exer- 
cício de 17 a 24 do mes- 
mo mez. 

Nomeado a 15 de novembro 
de 1889, esteve em exer- 
cício de 25 do mesmo mez 
aio de fevereiro de 1890 

Nomeado a 21 de janeiro de 
1890, esteve em exercício 
de 11 de fevereiro a 12 
de abril do dito anno. 

Nomeado a 12 de abril de 
1890, continuou na admi- 
nistração, que exercita- 
va como vice-governador, 
desde 1 1 de fevereiro . 

Nomeado a 12 de abril de 
1890, esteve em exercido 
de 20 a 23 de julho do mes- 
mo anno. 

Nomeado a 22 de julho de 
1890, esteve em exercido 
de 24 do dito mez até 5 
de agosto do mesmo anno. 

Esteve em exercício de 6 a 
13 de agosto de 1890. 



De 14 de agosto a 3 de ou- 
tubro de 1890. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 



19 



Dr. Domingos José da Ro- 
cha — vice-governador. . .. 

Dr. Chrispiín Jacques Bias 
Fortes (governador) — 3." 
exerricio . . 



Desembargador Frederico Au- 
gusto Alvares da Silva — 
vice-governador 



4 — 



Dr. Chrispim Jacques Bias 
Fortes (governador) — 4." 
exercicio 



— Desembargador Frederico Au- 



gusto Alvares da 
vice-governador. 



Silva 



5 — 



Dr. António Augusto de Li- 
ma — governador. ........ 



De 4 a 17 de outubro de 1890 



De 18 de outubro a 27 de 
dezembro de 1890. 



Nomeado a 19 de novembro 
de 1890, esteve em exer- 
cicio de 28 de dezembro 
do dito anno a 6 de janei- 
ro de 1891. 



De 7 de janeiro a 1 1 de fe- 
vereiro de 1891 . 



Esteve em exercicio de 12 
de fevereiro a 17 de março 
de 1891. 



Nomeado a 14 de março de 
1891, esteve em exerci- 
cio de 18 desse mez até 
16 de junho do referido 
anno. 



GOVERNO CONSTITUCIONAL DO ESTADO 



PRESIDENTES E VICE-PRESIDENTES 

— Dr. Eduardo Ernesto da Ga- 
ma Cerqueira — vice-pre- 
sidente 



Data da eleição e posse 



Eleito pelo Congresso do Es- 
tado a 15 de junho de 
1891, no dia seguinte to- 
mou posse perante o mes- 
mo Congresso e entrou 
em exercicio. 



ap 



RRVISTA DO 



Dr. José Cesário de Faria Al- 
vim — presidente (1) ... 



Dr. Eduardo Ernesto da Ga- 
ma Cerqueira — vice-pre- 
sidente (2.") 



Dr. Affonso Augusto Moreira 
Penna — Presidente. 



Eleito pelo Congresso do Es- 
tado a 15 de junho de 
1891, no dia 18 desse mez 
tomou posse perante o 
mesmo Congresso e assu- 
miu o governo. 



Esteve em exercido de 9 
de fevereiro de 1892 a 13 
de julho do dito anno . . 

Eleito a 30 de maio de 1892 
pelos eleitores do Estado. 

Tomou posse perante o Con- 
gresso Mineiro a 14 de 
julho do mesmo anno, as- 
sumindo logo o governo 
do Estado. 

Serviram com s. exc, como 
secretários de Estado eífe- 
ctivos, os srs: dr. Fran- 
cisco Silviano de Almeida 
Brandão, no Interior; dr. 
Justino Ferreira Carneiro, 
nas FÍ7ianças, e dr. Da- 
vid Moretzsohn Campis- 
ta, na Agricultura, Com- 
mercio e Obras Publi- 
eas. 



(1) — Em mensagem de 17 de fevereiro de 1892, presente o Congres- 
so do Estado em sessão extraordinária de 14 de março do dito anno, re- 
nunciou o cargo de presidente. Foi nomeada uma commissão especial 
para dar parecer a respeito. Na sessão do dia seguinte foi apresentado, 
discutido e approvado esse parecer, que concluía pela acceitação da re- 
nuncia. 

(2) — Renunciou o cargo a 31 de dezembro de 1892, sendo c res- 
pectivo officio presente ao Congresso Mineiro em sessão de 5 de maio de 
1893. Preenchidas as formalidades legaes, o Congresso acceitou a renun- 
cia naquelia mesma sessão. 

Para substituil-o, foi eleito a 30 de julho de 1893 o sr. dr. Francisco 
Bernardino Rodrigues Silva, que não tomou posse do cargo. 



AHGllIVO PUBLICO MINEIRO 



21 



Dr. Chrispim Jacques 
Fortes presidente (1). 



Bias 



Eleito a 7 de março de 1894 
pelos eleitores do Estado . 

Tomou posse perante o Tri- 
bunal da Rela(;ão a 7 de 
setembro do dito anno, as- 
sumindo logo o governo 
do Estado. 

Foram nomeados por s. ex. 
e teem exercido effectiva- 
mente os cargos de secre- 
tários de Estado os srs : 
— dr. Henrique Augusto 
de Oliveira Diniz, no In- 
terior, dr. Francisco An- 
tónio de Salles, nas Fi- 
nanças, e dr. Francisco 
Sá, na Agricultura Coni- 
mercio e Obras Publi- 
cas. 



(1) — Para vice-presidente do Estado foi eleito no mesmo dia o se- 
nador estadual sr. Joiio Nepomuceno Kubitschek. 



Representantes de Minas Geraes 

(ELEITOS DE 1821 A 18f)6) 



DEPUTADOS MINEIROS 



A'S CORTES CONSTITUINTES DE PORTUGAL (1821 A 1822) 

1 — Dr. Lúcio Soares Teixeira de Gouvea. 

2— José Eloy Ottoni (1) 

3 — Padre Belchior Pinheiro de Oliveira. 

4 — Capitão-mór Domingos Alves Maciel. 

5 — Dr. António Teixeira da Costa. 

6 — Dr. Manoel José Velloso Soares. 

7 — Desembargador Francisco de Paula Pereira Duarte (1). 

8— José de Rezende Costa (2). 



(1) Não tomou assento, por não haver recebido o diploma em tempo. 

Os deputados de Minas-Geraes ás Cortes constituintes portuguezas 
(excepto José Eloy Ottoni, desembargador Francisco de Paula Pereira 
Duarte e o supplente dr Carlos José Pinheiro, que então se achavam na 
Europa) resolveram adiar sua ida áquellas Cortes, o que communicaram 
ao governo provisório da província a 25 de fevereiro de 1822. Nenhum 
delles tomou assento, em consequência dos acontecimentos políticos que 
se seguiram e trouxeram a proclamação da Independência do Brasil a 7 
de setembro do dito anno. 

(2) Um dos processados e perseguidos nas famigeradas devassas de 
1789, e desterrado na Africa como inconfidente. 

N. B. Em diversas publicações officiaes se indicam apenas doze 
quando foram treze os deputados eleitos em Villa Rica ás Cortes consti- 
tuintes de Portugal, e mais quatro supplentes, effectuando-se a eleição a 
17, 18 e 19 de setembro de 1821. 

Também erroneamente figuram nessas publicações dous dos quatro 
alludidos supplentes entre os deputados, talvez porque effectivamente iam 
aquelles substituir alguns destes que não se dispunham a seguir para 
Portugal. 



i 



I 



24 IlIiVlSTA DO 



9 — Desembargador Lucas António Monteiro de Barros (depois 

senador e Visconde de Congonhas do Campo). 
10— Padre José Custodio Dias (foi posteriormente senador). 

11 — Coronel João Gomes da Silveira Mendonça (depois senador 
e Marquez de Sabará). 

12— Dr. José Cesário de Miranda Ribeiro (mais tarde senador e 
Visconde de Uberaba). 

13— Dr. Jacintho Furtado de Mendonça (mais tarde senador). 

í — Capitão-mór José Joaquim da Rocha] 

1 — Padre Manoel Rodrigues Jardim [ ^ 

J— Dr. Bernardo Carneiro ( bupplentes. 

f— Dr. Carlos José Pinheiro 1 



DEPUTADOS MINEIROS 

QUE TOMARAM ASSENTO NA ASSEMBLEA CONSTITUINTE DO BRA- 

ZIL (1823) 

1 — Padre Belchior Pinheiro de Oliveira, formado em câno- 
nes. 

2 — José Joaquim da Rocha (depois diplomata). 
3 — Cândido José de Araújo Vianna, bacharel em direito (depois 
senador e Marquez de Sapucahy). 

4 — José de Rezende Costa (contador do Erário Régio (1). 

5— Padre Manoel Rodrigues da Costa (2). 

6 — João Gomes da Silveira Mendonça. Foi senador, Marquez 
de Sabará e um dos redactores da Constituição do Im- 
pério. 

7 — António Teixeira da Costa, doutor em medicina. 

8 — Manoel José Velloso Soares. — Bacharel em cânones. 
9 — Manoel Ferreira da Camará Bittencourt e Sá— Bacharel em 
sciencias naturaes. Foi senador. 

10 — Theotonio Alvares de Araújo Maciel. — Bacharel em di- 
reito. 



(1) Deliberou como legislador constituinte da Nação no mesmo lo- 
cal em que, trinta e um annos antes, soffrera tormentos indiziveis, como 
réo na famosa inconfidência Mineira. 

(2) Foi também um dos martyres da inconfidência. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 25 



11 — José Alvares do Couto Saraiva. — Bacharel em direito. 

12- -Padre José Custodio Dias.— Foi senador. (Substituiu o depu- 
tado effectivo Lucas António Monteiro de Barros, de- 
pois senador e Visconde de Congonhas do Campo, que 
tomou assento a 4 de novembro). 

13 — João Severiano Maciel da Costa, depois Marquez de Queluz e 
senador e um dos redactores da Constituição do Império. 

14 — João Evangelista de Faria Lobato. — Bacharel em direito.— 
Foi senador. Tomou assento na Assembléa constituinte 
a 22 de setembro, tendo sido até então substituído pelo 
supplente, José de Abreu e Silva. 

15 -António Gonçalves Gomide, doutor em medicina.- Foi sena- 
dor. Substituiu na Constituinte o deputado effectivo, có- 
nego Francisco Pereira de Santa Apolónia, que não 
tomou assento. 

16 — Lúcio Soares Teixeira de Gouvea, bacharel em direito. — Foi 
senador. 

17 — Estevão Ribeiro de Rezende, depois Marquez de Queluz, 
Foi senador. 

18 — Padre António da Rocha Franco. — Substituiu o Deputado 
Jacintho Furtado de Mendonça, que tomou assento pelo 
Rio de Janeiro. 

19 — José António da Silva Maia. — Foi senador. 

20— José Teixeira da Fonseca Vasconcellos, bacharel em direito 
depois Visconde de Caeté e senador. 



SENADO DO IMPÉRIO 



REPRESENTANTES DA PROVÍNCIA DE MINAS GERAES NO ANTIGO 

SENADO BRAZILEIRO 

(1826—1889) 

1 —Marquez de Baependy (Manoel Jacintho Nogueira da Gama), 
conselheiro de Estado e official general do exercito.— 
Nomeado em 1826 e fallecido em 1847. 

2 — Marquez de Sabará (João Gomes da Silveira Mendonça), 
conselheiro de Estado e official general do exercito. — 
Nomeado em 1826 e fallecido em 1827. 



2tí REVISTA DO 



3— Marquez de Valença (Estevão Ribeiro de Rezende), magis- 
trado e conselheiro de Estado honorário.— Nomeado em 
1826 e fallecido em 1856. 

4 — Visconde de Caeté (José Teixeira da Fonseca Vasconcellos), 
magistrado.— Nomeado em 1826 e fallecido em 1838. 

5— Sebastião Luiz Tinoco da Silva, magistrado.— Nomeado em 
1826 e fallecido em 1839. 

6 — Manoel Ferreira da Camará Bittencourt e Sá, proprietário. — 
Nomeado em 1826 e fallecido em 1835. 

7 — Jacintho Furtado de Mendonça, proprietário. — Nomeado em 
1826 e fallecido em 1834. 

8— João Evangelista de Faria Lobato, magistrado.— Nomeado 
em 1826 e fallecido em 1846. 

9— António Gonçalves Gomide, medico. — Nomeado em 1826 e 

fallecido em 1835. 
10 — Marcos António Monteiro de Barros, ecclesiastico, — Nomea- 
do em 1826 e fallecido em 1852. 

11 -Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, advogado e proprie- 
tário. — Nomeado em 1828 e fallecido em 1859. 

12 — José Bento Leite Ferreira de Mello, ecclesiastico. — Nomeado 
em 1834 e fallecido em 1844. 

13 — José Custodio Dias, ecclesiastico. — Nomeado em 1835 e fal- 
lecido em 1844. 

14— Barão do Pontal (Manoel Ignacio de Mello e Souza), magis- 
trado.— Nomeado em 1836 e fallecido em 1859. 

15 — Bernardo Pereira de Vasconcellos. conselheiro de Estado. — 
Nomeado em 1838 e fallecido em 1850. 

16 — António Augusto Monteiro de Barros, magistrado. - Nomea- 
do em 1838 e fallecido em 1841. 

17- Marquez de Sapucahy (Cândido José de Araújo Vianna), 
conselheiro de Estado e magistrado aposentado. — No- 
meado em 1839 e fallecido em 1875. 

18 — Marquez de Paraná (Honório Hermeto Carneiro Leão), conse- 
lheiro de Estado. — Nomeado em 1842 e fallecido em 1856. 

19 — Marquez de Itanhaen (Manoel Ignacio de Andrade Souto- 
Maior Pinto Coelho), proprietário.— Nomeado em 1844 
e fallecido em 1867. 

20 — José Joaquim Fernandes Torres, magistrado. — Nomeado em 

1847 e fallecido em 1869. 
21— Visconde de Abaete (António Paulino Limpo de Abreu) 

conselheiro de Estado.- Nomeado em 1847 e fallecido 

em 1883. 

22— Gabriel Mendes dos Santos, magistrado. — Nomeado em 1851 
e fallecido em 1873 



ARGHIVO PUBLICO MINEIRO 27 

23 — Visconde de Jaguary (José Ildeffonso de Souza Ramos), con- 
selheiro de Estado e proprietário. — Nomeado em 1853 
e fallecido em 1883. 

24 — Francisco Diogo Pereira de Vasconcellos, magistrado. — No- 
meado em 1857 e fallecido em 1863. 

25 — José Pedro Dias de Carvalho, conselheiro de Estado. — No- 
meado em 1857 e fallecido em 1881. 

26 — Luiz António Barbosa, magistrado aposentado. — Nomeado 
em 1859 e fallecido em 1860 (antes de tomar assento). 

27 — Barão de Camargos (Manoel Teixeira de Souza), proprietá- 
rio — Nomeado em 1860 e fallecido em 1878. 

28 — Firmino Rodrigues Silva, magistrado aposentado. Nomeado 
em 1861 e fallecido em 1879 

29 — Theophilo Benedicto Ottoni, proprietário. — Nomeado em 1864 
e fallecido em 1869. 

30 — Francisco de Paula da Silveira Lobo, proprietário. — Nomea- 
do em 1868 e fallecido em 1886. 

31 — Joaquim Antão Fernandes Leão, empregado publico aposen- 
tado. — Nomeado em 1870 e fallecido em 1887. 

32 — Luiz Carlos da Fonseca, medico e empregado publico apo- 
sentado. — Nomeado em 1875 e fallecido em 1887. 

33 — Martinho Alvares da Silva Campos, medico e proprietário. 
— Nomeado em 1882 e fallecido em 1887. 

34 — Evaristo Ferreira da Veiga, advogado. — Nomeado em 1887 
e fallecido em 1889. 

35 — Barão da Leopoldina (José de Rezende Monteiro), agricul- 
tor.— Nomeado em 1887 e fallecido em 1888. 

36 — Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, conselheiro de Estado — No- 
meado em 1870. 

37 — Visconde do Serro Frio (António Cândido da Cruz Machado). 
— Nomeado em 1874. 

38 — Visconde de Ouro Preto (Affonso Celso de Assis Figueiredo), 
conselheiro de Estado. — Nomeado em 1879. 

39— Laffayette Rodrigues Pereira, conselheiro de Estado. — No- 
meado em 1879. 

40 — Visconde de Lima Duarte (José Rodrigues de Lima Duarte), 
medico. — Nomeado em 1884. 

41 — Visconde de Assis Martins (Ignacio António de Assis Mar- 
tins), advogado. — Nomeado em 1884. 

42 — Cândido Luiz Maria de Oliveira, advogado. — Nomeado em 
1886. 

43 — Manoel José Soares, capitalista.—Nomeado em 1888. 



28 RliVlSIA DO 



44— Barão de Santa Helena, agricultor. — Momeado em 
1888. 

45— Carlos Peixoto de Mello, advogado.— Nomeado em 1889. 

Não chegou a tomar assento. 

(Os dez últimos senadores — de n. 36 a n. 45 eram os existen- 
tes a 15 de novembro de 1889, quando foi extincto o Senado 
imperial, por força da revolução que proclamou e fundou a Re- 
publica dos Estados-Unidos do Brasil). 



CAMARÁ DOS DEPUTADOS DO IMPÉRIO 

1826—1889 



REPRESENTANTES DA PROVÍNCIA DE MINAS GERAES NAS VINTE LE- 
GISLATURAS COMPREHENDIDAS NO PERÍODO ACIMA INDICADO 

1.^ LEGISLATURA (1826—1829) 

(ELEIÇÃO POR província :-«ys/e?/ia indirecto ou de dJis graus) 

1— Cândido José de Araújo Vianna, bacharel (depois Marquez 
de Sapucahy). 

2 — José António da Silva Maia, magistrado. 

3— António Augusto Monteiro de Barros, bacharel. 

4 — Bernardo Pereira de Vasconcellos, magistrado. 

5— António da Rocha Franco, padre. 

6 — José Cesário de Miranda Ribeiro, bacharel (depois Visconde 
de Uberaba). 

7 — Lúcio Soares Teixeira da Gouvèa, magistrado. 

8 — José Custodio Dias, padre. 

9 —José Carlos Pereira de Almeida Torres (depois Visconde de 
Macahé. 

10 — João José Lopes Mendes Ribeiro, bacharel. 

11 — Manoel Ignacio de Mello e Souza, magistrado (depois Barão 
do Pontal) 



ÁkcHIVO PUBLICO MINEIRO 29 

12— Manoel Rodrigues da Costa, padre.— (Não tendo tomado 
assento, foi substituido pelo vigário Joaquim José Lopes 
Mendes Ribeiro). 

13— António Paulino Limpo de Abreu, magistrado (depois Vis- 
conde de Abaete). 

14— Plácido Martins Pereira, bacharel. 

15 — José de Rezende Costa. 

16— António Marques de Sampaio, padre. — (Tomou assento como 
supplente do deputado António Gonçalves Gomide, no- 
meado senador em abril de 1826). 

17 — Luiz Augusto May.— (Tomou assento como supplente do 
Marquez de Valença, nomeado senador em abril de 
1826). 

18 — José Bento Leite Ferreira de Mello, padre. — (Tomou assento 
como supplente do deputado Manoel Ferreira da Ca- 
mará Bittencourt e Sá, nomeado senador em abril de 
1826). 

19— Custodio José Dias, capltão-mór. — (Tomou assento como sup- 
plente do Visconde de Caeté, nomeado senador em 
abril de 1826). 

20 — João Joaquim da Silva Guimarães. — (Supplente do deputado 
cónego Januário da Cunha Barbosa, que tomou assen- 
to pela província do Rio de Janeiro). 



2.^ LEGISLATURA (1830—1833) 
(ELEIÇÃO POR PROVÍNCIA: -Sys/ewíí indirecto ou de dois graus) 

1 — Bernardo Pereira de Vasconcellos, magistrado. 

2 — José Custodio Dias, padre. 

3— José António de Silva Maia, magistrado. —(Sendo nomeado 
ministro do Império, procedeu-se á nova eleição em 
janeiro de 1831, e em seu logar foi eleito Gabriel Fran- 
cisco Junqueira, mais tarde Barão de Alfenas). 

4— José Bento Leite Ferreira de Mello, padre. 

5 — Custodio José Dias, capitão-mór. — (Na sessão de 1833 foi 
substituido pelo dr. Gabriel Mendes dos Santos). 

6— Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho (depois Visconde 
de Sepetiba). 

7— António Paulino Limpo de Abreu (depois Visconde dê 
Abaete). 



30 REVISTA I>0 



8 — José Cesário de Miranda Ribeiro (depois Visconde de Ube- 
raba). 

9— Manoel Gomes da Fonseca, doutor. 

10 — Baptista Caetano de Almeida. 

11 — João José Lopes Mendes Ribeiro, magistrado. 

12— Cândido José de Araújo Vianna (depois Marquez de Sapu- 
cahy.— Foi substituido na sessão de 1832 pelo dr. Ga- 
briel Mendes dos Santos). 

13 — António Maria de Moura, padre. 

14— António Pinto Chichorro da Gama, magistrado. 

15 — Lúcio Soares Teixeira de Gouvêa, magistrado. — (Tendo sido 
nomeado ministro da justiça, não tomou assento ; e pro- 
cedendo-se á nova eleição, no anno de 1830, foi eleito 
em seu logar o tenente-coronel José Feliciano Pinto 
Coelho da Cunha, depois barão de Cocaes). 

16 — Honório Hermeto Carneiro Leão, depois Marquez de Paraná. 
17— Martim Francisco Ribeiro de Andrada, bacharel em mathe- 
maticas. 

18— Bernardo Belisario Soares de Souza, magistrado. 

19 — Evaristo Ferreira da Veiga — (Tomou assento como supplen- 
te do brigadeiro Raymundo José da Cunha Mattos, que 
optara pela província de Goyaz). 

20— João António de Lemos (depois Barão do Rio Verde.— To- 
mou assento como supplente do padre José Martiniano 
de Alencar, que optara pela província do Ceará). 



3.^ LEGISLATURA (1834—1837) 
( ELEIÇÃO POR província : - Systema indirecto ou de dois graus ) 

1 — António Paulino Limpo de Abreu (depois Visconde de Abaete). 

2 — José Custodio Dias. padre. — (Nomeado senador em agosto 
de 1835, foi substituido na sessão de 1836 pelo desem- 
bargador Manoel Ignacio de Mello e Souza— mais tarde 
Barão do Pontal — e sendo também este nomeado senador 
em setembro de 1836, substituiu-ona sessão de 1837 Ma- 
noel Soares do Couto). 

3— Cândido José de Araújo Vianna (depois Marquez de Sa- 
pucahy). 

4— Bernardo Pereira de Vasconcellos, magistrado. 



AJlCHIVO PUBLICO MINEIIIO 31 

5 — Francisco de Paula Cerqueira Leite, magistrado. 

6 — José Bento Leite Ferreira de Mello, padre — (Nomeado senador 
em agosto de 1834, foi substituído nas sessões de 1835 
a 1837 por João António de Lemos, mais tarde Barão 
do Rio Verde). 

7 — Baptista Caetano de Almeida. 

8 — Bernardo Belisario Soares de Souza, magistrado. 

9 — Evaristo Ferreira da Veiga.— Fallecendo a 12 de maio de 1837, 
substituiu-o o desembargador José Cesário de Miranda Ri- 
beiro — mais tarde Visconde de Uberaba — no impedimen- 
to do bacharel António Joaquim Fortes de Bustamante). 

10 — Honório Hermeto Carneiro Leão (depois Marquez do Pa- 
raná). 

11 — José Pedro Dias de Carvalho. 

12 — Manoel Gomes da Fonseca, doutor. 

13— Gabriel Mendes dos Santos, magistrado. 

14 — António Maria de Moura, padre. 

15 — António José Ribeiro Bhering, padre. 

16 — José Joaquim Fernandes Torres, lente de direito. 

17 — Gabriel Francisco Junqueira, depois Barão de Alienas. — (Na 
sessão de 1835 foi substituído pelo desembargador Ma- 
noel Ignacio de Mello e Souza — depois Barão do Pontal 
— e na de 1837 pelo brigadeiro Paulo Barbosa da 
Silva). 

18 — António Pinto Chichorro da Gama, magistrado. 

19 — João Dias de Quadros Aranha, padre. 

20 — José Alcibíades Carneiro. 



4.-^ LEGISLATURA (1838—1841.) 
(ELEIÇÃO POR PR0VINC\ A:— Systpum indirecto onde dois graus) 

1— António Paulino Limpo de Abreu (depois Visconde de Abae- 
té). 

2 — Bernardo Belisario Soares de Souza, magistrado. 

3 — António da Costa Pinto, magistrado. — (Substituído no fim da 

sessão de 1841 por José Fernandes de Oliveira 

Penna). 



JSi REVISTA DO 



4— José Joaquim Fernandes Torres, lente de direito.— (Substituído 
nas sessões de 1838 e 1839 por José Alcibíades Car- 
neiro). 

5— José Pedro Dias de Carvalho.— (Substituído nos dois primei- 
ros mezes da sessão de 1838 por Herculano Ferreira 
Penna. e na sessão de 1839 pelo cónego João Dias 
de Quadros Aranha). 

6— José Cesário de Miranda Ribeiro (depois Visconde de Ube- 
raba). 

7 — Francisco de Paula Cerqueira Leite, magistrado. 

8— Cândido JosédeAraujo Vianna (depois Marquez de Sapucahy — 
Sendo nomeado senador em outubro de 1838 foi sub- 
stituído nas sessões de 1840 e 1841 pelo cónego João 
Dias de Q. Aranha). 

9— Bernardo Pereira de Vasconcellos, magistrado. — (Sendo no- 
meado senador em setembro de 1838, foi substituído 
nas sessões de 1839 a 1841 por Herculano Ferreira 
Penna). 

10— Manoel Gomes da Fonseca.— (Foi substituído no fim da ses- 
são de 1841 pelo bacharel Tristão António de Alva- 
renga). 

11— Theophílo Benedícto Ottoni. 

12— José Feliciano Pinto Coelho da Cunha (depois Barão de 
Cocaes. — Foi substituído na sessão de 1841 pelo vigário 
João Antunes Corrêa). 

13 — Pedro de Alcântara Cerqueira Leite, magistrado (depois Ba- 
rão de S. João Nepomuceno). 
14 — Francisco de Paula Cândido, medico. 

15— João António de Lemos (depois Barão do Rio Verde). 

16 — Baptista Caetano de Almeida. — (Foi substituído na sessão de 
1839 pelo padre José António Marinho). 

17 — António Joaquim Fortes de Bustamante, bacharel. — (Substi- 
tuído nos últimos mezes da sessão de 1838 por Her- 
culano Ferreira Penna, e na de 1840 pelo vigário João 
Antunes Corrêa). 

18 — Lourenço José Ribeiro, magistrado. 

19 — Honório Hermeto Carneiro Leão (depois Marquez de Paraná), 
—(Tomou assento como supplente de Evaristo Ferreira 
da Veiga, fallecído a 12 de maio de 1837). 

20— Gabriel Mendes dos Santos, magistrado. — (Tomou assento 
como supplente de Lucío Soares Teixeira de Gouvea, 
nomeado senador em março de 1837). 



ABCHIVO PUBLICO MINEIRO 33 

1842 
(ELEIÇÁO POR PROVÍNCIA: Systemn indirecto ou de dois graus) 

Neste anno foi a Camará temporária dissolvida, por decreto 
de 1." de maio, antes de come(;arem os trabalhos da legislatura. 

Até essa data tinham sido reconhecidos os seguintes depu- 
tados pela província de Minas : 

António Paulino Limpo de Abreu (depois Visconde de Abaete). 
António da Costa Pinto, magistrado. 

Pedro de Alcântara Cerqueira Leite, magistrado (depois Barão 
de S. João Nepomuceno). 

José Pedro Dias de Carvalho. 
Francisco de Paula Cerqueira Leite, magistrado. 
José Joaquim Fernandes Torres, lente de direito . 
José Feliciano Pinto Coelho da Cunha (depois Barão de Co- 
caes). 

João Dias de Quadros Aranha, padre. 
Theophilo Benedicto Ottoni. 
José António Marinho, padre. 

Domiciano Leite Ribeiro, bacharel (depois Visconde do Ara- 
xá). 

Manoel Gomes da Fonseca, doutor. 
Bernardino José de Queiroga, bacharel. 
Gabriel Getulio Monteiro de Mendonga. 
José Jorge da Silva, bacharel. 
António José Ribeiro Bhering, padre. 

Camillo Maria Ferreira Armonde, medico (depois Conde de 
Prados). 

Joaquim Antão Fernandes Leão, bacharel. 

José Ce.sario de Miranda Ribeiro (depois Visconde de Ube- 
raba). 



5.^ LEGISLATURA (1843—1844) 
(ELEIÇÃO POR PROVÍNCIA:— Svs 'em 7 inrJi recto ou de dois grous) 

1— Bernardo Jacintho da Veiga.— (Foi substituído, de 12 de janei- 
ro até 12 de abril de 1843, pelo desembargador Ernesto 
Ferreira França). 

2— Francisco Diogo Pereira de Vasconcellos, magistrado, 
R. A. 3 



34 REVISTA t>Ó 



3— José Cesário de Miranda Ribeiro (depois Visconde de Ubera- 
ba.— Nomeado senador em fevereiro de 1844, foi sub- 
stituído na sessão desse anno pelo padre António José 
da Silva). 

4 — Herculano Ferreira Penna. 

5 — Gabriel Mendes dos Santos, magistrado. — (Foi substituído, de 
23 de setembro de 1843 até o fim da sessão, por Nico- 
lau Nogueira Valle da Gama). 

6 — Luiz António Barbosa, magistrado. — (Foi substituído, de 28 
agosto de 1843 até o fim da segunda sessão do dito an- 
no, pelo padre António José da Silva). 

7 — Bernardo Belisario Soares de Souza, magistrado. 

8 — João Antunes CorrOa, padre. 

9 — José Lopes da Silva Vianna, bacharel. 

10— Manoel Júlio de Miranda, padre. -(Substituído, desde 18 de 
setembro de 1843 até o fim da segunda sessão do mes- 
mo anno, pelo desembargador Lourenço José Ribeiro). 

11 — Justiniano José da Rocha, bacharel. 

12 — Francisco de Paula Cândido, medico. 

13 — Manoel Machado Nunes, magistrado. 

14 — António José Monteiro de Barros, bacharel. 

15— Jero vmo Máximo Nogueira Penido, bacharel.— (Substituído, 
de 16 de setembro de 1843 até o fim da sessão do mes- 
mo anno, por José Joaquim de Lima e Silva Sobrinho). 

16— José Ferreira Carneiro.— (Substituído, de 13 de abril de 1843 
a 7 de junho do dito anno, pelo desembargador Ernes- 
to Ferreira França, e na sessão de 1844 pelo desembar- 
gador Lourenço José Ribeiro). 

17— Joaquim Gomes de Carvalho, padre.— (Substituído, de 18 de 
outubro de 1843 até o principio da sessão de 1844, por 
José Joaquim de Lima e Silva Sobrinho). 

18 — Luiz Carlos da Fonseca, medico. 

19 — Venâncio Henriques de Rezende, padre. 

20— Cyrino António Lemos, bacharel. 



6.^ LEGISLATURA (1845—1847) 
(ELEIÇÃO POR PROVÍNCIA: -Sí/síema indirecto ou de dois graus) 

1— António Paulino Limpo de Abreu (posteriormente Visconde 
de Abaete). 



 



.VRCHIVO PUBLICO MINEIAO 35 

2 — José Pedro Dias de Carvalho. 

3 — António da Costa Pinto, magistrado. 

4 — Theophilo Benedicto Ottoni. 

5 — Gabriel Getulio Monteiro de Mendonça. ^ 

6 — José António Marinho, padre. 

7 — José Joaquim Fernandes Torres, Lente de direito. 

8 — Joaquim Antão Fernandes Leão, bacharel. 

9 — José Feliciano Pinto Coelho da Cunha, (depois Barão de 

Cocaes). 

10 — António Thomaz Godoy, magistrado. 

11 — Herculano Ferreira Penna. — (Foi substituído até 2 de 

agosto da sessão de 1847 pelo bacharel Francisco Dio- 
go Pereira de Vasconcellos). 

12 — Paulo Barbosa da Silva, brigadeiro. — (Foi substituído 

desde agosto de 1846 até o fim da sessão deste anno 
pelo bacharel Francisco Diogo Pereira de Vascon- 
cellos e na de 1847 pelo bacharel Luiz António Bar- 
bosa). 

13 — Pedro de Alcântara Cerqueira Leite, magistrado. 

14 — Francisco de Salies Torres Homem (depois Visconde de 

Inhomirim). 

15 — José Jorge da Silva, bacharel. 

16 — Fernando Sebastião Dias da Motta, bacharel. 

17 — Joaquim Cândido Soares de Meirelles, medico. 

18 — Manoel de Mello Franco, medico, 
ly — Tristão António de Alvarenga, bacharel. 
20 — Manoel Odoríco Mendes. 



7^ LEGISLATURA (1848) 
(ELEIÇÃO POR PROVWCIA: ~ Systema indirecto ou de dois graus). 

1 — José Pedro Dias de Carvalho. 

2 — José António Marinho, padre. 

3 — Theophilo Benedicto Ottoni. 

4 — António da Costa Pinto, magistrado. 

5 — Pedro de Alcântara Cerqueira Leite, magistrado. 

6 — Gabriel Getulio Monteiro de Mendonça. 

7 — António Thomaz de Godoy, magistrado. 

8 — José Feliciano Pinto Coelho da Cunha (depois Barão de 

Cocaes). 

9 — Quintiliano José da Silva, bacharel. 

10 — Christiano Benedicto Ottoni, lente de mathematicas. 



■36 REVISTA no 



1 1 — Francisco de Assis e Almeida, bacharel. 

12 — Francisco de Paula Cerqueira Leite, magistrado. 

13 — António Gonçalves Chaves, padre. 

14 — Joaquim Antão Fernandes Leão, bacharel. 

15 — José Jorge da Silva, bacharel. — (Foi substituído durante 

a sessão de 1848 pelo bacharel Elias Pinto de Car- 
valho). 

16 — Tristão António de Alvarenga, bacharel. 

17 — Camillo Maria Ferreira Armonde, medico (depois Conde 

de Prados. — Foi substituído durante a sessão de 1848 
pelo bacharel Francisco Diogo Pereira de Vascon- 
cellos). 

18 — Joaquim Cândido Soares de Meirelles, medico. 

19 — Manuel de Mello Franco, medico. 

20 — José Felicíssimo do Nascimento, padre. 



8^ LEGISLATURA (1850—1852) 

(ELEIÇÃO POR PROVÍNCIA : Systema indirecto ou de dois graus 

1 — Firmino Rodrigues Silva, magistrado. 

2 — José Agostinho Vieira de Mattos, medico. 

3 — António Cândido da Cruz Machado, advogado — (Depois Vis- 

conde de Serro Frio). 

4 — Justiniano José da Rocha, bacharel. 

5 — Manoel Texeira de Souza (depois Barão de Camar- 

gos). 

6 — Bernardo Belisario Soares de Souza, magistrado. 

7 — Francisco Paula Cândido, medico. 

8 — Francisco Diogo Pereira de Vasconcellos, magistrado. 

9 — José Joaquim de Lima e Silva Sobrinho (depois Visconde 

de Tocantins), 

10 — Gabriel Mendes dos Santos, magistrado. — (Nomeado se- 

nador em agosto de 1851, foi substituído pelo conse- 
lheiro Joaquim Antão Fernandes Leão). 

11 — Francisco de Paula Santos, negociante. 

12 — António Gomes Cândido, bacharel. — (Fellecendo em 1850, 

foi substituído pelo dr. Manoel de Mello Franco, em 
abr-l do mesmo anno). 

13 — Luiz António Barbosa, magistrado. 

14 — Manoel Júlio de Miranda, padre. 

15 — António José da Silva, padre. 

16 — António José Monteiro de Barros, bacharel. 



ARCHIVO' PUBLICO MINEIRO 



37; 



17 — Francisco Alves de Mendonça, padre. — (Fallecendo em 1850, 
substituiu-o em abril do mesmo anno o conselheiro José 
Pedro Dias de Carvalho). 

18 — António Gabriel de Paula Fonseca, medico. 

19 — Herculano Ferreira Penna. 

20 — Luiz Soares de Gouvèa Horta, bacharel. — (Foi substituído de 
junho de 1850 a agosto de 1851 pelo conselheiro Joa- 
quim Antão Fernandes Leão, e de maio de 1852 até o 
fim da sessão desse anno pelo desembargador Antó- 
nio da Costa Pinto). 



9.'" LEGISLATURA (1853—1856) 



fELEIÇÁO POR PROVÍNCIA: -5í/s/c//K7 indirecto ou de dois graus) 

1 — Luiz António Barbosa, magistrado. 

2 — Francisco Diogo Pereira de Vasconcellos, magistrado. — (Sub- 
stituído na sessão de 1854, desde 13 até 25 de maio, e 
nas de 1855 e 1856, pelo dr Francisco de Mello Fran- 
co). 

3 — Manoel Teixeira de Souza, depois de Barão de Camar- 
gos. 

4 — Firmino Rodrigues Silva, magistrado. 

5— António Gabriel de Paula Fonseca, mediuo. 

6 — António Cândido da Cruz Machado (depois Visconde de Ser- 
ro Frio), advogado. — (Foi substituído nas sessões de . - . 

1854 a 1856 pelo supplente José Joaquim de Lima e 
Silva Sobrinho, depois Visconde de Tocantins). 

7 — Francisco de Paula Cândido, medico. 
8 — Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, bacharel. 
9 — António José Monteiro de Barros, bacharel. 
10 — José Agostinho Vieira de Mattos, medico. 
11 — Herculano Ferreira Penna. — (Nomeado senador em abril de 
1853, foi substituído desde 2 de maio do mesmo anno 
pelo desembargador Francisco Soares Bernardes de Gou- 
vèa). 
12 — Francisco de Paula Santos, negociante. 
13 — Carlos José Versiani, medico. (Substituído nas sessões de 

1855 e 1856 pelo conselheiro José Pedro Dias de Car- 
valho). 

14 — Agostinho José Ferreira Bretãs, medico. 

15 — António José da Silva, padre. 

16 — Caetano Alves Rodrigues Horta, bacharel. 



38 REVISTA DO 



17 — Bernardo Belisario Soares de Souza, magistrado. 

18 — Luiz Carlos da Fonseca, medico. 

19 — Justiniano José da Rocha, bacharel. 

20 — Luiz Soares de Gouvêa Horta, bacharel.— (Foi substituído na 
sessão de 1853 pelo supplente já referido. Lima e Silva 
Sobrinho, que tomou assento a 9 de agosto). 



IO.'' LEGISLATURA (1857--1860) 

(ELEIÇÃO POR DISTRICTO DE UM DEPUTADO:— Syste ma indirecto ou 

de dois graus) 

1." districto — Francisco Diogo Pereira de Vasconcellos, ma- 
gistrado, — (Sendo nomeado senador em novem- 
bro de 1857, occupou o seu logar nas seguintes 
sessões o respectivo supplente). 
— Francisco de Paula Santos, negociante. — Sup- 
plente. 

2." districto — Francisco Alvares da Silva Campos, bacharel. 
— José Júlio de Araújo Vianna, padre. — Sup- 
plente. 

3." districto — Luiz António Barbosa, magistrado . — (Sendo no- 
meado senador em novembro de 1859, falleceu 
em 15 de março de 1860. Na sessão deste anno 
occupou o seu logar o respectivo supplen- 
te). 
— Modestino Carlos da Rocha Franco, medico. — 
Supplente. 

4.° districto — José Felicíssimo do Nascimento, padre. 

— Jeronymo Máximo Nogueira Penido, bacharel, — 
Supplente. 

5." districto — António Cândido da Cruz Machado (depois Vis- 
conde do Serro Frio), advogado. 
—Simão da Cunha Pereira, bacharel.— Supplen- 
te. 

6." districto— Pedro de Alcântara Machado, negociante. 

—Joaquim Mariano dos Santos, bacharel. —Sup- 
plente. 

7," districto— António Joaquim César, advogado.— (Substituído 
na sessão de 1858, na de 1859 de 10 a 15 de 
maio, e na de 1860 pelo respectivo supplente). 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 



39 



8/' districto 

9." districto 

10. districto 

1 1 . districto 

12. districto 

13. districto 



14. districto 



15. districto 

16. districto 



17. districto — 



António Gabriel de Paula Fonseca, medico, sup- 
plente. 

Luiz Carlos da Fonseca, medico. 
■ Carlos José Versiani, medico. — Supplente. 

Bernardo Belisario Soares de Souza, magistra- 
do. 
• Melciíior Carneiro de Mendonça Franco. — Sup- 
plente. 

Hermogenes Casimiro de Araújo Brunswick, pa- 
dre. — (Foi substituido nas sessões de 1858 e 
1860 pelo respeclivo supplente). 

José Tavares de Mello, bacharel. — Supplente. 

Agostinho José Ferreira Bretãs, medico. 

José Affonso Dias de Souza, bacharel. — Sup- 
plente. 

João Dias Ferraz da Luz, medico. 

António Simplício de Salles, bacharel. — Sup- 
plente. 

Domingos Theodoro de Azevedo e Paiva, nego- 
ciante. — (Substituido de 20 de julho até o 
fim da sessão de 1857 pelo respectivo sup- 
plente). 

José da Costa Machado e Souza Ribeiro, bacha- 
rel. — Supplente. 

António Felippe de Araújo, cónego. — (Falleceu 
em 22 de junho de 1857 e sendo convidado 
para occupar o seu logar o respectivo sup- 
plente, não compareceu a tomar assento du- 
rante a legislatura). 

António Dias Ferraz da Luz, medico. — Sup- 
plente. 

Francisco Cyrillo Ribeiro e Souza, medico. 

Francisco Guarita Pitanguy, vigário. — Sup- 
plente. 

João das Chagas Andrade, medico. — (Foi sub- 
stituido nas sessões de 1857 e 1859 pelo re- 
spectivo supplente), 

Salathiel de Andrade Braga, medico. — Sup- 
plente. 

Pedro de Alcântara Cerqueira Leite, magistra- 
do. — (Foi substituido na sessão de 1859 pelo 
respectivo supplente). 

José Rodrigues de Lima Duarte, medico. — 
Supplente. 



40 nPA'ISTA DO 



18. districto — António José Monteiro de Barros, bacharel. — 

(Foi substituído na sessão de 1859 pelo res- 
pectivo supplente). ^ 

— José Joaquim Ferreira Monteiro de Barros, ba- 

charel. — Supplente. 

19. districto — Francisco de Assis Athayde, coronel. — (Falle- 

reu depois da sessno de 1860). 

— Francisco Peixoto de Mello. — Supplente. 

20. districto — Francisco de Paula da Silveira Lobo. — bacharel. 

— José Pedro da Silva Bemfica, cónego. — Sup- 

plente. 



11.^ LEGISLATURA (1861 — 1863) 

(ELEIÇÃO POR DISTRICTO DE TRÊS DEPUTADOS. - Sy eterna indire- 
cto ou de dois graus) 

1." districto — Francisco de Paula da Silveira Lobo, bacharel. 

— Manoel de Mello Franco, medico. 

— Francisco de Paula Santos, negociante. 

2." districto — Theophilo Benedicto Ottoni. — (Sendo eleito de- 
putado pelo 1.° districto da província do Rio 
de Janeiro, optou pelo 2." districto da de Mi- 
nas Geraes em junho de 1861, substituindo- 
o naquelle districto o dr. Martinho Alvares da 
Silvia Campos). 

— >\ntonio da Fonseca Vianna, medico. 

— Manoel José Gomes Rebello Horta, bacharel. 

3." districto — Christiano Benedicto Ottoni, lente de mathe- 

maticas. 

— José Rodrigues de Lima Duarte, (depois Vis- 

conde), medico. 

— Mariano Procopio Ferreira Lage, negociante. 

4." districto — Francisco Januário da Gama Cerqjeira, bacha- 
rel. 

— Francisco Cyrillo Ribeiro e Souza, medico. 

— Salathiel de Andrade Braga, medico. 
5." districto — Evaristo Ferreira da Veiga, bacharel. 

— Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, bacharel. 

— Agostinho José Ferreira Bretãs, medico. 



ARCHIVO PUBUCO MINEIRO 



41. 



6." districto — António Cândido da Cruz Machado (depois Vis- 
conde de Serro Frio), advogado. 

— António Gabriel de Paula Fonseca, medico. 

— António Joaquim César, advogado. 

7.° districto — Luiz Carlos da Fonseca, medico. 

— Melchior Carneiro de Mendonça Franco. 



12.« LEGISLATURA (1864—1866) 

(ELEIÇÃO POR DISTRICTO DE TRÊS DEPUTADOS.- Sysícma indirecto 

ou de dois graus ) 



1." districto — Francisco de Paula da Silveira Lobo, bacharel. 

— (Sendo nomeado ministro da marinha a 27 
de junho de 1865, foi reeleito deputado pelo 
mesmo districto e tomou assento a 19 de mar- 
ço de 1866) 

— Manoel de Mello Franco, medico. 

— Francisco de Paula Santos, negociante. 

2." districto — Theophilo Benedicto Ottoni.— (Sendo nomeado 

senador por Minas Geraes, substituio-o como 
deputado o bacharel Manoel Ignacio de Car- 
valho Mendonça, em 23 de junho de 1864) 

— Martinho Alvares da Silva Campos, medico. 

— António da Fonseca Vianna, medico, 

3." districto — Barão de Prados (depois Visconde e Conde). 

— Christiano Benedicto Ottoni, lente de mathe- 

maticas. 

— José Rodrigues de Li.Tia Duarte (depois Viscon- 

de de Lima Duarte), medico. 
4.° districto — Domiciano Leite Ribeiro, depois Visconde de 

Araxá. — (Sendo nomeado ministro da agricul- 
tura a 15 de janeiro de 1864, foi reeleito de- 
putado pelo mesmo districto e tomou assento 
em 16 de maio de 1864). 

— José Jorge da Silva, bacharel. 

— João das Chagas Lobato, bacharel. 

5." districto — Evaristo Ferreira Veiga, bacharel. 

— Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, bacharel. 

— Agostinho José Ferreira Bretãs, medico. 



42 



REVISTA DO 



6." districto 
7." districto 



Joaquim Felicio dos Santos, bacharel 
José Joaquim Ferreira Rabello, bacharel. 
António Joaquim César, advogado. 
Affonso Celso de Assis Figueiredo (depois Vis- 
conde de Ouro Preto), bacharel. 
Henrique Limpo de Abreu, bacharel. 



I 



13.^ LEGISLATURA (1867—1868) 

ELEIÇÃO POR DISTRICTO DE TRÊS DEPUTADOS.-Sysísma indirecto 

ou de dois graus j 



1." districto 



2.° districto 



3.° districto 



4.° districto 



5." districto 
6.° districto 
7." districto 



— Affonso Celso de Assis Figueiredo, bacharel, (de- 

pois Visconde de Ouio Preto). 

— Francisco de Paula da Silveira Lobo, bacha- 

rel. 

— Francisco de Paula Santos, negociante 

— Martinho Alvares da Silva Campos, medico. 

— António da Fonseca Vianna, medico. 

— António Vaz Pinto Coelho da Cunha, ba- 

charel . 

— Barão de Prados (depois Conde). 

— Christiano Benedicto Òttoni, lente de mathema- 

ticas. 

— José Rodrigues de Lima Duarte, depois Visconde 

de Lima Duarte, medico. 

— Flávio Farnese, bacharel. 

— Cassiano Bernardo de Noronha Gonzaga, me- 

dico. 

— José de Rezende Teixeira Guimarães, ba- 

charel. 

— Américo Lobo Leite Pereira, bacharel. 

— José Cesário de Faria Alvim, bacharel. 

— Francisco Augusto Pereira Lima, medico. 

— António Felicio dos Santos, medico. 

— António Ernesto da Costa. 

— José Joaquim Ferreira Rabello, bacharel. 

— Bernardo de Mello Franco, medico. 

— João Carlos de Araújo Moreira, bacharel. 



ARCHIVO PUBI.IC» MINBIRO 43 



14.« LEGISLATURA (1869—1872) 

ELEIÇÃO POR DISTRICTO DE TRÊS DEPUTADOS:— System a indirecto ou 

de dois grdus 



1." districto — Benjamim Rodrigues Pereira, bacharel. 

— Joaquim Antão Fernandes Leão, bacharel.— (Sen- 
do nomeado senador por Minas Geraes su- 
bstituiu-o como deputado o bacharel Diogo 
Luiz de Almeida Pereira de Vasconcellos, em 
1 de maio de 1871). 

— Camillo da Cunha Figueiredo, bacharel. 

2° districto— Agostinho Marques Perdigão Malheiros, doutor em 

direito. 
— João Pinto Moreira, bacharel. 
—António Augusto da Silva Canedo, magis- 
trado. 

3.° districto — Domiciano Matheus Monteiro de Castro, me- 
dico. 
— Mariano Procopio Ferreira Lage, negociante. — 
(Fallecendo em 1872, foi eleito deputado na 
sua vaga o bacharel Luiz Eugénio Horta 
Barbosa, que tomou assento em 21 de maio 
de 1872). 
— José Calmou Nogueira Valle da Gama, ba- 
charel. 

4.° districto — Francisco Januário da Gama Cerqueira, ba- 
charel. 
— Jeronymo Máximo Nogueira Penido, bacharel. 
— José Xavier da Silva Capanema, bacharel. 

5.° districto — Evaristo Ferreira da Veiga, bacharel. 

— José Ignacio de Barros Cobra Júnior, bacha- 
rel. 
— Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, bacharel. — (Sen- 
do eleito também pelo 3." districto, optou pelo 
5.", substituindo-o n'aquelle o dr. Domiciano 
Matheus Monteiro de Castro, em 27 de abril de 
1870; e sendo nomeado senador por Minas Geraes, 
substituiu-o como deputado o bacharel António Cân- 
dido da Rocha, em 4 de maio de 1871). 



44. 



REVISTA DO 



6." districto— António Cândido da Cruz Machado (depois Vis- 
conde de Serro Frio), advogrado. 
—Cândido Freire de Figueiredo Murta. 
— Vicente José de Fií?ueiredo. 

7." districto— Luiz Carlos da Fonseca, medico. 
—Joaquim Pedro de Mello, medico. 



15.« LEGISLATURA (1872—1875) 



(ELEIÇÃO POR DISTRICTO DE TRÊS [DEPUTADOS: 

ou de dois grous) 



-Systema indirecto 



1." districto— Carlos Peixoto de Mello, bacharel em mathema- 

ticas. 
—Diogo Luiz de Almeida Pereira de Vasconcellos, 

bacharel. 
—Joaquim Bento de Oliveira Júnior, bacharel. 
2." districto— Martinho Alvares da Silva Car^pos, medico. 

— Ignacio António de Assis Martins (depois Viscon- 
de), bacharel. 
— Camillo da Cunha Figueiredo, bacharel, 
a.*' districto— José Calmon Nogueira Valle da Gama, bacha- 
rel. 
— José Pereira dos Santos, bacharel. 
— Luiz Eugénio Horta Barbosa, bacharel. 
4." districto— António Gabriel de Paula Fonseca, medico.— (Falle- 

cido a 16 de julhc de 1875. Não se pro- 
cedeu á nova eleição). 
— Salathiel de Andrade Braga, medico. 
— Balbino Cândido da Cunha, medico. 
5." districto— António da Rocha Fernandes Leão, bacharel. 

—José Ignacio de Barros Cobra Júnior, bacha- 
rel. 
— Francisco Evangelista de Araújo, bacharel. 
6° districto - António Cândido da Cruz Machado (depois Vis- 
conde de Serro Frio) advogado.— (Nomeado sena- 
dor por Minas Geraes em 9 de maio de 1874, 
substituiu-o João Ribeiro de Campos Carvalho, 
doutor em direito, que tomou assento a 31 de 
março de 1875). 
— Bernardino da Cunha Ferreira, advogado 
— Cândido Freire de Figueiredo Murta. 



AJ\CH1V0 PUBLICO MINEIRO ,)|5 

7." districto — Luiz Carlos da Fonseca, medico. — (Nomea- 
do senador por Minas Geraes em 18 de 
junho de 1875, não se procedeu á nova 
eleição). 

— Honório Hermeío Carneiro Leão, bacharel. 
— Falleceu a 2 de março de 1873, sendo 
substituído por Joaquim Pedro de Mello, 
medico, que tomou assento a 16 de maio de 
1874). 



16. LEGISLATURA (1877) 



(ELEIÇÃO POR província, PELA LEI DE 20 DE OUTUBRO DE 1875, 
CHAMADA DO TERÇO OU DA REPRESENTAÇÃO DA MINORIA : — 
Sysrenia indirecto ou de dois graus). 

1 — Affonso Celso de Assis Figueiredo, bacharel, (depois Vis- 

conde de Ouro Preto). 

2 — Agostinho José Ferreira Bretãs, medico. 

3 — Agostinho Marques Perdigão Malheiro, doutor em direito. 

4 — Camillo áí. Cunha Figueiredo, bacharel. 

5 — Carlos José Vsrsiani, medico. 

6 — Carlos Peixoto de Mello, bacharel em mathematicas. 

7 — Diogo Luiz de Ameida Pereira de Vasconcellos, bacharel. 

8 — Fernando Teixeira de Souza Magalhães, bacharel. 

9 — Francisco Ignacio de Carvalho Rezende, doutor em direito 

10 — Francisco Januário da Gama Cerqueira, bacharel — (No- 

meado mir.istro da Justiça em 15 de íevereiro de 1877, 
foi reeleito deputado pela província e tomou assento 
em 11 de junho do mesmo anno). 

11 — Francisco Luiz da Veiga, bacharel. 

12 — Ignacio António de Assis Martins (depois Visconde de 

Assis Martins), bacharel. 

13 — Jeronymo Máximo Nogueira Penido, bacharel 

14 — Joaquim Pedro de Mello, medico. 

15 — José Calmon Nogueira Valle da Gama, bacharel. 

16 — José Cesário de Faria Alvim, bacharel. 

17 — José Rodrigues de Lima Duarte (depois Visconde de Lima 

Duarte), medico. 



46 REVISTA DO 



18 — Lucas Matheus Monteiro de Castro, bacharel. 

19 — Martinho Alvares da Silva Campos, medico. 

20 — Theophilo Ottoni, bacharel. 



17-' LEGISLATURA (1878 — 1880) 



(ELEIÇÃO POR província PELA LEI DE 20 DE OUTUBRO DE 1875 
CHAMADA DO TERÇO OU DA REPRESENTAÇÃO DA MINORIA : — 
Systema indirecto ou de dois graus). 



1 — Affonso Augusto Moreira Penna, doutor em direito. 

2 — AffonFo Celso de Assis Figueiredo (depois Visconde de 

Ouro Preto), bacharel. — (Nomeado ministro da fazen- 
da em 8 de fevereiro de 1879, e também nomeado, na 
mesma data, senador por Minas-Geraes, substituio-o An- 
tónio Alvares de Abreu e Silva, bacharel). 

3 — António Felicio dos Santos, medico. 

4 — Aureliano Moreira Magalhães, bacharel. 

5 — Cândido Luiz Maria de Oliveira, bacharel. 

6 — Carlos Affonso de Assis Figueiredo, bacharel. 

7 — Fidelis de Andrade Botelho, bacharel. 

8 — Francisco Correia Ferreira Rabello, bacharel. 

9 — Galdino Emiliano das Neves, medico. 

10 — Hygino Alvares de Abreu e Silva, doutor em direito. — 

(Tendo fallecido a 13 de maio de 1880, substituio-o 
Benedicto Cordeiro dos Campos Valladares, doutor em 
direito). 

1 1 — Ignacio António de Assis Martins (depois Visconde de 

Assis Martins), bacharel. 

12 - José Cesário de Faria Alvim, bacharel. 

13 — José Rodrigues de Lima Duarte (depois Visconde de Lima 

Dua-te), medico. (Nomeado ministro da marinha em 
28 de março de 1881, foi reeleito deputado). 

14 — Lafayette Rodrigues Pereira, bacharel. — (Nomeado sena- 

dor por Minas Geraes, em 22 de novembro de 1879, 
substituio-o Manoel Joaquim de Lemos, bacharel). 






ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 47 



15 — Manoel Eustáquio Martins de Andrade, bacharel. 

16 — Martinho Alvares da Silva Campos, medico. 

17 — Theodomiro Alvares Pereira, bacharel. 

18 — Theophilo Ottoni, bacharel. 

19 — V^irgilio Martins de Mello Franco, magistrado. 

20 — Visconde de Prados (depois Conde), medico. 



18.=' LEGISLATURA (1881 — 1884) 

(ELEIÇÃO POR DISTRICTO DE UM SO' DEPUTADO: — S/ys/emo directo) 

1." districto — Carlos Affonso de Assis Figueiredo, bacharel. 
(Sendo nomeado ministro da guerra em 3 de 
julho de 1882, foi reeleito pelo mesmo dis- 
tricto). 

2." districto — Cândido Luiz Maria de Oliveira, bacharel. — 
(Sendo nomeado ministro da guerra em 6 de 
junho de 1884, foi reeleito pelo mesmo dis- 
tricto). 

3.° districto — Affonso Augusto Moreira Penna, doutor em di- 
reito. — (Nomeado ministro da guerra em 21 de 
janeiro de 1882, foi reeleito pelo mesmo dis- 
tricto, o que de novo succedeuem 1883, pouco 
depois de sua nomeação para ministro da Agri- 
cultura, em 24 de maio desse anno). 

4.° districto — Ignacio António de Assis Martins (depois Viscon- 
de de Assis Martins), bacharel. — (Nomeado se- 
nador por Minas-Geraes em 28 de junho de 
1884, não se procedeu a nova eleição). 

5.*^ districto — Martinho Alvares da Silva Campos, medico. (No- 
meado ministro da fazenda e presidente do con- 
selho em 21 de janeiro de 1882, e a 22 do dito 
mez senador por Minas-Geraes, substituio-o Mar- 
tinho Alvares da Silva Contagem, bacharel). 

6." districto — Francisco Ignacio de Carvalho Rezende, doutor 
em direito. — (Fallecendo em 3 de maio de 1883, 
substituio-o Aureliano Martins de Carvalho Mou- 
rão, bacharel). 



^ IIEVISTA DO 



7." districto — José Rodrigues de Lima Duarte (depois Visconde 
de Lima Duarte), medico.— (Nomeado senador 
por Minas-Geraes em 26 de janeiro de 1884, foi 
eleito para substituil-o António Carlos Ribeiro 
de Andrada, bacharel, que não chegou a ser 
reconhecido). 

■ Carlos Vaz de Mello, bacharel. 
Barão da Leopoldina (José de Rezende Monteiro), 
bacharel. 

João Nogueira Penido, medico. 

José Manoel Pereira Cabral, bacharel. 

Francisco Silviano de Almeida Brandão, medico. 

Olympio Oscar de Vilhena Valladão, bacharel. 

Manoel José Soares, negociante. 

João Caetano de Oliveira e Souza, bacharel. 

Eduardo Augusto Montandon, medico. 

João da Matta Machado, medico.— (Nomeado mi- 
nistro dos estrangeiros em 6 de junho de 1884, 
foi reeleito pelo mesmo districto). 

Joaquim Vieira de Andrade, medico. 
António Felicio dos Santos, medico. 
Affonso Celso de Assis Figueiredo Júnior, doutor 
em direito. 



8." 


districto 


9." 


districto 


10." 


districto 


il.° 


districto 


12." 


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13." 


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14." 


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15." 


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16." 


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17." 


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18." 


districto 


19." 


districto 


20." 


districto 



19." LEGISLATURA (1885) 
(ELEIÇÃO POR DISTRICTO DE UM SO' DEPUTADO: - Sy st ema directo) 



1." districto — Diogo Luiz de Almeida Pereira de Vasconcellos, 
bacharel. 

2." districto — Cândido Luiz Maria de Oliveira, bacharel. 

3." districto — Affonso Augusto Moreira Penna, doutor em di- 
reito.— (Nomeado ministro da justiça em 6 de 
maio de 1885, foi reeleito pelo mesmo districto). 

4." districto — Sebastião Gonçalves da Silva Mascarenhas, me- 
dico. 

5." districto — Benedicto Cordeiro dos Campos Valladares, dou- 
tor em direito. 






ARGHIVO PUBLJCO MINEIRO 49 

6." districio - António Justiniano das Ciiagas, medico. 

7.° districto — António Carlos Ribeiro de Andrada, bacharel. 

8." districto — Carlos Vaz de Mello, bacharel. 

9.'* districto — Barão de Leopoldina, bacharel. 
10." districto —João Nogueira Penido, medico. 
11."^ districto Joaquim Bento Ribeiro da Luz, bacharel. 
12." districto — José Ignacio de Barros Cobra, bacharel. 
13." districto — Álvaro Augusto de Andrade Botelho, bacharel. 
14." districto — Manoel José Soare-, negociante. 
15." districto — Carlos Affonso de Assis Figueiredo, bacharel. 
16. "districto — Eduardo Augusto Montandon, medico. 
17." districto — António Felicio dos Santos, medico. 
18." districto— Ernesto Pio dos Mares Guia, bacharel. 
19." districto— Carlos Peixoto de Mello, bacharel em mathema- 
ticas. 

20." districto — Affonso Celso de Assis Figueiredo Júnior, doutor 

em direito. 



20.^ E ULTIMA LEGISATURA 0886—1889). 
ELEIÇÃO POR DISTRICTO DE UM SO" DEPUTADOr-Sysfema directo) 

1." districto— Manoel Joaquim de Lemos, bacharel. 

2." districto — Cândido Luiz Maria de Oliveira, bacharel. — No- 
meado senador por Minas-Geraes em 8 de outu- 
bro de 1886, substituio-o Custodio José Ferreira 
Martins, medii:o). 

3.° districto — Affonso Augusto Moreira Penna, doutor em di- 
reito. 

4." districto — Sebastião Gonçalves da Silva Mascarenhas, me- 
dico. 

5.° districto — Pacifico Gonçalves da Silva Mascarenhas, me- 
dico. 

6." districto — Aurélio Martins de Carvalho Mourão, bacharel. 
7". districto — Henrique de Magalhães Sales, bacharel. 
8". districto — José Cesário de Faria Alvim, bacharel. 
9." districto — Barão da Leopoldina, bacharel. — (Nomeado sena- 
dor por Minas-Geraes em 3 de fevereiro de 
de 1888, foi substituído por António Romualdo 
Monteiro Manso, medico). 
10." districto — João Nogueira Penido, medico. 
R. A. 4 



SO REVISTA DO 



11.° districto— Christiano Carneiro Ribeiro da Luz, engenheiro. 

12." districto — José Ignacio de Barros Cobra Júnior, bacha- 
rel. 

13.° districto— Olympio Oscar de Vilhena Valladão. bacha- 
rel. 

14." districto — Manoel José Soares, negociante — (Nomeado se- 
nador por Minas Geraes em 4 de julho de 
1888, substituio-o António Affonso Lamounier 
Godofredo, bacharel. 

15." districto — João Caetano de Oliveira e Souza, bacharel. 

16." districto— Eduardo Augusto Montandon, medico. 

17." districto — João da Matta Machado, medico. 

18." districto— Pedro Maria da Silva Brandão. 

19." districto — Carlos Peixoto de Mello, bacharel em mathe- 
maticas. 

20." districto — Affonso Celso de Assis Figueiredo Júnior, doutor 
em direito. 



CONGRESSO NACIONAL 

REPRESENTANTES DO ESTADO DE MINAS GERAES NO CONGRESSO 

FEDERAL BRASILEIRO 

1." LEGISLATURA (comprehendendo a sessão constituinte) 

1890-1893 

(ELEIÇÃO DIRECTA A 15 DE SETEMBRO DE 1890) 

Senadores: 

1 — Dr. Joaquim Felicio dos Santos (mandato por nove annos). 
Fallecido em 21 de outubro de 1895. 

2 — Dr. José Cesário de Faria Alvim (mandato por seis annos, 
terminado aliás em junho de 1891, por haver o mandatá- 
rio acceitado o cargo de presidente do Estado de Minas- 
Geraes, nos referidos mez e anno). 

3— Dr. Américo Lobo Leite Pereira (mandato por três 
annos. 

—Para preencher a vaga do Sr. dr. Cesário Alvim, foi eleito a 
30 de junho de 1892) o conselheiro Christiano Benedicto 
Ottoni. 



AflGHIVO PUBUGO MINEIRO 51 { 



— Para preencher a vaga cio dr. Joaquim Felicio dos Santos, foi 
eleito (a 12 de Janeiro de 1896) o Sr. Dr. Fernando Lobo 
Leite Pereira. 

Dopn lados: 

1 — Dr. António Olyntho dos Santos Pires. 

2 — Dr. João Pinheiro da Silva. 

3 — Dr. Francisco Coelho Duarte Badaró. 

4— Dr. Pacifico Gonçalves da Silva Mascarenhas. 



5 — Dr. Joaquim Leonel de Rezende Filho. !■ 



6— Dr. Gabriel de Paula Almeida Magalhães. 

7— Dr. João das Chagas Lobato. 

8 — Dr. António Jacob da Paixão. 

9— Dr. Alexandre Stokler Pinto de Menezes. 
10 — Dr. Francisco Luiz da Veiga. 
11 — Dr. Francisco Honório Ferreira Brandão. 
12— Dr. João da Matta Machado. 
13 — Dr. José Cândido da Costa Sena. 
14— Dr. António Affonso Lamounier Godofredo. 
15— Dr. Álvaro de Andrade Botelho. 
16— Dr. António Gonçalves Chaves. 
17 — Dr. Américo Gomes Ribeiro da Luz. 

18— Dr. Feliciano Augusto de Oliveira Penna. (Perdeu a cadeira 
em março de 1892, por ter acceitado a nomeação para o 
cargo de juiz de direito). 
19— Dr. Polycarpo Rodrigues Viotti. 
20— Dr. António Dutra Nicacio. 

21— Dr. Francisco Correia Ferreira Rabello. (Fallecido em 1892). 
22 — Manoel Fulgencio Alves Pereira. 

23— Dr. Astolpho Pio da Silva Pinto.— (Fallecido em 1892). 
24 — Dr. Aristides de Araújo Maia. 
25 — Dr. Joaquim Gonçalves Ramos. 
26 — Commendador Carlos Justiniano das Chagas. 
27 — Dr. Francisco de Paula Amaral. (Fallecido a 23 de janeiro 

de 1892.) 
28 — Dr. Domingos José da Rocha. 
29 — Dr. José da Costa Machado de Souza. 
30— Dr. Domingos da Silva Porto. 
31 — Dr. Constantino Luiz Palleta. 
32 — Dr. João António de Avelar. 
33 — Dr. José Joaquim Ferreira Rabello. 

34 — Dr. Francisco Álvaro Bueno de Paiva. (Perdeu a cadeira em 
Março de 1892 por ter acceitado a nomearão para o 
cargo de juiz de direito). 

35— Dr. José Carlos Ferreira Pires. 



i 



I 
i 



5JJ REVISTA DO 



36 — Coronel João Luiz de Campos, 
37 — Barão de Santa Helena. 



Para preenchimento das cinco vagas acima indicadas, foram 
eleitos: 

— Rodoipho Ernesto de Abreu. (Eleição de 30 de junho de 
1892.) 

— Dr. Benedicto Cordeiro dos Campos Valladares. (Idem, 
idem). 

Dr. Necesio José Tavares. (Idem, idem). 
— Visconde de Arantes. (Idem, idem). 

— Dr. António Torquato Fortes Junqueira. (Eleição de 15 de 
novembro de 1892). 



2.^ LEGISLATURA (1894-1896) 

(ELEIÇÃO DIRECTA EFFECTUADA NO l.'^ DE MARÇO DE 1894) 

SENADOR (eleito com mandato por nove annos) — Dr. An- 
tónio Gonçalves Chaves. 

SENADOR (eleito a 12 de janeiro de 1896), com mandato 
por quatro annos (para preencher a vaga do dr. Joaquim Felício 
dos Santos, fallecido a 21 de outubro de 1895) — Dr. Fernando 
Lobo Leite Pereira. 

DEPUTADOS 

1." districto— Dr. António Olyntho dos Santos Pires. (Tendo sido 
nomeado ministro da Industria e Viação, a 15 
de novembro de 1894, foi substituído pelo dr. 
José Caetano da Silva Campolina, eleito a 10 
de fevereiro de 1895). 

Dr. José Caetano de Almeida Gomes. 

Dr. Landulpho Machado de Magalhães. 

Conselheiro Francisco de Paula Mayrink. 
2." districto— Dr. José Martins de Carvalho Mourão. 

Coronel João Luiz de Campos. 

Dr. Feliciano de Lima Duarte. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 53 



3." districto — Coronel Luiz Eug^enio Monteiro de Barros. 
Dr Carlos Vaz de Mello. 

Dr. Octávio Esteves Ottoni. (Tendo failecido a 7 
de julho de 1894, do Rio de Janeiro, foi substitui- 
do pelo dr. João das Chagas Lobato, eleito a 30 
de setembro do mesmo anno). 

4." districto— Dr. Luiz Arthur Detzi. 

Dr. João Nogueira Penido. 

Dr. Joaquim Gonçalves Ramos. J 

5." districto — Dr. Francisco Luiz da Veiga. '* 

Dr. António Dias Ferraz. 

Dr. António Torquato Fortes Junqueira. 
6." districto — Dr. Joaquim Leonel de Rezende. 

Octaviano Ferreira de Brito. 

Dr. Álvaro Augusto de Andrade Botelho. 

7." districto — Dr. José Carlos Ferreira Pires. 

Dr. António Affonso Lamounier Godofredo. 
Dr. António Augusto Ribeiro de Almeida. 

8.° districto — Coronel Rodolpho Ernesto de Abreu. 

Dr. Benedicto Cordeiro dos Campos Valladares. . 

Dr. José Cupertino de Siqueira. 1 

9." districto — Coronel Theotonio de Magalhães e Castro. 1 

Dr. António Pinto da Fonseca. 
Dr. João da Matta Machado. 
10." districto — Coronel Arthur Ferreira Torres. 
Simão da Cunha Pereira. 
Manoel Fulgencio Alves Pereira. 

11." di.stricto — Dr. António Gonçalves Chaves. (Tendo sido tam- 
bém eleito e reconhecido senador, substituio-o o 

commendador Lindolpho Caetano de Souza e Silva, 

eleito a 30 de setembro de 1894). 

Dr. Olegário Dias Maciel. 

Dr. Francisco Manoel Paraíso Cavalcanti. 
12." districto— Commendador Carlos Justiniano das Chagas. 

Dr. Lamartine Guimarães. 

Dr. José da Costa Machado de Souza. 



I 



54 REVISTA DO 



ASSEMBLEA LEGISLATIVA PROVINCIAL 



REI.AÇÁO DOS CIDADÃOS QUE FORAM LLEITOS E RECONHECIDOS 
DEPUTADOS A' ASSEMBI.E'A LEGISLATIVA PROVINCIAL DE MI- 
NAS GERAES, DESDE A PRIMEIRA LEGISLATURA (1835- 18ci7) 
ATE' A ULTIMA (1888-1889). 

L" LEGISLATURA 

1835-1837 

1 — António Alves da Silva. 

2 — Dr. António da Costa Pinto. 

3 — Cónego António José Ribeiro Bhering. 

4 — Cónego António José da Silva. 
5 - Bento de Araújo Abreu. 
6 — Bernardo Jacintho da Veiga. 

7— Dr. Manoel Ignacio de Mello e Souza (depois Barão do 
Pontal). 

8 — Dr. Bernardo Pereira de Vasconcellos. 

9 — Bento Rodrigues de Moura e Castro. 
10 — Carlos Pereira Freire de Moura. 
11— Cândido Thadeu Pereira Brandão. 
12 — Dr. Domiciano Leite Ribeiro (depois Visconde de Araxá). 

13 — Domingos Theodoro de Azevedo Paiva. 
14 — Francisco António da Costa. 
15 — Commendador Francisco de Paula Ferreira Lopes. 
16 — Coronel Francisco Theodoro da Silva (posteriormente Barão 
de Pouso Alto). 

17 — Dr. Joaquim Antão Fernandes Leão. 
18 — José Alcibíades Carneiro. 

19— Cónego José António Marinho. 
20 — João Baptista de Figueiredo. 

21 — José Feliciano Pinto Coelho da Cunha (depois Barão de 
Cocaes). 

22 — João Fernandes de Oliveira Penna. 
23 — Dr. Jo:.é Joaquim Fernandes Torres. 
24 — Dr. José Jorge da Silva. 
25 — José Pedro Dias de Carvalho. 
26— Mariano José Ferreira Armonde. 
27— Cónego Manoel Júlio de Miranda. 

11 

I 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 55 



28 — Padre Manoel Rodrigues Jardim. 
29— Olympio Carneiro Viriato Catão. 

30 — Dr Pedro de Alcântara Cerqueira Leite (posteriormente Ba- 
rão de S. João Nepomuceno). 
31 — Theophilo Benedicto Ottoni. 
32 — João Antunes Corrida. 
33 — José Justiniano Carneiro. j 

34 — António Gomes Nogueira Freire. 
35 — Joaquim Pimentel Barbosa. 
36— Baptista Caetano de Almeida. 



i 



2? LEGISLATURA 
1838—1839 

1— Dr. António da Costa Pinto. 

2 — António Ribeiro de Andrade. 

3 — Dr. Bernardino José de Queiroga. 

4 — Bernardo Jacintho da Veiga. 

5— Desembargador Manoel Ignacio de Mello e Souza (depois Ba- 
rão de Pontal). 

6 — Conselheiro Bernardo Pereira de Vasconcellos. 

7 — Carlos Pereira Freire de Moura. 

8— Dr. Domiciano Leite Ribeiro (depois Visconde de Araxá). 

9— Domingos Theodoro de Azevedo Paiva 

10— Coronel Francisco Theodoro da Silva (depois Barão de Pou- 
so Alto). 

11 — João António de Lemos (depois Barão do Rio Verde). 

12 — Dr. Joaquim Antão Fernandes Leão. 

13 — José de Abreu e Silva. 

14— Dr. José Agostinho Vieira de Mattos. 

15 — Dr. Francisco de Paula Cerqueira Leite. 

16 — José Alcibíades Carneiro. 

17— Cónego José António Marinho. 

18 — Joaquim Dias Bicalho. 

19— Coronel José Feliciano Pinto Coelho da Cunha (depois Ba- 
rão de Cocaes). 

20— José Ferreira Carneiro. 

21— João Fernandes de Oliveira Penna. 

22 — Dr. José Joaquim Fernandes Torres. 

23— Dr. José Jorge da Silva. 

24— José Pedro Dias de Carvalho. 



íí 



56 REVISTA DO 



25— Major Luiz Mnria da Silva Pinto. 
26 — Manoel José Pires da Silva Pontes. 

27 — Mariano José Ferreira Armonde: 

28 — Cónego Manoel Júlio de Miranda. 

29— Dr Manoel Machado Nunes. 

30 — Dr. Pedro de Alcântara Cerqueira Leite. 

31 — Quintiliano da Rocha Franco. 

32 — Dr. Tristão António de Alvarenga. 

33 — Theophilo Benedicto Ottoni. 

34 — João Teixeira da Fonseca Vasconcellos. 

35 — Bento de Araújo Abreu. 
36 — João Antunes Corroa. 
37 — José Justiniano Carneiro. 



3.^ LEGISLATURA 
1840—1841 

1 — Dr. António da Costa Pinto. 

2 — Dr, António José Monteiro de Barros. 

3 — Cónego António José da Silva, 

4 — António Marques de Sampaio. 

5 — António Ribeiro de Andrade. 

6 — Cónego António da Rocha Franco, 

7 — Padre António Rodrigues Afíonso, 

8 — Bento de Araújo Abreu, 

9 — Padre Belchior Pinheiro de Oliveira, 

10 — Coronel Carlos de Assis Figueiredo. 

11 — Carlos Pereira Freire de Moura. 

12— Dr. Francisco Diogo Pereira de Vasconcellos. 

13 — Francisco de Paula Santos. 

14 — Dr. Francisco Vieira da Costa, 

15— Barão de Itabira, ! 

16— ^Dr. Honório Rodrigues de Faria e Castro. j 

17— Dr. José Agostinho Vieira de Mattos, | 

18 — Joaquim Dias Bicalho, i 

19 — José Ferreira Carneiro. 1 

20 — João Fernandes de Oliveira Penna. 
21 — Barão de Suassuhy, 
22— Joaquim Gomes de Carvalho. 
23 — José Justiniano Carneiro. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 



57 



24 — Dr. Jeronymo Máximo Nog^ueira Penido. 

25 — Dr. Jeronymo Máximo de Oliveira e Castro. 

26 — Cónego João Paulo Barbosa. 

27— Luiz Maria da Silva Pinto. 

28 — Manoel José Monteiro de Barros. 

29 — Cónego Manoel Júlio de Miranda. 

30 — Desembargador Nanoel Machado Nunes. 

31 — Coronel Manoel Soares do Couto. 

32 — Manoel Teixeira de Souza (depois Barão de Camargos). 

33 — Nicoláo António Nogueira Valle da Gama. 

34— Olympio Carneiro Viriato Catão . 

35 — Dr. Roque de Souza Dias. 

36— Dr. Tristão António de Alvarenga, 



4.^^ LEGISLATURA 
1842—1843 . 

1 — António Fernandes Moreira. 
2 — António Francisco Teixeira Coelho. 
3 — Dr. António Gomes Cândido 
4 — António Gomes Nogueira Freire. 
5 — Padre António Gonçalves Chaves. 
6 — António Joaquim de Oliveira Penna. 
7 — António dos Reis Silva Rezende. 
8 — António Simões de Souza. 
9— Dr. António Thomaz de Godoy. 
10 — Barão do Pontal 

11 — Dr. Caetano Alves Rodrigues Horta. 
12 — Francisco de Assis Almeida. 
13 — Gregório Luiz de Cerqueira. 

14 — Dr. Gabriel Mendes dos Santos. 

15— Dr. Joaquim Antão Fernandes Leão. 

16 — Cónego José António Marinho. 

17 — Dr. João Capistrano de Macedo Alkmim. 

18 — Dr. José Christiano Garção Stockler. 

19 — Monsenhor José Felicíssimo do Nascimento. 

20 — Dr. José Joaquim Fernandes Torres. 

21 — José Pedro Dias de Carvalho. 

22 — Dr. Luiz António Barbosa. 

23 — Luiz Fortunato de Souza Carvalho. 

24— Luiz Maria da Silva Pinto. 



I 



y 



58 



lUiVISTA DO 



25 — Dr. Manoel José Gomes Rebello Horta. 

26— Maximiano José de Brito Lambert. 

27 — Dr. Marçal José dos Santos- 

28— Dr. Manoel de Mello Franco. 

29 — Manoel Thomaz de Figueiredo Neves. 

30— Pedro de Alcântara Machado. 

31— Dr. Quintiliano José da Silva. 

32 — Dr. Roque de Souza Dias. 

33— Dr. Silvério Augusto de Araújo Vianna. 

34— Dr. Tertuliano António Alves Pires. 

35— Theophilo Benedicto Ottoni. 



5.^ LEGISLATURA 
1844—1845 



1 — António Francisco Teixeira Coelho. 

2 — Padre Belchior Pinheiro de Oliveira, 

3 — Barão de Sabará. 

4 — Dr. Estevão Ribeiro de Rezende. 

5 — Dr. Francisco de Assis Lopes Mendes Ribeiro. 

6 — Coronel Francisco Coelho Duarte Badoró. 

7 — Dr. Francisco Diogo Pereira de Vasconcellos. 

8- Francisco de Paula Saiitos. 

9 — Honório Pereira de Aseredo Coutinho. 
10 — Dr. José Agostinho Vieira de Mattos. 
11 — Joaquim Bento Ferreira Carneiro. 
12 — Dr. Joaquim Caetano da Silva Guimarães. 
13 — Joaquim Dias Bicalho. 

14 — Monsenhor José Felicíssimo do Nascimento. 
15 — João Fernandes de Oliveira Penna. 
16 — José Ignacio do Couto Moreno. 

17 — Dr. José Ignacio Nogueira Penido. 

18— Dr. Jeronymo M- Nogueira Penido 

19— Dr. Jeronymo Máximo de Oliveira e Castro. 

20 — Luiz Maria da Silva Pinto. 

21— Manoel José Monteiro Galvão de S. Martinho. 

22 — Dr. José Innocencio de Campos. 

23 — Dr. Luiz António Barbosa. 

24— Manoel Teixeira de Souza (depois Barão de Camargos). 

25— Dr. Marçal José dos Santos. 

26 — Dr. António Gomes Cândido. 



ARCmVO PUBU€0 MINEIRO 



59 



27 — António Ribeiro de Andrade. 

28 — Cónego António da Rocha Franco. 

29 — Dr. Firmino Rodrigues Silva. 

30 — Fortunato Raphaeí Archanjo da Fonseca. 

31 — Dr. Hilário Gomes Nogueira Barbosa. 

32 — Padre Jacintho José de Almeida. 

33 — Joaquim Pimentel Barbosa. 

34 — Cónego Manoel Júlio de Miranda. 

35 — Nicolao António Nogueira Valle da Gama. 

36 — Dr. Pedro Caetano Sanches de Moura. 



6." LEGISLATURA 

1846 — 1847 

1 — António Fernandes Moreira. 

2 — António Francisco Teixeira Coelho. 

3 — Dr. António Gomes Cândido. 

4 — António Gomes Nogueira Freire. 

5 — Padre António Gonçalves Chaves. 

6 — Cónego António José Ribeiro Bhering. 

7 — António dos Reis Silva Rezende. 

8 — António Ribeiro de Andrade. 

9 — Baptista Caetano de Almeida. 

10 — Dr Caetano Alves Rodrigues Horta. 

11 — Dr Camillo Maria Ferreira Armonde (depois Barão de Pra- 

dos). 

12 — Dr. Elias Pinto de Carvalho. 

13 — Dr. Francisco Ferreira Martins da Silva. 

14 — Dr. Francisco José de Araújo e Oliveira. 

15 — Francisco de Paula Pereira e Souza. 

16 — Francisco de Paula Santos. 

17 — Padre Francisco Pereira de Assis. 

18 — Dr. Hilário Gomes Nogueira Barbosa. 

19 — Padre Joaquim Camillo de Britto. 

20 — Monsenhor José Felicissimo do Nascimento. 

21 — João Gualberto Teixeira de Carvalho , 

22 — Padre José Ignacio da Silveira. 

23 — Dr. José Innocencio de Campos. 

24 — Joaquim Januário Carneiro 

25 — Padre Jacintho José de Almeida. 

26 — Dr. Jeronymo Máximo Nogueira Penido. 

27 — José Maximiano Baptista Machado . 



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60 REVISTA DO 



28 — Dr. José Marciano Gomes Baptista. 

29 — Cónego João Paulo Barbosa. ^_ 

30 — José Pacifico Peregrino e Silva. | 

31 — Cónego José de Souza e Silva Roussin . f 

32 — Luiz Maria da Silva Pinto. 

33 — Dr . Manoal José Gomes Rebello Horta. - 

34 — Manoel Thomaz Pinto da Figueiredo. 

35 — Olympio Carneiro Viriato Catão. 

36 — Pedro de Alcântara Machado. 

37 — Dr. Quintiliano José da Silva. 

38 — Dr. Roque de Souza Dias. 



7.^ LEGISLATURA 
1848 — 1849 

1 — Dr. António Dias Ferraz da Luz. 

2 — Cónego António Felippe de Araújo . 

3 — António Fernandes Moreira. 

4 — Cónego António José Ribeiro Bhering. 

5 — António José Rabello e Campos. 

6 — António Joaquim César. 

7 — Dr. Agostinho José Ferreira Brettas. 

8 — Dr. Caetano Alves Rodrigues Horta. 

9 — Coronel Carlos de Assis Figueiredo. 

10 — Dr. Cândido Bueno da Costa. 

11 — Commendador Carlos Baptista Machado. 

12 — Dr. Carlos José Versiani. 

13 — Dr. Eugénio Celso Nogueira. 

14 — Francisco Alves de Mendonça. 

15 — Padre Francisco Alves da Cunha Menezes. 

16 — Dr. Francisco Alvares da Silva Campos 

17 — Padre Francisco da Annunciação Teixeira Coelho. 

18 — Dr. Francisco Diogo Pereira de Vasconcellos. 

19 — Dr. Francisco José de Araújo e Oliveira. 

20 — Padre Francisco Pereira de Assis. 

21 — Monsenhor José Augusto Ferreira da Silva. 

22 — Joaquim Bento Ferreira Carneiro. 

23 — Dr. José Innocencio de Campos. 

24 — Dr. José Joaquim Ferreira da Veiga. 

25 — João Joaquim da Silva Guimarães. 

26 — Padre Jacintho José de Almeida. 

27 — João Januário Fernandes Leão. 

28 — Dr. Joaquim Marianno dos Santos. 



AHCHIVO PUBLICO MINEIRO 



61 



29 — Cónego João Paulo Barbosa. 

30 — José Pacifico Peregrino e Silva. 

31 — José Venâncio de Godoy. 

32 — Dr. Luiz Carlos da Rocha. 

33 — Luiz Fortunato de Souza Carvalho. 

34 — Luiz Maria da Silva Pinto. 

35 — Manoel Alves Ferreira Prados. 

36 — Dr. Manoel Joaquim Pereira de Magalhães. 

37 — Dr. Manoel José Gomes Rebello Horta. 

38 — Manoel Teixeira de Souza (depois Barão de Camargos). 

39 — Thomaz António Teixeira de Gouvêa), 



8.^ LEGISLATURA 



1850 



1851 



1 — Dr. António Dias Ferraz da Luz. 

2 — Cónego António Felippe de Araújo. 

3 — Cónego António José Ribeiro Bhering. 

4 — António José Rabello e Campos. 

5 — Dr. Agostinho José Ferreira Brettas. 

6 — Dr. Caetano Alves Rodrigues Horta. 

7 — Commendador Carlos Baptista Machado. 

8 — Dr. Carlos José Versiani. 

9 — Dr. Eugénio Celso Nogueira. 

10 — Dr. Francisco de Assis Lopes Mendes Ribeiro. 

11 — Francisco de Assis Athayde. 

12 — Fulgencio Alves Pereira. 

13 — Dr. Francisco Cyrillo Ribeiro de Souza. 

14 — Coronel Francisco de Paula Ramos Horta. 

15 — Padre Francisco Pereira de Assis. 

16 — Cónego Hermogenes Casimiro de Araújo. 

17 — Dr. Hilário Gomes Nogueira Barbosa. 

18 — Padre João Antunes Correia. 

19 — Dr. Joaquim Delfino Ribeiro da Luz. 

20 — Dr. João Honório de Magalhães Gomes. 

21 — Dr. José Innocencio Campos. 

22 — Dr. José Joaquim Ferreira da Veiga. 

23 — Joaquim Januário Carneiro. 

24 — João Joaquim da Silva Guimarães. 

25 — Padre Jacintho José de Almeida. 

26 — Coronel Joaquim Pedro Vidigal de Barros. 

27 — Dr. Joaquim Pedro de Mello. 



í 



52 REVISTA DO 



28 — Cónego José de Souza e Silva Roussin. 

29 — Dr. José Tavares de Mello. 

30 — Manoel de Barros Araújo Silveira. 

31 — Dr. Manoel José Pinto de Vasconcellos. 

32 — Cónego Pedro Meirelles de Barros. 

33 — Dr. Pantaleão José da Silva Ramos. 

34 — Dr. Salathiel de Andrade Braga. 

35 — Thomaz António Teixeira de Gouveia. 

36 — Vicente José de Figueiredo. 



9.^ LEGISLATURA. 



1852 — 1853 

1 — Dr. António Dias Ferraz da Luz. 

2 — Cónego António Felipe de Araújo, 

3 — Cónego António José Ribeiro Bhering. 

4 — António José Rabello Campos. 

5 — Dr. Agostinho José Ferreira Brettas. 

6 — Dr. Bento Alves Gondim. 

7 — Dr. Caetano Alves Rodrigues Horta. 

8 — Commendador Carlos Baptista Machado. 

9 — Dr. Carlos José Versiani. 

10 — Dr. Eugénio Celso Nogueira. 

11 — Dr. Francisco de Assis Lopes Mendes Ribeiro. 

12 — Francisco de Assis Athayde. 

13 — Fulgencio Alves Pereira. 

14 — Dr. Francisco Cyrillo Ribeiro de Souza. 

15 — Coronel Francisco de Paula Ramos Horta. 

16 — Cónego Hermogenes Casimiro de Araújo. 

17 — Padre João Antunes Corrêa. 

18 — Dr. José Affonso Dias de Souza. 

19 — Dr. Joaquim Delfino Ribeiro da Luz. 

20 — Dr. João Honório de Magalhães Gomes. 

21 — Dr. José Joaquim Ferreira da Veiga. 

22 — Dr. José Joaquim Monteiro de Barros, 

23 — Dr. José Joaquim da Silva Guimarães. 

24 — Padre Jacintho José de Almeida. 

25 — Dr. Joaquim Pedro de Mello. 

26 — Dr. José Tavares de Mello. 

27 — Dr. Manoel José Pinto de Vasconcellos. 

28 — Cónego Pedro Meirelles de Barros. 

29 — Pedro Augusto Teixeira da Moita. 



AUGHIVO Í^UBLlCO MINElílO 



63 



30 — Rodrigo José Ferreira Brettas. 

31 — Rodrigo Pereira Soares de Albergaria. 

32 — Dr. Salathiel de Andrade Braga. 

33 — Thomaz António Teixeira de Gouveia. 

34 — Vicente José de Figueiredo. 



10." LEGISLATURA 



1854—1855 



1 — Padre António Caetano Ribeiro. 

2 — Cónego António Felippe de Araújo. 

3 — Dr. Agostinho José Ferreira Brettas. 

4 — Barão de Itaverava. 

5 — Dr. Bento Alves Gondim. 

6 — Bernardo Teixeira de Carvalho. 

7 — Cesário Augusto Gama. 

8 — Dr. Carlos José Versiani. 

9 — Dr. Domiciano Matheos Monteiro de Castro. 

10 — Dr. Eugénio Celso Nogueira. 

1 1 — Dr. Francisco de Assis Lopes Mendes Ribeiro. 

12 — Francisco de Assis Athayde. 

13 — Dr. Francisco Cyrillo Ribeiro de Souza. 

14 — Coronel Francisco de Paula Ramos Horta. 

15 — Coronel PVancisco Teixeira Amarai. 

16 — Herculano César de Miranda Ribeiro, 

17 — Cónego Hermogenes Casimiro de Araújo. 

18 — Padre João Antunes Corrêa. 

19 — Dr. José Affonso Dias de Souza. 

20 — Coronel Joaquim Camillo Teixeira da Motta. 

21 — Dr. Joaquim Delfino Ribeiro da Luz. 

22 — Dr José Feliciano Dias de Gouveia. 

23 — Dr. Joaquim Ferreira Carneiro. 

24 — Coronel José Guedes Pinto. 

25 — Dr. João Honório de Magalhães Gomes. 

26 — Dr. José Ignacio Nogueira Penido. 

27 — Dr. José Joaquim Ferreira da Veiga, 

28 — Dr. José Joaquim Monteiro de Barros. 

29 — João Joaquim da Silva Guimarães. 

30 — Dr. Joaquim Pedro de Mello. 

31 — Dr. José Rodrigues de Lima Duarte. 

32 — Dr. José Tavares de Mello. 

33 — Dr. Miguel Eugénio Monteiro de Barros. 



tJ4 REVISTA DO 



34 — Dr. Monoel José Pinto de Vasconcellos. 

35 — Cónego Manoel JuIio de Miranda. 

36 — Padre Manoel Joaquim da Silva Guimarães. 

37 — Cónego Pedro Meirelles de Barros. 

38 — Rodrigues José Ferreira Brettas. 

39 — Dr. Salathiel de Andrade Braga. 

40 — Thomaz António Teixeira de Gouveia. 

41 — Vicente José de Figueiredo. 



11.^ LEGISLATURA 
1856—1857 

1 — Dr. António Augusto da Silva Canedo. 

2 — Padre António Caetano Ribeiro. 

3 — Dr. António Carlos Carneiro Viriato Catão. 

4 — Adrião Cordeiro de Campos Valladares. 

5 — Cónego António Felippe de Araújo. 

6 — Barão de Iteverava. 

7 — Dr. Anastácio Sinfronio de Abreu. 
8^ — Dr. Bento Alves Gondim. 

9 — Bernardo Teixeira de Carvalho . 

10 — Cesário Augusto Gama. 

11 — Dr. Domiciano Matheus Monteiro de Castro. 

12 — Dr. Eugénio Celso Nogueira. 

13 — Dr. Francisco de Assis Lopes Mendes Ribeiro. 

14 — Francisco de Assis Athayde. 

15 — Dr. Francisco Cyrillo Ribeiro de Souza. 

16 — Dr. Francisco Galdino da Costa Cabral. 

17 — Coronel Francisco de Paula Ramos Horta. 

18 — Coronel Francisco Teixeira Amaral. 

19 — Herculano César de Miranda Ribeiro. 

20 — Cónego Hermoneges Casimiro de Araújo. 

21 — Dr. José Affonso Dias de Souza. 

22 — João das Chagas Andrade. 

23 — Coronel Joaquim Camillo Teixeira da Motta. 

24 — Dr. José Feliciano Dias de Gouveia. 

25 — Dr. Joaquim Ferreira Carneiro. 

26 — Coronel. José Guedes Pinto. 

27 — Dr. João Honório de Magalhães Gomes. 

28 — Dr. José Ignacio Nogueira Penido. 

29 — José Joaquim Monteiro de Barros. 

30 — Dr. José Rodrigues de Lima Duarte. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 



65 



31 — Cónego José de Souza e Silva Roussin. 

32 — Dr. José Tavares de Mello. 

33 — Dr. Miguel Eugénio Monteiro de Barros. 

34 — Dr. Marçal José dos Santos. 

3õ — Cónego Manoel Júlio de Miranda. 

36 — Rodrigo José Ferreira Brettas. 

37 — Rodrigo Pereira Soares de Albergaria. 

38— Dr. Salathiel de Andrade Braga. 

39 — Thomaz António Teixeira de Gouvêa. 

40 — Vicente José de Figueiredo. 



12.« LEGISLATURA 

1858—1859 

1 — Dr. António Augusto da Silva Canedo. 

2— Dr. Aurélio A. Pires de Figueiredo Camargos. 

3 — Padre António Caetano RilDeiro. 

4 — António Eloy Casimiro de Araújo. 

5 — Dr. António da Fonseca Vianna. 

6 — Barão de Itaverava. 

7 — Barão d'Ayuruoca. 

8 — Barão do Campo Formoso. 

9 — Benjamin José da Silva Franklin. 
10 — Coronel Carlos de Assis Figueiredo. 
11 — Cesário Augusto Gama. 
12 — Cândido Freire de Figueiredo Murta. 
13 — Dr. Domiciano Matheus Monteiro de Castro. 
14 — Francisco de Assis Athayde. 
15 — Padre Francisco Alexandrino da Silva. 
16 — Dr. Francisco Cyrillo Ribeiro de Souza. 
17 — Dr. Francisco Cordeiro de Campos Valladares. 
18 — Dr. Francisco Ferreira Martins da Silva. 
19 — Fernando Joaquim da Silva Veiga. 
20 — Dr. Francisco de Paula Pereira Lagoa. 
21 — Major Francisco Peixoto de Mello. 
22 — Francisco Rodrigues de Paula. 
23 — Dr. Francisco Vicente Gonçalves Penna. 
24 — Dr. Hygino Alvares de Abreu e Silva. 
25 — Herculano César de Miranda Ribeiro. 
26 — José Augusto Monteiro de Barros. 
27 — Dr. José Afíonso Dias de Souza. 
R. A. 5 



^' 



66 kEVISTA bô 



28 — Tenente-coronel José Basílio da Gama Villas-Boas. 

29 — Dr. Joaquim Bernardes da Cuniia. 

30 — José Bento Nogueira Júnior. 

31 — José Capistrano Barbosa. 

32 — João Cassiano Santiago. 

33 — Padre João da Cruz Nogueira Penido. 

34 — Coronel Joaquim Camillo Teixeira da Motta. 

35 — Padre José Florêncio Rodrigues. 

36 — Tenente-coronel José Felisardo Francfort de Abreu Bicalho. 

37 — Dr. José Feliciano Dias de Gouvêa. 

38 — Padre José Ignacio da Silveira. 

39 — Joaquim José de Senna 

40 — Dr. Jeronymo Máximo Nogueira Penido. 

41 — José Maximiano Baptista Machado. 

42 — Cónego José Pedro da Silva Bemfica. 

43 — João Raymundo Mourão. 

44— Df. José Rodrigues de Lima Duarte. 

45 — Dr. Misael Cândido de Mesquita. 

46 — Dr. Marçal José dos Santos. 

47 — Manoel Pereira da Silveira. 

48— Pedro Augusto Teixeira da Motta. 1^ 

49 — Raymundo Nato Brasileiro. 

50 — Dr. Salathiel de Andrade Braga. 

51 — Dr. Simão da Cunha Pereira. 

52 — Dr. Silvério José Lessa. 

53 — Vicente de Paula Bernardino. 



13.^ LEGISLATURA 

1860—1861 

1— Dr. António Augusto da Silva Canedo. 
2— Capitão António de Assis Martins. 
3— Dr. Aurélio A. Pires de Figueiredo Camargo. 
4 — António Cândido da Silva Mascarenhas. 
5 — Dr. Affonso Celso de Assis Figueiredo. 
6 — Dr. António da Fonseca Vianna. 
7 — Dr. Balbino Cândido da Cunha. 
8 — Barão do Campo Formoso. 
9 — Benjamin José da Silva Francklin. 
10 — Barão de Pitanguy. 



i 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 



67 



11 — Padre Braz Vieira da Silva. 

12 — Cesário Augusto Gama. 

13— Dr. Eugénio Celso Nogueira. 

14 — Dr. Eduardo José de Moura. 

15 — Dr. Ernesto Pio dos Mares Guia. 

16 — Dr. Francisco Asarias de Queiroz Botelho. 

17 — Dr. Fidelis de Andrade Botelho. 

18— Padre Francisco Guarita Pitanguy. 

19— Dr. Francisco José de Araújo Oliveira. 

20 — Padre Francisco de Paula Homem. 

21 — Major Francisco Peixoto de Mello. 

22 — Dr. Francisco Vicente Gonçalves Penna. 

23 — Dr. Gabriel Pio da Silva. 

24— Herculano César de Miranda Ribeiro. 

25 — Tenente-coronel José Basílio da Gama Villas-Boas. 

26 — José Bento Nogueira Júnior. 

27 — João Cassiano S Thiago. 

28 — Dr. José Constâncio de Oliveira e Silva. 

29 — Tenente-coronel José Felisardo Francfort de Abreu Bicalho. 

30 — Padre José Ignacio da Silveira. 

31 — Dr. José Joaquim Ferreira Rabello. 

32 — Joaquim José de Senna. 

33 — Dr. Jeronymo Máximo Nogueira Penido. 

34 — Cónego José Pedro da Silva Bemfica. 

35 — Coronel João Quintino Teixeira. 

36 — Dr. José de Rezende Teixeira Guimarães. 

37 — Dr. José Rodrigues de Lima Duarte. 

38 — José Teixeira Alves de OHveira. 

39 — José Vieira de Rezende e Silva. 

40 — Dr. Luiz Gomes Ribeiro. 

41 — Dr. Manoel Faustino Correia Brandão. 

42 — Dr. Marçal José dos Santos. 

43 — Padre Modesto Luiz Caldeira. 

44 — Manoel Pereira da Silveira. 

45 — Pedro Augusto Teixeira da Motta. 

46 — Rodrigo José Ferreira Brettas. 

47— Dr. Simlo da Cunha Pereira. 



t}^ REVISTA DO 



14." LEGISLATURA 
1862—1863 

1 — Dr. António Augusto da Silva Canedo. 

2 — Coronel António José Rabello e Campos. 

3 — Dr. Balbino Cândido da Cunha. 

4 — Bernardino da Cuniia Ferreira. 

5 — Cândido Freire de Figueiredo Murta. 

6— Capitão Cândido Ignacio Ferreira Lopes. 

7 — Dr. Carlos Thomaz de Magalhães Gomes. 

8 — Dr. Domiciano Matheus Monteiro de Castro. 

9 — Dr. Ernesto Pio dos Mares Guia. 
10 — Emilio Soares de Gouveia Horta Júnior. 
11 — Padre Francisco Alexandrino da Silva. 
12— Dr. Fidelis de Andrade Botelho. 
13— Dr. Francisco Augusto Pereira Lima. 
14 — Dr. Frederico Augusto Alvares da Silva. 
15 — Dr. Francisco de Barros Lima Monte Raso. 
16 — Major Francisco Peixoto de Mello. 
17 — Coronel Francisco Teixeira Amaral. 
18 — Francisco Vicente Gonçalves Penna. 
19 — Dr. Hygino Alvares de Abreu e Silva. 
20 — Herculano César de Miranda Ribeiro 
21 — Justino de Andrade Camará. 
22 — José Bento Nogueira Júnior. 
23 — Dr. João Braulio Moinhos de Vilhena. 
24 — João Cassiano S. Thiago. 
25 — Dr. José da Costa Machado Souza Ribeiro. 
26— Coronel João Chrysostomo Pinto da Fonseca. 
27 — Tenente-coronel José Felisardo Francfort de Abreu Bica- 

Iho. 
28 — Dr. Jeronymo Máximo Nogueira Penido. 
29— Dr. João Pinto Moreira. 
30 — Dr. José de Rezende Teixeira Guimarães. 
31— Coronel José Vieira de Rezende e Silva. 
32 — Dr. Marçal José dos Santos. 
33 — Dr. Maximiano Augusto de Barros Cobra. 
34 — Dr. Cherubim Modesto Pires Camargo. 
35 — Rodrigo de Souza Reis. 
36 — Dr. Washington Rodrigues Pereira. 



ARCniVO PUBLICO MINEIRO 69 



15.^ LEGISLATURA 

1864—1865 

1 — Dr. António Augusto da Silva Canedo. 

2 — António Ernesto da Costa. 

3 — Padre Agostinho Francisco Paraiso. 

4 — Capitão António Nunes Galvão. 

5— l)r. António Vaz Pinto Coelho da Cunha. 

6 — Dr. Balbino Cândido da Cunha. 

7 — Dr. Benjamin Rodrigues Pereira. 

8— Cyrino Hortencio Goulart Brutn. 

9 — Dr. Carlos Thomaz de Magalhães Gomes. 
10 — Dr. Cassiano Bernardo de Noronha Gonzaga. 
11 — Emilio Soares de Gouvêa Horta Júnior. 
12 — Dr. Eduardo Augusto Montandon. 
13 — Dr. Francisco de Assis Martins da Costa. 
14 — Padre Francisco da Annunciação Teixeira Coelho. 
15 — Dr. Félix António de Souza. 
16— Dr. Fidelis de Andrade Botelho. 
17 — Dr. Francisco Augusto Pereira Lima. 
18 — Dr. Frederico Augusto Alvares da Silva. 
19 — Padre Francisco Guarita Pitanguy. 

20 — Dr. Francisco de Paula Ferreira de Rezende. 

21 — Coronel Francisco Teixeira Amaral. 

22 — Dr. Francisco Vicente Gonçalves Penna. 

23— Dr. Hygino Alvares de Abreu e Silva. 

24 — Dr. João Bernardes de Vasconcellos Coimbra. 

25 — Dr. João Carlos de Araújo Moreira. 

26 — Dr. José Constâncio de Oliveira e Silva. 

27 — Dr. José Cesário de Faria Alvim. 

28— Padre José Ignacio da Silveira. 

29 — Dr. José Joaquim Fernandes Torres Júnior. 

30 — Jacintho Pereira de Magalhães e Castro. 

31— Cónego José Pedro da Silva Bemfica. 

32 — Dr. João Pinto Moreira. 

33 — Dr. José de Rezende Teixeira Guimarães. 

34 — José Venâncio de Godoy. 

35— Dr. Manoel Joaquim Pereira de Magalhães. 

36 — Dr. Martiniano da Fonseca Reis Brandão. 

37 — Dr. Marcelino de Assis Tostes. 

38— Dr. Pedro Martins Pereira. 

39— Dr. Vicente Justiniano Bezerra Cavalcanti, 



70 



BBVISTA DO 



I I 



16.^ LEGISLATURA 



1866-1867 



1 — Vigr. Agostinho Francisco Paraiso. 

2— Dr. Antero José Lage Barbosa. 

3— António Ernesto da Costa. 

4 — Dr. António Gonçalves Chaves Júnior. 

5— Capitão António Nunes Galvão. 

6 — Dr. António Vaz Pinto Coelho. 

7— Dr. Balbino Cândido da Cunha. 

8 — Dr. Benjamin Rodrigues Pereira. 

9— Bernardino da Cunha Ferreira. 
10— Dr. Carlos Thomaz de Magalhães Gomes. 
11 — Dr. Cassiano Bernardo Noronha Gonzaga. 
12 — Tenente-coronel Cyrino Hortencio Goulart Brum. 
13- -Capitão Cândido Ignacio Ferreira Lopes. 
14— Dr. Eduardo Augusto Montandon. 
15 — Emilio Soares de Gouvêa Horta. 
16— Dr. Francisco Vicente Gonçalves Penna. 
17 — Vigário Francisco de Paula Homem. 
18 — Coronel Francisco Teixeira Amaral. 
19 — Dr. Francisco de Assis Martins. 
20 — Dr. Francisco de Paula Ferreira de Rezende. 
21 — Fernando Gomes Caldeira Fontoura Júnior. 
22 — Dr. Francisco Azarias de Queiroz Botelho. 
23 — Vigário Francisco da Annunciação Teixeira Coelho. 
24 — Dr. Francisco Augusto Pereira Lima. 
25 — Dr. Frederico Augusto Alvares da Silva. 
26 — Dr. Francisco José Ferreira Torres. 
27 — Dr. Hygino Alvares de Abreu e Silva. 
28 — Cónego José Pedro da Silva Bemfica. 
29 — Dr. José Cesário de Faria Alvim. 
30 — Tenente coronel José Venâncio de Godoy. 
31 — Vigário José Ignacio da Silveira. 
32 - Dr. José Ignacio de Barros Cobra. 
33 — Dr. João Carlos de Araújo Moreira. 
34 — Vigário Joaquim José da Costa Senna. 
35— Dr. Mizael Cândido de Mesquita. 
36 — Dr. Olympio Marcellino da Silva. 
37 — Dr. Manoel Joaquim Pereira de Magalhães. 
38— Dr. Marcellino de Assis Tostes (depois Barão de S. Mar- 
cellino). 
39 — Dr. Theodomiro Alves Pereira. 
40— Dr. Washington Rodrigues Pereira. 



AftCaiVO PUBLICO MINEIRO 71 

17.^ LEGISLATURA 

1868—1869 

1 — Capitão António Nunes Galvão. 

2 — Dr. Aureliano Moreira de Maí^alhães. 

3 — Dr. António Alvares de Abreu e Silva Júnior. 

4 — Dr. Antero José La^e Barbosa. 

5 — Dr. António Pereira de Sousa. 

6 — Tenente coronel António Luiz Pinto de Noronha. 

7 — Dr. António Gonçalves Chaves Júnior. 

8 — Padre Agostinho Francisco Paraiso. 

9 — Dr. Camillo Augusto Maria de Brito 
10 — Dr. Custodio José da Costa Cruz. 
11 — Dr. Christiano Maurício Stockler de Lima. 
12 — Dr. Ernesto da Silva Braga. 
13 — Dr. Eduardo Augusto Montandon. 
14 — Coronel Francisco Teixeira Amaral. 
15 — Dr. Francisco de Assis Pereira de Andrade. 
16 — Dr. Francisco Azarias de Queiroz Botelho. 

17 — Dr. Frederico Marcondes Machado. 
18 — Dr. Francisco Corrêa Ferreira Rabello. 
19 — Dr. Francisco José da Silva Ribeiro. 
20 — Francisco José Ferreira Torres. 
21 — Dr. Galdino Alves do Banho. 

22 — Dr. Hygino Alvares de Abreu e Silva. 

23 — Dr. Ignacio António Fernandes. 

24 — Dr. Ignacio António de Assis Martins. 

25— Dr. José Francisco Netto (depois Barão de Coromandel). 

26 — João Alves dos Santos. 

27 — Vigário José Ignacio da Silveira. 

28 — Dr. José Maria Vaz Pinto Coelho. 

29 — Vigário José António Martins. 

30 — Dr. José Christiano Stocker de Lima. 

31 — Dr. Manoel Faustino Corrêa Brandão. 

32 — Dr. Martinho Alvares da Silva Contagem. 

33 — Dr. Manoel Bazilio Furtado. 

34 — Dr. Martiniano da Fonseca Reis Brandão. 

35 — Dr. Nicoláo António de Barros. 

36 — Dr. Severo Mendes dos Santos Ribeiro. 

37 — Thomaz Pacheco Ferreira Lessa. 

38 — Dr. Theodomiro Alves Pereira. 

39 — Dr. Theophilo Pereira da Silva. 

40 — Dr. Virgílio Martins de Mello Franco. 



72 REVISTA DO 



18."' LEGISLATURA 

1870—1871 

1 — Dr. Américo da Silva Oliveira. 

2 — Major Annanias Manoel Teixeira. 

3 — Capitão António cie Assis Martins. 

4 — Dr. António Casimiro da Motta Pacheco. 

5 — Dr. Aureliano Augusto de Andrade. 

6 — Dr. Balbino Cândido da Cunha. 

7 — Vigário Cândido Augusto de Mello . 

8— Capitão Cândido Ignacio Ferreira Lopes. 

9 — Dr. Claudino Pereira da Fonseca. 
10— Dr. Carlos Peixoto de Mello. 
11 — Dr. Eduardo José de Moura 
12— Dr. Feliciano Augusto de Oliveira Penna. 
13 — Francisco Domingues da Silva 
14 — Dr. Francisco Evangelista de Araújo. 
15 — Tenente coronel Francisco de Paula Xavier da Silva Ca- 

panema. 
16 — Dr. Jeronymo Máximo Versiani e Castro. 
17 — João Cassiano S. Thiago. 
18 — Cónego João da Cruz Nogueira Penido. 
19 — Dr. João Emilio de Rezende e Costa. 
20 — Dr. Joaquim Bento de Oliveira Júnior. 
21— Dr. Joaquim Ignacio de Mello e Souza Jequiriçá. 
22 — Dr. Joaquim Ignacio Nogueira Penido. 
23 — Tenente-coronel Joaquim Lourenço Baeta Neves (depois 

Barão de Queluz). 
24 — Dr. Joaquim de Vasconcellos Teixeira da Motta. 
25 — José Coelho Tocantins de Gouvèa. 
26 — José Bento Nogueira Júnior. 
27^ — José Felisardo Francfort de Abreu Bicalho. 
28 — Tenente-coronel José Miguel de Siqueira. 
29 — Tenente-coronel José Teixeira Alves de Oliveira. 
30 — Justino de Andrade Camará. 
31 — Dr. Lucas António Monteiro de Castro. 
32 — Dr. Luiz Eugénio Horta Barbosa. 
33— Dr. Luiz Gomes Ribeiro. 
34 — Manoel Fulgencio Alves Pereira. 
35 — Tenente coronel Manoel Ignacio Gomes Valladão. 
36— Dr. Modesto de Faria Bello. 
37— Cónego Modesto Luiz Caldeira. 
38 — Coronel Raymundo Nonato da Silva Athayde. 
39 — Dr. Theotonio de Miranda Lima. 
40— Dr. Vicente Xavier de Toledo Sobrinho. 






ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 73 



ig."^ LEGISLATURA 
(1872—1873) 

1 — Major Annanias Manoel Teixeira. 

2 — Capitão António de Assis Martins. 

3 — Tenente-coronel António Manoel da Apresentação. 

4 — Dr. Aureliano Augusto de Andrade. 

5 — Dr. Balbino Cândido da Cunha. 

6 — Barão de Queluz. 

7 — Dr. Caetano Augusto da Gama Cerqueira. 

8 — Vigário Cândido Augusto de Mello. 

9 — Capitão Cândido Ignacio Ferreira Lopes. 

10 — Dr. Carlos Peixoto de Mello. 

11 — Dr. Claudino Pereira da Fonseca. 

12 — Dr. Eduardo José de Moura. 

13 — Dr. Feliciano Augusto de Oliveira Penna. 

14 — Dr. Gustavo Xavier da Silva Capanema. 

15 — Capitão João Baptista Pinto. 

16 — João Cândido de Oliveira e Silva (falleceu durante a legis- 

latura). 

17 — João Cassiano S. Tiago. 

18 - Dr. João Emilio de Rezende Costa. 

19 — Joaquim Bento dé Oliveira Júnior. 

20 — Dr. Joaquim Ignacio Nogueira Penido. 

21 — Dr. Joaquim de Vasconcellos Teixeira da Motta (falleceu 

durante a legislatura). 

22 — José Bento Nogueira Júnior. 

23 — Dr. José Eufrosino Ferreira de Brito. 

24 — Dr. José Joaquim Baeta Neves. 

25 — Tenente-coronel José Miguel de Siqueira. 

26 — José Pedro Xavier da Veiga. 

27 — Dr. José Pereira dos Santos. 

28 — Justino de Andrade Camará. 

29 — Dr. Lucas Matheus Monteiro de Castro. 

30 — Dr. Luiz Eugénio Horta Barbosa. 

31 — Luiz Gomes Ribeiro. 

32 — Manoel Fulgencio Alves Pereira. 

33 — Dr. Manoel Gomes Tolentino. 

34 — Tenente-coronel Manoel Ignacio Gomes Valladão. 

35 — Cónego Modesto Luiz Caldeira. 

36 — Dr. Nominato José de Souza Lima. 

37 — Pedro Maria da Silva Brandão. 

38 — Coronel Raymundo Nonato da Silva Athayde. 



74 



REVISTA DO 



39 
40 

41 
42 



Dr. Salatiel de Andrade Brap^a. 
Dr. Saturnino Amâncio da Silveira. 
Thomaz António Teixeira de Gouvêa. 
Cónego Zeferino Cândido Pereira de Avellar. 



1 — 

2 - 

3 - 
4 — 

5 — 

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26 - 

27 - 



20.'* LEGISLATURA 
(1874—1875) 

António de Assis Martins. 

Tenente-coronel António Manoel da Apresentação. 
Dr. Aureliano Martins de Carvalho Mourão. 
Dr. Affonso Augusto Moreira Penna. 
Major Annanias Manoel Teixeira. 
Dr. Benedicto Cordeiro dos Campos Valladares. 
Dr. Cândido Luiz Maria de Oliveira. 

■ Dr. Carlos Affonso de Assis Figueiredo. 

■ Cónego Cândido Augusto de Mello. 
Francisco José de Oliveira e Silva. 

■ Dr. Francisco Bernardino Rodrigues Silva. 

■ Francisco Peixoto de Mello. 

Dr. Fernando Teixeira de Souza Magalhães. 

- Dr. Feliciano Augusto de Oliveira Penna. 
Dr. Francisco Ignacio Wernek. 

■ Dr. Francisco de Paula Ramos Horta Júnior. 

Dr. João Chrysostomo Leopoldino de Magalhães. 
Joaquim Getulio Monteiro de Mendonça. 
Dr. José Eufrosino Ferreira de Brito (1). 
• Justino de Andrade Camará. 
Capitão José Bento Nogueira Júnior. 

- José Pedro Xavier da Veiga. 

- Padre Dr. José Marciano Gomes Baptista. 

- Dr. José Joaquim Baeta Neves. 

- João Cassiano Santiago. 

- José António da Silveira Drumond. 
Dr. Joaquim ignacio Nogueira Penido. 



(1) Tomou assento por ter sido annuUaclo o diploma do dr. José Manoel 
Pereira Cabral, que fora eleito. 



ARCHIVO PUBLIÍX) MINEIRO 75 



28 — Capitão João Baptista Pinto. 

29 — Dr. João Emilio de Rezende Costa. 

30 — Tenente Coronel José Teixeira Alves de Oliveira. 

31 — Dr. Lucas António Monteiro de Castro. 

32 — Dr. Lucas Matheus Monteiro de Castro. 

33 — Dr. Luiz Gomes Ribeiro. 

34 — Dr. Manoel Gomes Tolentino. 

35 — Dr. Manoel Fulgencio Alves Pereira. 

36 — Tenente-coronel Manoel Ingacio Gomes Veiliadão. 

37 — Cónego Modesto Luiz Caldeira. 

38 — Dr. Nominato José de Souza Lima. 

39 — Pedro Maria da Silva Brandão. 

40 — Coronel Raymundo Nonato da Silva Athayde. 



21^ LEGISILATURA 

1876 — 1877 

1 — Dr. Affonso Augusto Moreira Penna. 

2 — Dr António Cassemiro da Motta Pacheco. 

3 — Tenen^^e-coronel António Manoel da Apresentação. i 

4 — Major Annanias Manoel Texeira. ' 

5 — Dr. Areliano Martins de Carvalho Mourão. l 

6 — Dr. Agostinho Máximo Nogueira Pinido. 'i 
1 — Dr. Benedicto Cordeiro dos Campos Valladares. ] 

8 — Dr. Caetano Augusto da Gama Cerqueira. i 

9 — Cesário Augusto da Gama. I 

10 — Dr. Carlos Affonso de Assis Figueiredo. i 

11 — Dr. Cândido Luiz Maria de Oliveira. j 

12 — Domingo Rodrigues Viotti. 

13 — Capitão Evaristo Gonçalves Machado. 

14 — Francisco Peixoto de Mello. ' 

15 — Coronel Francisco Texeira Amaral. 

16 — Dr. Francisco Bernardino Rodrigues Silva. 

17 — Dr. Francisco de Paula Ramos Horta Júnior. 

18 — Dr. Francisco Luiz da Veiga. 

19 — Francisco José de Oliv^eira e Silva. 

20 — Innocencio Augusto de Campos. 

21 — Justino de Andrade Camará. 

22 — Monsenhor José Augusto Ferreira da Silva. 

23 — José António da Silveira Drumond. 

24 — Capitão João Baptista Pinto. 



76 REVISTA DO 



25 — Dr. José Moreira da Rocha. 

26 — Dr. Joaquim Ignacio Nogueira Penido. 

27 — José Pedro Xavier da Veiga. 

28 — Joaquim Getulio Monteiro de Mendonça. 

29 — Dr. José Eufrosino Ferreira de Brito. 

30 — Capitão José Bento Nogueira Júnior. 

31 — Coronel José Felizardo JFrancfort de Abreu Bicalho. 

32 — Manoel Fulgencio Alves Pereira. 

33 — Dr. Manoel Gomes Tolentino. 

34 — Cónego Modesto Luiz Caldeira. 

35 — Dr. Olympio Oscar de Vilhena Valladão. 

36 — Pedro Maria da Silva Brandão. 

37 — Roberto Alves Ferreira Tayoba Júnior, 

38 — Dr. Silvestre Dias Ferraz Júnior. 

39 — Thomaz António Texeira de Gouvêa. 

40 — Dr. Theophilo Pereira da Silva. 



22^ LEGISLATURA. 
1878 — 1879 

1 — Dr. Affonso Augusto Moreira Penna. 

2 — Major Annanias Manoel Texeira. 

3 — Dr. António Arnaldo de Oliveira. 

4 — Tenente Coronel António Manoel da Apresentação 

5 — Dr. António Alvares de Abreu e Silva. 

6 — Dr. Benedicto Cordeiro dos Campos Valladares. 

7 — Cesário Augusto Gama. 

8 — Dr. Cândido Luiz Maria de Oliveira. 

9 — Dr. Cornelio Pereira de Magalhães. 

10 — Dr. Caetano Luiz Machado Magalhães. 

11 — Dr. Carlos Affonso de Assis Figueiredo. 

12 — Domingos Rodrigues Viotti. 

13 — Capitão Evaristo Gonçalves Machado. 

14 — Dr. Francisco de Paula Ferreira e Costa. 

15 — Coronel Francisco Teixeira Amaral. 

16 — Francisco Peixoto de Mello. 

17 — Dr. Francisco Bernardino Rodrigues Silva. 

18 Dr. Henrique de Magalhães Salles. 

19 — Monsenhor José Augusto Ferreira da Silva. 

20 — Dr. Justino Ferreira Carneiro. 

21 — José António da Silveira Drumond. 



ÁHCHIVO PUBLICO IfiNElRO 77 

22 — Coronel José Felisardo Francfort de Abreu Bicalho. 
23 — Major Joaquim José de Oliveira Penna. 
24 — Dr. João Baptista de Carvalho Drumond. 
25 — Capitão José Bento Nogueira. 

26- Dr. Joaquim Bento Ribeiro da Luz. 
27 — Justino de Andrade Camará. 
28 — Dr. Joaquim Onofre Pereira da Silva. 
29 — Dr. João da Matta Machado. 

30— José Pedro Xavier da Veiga. 

31- Commendador José Pedro Américo de Mattos. 
32 - Manoel Fulgencio Alves Pereira. 

33— Dr. Martinho Alvares da Silva Contagem. 

34 — Tenente-coronel Manoel Ignacio Gomes Valladão. 

35 — Ovidio João Paulo de Andrade. 

36— Pedro Maria da Silva Brandão. 

37 — Coronel Raymundo Nonato da Silva Athayde. 

38 — Dr. Silvestre Dias Ferraz Júnior. 

39— Dr. Theophilo Pereira da Silva. 

40 — Dr. Virgílio Martins de Mello Franco. 



23.^ LEGISLATURA 
1880—1881 

1 — Dr. António Arnaldo de Oliveira. 

2— Cónego António Carlos Evencio da Silv^eira. 

3— Dr. António Jacob da Paixão. 

4— Amaro Carlos Nogueira. 

5 — Dr. António Zacarias Alvares da Silva. 

6— Barão de Grão Mogol. 

7 — Dr. Cornelio Pereira de Magalhães. 

8— Dr. Cândido Luiz Maria de Oliveira. 

9 — Dr. Cassiano Augusto de Oliveira Lima. 
10 — Dr. Carlos Affonso de Assis Figueiredo. 

11— Dr. Ernesto Pio dos Mares Guia. | 

12— Padre Francisco de Paula Araújo Lobato. j 

13 — Padre Francisco de Salles Torres Lima. 
14— Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão. 
15— Coronel Francisco Teixeira Amaral. 
16 — Padre Honório Benedicto Ottoni. 
17— Dr. Henrique de Magalhães Salles. 



78 



HEVISTA IV) 



I 
f 

I 



18 — Dr. José Francisco Netto (depois Barão de Coromandel). 

19 — João Alves dos Santos. 

20 — Monsenhor José Augusto Ferreira da Silva. 

21 — José António da Silveira Drumond. 

22 — Dr. José Cândido da Costa Senna. 

23 — João Vieira de Azeredo Coutinho. 

24 — Dr. Joaquim Onofre Pereira da Silva 

25 — Coronel Jacinto Dias da Silva. 

26 — Dr. José Rufino Soares de Almeida. 

27 — Dr. João das Chagas Lobato. 

28 — Commendador José Pedro Américo de Mattos. 

29 — Major Joaquim José de Oliveira Penna. 

30 — Dr. Leonardo José Teixeira da Silva. 

31 — Manoel Fulgencio Alves Pereira. (1) 

32 — Dr. Manoel Joaquim de Lemos. 

33 — Dr. Manoel Faustino Corrêa Brandão. 

34 — Dr. Mário Nunes Galvão. 

35 — Dr. Martinho Alvares da Silva Contagem. 

36 — Ovidio João Paulo de Andrade. 

37— Dr. Olegário Dias Maciel. 

38 — Dr Pedro Sanches de Lemos. 

39— Dr. Silvestre Dias Ferraz Júnior. 

40 — Dr. Sebastião Gonçalves da Silva Mascarenhas. 



24.^ LEGISLATURA 



1882—1883 

1— Major António Cesário da Silva e Oliveira. 

2 — Dr. António Zacarias Alvares da Silva. 

3 — Dr. António Augusto Velloso. 

4 — Dr. António Jacob da Paixão. 

5 — Pedro António Ribeiro da Luz. 

6 — Capitão António de Santa Cecilia. 

7 — Major António Luiz Maria Soares de Albergaria. 

8 — Barão de Coromandel. 

9— Dr. Cláudio Herculano Duarte. 
10 — Dr. Chrispim Jacques Bias Fortes. 
11 — Camillo Philinto Prates. 
12 — Padre Francisco de Salles Peixoto. 
13 — Francisco Álvaro de Moraes Navarro. 



(1) Tomou assento em logar do dr. André Martins de Andrade, cuja 
eleição foi julgada nulla em virtude de impedimento legaL 



ARCHIVO PUBLICO MlNElRO 7^ 



14 — Gustavo José da Silva Penna. 
15 — Dr. Henrique de Magalhães Salles. 
16 — Padre Honório Benedicto Ottoni. 
17 — Coronel João Luiz de Campos. 
18 — Dr. José Rufino Soares de Almeida. 
19 — José António da Silveira Drumond. 
20 — José Pedro Xavier da Veiga. 

21 — Dr. João Pedro Moretzsohn. 

22 — José Coelho Tocantins de Gouvôa 

23 — Dr. José Cesário Miranda Ribeiro. 

24— Dr. José Cândido da Costa Sena. 

25 — Tenente-coronel José Augusto do Amaral. j 

26 — Dr. Leandro José Teixeira da Silva. 

27 — Dr. Manoel Joaquim de Lemos. 

28 — Dr. Manoel Faustino Corrêa Brandão. 

29 — Manoel Fulgencio Alves Pereira. 

30— Dr. Manoel Menelio Pinto 

31 — Padre Miguel Kerdole Dias Maciel. 

32 — Dr. Modestino Carlos da Rocha Franco. 

33 — Dr. Nuno Teixeira Lage. 

34 — Capitão Nelson Dário Pimentel Barbosa 

35 — Dr. Olegário Dias Maciel 

36 — Dr. Pedro de Vasconcellos Teixeira da Motta. 

37 — Severiano Nunes Cardoso de Rezende. 

38 — Dr. Silvestre Dias Ferraz Júnior. 

39 — Padre Venâncio Ribeiro de Aguiar Café. 

40 — Wenceslau Pereira de Oliveira. 



25. « LEGISLATURA 

1884—1885 

1 — Dr António Joaquim Barbosa da Silva. 
2 — Dr. António Jacob da Paixão 
3 — Dr. Américo Gomes Ribeiro da Luz. 
4 — Major António Luiz M. Soares de Albergaria. 
5 — Amâncio Gonçalves Castanheiro 
6 — Coronel António Joaquim Nunes Brazileiro. 
7 — Barão de Guararema. 
8 — Dr. Chrispim Jacques Bias Fortes. 
9 — Padre Candidij Alves Pinto de Cerqueira. 
10 — Dr. Custodio José Ferreira Martins. 



80 REVISTA DO 



11 — Dr. Christinno Carneiro Ribeiro da Luz. 

12— Camilo Philinto Prates. 

13 — Dr. Cassiano Nunes Moreira. 

14 — Dr. Diogo Luiz de Almeida Pereira de Vasconcellos. 

15 — Capitão Francisco Álvaro de Moraes Navarro. 

16— Dr. Franklin Botelho. 

17 — Padre Francisco de Salles Peixoto. 

18 — Gustavo José da Silva Penna. 

19 — Commendador José Pedro Américo de Mattos. 

20 — Coronel João Luiz de Campos. 

21 — Commendador Joaquim António Gomes da Silva. 

22 — Dr. João José Frederico Ludovice. 

23 — Dr. José Cesário de Miranda Ribeiro. 

24 Coronel José Bento Nogueira. 

25— José António da Silveira Drumond. 

26 — Coronel Jacintho Dias da Silva. 

27 — Coronel José Bento Cândido de Oliveira. 

28 — Dr. Manoel Joaquim de Lemos. 

29 — Dr. Manoel Faustino Gorrêa Brandão. 

30— Dr. Manoel Menelio Pinto. 

31— Manoel Fulgencio Alves Pereira. 

32— Padre Miguel Kerdole Dias Maciel. 

33 — Cónego Manoel Alves Pereira. 

34 — Dr. Nuno Teixeira Lage. 

35 — Ovidio João Paulo de Andrade. 

36- -Pedro Maria da Silva Brandão. 

37— Dr. Silvestre Dias Ferraz Júnior. 

38— Theotonio Pereira de Magalhães e Castro. 

39 — Cónego Ulysses Furtado de Souza. 

40 — Cónego Zeferino Cândido Pereira de Avellar. 



26.^ LEGISLATURA 

1886—1887 

1 — Commendador António Martins Ferreira da Silva. 

2— Dr. Anionio Joaquim Barbosa da Silva. 

3 — Dr. Amâncio Olympio de Andrade Barros. 

4— Dr. António Augusto Velloso. 

5 — Padre Alexandre Generoso de Almeida e Silva 

6 — Capitão Alexandre Dias Maciel. 

7 — Dr. Américo Gomes Ribeiro da Luz. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 81 

8 — Dr. Cláudio Alaôr Bernhaus de Lima. 

9— Camillo Philinto Prates. 
10 — Dr. Cassiano Nunes Moreira. 
11— Padre Cândido Alves Pinto de Cerqueira 
12— Dr. Chrispim Jacques Bias Fortes. 
13 — Domingos Rodrigues Viotti. 
14 — Padre Francisco de Paula Araújo Lobato. 
15 — Dr. Francisco Cesário de Figueiredo Côrles Júnior. 
16 — Ignacio Carlos Moreira Murta. 
17 — José António da Silveira Drumond. 
18 — Commendador Joaquim M. de Moraes Castro. 
19— Commendador José Joaquim de Oliveira Penna. 
20 — José Thomaz Pimentel Barbosa. 
21— Cónego João Baptista Pimenta. 
22— Dr. José Caetano de Almeida Gomes. 
23— Padre José Carlos Nogueira. 
24— Commendador José Pedro Américo de Mattos. 
25— Coronel Joaquim António de Souza Rabello. 
26 — Tenente-coronel João Luiz de Campos. 
27 — Lindolpho Caetano de Souza e Silva. ■ 
28— Dr. Modesto Augusto Caldeira. 
29 — Capitão Manoel Teixeira da Costa. 
30 — Dr. Ovidio Laurentino de Souza Guimarães. 
31— Dr. Olyntho Horácio de Paula Andrade. 
32— Ramiro Martins Pereira. 
33 — Severiano Nunes Cardozo de Rezende. 
34 — Dr. Sabino Barroso Júnior. 
35 — Dr. Silvestre Dias Ferraz Júnior. 
36— Dr. Tito Fulgencio Alves Pereira. 
37— Dr. Victor Manoel de Sousa Lima. 

38— Capitão Vicente de Paulo Vieira (depois Barão de Rifaina). 
39 — Cónego Ulysses Furtado de Souza. 
40— Cónego Zeferino Cândido Pereira de Avellar. 



27.^ E ULTIMA LEGISLATURA 

1888—1889 

1— Dr. Aristides de Araújo Maia. 
2— Commendador António Martins Ferreira da Silva. 
3— Dr. Álvaro da Matta Machado. 
4— Dr. António Joaquim Barbosa da Silva. 
5— Dr António Augusto Velloso. 
6— Padre António José Teixeira. 
R A. 6 



82 REVISTA DO 



7— Dr. António Pinheiro Lobo de M. Jurumenha. 

8 — Augusto César de Souza. 

9— Antero Florêncio Rodrigues. 
10— Capitão Antonino Gentil Gomes Cândido. 
11— Camillo Philinto Prates. 
12- Padre Cândido Alves Pinto de Cerqueira. 
13 — Dr. Chrispim Jacques Bias Fortes. 
14 — Dr. Carlos da Silva Fortes. 
15 — Claudionor Augusto Nunes Coelho. 
16 — Dr. Carlos Ferreira Alves. 
17 — Domingos Rodrigues Viotti. 
18— Dr. Francisco Xavier Rodrigues Campello. 
19 — Francisco Navarro de Moraes Salles. 
20 — Dr. Francisco Sá. 
21 — Dr. Francisco Martins de Andrade. 
22 — Francisco Braz Pereira Gomes. 
23 — Dr. Fernando Avelino Corrêa. 
24 — Padre Firmiano Gonçalves Costa. 
25 — Dr. Francisco José Coelho de Moura. 
2fc>— Dr. Francisco Soares Peixoto de Moura. 
27 — Dr. Francisco Alves Moreira da Rocha. 
28 — Dr. Francisco Bernardes Teixeira Duarte. 
29 — Dr. Francisco de Paula Amaral. 
30— Coronel Ignacio Carlos Moreira Murta. 
31 — Dr. José Porphyrio Alvares Machado Júnior. 
32 — Dr. José Ricardo Vaz de Lima. 
33 — Dr. Josino de Alcântara Araújo. 
34 — José António da Silveira Drumond. 
35 — Dr. José Cândido da Costa Sena. 
36 — Commendador José Pedro Américo de Mattos. 
37 — Coronel Joaquim Anton o de Souza Rabello. 
38 — Padre José Theodoro Brasileiro. 
39 — Dr. José Caetano Rodrigues Horta Júnior. 
40 — José Maria Brandão. 
41 — João de Vasconcellos Teixeira da Motta. 
42 — Dr. Joaquim Leonel de Rezende Filho. 
43 — Dr. Joaquim António Dutra. 
44 — Cónego João Baptista Pimenta. 
45 — Dr. José Caetano da Silva Campolina. 
46 — Padre José Carlos Nogueira. 
47 — Coronel José Bento Nogueira. 
48 — Padre Lafayette José de Godoy. 
49 — Dr. Luiz de França Vianna. 
50— Dr. Luiz Vieira de Rezende Silva. 
51 — Commendador Lindolpho Caetano de Souza e Silva. 
52 — Dr. Manoel Monteiro Chassim Drumond. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 



83 



53— Dr. Modesto Augusto Caldeira. 

54 — Capitão Nelson Dário Pimentel Barbosa. 

55 — Coronel Ramiro Martins Pereira. 

56 — Dr. Silveste Dias Ferraz Júnior. 

57 — Dr. Salathiel de Almeida Cyrino. 

58 — Sabino Barroso Júnior. 

59 — Severiano Nunes Cardoso de Rezende. 

60 — Dr. Tobias Antunes Franco de Siqueira Tolendal. 



OBSERVAÇÃO:— Nos primeiros bieniiios da Assembléa Provincial, era 
tle 36 o numero legal de seus membros, depois elevado a 40 e, afinal, 
para a ultima legislatura (1888—1889) a 60. Em diversas legislaturas va- 
riou o numero dos deputados que tomaram assento, ora por falta de com- 
parecimento, ora por fallecimento, comparecendo no segundo anno do 
bieniiio o novo eleito, e ora (ás vezes na mesma sessão), por comparecer o 
deputado depois, em sua ausência oujimpedimento, o respectivo supplente, 
(juando havia supplentes. 



Installação e encerramento das sessões da Assembléa Le- 
gislativa Provincial, desde 1835 até 1889. 

l.« LEGISLATURA 



1835 


Installação 


1." de Fevereiro. 


» 


k Encerramento 


1.° de Abril. 


1836 


) Installação 


1.° de Fevereiro. 


» 


j Encerramento 


31 de Março. 


1837 


' Installação 


3 de Fevereiro. 


» 


Encerramento 


9 de Abril . 



LEGISLATURA 



1838 I Installação 
Encerramento 
Installação 
Encerramento 

1839 / Installação 
Encerramento 



1.^ de Fevereiro. 
1.° de Abril. 

4 de Junho (Sessão extraordinária), 
13 de Junho. 
1." de Fev^ereiro. 
1." de Abril. 



m 



REVISTA t>0 



1840 í Installação 



Encerramento 



1841 I Installação 

» \ Encerramento 



1842 i Installação (1) 
» } Encerramento 

1843 I Installação 

» ' Encerramento 



3.^ LEGISLATURA 

1 ." de Fevereiro. 
1 ." de Abril. 

4 de Fevereiro. 
7 de Abril. 

4.^ LEGISLATURA 

3 de Maio. 
23 de Novembro. 

18 de Maio. 
20 de Julho . 

5." LEGISLATURA 



1844 / Installação 

» \ Encerramento 

1845 ) Installação 

» l Encerramento 



3 de Fevereiro , 
3 de Abril. 

8 de Fevereiro . 

9 de Abril. 



1846 / Installação 

» I Encerramento 

1847 \ Installação 

» \ Encerramento 



6.^ LEGISLATURA 

2 de Feveieiro. 

3 de Abril. 

4 de Fevereiro 
4 de Abril. 



1848 / Installação 

» \ Encerramento 

1849 j Installação 

» l Encerramento 



LEGISLATURA 

2 de Agosto. 
20 de Outubro. 

14 de Agosto. 
14 de Outubro. 



(1) Esta sessão foi adiada: 1.", até 9 de juliio (portaria presidencial 
de 9 de maio); 2.°, até 7 do novembro (portaria de l.** de junlio); 3.°, so- 
mente até 1.° de outubro (portaria de 7 de setembro), sendo effectivamen- 
te reaberta a sessão no 1.** de outubro. 

O presidr-nte intruso, chefe ostensivo da revolução q>ie irrompeu este 
anno na provinda, (José Feliciano Pinto Coeliio da Cunha), em portaria 
de 11 de junho, lavrada em Barbacena, convocou a Assembléa para 1.*^ 
de julho, em Ouro Preto; e, por portaria de 1.^ de julho, lavrada em S. 
João d'El-Rey, convocou-a para 17 desse mesmo mez na dita cidade. Não 
se realizou a reunião por elle convocada. 



í 



ARCHIVO 1'UBLICO MINEIRO 



«5 



1850 / Installação 

» [ Encerramento 
» ' Installação 

Encerramennto 

1851 / Installação 
Encerramento 



8.^ LEGISLATURA 

22 de Março (Sessão extraordinária). 
27 de Abril. 

3 de Maio. 

3 de Julho. 

2 de Agosto. 

6 Outubro. 



1852 , Installação 

» \ Encerramento 

1853 I Installação 

» Encerramento 



9.^ LEGISLATURA 

25 de Março. 
25 de Maio. 

11 de Abril. 
!1 de Junho. 



10.« LEGISLATURA 



1854 / Installação 

» \ Encerramento 

1855 j Installação 

» ( Encerramento 



25 de Março. 
25 de Maio. 

27 de Março. 
27 de Maio. 



11.^ LEGISLATURA 



1856 



(Installação 
Encerramento 

1857 j Installação 
» \ Encerramento 



25 de Março. 
14 de Junho. 
28 de Abril. 
14 de Julho. 



12.^ LEGISLATURA 



1858 i Installação 

» \ Encerramento 

1859 j Installação 

» ( Encerramento 



25 de Março. 

2 de Junho. 

3 de Maio. 
3 de Julho. 



13.^ LEGISLATURA 



1860 / Installação 

» \ Encerramento 

1861 I Installação 

» l Encerramento 



1." de Agosto. 
1." de Outubro. 

4 de Agosto. 
8 de^Outubro, 



86 



REVISTA DO 



1862 



1863 



Installação 
Encerramento 

Installação 
Encerramento 



14.^ LEGISLATURA 

1." de Agosto. 
1." de Outubro. 

16 de Outubro. 
16 de Dezembro. 



1864 / Installação 

» \ Encerramento 

1865 ) Installação 

» \ Encerramento 



1866 / Installação 

» \ Encerramento 

1867 I Installação 

» ( Encerramento 



15.^ LEGISLATURA 

30 de Maio. 
20 de Agosto. 

5 de Novembro. 

31 de Dezembro. 

16.^ LEGISLATURA 

9 de Setembro. 
9 de Novembro. 

20 de Outubro. 
27 de Dezembro. 



17.« LEGISLATURA 



1868 

» 

1869 




Installação 
Encerramento 
Installação 
Encerramento 



Installação 

Encerramento 

Installação 

Encerramento 

Installação 

Encerramento 



28 de Maio. 
31 de Julho. 

29 de Agosto. 

29 de Outubro. 

18.^ LEGISLATURA 

1.° de Agosto. 
1." de Outubro. 
2 de Março (Sessão extraordinária). 

30 de Março. 
1.** de Agosto. 
1.° de Outubro. 



1872 / Installação 

» I Encerramento 

1873 I Installação 

» I Encerramento 



19.^ LEGISLATURA 

17 de Maio. 

20 de Julho. 

21 de Setembro. 
25 de Novembro. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 



87 



20/'» LEGISLATURA 



1874/Installação 
« 'Encerramento 

1875Jlnstallacão 
« ' Encerramento 



25 de Outubro. 

31 de Dezembro. 

9 de Setembro. 

19 de Novembro. 



21.''' LEGISLATURA 



1876/Installacão 
« ' Encerramento 

1877 i Installação 
'' « ' Encerramento 



25 de Abril. 
6 de Julho. 

17 de A<]fosto. 
10 de Novembro. 



22/'» LEGISLATURA 



1878 /installação 
« \ Encerramento 

1879 1 Installação 
« Encerramento 



10 de Agosto. 
8 de Novembro. 

15 de Outubro. 
31 de Dezembro. 



23.^ LEGISLATURA 



1880 /Installação 
« I Encerramento 

1881 1 Installação 
« \ Encerramento 



25 de Setembro. 
18 de Dezembro. 

7 de Agosto. 
22 de Outubro. 



24.^ LEGISLATURA 



1882 /Installação 
« } Encerramento 

1883) Installação 
* ( Encerramento 



1° de Agosto. 
5 de Novembro. 

2 de Agosto. 

3 de Outubro. 



25.^ LEGISLATURA 



1884 /Installação 
« \ Encerramento 

1885) Installação 
« \ Encerramento 



1.° de Agosto. 

2 de Outubro. 

3 de Agosto. 
3 de Outubro. 



88 



REVISTA DO 



1886nnstaIlação 
« I Encerramento 

1887jInstallação 
' Encerramento 



1888jInstallação 
« I Encerramento 

ISSoilnstallação 
« ' Encerramento 



26.'* LEGISLATURA 

4 de Maio. 
20 de Julho. 

5 de Julho. 

25 de Setembro. 

27.^ LEGISLATURA 

1.° de Junho. 

22 de Agosto. 

4 de Junho. 

10 de Agosto. 



CONGRESSO LEGISLATIVO DO ESTADO 



CIDADÃOS ELEITOS MEMBROS DO CONGRESSO LEGISLATIVO MINEIRO 
SESSÃO CONSTITUINTE E L« LEGISLATURA 

(1891 — 1895) 
SENADORES {Eleição directa— a 25 de janeiro de 1891 ) 

1 — Dr. Affonso Augusto Moreira Penna (*). — (Renunciou o man- 
dato a 21 de novembro de 1891, sendo a renuncia ac- 
ceita pelo senado a 19 de março de 1892). 

2— Dr. Álvaro da Matta Machado (*) 

3 — Dr. António Augusto Velloso (*). — (Perdeu a cadeira, por ter 
acceitado a nomeação de juiz de direito da Diamantina, 
em março de 1892). 

4 — Dr. António Carlos Ribeiro de Andrada. — (Fallecido a 26 de 
dezembro de 1893). 

5 — Commendador António Martins Ferreira da Silva. 

6 — Dr. Bernardo Cysneiro da Costa Reis (*) 

7 — Dr. Camillo Augusto Maria de Brito. 

8 — Dr. Carlos Ferreira Alves. (Fallecido a 6 de fevereiro de 
1896). 

9 — Coronel Carlos Sá. 



(*) — Sorteado para o fim de cessar o respectivo mandato no termo do 
primeiro quatriennio, conforme preceituou o art. 2." das disposições consti- 
tutuçionaes [transitórias. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 89 

10 — Dr. Chrispim Jacques Bias Fortes. — (Renunciou a cadeira 
a 18 de junho de 1894, tendo sido eleito a 7 demarco do 
mesmo anno Presidente do Estado). 

II — Dr. Eduardo Ernesto da Gama Cerqueira (*) 

12 — Coronel Francisco Ferreira Alves. 

13— Dr. Francisco de Paula Rocha Lagoa. (*) 

14 — Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão. (*)— (Perdeu a 
cadeira, por ter acceitado a nomeação, por decreto de 
15 de agosto de 1892, de secretario d'Estado dos Ne- 
gócios do Interior e da Justiça). 

15 — Desembargador Frederico Augusto Alvares da Silva (*) 

16— Dr. João Gomes Rebello Horta. 

17 — João Nepomuceno Kubitschek (*) 

18 — Dr. João Roquette Carneiro de Mendonça. 

19— Dr. Joaquim Cândido da Cesta Senna (*) 

20 — Major Joaquim José de Oliveira Penna. 

21 — José Pedro Xavier da Veiga — (Perdeu a cadeira por ter 
acceitado a nomearão de director do Archivo Publico 
Mineiro, em Outubro de 1895) 

22— Dr. Manoel Eustachio Martins de Andrade (*) 

23 — Commendador Manoel Ignacio Gomes Valladão. 

24— Dr. Virgílio Martins de Mello Franco. (*) 

Para preenchimento das quatro cadeiras vagas, dos srs. drs. 

A. Penna, Velloso, A. Carlos S. Brandão, acima designadas, fo- 
ram eleitos : 

1 — Dr. José Pedro Drumond (Eleição de 30 de maio de 1892). 

2 — Dr. Theodomiro Alves Pereira (Eleição de 30 de maio de 
de 1892). 

3— Dr. António Cândido Teixeira (Eleição de 30 de julho de 
1893). 

4 — Monsenhor Sérgio Pinheiro Torres (Eleição de 7 de março 
de 1894).— Falleceu a 17 de Abril de 1895, antes de ser re- 
conhecido como senador). 

Para preenchimento das vagas — Pela renuncia do sr. dr Bias 
Fortes e falleclmento de Monsenhor Sérgio, foram eleitos a 
7 de setembro de 1894 os srs. coronel José Bento Nogueira 
e Dr. Camlllo Maria Ferreira da Fonseca. 



(*)— Vide nota na pagina antecente. 



90 RKVISTA DO 



DEPUTADOS {Eleição directa a 25 de Janeiro de 1891) 

1 — Dr. Abeilard Rodrigues Pereira. 

2 — Dr. Adalberto Dias Ferraz da Luz — (Perdeu a cadeira, por 



ter acceitado a nomeação de chefe de policia do Estado, a 
15 de outubro de 1892). 

3 — Alexandre de Souza Barbosa. 
4 — Dr. António Leopoldino dos Passos. 

5 — Dr. Aristides Godofredo Caldeira — (Perdeu a cadeira, por ter 
acceitado a nomeação de juiz de direito em março de 1892). 

6 — Dr. Arthur Itabirano de Menezes — (Renunciou o mandato 
em julho de 1892. 

7 — Dr. Augusto Clementíno da Silva. 
8 — Dr. Augusto Gonçalves de Souza Moreira. 
9 — Dr. Bernardino Augusto de Lima. 
10— Camillo Philinto Prates. 
11 — Dr. Carlos Marques da Silveira. 
12— Dr. Carlos da Silva Fortes. 

13 — Dr. David Moretzsohn Campista — (Perdeu a cadeira por ter 
acceitado a nomeação de secretario d'Estado da Agricultu- 
ra, por decreto de 15 de agosto de 1892) 

14 — Domingos Rodrigues Viotti. 

15 — Eduardo Augusto Pimentel Barbosa 

16— Dr. Eloy dos Reis e Silva. 

17 — Dr. Ernesto da Silva Braga. 

18--Eugenio Simplício de Salles. 

19 — Dr. Francisco António de Salles. 

20— Dr. Francisco de Faria Lobato. 

21 — Dr. Francisco Ribeiro de Oliveira. 

22 — Dr. Gomes Freire de Andrade. 

23— Dr. Henrique Augusto de Oliveira Diniz. 

24 — Dr. Ildefonso Moreira de Faria Alvim — (Renunciou o manda- 
to em março de 1892). 

25 — Ignacio Carlos Moreira Murta. 

26 — João Luiz de Almeida e Souza. 

27— José Bento Nogueira. 

28 — Dr. José Facundo Monte-Raso. 

29 — Dr. José Tavares de Mello. 

30— Dr. Josino de Paula Britto. 

31 — Dr. Levindo Ferreira Lopes. 

32— Lindolpho Caetano de Souza e Silva. 

33 — Dr. Luiz Barbosa da Gama Cerqueira. — (Renunciou o man- 
dato em julho de 1892). 

34— Cónego Manoel Alves Pereira. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 91 

35 — Manoel José da Silva. 

36 — Manoel Teixeira da Costa. 

37 — Marianno Ribeiro de Abreu 

38 — Nelson Dário Pimentel Barbosa. 

39 — Dr. Octávio Esteves Ottoni. 

40 — Dr. Olegário Dias Maciel. 

41 — Dr. Olyntho Máximo de Magalhães. — (Renunciou o man- 

dato em Março de 1892). 

42 — Dr. Oscavo Correia Netto. — (Falleceu em Março de 1892, 

sem ter tomado assento). 

43 — Padre Pedro Celestino Rodrigues Chaves. 

44 — Dr. Sabino Barroso Júnior. 

45 — Severiano Nunes Cardoso de Rezende. 

46 — Simão da Cunha Pereira. 

47 — Dr. Targino Ottoni de Carvalho e Silva. 

48 — Dr. Viriato Diniz Mascarenhas. 



Para preenchimento das oitos vagas acima indicadas, foram 
eleitos: 

1 — Dr. Wencesláo Braz Pereira Gomes. — (Eleição de 30 de 

Maio de 1892), 

2 — Dr. João Braulio Moinhos de Vilhena Júnior. — (idem, 

idem). 

3 — Commendador Joaquim António Gomes da Silva. — (idem, 

idem). 

4 — Dr. Joaquim Gonçalves Ferreira. — (idem, idem). 

5 — Júlio Bueno Brandão. - (Eleição de 30 de Julho de 1893). 

6 — Dr. Joaquim António Dutra. — (idem, idem). 

7 — Dr. Henrique Duarte da Fonseca. — (idem, idem). 

8 — Dr. Francisco José Coelho de Moura. — (idem, idem). 



k 



92 



REVISTA EK) 



2.« LEGISLATURA (1895 — 1898) 
(ELEIÇÃO DIRECTA A 15 DE NOVEMBRO PE 1894) 

SENADORES (Eleitos por todo o Estado), para servirem nas le- 
gislaturas de 1895 a 1902). 

1 — Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão. 

2 — Dr. Virgílio Martins de Mello Franco. 

3 — Dr. Joaquim Cândido da Costa Senna. 

4 — Dr. José Pedro Drumond. 

5 — João Nepomuceno Kubitschek. 

6 — Dr. Levindo Ferreira Lopes . 

7 — Dr. Necesio José Tavares. 

8 — Desembargador Frederico Augusto Alvares da Silva. 

9 — Dr. Joaquim António Dutra. 

10 — Dr. Josino de Paula Britto. 

11 — Commendador Joaquim António Gomes da Silva. 

12 — Dr. Francisco de Paula Rocha Lagoa. 

DEPUTADOS (Eleitos por districtos) 



1 
I 

I 
I 



1^ Gircumscripção: 



2.^ oiroumscripção: 



1 — Dr. Francisco Mendes Pimen- 

tel. 

2 — Commendador Francisco Ribei- 

ro de Oliveira 

3 — Dr. Benevenuto da Silveira Lo- 

bo. 

4 — Dr. Camillo Soares de Moura 

Filho . 

5 — Dr. Carlos da Silva Fortes. 

6 — Dr. Felippe Nunes Pinheiro. 

7 — Dr. José Tavares de Mello. 

8 — Tenente-coronel Severiano Nu- 

nes Cardoso de Rezende. 

1 — Dr. Raul Penido 

2 — Dr. José Felippe de Freitas Cas- 

tro. 

3 — Dr. Henrique Duarte da Fon- 

seca. 

4 — Tenente-coronel Agostinho José 

Pereira. 



% 



AJICHIVO I»UBIJCO MINEIRO ^ 

5 — Major Juvenal Coelho de Oliveira 

Penna. 

6 — Dr. Francisco Augusto Pinto de 

Moura. 

7 — Dr. Alberto Augusto Furtado. 

8 — Dr. Luiz Gonzaga da Silva. 

5." círeuinscripção 1 — Dr. Wenceslau Braz Pereira 

Gomes. 

2 — JuIio Bueno Brandão. 

3 — Dr. Adalberto Dias Ferraz da 

Luz. (Tendo sido julgado in- 
compatível, foi eleito mas não 
está ainda reconhecido quem 
tem de substituil-o). 

4 — Tenente-coronel Francisco Bressa- 

ne de Azevedo. 

5 — Dr. Benjamim Guilherme de Ma- 

cedo (Acceitando em 1895 no- 
meação para a magistratura, 
perdeu a cadeira.) 

6 — Dr. Delfim Moreira da Costa Ri- 

beiro. 

7 - Dr. José Monteiro Ribeiro Jun- 

queira. 

8 — Domingos Rodrigues Viotti. (Falle- 

ceu antes de ser reconhecido. 
Foi eleito quem tem de su- 
bstituil-o, mas não se acha 
ainda legalmente rec o n h e - 
eido). 

4.^ eircAmiscripção: — 1 — Dr. Carlos Ferreira Tinoco: 

2 — Eduardo Augusto Pimentel Bar- 

bosa. 

3 — Major José Bernardes de Faria. 

4 — Dr. Francisco José Coelho de 

Moura. 

5 — Cónego Saturnino Dantas Barbosa. 

6 - Dr. Leopoldo Correia. 

7 — Dr. Francisco de Faria Lobato. 

8 — Capitão Desiderio Ferreira de 

Mello. 



94 REVISTA DO 



5". cireumseripção' — 1 — Padre João Pio de Sousa Reis. 

2 — Dr. Sabino Barroso Júnior. 

3 — Dr. Carlindo dos Santos Pinto. 

4 — Major Getulio Ribeiro de Carva- 

lho. 

5 — Dr. Francisco Nunes Coelho Jú- 

nior. 

6 — Coronel Theophilo Marques Fer- 

reira. 

7 — Dr. Augusto Clementino da Silva- 

8 — Dr. Augusto Gonçalves de Souza 

Moreira. 

6.^ cireumseripção: — 1 — Coronel Ignacio Carlos Moreira 

Murta. 

2 — Coronel Manoel José da Silva. 

3 — Coronel José Felizardo Francfort 

de Abreu Bicalho (Fallecido a 5 
de março de 1896.) 

4 — Cónego Manoel Alves Pereira. 

5 — Padre Pedro Celestino Rodrigues 

Chaves. 

6 — Dr. Epaminondas Esteves Ottoni. 

7 — Camillo Philinto Prates. 

8 — Padre Gustavo Teixeira Serrão. 



INSTALLAÇÃO E ENCERRAMENTO 



DAS SESSÕES ORDINÁRIAS E EXTRAORDINÁRIAS DO CONGRESSO 
MINEIRO DE 1891 A 1895, INCLUSIVE O PERÍODO CONSTITUINTE 



1891 — Abril 7 — Installação do Congresso Constituinte, tendo 
começado a 30 de março as respectivas sessões pre- 
paratórias. 

» — Junho 15 — Encerramento do Congresso Constituinte, 
logo após a promulgação da Constituição do Estado. 

» — Junho 16 — Installação da primeira sessão ordinária. 
Foi adiada a sessão em 21 de novembro para conti- 
nuar a 21 de março de 1892. 



ARCHrVO PUBUCO MINEIRO 95 



1892— Marvo 12— Instai loção da sessão extraordinária, convo- 
cada pelo presidente do Estado a 20 de janeiro em 
consequência do aviso do ministério da agricultura 
de 12 desse mez, para resolver sobre a constitucio- 
nalidade do imposto estadual de consumo, tendo em 
vista as disposições constitucionaes da União e do 
Estado. No decurso da sessão extraordinária, o Con- 
gresso tomou conhecimento e deliberou egualmente 
acerca da renuncia que fez o Sr. dr. José Cesário 
de Faria Alvim, do cargo de presidente do Estado, e 
lhe foi communicada em mensagem de 17 de feve- 
reiro, renuncia que foi acceita pelo Congresso. 

» — Março 23 Encerramento da sessão extraordinária. 
» — Março 24 — Continua a 1.'' sessão ordinária da 1."* le- 
gislatura, adiada a 21 de novembro de 1891. 

» Abril 20 — Encerrainpnto da 1.'' sessão ordinária da l."* 
legislatura. 

» — Abril 21 — Installaecio da 2.'* sessão da 1." legislatura. 

» — Julho 21 — Encerramento da 2.'' sessão da l."" legis- 
laura. 
1893— Abril 27 — Instaltaqão da S."* sessão da l."* legislatura. 

» — Julho 27 — Encerramento da 3."* sessão da l."* legis- 
latura 

» — Novembro 22 — Installação (em Barbacena) da sessão 
extraordinária, convocada para resolver sobre a ques- 
tão da mudança da Capital do Estado. 

» — Dezembro 17 — Eneerramento da sessão extraordinária. 
1894 — Abril 24— Installação da 4.'' sessão da 1.^ legislatura. 

» — Julho 24 — Eneerramento (idem, idem). 
1895— Abril 2Ò— Installação da 1.^ sessão da 2.^ legislatura. 

» — Julho 2'ò— Encerramento (idem, idem). 



\ 



PRIMEIRAS ADMINISTRAÇÕES ELECTIVAS 

EM 

MINAS-GERAES 



Eleição da 1.^! Junta do Governo Provisório de Minas-Geraes a 20 de 

setembro de 1821 

(FUNCCIONOU DE 21 DE SETEMBRO DE 1821 A 23 DE MAIO DE 

1822) 



Aos vinte dias do niez de setembro do anno de mil oitocen- 
tos e vinte e um, nesta Villa Rira de Nossa Senhora do Pilar 
de Ouro Preto, em casas da Camará e Paços do conselho delia, 
aonde foram vindos o doutor juiz de fora presidente, vereado- 
res e procurador da Camará, com todos os mais cidadãos da 
provinda, eleitores de todas as comarcas da mesma, para o fim 
de se proceder á installação do Governo Provisório desta pro- 
víncia, na forma do Aviso de quatorze (14) de agosto do cor- 
rente anno, para o que, hav^endo deliberado esta Camará o in- 
telligenciar-se com todas as outras da província para o mesmo 
fim, designando o dia primeiro de outubro, ou antes, sendo pos- 
sivel, acontece que a tropa desta capital, de commum accòrdo 
entre si, e postada na Praça desta villa requereram (sic) a bre- 
vidade da installação do dito governo na forma que estava de- 
terminado pelo Aviso acima dito; ao que annuindo prompta- 
mente a Camará desta capital da província, todos os bons delia, 
eleitores das respectivas comarcas que então se achavam pre- 
sentes, e sendo ahi: 
R. A. 7 



98 REVISTA DO 



— Accordartun eiiiquanto á taxação do numero dos membros 
que deviam compor a Junta Provisória, que este fosse de dez 
membros incluido o vice-presidente e o secretario. E proce- 
dendo-se a escrutinio, foi eleito com a pluralidade de cincoenta 
e quatro votos (54) para presidente o Illm." Exm." D. Manoel 
de Portugal e Castro, achando-se no mesmo escrutínio o Illm." 
e Revm." Bispo de Mariana com quarenia e dois votos (42) e 
o desembargador José Teixeira da Fonseca Vasccncellos com 
quatro votos, o qual em outro escrutinio a que se procedeu para 
vice-presidente foi eleito com a pluralidade de setenta e oito 
votos (78), aparecendo com doze votos (12) o marechal Antó- 
nio José Dias Coelho, o Exm." e Revm." Sr, Bispo com cinco 
votos (5), o doutor vigario-geral Marcos António Monteiro com 
três votos (3), o coronel João José Mendes Ribeiro com 
três votos (3), o doutor juiz de fora Cassiano Spiridião de Mello 
e Mattos com um voto (1) e com outro voto (1) o vigário José 
Bento Leite Ferreira de Mello. Procedendo-se a novo escru- 
tinio para deputado secretario, sahiu eleito o coronel João 
José Lopes Mendes Ribeiro com a pluralidade de setenta e oito 
votos (78), apparecendo neste mesmo escrutinio com dez votos 
(10), o sargento-mór Luiz Maria da Silva Pinto, com sete (7) o 
capitão João Joaquim da Silva Guimarães, com dois (2) o capi- 
tão-mór José Bento Soares, com dois (2) o doutor Theotonio Al- 
vares de Oliveira Maciel, com dois (2) o capitão-mór António 
Januário Carneiro, com um voto (1). Caetano Luiz de Mi- 
randa, com outro o reverendo arcypreste João Baptista de 
Figueiredo, com outro o sargento-mór José Feliciano Pinto 
Coelho, e, finalmente, com outro o coronel Pedro Gomes No- 
gueira. E ultimamente para maior brevidade do acto que não 
admittia interrupção se procedeu á eleição dos últimos oito (8) 
membros que restavam por listas, as quaes recolhidas acharam- 
se ser o numero delias de noventa e três (93); e passando-se á 
sua apuração, foram eleitos para membros, por pluralidade, o 
desembargador Manoel Ignacio de Mello e Souza com cincoenta 
e oito votos (58), o tenente-coronel Francisco Lopes de Abreu, 
com quarenta e nove votos (49), o reverendo vigário da Piranga 
Joaquim José Lopes Mendes Ribeiro, com quarenta votos (40); 
o reverendo vigário José Bento Leite Ferreira de Mello, com 
trinta e nove votos (39); o coronel José Ferreira Pacheco, com 
trinta e oito votos (38); o capitão-mór José Bento Soares, com 
trinta e cincu (35); e apparecendo empatados com trinta e dois 
votos (32) o doutor Theotonio Alves de Oliveira Maciel, o co- 
ronel António Thomaz de Figueiredo Nunes, e o capitão-mór 
José Custodio Dias, os quaes entrando em novo escrutinio, por 
desempate, sahiu o doutor Theotonio Alves de Oliveira Maciel 
com setenta e um votos (71) e o coronel António Thomaz de Fi- 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 99 

gueiredo Neves com cincoenta e dois votos (52). E sendo con- 
vidada toda a tropa que se achava postada para igualmente, co- 
mo beneméritos cidadãos, darem o seu voto sobre a eleiçélo, esta 
generosamente se comprometteu n'aquillo que fizesse a Camará 
e todos os cidadãos que se aciíavam juntos. E logo no mes- 
mo acto foi unanimemente eleito, com plena satisfação, para o 
commando da tropa, na forma do Aviso de 14 de agosto de 
1821, o senhor tenente-coronel José Maria Pinto Peixoto. 

Accordaram mais que o governo acabado de se installar 
pudesse não só deliberar o que fosse conveniente para a pros^ 
peridade da província, como pôr em execução essa deliberação, 
participando á Sua Alteza Real, ficando este mesmo governo di- 
rectamente responsável ás Cortes Geraes extraordinárias e Con- 
stituintes da Nação Portugueza. 

E por não haver mais em que accordar mandaram lavrar 
este termo de encerramento em que todos se assignam, e igual- 
mente os deputados de Cortes que se achavam presentes com 
todos os mais cidadãos de toda província. E por esta forma de- 
ram por finda a presente veream^a. E eu Cândido de Oliveira 
Jacques, escrivão da Camará, que o escrevi. — (Estavam as rubri- 
cas dos vereadores da Camará: -Mattos — Ferreira— Murta— Oli- 
veira — Magalhães — seguindo-se as assignaturas dos eleitores a 
saber:—Â7itonio Teixeira da Gosta— Manoel José Velloso So- 
ares— Belchior Pinheiro de Oliveira : José Custodio Dias — 
Manoel Rodrigues Jardim — Francisco Guilheime de Car- 
valho — Fellippe Joaquim da Cunha e Castro — José de 
Araújo da Cunha Alvarenga — Joaquim Pereira de Quei- 
roz —Semeão Vaz Mourão — João de Deus Magalhães Go- 
mes — Caetano Luiz de Miranda — Manoel Vieira Couto — 
João Ferreira Leite — António de Avites Botanã — Manoel 
Teixeira da Silva — Francisco Isidoro Bajytista da Silva — 
José da Costa Moreira — António Ribeiro de Rezende — José 
de Souza Barrada— José Fernandes Penna — Manoel da 
Costa Maia — António da Cruz Machado— José Pereira 
Alvim — Carlos Pereira de Sá— Custodio José Dias — An- 
tónio Luiz de Noronha e Silva— José de Abreu e Silva — 
Pedro Gomes Nogueira — Manoel Ribeiro Vianna — Fran- 
cisco de Mello Franco — António Ribeiro Fernandes F or- 
bes — Francisco Peixoto de Sá — Aiftcnio Nunes Galvão — 
Francisco da Costa Mello — Faustino José de Azevedo — 
Jorge Benedicto Ottoni — Rodrigo Pereira Soares — Joaquim 
José de Oliveira Malta — Nicolâo Soares do Couto — Pedro 
Muzzi de Barros — Chrisf ovam Marques de Mesquita — Ana- 
cleto António do Carmo— Luiz de Vasconcellos Parada e 
Souza — Caetano José Cardr.so — Carlos Martins Penna — 
Fernando Luiz Machado de Magalhães — António José Dias 



lÒO REVISTA DO 



Cvelho—Ilernardo Af/fonio Monteiro— Franchco de Paula 
Alve-— Joaquim Ferreira da Fonseca — Ant(>nio Januário 
Carneiro— Jcão Jonqnhn da Silva Ginn/arãen- António No- 
gueira da Crt(Z—Fra7icisco Xavier Tasmra de Pádua— Cae- 
iano José Machado de M(f(/alhães—Josê Bernardo da Ga- 
ma Ferreira La horão — João dof! Santas Abreu— Joaquim^ 
José da Costa Neves— Caeiaiio José Cardoso— Ezequiel José 
de Araújo— José Feliciano Pereira da Silva— António Al- 
ves da Silva —Padre Francisco Ferreira da Fonseca — Vi- 
gário Francisco Xavier de Meirelles — Vigário António José 
da SUva— Francisco de Paula Barbosa— Joaquiw Gonçal- 
ves Pimentel — Narciso José Bandeira— Francisco Xavier 
de Moura Leitão — Joaquim José de Oliveira —Joaquim 
José dos Santos- Padre Xisto Alves Gondini — Marianno 
José Ferreira — Joaquim José da Silva Brandão» . 

ADDITAMEN70 



Aos vinte e quatro dias do mez de setembro de mil, oito 
centos e vinte e um, nesta Vilia Rica de Nossa Senhora do Pi- 
lar de Ouro Preto, em casas da Camará e Paços do conselho 
delia, aonde foram vindos o doutor juiz de íóra presidente, ve- 
readores e procurador da Camará, commigo escrivão adeante no- 
meado e sendo ahi — accordaram em que, visto virem concor- 
rendo os eleitores das respectivas camarás da província que 
se não achavam presentes á installação do Governo Provisio- 
nal delia, a qual foi necessário abreviar em virtude dos acon- 
tecimentos imprevistos, os quaes eleitores afim de desempenha- 
rem com. effeito as commissões de que estavam encarregados 
convinha concordarem por parte de suas camarás no que se havia 
praticado; fossem convocados aos Paços do Conselho em acto 
de vereação para lhes ser lido o accordam da organização do 
dito governo, o que sendo praticado com os eleitores das ca- 
marás das villas de Sabará, S. João d'El-Rey e S. José, constan- 
tes dos oíficios das mesmas que se hão de registrar, convieram 
no que se acha feito e constava do mesmo accordam. E de 
como assim o disseram, assignaram, commigo, escrivão da Ca- 
mará, que o escrevi e assigno. — Cândido de Oliveiía Jacques 
— Joaquiw Maranno da Costa do Amaral Grugel — Antó- 
nio Paulino lAmpo de Abreu — Caetano José de Almeida. — 
Aíitonio Constantino de Oliveira— Sever no Eulogio Ri- 
beiro de Rezende— João Nepvmuceno Ferreira e Castro — 
António José Moreira— Manoel de Freitas Paclieco— José 
Teixeira da Fonseca Vaseonoellos . 



ARClilVO PUBLICO MINEIRO 101 



Accordaram mais que se registassem os officios do Gover- 
no das datas de vinte e dois e vinte e três do corrente mez, 
assim como os mais officios de todas as camarás que participa- 
vam o haverem procedido á nomeação dos que haviam de con- 
correr para a eleição do dito governo, e igualmente que se re- 
gistasse a proclamação do Governo da data de vinte e três do 
corrente, para a todo o tempo constar que, posto que se tivesse 
determinado a installação do mesmo para o dia primeiro de 
outubro próximo futuro, contudo a urgência de circuinstancias 
a fizeram {sic) abreviar, dando-se por esta Camará todos os 
passos de prudência e socego auxiliada pela tropa, fazendo a 
mesma camará para este fim convocar os eleitores de todas as 
comarcas que então se achavam, e todos os cidadãos, e bons 
da Villa e seu termo, os quaes promptameiíle concorrendo se- 
guros do justo fim para que eram convocados se ultimou tão 
desejada obra; e mandaram registar a proclamação do Regimen- 
to. — E por não haver mais que accordar, mandaram lavrar este 
termo de encerramento e.n que se assignam, e eu, Cândido de 
Oliveira Jacques, escrivão da Camará, que o escrevi. — Mattos — 
Ferreira — Mxrta — Oliveir,i'>. (Extractado pelo director do Ar- 
quivo do— LIVRO DE ACCORDAMS da Camará de Ouro Preto, 
dos annos de 1809 a 182ô, folhas 307 a .310 v.). 



2.^ Junta (Funccionou de 23 de maio de 1822 a"2§ de fevereiro de 

1824) 

TERMO DA ELEIÇÃO DOS SETE MEMBROS DE QUE DEVE COMPOR- 
SE O NOVO GOVERNO PROVISÓRIO NESTA PROVÍNCIA DE MINAS- 
GERAES. MANDADA FAZER POR S ALTEZA REAL O PRÍNCIPE 
REGENTE DO BRASIL. POR PORTARIA DE 13 DE ABRIL DO COR- 
RENTE ANNO DE 1822. -(*) 

Aos vinte dias do mez de maio do anno do Nascimento de 
Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e vinte dois, nes- 
ta Villa Rica de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto, capi- 
tal da provincia de Minas Geraes, em a capella de Nossa Se- 
nhora do Carmo, escolhida co.no edifício mais próprio para o solem- 



(*) — O presente termo é copia fiel rle um dos orisfinnes, expedidos como 
diplomas aos membros da Junta, manuscripto pertencente ao director do 
Arquivo Publico Mineiro que o offerece, com outros documentos históricos, á 
esta Repartição. 

{No'.a da rcdacc^ão da 'Revista*) 



102 REVISTA DO 



ne acto da eleição dos sete membros, de que deve compor-se 
o novo governo provisório da dita província a que vai proce- 
der-se em cumprimento da portaria de sua Altesa Real o Prin- 
cipe Regente do Brasil, de treze do mez próximo passado, ex- 
pedida pela Secretario de Estado Interina, e mandada pôr em 
execução por portaria ou officio do actual governo provisório, 
datada de quatorze do mesmo mez próximo passado, dirigida ao 
desembargador Ouvidor Interino da comarca de Agostinho Mar- 
ques Perdigão Malheiros; ahi presidindo (em virtude do officio 
do mesmo desembargador Ouvidor de dezenove do corrente mez, 
por observância ao officio do deputado e secretario do mesmo 
Governo Provisório, de dezoito do dito mez), a Camará da refe- 
rida Villa á Assembléa Eleitoral dos Eleitores Parochiaes da 
Província que compareceram, cémtada a Missa Solemne do Espi- 
rito Santo na mesma Capella, e tendo comparecido depois deste 
acto o sobredito desembargador Ouvidor Interino da Comarca, 
convidado nesta occasião por carta da referida Camará para 
assistir a dita eleição, procedeu-se imm.ediatam.ente á nomeação 
de um Secretario e dois escrutinadores e por escrutínio foram 
nomeados á pluralidade de votos relativa para escrutinado- 
res. 

Escrutinadores votos 

O Exm. Marechal António José Dias Coelho 43 

O Revm. Chantre da Sé de Mariana doutor 

Francisco Pereira de Santa Appollonia 42 

Secretario 
O Sargento-mór Luiz Maria da Silva Pinto 142 

E para constar se mandou lavrar este termo, em que assi- 
gna a Camará, Presidente com o desembargador Ouvidor In- 
terino assistente e com os Escrutinadores e Secretario eleitos, 
ficando a continuação desta eleição para o dia de amanhã, 
pelas nove horas da manhã, por serem já nove horas da 
noite . 

E eu, Manoel da Ascenção Cruz, escrivão das excuções 
que interinamente sirvo de escrivão da Camará, o escrevi.— 
Perdigão Malheiros — Monteiro — Fernandes — Magalhães — Bar- 
bosa—António José Dias Coelho— Francisco Pereira de Santa 
Appollonia — Luiz Maria da Silva Pinto. 

Continuação 

Aos vinte e um dias do mez de maio de mil oito centos e 
vinte dous, nesta Villa Rica, em a mesma Capella de Nossa Se- 
nhora de Carmo, reunida a Assembléa Eleitoral dos Eleitores 
Parochiaes da Província e presente a Camará da dita Villa, 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO \Q^ 



assistindo o desembargador Ouvidor Interino da Comarca, Agos- 
tinho Marques Perdigão Malheiros, se continuaram as opera- 
ções da presente eleição, observando-se as solemnidades das 
Instrucç(3es mandadas observar pelo decreto de Sua Magestade 
Fidelíssima, de 7 de março do anno passado e verificados pelos 
Escrutinadores e Secretario os íitulos dos ditos eleitores, se 
acharam pela Camarca e Freguezia de Ouro Preto: — O Excellen- 
tissimo Marechal António José Dias Coelho — Tenente Coronel 
Nicolau Soares do Couto — Sargento Mór Luiz Maria da Silva 
Pinto; pela Freguezia de António Dias — Commendador P'er- 
nando Luiz Machado — Capitão Pedro Dias de Carvalho — Vi- 
gário António da Rocha Franco — Capitão Felippe Joaquim da 
Cunha; pela de São Bartholomeu — Vigário Francisco Alves de 
Brito; pela da Cachoeira — Capitão Domingos José Ferreira; 
pela da Itabira — Reverendo Vigário Francisco Xavier Mei- 
relles — Francisco Alves da Cunha; pela do Ouro Branco— Ca- 
pitão José Bento da Silva; pela de Congonhas — Coronel Ro- 
mualdo José Monteiro de Barros — Tenente João Ribeiro da 
Silva — Capitão Nicolau Coelho Seabra; pela de Marianna — 
Arcediago doutor Marco? António Monteiro — Chantre Fran- 
cisco Pereira de Santa Apolónia — Arcy preste João Baptista 
Figueiredo; pela de António Pereira — Reverendo Francisco de 
Souza Monteiro; pela de Camargos— Capitão João Custodio; pela 
do Inficcionado — José Fernandes Oliveira — Reverendo Lourenço 
António— Tenente Gregório Pinto de Abreu; pela de Cattas Altas 
— Reverendo Francisco Xavier, Augusto — Sargento mór Domin- 
gos Pinto Ferreira; pela de São Sebastião e São Caetano —Capitão 
José Justino Gomes — Reverendo -loão Henrique da Silva — 
Reverendo José Soares de Brito; pelo de Forquim — Reverendo 
Joaquim José de Moura — Reverendo João de Sampaio Guima- 
rães; pela da Barra Longa — Tenente Manuel José Martins — 
Tenente Domingos António Mesquita; pela do Sumidouro — Re- 
verendo Luiz da Cunha Ozzorio, — Sargento Mór Francisco 
Justiniano Alves; pela da Piranga — Reverendo doutor Vigário 
Joaquim José Lopes Mendes Ribeiro — Capitão José Justiniano 
Carneiro — Capitão Mór José Coelho de Oliveira Duarte — Re- 
verendo João Nepomuceno Carneiro — Cirurgião Mór António 
Pedro de Azevedo; pela de São João Baptista — Reverendo Mar- 
cellino Rodrigues Ferreira — Capitão João dos Santos; pela da 
Pomba — Capitão Silvestre António Vieira — Vigário João Bo- 
nifácio Duarte Pinto — Copitão António Martins Pacheco— 
Reverendo Francisco da Silva Guerra — Reverendo Manuel 
António Brandão — Reverendo António Duarte Pinto; pela 
Comarca do Rio das Velhas e Freguezia de Sabará — Coronel 
Pedro Gomes Nogueira — Tenente-coronel António Martins da 
Costa; pela de Raposos — Capitão Mór José de Araújo da Cunha 



104 REVISTA DO 



• 



Alvarenga; pelo do Rio das Pedras — Capitão José Pereira de 
Almeida Pessanha; pelo do Curral D'E1-Rey — Capitão Ma- 
noel Nogueira Duarte — Reverendo Manoel Roberto da Silva — 
Reverendo João Francisco da Silva; pela de Santa Luzia— Com- 
mendador Manoel Ribeiro Vianna — Reverendo Manoel Pi- 
res de Miranda — Reverendo José Soares Diniz — Reverendo 
João Marques Guimarães; pela do Curvello — Capitão Joa- 
quim José da Silva — Capitão Custodio José da Silva — 

— Capitão Quintiliano José de Oliveira, — Capitão Domingos 
Fernandes Moreira — Manoel José Pinheiro; pela do Caethé — 
Capitão João Duarte de Lacerda — Coronel Jacintho Pinto Tei- 
xeira — Reverendo Manoel Carvalho Moreira; pela de Santa 
Barbara — Alferes Francisco Procopio da Silva — Capitão João 
Vieira de Godoy — Padre Sebastião José de Carvalho Penna — 
Capitão Paulo José de Souza — Capitão João José Ferreira de 
Abreu; pela de São Miguel — Capitão Anastácio António de Aze- 
vedo — Sargento Mór João Gonçalves Barroso; pelo de Morro 
Grande — Capitão Manoel José Pires da Silva Pontes — Guar- 
da Mór Geral João Baptista Ferreira; pela de Pitanguy — Te- 
nente José Máximo Pereira — Alferes António José de Souza 
Silva — Capitão Domingos de Freitas Mourão — Capitão Mar- 
tinho Alves da Silva — Capitão Miguel Gomes Duarte — Capitão 
João Cordeiro Valladares — Sargento Mór Luiz Arvaro de Mo- 
raes Navarro — Capitão João Rodrigues Carvalho — Reveren- 
do Miguel Dias Maciel — Capitão António Theodoro de Mendon- 
ça; pela das Dores do Indaiá — Vigário Henrique Brandão de 
Macedo —Capitão António Alves de Souza -- Alferes Domingos 
Pereira de Araújo; pela Comarca do Rio das Mortes e Fre- 
guesia do Pilar de São João — José António de Castro Morei- 
ra — Vigário da Vara António Ribeiro de Rezende — Reve- 
rendo Miguel de Noronha Pires — João Pereira Pimentel — 
João Baptista Lustosa — Sargento Mór António Constantino de 
Oliveira — José Dias de Oliveira — Alexandre Pereira Pimen- 
tel — Manoel José da Costa — José Pedro — João António Car- 
doso — Agostinho António Tassara de Pádua — António Bal- 
bino Negreiros — Jeronymo José Rodrigues — Reverendo Cus- 
todio de Castro Moreira; pela de Lavras — Capitão Mór José 
Fernandes Penna — Vigário Manoel da Piedade Valongo — Ca- 
pitão Thomaz de Aquino Alves; pela de Carrancas — Vigário 
Joaquim Manoel de Paiva; pela de Dores do Pântano — Vigário 
José Francisco Mourato — José Bernardes Ferreira — Capitão 
José Alves de Figueiredo; pela de São José — Capitão Mór 
Manoel da Costa Maia — Sargento Mór João Nepomuceno Fer- 
reira — Sargento Mór Gervásio Ferreira de Alvim — Padre 
Joaquim Corrêa dos Santos — Padre António Caetano de Souza 

— Ajudante José Ferreira Rodrigues — Capitão João António 



ARGHIVO PUBLICO MINEIRO 105 



de Campos — Capitão Gonçalo Joaquim de Barros — Quartel mes- 
tre João Gonçalves Godoy Lara — Capitão António José Moreira 
— Tenente-coronel Severino Eulof^io Ribeiro; pela de Prados 
— Capitão Manoel António da Silva — Capitão António Homem 
d'El-Rey; pela de Queluz — Vigário Felisberto Rodrigues Mila- 
gres — Alferes Bartholomeu Fernandes Roxa — Capitão An- 
tónio Dornellas da Costa; pela d_ Itaverava — Sargento Mór 
António Pedro de Azeredo — Capitão Manoel Pereira Guimarães 
— João de Araújo Padilha — Reverendo José Pinto Barbosa; peia 
de Barbacena — Capitão Mór José Pereira Alvim — António Pita 
de Castro — Capitão Francisco Leite Ribeiro— Capitão Silvestre 
Pacheco de Castro; pela do Engenho do Matto — Francisco José 
Soares de Arauio Silva; pela de Ibitipoca — Capitão Francisco de 
Paula— Alferes Thomaz de Aquino Alvares — Manoel Pires de Oli- 
veira; pela de Tamanduá — Reverendo Francisco Ferreira de Le- 
mos- Vigário João Antunes Ferreira Costa — Reverendo Francisco 
de Paula Arantes — Alferes Thomaz Joaquim Barbosa — Capitão 
Bernardo Alves Moreira — Capitão António Affonso Lamounier; 
pela de Campo Bello Vigário Francisco Barbosa da Cunha — 
Reverendo António Ferreira de Moraes - Reverendo Manoel Fur- 
tado de Sousa — Capitão Manoel Furtado de Sousa — Tenente-co- 
ronel Manoel Martins Coelho— Capitão João Martins Cardoso — 
Manoel José de Castro — João Rodrigues Peixoto; pela deBambu- 
hy — Capitão Manoel Carvalho Brandão — Padre Manoel Francisco 
dos Santos — Capitão Francisco António de Moraes; pela de Pi- 
umhy — Vigário José Severino Ribeiro— Capitão António Luiz Tei- 
xeira — Francisco Gonçalves de Mello; pela da Campanha — Vigário 
José de Sousa Lima— Reverendo Bento José de Labre — Sargento 
Mór Vicente de Paiva Bueno— Capitão António Goulart Brun — 
Capitão António Justiniano Monteiro — Capitão Gaspar José de 
Paiva — Vigário João de Abreu Ameno — Doutor Faustino José de 
Azevedo; pela de Sapucahy — Alferes Silvestre da Costa Lima 

— Ignacio Francisco Franco; pela de Pouso Alegre Reveren- 
do António de Oliveira Carvalho — Capitão João Joaquim 
Fleming — Capitão José Coutinho de Aguiar — Tenente Igna- 
cio Gonçalves Lopes; pela de Ouro Fino — Reverendo João Dias 
de Quadro — Capitão Ignacio Corroa Rangel — CapiTio Felis- 
berto Cândido Rodrigues; pela de Camanducaia - - Reverendo 
José Maria de Moura Leite — Capitão Francisco Soares de Fi- 
gueiredo; pela de Caldas — Reverendo António Carvalho Pinto 

— Capitão João de Freitas Pacheco; pela de Douradinho — 
Vigário Luiz Gomes de Oliveira; pela de Itajubã — Reveren- 
do José Giraldo de Sousa Silva— Capitão Manoel Teixeira de 
Mello; pela de Baependy ~ Capitão Mór Manoel Pereira Pinto 

— Vigário Domingos Rodrigues Affonso — Reverendo Anto- 



106 REVISTA DO 



nio Rodrigues Affonço — Reverendo António Gomes Nogueira 
— Reverendo Manoel Pereira de Sousa — Sargento Mór José 
de Meirelles Freire — Capitão João Pedro Diniz Junqueira; 
pela de Ayuruoca — Vigário José de Abreu Silva — Reverendo 
Custodio Villela Palmeira — Reverendo Francisco Monteiro da 
Fonseca — Tenente-coronel António Luiz de Noronha — Ca- 
pitão José Theodoro de Araújo — Custodio José Vieira — Te- 
nente Jeronymo de Arantes Marques — Alferes António Fran- 
cisco Sardinha — António Francisco de Azevedo; pela do Pouso 
Altc — Capitão Miguel Pereira da Silva — Capitão Francisco 
Theodoro da Silva — Capitão João Fernandes da Silva — Sar- 
gento Mór José Alves Ferreira de Mello — Tenente Francisco José 
Ribeiro — Vigário José Maria Fajardo Assis— Reverendo José 
Ignacio Nogueira de Gouvèa — Reverendo Custodio Ribeiro de 

Carvalho; pela dô Jacuhy — Reverendo Vigário Francisco Mo- 
reira de Carvalho ; pela de Cabo Verde — Capitão Mór 
Custodio José Dias— Vigário Ignacio Ribeiro do Prado; pela da 
Ventania— Alferes António José da Silveira; pela comarca do 
Serro Frio e Freguezia da Villa do Príncipe — Tenente-coro- 
nel Bernardino José de Queiroga — António de Avila Bittencourt 
— Joaquim Pereira de Queiroz — Capitão João Innocencio de 
Azeredo — José de Avila Bittencourt -■ Francisco de Paula 
Coelho — Jorge Benedicto Ottoni — Reverendo Doutor Marcos 
Francisco da Silva; pela de Tejuco — Vicente Ferreira Fróes — 
Capitão Caetano Luiz de Miranda — João Pires Cardoso — 
Francisco dos Santos Freire — Reverendo Joaquim Gomes 
Carvalho ; pela do Rio Preto — Capitão Luiz dos Santos Souto 
— Capitão Bento Dias Chaves; pela da Conceição do Matto 

Dentro — António Vieira Braga — José Joaquim de Araújo Soares; 
pela do Morro do Pilar — Vigário Anastácio Cardoso Neves — 
Tenente Domingos José Soares — Alferes Francisco Manoel Pe- 
reira; pela do Rio Vermelho — Reverendo Marcos Vaz Mou- 
rão — Bento Pinto de Vasconcellos; pela do Pessanha — Fran- 
cisco de Paula Silva; pela da Barra do Rio das Velhas — Vigário 
da Vara Manoel Duarte Costa— João Manoel Carlos de Buitra- 
go — João José de Abreu; pela de Minas Novas — Doutor Plá- 
cido da Silva Oliveira — Guarda Mór António José da Costa 
Tenente-coronel José Felisardo da Costa; pela da Chapada — 
Reverendo Francisco Furtado de Mendonça; pela da Agua Suja 
— Capitão Francisco Manoel Barbosa — capitão José Dias 
Bicalho — Manoel Teixeira Mendes — Pedro Celestino 
Teixeira; pela de São Domingos — Servando Pacheco 
Rollim — Manoel Zeferino Barbosa; pela Comarca de Para- 
catú e Freguezia de SanfAnna dos Alegres — Capitão José 
Fernandes Azevedo — Porta Estandarte Francisco José da Motta; 



AUCHIVO PUBUCO MINEIRO 107 

pela de São Domingos do Arach.í — António da Costa Pereira 
(cumprindo advertir que os titulos dos do Rio das Velhas e 
Serro Frio ficaram nas cabeças da Comarca, e quanto ao re- 
conhecimento dos Eleitores respectivos, se procedeu a confron- 
tação entre os que compareceram, tudo com a aprovação da 
Assembléa) e sendo egualmente verificados os do Secretario e 
Escrutinadores foram por mim Secretario lidas em voz alta a 
Portaria de Sua Altesa Real o Príncipe Regente do Brazil de 

13 do mez próximo passado e a do actua-l Governo Provisório de 

14 do mesmo rnez, mencionados no Termo anterior, assim como 
a Carta de Lei, 'de primeiro de outubro do referido anno pas- 
sado até o § 5." inclusivamente; depois do que, pelo Presidente 
da Camará, Juiz de Fora pela Ley — o Doutor Bernardo António 
Monteiro, foi feita a pergunta de que trata o artigo 49 das 
mencionadas Instrucções, e não resultando accusação alguma 
se passou a votar para a Eleição de Presidente e correndo o 
Escrutínio, sahiram o Reverendo Vigário Domingos Rodrigues 
Affonço— o Capitão Mór José Fernandes Penna, — o Capitão Mór 
Custodio José Dias com um voto — o Reverendo Cónego Ar- 
cypresíe João Baptista de Figueiredo — o Reverendo Doutor 
José Alves do Couto — o Doutor José Vieira Couto com dous 
— o Reverendo Arcediago Doutor Marcos António Monteiro de 
Barros com quatro — o Excellentissimo Marechal Governador 
das Armas António José Dias Coelho com cinco — o Doutor Juiz 
de Fora, servindo de Ouvidor de Sabará José António da Silva 
Maya, com oito — o Conselheiro Manoel Ferreira da Camará e 
o Reverendo Chantre da Sé de Marianna, Doutor Francisco 
Pereira de Santa Appolonia com dezenove — o Desembargador 
José Teixeira da Fonseca Vasconcellos com trinta e nove — o 
Excellentissimo e Reverendíssimo Bispo Diocesano dom Frei 
José da Santíssima Trindade com cincoenta e um — e o lUus- 

trissimo e Excellentissimo dom Manoel de Portugal e Castro 
com noventa e quatro. E como nenhum tivesse a pluralidade 
absoluta, entraram em segundo Escrutínio os que a tiveram re- 
lativa, e neste teve o Excellentissimo e Reverendíssimo Bispo 
Diocesano oitenta e seis — e o Illustrissimo e Excellentissimo 
dom Manoel de Portugal e Castro cento e cincoenía e ;)ito, fi- 
cando por isso eleito para Presidente da Junta Provisória do 
Governo desta Província de Minas Geraes o Illustrissimo e Ex- 
cellentissimo dom Manoel de Portugal e Castro, a qual nomea- 
ção immediatamente foi em alta voz publicada na Assembléa 
pelo sobredito Presidente da Camará, do que para constar se 
mandou fazer este Termo, que assigna a Camará com o Desem- 
bargador Ouvidor Interino assistente e com os Escrutinadores e 
Secretario, ficando a continuação da Eleição para o dia de ama- 



108 



REVISTA DO 



nhã, pelas nove horas da manhã, por serem já mais de sete ho- 
ras da tarde. E eu, Luiz Maria da Silva Pinto, secretario que o 
escrevi. — Perdigão Malheiros. — Monteiro. — Fernandes. — Maga- 
lhães.— Barbosa. O secretario Luiz Maria da Silva Pinto. — O 
Escrutinador Francisco Pereira de Santa Appolonia. — O Escruti- 
nador António José Dias Coelho. 

Continuação 



Aos vinte e dois dias do mez de maio de mil oito centos 
e vinte dois, nesta Villa Piica e na mesma Capella de Nossa Se- 
nhora do Carmo, reunida a Assembléa eleitoral dos eleitores pa- 
rochiaes da província, presidindo a mesma camará da dita villa 
e assistindo o dezembargador Ouvidor Interino da comarca 
Agostinho Marques Perdigão Malheiros, se continuou nas opera- 
ções da presente eleição, e procedendo-se á votação por escru- 
tínio para a nomeação de secretario : sahiram o sargento-mór 
António Pedro de Azeredo — Coronel Pedro Gomes Nogueira — 
Doutor Theoíonio Alves de Oliveira Maciel — o Coronel Ramualdo 
José Monteiro de Barros — Sargento mór Gomes Freire de An- 
drade — Capitão João Baptista Lustoza — Capitão João Pires Car- 
dozo — doutor Joaquim José da Silva Brandão — Vigário José 
de Abreu Silva — Capitão mór Domingos Alves de Oliveira 
Maciel — o Reverendo José Joaquim Viegas de Menezes com 
um voto; o Capitão mór Custodio José Dias — o Capitão Manoel 
José Pires da Silva Pontes; Capitão Joaquim Pereira de Quei- 
roz — dezembargador Manoel Ignacio de Mello e Sousa — Capi- 
tão Caetano Luiz de Miranda — Capitão José Justino Gomes, com 
dois; o dezembargador Bernardo José da Gama — Coronel Joaquim 
Ferreira da Fonseca — Reverendo Emerenciano Maximino de 
Azeredo Coutinho, com três; Salvador Peregrino Aarão com 
quatro; o dezembargador José Teixeira da Fonseca Vascon- 
cellos, o Capitão mór José Fernandes Penna, com cinco; o Ca- 
pitão José Innocencio de Azeredo Coutinho com seis; o Capitão- 
mór José de Araújo da Cunha Alvarenga com sete — o Cónego 
Ignacio José de Sousa Ferreira com nove — o Reverendo Vigário da 
vara Francisco Ferreira de Lemos com dez — o Reverendissimo 
Chantre doutor Francisco Pereira de Santa Appolonia com onze — 
o Doutor José António da Silva Maia com doze — o Reverendo Vi- 
gário da vara António da Rocha Franco com vinte e um — o Sar- 
gento mór Luiz Maria da Silva Pinto com cento e vinte cinco, e 
ficou eleito o ultimo por ter a pluralidade absoluta, depois de veri- 
ficada a lista pelos Escrutinadores e por mim secretario, a qual 
eleição foi publicada em alta voz pelo Presidente da Camará o 
doutor Juiz de Fora pela lei, Bernardo António Monteiro; e logo se 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 109 



passou á eleição de um membro, a qual, procedendo-se pela 
mesma maneira, sahiram " o Reverendo Cónego Arcypreste João 
Baptista de Figueiíedo — Capitão João José Ferreira Abreu — Co- 
ronel Pedre Gomes Nogueira — Tenente coronel José Filizardo da 
Costa — Reverendo Vigário Joaquim de Mello Franco — Excellen- 
tissimo Marechal António José Dias Coelho — Tenente coronel An- 
tónio Luiz de Noronha— António da Costa de Faria— Reverendo 
Vigário de São João d'El-Rey Joaquim Mariano do Amaral Gurgel 
Commendador Fernando Luiz Machado de Magalhães, Commenda- 
dor Manoel Ribeiro Vianna — Capitão Joaquim Pereira de Queiroz 
—Doutor Luiz José de Godoy Torres — Capitão João Pires Car- 
doso — Reverendo Cónego Ignacio José de Souza Ferreira — 
Coronel José de Sã Bitancourt — Sargento Mór António da Silva 
Brandão — Reverendo Vigário António Luiz Coelho — Reve- 
rendo Manoel Rodrigues da Costa — Sargento Mór José Felicia- 
no Pinto Coelho — Capitão João Baptista Lustosa — Commen- 
dador António Caetano Pinto Coelho — Guarda Mór Geral João 
Baptista Ferreira de Souza, com hum voto — o Capitão Mór 
José Fernandes Penna — Capitão João Vieira de Godoy — Co- 
ronel António Gonçalves Gomide — Doutor Theotonio Alves de 
Oliveira Maciel — Capitão Mór José Bento Soares — com dois — 
o Dezembargador Juiz de Fora, da Campanha, José Joaquim Car- 
neiro de Miranda e Costa — o Reverendo Arcediago Doutor Mar- 
cos António Monteiro com três — o Reverendo doutor José Al- 
vares do Couto Saraiva — Capitão Mór António Januário Car- 
neiro — doutor Juiz de Fora do Sabará José António da Silva 
Maia — Guarda Mór Innocencio Vieira da Silva — Tenente 
Coronel Bernardino José de Queiroga — Vigário José de Abreu 
Silva — com quatro — o Conselheiro Manoel Ferreira da Ca- 
mará — com cinco — o Reverendo Vigário Geral de Minas No- 
vas Luiz Pereira dos Santos — Reverendo Vigário da Vara An- 
tónio da Rocha Franco — com seis — o Doutor José Vieira 
Couto — Capitão Mór José de Araújo da Cunha Alvarenga com 
oito — o Reverendíssimo Cónego José Bento Leite Ferreira de 
Mello — com nove — o Capitão Mór Manoel Teixeira da Silva 
com onze — o Reverendíssimo Chantre Francisco Pereira de 
Santa Apolónia — com dezesete — o Dezembargador José Tei- 
xeira da Fonseca Vasconcellos — com dezenove — o Coronel Ro- 
mualdo José Monteiro com trinta e cinco — o Capitão Mór 
Custodio José Dias com sessenta — E como nenhum teve a plu- 
ralidade absoluta — entraram em segundo escrutínio os que a ti- 
veram relativa — e tendo neste segundo escrutínio o Coronel 
Romualdo José Monteiro sessenta e nove votos e o Capitão Mór 
Custodio José Dias — cento e sessenta e quatro — ficou eleito 
este — a qual eleição foi da mesma forma publicada pelo Presi- 
dente da Camará: — passou-se á nomeação de outro Membro e 



no REVISTA DO 



seguindo-se a mesma marcha — sahiram o Capitão Jorge Bene- 
dicto Ottoni — Doutor Bernardino Leite de Faria Toar — Sar- 
gento Mór António Pedro Azeredo Dantas — Vigário José de 
Abreu Silva — Cónego Ignacio José de Souza Ferreira — Reve- 
rendo João Ferreira Leite —Sargento Mór José Teixeira — Ca- 
pitão José Justino Gomes Pereira — Conselheiro Manoel Fer- 
reira da Camará — Capitão Caetano Luiz de Miranda — Doutor 
Theotonio Alvares de Oliveira Maciel — Tenente Coronel Nico- 
lau Soares do Couto — Tenente Coronel António Luiz de Noronha 
— Coronel Pedro Gomes Nogueira — Cónego Manoel Gonçalves 
da Fonseca — Reverendo Manoel Rodrigues da Costa — Arce- 
diago Moutor Marcos António Monteiro — Capitão Manoel José 
Pires da Silva Pontes — Capitão M<1r Domingos José Pimentel 
Barbosa — Desembargador Manoel Ignacio de Mello e Souza — 
Capitão João Vieira de Godoy — com um voto — o Capitão João 
Fernandes de Oliveira — Tenente Coronel Anacleto António do 
Carmo — Vigário João Antunes Corrêa — Capitão Mór José 
Bento Soares — com dois — o Guarda Mór Innocencio Vieira da 
Silva— Tenente Coronel Manoel Vieira Couto — Capitão Mór 
António Januário Carneiro — Doutor José António da Silva Maya 
—Coronel Joaquim Ferreira da Fonseca — com três — o Te- 
nente Coronel Bernardino José de Queiroga — Reverendo Do.::or 
José Alves do Couto Saraiva — com quatro — o Guarda Mór Ge- 
neral João Baptista Ferreira de Souza — Coronel Fernando Luiz 
Machado— com cinco— o Capitão Mór José de Araújo da Cu- 
nha Alvarenga — o Reverendíssimo Chantre Francisco Pereira 
de Santa Appolonia— com seis— o Capitão Mór José Fernandes 
Penna — com sete — o Capitão Mór Manoel Teixeira da Silva 
—com. oito— o Vigário Geral de Minas Novas Luiz Pereira dos 
Santos — Capitão Mór Manoel da Costa Maya — com nove — o 
Reverendíssimo Cónego José Bento Leite Ferreira de Mello — 
com dez— o Doutor José Vieira Couto — com doze ; o desem- 
bargador José Teixeira da Fonseca de Vasconcellos— com treze 
—o Coronel Romualdo José Monteiro de Barros— com cento e três. 
E como nenhum teve a popularidade absoluta, entraram em segundo 
escrutínio os dous que a tiveram relativa, e sahiu o Desembar- 
gador José Teixeira da Fonseca Vasconcellos com quarenta e sete 
votos e o Coronel Romualdo José Monteiro de Barros com cento 
e oitenta e nove, ficando eleito este a qual eleição foi similhan- 
temente publicada pelo referido Presidente e por serem mais de 
sete horas da tarde, ficou a continuação da eleição para o dia de 
amanhã, pelas nove horas da manhã. E para constar, faço 
este Termo, que assignam a Camata, Presidente, o Desembar- 
gador Ouvidor Interino da Comarca, assistente, os escrutinado- 
res, commigo Secretario, que o escrevi — Perdigão Malheiros — 
Monteiro— Fernandes — Magalhães— Barbosa— Escrutinadores 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO \i{ 

António José Dias Coelho— Francisco Pereira da Santa Appolo- 
nia — Luiz Maria da Silva Pinto. 

Confi7mação 

Aos vinte e três dias do mez de maio de mil oito centos e 
vinte e dois, nesta Villa Rica, na mesma Capella de Nossa Se- 
nhora do Carmo, reunida a AssembJéa Eleitoral dos Eleitores 
Parochicies da Provincia, presidindo a mesma Camará da dita 
Villa e assistindo o Dezembargador Ouvidor Interino da Comar- 
ca, Agostinho Marques Perdigão Malheiros, se continuou nas 
operações da presente eleição á qual procedendo se com as 
mesmas solemnidades se votou para outro Membro da Junta 
Provisória do Governo da Provincia, e sahiram o Tenente Coro- 
nel Anacleto António do Carmo — Commendador Manoel Ri- 
beiro V^iaima - Capitão Mór José Pereira Alvim - Reverendo 
Doutor -losé Alvares do Couto Saraiva — Capitão .loão José 
Ferreira e Abreu — Capitão Bernardo Alves Moreira — Coronel 
João da Motta Ribeiro — Capitão Mór José Bento Soares — Ca- 
pitão Mór Manoel Pereira Pinto — Coronel António Gonçalves 
Gomide — Vigário de São João Joaquim Mariano do Amaral 
Gurgel — Vigário António Machado — Dezembargado José Joa- 
quim Carneiro de Miranda e Costa — Coronel Joaquim Ferreira 
da Fonseca — Vigário da Vara de São João António Ribeiro de 
Rezende Salvador Peregrino Aarão - Coronel José de Sá 
Bitancourt - Capitão António Justiano Monteiro — com hum 
voto — o Cónego Ignacio José de Sousa Ferreira — Reveren- 
díssimo Arcypreste João Baptista de Figueiredo — Vigário da 
Vara Francisco Ferreira Lemos — Conselheiro Manoel Ferrei- 
ra da Camará; Sargento Mór José Feliciano Pinto Coelho, 
com dous; o Tenente Coronel Giraldo Ribeiro de Rezende 
e o Capitão Mór António Januário Carneiro, com ires. O 
Vigário da Vara António da Rocha Franco, com quatro. O 
doutor José António da Silva Maia — o Reverendo Manoel 
Rodrigues da Costa — o Dr. José Vieira Couto, com cin- 
co. O guarda mor — hinocencio Vieira da Silva, com seis, 
O Coronel Fernando Luiz Machado, com oito. O Vigário 
José de Abreu Silva e o Capitão Mór Manoel da Costa Maia, 
com nove. O Reverendíssimo Cónego José Bento Leite Fer- 
reira de Mello, com dez. O Vigário Geral de Minas Novas Luiz 
Pereira dos Santos — Capitão Mór José Fernandes Penna — 
Guarda Mór Geral João Baptista Ferreira. — Doutor Joaquim -ío- 
sé da Silva Brandão, com onze. O Capitão Mór Manoel Tei- 
xeira da Silva com doze — o Capitão Mór José de Araújo da 
Cunha Alvarenga, com quatorze. O Reverendíssimo Chantre 



112 REVISTA DO 



Doutor Francisco Pereira de Santa Appolonia, com deza- 
nove. O Desembargador José Teixeira da Fonseca Vasconcellos, 
com quarenta e hum. E como nenhum tivesse pluralidade ab- 
soluta, entraram em segundo escrutínio os que tiveram relativa, 
e obtendo o Desembargador José Teixeira da Fonseca Vascon- 
cellos oitenta e nove votos e o Reverendíssimo Chantre Dou- 
tor Francisco Pereira de Santa Appolonia cento e trinta e sete 
votos (pelo accrescimo de mais dous eleitores que comparece- 
ram) ficou eleito este, a qual eleição foi publicada pelo Presi- 
dente da Camará, Juiz de Fora pela Ley, Doutor Bernardo 
António Monteiro; e passando-se depois á votação para outro 
Membro, sahiram: o Reverendíssimo Vigário Dr. Joaquim José 
Lopes Mendes Ribeiro — o Sargento Mór José António de Almei- 
da — o Cónego Ignacio José de Sousa Ferreira — o Reverendís- 
simo Arcediago Doutor Marcos António Monteiro — o Conselhei- 
ro Manoel Ferreira da Camará — o Sargento Mór Vicente Fer- 
reira de Paiva — Tenente Coronel Anacleto António do Carmo 
— João Lopes Teixeira de Moraes — o Capitão José Justino 
Gomes — o Doutor José Vieira Couto — o Vigário da Vara de 
São João, António Ribeiro de Rezende, com hum voto. O Coro- 
nel Ferando Luiz Machado — o Capitão Mór Domingos José Pi- 
mentel — o Reverendo Manoel Rodrigues da Costa, com deus 
O Capitão Mór António Januário Carneiro, com três. O C' pi- 
tão Mór José Pereira Alvim — Vigário da Vara António da l"o- 
cha Franco, com quatro O Reverendíssimo Arcypreste João 
Baptista de Figueiredo — O Reverendíssimo Cónego Manoel 
Gonçalves Pereira, com cinco. O Guarda Mór Innocencio Vieira 
da Silva — Vigário José de Abreu Silva, com seis. O Doutor 
José António da Silva Maia — o Capitão Mór Manoel da Costa 
Maia, com oito. O Doutor Joaquim José da Silva Brandão — o 
Reverendíssimo Cónego José Bento Leite Ferreira de Mello, 
com nove. O Capitão Mór José Fernandes Penna, com onze. O 
Guarda-Mór Geral João Baptista Ferreira de Sousa, com quator- 
se. O Capitão Mór José de Araújo da Cunha Alvarenga, com 
deseseis. O Capitão Mór Manoel Teixeira da Silva, com deseno- 
ve. O Reverendo Vigário Geral de Minas Novas, Luiz Pereira 
dos Santos, com trinta e dous. O Desemborgador José Teixeira 
da Fonseca Vasconcellos com sessenta e seis; e não tendo ne- 
nhum delles pluralidade absoluta, entrarão em segundo escrutí- 
nio os que a tiveram relativa dos quaes o desembargador José Tei- 
xeira da Fonseca Vasconcellos teve noventa e um votos, e o Vi- 
gário Geral de Minas Novas Luiz Pereira dos Santos, cento e qua- 
renta e sete, ficando por isso este eleito, a qual eleição foi da mesma 
forma publicada pelo sobredito Presidente; e passando-se final- 
mente á nomeação do ultimo Membro, sahiram o Vigário Doutor 
Joaquim José Lopes Mendes Ribeiro — Capitão Mór José Pereira 



ARCHIVO PU BUÇO MINEIRO 113 

Alvim — o Vigário de São João cl'El-Rey Joaquim Mariano do 
Amaral — o Vigário José Maria Fajardo de Assis — o Reverendo 
Provisor de Paracatú Joaquim de Mello Franco — o Vigário Ma- 
noel da Piedade Valongo — o Vigário Manoel Francisco da Silva 
— o Reverendíssimo Cónego Ignacio José de Sousa Ferreira — 
o Sargento Mór Gomes Freire de Andrade — Capitão Mór Ma- 
noel Pereira Pinto, com um voto. Reverendíssimo Arcypreste 
João Baptista de Figueiredo — o Capitão Mór de Paracatú Domin- 
gos José Pimentel Barbosa — o Reverendo Manoel Rodrigues da 
Costa — o Reverendo Doutor José Alvares do Couto Saraiva — 
Coronel Fernando Luiz Machado — Doutor José Vieira Couto, com 
dous; o Doutor José António da Silva Maia — Capitão Mór Antó- 
nio Januário Carneiro — Desembargador Plácido Martins Pereira — 
Capitão Mór José Pereira Alvim, com três; o Vigário da Vara 
António da Rocha Franco, com quatro; o Vigário José de Abreu 
Silva — Reverendíssimo Cónego José Bento Leite Ferreira de Mello, 
com sete; o Doutor Joaquim José da Silva Brandão — Guarda 
Mór Innocencio Vieira da Silva, com oito, Capitão Mór Manoel 
da Costa Maia — Guarda Mór Geral João Baptista Ferreira de 
Sousa, com dez. O Capitão Mór José Fernandes Penna, com de- 
senove; o Capitão Mór José de Araújo da Cunha Alvarenga, com 
vinte e sete; o Capitão Mór Manoel Teixeira da Silva, com qua- 
renta e sete; o Desembargador José Teixeira da Fonseca Vascon- 
cellos, com cincoenta e nove, e como não houvesse pluralidade 
absoluta, entraram em segundo escrutínio, e tiveram o Desem- 
bargador José Teixeira da Fonseca Vasconcellos, setenta e quatro 
votos e o Capitão Mór Manoel Teixeira da Silva cento e sessenta 
e hum, ficando este eleito, e foi publicada pelo mencionado Pre- 
sidente esta Eleição: vindo portanto a ser, como se vè dos Ter- 
mos da presente Eleição, lançados neste Livro, os Membros da 
Junta Provisória do Governo desta Província de Minas Geraes : 

O Illm. e Exm. D. Manoel de Portugal e Castro — Presi- 
dente. 

O Sargento Mór Luiz Maria da Silva Pinto — Secretario. 

O Capitão Mór Custodio José Dias. 

O Coronel Romualdo José Monteiro de Barros. 

O Reverendíssimo Chantre dr. Francisco Pereira de Santa 
Appolonia. 

O Reverendissimo Vigário Geral Luiz Pereira dos Santos. 

O Capitão Mór Manoel Teixeira da Silva. 

Concluída assim esta Eleição, foi entoado pelo Reverendis- 
simo Arcypreste João Baptista de Figueiredo na mesma CapelU 
R. A 8 



Íl4 REVISTA DO 



O Hymno — Te Deum Laudmnos — Do que tudo para constar 
se mandou lavrar este Termo, do qual se remetterá huma co- 
pia á Sua Alteza Real o Príncipe Regente do Brazil, o sereníssi- 
mo Senhor Dom Pedro de Alcântara, e aos Membros Eleitos, 
egualmente huma copia para seu titulo e assignam a Camará, 
Presidente, o Desembargador Ouvidor Interino da Camará, as- 
sistente, eu Secretario e Escrutinadores com todos os Ele itores 
que se acham presentes ao feicho da presente Eleição. E eu, 
Secretario, Luiz Maria da Silva Pinto, o escrevy e assigno. O 
Ouvidor Interino da Comarca assistente, Agostinho Marques 
Perdigão Malheiros — O Presidente da Camará, Bernardo An- 
tónio Monteiro — O Vereador Manoel Fernandes da Silva — 
O Vereador António de Magalhães Gomes— O Procurador, 
Manoel José Barbosa — O Secretario, Luiz Maria da Silva Pin- 
to, Eleitor de Ouro Preto— O Escrutinador, Eleitor da Fre- 
guezia do Ouro Preto, António José Dias Coelho — O Escruti- 
nador, Eleitor da Freguezia de Marianna, Francisco Pereira 
de Santa Appolonia — Nicolau Soares do Couto — Fernando 
Luiz Machado de Magalhães — Felippe Joaquim da Cunha e 
Castro — Pedro Dias de Carvalho — Francisco Alves de Brito. 
— Domingos José Ferreira — O Vigário Francisco Xavier de 
Meirelles e Sousa — Francisco AJves da Cunha Menezes. — 
José Bento da Silva — Romualdo José Monteiro — João Ri- 
beiro da Silva — Nicolau Coelho Seabra — Marcos António 
Monteiro — João Baptista de Figueiredo — Francisco de 
Sousa Monteiro— João Custodio Machado de Magalhaens— 
José Fernandes de Oliveira — Lourenço António — Pereira— 
Gregório Martins de Abreu — o Vigário Francisco Xavier 
Augusto da Fran(;a — Domingos Pinto Ferreira França — 
José Justino Gomes Pereira — o Padre João Henrique da 
Silva Brandão— o Padre José Soares de Brito — o Padre Joa- 
quim José do Monte — Manoel José Martins — Domingos António 
de Mesquita — O Vigário Luiz da Cunha Ozzorio — Francisco 
Justiniano Alves de Freitas — José Coelho de Oliveira Duarte— 
Joaquim José Lopes Mendes Ribeiro— João Nepomuceno Car- 
neiro — José Justiniano Carneiro — António Pedro Vidigal de Bar- 
ros — João dos Santos França Gaito — Marcellino Rodrigues 
Ferreira— Silvestre António Vieira— O Vigário João Boni- 
fácio Duarte Pinto — António Martins Pacheco — António 
Duarte Pinto — Manoel António — Brandão. — O Padre Francis- 
co da Silva Guerra — Pedro Gomes Nogueira — António 
Martins da Costa — José de Araújo da Cunha Alvarenga — 
José Pereira de Almeida Pessanha — Manoel Nogueira Duarte 
— O Padre Manoel Roberto da Silva Diniz — O Padre João 
Francisco da Silva — Manoel Pires de Miranda — Domingos 
Fernandes Moreira — Custodio José da Silva — Quintiliano 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 115 

José de Oliveira — Joaquim José da Silva — Manoel José Pi- 
nheiro — João Duarte Lacerda — Jacintho Pinto Teixeira — 
Manoel Carvalho de Moraes — Francisco Procopio da Silva 
Monteiro — João Vieira de Godoy Alvarenga Leme — O Pa- 
dre Sebastião José de Carvalho Penna — Paulo José de Souza 

— João José Ferreira de Abreu — Anastácio António de Azevedo 
Barros — João Gonçalves Barroso — João Baptista Ferreira 
de Sousa Coutinho — José Máximo Pereira — António José de 
Sousa e Silva — O Padre Miguel Dias Maciel — Domingos de 
Freitas Mourão — Miguel Gomes Duarte — João Rodrigues de 
Carvalho — João Cordeiro Valladares — Martinho Alvares da 
Silva — Luiz Álvaro de Moraes Navarro — António Theodoro 
de Mendonça — Henrique Brandão de Macedo — António Al- 
ves de Sousa — Domingos Pereira de Araújo Caldas — An- 
tónio Ribeiro de Rezende — Padre Miguel de Noronha Pires — 
José António de Castro Moreira — O Padre Custodio de Cas- 
tro Moreira — António Constantino de Oliveira — Jeronymo 
José Rodrigues — João Baptista Lustosa — António Balbino 
Negreiros de Carvalho — Alexandre Pereira Pimentel — Ma- 
noel José da Costa Machado — José Pedro de Carvalho — 
José Dias de Oliveira — José António Cardoso — João Perei- 
ra Pimentel — Agostinho António Tassara de Pádua — José 
Fernandes Penna — Thomaz de Aquino Alves de Azevedo — 
Manoel da Piedade Valongo de Lacerda — Joaquim Leonel de 
Paiva — O Vigário José Francisco Morato — José Bernardes 
Ferreira — José Alves de Figueiredo — Manoel da Costa Maya 

— Gervásio Pereira de Alvim — João Nepomuceno Ferreira e 
Castro — Severino Eulogio Ribeiro de Rezende — José Ferreira 
Rodrigues — António José Moreira — Gonçalo Joaquim de 
Barros — João Gonçalves de Lara e Gois — João An- 
tónio de Campos — O Padre Joaquim Ferreira dos Santos 

— O Padre António Caetano de Sousa — Manoel António 
da Silva — António Homem d'El-Rey — Bartholomeu Fernan- 
des Rocha — António Dornellas da Costa — O Padre Felis- 
berto Rodrigues Milagres — António Pedro de Azevedo Dantas 

— João de Araújo Padilha — O Padre José Pinto Barbosa — 
Manoel Pereira Guimaraens — José Pereira de Alvim — Antó- 
nio Pita de Castro — Francisco Leite Ribeiro — Silvestre Pa- 
checo de Castro — Francisco José Soares de Araújo e Silva 

— Francisco de Paula e Souza — Thomaz de Aquino Alves — 
Manoel Pires de Oliveira — Francisco Ferreira Lemos — João 
Antunes Corrêa da Costa — Francisco de Paula Arantes — Antó- 
nio Afíoneo Lamounier — Thomaz Joaquim Barbosa — Bernar- 
do Alvares Moieira — Francisco Barbosa da Cunha — António 
Ferreira de Miranda — Padre Manoel Furtado de Souza —Manoel 



lie REVISTA DO 



Furtado de Sousa — Manoel Martins Coelho — João Rodrigues 
Peixoto — Manoel José de Castro — O Vigário da vara Manoel 
Francisco dos Santos — o Capitão Francisco António de Moraes 

— o Vigário José Severino Ribeiro — José de Sousa Lima 

— o Padre Bento José Labre — Vicente Ferreira de Paiva Bo- 
eno — António Goular Brum — António Justiniano Monteiro de 
Queiroz — Gaspar José de Paiva — Faustino José de Azevedo 

— Silvestre da Costa Lima — Ignacio Francisco Franco — 
João Joaquim Fleming — José Coutinho de Aguiar — Ignacio 
Gonçalves Lopes — João Dias de Quadro Aranhas — Felis- 
berto Cândido Rodrigues Bueno — Ignacio Corrêa Rangel — 
José Maria de Moura Leitão — Francisco Soares de Figueiredo 

— António de Carvalho Pinto — João de Freitas Pacheco de 
Azeredo Coutinho — Vigário Luiz Gomes de Oliveira — o Pa- 
dre José Geraldo de Sousa e Silva — o Capitão Manoel Teixeira 
de Mello — Manoel Pereira Pinto — Domingos Rodrigues Affonço 

— António Gomes Nogueira Freire — José de Meirelles Freire 

— António Rodrigues Affonço — Manoel Pereira de Souza — João 
Pedro Diniz Junqueira — José de Abreu e Silva — Custodio Vil- 
lela Palmeira — Francisco Monteiro da Fonseca Borges — An- 
tónio Luiz de Noronha e Silva — José Theodoro de Araújo - 
Custodio José Vieira — António Francisco Sardinha — Jeronymo 
de Arantes Marques — António Francisco de Azevedo — Fran- 
cisco Theodoro da Silva — José Maria Fajardo de Assis — José 
Ignacio Nogueira de Gouvêa — Padre Custodio Ribeiro de Car- 
valho — José Alves Pereira e Mello — Francisco José Ribeiro — 
João Fernandes da Silva — o Padre Francisco Moreira de Car- 
valho — Custodio José Dias — o Padre Ignacio Ribeiro do Pra- 
do e Siqueira — António José da Silveira — Bernardino José 
de Queiroga — João Innocencio de Azeredo Coutinho — Joaquim 
Pereira de Queiroz — Francisco de Paula Coelho de Magalhães 

— Jorge Benedicto Ottoni — José de Avilla Bittencourt — An- 
tónio de Avilla Bittencourt — Manoel Francisco da Silva — Pa- 
dre Joaquim Gomes de Carvalho — Caetano Luiz de Miranda — 
Vicente Ferreira Fróes — Francisco dos Santos Freire — João 
Pires Cardoso — Bento Dias Chaves — Luiz dos Santos Souto — 
António Vieira Braga — José Joaquim de Araújo Soares — o 
Vigário Anastácio Cardoso Neves — Francisco Manoel Pereira 

— Domingos José Soares — o Padre Marcos Vaz Mourão — 
Bento Pinto de Vasconcellos — Francisco de Paula Silva — o Pa- 
dre Manoel Duarte Costa — João Manoel Carlos de Buitrago — 
João José de Abreu — Plácido da Silva e Oliveira Rohm — José 
Felizardo da Costa — António José da Costa — João Pereira 
Araújo Pinto — José Dias Bicalho — Francisco Manoel Barbo- 
za de Sá Mascarenhas — Pedro Celestino Teixeira — Manoel Tei- 
;ceira Mendes — Servando Pacheco Rollim — Manoel Zeferino de 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 117 

Sá Mascarenhas — António da Costa Pereira — José Fernandes 
de Azevedo — Francisco José da Motta. 

Está conforme. 

Agostinho Marques Peidinão Malheiros — Bernardo 
António Monfeiro — António de Ma.f/alhãns Gomes — Ma- 
noel Fernandes da Silva — Manoel José Barbosa — Antó- 
nio José Dias Co''lho. — Francisco Prrera de Santa Appo- 
lonia. — António Luiz Maria da Silva Pinto. 



Autos da creação da Villa de Barba- 
cena na Comarca do Rio das Mortes 

( MANUSCRIPTO ORIGINAL PERTENCENTE AO ARCHIVO ) 



111.""' e Ex."'" Snr. 



Postrados omildemente aos pes de V. Ex.^ Suplicão os Po- 
vos da freg.^ da Borda do Campo, Engenho, e Simão Pereyra 
cam.° do Rio de Janr." Com outros de remotas parages, Serra 
abaixo do Rio da Pomba, queelles experimentão, os mais des- 
abridos incómodos nas dependências de suas demandas, convo- 
lando huns a Sam Joze e outros ao tr.° de S. João, em distan- 
cia os demais longe de trinta e seis legoas, emtempo de agoas e 
perigozos caminhos, compasajes de Rios que som-' esta penoza 
contribuição se fará condigna da Piedade de V. Ex.% para o pro- 
vidente sororro das suas necessd.'"" quanto mais acreçida vexa- 
ção, a que se achão reduzidos com os avultados selarios dos 
Officiaes nas diligencias da Justissa, dos Escrivaens, e Tabeliaens 
nas escripturas, e aprovação de testam. *'^^ do Juis deorfaos, e 
seus oficiaes, fasendo-se intoleráveis despezas aos mizeraveis ór- 
fãos nos inventários, e tomadas de contas aos Tutores, encon- 
trando outros penozos trabalhos de irem os Escrivaens, emquiri- 
dor tirar test."' quando estas se achão molestas, ou decrepta a 
idade, e de convolarem a tam remotas parages aconselharem-se, 
e tratarem das suas dependências, fazendo-se gastos com test.''-* e 
passagens de Portos Riais expostos finalmente a hum dezem- 
paro total de sua caza e familia, afim de acudirem umas vezes 
aos mandatos da Justissa comque São amiessados, outras a pro- 
curar recurso as suas afliçoens, por cujos motivos imploram com 
suspiros o opurtuno remédio na grandesa de V. Ex.^ facultando- 



120 REVISTA DO 



lhes a graça da criação de huma nova Villa no arrayal da Jgreja 
nova da Borda do Campo, asim como o tem a Pie.''*' de V. Ex ^ 
facilitado a outros povos menos remotos com esta incompará- 
vel grasa p.^ refrigério de seus males e por conter aquele d." 
arrayal toda a capacid.'" p."* hua nu-neroza Povoação, cituado em 
Estrada geral do comercio dos viandantes do Rio de Janeyro,e p.^ 
com o temor da Justissa, e proximidade de seus respectivos ofíi- 
ciaes a ver socorro p.^ aprovação dos testam. "'^ eprocuraçoens p.^ 
m/"^ pobres, enfermos, e viuvas, e outras pessoas onestas de de- 
licado sexo, não poderem convolar aos Destritos das referidas 
Villas, e p.^ também os viandantes girarem seguros nos ditos 
cam.°^ , e sinão experimentarem tam execrandas mortes e roubos 
acontecidos na paraje da Mantiqra."* e freg.** da Borda do Campo, 
como a V. ex.** he notório. 

P. a V. Ex.*""' Seia Servido facul- 
tar-lhes a graça que Suplicão por 
cujo beneficio rogarão a Deos pela 
saúde Espiritual e temporal de V. 
Exi.^ e de sua esclarecida fa- 
mília. 

E. R. M. 

Fran." da Costa S. Thiago, João dos Santos Guimaraens, 
Manoel do Valle Amado, José Vidal de Barboza, Manoel Vidal 
Lage, Joaquim de Macedo Cruz, Gonçalo Gomes Miz., José An- 
tónio de Carvalho, Fran.'"" de Macedo Cruz, Jozé Nunes de Cam- 
pos, Jozé Ayres Gomes, Joaquim Joze da Costa, Joze Ribr.° de 
Queiroz, Fran.'"° Homem da Costa, Pedro Frz. Afonso, Jacinto da 
S.^ Fialho, Ign.^° da Cunha, o P. António Joze Roiz., António 
Corrêa de Mello Albuqr., Joze António Frz., Agostinho Pinto 
Ferr.^, Vicente Ferr.^, Joze Giz. Per.^, Manoel Rodrigues, Manoel 
da Costa Silva, o P. Manoel Dias de Sz.^, Joze de Castro 
Pinto, Manoel de Sá Fortes Bustam.^*' Nogr.^, Manoel Alves Mar- 
ques, António da Motta Leite, Joaquim Alz. Corsino, Agostinho 
da S.^ de Miranda, António Joze de Araújo, João Per."" Cabral 
de Melo, Manoel de Barros, Manoel Nunes de Abreu, Luis M." ' 
Giz-. António de Freitas Bastos, João Batista Leite, Joze Ribr.° Teix.', 
Manoel Joaquim de S. Anna, Domingos Giz. Barrozo, Joaq."' Lo- 
pes dos Sancttos, Manoel Montr.° da Costa Albqr., Joze Alves de 
Freitas Belo, Joze de Souza Barreto, Luiz An.*" Frz., M.^' Giz. 
da S.^ e Siq.•■^ Joaq.'" Per.^ dos Santos, Joaq.'" da S.^ Fialho, Manoel 
An.'" Mor,^ o P. Manoel Ferr.** Coelho, Carlos de Assis Figr.^'" Vidal, 
Manoel Roiz. Lima, Manoel Roiz. Valle, M.«' Joze 01.''* Joze S.^ Fialho, 



ARCHIVO PUBUCO MINEIRO 121 



João da Costa e Albuq., Manoel da S.** Souza, Plácido V.*, An- 
tónio Silveira Peyx'", Fran." da Costa Per.'', Fran. ' Simois Sen- 
teio, Joze Carneiro Fon.", Manoel Pinto Lour.*', João S.** Fialho, 
Caetano António da Rocha, José Lucindo Per.", António Lopes 
da S.'\ Joze Si.nois Senteio, João da Costa Per." Dória, Fran." 
Roiz. Valle, Joze Gar. " Per.^, Sebastião Teix." de Carvalho, Joa- 
quim Marques da S.^, Joze António da Rocha Bello, Joze Fran.'" 
dos Santos, João Furtado de Fig.'", M.' Joze V.""", Joze Ma- 
noel da Fonseca, Manoel Per." da S.^ Fran.^*^ Joze Esteves So- 
eira, Manoel Joaq.,'" Miguel Roiz. de Sá, Victoriano Alz. de An- 
drade, Luiz Teix." dos S." , João Giz. de Carvalho, Vicente da 
S.**, Gonçalo Soares de Oliveira, Joaq.'" Joze Teix.^, Joze Ign." 
Ferr." de Ávila, António Roiz. Valle, Joze Pimenta X.'' , Severino 
Roiz. de Araújo, Domingos António de Az.''", Joze Furtado de 
Figuei.'", António da Silva de Carvalho, Joze Roiz. Vianna, João 
Giz. Lima, Domingos Santos, Jacinto Dias Costa, Vict." Joaq'". 
de Olivr." Pires, António Vieira, Francisco da Rocha, Estanislàu 
Ferr.^ José Suterio Peres Cazado, Miguel António de Payva, 
Bernardo da S."" Esteves, Fran.''" Mar."" Alm.*^** Vidal, Manoel 
Dias Dantas, João Martins Coelho, Pedro Barboza da Costa, 
António Teix.^ de Souza, Simão Ferreira Amador, António Roiz. 
Dias Cezar. 



Auto de Creação que faz o III.""" e Ex.'"" Sor. Viscon- 
de de Barbacena Governador, e Capitão General des- 
ta Capitania, da Villa de Barbacena no que era Ar- 
raial da Igreja Nova de Campolide. 

Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil 
e sete Centos enoventa e hum aos quaíorze dias do mes de Agosto 
neste Arraial da Igreja Nova de Campolide termo da Villa de 
S. Jozé Comarca do Rio das Mortes, e Cazas aonde se acha 
aponzentado o Illustrissimo, e Excellentissimo Senhor Visconde 
de Barbacena do Conselho de Sua Magestade Governador, e Ca- 
pitão General desta Capitania de Minas Geraes Sendo prenzente 
o Doutor Luiz António Branco Bernardes de Carvalho Ouvidor 
Geral, e Corregedor desta mesma Comarca, eamaior parte da 
Nobreza, emuito povo do dito Arraial, esua frequezia, e das de 
Nossa Senhora da Conceição do Engenho do Matto, e de Nossa 
Senhora da Gloria do Simão Pereira, Caminho do Matto do Rio 
de Janeiro, que de ordem do mesmo Illustrissimo e Excelentis- 



122 , REVISTA DO 



simo Senhor Governador forão convocados para este dia por 
Editaes públicos mandados afixar pelo dito Ouvidor: ahi foi 
dito perante todos pelo Illustrissimo e Excelentíssimo Senhor 
Visconde Governador, que tendo considera(;áo a grande distan- 
cia, queha do dito Arraial, e sua freguezia a Villa de Sam Jozé, 
e das do Matto a de Sam João de El Rey, a Cujos termos per- 
tensem a qual em partes excede a trinta Legoas rezultando daqui 
não só o inconveniente dos particulares hirem tratar a aquellas 
Villas os seus negócios forenses Com difíceis, eincomodas jorna- 
das, mas Com a maior deserem muitas vezes obrigados a dei- 
xarem as suas accoens, e direitos por temerem as avultadas des- 
pezas que devem fazer Com os Salários de Caminhos dos oficiaes 
de Justiça maiores em muitas que o principal do negocio: que 
atendendo também, e principalmente ao bem, esocego publico 
que padesse Com a falta de Policia em que necessariamente 
devem viver os Povos, que assim se achão retirados das Justi- 
ças em carregadas de os promoverem e aguardarem; Sendo 
esta falta de muitos maiores consequências no Território assi- 
ma mensionado em rezão de ser atravessado pela Estrada que 
comonica esta Capitania, e as outas das Minas Com a Cidade 
do Rio de Janeiro, Cujas relações politicas, e Comerciantes fa- 
zem hum objecto digno de toda a Contemplação, e do mais 
providente cuidado : que por todos estes motivos resolvera elle 
Excelentíssimo Senhor Visconde Governador deferir ao reque- 
rimento dos moradores do sobredito Território oqual vai junto 
aeste auto, Creando Villa este Arraial não só por ser omais 
central, epopulozo deste distrito, mas porque á sua situação na 
extremidade do Matto, eonde da estrada do Rio de Janeiro se 
dividem as das Comarcas desta Capitania, e as que se encami- 
nhão para a de Goiás, e Matto Grosso fazem mais necessárias, 
e interessantes neste Lugar a Policia, e Economia publica para 
segurança, e Cómodo dos Viajantes, para bem emelhoramento 
do Comercio, o qual aqui tem como a sua chave, E com efeito 
disse elle Excelentíssimo Senhor Visconde Governador que Cria 
eha por Creado este Arraial da Igreja Nova de CampoHde em Vil- 
la para o ficar sendo desde hoje Com todas as prerogativas, pre- 
vilegios, izemçoens, honras, foros, e Liberdades, que nesta qua- 
lidade lhe pertencem, e ficam pertencendo, epara Ser governada 
por hua Camará própria. Juizes ordinários, emais Justiças, que 
lhe convém Com toda a jurisdicção, que a estas fica tocando 
pela Lei na Nova Villa, e no Terri orio, que lhe fica pertensen- 
do, o qual Comprehenderá as sobreditas freguezias de Nossa Se- 
nhora da Conceipção do Engenho do Matto, e Nossa Senhora da 
Gloria de Simão Pereira até onde Estas confinão Com o termo 
daCidade de Marianna, e depois s eguindo estas divisas ate onde 



ABiCHIVO PUBUCX) MINEIRO 123 



a freguezia da Matrix da Villa Creada confronta Com o termo 
da de Queluz: preservando se porem para diferir nesta parte 
aseo tempo, e Com mais amplo Conhecimento as reprezentaçoens 
que se lhe tem feito sobre o território da Capela de Nossa dos 
Remédios, o qual sendo desta freguezia se acha presentemente 
sogeito as Justiças daquella Cidade E seguindo os Limites da 
sobredita Villa de Queluz pelo Rio Carandahi abaixo sedividirá 
do termo da de San Joze pelas demarcaçoens das Fazendas do 
Gama e da Ressaca ate encontrar novamente as desta freguezia 
Com omesmo termo de San Joze Comprehendidas no novo 
Território as ditas duas fazendas, eoque mais pertense á fre- 
guezia dos Prados para aparte d^.s Cabesseiras daquelle Rio 
Carandahi. Depois Continuará esta divizão pela mesma desta 
freguezia Com as de Sam Joze, e Sam João de El Rey ate a 
fazenda de Monte Vidio donde Seguirá pelo Ribeirão assima ate 
o Lemos e dahi á fazenda da Vertioga, á do Morro alto a de 
Domingos Pinto á de Santa Rita á do Tenente António de Al- 
meida Ramos á da Ponte alta de António Pereira á do Pinhal 
de Jozé Rodrigues Braga, Seguindo pelo alto do Morro Chamado 
Domingos Gonçalves, e dahi pela Tapera de Joze Pinto Rei- 
mão chamada a Boa vista á fazenda dos Vallos Servindo nesta 
de diviza aos dois termos a Tapera de Silvestre Diniz Seguira 
pelo Sitio de Jozé de Oliveira Tavares ao de Francisco Vieira 
da Rocha ao de Francisco da Silveira á Ermida de Sam Domin- 
gos, a Bocaina e ultimamente ás Cabesseiras do Rio do Peixe 
incluído todo o Território das fazendas sobreditas, e aparte do 
Sertão que seguindo o rumo destas lhes corresponde até a extre- 
midade desta Capitania, o qual por ora Sinão individua por ser 
de Matto vedado, eSedemarcará sendo necessário havidas as 
informacoens que sejulgarem precisas. O qual Território assima 
indicado para este fim da nova creação desmembra, e separa 
dos termos das Villas de Sam João, e Sam Joze aque até agora 
pertencia. Dizendo mais que os moradores da nova Villa, e seu 
Território ha por izentos da jurisdicção das Justiças de Sam 
João de El Rey, e Sam Jozé para desde hoje serem só sogeitos 
ás que nella sehão de Estabelecer nasua verdadeira, elegitima 
competência: aqual enquanto Sua Magestade lhe não der Fo- 
ral próprio, e privativo se governará pelas Leis do Reino, e 
pelos Custumes authenticos das outras de que he separada, 
modicando-os declarando-os no que as diferentes Circunstan- 
cias opedirem por posturas e acordaons para que as mesmas 
Leis do Reino autorizão a sua Governança. E havendo as- 
sim o dito Excelentíssimo Senhor Visconde Governador por 
Creada a referida Villa pelo modo que fica exposto assim o 
aceitarão os refôridos moradores, nobreza e povo que presen- 
tes estavão protestando, e jurando neste mesmo acto firme e 



124 REVISTA DO 



Certa obediência, e Sogeição ás Leis do Reino Como Legítimos 
efieis Vassailos da Muito Alta, e Poderoza Rainha Dona Maria 
Primeira Nossa Senhora, e seus Augustos Sucessores. Eno mes- 
mo acto disserão elles Nobreza e Povo que por ser muito exten- 
so, e impróprio de uma Villa onome deste Arraial desejavão 
muito que agora na sua Creação se lhe desse outro, que ao mes- 
mo tempo Conservasse em memoria asua gratidão ao Excelen- 
tíssimo Senhor Visconde Governador pelo muito que eles em- 
particular lhe devem, e engeral toda esta Capitania na paz, so- 
cego, e Justiça Comque agoverna Combinado o Cómodo, eos en- 
teresses de todos com os deSua Magestade. E que por isso 
propunhão para asua nova Villa o nome de Barbacena; Erecu- 
sando elle Excellentissimo Senhor Visconde Governador estas 
propozicoins instarão todos Com aclamacoens ás quaes foi neces- 
sário Ceder, e Com efeito disserão e assentarão que esta Villa 
ficava desde hoje para o futuro Com osobredito nome de Bar- 
bacena para Com elle ser apelidada em todos os instrumentos 
públicos, autos, e termos judiciaes. (*) O que assim feito, e aca- 
bado como dito fica mandou elle Excelentíssimo Senhor Vis- 
conde Governador, que todos Nobreza, e Povo seajuntassem na 
Praça desta dita nova Villa para ahí assistirem a Solemne Ce- 
remonia do Levantamento do Pelourinho aque immediatamente 
se vai proceder. E para constar do Sobredito em todo otempo 
mandei fazer este auto, decriação que assinou com os referi- 
dos, que prezentes se achavão, e Eu Pedro de Araújo e Azevedo 



(*) Parece de todo inverosímil a energia com que, segundo o auto, «no- 
breza e povo» insistiram acclamando para a nova villa o nome de Barbace- 
na, titulo de Visconde-governador, elles que acabavam de supplicar pros- 
trados humildemente aos pés do capitão-general, implorando com suspi- 
ros, etc, conforme o mesmo auto, photographia da submissão e oppressão 
da época. A comedia é transparente. Com a hypocrisia que o caracteri- 
sava, pode bem. se concluir que o Visconde quiz conciliar o prurido da 
própria vaidade com as cautelas convenientes contra a possível desappro- 
vação régia, si elle mesmo figurasse ostensivamente dando seu nome no- 
biliarchico por titulo á villa recem-creada. E para tal precaução tinha elle 
o exemplo do governador António de Albuquerque que titulara— Villa de 
Albuquerque— á que fundara (e não simplesmente mstallára após a con- 
cessão de foro próprio, etc.) no Ribeirão do Carmo, titulo que D. João V 
desapprovou e não subsistiu, apezar de ser António de Albuquerque varão 
de predicados e serviços que nunca illustraram o nome do Visconde de 
Barbacena. 

Na hypothese da — Villa de Albuquerque — havia justificativa para 
esse titulo, o que não se dava com referencia á denominação de Barba- 
cena. Esta, no emtanto, prevaleceu e foi substituído aquelle, não tardan- 
do muito a ser trocado o nome de —Ribeirão do Carmo— pelo de— Marian- 
na— com elevação do local á categoria de cidade, só porque era esse o 
nome da rainha consorte. Pequenos caprichos régios e «justiça» do go- 
verno metropolitano consoantes aos usos e regimen do tempo, reinasse 
D. João V ou reinasse Maria 1.^— (Nota da redacção da Revista). 



AACHIVO PUBUPO lilNEIRO )25 

Secretario do Governo, que o Escrevi. — Visconde de Barbace- 
na. Luiz António Branco Bernardes de Carvalho, Manoel de Sá 
Fortes Bus." Nog' ., Dom Agostinho Pitta de Castro, António 
Roiz. de Souza, Joze de Souza Barreto, Manoel do Valle Amado, 
Joze Vidal de Barbosa, Francisco de Macedo Cruz, João Roiz. 
da Costa, Manoel Joze da Rocha e S" ., Domingos António de 
Azevedo, Joaquim Joze Vieira, Tex". (segue-se um nome inde- 
cifrável), o P.' António Joze Roiz., Manoel Luis Corr ' . de Payva, 
Joze António Ferraz, Manoel Francisco Lana, João Roiz. da Cos- 
ta, Manoel de Faria Mor", Joze de Castro Pinto, António da 
Mat Leite, Manoel Joaquim de Araújo, Gonçallo Mor : de S. Payo, 
Manoel Moreira da Silva, Manoel Roiz. dAr"., João de Castro 
Guimarães, Joze António de Carvalho, Joaquim Marques da 
Silva, Manoel Ferreira da S." Moira, Joze Per' . de Alvim. Joaquim 
Roiz. Valle, Bento Joze Per ., Jacinto Giz. Campos, Joze Th. de 
Freitas, Francisco Marq*. Viana, Joaquim Roiz. de Ar°., Gregório 
Joze da Costa, Joaquim Joze Bandr' . Joze Alz. Garsia, Francis- 
co Alves Garsia, Joze Manoel da Fon'"., João Giz. Bahya, Fran- 
cisco Gomes Ferr ., Manoel Roiz Valle, Joze Carn.° Mor. ' , Joze 
António Frz., Joze Lourenço Ferr.-' , o P'" . Joam Garcia da Sil- 
veira, o P' . Joze Roiz de Souza, o P."" Joze Ferr. Paiva, o P' . 
Fran.*"' Pereira da Cunha, o P.'' Manoel Per." da Cunha, Joze 
Roiz. Vianna, António Jozé Leite, Jozé Francisco Furtado, Pedro 
Joaqm. da Silvr.^, Joze Fran.*^" dos Santos, Serafim Simoens Sen- 
teo, Joze da S."* Valle, Caetano Ferr.", Bern.*^" Gomes da Costa, 
Jozé Marselino de Moraes, Jozé de Ar." Barb., Ant." Dutra a 
Necasio, Jacinto Dias Costa, Manoel Ferr." Coelho, Manoel Jozé 
de Olivr.^, M.'' Gomes Diniz, Fran.'^" Luiz de Medeiros, Silvestre 
Giz. Campos, Jozé Faria Ferr.'' , Jozé Pereira da Roza, Vicente 
Alz. Ar.", Joaquim Per." dos Santos, António de Ar." Barboza, 
Franc." Alvz. da S.", João Jozé da Roza, António Lopes da S." 
Lx.^ M.*^' Machado de Miranda, Costodio Jozé Roza, Jozé Leo- 
nardo, Miguel Fran."^^" da S.**, Fran.'" Martins Roriz, João Pedro de 
Olivr.", João Glaz Lima, Jozé Roiz. de Araújo, Agostinho da S." 
de Miranda, António Jozé Giz., João António de Ar.", Manoel 
Jozé Per.", Henrique Ferr." Velho, Luis Tavares de Souza, João 
da Costa Per." Terra. 



126 REVISTA DÓ 



Auto de Levantamento do Pelourinho da Villa 

de Barbacena 

Anno do Nascimento de Nossa Senhor Jesus Christo de 
mil Seíe Centos, e noventa e hum aos quartorze dias do mez 
de agosto nesta Villa de Barbacena Comarca do Rio das Mortes 
sendo presente o Illustrissimo e Excelentíssimo Senhor Visconde 
de Barbacena Governador, e Capitão General da Capitania de 
Minas Geraes, e o Doutor Desembargador Luiz António Branco 
Bernardes de Carvalho Ouvidor Geral, e Corregedor da dita 
Comarca com a Nobreza, e Povo da Sobredita Villa novamente 
creada, e seu termo, pelo mesmo Illustrissimo e Excelelentissi- 
mo Senhor Visconde Governador foi mandado Levantar o Pelou- 
rinho da referida Villa o qual Com effeiío se levantou Com a 
Selemnidade do Estillo no meio da Praça delia e de fronte das 
Casas destinadas para postos do Conselho: o qual Levantamen- 
to se fez e concluio repetindo entretanto todos os assistentes 
em altas vozes Sucessivas aclamacoens — Viva a Rainha Nossa 
Senhora Dona Maria Premeira — Comrespondendo alternativamen- 
te a estas aclamacoens com salvas e descargas o Destacamento 
da Cavalaria Regular de Villa Rica que aqui serve de Guarda 
do mesmo Senhor, o da Infantaria do Regimento de Bragança 
que aqui está aquarteJlado, e o Esquadrão de Cavalaria auxiliar 
do respectivo destrito, os quaes corpos todos estavão postados 
e formados em torno da referida Praça, e ahi se conservarão 
em ordem até se finalizar esta solemne Ceremonia Depois da 
qual elle Illustrissimo e Excelentissimo Senhor Governador deter- 
minou ao dito Ouvidor Geral, e Corregedor da Comarca, que 
Logo, em conformidade da Lei procedesse a eleição das Justi- 
ças, e Governança que hajão de Servir desde hoje nesta dita Vil- 
la novamente creada dando-lhes posse de seus nobres cargos 
para os exercerem até o ultimo de dezembro do anno próximo 
futuro de mil sete centos e noventa e dois: do que tudo para 
assim Constar em todo o tempo mandou fazer e lavrar este auto 
que assignou Com o dito Ouvidor Geral, e mais pessoas que 
presentes se achavão e Eu Pedro de Araújo e Azevedo Secretario 
do Governo que o escrevi:— Visconde de Barbacena.— Luiz An- 
tónio Branco Bernardes de Carvalho, José Vidal de Barbosa, Ma- 
noel de Sá Fortes Bus. Nogr."*, Dom Agostinho Pitta de Castro, 
António Roiz. de Souza, Fran.*^" de Macedo Cruz, João Roiz. da 
Costa, Domingos António de Aze.*^", José Ant." de Carvalho, o 
P.e Joze Roiz de Souza, João Giz. Bahya, Manoel Fran/" Lima, 
Mar/" de Far.^ Mor.^ M.*^' Joaq.'" de Ar.", o P.*^ Joam Garcia da 
Silveira, o P/ Jozé Ferr.^ de Paiva, João Roiz. da Costa, José de 
Castro Pinto, Goncallo Mor.=' de S. Payo, Joze António Ferraz, M^^ 



ARCHIVO PUBUCO MINEIRO 



127 



Mor." da S.", José de Souza Barreto, Joaq." Roiz. Valle. Bento 
José Per.^, Joaquim Joze Band.", M.'' Luiz Corr." de Payva, An- 
tónio da Mota Leite, Manoel Ferr." da S.'* Moura, Domingos Dias 
Per."*, o P.' Manoel Ferr.'' Coelho, Joaq.'" Roiz. de Ar.", o P. ' Ma- 
tias Alves de Oliveira, o P... Manoel Per." da Cunha, M.Z Roiz. 
de Ar.", Luiz Tavares de S. Joze, o P.' Fran.*^" de Salles, Joaq.'" 
Joze Teixeira, Fran.'" Marq.' Vianna, Gregório José da Costa, 
João da Costa Mattos, José Cani." Fon.*"", Joze AIz. Garsia, José 
M.*' da Fon.^", Manoel Roiz. Valle, Gonçalo Gomes Miz., Joze 
António Afonço, António Ferr."* Pinto, Miguel An.'" de Payva, 
José Roiz. Vianna, Henrique Ferr." Velho, An.'" Joze Leite, Mar- 
tinho da Costa Barboza, José Fran.^" dos Santos, Joze da S." 
Valles, Joze Fran.^" Furtado, Bernardo Gomes da Costa, Pedro 
Joaq.'" da Silv.", Serafim Simoens Senteyo, Jacintho Dias da 
Costa, José Marcellino de Moraes, Caetano Ferr.", Joze de Ar." 
Barbosa, Jacintho Giz. Campos, An.'" Dutra Anecacio, M. '' Per.'' 
Coelho, Fran.'" Ferr.^, M.'' Joze de Olir.^. Joaquim Per.^ dos 
Santos, Silvestre Giz. Compôs, Joaq.'" Marques da Silva, Fran.<^" 
Luiz de Medeiros, Vicente Alves de Ar.", Joze Per.^ da Roza, 
Joze Faria Ferr.''', João Joze da Roza, João Paulo de Olivr.", 
Costodio Joze Rosa, An."" de Ar." Barb.^ Fran.*^" Alz. da S.''. 
Miguel Fran.^"" da Silva, Agostinho da S." de Miranda, M.'"' Ma- 
chado Miranda, João Giz. Lima, Joze Leandro Per.^, Joze Roiz. 
de Araújo, António Joze Giz., Francisco Miz. Roiz., Francisco 
Joze Esteves, João António de Ar.", Manoel Simoens Deniz e 
Manoel Joze Pereira. 



n 

'^1 



CHOROGRAPHIA MINEIRA 



Vai para cinco annos que o cidadão ora collocado na dire- 
cção desta J\('vis'/a e do Archivo Publico Mineiro, no empenho 
de colligir informações úteis para o preparo de um esboço de 
desenvolvida e completa Clioro<jr<ipkia Mineira, formulou o 
«questionário' abaixo que, impresso em centenas de folhetos — 
um para cada districto de paz do Estado- com preciso espaço 
em branco para as respectivas respostas, distribuiu entre pessoas 
intellitíentes, solicitando-lhes o seu efficaz concurso para o 
fim referido: 



QUESTIONÁRIO 



1. Qual a situação e aspecto physico dessa localiflade? Com que 
districto (desse ou de outro município) esse districto confina? A locali- 
dade é sede de freguezia, ou a que freguezia pertence? De que bispado 
faz parte? Ha no território do districto alguma curiosidade natural? Qual 
e Oíide? 

2. Qual o numero das casas situadas dentro da povoação? Em quantas 
ruas e praças esta se divide? Ha edifícios públicos? Qual o seu destino e 
valor? Quaes as egrc>as da localidade, sua importância e estado em que 
se acham? Em quanto pode ser estiniíxia a população desse districto e 
do inunicipio? Quantos eleitores se acham qualificados? Ha alguma tra- 
dição sobre as origens da povoação? Quando foi ella começada? Já se 
deu ahi algum facto importante, digno de registro histórico? Em que 
data?— (dia, niez e amio). 

3. Ck)rre algum rio no districJo? A que distancia dessa localidade? 
Onde nasce? Que tributários recebe? Qual a extensão de seu cursí)? 'E' 
navegável e navegado? Porque meios? E' abundante em peixes? As 
povoações e fazendas do districto são bem abastecidas de agua para to- 
das as necessidades doraesticas,.da criaçâo^e da lavoura? Ha pootes ou 
chafarizes f»flblico3? 

4. Quaes as serras e morros priucipaes do districto? São isoladas, 
ou'prendem-se a alguma cadèa de montanlias? 

5. Qual o clima da localidade? Tèm ahi grassado epidemias? Ha 
moléstias endémicas, e a que causas são eílas attríbuidas? A população 
é regularmente vaccinadae revaccinada? O districto foi em algum tem- 

'po flagellarlo por secca ou inundação? Já houve ahi algum tremor de 

R. A. 9 



130 HEVISTA r>o 



terra? São frequentes e muito fortes as geadas? A que extremos verifi- 
cados de temperatura têm chegado ahi o frio e o calor? 

6. Quaes as riquezas naturaes do districto mais consideráveis e de 
mais fácil exploração? Têm havido trabalhos e estudos para seu apro- 
veitamento? Indivíduos ou emprezas a isso se tem dedicado? Com que 
resultados? 

7. Em que proporção, approximadamente, se acham ahi as terras— 
campos, serrados, capoeiras e mattos? Ha florestas virgens? em que 
quantidade? Qual o valor actual médio, por alqueires, das diversas qua- 
lidades de terras? Estes preços são superiores acs de sete annos atraz 
e tendem a augmentar? A que géneros de cultura se prestam melhor as 
terras? Quaes as madeiras mais estimadas ahi existentes, seus nomes e usos? 

8. Quaes os ramos principaes da lavoura? Quaes os instrumentos e 
processos usados no amanho das terras? Estão iniciados ou projectam-se 
alguns melhoramentos agrícolas? Para onde é feita a exportação dos 
géneros não consumidos na localidade? Existe e desenvolve-se o plantio 
da uva, do algodão, do café, do fumo e da canna? Aumenta o cultivo 
dos géneros alimentícios ou diminue e encarece o seu valor? Nesta 
hypothese, quaes as causas? Ha no districto trabalhadores agrícolas ex- 
trangeiros? A que lavoura se dedicam? Em que condições se ajustam? 
A que nacionalidade pertencem? Tem aptidões para o serviço e com 
elles estão satisfeitos os lavradores? Tem havido emigração de habitan- 
tes do districto para outros Estados ou outros municípios, para fundar em 
novas fazendas ou se ajustarem como trabalhadores ruraes? Em que al- 
garismos pode ser avaliada essa emigração nos últimos 7 annos? Quaes 
as causas conhecidas do facto? Continua a tendência emigratoria, e é el- 
la provocada por agentes de outros municípios ou de outros Estados? 
Qual a media ordinária do salário dos trabalhadores agrícolas? 

9. Quaes as espécies principaes da criação do districto? E' avulta- 
do o numero de animaes e promette augmentar? Ha algum melhora- 
mento das raças pelo cruzamento e introducção de bons reproductores? 
Para onde se faz a exportação do gado— vacum, lanígero ou suino? Qual 
a media do respectivo valor, actual e nos últimos 7 annos? Quaes os pas- 
tos— naturaes e artificiaes— mais communs no districto e quaes preferi- 
dos para a engorda do gado? 

10. Ha no districto fabricas — de fiação, tecidos, assucar, queijos, man- 
teiga, productos cerâmicos, massas alimentícias, cortumes, ou de outras 
qualquer industria,— e qual a importância d'ellas? Si ha fabrica de vi' 
nho— qual a quantidade, qualidade e preço dos productos, quaes as es- 
pécies da uva cultivadas, e para onde é o vinho exportado? 

11. Quaes os ramos principaes e valor annual da exportação do 
porção estão os negociantes brasileiros para com os estrangeiros? E en- 
tre estes quaes os em maior numero? Ha officinas de artes e officios? 
Nellas recebem ensino os meninos pobres? Em que condições? 
districto e do município? E' activo o movimento mercantil? Em quepro- 



ARCHIVO PUBLirO MINEIRO 131 



12. Qual a distancia da localidade para as sedes dos outros districtos do 
municipio? Os caminhos sáo bons? Ha necessidade de pontes sobre algum 
rio? Qual o custo provável da obra? A que povoação interessa ella? 

13. Que escolas, ou collegios (públicos e particulares) ha na localidade? 
Qual a população escolar (mais ou menos) e a frequência media de alumnos 
e alumnas n'aquellas escolas? Os alumnos pobres têm livros e utensilios es- 
colares? Ha aula primaria nocturna para adultos, ensino musical ou de outras 
artes, bibliotheca publica ou gabinete de leitura? Sâo vastas, claras e aceiadas 
as casas das escolas publicas? São estas só estaduaes ou também muni- 
cipaes? 

14. Ha cadeia ou casa de prisílo na localidade? Em que estado? Que 
numero de presos contêm e comporta? 

15. Ha theatro? Pharmacia? Praças de mercado? Cemitério publico? Fo- 
riim? Hospital de caridade, ou alguma outra instituição de beneficência, lite- 
rária, artística, industrial, ou, sob qualquer aspecto, de utilidade geral? Em 
que estado se acham esses estabelecimentos e de que recursos dispõem? Ha 
sacerdotes, médicos, advogados e pharmaceuticos? 

It). A quanto montam a receita e a despcza do orçamento municipal? E 
do districtal? O património da municipalidade e o desse districto doque se 
compõe? Na despeza da municipalidade e na do cotiselho districtal qual a par- 
te apresentada pelos vencimentos dos empregados? E' subsidiado o agente 
te executivo? Com que somma? Ha illuminação publica local? O mercado 
é bem abastecido de géneros alimentícios? Qual a procedência delles?Quaes 
os preços médios porque são actualmente venaidos? 

17. Ha na localidade alguma typographia? Desde quando? Que periódico 
edicta e a data de seu apparecimento? Quaes os seus proprietários e reda- 
ctores? Quando appareceu ahi o primeiro periódico local? Qual o seu titulo^ 
quem o fundou e redigiu? Desde então até agora— quaes os periódicos pu- 
blicados—seus títulos e nomes dos redactores e fundadores e, ao menos 
approximadamente, o tempo de duração? 

18. Ha no districto algum outro povoado, ainda que simples lugarejo? 
Qual? A que distancia fica elle da séde?Quantas casas e que população po- 
derá ter? Ha nelle egreja, cemitério, escolas? Em que condições de vida se 
acham os habitantes desse povoado, quanto á instrucção, çommercio, la' 
voura, industria, etc? 

19. Quaes as necessidades e reclamos públicos mais importantes e justi- 
ficados desse districto, e do município em geral? Quaes os elementos prin' 
cipaes existentes para o desenvolvimento da prosperidade local? 

20. Entre os filhos dessa localidade, já fallecidos,não se podem citar ai. 
guns que realmente se distinguissem por actos de notável benemerência, ou 
por talentos, virtudes e serviços á causa publica? Quaes são elles? Em que 
data (dia, mez, anno, e onde nasceram e morreram? Que profissões ou car- 
gos exerceram? Quaes os factos mais salientes de sua vida? E com relação 
ás pessoas vivas não ha entre ellas algumas dignas de menção por ex- 
traodinarios serviços ou benefícios á localidade? 



iaC! REVISTA rDO 



O inúmero e. a natureza variadissima dos quesitos propostos 
dão .ideia do interesse e importância que poderião terás i res- 
postas . Infelizmente, porem, das centenas de folhetos distri- 
buídos só algumas dezenas voltarão com informações das pedi- 
das e necessárias para a confecção conscienc^iosa do minucioso 
trabalho projectado. Alem de obsequio ao solicilante, que por 
ellas de novo se confessa > gratíssimo, as obtidas respostas ao 
«questionário» valem como excellente serviço publico, que 
cumpre apregoar por dever de justiça e ainda como estimulo 
para a contribuição de idênticos subsídios, indispensáveis na 
elaboração de um livro destinado a tornar bem rconhecitío o 
Estado Mineiro sob todos os aspectos que assignalem os seus 
pujantes recursos naturaes, a actividade, energia e civismo de 
-seus t habitantes, os elementos de sua vitalidade, e quantos ou- 
tros factores tenham cooperado ou possam efficazmente contri- 
buir de futuro para o desenvolvimento do seu progresso — ma- 
terial, intellectual e moral. 

'Esperamos, elaborando e inserindo successivamente nesta 
'Rei^isia pequenas «monographias municipaes», poder utilisar- 
mo-nos dessas respostas no que forem ellas aproveitáveis, am- 
pliando-as com outros dados que já possuímos ou encontram-se 
esparsos em numerosas publicações, e reduzindo tudo a um 
trabalho quanto possível methodico e de proveitosa consulta. 
Mencionaremos então, á proporção que as alludidas monogra- 
phias se publicarem, os nomes dos conterrâneos distinctos para 
cujo valiosíssimo concurso, em tentamen tão caracteristica- 
mente mineiro, não appellamos debalde. 

Por agora abrimos espaço. na Revista do Archivo Publico 
Mineiro ás informações corographicas concernentes ao municí- 
pio de S. Domingos do Prata, subsidio valioso que devemos a 
um cidadão distincio por talentos, illustração e probidade, o 
dr. António Serapião de Carvalho, digno juiz de direito d'- 
aquella comarca. Tendo elle, por sua vez, colligido dados e 
apontamentos úteis, accrescentando-lhes não poucas indicações 
de sciencia própria, elaborou memoria habilmente ordenada, 
que não desiustra-lhe o nome já aureolado nas lettras jurídi- 
cas. Foi escripía ha cerca de dois annos e é novo documento 
de seu grande mérito intellectual, como do vseu exemplar patrio- 
tismo. 

Com este interessante e útil trabalho, inserto abaixo, temos 
o prazer de encetar o esboço da planeada COROGRAPHIA >MI- 
NEIKA, para cuja integral elaboração reiteramos aqui os pedi- 
dos de informações feitos a illustrados concidadãos; e ficam 
taes pedidos extensivos a quantos possam prestar-nos contri- 



ARCHIVO PUBI.ICO MINliII\0 133 

biijção valiosa no empenho que nos anrma, exclusivamente em 
proveito e honra da Terra Mineira, que só tem a lucrar em ser 
bem conhecida par nacionaes ou por estrangeiros. 



Município de S. Domingos do Prata; 



ÁREA E LIMITES 

O municipio de S. Domin<íos do Prata occupa um território 
calculado approximadamentc: de N. a S., isto é, de uma recta 
tirada do Piracicaba ao S. Bartholomeu, em 108 kilometros— de 
L. a o., isto é, da Barra do Sacramento á cabeceira do Cobras, 
em 112 kilometros. Limita-se: a L. com o municipro do Caratinga, 
pelo Rio Doce; a S. e a S. E. com o da Ponte Nova, pelo mesmo 
rio, a S. e a S. O. com o municipio de Alvinopolis, pelas ver- 
tentes do S. Bartholomeu inclusive, e Prata; a O. com ode Santa 
Barbara e ao N. 1." com ode Itabira(l),e aoN.com Itabira e Ferros. 

ASPECTO PHY5IC0 

Em geral, montanhoso, porque só é plana a margem es- 
querda do rio Doce que nos pertence. 

Ha alguns vales, e vastas planicies á margem do magestoso 
Rii) DÒGO, onde sç encontram gigantescas florestas primitivas 
(matas virgens) e formosissimas lagoas, murto fundas, que se 
prestam á navegação. 

OROGRAPHIA 

As montanhas principaes são: 

1.*^ A do MonilxfÇd (2), que atravessa a parte S. E. do mu- 
nicipio, passando pelos districtos de Ilheos,Dionisio e Sacramento. 
E' a mais extensa e a mais elevada do municipio, e toma os di- 



(1) O limite natura! com o municipio cio Itabira é o rio Piracicaba. Enire 
esterio e o limiíe acttial rio Prata ha numa linpíua rle torra que nâo 
checa a 6 kiiometrn.s do líircjura, o qual pertenro áquelfo municipio 

(2j Mombaça é a montanha que na aliás excellente carta rio dr. Chrockat 
está com o nome de Sacramento. 



134 REVISTA DO 



versos nomes— de S- Bartholomeu, Barro Preto. Sacramento 
e Posse. Os pontos mais altos são: o pico de íS. Bartholomeu 
e Posse. Prende-se á cordilheira do Inficcionado. Contem sober- 
bas florestas. Na fralda do S. Bat tholomeu ha uma fabrica de 
ferro. 

2.° As do Jaeróa e Salvador Gomes, que dominam grande 
parte do Rio Doce. Parecem ser um prolongamento em sentido 
norte da montanha do Mombaça. Na fralda e na base destas 
montanhas ha esplendidas mattas virgens em terrenos quasi todos 
devolutos. 

3." A Serra da Bôa Vista, prolongamento da do Mombaça, 
entre os districtos de Alfié e Dionísio. Tem muita matta virgem. 
Os terrenos adjacentes do lado do districto do Alfié são todos 
cultivados . 

4.° O morro da Sella, coberto de vegetação pobre, quasi 
rachitica em comparação com as das outras terras. E' um pro- 
longamento da serra do Inficionado, e não uma ramificação da 
serra de Itabira, morrendo nas margens do Piracicaba. 

Os terrenos adjacentes já estão cançados. 

POTAMOGRAPHIA 

A maior parte do território de S. Domingos do Prata é ba- 
nhada pelo bello rio Piracicaba e pelo Rio Doce, que continua a 
ser o atrativo dos Caçadores. 

Do Piracicaba são tributários: 

1.° O rio Prata: nasce na serra do Mombaça nas divisas de 
Alvinopolis, banha o Oeste do município: tem cerca de 50 kilo- 
mdtros de extenção (3). 

2.° O rio Alfié: nasce no lugar denominado Estiva; corre 
para o N.; tem 28 kilometros de extensão. 

3.° O Onça Peqiieno (4) com 42 kilometros de extensão. 

A° O Onça Grande. 

5.° O ribeirão do Alegre com 36 kilometros de exteasão. 

O rio Prata, por sua vez, recebe os seguintes principaes afluen- 
tes: á margem esquerda; o Baleeiros, com 9 kilometros de exten- 
são: o Cobras, que tem também dous affluentes, o Bananal 
e o Corrientes; — á margem direita o Canfagallo e o Paiva 



(3) O nome de Prata lhe veio dos descobridores, pela limpidez de suas 
aguas que então pareciam fios de prata. 

Actualmente a agua dõ rio é cor de terra« 

(4) O rio conhecido por Onça Pequeno é maior do que o Onça Grande. 
E' uma extravagância, mas é a verdade. E' outro ponto que o illustra- 

do dr. Crockat de Sã, sem duvida corrigirá na 2". edição de sua carta de 
Minas-Oeraes. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 135 

com 8 kilometros de extensão cada um, o Morro da Seda, de 
agua muito clara, e cujo principal afíluente é o Esperança 
com 7 kilometros de extensão, os ribeirões da Cachoeira e de 
Mafo-Deniro. 

São tributários principaes do rio Doce 

1." O aS'. Barfholomeu: nasce na serra de S. Bartholomeu 
— ramificação da do Mombaça. 

2." O Santa Rita: nasce na serra do Mombaça e recebe pela 
margem esquerda o S.José, que nasce n'um plano perto do 
morro dos Allemães. 

3.° O Barra Alcr/re: nasce também na serra do Mombaça. 

4." O Sacramento: nasce no alto do Atalho (serra do Sacra- 
mento), tem 42 kilometros de curso. 

Recebe pela margem esquerda os affluentes seguintes: o 
córrego novo com 12 kilometros de extensão e o córrego do 
funil com 8 kilometros de curso e muita agua; o dos Pau- 
listas e o dos Martins, com 6 kilometros de extensão cada um; 
nascem todos na serra do Momt>aça, e pela margem direita o 
córrego da Floriana, com curso de 8 kilometros, o cór- 
rego do sul, com 4 kilometros; e o da Rocinha com 3 kilometros 
de extensão: — nascem na ramificação da serra do Mombaça. 

5.° O Mombaça: nasce na serra do Mombaça, em um plano 
perto do Morro dos Allemães. 

6.° O Belém, com 24 kilometros de curso. 
7." O Piracicaba. 

8.^ O Belhi Fama, com 9 kilometros de extensão. 
9." O MacuGO, ribeirão com 9 kilometros de extensão, agua 
limpida. 

Os terrenos adjacentes estão em mattas virgens, gigantescas e 
lindíssimas, 

ILHAS. — Ha algumas no rio Doce. São muito conhecidas: 
a ilha do Sacramento (inhabitada) com 2 kilometros de exten- 
são, coberta de florestas, um kilometro abaixo da foz do rio 
Sacramento; a Pellada, abaixo da do Sacramento, coberta 
pelas aguas das enchentes, e a Lucrecii, abaixo da Pellada 

LAGOAS. — Na margem esquerda do rio Doce, pertencente 
a este município, se encontram, alem de muitas outras, as gran- 
des lagoas denominadas: Lagoa Nova, Lagoa da Barra, La- 
goa Verde e Marohá, ft mais fer Hl em peixes, a Lagoa Dolphino 
e a Lagoa Grande{5) . 



(5) A lagoa do Delphino, a O kilometros de distancia do rio Doce, e a 
lagoa Grande sâo caspios. 



136> nnrviSTA do 



A Lagoa Nf>vu, situada á margem esquerda do rio Mom- 
baça, é calculada em 20 kilometros de extensão e em 8 kilò- 
metros em sua maior largura. 

A Lagoa da Burra é atravessada pelo rio Mombaça. 

A Lagoa Verde está situada á direita do mesmo rio. As 
tfes lagoas formão um triangulo e são vistas do alto do Ja- 
croâ nos dias claros. 

No districto do Dionísio ha três lagoas grandes chamadas— 
Pau grande ou I^au gigante, Almecegn e Ágna-pé. No dis- 
tricto de Ilheosha a lagoa Formosa com 6 kilometros de cít- 
cumferencia. 

Quasi todas as lagoas estão em terrenos devolutos e são 
muito abundantes em peixes e caças. No districto^ do Saaa- 
mento ha uma^ormosa lagoa: a lagoa Dourada. 

CLIMA (6) 

Temperado na cidade de S. Domingos do- Prata, na freguezia 
da. Vargem Alegre e. na parte alta do districto de SanfAnna 
do. Alíié, quente e secco. nos outros logares. — As doenças mais 
communs são as do fundo palustre e do apparelho respiratório. 
Moléstias epidemicas não ha: as manifestações > palustres, que sie 
observão em todo o município, nos mezes de dezembro a março, 
cedem, de ordinário, a um tratamento regular. As celebres ma- 
leitas só existem nas margens despovoadas do rio Doce, cobertas 
de espessas florestas, na esticão quente, em consequência da 
fermentação dós detrictos vegeíaes, depositados nos pântanos; 
e tanto é assim que estes logares são muito frequentados pelos 
caçadores na estação fria (de junho a setembro), certos de não 
comprometterem sua saúde. 

FLORA 



E' muito rica. Encontram-se madeiras de lei, como jaca*- 
randâ, leiteira, vinliatico, sebastião de ariuda, cedro, lurau- 
na, ipê, sicupira; arvores preciosas, como aamoreiru,paa brasil 
gromarim, canellas de varias qualidades; piuna^ pitiá, jatobá, 
páo de coiher, garapa, , palmito, . paineira, palmeira, ai irlbá, pe 



(6) Esta parte do presente trabalho me foi fornecida pelo disíincto clinico 
d r, Caetano Marinho, qvie niuilisshmo me ajudou nas oulras partes' com suas 
observações pessoaes, estudo de mappas, etc. 



ARCIIIVO PUBLICO MINEIRO 137 

roba, rabiiina, bálsamo, gonsalo ou gibntão, louro, sapucaia, can- 
dr'a, bicuiba, para terra, angelim, guarita, olho pardo; outras, de 
uso na medicina, como sassafráz, jaracatiá. gamelleira, andáassú, 
copahyba, para-tudo. quina, poaia, tayuyá, tomba, jurubeba, bar- 
batimão, salsa parrilha, japecanga, baunilha, piragaia, diversas 
espécies de fetos: jarreteira, chapéo de couro, caroba e carob?- 
nha (para syphiiis), catingueira, enxota, herva botão (no Rio Do- 
ce), empregada em outros municípios contra mordeduras de 
cobra. 

FAUNA 

Também é rica. Encontram-se a onça pintada (panthéra), a 
onça. sussuarana, onça vermelha, a onça jabutirica, a anta* o vea- 
do, o coelho, queixada, caititú, capivara, tamanduá pequeno e. 
tamanduá bandeira, este no rio Doce, lontra, lobos (cachorros 
do matto), paca, cutia, tatu, irara, jaratitaca, gambá, diversas es- 
pécies de macacos (monos, saguins, barbados, sauás, etc), tiú 
(lagarto), jacaré. 

AVES. — Diversas espécies de gaviões, entre os quaes o pen- 
nacho (águia do Rio Doce), de grande força, a ponto de pegar 
macacos, carneiros pequenos e araras, e o gavião Cciçador, se- 
melhante ao urubu; araras, tucanos, papagaios, periquitos, jan^ 
daias, tiribas, maritacas, maracanans, pica-páos, jacus, macucos, 
mutuns, jacutingas, jaós, nambus, patos, marrecos, socos, jabu- 
rus, massaricos, capoeiras; diversas espécies de pombas (troca*- 
zes, juritis, pombas pretas, fôgo-pagô, rolas— as pombas pretas 
são uma espécie de juriti, conhecidas por pomba.s do matto vir*- 
gtjm), síiracuras, arapongas (principalmente no rio Doce), uru* 
táos; diversas espécies de corujas, coriangos, inhapins, canários, 
pintasilgos, bicudos, (vinhaticos); diversas espécies-: de* sabiás; 
entre os quaes sabiá-una, de canto muito agradável; bigodes 
(coUeiras), patativos, pinta-silvas, papa-arroz, melros, guachos, 
papa-bananas, tico-ticos, gauderios, assanhaço, peixe-frito, anuns 
(pintados e pretos); João de barros, diversas espécies de beija-* 
flores e de papa-nioscas, seriemas, gaturamos, coriós, ga^los do 
campo, joão pe-nenens e cancan (muito -estimado no rio DAce 
pelo seu canto mavioso). Abundam nas lagoas do rio Doce as 
seguintes aves aquáticas: baguaris, itapicurús, jaburus, garças,- 
mergulhões, pescadores, patos, marrecos, bituirras (semelhantes 
ás andorinhas brancas), saracuras, inhumas, còr de macuco, mui- 
to lindas; Andorinhas e gaivotas existem em grande quantidat 
de em todo o município. (7) 



(7) Grande parte das informações relativas a este artigo devo á bene- 
volência do revni. padre Pedro^Doniingues Gomes e dr. Caetano Mafii 
nho. 



138 REVISTA DO 



PEIXES. — No Rio Doce: surubi, piáo, piabanha, trahira, ba- 
gres, mandis e lambaris. Excepto o surubi, nas lagoas e ribei- 
rões tem todas as espécies de peixes referidos. 

REPTIS. — Encontram-se diversas espécies de cobras: a suru- 
cuiú, a jararaca, jararacussú, a caninana, cobra de sipó e outras; 
consta que nas proximidades do rio Doce existe a urnfú. Da 
ordem dos batrachios — ha abundância de sapos nos rios e la- 
goas e quantidade menor de rans. Ha diversas espécies de ca- 
meleões e de lagartixas. 

POPULAÇÃO 

A população presumível é de vinte a vinte e duas mil al- 
mas: é em geral pacifica e hospitaleira. O vicio do jogo é quasi 
desconhecido; o da embriaguez quasi nullo. Ha poucos estran- 
geiros, talvez na razão de 3 por 1.000 naconaes. O eleitorado fe- 
deral do município é composto de 1.099 eleitores. 

RELIGIÃO 

A catholica, apostólica, romana, é a de todos os habitantes 
do município. 

CARIDADE PUBLICA.— Os orphãos pobres são dados á tu- 
tela e a soldadas. 

A esforços do revm. vigário António Cordeiro de Abrantes, 
está em construcção na cidade de S. Domingos do Prata um hos- 
pital de caridade. — O plano da obra é moderno e attende ás 
condições exigidas para estabelecimentos desta ordem na medi- 
da dos recursos com que se conta. O illustre clinico dr. José 
Vicente de Sousa Netto consagrou uma boa parte do seu tem- 
po a esta sympathica idéa, promovendo subscripções, leilões, etc. 
O illustrado dr. Caetano Marinho, que tanto interesse toma pela 
prosperidade desta zona, tem sido um collaborador infatigável 
do revm. vigário: ha, pois. Ioda razão para esperar-se que esta 
obra pia se converterá em realidade. 

Ha também, na cidade, uma sociedade protectora das crean- 
ças, fundada ha esforços do sr. Francisco Soares Alvim Macha- 
do e presidida actualmente pelo dr. Caetano Marinho. Esta so- 
ciedade vai preenchendo os intuitos de su.-^ creação, e conse- 
guirá, pode-se esperar, fazer baixar a cifra da mortalidade das 
creanças, tão elevada nos annos anteriores, pela indigência de 
uma parte da população, agora aggravada com a carestia exa- 
gerada de mais de 400 "/o de quasi todos os productos necessá- 
rios á alimeetação. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 139 



Divisão administrativa 



O municipio de S. Domingos do Prata consta de seis distri- 
ctos: o da cidade, o do Sacramento o território desmembrado 
do da cidade por acto da camará municipal de 1893, o da Var- 
gem Alegre, o do Dionísio, o do Alfié e o de Ilhéos, a ílor do 
municipio, pelas suas collossaes florestas, onde se vêem as ma- 
deiras mais preciosas, pela uberdade de suas terras, pela pro- 
digiosa abundância de suas aguas. 

A camará municipal promulgou o seu Estatuto em 16 de ju- 
nho de 1892 (8). Consta de 125 artigos, além da parte penal, 
composta de um titulo único e 74 paragraphos. 

O exercício financeiro coincide com o anno civil (art. 20). O 
pessoal da administração municipal é o seguinte: um agente 
executivo, um coadjuctor deste, um chefe da secretaria; um 
medico de partido, e um continuo (art. 32). Com este pessoal, 
excluído o medico de partido, logar que não está preenchido, 
despende a municipalidade 4:200$ annualmente. 

A renda municipal orçada para 1894 é de vinte e cinco con- 
tos de réis: presume-se, podem, que attingirá a mais de trinta 
contos. 

O municipio não tem dividas passivas. — Parece que ainda não 
foi bem comprehendido o pensamento do legislador mineiro 
quanto á creação dos conselhos districtaes, bella instituição, 
cellula primaria da organização do Estado, pois, nenhum conse- 
lho está ainda organisado, visto que nenhum fez ainda o respe- 
ctivo Estatuto. 

DIVISÃO ECCLESIASTICA 

Divide-se o municipio em 3 freguezias e um curato. As fre- 
guezias são: l."* a da cidade, comprehendendo o districto da ci- 
dade e o do Sacramento;— 2.^ a de Santo António da Vargem 
Alegre, comprehendendo o districto de Ilhéos;— 3.** a de Sant'- 
Anna do Alfié. O curato é o do Santíssimo Sacramento do Dio- 
nísio, São dependentes do bispado de Marianna e estão todas 
providas de parochos, muito cuidadosos todos dos seus deveres 
religiosos e civis. 



(8) O Estatuto é um bom trabalho, devido á pena do sr. Francisco 
Soares Alvim Machado, 



149 REVISTA DO 



DIVISÃO JUDICIARIA 

E' comarca de 1/^entrancia. Foi installada em 10 rie março 
de 1892. Estão providos todos os cargos para a administração 
judiciaria, excepto o de partidor-distribuidor. 

INSTRUCÇÃO PUBLICA— CULTURA MENTAL 

Havia na cidade um excellente collegio de instrucção secun- 
daria, o Externato de S. Luiz Gonzaga, dirigido pelo illustrado 
e virtuoso sacerdote o revm. padre Pedro Domingues Gomes, 
muito competente nas matérias que leccionava com notável 
aproveitamento de seus discipulos. Infelizmente, este excelente 
collegio fechou-se no dia 12 de maio de 1894. 

Quanto á instrucção primaria, só ha a fornecida pelo Estado 
em 18 escolas; sendo 3 na cidade, uma do sexo femenino e duas 
dò masculino: uma mixta, no povoado da Esperança, a 12 kilo- 
metfos da cidade; uma, do sexo masculino, no districto do Sa- 
cramento; duas — uma do sexo masculino e outra do feminino — 
no arraial da Vargem Alegre, e uma no povoado de Santa Rita, 
do sexo masculino, e outra no logar denominado Teixeiras, — 
(Vargem Alegre), três em lihéos, duas do sexo masculino euma 
do sexo feminino; duas no Dionísio, uma para meninos e outra 
para meninas; duas no arraial do Alíié, com a mesma distribui^ 
ção da do Dionísio, euma no povoado da Grammae outra no de 
Babylonia, logares estes pertencentes á dita freguezia do Alfié. 

A população escolar é ao todo de 1 .580 discipulos; a frequência 
média de 490. Ha necessidade de augmento de escolas para me- 
ninos e de creação de escolas para adultos. Em todo o municí- 
pio nota-se a falta de bibliothecas publicas e de gabinetes de 
leitura. Também não ha theatro. — A musica, porém, que tão 
salutar influencia exerce sobre o systema nervoso,» encontra 
cultores por toda a parte; e á excepção dos districtos de Ilhéose 
do Sacramento, ha em todas as localidades bandas de musica in- 
strumental, regularmente organisadas. 

A culttira mental é pouco desenvolvida: mesmo em relação 
á musica nenhum mortal' é tão feliz que ouça actualmente o 
som mavioso da guitarra ou os cadenciados accordes do piano, 
posto haja um instrumento deste género na cidade. Como na 
Rússia, não ha clubs, cafés, ou outros pontos de reuniões publicas. 

ESTATÍSTICA JUDICIARIA 
A estatística criminal de 1893 é a seguinte: 



ARCHIVO PUBUCO MINEIRO -yi 

Homicidios por imprudência 1 

Ferimentos graves (art. 304 i jjaragrapho único do Cod. Pen ) 2 

Ferimentos .leves (art. 303) . ^ 7 

• Damno.. 1 

UjsO' de armas 1 

Total 12 

Attendendo-se a que o crime de damno não foi' bem caracte- 
risado, e que o homicidio por imprudência foi segundo todas 
as probabilidades praticados por uma creança menor, e subtra- 
hindo estes dois números do total, temos esta porcentagem : 
de 1 crime para 2000 fiabitantes, suppondo mesmo que a popu- 
lação não exceda desse numero . 

As causas mais frequentes dosi crimes são as rixas e alterca- 
ções e a ignorância. 

O modo da instrucção deve ser modificado : precisamos sa- 
hir desta uniformidade que nos mata e ministrar francamente 
nas escolas catholicas o -ensino da moral christã. O ensino pre- 
cisa também ser mais nacional; convém lecionar nas escolas 
os cantos patrióticos que enthusiasmam a alma e cuidarmos me- 
nos da historia estrangeira, para darmos aos nossos pequenos 
concidadãos os fecundos exemplos de nossa própria historia, 
tão rica de tradições honrosas como de abnegação patriótica. 

Por outro lado é mister que nas escolas se dê mais im- 
portância ao desenvolvimento physico: para ser um bom cida- 
dão precisa-se de ser um bom animal, diz Spencer, e na pra- 
tica do endurecimento physico está talvez o segredo desta for- 
te individualidade britânica, sempre apta para a lucta e sempre 
confiante no successo.— ^Estou convencido i que esta modificação 
íierá favorável á diminuição do crime. 

CORREIO 

Ha duas linhas de correio que chegam de 4 em 4 dias^uma 
da estação de Saúde e outra de Ouro Preto. O correio de Ita- 
bira para o Alfié e Dionísio é de 2 em 2 dias. A agencia ria 
cidade é de 3." classe e rende annualmente, termo médio, 
720$000. — As outras agencias do município são de 4.'' 
classe 

ESTRADAS 

Em geral boas. Ha urgente necessidade de uniae.stradaque, 
partindo do Dionísio, se dirija á sede do i município de Caratinga, 
passando pela Ponte Queimada. Esta estiada, pondo em fácil 



142 ftftVlSTA ftô 



communicação os dois futuros municipios, traria reaes vanta- 
gens ao commercio. A estrada actual é penosa e não de todo 
isenta de perigos.— Da Ponte Queimada ao Caratinga a distan- 
cia é de seis legoas Esta estrada, facilitando o transporte de 
géneros, enriqueceria sobretudo esse município (do Caratinga). 

DISTANCIAS. — As distancias da sede desse município para 
os municipios visinhos são as seguintes: 

22 legoas (132 kil.) para o Caratinga, segundo uns, 24 le- 
goas, segundo outros; 16 legoas (96 kil.) para Ferros; 10 le- 
goas (60 kil.) para Santa Barbara; 9 legoas (54 kil.) para Itabira,- 
14 legoas (84 kil. para Ponte Nova e 7 legoas (42 kil) para Alvi- 
nopolis. 

PELEGRAPHOS 
Nenhum ponto do municipio é servido pelo telegrapho. 

ESTRADA DE FERRO 

A companhia da Leopoldina tem estudos feitos em prolonga- 
mento da estação de Saúde á Itabira do Matto Dentro, passando 
por este municipio. 

A cidade de S. Domingos do Prata dista daquella estação 45 
kilometros. 

RIQUEZAS NATURAES 

Ha ferro no districto do Alfié ede Ilhéos, ouro nos da ci- 
dade, Vargem Alegre, Alfié e Ilhéos, pedra de sabão, muito útil 
á montagem de fornalhas para engenho em todo o municipio; 
no districto do Dionísio ha muito ferro, amianto, pedras de 
crystal e um metal que parece ser estanho; no da cidade ha 
muito amianto e na margem do Rio Doce uma substancia que 
parece ser carvão de pedra. Estas riquezas nunca foram ex- 
ploradas, excepto o minério de ouro, que o foi em 1854 por 
pessoa deste municipio. 

Ha uma grande riqueza de fibras vegetaes que, exploradas, 
forneceriam matéria a muitas industrias. Severino da Costa 
Leite, fazendeiro d'este municipio, estudou muito este assum- 
pto, as fibras foram sujeitas ao exame de profissionaes estran- 
geiros; mas a morte o colheu, ainda em plena virilidade, an- 
tes de levar a bom termo a empreza, a que votara a maior 
parte de sua existência. 



ARCHIVO PUBLICO MINElftÔ 143 



AGRICULTURA 

Solo ubérrimo, este município produz em abundância canna, 
milho, batatas, feijão, arroz e mandioca. Do café e do fumo con- 
tém plantações em menor escala, mas já promissoras de grandes 
receitas futuras. O caju, o cacao e o abacate do norte, vingam 
perfeitamente neste solo; a pereira, a nogueira e outros fructos 
da Europa acclimatam-se aqui perfeitamente. 

Infelizmente o processo empregado na agricultura é o bár- 
baro costume das queimadas : no mez de agosto um espectáculo 
grandioso se offerece a nossos olhos; estalam as arvores secula- 
res; crepitam enormes labaredas das vastas linguas de fogo, das 
collossaes fogueiras; o céo empallidece; a athmosphera fica im- 
pregnada de uma fumaça quente, formada em espiraes e que o 
vento conduz para longe. Em poucas horas cahem florestas pre- 
ciosas, thesouro inestimável accumulado pela natureza n'um lento 
trabalho e onde foi a vida está agora a morte; os pássaros fu- 
giram amedrontados á approximação destes bárbaros cultivado- 
res do solo que se expõem muitas vezes á morte n'uma espécie 
de intrepidez inconsciente, porque durante a terrível operação 
bem podem ficar esmagados pelo desabamento de alguma das 
annosas arvores, circuladas pelo fogo. — Esta é a pratica geral, a 
regra, no Brasil inteiro. Durante muito tempo, o viajor, em vez 
das florestas perfumosas que embriagavam-lhe o olfacto e á cuja 
sombra sentia indizível refrigério, — vè o milho e o café, e gran- 
des tractos de terrenos ao lado, completamente incultos, e d'onde 
começam a brotar nos terrenos assim cançados o capim e a 
enxota. 

Quando, porém, a destruição é de floresta primitiva (matta 
virgem), a natureza tropical esforça-se por remediar a barbaria 
do homem civilizado: uma nov^a vegetação surge; menos rica, é 
certo; por que as arvores collossaes cujos cimos pareciam querer 
tocar ao ceo, desappareceram para sempre; em lugar destas, le- 
vanta-se uma vegetação differente do seio fecundo da terra, até 
que decorram algumas dezenas de annos e, queimada essa vege- 
tação, a terra só possa produzir, extenuada de trabalhos, arvores 
rachiticasou fique de todo estéril. As geadas periódicas que pade- 
cem as terras das vertentes do rio Prata, districto da cidade e 
Vargem Alegre, que tantos prejuízos causam, não tem outra 
causa sinão esta annual devastação das mattas; pois onde estas 
se tém conservado, não ha absolutamente. E' sabido e está ave- 
riguado que ao desapparecimento das mattas succede a mudança 
do clima. 

Onde este era ameno e doce, fica sendo quente e abrasador. 
As aguas, por sua vez, diminuem consideravelmente. 



Í44 RBVIâTA DO 



E — cousa notável — o estrangeiro que nos vem da Europa, 
em vez de reagir contra esta barbaria, barbarisa-se também, e es- 
quecido doí> processos de uma civilisação que se diz adiantada, 
põe fogo ásmattas com o ardor de um louco incendiário (9). Não 
ereio que da acção de uma lei prohibitiva se colham grandes re- 
sultados no sentido da cessação desta pratica rotineira: uma 
propaganda bem dirigida pelo Estado, por intermédio de hábeis 
profissionae.^, o ensino pratico dos modernos processos d'agricul- 
tjjra acabaria por extinguir, penso eu, este funestíssimo uso que 
reduzirá este grande e bellissimo paiz a um vasto deserto, si 
seguras e eíficazes providencias não forem tomadas a tempo. 

Precisamos muito do ensino agrícola, mas do ensino prati- 
co, sem apparato. 'O amor ás exterioridades, bem o sei, é um 
dos, defeitos da nossa raça latina; mas defeito que pode ser lenta- 
mente corrigido, começando a classe illustrada dirigente a dar 
o exemplo, fazendo, por exemplo, na instrucção publica refor- 
mas mais praticas, mais preoccupadas de nossas necessidades 
reaes, do zelo de nossas honrosas tradições pátrias, do que do 
lustre litíerario, que faz com certeza boa figura n'uma sala ou 
n'uma roda de estrangeiros, mas é muitas vezes incapaz de ga- 
nhar o pão para o dia seguinte-. 

A vinha dá-se muito bem nas terras deste municipio : muita 
gente a cultiva, posto em ponto pequeno . 

A i:>hiloxcr<[ e o o?VZ/?í/?í, estes dois flagellos das planta- 
ções, Jelizmente nunca visitaram este municipio : creio, porém, 
j^ye o Qidium fará sua apparição em Minas, causando enormes 
prejuízos, si os fazendeiros não tiverem o cuidado de deixar 
sempre uma matta em redor de seus cafezaes. 

A Lavoura luta com a falta de braços. 

O salário médio do trabalhador é de 1$500 por dia, sendo 
a alimentação fornecida pelo fazendeiro. Esta média porém tende 
a subir e ha de subir forçosamente; pois o trabalhador não ha 
de deixar morrer á fome sua familia, visto que o preço do seu 
trabalho n'um dia mal chega para a compra de meio kilo de 
toucinho . 

Na crise económica que atravessamos, com a espantosa de- 
preciação da nossa moeda, de que é medida segura a baixa pro- 
gressiva do cambio, seria digna de lastima a sorte do pobre 
trabalhador agrícola, si não fora a generosidade , do coração bra- 
sileiro, sempre aberto ao soccorro do infortúnio, sempre disposto 
a.attenuar alheias misérias. 

Destes phílantropos obscuros que occultam a bondade de 
sua alma na mudez absoluta da palavra, contentes com o ap- 
plauso único de sua consciência, onde fructifjcou o .bello ger- 



(9) Vide— Sellin, Geographia do Brasil, traducçíto de Capistrano de Abreo 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 145 



men da caridade christã — ha alguns neste município, que ven- 
dem a seus camaradas por metade do preço do mercado, e até 
pela terça parte o kilo do toucinho, fabulosamente cotado nes- 
tes últimos tempos. 

Não ha trabalhadores estrangeiros. 

No conceito comnuim dos fazendeiros, os libertos pela lei 
de 13 de maio são bons trabalhadores, mas inconstantes; — a 
qualquer promessa de melhor salário emigram como as andori- 
nhas, sem nenhuma intelligencia prévia com aquelles em cujas 
fazendas estão e cujo serviço desfarte desorganisam. 

O melhor meio de ter trabalhadores seguros é interessal-os 
directamente na prosperidade do fazendeiro, fixando-os á terra 
por contractos de parceria. Não vejo razão para se recusar 
ao liberto, identificado com nossa alimentação e nossos cos- 
tumes, aquillo que fazendeiros de outros municípios concedem 
a estrangeiros, cuja língua aliás mal conhecem. 

Tomando por unidade a medida de 15 kilos, o preço actual 
do café varia entre 12$000 e 14$; o da farinha de milho en- 
tre 11$ e 14$; a de mandioca entre 14$ e 16$; ha sete annos 
passados, estes géneros vendiam-se por menos de um terço do 
seu preço actual (*) 

CREAÇÃO 

As principaes espécies de creação são: gado vaccum, caval- 
lar, muar e suino. 

Poucos são os que criam carneiros, cuja carne entretanto 
é a melhor, como mais hygienica, para alimentação. Não se 
tem melhorado as raças de anímaes; mas os d'aqui são rijos, 
fortes, bem constituídos. 

Nossos fazendeiros não se deixaram felizmente enthusías- 
mar pelo gado zebú, hoje demonstrado como não correspon- 
dendo ás esperanças que suscitou. O gado é vendido em gran- 
de qunntídade a negociantes de fora. 

O gado muar é principalmente exportado para os Estados 
do Espirito Santo e de S. Paulo. O gado vaccum é em gran- 
des boiadas exportado para a zona da matta deste Estado e 
para a Capital Federal e Estado do Rio de Janeiro. A media 



(•) Convêm lembrar aqui que o illustiado auctor desta monographia 
escreveu-a em 1894. Actualmente estes e outros algarismos menriona- 
dos por elle suo diversos e, infelizmente, ainda mais accentuam a crise 
económica porque passa o paiz.— (Nota da redacção da Revista). 

R. A. 10 



146 



REVÍS+A Dd 



actual de 15 kilos de carne de vacca fresca é de doze mil réi?, 
da de porco trinta e dois mil lé^s: ha sete anros, a rredia da 
primeira era quatro mil réis por arroba e a da segunda três mil 
réis. 

Os pastos são artificiaes. Muitos fazendeiros destroem a 
matta para fazerem pastos. 

São em geral de capim melloso, havendo apenas na cida- 
de e no districto de llhéos, pequenos pastos de gramma e de 
outras espécies. As pastagens de capim gordura na riquís- 
sima zona de llhéos, onde ha abundância de boas agua- 
das, são muito boas para creação e engorda de gado; porém 
as pastagens mixtas são alli tidas como mais favoráveis á ali- 
mentação do gado. 



INDUSTRIA 



Fabrica-se vinagre, aguardente, queijos, manteiga, esteiras, 
chapéus de palha, sellins, arreios de sola d'anta, chicotes, col- 
chões, etc. 

Na cidade fabrica-se excellente doce de goiaba e de laran- 
ja, magnifico vinho desta fructa — productos muito estimados, 
mas que mal chegam para o consumo local. 

O revd. vigari^^ António Cordeiro Abrantes fabrica deli- 
cioso vinho de uva, de uma linda cor rósea e preferível aos me- 
lhores vinhos que com o titulo de Bordeaux nos vêem do ex- 
trangeiro. 

O vinho é chimicameníe puro e muito procurado; mas iii- 
felizmente não chega para exportação, pois é fabricado em pe- 
quena quantidade. 

COMMERCIO 

E' muito activo e animado. Ha na cidade quinze casas de 
negocio, contadas entre estas as que só vendem géneros do 
paiz; dos negociantes três são extrangeiros. 

No povoado do Sacramento (districto desse nome) ha duas 
casas de negocio; no de Vargem Alegre ha seis, sendo uma de 
negociante estrangeiro; no povoado de Teixeiras três, sendo 
uma de portuguez; no arraia! do Alfie ha duas, uma das quaes 
vende cento e vinte contos de reis por anno; no Dionísio ha 
três, sendo uma de negociante portuguez. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 147 



IMPRENSA PROFISSÕES LIBERAES 

Ha pouco tempo existiam na cidade 3 médicos; ha actual- 
mente um só. Ha dois sacerdotes, um jornalista, redactor d'0 
Prateano, e dois pharmaceuticos. Na Vargem Alegre ha tam- 
bém duas phannacias: no Dionísio e Alfié ha também pharma- 
cias. 

O commercio e a agricultura quasi que absorvem neste mu- 
nicípio todas as aptidões. 

Por parte dos idóneos, ha grande repugnância pelos cargos 
públicos; as eleições succedem-se trequentemente pela renun- 
cia dos empregos municipaes. Não escapam a esta sorte os lo- 
gares retribuídos; ha serias dífficuldades em preenchel-os, não 
só por esta razão, como também pelas incompatibilidades devi- 
das ao parentesco, pela união constante do mesmo sangue, sem 
embargo do triste prognostico dos physiologistas, fundado aliás 
nas lições da experiência. 

A agricultura, sobretudo, largamente retribuída hoje, em 
consequência da depressão constante do cambio, exerce singu- 
lar attractivo: poderoso iman, abraça, aqui, quasi todas as intel- 
ligencias. 

E' o sentimento íorte da individualidade, dissolvido n'alma 
municipal, qualidade digna de apreço, sem duvida, valioso con- 
tingente de forças que atravez dos séculos nos vem infundindo 
os bárbaros invasores da idade média, como elemento da actual 
civilísação; mas essa qualidade preciosa, levada ao extremo, 
aparta o homem do meio em que vive, isola-o e acaba por en- 
fraquecer todas as juncturas sociaes. 

Si o velho Catão vivesse hoje e tivesse a intelligencia bastan- 
te desenvolvida para abraçar, n'uma synthese luminosa, todo o 
mundo moral hodierno, tão trabalhado peias correntes as mais 
oppostas, certo não repetiria o conceito de seus antepassados 
de que «ser lavrador é o melhor elogio feito a um homem». 

Sem depreciar a agricultura, fonte principal da riqueza, elle 
encararia o problema social, examinaria, attento, esse organis- 
mo secular, e sentiria a necessidade de apertar-lhe os laços, de 
transformar em resistência todas as forças dispersas, de concen- 
tradas n'uma unidade intelligente e diria pelo menos «o maior 
elogio a fazer a um homem consiste em associar á sua quali- 
dade de lavrador operoso a de cidadão que prefere a tudo a 
grandeza da pátria. 

Sem o sentimento da solidariedade humana, a descobrir no 
passado os elos do presente, a commemorar, pela gratidão pu- 
blica, os que padeceram para melhorar nossa condição política 
e social, a ajudar os que luctam hoje por semear a ordem no 
caminho das instituições nascentes, sem outro estimulo ás vezes 



X^ REVISTA DO 



sinão o da própria consciência, não se poderá construir o edifi- 
cio da nacionalidade bastante solido para não temer invasões, 
bastante fortificado para desafiar humilhações. 

E, como o Estado é um organismo, formado dos municípios 
como cellulas vivas, certo, onde a vida se afrouxa, n'uma dessas 
cellulas, o sangue, menos oxigenado,- traz o gérmen da desor- 
dem ao organismo todo. 



Districto de S. Domingos do Prata 

LIMITES.— Este districto confina com os de SanfAnna do 
Alfié. do S. Sacram.ento, do Dionísio, Santo António da Var- 
gem Alegre e Ilhéus — deste município; com o de S. José da 
Lagoa e António Dias abaixo, pertencentes ao de ítabira, e 
com o de S. Miguel do Piracicaba, pertencente ao de Santa 
Barbara 

ASPECTO PHYSICO.— Em geral montanhoso. 

CURIOSIDADES NATURAES.— A 9 kilometros da cidade 
no logar denominado morro da Sella (pela simelhança das duas 
enormes pedreiras que o formam — com uma sella antiga) exis- 
tem grandes cavernas, formando salões, que nunca foram exa- 
minadas 

CLIMA. — Quente e secco, mas sujeito ás manifestações pa- 
lustres. 

POPULAÇÃO PRESUMÍVEL.— 6.000 almas. 

Numero de eleitores federaes, 377; estaduaes, 460. 

TOPOGRAPHIA —A cidade de S. Domingos do Prata, quasí 
toda á margem esquerda do rio Prata, com 13 ruas e uma praça 
no centro da cidade, e 251 casas. Tem duas Igrejas: a matriz, 
cujo adro é ricamente arborisado, e deve ter custado perto de 
cincoenta contos de réis, e a de N. S. do Rosário, ainda não de 
odo acabada, pequena, sobre um morro, dominando a cidade. 
*Na rua 24 de fevereiro está em construcção o hospital de ca- 
ridade. A casa da camará é regular, e nesse edifício vai ser 
construído o fórum. 

Sobre a origem da cidade conta-se que ha cerca de 120 an- 
nos, Domingues Marques, explorando as terras deste districto 
então em mattas virgens, perdera-se e fizera a S Domingos a 
promessa de edíficar-lhe uma capella, se podesse orientar-se; 
promessa que cumpriu, edificando no logar em que hoje é a 
matriz uma capellinha sob a invocação de S. Domingos, com 
licença do Rm." João Gomes, a quem pertenciam então as 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 140 



terras desta localidade. Ha urgente necessidade de um cemitério 
publico, pois os enterramentos se fazem no adro da Igreja do 
Rosário; e também de canalisação d'agua potável, sendo em ge- 
ral de má qualidade a agua da cidade. 

Quando o vereador, o dr. Caetano Marinho esforçou-se por 
conseguir o abastecimento d'agua, calçamento, nivelamento e 
iluminaçrio da cidade; infelizmente, porem, tão úteis ideias, con- 
signadas em projectos de lei municipal, não passaram alem dos 
estudos, feitos pelos engenheiros Ernesto Betim Paes Leme e 
Francisco Monlevade. 

Ha muitos povoados, como: a Conceição, a Esperança, 
Barro Preto, Zé Pereira, Barbosa, Coelhos, Carneirinhos, Poço 
d'Anta. 



Districto de S. António da Vargem Alegre 

LIMITES— Confina com os districtos de S. Domingos do 
Príita, Ilheos e Dionísio, deste município, e com os da Saúde e 
Alvinopolis, do município deste nome. 

ASPECTO PHYSICO — Em geral montanhoso. 

CLIMA — Temperado, doce e agradável. 

No arraial os dias de verão são formosíssimos, a athmos- 
phera, tépida e luminosa, deixa-nos uma agradável impressão: 
sente-se alli um certo bem-estar. 

POPULAÇÃO PRESUMÍVEL — 2500 almas. 

Eleitores federaes qualificados — 155. 

TOPOGRAPHIA — Merece o primeiro logar o arraial da Var- 
gem Alegre, sede da freguezia e do districto, situado á margem 
esquerda do Prata, entre dous enormes morros. 

O aspecto da povoação é agradável, vendo-se nos morros 
fronteiros animada vegetação em capoeira fina. As ruas são três, 
espaçosas mas irregulares, com 155 casas e uma praça. As casas 
são em geral melhores do que as da cidade de S. Domingos 
do Prata. Ha duas Igrejas. Quer no arraial, quer nas fazendas, 
a agua é abundante e excellente. Pelo seu aspecto physico, pelo 
seu clima doce e ameno, pda sua ítgua potável — esta localida- 
de devera ter sido a sede do município. Não está sujeita á sec- 
cas, nem á inundações; nunca houve alli tremor de terra e as 
geadas não são fortes, nem frequentes. 

Do districto têm emigrado muitos trabalhadores pela alta 
dos sdlarios nos catezaes da matta e do Rio de Janeiro. 



150 REVISTA DO 



Os géneros de primeira necessidade são alli tão caros como 
na cidade, pela grande exportação feita pela estrada de ferro 
da Leopoldina, embarcando-se os géneros na estação de Saúde, 
a 33 kilometrns de distancia do arraial. 

Depois do bonito arraial, a povoação mais notável é a dos 
Teixeiras, no caminho da estação da Saúde, com excellente clima, a 
a 7 kilometros do arraial. 

Outro povoado que está tomando incremento é o de S. Ritn 
onde ha uma escola de instrucção primaria. 



Districto de llheos 



O districto de llheos creado por decreto do Governo Provi- 
sório, em Janeiro de 1891, está situado entre a alterosa serra 
de Mombança e o magestoso Rio Doce. 

LIMITES — Limita-se ao N. com o districto do Sacramento, 
a O. com o de S. António da Vargem Alegre, ao S. com o de 
S. Sebastião do Rio do Peixe (município de Alvinopolis); a E. 
e S. E., pelo Rio Doce, com o districto da Conceição do Casca 
(antigamente Bicudos), pertencente ao município de Ponte Nova. 

— Neste districto é situado, na serra do Mombaça, o pico de 
Barro-Preto. 

ASPECTO PHYSICO — Montanhoso. 

CLIMA — Quente e seco. No verão ha casos de hepatite, de- 
vidos ao grande calor, curáveis pelo tratamento commum. 

POPULAÇÃO — E' de 1:480 almas, estando porem a corren- 
te de immigração nacional se desenvolvendo satisfactoriamente. 

— E' de 126 o numero de eleitores federaes qualificados. 

RIQUEZAS NATURAES — Si pelo clima o districto da Var- 
gem Alege é o primeiro do mjnic pio, pelas riquezas naturaes, 
consistentes sobretudo em gigantescas florestas de preciosíssimas 
madeiras, em immensidade de fibras vegetaes próprias ao des- 
envolvimento de muitas industrias, em uma fauna invejável, 
na prodigiosa uberdade de suas terras, excellentemente rega- 
das, o território de llheos occupa incontestavente o primeiro 
lugar. — Mas quasi tudo está ainda por fazer: o património ♦! 

do districto, constante somente de terras, espera ainda o ope- 
rário para construir a lereja de N. S. da Purificação, a pa- 



ARCHTVO PUBLICO MINEmO 



151 



droeira á cuja benéfica protecção se acolhem os novos habitan- 
tes ; necessidade esta de primeira ordem, primeiro attestado, na 
phrase de eminente escriptor, do amor á ordem do colono que 
pretende prosperar. 



Districto do Dionísio 



LIMITES— Confina com os districtos de SanfAnna do Alfié- 
Vargem Alegre e S. Domingos do Prata e território do munici, 
pio de Caratinga. 

CLIMA — Quente e secco no arraial, que é sadio, embora 
sujeito ás manifestações palustres. A 18 kilometros, porém, do 
arraial, nas margens povoadas do Rio Doce, corre serio risco de 
apanhar a celebre liia/eita quem for alli caçar durante o verão. 

POPULAÇÃO presumível— 2:200 almas— Eleitores íede- 
raes qualificados: 170. 

TOPOGRAPHIA— O arraial do Dionísio, sede de districto e 
do curato, está edificado n'uma bella esplanada. A povoação 
começou em 1858: tem 3 ruas e 80 casas. Está em constru- 
cção a Igreja, collocada em logar mui conveniente e aprazível. 
O arraial offerece espaço para grande desenvolvimento e é no- 
tável pela hospitalidade de seus habitantes. 

Collossaes florestas e plantações existem em derredor do 
povoado. A agua, boa em geral no districto, é pesada e indi- 
gesta no arraial. 

Ha alguns pequenos povoados, dos quaes os principaes, 
depois da sede, são : os Bastos com 280 habitantes, e as Áreas, 
com 180 habitantes. 



Districto de SanfAnna do Alfié 



Este districto limita-se com os de António Dias-abaixo e S. 
José da Lagoa (município de Itabira), com os de S. Sebastião 
do Dionisio e da cidade de S. Domingos do Prata, e com ter- 
ritórios do Caratinga e Ferros. 

ORIGEM— A origem da povoação do districto remonta ao 
anno de 1730, em que João dos Santos Leite e seu irmão Ale- 
xandre dos Santos Leite, homens temerários e de alguma fortu- 



152 REVISTA DO 



na, entraram em numero de vinte a quarenta pessoas, como pos- 
seiros de terrenos devolutos. As posses de Alexandre tiveram 
o nome de Piedade. 

Estes dois irmãos se occupavam de mineração ; alli se de- 
moraram cerca de 10 ou 12 annos, mas receiosos das aggressões 
dos Índios, venderam suas propriedades a Francisco Rodrigues 
Rocha e a José António Magdalena, tendo João dos Santos Leite, 
que fundara á sua custa a capellinha de SanfAnna, constituído 
património a esta Santa em largos tractos de terreno, que, com 
a capella, reservara da venda. Rocha levantou á sua custa e 
no mesmo logar da capella, quando arruinada, uma igreja, que 
é hoje a matriz do arraial. 

ASPECTO PHYSICO— Em geral montanhoso. 

CLIMA— Frio e secco, mas saudável no arraial; quente nas 
approximações do Rio Doce. 

POPULAÇÃO— E' de 6.000 habitantes ; sendo de 271 o nu- 
mero de eleitores federaes qualificados. 

RIQUEZAS NATURAES— Este districto, o maior do municí- 
pio, é muito rico; suas terras são de afamada uberdade; seus 
habitantes intelligentes e hospitaleiros. 

TOPOGRAPHIA— O arraial de SanfAnna do Alfíé fica si- 
tuado entre dois morros, triste e sombrio, ao passo que á dis- 
tancia de 12 kilometros, nas terras denominadas '^Onça^, os 
dias são claros e agradável o aspecto das pequenas planícies. 
Tem 4 ruas, uma praça, uma Igreja Matriz, e em construcção a 
capella do Rosário e do Cruzeiro. 

Os povoados mais importantes são : — o Gramma e a Ba- 
bylonia. 



Districto do Sacramento 



Está apenas creado. As terras do districto são muito fér- 
teis e destinadas a esplendido futuro : são bem regadas. — Abun- 
dam as florestas, sobretudo nas proximidades do Rio Doce. — 
O olima é muito quente, porém sadio. O aspecto physico é 
montanhoso. O povoado que tem de ser a sede do districto 
yai em progressivo augmanto e tem o nome de Santa Isabel. 

A população do districto orça por 3. 820 almas. 



ARCHIVO PUBUCO MINEIRO 153 

Os limifes do districto são : ao S., com os districtos da 
Vargem Alegre e Ilheos; ao N. com o do Dionísio; a O com o 
da cidade; a L. com os districtos da Conceição do Casca (Pon- 'J 

te Nova) e território de Caratiuga 

O Funil tem perto de I.OOO habiiantes , é mais povoado do 
que Santa Isabel. O povoado da Floriana tem mais de 100 
habitantes. 



I 



I 






Bibliographia Mineira 



UM CIMELIO preciosíssimo 

Na monographia que publicámos em 1894 sobre a Impren- 
sa em Minas Geraes, demos noticia de um notável commetti- 
mento na arte chalcografica realizado entre nós ainda no perío- 
do Colonial, commettimento que trouxe para um distinto Minei- 
ro a gloria de ser o crcador e instituidor da imprensa em Villa 
Rica, sua terra natal, e o restaurador delia no Brasil após a sua 
ominosa suppressão por ordem régia de 6 de julho de 1747. (*) 
Os trechos do opúsculo concernentes ao interessante objecto di- 
zem assim: 



(*) — Esse celeberrimo documento da politica oppressora e obscuran- 
tista do tempo é do teor seguinte: 

«Dom João, por graça de Deus, rei de Portugal e dos Algarves, d'a- 
quem e d'aleni mar em Afiica, senhor de Guiné, etc. 

«Faço saber a vós, governador e capitão-general da capitania do Rio 
de Janeiro, que, por constar que deste Reino tem ido para o Estado do 
Brasil quantidade de lettras de imprensa, na qual não é conveniente se 
imprimam papeis no tempo presente, nem ser de utilidade aos impresso- 
res trabalharem no seu officio, aonde as despesas são maiores que no 
Reino, do qual podem ir impressos os livros e papeis no mesmo tempo 
em que delle devem ir as licenças da inquisição e do meu Conselho Ultrama- 
rino, sem as quaes se não podem imprimir, nem correrem as obras; por- 
tanto, se vos ordena, que, constando-vos que se acham algumas lettras 
de imprensa nos limites do vosso governo, as mandeis sequestrar e re- 
metter para este Reino por conta e risco de seus donos, a entregar a quem 
elles quizerem e mandareis notificar aos donos das mesmas lettras e aos 
officiaes da imprensa que houver, para que não imprimam nem consin- 
tam que se imprimam livros, obras ou papeis alguns avulsos, sem ernbar- 
gos de quaesquer licenças que tenham para a dita impressão, comminan- 
do-]hes a pena de que, fazendo o contrario, serão remettidos presos para 
este Reino, á ordem de meu Conselho ultramarino, para se lhes imporem 
as penas em que tiverem incorrido, na conformidade das leis e ordens mi- 
nhas, e aos ouvidores e ministros mandareis intimar da minha parte esta 
mesma ordem para que lhes dêni a sua devida execução e a façam re- 
gistrar nas suas ouvidorias. 

<'E1-Rei nosso Senhor o mandou por Thomé Joaquim da Costa Corte 
Real e desembargador António Freire Barbosa Henriques, conselheiros do 
seu Conselho Ultramarino, e se passou por duas vias. 

«Caetano Ricardo da Silva a fez em Lisboa a 6 de julho de 1747.— 
O secretario Manoel Caetano Lopes de Gouvèa a fez escrever. — Thomé 
Joaquim da Costa Corte Real.— António Fnire de Andrade Menrigues». 



156 REVISTA DO 



« Foi Minas-Geraes a quarta das antigas pro- 
vindas brasileiras, em ordem chronologica, a contribuir com 
um orgam seu para o jornalismo nacional. Não obstante, pode 
Minas-Geraes ufanar-se relativamente á instituição da imprensa, 
por duplo motivo, que dá-lhe notoriedade singular no paiz : — 
1°, por ter sido, após a régia destruição da typographia de 
António Isidoro da Fonseca, em 1747, no Rio de Janeiro, o pri- 
meiro, logar do Brasil em que resurgiu a imprensa (1807), um 
anno antes da typographia mandada estabelecer pelo príncipe 
regente no Rio de Janeiro; — 2.°, por ter sido essa imprensa 
mineira, bem como a typographia que se lhe seguiu e que edi- 
tou o primeiro periódico mineiro, de producção toda mineira — 
chapas, prelos, typos e mais utensílios. 

Faremos succinta exposição histórica destes factos, em ge- 
ral ignorados, que reivindicam para Minas-Geraes honra indis- 
putável, e também gloria puríssima para um dos seus filhos dis- 
tinctos, cujo nome tem jazido em iniquo esquecimento. 

— Em 1807, era governador da capitania de Minas-Ge- 
raes Pedro Maria Xavier de Athayde e Mello, Visconde de Con- 
deixa. 

Contrastando com alguns de seus antecessores, como o 
sombrio Conde de Assumar e o famigerado Luiz da Cunha Me- 
nezes, burlesco heróe das famosas Cartas Chilenas, o capitão 
general Pedro Maria era expansivo e afável e, o que mais vale, 
mostrava-se apreciador da poesia, da musica e artes em geral, 
e de seus cultores, a quem acolhia com benevolência fidalga nos 
magníficos saráos que dava em palácio, festejando seu anniver- 
sario e o da Viscondessa, ou solemnizando datas régias e acon- 
tecimentos da época. 

Por esse tempo, dedicára-lhe o dr. Diogo Pereira Ribeiro de 
Vasconcellos, também residente em Villa Rica (Ouro Preto), um 
pequeno poema, composição sua, sobre assumpto que ignora- 
mos, mas que agradou muitíssimo ao governador, e tanto que 
este logo desejou vel-o impresso sem demora. 

Não havia então nenhuma typographia no Brasil, e remet- 
ter para Lisboa o manuscripto seria protrahir em extremo a de- 
sejada impressão. Alem de demoradíssimas as viagens naquelle 
tempo, em regra, só uma vez annualmente havia navios para 
Portugal — quando comboiada por náo de guerra, voltava a frota 
carregada com os quintos do ouro, diamantes e algumas ou- 
tras produções da colónia. 

Ante esta difíiculdade, e perseverando cada vez mais no em- 
penho de ver impresso o poema, porque talvez ingenuamente 
vislumbrasse na encomiástica dedicatória a immortalidade do 
próprio nome, illuminou-se o espirito do capitão-general Pedro 
Maria, lembrando-se que, mesmo em Villa Rica, havia alguém 



ARCHIVO PUBI.ICO MIiNEIRO 157 



I 



com bastante «eng^enho e arte» para realizar-lhe em prazo bre- 
ve o innocente, senão louvável desejo. Era o padre José Joa- 
quim Viegas de Menezes. 

São aqui necessárias alj^umas palavras a respeito deste ho- 
mem notável. 

Tendo estudado em Marianna as humanidades que no seu 
tempo alli se ensinavam, Viegas de Menezes seguira em 1797 
para Portugal, lá continuando estudos e recebendo ordens sa- 
cras em 1800 ou 1801. 

Durante sua estada em Lisboa, cultivou relações com o il- 
lustre Frei José Marianno da Conceição Velloso, Mineiro bene- 
mérito e sábio botânico, que então dirigia a Régia Officinu 
typographica, chalrograpkica, tgpo plástica e litteraria 
do Arco do Cego, na qual este nosso eminente patricio, no in- 
teresse do Brasil, fez imprimir excellentes obras e memorias 
úteis á industria, agricultura e commercio do nosso paiz, escri- 
ptas ou traduzidas por elle. 

A amisade e protecção generosamente dispensadas pelo sá- 
bio Frei Velloso ao padre Viegas de Menezes, benéficas sob di- 
versos aspectos, forão particularmente proveitozas pelas facilida- 
des que lhe proporcionaram de adquirir nas officinas do Arco 
do Cego conhecimentos theoricos e práticos da arte de gravar 
e dos múltiplos serviços e complexo mecanismo de um estabe- 
lecimento typographico. 

Espirito intelligente, laborioso e inv^estigador, (comquanto se 
applicasse também á pintura e a outras bellas-artes) não se li- 
mitou o padre Menezes ás licções theoricas e praticas que assi- 
duamente recebia nas régias officinas do Arco do Cego : foi 
procural-as igualmente em escriptores estrangeiros, de um dos 
quaes — Abrahão Bosse — traduíiu e fez imprimir em 1801 em 
Lisboa, na mesma typographia do Arco do Cego, o — Tratado 
d<i gravura á agua forte e a buril, e em madeira negra, 
com o modo de construit as prensas modernas e de impri- 
mir em talho doce—X vol. em 4." de VIII— IX— 189— pags , 
com vinte e duas estampas. Faz menção deste livro o Diccio- 
nario Bifdiographico de Innocencio F. da Silva, vol. 4.' , pag. 415. 

De regresso em Villa Rica, consagrava o padre Viegas de 
Menezes as horas que sobravam-lhe dos seus deveres sacerdo- 
taes, ora á pintura a óleo, executando quadros e retratos que 
patenteavam seus talentos artísticos, ora a trabalhos chalco- 
graphicos, manejando habilmente o buril. Entre estes traba- 
lhos, gravava e imprimia para obsequiar os am.igos, ou para 
anienisar a solidão de sua vida concentrada, diversas estampas, 
com dísticos allusivos, sendo certo, segundo um fidedigno tes- 
temunho contemporâneo, que suas gravuras a tal/t o doce, não 



Í68 REVISTA DO 



competindo com as francezes, inglezas e allemãs de seu tempo 
podiam, todavia, figurar a par das melhores que nessa época 
produzia a régia of icina de Lisboa. 

O governador Pedro Maria, portanto, não recorria em vão 
aos talentos do padre Menezes, e este, ante a vontade do capi- 
tão-general — que valia por certo como uma determinação irresis- 
tível — recordou-lhe, comtudo, mui respeitosamente, a prohibição 
expressa e penas respectivas quanto ao uso da imprensa no 
Brasil, constantes da celeberrima ordem régia de 6 de julho de 
1747, que já reproduzimos. 

«Si é só isto, não se afflija, respondeu-lhe o governador; 
tomo sobre mim toda a responsabilidade^). 

Era, sem duvida, grande temeridade do Visconde de Con- 
deixa. Acontecesse chegar á Lisboa a noticia do caso, e talvez 
o governador, comquanto fidalgo e capitão-general, houvesse 
de arrepender-se amargamente por confiar de mais em suas im- { 

munidades... E quando estas o salvassem, não salvariam por 
ventura ao pobre padre Menezes... 

Não houve, entretanto, como replicar ao governador Pedro 
Maria. Foi emprehendido o commettimento, e em pouco mais 
de três mezes de um trabalho aturado, paciente e pesadíssimo, 
qual o de aplainar, polir e abrir onze chapas de diversos tama- 
nhos (inclusive a do frontespicio, na qual — diz informante in- 
struído que viu o trabalho — se acham fielmente retratados o ca- 
pitão-general e a Viscondessa sua esposa), e bem assim impri- 
mir em um imperfeito íorculo quantos exemplares quiz o gover- 
nador que se tirassem; teve o padre Viegas de Menezes o pra- 
zer de concluir a penosa tarefa, sem outro incentivo mais sinão 
o de agradar ao governador Pedro Maria e exercer o próprio 
génio, todo dedicado ás bellas artes. 

Algum exemplar existirá algures do poemeto do dr. Diogo 
Pereira Ribeiro de Vasconcellos, gravado e impresso chalco- 
graphicamente (Villa-Rica — 1807) pelo padre José Joaquim Vie- 
gas de Menezes? 

Temol-o procurado debalde, o que sentimos, considerando 
precioso tal opúsculo, por ser o primeiro trabalho de imprensa 
executado entre nós depois de 1747 e, portanto, o que iniciou a 
nova e definitiva phase da publicidade pela typographia em ter- 
ras do Brasil'. 

(Segue-se a exposição dos factos relativos ao estabeleci- 
mento da p-imeira typographia e pubhcação do primeiro pe- 
riódico em Minas-Geraes). 

Depois de publicada a monographia a que pertencem os ex- 
tractos acima, soubemos que um exemplar do cimelio referido se 
achava no Rio de Jeneiro e era possuído pela sr." d. Joanna T. 
de Carvalho, noticia que encontrámos no importante e magis- 



í 



ARCHIVO PUBUCO MINEIRO 



159 



tralmente organizado Catalogo da Expos''ção de Historia do 
Brasil pela Biblioteca Nacional (pag. 1107). sob n. 12 778, e no 
interessante Z)>(?'o?iíí?'/o BililioyiapJiico Eras leiro, do dr. Sa- 
cramento Blake (2". vol. pag. 182). 

A vcriíicação de tal facto, provando não estar inteiramente per- 
dida a edicção do preciosíssimo impresso, foi para nós, como era 
natural, motivo de intenso prazer, e maior ainda experimenta- 
mos pouco depois recebendo carta obsequiosa de um prestimoso e 
intelligente Mineiro, o sr. Arthur Alves de Alcântara Campos (*) 
communicando-nos possuir e offerecer-nos um exemplar do 
canto do dr. Diogo Ribeiro, impresso em Villa Rica em 1807, . 
qual nos enviaria na primeira opportunidádede portador seguro. 

Effectivamente, por intermédio de um estimável amigo com- 
mum, chegou-nos ás mãos ha mezes o curiosíssimo folheto, tra- 
zendo no verso da ultima pagina impressa, com o delicado offere- 
cimento, a seguinte noticia sobre a precedência do opúsculo; — 
«Este poema, segundo informações fidedignos, foi remettido a 
meu bis-avô, o sr. Manuel Francisco Alves, que era official da 
Marinha Portugueza e residia na sua fazenda da Serra da Boa- 
Esperança, pertencente á freguezia do Curral d'El-Rey, muni- 
cípio de Sabará, pelo sr. Conde de Condeixa, que era seu amigo. 
Por fallecimento do offeríado, o seu neto e meu tio, sr. José Nar- 
ciso Campos, que era homem muito dedicado á leitura e á po- 
litica, guardou este poema, que eu, com o fallecimento delle, en- 
contrei entre muitos outros papeis de valor histórico. E lendo 
a importante monographia — A Imprensa em Mifias Geraes, — 
do sr. José Pedro Xavier da Veiga, vi que n?.o se encontrava 
em parte alguma um exemplar deste poema e que era uma pe- 
ça de alto valor histórico, resolvi offerecer-lhe este folheto. — 
Cidade de Sabará, 24 de dezembro de 1895. — Arthur Alva- 
res de Alcançara Ca /tipos.' 

O valor histórico do opúsculo, a que allude o obsequioso 
offertante, procede de ser elle. como já ficou dito,, o primeiro 
im^presso que se obteve em Minas-Geraes, com a circumstancia, 
que o encarece muitíssimo mais de apparecer quando nenhuma 
tipographia havia no Brasil. A estes dois factos notáveis, suffi- 
cientes para tornar preciosíssimo o folheto, accrescem os meios 
extraordinários pelos quaes, conforme relatamos, conseguio o 
benemérito padre Viegas de Menezes realizar admiravelmente a 



(*) — Reside na ridade de Entre Rios. de cuja idilidade foi zelozissinio 
agente e.xecutivo. Nesse caractere no de simoles cidadão tem prestado va- 
liosos serviços ao município, sobre qual escreveu e publicou interessante nio- 
n ographia que, opportunamente tornaremos conhecidas dos leitores desta 
Revista . 



160 REVISTA DO 



^ 

'% 



I 



sua edição, por processo chalcographicos, do trabalho poético do 
dr. Diogo Pereira Ribeiro de Vasconcellos — um canto apologético 
escrito em 1806 em honra do governador da Capitania Mineira, 
Pedro Maria Xavier de Athayde Mello, mais tarde Visconde de 
Condeixa. 

Compõe-se o opúsculo de quartorze paginas impressas: — duas 
no principio, contendo uma carta — dedicatória, do auctor ao su- 
pra-dito governador; dez, em seguida, comprehendendo vinte 
oitavas do canto — apologia; uma de notas explicativas; e uma, 
no fim, com o «Mappa do donativo voluntário que ao Au- 
gusto Príncipe R. N. S. offereeeram os povos da Capitania 
de Minas Geraes, no anno de 1806.» 

O caracter da letra na carta-dedicatoria, e nas notas seme- 
lha o do typo itálico antigo, corpo 8; o do canto parece o typo 
Santo Agostinho, corpo 12; e o do il/ajt?/?rt mencionado, verda- 
deiramente minúsculo, pode equiparar-se (excepto nas letras 
capitães) ao mignon ou ao non ^^areille, corpos 7 e6. E em 
todos caracteres traçados pelo buril do padre Viegas de Me- 
nezes é admirável a firmesa como a regularidade dos traços, 
não o sendo menos a nitidez da impressão, que parece recente, 
já contando aliás precisamente noventa annos, e feita com tinta 
aqui mesmo em Ouro Preto preparada por aquelle insigne gra- 
vador ! 

Illustra o folheto uma gravura, igualmente aberta em chapa | 

nas mesmas dimensões das do texto (18 centímetros sobre 12), | 

com os retratos do capitão-general Pedro Maria Xavier de . 

Athayde e Mello e de sua esposa, d. Maria Magdalena Leite 
de Soisa Oliveira e Castro (estes nomes vêm alli n'uma faixa { 

circular), abaixo dos quaes acham-se vários ornatos, coroas, 
e symbolos nobiliarchicos das famílias dos retratados. 

Também essa gravura, talvez mais importante de todo o 
trabalho artístico, é devida ao dezenho e ao buril do padre * 

Viegas de Menezes, que foi habihssimo pintor de retrato (ti- 
rou a óleo os de diversos bispos e do governador D. Manoel | 
devendo-se-lhe mais o panorama de Marianna, quadro que i 
ainda existe no pia cio episcopal daquella cidade e se recom- | 
menda pela fidehdade e correcção da pintura . 

Ao Archivo Publico Mineiro, que é o lugar próprio para re- 
positório e guarda de trabalhos graphicos semelhantes, offere- t 
cemos o curiosíssimo e precioso opúsculo gravado pelo distincto 
artista mínoiro, uma raridade de valor inestimável, que figu- 
rará com plenissimo direito no cimeliarchum do recem-funda- 
do estabelecimento. 



"O ALEIJADINHO" 



(ESBOÇO BIOGRAPHICO) (*) 



Ninguém com melhor direito a uma noticia biographica nas 
Epltei7ierides MUiciras do que o genial artista, de origem hu- 
milde, physica e horrivelmente deformado, infeliz ainda por tem- 
peramento, enfermidades e accidentes da vida, e que pode, no 
entanto, á força de trabalho dirigido por excepcional talento, 
deixar bellos padrões, seculares já, de suas inspirações artísticas 
como architecto e mais ainda como esculptor, apreciado até por 
sábios, e geralmente admirado pelas condições especialíssimas e 
desfavoráveis em que exerceu a sua actividade archite- 
ctando — aqui, alli, acolá — os monumentos da própria gloria, 
esforço que elle consagrou, na sinceridade de sua fé fervorosa 
á apologia mudamente eloquente da religião catholica. Quem 
ha ahi, na verdade, em toda a vastidão do território mineiro, 
que não tenha ouvido fallar no Aleijadinho, o grande artista 
que delineou e esculpio explendidos e extraordinários trabalhos 
em muitos dos antigos e melhores templos de nossa terra, 
que pode orgulhar-se, e orgulha-se effeclivamente, de ter-lhe sido 
berço?... 

Nem admira que a tradição ininterrupta circumde-lhe o nome 
de palmas immarcesciveis na voz glorificadora do povo, de cujo 



(*) As patíinas seguintes, assim como outros esboços biographicos 
que estão sendo publicados no Minas Oercien sob a epigraphe — Minei- 
ros llliísires - são treclios das Ephemeiides Mineiras, livro inédito liue 
o redactor desta Revista está concluindo. 
A. r. — 11 



162 REVISTA DO 



seio elle surgiu e em cujo anonymato viveria e morreria obscuro 
si as creações de seu talento artistico não liie erguessem pedes- 
tal assaz elevado para assomar ás vistas da posteridade. Não 
admira essa tradição popular, homenagem renovada de geração 
em geração, dictada pela justiça e que se vae dilatando com o 
tempo, quando já no primeiro quartel deste século e pouco de- 
pois da morte de António Francisco Lisboa (o Aleijadinho), 
um viajante illustre, estrangeiro e parcimonioso em louvores, 
reconhecia-lhe o merilo e registrava n'um dos seus livros ex- 
plendidos as impressões recebidas á vista de trabalhos do dis- 
tincto artista mineiro. E os trabalhos a que referem-se as pala- 
vras de Saint-Hilaire, que vamos citar, são, por certo, dos me- 
nos perfeitos de quantos se devem á surprehendeníe habilidade 
do famoso esculptor, que foi também architecto notável para o 
tempo em que viveu. 

Narrando a sua passagem por Congonhas do Campo, escre- 
veu Saint-Hilaire: (**) « — On pense bien que je ne voulus pas 
quitter Con<jonltas sans aller voir Véyl^se de Nosso Senhor 
Bom Jesus de Mattosinhos, qui est pour cette contreé, comme 
V observe Luccolck, ce qii' est pour /' Ifalie Notre Dame de 
Lorette. Cetie église a étè construite sur le sommet d'mi 
inorne, au milieud'w/e terrasse pavée de larges pierres et 
entourée d'un mur d'appui. Devant elle, ou a placé sur les 
niurs du perron et sur ceux de la ferrasse des statiies en 
pierre qui representent les prophêtes. Ces statiies ne Isont 
pas des chefs-d'ceuvre, sans doute; mais on remarque dans 
la manière dmt elles 07it èté scnlpfées quclque ehose de large 
qui prouve dans Vartiste um talent natureltrês promncé^. 

Segue-se uma ligeira noticia acerca do esculptor mineiro, 
sobre quem ainda mais lisongeiro juizo manifestaria SanfHilaire 
si, em vez dos prophetas de Congonhas, fossem outras obras do 
Aleijadinho o objecto da sua referencia e apreciação. 

Apezar dos limites que nos traça a própria natureza destas 
Ephemendes, não podemos fugir ao desejo de consignar em 
suas paginas um bem elaborado esboço biographico do inspira- 
da, caritativo e desditoso artista mineiro, trabalho geralmente des- 
conhecido pela geração actual e escripto ha quasi quarenta an- 
nos por um outro nosso distincto conterrâneo, já fallecido ha 
muito, Rodrigo José Ferreira Brêtas, laborioso e hábil, que su- 
perintendeu por largo tempo com provada competência o ensino 
publico e.n Minas Geraes e mereceu ser admittido no Instituto 
Histórico e Geographico Brasileiro, como sócio correspondente. 
Devemos a posse desse escripto, publicado em 1858 no Correio 



(**) Voyages Dans L'interieur du Brésil, scconde partie, vol. 1 
pags. 203 e 204. 



ARCHIVO PUBLICO MLNEIRO 



163 



Official de Minas (ns. 169 e 170), às pesquizas, nas biblio- 
thecas do Rio de Janeiro, do sr. Lourenço Xavier da Veiga, pre- 
zado irmão de quem escreve estas linhas; e foi somente muito 
depois de havel-o, por cópia, que soubemos existir o original, 
ou outra cópia manuscripta, no archivo d'aquelle Instituto His- 
tórico. 

E' minucioso, contém informações e apreciações sob vários 
aspectos interessantes, motivos porque, apesar de extenso, repro- 
duzimol-o aqui integralmente (inclusive as notas), além de im- 
portar isto devida homenagem á memoria do artista em quem o 
génio igualou á desventura — dupla aureola que exalça-o á sym- 
pathia e ao respeito da posteridade. 



TRAÇOS BIOGRAPHICOS RELATIVOS AO FINADO 
ANTÓNIO FRANCISCO LISBOA 



DISTINCTO ESCULPTOR MINEIRO, MAIS CONHECIDO PELO APPEL- 

LIDO DE - Aleijadinho 



António Francisco Lisboa nasceo a 29 de agosto de 1730 no 
arrabalde desta cidade (*) que se denomina — o Bom Successo, 
pertencente á freguezia de Nossa Senhora da Conceição de An- 
tónio Dias. Filho natural de Manoel Francisco da Costa Lisboa, 
distincto architecto portuguez, teve por mãi uma africana, ou 
crioula, de nome Isabel, e escrava do mesmo Lisboa, que o li- 
bertou por occasião de fazel-o baptizar. 

António Francisco era pardo escuro, tinha voz forte, a fala 
arrebatada, e o génio agastado : a estatura era baixa, o corpo 
cheio e mal configurado, o rosto e a cabeça redondos, e esta 
volumosa, o cabello preto e annelado, o da barba cerrado e 
basto, a testa larga, o nariz regular e algum tanto ponfagudo, 
os beiços grossos, as orelhas grandes, e o pescoço curto. Sabia 
ler e escrever, e não consta que tivesse frequentado alguma 
outra aula além da de primeiras letras, embora alguém julgue 
provável que tivesse frequentado a de latim. 



(*) O illustrado biographo refere-se a Ouro Preto, onde residia e onde 
escreveu o seu consciencioso estudo sobre o Aleijadinho. —ÇNota da Re- 
dacção da Revista). 



164 REVISTA. DO 



O conhecimento que tinha do desenho, de architectura e 
esculptura, fora obtido na escola pratica de seu pai e talvez na 
do desenhisth pintor João Gomes Baptista, que na corte do Rio de 
Janeiro recebera as lições do acreditado artista Vieira, e era emprega- 
do como abridor de cunhos na casa da fundição de ouro desta capital. 

Depois de muitos annos de trabalho, tanto nesta cidade, 
como fora delia, sob as vistas e risco de seu pai, que então era 
tido na província como o primeiro architecto, encetou António 
Francisco a sua carreira de mestre de architectura e esculptura, 
e nesta qualidade excedeu a todos os artistas deste género, 
que existirão em seu tempo. Até a idade de 47 annos em que 
teve um filho natural, ao qual deu o mesmo nome de seu pai, 
passou a vida no exercício de sua arte, cuidando sempre em 
ter boa mesa, e no goso de perfeita saúde; e tanto^que era visto mui- 
tas vezes tomando parte nas danças vulgares. De 1777 em diante as 
moléstias, provindas talvez em grande parte de excessos venéreos, 
começarão a atacal-o fortemente. Pretendem uns que elle soffrera o 
mal epidemico, que, sob o nome de — Zamparina — pouco antes havia 
grassado n'esta província, e cujos resíduos, quando o doente não suc- 
cumbia, erão quasi infalliveis deformidades e paralysics; e outros que 
nelle se havia complicado o humor gallico com o escorbutico. O certo 
é que, ou por ter negligenciado a cura do mal no seu começo, ou 
pela força invencível do mesmo, António Francisco perdeo todos os 
dedos dos pés, do que resultou não poder andar senão de joe- 
lhos : os das mãos atrophiarão-se e curvarão, e mesmo chega- 
rão a cahir, restando-lhe somente, e ainda assim quasi sem mo- 
vimento, os pollegares e os índices. As fortíssimas dores que 
de continuo soífria nos dedos, e a acrimonia do seu humor cho- 
leríco o levarão por vezes ao excesso de cortal-os elle próprio, 
servindo-se do formão, com que trabalhava! (1) As pálpebras 
inflammarão-se, e permanecendo neste estado, offerecião á vista 
sua parte interior : perdeo quasi todos os dentes, e a bocca en- 
tortou-se como succede frequentemente ao estuporado, o queixo 
e lábio inferiores abaíerão-se um pouco : assim o olhar do infe- 
liz adquiriu certa expressão sinistra e de ferocidade, que chega- 
va mesmo a assustar a quem quer que o encarasse inopinada- 
mente. Esta circumstancia e a tortura da bocca o tornavão de um 
aspecto asqueroso e medonho. (2) 



(1) Collocava convenientemente o formão sobre o dedo que tinha de 
cortar e ordenava a um de seus i scravos, que erão officiaes ou aprendi- 
zes de talha, que sobre elle desse uma forte pancada de macete. 

(2) Conta-se que tendo comprado um preto boçal de nome Januário, 
attentara este contra a própria vida, servindo-se de uma navalha, tendo 
dito antes que o fazia para não se ver obrigado a servir a um senhor tão 
feio. O mal foi evitado a tempo e mais tarde foi este preto um bom 
escravo . 



AJICIIIVO ILIil-lCO MINEIRO 165 

Quando em António Francisco se manifestarão os effeitos 
de tão terrível enfermidade, consta que certa mulher de nome 
Helena, moradora na rua do— Areião ou Carrapixo — desta 
cidade, dissera que elle havia tomado uma grande dose de car- 
dina (3) (assim denominou a substancia a que se referia) com o 
fim de aperfeiçoar seus conhecimentos artísticos, e que d'ahi lhe 
havia provindo tão grande mal. 

A consciência que tinha António Francisc-^ da desagradável 
impressão que causava sua physionomia, o tornava intolerante, 
e mesmo iroso para com os que lhe parecia observarem-o de 
propósito; entretanto era elle alegre e jovial entre as pessoas de 
sua intimidade. 

Sua prevenção contra todos era tal que, ainda com as ma- 
neiras agradáveis de tratal-o e com os próprios louvores tribu- 
tados á sua pericia de artista, elle se molestava, julgando iró- 
nicas e expressivas de mofa e escarneo todas as palavras que 
neste sentido lhe erão dirigidas. Nestas circumstancia costuma- 
va a trabalhar ás occulta.s debaixo de uma tolda, ainda mesmo 
que houvesse de fazel-o dentro dos templos. Conía-se que um 
general (talvez D. Bernardo José de Lorena) achando-se em 
certo dia a presenciar de perto o seu trabalho fora obrigado a 
retirar-se pelo incommodo que lhe causavão os granitos da pe- 
dra em que escultava o nosso artista e que este deliberadamen- 
te fazia cahir sobre o importuno espectador. 

Possuia um escravo africano de nome Maurício, que traba- 
lhava como entalhador, e o acompanhava por toda parte: era 
este quem adaptava os ferros e o macete ás mãos imperfeitas 
do grande escuiptor, que desde esse tempo ficou sendo geral- 
mente conhecido pelo appellido de— Aleijadinho.— Tinha um cer- 
to apparelho de couro, ou madeira, continuamente applicado aos 
joelhos, e neste estado admirava-se a coragem e agilidade com 
que ovsava subir pelas mais altas escadas de carpinteiro. 

Maurício era sempre meieiro com o Aleijadinho nos salá- 
rios que este recebia por seu trabalho. Era notável neste es- 
cravo tanta fidelidade a seus deveres, sendo que entretanto ti- 
nha por senhor um individuo até certo ponto fraco, e que muitas 
vezes o castigava rigorosamente com o mesmo macete que lhe 
havia atado ás mãos. Além de Maurício tinha ainda o— Alei- 
jadinho— dous escravos de nomes Agostinho e Januário, aquel- 
le era também entalhador, e este quem lhe guiava o burro em 
que andava, e neile o collocava. 

(3) Pretendem alguns que a rharlntaneria desse tempo annunciava á 
venda uma substancia que tinha a virtude de ausfmentar as forças da in- 
telligencia, ou de extinguir a capacidade de sentir por um órgão, e dar 
assim ( ccasião a que se tomasse mais ampla a que era relativa aos 
outros. 






166 REVISTA DO 



Ia á missa sentado em uma cadeira tirada de um modo par- 
ticular por dous escravos, mas quando tinha de ir á matriz de 
António Dias, a que estava contigua a casa em que residia, era 
levado ás costas de Januário. Depois da fatal enfermidade que 
o accommetteo, trajava uma sobrecasaca de panno grosso azul 
que lhe descia até abaixo dos joelhos, calça e colete de qualquer 
fazenda, caloava sapatos pretos de forma análoga aos pés, e tra- 
zia, quando a cavallo, um capote tamtem de panno preto com 
mangas, gola em pé e cabeção, e um chapeo de lã parda bra- 
guez, cujas largas abas estavão presas á copa por dous col- 
chetes. 

O cuidado de furtar-se ás vistas de pessoas estranhas de- 
ra-lhe o habito de ir de madrugada para o lugar em que tinha 
de trabalhar, e voltar á casa depois de fechada a noite, e, 
quando devia fazel-o antes, notava-lhe algum esforço para que 
a marcha do animal fosse apressada, e assim se frustrasse o 
empenho de alguém que sobre elle quizesse demorar suas 
vistas. 



Entrando-se agora na apreciação do mérito do — Aleijadi- 
nho — como esculptor e entalhador, tanto quanto pode fazel-o 
quem não é profissional na matéria, e somente á vista das obras 
que deixou na capella de S. Francisco de Assis desta cidade, 
cuja planta é sua, reconhece-se que elle mereceu a nomeada 
de que gosou, attendendo-se principalmente ao estado das artes 
no seu tempo, á falta que sentiu de mestres scientificos, e dos 
princípios indispensáveis a quem aspira á máxima perfeição nos 
referidos géneros, e sobretudo as desvantagens contra as quaes 
ultimamente luctava em consequência da perda de membros ne- 
cessários á execução de seus trabalhos. 

São obras do — Aleijadinho — a talha e esculptura pratica- 
da no frontispício da referida capella, os dois púlpitos, o cha- 
fariz da sachristia, as imagens das Três Pessoas da Santíssi- 
ma Trindade e dos Anjos que se vèm no cimo do altar-mor, a 
talha deste e bem assim a esculptura allusiva á ressureição de 
Christo, que se vê na frente da urna do altar-mór, a figura do 
Cordeiro que se acha sobre o Sacrário, e finalmente toda a es- 
culptura do tecto da capella-mór. 

Apenas attenta-se para estes trabalhos, depara-se logo com 
o génio incontestável do artista, mas não se deixa de reconhe- 
cer também que elle foi melhor inspirado do que ensinado e ad- 
vertido; porquanto o seu desenho resente-se ás vezes de algu- 
ma imperfeição. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 167 

No relevo que representa — São Francisco de Assis rece- 
cebendo as chagas — vê-se que elle tem no corpo e no sembrante 
a attitude e a expressão próprias de uma situação tão importante, 
Junto do Santo vé-se esculpida uma açucena, cujas hastes ca- 
bem tão languidas e pois tão naturalmente que por isso não se 
pode deixar de victoriar o artista. 

Na frente do púlpito que fica ao lado esquerdo do templo 
para quem nelle entra peia porta principal, vê-se Jesus Christo 
sobre uma barca pregando ás turbas no mar de Tiberiade. Os 
vultos que representão o povo tèm o ar de quem presta seria 
attenção, mas o Salvador não tem ahi a magestade que se divi- 
sava sempre no seu rosto. 

Na frente do púlpito do lado opposto acha-se representado 
um outro assumpto tirado do Velho Testamento. E' o Propheta 
Jonas no acto de ser lançado ao mar, e prestes a ser engulido 
por uma baleia, que faminta o aguarda. 

Eis o resumo da respectiva legenda : 

Jonas achava-se embarcado quando sobreveio uma tempes- 
tade que ameaçava submergir o navio, e tendo alguém pensado 
que era castigo do Senhor, inflingido á algum pecador que nelle 
se achasse, o Propheta denunciou o delicto que havia commet- 
tido, deixando de ir pregar na cidade de Ninive, como o mes- 
mo Senhor lhe havia ordenado, e pedio que o lançassem ao 
mar, afim de serenar a tempestade. 

Este grupo parece bem desempenhado. 

Aos lados de cada um dos púlpitos veem-se dous dos qua- 
tro Apóstolos Evangelistas, cujos nomes são indicados pelas figu- 
ras alegóricas da visão do Propheta Ezequiel, a saber, o Anjo 
junto a S. Matheus, o leão a S. Marcos, o boi a S. Lucas, e a 
águia a S. João. 

Todos elles têm o ar de quem recebe as divinas inspirações. 

No chafariz vò-se bem esculpida a imagem da Fé, a qual 
com a expressão vaga da cegueira que lhe é própria apresen- 
ta num retábulo o seguinte pentametro: 

— íToec est ad Coeliun, qnae via durit oves — . 

Abaixo, e aproximadamente á pia, vê-se, de um e outro 
lado, mãos, pescoço e rosto de um Cervo, por cuja bocca deve 
correr a agua. O retábulo que os encobre offerece á vista o 
seguinte hexametro : 

— Ad Dominam curro, sítieiís, at cervus ad andas. — 

Juízo igualmente favorável se deve fazer da execução das 
demais imagens e esculturas, em vulto ou em reir-vo, que sahi- 
rão das mãos do mesmo artista, e achão-se na referida ca- 
pel!a. 



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168 REVISTA EK) 



Também é obra do — Aleijadinho — a imagem de S. Jor- 
ge, que annualiiiente costuma sahir a cavallo na procissão de 
Corpus Ciiristi nesta cidade. 

A respeito da encommenda desta obra deo-se o seguinte 
facto. 

O general D. Bernardo José de Lorena, attendendo a que 
era mui pequena a imagem do dito Santo, que então havia, deu 
ordem a que viesse á sua presença o Aleijadinho, que devia ser 
encarregado de construir uma outra. O estatuário compareceu 
em palácio depois de muitas instancias para o fazer. Logo que o 
viu o coronel José Romão, ajudante d'ordens do general, excla- 
mou elle, recuando: feio homem ! ao que disse em tom áspero 
António Francisco, ameaçando retirar-se: é para isso que S. Exc. 
ordenou-me que aqui viesse? 

O general, que logo appareceu, tranquilisou o artista e pôde 
entrar com elle em detalhes relativos á imagem de S. Jorge, que 
declarou devia ser de grande vulto, e tendo tomado para exem- 
plo o do dito ajudante d'ordens, que se achava presente, o Alei- 
jadinho voltando-se para este e retribuindo a offensa delle disse 
duas vezes meneiando a cabeça e com ar displicente : forte ar- 
ganaz i forte arganaz ! 

Pretende-se que quando o artista deu por acabada a ima- 
gem não houve quem nella deixasse de reconhecer uma copia 
fiel do dito José Romão, que, formando o mesmo juizo, em vão 
oppoz~se a que ella sahisse nas procissões. 

Accrescentam a isto que o talento do retratista era nelle mui 
pronunciado, e que varias outras imagens construio de propósito, 
representando exactamente vulto e feições de certas possoas. 



Nas esculpturas do Aleijadinho observa-se sempre mais ou 
menos bem succedida a intenção de um verdadeiro artista, cuja 
tendência é para a expressão dum sentimento ou de uma ideia, 
salvo commum de todas as artes (4). Faltou-lhe, como já se 
disse, o preceito da arte, mas soubrou-lhe a inspiração do génio 
e do espirito religioso (5). 



(4) A esculptura, como as demais artes, começou á ser mais senti- 
mental e ideal em França no século XVII, depois que a philosophia es- 
piritualista de Descartes prevalece© sobre a sensualista de Loke. 

(5) Enthusiasta da esculptura sagrada, sua leitura favorita era a Bíblia. 
Também se diz que a de authores em medicina. 



^ 



ARCIIIVO PUBIJCO MINEIRO 169 

No anno de 1790 era este artista julgado como se verá do 
seguinte trecho d'um artigo escripto pelo capitão Joaquim José 
da Silva, 2/' vereador do senado da camará da cidade de Ma- 
rianna no dito anno, e que se lè no respectivo livro de registo 
de factos notáveis estabelecido pela ordem regia de 20 de julho 
de 1782: 



'A matriz de Ouro Preto, arrematada por João Francisco de 
Oliveira pelos annos de 1720, passa por um dos edifícios mais 
bellos, regulares e antigos dn comarca. Este templo, talvez 
desenhado pelo sargento-mór engenheiro Pedro Gomes, foi con- 
struído e adornado interiormente por António Francisco Pom- 
bal com gr.indes columnas da ordem corinthia, que se elevão 
sobre nobres pedestaes a receber a cimalha real com seus ca- 
piteis e resaltos ao génio de Seamozi, Com. a maior grandeza e 
soberba architectura traçou Manoel Francisco Lisboa ^6), irmão 
d'aquelle Pombal, de 1727 por diante, a igreja matriz da Con- 
ceição da mesma villa com 12 ou 13 altares, e arcos magesto- 
sos debaixo dos preceitos de Vinholla. Nem é inferior à cathe- 
dral matriz do Ribeirão do Carmo, arrematada em 1734 por An- 
tónio Coelho da Fonseca, cujo prospecto e fachada correspondem 
á galeria, torres e mais decorações de arte. Quem entra pelo 
seu pórtico e observa a distribuição dos corredores e naves, 
arcos da ordem compósita, janella, occulos e barretes da ca- 
pella-nór que descanção sobre quatro quaríões ornados de talha, 
capiteis e cimalha lavrada, não pode desconhecer abellezaeex- 
acção de um desenho tão bem pensado. Taes são os primeiros 
modelos em que a arte excedeu a matéria. 

Pelos annos de 1715 ou 1719 foi prohibido o uso do cinzel 
para se não dilapidarem os quintos de Sua Magestade, e por or- 
dem regia de 20 de agosto de 1738 se empregou o escopro de 
Alexandre Alves Moreira, e seu sócio na cantaria do palácio do 
governo alinhado toscamente pelo engenheiro José Fernandes 
Pinto Alpoim, com baluartes, guaritas, calabouço, saguão e outras 
prevenções militares. N'esta casa forte, e hospital de misericór- 
dia, ideiada por Manoel Francisco Lisboa com ar jónico, conti- 
nuou este grande mestre as suas lições praticas de architectura 



(6) Embora a differença do agnome ha fundamento para dizer-se que o 
nome Mano'^ Francisco Lisboa e o de Manoel Francisco da Costa que se 
acha no assento de l)aptismo relativo ao — Aleijadinho— pertencem ao mes- 
mo individuo. No dito assento supprimio-se o cognome Lisboa. — e no tre- 
cho que acima se transcreve o agnome Costa. O nome, pois, do pae do 
Aleijadinho era-- Manoel Francisco da Costa Lisbsa. 



170 REVISTA DO 



que interessarão a muita gente. Quanto porem excedeo a todos 
no desenho o mais doce e mimoso Joclo Gomes Baptista, abri- 
dor da fundição, que se educou na Corte com o nosso immortal 
Vieira; tanto promov^eo a cantaria José Ferreira dos Santos na 
igreja do Rosário dos Pretos de Marianna; por elle riscada; e 
nas igrejas de S. Pedro dos Clérigos e Rosário de Ouro Preto, 
delineadas por António Pereira de Souza Caiheiros ao gosto 
da rotunda de Roma. Com este José Pereira se illustrarão outro 
José Pereira Arouca, continuador do seu desenho e obra da or- 
dem 3.^ desta cidade, cuja esbelta cadêa se deve á sua direcção 
e Francisco de Lima, hábil artista de outra igreja Franciscana 
do Rio das Mortes. O augmento da arte se afigura de sorte que 
a matriz de Caethé feita por António Gonçalves Barcarena, de- 
baixo do risco do sobredito Lisboa, cede nas decorações e medi- 
das á matriz de Morro Grande, delineada por seu filho António 
Francisco Lisboa, quanto este homem se excede mesmo no de- 
senho da indicada igreja do Rio das Mortes, em que se reúnem 
as maiores esperanças. 

Este templo e a asumptuosa cadêa de Villa Rica, começada por 
um novo Manoel Francisco em 1785 com igual segurança e 
m.agestade, me levarião mais longe si os grandes estudos e 
modelos de esculptura feitos pelo filho e discípulo do antigo 
Manoel Francisco Lisboa e João Gomes Baptista não prevenis- 
sem a minha penna. 

Com ef feito, António Francisco, o novo PraxUelles, éqiiem 
honra igualmente a architectura e esculptura. O gosto gothico 
de alguns retábulos transferidos dos primeiros alpendres e ni- 
chos da Piedade já tinha sido emendado pelo esculptor José 
Coelho de Noronha, e estatuário Francisco Xavier, e Felippe 
Vieira, nas matrizes desta cidade e Villa Rica. "ç 

Os arrogantes altares da cathedral, cujas coartellas, columnas : 

athlantes, festões e tarjas, respirão o gosto de Frederico; a distri- 
buição e talha do coro do Ouro Preto relevada em partes, as i 
pilastras, figuras e ornamenteis da capella-mór, tudo confirma o \ 
melhor gosto do século passado. 

Jeronymo Fellis e Felippe Vieira, emulos de Noronha e Xa- 
vier, excederão na exacção do retábulo principal da matriz de 
António Dias da mesma Villa o confuso desenho do doutor An- 
tónio de Souza Caiheiros; Francisco Vieira Selval e Manoel Go- 
mes, louvados da obra, pouco differem de Luiz Pinheiro e Antó- 
nio Martins, que hão feito as talhas e imagens dos novos tem- 
plos. 

Superior d tudo e singular nas esculpturas de pedra em 
todo o vulto ou meio relevado e no debuxo e ornatot< irreg nla- 
res do melhor gosto francez,é o sobredito António Francisco. 
Em qualquer peça sua que serve de realce aos edificios mais ele- 



^ 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 171 

gantes, admira-se a invenção, o equilíbrio natural, ou composto, 
a justeza das dimensões, a energia dos usos e costumes, e a es- 
colha e disposição dos accessorios com os grupos verosímeis 
que inspira a bella natureza. 

Titnta prjniosidadf se ac/i<i depositada em ivni corpo 
enfermo que precisa ser conduz} do a qualquer parfe e ala' 
rem-se-lhe os ferros para poder obrar. ^ 



Na epocha a que se refere o trecho acima transcripto algu- 
mas artes liberaes estavão talvez em maior florescência do que 
hoje n'csta província. 

Ou porque a falta de liberdade politica, como succede ain- 
da na Itália, a tendência dos espíritos, ou a sua actividade não 
podia ter outro alvo, ou porque o espírito religioso dos colonos, 
favorecido pela riqueza de então, um dos mais poderosos meios 
de realizar grandes cousas, dava occasião, ou incentivo efficaz 
para semelhantes estudos, o certo é que os nossos antepassa- 
dos deixarão-nos em esculptura, musica e architectura monu- 
mentos dignos de uma civilísação assaz adiantada. 

Sabe-se que o Chrístianísmo é eminentemente civilísador; á 
elle se deveo na Europa a restauração das lettras e das scien- 
cias, que a invasão dos bárbaros parecia ter por uma vez ani- 
quilado; não é menos certo que o enthusiasmo religioso, como 
todas as paixões nobres e elevadas, é inspirador de grandiosas 
cousas; e pois muito natural era que a esculptura e pintura sa- 
cras tivessem entre nós o desenvolvimento que lhes reconhece- 
mos. O fervor piedoso dos referidos tempos tem o seo typo na 
grandeza e magnificência quasi fabulosas (bem que entermeadas 
de scenas ou allegorias profanas) da trasladação do Santíssimo 
Sacramento da igreja do Rosário para a nova matriz de Ouro 
Preto, e que se intituIou=TRIUMPHO EUCHARISTICO- 

— Aleijadinho — exerceu sua arte nas capelas de S. Fran- 
cisco de Assis, de Nossa Senhora do Carmo, e na das Almas 
desta cidade; na matriz e capella de S. Francisco da cidade 
de S. João d'El-Rei; nas matrizes de S. João do Morro Grande, 
e da cidade de Sabará; na capella de S. Francisco da de Ma- 
rianna; em Ermidas das fazendas da Serra Negra, Tabocas e Ja- 
guara do dito termo de Sabará, e nos templos de Congonhas 
deste ultimo termo, e de Santa Luzia. 

Ha quem affirme, que é em Congonhas do Campo, e em S. 
João d'El-Rei que se devem procurar suas obras primas, fazen- 
do especial pienção da magnifica planta da capella de S. Fran- 
cisco d'aquella cidade e do bem acabado da esculptura e talha 
do respectivo frontispício. 



172 REVISTA DO 



Desde que um individuo qualquer se torna celebre e admi- 
rável em qualquer género, ha quem, amante do maravilhoso, 
exagera indefinidamente o que nelle ha de extrordinario, e das 
exagerações que se vão depois succedendo e accumulando, che- 
ga-se á compor finalmente uma entidade verdadeiramente ideal. 
E' isto o que, pode-se dizel-o, até certo ponto aconíeceo á An- 
tónio Francisco, de quem se conta o seguinte caso: 

Tendo ido á Corte do Rio de Janeiro, pedio que se lhe con- 
fiasse a construcção da porta principal de certo templo que se 
concluía; foi isto julgado muita ousadia da parte de um desco- 
nhecido e contra o qual depunham as aparências. Entretanto foi- 
Ihe encarregada a obra. Concluída uma das metades da porta,. 
o artista em certa noite, e furtivamente, a collocou no compe- 
tente lugar. No dia seguinte foi o seu trabalho julgado acima 
de todos os outros do mesmo género, e não havendo artista que 
se animasse a completal-a, em vista do extraordinário mérito de 
sua execução, foi mister que para o fazer se procurasse por to- 
da a cidade o desconhecido génio que afinal e depois de muitos 
esforços foi encontrado. (7) 

Com o mesm.o fim de demonstrar a perícia deste escultor, 
conta-se que algumas mulheres, tendo ido á Matíosinhos de Con- 
gonhas do Campo, na occasião em que passavam por junto do 
— Passo da Ceia — , cum_primeníarão as figuras que ahi repre- 
sentam Christo com os Apóstolos, o que, a ser devido somente 
ao bem acabado da esculptura, nos induziria a comparar as obras 
do nosso patrício com os cachos dhivas de Zeuxis (famoso 
pintor da antiguidade) que os pássaros ferião com o bico cren- 
do serem fructos reaes. 

O — Aleijadinho — não ajuntou fortuna alguma pelo exercício 
de sua arte; além de que partilhava igualmente o que ganhava 
com o escravo Maurício (8), era descuidado na guarda de seu di- 
nheiro, que de contínuo roubavão-lhe, e muito despendia em 
esmolas aos pobres. 

Tendo passado cartas de Hberdade aos escravos acima de- 
clarados, e bem assim, á uma escrava de nome Anna, as quaes 
tinha fechado em uma caixa, os interessados lh'as roubarão para 



(7) E' certo que António Francisco ali esteve em 1776 (interessava-se 
então n'uma appellação interposta por Narcisa de tal, cabra forra da qual 
havia elle tido o filho de que já se tratou); mas uma pessoa a quem elle 
contava todas as circumstancias de sua viagem e estada na Corte nio dá 
noticias deste facto. 

(8) Este escravo falleceu em Congonhas do Campo quando seu senhor 
esculptava os Prophetas e os Três Passos da Ceia, da Prisão e do Horto, 

que se vêem junto do Sanctuario de Mattosinhos. 



i 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 173 

talvez as lançarem no livro de notas. E' certo entretanto que 
estes libertos não entrarão no goso da liberdade durante a 
vida do seu bemfeitor. (9) 

António Francisco trabalhava á jornal de meia oitava de 
ouro por dia. Quando concluio as obras da capeiia do Carmo, 
das quaes se havia primeiramente encarregado, queixou-se de 
ter recebido o seu salário em ouro falso. Posteriormente, pelos 
annos de 1811 a 1812, um seu discipulo de talha, de nome Jus- 
tino, íendo-se encarregado da construcção do altares na dita ca- 
peiia, pôde obter depois de muitas instancias que elle fosse in- 
speccionar e dirigir os trabalhos, e foi residir na casa em que 
então existia contigua e pertencente áquelle Sanctuario. Por 
occasião de Dias Santos do Natal, Justino retira-se para a rua 
do Alto Cruz, onde tinha a tamilia, deixando ali seu mestre que 
durante muitos dias, por descuido do discipulo, não teve aquelle 
tratamento e cuidados á que estava acostumado. Com este fa- 
cto coincidio o de perder quasi inteiramente a vista o nosso 
famoso esculptor. 

Neste estado recolheu-se á sua casa sita na rua Detraz de 
António Dias (10) da qual depois de algum tempo mudou-se 
definitivamente para a de sua nora de nome Joanna, que delle 
tratou caridosamente até o seu fallecimento, o qual teve logar 
dous annos depois de seus últimos trabalhos de inspecção na 
capella do Carmo, á 18 de novembro de 1814, tendo de idade 
84 annos, 2 mezes e 21 dias. 

Justino só tinha pago á seu mestre uma mui pequena parte 
do salário de um anno, que lhe pertencia, e pois desde então até 
o fim de sua vida a mofina do mestre nos seus solilóquios era 
exigir do discipulo o que lhe era devido. Durante o tempo em 
que esteve entrevado, frequentes vezes apostrophava á Imagem 
do Senhor que tinha em seu aposento; e tantas vezes havia 
esculpido, pedindo-ihe que — sobre elle pozesse os seus Divinos 
Pês. 

E' natural que então a vida de sua intelligencia em grande 
parte consistisse em recordação de seu brilhante passado de 
artistn. elle se transportaria muitas vezes em espirito ao San- 

(9) Manoel Francisco Lisboa tinha da mãe do — Aleijadinho — mais dois fi- 
lhos e alguns outros houvera de legitimo matrimonio. Entre estes achava-se 
o padre Felix António Lisboa, que falleceu nesta cidade a 30 de maio de 1838. 
Tinha-se aplicado á estatuária sob as vistas do Aleijadinho que delle dizia— 
que só podia escuiptar carranca i e nunca — «imagens.»— Entretanto diz-se 
ter sido obra sua, sofrivelmente executada, a imagam de S. Francisco, que 
existe na respectiva capella. Affirma-se que o dito padre Felix fora instruído, 
para o fim de receber ordens sacras, á expensas do mesmo Aleijadinho, 
á quem tratava com deferen':ia. 

(10) Esta casa foi ultimamente demolida; o respctivo terreno acha-se 
fronteiro aos fundos da casa do cidadão major Joaquim José de Oliveira. 



174 



REVlStA DO 



ctuario de mattosinhos, para ler prophecias no semblante dos 
inspirados do Velho Testamento, cujas figuras tinham sido ali 
obradas por seu escopo, memorar nos Três Passos da Paixão 
que esculptara, a bondade e a resignação do Salvador, quando 
preso e osculado pelo Apostolo trahidor, a mais solemne das 
Ceias, ou a Instituição do Sacramento da Eucharistia, e a 
angustia da Victima Celestial contrastando o somno profundo 
e tranquilo dos três Apóstolos no Horto de Gethsemani!. . 

Vive ainda a nora do Aleijadinho — (11) e bem que em máo 
estado existe também a casa em que este fallece ; n'um dos 
pequenos departamento interiores delia vê-se o logar em que, 
deitado sobre um estrado (três taboas sobre dous toros ou 
cepos de pão pouco resaltados do pavimento térreo) jazeu por 
quasi dous annos, tendo um dos lados horrivelmente chagado, 
aquelle que por suas obras de artista distincto tanto havia hon- 
rado a sua Pátria! 

Tanta miséria ousando alliar-se a tanta poesia! 

António Francisco acha-se sepultado na matriz de António 
Dias desta cidade. Descansa em uma sepultura contigua e 
fronteira ao altar da Senhora da Boa Morte, de cuja festa 
pouco antes tinha sido juiz. 



(11) E' conhecida pela parteira Joanna Lopes, cujo idade provável é de 
mais de 80 annos; com ella foi casado Manoel Francisco Lisboa, filho do 
Aleijadinho. Existe ha muitos annos no Rio de Janeiro, onde talvez ainda 
viva e exerça a marceneria. 



sT 
V 



Archivo Publico Mineiro 



LEI N. 126, DE 11 DE JULHO DE 1895 (*) 

Crêa na cidailp de Ouro Preto uma repartltjão dcnoiriinada 

ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 

O povo do Estado de Minas-Geraes, por seus representantes, decretou 
e eu, em seu nome, sancciono a seguinte lei : 

Art. 1." Fica creada em Ouro Preto uma repartição denominada 
«Archivo Publico Mineiro» destinada a receber e a conservar debaixo de 
classificação systematica todos os documentos concernentes ao direito 
publico, á Iegisla(;ãu, á administraçclo, á historia e geographia, ás mani- 
festagões do movimento scientifico, litterario e artístico do Estado de 
Minas-Geraes. 

§ 1." Deverá lambem o «Archivo Publico Mineiro» conservar quaes- 
quer documentos que o governo determinar nelle se depositem. 

§ 2.° Os documentos, papeis ou objectos recolhidos ao «Archivo» 

serão classificados em três ordens, segundo a natureza de cada um : 

I. Direito publico, legislação e administração, incluindo uma parte 
judiciaria . 

II. Historia e geographia e quaesquer manifestações do desenvolvi- 
mento scientifico. 

III. Litteratura e arte em geral. 

Art. 2.° Até á creação de um museo, serão recolhidos ao Archivo e 
classificados em sala especial, á proporção que forem adquiridos, os qua- 
dros e estatuas, mobílias, gravuras, estofos, bordados, rendas, armas, obje- 
ctos deourivesaria,^baixos relevos, esmaltes, obras de cerâmica e quaesquer 
manifestações da arte no Estado, desde que tenham valor propriamente 
artístico ou histórico. 



(♦) Profedeu o i)rojecto, de que resultou a presente lei, da esclarecida inieiatlva do 
illu:<trado .sr. senador estadual dr. Levlndo Ferreira Lopes, entào nieuiliro <la lamara 
dos deputados ao Conjçresso Mineiro, ([ue apreí»entou-o em sessào de 2t de junlio de 
i89í. 

A disposi(;ão que indica a cidade de Ouro l'reto para sóde do Arclilvo Pul>lico Mi- 
neiro foi, con.o emenda, apresentada e justificada no .'•■eiiado, cm Infl.s. |'cl(i illii-;tra<l<> sr. 
.senadof dr. João Gomes Reliello Horta. 



176 



REVISTA DO 



Art. 3.° O Presidente do Estado obterá dos presidentes das camarás 
municipaes a remessa regular, independente de outras requisições, de 
todos os documentos referentes ao fim desta repartição que estejam nos 
archivos das camarás ou em qualquer parte, sob a dependência das 
mesmas. 

Paragrapho único. O governo do Estado promoverá também a 
acquisiçâo de documentos que existam nas repartições federaes, nas de 
outros Estados ou em poder de particulares e satisfaçam aos intuitos do 
«Archivo Publico Mineiro». 

Art. 4.° Os fiscaes das rendas do Estado, os superintendentes das 
circumscripções litterarias ou quaesquer funccionarios ambulantes ficam 
encarregados de descobrir e obter documentos importantes relativos á 
historia de Minas, para cuja acquisiçâo e pelo modo que se estabelecer 
no regulamento do Archivo o governo marcará uma quantia razoável, 
discriminada da do respectivo expediente e que nunca poderá ser exce- 
dida sem ordem ou auctorização sua 

Art. 5.° Haverá no Archivo um director, um secretario-archivista, 
dois officiaes sub-archivistas, dous amanuenses, um porteiro e um conti- 
nuo, com os vencimentos marcados na tabeliã annexa. 

Art. 6.° O director será nomeado por decreto do governo, dentre os 
cidadãos de notória competência na matéria, conhecido zelo e solicitude. 

§ 1.° O secretario-archivista será nomeado por decreto, precedendo 
concurso, dentre os cidadãos classificados nos dous primeiros logares nas 
matérias constantes do art. 7.°, e os officiaes sub-archivistas e amanuen- 
ses, preenchidas as condições de idoneidade que serão determinadas em 
regulamento, pelo secretario de Estado do interior, sob proposta do dire- 
ctor do Archivo. 

§ 2.° O porteiro e o continuo serão nomeados pelo director. 

Art. 7.° As matérias exigidas i;0 concurso serão as seguintes: Portu- 
guez, francez, mathematicas elementares, noções de direito publico e 
administrativo, estudo sobre a Constituição do Estado e leis orgânicas e 
sobre a Constituição federal, historia e geographia do Brazil, especial- 
mente do Estado de Minas, e redacção ofíicial. 

Paragrapho único. Os candidatos que apresentarem certidão ou titulo 
scientifico provando sua habilitação em qualquer das matérias acima in- 
dicadas ficarão dispensados de concurso na parte referente á mesma. 

Art. 8.° Ficará a cargo do director do Archivo a fundação e reda- 
cção de uma revista periódica, editada na Imprensa Ofíicial, na qual pu- 
blicará não só os trabalhos históricos, biographicos, topographicos, esta- 
tísticos, etc, que escrever acerca dos acontecimentos, homens e cousas 
notáveis de Minas-Geraes, como também documentos, composições litte- 
rarias e memorias interessantes sobre os mesmos assumptos, inéditas ou 
não vulgarizadas. 

Em remuneração deste trabalho especial perceberá a gratificação que 
o governo arbitrar no regulamento, não excedendo a quatro contos an- 
nuaes, arrecadando-se na Imprensa Official como renda do Estado a im- 
portância das assignaturas da referida revista. 

Paragrapho único. O governo poderá encarregar ao mesmo director 
ou a outro cidadão que julgar competente de escrever com exactidão e 
circumstanciado desenvolvimento : 

I. As ephemerides sociaes e po'iticas do Estado. 

II. A historia ou chronica de Minas-Geraes a começar da sua desco- 
berta e primeiras explorações até ao presente. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 



177 



Ao auctor caberá opportunameiíte por essas obras, que serão edita- 
das na Imprensa Officidi, o premio pecuniário que o governo entender 
;nerecido, á vista dos mesmos trabalhos e do parecer que sobre elles 
apresentar pessoa ou commissão idónea a quem disso incumbir í) Presi- 
dente do Estado. 

Art. 9.° Os empregados do Archivo, attenta a natureza especial desta 
repartição, gozarão das mesmas isenções estabelecidas pelas leis vigentes 
para os membros do magistério publico, secundário e superior. 

Art 10. Esta lei entrará em vigor logo depois de jjublicada, salvo 
na parte dependente do regulamento que o governo expedirá para sua 
execução. 

Art. 11. O governo fica auctorizado a despender até cincoenta con- 
tos com a fundação do Archivo, ficando-lhe aberto, para as despesas com 
o mesmo, o credito necessário até que na lei de orçamento se consigne 
a verba unnual para a repartiçáo. 

Art. 12. Revogam -se as disposições em contrario. 

Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e 
execuçáo da referida lei pertencerem que a cumpram e façam cumprir tão 
inteiramente como nella se contém. 

O Secretario de Estado dos Negócios do Interior a faça imprimir, pu- 
blicar e correr. 

Dada no Palácio da Presidência do Estado de Minas-Geraes, aos 11 
de julho de 1895, sétimo da Republica. 

CHRISPIM JACQUES BIAS FORTES. 

Dr. Henrique Augusto de Oliveira Diniz. 

Sellada e publicada. Secretaria do Interior, 13 de julho de 1895.— O 
director, Raymundo M. A. Corrêa. 



TABELLA DE VENCIMENTOS 



* EMPREGOS 


VENCIMEN- 
TO ANNUAL 


TOTAL 


Director 

Secretario-archivista 

2 ofíiciaes sub-archivistas 

2 amanuenses 


6:000$0U0 
4:80' $030 
3:600$000 
2:400$000 
1:500$000 
1:200$0U0 


6:0003000 
4:800$000 
7:2003000 
4:8003000 


1 porteiro . 

1 continuo 


1:5003000 
1:2003000 

25:5003000 



Os vencimentos serão divididos em ordenado e gratificação, sendo 
esta de um terço. 

Palácio da Presidência, 11 de julho de 1895. 

CHRISPIM JACQUES BIAS FORTES 



R. A. 12 



Dr. Henrique Augusto de Oliveira Diniz. 



1?8 iREVlSTA bÔ 



DECRETO N. 860 



Promulga o refrulameuto do Archivo Pulillco Mineiro 

O Presidente do Estado de Minas-Geraes, no exercido da attribuição 
que lhe é conferida pelo art 57 da Constituição do Estado, resolve appro- 
var o regulamento expedido nesta data para execução da lei n. 126 de 
11 de julho de 1895. 

O Secretario dos Negócios do Interior assim o tenha entendido e faça 
executar. 

Palácio da Presidência do Estado de Minas-Geraes, em Ouro Preto, 19 
de setembro de 1895. 

CHRISPIM JACQUES BIAS FORTES. 

Dr. Henrique Augusto de Oliveira Diniz. 



Regulamento a que se refere o Decreto n. 860 

CAPITULO I 

Fins e organização do Archivo 

Art. l.** O Archivo Publico Mineiro, creado pela lei n. 126 de 11 de 
julho de 1895, na cidade de Ouro Preto, é destinado a receber e conservar, 
sob classificação systematica, todos os documentos concernentes ao direi- 
to publico, á legislação, á administração, á historia, á geographiã, e, em 
geral, ás manifestações do movimento scientifico, litterario e artístico do 
Estado de Minas-Geraes. 

Art. 2." Serão também conservados no Archivo quaesquer outros do- 
cumentos que o governo determinar nelle se depositem. 

Art. 3.° Os documentos, papeis, livros e mais objectos remettidos 
para o Archivo serão, segundo a natureza de cada um, classificados em 
três ordens, que opoortunamente poderão ter subdivisões convenientes : 

I. Direito publico, legislação e administração, incluindo uma parte 
judiciaria. 

II. Historia, geographia e quaesquer manifestações do desenvolvi- 
mento scientifico. 

III. Litteratura e artes em geral. 

Art. 4.° Na 1.^ divisão serão archivados : 

a) Os originaes da Constituição Politica do Estado, promulgada a 15 
de junho de 1891, e da Constituição publicada pelo governador do Esta- 
do com o decreto de 31 de outubro de 1890, no qual convocou o primei- 
ro Congresso de Minas-Geraes. 



ÀUCHIVO PÚBLICO MINEIRO 179 

6) Os originaes, copias authenticas, e impressos, contendo as leis, 
alvarás, decretos, cartas, provisões e ordens regias, avisos, regimentos 
etc, concernentes ao governo e administração da Capitania Mineira, até 
1815, e á Província de Minas-Geraes, até 1822. 

c) Os actos, em originaes ou copias authenticas (manuscriptas ou 
impressas) do Governo Provisório ila Provinda de Minas-Geraes, de 1821 
a 1824, e dos Conselhos Geraes da Provint ia e do Governo até 1835, 
mormente as propostas dirigidas ao Governo e Assembléa Legislativa do 
Brasil. 

d) Os originaes de todas as leis e resoluções da Assembléa Legis- 
lativa Provincial, de 1835 a 1889. 

e) Os originais de todos os actos legislativos do Governo Provisó- 
rio do Estado de Minas-Geraes, de 17 de novembro de 1889 a 15 de ju- 
nho de 1891. 

f) Os originaes das leis e resoluções do Congresso Legislativo Mi' 
neiro, desde o anno de 1891. 

g) As coUecções impressas das leis, resoluções e regulamentos da 
Província e do Estado de Minas-Geraes; dos decretos dos Governadores 
do Estado, expedidos de 1889 a 1891; da legislação geral do Brasil, de 
1808 a 1889, e da legislação federal brasileira, de 1889 em diante. 

h) Os estatutos (impressos ou em copias authenticas) de todas as ca- 
marás municipaes do Estado, leis decretadas pelas mesmas e relatórios 
dos seus agentes executivos. 

i) Os Annaes e regimentos internos da antiga Assembléa Provincial 
e do Congresso do Estado, da Assembléa Geral Legislativa do extincto 
Império, desde a Constituint- de 1823, e do Congresso Nacional, desde a 
sesssão constituinte começada em 1890. 

j) Os originaes e exemplares impressos das falas, exposições e re- 
latórios dos Presidentes da antiga Província de Minas aos Conselhos Ge- 
raes e ás Assembléas Provínciaes. 

k) Os originaes e exemplares impressos das mensagens dos Presiden- 
tes do Estado ao Congresso Mineiro e dos relatórios dos Secretários de 
Estado aos ditos Presidentes, ou de quaesquer funccionarios aos referidos 
Secretários. 

/) Exemplares impressos dos orçamentos, contas, balanços, etc , or- 
ganizados na repartição das Finanças, no antigo como no actual regimen 
politico. 

m) Os livros, impressos ou manuscriptos, contendo accôrdos e con- 
tractos celebrados entre o governo mineiro e outros governos sobre qual- 
quer objecto; contractos com emprezas, bancos, associações ou indivíduos, 
relativos a empréstimos, viação, navegação, colonização, industrias e com- 
mercio, cobrança ou arrecadação de im|)ostos, direitos, etc, no periodo 
colonial, no do Império e no actual da Republica, 

n) Os assentamentos ou registros, originaes ou por copia authentica 
(impressa ou manuscripta) sobre os próprios do Estado, desde os tempos 
da Capitania, e as antigas cartas de concessão e confirmação de sesma- 
rias; — relações dos processos de medição e demarcação de terras devolu- 
tas, e documentos demonstrativos da venda ou cessão das mesmas 
terras. 

o) Os livros de registro de nomeação, posse e demissão dos gover- 
nadores e secretários da Capitania e Província até 1822, das juntas de 
Governo provisório do dito anno ao de 1H24; dos Presidentes e Secretários 
da Província, de 1824 a 1889; dos antigos Conselheiros do Governo e 
Conselheiros Geraes, até 1825; dos Governadores e Secretários do Estado, 



Í80 REVISTA DO 



de 1889 a 1891; dos Presidentes e Secretários de Estado, desde 1891; e bem 
assim dos magistrados e dos chefes das principaes repartições publicas, 
a principiar nos primeiros tempos da Capitania Mineira. 

p) Os originaes ou copias authenticas da correspondência official 
isobre assumpto de importância politica ou administrativa) dos chefes do 
governo mineiro em qualquer tempo com o;: governos da antiga metró- 
pole, de vice-rei do Brasil, do príncipe regente no Rio de Janeiro e com 
os de outras capitanias e províncias do Brasil até 1822; com os ministros 
e presidentes de província durante o regimen imperial; e com governo 
da Republica, governadores ou presidentes de outros Estados. 

q) Os originaes ou copias authenticas, em livro ou avulsos, concer- 
nentes a iniciativas, decisões, regimentos e instrucções acerca de servi- 
ços públicos importantes, representações ou queixas dos povos e occur- 
rencias extraordinárias, em qualquer tempo ou localidade mineira. 

r) As collecções do Mina<-Geraes e dos anteriores orgams officiaes 
do governo mineiro, a datar da administração provincial. 

s) Os livros de actas e termos relativos ás deliberações da Junta da 
Real Fazenda da Capitania, regimentos e mais medidas importantes ini- 
ciadas, approvadas ou executadas por ella, especialmente os de teririos 
referentes ás Intendências do ouro e diamantes e á percepção de direitos 
e impostos;— e os livros de eleição e posse dos officiaes das antigas ca- 
marás, e de registro da correspondência destas com aquella junta e 
com o governo da Capitania. 

t) Os originaes ou copias authenticas dos processos de responsabi- 
lidade que forem instaurados contra o Presidente ou os Secretários de 
Estado, e dos processos de que trata o paragrapho único do art. 72 da 
Constituição do Estado. 

u) Os summarios de culpa, e as devassas (no original ou copia au- 
thentica) sobre matéria importante, abertas no período colonial, e espe- 
cialmente o summario ordenado pelo governador Assumar, em 1720, con- 
tra Fellippe dos Santos e outros revoltosos da Villa Rica e de Villa do 
Ribeirão do Carmo, e as duas devassas de Villa Rica e do Rio de Janei- 
ro) de 1789 a 1792 contra Tiradenfes e mais «réos» da inconfidência Mi- 
neira, com os respectivos appensos relativos ao estado das famílias dos 
«inconfidentes», confisco dos seus bens, etc 

u) Em original ou copia authentica, outros processos importantes, mor- 
mente em matéria politica, como os que foram instaurados em consequên- 
cia da sedição militar de Ouro-Preto, 1833, da reveluçio da província, em 
1842, e de varias revoltas e motins em diversas épocas. 

Art. 5.° Na 2.° divisão serão archivados: 

a) Os originaes ou copias authenticas (manuscriptas ou impressas) 
das cartas régias concernentes á annexação do território mineiro ás ca- 
pitanias reunidas do Rio Janeiro e S. Paulo; á creação das capitanias uni- 
das deS. Paulo e Minas- Geraes, e á creação da capitania independente 
de Minas-Geraes 

b) Os originaes ou copias authenticas (manuscriptas ou impressas) 
das cartas régias, ordens, resoluções, bandos, avisos, autos, assentos, de- 
cretos e mais actos officiaes relativos aos limites do Estado de Minas-Ge- 
raes com os de S. Paulo, Rio de Janeiro, Espiríto Santo, Bahia e Goyaz 
e quaesquer relatórios, memoriaes, noticias, mappas, etc, impressos ou 
manuscriptos, sobre o mesmo assumpto. 

c) Os documentos, em original ou copia authentica (manuscríptos ou im- 
pressos) relativos á creação, limites, instituições e inauguração dos bispados a 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO Igl 



que pertençam territórios do Estado de Minas Geraes, e das respectivas 
divisões e sub-divisòes em comarcas ecclesiasticas, parochias e curatos. 

d) Nos mesmos termos — os documentos acerca da divisão adminis- 
trativa e judiciaria de Minas Geraes, desde os primeiros tempos da Capi- 
tania até ao presente, e dos recenseamentos da população mineira effe- 
ctuados no periodo colonial, no do Império e sob a Republica. 

e) Nos mesmos termos — os documentos referentes aos primeiros po- 
voamentos do território mineiro — a guerra civil entre Paulistas e Emboa- 
bas, e posteriores revoltas, insurreições e motins; — aos compromissos, 
preito e homenagem durante o governo da Capitania; — ás eleições e or- 
ganizações das juntas de governo provisório da província; — á proclama- 
ção e aceitaç.io em Minas Geraes da Independência Nacional, do Império 
e da Republica; — e bem assim as proclamações e manifestos dos gover- 
nadores e presidentes da Capitania, da Província e do Estado, por motivos 
políticos importantes. 

f) Nos mesmos termos; — os documentos relativos a quilombos e inva- 
sões ou ataques de selvagens em Minss Geraes, e ás expedições organiza- 
das paro destrui-los ou combatei os; — á introducção de africanos escra- 
visados na Capitania e ao regimen a que foram elles submettidos; — ás 
pesquizas e estudos ethnographicos e á catechese dos indígenas de Minas 
Geraes: — ás explorações e rendimento fiscal do ouro, diamantes e outros 
productos naturaes do solo mineiro; — ás milícias e sua organização no 
periodo da Capitania; — á iniciativa e desenvolvimento das industrias e 
destruição de fabricas, officinas, etc . por determinação do governa por- 
tuguez; — á colonização, lavouras, associações e emprehendimentos mer- 
cantis, industriaes, etc, durante o Império e sob a Republica; — aos mi- 
nistros da justiça e da religião catholica, e agentes e actos do tribunal 
do Santo Officio. duraite a quadra colonial, especialmente com relação 
á influencia que elles exerceram ou procuraram exercer sobre os povos e 
manifestações destes a respeito; — e ás festas populares, solemnidades 
religiosas, usos e costumes, naquelle mesmo periodo da vida mineira. 

g) Nos mesmos termos: — os documentos sobre a fundação ou inau- 
guração de edifícios e monumentos públicos em Minas Geraes, bem como 
de templos, hospitaes. casas de caridade, asylos, seminários, recolhimentos, 
fabricas e outros estabelecimentos de utilidade publica, com as possíveis 
noticias com relação ao merecimento artístico de taes construcções. 

h) Nos mesmos termos; — os documentos demonstrativos dos im- 
postos, taxas e direitos sob qualquer forma exigidos e arrecadados na 
Capitania, e, posteriormente, com relação ao regimen tributário e condi- 
ções financeiras da Província e do Estado. 

/) Em geral, quaesquer relatórios, monographias, memorias, colleções 
de folhas periódicas mineiras, ou mesmo periódicos avulsos, e indica- 
ções auctorizadas de origem official ou particular, sobre explorações, pes- 
quizas e estudos para o melhor conheciment') das riquezas e condições 
do território mineiro; das suas curiosidades naturaes; dos melhoramentos 
materiaes e moraes que nelle tPm sido nu podem ser introduzidos; dos 
factos de interesse histórico na vida local; dos dados estatísticos applica- 
veis aos serviços da administração publica e aos diversos ramos da acti- 
vidade social; das investigações tendentes a esclarecer, completar ou re- 
ctificar quesguer noções e tradições correntes sobre a historia e a geo- 
graphia do Estado, e a dar noticia exacta da sua situação económica, 
agrícola, commercial e industrial, e da ocupação, hábitos e caracter dos 
seus habitantes. 



182 REVISTA DO 



Art. 6.** Na 3.^ divisão serão archivados: 

a) Os documentos em original ou copia authentica (manuscripta ou 
impressa) relativos ao inicio e desonvolvimento da instrucção publica e do 
ensino particular, e das monifestações litterarias e artísticas em Minas 
Geraes. a principiar no período da Capitania; aos auxílios concedidos pe- 
los poderes públicos em favor de litteratos e artistas, e subsídios presta- 
dos ã instrucção do povo; — ao numero, natureza, fins e elementos dos 
institutos de ensino — primário, secundário profissional e superior. 

b) Pela mesma forma — os documdntos, noticias e merrorias concer- 
nentes á imprensa e ao jornalismo em Minas Geraes, desde a sua funda- 
ção até o presente. 

c) Os trabalhos litterarios — prosa e verso — impressos ou manus- 
criptos em livros, opúsculos, periódicos ou simplesmente em folhas avul- 
sas, e as composições musicaes, de escriptores, maestros e maestrinos 
mineiros, a começar pelas mais antigas do século XVlll até as da actua- 
lidade -- de modo a organizar-se, tão completa quanto possível, uma 
collecção das producções íntellectuaes de origem mineira. 

d) Biographias, impressas ou manuscriptas, dos mesmos escriptores e 
de outros Mineiros que tenham se distinguido nas sciencias, nas lettras, 
nas artes, nas armas, na politica, na administração, na judicatura, no ma- 
gistério, na imprensa e na tribuna — ou que se fizeram beneméritos pela 
caridade, philantropia, civismo, iniciativas úteis, actos heróicos ou de 
grande intrepidez humanitária, e ainda por excepcional fidelidade ao de- 
ver e assignalados serviços aos seus concidadãos e á pátria. 

e) Livros, opúsculos e outras publicações, mappas, desenhos, gravu- 
ras, ets., de auctores nacionaes ou extrangeiros, antigos e modernos, que 
por qualquer modo interessem a Minas Geraes, occupando-se dos Minei- 
ros ou da historia, geographia, recursos, riquezas e bellezas naturaes do 
Estado, da sua administração, instituições, leis, costumes, lettras, artes, 
agricultura, industria, viação, commercio e quaesquer outros elementos da 
sua prosperidade e civilisação. 

/) Retratos, fac-similes de assignaturas e autographos de Mineiros il- 
lustres; — vistas de localidades e paisagem do Estado, de templos, de 
monumentos e estabelecimentos públicos, fabricas, institutos de ensino e 
de caridade, etc,. exarando-se no verso das respectivas telas, photogra- 
phias, desenhos, gravuras ou lithograghias, as indicações convenientes 
sobre as pessoas ou cousas que ellas representarem. 

g) Retratos, fac-similes de assignaturas e autographos de varões be- 
neméritos que tenham governado ou representado Minas Geraes em qual- 
quer período de sua historia. 

Art. 7.° Até á creação de um Museu, serão recolhidos ao Archivo e 
classificados em sala especial, á proporção que forem adquiridos os qua- 
dros e estatuas, mobílias, gravuras, estofos, bordados, rendas, armas, ob- 
jectos de ourivesaria, baixos-relevos, medalhas, moedas, esmaltes, obras 
de cerâmica, copias de Inscripções, miniaturas de monumentos e quaes- 
quer outras manifestações da arte no Estado, desde que tenham valor 
propriam.ente artístico ou histórico; e bem assim os figurinos ou desenhos 
que for possível adquírir-se, quer representativos do trajar e uso da po- 
pulação civílisada ou selvagem de Minas Geraes, em qualquer época, 
quer das vestimentas e fardas de funccionarios civis e militares, antigos e 
modernos. 



ARCHIVO I-LULICO XUNEIRO 183 

Art. 8.° Comos livros, opúsculos, mappas, periódicos e mais impres- 
sos indicados nos arfs. 4.", 5." e 6.", o director do Archivo organisará em 
sala especial uma liibliotheca Mineira convenientemente catalogada e 
para a qual serão destinados exemplares das precisas publicações já co- 
nhecidas e as que futuramente apparecerem sobre as matérias menciona- 
das nos citados artigos. 

Paragrapho único. A acquisiçao pelo Arcqivo desses livros e mais pu- 
blicações se effectuará:— 1.", desde já, com a remessa para alli de tudo 
quanto, aproveitável para o fim pretendido, existir nas repartições esta- 
duaes. de accordo com o artigo seguinte. — 2P, com as compras neces- 
sárias que o Archivo fizer, nos limites da verba annual consignada na 
competente tabeliã de despezas, e com os meios expressamente indica- 
dos no art. 53. — 3." com as offertas dos auctores ou possuidores de li- 
vros e outros impressos, quer espontâneas, quer solicitadas pelo Archivo 
ou promovidas pelos seus correspondentes e por funccionaros estaduaes. 

Art. 9.° Todos os documentos, livros, monographias, opúsculos, pe- 
riódicos, registros, etc, sobre os assumptos especificados nos arts. 4.", 
5.'' e 6.°, ora existentes ou que mais tarde se achem em quaesquer re- 
partições ou estabelecimentos estaduaes e que nao sejam indispensáveis 
nas mesmas repartições e estabelecimentos, serSo promptamente remet- 
tidos para o Archivo Publico Mineiro para serem alli systematicamente 
classificados, catalogados e conservados em boa ordem. 

Igual remessa irá fazendo regularmente a Imprensa Oíficial do Esta- 
do, de exemplares de todas as publicações que editar e que, directa ou 
indirectamente, no todo ou em parte, sejam úteis para os fins do Ar- 
chivo. 



CAPITULO II 
Da acquisiçao, classificação, guarda e consulta de livros e decumentos 

Art. 10. Além das acquisições a que refere-se o art. 8.°, e das re- 
messas indicadas no art. 9.°, que deverão effectuar-se proximamente para 
a installação do Archivo Publico Mineiro, nos últimos dias de dezembro 
de cada anno as secretarias de Estado e mais repartições estaduaes re- 
metterão para o mesmo Archivo os originaes das leis, resoluções e de- 
cretos, e todos os outros papeis que, em virtude do presente Regulamen- 
to, devem ser alli recolhidos, salvos os casos excepcionaes em que, por 
ordem do Governo, devam taes papeis ser conservados por mais tempo 
naquellas repartições. Relativamente, porém, aos livr )S de registro, as- 
sentamentos, I osses e outros semelhantes, a remessa se fará somente 
quando estiver finda a respectiva escripturação. 

Paragrapho único. As remessas de que trata o presente artigo serão 
acompanhadas de uma relação especificada, em duas vias assignadas 
pelo director ou chefe da repartição reinettente, uma das quaes será de- 
volvida com recibo do director do Archivo, ficando a outra archivada. 

Art. 11. Em nome do Presidente do Estado, o referido director soli- 
citará dos presidentes das camarás municipaes e agentes executivos das 



184 RF, VISTA DO 



mesmas a remessa regiilar, independente de novos pedidos, de todos os 
documentos referentes aos fins do Archivo Publico Mineiro, que se achem 
nos archivos das camarás ou em qualquer parte sob dependência delias. 

Pelo mesmo modrv promoverá também o dito director a acquisição 
de documentos que estejam nas repartições federaes, nas de outros Es- 
tados, ou em poder de particulares, e satisfaçam aos intuitos do Archivo 
Publico Mineiro. 

Art. 12. A' pessoas de reconhecida idoneidade intellecutal, residentes 
no interior do Estado, na Capital Federal e nos Estados do Rio de Janei- 
ro, S. Paulo, Goyaz, Bahia e Espirito Santo, solicitará o director do Ar- 
chivo, por si e em nome do Presidente do Estado, a pesquiza e remessa 
de idênticos documentos e de quantas informações úteis aos fins da in- 
stituição lhe possam prestar. 

§ 1.° Entre as alludidas pessoas e sob proposta do mesmo director, 
o Presidente do Estado nnmeará correspondentes do Archivo Publico Mi- 
neiro até três em cada município do Estado, até seis em cada um 
dos Estados supra-ditos e até doze na Capital Federal. Nos mesmos 
termos e para idênticos ííiis poderão ser creados até seis corresponden- 
tes em Portugal. Aos correspondentes se satisfarão opportunamente as 
despesas que, pelo director, forem auctorizadas a fazer cora a acquisição 
de documentos importantes — originaes, impressos ou em copias authen- 
ticas. 

§ 2.° Ao redactor da folha official do Estado e para ter nesta prom- 
pta publicidade, o director do Archivo fará communicação dos serviços 
que os ditos correspondentes, as municipalidades, associações, funcciona- 
rios e quaesquer pessoas prestarem ao estabelecimento, contribuindo 
para o augmento das suas collecções. Aos cidadãos que se distinguirem 
por taes serviços serão conferidos diplomas de «Beneméritos do Archivo 
Publico Mineiro». 

§ 3.^ Aos correspondentes no Estado, aos funccionarios menciona- 
dos no art. 13 e a qualquer empregado da repartição commissionado pelo 
director, ou a este, serão franqueados os archivos e cartórios dos tribu- 
naes, repartições e estabelecimentos estaduaes para as pesquizas a que 
se proponham, precedendo auctorisação do respectivo Secretario de Esta- 
do, conforme a dependência em que estiverem os archivos e cartórios 
alludidos. 

Art. 13. Os fiscaes das rendas do Estado, os superintendentes das 
circumscripções litterarias, os fiscaes do serviço de immigração e os das 
estradas de ferro auxiliadas pelo Estado e os engenheiros de districto, 
ficam encarregados de procurar e obter quaesquer documentos impor- 
tantes para a Historia e Geograhia de Minas Geraes, noticias certas sobre 
a vida de Mineiros distinctos e outras informações que interessem de al- 
guma forma ao Estado, fi!iando-se aos intuitos do Archivo Publico Mi- 
neiro, para onde devem endereçal-as. 

Aos juizes de direito e substitutos, promotores da justiça, directores e 
professores de estabelecimentos de ensino, e a outros funccionarios esta- 
duaes, o director do Archivo officiará opportunamente solicitando tam- 
bém o seu concurso para idêntico fim. 

Art. 14. Quando os possuidores de impressos raros e documentos im- 
portantes, úteis para o Archivo, não os queiram ceder sinão mediante 
considerável remuneração pecuniária, o preço respectivo será previamen- 
te combinado com o director que proporá a compra ao Secretario de 
Estado do Interior. 

Tratando-se, porém, de livros, opúsculos, mappas, etc., de preço ou valor 
conhecidos no mercado, de documentos offerecidos a preços diminutos, e de 
copias authenticas ou certidões de outros existentes em repartições ou archi- 



ARCHIVO PUBUCO MINEIRO 185 



vo do Brasil ou Portufíal, a acquisiçílo poderá ser feita directamente peio 
director do Arciíivo ou por intermédio de pessoa por elle auctorisada, es- 
cripturando-se documentadamente em livro próprio á respectiva despesa, 
paga nos termos legaes. 

Paragrapho único. Todas as acquisiçòes de que trata o presente artigo 
salvo o disposto na ultima parte do art. 4.° da lei n. 126, n.lo poderAo 
exceder a quota annual consignada para tal applicaçío na tabeliã abaixo, 
excepto no primeiro anno após a intallação do estabelecimer<to, durante 
o qual a compra dos livros necessaiios á Bibliotheca Mineira do Aarchivo, 
de accordo com o art. 8.° deste regulamento, será )'eita coníorme o dis- 
posto adiante no art. 53. 

Art. 15. O director do Archivo impetrará opportunamente dos revê' 
rendos bispos das dioceses de Marianna, Diamantina, S. Paulo, Rio de 
Janeiro e Goyaz autorizaçfio para (|Ut' eile ou seus representantes e os 
funcionários estaduaes ao serviço da Repartição possam visitar e exami- 
nar, colhendo as possíveis informações e noticias, as bibliothecas e archi- 
vos dos seminários, secretarias e camarás ecclesiasticas, bem i;omo os das 
matrizes, capellas e quaesques institutos desses bispados sitos em terri- 
tório mineiro e sujeitos á jurisdiçáo episcopal. 

Também se dirigirá officialmente o mesmo director ás administrações 
ou directorias de emprezas, associações e companhias e aos proprietários 
e gerentes de estabelecimentos particulares existentes em Minas-Geraes 
para o fim de obter as informações úteis que lhe possam prestar. 

Art 16. Todos os livros, documentos e mais papeis da reparíiçío 
serflo convenientemente classificados, numerados e marcados em chancella 
ou carimbos com as palavras — Archivo Publico Mineiro. 

Art. 17. A classificação será feita por matérias e em cada uma des- 
tas por ordem chronologica, systema que será adoptado também na or- 
ganização dos catálogos, sem prejuízo dos índices alphabcticos e chrono- 
logicos necessários. 

Art. 18. Attender-se-ha na classificação ás três divisões históricas 
fundamentaes que ficarão bem assignaladas: — MINAS-GERAES — Capita- 
nia- — MINAS-GERAES — Provinda; — MINAS-GERAES - Estado. 

Art. 19. A' proporção que se forem organizando, os catálogos serão 
publicados na «Revista» do Archivo e também em avulso para distribui 
ção gratuita pelo que for julgado mais conveniente pelo director. 

Art. 20 Os livros manuscriptos e os documentos avulsos que estive- 
rem illegiveis ou damnificados serão, quanto possível, restaurados por 
meio de traslados fieis, revestidos das cautelas e formalidades precisas 
para prova da sua authenticídade. 

Art. 21. Não será permittido a pessoa alguma extranha á Repartição 
penetrar nas salas em que estiverem archivados livros, manuscriptos, do- 
cumentos e outros papeis, e em que trabalharem os empregados. Quem 
precisar falar a algum destes o esperará na sala de recepção, annuncian- 
do-se por intermédio do porteiro ou do contiinio. 

Exceptuam-se da regra acima as auctoridades superiores do Estado, e 
mais pessoas distinctas, a convite do dirrctor e ás quaes este ou quem as 
suas vezes fizer acompanhará na visita. 

§ 1." No regimento interno do Archivo designar-se-ha um dia na se- 
mina, a horas deteminadas, no qual a vista ao Archivo possa .ser feita 
por outras pessoas, obtida previa autorização do director para isso e sen- 
do o visitante acompanhado pelo mesmo director ou por quem este de- 
signar. 



186 REVISTA DO 



§ 2P A BIBLIOTHECA MINEIRA, porém desde que se ache em sala 
independente das do Archivo de munuscriptos e dos empregados de es- 
cripta, será franqueada todos os dias ás pessoas que desejarem visital-a 
durante as horas marcadas no regimento interno. 

§3.'' Para as visitas ao Archivo e á bibliotheca o referido regimento 
estabelecerá as regras e precauções necessárias, no intuito de ficarem 
preservados de qualquer accidente os papeis, livros e mais impressos 
confiados alli aos consultantes. 

Em todo o caso não poderão estes levar para fora da repartição qual' 
quer livro ou documento, e nem consultar papeis que tenham a nota de 
— reservados, — salvo auctorização expressa do Secretario de Estado do 
Interior ou sob a responsabilidade pessoal do director do Archivo. 

Art. 22. A ninguém é licito tirar cópia de documentos do Archivo • 
os que o fizerem incorrerão nas penas legaes que lhes forem applicaveis- 
Para ligeiros extractos ou collecta de simples apontamentos em livros e 
manuscriptos que não sejam reservados, o director poderá dar permissão, 
com as precisas precauções contra abusos. 

Art. 23. Serão dadas, a quem as requerer, certidões dos documentos 
existentes no Archivo, excepto os de caaracter reservado. 

Para authenticidade dessas certidões, deverão ellas conter declaração 
lavrada e subscripto pelo secretario-archivista, de haverem sido conferi- 
das por elle, trazerem apposto o sello do Estado e a assignatura do di- 
rector sobre as estampilhas estaduaes ministradas pelos requerentes e 
correspondentes a mil réis por lauda ou parte de lauda de vinte e cinco 
linhas de papel commum. 

Paragrapho único. Independem de estampilhas as certidões ou cópias: 

1.** Quando, por interesse do serviço publico, forem requisitadas 
pelas secretarias de Estado ou solicitadas por funccionarios estaduaes em 
razão do seu emprego; 

2.° Quando, por interesse scientifico ou litterario, provado, forem 
pedidas por particulares; 

3.° Quando ao director pareça conveniente remetter aos archivos pú- 
blicos "de outros Estados, ao federal e aos municipaes, e a qualquer insti- 
tuto histórico, geographico ou ethnographico da Republica cópias authen- 
ticas de documentos não extensos que interessem aos respectivos Estados 
e municípios ou á União. 

Art. 24. Todo documento, maço, livro ou qualquer outro objecto ti- 
rado do seu logar para o expediente do serviço será immediatamente 
substituído por um cartão datado e rubricado pelo empregado que tirar 
o objecto, com indicação do que se tira e para onde. Esse cartão será 
inutilizado pelo mesmo empregado quando, á vista do secretario archi- 
vista, o objecto for restituído ao logar de que r.ahiu. 

Art. 25. E' absolutamente prohibido a qualquer empregado retirar 
do Archivo documento ou livro, mesmo no propósito de adiantar em sua 
casa o serviço de que esteja incumbido. 

Art. 26. Quando, por ordem escripta do Secretario de Estado do In- 
terior, for confiado a alguém qualquer documento ou livro da Repartição, 
a pessoa que o receber passará recibo em livro próprio e se sujeitará a 
todas as medidas de segurança que o director exig,ir, e, no caso de extra- 
vio, ás penas do Código Penal applicaveis á espécie. 

Art. 27. Haverá no Archivo um armário especial, que offereça a indispen- 
vel segurança, para servir de pequeno Cimeliarclnim do estabelecimento des- 
tinado á bôa guarda e conservação de obj^ ctos de valor considerável, códices 



AJVOUVO Pini.lC!) MINlilRO 187 



importantes, autographos |)reciosos e impressos de estimaçAo excepcional 
peia sua raridade ou grande interesse bibliograpliico. 

Art. 28 No Cimeliarchum, cuja chave estará sempre em poder do 
director poder-so-ha estabelecer uma «arca de sigiilo» par.i a fíuarda, com 
as convenientes indicat^òes no invólucro, de alguma «memoria» ou segre- 
do que ahi queira depositar alguém que haja prestado bons serviços ao 
Archivo, aíim de, opporfunamente, ser o objecto retirado por si ou por 
pessoa que designar. Um protocollo para os termos de deposito e levan- 
tamento será guardado no mesmo logar. 

Paragrapho único. Nas mesmas condições, também ahi poderSo ser ar- 
chivados os documentos nâo officiaes que qualquer cidadíio queira doar ao 
Archivo ou apenas nelle depositar, relativos á genealogia, biographia e 

serviços ao Estado prestados por si ou por seus antepassados, quer como ^ 

simples particulares, quer em cargos públicos, civis, militares o ecclesias- 
ticos. 

Todos estes documentos poderSo ser consultados pelo publico: mas, J 

dos de familia, que apenas forem depositados, nílo se poderá diir certidão 
sinío a quem provar pertencer á familia respectiva. 

CAPITULO III 
Do pessoal do Archiuo 

Art. 29. Haverá no Archivo um director, um secretario-archivista, dois 
officiaes sub-archivistas, dois amanuenses, um porteiro e um continuo, 
com os vencimentos marcados na tabeliã annexa; e pela verba para ex- 
pediente designada na mesma tabeliã gratificar-se-ha com a quantia ali 
designada um servente para cuidar do asseio da Repartição e dos mais 
serviços que especificar o respectivo regimento interno. 

Paragrapho único. Os empregados do Archivo, attenta a natureza es- 
pecial desta Repartição, gozarão das mesmas isenções estabelecidas pelas 
leis vigentes para os membros do magistério publico, secundário e su- 
perior, 

Art 3^\ O director será nomeado por decreto do governo, dentre os 
cidadãos de notória competência na matéria, conhecido zelo e solicitude. 

§ 1." O secretario archivista será nomeado por decreto, precedendo 
concurso dentre os cidadãos classificados nos dois primeiros logares nas 
matérias seguintes : —portuguez, francez, mathematicas elementares, no- 
ções de direito publico e administrativo, estudo sobre a Constituição do 
Estado e leis orgânicas, e sobre a Constituição Federal, historia e geogra- 
phia do Brazil, especialmente do Estado de Minas, e redacção official. 

Os candidatos que apresentarem certidão ou titulo scientifico provan- 
do a sua habilitação em qualquer das matérias acima indicadas, ficarão 
dispensados do concurso na parte referente á mesma. 

Os bacharéis em sciencias sociaes e jurídicas, por presumoção legal de 
habilitação, independem de concurso para serem nomeados. 

Em igualdade de habilitações e classificação em concurso, terá prefe- 
rencia o candidato que for official sub-archivista da Repartição. 

§2." Para as nomeações de officiais archivistas e amanuenses é neces- 
sário que os candidatos apresentem:— certidão, provando idade pelo meno> 
de 20 annos; folha corrida; attestados fidedignos, affirmando sua moralida- 






188 REVISTA DO 



de e bom comportamento; e provas de habilitação; para os candidatos a 
officiaes— em portuguez, francez, arithmetica até proporções inclusive, es- 
tudo sobre as Constituições do Estado e Federal e leis orgânicas estaduaes, 
historia e geographia do Brazil, especialmente do Estado de Minas, e re- 
dacção officialt— e para os candidatos amanuenses : portuguez e calligra- 
phia, arithmetica até proporções inclusive, historia e geographia do Brazil, 
especialmente do Estado de Minas. 

Nas primeiras nomeações podem ser dispensadas as exigências do pre- 
sente paragrapho, e nas seguintes, as provas de habilitação serão dadas em 
concurso, recahindo as nomeações em candidatos classificados nos dois 
primeiros logares tendo preferencia, em igualdade de classificação nos 
concursos para officiaes, o candidato que for amanuense do Archivo. 

§ 3.° O porteiro e o continuo serão nomeados pelo director da Repar- 
tição dentre quaesquer cidadãos de bom comportamento e conhecida mo- 
ralidade, que saibam ler e escrever. Para servente será contractado cida- 
dão nas mesmas condições, admittido e despedido livremente pelo director. 

§ 4.° Os concursos serão annunciados com dois mezes de antecedên- 
cia, mas quando não appareçam candidatos ou deixem de ser classifica- 
dos os que se apresentarem, as nomeações serão feitas sem mais depen- 
dência de concurso, entre pessoas idóneas; a de secretario-archivista, 
por decreto do Presidente do Estado; e as de officiaes sub-archivistas e de 
amanuenses pelo Secretario d'Estado do Interior, sob proposta do di- 
rector do Archivo. 

Art. 31. Nas horas regulamentares é absolutamente prohibido aos 
empregados do Archivo occuparam-se de trabalhos estranhos ás suas oc- 
cupações e são responsáveis por quaesquer faltas que nesse sentido com- 
mettam e pelos extravios ou damnos que causarem na Repartição. 

Art. 32. Não podem igualmente, seja qual for o pretexto, organizar 
para si ou para outrem, collecção de assignaturas autographas, de copias 
de documentos, etc, e nem entreterem-se em praticas alheias ao serviço 
a seu cargo. 

Art. 33. Todo o empregado é obrigado a repor ou mandar repor no logar 
de que foi tirado para consulta, exame ou qualquer trabalho, o documento, 
livro, maço ou outro objecto, apenas houver acabado essa consulta, exame ou 
serviço. 

Art. 34 Além de incorrerem nas penas do Código Penal que lhes 
forem applicaveis, serão demittidos os empregados que revelarem o assum- 
pto de papeis reservados existentes no Archivo, ou subtrahirem, ou inuti- 
lisarem ou estraviarem qualquer documento pertencente ao mesmo. 

Art. 35. Ao director do Archivo, além das attribuições indicadas em 
outros artigos deste regulamento, compete : 

I. Dirigir e fiscalisar os trabalhos da Repartição, para cujo melhora- 
mento tomará as providencias que estiverem ao seu alcance e proporá ao 
governo as medidas que julgar convenientes. 

II. Promover a remessa para o Archivo de todos os documentos que 
neste devam ser recolhidos, reclamando-os officialmente por si ou por in- 
termédio dos Secretários d'Estado, para o que o poderá corresponder-se 
com todos os lunccionarios públicos e com particulares. 

III. Ter relações officiaes com os directores de iguaes estabelecimentos 
em toda a Republica, e mesmo fora delia, e procurar obter delles, pelos meios 
convenientes, originaes ou copias authenticas de documentos úteis para o Ar- 
chivo e de livros e outros impressos que preencham o mesmo fim. Nesse em- 
penho envidará esforços especialmente com relação aos Archivos Nacional e 



AKCHIVO PUBUGO MINEIHO 189 

do Districto Federal e aos da Bibliotheca Nacional e Instituto Histórico e 
Qeoijraphico do Brasil, no Rio de Janeiro, archivo Publico de S. Paulo e 
outros dos Estados continantes com o de Minas Geraes 

IV. Agradecer por si e em nome do governo as oKertas de documen- 
tos e outros objectos feitos ao Archivo, e mandar publicar pela imprensa 
o nome do offertante e a qualidade da offerta. 

V Dar posse aos empregados da Repartiçrui, tomaiido-lhes o compro- 
misso de bem servirem os seus empregos, eassignando o respectivo tenno. 

VI. Ter sob a sua inspecção o livro de ponto dos empregados; justifi- 
car ou n3o as suas faltas; assignar e remetter a folha mensal respectiva á 
Secretaria das Finanças. 

VII Impor aos empregados as penas disciplinares em que elles hou- 
verem incorrido e representar ao Secretario d'Estado do Interior contra os 
que se acharem no caso do ctrt. 34. 

VIII. Ordenar, dentro da quota respectiva e nos termos deste regula- 
mento, a despesa com o expediente e asseio da Repartição e com a acqui- 
siçâo de livros e documentos para o Archivo. 

IX. Mandar, não havendo inconveniente, dar as copias ou certidões re- 
queridas, e tirar os traslados de que trata o art. 20, authenticando-os com 
a sua assignatura, depois de conferidos pelo secretario-archivista. 

X. Propor ao Secretario d'Estado do Interior, quando houver necessi- 
dade, a admissão temporária de auxiliares que ajudemos officiaes e ama- 
nuenses nos trabalhos de classificação, inventario e catalogação, ou de co- 
pistas para os trabalhos de restauração de documentos damnificados. 

XI. Organisar e, depois de approvado pelo Secretario d'Estado do In- 
terior, pôr em execução o Regimento interno da Repartição. Antes disso 
vigorarão provisoriamente as normas escriptas ou verbaes que der o di- 
rector para o serviço. 

XII. Organizar opportunamente e propor ao Secretario d'Estado do In- 
terior as «instrucções» convenientes para os concursos na Repartição. 

XIII. Assignar a correspondência official da Repartição, ou fazel-a assignar 
pelo secretario-archivista, em seu nome, quando não haja nisso inconveniente. 

XIV Rubricar as foUias de todos os livros de expediente da Reparti- 
ção, assignando os respectivos termos de abertura e encerramento, que 
deve lavrar o secretario-archivista. 

XV. Elaborar e apresentar ao Secretario d'Estado do Interior, dois me- 
zes antes da abertura do Congresso Mineiro, um relatório do movimento 
do Archivo no anno anterior, quer quanto ás acquisições feitas, quer quan- 
to aos trabalhos executados ou em andamento, propondo as medidas ou 
providencias que julgar necessárias ou convenientes. 

Esse relatório será acompanhado do orçamento das despesas da Repar- 
tição no anno financeiro seguinte e deverá indicar asoffertasde documen- 
tos, livros e outros objectos feitas ao Archivo e os nomes dos offertantes 

Art. 36. O director será substituído em suas faltas e impedimentos pelo 
secretario-archivista e, na falta deste, pelo official sub-archivista que designar. 
Art. 37. Ao secretario-archivista compete: 

I. Conservar, inventariar e classificar systematicamente, segundo os arts. 
17 e 18 e ouvindo ao director, os documentos, livros e quaesquer papeis 
existentes no Archivo, e mandar collocal-os em seus devidos logares; pro- 
cedendo do mesmo modo quanto aos que forem sendo recebidos. 



r 



19Ò REVISTA hÓ 



II. Distribuir convenientemente os trabalhos entre os officiaes e amanu- 
enses, excepto quando o director faça por si mesmo essa distribuição; superin- 
tender assiduamente o serviço e comportamento (i'aquelles empregados, do 
porteiro, do continuo e do servente, e consultar ao director sobre auctorizações 
pedidas por qualquer pessoa para visita ao Archivo e exame de documentos. 

III. Dirigir a organizaçio dos inventários, catálogos e Índices; fazer ou man- 
dar fazer a busca dos livros e documentos pedidos para consulta por visitan- 
tes, nos termos regulamentares, ou de que forem requeridas certidões ou co- 
pias authenticas; conferir e encerrar as ditas copias e certidões para serem au- 
thenticadas pelo director, de conformidade com as prescripções do art. 23. 

IV. Tomar nota, em livro especial, communicando-a logo ao director, de 
qualquer documento ou indicação que encontrar dentro ou fora da Repar- 
tição, e que possa ser útil á Historia de Minas, exigindo que do mesmo modo 
procedam os officiaes sub-archivistas e os amanuenses. 

V. Ministrar aos officiaes sub-archivistas e amanuenses normas e mo- 
delos para escripturarem os livros de expediente da Repartição e também os 
precisos esclarecimentos sobre outras matérias de serviço, solicitando a res- 
peito instrucções do director quando delias necessitar. 

VI. Fazer registrar ou indicar nos livros competentes, e com toda a cla- 
reza, o recebimento e expedição da correspondência do Archivo; as offer- 
tas que a este forem feitas; os livros e documentos por qualquer modo ad- 
quiridos; as nomeações de correspondentes do Archivo; e os mais registros, 
indicações e assentamentos a que se destinam os livros para o expediente 
da Repartição e especificados no art. 49. 

VII. Apresentar ao director, três mezes antes da abertura do Congresso Mi- 
neiro, uma «exposição» circumstanciada do movimento dos trabalhos da Re- 
partição, lembrando as medidas ou providencias que julgue convenientes 
ao respectivo serviço, para serem tomadas pelo director na consideração que 
merecerem no seu relatório annual ao Secretario de Estado do Interior. 

VÍII. '^er sob a sua guarda e responsabilidade os livros da escriptura- 
ção do Archivo; organizar a folha mensal dos vencimentos dos emprega- 
dos, attendendo ás faltas, abonadas ou não, e verificar a exactidão, das 
contas de quaesquer despesas com objectos comprados e serviços pagos 
para o expediente da Repartição. 

IX. Minutar a correspondência do Archivo, para ser escripta pelos officiaes 
e amanuenses, ou escrevel-a conforme minutas do director quando a este 
assim pareça conveniente; mandar lavrar pelos officiaes, e subscrever, os 
termos que ao director compete assignar, e, em nome do mesmo, assignar 
os editaes e avisos que devam ser publicados; e encerrar o livro do pon- 
to dos officiaes e amanuenses á hora regulamentar. 

X. Executar o mais que lhe for prescripto neste Regulamento ou de que 
o incumba o director, e substituir a este em suas faltas e impedimentos. 

Art. 38. A cada um dos officiaes sub-archivistas, conforme lhe fôr de- 
terminado pelo secretario-archivista, incumbe: 

I. Fazer clara e correctamente a escripturação dos livros do expedien- 
te da Repartição que lhe forem indicados, observando as normas e modelos 
adoptados; podendo lembrar as modificações que lhe pareçam vantajosas. 

II. Escrever os officios, cartas, editaes, avisos, etc, segundo as minu- 
tas do director ou do secretario e que lhe forem por este apresentadas. 



ARCaiIVO PUBLICO MINEIRO 191 

III. Tirar com exactidão e nitidez as copias e certidões mais impor- 
tantes, conferindo-as attentaniente com o secretario, e auxiliar a este no 
serviço de inventario c classificação que lhe incumbe pelo art. 37 n. 1, 
deste Resfu la mento. 

IV. Chamar a attonçSo do secretario para os livros ou documentos 
que encontrar de particular interesse para a Historia do Estado, e dos 
que precisarem de precauções especiaes para sua conservação ou neces- 
sitarem de restauração por copia, serviço que será executado pelos em- 
preíjados desijJiiados pelo secretario e pelo modo que este indicar. 

V. Ministrar aos consultantes, na sala da BIBLIOTHECA MINEIRA, os 
livros e documentos que pedirem, de accordo com o art. 21 e pelo mo- 
do que for especificado no Regimento interno. 

VI. Proceder á verificação dos livros e mais papeis remettidos para 
o Archivo, á v sta dos officios ou cartas que os acompanharem, e col- 
local-os nos locares devidos, fazendo os precisos assentamentos e regis- 
tros nos livros competentes. 

VII. Auxiliar, quando seja necessário, aos amanuenses em qualquer 
trabalho; dar aos mesmos os esclarecimentos de que precisem no desem- 
penho de seus serviços, e fiscalizal-os, bem como ao porteiro, continuo 
e servente. 

VIII. Cumprir todas as ordens do director e do secretario, concer- 
nentes ao serviço da Repartição, e substituir o secretario em suas faltas 
e impedimentos, conforme a designação do director. 

Art. 39. Incumbe a cada um dos amanuenses, segundo determinação 
do secretario-archivista. 

I. Tirar com nitidez e exactidão as certidões e copias que lhe forem 
indicadas, conferindo-as attentaniente com o secretario. 

II. Escripturar clara e correctamente os livros de escripturação da 
Repartiçãt , que lhe forem indicados, conforme as normas e modelos ado- 
ptados e para os quaes poderá lembrar as modificações que lhe pareçam 
convenientes. 

III. Proceder á numeração e carimbamento dos livros e documentos 
e ao seu arranjo nas respectivas estantes e armários, observando as re- 
commendações que receber do secretario para esse fim. 

IV. Fazer com regularidade e promptidão o expediente da remessa 
dos números da «Revista do Archivo» para o correio, rotulando-os para os 
seus destinatários e organizando desse serviço o preciso registro. 

V. Auxiliar a qualquer dos officieas sub-archivistas em seus trabalhos 
quando elle o reclame por necessidade do serviço. 

VI. Cumprir quaesquer ordens que receber para outros trabalhos da 
Repartição, fiscalizar o serviço do porteiro, continuo e servente e substi- 
tuir em suas faltas ou impedimentos aos officiaes sub-archivistas, confor- 
me designação do director. 

Art. 40. São obrigações do porteiro: 

I. Abrir a Repartição ás 9 horas da manhã e fechal-a logo que ces- 
sem os trabalhos. 

II. Cuidar na segurança e asseio da casa, inspeccionar o serviço ao 
continuo e servente, e encerrar-lhes o ponto diário ás 9 1/2 hora da ma- 
nha. 

III. Fazer o pedido dos objectos necessários ao expediente da Re- 
partição, e compral-os, depois de auctorização do director apresentando 
conta documentada da despesa ao secretario-archivista para o devido 
pagamento. 



192 REVISTA DO 



IV. Ter sob sua guarda e responsabilidade os objectos para o expe- 
diente e asseio da Repartiçcto, e as chaves de todas as portas da casa, 
externas e internas; e inventariar toda a mobilia, uíensilios e mais obje- 
ctos do estabelecimento, cuidando na sua conservação. Desse inventario 
ficará uma copia em poder do secretario. 

V. Receber os requiMimentos dirigidos ao director, lançando no «li- 
vro da porta» os respectivos despachos, e expedir e receber toda a corres- 
pondência official, tomando nota de uma e de outra em competente pio- 
tocollo, e entregando immediatamente ao director a que houver rece- 
bido. 

VI. Fornecer a quem se apresentar para exame e consulta de docu- 
mentos (de accordo com o que ficar disposto no Regimento interno da Re- 
partição) o competente cartão em que inscreva o seu pedido e transmit- 
til-o immediatamente ao secretario, de cuja resposta dará sciencia ao pos- 
tulante; e guardará o cartão para ser feita opportunamente a estatística 
das consultas. 

VII. Impedir que transponha a sua sala para o interior da Reparti- 
ção qualquer pessoa que não tenha licença para isso ou que, tendo-a, 
traga comsigo, sem permissão expressa do director, livro, pasta, rolo de 
papeis ou outros objectos, que guardará, restituindo-os fielmente a seu . 
dono na sabida deste. 

VIII. Poro sello da Repartição nos papeis que dependerem dessa 
formalidade; impedir que entrem na Repartição loucos, ébrios e garotos; 
fazer enxotar pelo servente ou pelo continuo quaesquer cães e outros ani- 
mais que possam penetrar no estabelecimento; velar assiduamente pela 
preservação do Archivo, quanto á humidade, fogo, ratos e insectos damni- 
nhos; e cumprir promptamente as ordens que receber de seus superiores. 

Art. 41. São obrigações do continuo: 

I. Comparecer na Repartição ás 9 horas da manhã e ahi se conser- 
var até que cesse o trabalho diário (salvo ligeiras ausências em serviço 
por ordem do director ou do secretario); espanar os livros, papeis e mo- 
veis; e arrumar as mesas dos empregados, fornecendo-as do necessário 
para o expediente. 

II. Acudir promptamente ao toque das campainhas, na forma do 
Regimento interno, para transmittir recados e papeis dentro da Reparti- 
ção ou cumprir dentro e fora delia as ordens que lhe forem dadas pelo di- 
rector ou pelo secretario. 

III. Auxiliar aos officiaes e aos amanuenses no arranjo de livros e pa- 
peis nos logares convenientes, na numeração e carimbamento de livros e 
documentos e no mais que elles reclamem para o bom andamento do 
serviço. 

IV. Velar zelosamente pela boa conservação de todos os livros e 
mais papeis do Archivo, nos termos indicados quanto ao porteiro; substi- 
tuir a este em suas faltas e impedimentos, e ajudal-o no que for preciso, 
a seu pedido ou por ordem do secretario. 

Art. 42. O servente fará a limpeza da Repartição logo que for esta 
aberta pelo porteiro, ahi se conservando até terminarem os trabalhos do 
dia. Conduzirá cautelosamente ao seu destino a correspondência e quaesquer 
outros objectos da Repartição ou para ella, que lhe forem entregues para 
esses fins. Auxiliará no que for necessário ao porteiro e ao continuo, sub- 
stituído a este em suas faltas, e ambos elles inspeccionarão o seu serviço 
especialmente para evítar-se o estrago ou extravio de qualquer papel do 
Archivo; e cumprirá com presteza as ordens que receber em bem do ser- 
viço da Repartição. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 193 

CAPITULO IV 
Da 'Revista* do Archiuo 



Art. 43. Installado o Archivo Publico Mineiro, o seu diretor— sem 
prejuízo dos encargos que lhe cabem pelo presente regulamento, iniciará 
€ dirigirá a publicação de uma «Revista», na qual serão insertos os es- 
criptos históricos, biographicos, estatísticos, topographicos, etc, que ela- 
borar acerca dos acontecimentos, homens e cousas notáveis de Minas 
Geraes; os documentos (menos os reservados), noticias, composições litte- 
rarias e memorias ou monographias interessantes sobre os mesmos as- 
sumptos inéditos ou nSo vulgarizados que houver no Archivo, mandando 
para esse fim fazer as copias ou extractos necessários; e bem assim os 
catálogos e Índices dos livros e documentos do Archivo que forem orga- 
nizados na repartição; as referencias de offertas de livros, documentos, 
opúsculos, periódicos e outros objectos adequados á natureza da institui- 
ção; actos officiaes com relaçào a ella, e quaesquer notas ou excerptos 
consoantes aos seus fins. 

Em remuneração desse trabalho especial, perceberá a director a grati- 
ficação annual de quatro contos de réis. 

Paragrapho único. Incumbe ao director a escolha do formato e da 
qualidade do papel e typos da «Revista», que será editada na Imprensa 
do Estado, bem como, com auxilio de outro empregado do Archivo que 
designar, a revisão das ultimas provas da composição typographica. 

Art. 44. A juizo do respectivo director, poderão ser também inser- 
tos na <fRevista» quaesquer trabalhos ou docamentos sobre os assumptos 
indicados no artigo precedente e que para aquelle fim sejam offerecidos 
por seus auctores ou possuidores, 

Art. 45. A «Revista» do Archivo será publicada trimensalmente, ou 
mais vezes si for conveniente, com duzentas paginas, pouco mais ou 
menos, e tiragem de 1000 exemplares, numero que poderá ser alterado 
por determinação do Governo. Dessa tiragem, 500 exemplares serão des- 
tinados á venda e assignatura na Imprensa do Estado, pelos preços que 
forem opportunamente adoptados; loO exemplares ao deposito do Archivo 
para ulterior destino; e os restantes convenientemente distribuídos entre 
as autoridades superiores do Estado e da Republica; representantes e ca- 
marás municipaes do Estado; correspondentes do Archivo e outras pes- 
soas que lhe prestarem reaes serviços; repartições estaduaes; arcliivos e 
institutos históricos e geographicos, de outros Estados e federaes; impren- 
sa periódica, directores ou presidentes de associações litterarias e scien- 
tificas, etc. 

Art. 46. Concluída em tempo regular a edição de cada numero da 
«Revista», conforme a data do primeiro, será a metade dos exemplares 
impressos e brochados remettida ao Archivo para os fins do artigo ante- 
rior, e a outra metade ficará ein logar conveniente na Imprensa do Es- 
tado, para a remessa aos assignantes e venda avulsa dos fascículos, es- 
tabelecendo-se alli escripturação especial da receita respectiva e annun- 
ciando-se pelo Minas Geraes as condições da assignatura e venda da 
«Revista». 

Art. 47. Serão colleccionadas e convenientemente consenadas as 
publicações que permutarem com a «Revista» ou forem por qualquer 

R. A. 13 



194 REVISTA DO 



modo adquiridas e que tiverem interesse para os fins do Archivo. DeKas 
far-se-ha, no fim de cada anno, registro methodico em livro próprio. 

Paragrapho único. Essas collecções, as da folha official do Estado.^e, 
em geral, os livros em brochura da BIBLIOTHECA MINEIRA, serão enca- 
dernadas na Imprensa do Estado, com todas as precauções necessárias, 
mormente nos casos de edições raras ou preciosas, afim de evitarem-se 
damnos ou extravios. 

CAPITULO V 
Disposições Geraes 

Art, 48. O Archivo Publico Mineiro estará aberto todos os dias úteis, 
devendo o trabalho da secretaria começar ás 10 horas da manhã, e ás 9 
o do porteiro, do continuo e do servente, terminando para todos ás 3 1/2 
da tarde; mas em caso de urgência, poderá o director prorogar o serviço 
por mais tempo ou mandar executar qualquer trabalho na Repartição em 
horas ou dias exceptuados. O livro de ponto deve ser assignado quer na 
entrada quer na sabida. 

Art. 49. Para o expediente da Repartição e mais escripturação pe- 
culiar do Archivo haverá os seguintes livros, além de outros que a expe- 
riência e o desenvolvimento do serviço possam tornar mais tarde neces- 
sários, e que o director creará: 

— De registro da lei, regulamento e regimento interno concernentes á 
Repartição e das instrucções, editaes e avisos expedidos e publicados para 
o serviço da mesma. 

De registro das portarias do director sobre serviços, ordem dos tra- 
balhos e policia da Repartição. 

— De ponto dos empregados. 

De termos de compromisso e posse dos mesmos. 

— De registro das nomeações, licenças, substituições e demissões dos 
mesmos. 

De registro da correspondência expedida. 

De registro da correspondência recebida. 

De registro das nomeações de correspondentes do Archivo. 

—De registro das offertas feitas á Repartição, de documentos, livros e 
outros objectos. 

— De registro chronologico de documentos, livros etc, remettidos of- 
ficialmente para o Archivo após a sua installação. 

— De assentamento das despezas de expediente, com referencia aos 
documentos que as comprovam e que serão guardados em legar pró- 
prio. 

— Das despezas effectuadas com a acquisição de livros e documentos. 

— De inventario da mobília, utensílios e mais objectos da repartição . 

— De prciocollos do porteiro:— para a correspondência expedida pelo 
Archivo; para a correspondência destinada ao Archivo; e para os despa- 
chos e ordens do director, em requerimentos ou sobre policia da Re- 
partição. 

—Indicador das pessoas, municipalidades, institutos, archivos associa- 
ções, redacções, etc, a quem deve ser remettida a «Revista», na forma 
do art. 45 deste Regulamento. 



ARCHIVO PUBI/CO MINEIRO 105 

—De carga e descarga dos volumes cem as preorrs irdicr.çCes fará 
serem encadernados e dos originaeí; da «Revista rcmettidos á Imprensa 
do Estado. 

—De registro do inventario e clarsilicaçí^o annual dos periódicos, re- 
vistas e mais publicações recebidas pelo Archivo, 

—De numeração e classificação dos cimelios. 

—De numeração e classificação dos nianuscriptos avulsos em geral. 

—De numeração e classificação dos livros nianuscriptos. 

—De numeraçSo e classificação dos livros impressos, periódicos e 
mappas da Bibliothcca Mineira. 

—De numeração e indicaçílo dos retratos, vistas, estampas, dese- 
nhos, etc. 

Arf. 50. O director do Archivo poderá admittir na repartição, quan- 
do julgar conveniente, até dois praticantes-coUaboradores, sem vencimen- 
tos, percebendo somente, no caso de substituírem os amanuenses licen- 
ciados ou que estiverem substituindo os officiaes, a gratificação que per- 
derem os mesmos amanuenses. Nos concursos para as vagas destes, os 
referidos praticantes-coUaboradores, em igualdade de classificação, terão 
preferencia nas nomeações; 

Art. 51. Relativamente ao modo de percepção de vencimentos, tole- 
rância para certos casos de n3o comparecimento dos empregados á Re- 
partição, licenças, penas disciplinares e outras hypolheses não incluídas 
no presente Regulamento e que possam occorrer, observar-se-ha o Re- 
gulamento da secretaria de Estado do Interior e mais disposições legaes 
vigentes. 

Art. 52. A todos os empregados incumbe esfroçareni-se igualmente 
pela bòa ardem da Repartição, conecto e prompto desempenho dos tra- 
balhos e pela perfeita conservação e guarda de todos os documentos, li- 
vros e mais papeis do Archivo, respondendo cada empregado pelas fal- 
tas que commetter e de que resulte ou possa resultar estrago ou desap- 
parecimento de documento, livro ou outro objecto qualquer. 

§ 1.° Todas as precauções serão tomadas pelos empregados contra 
a possibilidade de incêndio na Repartição, não sendo a ninguém permit- 
tido fumar dentro delia, sinão no local e com as cautelas que o Regi- 
mento interno indicará. 

§ 2." Aos officiaes e amanuenses, especialmente, cabe observar e 
acautelar os papeis contra os estragos da humidade, traças, baratas, po- 
lilha, etc; e ao porteiro, continuo e servente a mais constante vigilância 
quanto aos ratos, observando diariamente se ha na casa buracos ou fres- 
tas por onde elles penetrem ou possam penetrar, afim de serem logo ta- 
pados. 

^'/^ Art. 53. Para a prompta acquisição dos livros e outros impressos ne- 
cessários á Bibliothcca Mineira do Archivo, indicados nos arts. 4.°, 5.° e 
6.° e aos quaes refere-se o art. 14, ultima parte, a despesa se fará den- 
tro do credito especial destinado á fundação do estabelecimento, e aber- 
to ao governo no art. 11, da lei n. 126. 

Art. 54. Nos limites do citado credito effectuar-se-ha também a des- 
pesa precisa com acquisição de armários, estantes, mesas e mais mobí- 
lia, utensis, livros de escripturação e outros objectos necessários à Repar- 
tição, bem como com os concertos, limpeza, preparo e adaptação ás exi- 
gências do Archivo do prédio em que tiver elle de ser installado. 

Paragrapho único. Mediante requisição do Secretario de Estado do 
Interior, si elle assim julgar conveniente, serão transferidos para o Archi- 
vo os moveis que alli se tornem precisos e que se achem desaprovei- 
tados ou forem dispensáveis, em quaesquer Repartições estaduaes. 

Art. 55. O Governo poderá encarregar ao director do Archivo Pu- 
blico Mineiro, ou a outro cidadão que julgar competente, de escrever 



193 



REVISTA DO 



■ » 
.* 



com exactidão e circumstanciado desenvolvimento : — I — as Ephemeri- 
des sociaes e politicas do Estado; — II — a Historia ou Chonica de Minas 
Geraes, a começar da sua descoberta e primeiras explorações até ao pre- 
sente. Ao auctor caberá opportunamente por essas obras, que serão edi- 
tadas na Imprensa Official, o premio pecuniário que o Governo entender 
merecido, á vista dos mesmos trabalhos e do parecer que sobre elles 
apresentar pessoa ou commissão idónea a quem disso incumbir o Presi- 
dente do Estado. (Lei n. 126, de 11 de julho de 1895, art. 8.°, paragra- 
pho único). 

Art. 56. Logo que esteja organizada a Dihliotheca Mineira do Archi- 
vo, com todos os livros e mais impressos que lhe são precisos e possam ser 
adquiridos, o director encetará a elaboração de um esboço de Dicciona- 
rio Bibliographico Mineiro, que irá publicando na Revista do Archivo 
para, depois de concluído, e com os additamentos e rectificações que 
essa publicação suscitar, ser editado em volume especial, conforme o Go- 
verno determinar opportunamente. 

Art. 57. Revogam-se as disposições em contrario. 

Secretaria do Interior do Estado de Minas Geras, Ouro Preto, 19 de 
setembro de 1895. 

Dr. Henrique Augusto de Oliveira Diniz. 



Tabeliã de veiaeisssentos 



Director 

Gratificação especial ao mesmo, para os fins do 
art. 8.*^ da lei n. 126 

Secretario-archivista 

2 Officiaes sub-archivistas 

2 Amanuenses 

1 Porteiro 

1 continuo 

Despesa annunl de expediente da repartição, in- 
clusive QOOSOOO para um servente . . 

Quota máxima annual (nos termos do art. 4.°, 
da lei n. 126 1, para acquisição de livros e do- 
cumentos, conforma os arts. 8.° e 14.° deste 
Regulamento 






Vencimento 
annual 



6:000$OCO 

4:030$0n0 
4:800$030 
3:600$000 

2 4no$ooo 

1:500$000 
1:20JS0G0 

3.CO0$00O 



3:000$00 ) 



Total 



6:0008000 



4:0005000 
4:SO0S00O 
7:20(.)S000 
4:800$C00 
1:500$000 
1:2()0$000 

3:000$0OO 



3:0003000 



Os vencimentos serão divididos] em ordenado e gratificação, sendo 
esta de um terço. 

Secretaria do Interior do Estado de Minas Geraes, Ouro Preto, 19 
de setembro de 1895. 



Dr. Henrique Augusto de Oliveira Diniz, 



REVISTA 



li 
i 



DO 

1 



Archivo Publico Mineiro 



DIRECÇÃO E REDACÇÃO 



I 
\ 1 



J. P. XAVIERDAVEIGA , H, 

ttreotor do mosmo Acchiro 



Anno I — Fascículo 2.° — Abril a Junho de 1898 



^iâfeJ 




i 
I 



OURO PRETO 



IMPRENSA OFFICIAI, DE MINAS-f.EllAES 

1893 



Summario dssts fascículo 



I — 
II — 



III — 

IV — 

V — 
VI — 

VII — 



Chorographia Mineira (Município de Poços de Caldas) pags 
Memorias Municipaes : 

I — Camará do Caeté » 

II — Camará de S. João d'El-Rey » 

III — Camará de Sabará » 

Nomenclatura das ruas, praças, etc, da cidade de 

Uberaba » 

Uberaba (liistoria topographica e carta de sesmaria) » 

Creação de villas no período colonial » 

Cláudio Manoel da Costa (noticia biographica) » 

Additamentos e rectificações » 



,- 197 



•225 
•243 



289 
339 
347 
373 
391 



Acceitam-se para serem insertos nesta Revista os artigos ae nos 
forem offerecidos, uma vez que sejam elles escriptos em ternis con- 
venientes e tenha sua matéria interesse real para os lins do — pcliivo 
Publico Mineiro. 



Ficou demorado o preparo do presente fasoieiílo pe aecn- 
miilo de trabalhos na Iiiipreusa do X^stado. Os segniiiis fas- 
ciciilos desta « Revista » serão regiilarmeute publicado. 



ch:rographia miheira 



A fonnos;i florescente Villa dos Poços de Caldas, cujo município 
se compõe dum stS districto, é objecto da monographia abaixo que, 
como a do p?cedentc fascículo e consagrada ao estudo do município 
de S. Dominós do Prata, lioje abrilhanta com grande utilidade as 
paginas de»i : Retusta . 

Esta nov;i e valíosissima contribuição para o consciencioso pre- 
paro da Chorjraphia Mineira nos foi cavalheiramente ministrada pelo 
nosso distinc.) co-estaduano dr. Pedro Sanches de Lemos, clínico no- 
tável n'aquea localidade e que, mesmo fora da esphera dos seus es- 
tudos profisonaes, salíenta-se por solida íllustração e peregrinos 
talentos. 

Ha cerca o cinco annos o erudito dr. Pedro Sanches de Lemos esbo- 
çara essa intressante « memoria », respondendo obsequiosa e proficiente- 
mente ao quítíonario que lhe dirigimos e que foi reproduzido no pre- 
cedente fascínio da Revista. Agora, ampliando e rectificando com 
recentes dads estatísticos o trabalho então feito, elaborou a mono- 
graphia que oje publicamos sobre Poços de Caldas —- monographia 
digna de seu Ilustrado auctor, pela abundância e fidelidade das úteis 
informações ue systematicamente registra, como pela forma attra- 
hente e corríta que imprímiu-Ihe a penna magistral do dr. Pedro 
Sanches. 



SumiT.ario deste fascículo 



I — CiiOROGRAPHiA Mineira (Município do Poços de Caldas) pags. 
II — Memorias Municipaes : 

I — Camará do Caeté » 

II — Camará de S. João d'Ei-Rey » 

III — Camará de Sabará » 

III — Nomenclatura das ruas, praças, etc, da cidade de 

Uberaba » 

IV — Uberaba (liistoria topographica e carta de sesmaria) » 

V — Creação de villas no período colonial » 

VI — Cláudio Manoel da Costa (noticia biograpliica) » 

VIÍ — Additamentos e rectificações » 



— 197 

— 225 

— 243 

— 267 

— 289 

— 339 

— 347 

— 373 

— 391 



Acceitam-se para serem insertos nesta Revista os artigos que nos 
forem offerecidos, uma vez que sejam elles escriptos em termos con- 
venientes e tenha sua matéria interesse real para os flns do — Arcliivo 
Publico Mineiro. 



Fíooii deiiiorad» o preparo «lo presente fasoiculo por aocii- 
niiilo <le Iralmllios na Imprensa do Kstailo. Os segnintes fas- 
cienlos desta « Revista » serão regnlaruiente piihlioados. 



CHOROGRAPHIA MINEIRA 



A formosa e florescente \ill;i dos Poços de Caldas, cujo município 
se conipòe de um stS districto, ô objecto da monographia abaixo que, 
como a do precedente fascículo e consagrada ao estudo do município 
de S. Domingos do Prata, lioje abrilhanta com gr.mdo utilidade as 
paginas desta Revista. 

Esta n<»va e valiosíssima contríbui<;ãu para o consciencioso pre- 
paro da CHOROGRAPHIA MiNEiRA uos foí cavalheíramcnte ministrada pelo 
nosso distíncto co-estaduano dr. Pedro Sanches de Lemos, clinico no- 
tável n'aquella localidade e que, mesmo fora da esphera dos seus es- 
tudos protissionaes, salienta-se por solida illustragão e peregrinos 
talentos. 

Ha cerca de cinco annos o erudito dr. Pedro Sanches de Lemos esbo- 
çara essa interessante « memoria», lespondendo obsequiosa eproílcientc- 
menteao questionário que lhe dirigimos e que foí reproduzido no pre- 
cedente fascículo da Revista. Agora, ampliando e rectilicando com 
recentes dados estatísticos o trabalho então feito, elaborou a mono- 
graphía que hoje publicamos sobre Poços db Cald.vs — monographia 
digníi de seu illustrado auctor, pela abundância e tídolidade das úteis 
informações que systematicamoute registra, como pela forma attra- 
hente e correcta que imprimiu-lhe a penna magistral do dr. Pedro 
Sanches. 



198 



UICVISTA DO 






Este municipio, quo unicainente coiriprolicndo o território da fro- 
guezia e lio.je Vill.i do Poços do Caldas, está situado ao siidueste do 
Estado de Minas, ciilre Cnldas, Campestre, S. .losé dos Botelhos, Ca- 
conde (S. Paulo), Sapecado ( S. Paulo), S. .loão da Boa Msta ( S. 
I'auIo ) ea Villa do Caracol, a 2 i;2 léguas da serra limitroplie coi)i o 
E. de S. Paulo ; a área da Mlla, gratuitamente cedida ao -antigo go- 
verno da Provinda de Minas pelo proprietário Junqueira e sua íamilia, 
no dia 6 de novembro de 1872, consta de UG hectares e oito décimos de 
terreno. As divisas do districto com a parochia de Caldas começam 
na barra do Ribeirão das Campinas com o Rio Pardo, por aquello 
acima subindo pelo Córrego do Maribondo, e da cabeceira deste em 
linha recta até o Rio das Antas e por este al)ai.xo até fazer barra com 
o Rio Pardo, doudo segue rio acima até a barra do Ribeirão das 
Campinas, onde as divisastiveram principio. 

«A villa, escreveu o dr. Ezequiel CoiTéa dos Santos, está assentada 
sobre um largo vallo formando unui área de terreno perfeitamente 
plano, circulado por uma linha de morros, em geral apenas cobertos. 
de relva, entre os quiios se nota uma collina pedregosa, completamente 
despida de qualquer vegetação, de cujo cimo se divisam para todos 
os lados magnilicos panoramas. Do lado opposto existe uma serra 
mais elevada, Serra dos Poços, eni cuja base se vé uma bella matta 
( 1). O terreno sol)re o qual assenta a povoação é cortado por um pe- 
queno rio, Ribeirão dos Poços, que corre muito próximo ás fontes ther- 
maes, quasi encostado a cilas e em cujo seio despejam estas constan- 
temente o excesso de suas aguas, sempre abundantes ; ha, alem deste, 
dous outros, o Ribeirão da Serra e o Córrego do Meio, aílluentes e tri- 
butários d'aquel]e». 

Como o Riljeirão dos Poços caho no Rio das Antas e este no Rio 
Pardo, que desagua no Rio Grande, podemos dizer que esta villa 
está situada no Valle do Rio Grande e na Bacia do Rio da Prata. 

O Ribeirão de Poços, que nasce na Serrados Poços, amais de duas 
léguas do património, no ponto denominado Teicceira, -percorre toda 
a arca da povoação de nascente a poente, indo encontrar o Rio das 
Antas apouca distanciada villa. 

A Serra de Poços é um galho da Serra do Caracol, e esta pertence 
ao systema orographico da Mantiqueira. 



( 1 ) — Esta malta (|uasi (|uo dosaijparcceu hoje, por amor do niacliado e 
do íogo, apezar dos nossos mais velieincidcs prolestos. Nunca se viu maior 
dcspreso pelos conselhos da liygicno I 



Aucmvo ptnn.ico ^rI^Emo 



líV.) 



A poví);i(;ri(), liojo villii do IN)<,'Os do CaMiis, coniC(;ou om margo de 
1873, epoclia em (luo o ongonliciro lIoDorio llonrique Soares du Couto, 
por ordem do cx-seuador Joaquim Floriauo do (íodoy, então pi-esidonte 
da antiga Proviucia do Minas, dividiu em lotes a parto do património, 
(jue foi primitivamoiito odilioada ; autos do so executar aquelle ser- 
vido, su existiam a(|ui quatro casas cobertas do tolha : quom vinha 
usaras aguas tliormaes ou mandava construir ranclio ou ti'azia l)ar- 
raca ; disto posso dar testemunho, porque me mudei para Togos na- 
quelle anno. 

Ksta povoarão foi elevada a districto de paz, sob o nome de Fre- 
guezia do X. S. da Saúde das .-l//im\ de Caldas, pela Lei n. :í542 de O 
de dezembro de 187U, e elevada á villa em 18U0 pelo então governa- 
dor de Minas dr. João Pinheiro da Silva, Os intendentes — dr. Os- 
caVo Corrêa Notto, presidente, coronel Agostinho José da Costa Jun- 
([uoira, capitão Manoel Junqueira, Aureliano de Campos Camargo o 
António Ferreira Rodrigues loram nomeados poi' acto de li» de maio 
daquelle anno e a villa installada no sol)rado de residência do cida- 
dão Francisco Joaquim Pinto, no dia 30 do mesmo mez. 

O progresso de Pogos de Caldas, que se pode datar do dia 22 de 
outubro de 188(), porque naquello dia so inaugurou o Ramal de Cal- 
das, pertencente á Unha Mogyan;i, com a assistência dos Sobera- 
nos do Brasil, uaquolla cpoclia, tom sido extraordinário, e, podemos 
dizel-o, em inteira contraposiç;ão com o que so nota nas outras povoa- 
ções do sul de Minas. 

Querem uma prova ? 

Ha cinco annos que o auctor desta noticia, fornecond(. dados ao, 
hoje, illustro director desta iíer<s/r? e do Archivo Publico Mineiro, para 
a patriótica obra da oonlecgão da Chorographi;i Mineira, deu como 
existentes nesta villa, 282 casas e 50 om construcção, 20 ruas e uma 
praça — a Praça do Senador Godoy. 

Poisbení, neste curto espaço de tempo tudo mudou: temos hoje 
em Poços õ41 casas construídas, 53 quasi concluídas o 93 cm começo 
de construcção ; três praças. — a Praça do Senador (lodoy — , a Praça 
da Independência — , e a Praça da Columbi.i — , ao passo que as ruas 
são hoje (27 de junho de 185)0) 28. 

Não será esto progresso verdadeiramente americano? 

Corto que sim. 

E note-se : entre as casas construídas em Poços ha vivendas de 
primeira ordem, com agua, exgottos de aguas servidas o matérias 
lecaes, banheiras, chuveiros e latrinas modei-nissimas : assim as resi- 
doncins do coronel José Procopio de .\zeved(t So])rinho, do alfcM-os 
Clu'istiano Osório de Oliveira, do liarão de Itacurussú, ilo Condo de 
Pínlial, do Barão de Miranda, do deputado Octaviano Ferreira de 
Uritto, do cidadão Joaquim José de Oliveira, de d. Ignez Hernardina 
da Silva, do cidadão Eduardo Prates, do dr. Pedro Sanches de Lemos, 



), 



11 



200 REVISTA DO 



do coronel Agostinho José da Costa Junqueira, de d. Maria do Carmo 
de Paula Vianna & &. Pode-se dizer que não ha casa nova con- 
struída em Poços que não tenha estes melhoramentos, que se notam 
em qiiasi todos os hotéis da localidade. lia mais : é raro encontrar- 
se em Pogos uma casa que não tenha agua dentro, e como a agua é 
aqui abundante, agua da Serra e hatida pelo ar, dentro de 
pouco tempo não teremos na povoação uma habitação que não seja 
perfeitamente saneada, mormente porque a Camará Municipal trata 
com serio empenlio de estabelecer quanto antes uma rede de exgottos 
para toda a Yilla, a qual será seguida de outras medidas de sanea- 
mento geral ; destes trabalhos esta encarregado o hábil engenheiro 
dr. Alexandre Brodonslvi, cujos estudos já vam adiantados. 

Mais ainda. 

Calculando que cada casa em Poços custasse o preço de 5:000.$000, 
o que alias é modestissimo, porque lia aqui ricas ha])itações ( e o 
custo das edificações é caríssimo ), temos que o capital [aqui immobi- 
lisado em construcções orça, digamal-o assim, por 3:500.$000.000. 

Não será isto para admirar em umn povoação do sul de Minas, 
cujo progresso é em geral de uma desanimadora morosidade ? 

Em 1891, escrevendo sobre este mesmo assumpto, avaliei em 
2000 os habitantes dé todo o districto. Pois bem : a população rixa 
da villa pode ser avaliada lioje em 3500 habitantes e a do districto 
todo em 4000. Já não será isto caminhar para a frente ? 

Mas antes de proseguir, devemos dar uma deséripção minuciosa 
das ruas de Poços de Caldas, as quaes, menos duas, as do Ipircuiga e 
do Yae e Volta, tém 20 metros de largura, sendo todas ellas perfeita- 
mente orientadas : 

Ruas que cori-em de N. a .S. seguindo a contagem de E. para O : 

Rua Saldanlia Marinlio com 680 metros 

» Marquez do Herval com 1500 » 

» Marquez do Paraná com 1520 » 

» da Saúde com 760 » 

» Tiradentes com 620 » 

» do Vae e Volta com 380 » 

» do Ipi ranga com 200 » 

» do Dr. Broncski com 100 » 

» do Collegio com 1 80 » 

Mais duas ruas sem nome — cada uma com 400 » 

Ruas que correm de E. a O. seguindo a contagem de S. para o N: 

Rua Ferreira Lage com 300 metros 

» do Riacliuelo com 460 » 

» dos Poços com 460 » 

» do Itororó com 460 » 

» 7 de Setembro com 460 » 

;>^ 7 de Março com UOO » 



AnCIflVO PUlil.lCO .MINKIUO 201 

Rua Diroií.i com 000 metros 

» do Humaylá com 700 » 

» (la Frilcraçrio com 660 » 

» do Ci'ii/.L'i ro com 680 » 

» da Hòa Vista cum 510 » 

Na pai-to .S'd(» Lado Kiomo». a i'ua dos .luiiquoiras com 1(»(» meii'os 
e mais l ruas sciii ikhiio, as ijiiaesj ostam sendo prosentemeiíte po- 
voadas. Ainda na parte S desta villa c do ladd O tomos a rna da l^s- 
ta(,'ão com :i()0 metros. 

A l*i'aga dn Senador (iod(ty tem dn um lado u comprimento de ;}80 
metros e do outro o de 300 metros — com a largura unilurme de 160 
metros. 

A Prava da Independência tem 140 metros do comprimento por 100 
de larfíura. 

A Praga da CoIuml)ia. tem as mesmas dimensões da l'ra(;a da Inde- 
pendência. 

São 309 os eleitores lederaes e Sõô os eleitores estaduaes da villa. 



O movimento da exportação pela Estação de Caldas, cujo coniieci- 
mento devo a ol)se(iuiosidade do sr. clieCe Luiz Góes, é outra prova 
evidente do nosso progresso, como se vae ver : 

Kolaçiio «los ^eiioroM exportados iia Ksta<;ão <le ('aldas 

1S»5 



MEZES 



.laniiro. . . 
Fevoreiro. 

M;irco 

AbiH 

Mtio 

J nlio 

JulÍKi 

A}íi>sli). .. 
Set 'iid)ro. 
Outnliro. . 
Novoíniiro 
Dozeiid)ro 

Total 



r.AFK 



Kilos 



fir. 

70 

01 

115 

SI 

23 

17 

125 

182 

143 

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.0.-)! 
.2X9 
.281 



l.245.83.'> 



mkhoauori.vs 



Tor.M, 



Kilos 


Kilos 


23.722 


89.408 


20.661 


01.437 


10.19.T 


110.044 


17.842 


16:{..")06 


19.614 


101.129 


20.7:50 


43.885 


8.188 


26.128 


12.387 


137.6.-)! 


11.007 


103.072 


10.338 


l.')4.2,s9 


:20.6:)3 


16'). 922 


24.0.Í4 


176.335 


208.671 


1.454.506 



2fJ2 



REVISTA DO 



Rrlação «los «leiíeritM evp<»rta lo»» na Estaçnu fio Caldas 

1896 



.MF7.es 


C.\FK 


ilERCADtini.VS 


TOTAL 


Kilos 


Kilos 


Kilos 


Jaueiro 


1Í5.090 
14S.7;iO 
()l.::x9 
:í0.775 
27.427 
12.000 


In.lCG 

15.314 

11.877 

4.044 


14n 256 


Fevereiro 


lf>7.7G3 


Março 


71 G72 


Aliril 


4G 089 


Maio 


38 S04 


Juulio 


IG 044 






Tola! 


-105.431 


G5.107 


470 628 







Estas cargas procedem das seguintes freguezias :Cabo ^■erde (café); 
S. José dos Botelhos (caro); Caconde (em parte) também café; Areado 
(café) ; Caklas (queijos) ; Campestre (queijos e toucinho) : Santo An- 
tónio do Machado (cale e queijos) ; Po(;os de Caldas (café, queijos e 
toucinho). 

O movimento da importação, que procura os mesmos centros da 
exporta(,'ão, é como abui.\o se segue: 

Relação dos géneros importado.» na Estarão de Caldas 

]s9J 



MEZES 


AUROZ 


|iS:LC.in 


S.VL 


DIVERSOS 


TOTAL 


Kilos. 


Kilos 


Kilos 


Kilos 


K i los 


.l.inpiro 


35.100 
iG.OOj 
75.101' 
43.100 

21. ih; 

24.090 
31.1(0 
38.35'i 
33.28G 
4G.951I 
21.00(1 
39.1(0 


79.553 
41.352 
90.333 
40. 4 -.'4 
()0.4(i ' 
60.974 
10.040 
•22.833 
49.7G1 
24.(ifiO 
4-i.lO"» 
10.0.0 


Gn.394 
7.500 
2..9i0 
23.GOO 
0.53-.' 
40.10) 
38.940 
20.8.111 
70.99G 
80.49,1 
12.800 
30.100 


101.4 9 
114.200 
lõi .1(10 
130.147 
170.357 
140,08o 
137.040 
1('0.140 
112.140 

i:;i;.o4o 

150.10 1 
91.010 


282 4CG 


Fevereiro 


1&9 1)52 


Marco ■ 


344 43.; 


Abril 


237.271 


Maio 


2(;2 494 


.1 11 II lio 


2(55 244 


.lullio 


217 V^O 


A"OSto 


18. 13^ 


Setfiiiliro 


2fG.l,S3 


Oiituliro 


2S7 iS40 


Noveiiiltro 


22t; o,.o 


DtZeiíibrr 


179 3^0 






Total 


434.381 


431.381 


430. 15? 


1. '.•33.80.5 


2.039.275 







AUCHIVO PlULiCO .MINKlKu 



:>(»:{ 



ICeliiçãu (loM (jCiicc-OM iiiijiortiidu» nu I-^sla«;iio de CaliluM 

l^a•. 



M!'./.i:-í 


aí; HO/. 


ASÍllAll 


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niVEKSOS 


Ti)T\I. 




Kili.s 


Kilos 


Kilos 


Kil s 


Kilus 


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101.G.S3 


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1 tsl 787 







N;k) SC iiiflue íiqui o mez de jnulio, porque rulo cslá ainda liquidado. 

Co;UO era ilo prever, o numero de negociantes existentes em Fo- 
>;os acompanlui este grandi.' movimento comniercial. 

Temos aqui 108 negociantes, assim distril)iiidos : nacionaes — 64 
õxtrangeiros — 44 (1). Temos maia cinco harliciros, cinco padarias, 
cinco açougues e três pliarmacias. Dus a(;ougues três são de carne 
de vaeca e doi.s do carne do porco ; nas estações balnearias, cada 
;u;ougnô abato dois !)ois ou dois porcos diariamente; lóra das esia- 
(.'des a matanga diária é de um boi ou de um porco. 

K qual será a razão do rapiílo dosenvolviníonto da villa de Poros 
d<- Cabias í 

Será porque esta povoação é um i)onto terminal de um ramal de 
estrada de Ibrro, o líanial de Cabias, leito exclusivamente, seja dito 
do passagem, á custa de capitães |)aulistas ? será poríjue este clima, 
situado acerca do 1200 metros acima do nivel do mar, quasi constan- 
temente varrido pelos vemos do iu)r/)estc ou do sueste, com uma 
meiiia de temperatura de 11 , com unia máxima de 28 >» e com uma 
minima de G -^ abaixo de zero, rivaliza com os melhores do mundo? 
será portiuo Tocos de Caldas ê a sede de uma imi)ortantissima es- 
tancia de aguas tliermaes sulfurosas, cujo debito em 2 ! horas è de 
41Õ.S72 litros? 

Tudjj isto vale muito som diiviíla ; mas p;u'a nós outros o que 
valo mais é a vísinhança de S. Paulo, cujo enorme progresso transbor- 
dou para a(iui : os Paulistas lir.eram do Poços a sua Petrópolis. E' 



1} Km 1801 havia oiu Po^os 10 ncgcciantos brasileiros, O italianos c 9 por 



tUgllC.''," 



204 REVISTA DO 

certo que nada disto se daria, si este bello torrão de Minas nio ti- 
vesse valor próprio; mas seriamos ingratos si desconhecêssemos a 
grande importância que os Paulistas uos têm dado, por amor delles 
mesmos. 



A renda do nosso municipio, para 1896, Ibi orçatla em 40:U(X),$U0O. 
K' uma cifra relativamente baixa, força é confessal-o; mas o imposto 
tende a render mais e lia de render. 

Como quer que seja, o illustre presidente da camará municipal de 
Poços, dr. José Ignacio de Barros Cobra, apesar de mover-se dentro 
de escassos recursos, muito ha feito em nosso beneficio, já aterrando 
as ruas e praças, já levantando empréstimos para o serviço de aguas, 
de exgottos e da illuminaçflo eléctrica, sendo que este ultimo melho- 
ramento, contractado com o liabil e prestimoso oíTicial de marinha, 
tenente Arthur AíTonso de Barros Cobra, já vai em começo de exe- 
cução. E não é tudo : a administração municipal em Poços, pois o dr. 
Barros Cobra é presidente da camará e seu agente executivo, é um 
modelo no seu género e desafia toda e qualquer competência. 



Situado na zona do campo, o districto de Poços, como de razão, 
tem ao demais bellas mattas, que são aproveitadas para o cultivo dos 
cereaes e o plantio do café, o qual vai sendo feito em larga escala 
na fazenda do Barreiro, propriedade do coronel Agostinho José da 
Costa Junqueira, que, com seus filhos e genros, já colhem boa por- 
ção do precioso producto. 

As mattas do districto fornecem estimadas madeiras, o pinho, o 
óleo vermelho, o óleo pardo, o pau-brasil, a peroba, a pereira, o ipé, 
o jacarandá, a canjerana, a massaranduva, o dedal, o sassafraz, o ce- 
dro e a amoreira, que são empregadas na construcção das casas e no 
t^brico da mobília, pelos marceneiros e constructores allemães f ita- 
lianos, que abundam em Poços de Caldas. 

Os campos, cobertos de capim mimoso, são aproveitados para a 
criação do gado e a exploração da lan (em pequena escala), assim como 
para a venda do leite e dos lacticinios ; mas os campos de Poços ser- 
vem perfeitamente para a criação dos carneiros Merinos, que fazem a 
riqueza do Rio da Prata, para o plantio do trigo, que é uma das ri- 
quezas da Rússia, e para a exjdoração da industria vinhateira ; aqui 
o immigrante se pode fixar, porque podemos fornecer-lhe, a par de 
um clima ameno, carne, pão e vinho. Quanta riqueza desaproveitada 



ARCIIIVO I'UHI,IC(» MINKÍKO 



205 



Ainda : h;i na villa grandos quedas (rafrua, que podem mover ma- 
cliinas destinadas ao preparo da lan o da seda, asssim como ao fa- 
hrico dos artefactos cori'olatos. E tudo jaz para alii, desaproveitado 
e som destino! 

As niatta-^ i\o u\un\i''\\V\o, rcrrddns o '•tr^ifirints, ostao para (»s cam- 
pos, iia.s si'i< lazcudas do distrift.o, como!» para 1. Ha ainda aíjui 
llorostas virjíons, em todas as fazendas, (|ue portencom ao coronel 
Ajíostinho .losé da Costa .iun(iueira, ao major .lua(|uini Candidct da 
Custa Junqueira, ao capitão Manoel .lun(|Uoira, ao cidadão .Ioa(|UÍin 
Hornardos Junqueira, ao cidadão Antíuiio do Andrade Junqueira e ao 
cidadão Manoel de Andrade Junqueira. Antes da Repuldica, se vendia 
em Poços o alqueire de campo por 6()S0(X) e a de matto entre 40;(XX) 
e 505000. Hoje, fazendeiro alf^um vende terras, porque ninguém quer 
trocar o que tem um valor leal por pedaços de papel, que pouco 
valem. 

Como quer que seja, vamos em proíiresso, por amor do iníluxo 
suggestivo de S. Paulo. 

Na fazenda do Barreiro, graças â intervenção do dr. Martinho da 
Silva Prado Júnior, ha bois, vaccas, cavallos, jumentos, porcos, car- 
neiros e cabritos de superior qualidade, o que sem duvida muito 
tem melhorado a nossa ronceira industria pastoril. Nas fazendas do 
município empregão-se o arado, as machinas de debulhar milho e de 
preparar o fubá, assim como excellentes engenhos de serra, movidos 
a vapor ou á agua, pai'a o beneticiamento da madeira. 

Infelizmente, por causa da escassez do braço, o cultivo dos ce- 
reaes tende a diminuir; todos querem plantar e colher café. 

Os trabalhadores agrícolas são extrangeiros em geral, principal- 
mente italianos; elles se dedicam ao serviço dos cafezaes, que já re- 
cebem plantados pelos trabalhadores nacionaes; mas exploram a pe- 
quena lavoura, cujos géneros são consumido.^ no mercado de Poços, 
fartamente abastecido. 

Pela formação de cada alqueire de café, com 75 X 75 braças, o fa- 
zendeiro paga a quantia de 800"?000 annuaes por espaço de quatro an- 
nos, sendo os pagamentos feitos na íorma ajustada. 

O que é certo é que a única colonização que nos convém é a ita- 
liana, a portuguezae a hespanhída, porque só aquella gente tem conr 
nosco a communidade de raça, de religião e de hábitos sociaes, diver" 
siflcando pouco as respectivas linguas ; neste particular Oliveira Mar- 
tins tem carradas do i"azão (O Brazil e ax Colo/iúis Fortugnezftx). 

lnferir'-se-ha daqui quo outras colónias extrangeiras não nos pos- 
sam prestar serviços? Absolutamente não. 

Basta dizer que ha aqui em i'oços uma chácara modelo, perten- 
cente a allemães (Das klcine Lnudgut i\c Carlos Maynald iSc Comp.'), a 
qual se recoinmenda á attenção dos visitantes pela sua grande área 
e importantes trabalhos, referentes ao plantio da videira, das batata 
«das hortaliças, assim como pelos serviços de apicultura. 



:20G 



uEvifiTA no 



Em Pogos (lo Caldas, úcxcoptjru) dos dois estabelecimentos balnea- 
res — o Eslabclcc/inenlo Velho o o d(js Macacos — e da Capellado Se- 
n)ior Tiom Jesus, não líMnos ediiic.ios ])iiblicoí; Ijasta dizer que a Casa 
da Camará, iii^ovisorianicnte assim denominada, ò ])i'opriedade do ca- 
pitão ManoelJunq^i^eira, que a cedeu ã Municipalidade para que nella 
se r.eíílisassem ..a|s*sessões da Gamara o servisse do cadeia, até que o 
n^nicipio tivesse recursos para edificar prcdiu ;ide(iuado âquelles 
1ln.s. 

A Capellado Senhor Bom Jesus, ediiicadaà custa dos cslorços dos 
prestimosos cidadãos António Ferreira Rodrigues, José Pinto Barbosa 
e tenente coronel Sebastião Fernandes Pereira, os dous primeiros in- 
felizmente Já lallecidos, ô pequena e modesta; mas se acha perfeita-, 
mente apparelliada. 

Os dous Estabelecimentos Halneares, cada qual guardando a forma 
de uma barca da Companhia Feri-y, só facultam presentemente aos 
banhistas o uso de Ijanhos de agua corrente ou dormente, de tempe- 
raturas diversas : o velho tem 59 banheiras, 26 do primeira classe e 33 
de segunda, sendo as primeiras de cimento o as segundas do cedro; 
o novo, o dos Macacos, inaugurado no dia 27 de fevereiro do cor- 
rente anno (1890), tem 24 banheiras, 11 de primeira classe e 13 de se- 
gunda. Asbanheiras do primeira classe são de azulejo, perfeitamente 
trabalhadas, as de segunda classe são de cedro, mais liem feitas do que 
as antigas; o antigo estabelecimento, inaugurado a7 de abril de 1885, 
tem dous roservatori<is de pero])a, cada um com a capacidade de 20 
mil litros, destinados a recel)erem, durante a noite, a agua da fonte 
dos Macacos, habilitando assim a Empresa Balnearia a fornecer ba- 
nhos de diversas temperaturas; o velho estabelecimento tem um re- 
servatório de cimento, de forma ovolar, de uma capacidade de 42 
mil litros, porque do contrario seria impossível darem-se l)anhos, por 
isso que a fonte dos Macacos só tem um debito de 128.100 litros em 
24 horas, 

Sabe-se, porem, que a. Empreza Balnearia foi encampada pelo Go- 
verno do Estado a 30 de Março deste anno e arrendada ao auctor des- 
ta noticia pelo prazo de 22 annos. Nos termos do contracto cele])rado 
com o Hoverno, o arrendatário organizou uma sociedade composta dos 
Drs. Antoni(» de Pádua Assis Rezende, (íabriel de Oliveira Santos 
e .Mar(;al José dos Santos, sob a lirma de Rezende, Santos »k Comp.-"^ 
da qual é elle simplesmente sócio eomnnuiditario, com o íim de ex- 
plorar o contracto de 30 de mari;o, que exige serias relbrmas nos 
actuaes estabelecimentos, de modo que sejam elles collucados a par 
dos melhores da Europa. O actual gerente da no\'a sociedade, Dr. 
António de Pádua Assis Rezende, homem activo, trabalhador e intel- 
ligente, está á testa de todos os servi(,'0s de rel'orma dos estabeleci- 
mentos e do Hotel da Empreza, animado da melhor vontade e cheio 
de esperanças de ultimar em breve a sua pesada tareia. 



i 

1 



AHCIItVO l'lIHI,lco MINKIKO :^(»7 



Tudo leva ii rivr (luc dentro do poncu tempo osta ostaucia l>al- 
neariii será dotada do importantis.sinios molliofaiiuMitos, reclamados 
pela sdioncia e pela nossa adiantada civilizaí^ão. 



O {írande nojíocio de 1'ovos de Caldas è a exploi'a(;âo do hotel o de 
casas para alugar aos banhislas. Assim, temos a(iui, actualmente, 
15 liotcis : llolel (ht EntprczK, Hotel do GícOo, Clraiiflc llotcl do Sid, 
Holrl Sol feriu i, llolel Central, Hotel São Prado e Rio, Hotel d(t FMrelld ^ 
Hotel da Aurora, Reslauraate da Ualia, Restaura ide Cairiljuldi, Hotel 
do Emijgdio, Hotel dos Hanliistas, Cafisi^io, Restaurante de Roma e H<.- 
tcl dos Macacos; outros, porem, estam cm construc(,âo. O numero de 
casas para alugar ó assaz avultado. 



Ha aíjui duas aulas publicas de primeiras lettras, a do 1). Idalina 
(iuilhermina de Andrade para o sexo íeniinino, e a de D. Evangelina 
Mourão para os dous sexos, mas em salas separadas. As duas aulas 
tèni a frequência legal. 

Ha Ires collegios exccllenies: o de I). Laudelina Jcrocy para o sexo 
íeminino; o coUogio Rosa, que pode receber até 40 aluniiins cse acha 
bem montado, e o do cidadão Bento Dias Ferraz de Arruda para o 
sexo masculino. Todos estes estabelecimentos são muito IVeqneiitados 
já por cau-^a da exctUencia do nosso clima, já por causa da proliciencia 
dos seus directores. O colIegioFerrazjà passou porgrandes reformas e 
mellioramontos, de modo que pôde receber llOalumnos. O collegio Je- 
rocy, que já comporta 50 alumnas, vai passar por transformações que 
o habilitem a receber mais disoipulas. No collegio Feri'az ensinam-se 
todas as matérias exigidas para a matricula nos cursos superiores e 
tambom Historia Natural, Physica e Chimica. No collegio .lerocy lec- 
cionam-se todas as matérias estudadas em congéneres esta!)elecimen- 
tos. Vai ser também installado, brovemcnte, o collegio Mourão, em 
prédio liom, propriedade do sr. Xandú. Destina-se ao sexo íeminino. 



Ha em Pogos uma typograpliia, (jue publica a Villa de Poços, sob 
a redacção do cidadão Adolpho (luimarães Corrêa :'a publicação é se- 
manal. Antigamente, sob a redacção do tenonte-coronel João Pereira 
Elias Amarante, se publicou aqui o Correio de Poços, que começou a 
15 de agosto de 1880 e parou em outubro de 1892; soguiu-se-lhe en- 
tão a Villa de Poços, cuja publicação nunca foi regular. 



208 



REVISTA DO 



Como se vé, oní que pese ao nosso progresso, em Poros de Caldas 
está quasi tudo por lazor : não tomos ruas e pragas que prestem ; 
nao temos serviro de auuas e de exgottos; não temos illuminação pu- 
blica ; não temos editicios públicos sinão em projecto, sendo que o 
nosso Mercado, aliás lai-tamcnte abastecido, é um edifício alpendrado, 
tosco, pequeno, im mundo e grotesco ! 

Não obstante a nossa (alta de estlietica e de hygiene, vamos vi- 
vendo monos mal, porque este clima, que é excellente, tem uma 
atmospliera rica de oxigénio, o qual vai queimando os detrictos or- 
gânicos accumulados na superlicie do solo ; mas dia virá, por amor 
do augmento da nossa população, que o gaz vivificante não basta- 
ra mais e tremendas epidemias de febre typhoide farão aqui a sua 
appariçao, si não tratarmos de sanear já e já esta villa. 

E este estado de cousas não pode continuar. 

Poços de Caldas é uma estancia balnearia de primeira ordem, fre- 
quentada annualmente por mais de 2000 pessoas e aqui tem vindo 
parar tudo que a pátria possue de mais notável na politica, na scien- 
cia, na litteratura, na arte, na industria, no commercio e na agri- 
cultura. 

E' pois necessário que a nossa terra seja digna de nós e digna da- 
quelles que a visitam annualmente, e ella não o será emquanto não 
tiver hygiene, isto é, asseio, porque a limpeza é a própria civilisa- 
ção ; o asseio é a ordem, o inethodo, a economia, a belleza, a saúde, 
a moralidade e os bons costumes. 

Felizmente a nossa municipalidade, que está sob a direcção de um 
homem superior, comprehende tudo isto ejámetteu mãos á obra, de 
modo que esta terra seja bella e seja limpa, livre de outras molés- 
tias que não as agudas do apparelho respiratório, as quaes sam 
próprias dos climas de altura como o nosso. 

Ha mais : ha em Poços cinco facultativos, os drs. Francisco de 
Faria Lobato, Augusto de Toledo Mattos, José Caetano de Oliveira 
Guimarães, David Ottoni e o auetor desta noticia, e todos elles se in- 
teressam vivamente por esta magna questão, sempre dispostos a se- 
cundar os esforços da municipalidade. Ainda bem ! 



A curiosidade natural, que existe na povoação, sam as fontes 
thermaes e sulfurosas, as qnaes compõem dous grupos hydrologicos : 
o de Pedro Botelho e o dos Macacos. 

Antigamente as fontes thermaes constituíam barreiros ou bebedou- 
ros frequentados pelos animaes do sertão, antas, veados, etc, de sorte 
que não é para admirar que os caçadores portuguezes, nas suas ex- 
curções venatorias, viessem ter aos Poços por alguns dos carreiros 






^K- 



AUCmVO IMHI,IC() MINKIIiO '^(YJ 

í|ue a elles conduziuni ; e a aiialogi.i entro entre estas aj^uas e as Cal- 
das de Portugal deu necessariamente origem á denominação do I*o«;08 
de Caldas, que até hoje as íbntes conservam. 

Foi daqui o nome da cidade visinlia e o do seu municipio. (1) 

A ellicacia das aguas tiíermaos de Pogos de Caldas na cura do 
rheumatismo era conhecida muito antes do 1815, pois foi naquolle 
anno que o capitão Joaquim Bernardo da Costa, pai do majjor Joa- 
quim Bernardes da Costa Junqueira e morador na Concei(;ão do Rio 
Verde, distante de Poços cerca de 30 loguas, vindo passar neste 
logar a sua tei-ceira estaçHo balnearia, tomou a resolução de íazer 
com que seus lilhos requeressem diversas sesmarias nestas para- 
gens ; daqui nasceu a actual fazenda do Barreii'o, que consta quasi 
toda das sesmarias então requeridas, posteriormente compradas 
a seus irmãos peh» major Joaquim Bernardes da Costa Junqueira. 

Foi o conselheiro 1). Manoel do Portugal o Castro, governador e 
capitão general da capitania de Minas-deraes, quem concedeu, no 
dia 23 de julho de 1819, a José Bernardes de Costa Junqueira uma 
sesmaria de icma légua de lerra em quadra por serem camjKfs, no. 
paragon do Pinhal, no xer Ião que fica entre a serra das Caldas e o 
Rio Pardo, termo da villa da Campanha da. Princeza. 

A sentença civil de sesmaria do scsmeiro José Bernardes da Costa 
Junqueira, no logar e paragem do Pinhal, freguezia de Nossa Senhora 
do Patrofinio do Rio Verde de Caldas, loi dada, depois de satisfeitos 
os tramites legaes, pelo dr. Faustino José de Azeredo, juiz das ses- 
marias e demarcações da Campanlia da Princeza, no dia 7 de dezem- 
bro de 1820, sendo 1.» batallião do publico judicial e notas— Manoel 
Lopes de Figueiredo. 

O auto de posse é assim concebido : «Anno do Nascimento de Nos- 
so Senhor Jesus Christo, de mil oitocentos o vinte, aos trese dias do 
mez de novembro do dito anno, nestes campos das Caldas e Ribeirão 
do Pinhal ou das Caldas, freguezia de Nossa Senhora do Patrocínio do 
Rio Verde das Caldas, termo da villa da Campanha da Princeza, Mi- 
nas e comarca do Rio das Mortes, e dentro das terras mencionadas 
na carta de sesmaria e Mercê feita ao sesmeiro José Bernardes da 
Costa Junqueira, aonde foi vindo o dito sesmeiro, junto com o dr. 
Faustino José de Azeredo, juiz das sesmarias e demarcações da mes- 
ma villa da Comp;mha da Princeza, por provisão competente, e co- 
migo escrivão do seu cargo, adiante nomeado, ahi sendo .sol fora e 
dia claro, demos posse actual, real e judicial e corporal das terras 
medidas e demarcadas, constantes do auto de medição, nestes mes- 
mos autos descripto, ao dito sesmeiro José Bernardes da Costa Jun- 
queira, quebrando elle ramos, cavando terr.i, lançando-a ao ar, o 



(D A froRiiezia da cidade de Caldas foi creada pelo alvará de 27 de março 
de 1813, e elevada á villa pelo ?; 1/ do art. Vda Lei'n.| 134 de 1839; teve a ca- 
Ihegoria df cidade pelo art. l.* da Lei n. 973 de 2 de junho de 1859. 



210 



REVISTA DO 



olhando para a extensão das terras com animo de tomar posse delias, 
em cujo auto disse cu escrivão três vezes, em voz alta, clara e in- 
tcllifrivol, que se liavia quem se oppozesse á dita posse — apparecesse, 
e proferidas estas palavras, e íeitas as ceremonias da Lei, não houve 
opposição alfruma; em vista do quo houve elle ministro por empos- 
sado das ditas terras, quanto em direito se requer, ao sesmeiro dito 
José bernardes da Costa .lunqueirii, o que tudo presenciaram as tes- 
temunhas Manoel Cardoso da Silva e Elias José Pereira; e para constaj. 
fa(;o este auto, em que todos assignam, o dito juiz, o procurador do 
sesmeiro, e testemunhas acima referidas, depois de lido por mim, 
Manoel Lopes de Figueiredo, primeiro tabellião do publico, judicial e 
notas, que o escrevi e assignei. — Dr. Azeredo — Manoel Lopes de Fi- 
gueiredo — José Bernardes da Costa Junqueira— Manoel Cardoso da 
Silva e Elias José Pereira.» 



São quatro as fontes minero-thermaes que existem nos Poços de 
Caldas : Pedro Botelho — 40 •, AUu^iqiiinha e Chiqiiinha, hoje reunidas, 
— 44o; 'Mf (cacos — 37^ 2; na nascente a temperatura desta fonte é de 
41 o 2. 

Não se pode censurar a Eitipreza Balnearia por haver misturado 
a segunda, e a terceira fontes : 237'iino, porque entre ellas não ha dif- 
lerença de composição chimica, sendo para notar que a tempei\\tura 
da Mariquinha na nascente é de 44«, e a da Chiquinha é de 44c, 6; 
sicunão, porque até 1S77 as duas fontes não se distinguiam, ambas 
eram usadas sob o nome de i^/ar^■g^í^■>^/^«, com a temperatura de 44 .^; 

Naquelle anno o sr. Manoel Franco de Araújo Vianna, de Santos, 
lembrou-se de utilizar uma das nascentes da Mariqvinlia para ba- 
nhos de demora, e para esse flm mandou fazer uma banheira, a que 
deu o nome de Paulista. 

Em 1878 houve uma grande enchente do Ribeirão dos Poços e a 
Paulista foi carregada pela enxurrada. 

Então os balneantes, que na occasião estavam nos Poços, manda- 
ram fazer outra banheira e recebeu ella do Barão de Campo Mys- 
tico o nome de Chiquinha , porque se veriíicou então que as diuis 
nascentes eram diversas, por causa da diflerença da temperatura entre 
a Mariquinha e a Chiquinha. 

A temperatura das fontes pôde ser considerada como fixa, e isto 
está de accôrdo com o que diz Ch. Contejean á pag. 343 dos seus 
Elementos de Geologia: « A temperatuiva é constante para as fontes 
quentes ou muito quentes, e pouco variável para as outras. » 

Sabe-se que o centro da terra é incandescente e que o calor vai 
crescendo um grão centigrado por 25 metros, à medida que nos adian- 
tamos na profundidade do solo. 






ARCUIVO PUnLICO MINEIRO Vil 

Portanto, ii temporatura das aguas dos l'oços de Caldas depondo, 
coiiKt a d(> toílas as ajíiias liíerniaos, da inaini' mi nifintr prídiímlidadc 
oní qiii^ nasLMMii, »mii rolarão â pyrosi)liora. 

No dia IG do outubro do iss;! o ilr, Herculano Nolloso Ferreira 
Penna niodiu o debito das fontes, o serviu-se para esse lini de uma 
medida do U2 litros. 

A fonte dos Macacos encliou a medida em r,2", o Prrlvn Bole- 
///o em (i'5S", a Ma riqi(i)> In/ oiw 1*1'.»", a Clià/u/aha em T-l^-i". 

Em 24 li. o del)ito do Bolei ho ó de l:i(),'J4I litros, o dos Macacos (■ 
de 128,100 litros, o da Chiquinha e de 77,004 litros, o da Mariquinha ■ 

ò de 72,804 litros, o debito de todas as fontes em 24 li. ò de 415,872 
litros. 

Devo-se ao Dr. João Allredo Corrêa de oliveira^ quando ministro 
do império, o conhecimento da analyse (lualilativa e quantitativa das 
aguas tliermaes dos Poços de Caldas. 

A commissão medica por elle nomeada, composta dos drs. Ezequiel 
Corroa dos Santos, Agostinho José de Sousa Lima o José Borges Ri- 
beiro da Costa, veiu aos Poços no anno de 1874 e apresentou o seu 
tra>»alho no anno seguinte a O de fevereiro. 

Como as aguas mineraes de Vizella, em Portugal, cuja analyse foi 
feita pelo dr. Agostinho Vicente Lourenço, lente de chimica da Es- 
cola Polyteclinica do Lisljoa, as dos Poços do Caldas apresentam uma 
composição chimica muito análoga, diversilicando apenas em insigni- 
licantissimas proporções de alguns dos seus elementos minoralisa- 
dores mais importantes. 

Portanto só transcreverei para aqui a analyse da fonte dos Maca- 
cos, at('' porque foi a iinica analyse interpretada polo illustrado dr. 
Sousa Fernandes, de saudosa memoria. 

Agua dos Macacos: 

« Agua clara, límpida, transparente, de cheiro e sabor hepático e 
tocar unctuoso. Temperatura do 41o, tomada n'agua das banheiras» 
e 42-2 na do poço onde está a nascente. Densidade O, (lOOíi sob a pres- 
são do 06:?'" e tem a temperatura de 22j. Um litro d'agua forneceu 
de resíduo lixo 0,0540, constituído pelos princípios seguintes : 

Acido sulfúrico 0,0.500 

Sílica ((,0200 

Acido carbónico 0,220.'? 

Chloro 0,fK)42 

Cal 0,01 10 

Potassa <»,(»105 

Soda 0,207:5 

Matéria orgânica e perdas 0/)191 

Magnesia e ferro (vestígios) 

0,()540 



212 REVISTA rx) 



« Quanto aoí! gazes, encontrou a commissão 10 o^, 6 por litro, ísoiulo 
os mesmos cias outras fontes (azoto e liydrogeno suHuretado) c o fei- 
tio sulpliydrico na mesma dose. » 

A analyse interpretativa é esta, para um kylojíramma d'af3[ua : 

GKAMMAS 

Sulpliato de potássio 0,0305 

Sulpliato de sódio 0,0756 

Chlorureto de sódio 0,0069 

Carbonato de cálcio 0,0195 

Carbonato de sódio . 0,4450 

Silicia 0,0200 

Acido sulpliydrico 0,0027 

Azoto 0,0013 

Matéria orgânica e perdas 0,0191 

Carbonato de magnesia vestígios 

Dito ferroso * » 

Totalidade 0,6206 

Assim as aguas thermaes dos Poços de Caldas, descriptas neste 
ti-abalho, são thermaes, e em alto grào, pois a sua temperatura va- 
ria de 41 o a 46 '5. 

Todas ellas são fracamente mineralisadas, pois a mais rica em 
substancias mineraes, a fonte dos Macacos, só fornece por litro 0,6540 
de residuo fixo. 

A base que nellas predomina é a soda, a exemplo das sulfúreas 
.sódicas. 

Separam-se, porem, das sulfúreas sódicas : pela ausência do sulfu- 
reto de sódio ; pela sua inalterabilidade ao contacto do ar ; pela pre- 
sença do bydrogeno sulphuretado livre desde a sua sabida do solo, 
e independentemente da acção da athmosphera. 

A fama, a notoriedade das aguas thermaes dos Poços de Caldas, 
dependem de três circumstancias : — a presença de gaz hydrogenio 
sulphuretado, a thermalidade da agua e a alcalinidade do banho ; 
mas estas três circumstancias de nada valeriam, si não fosse a abun- 
dância das fontes, que podem prestar-se a todos os processos balneo- 
therapicos, augmentando o seu valor therapeutico ; o estabelecimento 
balnear dos Poços de Caldas, á semelhança do de Neris (Allier), do de 
Aix (Provença), do de Aix (Sabóia), só fornece ao balneante banhos de 
agua corrente e dormente ; mas como o de Bagyières de Luchon pôde 
fornecer aos doentes banhos, duches geraes e locaes, piscina de na- 
tação, pequenas piscinas, estufas, inhalação, humage e pulverisação. 

Actualmente, fora do estabelecimento, no reservatório de Pedro 
Botelho, os doentes podem fazer a inhalação dos gazes e a humagQ 



1 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 2V.i 



OU respiração dos vaiores da agua, e brevemente, dentro do Esta- 
belecimento, cm banlioiras do primeiía classe, encontrarão os doen- 
tes estufas, ([ue proeuelierào os seus Uns. 

Como todo banlio thermal, o dos Togos do Caldas excita a super- 
íicie da pelle, mas é uma excitação inteiramente especial, como diz 
Durand-P^irdel : « E' esta especialidade, diz elle, que determina a 
conveniência do banho salino para os escrolulosos, do banho sulfu- 
roso para os dartrosos, do banho de Ncris ou do Widbad para os 
nevroputicos». 

E é esta especialidade de acção, dizemos nós, que colloca as aguas 
thormaes dos Poços de Caldas, no terreno clinico, ao mesmo nivel 
do grande o rico gruiio hydrologico das aguas sulfurms sódicas de 
França, cuja riqueza mineralógica não se pôde comparar com a po- 
breza das nossas íbntes. 

E para explicar esta especialidade de acção não ha a appellar para 
a penetração na economia dos princípios medicamentosos do banho, 
porque está hoje demonstrado que a ])elle sã os não absorve. 

Não é também uma questão do temperatura, porque n'este caso 
os banhos de Teixeira <S: Irmão bastariam. 

Portanto, força ó convir que a theoria therapeutica da balneação 
tliermal nos escapa completamente ; estamos reduzidos, neste parti- 
cular, a um verdadoii'u empirismo. 

« Entretanto, diz Durand-Fardcl, um facto de observação, recente- 
mente introduzido na sciencia, e de que a pratica começou a tirar 
algum proveito, põe-nos talvez no caminho de uma explicação: quero 
fallar da motallotherapia. 

« Efleitos physiologicos incontestáveis resultam do contacto de 
uma superíicic metálica com a pelle revestida da sua epiderme. Ac- 
ções therapeuticas sensíveis tem resultado deste facto. A relação des- 
tes phenomenos com os que determina a applicação da electricidade 
foram estudados. Não é permittido, no momento em que escrevo es- 
tas linhas, tirar conclusOes e fazer applicaçGes determinadas de phe- 
nomenos ha pouco veriíicados e cuja critica está apenas esboçada. 

« Não se pôde negar entretanto que a applicação, sobre a pelle, 
de uma superlicie metálica dá logar a plienomenos reflexos em rela- 
ção do especialidade com o metal empregado. Portanto não é illo- 
gico pensar que os principio» metálicos ou outros, contidos numa 
agua minorai poderiam determinar, por sou contacto com a pelle, 
elVeitos physiologicos e curativos de uma ordem igualmente especial. 

« Isto não passa de uma hypotheso, ã qual vem juntar-se o cara- 
cter hypothetico da constituição das aguas mineraes, tanto no ponto 
do vista dos princípios mineralisadoi-es, cuja existência ainda não se 
]>òdo revelar nellas, como das condições estranhas á sua composição 
analytica, e que assim não foram delinidas». 

A. r.-2 






214 REVISTA DO 

A estação balnearia dura em geral de 25 a 30 dias, e são duas as 
epochas do anno escolhidas para estada nos Poços de Caldas : Março, 
Abril e Maio ; Agosto, Setembro e Outubro. 

Hoje, por causa das accomniodações que se enccjutrani aqui, po- 
de-se fazer estação balnearia em qualquer tempo. 

As nossas aguas convém principalmente às moléstias clironicas, 
cujo lundo é de ordinário constituído por alguma das três diatbeses, 
de que pode a economia ser presa : a escrofulose, a arthrites e o licr- 
petismo. 

Cura-se aqui o rlieumatismo clironico ã fi-igore. 

Melhora-se o estado geral e pôde liaver parada do processo mór- 
bido no rlieumathismo articular chronico progressivo, no rheuma- 
tismo chronico parcial, nas nodosidades do Heberden. 

Cura-se nos Poços a bronchite chronica, e modilica-se o catharro 
pulmonar dependente de lesão no centro circulatório. 

As aguas convêm sempre ás dermatoses, quer se trate de herpeti- 
des, escroíulides e arthcitides ; fazem sempre bem nos engorgitamen- 
tos chronicos do útero e dos ovários ; curam as coryzas chronicas e 
as rhinites ulcerosas ; e aproveitam muito na cystite chronica, na 
blenorrhéa, naleuchorréa, nas anginas e laryngites chronicas. 

Achorréa, a escrófula e aasthma ièm perfeita relação com as nos- 
sas aguas. 

As paralysias funccionaes curam-se aqui ; as orgânicas moditi- 
cam-se. 

Na syphilis, quando se lança mão da medicação apropriada, a ac- 
ção das aguas é evidente. 

. Os asthmaticos e os diabéticos dão-se sempre bem nos Poços de 
Caldas. 

As ulceras, seja qual fòr o seu fundo, tendem á cicatrização sob a 
acção das nossas aguas. 

Como se vé acontecer nas outras estancias balnearias da mesma 
natureza que a nossa, o banho thermal aqui é contra-indicado aos car- 
díacos, na pliase asystolica, e aos quejá soíTreram insultos cerebraes, 
seja qual fòr a sua forma. 

São estas as principaes indicações therapeuticns das aguas ther- 
maes dos Poços de Caldas^ que colhemos durante vinte e três annos 
de pratica medica nesta localidade ; ha, porém, uma ultima, e para 
ella chamamos a attenção dos nossos collegas. 

A estancia balnearia dos Poços de Caldas não convém unicamente 
aos doentes, cujas moléstias tém relações therapeuticas com estas 
aguas ; deve também ser considerada como elemento hygienico, como 
meio de conservar a saúde e prolongaria existência, e pelas seguintes 
razões. 

A boa execução das funcções da pelle é uma condição necessária 
cio equilíbrio orgânico. Aqui nos Poços goza-se de excellente clima, 



AKCHIVO PUBLICO MINEIRO 215 

^'espira-so o ar puríssimo do campo, acerca de 1.200 metros acima do 
nivel do mar, o solo é enxuto e desprovido de pântanos, e si a estas 
circumstancias Juntarmos a acção de um hanhci alcalino e sulfuroso, 
excitante das ruuci;ues da pello, que sobre ser agradável restitue ao 
tegumentít externo todos os seus caracteres physiologicos, nSo sa- 
bemos que haja outro logar melhor apparelhado pela natureza do 
que os Pogos de Caldas para passar-se o verílo,readquirirem-se forças 
o lazer-se provisão de saúde. 

Uma questão merece ser ventilada nesta rajjida noticia : a da 
pretendida allcração das aguas sulfurosas de Poços de Caldas, por 
causa do seu encanamento desde a nascente ató o Estabelecimento 
Balnear. 

Muita gente acredita que as nossas fontes thermaes, mormente a 
dos Macacos, cuja nascente ilista do Estabelecimento mais de 500 
metros, acham-se alteradas, poniuc a sua temperatura baixou e de 
quando em vez entram nas banheiras fragmentos de uma substancia, 
que com iusta razão o povo compara â nata da cangica. «São os 
saes que se depositam nos encanamentos, diz olle, alterando profun- 
damente a constituição chimica das fontes. » 

A esta accusação responde^ vic*oriosamente a analyse chimica fei- 
ta pelo dr. Souza Lima, a qual demonstrou que a agua não se altera 
no seu percurso, e esta demonstração é peremptória, porque a prova 
experimental se impõe com toda a brutalidade das exigências lógicas. 

Como quer que seja, vem aqui de molde algumas considerações a 
respeito. 

Em relação ás fontes Pedro Bnlelho e Mariquinha, a accusação da 
baixa de temperatura não colhe, porque ella não variou sensivelmen- 
te por causa do trajecto da agua das fontes atravez dos encíinamen- 
tos. 

Resta a fonte dos Macacos, cuja temperatura é de 37c 2, correndo 
II agua do encanamento para a banheira n. 4 de primeira classe. 

Damos, porém, de barato, por amor á argumentação, que os en- 
canamentos houvessem abaixado de alguns grãos a temperatura de 
todas as fontes. 

A que montaria isso ? 

A temperatura das aguas mineraes não é uma virtude, mas uma 
qualidade, que nellas pôde ser augmentada ou diminuída, conforme 
as exigências balneotlierapic;». 

«Certas aguas sulfuntsas, diz Sénac-Lagrange, Estudos sobre Cau- 
terets, pag. 167, surgem do seu ponto de emergência em um grão in- 
sulticiente para serem administradas em banhos, em duches. Para 
uccommodal-as a estes usos, é costume aquecel-as artificialmente ». 

Sendo assim, como se poderá acreditar que a temperatura dominu 
a acção do bunho mineral V 



I 



216 REVISTA DO 

E' O caso de repetir : — si fosse assiiyi, o banho sulfuroso de Tei- 
xeira & Irmão, cuja temperatura pòde-se variar á vontade, bastaria 
aos usos balneários, não liavoria necessidade de vir a Poços de 
Caldas. 

Mas podemos cerrar a questão mais do perto. 

A fonte dos Macacos, cuja temperatura primitiva é de 41 c 2, che- 
ga ao Estabelecimento com 37 c 2, perdendo por consequência 4 grãos 
centígrados, durante o seu trajecto atravez do encanamento que se 
desdobra por mais de quinhentos metros. 

Será novo o facto ? 

Envolverá oUe mais um capitulo de accusação contra a Empreza 
Balnearia de Poços do Caldas ? 

Não. 

vSô os que ignoram os mais rudimentares principies de liydrologia 
medica poderão v.ílirmal-o. 

E se não, leia-se : 

«A distancia a percorrer, diz Sénac-Lagrange, ol). cit. pag. 167, é 
ás Tezes considerável para uma agua quente : a fonte dos Ovos, em 
Cauterets, percorre um espaço que não attingem as aguas quentes 
em geral, pouco mais ou menos 2 hilonietros e meio. Durante este 
longo trajecto, ella perde perto de O grãos e chega a uma temperatu- 
ra que necessita a sua mistura com a agua fria para uso dos banhos. 
Além dos conductos de Manilha,, maus conductores do calórico, a fon- 
te é ainda protegida por uma espessa parede do pedra ». 

A' vista disto, como se poderá censurar a Empreza por ter encana- 
do as aguas dos Macacos á uma distancia de quinhentos metros de 
sua nascente, guardando no respectivo encanamento os mesmos pre- 
ceitos observados na celebre estancia balnearia de Cauterets? 

Acaso não disporá o Estabelecimento do banho de 41c 2, como é o 
banho dos Macacos na sua nascente? 

Pois a composição ehimica das fontes dos Poços não será idêntica, 
variando somente a temperatura? 

E chegando a agua. dos Macacos ás banheiras com 37c 2, não se 
aproximará cila mais da temperatura de 36c, a qual deve ser o ideal 
para o l)anho thermal, na plirase de DuraiuWardel ? 

]SIas a agua dos Macacos, dizem, perde saes atravez do encanamen- 
to, e isto altera a composição do banlio. 

E' outra inverdade e outra censura infundada. 

Em primeiro logar, a analyse cliimica derruiu pela base esta 
asserção, como peremptoriamente o demonstra o relatório do nosso 
illustrado mestre e amigo, dr. Souza Lima. 

Em segundo logar, a fonto dos Macacos não deposita saes atravez 
do encanamento; mas sim a matéria orgânica que se acha em sus- 
pensão na agua, a «lual é conhecida pelo nome de glerina. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 217 

O que õ vord.ulo, poróni, è ((uo n rjlrriíut iiuo se deposita iliari.i- 
iiieiitu no oncaiiaineiito dos Macacos ; inuití)S dias se passam sem 
que o phonomono seja observado. 

Seja como fôr, o lacto nada tem de extraordinário, e não pôde ser 
levado á conta de erro da Emproza lialneari.i, poniuo ollo se observa 
mais ou menos jios encanamentos das aguas sulpliurosas om todos 
os pontos da terra, desde que o mundo existe. 

«As ajíuas sulpliurosas, diz SèndoLiiorauria, ob. cit., pag. lõl, le- 
vam com ellas e depositam no seu perciimo uma matéria fíclatinosa, 
que possuo ás vezes os caracteres de um vegetal bom determinado.» 

lista matéria pôde i|:or orgânica ou organisada: no primeiro caso, 
temos a barcgina, que existe sempre em dissolução, ou i\ fjlerinn , (\\\q 
se encontra em suspensão; no segundo caso temos a sulplinrarid, 
sultstancia lundamontal, verdadeira conserva, que podo existir em 
liVierdade, ou envolvida na fjleriíui. 

Mais ainda ! 

« Nos conductos e reservatórios das aguas sulpliurosas, diz Sénac- 
Lagrange, ob. cit. pag. 1.5.3, depõe-se de ordinário uma matéria bran- 
co-encardida, de apparoncia gelatinosa, translúcida ou opaca por 
causa da mistura com substancias estranhas, macias o onctuosas ao 
tocar. Esta substancia recebeu o nome de (jleriíui.» 

Si o lacto, portanto, do deposito da matéria orgânica no encana- 
mento dos y\acacos é observado sempre que se beneficiam as aguas 
ulíurosas ; porque razão se ha de incriminar a Empreza por elle, 
quando é certo que cila, tornando impermeável o encanamento e 
procurando proporcionar o debito da fonte á capacidade dos tubos 
de INIanilha, fez o que a sciencia aconselha para prevenir a precipita- 
ção da glerina ? 



Já desappareceramjna voragem mysteriosa da morte notáveis ci- 
cadãos, habitantes desta freguezia, cujos nomes devem ser lem- 
brados e cujas qualidades devem ser salientadas, embora rapi- 
damente. 

« 

A 7 de maio de 187G íaileceu, na sua lazenda do Barreiro, o major 
Joaquim Bernardo da Costa Junqueira, prestimoso cidadão, que ce- 
deu ao governo de Minas, no dia G de novembro de 1872, gratuita- 
mente, as fontes thermaes de Poços de Caldas e os 92 hectares e 
oito décimos de terra, que constituem o património desta villa ; os 
membros de sua lamilia, que acompanharam o honrado velho nesta 
doação foram os seguintes : capitão José Bernardes da Costa Jun- 
queira e sua mulasr d. Anna Flausina da Costa, o capitão [José 
Osório de Oliveira e sia mulher d. Anna Cândida, de Oliveira Jun- 



218 UEVISTA DO 

queira, Agostinho .losò da Costa Junqueira e sua mulher d. Isaura 
Claudina Affonso Junqueira, e Joaquim Cândido da Costa Junqueira e 
sua mulher d. Maria Luiza de Oliveira ; representou o jxoverno de 
Minas, naquelle dia, o advoíj;ado procurador tiscal da Thesouraria 
Provincial António Luiz Maria Soares de Albergaria. O major Joaquim 
Bernardes da Costa Junqueira morreu aos 83 finnos deidade, chorado 
pelos seus e respeitado por todos quantos o conheceram, tão severos 
eram os seus princípios e tão imaculado eri o seu caracter. 

No dia 5 de setembro de 1875, na idade de (58 annos, íalleceu na 
sua fazenda do Sellado o prestante cidadão, coronel Manoel Ro- 
drigues da Costa, notável pela sua lúcida intelligencia, attenciosas 
maneiras e perfeito equilibrio moral, cuja morte é até hoje sentida 
e chorada, por causa dos serviços que elle prestou e ainda podia 
prestar a Poços de Caldas. 

Mas a grande perda para Poços de Caldas foi a do dr. Pedro 
Aflfonso Junqueira, lilho do coronel Agostinho José da Costa Jun- 
queira, fallecido a 2 de março deste anno, na idade de 25 annos, elle 
uma das glorias da Escola de Minas, cujo curso percorreu até o fim 
do 5.* anno — com o maior brilliantismo e superior talento. Elle 
morreu chorado pelos seus, pranteado pelos numerosos amigos de 
sua família e nunca será esquecida a sua memoria pelo povo de 
Poços de Caldas. 

E a melhor prova do valor intellectual do dr. Pedro Affonso Jun- 
queira está no offlcio, que se vae ler, dirigido ao seu inconsolável 
pai pelo illustre director da Escola de Minas : 

«Escola do Minas de Ouro Preto, em 18 de março de 1896. — Te- 
nho ahonra de levar ao vosso conhecimento que a Congregação desta 
Escola, em sua reunião de 13 do corrente, deliberou unanimemente 
inserir na acta, um voto de pezar pelo fallecimento do ex-alumno 
desta Escola Pedro Junqueira, tão cedo arrebatado á Pátria que delle 
muito esperava, ao seio de sua familia, aos amigos e coUegas. 

Fazendo-vos esta communicação em nome da congregação, com 
ella apresentamos sentidas condolências a toda a illustre familia 
Junqueira. — Saúde e fraternidade. 

lllm.° sr. Agostinho Junqueira. 

Archias Medrado, Director da Escola ». 
A' beira da sepultura do dr. Pedro Junqueira, o auctor desta no- 
ticia proferiu o seguinte discurso, que resume a dolorosa impressão 
do angustioso momento : 

« Senhores : 

Nós outros que representamos actualmente o nosso papel neste 
cantinho do planeta, que se chama — Poços de Caldas — não somos 
filhos desta terra, á parte uma ou outra excepção. O dominio de 
Poços pelos filhos de Poços ha de começar na próxima geração e na- 
quellas que se lhe seguirem. 



ARcmvo rniu.ico minriuo 219 



I 



K è justMinont.fi sob osto ponto do vista quo a morto do dr. Pedro 
AlVonso .luiiquoira, i-ujo cadavorjaz extcndido doaiito do nós, so tor- 
na mais pi'()lundaniente lainontavel, porque elle, sobre ser o typo 
do infellcaliuil, era lillio deste districto, que tudo tinha a esperar do 
sua notável porsomilidado. Sim I — purqiio o dr. Pedro Junqueira i 

possuia muitos dos attrituitos da prando/a : — brilhantes talentos, 
vasta illustrac;ão, admiravíd Ixnn senso, vista chira e perfeita da 
realidade, e, o (|uo mais ò — a paixão irresistível por tudo aquillo 
que era bom, verdadeiro e bello, isto ó, por tudo aquillo que perten- 
cia nos domínios puros e serenos do Ideal. 

A estos iittributos, como do razão, devia corresponder uma orpa- 
iiiza(,'ão pliilosopliica tão noljre u tão olovada como ollos, e ou, que 
fui o seu mais intimo conlidonte e recolhi todos os seus mais se- 
cretos pensamentos, posso dizel-o com perfeito conhecimento d© 
causa. 

O dr. Pedro AÍTonso Junqueira pertencia á eschola plillosophica 
que tem por princípios fiindamentaos o culto do ideal, a negação 
do sobre natural o a procura experimental da realidade. Esta phi- 
losophia, a Idealista, só admitte duas certezas theologlcas attestadas 
pela observação : uma vez exceptuadas ellas, tudo o mais se re- 
sume em probíihil idades ou so/iJios ao sabor do primeiro subjectivista 
queapparoça. — A' primeira certeza theologica que o idealismo expe- 
rimental allirma ó que «o Unlveaso é governado por leis fixas. In- 
variáveis, im mutáveis, brutaes ás vezes nas suas manifestações » — 
o Universo é o numero, o peso, e a" medida ; nclle tudo se submette 
ás leis da esthetica. e da eurliythmia, linje como liontem, amanhan 
como sempre. 

O idealismo entende que Deus não actua por vontades particula- 
res, como dizia Malebranche ; e este facto só pôde ser contestado por 
aquelles que não se acham liliados ao methodo experimental, que fez 
as sciencias, que fez a civilização," que operou todas as maravilhas 
que a humanidade ha um século contempla no planeta. 

E slnão, vejamos. 

— SI Deus influísse directamenfe no tecido das coisas humanas, 
nenhuma occasiao melhor se lhe ofl'ereceria para agir do que ampa- 
rando a innocencia ou defendendo uma causa ju^ta. Ora — isto, 
absolutamente nunca se realizou : — a historia da humanidade é 
uma teia de immoralidades e de Injustiças. — Si Deus influísse dire- 
tamente nas coisas do planeta,, o dr. Pedro AÍTonso Junquei ranão 
morreria no verdor dos annos, cheio de talento e replecto de aspira- 
ções, querendo e podendo prestar aos seus, á sua terra e á sua pá- 
tria, relevantistimos serviços... Deram-lhe ávida sem que elle a 
pedisse e o arrancaram do mundo violentando a sua vontade, uma 
vontade boa e sò inclinada ás grandes coisas e aos grandes acon- 
tecimentos. 



220 HEVISTA DO 

Nao ! Deus níto actua por vontades particulares : — o dr. Pedro 
Junqueira morreu victima do hacillo de Koch, e um bom physico ja- 
mais se deve revoltar contra a natureza. .. K loi o que fez o illustre 
moço — tão resignado, tão paciente perante as brutalidades da sua 
doença ! 

Neste planeta não ha actos volitivos si não partidos do homem ; 

— e aprova de que um ser qualquer outro que não o homem, liaja 
manifestado na terra a interferência da sua vontade, deixando-nos 
vestígios da sua passagem — jamais nos foi dada materialmente, de 
modo que os habitantes dos outros planetas não são seres muito mais 
inteliigentes e poderosos do que nós, por isso ijue ainda não fizeram 
sentir no mundo a acção do seu poder. 

— A segunda certeza theologica afflrmada polo idealismo é que o 
mundo caminha para um fim e trabalha numa obra rnysleriosa. Ha 
no planeta alguma coisa que se desenvolve por uma necessidade 
interior, por uni instincto inconsciente, à maneira do movimento da 
planta para a agua ou para a luz, do esforço cego do embryão para 
sahir do útero, da necessidade intima que preside ás metamorphoses 
do insecto. — O mundo está no trabalho de aiguma coisa: — omnis 
creatura ingemiscit et parturit... 

E quereis saber qual é o grande agente do caminhar do mundo ? 

— é a dor ; é o ser descontente, o ser que se quer desenvolver e não 
está á vontade para o conseguir. O bem estar só gera a inércia ; — 
o embaraço ó o principio do movimento : — é a pressão que faz a 
agua subir e que a dirige. A puberdade da mulher vem de um ovo 
amadurecido para a vida e que quer viver. — « Como um grande co- 
ração que transborda de um amor impotente e vago, assim o uni- 
verso está incessantemente na dòr das transformações »... 

E sabeis qual o grande escopo da marcha do mundo ? é a forma- 
ção de uma consciência cada vez mais reflectida no seio do Universo, 
O que é possível — deseja realizar-se. Toda a realidade aspira à 
consciência. Toda consciência obscura aspira a osclarecer-se, 

Não tenhamos medo de que o progresso do mundo venha a parar, 
percutido pelo egoísmo que nada produz. 

Assim como a Providencia guardou no seio da mãe a dose de 
amor necessária a assegurar a perpetuidade da espécie, assim depoz 
também no seio da humanidade a parcella de desinteresse sufflcíente 
para que se mantenha no planeta a tradição da vida superior. 

Ella tem interesso em que o homem seja virtuoso, ame a verdade 
o cultive o Hello, embora elle ignore a recompensa que o espera. 

O «imperativo categórico», que é amais alta expressão do divino 
no mundo e o fundamento de todas as religiões, segura-nos pela gar- 
ganta, obriga-nos ao cumprimento do dever, embora o homem se con- 
fesse um explorado. 



ARCHivo rnoijco minriro 221 

Si o veriladoiro.o bom o o hcllo, disso aljali/.iido pensadoí', fossom 
coisas IVivoIas, lia inuitfj que o iioineni teria abandonado o cnlto que 
lhes presta, porque o ideal não rende nada. 

Em vez de produzir êxito na batallia da vida, o verdadeiro ta- 
lento, a vcrdadeir;i virtude e a verdadeira sciencia prejudicam, con- 
stituindo ás vezes o maior dos martyrios. 

E acaso o dr. Pedro .Junqueira não terá sido um martyr do estudo, 
da sciencia ? ! P^oi, estudando, traballiando indelessainente pela sci- 
encia, que elle adiiuiriu o gérmen da moleltia que o matou em tão 
verdes annos. 

K não penseis, senhores, que, procedendo por esta lòrma, o idea- 
lismo intenta resuscitar a philosophia das causas linaes, tão velha 
quanto desmoralisada. 

O que anti^^amente se collocava nos domínios do ser e da creação é 
hoje oolhjcado no ponto de vista do /icri, da lenta evolução. 

Estabelecidos estes princípios, claro ó (lue a sciencia, para o dr. 
l\Hlro .Junqueira, só podia ter unia base e uma ideia, amparando-a e di- 
rigindo-a, o que tudo se pode condensar neste principio: — «todos os 
phenonienos naturaes podem e devem ser explicados por meio do 
movimento dos átomos ». 

Isto quer dizer que elle rejeitava a concepção moniata do mundo, 
que só vé na Natureza a energia ou grupo de energias, negando a 
existência da matéria, como recentemente fizeram ( no Conguesso 
DOS NATURALISTAS ALLEMÃKs, reunído ciu Lubccls. ) O cclebrc chimico 
Ostwald e o eminente anatomo pathologísta Rindíleisch. 

Não, a ideia é uma virtualidade que não pode ter existência sem 
a matéria : — não ha edifício sem pedras ; não ha pensamento sem 
cérebro e não ha musica sem instrumentos. — E as pedras não são 
o ediíicio, o cérebro não c o pensamento e os violinos não são a 
musica, mas simplesmente a condição shie qua aoa do appareci- 
mento da ideia no seio da realidade. 

Uma sonata de Beethoven, no papel, não existe senão em poten- 
cia. E' a vibração, facto physico, que põe em acção o pensamento 
do compobítor, a circumstaneia que dá á sonata uma existência 
real. 

Isto quer ainda dizer que o dr. Pedro .Junqueira rejeitava scien- 
tificamente toda a investigação relativa ás causas primarias e linaes, 
que de direito pertencem aos metapliysícos e aos tlieologos ; — elle 
parava na contemplação das causas secundarias ou instrumentaes ;• 

( — inslruínenfum rede clcfinitur aiuxa cgens in virtutc (lUcriía). — O A i 

que elle queria era que os operários da sciencia trabalhassem —mas ! 

sem ter em vista o resultado pratico dos seus esíorços. Quem põe j' ' 

a mão á charrua do lavrador, disse um sábio, não deve voltar-se para 'j 

olhar o sulco aberto no seu rasto, a menos (jue não queira ser in- •' 

digno de trabalhar no campo da sciencia. 'j 

E para que mais, senhores ? ! 



222 REVISTA DO 

Foi, adoptando este ponto de vista, que a sciencia, esta sciencia 
que ha cerca do 100 annos diri^íe os destinos da civilização e a elles 
preside, operou no pl;ineta as maravilhas do nosso tempo, exclusi- 
vamente apoiada no methodo experimental o na consideração dos li- 
mites da intelligencia humana. 

E quem poderá prejulfíar o luturo? Até onde irá o desenvolvi- 
mento dii intellijíencia e o aperfeiçoamento da sciencia? — Nós não o 
sabemos. 

Si em 100 annos a sciencia transformou o mundo, — que será o 
planeta daqui a 100 séculos, daqui a um miliião de séculos? Até lá 
quem nos dirá a nós que os habitantes de outros planetas, dada a 
lei profíressiva do Universo, não se communicarão com os moradores 
da Terra, dando um solitlo ponto de apoio á intelligencia liumana, 
tão frágil e tão fallivel, para a comprehensão de conjunctos cada vez 
maiores do infinito, no espaço e no tempo ? 

Sonlios.. sim — sonhos... 

E' preciso voltar á realidade. 

A realidade ó tão triste ! 

— Tombou um grande talento na lucta pela existência, para não 
mais se erguer, cobrindo de lucto a familia, os amigos e a sua terra 
natal, — e esta perda é irreparável porque a morte não tem direito 
e não tem avesso. E, si alguma coisa nos consola, na immensidade 
da nossa dòr, é que a personalidade do dr. Pedro Junqueira jamais 
será esquecida por nós — porque a sua memoria perdurará sempre no 
coração daquelles que o amaram e admiraram nesta vida, que foi para 
elle um tormento e um martyrio. 

Possa o seu exemplo, que foi edificante, despertar no coração da 
mocidade de Poços os grandes, os nobres, os generosos estímulos que 
lhe serviram de incentivo no curto viver. 

E agora, adeus, adeus para sempre, meu cunhado e amigo, meu 
companheiro, minha boa, minha nobre, minha santa, minha illustra- 
da convivência I 

Emquanto eu viver, o teu i espirito viverá commigo. 

Adeus ! » 



E qual será a lição de tudo isto ? 

E' que a felicidade absoluta, neste mundo contingente, é uma 
verdadeira chimera, sem existência sinão nas imaginações desvaira- 
das. A felicidade neste planeta só pode dar-se por um acto supremo 
da intelligencia e da vontade, por um esforço ideal e meramente sub- 
jectivo. « Job, cantando os seus hymnos de resignação e glorificando 
a Deus nomeio da miséria a mais cruel, é a expressão excessiva de 
uma grande verdade moral ». A felicidade não existe sinão quando 



AUCHIVO niRLICO MINKIRO 223 



O espirito é porieitamonte equilil)ra(lo o sabo pairarão do cima das 
(^irciimstanoias exteriores da realidado que aiiios(|uinliam e matam, o 
tal era o caso do dr. Pedro AíVonso .luiiqueira. 

O sentimento do- dever, a que Catão ciiamava o Medo, é a mola 
intima que sòe r-oalizar a (elioidade possivel neste mundo, porque 
desde que o individuo perde o temor de Deus ou n níspeito de si 
próprio, o as sociedades o respeito das íbrças exteriores e concur- 
rentes, (|ue as devem eijuilibrar, tudo rue por terra e se desor- 
ganiza. 

A existência luimana, neste mundo do ephemeros, passe-se entre 
o Amor o a Morte, a gera(.-ào o a desti-uigão, o zenitli e o nadir de 
toda a realidade individual. Nòs nos agitamos na eterna atinos- 
pliera do leminino e vamos alinal decompor-nos no tumulo. Mas 
que valeria tudo isto, si não fòra o « imperativo categórico » (jue 
nos aconseliia e ordena o amor ideal, puro, quasi divino, que des- 
aliroclia em compaixão e piedade, « retemperando com as crises que 
provoca o equilíbrio dos nossos pensamentos e a saúde do nosso 
espirito » ? 

« Aquello que, som ter de esmagar desapiodamonte os sentimen- 
tos e paixões da sua natureza, sem ter de partir a mola interior que 
o torna um ser vivo, consegue mitigar, moderar, ponderar ou equi- 
librar os impulsos do seu sangue com os dictames .das suas ideias, 
sanccionando paixões e pensamentos com a luz inextinguivel dos in- 
stinctos moraes e do senso esthetico ; olhando para si próprio e 
para as angustias, para as dores e para as feridas da sua vida com 
uma commiseração visinha do desdém ; olhando para o próximo e 
para o mundo sem desprezo nem orgulho, mas com a ironia cari- 
dosa que se deve a toda? as cousas involuntariamente inferiores ; 
contemplando finalmente com uma curiosidade plácida e discreta 
nevoeiro dos mysterios e problemas que, sondados, endoidecem e de 
que é mister fugir cómodos abysmos cujas vertigens allucinam ou 
embrutecem ; esse homem, por fora activo, por dentro como que 
apatthico, por vezes ( só por vezes ) atacado de tédio, mas sabendo 
que não deve nem pode aborrecer a vida ; esse homem é o único 
verdadeiramente feliz ». 

Tal foi o dr. Pedro Allonso Junqueira, e por isso nós veneramos 
a sua memoria e o estimámos durante a sua curta passagem sobre a 
terra . 

Ephemeros — que nós somos ! 



1 



*1 



I 



1 



I 




(Manuscriíilos do An-liivoj 




ia ao 




i 



iii 



llaiiifcstafnes ún a Iiiè leiídcnda Kacioia 



Acta do dia doze de outubro de mil oito centos e vinte e dois ankos 



Anno do Nassimento de Nosso Senhor Jesus Cliristo de mil oito 
centos e vinte o dois, aos doze dias do mez de outubro, Nesta 
Villa Nova da Rainha de Caithé, em os Passos do Concelho, onde 
se acham presentes O Guarda Mór (íeral das ^Nlinas João Baptista 
Teixeira de Sousa Coutinho Juiz Ordinário Presidente da Camará, 
Veriadores e Procurador delia, o Juiz dos Orpliams, O Almutacél, os 
Homones Bons da (lovcrnani.'a, os Reverendos Paroclios desta Villa 
o do Arraial de S. Jofio Baptista do Morro Grande, com os seus 
Clérigos, o Barão de S. João ^larcos e muitas outras pessoas da 
Nobreza do Brasil o muitos oiliciaes Majores e Subalternos dos 
Corpos de .Milicias e Ordenanças e Cidadãos do todas as Claces ; por 
todos unanimemente Ibi declarado <iue Julfrando-se a Pátria atacada 
nos seus mais sagrados Direitos, desprezada u sua dignidade, em- 



26 REVISTA DO 



sultados seus Representantes em Portugal e perdida toda aconíian(;a 
no Congres(;o de Lisboa que só tenta escravisar de novo este ri- 
quicimo Império, postergando nossas representaçoins e todos os de- 
veres e relaçoins da Coníraternidade, que deverião ligar os dous 
hemisférios habitados por Homeins da mesma Religião, do mesmo 
sangue, da mesma lingua, tendo-se outro sim deliberado a convo- 
cação da Assemblea Geral Constituinte e Legislativa, e sendo por 
isso necessário que o puder exzecutivo esteja plenamente autori- 
zado para exzecutar as leis que se forem promulgando, o que não 
podia efeitoar-se, istando o Prencipe Regente como delegado de El- 
Rey ; e constando alem disso que o sr. D. João Sexto se acha em 
estado de coacção e obrigado a sanccionar tudo quanto querem as 
Cortes de Lisboa, como aconteceu a pouco ; expedindo Decretos 
para Remessa de Tropas para acometer-nos ; e exigindo linaJmente 
a grandeza deste Continente, que nelle se funde a Sede do Governo, 
que nos fellicite : por tantos e tão pondero zos motivos, e attendendo 
ao incançavel desvelo com que o Príncipe Regente e Erdeiro da 
Crõa tem desimponhado o titulo de Defençor Perpetuo do Brasil 
concordaram todos de suas muito livres vontades em ratilicar so- 
lemnemente a proclamada Independência do Brasil ; protestando da- 
rem por ella as vidas ; e aclamar com as devidas solemnidades 
neste dia o mesmo Príncipe Regente e Defençor Perpetuo, Senhor 
Dom Pedro de Alcântara, Primeiro Imperador do Brasil, com a con- 
dição de que o mesmo Augusto Senhor Jure previamente. Guardar, 
Manter e Defender a Constituição pulitica, que fizer a Assemblea 
Geral Constituinte e Legislativa do Brasil. —Depois disto mandou o 
Presidente ao Primeiro Veriador, ao Segundo e ao Terceiro fazerem 
Aclamação seguinte : « Imperial, Imperial, pelo Senhor Dom Pedro Pri- 
meiro Imperador Constitucional do Brasil » — a qual sendo aplaudida 
com vivas da maior alegria e entuziasmo por todo o Povo seguirão 
todos os cidadãos para a Igreja Matriz para unirem seus votos pella 
prosperidade do Império do Brasil, do Imperador e de sua Imperial 
Familia e para renderem ao Supremo arbitro dos Impérios 
as devidas graças, por tão juntos motivos. E desta sorte 
houverão por finda esta Acta que todos assignão, commigo 
José António Fecundo Velloso, Escrivão da Camará que o es 
crevy. O Juiz Presidente João Baptista Ferreira de Sousa Cou- 
tinho, O Vereador J^é Sá de Bittencourt e Camará, O Vereador 
Francisco Thomaz Carneiro de Miranda, O Vereador Manoel da Mota 
Teixeira, O Procurador Pedro Lino da Silva Lopes, O Escrivão da Ca- 
Mara José António Fecundo Velloso, O Juiz d'Orphãos Manoel José 
Pires da Silva Pontes, O Juiz Almotacel José Ferreira Pinto, O Juiz 
Almotacel Policeno da Costa Pacheco, AíTonso Isidoro da Silva Diniz, 
Vigário Manoel Gonçalves de Almeida, O Padre José Joaquim de 
Sousa Coimbra, O Padre Emerenciano Maximino de Aseredo Coutinho, 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 227 

O Padre António Alvares do Sousa Coutinho, O radreScbfistiilo José 
do Carvaliio 1'enna, U l'adre Manoel Tinto Ferreira, Coadjutor de 8. 
João iJaptista, O Padre Joào Allonso Mondes, O Padre Nicolau Gomes 
de Sousa, Capellão da Ptiulia, O linrào de S. João Marcos, An- 
tónio Tiiomaz do Fijíueiredo Neves, Tenente-coronel José de Mello 
do Sousa Almeida Hrandào e Menezes, Coronel José de Sá Bitten- 
court, Jacintho Pinto Teixeira, Coronel Apgrejíado, Coronel Felicio 
Moniz Pinto Coelho da Cunha, Coronel J'oão da Motta Ribeiro, José 
Feliciano Pinto Coelho, Major de Cavallaria, O Capitão Mòr Felis- 
berto José Corrêa de Miranda, O Commandante Interino das Orde- 
nanças Ipnacio José Horfíes, Capitão das Ordenanças José Ferreira da 
Silva, João Gomes de Araújo, Joa(iuim José de Senna, Capitão Seve- 
rino da Costa Ribeiro, Capitão António José Ferreira Hretas, S. Mór 
Tenente Manoel Dias de Freitas e Mosa, Ajudante Joaquim Claudino 
de Sousa Hr;indão, Guarda Mói- e P. Estandarte João António de Ma- 
galhães, Manoel de Campos Cruz, José Ancheta Teixeira, Capitão 
Commandante de Milícias Pedro Pereira de Andrade Rego, Manoel 
Thomaz Pinto de Figueiredo, Egas Muniz Pinto Coelho da Cunha, João 
Miz de Oliveira Salazar, Tenente Manoel Miz de Oliveira Leme, 
Alferes João Duarte de Lacerda, Capitão João da JNIotta Teixeira. 
Commandante de Companhia José Silvério Pereira, Tenente Nicolau 
de Tolentino e Azevedo, Advogado António F. Magalhães e Silva, 
Alferes Félix António Dislandes de Monlevade, António Teixeira Al- 
meida e Silva, Maximiano Augusto Pinto de Moura, Quintiliano 
Martins da Costa, Tenente da 2." linha de cavallaria António Fer 
reira Torres, Sargento António Gome s Rebello, Giuseppe Musaglio, 
Italiano, Manoel Mariano de Azeredo Coutinho, Cadete-Furriel An- 
gelo Oliveira de Toledo, Furriel J oaquim Caldeira Fernandes, Porta 
Estandarte João Baptista Gomes de Freitas, Manoel Furtado Pinto 
Coelho,Tenente de primeira linha José de Aguiar Leite, Capitão Félix 
Pereira da Silva, Tenente da 1.' Companhia José da Costa Nunes, 
Quartel-Mestre Domingos Rodrigues Vieira, Ajudante, Jacintho José 
Pimenta de Figueiredo Vasconcellos, Eugénio Pereira Neves, Te- 
nente António da Costa Alvares, Joaquim Gomes Lima, Alferes 
Manoel José Ferreira, Sargento da 1.=^ Companhia João Alves de Al- 
meida, Alferes Theotonio Gomes da Cruz, Alferes Roberto Gomes da 
Silva, Capitão da 3.* Companhia Felizardo Mendes Pereira, Tenente 
José Corrêa Araújo, Vicente Magalhães Pereira, Proposto tenente 
João Bento Padillia, Alferes Feliciano Ferras Costa, Jacinto José de 
Almeida, João Gomes da Cunha Gouveia, Quartel-Mestre da Compa- 
nhia de Milícias João José Carneiro de Miranda, Francisco José da 
Fonseca, António Francisco da Costa, António Ferreira da Cunha, o 
Padre José Ferreira da Cunha, António Muniz de Oliveira, José de 
Almeida Bastos, Capitão o Guarda Mor Quintiliano Justino de Oli- 
veira Horta, Porta Estandarte Manoel Ribeiro de Magalhães, Fran- 
cisco António da Camará, Joaquim Pedro de Azevedo Coimbra, Al- 



! 



228 REVISTA DO 

leres commandante Joaquim Rodrigues Villaça, O Padre Luis 
António França, Francisco Gomes da Cruz, António José Ribeiro da 
Costa, Tenente José Caetano Teixeira Souto, Capitão José António 
Cordeiro da Silvji, Jonquim Luis de Siqueira, Alferes Confirmado 
po: S. Majrcsiado .Manoel dos Passos Ferreira, André António de 
Almeida, Domingos António F ranças, João Ribeiro <le Macedo, Luiz 
António de Azevedo, Fclippe António Teixeira da Motta Joaquim 
Pereira da Costa, António Gomes da Silva, António Xavier Vieira, 
Joaquim de Oliv^eira Pacheco, José Simão Gomes de Faria, João José 
da Roclia, José Rodrigues Lima, António de Magalhães e Silva, Ca- 
millo Maria de Lolis, Leandro J osé Ferreira de Sousa, António Fe- 
cundo Velioso, Francisco do Pau la Novaes de Campos, António Ro- 
drigues Lima, Capitão de Ordenanças MatheUs Lopes de Maga- 
lliains. Alferes de Ordenanças Francisco Josc Ferreira de Sousa, An- 
tónio Passos Ferreira, Manoel do Couto Ribeiro, António José Leite, 
Venâncio António França, José Ferreira de Sousa, José da Costa 
Aguiar de Sá, Severino Soares Ferreira, Primeiro Tabelião Francisco 
Victorino da Costa, Francisco Corrêa Rego, Narciso António, Gos- 
tinho Nunes de Faria, João Chrysostomo da JNIotta, Caetano Affonso 
Vasconcelos, Vigário de S. Miguel Francisco Anastácio da Silva Pon- 
tes, João José da Cruz, António Ferreira de Paula, António José 
Ferreira, António Luis Moreira, o Alferes Elias Ferreira Affonço, 
Cabo d"Esquadra José Silvério, José de Sousa Telles Guimarães, Ca- 
pitão de Cavallaria de 2.^ Linlia João Nepomuceno Pereira, 
Felício Pereira da Silva, António José Pinheiro, Euzebio da Costa 
Seabra, Manoel Rodrigues, Francisco José de Moraes Gonçalves, 
Miguel Theodoro Ferreira, Francisco de Assis Xavier de Paula, 
Manoel Fernandes da Trindade, Manoel Gonçalves Barroso, Fran- 
cisco Borges de Sousa Pais. J oaquim António da Silva, Brás Pe- 
reira d'Afronseca, Joaquim José de Castro, Francisco do Coito Bar- 
bosa, Bento do Coito Barbosa, Tenente José Corrêa Araújo, Pedro 
Ferreira Gomes, Capitão Manoe 1 José Dias Azedo, António Pereira 
de Affonseca, Nicolau Gomes de Faria, Domingos António de Sousa, 
José Carlos Ferreira, Alferes Manoel José Dias Alves, Francisco Ro- 
drigues Franco, Luis José Pereira da Fraga, Francisco Pereira da 
Silva, Laurenço Francisco Rib eiró, Vicente Ferreira da Silva, Ma- 
noel Joaquim do Santos, Capitão dos Caçadores do mato Jacinto 
Joze Andrade, Romão de Sousa Ribeiro, Advogado não Formado João 
José dos Santos, José Gonsalves da Fonseca, Quintiliano José de Oli- 
veira Alvarenga, Aurélio Alves Ferreira, Januário Gomes Ferreira, 
Joaquim Bazillio de S. José, Gervásio Ferreira da Fonseca, Fran- 
cisco José Duai^te, Estevão de Barros, João da Silva Torres, Lou- 
renço Justiniano Duarte, Gaspar de Sous-i Reis, Capitão de Orde- 
nanças Marcellino Pereira Tavares, Francisco José de Sousa, Felicio 
José de Castro, José Emerenciano e Faria, Cabo Manoel Dias de No- 
vaes, Joaquim Tliomaz, Jerónimo Gonçalves Rodrigues, Cabo aspe- 



í^^■ 



AHCHIVO PUBLICO MINEIUO 229 



r.ida António («oníes, Matioi^l da Silva Azevedo, A,judante Manoel 
( longa Ives de Garvalliu, O Alferes Doniiníros Alves de (!i'i'., Sar- 
<;ento João Gon(;alves C<íri'ea, Capitão .João Roza Nepomuceno, Cabo 
do Esquadra Manoel Alvos Pinto, Tonont(>da 2.* linha .loaquim José 
do Faria, Ijínacio António Marques, Manool Rodrifíues Rattes, Ma- 
noel Francisco da Costa, Manoel Joaquim Congalvos, Francisco Gon- 
(,alves Nolasco, Kinilio l'into Ferreira (hí Queiroz, Caetano José do 
Carvalho 1'oniia, Jozó da Rooiui Lonios, Joãí» Batista do Almeida, 
Francisco Dias de CarvalJKJ, .loaquim l'into Tliomaz, Manool Con- 
i-alv^s de Mendonssa, João Luís do Miranda, Francisco de Paula do 
Carvalho, Manoel Rayão de Almeida, Sar^íento de Ordenanças João 
Carlos Varella da Fonseca, Guarda Mór Manoel Romão da Cruz, As- 
sino por mim o como procurador domou Pai Alteres Manoel Alves de 
Araújo, José Alves do Araújo Paixam, Saríjonto de Ordenança, Asino 
como procurador de Salvador José Pimentel e de João Fernandes 
Madoira por apresentar de cada uiu dollos procuração, Manoel 
Bayão de Almeida, Bernardo António da Costa, Tenente Francisco 
Alves da Cunha, Eujronio do Moraes Pires, João Francisco de An- 
drade, Capitão de Ordenança l'aulo José de Sousa, Alferes de Or- 
denança João de Deus da Fonseca Aleixo, Alferes de Ordenança João 
Ribeiro da Fonseca, António Coellio Ferreira, Capitão de Ordenança 
Cassemiro Carlos da Cunha Andrade, Joaquim Bento da Silva, iMa- 
nool de Ma<íalliaens e Silva, João Coelho de Carvallio, António Gon- 
salves Corrêa, Jozé Joaquim Coelho, Severino António, Angelo Cus- 
todio de S. Annna, Joaquim Mendes Durnello, José Luiz Pereira, Te- 
nente de granadeiros Joaquim Jozé de SanfAnna, Tenente da 3.^ 
Companhia Jozé Pereira da Costa Vianna, Camillo Simoens, Fran- 
cisco de Paula Pereira, Manoel Ferreira de Mello, Pantalião Pinto 
Ribeiro, João Bicudo de Alvarenga Leme, Alferes de Ordenança 
Jozé Gonsalves Moreira, Jozé Luís Rodrigues de Moura, Guarda Mor 
Theolonio da Costa Lage, António Teixeira Borges, Alferes de Orde- 
nanças Manoel Nunes Coelho, Tenente Policarpo Jozé Barballio, 
Alferes Agostinho Lopes Ramos, Manool Pereira de Senna, Fran- 
cisco de Paula, Cabo d'Esquadra Luis Alves Pereira, João Esteves 
Larangeira, Venâncio Alves Pereira, Alexandre Jozé Pinto, Ca- 
pitão António Gomes dos Reis, Silvestre Demétrio, Asino pelo Revd. 
Vigário de S. Barbara, António da Affonseca Vasconcelos, pela 
Procuraçam que me mamlou por empedimento de sua enfermi- 
dade, Jozé de Anxieta Teixeira, Capitão— Asino pelo C. João Vieira 
de Godoy pela Procuração que me mandou para empedimento de 
sua enfermidade, Jozé Anxieta Teixeira, Capitão Vicente Ribeiro 
(Uiimaraons, Francisco Jozé da Silva, Alferes Rafael da Roclia de 
oliveira, Tenente Manoel Pereií-a de Jesus, Francisco Gonsalves Thores, 
Francisco Carvalho mais Assigno como Procurador do Alferes Jozó 

A. P.-3 



230 REVISTA DO 



(lo -Moura Ribeiro, assistente do Arraial da Itabira, pella Procu- 
ração que apresento e Certidão do sua infermidadc, Policarpo Jozé 
Barba lho, Alícres Vcrissimo Martins Torres, Cláudio Francisco 
Praxa, Joaquim Jozé Dias, Jozc Soares Alves, Francisco Machado da 
Rocha, Faustino Pereira da Silva, Francisco do Paula Pacheco, Ma- 
noel Gonsalves Aflbnseca, Furicl, Jozó Joaquim de Sant' Anna, Jozé 
Ferreira da Costa líuono, G. Môr Bernardi» Jozé Mendes, Alferes 
Ambrozio Gonsalves da Motta, Manoel Caetano da Silveira, Felicis- 
simo Jozé de Souza, Joaquim José de Lacerda, José Carvalho Vilha- 
penna, António Jozé Vianna, Furriel Jozé Teixeira Coelho, Fran- 
cisco das Chagas, Estevão Delgado Motta, Alferes Jozé Joaquim 
de Oliveira, Cabo de Ordenança João de Souza Leal Xetto, Manoel 
Alves Ferreira, Francisco de Araújo Lima, Alferes João ?iIanoel de 
Oliveira, Cabo de Escoadra Manoel de Oliveira Pacheco, Paulo Fer- 
reira de Oliveira, António Jozé Leal, Jozé Nunes Ferreira Brandão, 
João Gonsalves de Carvalho, Luis Pereira AíTonço, Jozé Pereira 
Alonso, Joaquim P^erreira Barros, Francisco Nunes Figueira, An- 
tónio Francisco dos Reis, Policarpo Corrêa de Araújo, Luiz Pe- 
i-eira da Silva, Profeçor de Cyrurgia António de Araújo Quintão e 
Miranda, Capitão Brás Ferreira de Araújo, Alferes Gabriel Vellozo 
de Araújo, Clemente Eugénio Rebello e Castro, Jozé Pereira Rego, 
Alferes Manoel Luis Perdigão, Serafim Dias Tavares, António Cae- 
tano Vas, Tliomé Jozé de Castro, Manoel Gonsalves Roza, Adam Lo- 
pes de Souza, Pedro Anacleto da Silva Lopes, S. Môr João ^lartins 
de Oliveira, Manoel Ferreira da Costa, João Ferreira de Queiroz, 
João t Felis do Amaceno, Bernardino Jorge Pereira, ^liguei Joa- 
quim de Araújo, Policarpo Jozé de Freitas, Manoel Francisco de 
Oliveira, Ignacio de Barbeicitos Ladrão, Jozé Joaquim Lopes, Manoel 
da Silva, Thomaz Baptista Ferreira, Felisberto Duarte, Francisco 
Gonsalves Roza, João Luis Pinto Mora, Bernardo Vieira Leite, 
João Baptista Pinto Ferreira de Queiroz, Angelo Custodio 
de Menezes,. António de Magalhaens Portilho, Luis Jozé dos 
Santos,' Alferes Joaquim Ferreira da Silva, Guarda Mór António 
Marques Guimarains, Joam Gonçalves Barrozo, Sargento 'Mór Ber- 
naixlo Joaquim dos Santos, Alferes Cláudio Jozé dos Santos, Alferes 
Joaquim Jozé dos Santos, Aferes João Dias Bicalho, António de 
Souza Telles Guimarains, João Vicente de Freitas, Cabo de Escoadra 
João Duarte de Moraes, Manoel Ribeiro da Costa, ]\Ianoel de Araújo 
Lima, António da Silva, Luis António da Silva, Manoel João de 
Souza, Jozé Francisco Gomes, Sargento António Pinto da Roxa, 
Cabo António Baião de Almeida, Jozé Dias de Miranda, Cabo, Joa- 
quim Rodrigues Pereira, Cabo, Theodorico Rodrigues Alves, Alferes, 
O Padre Jozé de Freitas Rangel, António Correia, João Baptista 
Barroso, Capitão cômmandante Jozé Fernandes Lobo, IManoel de 
Soiza Machado Chaves, Guarda Mór Jozé Gomes de Araújo, Te- 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 



231 



nente Joaquim Gomes Drumond, íluarda Môr da Freíruezia df S. 
Mi^niel, Manoel Moreira de Fi;rueirodo Mascai-enhas, ProCossor de 
Graminatica Latina, Manoel António f Souza Lol)am, Manoel Fe- 
lippe da Silva Diniz, Manoel António de Moraes Castro, António 
Pereira da Costa, (1 M. lozc Joaíjuini do Andi'adc, Manoel da 
Costa Lafíe, Alleres Franeiseo Pi'oc(jpio da Silva Monteiro, Jozé Tel- 
les Ferreira, Alleres JozO «icrvazio, Fi'anciso(» Lopes, Manoel dos Reis 
Ca!'valiio, António Cezario de l'u;:as, Manoel (lon(;alves da Costa, 
Franeiseo .luzè P^erreira, Luiz Rodri^rues Franct» Manoel Monteiro Pe- 
reira, Manoel da Rocha Oliveira. João Comes da Costa, Francisco di 
Paula Azevedo, António Monis, João da Costa Bitencourt, Joaquim 
Mendes do Mello, Luis Soares de Oliveira, Félix Ferreira da Motta, 
Jozt" (;ont;alves Lima, Jozó Soares d"Antas, Jofio (íon(;alvcs Lima, 
Luis António da Silva, António Jozé de Andrade Pereira, Manoel 
domes, João Barbosa de Oliveira, João Chrisostomo da Silva, Jozé 
Joaquim Teixeira Penna, Assipno como Procurador do Capitão João 
Joz(' Ferreira de Abreu, Capitão João Duarte de Lacerda, Marianno 
Francisco Pereira da Silva, Santos Alves de Castro, Francisco An- 
tónio da Silva, Manoel Jozé do Mello Fagundes, Alferes de orde- 
nanças, António de Sampaio Silva, Alferes de Ordenaças. Assino por 
mim e por Bento Cardoso (íato. Vicente Jozé Gonçalves, Jozé de 
Almeida de Carvalho, Luiz Alves Pinto Ferreira, António Manoel 
Souza Guerra, Manoel Ferreira Carneiro, Jozé Theotonio da Paixão, 
Porta Bandeira, Dominfros António Teixeira da Costa, Jerónimo Fer- 
reira de Aguiar e Silva, Francisco Jozé Ferreira Camará, Agostinho 
Francisco Pereira de Camargos, Julião Moreira, João da Costa Pe- 
reira, Gregório Coelho de Moraes, Luis Barbosa de Oliveira, Patrício 
Francisco de Souza Pereira,, Veríssimo Xavier, Vicente Francisco 
Alves, Como Procurador do Padre Pedro Coelho de Moraes Castro, 
João Duarte de Lacerda, .Manoel Furtado Leite, Guilherme Fur- 
tado Leite, Alferes de Ordenanças Januário Jozé do Rego e Silva, 
António da Silva de Athaide, Jozé Joaquim de Figueiredo, Alferes 
António Carrilho de Campos, Alferes João Vieira de Carvalho, Te- 
nente de milícias, Jozé Fernandes de Mello Silva, Joaquim Roberto 
de Carvalho Macedo, Luiz Jozé Pinto Coelho da Cunha, Francisco 
de Assis Pinto Coeliio da Cunha. Como Procurador do Capitão Joa- 
quim Alexandre, Jozé Tavares de Paiva. Jozé de Almeida Bastos, 
Capitão Guarda Mõr Manoel Felippe Lobato, Manoel António 
de Azevedo, Alferes de Ordenanças, Francisco Xaxier de Almeida, 
Francisco Jozé de Almeida, Arnaldo José Gomes Nascimento, Ignacio 
António Mendes, Manoel António Vaz, Jozé Nunes Ramos, João da 
Cunha, João Gonçalves Meira, Manoel da Silva, Jozé Pereira da Sil- 
va, Francisco de Souza Barbosa, Hypolito Cassianno de Oliveira, Joa- 
quim Jozé Ferreira de Souza, Francisco Pacheco Ribeiro, Manoel Pe- 
dro de Amorim, António Dias Furtado, António Jozé de Macedo, Ca- 



232 REVISTA DO 



pitíío Commandanto do Ordenaiirjis, Caetano Dias Torres, Alferes 
de Oi"denangas, Quintino Rodrigues Esteves, AUeres da 2.=* Linha, 
Quintino Rodrigues Esteves, como Procurador do Alferes José Rodrigues 
Esteves. Como Procurador do Ajudante Roque João Pereira, Quintino 
Rodrigues Esteves, Como Procurador do Alferes Venâncio da Costa 
Santos, Caetano Dias Torres. Cypriano Vieira de Moraes, Tliomaz de 
Aquino, Francisco de Paula Coelho, (}uarda-mòr .Joaquim Coelho Linlia- 
res,Mauricio dos Santos Ferreira, Ignacio Furtado Leite, PYancisco dã 
Silva Diniz, Custodio .José da Cruz, Jozé Dias de Araújo, Assignopor Pe- 
dro de Barbeitos Ladrão, como seu bastante Procurador, Domingos An- 
tónio França. Jozé António da Silveira, Jozé de Almeida Lima, O Padre 
Vicente Aleixo de Oliveira, António Barboza, António Severino de Olivei- 
ra,Joaquim Gomes da Silva, Félix Rodrigues Chaves, O Padre Jozé An- 
tónio de Araújo. Como procurador do Capitão Joaquim da Costa Lage 
embaraçado com enfermidade grave, O Padre Jozé António de Araújo. 
Como Procurador do G. M, Jozé da Costa Lage com justo im- 
pedimento, O Padre Jozé António de Araújo. Como procurador do Ca- 
pitão José Luiz Pinto enfermo e inhabil para viajar, O Padre Jozé 
António de Araújo. Como procurador do Capitão Thomé Nunes Figuei- 
ras com queixa attestada, O Padre Jozé António de Araújo. Como pro- 
curador do Revd. Manoel Pinto de ^ledeiros com queixa notória, O 
Padre Jozé António de Araújo. Como procurador do Alferes de Orde- 
nanças João Jozé dos Santos com justo impedimento, O Padre Jozé 
António de Araújo. Faustino Alves Guerra. Joaquim de Souza Almeida, 
Joaquim Ribeiro da Costa. Como procurador do Revd. Félix de Amo- 
rim Costa impedido por causa de enfermidade conhecida e certilicada» 
o Padre José António de Araújo. Ma; oel Xis lo Pessoa, João Caetano 
de Oliveira, João Paulo de Andrade, Victoriano de Andrade Gomes, 
Manoel Nunes, António Ferreira de Miranda, Francisco Barbosa da 
Silva. Como procurador do Sargento-mòr ]\Ianoel Gonçalves de Oli- 
veira, João Duarte de Lacerda, Jozé Ferreira dos Santos, João Jozé 
Rezende, Jozé Pereira Guimarães, Jozé Theodoro, Domingos Rodri- 
gues Guerra, João Nunes Ferreira Brandão, Gonçalo Rodrigues Pe- 
reira de Bragança, Como procurador do Forriel ]\Ianoel Ignacio de 
Moraes que por enfermo o não poude fazer, Gonçalo Rodrigues Pe- 
reira de Bragança. João Felippe Vianna, Domingos António Guimarães, 
Cypriano de Lacerda, O Alferes de Ordenanças António Soa- 
res da Cruz, O Juiz de inventario do Distrito de Cocais Jozé António 
Vieira. Como procurador bastante de Manoel António dos Santos e 
procuração e attestado de enfermidade que appresento, Nicolau de 
Tolentino e Azevedo. Christovão Dias Duarte. Como procurador do 
Revd. Camillo de Lellis Brito, por procuração e attestado que na 
mesma procuração faz de enfermidade que o inhabilita de vir a esta 
Villa, Nicolau de Tolentino e Azevedo. Como Procurador Bastante do 
Alferes João da Silva Cardoso por procuração que appresento o at 




ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 



233 



testado (lo Kevd. Ca])olirni «lo Destricto quo por causa do enfcnnidado 
se Hão pode approsentar, Nicolau do Toloutino e Azevedo. Como pro- 
curador e attostado que appresento pelo Capitão Francisco do Assiso 
Souza Itiboiro quo por cauza do enforniidade o não pode fazer, Nico- 
lau dl' Toloutino o Azevedo. Como procurador do Capitão Leandro do 
(diveira lirajía quo por causa do sua enlormidade não i)ode vii* assi- 
líuar, Nicolau de Toloutino e Azevedo. Manoel Pessoa de Faria, Jacin- 
to da Silva Dinis, o Padro Manoel Rodrigues Loreto, Manoel Gomes 
Ivodrifrues da Costa, Felisardo Gonçalves Ferreira, Felisberto Moreira 
Lião. Como ])rocurador do Kevd. .loaquim Ferreira Barros que por im- 
pedimento de sua enlormidade não i)odo vir assignar, O Padre Luiz 
António França. António do Aguiar, António Gonçalves do Nasci- 
mento, Francisco Xavier de Sá Gloria, Fstevão Ferraz de Mello, Jozó 
Manoel do Nascimento, Manoel António do Nascimento, Arclianjo Jozó 
Pinto, Manoel Toixoiíva do Miranda, Alferes Joaquim Rodrigues da 
Costa, Ricardo Jozó Duarte, Manoel Francisco de Quadros, Manoel Fran- 
cisco Gomes. Por mim e por meu Pai F^rancisco José Gonçalves, Jozé 
Ferreira da Silva. Manoel de Moraes e Souza, João Francisco Danta, 
Tliomaz Gomos Rodrigues, António dos Santos Baptista, Manoel Pe- 
reira Rog'i, 1'rudencio Pereira da Silva, Jozó Joaquim da Silva, Joa- 
quim Romão, Manoel Dias de Araújo, Bento Pereira da Fonseca Souza, 
Manoel Jozó dos Santos, Vitorino da Silva Maxado, Joaquim Teixeira 
de Souza, David Gomes da Costa, José Caetano Pereira e Silva, Bar- 
tliolomeu dos Santos, António Pereira da Silva, Caetano Lopes da Sil- 
veira, José Alexandre da Fonseca, Manoel Jozé Gomes da Mata, F^ran- 
cisco de Magalhães Bastos, Joaquim Ferraz Tibaens, O C. Luiz Soares 
de Gouveia, João Alvares- Portugal, Cirurgião-mór Jozé AíTonso Fer- 
reira, Máximo Teixeira de Andrade, João Vieira, Alanoel Carlos da 
Luz, Joaijuim João de Souza, Manoel Angelo Gonçalves, 2.° Cabo Je_ 
ronimo Emiliano Gonçalves, '.^.* Cabo de Esquadra Jozé Gonçalves da 
Costa, Coarto Cabo Lúcio Rodi-igues de Souza, Joaquim de Miranda 
Ferreira, José Carlos Marques, António Jorge Marques, e como pro- 
curador de meu Pai o Capitão de Milícias Jozé Carlos Marques, Ma- 
noel Gabriel, Manoel .Martins Rodrigues, .Manoel .\lves de Mora, .\nto- 
nio Rangel Soares, .Manoel Francisco .\lves, .\Titonio Machado Lemos, 
.Manoel da Roxa Evangelho, .Manoel Gonçalves Oliveira, António José 
Gomes, .-Vlexandre Ribeiro de Freitas, José Joaquim Gomes do Nasci- 
mento, Bernardo Gomes dos Santos, João Jozé Soares de Gouveia, An- 
tónio Felisardo da Silva, Capitão Francisco Dias Soares, Sebastião 
Carvalho de .\rauJo, .\ntonio Dias .Mendes, Manoel Vianna, Felipe Car_ 
neiro, Francisco Pinto de Almeida, .Xlleres de Milícias de segunda li- 
nha João Barbosa da Cruz, João .Martins de Moraes, Manoel Germano 
de .Moraes, .\ssigno como procurador do Jozé Ignacio do Oliveira em- 
pedido por moléstia, Pedro Lino da Silva Lopes. Jozó Vicente Pereira. 
Como Procurador do AUeres Domingos Barbosa da Silva por empedi- 



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231 REVISTA T)0 



mento do eiironnidade, Nicolau do Tolentino. Como Procurador do 
Sarfíento Comniaiidanto Felisberto Constâncio Harbosa da Silva por 
empedimento tie enfermidade, Nicolau de Tolentino Araújo, o 1'adro 
José Dias Duarte, .lozr Teixeira da Silva, Alleres Francisco -losu da Cu- 
nha, Joaquim Manoel do Almeida Pinto, Capitão de Ordenanças Joa- 
quim António .Alarquei, Luiz Ferreira do St." Como Procurador do 
Alferes Francisco de PauUa de Moura (lue por empedimento de sua 
enfermidade não pode vir, Josõ Anxieta Teixeira. Assigno como Pro~ 
curador do Revd. Francisco José da Costa por impedimsnto de sua in- 
fermidade, Jozè Anxieta Teixeira. Assigno como Prourador do Alfe- 
res António Alves Correia pelo impedimento de sua infermidadc, Joze 
Anxieta Teixeira. Como Procurador do Capitão Manoel Teixeira Bor- 
ges Aranha por causa de sua infermidade. Dominares António Fran- 
ças. Como Procurador do Alferes Joaquim Alves Couto por impedi- 
mento de sua infermidade, Domingos António Franças. Luiz Teixeira 
Boríies Amada, Sargento de ordenanças Ignacio Alves Naccntes, Te- 
nente de 2.* linha Felicio INIoreira da Silva, Luciano António Cor- 
reia, António Francisco da Motta, João Francisco Leite, Joaquim Lo- 
pes Ferreira, Joaquim Lopes de Souza, António Jozó de Car^■alh01 
Jozé Martins Rodrigues, Luiz Fernandes Vieira, Manoel Coelho Fer- 
reira, António Pereira Sarmento, Jerónimo Fernandes Moruyra, Regi- 
naldo António Pereira da Costa, Sargento Manoel Rodrigues Pereira, 
Manoel da Silva Mattosinho, Cabo Vicente de Freitas, Manoel Dias da 
Silva, António Jozé de Oliveira Bastos, O Padre António de Souza 
Reis, António Teixeira, Narciso Corrêa Lima, José António Pereira, 
Francisco António de Paula, Porta Estandarte, .Alanoel Pinto de Al- 
meida, Manoel Henriíiuo de Souza, Sargento Miliciano Francisco Souza, 
Manoel Felippe Vianna, Jozé António Gomes, Jozé Martins Pacheco, 
João Teixeira de Souza, Francisco da Silva Ferreira, Domin- 
gos António Ribeiro, João Villela de Araújo, Joaquim Jozé da Silva, 
Manoel I*into Ferreira, António de :Meirelles Coelho, Estevão de Mei- 
relles Coelho, António de Souza Alves, Luiz de ^^loraes, :Manoel Luiz de 
^Mendonça, Francisco Luiz Corrêa de Paiva, Tenente de Cavallaria o 
Milícias Bernardino José Pimentel, Guarda-mòr substituto José Fer- 
reira Gomes, Porta Estandarte, Felippe Dias de Souza, Manoel Alves 
Fernandes, António Dias do Couto Manso, Miguel Caetano da Fonseca , 
Jozé da Costa Santos, Jozé de Almeida Fonseca, Sargento do Ordenan- 
ças Francisco José da Silva, Bento dos Reis Filgueiras, Euzel)io dos 
Reis Dutra, João Gabriel de Vasconcellos, João Francisco de Aguiar, 
Manoel Martins Gonçalves, Luiz Fernandes Dantas, Manoel Ferreira 
da Costa Passos, Luiz António Ribeiro, Manoel Vieira Leito ^'elho, 
Domingos Jozé Alvares, António Lopes Chaves, José Joa(iuim do Rogo, 
Joaquim José do N;iscimento, Cassomiro José do Nascimento, Bernar- 
do Martins de Carvalho, João Abreu e Silva, Capitão de Milícias João 
Ignacio da Rocha, Vicente de Souza Santos, Ajudante de 2.-' linlia Ma 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 235 



noel Joaquim de Aiaiijo, António da Silva Dias, António Caldeira Hrat, 
Manoel Ferreira da Silva, .Manoel José de AlVonseca, Domin*íos Tinto 
(lo Almeida, Manoel Caetano Rodrigues, (írejrorio Feniiindes de Mello, 
Josi'; Lazaro da Costn, (luarda-mór António (lont.'alves Couto, <iuai'da- 
múr Manoel José de Harros, Manoel Fernandes Ciuimarães, João Coe- 
lho Jacome, Alferes. Como procurador do Capitão Jozé Rodrigues (íal- 
vão, ([ue por impedimento de infermidade não pode vir assinar, João 
Coellio Jacome, Como procurador do Manoel Kspinello íla Silva que 
por impedimento de sua enlerniidade nã > podo vir, João Coelho Ja- 
come. Como Procurador de João Dias de Freitas que por impedimento 
de sua enfermidade, não pode vir, João Coelho Jacome. Como procu- 
rador do Alferes Matlieus (lomes Ferreira que por impedimento de 
sua infermidíide não pode vir, João Coelho Jacome, Como procurador 
do Alferes Alexandre Maxado Coelho que por impedimento de sua in- 
fermidade não podo vir, João Coelho Jacome. Como procurador do Al- 
feres Leandro Nunes Figueiras que por impoilimento do sua enfermi- 
dade não pode vir, João Coelho Jacome. José Fernandes de Oli- 
veira, José Rodrigues Matta, Joaciuim Lopes Alves Jacinto, Comman- 
dante do ltal)ec Jozé António Leite. Como procurador do Alferes An- 
tónio Dias de Freitas, pelo seu impedimento de enfermidade Domingos 
António França, António de Araújo Silva, Jozé do Couto Ribeiro, Cus- 
todio Jozé da Costa, Alferes de Ordenança Silvério Ribeiro Souto, 
Sargento Clemente Rodrigues, Nicolau do Souza Teixeira, José líasilio 
de Azevedo, Joam «íomes de Sousa, Alferes reformado de Milícias, 
José Gonsalves de Barcellos, António Pedro do Rego, João Jozé Fer- 
nandes, João Alves de Carvalho, Domingos Jozé Vieira, Marcellino 
Nuno de Souza, Manoel Jozé da Roza, Jozé Monteiro Novais, António é 
Martins Roris, Manoel de Harros Araújo, Manoel Simão de Figueiredo, 
Sart." d'Henrique, Serafim João (íonçalves de Moraes, Manoel Monis 
Rabello, Francisco Xaviei* de Almeida, Faustino Pereira da Silva, An- 
tónio Rodrigues Masso, Sargentí) Domingos Francisco de Almeida, 
João Leandro da Cruz Machado, Simão Maxim.» Campello. Como Pro- 
curíidor de Jozé António dos Santos em attcnção aos seus impedimen- 
tos de infermidade, João Leandro da Cruz Machado. Anastácio Antó- 
nio dWzevedo Barros, Capitão daS."" linha, O Padre João da Costa P^oii- 
seca. Alferes Joaquim do Soiza Monteiro, Manoel Brandão de Mello, 
Manoel António da Silva, Joa([nim (íonçalves de Miranda, Tliomé Do- 
mingues Veiga, Sargento de Infantaria da 2.» linha e Commandante 
da 8.* Companhia de São Gonçalo do Rio Abaixo e agraduado em Ca- 
pitão, Manoel António Teixeira, José Alves de Almeida, Francisco Dias 
da Silva, Jerónimo José de Sá, João António d.i Silva, Manoel Pereira 
Lima, Domingos António da Silva, Francisco Ignacio Lima, Francisco 
António da Silva, Francisco Alves Caldas, José Oliveira Castro, Júlio 
Marciliano de Oliveira. Assigno como Procurador do Alferes Matheus 
Gomes Ferreira por Procuração que apresento por causa de impedi- 



230 REVISTA DO 



mentos, Nicolau de Tolentino e Azovodo. Como Procurador do AUeres 
Tliomõ Pereira da Roza c certidão dei doente que o iuliabilita de poder 
vir, Nicolau de Tolentino e Azevedo. João do Araújo Lima, .loaquim 
de Meirelles Coelho, Manoel Avelino da Costa, Francisco de Meirelles 
Coelho, Luiz Conçalves de Brito, Joaquim Manoel de Menezes. Antó- 
nio Rodrijíues da Costa, Joatiulin Ferreira de Mello, Furriel da Se- 
gunda Linha de eníantaria Francisco Severo de Souza, João Jozô de 
Carvalho, Manoel Jozó da Costa, Luiz António dos Santos, Ajudante 
do Segundo Regimento do Infantaria do C, Agostinlio Alves Ribeiro, 
cabo de escuadra da 2.^ linha, Joaquim José de Barros, Sargento de 
Ordenanças, Simplício Ribeiro Neves, Alferes de Ordenança. Assigno 
como procurador do Alferes Gaspar de Souza Brajidão que pela sua 
infermidade como prova pella attestação Simplício Ribeiro Neves. 
Procurador de Manoel Alves de Araújo, que pela sua infermidade o 
pode fazer, Quintiliano Justino de Oliveira Horta. Como Procura- 
dor de Jozé Caetano Teixeira da Motta que pela sua infermidade o não 
não pode vir fazer, Quintiliano Justino de Oliveira Horta. Joaquim 
Francisco de Almeida, José Justino de Oliveira Gondim, Manoel Bicudo 
de Alvarenga, Joaquim Américo de Brito, António José de Moraes, João 
Jozé de Menezes. Como Procurador do Revmo. Padre António Pedro 
de Souza que por causa de enfermidade não jjode vir, Romão de 
Souza Ribeiro. Como Procurador de Innocencio Rodrigues de Castro 
que por moléstia não pode vir, Romão de Souza Ribeiro. Como Pro- 
curador do Capitão Jozé Joaquim de Menezes que por enfermo não 
pode vir, Romão de Souza Ribeiro. Como Procurador de Joaquim 
Nunes de Mattos que por enfermo não pode vir, Romão de Souza Ri- 
% beiro. José Vieira de Senna, Manoel Ribeiro da Torre, António Pinto 
Moreira, Jozé Ferreira da Costa, Manoel António Furtado da Silva, Luiz 
Rodrigues Machado, Alferes de Milícias Amaro Lobão Botelho, Joa- 
quim da Rocha e Souza, João Fernandes da* Costa, Vital Jozé Rodri- 
gues Silva, Sebastiam João Duarte, Bernardo de Freitas Souza, João 
Rodrigues da Costa, Jozé Joaquim de Menezes, João Nunes de Souza, 
António de Almeida Lapa, João Capistr-ano de Almeida. Como procu- 
rador do Alferes António dos Santos Ribeiro que por impedimento de 
sua enfermidade não pode vir assinar, João Rodrigues da 
Costa. Sargento Manoel Dias Duai^te, Sargento Domingos Dias 
Duarte, Joaquim da, Mota Teixeira. Assigno como Procurador 
dos pessoaes Domingos António Franças. Assigno como Procurador 
do Padre João Canelo Ribeiro por encommodo Alferes Braz 
António Vieira em razão de seu justo Impedimento, Domingos 
António Franças. Manoel Vilolla de Magalhães, Tenente da 
2." Unha de Cavallarla Paullo, de Araújo Sylva, Alferes do ordenan- 
ças. Como Procurador do Capitão António Gomes de Abreu Freitas que 
por Impedimento de sua Infermidade não pode vir, Manoel Villolla de 
Magalhães Tenente da 2.* Unha, António Pereira Coura, Basílio Pereira 



AUCHIVO PUBLICO MINEIRO 237 

Coura,Est;inislau Domingues da Silveira. r'oIa Communidade e Seminário 
da, keal Casa de N. SonlioraMilo dos Homens, o Tadro Leandro Rehol- 
li) Peixoto e Castro, Supoi-ior. Asssigno como Procurador de Manoel Pe- 
reira Braga, Francisco Pereira Hraga e Jozó Uias de Freitas — Jozô do 

Almeida Bastos, Jozé Dias Bicallid, .Ictzó [''renciscodos Santos. O Padre ; 

Manoel I.uis António da Costa Passos. Procurador de Silvério Dins ! 

liicaliio, quo por enfermo não pôde vir lazer, o Padre Luis António da, 
Costa Passos. Felicio Pereira Barroso. Assigno por Man0(d Anlonio Pe- 
reira por impedimento deste, como seu bastante procurtidor, Domingos 

António Franças. Assigno por Manoel José dos Santos, como Procurador i 

Bastante polo impedimento de moléstia que tem o mesmo Santos, Ni- 
colau de Tolentino o Azevedo. Manoel de Souza Graya, Bonifácio Ba- 
ptista de .Jesus, Manoel Pereira Chaves, (luarda-Mór. Assigno a rogo de 
António Rodrigues Frade como seu bastante Procurador pelo motivo 
de seu justo impedimento. Domingos António Franças. Francisco 
Domingues Gomes, Alferes de Ordenansia da Prata, Francisco Fer- 
nandes Ala, .Jozé Gonçalves de Gurgel, Joaquim Brandão de Mello, 

Jozé Dias Torres de Amorim, Sargento de Ordenanças. Manoel de . 

Soiza Reis, José de Soiza lieis, Vicente Alves Fernandes, O Padre r 

Silvério (jonçalves de Araújo, Francisco Alves Ferreira, Francisco de 
PauUa Rodrigues Silva, Capitão de Districto, Manoel Jozé Vieira, João 
AlVonso Pereira, Francisco Moreira dos Santos, Pantalião Moreira Ro- 
drigues, Manoel Moreira Marques, Luiz Marianno de Almeida Fonseca. 
Asino a rogo de Luis Barboza Teyxeira, como seu Procurador e pelo 
seu impedimento, Domingos António França. Asino á rogo de Fran- 
cisco Barboza Teyxeira, e Manoel Barboza da Silva, como Procura- 
dor destes e pelos seus impedimentos, Domigos António França. Luiz 
Mariano da Silva Perdigão, Manoel Gonçalves de Oliveira, António 
Alves Barrozo, Luis Corrêa Pessoa, Jozé Rodrigues Lima, Caetano Pe- 
reira da Silva, Capitão de Ordenansa de S. Miguel. Como Procura- 
dor do Cuadijutor João Bento da Cruz que por sua enfermidade não 
pode vir, Caetano Pereira da Silva. Mecias da Costa Pereira, António 
Luiz Alves. Asino como Procurador do Padre Jozé da Silva de Azeve- 
do, Capelão Cura da Capella de Santo Amaro do Arrayal do Brumado 
de mato tlentro quo por causa de sua enfermidade não pôde vir, Ma- 
noel da Silva e Azt;\edo. Miguel da Rocha Ferreira, Manoel António 
Rodrigues. Assigno como Procurador do António Joaquim Freitas, que 
se acha molesto em Paços, onde hó morador e por isso não pode vir, 
Romão de Souza Ribeiro. Assigno da mesma sorte como Procurador 
de António Silvério da Silva, morador na ltabira,que por enfermo 
não pode vir assignar, Romão de Souza Ril)eiro. Assigno como 
Procurador de Francisco Joaquim de Andrade, morador abaixo da 
Itabira, (jue por )uolestia não pode vir, Romão de Souza Ribeiro. 
Assigno como procurador de Balthazar Gonçalves Martins, morador 
om S. Miguel, que por enformo não pode vir, Romão do Souza 



238 REVISTA DO 

lvibeii'(». Assifi'no ctiiiio prucurnilur do Alíeres João Gomes de Souza, 
morador no l-ii-umadinho, que por enfermo não pode vir, Ilomão 
de Souza Ribeiro. Assi^no como procurador do C. Manoel Martins 
da Costa, morador no Rio do Peixe, que por moléstia não veio — 
Jozó Ancliieta Teixeira. João Pereira de Andrade, Francisco P^ernan- 
des Madeiras, Joaquim Felisberto Ferraz, Assigno como procurador 
de Manoel Fernandes da Silva, qne por enfermidade não pode vir 
Francisco Ferraz Madeiras. Assigno como procurador de r^Ianoel Gon- 
»;alves de Mendonça, (jue por enlcrmidadc não pode vir, Francisco 
í\n'nande.s Madeiras. Assigno como procurador de António Rodrigues 
Silva que por enfermidade não pode vir, Francisco Fernandes Ma- 
deiras. As^gno pello Alferes André Rodrigues da Silva como procura- 
dor bastante delle por se achar actualmente enfermo em uzo de re" 
médios, Nicolau de Tolentino e Azevedo. Assigno como procurador de 
Francisco Ferraz Coimbra, Jozô Luiz Machado e Manoel Jozé dos 
Santos por empedimento que tem o causa de moléstia, Nicolau de 
Tolentino. Assigno pelo Jozé Rodrigues Ferreira por moléstia actual 
que elle padesse, Nicolau Tolentino Azevedo procurador bastante do 
mesmo e ordem que teve. Assigno pelo Furriel Francisco da Silva 
de Oliveira, como procurador deste, em razão do seu impedimento. 
Domingos António Fi^ancos. Boasventura Gonçalves Coelho, M. L. 
Xavier Moreira, Ignacio de Carvalho, Leal Vaçallo, João da Costa 
Gama. Assigno como procurador do Alferes André de Medeiros Braga 
que não pofle vir por enfermidade que mostrou por atestação, Félix 
Pereira da Silva. António Pereira da Silva, Jozé Fernandes Vieyra, Jozé 
Joaquim Teixeii\a. Assigno como procurador do Alferes António Do- 
mingues da Silva que por moléstia não pode vir faser, João Jozé 
Carneiro de [Miranda. Assigno como procurador do Reverendíssimo 
Coadjutor António da Costa .Marinho, O Padre Luis António França. 
Assigno como procurador do Reverendo Manoel Francisco de Souza 
Guerra, O Padre Luiz António França. Assi gno como procurador de 
António Joaquim Freitas, António Ferreira da Cunha. João Ferreira 
dos Santos, Felício dos Reis de Carvalho, António Romualdo Mon- 
teiro. Assigno como procurador do Reverendo Padre Florianno 
Jozó Ribeiro que não pode vir, António Romualdo ^Monteiro. 



Termo de vereança Geral do dia dois de Fevereiro de mil oito cen- 
tos e vinte trez — Aos dous de Fevereiro de mil oito centos e vinte 
e três nesta villa Nova da Rainha do Caethé, na Igreja Matriz da 
mesma villa, onde se achavão reunidos o Juiz Prezidente, veriadores 
e Procurador da Camará e os Homeins Bons que custumão servir na 
Governança, olllciaes de sagunda linha e das ordenanças e muitos 



ARCIIIVO PUBLICO MINKIltU 239 

proprietários desta villa e sen Termo, aliaixo assijiiiados. Leu o l're- 
sideiite um ollloio do líxcellentissimo Trocurador (leral desta Pro- 
víncia, Kstevão Rilieiro de Resende e li um protesto deste e outros 
Procuradores Gerais do Congellio de Sua .Majestade Imperial con- 
tra a Clauzula do Prévio Juramentd do mesmo Au^rusto Senhor á 
Constitui(;ão que houver de laser-se no l>ra/,il pela Asseml)lcia I>e}íis- 
lativa, encarrefíando a todos que dissessem livremente o que enten- 
(le(;('m sobro o contiúdo destes dous munumentos por todos oniíor- 
mementc Ibi dito quo quando elles aderiram a seus Irmãos de P«tr- 
tu^;;il, para. a sua K(ígenera(;ão Politica não foram movidos por su- 
jíestoins liumanas, nem por I-Isi)irit(» do curiosidade, sim pelo in- 
stincto irrezistivel de milhorarem a sua, sorte ja latijíados de ve- 
Ihacoins e arhitrariedades; que similhmítimcnte quando se acharão 
infíanados na isperanga de futuros mais lelizes pela tirania do Cttn- 

gro(;o, o <iual dividindo as Províncias <lo 15ra/,il As ilesaimava para res- . 

seberem novos ferros, elles não precisavão de informagoins paia ado- I 

ptaroui medidas de rezistencia â peroção e para revendicarem seus 
inauíeriveis direitos ofeutlidos, estabele(;endo-ce espontaniamente a 

oj)iiiião Publica, de que as Cortes de Portu^^al eram tiranas e de que / 

a salva(;ão do Brazil dependia ile medidas diametralmente opostas a 
saber da conver>,'encia das Provincias para hum sentro comum de 
fort^as para que no caso de reputa da Justa Reclamação se lavraceni 
novo Pacto no qual nunca deixaçe de ser o Chefe do Poder Executi- 
vo o Herdeiro da Monarquia a quem o Senhor Dom João Sexto havia | 
conferido a Re}íencia o (jue tudo se deprende da Deputação desta I 
Província de ([ulnzo de Fevereiro do Anno passado e decreto de 
qurlação do Concelho dos Procuradores; que deste mesmo decreto o 
deputação se colhe que tanto os súditos como os Regentes se conci- 
liavam m» pedido e promessa com Juramento de huma horganização 
sabia Justa e adecuada a seus inalienáveis direitos, decoro e futura 
felicidade, (lue tinhão bem presente em suas memorias que sua .Ma- 
gestade Imperial antes da sua Exaltação ao Trono, nunca deixava de 
Reconliecer e proclamar a Subranla Nacional; e que por tanto aclia- 
vão não terem cometido aljcssurdo, e nem inovação ])rigoza em esti- 
pularem a condição tanto antes pelos Hrazilelros proposta e por Sua 
Magestade Imperial aseita; dicerão mais que se nos contratos ordiíui- 
rios deve Reinar a clareza, muito principalmente no contracto daAsii- 
ciação de hum Povo deve brilhara franqueza e Ingenuidade e portanto 
declaravão que a Constituição, a cual exigirão o prévio Juramento 
de sua .Magestade Imperial e que elles tamliem não dovldariam asel- 
tar se entendo do hua Constituição Liberal em que se declai-em os 
direitos Políticos e individuais dos Hrazilelros, e o hnperador tenha 
todo o poder o esplendor compatível com a liberdade e que linalmente 
detestavão as formas democráticas com as (|uaes o Corpo Legislativo 
he tudo e o Rey lie nada; e por conclusão, dezejando todos ardente- 



240 REVISTA DO 



mente a instalar-uo do nossa Assembleia Constituinte e Legislativa 
para obrar de ocordo com o Chefe da Suciedade na confecção das Leys 
que hão de ol)ri}iaI-o e a seus súditos ratiíicavão os poderes que tem 
dado aos Excellentissimos Procuradores Gerais desta Província para . 
que em Nome dus Povos desta Villa eseu Termo possâo requerer e 
protestar ein seu nome tudo quanto for conducente para a prosperi- 
dade do Império e bem ser dos Povos e para aquelle Espelendor da 
representação Nacional que não for ofençivo dos nossos direitos po- 
líticos e civis : e desta forma houverão por íinda esta Acta que as- 
signão. Eu, Jozé António Fecundo Vellozo Escrivão da Camera que 
o Escrevy. O Juiz Prezente João Baptista Ferreira de Souza Couti- 
nho, O Juiz Ordinário Jozé de Sá e Bittencourt e Camará, O Vere- 
ador Jozé Duarte de Lacerda, O Vereador Jozé Ferreira Pinto, O Ve- 
reador Luiz Jozé Pinto Coelho, O Procurador Jozé d'Almeida Baeta. 
O Juiz dos Orlãos Manoel Jozé Pires da Silva Pontes. O Juiz Almota- 
cel Francisco Thomaz Carneiro de Miranda, Jozé de Sá Bittencourt, 
Coronel do 2." Regimento de Infantaria, Coronel João da Matta Ri- 
beiro, O Coronel Felicio Monis Pinto Coelho, O Coronel Jacinto Pinto 
Teixeira, Tencnte-coronel Jozé de Mello de Souza e Almeida Brandão 
e Menezes, O Tenente Sebastião Jozé de Carvalho Penna, Manoel 
Carvalho de Moraes, Vigário da Freguezia da Villa do Caeté, O Ca- 
pitão Mór Felisberto Jozé Correia de Miranda, O Capitão Paulo Jozé 
de Souza, O Capitão João Reis Pinto, O Capitão João Gomes de Ara- 
újo, O Cabo Luiz Soares de Gouveia, O Ajudante António da Costa Al- 
vares, Manoel Pinto Coelho Furtado, Tenente de l.*" Linha Pedro 
Pereira de Almeida Rego, o Capitão Jozé de Aguiar Leite, Tenente 
Comandante do 2.- Regimento Felisardo JNIendes Teixeira, Paulino 
da Costa Pacheco, João Vieira de Godoy Álvaro Leme, o Capitão An- 
tónio Gomes de Abreu e Santos, Brás Ferreira de Araújo, O Capitão 
João Jozé Ferreira de Abreu, Tenente da Cavallaria de Miliciana An- 
tónio Jozé Ribeiro, O Porta Estandarte de Cavallaria Quitiliano Jus- 
tino de Oliveira Horta, O Porta Estandarte Feliciano Ferraz Costa, O 
S. I\I. Manoel Gonçalves de Oliveira, O Capitão Pedro Lyno da Silva 
Lopes, Vital Jozé Rezende Silva, Manoel Fernandes da Conceição» 
Vicente Mis Pereira, proposto Tenente, O Alferes José Joaquim 
de Figueiredo, O Capitão Caetano Pereira da Silva, O Alferes Theoto- 
nio Gomes da Cruz, O Capitão João Asevedo Camará, João da Motta 
Teixeira, Luis Jozé dos Santos, OS. M. João Mis de Oliveira, 
Roberto Gomes da Silva, Sargento Felisberto Chrysostomo Barbosa da 
Silva, Sargento Comandante de Gerão e Tanque, Tenente Jozé Cor- 
reia Araiijo, O Capitão Joaquim Manoel de Almeida Pinto, O Al- 
feres Gaspar de Souza Brandão, O Ajudante Manoel Furtado Leite, 
Manoel Mis da Costa, O Alferes Joaquim Pedro de Azevedo Coim- 
bra, Alferes Elias Pereira Aílonço, Jozé LuciaHO Pereira da Costa, 
Joaquim Gomes Leme, O C. António Roiz Lima, Vicente Jozé Mo- 



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ARCHIVO PUBLICO MINRIRO 241 



reira, I)omin}íos António Friin(;;i, S;it';innto Jozó da ivoclia Lima, .Jorio 
Alvos de Souza foutiiilio, Francisco Xa\i(!i' Hitoncoiirt 1'oroyra de 
Noronha, Manoel Jozé Ferreira Saríjento «la l". Conipanliia, Capitão 
Severino da Costa Ribeiro, 1.- Tahellião Severino Spares Ferreira, 
António Monoel do Souza (íuorra, (íaspar do Souza Uios, Francisco 
Doniinííos (ionios, .lozõ i'eroira Albnço, M;inoel Jozò Vioií-a, António 
T('ixcii'a Horfíos Aiulrado, António .lozò Pinheiro, Joaquim .Io/ó do Bar- 
ros, João Jozô Carneiro de Miranda, João Mis do Oliveira Salazar, 
Tenente Jacinto Jozó de Almeida, João Jozó da Silva Martins, Jíjzó Ro- 
drigues Lima, Furriel Manoel Jozò dos Santos, Sebastião Alves do 
Araújo, Sarfíento, António de Magalhãos 1'ortilho, Jozé Jojiquim (ío- 
mes do Nascimento, Jozó de Souza Telles (iuimarães, António 1'orti- 
lho de Magalhães, João Jozó de Moraes, Sargento, Félix Pereira da 
Silva, João Gomes da Cunha (louveia, (imirda Mòr da 2'. Linlia, Jozó 
Luís da Rocha, Furriel, João Aharos Portugal, Jozó (iongalves Mo- 
reira, António Ferreira da Cunha, Advogado, João Honto Padilha, Ful- 
gencio Moreira Maya, Brathazar (lonçalves Martins, Eugénio Ferreira 
Neves, Tenente, Eugénio de Moraes Pires, Alleres de Cavallaria, 
Manoel da Rocha Soares, Sargento, Tliomó Domingues Veiga, Jozé 
Silvério Pereira, Tenente, Jozé Luiz Machado, Tenente Domingos 
Rodrigues Vieira, Ajudante Luis António de Azevedo, Sangento Ha- 
zilio Joaquim de Moraes, Aleixo da Costa Pereira, Alíeres de Caval- 
laria, José Antunes Ferreira, Furriel, Miguel de Andrade Silva, Sar- 
gento, Manoel Francisco Moreira, Sargento, I\Ianoel Fernandes da 
Trindade, Jozé Fernandes Lobo, André António de Almeida, Manoel 
Ribeiro de Magalhães, António dos Passos Ferreira, Joaquim Pinto de 
Oliveira, Furriel de Milícias, Francisco António da Camará, António 
Gomes dos Santos, Padre Jozô Ferreira da Cunha, O Padre António 
Alves Souza Coutinho, O Padre Luis António da Costa Passos, O Pa 
(Ire Manoel Pinto Ferreira, O Padre i-uis António França, O Padre 
Nicolau Gomes de Aaraujo, Ignacio dos Santos Baptista, Capitão Co- 
mandante João Jozé Soares de Gouveia, Romão de Souza Ribeiro, 
Advogado não formado, O Capitão Jozé Caetano Teixeira Souto, Antó- 
nio Romualdo Monteiro, João Chrysostomo da Matta, Capitão Ignacio 
Jozé Borges, Capitão Jozé Anxieta Teixeira, Francisco Jozó da Fon- 
seca, António Teixeira Miranda, S. g. António Pereira da Alfonseca, 
Jozó Theotonio da Paixão, Porta Bandeira, Francisco Gomes da Cruz, 
João Alves de Almeida, Jozé da Costa Aguiar de Stá, João Nepomu- 
ceno Pereira, Manoel Jozé Dias, Agostinho Nunes de Faria, Joaquim 
António da Silva, Manoel António da Silva, Nicolau de Tolentino e 
Azevedo, Joaquim Dias de Cirqueira, Alíeres da 3." Linha, O Major 
de Cavallaria Jozé Feliciano Pinto Coelho. 



242 REVISTA DO 



Tornio de juramento quo presta I\Ianoel tUi Fonseca Franco — Aos 
(lezenove dias do mez de Abril de mil e oito centos e vinte e trez 
do dito anno, nesta Villa da Rainlia de Nossa Senhora do Bom Siic- 
cesso do Caethé, comarca do Rio das Vellias, nos Passos do Conse- 
llio delia onde presentes se acliavão em acto de veriação o Juiz or- 
dinário Presidente João l^aptista Ferreira de Souza Coutinlio, e mais 
officiaes da Gamara aljaixo assignados, commigo Escrivão adeante no- 
miado, e alii apareceu presente INIanoel da Fonseca Franco, que que- 
ria prestar juramento de Fidelidade ao Prezente Impei-io do lírazil 
por estar ou vir agora nelle Residir, e logo pelo dito Juiz Presi- 
dente Ibe loi deferido o Juramento dos Santos Evangelhos em hum 
livro delles, em que poz sua mão direita, e lhe encarregou juraçe 
de Rezidir no dito Império com suburdinagão as Leis delle, a pena 
de íicar incurço nas mesmas e recebido por elle assim o prome- 
teu cumprir na forma que hera obrigado e que em tudo se sujei- 
tava ás penas das Leis e para constar mandou o dito Juis faser este 
termo, em que assignou com as mais testemunhas e o dito Jurante, 
E eu Jozé António Fecundo Velloso, Escrivão da Camará que o Es- 
crevi — Souza Coutinho^ Lacerda, Lopes, Manoel da Fonseca Fran- 
co. 



-Caiíiaía de §. Jeao ii'EI-R8f 



í 



Termo de abertura. — Aos vinte dias do niez de outubro de 1825, 
quarto da Independência e do Império nesta Villa de S. João d'El- 
Jtey, Minas, e Comarca do Rio das Mortes, em Casas da Camará 
delia, acliando-se alii reunidos, o Padre Francisco António da Costa, 
o Padre Mestre José Lameda de Oliveira^ o Padre Mestre José Joa- 
quim de Santa Anna o Felippe Gomes Pereira, ]\Iembros da Commis- 
sâo nomeada para a redacção dos acontecimentos Políticos que tivo- 
rão lugar nesta Villa, e seu Termo desde o anno deT821 ate ao pre- 
sente, encarregada para o dito lim pelo Olíicio de 15 do dito mez, e 
anno do Doutor Juiz do Fora Prezidcnte, e mais Officiaes da Camará, 
que actualmente servem ; logo se procedeu a eleição de Secretario 
que foi por aclamação eleito Felippe Gomes Pereira. ,E no mesmo 
acto deu principio a Commissão aos seus trabalhos; para cujo íim 
lhe forão aprezentados pelo Escrivão da Camará todos os Livros, e 
papeis olíiciaes existentes no seu Archivo, que a mesma julgou ne- 
cessários para o desempenho desta tarefa. E para constar fasso esto 
termo, e eu Filippe Gomes Pereira Secretario eleito, que o subscrevi, 
o assino com os mais Membros da Commissão. — O Padre Francisco 
António da Costa, O Padre José J^ameda d'01iveira, O Padre José Joa- 
quim de Santa Anna, Filippe Gomes Pereira. 

A Commissão nomeada, de pois do examinar todos os Livros, e 
mais papeis oUiciaes, que se conservão no Arcliivo desta Camará, 
Memorias dos Agentes de Donativos para a Marinha do Império, ur- 
gências do Estado, e socorro aos habitantes da Província da Bahia, 
aprezenta o seguinte. 



244 REVISTA DO 



REGISTROS DE ORDENS REGIAS DO ANNO DE \H-A 

A f. 17 V.* vè-so hum Ollicio do Capp."" General D. JMaiiocl de Por- 
tugal e Castro de 10 de Março de 1821 dirigido a esta Camará, pelo 
qual lhe participa, q.« S. M. o Senhor Rey D. JoSo 6.* por Avizo de 

26 de fevereiro do dito anno fora servido declarar, que aprovava a 
Constituição, que se estava fazendo em Lisboa, para ser observada 
no Reino do Brazil, e nos mais Domínios da Coroa. 

A f. 17 V.* e 18 acha-se hum Olficio do mesmo Exm. Capp.'" Gene- 
ral de 2 de Abril de 1821, pelo qual faz ver a esta Camará, que S M. 
o Senhor D. João 6.' por Decreto de 7 de Março do mesmo anno fora 
servido detei minar a todos os Governadores, Cappitães Generaes, 
Authoridades Ecleziasticas. Civis, e Militares das- Províncias, que pre- 
'stassem Juramento de observar, manter, e guardar a Constituição, 
e o mesmo fizessem observar aos seus Súbditos, e Subalternos, da 
mesma maneira, que foi prestado pelo Mesmo Augusto Senhor, e mais 
Familia, Povo, e Tropa na Corte do Rio de Janeiro. 

A f. 18 V.- e 19 se vé hum Offlcio do Dezembargador Ouvidor 
desta Comarca de 7 de Mayo de 1821, dirigido a esta Camará com a 
Carta do Capp."^ General, incluzos o Decreto, e Instruçoens para as 
Eleiçoens Parochiaes, pelo qual recomenda a prontidão das mesmas 
exigindo-se dos Parochos os respectivos Mappas de População com a 
p ssivel exactidão. 

A f. 19 té 21 ve-se hum Offlcio do mesmo Exm. Capp.™ General de 

27 de Abril de 1^1, dirigido ao Ouvidor da Comarca com 32 Exem- 
plares, e outros tantos das Regias Instrucçoens, que devem servir de 
regra para as Eleiçoens de Deputados, pelo qual authoriza ao mesmo 
Ouvidor por A\;^zo de 23 de Março do dito anno para fazer aquellas 
modiíicaçoens, que elle julgasse convenientes: quanto aos paragra- 
phos 28 e 29 declarativos da reprezentação Nacional, deliberou dever 
comprehender, não só os ali especificados, mas a toda a pessoa de 
representação pelos seus previlegios, ou propriedades, exceptuando- 
se somentes os mendigos, vadios, e sem offlcio ; assim como, que os 
Eleitores do Comarca houvessem de comparecer na Capital até o dia 
15 de setembro do mesmo anno, para as Eleiçoens dos Deputados. 

A f. 23 até 31 v.* achão-se registrados o Decreto de 7 de Março 
de 1821, e as Instrucçoens para as Eleiçoens de Compromissarios, e 
Deputados da Constituição, Contendo — 103 artigos todos descriptos 
em theor. 

A f. 33 athe 36 ve-se huma Carta, que esta Camará dirigio ao 
Capp." General em datada 12 de Mayo de 1821 em que descreve cir- 
cunstanciadamente o patriotismo digo o patriótico cnthusiasmo de 
que se possuirão os habitantes desta Villa, illuminando-se esponta- 
niamente na noite de 10 de Março, em que souberão, que S. M. se 
dignara Jurar a Constituição no dia 26 de Fevereiro pretérito, se- 



AHCHIVO PUBLICO MINEIRO 261 



depois de ponderado a utididado rozultante da adopgão do m.'"' 
Projecto, aiiiiiiifn<j lodos os Cidadãos (|U(! se adiavílo prozentos e se 
assiííiiarão. 

AC. 5(i se ve que esta Camará Acordou i-iu i'emotter para aCorte 
a Cei"f,idão da Acta (leral do dia 11 do corrente, etodos os mais papeis 
relativos a Reprozeiítat^ão, q.- esta Gamara p."" si, e cm nome dos 
liahitantos deste Termo faz a S. M. 1.. ro.íjando ao Mesmo Augusto Se- 
nhor liaja p '■ bem .Iui'ar, e mandar c|uo se Jure, e adopte como Consti- 
tuição do Império, o Trojectop.' iille oderecido. 

Al". 71 te 77 V.' se encontra o Auto de Juram.'" prestado a Cons- 
tituií^ão F^olitica do lmpoi"io do Hruzil no 1.' do Maio de 1824, no 
t|ual se ve ser o Juram. '•^ na formula sefíuinte — Juro aos .Santos 
Kvangellios obedecer, e ser tiel á Const,ltuii;ão Politica da Nagão Bra- 
zileira, a todas as suas Leis e ao Imperador Constitucional, e Defen- 
sor Perpetuo do Brazil o Senhor Dom Pedro 1.*, e assim o praticarão 
todas as dilferontes Classes q.' se acliavão prezentcs, e assignarão- 
se ; e a Camará .\cordou em participar ao Exm." Menistro, e Secre- 
tario de Estado dos Negócios do Império o ter se aqui prestado o So- 
lemne Juram.'" a mencionada Constituição, rogando ao m. ■'" Me- 
nistro se Dignasse elevar á Augusta Prezcnga de S. M. 1. os aconte- 
cim.'"=* que tiverào lugar nesse dia, euju discrição he do theor se- 
guinte. Illin. e Exm. Senhor. — A Camará da V.' de São João de El- 
Rey leva ao conhecim.'- de V. Ex." p.' constar a S. M. !., que, 
em observância do Decreto do 11 de Março próximo pretérito, foi 
ir(iui prestado o Sijlemne Juram.'' do ol)ediencia á Constituição 
Politica da Nação Brazilelra, como consta da certidão, q.' vai junta : 
e para que appareça perante o .Mesmo .\ugusto Senhor aquelle entliu- 
siasmo patriótico, de que este generozo, e liei Povo se mostrava 
então possuído, julga a m."' Camará, que cumpre seu dever appre- 
zentando a V. Ex.' o seguinte, ligeiro, mais exacto esboço das cir- 
cunstancias, que concorrerão para maior Solemnidade daquelle glo- 
riozo Acto. No 1." dia do corrente mez de Mayo pelas sinco horas da 
madrugada, ao estrondo de uma girandola, que das Gazas de sua re- 
sidência fez subir o Doutor Juiz do Fora Joze Gezario de Miranda 
Ribeiro, repicarão os Sinos de todas as Igrejas desta Y.» ; soarão as 
trombetas do 1.' liegim.'" de Cavallaria da 2. i Linha desta Comarca, 
mandadas postar pelo respectivo Comandante o Coronel Francisco de 
Paula Barboza nas eminências, q.» cercão a m.'"* V.» ; ouvio-se a 
muzica do Regim.'" de Infantaria, de que he Chefe o Coronel Fran.»» 
cisco da Costa Monteiro, Salvou competentemente a caza da Gamara, 
o desta maneira com a harmonia dos Sinos, das trombetas, da mu- 
zica, e dos fogos foi Saudada aprecursora da quelle venturozo dia. 
Depois deste harmoniozo festejo, que durou p."" mais do huma hora, 
apprezontava-se esta Villa aos olhos do observador patriota um qua- 

A. P.-õ 



í 



262 



REVISTA CO 



dro tleporfoita alejíria : tudo estava em movimento: Inins cuidavão 
da limpeza das ruas, outros do rico ornato das suas cozas ; numeroza 
Soldadesca p.f diversos caminhos procurava reunir-se nos pontos das 
suas respectivas paradas; enchia as ruas de immenso numero de Ci- 
dadãos; que ricamente vestidos concorrião p.' as cazas da residên- 
cia do mencionado I)r. Juiz de Fora, d'onde einpompozo préstito 
havia de ser conduzida p.^ as Cazas do Consellio, a Constituição, 
que se havia jurar : e esta agitação, liem de monstradora da pureza 
dos sentimentos desta porção dos gonerozos Brazileiros, durou até as 
onze horas e meia da manhã. A este tempo o Regimento de Infanta- 
ria, ricamente preparado, marchando do largo da Camará, ao som de 
muito bem concertada muzica se foi reunir no largo de Sam Francisco 
á numeroza Cavallaria, que ahi já o esperava também ornada com 
o maior possível aceio, e montada soljre os soberbos, e bem doutri- 
nados Cavallos: e logo feitas as devidas continências, o já mencionado 
Coronel Francisco de Paula Barboza, como Comandante da Brigada, 
pondo toda a Tropa em movimento, e fazendo-a marchar pela rua 
de São Francisco, mandou fazer alto na quelle ponto, em q." esta he 
cortada pela outra da Intendência, p.^ dar logar, a q.« passase pela 
sua frente a Camará, que já então, tendo sido antecedentemente p. ■■ 
elle avizada, sahia da morada do Doutor Juiz de Fora procedida do 
immenso numero de Cidadãos, de que á pouco se foz menção, elevando 
immediatamente diante de si aíigura da America ; que muito rica, e 
apropriadamente vestida tendo na mão o Sagrado Código, com que 
S. M. I. acabava de coroar agrando obra da nossa existência politica 
p.r Elle tão heroicamente começada, e mostrando a.todos este objecto 
de seus puros prazeres, accendia nos peitos Brazileiros aquelle en- 
thuziasmo nascido do verdadeiro amor da pátria do respeito, efede 
lidade ao Grande Senhor D. Pedro 1." aquelle enthuziasmo, digo, que 
se desemvolvia em taes de monstraçoens de contentamento, que se a 
Camará quizesse pintar com suas vivas cores, merecera talvez a nota 
de exageradora, q.*"" no seu modo de sentir não expremia senão 
metade. Ao passar pela frente da Tropa a Camará com todo acompa- 
nhamento mencionado, huma grande girandola, que mandou soltar 
da Intendência o Dr. Juiz de Fora, foi o signal, p.* q.» se ouvissem 
em diversos pontos desta Villa p."" dispoziçoens da Camará, iguaes 
demonstraçoens de jubelo, q.« era augmentado pelo continuado repi- 
que de todos os Sinos: e então na mellior ordem possível os Cidadãos, a 
quem precedia uma guarda avançada de Cavallaria, apòz estes a figu- 
ra da America, que conduzia a Constituição immediatamente depois 
a Gamara, e logo a Cavallaria, a Infantaria, e o Povo ao som das 
sonorosas trombetas, e bem afinadas muzicas se dirigirão aos Paços 
do Conselho, passando p." grande numero de ruas q." oíTerecião ao 
olfato o suave a romã das mimozas flores, que as alcatifavão; e cujos 
edeflcios de um o çutro lado, magnificamente adornados, e apinhados 



AUCHIVO PUnLICO MINRIRO 203 

(lo pravos Matronas, o Ibrmosas DonzcUas parocião outros tantos 
Templos de jiloi-ia, doilicados ao heroísmo, o Constitucioiíiilidado do 
nosso Defensor I'er])otuo, Nas ca/.as do Conselho, preparadas com a 
majiiiiliconcia correspondente ao suldinio Acto, que se ia nellas pra- 
ticar, apenas entrou a parte cnie ora possível ali caber deste nume- 
rozo concurso, lopo pelo l)r. .Iiiiz de iMira, Prezídento da Camará, 
posto de Joelhos, e com amão direita sobro o Livro dos Santos Evan- 
gelhos, que estava sobre luinia grande meza, Toi prestado cm vós 
alta, o intelliííivel, o Solemno .luramonto de obediência e fedelidado 
á Constituiyfio Politica da Nação Brazileira a todas as suas Leis, e 
ao Senhor D. Pedro 1.- Imperador Constitucional, e Defensor Perpetuo 
do Brazil, com toda a Sua Auirusta Dinastia, no q." Ibi seguido pelos 
mais OíVcciaes da- Camará, c Cidadãos de todas as dilYerentes Clas- 
ses pela maneira que consta da Certidão junta : até que dan- 
do-so depois de algumas horas p."" terminado este Acto 
na quelle dia, e fazendo-so disto avizo ao Comandante da Tropa, cui- 
dou este immcdiataiuente de a mandar formar em linlia ; o logo sa- 
hindo ao meio da Pra(;a a Camará acompanhada dos Cidadãos, o ahi 
pelo seu Prezidcnte, íbrão repetidos os seguintes — Viva — a Santa 
Religião Catholica Apostólica Romana — Viva a Constituição Politica 
da Nação Brazileira — Viva o Senhor D. Pedro 1.» Imperador Consti- ' 

tucional, e Defensor Perpetuo do Brazil, e toda a sua Augusta Dinas- 
tia ao que respondeu todo o Povo, e a Tropa, que salvou com três 
descargas, sendo prehoncliidos os intrevallos com muito alegre musi- 
ca, o cstrondozo fogo em diversos pontos da V.* Daqui com a 
mesma ordem, com que sahio da Intendência, dirigio-se todo o prés- 
tito à Matriz, onde com hum Solemno Tò Deum se renderão ao Su- 
premo Numen as devidas graças pelo gloriozo motivo de nos ver-mos 
Constituídos, 00 que mais he, possuindo entre nós na llor dos seus 
annos, o Autor desta grandíssima Obra : e que doce recordação ! ! ! 
Vindouros, he muito mais felix que vós a geração prezente, embora 
vos caiba somente colher sasonados fructos da Arvoro, que vemos 
agora plantada apenas ; em bora nascidos nos Séculos futuros a som- 
bra desta Constituição Sublime, já bem arregada, etendo em toilo o 
seu desemvolvimento os inapreciáveis princípios, q.« ella abrange, 
em bora sim, goseis logo desde o berço da quella completa felicidade, 
de que vemos apenas traçadas as primeiras linhas, nós possuímos 
entre nós o Auctor dessa felicidade, jà vimos aqui mesmo nestes lu- 
gares o Immortal Defensor Perpetuo do Brazil, vivemos no Império 
do fundador da Liberdade Brasileira, sim no Império do Senhor D. 
Pedro Primeiro, cujo Nomo ouvireis com pasmo, e isto basta vindou- 
ros, invejareis anossa sorte. ?tlas volta jà a Camará, Exmo. Senhor 
desta pequena digressão nascida do patriotismo, de que ella se acha 
possuída, á discripção que hia fazendo. Depois daquelle Solemne Tô 
eum com a m.'"» ordem já discrita, em caminhou-so todo o prés- 



264 REVISTA DO 

tito pelo outro lado da Villa igiialnionte adornado ao largo de S3,o 
Francisco, onde posta a Camará, com os Cidadãos no centro da Pra- 
ça, e a Tropa em linha, de pois de varias evoluçoens íbrão pelo Co- 
ronel Francisco de Paula Barboza repetidos os Vivas a cima mencio- 
nados, aque respondeu toda a Tropa, e Povo com o m."" enthusias- 
mo, e grandíssimo estrondo do fogo : elogo a companhada dos oíflci- 
aès da Cavallaria apó do Regimento de Inlantaria, e de todo o Clero, 
Nobreza, e Povo, A'oltou aCamara, p.^ guardar o seu Estandarte ás 
cazas do Conselho, onde todos se dispedirão, para irem cuidar da il- 
luminaçcão, q.'* devia terminar-se na terceira noite seguinte, e na 
quella começou d'ali apequeno espaço de tempo, quando também o 
concerto de Muzica, com que sahindo das mesmas Casas do Concelho 
o Prezid.« , Vereadores, e Procurador da Camará de companhia com 
o Coronel Fran.»» de Paula Barboza, os Off.es do Corpo do seu 
Comando e muitos Cida.dãos, passarão até alta noite pelas ruas desta 
Villa, q.'^ acada passo estrondava com muitos íbgos de artelicio. Es- 
ta he, Exmo. Senhor, exactamente a solemnidade com q.» foi nesta 
terra praticado a quelle acto, e alfirmando a Camará, q.^ ella não 
pode expressar o enthusiasmo, com que cada huma das diíierentes 
Classes da Sociedade caprichava, em exceder às outras na demonstra- 
ção do seu jubilo p."" tão gloriozo motivo ; roga a mesma Camará a 
V. Exca. p.'' si, e em nome dos habitantes do seu Districto, queira 
V. Exca., levando estes seus bons sentimentos á Prezença de S. M. 
L, offerecer nelles ao Mesmo Augusto Senlior, mais uma prova con- 
vincente do respeito, amor, efedilid.» , que este briozo Povo tributa 
ao seu Defensor Perpetuo. Deos Guarde a V. Exca. por muitos annos 
S."" João deElRey em Camará de 10 do Maio de 1824 — Ulustrissimo 
e Exmo. Senhor João Severiano Maciel da Costa, Menistro e Secreta- 
rio de Estado dos Negócios do Império. Acha-se a Camará assignada. 

R.o DE EDITAES, E OFF.o= DA GAMARA DO ANNO D' 1825 

A f. 45 verso se acha o registo de hum Edital da Camará de 3 de 
7br." de 1825 pelo qual fãz publico aos Povos desta V.^ q.e ten- 
do ella de promover entre os Cidadãos habitantes do seu Districto 
huma subscrição voluntária p.^^ q.« se realize na Capital deste Im- 
pério a Innauguração de hum Monumento Publico à S. M. o Imperador 
em testemunlio de gratidão pelos relevantíssimos feitos do Mesmo 
Augusto Senhor abem da Independência, e Liberdade Politica do mes- 
mo Império : se propoz a ir pelas cazas dos Habitantes desta Villa a 
rogar-lhes quizessem concorrer com o que o seu Patriotismo lhes pe- 
disse p.' tão louvável íim, p.' o q.» marcou o dia 10 do referido 
mez. 

A f. 46 verso, 47, 48 verso, e 49 verso fo achão registados os OíB- 
cios em data de 3 de 7br." de 1825, que aCamara dirigio as Au- 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 265 

thorid."^ Ecleziasticas, e MoIit.;ircs, nos quiies in.'' lhos rocomon- 
da q.- exijão das pessoas da sua Corpora(;no, liunia subscrição volun- 
tária, p.' q." se consiga na Capital do Império a Inauguragfio de 
hum Monumento Publico a S. M. !., pelos relevantíssimos leitos do 
Mesmo Senhor, al)em desic Império. 

Af. 3") t({ 45, do L." competenlo, se observa a Klei(;ão dos Juizes 
de Facto, sobre a liberdade da Impreasa, e a sua apuração aq.' teve 
lugar aos 24 de Obr. de i825. 

Das Memorias, que, á requezigão daCommissão, lhe forão aprezen- 
tadas pelos encarregados das Subscriçoens voluntárias p. ' as Urgên- 
cias dos Povos da Rabia, do Estado, e augmento da Marinhado Guer- 
ra do Império do Hrazil, consta ter o Povo desta V.^ , e sou Termo 
concorrido p.^ todas eHas com aq.'' de treze contos seiscentos, 
e cincoenta, e oito mil sete centos e seis vr — 13:658S706. O P. o 
P^rancisco António da Costa, o P." Jozé Lamèda d'01ivcii'a, O P. « 

Joze Joaq.'" de S " Anua, Filippe Gomes Pereira. 

Termo de remessa. 

Aos dezcnove dias do mez do Janeiro de 182G, quinto da Independên- 
cia, e do Império, nesta Villa de São João de El-Iley, Minas, e Co- 
marca do Rio das Mortes em os Paços do Concelho (Pella, o sendo 
ahi lasso remessa aos 111.'""* Senhores Doutor Juiz de Fora 
Prezidente, Voriadoros, e Procurador da Camará do prez.« anno, 
em duas Copias, a redacção dos acoptecimentos Políticos que na 
mesma, e seu Termo tem tido lugar desde 1821 até 1825, para lUus- 
tragão da Historia do Império do Hrazil; as quaes contém, com esta, 
doze folhas escriptas sem couza que duvida lassa, de que para cons- 
tar se lez este termo. E cu Filippe Gomes Pereira Secretario daCom- 
missão, que o subscrevi e assignei 

Filippe Gomes Pereira. 



t; 



I 






lll-CamafadeSato 



111."*" o l^x.*"' S."'- — Acompanhíi esto duas copias das —Noticias 
dos acontecimentos, que tivorãu lugar nesta F. V.» do Sabará 
desde ;o anno de 18:^1 que me íôrão remettidas pela Camará desta 
V.^ , e que exigi p.* cumprir o que V. Exa. me ordena em Portaria 
de 4de|Março du corr.' . Deos Guarde a Y. Exa. m.» a.s . Sabarà 31 
de Agosto de 1825. 111.'"" e Ex.'"" S.""' Presedente José Teixeira da 
Fonseca Vas.>="' — O Ouvidor, A)tloniu Augusto Monteiro de Barros. 



NOTICIA DOS ACONTIOCIMICNTOS, QUE TIVERÃO LUGAR NESTA FIDELISSYilA 
VII.I.A DO SAUARA' DESDE O ANNO DE 1821 



1821 



Em Vereança de 23 de Margo se recebeo o oHicio do GoA-ernador e 
Capitão General desta Província, participando haver sua Magestade 
Ellley o Senhor Dom João Sexto aprovado à Constituição que se es- 
tava fazendo em Lisboa. (Docuinenfo n. 1). 

Em 25 de Abril se prestou o juramento de observar, manter, e go- 
ardur a Constituição, que íizessem as Cortes de Portugal em virtude 
da determinação do Governador c Capitão General de 2 de .Vbril. {Do- 
cumento n. 2). 

Em 10 de Junho se fi/.orão as Eleições nas Juntas Parocliiaes em 
todas as Freguezias do Termo, e no dia 15 de Julho se procedeo aJun- 



t 



268 REVISTA DO 

ta Eleitoral da Comarca na conlbrin idade do Decreto de 7 de Março 
(Io dito anno. 

No dia 8 de Agosto se prestou ojuramento Solemne às Bazes da 
Constituirão 1'ortngueza oní virtude da dotertniaarão do (íuvornador 
e Capitão (ienoral euíoilicio dirigido ao Dozeinbargador Ouvidor da 
Comarca. {Documento n. 3). 

Km Vereança de 3 do Setembro, a que concorrerão as pessoas da 
governança, e homens bons da Villa e Termo íbrão nomeados o De- 
zcmhargador Ouvidor Jozó Teixeira da Fonseca Vasconcellos, o Doutor 
Juis de Fora, Joze António da Silva Maya, e o Sargento Mor Manoel 
de Freitas Pacheco, para representarem pelos Povos na nomeação da 
Junta do Governo Provizorio Mandada créar por Avizo de 14 de Agos- 
to; e para esse lim se lhes deo a Procuração junta ao Documento 
N. 4.- 

1822 

Por accordão da Vereança de 9 de Fevereiro, se deliberou. dirigir-se 
a S. Magestade Imperial então Príncipe Regente huma Carta apresen- 
tando aobediencia desta Cornara e Povo, eagrndecendo o beneficio 
rezultado da deliberação tomada pelo Mesmo Augusto Senhor no dia 
9 de Janeiro próximo passado. 

Em Camará de 6 de Abril se nomearão por Deputados da mesma 
Camará, e Povos deste Termo, o Tenente Coronel António da Costa 
Moreira, e o Capitão Francisco Joze dos Santos Hroxado, para irem á 
Capital da Villa Rica beijar a Mão, e cumprimentar a Sua Alteza 
Real que constou achar-se na mesma Villa. 

Em 9 do mesmo mez, por deliberação de Camará geral, seles a Sua 
Alteza Real a reprezentação, que vai no Documento N. 5. 

Em Camará de 15 se receberão pjr mão dos Enviados da Camará os 
dous Avizos, que vão nos documentos n."'=* 6.', e 7.* 

Em Camará geral de 25 se lèo a Carta de Sua Alteza Real, que Se 
Dignou Enviar a esta Camará por mão do Desembargador Jozé Tei- 
xeira da Fonseca Vasconcellos, copiada no documento n. 8.* 

No dia 28 se procedeo á eleição dos Procuradores Geraes desta Pro- 
víncia na conformidade do Decreto de 16 de Fevereiro, participado 
pelo Avizo da Secretaria de Estado dos Negócios do Brazil de 20 de 
Fevereiro, e Portaria do Governo Provizorio de 11 de Abril. (Ho- 
cumentos ns. 9.' e 10.') 

Em 15 de Agosto na conformidade do Decreto de três de Junho se 
procedeo á eleição nas Juntas Parochiaes deste Termo, para anomea- 
ção dos Deputados, que devião formar a Assembléa Geral Constituinte, 
e Legislativa, e no dia 31 de Agosto se fes a reunião do Colégio 
Eleitoral da Comarca. 

Por deliberação de Camará geral de 25 de Setembro se dirigio a 
Sua Alteza Real a Reprezentação que vai no documento n. 11.- 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 269 

No (lia 12 de Outubro nos Paços do Conselho em Camará geral se 
acclaiiiou Sokímiíeinonte a S. Alteza Real por I*riineiro Imperador 
Constitucional do Mrazil, e seprestou ojuranionto de defender a Inde- 
pendência do Hrazil, e obedecer em tudo opoi- tudo ao Senhor Dom 
l'edro 1.- 

1823 

Em 19 de Janeiro em Gamara geral se ratificou econflrmou oprotes- 

o, que fizera o Excellentissimo António Vieira da Soledade, Procu- 

radoí Geral da Província de S. Pedro do Rio grande do Sul, contra a 

clauzula do Juramento prévio declado na Acclamagão de Sua Mages- 

tade Imperial. 

1824 

No dia 7 de .Janeiro em Secção geral unamimente se approvou o 
Projecto da Constituição para o Império do Ki'azil, que Sua Magesta- 
de Imperial Houve por bem formar com o Seo Conselho de Estado, 
eno dia 18 de Abril se prestou aelle o Solemnejuramento. 

No dia 1.' de Fevereiro sefizerão íffe Eleições Parocliiaes em todas 
as Freguezias do Termo para á nomeação dos Deputados, que devião 
substituir aos da extincta Assemblea na forma do Decreto de 17 de 
Novembro de 1823. 

No dia 30 de Maio sefizerão as eleições Parochiaes para a nomeação 
dos Senadores, e Deputados, que por esta Província reprezentem na 
Assemblea tíeral Legislativa, bem como os Membros do Conselho Ge- 
ral da Província naforma da Constituição, e Instrucções, que baixarão 
com o Imperial Decreto de 26 de Março. 

No dia 19 de Junho se Reuniu o Colégio Eleitoral da Comarca para 
aRoferida nomeação, assim como a do Conselho do Presidente, eJui- 
zes de Facto, Mandados créar pela Carta de Ley de 20 de Outubro de 
1822, 6 Decreto de 22 de Novembro. 

DOCUMENTOS : 

N. 1 — ElRey Nosso Senhor em Avizo de vinte e seis de Fevereiro 
próximo pretérito Foi Servido Mandar declarar, que aprovava á Cons- 
tituição, que se está fazendo em Lisboa para ser observada no Reino 
do Brazil, enos mais Domínios de Sua Coroa; e Determinando o Mes- 
mo Augusto Senhor, que sefaça constar esta Sua Real Deliberação nes- 
ta Capitania, eu lh'oparlicipo para o fazerem publico nessa Villa, 
nos mais Districtos de sua jurisdição. Deos Guarde a Vossas Mercês. 
Villa Rica dés de Março de mil oito centos e vinte e hum. — Dom 
Manoel de Portugal e Ca^/ro/, — Senhores Doutor Juis de Fora, e Offl- 



i 



270 RI3VISTA 1)0 

ciaos (l;i Camará, da Villa do Sahará.// — Está conforme. Maximianno 
I\Iartins da Costa. 

N. 2 — Constando ja, que fora Deos Nosso Senhor Servido Felicitar 
este Reino com o Nascimento de hum Princepe Real, que a Princeza 
Real do Reino vindo do Portujíal, Brazil, e Algarves, Dera a Luz com 
lelis Sucesso no dia Seis de Alaryo, eu communico a Vossas Mercês 
esta faustissima noticia, para que se apressem aíestejala com todas 
aquellas demonstrações, do aplauzo, e contentamento, que são do 
costumo em semelhantes occazioens, e que Sirvão de prova irrelraga- 
vel ao profundo acl digo profundo acatamento, e Lealdade, (lue como 
lieis Vassallos devemos prestar aos nossos Soberanos. Constando 
igualmente por Decreto de sete de Março, próximo pretérito, que El- 
Rey Nosso Senhor fora Servido Determinar aos Governadores, e Capi- 
tães Genoraes e Authoridades Civis, Militares, o Ecleziasticas das Pro- 
víncias prestassem, e deílirissem atodos os seos Súbditos o Subalter- 
nos ojuramento de observar, manter, egoardar á Constituição, como 
foi prestado naCorte pelo Mesmo Senhor emais Real Familia, Povo, e 
Tropa, edevendo cumprir-se as Reais Dispozicôis no citado Decreto : 
ordeno a Vossas Mercês, que immadiatamente, que lhes for entregue 
este ofUcio se preste, e se diíira ahi ojuramento Solemne de se obser- 
var, manter eguardar adita Constituição, tal como ella for delibera- 
da, feita, eaecordada pelas Cortes Gerais do Reino, ficando Vossas 
Mercês na inteligência de dar meparte circunstanciada, damaneira 
por que ahi se cumprirão as Roais Determinações do Seberano, sobre 
aprestação do referido juramento, edo que se praticou pelo motivo do 
Nascimento. Deos guarde a Vossas Mercês. Villa Rica dous de Abril de 
mil oito centos e vinte ehum. — Do}n Manoel de Portugal, e Castroli 
Senhores Doutor Juis de Fora Presidente, emais officiais daCainara da 
Villa do Sabará. Esta conforme. — Maximianno ^tíartins da Costa. 

N. 3 — Sua Alteza Real O Príncipe Regente do Reino do Brazil Ha- 
vendose Dignado Prestar o Solemne juramento as Bazes da Constitui- 
ção Portugueza transcriptas no Decreto de nove de Março deste anno, 
expedido pelas Cortes Geraes, e Constituintes para o Reino de Portu- 
gal, e Algarves, Foi Servido Determinar pelo Seu Real Decreto de 
oito de Junho próximo pretérito, que em todas as Províncias do Rei- 
no do Brazil seprestasse sem demora o mesmo Solemne juramento, 
como se havia praticado na Cidade do Rio de Janeiro com todos os 
Tribunaes e Empregados Públicos, Civis, Militares, e Ecleziasticos, 
servindo as reliridas Bazes provisoriamente de Constituição naforma 
deliberada nos Referidos Decretos do nove de Março, e oito de Junho, 
e devendo dar se a mais prompta execução as Reais Ordens, deter- 
mino a Vossas Mercês digo determino a Vossas Mercês, que immedia- 
tamcnte lassa prestar na cabeça de sua Comarca o mencionado jura- 
mento, seguindo-se o mesmo que se praticou com o da Constituição 
expedindo as convenientes ordens aos Juizes de Fora, e Ordenarios dos 



í 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 271 

ilillerentes Termos, o Julgados para que nesta conformiclado hajílo 
do lazer prestar o mesmo juramento com a Soloinnidado devida a 
tão Respeitozo acto.' Vossa morce mo dará aliiial conta d(í tudo 
quanto so obrou nessa ^■illa, o nos outros Districtos da Comarca. 
Doos Guarde a Vossa merco. Villa Rica onze de JuUio de mil oito 
centos c vinte e liun.i. — I)(jm MíiudcI de Portugal <; Ccmlro.— Se- 
nhor Uosemharírador Ouvidor Jozo Teixeira da Fonseca VasconccUos. 
— Está conforme. Maximianno Martins da Costa. 

N. 4 — Nesta Villa Real de Nossa Senhora da Conceição do]] Sa- 
liará, Cabeça da Comarca do Rio das \elhas, aos três dias do mez de 
Setembro do Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cliristo de 
mil oito centos e vinte o hum nos Pac;osdo Conselho delia a onde es- 
tavão juntos o Doutor Juiz de Fora Presidente com os \'ereadores 
e mais olliciaes da Camará, pessoas da governança e homens bons 
da sobre dita Villa, e seu Termo ; por todos olles Ibi dito perante 
mim Escrivão abaixo assignado, quo t(Mulo-se procedido á nomeação 
das pessoas, que na qualidade de Represintantes desta dita Villa 
e da Provinda de Minas (ieraes, devem hir "a Capital da mesma Pro- 
víncia a juntar-se com os eleitos pelas outras Comarcas, para aplu- 
ralidade de votos, so crear e installar o Governo Provisório, tinhão 
sido eleitos o Desembargador Ouvidor Joze Teixeira da Fonseca Vas- 
conccUos, o Doutor Juiz de Fora José António da Silva Maya, e o 
Sargento ^lòr Manoel de Freitas Pacheco, como consta do termo de 
Vereança do dia de hoje lavrado no livro delles ; e que a todos em 
geral, e a cada lium em particular, outorgavão amplos, e plenos 
poderes, para que com os mais Representantes da Província possão 
proceder a or;.'anização do Governo Provizorio de Minas Oeraes, 
dando-Ihe a forma, que melhor parecer, nomeando o Presidente, e 
Vogaes ; fixando o numero destes, e designando-llie as attrihuiçoens, 
como mais convier ao bem comum e geral ; o que elles Outorgantes 
se obrigavão por si, o em nome dos moradores desta Villa, a ter por 
firme, e valiozo, quanto lizerem em virtude desta Procuração, e dos 
poderes, nella conleridos. Assim o dicerão, (Jutorgarão, e assigna- 
rão, do que dou fé ; e eu Maximianno Martins da Costa Escrivão da 
Camará a escrevi. — Jozc Anlonio da Silva Maija. — Manoel de 
Araújo da Cunha. — An/onio Gomes liaplista. — Anlonio Xa:. da Sil- 
va. — Seguem-se as mais assignaturas. — Está conformo. Maximian- 
no Martins da Costa. 

N. 5 — Senhor. Convocadas hoje as pessoas da \ereança. Clero, 
Nobreza, e Povo desta \'\\\a c sou Termo para se lhe fazer sciente a 
estada de Vossa Alteza Real, nesta Província, e para se haverem os 
seos pareceres sol»re qualquer Representação, quo qui-zerem 
fazer a Vossa Alteza Real, apresentou o Coronel Pedro Gomes 
Nogueira o seu parecer por escripto, quo geralmente foi aprovado, e 
he o seguinte : «.Vvaliando mui sezudamcnte as circumstancias poli- 



I 



272 REVISTA DO 

ticas (lesta Província, e consultando com a mais imparcial reflexão 
os sentimentos dos famigerados Publicistas, que ex professo tem tra- 
etado desta importante matéria, me convenso da poderoza necessidade 
de reforma, que administraçfio Publica da mesma Província ; e de- 
sejando ainda a custa dos mais pezados Sacrifícios sor útil ao Paiz 
a que tenho ligada a minlia f(;rtuna, e a cujos habitantes sou por tan- 
tas maneiras obrigado ; tomo a ousadia de com o meu pequeno, ou 
nenhum cabedal de luzes, levantar a voz perante liu concurso de 
sábios, e Respeitáveis Cidadãos, animado meramente pelo estimulo 
do meu inabalável patriotismo ; e coherente ao meu entender com 
os princípios, e ideias Constitucionaes, sem os quaes a experiência 
mostra ter digenerado em arbitrariedade as mais bem fundadas in- 
stituições, proponho como mais profundo Respeito, que este Illus- 
tre Senado em accordão geral Represente a Sua Alteza Real o Prín- 
cipe Regente que haja pelo Prezente acto como ratificada a união 
desta Província de Minas Geraes, ao Governo Constitucional do Mes- 
mo Augusto Senhor, conforme a expressão Solemne, que o Governo 
Provincial dirigio á Corte do Rio de Janeiro pelo órgão do seu Vice- 
Presidente, o qual aprezentou os votos de firme adhesão a Sua Al- 
teza Real na judicioza fala de quinze de Fevereiro passado ; e jul- 
gandose de nenhum eflfeito as illimitadas attribuigões, com que o 
sobre dito Governo Provisório se supôs instalado, as quaes pela sua 
natureza chocão os Poderes Legislativos, digo os Poderes Legisla- 
tivo, e Executivo, se lhe substitua hum Governo legal a consenso da 
Pi^ovincia pelos seos legítimos Reprezentantes, Reconhecendo-se des- 
de já por via de hmn Governo Interino a Sua Alteza Real como Re- 
gente deste Reino do Brazil, Centro da união, e Chefe do Poder 
Executivo, segundo a opinião manifestada pelo Senado, e Povo da 
Capital no dia sempre memorável nove de Janeiro de mil oito cen- 
tos e vinte e dous de accordo com as Províncias da Sam Paulo, e Rio 
grande de Sam Pedro do Sul, que felismente se achão Revistidos dos 
mesmos patrióticos sentimentos. Tudo bem entendido até, que as 
Cortes Gerais Extraordinárias, e Constituintes da Nação Congregadas 
em Lisboa, melhor informadas das nossas actuais circumstancias,e pe- 
zando em justa balança a igualdade de direitos, com que proclama- 
rão identificados os Povos de hum, e outro Mundo, cuja união, e con- 
fraternidade tão ardentemente anhelamos^ revoguem o Decreto de 
vinte e nove de Setembro, que nos Reduzia ao lamentaA^el estado de 
mizoros Colonos ; protestando, que toda a ulterior deliberação, que 
a nosso respeito tomar o Congresso de Portugal, não possão produ- 
zir eíleito neste Reino do Brazil, sem que obtenha a Sancção do Prín- 
cipe Regente, ouvido o Conselho de Estado, que se vai crear com as 
attribuições convenientes emquanto se não instala nesta parte . da 
Monarcliia unida nossa Reprezentação Nacional Brazileira, que com 
conhecimento de cauza próxima, lance as bazes da nossa peculiar 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 273 



Legislatura. E pi'aza que om tilo assi^niahida occaziSo, que Tornia o 
objecto desta Camará extraordinária demos evidentes, e demonstra- 
tivas provas donosso amor, e j,'ratidào ao Mesmo Soronissimo Senhor 
Que se Dignou Honrar esta Província, com apreleroncia de Sua Au- 
gusta Pessoa digo aprelerencia de Sua Augusta I'rezonça, e mesmo 
para que se Lhelagão, e tributem as honras devidas á sua Preemi- 
nente Reprezentagão, Requeiro, e voto, que se indique aos Comman- 
dantes dos Regimentos de Cavalaria, e Infantaria, a Reunião imme- 
diata dos mesmos nesta Villa onde se espera o Principo Regente ; 
epara que possa subsistir mais commodal digo mais commodamente 
e lazer o Serviyo compromptidão se po^-fio subsidios pecuniários aos 
beneméritos Cidadãos da Villa e Termo ; estando ou inteiramente per- 
suadido, (lue todos aporlia se prestarão a contribuir para hum lini 
tão Justo, e tão louvável. Estes os meos sentimentos, eo meo modo 
de encarar o Orizonte Politico, que amoava talvez amaior, e mais 
temível Ruina, si males tão ponderozos, não íbrem promptameute 
curados; maz esta lllustre Assembléa julgará com o acerto, com que 
sempre procede em matérias de tão transcendente considera<.'ao.» 
Respeitozamente o aprezentamos a Vossa Alteza Real a Quem Deos 
(iuarde por mui dilatados annos como carece o Brazil. Sabará em 
Camará geral de novo de Abril de mil oito centos e vinte e dous. — 
Jozv António (la Silva May a— Manoel de Freitas Pacheco — Antó- 
nio Joze Gonçalves de AtJtfiu ^Manoel de Araújo da Cunha— Sebastião 
da Silva Leão Lucena — Ma:ciniianno Martins da Costa. — Seguião-se 
as assignaturas — Está conforme. Maximianno Martins da Cos 
ta. » 

N." 6 — Manda Sua Alteza Real o Príncipe Regente participar a Ca- 
mará da Villa de Nossa Senhora da Conceição do Sabará, que por mão 
dos seus dous Deputados, Recebeo a Carta, que amesma Camará por 
si, epelo Povo, que Reprezenta, lhe dirigio significando o seu reco- 
nhecimento, e excesso deprazer pela Honra, que Sua Alteza Real Fez 
a esta Província, vindo visitar os Seos habitantes, atravéz de tão 
penoza jornada, exprimindo a esperança, que tem de que Sua Alteza 
Real Será otirme apoio, o Garante da Constituição, para cuja funda- 
ção no Brazil tanto Cooperou. Sua Alteza Real Manda _ agradecer aCa- 
mara, e Povo da mesma Villa, e seu Termo os sentimentos, que por 
este, e outros muitos modos tem patenteado do adhesão a Sua Real 
Pessoa, declarando, que a Cauza do Reino do Brazil, eda Constitui- 
ção será íirmemente a Sua Cauzx, e que Cooperará com todas as For- 
ças para afelicidade geral do Reino unido, e especial do heróico, e 
generozo Povo da Rica Província de Minas Geraes, e que opasso, que 
acaba de Dar bem prova a Attenção, que Lhe Merece apaz, e tran- 
quillidade dos Povos de tão bella Província. Paço de Villa Rica doze 
do Abril de mil oito contos e vinte e dous. — Estevão Ribeiro de Re- 
zende. Está conforme. — Maximianno Martins da Costa. 



1 



274 REVISTA DO 



N." 7.— Manila, Sua Alteza Real o Príncipe Rente participará Camará, 
Clero, Nol)reza, c Povo da Villa Real de Nossa Sonliora da Conceição de 
Sal)ar;i, que Rocobon a sua Carta do novo do corrente mez por mão 
do Sarficnto i\I(H'.lacome Tliemoteo de Araújo, e que opatriotismo lie- 
roismo, efedolidade, qne tão bem desenvolvidas se achão nas ex- 
pressões da mesma Carta merecem bom os a<íradecimcntos, que Sua 
Alteza Real Llies manda dar, omquanto com a Sua Real Prczença não 
vai Satislazer os dozejos de tão bons o sensatos Súbditos, que zello- 
zos do verclfideiro bem, e lieran(;a, que bão do deixar a soos lillios, 
eposteridade pugnao com sólidos fiindamontos pelo centro da União 
no Brazii, epela Sustentação da Constituição de que, do que Sua Al- 
teza Real Ho omaior digo He omais lirmc Apoio. Paço de Villa Rica 
aos doze de Abril de mil oito centos evinto e dous. — Estevão Ribeiro 
de Resende. — Está conforme, Maximianno Martins da Costa. 

N." 8 — Cnniara o Povo da Comarca do Sabará. Eu o Príncipe Re- 
gente vos Ínvio muito Saudar. Devendo por circumstancias, que ur- 
gem aMinlia Prezença no Rio de Janeiro, Partir quanto antes, não 
Posso deixar de vos agradecer. Louvar, e Bem dizer pelo honrado, 
eheroico comportamento, e entrepides, com que vos haveis mostra- 
do á bem da Nação em geral, e do Grande Brazil, de quem Me prezo 
Ser Regente. Eu vou seguramente com o Meu Real Coração mui 
triste porque não pude como Dezejava, Congratular-me Pessoalmente 
com vosco. O Sabarci existirá na IMinlia Leni^)rança em quanto Vida 
Tiver, e contai, que Heide fazer todas as deligencias, segundo Mo 
permittirem os negócios públicos, para voltar a Província, de quem 
Me aparto Saudozo, Fazendo caminho para a Capital pela vossa Co- 
marca afim de vos Mostrar o ]\Ieu Reconhecimento. Fazei publica 
esta Minha Real Demonstração por todas as Camarás e difte rentes 
Corpos de Tropa da Vossa Comarca. Paço de Villa Rica vinte de 
Abril de mil oito centos evinte edous — Príncipe Regente. — Estevão 
Ribeiro de Resende. — Para a Camará e Povo da Comarca do Sabará. 
— Está conforme. ]\Iaximianno ]\Iartins da Costa. 

N.' 9. — Manda Sua Alteza Real o Príncipe Regente, pela Secretaria 
de Estado dos Negócios do Reino, Remetter á Camará da Villa do Sa- 
bará o induzo exemplar do Decreto de dezesseis do corrente, pelo 
qual Houve por bem, attentos os transcendentes motivos nelle expen- 
didos, mandar crear hum Conselho de Estado, composto de Procura- 
dores de todas as Províncias do Brazil : E Ordena que inteirada ames- 
ma Camará do seu conteúdo lhe dé adevida execução pela parte, que 
lhe toca. Palácio do Rio 'de Janeiro em vinte de fevereiro de mil 
oito centos evinto e dous. José Bonifácio de Andrada c Silva. — Está 
conforme. — Maximianno Martins da Costa. 

N." 10. — Tendo Sua Alteza Real O Príncipe Regente do Reino do 
Brazil Mandado expedir ao Governo Provisório desta Província a in- 
c luza Portaria de onze deste mez, por copia assignada pelo Secreta- 



ARCHIVO PUBLICO MINKIRO 275 

rio Deputíulo do mosino (ioverno p;ira so (l;ir pronij)!;! ('Xccu(,'rio ao 
Decreto do de/.esseis do Fevereiro próximo pretérito, tainl)om por co- 
pia ; determina o Governo Trovisorio, que a (!amai"a da \illa do Sa- 
bará, cumpra pela parte, que lho toca, o immediatamonte tudo quan- 
to na mencionada Portaria se contem, expedindo as conveni(Mites or- 
dens asinielluinte ivcspeitu, elicando Ivosixtnsavei i)or toda aialta quo 
houver. Villa Rica onze de Abril do mil oito centos evintc o dons. 
Vasconcellos — Mdcifl — Pacheco — Doittor Lopcx — Soares — Lopefi Men- 
des — Mello — Ferreira de Meífo — I-^stá conlbrme. M.iximianno Mar- 
tins da Costji. 

N.' 11. — Manda Sua Alteza Real o Principo Roj?onte por esta Se- 
cretaria do Estado, que o («overno Provisório desta Província de Mi- 
nas Geraes expessa sem perda de tempo as necessárias Ordens aos 
Ouvidores, o Camarás da mesma Província pnra apromptn execu(,Tio 
do Decreto do de/.cssois de Fevereiro do corrente anno, jjcIo qual 
Annuíndo as Reprezcntaçòes dos Povos Houve por l)em ciear hum 
Conselho d'Estado composto de Procuradores das Províncias do Dra- 
zil. Ordena mais Sua Alteza Real, quo omesmo (íoverno faça constar 
atodas as ("amaras, e Authoridades da Província, que achandose Re- 
conhecido Príncipe Regente do Hrazíl he do Seu dever adoptar me- 
didas, que íação aíelicidado geral do Reino Unido, ede cada huma das 
Províncias deste Reino, e ho de baixo destes princípios, quo exifío o 
bem geral da Província, que dentro em vinte dias contados da data 
deste, ou mais Itreve, selbr possível se devem apurar nesta Capital 
Eleições, quo selizerem nas Cabeças das diderentos Comarcas ; prevê 
nindo as Authoriílades competentes, que as devem remetter imme- 
díixtamente ao mesmo Governo para as transmittir a esta Secretaria 
d'Estado afim do se mandar proceder ao apuramento logo, que exis- 
tirem as Eleições de todas as Comarcas ; pois quo Sua Alteza Real 
não dezeja nem Quer Partir desta Província, sem deixar os Povos sa- 
tisfeitos e napaz, e tranquilidade, que tanto Apraz Seu Paternal Co- 
ração. Espera Sua Alteza Real amais activa, eprompta execução pela 
parte do (ioverno, dando conta (le assim o haver cumpriílo. Paço de 
Vílla Rica aos onze de Abril demil oito centos evintc e dous. — Este- 
vZiO Ribeirão de. Rezende. — Cumprase, e Regíste-se. — Villa Rica onze 
de Abril de mil oito centos ovinte e dous. — Vasconcellos — Maciel — 
Pacheco — Sfjares — Lopes Mendes — Mello — Ferreira de Mello — 
Está conforme. João Jozc Lopes Ribeiro. — Está conforme. Maximi- 
anno Martins da Costa. 

N. 12. — Tendo Eu annuido aos Repetidos votos, o dezejos dos 
leaes liabitantes desta Capital, e das Províncias de S. Paulo, e Minas 
Geraes, que Me Requererão Houvesse Eu de conservar a Regência 
deste Reino, que Meu Augusto Pay Me havia conferido, até que pela 
Constituição da Monarchia se lhe desse huma final organização sabia, 
justa, e adequada aos seos inalienáveis Direitos, decoro, efutura feli- 



276 REVISTA DO 



cidade ; por quanto deste modo digo por quanto de outro modo este 
Rico, e vasto Reino do Brazil ficaria sem hum centro de união, cde 
força exposto aos males da anarquia, e da guerra civil ; E Dezejaado 
Eu para utilidade geral do lleino unido, epartif^ular do bom Povo 
do Brazil, hií* de antemão dispondo, e arreigando o Sistema Consti- 
tucional, que elle merece, e Eu jurei dar-lhe, formando desde já hum 
centro de meios e de fins, com que melhor se sustente, e defenda a 
integridade, e liberdade deste fertilissimo egrandiozo Paiz, esepro- 
mova a sua futura felicidade : Hey por bem Mandar convocar hum 
Conselho de Procuradores Geraes das Províncias do Brazil, que as 
reprezentem interinamente, nomeando aquellas, que tem até quatro 
Deputados em Cortes, hum, as que tem de quatro até oito, dons ; eas 
outras daqui para sima três ; os quaes Procuradores geraes poderão 
ser removidos de seos cargos pelas suas Respectivas Provindas, no 
cazo de não desempenharem devidamente suas obrigações, se assim o 
Requererem os dous terços de Suas Camarás em Vereação geral, e 
extraordinária, procedendose ã nomeação de outros em seu lugar. 
Estes Procuradores serão nomeados pelos Eleitores das Parochias 
juntos nas Cabeças de Comarca, cujas eleições serão apuradas pela 
Camará da Capital da Província, sahindo eleitos afinal os que tiverem 
maior numero de votos entre os nomeados, e em cazo de empate de- 
cidira a sorte; procedendose em todas estas nomeacoens, eapuracões 
na conformidade das Instruccoens, que Mandou executar Meu Augus- 
to Pay pelo Decreto desete de Março de mil oito centos evinte ehum, 
na parte em que for aplicável, enão se achar Revogada pelo prezente 
Decreto. Serão as attribuiçoens deste Conselho: primeiroA Conselhar 
Me todas as vezes, que por Mim lhe for mandado, em todos os negó- 
cios mais importantes, e difficeis : Examinar os grandes projectos do 
reformas que se devão fazer na Administração Geral, eparticular do 
Estado, que Iheforem communicados : Terceiro proporme as medidas, 
eplanos, que lhe parecerem mais urgentes, e vantajozos ao Bem. do 
Reino unido, e aprosperidade do Brazil : Quarto advogar, e zelar ca- 
dahum de seos Membros, pelas utilidudes de sua Província Respecti- 
va. Este Conselho se Reunirá em huma Sala do Meu Paço todas as 
vezes, que Eu o Mandar convocar, ealem disto todas as outras mais, 
que parecer ao mesmo Conselho necessário de se Reunir, se assim o 
exigir a urgência dos negócios públicos para o que Me dará parte pelo 
Ministro e Secretario de Estado dos Negócios do Reino. Este Conse- 
lho será por Mim Presidido, o ás suas Sessoens assistirão os Meus Mi- 
nistros, e Secretários de Estado, que terão nellas assento, e voto. 
Para obom Regimen, e expediente dos negócios nomeará o Conselho 
por pluralidade de votos hum Vice Presidente mensal d'entre os seus 
Membros, que poderá ser reeleito de novo se assim Iheparecer conve- 
niente, enomearâ defora hum Secretario sem voto, que fará o Proto- 
colo das Sessões, e redigirá, e escravos, digo e Redigirá, e escreverá 



t\ 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 245 



ffuiinlo-so a mesmu illuniinagão no dia 11 e 12 em que se entoou 
Tó Dcum em acção do (;ra<,-as pela Cufura prosperidade deste Rídno, 
o que a mosnia Cainara, cõiilonnando-.so aos soiitinientos (Jeraos, 
convocara Muzica para festejar com liarmoniozos Cânticos, alluzivos a 
este objecto, dias que agouravão a nossa íutura felicidade : assim 
mais em conlbrmidado ao OlTicio de Sua Kxcelencia, que a convidava 
a lostejar o Nascimento do í'rincipe da Beira, e ifíualmento ao .lura- 
mcnto determinado pelo Régio Decreto de 7 de Março do mesmo 
anuo, ao que annuio com o maior prazer; porque não foi bastante 
a illuminação de 7, 8, e 9 de Abril, para que não continuasse por 
mais trez dias, o que de lacto se fez ontoando-se no ultimo Té I>euiu 
tMU acção de Graças ; quanto a segunda parte do Ollicio, tendo des- 
tinado a sua execução para o dia 29 do corrente, depois de convo- 
cadas oíVicialmente todas as Authoridades Ecleziasticas, Civis, e Mi- 
litares, se deu principio na noite de 28 por huã illuminação Geral, 
llynnos, e Concertos Patrióticos, que annunciavão a véspera do dia 
mais memorável da nossa Historia: ao raiar este tremulou a Ban- 
deira Nacional firmada com huma Salva Real, as duas horas da tar- 
de estando tudo disposto ; abertas as Salas da Camará, magnillca- 
mento ornadas e reunidos Clero, Nobreza, e Povo prestarão todos o 
Juramento na conformidade do Decreto, cujo acto senão pode con- 
cluir, senão as sinco horas da tarde. Daqui acompanhados de todo 
o luzido ajuntamento se dirigirão a Igreja Matriz, onde se entoou 
Te Deum a dois Choros ; findo este- Religiozo acto tudo concorreu 
ao largo de São Francisco, onde os Corpos de 2.=' Linha de Cavallaria, 
e Infantaria, lido o Decreto, de pois de formado o circulo resoavão 
alegres vivas ã nossa Santa Religião, a 1£1 Rey do Reino Unido, a 
Sua Augusta Dinastia, e a Constituição que tizessen'i as Cortes Ge- 
raes ; ao que se seguia\ão as Salvas Reaes correspondidas por treZ 
descargas de fogo rolante. 

Assim terminou hum acto, que nos deixou possuídos do mais 
profundo reconhecimento pelo melhor dos Pais e dos Reis. 

A f . 36 e V.- ve-se hum Otíicio do Capp.'" General de 27 de Abril 
de 1821, dirigido ao Juiz de Fora desta Villa, em que lhe faz ver, 
que com este lhe ha de ser enviado outro do Ouvidor da Comarca, a 
quem encarrega de remeter, e aos outros Juizes o Decreto de 7 do 
Março, e mais Instruçoens que devem servir de regra para as Elei- 
çoens Parochiaes, e que em tudo se conformem ao que lhe for co- 
municado pelo mesmo Ouvidor. 

A f. 3G V.-, e 37, se nota hum Ollicio do Ouvidor da Comarca de 9 
de Julho dirigido ao Juiz de Fora, e mais Olliciaes da Camará, com 
o qual i*emete incluzos o Decreto de 8 de Junho, e hum impresso das 
Bazes da Constituição publicadas nas Cortes Geraes a 9 de Março, 
alim de se publicar na forma ordinária, o por bem delle se prestar 

A. P.-i 



24G REVISTA DO 

O Juramento tis mesmas Bazes, para que depois de juradas, e publi- 
cadas, liquom todos sujeitos ã sua observância. 

A f. 37 té 43 SC vc o Decíeto de 9 de Março de 1821 das Cortes 
Geraes, e Constituintes, que lixa as Bazes da Constituição Politica 
com 37 artigos mandadas observar por Decreto de 8 de Junlio do 
mesmo anno, 

A í". 46 V.* c 47 se nota hum Officio da Camará de Villa Rica de 
27 de Agosto de 1821 dirigido a Camará desta Villa, pelo qual lhe 
faz vêr, que Decretando S. A, R. a instalação de hum Governo Pro- 
vizional por Avizo de 14 do corrente, que hajão primeiro de o fazer 
publico por Editaes, aíini de que reunidos os Cidadãos em Camará 
Geral nomeem apluralidade de votos Eleitores, que devem compare- 
cer na Capital para Eleição do Prezidente, e mais deputados que 
hão de compor o mesmo Governo ; com a declaração porem de que o 
numero dos Eleitores não deve exceder de hum a quatro, e cazo 
quizessem, podião encarregar para o mesmo lim aos Eleitores de 
Commarca, recomendando-lhes toda abrevidade por se ter marcado 
para a reunião o dia 1.- de Outubro. 

A f. 47 V.' se acha registado o Avizo de 14 de Agosto de 1821, 
pelo qual S. A. R. Houve por bem ordenar que nesta Provinda se 
criasse huma Junta Provizoria para Governar segundo as Leis 
actuaes, e Bazes da Constituição Portugueza, com subordinação ao 
Mesmo Augusto Senhor como Regente do Reino do Brazil, tudo isto 
interinamente em quanto senão põem em execução o systema dos 
Governos Provinciaes, que as Cortes Decretarem. 

A f. 52 acha-se registado o Avizo de 20 de Fevereiro de 1821, pelo 
que S, M. Houve por bem declarar que aprovava a Constituição que 
se está fazendo em Lisboa para ser observada neste Reino do Brazil, 
e mais Domínios da Coroa. 

A f. 52 té 53 V. • se acha registada huma Proclamação do Governo 
Provizional feita aos habitantes desta Província em 27 de 7br.* 
de 1821 ; pela qual lhe faz ver, que iirgindo atranquilidade Publica, 
Ibe faz ver, digo, possuindo-se a Tropa da Capital dos mais honrados 
sentimentos, e tendo á sua frente o Tenente Coronel José Maria Pin- 
to Peixoto convocou ao Prezidente, Olíiciaes da Camará e os Eleitores 
de Comarca que já se achavãj reunidos, para a instalação do Gover- 
no, segundo o Avizo de 14 de Agosto, o que se fizera com a melhor 
ordem no dia 20 de Setembro, sahindo Eleitos apluralidade ,de votos 
Prezidente, Yice-Prezidente, Secretario Deputado, e oito Deputados. 

A f. 55 té 58 se acha registada huma Proclamação das Cortes Ge- 
raes feita aos habitantes do Brazil em data de 13 de Julho d 1821, 



AIICIIIVO PUBLICO MINEIRO 247 



NO L.» QUIÍ SÉRVIO PARA SH RI-(1ISTAREM AS BAZES DA CONSTl- 

TUic.o i'()iau(;uEZA 



A r. 1 té 5 so encontra o Registo do Decreto do 8 do Junho do 1821, 
pelo qual S. A. R. O Principe Regente do Hrazil manda que so jurem 
as mesmas Bazes Decretadas pela Assembléa Constituinte e Legisla- 
tiva de Lisboa ; bem como em extenso so observão as mencionadas 
Bazes, c Decreto das Cortes que acompanbavão. 

A 1". 5 té 8 se vc o Auto do Juramento as mesmas Bazes, prestado 
aos '^2 de Juliio do ix-^l, pela Camará, Autiioridades Ecleziasticas, Ci- 
vis, e Militares, e os demais Cidadãos, que prezeates se acliavão tanto 
da Mlla, como do Termo, e so assignarão. 



X() L.° QUE SÉRVIO PARA AS ELEICOEXS PAROCHIAES DE-^TA 

FRE(iUEZÍA 

A r. 1 the 3 v." se encontra o Auto de Eleição dos Compromlssa- 
rios da mesma, quo teve principio aos 25 dias do mez de Jullio de 
1821, tudo coníbrme as Instruçoens, que baixarão com o Real Decre- 
to de 7 de Março do dito anno, e logo se \è, que os Cidadãos quo 
obtiverão apluralidade de votos procederão a nomeação de Eleitores 
de Parochia, que devião eleger os de Comarca ; na mesma conformi- 
dade se procederão as EleiçOes de Compromissarios, e Eleitores de 
I'arocliia, nas Freguezias de Santa Anna de Lavras, Dores, e Concei- 
ção de Carrancas deste Termo, como as dispunlião as Instrucçoens, e 
Decreto supra citado. 

, . NO L.° DE ELEICOEXS DE ELEITORES DE COMARCA 

A r. 8 tò 9 so acha o Auto de Eleição dos Eleitores do Comarca, pra- 
ticada com todas as circunstancias recomendadas nas Instruções 
supra. 

NO L.» DOS ACÓRDÃOS DESTA CAMARÁ DE 1821 

A f. 32 se encontra o Auto do Juramento â nova Constituição ^na 

conformidade do Decreto de 7 de Março de J821 deíTerindo contudo 

na formula do Juramento aqual he do tlicor sepuinte—Jnro venci a- 

ção, e respeito á Nossa Santa Religião, Oldiencia a El-Hey, e ol)ser- 

var, manter, e guardar a Constituição, como for deliberada, feita e 

acordada pelas Cortes Geraes da Nação— O qual depois de assignado 

pela, Camará oíbi igualmente pelos Cidadãos que so achavão pre- 
zentes. 



24« UEVISTA DO 

A r. 52 V,', 53 c V.' SC acliao Auto do Vereansa, em que a Camará 
om consequência de lium olíicio da de Villa Rica de 27 de Agosto, 
enconfonn idade do Avizo expedido pela Secretaria de Estado dos 
Negócios do ileino cm 14 do mcz pretérito, convocou aos Cidadãos 
desta Villã para olim de nomearem quatro pessoas, que devirio mar- 
char á Capital, e alii noincarem o l'rezidente, e mais Deputados que 
devião compor o Governo- da l^rovincia, o que assignou a Camará, e 
os Cidadãos concurrentes. 

A f. 59 V.' por hum Accordâo de -^i) de Outubro acuza a Camará a 
recepção de huma Pioclamação Icita aos habitantes deste Reino do 
Brazil pelas Cortes Geraes da Nação Portugueza em data de 13 de 
Julho a qual se publicou. 



REGISTOS DE ORDENS REGIAS DO ANNO DE 1822 

A ÍT 61 V." té 03 se nota huma Representação desta Camará de 21 
de Janeiro de 1822, dirigida ao Exm. Governo Provizional, pela qual 
roga ao mesmo Governo leve a Augusta Prezença de S. A. R. os sen- 
timentos da mesma Gamara que exulta de prazer pela rezolução que 
S. A. R. se dignou tomar de annuir ao dezejo de todos os seus Povos 
do Brazil, demorando o seu regresso para Portugal, e emque expres- 
sa acontradição, que nota nos Decretos das Cortes numero — 124 — , 
no artigo 9.' e 14, e n.- 125 no artigo 1.* em nada conformes á feli- 
cidade do Brazil. 

A f. 64 V. • se acha registada huma reprezentação que a Camará 
desta Villa fez a S. A. R. aos 11 de Março de 1822, cujo theor hé o se- 
guinte : Senhor. Ardendo no mesmo' Patriótico Zelo, e inflammados 
dos mesmos briozos sentimentos, que a Cíimara dessa Cidade levou 
respeitosamente á Augusta Prezença de V. A. R. em o dia para sem- 
pre memorável de 9 de Janeiro ; muito hà, que nós reprezentamos ao 
Governo Provizional desta Província o nosso descontentamento, e 
geral disconíiansa contra os dous .Decretos de 29 de Setembro, que 
tem por objecto dispojar-nos com a Adorável Pessoa de V. A. R. de 
toda agloria, e consolação que nos restavão na auzencia saudoza do 
Augusto Pay de V. A. R. O Senhor Dom João 6.', nos expunhão de 
mais pela incrível, e insidioza criação, de Governos, sem centro de 
União, e energia para suas operaçoens aos horrores da discórdia, 
anarchia, e guerra eivei. Estremecemos Senhor, quando neiles desco- 
brimos, preparada, em vez da prometida liberdade, a mais abominá- 
vel escravidão, atroco da divida igualdade de Direitos, a extinção 
das regalias, que nos erão uzurpadas, e pela reciprocidade de inte- 
resses até então aíiansada a mais abjecta, e caviloza reeolonização 
aquc seriamos reduzidos. Protestando a mais enérgica oppozição a 
Decretos tão insubsistentes, que antes erão principies de dezorgani- 



ARCHIVO PUULICO MINlíIRO :^40 

za(.-rio, quG aiiieaçavíío ao Hrazil Ue liuina completa, i- eiievitavol ruí- 
na, participamos ao mesmo (i(»vorno, que por si^ om nosso nomo, o 
em nome de todo este F'ovo, que temos a lionra de roprezentar su- 
plicasse a V. A. ii. não abandonasse as lagrimas, o males da Orplian- 
dado este 1'aiz doliciozo, que não cederá, á custa dos mais vaieivr/os 
esforgos, da Alta Eminência, a que foi elevado, desde o moniento di- 
tozo em que abrio o seu rico' seio para ser seguro, e paciíico abrigo 
a \'. A. R., e atoda a sua Augusta Familia, no naufrágio de tumul- 
tos, e invazoens em que soçobrarão quazi todos os Trincipes da, Ku- 
ropa. Estos volos Seidior, que erão os públicos, e constantes votos 
de todo este Reino, intci-iiorerão o Nohi-o ("oragão de V. A. R., (» forão 
igualmente acolhidos por V. A. K. tin d dia *.) de Janeiro ; estas ex- 
pi-essoons consoladoras dignas de serem gravadas com letras do ouro 
sobre os Pórticos dos Palácios de todos os Suberanos — Como lie para 
bem de todos, e felicidade geral da Nayão, estou prompto ; diga ao 
Povo que lico — Retumbando logo de bum a outro extremo deste vas- 
tíssimo Continente restetuirão ao coração dos sempre Ijriozos, o lieis 
Mineiros, a alegria, e tranquilidade, que havião perdido, e a doce 
esperança da paz, que temiiM) com razão ver ti'ocada no liagollo de 
sediçoens, e guerras intestinas. 

Pressurozos pois em agi-adecer a V. A. R. apar dos Maiores Reis 
seus lUustros Predecessores, igualmente pelo mais justo Titulo, que 
adquire para Vossa Alteza Real os gloriosos, e bem merecidos Títulos 
do Libertador, e Restaurador do lirazil. Órgãos dos Sentimentos ge- 
nerozos do todo o Povo deste Termo, nós protestamos, a V. A. R. a 
nossa eterna gratidão, pela deliberação tão lieroica, como magnâni- 
ma, tão acertada como Politica, que de liuma vez nos garantio das 
tentativas, ora infructuozas, que vinlião profundamente traliir a 
nossa senceridade, e b(ni fé, seguramos a V. A. R. os nossos coraçoens, 
e vidas, aquelles, para Altares das nossas mais puras, e respeitozas 
adoraçoens, e estas, pai-a as Sacrilicarmos a todos os perigos, em fle- 
feza da Augusta Pessoa de Vossa Alteza Real, peia sustentação inta- 
cta da Alta, e Precioza Dignidade de Regente deste Reino, e pela con- 
cervação ileza dos nossos mais Sagrados Direitos. 

A Augusta Pessoa de V. A. R. Guarde Deos os mais fdizos, o 
dilatados annos. Em Cini.UM. nssitjnnilos n Jiii/ ib* For;i. o ni;iis ()(li- 
ciaes da mesma. 

Af. GO V. se acha registado o Aviso de S. a. R., pelo qual de- 
termina a esta Canuira ponha em observância o Decreto de IH 
de fevereiro de IS'^'^ em (jue houve por bem mandar crear hum 
Conselho de Estado conii»"--» <•<• 1'i'oeuradori's ib- iodas as Pi"i>vincias 
do Brazil. 

Af. 7:i V. té 74 se acha registada luta representação da Camará, 
e Povo desta Villa de 4 de abril ile 1822 a S. A. R. o Príncipe Re- 
gente cujo theor he o seguinte. 



250 ' REVISTA DO 

Sonlior. A lionra inaudita, e íiloriosa que os Povos desta Villa, o 
seu Termo recebem liujo de possuirem no seu seio a Augusta, o ado- 
rada Pessoa do V. A. R. mais scxplica no publico ro^^ozijo, e geral 
contentamento do que pode discrever-se em hum discurso (*) To- 
dos Senhor concorrem á porfia atril)utar a V. A. R. as merecidas 
adoraroens o os rospoitozos cultos, de que são credores o Nobre, e 
Generozo Coração de V. A R. a Sua Magnanimidade, sobre natural ílr- 
mesa, e a constância verdadeiramente heróica, com que atravez 
de ladigas, o dos perigos, sacrilicando ao publico socego o seu par- 
ticular descango, e arrancando-se dos abraços conjugaes de liuma 
lllustre Princeza, dadiva mais preciosa, com que o Ceo tem mimo- 
siado ao Brazil se digna derramar no meio dos seus Povos as doçuras 
da paz, e da tranquillidade. 

Estes cordiaes sentimentos, que não podem deixar em duvida 
tantas demonstraçoens externas, estes sentimentos briosos, tão pró- 
prios de felicidade de Portuguezes, quanto inseparáveis da honra de 



(*) Chegou iicstca Villa S. A. l\. na lar.lo de quarta fíira 3 de abril de 1822, 
e porque o Povo iiào tivos.íc noticia cerlada sua vinda apeuas correu oboato 
no dia l." — quando todos aporfia se exforcavfio apatentear as mais decedi- 
das demonstraroeDS de alegria. Ercgirão se 6 arcos magnificamente preparados 
pelos lugares por onde S. A. R. havia passar até a Igreja Idalriz. As 4 horas 
da tarde niarction a Camará incorporada o Ciero de Cruz alçada os Hcgimentos 
de Cavallaria, e Infantaria de 2" Linha Nobreza, e Povo ao sitio em que se devia 
esperara Augusta e Sagrada Pessoa de S. A. U., e praticar as ccremonias, que 
se prestão aos Senhores heis, c Príncipes. 

Eis que se vê ao longe voar ao uos.-o seio o Anjo, que nos trazia o fron" 
dozo ramo da dezejada paz. Concluídas as ccremonias do estillo eutào o Prosi- 
deule da Camará proferio em alia ^óz os Vivas a S. A. U. o Príncipe lie- 
gcnte do Brazil ; ele. a que forcão correspondidos por todos que se achavcão 
presentes ; e lo entoou o Clero o cautigo Benedictus, e desta maneira se 
progredio até a -Matriz onde se cantou hum Solemne Té Deum. Por toda a 
parte rezoavão os vivas, que sendo nascidos de hum intimo, e completo pra- 
zer, se julgarião filhos do lomulto, e da confusão ; não podendo o Povo ex- 
pressar de outro modo, o eutliusiasuio de que se achava possuído. Findo este 
acto religiozo o .Mesmo Augusto Senhor acompanhado de todo o povo se deri- 
gio as casas da Camará destinadas para o sen apo.sento. 

Ahi immedialamente para mais honrar e.te Povo se dignou dar Reija Mão. 
Vindo a noite aparecerão todas as Casas, e Edificios expontaueamenle illuiin- 
nados, o que se continuou nasscguintes. No outro dia foi repetida a mesma lioni a 
d ' lieija Jlão ;!0 que o povo mais, e mais agradecido se coníundio pela Alia í?ení- 
gnidade do \(;>inr dos Príncipes. A Camará i)0is" pressurosa de prpslar quanto 
a lies, como devia, ohijíencía, respeito, e iedelidade a S. A. U. o Princi[)e Ko- 
gente do Brazil, como Chefe do Poder Executivo, e centro da uuiào e tranquíi- 
liiJade deste Pvcitio, envia em seu nonie, e cm nome do Povo a Representação 
acima. E então uinguem poderá roubar a esta Villa, e seu Termo a gloria de 
ser a primeira da Província, que reconheceu a Regência deS. A. R. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 251 

i\Iiueirus, sfiu os votos*, que esta Camará por si, e na qualidadíi de 
Reprosuntante dos Povo.s tuiu a .satislíK.-ào, o o prazer do vir anniin- 
ciar peranfo V. A. R. cm qiiom por miraculoza Graça da Divina 
Providencia apparecem reunidas semultaniamente as preclaras vir- 
tudes dos maiores Reis, Au^rustos Predecessores de V. A. R. Sim Ma- 
gnânimo, (íenorozo, e Idolatrado Principo, que íormaes as delicias, 
e a esperam^-a de todo esto Reino, nós divisamos em V. A. R. a re- 
ligioza le, o eximia Piedade de D. Aflbnso Henriques, a imparcial 
Justiça do Grande Rey D. Diniz, a depurada, o solida politica do D. 
João 1.- Illustro Tronco da Serenisrsima Caza do Bragança, a sabedo- 
ria, famigerada de El Rey D. Duarte, o o valor a constância, c a 
prudência do immortal D. João 2/ que mais adquirem para V. A- 
R., do (luc o fervoroso zello, e incrível actividade com que V. A. R. 
plantou no Brazil a Arvore da nossa Liberdade. 

He sem duvida, para colhermos os seus fructos sasonados, e per- 
feitos, que V. A. R. vem atravessando esta riquissima Provincia, 
a(im do emendar os erros, quo a primeira vista so observão na 
installação do Governo Pruvizional da mesma, no qual, ou seja pela 
disconíiança, que então haveria do Gabinete do Rio de Janeiro, ou 
seja pela nimia precipitação dos Eleitores, ou seja em fim pela 
sua demasiada creduliilade, e boa fó nas Cortes de Lisboa, so 
aclião reunidos os três poderes Legislativo, Executivo, e Judiciário : 
Poderes repugnantes, o inadimissiveis em huma sò pessoa, ou | 

Corpo Moral porque fíizem a incerteza, e mutabelidado das Leis, 

confundem o Direito das Partos, e tornam perplexo, e duvidozo o !> 

dominio, e a propriedade : Poderes quo as Cortes dividirão, e que 
os Povos já não podem reunir. 

He com tudo desta reunião do Poderes, que provem a maior 
parte das Dileberaçoens que se notão ao Governo Provizional. Tal 
he a da criação de huma Casa de Moeda, querendo talvez por em 
vigor a Carta Regia de 10 de março de 1720 ; tal he a da extinção 
das Notas feliaes do Banco ; tal hé a da erecção de hum Corpo de 
Infantaria em liuma Provincia, que nada tem a reciar de externas 
invasões, e taes são algumas outras, que não cabem na brevidade 
deste nosso Discurso. 

Senhor cumpre, "^que V. A. R. reflicta seria, e maduradamente so- 
bre este viciu primordial da' installação do Governo opposto, sem du- 
vida aos principies mais claros, e luminosos do Direito Publico uni- 
versal, e até as Bazes da Constituição da Monarquia, já estão jura- 
das, e cumpro que V A. \l. não saia da Proviílcia, sem que elle 
fique de huma voz emendado. Se a vontade dos Povos inconsideradíi- 
e nullamente enunciada no dia 20 .de setembro conferio ao Gover- 
no estes I*oderes, a vontade dos Povos solida, e legitimamente de- 
clarada agora, pelas respectivas Camarás, e por elles mesmos, quo. 
ouvidos forão, vai estabelecer os justos lemites da sua. Jurisdicção. 



í 



i. 



252 REVISTA DO 

So O Governo Provizional não se julgava autliorizado para dimittir 
de si estes poderes ; Julííue-se, atçora, que o brado geral começa afe- 
rir os seus ouvidos. V. A. R. he Príncipe Regente do Reino do Bra- 
zil, V. A. R. deve ser o centro do Poder Executivo de todas as Pro- 
víncias, e da sua pjiz, e tranquilidade. Nas Cortes Geraes da Nação 
reside o Poder Legislativo obedeça-mos as suas Dicizoens no que 
não ofleifderem á honra, a Dignidade e a Reprezenção Nacional do 
Brazil tornando nos em vez de Irmãos, escravos seus. Nos Ministros 
existe o Poder Judiciário não se uzurpe a sua authoridade, e sejão 
severamente castigados os que maliciozos abuzarem delia. Emfim 
Senhor, seja V. A. R. aBaze mais íirnie da união de ambos os Hemis- 
férios, da qual depende essencialmente a ventura, e propriedade do 
Reino Unido, e a cautelle vigilante, que huma • divisão prematura 
não reduza a cinzas a rica e preciosa Heransa de V. A. R.. Deus. 
Guarde a V. A. R. muitos annos Villa de São João de El-Rey em Ca- 
mará de 4 de abril de 1822. 

Af. 90 té 91 V. se acha registada huma reprezentação, que a Ca- 
mará desta Villa dirigio a S. A, R., o Príncipe Regente, em data de 
19 de setembro de 1822 cujo theor he o seguinte. 

Senhor Se os Povos do Brazil em cujos Coraçoens magnânimos 
imprimio a Natureza sentimentos de honra e de brio Nacional Je- 
pozitarão entre as Mãos Augustas de V. A R. os preciozos dons da 
sua segurança, liberdade, e independência, contra os quaes ainda 
atentão aperíidia de huns, a ambição de outros, e o egoismo de mui- 
tos ; se V. A. R. tem sido o Defensor mais intrépido de nossos Di- 
reitos, e Regalias, já estabelecendo, e consolidando hum systema 
perfeito de união entre as diversas partes integrantes deste vastís- 
simo Reino, já perseguindo, e dezarmando os seus mais cruéis ini- 
migos, já emflm mandando convocar huma Assembléa Geral, que 
promova os meios da sua prosperidade, que mal podião esperar-se 
das tardias deliberaçoens das Cortes de Lisboa, ou seja pela separa- 
ção do Oceano, ou seja pelo menoscabo, com que encarão seus De- 
putados, parece sem duvida que nada mais nos resta a dezejar para 
inteiro complemento de nossos votos. Hum Povo heróico, e hei... 
Hum Príncipe generozo, desvelado... hum Paiz extenso, rico, e 
poderoso.. ? que nos falta ainda para vivermos tranquillos na se- 
gura posse de •■ tantos bens ? Se reflectirmos porem nas circuns- 
tancias verdadeiramente criticas, em que o Brazil se acha consti- 
tuído, ora tendo que apagar o fogo de discórdias domesticns, que 
filhos ingratos acccnJem no seu seio carinhozo, até onde pertendem 
cravar o punhal matricida, o'ra tendo que repelir, e quebrar 
os ferros que se preparão contra a sua independência, ferros la- 
bricados. (o' vergonha da razão humana !) no próprio recinto da 
liberdade, então conhecerá V. A. R. que nunca nos aproximá- 
mos ao Throno Augusto de V. A. R. com suplica tão justa, como 
a que hoje temos a honra de apresentar-Lhe. A liberdade po- 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 253 

litica em hum Cidadão, diz, o Sábio Auctor do Esporito das Leis, 
consiste na tranc|uillidade proveniente da Opinião, que cada hum 
tem da sua s('guran(;a, o para que haja esta liijcnhuie hc mister que 
o Governo seja tal, que imm Cidadão não possa temer-se de outro 
Cidadão : como poderemos por tanto nós considerar mo-nos livres 
vendo ali ultrajad(».s os nossos Direitos, aqui enfraquecidas as nos- 
sas Ibrgas, e acolá desenvolvido o medonho aparato da guerra ? 

Como poderemos viver tranquillos, quando ponderamos, que ape- 
zar de ser V. A. R. capaz de lazer os mais heróicos sacriíici(js em 
l)eneliei(), e defeza do Brazil, e de rezistir as insidiozas tentativas dos 
(jue pertendem escravizalo, faltão-Ihe com tudo poderes para por 
empratica os emprohendidos meios da nossa salvação ? E sem exe- 
cui.ri() destes meios como poderá ella conse<íuir-se ? De que servirão 
nos amigos tempos o animo, e os talentos do Anibal, sem os recur- 
sos, que Hannon lhe negava ? Eclipsou-se em um dia toda a gloria 
do Franzimeno, e Cannas. De que servirão a V. A. R. todos seus 
talentos, e todo o seu Patriotismo Brazileiro, não podendo exe- 
cutar os meios de defeza e seguransa, e engrandecimento, por que 
insta o Reino do Brazil ? Desaparecerá o seu nome em um ins- 
tante da lista das Na(,*oens livres, e submergido outra vez na igno- 
rância, e no vilipendio em vão chamará em soccorro seu o Augusto, 
e Perpetuo Defensor de seus já perdidos Direitos. Os principies pois 
immutaveis do Direito Publico Universal, os encargos de Defensor 
Perpetuo deste Reino a Ley suprema da Publica Salvação tudo exi- 
ge. Senhor, que V. A. R. seja envestido no exercício de todas as 
atribuiçoens, que competem ao Peder Executivo pela Constituição 
da Monarchia. Eisaqui, Senhor, o que nós nos apressamos a pedir 
a V. A. R em nosso nome, e em nome do Povo, de cuja vontade te- 
mos a honra de ser o Órgão.- Veio a epocha, em que o Brazil deve 
occupar o eminente lugar que lhe compete entre as mais Naçoens. 
Se até aqui pouco tem figurado entre ellas, tão bem no meio do 
Reinado de Luiz 14 a Inglaterra, e a Escócia não formavão hum 
Corpo de -Monarchia, nem a Moscovia era mais conhecida na Europa 
do que a Crimeia, e hoje são sem duvida duas Naçoens poderozas. 
Somente he mister que V. A. R. possa defendelo de seus inimigos, 
e de pois promova a sua prosperidade, e engrandecimento ; e como 
para se obter estes dois fins he necessário empregarem-se meios, 
que não estão ao alcance de V. A. R. segundo as Instruçoens que 
baixarão com o Decreto de 22 de Abril de 1821, e he de sumnia 
urgência que a execução de todas as medidas indispensáveis para 
elles se conseguirem se ponha em pratica, fica encontestavel a ne- 
cessidade que occorre de que \'. A. R. entre desde já no exercício de 
todas as atribuiçoens (jue cumpetem do poder Executivo ; pois 
que só assim pode V. A. R. livremente cuidar na salvação, e pros- 
peridade deste Reino. Nós nos lizongeamos por tanto de que V. A. 






254 REVISTA DO 



R. anniiirá, benigno as nossas rogativas, que devem ser o começo 
da expressfio da vontade Geral dos seus fieis súbditos do Brazil. 

At". 93 té 95 V.' se acha registado Imm OlTicio do Senado da Ca- 
mará do Rio de Janeiro, dirigido a esta em data de 18 do setembro 
de 18if2, polo qual lhe participa, que tendo-se declarado pozetiva- 
mJj a opinião publica tem rezolvido Aclamar Solemnem.*» no 
dia 12 de Outubro o Senhor D. Pedro de Alcântara 1.* Imperador 
Constitucional do Brazil prestando o Mesmo Senlior previamente, 
lium Juramento Solemne de Jurar, guardar, manter, e defender a 
Constituição, que fizer a Assembléa Geral Constituinte Legislativa do 
Brazil, afim de q.« esta Camará faça o m.™" no dia 12, porq.« 
nos será muito gloriozo, q » S. A. R. seja Aclamado no m.""* dia 
em todas as Províncias Colligadas. 

Af. 96 V, e 97 se vê o registo de huma Representação, que esta 
Camará derigio a S. A. R. no 1/ de Outubro de 1822, cujo theor 
he o seguinte. 

Senhor. A Camará desta Yilla, arrebatada de maior prazer, e en- 
thuziasmo, logo que chegou ao seu conhecimento, que a Camará, 
e Povo da Cidade, e Corte do R. de Jan.'"'», tinha marcado o faus- 
tissinio, digo, o laustozo dia 12 do corrente ]\Iez, Feliz Natalício de 
V. A. R.j para nelle ser V. A. R. Aclamado Imperador Constitucional 
do Brazil, único passo, que nos pode garantir do pélago tremendo 
de males, que nos ameação : vendo identeficados os sentimentos, e 
desejos da quella Camará com os desta, que ha muito tempo anhe- 
lava p."" ver chegar a Epocha venturoza, q.^ deve firmar em bazes 
inabaláveis o magnifico edificio da nossa futura prosperidade, e gran- 
deza, passou immediatamente a convocar todos os Cidadãos desta 
Yilla, e seu Termo ]).' q.« reunidos nos Passos do Conselho mani- 
festassem com franqueza os seus sentimentos sobre tão interessante 
objecto. 

Da certidão junta do termo da Yereança, a q.° em consequên- 
cia se procedeo, e que temos a honra de pôr na Augusta Prezença 
de Y. A. R., conhecerá V. A. R. os sentimentos que nos animão, e 
ao Povo que reprezentamos. 

Digne-se Y. A. R, de acolhe-los benigno, e de annuir as suplicas 
dos seus fieis súbditos, que unanimes A clamão a Y. A. R. seu 1.* 
Imperador Constitucional, assim o exige a honra de todos os bons, e 
leaes Brazileiros, a sua liberdade, e a gloria de Y. A. R. 

No L.- que sérvio para Eleição Parochial daFreguezia de São João 
de El Rey afi. I té 4, se vé que se procedeo a mencionada Eleição 
a 25 de Agosto, segundo o Decreto de 3 de Junho de 1822, e Instru- 
çoens de 19 do mesmo, na m.™^ conformidade se achão praticadas 
as Eleiçoens ■ das Freg.^* je N. Senhora da Conceição de Carran- 
cas Dores do Pântano, e Santa Anna de Lavras do Funil, Termo desta 
Yilla, o que consta dos L.<*i competentes. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 255 

No Livro (luo scrviíj p. » as Actas das Klei(,'ouns do Dcputadu.s 
oát a Provincia de Minas Goraos, que dcvião compor a Assomhiúa 
Geral Constituinte, o Legislativa, aí'. 2 té 19 se vè, q.« o Ouvidor 
Interino pez em eflectiviJ.» a 8 de 7br. de 18::j2 o § 1.* do Ca- 
pitulo 5.* das Instruçoens de IV» de .luiilio do dito anno, relativa- 
mente atai objecto. 

No L. o de Acórdãos de lS;i2, 

A. 'J4 o Verso Acordou a Camará em lazer liunui Carta a S. A. 
R. o Príncipe iiegente afíradecendo ao Mesmo Augusto Senhor o ter 
t(tmado a rezoIut^Tio do i-ezedir no R. de Jan.'" annuindo ao voto 
geral do Brázil, até ulterior delibcra(;iio das Cortes. 

Assim mais 1)5, 90, e verso Acordou a Camará a :>() de Mari.-o de 
ISv';?, por noticias certas que teve de vir a esta VillaS. A. R. Honrar 
com a Sua Prezença esto Povo, que o Procurador da m.^ autho- 
rizado por ella concorresse com todas as despezas necessárias p.» 
lium tratam.'" proporcionado ã Alta loraroliia do Mesmo Augusto 
Senhor, que se Olliciasse ao Commandanto da Tropa da 1.* Linha, 
p.^ ir em recebimento do S. A. R. no R. do Elvas, p.*' que logo 
que ahi chegasse, a m.'"' Camará encorporada passasse a ir rece- 
ber ao Mesmo Senhor com a devida decência aonde quer, que fosse 
encontrato ; OíVeciarão tão bem aos Commandantes da í;.'* Linha p.» 
segurança da Villa, e p.-* o que posteriorm.'» fosse percizo ; OíTe- 
ciarão trio bem as Authoridades Ecleziasticas p.^ o Solemne rece- 
])imento de S. A. R., e como julgasse a Camará, que S. A. R. vinha 
arreigar nesta Província oSystema Constitucional, achou ser do seu 
dever o reconhecer ao Mesmo Augusto Senhor como centro da 
união, da Paz, e tranquilidade do Brazil, e como Regente do mes- 
mo Reino. 

Assim mais af. 97, 98, e verso aos 4 de Abril se encontra hum ter- 
mo de Vereança em que a Camará, p.-^ poder elevar a Augusta 
Prezenga de S. A. R. huma Representação, convocou o Povo desta 
Villa para dár verbalmente o seu voto relativo aosobjecctos constantes 
da dita Reprezentação ; ao que todos uniformemente annuirão e se 
assignarão. 

Af. 100 V.* e 101 se acha hum Acórdão pelo qual a Camará abrío 
hum ollicio dorigido pela Secretaria de Estado dos Negócios do Reino 
acompanhando o Decreto de IG de Fevereiro, do corrente anno ins- 
ti'uindo a maneira de se elegerem os Membros do Conselho de Es- 
tado ; a sim mais, que se registasse hum 0R'.° dcrigido p." ordem 
de S. A. R. a esta Camará, p."" Estevão Ribeiro de Rezende, em q.-» 
partecipava a sua chegada a esta Villa em 3 do Corr. » Abril. 

Af. 102, ev. se encontra hum Acórdão emque deliberarão abrir 
hum oíllcío do Governo Provizíonal desta Província expedido em vir- 
tude da Portaria, emque S. A. R. o Príncipe Regente mandava proce- 
der a Eleição dos Procuradores Geraes de Cada Província. 






256 REVISTA DO 

Immediatamento so mandarão passar Editaes, e outras providen- 
cias p.» a sua prompta execução. 

Af. 103, e V. se vc, que p,'- Acórdão abrio a Camará hum Olficio 
do Doutor Ouvidor Interino^ acompanliado da Portaria p.-" copia pas- 
sada pelo Secretario de Estado Interino, p."" Ordem de S. A, R. o 
Príncipe Regente ao Governo Provizorio, afim de serem p.' esta Ca- 
mará avizados todos os Eleitores deParochia deste Termo, p.» se con- 
gregarem na Capital no dia 20 de Maio próximo, p.» serem Eleitos 
7 Membros de que se devia compor o Governo, conforme o Decreto 
de 1.- de Outubro do anno passado. 

Aí'. 110 V. se observa hum Acórdão p.^^ abrir hum OíT," dirigido 
pela Camará da Cidade do Rio de Janeiro a -esta enique expressava 
os seus sentimentos â cerca de reprezentar-se a S. A. R. a instalação 
de huma Assembléa no Bi^azil. 

Af. 112 e 113, e V. se acha hum Acórdão em que deliberarão res- 
ponder ao Senado do Rio de Janeiro, expressando os seus sentimen- 
tos, e dos Povos deste Termo relativamente â Assembléa. 

Af. 115 V., e 116 se encontra hum Acórdão em que a Camará de- 
liberou dirigir a S. A. R. o Príncipe Regente huma carta congratula- 
♦ toria, expressando os seus sentimentos degratidão, e os dos Povos 
deste Termo, pela benegnídade comque o Mesmo Augusto Senhor foi 
servido aceitar as devidas Reprezentações afim de se convocar as Cor- 
tes Brazileíras. 

Af. 119, e V. se acha hum Acórdão emque abrirão hum Ofíicío di- 
rigido a esta Camará pela Secretaria de Estado dos Negócios do Reino 
incluindo huma Portaria do Menistro de Estado daquella Reprezenta- 
ção, digo. Repartição que acompanhava os Exemplares dos Decretos 
do 1." e 3.- do mez de junho do anno corrente, das Proclamaçoens de 
S. A. R. o Príncipe Regente, e o discurso dirigido ao Mesmo Augusto 
Senhor pelos Procuradores Geraes, Concelheiros de Estado, e as Ins- 
truçoens aque se refere o citado Decreto p.* as Eleiçoens dos Depu- 
tados da Assembléa Geral Constituinte, e Legislativa. 

Af. 120 V. se encontra hum Acórdão em q.^ a Camará deu as mais 
enérgicas providencias ah m de se pòr inimediatam.'" em observân- 
cia o Decreto de 3 de junho, e Instruçoens que o acompanharão. 

Af. 121 se vé Acordar a Camará em abrir hum Oíf." da Secretaria 
de Estado dos Negócios do Reino emq. ' S. A. R. O Príncipe Regente 
manda participar á m."^^, que Elle havia ouvido comparticular sa- 
tisfação o Off." , que ella teve ahonra de elevar a Sua Augusta Pre- 
zença, em a data de 30 de junho do corrente anno. 

•Af. 124 V. 125 e V. Acordou a Camará em abrir hum Off." da Se- 
cretaria de Estado dos Negócios do Reino incluindo os Exemplares do 
Manifesto de S. A. R. O Príncipe Regente do Brazil, dirigido aos Po- 
vos deste Reino. Bem como outro da Camará do Rio de Janeiro re- 
metido a esta em data de 7 de Setembro em que faz ver a necessi- 



ARCmVO PUBLICO MINEIRO 257 

dade, que liavia de envistir a S. A. R. o Príncipe Regente no exer- 
cício de todos os Atributos, q.» pela Constituí(;rio lho díivião compe- 
tir como Chefe do Poder blxecutivo, ao que esta Camará respondeo 
fazendo ver, q.« ella ia levar a Prezença de S. A. R., os seus senti" 
mentos em conformidade com os da dita Camará. 

,Af. 12(3 V. e 127 Acordou a Camará, emque tendo noticia certa 
de que S. A. R. o Priíicipo Rejíonte, o Perpetuo Delensor do Brazil 
por unanime, e geral vontade dos Povos do Rio de .lan.""», e sua 
Província, devia ser Aclamado nodia 12 do corr.-' mez, Natalício 
do Mesmo Augusto Senlior, Imperador Constitucional do Brazil, se 
convocasse os Cidadãos desta Nilla, e seu Termo, a(im de se reuni- 
rem no dito dia 1.' de Outuhro nos Passos do Conselho, e ahi ex- 
pressarem os seus sentimentos sobro este interessantíssimo objecto ; 
o q.' se fez publico p."" Editaes. E logo a f. 127 V., 128, e V., em 
consequência do convite feito aos Cídadivos pelo Edital, e se acha o 
termo de Vereança Geral, no qual a Camará, Clero, Nobreza, e Povo, 
como em huma só vez expressou seus sentimentos, os quaes aníma- 
vão ao Povo Fluminense, quoerão os de ser S. A. R. o Príncipe Re- 
gente, e Defensor Perpetuo deste Reino, Aclamado Imperador Cons- 
titucional do Brazil. E depois de assignar a Camará seguírão-se as as- 
signaturas de todos os Cidadãos que se achavão prezentes. 

Af. 130 V., 131, e V. Acordou a Camará em que para melhor so- 
lem nizar a Aclamação de S. A. R. o Príncipe Regente, e Perpetuo 
Defensor do Brazil, esta tivesse lugar no dia 12 do Natalício do Mes- 
mo Augusto Senlior ; p.* o que oíTeciaTão as Authoridades Ecle- 
ziasticas, e Militares, e igualmente fezerão certo ao Publico, p."" Edi- 
taes a Celebração desta tão Augusta Ceremonía. Assim determina- 
rão haver Missa Cantada Solemnemente em acção de Graças p."" tão 
fausto motivo ; e que depois de concluída a Ceremonía da Aclama- 
ção se entoasse hum Tó Deuní Solemne, e que tãobem houvesse illu- 
mínação por expaço de 9 dias. 

Af. 132, e V. se encontra hum Acórdão em que a Camará abrio 
hum oíY. datado de 17 de 7br.>' do Senado da Camará do R.» 
de Jan-f", emque comunicava que o Povo, e Tropa daquella Cidade 
tinha manifestado os dezejos de ser S. A. R. o Principo Regente De- 
fensor Perpetuo do Brazil, Aclamado no dia 12 de Hbr.» prestando 
o Mesmo Augusto Senhor previamente hum juramento Solemne de Ju- 
rar, Guardar, Manter, e Defender a Constituição que íizer a Assem- 
bléa Geral Constituinte, e Legislativa Brazilíca. 

Ao que esta Camará respondeo : que ella, e o F'ovo desta Villa, e 
Termo possuídos dos mesmos sentimentos, já tínhão tomado a m."* 
rezolução de Aclamar a S. A. R. Imperador Constitucional do Bra- 
zil no mencionado dia 12 sem que para isso lhe fosse percizo partici- 
pação, ou insinuação alguma, e sim p.'' ser essa avontade unaniniQ 
desta Camará, e Povo. 



258 



REVISTA DO 



Af. ir!5 se acli.a o Auto tln Indepoiídencia de levantamento de Acla- 
maçào, c reconhecini.*" a S. M, Iniporial o Senhor Dom Pedro 1.* 
Imperador Constitucional do Brazil, c juramento de Preito, e Ho 
menaf^em, o qual depois de prestado pela Camará, Clero, Nolireza, e 
Povo, e praticadas as Ceremonias seguirão-se as assiiinaturas de to- 
dos os Cidadãos, que prezcntes se acbavão. 

Af. 147 se encontra hum Acórdão em que a Camará participa ao 
Menistro de Estado dos Negócios do Brazil, a eflectividade da Acla- 
mação de S. I\I. 1. nesta Villa, 'remetendo-lhe juntam.'" o respectivo 
Auto, p.* ser prezente ao Mesmo Augusto Senhor, assim mais rece- 
berão huma Proclamação do Governo Provizional desta Provencia sol- 
licitando aos Habitantes deste Termo, soccorros pecuniários, pes., 
soaes, e de viveres para a Bahia, em attenção a Guerra. 

Af. 149 Acordou esta Camará em mandar hum dos seus Vereadores 
á Corte do Rio do Janeiro p.* aprezentar a S. M. I. por parte delia, 
e do Povo deste Termo as devidas felicitaçoens pela Sua Elevação ao 
Tbrono Imperial do Brazil. 



REGISTROS DE ORDENS REGIAS DE 1823 

Af. 186 e V. sevé registada a Felicitação que por parte desta Ca- 
mará, o^Doutor António Paulino Limpo de Abreu, fez a Augusta As 
sembléa, com a data de 23 de Agosto de 18S3. 

Af. 194, e V. se ve registado o Decreto de 17 de 9br." de 1823 
pelo qual S. ^I. I. houve porbem determinar se proceda a Eleição dos 
Deputados p,^ a nova Assemblèa Geral, Constituinte, e Legislativa, 
segundo as Instruçoens de 19 de junho do anno pretérito combinadas 
com o Decreto de 3 de Agosto do mesmo anno. 

Af. 215 té 232 se acha o registo do Projecto de Constituição p.^ o 
Império do Brazil, emviando a esta Camará em data de II de De- 
zembro de l'S23. 

ACÓRDÃOS DO ANNO DE 1823 



Af. 163 Acordou a Camará em abrir hum .Oíí.o do Procurador 
Geral desta Província acompanhado de hum Protesto, que fizerão os 
Procuradores das Províncias no qual acuza a iluzão comq.e esta, e 
outras Camarás exigirão prévio juramento a S. M. I., e para que 
fosse revogada esta clauzula, convocarão p."" Editaes ao Povo desta 
Villa, e seu Termo aflm de rezolverem, e assignarem a dita recla- 
mação. 

Af. 166, se acha o Auto de reclamação no qual se vê, que a Ca- 
mará, Nobreza, c Povo de commum Acordo Aclamarão S. M. 1. sem 



ARCIIIVO PUBLICO MINEIRO 250 

ristrição alguma, licando de iicnluiin clVoito a clauzAila do juraiiionto 
prévio, acujo Auto a!?.signou-se a Camará, o os mais Cidadãos que se 
achavão prezentes, eíoi remottido ao Procurador Geral da Provincia 
para ser prezento ao Mesmo Augusto Senhor. 

tAf. 175, se encontra hum Acórdão, no (|ual abrio aCamara hum 
OíT.o do Ouvidor Interino desta Comarca acomiianhado do Decreto de- 
huma subscri<,'ã() mensal para augmento da Marinha de Guerra deste 
Império. 

.Af. 194 se acha hum Acórdão omquo esta Gamara authoriza ahum 
Procurador para no Rio do .lan.'" felicitar a Assembléa pela sua ins- 
talação. 

Aí". 198 se vè hum Acórdão enniue ;i Camará p."" noticias que teve 
dallestauração da Bahia, expontaneamente convidou p.-" Editaes ato- 
dos os Cidadãos p.» illuminarem as suas Cazas p."" espa(;o de 3 dias 
noflm dos quaes renderão a Deos Graças entoando-se hum Solemne 
Tè fíenni. 

tAl". 35 V : de outro livro de Acórdãos consta ter aCamara aberto 
hum Ofílcio do Menistro de listado dos Negócios do Império acompa- 
nhando os Exemplares do Projecto de Constituição oílerecido p."- S. M, 
I. as Camarás. 

REGISTRO DE ORDENS REíMAS DE 1824 

Al". 3 V. e 4 se acha registada a Portaria do Governo Provizorio 
desta Provincia, q.» manda proceder a Eleição de Conselheiros na 
forma da Carta de Ley de 20 de Outubro de 1823, e de Juizes de Fa- 
cto sobre aliberdade da Imprensa, como o determina o Decreto do 
22 de Novembro do dito anno. 

Af. 18 se acha registada hunia Portaria do Ex.™» Prezi- 
dente desta Provincia em data de 30 de M.í« de 1824 dirigido aesta 
Camíira com o Decreto de S. M. I. de 11 do d." mez, e anno no qual 
manda jurar como Constituição do Império o Projecto p.' Elle offe- 
recido, e aprovado Unanimimente por tcjdaa Nação. Igualmente af. 19 
se acha o registo de huma Portaria do Menistro de Estado dos Negó- 
cios do Império de 13 de M.?", que acompanhou o Exemplar do De- 
creto do 1 1 do corrente pelo qual o Mesmo Augusto Senhor uianda 
prestar o juramento â Constituição do Império. 

Af. 39 té 40 se acha o registo do Decreto de 26 do Março de 1824, 
e Instruçoens da m.™» data, p.» as Eleiçoens de Deputados, e Se- 
nadores da Assembléa Geral, e Legislativa do Brazil. 

Af. 3 de outro L.», que igualmente serve de registo de Ordens Re- 
gias, se acha lançado hum Edital da Gamara de 28 de Fcv.''" de 
1824, emqa faz publico aos Cidadãos desta V.» , e seu Termo que 
no dia 25 do futuro mez do M.í» pelas 8 horas da manhã, se dará 
priacipio as Eleiçoens Parochiues, assim nesta Freg. , como nas 



i) 



I 



260 REVISTA DO 



mais do Termo, o q." cumprio em observância do Decreto de 17 de 
Novembro do anno próximo passado, emq^ se ordena a convocação 
de uma nova Assemblèa, rofíuIando-SG pelas Instruçoens de 19 de Ju- 
nno de 1822, combinadas com o Decreto de 3 de Agosto do mesmo anno. 
Outro sim laz ver aos Cidadãos, q.« nestas Eleiçoens saliirôm Eleitos 
estejão prontos nesta Villa, p.** que em dia aprazado pela mesma 
Camará, Jurem o Projecto aprezentado p."" S. M. I. como Constituição 
do Império. 

Af. 5 se encontra huma Carta da Camará dirigida ao Rd.* Vigr.* 
da Freguezia de Carrancas em q.« lhe comunica, q." tendo ella mar- 
cado o dia 25 do próximo mez de Março p.* o processo das Eleiçoens 
Parochiaes nesta V.* , e seu Termo, elle haja de fazer fixar na porta 
da sua Matriz um Edital p.^ onde conste enumero de fogos de sua 
Parochia conforme as Instruçoens que se lhe i^emettem, p.» o q.^ 
deve dar todas as providencias indicadas nas mesmas. Igualmente lhe 
participou que um dos seus Vereadores iria servir de Prezidente. Nesta 
conformidade, e data offlciou a Camará a todos os mais Parochos do 
Termo, 

Af. 13 V.', e 14 se acha o registo de huma Carta da Camará diri- 
gida a 10 de Julho de 1824 ao Exm.- Prezidente desta Província em 
que lhe dá parte de estarem feitas as Eleiçoens dos Senadores, Depu- 
tados, e Membros do Conselho Geral da Província em conformidade 
ao Decreto de 26 de M.?'' próximo passado, e das Instrucçoens da 
m."»» data. Igualmente participa estar feita a Eleição dos Membros 
do Conselho do Governo da Província, q.e forão mandados criar pela 
Ley de 20 de 8br.' de 1823; q.« estão eleitos os Juizes de Facto, 
em observância da Portaria do m.™» Exm.- Prezidente de 9 de Junho 
do corr.'^ anno, e que se remetteo certidão da Acta desta ultima 
Eleição ao Doutor Ouvidor da Com.'^^. p.a a devida apuração, q.^" 
se reunissem as Eleiçoens de outros Colégios Eleitoraes. 

No L.° que sérvio p.» a Eleição dos Eleitores Parochiaes da Fre-. 
g.a de Nossa Senhora do Pillar da V.* de São João de ElRey, af. 
5 té 8 se vé, que se procedeu as m.'^^^ a 30 de Mayo de 1824, na 
conformid." das Instruçoens de 26 de Março, e Decreto do m.™o 
anno : e assim se praticou nas mais Freguezias do Termo o q.e consta 
dos L.os respectivos. 

No L." q.e sérvio p.^^ Eleição de Senadores, Deputados, e Mem- 
bros do Conselho Geral desta Provincia,e Conselheiros do Governo;af; 
17 té 33, se vé q.'^ se procederão a todas estas Eleiçoens segundo as 
Instruçoens de 26 de Março de 1824, e Decreto da m.» data. 

Acordãoá do anno de 1824. 

Af. 43 té 51 V.o se acha hum Acórdão desta Camará, que tendo 
convocado todos os Cidadãos p.» delibcrarem-se se devia jurar, e 
a doptar já como Constituição do Império, o Projecto formado no 
Conselho de Estado sobre as Bazos aprezentadas p."" S. M. I., a q.a 



AKCIIIVO rURÍ.ICO MINEIRO 277 

os iii'ojecto.< aprovados, e as decizòos que se tomarem cm Conselho. 
Logo que esviverom Reunidos os Procuradores do três Províncias, en- 
trara o Consolho no exercício de suas funcoons. Para honrar como 
Devo, tão úteis Cidadãos : ilcy por bem conscder lhos o tratamento 
de Exeeilencia, cmquanto exercerem os Scos importantes Empregos ; 
c- IVIando outro sim,qu(> nos funcòes publicas preceda o Conselho a to- 
das as outras Corpora i;òes d" Estado, e gozem seos Membros de todas 
as preeminências, de que gozavão até aqui os Conselheiros do Estado 
no Reino de Portugal. Pai,'o em dezesseis de Fevereiro de mil oito 
centos evint<^ o dous. — t!om aRubrica do Príncipe Regente. — 7ozé Bo- 
nifácio de Andrada e Silva.— "Sa Imprensa Nacional. — Está conlbrme. 
João Joze l.opes .Mondes Riboifo — Está coníbnne. Maximianno iMartins 
da Costa. ^ 

N. Ri.— Senlior. <) árduo, eperigozo espado dos negócios políti- 
cos deste Reino do Brazil, nos leva a Augusta Prezeuíja de Vossa Al- 
teza Real a suplicar oque mister para á salvação do mesmo. Au- 
gusto Senhor o grande Povo deste Reino, vive ho verdade a Sombra 
da Alta Protigão de Vossa .\lteza Real, que atravez de excessivas fa- 
digas, Patriotismo, e nergia, e accerto tem conseguido o grande bem 
da nossa tranquilidade, porem o estado politico dos interesses da 
Grande Família lUaziliense não está asalvo de huma horroroza tem- 
pestade de males ímminentes pela intrega, e divergência de opiniões, 

que fazendo Renascer o despotismo, que detestamos. Temos desgra- | f, 

«.-adamente entre nós mesmos inimigos, que abuzando dos beneíicios 
da May, que os alimenta, retribuem com ingratidão ; temos inimigos 
externos, que vendo malogrados os planos da mais negra períldia, in- 
sistem em nos atraiçoar valendose de sofismas audaciozos para nos 
escravizar, chegando o seu delírio aponto de sacrilicar onosso sangue 
innocente a acto.s de hostilidade : anfolhamos por isso a alluvíão do 
desgraças, que vem sobre esto Reino sempre unido, que dando asilo 
ahuns, Pátria a outros se verá delacerado por mãos iníquas com au- 
xilio de cães deli Ia se não íbrmos acautelados : Que inaudita teme- 
ridade! Estes males pedem, exigem, e instão por medida proporcio 
nadas, asua natureza, equalidade; esuposto August<j Senhor, seja 
Aossa .Mteza onosso Anjo Tutelar na Qualidade de Dolcnsorporpotu»», 
chele da união, e Centro Ao Poder Executivo, com tudo adelbnga pu- 
blica perigará, se Vossa Alteza Keal para complemento do nosso Bem 
ser, se não Dignai' receber mais amplos, e decizivos Poderes, para 
obrar a nosso beneíicio tanto, quanto exiga a necessidade da nossa 
Santa Cauza. Sim .\ugusto Senhor, nós conhecemos, que os fins se 

não conseguem sem os precizos meios: Ligado Vossa .Vileza Real tão ' 

lemitadamente, como poderá encher agrande medida da Salvação Pu- 
blica da nossa prosperidade, segurança de nossas pessoas, e de nos- 
sas propriedades? Queira por tanto Vossa Alteza Real Annuir aos 

A. P. -f, ■ , 



278 



REVISTA 00 



uossos votos investi ndose quanto antes, nos ecenciaes Attributos do 
Poder. Executivo em toda a extencão, e plenitude, que he indespen- 
savel ahum Rey Constitucional, para que desta sorte possa ellevar 
este vasto Reino ao gráo de segurança, esplendor, prosperidade, e 
grandeza de que he susceptivel, desviandonos dos males, que nos- 
cercão, fazendo perdurável apaz, união, e tranquilidade, vantagens, 
que só Vossa Alteza Real nos pode conferir, collocando o Seu Augus- 
to Nome no Templo da Immortai idade. A Precioza Vida de Vossa Al- 
teza Real Guarde por dilatados annos como carecem os Soberanos, e 
todo oBrazil. Sabará em Vereação geral de vinte e cinco de Setem- 
bro demil oito centos e vinte o dous » O Dezembargador-Ouvidor, Joze 
Teixeira da Fonseca Yasconcellos — O Juiz de Fora pela Ley, Manoel 
de Freitas Pacheco — O Vereador Francisco Joze dos Santos Broxado 
— O Vereador Anastácio Joze Gonsalves de Abreu. — O Procurador, 
Sebastião da Silva Leão — hucena. — O Escrivão Maxiniianno Martins 
da Costa. — Está conforme. — Maxiniianno Martins da Costa. 









IV-Camaía de Paíacatú 



Ill.'"o e Ex."'" 8oi-. — Conforme o ofl"." de V. Exc, exped." em 4 
de Mil.'"' do anuo próximo passado, tenho a honra de remetter nesta 
occaziào copias duplicadas das Atas (hi Acclam.^'" de S. M. O Im- 
pe."', e do solemiie juramento prestado ã Constitiii(,'ão do Imp.. , q.'^ 
são os únicos docum.'"* úteis á Historia do Brazil, que existem no 
Archivo da Camará desta \.^ , como se mostra pela correspond.e 
oft".*' desde !.• até n. 6.*; elico esperando pelos que exigi de cada úm 
dos Julfíados p.* os levar á Prezença de A'. Ex.^ D.'* G.e a V. Ex.* 
m.-' a.» como a Frov.-' hã mester. V.» de Pyracatú do Principe em 
7 de Janr," de 1826. lUm. e Exm. Snr. J.e Tcix.» da Fons.^ Vas.^», Pre- 
sid.'* da Prov.* de Minas Uer.* . — António Paulino Limpo de Abreu. 

N. 1.- 

Devendo na conformid.« do ofl"." de S. Ex.'^ o lUm.- e Exm.* Sr. 
Presid." desta Prov.» , em dada de 4 de Março do corr.» anno, remet- 
ter a Secretaria do Governo, copias authonticas de todas as me- 
morias, Docum.'"», e q.-^^ q.r outros p.^ ull>8, q.« possão servir para 
illustrár, elacililar aultimaçío, do importante, e útil trabalho da His- 
storia dos Successos do Brazil, desde o anno de 1821, a cargo do 
Consr.o J. • da S.'' Sz.» , tenho a ordenar-lhe a remessa ilestes docu- 
m.'"- na parte que respeita áo Archivo dessa Camará, enviando de 
tudo copias duplicadas, como convém áo dezempenho da diligencia 
D." G.8 á V. S.'»* m.'* a.-* . V.^ do Pyracatú do Principe 20 de 7br." de 
1825 O Ouv.»'" da Com.«* An.'» Paulino Limpe de Al)reo. —Snr. Juiz 
Prezid.* , e m.^ Off." da Camará desta \'.' .—Está conf.-í Eduardo 
Ant." Roq'a Franco. 



280 



REVISTA DO 



N. :i 

Recebemos o OíV." q." \'. S. nus dirijíiu em data de -^i) do cov- 
!'.« mez de 7br.o emq." nos faz ver, q." ]).* illustràr, e lacilitàr a ul- 
timarão do importante, e ntil trabalho da Historia dos succes.so.s do 
Brazil desde o anno de 1821, iiiviassimos a V. S. Copias documon- 
tâes de tudo qu.'" liouver no Ai-quivo desta Camará, concernente áo 
referido objecto. Certilieamos ii V. S., (j. no Arcliivo desta Camará 
não se acha Memoria alguma dos Successos dn l^ra/.il (|uc possa in- 
teressar a Historia acima mencionada. 1).^ (iiiarde a ^'. S. \.'>- do 
Pyracatú do Príncipe em Camará de 2\ ãr Tbr.'." de I8.vf."í. lllm. Snr. 
Dr. Ouv.""" C.^ António Paulino Limpo de .Vbreo. António Lopes de 
Oliveira, Anastácio Cor.'»' liar)).' . Izidoro .Manoel Soares de Souza, 
António de Britto Freire. l']sta, conl> Eduardo An. 't- Roq.*e Franco. 

X. 3 

Accuzando o oll'.*' q. \'V. SS. me dirigirão em data de ontem, no- 
q.i , respondendo áo meu, do dia :^0 do corr.a , asseverão não exis- 
tir no Archivo da Camará papel algum, q.'^ possa contribuir p.'' escla- 
recim.to da Historia do Brazil desde o anno de 1821, tenho a reíle- 
ctir a YV. SS. q. na classe dos d.'* pap.s se compreliendem as Actas 
da Acclam.™ de S. M. O Imp.»'', e do juram, ^^^ da Constituic(;ão, 
q.« cumpre me sejão devolvidos em Copias duplicadas, devendo V\'. 
SS. proceder a hum circunspecto exame no Archivo, e ainda em al- 
guns 1.°* d Reg."* em conseq.-^ do q.' se verelique com toda a evi- 
d.^ não haver pessa alguma das q.'" se exigem. D.^ (i.o a YV. SS. Y.^^ do 
Peracutú do Pr.''^ 22 de Tlir.» de 1825. O Ouv.»'- da Com.*^». An.*" Pau- 
lino Limpo dl' Al)reu, Snrs. Juiz Prezid.o e m.s OíV.-j^ da Camará des- 
ta V.* .Est conL'' Eduardo An.'» Roq.*" Franco. 

N. 4.- 

Observando, q.» vai occorrendo considerável demora, no cumpri- 
mento dos meos olV.o' de 22, e 2õ de Tbr.» pretérito relativos o 1.- 
àos docum.*'s, c(.« exegi p.''' illustração da Historiado Brasil, e o 2.* as 
Contas de Receita, e Desp.--^ dessa Camará, tenho a. roeomendar-Uies, 
q,a expeyão q.''-» antes aconv.« resp.^^, tanto a hum, cojuo a outro. 
1).^ (L^ a VY. SS. m.^ a.^ . V.^ [de Piracatii do Pr." 13 de lObr.» de 
182Õ. O Ouv.'"" da Com.'^ , Au.^" Paulino Limpo de Abreu, Senhores 
Juiz Prezidente -emais Oiliciaes da Camará desta Yilla. Está con- 
fr.e Eduardo An.*" Roq.'= Franco. 

N. .5.- 

Respondendo âo ofl'." que V. S. nos dirigio em data de 13 do cor~ 
r.« mez, em o qual de novo nos recommenda abrevid.« da remesssa de 
iodas as memorias, ([." uc constarem dos L.^s desi.a Camará, p.'- aii- 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 281 

gmonto, o ilIustraQão da Historia, do Rrazil desde o anno do 1821 em 
iante; romottemos a V. S. p.-- Copias autlienticas as únicas, q.« exis- 
tem nos respectivos L/"— E q. " ás Certidões da Receita, o Despoza 
desta Gamara, recomendadas p/ or \'. s., não remettemos nesta occa- 
z."> p.' (i.« airora acabâo de ser apresentadas nesta Sessão pelo ex 
1'roc.'"', 1) q.- laremos com al)revid.-j possível. 1).* Ci.o a V, S. V.'* do 
Pj-racatú em Camará, dv LM de lOh.'"'' do 48-.^5. lUm. Sr. D." Ouv.»' (\.> , 
e Corriír."'- desta Com.>=-'— An.'" Lopes de Olivr.^ — Fran.'^» M.«' Soares 
do Sz.;' — António «lo Brito Freire— Está confr" Eduardo An.'» Roq.*« 
Franco. 

N.- n.- 

Accuzando recebido o oíV." q.a me dirigirão com o íexo de 24 do 
mez ])roximo passado, vou arellectir-lhes q." devendo remetter-me 
duas copias do cada. uma das Actas da Acclamação de S. M. O Imp.*" 
edo solemne juramento prestado ã Constituição do império, con- 
fr.í a literal expressão dos meos On'."^ de 20, ede 22 de 7br." pretérito, 
emq.'> mo explequi pelo vocábulo— duplicadas— , q." tanto valle como 
duas, convém quf do cada. uma das ditas Actas me enviem q.*'' antes 
mais outra Copia, demaneira, q." ainda possão liir pelo Corr." , q.« ho- 
.j.« tem de expedir-se, sendo desnr."» o m.'"" trabalho pelo q'. perten- 
ce as outras Actas, q'. acompanharão o d." seo Otr.o . D.* G.e a VV. Ss. 
m.« a.s \:<- do IMracatn do Pri.--^ em O de Janr." de 182G O Cuv.'"' da 
Com.'-" .Vnt.o Paulino Limpo de Al)reo— Srs. Juiz Presidente, emais Oíl'."^ 
da Camará desta V.^ -Está conlV.« Eduardo An.'** Roqueto Franco. 

Copia do Auto úo Reconhecimento e Proclamação da Independência 
politica do Império do Hrazil eda Aclamação doseu Primeiro Impera- 
ilor Constitucional o Senhor Dom Pedro primeiro. Anno do Nasci- 
mento de Nosso Senhor Jezus Clii'isto dcmil coito centos evinte e 
dons annos aos trinta ehum dias doniez de Novembro do dito anno 
nesta Villa. eComarca do Paracatú do Príncipe em as Gazas da Camará 
e Passos do Concelho dclhi aonde presente se aehavão o .Juiz Ordena- 
rio Pr('ZÍ<l(Mite Vereadores eoniciacs da Camará o Ouvidor Geral pela 
Ley M<!nistros i']cleziasticos etropa .Militar Clero Nobreza o Povo pes- 
soas da \irianna e sondo ahy em consequência da vontade Geral dos 
Povos tlesta Nilla eseu termo .idiiiido adetoda aProvincia Universal- 
mente ailo Hons Brazileiros ouverão elles por Proclamada e Reconhe- 
cida a [ndepen<Icncia politica do Império do Hrazil ecom cfleito re- 
conhecerarão eproclamarão cntit,' os mais inergicos e cntuziasticos 
vivas (» Primeiro Imperador Constitucional do Hrazil oSenhor Dam Pe- 
dro Primeiro, e conse«!:uinteme'te prestarão o juramento detirmemente 
guardar manier, odefender ;iinda mesmo acusta das próprias vidas â 
Indepeddencia politica do Brazil aConstituição que lizer a Assemblea 
Geral Constituinte Legislativa do Brazil de reconhecer respeitar, e 



983 REVISTA DO 

defender o Nosso Imperador Constitucional prestando omesmo Seniior 
o Juramento solemne do guardar manter, e defender asobredita 
Constituição que Assemljlea Geral lizor edecomo assim o disserão Pro- 
clamarão, Aclamarão, ejurarãoos sobredittos juntamente com a Tropa, 
Militar ouverão por ílndo este Auto que assignarão com migo Luiz 
António de Moura e Carvalho Escrivão da Camará que oEscrivi e as- 
signoi— Júlio António lloquete Franco Izidoro Manoel Soares de Soiza— 
Domingos Alves de Soiza — António Felizardo de Oliveira — Luiz António 
de Moura e Carvalho — António da Costa Pinto — o Vigário Geral João 
(iaspar Estevão Rodrigues — o Cónego Provizor e vigário Joaquim de 
Mello Franco — Domingos Joze Pimentel Barboza — Manoel Baptista 
Franco — o Padre Manoel Rodrigues Cordeiro — o Padre Francisco Pereira 
Tavares — o Padre Francisco Xavier Mascarenhas — o Padre Joze 
Guedes da Silva Porto, o Padre Joaquim Ferreira Braga, o í^adre Ig- 
nacio da Cunha Aranha, o Padre Joze Luiz Ferreira, o Capitam Antó- 
nio da Costa Caatos, Melchior Joze de Campos, Joze Fernandes de Aze- 
vedo, o Capitam António R ^' Teixeira, Domingos Joze Pereira 
Leitão, Miguel Alves de Souza, Jerónimo Ferreira de Almeida, Joze 
Gonsalves Torres, Lino Soares Brandão Capitam Commandante dos 
Henriques, Ignacio de Oliveira Campos, Ignacio Rodrigues de Almeida, 
Calisto Joze dos Reis Calçado, Nicoláo Pereira do Nascimento, Joze An- 
tónio da Silva Canedo, Florianno António Alves, Francisco Manoel So- 
ares de Soiza, Theodozio Caetano de Moraes, Fidelis de Oliveira Ma- 
ciel, Leopoldo António Joaquim de Soiza, António de Araújo Ferreira, 
Thome Jozé dos Santos Batalha, Joaquim Joze da Costa, João de Pin- 
na eVasconcelos, António de Araújo Braga, Eduardo António R )quete 
Franco, António Joaquim da Costa, Carlos de Almeida Leite, Domin- 
gos de Araújo Mesquita, Joaquim Pimentel Barboza, Francisco António 
de Assis, Estevão Cardozo Romeiro, Leonardo Joze da Cunha Aranha, 
Joze de AÍTonseca Silva, Damazio da Motta Pinto, Marianno Gregório 
Vieira, Saturnino Gonsalves de Aragam, Geraldo Joze Gomes Camacho» 
Joaquim Gonsalves Torres, Joaquim Joze de Carvalho, Marcos Joaquim 
Moura, Joze Alves Vianna, Joze António de Moura, Joaquim Gonsal- 
ves dos Santos, Manoel de Assumpção Ferreira, Eugénio Gomes do 
Rego, Esequiel Cardozo do Rego, Francisco Cardozo do Rego, Joze 
Caetano de Soiza, Marianno Pereira Furtado, Joze de Soiza Guima- 
rães, Jacob Joze dos Reis Calçado, António de Soiza Dias, Manoel Pe- 
reira Furtado, André Pereira Furtado, Maximianno da Costa Dias, 
Anselmo Tavares Netto, Ignacio de Carvalho, Joze de Soiza Dias, Be- 
raldo Joze Alves, Joaquim Matheus Ferreira, Joze de Crasto Guima- 
raens, Joaquim Martinianno de Crasto, Amaro Pereira, Bernardino da ^^i 

Silva Meireles, Severino Gonsalves de Carvalho, Luiz Pereira Fur- 
tado, Malhias da Fonceca Silva, .Manoel da Silva Monteiro, Ignacio 
Chrisostomo da Silva, Francisco Soares Guimaraens, Ignacio de Araújo 
Mesquita, Dionizio Joze Pereira Porto, Gregório Gonsalves de Noro" 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 283 

nha, All)iuo Corrêa Barboza, Joze Fortunato de Moura, JoSo da Cunha 
Chaves, Joze Alves de Soiza. 

Esta Conlornio com original extraido do L.» Competente. O Es- 
cr.'" daCaniara Joze da Costa Coimbra. 

Copia de Juramento do Ouvidor Interino desta Comarca daCamara 
desta \'illa do raraeatú do Prencipe Corpo Eeleziastico, Civil o Mili- 
tarão Projecto daConstituiyão olVorecido p."" Sua Magestade Imperial 
como abaixo sedoclara, Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus 
Christo de mil oito contos e vinte e quatro o Terceiro da Independên- 
cia odo Império do Brazil aos vinte etrez dias do mez de Maio do dito 
anno nesta \'il!a do P.iraoatú do Príncipe nas Gazas do Conselho delia 
aonde se acliavão reunidos o('apitam Mor Domingos Joze Pimentel 
Barboza que pela Ley serve de Ouvidor Geral nesta Comarc i com o 
Juiz Ordinário Theodozio Caetano de Morais e os Mais OfTeciaes daCa- 
mara conp;irecerão eíbrão prezentes os Ministros Ecleziasticos jun- 
lamonte com o Clero os Cheles dos Regimentos de Cavalaria e Infan- 
taria Milicianna Nobreza e Povo llcando aTrópa postada no largo das 
Cazas do Concellio e estando assim reunidos pelo dito Ouvidor Geral 
foi mandado ler por mim Escrivão abaixo nomeado o Oííicio do illus- 
trossimo Snr. Prozidente desta Provinda datado de trinta de Março 
doprezente anno eo Decreto de Sua Magestade Imperial de onze do 
dito me/, e anno para effeito desejurar o Projecto da Constituição ofle- 
recido pelo mesmo Augusto Senhor para flcar servindo de Constitui- 
ção Politica deste Império do Brazil cujo Projecto já tinha sido uni- 
formemente aceito nesta Comarca depois deser lido erefletido e avista 
do referido Oflicio e Decreto todos com auniformidade de votos ede- 
prazer e saptislação c'ovencidos do enteresse que rezultava dasua ob- 
servância Jurarão de observar manter guardar efazer observar quanto 
acada hum pertence-se odito proje^cto como Constituição Politica do 
império do Brazil que forma emaneira em que nello secontem ede- 
clara edecomo assim o disse Juravão mandou odito Ouvidor lavrar este 
Auto emque todos se assignarão elogo determinou que eu Escrivão 
da Camará extrahisse huma Certidam deste dito auto com as suas as- 
' signaturas para ser remetida oíTicialmente ao Illustrissimo Snr. Pre- 
zidente desta Província eEu Joze Bento da Silva Escrivam daCamara 
que aescrivi, Domingos Joze Pimentel Barboza, Theodozio Caetano de 
Moraes, Luiz Gomes Caldas, Manoel Pacheco deCarvalho, Francisco 
de Paula Teixeira, Gabriel Dias Ferreira, o Vigário Provizor Joa- 
q.™ de Mello Franco, O Vig.'-'^ Geral da Comarca João Gaspar Es- 
teves Rodrigues, J." Bento da Silva, () Padre Francisco Pereira Ta- 
vares, O Padre Francisco Xavier Mascarenhas, O Padre Joaquim Fer- 
reira Braga, o Padre Ricardo Joze da Rocha, o Padre Ignacio da Cu- 
nha Aranlia, o Padre Joze d Moura Brocliado, o Padre Joze Luiz Fer- 
reira, o Padre Bernardo do Araújo Ferreira, o Padre Joze Guedes da 
Silva Porto, oCoronel de Infantaria Manoel Baptista Franco, oCoronel 



284 REVISTA DO 

de Cavalaria António da Costa Pinto, Sancho Lopes deOlhôa, Tenente 
Coronel Francisco António Caldeira, Joaquim Pimentel Barboza, Jozo 
Baptista Franco, jNIanoel Carneiro de Mendonça, Júlio António Ro- 
quete Franco, Luiz António de Moura eCarvalho, Pedro António Ro- 
quete Franco, António Constantino Lopes de Olhòa, O Sargento Mor 
António da Costa Carlos, Isidoro Manoel Soares de Soiza, Anastácio 
Corrêa Barboza, Eduardo António Roquete Franco, Joze da Costa Co- 
imbra, Manoel Gonsalves dos Santos, João Alves Vianna, António de 
Britto Freire, oCapitão Lino Soares Brandão, o Capitam António Ro- 
drigues Teixeira, Nicolao Pereira do Nascimento, João Teixeira de 
Soiza Guimaraens, Cyprianno da Silva Mascarenhas, Ignacio Rodri- 
gues de Almeida, Joze Joaquim daSilva, João de Pinna e Vasconcelos, 
Francisco Manoel Soares deSoiza, o Capitam de Ordenanças Jerónimo 
Ferreira de Almeida, Thome Ferreira Soutto, Joze de Britto Freire e 
Vasconcelos, Joaquim Joze da Costa, Luiz Rodrigues Alves, Joze Fer~ 
nandes de Britto, João Baptista da Costa Pinto, Simão Ferreira de 
Morais, Joaquim Manoel da Silva e Oliveira, Domingos Joze Pimentel 
Barboza Júnior, Luiz Joze Souto, António Rodrigues de Oliveira, Joa- 
quim Joze de Carvalho, Ignacio Chrisostomo da Silva, Sabino Joze de 
Carvalho Lima, António Joaquim da Costa, Leonardo Joze da Cunha, 
Aranha, Fortunado Rodrigues Teixeira, Miguel Leite de Faria, Antó- 
nio Lopes de Oliveira, Theodoro Nunis Valadão, Jacob Bartholomeu 
de Miranda, Luiz Rodrigues de Oliveira, Thome Joze dos Santos Ba- 
talha, Manoel de Assumpção Ferreira, o Vigário do Urucuia Carlos 
Manoel Soares de Souza, ]\íanoel Ferreira de Almeida, António Car- 
los Soares de Souza, Joze Januário de Souza Osório, Domingos Alves 
de Soiza, Joze Gonsalves Torres, O Advogado Carlos de Almeida, Joze 
Gonsalvez Torrez Júnior, ^Nloyises Aarão Januário, Ignacio Francisco 
de Oliveira, Melchior Gaspar dos Reis, o Padre .Manoel Rodrigues Cor- 
deiro, o Padre António da Fonceca e Mello. — Está conforme com ori- 
ginal extraído do L.'' competente. O Escr.'" da Camará Joze da Costa 
Coimbra. 



Illm.« e Exm.° Snr. Conlr." o OIT." de V. l':\e., expodido em 4 de 
Março do anno próximo passado ; lenho alionra de remctter nesta 
occazião copias duplicadas das Actas da Acclama;'ão de S. M. o ímp.<"", 
e do solemne juram.*" prestado à Constituição do Império, q.- são os 
únicos documentos úteis â Historia do Brazil, q." existem no Ar- 
chivo do Conselho de S. Romão, como se mostra pela correspondên- 
cia Ofl'.ii desde n. 1.- até n. 4.* D.^ G.« a V. Exc. m.' a.* como a Pro- 
v.a há mister V.'^ do Piracatú do Pri.-^ em 20 de Fevr.>' do 1826 Illm. e 
Exm. Snr. Barão de Caethé, Presidente da Prov.^ de Minas Geraes. 
—An.''' Paulino Limpo de Abreo. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 285 

N. 1.- 

Devendo na Conformidiulo ilo OIT.» do S. Kxc. o Illni. o E\ni. Snr. 
Presidente dosta Pi-ov,^ em data do 4 do M.ç» do corr.» anno, roniettor 
á Secr.* do ílovcrno Copias anthonticas do todas as memorias, Do- 
ctum.*"' c (|.^ (i."- outros papeis ofl'.«% q." poss3to servir p.'^ illiístrar, e 
facilitar a ultimacão do impor.", o ntil trabalho da Histoi'ia dos $uc- 
cessos do Hra/.il desde o anno do 18-?1, a Car^ro do Consr." .1." da 
S."^ S.z' , tenlio M (Jrdenar-llio a remessa destes docuni.*"% na p.'' 
• |.' re^p.'^ áo Arcliivo desse ('on." , enviando do tudo copia duplica- 
das coiíio convém ao dezempenho da diliíícncia. 

V.' do Pyracatn do Príncipe 20 de Julho de ISS^ o Ouv."-- da 
Com.;a Ant." Paulino í/mipo de Abreu, Snr. Jui/ Ordinr." do Juliiadu 
de S. Romão — llsiá conlV.'' I']duardn António l\oqu<'1(' Fi'anoo. 

lUm. Sr. Dr. Ouvid.of (!.> e Correfr.*»' Acu/.o o recebim.'" do Oíl'." de 
V. S. em data de -M de Jullio, acompanhado com a l)otermina(;rio de 
S. M. O imp.'^'", pela Secr.' de Est." dos Ncfxocios do Imp. ■ , tanto a 
respeito da marcha, q." devem se^^uir as ropresentagões, que (Porá 
em diante houverem de dirigir a Sua Auííusta Presença, como soltre 
o destino, (j."-" contenua a dár-se as esmoUas ajjplicadas p.'' o decoro 
dos S.«"^ Luííares de Jeruzalem, o q.a li /, publicar, elico naintelligen- 
cia p.^ a sua observ.'' . (J.'" â remessa das copias authcnticas de todas 
as memorias, docum.'»^ e q.-* (i."" outros papeis off."* q.« V. S. exifre 
no Off." da m.™^ data de 20 de julho, p.' a illustração dá Historia do 
Brazil, não existe no .\rchivo deste Cons." papeis alguns de seme- 
lhantes matérias, D.» ('..' a V. S. S. Romão 7 do .Sbr." do 1825 .1,'"' 
.).' de Azoveilo — Kstá conlV. ' Eduardo António K'oquete Franco. 



Accusando o soo Oíl"." com o lecho de 7 (Ic Sbr.'^ pretérito, tenho 
adeclarar-lhe qt.» a sefíunda p." delle, q". entre os docum.'"* exiííidos 
p.'i lllustração da Ilistoi-ia do P,ra/,il, devem entender-se comprehen- 
didas as Actas da Accláin.'" do S. M. O lnip.'% e do juramento prest.a- 
<lo a Constituição do Império, e como he de crer. (|.e anibas existílo 
lançadas nos L."'' «lesse Cons.o , ciunpre, q.' do cad.i uma delias mo 
envie copias duplicadas confr." o moo OIV." de 20 do julho. N'.^ do 
Pyracatn do Pr.", 12 de lObr.'» de 1S25 o ouv."" da Com.^^^ António 
Paulino Limpo de Abreu, Snr. Juiz Ordenr." do Juk-^ado de S.'" Ro- 
mão. Está conlr.'^ Eduardo António Ro(iuete Franco. 

N. -I.' 

lUm." Sr. Dr. Ouv.«'' An.'" Paulino I.impo de .\breu, Em conse- 
quência do OH'.» de 12 de Dezembro pretérito, q.« V. S. me diripio, 



286 REVISTA DO 

envio induzas as Copias dos Actos da Acclam.'" de S. M. O Imp.»"" e 
do Juram.» prestado á Constituição do Império, extrahido do L." des- 
te Conselho. D.^ G.- a V. S. m.- an.-> São Romão 10 de Fevereiro de 
1826 An.'" Roiz Lima —Está confr.e Eduardo António Roquete Franco. 
António Jozó de Bitancurte Pessoa tabalion publico dojudicial e 
Notas, emais annexos neste Julgado de Sam Romão p.'" Provimento 
do Doutor Ouvidor Geral e Corregedor desta Comarca etc. Aos Senho- 
res aquém esta í"or apresentada Certifico, que Revendo o Livro de 
Registo de Leis, Decretos, e Ordens Superiores e no mesmo afolhas 
Setenta, e oito, Seacha o Auto da Acclamagão do Thlor Seguinte 
Auto de Aclamação « Anno do Nascimento de Nosso Senhor JESus 
Christo de mil oito centos, e vinte três annos neste Arraial de Sam 
Romão Comarca da Villa do Pracatú do Príncipe, em a Igreja Ma- 
tris, do mesmo onde fuivindo, eo actual Juis Ordinário o Capitão 
João Pereira da Costa, e o Parocho da mesma Freguezia, o Re- 
verendíssimo Manoel Caetana de Moraes, com o Clero, Nobreza 
Povo, eTropas do mesmo Julgado, ahi pello dito Juis depois de Lida 
Aproclamação em que fazia ver, que omotivo dopresente Congresso, 
herapara otim de Se aclamar oSerenissimo Príncipe Regente perpetuo 
defensor do Brazil, O Senhor Dom Pedro de Alcântara, Primeiro Im- 
perador do mesmo Império du Brazil. Elogo portodos unanimemente 
foi aclamado omesmo Sereníssimo Senhor, com os vivas do Custume, 
depois doque pondo as mãons direita sobre o Livro dosSantos Evan- 
gelhos, Jurarão, Respeito, e Obediência, aSua Magestade Imperial, e 
adefender aCusta dasua ultima gota de Sangue atodasua Posteridade; 
não Sô o direito do Império do Brazil com — a Religioza obdiencia do 
mesmo Constitucional Imperador, easua Imperial Dinastria, e as Cor- 
tes doSoberano Congresço Braziliense dequedetudoparaConstar seExa- 
rou oprezente Auto, emque todos seasignai^ão depois deLido por mini 
Joze António Silva, Secretario, queO Escrevi, aos vinte Seis de Janeiro 
daheraSupra. — João Pereira da Costa, O Vigário Manoel Caetano de 
Moraes, e asignouce mais onumero decincoenta, e Seis pessoas, que 
Seachavamprezentes ao dito Auto da Aclamação. Está Conforme o ori- 
ginal, e ao mesmo Auto, asignatui^as me Reporto, enfedoqual opasei. 
S. Romão 10 de Fevereiro de 1826. O Escri."' António Joze de Bitt. 
Pessoa. 



António José deBitancurte Pessoa Tabaleam publico doJudicial 
eNotas, e mais annexos neste Julgado deSaniRomão p."- Provimento 
do Doutor, Ouvidor Geral, eCorregedor desta Comarca & Aos Senhores, 
aquém esta for apresentada, Certilico, queRevendo o Livro de Rigisto 
deLeis, Decretos, e Ordens Superiores, e nomesmo afolhas Oitenta 
Seacha O juramento do Thior Seguinte & Termo do juramento dos Pro- 
jectos da constituição do Império, Aostrezo dias do mes de Junho 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 287 

deinil oitos, evinte (luatro, OTerctúro da Yndepondencia, e doYmperio, 
neste Arraial deSainRoniuo Comarca da \'illa do Paracatú do Principe, 
ena Matriz do mesmo bondo Scacliavão (» .Inis Presidente, eORere- 
rendo Vigário da mesma Freguezia, e mais Cloro, eNobreza, Povo, 
oaTropa daS.-gunda I.inba, Comandada prllo Seu comandante, para, 
clVcito desepi-estar Solcmnemontc o .lui-aniento dosProjoctos olerecidos 
por Sua .Maj,'estade iuipt-rial, detrinn-nailo pello Seu Decreto de Onze 
deMai\o doprezento anno. Cujos projotos liçiio servindo deConsti- 
tuição Pulitica do Império. Klogo pello dito Reverendo Vigário da 
Freguo/.ia foi deferido ojui-ameiíto, ao Juiz Prezidente, e aseuCompa- 
nlieiro, eigualmente ao Juiz tleUrlaons, v Sacerdotes, Osquaes todos 
jurarão, eprometerão deguardar, manter o Observar O disposto nos 
Projectos, como constituiçrio Politica, Obediência, a Sua Magestado 
Imperial, edolender a sua Pessoa, e aNação; Cujo Juramento egual- 
mento prestou O mesmo Reverendo Parodio sobre os Evangelhos, de- 
pois do que, pello Juis Presidente íoi deferido opredito Juramentíj, a 
todos os cidadoons, que presente se achavão, e aTropa comtodas as 
Circumstancias, mencionadas, que todos prometerão guardar a 
Constituição na lorma detreminada na mesma, edecomo assim 
odeserão, eJurarão, mandou o Juis Presidente, Lavrar opresente 
Termo, que assignarão comigo Secretario, que o Escrevi — Felis 
da Conceição, e Araújo — O Parocho da Freguezia e Vigário da Vara, 
o Padre Manoel Caetano, de Moraes — oCapitam Juis Ordinário, 
João Francisco de Paiva — Alferes Leopoldo Joaquim de Souza — o Ca. 
pitão Juis de orfaons Joze .\ntonio Lemos da Silva, eSeaSignou mais, 
Onumero, dequ;irenta, e quatro pessoas, que jurarão o Projecto 
Constitucional. Está conforme o original, eao mesmo Termo, eassigna- 
dos mereporto emfé doque do quepasso opresente. S. Romão 10 de 
Fevereiro de 18'^6. O Escri."> .\ntonio Joze Bitt. Pessoa. 



NOMENCLATURA 

(ies roas, Iravessas, liccos. collíoas, iempios ec[lííiciOò piiiilicOò da cidade 
de Uticraiia, proviocia de fíliiias Gsraes, precediila de m lireve liisíorico 
do cooieço, situação, diiiieosoes e liydroloíjia desta povoação ; razoes que 
jijstiíicao a iioiiecíatiira ayora adoptada, c ooiras aiiootaçoes ; coih as 
djiioerâçias da Ca.nâía Municipal (jiie autorizarão a preseote oryaoizaçao. 



riíLO MiUKADOll 



ANTÓNIO BORGES SAMPAIO O 

1«80 



BreYG histórico 



NO íiin do século piissado, alsinií^ habitantes da província de Mi- 
iias-(leraos estabelcceram-se em diversos sítios do Julf^ado do Dosem- 
1)(>([U(', então (l(?spovoados, o cdilicaram uma Capella dedicada a 
Siuito António <• S. Sebastião, que licou sendo lilial do relerido Jul- 
j:;ulo. 

Esta Capella ora situada nas cal)eceiras do córrego Lageado, ao 
lado direito delle, cerca de quinze kílometros da actual cidade de 
Uberaba. I)'ella, como das primitivas edilicações, quasí n5o se veeni 
hoje vestígios. 



(')— Esta riiemori.i. até a^íora indlila, sérvio de titulo para a admissão de 
seu digno auctor no íiiemio do Instituto Histórico e (iooRraphici Braziieiro, ao 
qual tem prestado evcoilcntes scrviros. como prcscuteinenle presta ao Arcbivo 
I'al)lico Mineiro.— (Nola da redacção da Rfciila). 



290 REVISTA DO 



Denominava-se, naquelle tempo, de Farinlia-Pôdre o va.sio e 
ubérrimo território compreliendido entre o ribeirão, ainda hoje co- 
nhecido por — Farinlia-F>òdrc — ; o i'io das Velhas até a sua foz 
no Paranahyba ; o llio (Irande, desde a foz do Farinha-Pôdre até a 
confluência com o Paranahyba. 

Ainda depois de ter sido este povoado elevado á districto, o terri- 
tório — Farinha-Pòdre — pertenceu ã província de Goyaz ; mas a 
Provisão regia de 1816 o ahnexou á província de Minas-Geraes. 

Os poucos moradores da Capella do Lageado transportaram-se para 
a beira do córrego da Lage, onde editicaram uma lígreja Matriz com 
a mesma evocação ; isto antes do povoado ter sido elevado á dis- 
tricto, facto que posteriormente teve logar por acto do governo ge- 
ral de 13 de fevereiro de 1811. 

O decreto real de 2 de março de 1820 elevou este districto â ca- 
tegoria de parochia. 

A lei mineira n. 28 de 22 de fevereiro de 1836 conferiu-lhe as 
prerogativas de villa. 

Pela lei provincial n. 759 de 2 de maio de 1856 fòram-Ihe con- 
feridos os foros de cidade. 

Na graduação das liberdades que foi recebendo, a povoação de 
Uberaba conservou sempre o mesmo nome. 

A primeira sessão da sua Camará Municipal teve logar em 7 de 
janeiro de 1837. 

Em 1812 Tristão de Castro Guimarães doou á Egreja Matriz, para 
seu património, uma légua de terras em quadro. 

Importa muito o conhecer-se no futuro : 

a ) — que a medição e demarcação deste património foi julgada 
em 17 de junho de 1843. 

b) — que esta medição e demarcação foi rectificada por sentença 
de 1 de outubro de 1870 ; 

c ) — que ambas estas diligencias foram executadas por deli- 
beração da Camará Municipal, representada por seu procurador, para 
o efifeito de flxar-se os limites dentro dos quaes era devido o im- 
posto de licença para edificar em terreno desoccupado, na execução 
da lei mineira n. 206 de 2 de abril de 1841 ; limites que ainda 
prevalecem ; 

d ) — que esta medição e rectificação não tiveram por ponto 
de partida a actual Egreja Matriz ( Matriz Nova ; mas sim a pri- 
meira Egreja Matriz ( Matriz Velha ), demolida em 1856 para con- 
struir-se o cemitério publico ; 

e ) — que, se no futuro houver necessidade de rectificar-se outra 
vez a medição e demarcação da légua de terras de património da 
Matriz doada em 1812 por Tristão de Castro a Santo António e S. Se- 
bastião, deverá começar-se essa diligencia do Portão do Cemitério 
Publico, por ter sido este o ponto em que justamente existia a porta 



ARCUIVO PUBLICO MINEIRO 29l 

principal da Matriz Vollui, duiido já partiu a medição de 1843 e a 
remedirão de 1870 ; 

/• ) _ que isto deverá por conseguinte observar-se, quer a reme- 
dição ou avivontaçao da demarcação tenha por fim a execução da 
Kesolurão Mineira n, 206 de 1841 ; isto é, o exercicio de direitos 
nuinicipaes ; — quer soja a Fal)rica quem pretenda usar dos di- 
•eitos civis (|ue a doação lho confere para IVuir, por aforamentos ou 
arrendamentos, os terrenos que para a sustentação do culto, foram 
iloados á Matriz. 



I Situação 



A povoação de Uberaba foi começada e desenvolveu-se n'uma de- 
pressão de terreno de forma alluviana, entre seis collinas com de- 
clives suaves, derivadas do uma planura que a rodeia em arco quasi 
perfeito, rompido somente a N N O, para dar passa^jem ás aguas 
do córrego — I^age — , do que falia Miliet de Saint Hilaire no seu 
diccionario geographico brasileiro ( Paris, 1845 ). 

Do entre estas collinas sahem as nascentes d'agua que, pouco e 
pouco, formam os regatos — abastecedores da povoação. 

Todos elles, uns após outros, fazem juncção dentro da cidade, 
em modo que, quando suas aguas passão na ponte do Matadouro, vão 
reunidas, formando uma só correnteza. 

Os primeiros habitantes não prevendo, talvez, o grande desen- 
volvimento que o povoado — Uberaba — om breve tempo havia de 
attingir o o importante papel que mais tarde representaria no paiz, 
não seguiram, desde principio, um plano rectangular de arruamento 
para as edificações dos prédios urbanos. 

Antes, desprezando esse alinhamento regular, que tanto convém e 
agrada nos grandes, como nos pequenos povoados, foram edificando 
casas, formando as quintaes e chácaras, acompanhando as ondulações 
do terreno e serpenteamento dos pequenos regatos, quiçá porque as- 
sim se lhes offerecia melhor commodidade para o uso das aguas, 
utilisando-se mais da fertilidade do solo. 

Daqui veio que a rua principal, a primitiva, a maior c mais 
importante, aquella que por muito tempo se chamou — Direita — , 
é das menos rectas ; occasianando, ella mesma, a irregularidade que 
hoje se lamenta, quanto ao arruamento da cidade de Uberaba ; ar- 
ruamento que tão má impressão faz ao forasteiro que, pela primeira 
vez, percorre o povoado na parte mais central. 



292 



REVISTA DO 



CoUínas 



A planura (|iic rodeia a cidade desde a estrada que vcin da 
ponte conliecida por — Ponte do Uberaba — ao lado direito do cór- 
rego Lage, até a estrada que vem da ponte conliecida por — Ponte 
do Vão — ao lado esquerdo do mesmo córrego, deslisa-se suave e 
concentricamente sobre a cidade, dando nascimento aos cinco regatos 
que a abastecem d'agua, occasionando, a "seu turno, a formação 
das seis collinas, de acccsso tambein suavissinio, pela sua pouca 
elevação e brando declive. 

Estas collinas, que já estão sendo invadidas por novas construc- 
çõcs e ruas, começaado-se pelo lado direito do córrego Lage, são 
actualmente conliccidas por denominações que conviria se conser- 
vassem invariavelmente nos actos m unicipaes, offlciaes e particu- 
lares» 

Eis a descripçàtj de cada unia: 

Cullina Hoa '^^isla 

Aquella que dá entrada na cidade a quem Aier da Ponte do Ube- 
raba por onde, actualmente, lio ranc ho denominado — do Fabrício — . 
E' separada, â direita, pelo córrego Lage, da collina Cuyabâ ; á es- 
querda, da collina Estados Unidos pelo regato que nasce na chácara 
Padre Zeferino . 

Culliua E^stuclos-Uuicto!!!» 

Aquella que dá eutrada na cidade a quem vier dos lados do La- 
geado pelo capão conhecido — do Chico Prata — . E' separada, á di- 
reita, da collina Boa Vista pelo regato que nasce na chácara Padre 
Zeferino ; á esquerda, da collina !Misericordia pelo regato que nasce 
na chácara Joaquim dos Anjos. 

Collina ]%Ilsei*icopclia 



Aquella que dá entrada na cidade a quem vier do lado do Porto 
da Ponte Alta pelo lado da Misericórdia. E' separada, á direita, da 
collina Estados-Unidos, pelo regato que nasce na chácara Joaquim dos 
Anjos ; á esquerda, da collina — Barro-Préto — , pelo regato que 
nasce no capão conhecido por — Capão do — Barro Preto — , no Fras- 
quinho. 



1 



•'< 



ARCniVO PUBLICO MINEIRO 293 



Collina da Hlíitria: 

Aiiuclla quo dá entrada ui\ cidado aquém vier dos lados do porto 
da Kspiíília pelo lado do cemitério e matriz. E' separada, á direita, 
(la ('(diinado Barro Preto, pelo regato que nasce no capão conhecido 
por Cai);u) du Kfírcja ; á esquerda, da collina Cuyabá, pelo regato 
t|U«í nasce na chácara — do Alloros Silvestre. 



Collina Cuyrtbrlí 

Aqiudla (|ue dá entrada na cidade a quem vier dos lados do Cassii 
pola piiuto d(J Vão. E' separada, á direita, da collina da jMatriz, 
poio rogato que nasce na cliacara — do Alferes Silvestre ; à esquerda, 
da collina Boa Vista, pelo córrego Lage, 



Collina Oíirro-F^reto 



Aquella que é mais culminante e central : deriva-se do Alto das 
Toldas. E' separada, á direita, da colli na da Misericórdia, pelo re- 
gato que tem a nascente nos lundos do quintal da chácara conhe- 
cida por — Chácara do Krasiiuinho — ; á esquerda, da collina da Ma- 
triz, pelo regalo que tem a nascente no Capão da Egreja. 



Regatos -Córregos 



I 



1. 
Com quanto ao tratar da situação das collinas se tenha fallado 

nas nascentes d'agua que abastecem a povoação, todavia será con- 
veniente descrever estas com mais detalhe, pela importância que 
caracterisará no futuro a planta topographica da cidade de Uberaba, 
visto o seu augmento crescente. 

Todas as nascentes estão actualmente fora dos limites do po- 
voado. 

Os dous principaes regatos teem sou começo quasi que em egual 
altitude. Todavia, em razão da longitude, podo dar-se preferencia 
a» do Barro Preto. 
A. r.-7 



294 r.KvisTA DO 



Acinalmcnte estes regatos são melhor diíTerençados pelas seguin- 
tes denominaçCíes: 

Regato Barro I»reto 

O primeiro regato tem a nascente na eliacara vulgarmente clia- 
niada — do Frasquinho —, e faz juncção com o que nasce no Ca- 
pão da Egreja e no fundo deste mesmo capão, entre as ruas Barro 
Preto e Brasileira. E' atravessado pela rua Barro Preto sem ponte. 
Este regato separa a collina da Misericórdia, que lhe fica á direita, 
da collina do Barro Preto, que lhe liça á esquerda. 



Regato Capão da Egreja 

O segundo regato tem a nascente no Capão da Egreja, ao lado es- 
querdo do regato do Barro Preto, com o qual fazjuncção no fundo 
do dito Capão da Egreja, entre as ruas Barro Preto e Brasileira. E' 
atravessado pelas ruas Brasileira, Constituição, João Alferes, S. Mi- 
guel e Ladeira. Nas três primeiras ruas não ha pontes ; nade S. 
Miguel existe uma de atrazada construcção ; porem na da Ladeira 
ha uma, bôa e solida, mandada construir pela actual Camará Mu- 
nicipal. 



Regato da F*onte de Santa Rita 

D terceiro regato tem a nascente ao lado direito, na chaeafà cís 
Joaquim dos Anjos, o faz juncção com o precedente abaixo da Egreja 
de Santa Rita, entre as ruas Ladeira e Commercio. Tem de ser 
atravessado pela rua Farinha Podre. Passa no fundo do largo de 
Santa Rita, onde ha uma ponte de construcção antiga. Este regato 
separa a collina Estados Unidos, que lhe flca ã direita, da collina Mi- 
sericórdia, que lhe íica â esquerda. 



Regato do Coiiiniercío 

O quarto regato tem a nascente, ao lado direito, na chácara Sa- 
rtre Zeferino, e fazjuncção no córrego Lage, entro as ruas do Com- 
mercio e de Guttemberg. E' atravessado pelas ruas Padre Zeferino, 
Rosário o Imperador. Em todas estas ruas, ha pontes de fraca coilá- 
trucção, e duas delias bem pequenas. 



ARCiiivo PL-ni.ico MiNKruo 2r5 



Regato da ClBacax*a do Msirlnli^» 

o quinto rofXiito tom a nasconto, ao I;ulo osqiicrdo, na cliacarii, do 
Alferes Silvestre, o laz junc(.'ão no oorrejío Lafío, entro as ruiis (Uit- 
toniberfí o Matadouro. E' atr.ivossado pelas ruas S. Sebastião o Ti- 
radentos, em fracas pontos. Este repato separa a collina da Matriz, 
que lhe íica á direita, da collina Cuyabá,que lhe fica â esquerda. 



Córrego Lage 

' Desde que os dous primeiros retratos acima doscriptos rounoni 
suas aguas no fundo do Capão da Egroja, conservam este nomo até 
se lhes reunir as do rofrato da Ponto de Santa Rita. 

Desde esto ponto, ato á foz no rio Uberaba, o córrego (om;i a do- 
nominagão do Córrego da Luf/e ; derivado, talvez, do correr dalii em 
diante, sobre leito pedregoso. 

Este córrego é atrevcssado pelas ruas do Commercio,Guttemberg o 
INIatadouro. Nestas ires ruas ha pontes ; merecendo mon(;ão a da 
rua do Commercio pela sua boa o solida construcçâo, mandada fazer 
pela actual Camará Municipal. 

Por fim, este córrego vae lançar suas aguas no rio Uberaba, a cerca 
de quatro kilomctros da cidade. 



Chácaras 



Em discdssões judiciarias, relações oíllciaes, registros públicos, 
actos fiscaes e títulos particulares, como na descripção que agora se 
faz sobre a cidade de Uberaba, caractorisam-se os prédios e logares 
com referencia a localidades de chácaras do dilVerontes denomi- 
nações. 

Mais de uma vezo mesmo ponto local, na mesma época, ou em 
varias épocas, é denominado diversamente, em actos públicos o re- 
lações particulares. 

Convom registrar aqui ossas chácaras, a quo também as ruas da 
cidade tòm referencia ; com as denominações porque são o loram co- 
nliodidas; tanto quanto a tradicção o periuittir, começando pelo lado 
direito. 



296 REVISTA DO 



Chácara de «João IHatlieus 

Situada ao lado direito do córrego Lage, na collina Boa Vista. 
Pertenceu primeiramente seu terreno a Francisco Soares Ferreira ; 
depois, João i\Iatheos dos Reis construiu a actual moradia, residindo 
nella sua viuva, d. Anna Soares Ferreira. Não é raro, pois, o dar-se 
a esta chácara o nome de — JoãoMatheus ; de Anna Soares. 

Chácara do Padre Zeferino 



Situada no íim da rua do Commercio em frente á Matriz, entres as 
collinas Boa Vista e Estados Unidos. Nasce nella o regato da rua 
do Commereio. Foi estabelecida pelo padre Zeferino Baptista Carmo ; 
em seguida pertenceu a Francisco José da Silva Prata, Camillo An- 
tónio de Menezes, residindo nella actualmente a A-iuva de ambos, d. 
Anna Eufrozina dos Santos. E' por isso que se tem denominado chá- 
cara — do Padre Zefei^ino ; do Chico Prata ; do Camillo António ; 
ou de d. Anna dos Santos. 



Chácara de «íoacioiíii dos Anjos 

Situada entre as duas estradas que dão entrada na cidade a quem 
vier da villa do Sacramento ; íica entre as collinas Estados Unidos 
e Misericórdia. Nasce nella o regato da Ponte de Santa Rita. Foi 
fundada por Joaquim dos Anjos Baptista ; em seguida pertenceu a 
Felicio da Costa Camargos, Francisco Màtheus de Sousa Camargos, 
Felicíssimo da Motta Cardoso ; actualmente pertence a Fortunato Ri- 
beiro Guimarães : nella habitou algum tempo Frey Eugénio Maria de 
Génova. Daqui vem que a esta chácara se ha dado a denominação 
de — Joaquim dos Anjos ; do Felicio ; do Chico Matheus ; de Frey 
Eugénio ; do Felicíssimo ; e se está dando também a de Fortunato. 



Chácara do Krasquinlio 

Situada â entrada da cidade na estrada que vem do porto da Ponte 
Alta, ao lado esquerdo da collina Misericórdia. Ahi nasce o regato 
Barro Preto. E' de época recente, fundada por Francisco António 
Irineu, mais conhecido por — Frasquinho — , donde vem o ser co- 
nhecida por esto nome. 



ARCHIVO PUBLICO MINEI KO 297 



Chácara do ^^Iferes Silvestre 

Situada i-ntre as colliiias da Matriz o Cuyahâ. Foi fundada polo 
Alferes Silvestre da Silva e oliveira ; pertenceu depois a José Ma- 
rinho do Oliveira Kanios e reside nella actualmente a sua viuva Do- 
celinfl, da Silva e Oliveira, inais conlieeida pelo abreviativo do — Doce. 
Nasce nesta chácara o regato denominado da — Chácara do Ma- 
rinho — ; vindo dahi o conhecer-se-a pela denominação de — Alferes 
Silvestre ; do Marinho ; ou da Doce. 

Chácara do Alferes Soares 

Situada ao lado esquerdo do córrego Lage, na collina Cuyabá. 
Pertenceu primitivamente ao Major Anton io Eustachio de Oliveira ; de- 
pois ao Alferes Francisco Soares Ferreira, António Lopes da Silva, á 
viuva deste Rita Soares Ferreira : hoje pertence ao tenente Fidelis 
Gonçalves dos Reis ; resultando que se a tem denominado chácara 
— do Major Eustachio ; do AHbros Soares ; de d. Rita ; sendo ultima- 
mente já conhecida -— do Fidelis. 



Kota 



A vários outros prédios se tem dado, e ainda se dá presentemente, 
a denomino,çíío de — chácara — , mas esses prédios não influem tanto 
na nomenclatui'a das ruas da cidade, como os precedentes ; motivo 
porque não se llies deu situação própria. 



Chácara dos f*iiilie3ros 



Situada entre o regato que nasce na chácara de Joaquim dos An- 
jos ( á direita ), e o regato que nasce no capão da Egreja ( á es- 
querda ). Dá iilinhamento, polo lado direito, á rua do Carmo; e 
pelo esquerdo á rua da Ladeira. Foi fundada por José Francisco de 



298 REVISTA IiO 

Asevedo ; pertenceu successivamcnto aos dous cunhados conhecidos 
por Ckiudios, ou Tellieiros, que alli tiveram uma olaria de telha ; foi 
em scfruida de Jo.sô Lucas Ribeiro ; do tenente coronel Manoel José 
dos Santos ; de Frey Arcan^^clo ; de Moyzcs ; hoje pertence ao capi- 
tão António Tliomaz do Miranda. Denominou-se — Chácara dos Pi- 
nheiros — por haverem alli algumas destas arvores da espécies Ara- 
iicaria Brasileira. Por estas rasões tem sido conhecida por — Chácara 
— de José Francisco — dos Claudios — dos Telheiros — da Olaria— 
de -José Lucas — dos Pinheiros — de Manoel José — de Frei Ar- 
canjo — do Moizés — , e já se diz — de António Thomaz. 



Comprimento - Largura 



A maior extensão da cidade actualmente é a que, tomando-se dos 
Olhos d' Agua pela rua S. Joaquim e Ladeira até a rua Vigário Silva, 
no canto da casa onde reside o professor Manoel Garcia da Rosa 
Terra, continua pela rua Vigário Silva, Largo da Matriz, ruas Muni- 
cipal, Tiradentes e Mercês, até a porteira da chácara de Fidelis Gon- 
çalves dos Reis (antiga chácara do Soares ). 

Nesta extensão, tomada por partes, sem Icvar-se em conta os de- 
clives, ha 2820 metros, segundo a planta olíicial levantada em 1865 
pela commissão do engenheiros annexa ás forças militares expedicio- 
nárias á província de ]Matto Grosso, sob a direcção do chefe da 
mesma commissão, Juvencio Manoel Cabral de Menezes. 

Si levar-se á conta os declives, visto que as medidas foram toma- 
das topographica e horisontalmente sobre a dita planta da commis- 
são, excederá a maior extensão a três kilometros. 

Uma recta tomada entre os dous pontos extremos do arco, mede 
1360 metros. 

A parte mais larga é a que, partindo do extremo da rua do Com- 
mercio ( na chácara do Padre Zeferino ), pela dita rua do Commercio 
passe no largo da Matriz e rua de Tristão de Castigo, até á casa de 
José Raymundo . 

Nesta extensão, sem levar-se cm conta os declives, pelas rasOes 
expostas, ha 1570 metros. 

Si os declives forem levados á conta, excederá a maior largura da 
cidade a 1620 metros. 

Tomada a linha recta, attingirá apenas 1560 metros entre os dous 
pontos terminaes do arco. 



ARCIIIVO PUBLICO MINEIRO 299 



n 



nomenclatura Isgal 



Ati'. dezembro do I.S79 ncnlmma doliberagâo tinlia tomado a Ca- 
mará Municipal para dar ás ruas da povoação do Uberaba a nomen- 
clatura legal, que devesse regular seus liabitantes nos actos públicos 
e relações particulares ; guiar ella mesma na concessão do licenças 
para a edilicação do prédios, percepção de impostos ou execução do 
obras. 

Apenas a Resolução jMineira n. 852 de 22 de julho de 1857 art. 
2.* denominou , os largos de Santa Rita, Matriz e Cemitério — Praças 
da cidade—, sem marcar-lhes limites nem situação. 



nomenclatura em 185S 



Nos últimos quatro dias de dezembro de 1855, os cidadãos An- 
tónio Borges Sampaio e Manoel Garcia da Rosa Terra, em commissão 
voluntária percorreram a povoação de Uberaba, então villa e levan- 
taram o recenceamento da população. 

Oíl'eroctíram esse trabalho ã Camará Municipal, e ella, com este 
documento, pediu á assemblóa legislativa provincial os 1'óros de ci- 
dade ; graça que obteve em maio de 1856. 

Eis a nomenclatura que nessa época era mais conhecida : 

Rua do Commercio. 

Rua dos Inglezes. 

Rua do Mamede. 

Rua dos Bois 

Rua Direita ou Grande. 

Rua de Santo António. 

Rua da Alegria. 

Rua de Anna Constança. 

Rua do CoUegio. 

Rua do Padre António. 

Rua do Pedro. 

Rua de Manoel António. 

Rua de Santa Rita. 



^00 REVISTA DO 

Rua do Rancho. 
Rua do Joaquim dos Anjos. 
Rua do Presiganga. 
Rua da Constança. 
Largo da Matriz Nova. 



ProcGSSo 



Das deliberações tomadas ultimamente 
pela Camará Municipal, sobre a deno- 
miTihção das ruas e numeração das 
casas da cidade. 



Na sessão da Camará Municipal de 18 de dezembro de 1879 foi lido 
e mandado á commissão geral da mesma Camará, para examinar, o 
seguinte requerimento do vereador, alferes Joaquim Rodrigues de 
Barcellos : 

« Requeiro que a Camará providencie de -modo que o 
« mais breve possível se mande denominar todas as ruas 
« da cidade e numerar as casas respectivas. Conside- 
« rando que esta é uma necessidade palpitante, posta 
« em pratica em todas as cidades nas condições de Ube- 
« raba, espero que se attenda a este meu pedido. Ube- 
« raba, 18 de dezembro de 187 9. — Barcellos». 

Na sessão do dia seguinte ( 11) ) foi lido e approvado unanime- 
mente o seguinte parecer da commissão geral, composta dos verea- 
dores capitão José Bento do Valle e Quirino Rodrigues de Miranda : 

« A commissão geral, tendo examinado o requerimento do sr. Bar- 
cellos, em que pede que se providencie de modo que o mais breve 
pcssivel se denominem todas as ruas da cidade e se numere as casas 
respectivas ; 

« E' de parecer : 

« Que seja approvado o requerimento. 

« Pondera a commisão que esse serviço deve desde já ser publi- 
cado por edital, chamando concorrentes, que apresentarão suas 
propostas em cartas fechadas para serem abertas ao mesmo tempo 
em um dia para esse íim destinado ; devendo constar do referido edi- 



ARCmVO PUBLICO MINEIRO 



301 



tal quo os nomes das ruas sorão postos om cada esquina dos quar- 
teirões oní fundo preto e letras brancas, o o mesmo relativ© á nu- 
meração . 

« Pondera ainda a commissão que, cjuanto á denominação das 
ruas, devora a mesa reunida doliljorai-, não impedindo este facto de 
se chamar desde já os proponentes para esse mister. 

« Sala das commissõos, 19 do dezembro do 1879. — Jose' Bento 
DO Valle. — Miranda ». 

Na sessão de 24 de fevereiro de 1880, a commis são geral, composta 
dos vereadores, tenente Ananias Ferreira de Andrade o capitão João 
Baptista Macliado, propoz, e a camará approvou unanimemente, que 
se nomeasse uma commissão composta do alferes Joaquim Rodrigues 
de Barcellos, capitão José Bento do Vallo o Quirino Rodrigues de 
Miranda, para assentar-se sobre as respectivas denominações das 
ruas. 

Esta commissão, na sessão de 26, leu o seguinte parecer, cuja de- 
liljeração foi adiada na sessão de 27 : 

« A commissão incuml)ida da denominação das ruas da cidade 
apresenta os titules de todas as ruas e becos pelo modo seguinte : 

Rua das Mercês. 
» de Tiradentes. 
» do Commercio. 
» de S. Sebastião. 



Antiga rua do Boi, 
» » (Irande, 
» » do Commercio, 
» » do Maurity, 
» » da esquina do Matadouro até 
a casa ultima adiante da Igreja de 
Santa Rita, 

« De Santa Rita até o Barro Preto, 
« Entre Frey Paulino e Misericórdia, 
« Rua da Casa do Prolessor Terra até 

os Olhos d' Agua, 
« Do Cemitério até o Professor Terra, 
« Cemitério até o largo ■ da Misericór- 
dia, 
« Antiga rua do Azagaya, 
« Beco entre a casa do Vigário, 
« Beco entre a casa de Cliico Gordo, 
« Rua do Quinca \'az para cima, 
« Antiga rua de José da Silva Diniz, 
« Rua do Justino, 
« Antiga rua das Flores, 
« Rua do Capitão José Bento, 
« Rua do Fabricio, atravessando o Ro- 
sário, 
« Antiga rua da Pinga, 



Rua de Santa Rita. 
Rua (reneral Osório. 
Rua da Misericórdia. 

Rua S. Joaquim. 
Rua da Ladeira. 
Rua do Carmo. 

Rua de S. Miguel. 
Beco da Liberdade. 
Beco de Guttemberg. 
Rua General Camará. 
Rua do Major Eustachio. 
Rua Frey Eugénio. 
Rua do Àlercado. 
Rua Alegre. 

Rua do Rosário. 
Rua das Flores. 



Uberaba, 26 de fevereiro de 1880. — Jose' Bento do Valle. — 

Barcellos. — - Miranda ». 

Na sessão do dia seguinte ( 27 ) foi lido o seguinte otTicio : 

« Ulmos. Srs. — Tenho noticia que a illustre municipalidade tomou 

em consideração a denominação das ruas da cidade e numeração das 

casas. 



302 REVISTA DO 

« Alguma pratica quo tenho adquirido na gerência do negocies 
públicos tinha-me convencido desta necessidade, a que vv. ss. solícitos 
pe dispõem a at tender. Mas essa mesma pratica me ha convencido 
do quanto convirá que o trabalho, por ser o primeiro neste mister, 
seja o mais completo possível, attendendo-se a que vai elle servir de 
base á estabilidade da propriedade real, localisando-a. 

« Alguma cousa tinha eu procurado fazer neste sentido quando 
me assentava entre meus honrados coUegas da vereança ; mas a in- 
compatibilidade que me sobreveio paralysou o trabalho, em que tanto 
me prezava de collaborar com vv. ss. 

« Tenlio a planta da cidade exactamente levantada pela commissão 
de engenheiros aqui estacionada em 1865 ; tenlio também bons mo- 
delos destes trabalhos tomados da cidade do Rio de Janeiro, que tudo 
pode ser aproveitado no plano por vv. ss. concebido. 

« Si tudo estivesse acabado, eu o oífereceria, desde já, á conside- 
ração do vv. ss. ; mas não o está. 

« Todavia animo-me a vir solicitar de vv. ss. a graça de adiarem 
a resolução definitiva deste negocio até que eu organise um plano 
em tal assumpto e o ofTereça á consideração dos meus respeitáveis 
collegas. Não sò prometto fazel-o no prazo mais breve que permit- 
tir um trabalho desta ordem, como me comprometto entender-me 
com a illustrada commissão incumbida por vv. ss. de estudar este 
negocio. 

« Si assim o julgarem, peço se dignem communicarm'o para 
meu governo ; pedindo também desculpa se assim concorro para 
occasionar alguma demora, visto que o meu pensamento é o do bem 
estar publico, que vv. ss. egualmente desejam. 

« Deus Guarde a vv. ss. Uberaba, 27 de fevereiro de 1880. — Ulmos, 
srs. presidente e vereadores da Gamara Municipal do Uberaba. — An- 
tónio Borges S.oipaio ». 

A camará, na mesma sessão, aceitou o concurso no seguinte 
oflicio : 

« N. 3õ. — Illin. sr. —A Camará Municipal de Uberaba, em 
reunião de hoje, deliberou unanimemente aceitar o seu valioso con- 
curso como membro da commissão encarregada de dar parecer sobre 
a denominação das ruas da cidade e numeração das respectivas 
casas. 

«A Camará, pois, aceitando esse concurso, agradece, ainda uma 
vez, a V. s. o ardente interesse que sempre manifesta', quando se 
trata de qualquer melhoramento municipal. 

« Deus Guarde av. s. Uberaba, 28 de fevereiro de 1880. — lllm. 
sr. tenente-coronol António Borges Sampaio. — Joaquim José de Oli- 
veira Penna. — João Borges de Araújo. — Quirino Kodrigues de Mi- 
randa. — João Baptista Machado, — Joaquim Kodrigues do Barcel- 
los. — José Bento do Valle», 



Aucnivo ruRLico mineiro ?,C):) 



Razõss 

Que justiíicáo a preíerencia dada, agora, 
na deaominarào de al^"umas ruas 

# 

Em todos os tempos se ha líonrndo n liistoria do liomons o factos 
notáveis, annotnndo-os nadonominarão das ruas das cidades c villas ; 
pratica esta reeel)ida por todos os paizcs civiiisados. 

Nao deveria a Camará da cidade de Uberaba afastar-se deste no- 
bre proceder, desde que, pela primeira vez, vai pôr em obra um traba- 
lho idêntico. 

Memorando, pois, na denominação das suas ruas alguns homens 
o factos da historia desta povoa(;ão, ao mesmo tempo que é justa 
homenaírem tributada aos passados, recommenda aos vindouros a 
veneração e respeito que aquelles mereceram aos presentes. 

Tanto mais útil isto será, quando é certo o ir desaparecendo a tra- 
dição do alguns da memoria de muitos dos nossos contemporâ- 
neos. 

Sob o dominio deste pensamento, algumas ruas, como adiante so 
verá, tiveram nomes cujo attributo interessa a todos os brasileiros ; 
outros que lhe são naturaes ; outros que symbolisam factos ou 
actos relativamente locaes ; outros, em lim, de pessoas que na his- 
toria de Uberaba occuparam sempre o devem uccupar com justiça 
menção distincta. 

A não ser dous factos especiaes de contemporaneidade, só foram 
tomados os nomes, tanto quanto possível, de homens cuja vida em 
Uberaba esteve ligada a actos do interesse publico mais transcen- 
dente. Fazendo-se nesta occasião uma breve resenha delles, não só 
mostra-se-lhes gratidão, como se os aponta ao historiador futuro que 
tiver de completar a obra. 

Assim, pois : 

O paço da municipalidade, alem de estar situado no largo da Ma- 
triz fazendo canto á rua principal, ò um bom e<.lilicio. lí' também 
o logar das sessões dacamara, dojury e outras ; bem cómodas au- 
diências de todos os juízos. A rua onde está tem bons odilicios 
particulares. Caberá melhor do quo á outra, que, desde o largo até 
o primeiro canto, descendo, a encontrar o que ú mais conhecido do 
Luiz Soares Pinheiro, onde atravessa a rua Guttomberg, so deno- 
mine 

Rua ]%KiiiiieipnI. 



304 REVISTA DO 



A Egreja Matriz tem por oragos Santo António e S. Sebastião. A 
antiga rua Maurity atravessa o adro desta Egreja pela frente da 
porta principal. Esta rua é interceptada pelo próprio adro. Era 
uma rua extensissima. e por isso fácil de dividir-se pelo próprio 
alinhamento. 

E' bem acertado e natural que a rua situada á direita, desde o 
adro até o largo da Independência, se denomine 



Rua de lS»nto i%iitoiiio. 



E a que flca á esquerda, desde o adro até a collina Cuyabá, que ê 
recta e unida, á esquerda, se denomine 



Rua de S. Sebastião. 



A rua que do largo de Santa Rita, em frente a esta Egreja, vai até 
o largo da Misericórdia pela actual ponte, deverá naturalmente to- 
mar a denominação de 



Rua de Santa Rita. 

Pela mesma razão, a rua que do largo do Rosário, em frente a 
esta Egreja, vai ao largo da Boa Vista, deverá denominar-se 

Rua do Rosai-io. 

Tristão de Castro Guimarães foi um disticto benemérito desta po- 
voação. No seguinte anno ao em que o governo geral a elevou á 
categoria de districto ( 1811 ), Tristão de Castro fez doação â Egreja 
de Santo António e S. Sebastião, para seu património ( 1812 ), de uma 
légua de terra em quadro, no centro da qual está situada a actual 
cidade de Uberaba. E' justo que o nome do doador seja perpetuado 
na denominação das ruas. O território pertencia então à fazenda 
das Toldas ; a rua que mais quadra a esta memoria é a que até aqui 
se tem chamado — rua do Azagaya, por ser a que primeiro encontra 
quem vem das Toldas, a qual deverá passar a chamar-se. 

Rua Xristao de Castro. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 305 

O major António Eustacbio de Oliveira foi uni dos primeiros lio- 
mens na historia du povoagnu de Uberaba. Commandante de dis- 
tricto no antigo regimen policial e governador dos índios, occupou 
posi<;ao distincta e preponderante nos negócios públicos, como o at- 
testou ainda, ha poucos annos, no « Brasil Histórico » unia penna 
conscienciosa da província de S. Paulo. Sem duvida deve caber a 
este cidadão a perpetuação do seu nome, dando-se-o a uma das ruas 
do povoado que elle Ibi dos primeiros a habitar, policiando-o. Oe 
preíerencia se deverá destinar para isso a rua onde reside actual- 
mente d. Sebastiana Maria do Espirito Santo, sua filha, senhora 
respeitável e tronco de uma grande família. E' justo que esta rua 
se denomine 



Rua do Majoi* Kustacliio. 

O Vigário António José da Silva, depois cónego da Capella Impe- 
rial, foi o primeiro vigário colhido desta povoação apôs a sua eleva- 
ção á categoria de parochia em 1820, onde residiu por muitos annos, 
procurando sempre engrandecel-a. Preponderou vigorosamente nos 
negócios públicos delia até 1855 ; e Uberaba por sua vez concorreu 
ininterrompidamenle para que elle a representasse perante os po- 
deres legislativo geral e provincial e o administrativo. Foi por con- 
seguinte um homem distincto desta povoação, cuja memoria está no 
caso de conservar-se lembrado nella para a posteridade. Sua resi- 
dência era na rua grande em frente á Matriz. E' justo que a rua se 
denomine 



Rua do Vigai-io Silva. 



O ajudante Pedro Gonçalves da Silva foi um dos primeiros entran- 
tes desta zona — Farinha Podre — . Fez parte da primeira excursão 
mineira ( Bandeira ) entrada neste sertão, prestando-lhe bom ser- 
viço por sua reconhecida coragem. Foi o primeiro que, auctorisado 
pelo governo, abriu uma picada para fazer-se caminho mais curto 
desta povoação para a capital da província de Goyaz. Perpetuar-se 
sua memoria, dando-se o seu nome a uma das ruas desta cidade em 
que falleceu na avançada idade de 114 annos, é acto de justiça : a que 
mais convirá ó que a do largo da Boa Vista vai á chácara de João 
Matheus apenas começada, que se chamará 

Rua do I*eclro Oonçalvos. 



306 REVISTA DO 



O capitíXo Domingos da Silva e Oliveira foi o primeiro que exerceu 
neste termo o cargo de juiz municipal, em 1837. Sob sua administra- 
ção gnituita o diligencia pessoal no agenciamento do donativos, con- 
struiu-se o actual editicio do pago da camará municipal desta po- 
voação, onde até agora se celebram as sessões da mesma camará, as 
do J ury, coUegios eleitoraes e outras ; nelle dão as audiências todas 
as auctoridades judiciarias. Alem disso, foi mais tardo presidente da 
Camará e exerceu outros cargos públicos, com preponderância con- 
stante nos negócios communs desta povoação, até o seu passamento 
em 185.2. E' justo que seu nome seja contemplado na denominação 
das ruas, especialmente na que lhe dava entrada vindo da sua fa- 
zenda da Conquista, onde era sua residência mais activa ; e esta ó a 
que do largo da Misericórdia vai para o Barro Preto, que se deno- 
minará 



Rua do Capitão IDomlngos. 

Joaquim dos Anjos Baptista foi um dos primeiros moradores des- 
ta povoação. Foi o primeiro procurador da Camará, e nessa qua- 
lidade o que requereu a medição da légua do património doado por 
Tristão de Castro. O logar onde se estabeleceu nunca deixou de 
ter o seu nome. Deverá pois continuar a chamar-se essa rua 

Rua de «Joaquim tios i^^njos. 

A antiga Camará Municipal deverá ser symbolisada na denomi- 
nação das ruas da cidade. Dous camaristas, que quasi o foram suc- 
cessivamente nas eleições de tão nobre corporação, podem recordar 
aos vindonros a antiga vereança ; e são, o major Francisco Rodri- 
gues de Barcellos e capitão Joaquim António Rosa ; dous vereado- 
res patriarchas desta povoação, onde se teem ainda distinguido por 
outros actos de bcneflciencia. As duas ruas da bella rua Alegre, que 
na collina Estados-Unidos a ligam ao largo da Piedade, com boa ra- 
zão devem receber seus nomes. Uma, pois, se chamará 

Rua do llajor Barcellos. 



Outra tomará a denominação de 

Rua do Capitão Ilosa. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO DO? 



é 



O reverendo padro Zeferino Baptista Carmo foi o proprietário da 
chácara que feclia a rua do Commcrcio e o seu fundador. Foi o juiz 
que presidiu c julfrou a primeira medigão dos limites da povoação 
em execução da Resolução IM'0Vincial Mineira n. ííOi; do 2 do abril 
do 1841, fazendo certa dosdo então a légua quadrada do património 
da Matriz. Foi também o primeiro que fabricou vinlio nesta po- 
voação de colheita sua nessa mesma chácara. E' justo que sou nomo 
se memoro nossa rua, que se chamará 

Rua do I^íidre Zereríno. 

O reverendo Frey Euírenio INIaria do Génova, Missionário Capu- 
cliinho da Ordem do S. Francisco de x\ssis, íoi um benemérito desta 
povoação. Em 1850 fez edilicar e concluir^ pelo povo, o solido e 
vasto cemitério publico actutil ; fez auírmcntar a Matriz do um con- 
sistório ; fez-lhc construir o adro. Por llm, liundou em 1858 e adian- 
tou a construcção da Santa Casa de Misericórdia, legando-lhe recur- 
sos para adiantar a obra. E' justo quo seu nome so memore em 
uma rua, e do preferencia na quo liça entre o liospital quo fundou 
o a casa em que residiu, chamando-se-lhe 

Rua do S^rei Ij^ugenio. 

A rua quo do lar<ío da Independência segue para a collina da Mi- 
sericórdia, em attenção a que foi aberta por esforços de João Alves 
Villela, mais conhecido por João Alferes, se deverá chamar • 

Rua de JTosIo Al Teres. 

Joaquim Ignacio de Sousa Lima è um agricultor que nesta povoa- 
ção dedicou-se á industria vinliateira, a única neste género, na pro- 
priedade em quo reside á rua do Major Eustacliio. Actualmente 
tem mais de sete mil pós do parreiras, colhendo delias cerca do (nia- 
tro mil litros de vinlio. Tão especial industria merece ser memo- 
rada, dando-se â travessa que lhe flca em frente á morada, a deno- 
minação 

Travessa de «loaqulin Ignacio. 



308 REVISTA DO 



Kova nomenclatura 

Das ruas, travessas, becos e largos 
da cidade de Uberaba 



Como corolário do que fica exposto, segue a descripção de cada 
uma das ruas, travessas, becos e largos, indicada para a actual ci- 
dade de Uberaba. 

Posto que não se observe nesta nomenclatura a forma de dicciona- 
rio, acba-se todavia a alphabetica ; o que foi considerado sufficiente 
para facilitar a consulta, visto como ainda são poucos os titulos a 
inscrever. Todavia esta ordem não poude deixar de alterar-se, por 
equivoco, na letra — F — com a descripção da rua das Flores, a qual 
é, por essa rasão, encontrada no lim da nomenclatura das ruas. 

Em seguida á descripção de cada uma rua, beco, travessa ou 
largo, e sob o signal — B— , addicionaram-se explicações que concor- 
rem a dar mais prompto conhecimento das situações, denomina- 
ções porque passaram e foram encontradas, não só pelos recencea- 
dores de 1855, como pela commissão neste anno. 



Ruas 



Rua Alegre 

Principia na rua do Mercado*^; finda no largo de? Santa Rita, (no 
lado de traz desta Egreja ), começa nella, á esquerda, a rua Capi- 
tão Rosa. Pertence á collina Estados Unidos. 

N. B. E' a rua que vai do Joãozinho Ignacio até Santa Rita, da 
qual foi primeiro morador o capitão José Bento do 
Valle. E' nova, mas está em bom adiantamento ; 
depois de acabada será muito aprasivel e hygienica. 
A commissão lhe tinha dado este nome, e a tinha 
achado com o de — rua do capitão José Bento. 



\ 



ARCiiivn rrnijco mineiuo :)0n 



Rua liou Vista 

I'1'incipiii no largo da Roa Visti ; liiula na rua Padre Zeferino. 
Pertence â coHina Hoa Vista, 

N. B. E' a rua que sobe do rancho do Fabrício c se prolonga em 
IVonto á rua do Cunuuercio. Devo ser aprasivol e 
liygienica quando Ibr acabada, porque está ;i pe- 
nas começada. A commissão nao mencionou esta 
rua. 

liua Ilarro I»reto 

Principia na rua Capitão Domingos ; lind;i no campo .para o lad(j 

das Toldas. E' atravessada pelo regato Barro Preto, pertence á 

collina da Misericórdia em parte, e em outra á collina Barro Preto. 

N. B. Foi nesta rua que, alòm do regato, em uma chácara, residiu 

Anauias Ferreira Lopes, mais conhecido por Ananias 

carpinteiro. Está ainda em começo, mas tende a con- 

tinuar-se em ambas as extremidades. A commissão 

não mencionou esta rua. 

Rua do Bispo 

Principia na rua S. Joaquim ; linda nu rua Joaquim dos Anjos* 
Pertence á collina da Misericórdia. 

N. B. Forma-se esta rua seguindo o alinliamento do muro do ter- 
reno que íoi de Cliico Madeira e IkjJ o pertence a Lú- 
cio Lopes dos Santos : tem o alinhamento perpendi- 
cular ao regato que nasce na chácara Joaquim dos 
Anjos. Está apenas começada. A commissão não 
mencionou esta rua. 

Rua Oi*ai8iIeii*a 

Principia ua rua da Princcza ; linda »na rua Capitão Domingos. 
Acabam nella as ruas S. José; e Carmo, Começa na collina da Matriz 
e acaba na collina Misericórdia. Atravessa o regato que tem a nas- 
cente no capão da Egreja. 

X. B, r)isti?igue-se mais esta rua, ainda em conieço,por descer adi- 
ante da casa de d. Anua líodi-igues (íondim, e su- 
A. l'.-i< 



310 REVISTA DO 

bir do outro lado, perto da casa de Augusto Theodoro 
de Oliveira. E' a ultima deste regato para o lado 
de cima. Não tem ponte. A commissãc não mencio- 
nou esta rua. 

Rua do Cruzeiro 

Principia no alto do Cuyabá ; finda na rua das Mercês. Pertence .v 

á collina Cuyabá 
N. B. Na sessão da Camará de 24 de abril de 1880 foi deliberada a 
abertura desta rua ; mas está em simples projecto, 
pois que ainda não foi alinhada, e por isso a com- 
missão não a mencionou. 

Rua do Carmo 

Principia no largo de Santa Rita ; finda na rua Brasileira. E' 
atravessada pelas ruas da Ladeira, S. Miguel, João Alferes, e Cons- 
tituição. Pertence à collina da Misericórdia. 

N. B. Esta rua toma alinhamento, pela direita, na casa de Manoel 
Rodrigues de Barcellos perto da Egreja de Santa Rita ; 
segue entre a chácara dos Pinheiros e terreno de 
Clemente ; passa na casa do Tenente Ananias í'er- 
reira de Andrade ; na de José da Silva Diniz, até 
topar o muro do quintal do finado José Bravo, onde 
passa a rua Brasileira, que lhe detém a continuação, 
A commissão achou esta rua com o nome de — Antiga 
rua de José da Silva Diniz — , e tinha-lhe dado o de 

— Major Eustachio — . Em 1855, tinha o nome de 

— Rua do Pedro. 

Rua do Commercio 

Principia no fundo do largo da Matriz ( em frente à porta prin- 
cipal desta Egreja ) ; finda na rua Padre Zeferino. Nella começam, 
do lado direito, as ruas da Imperatriz, e a do Presidente ; e do lado 
esquerdo as do Imperador e do Rosário. Passa em frente á Egreja 
do Rosário no largo deste nome. Atravessa o córrego Lage em boa- 
ponte. Tem começo na collina da Matriz, mas quasi toda pertence á 
collina Estados-Unidos. 

N. R. Esta rua é a mais extensa e rectilínea da cidade. A commis 
são a acliou com este nomo, que sempre teve, mes- 
mo antes de 1855. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 311 



Rua Capitão Roxa 

Principia na rua Alegre, indo no lar<ro da Piedade. Pertence à 
collina Estados-Unidos. 
N. B. Esta rua tlca em (rente á casa do Capitão José Bento do Valle. 
Está ainda em começo ; mas será muito aprasivel o 
hygienica depois de acabada. A commissão não men- 
cionou esta rua. 

Rua Capitão Doiiiingos 

Principia no largo da Misericórdia ; finda na rua Barro Preto. 
Terminam nella as ruas João Alferes, Constituição, e Brasileira. 
Pertence á collina da Misericórdia. 

N. B. Esta rua é a que segue de Eduardo Formiga em direcção à 
casa de João Ferreira, no Barro Preto. A commissão 
considerou esta rua começando em Santa Rita e fin- 
dando no liarro Preto, e a denominou — General 
Uzorio. 

Rua Const^tuiç^^âo 

I*rincipia na rua daPrinceza ; linda na rua Capitão Domingos. Atra- 
vessa as ruas de S. José, e rua do Carmo. Começa na collina da Ma- 
triz, e acaba na collina da Misericórdia. E' atravessada pelo regato 
que nasce no Capão da Egreja : — não tem ponte. 

N. B. Esta rua, sahindo das pro.ximidades da casa de d. Anna Ro- 
drigues Gondim atravessa o córrego, subindo no ali- 
nhamento das casas do lallecido Ricardo, e de Fran- 
cisco das Cliagas. A commissão não contemplou esta 
rua. 

Rua do Cemitério 

Principia no lado direito lateral do Cemitério Publico ; finda no 
largo da Independência. Pertence â collina da Matriz. 
N. B. Esta rua fica nos fundos da casa do finado Esequiel Torres, 
onde actualmente reside o padre Angelo. Esta ape- 
nas começadaé A commissão não contemplou esta 
rua. 



312 REVISTA DO 



Rua l^roi Eugénio 

Principia no larjío da Misericórdia ; linda no campo, (em direcção 
à cluicara do Frasquinho). Pertence á collina da Misericórdia. 

N. B. Esta rua sobe entre a casa em que morou Frey Eugénio e o 
edifício do Hospital da Santa Casa : segue sempre 
para os lados do Barro Preto, passando na frente do 
Cemitério de S. Francisco, que lhe fica á esquerda. 
Está cm começo. Será aprasivel quando lòr povoada. 
A commissão localisoii esta rua como situada entre 

— Frey Paulino e Misericórdia, e a tinha denominada 

— Rua da Misericórdia. 

Rua Farinlia I*ôdre 

Principia no largo da Misericórdia ; finda na rua S. Francisco. E* 
atravessada pela rua Joaquim dos Anjos. Atravessa o regato que tem 
a nascente na chácara Joaquim dos Anjos, e não tem ponte. Começa 
na collina da Misericórdia e acaba na collina Estados-Unidos. 

N. B. Esta rua toma suadirecção perto e adiante de António Caixa ; 
mas, ao atravessar a de Joaquim dos Anjos, onde re- 
side Jerónimo Bueno, fica interrompida por terreno 
deste. Do lado opposto do regato, o alinhamento 
está feito, podendo mesmo a rua prolongar-se na di- 
recção do muro dos terrenos da Misericórdia, que lhe 
dão bom alinhamento. Esta rua não foi contemplada 
pela commissão. 

Rua Giittemberg 

Principia na rua S. Sebastião ; finda no largo da Boa Vista. Passa 
no ponto onde acaba a rua Municipal ( â direita ) e começa a rua Ti- 
radentes ( à esquerda ). E' atravessada pela rua Imperador. Atra- 
ivessa o córrego Lage em ponte de fraca construcção. Começa na col- 
lina da Matriz e acaba na collina Boa Vista. 

N. B. Esta rua, do canto da casa onde Euiz Soares Pinheiro teve ne- 
gocio, para cima, foi conhecida pelo Bòco do Pereira, 
e ultimamente — beco do Chico Gordo. Do lado op- 
posto do córrego ô muito ingremo, mas em pequeno 
distancia. A commissão encontrou esta rua com a 
nome de— Beco —entre a casa do Chico Gordo—, e lhe 
deu o nome de— Beco de Guttemberg, 



ARCiTivo PUBLICO ^rI^•Emo 313 



Rua da Imperatriz 

Principia na rua do Commercio (á direita); flndano larpro de Santa 

Rita. Começa nella ( á esquerda ) ii rua do Mercado. Pertence á col- 

lina Estades Unidos. 

N. B. Fui antitraniente conliecida osía rua por Manoel António — , 

e assim 'o era em 1855 ; também se chamou — do So- 

liradinlio e de Santa Rita. A commiss5o contemplou 

como sendo uma só rua todo o alinhamento compre- 

hendido, desde a rua do Matadoui'o ( chácara de 

João Matlieus ), atô o muro do pasto da Misericórdia 

adiante do Santa Rita, e lhe tinha dado o nomo de 

— Rua de Santa Rita. No presente plano, essa rua 

foi dividida em três, sendo esta a segunda parte da 

da commissão. 



Rua do Imperador' 

Principia na rua do Commercio (á esquerda ) ; finda na rua do 
Matadouro. E' atravessada pela rua Guttemberg. Começa nella 
( à direita ) a travessa Alegria. Atravessa o regato que nasce na 
chácara Padre Zeferino em pequena ponte. Quasi toda pertence à 
collina Boa Vista, porque apenas começa na collina Estados Unidos. 

N. B. Esta rua, desde muito tempo, foi conhecida com a denomi- 
nação de — Rua da Palha, e antes desta, e em 1855, 
peia do — Mamede — ; também se conheceu pela 
rua do — Pedro Panga : antes da passagem do re- 
gato, foi conhecida por — Beco de João Alves. — A 
commissão contemplou como sendo uma só rua todo 
o alinhamento oomprehendido desde a rua do Mata- 
douro ( chácara de João ]Matheus ), até o muro do 
pasto da Misericórdia, adiante de Santa Rita. No 
presente plano, essa rua foi dividida em três, sendo 
esta a primeira da da commissão. 

Rua ttloaciuigii dos í^iiJoía 



Principia na rua Santa Rita : linda quando encontra os terrenos 
fechados da Misericórdia. Tem do ser atravessada pela rua Fari- 
nha Podre. , Fica-ihe no ponto terminal a rua do Bispo. Pertence á 
collina da Misericórdia. 



314 



REVISTA DO 



N. B. Esta rua é a em que mora Justino José de Carvalho e sem- 
pre foi conhecida — Joaquim dos Anjos (assim o 
era em 1855 ), por ser este o que primeiro alli morou. 
A commissão contemplou esta rua como — rua do 
Justino — , e lhe deu o nome de — Rua de Frei Eu- 
génio. 



Rua «loao Alferes 

Principia no fundo do largo da Independência ; finda na rua Ca- 
pitão Domingos. E' atravessada pela rua do Carmo. Atravessa o 
regato que tem a nascente no capão da Egreja, mas não tem ponte. 
Começa na collina da Matriz, mas quasi toda pertence à collina da 
Misericórdia. 

N, B. Esta rua sahe do canto conhecido do Jacob, em beco, até a 
rua do Carmo ; ahi alarga-se até encontrar a do 
Capitão Domingos. Conta-se que em breve estará to- 
da alargada. A commissão não contemplou esta 
rua. 



Rua 



(Ia 1 adeira 



Principia no largo da Matriz( ao lado direito da cancella do cercado 
do Cemitério Publico) ; finda no largo da Misericórdia. E' atraves- 
sada pelas ruas Santo António, Vigário Silva e Carmo. Começa nella 
( à esquerda ) o beco Liberdade. Atravessa o regato que nasce no 
capão da Egreja em bôa ponte. Começa na collina da Matriz ; acaba 
na collina da Misericórdia. 
N. B. Esta rua é a que desce entre Balduino de Rezende e Fras- 
quinho ; passa no canto da casa do professor Terra ; 
na do Tenente Ananias de Andrade, sahindo na ex- 
tincta Presiganga. Desde a rua Vigário Silva até o 
largo da Misericórdia tinha, em 1855, o nome de — 
rua da Presiganga — . A commissão contemplou esta 
rua dando-lhe acabamento no canto da casa do pro- 
fessor Terra, e o nome de — Rua da Ladeira. 

Rua Leste 



Principia no largo da Boa Vista ; finda na rua do Imperador. Per- 
tence à collina Boa Vista. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 315 



N. B. Começou-se a alinhar esta rua coma casa de Martinho Penna 
que faz canto na rua Pedro Gonçalves. Kstà ape- 
nas começada. A commissilo não contemplou esta 
rua. 

Rua .Municipal 

Principia no largo da Matriz ; íinda na rua Guttemberg. Começa 
nella ( à esquerda ) a rua Major Eustachio. Pertence à collina da 
Matriz. 
N. B. Por muito tempo se chamou — Rua Direita — , Rua Grande 

— da qual fazia parte. E' a mais importante da 
cidade. E' a segunda parte da rua que a commis- 
são contemplou sob a denominação de — Rua Grande 

— á qual tinha dado a de — Tiradentes. 

Rua (ias Mercês 

Principia na rua S. Sebastião ; íinda na porteira da Chácara de 
Fidelis dos Reis. E' atravessada pelas ruas Tiradentes e Matadouro. 
Deve acabar nella ( á esquerda ) a rua do Cruzeiro. Pertence à col- 
lina Cuyabà. 
N. B. Esta rua sobe em frente á chácara de Bento José de .Sousa ; 
passa na casa do escrivão de orphams Luis da Silva 
e Oliveira ; nas de António Matheus e Delfino Gomes ; 
prolonga-se no alinhamento dos teírenos de Anna 
Soares, até topar a porteira de Fidelis Gonçalves dos 
Reis, antigamente do major António Eustachio de 
Oliveira e alferes Francisco Soares. Foi conhecida 
com o nome de — Rua do Boi — ou — dos Bois ( 1855 ). 
O seu alinliamento é o de um arco. A commissão a 
contemplou com o nome de — Rua do Boi — , e lhe 
deu o das — Mercês. 



Rua Mnjoi* Eu^tacliio 

Principia na rua Municipal ; finda no campo para os lados da 

chácara do capitão Joaquim António Rosa. E' atravessada pela rua 

S. Sebastião, e pela travessa da Fonte. Acabam nella as travessas 

Joaquim Ignacio e do Felippe ( ambas á esquerda ). Pertence à col- 

lij^a da Matriz. 



31G REVISTA DO 

N. B, Esta ma, próximo ;i tle S. Sebastião, tem um pedaço muito 
mal alinhado. Já foi conhecida com os nomes de — 
Rua do Padre António ( 1855 ) — Rua de d. Sebasti- 
anna — Rua do Desemboque. A commissão con- 
templou na desiírnaçrio de — Rua do Quinca Vaz 
para cima — e lhe tinlia dado o nome de — General 
Camará. 



Rua ^fí»joi* Barcellos 

Principia no largo de Santa Rita ; íinda no largo da Piedade. Per- 
tence á collina Estados Unidos. 

N. R. Pertence ;i collina Estados Unidos como se disse. Parte do 
canto ( direito ) atraz da Egreja de Santa Rita, for- 
mando canto do outro lado a casa de Paixão : está 
em começo. Depois de acabada de povoar será ápra- 
sivel e liygienica. A commissão não mencionou esta 
rua. 



Rua do Mercado 



Principia na rua Imperatriz ; finda na rua Padre Zeferino. Fica- 
Ihe á direita o largo da Piedade, á esquerda o Mercado Publico e o 
lar<:o do Rosário. Começa nella( à direita) a rua Alegre ; à esquer- 
da a rua Presidente. Pertence â collina Estados Unidos. 

N. B. Esta rua está sendo bem povoada ; será aprasivel e hygienica. 
A commissão tinha achado esta rua com o nome — 
Antiga rua das Flores, e lhe deu o do — Mercado, 



Rua (lo Matadouro 



Principia na rua das Mercês ; finda na rua do Imperador. Atra- 
vessa o córrego Lago em ponte de fraca construcção. Fica-lhe, â es- 
querda, o Matadouro Publico. Pertence quasi que em partes iguaes 
â collina Cuyabá e collina Boa Vista. 

N. B. Ambas as extremidades desta rua tendem a prolongar-se ; 
então será ella atravessada pelas ruas das Mercês e 
do Imperador. A ponte que a communica tem sido 
conhecida por — Ponte de João Matheus, A commis- 
sSo não contemplou esta rua. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 317 



Rua da I»riiiceza 

Principia no largo da Independência ; finda no campo para o lado 
do Capão da Egreju. Começam nella ( â esíiuorda ) as ruas Consti- 
tuirão e Hrasileira. Pertence à collina da Matriz. 
N. b. E' a rua que se acha no alinliamento da casa da fallecida 
Anua llodrigues Gondim. Presentemente só tem pré- 
dios do lado esquerdo ( debaixo ). A commissão nSo 
contemplou esta rua. 

Rua do I*rt'8Ítlonto 

Principia na do Mercado ( à esquerda ) ; linda na rua do Commercio. 
Pertence â collina Estados Unidos. 

N. B. Está em começo no alto,e em projecto ilo lado da rua do Com- 
mercio. Tem de sahir onde habitou o Damazo. A 
commissão não contemplou essa rua. 

Rua do r»eílro Gonçalves 



Principia no largo da Boa Vista ; finda no campo para o lado da 
chácara de João Matheus. Pertence à collina Boa Vista. 

N. B. Esta rua esta apenas alinhada pela casa de Pedro Lucas. E' 
situada em aprasivel e hygienico local. Terá de ser 
atravessada pela rua do Matadouro. A commissão 
não contemplou esta rua. 



Rua I*aclre Zeferino 

Principia no Campo, na collina Estados Unidos ; finda também no 
campo, na collina lioa Vista. Nella acabam as ruas do Commercio, 
Flores e Mercado ; não tardará a ser atravessada pela rua do Mercado. 
Atravessa o regato que nasce na chácara Padre Zeferino em ponte 
de atrazada construcção. Pertence, quasi que em partes iguaes, ás 
collinas Estados Unidos e Boa Vista. 

N. B, Quando as extremidades desta rua se prolongarem, será ella 
cortada pelas ruas do Mercado c Boa Vista. A com- 
missão não contemplou esta rua. 



318 



REVISTA DO 



Rua Ponte i%.Ita 

Principia no lar«ío da Misericórdia ; finda no campo, para os lados 

do Barro Preto. Pertence á coUina da Misericórdia. 

N. B. Esta rua, ainda em começo, acompanha o alinhamento do edi- 
fício da Santa Casa pelo lado de cima, ficando-lhe 
esta e o Cemitério de S. Francisco, á direita, o não 
tem outras ediílcações. A commissão não contem- 
plou esta rua. 
N. B. Esta rua, ainda em começo, acompanha o alinhamento do 
edifício da Santa Casa pela lado de cima, fícando- 
Ihe esta e o Cemitério de S. Francisco, á direita, 
e não tem outras edifícações. A commissão não 
contemplou esta rua. 

Rua do Rozai-io 

Principia na rua do Commercio ; finda no largo da Boa Vista. E' 
atravessada pela rua das Flores. Atravessa, em pequena ponte, o 
regato que nasce na chácara Padre Zeferino. Quasi toda pertence 
á collina Boa Vista ; sò uma pequena parte é da collina Estados 
Unidos. 
N. B. Esta rua fica fronteira á egreja do Rosário. Também foi co- 
nhecida pela rua de Magalhães, da Maçonaria, do 
Fabrício. A commissão mencionou esta rua — Rua 
do Fabrício atravessando o Rosário — , e deu-lhe o 
nome de — Rua do Rosário. 



Rua de Ssàiito António 



Principia no largo da Matriz (á direita) ;,e finda no largo da In- 
dependência. E' atravessada pelo Beco Liberdade, nas ruas Ladeira 
e S. Miguel. Pertence, à collina da Matriz. 

N. B. Esta rua passa na casa do cónego Santos,na do Frasquinho, 
na do fallecido João Ignacío, e na do finado José Fer- 
nandes da Silva. Esta rua tinha o nome de — Rua 
de Anna Constança em 1855. A commissão tinha con- 
siderado nesta rua todo o alinhamento desde o Cuyabá, 
até o largo da Independência sob o nome de — Rua 
de — Maurity, e lhe deu o nome de — Rua de S. 
Sebastião : esta é a segunda parte dessa rua. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 319 



Rua de S. SebastiâLo 

Principia no largo da Matriz ( á esquerda ) ; finda no campo, no 
alto do Cuj-abà. E' atravessada pela rua Major Eustachio. Come- 
çam neila ( à direita ) as ruas (Tuttenihcrfi: e Mercês. Atravessa o 
regato «lue tem a nascente na ciiacara do Alferes Sivestre. Per- 
ttMice em parte á collina da Matriz e em parte ú collina Cuyabá. 
N. B. Esta rua tem o nome de Maurity, Santo António, e do Col- 
legio ( 1855 ). A ponte que a liga às duas collinas 
é de má construcção. A commissão tinha conside- 
rado nesta rua todo o alinhamento, desde o Cuyahá, 
até o largo da Independência, sob o nome de — Rua 
do Maurity — , e lhe deu o nome de — Rua de S. 
Sebastião ; esta <- a primeira parte dessa rua. 

Rua de N. «loaquim 

Principia no largo da Misericórdia ; finda nos Olhos d'Agua. Co- 
meça nella a rua do Bispo. Pertence à collina da Misericórdia. 

N. B. Esta rua toma o alinhamento no prédio de António Caixa, 
passa na casa, edificada pelo tabellião Fonseca, [se- 
gue entre as casa e chácara do alferes Joaquim Ro- 
drigues de Barcellos, antiga de Zizica. A commis- 
sEo tinha contemplado esta rua, principiando-a no 
canto da casa do professor Terra, dizendo-a : — Rua 
da casa do Professor Terra aos Olhos d' Agua — , 
dando-lhe o nome de — Rua de S. Jaaquim — , que 
se conservou, mas começando-a no largo da Mise- 
ricórdia. 



Rua de S. ^lliguel 

Principia no lado lateral direito do Cemitério Publico ; finda no 
largo da Misericórdia. E' atravessada pelas (ruas Santo António, 
Vigário Silva e Carmo. Atravessa o regato que nasce no capão da 
Egreja em ponte de fraca construcção. Pertence em parte á col- 
lina da Matriz e em parte á collina Misericórdia. 

N. B. Esta rua já se chamou— da Alegria ( 1855), do José Fernan- 
des, do Esequiel. E' a que desce pela casada Chico 
Elias e sobe do lado opposto nas casas de José da 
Silva Diniz e Natinho. k commissão tinha contem- 



320 REVISTA DO 



piado o alinliíimento do — Cemitério Publico até o 
largo da Misericórdia — , dando-lhe o nome de — Rua 
do Carmo. 



Rua do Santa liita 

Principia no largo de Santa Rita , finda no largo da Misericórdia. 
Começa nella ( á esquerda ) a rua Joaquim dos Anjos. Atravessa o 
regato que tem a nascente na chácara de Joaquim dos Anjos em 
ponte de soffrivel construcção. Pertence à collina da Misericórdia, 
N. B. Esta rua flca em frente à Egreja de Santa Rita e sahe no 
largo da Misericórdia no logar onde houve o edifício 
conhecido por — Presiganga —. A commissao tinha 
denominado de — Rua do General Ozorio -— todo o 
alinhamento — de Santa Rita até o Barro Preto — . 
Neste plano, do largo da Misericórdia em diante to- 
mou o nome de — Rua do Capitão Domingos. 



Rua de S. Francisco 



Principia no largo de Santa Rita ; flnda ao encontrar o muro dos 
terrenos da Misericórdia, onde passa a rua Farinha Podre. Pertence 
à collina Estados Unidos. 

N. B. E' a rua onde mora a cega Miquelina. Ella será fechada pela 
rua Farinlia Podre. A commissao incluiu esta rua 
naquella que ia da esquina do Matadouro ao muro 
dos terrenos da Misericórdia, a que tinha dado o 
nome de — Santa Rita — . Agora é a terceira parte 
dessa rua. 



Rua do Sacramento 



Principia no largo da Misericórdia ; finda no campo para os la- 
dos dos Olhos d'Agua. Pertence á collina da Misericórdia. 
N, B. Principiada apenas esta rua, distingue-se por começar entre 
a estalagem e rancho do linado António José Bar- 
bosa e tomar a direcção da estrada do Sacramento, 
para o lado dos Olhos d'Agua. A commissao não a 
nomeou. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 321 



Rua do 8 . «Tose 

Principia no laríro da Indcpondoncia ; linda na rua Brasileira. E' 
atravessada pela rua Constituivrio. Pertence á collina d;i Matriz. 

N. B. E' a rua que da casa de Jacob acompanha o regato no ali- 
nhamento dos pastos de Joíío da Silva c Oliveira e 
Joaquim António do Rezende. A oommissão tinha 
comprehendido esto peda(;o de rua na — Anti^^i Rua 
Grande — dando-llie também o nome de Tiradentes — . 
Neste plano, esta rua é a ([uarta o ultima parte 
daquella. Em 1855 loi incluída como íazendu parte 
da — Rua Direita ou Grande. 

Rua Xristíio de Castro 

Principia no larf^o da Matriz ( canto da travessa Joaquim Ignacio ) ; 
linda no campo para o lado da casa do José Raymundo. Começa 
nella a travessa Filippe. Pertence á collina da Matriz. 

N. B. Esta rua tem sido denominada de— Azagaya — . EUa acom- 
panha a estrada do Capão Limpo. A commissão ti- 
nha contemplado esta rua — Antiga rua de Azagaya 
— dando-lhe o nome de — Rua de S, Miguel. 

Rua Xiradeiites 

Principia na rua Guttemberg ( no ponto onde termina a rua Mu- 
nicipal ) ; finda no alto do Cuyabá. E' atravessada pela rua das 
Mercês. Atravessa o regato que tem nascente na chácara do Alfe- 
res Silvestre em pequena ponte. Pertence em parte á collina da Ma- 
triz, e em parte á collina Cuyabá. 
N. R. E' a rua que, começando no canto da casa onde foi o estabe- 
lecimento commercial de Luiz Soares Pinheiro, passa 
na ponte denominada — da Monteira — ; passa o 
rego na fronte da casa do escrivcão de orphams Luiz 
da Silva o Oliveira, e sobe o alto na casa da linada 
Maria Fernandes, a alcançar o alto do Cuyabá, onde 
houve o Collegio do Vaz de Mello, demolido depois. 
A conimissão tinha comprehendido esta rua, como 
um pedaço da — Antiga Rua Grande — , a que tinha 
dado o nomo — Tiradentes — . Neste plano, é esta a 
primeira parto da antiga rua Grande, que também foi 
adiada em 1X55. Foi muito conhecida pelo nome de 
— Rua da Montciru — , c — do Felício. 



322 REVISTA DO 



Rua ^i^ai*io Silva 

Principia no largo da Matriz ; íinda no largo da Independência. E' 
atravessada pelas ruas Ladeira e S. Miguel. Acaba nella o Beco Li- 
berdade, Pertence à collina da Matriz. 

N. B. Esta rua foi sempre conhecida por —Direita ou Grande— .E' 
uma das mais importantes da cidade, mas de alinha- 
mento em arco. A com missão a tinha comprehendido 
na — Antiga Rua Grande — este pedaço, a que ti- 
nha dado o nome — Tiradentes — . Neste plano, é 
esta j a terceira parte da antiga rua — Grande — ou 
— Direita. 

Rua das Flores 

Principia na travessa Alegria ; finda na rua Padre Zeferino. E' 
atravessada pela rua do Rosário. Pertence á collina Boa Vista. 

N. B. Esta rua é a em que residiram os fallecidos Lemos, Vieira e 
Firmino. Também foi conhecida pela rua dos — In- 
glezes — , e em 1855 era assim conhecida. Ultima- 
mente distinguia-se mais pela denominação de — 
Rua da Pinga — . A commissão contemplou esta rua 
com o nome de — Antiga rua da Pinga—, e deu-lhe 
o de — Rua das Flores — que neste plano é con- 
servado. 



Travessas 



Travessa ilLlegria 

Principia na rua do Imperador ; finda no largo da Boa Vista. Co- 
meça nella ( á direita ) a rua das Flores. Pertence à collina Boa 
Vista. 

N. B. Nesta travessa não ha casas, mas na sua meia distancia á 
esquerda ha duas moradas para dentro do alinha- 
mento. Pode ser mais conhecida pelo grande tran- 
sito de carros que ahi passam vindos do alto do Fa- 
brício para a nova casa do Fabrício Borges, e vice- 
versa. A commissão não contemplou esta travessa. 






ARCIIIVO PUBLICO MINEIRO 323 



Travessa do Felippe 

Principia na rua Major Eiistachio ; linda no campo para o lado 

do Cemitério e por detraz deste. E' atravessada peia rua Tristão de 

Castro. Pertence à coUina da Matriz, 

N. H. Esta travessa, quando fòr continuada, passará atraz da Ca- 

pella de S. Miguel. A commissão não contemplou 

esta travessa. 

Travessa •Joaquim Ignaeio 

Principia no largo da Matriz ; íinda na rua Major Eustacbio. Per- 
tence á collina da Matriz. 
N. B. Não tem casas esta travessa. No canto delia acaba o largo 
da Matriz. A commissão não contemplou esta tra- 
vessa. 



f 



Escos 



Beco da Fonte 

Principia na rua Tristão de Castro ; íinda na fonte publica. E' 
atravessado pela rua Major Eustachio. Pertence á collina da Matriz. 
N. B. Não ha sabida deste beco da fonte em diante, a qual fica 
ao lado direito da rua Major Eustachio. A commis- 
são não contemplou este beco. 

Beco luiberdade 

Principia na rua da Ladeira ; finda na rua Vigário Silva. E' atraves- 
sado pela rua Santo António. Pertence á collina da Matriz. 

N. B. A rua de Santo António atravessa este beco próximo ã casa 
do Cónego Carlos José dos Santos. A commissão ti- 
nha-o contemplado — Beco entre a casa do Vigário 
— dando-lhe o nome que agora recebe. Tambeiu 
foi conhecido por — Beco de Padre Francisco* 



324 REVISTA DO 



»~i-rxj~M"»-»"*^.<~i-'~t'~n~i'~M"i'~"~«~i'~>i~"~i ~ ~ij - -I -I _j- i _ruj'L-i-L-ru-i_ i ^ _ _ i L-i' i -j" « n " - 1 " . ~ i ~ n j~ i ~ t~ i ~ " i ~ i — f ~~~"r'i ~ — ■~- — * — - 



Largos 



Largo da Boa. '^'■isto 

Situado na entrada da cidade pela estrada que vem da ponto do 
cima no rio Uberaba. Principiam nelle ( á direita ) as ruas Pedro 
Gonçalves e Leste ; a rua Boa Vista ( á esquerda) ; findam nelle a 
rua do Rosário e travessa Alegria. Pertence â collina Boa Vista. 

N. B. Esta localidade tem sido conhecida pelo — Alto do Fabrício. 
E' aprasivel e hygienica. Os dous A'ertices do 
quadrado que devem limitar este largo para o lado 
do Caximbo ainda não estão marcados. A commissão 
não compreliendeu este largo com situação própria. 

Largo do Ceniiterio 

Situado atraz da Egreja Matriz, em frente ao Cemitério Publico- 
Pertence á collina da INIatriz. 
N. B. Todo este largo] está fechado por uma cerca de rachas de aro- 
eiras. No portão deste Cemitério é o ponto central 
da légua quadrada do património da Matriz. As pos- 
turas de 1857 lhe dão este mesmo nome. A commis- 
são não lhe deu situação própria. 

Largo da Independeiicia 

Situado no fim da rua Vigário Silva. Principiam neste largo, á 
direita, as ruas Princeza, S. José, e João Alferes; findam nelle, á es- 
querda, as ruas Vigário Silva e Santo António. Pertence á collina 
da ]\Iatriz. 
N. B. Foi conhecido este largo, pelo— Largo do Jacob —, e por ul- 
timo conhecia-se pelo largo de João Bento Garcia. A 
commissão, não contemplou este largo com situação 
própria. 

Largo da Mati*iz: 

Situado no centro da cidade. Principiam neste largo, à direita, as 
ruas Ladeira, Santo António, e Vigário Silva ; na frente a rua do 



^ 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 325 

Cominercio ; á esquerda as ruas Municipal o S. Sebastião, o a tra- 
vessa Joaquim Igiiacio. Pertence á collina da Matriz, 

N. H. Polo lado de traz da Matriz íica o Cemitério Publico. Entro 
esto o a Efírqja li;i uma casa isol.ida portcncentc ao 
^ Major Francisco Rodrigues do Harceilos. No fundo 

do largo, á esquerda, está o Paço Municipal ; à di- 
reita, o Tlieatru S. Luiz. A commissílo não contem- 
plou esto largo com situação própria. Já em 1H55 se 
o conhecia pola dononuníição de — Largo da Matriz 
Nova — . As posturas do IHÕT o denominam — Praça. 

Largo da Miserlcofclia 

situado na entrada da cidade para ([uem vem da província de S. 
Paulo pela estrada desporto tia Ponte Alta. Principiam nolle, á di- 
reita, as ruas Ponte Alta, Sacramento, S. Joaquim, e Farinha Podre; 
á esquerda, as ruas Capitão Domingos e Frei Eugénio ; lindam nello, 
á esquerda, as ruas Santa Rita, Ladeira e S. ]\Iiguel. Pertence á 
collina da Misericórdia. 

N. H. Este largo é o mais espaçoso dos de toda a povoação ; nelle 
existe o grande ediíicio da Santa Casa de Misericór- 
dia fundada por Frei Eugénio, fazendo alinhamento 
com o Cemitério Publico, tam))em fundado pelo 
mesmo sacerdote. A commissão não contemplou 
este largo com situação própria. Em 1855 ora deno- 
minado — Largo do Rancho. 

Largo das Mercês 

Deste largo fallou-se na Gamara Municipal quando, na sessão de 
24 de abril de 1K80, foi deliberada a abertura da rua do Cruzeiro. 
Não ha para ellc demarcação alguma polo omquanto ; mas si fòr de- 
marcado, licará situado no alto do Cuyabá, do lado por onde se entra 
na cidade vindo- da ponte do Vão, onde existe um Cruzeiro. Neste 
largo começará a rua do Cruzeiro ; findarão nelle as ruas S. Sebas- 
tião e Tiradentes. Pertence â collina Cuyabá. 

N. D. Desde muito tempo se projecta edificar nesta localidade uma 
Capella sob a invocação de Nossa Senhora das Mer- 
cês. Ha mais do vinte annos também se pretendL-u 
construir alli uma capollinha, tendo Santa Rarbai-a 
por orago. Nesta localidade funccionou por alguns 
annos o Collegio do Vaz do Mello em cdillcio já de- 
molido, o naquolla época conhecido poi' — Cuvabá. 
A. I'.-0 i f I . 



326 REVISTA DO 



Largo da I^iedade 



Situado em frente à Matriz. Começa neste largo, á esquerda, a 
rua Major Barcellos ; findam nelle, á direita, a rua Presidente ; na 
frente, a rua Capitão Rosa. Pertence á collina Estados Unidos. 

N. B. Projecta-se edificar no centro deste largo uma Egrejinha,com 
a invocação de Nossa Senliora da Piedade. O terreno 
deste largo está apenas demarcado. Ficar-lhe-ha a 
Egreja do Rosário á direita, e a de Santa Rita á es- 
querda. Será um ponto summamente aprasivel. 
Esta localidade também tem sido conliecida por — 
Alto das Cavalhadas — , Alto do Rosário — , Morro 
Plano — . A commissão não compreliendeu este largo 
com situação própria. 



Largo do Rosar-io 



Situado entre a rua do Commercio ( à direita ) e a rua do Mer- 
cado ( á esquerda ). Principia, em frente a Egreja, á rua do Rosário ; 
passa-lbe pela frente a rua do Commercio, e pelo lado opposto a 
rua do Mercado. Pertence à collina Estados Unidos. 

N. B. No centro deste largo está edificada a Egreja do Rozario ; 
lateralmente, na collina, á esquerda, tíca-lhe a Egreja 
de Santa Rita. A commissão não compreliendeu 
este largo com situação própria. 



Largo de Saota Itita 

Situado em frente ao edifício da Santa Casa de Misericórdia. *^* 

Principiam neste largo, na frente, as ruas Carmo e Santa Rita ; á 
esquerda a rua S. Francisco; findam nelle, á direita, as ruas Major 
Barcellos, Alegre, e Imperatriz. Pertence á collina Estados Unidos. 

N. B. No centro deste largo está edificada a Egreja da invocação | 

de Santa Rita de Cássia. Do lado opposto da collina, 
à direita, fica-llie a Egreja do Rosário. A commis- 
são não contemplou este largo com situação própria. 
As posturas de 1857 o denominam — Praça de Santa 
Rita. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 327 

Annotações 

o, nj. })uat!i]i servi]' paríi melhor conhecer- 
se M direcção e posição, direita ou es- 
querda, das ruas, largos, collinas, re- 
gatos o corrtgo ; bem como a colloca- 
çáo dos números nos prédios. 



Convirá que o lado direito ou esquerdo nos largos da Matriz, Santa 
Rita e Rosário, se determine, suppondo-se a pessoa coUocada na 
porta principal de qualquer destas Egrejas — em acção de sahir. 

Nos largos do Ceurterio e Misericórdia, collocando-se a pessoa, 
também na acgão de sahir, no portão ou porta principal destes 
edilicios. 

No largo da Independência, olhanão-se para a collina da Miseri- 
córdia, que lhe íica fronteira. 

No largo da Piedade, olhando-se para a Matriz. O mesmo quanto 
aos largos Boa Vista e Cuyabá. 

Com relação às collinas, regato e córrego, postando-se a pessoa 
com a Trente para Ibz do córrego Lage. 

Convirá igualmente que a numerarão se comece nos largos pelo 
lado direito. 

Convirá ainda que o lado direito ou esquerdo, como pontos de 
partida para a numeração dos prédios seja determinado parti ndo-se 
dos largos ; dando-se preferencia ao da Matriz para as ruas que delle 
sahirem e forem dar em outros largos. 

Nas ruas que tiverem princípios om outros, se determine a collo- 
cação da numeração partindo, o mais próximo possível, do centro da 
cidade. 

Convirá também que a numeração de cada um prédio seja collo- 
Cada na sulleira da porta da entrada ; cada uui deiles recebo uma sò 
numeração ; ainda que ahi habite mais de um individuo, ou família, 
de economia separada. 

Si o prédio a numerar-se fôr situado om canto de duas ruas, não 
receba mais do um numero ; e este mesmo do lado da rua mais im- 
portante ; ou então daquella que o proprietário preferir. 



or 



28 REVISTA DO 

Si a algum prédio houver anncxo (lepoiulencias com entrada pela 
frente da rua, cada uma dessas dependências, si íor distincta, em- 
bora pertença ao proprietário do prédio principal, deverá receber 
a numeração como si fosse prédio habitado, ou distincto. 

Os portões, portas, ou cancellas, que da rua derem entrada para 
pateos ou quintaes de prédio principal, convém que sejam excluídos 
da numeração. Mas os que derem inírresso a prédios habitados, se- 
jam numerados. 

A pratica hoje adoptada nas cidades mais adiantadas é a de escro- 
ver-se a numeração alternadamente, ficando â direita os números 
pares, e a esquerda os impares. E quando posteriormente se edi- 
fica novo prédio entre os jà numerados, repetir-se nelle a numeração 
acrescentando-se-lhe somente uma letra na ordem alphabetica. 

Algumas das ruas da cidade de Uberaba prestam-se mal a esta 
forma de numerar os prédios pela disseminação delles : não obstante 
tem sido a mais praticável em logares de iguaes condições. 

Não é de pratica o por-se numeração nos Templos e Edifícios Pú- 
blicos ; ou que tenham sido construídos para íim especial de carac- 
ter publico. 



Templos — Edifícios Publfcos 



Ainda que, como já ficou dito, os Templos e os Edifícios Públicos, 
bem como os que assim são caracterisados, por terem sido construí- 
dos com destino á coneurrencia publica, como sejam os Theatros, 
não seja de pratica numerarem-se, — esta mesma circumstancia con- 
corro para que se descreva a situação delles ; visto como, por mais 
de uma vez tem sido referidos, o continuarão a scl-o, em actos pu- 
l)licos, judiciaes e administrativos, e nas relações particulares, ca- 
racterisando outros prédios. 

E' isto tanto mais importante quanto è certo que os Poderes do 
Estado estudam a conveniência de fundar-se no Império o cadastro 
territorial, para oljrigar os actos, que lhe são inherentes, ao Registro 
Publico ; quando a medida já é aconselhada pelo actual Registro 
Geral das Hypothecas, Transmissão de Immoveis e Ónus Reaes. 

Não foi seguida a ordem alphabetica emquanto a estas edifi- 
cações. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 329 



Templos 



Egreja Matriz 

lístá odilicada no centro do largo da Matriz, sob a invocação do 
Santo António e S.Sebastião. Fica no lado esquerdo do córrego Lago 
na coUina <l.i M.itriz. 



Egreja de Santa Usta 

Está edilieada na encosta esquerda da collina Estados Unidos, sob 
a invoca(;rio de Santa Rita do Cássia. Fica ao lado direito do cór- 
rego Lage na collina Estados-Unidos. 

Egreja do Itozarío 

Está edilieada na encosta direita da collina dos Estados-Unidos 
sob a invocação de Nossa Senhora do Rozario. Fica ao lado direito 
do córrego Lage. 



Egreja de S. MlguoA 

Está edificada na collina da Egreja JMatriz, dentro dos muros do 
Cemitério Publico, sob a invocação de S. Miguel. Fica ao lado es- 
querdo do Córrego Lage. 



Egreja de S. F'raiicísco 

Está edificada no Hospital de Santa Casa de Misericórdia, sob a 
invocação de S. Francisco de Assise Nossa Senhora das Dores. Acha- 
se em reconstrucção. Fica ao lado direito do córrego Lage na col- 
lina da Misericórdia. 



330 REVISTA DO 



Edifícios Públicos 



Paço ]%Iunieip£il 

Situado no largo da Matriz (á esquerda) canto da rua Municipal. 
Foi construido a expensas dos habitantes de U beraba em 1837, sob a 
administração do Capitão Domingos da Silva e Oliveira. Serve para 
us sessões da Camará Municipal, do Jury, Juntas Municipaes, de Qua- 
liíicação e outras de caracter publico, Reunem-se no seu salão os 
Collegios Eleitoraes. Todas as auctoridades judiciarias dão nelle 
suas audiências. Annexos íicam-lhe os compartimentos que servem 
de prisão aos criminosos e detentos, aos quaes se tem dado o nome 
de — Cadeia — . E' da collina da Matriz. 

ClsiçleisL 

Chama-se Cadeia nesta cidade a um accrescentamento contíguo 
ao Paço Municipal, e que por conseguinte é dependência deste edi- 
licio. Ao compartimento da rez de chão chama-se enxovia, tendo 
somente grades para a rua Municip ai e a entrada pelo largo da Ma- 
triz. Por cima da enxovia íica a sala livre, servindo também de es- 
tação ao Carcereiro. Debaixo dp salão do Paço Municipal ha mais 
dous pequenos quartos que servem de prisão — xadrez : também 
ahi é o logar onde estaciona a guarda dos presos, que se denomina 
— corpo da guarda; tudo com a entrada pelo largo da Matriz. Po- 
de dizer-se,pois que a cidade de Uberaba não tem Cadeia propriamente 
dita. E' da collina da Matriz. 

]M[ercftclo I*ul>lico 

Situado na encosta da collina Estados-Unidos, entre as ruas do 
Commercio ( á direita ) e a do Mercado ( á esquerda ). Foi cons- 
truído pela Camará Municipal em 1880. Ainda não esta concluído. 

Meitadoiiro lPul>lico 

Situado á margem esquerda do córrego Lage e lado esquerdo da 
rua Matadouro, entre a rua das Mercês ( ao lado direito ) e Impera- 
dor ( ao lado esquerdo ), próximo à ponte — João Matheus. Foi man- 
dado construir pela Camará Municipal em 1875. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 331 



Coinitorio Publico 



Situado atrnz da E{7reja Matriz. Foi construído pelos habitantes 
de Uberaba em 1850, sob a dirocgão do Missionário Capuchinho Frei 
Kujíonio Maria de Génova. Tem dentro dos muros a i^groja do S. 
Miguel. No portão da entrada deste Cemitério ô o ponto central da 
medição e demarcação da légua quadrada quo doou Tristão de Cas- 
tro Guimarães cm 1812 para o património da Matriz, medida em 1843 
e rectificada em 1H70. H' da coUina da Matriz. 



Santtt Ca!â£à de ]lIisei*icoi*clÍ£à 



Situada no largo da Misericórdia. Foi íundada pelo Missionário 
Capuchinlio Frei Eugénio Maria de Génova, em 1858. -E' da collina 
da Misericórdia. Está ainda em construcção. 



Cemitério <ie S. Francisco 



Situado nas dependências da Santa Casa de Misericórdia, ao 
lado esquerdo da rua Frei Eugénio. Foi começado em 1870, desti- 
nado aos irmãos de S. Francisco. Não está concluído. E' da col- 
lina da Misericórdia. 



Xlieatro íS. Liuiz 



Situado no largo da( Matriz à direita ). Foi mandado construir 
Por uma associação particular em 1863. 



Escola I*ul>licffc 



A segunda escola publica de instrucção primaria do sexo mascu_ 
lino, regida pelo prolessor normalista vitalício, Manoel (iarcia da 
Rosa Terra, luncciona desde 1876 em edifício apropriado, construído a 
expensas do referido professor em 1875. E' situada na rua Vigário 
Silva, á esquerda, entre as ruas da Ladeira e S. Miguel. 



332 



REVISTA DO 



Kota 



As outras escolas funccionam em casas que não foram, como 
esta, construídas para esse íim. 

O mesmo cabe diser-se dos prédios onde os íunccionarios públi- 
cos exercem seus cargos. 



Emprszas 



Posto que a descripção das emprezas fosse mais cabivel n'um al- 
manak noticioso, por participarem mais de elemento industrial, to- 
davia, sendo as que se fundaram e existem actualmente dentro da 
cidade de naturesa mais ou menos mixta, não é fora de propósito 
consignal-as neste escripto, em razão da sua importância histórica 
no futuro. 

Actualmente possue a cidade de Uberaba quatro estabelecimentos 
que se podem considerar nas condições supra. São elles : 



Typographia da « Gazeta de Uberaba » 



Estabelecida no largo da Matriz, canto da rua S . Sebastião. Em- 
presa particular fundada em 1879 pelos propritarios Ludovice & 
Companhia, sob a administração de José Augusto de Paiva Tei- 
xeira e redacção de diversos. Esta typographia, a primeira estabe- 
lecida nesta cidade, em 1874, pertenceu primitivamente ao doutor 
Henrique Raymundo des Genettes, que nella publicou o Paranahyha, 
depois o Echo do Sertão. Em 1875 foram seus proprietários H. R. 
de Genettes & Paiva Teixeira. Em 1876 passou a ser propriedade 
de P. Teixeira, Ribeiro &. Magalhães, sob a redacção de António 
Borges Sampaio, gerência de António Augusto Pereira de Maga- 
lhães, edicção de José Augusto de Paiva Teixeira. Actualmente são 
proprietários desta empresa João Caetano &. Rosa, sob a redacção 
do bacharel João Caetano de Oliveira e Sousa. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 33:5 



Typographia do *: Correio CJlícraÍjeiíse » 

Estabelecida na rua S. Sebastirio, á esquerda, oní fronte á rua Gut- 
lemberjí. Einpreza particular de propriedade de Oliveira Teniia & 
Teixeira, sob a redacção do J A. tt. Silva Júnior e Gaspar da Silva, 
fundada em ItiSl). Inipriniiu-se também nesta typographia O Recreio, 
de propriedade do F. Bastos, periódico que ultimamente passou a 
cbamar-so O Raio, sob a mesma direcção. 

Fabrica de Cliapeos 

Da qual é proprietário Quirino Rodrigues de Miranda, e por 
elle estabelecida em 1880, em prédio adquirido, sobre o córrego Lage, 
na rua do Commercio, á direita, entre o largo da Matriz e o ponto 
onde come(,'am as ruas da Imperatriz ( <á direita ), e do Imperador 
( á esquerda ). E' o primeiro estabelecimento desta natureza lun- 
dado nesta cidade com bazo o methodo ; por quanto, embora em 
1850 Luiz Soares Pinheiro fundasse uma fabrica de cliapeos em 
Uberaba, numdando vir da Europa officiaes e carneiros vivos, esta 
industria não prosperou, por limitar-sc, talvez, à obra de lan, sem 
as niachinas da actual. 

Collejíio Piedade 

Fundado em 1878 pelo alferes Joaquim António Gomes da [Silva 
Júnior, do qual è proprietário e director. Funcciona actualmente 
em prédio construido adequadamente para o extincto Lijceii Ubera- 
bense, na rua do Imperador ( á esquerda ), entre as ruas Guttem- 
berg e Matadouro, e frente da rua Leste. 



Conclusão 

Ahi fica traçado um projecto sem erudicção, que ao [menos poderá 
servir a lactores mais robustos que se proponham, no luturo, a 
melhorar o importante serviço da nomenclatura das ruas da cidade 
de Uberala. 

Outubro de 1880. 

António Borges Sar.ipalo^ 



] 



•>^ 



V, .: 



Noticia sobre a approvação que a CAMARÁ MUNICIPAL DE UBERABA deu 
ao projecto de 1880, oryaoisaodo a NOMENCLATURA das ruas da cidade 



o autor do projecto da — DENOMINAÇÃO DAS RUAS DA CIDADE DE 
UBERABA — apresentou-o á Commissão especial, que a camará mu- 
nicipal tinlia nomeado para organizal-o, com o seguinte oiflcio : 

« Illms, Srs. — Desempenho-me hoje do compromisso que meim- 
puz em olTicio de 27 de fevereiro do corrente anno e meus coUegas 
acceitárfio, no que se dignarão dirigir-me no dia seguinte, apresen- 
tando o projecto sobre a nomenclatura das ruas desta cidade, con- 
forme o plano que eu tinha concebido. 

«Não ha nelle erudição, mas sim simples e original singeleza. 
« Si o considerarem digno de apresentação á lllustrada Camará, e 
esta, por sua vez, me honrar com a adopção delle, dar-me-hei por 
compensado das minhas fadigas em organizal-o ; fadigas que não só 
proviérão de ser o primeiro trabalho desta natureza, com relação à 
nossa povoação, como da curteza de minhas habilitações intelle- 
ctuaes. 

« Em compensação dos limitados conhecimentos para dizer com 
elegância, procurei, o mais possível, registrar com exactidão ; re- 
cordando aos vindouros que quizerem dedicar-se a rever este tenta- 
men a tradição dos factos relativos á historia deste ponto do Im- 
pério. 

«Si não pude organizar este projecto como talvez melhor con- 
viesse, sobrou- me para isso muita vontade. 

«Deus guarde a vv. ss. Uberaba, II de outubro de 1880. — Illms. 
srs. capitão José Bento do Valle, Quirino Rodrigues de Miranda e 
capitão Joaquim Rodrigues de Barcellos, d. d. membros da commis- 
são especial encarregada de assentar-se sobre a denominação das 
ruas da cidade de Uberaba. — António Borges Sampaio. 



1 



330 REVISTA DO 

A Commissão, depois do ter estudado o projecto, apresontou-o, por 
sua voz, á camará em sessão, com parecer seu, sem alterar-Uio 
cousa alguma. 

O quo se lè na acta da sessão da camará, de 19 de outubro, prova 
que o ti'aballio do autor foi recebido e approvado com agrado, por 
deliberação unanime dos vereadores presentes — Major Joaquim José 
de Oliveira Penna, João Borges de Araújo, Tenente Ananias Ferreira 
de Andrade, Capitão Joaquim Rodrigues de Barcellos, Capitão José 
Bento do Valle e Professor António Carlos de Ai\iiijo. 

Diz a acta desse dia, na parte em que se refere ao assumpto : 
« A commissão especial encarregada por esta camará de assen- 
tar-se sobre a denominação das ruas da cidade e numeração das casas, 
tendo examinado o projecto organizado para esse lim pelo sr. te- 
nente coronel António Borges Sampaio, é de parecer que seja appro- 
v^ado, Uberaba, 15 de outubro de 1880. — Barcellos. — Miranda. — 
Yalle ». 

« Posto em discussão, o sr. tenente coronel António Borges Sam- 
paio, que se acbava presente, pediu licença para elle mesmo proce- 
der á leitura desse trabalho, porque desse modo iria dando as expli- 
cações necessárias. 

« Concluída a leitura, o sr. Sampaio pediu desculpa por ter oc- 
cupado por longo tempo a attenção da camará. 

« Posto em discussão o parecer, foi unanimemente approvado, man- 
dando convidar o proponente para proceder ao trabalho da denomi- 
nação e numeração das ruas. 

« O sr. Barcellos, pedindo a palavra, apresentou o requerimento 
concebido nos seguintes termos : 

« O tenente coronel António Borges Sampaio acaba de prestar á 
Camará Municipal um relevantíssimo serviço, no importante traba- 
lho da nomenclatura das ruas desta cidade. 

« Este prestigioso cidadão, tomando a si a árdua tarefa de con- 
feccionar um registro histórico desta povoação, desde os seus primi- 
tivos tempos até hoje, desempenhou-a de modo muito satisfactorio. 

« A denominação das ruas, do modo porque foi organizada, é um 
trabalho muito importante, muito consciencioso e útil. 

« Requeremos, pois, que na respectiva acta seja lançado um voto 
de louvor o gratidão a esse digno cidadão, que por mais de uma ve^ 
tem prestado relevantes serviços á Camará Municipal desta Cidade. 
— Uberaba, 19 de outubro de 1880. — Barcellos. — Valle. —Penna. — 
Andrade. — Araújo. — A. Carlos. 

« Posto em discussão, foi unanimemente approvado ». 



ARCHIVO PUBLICO MINElKO 337 



Em virtude desta decisão, expediu a Camará o seguinte odicio : 

« N. G9 A. — Illm. Sr. — A Gamara Municipal desta cidade, em ses- 
são do liqjo, resolveu, unanimemente, lanyar em sua acta um voto 
de gratidão e louvor, pelo rolevantissimo serviço que V. S. acaba do 
prestar-lhe, airxiliando a Commissão encarregada da nomenclatura 
das ruas, praças e largos desta povoação. 

« O registro histórico de Uberaba, desde os seus primitivos tem- 
pos até hoie, Ibi por V. S. confeccionado com muita proliciencia. 

« A denominação das ruas, do modo por que se acha organizada, 
ó um trabalho muito importante, mui consciencioso e util. 

«A Camará, pois, reconhecendo que V. S. por mais de uma vez 
tem-lhe auxiliado em seus mais espinhosos tra])allios, não podia dei- 
xar de, nesta occasião, apresentar a V. S. o testemunho de sua gra- 
tidão, 

« Deus guarde a V. S. —Paço da Camará Municipal de Uberaba, 20 
de outubro de 1880. — Illm. Sr. Tenente-Coronel António Borges Sam- 
paio. — Joaquim José de Oliveira Penna. — João Borges de Araújo. 

— Ananias Ferreira de Andrade. — Joaquim Rodrigues de Barcellos. 

— José Bento do Yalle. — António Carlos de Araújo ». 



Da Commissão especial, também o autor do projecto recebeu o 
seguinte oHicio : 

« Illm. Sr. — A Commissão encarregada da denominação e nume- 
ração das ruas, praças e largos desta cidade, apresentou o impor- 
tante traballio, que V. S. confeccionou, â Camará Municipal, que o 
adoptou unanimemente, fazendo lançar em sua acta um voto de lou- 
vor e gratidão a V. S. 

« A Commissão não pôde, também, e nem deve deixar de vir 
apresentar a V. S. os seus protestos de reconhecimento. 

« Queira, pois, V. S. acceitar as seguranças de nosso cordial agra- 
decimento, e sincera estima. 

« Deus guarde a V, S. — Uberaba, 22 do outuliro de 1880. — Illm. 
Sr. Tenente-Coronel António Borges Sampaio. — A Commissão — José 
Bento do Valle. — Joaquim Rodrigues de Barcellos. — Quirino Rodri- 
gues de Miranda ». 



 Redacção do i< Correio Uberabense», dando noticia deste projecto 
fem o n. 22 de 24 de outubro do 1880, publicou as seguintes linhas : 
^ TRABALHO NOTÁVEL. — Na sessão da camará do dia 10 foi lido 



338 REVISTA DO 

um importante e minucioso trabalho do nosso respeitável amigo, te- 
nente-coronel António Borges Sampaio, sobre a fundação e desen- 
volvimento deste logar e sobre as denominações que devem dar-se às 
ruas. 

« A camará acceitou as indicações de s. s. e lavrou na acta um 
voto de louvor e agradecimento a tão intelligente quão dedicado au- 
xiliar. 

« O trabalho do tenente-coronel Sampaio revela muita paciência, 
muitos conhecimentos da historia e topographia do Uberaba, e muita 
observação ». 



Na sessão de 22 do mesmo mez e anno, a Camará, entre outros 
assumptos sobre que deliberou, registrou o seguinte, que se lè na 
acta desse dia : 

« Em seguida, estando presente Belmiro António Villarouco, pro- 
ponente acceito pela Gamara para fazer a denominação das ruas e 
numeração das casas da cidade, lavrou-se o contracto, com as bases 
estabelecidas no edital publicado ». 



Em junho de 1881, todas as ruas da cidade de Uberaba já tin- 
hão sua denominação própria, por meio de taboletas, fixadas nos 
cantos, de conformidade com o projecto approvado, sendo a inscrip- 
ção em lettras brancas sobre fundo preto. 

Como as edificações- erão de madeira, dando espaços acanhados e 
irregulares, somente as taboletas se prestavão á nomenclatura. 

Em quanto á numeração dos prédios, foi feita,- collocando-se-a 
nos edificios em chapas metallicas pintadas de preto com lettras 
brancas, na entrada principal delles. 

Também nesta parte forão observadas as indicações do Capitulo 
12.* do projecto. 

A Camará prestou assim um grande serviço á povoação, facili- 
tando os característicos da propriedade em diversas transacções. 

Uberaba, 20 de junho de 1896. 

António Borges Sampaio. 



UBERABA 



Historia Topographica da Fregue:4ia do Uberaba vulgo 

Farinha Podre (*) 



Entre o Rio Grande, e o Rio das Velhas na Provincia de Minas 
Geraes, Comarca do Paracatú do Principe, Julgado do Dezeuiboque, 
Prelasia de Goyaz, está a Povoação de S.'" António e Sam Sebastião 
do Uberaba. Os lugares que ella compreliende, erão incultos, e de- 
sertos ate 1807, e apenas conhecida a estrada, que a atravessa de 
S. Paulo para Goyaz, onde residião alguns índios, que tinhão sabido 
da Aldeia de Santa Anna, os quaes nunca tiverão anino de alongar-se 
para algum dos lados da mesma estrada, nem ao menos meia legoa, 
como depois se conheceo pelas culturas sempre visinhas as suas ha- 
bitações : então Januário Luis da Silva, Pedro Gonsalves da Silva, 
José Gonsalves Eleno, Manoel Francisco, Manoel Bernardes Ferreira, 
e outros moradores na Freguezia do Dezemboque entrarão até a dis- 
tancia de algumas legoas de Sertão, e descobrindo lindas campinas, e 
óptimos matos appossiarão algumas Fazendas, evoltarão tanto por 
falta de mantimentos, como pello terror, que lhes inspirava o Gentio 
Caiapó, cujo vestigio incontrarão em diversas partes. Commonicarão 
o resultado da sua entrada ao S. M.' António Eustáquio da Silva, e 
a outros, e aquelle por génio emprehendedor de novas descobertas 
projectou logo explorar todo o Sertão, que podesse, e convidou mui- 
tas pessoas das Geraes para companheiros : entretanto passou para o 



(*) No manuscripto original, offsrecido ao ArchiTO Publico Mineiro pelo seu 
dicno oorrespoiídeute Sr. Coronel António Borges Sampaio, ha uma nota na qual 
se diz: «Esta liisloria é obrado fallecido cónego António José da Silva. Deve ter 
sido escripta entre os annos de 1824 a 1826.»— (N. da redacção da RevistaJ. 



>40 REVISTA DO 

Norte da Província de Goyaz o Coronel José Manoel da Silva c Olivei- 
ra, e sabendo a pertenção, que tinlia o d." Sargento Mor seu Irmão, a 
declarou ao Ex."'" Marquez de S, Joáo da Palma, que então governa- 
nava aquella Província, a que pertencia o Julgado do Dezemboque, e 
este conhecendo quanto podia interessar esta nova descoberta, inter- 
vindo adirecção do relci'ido S. M.f , de quem tinha muito boas no- 
ticias, o nomeou Commandanto Regente dos Sertões da FarínhaPodre 
por Portaria de 27 de Outubro de 1809. Nos primeiros dias do mez de 
Julho de 1810 o Sargento M."" munido das necessárias provisões de 
mantimentos, associando-se os que primeiro liavião entrado, e alguns 
outros Geralistas, formando todos huma bandeira de 30 homens in- 
gredirão pelo Sertão dentro até o Rio da Prata na distancia de 30 le- 
goas, a contar-se o caminho em direitura, encontrando a cada passo 
o embaraço, ja de Rios, ja de pântanos, que dificultosamente transi- 
tavão, sempre temerosos do Gentio, cuja existência se conhecia, ou 
pelas queimadas, que lasia, do campos, ou pelos seus ranxos encontra- 
dos aqui, e ali. He de notar-so operigo, aque se achavão expostos es- 
tes emprehendedores, quanto aos animaes silvestres eferozes, pelo 
que aconteceo a António Rodrigues da Costa, o qual acomettido cara 
a cara por huma onça pintada, que avançou furiosamente ao cavallo, 
em que hia montado, e o segurou com unhas e dentes, pôde com des- 
treza (depois de faltar-lhe o recurso da espingarda, cujo gatilho nunca 
mais encontrou ) delender-se com a espada, que trazia ao lado, dan- 
do algumas estocadas, com a dor das quaes largou a onça o cavallo, 
efngio até morrer a chumbo, depois de perseguida pelos caens em 
hum capão, que se achava vizinho, e que pelo acontecimento ficou 
denominado o capão da onça. O referido Sargento M.' , e toda a sua 
comitiva, depois de lançadas algumas posses, ou sinaes pelo Sertão 
na decurrencia de dous mezes, e feitas algumas pequenas rossas, 
voltou a cuidar de meios para transportar-se, assim como alguns de 
seus companheiros ; pois havião todos conhecido a transcendência, 
tanto dos campos, como dos matos. Em 1812, quando ja a Povoação 
constava de huns poucos de moradores, alem dos Índios da estrada,, 
fez segunda entrada, trasendo comsigo muitas pessoas, que denovo 
convidara, e alguas das quaes o havião acompanhado a primeira \oz 
entre as quaes se contava o Reverendo Hermogenes Casimiro d'Arau- 
jo, que dormia junto a elle em certa noite, quando huma grande co- 
bra Jararaca-assú passou por cima de ambos e sendo percebida, a 
expellirão com a coíxa, e depois a matarão, antes do que mordeo a 
hum cão, que immcdiatamento morreu, o que decerto aconteceria 
aos dois, se afortuna os não bafejasse. 

Depois desta segunda entrada, as noticias, que derão os que ha- 
vião acompanhado ao S. ^^I.'' , os convites, e as persuações deste atra- 
hirão em ln*ev0 muitas pessoas, que vinhão das Geraes a procurar 
novos estabelecimentos, não obstante o medo do Gentio, qite se an- 
tolhara. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 357 

tentes Provimentos com u doclaração de serem obriyiidos a satisía- 
zeroni a. Minha lical Fazenda a terya parte do seu UendinientOjO o novo 
Direito a respoilo do prero cm que houvoívm de sor I.otiidos, (|ue de- 
vem alliançar na Intendência respectiva dando-nie conta d(! tudo pela 
Junta da .Minlia Real Fazenda desta Capitania para ulteriormente rc- 
/.olver o mais (jue me parecer justo. A Rainha NossaSenhora o man- 
dou por Bernardo Juzo de Lorena do seu Conselho Governador, e Ca- 
]>itã() (íeneral da Capitania do Minas (Jeraes, e Presidente da .lunta da 
Administrai,'âo da Real Fazenda da mesma. João de Souza líenavides 
afez em Villa Rica do Oiro preto aos sinco dias do mez do Dezembro 
de mil sete centos noventa e nove annos o eu António de Hritto Amo- 
rim Dezcmbartrador Intendente no impedimento do Escrivão Deputa- 
do a subscrevi. — Ijernardo Jozó de Lorena. 



AUTO DE VEREAÇÃO em que so tracta do estabeleci mento das 
Rendas para a Camará desta ^■ilIa. 

Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesu Christo de mil, e oito 
centos aos vinte sete dias do mcz do Setembro do dito anno nesta 
Villa do Paracutu do Príncipe, Comarca do Rio das Velhas nas Caza- 
da Camará onde eu escrivão fui, e sendo ahi tão bem prezentes o Dous 
tor José Gregório de IMoraes Navarro Creador desta Villa, o do Lujrar 
de Juiz de Fora, e actualmente Ouvidor Geral, e Corregedor desta Co- 
marca, Os Olliciaes da Camará Nobreza, o Povo abaixo assignados, o 
convocados para se tractar do estabelecimento das Rendas da mesma 
Camará, depois de darem cadahum livremente os seus votos, accorda- 
rão uniformemente, q.' visto não ter a Camará outras Rendas mais 
do que as provenientes das afilacoens, e das Cabeças de gado que se 
cortão nos assouguos, as quaes não são bastantes, para as despezas 
publicas necessárias, se estabelecesse o pequeno foro de oitenta reis 
por braça em todas as Ciizas, Quintaes, e Propriedades desta Villa 
existentes, medidas pela frente da Ru:i principal, onde estiverem as 
ditas Propriedades, e este mesmo foro se imporá em todas as Gazas, 
que da qui por diante se erigirem ne{;ta ^■iiIacxceptuando-so somen- 
te as cazas e quintaes existentes nos arrcljaldes desta Villa perten- 
centes a pessoas pobres e mizeraveis : Que so medisse, c demarcasse 
liuma Legoa de terra em quadra fazo:ndo pião, ou baliza do onde de- 
vora principiar a medição nas cazas da Camará, e todo este terreno 
assim medido, e demarcado íicará ser do forciro a mesma Camará, e 
ninguém poderá nelle erigir Cazas, Quintaes, Ortas, nem fazer outra 
qual quer Propriedade, sem medição, demarcação, e afloramento feito 
pela mesma Camará, a qual lhe arbitrará o foro q.o lhe parecer mais 
justo, e conveniente conforme o Sitio das Propriedades, e o tamanho 
delias, e as Cazas, Fazendas, Quintaes, ou Ortas, que se acharem ja 

A. r.-u 



358 REVISTA DO 



dentro desta demarcação pagarão hum foro módico, que se lhe arbi- 
trar a proporção da grandeza do Editicio, Quintal, ou Chácara. 

Que de cada surrão de sal da terra que entrar para esta Villa, c 
seu Termo, se pague a Camará vinte reis, e de cada couro de boi que 
sahir desta Villa, e Termo para foni pague o comprador vinte reis, e 
que a mesma Camará poderá fazer administrar todas estas rendas da 
maneira que lhe parecer mais justo, e conveniente, ou pondo as em 
arrematação todas juntas, ou cada huma delias separadamente com 
as fianças, e cautellas necessárias, ou commettondo a sua administra 
ção, e cobrança a pessoas lieis, e capazes de toda a satisfação arbitran- 
do lhes ordenados competentes a proporção do trabalho, e de tudo 
para constar mandarão fazer este auto que assignarão o sobredito 
Ministro, os Officiaes da Camará, Nobreza, e Povo, e eu Joze Guedes 
da Silva Porto Escrivão da Camará q.« o escrevi. .Joze Gregório de 
Moraes Navarro — O Capitão Joze da S.* Paranhos, Vereador mais Ve- 
lho que sirvo de Juiz de Fora — O Ver/^- Francisco Dias Duarte — O 
S. Mj Manoel Joze de 01. » Guim.«^ —O Procurador da Camará —Luiz 
Joze de Carvalho — Florêncio Guedes Pinto de Sz.^ Carv.o , Cappitão 
Commandante — Sarg.t'^ M.-- Alberto Duarte Ferr.^ — O Cap.'" Joze Pin- 
to de Queiroz — Estevão Joze Gomes Camacho, Almotacé — O Juiz Al- 
motacé — Alexandre Joze Pereira Castro — O Cap.'" Joze Pereira 
Barros — O Cap.'" António da Costa Carlos — O Ten.« Francisco 
Joze de S. Paio e S.^ — O Ten." Sebastião Joze de Carvalho — O 
Alf.s António da Costa ^ Pinto — O Alf.^ Manoel Nunes Proença — 
Manoel da Fonceca Silva'— O G.*!* M."* Fran.^^» M.ei Soares Vianna — 
António de Britto Freire — Joze Corrêa — Manoel Rodrigues Alves — 
Manoel da Costa Cardozo — Caetano Miguel de Moura — Vicente de 
Almeida Leite — António Duarte de Paiva — Domingos Soares da 
Costa— António Netto Carneiro — Luiz Pereira da Cunha — Manoel 
Giz, Bragança — António Pimentel Barboza — Custodio Joze " de Oli- 
veira — O Cap.™ Manoel Pires Bragança — Joaquim Joze Coutinho — 
O Vigr.o Ger.i Foraneo e Provizor — Jozé de Pinna Vasconcellos — O 
T.e Thomé Alz'. de Araújo — O P.« Jozé de Britto Freire — António 
Joze Pereira Cidade — O ?.« Manoel Roiz.e Cordeiro — O P.e Manoel 
J.e Ferreira Sotto — O Cap.™ Juiz Ordinar.'^ de S. Romão— Manoe^ 
Rodrigues Lima — Miguel Fernandes Vianna — Manoel Pereira da 
Silva — O Tabellião do Julg.'^" de S. Romão — Bento Joaquim de 
Albuquerq.« —O' P.e Manoel da Silva Pereira. 



AUTO DE VEREAÇÃO em que se determinou as propinas que de- 
vião vencer os Officiaes da Camará. 

Anuo do Nascimento de Nosso Senhor Jesu Christo de mil, e oito 
centos annos a os quatro dias do mez de Oitubro do dito anno nesta 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 359 

Villa do Paracatu do Príncipe Comarca do Rio das Velhas nas cazas 
da Camará da mesma onde eu Escrivão lui, e bem assim o Doutor 
.loze (;re^'orio ile Moraes Navarro Creadur da mesma Villa, e do Lu- 
gar Juiz de Fora, e Oííiciaes da Camará, Nobreza, e Povo abaixo as- 
signados para effeito de estabelecerem as propinas que deverão ven- 
cer o Juiz de Fora ^■eroadores, Procur.idor, e Kscrivão da Camará 
dost;i Villa, e tendo bem visto a Certidão das propinas que vencem o 
Juiz de Fora, e Ollloiaes da Camará da Cidade de iMiiri;inna, deter- 
minarão que o Ministro, o Olliciaes da Camará desta Villa cada lium 
vencesse pelos bens do Concelho oitenta mil reis de propinas por 
assistirem as lestas, c Procissoens que abaixo se declarão a lem da- 
quollas que se celebrarem extraordinariamente pelos Cazamentos, o 
Nascimentos de Príncipes, e pelas exéquias do^i Nossos Augustos So- 
beranos, e Pessoas Reaes por que da assistência de cada húa destas 
vencerão a mesma propina que tiverem por assistir a cada huma das 
outras festas, ou Procissoens Ordinárias, e alem disto cada hum do-'' 
sol>roditos teria mais de propinii meia arroba Cera animal, e de 
tudo para constar mandou o dito Ministro lazer este auto que assi- 
gnou, e eu Jozé Guedes da Silva Porto escrivão da Gamara que o 
escrevi. 



FKSTAS, K PROCISSOENS a que deverão assistir o Juiz de Fora, e 
Olliciaes da Camará para vencerem as Propinas que lhes são esta- 
belecidas, de oitenta mil reis, e meia arroba de cera para cada hum. 

Festa do dia de Corpo de Deos. A de Santa Izabel, ou da sua Vi- 
zitação a Nossa Snra. ' A do Anjo Custodio do Reyno. A de Santo 
António que he Orago da Matriz desta Villa. A de S. Sebastião. A das 
Ladainhas dos Santos. A Publicação da Bulia da Santa Cruzada. A 
do dia de São Silvestre em que deverá haver Te Deum Laudamus. 

Da assistência de cada liuma destas Festas ou Procissoens vencer^ 
o dito Ministro, e Oííiciaes da Camará cada hum dez mil reis que vem 
a fazer a quantia de oitenta mil reis de Propinas ametade das que 
vencem o Juiz de Fora e OlFiciaes da Camará da Cidade de Marianna, 
e o Alcaide, e seu Escrivão que são Ofíiciaes próprios da Camará 
vencerão cada hum delles meias Propinas, e assim accordarão todos 
uniformemente e assignarão, e eu Joze Guedes da Silva Porto Escri- 
vão da Camará que o escrevi. 

Joze Gregório de Moraes Navarro — Joze da Silva Paranhos — 
Francisco Dias Duarte — Manoel J.» de Olivr.* Guimarães — Luiz Joze 
de Carvalho — Joze de Pinna Vasconcellos — Manoel Rodrigues Lima — 
Manoel Pires Bragança — O P." Joze de Britto Freire — Manoel Cae- 
tano de Moraes — O Vigário Manoel Rodrigues Cardozo — Estevão Joze 
Gomes Camacho — António do Britto Freire — Joze de Barros Albu- 
querque— Manoel Nunes Proença — Alberto Duaito Ferreira — Caeta- 



360 REVISTA DO 

no Miguel de Moura — António Duarte de Paiva — Joze Pinto de 
Queiroz — Bento Joaquim de Albuquerque — Miguel Fernandes Vian- 
n;! — António Pimentel Harboza— Manoel Pereira da Silva — António 
Joze Pereira Cidade — António da Costa Pinto — Sol^astião da Silva 
Leão — António da Costa Carlos — Joze Soares Rodrigues — Jozó Cor- 
rêa Silva— Manoel Giz. dos Santos — Manoel Roiz'. Alves — Miguel 
Leite de Faria — Thomc Alves de Araújo — Joachim Joze Cout.» 



TERMO DE DECLARAÇÃO ao Accordão retro em que se determi- 
nou, que o Juiz de Fora desta Villa haja de ter as mesmas propinas 
que vence o Juiz de Fora de Marianna na Conformidade do Alvará 
de 20 de Oitubro do 1798. 

Nesta mesma Vereação accordarão, o sobredito Ministro, Officiaes 
da Camará Nobreza, e Povo abaixo assignados que o Juiz de Fora des- 
ta Villa baja de ter as mesmas propinas que vence o Juiz de Fora 
da Cidade de IMarianna na Conformidade do Alvará de vinte de Oitu" 
bro de mil sete centos noventa e oito em attenção a os encomodos, e 
despezas de Longas jornadas por caminhos de Certão^ e a o pequeno 
rendimento, e muito trabalho do Lugar, e para constar mandarão 
fazer este termo que assignarão reformando nesta parte o Accordão 
anterior que em tudo o mais licará em soo vigor e eu Joze Guedes da 
Silva Porto Escrivão da Camará que o escrevi. 

Joze Gregório de Moraes Navarro — Joze da Silva Paranhos— Fran- 
cisco Dias Duarte — Manoel Joze de Oliveira Guimar.s — Luiz Joze de 
Carvalho — Joze de Pinna Vasconcellos — O Vigário Manoel Roiz. Cor- 
deiro—Manoel Roiz'. Lima — O P.e Joze de Britto Freire — António 
de Britto Freire — Manoel Pires Bragança — Estevão Joze Gomes Ca- 
macho — Alexandre Joze Pereira Castro —Alberto Duarte Ferreira — 
Caetano Miguel de Moura — Miguel Fernandes Vianna — Manoel Pe- 
reira da Silva — António da Costa Pinto — António da Costa Carlos — 
Sebastião da Silva Leão— António Pimentel Barboza — Joaquim Jozé 
Coutinho — António Joze Pereira Cidade — Thomé Alz. de Araújo — 
Manoel Rodrigues Alves — Joze Corrêa Silva — Joze Pinto do Quei- 



jo 
roz. 



AUTO DE VEREAÇÃO em que se determinou por Accordão da Ca- 
mará, Nobreza, e Povo que se rezervasse a terça parte de todas as 
Rendas do Concelho para as despezas particulares do Príncipe Re- 
gente N. Senhor. 

Anno do NascinKjnto do Nosso Senhoi' Jesu Christo de mil e oito 
centos annos aos pito dias do mez de Oitubro do dito anno nesta 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 301 

\illa (lo 1'aracatu do Príncipe Comarca do Rio das Vollias (3iu Cazas 
da Camará ondo se achava o Doutor .loze (Ircfforio de Moraes Navar- 
ro Creador da mesma Villa, e do I.ujíar de Juiz de Fora, c que actual- 
iiionto serve de Ouvidor (íeral, e Corre^íedor desta Com.irca, e sendo 
alii tãobem prezentes os Olllciaes da (Gamara Nobreza, e Povo al)aixo 
assiírnados o dito Ministro lhes Louvou, e afíradeceo a boa vontade 
prudência e zello com que todos concorrerão uniformemente para o 
estabelecimento das rondas deste Concelho fazendo-lhes ver que sen- 
do ellas bem applicadas para as obras publicas e necessárias de Cha- 
farizes, Fontes, Pontes, Calsadas, Caminhos, e Creagoens do Ensí^ita- 
dos vinhão aceder em benelicio commum dos moradores do mesmo 
Destricto, recebendo a Camará por liua mão, o espalhando por outra 
com utilidade puljlica, e ventagem não sò de todos os moradores 
deste Destricto, maz ainda de todos os Viandantes das diferentes Ca- 
pitanias que por ello tranzitarem, Lembrou-lhos tãobem e dito Minis- 
tro os grandes benelicios (lue Sua Alteza Real () Principe Nosso Se~ 
nhor lhes acabava de fazer, erigindo este d'antes Arraial em Villa, 
liberalizando-lhes logo no momento da sua Creação a .Merco de hum 
Juiz de Fora do Civel Crime, e Orphaons encarregado da Creação da 
mesma Villa, o que servisse também de Provedor das Fazendas do^ 
Defuntos, e Auzentes, Capellas, e Reziduos, e fazendo-lhes finalmente 
a Graça de honrar esta Villa do Paracatu do Principe com o Nom^ 
do seu Augusto Titulo; e penetrados todos dos mais ternos sentimen- 
tos accordarão uniformemente qiio de todas as rendas do Concelho, 
ja estabelecidas, e das que para o futuro se estabelecerem se rczerve 
a terça, parte para as despezas particulares do Principe Regente Nos- 
so Senhor, supplicando-lhe que se digne de acceitar este humildi', 
simples, piquenino, maz verd.fo, e puro sinal da nossa gratidão, e 
oíTorecendo-lhe som rezerva as nossas pessoas, vidas e Fazendas em 
todas as occazioens que for precizo socrificá-las em abono do nosso 
amor, e da nossa fidelidade e de tudo para constar mandou o dito 
Ministro fazer este auto que assignou com os ditos Oítlciaes da Cama- 
rá Nobreza, e Povo, e eu Jozé Guedes da Silva Porto Escrivão da Ca- 
mará que o escrevi. 

Joze Gregório de Moraes Navarro — Joze da Silva Paranhos, Ve- 
reador mais "\'elho — O Vereador Francisco Dias Duarte — O Ver..*"" 
Manoel J.o de Olivr.» Guimar.» — O Proco' Luiz Joze de Carvalho — 
Florêncio Guedes Pinto de Souza Carv.» , Cappitão Command.» — O 
Provizor, e Vigário Geral Foraneo, José de Pinna Vasconcellos — O 
Vigário Manoel Roiz'. Cordeiro — O P.'^ Manoel Pereira de Amorim — 
O P." Joze de Britto Freire — Manoel Rodrigues Lima — Alberto Duar- 
te Ferreira — Caetano Miguel de Moura — Miguel Fernandes Vianna 
— Manoel Pereira da Silva — António da Costa Pinto — António da 
Costa Carlos — Estevão Joze Gomes Camacho — Sebastião da Silva 
Leào — Manoel Pires Bragança — Manoel Caetano de Moraes — Ale- 
xandre Jozo Pereira de Castro — António de Britto Freire — António 



362 REVISTA DO 



Netto Carneiro — Joaquim Joze Coutinho — Domingos Soares da Cos- 
ta — Joze Pereira de Barros — Francisco Rodrigues Cordeiro — O GJ^ 
M.'' Fran.*^" M.«i Soares Vianna — Vicente de Almeida Leite — Luiz 
Joze de Barros —António Pimentel Barboza — António Joze Pereira 
Cidade — Thomé Alves de Araújo — Manoel Rodrigues Alz' — Joze 
Corrêa da Silva — Joze Pinto de Queiroz. 



AUTO DE VEREAÇaO em que se tractou da Demarcação do Termo 
desta Vi lia 

Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil e oito 
centos annos aos quinze dias do mez de Oitubro do dito anno nesta 
Villa do Paracatu do Principe Comarca do Rio das Velhas em cazas 
da Camará da mesma onde se achavão o Doutor Joze Gregório de Mo- 
raes Navarro, Creador desta Villa, e do Lugar de Juiz de Fora, que 
actualmente serve de Ouvidor Geral, e Corregedor da Comarca, os 
Offlciaes da Camará, Nobreza, e Povo desta Villa, o Juiz Ordinário, e 
Procuradores do Povo do Julgado de S. Romão abaixo assignados, e 
convocados pelo dito Ministro para tractar com elles de comu accordo 
sobre os Limites por onde será mais conveniente íazer-se a Demarca- 
ção do Termo desta Villa demaneira que em beneficio publico com- 
prehenda os Lugares que lhe ficarem mais próximos do que a outra 
qualquer Villa confinante na Coníormidade do Alvará de vinte de 
Oitubro de mil sete centos noventa e oito, e depois de darem cada 
hu seus votos, e de serem vistas, e examinadas as iníbrmaçoens, e 
memorias de pessoas antigas fidedignas, e de mais conhecimento, e 
experiência do Paiz accordarão uniformemente que se deve anexar 
ao Termo desta Villa o Julgado, e Destricto de S. Romão, e í'azer-se a 
demarcação por balizas certas, e naturaes de Rios e de Serras princi- 
piando no Porto Real do Rio de S. Francisco, seguindo por elle abaixo 
até a barra do Rio das Velhas, desta ao Julgado de S. Romão, deste 
até a barra da Carinhanha,1clesta seguindo o dito Rio Carinhanha 
acima até as suas cabeceiras nas Chapadas de S.'-' Maria destas as Ca- 
beceiras do Rio Preto, destas seguindo pelo Rio dos Rios dos Arrepen- 
didos acima até as suas cabeceiras, destas cortando etn rumo direilo ao 
Rio de S. Marcos hindo por elle até fazer barra no Rio da Pernaiba, e 
seguindo por este Rio acima até as suas cabeceiras, e destas attra- 
vessando em rumo direito para o Registo dos Ferreiros, e descendo 
pelo Rio do Funchal abaixo até a sua barra no Andaiá e por este 
abaixo, até a sua embocadura no R.o de S. Francisco, e por este 
abaixo, até o mesmo Porto Real onde se principiou a Demarcação. 
Ficão dentro deste Sirculo as Povoaçoens do Julgado de S. Romão, 
Salgado, Ribeiras do Orucuia, do Accari, dos Pandeiros de baixo, Pe 



ARCHIVO PUBLICO MINElKU 363 

ruasii, Rio Pardo, Rio Preto, Carinbanha, Chapadas de Santa Maria, 
o todas as Fazemlas da Picada de (iuiaz saliiiido desta Villa pela lis- 
trada q.' vai ao Bambuhi, ate os Ferreiros, que vem a ser as Vazan- 
tes, Andrequicè, Almas, Onça, F'attos, Kabilonia, Aragoens, Cortume, 
Riacho de S. .loão, Ferroií-os, o todas estas Povoaçoons jã pertenciilo 
aos Dostrictos do S. Romão, ou do Paracatú por posso antij^a. Repre- 
zontou-lhes então o dito Ministro que anexando-se o Julgado, e Des- 
tricto, do S. Romão ao Termo desta Villa e não podendo em hum 
mesmo Termo haver dous Julgadores que conheção na mesma Ins- 
tancia, era necessário al)ullir-so o dito Julgado, c q.» o Juiz do Fora 
desta Villa em distancia de sincoenta Legoas, não podia bem admi- 
nistrar Justiça, nem dar promptas providencias nos cazos occorren- 
tes, que elle vinha Crear, e não abullir, e que não queria encarre- 
gar-se de obrigaçoens que não podesso cumprir perfeitamente para 
não íicar responsável por ellas a Deos, ao Príncipe, e ao Estado : Res- 
ponderão lho os ditos Olliciaes da Camará, Nobreza e Povo desta 
Villa, o Juiz Ordinário e Procuradores do Povo de S. Romão q.' na 
prezente conjunctura havendo nesta Villa Juiz de Fora, era não só 
útil, maz necessário abullir-so o Julgado de S. Romão anexando-se ao 
Termo desta MUa com todo o seu Destricto por que o dito Julgado 
dista desta Villa só sincoenta Legoas, e da Villa do Sabará para ondo 
atè agora se recorria dista noventa e seis Legoas, e por isso quazi 
nunca ahi vão de Correição os Ouvidores da Comarca, e a experiên- 
cia de muitos annos tem mostrado, que nos Lugares de pequena Po- 
voação onde não ha Letrados, nem abundância de homens para ser- 
virem com desempenho os empregos públicos, e onde não vão os 
Ministros de Correição todos os annos, a Justiça não he bem admi- 
nistrada por homens Leigos, e ignorantes de Direito, que finalmente 
a Freguezia desta Villa comprehende não só o Julgado, e Destricto 
de S. Romão, máz ainda outros Lugares de mais longe, e se o Vigário 
desta Villa pode cumprir os seus deveres em maiores distancias, me- 
lhor o poderá fazer o Ministro Secular hindo todos os annos rezidir 
na quello Arraial de S. Romão bum mez, ou dous para de mais perto 
administrar Justiça aos Povos Creando-so hum Juiz da Ventena na 
quelle pequeno Arraial, hu Tabellião para approvar testamentos, e 
hum SubF*rovedor com seu Escrivão para arrecadar os bens dos Au- 
zeutes, e dos Orphaons, o que sendo ouvido pelo dito Ministro se 
convenceo da verdade desta resposta, e da necessidade quo havia de 
abuUir-se o dito Julgado, onde havião treze annos que não hião de 
Correição os Ouvidores do Sabará por cauza da sua grande Longe- 
tude, e esta mesma falta experimentavão os Povos desta Villa. 

Por tanto concordando com o voto geral de todos rezolveo que se 
fizesse a Demarcação pelas balizas acima declaradas, e depois de se 
haver a approvação do lilustrissimo e Excellentissimo General desta 
Capitania aquém piujsava a dar immediatamente conta, ficaria a de- 
marcação em seu vigor e se haveria por abullido o dito Julgado de S 



3GI REVISTA DO 

Romão, e so tomarião justas medidas para q.^ aqucllos Povos expe- 
rimentassem os ofteitos do liuma Justic^a mais l)em administrada, e 
do tudo para constar mandou o dito Ministro fazer este auto que as- 
siírnou com os sobreditos OHiciaes da Gamara Nobreza e Povo desta 
Villa, Juiz Ordinário, e Procuradores do Povo do Julgado de S. Romão 
e eu JozG Guedes da Silva Porto Escrivão da Camará que o escrevi, 
e assignei. Joze Gregório de Moraes Navarro — Joze da Silva Para- 
nhos— Francisco Dias Duarte — Manoel Joze de Oliveira Guimarães — 
Luiz Joze de Carvalho — Joze Guedes da Silva Porto — I\Ianoel Pires 
Bragança — Manoel Caetano de Moraes — Florêncio Guedes Pinto de 
Souza Carvalho, Cappitão Commandante — O Vigário ^lanoel 
Roiz." Cordeiro — O Vigário Geral Foraneo — Joze de Pina Vascon- 
ccllos — O Coadj.'^'^ Joze de Sz.* Corrêa Landim — O 1'.° Joze de 
Britto Freire — O P.'' Manoel Pereira de Amorim — Vicente de Al- 
meida Leite — O G.*"^ INI.'" P^rancisco M.o^ Soares Vianna — António 
Pimentel Barboza — INíanoel Gonçalves Bragança — Alberto Duarte 
Ferreira — Joze Pinto de Queiroz — António da Costa Carlos — Anto_ 
nio Duarte de Paiva — Alexandre Joze Pereira Castro — Francisco 
Joze de São Paio Silva — Estevão Joze Gomes Camacho — António da 
Costa Pinto — António de Brito Freire — Miguel Leite de Faria — Luiz 
Joze de Barros — IManoel Roiz Lima, Juiz Ordinário de S. Romão — 
Miguel Fernandes Vianna, Procur.'^"" do Povo do S. Romão — Joze Joa- 
quim de Mendonça Lima — Bento Joaquim de Albuquerque — Fran- 
cisco Xavier Vieira — ;Manoel Nunes Proença — Domingos Soares da 
Costa — ]\Ianoel Roiz. Alz. — Custodio Joze de Oliveira — Sebastião 
da Silva Leão — Luiz Pereira da Cunha — António Joze Pereira Ci- 
dade — Domingos d^Aílonceca Silva — Francisco Rodrigues Cordeiro 
— Thomé Alves de Araújo — António Netto Carneiro —Manoel Pe- 
reira da Silva, Procur.»'" do Povo de S. Romão. 



ARCniVO PUBLICO MINEIRO 



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3.317 

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70 

20^ 

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718 

1.049 

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83 


Solteiros 


4.307 


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366 REVISTA DO 



Manoel Bernardes Varela da Fonseca, escrivão da Ouvidoria 
Geral e Correição desta Comarca do Rio das Velhas por Provisão do 
Tribunal da Junta da Administração da Real Fazenda desta Capitania 
de Minas-Geraes. 

Certilico, e porto por íe, que a cópia de todos os autos que se 
achão escriptos neste Livro desde íolhas liuma até quarenta e seis está 
conforme com os originaes que se achão escriptos nos Livros com- 
petentes da Camará desta Villa dos quaes foi extrahida a dita cópia 
por mandado do doutor José Gregório de Moraes Navarro Juiz de 
Fora creador desta mesma Villa que actualmente serve de Ouvidor 
Geral e Corregedor desta Comarca. E por verdade passei esta que 
assigno e conferi com o dito Ministro. Villa do Paracatú do Príncipe 
4 de Novembro de 1800. 



José Gregório de Moraes Navarro. 
Manoel Betnarcles Yarela da Fonseca, 



ORAÇÃO GRATULATORIA NA EXALTAÇÃO DO PARACATÚ', A' VILLA 
DO PARACATÚ' DO PRÍNCIPE — Pelo vigário de toda a Freguezia 
de S'". António, e de S. Romão da Manga, por mercê de SuaMa- 
gestade, que a fez e recitou — 

António Joaquim de Souza Corrêa e Mello 
(Original do Archivo) 



Que estrondozos apparatos ! Que magníficos ornamentos ! Que 
agradável riso ! Que sons de grande prazer ! Que riquíssimas galas a 
todos adornão ! Fora do Sanctuario também este, como a Esposa 
quando caminha para as bodas ! As veneráveis cans, se até agora 
penteando desenganos, agora mostrando-se varoens illustres, glorio- 
sos, cheios de graça, quaes inclytos da antiga Sião! Os moços são 
huns Nazarêos nunca tonsurados, todos brilhantes, todos especiosos : 
os mesmos insensíveis, as casas, as ruas, toda esta Povoação respira 
alegria sem dissabores, grandeza sem vaidades, modéstia magestosa 
sem cobardias ! E isto em huns tempos estéreis, pobres, os tenebrosos 
dias do Inverno; em huns tempos, que tantas Nasçoens vem, e la- 
mentão talhadas suas searas, demolidas suas cidades, arrazadas suas 
Torres, quebradas suas columnas, em pó suas alfaias, as suas precio- 
zídades, os seus thezouros nas maons inimigas, também as vidas de 
muitos seus, também a delicioza liberdade verdadeira de innumera- 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 367 

veis, também enterradas as sciencias, sepultada a precioza sabedo- 
ria, acabado o bom gosto, a Celestial verdade, e Fé quaze a pique a 
barca do Pedro, e (|ut'i'endo as pui-tas do Infenio eugolil-a! em bum 
tempo, (jue os mais brilhantes, illunnnadds, jxidorozos, e impávidos 
Impérios, ou se mostrão campos, em que bouvo Troyas, ou nem o 
lupar se vô, em que já forão: em liuns tempos, que terras, mares, 
tudo mostra estragos catástrofes, ruinas, abominaçoens, a maior de- 
solarão, lome, mendiguoz, e angustiai Tu ò habitação bemaventu- 
raila,jà exultas, tu brillias, tu tloreces, tu... O' quanta inveja cau- 
zarás aos teus vizinhos, aos teus amigos, aos estranlios, quaze a este 
todo, também ao mais antigo mundo I — Benedictus Deus, et Pater 
Domini nostri Jesu Christi, Pater Misericordiaruni, Deus totius con- 
solationis, qui consolatur nos in omni trihulatione — 2 Cor 1 — 

Preclarissimo, Sábio, Uluminado, e aqui Régio Chefe da Justiça, 
Virtude vinda do Ceo, e Vós, preclarissimos Senadores, taes como 
vosso cabeça, e que como este de Deus pela nossa Augusta, e Fide- 
líssima Soberana recebeis o poder, e representaes a grandeza. Ilegal 
Sacerdócio, Nobreza, lllustrissimo Congresso, Gente Santa, e Povo 
escolhido — Bendicto seja Deus, e Pai de Nosso Senhor Jesu Christo, 
Pai das misericórdias, D<»us de toda a consolação, que nos consola 
Í7i omni tribulalione. 

Lembra-me, que lá a gente de dura garganta, de coraçoens de pe- 
dra, celebrava a Páscoa, por Deos ter salvado os seus primogénitos na 
geral mortandade das de todos os Egypcios : o Pentecoste, por lhe ter 
dado as Leis no Sinai; a das Trombetas, por terem chegado a hum 
anno novo; a das Luminárias, por salvar Bethulia; a do Purim, por 
escaparem da cilada do soberbo valido Amán ; a das Tendas, pelos 
fructus novos: outras muitas, como a da Senopegia, a das Ensenias, 
todas em agradecimento por benefícios. Lembra-me, que esse Povo 
inconstante, p"" que o Senhor lhe abrio o caminho por meio do Heri- 
tréo, lhe levantou doze padroens, que até a seus vindouros mos- 
trassem o beneíicio, que tinlião recebido : que esses mesmos que a 
penas souberão sacrificar victimas corruptíveis, por que o Deos de 
seus Pais os libertou do poder dos Reis Pastores, em suas maons 
quizerão trazer escripta esta Mercê, para que nunca lhe esquecesse. 

Lembra-me, que ainda huns bárbaros, huns idolatras, huns Baltha- 
zares, huns Nabucos, huns Faraós; aquelles com Daniel, este com 
Jozé forão gratos. Que até o Boy e outro animal bem grosseiro; que 
todas as creaturas, ainda insensíveis, como os Campos, os montes, os 
prados, reconhecem a Primavera : Que emíim — Ignis, grando, nur, 
glacies, spiritus procellaru>/i faciunl verbum ejus. 

Então só nós seremos insensíveis até tanto, que nem reconhecere- 
mos a hum grande beneficio nem daremos as graças devidas ao Su- 
premo Bemfeitor? 

Está bem longe de ânimos tão generozos, ideia assim grosseira. 
Em desempenho a seu dever, já que não posso mais, deste lugar alto, 



3G8 REVISTA DO 

e da verdade, exporei quanto alcance do beneficio prezonte. E vós 
preclarlssimo Ministro Régio, Senado Real, Venerando Sacerdócio, No- 
breza, todos obrareis o que vossas Almas grandes vos inspirão. 

Quão outros ja fostes nos séculos passados, vós ó montes, ó valles, 
ó Campinas, ó rios, ó rochedos! Apenas sustentáveis feras, apenas 
vos pizavão monstros, o precioso de vossas entranhas jazia sepultado 
nas da terra : as vossas arvores sendo talves bem para estimar, só 
nutrião os fogos voráses : as vossas Aves eram todas Ijravias ; e alguns 
quaze homens, que para aqui, penso, arrojou algum sobejo do dilu- 
vio, bem pouco erao diflerentes das mesmas feras. Tinhão si, 
maiores mas sem polieia, mas sem doutrina, sem civilidade algua 
por génio, p-" criação Esaús, em tudo Esaús, ou feros Cains. Chegou 
a feliz época de Christovão Cólon: cede a maioral dos grandes Esta- 
dos da Bahia, seus dominios, seus direitos, todas as suas jurisdiçoens 
aos Senhores Reys de Portugal e dos Algarves, livremente lhe dá 
tudo : abençoão os Summos Sacerdotes as santas intençoens dos nossos 
Monarchas, os Calistos, os Nicolaus, outros ; bem como dando exer- 
cício, e uzo a huma das cliaves : passa o Senhorio por contracto, que 
legitima o Direito natural, também o das Gentes, ainda o Sagrado 
confirma e abençoa a Nasção Portugueza: Logo a maneira do Sol, 
quando se ergue no Horizonte, depois de huma noite tenebroza, que 
tudo illumina, que a tudo dá còr, que reparte mil graças, o matiz, a 
belleza, o brilhante ; assim se vio, e se alcança ainda agora. Tudo se 
renovou, tudo se melhorou ; a mesma Primavera não melhora tanto s 
quanto aqui o braço Portuguez ; que aquella só enriquece os corpos; 
esse adornou os mesmos espíritos. 

Com o senhorio da Bahia, e seus Recôncavos, também com os mais 
direitos, que a Portugal cedera aquella Heroina, que jas na Igreja da 
Graça, desse grande Porto Americano, e que de tudo era Legitima 
Senhora, ainda por guerra justa, e muito religioza vierão á Coroa 
Portugueza os dilatados Certoens, veio este clima, e emflm, veio prin. 
cipalmente dado pelo mesmo Rey dos Reys, que concedera ao seu 
antigo Israel á custa da destruição de muitos Reynos á Terra promet- 
tida. Assim hé Senhora destes Estados a Soberana Rainha Fidelíssima. 
Aqui a pezar do engano de Delile, e de outros sábios Geógrafos, não 
em Lagoas, mas em Rios dèo o Altíssimo alluvioens de ouro. Aqui nu- 
trio, e engordou a innumeraveis homens. Aqui fez ver-se como o 
mundo em huma só povoação. Aqui fez erigirem-se muitos Altares, e 
brilharem as maiores solemnidades do nosso Israel: tudo nos campos 
mais agrestes, mais rústicos, mais grosseiros. 

Agora parecia, que mil monstros, que havião gerado os vícios, 
também ingratidoens, que secção as fontes das mizericordias, que as 
vicessitudes mundanas levavam esta Povoação ao seu fim ; eis que a 
Mão Omnipotente acode, o bem se restaura, o renasce aqui mesmo. 

Sim; a sempre Augusta, a sempre Grande, a muito Pia, Religioza e 
Santa Rainha Fidelíssima, a que tem o poder por Deos •— Per me Reges 



ARCHIVO PUBLICO MINBIRO 3G9 

regnant : Aquella a quem devemos obedecer, não só por temor — 
Non lantum jiropter iram, secl propler conscienfiam — A quo vi^^ia, o 
zella sempre 8ol)r(! ;i nossa íelicidado, não monos ancioza polo nosso 
bem, do iiuo anti.iramcnto Moyscspclo dus Israelitas, sofíuindo não os 
conselhos de doLliro, mas os do (lue o yuiàra, os do Doos ; seguindo as 
máximas do muito pio, o roligiozo Josaphat, elege para a(iui mesmo 
manter a pàz publica hum SaI)iO; hum illuminado, hum prudente Mi- 
nistro : authoriza-o para I'ay dos Orpliãos, para amparo das Viuvas, 
para conservador da Republica, para manter a Policia, para conservar 
a Religião. Nem comt auto so satisfaz sua gonerozissima liberalidade: 
quer que o Bonelicio chegue a todos. Poem-lhe na mão, mão ja destra, 
ja por muitos annos experimentada, o provada, o discernimento entro a 
verdade e a mentira, entro o meu, e o teu, entro a honra, e a infâmia, 
entro a pãz, ea dezordom, entro o justo, e o impio: nem ainda so dá 
por satisfeito seu magnânimo cora(;ão : quer que o beneíicio se extenda 
até alem do Caos magnum até aos quo residem em lugares remotíssi- 
mos ; quo chegue aos mortos; faculta-Ihe, o dello conlia as felicidades 
do quantos nem si tiverão cuidado, (juando vivos, nem disso forão so- 
lícitos para morrerem : todos estes benelicios os realça, dando-os gra- 
tuitamente, o com tal suavidade, quo nenhum trabalho causem para 
se conseguirem. Nem pára ahi : determina, e faz, que dos mesmos mo- 
radores do Paiz se elejão e ennobreção muitos: que formem hum corpo, 
que seja cã a sua Pessoa: e que tudo, tudo seja desempenhado pelo 
mesmo, que desses será hó a cabeça, sem as dospezas, fadigas, e traba- 
lhos do acolhimento de outro maioral. 

Assim chegão a todos, a todos nós as profuzoens da sua liberalis- 
sima Grandeza : hum Arraial, que jazia como desconhecido em hum 
angulo do mundo, em hum recôncavo de Certoens ermos, o eleva- 
engrandece, e o faz a sua, bem a sua querida, a sua Villa do í'ara, 
catú do Príncipe. 

Eu queria agora ter hua eloquência, hua energia, bua fecundia 
sublime, a mais perfeita, a mais completa. Angélica, do todo Celes- 
tial, para dar principio ao agradecimento de tantos e tão grandes 
benelicios, como acabamos do receber. Só assim meu espirito ficaria 
satisfeito; serião cheios os vossos desejos: mas so nos grandes ap- 
plauzos também soão, o se acceitão os — vivas — dos pequeninos 
dos balbucientes, esporo ter lugar. 

Eu pois, sim : eu vos acclamo felices, ó habitantes desta terra, por 
terdes nesta, nesta mesma quem reprima os transportes da ira, da 
ambição, da Soberba, do todo o orgulho, do todo o vicio. Quem des- 
trua a calumnia, quem conserve a honra, quem vos engrandeça. 
Meus amados Nabothes, vinde para a nova Villa do Paracatú do Prín- 
cipe, que se alguns màos Acabes vos quizerem roubar as vossas vi- 
nhas, tendes aqui por Sua Magestado quem vol-as deftenda. Suzanas, 
ftqui as infames cans do Babilónia não . haverão de criminar-vos lai- 



370 REVISTA DO 

sãmente: ha Daniel cá que as confunda, sereis salvas, Innoccutes, 
aqui os Herodes não poderão mandar-vos tirar a vida, por ódio, por 
inveja: a rectidão, a Justiça, as Leys Santas, e o Zelador delias está 
com vôsco. Pobres Mais, temos aqui quem imite a sciencia do 
grande Salomão ; porque também por Deus governa ; não perdereis 
vossos filhos. Se lá os Paulos acharão hum Festo, que os não con- 
demnou precipitadamente, aqui o temos. Se os Danieis encontrarão 
huns Darios timoratos, e cobardes, nós não temos satrapas da Pérsia, 
que attérrem : Se os Baptistas acharão Hei-odias para merecerem 
cem saltos sua cabeça, a nossa está segura, por Ti, sábio e integer- 
rimo Ministro ; por Ti, muito nobre, muito illustre Senado; por Ti, 
ô Villa nova do Paracatú do Príncipe ; por Ti, muito alta, muito po- 
deroza, muito Santa Bemfeitora, e Senhora nossa. Rainha Fidelíssima. 
Viva tão grande, tão generoza, tão iiberalissima Bemfeitora. Viva, viva. 

Salomão quando recebeu do Altíssimo a sabedoria, não pensou 
quanto o felicitara Deus. Passado tempo foi experimentado, que com 
ella lhe tinham vindo outros muitos bens, e em tanta abundância, 
que exclamou : Vene7'unt (hé o mesmo Rey sábio o que falia) vene- 
runt mihi omnia bona pariter cum illâ. Eu vos julgo igualmente 
ditozos com o prezente beneficio. Não só se vos liberalizou a mercê 
de tantas honras, e grandezas, mas com essas conseguis o vosso socé- 
go, e conserváes vossa fazenda, que disperdiçarieis, para achar a jus- 
tiça em Povoações mui remotas. Com essa conseguistes hum Jui- 
desinteressado, e muito sábio, que sem a necessidade triste de men- 
digar luzes estranhas, tal vêz de inimigos, algua de amigos cegos, que 
todos levavão ao precipício, dará a cada hum o que hé seu. Com essa 
os vossos descendentes aqui mesmo acharão guardado o que suastes, 
para os felicitares. Com essa.... ora para que me canço? Com esta 
ventura nos vierão muitos, e muito grandes bens : a vossa expe" 
riencia abonará meu pensamento. 

Com tudo não posso deixar em silencio alguns realces deste bene- 
ficio. Jacob, para alcançar a linda Rachel, vigiou, trabalhou, desve- 
lou-se por muitos, e muitos annos. 

A Real mão da nossa Bemfeitora não he a interesseira, a mesqui- 
nha de Labão ; sem que algum dos filhos desta terra trabalhasse hum 
só anno, todos forão felicitados, conseguirão honra, gloria, e ventura. 
Similhante liberalidade, como a daquelle, só serve para os Absaloens 
ambiciosos : em nada se parece com a que nos fáz a nossa Augusta 
Soberana: Esta hé Rio subterrâneo, que sem estrondo sensível, sem 
procurar applauzos, enriquece as entranhas da terra. Ah quanto 
será enriquecida por Deos quem tanto bem fas sem interesse algum ? 

Que dirão os Estrangeiros prudentes ! Não será seu clamor simi- 
lhante ao do bom amigo Rey Hirão — Beneãictus Dominus Deus, pois 
déo a Portugal hua Rainha Fidelíssima, tão Sabia, e tão generosa, para 
reger, e dominar, espargir felicidades super populum hunc plurimum ? 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 371 

Qiin (liri\o nossos vindouros, reíloctindo na íelicidarltí a n(Ss facultada 
pela Soberana Henifeitora? Sobre as nossas venturas nestes dias 
para tantos de angustia, e de amargura? Não hõ assim, que tomando 
a linguagem do Ecclesiastico a louvar Elias dirão — Bemav3nturados 
os (jue virão tal tempo ; que torão participimtos da grande lionra de 
Sua iiinizado — Dealiqni se videnoif et in amititia tua dccorati suni í 

Ali quem tivera liuma vóz, liuma sabedoria, huma graça, huma 
orutlit;ào proporcionada ao seu prolundo sal)er. Regias virtudes, pro- 
videncia activíssima? Mas o voar sem azas lie íabricar precipicios. 
Somos menores, eu pobrissimo para louval-a ainda contemplando-a 
tão som '" como quem fez esta terra a Villa do Paracatú do Príncipe. 

Ksta nossa Soberana Senhora toca-lho muito o Absque en qiiod in- 
trinsecus latet. Taml)em que por mais que se diga, a sua gloria hó 
Ab intus. O' se fora eterna a sua vida, como devo ser a sua memoria ! 

Agora sim, agora ja vejo, vejo tornado o mais agradável recreio 
para a vista, hum jardim o mais ameno, e bello, o ôrmo inculto, selva- 
gem, agreste: Ja vejo, vejo as floi-es, que nem os Pegureiros que- 
rerião para tecerem rústicas Capellas, que só erão espinhos; assim 
mimuzas, matizadas, odoríferas, que até poderão servir para adornar 
Altares : Ja vejo, vejo as pedras toscas, que poderião aproveítar-se 
para ladrilho das ruas, tornadas em pyras, quedigo?... Emarassacro- 
santas. Ja vejo, vejo que huns brutos selvagens, assim grosseiros, que 
cauzavão pavor, grande desgosto, são polidos, civis, nobres cidadaons, 
recreio de humanidade. Ja vejo, vejo que os Idolatras cegos sempre 
desprezíveis, se tornarão adoradores devotos, os mais relígiozos do ver- 
dadeiro Deos. Ja vejo, vejo que estes campos, estas collinas, estes 
l)osques, montes e valles só cavernas de feras só theatros da barbárie, 
tem dado, dão o primeiro género do mundo, tem criado muitos homens^ 
os agazalha, os engrandece : Esta que apenas seria huma pobre Aldeya, 
hé a precioza Villa do Paracatú do Príncipe, que a adornão, a pulem^ 
a engrandecem o muito sábio Real Ministro, o Régio Senado da Camará, 
hum corpo do Clero devoto, e illuminado, muitos corpos illustrissimos, 
e impávidos de defensores da Pátria, também de guardas dos Reaes 
Thezouros, não menos de columnas da liberdade Christã; que ha aqui, 
e llorece o commercio ; que ha muito homem illustre, amante da huma- 
nidade ; que a virtude vinda do Ceo se não poderá mais chorar por ella : 
antes que abraçada com a doce paz, e beijando-se, fará inveja ainda às 
Almas grandes. Felis Povo, ditosa Gente, Terra abençoada do Senhor ! 

Ora sendo verdade eterna, que todo o dom perfeito — De sursum est — 
todo o bem nasce do Pay das Luzes, da Formuzura, que os mesmos Céos 
admirão : sendo certo, também innegavel, que todo o poder, toda a 
soberania, toda a jurisdicção, toda a Justiça, todo o premio dos bons, 
e supplicio dos mãos adquire a rectidão, a preciozidado do Supremo, 
do Eterno, do Omnipotente, do Santíssimo, do iníinitamente Bom, 



372 REVISTA DO 



Nus todos assim l)eneliciatlos, que podemos diser senão — Benediclus 
Deus et Pater D(i))ibU noslri Jesii Christi, Pater niisericordiarum. Deus 
lotius consolai ionis, qui consolatur nos in omni Iribulatione ? 

A ingratidão, este monstro hó só dos perlidos Judas, a nós não inju- 
riarão os Oseas : menos conrundiram os Isaías principalmente depois 
de nutridos, e de tanto exaltados. Nem devo persuadir reconhecimen- 
tos aquém deveras todo se occupaem mostrar-se grato ao Supremo 
Bemleitor. Vou acompanhar-vos. — Disse. 



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ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 341 

Em 13 iltí Fevereiro do 1811 ohtivorilo o mesmo S. M.-" Eustáquio, 
e outros Pi'oyísíIo da Meza da Consciência o Ordens para erigirem 
huma Capolla com o Orago da Snr.» do Monte do Carmo; mas ate o 
presente não levarão a pratica sua pertenção, som duvida porque a 
povoa«,-ão do lujrai', ondo í|Uorem erigir a referida Capella, ainda 
iioje lie mui pouco considerável. Em 1812 se levantou no sitio cha- 
mado o Lageado iiuma pequena Caza de Oração, onde se collocarão 
Santo António e Sam Sebastiam : celebrou ali por pouco tempo os 
Santos Mistérios com auctoridade do Reverendo António Joso Tavares 
Vigário do Dezemboque o !'.<» .loso de Moraes; e depois se transforio 
por commodidade para a margem do Uberaba junto a estrada de 
(toyaz, onde está hoje formado o Arraial. O referido P.» Moraes de- 
morou-se apenas até junho de 1813, e despedio-se, tícando os poucos 
moradores <iue então existião com os recursos espirituaes muito dis- 
tantes até Maio de 1814, quando entrou por Capellão o Padre Fortu- 
nato José de Miranda, sendo Vigário da Freguezia do Dezcmboque o 
Rd." Hormogenes Casimiro d' Araújo, qile o chamou. Esteve emprega- 
do ate 1820, deixou a Capolla em principio <? deste anno ao Padre Si- 
vorin da Costa Oliveira legitimamente auctorisado, o qual esteve ato 
7 de Setembro, dia, em que se retirou para a Capolla do SS.™" Sacra- 
mento do Burá. 

Em 17 deste mesmo mez de Setembro, e anno de 1820 tomou pos- 
se de Vigário da Freguezia, erecta alguns mezes antes a requerimen- 
do S. M.»- António Eustacliioda Silva por Alvar? de S. Mag. » o S,"" D 
o&o G," o Padre António José da Silva, que actualmente serve. 

Tem a Freguezia de longitude mais de 40 legoas, e de latitude 
mais de 20, ehe sua Filial a Capella de N. Senhora das Dores distante 
da Matriz 10 legoas, erecta em 1823. 

Divide pelo Nascente com a Freguezia do Dezemboque, pelo Occi- 
dente com o Sertão, pelo Norte com as Freguezias do Araxá, e Al. 
deia de Santa Anna, epelo Sul com a Freguzia da Villa Franca do 
Imperador. 

Dista o Arraial do Uberaba da Cabeia do Julgado 18 léguas, do 
Araxá 22, da Aldeia de S.** Anna 15, da Villa Franca 15, e da Cabe(;a 
da Comarca 60. 

Contem a Freguezia dentro do Arraial 91 fogos habitados, e fora 
300. A sua Povoação, que em 1820 constava de 1:300 almas monta 
hoje a 3:000, afora os Índios Aldeiados amargem do Rio (irando na 
distancia de 40 legoas do Arraial, cujo numero excede a 1:000 de am- 
bos os sexos. Estes índios ( Caiapos ) passeião de tempos em tempos 
por toda a Freguezia ; mas não commettem a menor hostilidade, o 
que se deve sem duvida ao geito, e ao amor, com que tem sido sem- 
pre tractados pelo S. Mor António Eustáquio da Silva, que os visita 
todos os annos, prodigalisando-lhes roupas, e ferramentas, ora a sua 
cust? , ora a custa da Fazenda Publica &. Também tem cooperado 
muito para a sua pacilicagão João Baptista de Siqueira, que mora vi^ 
A. l'.-lo 



842 REVISTA DO 



in - i r. iri i ~>n nnrn.~i fin i ">i" ii — r- i ''^~~'~nmt t t ' r~rrn i — \r\i- - - w r 'm- , — ^-^-y-f -j.^^j|.|»-,^^»,»-i-|—»--^— -».—-— ..--^.■.^l».---».—^-»—^».-.—...^^— 

sinho aos mesmos índios, com quem tem freq.«s commonicaçôes, e os 
supre muitas vezes com mantimentos do seu Paiol. He para lamen- 
tar-se a desgraça destes Entes embrutecidos ; por isso que se não 
tem adoptado as necessárias e urgentes medidas para a sua cathe- 
quisação. 

INIINERALOGIA 

Não se tem ate o presente descoberto metaes, nem pedras precio- 
sas dentro dos Jimites da Freguezia, ou porque os não ha, ou porque 
não se tenhão feito apropositadas observações a este respeito. 

ZOOLOGIA 

Os animaes existentes, e conhecidos .são os mesmos, que ha nos 
outros lugares do Brasil, com a diíerença porem que os campos 
abundão de muitas cobras Urutus venenosíssimas : ha muitos Sucu- 
ris pelos pântanos, Giboyas pelos matos, muita Abelha, muitos pás- 
saros diferentes, e peixes por todos os ribeirões. 

PHYTOLOGIA 

Ha huma arvore, a que chamão quina do campo, e serve a sua 
casca com proveito na falta da dó Peru : hum pequeno arbusto, a 
que se da onome de paratudo, excellente febrífugo, e grande emeti- 
■ CO applicado em maiores doses : ha excellente alcassus : muita cen- 
táurea menor : calamo aromático : calumba : contraerva : puaya : 
muito sene pelos campos : huma raiz sem diferença da jalapa: tomba, 
que he muito purgativa ainda por cllsteres : hum arbusto aque se 
chama de Santa Anna, o maior drástico, que se tem observado : e 
muitas outras plantas, de que se servem proveitosamente os Campo- 
nezes nas suas inlirmidades. Todos os vegetaes prosperão, sendo cul- 
tivados com industria ; e são de pouca duração u bardana, camomilla, 
fragaria, fumaria, coclarla, e a erva cidreira, o que se deve atribuir 
ao excessivo gráo de calor, que se sento. 

He o Paiz composto do lindas c extencissimas campinas, e de mui- 
tos matos, que produzem abimdantimente milho, feijão, arros, cará, 
batata, cana, algudão ; e a nijinclioca, e o anil, como eni parte algu- 
ma se tem visto, sem que os lavradores sintão o pezo de muito tra- 
balho ; porisso que as capinas nas mesmas capoeiras são muito favo- 
ráveis. 

Os campos são virosos quasi todo o anno, e porisso se ve sempre 
gordo o gado que niio depende de sal, dlja lUlta se supre com as 
agoas dos bebedouro?, que lia em <|Uasi todas as fazendas. São estas 
agoas nascidas em olhos amargeni dos córregos: no paladar não 
appresentão diferença, das outras ; mas csfregando-se nellas as mãos, 
sente-se escorregarer j ; a cassa da mato, e mesmo o gado acostuma- 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO S43 

dos aos bebedouros as procurão sempre na lua nova, passando por 
outras muitas agoas puras, que dcsprezâo apezar da sede : o seu pezo 
não diCei-e do pezo das agoas dos córregos vizinhos : alguns as tem 
levado om grandes taxas ao logo, alim de observarem, se produzem 
algum sal ; mas nada tem resultado ; talvez porque não se tenlia 
lançado mão de recursos, que, sendo applicados cm outras partes, 
aíjui se desconhecem. 

Os moradores do Uberaba são tão industriosos, como os das Co- 
marcas do Rio das Mortes, cSabará, d'onde sahirão a maior parto das 
íamilias, que hoje o povoão. Exportão todos os annos muitos porcos, 
e muitas boiadas para a Corte do Rio de Janeiro, e importão es- 
cravos. 

RIOS 

A fora o Rio Grande, Rio das Vellias, e Paranahiba os mais notá- 
veis da Freguezia são — Uberaba falso junto ao Arraial, Rio de S. 
Francisco, e Rio Verde, que vertem para o Rio Grande : Uberaba le- 
gitimo. Tejuco, Prata, e S. Jerónimo, que vertem para o Paranahiba. 

PORTOS 

Seuâ Portos ( no Rio Grande ) são cm a ])arr.a da Ponte Alta hum 
aberto em Janeiro de 1823 pelo Sargento M.' António Eustáquio da 
silva, por onde com direitura se commonicão os moradores do Ube- 
raba com os da Villa Franca do Imperador, e passão as Tropas de S. 
Paulo p.a, Goyaz: no seu estabelecimento se regularão os preços das 
passagens pelos dos outros Portos da Província de Minas, o hoje se 
regulão arl)itraria, e exorl)itantemcnte : pois por hum carro sendo 
puxado por cinco juntas do bois, c dirigido por duas pessoas paga o 
desgraçado carreiro R.» oSlMO, alem da carga, se a traz. Outro, rio 
abaixo, denominado o Porto da Espinha estaltelecido por Anhanguora 
no tempo, em que abrio a estrada de Goyaz : por esto raras pessoas 
transitão, tanto por ser tortuosa a estrada, como porque as maleitas 
dão sem distinção de tempo. (No Rio das Vellias) Hum om o Regis- 
to deste nome. (No Paranahiba) Dous por onde se tem passado a des- 
cobrir terras na Província do Goyaz, os quaes ainda estão Innoml- 
nados. 

SERRAS 

He Ponhecida dentrd ria Freguezia a Serrada Taliatinga, que he 
bi-aço ou ramo daCanastva: principia no Lanhoso distante ilo Arraial 
do Uberaba duas Icgoaíi, o vai ate o Rio da Prata na lUstanoia de 40, 
onde se divide em diversas ramlíicações, humas para o Rio Grande, -' 
o outras para o Paranhiba, e alem desta se conhecem vários peque- 
nos Serrotes. 



344 REVISTA DO 

Ha pelo meio dos campos formados em coUinas grandes buritizaes, 
que des d'as suas cabeceiras lormão pântanos intransitáveis, de que 
se servem os Fazendeiros, ou creadores para lormarem barreiras as 
creações : destes mesmos buritizaes dimanão agoas muito puras, que 
servem para 1)eber-se, para tocar moinhos, munjolos, e engenhos. 

Seja-me pei^mettido em obsequio ao merecimento dizer em conclu- 
são, que estando a Freguezia do Uberaba em circunstancias de poder 
pela natureza do seu íertil solo interessar muito ao Império, e uos 
particulares nella residentes, e que vierem depois, deve-se tudo em 
grande parte ao S, M.' António Eustáquio da Silva, que não se tem 
poupado, nem a despezas, nem a ladigas, nem a persuasões para 
augmentar a sua povoação, por em actividade o seu comercio, e ani- 
mar a agricultura. 



CARTA DA SESMARIA 

D. MANOEL DE PORTUGAL E CASTRO DO CONSELHO DE SUA 
Magestade e do da Sua Real Fazenda, Governador, e Capitão General 
da Capitania de Minas Geraes etc. Fayo saber aos que esta minha 
carta de Sesmaria virem que attendendo a me Reprezentar por sua 
Petição o Capitão João do Valle Pereira, que no Sertão da Farinha 
podre, no Julgado do Dezemboque, na Barra do Ribeirão dos Santos 
fortes com o Ribeirão de São Jerónimo correndo sua medição pelo 
dito Ribeirão dos Santos Fortes acima por lium e outro Lado do 
mesmo Ribeirão se axão terras devolutas de Criar e de Agricultura 
qúe partem com posses de José Francisco de Azevedo, e Roíino Luiz 
da Silva, e hoje pertencentes a Raymundo da Cunha por hum lado e 
pelos mais com Sertão baldio, e porque o Supplicante as queria por 
Legitimo. titulo de Sesmaria, me pedia lhe Concedesse na dita para- 
gem três Legoas de terra de comprido e huma de largo na forma das 
Ordens, ao que attendendo eu, e ao que respondeo o Dezembargador 
Procurador da Coroa., e Fazenda desta Capitania a quem ouvi de se 
lhe não oflerecer duvida alguma na Conceção por não Encontrar in- 
conveniente que a prohibisse, a vista das deligencias a que por Edi- 
taes procedeo o Juiz Ordinário do dito Julgado, e pela Faculdade que 
Sua Magestade me Permitte nas Suas Reaes Ordens, e na de 13 de 
Abril de 17'58, para Conceder Sesmarias de terras desta Capitania 
aos moradores delia, que mas pedirem : Hey por bem fazer mercê 
( como por esta faço ) de Conceder em Nome de^. Sua Magestade, ao 
dito Capitão João do Valle Pereira, por Sesmaria três Legoas de terra 
de comprido, e huuia de largo nas pedidas, sem interpolação de ou- 
tras, ainda (lue sejão inúteis na Referida paragem, não tendo outra, 
V não sendo esta em parte ou todo delia em árias prohibidas, e dentro 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 345 

das confrontaçoens acima mencion:ulas, íazendo pií\o aorulo pertoncer 
com (leclíiraçílo porem, que será ol)rij,';i(lo dentro em hum aiino, (|uo 
se contará da data ilosta a doniarc.ila jiulicialnionto, sendo para esse 
ofVeito notilioados os visinlios com (jucm pnrtir para allo^rarem o que 
for a hum do sua Justi(;a e elle o será t;imh(ím a povoar, o cultivar as 
ditas ires Le^oas de terra, ou parte delhis dentro em dous annos, a 
qual não comprohenderá a situaçílo e Lof!:radouros do algum Ai-raial, 
ou Capella, em que so administrem ao l'ovo Sacramentos com Licen- 
cia do Oi'dinario ato a distancia de hum quarto do Legoa, nem tam- 
bém comprehonderá amhas as margens do algum rio navegável ; 
porque neste cazo licará de huma, e outra banda delle a torra que 
baste para o uso publico dos passageiros, ode huma das bandas junto 
â passagem do mesmo rio, so deixará livro meia Legoa de terra para 
comniodidado publica, o de quem arrendar a dita passagem, como 
determina a Ordem de 11 de Março de 1754 Rezervando os Sitios dos 
vizinhos com ((uem partir esta Sesmaria, nas vertentes e Logradou- 
ros, sem que elles com esto pretexto se queirão apropriar de dema- 
ziadas em prejuízo desta moi-cè que laço ao Supplicante, o qual não 
impedira a Repartição dos descobrimentos de terras mineraos quo no 
tal Sitio hajão ou possão haver, nem os Caminhos e Serventias publi- 
cas que nelle houver, o pelo tempo adiante pareça conveniente abrir, 
para melhor utilidade do bem commum, com declaração, quo partindo 
as ditas terras por mato virgem com outra Sesmaria, se deixará na 
sua- extremidade por essa parte huma Linha de duzentos palmos, e 
alem disto se conservará a decima parte dos matos virgens das Refe- 
ridas terras, sendo a metade desta porção dezignada junto aos Cór- 
regos, ou rios, que por ellas corrorom para a creação o conservação 
das madeiras necessárias para o uzo publico a qual porção de terra 
assim Rozervada não poderá o Supplicante Rossar sem Licença deste 
Governo, nem impedir que no lia se cortem madeiras para os Servi- 
ços mi neraes viziniios proporcionalmente a arbítrio de bom Varão; 
tudo na forma do Bando do l:í de Maio do 1736, e possuirá as ditas 
três Legoas de terra com condição do nella não succedorem Reli- 
gioens. Igrejas, ou Eccleziativos, por titulo algum, e acontecendo pos- 
suhilas será com o encargo de pagar delias Dizimos, como quaesquer 
Seculares, e será outro sim obrigado a Mandar Requerer a Sua Ma- 
gestade pela Mesa do Desembargo do Paço Conlirmação desta Carta 
de Sesmaria dentro em quatro annos que correrão da data desta em 
diante, a qual lhe Concedo salvo sempre o Direito Régio, e prejuízo 
de terceiro, e faltando ao Referido não terá vigor, e se julgarão por 
devolutas as ditas três Logoas do terra, dandose a quem as denun- 
ciar ; tudo na Ibrma da Roaes Ordens. I'elo que o Juiz respectivo 
dará posse ao Supplicante das Referidas três legoas de terra de com_ 
prido, o huma de largo nas pedidas, não sendo em parte, ou todo 
delia em árias prohibidas, e prejudiciaes aos Reaes Interesses; porque 
em tal cazo so llie não dará a dita posse, nem terá efleito esta Con- 



346 REVISTA DO 



^■^^s^>'^^*i 



ceção, feita a demarcação, o notificação como Ordeno, de que se fará 
Termo no Livro a que pertencer, e assento nas costas d'esta, para a 
todo tempo constar o Referido. K por lirmeza de tudo lhe mandei 
passar a prezente por mim assignada e Sellada com o Sello de mi- 
nhas Arniiis, que se cumprirá inteiramente como nella se contem, 
Ivcgistando-se nos Livros da Secretaria deste (ioverno, e onde mais 
tocar. Cosme Damião da Silveira afes Dada em Villa Rica de Nossa 
Senhora do Pilar do Ouro Preto, a 17 de Julho. Anno do Nascimento 
de Nosso Senhor Jezus Christo,de mil oitocentos e dezenove. — O Secre~ 
tario do Governo— João Jozé Lopes Mendes Ribeiro a fes escrever. 

D. Manoel de portugal e Castro. 

CARTA DE SESMARIA PORQUE V. Ex.a HA P.'" bem fazer mercê 
de Conceder em Nome de Sua Magestade ao Capitão João do Valle 
Pereira por Sesmaria três legoas de terra de comprido, e huma de 
largo na paragem acima mencionada ; tudo como nella se declara 

Para V. Ex.='a ver. 

Reg.-ia a fs. 305 do L.» de Reg.*» de Cartas 
de Sesmaria que actualmente serve nesta Se- 
cretaria do Governo de Minas Geraes Villa Rica 
17 de Julho de 1819. 

João José L )pes Mendes Ribeiro. 

Dizen os nòs abaixo assignado q.^ sedemos e três pomos todo u jus 
e duminc q.^ temos neste titulo de sesmaria na peçoa de Thomaz 
José de Miranda Porto que ficará sendo de hoje para todo sempre e 
nos asin'„mos eu e m.a Mulher Hoje 21 de Maio de 1839. 

LuizA Arménia da S.» . 
João do Valle Pereira. 



CREftÇÃO D[ VILLAS 



NO período colonial 



PARACATU' 



Copia authentica de todos os autos que se fizeram no 
estabelecimento da Villa do (Paracatà do (Principe, 
extrahida dos livros competentes da Camará da meS' 
ma Villa^ 

(Manuscripto do Archivo) 



Anto «le posKe do Doutor Jo»^ Gregório do .llornoíi \avnrro. 
do I^iiKHi* de Juiz de Fora do Cirel. e Oiiue, o OrpliaouN 
deMta Vílla coui Kcadunçilo de Corregeilor eouio Criador do 
nieNOio Lugar. 

Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesu Christo do mil sete 
centos noventa e nove annos a os quatorzo dias do mez de I)ezeml)i<» 
do dito anno nesta Villa do Taracatu do Principe nos Passos do Con- 
celho onde eu escrivão fui, e bem assim os Juizes Ordinários Cae- 
tano Miguel de Moura, e Francisco Dias Duarte Nóbrega e Povo 
abaixo assignados, e sendo abi também ])resente o dr. José (írego 
rio do Moraes Navarro, apprezentou o Alvará do vinte de Oituliro de 
mil sete centos, o noventa e oito pelo (jual A Rainlia Nossa Seniio- 
ra Ibi sevida erigir o Arraial de Paracatu em \ illi o (|ual \[v;ii;i 
foi logo lido, o publicado : depois apprezentou tamlicm a sua Caita 



348 RKVISTA DO 



pela qual a Mesma Senhora Ibi servida íazer-lhe Mercê do Lugar de 
Juiz de Fora do Civel Crime e Orphaons desta mesma Villa com gra- 
duação de Corregedor que lhe pertence como Criador do dito Lu- 
gar, 6 finalmente a Provisão de vinte de Abril de mil sete centos no- 
venta e nove annos pela q' Sua Magestado foi servida encarregar o 
mesmo Ministra da Criação desta dita Villa, e em cumpiimento de 
tudo tomou o dito Ministro posse do dito Lugar para o servir por 
tempo de três annos ou em quãto Sua Magestade não for servida 
mandar o contrario, e para constar fiz este auto que todos assigna- 
rão e eu Manoel da Costa Cardozo Escrivam do Publico Judicial e 
Nottas que o escrevi. — José Gregório de Moraes Navarro. — Caetano 
Miguel de Moura. —Francisco Dias Duarte. — O Vigr.^^ Ant.o Joaq.-" 
de Sz.* Corr.* e Mello. — Florêncio Guedes P.t" de Sz.» Carvalho. — 
Capp.i" Command.« José Baptista Franco. —Alberto Duarte Ferreira. 

— Manoel José de Olivr.a Guimar.-^ —José Pinto de Queiroz. —Luiz 
José de Carvalho. — António José Pereira.— Manoel José Ferr.<* Sotto. 

— Manoel Rodrigues Cordeiro. — O P.« Manoel da S.» Pereira. —Thomé 
Alves de Araújo. — António da Costa Carlos. —José Guedes da Silva 
Porto. —Domingos José Pim.ei Barbosa. —João de Oliveira Pais. — 
Francisco J a de S. P.'^ S.» Guimar.s . — João Gomes do Rego. — 
José Pereira de Barros. —Manoel Nunes Proença. — Francisco M.e' 
Soares Vianaa.— Manoel Pires Bragança. — António da Costa Pinto. 

— Thomaz Freire de Andrade.— Francisco Xavier da Motta. — Se- 
bastião da S.a Leão. — António de Britto Freire. —Vicente de Almeida 
Leite. — José Corrêa Silva. 



REGISTO DO ALVARÁ' de vinte de Oitubro de mil sete centos no- 
venta e oito pelo qual Sua Magestade foi servida erigir em Villa o 
Arraial do Paracatu, e Crear nella o Lugar de Juiz de Fora, Civil, 
Crime- e Orphaons com os Ordemnados e Emolumentos, q." vence o Juiz 
de Fora de Marianna. 

EU A RAYNHA. Faço saber aos que este meu Alvará virem : que 
sendo-me prezente em Consulta do CoMselho Ultramarino a neces- 
sidade que havia de se erigir em Villa o Arraial do Paracatu, da Co- 
marca do Rio das Velhas, na Capitania de Minas Geraes, e de se 
crear nella o Lugar de Juiz de Fora, tanto pela grade Povoação do 
dito Arraial, e dos Lugares mais próximos, que deverão ficar com- 
prehendidos uo Termo que se lhe assignar, como pela distancia de 
cento, e seis Legoas, em que está da Villa do Sabará que he cabeça 
da Comarca, por cujo motivo sofrem aquelles Povos, gravíssimos 
prejuízos, e damnos irreparáveis, jà pela dificuldade, e demora dos 
seus recursos a o Ouvidor da Comarca, principalmente nos cazos 
que pedem mais promptas providencias ; ja pelos excessivos salários 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 349 



quo lovão os Olílciaes de Justiça da Cabeça da Comarca, que trio 
lonfre são mandados ao dito Arraial em delifíoncias requeridas polas 
partias, ou abem do Meu Real Serviço; Ja tinalmente por falta de liu'a 
boa adiiiinistraçao da Justiça tilo necessária para a tran(iuilidado, 
e so<?urança publica. K conlbrmando-mo com o parecer do mesmo 
Conselho, sendo ouvidos os Dezembargadores, Procuradores da Mi- 
nha Fazenda <• Coroa : Hey por bem erijíir o dito Arraial do Paracatu 
em Villa liberalizando-liie lojío no momento do sua Croação a Merco 
de hum Juiz <le Fora do Civel, Crime, e Orphaons com os Ordemnados 
e emolumentos que vence o Juiz de Fora de Marianna; rejíulados es- 
tes pelo Alvará de Ley de dez de oitubro de mil sete centos sincoenta 
e (|uatro para que na sobredita Villa Novamente erecta se possa ad- 
ministrar a Justiça, e promover o bem commum delia como convém 
ao Serviço de Deus, e Meu : Ordemnando como por este Ordeno, que 
ua publicação deste em diante se denomina Villa de Paracatu do 
Príncipe ; e que tenha e goze de todos os privilégios. Liberdades, 
franquezas, honras, izençoens, de que gozão as outras Villas do mesmo 
Estado do Brazil, e os seus moradores, sem ditVerença algua, por que 
assim he Minha vontade e Mercê. Pelo que: Mando a todos os 
Tribunaes ; ao Governador, e Capitão General da Capitania de Minas 
Geraes, e a todos os Provedores, Corregedores, Ouvidores, e Juizes Olli- 
ciaes de Justiça, ou Fjizenda, e mais pessoas a quem o conhecimento 
deste Alvará pertencei, que o cumprão, e guardem, e lação intei- 
mente cumprir, aguardar, como nelle se contem sem duvida, ou 
embargo algum, não obstante quaesq.f Leys, Ordem naçoens. Regimen- 
tos, Disposiçoens, Doaçoens, Decretos ou Estillos contrários que to- 
tós para este efTeito somente Hey por derrogados, como se de todos, 
e cada hum delles fizesse expressa menção, ficando aliás em seu 
vigor. Ao Dezembargador José Alberto Leitão do Meu Conselho Dez- 
embargador do Passo, e Chanceller Mór do Reino; Ordeno que a faça 
publicar na Chancellaria, e registar em todos os lugares em que se- 
melhantes Alvaraz se costumão registar, e o original se mandará 
para a Torre do Tombo. Dado em Lisboa a os vinte de Oitubro de mil 
setecentos noventa, e oito. Príncipe. 



REGISTO DA CARTA por que Sua Magestade foi servida fazer 
Mercê ao Bacharel José Gregório de Moraes Navarro do Lugar de 
Juiz de Fora desta Villa, como abaixo se declara. 

Dona Maria por Graça de Deus Rainha de Portugal, e dos Algar- 
ves, d'aquem, e d*alem Mar em Aflrica Senhora de Guiné, e da Con- 
quista Navegação, Comercio da Ethiopia, Arábia, Pérsia, e da índia. & 
Faço saber a voz Juiz Vereadores, Procurador, Fidalgos, Cavalleiros, 
Escudeiros, Homens Bons, e Povo da Villa do Paracatu, e a outi-as 
quaesquer Pessoas a que esta Minha Carta for mostrada, e o Conhe- 



350 REVISTA DO 

cimento delia pertencer, que Eu Hei por bem fazer Mercê ao Bacha- 
rel Jozé Gregório de Moraes Navarro, do Lugar de Juiz de Fora des- 
sa Vilhi, para o servir com ííradua(;ão de Correição que lhe pertence 
Como Creador por tempo de tros annos, e o mais que decorrer em- 
quanto Eu não mandar o contrario, o qual elle servirá segundo a 
forma de ]\Iinhas Ordenaçoens, e com elle haverão Ordenado pròes, e 
precalsos que direitamente lhe pertencerem, c por tanto Mando-vos 
lhe deis a posse do dito Lugar, e lhe ohedeçaes, e cumpraes suas Sen- 
tenças, Juízos, e Mandados que elle por bem -do Justiça e meu Ser- 
viço mandar sob as penas que pozer, que serão com effeito execu- 
tadas naquelles que assim o não cumprirem, o nellas incorrerem ; e 
jurará na Chancellaria aos Santos Evangelhos, de que bem e verda- 
deiramente sirva guardando em tudo Meu Serviço, e as Partes seu 
Direito de que se farão os Assentos necessários nas costas desta 
Carta que por firmeza do referido Mandei passar p."^ Mim assignada, 
e Sellada de Meu Sello pendente que se cumprirá como nella se con- 
tem, e remetterá ao ]\Ieu Real Erário huma Certidão da Posse logo 
que a tomar, e outra a Meza do Dezembargo do Passo pena de Sus- 
penção. Pagou de novos Direitos cento vinte nove mil sincoenta e 
nove reis que se carregarão ao Thezoureiro delles no Livro decimo 
quinto da sua receita a folhas cento, c trinta e quatro, do tempo 
que sérvio de Juiz de Fora de Terena e deu fiança no Livro decimo 
terceiro delias apagar do Lugar que vai provido logo que conste 
da sua avaliação, como se vio de hum conhecimento requerido no 
Livro sessenta do Registo Geral a folhas quarenta. Dada em Lisboa 
aos quatro de Março de mil sete centos noventa e nove annos. Prín- 
cipe. Luiz de Vasconcellos, e Sousa — Prezidente, 



REGISTO DE HUMA Provizão pela qual Sua Magestade foi ser- 
vida encarregar ao Doutor José Gregório de Moraes Navarro Creador 
do Lugar de Juiz de Fora desta Villa, da Creação da mesma Villa. 

Dona Maria por Graça de Deus Rainha de Portugal e dos Algarves 
d'aquem, e d'alem Mar em Aílrica Senhora de Guiné etc. Faço saber 
avoz José Gregerio de Moraes Navarro q' tendo-vos nomeado para 
Crear o Lugar de Juiz de Fora da Villa do Paracatu do Principe que 
fui servida erigir no Arraial do Paracatu, e por esperar de voz que 
Me servireis conforme a confiança que do voz tenho. Hey por bem 
encarregar-vos também da Creação da mesma Villa debaixo da di- 
recção do Governador, e Capitão General da Capitania de Minas Ge- 
raes a quem partecipo e Ordeno vos preste totó o auxilio q.^ pre- 
cizares para efToito da Creação da dita Villa, que se regulará confor- 
me ao estabelecimento das outras do mesmo Estado do Brazil cuidando- 



' 1 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 351 

se muito particularmente na construcçíío das Casas da Camará, Ca- 
dòa, Pelourinho, Calsadas Mrnnnunntos,o tudo o mais portoncento a lioa 
OrdíMU, Tolicia o sojíuranga i'ulilica da mesnui \illa, a qual devendo 
ter o seu Termo demarcado na exten(;ão que Ur; fompotir passareis 
logo depois de Eleitos os Olliciaes da Camará a tractar com elles d(í 
comum accordo sobre os limites por onde será mais conveniente fa- 
zer se adita de marcac;ão, que com approvaçào do dito (invoí-nadoí-- 
('apitão (íeneral, será deforma que cm benelicio pul)lico compre» 
henda os Lufíares que ficarem mais próximos a mesma Villa doq.« as 
outras confinantes, que para esse fim serão ouvidas. E eflectuada q." 
seja a deli;rencia e Creagão da dita Villa dareis de tudo conta ao dito 
Governador, e Capitão (íenerul que ma fará prezente pelo Expediente 
do Meu Conselho Ultramarino para que Eu haja de conlirmar, ha" 
vendo-o por bem. Cumpriu assim. 

ARainha Nossa Senhora o mandou por seu especial mandado pelo^ 
IMinistros abaixo assignados do seu Conselho Ultramarino. Matheus 
Rodripues Vianna a fez em Lisboa a vinte sinco de Abril de mil se- 
te centos noventa, e nove annos. O Conselheiro Francisco da Silva 
Corte Real a fez escrever. José SebasbiSo de Sald.* e Oliveira. — Fran" 
cisco da Silva Corto Real. Por immediata Rezolu(;ão de Sua Majres- 
tado de doze de Maio de mil sete centos noventa e oito cm Consulta 
do Conselho Ultramarino. 



AUTO que mandou fazer o Doutor Juiz de Fora Creador deste Lu- 
gar, e Villa para proceder a eleição dos Oíliciaes da Camará. 

Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesu Cristo de mil sete cen- 
tos noventa o nove a os desoito dias do mez de Dezeml)ro do dito 
anno nesta Villa do Paracatu do Príncipe nos Passos do Concelho 
onde eu escrivão fui^ e sendo ahi tão bem prezente o Doutor José 
Gregório de Moraes Navarro Juiz de Fora do Civel, do Crime, e de Or- 
phaons com gi^aduação de Corregedor como Creador do dito Lugar, e 
encarregado também da Creação da mesma Villa mandou deitar pre- 
goens pelos Lugares públicos para que nenhua pessoa de qual quer qua- 
lidade, o condição que seja suborne nem inquiete a eleição dos Offlciaes 
da Camará a quo mandava proceder por virtude da Provizão de vinte 
sinco de Abril do mil sete centos noventa e nove, sendo certo que 
se hade tirar Dovaça de Suborno, e quo aquelles que licarem nella 
comprehcndidos serão castigados com as penas da Ley; e depois des- 
tes prcgoens achando-se juntos em Conselho os homens bons, e Povo 
desta mesma Villa o dito Ministro ll.es disse da parte de Sua Ma- 
gcstade ([ue das Pessoas mais nobres, e da (íovernança da terra votas- 
sem cm seis eleitores dos mais velhos, e zel!o/os do liem publico 
para elegerem os Olliciaes da Camará que hão de principiar a servir 



352 REVISTA DO 



em esta dita Villa do Paracatu do Príncipe, e de tudo para constar 
mandou o dito Ministro fazer este auto que assiginou, e eu Manoel da 
Costa Cardoso Escrivam do Publico Judicial e notas q.« o escrevi. Mo- 
raes. 



AUTO DA DE VACA DE SUBORNO 

Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesu Christo de mil sete cen- 
tos noventa e nove : aos desoito dias do mez de dezembro do dito 
anno nesta Villa do Paracatu do Principe Comarca do Rio das Velhas 
nos Passos do Conselho onde se achava o Doutor Juiz de Fora do Civel, 
do Crime, e de Orphaons, Creador do mesmo Lugar, e Villa José Gre- 
gório de Moraes Navarro comigo Escrivão do seu cargo ao diante no- 
meado para effeito de tirar a Devaça se alguma pessoa subornou a 
eleição dos Eleitores, e Offlciaes da Camará a que se procedeu na 
forma da Ley, e para constar mandou o dito Ministro fazer este 
auto que assignou e eu Manoel da Costa Cardozo escrivão do Publico 
Judicial e Nottas que o escrivi. Moraes. 

Nesta Devaça ninguém sahiu culpado. 



PROCEDENDO-SE A ELEIÇÃO dos Eleitores sahiram eleitos na forma 
da Ley as pessoas seguintes : O Sarg.»» Mor Manoel José de Olivr.» 
Guim,«s O Cap.'" José da Silva Paranhos. O Cap.'" José Pinto de Quei- 
roz. O Sarg.«<> M.' Alberto Duarte Ferr.^^ Francisco Dias Duarte. Ma- 
noel Gonçalves Bragança. Em Camará de 18 de Dezr." de 1799. O Juiz de 
Fora Creador do mesmo Lugar, e Villa José Gregório de Moraes Na- 
varro. 



TERMO DE JURAMENTO AOS ELEITORES 

Aos desoito dias do mez de Dezembro de mil sete centos noventa e 
nove annos nesta Villa do Paracatu do Principe Comarca do Rio das Ve- 
lhas nos Passos do Conselho onde se achava o Doutor José Gregório 
de Moraes Navarro Juiz de Fora Creador do mesmo Lugar e Villa 
para se fazer a eleição dos Offlciaes da Camará, e procedendo-se na 
forma da Ley forão nomeados a mais votos para Eleitores o Sar- 
gento Mor Manoel José de Oliveira Guimaraens, o Capitão José da 
Silva Paranhos, o Capitão José Pinto de Queiroz, o Sargento Mor 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 353 



Alberto Duarte Ferreira, Francisco Dias Duarte, e Manoel Gonçalves 
Hragança, aos quaes o dito Ministro difiriu o, juramento dos Santos 
Evangelhos em um Livro dellos em quo puzerào suas maons direitas 
debaixo do qual lhe encarregou que luossem a eleição do tros Ve- 
readores, e hum Procurador do Conselho das pessoas mais nobres, 
e da Governança desta Villa, ou que seus Pays, e Avôz o houvessem 
sido, e de idade conveniente, e recebido por elles o dito juramento 
assim o prometterilo cumprir, e de tudo par;i constar mandou o 
dito Ministro íazer este termo que assignou com os sobreditos Elei- 
tores, e eu Manoel da Costa Cardozo Escrivão de seu Cargo que o 
escrevi. Moraes. —Manoel José de Oli.^ Guimaraens. - Alberto Duar- 
te Ferreira. — Manoel Gonçalves Bragança. — José Pinto de Queiroz. 
— José da Silva Paranhos. — Francisco Dias Duarte. 



PAUTA DOS OFFICIAES DA CAMARÁ desta Villa quo forão eleitos 
na forma da Ley para servirem desde a publicação desta a hu'anno 
ou em quanto se não mandar o contrario. Vereadores. Manoel José 
de Oli.'' Guimar.s - Francisco Dias Duarte. — José da Silva Para- 
nhos. — Procur.o' da Camr.» Luiz José de Carvalho. — Em Camará de 
18 de Dezr. ^de 1799. O Juiz de Fora Creador deste Lug.-" e V.» José 
Gregório de Moraes Navarro. 



AUTO DE JURAMENTO E POSSE AOS OFFICIAES DA CAMARÁ 

Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesu Christo de mil sete cen- 
tos noventa, e nove aos desoito dias do mez de Dezembro do dito an- 
no nesta Villa do Paracatu do Príncipe nos Passos do Concelho onde 
se achava o Doutor Jozé Gregório de Moraes Navarro, Juiz de Fora do 
Civel Crime, e Orphaons Creador do dito Lugar, e Villa, e sendo ahi 
publicada a pauta dos Olliciaes da Gamara sahirão eleitos para Ve- 
readores o Sargento Mor Manoel José de Oliveira Guimaraens, Fran- 
cisco Dias Duarte, o Capitão José da Silva Paranhos, e para Procura- 
dor da Camará Luiz José de Carvalho os quaes sendo prczentes o dito 
Ministro defirio o juramento dos Santos Evangelhos em hum Livro 
delles em que puzerào suas maons direitas, e lhes encarregou que 
debaixo do mesmo Juramento servissem os ditos Cargos bem e ver- 
dadeiramente em suas consciências sem doUo, nem malicia, guardando 
em tudo o sirviço de Sua Magestade, e o Direito as Partes, e recebido 
por elles o dito juramento assim o prometterão fazer e o dito Mi- 
nistro lhes deo logo posse dos ditos Cargos para os servirem desde o 
ília de hoje a hum anno, ou em quanto se não mandar o contrario, o 



354 REVISTA DO 

do tudo para constar mandou lazer este auto que assignou com os 
ditos Olliciaes da Camará e eu Manoel da Costa Cardozo Escrivão que 
o escrevi. ISIoraes — Manoel Jozé de 01.* Guimaraens — Francisco 
Dias Duarte — José da Silva Paranhos — Luiz José de Carvalho. 

Neste dia desoito de Dezembro de mil sete centos nojenta, o nove 
logo depois da Eleigão dos Oificiaes da Camará se celebrou a Creação 
da Villa com repetidos vivas a Rainha Nossa Senhora, e aos Príncipes 
Nossos Senhores com Salvas Reaes pela Tropa Paga, e Auxiliar, que se 
achava postada defronte das Casas da Camará, e immediatamente 
passarão o dito Ministro a Camará, Nobreza, e Povo com toda a Tro- 
pa Paga, e Auxiliar a Igreja ]\Iatriz a levantar asmaons ao Ceo polo 
beneficio que accabavão de receber. Alli recitou o Reverendo Doutor 
Provizor Vigário Collado da mesma Igreja huma bem elegante Oração 
Gratulatoria : Seguio-se a Expozição do Santíssimo Sacramento, a ce- 
lebração do Divino Sacrificio, e por flm o Te Deum accompanhado 
tudo da melhor muzica do Paiz. 



AUTO DE POSSE E JURA:\íENTO que tomou o Doutor José Gregório 
de Moraes Navarro para servir o Lugar de Provedor das Fazendas dos 
Defuntos, e Auzentes Capellas, e Reziduos desta Villa, e seu Districto 
na Conformidade do Alvará de 27 de Agosto de 1799. 

Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesu Christo de mil e oito 
centos a os quinze dias do moz de Setembro do dito anno nesta Villa 
do Paracatu do Príncipe Comarca do Rio das Velhas nas Cazas da Ca- 
mará da mesma, e bem os Officiaes da Camará desta Villa abaixo as- 
signados, e sendo ahi tão bem prezente o Doutor José Gregório de 
Moraes Navarro Creador da Villa, e do Lugar de Juiz de Fora tomou 
posse, e juramento para servir e crear de novo o Lugar de Provedor 
das Fazendas dos Defuntos e Auzentes Capellas, e Reziduos desta Villa, 
e seu Districto na Conformidade do Alvará de vinte sete de Agosto de 
mil sete centos noventa e nove que apprezentou, e que se mandou 
registar no Livro competente, e de tudo para constar mandarão fa- 
zer este Auto que assignarão o sobredito ]Ministro, Vereadores, e Of- 
ficiaes da Camará, o eu Manoel da Costa Cardozo escrivão da Camará 
q.9 o escrevi, e assignei. José Gregório de Moraes Navarro — José da 
Silva Paranhos — Francisco Dias Duarte — Manoel J.» de 01.» Guima- 
raens — Luiz José de Carvalho — IManoel da Costa Cardozo. 



kÈGISTÕ DO ALVARÁ' de 27 de Agosto de 1799 pelo qual Sua Al- 
teza Real O Príncipe Regente Nosso Senlior foi servido fazer Mercê ao 
Doutor José Gregório de Moraes Navarro Creador desta Villa do Para- 
catu do Príncipe, e do Lugar de Juiz de Fora delia da serventia do 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 355 

Ofticio de Provedor das Fazendas dos Defuntos, e Auzentos Capollas, e 
Reziduos da mesma Villa o seu Districto comu abaixo se declara. 

Eu O Príncipe Regente. Faço saber aos que este Alvará virem que 
havendo erigido em Villa o Arraial do Paracatu fui outro sim servido 
Crear nella luim luiz de Fora que servisse de Provedor dos Defuntos, 
e Auzentes, Cappollas, e Reziduos, separado da Provedoria da Comar- 
ca do Sabara na Conformidade da Minha Kcal Rezoluyão de vinte qua- 
tro de Abril do prozonte anno : K por esperar que o Hacbaiel .losó 
Gregório de Moraes Navarro que fui servido nomear .luiz de Fora da 
dita Villa, e seu Destricto em tudo o de que o encarregar Me servirá 
como convém : Hey p,' bem,e Me praz fazer-llie Merco da Serventia 
do Ofllcio de Provedor das Fazendas dos Defuntos, e Auzentes, Capei- 
las, e Reziduos da dita Villa pelo tc\\:~2^.- Destricto em que servir o 
Lugar de Juiz de Fora (se antes níío mandar o contrario) e com elle 
vença e haja o Ordemnado, Proes, e Precalsos que pelo Regimento 
(que será obrigado ter) lhe pertencerem : Com declaração que na for- 
ma dello não entenderá nas Fazendas dos Defuntos que em seus Tes- 
tamentos as deixarem encarregadas a Feitores, ou Procuradores, ou 
Pessoas nomeadas que estejão nas terras que assim íallecerem, quer 
em parte, donde possão ser chamadas para virem arrecadar, e admi- 
nistrar as ditas fazendas dendro em trinta dias com tanto que os in- 
ventários delias serão feitos pelos Olficiaes dos Defuntos, e Auzentes 
de que não levarão Direitos, nem Ordemnados, e só a os Escrivaens se 
pagarão suas Escripturas : Equanto as Fazendas alhéas, com que os 
Defuntos corrião em suas vidas entenderá ncllas na forma do seuRe- 
gi mento. E de todas as cauzas que no Juizo se moverem pertencen- 
tes a arrecadação das Fazendas dos mesmos Defuntos lhe pertencerá o 
Conhecimento, dando appollação, e aggravo as Partes para a Relação 
respectiva, e por nenhuma via entenderá nas ditas cauzas outro Mi- 
nistro de Justiça, ou Fazenda, que rezida na quella Villa, e sendo cazo 
que os Capilaens Juizes ou outras quaes quer Pessoas se qucirão in- 
trometter ncllas sem haver respeito a Eu lhos prohibir por hum Capi- 
tulo do Regimento,IIey por bem e Mando,' que o mesmo bacharel Joze 
Gregório de Moraes Navarro proceda contra elles por Autos que re- 
metterá ao Meu Tril)unal da Meza da Consciência, o Ordens e paraquo 
isto seja notório se registará este Alvará nos Livros da Camará da 
dita Villa onde haverá posse, e juramento pelos Olliciaes delia para 
q.« bem e verdadeiramente o sirva guardando em tudo Meu Serviço, 
e as Partes seu Direito de que de tudo se fará assento nas costas des- 
te Alvará que sendo passado pela Chancellaria Mór do Reino, e Re- 
gistado no Registo geral das Morcõz se cumprirá e guardará como 
nelli' so contem. E pagou de Novo Direito dous mil e quinhentos reis 
que so carregarão ao Thezoureiro delles no Livro deseseisa folhas se- 
centa e nove como se vio do seu Conhecimento em forma que se 
registou no Livro secenta a folhas cento noventa, e n\nco, c deu Uai)- 



356 REVISTA DO 



ça no Livro sexto a folhas huma a pagar do mais tempo que servir. 
Lisboa vinte sete de Agosto de mil sete centos noventa, e nove. Prín- 
cipe. 



REGISTO DA PROVIZÃO de treze de Agosto de mil sete centos no- 
venta e nove sobre a nomeação dos Offlciaes da Provedoria desta Villa, 
6 Termo como abaixo se declara. 

Dom João por Graça de Deos Príncipe Regente de Portugal, e dos 
Algarves d'aquem, e d'alem Mar em Affrica, e de Guine. Faço saber 
avóz Provedor das Fazendas dos Defuntos, e Auzentes da Villa do Pa- 
racatu do Principe, q.e havendo creado de novo a dita Provedoria pela 
Minha Real Rezolução de vinte quatro de Abril de mil sete centos no- 
venta e nove ficando anexa a o Lugar de Juiz de Fora de que vos fiz 
Mercê. Fui outro sim servido q.» igualmente como nas mais Provedo" 
rias do Ultramar houvessem os Gíílciaes copetentes, e para proceder 
a nomeação delles : Hey por bem m^andeis afflxar Editaes de trinta 
dias para q.e todas as pessoas que pertenderem os Officios de Thezou- 
reiro, Escrivão, Promottor, vos entreguem os seus Requerimetos di- 
rigidos a Mim pelo Meu Tribunal da Meza da Consciência, e Ordens os 
quaes com a vossa informação sobre a idoneidade de cada hum dos 
pertendentes segundo a natureza dos mesmos Offlcios, e com o vosso 
parecer me enviareis em carta serrada pormão do Deputado Escrivão 
da Minha Real Gamara que este subscreveo, e assignou. O Principe 
Nosso Senhor o mandou por seu especial Mandado por Domingos Pires 
Monteiro Bandeira^, e Alexandre Nunes Leal de Gusmão Deputados do 
sobredito Tribunal : Joaquim dos Santos Pinheiro afez em Lixboa a 
treze de Agosto de mil sete centos noventa e nove. Domingos Pires 
Monteiro Bandeira afez escrever. Alexandre Nunes Leal de Gusmão — 
Domingos Pires Montr.» Bandeira. 

Por Rezolução de Sua Magestade de 24 de Abril de 1799 em Con- 
sulta do Tribunal da Meza da Consciência, e Ordens de doze do dito 
mez e anno. 



REGISTO DA PROVIZÃO do Tribunal da Junta da Real Fazenda da 
Capitania de Villa Rica para a Creação dos Offlcios de Justiça q.« fo- 
rem necessários nesta Villa do Paracatú do Principe. 

Dona Maria por Graça de Deos Rainha de Portugal, e dos Algarves 
d'aquem, e d'alem, Már em Aflfrica Senhora de Guiné, e da Conquista 
Navegação Comercio da Ethiopia Arábia, Pérsia e da índia. Faço sa- 
ber a vóz Juiz de Fora da Villa do Paracatú que deveis Crear nessa 
Villa os Offlcios de Justiça que forem necessários abem do Publico 
alem dos que ja se achão Creados, nomeando para a ser ventia delles 
pessoas com toda a intelligencia passando lhe vóz para isso os compe- 



CLÁUDIO MANOEL DA CDSTA 



( NOTICI A BIOGRAPHICA ) 



Todos OS biograpbos deste illustre e desditoso Mineiro accordes 
indicão o dia 6 do junho de 1729 como o do seu nascimento, e c facto 
certo ter sido ello baptisado no dia 29 do mez referido, na Capolla 
de Nossa Senhora da Conceição do Sitio da Vargem do Itacuhuny 
antiga íilial da matriz da cidade de Marianna, então Villa do Ribei- 
rão do Carmo, conforme consta do registro a folhas 110 do 2/ livro 
de assentos dos baptisados da mencionada freguezia do Ribeirão do 
Carmo . 

Onde, porem, o lugar do seu nascimento? 

A este respeito não ha accordo entre os alludidos biograpbos, o 
parece que o próprio poeta, como adianto veremos, não guardou 
perfeita uniformidade nas indicações que nos deixou sobre o assumpto, 
certamente interessante como tudo quanto refere-se a tão glorioso 
filho da Terra Mineira. 

Repetindo uns o que outros disserão, os biograpbos de Cláudio 
Manoel assignão-lho por berço a cidade do Marianna nu, vagamente, 
as margens do Ribeirão do Carmo ; ultimamente, porem, o illustrado 
Dr. Benjamin Franklin Ramiz Galvão (Gazeta de Xoticias de 4 de Abril 
do 1894 e Revista Brasileira do 15 de Abril de 1895\ em escriptoa 
acerca deste notabilissimo poeta, escriptos interessantes como tudo 
quanto sabe de sua penna magistral, examina e discuto a questão 
do lugar cm que nasceu CLiudio Manoel, chegando ás seguintes cou- 
cluzOes : « Cláudio Manoel da Costa não nasceu nas « pittorescas 
margens do Ribeirão do Carmo», como diz Fernandes Pinheiro, nem 
propriamente na cidado de Marianna, como asseverão quasi todos os 
A. P.-12 



374 REVISTA DO 



seus biographos, e entre elles Joaquim Norberto, que foi quem, com 
mais cuidado, investigou as circumstancias relativas á vida deste 
illustre Mineiro. EUe próprio disse no requerimento iniciai de habi- 
litação, e o registro de baptisado o coníirma : nasceu no Sitio da 
Vargem ão Itaculumy, freguezia de Marianna^ sim, mas a uns 12 kilo- 
metros da cidade: bem longe portanto das margens do Ribeirão do Car- 
mo, lá no meio de uma natureza alpestre, a que elle próprio alludio 
naquelle bello soneto 

Destes penhascos fez a natureza 
O berço em que nasci : ohl quem cuidara 
Que entre penhns tjio duras se creâra 
Urna alma terna, um peito sem dureza! » 

Vê-se do exposto que três são as provas offerecidas pelo illustrado 
escriptor para afíirmar o nascimento de Cláudio Manoel no sitio da — 
Vargem do Itaculumy, freguezia de Marianna : — o requerimento inicial 
do próprio Cláudio (para habilitar-se a seguir a carreira sacerdotal, 
projecto que abandonou)-, o registro de baptisado, e, por allusão, o 
formoso quarteto que flca transcripto. 

Seja-nos licito hesitar na acceitação dessas provas, que nos pare- 
cem deficientes nos próprios termos em que se achão concebidas. 

1.* — O que diz a primeira, isto é, o tópico do requerimento appli- 
cavelaocaso? Está assim textualmente redigido: «Diz Cláudio Ma- 
noel da Costa filho legitimo de João Gonçalves da Costa e de Theresa 
Ribeyra de Alvarenga da Vargem do Itacolomi freguezia da S.* de Ma- 
rianna e do mesmo Bispado ...» 

Não ha nenhuma virgulação em todo esse período, e nada se diz 
ahi expressamente sobre natalidade, parecendo antes que se indica a 
Várzea do Itaculumy — como o logar da residência dos pais de Cláudio, 
ou, talvez, o do seu baptismo. Eflfectivamente, este ahi se celebrou. 
2.a — Mag o que diz a registro baptismal sobre a natalidade do 
poeta ? Nada, como se verifica do próprio assentamento : 

«A vinte e nove de Junho de mil e sete centos e vinte e nove, 
na Capella de N. Srã. da Conceição do Sitio da Varge de Itaco- 
lomy desta freg.* de N. Snr.* da Conceição Matriz da Villa do 
Carmo, de licença minha baptisou o P.« M.«i da Silva Lemo? 
Capelão da Capella do Morro de Matacavallos desta frg.» a 
Cláudio filho de João Gonçalves da Costa, e de sua molher 
Tereza Ribr.» desta frg,* : foram padrinhos João Frz.^ de Oli- 
veyra e Anna Ribr.* da Luz mulher de Victorino de Barros da 
frg.a de Guarapiranga, de que fis o assento. (Assignados) : O 
Vigr.o Joseph Simões.-— Manoel da Sylva Lemos. » 
3.^ — A allusão, do quarteto transcripto, « a penhascos de que a 
natureza fez o berço » em que nasceu o celebrado poeta, pode ser 
extensiva a um sitio semelhante, como, por exemplo, Ouro Preto» 
antiga Villa Rica, onde por certo abundão os penhascos. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 375 

Não é simples conjectura ostii supposiçâo, o muito menos liypothese 
de pura fantasia. Ao contrario, nos parece ser bem possível que ella 
trailuza a realidade da cousa, isto é, que — não obstante ter sido 
baptisado na Vargem do liaculumy, sitio pertencente á freguezia do 
Marianna, conforme reza o registro respectivo — Cláudio Manoel da 
Costa nascesse em Viila llica, hoje r)uro I*reto. Appellamos para a 
confissão do próprio poeta nos seguintes versos, os últimos do seu 
poema Villa-Rica : 

« Einliiii sorás canlatla, Vilia-IUca. 
Teu nome impresso tias memorias íica. 
Terás a gloria de ler dado o berço 
A quem le faz girar pelo Univerxn » 

E na dedicatória do mesmo poema, ao 2.* Conde de Bobadella, o 
coronel José António Freire de Andrade, escreveu também: — « Viila 
Rica, minha pátria. » 

Não ha aqui fundamento para Ouro Preto vindicar a gloria de ter 
dado o berço ao seu inolvidável cantor, na própria e bem expressiva 
phrase do poeta? 

E' forçoso registrar, no entanto, que o mesmo Cláudio Manoel 
subscreveu duas vezes outra indicação differente sobre o lugar do 
seu nascimento. No auto de perguntas (lue lhe foi feito na prisão, 
a 2 de Julho de 1789, declarou ser natural da cidade de Marianna 
{Brasil Histórico pelo Dr. A. J. de Mello Moraes, tomo 1 pag. 138), e no 

prologo de suas Obras Poéticas escreveu : « Ribeirão do Carmo, 

rio o mais rico desta Capitania, que corre, e dava o nome à cidade 
de Marianna, minha pátria, quando era viila. » 

Estranhavel incerteza esta da localidade em qu3 nasceu Cláudio 
Manoel, incerteza para a qual, como vimos, elle próprio contribuio! 

Mais dillicil problema histórico é ainda o conhecimento seguro da 
verdadeira causa de sua morte mysteriosa. Diremos também algumas 
palavras a esse respeito, mas è de necessidade que antes disso demos 
noticia, ainda que breve, de sua vida, tão tristemente terminada. 



A' flliação, jâ mencionada, de Cláudio Manoel da Costa, pode se 
accrescentar ter elle tido por avós paternos : António Gonçalves da 
Costa, natural de Souto-Mayor, freguezia de Ribeiradio (Portugal) e 
successivamente alfaiate, lavrador e commerciante de azeite, e Antónia 
Fernandes, natural das Arcas, freguezia de S. Mamede das Talhadas 
(também em Portugal); e por avós maternos Francisco de Barrog 
Freire e Isabel Rodrigues de Alvarenga, ambos Paulistas, e moradores 
na freguezia de Guarapiranga (hoje Piranga). 



376 REVISTA DO 



Desejando seus pais que fosse-llie cultivada a intelligencia, desde 
a infância manifestada de modo sorprebendente, mandarão o joven 
Cláudio para o Rio de Janeiro, onde elle matriculou-se no Collegio dos 
jesuítas. Consta que fez ahi progressos tacs no estudo que em poucos 
annos jcá tinha cabal conhecimento das línguas latina e grega, das 
mathematicas elementares e dos prolegomenos de philosophia, rhe- 
torica e tbeologia ; e que, completado o seu curso de preparatórios 
(dizia-se então — de humanidades), merecera a laurea reservada pelos 
insignes educadores iesuitas aos seus alumnos distinctos — o diploma 
de mestre cm artes. Com cerca de vinte annos de idade partio para 
Portugal, e, na phrase de um seu biographo (cónego Dr. Fernandes 
Pinheiro), sustentou na Universidade de Coimbra a reputação que na 
puerícia conquistara: compulsou com dlurmi atque noctu7-?ia manu os 
monumentos da sciencia jurídica, suavisando sua aridez com o ameno 
trato das musas. Datão dessa época suas primeiras composições poé- 
ticas, vantajosamente apreciadas pelos doutos, nomeadamente — e 
Munusculo Métrico ; o Epicedio, consagrado á memoria de Fr. Gaspar 
da Encarnação ; os Números harmónicos, e o Labyrintho de amor, 
poema publicado em 1753, anno em que o poeta graduou-se em câno- 
nes (^a 19 de Abril). 

Diversos escriptores tem anirniado que, logo após a sua formatura 
em Coimbra, fizera demorada viagem pela Itália. Não parece fundado 
o asserto, sabendo-se (e elle mesmo o diz no «prologo» das suas Oôrrts 
Poéticas) que só por espaço de cinco annos esteve fora da terra 
natal. Explica-se, talvez, o equivoco pelo aprofundado estudo que 
fez o poeta da litteratura italiana, por ter sido admittido (com o 
nome de Glauceste Saturnio) na famosa Academia dos Árcades de 
Roma, e por haver, enlevada a imaginação artística nas leituras de 
Dante e de Potrarcha, se aperfeiçoado tanto na lingua melodiosa 
desses grandes poetas, que escreveu nella muitos sonetos e cantatas, 
« boa poesia e boa linguagem italiana », di-lo o Sr. Varnhageu, com- 
posições estas que se achão nas suas Obras Poéticas, editadas em Coim- 
bra em 1768. 

Tornando ao Brasil, estabeleceu escriptorio de advogado em Ma- 
rianna e em Villa Rica, successiva ou simultaneamente. 

Vem de molde rectificar aqui novo engano de alguns biographos de 
Cláudio ]Manoe], o Sr. conselheiro João Manoel Pereira da Silva, e 
outros. 

Segundo elles, só em 17G5 regressou o poeta de Portugal. Já o 
Sr. Dr. Benjamin F. Ramiz Galvão assignalou o erro (Revista Brasi- 
letni cit.), dizendo que vira carta autographa do Cláudio, no cartori- 
episcopal de Marianna, provando que em 1761 era elle advogado em 
Minas. Temos á vista outro documento, não menos concludente, pa- 
tenteando que já em dezembro do 1758 o Dr. Cláudio residia em Ouro 



ARCHIVO rUlíLICO MINEinO S7' 



Preto- Damol-o abaixo na intefçra (*), não só para clucidar-so <le vez 
este ponto, sinfío tamboni para ficar dcvidamento assi^^nalada nma 
outra face de talento de Cláudio Manoel, sentindo não termos ainda 
encontrado a «a carta toporjraphica de Yilla Rica e seu termo» por 
elle ela])orada e de que trata o documento, trabalho considerável cer- 
tamente o quo jamais vimos figurar no seu espolio intellcctual. 



(*) —Eis o documento, que pertence ao Archivo Publico Mineiro, reproduzi- 
do por copia com a própria orlhographia do original: 

« Srs do Sennado 

Diz o Rach.ei Cláudio M.ei da Costa que elle tom cumprido com a incum- 
bência quo V.n" lho derSo de ordenar hua Carla Thopiío^niflca desta V.a e Sou 
lermo, p.^ qual o dr. Corrcg.'- desta Comarca loi servido ;iri»ilrar cm premio 
raeya Livra de ouro, como Se aclia llefjistado com a sua Carla de Ileccomcnda- 
ção e como ao Sup.» se lhe deve a Satisfaçfio do d.» premio 

p a \ .ras Sejilo Servidos 
mandar se lhe passe m.-i^^ 
pela q.<a Ucfcrida. 
ER.M. 

Responda o Thes.» deste Sennado.— 
V.» Uicaem Cmr.» 3 de Dez." de 17.'.3— 
Per.t Magz. —Vassens. de Sonza, 



Sr.s do Sennado 
Deferminarno Vm.ces q. o Sups fizecc hua Carta Thophograflca desta V.* e 
Seu termo por ordem q. mandou a este Sennado o D.' Corregedor em observân- 
cia do aviío q. teve do Vise Rey deste estado cuja Carta se acha neste Sennado 
Registada no L.o delles a n. e na mesma abritrado d premio de Sosenta e Coa- 
tro oytavasde ouro e Como o Sup.e tem satisfeito Com a fatura da d.-^ Carta a 
n. e Se Remeteo ao d.o Dr. Corregedor, e parece esta nos termos de se lhe de- 
ferir porem Vm.cesmandarilo o que forem servidos. V.a Rica a SO de Dez.bro de 
1758. 

OP.dor da Camará 
F.an cisco .Y.-- de Souza. 



Passe mand.* juntar as Cartasde Arbilramento. Se passe mandado,— V.» 
Rica 30 de Dez.bro de 1758.— Per. a Mags.— Vas.o de Souza. 

O Juiz Presid.8 Vereador e Procd.or do Sennado que Servimos o prcs. anuo 
por Elieiçiío &. 

Mandamos ao Thes.o actual deste Sennado Domineos í'ernandcs Soulo quo 
visto este nosso mandado inio primevro por ni')3 asignado e em seu cumpri- 
mento papue aoDoutcr Cláudio -^banoci da Costa a quantia de meya f.hra de 
Ouro procedida da Incumbência que se lhe deu de fazer a Carla Tliopbogranca 



378 REVISTA DO 

Na profissão a que dedicou-se adquirio vasta clienteila e conceito 
honrosissimo, pela proficiência e 'probidade com que a exercia. Con- 
sideravão-n'o e estimavão-n'o os próprios Governadores da Capitania, 
que por vezes recorrerão ás suas luzes consultando-o sobre assumptos 
importantes, antes mesmo de ser-lhe conferida a nomeação de secre- 
tario do Governo, que obteve do capitão-general Gomes Freire de 
Andrade, Conde de Bobadella, por provisão de 15 de Junho de 1762. 
Nesse caracter accompanhou o governador Luiz Diogo Lobo da Silva 
na sua excursão pelo sul de Minas, « em viagem dilatada e aspérri- 
ma por mais de 400 léguas em visita da Capitania sobre a costa de 
S. Paulo », como elle mesmo nos informa em uma das notas de seu 
poema Yilla Rica. 



desta V.a e Seo tr.o para Se Uemeter ao llí.mo e Ex.-io Sr. A'isse Hey do Estado 
por ordem que veyo ao Doutor Corregedor desta Comarca a qual Se actia Resis- 
tada e Se juntão as cartas do d." Corregedor e arbitrameu lo do mesmo da dita 
quantia de meya Livra de ouro a com quitação paçada p ello escrivão deste Sen- 
nado e a Signada pello dito Doutor da Costa lhe Serei Levado em conta ao dito 
Tties.u nas que der neste Sennadoa que nas que der neste Sennado, o que cum- 
pra e ai não faça dado em Camr.a aos 30 de Dez.bro de 1758 e eu Jozé Autooio 
Ribeyro Guimarães, escrivão da Camr.a que o escrevy. 
Per. a Vasco. n — Mag.as de Souza. 



Diz o Bach.ei Cláudio !\l.ei da Cosia qiic elle alcançou dos Antecissores de 
Vms. o mand.o juncto p.a haver ahi o premio que lhe foi promeltido pela fa- 
ctura de hua Carta Thopografica, e que Satisfez, como consta da Resposta do 
Proc.dor e porque p.a, Legitima do documen.to precisa o Sup.e que V.ms o 
mandem cumprir 

P. aV.ras Sejâo Servidos 
assim o mandar. 

E R iM.oe 



Cumpra-se o mand.o dando quitação ao Receber da. quantia. V.a Rica em 
Camr.a 17 de Janeiro de llb'ò.—Mag.<'^ de. Souza.— Ag ui liar. 



Confeça perante mim o Doutor Cláudio Manoel da Costa liaver recebido do 
Thesoureyro actual deste Sennado a quantia de meya Libra de Ouro procedida 
daque Consta o Requerimento e mandado junto, procedida da incumbência que 
Se lhe deo de fazer a Carta Tbopograpbica desta V.* Rica e Seo termo, e de 
como Recebeo a dita quantia da mão do dito Thesoureyro actual o Alferes An- 
tónio Ferreyra da Silva lhe passa esta quitação paçada por mim escrivão e a 
Signada pello dito Doutor da Costa, e a dita quantia Se levará em Cnnta ao 
dito Thisoureiro nas que der neste Sennado e forão lesteniuiihas os abaixo a 
Signados, eu José António Rioeiro Guimarães, escrivão da Camará que o escrevy 
a Siguei.— José António Rib." {^,Xi\m.".— Cláudio Manoel da Costa. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 379 



Em Setonibro de 1765 deixou o cargo reatando a actividade forense, 
mas a O do Abril de 1769 tornou a elle, a convite do governador Con- 
de de Valladares, parecendo que permaneceu no emprego até 1773 e 
que d'entâo em diante não mais interrompeu os seus estudos jurí- 
dicos e lides de advocacia, não obstante manter relações amistosas 
com outros capitães generaes, dos quo succe lerão áquellos, particu- 
larmente com D. António de Noronha e com D. Rodrigo José de Me- 
nezes, de quem mereceu muitos signaes de estima e apreço, e a 
quem por sua parte considerava altamente, louvando-os e dedican- 
do-lhes muitas composi(,-ões poéticas, sò lia pouco (1895) publicadas na 
Revista Brazileira pelo illustrado sr. Dr. Ramiz Galvão, em seguida á 
interessante noticia que ali consagrou ao poeta. 

Não absorvião as occupações forenses e trabalhos burocráticos todo 
o potente esforço mental do Cláudio Manoel. Nos lazeres da advocacia 
ou do cargo administrativo quo durante annos occupou, cultivava as 
lettras, vocação ou consol ição dilecta de seu espirito, ora curando 
de estudos scientiticos, como no commentario infelizmente perdido do 
Tratado da riqueza das nações, de Adão Smith, cabendo-lhe a gloria 
de ser quem, em lingua portugue/.a, primeiro escreveu acerca da 
economia politica, sciencia então nascente ; ora continuando a votar 
às musas os primores de sua imaginação pujante. Pertencem a este 
género de lucubrações muitos dos seus magniíicos sonetos — espécie 
poética em que já anteriormente accentuára-se de modo admirável o 
seu engenho perigrino, em producções das mais perfeitas quo se co- 
nhecem em lingua portugueza — outras muitas inspiradas poesias avul- 
sas e o poema — Villa Rica, commomorativo da fundação da capital 
de Minas-Geraes, ornado de bellas descripções e de episódios interes- 
santes, e precedido e accompanhado de um fundamento histórico e de 
notas explicativas, que são subsídios preciosos para o estudo dos pri- 
meiros tempos do nossa historia mineira (*). Foi primitivamente pu- 
blicado este trabalho em prosa como « memoria histórica » na revista 
íiuminense O Patriota, em 1813. 

Era Ouro Preto, a celebrada Villa Rica na época a que alludi- 
mos, como que uma nova Arcádia, sede fulgente da chamada e gloriosa 
«Escola Mineira», que foi também, com o culto das lettras, fecundo 



(•)— Presume-se com bons fundamentos haverem desapparecido muitas das 
composiçôe.s inéditas de Cláudio Manoel, inclusive importantes trabalhos em 
prosa noticiados no Plu'arco Brnzileiro do sr. conselheiro Pereirada Silva. Em 
1895 o Sr. Dr. R.imiz (íalvao deu à lume na Revista Brazileira numerosas poe- 
sias (lo Dr. Clauiiio alè então ineílitas e que, felizmente, forao parar-lhe ás mãos. 
Também o poema Villa Rica só ficou impresso era 1841, em Ouro Preto, graças 
á solicitude es<;larecida e desinteressada do liMado e distincto Mineiro senador 
José Pedro Dias de Carvalho, nesse tempo redactor do Universal e proprietário 
da respectiva typographia. onde se fez a edição, até agora a única que existe do 
poema. 



980 REVISTA DO 



manancial de aspirações patrióticas, auspiciosissimas para a liberda- 
de e independência nacional. Não poucos orão os poetas, e poetas 
laureados, que ali convivido na fraternidade dos mesmos nobres sen- 
timentos o dos mesmos generosos ideaes, ou que iíLo baurir ali ensi- 
namentos e inspirações. Thomaz Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Cláu- 
dio Manoel estavão na primeira plana, e Cláudio talvez acima de to- 
dos, pela solidez e extensão de seus conhecimentos litterarios e sci- 
entilicos. O próprio Gonzaga, trovador melodioso de lyras inimitá- 
veis, prestava-lhe homenagem como a um mestre venerável. No pro- 
cesso da Inconfidência ficou consignada essa circumstancia, nova 
laurea para o nome de Glauceste Saturnio. 

Litteratos distinctos, como Joaquim Manoel de Macedo, Pereira da 
Silva, Varnhagen, Fernandes Pinheiro, Sylvio Roméro, Teixeira de 
Mello, Ramiz GalvSo, e outros, no Brasil ; criticos estrangeiros da es- 
tatura de Ferdinand Dénis, Chai^es Ribeyrolles, Sismondi e Innocencio 
da Silva, todos accordes reconhecem e exaltão os méritos de Cláudio 
Manoel da Costa, considerando-o como um dos mais notáveis poetas 
americanos ; e a Academia Real das Sciencias de Lisboa prestou-lhe 
preito honrosissimo, recommendando-o como clássico, acto aliás de 
stricta justiça litteraria, pois que elle primava igualmente pela pu- 
reza e elegância da forma e estylo correcto e castigado. 

Eis aqui, na ordem chronologica das respectivas publicações, as 
obras poéticas de Cláudio Manoel da Costa, entre as quaes não inclui- 
mos as famosas Cartas Chilenas por não estar plenamente provada a 
auctoria delias, aftribuida por alguns escriptores a Cláudio, por outros 
a Gonzaga ou a Alvarenga Peixoto : 

— Muniísculo métrico, romance heróico. — Coimbra, 1751. 

— EjncecUo, consagrado à memoria de Fr. Gaspar da Encarnação, 

— Coimbra, 1753. 

— Labyrintho de amor, poema. — Coimbra, 1753. 

— Numerosos harmónicos. — Coimbra, 1753. 

— Oljras poéticas. — Coimbra, 1768. 

— Villa Rica, poema.— Ouro Preto, 1841. 

— Poesias diversas. Na Revista- Brazileíra (Rio de Janeiro — 1895). 

Deve-se ao illustre sr. dr. Benjamin Franklin Ramiz Galvão a pu- 
blicação destas ultimas composições, que elle pôde obter de um dos 
sócios do Club Cláudio Manoel da Costa, em Marianna, â cuja biblio- 
theca forão ellas oflferecidas pelo distincto Dr. Joaquim Vieira de 
Andrade, n'um códice in-4.° de 1 fl. inn.— 51 ff/num. Mais de um sé- 
culo conservou-se inédito o precioso manuscripto ! E quantos outros, 
da mesma penna inspirada, não terão para sempre desapparecido !... 



Acabava o poeta de completar (a 6 de junho de 1789) sessenta annos 
de idade, já começando a velhice a curvar-lhe a fronte serena de 



ARCniVO PUBLTCO >nN'ElHO 9fll 



pensador, quando— predestinado a unia morte trágica procedida do 
amarguras afílictivas— vio-se de chofre envolvido na execravel de- 
vassa aberla e na porsep:ui(;ilo movida contra os patriotas da cha- 
mada Inconfidência Mineira. Por igual motivo tinhfio jà dosapparo- 
cido nos antros das masmorras muitos do seus amigos, o entro ollcs 
Gonzaga, em cuja intimidado aprazia-so. Foi por sua vez levado ao 
callabouço como réo de lesa-mag estada, isto é, por haver co-parti- 
Ihado a nobilíssima aspiraçflo da liberdade e independência da terra 
natal, desde tanto tempo aviltada sob o mais despótico jugo, o ainda 
por ser n'aquello glorioso momento histórico uma das garantias da 
suspirada regoneraçílo dopaiz, tala conhecida integridade de seu ca- 
racter, tal a capacidade de seu espirito superior, talvez o mais in- 
struido da Capitania. 

Nfio ficou ])em averiguada no famoso processo qual a parte quo 
eílectivamente coube a Cláudio Manoel no plano da grandiosa re- 
volta, apezar das alllrmações quo se contém a seu respeito na sen- 
tença da alçada. Ha evidentemente na resenha dos factos devassados 
lacunas e obscuridades com relação a quasi todos os conspiradores. 
Pelo que se ha apurado histórica o judicialmente, si o Dr. Cláudio 
não destaca-se entre os demais vultos da heróica tentativa com o fer- 
vor heróico doTiradentcs ou ainda pela iniciativa deste, assignala-so to- 
davia por seu assentimento implícito senão explicito á ideia, augmen- 
tando de^de logo tal concurso a coníiança no êxito do movimento. 
E era voz corrente entre inconfidentes que Cláudio Manoel seria o 
legislador da projectada Republica. Nem se comprohendcria que fosse 
bem concebido o ingente tentamen sem a crença de que não lhe falta- 
ria o concurso decidido do eminente Mineiro. 

A 2 de julho de 1789 soffreu interrogatório severo, preludio som- 
brio de justiça sinistra. Nessa imminencia de tempestade implacável, 
vierão-lho por ventura á lembrança os versos conceituosos e, na hy- 
pothese, quasi propheticos do seu tantas vezes apreciado soneto que 
diz assim : 

Aquelle, que enfermou de desgraçado, 
Não espere encontrar ventura alguma : 
Que o cóu ninguém consente que presuma, 
Que possa dominar seu duro fado. 

Por mais que gire o espirito cançado 
Atraz de algum prazer, por mais, em summa, 
Que porfie, trabalhe, e se consuma, 
Mudança não verá do triste estado. 

Não basta algum valor, arte ou engenho 
A suspender o ardor, com que se move 
A infausta roda do fatal despenho. 



382 REVISTA DO 



E bem que o peito humano as forças prove, 
Que ha de fazer o temerário empenho, 
Onde o raio é do céu, a mão de Jove ? 

O auto d'aquelle interrogatório (*) representa Cláudio Manoel tran- 
sido de pavor, humilde, deprimido, negando trepidamente qualquer 
co-participação nos factos em que o declaravão envolvido, conside- 
rando-os até com horror, como meros phantasmas ou fabulas de rea- 
lização impossível, e, no entanto, insinuando ao mesmo tempo a cul- 
pabilidade de outros, inclusive Thomaz Gonzaga, seu coUega e intimo 
amigo Mas semelhante versão ofíicial, que, si fora verídica, denun- 
ciaria desde logo, mais que fraqueza e perversão moral, manifesto 
desvario mental do interrogado, deriva-se inteira do alludido auto 
de perguntas, que precedeu apenas de dois dias ao de corpo de de- 
licio e exame no cadáver do suicida Dr. Cláudio Manoel da Costa (4 
de julho de 1789), De algum modo se completão e mn pelo outro se 
explica. Provada a verdade do segundo, moralmente demonstra-se a 
do primeiro; do mesmo modo, não se justificando a versão official 
da morte voluntária do poeta— mcon/írfewte, sobre os seus verdugos 
recahirà inteira, com a responsabilidade do covarde e atrocíssimo as- 
sassinato, a infâmia resultante das respostas e attitude que lhe attri- 
buirão por occasião do interrogatório. 



(*) — Sobre o valor jdndico e moral deste auto — base da versão official do 
suicídio de Cláudio Manoel— occorre o seguinte: Achase appenso aos interroga 
tórios feitos a Tiradentes e outros inconfidentes urn documento (examinado e 
citado peio sr. dr. Teixeira de Mello, que garante-lhe a autheuticidade— .4 /inaes 
da Biblio*heca Nacional 1." vol. pag. 384), escripto do punho do desembargador 
José Pedro Machado Cot^lho Torres, juiz nomeado pelo vice-rei Luiz de Vascon- 
cellos para a devassa de 1789 em Minas-G^raes, o qual, depois de fallar de outros 
conjurados, diz o seguinte acerca de Cláudio Manoel:— «: O dr. Cláudio Manoel 
da Costa era o sujeito em casa de quem se tratou de algumas cousas respeitan- 
tes á sublevação, uma das quaes foi a respeito da bandeira e algumas determi- 
nações do modo dj se reg^r a Republica: o sócio vigário da villa de S. José é 
quem declara nas perguntas formalinente; o mais, que ha fora disto, são indícios 
e ditos de ouvida: mas estéreo tendo sido principiado a ser perguntado pelo Ou- 
vidor de Villa Rica, ia declarando algumas cousas, dizendo que as conversações 
erão do que podia fazer-se e não deliberadas que se fizessem, e logo se enfor. 
cou a si mesmo na prisão, ficando as perguntas injuridicas por falta de as- 
sistência de tabellião, e sem juramento quanto a 3.': quando cheguei a Minas 
já isto tinha succedido, e fiz que se acautelasse a respeito dos mais pondo as 
perguntas jurídicas e validas. » 

E' extraordinário e notável que exactamente ao auto de perguntasde Cláudio 
Manoel— entre tantos do inquisitorial processo da InconQdencia— se procedesse 
f.em as formalidades legaes e assim, no conceito do próprio juiz da devassa, 
ficasse sem valor jurídico, ao que, na hypothese, bem se pode accrescentar— e 
também sem valor moral. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 383 

Dosto acto já summariãmos o essencial da versão offlcial : cumpro 
que procedamos com referencia ao auto de corpo de delicto e exame 
cadavérico com alguma minúcia, e, tambcm de inteiro accordo com 
a versão olllcial, attm do bem esclarecer-so o commcntario que esta 
naturalmente provoca. 

Eis os íactos quaes relata-os o processo: 

Na manhã de 4 de julho de 1789, na prisão em que se achava como 
oiinspirador politico, em Villa Rica, prisão preparada na Casa do Real 
Contracto de entradas (depois chamada Casa dos Contos) e então pro- 
priedade do contractador João Rodri^rues de Macedo, é encontrado 
morto o advoírado Dr. Cláudio Manoel da Costa. Pendia o cadáver 
de uma li}ía ou cadarço atado a uma espécie de armário que não ha- 
vião removido do lugar, ás pressas transformado em callabouço por 
ordem do governador Visconde de Barbacena. Comparecendo logo o 
desembargador Pedro Josó Araújo de Saldanha e o doutor José Caeta- 
no César Maniti, aceompanhados deum tabellião e do escrivão da Ou- 
vidoria, foi delerido juramento aos cirurgiões Caetano José Cardoso e 
Manoel Fernandes Santiago, lavrou a justiça auto de corpo de de- 
licto e exame, mandando depois sepultar o cadáver em cbão profano, 
sem as formalidades religiosas... Onde a sepultura — é também até 
hoje enigma histórico. 

Desse auto consta o seguinte : « Achou-se de pé, encostado a uma 
prateleira, com um joelho firme em uma taboa delia e o braço di- 
reito fazendo força em outra taboa, na qual se achava passada em 
torno uma liga de cadarso encarnado, atada á dita taboa e a outra 
ponta com uma laçada e no corrediço deitado ao pescoço do dito 
cadáver, que o tinha esganado e suíTocado, por lhe haver inteira- 
mente impedido a respiração por eflfeito do grande aperto que lhe 
fez com a força e gravidade do corpo na parte superior do larynge, 
onde se divisava do lado direito uma pequena contusão que mos- 
trava ser feita com o mesmo laço quando correu; e examinado mais 
todo o corpo pelos referidos cirurgiões, em todo elle se não achou 
ferida, nódoa ou contusão alguma; assentando uniformemente que a 
morte do referido dr. Cláudio Manoel da Costa só fora procedida 
d'aquelle mesmo laço o suffocação, enforcando-se voluntariamente por 
suas mãos, como denotava a tigura e posição em que o dito cadáver 
se achava. » (Devassa de Minas-Geraes — appenso n. 4). 



Tratava-se em verdade de um suicídio, como peremptoriamente 
se afflrma no auto, ou era o caso um assassinato mysterioso e atroz, 
perpetrado por siu/gestão ou ordem superior?... 

E' este um dos pontos ainda não plenamente elucidados de nossa 
historia. Consideremol-o, ainda que succintamente, á luz de parece- 



?>84 REVISTA DO 



res e opiniões do escriptores insuspeitos, o da tradição popular que 
se tem perpetuado até os nossos dias, tradição que remonta ao tempo 
mesmo da morte de Cláudio Manoel e nos diz não ter sido ella de- 
terminada por suicidio, conforme o texto do auto judicial referido, 
mas por assassinato premeditado o commettido, de ordem sui^erior, 
por dois soldados que suffocarão o preso no segredo em que fora elle 
mettido, espalliando-se em seguida o boato do suicidio. 

Os redactores do Almaiiah da provinda de Minas-Geraea, em 1SG4, 
declararão que nesse anno ainda havia em Ouro Preto muitas pes- 
soas que isso afflrmavão por o terem ouvido aos coevos de Cláudio. 

O eximio litterato fluminense cónego Januário da Cunha Barbosa, 
no seu Pamazo Brazileiro escripto de 1829 — 1830, referindo-se a 
Cláudio Manoel da Costa, diz : «Ha quem diga que os seus dias forão 
abreviados com violência, porque Cláudio Manoel em sua oppres- 
são clamava contra a injustiça e ameaçava os seus calumni- 
adores; mas quem pode penetrar os arcanos dos seus rancorosos per- 
seguidores e em tempo de tanto horror I » 

Vacilla o erudito Visconde de Porto Seguro em se pronunciar de- 
cisivamente a respeito. Na introducção do seu Florilégio escreveu : 
«Matou-se no cárcere, enforcando-se com uma liga.» E' a versão 
olíicial, em geral adoptada por escriptores nacionaes e estrangeiros, 
quasi sempre desprovidos de elementos para a contradicta. Mas, no 
mesmo livro (pag. 240), Porto Seguro escreve por outro modo: « Na 
cadeia de Villa Rica foi assassinado com veneno, ou talvez assassi- 
nou-o o seu gentio concentrado», E' a vacillação a que acima alludi- 
mos. 

No seu Resume de Vhistoire litteraire du Portugal et dic Brésil, 
Ferdinand Denis, referindo que Cláudio Manoel foi encontrado mor- 
to em sua prisão, accrescenta que « tal morte não a attril)uirão geral- 
mente a um suicidio». 

Charles Ribeyrolles (Le Brésil Pittoresque), conquanto aceite a ver- 
são do suicidio, observa: «...grand avait été Vemotion du peuplô d 
la nouvelle de cette 7nort, filie de Vombre, oeuvre de la nuit. II ne vou- 
lait pas cr oire au suicide et d'aucuns disaient qu'on avait redoutê la 
parole de Cláudio, V avocai puissant, le poete aimé». 

Vamos agora resumir quanto a este respeito investigou sagazmen- 
te e escreveu com inexcedivel lucidez o distincto litterato Sr. Dr. 
José Alexandre Teixeira de Mello, justificando a sua opinião de que 
Cláudio Manoel da Costa fora assassinado. Acha-se esse interessan- 
te estudo no 2'. vol. dos Annaes da Bibliotheca Nacional, e não repro- 
duzimol-o na integra, com a devida vénia de seu illustrado auctor, 
pelo limitado espaço a que nos devemos circumscrever neste traba- 
lho. 

Começa o Sr. Dr. Teixeira de Mello transcrevendo o seguinte ar- 
tigo do Dr. Miguel António Heredia de Sá, redactor da Gazeta de 
Campos^ e inserto nessa folha, n. 76 de 21 de Dezembro de 187f3: 



AUCHIVO PUBLICO MINEIRO 385 



>#^i^^^M#artMM^««^^ 



« Cláudio Manoel, diz o Dr. Herodia, tem sido calumniado pelos os- 
criptores. Cláudio Manoel não commotteu o crime, como elles di- 
zem, de suicidar-se; sua alma ora muito grande e nobre para prati- 
car semelhante cobardia. Cláudio Manoel íbi assassinado na cadeia, 
sabcmol-o do Ibnte limpa e por testemunho insuspeito. 

«Em companhia d'el-rei D. João VI emigrou para o Brazil um illus- 
tre c velho íidalgo portuguez, morgado de Sá, chamado Francisco Joa- 
quim Moreira de Sã. Esse lidalgo tinha uma grande fazenda em Minas, 
no logar intitulado Santo António do Rio Abaixo. Uma vez chegado 
ao Hrazil, em vez de, como outros muitos, constituir-se pensionista 
do rei, tratou de retirar-se para là. Era muito inlluento no Paço, 
parente próximo do ministro; foi altamente recommendado para Mi- 
nas. Em consequência disso a sua casa tornou-so o ponto de re- 
união da í-Z/íe e melhor sociedade mineira. Um dos que mais a fre- 
quentavão era um cirurgião conliecido pelo alcunlia de Paracatn. 
Todos o suppunhão Brazileiro nato; nascera em Portugal. Vo\ con- 
vidado para a Incoa /idencia; nCio entrou porem na conjuração. Quan- 
do Cláudio Manoel apparereu morto, foi incumbido de fazer o corpo 
do delicto. Fel-o conscienciosamente, declarando que Cláudio Manoel 
não se tinha suicidado, mas sim que havia sido assassinado. No dia 
seguinte foi procurado pelo ajudante de ordens do general, o qual 
lhe disse que íizesse novo corpo de delicto, pois aquelle outro havia 
sido inutilisado por uma criança que lho derramara em cima um 
tinteiro, e aconselhou-o que o fizess« por outro teor. O cirurgião 
Paracatú seguio o salutar conselho: fez novo corpo de delicto delarando 
que Cláudio Manoel se tinha suicidado. 

« Isto contou Paracatú em contidencia ao seu amigo Francisco Joa- 
quim Moreira de Sá em presença da íllha do mesmo, senhora respei* 
tabilissima, tão conhecida quanto venerada em Campos. Esta senho- 
ra fo i quem nos narrou o facto, e, si a memoria não nos trahe, tam- 
bém o referio, o por diversas vezes, ao Sr Dr. António Secioso Mo- 
reiri de Sá.— O Sr Dr. Teixeira de Mello, que é de Campos, deva 
conhecer perfeitamente bem de tradição o nomo venerando da vir- 
tuosa fallecida Sra. D. Maria do Carmo Moreira de Sá, e não pode 
ignorar que, quando essa senhora asseverava um facto, era inques- 
tionável, porque pela sua bocca fallava a própria verdade. Conse- 
guintemen to, acreditamos que dará algum peso á revelação que aca- 
bamos de lhe fazer, e com tanta mais razão nutrimos essa crença 
quanto as circumstancias da morte de Cláudio Manoel, narradas 
por esses mesmos que com tanta injustiça o acoimão de suicida, le- 
vão os homens desprevenidos a supporem ter sido ella antes devida 
a um assassinato do que a um suicídio». 

A este valiosíssimo depoimento, que trouxe muita lux para a ques- 
tão, accrescenta o Sr. Dr Teixeira de Mello: « E' na verdade do 
muita ponderação para nós esse testemunho. Foi sempre distingui- 
da com a maior veneração pelos Campistas a digna matrona, a quem 



386 REVISTA DO 



se refere o Sr. Dr. Heredia de Sá e que era sua míle. Merecedora de 
toda a nossa fé é a exposição que ella fez desse facto, pois sempre 
de criança a respeitámos pelas suas virtudes e não vulgar cultura de 
espirito. Appellando nós também para a reminiscência do probo e 
illustrado Sr. Dr. Secioso, sobrinho da fallecida e criado de pequeno 
em sua casa, confirmou-nos elle a asserção e accrescentou que mes- 
mo lhe parecia, tanto quanto se pode recordar, pois era nessa época 
muito criança, ter ouvido de sua respeitável. tia que o poeta do Ri- 
beirão do Carmo morrera envenenado, o que está de accordo com as 
primeiras suspeitas do Sr. Visconde de Porto Seguro, com a asseve- 
ração do cónego Januário e a versão admittida pelo Sr. Ferdinand 
Denis. Em verdade, a soffreguidão e excesso de zelo com que nos do- 
cumentos por nós consultados se procura deixar fora de duvida que 
o poeta se suicidara, logo se enforcara a si mesmo, causão extranbeza 
e fazem pairar sobre o animo do leitor a ideia sinistra de que a ver- 
dade histórica foi nesse particular sacriticada. Ainda encontra essa 
ideia outra razão de ser, por ventura mais forte, na consideração 
de que o depoimento que delle existe, ou lhe fora arrancado ou fora 
adrede forjado para em seu nome culparem os outros implicados no 
levante ou extorquirem-lhe com mais segurança confissões que não 
devião ou não tinhão querido até então fazer. Pela leitura das pe- 
ças do processo se veriíica que não houve meios, argucias, tricas ( si 
nos permittem a expressão ), de que os juizes não lançassem mão nos 
enfadonhos e successivos interrogatórios, quasi inquisitoriaes, para en- 
redarem os implicados e deixarem bem patente a sua complicidade no 
levante intentado. A retractação, najverdade degradante, com que o 
misero inconfidente termina o seu depoimento, torna-se para nós sus- 
peita, p ns não se coaduna ella com o seu caracter, que se mostrara 
sempre nobre e elevado, nem tem tão pouco filiação nos precedentes 
actos de sua vida. Quem nos diz a nós que a sua morte, isto é, o seu 
silencio absoluto, não seria indispensável, porque, em segundo interro- 
gatório não esperavão que as suas respostas fossem rectificadas ? Por- 
que não fora elle interrogado com as formalidades da lei, como o ti- 
nhão sido todos os mais, de modo que ficou o seu depoimento inju- 
ridico, e portanto nullo, como o declara o próprio desembargador 

Coelho Torres nas suas informações] ao vice-reij— A nossa 

opinião individual, pois, é que Cláudio Manoel da Costa fora assas- 
sinado, emquanto provas em contrario não vierem demonstrar que 
estamos em erro». 

No jornal O Globo, ( dirigido no Rio de Janeiro pelo egrégio jorna- 
lista sr. Quintino Bocayuva ), de 7 e 13 de Março de 1877, o Dr. Mello Mo- 
raes, aliás guiado apenas pelas próprias conjecturas e sem nenhum ar- 
gumento decisivo, oppoz-se á opinião do Sr. Dr. Teixeira de Mello e 
pronunciou-se pela versão do suicidio. Mas foi-lhe por tríplice motivo 
desvantajoso intervir na discussão : 1." .— Porque, apezar de velho e 
ilustrado escriptor, especialmente dedicado a pesquisas da nossa his- 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 887 



toria, mostrou-se t5o pouco seguro na da inconfidência Mineira quo 
escreveu este período anaclirouico : « Barbacena, de posso do segredo 
que lhe fora revelado por um miserável traidor {ocoronel Joaquim Sil- 
vério), immediatamente o transmittio ao Conde de Rezende, vice- 
rei do Rio de Janeiro, o qual mandou sem perda de tempo prender 
os denunciados.. .». O Conde de Rezende empossou-se do cargo de 
vice-rei a 6 de junho 1790. Desde Maio e junho do anno anterior, 
isto é, ao tempo do vice-rei Luiz de Vasco ncellos, se achavão presos 
os chefes da conspiração mineira, e a denuncia de Joaquim Silvério 
precedeu ás prisões. — 2.° — Porque nos seus artigos, com louvável 
boa fé, nílo occultou que o venerando Dr. Américo de Urzeda, na- 
tural de Villa Rica, lhe communicara que ouvira dizer que o Dr. Cláu- 
dio Manoel da Costa fora assassinado, fornecendo assim neste sentido 
mais um depoimento valioso — pela honorabilidade do Dr. Urzeda e 
pela circumstancia de ser elle já adolescente em 1789, quando oc- 
correu em Villa Ric a morte violenta de Cláudio Manoel. — 3." — 
Porque, com a contestação que oppoz á opinião do Dr. Teixeira de 
Mello, corroborada pelas afflrmações categóricas dos Drs. Heredia e 
Secioso, o Dr. Mello Moraes deu ensejo a apparecer nas columnas do 
mesmo Globo (8 e 17 de Março de 1877) novo e habil articulista. Um 
Mineiro, pseudonymo que ao Dr. Teixeira de Mello parece haver mal 
encoberto o nome de um dos mais illustrados e Íntegros caracteres de 
Minas-Geraes. 

Aos dois artigos alludidos pertencem os seguintes trechos : 

«O auto publicado pelo Sr. Dr. Mello Moraes, e antes delle pelo 
Sr. J. Norberto ( auto de 4 de julho de 1789, do qual demos em prin- 
cipio a parte principal), prova muito, porque prova o assasinato. Ve- 
jamos. — O cadáver, diz o documento, se achava em pé, encostado a 
uma prateleira, com um joelho íirme a uma taboa delia, com o braço 
direito fazendo força em outra taboa, na qual estava passado o baraço, 
que o asphixiara. — 

« Em pé, porque a prisão da corda não tinha altura para que o 
peso do corpo produzisse o estrangulamento. O braço direito erguido, 
fazendo força na taboa em que prendera o baraço, portanto acima da 
cabeça. Logo, a posição do braço era vertical, empurrando para cima 
a taboa, com o lim de esticar a corda. Colloque-se qualquer pessoa 
nessa posição, e diga em san consciência si antes da asphyxia com- 
pleta, no próprio momento de perder os sentidos, não lhe havia de 
cahir o braço pelo próprio peso e conservar-se inerte ao correr do 
tronco. Mas o corpo de delicto, feito horas depois da morte, ainda 
encontrou o braço direito erguido, fazendo força, isto é, empurrando 
para cima a taboa em que estava preso o baraço ! Como ?e denuncia 
o crime ! ! Tal documento foi imposto ao terror de quem o assignou 
pelos executores da alta justiça d"EI-Rei. E o despropósito que escre- 
verão, querendo tornar verosímil o suicídio, foi permittido pela Di 



388 REVISTA DO 

vina Providencia para que o attentado compareça, como comparece, 
perante a Justiça da Historia». 

Prosegue ainda o escriptor : « O auto de corpo de delicto, única 
prova escripta do suicídio, é um documento vicioso, absurdo, nullo, 
indigno de fé. AnnuJlado clle, cahe por terra o argumento : « não 
podeis soccorrer-vos da trad'ção, em presença da historia authentica- 
mente escripta ». Mas, a consequência não ô somente a demonstração 
negativa, consistente na falta absoluta de documentos que mereção 
credito : o facto de escreverem no auto de corpo de delicto asserções 
manifestamente falsas e absurdas prova que sentião a necessidade de 
esconder alguma cousa ; e essa o que podia ser senão o crime myste- 
rioso, commettido nas sombras da noite e da masmorra ? 

«A tradição do assasinato^ que vem da época da conjuração até os 
nossos dias, não pode offerecer todos os caracteres de certeza que assi- 
gnalão a dos factos históricos occorridos em grande publicidade : o 
crime, ou suicídio que fosse, não teve testemunhas. Entretanto, 
aquella tradição se nos apresenta com a principal das condições de 
credibilidade, que é não ser interrompida desde os factos referidos até 
a época actual ». 

Refere em seguida o articulista que o distincto Mineiro Jorge B. 
Ottoni recebeu aquella tradição do padre Manoel Rodrigues da Costa 
e de outros compromettidos e contemporâneos da Inconfidência, o que 
seria confl- maio pelos illustres íilhos de Jorge B. Ottoni, então ainda 
vivos ; refere o testemunho, já citado, do Dr. Américo de Urzeda, na- 
tural de Villa Rica, adolescente em 1789, e accrescenta as seguintes 
aífirmat' vas para o caso por certo de grande imporiancia : 

«Francisco Ribeiro de Andrade, cidadão muito considerado em Ouro 
Preto, onde morreu em idade avançada, militava no regimento de 
cavallaria de Minas, que tinha sua parada em Villa-Rica, e fazia 
pa-te da guarda da prisão no dia 3 de julho de 1789, que precedeu á 
morte do preso Cláudio Manoel da Costa. Nesse regimento, cuja dis- 
ciplina e moralidade deixou em Minas a mais honrosa memoria, as- 
sentavão praça os filhosdas principaes famílias da provinda. — .. No 
dia ^. de julho de 1789 a guarda fornecida por aquelle destacamento 
modelo, dizia Francisco Ribeiro de Andrade, que delia fazia parte, fòr a 
mandada retirar-se às 6 horas da tarde, sem que se soubesse ou al- 
legasse motivo algum : ficou a prisão entregue a soldados de policia. 
O mesmo F.R de Andrade accrescentava que elle e seus camaradas ti- 
nhão fie ido na crença de que a mudança da guarda fora preparativo 
para a execução nocturna. Reside nesta Corte um neto do antigo sol- 
dado, pessoa a todos os respeitas estimável, que ouvio a seu avô o que 
acabo de narrar. 

« A esta voz do povo, constante, corroborada pelo facto da mu- 
dança da guarda, facto abonado pela grande confiançíi que me merece 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 389 



O actual depositário da tradii;rio — liomeni lioncstissimo, incapaz ilo 
altenir a verdado para qiial(iucr liin — (»(iuo se oppóc ? O auto do 
c(>i'j)(i de dflicto dolcituoso o suspcitíj?» 



li'-sc roi\-ado a reconhecei', á vista án que lica exposto c relatado 
acerca do inysterioso e lujrul)ie acontecimento da noite do '.i para 4 
dejullio de 17H9, em Villa-Rica, que — si não liacerteza plena da ver- 
dade dos factos, si pode mesmo ser admissível a liypothese do suicí- 
dio, não obstante as mencionadas circumstancias e o elemento tradi- 
cional que a iníirmão — o mais provilvel, quasi averipuado, e temos 
disso convicção, ô que, n'aqueUa ominosa noite o na hedionda mas- 
morra em que penava, loi atrozmente assassinado o grande poeta e 
glorioso inconfidente. 

Suicídio ou assassinato, entretanto, a catastrophe que victimou-o 
não preservou-lhe a memoria de ignóbil ultrage. 

Havia já quasi três annos que tão tristemente se finara o inspirado 
e inditoso Cláudio Manoel quando foi lavrada no Rio de janeiro (18 de 
abril de 1792) a sentença da ominosa alçada, vinda expressamente 
de Lisboa para julgar os conspiradores de Minas-Geraes. E visto 
que elle já não vivia, e portanto não podia ser materialmente presa 
do algoz, entenderão os juizes consoante aos processos da regia jus- 
tiça, cujos instrumentos erão, denegrir-lhe o nome immaculado, sem 
prejuízo do fisco e camará real, em beneficio dos quaes foram con- 
fiscados os bens do morto... 

Reza assim o trecho respectivo do celol)errimo accordão : 

— « Mostra-sc cmanto ao rèo Cláudio Manoel da Costa, que sop- 
posto não assistisse, nem figurasse nos conventiculos que se tízerão 
em casado réo Francisco de Paula, e em casa do réo Domingos de 
Abreu, comtudo soube, e teve individual noticia, e certeza, que es- 
tava ajustado entre os chefes da conjuração fazer-se um motim e le- 
vante, e estabeleccr-so uma Republica independente naquella capi- 
tania de Minas ; proferindo o seu voto nesta matéria, nas torpes e 
execrandas conferencias que teve com o réo Alvarenga, e o padre 
Carlos Correia do Toledo, tanto na sua própria casa, como na do rèo 
Thoniaz António Gonzaga ; consta do appenso n. 5 a íls. 7 da devassa 
desta cidade, e o confessou o réo no appenso n. 4 da devassa de Minas; 
em cujas conferencias se tratava do modo de executar a sedição e le- 
vante, e dos meios do estabelecimento da republica, chegando ao 
ponto do réo votar sobre a bandeira e armas de que se devia usar, 
consta do appenso n. 4 a fls. 11, e o appenso n. 5 a fls. 7; constituindo- 
se pelas ditas infames conferencias também chefe da conjuração para 
quem os mais chefes destinarão a factura das leis para a nova republica, 
A. P-13 



390 REVISTA DO 

consta a lis. 2 do appenso n. 23, e testenmiiliiis do íls. 98 da devassa 
de Minas ; e tão ijeni se reconlieceu oslo i'éo criminoso de lesa-niages- 
tadeda primeira cabeça, que horrorisado com o temor do castigo, que 
merecia pela qualidade do delicto, que logo depois das primeiras per- 
guntas, que llie íbrão leitas, foi acliado morto aflbgado no Cárcere 
com uma liga ; consta do appenso n. 4. 

— «Ao réo Cláudio Manoel Costa, pois, que se matou no 

Cárcere, declarão infame a sua memoria e. infames seus filhos e ne- 
tos, tendo-os, e seus bens por confiscados para 'o fisco e camará 
real. » 



A infámissima e atroz declaração da alçada, extensiva aliás aos de- 
mais 7'éos da Inconfidência, foi por largo tempo, nas regiões plficiaes 
do Brazil — colónia, como que uma nova e pesada mortalha, esten- 
dida sobre o nome do inditoso Cláudio Manoel. Ainda em 1807, em 
extensa monographia escripta em Yilla Rica acerca da Capitania Mi- 
neira, era elle propositalmente excluído de qualquer menção no cí> 
pitulo ali consagrado a recordar as « pessoas celebres » nascidas em 
Minas-Geraes, quando é certo qué o auctor (*) não se esqueceu de re- 
ferir numerosos ^^lineiros de valor somenos. Era perigoso relembrar 
as glorias litterarias de Glauceste Saturnio, porque o poeta encarnava- 
se no patriota e o patriota no inconfidente condemnaílo !... 

Poesia, patriotismo, martyrio — são eíTecti vãmente o tríplice aureo- 
la que cinge e illumina-lhe a fronte para as homenagens perennes e 
justiceiras da posteridade. 

Depois do alto patíbulo de Tiradentes, a masmorra — necrotério de 
Cláudio Manoel Costa é o mais commovente quadro da Inconfidência 
Mineira. Estrangulado, exânime, na penumbra cúmplice do crime, o 
corpo do venerável ancião ahi assoma livido da derz^adeira angustia, 
suscitando atravez dos tempos glorificação e condolência, eterna lau- 
rea do génio, immarcessivel coroa da desventura, 

E os que victimarão o poeta-patriota e ousarão ultrajar-lhe a me- 
moria, ha muito jà terião caindo no olvido desdenhoso da Historia, si da 
mesma luz que nella exalça o eniinente Mineiro não viesse continua 
e sinistra irradiação sobre os seus nomes, perpetuamente execrá- 
veis. 



(*)— Dr. Diogo Pereira lUliciro de Vasconcellos, Portufíuoz de nascimento. 
Esta circumstancia attcnúi e explica a iniquldalc injustificável de tal 
omissão, notada no cit. u, da Revista lirazileira. 



AODITAMENTOS E RECTIFICAÇÕES 

AO 1.- fascículo da 

«REVISTA» DO ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 

Cons^llio do Governo da província d5 Minis-STaes (i) 

(1825 — 1834) 

Mombros ilo Consellio do Governo da Provincia do Minns-Geracs 
durante o período acima mencionado. 

1.- MANDATO (1825— 1829) (2) 

1) Cónego dr. Francisco Pereira de Santa Apolónia. 

2) Coronel Romualdo José Monteiro de Barros. 

3) D/ Theotonio Alvares de Oliveira Maciel. 

4) D."" João José Lopes Mendes Ribeiro. 

5) Des.»'' ]\Ianoel Ignacio de Mello e Souza (depois Barão do 

Pontal). 

6) Capitão Mór João Baptista de Souza Coutinho (depois Barão de 

Cattas Altas). 



(1) Esta relação foi feita tendo-se em vista as Actas do Consellio do Go- 
verno existentes neste Archivo. Organisou-a o secretario arclii vista, dr. Uodolplio 
Jacob. . 

(2) O f.onseltio da Presidência foi creado pelo decreto ila Assemhléa Con- 
stituinte de 20 de outubro de lS-23. O praso do mandato de seus membros, que 
nào foi determinado ue^se decreto, foi fixado em quatro annos nela lei di- 2Gde 
setembro de 1S(?9. Os Conselln-iros du (lover.io, na ordem dos mais votados, 
substilniân ao presidente da Provincia, que também era o Presidente do Con- 
selho. Tralav.im-se |ior este em Conselbo, nos termos do cit. decr.. I-mIos os 
ohjfoliis que ilem.iDdassi'm exame e juízo almiuislralivo, laes como o deseuvol- 
vim^nto da agricultura, commercio e industria, artes, educação da mucidade, 
as informações á Assemblea das infracções de leis e successos extraordinários, 
que tivessem lugar nas províncias. 



302 REVISTA DO 



Supplentes que tomarão assento durante este mandato 

Des."" Bernardo Pereira de Vasconcellos, 

Padre d/ ^Marcos António Monteiro de Barros. 

Padre d/ Joaquim José Lopes Mendes RibeLro. 

D.'' Joaquim José da Silva Brandão. 

C.'''' João Joaquim da Silva nuimarães. 

C.*o Mòr José Bento Soares, 

C"' Fernando Luiz ^Machado de Magalhães. 

C.^o Manoel José Monteiro de Barros . 

Sargento Môr Manoel José Pires da Silva í^ontes. 

T.' C.-íi António Caetano Pinto Coelho da Cunha. 

Sargento IMôr António José Ferreira Bretãs. 



■ o^ 



2.- MANDATO (1830 — 1833) 

1) Des.<"" Bernardo Pereira de Vasconcellos. (*) 

2) Cónego d/ Francisco Pereira de Santa Apolónia. 

3) Des.'"" ]Manoel Ignacio de Mello e Souza. (*) 

4) D."" Theotonio Alvares de Oliveira Maciel. 

5) Pad]'e d.'" Joaquim José Lopes ]\Iendes Ribeiro. 

6) Padre José Bento Leita Ferreira de Mello. (**) 

SujjjJhíntes que tornarão assento durante este mandato 

C.ei Fernando Luiz Machado de Magalhães. 

Arcipreste João Baptista de Figueiredo. 

D."" Joaquim José da Silva Brandão. 

C.^" João Joaquim da Silva Guimarães. 

Sargento Mòr Gomes Freire de Andrade. (**) 

C^i Romualdo José Monteiro de Barros. 

INIanoel Soares do Couto. (**) 

José Feliciano Pinto Coelho da Cunha (depois Barão de Cocaes). 

Baptista Caetano de Almeida. 

C.i" ^iLnnoel José Monteiro de Barros. (**) 

Francisco de Assis Aseredo Coutinho. 

José Pedro de Carvalho (assignava-se posteriormente José Pedro 

Dias de Carvalho). 
Sargento Mòr António José Ferreira Bretãs. (**) 



r*) aiembros do Consellinqne durante a revolti d" 183:^ dp|il)i'rarão t>iii S. 
João d"EIRey, sob a prcsidoncia Icpaldií iJernaitlo Pereira de V;iscoucel]os e. em 
seguida, de Manoel 'frnacio de Mello c Souza. 

(**)— Memliros do Coníeilio que no niesino período deliberarão em Ouro 
Preto sob a presidência iMesitima de Manoel Soares do Couto. 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 393 

C."^ Lourenço António Monteiro, 

António José Monteiro do Barros. (**) 

C.ã» Mor .Ioslí Rento Soares. (**) 

Fortunato IvapliacI .-Vrchanjo da Fonseca. (**) 

Joaquim Teixeira de Queiroz. (**) 

Joaquim José Fernandes do Oliveira Catta-I'reta. (**) 

António Netto Carneiro Leão. (**) 

João Ferreira Leite Iliheiro (**) 

(íabriel Francisco Junqueira (depois liarão de Alfenas)(**) 

Manoel Machado Nunes. (**) 

T." C."' António Caetano Pinto Coelho da Cunha. 

Padre António José Ribeiro Bhcriíi^-. 

.\ntonio Ril)CÍro Fernandes F^orbes. 

José Ijrnacio Gomes Bar1)0sa. 

Padre António Ribeiro d'Andrade. 

Felipe Joaquim da Cunha e Castro. 

D^ António da Costa Pinto. 

António José Peixoto. 

P." José da Cunha Mello. 

D'". Bernardo António Monteiro. 

Francisco Guilherme de Carvalho. 

P." João Antunes Corrêa. 

António Nogueira da Cruz. 

3.- MANDATO (1834) (2) 

1) Des.""" Bernardo Pereira de Vasconcellos. 

2) Des.""" ISIanoel Ignacio de Mello e Sousa. 

3) Arcipreste João Baptista de Fi<rueiredo. 

4) Padre António José Ribeiro Bhering. 

5) S. Mór António Ribeiro Fernandes Forbes. 

6) T." C"' Manoel Soares do Couto. 

Snpjilenles que tomarão assento durante este mandato 

S. Mór Gomes Freire de Andrade. 

C."' José Justiniano Carneiro. , 

C"' Lou''ent,-o António Monreiro. 

Cónego Manoel Júlio de .Miranda. 

T.*" C.*"' Fortunato Raphael Archanjo da Fonseca. 

P." José António Marinho. 

Pedro da Costa Fonseca. 

C.*"' José Bento Soares. 

D."" António da Costa Pinto. 

Luiz Maria da Silva Pinto. 



*2) O Coiiseliio do Goverao foi supprimiilo pel;i lei de 3 de outubro de 
1831. 



394 REVISTA DO 



Conseino Geral ia Promcia de Mms-Geraes (1) 

(1828 — 1833) 

Membros do Conselho Geral da Provinda de Minas-Geraes no período 

stqjra cifado 



1.- MANDATO (1828—1829). (2) 



(1) — A relação de que se traia foi or^anisadii, tendo em vista as Artas do 
Conselho Geral existeules neste Archivo, pelo secretario-arctiivista, dr. lio- 
dolplio Jacob. 

(2) — O Coris?ltio Geral da Província foi crcado pela Constituição do Impé- 
rio. Não obstante haverem sido eleitos os seus primeiros membros em 1824, a 
installaçAo des.se Conselho foi díimorada, em virtude de deliberação do Conse- 
lho do (ioverno tomada por termo de U d' Novembro de 1825 e approvada pelo 
avi.so de 7 de Dezembro ile tSíó, até que pela Assemblé.i Geral lhe fo'se dado 
regimento para os .'^eus tra!)a!ho3 e policia, o que teve logar pi^la lei do 27 de 
agosto de IS16, iastallaudo-S'! logo o Cdiis. Ger. a l." de dezembro de 1825. O 
decurso do 1." mandato do Conselho, o qual devia corresponder á 1.' legisla- 
tura da Assemblea Geral, conAtuu somente de 2 sessõe.'«, correspondentes ás 2 
ultimas sessões da 1.' leg sialura d.i Assembléa Geral. Os Conselhos Geraes ti- 
nliam por principal objecto propor, discutir e deliberar sobre os negócios mais 
interessantes das suas l^rovincias ; f>irmando projectos peculiares earcommoda- 
dos ás suas localidades c urgências. As resoluções que assim tomassem eram, por 
intermédio dn i'residi'Mle da 1'rovlncia, rcmetlidas directamente ao Poder Exe- 
cutivo e por este á Assemblea Geral, pua abi serem propostos como projectos 
de lei e obterem a approvação da Assemblea por uma única discussão ena cada 
Camará, 

(*)— Não toxou assento. 



X 



1) Guarda-}*Ior GeralJoão Baptista Ferreira de Sousa Coutinho (pos- 
teriormente Barão de Cattas Altas). -^ 

2) Coronel Romualdo José Monteiro do Barros. 

3) Capitão-Mor Custodio José Dias. 

4) Cónego Dr. Francisco Pereira de Santa Apolónia. 

5) Coronel António Tbomaz de Figueiredo Neves. 

6) Doutor Theotonio Alvares de Oliveira Maciel. 

7) Desembargador Bernardo Pereira de Vasconcellos. 

8) Dr. João José Lopes Mendes Ribeiro. (*) 

9) Capitão Mor José de Araújo da Cunha Alvarenga. (*) 

10) Capitão Mor José Bento Soares. 

11) Guarda IMor Innocencio Vieira da Silva. (*) 

12) Desembargador Manoel Ignacio de Mello e Sousa (posteriormente 
Barão do Pontal). 

13) Doutor José da Costa Moreira. (*) 



ARCllIVO PUBLICO MINEIRO 395 

14) Padre Manoel Ro(lrií?uos da Costa. (*) 

15) Capitão -Mor António Januário Carneiro. (*) 

16) Cónego José Honto Leite Ferreira de Mello. (*) 

17) Tenente Coronel Manoel Vieira Couto. (*) 

IS) Vigário Geral Marcos António Monteiro de Barros, 
li») Capitilo Mor José Fernandes de oliveira Penna. (*) 

20) Doutor António Augusto Monteiro de Harros. (*) 

21) Capitão João Joaquim da Silva Guimarães. 

Supplenles que lumãrão assento duranle este mandato 

1) Sarg. -Mor José Feliciano Pinto Coelho do Cunha (posteriormen. 
te Barão de Cooaes >. 

2) Surg. ISIor Manoel José Pires da Silva Pontes. 

3) Capitão Manoel José Monteiro de Barros. 

4) T.« Coronel António Caetano Pinto Coelho da Cunha. 

5) Coronel Fernando Luiz ]\Iacliado de Magalhães. 

6) Sargento Mor Gomes Freire de And?ade. 

7) Padre Dr. Joaquim José Lopes Mendes Ribeiro. 

8) Arcipreste João Baptista de Figueiredo. 

9) Coronel João da Motta Ribeiro. 

10) Tenente Coronel Anacleto António do Carmo. 

11) Doutor Joaquim José da Silva Brandão. 

\-i) Sargento Mor António José Ferreira Bretãs. 

13) Padre Manoel Rodrigues Jardim. 

14) Coronel Nicolau Soares do Couto. 

2.* MANDATO (1830 — 1833) (3) 

1) Desembargador Bernardo Pereira de Vasconcellos. 

2) T.^ Coronel José Feliciano Pinto Coelho (Barão de Cocaes). 

3) Dr. Theotonio Alvares de Oliveira Maciel. 

4) Cónego Dr. Francisco Pereira de Santa Apolónia. 

5) Desembargador Manoel Ignàcio de Mello e Souza (Barão do 
Pontal). (*) 

G) Baptista Caetano de Almeida. 

7) Coronel Romualdo José Monteiro de Barros. 

8) Tenente Coronel Francisco Lopes de Abreu. (*) 

9) Sargento Mor Manoel José Pires da Silva Pontes. (*) 

10) Sargento Mor G tmes Freire de Andrade. 

11) .\rcipreste João Baptista do Figueiredo. 



(3) — K<le iii o ulliino man.lalo do Conselho -íeral d.i Província. O Conse- 
llio foi subsliUiido (lei de 12 de a;?osto de 1S34) pela Asicmblea Legislativa Pro- 
viDcial, que &e instaliou a 1 de fevereiro de 1835. 



306 REVISTA DO 



12) Capitão Mor João Baptista Ferreira de Souza Coutinho (Barão 
de Cattas Altas). (*) 

13) Tenente Coronel Manoel Vieira Couto. (*) 

14) Cónego José Bento Leite Ferreira de Mello. (*) 

15) Tenente João António de Lemos (posteriormente Barão do Rio 

Verde). (*) 

16) Francisco de Assis de Aseredo Coutinho. 

17) Padre Manoel Rodrigues Jardim. 

18) Dr. Joaquim José da Silva Brandão. \ 

19) Tenente Coronel :\Ianoel Soares do Couto. 

20) Capitão ^Manoel José Monteiro de Barros. 

21) Vigário João Antunes Corrêa. 

Supplentes que tomarão assento durante o 2.' e ultimo mandato 

1) CM Mor Manoel de Araújo da Cunlia. (4) 

2) Padre António José Ribeiro Behring. 

3) C.ã" João Joaquim da Silva Guimarães. 

4) CA" ]\Ior José Fernandes I^enna. 

5) Padre Sebastião José de Carvalho Penna. 

6) Coronel Fernando I>uiz Machado de Magalhães. 

7) Coronel Lourenço António Monteiro. 

8) Sarg. Mor António José Ferreira Bretãs. 

9) Dr. António José Monteiro de Barros. 

10) Dr. Bernardo António Alonteiro. 

11) C.ão Mor José Ignacio Gomes Barbosa. 

12) T.e Coronel António Caetano Pinto Coelho da Cunha. 

13) Coronel Joaquim José Fernandes de Oliveira Catta-Preta. 

14 José Alcibíades Carneiro. 

15 T.9 C.«i Fortunato Raphael Arcanjo da Fonseca. 

16 José Pedro de Carvalho ( assignava-se posteriormente José Pe- 

dro Dias de Cam-alho ). 

17 Francisco Xavier de Salles. 

18 T.e C^i Anacleto António do Carmo. 

19 P.8 José de Sousa Lima. 

20 Jorge Benedicto Ottoni. 

21 P.« António Ribeiro de Andrade. 

22 José Ignacio do Couto Moreno. 

23 Sarg. Mor António José Ribeiro Fernandes Forbes. 

24 C.á" José Pedro Severim. 

25 P.« Emerenciano Maximino de Aseredo Coutinho. 

26 CM Francisco Guilherme de Carvalho. 



I 



(4) — As actas do Conselho não indicam o nome comi)ltíto desae Conselheiro. 
Parece haver sido o mencionado. 



ARCmVO PUBLICO MINEIRO 397 

27 T.o Coronel Rodrigo Pereira Soares de Albergaria. 

28 P.» Justiniano da Cunha Pereira. 

2Í) Joaquim Mariano de Aseredo Coutinlio. 

30 Francisco de Paula Santos. 

31 C.'" Manoel Bernardes Varella da Fonseca. 

32 Antonjo Nogueira da Cruz. 

33 António José Vieira de Menezes. 

34 Joaquim Dias Bicalho. 



MoEicipio de S. Domingos do Prata 



A's notas cliorographicas deste municipio faz o seo illustre autor 
as seguintes rectiíicagôes : 

O rio Belht. Faina, dizem uns pertencer ao municipio de S. Do- 
mingos do Prata, outros ao de Alvinopolis. E' ponto contestado actual- 
mente — depois de escriptas aquellas notas. 

— O Prateano, periódico habilmente redigido pelo intelligente 
sr. Francisco Soares Alvim Machado, cessou a publicação, sendo seo 
ultimo n." o de 18 de agosto de ISUõ. 

— A Sociedade Protectora das Crianças, cuja fundação fora promo- 
vida pelo mesmo sr. Alvim Machado, dissolveu-se por convenção dos 
sócios ; sendo applicado o seo capital à construcção do Hospital de 
Caridade. 



Na relação publicada Vlos membros da Assembléa Legislativa Pro- 
vincial ( de 18H5 a 1«89 ) ha additamentos e rectificações a fazer-se, 
e que publicaremos em um dos seguintes n."^ da « Revista ». 

— Só mencionámos os deputados mineiros á Assembléa Geral do Im- 
pério da 1.' até a 20.* legislatura, considerada a ultima, porque a 
1.* sessão da 21. ^^ legislatura não liavia sido ainda installada (juando 
a revolução de 15 de novembro mudou o regimen politico nacional. 

Já estavão no entanto, até aquelle dia, reconliecidos muitos dos 
deputados eleitos em Minas-Geraes para a nova legislatura, funccio- 
nando a camará em sessões preparatórias sob a presidência do de- 
putado mineiro Conselheiro Carlos AÍTonso de Assis Figueiredo. A 
abertura da sessão ( que seiúa a 1.» da 21.' legislatura ) estava malu- 
cada para 20 de novembro de 1889. 



/ 



398 REVISTA DO 



A&UAS THERMAES DE CALDAS 

Como simples nota à monographia quo sahe no presente fascículo 
sobre o municipio de Poços de Caldas, damos abaixo alguns trecbos 
de um officio dirigido em 6 de setembro de 1786 ao ministro Martinho ^ 

de Mello e Castro pelo governador da capitania de Minas-Geraes, 
Luiz da Cunha Menezes, com a informação que a este foi prestada 
pelo commandante do districto de Sapucahy, relativamente á existên- 
cia das fontes thermaes de Caldas, informação datada de 15 de junho, \ 
também de 1786. Parece-nos ser este o documento histórico mais an- / 
tigo que ha sobre o assumpto, e que confirma amplamente o quo > 
diz o illustrado autor da monographia referida quando aiflrma que 
as aguas thermaes de Caldas jàerão conhecidas antes do anno de 
1815. 

Eis os trechos alludidos, que se reproduzem com a orthographia 
do original : 

« 111.°^° e Ex.™°. S/"" Pellas assíduas recommendaçoens q. tenho 
feito, e faço a todos os Commandantes dos Districtos desta Capitania 
sobre todos os conhecimentos flzicos, e naturaes que mepuderem ade- 
querirhum dos mais úteis que novam.'' se tem conhecido hé odeque 
meda conta o Command.'' do Districto de Sapocahy da Commarca do 
Rio das Mortes, Campanha do Rio verde nadistancia de 60 Léguas 
desta Capital em huma Carta de q. hé acopla induza de haver apa- 
recido na- distancia de doze Léguas daquelle seu distr." buas agoas tre- 
mais tão virtuozas, euteis q. tem curado entre varias moléstias ado- 
grande mal de Lepra q. canto persegue este Continente Americano — 
Do mesmo lugar jà havia hua ignorante noticia, e bem própria do 
povo pouco illuminado de q. naquelle mesmo Citio andava odiabo por 
seter visto aparecer por varias vezes Lanças de fogo tão fortes, 
etão enxofrados, q. havião chegado aqueimar os matos dehuma gran- 
de parte dasua circonferencia, e com o terrível xeiro do d.° enxofre 
das quaes não sepode prezentemente tomar outro conhecimento mais 
de q. o que a experiência das suas curas for mostrando o que.... ^i,,; 

{seguem-se jMlavras illegiveis) tenho novara." recommendado ao mes- ■ * 

mo Commandante visto não haver nesta Capitania {seguem-se 

palavras illegiveis) pessoa capaz deser encarregada de 

seguem-se palavras illegiveis) por não haver instrum.*"^ próprios.... 
como hoje hé bem necessário afim deeu com mais certeza opoder 
mandar fazer publico por toda esta Capitania, e comunicar esta inte- 
ressante noticia as mais confinantes. — Yilla Rica, 6 de Setembro de 
1786. — S."" Martinho de Mello e Castro. — Luiz da Cunha Menezes.» 



AKCHIVO PUBLICO MINElKU 30'.! 

111.'"" e Ex.'"» S.''. — Dou parte a V. Ex.* em como neste disiricto 
daqui aonze, oudozo Legoas, apareceo lium olho de agua Caldas ligi- 
timas, hé tão quente, q. senãu pôde aturar dentro nella, cauza suores 
gravíssimos tudo o q. síío feridas galicas, o galicos tudo sara combre- 
vidade : sarou hum (juaze Leprozo. com empolas grandes portodo o 
Corpo. 

« Faço sciento a V. Ex* p/ q. quererá saber p.' o q. quizer. 
S. Anna de Sapucaiiy 15 de Junho de SG — 111."»" e Ex.™» S.' Luiz da 
Cunha Menezes — João de Almeida da Fonseca, Commandante». 

( Livro de cartas e officios dos an nos de 1783 — 1788, do Archivo 
Publico Mineiro, pays, 185 e 180). 



> 



AimO 1- fascículo 3- JULííO A SIlTEUdHO m 1 



i, 



1 



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FESTAS DO DESPOTISMO 



(SDPPLICIO DE TIRAOENTES) 



ReferintIo-S0 às primeiras horrorosas perseguições movidas contra 
os christãos, escreveu Ernesto Renan que « uma das particularida- 
<les mais liediondas dos costumes romanos era converterem o suppli- 
cio cm Testa e o morticiuio em divertimento publico.» 

Era esta uma das íormas abomináveis da ferocidade pagã em faço 
do christianismo nascente, destinado a derrocar, com o fervor de seus 
crentes e. prestigio incomparável do suas doutrinas divinas, a organi- 
sação polytheista que os Romanos receberão da Grécia e que, impe- 
tuosos, defendião com zelo fanático, por bem harmonisar-se olla 
com as suas tradições c indole sanguinárias, com os princípios de sua 
politica violenta o rapace, c com as licenciosidades espantosas do 
seus costumes. 

Séculos tinbãojã decorrido após tão bárbaros successos, caracterís- 
ticos da omnipotência da força, que ora a mesma essência do governo 
romano, e ainda em nações ostensivamente cbrístãs prevalecião odio- 
sos usos da velha o desoladora politica que fazia celebrar festejos 
offlciao» em applauso á morte e ao martyrio de suas victimas. 

A esta regra, que a licção histórica nos assignalá^ não fez excepção 
durante o regimen absoluto o governo portugue* ^carnado na pes- 
soa do rei fidelíssimo. Como o do visinho ibeiT^, personílicado 
om*síírt magestade caííiolica, deu elle, na dominação da colónia 
americana, negros exemplos, que valem como o' t asttantaá*.prova8 
de quo o despotismo, velado embora hypocritamente -sob ^formulas 
christãs, actuava ainda por osso tempo como influxo • malelico do 
principio pagão, deprimente o cruel. A 



*í 



402 REVISTA DO 



O supplicio de Tiradentes, entre muitos salientes factos, é, em -nossa 
historia, documento imperecivel de que — após desoito séculos de 
christianismo — caracterisava-se ainda o systema govei-nativo portu- 
guez pelo hediondo costume de transformar em motivo de festa offi- 
cial o martyrio daquelles que as leis draconianas da época sacriíica- 
vão no patibulo, por haverem aspirado a liberdade da pátria. 

Para assistir á horrenda execuçuo, precedida de préstito appara- 
toso, trajou a trapa o uniforme maior, ornado de festões de flores. 
Os cavallos em que montavão os ajudantes, olficiaes^ ouvidores e 
mais autoridades, tinhão as ferraduras de prata e as crinas enlaçadas 
de fitas e as caudas arrematadas por laços còr de rosa. Erão os ar- 
reios e estribos igualmente de prata, sendo alguns dourados, e de 
velludo ou de seda escarlate e iVanjada de ouro as gualdrapas e man- 
tas. (*) 

Consummado o atrocíssimo supplicio, isto é, enforcado, dogollado 
e esquartejado o grande martyr e grande patriota, apressou-se o Se- 
nado da Gamara do Rio de Janeiro^ impulsionado pelo servilismo, 
oriundo do terror que inspirava-lhe, como ao povo, o sombrio vice- 
rei Conde de Rezende, a ordenar por edital que todos os habitantes 
da cidade illuminassem a frente de suas casas durante três dias. 
N'esse curioso edital, depois de vituperar-se Tiradentes e svlíís niao^imas 
sediciosas, dizia-se sem rebuço :« e para mais publica satisfa- 
ção dos nossos desejos, esperamos que todos os moradores da cidade 
deitem luminárias por três dias, pois que não esperamos ser necessá- 
rio punição e pena contra os que o contrario praticarem, por ser este 
objecto o mais nobre dos nossos desejos de congratularmos pela pros- 
peridade do governo de S. M., e felicidade que temos de termos uma 
soberana que jamais igual a tem visto o mundo na eoccellencia e virtu- 
des que ornão o seu throno, e que acaba de mostrar a seus vassallos o 

excesso de sua clemência e piedade » 

Não ficou somente nisso a sincera expansão da alegria geral. 
Forão ordenadas preces publicas em acção de graças, effectuadas 
na egreja Carmelitana que para esse fim ornarão de galas vistosas e 
deslumbrantes. Ahi celebrou-se solemne Te Beum lauãamus, quando 
ainda tépidos devião estar os restos profanados de Tiradentes, e orou 
do púlpito um frade carmelita, cujo sermão foi traçado fiel e humil- 
demente de conformidade com as bases que, para texto, forão-lhe 
transmittidas pelo mesmo chanceller juiz da alçada que senten- 
ciara cruelmente ordenando o horripilante supplicio ! O texto dizia 
assim : « Dar graças pelo favor de se haver descoberto a conspiração 
tramada em Minas-Geraes a tempo de ser dissipada antes de ser posta 
em execução, e de se seguirem as péssimas consequências que devião 
experimentar os vassallos deS. M. R. :— -dar graças por ficar esta 



; 



(*) — Vide J . Norberto — Historia da Conjurarão Mineira. 



; 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 403 

,. , ■ .,,-,,.,,. - ,, ,, ■■■■ -* 

cidade isenta do contagio da dita nefanda conjuração : — persuadires 
povos a serem fieis á sua soberana tão pia e clemente, — e rogar a 
Deus pela conserva(;ão de sua vida.» 

Estas « sccnas edificantes» passarão-se no Rio de Janeiro de 21 a 
24 do abril de 1792. 

Um mez depois, na sede da Capitania Mineira, sob o terror per- 
sonificado no Visconde de Hàrbacena, que arremedava adrede o taci- 
turno Conde de Rezende, a mesma « espontaneidade popular» solemni- 
sava em lestas o martyrio do Joaquim José da Silva Xavier, cuja 
cabeça já então se achava presa em alto poste, erecto na praça prin- 
cipal de Villa Rica. 

Durante três noites successivas, vião-se luminárias em todas as 
casas, cobertas de ricos damascos e de finas sedas.... Até o santuário 
1'oi ornado sumptuosamente, e nelle entoarão-se cânticos e louvores 
ao Omnipotente.... E como não ser assim? Todos conliecião bem o 
meio social e a época terrível em que vivião, asphyxiados e submis- 
sos : de ninguém crão já ignorados os recentes e horrendos successos 
do Rio de Janeiro, e nem desconhecido o ominoso edital do Senado 
da Camará dessa cidade, allusivo ás « penas e punição » contra aquelles 

que não festejassem o supplicio de Tiradentes Uma atmosphera 

de terror envolvia e prosternava o pobre povo ! 

Em carta ao ministro Martinho de Mello e Castro, a Camará de 
Villa Rica, presa de temores, e por estes emulandoem servilismo com 
a do Rio de Janeiro, deu conta dessas festas ostentando máximo re- 
gosijo, signo de fidelidade da população submissa ante as brutezas 
nefandas da tyrannia. 

Damos aqui esse documento, extractado, com a própria orthogra- 
phia, (lo — Livro de registro de ordens regias e in^ovisões, fls. 380 e se- 
guintes, livro do antigo archivo municipal de Villa Rica e hoje exis- 
tente no Archivo Publico Mineiro : 

Carta da camará tara o illustrissimo e exm.° sr. Martinho db 
Mkllo e Castro, do Conselho de S. Magestade, Ministro e Se- 
cretario DE Estado dos Negócios da Makinha e Ultramar, 

« 111.""» Ex.™" S."" — A soblevação, que nestas Minas se traçava 
contra a soberania da Rainha Nossa Senhora ao mesmo tempo cons- 
ternou e trouce a desolação a este Povo, nunca familiarisado a se- 
melhante nome e crime, e sérvio para mostrar a constância o fideli- 
dade do mesmo Povo. Por que esmoreceu com o rumor que do Le- 
vanto se derramara, sò respirou depois que julgados os Agressores 
da maldade, teve certeza da segurança do Estado. Logo que a esta 
Villa chegou com os restos do pérfido Joaquim José Xavier a noticia 
da sentença proferida contra os Reos, nos dispozemos a celebrar com 



404 REVISTA. DO 

gosto c alegria o bum oxito desta causa, que interessa aos bons vas- 
salos. Aos nossos votos se unirão os do povo, não só deste termo, 
mas também da Capitania, o que nos persuade que o erro fatal de 
poucos não passou a contaminar o' maior numero e que para o futuro 
não occorrerâ jamais no Paiz a mesma ideia de tão infame impreza. 
Demos gragas a Deos na igreja matriz de N. Senhora do Pilar de 
Ouro Preto fazendo cantar o Hymno — Te Deum Laudamus — assim 
pela felicidade do Estado como pela vida e saúde de S. Magestade tão 
suspirada pelos fieis portuguezes. {\ 

Ao Visconde de Barbacena, nosso Governador, agradecemos em 
corpo de Camará os distinctos serviços que fez a S. Magestade nesta 
Acção. Segurando os culpados soube conservar a paz, a armonia e a 
justa confidencia entre os que o não erão, dando-se a tudo de que 
dependia tão importante diligencia com tanto zelo do bem Régio e 
prudência própria,' que mais parecia obrar inspirado do que por con- 
sequência de luzes humanas. 

Ouverão lumina,rias três noites. 

E na camará recitou o primeiro vereador Bacharel Diogo Pereira 
Ribeiro de Vasconcellos revestido de todo o amor Patricio e das 
obrigações de vassalo uma interessante B'ala a que assistirão o Ge- 
neral, o Bispo, Nobreza e Povo da Villa e na qual se tratarão ma- 
térias o verdades que vinhão pai^a o caso e para as circumstancias 
do tempo. A' imitação desta capital derão públicos testemunhos de 
alegria as camarás de S. João e de S. José, éis de Sabará e de Caethé e 
hô tanta a satisfação que o feliz sue cesso trouce aos moradores de 
Minas, tanto o socego em que estão, dado cada um ás suas diferen- 
tes occupações, que delles podemos affirmar a devida fidelidade, e 
quanto ao . Estado e Real Fazenda pela administração do Excelen- 
tíssimo Visconde Governador se tem aumentado muito as utilida- 
des. 

Temos a honra de fazer esta parte a Vossa Excelência para que 
se digne de a por na Real Presença de Sua Magestade e conste o zelo 
e exactidão com que nos empregamos no Serviço da Mesma Senhora; 
e finalmente a geral satisfação' que acompanha este Povo com a vin- 
gança da injuria do Estado que, como deve, reputa própria. 

Deos guarde a Vossa Excelência. Villa Rica Em Camará de Dous 
de Julho de mil settecentos noventa e dous. — lllustrissimo e Exce- 
lentissimo Senhor Martinho de Mello e Castro. 

Manoel Pereira Alvim. ~ Diogo Pereira Ribeiro de Vasconcellos.— 
João Pinto Bastos. — Francisco José Teixeira de Vasconcellos.— Antó- 
nio Rodriííues Braga.» 



Seria lacuna sensível nesta singela e breve resenha de tão estra- 
nhas occurroncias a omissão da « interessante Faía do primeiro verea- 



& 



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ARCIIIVO PUBLICO MINEIRO 405 

dor bacharel Diogo Pereira Ribeiro de Vasconcellos, revestido de todo 
o amor patricio o das obrigações de vassalo, fala a que assistirão o 
general, o bispo, nobreza o povo da villa o na qual se tratarão maté- 
rias o verdades ([uo v.nlião para o caso e para as «circunistancias do 
tempo » no dizer expressivo da mesma Camará, na carta transcripta. 

Desse documento, que oíTertãmos no próprio original ao Arcliivo 
Publico Mineiro, consta ter sido o discurso recitado a 22 do maio do 
1792; e nelle se lêem plirases que serião espantosas si não roílectissem 
aquellas «circumstanciasdotempo», aque injicnua ou — quem saije? — 
maliciosamento alludirão os vereadores de Villa Rica, dii-iíriíido-so ao 
ministro Martinho do Mello. 

«A tolerância, exclama o orador, é vicio entre nós abominado..,. » 
Referindo-se a Tiradentes, vocifera: «Deixemos esse desgraçado 
servir ao exemplo da futura idade, que dello se não lembrará sem 
formar aldeia de sua ingratidão, do seu opprobrio e supplicio.... » 

E apreciando a sentença em confronto com a Inconfidência dos 
victimados, também não hesita em atlirmar que sondo ella «um cas- 
tigo em si terrível ainda ò pequeno para expiar tão atroz delicto ! » 

Fora inútil proseguir cm semelhantes extractos : alii vai na inte- 
gra e conforme o original a oração ftimosa, sombria como as 
oppressões e torpezas politicas do tempo. E' documento até agora 
inédito. 



F.\LL.V QUE NA CAMARÁ DE VILLA RICA RECITOU UM DOS VEREADORES 
DELLA, NO DIA 22 DE MAIO DE 1792 



A fidelidade e a obediência constituem o primeiro dever dos vas- 
sallos para com os seus soberanos. 

Nascidos para vivermos em sociedade, o Creador, oh ! povos, nos 
subordinou aos poderes superiores. Desde a primeira infância do 
mundo houverão Chefes, Juizes e Legisladores ; taes forãa os Pais de 
famílias. 

A experiência brevemente persuadiu que o podor domestico não 
era bastante a prover as necessidades e a conseguir a precisa segu- 
rança dos homens : Eis acjui os fundamentos da Monarchia, do governo 
de um só, de que o paterno foi o modelo, o mais antigo, o mais pró- 
prio o o mais accommodado à natureza, 

A' privação de uma liberdade indefinida succederão os commodos 
da segurança. Diiricultosamente se alcançaria este fim, tirada a obri- 
gação de obedecer. 

Todos os povos reconhecerão a necessidade da sujeição e da fide- 
lidade. Os antigos Portuguezes a jurarão nas cortes celebradas em 



406 REVISTA DO 



Lamego — Que viva o Sr. Rei Dom Affonso e reine sobre nós! Os seus 
Filtios serão os nossos Reis ; o Filho succederà ao Pai, depois o Netto, 
e assim em perpetuo todos os seus descendentes. Si o Rei de Por- 
tugal não tiver Filhos, a Filha será Rainha, depois da morte do Rei: 
Estas são as leis fundamentaes e as da successão. 

Certo estou que muitas vezes, as ouvimos celebrar a nossos Pais, 
e que desde os primeiros annos as trazemos impressas em nossos 
peitos. 

A fidelidade é a origem, d'onde emana a prosperidade dos Es- 
tados. 

Uma só Nação faz a fortuna de uma parte do mundo, da Europa 
culta. 

Homens, aos quaes o amor da Pátria, do seu Rei e da Gloria Ins- 
pirava, com pequenos soccorros, por mares nunca d'antes navegados 
descobrem a segura estrada, que os conduz dos últimos fins do Occi- 
dente até ás regiões do Oriente. 

Nos bellos dias dos Senhores Dom João II e Dom Manoel, a Africa, 
a Ásia, todos os Impérios, desde Ormuz até o interior da China os 
respeitavão : a sua doçura e humanidade os fez amar e os prósperos 
successos das suas victorias os fez temer. 

Apenas soou na Europa o descobrimento de Colombo ou de Amé- 
rico Vespucio, afoitos se dão logo a conhecer na Bahia de Todos os 
Santos e successivamente em todo o Brazil. Estes são os Portugue- 
zes, estes são, oh ! Brazileiros, os vossos gloriosos progenitores ! 

Que gloria a vossa. Filhos de um povo de heroes, cujos feitos me- 
recerão a admiração do Universo ! Qual deve ser o vosso amor para 
com os Augustos Monarchas Lusitanos, que os enviarão aos remotos 
climas do mundo, tantos séculos desconhecidos ! Estas Cidades e 
estas Villas, estes logares ; os vossos Templos, os Palácios, as casas, 
em que morais, são as obras das mãos d'aquelles homens raros. 

Esta vasta Capitania, hoje povoada de gente civilisada, de mode- 
los de perfeita architectura e das bellezas da Arte, era inculta ha cem 
annos antes, coberta de ásperos e densos mattos, residência de feras ; 
e se alguns homens a hahitavão, não tinhão Religião, ignoravão a 
civilidade, as sciencias, as artes, a agricultura ; não conhecião leis, 
costumes, nem commercio — tão bárbaros, emflm, como ainda hoje 
são os Índios, seus descendentes, que vedes muitas vezes entre nòs. 

Também o estado de abatimento, em que jaz sepultada esta parte 
da espécie humana, vos enche de commiseração. 

Que mudança a invicta, generosa mão dos Portuguezes, que diífe-. 
rente forma deu a estas Províncias, a estes Paizes! Sobre as ruinas da cega 
idolatria está arvorado o estandarte da verdadeira Religião : Santa Reli- 
gião, provada com os milagres innumeraveis do seu Divino Fundador, com 
as Relíquias dos Justos, confessada nos martyrios, plantada no meio 
do paganismo, perseguida, mas sempre triumphante, pelo decurso 



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I 



ARCniVO PUBLICO MINEIRO 407 

de mil e quasi oito centos annos e que o hade ser até o tiin dos sé- 
culos ! Religião que roserva para os seus Sectários prazeres de 
eterna duração ! 

O homem obedece á razão e tem a gloria de levar a fama e o 
respeito dos seus talentos e virtudes desde o seu Paiz até os Impé- 
rios mais distantes. Adinirão-se os progressos da industria e do sa- 
her, a grosseiros indistinctos substituem civis costumes, leis sabias, 
instituições politicas. Ja respira geralmente o aceio, a propriedade, 
o ornato e a magniliciencia. As preciosas manufacturas do Oi-iente, 
as das Nações estranhas, são convertidas em nossos usos. Tudo pos- 
suímos, o que ò necessário não só para passar bem, mas para viver 
bemaveuturadamente. 

Estos benelicios são de infinito preço e do mesmo género, crede- 
me, Brazileiros, dissimulo outros, que a brevidade me não consente 
enumerar. Alem de que me não persuado quo a mão dos tempos 
tonha podido tão cedo riscar da vossa memoria os favores, que dos 
Senhores Reis de Portugal estas Regiões souborão merecer. Isto se- 
ria injuriar-vos, seria accusar-vos de ingratos e a tanto me não atrevo. 

Fui testemunha e o forão todos aquelles que mo ouvem da ma- 
goa publica e da viva dôr. que o nome de sublevação infundiu em 
vossos corações ; nome infame que feriu e offendeu a primeira vez 
vossos ouvidos ; crime horrendo, cujo elfeito mostrão no centro da- 
quella praça (*) os restos de um perlido ! Mas deixemos esse des- 
graçado gervir ao exemplo da futura idade, que delle se não lem- 
brará sem formar a idéa da sua ingratidão, de seu opprobrio e sup- 
plicio. 



(*) — «... no centro d'aquella praça... » Estas palavras conflrmío plena- 
mente a tradição mais corrente, quanto ao local em que esteve erguida em poste 
tiifainaiiie a calieça do fílorioso martyr, conforme asentença da alçada. A camará 
municipal de Villa Hica fnnccionava, em 1792, como desde muito a camará mu- 
nicipal de Ouro Preto funcciona, na Praça hoje denominada de Independência. 
Dissemos acima — a tradição iiiai? corrente — porque algumas vozes discordes, 
nos últimos decennios, dizião que o tal poste ignominioso (a ignominia era para 
a Metrópole, com suas leis, seu regimen e a sua justiça abomináveis) fora ergui- 
do, nSo no centro mas num dos logares em que aquella Praça faz canto com 
a rua ora denominada Bobadelia. 

Fica, pois, delinitivamente demonstrado que a cabeça venerável de 
TiRAnE.NTES esteve impia e indignamente exposta, por ordem do régio despotis- 
mo portuRuez, no mesmo local onde presentemente se aciía o monumento erecto 
em homenagem á sua inolvidável memoria, em virtude da lei mineira decretada 
pelo Congresso do Estado na sessio de 1891 por iniciativa de quem escreve es- 
tas linhas, que já em 1879 (dez annos antes da proclamação da Kepublica) ini- 
ciara projecto de lei idêntica, adoptado então pela Assemhlea Provincial, mas 
que ficou sem realisação. — (Nota da redacção da Revista). 



40R REVISTA DO 

Deixemos outros longe de sua Pátria, soffrendo os males que pro- 
duzem as saudades das espozas, a lembrança dos caros filhos, dos 
parentes, dos que foram seus amigos, dos seus patrícios ! Infelizes ! 
Quantas vezes, recordando estas memorias, ensoparão com suas la- 
grimas as ardentes areias da inhabitavel Afritía! A Pátria perdida, as 
espozas, o mellior bem, que a natureza nos concedeu, e que mais se 
conliece quando se nílo possue: á maneira .do enfermo, que deseja 
recuperar a saúde, de que não fazia apreço. Os lillios, estes penho- 
res ternos do amor conjugal, os amigos, os contemporâneos, e o que 
mais é — a esperança de os tornar a vèr ! Ah ! Brazileiros, aqui es- 
moreço, d'aqui não posso proseguir avante, quando me lembro que, 
sendo um castigo em si terrível, ainda é pequeno para expiar tão 
atroz delicto ! 

Demos graças á Piedosa Soberana, que sabe perdoar e confundir o 
crime com a recompensa da vida, de que gozão — e voltemos ao as- 
sumpto começado. 

Si então prezenciei a vossa dòr, boje vejo o jubilo, que respira 
em vossos festivos rostos. Vejo o Magistrado, o Cidadão, o Ecclesias- 
tico, o Nobre Militar, consagrarem sensíveis expressões de reconhe- 
cimento ao lllm. e Exm. Sr. Visconde de Barbacena, o salvador da 
Pátria, que, sem faltar aos interesses do real serviço, contemplou, 
quanto as circumstancias o permittirão, os officios da humanidade. 

Activo, prudente, vigilante e compassivo trabalhou em suflfocar a 
lavareda, que podia um dia consumir todo o edifício da sociedade. 
O velho, encostado ao bastão^ que lhe firma os passos, carregado de 
tristes annos ; o menino, que apenas sahe dos ternos braços da ca- 
rinhosa mãe ; a donzella na aurora da sua idade ; vestida em gala a 
matrona virtuosa, e a que já, por decrépita, depende de soccorro de 
mão alheia — todos applaudem, todos festejão a alegria publica. Ao 
travéz da escuridade das noites, brilhão as luminárias em todas as 
casas, cobertas de ricos damascos e de finas sedas ; ornado está o 
Sanctuario, em que se entoão os cânticos e os louvores do Omnipo- 
tente : que mais claras experiências do amor e da sujeição, que nos 
une â Augusta Soberana ! Sirvão embora a reprehender a aleivozia ; 
sabem os Céos que, referindo-as, sò procuro justificar a vossa honra 
e attrahir-vos á gratidão do Rei e á dos bons vassallos. 

Brazileiros! vós sois dóceis, sois intelligentes, homens taes obrão 
sempre o que ô justo, ainda que a lei o não declare. O que não sabe 
discorrer e premeditar á tudo se atreve. As grandes revoluções são • 

acompanhadas de funestos desastres. 

Que coisa tem o homem que mais ame do que a vida? Rios de 
sangue inundão os campos, em que a guerra civil se manifesta e 
sobre cadáveres marchão as tropas tumultuosas. Depois da vida, que 
bens mais preciosos do que a mulher, os filhos e as riquezas? As mu- 



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• 



ARCniVO PUBLICO MINEIRO 409 

Ihoros violadas, os filhos despedaçados nos regaços das lacrimosas 
mais, roubadas as riquezas ! 

— Eis aqui os primeiros fructos da sediçúo. — 

Sois virtuosos e o umor da nossa Reli^'irio nos possuo, porque sa- 
beis que um dia vos elevará acima da terra sobre as abobadas do Fir- 
mamento, aonde ó o Paiz das Delicias. Que devo, pois, dizer a ho- 
mens que conhecem que o bom vassallo ô o bom clirist3o e que o vas- 
sallo pertido não tem direito aos promios, que esta só verdadeira Rc- 
lifrião podo dar? Persuadido estou que estas idéas vos assistem: 
presente tenho a vossa educação, do que participei e o vosso modo 
do pensar. A tolerância, o libertinismo são vicios entro nós abomi- 
nados e a mudança de governo produz sempre ;i da Reliírião. A Hol- 
landa, a Suissa e os successos actuaes de uma Nação inconstante as- 
sim o attestâo. 

Quando nâo fosse a virtude, estes motivos de interesse e da Pie- 
dade constituem a necessidade do obedecer. Também os nossos Au- 
gustos Monarchas tèm sido os modelos dos Reis perfeitos, e os seus 
povos jamais so arrependerão do boamente os servir. A Rainha, Nos- 
sa Senhora, tendo-Ihes succedido pelos direitos do sangue, succedeu 
também aos direitos de ser obedecida. Excedendo-os na clemência, 
qual de nós deixará de a servir por inclinação o zelo? Excedendo-os 
na liberalidade, que recompensas devem esperar os vassallos bene- 
méritos ? 

Sim : este não è algum dos governos populares, em que tantos os 
Soberanos, quantos são os membros, quo os compõem, conduzidos 
pela força, pelo tumulto, e pelas paixões ; porque na Aristochracia 
cessa a moderaçãD ; e a virtude nos governos do povo degenera. 

Aristides, por justo, (pois se lhe não imputava algum crime) pa- 
dece os rigores do Ostracismo. Sócrates, virtuoso, é reduzido á ne- 
cessidade de beber a cegude. O eloquente Demosthenes, este cidadão 
amante do bom de Athenas, expira com o veneno. Annibal, o vence- 
dor de Canas, a gloria de Cartago, mendiga na corte de um Rei os soc- 
corros que a Republica lho nega. Entremos na antiga Roma, tão ze- 
losa de sua honra, como do seu poder. Que monumentos não en- 
contramos do sua tyrania ! Aqui esta o Capitólio donde foi, por cri- 
mes suppostos, precipitado o seu salvador, o invencível Manlio. AUi 
so divizão os logares, em que os Grachos foram mortos. Pergunte- 
mos pelo orador romano, pelo grande Catão, por Cassio e Bruto, os 
últimos romanos, todos (se nos responderá) forão victimas sacritica- 
das ao ódio, á vingança e ambição dos seus contemporâneos, mais 
determinados a darem-se á morte do que a esperal-a de mãos 
alheias. 

E por não oflfender o meu século, deixo de referir os exemplos, 
que elle me sub-ministra — de iguaes governos , 



419 REVISTA DO 

A Polónia, a Itália, povoada de Republicas, vos offerecem em 
seus Fastos o que eu dizer não devo. Membros de uma Mcnarchia 
(com que gosto o digo !) mais do que de uma Rainha, gozamos de uma 
adorada Mãi, que só nos offerece a imagem da benevolência, com que 
aflaga, a das suas virtudes e a lemberança de seus benefícios; mais pie- 
dosa do que severa; sabia, justa, magnânima, generosa... Deus im- 
mortal ! conservai-a para o nosso bem. 

Nossos avós, tSo firmes nos seus discursos, como nos seus proje- 
ctos e resoluções, reconhecerão as vantagens do governo, a que a 
a Providencia nos subordinou. 

No campo de Ourique, a custa do sangue, com que o tingirão, 
Sustentarão, o titulo do nosso primeiro Rei. Firmarão o Senhor Dom 
João 1.° no Throno dos seus Progenitores. 

Ainda hoje ouvimos lamentar o dia da Africa e nem a investidura 
feliz do Senhor Dom João IV da Familia dos antigos Reis, obra dos 
nossos generosos accendentes, tem podido apagar a memoria de tão 
funesta perda. 

Imitando os exemplos dos seus maiores, foram os Brazileiros os 
que resgatarão o Rio de Janeiro conquistado, os que, vencendo um 
povo forte e atrevido em defeza da Bahia e Pernambuco, ganharão 
perpetua vida. 

E vós, briosos Militares, acabais ha pouco de dar mostras que 
ainda não degenerou em vossos espíritos e antigo brio e a constân- 
cia de servir ao Príncipe. Certos que o bem commum precede o par- 
ticular, ainda que este seja sustentado na amizade ou no parentesco, 
vós obrastes em consequência. O pai, o amigo lançaria os ferros ao 
filho e ao amigo criminoso. Oh! Santa Fidelidade ! Oh ! Amor da Pá- 
tria ! Tanto é certo pue as virtudes de um povo se communicão à 
sua posteridade ! 

Verdade é que as vossas virtudes, Brazileiros, acompanhadas de 
raríssimos talentos, com que a natureza vos enriqueceu ; essa inclina- 
ção que vos leva apoz as bellas lettras e as sciencias, vos tem adquiri- 
do as distincções, que se costumão dar ao merecimento. As mitras, 
as togas, os botões, estes honrosos prémios são conferidos aos Brazi- 
leitos da mesma sorte que aos naturaes do Reino. Lisboa, Coimbra, 
Rio de Janeiro, Portugal, o Brazil, os Senhorios da Africa e Ásia o at- 
testão. 

Nenhuma differença entre uns e outros ; todos tém o mesmo Rei, 
a mesma Pátria commum: todos são vassallos. 

E si devo dizer tudo o que agora me occorre ; vós, tendo a honra 
de sereis admittidos aos beneficies ecclesiasticos de Portugal igual- 
mente com os naturaes, tendes a vantagem de sereis preferidos aos 
do Brazil com a exclusão d'aquelles. Os legares de lettras, os postos 
militares são occupados pelos vossos compatriotas — Não é preciso 
sahir d'aqui para vos apontar exemplos. 



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AIICHIVO PUBLICO MINEIRO 411 



Parece-me que nSo devo levar mais longe o meu discurso, ennu- 
merando todas as consequências da rebeldia e os motivos que fagao 
em nós pernianocer o espirito da tidelidado, e da obediência. 

Possa a piedade da Rainiia, nossa souliura, merecer que o futuro 
procedimento dos seus vassallos lave a negra macula da aleivozia e 
tenha embainhada a cortadora espada da justiça; esta piedade prati- 
cada com os aggressores do um crime, que ou não acreditaria, si 
relles o não confessassem. 
Illm. e Exm. Sr. — O conceito que sempre liz de um povo e de um 
povo Portuguez, fundava a minha duvida ; porque nunca deixei de 
reconhecer a probidade, a inteireza o a circumspecgão de V. Exc. Tam- 
bém estas virtudes que felizmente illustrão a V. Exc. e depois o zelo 
e as luzes de Ministro hábil, que trabalhava dia e noite nesta causa, 
forão os únicos, mas sólidos fundamentos com que eu argumentei 
não poucas vezes contra a minha incredulidade. 

Amados Portuguezes, (assim vos devo chamar) dirijão-se os nossos 
votos a pedir ao Céo a vida e a felicidade desta Rainha, que faz a 
nossa; a do Principe, nosso Senhor, no qual já respeitamos as precio- 
sas virtudes de sua Augusta Mãi, e a conservação do nosso Exm. Go- 
vernador por utilidade do Estado e nossa. 

Renove-se hoje o antigo juramento de nossos maiores, promettido 
ao Fundador da Monarchia e aos Soberanos descendentes. 

Mas para quo? Exms. Srs. Magistrados, Senadores, Nobres, e todos 
os que me dais a distincta honra de attender-me, sejamos testemu- 
nhas do jubilo e do prazer que se distingue no semblante do povo, 
que se presta a repetir o seu juramento. Basta, Portuguezes, o de 
nossos ascendentes a ligar- nos. Os Vassallos honrados (bem que não 
fossem prezos por este sagrado vinculo da Religião) amarião e obe- 
decerião aos seus Príncipes. Quanto a mim, cidadão no vosso Paiz, 
vosso amigo, admirador das vossas excellentes qualidades, espero que 
os vindouros, contemplando os vossos merecimentos, reconheção a 
candura e a sinceridade, com que hoje fallo. Vejão elles e de vós 
aprenda o mundo inteiro o amor da Pátria e o que se deve aos Pais 
da Pátria. 



Não era somente o terror geral iuauflado pelo despotismo dominante 
que inspirava, a22de Maio de 1792, ao orador da Camará de Villa 
Rica os conceitos e exclamações, com que elle buscava realçar a festa 
deshumana encomiástica de execranda tyrannia. A' quelle terror 
que a todos dominava, prosternando-os diante do governo implacável, 
accrescião motivos que lhe erão pessoaes e concitavão-lhe quantas 
loas e homenagens pudesse dedicar genuflexo ao despotismo cruento, 
ainda uma vez triumphante, oní protesto do sua extrema fidelidade e 
illimitada reverencia de vassallo obedientissimo. 



412 REVISTA DO 



Tres annos antes, logo apôs a abertura da devassa de Minas-Ge- 
raes; não escapou o Dr. Diogo Pereira Ribeiro de Vasconcellos ás sus- 
peitas de cumplicidade na Inconlidcncia Mineira. Parece mesmo que, 
confiante no bom êxito da gloriosa conspiração, chegara a detrahir 
do governo da Capitania, ousadia immensa, crime imperdoável que 
importava averiguar-se para ser severamente punido ; e, mais, dizia-se 
que não fora elle estranho ao apparecimento, á noite, em Villa Rica, 
do um vulto rebuçado, que andcàra avisando mysteriosamente aos 
conspiradores acerca da prisão contra elles já resolvida eaconselhan- 
do-lhes a fuga e a queima de quaesquer papeis que os pudessem com- 
prometter — episodio este que não foi ainda elucidado e que preocupou 
e irritou muitíssimo ao governador Visconde de Barbacena. 

Por esses factos suspeitado — foi preso e recolhido à cadêa de Villa 
Rica o Dr. Diogo Ribeiro. Submettido em seguida a interrogatórios, 
negou obstinadamente a menor co-participação nos crimes menciona- 
dos e mesmo qualquer conhecimento das occurrencias investigadas. 
Foi solto, mas íicou-lhe no espirito aterrorisado impressão pro- 
funda da perigossima situação em que estivera : d'ahi as expansões 
de sua oratória, encomiástica do despotismo, a raivar impropérios á 
memoria do « perfldo e abominável» Tiradentes, em face mesmo á ca. 
beça do martyr, erecta em poste de ignominia, que a justiça da His- 
toria assignala e illumina como de gloria immorredoura. 



Factos bem significativos e testemunhos insuspeitissimos attestão 
assaz que as festas do despotismo em 1792, commemorativas, no Rio de 
Janeiro e em Villa Rica, do supplicio de Joaquim José da Silva Xa- 
vier, não forão sinão productos da acção deprimente do governo e 
seu séquito, armados e omnipotentes diante do povo inerme e cons- 
ternado no luto de suas tristezas abafadas e no mallogro de suas es- 
peranças patrióticas. Mixto de terror, por parte dos Brazileiros op- 
primidos, e de servilismo, por parte dos asseclas do Poder, ellas sym- 
bolisavão apenas, no apparato olficial que as revestia, as exéquias da 
Liberdade sonhada; e as A'ozes de seus oradores, ultrajantes da ver- 
dade e do próprio decoro humano, não tinhão siquer em sua corteza- 
nice ignóbil a abnegação do —Are, Ces«r.'— tantas vezes apostro- 
phado na arena do sacrifício pelas victimas dos senhores de Roma : 
batião palmas ao supplicio e saudavão os algozes para efflcazmente 
premunirem-se contra as suspeitas, então não raro homicidas e sem- 
pre funestas do Poder. 

Intensa e mal disfarçada consternação acabrunhou o povo mineiro 
em Villa Rica, I\íarianna, S.João e S, José d'El-Rey, em toda a Capi- 
tania, emfim, ao ter noticia da ])arbara sentença da alçada, em vir- 
tude da qual soílreu Tiradentes o atrocíssimo supplicio e seguirão 



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ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 413 



para o mortífero desterro d' Africa Alvarenga Peixoto, Maciel, Gonzafra, 
e outros varões notáveis, os mais jiraduados em Minas-fíeraos por lul- 
pores do intellifícncia opresti^^ios da estima e conliança publica. Luto 
o temor avassalarão os ânimos, gerando appreliensões de novas des- 
graças ; o numerosas forão as íamiiias dos perseguidos o parêntese 
amigos seus— que emigrarão para as Capitanias visinhas, compellidas 
pela ruina de seus liaveres confiscados, ou pelo receio do reaccendor- 
so implacável a fúria do despotismo triumpliauto. INIinas-Geraes of- 
ferecia um espectáculo do melancolia e abatimento contristadores, 
accelerando-se então a decadência do seus povoados, outr'ora flores- 
centes e ricos, de seu commercio, de sua industria e de todos os 
ramos de trabalho a que dedicava-se a populaçílo. 

Em meio dessa geral desolação, e resumindo-a no remorso da pró- 
pria infâmia, o primeiro denunciante dos inconfidentes — Joaquim 
Silvério dos Reis — depois do haver repetidamente estendido a mão 
para receber o premio da traição, fugio para longes terras, do Norto 
do Hrazil, mudando de nome, receiando que o prostrasse a vingança 
movida por alguém, entre as innumeras pessoas que, directa ou in- 
directamente, desgraçara. «Apontado por toda a parte, observa o es- 
criptor citado, não como o catholico e vassallo, que não esqueceu des- 
empenhar a honra e fidelidade de Portuguez, segundo a qualificação 
do accordão da alçada, mas como o denunciante de seus amigos, vio- 
so obrigado a rctirar-so com toda a suafamilia para a província do- 
Maranhão acompanhado das maldições de um povo inteiro. Lá mes- 
mo o perseguião vivos remorsos e sinistras visões. A cabeça de Tira- 
dentes tinha sempre os olhos pregados nelle ! Jamais dormio tran- 
quillamonte. Interrompíão-lhe o somno os ais dos martyres que ge 
mião no exílio. Fugião-lho as doçuras da vida, e somente a misé- 
ria com o cortejo de terríveis necessidades o visitava. IMudou de 
nome, como mudou de terra, mas onde poderia elle esconder-se, e 
como dísfarçar-se que não fosse descoberto, conhecido e apontado como 
um malvado que ostentara a sua traição e se ufanara da sua paga ? 
Era Caim, que trazia impresso no rosto o estigma indelével da re- 
provação eterna. » 



Do segundo o não menos perverso denunciante da Conspiração 
Mineira, Basílio de Brito Malheiro do Lago, ha depoimeuto solemnís- 
simo attestando o ódio nobre o concentrado do povo mineiro contra 
os malvados que perseguirão e matarão, no cadaAiIso e no 
desterro, os gloriosos patriotas da Inconlidoncía, attestação que 
prova â evidencia quanto havia de ignóbil bypocrisía, do covarde ser- 
vilismo o de mentira, falsidade e coacção invencível nas «festas do 
despotismo» em applauso ao supplicio de Tiradentes, e nas palavras 



414 REVISTA DO 



dos oradores sacros e profanos que se congratulavão por ellas e vi- 
tuperavão a memoria d'aquelle que aflrontára impávido a tyrannia 
e, heróico e abnegado, fez-se o proto-martyr da liberdade nacional. 

O depoimento de máxima significação a que alludimos é o testamen- 
to do referido denunciante, tenente-coronel Basílio do Brito Malheiro 
do Lago, escripto a 25 de outubro de 1806 na, então, \ illa Real de 
Nossa Senhora da Conceição de Sabará, ali approvado pelo tabellião Plá- 
cido António de Araújo, e aberto pelo provedor da comarca, Basilio 
Teixeira Cardoso de Sà Vodra Freire, aos 12 de agosto de 1809. 

Nesse acto solemne, expressão de sentimentos e ultimas vontades 
d'aquelle denunciante dos Inconfidentes, leem-se^ entre outros tre- 
chos referentes ao povo mineiro e ao governo da metrópole, os se- 
guintes, que bem corroborão a verdade de nossos assertos relativos á 
legitima origem e causa das «festas» de 1792, com que, no Rio 
de Janeiro e em Minas-Geraes, foi commemorado o lúgubre aconteci- 
mento de 21 de abril do mesmo anno, n'aquella cidade. 

Eis os alludidos trechos do testamento de Basilio de Britto : 

« Declaro que nunca nem por pensamento fui inflei aos meus sobe- 
ranos, que ninguém melhor do que eu conhece a submissão, obedi- 
ência e lealdade que devemos ter ao Rei de quem somos ou nasce- 
mos vassalos, e ao meu filho lhe peço que nunca perca de vista a 
lembrança a estes sentimentos e não lhe sirva de obstáculo o sabe?- 
elle que todo povo das Minas e mesmo de todo Brazil me concebeu uni 
impacavel ódio, depois que se premeditou utmi conjuração nas Minas 
para matarem o Visconde de Barbacena que as governava, e subtixihi- 
rem-se da obediência de seu legitimo soberano isto é, so por o Vis- 
conde me achar com capacidade para eu ajudar a ter mão no levante 
que querião fazer e eu o ajudei bem, mas fiz muito pouco a respeito 
do que era capaz de fazer, si fosse a mais a negra conjuração. 



« Pelo ódio que todo o jmvo me tem 2M7'ece-me que hei de morrer as- 
sassinado, isto mesmo já o puz escripto na mão do Governador actual 
Pedro Maria Xavier de Athayde e Mello, mas providencia nenhuma 
lhe vejo dar ». 



Conhecidas, como são, pelos escriptos dos chronistas, as deplorá- 
veis condições, sob diversos aspectos, da Capitania Mineira, após a 
execução do accordão de 18 de abril de 1792 que condemnou os «réos» 
da Inconfidência, condições para as quaes muito contribuio essa des- 
humana e repulsiva sentença; apreciados, em sua significação exem- 
plificadora, os actos de Joaquim Silvério dos Reis, em seguida â pu- 



f 



s 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 415 

niçíío dos patriotas mineiros — sua fuga para o Maranhão e mudança 
de nome, seus terrores na perspectiva do vinganças, seus remorsos, mi- 
séria e desprezo em que ílcou ; attendida, no espirito o na letra, a con- 
fissão testamentária do outro delator, Basilio do Brito, que alardéa 
como titulo de nobreza o ódio profundo e geral de que se tornara 
objecto em Minas pelo seu procedimento na imminencia da Revolta 
em 1789, a ponto de considerar seus inimigos flgadaes todos os Mi- 
neiros e ter funda convicção de morrer assassinado ; — podem correr 
mundo, á luz da publicidade, as doscripções das « festas populares » 
em applauso ao martyrio de Tiradentes, e com ellas os sermões e 
discursos dos frades e bacharéis que de taes abominações participa- 
rão, em prove'to próprio e reverencia humilde diante do despotismo 
omnipotente. Valem apenas como documentos históricos, caracteristi- 
cos da época ; e si mostrão quanto pode o modo em phases de 
tyrannia, servem também de estimulo aos espirites generosos e livres 
para jamais postergarem os princípios sagrados da Justiça, para 
jamais arrefecerem no culto nobilitante da Liberdade. 



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V 




Sobra a utilidade publica sm se extrahir o ouro dai MinaS) e 
os ir.ctivos dos poucos interesses que fazem os particulares^ 
que minsrão actualmente no BraziU 

POR 
&nfonio z/ircs c/a còiíoa z/on/es -ôano 

Sócio da Academia (*) 

Deoipiíiiur Speoia reoti (ox Hort.) 

(Manuscripto do Archivo Publico Mineiro^ 



111."'" o Ex."* Senhor. 

Seja-me permittido pòi' na Prezença Respeitável de V. Ex,* esta 
Memoria, emq/ V Ex.»' tom todo o Direito de Propriedade pelo q." foi 
servido ensinuar-me quando ha três annos tive ahonra de referir a 
V. V,\^ os factos da extracção do ouro, que nas minhas viagens 
polas Capitanias de Matto Grosso, e Cuyabá tinha prezenciado, enam.* 
primoií-a idade nas Minas Geraes ; agora que os Dominios ultrama- 
rinos tem alelicidade de ver a V. Ex.*. Ministro daquella vasta Re- 
partigão he tempo q." eu restitua nas maons de V. Ex.* este Deposito 
de ideas, q." V. Ex.' com a mesma bondade comq.° as exitou será 
servido de corrcgir : Sou 

Im."' e Ex."* sr. D. Rodrigo de Souza Coutinho 

De V. Ex/ 
Súdito reverente e fiel creado 

António Pires da Silva Pontes Leme. 



(*) O Dr. António Pires da Silva Pontes Leme foi um distiiiclo Mineiro. 

Nasceu no municipio de Marianna «'m melados do passado século. Graduou- 
se eni miilliemaUiiia na Uuiveisidado de Coimbra em 1777. Foi capitão de fra- 
tíala da Ucal Armada Porlu^'ueza ; lente, om Lisboa, da Academia do Marinha, 
e sócio da Academia das Sciencias, da mesma cidade. No anuo de líSOO foi 
nomeado governador da Capitauia do Espirito-Santo, e falleceu a 21 de abril de 
1805. 

F' andor de diversos e im|iortantes trabalhos de geoíjraphia, ede mathema- 
ti<'a, al<.nins dos quaes inéditos, como inédita esteve até agoraa «memoria» que 
hoje publicamos. —Nota da redacção da Revista}. 

(a) Na 1'rovincia do Alinho não ha pedras calcarias, e a brancura nos ediíi- 
cios mostra luxo. 

R. A. P.— 2 



418 rsvisTA DO 



I^IlOXiO G-OlVt E3sro 



Hum artigo da Encyclopedia nos diz que «quanto for maior a 
« massa do ouro na Europa, tanto mais Portugal sorá pobre, tanto 
« mais tempo será elle liua Provincia de Inglaterra, sem q.® por 
« isso ninguém seja mais rico; diz mais o mesmo artigo (q.' he de 
« M.'' D'Amilaville) que o ouro, e os diamantes do Brazii tem. leito 
« de Portugal opaiz mais árido, ehum dos menos habitáveis da 
« Europa. 

O principio escliolastico,deq.' «qui nimis 23)'obat,nihil p7'obat» «quem 
prova demais nada prova» basta p.^ nos fazer suppor vicio nesta 
Propozição; a Provincia do Minho oíferece nos legares d'antes os mais 
incógnitos, novas fazendas, novos empregos de trabalhos, de agoas, 
e, de culturaz ; cazas cayadas, edicentes (a) pelJos montes, e outei- 
ros, outras athe estultam.^ soberbas ! e perguntados os visinhos, eos 
habitantes, tudo seredus a trabalhos, e edeflcaçoens de homens, q.« 
elles chamão Brazileiros, ou Mineiros ; que como dis onosso Poeta 
Garção «Nos Tugúrios Paternos não cabendo » elevão palácios, ti- 
rão agoas de remotas, ou visinhas serras, e povoão de Oliveiras, 
vinhas, eSoutos de Madeiras de Lei, pomares, eCampos de trigo, 
aquelles antes áridos outeiros ! Com effeito so o ouro pela proprie.'^" 
q.« tem de representar no Comercio todas as permutaçoens, he q.*" 
podia ahum tempo fazer os Ediflcios, levantar as agoas, aplainar os 
Caminhos, e fazer nascer hua Freguezia, onde não havia mais, q.*' 
hua choça de pastor. Se pois toda apermutação que não se habilita 
por meio do ouro, sefas tão penoza, como impossível, donde vem 
esta ennovação de Dogma emPolitica, de banir aquella matéria, q.'' 
acouvenção do universo fez amais própria p.^ baratear os outros 
géneros, q.'' os seos transportes encarecem ao dobro, ao triplo etc. ? 

Suponhamos porhum inst." o fundador deste ^tM cazal com ce- 
leiros immensos emhum dos portos de mar, como podia estehomem 
hir establecer hum prédio na Serra do Morão, da INIiranda oudo Ge- 
rez, onde elle teve oseo nascimento ? Elle pagará, diz Amilaville 
com trigo, q." lho hade la levar ? perguntaremos ? não só p.^ susten" 
tar os seos trabalhadorez, mas p.* lhes pagar com elle ; o carreteiro 
de q."» elle percisa tem pão p.^ sua caza, logo não vai la portrigo; 
levara pano;., levara bacalháo, levara azeite, mas omercador de- 
panos não quer trigo, q.° não tem celeiros p.^ elle ; O Almocreve, 
q.** leva obacalháo não quer tornar carregado com elle porpaga doseo 
trabalho, o azeite he quasi inútil, aq.'" não tem fabricas deSabão, nem 
tem precizão de mais Luz q.*' ados seos tiçoens. 

Emfim orezultado he não cultivar a Serra, nem o Monte, eviver 
do Leite q."= as ovelhas derem, mas estas p.» se comporem nospoem 



ti 



ARCHIVO PUDLICO MINEIRO 419 

outra VOZ no embaraço ; logo esta especioza asserção lio inútil anos 
tomaila a>!siiu ooni toda asua pompa, otuda asua cnphasi ; bom perto 
ileLisboa secriaVcão os vossos naSurra do Cintra, odcpois desta maio- 
ria, q." circula entro noz, Cintra lie o I'araizo dcFortugal : diga pois 
â nossos olhos o Eneyclopedista (|.' o ouroles do Portugal, bum paiz 
nrido. 

As Minas (.ioi'aes sáo hoje noContinento danossa America oPayz 
das conuididados davida, esó o ouro o o (es assim; não se encontrrio em 
outras Capitanias mais q/ ariqueza dos géneros em bruto, algodão, 
arroz, assucar, cacáo, caírò, mas não lia maons intermédias, q." se 
occupem em multiplicar as outras comodidades ; Os ricos fazem bua 
Villa dosuas Cazas p.k terem oq.'' hão mister, emquanto nas Minas 
Geraos luins vivem do cultivar as maçaans daEui'opa, os pecegos, os 
marmelos, outi'os de osbencíiciar cmdocos, outros de fazer sabão, ou- 
tros mesmo defazer calçado de couro, o de páo ; muitos depreparar as 
carnes doptirco, outros de vaca, outros de queijos, etodos estes achão 
cada hum oseo cómodo, porq/ resgatão aquellas obras por ouro, 
com oíjual tudo comprão ; eiilim esta so verdade, que vamos enun- 
ciar he ussima das Encyclopcdias. 

«Hua Nação porter hum género do mais, q.'' as outras não pode ser 
mais miserável q.' ellas, senão por abuzo ». Vejamos pois emq.-- 
consiste oorro, odeichemos osistcma doLaw, e dos assignados, que não 
havendo ouro, comq.<" sepaguom a hora, q.' sequer, nada valem, 
tudo he chimerico, fútil, eso espcciozo aovulgo pobre, esequiozo 
dehum metal q.^ Ihefogo. 

Os exemplos são demaneira notórios, q.' seria abuzo dabenevolen- 
cia areferi-los, resta pois som."^ hua observação defacto, ehe apouca 
utilid." das fabricas do minerar p.* seos donos, a q.' vamos suprir 
com as observaçoens seguintes, q.' sefundão sobro anecessidade das 
sciencias Fyzicas Mathematicas, o da Metallurgia noContinente das 
-Minas Geracz polia dilliculd.'' actual de tirar o ouro. 

As Minas Cioraesamedida, q.*" seforão povoando, forão-se também 
nellas dellicultando os trabalhos p.' aKxtração do ouro, sondo odos 
primitivos Descobridorez ou á ílor daterra em os focos, q.' a .Matriz 
geral ofes ver, emq.« so tomava às maons apenas denegridas asfolhe- 
tas, emassas deseo regulo, pellos fogos periódicos, q.' se oteião nas 
pequenas gramas, erelvas, q.' revestem de ordinário os cimos destas 
Serras auríferas ; ou nos quartzos, huns Lácteos, outros byalinos, aq. 
ovulgar chama cascalho, porsima doqual corro avèa, oude grandes rios 
ou de ribeiras o corgos perenes ; estes depósitos q.' apratica tem feito 
verq." não são a-j próprias oilicinas do ouro, mus sim oriundos dos 
montes, e arredondados polia rotação, q.' experimentarão noseo 
curso athó por-seem equilíbrio, e limentar-se com deflerente glutem, 
ou argilaceo, ou achraceo ; estes depósitos digo forão doliua grande 
veatagem p.* abundância do ouro, q.' os Proprietários das .Minas Ge- 



420 



REVISTA DO 



raes acharão emquanto os entulhos, e enxurros dos mineiros dos 
montes não cobrirão denovos estratos, ousedem.''^» solúveis nagoa, ou 
de aréas aquella substancia auriíera. 

Inda q.' estas lormaçoens de cascalhos se vão empobrecendo áme- 
dida q.' os rios crescem nocabedal d'agoas ese afastão daserra Pri- 
mitiva, comtudo agrande dimensão emprofund." q.' tem os d."' sóli- 
dos de cascalho offerecião aos Mineiros hum trabalho profícuo, em- 
quanto não havia desmontes, e entulhos, q.' os cobrlão ; logo porem 
q.' esta diíficuld.'^ scíez geral recorrerão as Machinas Hydraulicas, 
conhecidas pello nome deRozarios, entre os q.' tratão afaculdade, 
com estas esgotão ospossos, ou catas como elles chamão e ovazio, 
q.' deicham as matérias úteis, ou cascalhos, q.- devem tirar induzem 
sempre hua grande praça, oq.' pella regra geral dosfluidos oíferece 
hua infinidade de fontes p.^ dentro dofosso, q.' se acha mais, emais 
baicho ; e estas fontes como outros tantos Cyfoens enchem delivel 
com aagoa dorio aquellas praças, logo que amachina se interrompe ; 
machina ha destas, q.' consta de quatro centas chapas dei erro, ecada 
chapa de oito Libras depezo, fora as cavilhas, ecliavetas domesmo 
metal, oq.' asfaz summam.« dispendiozas, etoda avez, q.' ocaixão sobre 
q.' ella trabalha por seos rodetes passa do angulo de 45/ com ohori- 
zonte, tudo se maltrata, e dispedassa. 

Comtudo os Mineiros chamados de rodas inda hoje não sabem ou- 
tro methodo de esgotar aquelles possos, senão com estes Engenhos, 
q.' dependem de ixiM ferro, esuposto q.' as Minas Geraes sejão quasi 
todas de ferro, q.' os Naturalistas nomeão por Emathytis, eos natu- 
raes Tapanhuacanga, q.» quer dizer na Lingua Brazileira Cabeça de 
Prelo ; e q.' tãobem oferro atractorio, ou Magnético seja alitão vul- 
gar, q.' passão aser hum jogo da infância em muitos povos daquelle 
Payz os fenómenos sabidos deste mineral, e os adultos com elle apar- 
tem do ouro empo oesmeril, q.' porser tãobem mina deferro so por 
este meio se separa do ouro emseco ; com tudo não se aproveitão 
desta nova fticuldade para ósseos trabalhos, assim lançando |os Minei- 
ros oferro q.' lhes oíferece anatm^eza mesmo com importuna libera- 
lid.e , esporão pello ferro deBiscaia, eda Suécia p.* combater oferro 
das suas Lavras, como são todas asq." decorrem de VillaRica athe o 
Itambé por mais de vinte, esinco legoas deserra opulentíssima, emq.' 
as pedras desta ultima nomeada são massas magnéticas, eas ensea- 
das ebarrocas destas serras demeio corpo p.' baicho, são cheias de 
mato de Ley que elles cliamão Canella preta, ejulgo espécies dePor- 
tlandia, segundo ohabito da planta, esítio dasua vegetação ; tal he 
poiz acarencia de conhecimentos no paiz q.' nem inda hua tentativa 
consta seíízesse p.» seutelizarem de tantas condeçoens afavor dehum 
metal doprimeira necessidade, eq.' o ouro q.' com elle tirão he ne- 
cessário, q.' va ter fora dos seos Nacionaes, e doseo Soberano, quando 
comqualquer principio d'arte sepodcm construir osfornos em q.'jun- 



i 



ARCHIVO PUniJCO MINEIRO 421 

tem aquellas diíTorentos espocies de forro p." formarluim, q." seja mal- 
loavol, o acapaz p." os u/os, q.' lhes díío os lei-poiros Ofdinarios. 

Si as Lavras do roda dependem destes cabedaes doforro não me- 
nos a dos veeiros de podras, q.- porserem quartzozas, ou Spathozas 
rezistom átrituragão, quo lie necessário fazer á pedra, para largar os 
facilos, oufaiscas de ouro, que porser este hum metal emsummo {?ráo 
divizivel, como na Fizica particular dos corpos sosabo, esta permean- 
do por toda apedra, ecoiuo não so uza nas nossas minas do methodo 
doazouse, oiida escoriticagão pello chumbo, todo o ouro, q.« nao he 
sacudido dos intersticios da matriz, selança com ella, ese condena 
como intractavol. 

Minas riquíssimas depedra se a])andonão, japollo muito ferro ebra- 
çosq.' hão mister, Ja por senão uzar de outro metliodo senão odeLa- 
vadero oudoLavagens, q." he ounico deq.' temos idea naquelle nosso 
Continente aurifero. 

São os montes demuitas destas minas, esuas pissarras, eterras au- 
ríferas lardeadas de antimonio, o sendo estaiiua substancia amais 
própria p.* livrar o ouro dasfezes, ou matérias estranhas q.' oacom- 
panhão, nenhum uzo sefaz delle ; como os.'" Vandelli ja indicara nas 
suas Prelocçoens, mas este artigo não éobjecto tanto dos particula- 
res, sendo omaior detrimento o de S. Mag.' no uso dosublimado cor- 
rozivo, deq.' faz depender assuas Reaes cazas defundigão, e de 
moeda. 

Sendo poiz omethodo o único de q.' uzão as nossas minas deLava- 
gem, são as agoas q.« se conduzem demuitas legoas dedistancia oobje- 
cto principal dos mineiros de grandes fabricas, eamais felis propriedade 
deq.'J S. Mag.« lhes ias graça porsuas cartas dcData, porq.'esta he oseo 
movei único ereagente p.* descobrir oouro, ep-^^ orecolher ; esendo o 
Nivellamento hum corollario. ou ramo deSciencia da Figura da Terra 
eportanto hum problema, q.' admitte rozolução exacta, he comtudo 
naquelle Fayz hua tentativa, eas mais das vezes vão trazendo com- 
sigo a agoa por sesogurarem, evão parar com ella depoiz demuitas 
despezas em obstáculos, q.' terião prevenido ! e como este he o assunto 
dos Capitalistas maiores daquella Província, ja se vè autilid.s que te- 
riam se a Theoria da Hydraulica porlma parte epor outra aGeometria 
os conduzisse. 

O outro grande objeto daEconomia Mineral q.» he ode impregar os 
animaes brutos em vez dehomens, emtudo q.' pode adjetívar-se, 
he principio como detodo desconhecido ; não fazem os mineiros mais 
q.' augmentar onumero dos escravos p.* qualquer empreza de 
forsa, e se oblevião d*este agente para assuas machinas, esendo ja 
m.'" caros os escravos pellos direitos, q.' trazem por capitação desde 
aCosta dWfríca; asua subsistência moral, theologica e Medica Ihesfaz 
inda mais ruinozo ogrande numero dolles, sobre ser o emprego da- 
raineração do ouro aLotaria mais ruinoza aoparticular noparecer de 



3 



422 REA'ISTA DO 

Smith olhando p.^. os mineiros d'Europa, que sepoderâ dizer dos nos- 
sos na America, senão q.^ m,'" boas temsido as minas que os mantém. 

O Estado q:' afinal tira vantajens deste emprego he felismente 
onde por meio desuas Academias existem as faculdades de dirigir 
certas operaçoens comq.' elles se arruinão, e que liua carta exacta 
do Paj'z aurífero pode talvez emendar. 

A preocupação deq.« todo oContinente das minas Geraes tem ouro, 
e q.' indifferentcm.' nos lugares habitados pelos Gentios ferozes, enão 
cultivados inda pelos mineiros, deve achar-se afroxo esta substancia, 
he hua halucinação que tem cauzado aruina dem.'»^ mineiros nas 
jMinasGera.es, deichão aSerra mestra q.« pertence á cordilheira dos 
Andes, evai como hua Spinal meduUa deste vasto corpo, q.' chamão 
Brazil, extendendo-se desde Parati, e ?ilantiqueira athe Matto Grosso, 
quazi sempre em hua curva Loxodromica pellos paralellos de 20." 
19.° 18.° 17.0 ifj^o i5_o i4_o Q IO gpaos de Latitude Austral, -ese con- 
tão mais de 25.° de longitude, q.' ella comprehende emtodo este tra- 
cto, deichão, digo, os mineiros esta matriz do ouro, evão buscal-o 
agoas abaixo. 

A Experiência sempre tem provado, q.' são infelices estas expedi- 
çoens, ese tornão delias para oslugares deich;ulos, q.« são ouda serra 
geral, ou dassuas abas, carpidos daíbme, e quintados pellas armas 
doGentio, q." emnosso dezar passa ja dehuni século, q.' bloqueia 
aquella Capitania portodos ospontos cardiaes delia como a inimigos 
atrozes, q.' os querem dizapossar não do ouro, q.' elles não estimão, 
mas das-suas coutadas de Cassa, epesca, único objecto da sua pro- 
priedade Nacional. 

Mas fora destes descontos odestino^ q.' persegue oouro e osq.' se 
dão acata delle dentro do districto das ]\Iinas Geraes hehum facto de- 
Economia Politica Singular. 

1.° Oouro dentro daquelle districto hehum género, enão moeda 
como fora delle se julga ; he hum género q.' tem mais valor intrín- 
seco sendo dehua lavra, que de outra ; porq.« debaicho do mesmo pe- 
zo he demais ou menos quilates, isto he demais, ou menos partes 
heterogeiTias, q.' equivale aogenero mais, ou menos bons : portanto 
girando naquelle Distrito por muitas maons com omesmo valor obom, 
que o mão ha hua perda real daparte do primeiro possuidor ou mi- 
neiro, ehum lucro daparte do ultimo comerciante, q.' o leva a 
moeda. 

2.° Sendo género he ounico aq.' ocultivador não pode levantar 
opreço conforme o anno foi mais, ou menoS abundante, em grande 
desaventagem do proprietário. 

3." Ainda mais extraordinário he ter donti^o daDemarcaçãu das 
]\Iinas 20 p.r 100 menos doseo valor, doq.'! tem logo, q.' escapa a li- 
nha imaginaria doseu Limite. 



i 



ARCniVO rURLICO MINEIRO 423 



4," Sor necessário p.' esia cultura so he permitido prostituir este 
Èermo ! bruços doliomeiís, q.« vem capitiulos cmsomas, ([.' ellcs na- 
quella Lotaria talves não pagarão por muitos annos, q." durem ; 
sendo odostino das Minas Geraes tal, (j.' inda quando oRio deJaneiro 
1'oi livrado dotabaco p."" estanco, offerecerão aquellcs Colonos mais 800 
reis (MH cada escravo, q.' sobe p.* as Minas, e assim vem os Colonos 
das d.^* Minas apagar oconsumo q." fazem os doRio, alem dos outros 
impostos q.' lhes são peculiares. 

5.° Serem estes Entes, q.« trabalhão as Minas porsua natureza, 
eestado moral consumidores de matérias grosseiras no seo vestuário, 
o alimentos, eestas matérias grosseiras estarem carregadas dos Direi- 
tos nos Portos secos das Minas narazão deseos pezos, evolumos, e não 
na deseos preços evalores, sendo assim vantajoza a impozição p.» os 
q.' se deleitão com as matérias de Luxo, mas diííicil p." osq.» dispen- 
dem géneros dapa-imeira necessidade, como os q.' tem companhias e 
fabricas do minerar. 

6." A despeza quadrupla religioza infalível no exercício dos Sacra- 
mentos, Bulas e do óbito afinal, q.' tudo dentro das Minas Geraes pelas 
constituiyoens Diocezanas augmentão notalvelmente neste Paiz ara- 
zão composta doprego e do risco do mesmo escravo, as suas fugas e 
avarias são aqui multadas comgrandissinia desaventagem do dono ; 
porq.-' astomadias do escravo fugido se está em Quilombo (a) ou ran- 
cho demais de sinco, he ja contada por 25^000 r.^ , e afuga pequena 
do Ribeirinho, ou Eremita he de 4$800 r.^ pelas Posturas das correi- 
çoens ccomo os mineiros são os q.* tem m.*"^ escravos, epela disci- 
plina, e dilliculdade deseos trabalhos Ímprobos, os apoquentão, são 
também elles os q.** mantém as Esquadrai' dos Capitaens do Matto, 
sem os quaes toda via senão podem habitar aquellas Serras, nem va- 
dear as estradas ; as enfermidades endémicas, eas peculiares do trac- 
to da mineração, tudo isto forma huns contingentes deperda cem ve- 
zes mais prováveis, q.'olucro daLotaria, que omineiro fas com aterra 
ao acazo, sem maiz conhecimento de cauza, q.' asua possibilidade de 
romper mais profundamente aterra, oudo alevar com agoa porsima 
como elles chamão atallio aberto. 

Sendo pois nas Minas de ouro daEuropa emgeral a despeza doEs- 
tado, digo, do Erário de 10 p.-" 100 para extrahir ouro eprata das en- 
tranhas daterra, porq.« em geral oshomens se impregão ali melhor, 
q.' aquelles, q.' só vivem do Estado, mas porseu mesmo imprego na- 
da podem mostrar, q,- seja fizico, ou palpável, osó se impregão oupel- 
la segurança dos outros, oupara oprazor de alguns sentidos ou por 
culto sagrado ; ja se vè, q.' oEsiado q.« auxilia com 10 p."" 100 o tra- 
balhador das minas lhe vem ámão hua matéria que pellos seos uzos, 



(a) Nome das habitaçoens doa Pretos fugidos, eq.e se acha adoptado no Re- 
gimento cLeis ultramarinns. 



i 



(a) Todas as Potencias doNorte assignão premio aos Descobridores de Veasaa- 
feras; e anossa orden. Liv. 2.° Tit XXXllI. 

(b) Nas rainas-corre o ouro em pó enão ha moeda, assim deve se dizer do- 
preço da Bula que seja pago em ouro, enão de ouro. 



H 



424 REVISTA DO 

eprestimos naSociedade, e comercio, epello direito senhorial damoeda 
vem aser hum nervo domesmo Estado, facilitando as permutaçoens 
pella sua vasta esfera de representação ecomo tal compra excellente- 
mente omesmo Estado esta descoberta demetaes (a) : sendo pois, digo, 
as nossas minas não só destituídas deste auxilio, mas pela sua pozi- 
cão entranhada noContinente, e pelas novas somas, q.' lhe acrescem 
das Aduanas, e Portos secos, tão dilllcultadas nasua extração ; como 
se possa existir, e continuar aquele exercício, he hum paradoxo de 
Economia Social, maz q.' discobre arazão dapobreza de ouro, q.' so- 
frem aqueles, q.' tem por empreza recolhel-o daterra, que ao mesmo 
tempo abonão os quilates damesmas Minas. 

Parece q.e basta ao interesse doErario promover o augmento da 
população daqueles marcos p.* dentro, e dar hum premio atodo, q.« ali 
vai consumir vestidos, emantimentos Europeos, e os mesmos do Paiz 
em circuito, porq.' em passagens, registos, e Alfandegas, elle so 
por si he hua mina doEstado, vivendo como digo noPaiz demarcado. 

O Preço da Bula daCruzada hehum exemplo bem sensível desta 
verdade, deq.' so em augmentar o N.o dos consumidores ganha ali o- 
Erario emhua razão dupla do q.« fora dele. 

O Sitio, q.' chamão Rossinha da Negra nocaminho das Minas Geraes 
p.* oR.o de Janeiro, pertence ja ao Bispado do R.'^ o outro q.' dizem 
Simão Per.* he limite do Bispado de Mariana, estão á falia um do 
outro aquelles Lavradores, com tudo olavrador daRossinha dá pela 
sua Bula 300 rz de nossa moeda, em quanto o outro diz-lhe a Bula 
300 rz de ouro, expreção única na Bula, porq.e estes 300 rz se tra- 
duzem por meia oitava de ouro, q.' aoparticular vale 600 rz mas por 
meio da moeda vale 750, porq.« esta porção de ouro não se quinta, 
mas he recebido em natura ; derão pois infelizm.e o nome de vintém 

aquelles Povos a -^ de oitava de ouro, e isto bastou p.* fazer hum 

equivoco de unidades de valor, com unidades depezo ; não podem re- 
duzir-se aómesmo denominador, quantid.«s q.' se medempor unidades 

1 
heterogéneas : assim ovintem da Lei, ou -r- Jo tustão emvalor ne- 

nhua analogia tem com a estúpida denominação, que derão aopezo do L 

ouro, mas athe hoje pagão pelo dobro sua ignorância estes Colonos, V 

porq.' os exactores deBulas, ou Mamposteiros, o q.' querem são os 8 

p.f 100 desuas vendagens; e tanto estes, como osDizimeiros são Ques- 

tores q.' sempre fazem asua admoestação do encargo de conciencia, 

em não pagarem a Bula pelo tal preço de vinteins de ouro (b) emlugar 

dedizer hum vintém em ouro. 



^ 



ARCiriVO PURMCO MINEIRO 425 

Nos olllcios ifínalmonto civiz tudo lio qiiazi polo (lol)r'o, porq.« aEs- 
criplui'a feita naquolo Destrito he v. gr. odobro da outra, ocomo estes 
olllcios se reniatão em utilidade da Fazenda, logo havendo naquele 
destrito maior numero de contratos, maior capitação p.». S. Mag.» . 

O artigo dos Dizimes, este supomos constante em todo oRrazil, 
mas dentro das Minas o Mineiro so no quinto e Dizimo paga três de- 
cimas aS. Mag." , logo parece, (|,' inda não paganilo os impostos das 
fazendas, q.^jaforão taxadas emLisboa, eRio de Janeiro, etendo pela 
distancia dos Portos de alimentar mais Mercadores entre elles, eos 
Portos, mais riscos e transportes, q.' não sepode pôr amenos de 20 

1 2 

p."" 100, ou outro — isto he igual a -^, ora estas duas decimas so- 
madas com as trez temos o Mineiro pagando -^ doseo interesse, eja 

mais inferior emcondição, do que se acha noPorto do mar em — , se 

ajuntamos agora os direitos novos noEscravo, q.' sobe p.* as Minas, 
e nos impostos, q.' tem as matérias desoo consumo, tanto mineral 
como dos Individues, n5o sepode calcular por menos ao Mineiro, este 
artigo do q.' em ^^ (a) com sinco que ali tínhamos são -^ décimos 

de contribuição ou -r-, e lica-lhe ~- do q.' tem p.* delle viver, e en- 
riquecer; e na razão de 2,9 isto he invertendo de 9,2 a vantajem de 
estar no Porto de mar, a estar no Destrito das Minas, eos que não são 
mineiros na mesma razão inversa de 9,4 com os q.' se achão nos 
Portos. 

Esto calculo he supondo, q.' omineiro tira hua porção de ouro 
annual, q.' possa bastar p,* assuas despezas, mas se este mineiro 
doo em terras inúteis, Lageadas, ouLavradas ja por outros, S. Mag. 9 

neste cazo recebe sempre as — deconsumo, mas o estado do mineiro 

2 
passa anegativo, e entra noprincipal, sendo a sua perda de -^ 

então a ventajem doColono daCosta he para o do interior como 12 : 1. 



(a) Tres decimas não parecera excesciva computação, a quem souber, q.' 
omintíiro li; o ultimo ronsiunidor do Indns os 1,'onoros, he oti>rmo somatório de- 
loilo os Lucros ilos Couierciantes desde a Laponia c, dntfiíís da Arahia athc elles; 
KS Kscr.ivos q.e saticm dAntiola clu'^'ão ali cDin -ii^SOou deDircitos, . passâo por 
muitos merc.iiloros riosdc as I. ilidas dAfrira atlio pcj^ar das alavancas nas Minas, 
as marretas iiíis fabricas de pedra se calção de dous em dons dias comhum ar- 
rátel de as.-o. q.' anda p.r diO rz, ec;ida t'scra">o ti-in liua nL'>ta tarefa de iii0'Mf';i. 
O onlerro dctiiiin escravo custa só p/al^ircj:» r>$vO 1 ; atdmadia delium escravo lu- 
!íid<i iV; de i.'>$000, osseus curativos, os seus remédios Eumpeos, e Asiáticos, o- 
seu vestuário grosso, e dKuropa caliindo tudo sobre odono não sepode compu- 
tar em menos. Emlim deve-se entender, q.' nestas Equaçeons de condição ha as- 
sas de variáveis pró e ciuitra os Mineiros, ma< he maior on.' de constant s con- 
tra os mesmos. Assim noKeal Poder existe a faculdade de egualar à unidade o 
Coeltlcieute deitas & &. 






426 REVISTA DO 

Convém pois q.' os Colonos deste continente, que são como Inquili- 
nos, Rendeiros Natos da Fazenda Real sejTio tuobem porellacom pre- 
ferencia socorridos com a instrucção e Artes, q.' ospodem porem equi- 
líbrio com os outros dos portos demar, onde recebem da Europa os 
géneros, não so livres das despezas elucros intermédios dotracto in- 
terior, mas das novas Alfandegas, que dali começão. Logo parece q.' 
ainda livrando os mineiros dacontribuicãb do quinto, etaxando as 
fazendas deLuxo áproporçuo deseos preços, ficaria mais sofrível aLo- 
taria domineiro sem que S. Mag.e perdesse desuas rendas, o se tiraria 
mais ouro que n'a Moeda avultaria ao que parece perder noContra- 
bando delle. Por alguns destes motivos pareceo impraticável aCapi- 
tação dos escravos naquolle Paiz ja em 1734. Mas oi^emedio do quin- 
to induzio ocontrabando, que os negociantes fazem do ouro. 

O nosso próprio solo de Portugal foi tão rico, q.' no tempo de Plí- 
nio dava vinte mil Libras de ouro annuaes, q.^ vinha aser muito 
mais, do q.''- hoje dão as nossas Minas Geraes, ehoje tão raro he hum 
faulo de ouro neste Paiz ! 

He bem de crer que aLei sempre respeitável q.' supõem que todos 
naquelle continente devem ser mineiros, não teve emvista os factos 
dahistoria deste metal, q.' porflm acaba ; ecomo na quella Província 
abundão riquezas dos outros reinos da Natureza, como aSalca par ri- 
lha, a Hipecaconha, aCochenilha, oalgodão, e os gados, epastagens ; 
parece que estas bazes perpetuas doComercio deverão ser não menos 
promovidas p.=^ recurso daquella decadência, q.' he infalível pelos 
exemplos detodas as idades, vista avantajem do Erário emhaverem la 
consumidores, eliabitantes daquella Demarcação ; equando hum Minis- 
tro alias respeitável, dizia, que as terras mineraes quanto mais tra- 
balhadas, mais ouro davão, bem se via q.' ozello só não basta, nem 
ahonra dehum Cavalheiro Portuguez p.^ decidir defacto, se S. Ex.* -ti- 
vesse visto os Lavrados das Minas Geraes ; do Matto Grosso eCuyabá 
não asseverara a sua persuasão. 

Logo segue -se, que tãobem nos outros artigos fora do ouro se deve 
promover aindustria daquelles habitantes do interior pella . desavan- 
tajem constante arespeito dos daCosta, e Portos demar, alem do Sub- 
sidio das Sciencias afavor dos mineiros, sendo certo q.' as rendas 
Reaes não dependem tanto do quinto do ouro, q.' setira daquelles 
marcos p.^ dentro, como do Numero dos Consumidores, ehabitantes 
q.' se mantém nellas. 




DE 




NO período colonial 



BAÍPENDY 

Aut 'j da Creaçãii da Villa de Sanfa Maria de (Bae^ 
•pendy era 23 de Outubro de 1814 

(Origical do Arcliivo) 



Auto no Levantamknto da nova Xu.lk dk Santa .Makia de Haependy 

CRKADA PELI.U PRINCIPE R.EGENTE NoSSO SKNHOR NO LUGAR QUE 
ERA ANTES O ARRAIAL DE BaEPENDY NA CoMARCA DO RlO DAS 
MORTEZ 

Anno do Xasoiaionto do Nosso Senhor Jezus Cliristo deiiiil oiio 
centoz o quatorze aos vinto etrez dias domes de outubro do ditto 
anno neste Arraial de Haepcndy minas e Comarca do Rio das Mortez 
adonde foy vindo o Doutor IManoel Ignacio de Mello e Souza Cava- 
leiro Professo na Ordem do Christo do Dezembaríío do Sua Alteza 
Real o Príncipe Ret^ente Nosso Senhor que Deus guarde seu De- 
zembargador o Ouvidor geral e Corregedor da dita Comarca comalçada 
nocivel e Crime commigo Escriviío do seu cargo adiante nomeado, 
aliy nas Cazas da apozentadoria do ditto Menistro, pellas dos horas 
da manham, prezentez o Clero, Nobreza, o Povo do ditto Arrayal 
omunta parte do da Freguezia, edos vizinhos Arraiaes, g Freguozias 
tia Ayuruoca, o do Pouzo alto desta mesma Comarca convocados 
para aqui se acharem neste dia por Editacs do dito Menistro : por 
este íuy mandado ler pormim Escrivão, ocomeíleito ly cm alta voz 
o Alvará do dezanove de julho do prezonte anno dequo vai copia 
adianto, pello qual foy Sua Alteza Real Servido criar em Villa este 



428 REVISTA DO 



Arrayal com a denominação de — Villa deSanta Maria de Baependy 
— asignando-lhe para extenção do seu termo todo o território desta 
mesma Freguezia, e odas outras duas da AyuruQca, e Pouzo alto 
pellos seus lemites actuaes, emquanto não determinar o contrario : 
eacabada aleitura dice o declarado Menistro, falando comtodo o Clero, 
Nobreza, e Povo, que por bem do ditto Alvará, e da Provizão que o 
acompanhava da Méza do Dezembargo do Passo da Corte deste Estado 
do Brazil datado de onze de Agosto deste mesmo anno, a qual vay 
também por copia adiante em primetro lugar, derigido a elle Minis- 
tro para levantar adita Villa, desde ja elle dito Ministro em Nome 
de Sua Alteza Real O Principe Regente Nosso Sentior, alevantava, 
ehavia por levantada damesma sorte emtudo, epor tudo, que |tinha 
sido criada pello Mesmo Real Senhor, com a denominação de Villa 
de Santa Maria de Baependy — eque asim seria tratada, e apelidada 
daqui emdiante emtodos os instrumentoz, epapeis públicos, eparti- 
culares, no Foro, efora delle, ecom o território para seu termo ja 
declarado asima, e expreso no dito Alvará, segregado como flca 
desde agora, do termo da Villa da Campanha da Princeza desta mes- 
ma Comarca, aque antes pertencia, ehavia mais por criados os Offl- 
cios declarados nomencionado Alvará; elhes dice mais, que esta nova 
Villa seria daqui emdiante regida pellas Justiças que elle Menistro 
passava a extabalecer conforme o sobredito Alvará para servirem os 
seus cargos, e Offlcios naforma da Ordemnação e Ley do Reyno : que 
a esta mesma Villa pello dito Alvará flcão pertencendo no seu terri- 
tório as rendas, direitos, econtribuiçoens que estava emposse de co- 
brar, legitimamente, a Villa da Campanha da Princeza, bem entendi- 
do, que denenhuma forma será prejudicado o Donativo oíTerecido 
pellos povos a Princeza Nossa Senhora na conformidade da Aceitação 
feita pella Carta Regia de seis de Novembro de mil eoito centos, an- 
tes este Donativo será arecadado no Destrito destamesma Villa, een- 
tregue, como pedirão em seus requerimentos, damesma sorte con- 
theudo no dito Alvará : epor ultimo lhes declarou, que esta nova 
Villa fica gozando das prerogativas, previlegios, efranquezas que as 
mais Villas são concedidas, como he declarado no mesmo Alvará, 
com o mais, que neste se contem ; e concluio, que os seus morado- 
res, e os do seu termo se farião dignos das honras, que Sua Alteza 
Real lhes fas, e das mais mercês, que lhes pode fazer, sefossem sem- 
pre, como tem sido athe agora, como devem ser e como elle Menis- 
tro expera, que tiejão sempre pella experiência, que delles tem emun- 
to que delles confia, fieis ao Mesmo Real Senhor, Nosso legitimo Se- 
nhor, e Amabelicimo Soberano, e aos Seus Sucessores ; respeitadores 
das Leis, eobedientes aos Superiores : eisto pratestarão religioza, erei-- 
teradamente todos; e cheios de jubilo, econtentamento exclamarão — 
Viva OPrincipe Regente Nosso Senhor, e Toda aSua Real Familia — .| 

oque repetirão por mais duas vezes. Então lhes determinou o sobre- 



ARCHIVÒ PUBLICO MINEIRO 429 

dito Menistro que concorressem todos ao lugar destinado para a co- 
locação, elevantainento do Pelourinho, para ahy asistirem aosta so~ 
lemnidade. Epara constar atodo o te mpo do sobredito mandou fazer 
este auto emque a signa commigo, ecom todos os que estavSo prezen" 
tes eu Gregório Joze Ribeiro Escrivão da OuvedoriaGeral e Correição 
que oEscrivy o asigno. Manoel Ignacio de Mello e Souza. Gregório 
Jozé Ribeiro, Vigr." Dom."^ Roiz Afl'.>^o, O S. Mor de Linha Carlos Cae~ 
tano Montr.» O P." Francisco António Junq."-», O P.» Coac^j. An.»" Roiz 
Aff."", O P.« Patrício Lopes Guini.«», O P." Custodio Ribeiro de Carva- 
lho, OP.' Manoel Per.» de Soiza, Domiciano Joze Montr." Nor.» , João 
Gonçalves Pinho, Theodoro Gomes Nogr.* , Joaquim Silvério de Cas- 
tro Sz.' Medr.» , António Per.» de Mag.« , Manoel Per.» Pinto, Amaro 
Gomes Nogr.* , Jerónimo de Arantes Marques, Feleciano Roldão da 
Cunlia Cavalgante, António Gomes Nogr,» Freire, Manoel Rufino de 
Arantes, Francisco Paes Villela — Cap.'" de Orden.»% Fran.-" Thomas 
Villela, Joze AIv'. Pr.^ e Mello, André Bernardes de Gusmão, Antó- 
nio Silvr.» da S.» Muza, ÍNIanoel Thomas Villela, André Roiz de Faria, 
Cap.'" de Ordenanças p. P."" S. At R., Félix Ribr." da S.» , Cap.«> de 
Ordenanças António Joze de Carvalho, Ten.*» de Meliçias João Roiz 
Corr.» de Barros, Cap.-'» de Meliçias Fran.>^» Marcelino de Castro, Al- 
f.9* de Milícias Joze Joaq.'" Corr.» , Cap.™ de Milícias Joaq.'" No- 
gr.» de S.» , Porte Et.J' Joaq."» Mor.^ de Barros, Joaq.'" Ferr.» da 
S.» , João Ribr." da S.» , Alí".«s de Ordenanças, Ant.» Gomes Nogr.» , 
António Lopes de Tr.» P.'" , João Nunes de Siqr.» , Joaq.™ Síveríno 
de Paiva e S.» , Dominiciano Pereira Pinto, M.«i Per.» Barros, Joze da 
S.» Bem Fica, Joze Joaquim Corr.^ , João Teix.» Masiel, Firmiano Al- 
ves Grasco, Francisco X.»' de Sales, Joze Arantes Serr.» 



( Copia ). — Dom João por Graça de Deos Príncipe Regente de Por- 
tugal, e dos Algarves d'aquem e d"alem Mar em Africa de Guiné «St 
Mando avos Ouvidor da Comarca do Rio das Mortes, que naíbrma do 
Alvará por copia induzo, de dezanove de Julho deste anno procedaes 
acreação das Villas de Santa Maria de Baependy, e de São Carlos de 
Jacuhy, dando Me logo conta para a Minha Real Aprovação : Cum- 
pri-o assim. OPrincipe Regente Nosso Senhor O Mandou pelos Minis- 
tros abaixo asignados, doSeuConcelho, e Seos Dezembargadores do 
Paço. João Pedro Maynard d'Aílbnceca eSá afez no Rio de Janeiro a 
onze de Agosto demíl oito centos equatorze. Bernardo Joze de Souza 
Lobato afez escrever — Joze de Oliveira Pinto Botelho e Mosqueira — 
Monsenhor Almeida. 



430 REVISTA DO 



(Co2)ia). — Eu oPrincipe Regente Faço saber, aos que este Alvará 
virem : Que Tendo Mandado crear hum lugar de Letras na Villa da 
Campanha dal'rinceza, c Determinado se designasse oterritorio, que 
devia ter por Termo pela Provizuo doConcelho Ultramareno de vinte 
e cinco de Abril demil, sete cento s, noventa enove, deligencia quefoi 
commetida ao mesmo Juiz de Fora para ella Nomeado, para depois 
com informação doGovernador, eCapitão General da. Capitania deMinas 
Geraes ser por Mim Aprovada : tendo-se procedido emvinte de Fe- 
vereiro demil, oito centos na dieta deligencia se descreveo huma cx- 
tençiXo deterrltorio de quaze oitenta legoas, comprehendendo oito 
Freguezias, e extinguindo-se os Julgados, que neste dilatado terreno 
ja estavão erectos, oque logo a cautelou emparte O Governador eCa- 
pitão General fazendo conservar no Termo daCabeça daComarca a 
Freguezia das Lavras dofunil pela detirioração notória, em que fica- 
ria aquelle Termo; E informando sobre o referido foi iNIandado por 
Provisão deseis de Agosto demil, oito centos ehum informar circun- 
stanciadamente sobre este negocio remetendo hum Mapa Topographi- 
co para inteiro conhecimento delle : Emconsequencia do que Fui 
Servido pela :\Iinha Real Rezolucão de quatro de Agosto demil, oito 
eejttos, esete não somente Admitir a deminuicão, que apontava oCon- 
cemo Ultramarino^ mas Authorizar ao sobredito Governador eCapitão 
General para amodeflcar como fosse mais conveniente. E continuan- 
do por este modo afazerem-se as deligencias necessárias, ouvidas as 
Camarás, e as Reprezentaçoens dos Povos dos Julga*dos, que tinhão 
sido extinctos ; Consultando sobi^etudo a ^,Ieza do Dezembargo do 
Paço, emquo foi ouvido O Procurador de ]Minha Real Coroa eFazenda : 
Tendo em concideração amaior commodidade dos Povos para adcci- 
zão das suas dependências na Aministração da Justissa ; aprompta 
administração delia nos negócios do Meu Real Servisse, que precizão 
para o exercido da Jurisdição Ordinária, que os territórios não sejão 
de desmedidagrandeza ; aextranhavel extenção, que sepretendia para 
Termo duma Villa ; o augmento dos povoadores, que tem tido, evão 
continuando ater aqueles Districtos, que por isso mesmo augmentão 
as dependências do Foro, e outros iguaes motivos, que jNIeforão pre- 
zentes; Hei por bem determinar oSeguinte— Sou Servido Crear em 
Villa o Arraial de Baependy com a denominação de — Villa deSanta 
Maria de Baependy — ficando pertencendo ao seo Termo oterritorio da 
Freguezia de Baependy, oda Freguezia do Poizo Alto, eo daFreguezia 
d'Ayuruoca, que antecedentemente foi Julgado; emquanto ao dito re- 
speito Eu não determinar outracoiza : e pelos limites actuaes das 
Freguezias se ficará regulando adevisão delimetes do Termo da dita 
Villa por ser mais conveniente por agora serem conformes as devi- 
zoens— SouServido outro sim Determinar, que ao Termo da Villa de 
São João deEl-Rey fique pertencendo oterritorio daFreguezia das 
Lavras do Funil, edas da as Filiaes novamente erectas naPovoação 



t 



I 
I 



ARCIIIVO PUDLICO MINEIRO 431 

de Carrancas, eno Arrayal do Nossa Senhora das Dores— Hei por bem 
creartão bem em Vi lia o Arrayal do Jacuhy com adenominagão de — 
Vi lia deStão Carlos de Jaculiy — , elicarâ pertencendo ao seo Termo o 
território actual daFregiiezia de .laculiy, eo território da Freçuezia 
deCabo Verde pelos seos actuaes limites — ERegulando o Termo da 
VilladaCampanhadaPiinceza; SouServido Ordenar, que ostefique cons- 
tando dos territorij;»s da Freguezia damesma Villa da Campanha da 
Princeza, daFreguezia d'Itajiibá, o dos territórios, quepertencem as 
Freguezias de Sapocahy, Camandocaya, e Oiro tino atho os limites 
por onde actualmente parte, ou paraofuturo deva partir, e confinar 
o Sobredito Termo com os Dostritos daComarca daCiflade de São Paulo 
— Nas duas referidas Villas novamente creadas, liei por bem Crear 
em cada huma delias os Cargos respectivos de dois Juizes Ordiná- 
rios, hum Juiz dos Orphaons, três Vereadores, hum Procurador do 
Concelho, edois Almotacés; eos olHcios emcada huma delias dedois 
Tabaliaens dó Publico, Judicial eNotas, hum Alcaide, ehum Escrivão 
do seo Orticio; licando anexos aoprimeiro Tabellião os Olllcios doEs- 
crivão da Camará, Sizas, e Almoteceria, eaosegundo Tabelião o Oíflcio 
deEscrivão dos Orphaons. Os quais todos servirão seos Cargos eOrti- 
cios na forma daOrdenação, e Leys do Reino. Acadahuma das referf^ 
das Villas no seu respectivo território ticarão pertencendo asrenddí», 
direitos, e Contribuigoens, que estava emposse decobrar aCamara da 
Campanha da Princeza, e que legitimamente lhe pertenciáo: com a 
declaração que não será prejudicado u Donativo OlTerecido pelos Povos 
â Princeza Minha sobre todas muito Amada*, e Prezada Mulher, na 
conformidade da Aceitação feita pela Carta Regia de seis de Novem- 
bro demil, eoito centos; más cada huma das sobreditas Camarás no 
Destricto, que Ihifica pertencendo, olará arrecadar, eentregar, como 
pedirão em seos requerimentos. As Villas novamente creadas ficarão 
gozando das prerogativas, privilégios, e franquezas, que asmais Villas 
são concedidas, esefara levantar Pelourinho, Cazas da Camará, Cadea, 
eOlíicinas do Concelho á custa dos moradores d*ellas, edebaixo das 
Ordens da ]Meza do Dezembargo do Paço. Eonde ouver terrenos devo- 
lutos no seo respectivo território, poderão pedir para seo Património 
as Sesmarias com as mesmas clauzulas, ecomo concedi a Villa do 
Macahé — EsteseCumprirá, como nello se contem. Pelo quo Mando a 
Meza do Dezembargo do Paço, edaConciencia, eOrdens, Prezidente do 
Meo Real Erário, Regedor da Caza daSuplicação. Concelho da Minha 
Real Fazenda, eatodos os Tribunaes, e Ministros, aquém oconheci- 
mento pertencer, o cumprão, eguardem, eofação muito enteiramente 
cumprir, o guardar. Evalerá, como Carta passada pela Chancelaria, 
posto que por ella não hade passar, e que o seo effeito dure por mais 
d'um anno, não obstante aOrdenação em contrario. Dado no Rio de 
Janeiro adezanove de Julho de mil, oito centos equatorze— Príncipe. 
Alvará porque Vossa Alteza Haporbem determinar os Limites do Ter- 



432 REVISTA DO 



mo, que develicar tendo a Villa da Campanha da Princeza; crear em 
Villa o Arrayal de Baependy com a denominação de — Villa de Bae- 
pendy — eo Arrayal de Jacuhy com a denominação de — Villa de São 
Carlos de Jacuhy. Determinar tão bem o território, que fica poragora 
pertencendo ao Termo da Villa de São João de ElRey sem prejuízo 
do Donativo offerecido pelos Povos, e Aceito pela Carta Regia deseis 
deNovembro demil, eoito centos, tudo naforma acima declarada. 
Para Vossa Alteza Realver. Por Immediata Rezolução de S. A. R. 
devinte de Mayo demil oito centos, e quatorze emConsulta da Meza 
do Dezembargo do Paço, e Despacho da mesma deseis deJunho do 
dito anno — Monsenhor Miranda — Francisco António de Soiza da Sil- 
veira — Bernardo Joze de Soiza Lobato a fez escrever — João Pedro 
Maynard d'Aíronceca eSá ofez — Bernardo Joze de Soiza Lobato. — Está 
conforme. — Gregório Joze Ribeiro. 



AUTO DE LEVANTAMENTO DO PELOURINHO DA NOVA ViLLA DE SANTA MARIA 
DE BAEPENDY — CREADA PELLO PRÍNCIPE REGENTE NOSSO SENHOR NO 
LUGAR QUE ERA ANTES O — ARRAIAL DE BAEPENDY NA COMARCA DO RIO 
DAS MORTES. 

Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo demil e oito 
centos equatorze aos vente etrez dias domes de Outubro dodito anno 
nesta Villa de Santa Maria deBaependy mmas eComarca do Rio das 
Morttes aonde se achava o Doutor Manoel Ignacio de Mello eSouza, 
Cavaleiro Professo naOrdem deChristo do Dezemborgo deSua Alteza 
Real OPrincipe Regente Nosso Senhor que Deos guarde seu Dezem- 
bargador Ouvidor geral eCorrigedor desta Comarca comalçada no eivei 
eCrime, commigo Escrivão do seu cargo ao deante nomeado, ahy, no 
lugar destnado para acollocação doPelorinnho, que he na Praça 
que se acha junta a Igreja Matris damesma Villa, estando junto, e 
entorno do ditto lugar o Clero, Nobreza, e Povo desta mesma Villa 
eseutermo, foy mandado pello dito Menestro levantar oPelourinho da 
dita Villa, o qual com eífeito silevantou nolugar endicado, ecomas 
solemnidades do estilo, entre repetidas aclamaçoens detodos, que de- 
zião altamente— Viva oPrincipe Regente NossoSenhor— aoque corres- 
pondião asfestivaes salvas, e descargas daCavalaria Melecianna aquar- 
telada na dita Villa, e seutermo Junta porentão, epostada naquelle 
mesmo lugar. Ecabada esta legal ceremonia, declarou publicamente 
o dito Menistro que no dia seguinte pellas oito horas damanham ha- 
via proceder a Eleição das Justiças naforma das Leys do Reino, e 
comas solemnidades recomendadas por ellas, para oque, asim como 
ja fizera publico por Editaes, chamava toda a Nobreza^ epovo que se 
achava nadita Villa tanto desta, como do seu termo paranodito dia 
ehoras concorer asCazas destinadas para Passo do Conselho, e Cadeia; 



ARCFIIVO PUBLICO MINEIRO 433 

Epara detudo asim constar a todo otempo mandou fazer este auto 
emquo a sina commi<xo, eoomtodos os que estavào prozentes euGre- 
gorio JozeFltíbeiro Escrivão daOuvedoria Geral e Correicgão queoEs- 
crevy e asigno. Manoel Ignacio.de Mello eSouza, Gregório Joze Ribeiro, 
O Vi.""" Dom."» Roiz Aír.«=a O S. M. de Linha Carlos Caetano Montr.- 
0P.9 Coadg.r An.t" Roz Aff,"^ o P.e Manoel Per.* do Souza, oP,* Custodio 
Riheiro deCarvallio, António Gomes Nogr.a Freire, Capp."» de Orde- 
nança Andi-e Honiardes Gusmão, /\maro Gomes Nogr.a, .loão íionçalves 
Pinho, Theodoro Gomes Nogr.;*, Joze Alves Per.a de Mello, António 
Per.* de Mag.s. Joaq,'" Mrz.a de Barros, João Roiz. Corr.^ deBarros 
Joze Per.^ Ramos, Joaq."' Joze de Carvalho, Manoel Per.* Pinto, Ma- 
noel Thomaz Volella, Joaq." Pinto de Cast.", Fran.o» Ign.^^" de Mello, 
Domiciano Joze Montr.o de Nor.*.— (Reg.J" af. 1 do L.- do Reg.- de or- 
dens Regias çj.9 Serto neste Cartório da Ouvr.'"* G.»' da Com."» V.^ 
de S."» Joze 29 de 9br.- de \8\A.—G7-ego7'io Joze Ribeiro. 



R. Â. P. 3 



i 



JACUHY 



Auto de levantamento da nova Villa de São Carlos do 
Jaoiihy criada pelo Príncipe (Regente J^osso Senhor 
no lugar que era antes o Arraial de Jacuhy na Co' 
marca do (kio das Mortes. 



Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo de mil e oito 
centos e quinze ao primeiro dia do mes de Novembro do ditto an- 
no neste Arraial de Jacuhy minas e Comarca do Rio das Mortez aon- 
de foy vindo o Doutor Manoel Ignacio do Mello o Souza Cavaleiro 
Professo na ordem de Chisto do Dczembago de Sua Alteza Real O 
Príncipe Regente Nosso Senhor que Deus guarde seu Dezembargador 
Ouvidor geral o Corregedor da dita Comarca comalçada no eivei o 
crime, commigo Escrivão do seu cargo ao adiante nomeado, ahy nas 
cazas da apozontadoria do dito Ministro pellas des horas da manham 
prezenteso Clero Nobreza, e povo do dito Arrayale parto do daFregue» 
zia de Cabo Verde desta mesma Comarca convocados para aqui so 
acharem neste dia por Editaes do ditto Ministro, por este foy man- 
dado ler por mim escrivão, ecomefleito ly em alta vós o Alvará do 
dezanove de Julho do pretterito anno, doquo vai copia ao diante pela 
qual foy S. Alteza Real servido criar em Villa este Arrayal com a 
denominação do — Villa de São Carlos do Jacuhy — assignando-lhe para 
extenção do seu termo todo o território desta mesma Freguezia, e 
dado Cabo Verde o as que delias se tem desmembrado íicando adi- 
viza deste termo, com o da Villa da Campanha da Princeza pellos 
limites das Froguezias que comprohondem o seu termo, o se dcclarão 
no Alvará da creação desta Villa; e egualmente com o termo da Vil- 
la de São João de El-Rey pella sua diviza antiga, e dag Freguezias de 
que secompoem, qual he o Rio Sapucahy; ebem asim com a da 
Villa de Tamanduá pellu Rio grande nesta Capitania eflnalmente 
com as da Capitania de São Paulo pelos seus limites, elinha divizo^ 



436 REVISTA DO 



ria com osta, cnaparte que linalizão as Freguezias asima declara- 
das, emquanto não determinar o contrario, eacabada a leitura dice o 
declarado Ministro falando com todo o Clero, Nobreza, epovo, que 
por bem do dito Alvará, e.da Provizão que o acompanhava da Meza 
do Dezembago do Passo da Corte deste Estado do Brazil datada de 
onze do Agosto deste mesmo anno, oqual vay também por copia 
adiante emprimeiro lugar dirigida a elle Ministro para levantar a 
dita Villa, desde ja elle dito Ministro em Nome deSua Alteza Real 
O Principe Regente Nosso Senlior alevantava, e havia por levantada 
da mesma sorte, emtudo e portudo que tinha sido criada pello 
Mesmo Real Senhor com adenominayão de Villa deSão Carlos do Ja- 
cuhy, eque asim seria tratada, e apelidada daqui em diante em to- 
dos os instrumentos, epa,peis públicos e particulares no Foro, e fora 
delle, ecomo território para seu termo ja dec larado asima, eexpres- 
so nodito Alvará desmembrado como flca desde agora do termo da 
Villa da Campanha da Princeza desta mesma Comarca, aque antes 
pertencia, ehavia mais por criados os offlcios declarados no men- 
cionado Alvará; elhes dice mais que esta nova Villa seria daqui 
emdiante regida pellas Justiças que .elle Ministro passava a estabe- '* 

lecer conforme o sobredito Alvará para servirem os seus cargos, e 
offlcios na forma da Ordenação e Leis do Reino que aesta mesma Vil- 
la pello dito Alvará flcão pertencendo no seu território as rendas 
direitos, e contribuicoens que estava em posse de cobrar legitima- 
mente a Villa da Campanha da Princeza, bem entendido, que de 
nenhuma forma será prejudicado o Donativo oíierecido pellos Povos 
a Princeza Nossa Senhora na conformidade da Acceitação feita pella 
Carta Regia de seis de Novembro de mil eoito centos, antes este 
Donativo será arrecadado no Distrito desta mesma Villa eentregue 
como pedirão em seus requerimentos da mesma sorte e contheudo 
no dito Alvará ; epor ultimo lhe dice que esta nova Villa fica gozando 
das prorogativas, previlegios, e franquezas ; que ás mais Villas são 
eoncididas como he de clarado no mesmo Alvará com o mais que 
neste secontem, econcluio, que os seus moradores, eos do seu termo 
sefarião dignos das honraz que Sua Alteza Real Ihesfaz, e daz maiz 
Mercez, que lhes pode fazer se fossem sempre, como tem sido athe >^ 

agora, como devem ser, e como elle Ministro espera, que sejão, sem- 
pre pella experiência, que delles tem, cmuíto que dclles confia fieis ao 
Mesmo Real Senhor, Nosso legitimo Senhor, e Amabilissimo Soberano 
eaos Seus Successorez, respeitadorez das Leis, e obedientes aos Su- 
periores, eisto protestarão religioza ereiteradamente todos, echeios '1 
dejubilo, econtentamento exclamarão —Viva o Principe Regente Nosso ' 'j 
Senhor, e Toda a Sua Real Familia — o que repetirão mais duas 
vezes : Então lhes determinou o sobredito Ministro, que concorres- 
sem todos ao lugar destinado para a Colocação, elevantamento do 
Pelourinho para ahy asistirem a esta Solemnidade. E para constar 



I 



ARCIIIVO PUni-ICO MINEIRO 437 



atodo o tompo do sobredito mandou fazer esto auto omque a signa 
cominijro, ecomtodos os quo estavão prezontes e eu Gregório José 
Ribeiro Escrivão da Ouvedoria geral o Correição quo o Escrevi e 
asigno. Mello, (íregorio .loso Ribeiro, o Vigr" da Vara Manoel de 
Freitas Silva, o Vigário Capitular Francisco Mor •' de Carv ", o P" 
Fran '•'í Giz. Lopes, o P^ Joaq.'" Gomos, José An'" da S a, Manoel 
Fran >=<> Netto, Fran «" Teixr " de Carv», J(»rio Pedro Coelho, Veríssimo 
José Pessoa, Fran-"» de Paula d Queirós, José Ferr <* Alz,, Joaq" de 
Souto Gouvoya, Joa(|."' An'» do Santa Anna, João Giz. Lopes, 
Dom-os Giz. Lopes, Tiiomo Giz. Lopes, Angelo Giz. Lopes, Joaò Cozario 
de Souza, Manoel J « Giz. da S , Germano Domingues da Silva, João 
da S» Flores, Joaq." Hueno Barboza, António José da Silvr =^, José 
Ribr° de Miranda, Fran o" J « de Sz», Joaq.™ José Ribr", AL"' J. « da 
C^ Kottas, Joaquim de Almeida Coelho. 

AUTO DE LEVANTAMENTO DO PELOURINHO DA NOVA VILLA DE SÃO CARLOS 
DO JACUHY CREADA PELLO PRÍNCIPE REGENTE NOSSO SENHOR NO LUGAR 
QUE ERA ANTEZ, O ARRAIAL DE JACUHY NA COMARCA DO RIO DAS 
MORTTES. 

Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jozus Christo de mil eoito 
centos oquinze ao primeiro dia domes de Novembro do ditto anno nesta 
Villa de São Carlos do Jacuhy minas e Comarca do Rio das Mortez 
aonde se achava o Doutor Manoel Ignacio de Mello e Souza Cavaleiro 
Professo na Ordem de Christo do Dezembargo deSua Alteza Real O 
Príncipe Regente Nosso Senhor que Deos guarde seu Dezembargador 
Ouvidor e geral Corregedor desta Comarca do Rio das Morttez comal- 
cada no cível o Crime commigo Escrivão do seu cargo ao diante no- 
meado ahy no lugar destinado para a coUocação do Pelourinho, que 
he na Praça denominada — DeSão Carlos — estando junto, e entorno 
do dito lugar o Clero Nobreza e Povo desta mesma Villa e seu termo 
foy mandado pello dito Ministro levantar OPelourínho da dita Villa 
oqual comefleito solevantou no lugar endicado com as soleinnidades 
do estíllo entre repetidas aclamacoens detodos que dizião altamente 
— Viva o Príncipe Regente Nosso Senhor — ao que correspondíãó as 
festivas salvas e descargas da Cavalaria Melecianna a quartelada na 
dita Villa o seu termo junta por então, epostada na quollcmesmo lu- 
gar. E acabada esta legal serimonia declarou publicamente o dito Mi- 
nistro que no dia seguinte pellas oito horas damanham havi a pro 
ceder a Eleição das Justiças na forma das Leys do Reyno, e com as 
Solemnídades recommonda.^porellas para oque, asim como, ja fizera 
publico por Editaes chamava toda a Nobreza, e Povo, que seachava 

na dita Villa, tanto desta como do seo termo para nodito dia, ehoras \ 

concorrer as cazas da sua apozentadoria: Epara detudo assim cons- ] 

tar atodo otempo mandou fazer este auto emque asigna commigo 



438 REVISTA DO 



ecomtodos os que estavUo prezentes eu Gregório José Ribeiro Escrivão 
da Ouvedoria Geral e Correição que o Escrevi e osigno. Mello, Gre- 
gório José Ribeiro, o Vigr» Colado e Vara Manoel de Freitas S. '^, o 
Vigr.oCoadj. Fran.oo Mor.» de Carvalho, o P.» Fran.«o Giz. Lopes, o 
P.8 Joaq."^ Gomes, José An.'" da S. », Manoel Francisco Netto, Fran.'^" 
Teyxr.a de Carv. <>, Fran.<='J de Paula deQueiros, José de Alm.<i'' Coelho, 
João Pedro Coelho, Joaq.°i An.t-J de S. » Anna, An.to José da Silvr. », 
Veríssimo J. ^ Pessoa, J. « Ferr. » Alvz., Manoel J. « Giz. da S. », 
João Giz. Lopes, Joaq. ^ de Souto Gouveya, João da S. • Flores, 
Joaq. ■" José de S. Anna, M. ei J. e da C. ^ Bottas, José Botrigio Soares, 
Theophilo An. <« Per. ^ Dias, Thome Giz. Lopes, Angelo Giz. Lopes 
Dom.os Giz. Lopes, João Cezario de Souza, Fran.°o J. " de Sz. », Joaq. ■" 
Bueno Barboza. Joaq. "^ de Alm.ii^^ Coelho, José Ribr, » de Miranda, 
Joaq. n» J. e Ribeiro e José Machado de toledo. 



Dom João por Graça de Deos Príncipe Regente de Portugal, e dos 
Algarves d'aquem, e d'alem Mar em Affrica de Guiné & Mando a vos 
Ouvidor da Comarca do Rio das Mortes, que na forma do Alvará, por 
copia induzo, de dezenove de Julho deste anno, procedaes, acrea- 
ção das Villas de Santa Maria de Baependy, e de Sam Carlos 
de Jacuhy, dando-Me logo conta para Minha Real Approvação : 
Cumpri-o assim. O Príncipe Regente Nosso Senhor o r\Iandou pelos 
Ministros abaixo assignados do seu Conselho, e Seus Dezembargadores 
djo Paço. João Pedro Maynard de Aftonceca e Sà afez no Rio de Ja- 
neiro aonze de Agosto de mil oito centos equatorze — Bernardo Jozé 
de Souza Lobato afez escrever — Jozé de Oliveira Pinto Botelho e Mos- 
queira — iMonsenhor Almeida. Por despacho da Meza do Dezembargo 
do Paço de onze de Agosto de mil oito centos equatorze. Cumpra-se, 
e Registe. S. João sete de Outubro demil oito centos equatorze. 
— - Mello — Está conforme. O L^m José Justino Alvares, Pelo 
Escr.*"» da Ouvr. *"». 



Copia— Eu o Principe Regente Faço Saber aos que este Alvará virem : 
Que tendo Mandado crear hum Lugar de Lettras na Villa da Campa- 
nha da'Princeza, e Determinado sedesignasso o território, que devia 
ter por termo pela Provisão do Conselho Ultramarino de vinte ecinco de 
Abril demil sete centos noventa enove, diligencia que foi cometida ao 
mesmo Juiz de Fora para ella nomeado, para depois com informação do 



ARCnn'0 PUDLICO MINEIRO 439 

Governador, e CapitSo General da Capitania do Minas Geraes Ser por 
Mim Approvado : tendo-se procedido em vinto do Fevereiro do mil 
oito centos na dita delegencia sedescrevco hua extençílo de Território 
dequazi oitenta legoas; comprohendendo oito Freguezias, eextinguin. 
do-se os Julgados que neste dilatado terreno jcà estavão erectos, 
oque logo acautelou emparto o Governador, e Capitão General, fa- 
zendo concervar no Termo da Cabeça da Comarca a Freguezia das 
Lavras do Funil pela deterioração notória emque licaria aquelle termo ; 
E informando sobre o referido foi Mandado por Provisão de seis de 
Agosto de mil oitocentos ehum informar circunstanciadamente sobre 
este negocio remettendo hum Mappa Topograpliico para inteiro co_ 
nhecimento d'elle : Emconsoquoncia do que fui Servido pela Minha 
Real Resolução dequatro de Agosto demil oito centos e sete, não so- 
mente admittir adminuição, que apontava o Conselho Ultramarino, 
maz Authorizar ao sobre dito Governador e Capitão General para amo- 
dilicar como fosse mais conveniente. E continuando-se por este 
modo afazerem-se as diligencias necessárias, ouvidas as Camarás eaS 
Reprezentaçoens dos Povos dos Julgados, que tinhão sido extinctos, 
comsultando sobre tudo a Mèza do Dezembargo do Paço emque foi ou~ 
vido o Procurador de Minha Real Coroa e Fazenda : Tendo concide- 
ração a maior comodidade dos Povos para decisão das suas depen_ 
dencias na Administração da Justiça; aprompta administração delia 
nos Negócios do ÍMeu Real Serviço, que precizão para o exercido da 
Jurisdição Ordinária, que os territórios não sejão de desmedida gran- 
deza a extranliavel cxtenção, que se pertendia para Termo d' uma 
Villa ; o augmento dos povoadores, que tem tido, evão continuando 
ater aquelles destrictos, que por isso mesmo augmentão as depen- 
dências do Foro, eoutros iguaes motivos, que Meforao prezentes ; Hey 
por bem Determinar o seguinte — Sou Servido crear em VilIa o Ar- 
rayal de Baepondy com adenominação de — Villa de Santa Maria de Bae- 
pendy — ficando pertencendo ao seu Termo o território da Freguezia de 
Baependy, o da Freguezia do Poizo Alto, eo da Freguezia d' Ayuruoca, que 
antecedentemente foi Julgado ; emquanto ao dito respeito Eu não Deter- 
minar outra coiza, epelos limites actuaes das Froguezias se ficará regu- 
lando adivisão de limites do Terreno da dita Villa por ser mais conveni- 
entepor agora serem conformes as devisoens — Sou Servido outro sim 
Determinar, que ao Termo da Villa de São João de ElRey fique perten- 
cendo o Território da Freguezia das Lavras do Funil, e das duas Fi- 
liaes novamente erectas na Povoação de Carrancas, eno Arrayal de 
Nossa Senhora das Dores — Hey por bem crear também em Villa o 
Arrayal de Jacuhy com adenominação de — Villa de Sam Carlos de 
Jacuhy — etícarà pertencendo ao seu Termo o território actual da 
Freguezia de Jacuhy, eo Território da Freguezia de Cabo Verde pelos 
seus actuaes limites — E Regulando o Termo da Villa da Campanha 
da Princeza; Sou Servido Ordenar que este fique constando dos Terr' 



440 KEviSTA no 



tórios da Freguezia damesma Villa da Campanha da Princeza, da Fregue- 
zia de Itajubá, e dos Territórios, que pertenc.em a Freguezia de Sapucahy 
Camandocaya, e Oiro Fino, atlié os limites, por ondo actualmente 
parte, ou para o futuro deva partir, e confinar osobre dito Termo 
com os Districtos da Comarca da Cidade de São Paulo — Nas duas 
referidas Villas novamente Croadas, Hey por bem crear emeada Imma 
delias os Cargos respectivos de dois Juizes Ordinários, hum Juiz de 
Orpliãos, três vereadores, hum Procurador do Conselho, dous Almo_ 
tacez, e os Offlcios emeada huma delias dedous Tabeliaeiís do Publico 
Judicial, e Notas, hum Alcaide, ehum Escrivão do seu officio ; ficando 
anexos ao primeiro Tabelião os Offlcios de Escrivão da Camará, Sizas, e 
Almotaceria; eao Segundo Tatelião o Offlcio de Escrivão dos Orphaõs, 
Os quaes todos Servirão seos cargos, e offlcios naforma da Ordenação, 
e Leys do Reyno — Acadahuma das referidas Villas no seu respectivo 
Território ficarão pertencendo as Rendas, Direitos, e Contribuiçoens, 
que estava em posse decobrara Camará da Campanha da Princeza, 
eque legitimamente lhe pertencião: com adeclaração que não será 
prejudicado o Donativo offerecido pelos Povos a Princeza Minha sobre 
^odas muito amada, e Prezada Mulher, na conformidade da aceitação 
feita pela Carta Regia de seis deNovembro demil oito centos ; mas 
cadahuma das Sobre ditas Camarás no Destricto, que lhe fica perten- 
cendo ofará arecadar, e entregar, como pedirão emseus requerimentos. 
As Villas novamente creadas ficarão gozando das prerogativas, previ- 
legios, efranqueza^ que as mais Villas são concedidas, e sefará levan- 
tar Pelourinho, Cazas da Camará, Cadèa, e Offlcinas do Conselho a 
custa dos ]\Ioradores d'ellas, edebaixo das Ordens da Mêza do Dezem- 
bargo do Paço. E onde houver Terrenos de volutos no seu respectivo 
Território poderá pedir para seu Património as Sesmarias com a 
mesmas Clauzulas , e como concedi a Villa de Macahe — Este secum 
prirá como nelle secontem. Pelo que IMando a Mèza do Dezembargo 
do Paço, e da conciencia e Ordens, Presidente do Meu Real Erário, 
Regedor da Caza da Supplicação, Conselho da ]\Iinha Real Fazenda, e 
atodos os Tribunaes, e Ministros aquém o conhecimento pertencer, 
ocumpão e goardem, e facão emtudo muito inteiramente cumprir- 
Evalerà como Carta passada pella Chancellaria, posto que por ella 
não hade passar, eque o seu effeito dure por mais de hum anno, não 
obstante a Ordenação emcontrario. Dado no Rio de Janeiro a dezenove 
de Julho demil oito centos equatorze — Príncipe • j • Alvará portjue 
Vossa Alteza Real Haporbem Determinares Limites do Termo, que deve 
ficar tendo a Villa da Campanha da Princeza, crear em Villas o Ar- 
rayal de Baependy com adenominação de Villa de Baependy» e o Ar- 
rayal de Jacuhy com adenominação de Villa de Sam Carlos de Jacuhy 
-— Determinartambem o Território, que fica por agora pertencendo 
ao Termo da Villa de Sam João d'ElRey semprejuizo do Donat-vo oíTe- 
recido pelos Povos e Acceito pela Carta Regia de seis de Novembro 



ft 



ARCIIIVO PUBLICO MINEIRO 441 

demil e oito centos, tudo naforma acima declarada. Para Vossa Al- 
teza Real ver. Por immeiliata Rezolução de S. A. R. de vinte de Mayo 
demil oito centos equatorze em consulta daMéza do Dezembargo do 
Paço, e Despacho da mesma de seis de Junho do dito anno Monsenhor 
Miranda — Francisco António de Soiza da Silveira — Bernardo Jozé 
de Soiza. Lobato ofez escrever — João Pedro Maynard d*Aíronceca e 
Sá ofez — Bernardo José de Souza Lobato. — Está conlorme. — O T-*'" 
José Justino Alvares, Pelo Escr.»"" da Ouvr. '* 



PARTE INEDIÍà 

D.V MONOGR.VPIIIA DO DR. DIOGO PEREIRA. RIBEIRO DB VASCONCELLOS SO- 
BRE A CAPITANIA DE MINAS-GERAES, ESCRIPTA NO PRIMEIRO DECENNIO 
DO PRESENTE SÉCULO. (*) 



CAPITULO 12 
Pessoas illnstres da Capitania 

§1 

António Caetano Villas Boas, Presbítero Secular, e Bacharel om 
Cânones, Vigário da Freguezia de S. João d'El-Rei, íbi hum dos mais 
eloquentes Oradores deste nosso tempo, e nas funcgoens Parochiacs 
o mais recomendável dos Parochos. 

§ 2 

António Pereira da Silva, Dozembargador da Caza da Suplicação, 
Ministro inteiro, o Sábio, do que dão testemunho os diflorentes Luga- 
res de Magistratura, que tem servido no Brazil, o na Azia, e os que 
ultimamente exercita. 

§ 3 

António da Silva Pontes, Doutor em Mathematica, e Governador 
da Capitania do Espirito Santo, deu provas de saber, e de Patriotismo, 
assim no importante negocio, de que foi encarregado das demarca- 
çoens do Sul, como no Governo que se llie conliou. Sua morte cau- 
sou perda ao Estado, não só a sua Familia. 



i*) - E' este o ultimo capitulo ria mnnograpiíia, cujo original doou ao Ar- 
chivo Publico Mineira o seu ilirector actual. Os capítulos aiiti'iioreí atli ose 
pubiicjidos na «Revista» do Instituto Histórico c Geograpiíico Brasileiro. 
-l.N. da l\y. 



444 



REVISTA DO 



§4 

Bernardino de Senna Freitas, Intendente do Oiro de Villa Rica, 
6 Dezembargador da Rellação da Bahia, foi bom Letrado, e bom Mi- 
nistro. 

§5 

Bernardo da Silva Ferrão, Bacharel ein Cânones, bem conliecido por 
sua literatura, e Traducção da Biblia, que não chegou a ver a Luz, 
por aparecer a do Padre António Pereira, merece passar com honra 
á Posteridade. 

§ 6 

Bernardo de Soiza Barradas, hábil Advogado da Gaza da Suplicação, 
une a seus conhecimentos juridicos muitas boas qualidades, que o fa- 
zem considerar. Nosso cunhadio he parte para que eu as não indi- 
vidue. 

§7 

D. Francisco da Assumpção e Brito, da Ordem dos Eremitas cal- 
çados de S. Agostinho, e Arcebispo de Goa nos Estados da índia; não 
merece menos por suas virtudes do que por seu alto Emprego. 

§8 

Francisco de Mello Franco, Bacharel em Medicina, e Medico da Ga- 
mara de S. A. R. fas honra a sua Pátria por Seus conhecimentos mé- 
dicos, e composiçoens Poéticas. 



Francisco de Paula Meirelles, Presbitero Secular, Bacharel em Fi- 
lozofia, e Profeçor Régio de Lógica, Methafisica, e Ética na Gidade de 
Marianna, deixou-nos alguns manuscritos em Oratória, e Poesia, pe- 
los quaes podemos avaliar os subidos quilates do seu Engenho. 



10 



Francisco Pereira de Santa Apolónia. Licenciado em Ganones, Pres- 
bitero e Ghantre actual da Sé de Marianna tem vastos conhecimentos 
das antiguidades da Gapitania, grande lição ; e nas Varas, que sérvio 
de Provisor e Vigário Geral do Bispado deu provas de Letrado, e de 
recto. 

§ 11 

Fr. Francisco de Salles, Religioso da Trindade em Lisboa, e Mestre 
em Theologia, Orador de Reputação he hum dos ornamentos da Sua 
Pátria. 



ARCniVO PUBLICO MINEIRO 445 



§ 12 

Francisco da Silva de Queiroz e Vasconcelos, Cónego da Bazilica de 
Lisboa, merece contemplação entre os seus Patrícios. 

§ 13 

Francisco Soares de Araújo, Bacharel em Cânones, Secretario o De- 
putado da Junta do Comercio de Lisboa tem hum dos primeiros Lu- 
{jares entre seus Compatriotas por sua integridade, e conhecimentos 
Literários. 

§ 14 

Francisco de Soiza Guerra de Araújo Godinho em Ouvidor da Villa 
do Sabará, e em Dezembargador da RellaçiXo do Rio deu provas de 
Sua Capaddade, e honra, muito digno por tanto do Real Serviço. 

§ 15 

D. Fr. Diogo Jardim da Ordem de S. Jerónimo, Bispo de Pernam- 
buco, e depois de Elvas, aonde flnou, foi hum dos melhores Oradores 
da Sua Religião, e hum excelJente Prelado. 

§ 16 

Gervásio José de Almeida Paes, Dezembargador da Rellação e Caza 
do Porto tem sido Ministro rectíssimo, e entendido na Jurisprudên- 
cia Pátria, e do Foro. 

§ 17 

João Baptista Vieira Godinho, Marechal de Campo dos Exércitos de 
S. A, he dos mais hábeis Engenheiros Portuguezes, do que deixou me 
morias nos Estados da Índia, aonde sérvio longos annos, e fes muitos 
discípulos. 

§ 18 

João Caetano Alvares, Advogado da Caza da Suplicação goza de ex- 
cellentes créditos por seus talentos, e instrução filozofica, e Jurídica. 

§ 19 

João Carlos Xavier da Silva Ferrão, Coronel da Cavallaria com 
exercício de Ajudante de Ordens do Governo da Capitania de Minas, 
deve ser recomendado á Posteridade por muitos titules ; entre os 
quaes são de monta suas luzes militares ; sua actividade, honra e 
desinteresse no desenpenho das funcçoens do seu Posto, digno por 
tanto dô maior accesso, e de melhor fortuna. 



446 REVISTA DO 



§ 20 

JoSo de Soiza Barradas, Bacharel em Leis, Respeitável Cidadão da 
Cidade de Marianna, Respeitável Advogado da Capitania, e Respeitá- 
vel Pae de farailias, que deu ao Estado dois filhos, e três á Igreja. 
Fazem lhe todos gloria, e muito particularmente o que seguio a Es- 
trada das Varas, Dezembargador hoje da Caza da Supplicação, hum 
dos mais abalizados Togas do Reino, Fernando Luis Pereira de Soiza 
Barradas. Huma de suas filhas he minha prezada mulher, que aug- 
menta a gloria do Pai, dando-lhe netos, hum dos quaes segue já a 
carreira das armas, e outros se vão habilitando em Letras para o Real 
Serviço, meus caros filhos. 

§21 

João Evangelista de Faria Lobato, Bacharel em Leis, e Advogado 
de Reputação possue as melhores luzes Jurídicas, e huma vasta ins- 
trução em vários ramos de Literatura. 

§ 22 

João Ferreira Soares, Cónego da Cathedral de Marianna he dos 
mais valentes canonistas, que produzio a Universidade do seu tempo. 

§ 23 

João Luis de Soiza Saião, Thezoireiro Mor da Sé de Marianna, bom 
Orador, excellente Canonista, homem de hua memoria descompas- 
sada. 

§ 24 

João Severiano Maciel, Bacharel em Leis, e Ouvidor actual da Pa- 
raíba tem dado de si, e dos seus talentos Jurídicos e Poéticos, hon- 
roso testemunho. 

§25 

José Basílio da Gama, Official Maior da Secretaria d' Estado dos 
Negócios do Reino, vindica hum dos primeiros assentos entre os Poetas 
Portuguezes. 

O seu— Uruguay, que corre impresso, e varias Obras suas o incul- 
cão, Fes a Poesia huma perda na indiscrição de quem quer que foi, 
que a Rogos deste Poeta em seu passamento queimou a maior parte 
de suas Obras. 

§26 

Jozé de Sâ Accioli Bitancurt, Bacharel em Fílozofia, e Coronel de 
Milícias, he benemérito da nação e do seu Paiz por seus trabalhos mi- 
neralógicos em as Nitreiras dos Montes Altos da Capitania da Bahia, de 
que se acha encarregado. 



AUCHIVO PUBLICO MINEIRO 447 



§ 27 

Fr. José de S. Rita Durão, Graciano e Doutor cm Thoologia, foi o 
maior dos Oradores do Século passado. O seu— Caramurú, Poema Épico, 
que vio felizmente a luz, prova seus talentos Poéticos. 

§ 28 

José Gregório do Moraes Navarro, Dezembargador da Rellação do 
Rio de Janeiro, e Juiz de Fora actual da Villa de Piracatú, que creou, 
merece nome por sua integridade o rectidão no exercicio das Magis- 
traturas, que tem servido. 

§ 29 

Joze Joaquim Viegas, Presbítero Secular de conducta irreprehen- 
sivel deve ter -lugar em nossa escritura por suas boas partes, e par- 
ticularmente por sua pericia na Arte de gravura. 

§30 

Joze Joaquim Vieira Godinho, Doutor nos Direitos Civil e Canó- 
nico, Lente de Direito Pátrio na Universidade de Coimbra (meu Res- 
peitável Mestre) e depois Dezembargador do Paço, e Procurador da 
Fazenda do Ultramar, foi o esmalte, e o maior ornamento da sua 
Pátria. A universalidade de suas ideas, e luzes o fizerão ouvido, e 
considerado. Hera de maneira integerrimo, e de hum caracter tão 
honrado, e firme, que não houve jà mais torcel-o dos caminhos da 
iustiça. 

§ 31 

Joze de Oliveira Pinto Botelho Mosqueira, Dezembargador de Agra- 
vos da Caza da Suplicação, Magistrado de Reconhecida Literatura, e 
probidade no desempenho dos seus deveres. 

§ 32 
Joze Maria Tajardo de Assis, Vigário actual do Pozos Altos, Orador 
eloquente, e bom Poeta. 

§ 33 

Joze Pereira Freire de Moira, Bacharel Formado, o Capitão Mor Re- 
gente dos índios da Aldeã de Lorena dos Tocoyós, he dos Varoens be- 
neméritos da Capitania não só por seus conhecimentos Botânicos, e 
Agrícolas, mas também por suas fadigas na civilização desta Tribu de 
Indígenas. 

§ 34 
Joze Pereira Ribeiro, Bacharel em Leis, foi dos grandes génios da 
Capitania, Vastíssimo na sua Faculdade, do que dão fé as Allega- 
çoens Jurídicas, quo dello Restão, ninguém o excedeu na carreira do 



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REVISTA DO 



Foro. De huma suavidade inimitável em suas compoziçoens Poéticas, 
que todos admirão, ate merece ser chama do o Anacrecute de Minas. 
Cortado em flor aos 34 da sua idade, sua perda tem sido assas lamen- 
tada. Outros o louvem, porque nSo devo progredir mais no elogio de 
hum Tio, e de hum amigo. 

§ 35 

Joze Vieira Coito, Bacharel em Medicina, e Coronel Miliciano, ha- 
bilissimo em sua Faculdade, he ainda mais louvável por suas explo- 
raçoens mineralógicas, de que he de crer, que venhão utilidades a 
esta sciencia em geral, e á Nação e Capitania em particular. DiíTe- 
rentes memorias deste homem inculcão suas viagens, e nos aprezen- 
tão os mineraes, que tem descuberto. 

§ 36 

Lucas António Monteiro de Barros, Ouvidor Geral da Comarca de 
Villa Rica tem se destinguido neste, e nos mães Lugares, que ha oc- 
cupado, por sua prudência, Literatura, e conducta. 

§ 37 

Luiz José de Brito, Contador Geral do Real Erário houve Reputa- 
ção no exercido do seu Emprego. 

§ 38 

Luís Vieira da Silva, Presbítero Secular, antigo Lente de Filozoíia 
na Cidade de Marianna, possue hum grande fundo de erudicção : seus 
discursos Oratórios lhe grangearão créditos, e suas desgraças, com- 
paixão, 

§ 39 

Manoel Acúrcio Nunan Pereira, Cónego da Sé de Marianna, Re- 
comendável por seus serviços feitos á Igreja em dilatados annos, que 
sérvio de Parocho, e por sua conducta civil, e moral. 

§ 40 

Manoel da Guerra de Soiza e Castro Godinho, Tenente Coronel de 
Cavallaria com exercício de Ajudante de Ordens do Governo da Capi- 
tania, depois de ter corrido os Postos no Regimento de Artelharia, e 
Legião dos Voluntários Reaes de Pondá nos Estados da índia com 
jllustres attestrçoens de Seus Superiores, continua em sua Pátria a 
bem servir. 

§ 41 

Manoel Ferreira da Camará, nomeado Intendente Geral dos Dia- 
mantes houve de seus estudos, e longas viagens pella Europa hum 
lundo de conhecimentos de maneira distinctos, que lhe merecerão a 



ARCHIVO PUBLICO MINEIRO 440 



justo titulo a Real Confiança para o estabelecimento da moeda na 
Capitania, sua Pátria, e para o melhor sistema da mineração, e 
aproveitamento dos Diamantes. 

§ 42 

Manoel Jacinto Nogueira da Gama, Bacharel em Muthematica e Fi- 
lozotia. Tenente Coronel de Engenharia, e de prezente Escrivão e De- 
putado da Junta da Fazenda de Villa Rica, alcani;ou grandes créditos 
na Corte o Cidade de Lisboa, jaem Prolossor de Marinha no Real Col- 
legio dos Nobres, Ja nos diflerentes Ramos de nianulactura, de que 
Ibi encarregado. Continua aqui a l)ein merecer do Real Serviço e da 
sua Pátria. 

§ 43 

Manoel Luis Soares, Doutor e Lento Canonista na Universidade de 
Coimbra Ibi hum dos Sábios do seu tempo, varào Respeitável q' por 
este titulo e niuiio mais pcllo de suas virtudes civiz e moraos la- 
honra a sua Pátria.