(navigation image)
Home American Libraries | Canadian Libraries | Universal Library | Community Texts | Project Gutenberg | Children's Library | Biodiversity Heritage Library | Additional Collections
Search: Advanced Search
Anonymous User (login or join us)
Upload
See other formats

Full text of "Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo"

This is a digital copy of a book that was preserved for generations on library shelves before it was carefully scanned by Google as part of a project 
to make the world's books discoverable online. 

It has survived long enough for the copyright to expire and the book to enter the public domain. A public domain book is one that was never subject 
to copyright or whose legal copyright term has expired. Whether a book is in the public domain may vary country to country. Public domain books 
are our gateways to the past, representing a wealth of history, culture and knowledge that's often difficult to discover. 

Marks, notations and other marginalia present in the original volume will appear in this file - a reminder of this book's long journey from the 
publisher to a library and finally to you. 

Usage guidelines 

Google is proud to partner with libraries to digitize public domain materiais and make them widely accessible. Public domain books belong to the 
public and we are merely their custodians. Nevertheless, this work is expensive, so in order to keep providing this resource, we have taken steps to 
prevent abuse by commercial parties, including placing technical restrictions on automated querying. 

We also ask that you: 

+ Make non-commercial use of the files We designed Google Book Search for use by individuais, and we request that you use these files for 
personal, non-commercial purposes. 

+ Refrainfrom automated querying Do not send automated queries of any sort to Google's system: If you are conducting research on machine 
translation, optical character recognition or other áreas where access to a large amount of text is helpful, please contact us. We encourage the 
use of public domain materiais for these purposes and may be able to help. 

+ Maintain attribution The Google "watermark" you see on each file is essential for informing people about this project and helping them find 
additional materiais through Google Book Search. Please do not remove it. 

+ Keep it legal Whatever your use, remember that you are responsible for ensuring that what you are doing is legal. Do not assume that just 
because we believe a book is in the public domain for users in the United States, that the work is also in the public domain for users in other 
countries. Whether a book is still in copyright varies from country to country, and we can't offer guidance on whether any specific use of 
any specific book is allowed. Please do not assume that a book's appearance in Google Book Search means it can be used in any manner 
anywhere in the world. Copyright infringement liability can be quite severe. 

About Google Book Search 

Google's mission is to organize the world's Information and to make it universally accessible and useful. Google Book Search helps readers 
d iscover the world' s books while helpi ng authors and publishers reach new audiences. You can search through the full text of this book on the web 

at http : //books . google . com/l 




Esta é uma cópia digital de um livro que foi preservado por gerações em prateleiras de bibliotecas até ser cuidadosamente digitalizado 
pelo Google, como parte de um projeto que visa disponibilizar livros do mundo todo na Internet. 

O livro sobreviveu tempo suficiente para que os direitos autorais expirassem e ele se tornasse então parte do domínio público. Um livro 
de domínio público é aquele que nunca esteve sujeito a direitos autorais ou cujos direitos autorais expiraram. A condição de domínio 
público de um livro pode variar de país para país. Os livros de domínio público são as nossas portas de acesso ao passado e representam 
uma grande riqueza histórica, cultural e de conhecimentos, normalmente difíceis de serem descobertos. 

As marcas, observações e outras notas nas margens do volume original aparecerão neste arquivo um reflexo da longa jornada pela qual 
o livro passou: do editor à biblioteca, e finalmente até você. 

Diretrizes de uso 

O Google se orgulha de realizar parcerias com bibliotecas para digitalizar materiais de domínio público e torná-los amplamente acessíveis. 
Os livros de domínio público pertencem ao público, e nós meramente os preservamos. No entanto, esse trabalho é dispendioso; sendo 
assim, para continuar a oferecer este recurso, formulamos algumas etapas visando evitar o abuso por partes comerciais, incluindo o 
estabelecimento de restrições técnicas nas consultas automatizadas. 

Pedimos que você: 

• Faça somente uso não comercial dos arquivos. 

A Pesquisa de Livros do Google foi projetada para o uso individual, e nós solicitamos que você use estes arquivos para fins 
pessoais e não comerciais. 

• Evite consultas automatizadas. 

Não envie consultas automatizadas de qualquer espécie ao sistema do Google. Se você estiver realizando pesquisas sobre tradução 
automática, reconhecimento ótico de caracteres ou outras áreas para as quais o acesso a uma grande quantidade de texto for útil, 
entre em contato conosco. Incentivamos o uso de materiais de domínio público para esses fins e talvez possamos ajudar. 

• Mantenha a atribuição. 

A "marca dágua" que você vê em cada um dos arquivos é essencial para informar as pessoas sobre este projeto e ajudá-las a 
encontrar outros materiais através da Pesquisa de Livros do Google. Não a remova. 

• Mantenha os padrões legais. 

Independentemente do que você usar, tenha em mente que é responsável por garantir que o que está fazendo esteja dentro da lei. 
Não presuma que, só porque acreditamos que um livro é de domínio público para os usuários dos Estados Unidos, a obra será de 
domínio público para usuários de outros países. A condição dos direitos autorais de um livro varia de país para país, e nós não 
podemos oferecer orientação sobre a permissão ou não de determinado uso de um livro em específico. Lembramos que o fato de 
o livro aparecer na Pesquisa de Livros do Google não significa que ele pode ser usado de qualquer maneira em qualquer lugar do 
mundo. As consequências pela violação de direitos autorais podem ser graves. 

Sobre a Pesquisa de Livros do Google 

A missão do Google é organizar as informações de todo o mundo e torná-las úteis e acessíveis. A Pesquisa de Livros do Google ajuda 
os leitores a descobrir livros do mundo todo ao mesmo tempo em que ajuda os autores e editores a alcançar novos públicos. Você pode 



pesquisar o texto integral deste livro na web, em http://books.google.com/ 



REVISTA 



to 




M 




t 




DE 



s. Paulo 



VOLUME XII 



1 




^/V 



/t 



I 



1907 



I 






SÃO PAULO 

TTP. DO < DIÁRIO OFFICLAL * 
190B 



1 




"1 




índice do volume XII 



à Gruta IsABEL^pelo tr. dr. Joaquim Joeé de Carva^tí^* 3 
De. LiTis Bahbosa da Silva— pelo ar, dr. Aagueto Cessar 

de Miranda Azevedo *.•••«•., 20 

A SaRRA í>o KsptNHAço— pelo ^r. dr. Orville Derby • » 40 

Jont Clembkte Pereira — (»elo ar. coronel Ernesto Senua 62 
JoaÈ BoNiFACtn (o velho)— pelfi ar. dr, Estevam Li-af- 

Buurrf^ul *•••« St 

DlCClONAlita T0POOltAÍ>H:CO DA Ct>MARCA DE CaSA BrA^CA 

^-pêki gr, Lafajette de Toledo 121 

APONTAMENTOS Ri-LATtViíS A ALKIXO GaRCIÉ — ^ pcIo ST. 

Ernesto Guilherme Young 217 

O Voador — pela sr. dr. José Viena í-azenda. • . « 229 
JuiK DK KóRA EM SÃO pAUixi— pelo St, dr , Alfrcdo de 

Toledo • 244 

Fadrs Bartholomeu HE GuanÂo — pelo ar. dr. Hoeaimah 

de Oliveira • . . . 255 

Ouvidoria dm Paranaguá— pelo sr. dr. Alfredo de To- 
ledo ....... 262 

LmEtRAS NOTAS DB VIAGEM D ' HlO DE JAPÍBtBO À CAPITA- 
NIA DK S. Paulo, no Brasil, no vf.iUo nw 1813, 

COM ALOUMA6 ííOTiClA8 SOBRE A ClPA'*» DA BaHIA 

O A ILHA Tristão da Cunha, entre o > abo e o 
Brasil k que ba i*ouco rm occu^ada— por Gus- 
tavo Beyer. Traducçâo do Bueco pelo ar. dr. Al- 
berto LofgreD . 275 

JUIJ&ADO DE PÒRA B OuVIDORlA DE ItÚ — peío Br. dr, 

Alfredo de Toledo 312 

Ob Indigenas^ — peln ar, Leôncio do Amaral Gurg^l , . 319 
O Padri: Manorl de Moraejj — pelo sr. dr. M, de Oliveira 

Lima, 331 

TlRADENTBtí B A EdUCAÇAo ClVICA. CONFERENCIA. ApPBN- 

diob: I, A Execução de Tiradenteb, )) descri* 
pçio, 2) Narração rimada. II, Notas w esclare- 
cimentos: 1.* A Effigib do Haiídis. 2.* A rei- 
vindicação pfrnambucana. 3,** A guerra dor 

MASCATES. 4/ A CONSPIRAÇÃO MINEIRA, 5," VeNDEK 

é J- J. DA Maia. 6," Pomb*l h H. José de Ti- 

RADBNTKS, /,* ADVERTÊNCIA PINAJL^pelo Sr. proteSSOr 

Joué Feliciano ..*,,...... 347 





ÍNDICE n 

o FAPBL DE JOSÊ BOKJPACIO SO MOViMEKTO DA HJDEPEK-^ 

DENCXA — peb ET. ir, M< de Oliveira Lima, , , 412 

Os MACHADOS D a PEDHA DOS ÍNDIOS DO BftAâlL B O SBO 
SICPRKOO KAS DBRBtJBADAS Dlfi MATO — polo ir« prO^ 

f«flBor dr. HertDSnn ron Iberíug' 426 

QuBRO-jà (22 DB JULHO Dl 1840)-- pelo »T , d r. José Vieira 

Paxenoa . . , . , 437 

EbvoluçAo db lB42^p6lo sr dr, Joáo Baptiita de Mo- 

raea ...,,...,. , 441 

FoRTB MAÇADA ! —^ pelo BF- corooel H, Ã. de Arar j o Ma- 
cedo , - . ... , , 618 

E^ccoRsio ao HcrwaNZOBi— cunfereceja feita pelo Duque 
de Abbmzzos em Londres e traduzida pelo sr. dr. 
Ediíardo Losehi .,.,.. , , . . 628 

José Lous«fíço da Costa ãouiak (D.)— pelo sr. Barão d© 

Stadari .*.»,,., 656 

BltLIOGRAPHIA , . - . 658 

A BlBLTOiHECA BRA^lLtENSB r»0 SR, DR . JoSèCa^LOS Ko- 

DaiGUBa— peto sr. dr* M. de Oliveira Lima, , 658 

SíJDASlEKlKASISCHR FELSZElCBNUÍfaEM (PlCTOORAVORAft BDL-* 
AMERICAN AS) DO DR. ThBODOB KoCH — peiO BT, Ho- 

dolfiho ven Iheriug 663 

Gustavo Betbr. . . • * • 665 

ViAjANTK Sl*kco (18l3)— pelo Br. dr* Joaé Vieira FazeD da. 665 

As KOTAS DE VJAOEM NO BrASIL, BM I8l3, DB GuSTAVO 

BsYEB— pelo sr. dr. M, de Oliveira Lima« . • 669 
QoKH BRA Gustavo Beyer — pelo sr. dr. M, de Oliveira 

Liina . . . , 672 

Actas das sessõib realizadas durante o anno db 1907, 677 

DíSCUESa DO ORADOR SR HlPPOLYTO DA SlLVA NA SEStíÃO 

AHHTTERSARIA * * 710 

RflLATORlO DOS TSABALtíOS R OCCURRBKClAfl DCJRAKTSI O 

ANNO Dl; 1907, apreacotado pela Directoria* • * 725 
Quadro saciai do InntiíUrUt hiaU/rho e Geographico ãe 

S. Pkulú, em dezembro de 1907 729 

Directoria . • 729 

PrmdenUí hanorario * - . » 729 

SodúM hennmeritos •. + ** 729 

Socioê honorários •••»««• 730 

Sócios correspondmiie» domicitiados fora do Estado de 

S, Paulo 731 

Quadro dos sócios accêtioa ern 1906, ...... 733 

» > s > > 1907\ ...... 734 

Edação dos êocios faílecidos até 31 de dezembro de 1907 73& 



BE VI ST A 



DO 



Instituto Histórico e Geograpliico 



DE 



SÂO PAULO 



A GRUTA ISABEL 



Relatório Eiimí^rio de Eim exploiaçilo, seguido de breves 
considertções hÍEtoiico-geograficas 



« Qnien no ndmirn, eftrcmecido por nn vértfgo snbllme, 
desde cl borde pedregoro de on plcncbo desigual, 
do qoe modo bncia el ahisroo, com fragor qae el pecbo oprime, 
precipitaeo el torrente por ei agrio penaecal ». 

Emillo Ferrari 

Te la Réal Academia Erpanola. (Poeiin-* La» Tierra* Lianas» 
— na Revista -£/ íris de Pas- uno XXIII n. i76, de 29 
de Jalbo de KOC. Madrid.) 

O3 geólogos principalmente, os que provam deleites com 
estudarem os interessantissimos fenomencs, que, em indefesso 
trabalhar, revolucionam não só a epiderma, quanto mais quiçá as 
entranhas do planeta por nós habitado, com particular atenç&o 
observam e admiram, confessando- se sem frases bastantes para 
descrevei em -nas, o sem tintas convenientes na paleta para de- 
pintarem-nas, as cavernas mais ou menos vastas, as grutas de 
maior ou menor amplidão, por especial as de formação calcarea, 
que rompem e excavam caprichosamente as colossaes móies ro- 
chosas, variegada e intricadissima ossamenta da crosta terreal. 

Taes acidencias são trabalhadas ali pelo desecamento de 
sedimentos inconsolidados, fazendo retrações, alhures por abalos, 
tremeres, casos sismicos, rompendo os estratos, e, num ou noutro 
caso, produzindo deslocações, fendas, soluções de continuidade no 
âmago dos primitivos ma^siços, vindo por fim a insistente a^ão 
erosiva dos subterreos lençóes, correntes ou fios de agua, o cau- 
sas outras não perfeitamente definidas, inclusas as trepidações 
vulcânicas, onde estas ocorrem, a completarem a arquitetura das 
giutas. Assim opinam e explicam alguns, quando outros por 
maior simplicidade cmtentam-se cem tudo attribuirem a vacuolos, 
lacunas ou falhas, abertos pela irregular consolidação dos ele- 
mentos, na fase do i esfriamento planetário. 



— 4 — 

Assim sendo, ou por caaea outra dependente de ulteriore» 
estudos, até agora ainda nào cabalmente feitos, fica sempre in- 
discutível, e nimiamente interessante para o cientista, a suprema 
beleza desses antros, deases abismos, decorados pela capricbosa 
fantasia do sublime e nataral artista (?), que inimitável e ar- 
roubadamente os produziu !. 

E certo é que, em qualquer parte onde êles ^e descobrem^ 
a inteligência dos sapientes, dos veneradores do bélo em quaes- 
quer linhas de projVçào, imediatamente os regista no vasto pa- 
trimónio cientifico ; e as administrações esclarecidas e patrióticas, 
lhes dispensam as maiores e melhores solicitudes, porque, sem 
haver negul-o, êles concon-em paia u celebridade dos paizes, 
com serem dos mais admiráveis e selétos encantos naturaes. 

Nào é o nosso Brasil dos menos aquinhoados cem os prodí- 
gios desse género, de mais bem podendo ser que muitas outras 
notáveis sorprêsas nos ohtejam cousoautemente reservadas, na ex- 
tensa porção ainda incivílisada, ou menos conhecida de nosso 
vastíssimo território. 

Si a Grécia zela a sua Antiparos^ si a Bélgica encaata-so 
com a sua Han-sur-Lesse^ si a França deleita-se com a das 
Moças e a de Osselle^, si os Esla-los Unidos afamam-se cora a 
Mammouth no K^ntucky e a de Alabastro na Califórnia ne- 
nhuma dessas excede as prodigiosas fabricas, os rememoráveis 
encantos da nossa Taperwsú no Paraná, da do Inferno em Mato 
Grosso, e da Isabel^ no município de Bananal, ao norte do Pasta- 
do de S Paulo, esta que eu tive a ventura de explorar, inda 
que incompletamente, que fui o primeiro o único a desv*rever n 
fazer conhecida, objéto deste invalioso e só original trabalho 

E já nao pos:'o deixar de meu -orar também as Caveriias do 
Iporanga^ sobretudo a do Monjolinho^ que m^íis celebrisada ficou 
para os cientistas, porque em suas aguas foi ha pouco pescado 
o typh obagrus kroneiy verdadeira novidade ictiologica, o primeiro 
espeleicola (spdceicala) encontrado no Brasil, peixe esse que tem 
a triste particularidade de ser cego, como s&o os demais amblío- 
psida^ {amhlyop4d(é) da America do Norte. 

Eu vi, na Kosmos n. 1 de^te ano, o perfeito desenho desse 
curioso peixe, o primeiro bagre encontrado na lôbrega cariiérula 
de uma gruta, não pequeno comtudo, de pele translúcida ; e vi 
também duas magnificas fotogravuras do MonjoLinho ; podendo, 
BÓ por isso, asseverar que, confrontadas as duas excavações, leva- 
Ihe vantagem a Gruta Isabel, 

Da interessantissima descoberta do typhlohagrus cabe o mere- 
cimento ao Sr. Eicardo Krone, de Iguape ; e foi em honra deste 
que o Sr. Alipio de Miranda Kibeiro denominou -o — ti/phlobugrus 
kronei — , ciitorioso e justo jiremio assim dado ao conspícuo obser- 
vador, como sóe fazer se nas lidas da ciência. 

E qual nào foi o meu prazer, quando, na noite de 7 de Fe- 
vereiro, achandome no salão da Sociedade Scientifica de São 



- 5 — 

Pauloy abi vi uma grande e ezplendida fotografia do Monjo^ 
lÍ7iho; e mnis, vi também, contemplei por muito, apreciei bas- 
ta» te o typhlobagrus kronei^ êle próprio, o peixe, a raridade, 
conservado em um frasco, que ]á se acbava a contentara curio- 
sidade dos que interesstidos fossem no conhecimento dessas granded 
minúcias da historia natural. 

Poucas linhas acima, dice eu que o nosso Brasil nào é 
dos menos aquinhoados com taes prodigios ; e já me será per- 
mitido corrigir essa frase, pois nos é licito afirmar dt-sassom- 
bradamente que nenhum outro país no mundo é, quanto o nosso, 
tão opulento de encantos taes ! 

Os que conhecem a fenomenal bacia do rio 8. Francisco 
sabem d»s inúmeras grutas calcáreas, que bordam-na. 

Nnnvi daà vertentes do morro de que jaz a cavaleiro o forte 
de Coimbra, que tâo glorios» mente célebre deixou o nosso bravo 
Porto Carreiro, na epopéa militar do Paraguay, vê-te a imensa 
•Gruta do Inferno, a qual pode sem constrangimento, abrigar 
mais de mil homens, dando-Ee inteiro crédito, como cumpre, á 
^palavra do cientista dr. Rodrigues Ferreira, que naturalística- 
.meito deixou-a descrita no quarto volume da Revista do In~ 
stituti) Historicol 

Mais de duzentas, muitas delas ricas de fosseis, explorou o 
insigne dr, Lund. só na Lagoa Sauta, em Minas 1 

Feita rapidamente pelo sr. Ireneu Joflily (no ^lAlmanach Po- 
pular Brasileiro^ de 1900, publicaçfto editada por Echenique & 
Irmão, Pelotas, Rio Grau de do Sul) deparou-se-nos a noticia da 
^Gruta da Canastra-» na serra desse nome, no Estado da Para- 
hiba. O i^r. I Joífily, por um processo penoso e arriscadis- 
ftimo, e graças á conduta de ura prático sertanejo, logrou pene- 
trar essa excavaç&o natural, aberta em rocha gi-anitica, com 500 
imetro» de extensão por 3 a 4 na maior altura, tendo um solo 
;poeirento escuro, com dois a cinco pés de espessura, e t&o farta 
de esqueletos esparsos que, sem exagero, dá para chamar-se um 
grande ossuario humano. 

Nos banidos calcareos disseminados pelo nordeste de Cori- 
tiba, entre muitas e notáveis grutas de estalactites, nota-se a 
já referida d« Taperussú. pelo ilustre engenheiro Luis Parigot 
visitada, descrita e desenhada em 1875, ha 32 ânuos quasi, sem 
•comtudo ficar nem ter sido até h(>je inteira e completamente 
explorada, como nào foi por mim nem consta-me por outro ter 
sido a Gruta Isabel ; 

E' que um profundo respeito, um bem fundado receio, pop 
muita que seja a nossa curiosidade cientifica, nos retiram de lá 
das protundêzas da Terra, quando nos aventuramos em ezplora- 
•ções, que se retardam, pdvados de ar e de luz, esses sensualia» 
áticos elementos da vida. 



— 6 — 






Como e porque fui á gruta? 

Em Julho de 1887, meu excelente amigo e compadre, o 
finado senadjr dr. Jofto da Silva Carrão, Eofreu o primeiro in- 
sulto de meningo — mielitp, que foi por mim conjurado, isto 
quando êle residia no Rio, à rua Senador Vergueiro ; e, entrando 
em conTalescimento, assentámos, a rzma. Família e eu seu me- 
dico, em afastal-o da atividade politica o da vida opressa da 
Corte (como se então dizia, falando da hoje Cap>ial Federal) 
mesmo da afluência do visitas, inoportunas na situação, para as 
liberdades tranquilas de uma vilegiatura. 

O senador Carrilo aceitou para isso o oferecimento de seu 
concunhado, o sr. Barão de Bananal (vivo pae do exmo. depu- 
tado federal iv. Rodolfo Miranda); e, na manhã do dia 11 de 
Agosto daquele ano, tomámos acomodação especial e convinhavel 
em um trem, chegando á esplendida Fazenda do Novo Desti' 
nOf a 1 hora da tarde. 

Como seu medico, de privada confiança, eu tive o honroso 
e grato encargo de acompanhar o meu caro amigo, cujo resta- 
belecimento de mais a ma^s accntuava-se de dia para dia ; e, 
folgando a minha solicitude com esàas melhoras, no dia 15 fui 
em diversão á Fazenda da Piedade, residência e propriedade do 
meu colega, o sr. doutor ^lanuel Pinto da Silva Torres, sogro 
do ilustre Barão de Bananal. 

Para tal passeio houve alguma premeditação. 

A todos os ângulos do Municipio de Bananal e seus lími- 
trofes chegavam noticias da descoberta de uma gruta, de uma 
grande maravilha natural ; essas noticias eram já decoradas pela 
imaginação popular cm seus exaltamentos pela fábula, e, muito 
legitimamente, despertaram febril curiosidade, que movimentada 
em verdadeiras caravanas os magotes de curiosos. 

A c Nova Phase », periódico loca', estafava-se em noticias 
e comentários; e á própria imprensa fluminense fora levada a 
nova, embora sem o critério de uma informação formal e completa. 

O senador Carrão, o Barão de Bananal, o dr. Silva Torres 
conceberam, pois, o plano de fazerem- mo explorar a gruta, para 
descrevel-a tão minuciosamente quanto possivel . Foi com essa 
aludida premeditação que se organisou o passeio. 

Aos desejos dos nobres amigos defrontaram -se os meus; c 
foi nas acheganças hospitalares e carinhosas do dr. Silva Torres 
que organisou -se o grupo excursionista por mim chefiado. ]Ma- 
talotagem, fachos do taquarussú, velas, cand-eiros, lanterna?, papel, 
lápis, trenas, termómetros, armas de defensa, homens sapadores, 
cães batedores, serviçaes, um bom prático dos caminhos e do 
sitio preciso, o que mais se jul^^ou mister, indispensável o pos- 
sível de obter se ali e de transportar-se até lá, tudo preparar 
6 dispor foi obra para breves momentos. 



— 7 — 

Peln fresca e orvalhosa madrugada de 17 de Agosto, á voz 
de partidn, puz em marcha o meu bando explorador, parte em 
cavalgada, parte por peões. 

A' gruta!..,, 

* * 

Gruta (da baixa latinidade — crupta^ — grupta em um texto 
de 887, do latim — crypia—, da raiz Eauscrita—kru) ou Caverna 
ó a excavaçílo uatural, produzida nas montanhas calcareas pela fil- 
tração das aguas, que arrastam em seu curso as camadas terroses 
(>u friáveis, intercaladas nas rochas mais consistentes, operando 
fisico-quimicamente. 

Essas excavações são geralmente tortuosas, ramificadas, di- 
vididas em desiguaes e irregulares compartimentos, separados 
por estreitas, acidentadas e escorregadias pasFagens, de pare- 
des ásperas, arrebicadas por concreções calcareas, chamadas es- 
talactites e estalagmitest apresentando conformações excêntricas, 
singulares, com que brinca a rédeas soltas a estuante imagina- 
ção popular. 

Objéto de variado e interessantíssimo estudo fornecem es- 
sas profundas excavações ao naturalista, ao geólogo especial- 
mente, que, nas diferentes e diversas frisas que atravessa, con- 
templa, define e determina as sciiadas transformações, vencidas 
pelo planeta, até chegar á constituição de agora. 

Por estudos taes é que sabemos terem-se consumido 648 
milhões de aros para fazer-se a solidificação da cresta teira- 
quea ; que só a formação da camada carbonífera despendeu um 
milhão, quatro mil e quasi já duzentcs anos pelos cálculos de 
Bischof, ou somente G27 mil e quusi duzentos anos pelo côm- 
puto de Chevandier; que a formação terciária, cuja espessura 
não excede a mil pés ingleses, levou 350 anos a completar-se ; 
e que 350 milhões de anos decorreram para que, em nosso 
planeta, a temperatura baixasse de 2000 para 200 gráos. E* 
pela llçilo da geologia que sabemos contarem- se na espessura 
da terra, subdivididas em muitas o diversas camadas, nada me- 
nos de 12 formações, quaes em ordem decrecente : a ahtviana, 
a diluvianay a terciária, a calcar ea, a jurássica, a iriadica ou 
irias, o liaSy a carbonífera^ a devonica^ a siluriana^ a huronia" 
na, e a laurentina. 

A gruta Isabel^ como a denominei e denominada ficou (si a 
binilhosa nomenclatura republicana não crismou-a depois com 
qualquer nome inexpressivo) em honra á piedosa Senhora, que 
então exercia a magistratura suprema da Nação, encontra-so no 
Município do Bananal, curato de Santo António do Alambari, 
bairro do Capitão Mór, nas terras do tenente-coronel Joéé Ra- 
mos da Silva Sobrinho, na mata da Cascata, entre floresta vir- 
gem e protegida por um cipoal secular, rijo e musculoso, onde, 
a 200 metros acima do nível do rio Capitão- Mór e por iugreme 



— 8 - 

subida de 80 7o> entre seixos colossaes, éla abre-se de face 
para o oriente. 

Assim deDominei quando, descoberta apenas, começavam a 
cbamal-a — gruta branca— ^ nome que gerador seria de equivo- 
cos, por já conhecerem-se muitas grutat brancas no Brasil, 
al6m de razões outras. 

O verdadeiro descobridor dessa maravilba foi, pelo ano de 
1885, o pobre caçador Francisco Benedito Ribeiro, Chico Ri- 
beiro no trato popular^ que morava em terras de Manuel Affon- 
BO de Carvalho. A tal fato, perfeitamente averiguado, escru- 
pulosamente tirado a limpo, cumpre dar-se importância histórica, 
porque alguns outros, meros visitantes, procuraram muito logo 
empolgar as glórias da descoberta. O testemunho dos insus- 
peitos, a que recorri, sendo mais valioso o do velho e honrado 
capitão Faustino José Correia, ali morador e afazendado por 
cerca de 30 anos, depõe incontestavelmente a favor dn Chico 
Ribeiro, que, na procura de caseiro alimento acompanhado por 
seu filho Benedito, €entocou uma paca* na famosa f^ruta, que 
depois penetrou, vencndo enormes dificuldade?». Entrando, e 
deparando>se-lbe larga, extensa e es:'ura cavidade, serviu- se 
de um fósforo parn orientar-se; e, de um a um, «ssim con- 
sumiu uma caixa inteira, a única de que entào dispunha, já 
descurando da paca, iodo absorvido peks mag<ti(irenci^8, de que 
o acaso fizera-o extasiado contemplador, o primeiro a desí;or- 
tinal-as. 

De regresso, Chico Ribeiro, analfabeto, figurára-se na 
imaginação que aquela maravilba só poderia ser um templo, 
um misterioso esconderijo confiado ao génio e á proteção do 
sob.enatural: e então, com relatar ao capitão Faustino a sur- 
preendente descoberta, assim exprimiu-«e: — € dfSCfjbn uma 
igreja/* — E^ que, mesmo na fase da mais elementar simplêza, 
o e*pirito humano nempr^ e espontaneamente praúca as opera- 
ções da filosofia : Chico Ribeiro fazia uma associação de ideias 
com seu dizer. 

Achegados a essa maquina colossal, preaente-se que extra- 
nho e comovente cfipetáculo vae começar. No pórtico, que 
mede lm,50 de altura por igual largura e 5 metros de espes- 
sura, vè-se ao fundo, onde o escuro começa, projetar-se da 
parede di eita, de um concreto de calcureo e granito, uma re- 
gularmeate talhada cabeça de elefante com pendente tromba : é 
o pórtico do elefante . 

Transposto es-e compartimento, e iluminado o va^to subter- 
râneo, acha-se á egquerd>i um vasto salão de 20 metros de fun- 
do, sobre 10 de lar^o e 5 de alto, abobadado, suspenso sobre 
grossas paredes de 2 metros de espes^urn, de linhas irregulares, 
com algum>is grandes estalactites espars^is. Ne^te compartimento 
dna4 principaes creações ferem a atenção do visitante: uma 
original estalagmite de um metro de altura, que irrompe de 



— 9 — 

enorme seixo, com as formas delineadas de extraordinário carne- 
leào, avançando obliquamente, a meio corpo, para galgar outro 
seixo fronteiro; e, na parede direita, encravado, um nicho per- 
feito, pronto para rfr^ceber qualquer veneranda imagem. Hesi- 
tando na preferencia, dei-lhe por isso as duas denominações 
— paço do camdeõo ou fala da nicho. 

Contigua a esta ha um pequeno compartimento, cujas pa- 
redes sào cobertas por espessa camada de alvo calcareo, húmidas, 
fria.-», pastosnp mesmo, onde se vê uma creaçào v-om a figura de 
um tomaior {'oillettf.) de senhora. Em atençàn á deliciídêza 
com que o capiíào Faustino J. Correia recebia os ex«:ur>ionÍ8ta8, 
que, por esse tempo já e n numero superior a 2.00'^», atravessa- 
vam t^*rras e • aocélas da sua propriedade dele, pedindo-Ihe 
insaciáveis explicações, sacrificanio-lhe muito t» mfo. e mere- 
cendo-llie favore- vários, de suaexma. consorte dei o nome a esse 
compartimento, que ficou sendo — o toucador de D.* Idalina. 

Na K^ta d ^ entrada rasga-se outro enorme saiào com 50 
metros de extensão por 12 de largura e 6 de altura, de teto 
ora abobadado, ora plano, cora enormes fendas, que se continuam 
e se apritfundiim pelas paredes, com vastos taboleiros de pedra 
carcomida, &om comtudo notar-.e ahi figur.i alguma saliente, de 
bom desenho, para justificar desig^açào especial. Atendendo 
eutào ás repetidas visitas por ôle feitas á gruta, e ao caminho 
com que a tstava dotindo o benemérito cavalheiro, denominei 
esse largo compartimeuto por — sala do Barão de Ribeiro Bar^ 
hosa. 

Esâe vasto espaço é delimitado ao fundo por basta trama 
de estalactites e {)or espessa cercadura de estalagm-tes chatas e 
largas, formando assim outro comcartimento em plano, um metro 
mais elevado que o primeiro, medindo 20 metros de compri- 
mento por 6 de largura e 5 de altura. Aqui destacam-se duas 
creações principaes: a primeira e menor tem a forma de pe- 
deíital de antiga e grande estátua, excavand"-Be aos pou-os. mas 
não f>erceptivelmente, pela açáo do um preguiçoso pingo de agua, 
que, a retardados espaços, filtra-se do teto; a segunda é um 
grupo que reclama luz e prtje.çào para ser analisado. Colo— 
cando-ee o observador no extremo esquerdo da hipotenusa, e 
dando pela direita a projeção da luz sobre a ma^^sa, terá diante 
de si a bela visào de um homem, que, envolto em manto, car- 
rega uma mulher bem aconchegada ao seio, dela desprendendo-se 
a cabeça e as tranças, que emergem e caem de sob a capa do 
raptor. Dei a est^e com i»arti mento o nome de — Oaoerna de Plu- 
tão — recordando o rei dos infernos a transportar a encantadora 
Euridice, roubada aos amores de Orfeu, seu marido. 

Ainda ao fundo e á direita ha um pequeno quarto, de cujo 
teto pende uma enorme ej-talactite, banhada de agua porejante, 
com quasi um metro de comprimento sobre quarenta centímetros, 
de largura, a qual, por sui face anterior, desenha uma grande 




— 10 - 

e Bolta cfibuleiríi do mollipr, desfiíiiizindo extensos novelos, polo 
quQ. ficou com o nomo de — Cabeleira í^a ^''eíiiís. 

CaTiiínbníido depois para a esquerdo, entra-ee em outro 
compartimento, obLiquamcnta dirigido parn cima, afuuilada, ter- 
rainaudo por unia nitgusta abertura, pel.a qiiol passámos do rastros, 
para devassar a crt&la pedregosn da montanha l dei^lhe o nomo 
de ^janela ou olho da gruta ^ 

Voltando por epsa mesma estreita garganta, e depois d© 
decer 8 metros, gaitámos cm um c.illiáo do dois metros de altuTO, 
tlatiqueámo!-o, paFsámfs [ or bai^ío drdo para penfvtrar entro 
ftalftfi, dp cuja parede direi tn, formada por etiormo lasca de pedra 
prodíjí-iosamente equilibrada, irrompe a iig^ura bem talbíida díí 
colosfifll tartarn^íi, ]>elo que ficou denominado — ú furna daia'^ 
taruga. 

E^ía furna abre para um túnel, como f^aleria revest da pir 
cantaria, tortuoso^ extcDslfsimo, baixo, frio, húmido e escoirogndif*, 
que cbnmei o — ittueS do mijítérify, 

Ein meio dessa galeria, A direita, yè~%B unm perfeita ban- 
queta de altar, lançada em seis dcp^ráos bem regntareR, ecníca, 
a começar por um para ítcabar em meio metro de largm-.i, a 
que dei o nome áe— oratório do José Ramos. 

Proscgníndo ue^se túnel pola extensão de mais aesserita 
metro?, á d.reita. de|>ára sanes ura lindo siimbório, de 4 metros 
do altura, do cujaa inegiilfires estalactites, amareladas e feudidis, 
iuinterruptaiTiente cíiem poucas gõtns da maia límpida, da niaiá 
pura agua; denominei o a — fonte das lagrimas. 

Este pilio, em voidade, é de melflncolíea poe^ia: as paredes 
&ãD LumidaSf os seisoe sào de frinldnd© intcn6a, tilo fri» s que, 
tocando 08 ou sobre elei assentíindo-se, recebe o explorador 
seuiiaçíto jgusl á do confáto de bióeoâ de gí'lo. A agua é & 
que mais agratíavel j^óde imaginíirsoj igual punra bebi; o 
comigo IroUíO do IA algumas gfinafíis, das quaea mandei uma 
ao colega dr. José Ferreira de Aiaujo, da (íaztta de Notidm 
do Rio, acompauhíindo a i^rimcira dcscriçfio que íix do mínhi 
exploraçàr, publicada nesse orgam da imprensa diária, pelo fim 
do mesmo já dito ano de 1B37. 

O capitfto Faustino Correia e outro?, quo também colheram 
porções dofsa agua, fiubT^ieteram-na a experiência», pcsaram-D», 
e, comparaudo-a com as aguaa limpas^ finíis « batidas du serrn, 
verificaram ser a da gruía 50 Vj "if^iâ leve do que as outras, e 
reunir as deu:nÍ8 condições toda» da potabilidade. 

Deixando a fonU dus lagrimas, e proseguíiido pelo iund 
do misieriff, dahi para diante caroinha-so sobre Eeixos rolados, 
do rastros, por uma rampa íimoFa, buoiida, liquecente, escorre- 
gadic;a, passando a candeia de nuio amlo, ^té pf netrar em outio 
compartimento, onde a temperatura é maia baixa, onde fina 
chuva, quasi uma névoa húmida, filtrando- se da abobada, lèga 
incesBantemcnte o aólo aréento; chamei-o— o banheiro das fadas. 



I 



— 11 — 

Assim chegáramos ao marco extremo da exploração. 

Tentámos caminhar adiante, mas ó penosisBÍmo e arriscado, 
direi mesmo impossível duhi proscgnir, porque urge colar ventre e 
face ao chão, sorver a curtos tragos as parcas quotas do ar con- 
finado desse tenebroso paço, consumir no alimento da tibia luz 
artificial, cm pleno detrimento da hematose, os já erradios átomos 
de oxigcneo, tatear á) cegas entre riscos muitos e periculosas 
peripécias, quiçá dizer o adeus extremo á vida, tudo pela im- 
provável compensação de poder devassar os últimos e mais an- 
gustiosos recessos desse confim terreno da noite e do silencio!. 

As fadigas de maia de 5 horas de exploração em posições 
contrafeitas, entre escorregões e quedas; o jisto anceio dcs pul- 
mões pelo balsâmico ambiente das matas; a saudade dos esplen- 
dores do dia; o enervamento que nos resulta dúS frias humi- 
dades prolongadas; e, maia que tudo, o receio de comprometer mi- 
nha filhinha enfraquecida, criança do oito annos, que me acom- 
panhara por todos os recantos; taes circunstancias reunidas 
impuzeram-me retroceder. Não o fiz, porém, sem antes provar 
a 6ensf.ção que salteia o homem no seio desse antro profundissimo; 
e mandei, que, uma a uma, intervaladamente fossem apagadas as 
lanternas 

Medonho!... Horrivel!... Não ha escuridão a essa com- 
parável!... Como deve ser torturante a cegueira para quem 
já teve luz nos olhos!... 

Kestabelecidas as luzes, commandoi a volfa. 

De lá, do fundo inexplorado dessa profándissima construção 
até d mencionada Caverna de Plutão^ onde some-so misteriosa- 
mente, flúe com serena placidez um ténue fio de agua, a que, 
em honra ao descobridor Chico Ribeiro, dei o nome de — lagrimai 
do Caçador. 

A capacidade da gruta ficou calculada para mais do mil e 
quinhentas pessoas. 

O sr. barão de Ribeiro Ba'b)za, que, em uma de suas 
visitas, ahi penetrou com 50 luzes e três lampeões belgas, ve- 
rificou a insuficiência dessa iluminação* Sò, pois, um foco 
elétrico, alimentado por forte bateria assest:ida fora da gruta, 
poderia projctar luz bastanto para um exame detido, completo, 
satisfatório de tão monstruosa escavação. 

E', creio eu, a maior gruta do Brasil, embora não a mais 
bela; è mesmo, penso, uma das maiores entre as mais celebres 
do mundo ! . . . 

Das amostras recolhidas verifica-so nessa cava gigantesca a 
existência de : carbonatos calcareos, mica, feldspato, quartzo, silica 
e silicatos, ligeiros vestígios do ferro. 

A entrada da formidanda maquioa é arreíada de liames, que 
se enastram e graciosamente pendem em sanef^is e cortinas, som- 
breada por seculares gigantes fiorestaes. 

As denominações, que dei aos diversos compartimentei da 



— 12 — 

Gruta Isabel, certamente não me levarão ao risível no jnizo dos 
homens de leitura. Conservo e aqui reproduzo os mesmos no- 
mes, que figuraram na primeira comunicação minha, • ditorial- 
mente publicada pela Oazeta de Notícias do Rio, como parte 
literária, em 1887, ha 20 anos (1). 

Eu, que até então nada havia lido especialmente sobre grutas, 
confesso que, ao vêr impresso esse meu escrito, não deixei de 
provar tal ou qual acanhamento, quando amigos por ôle me 
felicitavam, parecendo-me que um pedaço de ridículo eu pre- 
parara, nos pontos em que, precisn mente, todo meu exclusivo 
empenho fora re»» peitar as delicadezas da justiça. 

( orridos alguns anos, em uma de minhas encomendas para 
Europa, pedi o livro de Adolphe Badin, e só então senti-me 
calmo e bem. pois, ao lêr a interes^antissima descrição da 
Mam» outh^s Cave^ essa gigantesca mole subterrânea nos calcareos 
da bacia do Green-river, vi os seus compartimentos com as 
fantasiosas denominações de : igreja gótica^ camará das almas 
do outro mundo, caminho da humildade (por ser mister abaixar- 
se bem o visitante para atravessal-o), poltrona do diabo, camará 
estrelada f sala da neve, gruta das fadas, gruta dos bandidos, e 
outras e outras mais, que dão para distinguir as 226 galerias 
e corredores, ('S 47 zimbórios, as muitas lagoas e cascatas, os 
muitos riachos e poços desse mundo imenso subterrâneo, também 
ainda não todo conhecido, nem explorado até ao fim 

Si A tão preconisada coragem dos Americanos do Norte 
ainda lhes não permitiu a ousadia de internarem~se até aos con- 
fins de sua gruta, também não me envergonho eu de não ter 
excedido o pc-nto a que cheguei na Gruta Isabel, porque, e no 
fim das contas, o caso é como disse Hutchings: « La promenade 
etani agréable, le prix doux, les guides attentifs, H le spectacle des 
plus singuliers et imponant, nous disons aux autres—allez y- 
voir / » 

E continuo. 

Deixando a Chuta Isabel, quiz ainda excursionar pelo dorso 
da montanha, a que se chega por sub da muito mais i'greme 
do que a que dá para a gruta, só praticável pelo auxilio que 
prestam as raízes e os enormes e musculosos cipós, essas gigan- 
tescas trepadeiras convolvuláceas, que só os nossos sertões sabem 
produzir. E o fiz audaciosamente, lavando minha filhinha a ca- 
valgar meus hombros. Guindando~me a^sim por uns vinte me- 
tros, dei com a entrada de outra gruta, a cavaleiro da já 
descrita. 



(1) Essa primeira pnblicaç&o foi apenas uma noticia nfto desenvolvida. 
9wuta de Noticias, ano XII 1, ds. 27ã e 'J80, na primeira pagtnn das edições dos dias 5 
• 7 do Oltsbro de 1887. 



— 13 — 

Esta, de que presumo ter sido o verdadeiro descobiidor, 
quando penetrada, deixa perceber de sob os ])é8, e a cada passo 
que st) dá, uui som lOUco e vibrante, como de quem percute 
grossa abobada metálica. Nào tem mais de trinta metros de 
extensão, sendo parte imersa no escuro, e parte lanhada por 
fendas, por onde se côa n luz solar. As paredes dessa cava sào 
cristalino-calcaifas, em colunas justapostas ou faixas contíguas. 

Como curiosidades, qne abi ^e notam, dignas de rcfereut-ia, 
bem poucas que são, direi que na parede lateral direita, para 
quem entra, pela altura de três metros, nota-se um pequeno 
gru|:o de quarenta e cinco centímetros, representando o OAboço 
em mármore de uma mulher sentada, acalentando ao colo uma 
gorda criança ; e, ao fundo, cerce ao chão, na estreita pa^^sagem 
de vinte centímetros, rasga-se a fauce hianre de tenebroso e 
insondável abismo. Uma enorme vara piesa a outra enorme, 
introduzida em primeira experiência, flutuou no vácuo ; e, de- 
pois, algumas pedras que propositalmente arrojei, de variados 
tamanhos, nào denunciaram sua queda jx^lo som. Esta expe- 
riência das pedras foi muito repetida por todos os meus compa- 
nheiros, em pleno silencio nosso, para ouvirmos qualquer som, 
que nunca foi percebido. O sr. barão de Ribeiro Barbosa fez 
idêntica observação, diante do grande comitiva, cotirmando o 
fato por mim denunciado. 

C< nfesso nào saber expl car esse mistério. 



Propriamente da Gruta Isabel^ pi-r Chico Ribeiro casual- 
mente descoberta, por mim explorada e imediatamente deg- 
crita, até onde ó licito chegar-se sem ripco para a vida, ó 
quanto cabe-rae dizer nesta ex[)OSÍção, que reedito com melhor 
desenvolvimento, ninda a desafio do testemunho dos vivos sobre 
a veracidade e a fideliiiade de t<'do o exposto. 

E* muito post-ivel, é provável mesmo que humanas grosse- 
rias, produto da i^nor^ncia do povo e da indiferença dos ad- 
ministradores, tenham profanado, arruinado mesmo, as raturaes e 
sublimes belezas que ali se encerram . . Não temos nós visto 
o que fazem uns desalmados, uns inconcientes talvô-», nas gru- 
tas e nas cascatas artifíciaes do formoso parque da Praça da 
Republica, no RioV!... Não vimos, quanto custa lembrai o, o 
que fizeram académicos com os lindos e mansos cervos do Jar- 
dim Publico desta cidade?! . Nào vemos ns picarescas figuras, 
as torpes versalheiras, as abomináveis inscrições, quo produz o 
ra{)azio desregrado, nos pedestaes de nossos monuniento-», nos 
mais aprazíveis sítios de nossos a rabaldes, até nos fúnebre- ca- 
tafalcos, erigidos com enormes dispêndios e com tanta piedade, 
em nossos cemitérios ? !, , , 



— u — 

o qne mais, pois, nfio eiperar da biutêza de gente com 
taes bnbitos afeita? 

A Sociedade Scieniifica de S, Paulo, na sua Ecssão do 3 de 
MAr<;o de 1904, lia 3 anos, já discutiu larçameuto este delica- 
do assunto; e, ainda por oficio do 8 de Dezembro de 1906, o 
operoso presidente da niosma sociedade, sr. dr. Edmundo Krug, 
estiradamente analisou a crueldade dos estragos feitos nas grutas 
calcareas da Ribeira de Iguape, referindo- fe mais aos artigos, 
consoantes á mesma matoria, por ê'e dados á estampa em o 
Correio Paulistano, edições de 14, 18 e 20 de Oitubro de 1905, 

Tudo isso intolizmente, ainda parece clamar no deserto ; e 
eu digo só— j!)ar6C€,— porque categoricamente afírmal-o ó vergo- 
nba imensa para a socieda,'e brasileira, para a adminis trairão 
publica no Brasil ! 

Ah!... Oxalá n&o, quanto á (7rM/a Isabel t[o menos \ Oxalá, 
recôndita numa elevada garganta da terra, abrigada ao pavês 
da propriedade particular, ela tenba sido respeitada, e conser- 
ve-so na inteireza de seus rudes encantos, com a verdade as- 
Eombrosa de f^uas maravilhas, para eterno deleite dos curiosos 
inteligentes, dos amadores sinceros do belo, dos cientistas que 
tudo aproveitam, tudo utilizam, tudo t ansformam em «nsina- 
montos profícuos, resultando afínal, como ó justo e esperável, 
apre<;os muitos para este opulento Estado, renome e fama para 
o Brasil ! . . . 

Devo ainda dizer que, como sóc acontecer em casos taes, a 
crendice popular, sempre ávida de sensações, de estimulantes 
para sua objetivnçflo, começou sem demora atribuindo miracu- 
losas propriedades o medicinaes virtudes á agua do lagrimai do 
caçador. Assim referia o capitão Eugénio de Paula Karaos que 
a filha de um sr. K-iê, eofrendo havia Icngo tempo de inflama - 
ç&o (?) dos olhos, com corrimento purulento, resta beleceu-so, 
como por encanto, com poucas lavagens feitas com essa agua ; 
referia- se também um caso de reumatismo crónico, conjurado 
pelo uso da agva santa (já assim chanjavam-n'a) daquela gruta. 

Foram os dois casos uniccs chegados a meu conhecimento, 
que assim relato sem comentar, dando-Ihes a nomeada pater- 
nidade, pois nâo quero vôlos passarem por creação minha. 

Agora, por contiguidade de matéria o continuidade de as- 
sunto, nào posso sopitar o prazer de, perfuntoriamcnte me.-mo, 
descrever outras sorpreendentes belezas desse sitio encantador. 

O Morro da Cascata, onde bo nc''a a colossal fábrica, está 
a cavaleiro do rio Capitõo Mór, que ahi se abre em fenomenal 
cascata, com uma queda de 70 metros em três lances, sendo o 
médio, o maie volumoso e mais interessante, de 36 metros, por 
onde enrolam-se e desenrolam-se maravilhosos ílóc s de ideial ar- 
minhe, cachoando em^ enredos, que se não descrevem. 



— 15 — 

A altA rocba, de que audaciogamente emborcn-EO o Capitão 
Mor, é ainda lavada por tns argentinos fios, como negligen- 
ciadas madeixas, que os ventos do sertão desurdiram daquela 
vasta e vaporosa juba. Em baixo é rugidor e atroante o bor- 
boiinho das aguar, que se espalham em borbotões, rodando com 
precipitada fúria sobre o álveo pedregoso. 

Afastada 20 metros do sopc da ca cata, emerge uma poética 
e verdejante ilhota, cujo relvoso tapeto ó amparado por grosso» 
gelxos. Foi ahi que fieliberei fazermos o piquenique^ com este 
vocábulo intrujo e feio qne, ainda por muito tempo ha do cam- 
pear em nossa linguagem, para gáudio dos galiciparUs. Assim 
me exprimo porque at^. o insigne vernaculista Cândido de Fi- 
gueiredo nfto hesitou em hos^eda1-o. 

O coiiuescote do saudoso e ilustre latinista dr. Castro Lo- 
pes não sat sfaz, por só propriamente exprimir a refeição pecu* 
n-ariamente rateaia. Com tal emprego tenho por perfeito o 
neologismo. 

Por duas horas forcei o meu foquito a comigo deter se 
lia incontentavel contemplação des o cenário. Não iho mais 
bélíis as noFsas outras cascatas da Tijuca, de Petrópolis, de 
Fiiburgo, do Therezopolis, nem a do Salto Grande de tíflo João 
no Paraná, que visitei (m companhia do sr. dr. Cândido de 
Abreu, hoje senador federal por esse Estado, tcndoa também eu 
descrito na imprensa do Coritiba. 

Pouco difctante da Cascata do Capito/) Mór, e quasi á ou- 
rela do caminho, depara-se-nos uma outra queda, formada pelas 
flguas do Mucacaj o conhecida por Cascata do Fausfiiio; e ain- 
da, a pequeno decurso desta, vc se também a precípitaçílo das 
cgua Qc Rio do Moinho, Ambas estas ultimas s&o, por certo, 
niaii altas que a do Capitão Múr, porém simples, comuns, a 
primeira nfto passando de uma fita de agua, a segunda apresen- 
tando a]:enas um pedaço em linha finuosa, do ângulos alterna- 
dos (o siguczague dos galicistas), que ó do agradável efeit>. 

Pela feita da minha exploração, o Capitão^Mór estava na fase 
da maior seca ; o, mesmo as im, o cavalheiroso sr. capitão Faus» 
tino Correia mandara lançar pranchões sobre as pedras, artifici- 
f.ndo por tal forma umns pinguelas, por onde os da minha comi- 
tiva e eu prssámoé íacil e comodamente. Na estação das chuvas 
o rio avoluma-ie, ficando impraticável sua vadeação. 

* 

Nas linhas que lançadas ficam, com que poderia dar por findo 
o prtscnte trabalho, arrisquei duas proposições correlat&s, que, 
a 1 ão traduzirem mero arroubo do patriotismo, da probidade 
cientifica reclamam demoustração sincera e cabal. Eu dice qne 
— o Brssil era o paiz mai^ lico versanto ás belezas naturaes de 
que trato neste escrito; e dice que a Gruta Isabel era das 



— 16 - 

maiort-B e das mais belas do Brasil e do mundo Convindo 
prova -o, e para conclnir entào, eu vou agora a uma ropida 
passagem por e^sas fábricas subterrâneas, que mais rememoradas 
são no universo, para que, defrontadas umas a outras, posãamos 
melhor julgai- as. 

E* o que passo a fazer, sem que ordem alguma presida i 
relação, falando de cada qual lembrada fôr, somente com o 
empenbo de não omitir as que nos livros de geografia sào 
referidas com fama 

l.*" A Gruta do CJ(o, perto de Pozzuolo, á margem do 
lago Agnano. ua Itália. Não piissa de uma guarita com 3 metros 
de profundidade por 1 de largura e l^ftO de altura, tendo a 
entrada fechada por uma pcrta cuja chave é confiada a um guarda. 
Bua celebridade consinte em uma baixa camada de acido carbónico, 
de 0,^20 centímetros na entrada, esiK^Sfandn-se progressivamente 
da frente paia o fundo, até medir O ""tíO, altura em que um cão 
morre após três minutos de permanência. 

Não vejo no fato motivo algum para celebrizar-se-o. 

Era, a meus olhos, pa-a mais fama o velno castanheiro da 
Sicília, memorado por muitos viajai. teF, pelo inglês Brydcne 
principalmente, e até assignalaio em um mapa BÍcili^^no, publicado 
vae por dois i-ecul s Es>a arvore tri^^antesca tinha a distinta 
Cfinfonnação exteri(»r de cine-». f.indid;is em grupo. 

2.** As Gkutas da ilha i>i Capri ou Caprea, que í^fto : 

a) H de Mitramania^ outrora ccnRat^rada ao culto de Mitra, 
qu»* 08 naturaes crismarani por-r// Matrimonio ; st^m importância; 

b) a Gruta Verde, na face meridional da ilha ; também 
despida de importância ; 

c) a Gruta Azul ou das Ninfas^ que figura-^e á imaginação 
qual um pnço de turquêzas sohre um lago de sa firais. Dóla já 
eom fnto&ia&mn falava Júlio Cesare Capai-cio, literato italiano, 
que viveu pelos anos de 1560 a 1631, publicando em 1605 a 
ohr & — HistoricB ncpfjlitance libri duo. — Maxime du Camp visi- 
tou-a e descreveu-a também. E' de fato um dos mais esplen- 
didcs fenómenos, que podem vistas humanas cntemplar, cum- 
prindo àaber-se entretanto que essa côr azul, de tanto renome, 
não passa de um efeito de óíica, de um i refração : é o que se dá 
com a mesma côr azul do céo, com a côr verde das aguas do 
oceano etc. 

Makor importância dou eu á ilha di Capri como escrínio de 
recordações históricas, que rctpidamente vou relembrar. Situada 
DO mar da Toscana, na entrada do golfo de Nápoles, antigo 
covil de cabia.H selvagens, de que lh«« proceieu o nome, essa 
ilha foi dos Napolitanos adquirida pelo imperador Augusto, que 
por éla deu a de Ischia, Jepois tão poeticaint-ute decantada j>or 
Âlph de Lamartine. Augusto nela passou sua velhice. 

Diceram pouco escrupulosos narradores, e outros repetem, 
VÔr-se ainda em di Capri o rochedo em que foi encerrada Julia, 



- 17 — 

neta de Augusto; isto náo pa^sa de tradlçÃo de uma falsidade 
O texto dB Tácito (Ann LiÒ. IV^§71.)ó positivo, e refere-noí 
qnfí eB»a Juiia, adultero mulber de Lúcio Emílio Patitn, no ano 
9 de n09^a éra, foi desterrada para a ilba de Trc^mera^ nai 
coBta^ de Apãlia, seni^o precisamente abl que* tio ano 2B mor- 
reu A eulposa causadom do bauimeoto do temo Ovidio, qtie a 
decantara coni o nome de Carina. (1) 

Ainda maior fwma di Capri nos traz da antiguidade por 
Tibério, que abi mandou levantar 12 pãlflcioa aos 12 grandes 
deuses ; e, em negrejados bordei», também ahí luJíuriou oh uKimos 
anos de bua existência. A respeito leism-se Suetoniu (ap l^ib, 
§§ 63 a 65) e Tácito [Anji, Lib. VI g 1) como verifiquei ao 
lançar é^tas linbáB. (fl) 

A ilba di Capri era politicamente dividida em paríe de 
lé*te ou pi opt lamente Capri ^ c parte de oeste ou Auacapri, 
IksftB duas parcialidade» eram rivae» rancorcsas e irmconcili aveia, 
votando^sí** ódio eterno, ódio de imiãoii», na frase de Ugo F* scolo 
ou »eí soliia fratribttn odia*^ como dicre Tácito. 

Em âi Capri t coutam enamorados viajatite», gojsa-ae de 
panrrama esplendoroso, qun relembra eutre saudade» a babin do 
Eio de Janeiro ou a entrada de Constaniinopla* 

3.* A GatiTi D» Fino AL, em Stafla, uma da? Hébiidas, 

Á ilbota de RteffA parece totalmente composta f*or matérias 
volcanícas, pois vê-ae-a firmada sobre colnníis dp basalto. Á' 
interessatite caverna dau-se ídej ois de Banks, que vÍEÍtou-fl em 
1772) o nome de Gruta dê Fingàl (íi heroe dos poemíis priraitivoB 
da Eflcoeift, conbecidos por CanUm ou Po&tnas de Ofiítian. vertidos 
por Macpberson) nome que, dizem modt^rnoa eacritorea iiig^lôsps, 
procedeu de um equivoco daquele sábio, nâo fundando-ae na 
tradição dos naturaPB, quft cbamam-na^Ctíuerrííi da ^fu}!ica-^ 
pela barmonia aelvflgem ouvida abi, retuitante da sonoridado do 
bramido dai ondaíi« 



{1 ) Taolia qita, «b trabftlliot cl«DttBc>a«, urge fidi^rrar maxinDA JtdeUãAãD : e que 
le dUo flevc «empre oUlr de in«m{9rlji ou flrmndn em fé nllheJA, p;ira «vitjtr ^qulvotíos e 
lapcoft, «índ pDdtfifl arruliir 4 ^^h^ && latprr.biilAde, ptii' Ikao pabkó h tf^nícrever ú trrchâ 
Jfttino cj& flriRl do citndfi § 71 dó Iítto IV doi Annati de T*citO Onde ie-«e : »Fer Idem 
tempcLS JuIJA morlum ribilt, quam Deptenii AnjifUitiis. convIctA adult(?rU, dnmnjivii^rat proje- 
esràTqciâ In linsuljtni Trlmeram, faAHd i^fqovl nimHH lltorltitiâ, lUi^ rJgltiU aunkis ^xiílfam 
toleravit, Anggnice ope snâtcDtJLtA^ qtiíB llrirenl4?s prlvteDOí qnom per çtcultani cubx-er' 
tUnoT, mtEoricDrdiaiu «r(^a affltctoi pftlam oAtcn-tAbnt.' 

Como ie vf iiosU eiiAçáa' nfto «ó n ^tiliQtA JmIIa raorren em T^imcri. e eiK« em dí 
Cftjiri. iDM RO vfrríftca mnia que éla dAd raorren do v!oleEi<Êlai eúFridjis^ « st memoriem 
âbiii-, !Bt« á mort-fiu de morte naiaral. 

V/i Pelo lUflitno prltifllpio tnvDiMulD tt* liot* antocedeote, trmucrvvo : 

a( Bcepc! In propIfiqQH degriiasEU, Kditl» jnxtA Tibirlin bortfi, inxa rati^Drn et roU- 
tadfDem marli repeilli;, piidor^ bc&lerigm «t llbtdlnain : qii1bn« ad^u tndomjifp «ixnrserftt, 
nt, more re^o, pcibeni In^enunm êttipTis po1|i]«r«i. Ncso formam Utiínm et í!ecor« wr- 
por«, Eed In hU modeftUm pae^ritlAra. lu aLitt irnafínM rai^ofnai, ioHLitrnetittim cupiálnU 
babcbit : tucidiao prlinnm l^ncit:i apte vocnbalft repeiLa «tint^ «âllarjinriiTn L>t apliiliJariiin,^ 
«X fiBdltate locd ae nvltlplld patientla*. Mii», Mb. Vi, $ i .} 

Daixo da tnaureTer de í^de^ioiiSo por torn&r-Bú iuqíco loD|;a a tranicrilcAo de traa 
umgnfoi, Altá« chetoi de miaudeuQiaa copaoajiiea i laxtirtA do teiwiialut* e devaftae 
Tlberío era di Capri, 



— 18 — 

Vvítsn ilha e dessa caverna foi o dr. MnccuIIoch quem deu 
completa e íidoli^sima descrição. 

4.* Á GuuTA DE Han. — Esta, uma das mais bélas e dai 
maiores, com mais de três kilometro^ do área, acba-se ua provincia 
do Namur, na Bélgica; e, para percorrel-a, despeudem-Bt^ duas 
horas. 

O rio Lesse nela precipiti.-se com fragor pelo abismo de 
Belvaux; e a tala do zimbório^ um de seus compartimentos, 
mede 50 metros de altura. 

5 • A Gruta db Rochefort, perto da precedente, onde ha 
utna sala t:\o alta, que um balílo cativo suspende uma tocha 
acôàa á altura de mais de 60 metros. 

C* A Gruta de Adelsbero, na Iliria, entre Trieste o Lai- 
baich, maior do que a de Ilan, é cavada sob uma colina calearea, 
onde abisma-se o rio Poik. Esta apresenta umi suces>>ão do 
Çalcrins o salas i-mensas, abrangendo uma extensAo do 7 a 8 kilo- 
motroã. que se percorrem em carros rodantes sobre tr«lhos. 

7.* A Mammouth, de que anteriormente já dice muito, a 
maior gruta da terra, verdadeiro mundo subterrâneo, cem gale- 
rias imensamente grandes, que se entrecruzam o se super])uem, 
da qual tilo apenas bem conhecidos uns 23 a 24 kilometros, 
aindi havendo talvôs muito a explorar. 

Em 181H, foi ahi acha'lo um gigantesco esqueleto humano, 
medindo 5 pés e 10 polegadas. 

8.' A Gruta de Lourdes. Fale-se também dela, aberta 
nas rochas Massabieilles, onde, diz a tradiçílo, aoí 11 de Fe- 
vereiro de 1858, a Virgem Maria revelou-so á menina Berna- 
dette. A crença popular, a coniiança da fé, a rcligiopidado do 
povo tornaram celcberrima essa pequenina e insigiiiíicant^ cavi?, 
onde a piedade erigiu um santuário, quo ficou sendo o foi con- 
stante alvo de copiosas peregrinações, ató estes últimos tempos, 
hoje encerrados por decreto do governo da llcpublica Francesa. 

9.' A Gruta de Macau, pequena, na cidade desse nome, 
na pcninsula do Iliang-Chan. 

A cidade chama-se do— Santo Nomo do Deus de Macáo. 

Macáo deriva-se de duas palavras chinôsas — Áme^ que de- 
signa o Ídolo de um pagode, ani existente em remotos tempo?, 
e Cáuy que significa porto. 

A gruta só ficou célebre pela tradiçflo do nela haver Camões 
escrito a maior pirte do seu poema. 

10.' Milha e quarto ou 1977 metros diFtante do Cabo 
Lands^Endf na peninsula de Cornwall, ha um grupo de ilhotes 
graníticos, onde eleva-se um farol construido cm 1707, o Longa- 
hip^s light hoiisCf em um rochedo de forma cónica chamado— C(zí*«- 
BroSt—quf^ emerge 45 pés acima nivel das aguas baixas. Debaixo 
desse farol ha uma vasta caverna, onde o mar, esbatendo-se com 
furor, em mares de algumas épocas, produz t?io sinistro e pavo- 
roso estridor, que bastou em certa ocasid.o para terrificar tanto 



— le- 
ia um dcs guardaSi que os cabelos se lhe encnnecOram todos no 
s6 espaço de uma noite. 

Por ter falado do LancVs End, aprovoito-me para referir a 
tradição do s?rem a esse Cabo ligadas, em remotissimo tempo, as 
ilhíis de Sc'lly, por verdes o férteis campinas, vestidas de po- 
voados e aldeias, de onde as flechas de 140 igrejas rasgavam as 
altas nuvens. 

As ilhas Scilly oferecem ao estudioso um grande interesse 
sob o ponto de vista das antiguidades célticas. Borlasio, histo- 
riador e antiquário, pretende que os antigos druidas honravam 
nesses rochedos uma das roaterialisações da divindade. Eviden- 
temente é esse o sitio do mundo em que os rochedos apresentam 
as mais cspecialisadaa o originacs formas e dispositivos. Ha ahi 
um rochedo chamado — a cadeira do Druida (Druidas chair) — onde 
narra a lenda, as=entava-se o grão sacerdote para presidir á 
majestosa solenidade do advento do sol pelo oriente. 

Dentre as curiosidades, que ms Scilly mais têm prendido a 
atenção dos geólogos e dos antiquários, além das muitas cavas 
tumulares (barrows)^ ó a existência das pedras movediças {logan 
rocks) principalmente em Saint Mari/^s. 

* * 

E aqui me íico, tendo dado quanto sei com referencia ao 
assunto» 

Fui a longps peregrinações no confronto estabelecido ; e, dessa 
excursHo historico-naturalista, volvo-me com a imaginação ecom 
a observação ainda mais saudosas das terras da pátria, onde, até 
o que a naturêsa, nos delírios da creação, deixou occulto nas 
baixas camadas do planeta, ha indescritiveis, inenan'aveis, sor- 
preendcntes e extasiantes belêsas ! 

As grutas brasileiras defrontaro-se galhardamente ás demais 
do universo : e a Gruta Isabel^ esfa que eu percorri o a que 
estou ligado como seu explorador e como seu historiador, é bem 
digna de que uma inteligência mais preparada do que a minha, 
de que uma pena mais idónea do que esta com que rabisco, 
dela se ocupem, para fazel-a condignamente conhecida e afa- 
mada. 

São Paulo, Março de 1907. 

Dr. Joaquim José de Carvalho. 



Dr. Luiz Barbosa da Silva 



Na historia contemporânea, oh annos valem as decndns da», 
cbronicas medievaes e ( s séculos das mythnlogias antigas. 

Os Bucee88<>8 precipitam-se mais veloz-*i>, o as a* cieda']e9 
modernas, na febre da actividade qu^ as consome, deixam de 
occupar-se com os factos de hontem, ])0Í8 têm a attençAo solicitada 

ͻor occurroncias do dia, e presa ao estado de prciblemas socio- 
og^cos para segurança do futuro. Graças á cducaçAo positivista, 
do século, aclia-se mais robustecida a intuição de justiça e 
verdade do ])ovo, por isso occupam-se as nações roais com os ho- 
mens da sciencia, ou com os philantropos do que com os con?- 
quistadores. 

A imprensa e seus representantes têm ganho o te-rreno 
que a pólvora e os seu*heió s vfio jjerdendo. O jornalismo, ouja. 
influencia fecunda e poderosa dirigiu e preparou o grande acon- 
tencimonto da humanidade— a Revolução de J789, tem uma parte 
brilhante, senão princif»al, em todas as phases evolutivas do 
progresso, nas nações modernas. 

Nào entra em nosso plano traçar a historia do jornalismo 
brasileiro, nem mesmo rememorar os triumphos de nossos jorna- 
listas. Falta-nos o valor de um Leonard Gallois, para historiar- 
o papel que representou entre nós um Ledo, ou um Evaristo 
da Veiga, e para descrever todo o valor de um José Maria 
do Amaral, de Justiniano da Rocha, de José M. da Silva Pa- 
ranhos, de José de Alencar e de tintos e tantos talentos do 
primeiro quilate; é incumbência para ser estudada em trabalho 
mais pensado e melhor acabado Queremos, porém, contribuir 
com o fraco contigente, pr.ra o monumento que lifto de talvez, 
consagrar á memoria dos jornalistas políticos do Brasil. 

Nesta epocha de descrença ]mblica, ante a abjuração de convic- 
ções politicas, cromos de bom effeito para o povo, esboçar a firme 
individualidade do distincto paulista dr. Luiz Barbosa da Silva, 
typo do cidadão, que tudo sacrificou em serviço de suas» crenças 
politicas e sociaes. 

Já é tempo da pátria tratar de esculpir seu nome no Pan- 
tbeon dos filhos beneméritos, e de archivar seus serviços nos. 
registros da historia. 



— 21 — 

à provinem de S. Paulo, tao riea de grandezas natntaosi tão 
proíli^a de "varões notáveis, teve a feliiíidade de aer o bLTço do 
UluBlre patriota e diãtiucto republicano dr. Luiz Barbosa da 
Silva. 

No extremo norte da província de S Paulo, no miinkipio 
d(v Banuual, existo a fa-^ondu da— GiiBcata— «>re&idt)nciu pitto- 
rescH^ que faz lembrar oâ castelloí da Eicocia e o» cautos dô 
0:Ȑian, ediiicada em itma altura, e ao lalo de uma abuudnnte 
cAchoeirn qoe se deiponha cora. murmúrio eteruo batendo pelas 
penha^ escav padas do rochedo», (L) Ahi nasceu a 30 de Outubro 
de 1810 o dí* Luiz Barbtua da Silva, íillio legifimo do com- 
merdftdor ÃntoDÍo Barbosa da Silva e de d. Maria Arruda 
Barbosa, 

Era, poiiantOf neto dos distin^-tos paulistas que em 1810 mais 
cfintribuiram para o desenvolvimento e pf>voaf;âo da cidade do 
Banana], por meio do doações de terrenos e outros eabedaes para 
eoiittruir-se eg rejas » liabi tacões para os povos que ahi affluiam, 
chamados pelos esforças dos ânado« Cf^mmeadador António Bar^ 
bosa da Silva e seus cunliad- s coronel Jcaquim Silvério, major 
Braz Arruda e André Lopes, sendo aquelles avós do dr. Luia 
Barbosa. 

Si nào teve Luiz Barbosa cricumst anciãs sobre na turaes, cotn 
que as lendas costumam revestir o nascimento e a infância de 
geuB heróesj revelou, com tudo, bem cedo a energia e firmeza de 
seu caracter independente e a agudeza da intelljgencia que 
possuía 

Mais de um facto exiite iia sua ytda de collegial, que decota a 
franqueza independente e tenacidade com que defendia os seus 
direi tos^ sempre que eram ofi^endidus pela injustiça. 

Do collejçio do Castro, em Botafo^Oj passou para o collegio 
Ktípke, em Petrópolis, onde e^todou diversas disciplinas. 

Aos 12 annos de edade^ seicuiu para S. Paulo a completar 
os estudos, pois o collegio Kôpke, apeaar da reputação que teve 
al^um tempo, era muito deficionte quanto á organisaçào do en- 
sino, o nâo diíipunha de pessoal habilitado para ministrar a edu- 
cação literária necessária para a matricula nos cursos superio- 
les do paíz. 

Aos 14 annoa Luiz Barbosa tinha todos os exames prepara- 
toriof, estava, portanto, habilitado a matricular-s© no Curso Ju- 
rídico. 

Grande fora o trabalho intellectnal, por iaao resentia-se o 
org'aoiamo do extraordinário consumo uervuso, nfio comptíusado 
por um bom systefua de educação physica. Á falta desta, entre 
a nossa infância, n^o avigc^rada pelos exercícios gyra nas ticos, e 
outros meios proscriptos pela hygiene, tem um eloquente e triate 
exemplo a n^i^istrar em Luiz Barbosa da Silva. Em outro pai2 



11) Zaltt»r. FerfiÈr, pelíi Prot. d« fi. Paalo. P*g, ej, 



— 22 — 

onde a instra::ç2Lo é bem curada; ondo as escolas e os collcgioi 
a pnr dos estados literários e scientifícos, com que illustram as 
inteliigencias, robustecem lambem o corpo pelos exercícios mus- 
culares e fortalecem os orgauismos infantis, preparando homens 
sábios o validos, nílo teria talvez Luiz Barbosa completado os 
estudos de humanidades aos 14 annoj, mas com certeza nSlo teria 
perdido um anno em restabelecer a saúde abulada, o nJ^o seria 
arrebatado á pátria ainda moço e quando podiam dar-lhc muitos 
fructos Eua alta intelligencia e solida instrucçAo. 

Nào pareça impertinência nossa o considerações descabidas 
o que acabamos de escrever; cm todo o paiz, o particularmente 
nesta província, peusa-se talvez mai^ em aperfeiçoar a raça ca- 
vallar que a no3^a própria. As casas do eJucaçiio, em geral, 
deixam muito a desejar quanto ao moral, e quasi tudo quanto á 
hygiene, nao se ligando o menor cuidado quanto ao desenvol- 
vimento physico das creança^. E' esto assumpto digno de toda 
a ponderação; em vez do hippoiromos, qu3 servem paia aco- 
roçoar o jogo, edifiquem sa bons lycous e construam gymna<ios 
dignos dos filhos desta província, merecedores de cousa melhor 
que os seminários e recolhimentos de jt>s«itas, que altrahem a 
mocidade descuídcsa ]iara o seu seio, c cujos fructos amargos 
vemos diariamente. Em que pezo a muitos, esta é a verdade o 
com a franqueza de paulis-ta a proelanmmos. 

Deixando esta ordem de considerações nos cccuparcmos com 
a vida acadeaiíca de Luiz Barbosa da Silva. 

Matriculado em 1850, aos 15 annos de edade, na Academia 
de S. Paulo, percorreu Luiz Barbosa da Silva com applauso e 
distíncçào os cinco annos do curso jurídico. Deixou nome de 
intelligeuto c estudioso entro todos os seus coUegas quo o esti- 
mavam pelas cxcellente? qualidades de caracter. 

Nào applicou a energia do seu talento só ao estudo da 
Bcicncia de Ulpiniano e Ross", entregou-se também aos estudos 
literários e cultivou as sciencios naluracs, das quaos possuía boas 
noções. Nas associações literárias de então, diítinguiuso Luiz 
Barbosa, conquistando merecido renome. 

Niio posjuimos maiores efclarccimentos sobre este período 
da vida de Luiz Barbosa, mas é natural que existam escriptos 
e trabalhos elaborados nessa epocha, quiçá alguns publicados nos 
periódicos do entilo. 

Graduado pela Academia de S. Paulo, fechou brilhantemente 
este primeiro ciclo de sua carreira. Findara o período em quo 
as illusões tomam maior espaço na vida; era necessário conhecer 
as agruras do cstrugglo for lifo». Em 1861, foi Luiz Barbosa 
da Silva para o Rio de Janeiro abrir escriptorio do advogado. 
Durante dois annos, mais ou menos, teve a vida aifanosa, cheia 
de decepções o estéril quo todos os moços, embora os mais dís- 
tinctos, encontram quando saheni das Acaiemias e entram para 
08 escriptorios de advocacia cu para os consultórios medico?. 



- 23 — 

E' A velha liistoria renovada sempre, experimentada per 
tnnto3 jovens intelligentes 4UC não tem patronos poderosos ou 
noniPs berdados. 

PnEsenios cs:n3 paginas da biographia do grande patiiota e 
vejaniol o na sua primeira i^base de jornalista cm 1864. 

Nessa cpocLa a politica do paiz passava por uma transfor- 
mação especial. Era o periodo era que os ministérios succediam- 
se cem rapidez extríiordinaria, subindo ao poder e desorgauizan- 
do-se por questões fúteis ás vezes. A crise financeira da quebra 
dos bancos, c o pânico que dominava todo o commercio, ainda 
eram agravados pela situaçfto de uma guerra estrangeira que 
tantos sacrifícios carsou ao paiz. 

A orgnnisaçrto do partido progressista, uma das mnitas mys- 
tifica<;ões que a monarchia tem imposto ao paiz, com o seu «pro- 
grama» eclético, que, segundo alguns dos projirios cbttVs domi- 
nantes, nfio tinba sido acceito, (*) imprimiu cerla coufusTto na 
massa do partido liberal. 

Nào ó occasiào oi)portuna para discutir as diversas feições 
que aprcíciítavim entào os partidos mcnarcbicos, degladiando se 
em lactas estéreis e sem um alvo elevado e patriótico. O grupo 
dos €lil)eracs históricos», gcsava, porém, de maior popularidade e 
linha ilhistres representantes; na imprensa a «Actualidade», re- 
digida por pcnnas do quilato de Flávio Farnese, sustentava as 
tradições democráticas do pai tido. Era uma folha bem acceitu 
o com uma circulação no paiz relativamente considerável. Em 1864 
entrou Luiz Barbosa da Silva com ecu irmfto, o dr. António 
Barbosa da Silva e Souza para a redacção detse periódico Des- 
de que tomou parte na gerência da cActualidade», dedicou-se- 
lhe do tal forma e tâo decidida influencia exerceu que pouco 
tempo depois era seu proprietário exclusivo. Reorganisou então 
o corpo do ledacçfto e de ccllaboradores, dando maior desenvolvi- 
mento á parte literária e politica da «Actualidade». Acercou- 
se de talentos laboriosos, chamou reputações já conhecidas, con- 
vidou nomes promettedores de muita glorio, o também algimá de 
muita decepçfto como os... Mas para que repetir hi^toria8 de 
trans fugas vergonhosos e de mercenários da honra o da digni- 
dade?... 

Si histcriassemos a vida do jornalÍEmo brasileiro, cumpri- 
riamos com toda a franqueza e coragem o triste e doloroso de- 
ver do chronista e registraríamos os nomes desses «Lafayettes», 
assignalando-os ao desprezo publico. Actualmente nSo é esse o 
nosso intento; voltaremos por tanto ao assumpto. 



(•; Amcríco Brazlllense.- O» Progranjmat dca Partidos o o Br gundc Império. 
Pag. 21. 



— 24 — 

Entro ofl companheiros do dr. Luiz Barhofta da Silvii, ei- 
tava <• mavioso poeta u tli^t)llcto n mancista Bernardo Guimaràe», 
qu" muito trabalhou pc'o8 créditos da • Actualidade», c Entre 
8 Mi muitos «rti^os Del:a in-eitos. alpruns rubricados com a »iia 
a^<*i natura e outros anonynv s, distin<;uem-se n'>taYelmente ot 
de cri rua literária, que peccand» talv>'Z ás vezes )M.r nimio- 
se veros para oom as pro iuoçòes analysadas, denunciam C(imtado 
em seu Muctor umn razÃn clara e pr*íicientH applicacào das regras 
da e-ithet ca » (*) CuMinre observar que o dr Luiss Barbosa da 
Silva era m tavel pela fatalidade com que escrevia e pelo modo 
pratico c claro por que discutia hh quustòes. Em pouco tempo 
tornoií-f^e estimado entre seus coireligionarios, que o conside- 
ravam um do< ma'S distinctos jornalistas. 

Nem tu 'o, porém, ira bonança; bem cruéis transes sofFrea 
o dr Luiz Baibosa da Silva para manter a «Actualidade» e 
publica)-a rf*gularment'«. Teve, apesar de todos os esforços, de 
bUHfieuder a impress&o e tratou de liquidar o jornal. Kestricto 
observador das leis do honesto, e cumprid r de sua ])alavra, foi 
obrigado a «vender tudo o que possui», inclusive todas as jóias de 
familia», p.'ira solvei o pasbivo da folha que dirigira com tanto 
brilhantismo e Hbueg'aç&o E^^te facto, por hi, ú suficiente para 
dar a me lida do grande caractere da pureza de cousciencia do 
dr. Luiz Barbosa da Silva 

A^sim terminou o primeiro período de sua carreira de pu- 
blicista. 

Che íi do decepções amargas voltou á vida tranquilla do ga- 
binet» de advogado. 

Dispondo de extensas relações, contando amigos influentes 
como o cunselheiro Francisco Silveira L^-bo, que veiu a ser um 
ílo-i Sfu-i mais chari s aíFectos, o dr. Luiz Barbosa teve em pequeno 
prazo uma hôa cliritela. 

Nào o dfixaram j>or muito tempo inactivo seus correligio- 
nários ; em Novembro de 1866, o ministro do império, Fernandes 
Torres, noir eou o presidente do Kio Grande do Norte. 

Para muitos é esse cargo ura simples brinde de parente, e 
mí'io faeil de recomendar-se ao governo para uma candidatura 
á Asst-inbiéa Legislativa. Se alguns caract<íres sérios preenchem 
com zelo e dignidade essa commissào, outros limitam-t^e ao inglo- 
rii- jiipfl do cabos eleitoraes e de simples automatcs do gov*^rno 
que os dirigo p<»r meio do telegrapho, até na demissào de delega- 
dos da policia local I 



(*) Innoc. da Silva. — Dicc. Bibliogr. Tom 8, pag. 3P4. 
(Supplemento). 



— 25 — 

E* verdade que por maito poneo tempo occupou esse log-ar 
na administniQ^o pubiica pois a 5 de Abril dú lí^rJT, obtinha 
a ex<»iietaçàa que pudtra. 

Se nho \'^t\x Beu nome a i^randes melhoraTTientos no Rio 
Grande do Norte* o dr. Luiz Barbosa ao me os váo tHve um 
rt-rnortso que O aflii£:;iijae ao deíxíir a presidência. Em umn ep^^cha 
melindroso, para os adminiíiitradoreB, poia tiiihíim c[UB enviar 
contÍTigente* para e&&e vórtice immr^iiBa zi cnin| aniia do PaiuffUMj, 
o dr, LuÍ3ç B-^rb nu í\ho prMticiiu uma yifjleucia, nà-o fez derramar 
lag-rinifl« « ijào provnc* U inimí?-atí«8. 

Já era lím grande s^ucl^* gso entre náè conBe^íir pste de&ide- 
ratam em tRWfKJS fàn CíUamito?o8. 

A saádrt do distincto píitri(,ta estava, porém, unvt^^ enfraque- 
cida ; tis piímeíroB symptomas da cruel enfermidade, qae o ar^ 
rebatou tao prematuramente, revelar&m-se oei-pa occasiào. Ke- 
tinm^se para seu sitio no Passa-Tres, e ahi teve que luctar 
euerg^icaraente a favor dos direitos de seu »ogro contra o com- 
mendador Joaquim Breves. 

Energ^ico © veberaente na defesa d'esfta car.sa, intent^iram 
contra elle três acções de injurias verbaes. Níio era, porém, o 
dr. Luia Barbosa, homem de ceder á violência ; mais elevou o 
diafasâo de »ua linguag^em, de sorte que até cditra suf\ vida 
tentarnm, segando aftirmam pessoas bem informadas. O que é 
facto uabido, foi a tentativa dirigida c-ntra elle, por baln asâas- 
íina, que felizmente nàt> attingiu o alvo a que fora n^stínada. 

Surctimbíu, porém, sua extremnâa uiàe, que cciuvaliísceute 
de grave enfermidade, ao saber d'eÉisa nciíurencia, recabin e pou- 
cos dias depoiã deixou de existir a 24 d»* Di-zembro de 1869. 

E' difficil descrever a impressilo profunda e o penar que 
affligtram o dr. Luiz Barbosa por cauga den^e tranche dt^loroso. 

Seu pae resolvou-ae mudar para o Rio de Janeiro: o dr. 
LuÍ3£ Barbosa acompanhoa-o e físou residência nrg^a cidade. 

Era a epocba em que nossos bravos compatriorriB voltavam 
do Sul, cobertos de gloria, o cbí^ios de illusôes vinham encon- 
trar a ingratidão do governo imperial em recomjeu&a de servi- 
ço a heróicos. 

O enthusiaBino era geral; todo? os cidadãos procuravam 
mostrar aoi seus valeutea patriciOíí* os afutimetito* de aúmíra^^ao 
pela coragem que os disfcLUgtiia, O dr, Luiss Barbosa da Silva, 
coração aberto a todas as grandes í^mocões, intelligencia que se 
aaimava pelos nobres impukos, nào podja permaDecer inditftiren- 
te ante essa tebre do povo que victoriava seus filhoa, dtgnoá de 
todas as honras, Cotipos presias in^piradnfs e reeitou-as em di- 
versas occasiòea de chegada de voluntários; entre essas algumas 
ha de subido valor, realçadas ainda pela mngnifíca recita; Ao de 
seu auctor, como a dedicada a «Oscrioi e pronunciada a 18 de 
Abril de 1870. 



— 26 — 

Foi a pr^raeirA voz q'io vimos o dr. Luiz Barbo- a da Sil- 
va, e temos ainda bem viva a impressão quo untiV) sentimos. 
Foi na rua do Ouvidor, prr occasiao da passagem dos batailiOoa 
32, 42 e 4G. 

Era immensa a í.flincncia de povo, que, como sempre, esco- 
lhia do preícroncia esf a localidade para vêi* desfilar < sseí de- 
nodados servido* es da pátria. Ao cLegar á i squij)a da r-ia Uru- 
{^ayann, ainda entAo virgem dos triâces assassinatos de 1 de Ja- 
neiro de 1880, passou a brigada cm fronte aos «Dii.-oito Billjarcst ; 
e flbi de umas das j^n(*lla>\ o dr. Luiz Barbosa cheio do inspi- 
ração, como os bardos d:i antiguidade, arrebatou a muhidílo pela 
linguagem de fogo co'n que celebrou a gloria de Ormío, o que- 
rido do povo, iuia uiio despiestigiaJo pohi farda do minisno 
imperial. 

Grande era a admiraçiío quo votava o dr. Luiz Barbf sa por 
e£se hcióo, para fcllo a synihese df.s sontinientos generosos do 
povo, da abnegação e do valor nacional. 

Foi o primeiro que teve a idéa de abrir uma subscripcjão 
popular para oftVrccer uma lança de honra a Osoiio, projecto 
que iniciou e quo mais tí.rde foi realizado graçai á coarijuvaçiío 
l)oderosa de Octaviano lludson. 

Vem aqui, naturalmente, descrever a face do t-.Iento piiu- 
logiado do dr. Luiz Barbosa, como cultir inspirado da poe-ia. 
Conhecemos alguns ])ro.iuctos de su.i musa; qu.»3Í todog imUitos, 
que talvez sejam cm breve publicados ])or seu irmào e maior 
amigo, o iutelligcníe e illustrado dr. Braz Barbosa da Silva. 
Nesses cantrs patriótico*, o arrojo da hypcrbole ú egnalado á 
belleza de fó ma o c^rrccçío de phiase. 

Julguem da verdade deste juízo pela seguinta trauscripçào 
da poesia acima referida: 



«Quem ])óde, como tu, dizer á tempestade: 
Mais coiro o meu corscl nas nuvens da laialha; 
Quem braiar f.o trovíio, aos raios, ao pampeiro: 
Mais I ode do que vós a lança d'um guerreiro IV 

Quem fóde, como tu, Osório destemido, 
A^s balas e estilhaços, ás lanças o ás empatia?, 
Bradar: «Meu peito 6 rocha, e vergareis juim iro, 
Para chegar aos pés do um bravo brasileiro I V> 

Ileroo dos impossíveis! Indómito teu peito 
Impòo respeito á morle I Em vào de paragaaycs 
Envolven-te, sosinho, um batalhão inteiro! 
Do corsel da victoria és sempre o cavalleiro!* 



- 27 — 

Sentimos uílo poder incluir aqui muitas dns bellas pérolas 
do escrínio poético do dr. Luiz Barbosa da Silva. Eutre ellas 
a intitulada o «Jongo», ó cheia de conceitos elevados, e tem o 
mérito da côr Iccal. 

Dansfl, folga, pobre escra.o, 
A' rubra luz aa fogueira, 
Bate o tambor, tino o piaío 
Fbz a festa domingueira; 
O grnndo deus do trabalho 
Adora d'essa maneira! 

O pae da nntureza o Deus de amor 
Que o mundo povoa ao ulmas delicias 
l^ara ti reservou o bem supremo 
De fem queixas soíTrcr, do rociar, 
Com teu suor fecundo, a terra dura 
Que sustenta o verdugo do t''U corpo 
E com teu pranto, a palma do martyrio, 
Quo faz brotar o riso entre as angustias 
E a lior do perdAo entre as torturas 
i^ue o branco te infliugiul • 

Não parece um trecho do inspirado poema do grande poeta 
do século, a «Piedade suprema»? 

Erítro as composi<;õcs lyrioas do dr. Luiz Barbosa, ha algu- 
mas do subido mérito o de bastante delicadeza. 

Nao conhecemís, porém, todo seu thesouro ; e do copia 
pofsuimos apenas, além das citadas, mais duas — «A tarde da par- 
tida» e a «Manhíl da volta». 

Creio que nao tardará muito jaia que o paiz teuba a collc- 
cçao dos cantos do dr. Luiz Barbosa. 

Reatando o fio da biographia d'esse cidadão, devemos men- 
cionar sua viagem aos Estados-Unidos. 

* * 

A 14 do Novembro do 1870, partiu o dr. Luiz Barbosa da 
Silva a bordo do «Agameuon» para a America do Norte. 

Ia em busca de um e(u cunhado, victima de cruel enfermi- 
dade, e ao qual consaj^rava estima particular. Já não o encon- 
trou, pois o doente chegara pelo vapor immediato ao liio de 
Janeiro. 

Nao perdeu, porém, o dr. Luiz Barbosa, o tempo; na terra 
do fgo f.head», durante seis meses, viu, estudou e aproveitou a 
observação do que colheu n'et8a viagem. Cérebro bem organizado 
o dado a encarar os problemas pelo lado pratico, recebeu agradá- 
vel e profunda impressão do viver social dos norte americanos. 




— 28 - 

N5o tendo prttgramma de Pbileas Fogrg, nem aspirandi') a 
ridicul» celebridade de vifljante- lofomotivn, aproveitou a perô- 
griníiçAo pela gTande Republica, 

E^ta e[Of'ha dev® ser notada na bist^ría do partido repa- 
bticano britsileirc, com a medma veuera^o que a «liegira» de 
Mábomet, na l^-i mul^umana. 

AÂté abi, suas idéas f^ram sempre liberaes, mas ainda não 
tinhíiD) t<>madn uma formula definitiva. Seu t^^pirito estava per- 
plexo. Quantas vezes nAo lli^ toriuriva o espirito a duvida: Se 
i^eriam ai nosufis iui^titalções más, se os homens? t)e volta òe^^m 
admirável republica oode n pensador viu em pratica 8ua< idt^as 
de liben.afie individual, barmoiiisíando-ae com a forçji collectiva, 
comedi nu a tomar corpo em &eu espirito a idéa republicana como 
A uniua forma de retiliisar o aeu ideal de govenif .» 

Sho as palavras, acima tranBcnptas, de um mflim8:*riptf» de seu 
illustrado irmão e gerando admirador n dr. Br^^ss Barbosa da iSilva 

Na realidade, desde entAo contrju o partíio rt-pubUcano mais 
um adt^pto quo bom ou sua hnodeira, sat^ritícaudo até a vida pela 
defeca do^ principio» que adnptr u. >]aiã adiante trataremoA da 
parte brilhante e proeminente que teve o dr. Luiz Barbosa da 
Silva no partido republicflno brasileiro. 

A 16 de Maio d • 1871 eÍ-lo annunciando »eu escriptorio de 
advoírado á rua do Rosário n. ST e a 24 de Junho mudando-âo 
para a rua Direita ti. 13, onde Juiiccíouava entã.o o cClub Repu- 
blicano*, que havia pouco tempo »lii e^tabelect^ra-se eom a tjpo* 
graphía que publicava a tRepublíca*. 

Já níio âe contentava o dr. Lui^ Barbosa em aasialir iudi- 
lídrento o trabalho de bouft correligionários, nho podia limitar 
seu papel a simples combatente^ mais preocctipado com oa «pro* 
vará&» da bauca de advog^ado que com o rápido desenvolvimento 
que assumia o partido republicano. 

Agitava-ae a magna que&tào do elemento servil, trazida ao 
parlamento pelo notável tiUenio do vi^condw co Hío Brauco, chefe 
do gabinete 7 de MarçOj, que entào dirig^ia os npg0L*io* de estado- 

Ainda se recordam to^os do m vitLento produzido no paiz 
por eese fticto; na interesses particulaies dos grandfs proprieta- 
rins protestavam; os mercadores de cgado humano*, na phrtise 
expressiva de Torreò-Hocnem, turvavam as a>íUfts dizendo f^e de- 
femores da lavoura nHcional, e o comniercio queria cdiíigir a 
corrrnte», coutbrrae declarou na reuuiào pnblíca em qae fundou- 
se o «Club da Lavoura e Commercio»* 

N*eBsa phaae, appareceu um pamjibletista ônprg'ico e pa- 
triota que veiu dixer ao pniz a verdade e defender a jufttiça: 
*toi Theodoro Parker»; assignatura que tcmítu o dn Liuz Bíir- 
boâa dft Silva, quando cumec^ou a discutir eí^ta questào oai co- 
lamrtas da «Republica* a 29 de Julho de 1B71« (1) 

(1) A «Republica» n. 101. Ànno 1 e »eg. 



— 29 



Kas p&gínas ardentes, prafundaa e eloqueotea d^eiise pam- 
plileto, eptá todo o caracter politico e moral do dr. Luiz Bar- 
boia da Silva. 

Filho, genro e pftrpnte de muitos iiossnidores de grande 
e&cravâttira, tiÃt» trepidou em dar goI|*és prfifundoa n*e8?a insti- 
tuiçiio iaíqua, qu© máu ^rado os Martinhoa do Carapost tetide a 
deaappareier em breve da sociedade brasileira. 

Nfto se julgue que o dn Lyi» Baibo^a surgiu emauripa- 
dor, Cf^mo a Minerva da fabulfl, de um momento; setnpre niani- 
feMnu borror por eisa triste herauca de nossoâ conquiiitadorea, 
6 com seus fiados n cursos peciinisriosi libertava tndots 09 escra- 
▼01 quf^ pos^-uia. Ã' propaganda abfiticioniâta didícou-!^e, pois^ 
eoiJf todi» o €iithiaiiia!^mo e tenacidade de uma for^^a de votitâdo 
excepcional ; d'ahi a tua perseverança etn trnbalbar pela idéa 
republicana, que apoderou-se com pie ta meu te de toda auii Jndi- 
TÍdualidade 

Tinha í»fitao 30 annr*, a epoeha da vida himiana em que 
0t grandes homens ás&amem na historia as po^it^oes deíinitivaB. 

Vejamol-o na imprensa Republicana, 

A mudança de «ituacAo politica. efffctua*!a a Ifi de Julho 
dfi 18*" J0, produziu varias coisequpticiaa de order* publica em 
tmdo o paj:E, O partido lib»-ral «peado do pod»^r, nfto ficou si- 
lencioso ; v-iu rt-cnobí-cer, coiiteasar e denunciar os vicios do 
•ystí^ma moTieirh*co repiefcntativo. Dessa epocba data a celebra 
fnrit*» do senador Nhbuco, que evidencia de modn indiscutível o 
itbtoluti^mo que exerce a coroa, sempre dentro das Ti^ian da Con- 
BtituicAo org-íjnizada por Pedro L 

Os liberaeSf então despeitados, levantaram o grito de «refor- 
mia ou revoluçfto» ; sem pensarem que o «lapia íntidico» os 
eondpmnariH 10 annoii mais tarde a repreçientarem o mi-smo pa* 
p€lif obrigando-OB « pifríirem €om usura em ííenuflexôea os dopstoa 
MiradoH por seuft tribunos, contra si e contra os seus, «Comme 
les autrea» 1 s-yntbe-te expressiva e verdadeira qoe serve para 
nivelar todoi os bonsens poiiticos dos dous partidos monarchi 
eoi, ti o segundn reinado. 

Ha muito qne existia uo paiz grande numero de republi- 
canos, e, Begundo attesta a bisioría pátria, é o mais antipo dos 
partidofl nacio.naes, como talvesi dernotistrefoos em outro escripto, 
riào bavia, fjorém, nti.a or^ani/^çâo e ainda nào se apresentara 
como em 18 TO pnjhuíe e forte. 

Muito contribuirão! para issso os mtig^nific-fl arti^roa e pa- 
irioticoft Bicriptoa úr *OpinÍSo Liberal» e éo ♦CotTeio Nacional*, 
a cuja frente ritiveram os drs, Joéc Monteiro de Souxa, Hen- 
rique LimtKi de Abreu, Jo^é Lenndro Godoy de Vasconcellps, 
Francisco Kangel PefatutiajC para os quaes coUaboravam talentos 



J 





— 30 — 

notíivi^b como *> dr, Jo*é Maria do Amaral, Urbana Sabino Pes- 
íjoa do Mello, dr. António Ferre ir» Jacobina > dr. Antmb Joa- 
quim Ribas, 6 t An tos outroB bem Bnbidoã do paíz. 

Ainda inafs adiantou a orginisíaçílo do partido repubíiiiano, 
crear-se o «Club Rndicnlt em 1863 ; díinJo grande impalso so 
movimenío dcniocniticOf m Bwm conferencias populares, feitas 
no tbeatro da Pbfinii Dramaticn, 

Ein mondo de 18*0, bavía no Tíio de Janeiro, trcj fulbas 
Tadicaeg, que propagnvítm íts idúíis rojíublícanas n^fiia ou mcnog 
accentiiidainente, Eva^n a «Opinião Líbf^ial». fob a tedacíjão do 
dr. Godoy e VagconccIloB e paJro Marcos Nevile; o «Correio 
NacionaU doa drs. Henriqno Limpo de Abreu c Francitco Ran- 
fjel Peí-tann, c o «Radicfil Académico* redig-jdo por nlguns es- 
tudantes do medicina, entro 03 quaes oa drs, Fen*^im Leal, 
Manoel Felizardo do Azevedo^ Lopeâ Trovílo^ João da Slatt i Ma- 
chado, Ramiro Forte» de Darcelloa, Costa Senra, c muitos yutroa, 
todos republicanos, entro os quaía o auctor dcsLo etbo^jo. 

Por CíSa oecasiào cbe^^ou do 8:a viaf^em ao Kío da Prata 
o notável jornalista brasileiro, Qnintiuo Rocayuva. Logo depois do 
Eua f fitada ent^e nós avista da píiuíííjíIo da idéo deaocraiica no 
Urasil, Uouve pTojecto de uma lií?a jornalística entre as folhas 
radicaes, para quo diariamento fua-c publicado na imprenRa iim 
orgam das idér-s adiantadas. Isoladae, perJodicaSj aa ires folíias, 
com pequena circulação» nílo tii-bam a foT(;a que adquiririam 
nnidaa por um èó pensamento motor o inihjenciadai por ideu- 
lidado fio vistai de uma rediic<;í\o principal e commum. 

Na reunião convocada para es?e lim, aqne a&sisti por parte 
do «Radical Académico* estiveram presentes, 6 leni do repre- 
sentante da cj^da uma daqncUas folhai, o sr. B. de Moura, pro' 
prietario da «Pátria» e outros cavai heiros; não se reaolveu, porém 
cou^ja definitiva, 

Mnl lograda cEsa primeira tentativa, procurou-io organizar 
um «Club», formado com os homens da ideias democráticas mai» 
adiantadas í feitos numerosos convites em Outubro de 1870, reu^ 
»trani-ge muitoa cidadíloa de todas as classes soeiae^, á ma do 
Ouvidor n. 2d cons ituíram-se em asFcmblêa sob n presidência do 
t-r. Christiano Benedicto Ottoni, quf? at<; cntfto aínda era consi- 
derado ura doA noB^Oi homens ptUiticos sérios. 

Trntou-se logo de deliberar o nome que tonií^ria etâo «Club», 

O dr. Francisco L. Bittencourt Sampaio aprefeciUou a idúa e 
ftindamentfU bri bantemeníe sua proposta, para que fosso deno- 
minado «Club Republicano», poíâ essa era a maioria da opluiÈo 
que alli dominava, 

Seguiuso lon^a dÍFçu-slo cm que defenderam a mesma ideia 
OB drs. Jcstí Maria de Albuquerque Mello, Aristides da Silveira 
Lobe, Fedro Bandeira de GotivOa o tulroa cídadftos, sendo ac^ 
eeito esEo titulo por votaçJko qua^i unanimo. Dedarou se então, 



— 31 — 

f.ue aqr.ellfs que r.ílo adhcrissein n esse nrofriamnia, ernm livres 
de retirar-se, íciii qnc por isso houvesse rciinro ou desar. 

De facto, dous ou trcí cavai hoiros auson tiram -se e mais 
t.in'c Tavarea Bastos e Urlmuo Sabino Pessoa do Mclio, além 
de €fUt.*05, riscaram eurs a^signatuias das listis, conftíccionadas 
anteriorinen'e para n fuudaví^o do «Club», nllo.icnudo qufj «eram 
radií^nefl, mas nfto republicanos, por ora!» Es as listas auto^ra» 
pliicas. Até ba pouco existiam cm poder do sr. Jofu do Almeida, 
f[Ue m*as mostrou. 

Elegeu-ec uma commi>RÍ\u composta dos srs. drs. Joaquim 
Saldatiha Marinho, Chrisiauo Bcnedicto Ottoni, Aristides da 
Silveira I.ob.i, Quintino Bocayuvn e Flávio Farncíe, ]»»ra redigir 
o notável manitusto publicado a 3 do Dfzeiribro du 1870. 

Foi esio immortal documento de ixossa historia jiatria lido 
em BC&6&0 do 30 Xovembro o ap]>rovado unnuiiiurmente: a^ritan- 
do f.e ncría occas'Ao o ponto de ser ou ulo o manifc-to assigna 
do por t)dos os republicanos pres^^ntcs ou só p<*Ios ij:cmbr s da 
commissr:o. Xa mesma asscmbli^a dcliherou-^(•. fundnr um or;rnm 
representante do ]mitido na imprensa; sn- pendendo sua publica- 
ruo o «Correio Nacional» e a «Opinião Libera!»; o primeiro nu* 
mero da <T!epublica» nppareccu a 3 de Dezembro de IbTO. 

Nfto 6 opporiuao, descrever dia jjor dia a vida da «Kejm- 
blica», EUstontada como ortiam do «Club Hepubicaoo», nem é 
pnra contar-so agora, quanto facníicio o dedicaçfto custou aos 
seus beneméritos tundadores. A principio jmblicava-so três ve- 
zes ]>or semana, imprioiindo-pe em uma typo^rai liia particul.nr, 
á rua de Gonçalves Dias n. 3:í. (*) A 21 de Kcverfiro de 1871, 
estava montada a oíHcina typopnpliica de que o «Club'» fizera 
ncqut^içào, á Kua Direita n. 1^^, imprimindo-se pela primeira 
vez a «Uepnblica» com material seu. 

Por muito tempo aanteve-^e a folba vivendo da dedicação 
do seus corrclií^onarios, di^cutindo trdas ns questões em terreno 
elevado e pugnando do mndr- brilhante ])plns idéas republicanris. 

Jornalistas do valor de <^iiíntino Bocayuva, Aristides Lobo, 
Salvador de Mendonça. Lafayette Perelrn, Fl.ivio Farnese, Mi- 
pnel Vieira í^crreira, B. Ta^íplona, V. Meirellcs, Bacharel Lei- 
tfto Júnior, Luiz Barbosa da SíKm, Prdro Ferreira Vianna, Joaquim 
Piret d' Almeida, Zoroastro Piimplona o tantos outros illustravam 
81 colarrnas da «Republica» como redactores eb^itos pelo «Club» 
(iQ como collaboradorós dedicados á ideia que professavam, tra- 
balhando em prol dessa pro])a(;anda. 

Oa recursos pecuniários, porém, lulo abundavam: isso fez 
com que o «Club Republicano» em tesgao de 1'0 de A^ro^to de 
1871, á rua de S. Joec n. 31, onde costumava se reunir então, 
tratasse do estabelecer lascs solidns para garaniir-se a vida da 
folha. 

Entre os tocios do «Club», c.*tava o dr. Luiz BarlK)sa da 
Silra, qne fora proposto a 10 de Xovembio pelo dr. Henrique 



F 




— 32 — 

Limpo de Abreu; propoz eB?e distincto patriota tomar a si a 
«Rapublicti», continuando a pubireal-a do mes^nio fortnato, pro- 
metiendo dar- lhe maior desenvolYimento, 

O <Clubí, deptb de loíigo debats, dacidiu transferir- lhe & 

{iro[*nftdHde da folha, com todo mnterial typographico. paasaudo- 
he tambeto oi* Sf^iis ónus» 

Á 1 de Setfmbro aununcíou o dr- Luist BarboSftj qup seria 
diária a uReimblica» e cornei; ou a ter o escriptorio da redae<;fto 
á rua d'Ajudíi n. 20, ondtí era íiquella impressa deade 25 de 
Maio . 

Termiuíida esta pequena digressão, em que fizemos retenlia 
rápida de factoíi importantes e nt-ceíisíiríoíi, v-jeinoe oa serviços 
do dr. Luík Barbosa á imprensa republicana e, portanto, no par* 
tido a que pertencia. 

Eie BB pHluTTHf! com que se dirigiu ao publico: 

«Nuíica um jorn**! teve no Hra^il mais prospera carreira do 
qu© a *R«| ublica», Desillus&o das in8tifEÍi;òea gaataa que uos 
jesçem, setitimento republic&no ou verdadeira crença na superio- 
ridade dos priucipioB da democracia pura, o acolhimento que 
recebeu em quas^i todo* oã pontoa do Brasil, o intereàso crés* 
cente qu© desj>ertou apesar de periodtca, derflm-lhe até hojô 
unia cirtuliiçào effifctiva de 2,000 exompdarps. Eeta aceeitaçAo 
admirável em um paiz atbda nHo habituado á leitura e mantido 
em grande atraaa de ioBtrucçilo |ielo influxo obecurantíata da 
mt^UHrcliiat é a uuica eitplicação do pas&o que hoje damoB,> 

Depois de expor o plano adoptado relatiçametite a preçofi de 
asd{^naturHS, diz: 

*0 seu fito é offerecer aos eapirítos sérios o melíior alimento 
po^aivel, e eafttifass^r toda a legitima curiosidade, que cada qual 
sente de i^aber do que v/*e pelo mundo, de que sumoi* operário» 
collaboradoret^ © a que nos sen timos presos pelo laço da leapon 
B!iln1idnde íudividuaí, na mais intima e t^streita solidariedade^ 
Tudo, porém, que exh orbitar dei-sa eephera eerá rigorosamente 
bnnido d^a columnas da «Republica*, oitde jamais por coDside' 
rãçào al^cutna, e menoB pelo máximo interesse, ©oconrrar&o abri- 
go o insulto, a iniuria, a calumnia, a diffamação ainda Cf<berto« 
pela mai» reforçada responsabildado kí^al e menrjs terào echo 
os ódios 6 rancores ppgsoaoi> em busca de dea*ibafo ou outra pai- 
xfto condemn»yet. Tambera nâo teiiio guarida os annuncios cor- 
rfitorea dw serviços de escravos ou quaesquer outros que se refi- 
ram a venda ou contractos de toda a ordem sobre captivos A 
■Rej ublica» do&couhece a escíavidilo. Inútil é, poisi accescentar 
que nào annunciará escravos fugiios e nem praçíis de escravos.» 

Para destruir boatos adtede espalhadi s, de que dAo era e6-» 
D&o ©phemera a existência da folha, e^^creveu: 



í*i A redaçAo dm «RapnMlca* no fl&ta«tt.r« de DâtemUro n Mftlo compoz-KQ doi sn 
Arlattdõj^ da Hil«>etri Uoha, dr lligu«t VIoIrA Perrotra. LAfnyeita Eodrlgoet t^onlra^ • 
Fedro B. Botaret da }latra]ilãi. - VLd. <fiep.É> Ad. I, o. X ■ Mot. DIt. 



— 33 - 

«Â cRepablica» está premunida contra qaaesquer eventu- 
alidades |M>r algum tempo com certeza, e confia o resto da ac- 
ceitaç&o que ha de saber merecnr e sempre e muito dos incan- 
sáveis auxiliares que nella enxergam sua arca de esperançai^, o 
symbolo de suas crenças, o lábaro que ha de levar o Brasil a 
seus grandiosos destinos.» 

De facto o dr. Luiz Barbosa da Silva trouxe recursoA pa- 
ra a folha, e não engnnou-se confíando o futuro d(« seun aasi- 
gnantes que eorrespo> deram de modo brilhante á chamada feita. 

De»de então o dr. Luix Barbosa elevou a tira^^cni a 8 (XO 
exemplarei, instituiu a venda avulsa, á semelhança do que 
se praticava aos Es ta ios- Unidos e na Europa e hoje fass-se 
entre nós. 

Auxiliado por dedicações cr.mo o dr. Jo^é Maria He Albuquer- 
que Mell" n outrfjs, correu proa pt^ra mente o primeiío mrs rja em- 
presa e Chdu vez mais cresceram sua popularidade e {lr(*^ti<rio. 

Mas o dr. Luiz Barbosa desejava dar maior desenvolvimen- 
to á f< lha, e por isso tomou para sócio commanditHrio seu ir- 
mAo, dr. Braz Barbosa da Silva, e com esse reforço, mudou suas 
officínas typosraphicas i>ara a rua do Ouvidor n. 13'J, ahi i<u- 
blicando o primeiro numero a 4 de Outubro de 1871. Tomara 
para a redacção o dr. Salvador de Mendonça e para repórter o 
o conhecido e activo sr. João de Almeida. 

Desde então começou a lucta inerente do dr. Luiz Hnrbnsa 
da Silva; a tudo assistia, tudo passava por exame e iisralisação 
sua. Desde a matéria politica e principal da folha ati* os an- 
nuneios; desde a revisão dos oriçinnes »té a n:mes>a pelo cor- 
xeio para os assignantes. 

Dormindo muito pouco, pois se era o ultimo a deitar- se, 
exm o primeiro a levantar-se ; snlicitado por mil prenccupRções, 
tentiu o dr. Luiz Barbosa da Silva, enfraquecer sua ^iiiide. 

Cra nessa occasião a tiragem da «Kf publica» de 7. ''CO 
exemplares; apologista enthuHfLiita dos hábitos ainericiLuris, or- 
ganisrn o plano de prémios a distribuir aos nov(*À hií-í: «guantes, 
no valor de 13.C00S000 de réis. 

A folha era então procurada e lida eom afun e cu rir sidade ; 
tinha entrada na seci etária dos mimstroti, no salão da Prflça do 
Commercio, no gabinete do liremto, no escriptorio do« negoci- 
antes, dos advogados, dor medi'.-os e na ca^a do op^rarin. 

Além dos redactores efiectivos, do^ collaboradores republica- 
nos, vultos como José de Alei.car e talentos como Francisco 
Octaviano contribuíam com suas joia^ literariHs f>ara a «Hepu- 
blica». As bcllas poesias do tr/idtict' r inspirado de r»yron e Os- 
sian Bguravam ao lado dos romances Ho critico erudito e (*.<<pi- 
rituofo aristarcho que analysava n «Vate Bragnntinn». Os ar- 
tigos de fundo escríptos com critério e em e»tvio elptrante dis- 
eutiam todas is questões sempre j^ela melhor faço e ein terreno 
elevado. 



— 3t — 

Náo Be julgue que toáo o tempo do dr, Luiz Baibata era 
jeâdnado n ^orcQcia da folha ; froquctitemoiito manejava apeiiiia 
do redactor e sempre com esito. Artigos conceituosos © qne foram 
tomados em con£ÍJeraç5o [lelo governo, escreveu ellc sobre a cs^ 
trada de ferrro de Pedro II, e ainda sobre outras questões, e^co- 
IhcnHo de preferencia o Indo pratico para resolvel-as- Â sntyra 
r-âo lhe era extranlia, em occaaiao opportuno, e para exem['lo 
lia m-iia de um t'scripto. 

N^Q podemoB aqui rememorar tedaa na pagina! brilhantfla 
que teve a «Republicu», nesse período, talve» o ma"s glorioso 
de su^ vila; era que Quintiuo Bocajuva ia até escrever o 
folbetim artístico a Pedro Américo ; Salvadcr de Mendonça 
discutia esthetica com o architecto Francisco Caminhoá; Franciaco 
Cunha enviava do Rín Grand^ii do Sul os seus primorcsos trc^ 
chos de propaganda republicana; Aristides Lobo traiíiva magís- 
tralmtia'e perante o direito do «Conflícto Allemao» e da «liecla- 
maçílo argcntinai ; Lueio de Mcndon<;n publicava fuaa j^rimicias 
poéticas ; e Feri eira de Mouciíes oa seus elefantes folhelins ; 
isto para nao ciLnr os succulentoí trabíilhos de Bculé, de Labo- 
ulaye, de Pernaíido Garrido, de CastcIIar que prcfiucbiam sem- 
pre as columnas da «Republicais, i:om matéria iustnictiva e in- 
tercsÈante. 

NfiO de-cauçava, porém, aquelle cérebro privilegiado ; em- 
quanto escrevia ura editorial admirável como o que tem por titulo 
Philosop\o OH Farfaníe, (l) a propósito doa festujoa que or^ani- 
aavara p um a cbe^ada imperial; publicava um novo plano do 
composição typog^rapbica, adoptando certa* ívllabaa o Ictrau 
dobradxs, mandando fundir matrizes^ próprias para easemetbodo, 
A 18 de Março de 1872 publicou esse plaao, e tendo que respou^ 
der a alguém, que dída-se primeiro inventor de tal çysteroa, 
fA-o de modo vantajoso, e logo publicou outro plano melhor 
ideiado, aeguado os especialistas, 

NíLo se tem impuaeraente um ezct>Fso tal de vitalidade 
nervoaa sem que outros svátomas do orgaiiÍ-4m> siíTram profun- 
damente ; nílo havia compensação, entre aa forças qae perdia o 
o combnslivel que assimilava, 

Forçido a ceder perante o impossível; a instancias da família, 
do3 amigoi e por mandado do medico, que também era amigo, o 
dr. Fernandes, de sauJosa memoria, retirou-se em Abril para 
fora d 3 Rio, deixando a gerência entregue ao dr. Salvadcr de 
Mendonça. L^go depois, entrou também para a redacção, o dr. 
Ferreira de Menezes, e a^sim foi m^iutenlo-si a RôpMica* 
Notava-se, porém, qtie alli faltava a cn+^rgia vivlficadora do dr, 
Luiz Barbosa^ e tudo resentia-ge de sua ausência. 

Boat^i forjados por infame ? detractores, davani a empresa 
como empenhada; de sorte qu© para conjurar isso, declarou o 



(Ij V14. Íi*pnllic9 do 2"S de Fevereiro de 187^'. Anuo II, o, 27T. 



— 35 — 

dr. Luii Barboza na primeira columna da Jicpublira, n 21 do 
Abril que cnada dovia», convidando a qiiTn bo c julgasse cooi 
direito a qnalqaer pngamoato para apresentar a Bua conta no 
escriptorio ». 

Por algans dias cc>8aram os boatos: npproximando-s?, porrin 
a epocha do sorteio dos prémios aos assignantcs, novas Cassandra s 
começaram a propalar que a Republica sus])endeiia a publicaçíio 
antes de Maio, nào pagando assim os prémios. 

O dr. Luiz Burbosa jil estava fora do I^io, mas tinba todo 
seu ser ligado ao andamento da empresa, o diariamente estava 
00 facto do que se passava abi. 

£ncerrou-80 o sorteio no dia 2 do Maio com o numero de 
9.984 assignantes especiaes, e no ciia 3 a empresa annunciava o 
nome dos premiados, convidando-cs a virem receber as quantias 
que Ibe eram devidas; a todos satisfez integralmente, publicando 
os respectivos recibos. Não ce abateu a coragem do dr. Luiz 
Barbosa; o annunciou novo sorteio para Agosto. 

Nao permanecia inactivo lor fora; jirocurava entro correli- 
gionários amigos e parentes, obter novas quotas para custeio da 
folha; a saúde, porém, peiorava de di-i i)ara dia. Reconbeceu seu 
estado e escreveu a Quintino liocayuva fará que viesse da Bahia, 
onde ee achava, afim de assumir seu logar na direcção da folha. 

Continuou sempre a occupar-se com toda a saa solicitude 
da marcha moral e material da empresa; nus via com trizteza, 
que n&o era auxiliado como esperava )or seus eompanbeiros, o 
que perdera improficuamente seus grandes e heróico? sacrifícios. 

Nào desejamos demorar a penna sobre esto periodo doloroso 
da vida da Republica^ para nilo excitar susceptibilidades, nem 
provocar queixas. 

Desde que o dr. Luiz Barbosa começara a puUiear o jornal 
na rua do Ouvidor, como que absorvera todas as outras mani- 
feitaçôes do partido republicano, concentrada abi, quasi todo o 
vigor dos correligionários. 

Foi um erro e um inconveniente, que sentiu-se logo depois; 
o partido não conhecia toda a extensão dos sacrifícios do dr. 
Luiz Barbosa e mencs ainda sabia das difficuldades pecuniárias 
com que Instava para sustentar a imprensa. 

Muitos correligionários, aliás dedicados, diziam que o dr. 
Luiz Barbosa tinha recursos e que até era auxiliado por uma 
sociedade republicana dos Estados-Uuido» ! 

Elle próprio conhecia esta situação e sabia destes boatos; 
em conversa comniigo, mais de uma vez, disse-me: «Quando 
perguntarem* te, como se chama a aí^sociação que subvenciona a 
Republica, dize que c o c Yankee-Club». 

Era grande a acceitação da folha que em menos de um 
anno de vida diária, attingira a 12.000 assignantes. Fez-se ne- 
eestaiia a vinda do dr. Luiz Barbosa da Silva em meado de 
Setembro de 1872, ao Kio. 



A 23 do mesmo mes assumiu a exclusiva propriedade e re- 
sponsabilidade da empresa, conforme annnncioUi ficando o dr. 
Salvador de Mendonça como redacior-chefe, auxiliado pelo dr. 
Ferreira de Menezes. Nào era possivel, porém, sua permanência 
no Rio ; procurou portanto entregar ao « Club » o deposito sa- 
grado que recebera, sem indemnizaçíio alguma. 

Este facto bonra o desinteresse do caracter integro do*dr. 
Luiz Barbosa. Convocou a reunifto do partido; mas poucos com- 
pareceram. Expoz-lbe com fritiiqu**za o estado real da empresa 
e pediu cora urgência uma deliberação, 

Nào sendo possivel decidir-se a questão com essa urgência, 
e sob a prers.^o de circumstancias desagradáveis, decidiu o «Club», 
que ficava-lhe o direito de dispor do material da typograpbia,. 
como Ibe aprouvesse, com tanto que salvasse a íolba de uma 
morte desastrosa. 

Lavrou-se uma acta da reunião, assignada por todos os 
presentes, qne foi entregue ao dr. Luiz Barbosa, a seu pedido, 
como documento que o justificasse de qualquer accusação futura. 
Entrou era corabinação cem Quintino Bocayuva e tran^mittiu- 
Ihe a folba qu(^ passou sob a nova pbase, appaiecendo o primeiro, 
numero a 9 de Outubro de 1872. 

Ao retirar-se da imprensa eFcreveu : 

cNa vida de retiro a que o meu estado valetudinário me* 
obriga só almejo ser acorapan liado pftla justiça d^aqudles que 
me conhecem, e que espero stfírmarão que, ^e fiz pouco, fiz en- 
tretanto tudo quanto se podia exigir dos fracos recursos de que- 
dispuz alentado erabora pela mais completa abnegação.» 

Aqui termina a nossa tarefa de acompanhar a vida da «Re>^ 

Íublica», a que esteve então intimamente ligada a vida do dr. 
tuiz Barbosa. 

Ninguém pôde desconhecer os sacrificios athleticos que fez. 
o dr Luiz Barbosa, para manter com honra e brilhantismo o 
papel proeminente que teve a cKepublica» no jornalismo bra- 
sileiro. 

Talvez grande parte do partido ignore esses factris ; nós que- 
fomos testemunha de vista, do quanto trabalhou aquelle patriota. 
a bem das ideias republicanas, trazemos este depoimento sincero, 
verdadeiro o desinteressado, para algum dia ser aproveitado pelos 
nossos historiadores, para que justiça seja feita ao grande mérito 
do distincto republicano paulista, morto prematuramente em ser- 
viço da boa causa. 

Entregue o jornal a outras mãos, retirou-se para e sitio, á 
vida particular no seio da família, cercado de amigos e de seus. 
magnificos livros; asMm passou cerca de dois annos e meio re- 
fazendo a delicada saúde. 

Aohando-se um pouco melhor, peson-Ibe esta vida inactiva^ 
e resolveu abrir escriptorio de advocacia em Barra-Mansa, visto- 
como era-lhe prohibido pelos médicos voltar ao Bio de Janeiro^ 



— 37 — 

 respeito deste nltimo f«eriodo da vida do dr. Luiz Bar- 
bosa, seja-nos licito transcrever as eloquentes palavras de seu 
maior amig:» e admirador, o dr. Braz Barbosa: 

«Âhi (na Barra Man<«a) como advogado, ainda seus trabalhos 
sfto con^faltados; era um orncul') e como homem era um semi- 
den* e o merecia. S^u espirito crescia com os annos. seus nobres 
seiítim-ntos. sna eloquência nunca exc»'didu. tomaram um cunho 
particul ir dn trrandfzi de quem se sente fora das paixões e tor- 
pesas humanais, e |>rHparado a ser apre -indo pelo juiz do:<juizes.> 

Âiiida hoje o nome do dr. Luiz Barbosa é proferido com 
amizade e respeito uo município de Barra- Mansa e nos circum- 
vixiohos. 

Antes de concluir, demo-í-lbe os traços particulares, que 
completam esta grande individualidade. 

Alto, esbelto, de phji^ionomia expressivamente sympathica, o 
<lr, Luiz Barbosa da Silva impre.-sionava de modo »<;radavel 
desde a primeira yez que se via. Testa espaçosa, bem confor- 
mada, ulhns vivos, rosto oval, todos os traços eram b»*m accen- 
tuados e correctos, de modo que a palidez do semblante, reve- 
lando uma constituição débil, imprimia um aspecto melancholico 
e suave ao dr. Luiz Barbosa. Â voz sonora e agradável, em- 
bora fraca, attrahia a sympathia de seus ouvintes 

Frequentando ainda a Academia, enamorou se da exma. sra. 
d. Emiliana Morae Barbosa da Silva, com quem casou-se a 7 
de Setembro de 1861. 

Foi esta distincta senhora quem deu-lhe toda a suavidade 
que encontrou n • lon^a e cruel enfermidade que o aniquilou. 

Deixou apenas dois iilhos, a exma. sva. d. Maria Natalina e 
o sr. António Braz, que herdaram seu grande nome, e que têm 
a vida exemplar de seu pae, para transmittir aos descendentes. 

alarido exemplar, p^e extremoáis-iiino, era typo de bom amigo, 
como fora do íilho desvelado e do irmào querido. 

Dotado de solida e variada instrucçào, tinha a intelligencia 
voltada sempre para o lado útil e pratico das cousas ; mais ac- 
eentUttda ainda se tomou esta feiçào de seu caracter, dep(>is da 
viagem aos Estados-Unidos. 

Franco e leal, nunca soube disfarçar suas o[)iniões, nem 
calar as convicções que nutria, foss^ qual fosso o assumpto ou o 
o individuo de que se trata-^se; tudo sacriticava ante o direito es- 
tabelecido pela sua razão esclarecida e recta. 

Delicado, ci rtez e espirituoso, tinha como Dumas, o segre- 
do da palebtra, sempre nova, attractiva e interessante. 

Em literatura, como em scieneias ])0>itiva3, ora possuidor 
de variado e grande cabedal, incessantemente recovado e au- 



gmentado pelo estudo e pela leiíura do sua rica e jreciosa bi- 
blictheca. 

Bahac era um de seus auctores picdilecios, Legou vé e La- 
boulaye tínbom giaiido influencia sobro Fuas idcas. 

íhilan tropo, como todo grande coraçfto, du?ante toda a vida 
deu uumerosos o eloquentes exemples dessa grande qualidade, 
deixando em seu testamento padrUo immonedouro dos sentimen- 
tos elevados que os animavam. 

Tao completo no seu todo, era também livro pensador em 
matéria religiosa, ligando A theologia e suas creações o valor 
que a sciencia positivista lhes assignala hoje. 

A especulaçfto clerical, felizmente, não pôde anniquilar o 
documento precioso que deixou a seus filhos e á posteridade o 
que ainda o recommenda sob esse ponto do vista. 

Eis c';mo exprimiu-se neste assumpto, em seu testamento, 
escripto pouco antes de fallecer, e quando já via próximo o 
termo da vida. 

* Quero ser sepultado sem pompa alguma e enterrado nú sem 
lençol, caso seja prohibido queimarem o meu cadáver, como de- 
sejo, lançadas as minhas cinzas em terreno de cultura agriccla. 
Prohibo que se digam missas por minha alma o que se me fa- 
çam encommendações ou obséquios religiosos em que n5o creio 
e que condemno como superstição ímpia o esbanjamento de di- 
nheiro que se pode aproveitar cm esmolas, que peço aos que 
se lembrarem de mim depois de minha morte, as façam em meu 
nome ou intençào como so diz vulgarmente. » 

Dotado do caracter enérgico; nào atreveram-se os zuavos 
de ultramontanismo, perturbarem-lhe a hora extrema, como soem 
fazer, uem insultarem-lho a agonia como ao grande Cesara 
Zanousky, ou ousaram representar a farça burlesca como fize- 
ram com o inclyto Osório. 

Póde-se dizer do dr. Luiz Barbfsa da Silva que era um 
paulista á antiga; enérgico, emprehendedor, leal, independente 
e escravo de sua palavra. 

A enfermidade, porém, tinha caminhado a passos agigan- 
tados, sobrevindo-lhe fortes hemoptyses. 

«O ultimo anno de sua existência, escreveu Quintino Bo- 
cayuva, (1) foi por assim dizer, uma agonia prolongada; mas 
nesse mesmo periodo, novos estudos, novas combinações, novas 
esperanças, illuminavam-lhe a alma. o elle sentia-se reviver, 
sempre que tinha occasiflo de conversar sobre o assumpto que 
lhe era predilecto, communicando, com vivo prazer, a amigos e 
estranhos os seus cálculos e as suas aspirações.» 

 26 de Junho de 1875, ás 4 horas da tarde, na fazenda 
Confiança^ propriedade de seu sogro, falleceu o dr. Luiz Bar- 



(1) o Olobo. Anno II, n. 170. 29 do Junho de 1875. 



— 39 — 

bosa da Silv.i, perdendo a jaovincia de ?. Paulo, um dís foiís 
mais brilhantes talentos, o Brasil uin drs cidndAo& mnis di<rnos 
e o jaitído rr| ublicAuo uxEa do suns maia cLaias cspcianç»? c 
talvez uma de suas n:nÍ8 fortes ccluninn^. 

Felizmente nfto chepou a ver tinta deferçfto vorpc-nlirsa 
o nâo teve como F'avio Fnrnese, que o jaeeedera no tiinuilo, de 
corar por ler ccníiado em alguns individuo?, formados do sen- 
timentos de lacaio e do lan^a dcs esterquilinics impei iacs. 

Terminaren.03 ettc rápido , sbo<;o com as palavras quo es- 
creveu, ao tra<;ir o necrológio de Flávio Farnesc a 7 de Se- 
tembro de 1871 : 

«Mês SC não llic foi dado vrr a realização das ^uas mais 
cliaras esperanças, sc-u nome abi fíea na iLcnioria do povo, ful- 
gido e briibanti) entro os clarões da aurora democrática. > 

Quando no futuro o Brasil entrar ia communliào dos povos 
livres, 8í?u5 irmHc^, na America, o o partido repuUicaiío levan- 
tar o Pantlieon do ecus beneméritos, entro es mais brilliantes 
gravará o do dr. Luiz Barbosa da Silva, |OÍs «nenhum barateou 
tanto 08 bens da fcrtuna, o tem] o, o trabalho cem inteiía «bne- 
gaçào e renuncia de todos os proveitos ];essoaes, crente até sua 
ultima boia nos gloriosos destinos da liberdade e da pátria !> 

Guaratinguetá, Setembro de 18S0. 

Dr. a. C. de Miranda Aziívf.do. 



A Serra do Espinhaço 



o nome «Serra do Espinbaçoi foi introduzido, em 1822, 
na literatura yreof^rapliica pelo fundador da geologia brasileira, 
Guilherme vou Eschwfgft lí), como denominaçAo compreheusiva 
para as diversas unidades orograpliicas que formam um grande 
divis ir de aguas entre *>s rids que desaguam directamente no 
Atlântico e os que deiiaguam primeiro no Uruguay, Paratiá e 
S. Francisco. Conforme o us» moderno, e de facto conforme o 
u>o su^»sequent« do próprio Eschwege, esta denominação tem 
sido limitada á secção de^te divisor de agmis que corresponde 
á bacia de Sào Francisco, sendo conhecida pflo nome de SerrA 
da Mantiqueira a maior parte da correspondente á bacia do 
Paraná, «o passo que o rest • desta secção e a correspondente á 
b?)cia do Uruguay são c« nsideradas como pertencentes á Serra 
do Mar. O nome assim limitado, bem que roubado de muito 
da sua importância e pripriedade primitiva, é applicada a uma 
feição orographica bem saliente e distinguida por especiaes ca- 
racteris ticos topographicos, ge lógicos e tectónicos. 

Algumas das feiçftes topographicas e geológicas mais dis- 
tinctivas d««ta s^^rra foram bem discriminadas por Eschwege nas 
descripçòo^ detalhadas das suas diversas viagens nos districtos 
aurift ros o diamantiferos (2) comprehendidos na secç&o que se 
estende de Ouro Preto a Diamantina, sendo que a existência 
de ouro (í diamantes è por si só um dos principaes caracteristi- 
cos da serra. Assim elle notou o contraste entre a maior ele- 
vação mé ia (1000 metros, mais ou menos, com picos que fe 
elevHui Mté 15'X) a 1800 metros), o caracter geral de planalto 
com u\\ griíis Íngremes, o aspecto descalvado e áspero dos picos 
e 1 «uibadas menores, o seu alinhamento geral no rumo N — S. 
e a p»ei>ondcrancia de rochas siíhistosas, (especialmente schistos 
quarizosos e feriuginosos; e também a altitude menor, topogra- 
]>hia mais suave e apf carentemente sem systema («como um mar 
de aivoredo batido pelas tempestades») e a })reponderaucia de 
rocbas ciAStallinas (])nncipalmente gneiss e granito) que cara- 
cterizam as zonas adjacentes, particularmente a que íica para o 
lado do leste. As feições tectónicas da serra, pelo contrario, 
imo for^m descriptas j)or elle, nem pelos seus successores. (*) 



Cj ! !ichwoí;e tinh» orna hypothese eepecÍAl, chimico-crystallina, a respeito do 
modo de formaçAo da« rochas qao no eea tempo eram conhecidas pela deoominacAo de 
"prtaiitivas", que vem exposta detalhadamente na p. II et $*q. do seu Oêbirgtkundê. 



— 41 — 

Em virtade da 8ua riqueza em ouro e diamantes a secçAo 
meridional da serra, de Ouro Preto a Diamantina, tem sido ire- 
queatemente visitada • descripta com tentativas a dar uma 
ideia doi bpus característicos geo1o^ico$«, mas, com a excepçj^o 
dos escriptOB de Eschweg»* (l, 2), Spix e Martíu:* (3), Ilelmrei* 
chen (4), Henwood (õ) e llus>ak (1 ) pouco sh encontui lui lite- 
ratura um tanto volumosa (comparada com a referente no resto 
^o Brasil) relativa a esta rej^^ifto, que. do ]>onto de vista geo- 
lógico, seja compiehensivel, ou que o ^endo, tenlia vulor per- 
manente. Ar outras Keccòes e as re>riôes a cada l.ido ^ào qunsi 
uma tetra incógnita, tanto d<> ponto de vibta topou rujiliico como 
geológico, e. corar em todas as "Utras partes do Hrasil, a falta 
de bons roappas é um obstáculo quasi insuperável para estu- 
dos geológicos dctalbados. O e^boço (jue or^an i/.'i mos é baseado 
oas observações ieitas em poucas excursões raf»idas nas regiões 
auriferas n diamantiferas acima mencionadas, um exame parcial 
e apressado da secção diamrmtifera da serra no Estado da Babia, 
uma viagem no Kio Sào Francisco e o seu tributário o Hio das 
Velhas e uma excursào na |)arte média da b;icia do Jequiti- 
nhonha, a qual. prrém, não alcançou a mar<rem oriental da re^iílo 
da Serra do Espinh-iço As ob-ervações que podiam ser ftjitas 
nestas ex^*ursõc8 rápidas sào manifestamente insutlicientes f»ara 
mais do que um ligeiro esboço da regi Ao. 

A serra do Espinbaço, como agora so entende, o< ns^titue 
uma zona de largura de 50 a 100 kilometros e da elevav^o 
média de mais de 1000 metros, caracterizada por feições topo- 
g^phicas ásperas e elevando se com niarirens abru]>tas unias 
centenas de metrrs a'ima das reíriòes mais baixas e de t^po- 
graphia mais luavr de cada lado. Klla se estendo com paralle- 
lismo quasi perfeito com a linba da costa e com o curso do 
Sào Francisco (acima da grande volta de Cabrobó), e com a 
orientação tieral de norte, desde cerca de latitude 20*" 30' até 
cerca de latitude 9 , onde o rio S^o Francisco, depois de ta/.er 
uma volta brusca para S. E., corta p< r c:la, ou m.-iis provav*íl- 
mente coire em redor da sua extremidade se]>tentTÍonal. Em 
toda esta extensão de ma s do K^OO kilonictr» s esta z« na forma 
a beirada oriental da bacia de Sâo Fram-isco (|ue nccbc a dre- 
nagem da sua paite occidental, ao passo que, a da parte orien- 
tal escoa directamente para o Atlântico j»eloB rios Doi-e, Jeque- 
tinhonha, Pardo, Rio de Contas, Paraguassú, Itapcuiú e Vasa- 



Bntre eitu rochas elle Incloia, como uma se^nda (1ivfi>.1o. as camadas areno^.ns e ar- 
gitloiM da Berra do Rspinhaço Como, por esta hypntlicsiR, nJío aiinittia 'Mitrc ellas 
uma raccenfio de sedimentos. lifto t<rnt<>u feubdividil-.is em !4LrItí-> o re.sulia<lu raais 
infeliz deste ponto de vista foi a ruuniSo de to<Ias a^ rocha:; quart/osas da r>'^i.lo 
debaixo do nome içeral de «itacolumito* <|ue tem :>ido um p<>^'l(ll>lo p.tra us nstudun da 
geoloçia brulleira. tíenún um hniúVi^^imo obi>prv.iiIor ;:eoli<i;ico. (llc n.lo deixou de 
notar, entra as rochas assim deDominadaa, evidcnciat» d(> duaiii s<.tíos nâo confurmavoi^i 
entre sU mas, retido pela sua hypothese, n&o deu a esias ohservavOcs a bua devida 
iaporUncla. 



— 42 - 

barris. Na parte superior das bacias do Eio das Velhas, Jc- 
quetinlioiíba o Paraguassú, e em gráo mooor na do Rio de 
CoDtas também, os cursos de drenagem correspondem approxi- 
madamento com a orientação N. — S. da serra, e, dop<Í3 de es- 
capar delia, o Rio das Velhas o o Jequetinhonlia correm por 
nma dis-tanci» considcravol cm parallelismo geral coru as suas 
margens. Como ccrtiis feijões da estriictura sào mais apparen- 
tes na secção septentrional do que na meridional, ha convcuieucia 
em fiizer o nosso exame do norte ])ara o nú. 

O Sao Francisco a uns oitenta kilometros abaixo do Ca- 
brobó, onde seu curso muda do N. E. j)ara S. E , oiitra numa 
zona constituída por grez, que fica na linha do prolongamento 
da Serra do Espinhaço comquanto soja duvidoso que deva ella 
ser incluída naquella cordilheira. E^ta zona se exteude desde 
a foz do pequeno rio Pajahú até peito da giande catarncta do 
Paulo AfFonso com uma largura, ao longo do uma linha E.— O., 
de cerei de 50 kilometros, ao passo quo a alguma distancia do 
rio a largura parece ser muito mai-r. O rio quo acima desta 
zona corro sobre um leito de gneiss e granito, entra na de 
grez na elevaçílo de cerca de 330 metros e a deixa com a de 
cerca do 300, para outra vez correr sr»bre gneis?, granito e 
syenito, nos quaes tem excavado um profundo canoi que con- 
tem uma das mais uotavei') das cataractas brasileiras. O grez, 
jiortanto, jaz por cima de uma base quasi horizontal do r-^chas 
cryètallinas truncadas, com a elevação média de cerca de 300 
metros, c eleva-se em taboleiros o lombadas achapadas a cada 
lado ate uma elevaçfto quasi egual, ou seja COO metros acima 
do nivel do mar. 

O grcz é regularmente duro e geralmente de grho grosso 
com hvqueutes inclusões de s.íxos quo em alguns leitos eo 
tornsm bastante abundantes para constituir um conglomerado. 
A rocha ó frequentemente argillosa e ap: escuta leitos delgados 
de Echisfo marnoso nos qunes encontrei cm dois pontos, (Atalho 
e Angico, cerca do seis kilometros distantes um do outro) ma- 
deiras fosEcis, cyprides o ossos, escamas e dentes de peixes o 
reptis. A pequena ccllccçào feita nestes pontos foi infelizmente 
perdida, mas na occasião de fazel-a tive a forte imprcEsfio de 
uma relação intima com a fauna cri;tacea do agua doce dos ar- 
redores da Bahia, sendo esta impressão baseada no aspecto ge- 
ral dos fosseis o especialmente das escamas que identifiquei 
como Lepidotus. Nesta connexAo é para notar quo os afama- 
dos peixes fosseis da vizinhança de Jardim no E-tado do Ceará 
(inclusive uma espécie de Lepidotus) se acham na distancia de 
cerca de 200 kilometros para o N. E. e crn frente da base 
de uma chapada de grez que so pódd presumir ser ligada cem 
a da margem do São Francitco. As camadas de grez parecem, 
a primeira vista, jazer em posição horizontal, mas em diver* 
8C8 pontos 80 observa uma ligeira inclinação (raras vezes maior 



— 43 — 

de 10") para o noito, iiào se notiiiío, porém, indícios certoj de 
dobrameuto dos estratos. 

jfi' portfinto duvidoso so o rio SAo Francisco njiicsen ta u' st a 
zona uma secç.^io trnnsvcrènl dn Sorra do Espinhaço ou nAo (V); 
mas uma Eecçfto induVitavel v a] rcseiitada pela Oítrada dot ferro 
da Bahia ao Sftn Francisco qu^í a atravessa ]>crto da cidade do 
Bom Fim, on Villa Nova da Hainlia. Â estrada partiujo do 
DÍTcl do mar, na Bahia, corre por 122 kilonictros no rumo «rcral 
do nordeste ate Alagriuh.is, atravpz de uma rci^iào coiistituida 
por camadas molles do edadc cretácea e toi ciaria que foi bem 
dcscripta por Hartt, líathbun o Derby (li, 7). De Alaijroinlias 
para diante a estrada corre no ri;ino ^eral de X. E. ra distan- 
cia de 452 kiloinetro?, cruzando a zona da Serra do Espinhaço 
entre os kilometrcs 3.0 e 370 cr m a cota niaxinn do G8:( me- 
tros, terminando em Joazeiro na cota do 372 m-tros, g( ndo a 
estaçAo terminal pruco elevada nciína do nivel daa enchentes 
do rir. Numa excursfto p(r esta linha jiuie fazer as se«^nint('s 
observações da janclla do caro. 

Sahindo de Alng^oinhas a estrada sób) per GO kilomotros 
sobre camadas horizontaes do grcz moUc aNí a elcvaçíli do 40lí 
metros. Ate a cota de 200 u:ctros as camadas silo bastante ar- 
j^llosas e aqui se apresenta um horizonte nquif* ro que ])rovnU 
mente denota uma mudança na estratificação, visto que as ca- 
madas acima desta cota &ho mais arenosas c porosas, sendo em 
geral fortemente coloridas ])or oxido do ferro o no jreral com 
um aspecto differcnto do dns camadas de ba xo. No kilometro 
29 (cota 281 metros) perto da estaçílo de Uruçanguinhas eneoa- 
tra-se num corte um schisto molle ocraceo contendo follias fosíeis 
hellamcnte c rseryadas. Collecções destes fusíveis furam remctti- 
das, ha annos, aos especialistas Sapota e Ettenhausen mas infeliz- 
mente ambos morreram antes de davp aracer sobre elh s. Consta, 
]K>rém que furam consideradas como representando a j-aitc superior, 
(plíocena) da edade terciaiia. A face occiJental desia chagada 
terciária apresenta a espessura de cerca de 80 in^tro?, appnre- 
cendo o guci&s no leito de um ribeirão no kilometro 8") na cota 
de 322 metros. Deste ponto até Jacuricy (kilometro 245) a 
estrada cruza um planalto da elevação [^eral de cerca do 400 
metros diversificado por serrotes e lombadas destacadas. A coberti 
do EÓIo ó geralmente delgada apresentando-so abaixo delia rochas 
gneissicas e granit ca?, dm estas apresenta-sc em extensões 
consideráveis uma rocha preta schidtosa que se presume ser 
fchisto micaceo ou amphibolico. Uma parte consiJeravel deste 
trecho da estrada corre pelo divisor de r.gua entro es rios Pa- 
ragnassú e Itapicuní descendo depois para o valle deste ultimo. 
Ao oeste deste trecho relaii vãmente nivela'lo eleva- so a Serra 
de Itiuba, uma lombada abrupta de granito vermelho com a 
altura estimada de 800 metros. A estrada a atravessa numa gar- 
ganta com a cota de 437 mctrcs e desce para o rio Itapicurú 



1 



— 44 — 

nf» kilfunétro 230 na cota de 354 metros; e entUo sobe sobre 
gneiss e g^ratiito até a cidadn d« B- m Fim (kilometro 320, cota 
548) na fra^dn da Spíra Ho E«pinbaço. Na subida para o a! to 
da fçarí^atitíi (kilometro 355, cota 683) os cortes apr^seEitam 
granito afé o kilometro EâB on Je eomf^çAm a a^^parecer qaartzitoA 
que Ci>ntÍauani, c ra algumas ioterrupçòefi de granito, ate a ee- 
tacão de Àng;icoB (kilometro 383 cota 4BT), que éIcr um pouca 
além da b/istí occideiitnl da Serra, De Ati*^icoa até o fim da 
estrada mi» Joazeiro exteude-se uma plani(.'ie gradual monte incli- 
nada e tão pouco acci dentada que a estrada tbi coD^truida com 
uma i^Hi^entf! d« 60 kilometros. Serrote» destacados de g^neias, 
g-ríiuito e quurtzito ae elevam brufecameute acima do uivei geral 
uniforme. A» rochas que *e avistam desde a base da Serra do 
EBpiíihaí^o até o kilnniBtro 391 (cota 490) s&o gueis^ e i^rauito 
com alguiis aflí-ramentfis de quartzito Dei^te ponto até o kdo^ 
metro 430 (cota 490) a roeba ^up**rfi,'ial é um cílcareo esbran- 
quiçado em camadas borizontjiee e de poncoã metros de espeséura 
apenau. O f specto deste c.(learf*o é o de uto depoaito de agua 
doce e bem qu*í tiào pude encoutrar fotaeif neile, presumo quô 
seja de ediíde terciária ou posBivetraoute quateniHria. Um caleai-eo 
Bemelbante ae opreíeota miiis rio acima oa vÍKinhança de Cbiqae- 
Chique ond« parece cobrir uma área couBideraveL Ao loogo dos 
ultimoB 20 kilnmetros da eatrada reapparecem as rochas gneis-i- 
caB e granitlefla. 

Uma excursão recente Da regiào diaiinantica da parte superior 
da baci * do Para^aassú roe deu occaâiào de eia minar a ãecçãõ 
caracteriatica do vwlle deste rio. A TÍagem fui feita ]iela Es- 
trada de Ferro Central da Bailia ati^ a eetaíjâo termiaal de 
Bandeira de Mello, situada cerea de 100 kilipmetros, pelo rio, 
ao leste do ponto onde encapa da aerra, em Passagem de Anda- 
raby, sendo o resto da viag-pm feito a cavallo. A estrada de 
ferro sslúndo de Sao Félix, perto da foz do ri^^j eleva-se inime- 
diar^iaente com um decli%'e fV^rte até o a)tn de um planalto de 
gneiss com a ele¥a(,'íâo j^eral de 200 a 300 meíro8, sobre a qual 
corre em rumo parallelo ao rio e na diatancta de cerca de 20 
kilomefroe ao buI sté o kilometro 165 onde encrntra outra 
veK íi rio e o s^^gue até a eõtaçílo terminal no kilometro 259. 
O planalto gneissico é notax^elm^nte nivelado, porém diversificado 
poT st-rrotes isoladoa que pela maior parte parecem conipt^sto* de 
granitf», rocha esta que também í*e apresenta em numeroBOB la- 
geados que nfto se elevam perceptivelmente acima do nível geral 
da planicie. Salvo na parte oriental, em redor das cabeceiras 
de um pequeno rio que corre directamente para o mar e que 
apparentemente i-e acba nunm ropríàn de chuvas abundantes, a 
coberta d^ sola é muito delgada, « mintasi ví^zoa falra completa- 
mente. Tanto uis&o como a respeito do nivelamento geral da 
superfície, a parte Occidental desta planicie, como acinm deseripta 
ao longo da estrada de ferro do S&o Francisco, parece < Êferecer 



— 45 — 

mn bom exemplo de formação, sob condições áridas, de planícies 
yelo truncamento de e8trat^^ inclinados que normalmente deviam 
aprefentar relevo forte. {*) A secçào qne acom|>flnba o rio é 
egualmeute pc>r cima de gneiss e jrranito que se elevam umas 
centenas de metros acima do rio, e aqui o viajante nHo pôde 
formar ideia exacta da- feições topogra^hicas da rep&o que 
•trave&sa. Parece, i orem, que é consideravelmente mais elevada 
do qne a da primeira secçào da estrada, â entaçào terminal, 
Bundeira de Mello, acba-^e cerc4 de 300 metros acimn do nivel 
do max e no moio de morros de gneiss e i^ranito qu» se elevam 
outro tanto acima do rio. 

Cerca de 20 kilometros ao oeste de B.-nideira de Mello en- 
contra -se a margreni de uma re^iAo de rochas i-edimentarins que 
inelue a totalidade da bacia do Paraprunsf>il acima deste ponto. 
Junto ao rio esta regíAo começa na ]>ovoaçAo de B(>b(doiiro com 
uma escarpa de grez e calrareo que se eleva un-i 250 metros 
■cima do rio até um planalto da elevaçAo média dn cercu de 
600 metros. A alguns kilometros ao oeste desta escarjm eleva- se 
um outro planalto de gr»-z até a altitude média de 1000 metros, 
ou mais, constituindo a ?erra d • Espinhaço propriamente dita, 
ou como é abi conhecido, a < hnpada Diamantina. Ao norte do 
ParaguasBÚ a margem da serra é assigiialada |:>elo rio Sào José 
que escapa delia próximo a Lenções e c^rre ao loniro de sua 
base. Ao sul Ho Pa1ag^a^fiú esta margem faz um cotovelo de 
alguns k>lnmetrt 8 até Mi cambo, a^sim causando unpi grande 
volta no rio, e dahi extende-se para o sul uma lombada alta 
enti^ os pequenos ri< s Piabas e Una. Esta parte »»uj>eri« r pe- 
diroentaria da bacia do Paraguas^ú apresenta a f('>ríi>a de um 
rectângulo cujo maior eixo é dirigido no rumo de X — S, vendo 
auim perp ndicular ao rumo ger«l de O — E que caracteriza as 
partes média e inferior da me^sma b;icia. E' caracterizada topo- 
grapbieamente p r valles secundários orientados de puI ao norte 
ou de norte ao sul, aos quaes unem as suas aguas abaixo da 
Passagem onde o galho meridion»! sabe da serra num caúon 
profundo e onde o valie principal assume o rumo geral de oeste 
para o ler te. 

A estructura geológica do piimeiro e mais baixo ].lanaIto é 
bem exposta no caminho entrn Bebedouro e Mocambo. Na pri- 
meira destas localidades uma bella escar|>a se eleva bruscamente 
da margem direita do rio até a altura estimada de 250 metros 



n V£de uma divcnssAo de denudaçfio vab-«ere« num clima árido pelo profeMor 
W, H. PaTis DO Journal of Gtoloijjf, n. .\ \W\U. K»ltiim dadus posilivoi* » re^ípcito da 
ohOTa BDODal média nos di»tricto> aqui conti«leradr>y, ma» é qua>>i certo qae ó do menos 
de va metro e qae o minimo é frf-qnentompnte mcno^ de melo metro. Com n oxcppçio 
do Pa^Bg1las^& e do* enrtos de a^na na lEnna da Serra do Rspinhaco, tndiis a» correntes 
■ieeam, ou flcam rednaidas a orna linha úv poços, durante muitos niczczt de cada anno 
O ellma pôde, portanto, ser considemUo como semi- árido oa sab-bumido conforme a 
Mneaeiatara dos mcteorologisus nurte>americaoos 



1 



— 46 



e extende-Bô pam o tul atú ondn alcai^n a vista. A sua baao 
é composta de um grex grasaeiro avormelliado, om camadas lio- 
tiíontfles. Seguindo um ttillio qtia so afasta do rio i>or entre 
oj morro?, vê-s© que o grca so í4ova iiin líiia 20 íntstroa iiclma 
do ri(f leiída na parta suporinr iutereallaçõea de Sí^hí^to micaceo 
c arenoso. Tia eiitAo uma iiit^rrupçào na bccçSo lepreictxtãndo 
iiin intervailo de cerca de 40 ui?tros, e dtípciá um maííuifico 
paiedáo do cfílcarao abulado rm lag-c^ finas troni a alttira dô 
cerca do 40 melro?. A] gruo 9 dos Ititoa do calcareo coutem muitos 
nódulos silicose s que, ficando con^f^rva Jos quando a rocha ^e 
dí^compòe, fornecem um meio do rocoubccer a sua existência onde 
escondida por uma coberta do tólo. Na cacliocira do Funil a 
6 kilometroA acima do Bebedruro uioa escarpa semelhauto se 
apresenta no lado esquerdo do rio o Ee ex tende para o norte. 
Abi SC vê qiio a bas^e do grt-z consiste, na espessura de al|?iinf 
metros, de conglomeradc^ grosseiros contendo seixos de gncisj e 
granito. Em um pontj abiixo da cncboeira võ*se o conglome- 
rado jazendo sobro granito. Da cachoeira a estrada fóbe por 
uma encosta coberta com nódulos silicosoa até o alto de uma 
chapada conhecida polo nomo de Sorra das Araras que, conformo 
coDstn, termina á beha do rio rum paredAn do calcareo. No 
alio desta chapada o aneróide indicou a altura de 575 metros. 
Pequenos nHoramcntoi de calcareo so apresentam na descida da 
chapada no lado 0CL:Ídenial para o rio UnSi onde logo ab^iixo 
da poutc ba um ou Iro paredfio de cnkarco com a »!Èwra de 35 
luetrOB. A 9 cimadas aqui, carao cm Bebedouro, t**m uma ligeira 
inclinação de 5' a 10' para o oraste. Na ^ubi ín do rio Una a ésti'ada 
paitsa por uma espessura do cerca do 100 metros de cornada acima 
do calcareo, maa nenhuma rocha se aptogenta ni silu» Os nó- 
dulos silicosDS EB aprcfeutnm «oitos cm ti es Kouas distíuctas, 
dando a presumir que í.s rochas subjacent^a sr^jam scbistoi e 
grex com jn terçai bçôcs do calcareo. 

Uma bu-ca diligente em procura de fosseis ficou sem resul- 
tado, tanto em Bebedouro eorao no Rio Uua, bem que o calcareo 
parece bastante favorável paia os conservar. Consta que existe 
calcareo na r^giAo da* cabeceiras do líio Una e á de presumir 
que o Tallo deste rio seja occupado qunai excluaivnm nle por 
etta Eèrio de rochaí*, que lambem se aproaenta ao norte do Pa^ 
raguaçfcú na parte baixa do valle do Santo António e na do 
Utinga na vizinhança de Pegas. Tanto quanto se pode obscrv&r, 
esta serie apresenta de 200 a 250 metcos do ospessura e é ea^en- 
cialmento sem pcrturbaçõcst ou, cm todo caso, muito menos per- 
turbada do que a eeric quo caracteriza a 7, na adjacente da Serra 
do Espinhaço. Cerca da quarta ]iarte desta espessura, e talvez 
mais, è composta do cnlcareo que i\ caracieristicaroeote silicoso, 
pelo menos em muitas dns snai camadns. 

Entre Mocambo e Fnas/igem a ctrada patsa, com a eleva- 
íjilo de GOO motroi sobre uma lombnda que para o sul se eleva 



— 47 — 

consideravolmeuto. Oa afloramentos das rcclins sAo youco sa- 
liiíactorias consistindo cm groz, ora horizoutnl, ora com inclinação 
moceiadn para o leste on para o oc?te. A làccçAo ao lon^o da 
estrada parece ser a da < xtrecLÍdade expirante do uma dobra 
qne, ao sul, forma a lombrda alta conhecida })eIo nome do ^erra 
CO Sincoin ca margem oriental do planalto da Serra do Kspi- 
nbaçn. C.nfírma ctta inter])r(^taçAo o aspecto do nina càtriictura 
syncinnl qne, olbando de longe, se percebo no vall« do rio 
riabas no flanco occidcntal da bupposla dobra. 

A frente da Serra do Espinlnço, entre Cbique-Chique e 
Lençócs, é crnstituida por uma F<^rie possante do camadas de 
grex qu^ se inclina ao oesto com o angulo do cerca do VtO° e 
se eleva desde a clevaçAo mínima de o30 metros no fundo do 
vallo em Pnssagom á de 110')- 1200 metros na crista d^i serra. 
Passando a crista La estrada de ChíqnoGbiqiic jiara Santa Isabel 
observei iircas em que o grez se apresenta em posií^ào horiz-n- 
tal e outras em que se inclina par<i o oesto. Observei também 
inclinações para o oesto ro norte d^^ L^nçócs na estrada para 
Palmeira o em redor desta ultima localidade. Os detalhes da 
e^tructura nfto podiam ser detf*rminado?, mas é evidente qr.e 
abi um grande lençol de grez acha-so e«uurvalo em largas do- 
bras anticlinaes. Áo que parece a dobra principal do districto 
começa com uma extremidade estreita ao norte de Lcnçóes e 
alarga-se para o sul para depois se estreitar outra voz na vizi- 
nhança do Santa Isabel onde se ronfunde com outras dobras. 
Os vallcB combinados do Sào José e Chique-Chiqiio fornm ex- 
cavados ao longo da orientaçno das camadas su])erior(-s mais 
moUea do flanco oriental desta dobra, deixando exposto um gru- 
po de camadas mais duras, quartzitic^s e congiomeriticas, que 
se apresenta perto do meio da seiio. O memoro mais saliei(.te 
deste grupo ê uma camada espessa do conglomerado grosseiro 
que é ci-mantifera e, em consequência da disposição topogra* 
phica dcs estratos, toda a frente da serra desde Lençúcs até 
Cbique-Chique acha-so maiciída por uma linLa quasi continua 
de lavrai, activas ou abandoiadas. 

Sobre a superflcie do planalto que, como já flcou dito, apre- 
senta a elevação media de 1000 metros ou mais, o lençol de 
grez acha-se muito fragmentado em biocos destacados como se 
pode ver nas diversas photographias e na vista da cidade de 
Santa Isabel portoncentes ao dr. Henry Furniss, cônsul america- 
no na Bahia. As margens e!>car|as destes blocos e outros pho- 
oomenoi no dístricto sAo, as vczcít, suggrstivos de falhas, mas, 
for mais importantes que fossem e^tas na croduc^ilo de feicçòes 
menores, é evidente qne as princi])aes feições tetonieas da re- 
gião tem sido produzi ias por dobramento e denudação. 

O lençol oe grt-z, cuja espessura se calcula por estimativa 
em 400 a 500 metros, consiste cm uma parto inferior averme- 
lhada cem estratificação em lages (que se vô bem nos morros 



'I 



— Í8 — 



em forma <Je Vocoa em reííor de Santa lasbel) Buccedida por 
um eong^lomt-i^ado grosfieiro, que pasta a um grea eabrouquiçado 
com seixoa eaparsoB e com manchas « If^itos de coiji^lomerado e 
finalmt^nte a um ^es arg-illoso e a »chisto& areno»OB> O colí^Io- 
merado, onde viBto em cnotacto com o ^rez avermelhado infe- 
rior, contem ^andpfi írap-mentog desta rocba que indicam um 
intervallo de ti^mpo € nma ínconfi imabilidade, pelo menos de 
Buperpo^içãf^ entre oa doie. Álsunfl doa leitos de g^rez loajn aci- 
ma do rongiomerado fàn muito duros e quartzi ticos, porím no 
^eral ftmbo» o» membros da serie &ho nài)-meramoiphoBeados, 
O membro mferior pode i ornar n nome de «í^ropo de Para^aas- 
8Ú» viBto fier eapecialniente bem drpen volvido na vl^iiihanva d© 
Santa habd (ou Sâo João) do Pariígna^sd O membro suf>erior 
pode cora propriedade ser denominado o «grupo das Lavras* via- 
to ser o Bi*ií men^bro conglomeritico o principal, senfto o unjco, 
repositório dos diamantes qoe tem dado o nome popular de 
«Lavrais* a tc^do o distrcto. A espessura do ^rupo do Para- 
guflssii pôde Ker estimuda com precisão approximada em cerca 
de 250 metros ; a do grupo daa Lavrai nào pode ser calculada 
com a mpsnia preclsáo, mas é provável que beja proximamente 
egual. 

Com a e^scepçào dos fracrmí»nto» ã*^ grew acima menciona- 
dos, OB (ieixos do cf^fflomerado, viívtos por milhares em centenas 
de metros quadrados de fracturas limpas que lhes atravpsam, 
sfto excluBÍvíi.mHnte de quíirtztto. Represeotíun uma ícarmação 
mais antígiij a ser mencionada msis adeante, que Be apresenta 
em outias secções da Serra do Fspinhaço, o qu^ pre^umiveU 
mente ^e npr^^senia lanibem na sec^Ào íiqui considerada «o oeste 
da região aqni defcripta. À parte central da cordilbeira nesta 
secçÃo o a rtifíiào ao oe«tf^ delia tSo muito imperfeitamente co- 
nbt^cidaR^ mas a occuirencia de lavras de diamantes em div^eraos 
pontoa j lia ti fica a preaumpçào qne o colibri orne rado das I avras 
rec rrti frequt*ntemeiite, em viriude de dobramontu, sobre grão* 
de pa te delia. A rnais orcide.ntNl d^sUs lavras é na Serra de 
Asií^uruá, umn lombada destacada perto do rio São Fraociseo, 
Burton (20), que a visitou, menciona a occurrencla de um con- 
glomerado ^rofseiro que elle comparou com o Velho Gree Ver- 
melho da EscoBs^a. 

Uma outra sccçíto íntermeEÍiaria ©titr« as dna» acima dee- 
criptas, atravez da^ corditbeiraB e das reg^íõt^s adjacentes de cada 
lado, è dada numa nota interi ssante pelo Br, J. A. Allen pu- 
blicada por Bartt na sua obra intitulada Gmdogy and Physical 
Géf^graphy tjf Brazil O sr, Allen viajou de Chique Chique a 
Bahia via Jacobina e assim iin% cem kilometros ao sul da pri- 
meira linha aciraa descripta. O seu perfil dos caminhos s ea- 
boçoB de paisagens carwcti-nsticos diio uma excell<'nte ideia das 
fei^;Õea topograpbicas desta parte do Estado da Bahia. EUe 
descreve a sua linha de viagem como eon^illtindo easenciatmen- 



— 49 — 

te de tres planaltos distincto?, a sabr: um de calcando ao ooste, 
um de (Erres na r<>giào rentrNl (ou ua da Serra do Espinhaço), 
e um dtt gtieiss ao lei^te. Este ultimo apresenta um aspecto 
BOtavelmeote nivelado, sendo np parente mente de altitude quasi 
uniforme por toda parte mas diver<iiíicado por serrotes isoludos 
qae he elevam bruscamente hcimN do nivcl pTal, como be vô 
BC esboço jnnttf. A coberta do f.ólo é d«'Is:ada e muitas vfzes 
eompletamentfl Ausente F>obre áreas de algumas hectares em ez- 
tensfto. f*) Xa zona da serra um «rrez horizontal dá ori«rom a 
uma bella planície campestre que occupa o alto do divisor das 
a^as. Para o ladf» do leste esto taboloiro desce Abrupta tnen te 
em paredões verticaes ao terreno pneissicn maia baixo, porôm 
para o oeste o declive é mais g^radual para a ]i]aincie calcarea 
e arrMvez desta ao rio Sfto Franeisc . Sobre a superfície ^e- 
nlment»^ nivelada desta ultima jdnnicie elevam -se pináculos ir- 
regulares e serrot«>s baixos. O caloareo é altam*'ntc inclinado 
e em um logar foi visto jazendo em rstratifícaçAo discordante 
em baizo das camadas hori/ontae» de ^rez que sh extenderam 
para o sul como um grande soalho nivelado. Perto da base 
Occidental da serra o caminho passou ].or dois grandes morros 
liitrados com ftedemeiras. 

Em vista das feições to}>ogra])hica& geraes da zona da Ser- 
ra dn Espinhaço seria natural ]>TeMimir que o lençol di- grcz da 
regiAo de Jacobina devia ser conf^iderado como o prolongamen- 
to pira o norte do da bacia do Paragnassú, o qual am o ^eu 
conteúdo caracteristico de diamant^-F, 8(* extende rcrtanionto i>nra 
o norte até o Morro do Chapío, ou cerca de dois terí,-(»8 da dis- 
tancia entre Lençóes e Jacobina. Neste caso CB*e lençol fícou 
lem dobras na parte septentrionnl desta zona. bypothese e^ta 
qne parece pouco provável ; ou as evidencias de dobranu-nto 
eieaparam á observação do sr. Âllen, o qun também pnece pou- 
co provável, visto qne o seu esboço c<>nfírma a sua d('S(;ri]>çAo. 
De mais a mais. existem na região caiiadas nAo pprturhadns de 
grés em distancia que nào c maior do que a de Lenço-'» u Ja- 
cobina, c^mo se vô no esb ç«t junto pelo dr. Tlieodoro Sanifiaio 
de nm taboleiro com cerca de 750 metros de akura s*tna<io aci- 
ma de Joazeiro e próximo ao rio SAo Francisco, o qual, segun- 
do suas informações, é composta) áf> camnd;is horizontaes He grés 
e conglomerados sobre])osraã a qnartzitos inclinados. Ah ffiçòes 
topographicas e a elevação deste taboleiro, bem coni) de (outros 



(*; o sr. A1l9D descreve baracoí i^int^Urefl nau rochng dctita repi.to qoo »Jlo 
frflqaentemeate eh*fM de a^çoa o c •nhecidon pelo nomi* do "caldPirfioí>*'. dirpiido qao 
llTenos qae examinoa provaram i»r verd.vleiroii culdeirAes de eronHo {pui-h-Uf) «eitdo 
algBM de ffrandef dlmenatoa. Bst<i8 aSo provaveimcnto da moitma aaturesA daa ca- 
TCmw. com o aspioto de ninhos gi(|^ante8uo« d») :in lorinhao nnin hancn du Kri;{!l;i, quo 
!• oliaerva ooa i«nrote« (p-anlticoB ao Innço da Estrada Central da Hahi.i. Tiiiit> quanto 
M pode Jalgar aTl«tando>o« de loDg(>, e^tea silo dcvidon e uma aoc.^o peculiarmeno lo* 
««IímmSa de detlntegraçlo. Os que ea vi. porCm, oram nos lados dob serrotes o nAo 
poiiui reler afoa. 



F 



-- 50 ^ 

na vizinhança, sho muito Bu^g:csíÍVíH dos piau ai tos cretáceos do 
bíiixo Sào Frrtnciico e â^m Estados da Ceará e Piauhy, e juidíi 
dô inwrj^imil ha ni hypothe^e do que eítua viadoj do Piauhy, 
B6 extendain até a regiáo em qtiô^tao, Estn hypotbeee se tmii- 
sfr^rm-iri.i em certexa se fusse ucccitavel sem leservag a sffinra- 
çâo drt M. L aÍ3 (21) que dis ter eucoutrado, em lo^-ar t-híimado 
Ent?enho p^rto da parte occideiit,*! da Serra de JuL-ol^ítiít, nó- 
dulos de L'alcareo arpilloso cou^endo eacanias de Lepitloiny, uin 
doiite gaiioide e cnnehas de ^.-ifiteropodng ijue clle identificou 
côtno sendo dos fi^eneros Paludtna *^ Platioròifi. Esttiâ T çseis, com 
a exi'epç?lo dns conchasj sho mu to aui^íícetivoa doa dn cfliundíi 
de pí*ixc3 fos^eía do Ceará, oa quaes têm sido carn^^ndofi por 
^iajantfía paia niuito longje, em parto provavelmente |0r eite 
m gmri fflm nho de Jccobiua* Do outro lado tem se veriíii;ndo 
em outras partes que as aíiiraia<;ijeB deste nuctor só podem fcr 
ac3éitaa com cautela. Com tudo iiíko ha improbíihilidado iiihe- 
rent' ua bypoihese de que oa fuaseia foram encontrados ui .silu 
conforme elle declaro. 

Na rí^«zífto ao oeste da Serra o ar. Allen parece tor gmc- 
ralizado a todc» Oi calcnreoa aa suas obãer7«ç6ea sobro al^^^-uiis 
que viu iuclinadca, E' cevio que nog arrcdorta do Ch quo- 
Chique ac apreseíitam camadas horízoufaeô do calcareo síemc- 
Ihaiite ao acima meneie nado da vizin banca de Jnn?.eirn, c, como 
em ooitrna p-ates dn bacia do Sho Francisco, é provável qno 
entre as rochas mnía antigas da regiào descri pta pelo sr. Allen 
haj.t calfnrcos inclinado» e horizoniaep. Os morn^a lastrados 
de pederneiras íào bug^eitivoa da serie ao leste da serra na 
bicia do Paragnassú. 

Uma outra cgtrada atravfss d.-i zona da Serm do Esfiulmço, 
no Estado da Bahia, fica ao tuí da linha do Far.' giia>&ii acima 
desciipta © passa por Mari-.-as, Sincorá, Yi la do Kio do Cfintn*, 
Ca«lété o Jlonte Alto para Caraihanba no Kio Érào Fraociaco, 
Na narrativa do Spix e Martius (3) e no relatório do dr. Tbco- 
dorn Sampaio (22) podeju-Ee colher algumas itiforamcõea intert^s- 
aantes a respeito das feições topograpbicaa e geológicas da n^giâo 
atravesHída pov esta ettradi. Sahindo do Sâo Felix a estrada 
por ali; uma disiancia quasi coincide com a via férrea acima 
d esc ri p ti q pa^ís l por uma planicto giiuis^ic:! de clov^açíio mo- 
derada. Depois elova-se ao alto de um (danalto gneissico o 
granítico que em Míiricíiis apresenta a altitudo do cerca de UíOQ 
metros o que forma o divisor de aguai entre o Parag^uaísú o o 
Rio do Contai. Este planalto, conforme o descreve o dr. Sam- 
paio, apre seu ta para o reíite uma margem cscftrpada de cerca 
de S50 meiroa de altura que domina uma rej^i^iilo ondulada com 
morros destacadoi, que a separa da Serra do S^ucnrá, nome lo- 
cl da mirçera oriental do plamlto da Serra do Eápiubaço. 
Esta ro-^iáo intermediaria è também coniprsta piincipnlraentõ 
de g^ueUs 6 granito, mas em redor das cibect^ir^s do rto Uua 



^ 



— si- 



se apr^enta timn zitm de cilcnrco ciozeuto e do aeliUto aver<^ 
inelliado «ntre as rochas crjstalliDas o o pez e cong'1omerado 
da Serra de Slticorá. O tiBcho da estrada {^orrespou dente á 
Seira do Espinh8<;r> corre por cima de uiiifi serie altamente Ííi- 
elinada de quartzitos e scbistrs arg^illosoa que Spíx e Klartius 
ideutifícAvam com os da ro^^^iflo aurifer.i de Mínaa Gernes (este 
dÍBtricto bahtano é tnmbem aunfero), iíitetmeadca com nHota-* 
meti loa de gneisi, mkiíschiHtos e granito^ A direi ta da estrada 
#1 farinando os pontoa culminantes díi re^riílo, íiprpBetita-&a at^itua 
deatAfi roclias autiírRs. um grcx cooí^tomcritícn qiirt Spix e Mar- 
tins referiram ao liaihMiliefjmde e que evidentemente repre- 
&ent3 Cí porões e lanssas de&tac^adaB do lençol de gr^K da bacia 
adjacente do alto Píirpjíuassú, A f ce occidontal da planalto, 
conhecida pelo nome loeal de < Benti Geral», 6 abrupta, mas 
sem grande eíevaçílo (SfiO metros) no divisor de aguas perto de 
Caetiié on'íe d composta do gnei^s. Ao teste da serra a estrada 
f asea por uma plaoicíe quasi ao uivei, do camadas truncaáas de 
íTTieiss, fT^anito, qoartzito e calcarcOj maâ com ierrotea elevan- 
de-re acima do uivei gerfll. 

Ao ful da estrada do liin de Cíuíns aíi; Gião Mogol uo Eç- 
tado de Miufts Ocracs, uma dístacicia de cerca d» 500 kilomctroe, 
fHJTico se fabe a respeito do jilanalto da Berra do Espinhaço além 
do facto da oecttrrencia do diamantes em diversos pontos. Para 
a s cçílo em redor das cabeceiras septeiitrionaes do lio Jeque- 
tlnbonba, na vÍKÍDb!tn<;a da cidade de GrAo Mo|:;eT, devemos a 
H^lmreicheu (4) uraa excelleute dracripçíio acompanhada por uma 
secçAo geolog^ica do ^eu caminho desde o corso m^dio do Jeque- 
tiiiUonha atrav^íí da ferra ate o Hin Verde (*) conforme esta deacri- 
jiçÃo e fécçfio, a Sena do Es[itihaío forma ahi um planalto monta- 
nhoso largo que íe eleva bniecamente acima de plannltos maia 
Vaixos a cada lado, O do lado oriental da lena cons-iste de es- 
tratos truucadps de gneits miraeeo e míca&chisto com, projcimo 
á base da serra, intercala<;5çs f blocos destacados? ) de quartzito; 
o do lado cccident.l do cnmadn» inclinadas e egualmeute trun- 
cadas dp granwrcko e calcnreo, O plrnalto centrait ou Serra do 
Etpiobaço propriamfiue dita, couÊÍste de uma parte central ondu- 
lada composta de vários scbistoâ, inclusive quartzito e gneiss, com 
mancbiis de g^rauito o rocha amphibolica, acima da qual f© le- 
vantam lombadas do quartzito que é frequentemente conglome- 
ra!Íco (**} e que é d ia man ti fero, circurastiiníTia e^ta que tem dado 



t*. k lecçlo é ao longo da uniii ílnbA em ilgae-iAgnei que em p^^rta Jicarnpjwbn 
II ftrient!wçífl ilá* cninaiiai. Aiíim, L^mcgunoto dá ama nccçíio tranavcrajil dn cordiJicirn, 
deixa 4o újtr nmA Idi^lai ox&vU dA bn^rA rdinlm dm dl?«ra)ii Konaa, 

('^r Helinreiclieu. domtQivdo jicínt Idciai da Escbwegci, renoin lado$ di QUKrtztUM 
dâ regilU> debnix^ An aouQ d^ iUculum^to, o Jntcriirctou os scixoi do ccirgiQtD^radõ' 
£«ittn unfmreçí^i:* cq ef!gT0);4ÇiJi!i Por este motivo, bem quo deecrovca e Dg^arou i^Uri- 
fnfintei evld«nclat de iDcoDfõrmnblIldhdo cnt-c dont scHcr At$ qaíirLtlto, elle njU «« iDler* 
prcifoú coma U^4^ e njelín a «pa <^xedleatQ dcicTipçAo da rcgift^i porde tiinito do seu vAlor 
4«t4Í3ta do pontíi de \\à]A g«oíogicD^ 



— 52 — 

grande itnpíirtuncia e interesBô a localidade de^Gr^o Mog^ol. Por 
aniofitms qua me ti'm vitido a niào e por mfoiínaçôea dadas por 
dou» tíxciíllentes observadoies geológico», os dre. FrímcÍFco de 
Paula Oliveira e Liiis Fí-lij^e Gonanga d© Campos é evidente 
fcomo etn lb82 projcnostíqiifti que efirla evpniualnipnte provado 
o cft8í> (12^1 quw a tecçàr' era Gt&o Mn^ol é easefifialDieute idên- 
tica com a dtà Diamantina qu« «trá j^^or^ conítideradu. 

Na vízintiatKja de Di»mantíua a cordilbeiro também cí^nsiste- 
em um platiabo tr^ntanho^o brgo com a elevação» n.edia de 
12CX) a iSnO metros qus eíf-ya bruecamente acima de plaTialttí^ 
matB baixos de caáa hàu. No lado de leste eay ati s truncados 
de piiei^e e tDÍcttiicl>i«tí>, cL* Íoè d© veeirc^i» do quartzo qut^ Bfto 
frequeutt^nit^uie auítíVrOB, tpm t^ido nivelados até a tíita de 900 
metroíi piroximnmente por cflmadisft liorisíontaea de gre« molle que 
cobrt^m uma área fiLtetiíia tio» víille^ de Jequetinhouba e do seu 
aguento o Aia&tuaby, iV>rmando cbapadas entre ob valles qtie 
tem tíido excíivwdos de 2(10 a 300 meiroB ji baixo do nivel ^^eral 
da planície, Hartfc. que visitou e^ta reííííto em 1865 (6J ctirrola- 
cionou esiaa camadas com a f^erie terciaiía do littoral e aa citou 
C0D10 prr va d«^ uma fiublevnçí^o geral de^ta parte do BraHÍl na 
impOTi anciã de cerca de 1000 metroa. N&o ba, poriam, evidencia 
que t^&tas cíininHaB bÔo de origem nu+rinbii, e parece muito mai» 

Í trova vel que foram depf>iiítadas ntima bacia fechada do interior 
o continente, a qual ue extendin por uma distancia considerá- 
vel pc4o vallrt de Jequetinlionba abaixo, ma^ separada por uma 
Eona RÍta de rncba^ mais àtitigas da serie terciária do l)tt4>ral que 
jaz em uivei main baiíso, N^ste caso a ©viHencia do sublcva- 
tnento é dada pela profundidade da excavii<,'âo ãoh valles abaixo 
da iupiríicie destas i amadas, e n^o ]>e]a <^]evaçho dilata tuper- 
ficie acima do nivel do mar ; e a Bua importância (?ííO metros) 
concorda regularmente com a indicada pela« próprias camadas 
terciárias do litr^ral, {*) Ás csmadaa de grez gàOj muitag vesseii, 
pouco e*ípessa!i e provi^velmente em parte alguma excedem da 
100 metioB de e&pe^íiura. 

O ]>i}inaho ao oe^te da Serra do Eapinhaco apresenfa a 
elevaçAo geral de tíOO a 900 metros e também eon»ihie de eatra- 
Í09 fcrunt-iidoa de ftcbiatn, grez e ealcareo muito cortados por 
veeivíj^ de quartzo. M^íb ao oeste e perto do rio Sfto Francisca 
Apparet^em taboleirosi de grfE e bcbisto^ boitzontaeB c m cerca 



n Vede BriBiier íl^) <íBe vérifl&DHí que •« camudak terotArifci do lUtorjil ca ex« 
teiidtiB até >i catn pihi» iUt dii «i^triida de ferro Bilsiu e DlaaA ni Pe<^iThdoi Ajiaoréi. 
BaMi úDLik nKo M itnda ipOT dHo per acee^Kf^til o tiJv^UmeQtú (la^itrud*. nms pnrinitihiià 
lettumfi dp uiriolda pftr*çft h^r de .H' meir<j* prcxlmiiiifeiite Conifi ji M notada an 
Umfú ÚA f»tr?idada fnrn Bataí* no ^Ao Pramcitco, aa camartai tercfarfajt fe elevAUí nlé^ 
4(i* ntetrod. DD vm |9«qco Draii, mat lU íí [urte fupertor é orli^iiiB^ía do ap^na doce é 
tatv» bnftitnie initi^ ie««'nic do qu** a* camanjnti mr«riore» qtte correu $íon d í-m ibelMr aa& 
caracter Cfitn mb da linbn Hitblia q Minai liai bAciaa Ao aWo Rio hõci*, L'm íHi}«h Gera«'i, 
Tjelé « ^Arhhyha pm HAq PauliO «"xlrietn, com eio^vaçio coDeíderaveii, Hac^M tere^arJat- 
#e agua d«c« otrm Tuiaeii ^Be pn recém oorreipantler «oot a ún Je^ietinhonlia, 



— 53 ^ 

de 800 metros de elevâç&o. Em algumaB destas camadat se tem 
encontrado madeiras dicotylidúneaã «Uiciílcad&s que ae presa mem 
■er de edade cretatea. 

O planalto central, oa Serra do Eapinhaço propriamente dita, 
mostra, ein ambos os flancofl da iecção de Diamantina, camadas 
pogeanteft de gtez. quartaitíco que se inclinam fortemente para o 
leste no flanco orientat e para a t^wíe no occidental. /"U, 12) 
Sobre a ^ona co ri trai a inclinaçà«i é rasi» suave e mai» variável, 
ftcndo as camadas quasi horiaontaes em alguns Icigares. Sobre 
grrandea áreas o grez tem sido completamente deenndado reve- 
lando atmi fiirie snbjacentf? da quartzitos e &ehiâto$ arg^illoBOt 
€rm uma área conaid*»ravel d« granito em utn la^nr- Como nas 
Tígiôtís do Parsgua-ftú e Ur&o Mn^ol, ha ahi evidencia abun- 
dlnte de qui' o írrt?^ é a fonte dosi diamante» que caracterizam i 
re^ào. Diversas das Uvras sfto abertas cm partea tíonglnmeri- 
tkas decomfK>»tiis àn leiii;ol de grea p, como em Grào Mogol, 
tem se encontra lo diaraívntes na rocba dura também. 

A sBcçAo meridional da cordilheira, formando as cabeceiras 
•da bAeia do Rio Doce e as sua» coiitrAvertt^ntes i^endo uma re- 
gião de chnvas muito abundantes, experimentou muítj mais 
profundamente os effeitos da erosfto do que at acima descri pta a e 
«m coofeqnencia as suas feições te to nicas n&o »Ao muito apparen* 
ies ao longo das yias usunes de eon munÍCi>i;ão, aa quaea correm 
pftralJelas a sua orientação ou a n travessa em gargantas profundas. 
A Kona central é occupada por enorme» Iomh?idas, ou bines de quar- 
tzito, ou gre% quartzitico, que se elevam á altura de 1500 a 1900 
lEietros e que setido relativamente e-tertíis em ouro e dt? díffi^iil ac- 
ceséo, tem ficado quasi completamente luexploradaij.. Pareeem re- 
presentar um grande lençol como os das eccçòes de Jeque tinUnuba 
e Para^assú} o qual tk&ê partes mftis baix:ad t^-m sido comp!eta< 
mente desEmido ou desnudado ao ponto de ser djfficil mente reco- 
nhecível por se confundir com uma rocha muito semelijantô 
que ae apresenta como membro da fonnaçào subjacente. Esta 
ultima consiste em uma grandci serie de pchistos esBeneialmente 
argill» SOS e micaceos com intercalações de quartzitos micaceos 
«chbto&os^ qnartzitoa ferruginosos (itiibii-ito^] e calcareoi^ sendo 
toda esta serio mais ou menos aurífera. No fuodo de alguns dos 
valles se apresentam gueiss, mica^chieto « f^ranito que aHo as 
rochas preuominante» na região ao leste da serra, El la é, porem, 
tfto ímperftitameute conhecida que iiílo se pode traçar sattsfar 
etoriamente a margetn oriental da Serra do Eãpinhaço nesta 
iecç&o- A margem Occidental, como na uecçâo de Jequetinhonha, 
é abrupta e domina uma regi&o semelhante de rochas sedimea- 
tarias truncadar, as quae*, porêmi numa parte considerável da 
seci^ào^ se ac^ham separadas da base da serra por uma zona de 
gneiss e granito. 

Conforme os dados acima apresentados se vê que a Serra 
4o Espinhaço consiste em um «comple^u ba«al* de rochas metamor-^ 




- 54 — 

pliicas 6 einifllvas, toado s<'ibrepoètít, com estratificação ékenr- 
danio, utim ou mais scriea do osLrntcft (^natUosoa que tem úáo 
perturb:i(ÍAi por um systpma do dobiaa com a oi'Íentav&i> gôral 
(l6 nortQ, ao pBMo que iio tí^Hú da râglâo montauhoea do Brasil 
sudasite, da quul esta serra conadtiie utua parto] a orletit^içl^o 
domíiiatite dos estratos é iioi-doste. N.as sQcíçõí^ã uieridionaâj fJe- 
quotiiibunlia e Doce) o movitnento orogrApULco que produziu as 
dobras, produziu também um corto ^'au de metamorj^bismi:) u% 
forma do latDÍuaçao (shearing) e granulação, aompaiihada pálo 
deãeuvolvimeiíto d^ mica danio á roeba um aspecto ti^o &ome< 
Ihaate íio doa membros quartziticos da serie metatnorpLica su- 
bjacente que om geral o 3 geQlo,£r,g tâm coníiiudido as duaa de- 
baixo dy uome do ítEieolamitO' Nostaa nreimai eecçoeí, porém, 
se encontram aíloramentoíi, como por osomplo iia vJKÍiihaij<:a de 
D]am:mtina, oudo a rocba é ura g-rez ou congloinerado typico 
nao metftmorphosoadt), e onde lambera vê se que o pluínomeno 
de mctatnorphismo, onde vlh existe, é um caractoristico IocaI o 
uao íçeral. 

Com referencia á edade do sublevaniento da Bcrm do 
Espinbaro e das cnmadaa que foram por elle aíFectadas nflo 
ha por cmquantQ evidencia al<j:uraa Batisfactoría, visto ufio ao 
ter encontrado até boje fóssil algum nestas camadas ou nouiras 
cujas relações com ellaa tenbam i-ido claiamcnt© estabelecidas. 
Até o pinsent© todos os escriptores, eu próprio inclusive, que 
têm tratado da regjáo, a iGiii eouaiderado como muito antiga, 
arcbeaim ou palaeossoica. Esta opioiâo se baseãvoj cm graude 
l>arte» no metamorphismo das rocbas nosdíatnctos do Ouro Preto 
e DianiatJtiíifl, e, no meu ciiao, no facto que em outras partes 
do Brasil le pode provar por fosseis que a épci-ba de dobra- 
montoB o metamorpLismíJ era pre-devoniama. Ambos esteà argu- 
mentos gào evidentemente frat^os e devem agora iBr postos de 
lado em vieta do aspecto ;ião metsmorpboseado e relativameute 
moderno das rocbf^s dobradas da secção bnbian^ da Seira do 
Espiubaçó e da possibilidade de perturbações locaes afí^etando 
rochas de eiade devoniana ou mni^ modernas. Na regiíLo do 
littoral doe Estados da Fabia, Sergipe o Alagoas ha evidenciado 
taea perturbaç&es, que ge relacionam com a questão aqui codiI- 
derada- 

No baixo Hio Pardo, Hatt (G) achou uma série inclinada 
de conglomerados, grez e echistos com reatos vegetaca obscuros 
que reíerin á devoniana, e notou no baiso Jequetinbon!ia iudi- 
cios da eiist(^ncia da mesma Eerie, Numa recente excnriao nesta 
regiào verifiquei que cita série occupa uma zona de alguns ki- 
lometrcs de largura o fui informado qu© ao oefcle existe uma 
zona considerável de calcáreo (mármore), Eíjtaudo o rio cheio 
não pude achar a localidade dos fosseis* O mesmo conglomera- 
do se encontra no Salobro cerca de uuia légua distaute da mar- 
gem do Rio Pardo seudo ahi diamantifero (é o assim chamado 



^ 



— 65 — 

ãistnvtn àmmnnilfeTú cie Cnnnavíeiras). A occurréncia dpttft bc- 
rífi no baixo JrqQc-tinbonlja foi contirmada pctú dr, JooqQtm 
Bâhiana, um cbs^rvndor geológico comjietente, ê é evidente que 
eJla occiípá XLTUíi zona cofit-ideravel an Inn^o da mar^i^em orieiítil 
ido f^liinaho írn^Uiko, Brantíer (17) ttm deÊCíipio uma franja 
femclliaiite dn pstratos qae se preí>timcin bct de cdade pnlaeo- 
zo.cn JJ03 EstadfJí d« Sergipe c A lacras o ha annos vi indicies 
d^ II1CS1114 ao dordesto da cid.ido da Babia na vizioliaaça de 
[iihambcipé« Oí fosseis encciutrado» jíor líartt no Hio Pardo eram 
rfrê^puGi mrics e pouco satisíactorioa de n.odo qnu a refe renda 
iquc dellfi fez á deToniana eó [ ode ser considerada vniao provi- 
sória. Com tudo é altamente prcyavel que n tt'tib s(>ja d^ edade 
pakcoxriiea c certamente nito anterior á devoniana. De ijutfo 
Inéo iif enmad^t perlurbada», referidas por Brauner nos Estados 
de Sergipe « Alag^t^as e coDeistindu em c^ ngloincradoaj giCí, 
ichistf+s c calcavcna, filo certamente precretaccuT. 

O* calca vcos do alto Sào Frane]£co píireccm representar 
{çtttan Eáchweffe (2) Jà indicrn) dnas formações gcolosrica» dis- 
iitictas. AS qu«t03 nâo tem sida ákida discriminadas * Uma parta 
pertence certamente a uma serie pertuibada de grcz e schií^tos 
qtie píOvaVflraente pertence á primeira parfe da edade palaeo- 
seoieii o prisumivclmente é auterior ico eublevamento da Serra 
do Espinhaço; uma ou'ra parte jaz horizontihiiente peln menos 
cm al^^nua loí^are», o é pregumivelment^ mais recento Em Bom 
Jcstíâ d;i Lapa na marjrem diíeita do Sao Franciíco o quasi 
directamciito ao oeste do Rio de Contas nL-he.i, em ISSO (fl,9.10) 
eoraf^ft losscis mal conservados dos géneros Favo&ites e ChaeU" 
Uãíf) que indicam edi de palacozoica media ou bU] erior (Silu- 
ríana inferior n Permiana), E' posí^iví*! quo este calcaifo poeia 
§cr cf>rre1adonado com o acima ditctipto ao lette da serra na 
reirià/1 do Farfsguris&ú, mas sc»bre isto nada de definitivo pode ter 
dito presputeroentc. Se, como foi ai,'Íma su*:g-er.do como pnssi* 
vel, o g-re55 da regiSo de Jacobina provar í^er dobrado e dn rda- 
dd rrptací^a, n questAo da edade do sublevamcnto f-eiia decidida 
Côífío tendo cretacL^a ou po&t-crotacea, mas parece pouco pro- 
Tavel que isto aconteça. 

As roclsas qne entram na composiçílo da Serra do Espi^ 
nbaçõ se devidem naturalmente em Ires grujos, fendo |irovrivel 
que eventualmL'nto cada um destes terá do eer subdivido em 
dois cu mais* Estes grupos sào: 1.*— os j^neitses e mica-scbifitos ; 
2.*^es scListo?, quartzitos o cakareos das repriòcs auríferas; o 
3.*— 05 quartzitos e grez das roíriues diamantiíeriíp. Cora eatea 
^lupos se ncltam associados granitos e outras rncbas cruptivas 
que apparentemeut© nSo peoetiaram nas d» tcrio superior e pre- 
iumtvclmeiíte lAo posteriores a ella. 

Como Escliwege já observotit o gneiss o uiicascbíato êó í6 
oprcsentam nos níveis inferiores dn zon» da Serra do Espinha- 
ço, ao pasio quo, com as rochas ernptivae com ellas aisotiadas^ 





— 56 — 

forrtflm a ma^ta piincpííl dna mootaníma n le^te e no sul por- 
tflTiceiítfíH íioa sy^renijis da St-rm do Mar e da Serrí* da Manti- 
queira. K-taa r(icba« tem j-ido pouco estudfldíJS na regiào nqui 
con^idenid^, mn»^ até onátí cutiliQpidaa cnri6f poiídem com as ou- 
tras pnrtfíi^ do Bíuaii e pndem com gi^f^urançA ^er e^Ti&íderadafl 
como aendo á '< edade í<rt!beaaw, Paiece também if la ti vãmente 
g**^uríi considerar a Éírand^^ ni unria doa gnpjsaea bra^itoiros (pelo 
iD6iioa 09 quí3 pi'la sua rtàistencia á decc mpoaíijào fic-anunaiâ em 
evidenciíi) como rccbaa i-iu, tivas foibadas (^heared)^ &endo os ty- 
poB originot^B granitfíiVi tioritos, díorítotí, etc. Uma parte doe mi- 
caichi^toã shii tnmb(fíii de origt^m fraptiva^ tnaa pr6sumive~lmetite 
a parte maior prosará ser cuostitiiida de aedimeutoâ m^tamor- 
pbtf^ad<m. Na parfe do Brasil aqui cOQâidi^riida titas rcclias 
conetituem uma grande área tm íorma de escudo na pai te orien- 
tal dos Estados de Minaâ Ueri^ea e Babia (com oa P2âtadâa adja- 
eejitea de Espiíiio ^ant'> c Kio de J^iteiro) a qual, pela maior 
paftíí, tem sido terra firme desde os tempos arcbeanoSt Naa 
margen 9 destas arca, pinticolEumente no lado do oeãte, 6 ttobrd 
as suas partes maia baixai, fortim depositadas as feries âediíLeD- 
tariaa mnia ret^entes. 

A serie ncbií^tosa da Ferra do EapiuLaço e regiões adja- 
cente», que pode convrnifu temente ser denominada a serie dé 
MinaSt consi&te em um ^jaiide compl^io de te bis tos predomi- 
nantemente f^rgilloaoSj cem ma^igas tiubordÍDadaa de quartzitos 
ordinários, quíirtziti^^s ferrug^iíioaoB (Itabiritos pa«sandf> a mine- 
reas de forro puro) e cakareos. Todas e^tas rochas são forte-» 
tnôtite lauiiiadaa {.^heared) e caracterizadas por um desenvolvi- 
mento maior ou raenur de mineraes micaceoá (bioiite^ felicite, 
hematite micaceo, cblorite, tulco, etc.) e, Eendo em geral muito 
decompostas, ba grande difiiculdade em discriminar os difieren^ 
tes n^embros (^alvo ok quartzosos e ferruginosos) de modo qmd 
as tentativas dí* estabelecer uma ordem de aua s^ecçáo entre 
ellas liho teni dado i exultados satiífac tórios. E' quasi certo que 
os membros qnart^sosos, lérruginosos o calcareos nho repetidos 
fm div^^rfOB horizouteB e eventualmente eStea servirfto d© baie 
de reierencia pura estabelecer as subdivisões da serie, mas nntes 
dJBío aerá firt^ciso determinar o tomar em conta aa lepetiçòe» 
evidas a dobramentos e faJbaa. Ao que parece a serie inteirt 
pni aido encurvada em dcbraa fortemente comprimidas e inver- 
ti dns e BCm duvida e atraveFsada por muitas íalba^. Antes d» 
pospuirmts n^appaa topographicos fidedignos da regiào, ou jelo 
menos de uma parte lypica d»'l]a, não pode baver espeiançai do 
deteimínar-se a sua estrucmra detalhada.. 




[*f Depola de esciipta o tr»bilho icfma citid» veln^me Aa mlci nran Jtmoctra de au 
doitrpo* *bf dlBCUUdofl CO «cbieto cocn n-cn«Èlici de £fto JcAo dK Cb»piid»JqQe i^tiretenift 
nu Gt^otsetc» «mptlTo bou dofloldo com quarfiltio. 



i 



— 57 — 

Os membros argillosog da serie de Minas incluem f-chistos 
micsceot (principal se nAo exclusivamente bericiticos), cale^reos, 
gnphitotos, ehloriticofl e talcosns. Uma ]>arte conBidt^ravel, se 
nto a totalidade, dos dois últimos typos consiste indubitHvel- 
mente de eraptivos laminados e metamorphÍBados, e num outro 
trabalho (13 14) procurei demonstrar que nmii p.-riK dod t-cliis- 
tot sericiticoB í&o da mesma origem, i*) Cdmtudo nenhuma 
darida pode haver que a maior parto án sKri<« do Minas ^«Jii do 
oiigem sedimentaria. A sua edad» só yoái' sct detiTuiiiiuda hy- 
potbetieamente, mas é quasi cai to quo uA'* será niuis reconte do 
qae a cambriana o podendo, pnrúm, ter mais .'«nti^vi. 

A serie de Ninas sempre tem sido coiisideia<la corno h for- 
mação caracteristica da Serra do t^spinbaço e é certo qui^ eila, 
OQ outra parecida Ci*m ellu, si^ a, rei^en n em ti do o coiiu>ri- 
nento da cordilheira. Ao norte da secção do Rio Doce os mem- 
bros calcareos e ferruginosos caracteristict s dehtíi t^erie ])Hrecem 
desapparecer na zona da serra, bem quH te ii premeu tem outra vez 
nis margens do Sào Franci-co entre Urubu e Joazeiro. Parece, 
portanto, provável que se ache aqui represencida mais de uma 
lerie geolotrica. E' também certo que estes m -mbriis caructe- 
liiticoB se apresentam por ambos os lados da secção do Rio Doce 
em distancias consideraveij das marj^ens (ou o quH ordinaria- 
mente se considera como tacs) da zona da Serra do Kspinbaço 
e com indicações de dobias orit ntadas para N. B. e as&im pa- 
ndlelas ás das montanhas arclieanas da vizinhança. Parece, por- 
tanto, provável que o seu primciío e m;ás to: te d(b amento fot>se 
devido a um movimento produzindo dobras orieiMadas p^ra N. 
E. e presumivelmente envolvendo também a serie de scbistos, 
^res e calcareo da bacia de São F^ranciseo. A occJirreiíoia mais 
Bo sal, na bacia do Paraná, de uma s*'rie muito semelbante a 
esta nltima e que t»mbem ficou envolvida iias dobras orientadas 
para N. E. da regi&o arcbeana adjacente, confirma este pcn^o 
d** vista. Estas rochas da ba«!Ía d>i Paraná, como as do São 
Francisco, sào em geral pouco metamorr>hoseadhã e, no Estado 
do Paraná, s&o 8obre{>ostas por camadas borizontaes contendo 
fÒBieÍB devonianos, (15). Bem que não tem fornecido foí-seis são 
presumivelmente de edade siluriana ou cambriana. 

Efcta serie da baoa do Paraná c abundantemente injectada 
com granito e assim, para esta iea:iâo pelo menos, a edade das 
eiupçôes graniticas fica determinada como sondo pre-devoniana 
Os granitos ifto de diversos typos, (ampbibolico, biotitico, e 
moBcovitico) e sem duvida acham-se re| resentadns entre eles 
diversas epochas de erupção, mas presumivelmente todas eslta 
eram contemporâneas ou posteriores, ars movimentos orgânicos 
que produziram as dobras. 0< granitos que se apresentam coms 
certa abundância nas áreas occupadns pela serie, de Minas não 
tem sido estudados, mas é do ]ire>umir que csia conclusão rela- 
tiva á edade e epochas do erupção seja também apidicavel u 




=^ r>8 — 

elTes, Álém dos granitos estíi» arríis njirostufam também nffl)- 
ra meu toa frequentes d^ rocLaa empt]v;t8 bá-icn» de typos gíib- 
broiticos, díabflsieoB e ]iéridotiticog, as quacs, atú ond© observa- 
das, apresentam indiciofl de motamorphísma (um ceito grau de 
laminaçào (Hhem^tng) e uma alreraçílo uvalitica do pyioxono) 
que plausivi^lmcutc podn fcr attribuldo ao níovimnit') posterior 
de Eublevamento que ei) volvi i também o grcz sribnjacente* 
Tmito quanto ee tem observado até hoje, esto ultimo uíio foi 
nfíVcíatio ptilaí ieijceções rroptivas o oa veeiro* auriíero* tão ca- 
iflcteristicos da eerio de Miuns Titio fo exfeudcm até el!o» 

A capa ^0 pre^ da zona da Serra do EqMnhnço, ^^m todíi 
parto onde tem sido PxnraiMada, apresou ta graúdo uoif*rtn idade 
de aspcctn, talvo que a Bua diviião em dua^ bptíoj, noiad-i na 
ÊCuí^Ao do Parog'irtssú, nílo tem 3Ído o^^sf^rvada cm outra pai te - 
O caracter coaglomeritico das camadas Buperlores desta &ecçao i.\ 
gtr^l por toda n cordilhoiraj e bem qui a rncha seja um tanto 
metamorpboseaJa em alguns logarea nas baciai do JequctiuUriuba 
e Doce, ( sta nào pareço ser motivo aufficitíute para consideral-a 
como distiucta. Um outro cariicterlstico muíto goneraliçado é n 
occiírreucia de diamantea, mas estes parecem faltar, pelo menos 
em quantidades aproveitáveis, na eocçâo meridional, na viziíib-inça 
de Ouro Preto, e também na fecçíVo septputrional na regifio de 
Jacobina o alem (^), Comn jA íicoii dUo, ha motivos paia sus- 
peitai' qae o grez de Jacebina Êt^ja maií roceuto do qna dafí par- 
tes mai& meridionaeft da cordilheira, m^^ Eobre este ponto nada 
de definitivo jjóde ser di!o por omquantn. Fíca também cm du- 
vida Be, com esta excepçfto o a das caraãdes iuferiores du região 
do I^arnguas^ii, todo o grez da cordilbe ra deve. ou uíio, ser cou- 
siderado como constituindo uma unidade geológica, Pessoal- 
mente estou inclinado a uma opiniflo afiirmativa, 

A edado ideológica das rochas cara cteristi cai da zona da 
Berra do E«pinha<;o e do movimento otogenetico que lhes deu a 
sua altitude actual tem também de ficar em duvida» O mais 
que se pôde dizer é que nem uma nem outra é t5o aotiga como 
ate agora se suppunha, e qup, ao que parece, a devouiaoa podo 
ser tomada como limite extremo de edade, Lto, porém, envolve 
a hypolheso, que por si nada tem do ínvcrosimil, de uma loca^ 
lízaçíio do movimento orogenetico, víslIo que os depesitos devonia- 
nos definitivamente conhecidos em outras partes do Brasil, noa 
Eítados do Paraná, Mato Grosso e Paiá, nâo fia'am nffectados 
por elíé. O outro limite exiremo de edade é ã cretácea, mai 
autes de um exame da rpgíào de Jacobina, afim de verificar a 
exactidão ou a falsidade dn reputada doacoberta do fcsaeis uella, 
esta bypothesa nSo pode ser acceila nem completamente potta 
ao lado, A hypotbete de nma e^ade mesozóica (cretácea ou 



I 



no BrAitl Etrá cúaililcri4a «q úqCto iagu-. 



m — 



^ 
^ 



^ 



pre-erelacea) é »9Íii«tin« Tiffo que estjikelecedi mu conelAçlto, 
pek» Dieiioi ena que dii nipeiio à edide* entn »$ f^cecrtraeias 4e 
aiftmajitet luu dtTmas pttrtes ^ Br^jl &« Ãfriei Merrdioitvl, 
(IT) mais eottlim efttA kjpotJi^^ teaos m relaç&o pTt«mtd«, bes 
que aio deixãtíviíaeiíte p^vçaá^. de» cmícmreos hmi3Uítme% à» 
Tille de S. F rtneiiea « do Rio Uiu^ os ^oácc, fieU nm^is ^er 
emiiiisiifOy lesi il« ser «nuide ratios eomo piUMist&6M « nais r«- 
eent^ do qQ« e «sblemiDÊato ã^ Serra do finilnlapir Eu rôlft 
de t^ d^f as circmvftaiicisi o qme ine fiareeo u» |ir»TmTel é que 
a edadíS, taaUí das ntekai coao do ialileia»eiit^ ierá efeotual- 
mente prorada ser palateoxdiea ai«Jia m sap€fi»r (deToaíana á 
permlasa). 

Ab mãT^&KÊ eaearftãá» da «»3a d^ Seir^ âo Efpmliat<> «^1 
em iiimtjw logarep, imtito so^^estiras de falbss e ati^ ree^ate- 
mente fui íacliiitfdo a Aimittir a ewteQCia de Unhts d^ falhas 
de proporç&ea gtganl«aeaa. Troio i^ora cooliecí mento melhor 
âfts zofias aijaeenlo» parece-^ae proTiivrl que eãti feitio pôde ser 
antes devi da « em grande paite pelo me no?, á denudado &ob 
eoiiiikões de èmmf^m e elera^ difidrenies das actuaes. A 
cordilhelrji, numa parte constdefa?el da ina e:tteusác, aeha-fe 
nijirg-^^dji |»tir bem definidas pbnicíet de d^nuduçàOi das qtL&oã 
algnm^Si eomn a de Jn.iKeiro« tAo pouco eseulptumiet. ao pasao 
que outras tio dib^ec^dai por valle« escavados até 200 a 300 
metroB abaixo do uivei g«nL Xa râgiâo da Jet^uetinhouhn Diedio 
Lavia um tempo» prrvftYel mente dãr&nlõ nmn parte da época 
terchria, em qtie «i condições eram ties quí^ uma bacLi t^rrçstro 
£con çh^ia com deposito» borisontaea até qnasl ao uivei ãn. p\<i- 
akíe de denudaç-áo qne a ctrcnmdon, e dt^^xã^ ambas foram 
dtffi^ccadai ate a protuodidade de 200-30D metroi em rtrlude 
de um fcubievaniento íjeral qne modificou os coudiçôea do dre- 
nagem. Um isibleramcnto proximamente e^al é indicado petas 
camadas terciárias do littoral, pelas creíaceas peito da região ã% 
cataracta de Panio AfFmso e }>e1a dissecção da plniiicie de deou- 
da<^o e das camadas horj^outae^ cretáceas (?) da parte superior 
da bacia do Sào Francisco, d© modo que este movimento pôde 
ícr tomado como g:era1 e proximamente da tnesina imiuirtíiucia 
em toda a reg-ião aqni considerada. Ao que parece, «« oamadas 
eretaeeas da repilo de Paulo Aãonso foram depositadas sobro 
orna planície de denudação ainda mais antiga qn^ devia ter es- 
tado qnasi ao nivel do mar, visto que a sua fauna foi^il apre- 
senta Lma mistura de fóroias marinhas e do a^ua d^ee (tubarões 
« cypridcs}. A denudaçAj da zona montanhosa foi, portanto, 
«fMlnada por estados successivos e âob condiçòes de drenaí^r^^^ 
o elevação dífiarented, e sem duvida é a esta C'rcnm^tançia qne 
se devem muitos dos leuscaracteniticos lopographicos. 
8. Paulo, 16 de Abril de 1&06. 

Oevillv a. Dskbt. 





r 



— 60 — 



BIBLIOGRAPHIA 




1 — EscHWBOB, W. L, voN*. — Geo^uostíscheà Gemai da von Bmei* 

lie.n und das wahrBcheinlíchan Mutt&rg:estBÍa der Di&- 

mau teu. Weimíir, 1822, 
2 — EscH w E G E W L » TON , — Bei tra ge zur Ge bi rgsku n de Br a siliens. 

Berlin, 1832» 
3 — Spix à MAETioa.— Heise iu BraaiHea. Munchen, 183U1B3K 
4 — HRLMUistCHEJM, VíRGiL voN, — UebcF dfi» geogDOitiche Vor- 

komraen der Diamanten und ihrfl Gewinnung;» Metkodeii 

flUt der fierra do Grâo-Mogor, Vietina, 1846. 
5 — Hêíí^vood Wm, J. — Observations on me tal li fero us depusits of 

the gold minea of Minfta Gerae^ iu BraziL Trans. Hoy. 

Geol. Soe. CorDwalL VITI. Penzaiice, 1871. 
€ — Hartt, C. F,— Geology and PLysical Geography of Brazil» 

Boftttm, 1870. 
7 — Dbírby, o. ã. ANn Ratrbok, R. — A bacia cretácea da Bahia 

de TodoB db í^anto«. Án^biroa do Museu Nacional, III, 

Rio de Janeiru, 1878. 
8— Dbrbt, o. a. -Contribuições para o pstado i^a Geologia do 

vaile de S. Franciflco. Archivofl do Museu Nâciíjual, IV, 

Rio de Jai-eiro, 1881. 
9— Derby, o. â. — Observações Bobre alg-umas rochas díamanti- 

ff^ras de Minas Geraea. ArchÍTOs do Museu Nacional, lY, 

Hio de Janeiro, 1881. 
10 — ^Dbrby, o» á* — Reconhecimento geológico do valle de 8ãa 

Francisco, annexo ao Relatório de W* Milner Roberta, 

Chefe da CommÍB^o Hydro^apkica a^^bre o exame do 

rio Sào FranciBCo, Rio de Japeiro, 1880, Kevíata de En- 
genharia, III, Rio de Janeiro, 1884. 
11 — DEkaT, O. A.-Relatorio apresentado ao ar. conselheiro Ma- 
noel Alvos de ÁrarrjOf Ministro de Agricultura etc-, acerca 

doA es tudo a praticados nos YalleB do» rios das Velhas 6 

alto S Franeiíco, Rio de Janeiro, 1882. 
12— Dbrby, o. a,— Modes of occurrence of the diftmoud in Bra- 

zii. Am. Jour. Sei. April, 1882 New Haven, 1882. 
13— Derby, o* a.— Notes on certain schiats, of the gold aud 

diamond regiona of eastern Minas Geraes, BrastiL Am» 

Jour, Sei. March, 1900. 
14^DBEBYr O. A. — On the associatiou of argilIaceoUB roeke witli 

quarts veing iu the region of Dian-aiina, BraziL. Am. 

Jour. Sei. May, 1899, 
15— DÉBBr, O. A.— Geflogia da regi&o diatnantifera da Prov^ 

do Paraná no Brazil. Arcb. do Mus. Kac. IV, 1881. 
16 — Debby, o, a — Braísilian evidence ou the geneais of tliô 

diamond. Journal of Qeology, VI, 1898. 



á 




— ei — 

17 — BiiAsnm, J. C,—€n!tMçecmi and Tertiary gmAo^oíth^ Sftr- 

gipe^ AU^osi bnm of Bmttl Tran^ Âtaer. FhO. 8tte. XVI, 

Phil 1889. 
IS^BtJkKSEit, J- C.— Tvo ehar«etemtic gf<»Ií»gic ieet3<»D9 ou 

the eortWatt ervt oÍ PrsiiL PrcM^ W*»hiiigtoii Acaá« 

Science, n, J900. 
19 — Bcs&ASt £ — Der gvyfoKreiíiie kieaige Onartzlagerguig voii 

Pisfagfm in Minas Gt ratf , Bniilien. Zeits. f. pr&k Geol« 

Oct. 18Í-8 
20^BtiiTó?r, Bicbãid F. — Exploratknt of tlie liiglilãnils of Uie 

Biwl. Lc^nden. 1B69. 
21 — LtAJ», EcDia — Climali^ gcoT^^ir^ fanne tt gtograpbie bo- 

unique fln Br^iU Pa ris, 1872. 
22 — SuiFihiri, Tm^otK*Ro. — (Reí»t(mo de uma Tiapem de&de a 

maig^n do Bio Franciseo aié o littoral). BebtoHo de W. 

ViliMir Bobeni^ eogr^nh^^iro cbefe da Commiffào Hydraii- 

Ii«a tctri* o eiAtoe do Rio Sio Fimneitec^^Mio de Janeiít»» 

Typographia KacionAl^ 1880, 





José Clemente Pereira 



Tios fact^ia c noB homens que preparai Am e real ú aram a 
independência do Bra&il, vè o hUtoiI.Mor que os estuda na cíilnia 
coadn [>or trií* quartéis do ffcnlo decorridos A saliência do pain?! 
defftmpenbado por Portuguezes natos iutimanieute Itgítdos ii Borto 
do Brfiail Do 1821 a IP31 a que-tâo da indeptridencia cia do 
povo do BrnfU o dAd fomente da ^eate brasileirn, tetida essa 
qnestào para oa Pnrtiigue-zea domiciliados nesta lerra tíio grai.dô 
interesse económico e pesacal, qu© absorvia o interesse poHiica 
do domínio do p:iÍ2 natal. 

Fíim ra Portuguezes \ínculadoa ao Brftsíl pelo senti mento de 
amor Hõs. ri tios em que haviam ci*e acido e proaptírado, o 05 ti mulo 
moral peta can^^a da independência nSo era luen e vivo, meiíoa 
puro nem incitava menorci ervtbnsinámoa do qtifs aos Braeilciroa^ 
O seu papel na obra da fomnijíio da nova nacionalidade americana 
foi activo, efficaz e cm muitas occasiôps decisivo. 

Oa patriota* que tomaram a vanguarJa do movimento eman- 
cipador deram-lhe o impul-so que o pcvo miudo seguiu com o 
entbusiasmo riaa m çaaa pelaa cousas m-vas que Ibe promettem 
mellior condiçfto e maia aegnra prosperidade, A graúdo mriiona 
dos lusos-brasileiroa com os Brasileitoa d© nas^cimeuto tiabalbaram 
á porfia pela victorta da causa que, de facto, tanto era dellea 
como dos outroF. 

O Príncipe D. Pedro dava aliáà exemplo a todos os seus 
conterrâneos quo seguiam a sorte do Brasil, e foi dessa fusflo da 
Yelba com a nova gente, da Eurot^a com a americana, que sabia 
íi inciueía da rovoluçàõ de 1822 o a feiç5o de continuadora da 
monarcbía portuguesa que tomou e sempre teve a monarcbia 
brasileira 

Dog Portuguezes próceres da nossa indepondeocta destaca-s© 
JoÊi^ Clemente Pereira, presidente do Senado da Camará do Sílo 
Seba&tiílo do Hio de Janeiro, que ousou dar o primuiro pa^so no 
caminho da revolução, que todos queriam* 

Só em Jaapíio de 182 Í a revoluçAo estava nos espirito?, 
mal se debucbavs. ito9 actos. 

A provoL^açilo de Jo^é Clemente na representaçiio official do 
seu. cargo popular ao Príncipe Regente, ds re.-i^tir ás ordena do 
Rei seu pae e mais ainda, ás dai Cortes de Líâbâa que incarnavam 
politicamente a na^ão toberana, ú o primeiro acto revolucionário 



— sn -^ 

f^rto doa ncton n^Toluçioonrios que tireram seu lenno no 
Tpir.in^ii, 

E1»^A «jlançlo de Jú%á Cli inrntQ já c f^rnndjoEa para as ^* 
rn(;ões qito £0 í»qcí-'€! Jeiniii á £U:i herdicâ gt^rai;ão;os acrviçtiâ (|ue 
^Tr»toa A pntria do fteu corni^^íio, á tcrrn do ãfua atnorts de homem 
c de eidadâo, clevfiram irais o fieu vulto na pci%terida^6» Elle 
deiíiou um dos nomct ioíjU |íoptilnre9 ueãta Capílal e cm todo o 
Bmsit. 

No Impeno, pura cuja cnaçiio iào vnkntemcnto cooperara, 
subiu Ás nmift alfas fuiicçòes dji rcf^rfEentaçâo nacional, inns não 
foi na politica qne conquistou ns melbcre^ f^^orias quci o auro- 
olaram. O seu génio dfi organizador, da administradcii\ o seu 
conbeciínento das necessidades publicas, levaram-n'o a fírandes 
CO mmc til mantos e js renderam para lem^^ire o sen nome aos gian^ci 
inftitutrs ^'c cnrídíidé e do amor do próximo, que silo o orgulbo 
da ciditde flomincnse e o dcemplo de eítuitibos. 

Quando o Imperador D, Pciro lí fez da víuva do |>:randB 
hoir.ein, que O povoem mtsía ncompíinbíivn á íepultuvií, Coiidoí-sa 
dft Picíiá-ie, o Soberano rct>umiu nesié titulo o sentimento cbri^tAo 
que «nímara a vida de José Clemente, Fazer o btim aos outros 
e trabalhar |>ara melbor futuro de «eus concidadãos. 

Á tut vida ír eom effpito a do trabalho pcío bem publico e 
boje qu«í se completam 120 nnnos do fc:i nascimeuto, prettamoã 
neiUs linhas juita homoimíem á meirioriíi do cidadfto benouierito 
que tantos e tào alevauiadoa tarviçói prêstcu ao nrae.!. 



I 



Nasceu o illastre patriota a 17 de Fevereiro de ITbTt na 
W^lídade denominada Adetn, termo de CfiBtello Mendo, comarçA 
dõ Troncoso, bbpado de Pinbelt no Reino de Pcrtug^al. 

Filho doi bontadoa lavradores Jo&é Gonçalves Pereira e 
Maria Pereira, José Clemente, criança, jn demi>ufiUa?a ncs actca 
di fua meninice bondade do crr^fiçào e de amor pelo sf-n semo- 
Ibante. Arirato e év. vtvacidada precoce, despertou a sincera 
JiffeíçJio de um tio íJicerdote, qua d fade 1í>í;o encarrei^ou-te da 
^íiã educai^i^o literária, babíliiandú-o a matricular-âo i^a Uni- 
versidade de Coimbra, onde formou-se em direita 4\ cânon es- 

Academico ainda, por occasifio da invasão dt^ Francezes em 
1807» creado o Cor[»o Açudem ico de que to[ ^ommnndâute José 
Bfinifacio dfi Audrada e Silva, oiitào lente de ujetallurtria da 
Univcfâ idade, nellt; íilistr'U-âe e dÍBtin;ru u-ge por lai furma que 
p^lo ♦reueriil ingl^K Wellington» foi nomeado capjtào de uma 
das {guerrilhai que tanto damno cau^araoi aos invasorcâ* Fe» 
par^e do exercite an^lo-loz^ítano que sob as ordens diiquelle 
irenera! combateu na Hesjianba e ^loríoBAmentc pi^aou no terri- 
tório francês. Cor.quiFt u os mais lionrofos documentos de elo^ioi 
de divertoft 4;en<-rae* iuprlezcs, p«ío leu srdor patriótico, pela *ua 
coragem c correcçlo militar. Terminada a campanha vulvea 





- 64 — 

«os seus estudos na Universidade, nhandoTiando a carreiía militar. 
Foi entfto quo resolveu vir para o BrasiL 

Etif^-ctivanieiite, aqui cbegou a 12 de Oatubro de 1815, ha 
idad^ de 28 nnnos. 

Esquecidos tia bpub bons aerviçoí pela mài-patria» dedícou-te 
José ClÉtíietitâ a advocacia^ adquirlndii y^.]ú seu saber jurídico 
e pelo seu amor proliasiouai grande reputaq-ào fnrense, 

José Boniríjcío, entfln já ministro no BrasiL o nomeou em 
X8l^ Jtiiz de Fora da villa da Príiia Gmnde, de receut^ creaíjfto, 
hoje Nitherohy, entrando í^ui íxercÍL-io em 11 de Áfíoatíp díiquelle 
anno. Alli lançou ello os fundamentoa dn j:^rande cidade que 
lioje i^e diHiiiig^ue pela icgfiil aridade da^ rua^ e praças, toda^ por 
elle Imçadfjs, iibeitat; e arruadas, 

8í*Tviu no carg^o de Jthz de Fora até 7 de Maio de 1821, e 
durante <'ase tempo fez editicur quasí comph^tamnnt-t a capella 
que íilli eiistía e que bfje serve de\ mntri?;, deu agua á popu- 
lação , que sens BUccessores deixaram perder, trabalhou incessan- 
teinentt* pplo progresBo material dn. villa, realissaiido todoa os 
iDelboriJmpnto6 por ineio de subscripçõea era que o seu nome 
figurava em primeiro lugar. 

NAq fofflm os seus serviços esquecidos pelos habitantes da^ 
quella villa, que ns tinham em grande confa e que veneravam 
o seu nome como o de um dns mais dedicados servidores, e* 
assim, em 1840, a Camará Municipal da já entào cidade de Ni- 
tbproy, em prova publica de gratidão hos seu« eerviçoa, deu a uma 
dns ru«» a defignçaão de S, J* sé, e no s u IJvro do Tombo 
acerei centon que a rosoluvAo era «df*diçada ao esi-,™* sr José 
Clemente Pereira, como 1 ° Juiz de Fora e edificador da viila» 
pelos muito? serviços d© que lhe é devf^dora esta cidade*, 

Achava-se o i Ilustre patriota a 26 de Fevereiro de Ía21, 
na villa d© Maricá quando recebeu a noticia de que o pov*^ se 
reunira no Rín dft Janeiro para jurar fidelidade á Constituição 
que ns Cortes portu^nezas estavam fazendo. Reuniu immedia- 
tamente a Gamar«, quo prei-ton o mesmo juramento, ordenou 
festejos e illumjnaçào, fazcuio celeb ar um Te^Deum pelo notá- 
vel acíintecimento e publicando um edital, onde se encontrava 
todo o entbusiasmo de um bom patri^aa e toda a eneríria de um 
espirito prompto e resoluto para i^randes commettimeutos. 

No dia 28 jeuniu a Camará da Praia Grande, tendo proce- 
dido da mesma maneira, como consta do livru doa Termos de 

Vereançã. 

Em 30 de Maio do referido anuo atdumiu o exercício da 
Juiz de Fora do Kio de Janeiro. 

Com celeridade succediam-se os grandes acontecimentos 
precursores da independência. José Clemente abraçou com en- 
tbuuaâmo es^a causa e po£ a seu siervivo toda a sua mascuia 
energia e jamais desmentida actividade. 



— 65 — 

E' atsiiDi qae em 5 de Junho daquelle anno, yendo em 

I, no largo do Rocio, officiaes dos batalhòps portuguezes, 
qne queriam que ee juraísem as bases da Conttitui^&o Portu- 
guesa e fosse creada uma junta de nove De| utados que deviam 
■laistir ao despacho do Príncipe Re^nte, o que o collocaria ^ob 
a dependência de Avilez, José Clemente, Presidente da Camará 
6 Jaús de Fora, oppos-te com uma firmeza e coragem que causou 
a admiraçfto dos seus companheiros de yí rearma, con o el!es mes- 
mos declararam em documento que, aésigrado por trid( s, f(i 
publicado e no qual afirmaram o seu recfnheein.ento ao seu 
jOTen Presidente. 

Desse mesmo documento coubta que foi elle quem proprz, 
na ultima verf^ança de Dezembro de 1821, a reprt^smaçilo de 9 
de Janeiro seguinte, o dia do Fico, e o iiirtnitesto do Povo do 
Rio de Janeiro sobre a residência do Pr ucipe no Brasil ; daiado de 
29 de Dezembro de 1821, foi redigido de fccôrdo cem elle no 
eircalo de seus amigos Cónego Januário, Ledo, Nóbrega e rutros. 

Foi José Clemente, que a í> de Janeirí-, á frente da Cíima- 
ra, leu ao Príncipe Regente o celebre discurto, em que exi»oz 
A necessidade de ficar no Braeil e o exborta a desobedecer ás 
ordens das Cortes e do Rei, que o cbnínav.iin a Portug»). Nt^t- 
le memorável discurso, quando ainda Avilez dispunha de t( dos 
os recursos militares, preconizou com verdadeira nnd/ic a, cora- 
gem e civismo a necessidade de um Poder Legislativo brasi- 
leiro e de um Pcder Executivo ci m poderes amplos, foitts e 
liberaes. 

Por estes trechos do dir curso bem se pode avaliar o seu 
grande aleunce politico e, o que c mais, a franqueza e o sen- 
timecto patriótico que o dictou. 

«A sabida de Vossa Alteza Real dos estadrs do Brasil 
será o decreto fatal que sanccione a independência deste Rfino ! 
Exige, portanto, a salvação da patiia que Vossa Alteza Real 
anspenda a sua ida atè nova determinaç&o do Boberano con- 
gresso. 

Tal é, Senhor, a importante verdade que o Senado da Ca- 
mará deita cidade, impellido pela vontade do ])ovo, que repre- 
senta, tem a hoora de vir representar á mui alta consideração 
de Vossa Alteza Real; cumpre demon>tr»l-a. 

O Brasil, que em 1808 viu nascer n( s v»stos horizontes do 
novo mundo a primoira aurora de sua liberdade . . . 

O Brasil, que em 1815 obteve a c&rta de sua emnn ipação 
politica, preciosa dadiva d'um rei benigno... O Brasil, final- 
mente, que em 1821, unido á n fti-patria, filho tào valente como 
fiel, quebrou com ella os ferros do pioscripto despttismo. . . re- 
corda sempre com horror os dias de sua escravidão reeem-]>as- 
sada... teme perder a liberdade mal f-egurii, que tem lu-inci- 
piado a gozar . . . e receia que um futuro envenenado o precijúte 
no estado antigo de sua desgraça ...» 



— 66 ^ 

« Pernambuco, guardando as niaterias prioQn? da indepen- 
dencín que ]ux>clauiou um díu, mal lorirraJa por Lmmatura, mas 
HÃO extincta, v[uem duvida quo a levantnrá de novo, ae um 
centro próximo de politica a díIo jireuderV 

Minai principim p^^r aUribuir-se um jicdor d»: libera li vo, 
quô tem par fím examiuar oj df^crotoa das CôiteJ fobcrana^ o 
uegar obediência áquelles que julgai- op [tos tos aos eeui i ateres- 
BâB; já deu acce^sos militares; trata de alterar a lei dos dízi- 
mos; teu) entrado, sei^undo dizem, no projecto do cuuliar moe- 
da .. , E que maU iaría uma proviucia que £0 tivesse j^rocla- 
mada independanto ? 

S, Paulo sobejamente manifestou o^ sentimentos livres que 
yossuc nas politicas instrncções que díctou aos seus í Ilustres de- 
putados . , . 

O Uio Graúdo do S. Potiro do Sul vai sigaificar a Vossa 
Altesta H'al que vive poisuido do s^iitimentos idênticos, pelo 
protesto detiSB honrado cidadão que võdes iucorporado a nós 
(^Coronel Carneiro da Fontoura), 

Ali, Sonbor, e será poj^sivel que estas verdades, Eendo tlio 
publicas, eàtejam fora do conlieciraeuto de Vossa Alteia Real? 

Stírá possível q'ie Vossa Alteza ignoro quo um partido re- 
publicano, mais ou menos íortc, existe semeado, aqui e bIU, tím 
muitaa da^ províncias do Braiií, por náo dizer em todas cilas?» 

cOi habitantes do Ria Grande de S, Pedro foram sempre dis- 
tinctos por estes sentimentos (áJelidade e gloria), sentitnentcs quo 
ba ÈPcnlos fíixcm o timbeie ão seu caracter, e que nestes tírmpos mais 
próximos apparecem com toda a energia ao campo èti batalha. 

Real Senhor, foi jjelos interesses da naí^íio e consíqnonte- 
mento pela gloria do soberano e de Vosia Altesía Heal, que esta 
briosa tiibu de luso -brasileiros formou de suas espadas e da 
suas vilas uma barreira terrível para oâ seus iuímigoj, uiuilai 
vezes t;imentada com o &aur;uo doa filhos da pátria, 6 tilo firme, 
tào i nabal íivel, como aquella que cingia a praça de Diu. reba- 
tendo oí ataques das diversas ua<;òea que pretenderam disputar- 
n03 a poase doB Esta dos da índia. 

O Brasil já uito é um pupillo, jd nuo é ura escravo , nílo ó 
o p«Í35 doa A?moneuB e dos Cananeua, expoit s ái lanais do 
primeiro invasor: nós fazemos hoj^í grande vulto no meio das 
uaçtíss da Euro]ía : devemos ser considerados como um povo na 
mocidade das navõe?, possuindo todoí os recursos que formam 
fi engrandecem os Impérios». 

Diante do taes palavras uugtdns de acendrado patriotismo, 
pela sua franqueza, pela nudez da verdade e pela clara exposi- 
i^lko do eitado doa espirifos naquelle momentOj o Príncipe re- 
spondeii: c Como è para bem de todos e felicidade geral da 
XaçAOj eistcju prompto, diga ao povo que fico». 

Foi eito o primeiro passo para a independência. 



— G7 — 

Em 23 do Maio do 1822 foi ninda Jo é Clemente que á 
frente da Camará apresentou a repiesenta<;ão pedindo a convo- 
C£^ào de lima assembléa geral das províncias do Brasil. 

Já então estavA a iudepeudencia em todos os corações patrio- 
ta!, mas D&o na Hng'uaa;em offíeial c solemne ; entretanto o dis- 
curso de José Clemente, a pretexto de salvar a iiniào do Brasil 
com Portugal, era manifostamento conducente á independência, 
parecendo até orna exposição d&s queixas do Brasil. 

Tcve José Clemente parto activa na e> coíba dos emissários 
que daqui partiram para S. Paulo, Minns, Montevideo, ctc, afnn 
do disporem os anim* s para a ]>roclamavrio da independência. No 
dia 10 de Junho é ainda elle que rcuno a Camaia em sessíio 
extraordinária para airradccer a convocação da assombb^a geral 
e para manter a regência do Principe, sendo ainda delle a cir- 
cular às 12 do Outubro para a acclam'i<jc\o do luiiícrador. 

Na devassa que José Bonifácio, por portiria do 11 do No- 
vembro de 1822, mandou fdz-,'r contra «uma facção occulta o te- 
nebrosa de famosos demago^^os e anarchi-ftas», foram incluidos 
José Clemente, (íencral Nóbrega, Ledo, Cónego Januário, padro 
Lessa, P. J. da Costa Barros, Domingos Alves Branco ^luniz 
Barreto, J. J. de Gouvêa e outros, tolos oa quaes tinham pres- 
tado os mais alevantados serviços á causa da Independência, mas 
combatiam o despotismo dos Andradai:. 

Era geral a opinião que os dous irmãos Jo«é Bonifai-io e 
Martim FranciíCP, com o rotulo de libeiaes, eram absolutistas 
como 01 factos da época demonstraram c quo para elles as ten- 
dências verdadeiramente liberaes do Joté Clemente c seus com- 
panheiros eram anarchicas demagógicas e exigiam a mais enér- 
gica repressão. 

Daquelles, muitos foram atirados às enxovias das foitalezas 
da ilha das Cobrai e outras. Ledo conseguiu lugir para Montevi- 
deo antes de ser preso; José Clemente c o General Nóbrega, de- 
pois do algum tempo na prisão daquolla ilha, íoram deportados 
e, uSo podendo residir em Portugal, onde eram crimes os s-ervi- 
Ç08 por elles prestados ao Brasil, foram ]>ara França. 

Quando Pedro I não podo mais supportar o desmedido or- 
gulho e o génio despótico dos dou3 irmãos Andrada cos demettiu 
do poder, foram elles, com António Carloí*, jjôrse á testa da 
opposiçfto e provocaram o golpe de Estado de 12 do Novembro 
de 1823 que dissolveu a Constituinte. 

Foram entAo por sua vez deportados os Andradas e mais 
alguns outros, podendo assim José Clemente e seu? amigos vol- 
tarem ao Brasil. 

Nas eleições para a primeira assembléa g^ral convocada para 
1826, foi José Clemente eleito deputado por Minas, São Paulo 
e Kio de Janeiro. 

Exerceu depois o cargo de Intendente Geral de Policia c a 
15 de Junho de 1828 foi nomeado Minittro do Império. 



'I 



^ 68 - 

Neise Gabinete serviu i d te rins meu te n&s pa^tftB da Guerra» 
Justiça e Fazenda. Sua posição eomo homem politico foi dm nitti» 
im portão tea; todo o bem e todo o mal lho toram attribuidos e 
a extensão doa ódios politti^o» que contra oUe ae desenvolveram 
em diverfias épocâs mostra betn o bou ^raade vaíor como aiocero 
patriota de idéas liberai^s moderadas. 

Esta ci'Ha(Íe dÃq pode ter esquecido que deve ao eminente 
político o abaetecimeato de agua pelo encanamento daLagoiaha 
para o aquedueto da Cartotra e os primeiros pastsoa para o das 
Paineiras. 

Foi elle quem fez renovar o chafíttiz do Cosme Velho, co^ 
nhecido por Bica da Kaínba, construi u oa cbí^farizea da£ Laran- 
jeiras e o da rua He B. ChriitovÂo; m4borou u encanameato do 
rio Maracfinã e abasteceu os bairros de S. Christov&o e do 
Cattete, 

Organizou os serviços do Correio pelo recrulamento de 5 do 
Março de 1829, elevaado-se a renda, que em 1Ô28 fôra de 44:000$, 
a maii de 120:000$ em 1829. 

Como deputado apresentou em Maio de 1827 um projecto 
do Código Criminal que, refundido com outro, deu em 1830 o 
Código Criminal do Império. Em 1834 levou a Camará o pro- 
jíictr> do Código Commercial, elaborado por uma commÍ9»ão de 
que elle fa^ia parte com J. A Lisboa e Igoacio Ratton- Pelas 
actas das seaadea do Senado de 1847 a 1848 se verificará que 
foi elle o verdadeiro suste ntador do projecto de onde sabíu o 
Codiíco Cõtnmercinl que l^mos. 

Logo apóa á revolução de 7 de Ab:il de 1831, os ódios 
nativistas, que já no aono anterior tinham tentado annullarlbe 
a elt^içân, resolveram inutiJiaal-o accuaando-o de ter como Mi- 
nistro induzido o Governo a proceder o recrutamento e ter feito 
encomenda de armamento sem a competente autorização, aendo, 
porém, na sessAo do Senado de 1832 unicamente abãnlvido dessas 
accusaçôes, Nào foi reeleito para a legislatura de 1834 a 1S37; 
conse^uiui porém, voltar á Camará na legislatura de 1838 a 1841. 

No segundo Hiniaterio da maioridade, 2ã de Março de 1841, 
occupou a pasta dit Guerra e teve occa^iãn de prestar maioreâ 
serviços na pr<^mpta repressAõ dos movimeotos revolucionários 
de Minas e S. Paulo, Preparou a termlnãç&o da guerra etvil do 
Rio Grande, consf^guiudo, apezar da opposição de Aureliano Coi^ 
tinho, a nnmeaçd.o do então Barão de Ca^tias para presidente 
daquella província e commandaute das forças legaes. A 3 de 
Dezembro de 1842 foi escolhido Senador pelo Pará, tendo antes 
en irado era líatas triplices, uma vez por Alagoas e duas pelo 
Bio de Ja^^eiro. A 20 de Jaueií^o de 184^ deixou o Ministério. 
Sem. comtudo, abandouar de todo a politica^ didicou a sua acti- 
vidade no exer cicio do cargo de Presidente do Tribunal do Com* 
mercioe de Provedor da Santa Casa de Mifiericordia 

Foi esta, em ligeiros traços, a vida politica do grande pa« 



triote ; Tunoi açora Tel-o como administrador energrico e altiro, 
<« grand« benemérito em obras de caridade. 

Depoii de ter servido um anno como mordomo dos pre-sos, 
ibi José Clemente eleito provedor da Sauta Casa de Miseri- 
4*ordia em 8 de Jnnho de 1838. 

NSo era lisonjeira a si*^iiaçào do pio e*t belecimento nesta 
oecasiào pela defic encia do património, i^endo grandes as des- 
pesas. Taes, I orem, foram os dedicados esforços do novo pro- 
Tedor, qne gradativament • foi o hospital da Santa Casa de Mi- 
«ericordia recebendo utilíssimos m«*lh(riimentos e. o que ê mais, 
Aagmentado o património. E* a&sim que crct-u uma enf^rinaría 
para trat -mento dot tuberculr sos, ])reparou o construiu o cemi- 
tério de S. Francisco Xavier, na Ponta do Chjú, installou ma- 
chinas pa>a lavagem de rou}>a do hoiípital na chácara da Praia 
Vermelha, denominada ent&n Chácara d 3 Visrario Geral, itbastt- 
•cen o hospital com a<niA do Aqueduto da Carioca, r(>tV>rmou e 
«nelhorou o A^ylo dos Expostos e o Recolhimento dos Orphi\os 
« assim, no curto espaço de um anno de s'm benéfica e salutar 
provedoria, a|»esar de |>equeno au«rniento do receita, houve o 
•deficit de 9:657$937. Nà» desanimou o xeloro administrador em 
levar por deante a resolução que toin.úr.i de dotar ehta Capital 
-de um hospit^il modelo que pudesse receber com todo o contorto 
■e eommtdidade os enfermos e ahi rratiil-os tie*;^undo as regras 
-da hv$?iene daquella época. 

Na sesità.i de 30 de Julho de 1838, demon>4trou que o hos- 
'pital, começado ha maia de dois séculos e c nistruido aos poucos 
•e á medida do auginento da populaçào, n«o oile.recia as condi- 
•çÕes de um estabelecimento desi>a natureza nem obedecia aoa 
imprescindíveis preceitos da hygiene hospitalar o eniAo propòt 
-que f>e convidasse a Academia Imperial de Medicina para apre- 
sentar as bases de um novo hospital. E assim a Academia e o 
-engenheiro architecto Domin<>:o8 Monteiro planejaram o majes- 
-toso edifício hoje existente, cuja pedra fundamental foi lançada 
■A 2 de Julho de 1840 e inaugurado dois annus depois uo dia 
de Santa Isabel. 

Disse o benemérito provedor em peu relatório de 25 de 
Julho daquelle anno : 

«Prometti que o anno de 1839 a 1840 nào havia de ser 
«menos glorioso para a Santa ("asa, que o di^ 1888 a 1839; 
-eampri minha p<omes8a, os factos o íttestam: o por diftícil tivera 
410 corrente anno ultimar o de empenho do pro^ramina, que, 
deide o principio da minha adininistraçíio, mo propuz : — au- 
;nientar a receita, reduzir a despesa, remover o cemitério, intro- 
dnsir ag^ nos estabelecimentos da Santa Casa, lançar a pri- 
«meira pedra de um novo hospital, melhorar a easa dos Ex pontoa 
-e o Recolhimento das Orphàs e deixar os negócios em est'ido 
•dos meus successores poderem ultimar a obra de uma reforma 
^eral nos três estabelecimentos, por mim encetada. 



^ 



— 70 — 



Louvemos a Divina Providencia pir ího aa-ií^naUdoa bene- 
ficios ; ag^rftdeçamoa íio Poder Lpgislativo a niunificeticía do suas 
graças; ao goverao de Sua Majeatado o Imporndor o auxilio d© 
seua doimtiv^os; a tão poderosa protecçilo, síiihorea, é devida 
exclu^ivamcittí) a prosperidade a que tem iubido a Siinta Casa 
de Misericórdia»» 

popularmente cofiUecido e admirado pelo eeu eapirito cari- 
doso, Josc Ulemcnto procurava coín rara habiliditdo obter dona- 
tivos para o augraent) do patrímrhnio da Santa Casa, o para 
conse^uil-o rouuia a uoja pacioacia eváiifíelica, o estuda espe- 
cial de faKor-se estimar e tcjrtvar-se int mo, couERlheiro e pres- 
tativo par^i aquellca a quem a sorte favorecera e poder aa&iai 
obter genei^osas doRÇòes para o piedoso éPtabelecimeuto que é 
hoje om padr&o do gloria para a caridade brasileim e o maior 
rofujiio dos dosherdadia da fortuna g^olpeadoa pelan enfermidades. 

Contam, o ainda hoje affirmam alguas de seu^ parentes por 
aBSnidade originalisaimnfl tceioa que empre^rí^a José Clemente 
para con eguir obí:er o augmento do património das institui çôei 
pias pgr elle dirigfidaa. 

Morava no Campo da Âcclamaçào» esqoina da ma do Bílo 
Pedro, no local onde so at-lm actualmente o edíHcio da Prefei- 
tura, uma eenhnra viuva, já edoss, do nome Luiza A vou dano 
Póreira, possuidora de bôa fortun«. Essa senboj a vivia em com- 
panhia de varioa escrav^os e pasmava o tempo sentada em uma 
esteira no eõío, divortindo-so com as traquinadas de suas cnos. 

Joaé Clemente, quaei FCmpre depois do despacho imperial 
na Quinta da Boa Vista, visitava íatdado a velba A vou dano, 
setjtaudo-Be junto delia na mepma esteira e pre[*araudo dous 
cigarros oíIerecendo'lhe um, e aiubos, entre o snborear do fumo, 
dissertavam sobre actos dt^ raridade e de beneficenciaj vindo 
eempre á tona os dispensados aoá infelizes pela Santa Casa do 
Mieericosdift, 

Horta Avon dano, íe*ou á Santa Casa avultada aomma em 
predioi c dinheiro, que tem rendido até hoje cerca de doua 
mil coitt>B. Nomeado tf Btamente:ro dessa senhora, recebeu José 
Clemente a respectiva vintpua qrie montou em íiS.OO $000. Ca- 
sado nessa época em segundas núpcias com d- Eugracia Jiaria 
da Costa Ribeiro, de^iois de sua morte Condessa da Piedade, 
José Clemente, recebi^tido aquella somma, entregon 15:r 00:^000 
a sua esposa declarando t^ue era para os aeus alfinetes. Inter- 
rogado por elfa acerca do destino dos ontros 15:000^00, rea- 
Íi^ndeu que os destinara A crea<,*uo de um asylo. Sua esposa, 
leanto do tao generoso desprendimenlo, cedeu tambera de bom 
grado a quantia, que lhe fora offcrtada, cm fitvor do novo cora- 
mettimeuto de José Clemente* 

Existia na rua do Ouvidor n. 90 um modesto botequim d« 
propriedade de Estevam José de Carvalho, homem abastado o de 
sent mentos religiosos. 



^ 71 — 

José Glí^ínente, Êâbmdõ um dia do S^níiio, aj enu-se á porta 
âo hotequim e^ diríg^indo-se a Ettei^&ni, díssB-lbo Eaber qDa&lli 
se t moTa eicellente café. Dí-pois de servido pelo proprío dono 
do estabeleci meotúf qoe já se sentia liEonjeâdo com o itlu^^tre 
â«gis#*s, Jfsé Clemente felicitou- o pela boa tjaftlidiide da bebida 
e qnasi diíiriamente Tinba servir-se de caíé no bíiicqnim e as- 
sim conseguia captar a auiiBade do botcquiiiciro dci tíil forma 
que, por lan morte, cão tendo berdeiros If ^ou qi^aaí ioda n aiia 
fottuR» aos Hospitaes da Santa Casa e dos Lázaros. O pioprio 
testJizQf^cto lhe forít entregue muito tempo antes |.tlo íeg-alario, 
|»*ra que elle o guardíísao nos cofres da Sanía Cata. 

A fiua tondafíe caridosa iníluia podtrf sí^meute no animo de 
fedes qne o cercavam, de tal forma que couBt^^ia sempre obter 
pciaerosaã donativt^ã para re''ili^fc(;ão tfcâ suus inini'oa pbilantro- 
picoi. Fú do Visconde de GnaTaiiba» seu crmpanb^iro de ad- 
ininiílraçàr, coiiÉeí^uiu elle cerca de 80:0001000 paia o llospi- 
tal« Asy!o de Orpbams e Casa dos Expotto«. 

Tinba José Clemente, ou Jo«é Pequeno, como vnl^anuente 
en coabectdo, o babito do ^>çrcorrer qua»i toda a lua do Ho- 
■arío, onde naquella épcea eram estalelecidos grandes aintnzens 
de roaotimenlõ» e cujos proprietário? eram bomen^ de fottuna. 

Com elles entretinba amigios^g pali^stra^. fornsando as.<-im um 
l^rande Duc!eo de admiradores e amigoí qii«- facilmente o atten- 
áiiijn nos Eeuâ [ledidos, detde o$ dotiativos de «géneros para as 
instituições que admíoistrava alé valiosos emj^reeiimos jecnuia- 
tÍgs para solver comprouiÍK&oi tomado» cm piói desces ingtirutoB. 

Muitiãsímas -vezi-* fòía visto no lIo?pit;^l da Santa Casa fa- 
zend<^ iarsperadas visita», trarendo sajiaus de borncba, para 
nào chaniar a altençjlo doa empregadof^ e i>oder n^úm observar 
le e]k*s cDiupriam cim os EeuB deveres e a^^ístindo em ]ie?soa 
o [ionto df>s o}«rarios do boBpital em eonstruc^ão. 

No relatório que apreientcu como P c-ved^ r reeleito em 
1841, tratando da cbacara do Vigário Geral o dos melboiameu- 
íí» íntroduiidos na lavanderia do Hospital atli tstabelecica« já 
José Oeuititte se preoccupava com a idéa da cresçào do Hos-» 
IKCW de Alienados, noi termos se^intes : 

«Uns V}êo% estes benefícios maleriaes, jHir muito valiosoi 
que aejam^ são poucos comparadci com nntros de mais fubído 
valer que a metma cbacara está j^restatido. Visitai -a, «enbrrrs, 
e encontro rei^ consolação cm ver allt em plena liberdade, res- 
|iímndo ar de vida, a muitos infelizes alienados, que mezes an- 
tes jaziam encerrados dgs acanhados af escutes que a n* e-a |iie* 
dade podia efi*»rfcer á sua d ef graça! Ide, e lerá maior o nouo 
[irazer, quando enc^intrardes no» regiitros da Casa o ncme de 
ãl|:«ni que alli recobraram o ««u juizo jicrdido e vivem hoje 
rectiiuid^s acs braçrs de lons famílias! 

E ew, seiíhores, a esfe prazer que já ^abcreío, n-uno o de 
ver realizados os meus presrntimentos rtr velados no rela u rio de 




— 72 — 

1840, naf segiiin^eâ palavras: «e nào sm que espirito de pre^ 
TÍdencia me inspira! A cbacara do Vig-ario Geral lia d© um 
dia couverter-se em Hospício de Alienados*. 

Uma vez, na villa do Pirabj, em miesAo politica, pensando 
na fundai^o desse hospício, solicitou esmolas para o novo insti^ 
tu to de caridade, c o na e guindo obter 2;0OOfOCO. 

Comf^çadftâ as obra^ do ho&picío, José Clemãntef que tnorâ* 
va na raa do Cattete, na cbacara n. 107, de sua proprÍedad©j 
boje tra II a formada em grande parte pela rua Buarque do Ma- 
cedo e par novos prédios, sabia da casa todoA os dias, pela ma- 
T)ban, a eayallo, acomi>anbado de um pa^em, afim de visitar aa 
obras do bospicio, o Hospital da Ba n ta Casa e roais dppende»ciafl. 

Uma occaaião o Imperador D. Ppdro II viáitou o edifício do 
hospício em constru^çàn e (fb-servou s Jo!*é Cleméute que o pór- 
tico da entrada era estreito e af-anbado, José Clempnte caloa-sCp 
e, á cusita dos s^-u* próprio* biveree. mandou demolir o pór- 
tico e con truiu outtn, gaEitando de seu boUo quatitia superiora 
100:000^000. 

Achou outra vez o Imperador grandioso de maie o ediilcíú 
para o recolhimento, que havia, de alienados. O benemérito 
fundador do hospirjo repH^rou que elle era ainda pequeno para 
conter os douíos que ainda existiam fora delle 

Foi acerbamente^ cRosurado por ler induzido o Governo 
a concedí*r titul s e condecoravôesj com n fim de obter o 
dinheiro n^tcessario para as ohr s do bof^picío, maa elle dizia 
qu"! era obr^ meritoãi fazer utn b^^spicif» para os loucoâ pobres 
com o dinheiro dn;; ricos tolos e qu'^ oê barões e co m me nd adorei 
morreriam, mas o bfií[»tCÍO havia de ficar. 

Servia Jo^é Cleinen^e na provt^doria da Panta Casa c rca 
ÚB 16 ftnnOB, prostrado nesse cargo os mais alevantados eervlçtí» 
pelo seu iLi^enio iniciador, pAn sua actividade e íotelligencía, e, o 
que e maíii, pela Kua furça de vontade e resoluta p«?rát^veiança, 

Posauia Jasé Clemente duis fazendas denominadat das Cruzes 
e Santa Eugenia, em Vassouras onde tinha perto de 400 es-* 
crdvo*. Nào admitrindo fllle o concubinato doa servos, eram 
casados a mnior pirte dt^lles. A cadn mãe de sete crias, conce- 
dia elle a carti, d-^ filforria. 

Trajava José ' lem<^nte sempre de preto, usando presilhas 
nas ca'çaà e chapéu alto. Em ca^a seu vestumio era sempre 
de brim branco. Parco nas suas refeif,'ões e em excesso temjie- 
rante, tinha genio alegre Alliado a especial affabilidade dé trato. 
Em sua residência, quando de^occiípado, coi^tumava passear com 
as mãos nas costis e todas &^ noites dava a dua» netas de sua 
esposa a- Regras de Cimliàade que eram lidas ora por uma ora 
por outra em voz alta e com a sua assistência. 

Depois que t' das as pessoas de casa &e recolbiAm aos sem 
apcsentos, José Clemente dedicava<-se ao estudo da pa^K^ia e ao 
trabalho até aita noite. 



— 73 — 

Nanca tivi^ra filhos, havendo ca«ado duas vezes, sendo a 
primeira com a sra. d. Thereza Mariana de Oliv^-ira Coutinho 
e a lefpioda, como referimos, com a ara. d. Eri^racia alaria da 
CoBtft Ribeiro. 

Na tarde do dia 10 de Março do 1854 acompanhara José 
Clemente a procis9&o qne sabia da e^reja dos Carmelita-^, con- 
dnsía a imagem do Senhor dos Passos para a e^roja da Mi>i*ri- 
cordia e correr os ^ete passos inf-tHl!adcs em oratórios no perí- 
metro d4 cidade, com a sua opa de irmAo Ha Santa (?;isa e a 
sua vara de Provedor. Dí^pois da proci.3sào visitou com >ua fa- 
mília uma das pessoas de t-uas rel.KÒ^-s e diritriu-se para a «^ua 
residência á rua do Cattete 

Seriam 11 horas da nf-ite quando d«» df^ntro de sí'U i|uarto, 
de |>é junto do leito, ]»ediu um copo com airua. declarando sen- 
tir falta de ar. 

Pressurosa, soa esposa correu a acudil-o, m.i> ao rcírrcs^ar o 
encontrou morto, «*ahido í-ohre o leito-, uma apo]iIexia fxtiniruira 
A vida do grande prócere da no»>a independência, do beneiiicrito 
e caridoso fundador do Ilospicio de Alienados. 

Jifsé Clemente, qne tanto h 'urou a li uman idade <* tanto 
trabalhou pela pátria, jamais quiz aceitar tirulcs nohili^lrohico8 
que lhe foram offerecid^jo, por-^ue, dizia elie «tenlio o iionn' liu^ado 
á hirtoria do Imp-rio e tífWa não quero apitral-o». 

Logo depois da sua morte u Imperador Pedro II fez pu- 
blicar as seguintes reso}u<;òe8 : 

«Ministério do Impei io — Decreto — íj-uerendo dar um jiublico 
testemunho do meu ]iarticular apre<:o e imperial rfcunlictrirnonto 
aos mui relevantes serviços pre>ta'os ao K-tado pelo fallecido 
Senador Jo^é Clemente Pereira, h^i por bem nomear Condensa 
da Piedade á Sra. D. En^racia Maria da Cesta Ribeiro, viuva 
do me»mo Senador. 

— Querendo Dar um teste r uilio Pes^o:*! do aprero rm que 
Tenho os serviços prestados á hum^mi^lade jc-lo fallejido Provador 
Santa Casa de Misericirdia. José Cinim-nte Pereira: Hei yr bem 
qne pela Mordomia da minha Imperial Casa s>í m^tndc fijzer a 
sn* estatua, que será colocada defronte da Minlia. na ^^ala do 
Hospâcio do Meu Nome. Jo^é Maria Velho da Silva, do Meu Con- 
aelho, e Mi-dormo interino da Minha Imperial ^ asa. o v uha en ren- 
dido e cumpra. Palácio do Rio de Janeiro, em treze d-* M«n;o de 
mil i itocentos e cincoenta e quatro. triir»-5Ímo t»rc-iro da Ind'*pen- 
dencia do Império e í^'om a rubrica de >u i Maj<»>tade o Imp» r-id<.r», 

A imprensa da époja rapidamente tratou do fíille.;irnenlo do 
preclaro cidadão e só no dia 12 deu e^ta noticia o Jornal do 
Commereio 

« Faleceu ás 11 hoas da noite de sexta- feira pn-ximo pas- 
sado o sr. Conselheiro de Estado Jo?é Clemente Pereira. Sena- 
dor do Império |iela provincia do J^ará e Provedrr da Santa 
Cata de Mijerieordia. 




— 74 — 

Na dia 13 publicou o sfn-uintc: «O Sr. Conselheiro de Es- 
tado José Clemente IVreira foi 8e]iiiltado liou tem no cemitério 
de S. Francisco XíiTier, cora todas as honras devidas ao aeu elô- 
Yftdo cargo. 

O préstito foi o maior de que La lembrança nesta Corte. 
Era nm ]>re&tho de gratidno.* 

No diíi 15 ainda o Jornal publiec-n mais esta noticia en- 
IrelinliAdn e sem litnlo : 

mS, M, o Imperador querendo dm- publico teetemnubo do seu 
partcular ajireço o imperial reconhecimfnto aoa mnilos ícryiçoa 
prestados pelo falecido Senador José Ckmente Pereirn, houvo 
por brm conferir, por c^ecieto da data do hrnfeni, á Fra. D. 
Eogrâcia ílíivia da Ccsfa Hibeiro Peieíra, viuva do n:eEmo Se- 
nador, o titulo ãç Condes; a riu Piedade. 

Ás espie snes cora q\w S. Jí. o imperador se di^rnou re- 
conhecer os letviços que ^j ilhistre finado prestou ao Estado , 
acharam í^cho no eojn(;rio de tidos os Brasileiros, 

Por decreto do me* ma data ordenou S. JL o Impi^raiíor que 
pela Mordomia do sui cnsa mandíi&sB fazer a eàtatna do Sr^ Jo- 
sé Clemcnle Pereira para ter col locada na tala do Hospício de 
Pedro n, defronte do mesmo Aus^usto Senhcr, 

Si ffi servirna jirestãdos á humanidade peio Provedor da 
Santa Císa da MisericorJia, de qne é aqnelle hospício um doa 
mais hrilhantes padrões, deram ao Sr. Jo?ó Clemente Pereira a 
mais elevada posiçrio no conceito e nas afieii^ões doa Brasileircii, 
nho pndiam scrmenís npreciadcs peto m(>narcha qne ness^as mes- 
mas virtudes achou o melhor predicamento da majestade. 

(Quantas ve^et o pensamento de alta munificência do impr- 
radnr teve por interprete, por inatrnmenio da sna acçào, esfO 
homem cuja memoria vae act niji^nhada daa bênçãos de ttdo^ os 
infelisíes 1 

Assim no grande monumfnto consagrado no iiliivio da maior 
das enfermidades dos homens, a pr^terídade verá a eãiatua do 
sr, D. Pedro 11 col 1 ceada por e&forços e deligeneíaB do Prove- 
dor Josi* Ciemeíito Pereira e defr nito delia a de José elemen- 
to Pereirft, mandada col locar pelo Imperador D. Pedro II. E a 
posteridade bem dirá o dia em que a beneficência do throno as- 
sim galardoava a beneficência do súbdito.» 

Pei a ilida José Clemente am dos fundndoixs do Ingtiiulo 
Hiatoricn e Geo^^^rapLico Brntileiroi eocío da Sociedade Auxiliíi- 
dora da Industria Nacional e ícu presidente for niaiã de três 
annoB. Era dignitário da Ordem do Cruzcjro e grau do digui- 
tarío da Hi^sa e foi ncmcfido conselheiro de E^tndo em 14 de 
Setembro de 1850. 

A estatua de José Clemente e de memore o aehn-se no 
Hospício de Pedro II, lecdo o ti&hnlho aTtÍ£tico do esculptor 
Fettrich. 



— 75 — 

Ejicerramaa este modesto preito de sdniíra<;ao o de resjieito 
 memoria ão úluttrQ ]iatriota e philanlropo eidadAn, ]jublii;an- 
do abftixo, noi docnmenta de ftaa lavara cujo oiigiual g;uArdnmoB 
coiDQ preciosa reljf|ui^. 



O MiNiSTEr.To ncs Sus. Akdrabas,— Por decrelo de IG do 
Janeiro de 1822 foi nomeado Ministro dos Neíí^ocioa du Reino e 
&lra oleiros o Sr. Jom Bonifácio do Andrada e Silvn e pov 
decreto d« 3 de JiiUio do meamo mino íoi nomeado MinUtro da 
Faxenda o Sr. Martim Francisco Ki beiro do And rada, seu innííc» 
Net^buDs outros euiravam tta administração debnixo do melLo- 
re» ãUFpicioB de opinífto publica, qiic um e outro ^^oKivani em 
grio BU|ierÍor de saber e pritrioti^tno, principalmeuiti o primeiro. 
£ra seg^uramente eato o único homem npoiítado cntíio como pos- 
suidor das qualidades uecesaariafi para dirigir a revõlufcâi f"^' 
qnc ao prestijiío de «na popularidade^ necessária a tridoí os Mi- 
nistras em todos o» tempos, e com muita especialidade cm crí- 
fea revolucionarias, reunia va^to laber, imaginiçHo vivn, activi- 
dade aem iiíttnl e intrepidez remarcjJveL 

Todas estila qualidadoâ desenvolveu durante o tempo da sua 
ftdmjn is trairão, com geral conceito e apjdauEo ; assim rlle tives- 
se pfs-uido ao mesmo (empo a de ser impenetrável m su;reBtôes 
de g-eutís iutrigantef, que apodernndo-Be, por desgríiçí», do in- 
terior da sua cnsHi Ibo íiturdiram os ouvidos com es ímprecn<,'oe8 
de que se maquinava contra sua pefsra e Governo, o que nun- 
ca eiistio. Daqui nasceram es imssos errados que eclipsariun a 
floria bem merenda deste velho venerando, di^no do meíhor 
sorte í Patriarcba respeitável da nossa reííenera<.'rio política, cujos 
serviço» relevantes o Brasil nunca Baberá desconhecer e a que 
a postei idade fe mostrará nmis agradecida do quo os seus coa- 
teiaporaaecs o tèm feito. 

Entrou o Sr, José Bonifácio ra crise mais assual adora por 
que esta cidade tem passado. J^r^íe de Avellar íicabava de in- 
subordinar -se A testa da Divisão Auxiliadora do Portu^íalj na 
ooite de Jl de Janeiro^ oscandal zada da uobro resolmjíio que 
S. M. o Imperador, entí\i Frincipe Rpf^enle, havia tomado uo 
dia 9 do mesmo me^ de iicnr uo Brasil. 

As enérgicas medidas do mesmo Ecuhor, secundadas pela 
aUitude guerreira que aa tropas brasileiras e o Povo fui massa 
deetn Capital dcBon volveram, no dia 1"2 o seguintes, obTJgaram 
aqtiello General a embarcar com oa seuí soldados pítra a Praia 
Grande, iías isto uao bastava: era necessário ohrígal-ca a 
Aahir para fora do Prasíl. Isto se conseguiu com eiTeito;enâo 
»e pode nep^ar que osta ncçiko heróica foi devida á energia e 
intrepidez do Principe Regente, como é de todos bem Bnbido; 
mas esta só niio fora bastante se o Sr. José Boniraeo ufto esti- 
vesflo á testa dos negócios, c os nào dirigisse com acerto, Eem 



r 




— T6 — 

flue por ias o qneirântús ne^xar ^-loria d is ti neta ao Ministro da 
Guerra o Sr, Joaquira de Oliveira Alvares, que nesta ocfasi&o 
ibe coube, pela actividade e baa disposiçào de suas medidaa« 
Aqui temos um acto grande deste Ministério, que é neeessario 
l<in<;ar na conta das snaa obraa boas. 

Seja o segundo a ereaçào do Conselbo de Pro curadores 
Geraes das Províncias do Brasil por decreto de 16 de Fevereiro 
de 1B22; medida politica e acertada, que lançando os prlmeiroi 
fundamentos da no&ea representaçAo nacional foi preciosa pedra 
tman que principiou a atrahir toda^i as proviíicias a um centro 
sem o qual a divisão houvera sido inevitável, a Ii^dependencia 
teria sido senão im pratica vt^l, pelo menos mais difâcil de obter 
e enlutada de muito sangue, e o Império aparecia Urde oa 
uuncíi, como era maia natural, Graça-a portanto ao Governo qU6 
nos preparou tào g^rande bem, o poupou a tantos males. 

Para que tudo fosse rápido na cau^a da Independência, o 
decretí> de 3 do Julbo deliberado no Conselbo dos Procuradores 
Geraes, e referendado pelo Sr. Andrada, preparou o primeiro 
passo para elle» on s^ja antes o secundo, porque o primeiro foi 
oa nossa opinião o majestoso acto de 9 de Janeiro. Convocada 
por este decreto uma Assem bláa Geral Conaiituiate, segura 
íicou dosde logo ao Brasil a certes^i de qi^e ia ser independente, 
e possuir uma Constitui<;ào ; assim se verificou com effeito e a 
quem í^e devrem estps dous bens? Sem neijarmos o primeiro movei 
de pbenomeuoa tào espantosos peFa rafddez com quu se obraram 
á força da Of^iniáo dp todo o povo brasileiro que se pronunciou 
a uma aó voz, com força soberana e irresistível, cumpre quo 
tributemos ao Governo o d «vi do reconhecimento pela sabedoria, 
pratriotismo e exaltado liberalismo, com que soube obedecer a 
easa mesma opiuifto, aproveitar-ae delia e dirigil-a para pro*^ 
peridade do Brasil. Menos vit^ilancia no Governo, se eíle tivesse 
tido menos patriotismo j ou illibera! os espirites que se exAka- 
vam com amor pela Independência e Constituiçáo, houveram 
tomado outra vereda. Graças pois ao Governo que p«flo acerto 
com que dirigia o leme da náo do Estada nos levou a porto da 
salvaçjio . 

Oâ aentiroentos de Independência enchiam os corações dô 
todos Qs Brasileiros, os a^rtos precedente? imminentemente na— 
cionae» a iniciavam preparavam e annunciavam; mas ninguém 
ousava levantar o gj-rito! 

Esta gloria estava reservada ao patriota fundador do Im- 
pério, e devia caber á provincta de &« Paulo a invejada dita do 
ser a prc^vincia que da Sua Hea] boca ouvisse o delicioso grito 
— Independência ou Morte— que fosse a primeira que o repo* 
tisee, e que também fosse a prinieira que levantasse a voz do 
acclamaçao de vivas ao Imperador do Brasil, premio bem mere^ 
eido de quem teve o patriotismo de ser o primeiro qao procla- 
mou Independência ou Marte. 



— 77 — 

Ot nomes de Pedro I, Sete de Setembro, Campos do Tpi- 
tanga e » par delleB o de Paulistas, serào eternamente iiisepa- 
laveii nos aanaes da Independência! 

Nós nos eialtamoB sempre que nos detemos em os considerar; 
• olhamos com respeito para a província de S. Paulo, porque 
nella divisamos o entrincheiramento da constitucionalidade, sendo 
altamente glorioso para ella que tenha produzido varões cxcel- 
lantes no apreço e defesa da liberdade re<*>rada, sem a nódoa de 
demagogi*mo, no valor com que em todas as épocas tem enno- 
lirecido a pátria, quando tem &ido necessário voar em seu si ccorro 
com as armas na m&o, e por sua Lunca manchada lealdade aos 
■ens Soberanos 

Perdòe-se-nos a diji^ress^o com que, involuntariamente e sem 
o sentii, sahimns fora do nosso objecto: m'>s ha certos incidentes, 
inseparáveis dos actos principaes, que merecem ser tocaios, e 
nenhum mal ha em se tocarem : nós tornamos a entrar em matéria. 

N&o podia escapar ao génio creador do |>rirceiro Ministro 
do Brasil, que, declarada a Independência, principal ponto a que 
caminhavam snss vistas, era necessária a acclamnç&o do Principe 
Regente: este passo cortava todas as vistas de espera nçH que 
Portugal ainda pudesse ter sobre o Brasil, e destruía ao mesmo 
tempo quaesquer idéas desvairadas que al<>:uma província por- 
ventura pudesse ter, e é fora de duvida que com offeito tinha: 
era por con8<>quencia necess^irio. Entrou, pois, ufsta empresa, e 
fiíeil lhe foi levai -a a bom resultado, porque os animon estavam 
dispostos. Zelosos patriotas uniram-se ao Ministro, dispuzeram- 
se as cousas, e verincou-se a acclamaçfto no sempre memorável 
dia 12 de Outoro de 1822, em sein provin:;ias a uma >ò voss, e 
i mesma hora, e todas as outras fízeram outro tanto, immedia- 
tamente que puderam 

Na nossa opini&o esse passo preservou o Brasil de grandes 
males, firmou a soa independência e apressou o reconhecimento 
desta. E porque a gloria de uma grande acção é sempre do 

reral que a dirige, embora seja verdade que na acclamaçào 
Imperador tiveram distincta ])arte muitos homens patriotas e 
o povo todo que unanimemente a queria; ninguém ousará negar 
ao Ministro que a presidio o lugar distincto que nella teve, e 
que fes nm serviço relevante á sua Pátria. 

A ordem natural do seguimento da causa da Independência 
obrigou-nos a alterar a recordação de diversos actos im])ortantes 
ane simultaneamente illustraram a marcha patriótica, sábia e activa 
do Governo. Todos sabem a actividade que se tomou contra 
Portugal e ocioso será recordar a guerra que do Rio de Janeiro 
se fez ao Madeira e ás suas tropas na Bahia. O maniiesto do 
Príncipe Regente aos {>ovos deste Imi>erío, datado de 1 de Agosto 
de 1822, e outro aos Governos e á^ nações amigas, com data 
de 6 do mesmo mez, sào peças que muito honram aos t<ous au- 
etores. O decreto de amnistia pelas passadas opiniões, de 18 



— 78 - 

do Setembrí», ordenando no racsmo teirpo o distinctivo— ^Inde- 
pendência ou JtoriGí— aJoptndo pelrj Frincipo K€'gent« noa campos 
do Ypirnn-^n, r^ mandando saliír oe» dissidente?, ocSo foi nílo bó 
do patriotiâmo, mas de génio m^iit^ politico, b 8 rafazejc» e liberal. 
Outros do meàmo ineK quo d esi fanaram o topp nacionaí brasi- 
leiro, deram ao Br-sil ura escudo do nruiss e unidaram a cór 
das fardiis do* criados da Casa lm|>crial, sào piovns nada equi- 
vocofi do génio tilo nacionnil como creador do Ministro que os 
refíjrendoti . E pnra quo ir mai^ linge? O ijue fica dito bíistíi 
para formar o conceito do quo o Governo em 1823 fez Berviçoa 
notaveiá ao Bríisil, que osto nunca deío eâquecer* 

Os míiiâ membros do Ministério t abalharam de nccôrdo, 
mas nS-o tiveram por sua posiçào lugar oppoituno de sobresa- 
birera^ Mna nAo é bom que deixemos de fazer boiírr^a me- 
moria do sr. N^iíbrep^íi, que eo ffK djstincti pelo &ctt amor dos 
príucipios coiiBtiluciouaes, nem do sr, Caet uio Pinto Montenegro, 
depois MarcjuPK de Villa Keal da Praia Grande, eiu quem re- 
aplaudeceu Eotatiro amor de Justiça e bem fazer. 

O sr. MRvtím Francisco illu^t-^oii o seu Jlinisterio, pelos 
principio» sem exemplo q^ira de^seuvolveu da mais stricta eco- 
nomia na despesa doí dinlieircs públicos, e esmiuçada fiscali- 
Kaçfto da receita; qualidades tHo estflsqaeuem os aeiis inimigos 
lhes lí^m gabido negar, c ellaa fuKem na noí-ea opinião o maia 
soberbo elog^io que o maia perfeito administrador da Fazenda 
pode deEefar. 

Âtú aqui a ponua noB coneu bem, porque njlo tcvo senào 
actos ^randoí que deacroveri de prosperidade para o Brasil o 
íjloria para o Governo ; o uosao uatural propendo para dar credito 
o nome, e iiílo o tirar a uig'uem'. oxalá quo aempre o pudeaae- 
mo8 frtzer! 

Mas o credito njesmOj e bom n>me do Governo, que dese- 
jamos estabelecer, exig:era de iíóí o aacrificio de ufto poupar na 
seus defeitos: ftomea forçados portanto a virar o quadro dy 
outro lado, e vamos di/,^r os mfllea, que o Ministério dos srs. 
Aiidrudas fez no Brasil^ e o qu© é rnesmo em seu abono, pris que 
tomados com os bons, se ba de lirar em resultado, que estes 
foram excessivamente maiorep, e que por con&equfincia este Mí- 
nÍÊteiia íVi cxcelJente ua parte bôa e uào tílo raáo na parte má, 
como querem os seiía inimigoi, e que oa serviços por elle ÍLitos 
ao Brasil, embora eclipsados por algans erros, nunca devem por 
este ser esquecidos, A íajçratidfloé defeH^ g-ave, o feio, muito 
commum nos Povos, que silo faceia em olvidár-ao dos serviços 
que 8© lhes fazem; maa que o Brasil, por ser generoso, e leal 
por eiccllenciaT poisme om tneuor gráo^ graças ao caracter nobre 
dos Bcui filboi 1 

A bistorta das revoluções nfio apresenta uma só quo nSo 
tenha aido enlutada com o vexame das perieguições : eslas çao 
mesmo da natureza da^ cousa?, e de tooos os Gi> verãos qne as 





- 79 — 

levolaçôes tirêani; o Brasil é síim dtivíd*! o que padeçeii menca. 
Sempre qm^ fo rompem os vinculoa BOCiaes egitaiii-fie oa tspiíitaa 
dtí todo o [tova^ a» auctoridadfís |j(*rdnni sua fijrça, o aa reèlatencifls 
aa sii%s orden* sio inevitáveis. Lembrados dos nbiisos do Governo 
queacAbi, é jii tirai ncs súbditos o roícii), r a doícouíiaiiçíi d« quo 
ti novo Governo 09 queira rt-stabelecdr, todí>s 03 actoá dcâtG llie$ 
pareecítn ftiroulados, e com:» tendentua a este íim: qualquei* me- 
dida lí olbíidii como potto ]íropria da nova ordem das tou&aa, 
Iodas vêai esta; ao aeu moio, e eiteaiem que o Goví^rno as 
Yè tnal, tidos desejam que a$ reformas èo ojierem cm uru luo- 
meníOt e que a prosparidade ap[tareça ãa repente, t ído5 ]iâra 
dizer tud<j d© uma èò vez quprem a rrfarma na eafiAi dos outroSi 
m49 nenhum a quer na siia, D;iqui ii:isce a falta de couíiáuça 
no Governo, reciprocamente a falta de confinn^a dc^tc noa go- 
vernador. 

EJe marcha poi tanto sobre um terreno pouco srg^iuo, qual- 
quer pequena opprisiçào o asausta, e como não está certo do seu 
p der, vè-iô obrigado a ap iar-se no partido que Ibe parece 
maia favorável; o perfipgue os qae se llio parecem oppôi\ c nis- 
to é íacii o CD^^anar-SBj porque aquelles qun lisonjeixm o Po- 
der fiâi oídlnaríamcnte t& mais Ínrapa?.e3 do o sustentar, e os 
que lhe fazem opposjçAo, si esta nEio exc de oa limites do juato, 
*ào o seu apoio maia seguro, Bcmiire qua ctle queira ter juàto, 

E' a esra ordem natural das cciisaa, e a seus effi-itrfi ne- 
cessários, que noa sempre attribnímos as perápgui^õfa que da- 
unte o Ministério dos ars* Ândradas^ maia do que em nenhum 
eutro, afflígiram o Braail. 

A ncimcaçAo de um commandaníe ias armas da [»rov!ncfa 
do S, Paulo, que não merecia a ccn fiança dctta jirevitscia, me- 
receu nlli oppOíiçAo o deu legar a alf^uitias desordi ns. O Mi- 
nbíerio quiz tustentar a sua nomeação, e para renovar memoria 
de f cenas desagrada veia, eata opposiçáo, a^^fíravada por outro 
a:io de inEubntdína<^llo, que antes havia nbri^ario a sahír do 
governo proviforio o sr. Siartim Francisío, deu lo^Çíir a tlevassas, 
prisões, © ejcterminioÊ dtí muitas pessoas acreditadas na pri.yitjcia. 
Neceifario é rcconbccír que estas re, elidas reBistencias ao g^o- 
verno estabeleceriam um mau precedente, eÍ ficassem íin punidas, 
B que o rrceio de que tomassem corpo, e so repetissem cm ou- 
tras provinc^as devia assentar o ^linisterio t ma* também é uma 
verdaie, que este devia attender, qne nos achávamos no ]'rin- 
cipio de uma revf<lui*fto, que nilo esta vários ainda constitnidoa, 
a quâ eltc deu causa a rcpuUa que se lhe (gz do cinutuandauto 
dii armav, nomeando mn homem que a província não queria 
lec^her : e?to acto que em tempos ordinarics ú um erro, nao 
podia deixar do o aer aínda maior em uma crise revolucionaria. 

O ca?o é que toda a proviocia de S. Paulo se pox da par» 
tê dos perrCguidcE, e logo que a noricia das perseguições che- 
gíiu ao líio de Janeiro, a opinião publica se unio ao sentímeu- 




— so- 
ta dos paulUtaBf e aquelles acharam noB Flominenii^s valentes 

advogados díi sua cansa. Ctimpria aos era. And radas retroceder 
e serem os iirimeiroa que ao Hei ta»- em a susta<^Ílo dos procedi^ 
mentor de perseguíçÃo encetados na sua província, rnSB por 
mofino, tilLo sõ o não íizeram, mati até consta que levaram mui* 
to a mal o 2elo do alguas procurad* rea dn provinda, que boU- 
citaram e obtiveram do Príncipe Reí^ente o primeiro decreto de 
23 de Setembro de 1822, que mandou ficar em eterno esqueci- 
mento íi devasm tirada sobre os acontecimentos do dia 23 de Maio, 
Sodendo reverter livremente para suas casas todos aqueUes que 
ellna por esae motivo se liavíam ausentado, e pondo-fo era li- 
berdade 03 que estivessem presos, que foi substituído por nutro 
da me^ma data, com supprpssào da claui^ula de se poderem re-* 
verter ^ara suas t!aaas os qu^ del!as se tivessem ausentado. 

Alg^uem touve entfto, e lia ainda hoje, que quiz atrribuir 
taeij procedimento^ a motivos de vinganças particulardã ; mas quem 
fôr impnrtsial ba de reronbecer que as rfluòes de Estado aconse- 
lhavam que se nào tnlerasâcm as resistências que appreceram na 
província de Sâo Paulo; e querem<is por consequência attribuir 
a erro, e nào a crime do Ministro qualquer excesso que oesta 
occastão commetteese; todavia, estes f.ict;o3 ainda hoje nào es- 
quece ram aos Paulistas, que muito desempenhara a ri^ca o rifào^ 
qui^ chama Paulbta a quatquRr hornem firme na opinião, ou pro* 
jecto, que uma vez firmou, 

E tanto mfli- pfttamo^ disto convencidos porque souberao-i a 
ease tempo de bõa parte que o Sr, José Bonifácio se deixou il- 
ludir com falsas ínfurmaçòes que t(^v(i de qu^t na provincia de 
S. Paulo existia um partido quo trabalhava [}or unil-a a Furtu^ifal, 
Tozes que elle nunca devera acreditar, por conhecer quanto 
isto é repugnante ao caracter nacional dos Paulistas; mas i^to 
confirma que houve erro e nfto maldade. 

O Kío de Janeiro teve também suas victímas, effeitos ne- 
cessários da época e da facilidade que o Sr, José Bonifácio tinha 
de dar ouvidcig a intrigas, álg^nns nescidos em Portugal foram 
mandados sahir jiara fora do Império, sem porocesao; muitos sem 
duvida o me rf ciam, senão porque maquinaram para obras contra 
a causa do BrAsil, ao menos deram lo^^ar a suel^^eitap, mais ou 
menoà bem fundadas por suas palavras indiscretas . 

O que, porém, ee u&o pode perdoar ai. Ministério dcs sfp, 
Andradfts é a cabala de 30 de Outubro que perseguío homens 
decedid* s pela causa da Independência e da liberdade, qtie muito 
tinham ajudado o Ministério no desenvimento dos meios que se 
empreitaram para tào patrióticos fins; e maia que tudo magoou 
o Brasil uma pnrtaria que se expedio, mandando devassar nas 
províncias de Emissarioa que se diziam ter hido daqui enviadrs 
para proclamar uma Hepubliea, nào tendo ellea recebido outros 
que não fossem os que eraproheuderam penosas viagens ás mesmas 
províncias nas patriótica missào de promover a Indepencia, 6 



— 81 — 

a aec^amaçfto do Impeiador, antorizndas por portarias. p»&8flporte8 
do Ministério, e com inteiro conhecimento delle. Este pncoH- 
mento desU ai, despótico e de má fó nAo podia deixar de encon- 
trar grande resistência nos ânimos dos habitantes destH Capital 
e das provineias ;de facto a encontroa, e quando a prudência di- 
ctava que o Ministro retrogradasse no seu pa^so errado, obstinado 
cm sustentar a sua obra, encheu as prisões de centos de victimas 
innoceutes. Os gritos de tantas victimas innoceutes checaram 
los ouvidos do Throno, e a demissão dos Srs. Andrudas toruou-se 
inevitável. 

Os homens iorparciaes conheceram lop^o o ciúme de que 
alguns cidadãos notáveis por seus serviços á causa da Indepen- 
dencÍA e da Corstituiçflo pudessem lançar os srs. Andiadrs do 
Mini&tf rio, foram a causa que motivou et» ta per8e{;ui'ià<) ; o 
processo que depois se formou e ])ub]icou, jiistiticou este juizn ; 
ptrqu'^ a maior parte das testemunhas denim como razíto de 
seus ditos, que os perseguidos falavam ma\ do Ministério dos 
m. Andradas, e aspiravam os seus lu^an s. A qun nodoain por 
gloria, e qu9 a nâo ser elle, o houvera conservado ]» r muito 
tempo no Ministério, onde houvera continuado seus berví(;< s e 
le teria opposto a tratados e empréstimo. 

Mas esta é a ordem das cousas humanas, e a experiência 
ensina que em revoluções os que se mettem aredemptorts t^em- 
pre morrem crucificados. 

Temos lançado em conta do Deve e ILiver do Ministério dos 
ira. Andradas os bens e os males. Aquelles silo, darem ao Hrasil 
a BUA Independência e a convocação dn ^ua assembléa constituinte 
e m occlamaç&o do Imperador : os mnles. a iierseirnição de al<j:u~ 
DM pessoas. O saldo é a favor do Ministério t. do <r<>'eino. 

Um dos males de graves consequências, na nos!>a opiniAo, 
que este Ministério fez ao Bntsil tbi o s>«tema que estabclecfu 
de ajustar tratados de commercio com todas ar nações da Ku- 
lopa reduzindo todos os direit»s de importação a 15 "/o* 

cEbte prineipio fci funesto para an noswas finan(;as e ainda 
mais prova- o opinião de muitos ])ublicÍEtas e economistas». 

Esta parte no orij^inal foi riscada e Kilstituida j^ela sefrniiite: 

Este sjctema funda-^e na o])inião de eccnomistns, fui da-so 
no principio altamente proclamado de que quanto nieiiores 
forem os direitos que os géneros pagarem na sua entr;^da tanto 
maio ha de ser a concurrencia e os rei-dimentos das alfandegas 
devem por consequência crescei prodigii sãmente. Não negann s 
eite prineipio. a experienciA o tem sanccionado nn ]>nitica e o 
rendimento de nossas alfandegas tem com effeito crescido. 

Mas qual tem sido o resultado? A introducçfto qua>i rápida 
e espantosa de um luxo assollador que dessa é^oca em deante 
tem apparecido entre nós e que nos vai levando á sepuituui e 
o desapparecimeuto de nof-sos metaes preciosos, outra causa effi- 
ciente orna desgraças publicas que sentimos. 



r 




^ 82 ^ 

*Âbertfls AB poitAS» 

E^tAB palíivnis foram riscadas continuando o perlo Io na 
segui f« te fornia ; 

«Facilitada ao eatrangreiro n introducçào de todoa o» jçeneros 
de sua industria, com fi reducçâo dos direitos a 15 7„i ^lóa vi- 
mos loírí> esta capital inundada de objectos de meto e flacandíi- 
loso luxo; n sua barateza facilitou-lbta o consumo, a í^icilidade 
desta animou novas importações, e em bre^eâ dias viuiQ^ rb 
nossas ruas revoadas de quinquilharias © modistas estrftiif^eirah, 
Q os nossos boinetis e senhoras vestidos e penteados a e^tran^ 
geira, como se vivesaera na França ou na Inglaterra, qoando ró 
be deviam lembrar de que viviam no Brasil. Fácil era de prtí- 
ver os resultados necessários dn tudo isto: os bons patriotas os 
viram lo^o ; e elles foram com effeito o desapparfci mento de 
TiosEa mof^dji» quaado do Brasil se foí esconder n^s burras de 
Londres e de Paris: e assim devia d© ser necesÊariameníe por 
que recebendo noa do estrangeiro annualmonte 50 por exemplo, 
nas offertas que nóí importávamos, e nào produzindo para Ibe* 
dar em pa^a sínAo HO, que elles de nÓ6 exportavam, o ^aldo doa 
20 Hevia aahíf em metaes preciosos c porque n mesma operação 
se tem re|ietido por tantos ânuos successivos, railag^t; ó qne 
ainda exista ai «ruma moeda de (i§400 ou i$000. 

Se taeí tratados se nfto tivessem feito, tnbias leis íeriam 
])odi'ío remediar em alguma parte este mal, prohibindo a en- 
trada de certos géneros do luxo, ou im]íindo-lheí o pagamento 
d© direito nas alfandegas que fizesse mais diflScultOia a sua 
int]'oducQão . 

Embora géneros de necessidade ou reconhecida utilidade 
paga*í?om e6 15 V, oi* ainda menos, mas fazer extensivos estes 
direitos a fitinhíis, renda?, acua de Colónia, caijtinbas estofadas, 
flore», penteados, cbicotinboa e eabellos de defunto» fraucexea, 
licores. bonfCragPEi e tra^ies de madeira que nâo duram^ tendo 
nós melhor madeira e mais durflçfto, é erro qne fe uào pode 
perdttar e de que até oè mesmos estrangeiros se riem, porque 
nesí-a nâo cahiriam elleti. 

Para que serAo bôaa estas cousas entro nd^? Acaso nossas 
senhoras nao vestiam com decência ao tempo em que nfto tí- 
nhamos modistas francesas, suas cabeças não eram maí^ formo- 
las emquanto seus cabelloít naturaea uíio foram substituídos pelo» 
artificiaes, que ao Brasil lhes vieram doa comiterioi fraoce^es? 

Seus pés ficavam porventura maiít delicados depois que ob 
sapatinhos de Farifr, que nã.o chegam a durar um dia, substi- 
tuíram os que dantes calçavam? 

Não se entenda que queiiamos que alguma naçáo fosse 
excf^iituada no pagamento de direitos; o que queríamos era que 
Cf'in nenhuma se tivessem feito tratados de cominercio e que os 
direitos de importaç&o fossem por noE»!'as leis elevados, oo dimi- 
xtuidos a nosso orbitrío, segnndo a naturessa dos generosj a ne- 



. — a^ — 

eenidade que delles tivcssenios, ou a utilidade que dellos nos 
adviesse. 

Foi sempre esta a nossa opiniAo ; e agora insistirumos nes- 
tas a Ter se podemos obter, que, findo o prazo dos tratados es- 
tes se n&o renovem. 

£ como tomamos por tarefa aproveitar todas as occasiOes 
que se noa offerecem de fazer ver quo o Augusto Fundador do 
império vio sempre as cousas em melhor sentido que alguns de 
ienB ministros, aqui será logar do publicar que no tempo do 
Ministério dos Srs. Andradas, elle ^ra de opinião de que se não 
fizessem taes tratados, de certo porque essa era a opiui&o dos 
mesmci senhoriíB, e grrande parte das pessoas que se achavam 
no Paço no dia 12 de Outubro de 182*2, f^.ram teatemunhas das 
expressões sij?nifícativas destes sentiuKmtos ouvidos ao ^Uniste- 
rio. Os fautores dos tratados ao lerem nossa censura terfto que 
nos oppôr o principio do augmento do diridtos nas Alfandegas, 
eom que calculavam, verificado pela ]>ratica subsequente e o 
principio de reciprocidade que os tratados estabelecem entre 
nosso commercio e o dessas na(;ões. Servia esta cartada para 
justificar sua boa fé, que no intimo do coração reconhecemos, 
ttbemos que pensaram fazer um grande serviço ao Império, mas 
nós contiuuaiemos a dixf^r que na nossa 0[>inÍH0 talvez ella seja 
errada; commetteram um erro e fizeram um mal. 

O augmento de direitos n«s Alfandegas fora um bom, se 
elle n&o fosse a ]>rincipal origem da introducçào de um luxo 
que nos devora, c da sabida dos metaes precioso?, cnja falta 
nos vai precipitando em um abysmo: quando dizemos principal 
n&o queremos dizer a única; um outro logar falaremos de ou- 
tras ; e a decantada reciprocidade não existe senão no papel dos 
tratados, porque nòs nenhum commercio fazemos com o estran- 
geiro em nossos navios, e portanto é uma guerra e um verda- 
deiro fantasma o logro escripto para uoi illudir com o estran- 
geiro que quiz pallear suas vantagens como nossos negociadores 
le querer&o deixar illudir; mas o povo não se illuda, porque jú 
lá vai o tempo de enganar a homens. E para mostrar que po- 
díamos passar sem tratados, perguntaremos em que anno fize- 
mos o dos Estados Unidos, e se não fomos bem com esta Na- 
çio até erse tempo? sendo ella aliás áiy um repetido commercio 
entre nós? Ultimamente os tratados só serviram para fixar os 
direitos n% importação ; quanto ao nmís ífó ficaram para declarar 
principios de direitos das Gentes, que nenhuma Nação desco- 
nhece ; e quando sahiram disto, deram o direito de cidadão bra- 
sileiro aos estrangeiros, recebendo em reciprocidade livres di- 
reitos para os Brasileiros. Illusoria reciprDcidade, qu3 nunca 
existirá para nós, e que muito noi) damna; por (|ue as leis po- 
liciaes da França e Inglaterra — e nús qae as não temos, ou não 
exeeatamos as que temos, somos obrigados a fazer boa c eife- 
etiva exeeuç&o desses artigos, n&o sem gravo tro]>eço da boa 



r 




— 84 — 

administração da jniitiça, como a pratica tem jâ mostrado «obre 
o artig-o que eitabeloce. 

Sfl noa disaesFBm que os tratados eram neco9âflrio& para o 
Teconliecimetito da nosan Independeocia ne (paremos essa neces- 
miríade. Os Eii^ados UDÍdoa para que nos reconheceasem só ti— 
xeram e^te trwtndo cm 1828 e em xieabum caio devíamos com- 
p«ml-o. ElIeB necePBÍtavam mais dw nó» que uóa delles. Era 
iBto necessí^rio para dar sabida a Tif>f«?os gFueros. Bflm — dimi- 
nnír os direitca de «abída e augTnentar ofi de entrada, a cntisa 
será a mesma, cora a diftert^nça de ser maift favorável aoa nos- 
BOs lavradores. Ao e8traii^'^eíro é indifferente pagar 25 pífios 
géneros que importa, levando os que exporta em compensação 
Uvrep ; nu pagar 15 p^r aqiíelles^ pagando 10 por Bsteii, Tudo 
recahirà er>bre o consumídir, mas o lavrador ficou alliviado, 
porquH pap-ará o impdíito só do quê veoder Mas do mí>do que 
a cousa está o rorpo Legislativo vê-se nn grande embaraço de 
dar UwíL doutrina reg-ubr ao?^ impostoa, porqufl nfto pôde carre- 
gar 08 d(í impOTtaçAo, iiom alliviar oa de ex[)ortaçÃrt, como todos 
OB priíicípaea eeonomiHtaã políticos^ ensinam, e as neressidades 
de prntp^er nvêAíí agricultura e industHa imperiosamente exíg-em. 

Ficamos aqui por ora; prott^stando desenrolar mais efitaa 
idésB em r>utr'^ artigo em que interpOTemos DOSf^a opinião âobre 
o modo de melborar nossa crieõ financeira Cfincluiremos que 
OR tratados foiam na nossa opinião um mal; e avf^Tiçaiuos estíts 
idéas nào coui naimo de a^aiar o Governo que as fez » que acre- 
ditamos ter obrado com o fim de thzer um l^em; mas poique 
desejamot rbamar a attençíio do mepmo Onverno, porque os nflo 
renove, qvifiiídfi acabarem, aos df>z ânuos da t^ua durav^o . Em- 
bora haja tratados de amiznde, em que oa direitos dos babitan- 
tea eatranixtMros se tx^emi em bospítalidade e protecção, mas nào 
OB haja de c- mmercio, seja este o sen impulso naturjil ; e H^bre 
direitos imponbam os estrang^eiroa, se quizerem ; snbi© nfisoa gé- 
neros, esses, ímporeuioa o qtie quízermos, e veremoa quem sabe 
melbor na partid». Elle-^ pouco produaeTu eouf^a muit * boa do 
neceí!»>)tamo^f e destes sí^rá [irofcepidn a introducçôc; raí*a tíínibem 
q|Xi© produ^Fm muitos, que nos fazem male:;^, e e&tea tí^r&o difljcul— 
tota entrada; o que nós produzirmos tudo tem consumo prompto 
no pstrang-eiro, o caso eatá em qu«» lhe demos o bom mercado. 
Pois bem, fiiminuiremos og direitos de i^ahida, o bum mercado 
«envidará o eí*trang*»iro e ncssíg geiíeros terão pahida, etc». 

Nf^ãtH artigo ha no fim do original as seguinfes indicaçõea 
que pa'ecem demonstrar qne Jo»^é Clement** Pereira tencionava 
escrever aobre ellas; Empréstimo de Londres — Bauco^Guenra 
do Sul, 

O orlgíniil nfto assigaala a data em que foi oscrtpto. 

ER|«fi8T0 BeNNA. 




:^ 



José CLiiiL-inc Paxira 



— 85 - 

QaÍ8sam&, 18 de Fevereiro de 1907 

nim. Br. Coronel Ernesto Senna 

Amigo e Sr. 

Li com grande interesse a noticia que publicou no Jfrmal 
de 17 do corrente sobre o bpnemorito Joeé Clemente Pt^reira, e 
nella se me deparou um pequf*no engano. Diz V. S. que em 1819 
Joié Bonifácio já ministro despucbára José Clemente para o Ingar 
de Juiz de Fora da Praia Grande, mas ha nisso manifesto «n- 

C, pois José Bonifácio só foi nomeado ministro pelo Principe 
ate em 16 de Janeiro de 18*22, quando José Clemente já 
servia como Juiz de Fora do Hio de Janeiro, com o predicamento 
de desembargador, e era o presidente do Senado da Gamara. 

Tenho presente o Alvará de 3 de Setembro de 1819 assig- 
nido Rey.' . o qaal alvará ficou registrado a fl 182 v. do livro 
16 do Registo Geral. Nesse alvará El Rey manda desanuexar 
da comarca e ouvedoria da Corte os districtos das novas vil- 
las— Villa Real da Praia Grande, e de Santa Maria de Maricá, 
aonexando-se ao logar de Juiz de Fora das mesmas VíUas a 
cerventia dos officios de Provedor dns Fazendas dos Defuntos e 
Ausentes, Capellas e Residuos das mesmas Villas, fazendo merco 
do8 ditos officioH ao bacharel Jo^é Clemente Pereira «que ora Me 
vai servir no lugar de Juiz de Fora dus ditas vi las». Nas cos- 
tas lê-se «Por immediata Resolução de Consulta de Sua Ma- 
gestade de 12 de Agosto de 1819 e Despacho do Tribunal da 
Mesa de Consciência e Ordens de 25 do dito mez e anno Re- 
gulamento a fl. 146 V do Livro 10. Visconde Yillanova da 
Bainha». 

Como vé a nomeação de Juiz de Fora da Praia Grande foi 
aindu feita pelo rei D. Jofto 6.** 

Tenho mais um alvará de 4 de Junho de 1821 fazendo 
mercê ao bacharel José Clemente Pereira da serventia do oíficio 
de Provedor da Fazenda dos Defuntos e Ausentes, Capellas e 
BeiidnoB da cidade do Rio do Janeiro pelo tempo que servir o 
logar de Juiz de Fora desta mesma cidade para o qual o nomeia. 
Está assignado Principe.*. e rubricado pelo desembargador do 
Paço Pedro Alvares Diniz, que como sabe a 5 de Junho subs- 
títaio o Conde dos Arcos. Ora, José Bonifácio nada teve com 
ÍMO. Depois deste ministro, foi José Clemente despachado para 
Tun logar Ordinário de Desembargador da Relação aa Bahia com 
exercicio na Casa da Supplicaç&o, continuando também na de 
Juia de Fora da cidade do Rio de Janeiro, como versa o aviso 
de 4 de Outubro de 1822 assignado pelo ministro da justiça Cae- 
tano Pinto de Miranda Montenegro (depois Marquez da Praia 
Grande^. José Bonifácio era então ministro do Reino e Estran- 
geiro! e nada teve com ena nomeação. Imbuido, com seu irmão 



— 86 — 

Martim Francisco, de ideas absnlutistap, Josó Bonifácio não podia 
f>ympathizar com José Clemente, a quem deportou como feroz 
republicano, só porque reclamavam elie e seus amigos uma con- 
stituinte, um governo moderado. Verdade é que mais tarde esses 
mesmos o perseguiram como inimigo da constituição, accusando-o 
de ter aconselhado a D. Pedro T que assumisse o governo abso- 
luto. Teve varias occasiões de defender-se cabalmente em 1830, 
quando quizeram annullar-lbe a eleição ; no processo de 1832 
do qual foi unanimente absolvido pelo Senado, e durante a ses- 
são de 1841 na Gamara, etc. 

Queira dispor de quem é com alta estima. — De V. S. — Am.* 
e Cr." obg.*, Manoel de Queirós Mattoso Ribeiro, 



José Bonifácio (o velho) 



I 

Xa Villa de Santor, berço do tantos varões illustro.s do nos- 
ia historia, (1) nasceu José Bonifácio de Andkada b Silva, aos 
13 de Junho de 1763, de uma fnmilia nobre desta provincia, 
ramo dos antigos Penhores de Bobadelln, hoje Coiidos, e dos 
Senhores d^Enrre-lIomem e Cavado na Provincia do Minho, que 
tÍTeram ontrVa o titulo de Condes de AmíireR, e Matquezesde 
Montebello: família illustrada na rcimblica dfis lettras— pt^Ios 
doutores José Honifacio de Andrada e Tobias Kibeirt' àv Andra- 
da, e o padre Jotlo Florentino Hibciío de Andrada, tioi^ do Con- 
selheiro : o primeiro dos quaes se distin«riiiu nas se ei cia» phy- 
sieas e medicas, cemo se mostra das obras maini9cr)])t»s que 
delle existem; e o segundo, thesoureiro-mór da Sé de IS Paulo, 
primou como grande canonÍ£>ta e jurisconsulto. O t«*rceiro, o 
padre João Floriano, dotado de imaginiição a mais rica, foi um 
poeta celebre : delle ainda < xistcm diversos fVa^nu-ntos poéticos, 
entre eJles a Vida de S. João Nepomucemo, testemunho da su- 
blimidade de sua fantasia pcetica, da multiplicidade de seus ca- 
bedaes de litteratura e da for<;a de sua r&zão. (2) 

O amável menino, pois desde entfto se distinguiam já suas 
qualidades futuras, escreve o auctor anoitymo de uma de suas 
melhores biographias, ncebeu sua primeira instruc:.8o na mes- 
xoa Villa do seu nascimento, gob os olh< s d» Feu j ae. o coronel 
Bonifácio José de Andrada, homem a^sás in^t.uido para o seu 



fl) A Loi proyfncini n. 1. de 28 de Janeiro de 1^39, declara cm Fcn artigo único : 
«Fiu elevada á calhegoria do cidade de imantes a Villa do mesmo nome- •pátria de, 
Joaé Bonifácio do Andrada e tSilva» 

aiilliet de Baint-Adolphc, «Dírcion. Orngr. Híit. e Pescr. do Império do Brazil^ 
tOHD II. á pag f>24, escnve. nio »abfmoii lundado tm que: «... u A^sembléa provin- 
da! rotoa unanimemente a Lei de 26 de Janeiro de li-39, Fcpuudo a qnnl devia aqnel- 
1a villa ehamar-se «Cidade de Bonifácio»: prevaleceu, porém, o primitivo nome do 
«Itaaica». qne tamanha e a fcrça do cosinme». 

Entre ontroi homens notáveis nasceram en Fantos : padre Andrr^- dr> Almoida. pa- 
dre Gaspar Gonçalrea de Araojo. O-ei bimAo AIVMTef>. padre BartIiò'om(>u Lourenço de 
Qwmfto (O Toador), frei Patrício de Santa Maria, Alexandre de Gufmfio. jmdrt! Ignncio 
fiodrigaes, José de Sonsa Ribeiro e Araújo, padre JoAo Alvnroft de hanta M^iria. Trci 
tlaspar da Madre de Deus, José Feliciano Fernandes Pir.tieiro (Viscnn<!« de tí. Leopoldo) 
Joiè Ricardo da Costa Aguiar, Joaquim Octávio Ncbi:ie, Joatiuim Xavit<r da h.Iveira; 
fem falar na Trilogia Andradina. O Marquez de 8 Vjccnt<>. Jom' Ai.tonio Tinenta Bue- 
BO. a qnem Teixeira do Mel o e outros dSo como naM-ido cm íantr^, cia liUtuial dca- 
U Capital. 

It) Eihoçoê Bioçraphieot, lem nome de andor. 



r 




|ia:z e classe, e de sua nifiB, d. Maria Bnrbarft da SÍIfa, matro- 
iiH ex -mplar p-»r suas virtud(5*, zt»lo com qiie fdiicou èViun íilhoa 
e caririade p^rit cotn os pobn^s, e que alH mereceu o nome de 
— iiià^^ dft p- bressa. 

Aos 14 iiuQca. cmpleta a Pua educaçAo primaria em Santos, 
pantion-se píira S, Paulo. onJe o sibio D. Fiei Maonel da Resur- 
reiçào, 'â." Bi-po DioiíenHoo^ estabelecera á fua custii aulas pa- 
ra f^iísm^ da k>^ica, da metíiphyísica t\ í^thíca, da tbetori.^a e 
da lihi^iifL fr^ticí^í&a. (1) Libado à familta And rada, D. Frei 
Manunl, impressionado pelos pro^reasoá rápido* do moçi> paulisa, 
lraiiqu<íuu«llie a sua fscolb da hibliotbeca e tratou de onca- 
mítibíir a bem da E^çreja aquella extraordinária vocflQâo s-ieti- 
tJ&cH e litterâria. Âng dn^t^jos d^ santo ])rolado n&o atinuíram 
nem o jorrem estudante tiem a sita família. A influencia de D, 
Frtii Manuel ftn benéfica e muito eontribiiín para enriquecer o 
cabedril do rcmbei^iment-s de José Bonifácio, t*uj& gratidfio se 
manifestou lo^o depois, ao compor um elogio de seu venerando 
protec*tor 6 amigo. DaiJim desta época oa pritat^íroft voos pu€-^ 
tÍL*03 de Américo Elyjiin. 

Contando |íOUconiHÍí de 17 annop, deixou S. Paulo e veiu ao Rio 
de Janeiro, de onr^e partiu para Liabôa, a ultimar a fua educa- 
çfto litterArjã, em Coimbra^ «'mcuja Uuivaraida^e matriculouâe neiâ 
Faculdades de Pbiloarqibia Natural e de Dtreitn, alcançando ao 
cabo de »ieia annos, o grau de bacbarel formado, com aummo lou- 
vor de àem lentes e admiração de sua notivel garação aeademiciu 



4 



NnB fins do séculos XVIIl e noa primeiro* decennios do 
século XIX -dícramolo sem vaidade nacional— coufeasava Latino 
Coelbo, na Academia Heat de S^rieiícias de Lisboa, a maioria dos 
ucBSQ^ talentos mais formnsoa baviam tido o seu berço no BrasU. 
A lyra brasileira lionrHva~ae com o nome de Pereira Caldas, o 
poeta da ÍDA[iir[içào religiosa Brasileiro era também António de 
Mor^i^s e Silva, que dotara a litti-ratura nacional com o maia 
co[iÍ08o dicionário que em seu tempo se escrevera. Brftsileiro 
Htpft^lyt I Coâtã, o pHtriarcba do3 jornalistas de Portugal e do 
Brfl^àíl, Braiiil^iro, o que podemos appel lidar na ordem cbonologica 
o primeiro economista portu^uea o bispo de Elvas, D. José 
Joaquim da Cunba Azereio Coutiobo. Brasileiro o eminente ^eome> 
tra e prntesaorp antigo secretario desta Academia Franciáco Vilella 
Barbu:ía, Marquez de Paranaguá, um dot maii i1 lua três cooperA- 
doren na fundaçAo do Império Americano» Brasileiro, Manuel J&- 
cintbo Nogueira da Gama, lente da academia de marinbN, depoit 
Marquez de Baependy, e notavet estadi&ta, qne divulgara em 
PoFbfjgal, vertendo-aa em rortug-uez, alí^umas obras clássicas de hy- 
draulica © fippHcára a chiiuica moderna a importantes problemai 
ÚM vida IndustriaL Mas era sobretudo nas scleociab naturaes que 



(1) Vide noiíM Bpktmírídu l^ioctJaaot, 



u glorias de<ta naç&o te deviam principalmente aos que tinham 
nascido em terra americana. Vicente Coelho de i>eahra faxia 
resplandecer em Portnsral, com os s-*us Elementos de Chhnicay os 
primeiros clarões da sciencia,ji reb^He á-» phanta-^iosns tradições 
da alchimia e da S|ia^rÍL*a. Fr. J« s<^ Mariano da C'>nceiçAo 
Velloso deixava o seu nome memoraiio ^nt-^e f»s bota-.ioí»*, pelos 
seus valiosos trabalhos ori(ri"ae9, entre elles a Ffnra Ffuminenite. 
Alesandre Rodri«rii«*P Ferreira }>ercorria o AinazouHit como itifati- 
gavi-1 ••xpL^radnr e aliava ás suns plorias H»^ eirreirio naturalista 
o funesto destino de uma txi^tencia attribuKida Jo.^o da Silva 
Feijó, com as suhíí explorac^i *< transa tlatiticas e os s(*u> cscriptoB 
miiiervilf->gico4, le;;ava de si lionr<ida f.ima. Ci^nio investitrador da 
natureza. Manuel Ferr«*ira de Araújo Camará, conip.niilieiro de 
Jflsê Bonifácio nas ex7ari-ões seien titicas pela Kuropa, si não ei:ua- 
lara o nome do colIe<ra. inscrevia- se como um dos notitvf'is re- 
presentantes da sciencia em Portuiral. Mello Franco e Klias da 
Silveira, ambos nascidos no Brazil, i Ilustravam a modii'inH ]M»rtu- 
gneia com os seus livn s e nipmorias. estamf>adas ]ior esta Academia. 

Gsses homens, conclúe Latino Coelho, que enuobrocem 
presentemente a hii^toria intellectual do Imperi-i Brasileiro, então 
eram ainda portugueze^. Km Portuíral rotípctiam o peu luzi- 
mento, a siia gloria. Cultivavam as lettras pátrias. Ensinavam 
nas escolas honrav-m as academias, resplnndeciam no exercito, 
nas dignidades ecciesiasticas, nos oíBcios da ma<:istratura. 

Entre elleí era certamente o primeiro ])ela scienc a, pelo 
engenho, pela funcç&o que devia desempenhar na historia do 
seu povo, o dr. José Bonifácio de Audrada o Silva. 



No ultimo quartel do 18." século achíimol-o cursnndo a 
Universidade de Coimbra. Laureado em ambas as Faculdades, 
a de Philosophia e a de Leis, eil-o ahí ao mesmo tempo na- 
tnimlistf e jurisconsulto, comprehendendo como ])hiiosopho, na 
sua indissolúvel trava ào e unidade, as sciencias do universo 
phjsieo e as ^ciências do mundo social. (4) 

Fundara- se então a Academia de Sciencias de Lisboa, 
egualmente devotada ao progresso da sciencia e8}>eculativa e ás 



fruetuosas applicações á vida social. Nesta nascente insti- 
tido ingresso todos os talentos que p< " " 

casmente collaborar na obra delineada i>elo duque de Lafões e 



pelo egrégio naturalista Correia da Serra (5). José Bouifacio 
teve logo ingresso na Real Academa; e, por proposta delia, foi 
eleito pelo governo pnrtuguez para viajar a Europa, como na- 
turalista e metal lurgista. Era certamente o mais movo dos sócios 
da sábia congreg&çâo : «emaunos tão verdes e juvenis, que o viço da 
mocidade parecia contradizer a grave compostura do académico.» 
Já em Coimbra compuzera algumas dissertações, princi]ial- 
menta sobre indios e esciavos do BrasiL Na collecção das Af«- 



r 



— 90 — 

marias da Afxtdemia acLa-se uma excellente memoria se br© a 
peacfi da bflleiíi, sobre os melhores prot-essos paia a jireparasâo 
do stiii aceite e Eobra as vantagetia que o g^ovenio tiraria ani^ 
inatido e fHvorecendo Rn immensaâ ptíscanoa que se poderiam 
fazer nns costs» da Bra^iL 

Pouco depois de sua cbegaila a Lisboa, tomou estadn, li- 
^Atido-se a uuia arn^vel e eâúuiavel leiíbura, d. Nnrcísa Enjiliin 
Oieaiy, de ovigfetii jrlaudftxa, que foi niuito conhecida uaCôite, 
pela su:i illustrnçAo e fiu;ie(}idHde de caraí^fer e doçura de cos- 
tumes. Desto lelÍK coiiBorcio hou^e três filhos, 

U 

 viagem scientlfica de Jo6(í Bonifácio e dos seua dous 
companlieirof, o sen patrício Afanuel Ferreira da Camará d o 
AlGm-Tejano Joaquim Pedro Fraírcso, todoa formndoa na Uni- 
versidada o aocios da Academia Real das Seieiicias, priucipioa 
«ra Juíiho de 1790. (1) 

A França estava convulsionada pela RevoluçaDjea Decla- 
ração dos Direitos do Homeru^ d«^hConbecendo oâ Direitos de 
DeuSf ateara o incêndio em toda a Europa. Ante n espectáculo 
da trauBtormaçi&o da velha sociedade europeia, ao descambarão 
século XVIII com a derrocada do throno dos Bourbons e o dcB- 
pontar da estrella de Napoleão e da civilisaçáo moderna, ia o 
sábio brasileiro fazer a aprendizagem du. liberdade. 

Em Paris, ouviu as licçòfa doa famosos Chaptal e Fourcroy, 
continuadores de Lavoisler, de Jussieu, o botânico genial, de 
Hauy, o celebre pbysico e mineialog-ista. 

L ou verteu estOB meatrcí em nmi^OB, á imitação do afamado 
medierj porluí^ue? lanches, que no século XVIII S© dirigiu do 
Coimbra a Leyde para pra ficar com Boerhaave. Não limitou 
os seus estudoá á Capital Franceza, tbeatro eutuo de aconteci- 
mentos memoráveis. Gra^jaa ao empenho do eoibítixador lusitano 
em Faria, d. Vicente de Souza Coutiuho, o governo portuguez 
dilatou-lbe o termo á eommií^sfio. 

De Paris se^iu para Freyberg, OTide leccionava o illuitre 
Wcrner e doutrinavam LempH, Kobler, Clot^sch, Freiesleben* 
Lampadius : luminares da mineralogia, das mathomaticas puraa e 
appliçadap, do direito e le«^i?lavào das minas, dos ensaios chimieos 
dou mineraes, da cbimica pratiea, dos arcanos da nietalliirgia . 

<fQQflntv« investi|radores da nutureza, os quaes no secttlo 
seg^uint© haveriam de ser a gloria da scisncia, cursavam em frn- 
leroal catnaradaírem oa amphitheatros o oa laboratórios de Frey- 



0" «,. rum a fln â« Htanm AUt vm cnno de chJmtCA e ralrrerfllo^tn â^^clrniiittca 
m partionl.irmoiitâ Ihi» «ncotntnfsnitn que M liosi trr*v vltiJjiQivt toiln n prot^^cçâó» F&r& que 
ia Ibcie rAcíiltcm oi «irndo^* — 0l9i;io de ]diilK Fiiitri tio H^m^ll, itiinEjitro do? Jicgocioi 
o!ttriinE;oíroi o da ^erra, parn o (^mbjiixAdDr úo Portugal eia Parli, D. Vicente de 
Èfiaia DvaUTilio, ora í»J ú<3 Maíg d» t791>. 



I 



I 

à 



— 91 — 

lierg! Qae illustres condi scipuloB pe deparavam ao grande 
naturalista portuguez, ao futuro estadista brasileiro !» (1) 

Os companheiros de Humboldt em seus estados, (diz o as- 
trónomo Cari Bruhns, na sua biograpliia do immortal pbjrsico 
germânico), erum, entre outros, estes que bayiam de ser depois 
os mestres da sciencia^ Leopoldo yon Bach, o dínamarquei Esmark, 
o portuguez Aiulrada^ o bcspanbol Del Riot. Noc es todos re- 
gistrados na historia das sciencias physicas e naturaes, como 
grandes e fecnndos descobridores. (2) 

Nào contente somente com as licções dos illustres profes- 
sores que então havia nas diversas partes da Europa, quiz pedir 
i própria ob8orva<;ão da natureza o que os livros, os gabinetes, 
as prelecções n&o fódem completar. Percorre grande parte da 
França, da Gran-Bretanba, da Âllemnnba, da Bélgica, da Hol- 
landa, da Itália, da Hungria, da Bohemia, da Suécia, da No- 
roega, da Dinamarca, da Turquia. Visita as minas doTyroI, 
da Styna, da Carinthia. Ouve ns licçÕes de Volta, de Pries-* 
tley, de Davy, de Duhnmel, de Bergmann, de Abilgaard, de 
Jussieu. E assignala immorredouramente o seu nome por des- 
cobertas preciosas, que o consagram um dos maiores natura- 
listas do século XIX. As Academias e os Institutos o acolhem 
com frementes applausos em seu grémio; e osAnnaes de múl- 
tiplas associações scientiíicas agasalham com carinho os seus 
trabalhos e as suas memorias. Sehurer, em sen «JornoZ de Chi- 
mica,i3& Allemanha;o Jornal das Minas, as Actas da Sociedade 
de Historia Natural, de França, os Ânnaes de Chimica, de 
Fourcroy; o Jornal de Physica, de Hatiy etc, revelam ao mundo 
Bcientifico os valiosos descobrimentos do grande sábio americano. 

O insigne Lb Plat, percorrendo, annos depois, os mesmos 
litios visitados por Andrada, e applaudido nas mesmas Acade- 
mias que o laurearam de 1790 a 1800, encontrou os rastros ge- 
itiaes de José Bonifácio. <Ce fut pour moi un grand étonne« 
ment et une admiration plus grande eneore9 1 exclama a águia 
dos Ouvriers Européens e da Reforme Soeiale, cLe jeunepor- 
tugais, 3Ir, D' Andrada, a íait de telles découvertes, que soa 
pays devrait lui dresser des statues qui puissent perpétuer et 
tnuumettre aux nouvelles générations la mémoire immortelle 
d'nn des plus grands savants d'ane époqne si féconde eu grande 
hommes...» (3) Le Play era pouco pródigo de elogios e me- 
nos ainda susceptível de enthusiasmos. 



ri) i. M. Jifttino Coelho, ob. clt. 

rS) ÁUxander vou Humboldt, Etmê wiietHteltafaicka Síograptíê, %, I. pHT. '28. 
Ld^g. Ib72. 

«O titulo de matrt da teieneia, oonrerldo por tio ootarel anctorldade Bdeotffloa ao 
MraenIogi»t5i portogocs, glorioMmente Msoclftdu e poeto em parallelo com Mblos de 
tio vnlTersftl e eminente repntaçlo, como Hnmboldt e Tieopoldo too Baoh, ó o maU 
konroso testemonho do conceito era qae ainda em nossos tempos é baTldo n* tem das 
sdeocias o nome benemérito do noMo compatriota. 

{?.) P. Le Play. Lu Outrien Europémê, t. 5. 1.» ediç.,18M. - AMlgnaUmoa esto 
lacto em nosso artigo sobre O eenttmario dê F. U Plag, pablioado em flos do anno pas- 
sado, Bft £nuê dê$ quntioiu kiitwifuêt. 



r 




— 92 ~ 

Membro o maÍB moço da recemcreada Ãc&dêtnia Real dat 
8cie)](:itt{s de Ligbõa, José Boniíacio viu- se lhe abrirem de par 
em [>ar aa portas da Academia de Stockolmo, da de Copunha- 
gen P' dn dn Turim, da Sueindade dos investigadores da Nata— 
reKft de Btidím, das de Hi&tHna Naturítl e Philomadca de Pa- 
ris, da Geológica de Lnudres, da Werneriaoa de Edmburf^o, à& 
Mineralo<;iea h da Línneaua de íeita, da de Phyflica e niatorÍA 
Natuihl de Génova, da Sociedade Maririma de Lisboa, da Phi- 
Ifjsophka de Philadelphia e da Aciadtjraia Imperial de Medicina 
do Rio de Janeiro» 

Aos diamantes do Brasil, descobertos bavia mais de 60 an- 
noB (1), desconhecido* na Earopa, consagra elle uma njemori* 
elogiada ]\v\o abbade Hítiiy (2) 6 impr^^saa nos AnnaeB de Clii- 
mica de Fourcroy. 

E* escreve o teu i Ilustre consócio e admirador, ent5o um 
dos maiti bel los ornamentoB das leítras no Velho Reino, belle~ 
uista e scieutistai^é então que elle des^cobre au novas eapéciei 
mineraf», a que dá o nome de Fetalítej Ypodumene^ KryoUie « 
Scapc/Uie, com que ficaram denominadas na Bciencia, e com que 
hrje se conhecem nos tratadite miiieralog^coí*, em todas a» lin- 
guagens enropêbe. Ãnaly&ada por Àrfvedson a Petaliie. desco- 
briu iiella o chímico i*ueeo a lith a, e coube ao mineralogista 
americann a honra inestimável de deixar o nome português as-^ 
Bociado a um dos notáveis dettcohrímentos da chimica moderna. 

Em uma carta que foi publicada pela primeira vez em ai-* 
letnàú, e que existe na Biblíothe^a Publica do Rio de Janeiro, 
dirigida ao t^ngt^nheiro Beyer, engenheiro das minas em Schuee- 
berg, apie&enta, segundo uta methodo particular, uma brev6 
descri pçao dos caracteres diatinctivos de Doze novos minerae^ 
por elle de.^cobtrtos noa paizes Scandinavos (3), Este é, sem 
duvida al^^uma, o mais importante trabalho mineralógico do il- 
lustre brasilein}, do qual appareceram logo traducç^es n^3 jor- 
naes sei en ti fico* da França, Inglaterra, Prússia e Amtría (4). 
Quando flie nâo tivesse feito mais nada^ bastava só isto para 
o immortalisjir (5). 

Escreveu também diveraas memorias »o br e minas da Buecia; 
sobre as preciosas minas da Saiba; uma Viagem geognoJiUca ao» 
MonieH Eiiffaneo* no território de Fadua, na Itália, discutindo a 
origem vulcânica daquella rocha; um eitudo sobre o Muido 



1 Bm \'tl. Mtm hiâL »obr* o< diAmantêt do Branl, por Jl ÍB Rfliend* Totto. 

2 O iablo frAELcev e»creííj .- Stàirant Ut obnrr^iímê fitií4» «r t*» litmx, *í cm- 
tíffnétê dtau Um acia d* la êocifíi (f húloírj naturtit», pur M. Dfmáraáa, mmeroloffiHf 
poríUffftÍM, it'un mértte íréi ãiãiinçUilt h lieu mAtai dê* diamanti dont H M'açit, nt ím 
crokt* dê* montagnu aiíiUet àaiu tt iiàirici át Btmi do F\Ho. , . BAuy, Traiti d* Mini'- 
rdtofft*, F*rii, »hJ2, IV, pâg. 41*7. 

<j Hflses Úetx9 mio^r&et sLo 1.», AkfcQtlilkond ; 2,*, BftodDiQeae ; 3-*, Bmbllte ; C% 
Icht^Dpliiaima , &^«, Coccollte ; e.«, Aphrtilt«; ?.«>, Âlloelirolt^i ,- iH.«, Indlcolite/ 9^o, We^ 

4 Gabriel ({'Aumb^ja* Lu Contfmpor^iru, 
t> F. L* P]*r. ob. ctt. 





— 93 — 

EUcirico e outros mnitos trabnlbos», em portugiiez, c outroR em 
fnocez e allem&o, conatantes dos Annaea dos Institutoi^ p Aca- 
demia^ a qne pertencia, e dds tratados de Clauaseii, Ileusse.r, 
Hauy. Fonrcrry, Scheerer, Dufrénoy, Gelilen, Leonliard, Arei 
Erdmann, Qnenstedt, Kurr e outros mestres da sciencin a que 
Andracln dea tanto hrilho e r<'l('Vo. 

José Bonifácio, v^"^^'''^ ^"^ publicista conti mpdráneo, «é 
mais conhecido geralmente em Portupal e no Brasil ermo o 

Srincipal e mais ardente propuí;nador da inde^ edi ni*ia braí^ileira, 
o qne pela fna floria de protundo minernlo^istit, iiir^r^ripto com 
memorins indeléveis nos 'asT* s da sri^^ncia.» Kntretiinto, no pan- 
theon dns glo'ia« Fcientifu-ns do velbo mundo, tcni clle um l()<rar 
de honra; as srcíedades BÚbins da Kuropn, si ])r.uco conlit cem a 
■cçào politica de Andn-da, venentm o seu none.a ]iiir dos maio- 
m Tultos do 6m do século X\'III o da aurora do stculo XIX, 
perirdo cnvulsirn^do fociulinonte, ]i«'m por 'vnfo menos ffcnndo 
em enfrenhos e menos lic-o i*ni talentos. 

Poucos V ajant»s temi pisado de tanta fama e ivlfbridade, 
sobretudo nr» últimos anuo» dr suas perei:rin«<;õfs. l*í>r toda a 
Tirte era consultado sohre diversa;^ materi;<s : todo*; < a sábios, 
Mieja.>do conhecf*l-o, vinbani vii^ital o. Muito;^ nionarcha:^ nio^mo, 
^erendo retêl-o em >eu« re nos, ti/eram-llie immeU''»;» » ll»Teiíi- 
BentfS, como p«>r exemplo o piin<-i]M' real da hinaniarea, para 
iMpector das minas e (Iotef>tas ria Noruega f1). A|òs 10 annos 
éit autieneifl, que tanto dunu a t>ua jornada triunrph.M] pela Eu- 
rapa, desde a«> opulências dt> Tariti e os vcrdos campos da [iom- 
bardia, utó os írelon da "^candinavia, recolbeu se a roíMiíral, em 
Setembro de 18^0. D. K<"iri_iro de Si. usa Coutinlio, coiule. dt^ Li- 
aliafet. ministro ami^o das )<>ttra< e admirador do >.nbio brasileiro, 
determinou que José BonitAcio ncebt^so «íratuitaiiieiite o capello 
demorai na Faculdade de riiilos-ophia (2). 

O governo nom^-ou-o desembargador da Kelacâo do Porto, 
ÍBiendentc-freral das mina:> íU*. motaes do reino p i>iu*arrt'p*ido de 
dirigir •■ administrar as miuaíi e t'undi<;ões iie torro de Ki«ru«'iró 
das Vinhas (3 , com a )n<poc(,'ào i>(»bre mattas o soinmrtMras tio- 
zettftes. Concedeu-se-lbe a pen&flo vitalicia de t>0O'(r O annuacs, 
e^al ao subsidio que vencôia durante as sua» vÍH<r>M)s. lOncar- 
regou-se-lhe de reger, cí-nio lent»* catbedraM» o, a caleira dtí me- 
tallurgia, institnida novamonte, e especialmente para i-lle, na 
Universidade (4); entím, tVti nomeado superit»-ndente e diiector 
do encanamento do Mondego e das obras publicis de Coimbra, 
(5) depois de ter o governo otabelt-cido na casa da mo4>da um 



1 Dr. Emílio Joaquim da 8ilva Maia, Elofjto fítiforico em a Acndi^mia Imiíerial de 
IbdleiDâ. IK8 

2 CarU Réçía do ir> de Abnl de IHH . 

3 CarU Régia da 16 de Maio de l^(ll. 

4 1d. 

& ÁTlM Béslo de T de Jnlho de imi. 




— 94 — 

CTií'9ív de doeíiiia&ia, (I) uo qufil teve por ajudante a Manuel Ja- 
cintljo Nogueira da Gama, futuro marque js de Baependy e o 
lente dí% philosopliiaT Jofio António Monteiro, um doa maia iilu«- 
trCd mineralopistaã da Europa e esforçado collnborador de Híiúy, 
Freencbendíi estea lo^nrcs eom um tal homem, o jj;:t>verno 
portu^-iicz davíi indicioa evidentes do quíiiito premiava o mé- 
rito; e e eite respeito muitos encómios merece o illustre minis- 
tro conde d© LínliareSt nomo que será sempr^grat oaos brflsileiros 
o ás lettiBB (2). ApeBar da multiplicLdude de seua nucar|ros 
administre ti V03 e scíentificos, omprebeudeu uma excm-sào minero- 
grapIúcA pela província da Estremadura ato Coimbra, apóa a 
qual publiciou a relaçílo de sua viagíini, desprovendo os tnineraes, 
09 torrenqg e o e^tad** da agricultura naquel La reg:iâo, Instituiu 
uma cadeira de cbimica em Lifabôa o honrou as^íiduamente a 
tribuna da Academia Keíil daà i^eieneias, que o eícííeu maia 
tarde seu secretario perpetuo, e da rtícemcroada Soeiadade Ma- 
rilima. 

Ill 

Interrompeu os trabalhos de José Bonif.icio a itivíisao franceza. 
A Eurojia estava abalada pelo genio da guenu o da con- 
quista. O antigo teneute de Toulon, nào satjsíVíto com o bello 
throuo que conquistara, liavia com a sua djplom»cia, com as suas 
armas, transposto os Pyrcneua^ querendo dar ao se a irmilo José 
o throno dessa terra vulcânica' que nunca sotfieu reeig-nada o 
domínio do conquistador, {?*) Poriuíral, alliado da Inglaterra, 
nàd podia coasservar sua iuíiepeudencra. Desdeque níio sesubmettia 
à prodigio-sa medida do Bloqueíf» Continetital, Napoleão devía 
mandar atacar o Velho Eemo ; alguns dcísetie melhores peoeraes, 
ecompaniiaHj^i de tropas auxiliares beipanholas, marcharam eobre 
PortUííal (4) A Historia djrá algum dia si D, Jofto VI, eutào 
príncipe Reí^eute, cedeu sponíe hua á imposiçílo da Ing-laterra, 
que, açufando Portugal contra o Imperador que sonhava restau- 
rar a iíonarchía de Carlos Magno e restabelecer o Império do 
Occidente, 

, . , , héroB et symbole, 

Pontife et roJ, phare vt volcan, 

Faire du Louvre uu Capitííle 

Et de Saint-Cloud un Vaticau, (5) 

coueorrrea, Kem o qnorer, para um dos maiores acontecimentos do 
leculo XIX. 

A Invaslo Franceza em Portugal foi, dest^arte» um facto 



1 Decreto f« IS de Novembro dn MQt. 

S Dr. R. i. ún, HItil Maio, ob t\t, 

ííi) O }tmrq»tt dt Vaipn^t. bio gr íem nomo de soclor, íi^-fl, 

í4j Tf. jffiwotrf* ^f ia Piuiuat i\ítiratti t, {vlatik do Mai^ch^l Jonot). 

(Ã) V« Bago, L'£jífii9U«m, 



— 95 ~ 

proridencial e «parece que a Providencia Divina tinlia encaminhado 
a Pedro Alvares Cabral, nn descoberta de um vastíssimo conti- 
nente, para servir de refugio mais tarde á dynastia do» Bour- 
bon», e de amparo n dynastia portupioza. O modo como foi des- 
coberto eite grande império do Braxil, revela um mila^^re que 
rlaramenin no* demonstra o mysterio de Deus, quanto ao porvir 
áâ% nações». (1) 

O e»criptor lusitano a qnem temo;:, nào raro, recorrido, faz 
letaftar esta circumstancin : A invasílo que para Poríuiral ó a 
perda ig-oomÍDiosa, ainda que past^ageira, da sua Itbndaie e so- 
Mranxii, A luir-t as terras portup^uozas do Novo Continente o 
alvorecer da própria soberania e liberdade. 

— «Em 18' »8, no Rio de Janeiro, faírindo noinimifro que lison- 
jeira, tentando o enp^anar ate a ultimi bora, desembarcava um 
homem menos que alto, gorno. semi-obeso, ... o falar embaraçado. 
Era D. Jofto VI ... Vinba acob;»rdado. Via francezes e 
naçoDs em todn a ])arte. Carre<;av.'L para a colónia todas os bave- 
res qne, 210 monienio da partida, lhe baviam ficado ao alcance 
da mio. Pretendia ficar definitivamente no Brasil. I^<ra o seu 
medo o espectro do bonapartismo tinha, na Europa, a perennida* 
àò daa moléstias incuráveis. 

Poia, senbores: de 7 de Março de 1808 a 24 de Abril de 1821 
... ewe rei fugitivo de um paiz invadido e decadente, manteve 
ia cabeça a sua coroa, obrigando Xapolfilo Bonaparte a cxcla- 
var em Santa Helena: — «Foi o único que me en<ranou.» 

De feito: emip-ando para o Brasil no pleno uso d» seus 
fontm majestáticos, impedindo que a coroa luR'tana fosso parar 
i cabe^ do algum dos ambiciosos ^eneracs de XapoIeAo, o nosso 
féUto lei mereceu do maior guerreiro do século o reconheeimen- 
ta do tino politico que es«a amarga exclamação revelava». (2) 



José Bonifácio trocou a beca do lente pela farda do vo- 
luntário. O Invasor, conh«cf»ndo o n^ -onhecendo os seua méritos, 
procarou attrahiMo á sua causa, mas não logrou seduzir o pa- 
triota. Ouçamos um «íe beu^ mais illustres — e, certamente, o mais 
carinh<^B0, — a})o1ogista : 

cTornárn-se Portugal um acampamento. Nilo podia o brioso 
professor ficarse reroansado estudando os sens dilectos niineraes, 
ou pensando em desentranhar do solo os thesouros que revela a 
natureza á scíencia e ao tiaballio. Apercebem-se para a guerra 
os escholnres, que nào faltam jamais a alinhar-se na ordem de 
iMitalha, quando as grandes ideias ou us sentimentos generosos 



(1^ Mello Moraes. Jlialoria da Tratlaãação da Côrlê Portitt/ima para o Hratil tm 
J907—iê08. Obra indlípcnsavcl a qaont quer estudar bem oi prodroinos da ludepen- 
cU. 
(2j Jfartlai Fraoeiíeo, em GuararaptM. 



— 96 — 

intimam á sciencia que, á similhança da Bellona anti^, vista 
as armas reluzentes sobre as insígnias do saber. José Bonifácio 
é major, logo depois tenente-corcnel e commandante do animo&o 
e devotado batalbào. A sciencia abre o seu thesourc a improvi- 
sados armamentos. Os laborarorios das escholas s&o agora activos 
arsenaes. Nào ha estado nem condiçAo que exima da« refregas. 
Os prelados ajustam sob o roquete a armadura, os sábios lançam 
o sago bellicoso sobre o capello doutoral. 

Como em todas as épocbas de memorável e de dura prova- 
ção, desde a guerra da independ- ncia contra o dominio caste- 
lhano, o fogoso batalhão dos académicos, agora em frente das 
hostes imperiaes, Hemoiihtra mais uma vez que a juventude, ao 
deixíir os pacificos lavores da intelligencia, não cede o passo aos 
mais intrépidos soldfldos, envelhecidos na marcha e na peleja. 
São nessa conjunção os guerreiros das escholas, os que na pri- 
meira plena se distinguem pelas audazes e bem succedidas en- 
trepre»as contra a Naz^reth e a Figueira, senhoreadMs por va- 
lentes inv;> sores. Os mais graves e austeros cathedraticos esque- 
cem as suas quietas meditações para acudir enthusiastas á com- 
mum defensão dos portuguezes. 

O vicc-reitor da universidade, ecclesiastico e i rofessor das 
leis da Igreja, mais vergado nas Decretas de Gregório IX, que 
na arte i^eiigrpa de Turenne e de Conde, governa militarmente 
a quieta cidade litteraria, agora convertida num estrepitoso 
acampamento. Outro canonista, o decano da faculdade, Fer~ 
nando Saraiva, mai.da o corpo militar formado pelos lentes. 
O professor de chimica, . Thomé Rodrigues Sobral, toma desde 
logo a diiec(;ão de uma officina pynttechnica. A ^ciência, que 
opera pr digiísus maravilbns durante a paz em henra da civi- 
lisnçâo e da riqueza, faz na gueria milagres assombrosos em 
prol Ha independência e liberdade. Tà'> verdadeiro é sempre, e 
eoj toda a ])arte, que. os dois potentií^simos agentes da victoria 
são a i^ciencia e o valor. 

Anda Jogé B»niiaci«> briosamente empenhado na n^sistencia 
aos iuv.isoiei). Tempera o animo p»ra a^ vaionis empresus, que 
o terão aii.da por illustre paladino no fronteiro bttoral do 
oceano. Incetide-se no desculpável e ardente fanatismo contra 
08 inimigas de Portugal. 

Km públicos te>temunbos ficou assignalada a galhardia e o 
primor do grande naturalista como soldado e como chefe*. 

Mais tarde, terminada a campanha, elle próprio dirá & 
Academia Real das Scieiícias, no discurso histórico lido na sessão 
publica em 24 de Junho de 1819: 

«Em Ião arriscadas circumstancias mostrei, senhores, que o 
estudo das lettras não despr<nta as armas, nem embotou um mo- 
mento aquella valentia, que sempre circulara em nossas veias, 
quer nascêssemos áquem ou além do Atlântico». 



— 97 — 

Expurgado o território portugnez da inyasfto francezA. mercê 
dot acontecimentos qae abalavam o throno imi>erial e prepara- 
vam o desfeixo de Leipzig e de W.iterloo, foi o coiiBelheir*» 
Andrada nomeado intendente da policia do Porto. Cumpria 
qnietar ot ânimos revoltos e refrear a violência e o attcntado, 
vestidos na apparencia do zelo patriótico. Com energia, inde- 
pendência e dignidade exerceu elle tfto arriscada e temcroga 
maeistratnra : oa ódios irrompiam violou tos, e a turba apaixo- 
nada clamava por vindictas e perseguições. 

Salvon ent&n, com sacrificio de sua populari«^ade. muitas 
Tidas e bens dos porfuguezes que pasravam por cairanceza- 
dos, e soube conciliar o que exigia a justiça com a indul- 
gência qne se devia mostrar á simples seducijAo e nos erios do 
entendimento, que cumpre tolerar (1). A sua attitiuii» des 
agradon ao governo proconsular, cirso da minima OApaii>uo de 
liberdade. 

«Pungiam-n*o os invejosos e mnlédicrs. O seu trato com 
os governadores do reino n&o era cordial, nem o convidava a 
que passasse a vida longe do Brasil». 

«Si almas degeueracas . . . procuraram, exclamava Andrada 
ao se despedir da Academia de que era secretarÍD perpetuo, 
aaiar^nrar por vezes a minha cansada exist<*ncia, e buscaram, 
■as em vào, mallograr o meu patriotismo e bons de-ejos, o 
ostado da natureza e dos livros no seio da amizade, e a voz da 
naseiencia foram sempre o balsamn salutifero que cicatrisiivn estas 
ionàts do coraç&o. Cumpre, puis, deslembrnr-me do ] assado». 

Exonerado da intendência da policia, torna ás suhs r)ccu))a- 
çfiet ordincrias. O sábio recupera todos os peus direito^ : á 
idaDeía cedem ligar os ardore.s bellicos e as ngita^òeN da ])0- 
lítica. Explora algumas minas portugu<zas, ordenando as uK-is 
iementeiras nos areáes da costa (2); trata da agricultura, e 
arrenda para este iim uma quinta no Almegue, perto de Coim- 
bra; e nos montes de Santo Amaro, perto da Figueira, cuida 
de um grande pinhal e planta arroz, trigo, centeio, legumes, 
hertaliças, flores etc. Publica memrrias de summo interesse, 
que enriquecem as collecções da Academia Real ; emiim, ergue 
esta douta associação a uma altura a que nunca mais bavia de 
attingir após a sua ausência. 

£' desta época que datam a Memoria sohre- as viinas de 
carvão de pedra de Portugal^ 1809, publicada n' O Patriota flu- 
minense em fins de 1813 ; a memoria sobre a nece8:«idade e 
Utilidade de novos bosques em Portufial, onde se reveJa conho- 
eedor profundo da scieiícta florestal fl8ll') ; outra Memo ia .sobre 



(l> Vide José Acúrcio das Neves, Inratíio dv» fraucetet tm Portmjah t H.«» 
(2l Dr. J. K. da B. MaIa.- Principiou a iilantnv^o dne. HicÁes \'vM\9 du Ciuto de 
I. eiOas tcrrM de lavoura c^tuvnin em |)eri(ro de «er al.ifr.Mlay «.• e)<trn'^adi)u pela 
TbifiiiÁiiça do mar; esta sementeira entretanto só teve iirinciíjio em '^ná. idíib lindou 
ÉM ISOe. Foi a primeira aementeirii metbodica qne vingou em l*úrtugnl, o hoje r>s fer- 
de LaTOi eitlo defendidos e amparados. 



r 



— 98 — 

a nova. mina de ouro ãa outra banda do Tejo^ chama dft Pii ti cipo 
Regente (1815); a Memoria minerúgrnpkica sobre o dístritiio 
meialJifero entre os rioa Alve e Zêzere (181(j); outra sobre a« 
pesquisas e lavras doi veios de chumbo na jirovincia de Trás 
fts Montes (1813); além de traballios preciosos tobie a tnetal- 
lurfçiíi, a ffeoírraphia dos antigos, uma iuirodnCvào aos Elemen- 
tos de Meiallurgia, um numero considerável de dia cura os, dís- 
flertaçãea e mFimoriafs lidos na Academia Kcal (1). 

Era tempo de repousar dfi taataa fadig^as no seio da Pátria. 
Fundas saudades do torrilo natal punfriam-Ihe o nobre e amo- 
roso coríiçao. Trasladada a Corte para o Brassil, entregue For- 
tug^al aos dcaasos do governo p roço a sul ar irritado, desconfiado 
e ig^noiante, nada mais prendia José Bonifácio á metrópole, 
onde, nas eminências do poder se acoutavam «a ignorância 
tímida 011 desleixada, o ooscurantismo de algumas toupeiras, 
q^u© temem ou nào podem supportar a luz», (2) 

Pediu e obteve licença para voltar ao seio da Pátria » em 
1819. Contava entào 5$ annos Saliíra do Rio de Jnneiro em 
demanda do Yolbo Rei do em 1780. A sua ausência durara 39 
annos. 

Antes de deixar para semprd as plagas luzitanas, recebeu 
o ultimo e valioso te? te mundo do muito rf^speito que lhe tribu> 
tava o mundo acieutifico: o Instituto d© França (Académit de* 
Sciences) o elegeu seu sócio correspcndcnte, a Utula extran- 
geiro, para a 7,* secçào (Mineralo^íia) (3). 

Ao mesmo Instituto devia, mais tarde, pertencer, pelo mes* 
mo titulo, S. M. o Senhor D. Fedro II, seu augusto pupillo. 



IV 

Chegado ao Rio de Janeiro, trazendo como ualardUo uaico 
d© seus serviços o titulo do Conselho e o habito da Ordem de 

(t) A" Acadomla Soai das ScUncíM He Uhboí Jo»á Booifadí, no Discttrto líúíorie^ 
por Gl[e recsudr^. roniD' «eerotnriot na «ofiiiíci iiutiii^n do 'À* de JudIio de lt<iH, iiiig, t^ 
dea canta úa um eticrlpto ^allodo, cm quo ac proptinba ejcpEnnitf- jl Hifioria Xalurt^ 
úít Plínio 

«F.' iãftlmn qtie d'e>itD aeu precioso Imror Intellectujil nfto apparBcesie pablicndõ tim 
tá fr&^mctito, O» cqidMo* & latbac;:f>e» da vida pobticia, tm que poQco depois tl^arou 
com umAiibo {írovolito o potiií do braiij, Jbe nAo dãixnram momentas á& lozor, «m qiiQ 
desse a haiA derrjiJetrA a obra começada. 

Enlacniido intímamf>nto O Doabecímenti dai modeniKS tc)eiici.i.a nilncraloi^kas e k 
TA^ta orudlç&o nas lettroi closiilcaa, o Eabto amerícinOt com ntíildade tLlmutloEteft Í% 
IttLeratara m1nçrAl0E'ica e d a tvhllolosia Utini, deJKar-iio«'Iila uma vai lufa E:útifroncikcfio 
valrB os ciOnb,iclia'eut'}t OTyctog;D08l;{coF, rspregentados pelo rntnanD compilador. « a ii9> 
tado ím cf^eDclas naturjK^k no ]^rLmetro quartel do aecuio XIX. Beria qaaato los mfnft^ 
raoi notório» nns nntlgoA, o ã sua ainda Imperfeita metal [iir|;ia. titn tralialbo ã^ maior 
coflipr«1icrniftD qoe o de Ltttrt^ quando AJgaiii* aonoa dep^^ts inlerirrctoii e enrjqQecea de 
nobftfc c commentoa a Miêíoria Xatatfíl áa ^cnoral rom^iao.» 

(;í) SiUcmrto na c«sift<^ anui versaria de WtB . 

i3i à ÂÉairmit dut Scinictt, fandadn prio {rcnial ^otboitem tG&6, comp^i-te dédO 
mcmLrot, |ii acâdemlOús liiret e S ificlof txtrantjtirtít . I^[v|d« te eiQ 11 s^cçâfia, a cada 
^ma dM qniies síU) oddldofl corretpoDdonlvf, C^nco bccç^ik?» pertencem àa «cjenelM ma* 
iiamitthstM, ftcla Ài id«Eic3as /?%cír». Cada aecçto coi»pTQli«nd« P aembros iitularm 
«xcep;& a 4.*r qu« tem D. 



— 99 — 

GhiiBto, Joi^ Bonifácio apreeentoa-se ao monarcha. O f;overno 
de d. Jo&o VI quii de proinjito a]»roveitAr os seas merecimeutoSi 
instando com elle para acceiuir o lo^ar de director da Univer- 
tidade que ent&o 6«s projectava crear no Brasil, por ser natural 
«escolher jiara seu creador e prinniiro reitor um sábio abalisado 
e encyclopedico como o consolheiro Andrada, o uuico capaz de 
erguer este estabelecimento ao pardos mais perfeitos da Kuroi^a.» 
Tendo de seguir para Santo«, adiou a sua resposta ; e os acon- 
tecimentos que se succederam vedram a leiíiisação do iiiu^^iio 
projecto. Até hoje o Brazil não tem uma Universidade. Em 
eompensaç&o é a terra das Faculdades livren^ libérrimas até. 
Em Santos, José Bonifácio foi habitar o seu sitio dos Ok- 
ttiriíihos. Alli poz em ordem os seus preciosos manuscrijitos 
(1), classificou a sua immen^^a coUeci^ào de minerncs, de plautas 
e de medalhas trazidas da Europa e com])oz grande parte de 
suas poesias. Em Março de 1820 emprcUeudeu, em companhia 
de seu irmfto Martin Francisco, uma excursão montanisticn em 
pirte da província de S. Paulo, pani detc^rmioar os terrenos au- 
riferos. Esse bello e importante trabalho foi impresso no Jour- 
nal deJi Mines. De Ytú remetteu a S. M. o sr. d. Joào VI os 
seus versos O Brasil «no faustissimo dia 13 de Maio do 1820.» 
Dis o poeta: 

Nào te enganem com vil hy])ocrÍ8Ía 
Astutos cortezãos, sombrios bonzos, 
E os que nos mollcs vicios í^er aftectuo 
«Alburquerques terriveis, Ca&tros furtes, 
«Em quem poder, porém, já tem a morto.» 
Mas em tomo de ti te adejem brandas, 
Filhas do Cco ! verdade, sà justiça, 
Meiga e cândida paz. risonha Flora, 
Ceres, Pomona, os sylphos bemfazejos 
Que os thesouroj te abram, entranhados 
Nas vastas serras, nas impervias mattas. 
lliumina teus povos; d<i soccorru, 



1 Bm PaqnetA o dr. RmlUo Joaqalm da Silva M.iía viu 03 suiralntes manoscriptoi 
da MH aibIko Andrada: — !. Jornal do saatt viap^fO» , i'.* Tratado de niiocralogia. 
3.' Parta dai olirai de VirffíUo, tradiizidâK com oumincntaHoK : 4/ Compendio Uu mon- 
taalatlea. geometria inbterrAnea e dociraaKia ractnliur;; ca; eistc ora o seu compendio 
4a aoa eadelra da nnlTeraidade de Coimbra. A. ^Icmoria sobre o trabalho o manipu- 
lacio dae mlnaa de onro em geral. C* U tP4tam»iito motaliurgtco, do qual se iropri- 
■fran om LlibAa aa primelraa folhai, sendo |irohibida a publicncAo daa outra*, por ellai 
Iram de encontro a almimni opinifíca theologicaa. f . * Alguns elc^^ios históricos: entro 
aatea oeeapa aem dnvida o primeiro iogaro Jed. Maria 1. V.- ^niitas observiíçrics »naa 
BOlira diTenaa mlnaa da Enropa. lo. Kllo copiou rgualmcnte, por própria letira, muitos 
aanascrfptoa exlatentea naa direraas bibliotheratt do LlHliôa sobre o Bra.>>il, a^ suas 
^odseçSes e outros objectos, muitos doa quaea s.lo do grande valor. «Deus purniitta 
qia lodos estes preciosos manuacriptoó se niío percam, como tantos outrot« do outros 
lllaatras brasileiros, e qne com a sua publicaçilo pn^Fani ainda aor uteid». 

ne*mo dr. via também cm Paquetá a collecçrio d(> medalhas, muito Intcredoante 
efliilto rica, B-»bre moedas portuguezM. entre as qnaos tiiiha algemas antigas e raris- 
.| Qaa flm leraram todos esses tbesouros ecientiScos?! 



^ 100 — 

Prompto e Beg'iiro, ao indio to^co, ao negro, 

Ao [lobre desvalido. — Etitâo riqueza 

Tau« cofres aiicherá* O mar iDcbado 

Verá» ináiian manso acamar-fce, ermo outr^ora, 

De novo» argonautas eotre as proas: 

Verás o génio da í^í^titil botânica, 

A qnem a bemfeitora medicina 

Corteja e acompanha a fl^riKultnra, 

A coroa enramar- te de mil loiros: 

A creadora chimica eicoltada 

Das artes todas, verás o ri cu seio 

Hevasftr sobre ti, sobre teus ]*i>voSi 

Dos tbesoTiros que o pátrio solo encerra. (1) 

Em Santos, nas suas terras dos Ottieirinhos^ e no sítio dd 
Santo Amaro, perto da Villa, entregue áa suas cog-itaçôes pbi^ 
loBophicas, contemplando o espectáculo da plangente uaturezs, — 

Gomo esta matta escura e^tá medonha! 

Nào é tào feia a habitação dos manes! 

Est«^ ribeiro triste como sõa 

Por tntre o pardo ©mmaranha<Jo bosfjue, 

E como corre va^ii^-oio e pobre? 

O aol, que já se esconde no horizonte, 

O qtiadro ateia maia, — O vento surdo 

De quando em quntido só aa folha» movei 

E^ í»sle da tnsieza o negro alverguel 
Tudo é medonho e triste! só minh^ alma 
Nao farta o triste peito de tristeza l (2) 

meditava sobre o estado do Brazil e ouvia ao longe o frag-or da 
t€mpeidade que vJnha se aproximando. 




A 24 de Ago«fco de 1820 rebentou uma revolução no Porto, 

logo depois correspondida em Lisboa, estabelecendo pm Pt^rtugal 
o syslema constitucional repretBentativo, D. Jofto VI teve que 
regresar^ muito contra a vtmtade, para o Velho Reino, deixando 
no Brasil como regento seu filho, o príncipe d. Pedro de Al- 
can tara-Bou rbon 

A 13 de Março de 1821, o Capttáo-General Joio Carlos 
Augusto de Oe^nhaueen Grevenburg annuciava em bando na 
capital desta província a prc cl amacio do systeraa constitucional 
em S. Paulo^ como antes já o havia sido na cidade do Rio de 
Janeiro. Os seis dppntados desta província ás Cflrt^s Coniti- 
tmntes foram eleitos ; a José Bonifácio foi devida a honrosa 



2 Id. Apaj. TO. ' 



— 101 — 

eicolba dos di^OB deputados panlístas cavantajando-se entre 
elloB o irmào do conselheiro Audrada, António Carlos, que» 
secnndado por 6eus collegas. á excepç&o de um, soube con- 
lervar a dignidade do Brasil, e calçar o caminho para sua ia- 
dependência.» (1). 

Em 23 de Junho de 1821, deu-se em S. Paulo um movi- 
mento popular, de que resultou a eleiç&o e insiallaçflo de um 
Governo Provisório^ — «José Bonifácio, o génio da liberdade e do 
patriotismo, o fantor principal da InHependcncia, o vult«> gran- 
dioso na magnifica epopéa da fundbçAo do Império, animava o 
movimento e o dirigia, com aquella cii-cums(-ecçâ.o e prudência 
qae assellavam todos os seus acios.9 (2). 

Foi acciamado presidente do (jroverno popular o Capit&o- 
Oeneml Jo&o Carlos, que tão boas prcvas d» capacidade e pa- 
tríotlsuio dera nos governos de Matto Grosso n CenrA e desde 
25 de Abril de 1819 no de S Paulo (8). Era ju>;to preito 
áquelle varão illustre. A Jojió Bonifácio coubo a vice-pre»idencia. 
Os outros membroR eram : secr^tarios — do Interior o Fazenda, o 
coronel Martin Frnncikco Hibeiro de Audrada; da Guerra, o 
coronel Lazaro José Gonçalves ; da Marinha, o chefe de e!>quadra 
Miguel José de Oliveira Pinto. Vogaes : pelo ecelesiastico, o 
arcipreste Felisberto Gomes Jardim e o tliosoureiro-roór João 
Ferreira de Oliveira Baeno ; pelas arma», os coronéis António 
Leite Pereira da Gama Lobo e Daniel Pudro MúUer; p^^lo com- 
mercio, o brigadeiro Manuel Rodrigues Jordão e o coronel Fran- 
cisco Ignacio de Sousa Queiroz ; pela in^trucção publica, o padre 
Fnncisco de Paula e Oliveira e o tenente-c >ronel André da 
Silva Gomes de Castro, e pela Agricultura, o dr. Nicolau Pereira 
de Campos Ver*{ueiro «^ o tenenttí-corouel António Mana Quartin. 

Em D ezembro, porém, o cr>u8elheiro José Bonifácio e seu 
irm&o MartJD Francisco, mbendo da noticia do próxima retirada 
do príncipe d. Pedro para Portugal, convocaram os inombrost do 
governo para uma reunião na n^ito de 24, o, nesta rennião, ex- 
pazeram-lhes a necessidade de uma menba«;em ao principe— de- 
clarando- lhe que a sua partida seria o signal da t-eparação do 
Brasil. Desta e de outras idênticas mensagens foram ])ortadores : 
por parte do governo provisório, o conselheiro Joté Bonifácio 
e o coronel Gama Lobo ; pe a da camará municipal, u marechal 

1 Sibofo hiâtorieo, Jà cltAdo-Ori deputados por 8 PatiIo foram: Nicolau Ferefrm 
da Campo* Vergueiro, António Carlod Klheiro de Andrada Machado o Hllva. Joaé Ricardo 
da CotU Afilar de Andradv Dioço António Koijú. Josá Feliciano Fernandes ['Jnheiro, 

't Vanael da Silva Boeno itoraoa assento como supplentei, Antunio Paes de 
(idemi. Francisco de Paaia 8ou»a e Mello 'nAo tomou assento). 

2 CoDMibeiro Ole^^ario H. de Aquino h Castro. 
9 Vide o Douo estudo sobre Oetfnkantên, publicado em Mniço de \902. O mar- 

£M de Aracaty men.-ce ser Julgado melhor do que tom sido geralmente. O visc'<ndo 
Tannay eonfloa-noi, para ler. pouco antca de mnrrer, a i> parte de uma hiographia 
leta de Otjnhausen. K' nm trabalho • Bplr*ndi'1n, Igooramos si o concluiu. - bom 
A Wida do Alauriin'a f^rnrynr, B.wAo >\Q Mol^ja-.-o. c«j a carreira Iramortal des- 
sa imprensa de Cnyabã. eu :u<>.'. o i9>'0. Ksto foi uma das figuras mala 
da historia de Matto Oroiso no seoulo 19. 



r 




— 102 — 

ÁTooche ; pela do biq>n e clero, o viprario de M Boy, Alexandre 
Gomes de Azevedo, E fleoruiram para o Rio de Janeirr^. 

Foi no dia 9 de Jancim de 1822 que eaaas coiimissõeSt e 
outras do Rio de Janeiro e Mioas Gerae?, «e dirig-iram em muito 
cofjçorrido présiito ao príncipe regente, que, depois de ret!ebel-Aa 
e oavH-aã, respondeu que ficaria^ na crença de ser ma para 
BEM DE TDDoa K, em get^uida, no dia lU, oTí^-anisoii o ministério^ 
cabendo ao conselheiro Jo&o Bonifácio as pactas do reino e doa 
negócios exiran^eiros (1),— E&tava papsado o Rubicou, 

Desee dia IG de Jaueirn até 12 de Outubro de I82*i, a bÍ6- 
toTÍa de JoEé Bonifácio é a historia da revolução da Independência 
do Brasil e da acclaTraçao do seu Primeiro Imperador, Ja es- 
crevemos, si bem que resumidameniR, esta historia, em outra a 
columníiEi (2). Ha quem dif^a qve—biurepeiitapíacçnt Seremos 
lacónico, afim de n^o (^an^^ar o leitor e nào alongar demasiado 
esto artigo, onde piocuramos esboçar aiiteb a figura do Sábio do 
que a du Politico 

For decreto de 3 de Julho, tni nomeado ministro da Fazenda 
Martin Francisco Kíboiío dp Andríida.— A Beruarfia de Francisca 
Ignaciú convuUiotiára S, Pnulo e fora eaug-á de perseguições in- 
justaa: o movimento popular de 23 de maio não fôra um assomo 
de reacção lusitana e fim o frncto de dissençõea locaes e divertren- 
cias ]ie^soaes, do ciúmes políticos, «questão de pennachoi, — Fôra 
illogicn suppôr que o coronel Francisco Ignacio, o ouvidor Costa 
Carvalho, o ex-capitâo general Oeynhausen e outros patriotas 
eram infensos A causa brasileira e aos interepáes paulistas (3J, 
O Príncipe Regente dirigio-se a S. Pauto: foi nesta viagem 
providencial que S. A. *írgueu o brado do Ypiranga e consum- 
mou a separação ^e a Independência* (A\ 

Cumpre lembrnr que, dias antes, «acbando-ee reunida em con- 
selho toda a administração pela princeza d. Lecipoldina, o sr, Manin 
Francisco, ministro doa neg:ocios da fazendn, proprz que o Bratil 
se devia declarar independente de Porrugal, visto a má condncta 
das cortes portu^tiezas para com elJe; esta ideia foi energica- 
mente defendida pelo sr, José Bonifácio, ministro do império e 
dos negócios extfangeirfií, e npoinda pelo resto do ministério, 
;fícaDdo eucarregado o dito ar, Martin Francisco do mandar o of 
íicio declarando esta decisão ao priucipe, que então se achava 
em S. Pauío. O que logo tudo teve logar, decidindo ao prín- 
cipe a praticar a heróica ac^ào do campo do Ypírangfl.* (5) 

Decidida a Independpncia, seguia se marcar a forma de go- 
verno. Escreve António de Menezes Yasconcellos de Drummoud; 



1 JqSd Vendei de ATaitíida» XM^t Gtmtalúpieaí^ 

í Álbum Jmptriai, u, ;.\ dfs i:u de JiiDelra iJo IflOfi. Artigo I>. /Wro /. 

3 V|d« A Ititerofianlu p^ilonlc* hlftáricii eotre o dr. António Pka c o birio do 
À litmardO' 4« Fraifciico IgnócWt triCHcrÍpt& nm ^tritfd do JuiíHmío Bigíori- 

ca iê S, Pamto, 

4 ÁlbMm Jmptrinh Ti, ?, nrt^ clt, 

h Eit>gi9 Uitt-arica do dr. E^ J, da 8ltv& Uili, nota 33 & pag. ISS. 



— 103 — 

cA ideia de se confeiír ao príncipe o titulo de imperador e não 
de rei DABceu exclusivamente de José Bonifácio, e foi adoptada 
pelo príncipe, com ezclus&o de outro qualquer. 

Nos conselhos al^ma opposição houve quem fizesse a esta 
ideia, não por a jnlj^r prejudicial, mns somente pelo temor 
de que viesse oecasionar al^nm embaraço para o reconhecimento 
das outras nações. Os que assim pensavam opinavam pelo titulo 
de rei, que nfto acharia os mesmos embaraços, sobretudo da 
parte das grandes potencias da Europa. Jos<'t Bonifácio refutou 
todoí esses argumentos, que lhe pareciam infundados. 

cO Brnsil, dizia elle, quer viver em pnz e amizade com 
Iodas as outras nações, ha de trntar e<riialmeute bem todos os 
eztrangeiros, masjámfiis consentirá que lhe intervenham nos 
negócios internos do paiz. Si houver uma fó nação que não 
queira »ujeitar-Ee a esta conHiçuo, sentiremos muito, nias nem 
por isso nos havemos de humilbar nem submetter ú sua von- 
tade». Estas, e outras palavras de egual peío e consideração, 
elle as disse, em minhu ])resença, a M. Chamberlan, encarre- 
gado de negócios da Inglaterra». (1) Era a liuguap^em alti- 
Tt de es'.*larecido patriotismo, cônscio do sua força. 



O Ministério Andraf^a prrstou emineTitissimos serviços ao 
Brasil. Confessa-o uma testemunha inf^uspeita e illustre, íal- 
Imdo dos deus irmãos ministros : 

« Nenhuns outros entravam na admini*-tração debaixo de 
flwlhores ans]MCÍos de opinião publicn, qno um o outro gosAvam 
6m grau superior de saber e patriotismo, ]>rincipalmente o pri- 
moiro. Era seguramente este o único homem apontado então 
como possuidor das qualidades nece&saiins ]>ara diriírir a revo- 
lução, porque ao prestipo de hua popularidade, necessária a 
tcdos os ministros em todos os tempos, e com muita especiali- 
dade em crises revolucionarias, reunia vasto saber, imaginação 
vi?a, actividade sem egual e intrepidez remarcavel. 

Todas essas qualidades desenvolveu durante o temj o da 
ma administração, com geial conceito e applauso... 

Entrou o sr. José Bonifácio na crise mnis assustadora por 
que esta cidade tem passado. Jorge de Avilez acabava do in- 
snbordinar-se, á to-ta da Divisão Auxiliadora de Portugal, na 
noite de 11 de Janeiro, escandalisada da nobre resolução que 
8. M. o Imperador, então Príncipe Kegento, havia tomado, no 
dia 9 do mesmo mez, de ficar no Brazii. 

As enérgicas medidas do mesmo senhor, secundada.^ pela 
attitude guerreira que a^ tropas brasileiras e o })ovo em massa 



1 ÁnmMã da Sihitotktea .Vaeional, rol. XIII. 



r 



— 104 — 

desta CEpitftl desenvolTeram, no dia 12 e seg-uiãtee, obn^aram 
aquelltí getieral a embarcar com os i>eiie âuldndúa para & Praia 
Grande. Mas hta uâo bastaTa : ora nece^gArio obrtj^al-os a fia- 
hir para fora do Brasil. Isto se conseguiu com effeito ; e nfto 
se pôde negar que eata acção heróica íoi dâvida á energia e 
iDtrepidess do príticipe regeu èij, como Ó de todos bem subido : 
mas t-gta aó não fora bastante, si o sr, José Bonifácio não esti- 
vesse á testa dos neg^ocios, e os nuo dirigisse com ac-rto, flem 
que p^r isso q^uei ramos iteg^ar gloria diâtincta ao miui^tro d& 
Guerra, o sr. Joaquim de Oliveira Aivareã, que nessa ouctisí&o 
lhe coube, pela actividade e boa disposição de suas medidas. 
Aqoi ternos um acto grande deste Ministério, qae é ntscesaario 
lançar na conf» da* suas (tbras boas. 

Seja o segundo a creaçÈlo do Goneelho de Procuradorea Ge— 
raes das Províncias do Brasil, por decreto de 16 de Feví'rt?iro ; 
medida politica e acertada, qufl, iançHndin os primeiro» funda- 
tneutori da nosaa repre^iBiitaçàn nacional, foi precios-a pedra imaa 
que priíicipií 11 a Httrabir todaí* ua provinciítí^ » um centro, ^em. 
o qufil a divisS-o houv^^ra sidu inevitavtil, a Indcfiendencia teria 
EÍdot sinílo impraticável, pt^b^ menos mnu difficil de obt« r e eu- 
luctada de muito sunguo, e o [tr>pciio npp^r^cin tardei ou nunca, 
como era mais natural. Graças, portr.nto, a^i» governo que iiot 
preparou tfto gríinde bem, o nos poupou a t^intoa ma er;. 

Para que tudo fosse rápido na ciiuaa da lud^^peiidi^nciaf o 
dfcreto de 3 de Junbu, deliberado no Coneelho dos Procurado- 
dores Gera s, e referendais peJn sr. ÁiidradH, [treparou o pri- 
inteiro p.T.s»0 para ellp, ou heju antes n segundo , porque o pri- 
meiro foi. na nosãa opinião, o mage-to-o acto He 9 de Janeiro» 
Convncíida põr este decreto uma Ãssemblea (jeral Qf-n^-tituinie^ J 
segura ficfjú desde lo^^o ao B^njcil a certeza de que ia eer in- ' 
defíen tente, e possuir uma Constituiçilo ; aa-im »« veriticou com 
effeito e a quem se devem estp^ dons bens? Sem ne^atnioa o 
primeiro movei de jíbenome-nos ràn espantoso* pela rapi-lez com 
que se obraram á foiça d;i npini&o de tod^* o povo brnsiieiro 
que se pronunciou a uma só voz, cnin ft^rçu soberana e irrcsia- 
tivel, cumpre que tributemos ao g^fverno o devido recfinbeei- 
menio pela s^bednria, |iatriotismo e exaltado liberali-imo com 
que i^oube obedecer a e»su mesma opiniAo, aproveitar se delta e 
dirigi l*a para prosperidade do Bnisil Me.nos vigilância do go- 
verno, fii elíe tivesse tído menos patriotismo ou illiberal, o» 
espifit'»» que se exaltavam Gi»m amor pela Indepf^udericLae Goti'- 
Btituii^ão, bouveram tomado outr» vereda. Graças, pois, ao go« 
veruo. que, pelo acerto com que dirigiu o Leme da náu do Jijsia* 
do, nos levou a porto de salvação. 

N^o podia escapar ao génio crendor do primeiro ministro 
do Bfastl que, d''clarada a lu lependencía^ principal ponto a que 
eaminhHvam sttas vi»tas, era necessária â ac^lumaçao do Prin" 
cipe Regente; este pas^âo cortava toda^ aa vistaít de esperança 



— 105 — 

qne Portugal niada pndesse ter sobro o Brasil, e destruía ao 
mesmo tempo quaeiqner idcíias desvairadas qne alg'uma província 
porventura pudesse ter, e é fora de davida que com efiV*ito 
ãnha: era, por conseqaencia, necessário. Gatrou. pois, ues^ta 
empresa, e fácil lhe foi ieval^a a bom resultado, porquo os 
ânimos «-staTam dís])08ros. Znldsos patriotas uniram-ctí a«> Mi- 
nístrfs dÍ9pazf*ram-se as cousas, e veríticou-se a ncclam^irAo no 
sempre memorável dia 12 de Outubro de 1822. «m i-ei- pro- 
TÍncias a uma só voz, e á mesma hora, e todas as outras tizeram 
outro tanto, immediatamente que puderam. 

Na nossa opiuíAo, <*iite pas-o prifsei vou o Brazil de «rran-^es 
males, firmou a i^sua Independência e apressou o reconlicc.iinrnto 
desta. E porqun a «floria de uma jrn.ndti a ção é stíMípni do 
general que a díri<;e, emborn hej-i verdade que na McrlaiitavAo 
do Imperador tive>^am dístincta parte muiti s liome' s ]).*irriotas 
e o povo todo que unanimemente a queria, nm;xuem on^^nrá 
nejrar ao Míníatro que a prrt^idiu, o logar distincto que neíla 
t^ve, e que fez um serviço relevante á aua Pátria. 

A ordem natural do se«j:u>nienr(» da caura da Independência 
obrigou-nos a alterar a recordaçAo de diversos act* s inip«)rtMntes, 
que simultaneamente í ilustraram a marcha patriótica, sábia e 
activa do {governo. Todf s f^abcm a actividade que se tomou 
contra Portu«ral e » cioso seiá nicordar a ^'•uerra que do Kio de 
Janeiro se fez ao >^eneral Mad^^ira e li^ suas tropas na Hahia. O ma- 
nifesto do Pricipe Regente aos* povos desto Império, datado de 1 
is AsTOStn de 1822, e nutro aoít governos e i a(;òes nmitras, com 
dita de 6 do me^mo mez, hão pf*(;a^ ({ue muito bom nm os seus 
autores. O decreto de aninifltin pelas pai^sadas opiniòeH. de 18 
de Setembro, ordenando ao mesmo tempo o disr.inctivo — « Inde- 
pendência ou mortn » — adoptado pelo Princip»^ Rf»«j:ente nos 
Cimpos do Ypiran*^a. e mandando sahir os di-sidentes, acto 
foi n&o só de phtrioti«'mo, mas di^ íjfcnio muito politico, bem- 
iozejo e liberal. Outros do mesmo m<'z, que designaram o tope 
nacional brazileiro, deram ao Hrazil um escudo de ai mas e mu- 
daram a côr das fardas dos cria ios da ('a^^a Ini])erial, são provas 
nada equivocas de génio t^o nacional como cr^adir do ministro 
que os referendou. E, para que ir mais longe V O que tica dito 
basta para formar o conceito de que o governo em 1822 fea 
serviços notáveis ao Brasil, que este nunca deve esquecer. . . 

Os roais membros do Mim -ter io triibalharam de accôrdo, 
iià»» tiveram por sua posição logar (>pj»ortuno de sobre-abi- 
Mas não é bom que deixemos de ta/er bonrosa memoria 
do fir. Nobreg^a, que se fez distincto jiflo seu amor dos princípios 
eoustitucionaea, nem do sr. Tactano Pinto do Mimnda Monte- 
negro, depois Marquez de Vi lia Real da Praia Grande, em quem 
resplandeceu sempre amor de justiça e bom fazer. 

O sr. Martin Frrncisco i Ilustrou o seu Ministério, pelos 
princípios sem exemplo que desenvolveu da mais stiicta eco- 




106 -^ 

noinía na despesa do9 d inli feires públicos, e esmiuçada fiâfalian- 
çic da receita: qualidades gjlo estas que nem os seus inimigos 
lhe tíím &abr<lo uegar, e ellas fAzeiUt ná no^&u opiuíào, o tnsis 
soberbo eloírio qno o mais perfeito admiuistrador da Fasfienda. 
páde desejar.» (1) 

A 28 de Outubro de 1822 k lavrada a dt^mií^sfio do Mi- 
nÍBt*i^rio. O povf* reclama cm tnmaiUo a sua reintcgraçilo: o 
Imperador cftaa. r os Andrndas voltam ao podtT doua difis de- 
pois, com medidas extrnordinarins. Procede- se a umit devassa, 
em virtude da portniia de 11 de Novembro* contra «uma fa- 
cção occulU e tenebrosa de fnmo&os derr.íigoíros e anarchííita&» ; 
e nella %ho incluídos José Clementei O «^i^Dcral Nóbrega^ Ledo^ 
cónego Januário, padr^ Lessu, Doininf^oi Alvee Branco e ou- 
tros eer^idores distinctos do psisi. SesTue-se a dí^portaçào ou a 
prisAo; Lí-do consegue fujíir pnra a Banda Oriental. Jmé Bo- 
nifácio inauj^ura uma politica de reacção, «Seu zelo o levou 
talvea a actos discricionaricSt que o verdadeiro liberal reprova, 
mas escuta o rpspeita pífios motivos cjne os prodnziríim.» 

O reverso da medallia está na dÍESoluçÔo da Constituinte, que 
perjurara ao peu mandato, e na pri&ao e de[vortaçíio doa três Au- 
dradas e de mais l'i deputadf^s, ar^ruidos por seu turno, pela reac- 
ção coiiRlitucíoufll, do «faifo^os demasrogos e Jinarchista?,» (2) 

A demiís&o do Ministério den-se a 17 de julbo de 18Í3; 
a disyoluçíio a 23 de Novembi-o : «ct,5 necessarin, que livrou o 
Brazil da anarehía parlaiucntar; acto strictamento constimcional, 
que íissp^''urou ao Império a decretaçào e o juraaiento de um 
pacto Fundamental, tido até boje como um modelo de fãbedo- 
tia e liberalismo. 



nu R* tím^ jtopa imporlAlfttíJ pM» n nn^tn hlPtorljt oit<í dofnmcíriíft. [nUtnl:i«to-0 Mi' 
mideríQ doí »rt. Àndraia*. Cnniprirli irvintcrgs^cT-^cj ni Inie^aí mns nOo qacrerufli nh»- 
aju- ã^ ^oneroifsk b^ijtliâlidndD dpstia, lllustriiiln rrdncçfta. 

KJf^urArA çtn ien 1at(ílri> teÕr no Tolbctí; ciu qno pretcDãemoi cnrdxnr tiU pcqnoni 
téríe úa nrtíçod 

(^) « EniTii tií> Andrndna t^oHtícos vigorosos, rrn1tenfE?a, úbçtlniifloE. Ob !pds antago- 
nistns TtM n diAm ctspcrjir riellca toler.iTicU, nem qnsiitd Tnrr-ndo ni:or« cúefe dn npita- 
• tçjto purlamcnL-^r» domiTiArdo com >«ntf IrinAof a iitiemlnlèn cortílUuloto, Jna^ Bonif^ela 
ps^ou i<iii dar&$ e dropaiif lentos ri.'pnígn?rnB as violcnt:iB P^irrctfiif^cA catn que os »dqs 
emulou lhe Iiaviam nniíirgnraíJo n iiiifliEenciíi o o porlpr. O4 Airlrudim jiieamni no Pi*r!íi- 
niento e nn liiprcnsA uma prntrrn inexorável, de qnii £c§^iirftm«DiC9 dAd ealiift avantif^jailA 
a pop^UrLdade Q u foturo do juvenil JroperAtlor. 

O TarAr\3fa e n Srníínflía, or^nnii dos Andraiin* riA fnipranan^, nifiiA<riiiii Sk pxlsteneta 
MtTibQlAda no i^ftblpçto. Jofé BooiTíicfcr, quQ nJlú ponstifa doiM DrAtorlov, mn! pndorU 
trftatadar «ni nrrujas d» tribanu a fortaíez» r.iroiiil do scQ espiritei, « Eadoíiilíú fervor 
dm fuaa patxJ)c«. c n dora atiiniiudveriíAD hm euua cuntríidktore* Mn-^ a pnl^ticn aiidjii 
do* tret Iriíi-iiOi tínba p»ra *» lucrns do ParlaiBenlo « voa de Anloiiío Carluí, fogo*», 
«loqtieittQ, Ap<TÍXDnid«. A ifiembléji foi ectAo a tcetia d« violenti«íifm[i9 debatç», «ru i^qd 

po¥o. inciniiicndo no próprio recinto pArfnniPtitnr. t«m^n vm pcln* Andri.dMi c/tntrA ot 
qii« o ««d pAi-ttd^ v^rlicrnvfi coidd Infí^toi à Ubcrdndo b Jnderpendcocla do Brasil. ' *ev- 
■Ao àe nj do Novcmb'» íic 1^^3 fleou ptira ftnipr» memorada como uiu* da» hijiIs tcm- 
pstliiAAítii Hem ú ^D cxtrattbAr qiifl tm seu dífflcM iiDVleJ;4do a nnc^o nloda !ni>xp«ria. e 

01 im» priuiPÍros míndaUríni aã il*"fTi6$çtn irnnivjÉr. António C«rlo4 iua»iroa-aA há- 
quellA tcrmenbofa c^njDDCtnrn um tríbctno revolDctonaTln 

Ah ftaiNflipe da cooi^encio pNti^elA refârverom itiAls Indnmltntt sob a nrdento ínflulçAo 
io »&t dos tropiâof, A críto potJtka Rmoav^eiva dangnãntai dosildlúâ na Brasil... f—La- 
Uno Voeihf, op, cit 



^L 



~ 107 — 

 bordo do navio JéUCfjnia^ seguiram os det^terrados a 2 
de NoTembro para a França. .Toeu Bonifácio foi tabitar nos 
arrabftldes de Bordeaux, onde livre do baiulho das grandes ci- 
dades e rodeado da<s pessoas que lhe eram mais caras, se con- 
lolava com a leitura e cultura da poesia. 

Em princípios de 1825 ft>z elle imprimir as Poesias aviil- 
90$ de America ElyttiOt onde se deparam composições nota- 
taveis pela forma genuinamente vernácula e nào raras pela inspi- 
ração, qnaes a Ode aos Bahianoa, a Ode aos Gregos^ e outras. 

A metfífícação é impeccavel. Na Ode intitulada O poeta 
deãUrradOt o patriota, ulcerado ])ela injustiça e pela ingratidão, 
expande a sua indiguaçSo contra os seus adversários. 

Ora é a saudade que o punge : 

Os lábios que ora movem moUes vci*so8, 
Já levantar souberam d.i vingança 
Grito tremendo, o despertar a Pátria 
Do somno amadornado. 

Mas de todo acabou da pátria a gloria ! 
Da liberdade o brado, quo troava 
Peio inteiro Brasil, hoje emmudece, 
Entre grilhões e mortes. 

Sobre tuas ruínas gemem, choram 
Longo da pátria os filhos foragidos : 
Accusa-os de traição, porque a amavam, 
Servil, infame bando. 

Ab ! Nflo diga?, 6 zoilo, mal do vate, 
Si aos lares seus nào v^^lta; acícalado, 
Buído ferro afogaria o grito 
Que pela Tutria ergue&sc. 

Aos inimigos que o lançaram a caminho do exílio c o rc- 
jaimm a praias extrangeiras : 

Maldição sobre vós, almas damnadas! 
A taça do prazer a vós vos saiba 
Como o mel venenoso das abelhas 
Da cisplatina plaga. 



Qae um Trasybulo novo so levante 
c'am punhado de heróes, a tyrannia 
Xo enbangnentado throno já lutante 
Cabirá aos pés exaague. 



— loe — 

Outras vezes, esquecendo qne a velhice lhe está já inti- 
mando a temperança do coraç&o, o estro de José Bonifácio 
voeja em raptos eróticos. Em vez de cantar como Horácio: 

Desino dulcíum 

Mater soeva Cupidinnm 

Circa lustra decem flectere mollibus 

Jnm durnm imperiis. Abi 

Quo blandse juveuum te revocant preces : (1) 

pede ás conFolações do amor o lenitivo ás suas maguaa de 
cidudfio e de proscripto. 

Nas poesias de Américo Elysio, além de muitas originaet 
compusições, deparam-se notáveis trasladações d« eminentes poe- 
tas, antigos e modernos. A poesia bíblica está alli representi^ 
da pela paraphrase de uma parte do Cântico dos Cânticos, A 
mn^a greco- romana tem tio livro a sua parte, nas versões de 
Pindaro, de Hes^iodo e Virgílio. Dos poetns inglezes apparecem 
trasladados alguns trechos de Ossían e de Young. (2) 

VI 

Sete longos annos durou o destf»rro. 

Ao cnbo deste tempo, voltou o conselheiro Andrada ao Bra- 
sil ; e tendo perdido na travessia sua boa esposa, companheira 
dos seus trabalhos, aviso que a Providencia lhe mandava doa 
males que o aguardavam na pátria, beijou coberto de lucto as 
praias de Níctheroy. O nobre velho é bem recebido do Impe- 
rador. M/iS de pouco lhe poude file servir, pois os caminnoi 
da gloria por onde tinha começado a sua carreira estavam se- 
meadoii de abrolhos impossíveis de se arrancar. Por este tempo 
o Corpo Legislativo, rt conhecendo os grandes serviços presta- 
dos á pHtria por este illustre braf^ileiro, satisfez aos desejos do 
governo, que lhe concedeu a pensào anuual de 4:0001(000. 

Ketiiado á ilha de Paquetá, ainda alli o foi desenterrar a 
calumnia: forja -se o plano de republicas ridículas, e se apregoa 
como o sou chefe o venerando ancião, que não responde sinio 
com o desprezo. E* porém neste mesmo tempo que uma socie- 
dade sabifl, a Imperial Academia de Medicina da Corte, como 
para o indemnisar, o escolheu para sócio honorário, honrando-0 
assim, e honrando- se egualmente. Egual tributo lhe pagou a 
sociedade de Instrucção Elementar (3). 



(I) Horat. Carm. IV, 4 -8— NoU 26 do sr Latino Coelho. 

{2i lá ibid.-- Daranlo aindi a aaa reiidenoia em Portagal, tradaiia do gr^go o 
Idyllio A' Pritnartra Pablicon-o em !HI6, na impressilo régia, cotd as inloiaei J B. A. 
8. Bahia mais tarde trantcHpto no Parnaso Broiiltiro, caderno IV, pag. 61 Vtia oa 
edIçAo de l**»\. a paga. 140 144.com nnuk Advertência. 

(3i CU. Eiboço Hitt. anon. 



— 109 — 

Eis cbpgadoí o« ominosng di«8 de Abril, de longa mão pre- 
parados ]ielo8 conutitueionaeSt liberaat e arruaceiros e pnr uma 
•oldadcsca capitaneada por alpiDR cbeíes tmidores. (1) Uma 
«lei^o impmdente de ministros é o pretf^xto He que se servem 
01 corypheuB da revolução para amotinar as inassas inconscien- 
tes. ^ o Imperador, can»'ad<) de tanta perfídia, abdica muito 
ToluDtarUmente o tbrouo em seu Augusto Filho. Reconhecen- 
do em José Bonifácio o seu verdadeiro amigo, lavra o seu tes- 
tamento politico, nomeaiido-o Tutor de seus t^turos filhos. Nesse 
dia, na bera suprema do infortúnio, escreve Homem de Mello, 
o Ãindador do imp-'rio está abraçado com José Bonifácio : «era a 
reconciliação, publica e f>olemne, com o seu glorioso passado de 
11B22.— A geração da Independência estava rehubilitada. —Ainda 
nma yex, a magnanimidade da índole brasileira trouxo-no8 este 
desenlace consolador nec^sa grande crise do nos<o passado». (2) 

Xão: a ureração da Independência não preci^^nva do rehabi- 
litaçio. A 7 de Setembro D. Pedro I estava idontifícado com 
os Andradas, e estes com o Brasil. Sete He Abril não foi a 
lesvltante de 12 de Novembro: eraí in fatis, 

A Camará dos Deputados logo depois annullou a nomea- 
ção feita pelo Imperador; mas nomeou tutor ao mesmo conse- 
lheiro José Bonifácio, que aliás protestara, defendendo os seus 
direitos, oa antes os do pae rie seus augustos pupillos. JoséBo- 
BÍfaein teve então, e por muito ]>onci) tt-mpo, assento na Cama- 
n. Nnnca, porém, foi nradf>r par amentar. 

Ifim 18^2 surgiu o partido caraniurú, fiel interprete dos 
natiinpot<>B de lepulsa da nação cuntra o ensaio de re]>ublica, 
eooeretiiiiado no governo reiren ial. Jo^é Bomfauio. accuHHdo de 
rãiiauradort foi envolvido nas intrigas politicas {H) e d clarado 
nupeito. Os renlauradores foram victima^ das maiorei» violen- 
das naa noites de 2 a 5 de Dezembro de 1833. O governo 

I Tid Álbum Imperial somo eit. art «obre D Pedro I 

t F. I. M Homem de Mello Á Constituinte perante a Fittoria in flne. B' um 
Ifn u tanto Incenvo e cbeio de bôM inteDçí^ev em relAçllo á rerolncionaria Assemblé». 

S Bobre o partido Caramurú e a accAo do» Andradas na Realauraçiio, melbor 
»■ no artigo referente a António Carlos. KntretKnto, dcade Ja deixaremos consi- 
Mta facto : 

No catalogo doa manosoriptoa e antog^apbot deixados por 8 M. o Imperador D. 
Feiro II, na Quinta da Boa Vista, encontra-ne o sv^ruinto período : 

«Carta antocrrapha de D. Pedro a Antnn'o Carlos de Andrade, datada de Lisboa, 14 
!• aateai^ro de 163'. na qnal se lê a seguinte dvclnraçfto : 

•Art. J .* A minha abdicaçfto está valiova. jamais tive tençfto de a declarar nulla». 

Ho art. 2.* depoia de longaa explicac&es. cnclnc : «Amo muito o Brabil; amo 
aiHe a mena fllboi e a todos os meus coocidadftcti : eu amo muitíssimo a minha bonra 
• a mlaba repntaçfto ; respeito sobremaneira o juramento qnc voluntariameiíto pruitioi á 
OBislitofcio brasileira, para ir emprebonder couraM que nflo sejam legacs c qne u&o 
ionfonDea com a TOntadoReral du nnvfto brasiloiía, a qno pertenço» 

Tndo do próprio puubo do Primeiro Imprrhdcr. 

Commentando este documento que foi coiligido p^lo dr. José Maria Vaz Pinto Coelho, 
•KreTen a gaieta republicsna O Ttmpu, em s«>t(>nihro de 1x9:^ : 

• B' este documento da maior valia para o conhecimento exacto do um dus mali 
agitados períodos da nossa historia politica 

babemos qne. depoii da abdiçilo do Primeiro Imperador, os políticos adhesoii ao sou 
goreroo e os qne por despeito, csidrito de oppo>iv*Ao uu des^u^to pela incapacidade do 

CTcmo regenclal, procuravam a volta de D. Fedro I e conspiravam contra a validado 
aMiçio ita peiioa de aen filho. 





— 110 — 



chofiava 03 mottna, eequioao do ar*aricar tio vftlli'> patriota a 
tutoria dí) D. Pedm It. Conseguiu o seu fitn siuistro, — Nôsaes 
dias fataest qttebrnm-lhe os vidrflça^, cobrem de baldões o in- 
jurias seu nomo respeitaveli « o governo, &em o menor direito, 
suspende- o Eleito daflseembliía ; o tutor do D. Pedro II è con- 
duzido A prisào por nm capitAo. A Camará sanecioiíou com 
applau&os de sua míiioria túdíis as medidas tcmadaa pelo Minis- 
terio da Regen'>;ia, 

Soffreu coacçfto e espionagi^em em Paquetá durafite alguns 
mezes, E nm historiador rende fj^^ríiças ao governo dictaíorial j 
«nào foi de outro modo perse*ruido, nem í;ouvo empenho politico 
6m obstar p sna absolvição no processo que do necessidade lhe 
iustaurarara, , ,» (1). 

Depois da terrível catas trophe, os rectos de vida senaitiva- 
e intelleciual que ainda auimavauí o conselheiro Andrada foram- 
se esvaecíiiido pouco a pouco, até que pelai 3 horas do dia 6 de 
Abril de 1838j na mesma data do anuiversario em que íorfi no- 
meado par D. Pedro 1 tutor de seus fiihosj no mesmo dia em 
que ee amontoou o combustivel em que deviam arder a tranquil- 
lidade e a pax do Brat^il foi ^ua alma pura receber o galar d ào 
de «cus feitos da mfto d'Aquelle que sonda os corações, e, in- 
dulgente ás fraquezas da mísera huinauidade^ Jeva-lhe em conts 
até a menor pArcetla de virtude. 

Morreu pobre, como pobre vivera. Recusou todas as con— 
decorín,"5es e o titalo de marquez, offerecidoa pelo primeiro Im- 
perador, Nfto representou S. Paulo nns Cortes Constituiu tei. 
Foi apenas deputado á Ássembléa disrolvida e sed presidente e 
vice-prcísidente. Nunca foi Senador do Império o Pátria rcha da 
Independência, o Washington, ou si preferirem, o Franklin bra» 
sileiro».. o nosso Hutuboldt! 

— José Bonifácio— ó um contemporâneo e amigo quem fala 
—era d© estatura menos que ordinária, de figura regular, 
branco e loiro na sua mocidade, d© olbos pequenos o vivos, 
que descobriam a delicadeza de suas sensações e finura de seu. 
espirito. Sua conversaçfio era amena e jovial, e recheada de 
labaredas d© espirito, cheia de a] 1 «soes finas e engraçadas. Os 
seus costumes eram doces, sua bondade quasi angélica estava 



Mtiõi SehãMti*nuÍn§ de entUo eram ctaainitÚQi earamttrút e Rt •HM prlsclpftâi II- 
li:arB« «ratii ãim^ BoniiAi;iõ, tnior 4a mc^olan impcrndorr C tca Irmftó Auloolo CarloM El- 
beLro ÚB AndruJa Mjicbndo d i^ilvn, o j;n'Jindp arnúnr dr^ Coii6tltulTit^>H 

Acr(.<AÍUrft->e qoQ )i <lc«trulçio da bodi?dBdq) lUliiur p?ki poro e A prl^Ko da Jo«é 
Bonifácio ttiiLam «ida «« cnosas dcBtmldorivti do pi^rtido earamuru. A CATt» gae vAimi 
triíaacrtvtm^í provu que foi Apeou a le&ldadQ de U. Pcíto i na acto, espontiDeo, da 
faa AbdícAçAo. 

For aqueneii Aimdi.^ n traprcn»& liberal nccfls&TA AntotilD Carlos de ter tdo á Ra- 
jopB convidíir o ímpermdor a rnííar e o Sei* de Aiinl tlodlcoa41i« A vlAirera uniB cele- 
bre poctJiL Iiumoriilic^, Os faramurtiê Dephmmnn^ mos Y«moi brije qna era vcrflAdfl. 

l). Pedro I nfto foE rçitabeleE^Ldo no ttifono, por^qe nko quli occiíder m conrtl* 
doi cafamttrúw. 

Kuib tleçAo é um nrím, porc^ae hft iiOinnteclinoiíUB talstorícoí lue se i-éproúDEcni^t 

(1} 4 M. deMAcedú. CU. Mtàoço liut ahqh. 



f 



— 111 — 

pintada do sen rosto ; sua pnciencia era stoica, sua toleTaiicia 
evangrelica, sua caridade verdadeiramente cbristil. Elle nunca 
eonaervou rancor, nunca esqueceu beneficio, nunca recusou 
loccorro a quem lhe o pedia. Nào procurou inimizades siiião 
por bem do Brasil ; si a difficuldade das circumstancias em que 
ae achou collocado o fez desviar da senda do estricto direito, o 
•eu coraçfto nâo teve parte no que a cub(íça prescrevia. Kmfim 
teve defeitos, porque era homem, porém os seus defeitos eram 
pontos mui imperceptiveis no mar do suas boas qualidades. 



A 7 da Setembro de 1872, no quinqua^esimo auniversario 
da indef^endencia, foi Inau^pirada na praça de S. Francisco de 
Faula, na cidade do Hio de Janeiro, com tnda a solcninidade, 
a estatua de José Bonifácio de Andrada e Silva, obra do esta- 
tnario francez Luiz Kochet, o mefmo que também fizera u do 
Fundador do Império. 

Ao discur>(0 do orador do Instituto Ilistotieo, de onde jtartira 
a iniciativa para a execução da idéa, respondeu o Imperador: 

«As nações enf^raudeceni-se com as homeuas^ens prestadas a 
Bens varues illustres. José Bouifucio de Andrada o Silva é di- 
gno da vencraçtlo que lhe tributam os brasileiros, e eu lhe con- 
ugro como grato Pupillo.» 

O monumento compòe-se de uma e-tatua pedestre, de bronze, 
npresentando o grande patriota tr^ijando á corte, tendo na m&o 
CM|aerda o manifesto de 6 de A^^osto de 1822 cm que procla- 
naim aos povos a nossa emancipação politica, e na direita a 
paanA com que o escrevera ; apoia ei^pa mào em livros amon- 
toados numa cadeira de estylo ^rep:o. Ornam-lhe o pedestal 
giiatro figuras alle^roricas, symbolisaudo a Justiça, a l^oesia, a 
ciência e a Integridade, vasadas tombem em bronze massiço. 
A inseri pçíio consta do seu nome e data da proclamação da nos- 
ia independencifl. A ba>e em que assenta o monumento é de 
mármore rosa do monte Jura, e os de<;ráus da escada octogonal 
que o círcnmda silo de gianito do Rio de Janeiro. 

A* inaun^uraçfio da estatua assistiram, além de S. ]^^. o Im- 
perador, S. M. a Imperatriz, SS. AA. a Princeza Imperial e o 
sr. Condo d'Eu, grandes do Império, o Instituto Histórico c Cico- 
graphico Brasileiro e enorme ctncurao de i>ovo. 



De S. Domingos, '•m Nictheroy, o seu cadáver, conveniente- 
mente embalsamado, foi depositado na^* catacumbas da Ordem 
do Carmo da Còrtc, e mais tarde transferido para a cidade na- 
tal| como em testamento pedira. 

Na cidade Andradina repousa o maior dos Andradas, — «ho- 
mem monument j, homem três monumentos : um, pela sciencia, 
outro pela poesia, outro pela gh-ria de patriarcha da indepen- 



— U2 — 

dencift da pátria; Jmè Bonifácio, rf^i de trts corôJiSf vi^en, Bo- 

resct^u, respl' iideu, b nioíreu sftido o admirável gymbolo da 
simplicidade ei^tupenda^ do di'»inteiree>tí ine^ict^divel, da probida- 
dtí brílLante, ^em jj^ça, e do patriotip^mo mmis acryisoludo.» 

à T de Seieií^bro de 1B72 fai collocada sobre a f^ua sepul- 
tura a pedra tumulur oftflrecida pelo insifíne artista António Car- 
los do Carmo (1), dierno filho da cidade Prauca do lm^»erador. 

Retiroj Março, 1907. 

EL Leío Bourboul. 

Oí De nouft blograpliU d« António Carla» âo Carmo, pablIc&ÚA em aon^ Juaiáççit 
i% Fr^QCH, era 1^=34 : 

— Km ií^ttB, ftcbuidci-ie em Bnntot, BODbe gae miqnÊlls dda4«, bà f^fr^Ji do Cir- 
nao «utttVMu f BpnLtjUlOB o« rwtc» nierta^« do Cooiellieiro Jo*á B^juIíacíò de Andridi. e 
Bílf» fie™ qQ« Rf} i»«n(]f hi>iive«te scbrE a e^puUara um* pedra trum AlfcitmA 1 nfi{:rlpçlto 
l^ne Htieetaiae &oa vltidotiroii qa& nlli repourJi^nm o*, reiios mortnee do pAtriarclm da 
lJiúei,-endPDCiiK O p^tnotisiao dft Auiofjiò Carlos dú Csirmo r«V{tlt«f)-eQ cotiirA imtf» 
6BqQ4?i;ími^Qto 6 tn^ntidflo e lmmcdlivtan]«'n!:D m and ou pnimritr omii i$.ji'iãe com iiiícrl];^ 
çl« ,- e â ? de Bttcmbro dáqoelk itnno fei. a ccl]rc«çftú delia, que ainda hoje pâde i«r 
viÈi% DO centro do iltar-mór da Ej^rc^Ja do CoaroDio logo qoé «e IraDipiía o arcchcrD.' 
lefro 

Eis a iaacripç&o.: 

AQUI JAZ 

Q Fatdâj^ha da ind^pARdencfa do Briill 

grufido o deHiQt«r«»»ado 

patrlotat dínUrcto cidadAo, 

JQBE' BosciFAcio Dl, Aif^BADá £ BtLya 

THljoto á virtude 

tattora e mérito 

Pelo crusta A C. do Csi-ma 

8at$'ot 7 df Sitt7,)í,ri> tU ISSÍt 4? aumâ. 



M 



A rfl^peito deate pledoío a patTloUeo nc^o lÊ-«e aa Corrtio Paulhiano de 10 ãaqnel- 

le OjCS V annO : 

Twmwín ^t Joãé Bottifaeio^ - A 1 do eorreote f^^t posti uma pedra marwora f4^br« o 
tumulo úi) dotarf-J -panlliiu Jiscé Bonifácio de AEidrada e tíllva- ciij.t» èJnaas acbauí^» 
em tiitta dã« lepnlttirafe dacapeila-niúr da Kgreja do Carmo em Baotoa. 

Rate acto piedoAO foi Mbo pí^la artista António Carloa do Carmo, filho duta proTln- 
cla e dire&Lúr da co/apaobla eqaaitre quo trabailia acmalmaate em aarttoa. 

S' djpio de louvor o modetlo patriotismo ditqnellfl artf&ta 

D«ii-Ke o acto lem a tolnlna 0ol«tiiiildad«, «ttatido preunt^a dnaa ou tret peaidai 
atapleimaate apagar da conitdaraçla qae am paíattoM trjbala-ao aotra nóa águsll» gram^ 
d* vultú da kiãioria pátria^ 

-Feia lei o 7 de 9 da Marejo de 1í^P6 dcoa O Ooi-cfoo da Provinda -auctoHtado a 
despender até a quantia da lO c^ntof de réis com o layantaiDento de um tamolo po 
logar mntfl convenleute dí cldnd^ de Ha d to*, para eoccrrar o» pr(H::ioi«s reiUi» do tíranda 
cidndao .lofé BoDiracio d? Aadrada « Pilta, fnltecido em ti. de Abril da lÊtii^ * Rit^ 
prolecio BpraaeDtado pelo sr, coronel Joaqaiai B^inedlcto de 4a«lro« Tallaa (barto do 
jApy) foi ftancçionado pula ir. cuiuelbciro JojLo Alfredo. 

-Etcrevea o «r. dr. Alfredo Moreira Pinto em l»»^4 : 

•A cotúinlftá&o encarregada de ârl^r mn mausoléu a Jos4 Bonifadot depois da a& 
qDletconcU do cOUegQ dr. Rd a ardo Doarte «ia eltvaa T d^ Ueaembro de Mti^J reuoin-ae 
na capei la m^r da epejn do coo^ento do Carmo e procedeu a exbamtçio dos oasot do 
grande morto. Erpieudo-^e a pedra mármore loe exi«tia eobre a sepoitara mandada 
ColIfH^ãr pelo pan'itU, artltla e director de Qitia cooipaobla equMtre Aíitúnlo Carloa 
do Carmo, estavam ■»« oeiue do grande Qnado dentrv d« am caix»a de aioco lendo por 
fára do ffiumo toboa» de outra calxAo 

RecDUild«« «m ama orn^i Ucaram depoiiftadofl ua chapei lã -múr atá o dia 12 do mesmo 
mez de Dei embro, eiti qn& ínr^m cundosidia para o mausoléu, i^o centro do daaitro do 
convento, onde hlftda da tc socam . 

O mauÁuIáQ á de mnKo i^oistci artiatieo e obra de BemardellJi, 

Ha iobri elle o corpo d o Patfiarcba, d» mármore, sobre uni caixHo tem tampa, re- 
poUMiDdo a cabeça sobre um traveaaelro e ooberio com um mnxiXo de brcmsa. 

Kãti re^^ardado por cm alpendre de vidro a eereado por um gradll de mármore. 

Aoa péf foi eúUMa4ii a pedra ofTereclda por aqaallB artista. 




JOSÉ* BONIFÁCIO (O velho) 



I 



— 115 ^ 
TESTAMENTO (1) 

KM KOMS DE T)E^JS^ AUE^l 

Eu, José Bonifácio d© Andrada© Silva, osta tido em perfeito 
Jniio e nfiQ flnbendo o t«rmo de minha existência, fiís esto teata- 
mento como minba ultima vontade» e é da mnnoira Bcguiute : 

Son natural da província de S. Paulo, deste Império do 
BraiÊlf nascido e baptisado na Vi lia de Santos, 61b o legitimo 
do coronel Bonifácio José Ribeiro de An d rada com d. Maria 
Barbara da Silva, ambos ao fazer deste já fallecidos. 

Fui casado com d. Narciaa Em i lia Oleary de Andradai já 
fillecida, de quem tive duas filbas, a saber: 

D. Carlota Emilia de Andrada, cAsnda com Alexandre An- 
tónio YandelU, 

E d. Gabriella Fredetica Ribetro do And rada, casada com 
o conselheiro Martin Francisco Ribeiro dâ And rada* 

DeclaTO mais que tonko outra £lba uaturnl, chamada d. 
Narcisa Cândida de Andradn, a quem sempre reconheci e criei 
eomo minha verdadeira íilba, e ee acha leg^almente legitimada. 

Nomeio por meu testamenteiro: 

Em primeiro logar ao DeBembarf^ador Francisco de França 
Miranda ; 

Em se^ndo logar a m«u irmllo Martin Franci&co Hibeiro 
de Andrada; 

Em terceiro logar ao Reverendo hniz da Veiga Cabral» aos 
quaea hei por abonados, independentâ de preâta<;ào de finura 
alguma , 

Nomeio para tutor e curador de minha filha D* Narcisa 
Cândida do Andra^fa a meu presado irmão Martin Francisco 
Ribeiro de Andrada, a quem p^'ço que t^niquanto esta miuha 
61ha nâo tomar estado, a nAo separe da companhia de san tia 
D, Mar a Amália Nebias» em at tenção ao amor de mãe com que 
a tem tratado, serviços que lhe tem prestado, e confiança que 
n^ella fúço. 

O meu corpo será, sem pompa, sepultado na í^rreja aonde 
altimameote me tiver dado a rolj e o respectivo Parocho dirá 
uma missa de corpo presente por minha alma. 

Declaro qu^ tenho, na proviíicia do 3. Paulo, districto de 
Pamabybfl, uma fazenda de terraa para criação, a qual se chama 
Monserfaíe, 

Tenho mais na diia província, districto da Vida de tSantos, 
uma porção de terras chamadas Oiteirmltos. 



(1) Por JDle*rmo« de Intcn^se, tr&tiiladamai cono Ann^Koi o T«fttAiiiflntQ dtt 
JOiè BÒnlficto a a i^irte tor&eira 4g um poftfnetm do ^lloitra úlplamatK SHíacI Murin 
Li«Mi&. Birâi/ de J&pari, iniftalAdA O Fairi^nfehi da I/tdtptHãêneis. K^to pooraoto x^m 
noi RoEnancei Hlstoricús. pnblicAdoí «m V&!le da Be»cii| r^o Chile, em i»a«lro de IHt^ 
obra boje saaito fvm.— E, L. B. 



^ 116 — 



'^ 



Tenbíí mais na dita proviíieia, diitricto de Piracicalja, uma 

5 arte n'utn eD^reiíbo d© aseucar, com suas terraB e bemfeitoriíift, 
o qual meu irrnâo Martin Francisco Ribeiro de And rada é di- 
rector e admitiigtrador. 

Tenbo mais uo distrícto do Rio de Janeiro, em a ilba d© 
Paquetái utiia pequena cbacaia, com ca^ae p mnis b^mfei tonas, em 
cuja ca^-a se acba depositada a minha numerosa livraria (pouco 
mab ou tafiioH gpia mil volutnea), afora ob menu manuBcriptoB. 

Tenho encaixotada uma coneideravel collecçào mineralogic* 
em ca^a do tenetite-coronel Joâi^ Joaquim do& Santos;, aBsíatanto 
na ma do Lavradio, e tAitto nefila ci mo em IjvroB empreguei 
toda a minha tal ou qnal fortunn. 

Te'iho vm gn»rdft dft Antouio Luiz Fernandes Pinto quatro 
apólices do ^n^-t^rno que venet-m i'ineo por cento; a &tib<»r: trf» 
d e~tas acv(5es t^ho de um cnnfo de réifl cada uma, e a quarta 
«ótncnte de qiifttrn cent06 mil réía. 

Também se acbn an fazer dest» em sua guarda uma porção de 
dinheiro que ao presente dt-lle vou gaitando; o que tudi. metbor 
con&tará da conta que elle apresentar, pcis é negociante boura- 
do nesta praça e homem de bem, 

Ficnram da minha fallecida mulher m joiaa sepuintes : 

Dois tioR de pérolas, a eaber: um maie finoj outro mais graúdo. 

Uma plumii, 

Brinco-i t? alfinete de p*^jto também ornados de pérolas. 

Quatrí m^míTias de otir-» com Hiia=* pedras de p*'n(*o valor. 

Um eordfio de ouro rie quatro palmos de comprido. 

K duB» caixas de ouro para uso de rapé, a sab^r ; uma 
eamaltada e outra lisa, 

Tenho ao fazer de^te alguma fr&Ui para uso da mesa e lases 
que uâo deolaro por poder desencaminhar- se alguma ppça em 
minha vida e será a qufl sp achar por meu falle^^imeiíto. 

Declaro que tive contns em vida do fallecido António Ro- 
drigues da Silva, natura 1 do Rio do Janeiro, e a meu vêr as 
julgo saldadai^ a meu favor, entrando nellas dustentos mil réU 
que ultiinantefite lhe tinba dHdo, e cem mil réis que dei á sua 
enteada pflra o enterro daquelle, do que existe recibo. 

Tau bem me sfto devedores algumas pesfoast cujos nomet o 
créditos se flcham, parte em meu p der, e parte em m&o d© 
António T^uiz Fernandes Pint/i, já mencionado, que a*' todo- 
andará pouco maii* ou menoa por um conto e seiscentos mil réi». 

Declaro que até- a data de bije. por conta que me foi remef- 
tida, d*^vo no Sr. Luiz de Meneze». de Vasconcellos Drummond, 
a quantia de quatro contos e duzentos e dezoito mil e novecento» 
réis, de prestações que me tem teito, entrando nellas o impcrtfl, 
de mvnha paisagem de Fr«n<;a pBra o Bradl e todas as despesas 
do funerrJ da minba falbcida mulher. 

Dechiro que tenho despendido vários dinheiros em beneficio 
d« minha 61 ha D. Carlota Emília de Andrada e seu marido^ enà 




I 



-^ 117 — 

prpjuizo dos mais berdeiríís, e para deaeaeargo de minha con-^ 
Kc.eneiâ deverá eolrar em collaçâo coin ab despesas que ultima- 
mento úz com ella e teu marido a saber : 

Um contf' canto e setenta mil réis de saa paBgagetn d» 
Fortug:al para o BroBil. 

Cetjto e oiteotA mil néí» Je »iia passagem para Bantos, 

Cetito e ciucoentd mil réâ, dmb^im adiantado, que por ella 
fecebeu neata occasià^ aeu marid'^ para a dita viagem. 

E duzentas e ouenta mil ré-s por uma l<^trH de cambio 
paB&adn em Li^sbóa^ á oráfin de João Ribeiro de Carvalho; o 
que tudo somina um conto Btítecentoa e oiti^uta mii réis. 

l/eiXM Á minha afilhada Cu Ho ta Èmilin Machado, que ao 
prôBeiiie se acha em minha companhia, cem mii réis. 

Deixo A meu irmáo Martin Francinco Kibeiro de Andrada 
U>ào^ os rneUD manuacriptoB que ee achfirem depene aderna doa. 

Declaro que deixo por univerial herdeira da minha terça 
a minha filha D. Karciaa Cândida de Andrada, em cuja terça é 
minha voutade entrai em em ccllaçào aa quatro apólices do go- 
Yemo, acima mencionadas, igualmente uma criança cabrin ha cfaa- 
m&da Constança, e um preto de nação chamado Pedro. 

Deixo igualmente o» meus serviços (si Sua Majestade Impe- 
rial os julgar dignos de alguma remuneração) a José Maximiano 
Kodrignes Machado, na coodiçfto de se verificar o casamento com 
a dita miulia filha D. Narclea Cândida de Ãndrada, por e&te m^a 
ter pedido para tna esposa e eu o julgar muito capaz; porém, 
no caso que por algum incidente se uào verifique com elle o 
dito casamento, passarào á pessoa que com ella casar com appro- 
Tação do tutor* 

E por erta forma dou por c ncluído este meu testamento, 
qtie quero que »© cumpra, por *er esta a minha ultima vontade, 
e para este fim imphro & protecç&o dag leis ; e pedi ao dito 
Eeverendo Luiz da Veiga Cabral, que eijte por mira fizesse, o 
<|nal vai por mim a^signado. 

Bio de Janeiro, na ilha de Paqnetá» 9 de Setembro de 1834. 

José BoHiFACfO db ândradâ h Silva.. 
Padre Litiz ãa Veiga Cobrai, 

O auto de approvação é datado do mesmo dia e foi feito 
por Francisco Manuel de Mello, tabelliào e escrivão do juík de 
paz do districto da freguezia do Senhor Bom Jesus oo Monte 
da ilha de Paquetá. 

Ãsftignaram como testemunhas: José Martins Vianna de 
Castro, José Narcito de Cerqueira, João Pereira de Carvalho e 
Silva^ Joaquim António de Almeida, Joào Francisco Graça e 
João MarceLlino Rodrigues. 

Foi apresentado, em 6 de Abril de 1638» pelo testamenteiro, 
o Desembargador Francisco de França Miranda, ao escrivão inte- 
rino da proTêdoria da cidade de Nictheroy, Silreitre dos BeÍ9 




^ U8 ^ 

None», e al>erto pelo juiz inuiucipal interino, o cidadão Matmel do 
Fria» e VascoDcelIoe, que maDdou te ciimpriase e se regístraaae. 

No dia 3 do mosmo mez fiseignou o DeÊetnh&rg-ador Fran- 
cisco de França Miranda o termo de ftceitaçào dos encargos da 
teatamentana. 

Em 17 de Setembro de 1840 inundava o promotor interino 
doa resíduos, o advogado Alexandre Moreira de Sonaa Reqniflo, 
qne o testamenteiro ptovasàe que o testador fora lepultaao na 
matriz em que ultimamente ae dera a rói, como determina uma 
de auas diapoaiçae^. 

«Nada consta doB antoa a respeito, lè-so na Revista Popular^ 
XII, 1861; Fabo-se, porém^ qne o corpo do illustre finado foi 
embala:; mndo e transportado de Nictheroy para esta corte e de^ 

gositado naa catacnmtaB da igreja da Senhora do Monte do 
armo e depoía trasladado para a ViUa de Santos, 

«ÁB visceras foram sepultadas, creio qne sem ceremonía reli- 
giosa de qualidade alguiua, na cflpt^lla de Nosia Senhora da 
Conceição de Nicthfroy, onde o Padre Jeronyrao Máximo Ro- 
drigues disse uma miísa de coi^po presentí^, de esmola de quatro 
mil réijí, por alma do fallecido, a pedido do irmão do finado, 
Martiii Francisco Hibeiro de Andrada», 



O PATRIARCHA DA INDEPENDÊNCIA 

BOMAKCfl TERCEIRO 

O w^^m-^^f^ (1) 

Eu vejo Nictliero de lacto coberto. 
Eu vejo o mar quieto, e o zepbiro mudo \ 
A grande cidade parece um deserto, 
Nas margens do lago concenlra-se tudo ! 

Noa nuiroB altivos, do Frunco íeitura, 
Era tempo ma*-cndo a bombarda arrebenta, 
Quaea tríatea gemidos com quo a amargura 
Do velbc Nicthero no peito se ostenta ! 

Eu vejo cem barcas com remos pausados, 
Cobertas de luctfv^ a lagoa aulcando, 
Qu-ea veem-fe na Austrália de cysnes pesados 
As negras fileiras em ordem nadando. 



1) Oi que tlvercTn preseDcEAâ[> o fnnerftl de Joi^ BonUacía, recontiecerlo o qtini 
fielnaent^ procurei deicre'Vcr aqnílln funetirti pompa. CcidíI' poráQ eeso numero é lioil- 
t&â4. deve eitplic!»r que o vc^li^ ^adrailn failât«Q em B. Dcmíng^oB, pequ^nii púv&açAO 
froDt&lrH á ddndo iId Rio do J<-iD?íro : dnJii í«l trAa^port.idõ Híi jjaleoia imperlAl» com 
nnmêrcsHS soquito da fali[iA3^ i4 riíitpti. do lM%ri do Paço, ondo deaemb»rcoii ; paftfcDn pelâ 
freatc do paç<j Imperial ; e íHfiivo*8aQdo o inr^^, foi refober aa Iianrna riiuebrea nã, 




— 119 — 

Entre ellai avante de todas vG-se nmn 
D© m^alos ftccordes aa auras enchendo^ 
Qae sho compasfladas c^o fervor da eapnma 
E o gemer dns rcmoe com pausa batenda, 

Gâleota imperial que após todae avança, 
De negro ve 11 tido traz e^a pesada, 
E «m trifite ataúdn sobre a eça descansa 
Tudo o que á terra pertence de Aodrada. 

'Inda boíit^tn domava mil almas curvadas, 
Brílbava entre genioa, igualava roí numes | 
E' boje um moo tão ló de cinzas geladai, 
Bastidas com cu- to por finos perfumes ! 

À argêntea madeixa já nada encadêa ; 
O baço ílbo axul a si já nada attrahe 1 
No muodíi do tempo cruel tudo é préa ; 
Perece assim tudo } tudo assim de cabe ! 

Mfti a alma sublime que animava Ãndrada, 
Alma sempre intenta da pátria na ^loL^a, 
Terá em nossos peitos eterna morada, 
Viverá pr'a sempre na nossa memoria; 

Sem que o tempo possa jamais consumi 1-Bj 
Sem qne a dura looza om ecu pe?o a esmague, 
Sem que o frio gelj da campa tronquilla 
Doa nossos affectos os fogoa apague. 

Nos fortes castello» que Nictbero guarda, 

A altiva trincbeira relíimpeja e fuma, 

E estouram a um tempo as vos^ea da bombarda, 

Que ba pouco se ouviam só uma por uma^ 

E do GuAnabara nos muros limosos 

A barca funérea por fim deposita 

Do Audrada immortal oa despojos preciosos 

Em que um povo inteiro tristes olbos fíta. 

E quando (ó portento!) da barca descia 

O esquife sagrado á apíoboada praça, 

Á lua que em lucto seu roEto cobria, 

Bompe as negras nuvens e o féretro abraça! (1) 



L 



U Site p^etfco Íacrd«i3te, filho lem injiAh do acuo, oceotrti Uterfi[mt£i1e conto 
ú iwatúrú m texio. e eu prc^c^ncloL 

Um di «duelo poeU aot^o, a cdJa {^r^nfUo deu D tnftlor n preço, ú!)£GrTO[t-m<^ tixim 
ho TeciHi át arte maior, dflYJn hbVDr eeropro cadcocln on le^cv^in »y1>al»^, ^c^m imriQ- 
gaaz a reRT», creio oomiado qao elJn ndnilUíi exTcp^aes : ns ( pãielhimcp, quc' ossin 
tauiio de&tfl m^Lro, is vezes pòam & {sadencia na primeira cu us lerc^iiii ejllaba^ 




— 120 — 

E o féretro pa^Pá unte o pobre npopfiito 
D'onde a Aug'Hatíi Próla d« reia poderosos 
Do aniíg:n conteoipla o tri&te gaht mento 
Com piíítoB sentidf flf com oIIiob chorosos. 

De acceaos brandões uma dupla ala traça 
Do aequito fúnebre a vereda augrusta; 
E' mai& tudo um mar de cabeçaii que a praça 
Inunda, e murtnur», e ameaça e aBsuáta. 

Um templo elegante, profuso em lavores, 
Recebe em sou seio o fi^retro sHgnido ; 
Maâ hoje ae orcultam seus ricos primorea 
Noa tiegrfs tapiaea que teem-nn euluctado. 

As iu nobres toebsB que bTilham aoa centos 
E tudo abrasar em ^eu lume parecem, 
36 deixfim \ér rot-toa de dôr maeilentos, 
Só olhos que amargas bgrimag aquecem. 

Dõ baliamoa fíaos eão urnas fechadas 
Âs almas dos homens que eg'tialam sii^â Numes; 
UrTias que fomente depoiB de quebradas 
Derramara ua terra seus ricoa perfurmes! 

Da Virçem do Carmo no templo sumptuoso 
Tristes eaiacumbas ein um claustro erguidas, 
Recebem as cinaps do heróe generoso, 
Por finos perfumes com custo sustidas ; 

Coa Ánjoa ú& g-uardam, solícitos, mestos, 
Até que, sulcando o procelloso pég^Oi 
Do velho Patriacha fs acatados re&tos 
Em terra paulista vê o buscar scc€go. 

MiuuEL Maria Libbôa. 
(Baiào do Japurá). 



CíiiUno »ÍD tQrres, nl Almcans, dJ pneote. 
For cnyos j&lrnfig &m vei de tu genitv 
KeptHe« arrfi«tr»n tu. pfel ínuirlIlB, 
iDi-mtfquett ArfiOTún ttu moòm itRoTfi 
Td« ^co« Chpfow de tvútki y fltrei t eto. 

Et, pprUDtD, flm eecrerer am ou outro dejtfis ranoi cm ci«da&olA na U^ 
■fllJibft lia Ineorrc^Oflo, ccQíOi»-i&9 o ter por coinpiub^ro em til fiUA & imi ganja Ho 
diitlD^tO cfiiiiio Zairltlft. 




DIOOIONARIO TOPOaRAPHICO 



DA 



COMARCA DE CASA BRANCA 

(Estado de São Paulo, Brasil) 



POR 



LAFAVEXXE OE X0L.E:D0 



1899 



Coordenado pelo dr, Alfredo de Toledo 



APVEETENCIÁ 

Já estava qiaABi concluída esta obra quando^ 
oeste antio, IVram promu gadaa aa leia creando o 
municipio de Tambahú e tran&fe rindo o districta 
de Itobí, de Sao José do Rio Pardo para Caaa 
Branca. Por esta raz&o é posai vel que Haja 
algum encano na desígnaç&o de qualquer loca- 
lidade, et mo pertencente a um ou a outro mu- 
Qieipio, 



Casa-Brancat dezembro, 1898, 



L. DB T, 



Geogrnphia é a deecripç5o de varias re- 
giões e chorographia u de uma parto limitada 
da terra, como um estado, uma província, etc. 
Quando a doscripçlo ee restringe ninda mais, 
como a ama cidado, uma villa, degigna-ae com 
o Bome de iopographii^ 

José Poíipei\ 



leto %^o una apontamentos, qtie iíz paraoa 
gastos de casa, e também para o publico. 

JoÁO ÃLVASBS S o ARIES. 




Diccimiano ToiícgrspiíiCQ la Cmarca de Casa Bracca 



Áçuorn — CorregnínLo, no lUio Caclioeira, a ff, do rio Verde, 
ÁGUA BRAT^cA^Corrego na fazenda da Frata, nAluGiite do 

Agua Compkida — Córrego. Vide Comprido. 

Aott Fina — Correguinlio ha fuzeoda Barreiro, afílucnte do 
Pederneiras. 

Agoa Fria — Quarteirão pertencente a este diatricto policial. 

Seu ucme indígena é IroiçÂ, pelo qual, aliás, ntio 6 coribe- 
cido. A denominação provém do córrego Ag-ua Fiia, do raunicipio 
de SÃO José do Bio Fardo. 

Agua Parada— Referi odo-Be á noiicia sobre Aguj? Pafda, 

2tie inserimos neste trabalho, escreveu o dr» Aríãtidt^s Serpa em 
► -R/LYJ— jornal do Sâcraraento (Mina»): • Com effeito nenbum 
li>g:areja, nem rio, exi&te com eise nome no inanicipio da Caia 
Branca. Hflf porém, é certo, nm peqaeno lacrimíil, bituado na 
intig^a estrada de 7odag'em qae de Ciisa Branca ia n Hho Josií 
do Kio Pardo, e hoje cortado pelo ramal doste uliimo iiomn da 
linha férrea Mog-iana, donominodo A^rua Parada. Nào aerá a caso 
que to retere Moreira Pinto? » — tl'de facto a esse la^írirnal q\iQ 
Ee refere o illustre geograplio^ pois outro nfto ba nu comarca* 

AauA Paroa— More ira Pinto, em seu importante Diccionario 
Geograpbico do Brasil, vol- 1, pag. 01, dá noticia ^e um lo fa- 
rejo da província de S. Paulo, no mnnicipio à^ CasA Branca, 
sob o nome de Agns Farda. íla eng-ano: ne*te município uào 
ba logarejo, íjem corregn ou rio algum com ossa denominação, 
e sim com a de Agua Parada. 

Agua Santa— Vide Agua Virtuosa. 

Agua Suja— Fazenda e bairro no di^tricto de Itobi, 

Agua Virtuosa ~Um dos quarteirões em que Be divide o distrí- 
cto policial destacidade,— Bairro a pequena dietanciíi da povoação. 
Seu mme é derivado do uma nascente de agua mineral, que já 
não existe e a qae o povo attribuia roilagrca o virtudes. O bairro 
é também conhecido por Agua Santa, Vide este norae. 

Agudo— Serra que atravessa o município de Santa Cruzdaa 
Fatmeiras, ua direcção de nordeste a lés^te e estabelece divisas 
daquella circumscripçilo com a do Cwn Branca. E" a principiU 
elevação do terreno, muÍ(o fértil, e uma contiimafjilo da srrritdo 
Campo Alegre, Ahi foi colocado um çbEervatorio jclo dr, Mavti* 
nbo Prido, 




— 124 — 

AjuRÚ — Nome braailesro, genérico, do papagaio. Etym, bra- 
sil eira i a, gente, -f- juní, boca; alliiaào ao falar o papagaio 
como a gente (Macedo Soares). — Aiuni, ajurú* arejú, in g«nera 
avia PsÍTtíiCua { M A rtuih)-— Moraes diz que ajurú é papagaio; e 
Abbeville e&erevé jiirnue^ 

Alam BARI — Córrego ne«te mumcipio.— Sig-nifica, em lingua- 
gem indi^ena, rio de peixe côr de prata (A. Maequeb). — Disse-me 
o ViarondR de Beaui-opaíre— Roban que na província de S/Paulo, 
e, portfin^QT rfiTftiiá, tempre te dizalambari, ao pae^o que em IVIatO 
GrosfOt Ifloibari. Stippõe que ambaa as palavrfta sejam corrnptelA 
do tupi aramhari í^iftrdinha) ou araveri, como traz o diecionario 
tupi d^ M»rtina fTAUNAv). Num*! correBportdencía de Agua» do 
Lambari (Minas), para o Diário de NoticiaSi do Rio, Iè-I0s 
« Deíxp-me p5r aqui um pedaço de pedantismo lezicograpbico. 
* Lambari nào é nome indigenn, tupi ou guirani pelo mc^nos; 
« pois a lingua geral doa bra^^is n&o tem L Ha de ser Arambarí 
€ oo Rarabarí (r fnico). Assim como Paru ti é a cOQtrac(;âo de 
« parait-hy, rio i^o parat , Lambari é rin do peixe rambari. » 

Esta deSiiiç^ é verdadt-ira, poiâ rambari éo nome indigena 
da nosea pnrdinba.— De umas notaà do ex-imperador d. Pndro II 
ao livro Curiosidaâes fíaturam do Paraná pelo Visconde de Tau- 
nay, publicadas no J*maX do Ç'*Tnmereio^ em 1892, extractauioi 
a seguinte expliciçAo do vocábulo aZamÔaH:— Ará, dia; mbá 
cousa; y, agun. Nào será nara mbá, habitante, mirim, peqtieitOf 
y, rio,— pequeno babitaute do rioV » 

Al* MB A RY— Vide Alambari. 

Alambique — Capão, na estrada de Mocóea, além do Mato 
Secco. 

Albtno — Córrego a pequena di^^ tau cia da cidade. Tira seu 
nome do de Albino Teixeira da Silva, que rí&idiu longo tempo 
numa cbacnra que Ibe fíca próxima. Desagua no Lambari. 

Albq RI A^ Fazenda de cultura de café, pertenceu ta aoi Her- 
deiros de José I^ru dente Correia. 

Alto -Capão, na chácara Bôa Vista. 

Alto ALEGRK^^Faaenda agrícola, no bairro da Vargem 
Grande, pertencente a Francisco Cândido Alvea da Cunha. 

Amarquea — Primitivo nome oa rua Bar&o de Casa Branca, 
desta cidade. 

Amazonas— Avenida no património da Lagoa. 

Amebica— Avenida do Novo Bairro. 

Apartador— Fazenda neste município em 1826 ; foi dividida 
em 1854, e confina com ae de Cocaes e Piçarrào. 

Apparkcida — Fazenda agrícola, no bairro da Vargem Grande 
pertencente a António César dog Santos. 

Areia Branca — Córrego neste municipio, affluent© áo Cocaee. 

Areião — Carrego no districto de Tambahii. Na lei estadual 
u. 79, de 25 de agoato de 1892, vem e^eripto Ancião^ em 
vez de Âreiâo, Desagua lo rio Tambabú» — Logar próximo i po- 
voação do Rio Verde (boje Itobi). 




~ 125 — 

ÂJiBiAB.— ÂQtigo qaarteir&o policial, lioje exdscto. 

ÃRGE:^lTtNA. — Avenida do Novn Bairro, 

ÃiUiepBifDiDo. — Um dos quarteirões etn que se divide o dia- 
tríeto poltcial de Casa Brauca.— Bi beirão, affiueato do Tambiihú. 
Faze n aa » gjicola* — Serra* 

ÂTBKBADiKBO — L('gurejri a 3 kilf^metroB, onde, em tempos 
vemotoe, bfluv» um fei^iilar nncleo de povoaç&o. Era am pfmBo, 
e abi deecançAVJtm ofi tro^»eíroâ e cnrreíroa que IrMUt^itavam na 
grande e*tr»da de S. Paulo a Goiás. Em 1857 havia íilii uma 
casa de nez^o io e rancho • à e^quaràn ; boji', apeniia &t\ vêui ret' 
tot de taipas e de ediíic«^õe!t.^Efltaçílo da linKa fenea Mog-ia- 
mkt hojf' in Imprimida. — Corrê^r» na estrada desta eidade á Var* 
g«m Grande — Fazenda af^ncoU pertencente a Bíirtli loineta Con- 
tmi e outros. 

ÂTSRaâDo. — Log'arejo prorimo á eidada, tnmbeii conhecido 
jjOT Aterradinho, Víáe ette nome.— Correio, affluwnte do Su- 
eurí 

Bai ão. — Correg-n, na faa. Morri uhos. 

Bai^âo t B Casa Branca. — líua destn cidarle, assim denomi- 
nada çtn honra áqueOe titular (fenente-coronel Vicente Porrei- 
ra de Stloc Pereira). Teve siicceE^si vãmente os nomes da Amar- 
gura, Direita e Tenente-Coronel Silos, 

BAKBufiA. — Córrego, íiffliienté do Co nea. 

Bakha Qrakdb — LnfTíir, na fíissenda Terra Vermelha de 
Cima, onde o Tiimbahú rf*eeb* um seu í^fflufiUH. ÍHsí o dr. Bou- 
ta Conlam que a Barra Grwiidi^ é a coulluencía do Arrependido 
e Bpln^douro e or]p'**m d<i T/imhaliú. 

Barraca — Corrf-prfi, flffluento dn da Prata 

Barhbirikuo — Faaenda agric- la,— Correfço, aflluente do 
Tamb^bu . 

Bakrmro. — Córrego neste mtin« ; faz hrtrra no Lamhiiri.^- 
Corregftt afQuente do i oíaes.^ Corieg^Oj nfflui^ute do ribí^rAo da 
ResAcca.^ — Fazenda aencoía pertencente a Eugénio Ferreira de 
Castro e outroi^^ Inçada a 5^^" N O da cidade de Ca^a Branca, 
na dÍ!-tííncia apprfí:íiroíida de 24 kikinj, e a 30° N E da et-ta<;Ao 
de Tambhhú, na distancia de 15 kiJ^^^m, Ag'r<inomieanifnte, di— 
vide-se em trea regiões dit^tinctas : ns altos serrados de areia 
solta e profunda, que se eitendem além de S. SimàOs impr*^stft- 
▼eíft a qualquer cultura, com vegeta^jào infesada^ quo mal serve 
de magra pastagem, colncadoj a fí O da tnzenda, notj*vei^ por 
oci:uparem sempre o^ [tontos mais elevados da crmtrH-f^erra : a 
parte central, composta de lerras fortes, ricas de liumus e oxi' 
do de ft^rro, de subsolo profundo, quaai toda oc.cupada com ca- 
fé^ses, que aptresentam vefíetn<;ào pujante e fructiíicani notavel- 
mente; e a parte a N E, occupando approximHdamente um Terço 
da área total, compostas de cara|:K)s ras^i s, de herviiig^em tVthada» 
oSerecendo boa^ pa^ta^Biiíi no tempo das a^uns. A [»arte ceu— 
Irai preata-se vantajos» mente a todas as culturas: cereaert^ eanna 
de a»Ãuear, tabaco ete ; a canua, poréiOf posto que tenba uiu 




^ 126 — 

deBcnvoIvimento notável, nào tem a riqaezfi sncctianita equíva- 
lente, pkciiomeno este devido á própria força do fóIo, qae for- 
nece seívri em quantidade auperior á convertível pela acção dos 
raios flolnrca. Esta regiáo é regada por muitos corre giiínhos, 
todos aÕlncnlOã do crrre^o das Pederneiras, tributário do rio 
Fardo, e que sorve de linha divisória Fnti-e esta fazenda o a dos 
Morrinbos* A lavoura dominante, em 1896, era a do café e 
algrnns cereaeâ cm quantidade sufficiente apenas porá o consu- 
mo local Em £mas matas e capoeiròes abundam o cedro, o óleo, 
n peroba, a cai»ela, e ntís cerrados o jacarandá. Pela medição 
feita judicialmente era 1896 vorificou-se que a fazenda Barreiro 
contém 1.568,29 hectares o foi avaliada em 178:695$*235, — Em 
tupi, secundo Martius birreiro significa goara-piranga. — Bar- 
reiro : Asâim fe cbamam os terrenos salitrados, mui procurados 
pelns animacii, o sitioj cabidos àfte caçadores pára a espera e 
caçada das antas fSEv^aiANO da Fonòeca). 

Bahro Amaiíello.— Grotfl, na faz. Várzea Grande, próxima 
ao rio Verde. 

Bahro Preto ^ Córrego, aíT. do Pederneiras. — Logar, na 
faz. Cachoe iffl. 

Barro Vermeliio— Córrego, na fazenda Paciência. 

Bas80r6ca— SebaãtiAo Dias designa com este nome o mesmo 
pbenomeiío que tiós aqui conhecemos com o de sorôca. «E' uma 
excavnçA-o caprichosa,— diz ellu, falando da bassoróca próxima á 
chácara do sr. Celestino Ribeiro Pinto, em Mogi-mirím, — que 
occupa talves^ três licctares de área^ principiando com a pro- 
fundidade de 15 metros, e continuando sempre maia profunda 
para os lados do campo do Beli^m, ató manifestar-so como um 
abjsmo medonho. O interior da basaoróca é um labyriatho com- 
posto de caverna?, grutas extensaa e corredores iuvios, formados 
pela filtração e queda lenta das aguas, O solo é quasi todo 
arenoso; mas, de espaço a espaço, apresenta %'egetaçftD, diversos 
detritos de i>lautas, argila de diversas córeF!, amigdalijides e outras 
pedrai exquiãitas.» Neâte municipio as basrorócas maia notáveis 
bUo as da proximidade da povoação e a da fazenda dos herdeiros 
de José Carneiro; e tt>m egualmente as deDomiuflções de ioróe*, 
bofioróca, vosaoriica e botoróca. 

BEBEnoR— Vide Bebedouro o Lambí^dor, 

Bkbedouro— Um dos quarteirões policiaea em aue é dividido 
o districto d© Casa Branca. — Córrego do diotrícto ae Tambahú. 
— Fasiendfl. 

BuBjAo — Importante fazenda de cnltura de café, pertencente 
a d. Veridiana Prado e dr. Eduardo Prado e a 3 léguas de Casa 
Branca. A lei provincial n, 118, de 22 de abril de 18S5, dea- 
membrou-a deste municipio o anneiou-a ao de Santa Cruz das 
Palmeiras . 

Bkltji Vista— Faz., próxima A í-staçílD de Córrego Fundo, 

Br^rtÉ BUA— Córrego, fláiu.ente do Quebra* Cu ia, 

BifxtOA — Logar ua í&z* Lambaris 




k 



— 127 — 

Bico Bn.wca— Sitio, tiíi faz. ík-bedouro. 

Bico DB Pato— Fsíienda agrícola^ pertencente a João Fer- 
reira de Castro. — Serra. 

Boa Esper inça— Fazenda de plantnçâo do canna e café, 
que pertencera ao capitão José de Freitflft GarceZi no distrícto 
de Tambahã, a uma e meia legaa da a^teçAo dc^te nome. \ E' 
dotada de um ercellente engenho, onde ee fabrica Aguardente. — 
Faiçnda «ii^TÍcola, pertencente a d. Maria Rita d(> Prado o ontro». 

Boa ilonxK — Travessa, lig^ando a rua coronel Joié Júlio ao 
largo da Boa Morte.— Lar;íOt oníJe se aclm edificada utnft pequena 
cupfla consjigrada a Nossa Senhora da Hun Morte e que fura 
conítrui fl, em 1870, por Nicolau Felii Faraiii e outros. 

Boa Vista— Capio neste mun. — Fazenda íigricola perten- 
cente a Ernesto Ferreira Coelho, — Fazeuda, pertencente aos her- 
Hfirot de José António Carneiro e Silva. — Chácara,— Vide Serra 
Negra das Calda?. —Bairro subnrbano.^Correpo na fdz. S. José 
da Serra. — Espigio, na fass. Cercadinbo. — Antigo porto no rio 
Jaguari .^Antiga denominação da rua Lnis Gama.— Antig-a villa 
â mun. do Estado de S. Paulo. Orapro S^o Sebastião e diocese 
de Sào Paulo, A lei provincial d. 15 de 5 do abril de 1856 
creou nma fieg:uez]a com cFse nome, pertencente ao mttn. de 
Cato Branca, a de n. 29^ de 24 de março de 1871. elevou a á 
categoria de yílle, e a de n. 20, de 8 do abril de 1875 á de 
cidade coan o nome de Mocéca. Gomo parocbta pertenceu ao 
rauií. de Caco n de por força do art. I da lei prcv. n. 55, de 15 
de abril de 1868, do qual foi desmembrada o incorporada ao de 
Casa Branca pela lei prov. n. 25, de 17 de março de 1871, So- 
bre limites vide lei pt-ov. n, BS, de 25 de abril de 1857 e n. 39, 
de Ç de abril de 1872. Vide Mocóca (Moreijia Pikto). 

Boa Vista da Estiva — Fasienda neste districto. 

Boa Vista da Lagoiniía — Fazenda^ no nmn. de Tambabn, 

BcA ViBTA da Vargem Ghandii — Moreira Pinto dá noticia 
de um bairro do município de Casa BraDca, na provini^ía^de 
8, Paulo, com uma oacola publica de inetrucçílo primaria. Víirgem 
Oriínde, povoação florescente, colocaria a 18 kilometros desta ci- 
dade, é distrí::to de paz jiertencente ao municipio de S. João 
da Boa Vista. O orago da íreg-uessía ó Sant'Anna e a 6ua do- 
nominaç.^0— SanfAnna da Vargem Grande. 

Boa ViflTA PO Rio Verdb— Antií^a fazenda, boje subdivi- 
dida em muitas mtras. Actualmente (1894) apenas delia rCBtn 
um sobrado em rainas, á margem do rio Verde, na estrada para 
o Rio Doce* 

Boà Vista dos Cdcaes — Antig-a fa:&enda, cuja denominação 
está boje mudada. 

BrK"A — Poça, sufF., racba; rachar; rachado; que racha, entra 
na compofijçiko de algumai palavraa bra&ileiraa : taboca, pipóea, 
ara poça, Ibitipoca etc. (Macedo Soarbr). 

Bqcaina — Serra neste rnun.— BoqueirSo, raa^Ao de eerra, 
desfiladeiro. Depressão de uma lerra ou cord)lbeii'a, quando a 



— t38 -- 

eBcarpa doBta parece nbrir-ae como formando nma grande bocs, 
qye facilita o accesao ao plano superior ou chapada (Homem ím 
Mbllo). — O alto da serra do Tinguá tem iia hocaina da estrada 
d<i Commercio 360 braçoa, isto é, 792 melros, acima do nivel do 
mar,.. O rio de B&n Pedro corru naturalmente mais baixo, e 
a estrada do Coramercio desce para o atraveísar ; assim como, 
depois de atravessai- o, tem de subir para alcançar a Òocaina da 
ierra de Saat^Anna (Jornal do Commercia. KiO, G— abril — 85),^ 
Etyinolo^ía *. briísilcira, bocaba, [*articípio He ho^, fenda, racha, 
buraco era fdrma de raBgfto ? Antes, aubstantivo portuguêB boca 
-j- Buffixo íiuho = aneo, por metaihe^e A-eao = aino, daudo 
líocauba-l-^*^^*^'^* ■f' Orthogra[ihíã: prí^*nuncia brasileira : bócâi- 
II& ; portuguesa: bocáina (Macedo Soáhes),— Boca de um rio 
menos couBideravel que a barra principal (Síjusa Fontes),— En- 
trada de um caDol ou de um rio (Jaki).-— Bocaina e boqueirão, 
©riginando-S'^ do meímo radical baen^ têm a maior parte das vezea 
ã. meii) a aiguificação (Bohak).— Córrego na fazenda Barreiro^ 
trib. do rio Faido- 

BoccAJNA — V*ide Bocaina* — Beaurepaire Kolian adi^pt» a 
ortho^ra]ihia boccaína. 

BoíADA— Kibeirâo ua província de Sâo Paulo, affluente do 
rio Pardo, na tíBlnida de Ci-ea Brat ca a Franca (Moreiba Piiíto). 
£m sua- cabeceiras ba uma rrichneíra profundíssima. 

BoLiVi ANA— Avenida do Kf»vo Bairro, 

Bo« jcoíiifooo — Chacam, ua faítenda Casa Branca ; hoje ulú 
tem e^sa dentam mação. 

Bom jAai>iii -Uma das dennmitiaçõei locapâ que tero a aerrA 
que alravRiiBa o mun. de Ca&a Branca, no e^taHo de Sào Paulo 
(MoRKi^A Pinto) —Vide Campo Alegre. —Vide Jardim. 

Bom Jk8U8— Vide Senhor Bom Jesus. 

Bom Succesbo — Fazenda perlencento a Joaquim Ignacio 
Yi lias boas, e que, pela lei provincial n. 31, de 23 de março de 
1882, íoi desliirada de três mnnicipioa e annejcada a este, 

BoBQLíB— Rua da cidadej antiga Sào Bmiedicto. 

BoKSOKiK^ — Vidt^ Baaaoróca, 

Bo.ToHóCA — Palavra in ligena (tupi), siguificando casa de 
bugioB (Fh. Mahaíshâo)— Vide dasForóca, 

BuABA— Vjd« Enibuava. 

Buracão — Córrego na fazenda Caga Branca, affiuente do 
Barreiro — Córrego na fusi. Várzea Grande. 

Caâ — Palavra indígena, ^ígnilicaudo iuati> Entra na com- 
posição de muitas pakvras brasileiras. 

Caá-Ubi— Vide Caiobi. 

Caayurú — Palavra indigenai hignifi-^-ando boca de mato ; 
entrada da mj^ta (B- Caetano). — Nào sprá esta a verdadeira eri- 
gem do nome da povoaçàa Cajuni ? - Vide Cajurú, 

Cabecriuas do RibbirIo Bãí> JoÂe-^Fas&euda agrícola, divi- 
dida judicialmente em 1890 - 

Caçador — Cachoeira do rio Verde, na faz. Várzea Grande, 




Càchobie^ — Corret^o ; baahft a. fazenda do meatno nomej dos 
lierdeiro« de Júié Tbomaz d« Andrade* — Pa zenda fl/írietOa (.ler- 
tencente a d* Lm ura Maiin d« ôiqueira e outroi, annexada ao 
maii. de Ca*a Piam'a fim virtude da Jei provincial lu 74, de 6 
de abril de 1885, que a detmembrofi de SHo João da Boa Vjgta. — 
Ribeirão, «flluonte da Fartura. — Sitio, na ÍAzenda Vargem Grande. 

CaCHOJciBA ALTA— Fa7.endn Bgricoln de Manoel de Saut'Ã- 
ira de Sousa Meirelles, que, pela lei d. 37, de 10 de março de 
1BS9, foi desmembrada de^t^^ município e ligada ao de Santa 
Uiia do Pa Bsa- Quatro. 

CachokIra de PiiiAâsUNrNGA^ Antigo quarteirão policial, hoje 
^xtiuct^. 

CáCHORiPA Dr>8 ItBÈOB^Ãntiga fazendaf on seamarín cedida 
p«lo goverao, em 1815, aos colonos vindo» dou Açores. Foi di- 
iridida jadicialmrnte, ba pouco tempo, e está brje fraccionada em 
diversas fazendas e eitioâ, denominadf a Morro, Bom Je^u^, Pmta, 
^ôrro doB llbéoftj etc. Estes ilbéoB, a quem se deram as terras 
da Cachoeira, cbamav m-#e Fraíicieco de Espíndola» Jo&o VieÍTa 
da CcBtAt José da Ro^a Mncbado, José dfs 8ou«a FrancÍRco de 
Soasa Pimentel, Jrgé Vieirn da Costa, Jrsc dp Pontet« d( b Reif, 
Manoel Vieira Gonçalves, SIanoel Vellnso de SoubAj Joào de 
JliitOPi Matitno JoBé de Sousa. 

Cachoe iRíKH A— Córrego e lofrarejo no bairro do Cercadinbo. 
— Fazenda iipricola.— Vide Fazenda Vellia. 

Cachoeibão- Fazenda nesta irmuici|io, que fí>i do coronel 
Lucio Gomes dos Ratitos Leonel, e por este legada em testa- 
mento A teus ex-escravos, conf<irme se vÔ da verba eefrninte: 
«Declaro que depois de miiiba morte ficam gomando de plena 
liberdade todf s os meus escravos» José, Tboméf Simlio, Delmiro, 
BssÍIído, Paulo, Rosalina, Maiia, Carolina, Angelina, Tbere^a, 
EleuteriH,» OiTnelia e a ingénua Rosa, acs quaes deixo a» târras 
de cultura, divididas, no Cflcboi-irílo, rtís-tricio desta cidade, com 
m* planraçòe» e o pFtto cefcado, da Lage para dentro, a^ cria- 
ções de põrcoh e gadoí', eom a condíçiio por^tn de nôo poderem 
vender, e fomente usnfruirftOj passando aempre aos teus lejçiti- 
mos herdeiros, ou legalmi^nte reçoiíliecidos, e no caso da i?x- 
tincçào de toda piúle, ei ditos bentt liL-nm pertencendo á E^rreja 
Matr^ desta cíJade, ô por morte d*^ qualquer do» dítoe escra- 
vos, ftucçederí^n uns aoS outros na herança, seJHm ou uào her- 
deirt^».> (RegtEtro de testamentos, 1874). 

Cagonde — Povoaçfio situada ao uorto da capital, em terri- 
tório outrora pertencente ao município de Casa Briincíj. Foi 
creada freguezia em 1842, vilía em 1H64 e cidade em 18í?3. 
Perteuce á comarca de Csconde e dista doxo lo^ufls desta cidade» 

Cadeia — Pi aça, contigua á de Misericórdia, outíe está edi- 
ficado o Paço MuTiicipal (vide este nomeJ.^-Traveas-a, ligando a 
Lpiaça da Cadeia Velha á roa Luís Gama. 
Cadêia Velha — Largo, contíguo ao do RoFario, onde ha^ia 
A primitiva cadeia » couitrui da em 1830 e demolida em 18âd. 



ft 



— 130 — 

Cadflla Pabida — Nome de uma fazenda que pertcncen a 
Dominp-os Fernandes, e que o filho deste, Henriqne Fernandes 
Garcia e sua mulher Antónia Beruardina venderam a João Gual- 
berío CoiTÈa da SiWa, morador em Camandocaiaj a 23 [de abril 
de 1S3ÍÍ. Era situada nesta fregnezia e já perdôu acjuella de- 
nominação. 

Cafezal— Fazeada agrícola, no bairro da Lagoa, que per- 
tenceu a Lazaro e Almeida- Denoraiua-so Loie Sào Mauucl. 

Cafuxdò — Lo^ar, no quarteirão do Bebedouro, districto de 
Tambabú. — Cafúa/io^ar ermo e longínquo, do difficíl accesao, 
ordinariamente entre moutanbaa (Meira), A radical cai ou a 
ibema cafii, que apparece em cafofo, catúii^ cafúca, cafundó^ ca- 
tar na, talvez Boja a mefima radical cav, que deu cava, cavar^ 
caverna, cavoco, cova, covanca, coveiro, covil, covo (Macedo 
Soares), 

Caiobi— Avenida do Novo Bairro, assim denominada em 
homciiBgem ao chefe goiana, tão conhecido na bistoria de São 
Paulo. — Palavra indígena que significa folha azul ou verde. 
Couto Magalhães escreve Caá~Uby; e João Mendee^ Caha-nby, 
adoptando, comtudo, a ôrtbograj.Uia d© Machado de Oliveira:'^ 
Cflyubi. 

Cajurú — Povoação situada á margem do ribeirão da mesmo 
noran, a NNO da capital, em território que pertencia ao muni- 
cípio de Batataes. Foi creada freguezia em !d4G, incorporada 
ao municjpio de Casa Branca, e elevada a villa em 1865. Hoje, 
é raUf!Ícipio e comarca.^Mato triste ou feio (Fr. Maranhão). — 
Mato de papagaio: caá, mato; ajurú, papagaio (Martiu8).^A 
respeito de^te vocábulo su3citou-«e, em 1897, uma discussão en^ 
tre Galvào de Oliveira, Adolfo Paolielo e Lafayette de Toledo, 
pelo Diário d^ Campinas; e a cb and o- a interessa d te pa^Biimoi n 
transcrever os respectivos artigos: • 

A palavra Cajiirtt 
1 

Dia tine to collaborador do Diário de Campinas, o sr. Galvão 
de Oliveira, dirigiu-me, ha dias, uma carta- bilhete, á qaal dou 
publicidade por tríplice motivo: — primo^ porque ella nio se re- 
fere a assumpto de caracter particular; secundo^ porque reclama 
uma reetiticação ; Urtio^ porque envolve matéria que interessa 
A todoa que se dedicam ao estudo da língua guarani. 

Eis o que diz aquelle sr. : 

Ulmo. sn Adolpbo Paoliello. 

Além de pensar, tive cccaslSo de ouvir falar qne t. exc. foÍ 
a pcisca que deu informações, ou melbor, escreveu para o Ál- 
manach do Estado de 3^ Paulo f e leu do -o vi um tópico que 




— 131 — 

me acatiba de eidarecer-yos. F/ quâ v. exc. disse qaa «a pa- 
polaçio oâo sabe qual a orií^em da paluvra Cajurú. Ã niím 
accnsem do diael-o, mas como é para favorecer o conhecimento 
da Ungua tupica, a qual, digo Bera pretençàc», nom tampouco 
vexado, cúnbe^o reguíaniiente, o que me 6 bastaate. Demaía a 
mais, eu, possuindo gTammaticii^ o diceiooarioj da dita lin^ua, 
juTffQ-me, ÚGho competente, polo menoi auctorizado a dar & 
origem da palavra de que ora se trata. Me^mo qua ainda não 
teulia visitado es^a cidade, nfío posso ál^Qr úo squ nomo exprime 
a re-nlidade. Pois bem; a nri^em da palavra Cajurú já ileveis 
fabel-a: provém do GuJirani ou Tupi. Quanto á significação, 
dig^o o quB exprime: — inato que tom papagaios. De C&a, 
mato. e ujaTU. papagaios. Eu pretendo dar aos leitores do 
Diário de Campinas, do qual sou collaborador, uma &éi'ie de 
fiitriiifícaçves dae palavrai dessa origem, o que em tempo oppor- 
tutio farei. Queira desculpar- me qua bou crd.** ob,°* 

Galvão db Oliveira* 
8. Paulo, 4—1-97. 

Agradecendo e pondo de parte o tratamento v, íxc, com 
que, per excelso de delicade^ta» o mísslvista me distinguiu, 
lubmetto-me com prazer á obiigação que mo impôa a verdade, 
solicitando do jllustre sr. Galvão de Oliveira a necesiaria vénia 
paru fazer uma rectifícaçilo, quanto ao primeiro periodo exarado 
na carta acima tra na cripta. 

Nào fui eu quem escreveu para o Álmanach do Rniadi/ de 
S, Paula aa allndidas informaçõfs: foi, &eg:undo consta-mo, o sr. 
ÀQtouitio Soares de Bouaa, di^^no fnncciouario publico aqui re- 
tideote. 

Á elle, poii, e não a mim, pertenço o direito paterno cou- 
ce rneu te ao facto. 

A rectificaiílo que ora faço tem por escopo única e exclu- 
sivamente o seguinte: evitar que o Br, Antonino Soares, com- 
quanto &(^ja um republicaao enragé, use da conhecida locuçlio 
elliptica (i-^ui d^el rei! — e, justamente, merecidamente, desmo- 
rone a minha estulta e pspuda prosápia, eitando-mej para minha 
vergonha, a phrasc proferida por Virgílio quando lhe oscamo- 
tearam a bonrosa paternidade de una versos: — hm ego versículos 
fecit tulit alter honores, 

Embora um distincto assfgnante^ ou em Hiígmgeat sem 
ambagesp um distincto monarckista já tenha dito pelas columnas 
do Comniercio de S. Patdo que eõu « um jornalista amiolado 
pelOB maiores publicistas da Itália»; embora eu teiih!^ a certeza 
de que o estalão de qne elle ae serve para, a aeu talante» de- 
terminar o mérito inteliectual de outrem o o mesmo, o mesmis- 
simo que applica á sua pessoa, pois que se julga sempre superior 
ao que efectivamente é; embora todos que mo conhecem 
saibam que não passa de uma verdadeira parvoíce a asserção do 
famigerado e quasi ton^^urado monarebísta, porque j amais ousei 



— 132 — 

ultrapABsar a limitada esphem que circumda a pentimbra em qu» 
vivo;— devo dizer ao illustre sr. Galv&o dtj Oliraia que & 
respeito da iingua Guarani estou completamente in-alhui 11&& 
sei patavina. 

Portanto, não possa fazer commenlarioSt quer favoráveis, 
quer denfavoraveia, sobre a sua opiniào manifestada na carta- 
hilheie que obsequiosamente me dirigiu. 

Quanto á BÍ^nifica<;ào da palavra Oajurú falou-me alguém 
uma vez que ella queria dizer ce^to de cajii^* 

Como ja disBe, sou tjma nulUdadp no asBUmpto ; efuatudo fi- 
caria mais Batififeito »i Cajuni BigniíirHsse me&mo c&ftn de cajus, 
tauto maie quanto para papagaios bastam os nossos poli ti cos , cuja 
estirpe vai-se degenerando com a appartção doa revoltosos e 
expatriados tucanon do papo a?nardto... 

Peço ao ST. Galvão d© Oliveira relevar-me a iadiscreç&o 
que acabo de commetier, rstam[>ando nas columnas do Diário a 
carta^bi hete que m© enviou, sem eu baver eolicitado de s. a. a 
necessária e prévia auctorizaçào para fazel-o. 

Conto certo com o seu beneplacitOj porquanto a meta que 
me levou a saaira proceder ó idêntica áqoeila que se de prebende 
log:icemente da supramencionada cariabilheU : elucidar a questâo. 

E ojialá que os competente^, como os srs. João Mendes de 
Almeida, Couto de Magalbàes, Capistrano de Abreu, Jusé Veris- 
iioiDt Eticragnole Taunay e outros, ee manífebtera a respeito, 
iMira que um dia pnasamns dÍK*-T do Guarani o mesmo que da 
língua portuguesa dis^e o iusigiie poeta áutonio Ferreira : 

Floresça, fale, cante, ou^a-se e -ava 
A portu^ueFa lingua, e já onde fôr 
** Seubora vá de si soberba e altiva 

• * Cajnrú, 26 — 1 — 97. 

Adolpho Paoliello 

II 

Sr. redactor do Diário de Oampinaã. 

Li, i!om o Interesse que sempre me despertam as questões 
linguieticaa, o artigo que, a respeito do vocábulo Cajurà^ publi- 
eon o sr, Adojfo Paoliello. E, comquanto iacompetentc, sem 
ver sido cb Amado a campo, permitia -se-me entrai' na questàe, 
emittindo sobre o caso a minha opiniào fraquissima. 

Os indigenaa t nbam por costume deiiigoar as loculidadei' 
f»eloDome corres[K>ndente a pbenomenos physicos notáveis, ou a 
accí dentes dns mesmas localidade^. Dii^er-^BO, pois, como o sr* 
Galvão de Oliveira, repetindo aliás o que escrevera MartluB, 
em seu 01 assaria linguarum brt. siliensium (1863], que Cajuni 
aignidca mato de papagaio, é fugir áqueltas regras ímmutave» 
tíe.noisoa aútocbtones. Cajurú, segundo frei Francisco dos Pra- 




— 133 — 



Maranhão^ na Paranduba maranhense ^ é ama planta qno 
produz atua espécie de ameixa roxa e inaipidaí e ao Dicdonaria 
da iingua geral do Brasil ^ boca do mato: — caá, mato; jum, 
boea. Desta r pi mão é também o nosso grande indianolo^ 
Baptiita Caetatin, no Vocabulário Guarani^ quando diz Cajtim 
«igniScan^bocA de tnatOf entrada da mata» 

Ax#vedo Marque?, nos Aptntr mentos históricos e gepgrcL- 
Tphicos de S Paulo ^ referB-ae a frei Pras&eree Mamnh&n, citando 
que o vocábulo aigiiifica mato triste ou feto. Em neubuina daa 
obras deste frade illoAtre, tiem nas mencianadaB atrá^, nem na 
-Colleeçâo de etipnologias brastltcajs, publicadas era 1846, encon- 
tro tal palavra com aquelte atgtiiãcado. Na CoUecção ?em Cayurú- 
giia<^n: — côfo de mato graode. 

Baptista Caetano, na obra citada, escreve Caayurú, e não 
decompõe a palavra. 

N&o conheço a cidade de Cajmú; nâo tei, poie, ai eatá 
colocada em al^tim mato ft^io ou triste, ou á entrada da matâ« 
Verificando-se a ultima hypotheaej a palavra originfiria aerá 
CaáytLrú, tranãâi^uraia em Cajurú pela corrupção do u^o ; e a 
ultima aerá então Cuajurn. 

Rognndo-lbe desculpar- me a ousadia destas linhas, ppçolhô, 
sr. redactor» acceítar os meue protestos de estima e considesaç^o. 

Caaa Branca, 2 — 2-97. 

Seu amigo e admirador, 

LaPAYSTTB DB TOLIDO. 

III 

Sr, redactor. 

Nào deixarei passar tâo opportuuo momento para fazer con- 
«ideraçõesi iobre a minha opiniào a respeito d« palavra Cajuni^ 
«xftr&da em carca que dirigi ao talentoio jornalista ar. Ãdolplio 
Paolipllo, e que s. i*. pubSicm neaie jornal jantamente com um 
sea artigo. Ãioda maia opportun^i i^e me depara eata occasião 
para responder ao artigo que, aob o titulo que anteponho a 
^eatíis linhas, ftii publicado n^^ate jornal ^ e pelo ãr. Laf^yette de 
Toli^dy escripto, pois que elle se me afigura um alicerise solido 
para estM» considerações. 

Antes de tudo. porém, sejft-me dado dizer que a ai^íuifica- 
çâo que dei da palavra — Cajurú — não foi ^'lagiada do livro do 
«r. Martin», o celebre botânico que vi.ijou 40 aunos pelo Brasil, 
pois que nem o couauhet* 

£n tremo» no assumpto, 

Li o artigo do ar. Toledo - e ^e depreUende delle que Ca' 
jurd tem três aignlficaçôes, pois que ^. a. não deu com o certo. 
SÍg>niâca, então, o seguinte: — plajita que. pro^fnz uma espécie de 
^mei^a roxa e insípida^ boca de mato^ e, em fim, jaato triste ou 
/Wo^sem sabermoSi no entretanto, qual é a aig^nifícação certa. 



— 134 — 

O artigo do Br. Ij. de Toledo se me afigura um aUccrce á 
etymologia que dei, sinãrO vejam este período ; 

« Baptista Cnetano, na obra citada, escreveu Caayarú, en&o 
cdecompõo a palavra», 

Caáytirú é como dcvta ser dito mesmo, e si^íãca, portanto, 
mato dtí papagaio. Composta dos Bubstantlvoa caa (mato) t 
ayunl (papagaio). 

Que caá é mato, nioguem m'o cõatestará, e nem tâo pouco 
fal-o-?lo a respeito de ajtini, qae é papagaio, como já se disse, 
Para exemplo i—Caaçiipaba, Ayumoca etc. 

Visto isto, creio que nao foi eem contar com seguros ele- 
mentos que m»niftmtei a mínha opinião. 

E, terminando, tr. redactor, conto cora a vossa coadjuvarão, 
publicando estas liubas, uo que muito obrigará ao vobso amigo» 

S. Paulo, i de Fevereiro de 1897* 

Galvão db Oliveira, 

IV 

(ao Slt. LAFAYETTE DE TOLEDo) 

Ao diri 'ir-mo ao gr. Lfiíayette de Toledo, a es9e moçodle- 
tincto, que, devido unicamente ao âeu talento easua applieaçâo 
ao estudo festndo feito comaígo mp&mo), chegou a ee impúr á 
admiração dos que apreciam e cultivam as letras, c-me inteira- 
mente impossivel esquivar- me ao desejo de proferir um energlcOí 
um eatentorf.ÊO rrão «/3o ?Ví f /o 1— depois de haver lido o artigo que, 
com epigraplie idêntica á deste, s. s. escreveu e que bô acba 
inserto DK Diário de Oampiúas de 4 do mes actual. 

Eu protesto contra o secundo tiecbo do referido artigo, porque 
elle ê a aotithe?e da verdade, tí a upgaçílo evidente do nm juizo 
muito justo formado por homens competentes e destitnidos de 
parcialidadea. 

Diz o ?r. Lafayette; — «E, comquanto incompetente, sem ter 
«sido chamado acampo, permitta-se-me entrar na questão, emit- 
«tindo sobre o caso a minha opinião fraquíssima *. 

Embora eeja muito peculiar das festoa? que, como o sr. 
Lafayette de Toledo, tém um nomo merecidamente áureo lado^ 
iitílizarem->d sempre dos recursos supremos da modéstia, eu, se- 
guindo os dictames da miubn consciência e obedecendo ás leis da 
verdade e da justiça — que podem mais do que a motíentia — contesto 
ín Ojíum a primeira a6serçlVo de b, a, E para tornar iHconiesíavd 
a mínha consteátai;iio disponho vantajosamente de um meio ex- 
cellente e facílimo; apresentar o próprio artigo do sr* Lafayette, 

Quem, após a Ipítura desse artigo, deixará de reconhecerno 
seu auctor um escriptor competentÍEsíma na mataria V 




^ 135 ^ 



Ã^ora Rcu fn quem pede permissão no sr. Lafayetto dd 
Toledo paro. Ike dizer qae ». a. foi cíiamado a campo, tan*o quo 
QO meu artigo ge lê : < o oxalá quo os competeotesi como ob srs, 
João Mendes de Almeida, Couto de Magalhães^ Capistranõ de 
Abreu, José Veriasímo, Escrag^aolo Tautiay © outros ctc. 

Ora^ para qu6 o sr* Lafayette oâo tivesao sido chamado a 
campOf era nece&sario que eu hou^fsee restringido o nuiuero dos 
competenteSj náo pospondo á nomenclatura destes o adjectivo 
Ouiro$, 

Qne me perdoe o Br. Lufajette eFsaa consideraçòop^ mas são 
elk» muito justas quando applicadasaos coryplieus da modastia, , . 

A respeito da verdadeira significação da palavra Cajtuú, eu 
*Índa me considero immerso em trevas mai* densas, pc^rque diz 
o sr* Lafayette que, consoante fn Francisco dos Prazeres Ma- 
mnhhOf a palavra significa uma planta qtie prúdvz uma espécie 
</e amêijoa ingipida'» segundo o IHcdonario da lirtgua geral da 
Broãii, boca de raato— sendo da mesma opinifio * o graúdo in- 
dianologo Baptista Caetano»; e, conforme Azevedo Marques» 
tnato triste ou feto. 

O sr. Galvão de Oliveira, porém, ftustenta que a palavrn 
quer mesmo discer mato de papagaio, e corrobora a sua opinião, 
já ccnbeeida, additando quo não foi sem contar com seguros 
eleme^ntof que a manifestou. 

Aíinalf em que ficamos? 
# Fiat InxL,. 

— Peço ao ars, typograpbos que tenbam cuidado com esse 
hitinoriosinhOt para não me forçarem a fazer maia rcctificaçõos. 

E ad Tem : 

No primeiro artigo que publiquei sobre a questão que ora 
se discute, 03 amigos typograpboa fizeram-me commeter u^n erro 
palmar. 

Nào é que os irmlvado^t arrumaram a ludisctip^&o, em veas 
de indiscrição, como está no oríginnl? 

laao tjio pasia mesmo de malvadez dfi parte delles^ porque 
tenho consciência de que a minba letra é muito bóa, Eatavfi qunsi 
a dizer até que tenho nma òdla ctilhgraphia\ mas n&o o diíro, visto 
ter receio de que algum purista me passe uma smabanda como 
aquella que o eminente e nunca assaz pranteado jthilologo Júlio Fi- 
beiro passou no padre Senna Freitds, por haver este cicriplo tal 
pbraíe. 

O qtte desejo é que os srs. t^pograpbos ae arranjem bem 
cotu o seu intromettido pção . 

£ para outra vez d&o sejam tão indiscretos. . , 

EUou vingado 1 

Cajuru, 10-2-91. 

AdOLFBO FÃOLtELLO. 



— 136 — 

V 

Cedendo ás flolicitaçõas doa ere. A'!olfi} PaoUelo e Gal^ào 
de Oliveira, direi, sen mais preambuLoA, que o vocábulo Cajurú 
póJe sigoificar: 

1) Boca de mata (caá, mato ; juiú, boca). Gaá, segando 
Raiz Montoyftj Vocabulário y fesaro de la lt'igaa guarani^ é 
monie^ y la yerva que bemrt; é vocábulo commu*ii aos dialectos 
à% ling'ua tupi, e ae applica eicrluíí vãmente aos pro duetos do 
reino vegetal Pode, seg-UTido as circumstanciaa, significar mato, 
hervftt fjlha e raiiiag'em (Montoya, DiccionaHo pfyrhígués — Òra^ 
siliano; Seitas, Vocabufari o da linguu indigena g^val). Na lingua- 
gem vulgar só usamos delle em cúmpusição com outras palavras 
subatantivas ou adjectivas: Caag-afLaaú, Oftá^Xíba, Caápóróróca, ou 
Mucuraraá, Cavantcaá, eic. Qiuiudo o termo Cftá é seg-uido de um 
adjectivo, cofituma-se, em gera^ escrever e pronunciai Cagiuassú, 
Capéba, Capornropa ; torna-se, porém, Báliante o som dos douà 
aa, quando o termo Caá p coltí^ado no fim da palavra : Mucu-* 
racaa, etc. (Beíiurepaire Rohan, Diecionano ãe vocábulos Bra* 
ítileiroa). Macedo Soares, Dircionirm Brasileiro da língua por- 
tugumaf á\z que ai^iifiea folha de planta, planta herva; mato^ 
pau, madt^irai o matte (Saiut-IIíljiirH) e o cbá de matte; e eutra 
como tbema na compoaiçfto de innumerais pjlavras brasiletraâ, 
nomes de plantas principalmente. K BaptiBt-ii Cat^tano. Vocabulá- 
rio Guarani i — ^«bervfi, íolha, mat" (ci nn, onsce? ser que cresce? 
em geral dnve ser c» (riidíc^t) cúm a fsu^iCM) com» em pirá, 
tobá, ibá, yibá, etc); o eliá nu infusão da coo ^on lia ou berva 
matte (Z/e.c paraguaiensin). Ha ^r«Tide numura de compoafcos, 
nos qiiae^ caa tein 9iis:nificfl<jô^R míiis diverai-^ que as de hertía^ 
portu^aô^ • E Girl voo Martiua, ni yomiftfi pianiarum in 
Ufigui íiipif do Gíossa ria l * ng iLirum hrf sii íe tift i u í M ; ^ « f o 1 i um, 
planta, herva, írute^t, arbor, li^num, baculum fio dialecto Gamé)^ 
j^poiíice: KnwA Kwi4 ; in Hn^ua Caraibomm rerrae contiuentia 
yráca^ teate Ovieio VII, c II; — ^t^ua aniee rkat éiokbén (i) est 
foliam ilicÍB parapmií^nais Ot. Hil.. ito Tbea ufitntum).— Jurú 
di^ Martins, 110 Notnina animal inm iniingna tapi, é— <?jr, fácies \ 
e Bftptinta Caetarto: — yiinl, yurob: boca fy-u-rub, o que a co- 
mida tem, conte n?); entrada; bo^mdo: caá-yurú, boca, entrada 
da mata; e Montoya, que também escrete ,v«í'tíò : — boca, bocado, 
Com eàta Ri^niticaçâ i enconfira-ae em Mr>ntí}yat que a define — 
entrada^ o callejiin de moTite; em Baptista Caetano e outros, 

2) Mafo tfifltB ou fei > (caá, mato; juru, triste). Conforme 
dissB no meu primeiro art*^, apeni^s Azevedo Marques, citando 
arrone^imente a Prazeres MaranUào, enuncia que^itró quer dizer 
triste. Hh confusio ^<^m \ o que se traduz por triste em tupi é 
jururu, termo aUás bem vulgarizado. 



L. D* T, 




— 137 — 

3) Mato d« pAraj[;aÍQ (cúâ, mato; újurú^ jiapapsio). Ajurú, 
ièmos em Macedo Baare«, é nútne braf^ileirú, genérico, do papa^ 
^aio; de a, frenteT juniT bí>ca; alti^ào ao falar o pÁpíigaio como 
m. g^nte; em Bapiista Caetant/; ayurii— ayttrub; boca de ^fote» 
bocK hiimana; nome gff-nerieq do p»[>agaio; em Montoya» papa-* 
gaioi em Martius;-*Áiarú, ajuni, Píbo II, R5; ajern aliái — íu 
^eoere avU Paittacusí derivaium ab ajurú collum; em Moraea^ 
Dicdonario português, pafmíxaio. Oom esta mi ema ei^nificaçào 
encontimniõt juruue em Ciaude d^Abbeville, Miaxwns ãeji péres 
eapmmnes. 

4) C(*ftto dô caJTÍ (cajâ^ cnjúi urú, cest**) Uiú, ««"gitiido 
Joeé Verissimo, ê o nome de um peqtieno cesto de talas com 
tampap em que gnardam o tabaco, o cachimbn, ob «nxóes, o fa- 
queiro, o canivete, etc ; um m^Jispensavfil. Vem no Dircotiario 
Confeiuf^òraneo, de Calda» Aiilete. (ftcenas da Vida Ámíizonicaf 
1866). E Baptiata Caetano: va«o continenti, e Beaareptiire 
fiohan :— oipei,*íe de cabaz^ cesto ou boba com tampn. Fftaera- 
na de folbae de palmeira ou cipó fino, e serve de mala de via- 
gem^ Alg^iims sâo ^F4iidt'8 e podem conter tanto como um r^umuá 
(Msira). No valte do Amazonas, trazem-nas como aa patronas doi 
sojdjidos. B&o tombem ufitiaes no Ueará. E' vocábulo tupi O 
Diccionario Partngués-BrasiUano o traduK em eofo Neaía raea- 
ma accepçâo, conforme vi mo* já, a considera íV. Prazeres Ma- 
ranhão quando, na Oalefção ãe efifmfjiogioê braAiiicas, define — 
Cajanigaas-ú (caá-nni-giiáçú); cófi) de mato grande ; cachoeira 
de Mato Grosso. Cai, ne^^te ca<(i, e<4tá mal traduzido, \>oU u&o 
Be concebe que haja còjo de mato', traduza-ee, pois, cná urú por 
wamhurá de madmra^ em linguagem correcta e u*íual aqui no 
sal do BrtLbiL 

Qoalquier destat defíniçõea, como ficou largamente demont- 
tmdo, é exact:i; qtiaí, porém, se dt^ve applícar á cidade de Pa- 
jurú^ cendo-$e em consideração o costume adoptado pelos índí"- 
g;ena& na« denominações Incaet*^ 

A ISO posso agora resp-^-nder, mi-lhor informado, declarando 
peremptoríamento que a primitivn dt^nomínaç&o de Ca j urú, lo- 
gar, é— CaÂjuru: de ea (conirAcçâo de caa), mato, e jtirúf boca, 
eimtrada ; e si^n tiica e*'trada da m^iia. 

De facto, a cidade de Cajnru está colocada na boca do 
maêo que circumda a serra do CabatàA. 

LAFATinTB DB TOLlíDO. 

Calção dv Cauao— Córrego, affiaente do Gocaes. He^ a 
fasenda da Prata. 

CAL&A8 — Estaçào da E. de F. Mogiana, no Estado de Silo 
Paulo, entre Mato Secco e Casa Branca, ro kiL 134. Deno- 
mina-&e bcje Engenheiro M^^iidea (Morbira Píitto]. 

ÇAKBAfi^HT— Vide Tambabú, 



— 138 — 

CAJiro ALEORB^LAgOa de pequena diraensflo, uoste muu., 
próximo A torra dd sôu nome. — Serra colocada a oéítfl e que 
atravcFSH parte do miiDicipio, ccrtâdá pelo rio Tambabii e pela 
antiga estrada que 11 ^a a cidade á cidade de São Simão. Tem 
lambem oâ nomes de Arrependido, Bom Jardim ou Jardim e 
Quebra-Cula. Seu ponto mais ele7ado é no Agudo, a 1.020 
metros aeima do nível do mar. — Fazenda agrícola pertencente 
ao »r. António Joàé Correia (Barão do Rio Pardo). 

Cawpo Redondo — La|íôa pequena e ras!i, na fazenda Terra 
Vermellia de Cima, formada por dois ramos do córrego Preto, 
ua proximidade de um espigão. 

Casna do Reino — Correg;o e Ingar na fazenda Cocaes do 
Bio Verde. 

CahAo— Fflzenda neste município, vendida peio sarg-ooto-mór 
José Pedro Galvào d© Moura Lacerda a 27 de JuJbo de 1792.^ 
Pequeno mato, isolado no campo, — Excellfnte palavra brasileiríí, 
derivada da lingua g-eral : caá-poãai mato redondo (Ta una v),^ — 
Bosque isolado que apparece no meio do campo como ilba de 
virdurn. Nos logarea humitíoa &ào oa capões, muitas vexes densos 
V compõera-se de arvores elevadas, muito próximas umas da» outras, 
Âppnrecem priucipalmente nas baixas e junto aoa riachos, de 
que fcrmam wm ornato especial, principalmente nos buriti^aes, 
onde mais se desenvolve a bella mauritia vínifera (Wappieus). 
Bosque no campo; mato isolado no meio do campa, como a 
ilha solitária na vastidAo do mar; ilíia de arvoredo: do guarani 
caá, mato, e pan, o que está no meio (Macedo Soarks). E-te 
autor df sí-nvolve proíicien temente a oriprem do vocábulo na lís- 
matíi Brastleira, tomo III, p, 224 (1880).— Bosque laoludo no 
meio de um descampado. Eíite vocábulo, no sentido brasileiro, 
it&o tem do português sinão a forma. E' apenas a aUe açã^ de 
caápauD, que, tanto em tupi como em guarani, signifícn mata 
isolada (B. Rohak), 

Capão ái-to — Sitio a^íricola, pertencente a FidelJ» Feman- 
dea Garcia, no bairro da Estiva. 

Capão Bonito — Fa^eiida neste municipío, comprada em 
1818 por Manuel António Cabral a José Alves da Silva. Hoje 
tem outra denominação. 

CoPELLA DA lioA ViSTA DA Vartiea GaANDB— Bairro HO mun. 
dc Ca^a Branca, do Estado de S. Paulo, com uma escola pu- 
blica mixtaj creada pela lei provincial n. 8, d© 15 de fevereiro 
de 1884 (MonEiRA Pisto). Este illustre geogrnpho também men- 
ciona o bairro át\ Boa Vista da Vargem Grande^ como aendo 
outro, qae níio a Capela. A [povoação de Vargem Grande, como 
já ficou dito, perteoce ao muuítipio do S. João da Boa Vista. 

Capitão Horta— Rua de^ta cida^lo, assim denominada em 
honra ao capitílo Moysés de Oliveira Horta. 

Capitão Vicente— Vide Guarirobas e Palmital, 

Catíiiapatos- Sitio, na fazenda de Cocaes, assim conliecldo 
em 1829. Actualmente não tem essa denominação. 





■ 



— 1B9 — 

Carros— Ántf^a denominarão da rua Luís Gama. 
Cartalhiisho— Vide Tenente CarvalUinho. 
Carvão de Pedra— Por decreto n. 9603, de 12 de junho 
de 1886, o íçoYerno ^eral concedeu privilegio fio úr* Gabriel 
Biai da Silva e Roberto Normanthon para explorarem carvão 
de pedra e outros míneraea ne$te municipío. Até agora, porõm, 
uào deram principio a tal e^xploraçào. Em ofEcio dirigido 'ao 
presidente da província, em 30 d© de^-embro de 1863, a Oamara 
informou nRo haver aqui carvào de pedra. 

Casa Branca — Cidade m diatrícto, município e comaiva do 
mesmo nome> do estaJo de Bão Pjmlo, republica dos E (aii» Uni- 
do* do Brasil. Esta povoaçà^, antigo sertào da edraífa cíe Goiás, 
do bispado de &àn Paolo, diiqnem do rif> Pardo, ic^i, por cv rta i égia de 
25 d© ootulro de 1814, erecta em frefruezia com a iíivoca',íSo de 
Nessa Senhora das Dôrej, como «e vé do segTiiote alvará: «Eu o 
Priocipe Kegente de Prrtujíal, e do Mealrado, Cava liaria e O dem 
de No-so Senhor JBSYS Cbríato : Faço aabçr que seudo-Me 
prefente com repieseoíação do Reverendo Bispo de Sao Paulo 
do Meu Coiicelbo, o rrquerimento doi m^rfldorea do ccrt&o da 
e&trfida de Goíja no dito Bispado, em que Me expunham a ^i^ande 
falta de Pasto, e Siccorroa Eapinttiaes, qui ?ol'rifto p-la l nj^i- 
tB.de de sua Fregiiezia, pedindo-Me, que sfim do remediar t^o 
grandes males lhes BzfSie a Graça de Err^^r huma no?a frâ' 
gaeztft naqu^lle Gertâo. O quo vipto, e reepoataa doa Procur:idorea 
Geraes dss Ordens, e da Minha Real Coroa, e F^izend.?, que tudo 
smbio a Minha Real Prezençi, em consulta áá Meaa di Consci- 
ência, e Ordens : Hey por bem, que no ceilào da estrada do 
^oiflZ, no Bepado de Sâo Fí&nlo, daquem do Hio P^irdo no lugir 
denominado — dn C^zi Branci, — sejt erecti bunia nova Freo^uesia 
com a lavocRçA') de Nossi Senhora dite D^res, a qu^l ob mora- 
dores do dito Certão edificarão a sui custa no f^refiio termo de 
Suatro annos, e ficará limitada eãta nova Fregae ia dejde o Rio 
uqoarl até o pouzo do Cubafão. Feio qua Mando a tod»s as 
pessoas, a que o cumprimento deste Alvará competir, o cumprâo, 
e guardem, como nelle ^e conUím, sendo passa 'o p^Ia Uirincel- 
ioria da Ordem e registrado noa livros di Camer^i do Bispado 
de BXo Panlo, e nos das Frepueziss que por este Sou Servido 
Maodar Erigir e m* de que ílU houver de ser desmembrada, e 
Takrá como Carta, pnsto qae seu fffeito baji do durar mais do 
hum «uno, sem emharg^o da Ordenaçl^o em contra» rio. Rio de Ja- 
neiro, 25 de outubro de 1814.— pRixcirE, COM Guarda.— Alvará 
pelo qual V. A. Real Ha por bem, qu^ na estrada do Certão 
de Goíaz leja erecta liuma nova Fregueziaj como acima sa declara 
—Para Voasa Alteza Real ver. — JoÂo Gaspar da Sílva Lisboa. 
a fea* — ^Por immediata ResoluçUo de S. A. Real de 15 demarco 
de 1814 e Despacho da Mesa da Consciência e Ordens de 18 do 
mesmo mess e anno(l\» — Em 1824 o bispo de São Paulo dirigiu ao 
presidente da província o seguinte officío: «Ulmo. c Etmo Br, 
•^Accuso a recepção da Portiria de V, ílxc* de 6 do corrente 




— 140 — 

na qual me |»attici|>a Y. Exc que tendo o CApitfto Mor da Vil!» 

de Mogimirinj, niarÊado o rio Pardo, pArs íefvir de divisa com 
A yAlh da Fra&ca, convinha que aquella demarcação í^erviase do 
limiee da Fr^gueiia de Ca^a Branca, e qae eu houveaae de anoair 
a esta peitençào, ao que respondo a V, Esc» com a copia do 
AlvAfá da creaçâo da mp;¥ma Fre^ueaia» Não poeao certificar a 
y. Esc. se a este reapeito tem havido alguma mudança, o que 
milhor poderá informar o Parocho daquella Freguesia^ quando 
V. Ex7. haja por hem aasím o mandar Hé o que ae me o£ferece 
a dizer a V, Eí:c. tendente a ea e o^j cto. Da. Gde* a V. 
Esa.— Sao P*uTo 17 de jnnbo de 1824, — llltro. e E%mo. Sr. 
Prfsidí*nte Lucas António Mont iro de Barrof»t — M^riOBSL Joaquim 
Gonçalves dm Ahohade, 

Pfla lei provincial n, li>, de 25 de fevereiro de 1841, foi 
Casa Brauca elevada á cntegoria de vilia, constituindo muntci- 
pio com a fregnezia de Caconde e o curato de í>âo Simlo. 
A lei n. 22, de ^7 de março de 1872, elevou-a á cid&de, e a 
de n. 46t de 6 ^^e abril do mesmo anuo, creou a comarca de Gaaa 
Branca, coniprehf*n detido oa terraofi de Casa Branca, Caeonde e 
Sáo Sirn&o. Pela actual organização judiciaria do Estado, Caaa 
Branca é béãe da comarca do mesmo nome, conatiCuida peloi 
districtOB de Casa Branca e Tambabii (2), Confina esfe mniii- 
cipiri ao norte com o de M<»cócii, a m/rdánte cotn o de São José 
do Rio Pardo, a leste e sul cora o de Sào Joí\o da Boa Vi^ta, a 
oeste com o de São Bim^Op O municipio é composto de campos 
e mat^s; parte dentas acha- se em terrenoa montftnhf>ao& e outra 
parte, a maior, extende-se por terrenos pliinos e espigõea de 
pequenH elevação, A povoação teve aeu crmeço por um pe- 
queno rancho á margem do Espraiado, e mais tarde por edifica- 
çoflR que fizeram José António de Almeida e o padre Francisco 
Jofé de Godoy (â), que de Itú para ahi foram em 1810 (4)» e 
pelo estabelecimento de diveraas famUiaa açoriitnaa dirÍL'tdaa 
pelo governo de d. Francisco de Afísís MaBcareuhas, conde de 
Palmji, em 1815. O nome de Casa Branca provém de uma 
pequena cara caiada, anida áquelle rancho, aitunda no caminho 
de Mogi-mirim á Franca, e que servia de ponsn e descanço 
aos que iam em demanda da Franca, Minas, Goiax e Mato 
GroíBo Foi seu primeiro vigário o aludido padre Francisco 
José de Godoy, que celebrou a primeira misaa no povoado em 
1811, em casa de Beoto Dias. Primitivamente consíijtiii a pro- 
ducçfio do iogar em toucinho e queijo, i>e)o que moroso foi O 
seu desenvolvimento, conservjndo-ae ai^sim até 1864, época em 
que o dr, Martinho da Silva Prado, tendo adquirido j>or compra 

(1) Ci^titado de am docamenlo «xUi«Dt« qd Anata tvo PnbUoo Aõ SiUdo, a qq« qm 
fbt ofTerêcJdõ, em oãpift, pelo niattre d;re«iar desift rapirtlçAo, dr. Átitaãlo d« To^ 
)«]o Fim, 

t2t ADiulmeiíU tJhWi) a í^mnrc* ootn^ le doa nnnlojiploi de Ou* DruM « 
TuabAbá e du dietrlcto de itobl 

ti) AltáflH FrnaciHo de dodej Corfbo. 

(4} Vttrun xaWê d« ifilO, 



f 



~ 141 - 

imia fazenda (1), iniciou o plantio do café, proporcionfliido 
^ectl^^os a j^rande nutueru de lavradores, Dabi em deaote rjipido 
foi o jirog-resso do lo^an Acba-sB a cidade Bitufldft a N N O da 
eapital da província, a 720 metraB aobre o uivei do mar. K^ o 
mtioieipio servido pelíi ferro-vÍa Mogiaua e pelo Ramal Férreo 
do Rio Fardo, Conta aiém disgo e&tradas ordinárias para 
todos Cê municipíofl limitropliea (Rêlatít io da Commiumo de 
EstaU^Uca) . — *0 governo pnrlu^iea, nos tempos coSoniaei, 
distÍDgtiia muito todos os aventureiro! que, aem temor da tnOTte, 
Airiseavam-Fe a atravessar vaatos aertões repletos de iudioB, ló 
eom o fim de deBcobrir tiuro. Dabi o caracter egoigta^ que foi 
a primeira feição dos no&:>OB aDtepaieadoft, aasím como o mais 
perolcioso mal que ae moculou na indol© do brasileiro. O primi- 
tivo nome do graqde imperial era — Terra de Santa Cruz ; o 
egoísmo, e por conapgttinte o ouro, denominou^o— BraBtl, Diz a 
tradição e com eila o fraude poeta: 

«Terra, porém, depoi» chamou a gente 
Do Bra^iL nho da Cruz; porque, attraida 

Doutro lenho nas tictas excellentea, 

&e lembra menos do que foi na vida. 

Amm ama o mortal o bem presente: 

Assim o nome eaqnece que o convida 

Ã0& iiiteres-(^g da furura floria, 

Aoi bens attentos «6 da trauaitoria.v 

Ot pauliãtas, aproveitanlo as boas d'Hp sii^õe? do governo 
portQg-ueB, e movidos sobretudo poi um gfnio audaz e aventu- 
reiro, tentaram coiumettimentoa extraordiuarios que parecem in- 
veroaimeis. 

Em 1670, poaco mai* nu menos, B. Bueno da Silva, natural 
da cidade de Bkn Paulo, desejando possuir um grande numero 
de indio«, eouvindfj falar que pt-lo^ ladoa de (Ioííéz bavia uma tr bu 
mansa e pacifica, onde aâ molherea ornavam-se com folhas de 
ouro, peJa primeira vez atravessou os sertões pelo lado do poente. 
Ke»t© trajecto abriu a grande estrada que, atravessando a d^ 
dade de Casa Branca, comraunica a província de S. Paulo com 
as de Goiaz, Minas e Mato-Grosíso. Chegando ao abv, destino, 
tentara por meio de ertificíoit influir de uma manei «ú sobrenatural 
ao animo dos indj arenas. Para hao queimava aguardente na 
pretença dell#*S; que aterrorJsadiiS, o chamavam Anhangnéra^ 

Sue tjuer dizer • diabo velho. Seria Bartholomeu Buetio da 
»ÍlvA, quem primeiro passou peloi; terreung de Cas^ Branca? 
Acreditamos qun sim; tanto que por carta régia de B dfl nmio 
de 1748, foram concedidas por três vidas ao filíio de A nhmtguéra^ 



m Kiti fuendi.^ denoffllflftdii BftjâHt perteoce ^ojô JU» maiilclpfú de EuiU C^ 
4mm Ptiiaiiriii^ e é bm> dai mads Linport4iiUa dJkU. 



— 142 - 

qvL& teve o mesmo nome de bcu pai, as passíigens doa seguintea 
rios; Eia Gmtide, Corumbá, Jagiiari-minm- O ultimo rio, cor- 
tnndo a CE^tmda a que ficima noa referimoB, pas^a distante de 
Cíita Branca quatro léguas (l). O roteiro, que depois guiou os 
&utro3 paulistas em suas vinj^eos r Mftto Gtoèso, íoi exacta- 
mente aquelle que Aythaitf^nèni deixou a ^su fiilio. Por conse- 
quência não pude BcíFrer a menor duvida de que Bartholomen 
BuoDo da Silva foi qatim abriu a grande estrada que procura a 
ponto do Jag^uárn. 

E hoJL», que o commercio tem creado novaa forças, deWdo 
aos grandes element)8 de progres o, quo jaziam na maia re- 
pugnante apathía, que interesses d i verãos iurçaca as provi nciaa 
íimitropbes a estreitarem suaa relações, c que podemos medir a 
importância do comettiiaento daquelJe audaz paulista. A na- 
tureza collocon a província de S. Paulo em cortdições mui 
vantagiosas, em relaçfio aos inlere&ses de Goiaz e Mato Grosso, 

TodtB os nossos rioa, procurando a grande bacia do Prata, 
com exepi^ào doã rÍoi do littoral, demonstram á !uz do dia a 
importância daquellas paragens, em relaçào a estj provincia4 

Caí^a Bianca tira seu nome de um peque rancho [2) que 
Layia nqiiem do espraiado que banha a cidade. 

Oa tropeiros que conduziam sal para o Hio Grande e oa 
carreiroa que vinham de Franca, procuravam o mencionado rancho 
que, sendo a única habitação caiada , denominavam— na Casa 
Branca, Em I8i0, José António de Almeida, que nasceu em 
Itú no aniio de 1795 (3), foi forçado a retirar-se daqnella cidade. 
e encoDtiando-Èe com o padie Francisco de Godt y (4), que prc- 



ni DÍTido on hiunielrlDi do Cttth Branca e S. JcíVo da. Bân Viu», 
i£) O dr. JdAo llendce Ac AloietdA ccmbute cstA leodn o die quo « origem do 
boiae Caàa Brartca é tupl. AdeRiiie dimci K noticia^ que nos offerccâo, c qqq é um 

\^} ãoié Antobio Ar Almeld^ «e^ndn doelar«ç<^a et)». niLpcea ?ra Uú, em IBuJ. 

Ba pripendo a cr^r qhs eUs eo en^nnám e díi&crii n verdnde ao ir* Lo^t^Ua, 
fiOTqnhiito é duvidoBO qD« te âjnsiA^ii^e, nts nove atii:i'-i. coma CAMtflndA, lato é, mo« 
■ete, porque o padre Fr^nclvco do tJodoy veiu pnra nqui era Jí-Oc^. Km i*^23, esta ík- 
Cflrdolo t*ívu umii qucktAâ h resjuetio Ú« terreno b. Depondo MuTiflcM^em andei de Keicoda, 
na iccIJo, dice(^t-quâ íea pAJ Jbt/ de Almeida Iara, }he dlEverft «QUo mtlKo £6 catton 
acbnr ramlrliQ no ri be Ir Ao chuanxàQ Cocapb». 

Nilo ea tratnri dettc Joid do AimeEdn Lafí, que metido púdo car a pfti diqQcIla 
Joié Anionto ? 

Joié António d6 Almeida foi cuado com d^ AnionU Nnmes, Hlba^ do Bento Diu 
Gani A, 

If) Õ pndre FrantUco do (lodoy Coelha foi Tigírlo de C*Fa Branca por loogoi 
aiinoi/ FalfeceQ cin 16^4, deixando por rd a herdeira & madre-attbndi^Ma Anna de Bio 
Joaquim^ recolhida ao convento de Banta ThíreEa, da Capital, e por testamenteiro o l]^U 

fadelro Bernardo Jofâ Pio to Gi^iia Pd xoto, igu pAtonte. Godoy obter o M lerrai do 
otn^s por setiQjirliis por compras, 

A fRienEJa de Bento Dias, que elle con^prír» lambem, era comporta de camp0fi« 
uiitM e bemfeltorlat e comprebcndia, de»d(g * iRgoa secca aoi OllioB d.A^tia, até o 
PiC*irrJto Inclusive, Indo findar Oocnes nbatxo^ flcnnio do dcolro c correio Comprido (ou 
Apna Comprida}, onde fes uma poiíe o ama eaifnliji coberta de palba, eoi I^Oi, o Baado 
Joté Fr&ocifeCD. Na sobredUa queílAo do v*4m, dlrie a ttfvteinnnlia itaríanno Díib d» 
Olltelri ; (juo ão*é Triípcleco tendo citMdo para qidm âcçio de forc:a e estiullia, por nm^ 
compoiJçAo qae nxeram eile iatroto e lea piío | Bento Uiafi), btgoa mno das terras « 
daa bemretioHai que tinha feito )antO ao córrego Comprido, o aaal córrego le «cha cod- 
tlgoe ao lítio da Bocflna, apoeiado por Jic^nliio Bodriguei, e por «Bt« vendida a JO' 




mb 

^^ Otâii 



— ua — 



cBrtvft orn logíir denominado Cocâes, -ja estrada de Goin^, ajus- 
í<jii-se Cf mo camarada do referido padre, A fazenda de Cocaes, 
pertencente ao padre Godoy, dista desta cidade apena^j uma légua, 
Ahi foram lançadas aa priaieiras bases da íuiura povuaçào (l), 
Todavia, dois grandea inconvenientoa foram logo conhecidoe: a 
falta de agua e o facto de se achar o local encolhido muito fura 
da estrada e, por consequência, do commercio 

Além dUfo ua Estiva já exibiriam tree casas fertencentea a 
José de Larfi, Vicetite de Lara e Francisco de Lara (2), O interpase 
que cates itidividuQ» tiravam» negociando com os tropeiros o ear^ 
rt íros, cbaiDou desde lofço a attençAo dos habitautefi d^ Cocnet«i que 
Ticram e>tíibelecendo*»e por todo o leito da estrada. No omfanto, o 
padre Godoy continua ra com affiucona fuiídaçào da pequena |>fivoa' 
ção. A primeira missa foi dita em IBll, em casa de Beut^» iTiar, 
■o^ro de Joeé António de Almeida, Em breve ohe^ou á cajiitãl a 
Doticia da uberdade do idlo, que por uua circumstaticia pattículftr 
oâerecia aos lavradores daqueile tempo immensaa Tnntnf^ens. como a 
t^o possuir ejccel lentes cultura^f todas ellas tendo porto lindos cam- 
mui apropriados para a crint^^o de gado. A esse facto é que attri< 
tiímoii a grande immigração mineira, que tomou couta do todo o 
municipío. E, com efíeito, em todo o valte encre o rio Mogi-uairini 
(3í e no Pardo até o Pontal, logar onde o uLimo no, i>rccipi- 
tan^oeo no Mogi, tira-lbe o nome, não ha umr eú familia que 
uào teja mineira. Ao passo que oa mineiros, em constantes 
lucta^ij tentavam invadir o território doa paulistaE^ estes, leva- 




FogjmA A Ires wm. 1TBA; mm u tem» do Bêbedo nro dn PrHU^ rcDâliliu por Mifift da 
Ei^Éflfat B«iito A tea pM, @ > teimAil» velhn 4a hig<s:i dú Rocb.ji, au^ o córrego dos Tu- 
taaiH ma Tubtr^n^a ?^ Utúe o mesmo vfgiArlo Oodoy icem «ria do terreno coniprndo e 
dM êmtwi* teime de cnUura, cimpOB a cerradoa, quâ le nchuvam diivotuLíLii, pnra ta 
parte* de PlmiBOfínegii, odiIa tiQlia liratlo jipr iPf>tnnTH a capitão Joiu d« yi/raes Preto, 
a q«9 mabe por ter ouvido mulina reieá Ut n Beiniarm dcr^adrc G(^d y, DjsiieniaU qtte, 
ab«mo »t« padre um cAiuEqbo do QQrtego CQmphdo yor deatite, cUevatido ao riljdrfto 
eam varLie peitou e ella te«tem[inhA, nb> d4morArfim daia ãiin a procararecn 
por h,Lr«r utiliúi brejo* Jonto ao rto^ e depui», achaado modo de p»s«ar(^m tá 
<qDc aieda hcijo exftte» ijum PiruROttiiig^. For esto loesnio cnmioho Ke^aín 
da ^ílva por ordetD do ^rf^adeiro GavíAo, ã |>rocara da fazijTida do Lageado. 
_ ilndo^Sfl oesfd isesmo cAOilnbú Aberto^ a*é cbogar ao ribeírAoloi tíarcia», hajA 
ilpado RibeirAo Pelo. KbaiKo d* «ir«d>, que de:paU $e abrtti, em dirccçAo ao sitio 
to Jo;é Jraquiia Bezerrv ^í^^ ^^'í tUiott-u; depois qae coiufiroQ a kesoiAria do dita 
e iftcolben-fi^ o PA^Ire com oa picadore», ci^cravo« e eamaMdan. Que i «to foi 
a» sano dç ííh'0« nfto exUtiodo, por nQnellea Indo» d? rfTiit£Dnaiig&, pessoa al^iimn oa 
^tíifi, »ié aqaelEo tem^o, nrm le AcbQii cúrie alj^um d^ optiUfaHíei^ ti&m tígnii] do Togo 
am «ampoi e cerrndoí, ^inJIo ob qiie maníJoii pnf o psdre Uodoy»^ 

ii) Cb^gAtam a fazer um eemitotio c uma cipe^lleba. 1.0b a ídvoca^JIo de Bani' 
Aana A prõpotito r^fcro a leodu om (jtcto dl^no di? rncp^ilo : A pavoa^^^o de C&sa 
BraneA proip^ía e J-A tinha uma capeUa coberta do Hnpé, oa local onle bojii está a 
e^reja dó Roíario^ 

O TÍfario Uodoy e ootroa qQeriara qtio a Treguc^Ja Íoíec em CcrtHcs ; « oe do c& 
teiniAVftni eni creiUa na eaaa brattca QD flO iiaffi-bang-cà, Q Torani botCltr a ImajifCIIl da 
BaafADna, aoa CocJiett par* a col locarem aa cupclla. A' DaJt», 01 eoi-oenãfi Vierim 
llr*Va e a leTaram de doto^ 

O p4dr^ aproveitando o ee^ejo para a «na propn^aada, d tela a n^na Ú&ia qao a 
iiiu)f«n fugira porqnt tião queríú morút ém Cata Branca. 

Eitaa v3ndafi e idaa rcpetlram-Be, até que o poro de»cobrlHs« A artfiu^nba do« 

hotueoi 4« Cocaes. A ioda boje ba dnju fazendai nc^to tn untei pio caja dcD^minacAo 

recorda a malograda povoaçfto de Coraoa : a de Hant Annn ea do FiçarrUodo Cemltorlo. 

(Ij Kio pnde alada veriUcaj- ti eite« Larat tAa páreo tea de Jo»« de Almeldi 

(3) Lela-fe Mogi-gnaaiú. 





— Ili- 
das p r uma indõl© verdadeiramente aventureiri», prncTiruvam o 
■uK Foi exflctsraeulo neí-ta occasiâo que assuiniu a isupr*'Tna 
administraçàn da capitania o muito í ilustrado d, Franciíico de 
Ã^sia Mascarenhas. mHrquez de Palm», «Foi, d is o brigadeiro 
Maebado, em seu Quadro hifitorico da pr avinda de S Pau lo ^ 
aro doã aeuB primeiros £ctus promover a colonização na capi- 
tania, comú uma dat; su»s oiais instantes necefeidades, attenta a 
diroinuiQào da popu^açà€ com as repetidas levas para o aul. 
Ne^se thú louvável propósito, predispoz que a]§:umaB das fami- 
liaa açortstfls, que para ea^e fim lhe for^tm cirigidas pelo governo, 
babttâi^cem temporariamente Jundinhi e Campinas, como para se 
adaptarem aa clima de sua uova pátria, e em seguida mandou 
formar em Casa Branca e naa ferras de uma sesmaria contendo 
uma legufl de frente e dna; de fundo, pertencente ao coronel 
José Vaz de Carvalho, que g^eneroaame^te cedeu de sua prO' 
príedade um núcleo de coloni^a^áo, começando-o com vinte 
daquf^llas familiar, cujo numero foi posteriormente augmentado, 
provendo se a cada individuo uma diária para eua manutenção, 
rtinqttauTO para ella nílo tivesse recursos, e recommendando os 
colonoa a<>s cuidados das mas abaetadas fumilias d« Mo^i-minmt. 
Em que anu d^u-se semelhante aL-ontecímento ? Examinando 
as Mefiiorias do Rio de Janeirú de José de Sousa de Aaevedo 
Pizarro e AraMJr» na part« em qne se refere á queatào. fiffirsi a 
elle o setrudite t «D. Franciseo de Asais Magcarenhas, isoiide l."* de 
Xulma, que, achando^st^ no ^overn» iictniil de Mnias G^t^raes, 
depois de governar a • apit^nía d*^ Goia^, foi nomeado a 13 de 
maio de 1814, vice^rei da Íiidi«, cnjn posto e governo se lha 
traneíeriu paia o de H. Pttiilo p«'T despacho dn 13 de maio do 
mesmo anno^ e pela honrosa carta régia de 6 de outubro se- 
giiinte, em viflta da qual tomou p' sso a 3 de dezembro imme- 
d ia to B. PortantOi fíca demonstra io que os colonos açorit»tas 
vieram para Cas^ Branca no anno de 18 15. José António de Ãl* 
meida, que ainda vive (l)jaffimft que por ordem de ura capitão 
Baptista, vindo de Mogi-mirim (2), íoram intimados os povos 

ftara ajudarem aos ilhéoe na edificação de Buas chm^i e tocou- 
hes comu imposto, 20 dujaias de ripas (3) A vinda doi íibéos 
e conse^iatemente de muitos outríi;. indjvidue4 qno procuravam, 
para aa suas especulações, a estrada que naquelle tempo já era 
muito frequentada pelus carros e tropas, fez abortar o plano do 
padre Godoy, de fuiidar a povoaçío noís Cocaes, obrigando-o a 
mudar-E>e para o lugar onde está hoje aiiuada a cidade (4). 



(1j Almeida rallaDen nsetii cldidti, ái dans haras d& tardo de dia 23 de agoitQ 
d« lâ?8. Dep<i1i de<Meríp[«« «s nfi^a precede ntâi^ r^HQqnâi qiie ell< naicera em ilM^ 
ntc em In»!, como declarara 

{2) O capícílo J(j&u BapUsU Parreira era juii ordinário de Mogl-ioiriín um te 16, 
época em ^ue der^riAin ter->o coniimido as oAta» doi oo Iodos 

i^i Nq ee m bmo aono fiSltU. o ^^enio nijiiidoQ a Cma firjincji o eDg:eDheLro 
bLlItar ÚaàítjeI Pedro U&ll€r, qae t&o importante iiapel desenip^nhdii, mal» lardfi^ nu 
poiHien D no eteruiio, -demaraar a» lotes da terrenoi ún% llli4lo«€ Indicar o ârra&menK 

(4V Na faiendã Plçirrio do Cemitério, proxlmi] ao AteiradLQlio, exUt^m Ainda 
dnas omiei que recordam o comiUrlí^ da pofoaç&o de Cotnea, 





— 145 — 

Infelizmente Of primitivos habitantes áo mimicipin iiAo co- 
nbeciam a cultora de eafé^ de maneira quH a» nii^lhoreB 
mataa foram todas estra^adaft com grande- a rcç s, otido ttiií-t^ii- 
t&va-te ura numero extraordinário de gado. E dejioH a entrada 
de fazeodeiros mÍDeiros,— qae mediam a riqueza feia nitiior ou 
menor qttantidaile de terra que pot^uiam, — di^morou por utuitos 
ãjiDOi a divisão da propriedade, fieatjdo de^^ta Arte o inunicípio 
parafusado, não pesando de ontra importância, bídí^d aquella que 
lhe TÍaha da estruda da Prsnca. Felijiiiente a eiitTuda de ta- 
sendi-iroi importantes, jã ^jeio lado da fortun», jÁ peio lado da 
inteliigencia, veíu chamar a ntten<;Ao dos lavindorea j^ara a la- 
▼oiira do café. E hoje podi moa ajSiinçnr que o muiiicipio de 
Casa Branca é talvez a zona mais importante da provi iifia. 
Ba, todavia, um mal que tt m resí».tido a todi* o írominHitiriionto 
de&tinado a eiterniinal o, Á ignoraíicia pofml-ir, e o Íj diiirn^n- 
tiBmo em rela^^ão ao adiantamento iQi^^ileÊtUHt — são peiau^. Em 
compensa ho os homens mais anti^on do lopir» mau > Testa t»do 
tempre grande veneração á moralidade, trAUAmittiram a so^is 
filhoa a mesira índole e c< Etumee. Det^ta i-urte a ctdr.de de 
Casa tfranca recommenda-*** especiolmente pf-lo resjieito á ordem 
e acatamento á ant^rridade, Ã vinda doB Ar;iirii>'a , vm 1B15, 
na qualidade de colonos, pouca ou nenbnma ntílidade deixou 
fto município pejo lado civilizador. E o iraL niè hoje ainda 
prodns funestas consequências. Km reprii todo o jndividuo em- 
pregado na lavoura nào sabe lêr* (A. R* dn Lovola). — Cidade 
e muuicipío da província dw S, P^ulo (Brasil), nn comíue-H. de 
' Mo^ím*rJm, em íitio ft^rtii e saudável. Ora*;n Ncsaa Senhora 

( da« Drre-, dii cese de S. Faulo. Tem 6.1*24 habirautes livrrs e 

j 1795 escravos fl), Criflijãf) de p:fldo8. Acha-íe em cous^iru^çào 

o laoço de ettfada de IVrro qne a ha de li^jar com a rapital 
da provincía e cí^m outras cidades importantes. Acha-S(* e^uul- 
mente ebtudtida a f^strnda que a ha de li^rrir á Caldas, na jiroviucia 
de Mlna^ Gerfles» e u |»ro]on^anento da linha de B. Paulo are a 
nmrgem esquerda do Rio Grande. O titulo de cidade tuilhe conce 
dido no anuo de 1872. E' M'dp de coUopio eledoral (2). Eleg-e 20 
eleitores. E' egunlmente aéde de comarca judiL-lal dn L* en- 
trancia (S), O município de Casa Branca, que c mprehende trea 
paruchias, conta 8.188 habitííiitus livres 6 2 09H escravos {Díúc. 
de Gpjjg. ttnivemal, l8T8), — Povoat^ào situada a NNO da cii]iital, 
entre as cidadfs de Mtig:im>rira e da Franca. Começou por ura 
Oiraial, que dpíeI^vo^veU'^e no principio do século actual, O 
iabio francês Augusto de Saint-Htlaire, em sua excursão pela 



dl êegmiAQ o recenseamiiito de 1872, Km T800 s& procMeu % nevo refensi^Amen* 
to, muHú úofBitdúso. que díinoiííUroQ orçír « poputâçAú do munkiifiti ror m Uhi (itmãí, 
iBAíi OD menoi B' pmliD ddUt qtie de itf^h pura cá o território municl^nl íc ttriD 

í2j A Tçforíl* eHtor«i d* <8ívt trnaífciria a sedo do 7.* íltstricto pira RtbeirlUi 
Frete, O moDicipio eiii dividido em L «ecçOes com Hil2 elettores, segcndú a ra^bAo 

(t) Afitnyiiittiitt M comiuxu dt» Bttftdo ali) Um cstagoritt. 




— 146 — 

provinciíi de S. Paulo, no anm do 1819, as^im eo exprime; 
c Ãs ca^as quR formam a grande rua de Casa Branc», em nu- 
mero de 2J, tinham sido conBtnudaa para famílias de insulare» 
âçoiiaaoSj que se tinha mandado vir povoar esta localidade. O 
governo pa^ou o preç> do transporte o den-se a cada familiar 
não somente uma casa^ mas instrumentos ara tórios, e meia légua 
de terras cobertas de matas, Eitea colonos desanimaram á via ti 
dfl« íirvorí^a enormrs que éra precifio derribar, autea de poder 
plantai* - dezoito famílias fugiram atravessando a província de 
iíinas Geraes e foram lançar-se nos pés do rei, Implorando que 
ns tirasâo de Casa Branca ; dou -ae -lhes culras terras para o lado 
d© Santn?, © a povoação de Caia Uranea ficou quasi deserta. * 
Luís d'Alincourt, em seu viagpin ás províncias de SAo Paulo, 
Goiás o Mato Grosso, aíErma que o motivo da fuga de=te9 co- 
lonos foi —ter o governo fsiltado ás fl) que Ih cia tízéra. Spja, 
poróm, como for, a povoarão fui creada fregue7.ifl, desmembrada 
da parocliia de Mogimirim, por alvará de 25 de outubro de 
1814, ttob a invocação da Sennora da* Dòrôft, e elevada á villa 
por lei provincial de 25 do fevereiro de 1841, e d cidade por 
lei do 27 de mar<;o do 1872, Di'ta da capital 44 legnas ou 244, 
4 kiL, fl da» povoações limitropliea, a saber: à^ Gncondo 12 ou 
6G,6 kil., de S- Simào 11 oti íilj, do S. Sebastião da Boa Vista 
(2) Ifj ou 88,8 (r.), do Espirito Santo do Pinhal 10 ou 55,5, do 
Espirito Banto do Rio do Peixe i^ ou 50, de Moííimirim 12 ou 
6G,G, o de S. João da Boa Vista 9 ou 50 (Azevedo MAaQUES). 
— Fazenda rural, que deu nome a esta cidade, e em cujo terre- 
no fai edificada. Suas divisai eram as Begaiotest Principiavam 
no capílo, nu alto do e^]iiglio, seguiudo pela direita, coufron* 
tando com a fuzenda de Prudente José Corroa (4) até o ca- 
pão da Guariróba, e BejE^uindo pelo espigào até fe^-har no 
brí*jo, ondo morou Anfonío Pinto, confrontanlo com a fazen- 
da do Ribeirão, dvldindo com as lío Piçarrãn e Penhora, 
e terminavam ondo começaram. A divisíio da fazeudi de 
Casa Branca, a única de que temos conhecimento, começou 
na audiência de 22 de juiibo de 1846 o foi julgada por sentença 
a 31 do abril de 1817. Tinha a fazenda 077 alqueires de terraa, 
teodo 401 de campos, que íoram avaliados n lOfOOO, o 86 de 
matOj que ioram avaliados a 14^00, importando em rs. G:H4$000, 
Desta quantia deduxiu-se a de 341§000, valor do pa^to reconhe- 
cido como propriedade de Nossa Senhora das Dores, com quanto 
n&o npparece?s9 titulo de doação; e também a de 32O$0O0, por 
quanto foi avaliado o terreno entre os doi& córregos, onde eitá 
aísentadi a povoação, c desiinado a património da egreja. Esta 
]>artõ f<ii doada a Nossa Senhora pelos condóminos da fazenda 

fl) HuiíTo *ciiiT^ por forç*, omIjsJlo de cai,i pAlavr* Vide oa Apamtúmtntoi. da 
AiereâD MarqQn 
(i^f ilojoMocú». 

Q\ A úíêtMici* daqui k Mocôci i^' áe (^ lc>gti»ii. 
(4) E«la r.ixGodi tal de àuXonh Jcit Hlbelro g dr. Joeá Rodricnei do Prvdo. 



— 147 -^ 

Vicente do Almeica França, Marcoa âe França, Jt/ào Almeiíia 
França^ Ignaciõ Francisco de Almeida, Aiitoaio Barbrta de 
Moraes, G*.nçalo Ftfrreira Garcia, Fraiieisco de Paula Cardoso e 
Fiancísco Martins de Carvalho. Também ti vis mm parte na fa- 
^endii : Fructuoso José da Siva, capitão Jo-é Gouçalve* d^s 
Sarílcs, Serafim Caldeira Brant, Antónia Ma nina Fuiáo de 
Foiítea e outros — Nova villa da província de Sao PauIo, na 
ultima comarca de que a vil Ia da Franca é cabaça. Era jiri- 
mitivamente um arraial cuja população fee auf^mcntou conàide- 
ravelmente com o govereo constituíionaL Sua egreja, dedicada 
a N. 8. das Díires, íoi creada f.ogjejíía, e larj^o tempo d.^pois 
yma lei provincial de 25 de fcsvereiro de 1841 lho cunrtjriu O 
titulo de vi! la, desmembrando^ para formar o seu, o diatricto da 
villa de Mogímirim. Consta, pois, o aeu diatricto de Beu terri- 
tório parocliial, dt? de Caeondo e do de fí, Sim^o. Seus habitantesi 
avaliados era 3.(XíO, sâo yala, maior parte »p:ricuUorea ti criadoreà 
ííe gado (MiLLiKT 0B Saint AiiOLriiis). — Marchamoá duas lei»:uaa 
até a Estiva, mais uma lc;;ua á bonita villa de Ca^a Braoca, 
notável pe?a sua egri^ja de bel la apparcocia e jelo seu cemitério* 
Vai Qfna légua daqui ao Aterradinbo, meia á Lagoa, três e meia 
ao rio Sapucabi (IJ, cuja ponte pasíamoi a pt-, porque e^tá om 
peior eftndo do que a d*i rio Pardo. . , (MiíUtíSHo). ^Estação 
da liuba Mogjaaa, a 277,5 ki lo metros dt; Sko Paulo e a 720 
metros de ahara so^ro o uivei d) mar; íVjí inau.í;uradfi em lUlS, 
A cidade está cokrada na altitude dn GâO metros.— Cidade na 
qual La uma câtaçào da estrada íeino íltof^iana. E^ti assentada 
no declive de um moute baix-> ^ e, na niiz de&to monte, ha um 
pequeno corref^o cujas aguaâ sào eápraiadaa. Ahi, o íiutit]uÍBtvimo 
caminho, que era o trave^sio doa indii^enaí e que depoid foi a 
estrada gtiral para a Franca, formav^a um;i curv.i, ladeando 
o monte, para uoroeite. Dahi o nomp, corrompido em Casa 
Branca. Casa Branca é corruptela dw Ha^á^banjí^ca, « travefiiiio 
torcido». De haçáj «passagem, travesãio», bang, «torcer, en- 
curvar», levado ao supino pelo accrescimo da particnla ca (breve), 
para significar » torcido». O h tem som appirado. Q facto de 
existir maia adiante a casa caiada da K^tiva (;), ou Keiri*H'o 
do despacho dos géneros, foi causa da corruptela. De um Itins' 
rarití (3) de viagem^ em 1857^ vou transcrever alguns tru^^hos» 
quâ explicam de certo modo a denominoçtlo tupi : « Sfihi do 
Âterradiuho ás 8 boras da manhíl, e, camiubando meia légua ao 
rumo de ses&euta gráuf^ cheguei á villa de Casa Branca, que, 
por suas coastrucçõeâ, é trato de seus habitantes, 86 moatra uma 



|2i k ttâa raiaia, A qno f« roTcre o ant«]r do fíteeíottaria, nflo aVA i&ltaiún n^ 
BfitT», « Bim A bdr* da cidade, li» raa hoje denontíFiadji án t*r,tl*. 

í3) O Iftftefafio. n qae «e refere o dr. MenâQ«. é o da li^*fftm frrreittt da ciiaiã 
ÂÊ SaiUoÊ, na proriíttia dr Sa» J'atilOt a Cuíahâ, íapifaí éa proiiHeia dê Mato 6fQtt&, 
ftttl«a eNE:Q]]b«lroB oinjor bach&rcl Joié de ^dlrnnda da Êilrn Rei a c capU.lo b^nch&rel 
Joâqalin da Gama Lobo ú^É^a. ¥/ «íí rrípto p^la [«rlmdra e bíIá publicado □□ umo 



'I 



— I4S — 



das maífl civil izadas povoações que ein roiuha viagem atravea«©L 
Condauaiido dtiht, ao rumo noroeste, caminhai tr'^9 quarl< s de 
íegua até o alio d<f campo, A uma légua e um quarto da viJla 
passa-pe pelo logar cbamado Estiva, ainda do meamo rumo noroêitiSf 
e atraveftsa-Bo a váu «m pequeno córrego. . O terreito mostrou- 
Be, neste dia, poueo acddf^ntado. » EBtfi aittiquia^imo caminho 
eetá hoje abaiidotiado e qua&i tapado; porque, depois de 1857, 
foi aberta uma estrad», denorainhas de rodcig^m^ m«Í8 recta ao 
alto do cfliTipo. (JoAo Menobs db Almeida (IV Dicc, g^og, da 
prov, de Sào Paufo^ inédito).— De Sào João da Boa Vista re- 

fTeipei para a estação de Cascavel, onde tomei a linha tronco 
a Mot*iana em direeçílo á cidade de Caaa Branca. Paaeei pelaa 
estações dft Engenheiro Mendes, Orindiuva, Lagoa, Coches e Casa 
Branca. Fica eata cidade a 173 ki!ometroa de Campinas. 74 de 
Sâo João da Bôa Vista e 88 dfl Mogi-gUflíjú, na encosta de uma 
cofioa, quei desce suavemente para o lado de N E, courornada pelos 
doua EspraiadoB, que sa reúnem a outros dou», formando o córrego 
das Congonhas, afflaente do rio Pardo, A* riistancia. nos limites 
do município, ficam a O. e a 18 kilomatroa o rio TambaLú, a 
E, 6 a B6 o Jaguari, ao N. e a 12 o rio Verde 6 a 12 o Tuba- 
rana. Sua po«içl^^ topographíca nào é feia. Quem se coloca 
na estfiçào da e&trada de ferro aprecia belloe panoramas. E\ 
entretanto, Ca=a Branca uma cidade profundamente triste e ex- 
traordinariamente decadente, Compoe-so de amas nove ruas o 
do umas cinco pra-^es, A rna mais importante ó a que parte à& 
©Btaç&o (2) e vai at** o fim da cid.tde, numa ejítensRo de mais 
de um kilometro, Na.o alo an ruaa cfllçadas © poupasi têm passeios 
cimentados. Ab praçíis ca'^ecem de nivelamento e de limpeza. 
Os prédios s&o qua-i todo» terreoB, antigos e sem go^to ; nfto nho 
numerados. O commeieio é insigniHcanta, aendo exercido por 
italí.ino'* e turcos. Os principais odificioB da oidadtí sào: a Matriai, 
ainda em construcçàoj a Casa de Misericórdia, a casa da Camará, 
Cadeia, e o prédio f m quR funcciofta a sociedade italiana Príncipe 
dl Napoli^ o melhor da cidade. Tem o municipio o districto do 
Eio Verde^ h^ije Itohi, cortado pela lin^^a férrea Mogiana e os 
bairros do Eícnvadinho (3) Sào Jono, Lagoa e Engenheiro Kdhe, 
A p<'pulação da cidade é de 3:000 habitantes e a do município 
de 12 a 13,000, Confina o município com Tambahú, Santa Cruz 
das Palmeiras, Sjko João da Boa Vista, Mocóea e Rio Pardo. 
Entre ís rioa qne o banham notamos Parrio, Verde, Verdinho, 
&ant'Anna, Pratfi, Sucuri e Cocaes. E^ a cidade illaminada a 
luz eler-trica (Moíiejra PjnTO, Uma magem pda Mogiana^ no 
JoTíml do Commercío de 20 de janeiro de 1899.)— O nom% de- 



(1) A obia dú i Ilustra Ar, Jaio MendM ^i lld<p am puie, a âlTonoi Zii}iQ«iif d« 
IttTH, Ei« diik ^ de Janeiro dâ jJjtOi. 
(S> Bu Oorooel Joiâ Jutfo. 
(8) lit* bktrrft ni« 4 oonbwddo »iiuL 



— 149 — 

C«£A Branca é, segundo a tradição, proveniente de uma CAsa 
caiada í{ue havia á m&rgem da estrada que de Sàe Paulo ia a 
OoUbá. Segundo averif^aaçôes q«e pudenio» colber, teve ella 
a tua origem nnm pequenú ranclio caiado que exi&tira neate 
lo«:ar e era o ponto dfl descatiào do* tropeiros que demandavam 
Hina» e Gotas, Foi fundada peloâ irmlío» Laras, que tnoravani 
oa Estiva, « pnlo padre Francisco de Godoi, qn© conforme a 
aatarimida opin&o do dr Aa^ua^o Ribeiro de Loyola, parn aqui 
Tiera em 1810 {Almanaque de Casa Branca, 1888J. — A vi 11 a dô 
Casa Branca acha- se «ituada em uma rampa inave, eapratHodo 
aa ftuas casa» por Ema quasi planicie alegre e saudaveL Lug-o á 
enirada da povoado nota-ae a pitoresca egreia do Hosario, cercada 
de cruzes com o» fjmboloB do anpplicio do Hedemptor, ao lado do 
eemilerio, que é a constmcçao mais importante do logar. Aa 
Ttiaa ifto tormo^ai e sem nivelamento; as cat^a» t/'m appsreticia 
mediocre, notando-te raras de ípobradí*. O desenvolvimí^nto tem 
•ido eitremamente lento : erecta em freguesia nú anuo de 1819 
(1) pela importância que já adquirira naquella época, ainda hoje 
(18G6;, n<>ta-fle a maioria de eaí^as vplbas e meemo em ruiufis, 
atteelando a decadência era {*À) que ee acha (T^uha?).— Moreira 
Pmto dá noticiaf sob o nome de Caiia Brunca, de um iiiBÍgtiiíi- 
cante córrego do Esrado de Sào Paulo, que rega o muutcipio 
de »eu nome e desagua n» E^^tiva, tributário da m;4rgem esquerda 
do rio Pardo. Este cotrego, que talvfls spja o Espraiado, nunca 
foi conhecido com aqaelia denDmiitaçâo. 

Casca ES— Sob esta denominação Moreira Pinto registra, 
em seu Diccioftario^ um ribeir&o do Estado de Sáo Paulo, aftíaente 
do Jaguari-mirim, Eâte rio u&o tem atlluente algum com tal 
denomina^fto; e sim com a de Cocaes. 

Castilhos — Rua do património da Lãgõa, assim denominada 
em homenagem ao dr Julío Prates de Castilhos ^ ex-pret^idente 
do Rio Grande do Sul, 

Cava— Antigo camitibo, que desta cidade ia ás fazendas 
Oacboeírào e Cocaea. — Córrego. 

CEMITÉRIO —Córrego, affluente do Cocaes, 

Ckntriiího — Uma das denominações do córrego do Macaco, 
A do rio Doce, no dist. de Itobí. 

Cbsca Velha— Córrego neste manicipio era 1835. 

CsHCATíiNno- Qiiarteirfto policial do districto d» Casa Branca. 
^Faíenda agrícola, dividida judicialmente em 1846. Tinha os 
seguinte^ limitea: «Principiando na barra do rio C<>cae4, no 
Jsguari, «nbindo por este até a barra do córrego da Divisa, por 
estP acima até ao valo, por este aié ao córrego, peln córrego 
acima até ao alto, por um valo velho, e deste, carregando á 

VI Aliás «ia iei4, 

elitffoi m H40niri]ii » bat^r^loiciciLe «Kp^lbon a mm bsDaáoA laÚoenciB Até Cm» 
DnJ* MédBi i tíámáe. puii qoe Já puton dâ rúU, 6iti »in gTânâe «aifiittaH» a 
d« prMp«rtdbi4 cert« iTanDAT}, 



-^ 150 ^ 

esquerda, a procurar a cabeceira do cnrrpgo das Pedra?, e por 
63to abaixo até á b.irra da Cucboeiíioíiai por e^ía acima at« um 
eapãozinlio, para cima da ])onta do tim cerrndtubo, o deste ao 
fllto do espígíio, divisando com o nlfere- Jostí Garcia Leal^ r 
de?te, a rumo direito, k baixada do valinbe, por este, á direita^ 
á cabeceira de um brejo^ por estfi abaixo ale á barra do outro, 
e voltando por esto, á esquerda» até ao alto; pela cerca Talfaa 
ate á ponta da cabeceira do correg-o do Jacintíio^ e por eate abai- 
xo até eurontrnr oa cttltivadoa do finado João da CoEtá Bezerra, 
carrcíf^andíj á direita, pela beira da capgeira, a &air do campo, e 
pela beirada deste* voltund í á t^squerda pela beira do capão abaixo 
ate flo ribpjrílo do Cocaeí^, divisando cnm aa terras do faíecido 
padre Godoy. e descendo por este abaixo até frontear o alio da 
Boa Vil. ta, ficando além do ribeirão Cocaes viote alqueires de 
cultura, avniiados em 200^000; c pelo dito espigão da Boa Vista 
att'. írontenr um cajiílozinlio, e por e?te abaixo até á tapera de 
Leopoldioo, a íszer barra iio CocftPF, e por eate abaixo até á 
barra do Jai^-uari, onde tpvfl priucipio a confrontaçíVõ, divisando 
coni o finado lioureníjo da Costa • . Esta fazenda linha a su- 
perfície atrrHria df* ÍÍ8')3 alqueires fi>,855 hectares c 80 aresj, 
sendo avaliarioB os campos a 4 e 6*000 o alqueire e as matas 
a 10$000. 

Cruc Ano— Antigo quarteirão policia Ij hoje supprímido.— 
Eibeirào, aff, do rio Pardo. 

Cfiícado i>a CACiioicinA^ — Antigo quarteirão policial, boje 
extinto. 

Cerrado — Antipro q^arteirílo policial desta di^tricto, ora 
eiii neto, — Estação da linha férrea Mogiana, no município de 
Sfto Simíio, próxima deste. — Píorcíita do arbustos do 3 a 4 péft 
de altura, mais ou menos, mui chegados uus aos outros (Taukav). 
— Bosque isolado, que croFce noa campos mais altos e seccos o 
noa taboleiros e chapadas, constando apenas de arvores baixas e 
tojáes (WappreusJ.^Lagòa. de que fazem raençào documentos 
de 1835,— Mato emmaranhado, baato, ou muito enredado da 
ftilvfls e cipÓA (Mflcedo Soares), 

Chilena— Avenida do Novo Bairro. 

CtDAiiB Livres do líio Pardo — Vide Sfto José do Rio Pardo. 

Cidreira— KibeirSo do Eí^tado de Silo Paulo, afHuente do rio 
Jagiiari, entre Silo João da Boa Vií^ta e Casa Branca {M* Pinto), 

Cigano — Ribeirão, no bairro do Cercadiuho^ já assim co- 
Tibecido em 184S*» aft'. do Cocaes. 

CiOANOH— Córrego, afT. do Sucuri. 

Cl 1*6— Córrego, na faz. Várzea Grande, aff. do rio Verde» 
— Nome commum ás diversas ea^ecíes de plantas sarmentosas e 
trepadeirae, e particularmente ás que se empregam á guisa de 
eordcl ou barbante para amarrar entre si quaeaqucr objectos. 
Cotn ello também se fazem cestoa. Na construcçAo das choupanas, 
terve egualmente paia ligar umas ás outra» aa differentea peças 




-^ 151 - 

liè madeírR, donde resulta dizer-se qae o ctpó é o prego do 
pobre. Derivn-ae do tupi yc\[\6 (Voe. Brás), 

Clauo — Ribeirílo deste immtcijiio; estabelece os limitei 
defite com os do Santa Cruz das Palmeiras e PiraçunuTirta. 

CLAumxA— Córrego, na faz. Vars&ea Grande, nft', do rio Verde. 

CocAES— RibeiràOf aflluente do Jafínari; divide fs uiudící- 
pioi de Casa Branca e Santa Cruz das Pnlmt^iras. Nasce unquello 
e re^ gruiide parte desie, No lebtnrio da Commisíiãtí de Es- 
taihiica è tnencienado cmno rio. — E' cmsideravel pe!o &eii vo- 
lume d'agua^ mas imprc^tiivcl como motor^ por ger o seu curso, 
na mór pavte, em terrenos baiio?, Bem deciividad© íCTiíivel e 
margeado de largos pântanos im nivel que llie é superií^r. Re- 
cebe muitos córregos e ribeirões ,tt es como— Lavriúlin, Tubarauãf 
Prata SaurAflaa, Fortaleza, Limoeiro^ PalinfíirnSj Barreiniiho, 
ele» — Fítaçào da liulia Mt giaiia, outro Casa Dranca o Lagoa,— 
Vide Casa Branca* 

Cocas 8 do Eio Vbrde— Fazenda neste Município. 

Cociioh — Sitio e correffo, neste municipio.^^PIuinl de côcbo, 
que Júlio Hibeiro define— madeiro cavado, serve de eometlouro 
ã animies; lerre também para ter liquídos por pouco tfmpo. 
à forma eóeLuBt lembrada por este iliustre pliilólog-o, 6 ciudita 
e nio Ufiada nesta regifto. 

CocunDTO — Córrego, na faz, Sèo José da Serra. 

Colombiana-- Avenida do Novo Baírrn, 

CoHMKRCio— Antiga denominação da vus\. Mestre Aranjo* 

CoMrKiDo— Correíjo, aítluente do Jagnari-mirim, Tf! deu 
miA denominat^ào. — Vide Agua Compridu 

CíJNCEiçio DO Rio Pa ri do ^ Assim cbnmava-se o dencobti^Ut^ em 
que boje eatá cfi locado o munícipin d 3 Ca conde. Era *òQ do 
novembro de 1771 foram de lilojzimirim os tifficiaes da Camará, 
iocorpórados, ter mar posse ('o novo descaòerlej, © diSÉO lavraram 
aato [Alnmuaqne de Mogimirhn, 1689), 
I Congonha -ílerva-matte verdadeira e de bôn quMlidndc. 

E* vocábulo de oHgíím tupi, derivado de côgôi (liomaguera <J<. ireia). 
( CoNt>osK AS— Córrego, baiiLa a fazenda do mesmo nomCf a 

e dcBngiia no rio Pardo. 
i CoK&TiTOJçio— Travessa, que liga o largo da Cadeia Yelba 

. ao Espraiado. 

Costas— Córrego, na h-z. Várzea Grande, aC do rio Verde. 
1 CosTEKDA — Córrego, alHuento do Cocaof ; tem Bua uíJBceiite 

I perto da serra do Arrependid' .— Fajcnd.n agrícola. 
* Coroca — Vide Soroca. 

CoROSíRL Correia— Ealaçào da linba Mogiana, no kílotretro 
189, tntre Casa Branca e Coronel José Egydie, aberta ao Ira- 
fegti » 25 de relembro de 1898. 

CouosKL José Egylíjo- E^taçfio da línlia Mogiana, no ki-' 
lotnètro 204, entre Coronel Con^iia e TambaLú} aberta ao trafego 
i 25 de setembro de 1398. 



— 152 — 

CnRONSL JõSÉ JuLio — Rua deata cidade, ae^im deu otnÍ nada 

em honra ao coronel Jo&é Julio de Arftíijo Macedo, 

GoRf>NEL LuGio — Rua, asâim deaorainada em honra ao co- 
ronol lúcio Gomea doa SantOB LeoneL 

Córrego da Onça — Sitio agricolaj pertencente a Joaquim 
Vilela de Andrade. 

GoRRPGo FuifDO — Povoação defite municipio e diatricto de 
Tambahií, onde Ka nma estaçfto da linha férrea Mogiana, sacola 
primária para o sexo masculino, cemitério e agencia do correio* 
£?tá coltioada a 737 tneti-os de altura f>obre o nivel do mar. 

Correia^ Antiga denominaçào da faz Melgiieira- 

CoTiA — CapSOt na faaenda Cocaes. Eapecie de coelho do 
pernas alteia, orelhas pequenas, cab*^ln avermelhado e rijOf rabo 
mnito pequeno. Come-âe, porém, sua carne é sê^a? a péle cur- 
te-8H para sapatos (Fa* MabanhAo). - Martins escreve CuiU^ e 
Rohau, cuiia, accrescentando ser corruplt^la de acuti, nome tupi 
desse Mnimal.^ — Corre po aítiuente d» Ciicaes, 

CoTtÁS — Loi>-arejo na fnzeufla da Prata. 

Covas — feitio, a pequena disfanda da cidade. — Ribeirão. 

Criminoso — Córrego nest^ mnn 

GuBAííA— Avenida do Novo Bnirro. 

De.sg ALVADO —Serra; limita os municípios de Santa Ríta do 
Faasa Quatro e Casa Branca, e fica a ve^iQ daqnt41a cidades 

DiífjcoBERTO -De-cnberta, de^c -brimento. 8ó newte sentido, 
como a ij*^ctivo ou p^rticipio p^ssíirjo, ó que os léxicos porru- 
gnêse* dífo dexc^^òerto ; no de di^sc-briniftnto, e também de cousas 
ou log-ares dfBCEfberLos, su^^stantivo, é tt^rmo genuíno do dialecta 
brasilt-iro, rorrefipo:.dt*ndo a deseobf^rta, que elles trazem, mas fr, 
Francisco d\i Sào Luis reprova cnnrio gallicismo. Ir ao des- coberto 
era invadir o ftortíto, ])aia di^arobrir minas de ouro e do esnií^ral- 
dafl, OU CR|itivar indicia, tal para uma e outra cousa ao meamo 
tempo: a volta do descoberto era o á^&c' mento {Macedo Soarex]^ 

DíESTEURO — Capela ediíicada. numa dna colinas quft circum- 
dam a cidade, por Jo^o G.tnçnIveB dos Saut(*s em 1889, roa 
terreno* de buh prnjjriedad*!. Foi ininiii^urada a 27 de abril d© 
189Q, celebrando ahi o cou^^go Mjgut*l Martins da Sil^a a mis^a 
conventual. E^ d*^ pequenas dímenfiòcís, de conatrucçào singela, 
e dedicada a N(i6*in Senhiira do Dt»aterro, 

DiRKiTA - Antiga denominRç^o da rua Parâo de Casa Branca. 

Divisa — Córrego neste mun., afílurute do Jaguari. — Córrego, 
affl. da Bebedouro, 

Dúcw — Kjn do Efitado de Sào Paulo, affluente do rin Verde, 
que o é d rio Pardo e eííte do Paraná, nas divisa» do muni- 
cipio de Slio Jo'é do Rio Pardo (Moreira Pinto). Divide esse 
mwnicipio r o de Gasa Branca. —Vide Rio Verde e Rio Doce. — 
Capào, na faz. Cachopira dos Ilháoa. 

Dltas Barras— Fazenda agrícola e de criar* 

Dutra ^Córrego, já mencionada em 1835. 




— 153 — 

Embaúba— Lo c^ar deste manicípío, na estrada da Franca. — 
Corr^^Ot ai3. do Pederneiras. — Planta medicinal (cecropia peita ta) ^ 
a que Luís d'ÂlmcQurt chama ambaúba.— Embuíba (ou secundo 
outras ortagrapliías embaúba, imb/dba, ambaiba e ambayyaj é m 
conítecída cecropiít, ar?ore urticacea de cujaa folJiaa se alimenta 
a preg-uiça (animal, ae eutetide). (YARMHAQas). 

ÉMBriiA--Qapào, na fax, Cercaditibo, — Nome cominuni a 
todaã as fíbraa Tegjetaea que podem servir de tiaoiei quer pro— 
Tenfaum das camadaa cortíca^Bt como acúutece a dirersas «'Species 
de malvacé;ai e DUtrAf^, quvr prqiV(:^nbaTii de folbas como Hf:: de 
caragiifltá, de certas palmeiras, etc. || Etym, Do tupi yhyra^ 
nome que te estende a qualcjuer ©specit^ de estopa [Voe, Eras.)* 
\\ A mttitB» aryoreã do BrafitI qtie offerflcem matéria prima 
tiara cordas e estopa se dá o nr*me de embíra, taea eàrt a *?[»- 
twia branca, a embíra vermelha, a embirêté, a emhiriba, o em- 
biru»rà, t»tc, II Tem- fie eicripto tamb^^^ra envira^ e assim o fazem 
G*b. Soares e Baeaa; porém o maig geral é fmbira (B. Roiian). 

Embircçu*^ Córrego neste mun.— Vide Imbiruçu. 

Ejibuava — ^Corrego, na fazenda Barreiro, aff. do Pederneiras, 
—Alcunha com que se desíirna o ntttural de Portitj^al, a qual, 
porém, nada tem de injurie sa, e é o resultado de tradi<;Õea 
Iiifttorica», desde os tempos cnloniaes (Rohak), A respeito deste 
vocábulo Mact^lo Soajres e Baptista Caetano publicaram inte- 
reisantes artigcs na Eevinia Brasileira (tomo I, pa^. 586; tomo 
II,- pag^. 348; 1879)» Couto de Maí:alhâes escreve Imbiiava; 
outros, Emboaba e Imhftahã; e Cláudio Manoel, Buaha, 

EKGEh'H£]RO Mendes — Estação da entrada de ferro Mogiana, 
catre Orindiuva e Cascavel, no krlometro 174. Seu nome pri- 
mitivo era Caldas. 

Engknhiíiro RoHB^Estaç&o da linha Mogiana, no ramal de 
Canõaj!. entre Itobi e Vi)1a Co a tina. 

Equadok — Avenida do Novo Bairro. 

Escalvado — Morro situudo na estrada que da cidade de 
Caj^a Branca «e dirige á da Fiança do Impt^rador. E' u>. tavel 
ftio ló j^ela fina elevação em território geralmente plano e 
aberto^ como por asBemeíhar-se a um caatelJo gothico (Azevedo 
Marquesa;). 

Ehpigão da Lagb — Antigo caminho, que desta cidade ia 
ás tsjeendas Cachreirào e Cocaes, paralelo ao denomirado Cava, 

Espraiado — Correiío, na faz Morritih<>B, também conhecido 
por Eativa, ^Córrego que bnnhn a cidade e vai desaguar do 
Uougotihau» 

Estação— Primitiva denominação da rua CoronelJosé Júlio. 
^LaTíTó do Novo Rairro. 

Esta LAOEM ^Bairro e raa desta cidade, 

Estiva — -Ribeirão, próximo no antigo pouso, e que corra 
tobre leito argiloso para S.O., com veloc^idade de tre» patmi^s, 
tendo de largura 15 palmos sobre 1/2 de profundidade Tôm 



— 154 — 



margens IjaiíhSi dcscnmj íiIhp, o tlá pasFng-em a v/ui (TAirxAY), — 
Logai" a N. O. da cifiiide, de qiio dísta uma !egua b um quarto, 
na ímtiga esttndii de Goini, c^tide bnvía um rancho, á ninrgpnii 
do ccriegn, Ainda linjo Im diversas casaa flli.— Cõireg-o de 
pequenas dirrmus^es lui estrada doa ta cidado a Vargein Grande, 
— í^uarteirào policifll — ^Bniri'0 niraí, onde ha uma capela consa- 
grada a Santa Cruz. — Córrego na fazenda Olho» d'Agtt3. — 
Córrego, tributário do rio Feio. que o é do Jaguari-roiritu. — 
Córrego, na ín?senda Morj inlios^ tniubem conhenido por Eiprpiado, 

EsriiADA oEtiAL— A 10 dií janeiro de 1730 o g^oyorno expedia 
unta carta r^gta prohihin^o qiio houvéese tnais de um caminho pnra 
as mians de Goímb e IMato Grosso. Este cíitnialio é, sem duvida 
a grande c>trada que Ir vou Dmtholoneu Buetio (o Aiiliaugaéra) 
áquelle^ sertuos e qu*i ]»« usava por Casa P rança. 

FAVj^iinn—Esiavão da Mogiflnâ^ ne^te mun., entre Tambaha 
e Corroí*'o Fíiodn, iin kilom, *JlO. 

Fa&íenda — Herdndo cfun destino a grande cultura, lia fa- 
zendas de criaçfto o fuzen Ifia do lavoura» Nas primeiraB ao cuida 
de eadoB, Rt»b etndo cio bovino e cavaliir, e são [>articíilar mente 
conhciodds no Kio Grande do Sul pela deuominaçâo de ert^Hci^?^. 
Nas aeganrfas so cultiva café, canna de assucar, algodiio, cere- 
aes íúv. A« do canníi foo ^çcral mento chamadas Éfí^í^CT^Arj (RfHAK). 
Seguudo Alentar o tRimo íazcinJa, no sentido de propritidade 
agricolfl, começou a cm pregar -se no começo do século XVII 
(Haskc^ . 

Fazgkda Vbmi\— Uiboíráo, na ín^ Mtlgueira, tambeín de- 
nominado Cacho^iiinha; aff. do JíJguíiri- — Logar no distucto de 
Tamh.ihn. 

FAZBNDÃo—Doaomiuaçào popular da antiga faíonda Eibeíjíiõ 
de Sâo João. 

Fazkno NtiA^-Sitio na fíiseenda de Cocaos do Rio Verde, 

FiírA — Lngoa, nns proximidades da Vargem Grande, 

Fisto— Ktbeirâo na ant'ga faaenda de Cõcaes, tributftrio do 
MogiííUíiSíii. 

PtOftLiSA — A figolina que ene outra- se na margem do Es- 
praiado é mi aturada com kaolin, mineral de que hoje le fAbrícam 
tijoloft (Paula « Fjlva). 

Fmt!i£(R4 — Loj^ar, próximo á fazenda Campo Alegre. --Ar- 
vore, dobi ornada em geríil em ahnneenga por amhaifb, necessaria- 
mente dífterentc de embayb, arvore de família inteiramente dif- 
ferente (Cocropias)t que cvldentemento podo aer explicada por 
emba-nto-i/b 'arvore de oco). Em tupi porem algumas figueira» 
afio também detignadas pela paJavra sapf/pemba, quo nos reporta 
á hipitpenia — bapopcml a fraiE alastrada). O nomo amhai/t úaéo 
ÁB figueiras até h* je mo pareceu dlEcil de explicar-soi mas á 
vista do que diy. a londii, é pf^ssivel quo ans eapiriíos ima^riua- 
tivos agrade a intprpjctaçâo de anfipahyh (arvore das almas ex- 
tinctaf), porqua em «baneeuga nada tem de eitrflordiuaría a 



- 155 — 

íjueáft do ^/ e a transfoTma<;ilo su^sequQnte ãr*à naso-labiaps np 
em mh (BArríSTA Cartaso) -^ CorreiíOt ua eõtrada de rodagem 
de Ca*ft Branca ii Silo Joié do Hio Pardo, 

Flõheíí — Autigft denominação da rua Capitão Horta, o qno 
íliu fui dtidíi ]ielo seu primeiro habitante, o capitho Vicente Fer- 
peira de Silos Pereira, que entSo têsidia na cnsa outrora per- 
tence d te á berança d© António FJoriano de Arniijo Cunba. 

Floreèííta— Fazenda d© cafó, neste dístiicto, propriedade de 
Luiz BartaloUU 

FLotiiAKO Peixoto— Rua no património da Lagoa, 

FoRNÂLtíA^-Corrego, na faz. MíilnrneJra. 

Fortaleza— Cor rego, na fazeuda da Prata, atHueiã© do Tu- 
baraim , 

FoRTH— Keza a tradiíjào que no bairro da Boa Vi&ta, nas 
Íminod]a«;5e9 da chácara que foi do Vicente Ossiua de Silos, exiãtiu 
um forte, do onde os soldadoií resbriam aos ataquoj doa Índios, 
Á uma velha, testemunlia aTitiqui^sima do lunitrs factog deste 
Ipgar* ouvimoá dizer que ale«nçára ainda, naquelle sitío, uma 
ca^a ^frítide^ redonda *i muito aliti. Em documeiito algum encon- 
tramoâ i*''erencia a et se forte. 

Francrlin*— Corri^g^o na {i\t* da Prata, fíHuente do Cocacs* 

Francisco Glicerio— Antiga dpuominaçfto da rua do Mercado. 

FiíirCTEiRAs — Córrego, na íaz. Logoa. 

FirsiL— Antigo qnhrteirAo policial, boje pertencente ao dis- 
tricto de Pirasãunnnga. 

Gaiça -Logar, na Rutij^a estrada da Fríinca, perto do rio 
T&mbalid, a 3 lc<fua9 da cidade. 

Ga RCI AR — Ribeirão, na faxonda de Cocaes, assim denominado 
em 1805, e Uojo Hibeir&o FcÍo^ A anttj^a denoniinaçlio será tirada 
do appellido de Bento Dias Garcia, Roque Garda e outros, que 
primeiro povoaram Co cães ? 

GotÁNi^Tiibu indigeua. ^-Acossaram os Atmoréa, pelo rio 
Araguaia acimu, até transporem a t^erra divieoria das aguas e 
alcançarem o rio Parnabiba,— Ahí tts gúiá-nà preferiraín tícar, 
para derrsmarem-fe |mcifica e lentamente peloa vales do Mog^i- 
^asvú 6 do Anhembi ou Tiett\ at« oá campos de Pirá*tininga 
a serra de Paranapiacaba, onde ílartim AHbnso da Sousa os 
encontrou em 1531: e os perge^xtiidoB, com o nomo Je carib-àca^ 
que íignifíca «deícendentes de brancos»! em centraste com oa 
tupíi, «da primitiva jji^eraf^âo», desceram es9e mesmo rio Parna- 
bibfl, no ponto em que ú nomeaí^o Paraná.., — Em tupi quer 
dizer — próximos ou parentes dos ffofà (^Íesdk^ de Alubida)« 

GouNÁs— Rua do Novo Bairro* 

Goiás— Riia no património da Lagoa, — Tribu indígena pro- 
cedente do arcbipelfljçro de Babama oii i^ntilbns, e qae se insta- 
lou ái margens do rio SSo Frane cisco e deu a ettíi região o seu 
nome, Alg-una escrevem Guiiyazes', O nome de Goyaíi nâo tem 
outra origem (Melides djs Almsida). 



( 



— 156 — 

GoTAz— Vide Goiáfi. 

Gralha— Fazenda no bairro áa Agua Santa. 

Grammagô— Córrego, afflaente doTambahú; bjinba a fnzenda 
Jardim (Coulam). — Nào será corruptola de Gram—Magól ? 

Gkandb— Vide Rio Grande. 

Grota Funda— Lo gar^ próximo á cidade. 

GuAçú^ — Vide Guassu. 

Ghhv ABARA —Rua do Novo Bairro , ^ Vocábulo brasileiro, 
corruptáU de guanápardf qn*^^ aeguudo Vambageu, signijica seio 
de mar. 

GuAHAciABA^Rua do Novo Bairro.— Bartout o auuotador da 
tradm^çào iutrleBa é& obra de Hau^ Staden, por Tootat, em nota 
á primeira parte, cap* 23, diz que guaraciabay que significa 
cabelo dg sol, era uma eipt^ssAo Appiicada aos europeus por 
cauaa dn& aeua belL 8 ou louros cabelos, Náo sabemos onde Bur- 
ton cuibeu esta uoticia. O quo é certo é qa« ea&e vocábulo, mais 
corectameote escripto, era empre^^^^ado para deaig-nar o ^tifíittíimftí, 
a intfíres-Hiite ave que os portu^ueBes denomiuaram òeija-Jlur e 
chupa p^r; e o* franceses t-aífèri, por asai m aerem ebamad-s peloB 
indi^^-eua» de suas Ãntilbas ; os mexicAnoa, huiízitziL Assim o 
o guainumbi chrimava^se tíimb«m entre nonsos indigenas^ímiamòí, 
arQÍicay tratárakt-guaçu. E da tneÈiDHr iorto gtiaractaba, que si-^ 
gntfiea raio do hol, e gitaracigaha^ cujo aentido é cabello de sul 
(Mahcgkav). — Coaraciba nu citaraciaba è um dos notnea com 
que oa indígenas appellidam o beíJA-íliiFf bignificanrio raios ou 
cabelos do 6ol, de coaraci, lol, e aba, cabelos (Barbosa Hodriouiss). 

GuARAiE'0 — Vide Guerupii, 

GuAHANi—Ávenida do Novo Bairro. — Nação de indioa que 
povoaram SAo PauL». Guarani nílo quer dizer «guftrrfiiro», como 
Varnliageu e nutros suppuzeiara O general Couto deMagalhàe*, 
no seu livro O Selvagem, penaa que e*ta palhvra parece corra— 

5 tela de guarini^ siguificando guerra- Sem embargo da autori- 
ade de p4'f>aóa t&o competente, div*^rgÍDi08 desBa Bua coují^ctura* 
O eigniíicado referido tiào Cfrreapnndrt ao povo. Álóm diBSO, na 
língua tupi eetá a verdadeira eignifiía^áo. Goã-ra-ní ^ vu ^lor coq- 
tracçào, gfjar-aniy «não originário do logar». Com effeito, os 
gQMTãnia HÃO eram diiquf^Ua região, onde Be estabeleceram e con- 
finaram, ide livre vontade», sem o onua da servidào (Joaq 
Mendk»). 

GuAKAíiTAN— Logar, na antiga ei^trada de Moeóca.-*Madeirft 
de muita consistência e duração; emprega -He em lascas para 
fê^boB : t/ffura antan (iVÍARTurs). fumilia da» sapindaceas, — ^Capão 
na fazepdn Casa tírauca:— Vocábulo bra-ilt*iro, significa^- madeirOj 
/orte, rijii^ e é ei>ríuptpla de êbèr-âtâ. Escrevendo a respeito 
de ffíiarãy dtK Baptí^rtã Caetano: Afinal em tupi muito degtme-» 
rado ba guará por êbêrá, em qne ne deu primeiro a mudamja 
frequente em tupi de ebe em eve^ mas é ditécil aiuda explicar o 
resto». 




— 157 — 



GuAiiiRÓBA— Corregn, affluente do rio Virdpi. — Capào, nai 
proximid&dtís da povoa^ào. na fwzenííft Crba Brancn, tambí^m co- 
nbecidci pelos nom<*9 de Capitãn Vicente e pBlinital. ^- Noma 
ytil^ar de iimíi espécie de palmeira do género Cot:oa Z* oleriicea), 
a qual fomecw um palmito amargoso mui apreííiado (Kohan). 

GuAJiL'Fú — Vide Guerupú. 

GuAssú -Vricabuii* tupi, síernificando grande^ e do qtial nos 
terriínfifl mttitas reze-s para distinguir certos objectos mai ores que 
outruB (Rohan) — Gija<^ú é melhor orthogrí*phia. 

GpAYAZES— Vide GoíáB. 

GtTBRÚPú— Capào, í*0Tjht*cido já em 1832. — Nompi indígena 
áe uma espécie de abelha, — Roma guera Correia escreve í^wanipii^ 
e de fine -«abelha qut^ ha em MisiõeSy espt^cialmenre na regiAo 
de mJita«, e que iVirnece eicellente mel e muita cAra, Gha- 
mam-n-a tambern guaratpo, nome por qoe é conhecida no Fb' 
tmná a es]:«cie MeHipoiui numerosa 

GuiimAS— Ribeirão^ na faz. Uberabinh», afiluente dd Ja- 
gnari. — Falando de um córrego denominado Guirra, que banha 
o mun, de Sào José doa Campos, escreve Mureira Pinto, tran- 
acrevendo uma informarão local : «O povo diz Guirre e não 
Guirra. Parece-me, [»orém, que é Guirra, nome de um ])as&aro 
que repete este di»sylabo, ou Aguirre, devido, talvez, ao pri- 
meiro d^ÈCobridur ou pofãuídor daquelle l^gar. Nada pos^BO 
iMeverar.« NAo será corruptela do tupi guirã (pássaro J V 

Haça-bano-íía— Vidn Caêtt Branca. 

Hervas— Cap?io noíitti município. 

HnsFiTAL líE IsoLAMENTo - Foi construido em 18ÍÍ3, pelo 
Governo do Eàtíido, no CAmjio dos Papagaios. E' drâtinudo ao 
iiolamento de enfermos úpf moléstias cantagiof^a», 

Imbiruçú^ Espécie de bombat^ea ou lecylhidea, de cuja casca 
Be extrai embifii (Rohan). — Imbira, embyra, corruptela de. imtfra; 
açu, grande (Maetics> Também ie escreve Embiru»;ú, ou Im- 
bini8£Ú. 

IMBOABA—Vide Einbuava. 

l>IBu-*VA — ^Vide Embuava. 

Inajá — Avenida do Novo Bairro ^^ — Pítlraeira do gen. Maxi- 
MILIANA (M. regia)* E* vorabulo tupt| idt ntico a In Haia, bem 
que se appliqne ás v^í^b a pai in eiras de gi^neros diveivos. Os 
tapínarobás daynm também o nome de Inajá á fructa da pal- 
meira píndoba (Eohan). 

lNDiepB;NDEN€iA^ — Fa^o^da agrícola, no diatricto de Tambahú, 
propriedade do dr. Alfi^do Guedes, hoje donominadu Santa Ca-* 
rolina. 

Infbrno— Ribeirão ; desagua no rio Pardo, logo abaiio da 
cachoeira próxima á estrHda de Cajuiú. 

Inveknaiia — ^Fazeuda &itUíida neste município e no de f^ão 
João da Boa Vista, dividida judicialmente. Foi desmf;mbrada 
da Várzea Grande.— Nome que dào a certas pastagens conve- 




— 158 — 

nleo te mento cercadas de ob:trtcclo3 naturaes ou nrtificiaes, onde 
le gtinrJfim fluimac» cavalares, muares ou bovSuris, pura dea- 
Cfttiíarem ou rccuiierarem a* forçíis perdida* nas viagens ou noa 
ieiviçoa que prestaram (Roiiaíí)» 

IpiiiANGA— Nome do uma rua dena povoaçíio.— Palavra ín- 
dígfiun, quo qii<?r dizer vlo de agua vermelha (Martius). A de- 
nomina çfio da nií4 provém de uma coiiimemoraçao da data da 
iTidependencia do Brasil, j)or jmrlo da Gamara Municipal, e não 
de qualquer accidento da localidade, 

luoiçiv' — Vide Agua Fria. 

Itagitaçl* — Vide Itfl<fuaí6ii, 

Itagkassú— Fazenrlft de café, de que ó propríetniio o capi- 
tão Cojiolano de Lima.— yPalavia indi^rena, sigaificniido pedra 
grande : íía, pedra, (juassúf grande. Os accidentes topograplii- 
cos justiKcam a denominação da localidade. 

lTAi»EMA^Rua do Nuvo Bairro.— Vocábulo brasileiro, gigui— 
ficando pedra cLata. 

1t.vi'uavaíí do Rio PAUDO^Umn dna deuominaçõei quo 
teve o descoberto, lioje município de Caconde, Itapuavn é, 
sem du%*idA alguma, vocábulo indigeiía; mas, será corruptela de 
itaipava, — reclfo que, atraveesandu o rio da marg-em a margem, 
o torna vadeavel nesso loí^ar ? 

Itoíu — Vocábulo da língua tui>% cuja signtíicaçâo é rio 
verde. A teu reapeito publicaram-se no periódico local O In- 
irmisigcnis os seguintes nrtig^.s: 



Scnbor Eídactor ; 

Qtier pareeer-mp que foi cm voa a folba que sabiu publi- 
cado quo, no Congreaso do Estado, tratam de mudar a deuomi- 
nat-fio do povoado do Rio Verde para a de Itoht/^ que dizem 
ÈÍgniíicar a mesma eipiTÊsão, em linguagem indigeuB* 

E* preciso uotar-se que os nomca Incaes, para conservarem 
ení^auto ft trazerem o poético cunho nacíoBal, devem vir de Eua 
origem primordial. K* preciso quo ?ejam tra'lÍcionaeB, tenbam 
sagração histórica, sejam transmittidos doa primitivos tempos, 
em que essas regiões foram conhecidas ou exploradas. 

O Rio Verde fogo desta rcizra Nitiguem descobriu ainda qual 
a família a que pertencia a horda autochtone defitis redondezas, a 
que ramo ethuographico pertencia, qual o idioma por ella falado, 

Nôo vejo necessidade de crearem-se arbitrariamente c pban- 
tasticamento titwloa indigetias para localidades recentes, edifi- 
cadas hoDtem, £em o asseutimonto da tradiçíl^, ou aem que ee 
baseiem em ac^ridenrcs pbyaícoSj ou de qualquer outra ordem» 
qoe os justifiquem. 

Onde os congrefBistiia do Estado furam buscar eaie Itoby? 
tjuem sabo IA si tal termo expressa, na realidade, a ideia, qa« 




— 159 — 



Qaem àmQ que os iiitnltlvfs baf>i tnti tr^s 
ft côr accidcijtul dni a^iins do pequeno 



Podo ser ; niãi duvido que esteja 



querem dar 

desUã ah aras notaram 
rio, e a* sim ô cbama-am 

Ittjhij . , , lio verde V 1 
bera averipttAdo. 

Jtf/ pgiie traduxir-Be por rerí/e tulve-* em alguma pyria 
tapuiãi du vallc a^azonico ; poiémi entre o^ íenlicrcâ do littoral 
brasiliense, i&to 1% entre os tii[iis, a còr verdo dtisi^nava-se 
pela palavra jakf/re. Entre 03 giiíiríiuia, quo estendiam sen 
domiuio desde S. Paulo ás regiOes plíainas, u quo catavam era 
coDlacto com as tribua sulanas, quer me parecer que vârde era i 
— cícíí; de onde sabiá -cica^ e mais qiifltro ou cinco vocábulos, 
em que entra cica^ daiido a ideia de verde. 

Aíoda ó tempo de emendar a mhi. 5rs. couííroifiista*, níio 
barbarizem tão cruamente nossa ^ella lingaa feticUIcn, Olhem; 
em vez de Itobt/ dêm ao liio T ^tde seu ant%''o nome do liio 
Doce^ Vtlta Fortíno ou enlâo Barro ih Tijohjf ou melLor Viiia 
dos 3íqjores, em bomenagcm a ecu fundador, e a seu creador 
e iropuhiooader (1), íiio Verde, a jrarrida e pro^^-ressiva filha 
dos brejos, Dasccu e vni çiesceiído á snmbra de doia dignos 
mijares, e promette dentro em breve ^er uma fornada de lies. 

Não Écja embaraço à couservaíflo do nctual nomo a airafia- 
Ihação poital ; coin a admijiiãtraç^o do ^r. Horta, os correios do 
Estado ticaram mesmo num ]i6 raim : aixentei u empregados de 
todas ss cate^roriafl andam ziii;„Mdoâ e rí-mí^ttem píira o Norte 
a corfi:'SpOTid«^ncía destinada ao Sul, pnra o Nítscetite a degtiuada 
ao Oeí dente e vice- versa. 

Rio Verde, 28-6-U8. 

Um conseevador, 
II 



Um conservador^ que me pnreco xndé revolucionário qne 
Luisa Míebel ou líavachoU vein pelo Itiiransjfjentc conleaíando 
que a palavra iadigena Ilohi possa ser IriuUixiJa para rio ve^^de 
no TcToaculo, 

Em quo pese á re&peltavel autoiídado do illuÈtre ctjjsír- 
r-adoTt é de precisão notar que djsía vess errou. 

Lembrado por um am)*:o do EiJ Vi ide e também por outroi 
que têm assentu na Gamara dos Po]mLfldoâf para a escolha de 
uma denominar;5o doquella kcâlidade, indíquf i-lheá como n mais 
natural e de fácil pronuncinção esta de que iratnmoB. 

Poderia remontar miohas pesquixa'* aa oripeiis deí^tas para- 
geni e procurar descobrir o ir orne que os nosioa aborigrcnes 
davam ã localidade. Aclieí, poním, desuf cct^nrio esse trabalho, 
porque a deuomina^ão Rio Verde é i-laramente portuguesa, ô 
dos noEsoB diãi. 



(\) Etítire^o ut raiiiúrefl Curldi ^^aenito dn BlhA o Dhhiaxo RIbdfO Ncy^tieLrn, 



— 160 — 

Por es^a taxAo, resolvi maia acertado tradoidr a palavra 
composta Rio Verde em tupi e formar uma tiraplee— /toòi. Foi 
o que fíz e manifestei áqUE-lles amidos. 

Quanto ao vocabub em queátílo, tenho o prazer de afirmar 
ao Cúnjíei'Oad'>rf estribadu na opmiâ.o h&ahz atictn rifada de Ba- 
ptista GaetaDo e Mont^ya, que eatá correctamente eacripto e 
fielmente traduzido. Carapôo-se de t, agua, rio, e tobif verde* 

Lafatbttb d» Tolrdo, 



iir 

A BolicitaijdeB de um certo conservador muito meu conhe- 
cido, vou externar mitiUa bumilima opinião sobre a recém -crí'a- 
çâo da jmUvja Itf^bif pela qual vae sêr subs^tituidõ o nome da 
po^oaçào do Eio Verde. 

E' com toda a modesria que venho eubirietter á illuHtrada 
critica de meu erudito e abalizado amigo, ar, L, de Toledo, 
algumaa ponderações*, que muitos julgarão enjoadas; maa que o 
amigo terá o cbinchorro de ag-uentar reflignadameot© © até 
goBtará de alimentar esta pauteaç^o do^preti^vicioBa, e digamoB, 
com franqueza, agradável^ pois quebra a modorra mortuária em 
que a írente vive aqui, na ruça 

Itofn é dennmiiiaçao de&nece&i^aria, imprópria o incorrecta. 
Está etymulogieamente errada e aua tnor^hologia desaitende a 
re^raa áois e Íttdi>^ pensáveis da grammaiíca daa litiguas p^lj- 
tintetiraa. 

O tupy — içuarany eatá claâãificado como lin^ua agglutinan- 
te, ii^to é, uma língua em que os elemeuto» finalyLijuâ duma 
phrase sílo partes componentes de uma uniea expressão, E^ 
uma língua morta, quero dizer que permanece inculta, e por 
isso pua ortbograpbra é invariável e deve eer uniforme, de todo 
qne nfto se quadra com oa syatemas dííB línguas vivas, revol- 
tandO'Se soberanamente < ontra o methodo phonetico. Possne 
42 (!) sons vogaes, que Montoita aí^aignalou por fieis vogaes 
com i (1) Accentoa cada tima. 

Acontece, pnis, que a caracÉerizaçâo gift[>hica está aujeiti 
a preceitos invioláveis, genào quizerroos estabelecer uma mara- 
funda incompreensível. 

O acceoto príBodico, bom romo O symbolo graphico tem 
no ahaiifíenga e neengatú influencia capital e importância deci- 
siva. Oa exemplos, perfeitamentH inúteis, par» nós dois, nftrO o 
síio para os cujos^ que nílo estudaram ainda este assumpto* 
Vejamos exemplos: iúpaj reds de dormir; inpã^ raio; £íí/>íí, ente 
fiupremo. Píííí, redondo ; /jíííT, levantado, erguido. Fíii, g^olpe 
de agua, salto num rio; itilf arrecife, pedra á ílor d^agua. de- 
rivado de iid. 




— 161 - 

Parm exprimir a idéía dn agua, oa selvicolaa emittem um 
f0iii raiiítr> di^cil, que ^u d&o sei descrever com a penna, ama 
[ir^^ IS une ia mui lo diversa do í, raaa que participa desta letra, ao 
^mo tempo que participa do a e do u, E^ uma emissão de 
TOS ^ttiiralÍ6fii[i:a e que t«m similaridade com a do Y, entre os 
grrgoi. Por esta razão a honrada estirpe dos efcripÈores au- 
úçt», escreveram Y e Yg^ as dms pAlavras, que denotam agua 
BJi llDj^iia gera). 

Muito bem audnm o competentUfimo general B, Kohan 
»jmbolÍ5aDdo T^ encimado de um tri^tna ( .], que indica a díf- 
ferenc ft^&o phouii^a e guia o eiítudo lexicologico uns aggiuti- 
ttiçôes. 

A menor distracção na escripba oppòe umA tranqueira ina- 
tt^vivel ao* iucipientes, como eu, em applicaçôes indigenistas. 

Y compõe termos que principiam por consoante : Ycaiúj 
Ypiraftgn^ Ipanema^ Ytn. Ha casos de hiato; Tapó^ Yàra, 
Y^murtíiá^ Tt/ttê Parque nílo diremos Yvhit em vez à^ lioMf 

Tg forma a* palavríls que, com<^çftni por vogal; — Ygttupef 
Ypi&Um^, Ygaçaba^ Ygttaçú ^ Porqtie nâo se dirá Ygobi f 

O ^ letra ^uttural cnnve te-»e em c, consoante análoga^ 
gnist equivale ti t A, parenta muito chegada : Ycupara^ Ycama- 
guon,' mas não pôde traosformar-se em í, consoante denta^ * 
efj9i «ue feiudo e embirrante t iuterpolou-se na palavra com 
ofi^asa ao génio da Hngua. 

Em guamnji hovy ei£prime ozul^ e como o h é sempre as- 
pirt4o torna-i^e injustificável a introducçào do t 

No idioma tupico, v^rde c< nverte-Fe em jakire: mns, o 
fi^vecto e gloriosr> rebuseador das cousas pátrias, o benemérito 
kxieographn a me ri ca uii^ ta, dr. Barbosa Rqdkkiues enaina-nos 
ipt o6í *i^riifiea azul, verde 

A^^im sendo foi infelicísBima e errónea a e? coíba do adje- 
ctÍTO, com preterição de jakitt e ftcft, pois Ygohi, ou YhQvtf, 
tanto pôde íer rio verde, como rio nzyí, como rio furta cór- 
axtil e verde 

Em todo caso desvirtua completamente o juizo do constru- 
ctor da palavra, não expressa cora fidelidade a ídéia desejada. 
E\ portanto, um vocábulo impróprio, perde toda a graça, não 
IBIB o toqoe resf eitavel da ancianidade, não é herdado do ge- 
Msu da historia da língua, não está consagrado pela tradição, 
alo foi creado de conformidade com a Hngua americana, não 
terve para titulo de uma localidade. 

CertJi mente, estes tristes gatafuuhos não serão Itdoe pelos 
in. congressistas que, . tnda me^mo que os lestera, nAo fariam 
c^o deites, e por máu fado do Hio Verde será seu pittoreico e 
adequado uome mudado em Itohi, cuja melhor traducçâo é pe- 
ara &zul (íÉd— pedra; ohi ou hoty^ mui), 

J. H« DK Silos. 





— 152 ^ 

IvAHi— -Trsvegsa desta cidade. 

Já.ciííTB^— Córrego, no bairro do Cef cadinho, aíB^ do Co-» 
cães, 

Jaguara-hy— Vide Jaguary, 

Jaguar (—Vide Jaguary, 

Jaquary — Vocábulo indígena, que significa rio doê cães 
(jagoarà-ig) (Fr. Maranhão.) — ^ Martins define Jaguarif Jagaary, 
Jagnara-hy (ribeiro de Mato Grosao) por aqtta jdis onçae-y e 
Macedo Suares, — rio do cão. — Antiga fazenda deste município» 
— DenominaçíLo comtnum do Jaguari-mirim. — Avenida do Novo 
Bairro. 

Jaguary do Campo— Rio afiRnente do Jaqnari e que corre 
entre os municípios de S, João da Boa Vista e Casa Branca 
(A. Masques), Este é o mesmo Jaguari-mirim. 

Jaouary-mirim~--Río afflueute do Alogi guassn; tem origem 
noA montes occidentaes da eerra da Mantiqueira, de onde paisa 
para a província de Sáo Paulo. Corre na direcção mais geral 
de leste para oe&te, entre oa municípios de Sào Joào da Boa 
Vista e Casa Branca (A. Marques). Tem por tributários oi 
ribeirões Sant'Anna, Piçarrào, Oriçanga, Cocaes e Estiva. ^Vide 
Jaguary do Campo. — No Itinerário da viagem do Rio a CoxirUf 
em 1865j diz Tauoay ; «Com mais uma l^gua de viagem tran^ 
Bpôe-B© o Jaguari-mírim numa ponte de pranchÕe», cobertos de 
argila, sobre esteios; ponte em tào máu estado de conservação, 
que obrigou-nos a pon certos em quaaí toda a sua extensão de 
273 palmos sobre 15 de largura, para poder-se efifectnar a paa- 
gagem da força e bagagem. E^te rio, apesar de seu diminutivo 
indígena, é mais considerável do que o que divide oe municí- 
pios de Carojunas e Mogi-mirim ; nasce na serra doa Limites, 
mais conhecida pelo nome de serra das Caldas, corre para O., 
com velocidade de 2 1/2 palmos por segundo, e vai lançar-se 
no Mogy-aasú. Tem leito arenoso: margena abruptas, bem que 
pouco elevadas e prés ta- se á navegação de canoas grandes des- 
de a villa de São João (1) até a sua foss, no espaço de 5 1/2 
legnas approveítaveis para o commercio e commujiicaçao nbei- 
ririha. Os peixes peculiares ás aguas de rio acham-se nelle 
com abundância, sobretudo na estaçfto das chuvas, ficando por 
todo o anuo nos rebojos que as enchentes produzem. Em suas 
margens cobertas abuoda também a caça importaute, como vea- 
dos, cervos, mateiros (cervus ruf 11.1)1 catingueiros (cervu^ cim~ 
pli€i(xími^) ; em aves, os jacus (penelope), grandes bandos de 
pombas fcorquassea, tucanos (ríimphHEtus), a bella colhereira (pia- 
lea ayaya), etc.»— A uma légua de Itupuva, passa-se o rio Ja- 
guari-mirim atravessado por uma ponte de madeira de dnxentcis 
palmos de comprimento e dessoito de largnra, ma) construido e 
com um dos lances d es arrumado. Este rio é piacoío no temjjo 



i> ^ atD Joio dfc Bo& vjíu. 




h 



— 16a — 

Í»ê aga&s, fornecendo também aa matas dô anae margens ai» 
gttíDii eaça^ dá váa no tempo da tecea ^Miranda Rbib). 

Jahb£iko — Fazenda íi^hcoU e de criar, a nma leg^ua da ei* 
^ade, qtte pertenceu a UriflB Gonçalveâ dos Santos. — Sitio, na 
iift. Cocae» do Rio Verde, 

Jardim — Fazenda agricnla, era que ta um morro, prolon- 
famento da serra do Campo Alegre, as^ás notável pela ma, «k- 
laçào e coo figuraç&o.— Vide Campo Alegre. 

JmiA — Corre*:^o na faz. Olkos d^Ãg^ua, alHuente do Divisa. 
JeqititibA — Etipiúfào» na fazenda Várzea Grande. -- Árvore 
di0 construcção, da família daa myrtaceaa, género lecythiá. Ga- 
briel Soares eaereve jiiquitibá^ e diz que ^C* uma arvore real, 
^çanbosa na groi^nra e coroprimento, de que «e fazem ^an- 
prraa, mesa» dos engenhos e outrae obras, e muito taboado. Tem 
i côr braacaceota, é (eve e poueo durável oade Ibe cbovK». 

JoÂo Bkrkabdo— Córrego oa faz. Olhos d'Agua, affluente 
do Âieia Branca, 

Joio Perkíra— Córrego, iin fa». Lagoa. 
RAOLiN^Hor decreto de fi de dezembro de ISÍÍOi foi con* 
cedido privilegio ao Barào do Rio Pardo para explorar, neste 
njaoieipio, aquelle mineral, ftilicato de potajiaa e quartzo. Com 
reUfio ar? kuoliii, egcrevem o Diário Ihpular^ d» capital: «Damos 
Abiíxo o resultado da aQalyse a qne o sr. Francisco Aiíari pro- 
cedia na argila branca encontrada tios terrr^noa da fa^^eoda do 
n. Barão do Rio Pardo, em Casa Branca, e reputada como a 
aelhor para a fabrica de louças e porcelanas. Eia o documento, 

ri ob^equiOia mente uoi foi enviado: «Aoalyse de lOOgrammaa 
argila branca, qtte se acba nos terrenos do illm.*^ Barào do 
m^ Pario: 

Agua hygrometriea . . * * . 1,40 

Agtta de combinação 6.33 

Silica 71.25 

Carbonato de eal 2.10 

Àluminio ........ 11,35 

Oxido de ferro (traços imperceptíveis) .... 

Magnésia ...,,,•, 0^40 

Potassa (traços imperceptiveis) . . .... 

EesidaoB n4o argilosos . , . • 7.00 

Perda , 17 

100. uo 

ia branca, marga infuzivel: A^c^/zn (grupo doa silicatoi), 
na manufactura da louça. S. Paulo, 27 de dezembro 
Pa^íícisco AsiARi, 6íigí»nbeiro». 
AntHHA Fazenda de caie. 
iH^^Corrego, na faz. Cocaes. 

\JÔA — Capão, na fazenda Paciência— Es taçào da E. de F. 
â, iLdste municipio, no kílom. , • . « entre Orindiuva e 




— ÍU — 

Cocaes.— Fazenda agncolaj pertencente a Joào Pereira de Castro 
e outros, situada a 18 kilomg. du estação de Tambaliú e a 12 
da de Carrego Fundo, cúth as qutiea se commuDÍca por bons ca 
rainbõa. Tem por divisas m fazendaB da Várzea, MorriíjhóB, 
Sào José da Serra, Bebedouro e Bom Snccessio. O aspecto g^eral, 
relativamente ao systema orograjihic^s é ponco montanboso, coin- 
pondo-se a fazenda^ tia Bua total idade^ de lerras manchafiaSi toda& 
consideradas altó>', visto estarem colocadas na serra do? Mor- 
ri nhos e alg:umaâ na altíttide de 900 metn s> O Bjstema bydr^- 
grapbico é representado peloa corr*^g:os das Fructí-iraa, Maca- 
bubas, Moreira, Lagoa e João Pereira, que têm por tributarioi 
lacrimaes e pequenas vertentes. E' coberta de cerrados regulares 
e rain« e de boas matnB« onde abundam af? madeiras de con 
etrucçào, como— peroba, óleo, jacarandá^ araribá, coraçfto, piaritá 
canela e cedro. Na composição get lógica ár télo piedooimam 
a terra roxa (argila ferruginosa mangaoesiifera), as argilo-are- 
nnsas, as argiU -calcareas e as bumiferas. Pela medição judicial^ 
feita em 1897, verificou-se ter a fazenda a exteníiâo superficial de 
1,395^ âlj* TS,*^ — Córrego, que banba a fazenda do mesmo nr^me. 

Lagoa dq R- ciia— - Logar oa fazenda de Coca es, — Vide 
Rocha. 

Lagoa Formosa— Fazenda que, em virtude da lei provincial 
n. 51, de 30 de abril de 188*2, foi transferida do município de 
Sào Joào da B -a Vista pa a o de Casa Branca e, sendo revo 
gaJa essa lei, tornou a pertencer áquelle municipio. 

Lagoa Gkakdb— Lagôíi de grandes dimeniôes, fronteira á 
estação dn mesmo nome, na f^z. Olboís d'Âgua. 

Laoôa Skcca — Antigo pouso, na giande estrada de rodagem 
para Goiáí, a 3 léguas desta cidade. 

Lagoa Vi^rd^;— Linda e grande lagoa, toda cheia de veg& 
taçilo, a pequena distancia doa Olhos d'Agua, em cujas proii- 
midades havia utn pouso dn estrada de Goina.— Logar, na estrada 
de rodagí-m para Mogimirim, aseim chamado por cauía da vcee^ 
taçào que pobre quasi totalmente a superticie de duas grandes 
lagoas mui próximas uma da ou ta. Óyperíiceas e outros vege- 
taes palustres mal deixam perceber de lunge a exi&tencia da 
agua» parecendo a lai^õa uma campíua verdejante, onde de^tacase 
o branco cândido das in nu me ias g^rçiis que para a!i afflui^m. 
Povoam eguiilmente estes terrenoa alagados, legundo ÍDfbrmaçòe& 
do logar, muitos jacarés icrocodiUus scl€rr/ps)t de que ha grande 
receio (Taunay). 

LAGOiNHA^Faz^nda ne^to di^trictn, a pequena distancia da 
cidade. — Córrego, que banha a fazenda de seu oome, — Grota, 
na faz. Várzea Grande, 

Lasibahi — Vide Alambary. — Fazenda agrícola. 

Lambsiior — Fazeiída n^sto municipio, hojo denominada Be- 
bedor (ou melborment© Bebedouro). PertOLicêra ao conselhfiro 
Diogo de Toledo Lara Ordonhas^ fallecido em 182 6j de quem 



I 




- 166 - 



•seieva Ãse?edo Marqa^s : «Em aua vída bavia feito doação á 
Sftota Casa d« Miaerícordia de iua cidade natal (São Paulo) de 
Ofua fazenda chamada lambedor ^ nai margeDB do Bio Pardo, 
diatncto da entào villa de Mog^imirim, a qual foi vendida e aau 
ftodacto iippUcado á conatmcçáo do actual hospital». 

LaaçADOR — Córrego neste mun. 

Laxcbi RO — Córrego na íok. Olhos d'A^ua, 

L A KAXJ AL— Quartel rfto do districto policial de Cata Branca- 
Fazeiída apícola > 

L A vRiiiHa— Cónego, afHuetite do Cocaes^ bauba a fazenda 
da PrsCA, 

L*2AJtKTO — Â doii» kiloi^etroB, mais ou meDoa, da cidad», 
eolre o Cemitério MuDÍcipal e o Hoisjiita! de laoiamento, no 
kcal Papagaioií^ e$ti ediJiL-ada uma cata destinada a lazareto 
pa>« YarioioflOB. Mandada construir pelo coranel Hoaotio de 
âil». «m terrenn para bso cedido yur Joté Antcnio Teixiúrar 
foi «nlregne á Camará Municipal a 12 de junho de 1838. Tem 
anae»^ am pequeno cerni tt^rio. 

Lm^EiEo — Córrego na fazenda da Prata, tributário do Ja« 
gBan. — Fazenda agrícola* 

ííCJí* Gaha— Rua, antiga dos Carros, A nova denominação 
f&ííht dada em homenagem ao illuatre abolicionista Luia Gon- 
[ «g« Pjqto da Gama, 
I MacÀCo — CorregOi no districto de Itobi ; estabelece limites 

Ido« mnalcípiM» de Sfto Jo^é do Rio Pai do e Casa Braoca. 
MâCAHUBAL — Correjço na faz*^iida La^jfòa, 
Map»*— Córrego, íift\ do Pederneiraa, na faz. Barreirn. — 
P»iuo. na antign eatrada de GoiáB, e de que escreve, no seu 
Itín^rarit/, o Vi*çaude de Tauníty ; « A'* nove horas da manha 
deixou-ie o pouso íPaeseucia)> e, camiti bando para N., eucon- 
tftt-se a 3f'JÒ baças, maií ou menos, um pequeno rancho á 

I margem esquerda de um córrego iusignifitíiiite, que dirTge-ae de 
N para S. ^ á légua © meia o novo rfincho do Mafra, depois do 
qxiaí, por teireuoá accideiUado* e cobertos de mata, na qual 
aúbamos uma delicadiesima orcbidea (talvez do género odonlo- 
gloi»), com ílorezinhaa de um roxo suave, chegou-se ás margena 
dii rio Pardo, a duas léguas da Paciência. » 

Major Leonardo — Rua no património da Lagoa, assim de- 
aomiuada em hrnra do major Manuel Theodoro da Silva 
L«ciiJ%rdo, 

I Mambuca— C**rr go.— Esfmcie de abelbn^ conhecida em Goiás 

j [Coutai de MagahãÊJt) \ e também em Mina». Sfbastiáo Paraná 

ctaftiitica-A no género mellipona fXtieUa. 
I Masg^bkiras — Potreiro oa fazenda Cocaes do Rio Verde. 

IMARACAjt)— Fazenda Agrícola cjuh, ^m virtude da lei n. 77, 
dft 17 dfj junho d« 1881» foi desmembrada do manicipio de Pi- 
I raisaoaaga e annexa ao de Ciísa Br.inca ; pr rtence hoje ao de 
San la Crms das Palme iraa, — Vocábulo tupi, corruptela de nmra- 



^ I6è - 

eaji^u, si^ificAndo rio do marftcajá. MarAcajá, Eegtindo eeereTe 
Moreira Pínio, é nome vulg^ar de uma papecie de gato indígena 
e silvestre (fel is pardalis, Neuw), tamb^^m chamado g&ttt do 
mato. Costa Hubim escreve maracaiá, origiuario do guarani 
mbatacaia, p^ato bravo. 

Maííechal DsoDORn — Ántiga denominaí^âo da rua Coronel 
José Juho, dadii em lioiira ao marechal Manuel Deodoro da 
Fonseca^ primeiro presidente da Republica. 

Mário pous —Fazenda agrícola. — Palavra composta, aig^nifi- 
caudo logar ou cidade de Maria. E' combinação do vocábulo 
Maria e a partícula grega polis. 

Mata db PiEâSSUNUNOA— Antigo quarteirão policial, hoje 
eitincto . 

Mato Grakdb— Cíirrego, aff. do Sâo Pedro. 

Mato Skcco — Fazenda agricola, pertencente a DomingDs 
Vilela de Andrade, — Corregro neste di^tricto. 

Matriís — Praçi, asaim denominada por se acKar abi i^ifi- 
cada a e^reja mntriz. -Travessa libando a praça dei» ta denomi- 
nação á rua Capítào Horta, 

Melgue IRA— Primitiva denominação da fazenda Mariopolii. 
— Fazenda agrícola. 

Menino Dhus — Pequena capela á rua 21 de Março. 

Mercado — Antiga dí^nominaçáo da rua Francispo Glíccrío. 

Mesthe Araújo —Rua, as^im denominada em bcme^nagem 
ao antigo professor Francin-'o José de Araujn, 

Mbxican A— Avenida do Novo Bairro, 

Micuaelbnsk — Vido *L.^inta Michaelense. 

MiNBiRos — Travessa desta cidade. 

Mineração — E' corrente que na cidade e muoicipio de Ca^a 
Branca jamais ae tratou do mineração, DUso encontra nos prova 
cabal num livro existente no cartório da policia, e que eervin de 
protocolo do juizo municií^l. Esae livro, numera io e rubricado, 
tem na primeira pagina o seguinte termn : « Eate livro deve 
servir para o t-r. Tbomaz Carlos de Sousa, ou quem por minba 
ordem suaa veaea fizer» na qualidade de meo aecret-o Agente, 
lançar a quantidade de oirn em pó» e em barraa que comprar, 
ou guiar- me da villa de Mogi-mirim, e seo extenço Termo : vai 
numerado e rubricado por mim com a Rubrica de que uzo, Sào 
Paulo, 3 de juuLo de Í820. Manoel Rodhigues Jordão, » O li* 
vro coQservou-se em branco até 24 de novembro de 1650, data 
em que foi destinado a protocolo da audiências. 

Mirim — Vocábulo tu]>i (adjectivo), significando pequeno, para 
distinguir objectos menores que outros : Mogi-guaasú, Mogi-mi- 
rim. 

MiSBBicoRDiA— Rua que liga os largos da Cadeia e da 
Matriz. 

MocóCA — Cidade, edificada em território outrtra pertencente 
ao municipio de Casa Branca. Foi fundada em 1846^ por ta- 




^ 167 - 

2«Qdeiro& TÍados do Minas, For lei de 5 de abril de 1856, ele- 
TQQ-»e a pp\c*a^ á categoria de freguezía, com o uotne de Sào 
Sebascifto da Boa Vbu ,- pela de 24 de isarço de 1871 á de 
TiUa e pela de 8 de abril de 1875 á de cidade, com a denomi- 
iiaçUo de Mococa, O património fui lhe doado em 1 847, como se 
vè do aeguinte documento, exirabido de uns autos de posse judi- 
cial, ex is tentes no primeiro cartório de Casii Branca: 

lUmo. sr. juiz mnnicipaL^Diz FeliciBsimo António Pereira, 
nik qualidade de fabriqueiro, e assiiu tbe sou t eiró e procurador 
da nova capela de S* Sebastião da Boa ViatJi, por nomeação da 
Cauiara Municipal da vila de Casa Branca, de conformidade da 
lei, em r»zao do logar e terreno em que se acba ella erecta 
perteo cerem boje a este município, e como para que na o esma 
te coQtioue na licença da celebração do ^anto sacrifício da Mii^sa 
»«ja precií^o reconbecer-»e quai vem a ser o seu património, e 
dere-se-lbe dar posse judicial, e para esse fim veiu V. S. a 
ette log-ar á petição vocal do protector da mesma pia fundação, 
Venerando Ribtiro ta Silva: é o presente requerimento a V. S, 
te firta preceder ao reconhecimento, demarcação e acto de posse, 
como achar de direito, para o quti apresentarei oa titulas de 
íoaçftú em que consiste o jjatrimonío,— P, a V. S, se sirva de- 
ferir como fôr justo e \e^R\,—D€ítjxicko> — A. venha concluso. 
Sio Sebastião da Boa Vista, 4 de dezembro de 1847.~Caeva- 
lao m V^scohXBLLOs. 

Conclusos CS autos, o juiz den o seguinte despacho:— Apre- 
leate o impetrante os titulos de doação, reconhecidos por tabel* 
li&o, 6 declare nos autos os nomes dos doadores, e de quanto 
cada um, e a tomma total em g^eneros, e seu valor cm dinheiro 
00 presente tempo, e logar, e de aecòrdo com o fiscal nomeie 
dois peritos lavradores para darfm o conhecimento do espaço, a 
confrontação e demarcação do terreno que faz o objecto do auto 
de pobse, que se requer.— Carvalho e Vasconcellos. — Apre- 
sento pa^a ser visto por este jnizo os titulos das dcaçôes doa 
terrenos, declarando que os doadores t&o os seguintes; os quaea 
títulos foram reconhecidos pelo próprio tRbelliáo da diligencia. 
Doador primeiro, Venerando Ribeiro da Silva, comprou e doou 
para o património de S. Sebastião, 10 alqueires de terra de cultura, 
romprou n Domin^^os e sua mulher, como consía dos títulot^; 
Salvador Pedro de Moraes e sua mulher doaram ao mesmo santo, 
para seu palrimonio, dois alqueires de cultura de matos, como 
c usta dos títulos; Emygdio António de Jesus o sua mulher 
doaram um alqueire de cultura; José Pereira dos Santos e 
soa mtilber doaram ao mesmo fiaiUe uma quarta de cultura, 
como conKta da escri|ttura; Joaquim Gonçalves de Moraes e sua 
laulher doaram ao mesmo flauto três oufirt^s de cultura; José 
Gomeii de Lima e sua mulher doaram dois alqueires de cultura 
e deram mais 14 alqueire» de uma troca de um terreno, como 
consta da escriptura; Domingos António de Castro e sua mu- 




— 168 — 

Iher doaram 3 alqueires de terras d© cultiirs, cotno eoo«ia da 
escripturâ. Vêm a somiuar todos ©ete& terrenos em 33 alqueires^ 
08 quafts fora Dl avaliados era lOrOOOi que frtz a aomnua d© 
330;0CK1, 6 tendo de acc rdo com o fiscal nomeado peritos lavra- 
dores, para dar o conhecimento do eapaço, coRÍVontaçAo o de- 
marcação do terreno^ em q\i*i %e comiirebeu^om aquellea uame' 
ro^ de alqueires e qne iii:um !»ervindo de patriíaonio da deno* 
minada capela d^ táho Bubastiào da Boa Viata, em cojo meio 
ge acha edificada a capéla- 

Declara-Be que todo ©st© espaço é próprio para plancaçAo, 
aem alufçadiços © atraves&ado por um córrego deaoinínado Car- 
rego do Meio. Quanto a suas confrontações, »kõ as seguintes: 
pelo lado do auL divida com António José GomcB, de um lado 
6 onlro do córrt^go, e pelo lado do nascente diviza com José 
Cliristovam de Litna, e daqui, em toda a oircumíerenein, divÍJ&a 
Cf>m todos os doadortís, porque este terreirrp é tirado das fazen- 
das doa mesmos doadores, os qnaei^ vivem ©m comznum. QuadIo 
á demarcagâo fica assim feita, só sim faltaudo pôr os marcos^ m 
quaes vôo &er postos na presença dos doadores e co trontantei, 
lançando se m&o de todos os meios necesTiarioP, afim df^ fii:£irem 
os marcos aos quatro ângulos extremos, c*'m a exactidão poB?«i- 
veK São Sehaatiào da Boa Vista, 4 de dezembro de 1847.— O 
fabriquei PO, Felicíssimo Axtonío Peki&ira, — Framci&co Vbsak- 
cio DíC Bigufii RA.— Francisco Moreira KoUKiGUEs.'-Em visia 
da declaraçào do impetrante fabriqui^iro, de accordo com o fis- 
cal, e acharem se reconhecidos os títulos de doação, qut^ ficam 
em poder do mesmo fabriqueira, de a^^^^im estar reconhecido o 
es[iaço e valor do terreno, e sumb confiontâçÕes. em cujo centro, 
ou meio, te acha colocado o edificio da capela» d© que f«ã e 
fica aeudo patnmoaio, proceda -se ao auto de po^se do mesmo 
patrimotiio, com as devidas íormiilidades, e da mineira a mais 
publica, que em nome da capela será tomada pelo mesmo fa- 
briqueiro, e aasignfido por elle, e pelos mais concorrente», que 
a esf© auto forem presentes. Sào Sebastião da Boá Vista, 4 de 
dezembro de 1847.— Carvalho k V&scokcelz.os, 

Auto do pvfiÉS»e 

Anno do nascimento de Nobbo Senhor Jeaus Cbristo de mil 
oitocentos quarenta e sete^ vigésimo sexto da Independência e 
do Império do Brasil^ aos quatro dias do mes de dessembro do 
dito anno, nfleta capela de Sáo Seba&tiào, munícipio da vila de 
Casa BrBní-a, da sétima comarca da imperial cidade de S. Paulo, 
em o adro da dita capela, onde se achnva ív juiz municii ai pri- 
meiro supplt^ute, o cidadão António Jotié Teiíteira de Carvulbo 
e Vasconcellos, commigo e>ctivào de seu cargo, ao diante no- 
meado, adjunto com o í^fficial de jut^liça Beveriano Constantino 
Pereira, para o eifeito de lavrar o pre&eute auto de posse judi- 




^- 169 - 



ciai no lerreDO do patritnonio doado á djui capela, e eotno dito 
património já e^tívt-s&e reconhecido do espaço de ^3 alqueir^B 
dâ plaota de milbo^ e as^tm eile terreno couíroncado, avaliado 
em 330:000 em diiibeirn, em meio de cujo pãtrimoDÍo se acba 
edificada a capela, eeg^tindo con&ta dos autos, mandou o juiz dar 
po»>e do meneioBado património da eapéla, ua pessoa dti rcIuaI 
labriqueiro e procuradi^r Felicíssimo Ãotonio Pereira, a este se 
Ibe deu po&^e jadicial e formisl, paesando-se o juiz para a porta 
principal á& capela, mandando apregoar a posee, em díilerente 
ponto do terreno, era repetidas veses, pelo official de jufetiça, era 
logar do porteiro, e achando aera companhia, o mesmo fabri- 
qneiro o recebeu, em sif^ual de ler tomado a dita posse, em no- 
me da capêlrt, de Bua legitima administração e de teu patrimo- 
mo, cortou ramos, tomi u terra e lançou ao ar, e aspím ioram 
deaanipeiibadaa as cerimonias do ebtylo. E como eate acto íoi 
publico, e se não manifesta^âei Dpm pre&nniis^te f pposiç&o algu- 
ma, houve o juiz a posse por conferida e tonada judicialmente, 
do que» pãr» constar a todo tempo, mandou lavrar o presente 
auto, que asaigna com o fabriqueirOf assignando também o fis- 
Cil, o» doadores e os conffi nteiríj&, que se achavam presentes, 
as^im eomo outra» pFseoas do togar, que testemunbaiam o acto. 
Eu, Manuel Rufioo de AranleF, < scrivão^ quí* o escrevi.— Car- 
valho E VA9C0SCELLOa~PKLIf;[381MO AsTONtO PEREIRA — FeVK- 
BlASO CONtJTANTLNO PeREIBA— O fiacal^ JoAQUlM JosÉ FeHEIHA — 

José Gombs Lima— Vesbuan o Ribeiro da Silva— EmyíiDio 
ANTÓNIO D» jEâUS — A rog-o de Domingos António de Coito, 

JOAQOIM MaNOKL da CeUZ — JoSfO ?ETlElHA Lf)B SaNTOS. 

Eíste auto foi julgado por B6ntença a 15 de de^t^nibro de 
1847.— Situada a 2V 25 de lat. sul 3"43 Irng do Kío de Ja^ 
netto, dista da capital 34ã kilom.< de Casa Branca 65, de Mc n - 
te Santo 40, de Sèo José do Rio Pardo 30, de Cajurú fíO, de 
Gua:xupé 44, de Santa Barbara diis Canoas 40, e de Caconde 
42 kilnm. Km 1846 algun» fazendeiros do sul de Minaa, que 
aqui vieram caç^r, ao depararem no meto da mata com yarias 
casas cobertas de sapé, denominaram eeta localidade Mocócai da 
palavra indígena fcasa pequena e ruim), denominação que con- 
lerva até boje. Foi creada fregueda, com a denominação de 
Sio Sebastifto da Bòa Viata, em 5 de abril de 1856; elevada a 
rilla em 24 de março de 1871 e a cidade, com a denominação 
de Mocdca, f m abril de 1875. Ã cidade é edificada entre duas 
colinas «ua7(*B e de egual altura, sendo dividida eru duas partes 
pelo ribeirão MocÓTa, que atravessa toda a cidade {Aljttfjjmk da 
Eitfado de São Pauío). —Vocábulo tu(ii, corruptela do mot^uoca. 

MocaócA — Voc«Hulo tupi ; higdifica ^ casa de moco (mocó- 
oca). Segundo Josa* Pompeu, mocó é um quadrúpede da ordem 
dos roedores (kerodon mocó), que »e encrntra \m Fauna do Cea- 
rá—Vocábulo do dialecto tupi do Amazoufis, (Seixas), Tem a 
mesma flignificação de mucuóca* — Vide Alococa, 




- 170 - 

Modesto— Córrego, aíBaente ão ribeirão da Prata, nafassenda 

deitt! nome* 

MoGi-0 DOme Mogi (rio das cobras), tfto frequente na 
geo^rapbia paulista, é amda um vocabalo guarani , apezar da 
aheraçAo por qu© paleou. Mogi, em outro tempo escripto boígi, 
é fti*tiplesmente cuiruptela doB vocábulos s^uarauis: mboi—gí 
(Thbodoko Sampaio). 

MoGi-ouAçú— Vide Mtjgy-guasftú. 

MuGY-oiTAítHú — Rio considerável, afflueutft da margem direita 
do Rio Graudn ou Haratiá. Naâce no campo doa Ciganos e é 
formado de varias verteniea no território de Camandocaía, to- 
mando o noTie de Mog'y'gnassú depois da ©íia couflueucia do 
Jaguari- mirim. Seu curto é de 90 a 100 léguas, ou 660 kilo- 
meiros, pouco mais ou menos, na direcç&o mais geral de fué&te 
para noroéitp, recebendo como affln entes os rios Sào Panlo^ Mogi- 
mir»m, Tucura» Itaqui, dag Pedms, Taquaratan, Itupeva, Ja^ari- 
mirim, Pardo e Gambá, os ríbeiriítís Engazeiro, Canoas. Doiairmftívi, 
(um da margi^m direita, f>utro da esquerda), Botufím, Quilombo, 
PantÉino, Garça Branca, Agua- pé, Meí, Piaubi, Gariroba e 
Caasununga^ e os córregos Barreiro, Perobas e Tapera. Depoii 
de batibar a povoação que delle deriva o nome, percorre o Mogj- 
guai!6Ú a oéate os territórios de Silo João do Rio Claro, BrotASi 
Limeira, Piracicaba, Pirassununga e Belém do Descalvado e a 
este os de São Sim Ao, Franca, Batataes, Casa Bnmca, (1) e 
outros (Machado dk Oliveira^ Vaz í»k Míllo — Azevedo Mar- 
QuiB),— Palavra indígena, compo^ta de vingi, mogy, fTitigyt F'U. 
mojâ (corruptela de moxt: — nas mÀa boras) e guasaú, grande, 
maior, sif^nificando— /ocu^y infauattm major, segundo Martius, 
que escreve Mogi-guaçd. 

MomOBS (JuBiMADos— Faa, agrícola. 

MosjoLiNHo DO Rio Pardo — Fazenda neste município em 1829, 

MoNjòf.o — Córrego nn antiga fazenda de Cocaes. 

Mont^Alvehnb — Fazenda neste município, pertencente a 
Ernesto Ferreira Coelho. 

MoBKmA^Gf>rrego na fazenda Lagoa, 

MôRRo — Fazenda agrícola, peitencente a d. Maria dái Dores 
Nogueira de Carvalho e outros, deBmembrada do municipio de 
Santa Cruz da:i Palmeiras pela lei n. 75, de 7 de abril de 
1885- — Ribeirão, na fa^, deste nome* 

MòHttO DA Dgm^noa -Logar na fazenda Rio Doce. 

MôRRo do^ iLHÉos^Vide Uacbootra dos Ilbéoa. 

MoUTES -Capáo, ne&te dií^tricto. 

Mdsquitob — Córrego, na faz. Sào José da Serra. 

M uc uóc A ^ Voe abulo i n d i ge n a ^ b i gni fica n d o ^ cerca I ig«ira - 
mente construída no» riachos por meio de páua fincados a prumo^ 



ilt €om K Ctêaçla do mtui, de Sinta Cnu dki Patmetrim, dttlxam n 4» Cftta Brmnea 
di ief bJMLÍudQ pel9 M&gl*£aiM4. 



- 171 - 

ramo d© amin^ra e tojuco, afitn de paralyaar um taoto a cor- 
rente da agita, e dar logar á pesca chnmada de gapuia (Babka). 
— ^Vide Mocoócft. 

Municipal— Travessa^ Hoje den minada rua Coronel Lúcio. 

Na»ci?issto— Com 6»t« nomo encootra-se, nas actaa á& 
Camará \4uiiícípa1, a deBÍg-nação de uma rua desta cidade em 1851. 

Negros— CapãOf na lazenda Cocaes. 

Nossa SaNuoRA^Potreiro, annexo á cidade, pert^jncente á 
BgreJÁ da paroebia. Foi doado por L oure nçi» Martine Leme, falecido 
a 2 de janõirõ de 133B, que em Beu testamento fez a seguinte 
dectaraçio: «Declaro também possuir umíis partes de terra)» por 
compras, ne^te sitio da Cafia Branca, cujos títulos existem em 
meu poder, e delles bâo de cotistar seus valores; e da parte que 
comprei a Manoel Ig^nacio de Almeida, detta, o que houver de 
campoi, a morade dou-a de esmo la a Nost-a Senhora das Dorea, 
aoBsa pndroeira». 

Nova — Nome primitivo da rua Sete de Setembro, antes de 
clbaaiar-ae da Palba. 

Nova Caba Branca— Bairro, na ettaçào da Laj^ôa, onde a 
Gamara Municipal possue um património d« quatro alqueires de 
terra, por doação do major Manuel Theodor-' da Silva Leonardo, 
E' também denominado Património da Lagoa. 

Novo Bairro— Bairro suburbano, locado acima da (istaçao 
da estrada Mogiano, com uma área dti 66,86 bectarcis oe 27,^*1 
alquetre*, dividido cm quatro (erim^lros c fni 2 alainedas (Pfltl- 
lítta e Urníuaia)j 1 largo fEstHçíio), I praça (Hepublira), 4 ruas 
(Guianas, Guaraciabn, Guanabara e Itaptma) e 13 avenidati (Ja- 
guari, Caiobi, Inajá, Argentina, Chilena, Periiana, Boliviana, 
Equador, America, Guarani» Cubana, Mexicana, e Colombiana) e 
527 datas. Os terrenos deste bairro íoram adquiridos pela Ca- 
mará Municipal, por compra a Francisco Nogueira de Carvalho 
e fazem parte do quinhão que, na divisão da fazenda Casa 
Branca coube a Serafim Caldeira Brant. Ãu^entando-fse este, 
foram os» terrenas vendidos a António Joaé Teiíeira, em hasta 
pnblica, a 26 de setembro de 1864. Por morte de Teixeira e 
invtsntario feito em 18" 1, foram arrematado* por Aureliauo Mo- 
desto de Casiro, qUH os vendeu a Francisco Nogut^ira de Car- 
valho, a 5 de dezembro de 1889, havendo-os a Camará por 
e-criptura de 29 de março dfi 1896. Em 1837 foram demarcados 
pelo agrimensor Joào Carlos Ferraro. 

0'<jA-CAai— Nnme que em tupt ísignifica — aua branca, e 
pelo qual suppoe o engenheiro Pedro José de Paula e Silva ter 
sido conhecido o local onde se «pseota esta cidade. Conrado, 
em seu antigo mappa, cita o Fara-Q*cu-Cíirif ou rio da casa 
branca (Ãlmanak de Campinas, 188G), 

Olhos — Capôo, na fazenda Paciência- — Correguinho, na 
&2€uda Barreiro, afflueute do Pederneiras. 



- i7â - 

OLHOB^D^ÂauA—^Pfiqneno ribeirão, a meia lugna dr* Jag^uarí- 

mirim, de que e alHueate: è atraveeando pela antiga «girada da 
Franca,— Pazentla ngricola e de crear.— L?>gôa Bâccaf jA amm 
conhecida em 1830, 

O Nç*— Córrego iiéBíe districto ; fass barra no Tambahú, — 
Fazenda agrícola. 

O Kl sDiúvA^ Estação da Mogiana, no kiloro, 144, entre La- 
goa e Engenheiro Mendeg, — E»pecíe de madeira, da família da^ 
leguminosae. E' de côr vermelha escura, tecido compacto, e 
muito apreciada por sua lijeza e duraçfto. 

O RTiz(<::s— Córrego que Hmita oa muuicipios de Santa Cru;; 
das Palmeiras e Casa Braaca, Deriva sua dmt minaçíko do ap- 
pellido OrtiZf de lavradores que moravara á fcua margem, como 
António Ortiz de Camargo © José Ortia de Camargo. E' tri- 
butari'> do Cocaes. 

Paciência— Antigo pougo na estrada de Goiá», onde for 
muito tempo residiu o capitão Manoel Thomaz de Carvalho. 
Junto cnrre um córrego com o n esmo nome. Das edificações 
não re-ta um vestígio HÍquer. — Fazeoda agrícola pertencente ao» 
herieiros do capitào José Venâncio Villasboas e outros. — Córrego, 
que banha a fasceuda do mesmo nome. — Taunay. no seu Hhié- 
rariOf diz: «A um quarto de légua do Tambahú, levaniou-se 
ha pouco (IB65) um rancho, correndo raaia adiante o córrego do 
Passatempo. Cora mais 2no braças, acampou-ee no pouso da 
Paciência, perto do ribeirào do mesmo nome a rumo O, A es- 
trada que ahl vai ter é quasi toda traçada em campinas sem 
arvores, havendo apenas seiscentas braças de matas nas margens 
do Tambahú», 

Paço MusícifAL — Edificio pertencente ao município e em 

3U6 fuaccionam a Gamara, aâ repartições municipaes, o tribunal 
o jury e HB audieociaa dos juizes e que serve egunlmente de 
cadeiH publica. Foi inaugurado a 3 dB março de 1S8B, 

PàiPíEiRA — CorregOj na faz. Morrinhos 

PaióL "Fazenda agrictla. -Córrego na faz. da Várzea. — 
Córrego, utt fazenda Campo Alegre i afliuente do Tubarana. 

Paisandú— Travessa , 

Palha— Antiga denominação da rua íSete d© Setembro, a 
teve-B, segundo diz a tradiçílo, pelo seguinte facto: Jacintbo 
Ji sé de Sousa, conhecido por Jacintbo Meirinho, morava na casa 
que hoje pertence á hera ça de Luis António da Silva, ttnha por 
costume bater arroz e deixar sempre grandes monte» d© palha 
na rua. O povo, á falta de outra denominação, deu-lhe aquella. 

Palmeiras — Córrego na fa«t*nda da Prata, tributário do Bio 
Feio. ^Córrego ; corre ao sul e desagua no rio Pardo.— Travessa 

Falubiras da TEEiRA-VERMEtJiA— Fas^enda agrícola, oesta 
comarca, de propriedade de Jwé de Vasconcelos Biteoeourt» 
Joào Caetano de Lima e outros, que pertenceu primitivament* 
ao conde de Valença (Eatevam Ribeiro de Hezende), Tsm a 



F 



- m — 

BTiperfieie a^rftrla dê 824,3 hects., e foi dividida judicialmente 

em 1884- Eitá coHocíiíla na fralda do Èprra do Jflrditn, e ba- 
DbaTD-Ti'a o rio Tarobabú e ob correg'09 Preto^ ÁrtependjdOj Sal- 
gado, Bebedoaro, Tijuco Preto. 

Palmsibas do Cerrado — Antigo quarteirão policial, hoje 
extirvcto 

Palmeiras do Tambahú- Fazenda sisrricola, boje dividida e 
com diversas denominações 

Palmital— Capào, próximo á cidade, na cbacara 8*11 ta Iria* 
— Vide Guariroba — Correg^o, ria fase Lag-ôa. 

Papagaios— Capào e logar, a jequenw dÍ6t»ucia desta cidade, 
onde estào edificados o Hoi-pital de lEolamento, o La^^areto de 
Yarioloaoã e o CHmiterio Munícipnl, 

P ABA CATÚ— Fazenda , no bairro da Vargfem Grande.— Vocá- 
bulo brasilfiro, corruptela de piracaiú^ i-igniâfando peixe bom., 
(pirá catú) 

Pahaiuba— Rua do patrimoniíí da Lfl{rí»fl-— Vocábulo brasi- 
leiro, q|ue significa, segui! d o frir^i Maiiaííhão^^ — peíie mau; cor- 
np^lo de pirà-aiba; h Btiguudo MiLtiKT de SAiNi-Am)i.rBK— 
rid da agua clara, Ei-m ^ignificeçío é enívda: a vejdfideira ê 
^Ho mau (para, rio; abiba, iiiáu)i coDfoime cohstatarou) Var- 
2rn«GaN e Macboo Soake . 

Pabaná— Rua do patrimoDÍo da Lagoa, Vocábulo tupi, que 
lignifica rio. Gtimeça a aj^glutinar-ae em [ araná— parAnatri ( J , 
YsRisa mo). Na Jing-aa tupi a palavrA pará-ná giE^nifira «pro- 
Xiíuo do mar» í poré^n oft indígenas itidicavfcm com eftse nome 
toio e qualquer r(0 grnnde (JoAo Mrndes)- No dialecto dos 
CaJto^irus^ BPfTUudo CoLfTD DR M AGALHÃBÍ*, parfloã é cónego. 
GocD a significação dn rio o dào Costa b Silva e Oi^gah Lb*l ; 
e de rio grande, parente do mar^ Macésdo So>^R^s, 

Paraííã— Vide Paraná. 

Pardo— Vido Rio Pardo. 

Passatempo — Córrego, na faz. Morriíibop, tambetn cíubfcidf» 
pttr Pimenta; banba eg-ualmente a faz, Facienr^iti. 

Património da Lagoa — Vide Nova Casa Branca. 

PAu^BRAKco^Corieguinbo, n^ fazenda do Barreiro.— Crrrego 
na faz. M rnnbaa. 

Paulistas -Travessa; liga o largo do Rosário a diversas 
mas. — Alameda do Novo Bairro 

pBRDENElfiAfi — Corrego ^ffluPDle do rio í^ardo — Pequena 
«erfa que BUrge ao noite da terra do Araniquarn, entre os rios 
Pardo e Mogi-gna&sú, a n* roéj-fe da cidade de Casa Btanra, em 
meio de ura terrirorio deaioberto, e adaptado á industria pastoril, 
que tem ali «grande applicação, Corru a serra de eudoéste para 
noroeste, e na extremidade deare rumo ergue-se ura grupo de 
montanbaa que tem o nome á& morro da^ Pederneira^, e ae 
identifica com a lerra (MAcuano db Oliveíra). 

pKDRAS—CorregOj afli do Cocae», 




- 174 - 

Pedrbgulho — Cortego neste districto. 

pELOUEiNHo— Poste colôciftdoiia praça pubUca para nelle «erem 
ainarradoB os criminosas expObtos a ignominia- Era também ár^- 
tioado, de prelVrencííi, ao &iipplÍcio doa escravos que deviam ser 
açoiradoB. >e -astião Paraná diz que o pelourinho, de uiu ma- 
deiro grrosBO e lavrado nas quatro faces, continha quatro argò aa 
de feno, braçoa pelos lados e um cutelo uo remate. CoxaTAHCio 
dá o pelourinho c<vmo uma columna dfl pedra, n*niatada por pontas 
de ferro^ onde se «spetav^ani as cube^aa dos de^^olndos, e tinba 
também arjç^ólas onde se podia euforcar. Em Ca^a Branca existiu 
o pelourinho, ali á mar#»-eai esquerda do Espraiado, ao terminar 
da travessa dn Constituição. Com o andar dos tempos a areia, 
subindo, sotterrou o instrumento infamante. Si se fizesEem es- 
cavações, poderia ser defcoberto, pois, serrundo a tradição, em 
um madeiro bastan'» comprido, ã um officío do presidente da 
província, perguntando si exíi^tia aqui o pelourinho, a Camará 
respondeu que nào. Seria curioso si fe conseguisse desenterrar 
o famofio padrão e conservai -o como recordação histórica.--' Cos- 
tume era de nosar^s antepa^Bado» levantarem lo^o um pelourinho, 
quando Ee lixavam em qualquer parte, com intenção dt^ fundarem 
um arraial. Desgraçadamente oi brasileiros nào ignoram que 
pekmrinho é uma p'Cota que ee levanta em loo^ar bem pnblicc», 
com uma argola de ferro f reaa no alto, onde an*arraiu-s© os 
escravos para serem surrada s com ba calhaus, Também desgra^ 
çadamente nenhum brasiU^irn ignora que bacaJhau é um açifite 
de correia, com varias v@l*>i^s trnnçadas, e ás vezes com ponta» 
de pregoa nas extremidades (Feli* lo d* s S^antob). 

Penhora— Fazenda de crear, junto á povi açào. Fazia pftrte 
da sesmaria do Lambari, 

Pereiuão— Correg^o, na faz, Melgueira. 

PEttoBEiRAa-Fazenda» dividida judicialmente e próxima á 
povoação de Vargem Grande, 

Pkru A NA— Avenida do Novo Bairro. 

PiÁGUAçú— Sitio, no bairro da Estiva,— Vocábulo indígena, 
cujo significado é — coraçào grande (piã-guaçà), 

PiAiJBi Rua do património da Lagoa- — Vocábulo brasileira; 
significa rio do piau (pian-hi), 

PíÇAiiHÃo— Este ribpirào corre entre os munjcipioa de Casa 
Branca e Sfto Joào da Boa Vista e é ura dos aftiueutea do Ja- 
guari-mirim, — Antiga fazenda. 

PiÇARRÃo DA Lagoikka — Vide Piçarrão. 

PiçARRÃo Di> Cemitério — Vide Piçarrào. 

Pimenta — Córrego, n"a fassenda Paciência. 

PiQUiRA — Lfigar, próximo á cidade.— Cavalo d© raça anà, 
natural de Campos dos Goitacazes, e mui apropriado ao esercí- 
cio das creanças. — Peixe de ppquena espécie, que habita as aguas 
do Paraguai e seus affluentes (Éouan), 

P IRA c iií UNG A^ Vi de Piras sunun ga . 



- 175 — 

FiRASSONONGA^ Estrada de rúdagem^ qué liga a eidade dô 
Ca^a Branca, á daqneUa deDoniÍDaç&o,— Voc&hulo tupi, cnja bí- 
gnifi cação é — cachoeira em que a agua cai faztmh ruído. A 
pniposito da ^raphia desta palavra, a Cidade de ( ampinas^ sob 
a epigraphe Quentão inter espante ^ inseriu os segiiintei artigoa, 
qoe para aqui trasladamoB : 



• Aos mestree 

O sr. Ricardo Azamór, fuuccioiíaTio do The&furo do Estado 
em cotumissfto do governo ua cidade de f^rassununga, e que 
oaa hora» d'ocio eotre^a-se a finos trabelbos int^llectitaes, como 
0^ leirores já terào observado pr-r al^uina» venoes hespanho- 
lac, publicadas netta íolha, acaba de escrever ao nosso director 
UMrário ás seguintes interessantes linhas t^obre dAo menos in- 
tetniante assumpto : 

«Pira. , .suuuDg^af 21 de setembro de 1807. — Meu distíncto 
confrade e amifço.— Â permaoenria que tenho tido nesta cida4e, 
cúmo sabe, tem-me pro|iorcionado aígumaE hor^B de de»canço, 
que dedico a estudos um tanto proveitostia. A gora ^ metti màoH 
ã (fbra^ como diz o vulgo, quanto ao verdadeiro uiodo de escre- 
ver o.^, próprio nome do logar. Parpce-me que nÃo é tal 
Píro.íífii ..; mas, como officialmente asE^im é e^erlpta a, palavra, 
náo posso deixnr de seguir a praie aceita por ordem euperior. 
Lembro-me, porém, que ainda nio ba muito temjto Baurã, que 
">fficialment6 era eaeripta cora A, perdeu-o, após pequena, por^m 
ntilissinia discussão, JVrcusuntinga, talvez seja tão feliz,., 
VêUo-enios. 

Como sabe o amigo, ha grande difficuldade de representar 
o li gul curai dos primeiros povoadores do Brasil. Mais aepero 
ainda que o u francez, foi diversamente representado pelon co- 
louoi e missionários. Tem-se observado que no norte (seguindo 
o littoral) tem elle o som do t: exemplo, — Ptndotiba^ Itaitindi- 
hdj Mangaratiba, 

Ao Bul, o aom de «, ex, Ubatiiba^ Caráguáiátuha^ ete. , etc. 

Em todas essas palavras (pnrece-me) ha o mesmo elemento 
suffixo— fiífia (muito). Um ou outro câso, ao lul {Cori-tiba) 
parece estabelecer perfeita identidade. Temos em uso, no norte : 
boy-cininga (cobra luminosa ou de olhos de fogo, espécie de 
bQy-iatà do sul)- Pira (peixe)* cininga ou cinunga parece ser: 
«peixe que aílumia, como succede com quasi todos os escamo- 
sos em noite de tuar. O Ucmn^ é o mesmo tucum, só com a 
diflerença de pronuncia em certas zonas. 

Em 8* Faião ha ainda o Mboini^ que não tem similhante 
ao seu modo ^raphico ; t;odos os mais (parece-me) aão represen- 
tados por Zm&é, leguudo ba tempos ouvi do general Couto ifcs- 




- 176 ^ 

ffalhã&tf muito vergado no assumpto. Imbetiba (nmito cipó) é 
um porto de Macahé (K%tnéo do Rio de Jandro). Ápezar do ci- 
vis Tomaniis jíwm, nã* vou com o meu meio, porque tenho que 
sttbmetter-me á praxe official, 

T7m irmão meu, UleQtoso e muíco dado ao estudn da Ma* 
Ujria*, já me iaf^^riaou em tempo q'iB possue um exemplar de 
Kacine com o nome do seu dono primitivo, doré hut tranche: 
Visconde df? Piraciímnga. 

Nftq íichfi o arai^o que é ea^o de falurem oá meatreB, õb 
c^mpetHnt-f ? Par<*cp-me quH t;]m» pplo que daqui lhe ènno 
©ate ífcrranzet todo. Sí^u afFç+iç^ ad-,— Ricardo Azamôr » 

A propósito da carta que abi fica, e fóde ser ohjecto de co- 
gitaçòe.i t^ruditas, por parte dos mais versados no assumpto, co- 
m''! João Mendes, Macedo Soares. Lafayette de Toledo e 
outros^ o uosào companheiro evoca esta recordação: 

Ha bon»4 quatorz ^ atiuoB, Alberto Faria era ainda uma 
c r ©an ça ; morava e ti tâo em ò\ Carh.% onde f u n d á r a a j4 / tío rocia* 

Enire < s escassos collaboradoi-e» desse periódico de roça, mas 
de aauioâa memoria para elle, contava-se o dr. Aureliano db 
Sousa e Ol veira. 

Ebaa lifimpm de superior iatelligencia, espirito verdadeira- 
mente culto, nàn exisFo hoje. Residira ali largo tempo, e es- 
teve em eví-iencia. pela attitude que aãsumira antes. 

Empeiihido no* torneios da liberdade, republicano convicto 
e abolu-ionisra df^dicado, publicara a Propaganda e a AUiança^ 
duas folhaâ de ntag-nifii^a orií^ntaçílo, bellamente redi^idbg am- 
hiL$f 6 qutí rivalissiivam com os melhores jornacs da capital da 
provinci», naqu ila t^jioca. 

Aífafttfldo já Haa lutas politicas e pociaea, que lhe haviam 
granjeado inimÍKjHide*, eilieiitando-se a do visconde do Pinhal, 
poderoso do logar e chefe de preatij^io, o dr. Aurbliano i>i& 
HouBA Oliveira, vivia absorvido do estudo, em una pitoresca 
chácara, á qunl iam vÍBital-o amigos raros, porém sinceros. 

Achaudo-í^e de uma feit?» na apraaivel vivenda, em conver^ 
SH com o dr. Aurkluno, Albhrtõ periç untou- lhe qual a exacta 
graphia do nome da localidade, que o sr. Azamôr agora deseja 
saber. 

Aquelle respondeu: Pira^inunga^ e acrescentou em tom 
explicativo : Pira, peixe ; eí, junto ; nunga^ fass hulha, Allusào 
aos cardumei de peixes, quando voltam da dft&ova ; roíi ando, 

Parece-no9 rsstoavel a liçfLo dada ao redactor da Âlmrada, 
que na materlíi nâo ft^z grandes prngres?og de 1883 para cá, va^ 
lha a verdade. - 

Entretanto, isso não impede que outros se manifesteDi â 
respeito, esclarecendo o caso. 



— 177 — 



U 



Amâ& ft prnpofttto d» graphia eiacta do nome da cidade 
Tulgarm^nte chamada PirafMununga^ o estudioso moço RicAeido 
AzAMoa dírigixL ao dosío companheiro Alberto Faria b Beguin- 
te cartA : 

*Pira,, nUTíga, 23 de otitubro de 1897.— 

Meu dilecto hmi^o e confrade — A minha carta botiteni 
prttblik^ada em a vosati «çtiraada Cidade, appAreceo cotn &l^iin& 
erroB tyi^tngrapbicos que serã corivenietiie cnmfjir. Si ai rida 
liotiver tem|.«) para esse Bm^ ficar-lhe-ei siiminaaieiíte p<*nlioiado. 
Onde a** 1e íiièía í minto), devem ler íuia (mui t**)? é Mau ff ar ali ha 
e nfto como aaiu : em vez dfl ao «id {Cftri-tiba)^ eu e&çirevflra 

E a propofiiíot ha aqui um cabra velho que garante que 
todos o» outros cabrets (le^çitimriB) primunciam Piracmuuga. Len- 
do no 9eu eommeotario á minha carta o que S' bre o asButnpto 
Ihft dbee ha annoe o illustre morto dr. Aurkliano dr Soítba m 
Oliveíiía, penso que nào pôde haver maiB duvida lobre o ver- 
dadeiro modo de e^crt^verem aquf^Ila palavra, 

Mat# a mais : no titulo imperial, agraciando o falecido vis- 
eonde de PiracinuDga, devia estar escripta a mesma palavra tal 
eotoo o agraciado «stampou-a do volume de Haci^e, a qun jà 
me referi. Coroprehende-»e que nâo seja obrigatório aos vis- 
eondpB o conhecimento da ortograpbia, todiivia o frtcto á&^tn (da 
FHracinun^a) haver poeeuido o vulumy de Kacih» em sua es- 
tante, fa* crer que nâo era nenhum arrebenta-cahre^tííy^ 

Fe% bem em chamar para o facto a attençào d^ s drs. João 
Mendes, Macedo Soarhí4 e Lafayettb dk Tolsoo, pois couai- 
dero-os compeientea para resolverem a questão ; as^im como o 
já citado general Couto, o talenUflo e estudioso dr. António 
FxsA, director do Archivo do Gklado, e outros. 

Conlesso-lbe que teria verdadeira satisfaçílo em lôr esse 
Dome officiatmente etcrlpto como deve sei -o ; tantd a^sim que 
nfco pOftBO insistir em efcrevel-o como desejo, por nAo eoabecer 
perfeiíameTite (proh pitdfír ! ) os ditilpctr<s brasilicos. 

Saudai^ões do seu afiei coado, admirador e amij^o, — 



Ricardo ãzamòe.* 



m 



Escre?e<-noa o n< aso collahorador, ar, Ricardo Ajumor : 

«Fira. , nungii, *I9 de setembro de IB^^I. — 

Ao Albbkto Faria,— 

1iii<;tando a que&tâo sobr« a e^câctn ^raphia do nome de^ta 
loealidadp, eoní^uitei díven>as pe^soáff eotripetentemonte bibilifca- 
das em ioformar-me, ent-e ellas o illuBtrado dr Pisa, dipuo di- 
rector do Arcbivo do Betado; o dr. Vietia de Moraes, chefe po- 




— 1TB — 

lítico aqui rcsidí*nto ; o estuJioBO inspector literário de>lo d"i- 
tricto (28.'), Br. tenente Francisco Conceição ; o comníiendailor 
Waldfk, um tJistiiicto, jrestirar&o e Gáclarecido octogí^iiíiúo flqut 
IDO^a^or Ua muitos ann^s; e o sr. cApltíio Jo8« FSdistoB, g^raiido 
amndnr do caça e pF^Bca, muito relacionado com ds cab clo&. 

Ánteâ, porem, do pro?egulr, rog^o-lbo a fineza do recom* 
mendar aos distiuctoa moços^ sâus auxiliares, que fazem a. revi- 
B&o da Cidade^ que tentinim um pouco de p^icíencia ';ora esta 
uiasnada toda ; m<iã, não deixem pas<sar erroB typograpliicos como 
os do m^u uUtmo artigo, onde Bubstitulram & data de setembro 
de 1897 para Úatubro de . . 7, 807 (ó ftympatliic^B malvados 1) 

Álii vai boje a resprsta remettida peo i Ilustrado ív. àc. Ax- 
TOSiD DR Toledo Pisa. As ou iras irào depois. 

Chamo muito jiirtícuiarmente a bui attenç^'> p^ira a tal 
historia do Piraçâ, com o c cedilhado o íí circumfluxo. 

No mais, saudações do admirador e amigo. — 

lilCARDD Az AMOR » 

S^p:ue-ee a informação do dr. Pi&a ; 

« ÍC^tado de S. Paulo. — Hepartiçài de EaLatiatica o ArcLivo. 
— S, Paulo, 28 de aetembro de 1897. — Cidadáo Uic^rdo AKamõr, 
— Recebi o aeu cartAo postal e um numero do jornal Cidade cie 
OanipinaSf tratando ambos da g:iaphia d i palavra Piraiifjiinfiungni 
e, Ciímo 30U nominal me ate cliamalo a terreiro, aUi vai o quo sei 
a respf*ito . 

Havia na lingaa indígena um som do u que não tem equi- 
valente ein português; é o it francês na phraao J'ai sn—eii is- 
nha sabido, 

A palavra deve ser oscripta PiraçúHuitga—Pira-çátuwga — 
peixe ronca~-pei^'e faz bulha; o como oa portugueeea nSo co- 
nheciam o som Tí, alguns entendiam i o pronuneiavam Piraci- 
nuíiffaj emquanto outro* entendiam u o prommciaviun PíVíjçií- 
nuiiffa. Ambas as formas são correctas, desie que nfio ba em 
portui^tieE o som u dos indígenas, A substituição do ç (c com 
cedilha) por dois ss è quo é corrupção, introduzida jmlos por- 
tugueses na grapbía da palavra Piraçãnutiga. 

Oatroi exemp]o4: A cobra cascavel era chamaia pelos in- 
dígenas Bay^cinunga ou Buij-qànunga^ que equivale a c^hra quê 
faz bnfkat cobta que f^ItúcaÚia, 

lia no rio JiÊÍé, município do me^mo nome, um poço fundo, 
de agua quasi parada, muitíssimo abandande de um pe^xc cha- 
mado mandit que ronca quando é tirado da agua ji^lo anzoU 
rede ou tarrafa; esse poç^i é ainda hoje chamado manei/' çrniifn^íi 
— írtíritfií rojica^ e os tietéensei escrovem e pronunciam Afaíití/,?*» - 
nunga, qnaudo deveriam escrever Mandíçnmmga ou Manãici^ 
nunga para obedecer ao génio da Hgua pjrLugu^sj, que não tein 
o u indígena. 



— 179 — 

Ha ainda atn outro éiemplo d© eornipçflo e áe cfintriicçlo 
iJa pai A Viu. indígena; ó Ca*sHmtnga Cana ou Cf í 6a quer dizer 
vespa e çHTiungíi equivnie a roíi^a; a palavra, portanto^ deveria 
»er Cattaçtiriun^a^ e fci contrahida pam Caçununga e trnnafor- 
madji eixi CíísjiunHnt/a que quer dix«r ti^jpa gtí« /^oic ruído oti 
ffspa que zumbe 

A sjUaba ee ou çfl nao póde^ portanto, ser deâlíg-adn do 
nungti^ porque é parttí inte^iftnte desta ultima e juutas sij^ni- 
ficaro rançar^ fas^r òtiiha OU ruido, 

O exemplo Píraciaiha nào serve neste ca§o, porque eatA 
palavm está rauíto eorroujpida A primitiva grnpbia doaSa pa- 
lavra deve ter&ido Fira- uceca- caba, contrahiJa para Pira^ucecaÒa 
e corrompida para Pira^cieaba^ sendo Pita — ^peixe, hcccíí— cheira, 
e raft*:— sitio, e siírniticando o logap até onde chet/a o peixe, 

£' até onde checam ca meu» conhecimentos sobrn a rnaterta, 
e o que ftea dito tra^ a responsabilidade do dr Theodnro de 
Bimpaíot que é uma das noB«as autoridade! íobro a g;raphia, 
origem e si^aiíicaçjio doi vocábulos indigeDas. 

Saudações do am.** obr»ó 

AnTOJÇIO BE TOLIDO PjSA , 



IV 



FTem hoje a jjalavra o diatincto e estudioso sr. Lafayette de 
í*'jledo, advo^í^ado no foro de Casa Branca e preaident© da Ca- 
nt&ni Municirnl daquella cidade, 

Uonfúime veríB carão oit leitores pelo que 8 e vai ler, a iu' 
í^nDa^fto prestada pelo sr* Lafayette amda uAo é cnmpleta, visto 
f1I« modestamente úvÁer que vai «estudar» a questUo, quando 
^Jãvia pelo que expõe demonstra claramoute ter iniciado esse 
estada. 

Depois de Pirmsunutigat Firaeinungat Piráçunungaj appa- 
'^ce^QO» agora,,. PirctJfSfjnunf/a f 
1^ Interessante, realmento I 
^H «Meu caro A/^amor, 

" Ã vida nttríbulada que levo» em coutinuag viagens, preoccu- 
pado sempre com assumpto» relativos a e^ta d tira jiroíi^fifto de 
a(íç'og'adoj nílo me ]>ormitte ás vezca cniTOsponder promptamí^ote 
i gentileza dos amigos « Ua de me desculpar, pois, a demora 
da minlia entrada na questão do vocábulo Ptracinuiiiia^ Serei 
am retardatário, mas dAo faltarei. 

Á respeito de Piracinunga pude apenas verificar que assim 
escrevem MillÍPt de ^AíUTAsiOJ.vnB^lDiccionafw geograpkico tio 
Brúsil) e Maktítis {Qim»avia lingiiarum òraiaiNenmum). E esto 
de£ne e yQcahu]o^Specieni prae se Jett intestino)' um pifeis; de 
j«>íf, peixe, ci<;i€j tripa.© nungar^ parece. 





— 180 — 

AisEVÊDQ MArQUES, nos Afionianienim historicoa e gmgra-^ 
phicoSj eflcreve^ — PiRABeoNUNOA e define-o ; — p^ia^ qu€ morde. 
Parece» em parte, que tèm tasiart, poia, no dialéeto dos Caídãb 
encontram -a e o vftrbo qun {marder}, oa Bubstantivos jwVa (peixe) 
e tigiè (trípft) e também o verbo nongar (parecer). 

Vou eí^tiidar a questão, e publicarei log^o o mBu artigo, 

Adeua. 

A braça -o o 

Amo . e ad o^ 
Lapatettb db TOLttDO», 



Amigo LafsyeÈte, 

Vi tua carta, publicada na Cidade de Campinas, Di9<;ordo 
da opiníà" que externaste e, & despeito de não ser chamado^ 
Yenbo metter no meio a minha collier de páu. 

Sou cabunguêiro e haba^ára no aaaumpbo ; iito, porém, n&o 
impede que poBsa anxiliar-te. 

Acho que correctamente df^vemoa escrever o vocábulo, cuja 
etjmolo^ia andaâ estudando, — PiTacyntfnga^ e dãremod entÃo a 
traducçao de pnxt que canta^ sibila ou rontu. 

Ha eutre ú8 peixes doa rioíi paulistas um que^ realmente, 
produz um som estridulo e monótono, como o da cigarra, de 
onde te ori*^inou a sua alcunha vulgar de peixe- cigarra. 

Já encontrei, e devo ter an notado nâo eei ondti!, aeu nomo 
tupico, que no momento nfto me oecorre. 

E' um intereseante vertebrado, das proporções ordinBriaa da 
piaba, menos grosso e g^orduro&o Tem sobre as brancbias uma 
membrana esbranquiçada, apparelbo onde se forma seu canto, 4| 
tem a forma do insecto que imita. 

Vemos repetidas vesiea aa vog:ae8 í e 1/ (e»ta ultima com pro- 
nuncia entre i e «), traneformadaR em u. Sirva de exemplo o 
innumeravel fífta, em^^Firiiuba (juncal), Caragvatatuòa (multi- 
lifto de gtíi^oatás), carapanàtuba (multidão de moaquitos)^ /n- 
dagàiuòa, Ubatuba^ GeTebatuba^ etc. 

Coubecwmoa trea vocabalosi, mui correntea em São Paulot 
em cuja compoeiçáo entra o verbo cffnp (som intermédio entre i 
e «, como vemon em sicuryt que se deve pronunciar quasi «- 
fmriú); verbo que hontem juntos veríficamop ei^ínííicar atroar^ 
cantar, zumbir^ etc. E sào: caçunun^a (vespa zumbideira); Fa- 
çttnunga^ porto da navega çiio Huvial do Mogy-guapl, derivado 
de ihút pau, madeira, cymj^ cantar, roncar, produzir qualqueí 
Bom, e angái suffixo que denota o »gent©, o que f«s& umaacçHo; 
tsa^nnnnga, portanto, é pau que can{^, rumoreja, geme, E* bem 
conhecida a denominaçào da cascaveL no abaneeuf^a: hffivininga^ 
~^mboi, cobra ; cininga, que fai barulho, que chocalha guizo, ou 
que aihila. 



Cotrro DK MaoílhIess» tanto no vernáculo, como no estilo 
bmíiiico^ 'em nma orthograpbia incoherente e caprichosa. Ora, 
ômpre^^a dois ss; ora,;, Piratininga^ dix elle, significa «í&í7o oit 
nwico de peix6. 

No Mogy-Gti^çú observa-ae o pheuomeno da piracema, quer 
i ittbidat quer á rodada dog pe)xei« O uome da pavoaç&o ó 
tirado da cachoeira, que, de remotos annos, é coabecida })or 
cachoeira de ;)}>açti7i>un^a . Todos sabemos de que dUcernimento 
eram dotados os nossos selvieolas , Todos sabemoB que ob peixes 
ufto logram alcani;ar a altura da cachoeira e que, portanto, n& 
ie>^ndÉi piracema (que se me 11 &o eugano, se realiza na primeira 
coujuni^o da lua, no mez de janeiro), caalbam as ag-nas do rio 
nas proximidades» parecendo pedaços de prata polida. Nesta 
hj^>othe!ie: ^tra, peixe; c^n^i cantar, roucar; artgaf sufiiío que 
iignitíca o que encobre, escurece— significará :j3eiíce çtíe ca nterí^ 

Sobreleva notar que, na» épocas de seus amores, na piracema, 
os peixes <icam a modo que abobados, BÓbem â tona d^agua 
«oalhando o rio, e podem ser colbidoa á mào 

Parece-mé que tenho ra^lio em pensar deata maneira; po- 
derás, caso julgues que é babus&etra, atirar com estes rabiscos 
ao cisco. 

Casa Branca, 14—10—97. 

Teu amigo e creado, 

Joeà HOHOKIO DB StLOB. 

VI 
niLáçtJinTifaÁ 



IQuisqué &ua arma íncumÒeret) 

^Accedendo ao hotiroso convite do distincfo poeta Ricardo 

ler, pedindo a minha opinião sobre a exacta graphia do 
Tocahulo Fi^^aMununqai em cujo assaumpto ainda os mestras n&a 
diifterâm a ultima palavra; nào obstante a mitiba recouhcida 
imeompeteticm, na matéria de pbilologia, o fttço, sem esperança 
de que o meu trabalho adiante algnma coisa. 

Antea, porém, eejam-me permíttidas algumas considera^õea 
getftesi que n&o vém fora do termo. 

For oceasiào da descoberta do continente sul- americano, 
TeTÍ6coii-§e ser elli? habitado por bordas, mais ou menos nu- 
me rosaa, nómadas, de usos e costumes diversos, falando dialectos 
di0*erentag> cuja origem perde-se além doa tempos históricos. 

Nfto se |iossuÍQdo até o preaente uma ethnographia exacta 
■dot aborigentís do jBrasilj as investigações que a respeito delles 
te lêm tentado fa^r, fnndam-ie em hypotheses, tanto ou quanto 
|»OBsiveís, em conjecturas mais ou menos aceitáveis. 




— 182 — 

Oa ffííg-mentos do lini^aageíu, vociibtilarío iiiÈTifEcionte que 
lia Eervido áe bn^e á) claâsificaçõee dos primitÍTOfl povcs fimen- 
cauog, sem nenliuma relíiçào liiatorica t:om ôa homens civilida- 
de s, 6Ó podí»iao Ecr aceitod emquanto um estudo mais aprofun- 
dada nko provar peks rai-actérea phyaicoa do iodigena, a raça 
primitiva a tjue pertciiL'©, 

Dos frftg-meiít.is históricos quo doa tempos eoloniaes nos 
rebtam, concilie- se que a America era immcusameiítB povoada 
por nações distiitctas, alguinns bellit^osas, outras barbaras, ou 
antropophaira*,— que se devoravam umas As outras^ que raças 
inteiras desa[)])arGciam couverteudo-se em pequenas trtbua sem- 
pre que perdiam o seu chefe. 

CõuTr» D» MacíalhÃeí, um doa homens que maie se ha de- 
dicado ao estudo da historia do noiso paia, calculou a população 
indígena em um miJhilo de aloínsi dividido em 2B0 1 ri bus, que, 
Tivend') errantes, uunea. Eouberam os limite* doa seus domiuioa, 

Ahorciando ao assumpto, de quo óra nos preoctupa, como 
poderemos determinar, com prfcitao, a qufll dessas tribus deve- 
moa a dt*uominaçao das diversas localidades do Estado de Stio 
PmdOf que ainda conservam nomes indig-enaa? 

D^AamcNY reuuíu o^ indioít bra&ileíros em uma tó raça, de- 
nomiuando-a Bi'aíiílio~Gmíratii^ o que nâ-o pdde ser aceito, 
pelos traço9 iihyiioiío micos das hordas isoladas, que se náo pa- 
recera como membros da me&mn família. 

Na opiniào de WAiTAEUá, a maior parto dos índios que, 
pelo numero e orgatiitíaí;ão guerreira, havm adquirido uma certa 
supremacia sobre os outros, denítmina-se Tupiíiamhá (tubyba-ni- 
moya), ic^uudo Frei Vicenti-: (Apia-b-êté). 

Com elles aprenderam oa colonos paulistas a lingun tupi, 
algo desenvolvida depois das missões dos jc&uitasj que, Ee^undo 
const j, escreveram uma íçrammatica (nós ufio a conheceraoa)| tor- 
nfindo-a, em snmma, a liui^ua usunK 

Como lingua gerfll (especialmente em território paulista^ ô 
cthanhe^ntja teve graúdo mtluencia sobre a brasileira; muitos 
ohjQctos naturaes do paia, como jinimaes, plantas, montanhas, 
rios, etc, foram deaignados por píilavraa tupis. 

Cunvém notar-ae que a opinião citada não modifica a expo- 
sição 9es'^iida, porquanto uma voz autorlsada em nosta historia 
pátria, díz que na época do descobri mento do Brasil a raça tupi 
já se achava fragmentada em tribus, sendo a lingua mais g-eral-. 
mente falada a dos Tapuias. 

Mas, qual o grau de ftliaçUo histórica entre Tupis e Goita- 
cazos diapersoa em território paulista ? 

Aos Goiatacazes liga-^se uma outra trihu, a doe Aimorés, 
também paulista. 

A qual delias devemos as denominações das localidades que 
ainda conservam o seu primitivo nome, quando temos certeza, como 
já ticou dito, que cada trlbu tinha o aeu dialecto differeute? 





— 183 — 

Qaem nos «ffirinarâ que qnftndo os Goitacazes levantaram 
o feu ftldenmcnto^ nesta píirte do Brasil^ as localidades d' 3Tgna- 
dâi i^cr palAvras indíg'eQ«s, não poEsaiam as dano minardes que 
aindà lioje conservam ? 

Dandfi, pfii*rm, a elles (GmtacaKei, Tapuias, Aimorés), como 
um doâ ta.mvê da latr.iiia Tupi, a autoria de muitos termos in- 
digenflâ, usados, estudemos a natureza do vo<^fibulo em qncsUo, 

E' opiuifto aemta que pira, siícnifiiia pí-ixc, mas uo ^rego 
pira-hif peirâo, a mefina radical tem aifí-uíticaçào diversa. 

Ou fprá o indígena urna desfi^ruravâo do grego V 

O ViBCondc DEAunBPAiRB*RoiiAN\ no seu vocabulário de 
termoa brasileiros* pag. 113, da: Pira, moléstia de pélle, conhe- 
cida 110 Norte; Pirá (palavra aguda) nome gonorieo de p^ixe. 

E ta opinião é cínfiimada por José Verissimo, tambom auto- 
ridade na mH teria. 

Do que se conclue que a radical quo deve ser aceita é 
Fira e nílo Pira (grave<). 

Ko dialecto daa tribuá citada», « é uma forma diiniuutiva, 
ex. : cipo, urbusto, frsgil, fino; e çu augmentPti^ro, ex. ; tã- 
qttara-çu^ degenerado em taquanmçii, por facilidade de plio- 
uología. 

A desinência nnnga significa — barulho, baveudo opiniões, 
aliás competCLtes, do que nunt/a ÉÍgnifica cacboeira, rcneo, ba- 
ralho. 

Ora, sendo o local propriamente áemmhmáo — Piraísnnimgaj 
o rio ãlag/f iio ponto onde é caçado o peixe grande, ua embo- 
cadura da cachoeira, jusJamente onde a agua é mais agitada ; 
canclue-sè que a palavra é composta ãf^—Pérá-çu-iíun(/a, isto ó, 
peixei grande, faz barulho. 

Convém taxcr conhecido que o local propriamente chumado 
Pirãf;unmijaf (adopletuoa desde já a sua eJcacUi graphta) é E 
cacboeira citada e ni^o a cidade que, segundo os almanncbf, 
cliama*80 Bom Jesus dos Áfflécíos, 

Nào acho fundamento na duvida que ha sobre o vnlor do xif 
coafuudindO'Se com o u francês e com o i português. 

Nas lini^uas rudimentares (é facto conhecido), predomina 
sempre o som agudo, que se modifica com o seu progresso, cor- 
te^pcndendo ás modalidades phonicaa. 

Etn todas as palavras indígenas (conhecidas), n&o ha uma 
ftú cujas vo£;es utto sejam pura^. 

O próprio português no século XI nos fornece provas a 
respeito, 

A accenttiação das vozea já é uma prova da períeiçilò do 
qao a lii^gungtm tem at tingido* 

Atém disso, u^o ha hypothcsa de, por mutação, o indígena 
proferir lingnaa tào diversaa. 

O n da palavra Píráçununga nio devo levar accento 
algnm, bera como o radical Pirá deve éô comervar iualtcravôl. 




-» 184 — 

CUe^'^adõs a este ].>DntO| continuam o^ e£emi>]o& citados p«lo 
illQètre dr« Tulbi>o Pj^a a s^rfin aceitos como verdadeiros, 
convindo notar-se que em rt^laçào aos verbos fouco a« «abe. 

PiráçunuDga, 2—10 — 97, 

FttAKClSCO O-HCUlÇlO. 

YIL 

Oâ indi^ensB, como é gt^ralmente sabido, tinham por costu- 
me de-ii^ninr a» localidades pelos seus caractflrisucos physicos. 
E eâga denomin^ç^ia só era d efí nitidamente aceita e consagrada 
depois da sfliií-çílo de uma aasembléa nocfurna, coníorme expõe 
o padre Ívks WKvreutl na Viage-n atj norte do Braail nus annot 
de 1613 a 1614. 

Ãsi<im @endo, a denomirtação da cidade de Pírassununga 
deve derivar de al^um accjdente da localidade, E iie^te ponto 
estou de ací?ôrdo com o professor Francisco Conceição, que di» 
ser assim chamada a cachoeira do Mogi-giiaçú, cojo nome pai^ 
»ou á poçoaçào. 

A jj:raphia do vocábulo deve ser, poia, — Piráçunânffa : de 
pirá (fietJt^*) e çunúngaf gerúndio do verbo çunà (rumí*rejando, 
fazendo ruído). Neste ca o, sig-ni ficará ppíxè mmúreJGndo, ou 
maia amplamente— /cij^rtr Qnrie o» pei^^ôit fasem bulha, 

O illHstrado sr. Júst Honório r>E Bjlc^s, que é autoridade 
na matéria, já explicou, em artigo anterior, esse phenomeno, a 
piracema, ijue se observa na& cachoeira» do Mogi^guaçú, tanto 
em Piráçutiúnfja, como em Mogi-vnrim. 

Do rt^ferido verbo çitnú^ ba o participio çunúmháb^ çunúhâh 
ou çunúngàb, si^niíi.^ando togar de rumorejar. Parece, portanto, 
que será mi^hor decomjmr o vocábulo miim : — pÍTá-çunângábt 
traduzido ontAo em logar do peixe rtanorejar^ 

Conforme notei já, Martius, do aeu Ohssaria Hnguurtim 
hrciAíUemium, escreve Pimcitutngaj definindo -|?6íxe que parec« 
tripa i pira (peixe), ergie Ctripa) e nnngar (parece). 

AzfT.vKDo MABQues, noa Apontamento» kUUiTÍco$ « geogra-^ 
phicos d^. Sâo Paulo, di!5 qu© Pirassonunija é peixe que morde, 

A ortographift de Martíub foi adoptada por Millirt dí 
Sai NT AtiOLPiiEj no I>tccíonario geogmpkiro do Brasil; por 
Brak i>a Costa Bubi^, nos Vocábulos indígenas e outroit tnirO'* 
díizidon nn «.■fo vulgar, em que assevera ser nome de rio e vir 
do pjnaiaiíi p^rá^ peixe, tirii^ eecco, «que em diversos dialectos 
ae diz a, ou o entendiam cinnnga.* 

Eeíabeleceudo uma outra ordem de idéâa, veremos que jjírd, 
no tupi, nem sempre se tradusa por peixe: é também o verbo 
abrir 

Remontando âs radicaes da palavra Piracinungaf poderemoi 
dêcompol-a a4«EÍm: — pi-ra-i-çununga^ de pi, centro, fundo; ra 
{com r brando) desigual, alto e baixo: *, agua; e çununga, fa- 



— 186 — 

Mndo rnido. Â significação será — fundo ou centro desegual^ 
chm de altos e baixos, onde a agua cai fazendo ruido. 

Isto dá melhor idéa de cachoeira, um dos accidentes pby- 
BÍeos que os nossos aborígenes t&o bem aproveitavam nas suas 
denominações. 

Emfim, 08 eompetentesi os mestres qne falem. 

Casa Branca, 1897. 

Lapaybttb dk Toledo. 



PizÉ — Logar próximo á povoação de Tambahú.— Máu cheiro, 
fetido, cheiro Dauseabuiido. < O pixé do {^angue humano me 
enjoa», lê-se nnma proclamação, de 9 de maio de 1835, do dr. 
Angelo C. Correia, aos paraenses rebelados (Kaiol, Motiiui prj^ 
Utícos^ p. IV, pag. 181). De pixé^ cheiro dn couro qusimado, o 

Se cheira a cousa queimada (José Vurishimo). — Enfumaçado: 
ta comida está pixé. E' vocábulo commum aos diverson dia- 
MetM da lingoa tupi, e era particularmente coi> sagrado ao cheiro 
^0 peixe assado (Roiian). No sentido de fétido, segundo Seixa», 
^ Qinal no dialecto amazoniense. 

PoHTAii — Sitio agrícola no districto de Tambahú. 

PoNTB Alta — Fazenda, próximo de Cocaes, que a rega em 
pme. 

PoBTÃo Qbimado— Logar, na estrada desta cidade ao bairro 
^ Cercadinho . 

PoTRBiRiNHO DO BoRGES — Logar, na fazenda de Cocaes. 

PoTRBiRO — Pequeno pasto, próximo á habitação e cercado 
por valados (Josâ de Alencar).- Campo cercado com pasto e 
J^da, destinado a animaes cavalares e muares. Em Minas 
^^nes dão lambem a isso o nouie de Piquete (Kohan). — Km 
^ Pinlo cbaira-se potreiro qualquer campo fechado, de grande 
tttensfto» e mangue*ro o de pequena.— José de Alencar escreve 
P^''^'^ero, mais conforme á etymologia castelhana. 

Pouso — Ran«*h«ría, multidão de r»nchos, isolados ou em 
l^pcs, abertos quasi sempre, onde os viajantes pousam (Macedo 
DOâiig). — Logar nas estradas, em que os tropeiros, carreiros e 
^jintes pernoitam. 

Praia — Rua, na proximidade do Espraiado. 

Peata — Fazenda nesta comarca, limitada a cate, sul e sudoeste 
J*«* ribeirões Sant^Anna e Cocaes, e banhadíi pelos coi regos 
^ Wrinha, Prata, Fortaleza, Limoeiro, Palmeiras e Barreirinho 
• 'ibeirôes Tubarana e Calção de C< uro. Tem a su])erficie 
*8^»ia de 2045,52 alqueires de 100 X 50 braças (4í)50,H; hecta- 
^) B, dividida judicialmente em 1894, f « i avaliada em 236:959*650. 
^•tence a d. Maria das Dores Nogueira de Carvalho, Prudente 
*^ Corrêa e outros, e foi desmembrada do municipio de Santa 
j*^ das Palmeiras e annexada ao de Casa Branca em virtude 
^ lei provincial n. 75, de 7 de abríl de 1885.— Ribeir&o, na 




— 18G — 

&B6iulft (fo Een ncsme, tributário do Cocaes.— Caplo e corrc^D 
na fflzendh PAciencia* 

PnETO — Correíín, flfHaeute do Tatnbaliú, e que banlia a fa- 
zenda Ter;a Verinfillia de Cima, nn direcçfto f^-eral de N 14* W 
Da extetiíílo de 1,150 mctrpe, a partir do seu criizattiento até ao 
ponto em qno é dividido em dois braços, sendo o maior o da 
direita, qtio tem a direcção f^eral de N 42** W e vai feer ca- 
b^cpira com o coTreiío do Arcifto, Ao ajuiroximar-ae do eÊ|»ig'ào 
divisor óm a^nas do Bebedauro e íIo Freto, ef^lo abaisa-ãfâ e 
divide-se em dois ramos pnra formar a lagoa dn Camjio-Ked ndo, 
^líibeirfio, aff, do Cr cãee. — Córrego, ua fdz. Várzea- Grande, 
flfl', do rio Verde, 

QuAiiTzo— Vide KaoliJi 

QuATiíO-MiL-nBia — Sitio, próximo ao rio Verdinlio, a uma 
leguíi da cidade, 

Qltebra-C(jia— Ribeirfto afHiiente do rio Pardo*— Vide Campo 
Alegre, ^-Fazenda, entre esto município e o de Sflo S mao. 

Queiroz Telles— Au tiiça deiiomineçiio da rua Coronel Josd 
Jiilio, dada em bomenagem ao dr. António d© Qaeiroa TtUei 
(Conde de Parnnbita). 

QuiNAS^CflpSo Pá fazenda Casa Branca, 

Quinta MicuAiíLííKiíe— Importante cbncnra, prri:^imo á ci- 
dade, junto á estrada Mogiaun, onJo ba cultura do cafeeiro, de 
cereaea e fructas diveríns. E' servida por macbiua de bene- 
íciar café, movida a vapor. Pertenceu a Eugénio Zarco da 
Camará Loureiro e seus irmíio^, que lho deram aquella deno- 
miuaçAo em lembrança da ilba de São Miguel, do onde sâo 
naturaes. 

Kamal Perrro do Río Pardd— â lei provincial n. 87, do 
21 de abril de 1880, coaceJeu privilfirio no dr. Martiniano d& 
Fonseca Koys lí rand Ao, Samuel Severiano de Aguiar e Fernan- 
do Schleicber, ou á companhia que organizaBaero, para a con- 
Btnieçrio, UBO e í^oso de um ramal de estrada de feno, que imr- 
tíndo da Mogiann, na divisa de Casa Branca, fôase ter ás divi- 
sas de Minas Gorae», passando por São José do Hio Pardo, A 
lei n, 24, de 27 de março de 1884, revogou aquella, na parl-« 
relativa nos dou» ultimes concessionários, estabelecendo mais 
que o privilegio m poderia ser traasmíttido á empresa Ramal 
Férreo do Rio Pavdft e que o privíleg^io seria por GO annos. A 
2 de março de 1884 ficou constituida easa emprosa, que come- 
çou n funccionar a 7 de abril do mesmo anno, iniciaudo-ío 
logo os trabalhos If-chnicoa* Em 1886 foi inaugurado o trafego 
até São José do Liio Pardo, e om 1889 até Canoas, O ramal 
pertence, desde 1889, á Companhia Btosííana ; e tem as seguin- 
tea estacões : — Itobi, Engenheiro K^he, Villa Cõstína, Èio Joãc 
do Rio Pardo, Engenheiro Gomide, Commendador Guimarães, 
Mocuca e Canoas, 




I 



— 187 — 

Ra^çcho Novo — Lo^íir, a meia légua, da cidade, no rumo 
X^O.f orie, em 1865, lia via um\ cmíi levantada ha pouco e 
por is'.^ chamada Rancho Noco (Taunatt). 

RiKCHo Velho ^-Fazenda tieste munlcipiOf tm 1833. 

RErunucA— Pratja do Novo Bairro. 

ResacA— Antigo qiiarteirílo policial, boje extincto, — Ríteí- 
ifto, na fazenda Apartador, tributário do Cccaes,— Lfígar pró- 
ximo ao rio Jag^uari. 

Rgsaca IO Lambari— Vide Spsroaria do LoTirt*n<;o Martins. 

Refiro— Correio, na fazenda Paciência. — ^O moimo que [lôsto, 
c&^a situada nos fuodos dw uma fazenda ou estaucia (Kt han). 

Ribeirão de São João— Fazenda aí^ricola. 

BtRinRÃo D» S, JoAo « Uio Doce- Fazenda de café, per- 
teocente a huh José de Sou^a e outros, 

RtR^;RÃo l*RETn^ Povoação, fundada era território que per- 
tencia ão raun. do Casa Branca, om 1656, por Jobó Bt r^''e8 da 
0(tA, Manuel Fernandes do Nascimento, Joio Alves Pereira e 
Bernardo Alvos Pereira. Em 1870 foi elevada a fioguexia e era 
18T1 a villa. 

Hio CLARO^^^Faz.. nos limites do dístricto do Tambahii, com 
ó de Santa Rita do Passaquatro. 

EíO 1>AS Pedras — Antigo (juarteiráo policial, hoje exttncto. 

Hio DocB — Um dos iiiiarteirôes policiaes em que ae divide 
o município. — Fazenda de plantação de café, pertencente a José 
Forlino, nos limstea do municipio com o do Sflo Joa-'^ do Rio 
Fardo. — Fníenda pertencente a José António tíiaiões Dutra e 
oTitros,^Vide Doce. 

Rio Oras de —Nasce na eerra da Jiiruócn, comarca de São 
João del-Rey, marca oa limites aeptentrionaes da província de 
S&õ Paulo com os de Minas Oerae^ e Goiaa. Entra na província 
de SAo Paulo aos 20*25' dei Lit sul, cone a rumo mais geral de 
leste pftra oéate atè a fox do rio Inferno, seu a ttíoeu te meridional; 
daqui cmva-se para o sul e retoma a precedente direeçFio ao 
recolhe? o Bapucahi-niirira; daqui a sua direcçilo approiimíida- 
mente rectilínea é para noroeste ate a cachoeira de Saoío E?- 
tcTam, que desemboca na sua marf^tím esquerda. O Rio Grande 
desagua do Paraná e pereorre na província de Sim Pniilo os 
mnnieipio» das cidades de Franca. Ca^a Bninca e Mo4Í-mirim, 
o das TÍllaa de Batataes, S&o Joíio da Boa Vista, Penha e Serra 
Negra (AzBJTEDO Marquesj.— O Rio Grande nfto percorre o mu- 
nicipio de Casa Branca, como aflirma Azevado Maiíques, ba- 
leado «m Machado db Oliveira. 

Rio Pardo — Este rio nasce em Minas Geraes, e vai lançar- 
«e no rí'i Grande pela margem esquerda, depois de curso tor- 
tuoso, encachoeinido e sempre com velocidade nofavel. Sua di- 
recção é para O,, entre margens pouco altiis, com maia cerrada 
que se estende a perto de meia mlha dellns e em que abunda 
ft caça a mais variada. Naa im mediações da ponte (na estrada 




— 188 - 

geral que víii a Cajurú), um volnine d*agua notável atíra-se do 
en(*ootro a ninfl grairde rncha existente no centro da corrente, 
6 repartp-se ero doia ramos que se precipitara com í o ri a por sobre 
os rochedf>B do fando, formando, apt^sar da pouca altura^ impo- 
nente» saltos. Existe «obre o rio (em 1865) nina ponte em pea> 
bíido estadn, dividida em duis lanço» pelo rochedo de que falamos, 
tendo o primeiro lanço 65 palmos de cnmprimento e 21 de lar* 
gura e o seí^undn 120 palmos de comprimento sebre 30 de 
larg^nra (TALTi{AT).^Affluente da margem direita do Mogi-gaa6sú 
líasce na face oriental da serra chamada do Rio Grande, formado 
por Gonflaentes que regam o mtinicípio de Gaconde. Corre na 
direcção maiB geral de leste para oè^te, até o mnnicipio de S&o 
BimàOf curvaudo-se depois para noroeste até o districto do Ri- 
beirão Freto, onde retoma a sua primiliva direcção (Ã. Marqueis). 
Este rio marca as divisas do município de Casa Branca com os 
de Cfijurú e Mocóca- — Ántígo qnart^irftn policial, ora extjncto. 
Río Veri>h— Estação da íiulia férrea fliogianaj no kilom. 
14 do ramal do Rio Fardo» entre Catia Branca e Engenheiro 
Bõlie (T).— Povtíaçào antigamente denominada Rio Doce, fundada 
em 1889 por .loeé Portinoi Carlos Au^mto da Silva, Miguel 
Clone. Januário Cione 6 outros* Tem cêica de BOO casas, escólai 
primariaB, agencia de correio, uma capela sob a invocação de 
Kossa Scnlii ra das Dores e estaçào da estiada Mogiana. P^oi 
creadfl pÃrocbia era 1898, sendo nomeado vigário, por portaria 
de 28 de mft/ço, o padr» Samuel Man fredi. Em 1894 loí dirigida 
RO Congresso do Estado uma repi'eBeutaçao dos moradores de 
povoado, pedindo a transferencia de lie para o município de Casa 
Branca e sendo desannexado do de Sào José do Hio Fardo, a que 
pertence* Essa representação, que nào foi deferida, é do teor 
seguinte; cIJlmOE. e exmos. srs. presidente e membros da Camâra 
dos Deputados do Estado de Sào Paulo. — Nós abaixo aseignados, 
proprietários, residentes na povoação do Rio Doce, comHrca de 
Bào Joeé do Kio Pardo, vimos representar a v. eics* pedindo a 
passagem desta localidade para a comarca de Ci<sa Branca, com 
a denomiuuçào de Vil la For tino. As rabões que nos levam a 
pedir tal passagem são as seguintes : Esta povoíiçào, já mtúta 
adiantada pelo numero sempre crescente de suas construcções o 
pelo fieu commercio, fica encravada na extrema da comarca de 
Dão Jos^ do Rio Pardo, distando 2*2 kilometros da cidade do 
mesmo nome, sóde da comarca, e apenas 14 kilometros da ci- 
dade do Ca^a Branca. Accresce ainda qtte, pela marcha dos trens 
da Mogiana, qne vão de Caaa Branca a São José do Rio Fardo, 
os habitanies desta povoação podem ir a Casa Branca, onde che-» 
gam, por dois trens, à$ 8 1/2 da manhã e l 1/2 da tarde, voltan- 
do ás 11,45 da manhã e ás 4 1/2 da tarde; ao passo que para 
Sào José do Rio Fardo ha só dois trens de ida^ com impossibi- 



(]) tl« J de DOTembro de IB98 im dluit« pmuoa a te deDctmftiftr Ilobi. 




Uàãde de Tcvltar no meEmo dia: da sorle que toda a fncilidjide de 
eomtnanieaçAo é eotn Gasa Brancai com a qual eaia povoaç&o 
tem toda» as luas rela^õei. Outro motivo não menos jwuderoao, 
que juBtjfíca o nosAo pedido, é o se^^uinte : O cidadão Joaé For- 
tino, prfipiietario da faxf^nHa na qual efitá edificada eata j^ovoa- 
çio, ací^ba de doar á Camará Municipal de Cata Branca oito ai- 
nneírp» de tf^rras, nesla mesma po^oa<^o (1); de fiort^ que ã 
Uamara Municipal d© Caaa Branca jA è propriptaTia aqtií e vai 
diítribnir datai para novas coufitrucçôes. F' dimii», [hjis, & [las- 
sa«reiyi para Casa Branca da fiuenda pru indti.'in>t denominada 
Boa Víflta além do Kin Verde, pertf^nceTite a José Kortino e 
OQtro9, na qnnl fasenda se acha a povoaçào do s^io Drtce referi* 
da. que v- excs-i em attençàíi nos atirviçoi* prPBtaioa a t^^ta loca- 
lidade pelo meiiítmo Jo«é Fortino, be dignem detioniiiiaUa Villa 
Fúrtino^ como é a tioasa vontade eipresaa e espontânea. Espe- 
ramos^ pois, que V exca., como fieis interpretei ãi*. noasou direitos 
e dofi intereflfte« geraeii do Estado, attendetàn no mi 9^0 j tia to 
reclamo. Povoação do Rio Doce, 18 de junho de 1B94* 

José Fortino — Acqfmviva Co»tabiU ^J »ê (JiUio, — Car- 
iei to Ângào, — Cojdmiro Stvieri -^ BnltisUlla Giot^anni ^ A rogo 
de Alessi Joào, VicenU Cione — Á ro^ro de Francisco Vanno, 
ãiigrttl VesciUo — Miguei Ve^cilh^ ^^Mar^on Giusrppfi^ — Ravo^- 
neili Anseio —Jmé Saniino . — Brotco Paolo —Âiiffmio Hava^ 
nelli^ — A ro^o de Lní» CestarAno, A. CúntaÒile - Sachii António, 
^Canàíãjj Ca»iêjfnx, — Jiãirt J^Òra.—A toso de ( ht^mbino Lui- 
gi, r. Cinne,— Piztf) Angelo — Marmn G. Batfiitta. — Marcon 
FitrlTo, — FiíAotini Vírtjiiio — A ro^o de Betaram nêco G. Battis- 
ta, Joxà Marron — ^Â ro^io de António Martin^ Daniel, VícenU 
Vione —FU/rentinti SanítnK — Sariorel OiiJfVanni, — Carla Tíèíí— 
edf — Qu ' £a no di Santíx- -An tnnío Ma nuptíla — Juào Mg n otl 
FímA . — A nnibal de Cfuttro .—Atfo fixo d^Ahmandro -^ Mffgogjio 
Bkmammi. — Sancini Serftfino — Hraz Silvestre^ — Pedro Fortino^ 
•^Salvador Fortino — Rodolfo Oadda. — António í^ncfdt, — Pe- 
êro Pmtftdi — A rogo d** António Patit^arello, Â. Co»tahiie,—-P€~ 
ÚTO CaMiejon, — A rogo de Catharina Santa Lncia, V. Oione^ 
— Joõo HúptiJtta Bergarnojico ,—Iffnacio Pereira Dutra, — Pedro 
Caistiího, - Gadúi Gi*'Vanni. —Rancan Raffnde . ^ Gíitsepjte Za~ 
iidia — Zaneiia António,— António Sif verto da Srlva ifujíd,— 
António Letierio Pagano , ^ FrannA&i F<dconi tt lrrnão$ , 

Em 189S, nova representaçi > foi dirigida ao Confrre»BO, 
■dlieítando a creaçào do di^tricto de pax, noa termo» fieg^uin-' 
tu (2r. 

€ DÍg'noti depurados do Congreaso do Estado de 9. Paulo, 
— As povoaçôí^s qoe caminham para o pro^freaso, devido ao e«^ 
forço dos seus habitantei e á bva orientaçào de ti>doE os conci- 



11 1 ftitu terr«f tcmm deimproj^ríftdM pelA CAairm d» Ato Joié de Bio P^do. 
1?) O Ponir, %. í*, át ti da oit^io 4« itsité. 




^ â 




— 130 — 

dadfto&, compre mereecrflm str attcndidrts n;i3 sii^s represfníuçScs 
perante oa rodcros Superiores, íis qiiaea se ba^eam oai necessi- 
dados de moTiiento, ou em prevenções para ca^ios futuros* 

Nof, illusitjes d(í(mlíiíÍO:«, rí-aiáeotes nesta prospei-íi o já 
prande poToaçAo do líío Ver da, comarca áo S, Ji^êé do liio 
Pardo, constituinjo-nos cm commi^âao para vos vir pedir que 
voa dr^aeifi autorisifir para a «osaa teim a citíujILo de um dis- 
tricto de paz, tnuto maia que esta povoação acaba de ser ele- 
vada a frep^uezia, o que aob emodo provm de&envolvidameuto a 
vida qiio prcinetto Bcr eE-tabil. 

à concGSf^áo que voe pedimos, e que e^ptrnmoa obter, será 
por demais útil, quanto se torna precisa o indispftaaavel^ atten- 
dcndo ús iuimFroeÍ6SÍmna vantflfrt^ns que hfio do advir para o 
povo do Rio Verde o para o que habita iia=í circutnvis&inbançíiS, 
que onjontrará cm sua localidade aqiúllo do que carece em 
matéria de púbica ndministra<^ão e justiça* 

A creaç&o de um districto de paz ú uma medida necesearia, 
que nos diãpen^a de camioLar três grau dos Ier;ua3 em procura 
de Eolucões quo podemos achar em ca»a, o ú um melhoramento 
que muito carece eãta povoação para o seu bom desenvolvi- 
monto. 

E por iâso, confiadog no alto juÍ7,o e bondoso crilerio do3 
dignos representantes do nosso Estadc), que hHo de ver netta 
ling^elft petição a defesa de uma causa josta, 

E^peranioâ dos i Ilustres cidadikes deputados ser ai tendidos 
110 noã^o i:iedído. 

Rio Verde, 20 de maio de IS98.— A commispao, Conselbõiro 
J o^é D liar ie Rod rifiuen .-^-Gvs ia vo M ibei ro dê A v / í d , d ele ^ado 
do dirpctorio politico. — Januário Clone, aj^ifeute municipal* — 
L&ipofdo doa San tos ^ subdelegado de polícia, — Padre Sanuide 
Manfredif vigário tia paroebía do Kio Verde* — Caetano Oroíie, 
agente do correio. — Salunúnú de Aguiar Mnsai negociante — - 
João Sartord, negociante. — IVceíííe Cíoíie, guarda- livros ^Lum 
A ti g mio Machado. — Dâmaso Jiiheiro Nogueira.— -José C/oíie, 
profeH?or.^j'lHÍíjn;o Cardoso^ redactor d'0 Ihrrir*. 

A lei estadual n, 5GB, de 27 de a^oato de 18t*3, elevou o 
povoado do Rio Verde à categoria de distrícto de paz, cem a 
denomiaaçao de Ttohl e as mesmas divíaaa do di&tricto policial, e 
o desmembrou do raunicipio de tS\ José do Rio Pardo^ anne- 
xando-o ao de Caita Branca [JJ. Es^as divisas, sogrundo o acto 
do secretario da Justiça de 23 de dezembro de 19114, fão ai 
seguintes: «Começando na barra do rio Doce cem o lío Vtrã€^ 



{\) Eli o tc-úr do8«A ]«f : 

«ArtJp:! 1 " Fica flhvftdo á categr.H*-v d@ <li5trkto de país. O dlstrktó p&UcIjiI do 
Rio Vctdt, *itíj no laiiiilL-Ipla At S, Jot-' (to ítm J'íirdó, coDfervandu-fe M acluAea dl- 
vltjii, o qaat p'\**h A dcnonitnar-Fa liabi. 

Artigo 2_« O tcrHioiiú da ro%a dlttrlcta fien deacnânibrHda^ de ò\ Jtftt da Rio 
riaráú e nuncx&da aa ruqofcipfO' de CAta Beanr^. 

ArtlKO i.« R«?o^an] ee if di»pã«{çOe4 «m Contrario*. 




^ 191 — 

so^iadó pelo rio Dfjce íitiroa até sn.i cabeceira, comprehcuden- 
do IS terras de Joiíqultii Covn<^Ho. Brccliado, dalii, procuríindo 
a naíceote íÍo correfí'» Cent^'hiho^ que abaixo se denominii Ma~ 
t^tu, mi terras do doutor Co<-ia Machado, seguindo |e}o ribeiíaa 
én Maccpo abaixo, até o rio Verde o por esl& acima Até a barra 
cotn I? rin i>c!cc, oi»de tivcr*m comoço e lôra fim aa divisas» . — 
Vide iíoííi.^Os primeiros ju Kfs de paz do districfcn, elcitoB a 
30 de outubro de 1898, furam o major Datuaza Ribeiro No- 
pieíra, Egydio Brochado do Andrade e B&turnino de Aguiar 
Musa, 

Gomo am lubsidlo para a historia desta localldadef transcre- 
veremos os E eg ir nl CS artigos publicados no Oeste de São Paulo: 

No dta 13 do corrente celebrou-so uma festa na Copt-ll» 
do Rio lerfií, sendo que. no moio do eiitbii^iasTiio da mesma, 
arwforftwi um letreiro no largo da referida Capella denomi- 
uando-a Vília do Rio Doce, Ora è sabido quo o ehfto todo da 
Capeila e círcamvizinli' s sâo de minha exclusiva propriedade, 
e tódoí sabem que o proprietário [ódo dar nome á sua pro- 
l^ridade^ Protesto |)0Íe contra tal usurpação de meus direitos 
e dcclurn que a referida povoaçAn se chama Vill<i For tino ^ 

Casa Brafiea^ IC de maio de 1893.^ — José Foriino, 

Ci}[iclln do lUo Verde 

O abaixo nssignado, proprietário das terras onde e&tá a 
Ctpella do Eio Verde^ vem declare r aos interessados que tomaram 
ali dniaa para constracçfto, o seguinte; 

Tmtaiido ae do bett^ de raiz, a alienação destes não pôde 
^ír ieitA sem outorga da mulher do vendedor. 

Neâta sentido o abaixo a^^i|^tiado e^^tá prompto a dar eãcrip- 
tttfaj com stia mullier, dai referida* dntas áqtiellea que já edi- 
^^raiQ ca^as on que eoine^aram a edificar, ficando sem eâeito 
* concesifto de datas úquellí^B que dentro de um raea, a contar 
d* data deste^ níio derem começo á re^pet^tiva edificação , Para 
*^ camprir o que aqui fica avisado, podem oa intercEsados 
procurar o abaixo assignado a qualquer hora. 

Casa Branca, 14 de maio do i80S,--José Fortino, 

Ao imblico 

Oi moradores da villft do fiio Verde, que nâo querem ber 
colonos do sr» José Fortino, vendo no Oenie de Sõu Paulo de 
17 do corrente, um protesto daquelio senhor, vêm coutrapro* 
testat-o agora: fnzemos scíente ao publico que o dito senhor 
ulo tem poderio nlgam neãte logar, ao contrario tem procurado 




— 192 - 

« seu atrazo, pob que tem querido chamar a si a %u^ proprie- 
dade, sí^ra que para tanto teu ha direita, porqu-^ na«j poasue 
tiinht algnm, Em primeiro lagar a capella foi construída pelo 
sr. major ('arlr^fl Au^ato, que fez todas as despesa», ou quaai 
todan. Mas meHmo que o sr Jnfié Portíno tenha e^criptura de 
parto deBsen terrenoa que ái^ eereui sf^u«, ntlo é lavAo bastante 
para íntitular-ae proprietário desse lograr que fa^ parte de fazfiida 
pro indiviso. Ha cerca d© 4 anno!^ que aqu<*lle senhor está des- 
frnctaudo o» rendimentos det-tf* lofrar, vendendo datas, tirando 
madeiras*, incorrendo mesmo em um crime porque annuncia 
yendaj; de datn^, para o que páí^sa tjilõest sem possuir uenhamaB 
terras neste logar, 

E para o sr. Fortiun ver qTie nio estamos encanados, em^ 
prazamoB o mesmo ienbor a apreseutar escriptura de compra 
anterior ás veadas que tem feiro das datas Avisamol-o maia 
que nfto acceitamoa a escriptnra quo oht«ve ha poucos dias, 
por nfto ser legal, vist" o vendedor nfto ter aiísignado na escri- 
ptnra , nem dado proturaçfto, bavendn sómeDtf^ procuraçfto da 
mulher do vendedor e duvidamos que o sr. Hyppolito realize 
esta venda porque todos n6& saberaas que quando se contracta 
um negocio que depende de e&criptura pablíra, a venda não é 
valida Fe a esmptura nfto é b5a, al€m de a propriedade do ar. 
Hyppolito estar hoje com um f^rande valor, porque somente & 
olaria dá mais de SCX^^CXX) por anno Hvrea^ e ainda mars agora, 
que vamos ter estaçfto de estrada de ferro. 

ApproveitamoR a occa^iJLo para declararmos ao publico, qne 
no dia 30 de abril a ara. d. F M^ria Sciacca com seus Bibes 
e g^enros, herdeiros de José Antoni"> do Almeida Carreiro, pas- 
saram encriptura de d^ui alqueires de terra» annexna á capella 
em ratificação do Patrimnnio que aquelle fallecido tinha dado 
e atém dt^so tem «e mais escripiuras e dadivas feitas, por outros 
socins da faa^^ndfl, que brevemente darUo a escriptur&. Por isso 
quf^m quizier vir tninar datas nf ste h^g^ar veubu entender-se com 
O procurador da Isrreja, que br*»vementB será nomeado, visto o 
Br. Portino nào ter Tnf*is dominio neí^te legar, que nunca deveria 
ter tido. por nao conhecermos no mesmo competência al^umat 
porque o seu intuito era tirar grandes resultados, illudindo os 
moradores e os demíii* sócios da fwzenda, afim de faaer posse 
allí ; Profeitamos, portanto, contra qualquer acto daquelle senhor. 

Declaramos mais que havendo no dia 13 deste um festejo 
«m louvor a São Benedicto, o sn PortiuOj uns dias antes 
da« festa, viajoa constantemente procurando dissuadir o povo de 
comparecer á fett*», dizendo que ia em bar par a feata^ que si nào 
pudesse, fana revoluçfto ; querendo, por ignorância, que es>a locali- 
dade fosie chamada Villa hhrtiim e uào Villa dn Rio Verde 
e com tal arrog'aneia que cber^ou a d\7,*'v que os que moravam 
aqui eram imjub colonos, ao que respondemoa que tivemos edu- 
carão e «omos independentes de sermos colonos ou cavoucadores 




~ 193 — 



if tfiTSft, nlo duTÍd&Ddo nós, que a ar. Fortino fotee colf^tio % 

cayí-aeador de terra. Villa do Rio Verde, 19 de maio de 1893* 
^Mtmoel Seinlhãíj, — José Carlos de OHveira. — Igjwcio R, 
DamawQ . — Jan u ar to Cio nè, — Ma riím C. J/o rcíVa . — Joná Sa ?i tino* 
^Jfjèo Fortunata da Palma — Firmino Ah es doã òmitoji.^João 
J()»é A nt uniu — C^ar Bra^lio Barrog,*— AntoiuQ Fa>cali. — ■ 
Santint Serafino — EfívaneíH António.— TTifmoB Alongo — Bat- 
(l",íe^a Giavanni. — Rauelio Giaeomo —Caricio Angelo. — AnÍQ~ 
m Rixsi — Ftorentino S^ntini,— Mmiotl Souto — Infiocencio 
Jooqtiim Gtmi€**^^ António Daniel Martins, — Z. Nogueira —Ft* 
im João Noffueira Cobra' — Adro Firmiuiano da Silvo, — Norberto 
Pini de Miranda, 

Rocha — LftgôA de peqat^naE diiDensões neatts districto. 

RrmBio^Capào, na faz-uda Cocaea — Log-ar uo campo dâ 
VIDA e^tatieia, onde fazem reunir o ^nán em diati deterinir»ados, 
de ordinariD uma vez por semana (Ct kuja). Etn Ebpanba dão a 
iiKQif de rodeio ao logar,t nas feiras v\ me i ca dos, onde se põe o 
gada crrcisao reunido para venda (Valdez). Nos campoa de Cima- 
da-Hirra, serve ainda maia o rodeio para dar sal aos gadoft 

(CKãtMBllAh 

Rosário— Fazenda a«rricola, de Joaé Alves da Silva Muia, 
Foi dfmiembrada da de Sâo Theodjro, que pertence a este mu- 
iiei|}in por força de ama lei provmcial, desligando- a dft fro- 
fin*stiii de B&o José do Rio Pardo,— Córrego, na faz. Várzea 
GrMide — Pra^a ne-ta cidade. 

Salgado— Correg-o, alliueTite do Taoihahú. Tem sua na»- 
centê PA serra do Janim e banha a fa?^nda Palraeiraa da Terra 
"VenjílJia. 

Saltador— Cor» ego ni^ste mnn,, na faz. Olboe d'Ág^ua. 

Sast'ásha— RibeirAo, «ffluei^t© do Juguari. E' contideravôl 
l»la aeu volume de agua, mab imprestável como motor, por ser 
owticaril, em grande parte, em terrenha baixos, sem declívi- 
""de *en«ivel e margeado de largos [pântanos em nível que lhe 
^" sujHeriores* Na estrada para Santa Crua das Palmeiras tem 
^te nÍM^iràc uma cacbfieíra, que é uma da* curiosidades natu- 
tm deste municipio, £' também coiir.ecido por Bani^Ãnnu da 
Swni, por ter aua nascente na serra do Campo alegre, 

Sant*Anna da Serka— Fazenda agrícola.- — Quarteirão poli- 
^^\ do districto de Casa Branca. — Vide Sant^Anna, 

Sant'Aníía da Vargem Grandb— Vide Bi a Vista da Var- 
IÇfla Grande. 

8akta Barbara- Lo gfl Tf próximo á fazenda dos Ilbéoif 
ApOBiado em 1813, mais ou menos, por Miguel Paes Domingues. 
^Córrego, ^ffl^ente do Banreirinbo. 

Santa Caiu -ida — Fazenda, no districto de Itobí. 

Sakta C a ROLmA=: Fazenda agrícola, no diatriclo de Tambabu, 

Santa CHUiSTiNA^Fazenda agrícola, pertencente a d. An-- 
t(»nia dos Pastos Silos e aenia tilbos, no bairro do Laranjal. ^ 





— 194 — 

Saxta Cr.\iiA— Fazenda agrícola, sUuaáa neste município^ 

Santa Cruz— Bairro aiiburbíiíig,— FasotidA agrícola, do ca- 
pitão Joaé Caetauo de Lima» — Logar, prostmo ao Taqiiarâfiãú, 
onde ae ergueu uma capela &ob a invocação de sSanta Cruz. — 
Córrego, na faz. Várzea Grande. 

Santa Cruz das PALMEfRAS— Villa © mnaicipío na comarca 
do mesmo nomo. Á povoa^flo foi creada freguesia por lei n. 146, 
de 10 agosto de 1881; vilta pela lei n, 48, de 20 dô toarço do 
188 D, pertencente á comarca de Ca§a Branca, de cujo território 
foi de&anuexada, com rs divifias estabelecidas por acto de 29 de 
novembro de 1B83, para sor incorporada ao da comarca de Pi- 
raçuuunga, pela lei ii. 91, de 12 de setembro de 1893* Foi 
fundada em 1874 por Mauuel Valério do SacramentOi seus ir- 
mãos e outros, que colocaram uma tru5£ de madeira no logar 
em que ac^tualmente eo acba o povoado, e levantaram em 1S76 
uma modesta capela. Ã comarca foi creada em virtude da lei 
n. 306, de 26 de julho de 1894. A povoa^ifto era também co- 
nhecida pr*T Santa Cruz dos Valerios. — O seguiote documento 
foi extrabido do archivo da Caman Municipal daquella cidade: 

Auto i>e instalação da Kovy villa de Sakta Cruz das 

PALMOmâS E DE JUIIAMEJÍTO DOS VEUEADCRES DA CaMARA MU- 
NICIPAL DA MESMA VILLA, f^OMO AB IXD SI? DECLARA. 

Anuo do nascimento drt Nosso Senhor Jesus Chrísto de 1886, 
aos três dias do mêi de laaío do dito anno, nesta vilía de Santa 
Cruz da» Palmeiras, da província de São Paulo, em casa da re- 
sidência do cidadão Francisco de Araújo G ou veiai onde veia o 
sr. dr. Ricardo Soares Baptista^ presidente da Camará Municipal 
da cidade dts Casa Brauca, de cujo município fazia parte o territó- 
rio da nova villa, commigo Francisca das Chagas Alvarenga, 
secretario da mesma Camarn, para o fím de instalar esta nova 
villa de Santa Cruz das Palmoiras e dnr juramento aoa verea- 
dores eleitos e convocados para esse fím, a qual villa foí creada 
pelo decreto do teor seguinte: N. 48, O dr. José Luis de Al- 
meida Couto, commendador da ordem do Gregório Magno e 
presidente da província de Silo Paulo. Faço Eaber a todos os 
seus habitautes que a Assembleia Legislativa Provinci il decre-» 
tou e eu s:«nccio[io a lei seguinte: Ait. L" Fica elevada á ca-^ 
tegoria de villa a freguczia de Santa Cruz das Palmeiras, do 
termo de Casa Branca. Art. 2* Revogam-EO as dÍsposíç5eg em 
contrario. Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o 
conUecimento e execução da referida pertenccri que a cumpram 
o a façam cumprir tAo inteiramente como nella se contém. O 
secretario da província a faça imprimir, publicar e correr. DadA 
no palácio do governo da proviucia de Sâo Paulo, aos 20 diai 
do mes de março de 1885, — Dr, José Luis í?e Almeida Couta, 
— Carta de lei pela qual V, Esc. manda executar o decreto da 
Âssersbléia Provincial, que bouvo por bem sanccionar, elevando 
á categoria de villa a freguesia de Santa Cruz daã Palmeiras, 





— 195 — 

"^ía termo ^e Casa-Branca, como acima se áeclasn. — Para V. 
Exc. ví*r. Áíitonio Pedro d© Olivciríi a frsí. — Puhlíi-ada na &e- 
er^taria do ír*^vonio da província, aoâ 20 dÍMQ do mejs de março 
de 1885. — D.miel Auífmtio Mic/iíifí^/.— Sendo as aiias divisas 
coostanteii do acto do teôr Begniutd :^2.* bpcçuo. — ^O prPEÍdente 
da proviDcia de Sào Patifo, sob |iroposta da Camará Miinicip&l 
do Casa-Brancãi em oííieío de 18 de julbo ultimo r á víata 
áa informação dn mesma Cnmara, de 23 de agnsto e 22 do cor- 
rente, o da de PiraÂSunuuga^ de 1/ dcate me^mo mez, declara 
3UG a« divisae da nora fregíiezia de Santa Ctm. dan Palmdms^ 
o L* dc8 referidoft mumeipíoa, creflda peía lei o. 146, de 1.* 
de agrf^íio do 1881, são aa seguintes; Friucijiiam na estrada que 
vem da fre^uezta de Santa do Patim Quatro [>ara Cam- Branca ^ 
em frente á ca&a de JoAo Pinto e no alto da íerra; e do alto 
deÃta ãté o espigão que servo de divisá entre a fazenda de An- 
toQio Carlos do Aínaral Lapa e a do JHo- Claro, e por este ts- 
pigilo abaixo até o pontilliuo da estrada do ferro em terras do 
mesmo Lapa, © dabi em rumo ao observatório do dr. Maitínbo 
Prado, no alto do Agudo^ e pela serra mais alta ato o alto do 
cafezal da faxeuda de António JosÓ Correia, em tVente á cabe- 
ceira do córrego do Pohlt o por c-àte abaixo até o córrego da 
Tuòarana; por ette abaixo a^é o córrego de Santo Anti^iiiO', 
por esto abaixo até o ribeirão de Cocaes; ainda por esttí abaixo 
tàié o córrego dos úrihea'^ « por cato acima até Buas cabeceiras, 
e dabi em rumo ao Jat^nari^ o por c^te abaixo até as divieaa 
de PiríisBHnuitga, e por e-tas divisa* até ondo tiveram principio 
aa que ora tíio enabelecidai. Palácio do governo da província 
do São Faulo, 29 de novembro de 1683.— iíamí? de Guaja^ 
ra, — Conforme, O secretario interino, Benedicto A, Coelho 
Neth. Decreto e acto que ião entregues por copia para fazer 
pãrt© do archivo da camará municipal desta villa. E acbando-ae 
ali rennidoB os vereadores eleitos António Crispim do AbroUj 
Manuel Rodrigues Oiegario, ilodcato Alvea de Carvalbo, Fran- 
cisco de Aranjo Gouveia, Joté Bír.udo de Almeidrt, Francisco de 
Arantes Moura, e João Theodoro de Sousa Pinto, depuisda leitura 
do referido decreto e acto, feita por mim secretario, o sr. pre- 
sidente Ibes defiriu o juramento do art. 17 da Iní de 1/ de 
outubro do 1828, aos Santos EvangelboF, em um livro destes, 
em que cada um póz sua mho direita, dizendo: Juro aoi Saatos 
Evangelhos deaemponbar as funcçòe« de vereador da camará 
desta villa de SatiUt Crus das Palmcirafii de promover quanto 
cm mim conber oa meios de sustentar a felicidade publica. E 
r&cebido por elles o juramento, assim prometteram cumprir. Em 
leguida o mesmo ar. pre&idente declarou em alta voz que estava 
iastalada a nova villa de Santa Cruz das Palmeirt^s e dava 
posse aos vereadores eleitos e jurameotadoa, os quaea immedia- 
tamente paliaram a occupar os respectivos logarea, convidando 
o ar. presidente o vereador António Crispim de Abreu, que lUe 




— 196 — 

pareceu ma 10 Telho, para cc capar in te riu amento a cadeira da 
preflídenciA, ficando por este modo inetalada a nova villti de 
£anta Crut das Polmeiras e 08 vereadores de posse de aeua carg-os. 
E para eoBstar, mandou o Br. preaidente lavrar o presente auto, 
que vai aeâí^nado por elle q pelos juramentados. Eu, Francisco 
das Chagas Alvarenga, secretario da Camará, o escrevi. — Dr. 
Micardo Soares Baptuta, — António Crupim de Âhrtu, — João 
Theodoro de i^usa Pinto — Makuel Rodrigues Ohgario.^^BTan-^ 
€Ísco Arantes dê Moura,— Modesto Alveit de Cai valho, — Fran- 
cisco dê Araújo €huvtia, — Joné Buudo de Almeida, 



Dos autos de inventario de Ãntonío Valério do Sacramento 

passamos a trasladar os seguiutes documentos: 

Ulmo. sr, juiz d^orphams. — Dia António d^Aranha Albu- 
qnerquei residente no Bairro de Sajita Cruz^ deste Município, 
que no inventario a que V- S. procedeu no espolio dts António 
Valério do Sacramento e sua mulher, e em que é inventariante 
Manoel Valério do Sacramento, foi descripla como per ten cento 
ao acervo uma capeJUnha alli exiatetite dtmomineda de Santa 
CrttZt quando é certo que tal capella é uma obra formada a 
custa de esmolas e do trabalho do povo daquelles lugari^a, como 
evidentemf^nte mostra o attestado jurado do Reverendif^imo Vi- 
gário de Casa Branca ^ e mais provfto os documentos annaxoB 
que todos concorrem a justificar a a diversas doa çõea do património 
em que s^tà hoje edificada aquella capella Em vista, pois, da 
Ord. liv. I, tit. 88 § 4«^, que só manda contemplar as cousaa 
alheias achadas em poder do defi^nto, a titulo de empréstimo, 
penhor 13. deposito^ pi^ra evitar descaminho; e como a respectiva 
capella nào esteve em penhor, empréstimo e deposito^ era poder 
dos ÍD venta ri adcSj o ^upplicante, interea^adú como ura dos doa- 
dores á capella, requer a V. S, que incontinenti, á vista da 
prova exhibida, mande e^eluir a capella e o terreno de seu 
património do inventario, cumprindo assim o que preceiliia a Ord, 
eitada, § 4.% e o que eiisin&o tcdos os praxistas, como o con- 
lélfaeiro RajialhOj Liídiiuições orfaryjlogica»^ § 103, pag, 241, 
O supplicante, confiado na justiíja e na lei, pede deferimento 
ua forma requerida* E, R. M. Casa Branca, 5 de março do 
1878, — 'Ânianio Aranha ã^ jflí&iiçiicrç«<.— Despacho :-^Em vista 
dos documentos apresentados pelo supplicante, mando que ao 
exclua do inventario a capella, ricando ás partes salvo o direito 
da, em juíko competente, proporem suas at^ções, intimando-se aa 
inventariante o despacho. Casa Branca, 5 de março de 1878, 
*— Guilhermino, 




— Wí ^ 



Documento 



Ãttasto ín fiãt parmhi que se acha ediâctida uma capella 
no Imolar denominado Santa Cruz, neste Muoicipio, que em parte 
foi a esmola» do povo e dirigida pelo ar. Manoel Valério do 
Sacrft.mento e ha mab de dou^ annos qtie se considera como 
edifício publico, © por s^er verdade e me ser este pedido, passo 
e firmo á fé de meu carg^n. Casa Branca, 5 de março de 1873. 
—O vigário, JoáQUiM Thbodoro dh ãraujo TàVARHs» 

O patrimODÍo da egreja doropoe-âe de 54, h 4,33 de terra», 
demarcada» na fazenda dae Palmeirasj em divisão judicial a que 
ae pn>cedeii em 1879, no jui^io de Caaã Branca, «m virtude de 
doaçõea feitaa por diversos, confurme ao qimdro abaixo: 



DOAtXiKEÔ 


Data da doaçfto 








o « a 


M ABI DO 


MCLHEa 




^ ^ 


JmI dof 8*nt3« Cairei». . 


Maria Br»ndíq« de Qodoj* . 


20 BCht«mbra 18T1 




J«lo a»ptitt» <IB Barros Leila 


Baleoa da BocHa BarroA. . 


6 núTem^ro * 




Jota ia Carralho Barroi. , 


Prancúta Pair»! de Bamw, 


* » > 




BA7inn4i> 4« Anojo Macedo, 


»ari» jQlIa de Preitai , . 


£] # > 


e.3i 


lutou Jo Araaka AlboqoArqae'. 


Maria Brandi na ^^t%n%, . 


se feTorelfo l&7í 




V^ABcÉwo én Armojo tioaraia. 
Atraltami Beato de Arai^o . 


Uiría Joié i« Aranjo. . . 


IT março 1878 
» » » 




MiflBal da Coita Cixaeln^ 




a,6o 


Iflado GoisM de MoraaA , 
iiííit Carloa do Arantes. « 


'a^p» Qotterta de Anârade. 
ilarLa Lactaaa de Ar^ntet . 


jHá CarlM da Araates , 


&el«fiaFranci&cade Arantes 


ÍO * * 




hud«o J<Mé da Botua Pinto , 


Maria Brandi oa Bei erra. , 

l^anciflca Maria do BiplHto 
8aiiU> ....... 


S4 » > 

28 . . 


1,50 




uj* 



Santa Celts do Át&rr^do^ — Pequena capela, a doi^ kilo- 
tnetros da cidade, á margem da estrada que vai a Varj^em Grande. 
Foi constmida em 1893 a esforços de José Aleixo Caetano de 
Carvalho, Sauto Meneselli e outros. 

Saítta Cruk dos Valerios— Vide Sauta Cruz das Palmeiras. 

Santa Emília —Fasçeu da agrficola- 

Sasta EuoBMtA — Fassenda agrícola, pertencente ao município 
de Santa CrUí das Palmeiras e que, pela lei n, 51, de íiO de 
abril de 1SB2, foi desligada do de Casa Branca e annexada ao 
de PirassunuDga. 





— 198 — 

Santa Iria — Chácara suburbana, também eonlipcida pela 
denoraina^jílo d© Capitfto Vicpnte, porque porlcuceu ao ent&o 
capitão Viceule Ferreira de Silos Pcieira — Paaenda agrieola, que 
}*aasou para este muDicipio em virtude da lei provincial n. 89, 
de 13 de abril dí? 1870, seudo deíligada do de Pirasiunnnga, Com 
a creaçiio da villa de SSauta Cruz das Palmeiras, essa proprie- 
dado ficou incorporada ao áeu território. 

Sakta Isabel— Fazenda agrícola. 

Sakta Mauia— Fazenda a-^ricola, pertemconfe ao raunicipio 
de Santa Cruz dsia Palmí^iras, haj^. A íei n. 8í> de 18 do »bril 
do 1870, dcFanmxou-a do miinicipio de Pirass-inunga e pasàou a 
para e&tc. 

Santa Mariana— Fíusenda agrícola, 

Santa Paulina — Fazenda aíjncDla- 

Santa Rita no Passa QiíAtuo— PovoaçSo fundada em 1860 
por Francisco Modesto Ouilherjnino, Gabnel Porfírio Vilela, 
Ignacio Ribeiro do Valle, Carlos Ribeiro da Fcmsoca e Francisco 
Deocletíiano Ribeiro, quo erigiram no logamma capi^lla sob a 
invócaç&o do Santa llita de Cns«ia* Foi crcada freguc^áa ena 
1B60 a villa eta 1885. Pe*teHctrra ao município de Casa Brauea, 

Santa Si lveiu a— Faseada ng^ricola, pertencente a Joaquim 
Dutra do Nascimento. 

Santisslmo Coração de Jesus— Capela de forma octogonfl, 
coiistiuida no antigo cemitério, próximo ao Paço Municipal, por 
FrAncisco José de Queiroz, capitfto José Venâncio VítlasbôaSi 
capitito Prudente José Correia e tenente-coronel Jeronymo José 
dft Cdi valho, era l8õL Teve primeiramente a invocação do Sâo 
Miguel. 

San*to António — Bairro e rna deslã cidade. — Fazenda em 
Córrego Fundo,— Córrego, iiffliiente do Ttibarana, e que estabe- 
Ince divisas entre es municípios de Casa Brsnea e Santa Cruz 
das Píilmeiraa, 

São BiSEíffuicTo— Antiga denominação da lua do Bosque. 

São Besto —Rua, que lí.ira o largo da Cadeia Velha á rua 
da Praia. 

São DoMisoí-fí— Córrego, afí. do Pederneiraa. 

São JoÂo—Corregn ne»to municiftio.— Bairro urbano, em que 
ha duaa eaeolas publicas primariíis. — Ribeir&o, que banha a fa- 
zenda de seu nome. — Travessíij Usando a cidade ao bairro deste 
nome. 

São José— Rua desta cidade.— Fazenda agrícola, outr'ora 
pertencente a Santos lí: Meira. 

SÂo José da Bebra - Fazenda agrícola, neste municipic, 
perteucetttfí a Joaé Vilela de Andrade e outros. Está locada a 
35"* noroeste da cidade de Cnsa Branca, na distancia approxímada 
de 2-1: kilometro?, e a 58" nordeste da estflçlio de Tambabú, ua 
distancia de 18 kilometros. As e^tradaii que a ligam a Casa 
Brancap atraveàsando grandes regiões do camims ruío?, sào boas 




— 199 — 

mu todo o commercioe trafego \M feiloa pai"a Tambatú. Geo- 
3i>gícajnent«j divide »e em duas r©ifiôeB distitictas i a pnrt© noro- 
iifte^ cabeceiras do» corrcg-os Areiào^ Côclioa e BocaiuaT occujiando 
A qDArta parle da área totaU ^ t^mpo^ta de terras boíts, isto é, 
TÍcaa de oxido de íerro e humtis, semeadad de pequenos blóc-. s de 
escoria* qae atteitam tua origf^m vulcaíika, poièm^ manchadíis de 
teírcurB d© aluvirio em qu© fie eneontiain os grnnitos erráticos 
Ideado?, e cUapadões de areia êolta, imprestáveis para qualquer 
cullum, Em íeu conjuacto mostra eafareg^iao na coiivuUfles por 
qui^ passou : eompoi^ta pnmitivnmfnte de morros alçam iladoft de 
ori^^era Tulcanica, tei mais tarde soterrada por terrenoâde íiluviao, 
e eUe?, nind», por terrenos Bedimentarci, que vieram á poâiçAa 
âchal prr sublevações lentas, Á orifi^em lacuâiie destes ultimot 
é provada pelo subsolo cnmpoíita de estraliticaçoes de arg^ila com- 
posta, cm qu© a!" sentam as referi dwa areias soltas. Por Biia^Ui- 
tiidf, eicepçÃo doí chafiadòes aieiinsos, toda a re^ifto srt presta 
i cultura do cÃfé, que frutifica rpgularuiente, ua mó dia 8i,i arrc- 
b»! jiftr mil pia A rej^iae a tueate, at»í ao cirrc^j da Prata, 
e fiotoeate, acompanhando o lío Pardo, é compoata de campos 
nificn de boa qualidade, que muito se prestam á crençâo doíçado 
Unigíro e do cavallar ; iiifelízmenter poriam, a industria paòtoril 
está ahi completamente abandonada^ contando -se apenas alj2:am 
gaín vacÊum, de raçaa ordinárias. A f;izeudaé re^çada por muitos 
corrfí^os^ &l!1uentea do ribeirão Tamhabú, triburario do rio Pardo,? 
poticot se prestam, comtudo, para motores de graúdo íoiça, por 
terem teu curso em logares pantanosos* Oá eorregna que a regiam 
Eâo ijs st^guíuteã: Cochos, Areifto, Coeuruto^ Prata, Mnsqiiitos, 
Batro Vermelho, Divisai Boa Viàta, Bílv* stre, Bocaina, Pcder- 
ueiras e Pimenta e nbeiròes, os do luíeino e Tambabú, 

São José do Bio Pa ruô— Cidade, no munii-ipio e comarca 
de seu nome, 1i;^ada a Ca^a Branca pelo rjimiil de Mojóea, da li- 
nhã Mcp^iaaa. A povoação foi creada freguesia ]ior lei provincial 
oe ÍG de abril do 1874, villa em 20 de março de lí^85 e ci- 
dade, com a denominflçâo de Cidade Livre do Rio Pardo, por 
secreto n , 179, de 29 de maio de 181)1, O decreto n, 207, de 
^ <íe junbo do meamo auno, rf^stiíuiii-lhe a denomina^'5.o antiga. 
^Di vjHta da nova orgauisaçfio judiciaria do Eátado o termo do 
^. líoié do Rio Pardo passou a constituir toniíirciif desmembrada 
dl drt Casa Branca, a cujo território pertencia. ~A reepeito desta 
Jocalidade, escreveu o drr. Moa 1:1 ra Pinto, no Jornal do Cotn^ 
merdOi do 2ÍÍ de janeiro de 1899: mFjJb Cnaa Branca tomei o 
r&niul do CaDÕas em direcção á cidade do B, Jofé do Hío Pardo, 
Patsei pelas eàtaçòes do Kio VerJe a 1 1 kilometros do Casa 
liianca, Euf^enheiro Riibe a 18 e Villa Costina a 22* Di*ta a 
cidade de B. José do Rio Pardo 35 kilometros de Cn>a Branca 
e 30 da Moóca* Está situada em uma colina, á mnr^j^em ea^ 
querda do Rio Pardo, contornada a E. p"lo córrego Sao Joetí e 
e ao N- pelo ribeirÃo Monte Alegre, aHiaent© daquelle rif^. E' 




— 200 — 

cercada pelos morros denominados Lage, Tobae&T Monli^ Alegr^^ 
Santo António « FArtuta, Ã cidade está mal edificada* Quem pros- 
tra nella pelo lado da f^staçào tenle uma irnprei^aâo desug^rmaavel, 
impreiBão que n&o se desvanece á proporção que »ecarniiiha fiara 
o seu interior. E' uma ciJade sem horizont a; para qualquer 
lado qne o olhar se volte depara eom montes e e^tes» muito pro* 
ximos e libados na^ aos outros. As mas ^âo reg^ til arme nt'* lar- 
gas» em ladeira, al^um tanto íngremes, sem c^lç «mento^ , oncis 
eom passeios cimentados e iilaminada á Inz eléctrica. 0$ prédios, 
em numero de 614* sào quasi tr-dos térreos, havendo al^nus so- 
brados de gosto. Tem apenas ama praça, a 15 de Novrmbroj 
em cujo centro ergue-se a Marriz e a um do» lado» a * a a da 
Cambra que também serve d«^ cadeia « C^tá em parte ajard incida. 
Po^BÚp Unicamente dons editicioB publicf*s, a Matriz e á Cnsa d& 
Gamara, a Maçonaria, esti ainda em coo st m Sjf&o, mas j<r mBtt« 
depois de c*'nt']uido ser um iropíirtante edificii'T j^ [>el«B ^uas pro- 
porções, já pelo ^osto are hite* tónico. A Matriz ê um t*^mpIo 
grande e bonito. Teto a torre no centro e um relógio íib?iixo. 
Beu interior é bem ornado Tem além do altar mór, mais dou» 
altares lateraes de mármore* Ã Oasi da Cambra é wn (ire fio 
térreo, com 4 jan^-llas de í rente e n porta dt* entrada. Na sala 
das sesíôes eccj^nt aras© oi* retratos rfe Tira^entris' e ^io Ma- 
recLal Flori&no e um pequeno bu^to do G**aeral DeoiJoro* 
A cidade pode ter uma ^wpulaçào de 4.0O* habttfliites O tnu- 
otcipio c-^nfiim com Cnconde, Casa Branca^ Mocòca, ^kn Joio 
da Boa Vii^ta, do Estadu de S, Paulo, e com Muzambiubo, do 
Estado de Minas. EV reinado pelos riffS Pardo, Fartura, V**rde, 
Macaíios, Agua Fria, Peixej M ute Aleg e, Santo António e 
AííUaB Ciara-, Pertencem :ui munieipio os difctricio? do Sapecado 
(Espirito Santo do Rio do Peixe e S. Sebasrifto da Gramnift, 
6 08 bnirros Montn Alegre, Fartura, La^en Tubaca^ Agu^ Fria, 
Rio do Peiro, Santo António Engenheiro RObe, Engenbftiro Ho- 
míde 6 Vilia Hostina, estéã t>^à ultimits com estações da ei^trada 
de íerro. A lavoura do municifdo é a do café, haveudci 100 
fazendeiros, que exportam 500 mil arrobas de^se pro dueto Es* 
tive nessa cidade com o itiiemerato rt^puHlicano Ananias Bar— 
boza. que em agosto Je 1889, fendo proprietário do Hotel 
Brasil pren iou o cbefe Jiberal SAturnino Biirb *s&a, o sub dele lt^-» 
do e resistiu a uma força de 20 e tantas praças, que pretendiam 
assassinar o gf^nentl Glicerio e a elle Ananias. O general Gli- 
cerio dirigia-se entAo para a Mocóca, afim de fazer conft^rencraa 
republicanas S José do Rio Pardo foi em seu principio a fa- 
zenda da Lage, da qual era um dos condóminos O ''enente António 
Marçal Nogueira da r^arros, que fez doai^&o, a 19 de jnnbo de 
1865. de trea alqueires de terra. Foram outros doadores Cniidilo 
de Miranda Noronha, que na me^-ma data deu M^n alqueire. 
Cândido de Faria Moraes, que deu três alqueirei, Joi>é Ttier»dnro 
de Nogueím Noronba, que deu quatro alqueires, e João José 



— 201 — 



de Sousa, que Jen a € de fevereiro ãe 1865 um alquebre. Em 
25 de fevereiro de 1873 linuve A poase judicial dos terrenot 
d nado» para património da i^r&jií.w 

São MintTSL.— Faxtí d^i de cultara de café, pertenci^nte ao 
eonsflbeiró José Daarte UoJrigueá, próxima á estaçàri do Rio 
Verdfl, E' «mã das maia iroportíintÃ* da comarca, e illuraínada 
a gaz acfttybno. — Rua desta cidade e que lig-a os Iftr^oa da 
tnatriz e Cíideia, — Vid<i SaDtiaíiimo CoraçÃo de Jeíu», 

8âo Pedro — Cí^rrego, na fa^r-nda Morrinhos. 

Sào Pedro dos Morri pthos —Arraial, fundado em território 
da frtzen da dos Marrinboã, em iBíít, por Mf^y^éa Vpnaiicio Villai- 
boes, Au to aio Auirnsto Corroía d** Canralho, Eugi^iiío Ferreira 
de Cwitro e Francis-:;© António do Prado, quM do.iríim B&,72 
Imitarei de terra [lara património da egreja. For u^rta lei de 
1B99 foram ali creadas duas e^cobs primariai. 

Sâo S^VAdiilo DA Boa V STA.^ — Antiga denodiJDAçâo do 
muDicipio e villa de Mocóca. Vide e*t6 nome e Boa Vistii» 

São BtHÃo.^ — Povrjação, fundada em território que [iertt*ucia 
ao wiunicipio d© Ca&a Branca: foi creada frefruezia por lei pro- 
vincial de 10 de março de 18'I2 e villa por outra de 22 de abril 
de lSt>5. E' sede da romarca de B. Simào. 

Sâo Tr)CO[>oro. — Fazenda aorrioola, annexiida á freguesia 
de Ca^a Branca e df^smi^tn brada da de B» J> té do Hio Fardo 
em virtude de uma lei da antíira Atsembléa Províticial. 

Sii> VicBNTE. — Faz<;nda agrícola, em que b« cuhíva o cs- 
féftiro. Foi de^lig^ada da de Hib^irlio S&o Joio. 

Barai^di.— l/0|^ar, pF*»xiaio á faxf^nda Caca«i do Rio Vtírde* 
— Vocábulo brufileiro^ eoatmcçâo de çararé^ih^ ii^tiíâeando, >e- 
giiado Baptista C*btano« — o« páu& ou pemaa por sobre aa quaet 
ao fas toIat a madeira tirtida. 

Hekuom Bo» Jeííub. — FaiLeoda a^eola^ pertencente a d. 
Àlarta daa Dores Nogueira de Carvallto e ontrot; hoje tem outna 
deíiomlnaçôea. 

8 KHi ESI A. — Legar e cato po* i^a fa«- Boa Vit ta. — N ome vu ! gmr 
do DiãMfphuf ^:rtJ^tatuéf ãve da tirdeoi dos peruai uu, nouval 
peU guerra a«»idiia qu«^ fase a toda a «orte de opbídiot, Maio- 
Gaar lho chama Sfjrmtnn ; e é provável que teja «t^ o nome 
primitivo d<-fta ave (B. Itr^trair». 

Bkrka Sar^aa das CAt^u. — £^ ama nyutlíeaçfto indoérte da 
corditbfxira ocridetital áu mm éê llaat»f|ttmi^ csjia âfittf ali- 
mi*iitaui o« AfHiieniea do rio Uoftignãããà. 1^I«A á eaitoeiáa 
■com o nome de Boa VUu (Aaaraoio MánQKSi) 

SBBaaDTaffo,— Correia ha antiga teondla da Coeaea, tribo* 
tario do Ja^uarL 

f^aaaiJíHA^^Fas^Qdn ag«icia. 

H>BTlo Mritnao.— Iíf« a*atia coahteidã lodo • vale f|«e detli 
logar vai áa mar|^«ai do Rio G*a«d^ atf ecáilai«il# a maafctpia 
da FVanot, que é pAaiko e eob«ito do Eada vo^vb^Ao. 




— 202 — 

SertAosikih>, — Antig^o quarteirão |Cil|cial, Imjií extíncto e 
auni^xado^ em píirtc, ao dibtt-ieta de SAnta Cru$s dae Falmeirofl^ 
— EEtnçSo da (/OmpauUta Mogiana, ne^te irninici|iio, já exrlnctit. 
— SerrA ; linsita ob fnuuicipío» de SaTitn Rita do Passa- Quatro 
o Casa Brauca e eslá colocada a oeste desta ultimA privoução. 

Sesmaria.— A origem deste nome parece que se de?e pro- 
curar em sesmaf que era a 0.* parte de qualquer coiôa. Kcomo 
estas terras se costumavam dar com o foro e peusâo do sexto 
ou de sefíi nm, daqui se disse facilmente sesmaria ou sesmeiro^ 
o tamhfni sesmo, sitio, termo ou limite em que ae auliam as 
terras a?sini dadas de sesmaria (Vjtiíkco).^ — ASeamdrias s=ílo pro- 
prianieato as dadas (l) de terra, caiaes o pardieiros, que fur.im 
ou bSo do alguns senhorios, e que já em outro tempo foram 
lavradaíi o aproveitadas o ag-ora o nho sko (Ord, íith 4, Ut 4:i, pr.) 
^-t^Hinl foi Oíigioariamente a exten^jio suparíiiiaria de iim:i ses- 
maria ■? Lemos em Pjmbiítbl» Arte da Navegação ^ que tL l&gita de 
sesmaria tem 3 000 braças. Era preciso que já a es-o temjto as 
sestn avias fo=Bem muito jrrandes, para se medirem por l''gui. de 
um certo typo. No ^rítíííí as doações feitas na costa por d. João 
III eram verdadeiras sesmiirias, uâo no sentido le^ft! que vemos 
firmado uas posteriores rrdeuai;òus do Reino; mas, no popular, 
em que aqui sempre so tomaram ftemiOliiiiites dadas. As con- 
cedidas pelos primeiros CapitíLe» donatários, nos tormos dos fieua 
foraes, devinm ç.ól*o com a çlamuU da Ordena^ílo ; ma» ufto bví 
ILes marcou a extensão, E' de notar que, em re^^ra^ a seamaria 
no Brasil se níio podia rerjêr pela Ordenação, como b[*m eou- 
Bultou o Desembaraço do Paço, e se vé em Gabe do, p. 2, dec. 
112, Repert, das Orã.^ vb, Sesmciro» devem dar as tervan^ 
not. ò. O Ah', de 8 de dezembro de 1&90 firmo i sobre a 
extensão das sesmarias ntna regra prudemcial, deixaria ao arbi- 
trlo dos g-overnadorep, quando míindoa a d. Prancítíco d© Bnusa 
que «a todas as pe^^oas qne forem cnm s\ni& mulberes c jfllbos 
a qualquer pai te do Brai^il lUeà SHJíira daJas terraa de fie^marias^ 
para nellas plantarem seus luantimeutos e fazerem roças dô 
cannaviaes para sua susteataçilo, cmiformc a qtmlidadtí e fumiUa 
{isto éf numero das ^jcssôrí delia) de cada um doa ditos camdos.v^ 

Nem de onlra maneira se podia le^i-^lar para um paiz nas 
condições do nosso a eSbe tempo. Comíudo^ nào tardaram os 
abusos; o no fim do século XVII vÊmos a cornara da capttauia 
so lUo Grande do Norte rcpresentaudo «que ali exiâtiam muitas 
pessoas a quem ío liavia dado quantidude de tcras de sesmarias 
que nâo podiam cultivar, fendo aíifumcs duas e íres stsmarias 
de 6 € 6 léguas em quadro^ que vendiam e arrendavam». Em. 
resposta ordeuon a Cíirta ré^'ia de 16 de março de 1692 ao 
governador /António do Soufa de Menesif^s que Ibas tirasse o 
défise a quem ai cultivasse. A carta réj^ía de 27 de dezembro 
de 169r) marcou 1 légua de de largo (testada), e 4 de comprido 
(fundos), a carta régia de 27 de dezembro de 1697 já restringiu 




— 203 — 



oi hnéo% a B legaaa pam 1 de testadn, ou 11/2 légua em 
qadro; o que foi reconimendado peln Frov. tle 20 de janeiro 
de 1699, a ainda outra vez pela de 19 do março de 1729. 
Outro typõ ví^mas nú Alv. de 23 de novembro de 170í>, «pelo 
quál E. m. mandou que £e dé^se a cada aldeia, teiido i(K\ ca^aes, 
1 Ifg^ua de terra em quadro^ tirando-se, ti nccf Èsario fõrFe» de 
ijUAlqiier OQtra secção vizinLa á nldcía, f xccutnijdo tãto ns ouvi- 
dore;; sumiTiarisBimameiítc, tem attençào árepugaancia dns i^aries». 
E*fC ,ilvará^ quí?, al^m de nua légua jjftra os Indíps^ raanda 
separar uma porção para es seuâ párncti, foi diní^'ida íio í;over- 
nadcr de <9áí> Fauíu; assim como a cada réfj^m do 12 do no- 
Temliío de 17 10^ declarando qtto *esfa porçào (jiie fo mauda 
separar para os vigários, tirando-a dog paniculaios vizinlios, 
TiM seja mnis do que nquella que haaie para pasto dt três ou 
qmtTQ cãcallo» e dt ou iro s tc.ní-íiH vttccasf, que (* o qiio basta 
pflrB um clerig^o» ; e de ambi a dá noticia JostJ ARfiurnii de 
Toledo RbiíDiiNi na sua instructiva Memoria tohre as aítleics 
àos Índios àa protrincia de São Pmilo, estampada na Rev. Trim, 
do IfíífU Hút. Geogn c Elhu^^gr, Brás., 1843, 2/ ed,, 310 
(Macedo Soareií). — Em Mato Groaso^ em IS 28, as maiores ses- 
nwiiag tinham três léguas de fu.t>do e uma de tcstadt ; e es 
"Dtarires meia légua em quadra (Amncourt), — Em Minas Geraes 
*i fiflsmarias iam desdo 48 léguas até 60 braças quadras (Grruer), 
^As crnccsaõesj que temos visto aqui no Mar d' líi apanha 
(fi àiiem-ncs serem eguaes em tudo âí dndas para toda osta 
^^t<i âo Uió) regulam meia lei^aa em quadra... (M. Soaues). 
—^"^0 Rio dt Janeiro a sesinana dada aos je&uiíaa por Es tacto 
^^ ^i, no 1.^ de julho de 15C5, fui de duaâ leguris de testada 
e duas de fundos. Já a da Gamara, dada polo mesmOs em 16 
^^ áito mez e anno, foi de uma e mci^ légua de testada com 
dufta de Inodos. Mem de Bái em 16 de agosto de 15G7, cnnfir- 
*ii<JU a ícEinaria da Camará por lhe faltar o auto de ]»0£6e,'^e 
smplif.u^a com mais 6 leguag em quadra fIlADi>fiK), 

Seísharia de Lourenço BIaiitins— A respeito da íes^niaría 
í^onceáida a Lourenço Maitiuã Leme, encontram -se no cartório 
«o e^crirâo de psz oa seguintei requerimentos i 

1— DÍK o Alferes ITrias Egmidio Nofíueira de Barros e oe 
*Daiio ataignadíiS, todos deata freguezia, que ellca supp." querem 
Enamar a este juizn todas as Pessoas que se axUo dentro da 
Jiainaria de Lourç.' Miz. I^eme, sendo os seg,'^ : Francisco Martins 
?* Çarvallio, Ignacio Pires, Jacinto Pires do Prado, Angella 
^*í"ia de Tal, Ignacio Pirts Moaao, Joaquim Ferreira, Antouio 
J^lQe, asim mais todos os que se julgarem intruzna na Bobre- 
y^ iisntaria para que comparecido na iirímeira Audiência deste 
Jbiío ftflin d^e gç tratar do meio da ivconciliaçào do Estillo, ficando 
tfldoí citados por todos oa mais termos e actos Judicíaea the 



IM O teiipo iruDifamioii a vd^hIjI dúia vemap ^qí 



— 204 — 

final seotODçaf por tt*— ?, a V. S, seja servido mandAr quft ■» 
Q0t)6quem por todo o requerido e que «e obaervo ú% termos d» 
lej. — E. R. M. — Urías Imidio Nogueira — Ânt/mio de Magalhães 
Passvs — Joãa Pereira âô Sotíjfa—José de Magalhães FasxOít— Bal- 
duíno José Marques— Áúgiio a rogo de Joana Maria de Moraea 
^^Urias Imidio Nogueira^^igTiAl e cruz de Francisco t Pereira 
da Silva , ^—Te^uo da RRcONCiLuçÃQ.^Ãofl 24 diae do mea do 
tetembro d© IH32, neeta Fregupssia da Caza Branca^ em cazaa 
da residência do Juiz de Paz Suplente Praticisco António Gon- 
çalves dos Snntos aonde fui vindo Eu Escrivào do seo carg^o ao 
diantA ncmeado e sendo ahi compareceu o Alferes Urias Imidio 
Nogueira de Barros, e ontrns interessados^ e trazendo por urdem 
deste Juízo a Fraucíaco Martins de Carvallio, Ignacio Pires, 
Jacinto Pires do Prado^ Ângela Maria Pernaades, Ignacio Pjrea 
o moíjo, e outros referido no requerimento, sobre os factos ale- 
gados no requerimento retro, e supra e o resultado foi em pri- 
meiramente correrem oa Rumos com Agulhões para esse meio 
Terificar-se si estfto dentro da dita âiamarirt por ovidatemse o 
Runio d» mesma quando depois de correrem os dittos Rumos da 
siimaria e se axarem alguns coniprehendidos dentro da mesma 
aabirfto para fora, e por asaim »© havi*rem convencionados, maU'- 
dou o ditto Jui^ lavrar ette Termo, em que se assij^na com a« 
partp». Dpciaro que não assi^non Jacinto Pire» do Prado por 
nfto coraparpccr e Eu Manoí?.l Joaquim d© Sousa EecrivÃo que o 
EBcrevj.— Santos — Urias Imidio Nogueira— Joze de Magalhães 
Passos — António de Magalhães Passox-^João Pereira de Sousa^^ 
Palduíno José Marques— Francisco Martins de Carvalho — Atino 
a rrpo da eenhon* Joanna Maria de Morais ^ — António Gonçúlves 
da Ã/íra^ Si final de Cruz de FrHucisco t Pereira da Silva — S ig- 
ual de Crua d*^ Ignacio -f- Alves Nogueira — Bignal de cruz da 
Antoniú 4- Rfque — Ignacio Alves NoguHra^ Alexandre José No 
gueirn — Signal de cruz de Joaquim -(- Ferreira de Queirifz—Si^ 
""nal de çrtiz de Manoel -(- Ferreira do Prado — Âsmo a Rog^oa 
de Anna Maria I^nasia — António Gonçalven da iSiÍva,-^E logo 
no mesmo dia, mez ô anno, depois de concluído o Termo dd 
conciliação Rseima referida, e as partes assignadaa compareceu 
Jacintbo Pires do Prado sobre o objecto que trata na petíijAo 
enfrente, e o rezultado foi nào convencionar &ó sim sahii&o dat 
ditas terras \^r iinal senten^^ quando deac^ia jior cujo motivo 
pascião a tratar dos seus Diff^itos no Jutzo com[>etente. 

2 — Dizt^m os abaixo aBãigtiados, pro^^ríf^tarios e interessadoa 
da sesmaria denominada Resaca do himbari^ desta frofrut^zia do 
Ca^a Branca, termo de Mogi-mirirn^ comarca de líú, que ellet 
«npplicautes, por titulo Ifgal, t,ko senhores do respectivo terreno, 
letn Cfmtradícçào, nem opposi^Ao de alguém, como se mostra dos 
documentOB juntoià; e para bem de serem garantidos pela lei do 
Império, requerem a V. S, lhes conceda liceuça para limparem 
OB rumos já corridos e de marca dos » acceitando V. 8, ao piloto 




I 




— 205 — 

hhQ Maifellino o Francisco Martins de CarvalTio para exami-' 
narí-iiQ e coneenorem os referidos ventos, na foiii.ii cmtcedida 
P, P. a V. S., ©te.— C/r ias Emídio Nogueira— -Jomx Pereira áí 
^uio.— Termo. — Ào» 21 dias do mes de maio de 13B0, nesta 
ÍTfgfui^fifl da Casa Branca^ em casas Ha residência do juiat de 
pas Eupplente Mannet Luiz da Silra Yillela, onde fui vindo ea, 
e^cnvio de sf^m car^ro, ao diante nomeado, tendo ahi presi^nteSf 
compareceram o alferes Urías Ecnygdio Nogueira, JoUo Ferf^ira 
de SoQui e ontrofl interessados da Resinaria denominada Resaca 
íq Latnbvri^ para o eSeito de nomearem louvados para o alim* 
|»am«Qto dos rumos da dita sesmaria, oa quaes uom«5aram a Si!- 
Tftrio Pnreira da Costa e Joaquim Maehíido de Oliveira, para 
cujo fim foram, por ordem do juia, notilicados para prestaram o 
juramí^tito dos Santc»ã Evan^elbo^, i^tiilmente aos piloros no- 
m^adcs Joào MuTcí'Uinf> e FrHnciacn Martins de Car?allio; do 
^Q^ pura constar mandou O dito juiz fazer este em que declara 
qudiqQcr dia do mf-z de junho próximo para efftictuarom a dita 
Biediçaf) e limpamento doa rumos, e lavrar este termo em que 
w *â«igna cfm ob ititeresstídos. Eu, Mnnuel Joaquim de áousa, 
«tcri vio que o e s cre V i . — Villela — Ba Id u íno José Ma rq nes^ Joõ/o 
Pereira *^€ Sousa— Júão Lmifenço — Bio^imi de cruz de Ignacio 
JÍííía Nogueira— Si \^utú de cruz de Ignacio Martins de Carvalho 
"Sijçiial de cruz do Prancisco Pereira. -— José de Magalhães 

3— Dis Lourenço Martins Leme, da Casa Branca, que o 
«npplieiíiite requerendo ao f-i-juiz das medições capiião Manuel 
Um dtt Barros, a reformação dos marcog de pau a pedraít da 
*ni ««iinaría da Re^taca do Rio Lambari ^ ao qun, de te rindo 
iMudoii que se citaf^^e aos heteoi» confinantes, o que a- í'í*z: que 
^ íup(>licante faz a bem que o actual escrivào, revendo os dito* 
auici, ih** pae^e certidão em breve relatório, declarando [tor aeUB 
uoinça snbr' (?) e cogaomes os lií^rêoa que te citaram e a data 
^8 cí-nidfto, que a ser uma só, que a pasae por seu teor,- Des- 
fACBo.^Paate na forma que requer. ViHa de il/o^ij 20 demarco 
de 2824.^ Praí/o —Certii>áo. — Manuel António dt*. Oliveira, ta- 
■^'lilo publico do judicbil e nrtas e maÍE aune^coa ne^ta villade 
^^i-mirim, e seu termo, &^Certitico que revpiido os aut<i^ de 
%^^ laz menção o requerimento retro, uôHrs a fls- 19 ee acha o 
J*inUdo do teor e íôrma flej^ruinte : O capitào Manuel DiaB de 
-^^CM, cidadfto juiz dad mediçuea das t4*rraa de sei^ toaria da vi lia 
J^ 'tirino de 8ãQ José de Mogi-mirim, por proviftào trienal do 
^Ittio. Exmo Sr. Marquez de Alegrete, g-overnadur e capitáo pe- 
^^'AÍ desta capitania, e na mesma vil la e seu termo procurador 
^ f^íizeíida Keal por provisão do Serenissirao Príncipe lieí*ente 
"OBtó Senhor, que Heos guarde, ete, — Mando ao eBctivàf^ do 
meu car^ que i>or bem deíít*^, indo por mim a&sÍg'nado, e em 
^'^'^Itrmiento do meu despacho interlocut^mo de íls 16 v. dos 
ftutfli da mediç&o da aesmaria que obteve Lourenço Martin& Leme 




— 206 — 

e fez medÍT na pRraií'em da Ilcifaca do rMmbarí^ gom citAçifco 
feitíi nos Lercoa confínnntes da niesma, citem uqs mesmos, que 
sSo 1 Joaquim Furtado da Silva, Bento Dias GarcÍA, ore v. Fran- 
cisco de Godoy Coelho, António Xavier MacliaJo, Joflo Joad, 
Ignacio Ft^rreira Alves, Francisco Ferreira, Gonçalo Ferreira 
Garcia, JoAo Lwis, Joílo Francisco (por cabeça de sua mullier), 
Ignacio de França (}tor cabeça de sua mnlhci), António Manuel 
Corríia Leme (por cabeça de aiia mulher), António Fernandes 
(por cabeça de ina mulher), José Dias Mftiuardo (l)f e Cítes na 
qualidade dv berdf^iroe de At;na Garcia e equ marido João Mar- 
tins Diaiz, como também a Amónio Martius e Joflo de Matos o 
seu3 irmíio?! que me informam serem os sobreditos confina ates da 
dita seaToaTia, para qne no dia 22 do corrente muz, em qae hei 
fazer audiência na fazenda da Paciência o Pederneiras, compa- 
reçam jkOL' ú ou por seua procuradorca, na mesma audianí;ia, para 
neila àiz&r^va o que lhes âzer a bem, respeito á mediç&o e de- 
marcação da mefinia feíuiíiria, píira o íim de se poder jul^jar por 
sentença a me&ma, como me foi requerido pelo mcemo aesmciro 
em ma petição de fls, IG. Visto que dos mesmos autos uio 
consta serem citados os ditos confinantes, nem Luciano Dias, por 
também o ser, ao qual egualmen te citará para a mesma audiência, 
e a todos sobreditos, com a comininAç?io do, á sua revelia, bo 
proseguirem os mais termos de direito: o qiio cumpra e ai nfto 
faça. Villa de Moi^i-mirim, 13 de maiço do 1813. Eu, Fran- 
cífco de Paula Brito de Andrade, Oicrivão qu© o eacrevi* — 
Bahuos, — Francisco de Paula Brito do Andrade, tabelliáo do 
pnblico, jndicial c notas, o escrivUo desta Bcsiiiaria, por provisão, 
etc. 'CertiGcD que em virtude da mandado supra, citei aos con- 
finantes declarador no meimo por todo o couteúdo tupra, o que 
fiz a uns em suas próprias pessoas e a outros por cartas quo 
tive a certeza de sua entrega. O referido ó verdade, em fó do 

3ue passo o presente que assigno. Paciência e Pederneiras, 22 
e março tíe 1813,— Francisco db Paula Buito de Andiude, — 
E nadft mnis se continha nem declarava em dito mandado, cte. 
E eu, Manoel António de Olivf^ir/i, escriví^o que o subscrevi, 
conferi e nsai^no. Manuel António db Olivriha, 

Setz de SETEMBuo^Rua, antigamente denominada da Falha 
por que é mais conhecida. 

Silicato dr POTASFA^Vide Kaolin. 

Silvério— Córrego, na faa. Várzea Grande, aff. do rio Verde. 

SiLVESTRE^Corrego, na faz- São José da Serra, 

SiTio — O mesmo que chácara. Também dizem situação^ Ha- 
bitação rústica com uma pequena granja (Auletr)* — Em Bio 
Paulo da £e esta denominação ás pequenas fazendas* 

Sobrado — Córrego na antiga fazenda de Cocaesi tributaria 
de ríheir!ko deste nomo. 



(1) Ma!Q*rda. Milnate oa Ualnarotfl t 



- 207 — 

SoRuCà— Assim doiíomiuain-se a^ excavnçôoí quo se yi^m ao 
pé áeatft cidade. tiiTibeui cliaLDada^ búnsnroca^f e ds^b^iTaticados 
ou eibarrofidfidoiro?, em Miiia^. Quaiidoo cíê imperador d, Fedro 
U vigilou Casa Branca, em ISH7, dizem qiití ex pendura èuíi opi- 
nião a respeito, manifestando que o verdadeiro nome era *Sorúca. 
Ke**a occasiào um doa rcporters qufâ o flcompjnbavaai publicou 
em jortial áo liío a gegujnto quadra: 

< De Casa Branca a cidadô 
alegra a quem a visita \ 
ppía ao kdo das sórócas 
tem muita moça bonita.» 

Esta qnadra é attríbuida ao poeta Jíucio Teixeira, ent&o 
Têpr^fteutante d 'O Paiz (Almanaquk de Casa Braxga, 188 H) 
—Coroca: (í»:ermidÍo) rompeu do-se ; sendo rompido, desmanchado, 
rascado (Baf. Caetano) 

Suei mi— Córrego a fluo ti to do rio Verde. — Nome iiidif^ena da 
aaaconda brasilica. LuceoK faz meoçlo^ na li ia líos reptis da 
tueuriuba ou smcnh/íÍ (b5a anaconda), que diz ser— a i*er^ largn 
ttmUr inale . Raqueni e Lafavkttb Gecievem que sucurijú ou 
lueuriuba è—una specte di boa dei Bramle.. O BahAo Db Mel- 
OAÇo dá noticia de trea rioi, um ribeirão 6 uma cachoeira do Es- 
tado de Mato GroBso, cora o nome de Sucttriã, EscnAQsOLLtt 
TAUKAYt considerando prrtugueza a palavra nncuri^ dá-lbe oiê- 
naga como a bua cnrrespQD dente do dialecto (luaná da lín;2:ua 
tupi. 0m rio de Goiáa é denominado Sueuriít por Cunh^ Ma- 
tos, Azevedo SiARQtrRS escreve; ^ Sucitri rio aíVluente da mar- 
gem esquerda do Tietó Corre no sertão desconbecido» Milliet 
DB Saint-Adolpíie dcsignft rios, povoação, cacboeiía e ribeirões 
cm Sôo Paulo* Minas e Mafo Grosso, 6ob a denominnçào de Su- 
curi 6 Sucuriú ; e LutH D^AuNCoiTar um rio de quart* ordem, 
da rofjíào de Mato G^ostlO^ cujo nome é Snctuíti do Jurttena, a 
falando da êiteitri e da yiboía, diz qut^ egtas duas espociea de 
grandes cobras n&o tèm veueno, mas são noi^ivas por cnmerem 
08 animac^ domestico», Cokstancio Cícrevo • Sucurijit ou suca- 
ruíiiha: cobni cUamada também cobra dp veado ^ cobra monstruosa 
que traga um veado inteiro. Creio que t'; a mesma que a anacon- 
o* da Ásia. » Nfto mencionam a palavra em que&Uto: Baptista 
Cãetauo, Valle Cabral, VellosOj Moraeâ Torres, Costa Uubim, 
Freire AlletíiAo, Tocanliuâ, Honorato, Montoya, Tkoniaz Pompeu» 
Âdolj>bo Coelho, José Verigsimo, Barbosa de Almeida, Jomard, 
Moutinho, Tácbudi e outroSj que cônsul tamoã. E* do presumir, 
poit^ que a anaconda brasílica uào tenha o mesmo nomo na? di- 
vorcias regiões de nossa Pátria, Em Minas e Sâo Paulo tem a 
denominação do sttcuri 6, mui raramente e erradamente a dõ 
êucnrià. Qual então deve ler o aeu verdadeiro nome :— tucuri, 
lucurm, sucuruiu, sucurljú, sucuruíuba ou Eucuriuba ? A noaso 




— 208 — 

Tér, ãfi^ãe que se trate unicamente de designar nninnnl, deve- 
le eBcrevPf sucuri (nào i-ucury). Ah pariiculaa ú, yii, lé, jú, iiba 
tèm BÍ^niflcaçáo própria; e^qu^odo pospostas ao vocábulo^ mudam- 
Ihe conijUetameuta a EÍgnícaçáo. Át^sím, por exemplo: sucnri é 
o nome d© uma cofcra; desde^ porém, que se lhe addicioDe a de- 
iinencia^fV — (agua, rio,) o vocábulo [stu^tiri — ú) pagsa a sigoi- 
ficar—río ãa «uturi. Si so lhe ajuntar— t^ ri — (podre, apfidre<?ldo>, 
a palavra aBâim comj oBta {»ucuTÍ—yú ou »ucurú — ^«a) designará 
ama BucTiri podre. — Sucuri é melhor ortho^raphia do quo a usual 
{sucurjf). Martins escjeve — Çutur^UfG defioe-a — cobra d^agua. 
— Sucuri: a íie» pente gigante quf^ habita nos grandes rios e en- 
gole um boi De sua, animal e curi oucuràj roncador. Animal 
roncador, porque de feito o ronco da sueuri é medonho JoBâi 

DS ALENCAR,) 

Tamanduá ^Córrego, aff. do Sucuri. — Do gaarani taman- 
duá. Quadrúpede conhecido, de que ha duas espécies : handÉÍ~ 

ra e mirim, 

Tambahi— Vids Tambahú. 

Tambahú— Povoação e districto de paz^ creado pela lei es- 
tadal n. 79, de 25 de agogto de 1892. — Rio; nnEce na Barra 
Grande, conãuencia dos ribeirõeã Arrependido e Bebedouro e 
corre entre esre muoicipio e o de Sào Simdo. na direcção d*^ sudo- 
este pat£ nordeste. Azicvedo HARQt^i-m designa este rio, itffluente 
do Pardo, pelo nome de Tambahi, que na lirtgtia tupi quer dizer 
a mesma cou-a qun Tf<mhahà Os caipiras, ou ti atura es deitas 
para^íenâ, dào-lhe este ultimo nome. — Local em qtt« O rio Tam- 
Dahii atravesía a serra do Arrependido, — Vocábulo indigena^ ou 
da lingtia g-Piral, significando rir} dm mexilhões: composto de 
tambài mfXtlliòea osUas, o Ati (corruptela do Ar/), rio, agua. Tam- 
há, mexillfmej*, etiam quod est^ intra pudenda muHeri{yíoíVT€n' a), 
Tambéf mexilhões, ostraí, o que está dentro da concha (Baptis- 
ta Caítano). Oa indígenas tinham por costume derignar as 
localidades pelo nome correspondente a phenomenosi phyi|Coft 
notáveis, ou a accidentes das mesmas localidades. Nilo parece, 
por isFO, raaoavel a gignificaçÃo de rio dos mexilhões para o 
no^so Tambabú. Baitista Cartano diz: * — Çambabt part. : 
logar, tempo, modo de ser amarrado; Bubst. : juntura, uniâo^ 
attitíulaç&o». Esta a raiz m/its provável do vocábulo Çamòab-i, 
que se corrom[i«u mais tarde» pela queda do ç brando, em Tam^ 
bahl Otl Tambaliú ; e quer dizer logar onde o rio se junta , E 
é juntamente na serra dj arrependido, cortada pelo Tambahú e 
pela eatrada de S, Simào, que esie rio faz juoçAo com o Ta- 
quaruçú. A denominação extendeu-se a tod^ a sona banhada 
pelo rio. O nome Tambahú, disse-me o illustre indianólogo e 
meti «andoEO amigo ViscoNtu de BKAURJíPAmK-RoHAN, náo é 
eicluâivo do município de Coãa Br anta, Ha na Parahiba do 
NorUr a alguns kilnmetros da oapital, uma enbcada chamada 
Tambahú, onde passei um dia mui alegre em companhia de 




L 



— 209 — 



ftmi^oi, S6iid<» eu então prés ide nt*i da proviaçii. No arti^ 
Nomina locorum do seu Glonnario^ Martius menciona este Tam~ 
6a A li, e mais e Tambahã^entsú e o lambahú-mirim^ cachoeiras 
do rio Tieié^ das quae» fala o aabio dr. La-Cerda no teu Dim-^ 
rio d£ viagem, iem corotudo dar- lhes a otymolog^ia^ como aliai 

fes a respeílo de ontra» cachoeiraa e demais ac^id^ntf^g da^ 
qnelle gnnée rio. (i) E' bem claro que o vocábulo Tainha ai- 
gama siguilícaç&o tem; mas, além da que Ibe dá Montoya, não 

1 tenho podido eueoatrar em vocabulário al^um da liu^ua tupi. 
Áo mexilbào chamavam os itidioB da costa— sururu^ nome que, 
desconhecido hoje ua parte m^ridionaL do nusco litoral, é ainda 
usual na Bahia e d^hi para o norte, menos no Pam, onde, se- 
gando Bahna, o conhecem |>ela denominação portng-ueza. Do 
mexilhlo da agtia doce, de que f^la Gabkigl SoARaet, sem Ibe 
mdicar o nome tupt, eu nada lhe poaso dizer. Cumpriria Fa- 
W Et neaee rio Tambahú, do ^eu munieipio, ha meicilbòes ou 
oatm qualquer marisco a que se poBta a|jpliear o nome guarani 
de iambá. Será um peixe '? No Pará ha O Tambaki, que vive 
Du arruas doce« do Amainou. Era S Paulo hn. no rio Tietê 
im peixe chamado taharajta (2) Se^rá ett© nome uma corru- 
ptela de tamharana^ si unificando neste cãAú — semelhante ao tambá f 
Sào me ê posBivel esclarecer estas duvidas, e eu, n^-stes ca aos ^ 
Ifíffiro antes confeasar a minha ignoranc'a do que fabricar ety- 
«ob^ias irrisoriafl, eomo o fazem certos gabios, aos qua^s bem 
16 |íôde appHcar a sentença d© Mcuérb: Un sol ítavant ent itot 
jrftwça' un s*^it ignoraní*. O pro( rio BAFriaxA CABrANn, que 
pin&va como g^ran-mestre da língua ^eral^ teve lamenta veii 
nâseihid&s : por eiemplíi, tnmou como tupi a palavra carapuça 
« neiíe tentido a decompoz. Sua argrumentaçâo é «pparente-* 
picate t&o sólida quf^ pode facilmente illudir a qualquer que 
ignore a oríg«m daquella palavra, usual em Portugal anfes da 
descoberta do Branl, eomo se pode ver na celebre cai ta de 
Peru Vaz de Caminha, dirigida de Porto Seguro ao rei d. Ma- 
i*Oftl. BAPrrsTA Caftaso nuoca perdoou a si próprio tamanha 
leviandade, logo que soube que a tinha commettidn». Em carta 
pOítprior, accrescenta o venerando mestre; »Ha dia» o Joriml 
ffo Ctymmercio^ nnticiando um naufrágio na costa da Rirahiba 
«í Nortej dá ao TambahA o nome de Tifnbahá, n qup para mira 
€ inteiramente n-^vo. Nó^ temoB uma arvore de con&trueçlko 
cbatoada Trmbahnba e lambem Timbahiba. E' talvez mais um 
Aleajeoto para a di^cusaào». Nos riot e córregos deste Estado 
hl ptu abundância um peixe chamado tamhiíi^ pouco m»ior que 
o hmbari e da megma ef^pecie* N4o será essa nome Tamhakú 
tuna corrupçíLO de iambiú *— As divisai do districto de Taniba- 
iú, legnndo a lei referida, eram ai seguintes, conforme ao tex- 







- 210 — 

to ãíí meama lei, deste ieôvx «Art. 1/ Fica creado um dístri- 
cto dõ pJiz na povoação de Tatabahú, manicipio de Casa B^a^c♦^, 
com as i^eiç^tiLnteã divleasi Ãlio da âerra do Árrcpotididn, oude 
se encoiiham ob limites do miinicipio dfi Santa Crua das Pal- 
meiras, secundo depoifi pelas divisai da fazenda do cidadão 
Frflni*ÍBco Borges de Souaa Dantas a encoiUrar a fir-ícnda do 
eidadào Joaquim Caetano da Lima, continaando sempre i oUa 
divi-aft da faisenda do cidadão Sousa Dantas nté ao correj^o do 
Árre]íendidot no pnntilbào da psti-ada de íerro Mo;;iana, des- 
cendo tste (!Orrpg'0 até an rio Tambalni, por este acima ntc ás 
cabeceiras do correio da Divisa, e destas as do Ãneifto; destoe, 
pelos limitei da fazenda Paciência, seguindo att; ao tio 1'nrdn, 
descendo este atê ás divitas do munícipio de S, Simíio, e dahi 
seguindo ate ao ponto em que ti?eiara principií> as divisai, O 
novo distrieto de paz se limita enm os de Caea Branca» Saula 
Crus: das Palmeiras, S, Simão e Santa Rita do Pnsfa (Juatro, 
Art. 2." Itcvogam-se as diapOBifjões em contrario»,— A lei n, 
559, do 20 do acosto de 1898 ele%^ou o diívtricto a rouaicipio, 
Eift oa termos delia o oe do parecer da commissão do Seuado : 

c à commLS&n,o de estatistlen, teadoe stutiaio o projecto n. 58 
do correotio anno da Camará dos Deputados, elevando á catego- 
ria de município o districto de paz Tauibahíi e considerando: 
que pelos documentos que o fandamentaram evidencia se quo 
áqnelle dJstricto de paz sobram condições do deíenvolvimento o 
prosperidade, sem que fstas faltem também ao município do 
Casa Branca do qual se desmembra; considerando que embora 
este município se opponba a tal elevaçíiOi a uvííca aliegaçÃo que 
prova é que hibit iates do actuil distrlcto de paz devem A au- 
nicipalidndB por impostos laaçades e que, por e^fio niòtiv^* a 
elevaçàfi a município nào pode ter logar em face do que dis]}õe 
a letra K do art- 2," da lei n, 476, de '23 de dezembro de 1896; 
considerando que essa disposiíjâo da lei dho se apphca ao ca»o 
em quest&o e uera á iran^ferencia de território doura paraoutí© 
município; eoTíldei*ando que ainda mesmo se applicasso acama- 
ra de Casa Brai\ca tem salvo seu direito d cobrança csecutiva 
pelo que legalmente lhe for devido: conslderaiido que além de 
D&o perecer seu direito por e&^e lado, ainda o novo município 
será responsável, por uma quota parte das dividas já, poiveulura, 
contrabldas pelo município de Casa Branca ex-vi do que dlspòe 
o art. 6.° da lei n. 16, de 13 de novembro de 1891* c a com- 
missâo de parecer que o projecto eotre em discussão e seja ap- 
provado pelo Senado 

Sala das commissôea, 2 de aE:osto do 1698. — A, Cândida 
Sodnffuei. — X B. de MtUo e Olimira . 




I 



— 211 "- 
501», fie lCf)a 

<Att, 1.^ Fica elevado á categoria de município o distrieto 
dep.« Tamhahá, 

An. 2," O tuuíiicifio de Tambakà terá na segui rites divisfle; 
pTÍncipíaudo uo alto da sena do Arrepeniíiíh no |ifintô em q«e 
atítvessAm os trilhes dn Cnmpai^hia Mvgitina, ^t^xiem ]"i?'o alto 
do eíjngào uaa divitas do corpoel João C Leite Feutepdo e An- 
tomo C' do Amaral T^flpfl, continuando pelo esfigào nas djviBfts de 
d. Veddíflna Prado & Filto aié encoiitrar as dívieaâ do» her- 
deiroi <Íc Jonquim Caetano do Lima, iior eetaB ate encfiitrar o 
o líanego THuco Pt' tio ^ por cblo i baixo nté o rio Tambahâ^ pelo 
rio ííiífjfiaAíi abaixo até o rio Pardo, pelo rio Pardo abaixa até 
*^> ribeirão Quebra Cuia, por eate acima alé a fazenda de AntO' 
aio Thomíiíi de CarTalho, seguindo deste jirnto pelas aguas ver- 
tenlPi da fazenda Bom S^a^censo edividiado com o mimicipao de 
'"^t Simão até encontrar a^ divisas do município do òanta Rita 
íííí Púita QnairOf por estas até os cafesaes de Joflo Franco do 
Oliveira o Francisco Ferreira de Carvalljo no alto da Serra do 
^ío Claro e dabi pelo espig-âo at« fecbar o perímetro. 

Art. S."" Ã primeira camará do novo manicipio compor-se^á 
<3e seis vereadores. 

Alt. 4.^ Não poderá realizar- £c a installa^íío touiiieípal sem 
quí! a A respectiva sede se verifique a eiisteDcia de prédio tom 
'II oeeessariaâ accommodaçoea para o fituceionamentú dn camará 
e taâeifl, 

ÃrL 5." Revogam-so as disposições em contrario.» 

A priroeira oleiçiLo municipal reíiliznu-ae a 23 de março ã^i 
lB9t), aeodo eleitoA vereadores ú eapiU&o David òp. Almeida Santos 
Q ca|iitão Joié de Vasconcelos Bitencourt, Jcfio Ferreira de 
Cifttrjj, Damazo de Sousa Pinto, João Baptista Alvtírea MacLado 
^ José de Magalhàus Passos Jani' r, doa quaes tomaram posiíe os 
quatro primeiros a 15 de abril seguinte, iustíilando-se, assini, o 
launicipio . 

Taquaha— Corre/^o, na faz, de Cocaes, affíuente do Cocaes. 
-'Da gíiarani ta^fuara. PUnta de que ha varias espécies; hçh 
*« gmude; t ou mirim^ pequena; pinina ou pintada; paca ou 
que f suu í RuniM), 

Tai^uaiíal -Correffo; banba a fazenda Jardim, 

TaquaRUçu — Taquara grande, canoa grossa, arundhmceais 
S*gantea)f ( Bap, Cabtano).— Vide Taquarussú — Vccabulo guara- 
% wmpoito de taquara (^canna oca) e nçu (grande), 

TA4UARL'Sí>i;--Hib©irào, tributário do Tambabú, — Vide Ta- 

Tesída — ^Correg-o, aflL do Cocaes, 

Tbnkste CAUvALi:ína — Ru», que liga, cm [ej:|uena distancia 
^^ ]ar^'o& da Matriz e Horário; e aâsim deiiomiaada em bomena- 
K^Qi fto tenente António Joâé Teixeira, ajjpelUdado o CartJfííAmAo. 



— 212 — 

Tene^íttd Coronbl Silos— Antiga denomioft^o da ma Bar&o 
de Casa Bianca. 

Terra Vhrmbi^ha — Fas-, no districfco de Tambabú, jierten- 
cente ao capitão José de Vaacoacelos Bi teu court. ^Córrego, na 
faz. CoDfíoubaB. 

Terra Vermelha de Cima— Fazeoda, situada no munícipío 
de Cat^a Braoca, a seis kiloniétioã da estação de Tambahú, a 
que e«tá libada por excelletite estrada de rodagem. Não tem 
terras de primeira qualidade ; lào todas baixas, sujei tas á g'^dA 
na mor parte e cobertas de cerrados. E' banbada pelo correio 
do Bebedour*!, pelo da Divisa, aíHueute deste, e pelo Preto, 
affluente do Tambahú. Sua área é de 1.259,35/21 hectares ou 
520, 6 alqueire» © o perímetro de 17,251 kibmetros. Foi divi- 
dida judieialmeute em 1894^ sendo as terras ayaliadas a 200SOOO' 
c alqueire de 50 >^ 100 braçaí^, ou 104:120$OOCJ a totalidade^ 
Pertencia etitlko ao capitão José de Vatcoocelos Bitencomrt,. 
Moysés Meudes de Oliveira, Jesuino Garcia Vieira, Manuel 
Tbeodoro de Moura, Joíé Martins da Silva, Jocelyuo Lucas 
Pereira, Cândido José Moieira, Joào Salvador e a berdeiros de 
Manuel Jacintbo Garcia, e «eu primitivo proprietaiio foi Silvério 
Pereira da Cotta, que a veudeu a Bimão Garcia Mulano e deste. 
passou a seus herdeiros. 

Thbatbo SAo JofiÉ — Foi con«truido, no largo da Matriz, 

5or uma aEsociação fundada a 27 de agosto de 1871, a esforços 
o dr Martinho Avelino. 

Ti-AííNA- Lopar, no bairro da Vargem Grande, cuja deno- 
minação é uma corruptela de Tia^Anna, 

Tijuco— Vocábulo brasileiro: lama, e particularmeute a 
lama de cor epcura. Também te diz Uijuco, W de origem tupi 
(Rohan), No Dircionario pçrUtgvês-hra»ília7io vem íijuca e no 
Vúcobulario da língua brctítilica — fuíii ca, como ainda se diz no 
dialecto amazoDiensf, segundo Seixas. Em guarani : iuyú (Moh^ 
toya) 

Tijuco Preto — Córrego, affluente do TambahiL 

Tócab — Córrego ; laai barra no Tambahú. 

Tr^s Ib^ãob — Fazenda de Josc R^ drigues Goulart e outros, 
ne, pela Ifi n. 5, de B de março de 1873, foi desligada de 
elém do Desralvado e annexada á freguesia de Santa Riia do 
Passa Quatro, do município de Casa Branca. 

TuRARAfíA — ^Kibeir&o, affluente do Sant^Ãnna, que separa os 
municipir^s de Ca^a Branca e Santa Cruas dati Palmeira», 

TfBUNAB— Capào e córrego, na fazenda de Cocae». — Speeioi 
Apis nigia (Martius). — Tubuna : t^specie de abelha negra; do 
tvòt abelha mestra, e wia, preta (Bap C^ErAKo). Espécie de 
abelha iodigena, mui commum em Missões e que fornece mel 
agraiiavel e mui procurado, fornecendo também muiia cera, 
£^ palavra derivada do guarani túbu-neê^ assobio, «ilvo (Eoha* 

OUJfiBA ColtREIA)» 



— 213 — 
ggy ^ 

Uberabinha— Logar e poiíso na antiga estrada de rpdagem, 
•desta cidade a Mogimirim. — Fazenda. — Vocábulo brasileiro, signi- 
:ficando Uberaba pequena. Uberaba, em tupi, quer dizer agua 
'que hrUha (u-berâb). 

Uruguaia 'Avenida do Novo Bairro. 

Varobh Grande— Vide Boa Vista da Vargem Grande 6 
Várzea Grande. 

Varoinh A— Córrego, trib. do Cocaes. 

Varzba — Ffizenda, situada neste municipio e no de Sào 
Simão. 

Varzba Grandb — Fazenda, pertencente a António Rodrigues 
do Prado e outros, e dividida judicialmente em 1874. Tinha a 
superfície agraria de 3.146 hectares, avaliados em 23:002$ 100, 
e está hoje fraccionada em muitas fazendas e sities. — Antiga 
fazenda, de grande extensão, pertencente a José Garcia Leal 
e outros; e hoje subdividida em muitas fazendas e sitios. — 
Fazenda de cultnra, de Gabriel de Ávila Ribeiro e outros. — 
Quarteirão policial desle districto. 

Vbnoinha — Córrego, na faz. Lagoa, trib. do Lagoa. 

ViCTORiNO— Capão, na antiga fazenda de Cocaes. 

ViLLA FoRTiNO — Vide Rio Verde. 

ViMTB B SBTB DB Março — Rua, que liga os largos da Ma- 
^triz e Rosário, assim denominada em homenagem á data da lei 
•que elevou esta povoação á categoria de cidade (27 de março 
de 1872). 

VoSBORÓGA— Vocábulo indigena.~Do guarani iòi, terra, eorot, 
Tomper. Barranco ; e&te termo ó somente usado em São Paulo 
<(RuBix). Vide Btssoróca e Soróca. 




BIBLIOGRAPHIA (*) 



AsBÉviLLi (P«one ClAudiú d'—): | 

51 Ias lo Ds ies pferéâ capnçtní^i, 

AoúLrno C&CLho: 
Bicobaarto etymologtco portaguec. iSflO. 

AUOUITO RhlEIRC BE LúrOLA t 

AliQJiDBk líterArío panlíiU, t|t1â. 

AuLKTE : 
DlccIúbitríD cõo tempo rAB 00 da Uo|jti» por- 

Auar» Ra«kq : 

ApanUDcatcf bliUiríco», ^eo^ra|>bicos, blo-^ 
pravincla de fi. Tmolo, I6TQ. 

ApúDtameDtoi iobr« o aliK)le«nf». 

NõtAi ao «piuctiilD «Do prlncJptú e Ari geia 

dias Indioa da Britilr, 1^ill^ 
Voei bule Ho ggiriinl, jfao. 

BàMle D« McLUfOj 

Dlcofonarto cbaro^iiphíca 4ifr proTivcli de 
II Ato aroi*o, it-e*. 

B^ifBDiA DC Almeida : 

AlramAfl pnlurraR d« qnii u^au 01 lodios 
do Maofir^ imo. 

BaHBDSJI RâDI^IQUEB ! 

Notbi A ^AnunatlçA Q dlcdouitlo tD[vi de 

BEALUtEPAtm RúHAH : 



BiNHAftoú úA CcstÁ £ BiLv« ; 
Vin^enj Da aertjla do Ara&zooAft, tSfiJ. 

Cif IDO : 
Dcclalonoi, IBOi. 

Canuts Thouham t 
Almtnalc do Eftado âe B. FadIi}, l^ft;., 

CjinL FniCDit. Phil^ voh Mautiu* ' 
rUoMarIjt ]iii^tiiiraiii brnsilíeDvIniBt iíÈt* 

CtwmafUí : 

Ensaia* BObro Dscaatumei do Rio Eíninde do 
fcJuU 

VlUa-RicH, \ê'^9. 

DkclonRrlo critico e ot>-]DOlog[co dn [íd^» 
portDgaeKA, it!3^ 

ColecçJlo do vocAbdchS o pbruai q fidos nn 
proVinclA de tí« Podro do fiío O i ande 
do ãal, iSú». 

CotTA Ruem : 

Vúc abular io lirnilelro, 18*1, 
Vocábulos iodlgeâlii Ifí&í, 

Cdutú PE MAa»LNie4; 

õ SeUúf/rm, IHTÕ. 
Of fiHataHnt, 180*. 
Primeira viagem ia AragQiIi^ ÍâS9« 

Cunha Mitoa: 



t>loclODirlú de Tocabnloi bratlklroi, tãf!^. Chorogr^pbfA da Frovlocl* de 0oiu. 



< * ) AlCm díi* Aitúrfi referi do* lleí^ta btlh atjra pWa, íoram Utabem citados ao /ííí* 
cidttúHú maii os ftegnlaicj: AdolTo Paolldo» António de Toledo Pisa Jdrj'« Arialldea Berpft 
(dr.K bário do Jari. btrUo Ho nem) de Mello, Coalint iPraoeUco d* fl^nítat, FruLel»ço 
CoocelçSlo, íJrtkfto de OIítcIt*, Jo*é HooorEo de Sil&í, Pedro II (I>J, Riciiirdo AiíUflOr a 
VlMiODde de Bonia Fontei, 



4 



^^^^p 


^^r E»iiK*«iieí.Lt TxunAt: 


■Jc:*í 01 Atmcjn .■ 


^H nfflt ■ lemu Ao Brsuil. Jlt^i. 


triceran, IPia 


^H r«ri««i4«dri DÁtnrNei 4o Patiuií, 1f^90. 


Gaúcho, 1870. 


^V tiTnerxríA it« vi agem feiU 4i cidade do 




1 Bk> de J»nHro lo Cojiim. lí«73 ; 


Jflií Pouii*iu ot A. CiVALCittri : 


Vocabaliti« dAlin^o» quiicià on cbaoé, IffT^. 






Cbom^i^bla d& ProTlaetK do CearA, 1BS9, 


FçLtcia D«t BAHTât : 






iloel VtKiwiHO : 


i<»«e^. im2. 






ScâDft* d A TJdA umaioolcA, iSBfi . 


Wm^ttottco &e« P*«itiii* Mahanhjo ( F«iM = 






iJULlO RjBIlNO : 


noltcçan df^ etyiaologlBs bmtliciu, l^ld 1 




Wcriomirfo d» tiiign* (^eml do BrMll, I^BI , 


JL Ciine, I^A£). 


Pvniidabii njiriinb«aie, i^Dl, 






LMit oAuHcounT ; 


FniiitE AvLiiiiQ : 






EttAti«ilea dl ProYittciA de MaIo OrDiio, 


QdrflócT proitovtaj Mbr« hIcbiu ToealmlM 


1877. 


dji lingiia ceraL 






Mao^oq SoARca : 


âAwtffcL Esâatt : 






PlccionaHc lirAftllefro dâ U^gnt. português A. 


TnUd« detorÍptlr« d<> Bntlt ant 15ST, 1^51 


Bitndr^B loiíko^ApliIccíi do dialecto briil- 




leiro, JBWí, 


M, GiitaiA: 


TrAUdo Juridleo prtUco dA medlçto e âe- 




m»reAç»> de lerrmi. \^7, 


KotSeiu if«t)srat>)>icaii e ■4iiiiiititnitÍTia de 




Mlnu aeraei. Jdl4. 


Macm*oo DC OLivtiH* : 


Haoqoc« Lobo: 


QeogTi|>blA da Províncli de8. PaoIo, iSíl. 




Qaadi^ Hlatorico da ProvlactA de S. PAUlOf 


Tcmbo dafc i«rmf mmiklpiiM do Rio do 


ie»7. 


Auiro, 1663. 






MnitcanAv : 


Hg«eiiAT0 : 






BIiloriA PAtarAl do B.*A5ÍI« 


lliccÍDRirio to|K)gTai>b|i:4 do FemftHibiii», 




t>i^. 


MlLLIlT DK 9«IMT'AoãLPHt : 


Ivce D^EvftBuK ; 


DkdoDArío georrapblCQ d« BriulI, IP63, 


YI*S«M M AorM do BrUtL 


MiiTAfiDA Rcpi: 




[tlBerArlo da vln^em tfirrêAtri dft «idâda de 


J. í!. W*i.|.*ut: 


Baoi^i a C^iAb», )ti«3. 


A tem e o bomeni, 16S4. 


Mon»t ; 


JaXo AlVAMM foAllE»! 


DiwloiiATto pôftUEiiei. 




Morai* Torheb ■ 




VocabnUrlo d a IlapoA geral do Alio Ãmâ- 


JqIo McMDia DE Almii&í ' 


lADAa, ISi3. 


AlganiM nRitm ^pupaIob^ícai, 1FS0 


MúnttmA Pmto ; 


Dledon»m Kco&rapbica do a. Pmío, (Iné- 




dito}. 


DIocloDArlo geo^apblco do Briall, IgfcT» 




]d99 « JtB4. 


JaHH LuCCOKt 


MlMlTOVA ; 


^K A Criminar ited Toubultiy of tbfl tnp 


VijcAtittlirlo y teiOTO d« la lepgiia gnarADl 


^^^^^^ 


Mot/TtNHO : 


^^^^ Billetln de U Bocf«té de Gee^niplite de 


Noticia lobre A Pi orlada âo Ifato OroiiO^. 


^M^ 


IÊ60. 




— 216 — 



0ig4ii Lui. : 
Õ AmmioDu, IFM. 

PcoHO Jomi Dl Paula t Silvj^; 
AlíAAfittlc âfs C*mfhkwA, 1880. 

PlMBMTfL,* 

ÁriB de naregu, JSIft, 

Raiol : 
Motim polHIcM. 

Ra^uehi e UiFAVfTTi : 

HoHAaUEMA COÃMIU: 

YiicãbalArlo BiLlrlo^AndAOia, 1696. 

ilm«iiBlE de Moffi mirim* IbSQ. 
SepAâTjlç PauaihI: 

VoflabaLwlo da UdfB* jndJgenA fferftl^ 16fi3. 

BCVCNIANO DA FúHAtOA I 

Tlft^otn iw rador do Bruill, tBBQ. 

Th IODO no BtHP-At» ; 

A nt^ha gontAiiJl d> c»ple»iila dá Bio Vt- 
««nta, 18U7. 

Thimiu Pompbu: 
Diodonaríd topogrHphíoo do Cskré, 1801. 

TóDANTENI : 

DIftlKlõ àm mtLDdarucái; I87T. 



TúLteo RcpiooM ; 

ItemoríR iinbT4 » aldelu Am ioúicm d» 
FroviDcIt de H. Pau lo, INâ. 

Tictivci : 

Versei eb D i» Ton Worlvn d«r Nttlueiiiiik 
BoLokiAflD, l^flS. 

Valdcz ;: 
DlcoloniTlo QipkOol-pQrtuguéi. 

Vai,i,i CAiifiAL ; 
Bt^molo^lu briullku, 1877, 

Vaunhacien (F. ADotro— }: 
Bl4toríft irsral do Bruíl# iSTe, 

Vaz di Mello : 

VcLLatã ! 
VoDAbalarlo dot ludJoi oiíuíé^i 

VmitiiQ : 
BldçtdAriD, M-m. 



*** 
AlmADAk dft CunpiíiAi, 1^6. 

Anoaej da Blbilotbe^a NHcJofitl. 
DlcpfOQArtú do Qe<ogT«plif« CulTertal, IStf » 
Doe uni eu to 9 iDterefjmDtN par« & liiau^rm 

de B&o Paulo iFobllo^çl* do Arcfalvo Pk- 

líllto). 
Ordenações do Refno úe Fortn^át. 
Relatório da ComiulsiiiAo CftQtraL dt Eitfr- 

tbtlu, i8he, 
EeviíLa Briillejni, ISM, 
Bâviitn âú UQteti P«iiUita 
Rflviíta TrimeDial do Tnatltaio BtotoriOO. 
Vocabuíario da linfa A bru;UM. 



Apontamentos relativos a Aleixo Garcia 



Este Wmem audaz, quB appareceu coma um meteoro, pa8> 
ludo &lraYés das motitatihas e doa rios que interceptavam iu& 
Tiig«m da costa do Brasil aos cotiftus do Itnppiio dos Incas, 
deaappareceu da me^ma forma, d^^ixando um nome que oão dove 
s^r olvidado pelot hifitoriadotea brasileiro». 

Aiadfi que alguns hiâtoríadoroB ponham duvida sobre a 
TBTicidad© da viagem d© Aleixo Garcia, comtudo, esm infanda 
o qtie outros nos revelam a seu respeito, nào podemos deixar 
d« concluir que nua viagem foi verídica e uma daa maiB arro-» 
JÃ^fij do século dezeseia 

Purtiudo da costa do Brasil seis europeus e grande numera 
de í&djgeuas, para se internarem bob bo^que^ sombrioi de um 
uk povoado por ael vagem, era preciso que o chefe de aeme- 
Ibnte expedtçáo fosie de um temperamento aidente e dotado 
de cortgem inquebrantável. 

Fabulosas ou verídica s^ as noticias transmit tidas dessa via- 
gem % dos resultados obtidos, serviam de incentivo a outros 
ttCstemidos exploradores do mesmo século, excitando ae ambições 
«tiles, e estimulaudo-os a penetrarem na vo»ta regifi-o deficonbe- 
^á» do GODtiuente sul -americano em procura das immeusaa 
nqtiQzai que se contava exí atirem uo poder do& iudigenaa. 

Como procurei demonstrar nos Subsídios para a hisUjna ãé 
h^Qpt, a partida de Aleixo Garcia do porto de Sào Vicente no 
ftQD& do 15-24 a mandado de Martim Affonso de Souaa, deve 
8«r considerada apocrypha, porquanto nâo podia elle ter sido 
nj*odado em exploração pelo dito ilartim Affonso d© Sousa» que 
■ííntiito no anuo de 1531 chegou á costa do Brasil. 

Por tudo quanto diz a bigtoria, devemos inferir que no 
*^ao de 1524 os únicos europeus existentes em Sào Vicente ou 
'^^ arredorei er&m os celebres Joào Bamalho e António Ko- 

Kesta época, tias proximidades de Iguape, existia o bacharel 
pmaguêa que foi desterrado no anno de lõOl, (e que tudo noa 
le?a a crer que se chamava Cosme Fernandes) em companhia 
J* Praucisco de Chaves e nmis alguns castelhanos, não podendo 
J^^idar que estes castelhanos fossem os homens perdidos, da 
^ot& commandada por Juan Diaa de Solis que navegava nesta 
MBta no anno de 1508, 




— 21g — 

Próximo á ílta de Santa CAthariníi, liavm diversos euro- 
peus vivendo cm harmonia cum o& iiidl^ptms, o, así-im, temos 
ues BUcleoB europeus uetta eo&tíi do BrnsiJ, doude podíft ter 
partido a expediçÃo d« Aleixo Garcia, 

Vejamos o í|UO La a favor ou eontra a opinião por nós 
emittidtt de ter sido Iguape esíe iiuclet>. 

Dizem 08 historiadores que Áloíxo Garcia partiu com cítico 
europeus & mn coutlngente untuero^o de indígenas de Sâo Vi- 
cente, indo através dts sertões até as fiaUrta dos Áudes, voltando 
coui £»TandeB riquezas atú a» iiiarj^ena do rio Paraguai, donde 
irtandou dgiUá de seus coLipaulieiros, íieompaii liados pi>r doze 
indígenas, ndeante, cóm amostras da riqueza do paiz e ao mesmo 
tempo pedindo Boccorro. Dizem mais que estea conipanlieiroB 
chegaram salvos em Bào Vicente, eraquanto qno Garcia foi 
assassinado; declarando uns que essa moite ioi praticada por 
seus companheiros que cobiçavam a riqueza que elle possuía^ 
e outios que o assassinato íoi feito por indigenaSi que outro 
tanto fizeram a Sedenho e sua gente qu*i seguiu o roteiro dt; 
Aleiso Garcia. Também dizem que aa noticias dessa viagem 6 
á visia da riqueza obtidaj inRammíiva a imaginação dos egub 
compatriotas e que a sua morte era impotente para deter outros 
aventureiros do Sfto Vicente, 

Parece iraposaivel que eiistisso tal ntimero de europeu* em 
3ao Vicente, naquella época, sem que deste facto fizesse menção 
frei Gaspar da Síadre de Deus nas suas Memorias ptira a 
historia de São Vicente. 

Nilo devemos duvidar que as noticias que havia da via- 
gem de Afeixo Garcia infiuitsem no animo de todas as peFsóas 
que a narrativa delia ouvissem, e, afsím foi que, em fins de 
1525 ou principio de 15'2tí, Dom líodrignes d'Acuíta, eoniman- 
dando o navio São GahHel e aportando na ilha d..^ Santa Ca- 
tharina, ahi encontrou alguns dos companheiros de Juan Dias 
de SoHs que deram taes noticias do paiz, quo indnssitt trinta e 
tantos de seus marinheiros a ficarem. 

Logo em seguida, Sebastião Cabot, por causa da insuhordi- 
naçilo do peFsoal de seus nivioSi foi obrigado a aportar na ilha 
de Santa Catharina, onde encontrou dous companheiros de SoHs 
e marinheiros de diversas nacionalidades < Eecebendo a bordo 
de seus navios alguma» das pessoas encontradas, continuou sua 
derrota a» Su1| que foi modificando^ em vista das noticias rece- 
bidas sobre a viagem de Aleixo Garcia e entrou no Rio dt 
iSoliSj subindo^ até a fós do no São Salvador, onde levantou 
uma fortatez^a, e em cojo logar encontrou com um outro com- 
panheirci de Solís de nome Francisco dei Paerto. Continuando 
Buaa exploraíríes levantou outra fortaleza na barra do riíj Ter- 
ceiro que denominou Espirito Santo, mandando recolher se a 
e%t9 o pessoal que tinha deixado na de Sfto Salvadon Subindo 
o rio Paraná até á ilha Apipè, ahi recebeu uoticas dos iudí- 





I 



— 219 — 

gena» confíi manda as que elle tinhn recebido em Santa Catlia- 
rÍDíi, Teferenies á viai»e1n de A Iriso Garcia, e, em víata da* 
Doya^ ialormaçôes, reftoíveu a %í)U9r e subir o tio Para^'-uai, 
cujo cu aa explorou alô al(>m do lo^rrir ondo mnh tarde foi 
erigida a cidade de AsíUinpçílOt recolheudo em sua viagem 
detalhes tobre a viagem do celebie aventureiro Alêiio Garcia. 

Neste mesmo tempOj Djog^o Garcia cheg^ou com aenà navio» 
á cosia do Braail e demorou rauito tempo num lognr que alfíuna 
autores declaram eer Eao Victute e outros o Rio dos Inuo- 
ceutea. Aioda que haja diver^rencii na deucmiiisçAo do porto 
onde ello demoroUj comtudo, os bistonadorca coiieordam em 
dizer que elle encontrou iiest© |>orto um bacharel portuí^uês 
que lho fora^cf^u mautímentoa e um interprete^ genro do me^mo 
bacharel. Partindo dahí, Diofço Garcia aportou na ilha de Santa 
Catbarina, seg-uiodo o roteiro de Sebastião Cabo t a tt* o Rio ãe Solis^ 
donde mandou voltar fcu navio nmior com pretexto de o mesrno 
nào servir para a exploração do dito rio; porem, parece que a 
verdadeira razào era tel-o fretado ao seu amiíjo, o dito bacharel, 
para transportar mercadoria a e escravoj á Europa. Subindo o 
rio Paruj^uoí, Diogo Garcia encontrou-se com SebaRlido Cabot 
e junto» desceram o mesuio rio até a fortaleza do Espirito 
Santo, donde maia tarde voltaram á Europa, deixando na dita 
tortalf^ca cento e setenta home na aob o com mau do de Nuno de 
Lara. 

Dizem os histoiiadoreá que entre os companheiros que não 
quizeram acompanhar Aleixo Garcia em aua tenebrosa viagem, 
havia dou?, aendo de nome Henrique Montes e Melcbícr Ra- 
mires, e que elles mais tarde vieram a eslabelecer-se em Santa 
Catharina. 

Em referencia á viagem de Sebastião Cabot, ccnsta que 
elle levou de Santa Cathariíia dou3 companheiros de Bolia e é 
provável que foagi;m os acima citados, tanto mais que Henrique 
Montes se achava em Poriug-al na occasiSo da organização da 
expedi^^o confiada a Martim Affonso de Soufa, voltando Hen. 
Tique Montes nesta expediçlto ao Brasil no anuo de 15ãl, feito 
Cavatleifo da casa e agraciado com o of)icio de provedor de 
pianiimentoSt asatm na viagem t como ao dejxnjit em terra f em 
qvcUquf^r lagar onde aftseniassem. 

Adorai si Henrique Montes e Melchior Ramires eram com- 
panheiros d(5 Aleixo Garcia e não quizeram acompanhai- o em 
aua viagem e mais tarde foram estabelecer- sq em Santa Cntha* 
rins, formosamente dcavemos cont^lutr que na occasião da mesma 
Viagem n5o eiam moradores dahi, como também quu sua mu- 
dança do ponto de partida da dita viagem para Santa Gatha* 
rina deu-9& depoia do anuo de 1524. 

E* natural concluir que nesta época havia relações entre 
oa moradora a do pequeno núcleo de europeus estabflecidua em 
Igtiape com os da ilha de Santa Catharina e n^o é de duvidar 




— 220 — 

que Hônrlque Mootei e Melchior EAmirea foaftem morador«t 
daquelle Ducleo. * 

No anno de 1531, Martim Afíboso de Souaa na ?Qa viagem 
AO Sul, aportou daí proximidades de B&o Vicetite, mas n&o 
entreteve relações cora Jo&o RairalUo ou Átitoíilo Rodriguôa 
nea&a occasiiào ; e ch^psindo a Cananéa mandou procurar o ba- 
charel português. Estudando o dtario de Pêro Lopes de Sousa, 
verifícámoB que Mar li m ÃffoDso tinha iuformaçõêâ exact-as a 
respeito da kcal idade ^ cujas informações naturalmeçte foram 
fornecidas por Henrique Montes que se achava Da frota. Em 
companhia do bacharel havia Francisco de Chaves e cinco ou 
■eia castelhanos, e, pelas noticias dadas a Martim Âífonso, 
elle ahi dt^ixou Ptro Lobo com oitenta homtns que fonsem des- 
cobrir pela terra dentro t porque o dito Francisco de Chaves se 
obrigou que em dez mezes torriára ao dito porto com quatro- 
centos escravos carregados de praia e ouro. Depois dõ uma 
demora de quart^nta o quatro dias na ilha do Abrigo, Martim 
Aâonso continuou sua viagem ao Sul, perdendo nas proiimi- 
dades da ilha de Santa Catharina uma das suas embarcações, e, 
quatro messes depois da sua partida da ilha do Abrigo^ voltando 
elle do Sul, estabeleceu-se no porto de São Vicente, donde 
mandou procurar as peâsoaa que naufragaram próximo a Santa 
Catharina, encontrando-aa já com outra embareaç&o que fizeram 
com ajuda de quinze homenft <^4UtMaiiQS que ?!/> dito porta havia 
muitos tempos. 

Não nos devemos admirar de MaTtim Afifonso n&o ter man- 
dado logo procurar saher noticias doa ^eua oitenta homent 
deixados com Francisco de ChavíS, visto o prazo marcado para 
a volta destas ter sido do dez mezes, o até a data de seu estabe- 
lecimento em Sào Vicente tinha decorrido somente a metade do 
dito pras&o. 

Já vimos que, partindo Diogo Garcia e Sebastião Caboi 

Eara a Europa, deixaram cento e setenta homens com Nnno de 
iára na fortaleza do Espirito Banto. Pouco tempo depois, Nuno 
foi morto com parte da guarnição, numa *ortida que faziam em 
procura de mantimentos, ficando dahi em deante Ruiz Garcia de 
Moaquera como commandante, soãreudo continuo» ataques io« 
indígenas e padecendo por< falta de mantimentos, até que, no 
fim de 1532 ou principio da 1533 os homens que restavam da 
gnarníçâo resolveram abandonai' a e mudarem -se para a costa do 
Braail, vindo a estabelecer-se por pouco tempo em Iguape. 

Por mais que frei Gaspar da Madre de Deus â^sse para 
contestar a estada de Eui^ Mosquera em Iguape, ou de sua 
ida a São Viceutet não podem suas allegaçèes destruir o facto 
consignado na escriptura da venda que fizeram os herde iro s de 
Ruiz Finto, onde dÍ2 : tEsia carta est&.va já regiítada coma 
ndta se contem^ e por se perder o livro do tombo (que foi lêva-^ 
do peios morador et dt Iguape) se tornou a registar «m outra 




Li 



— 221 — 

livra quê ora »tf^, Efiea nellê rêgiíttada húf€f 20 dias de agosto 
«m 8, Vicente dê 1537, por mim Áiiímúo do Valh^ Taba' ião,* 
Na anuo de 1536, estando Dom Pedro de Mendosa do rio 
da Prata e faltatido-lhe mantimentos, mandou Gonçalo MendoBa 
á cesta do Bmaíl a procural-os, encontrando este na ilha do 
Saota Ca lha rí na com Haist M squera e sua gente, a quem Gon- 
çalo facilmente per&uadiu a abandonarem aa snaa casas e plan- 
ta^çeB para seg^uirem com ellé ao rio da Prata. Em 1538 foi 
niKndftda outm embarcação do rio Prata á iiba de SantA 
Catbíirina á procura de noticias de ura navio da frota de Álonço 
Cabrera e para ser carreg'ado de mantimentoa, cuja emhareaç&o 
iiitifí«g;«u dentro do rio da Prata, salvando-se fomente seis doa 
tnpDlanieaf sendo um destes homens llulderico Scbmidi*!, biato- 
túÂor que acompanhou a expediçào de Dom Pedro de Mendoaa. 

No dia 29 de março de 1541, Dom Alvares Nunes Cabeaa 
de Vaca aportou na ilha de Banta Cabarina e no dia 18 de 
otitxibTO do mesmo aono partiu por terra em caminbo a ÃRsum- 
Pí^o, levando em sua compaTibin duzentoi e cincoenta bomena 
e ?inte «eis cavallos, ser^indo-lhes de guia uns indig'enaB da 
iD6iina ilba^ 

Eitudando um pouco a descripçào daquella viagem veremos 
qae a expedição^ subindo o rio ItMpucú e atravessando a Serra 
geral ebegon no dia L* de dezembro ao Ig^uaçii e no dia 3 ao 
rio Tibagt, onde encontrou um indio brasileiro de nome Miguel 
que voltava da cidade de Assumjtçào á sua terra natal. Com 
este indio. Dom Alvares tratou para servir de ;;;uia, e, continu- 
ando sua viajarem cbeg^f-u no dia 7 do mesmo mez ao rio Ta- 
qnari (Ivabi?) e no di* 23 a um lof^íir cbamndo Tugui bndô 
»e aeroorou para festejar o dia de natal. Diz a descri pçào que 
no dia 14 de janeiro a expedição cbegou outra vez na marg:em 
do rio Iguaçu e no ulttmo dia do dito mez, maia uma vez al- 
cançou o mesmo rio Neita ponta, sendo avisado o Dom Alva- 
res que os indígenas, mt radores na^ margens do rio Píqnirl se 
achavam di» pontoe a atacar ena comitiva resolveu dividil-a 
em duas partei, seguindo com uma em eanôas pelo mesmo rio 
abaixo e mandando marcbar a outra por t^^rra &té as margens do 
rio Paraná. Atravensando este rio em canoas e balsas forneci- 
das pelos iudigenNs, mandando seus doentes em canoas pelo rio 
Paraná até o rio Paraguai, Dom Alvares conlinur^u sua viagem 
a ÀsEum^M^ftOi onde cbegou nu dia 11 de março de 1542, com 
ce&to e quarentA e cinco dias de viagem; 

N&<o podemos deixar de notar uma pequeoa incoberencia 
na descri pçâo desta viagem, não podendo ter sido o rio Iguaçu 
onde a expedição chegou no dia 31 de janeiro, nms sim, o rio 
Fiquiri, na foz do qunl existe a celebre cachoeira denominada 
de Sete quedas, próximo ao logar onde Dom Álvares atravessou 
fi no Paraná. 




— 223 — 

Ko anno seguinte, cllo resolveu ex|fIorar vlo acima do Pa< 
raf.f-uy ti nessa ttcasifio recebeu de «ma tiibu de Guíuvai-apos, no- 
ticias de baver cBUido ca me&ma icgiâo Áleix-j Garcia eoin chico 
europeus, um mulato cliatnado Pacbccd o grande eatereíto do 
indipeiias. Diííiam os Guíixaiíipóâ que Píicbeco foi morto por um 
cacique de nome Guaiiú e qun Garcia voltou para o Brasil por 
um outro raminlio, ficaudo inuitoB do seu exercito atrns. MaU 
tarde Dom Alvnrea encontrou fo com duna aldeias de Cbanesét, 
trazidos do teu paiz natal pelo reíerido Garcia. Diziam este» 
licmfus que o resto doa companheiros de Garcia baliam suceum- 
bido m niilos doa Guíii*anÍ9, e que ellei, nfio conlieceudo outro 
caminho para Bun terra sinao aquello por ande vieram, uào po- 
diam mais voltar a ella. Na uUima ponta, onde cbegaram alguns 
liomen^ da expcdifjilo de Dom Alvarez, abi encontraram itidi- 
geníis quo pcitenciam ao beteiogeneo exercito do colobro aveu- 
tureiro Aleixo (iarcifl. 

Em tudo quanto encontramos na btstoria referente aos feitos 
de Dom Alvíircs Nunei Gabeza de Vaca, iiho ba nada que uos 
faça Euppor qut^ de Santa Catbarioa á Aasumpçâo elle seguísEC 
o roteiro do Aleixo Garcia, o, Éiímentís no anno seguinlt; ii sua 
etepada a fs!a cidade é que ]Kirecc ter jirocurado fiiher do 
caminbo que Garcia seguiu; comtudo, nâo podemoa duvidar que 
durante spu estádio em Santa Cathnrina, Dom Alvares ouvis&e 
algumas noticias a rrspeito de senielbnnte viagem. 

No anno de 1552 Joi\o do Salazar cbegou a ilba de Santa 
CatbarlDai onde encontrou cnm um bespanbol de nome Juan 
Pernnndes, que do As&umpçâo linba sido enviado para porsusdii 
na indígenas a cultivarem as terra><, para assim ter neste porto 
com que abaftecer os navios que abl toca?SPm. Perdendo ne^te 
porto seu navio transporte, Salazar demorou abi dous annos, 
no fim dos qnaea resolveu ir por terra a Asaumpçflo morrendo 
grande parte da aua comitiva nesía viagem. 

Pelo cxpoàto ú jírovado que do anno de 1525 em diante, 
baviam noticias na costa do Brasil dos resultados da viagem de 
Aleixo Garcia, e, parece que, eómento no anno do 1511 foi feita 
a primí^ira viagem por europeus ao interior do paia partindo da 
ilba do Santa Catbarina. 

Si est^ iiba fos e a ponta donde partiu Aleixo Garcia com 
sua celebre Cítpediçâo, naturalmente outrcs aventureiros teriam 
procuríido seguir o mesmo roteiro entre os a unos de 1524 n 
154.1. 

A bistoria consigna o facto d a Sebastião Cabot, no anno 
de 1526 demorar alguns me»ra tia ilba de Santa Catbarína, re- 
cebendo abi ties noticias do interior do paiz quo o induziam a 
deixar de seguir sua viagem h Cbína e Japfio }»elo estreito de 
i^lagalbãee, da qual foi incumbido polo Hei de Ilespanbaf para 
ir explorar o rio que até cntilo era conbccido pelo nome de 
« Ria c/í Saiu*, 




I 



j 

L 



- 223 — 



Xào podetnoã negar qut^ a ilha de Sautn Cnthaiina era um 
àci pc^rtos maU í requentados pelos imvc^^anteâ daquflla epucat 
10 níesmo tempOi tanUs frctia, ou parto tlti frotas* nbl tocnvam 
entro os jiiinos 1508 n 1552, da^ quaes a hi^tona consigna cer- 
tos fjcbrf, que parete irajio&aivel ter escatJadn A uoicía doã 
bistoriadoies, se fosse csto porto o logar t^lado AleUo Gatei» 
orpnbou siífi í^ipediçtlô. 

Ainda mai^, temos o fado de todos os historiadores hes- 
panWs declararem ser Áleiso Garcia uni portu^ruf^s o tf^r par- 
tido sua «xpediçào d» co&ta do Brasil, cujo facto dÍIo conduz 
com a idt"ia dos rae*moa historiadores que consideravam Santa 
Cailiariaa fora di s litnite& do Brasil, ai fosse eete p&rto a pouta 
da purtida, 

iVtanto, exclaido o porto de Sáo Vieenle e a ilha de San- 
ta Cnthariua, fica o mickodo Ip:uapn como porto Ijypoiheticameute 
da ^lartida, e, cm apoio desta auppo^içfto, temos diver&os acou- 
têdtbentos Ligtoricop, al^uaa dos quaos já citadoi. 

Em relação ao fncto de ter eido de^íredado um bacharel 
p<irtiiguÍ!ã na co&ta do Brasil nos primeiros ao nos do século 
i^^eidst nio devemos difcuttr, vi^to a concordância que existe 
nos escriptoi qup tratam dtíste assumpto, a, aiada quo haja al- 
^um& duvida a respeito do sen nome íu da epo a exacta da sna 
cber^ada aqui, nhú ha nenhuma relativamente a clle ter sido 
posto em terra na ilha do Cardozo, deíiontc á ilha do Abrigo, 
ífae durante muito tempo era coubecida pelo nome da Ilha de 
Cajuméa. 

Henrique Montes, Melchior Ramires, Francisco de Chaves, 
Francisco dei Paiírto e outras pessoas encontrrdfls nesta costa 
por diversos navegantes f^ntre os apucs de 1518 a I5'2G, i&o 
consideradas ]»e!os historiadores como sendo companheiros de 
Jutn Dias de Solis, e^ nesta mesma categoria devemos incluir 
o celebro Aleixo (rareia, visto a declaração positiva de terem 
sido 09 dois primeiros citados com]iaQheiros deste. 

Anaíyaaudo o quo a historia nos revela a respeito destes 
líciDouB, veremos que os dois primeiros eram moradores na vi- 
»inbaB<;a da ilha do Waula Catharina no anno d© 1527, ondo 
tinham ido estabelecer-Bo depois da viagem de Aloiío Garcia, 
alo querendo acompanhar este em ^ua desastrosa viagem. Dahi 
i^guiram para o Rio da Prata, c, Henriqae Montes, mais tarde, 
"Poltou paia Europa, donde veio novameote em companhia de 
iíartim Aífonso de Sousa no anno de 1531, agraciado pela Rei 
^e Portug-al. 

De Melchior KamVez nada mais encnnti-amos sioílo de ter 
^^<Io companheiro do Ale]x:o Garcia e de Henrique Montea^ como 
ji referimos. 

Francisco dei Puerto era companheiro de Juan Dias de 
»-*lii na fiua dcaastmaa viflfretn no anno do lã 15, e passou al- 
^tiQB aanoâ vivendo com oâ indigeoas nas margens do rio 
Umguii. 




— 224 — 

Relativamente a Franctaco <Íe Chaves, podemos prosar, por 
docunieiitoã e^ciateatea nos archlvoe desta cidade, algaiis dos 
qnaes jà poblicado⻠que seus deicendentes eram herdeiros de 
Ooame PernaTidcs, que aqui em I^ape é tM^nsiderado como sen- 
do o bacharel português desterrado no principio do secnlo de%- 
«eeU. Manuseando eiteâ documentos, aomoa convencidos que 
Francisco de Chaves era f^enro do dito bacharel, como foi 
aventado pelo erudito biitnnfldor Francisco Adolfo Vartihag^ea 
tia sua nota n 3i2 que acompanhou o ^ Diário da navegação dé 
Martin Affonso de Souxa* ; e, portanto, torna-ae mais provável 
& ideia deile ter sido o interprete forii^cido pelo bacharel des- 
terrado a Diogo Garcia ua sua viaf^em de 1526 a 1528. 

Fazendo deducções dos dados que temos, achamos que oa 
flete náufragos da frota da Juan Dias de SoHs, perdidos no «Rio 
dos loufícentes», eram : Franei^co de Chaves, Aleixo Ga<cía, 
Henrique Montes, Melchior Ramires e mais três, cujos nomes 
por ora nào alcauçamoPj e, que, reunindo-se estes com o ba- 
charel, que lia oecasiAo do naufrágio havia uns seii annos se 
achava npsta costa» formaram um dos primeiros uncleos de euro- 
peus DO Brasil, 

Dizem o» historiadores positivamente que o numero de ho- 
mens deixados por Juan Dias de Solis no log'ar onde noz ô 
nome de •Uin do^ Innocentes* era de sete. Igualmente dissem 
que Alei 10 Garcia em tua viagem através do continente levou 
cÍDCo companheiros europeus, dos quaes mandou dois de volta 
oom noticias da riqueza do paiz e t^edindo soccorros, ficando 
assim três que desappareceram com elle 

Serão estes os tie cujos nomes nos faliam? 

O numero de pessoas que existiam ne&te nueleo de I^uapa 
que supúnhamos ser o da ])artida de Aleixo Garcia, concorre 
para confirmar esta suppoíiçào e sem que tivesse mais europeus 
além dos que coosta ; porém, neste caso, o bacharel e Francis- 
co d i^ Choves acompanharam a expedição e loram os doii quô 
Toltarau) em procura de soccrrro 

Esta hypothese é confirmada pelas tradições locaes. 

Al€m disto, nfto parece provável que Martim Afínnso de 
SoUEá deixasse aqui oitenta homeos armados e municiados para 
uma viagem de dez mezes, quando ainda elEe ia empenhar* se 
em viagem de exploração ao ^uL si uho fosse convencido da maior 
proba bilidat^e do bom êxito deste pequeno exercito, que depen- 
dia do conhecimento do guia. 

Ao mesmo temjKif uhr podemos dizer que nào havia mais 
que oilo europeus neste núcleo no anno de 1524, sendo provável 
que houvesse mais, visto os naurragios havidos nesta costa e aa 
relações que julgamos terem tido os moradores daqui com os 
âm ilha de Santa Catharina 

Igualmente não devemos julgar que tndos os castelhanos 
que acompanharam a bacharel e ^ranciíco de Chaves no dia 17 




— *225 — 

âe agosto de 1531, na entrovista que tiveram com Maitím 
Âfibo&o de Sónia, fossem náufragos da frota de Juan Diaa de 
B&\i% no anno de 1508; porque, si Aleixo Garcia e &eu8 troB 
eonipãii beires europeus, mottoB na volta da expedição, fosBem doa 
iet« homeua perdidos no • Rio dos Innocântes »i como é pro- 
Tav^l, não podiam eiiatir aqui sinfto duas p^ssôaB, nào contando 
com Melchior Hamiree que pelas ultimai noticias »6giiiu para o 
rio da Prata, ou com Henrique Montes que se achava em com- 
paohia do mesmo Marti m A Bona o de Sousa 

Examinando eata quest&o por um outro lado, isto é, pelo 
lado do conLecimento que os Indígenas podiam ter da Tique7.a 
existente na^ mioa dos Peiúauos, é de nctar que o numero doft 
Sambaquis existeotes nesta parte do littoral è j^rande, alguns 
dos quaes attin^^em a um tamanho enorme, e, parece- nos, que 
Q&o na outra parte da costa do Brasil que po>-sua em igual 
tuperficie de terreno tantos desres monumentos preliiótorir:os, et mo 
existem entre o morro de Jurèa, ao norte da barra do rio Ri- 
beira, e a Ârarapirá, ao sul da barra de Cananéa, 

Não Tâmos ecrcetar um tratado sobre sambaquis, declarando 
porém que não acceítamos a bypotbese de terem i^ido estes feitos 
pela acção do mar, como alg^uns autores declaram^ Unto mais, 
tendo em vista os acurados estudos feitos pelo noso amigo 
nisjor Ricardo Krone, dos sambaquis prineipaes desta zona, cujos 
^tudos ião do maior interesse e derramam tus ãobre o tempo 
ptehistorico deste paiz 

Para a construcçjlo de tantas e tão grandoí» montes de cai- 
eas de cmstaeeofl, era necessária a eoog'lomera^ão de povo em 
numero ele v adi sumo, e como parece que em certaé épocas a 
ooDâtrucção dos fambaquía ficava parada, deixando aisim o tem- 
po preciso para a formarão das diversas camadas de bumui que 
nelles existem entre camndas de cascas, devemos concluir que 
^uelle povo fosse migratório, aí não de todo ao menos em parte. 
Bi as migra ç5es elfectuadas eram forçadas pela inlta doa 
CTttstaceos, que podia haver em certas e determinadas épocas, ou 
csai^adas por outra razão qualquer, parece impossível descobri l-as 
^e; porém, a existência do referido bnmus em camadas bem 
pronunciadas, algumas até de trinta centímetros de espessura, 
prova que durante muitos annos estes sambaqui* eram fibando- 
Qidos, ficando expostos á acção meteorológica e ajuntando sobre 
«Bes a matéria orgânica necessária á tt>rmaçâo do humu*. 

Todos os navegantes e exploradores do tempo im mediato á 
ÍBWoberta, concordam em mencionar a g^rande numero de canoas 
fita mo pelas diversas tiibns, provandn que este |>ovo conhecia 
o valor desse meio de transporte e uttlisava-o tanto quanto era 
poisivel. 

Estudando a posiç&o geographica desta regiSo, veremos que 
* rio Ribeira, antigo Igoat nasce nos planaltos do Paraná, pro- 
33aH) ài cabeceiras dos rios If^uassú e Tibagi, nas margens dos 




— 226 — 

qtinc& foram estabelecidas algamae daa primeiras povoaçõe» eu- 
ropêas por parte do governo do Parfl^rufii; ao mesmo tempa 
alguns dos atHaeiítea o;rande& do rio Kibeiríi fazem contra ver- 
tes com atHuentea dos rios ParanapaneiDa 6 Tietê. 

Nos rios Ij^uassú 6 Tibagi, atravessando o i ou navegan- 
do os andoa Dom Alçares Nuno Cabeea de Vaci em sua peoosA 
yiagem de Santa Cathacina a Assumpção no anuo de 1542, en- 
coutrítndo-s© com <win tal Migutl^ indio brasil eirOf convertido, 
que de Aítfiuinpção^ onde residira algum íem/jo, voltava ao paim 
natal** Tanibem nestas paragens Dom Alvares recebeu noticiai 
de terem udo aâsaseinadosos homens que compunham uma par- 
tida de pcrtu^^uetes enviada por Martim AfFcnso de Souta. 

Eítes factos concorrem para demonstrar que os rios I^oa, 
IgUítssú e Tibagi eram vias de communicação usadas pelot 
iiidigenas nas suas viagens entre o rio Paraguai e a parte do 
littoral onde existia o núcleo dos europeus em Iguape. 

Nos estudos de os fadas encontradas nos iambaqulSf tem-so 
reconhecido typos diferentes de craueos que a nosso ver forne^ 
cem a confirmação da migraçAo dos indígenas e intercomunicaçào 
que havia entre as t ri bus de divei-sas partes do continente sul- 
americano, cuja íntercommunicaçào e^tiste até hoje, tau to que oi 
indígenas t^ue vivem na serra dos Itatius entretém relações com 
03 do interior do pai^. 

Ora, conhecendo que aluda Ua esta iutercomniUQicaçào, quau- 
do o numero dos lntJi*,'-ena» ó limitadissinio, e que elles encon- 
tram maiores difficuldades rara continuar suas relações com tri- 
bus afastadas, por causa do receio que tíT-m de apparecer em 
povoações civilliadas ; devemos acreditar que as relações entre- 
tidas na época da descoberta fotsem mais oBtreitas, ainda quo 
ás vezes as guerras entre as diversas tribus pud&Esem diíHcultar 
ou cortar a^ relaçòes entre os membros daa tribus combatentes, 

Tomando este facto em consideração e o auxilo oíferecido ao 
transporte pelas vias ftuviaos que, com excepção de um pequeno 
trecho de terreno entre fs cabeceiras do rio ígoa e os confluen- 
tes do rio, Paraná, é^o communícação desde o littoral até os 
con6n!í do Peni, é natural suppor que os indígenas que recolhe- 
ram o bacharel desterrado em 1501^ tivessem conheci meoto da 
ríqaeza e do estado adiantado da civilismç&o dos perúanoi. 

Este conhecimento, tranamittido ao bacharel e aos náufragos 
que reuniram -se come 11 e^ devia ter motivado a viagem de Aleixo 
Garcia. 

Voltando á descri pção da viagem de Dom Alvares Nunes 
Cabexa de Vaca e analytatido os factos citados, é de notar a de- 
claraçã.0 de ser o tal Miguel um indio brasileiro convertido qu« 
voltava ao seu paiz natal, es{>eçialmente lembrando- se ^ue Dom 
Alvares, desde sua sabida de Santa Catharina ia tomando posso 
do paiz que atravessava em nome do Uai de Kospanba, de- 
monstrando que n&o considerava aquella regífto como pertenqento 




— 227 — 

loBmiil; e, poftanlo, Miguel ia caminhando píirii Ig-uape, Sào 
Vkente ou Firatiníngo, uuícos nuclBOfi eziit^entcs naquella cpocA 
nciti pUTte do BrasiL 

E' verdade que as palayrt;» * índio Brasileiro convertida* 
i3âo a pensar quo sua teria natal fosse naa proxícnidades de 
Pimtíniníra, centro religioso; porem, podemos entendel-as como 
íi^iÊcandoí fiomente, convertido a vida civklieada» e asflim ello 
podia pertencer a qualquer triba estabelecida tia^ proxlmi dados 
áe SJLrj Vicente ou I;^uape. 

Nilo podemos duvidar que bavia caminho conhecido peloa 
ÍDdi{;eiiãB entre a faabitíiçlo de Francisco de Cbavea o as terras 
msrginaes d.>s rios Igiias^ú e Pjquiri, onde Dom Alvares re- 
cebeu noticias da mortandade da expedição de Marti m ÁfFonao 
de ^Qu«a. A^ora, se os homens da expedição de Martím ÃlTon^o 
foracQ mortos pelos indí^renas que habitavam as margens do rio 
%Gaíaú ou aí do rio Piquiri, como tudo nos ftz crer, teiaoí 
provA que elles iam em direcçôo ao Peiú, c devemos suppor 
qtie seguissem o roteiro de alguma outra expedição anterior e 
4 UQica realizada antes do aiiQo de 1531, de que temos noticia, 
é a de ÂEetxo Garcia, 

E' facio comprovado, por moitos documentos existentes em 
Igiapei que Fraocisco de Chaves e seu bo^to Cosme Fernandes 
pflnuiam terras no lugar da actual cidade e outras em frente a 
fcana du Capara, inclusive o pequeno morro denominado «Oí- 
i^To do Bacharel*, 

T^>m&ndo qualquer destes pontos, que distam uma légua 
um do outro, como ponto da partida da expcdií^fio de Martim 
AffõDso, o caminho mais faeil a seguir para ilcan<;ar os plaualtoft 
de Paraní, fetia naturalmente o rio Igua, hoje denominado rio 
Híbpíra de Iguape, utilisando-ie para seu transporte as canoas 
que 01 europeus e indi**^enaÊ aqui residentes dcvinm ter possuído. 

Temos ainda o facto de ter fido achado n'uma excnvaç&o 
idtantts areias do rio Ribeira pelo falfecido dr. Henrique Bauer, 
lUQ machado de bronze que os entendidos consideram como nendo 
pfinkuOf cujíQ machado talvez fosse perdido fetos compnoheiroâ 
de Aleixo Garcia, durante sua viagem em procura d© soccorro. 

Dr>cumentos existem nos cartórios desta cidade dos quaei 
sfi Terefíea que no anno de 1618 residiu um homem em Iguape 
de nonte Agapito Garcia com mais de oitenta ânuos de idade, 
<*ado com Maria Dias Lemes, tendo um filho de nome Manoel 
DÍ48 Garcia. Foram estabelecidos em terras próximas á barra 
do rio Ribeira e que diziam ter aido dos seus antepassados, que 
'°t&m dos primeiros povoadores de Iguafie. 

Não serão estes^ defcendentes de Aleixo Garcia ? 

Por notas genealógicas que temos organizado podemoi 
pi^var o parentesco que ha entre Agapito Garcia e diversas 
lÁibilias importantes residentes nesta zona actualmente, íaltandi) 
ionieate saber si Agapito tínba ou não parentesco com o celebra 
íTeii tarei ro. 




— 228 - 

HacoDitmfr a Mstoria ã&â prfmeiraB tentatiyâi de explora<;3.o 
iiêatd paiz é de^cillimo, e é natural que eurjam hjpotheees áa 
Tezes ©Troueas, comtudo, atír©ditanií>& que o ponto de partida da 
expediç&o àò Alei%<y Garcia fosae Ignape^ donde maU tarde par- 
tiu a de MartJm A0onBO de Sousa, cujo roteiro, coutta-uoa, 
existia a poucoB annoa pasaados nesta eídade. 

Ignape, 1905. 

EaimSTQ GtriLHBRMB YOUHO. 




o VOADOR 



Dom Joaquim Marti nez, cm» coUado da egreja parochml de 

^ta Leocadia e S« Bom&Of da cidaJe de Toledo, certíâco quo 

Áa folhas 115 do livro doa fallÊcidos, que começou no anno de 

1705 e terminou no anuo de 1739^ se acha lançado o ieguinte 

•«lentamento : cAoi dezanove dias do mez de novembro de 1724 

^aoB fallecen D. BAtthotomeu Lourenço do Quâioão, doutor em 

cânones pela Universidade de Coimbra, natural da villa de Santos, 

00 Braiil, de edade de trinta e oito annos^ presbytero, residente 

fl* cidade de Lisboa, filho de D. Franciaco Lourenço, ji falle- 

ctdo, e de D. Maria Álvares, ac band o -ae presentemente no Hott" 

piUl de Misericórdia da paro eh ia de S. Romão deeta cidade de 

Toledo, tendo m confessado e recebido por víatico o Santissimo 

âãcramento da Kucharístia e o da Extrema Uncçâo, Falieceu 

sem testamento por Tião ter o que legar e foi sepultado nesta 

paroehial egreja de S. Romão com assistência da Parochia e da 

Irmandade do Senhor S, Pedro, vestido com hahitoa sacerdotaes 

e deu á parocbía desta egreja sessenta e seis « reales « peloi 

ditQB hábitos e tnnta creales» pela sepultura^ a qual quantia 

foi paga pela referida Irmandade doa Sacerdotes do Senhor S. 

Fedro, e por ser vt^rdade iirmei esta como cura collado da dita 

«greja. — Dotn Francisco Gomes Manseal.» 

Este asaento loi copiado por Joaquim Martinez, na cidade 
áe To todo, em 5 de maio de 1B56 e reconhecido como authen^ 
tico pelos escrivães de Toledo, 

Tal certidão de óbito existe no Ãrehivodo Inaticnto Histó- 
rico e Geographico Braaileíro, acompanhada de um certificado 
de Francisco Adolpho Varnha^en (6 de acosto de 1856) então 
eticarrei^ado dos negócios do Brasil, em Madrid. 

O futuro Visconde de Porto Sog-uro enviou e offeretseu ae 
IsAlituto esse curioso documento (ora por mim traduzido do hei~ 
puihol] pelo qual ae prova o triite fim do immortat Paulista a 
« quem cabe, por certo, o titulo de Fatriarcha doa conquiatadorea 
do ar. 

Passa hoje, pois, mais um anniveraario desse triste aconte- 
cimento e n&o 8&D descabidas algumas linhas dedicadas a esae 
verdadeiro génio brasileiro que figura no longo catalogo do» 
tnartjres da iciencia. 




_ 2Z0 ^ 

Quarto filho do cimrgilio do pT«»idio de Santos, Bartholo- 
meu Lonreoço de Gtum&o naseeii maii ou menot pelos jiquob de 
1685. 

Era 10 annos maia ve'bo qae feu il lastre inuSo, o mui 
conhecido escrivão âa Paridade, Alexandre do. Gmmfio. 

ErAfn 05 outtoa: frei Símfto Álvares, pregaior d© nieríto, 
nascido em 1632, frei Patrício de Santa Ma^ia, francbcrAiia, nas- 
eido em 1090, o pa:Jre Ignacio RoJri^eê, jssaita, na^^rido em 
1701, padre João Álvares áf Santa Maria, carmelita, nAsotdo em 
1703, todoi iliuitrea, Fãmitta privilegLida de príncipes pela 
íntelligenciaf diise com r&7,ao Teixeira de Mello I 

Com 01 jeanltis e^tulou hamin idades. Xuoca, poriam, como 
se escreveu, fea parte da Coiapanbia de Jeans. Enviado a Por- 
tagali matTÍcnli>u-ãe na Uni?eraidade de Coimbra, onde obteve 
o grÂu de doutor em direito cationico. 

D^ suas babílitaçôei ]it'*rfirias e scientificaã noa dá largn 
noticia £eti contemporaTieo o abbnde Diogo Barbosa Macbado, 
Co^becia perfeita mente a liir^ufi latina, iallava com çorrec<;âo a 
franccza e italiana e traduzia bem a «rr^íja e a bebraica. 

Dotado de s^in guiar modéstia, diz o Visconde de B. Leo|ioldo, 
d^ amnvel siogetfz.i 6 candura dalma» de tal sorte acanhado, 
que não parecia deposito de tantos the^ouros scientificoA Em 
meio de iti{initfia virtude» reluzia a do amor e piedade BliaL* 

Occupou com diitioíçào a tribuna sajjraJa, Entre oi seus 
aermôes é citado o que proferiu na festa do Corpo de Deus, 
eui S, Nicolau, em Lisboa, no anão de 1721. 

Vcriado níi8 conhecimentos da pbjsica e da nofcanica pu- 
blicou era 1710 um fulbeto (depois impresao em latim) snbre 
Vários moios de esgotar sem g*?nfe as nàu» com agua aberta* 

Tanta era a reputaçilo da Barthobireu que instituida por 
d. JtiSo V, em 8 de dezembro do 1720, a Academia Real de 
Historia Portuguezfl, o monaiclia escol beu o noeso distincto 
compatriota para faz-r parto dos 50 primeiros sócios eftectivoa 
de que ae compóz aquelle grémio. 

Pereira da Silva ei plica e8?a^ boas graças do Hei do fe- 
guiutc modo ; GusmSo eraprehendeu uma viagem á líespanha 
e allt conquistou a Bym|>atbia o amizade da rainha que pôz sob 
a protecçào do joven filho de d. Pedro II o ecdesiastico que 
já se tornava notável por seus merecimentos, 

Mm5 o que torna immortal o nome de B, de Gii&mílo é a 
gloria de ter elle sido o primeiro inventor dos âerostatos* (iloria 
incontestável, cm vista do muito que se tem escripto «obre o 
asaumptO. 

Depois de aturados estudos de gabinete e pequenas ex- 
periência* animou-s6 este a enviar a d. Joào V a seguinte 
petiçAo; Diz o Licenciado Bartbolomeu Lourenço de Gus- 
mào, que elle tem descoberto bum instrumento para andar 
pelo ar, da mesm^i sorte que pela torra e pelo mar com muito 
maia brevidade, fazendo-so muita? vezea duzentas e maía légua a 




— 2U -^ 

de cainiíibo por dia, nos quaos ÍD&trumeiitoi se poáerfto levar os 
AviEos da mata importância aos exércitos e terrng mais remotas^ 
QU&si no mesmo tempo, em que ?© resolvem i no que iiiteresâm 
Yngsa MajeiUde muito mais que a todoã oâ outi*og Priticipes, 
pela maior distancia dos Eens domínios, evitandofe desta sorte 
«)s desgoverDDs das conqniíttaa, que provém em grande parte de 
chegar tarde ns lioiiciaa detles; além do que poderá Vossa Ma- 
jeUftde mandar vir o preciso delias muito mais brevemente e 
Tnai^ ipguro: poderão os bomeus de negócios passar letras e 
caWdaeâ a todas as praças sitiada^^ podei &o ser soccorridas tan- 
to de gonte, como de vivares e munições a tcdo o tempo e ti* 
T^rem-ae delbs as pessoas que quiserem, sem que o inimigo o 
possa impedir, Descobrir-Ee-ilo as regiões man visinbas aos 
Pôloa do Mundo semirt éa Naçào Portugueíia a gloria deste dea- 
cobrimenlo» além das infiiiitas conveníendasi que niostrará o 
tempo, E porque deate invento ae podem seguir muitos desor- 
dena, commettendo-èe com 6CU u-o muitos crimes o facilitaudo-áe 
muitos na confiança de ac poderem passar a outro reino, o que 
»o evita estando reduzido o u^o a hunia só pessoa a quem se 
mandem a todo o tempo a*» ordens convenientes a r^^speito do 
dito trangprrfe e probibindo-se a todos os mais sob graves penas: 
be bem se remunere ao suppHcante invento de tant« íroportnncia. 

Pede a Vos a Majestade seja servido conceder t» privilegio 
e que, pondo por obra o dito inveotOt nenbuma pessooi de qual- 
quer qunlidade que fôr, possa usar delle em nenbnm tempo neste 
Reíoo ou tuas couquiEtna arm licença do supplicante ou seus 
herdeiro?, tob pena do perdimento de fodcs os bens e as mais 
que a V. Majestade parecerem. E, R. SI. 

Coiisaltada a Mesa do Dcssembargo do Paço foi esta fnvora- 
'"Vfrl á preienvft<5 do requerente. O rei deu a seguinta resf lucilo: 
Como parece á Mesa e além das penas, accrescente— a de morte 
*(s tiansgresiiores, E para com mais vontade o supplicante se 
tâpplicar ao novo instrumento, obrando os efteitos que relata, lhe 
faço merco da primeira dignidade que vadiar em as miohai 
Colíegíadas de Barcellos, ou do Santarém o de Lente de Prima 
de Maihpmatica da Minha Univcrâidado de Coimbra, com seis- 
centos mil réis de reuda, que crio de novo em vida do suppli- 
cante suraente, 

Lisboa 17 de nbril de 17O0. 



II 



D* Joâ'> V, seja dito em lionra á sim memoria^ abra<;ou com 
ènthusiásmo os projectos do padre Bartliulomeu de GasmAo. 
Do seu bobinbo o monsrcba contribuiu com lodos os gastos 

Sara a C' nstrucçáo do aorostat^ a quo o seu autor dera o nome 
e bíxrqnsUt mi Jífitfeíct, 




Réalizoti-Êe a experiência publica em 9 de agoftto de 1709, 
no Pateo da Casa da Indía, |»eraiite a corte partugtieza, fidal- 
guia e imraenso conetirao de povo. O autor do tjovo inveuto 
iet-Q Btibir deade o torreão da precítada Casa da ladia até o 
outro fronteiro, no chamado Terreiro do Passo* Batendo o ap- 

Sarelho na ci malha da Sala das Embai xada^j Boflreu senti vel 
esarranjo que impOBsibiUtou a aBcenç&o» 

Que e^se aco a teci me ato se eÉFectiiou em tal tempo ha provas 
irrefragaveis, Provou-o á saciedade o conexo Franciaco Freire de 
Carvalho, om uma raooographia, ioserta no tomo 1.°^ parte l.* 
da 2/ série das Memorias da Acad . Real de Sci«neiai de Lisboa, 
também impresaa oo Volume XII da Revista do Instituto His- 
tórico ^Memoria para reivindicar para a nação portuguesa a gloria 
da invên^tíf} da/t inackinai aôrOAtatitias» - 

De uma cópia desse trabalho, p0:^8uida por Joaé Bonifácio 
de Andrada e Silva, sorvin-se o Viacotide de S, Leopoldo parA 
tratar do ase um p to ^ em um opúsculo que faz parte de um volume 
Memorias do instituto Hintorico e G-ographico Bra^ileirOt re- 
produz Idaâ em um doa ul limos livros da Re vista do mesmo In- 
etitutrí. 

Secundo affirma o itlu»tre biblinphilo lonocencio da Silva, 
a memoria do cont:<g^o Carvalho teve ainda ditU additaoientos, 
escripto pelo próprio atttor e outro pel > padre Frani^i^co Re- 
creio j conforme couâta daa Actas da Academia Real de Bciao- 
cias de Lisboa — tomo 1.", paga- 193 a 212 e toiro 2." pagB* 
Và9 a 149. 

Quando uàú foaaem ftaificientei todns as provas adduzid&i 
bastaria o testemunho do Francisco LeitAo Kerreiríí, con tem porá ueo 
d 1 Biirtholomeu de Gusmào e mais tarde seu colle^a na Real 
Acadmuia de lli&tiria PortUEruozn. Leitio Ferreira com toda a 
paciência registrava día por dia os acoutecimt^n tos roais notaveii 
e importantes do Beu tr^mpo. 

E^^bes «pontamentof, conforme se supuoe. foram impressos, 
segundo conota da Biblwtheca Luniíana, do abhade Dio^o Bar^ 
bo^a Machado, que menciona o competenie ti mio. Alem disso 
atúda eitist^^ni: a estampa do aerostato feita (1774) nas officinaa 
de Bím&ii Thadeu Ferreira e uni folheto sabido da imprensa de 
António Rndrigues Galhardo e publicado depois, que aos irirãos 
Mougiílfiera se começou a dar a g-loria da invençáo do& aorostatos. 

A dt^s peito das pretensões francesas, acerca da prioridade, 
é ella conferida com toda a imparcialidade ao nosso compatrio- 
ta pela Encycinpírdia Brttannica menor a Dictionart/ o/ Arts, 
Sciericen, etc , Edinburg:, 1797— vol. 1.'— 3/ ediç&o. Seguem 
a moí-ma opinifto : a Enc^ciupwdia EãmenstH—hy J&m&sMiU&r — 
Edinburg, 1818, tomo 1." t» a Encijcl pa;dia Âm^can — Edi- 
tor Francis Lieber, Philadelphia— 1830. 

Tal é, porém, o poder da verdade que um compatriota doa 
Mont^olfiera, portão lo inftitspeito, confessa abertamente serem 
devidas as primeiras experiência» doa aeroatatos ao padre Gusmlio» 



- 253 — 

Fazemoi referencia* á importaato obrs — Biographie C/m- 
Mfjefíe de Michautl—túmo 19, pablicado em 1819. Nt^lta pódô 
ser lid4, no artig-o GuamAo, um& notícia sobre o padre Bar- 
thotomeu, escripU por Bocoui que o apreg^ôa como o iq Tentar 
doB ãerostatos. Pondo de \mTtQ inexactidões «obre minúcias 
da rida do futaro académico, coaclue assim Bocoua : «Qtioíquô 
hkn avant le XVU* aiècla, dirers antears eusaent proposé dif- 
fér^iítM mojens pour s'élever daad les aire, il parah certaín qu0 
Toa doit aa P. Gu^^mào les prerniéres expérieneea d«s hallons 
aéroBU tiques, renouTalées avec un si grand succéa soissanba 
BUÍ aprés sft mort». 

Ãttim também pensa o inolvidável Ferdinand Denis^ amigo 
^0 Bittiil, por elle imrcorrido em variai direcções, e e&criptor 
estrangeiro que melhor escreveu sobre o nosso passado. 
y-^ Larousse, no seu grande Diccionario^ não tem eacnipulo 
em e»|osar com toda a imparcialidade as opiniões de Bocous, 
e isso é am ?erdadeiro milagre, quando se f^abe quanto aão 
deâcienteã as notícias ministradas por essa encjclopedia coni 
refeiencia ao Brasil e a PortngaL 

Com o fracasso oceorriHo, do dia da ascensão, poderá m*so 
em campo os poetas &ati ricos do temjx» e eontr:^ B. de Gus* 
mão lan^Jiram apodoe, torjres oatumoLâs e insultos. Bfgundo 
Teíeie Viirnbagen, foi até eacripta uma comedia, que se con- 
serva manuscripta, lEatas e outra* aatiraa mordazes, apegar dô 
estopidasi prosBgue o iUustre autor da «Historia do Brasil*, 
eram, segundo o costume, a no ny mas. Os miseráveis que, por 
inveja e baixeza de animo, hostilizam os grandes pensamentos 
e o* grandes homensi seus autores, f^rio^ de ordinário, cobardes. 
Nem que a vok intima d» consciência, accu&ando-lLes a per- 
versidade da sua obra, lhe* mostre o pelourinho em que fica- 
nami ante a posteridade, eternamente cravadas suas cabeças». 
Dos muitos versos citaremos os principaea, por exempio, 
as decimas — Ao novo invento de andar pelos ares: 

Esta maroma escondida, 

Que abala toda a ctdade, 

Esta mentira verdade. 

Ou esta duvida crida ; 

Esta exAlaç&o nascida 

No PoTtugnez Firmamento, 

Este nunca visto invento 

Do Padre Bartholomea, 

Assim fora santo eu 

Como eile he coisa de vento 

Esta fera [lassarola, 
Que leva por mnis que brame, 
Trezentos mil ruts de arame 
Bómente para a gaiola ; 




— 234 — 

Esta urdida ]>aviola, 
Ou FBte tecido enredo; 
Eat(^ das mulheres medo 
E amfim dos liomcoB espanto ^ 
ÃBaiímfõrn eu cedo santo, 
Como so ha do acabar cedo. 

Estas decimaB appareceram impressaa em 1732, em tima 
eoUecçPLO cujo autor é o celebre Tliomaz Pinto Brandão (o Ca- 
iDÕes do Rccio) muito do peito do rei d, Jofto V, Tem elía por 
titulo Pinto Renascido^ Eminnuaào e Desempennado Primeiro Vóa, 

Eis um outro espécime:!: 

«Com que eiip^enlio te ntre\'ea, BrasHoiro, 
A voar no arV tíeuJo pateiro, 
Desejando ave ser, tem eer gaivota? 
Mellíor te fora, na regiílo remota 
Onde nasceste, estar com ttso inteiro * 

Oâ zoilcft daquelle tempo, pondera o Visconde do S, Leopoldo, 
querendo riditíularií-nr o invento concorreram pnra os nosans fins, 
deisando-noâ teatemnnlio da existência da mscbina e do seu com- 
positor no Ee^uínto 

SONETO 

Ao padre Bartbolomeu, inventor da navegaçflo do ar. 

Veio na írola hum doente brasileiro 
Em trage clericnl, lolaina e coroa, 
Pe^ crer, r^xif*^ pelo ar navega e vôa, 
Num burco eem piloto o nem remeiro* 

Vae-se ao Marquez de Fontes mui ligeiro 
Declara-lbe o eegredo, este o rpregôa, 
Sobe á consulta, pasma-ee Lisboa 
Em tanto esquece a íome do terreiro 

Bem merece eBle doente eterno asseuto 
Na etherea região, eu jíi lUe approvo 
 dinbrura do ãubtil invento; 

Pois hum milagre fe*, que be mais que uovo 
Em manter tantas btcna só de vouto 
Fazendo hum camaleão de taoto ]UVOi 

Não sao concorde» oa antorea ca dcácripçào do primitivo 
aeroitato do padre B, de Gusmào, Duvidas existem acerca doà 
motores empregados per elle jiara levar a cabo &t,u audacioso 




^ 235 — 

camniettimento. Díãcutil-AS nfto cabe no&tas 9Íni|>lea nolae. 
Para faael-o cãr«^o dpi comp«tencU* Seriam a electriciínde e 
o mai^DCtJ$rti'>, como muitos querem V Certo é o autor tião ]>odia 
ou dIo qaix dívalgal-ot. Em este o sea se gr e do « segredo qne 
o acompanhou á sepultura. 

Além dos trabalho» citados o leitor curio&o |ioderú encon- 
trar no Diccionario BiMiogrophicUf de Iniiocencio da Silva, aa 
precifAs indkaçòís taes cimo artigos do jornal Pim^frama, /?e- 
i^iãta Vniversat IJubonêtine^ Heeinla. Académica cie Coimhrat Ca* 
talogo dcs Míinascriptos Porta fruezea exisl^utes no Museu Bri- 
tannico, organisado por F)g:anÍL^re, etc. 

Ha jDOiiccs annoã o a propoãitó d&a experiências do Sautos 
Dumotit publicou o sr. Horário do Ca r vai lio erudito opUÊCulo 
onde vera consagradns algum tis pagiuas ao mal logrado irmão de 
Alexandre de Gusmão < 

Convém nào eiqupcer, Ealvo erros que contem, o Dicchii<ir'o 
Popular de Pinheiro Chagas, volumo 1.*, 

Mas, porque Bartholomeu, eatímado pelo rei, orador Haente 
e apreciado, lente da Universidade de Coimbra, membro da 
Aeadetnia, onde leumemoriaft, encarregado dt? importante» mie&òei, 
falleceu miseraTelmente em Toledo? 

Ainda nesse ponto, como veremos, reina confusflo entre os 
bieloríadorcs. 

Ill 

Quando em 1724 desappar^ceu da cidade do Lieboa o eabio 
Bartholomeu Lourenço de Gusmão, a calumnia alçou de novo o collo. 
Dessa tarefa inglória encarrcgoa-se ninda Thomaz Pinto Brandào. 

Entre oi importantes eodicea manafcriptns da noísa Biblio^ 
theca NacionãL, encontrou o operoso e mníto erudito Valls Cabral 
um que elle reputou com fundamento ser o original e luedíto das 
06ríij i'arií7s do prdcitado poeta uatirico. Desse volume^ extiahiu 
Cabral vários s>nelos e dectmaa, reproduzidos com a mesma or- 
to«i^rapfaia do original e dando-o^ á estampa no 1.^ volume dos 
Ãnnaea da Bibliothecfl, pagr. H)0-IÍÍ8* 

Transcrevendo taea satirri^, é meu intento averiguar bí dentre 
esses veràop, dictados pelo odo e pi'la inveja posiío descobrir o 
verdadeiro molívo da partida do pndro Bartholomeu e ú eissa 
caufa de acordo esti com as varias opiuiõtii do 3 hiatoriographoa. 
Oi gryphofl fào meus. 

Ao padre Bartholamcu Lourenço, o Voador qite fuffh, e se 
entende, porque fe soube tinha fcmiliaridade *'Jío Demónio. 

SONETO 

Bartholameu Lout*enço he hoje o alvo 
dos discuraoiã da Corte e as inferências 
rezolvem, ter do D^^mo jntelligcnctas, 
e que estas o fiaerào por em salvo. 




— 236 — 

PoT6m eat6 discurso em tudo be câlro 
qu« assim o provào erradas coaaequencU* 
desses inveatosp partos daa Scienciaa 
com que atroava o mundo e&te Fapaluo* 

Monstro era de memoria grande e rar» 
o Padre, mas de leve enteodimento 
se bem, que de vontade muito a?ara: 

E 80 poderá achar ao seu invento 
modôi, com que no« ares naveg^ára 
Be tivera co^Dêmo ^otamento, 

Ãn mesmo padre Voador; 

Vários discursos fa^ toda esta terra 
sobre a fuga do Mmuiro da memoria | 
mas a meu vêr a rau2a mais notória 
he^ que se ha retirado à Inglaterra, 

Demos pjraças a Deoe^ já que da gfiérra 
que nos ftz^ consegruimos a Victoria; 
priyando-o tào bem de tanta gloria 
eo*o retiro, q^algu^ mao feito enserra. 

Pode ser fossem dogmas de Luthero 
on beretbicos erros de Calvino 
que pata tudo azado o caucidero: 

Porem a Molinista eu mais me inclino 

fosse, por $t airahir sendo do Clero 
ás vontade do Sexo Feminina, 

Â* mesma auiencia do Voador 

Que o Voador voara, ouvi dizer 
ftegunda vez, do nosso Poitngal; 
16 mentira nfto he, caao be fatal 
que o discurso nos deve suâ pender 

Mas a causa tomara eu saber, 

de todos ignorada em caso tal, 

se foi para seu bem, se para seu mal 

que iuda mal, tudo pode soceder 

Alguns tenhoret quf^rem prezumir, 
que fora isto troça que buscou 
para assim mais voar e mais subir; 



fÁo mesmo Voador, aozentando-^e desta Cidade, ©m 28 de 
8etembro de 1724 : 



— 237 - 

Mm presumo, que etle se enganoa 

5oÍB qual outro Lu«bel vejo a cah 
a Soberana Gra^ a que 700U^ 



Depois de dar bú Pove mil pezaret 
Bartholam^u Lourenço o Pá^saroila 
Servindo-lhe o Paquete de gayolla, 
Tandem, tandem voou por esaea arei. 



O medo lhe deo azas, e talaree. 
E qnal Mercúrio, oa qual Padre Carúlla 
De Voador do ar, lhe deu na túlla 
Eir aer agora voador doa mares. 

Dizem, fie sogeit^n hir passar fomêã 
Túgínáú ao Santo Officto e logo, logo, 
Ãntet que o t&yo âe empregasse nelle. 

£ assim sendo contrario aos seus doiLB nomes 
Sendo Lourenço teve msdo oo íogo, 
Sendo BartboUmeu guardou a pelle. 

DECIMAS 

Credito dará Lisboa 

ao que a^ora não deu, 

Sois o ta! Bíirtbolameu 
e que voou, fama voa. 
Já voou e n&o a tóa 
tem embargo, que as atou, 
e com taea azas voou, 
que apezar de muitas cazas 
para levar boas azas 
muita gente depenou (*) 

Deu um voo mui ligeiro 
cruzando os ares azado 
e foi vôo tào cruzado 
que valeq muito dinheiro. 
Sâo foi o VÓO raiteirOf 
Ante» ura mistério eo serra 
este vÔo, e hé ver que erra, 







— 238 - 

em voar no seu troplieo 
nao dn ierra para o céo, 
sim do eéo para Inglaterra. 

Tnnto em Líeboa voou 
com li^ehe^^a oportuna 
que couí as azas da fortuoa 
de Lisboa ao Cúo cLogou. 
Qae o 60l real divizou 
o Luzimeuto elevado, 
porém por forçíi do fado ; 
e deste vôo atrevido 
íb já foi dtl Rçy valido 
já de o ter está privado 

Dizem prn<^aentoâ Celectoa 
com juízo Baperior 
que fogio o Voador 
por juizt» maia secretos. 
£ apegar dos discretos 
Be dAg eitou farto de viulio 
Creyo, que o caso adeviuho 
e me rezolvo a dizer 
que só fogio por uão eer 
do senliut Duque vtzinho^ 

HaiSf ^}^^ ícaro voou 

porque a melhor sol aobio 

e hoje voando fogio 

do sol, fpít o fiuthorisou. 

Creyo que a Lua: o aDÍmou 

para tornar a voar; 

mas não me devo admirar, 

de buecat outro farol: 

porque fo^rindo do sol 

era força bir para o man 

Já confuzo o juízo trago 
de ver que fot com razão 
pafsaro de arribação 
este pássaro biaoago. 
Medo foi, poÍB sempre vago 
fora o EUEB Vi zoa feas, 
deixando na trípaa cbeas 
de medo das Sautas cazas; 
fogio com alheas azaa 
voar com penas tlheas 




r 



^ 239 -^ 

Aqui lium Pinto vcar 
qoiz, com voo mui diitincto; 
maa quem tem azas de pinto 
iifio ee pode remoat&r. 
He me precito tylvar 
esta sua prezum|njÃo ; 
pois nho sofro, e cõm ra%ão, 
qtie este arojado, © daninho 
lendo nra pobre pintainha 
le nos meta a taralb&o. 

Mas tornftndo as de que falo, 

poia deate aquelle he distincto; 

quero deixar este FÍdío 

a quem Frei Simão faz galo, 

E djga sem intervallo 

que athe o Santo ofleodeu 

de quem nome recebeu. 

ÊBie Voador nocivo, 

põiB fogio como captÍTO 

do Santo Bartholameu. 

Foi-ae embora, e tomou vento^ 

fogio para o mar voando 

e pôde ser receando 

que cá lhe descem tormento, 

Déâtro andou no seu intentOj 

porque se &e dC aisenao 

dos »eus eri*08 ao immenao, 

dir&o todos e mais eu, 

que fogio porque temeu 

o »er cotno São Lourenço. 



Dentre os amigoa e admiradores do padre Gusmilo, tfto 
eruelmente ultrajado, um apparecou que contra o Gamões do 
Búciõ escreveu o seguinte soneto: 

Dize Lingoa cruel, mormnradora, 
que dizer sempre mal tens por oflicio, 
Òortcu mentiroza, que propicio 
estás, para mentir a toda a ora ? 

Dize como eruel, como traidora? 
formas no ar tão bárbaro ediÁcio, 

3ue coutra hum tal betóe, por culpa e vicio 
e respeito daa Leya te laea tão fóraV 




^ 240 — 

Dize, com que rszâo oti ftiadaniento 
falas maiB largo, que «uccinlo, 
Bendo do seu dealusire instroineiito. 

Tal níU) poBM sofrer, uem tal coniíiilo, 

pois delle tenho asaz conbecinieoto, 

e soij que Águia foi flempre e tu és PÍQto. 

 este soDOto» respondeu o poeta, aMrma ainda V. Cabral 
com outro que a decência manda omittir e que tem por titulo 
De Thomaz Pinto para Fr. Simão^ supondo lhe Jkera o soneío 
antecedente . 

Declara atnda Yalle Cabral não gaber ao c^erto quem seria 
o autor do «oneto a que roBpoudeu Pinto Brandão por maneira 
pornoj^rapbica Quanto a mim, ^alvo melhor juizo, compuUando 
a Bibhotheca Lusitana de B Macbado encontro entre oa con- 
temjporaneoB de Gusmão © de P. Brandão, frei Simão Antouio 
de Santa Catharina, religioBO de S. Jeronymo, Musico distin- 
cto, teve, diz B, Machado, notável gçjiio pcra a poesia jocosa 
como testemunJião os seus versos, peloji quaes se fez acredor ãos 
applausos de ires academias Ânonyma^ Poriugueza t Escholastica* 
De frei Siraílo entre varias obrai publicadas e manuscriptai 
e^híem — Bimas Sotioro s — impr^itaB em 1731 com o aff^ectado 
nome de Sim&o Autuues Freire * 



IV 

Dentre as ferinas ai In soes do Cíímões do Bócio, duas serviram 
de base aos biographoi para explicar a fuga de Bart bolo meu 
de Gusmão: medo das Y>eraeguiç5eB do Santo Officio e a perda 
do valimento de d. João V. 

Não merece cootradicía a opinião doa que, sem fundamento, 
sustentavam que Bartbolomeu chegrm a ser preso, tando^se es- 
capado dos cárceres inquisitoriae», graças á protecçfto dos jesui^* 
tas, confrades (sic) do preclaro braaileiro. 

c O que obrigaria, pergunta o Visconde de S. Leopoldo, a 
bum varAo tão sizudo e couiitaute e que havia até etitão dado 
provas de exacto observante das condií^Òes com que entrava 
para a sociedade a .arrojar-so a desairo-ia fuga? Acaso o funda- 
do receio de huma sor Ce egual d de Galileu seria a discreta 
prudência de ]>revenir huma grande injustiça, efíeito do humor 
corrosivo da inveja, que com ^Toprífdade João de Barros com^ 
parou e denominou — o cancro da honra — ? De certo que me 
f ai ião dados positivoò para o afirmar, mas tradição não inter- 
rompida tem vogado até boje, de que se evadira de tremenda 
perseguição para paiz estranho. » 





k 



^ 241 ^ 

< Em vidíi, refere Varabagun, o illa&tre Faoliata, depois de 
«niiunciar o aeu iaTeoto, em vbá de recompeti^aa, recebeu uU 
iTAgea e p€râ€guiçÔe& e não eticoutrou maís de^cauça até falle- 
eer em 18 de uovembro dô 1724, em To lodo, para onde, com 
outro irmão, fugira de Lisboa era 26 de setembro a n tenor, afim 
ÚQ éâcapar ás garras do SíihUj Officio.* 

O companheiro de eva^ào de que fala o i Ilustre autor da 
fíijfíoría do Brasil era irei Jnào áa Santa Ma ria j irmào roais 
moço de Bartbolomeu Loureui^i^, 

Quem primeiro se lembrou de c.otnparar o uiièso compatriota 
R Galileu f*ji o celebre padrtó Josú Ai^OsLinh» de Ma tido, iio 
ieu ]:ioema — Aouf> Argonauta — impreiiso em Lisboa (1809*) 

O conselheiro Ji^ào Manuel Fei'eira da Silva, em sua obra 
Vúròéá liluHreit do Brasil^ àm va^aroentti : B . Lourenço se eva- 
dira por ntedo da Iwpiijtição , 

HasB^iva eite tolvex por feiticeiro e de ter partes com o 
Diabo. 

Para o supracitado «seriptor o que operara no espirito do 
Padre a idéa ra súbita re^otução iõra também o debicou teu ta- 
mealo do Ret por nào ter Bartboiomeu dado em Ríjuia prompta 
iolaçâo a ue«^ocioâ de que havia sido enearregado. 

Mas Pereira da Sitva linhas^ abníxo cabe em completa cou- 
tradic^Ão quando refere : chegado dt? Roroa foi Bartbolomeu em- 
pregado pelo próprio d. João V. como decifrador tta respectiva 
stíereraria do» despachos diplomáticos. 

Quanto as taes negocia<;ôeá, eià o que se colhe do Yi&conde 
de S. Leopoldo; «Com o caracter de enviadt* á lurte de Roma 
bavia lhe d. Joào V. encarregado da negociações divereas, com 
especialidade de solicitar duas Bulias, a do serviço da Patriar- 
ehal e a das qtiartas partes dos Bispados, progredia vagoroso 
í^ntre tropeços^ tidvez por uâo hav^r compr^ht^ndido as iu tenções 
do rei \ deliberou este que fogsp a^ni^tír-lhe &eu irmàtí Alexan- 
dre de Gusmfto, que iior fim o substituiu: parece que o trans- 
cendente talento de Bartholomeu, formado para brilbar em es- 
phera apr«ipriada, como, com effmto, brilhou ; avesado á justeza 
e eracç^o dessa scitíucia fiufalímf^j que, de rfemon&traçiio em de- 
moDStrjii^âo, sej^ue a coroltartos certos, o que nilo eíií^avíi comas 
eombíiiaçõeâ variáveis da diplomacia : tdia naturnl franqne^n re- 
lutava à sagâjfi e refinada dissimulação, ueees ária muitas veíçee 
para cbeg-íii' ao desenlace de eured?idKa tit^tjoci i^àea. nem o buli- 
cio dos saldes se compadecia com a bilencioí>a rt:chibà> em que 
^eruu oríginaes projectos.» 

Tudo isto se pasônu em 1720, e se bouve descontentamento 
regío, es]^e durou pfjuco^ porqumitD Alexandre rle Gusmão obti- 
VÉ*ra df> Pontífice tudo quanto almejava d. Joào V. 

Foi eiactatnefite nfgse anna (1720) que ao fundar a Aca- 
demia Real de Historia Portu^uezu^ **m 8 de dezembro de 1720, 
o rei d. Jo4o V eBcolheu para um dos 50 sócios eáectivoa o 




— 942 — 

nome do dr. Bartbolomeu Lourenço de Guamio. Como oonciliar 
eeae facto com a tho decantada perda de valuneuto? 

Deraaia continuou elle a exo oer o raagbt6i*io iia Univer&i- 
dade de Coimbra, sem &er incoiomadado pelo rei. Eâte o tinha 
o(»meado e poderia, si quizeaae, d©iuittíl-*> ai na realidade Bar- 
tholomea tive&se incorrido ao desag^rado d i filho de d. Pedro II, 
Finalmente, segandu refere lunocencio da Silva, B, de Gusmào 
foi por alvará regia de lõ de julho de 1722, nomeado CapeLl&o 
da Casa Real ! 

Quando viuka a Lisboa nâo dmxaya de compardcer á^ gpssôei 
da Academia onde era recebido com toda a consideraçào. Na 
conferettcía á^ Vi de julho dê 17 1*4 e iiào dts 16 de setembro de 
1723 (como escreveu o V. de â. Leopiddo) lia o padre Bartbo- 
lomeu o Prologo doif Mejuoriais dos Bispos do Porto. Ea^e tra- 
balho merectu^ dia a aetn que tenho á vitta, a approvaçâíf de 
ioda a Academia. E^ssá ciixumataticia uílo ae daria ai (eil me- 
moria t?nceiTaSáe ou conliveíS^e idéas contra a TeligiàfiÉ Couio é 
sabido, a Academia se cnnipuuba de leigos e sacerdotes, alguns 
dna qiiaes tantiliareâ do x^Siiito OíEcio. 

Sò na contVrencia de 22 de dezembro d© 1724 foi provida 
a va^a do acaleraico tíraáileiro. O dr. Bartbolomeu Lourenço 
de Gusmào, reza a acta, tinh se auneatadu desta Curte sem per- 
miMfíão da Academia e ^xta^ad^j o i^mpu que mar cão os EsííituífjSt 
pareceu ao> cettanres que deoia pfrjuer^fte u ligar de Académico 
de numero que elle ocvupwa. Na coutereucia de 4 de janeiro 
de 17-5 fnl com effeito eleito Nuao da Silva Tellea, 

(^ue Bartbolomeu vivia em h -a barmonia com os seus ci>l- 
legas prora ainda a act* de 20 de set -rubro de 1724. Nessa 
reunião foi elle cnnvidado com f»utros a dar conta de teuítettudos. 

Por var aí vezea oecupon elle a tribuna sagrada. Seu» 
siírmões fcíio todfjs elogiados peln abb;ido Diogo Barbo^^a Ma- 
cbaio. O da f**sla do Corpo de Deus, t* rn H* Mcnlau, em Lis- 
boa, mereceu de seus ceu-^ore^, íVei Manoel Guilberme e frei 
Boaventura de S. Giào, giatidea eb gios. Pisçeram-lbe ju^itiça, 
diz Varnbagen, declarando ■como eram leconhecidus os fi«UB 
raroà talentos e os créditos que gratígedra em Ooimbia^ onde 
se doutorara em Cânone* ; como no estrang^eiro^ por onde via^ 
jára dep'iÍB de 1710 Noa ôermôes oatentou o padre Bartbolo- 
meu nfto &ó muita lucidez de eátylo, como náo poucos rasgos 
de eloquência». 

Si, como dizem, desde 1709 a Inquirição dcHCopfiaya do 
padre B, Lourenço, náo se cotnprehende como só em 1724 tra- 
tasse de persegui l-o. Como é bem Êãbido, n&o faísia elía cere- 
mos ias em encerrar em seus cat ceres aquelle^ que lhe cabiam 
nas garras. Esemplo, entre muitos, o do poeta António José 
da >]lva. 

Evadiu -se para fug^ir do Santo Officio de Portugal e pro- 
curou a Hespanha, onde a Inquisição era multo m&ia e/6V«ra. 




— 243 — 



hio nfto se comprebendé. Tanto é íato verdade qa& o poeta 

Braai^àci dá o Voador evadindo-ae para a Inglateira. Ão en- 
tr<'g?Lr em 1"33, á impií^nsaj o stu Pinto empeíuiadu t dejsêm- 
peanadut o Camòes d-i Ruciy devia já tt*r conbecimtín ti» do triste 
àai é&, victima de suas L^aliimni^a. Nàõ retocou^ p^r amor da 
rinu, Gâ aeus aontsto* e dt-ciuma, Estava nn Beu direito. Nào 
le tdmilte, porêni, como os biop^rapbos do padre Lourenço de 
Gasmãíi le tía&í^em na tradição e repetissem muito» aunos de- 
pois eru prosa^ i b dislates de um poet&atro, que eacrevia sé 
p^a fazer rir a ff ente, 

Xs minha hau ilde opLLiâu o padre B^ribolomeu Lourenço 
df Gasmão fízpatnou-se »^m virtude de pertaibaçu^g dag facul- 
dades mearae^. Modesio, dê amável íthtgeUza e ca^idura d'alma^ 
di torte acanhadOt eoaeencrou (js seuB desgustos e eties tiraram- 
Ibe a razão. 

 injustiça dot çotitâmporatieos, ob Barcas moB de uns ^ as 
ciitQmniAâ de outros muito coutn buíram para tão triste resultado. 
Sem meioã para tentar novas e custosas experiências, viu elle 

3ue no futuro a aua ide a da naveíraçâo aert-a lhe seria roubada, 
lutro^ teiiain os louro» da primaíiia e o seu nome votado aeria 
ao Oítracismo, Parj* amparai- o no caminho do exilío voluntá- 
rio leve felizmente os carinhos do B^njatoin da íamilia. 

As irevAS do entendimento dtiraraui-lhe menoa de doi^ 
mezes, e elle afinal descansou, morrendo na enxerga de 
hospital. 

ÍHoje, mais do que nunca, ao Voado** deve o Brasil 
êitatua, Seui restos mortaes deveriam ser recolhidos ao 
da Pátria^ se podessem ser retirados da valia couimum do 
miterio de Toledo. 



um 

uma 
seio 
ce- 



Kio de Janeiro, 19 de novembro de 1905. 

Br. Jofià ViKiRA FAsaNOA. 




Juiz de Fora em S. Paulo 



Em cftrta de 31 de agnato de 1724 o ouvidor geral Manoel 

de Mello Godinho Manso representou, ao governo da metn-pole 
fazendo premente aer necessário um logar de juiz de fora e or- 
pLíiins eu) S, Haulo e lembrando qne» nf^o teiido bIIo tAo ne^ 
ce^ Bário em âantoa cooio o era na CapitHl, o juia dy fora da- 
quella villa j^oiia passiar j^ara r^ta cidade, o que eerm inaiá eco- 
nómico do que a crtóíiçàLi de uio novo logar, por dispenear i» oíde^ 
nado ccjm que a e&te se tvria de díít::r. 

O governo de Lisboa, dutido de n\ko ao alvitre indicado de 
transferir de SHntos para S. Paulo o juix de íóra daquella villa^ 
mandou, pela Carta Hugi/t de 18 de junbo de 1725, que o go- 
veiuador Rodrigo Cetar de MeiíeKPS mfurmaí&e *o que poderia 
render o lo^^ar dtí Juiz de Fora. crei ndo se de doço, e qual o 
ortieundo que g» Ibe devia dar». 

O goveniíidor.ern cutufirinjonto da Carta R**gía toeneionada, 
escreveu íids 11 «le maio du 1720 qut* «acho sei* ]íreci*o servir' se 
V. Maj. de mandar crear o novo lograr díí Jnjsc de Fora, dfi- 
xando-llie o de Juiic áuh Orpbj^ms; e pelo qiie toca tio rendi- 
mento que pt*derâ ter nos emolnnientod de ura e outro, acho 
Berein bastantes jiura poder pasmar dando- se-lbe o mébmo itrde^ 
nado que tem n Juiz de Fora de Santos». 

Apesar da represeritav^o de Godinbo Mansn e do parecer, 
favorável do g^ovenmdor, a mí^rop']© nào creou entAo o lograr 
de juiz de fora dn B, Paulo, ditndii por essa maneira ensejo a 
que os officiaes da Canniri de^ta cidade, em carta de 3 de abril 
de 17S4, pedissí-m fosse creado o referido logar. 

Ao Conde de Sarzedas, puís qae á frente do governo da ca- 
pitania não mais f^&tava Hodrigo César, foi pela Carta Hegia de 
15 de novembro do meamo anno, ordenado informaâse com seu 
parecer, ouvindo n» homens bons da cidade, a represou taçàn da 
Camará, e elle o fe^^ p<<r carta de 30 de abril de 1735, na qual 
escreveu lhe. parecer que mui* necessidade havia de juist df tora 
na vill L de GuarHtinguetá com alçada uaã villas elrcuaivizinbaB 
de Piíidamouhangaba e Taubaté. 

Si a j riineira rep»'es(*ntaçào, tendo parecer favorável do 
governador, nào fui attendida, á segunda, uào amparada por 
t&o pondero^d elemento^ coube egual sorte, nào Feudo ainda 
deâta íeita cieado o lugar du juiz dv, ígra de S Pau! o, ao qual 
su quasi oitenta aunui depuís deu es:bteucia o Alvará de 13 de 
maio de 1810, 



f^pi|jVV7^w«v«n«BgH««^ 



I 





i\ÍARQ.Li:z Dl- \'ale;xça 

1777— 1856 





1 




1 

1 


y-V: 




\ V 


i 




— 247 — 

Creado o lo^r de Jtiis de fora do eivei, crime o orpbamB 
de 3. PauIo cúíh ordenado egniil ao de Maríanua, foi nomeado 
fèm clle o oR, EsTEVAM RiBBimf» DE RE^KNuia. quo o exercKu 
deade 6 de fevereiro de ISll até o njKAdo de l8l5, tendo antes 
©lereido o de juiz de fora de Píilmella, em Fortuna l 

O dr Rezende^ oascidri a 20 de jalho de 1777, era fillio 
lí;ritííDO do corooei Severino Ribtííro e de sua mulher d. Jo- 
sefa Mfltift de Rexeode ** natural da freg^uf^zia de N S, da 
CtiTicei^Ão dos Prados, coman.'a do Rio daa Mortes, capitania de 
3ÍÍM& GéTaeE C-isou-ae ^m S Paulii ans 25 fevereiro de 
1819 com d, lUidia Mafalda de Sousa Queirosi Em 1818 de- 
Htnbargador da Ca^a da SupplicaçAo ; em abril de 1822 ac^m- 
p*Ehou o príncipe d, Pedro a Minas como secretario de estado 
inÈ^rino í t^m 18'24 foi ministro do Império; fm 19 de abril de 
1826 foi niiineado senador por Minas ; em 1827 ministro da 
jíutiça. Foi agraciado com o tiitilo de Barào de Valença em 
1S25, elevfido a Conde DO auno seguinte e a Marquez em 1848 
^ falleceu em 8 de «etembro de 1856. 

Em 8 de junbo de 1815 já estava em. exercício de seu 
cftrg-o o aegrundo juiz de fora de S. Paulo, dr. João Gomes dk 
Campos, que em 19 de julho de 1817 amda o exercia. Em 
14 de dexembro df^ 1B22 tomou í>oçs6 do lograr de deaembar- 
^dor da Casa da Supp]i<^açào do Rio de Janeiro. 

DestP! juiz conta o dr. Mnteira de Azevedo em seu livro 
Mosaico BrasiUiro a segrttinte interesàanle passagem: 

c Era o deae mb armador Jo&o Gomes de Campos um magis- 
trado recto 6 muito probo. 

Apresentaodo-ae em sua casa uma titular com uma carta 
de empenho para elle ser-lhe lavoravel em certa pretençáo, 
disse- lhe o juiz: 

— áh 1 minha senhora, tenha a bondade de abrir esta gaveta. 
A titular abriu a gaveta que se achava atopetada de cartas. 

— O que viu, minha senhora? perf^untou-lheo desembargador* 
— Cartas. muifaR cartas, ainda lacradas dirigidas a V Ex. 
"^Poia deite V. Ex, ahi a sua carta* 

^Maa, sr. desembargador . , . 

— Petdoe-rae; tenho feito iseo aos pobres e nlo posso 
ser maia generoso cora os ricos; kou obrigado a ler oa autos e 
nada mai--; a lei é a melhor carta de empenho que me podem 
apresentar; o mai» é inútil e me faz perder o tempo de que 
tanto preciao. 

A titular não insistiu, e o voto do desembargador foi-Ihe 
contrario * 

De 28 de agosto de 1819 a 28 de julho de 1821 foi Juib 
de fora de S. Paulo o dr, Nicolau dk Siqueira Queiroz, que 
©m 23 de junhn d^st* ultimo anno referido presidiu a vereança 
geral e ejttraordinnria da Gamara Municipal de S. Paulo, na 
qual &e procedeu á form^içâo de um governo provia o rio da pro-» 




viucia e b6 juraram as hnsts da Constituição decretadas pelfti 
Cortes Geraes, Extraordinárias © Coiistituiutes de Lisboa, 

Em 1 de outubro de 1821 o dn Queiroz tomou posi^e do 
cargo de ouvidor geral e corrtíjL^edor do tÍio de Janeiro» 

O DR J03É DA Costa Cakvalho euceedeu ao di% Biqueira 
d« QueiroK no lograr de juia de tora do cível, critne e f*rpl]atxis 
6 em 20 de agosto de 1S21 já se achava em e3t**i cicio desae 
cargo, de que foi o titular até (3 de março do anno seguíute, data 
era quB foi nomeado ouvidor- geral. 

Filho Itíjíitimo d© Jobé da Costa CarvwJbo e d, l^iivx Marj;i 
da Piedade Costa, nasceu ane 7 d« fevereiro de 17^6 na fre- 
fruessia do N. S. da Penha, Bahia; formou-se em Ooittibra, cuja 
Universidade lhe confrriu em 1819 o grau de bacharel eui leis; 
ciísou-se a primeira ^ess em S. Paulo aos 29 d« janeiro de 
1824 com d. Genebra de Barrot Leite e a segunda vez em 
Lisboa com d. Maria Isabel de Snusa Álvlin; rcpreseotou a 
pt'0vincia natal im AsB^mblca CoiiBiitulute ; a d^ S Paulu nílio 
só nn piimtim logislatuia (182G a 1829), como na 8p imunda (1830 
a 83) e na quarta (1838 a 41], a de Sergipe no senado, para 
o qual foi nomeado nos- 30 de abril de 1839; foi deputado à 
Assembleia Provincial de S. Paulo na primeira legislatura; um 
dos três membros da regência ]íermíinetite do Imjierio dtípois da 
abdicaçAo de d, Pedro I; director da AcaJetnía de Direito de 
S. Pnulo em 1S35 o 36 ; pn-sideutH dn i>rovlucia de S Paulo 
em 1842; ministro do Império em 1848 ti presideiits do t!nn?flh'i 
de miuistrna, de 8 de furubro de 1849 até 1852 Agríiciíido eu%n 
o utulo do B.iriio de Moiil^Ale^re em 1841^ foi ftslevitdo a Via- 
coudc doÍE aiini>s depois c a Marquez, em i8n4, 

Tom nu parte n a Be rnat^da de Fr a n ctit eo Ig tia c lo , h O s ti l i za n d o 
os Andiadas, quo unhum adquirido justa |1re^tond^&rallcia 110 
Governo Mrovi.-iurio, e fítlleceu nos 18 de, eijU^mbro di^ I86O. 

Ti^ndo silo Co^ta Carvalho nomeaílo ouvidorem O demarco 
de 1822 e com eása nomeaçào toado fi irado vago o logar dejuií 
de ío.a, para elie fui nomeado em 4 da maio do ineemo atino 
o DR* José Cniíit ia Pacheco b Silva, que er-tava exerceodo 
desde 3 de maio de 1819 o cargo do jai^ de fora de Santos e 
exerceu o novo cargo até 13 do abril de 1825. 

Natural de Itú, filho legitimo do alferea Filippe Correia 
da Silva e d. Maria Pacheco da Silva, bacharelou-se em leis 
na Universidade díí Coimbra ; casou-se em liú em 1829 com »Uã 
])rima d. Fraucisca E mil ia, filha do icutínte Elias Autonio Pa- 
checo da Silva e d. Antia Fau&ta Rodrigues Jordão; representou 
a jiroviricia de S Hauh> ua Asíombléa Constituinte em que 
toroou aãsetito a 2G dr* maio de 1823^ substituindo o deputado 
eftectivo conselheiro de taz-íuda Diogo de Toledo Lara Ordenhes, 
como a representou aiuda na Asseinblê:a Geral na jirimeira legis- 
latura (18^6— 29) c Dá terceira (1834-37J ; íoi membro uào só do 
do gjverno prâviaorio creado pela Carta Hegia de 25 de junho 




Makquez de Munte-Alkgrk 
1796 — 1860 




— 251 — 

de 1822, aecumulaudo m funcçôfis de secretario, como tarabem do 
Coiii*lho Geral d^ Provincm na spganda lepslatura. 

Fallecen oo correr do adoo de 1836 d«-ixandr( descendente». 

Aos 18 de abril 1825 aasumm o exercício dí» carg"© de juiz 
de fora de S. Paulo o dr, Ernesto Ferreira França, que nelle 
le ctitiservou aié 1 de outubro de 18"27. 

Fúi deputado geral por Pernambuco na seg-unda legislatura 
e ministro áoA estiatig-eiroá dn gabinete d*- 2 de fevereiro de 
1844, 6 repreâeritnu na catnara temporária & Bahia em três la- 
^íUttirai, voUuudo em 1347, depob de ver duas veze^ annul- 
kda pela camará vitalícia sua eleição para senador por Pernam- 
baco, á carreira de magistrado encetada em S. Paulo em Id'25. 

Em 1838 foi Ernesto França aos Estados Unidos da Ame- 
rica do Norte em miss&o diplomática, posteriormente negociou 
como pleoipotenclarío o casamento da Sereníssima Princeza a 
ira. d, Jaauaria e em 1845 um tratado com a Inglaterra, 

Por decreto de 25 de abril de 1857 foi nomeado ministro 
do Supremo Tribunal de Justiça e falleceu aos 14 de março de 
1872. 

O dr. Eíoesto França foi caiado com d. Isabel de Oliveira 
França, íilha do iljustre paulista Conselheiro António Rndigue^ 
Vello^o de Oliveira, este^ baptisado na Sé de S, Pnulo, aos íl 
de maio de 1752, e aquella. neta paterna de Jnsé Rodrigues 
Pereira e d, Âaua de Oliveira Montes. 

Em principios de outubro de 1827 o dr. França foi buc- 
c^dído na cadeira d<^ juiz de fora de S. Paulo pelo dr. Rodrigo 
Aston IO Monteiro de Barros, que exerceu o cargo a tá fins de 
fevereiro de 1832. 

Era natural de Minas GeraeSt fiHio legitimo do Visconde 
de Congonhas do Campo e formado em leis pelú Univpreidade 
de Coimbra. Casou-se com d. Maria Marcolina Prado, £lha do 
capiíàn-mór Eleuterio da Silva Prado* 

Foi o ultimo ouvidor de S. Paulo e o seu primeiro juia de 
direito n^ ordem chronologica, desembargador da Reíaçâo de 
PernambucOí deputado k Ass^mbléa Provincial de S. Paulo nat 
quatro primeiras legialaluras e na sexta e deputado gera) na se- 
funda» quarta e quinta, tende» tomado aB^ento na terceira 
como supplente. Falleceu aos 29 de fevereiro de 1844, 

Pass-ando Monteiro de Barros no primeiro quartel do aono 
de 1832 a occupar o logar de ouvidor effectivo, foi substituído 
no cargo de juiz de fora pelo dr, Paulino José Soares de 
Sousa, que o exerceu durante pouco tempo, sendo, oito mí*sçfB após 
íua nomeaçào, removido para o logar de jniz do crime do bíiirro 
de 3. Joié, na Corte, e depois para o juízo da s^^gmnda vara 
dvel da mesma comarca. 

Naicido em 1807, filho do dr. José António Soares de Sousa 
e d, Antónia Magdatena Soares de Sousa, íaz seus estudos su- 
periores na Universidade de Coimbra até o quarto anão 6 veiu 




— 252 — 

termiuíil-os he Academia de Direito do S, Paulo, qtiô em 1831 
lhe coitfí^riu o grAu de hacharr.K 

Foi dtíscujlHtjf^Addr dfi líiOf^Ao do Río de. Jani^iro; d(*piitndo 
A Ansii^iribli^a í^oviurinl eío ]íí<miíi [)njn«ii'íi legibliitiAm; di'piitiíin 
frenil dcsscle ISoli até 1849, bcuido jiPtíríj huiio Os-cilliitifi beii;»d*>r; 
Tiiiuistro (111 jusr.il*,! di*Èdii 23 do imhjct n 24 ét\ jitllin do lí^iU u 
23 de marido dr* 1841 h 20 d** jnn<"íro do 1843 t; iiutKittvu dos et- 
triíngeirífs de 8 ãn juiilio dy 1843 a 2 d*i feV-Tí-iia do 1P44 e 
do gabirietts de 8 dt: outubro de 1849. lOiíviadu i xníiordirjnrio 
e miiiistríi ]ilrni|íatoiiuiíirio juiilu a Córlti dt^ Vari'/. \ii^ya trsTar 
da qutístão do Oyitunck Em 2 du dezembro dw 1851 foi íijrra* 
ciado com o titulo do VUcuudo dti Uruguai i."Oin ^n*jindezn. Em 
1862 publicou n Ensaio ísohre o diretifi adtiníiiíirativn e mu 
186 íí a [uiintíír.a parto dn» K^^iudn^ pratiajH jiubre a atJmíuia- 
tniçào das provínúios do lintSíL KiIltítitíU ii lâ dn jtiUio de 18G6* 

No miíBino auiio df> l!^32, eiii que ao dr. MiíiMt^iro d** Bur- 
ros sueco dl' U n dr. ,|*fiuIiuo di^ Sous*', li i^sttí 5iii:L'tídtíU (* DH, 
Feunando Faciíií(.:(i Jíjruãm, natural do liú, filhíi líijritiuio do 
tiineutt^ líUaM Autnnio P/mbcco da Silva ti d. Aoidiiia Fíiusta 
Iindri*^iies JordAo, primo dn dr. José Condiu, Tacheco o Silva is 
formadti otn leit. pola Universidade de Cnimbra. 

t> dr. Jordão rra jui7, de íóm f^m Santas, LjUiiTidn ffli nouj»*»- 
do para egual OJ^l■gl^ nn oidndii di* S. Paíilo o t'oi, uii tirdojo tbríí- 
iiolof;:ica, o ulliimi juix d»-! iVirji do S. Pinilo tendei r) wrt. B do Co- 
á\^n do Proci'B«íf> Criíriunl Hrusilciro, que na pmviííciíi d»^ S. 
Píiuio entrou ern Viçor ;u>f* 2^> du uiait» d« iBriB, declarado 
extirnítOÊ, fií-3Íi)i tíoino ^h d^ ihUvidun^i^, na ioiríircn dt* jui^ra d« tora. 

Nomeado juiz do diriiitf» dn couiíuts df. Iiu t*m 1833 h dt^s- 
embarpidcir da rpla(;í^o d<i Míinaibfio i-m 1842, fui imu I8íi4 
apoBOiítado, 

Deputado á Aasemblúa LoL^i&lativ» ÍVopiocial om teis Ioítíê- 
latura^ e dr-jiutado lí^ral í*m duas, quinta o nona, falluciíii no 
eátido du siUtíim, r*m 15 do dojíKinbro di? 18i>8, 

At.FRKDO íiK TfíLKDO 




Padre Bartholomeu de Ousmão ^*^ 



ai 



Hoje qu ' o problema da tiave^^ção aérea tem tomado grande 
defienvíilviniHnto, ten^ío um bratileiro illuitre Santos Dumoiid, »e 
ítDpstn à aimirai^Ao e appUu^ns do mu ri do pnr seuâ arrcjadoa 
eriíQmeuimeotoâ na conquista da dirigibilidade dns balòee, nào é 
fora de i^-napo relembrar a gloria qtie cabe ao Brasil por aer um 
de seus fílhi^» o invBcitor dos Aêrostatfjs. 

O padre Eartholouieu Lourenço de Gaj^mAo, nasceu ua cidade 
dfi SantoB, BUI S. Paulo, em 16&5t ^en^o g^uà pães Francisco 
LoureD<;o, CirurgL&o-mâp do Preaidio da ent&o vil la de Santo» e 
e d. Maria Ãlve^. 

Convém, desde log-o, rectificar um erro coinmum, o de ttir o 
padre BanboI<m u d& GusmàOi pertpncido a uuja ordem regular. 
além de Alexandre de Gusioào, ministro de d. João V, teve o 
dre Bartholomeu mais dez irmAos, DeE>tes professaram em 
den» rtUigiosaa o padre Simào Alves, jesuíta ; frei Pstrii'io de 
Santa Maria, francisciino ; padre I;ríinv!Íí) RotlHiiues, jtísuita ; irei 
lofto de San'a Muria, cariDelita, Paula Maria e Arclianjít^la da 
Conceição, cUnssiaa, Dahi, aem duvida, o julgrar-se ter protessado 
também em religtUo o padre Bartbulomeu de GuâmÂo, Por ieus 
Ulentoft oratorioí, graod© i Ilustrará o h serviços á patrín foi eile 
iifjm«!ado eapedào da easa real portut^ueza, tendft conquii»tado o 
grau d*» doutorem direito canónico pela Uiiiversidadb de Coioibra, 

Nâo ternne o intuito de narrar a vida deste ilhistre bmeileiro, 
nem meumo acompanbaUo uas ^loriai^ couqu^stada» tm diplomacia 
ou nus letraa. HeÉtrin;j:iiQo^ o nng^o estudo au teteo que maior 
Cima lhe deu, alcançando -llie o cong-níime! de voador. 

St tjão invejamos noa ywvos mais^ cultos e mais adiaotados 
na dviliãsaçRo aa florias conqnistadnti pnr sou^ filhoâ, não podemos 
crmientir que nfis roubem â$ que são bem noisnsn, Muiiu embora 
pn&teridnm ot escriptores francezes dar aoH irmàos Mout^ollieis, 
em 1763, a primasia do descobrimentu doà aerostatos, tendo meiimo 



^ 



i*i TraiMcre^etiins do primeiro ntiniero /Jalh*' úe Í90T> dm re^UU niQiisHt fout 
d> Filr0pe4tt o JatereLá^matif »t-ti^a do (ilustre JnrnAliiU « (politico úr HQi'<n,rnib Ú9 
OUrtirm « «iub «e relacítinai cora o Aainmptú prnflcltfntumenie tr^udo peta chruiJito ^ áit- 
ItHtí» «KftpKor úr, Víelr& FKx«iidi 114 moraoiia já âjstuup&da noátn voluniQ inh a eiilt^m,- 
fà9-0 foArfcr^ >'. ílii M. 



— 254 — 

celebrado com pompa o centenário deâta descoberta, é fora de 

duvidAf pelos do eu me o toa pubLicados pelo iasigritt cónego Fran- 
cisco Freire de Carvalho, em «ma memoria qn© se encontra nn 
tomo XII, da Reviata do InsiituÍQ JJintrjrico e Geúgraphic** Bi*a- 
sUéirOf que, 70 annofi anifís, já o padre Bartholomen de Gusmão, 
fa^ia em Lisboa eitperienc^ias do seu iu vento. 

Limitar-no9-emo8, para nSo alongar por demais e^te artigo, 
a transerever ok mais poãitivog desses documentos e que nào 
dei3cam duvida alguma sobre a orig^in alidade e prioridade do 
iuvento pelo padre Barihnlomeu. 

Si noã tempos an titios a lenda noa tranemittiu a fug:a pelos 
ares de Dédalo e aeu filbo ás iras de Minos ; si nos tempo? mais 
modernos o jesuíta Lana e o dominicano Galiano conceberam 
projectos de uavegaçàn, nào existe documento alg'um dando ii 
quer a probabilidade de terem tido estes prf>jecto8 inicio de 
execuç!)o ; e doÍ^ sabiufl eminentes Hocle e Leibnitz demnnstram 
âer inei:equíve] o plano do priíneiro e absurdo n do segundo. 

O pnmeiro Hocumeuto a que nos referimos é a petiçàõ do 
padre Bartbolomeu dirigida a d, João V e assim concebida: 

■ Dii o licenciado Bartbolomeu Louren^jo que elle tem des- 
coberto um initrumento para andar pelo ar da mesma sorte que 
pela terra e pelo mar, iiom muito maia brevidade^ fazendo-se 
muitas ve^es dus^eutas e uiaiã li^gnias de caminbo por dia, nos 
quaes luâtrumentos se poderão levar os avisos de maia importância 
aos exércitos e terras mais remotas, quaâi no mesmo tempo em 
que se resolvem: no que iat^re^sa á Vossa Majestade muito muis 
que todoa qs outros principes, pela maior distancia dos $eus 
áominioa i evitando-se des-ta sorte os desgoverno»' díi conquistas, 
que provém em grande parte de chcjçar tarde a noticia delle«. 
Além do que poderá Vo^sa Majestade mandar vir todo o preciso 
delias muito mais brevemente e mais teguro; poder&o os bomene 
de negocio passar letras e cabedaea a todas as praças sitiadas : 
poderào ser ^occorridas tanto de gente, como de viveres e 
munições a todo o tempo ; e tirarem-ee delias as pessoas que 
quizerem, sem que o inimjgo o poisa impedir. Detcobrír- 
se-áo as reg-iões mais vts^inhss aos poios do mundo, sendo da 
naçÃo portuguezd. a floria deste descobrimento, ^lém das infi- 
nitas conveniências, que mostrará o tempo, E porque deste in- 
vento se podem seguir muitas desordens, commettendo-se com 
seu uso muitos crimes, e facilitando- se muitos na contiança. de 
se poderem pasbar a outro reino, o que se evita estando redutido 
o dito uso a uma só pessoa, a quem se mandem a todo o tempo 
as ordens convenientes a i-espeito do dito transporte, o probi- 
bindo-se as mais sobre (1) craves penas; e ^ bem se remunera 
ao Supp.* invento de tanta importAUcia , 



(1) ^«Vt-UftliB i« IA DO impreno, qao flelmante eú^tuuoi. 




I 



— 255 — 

fPede a V. M, seja i«rTÍda conceder ao Sapp'. 
o privilep-iõ de qtie, pundú por obra o dito iuvenio, 
D^ubuma pi*ssÔíi de qualquer qualídíide que for, pOSBa 
u«ar d'ene em nenhtiin tempo uoKttf reino ou iiua« coii- 
qmiitae, ^em licença do Supp/ ou seufl herdeiros, sob 
peaa de perdimento de lodoa oa ben», e as mais que 
a V. M. parecerem. 



Este documento le uá^ provB ter sido leYAda a efieito a 
eipi^rie jcia do aeroiíttiOi demonstra ter o seu autor convicção de 
baíer inventado um iustruraento poderoso para viajar pelos ares. 
E a respeitabilidade de que g-obava o distmcto br&gileiro em 
Lisboa, por »na iJlui»tração e talentos, alcançaram nflo fosie posta 
em duvida a sua dectara^Â'» dfí inventor. E i&to &e evidencia 
do eeguinte dcicumentn datadu A^ 17 d- abril de 1709, documçDto de 
lomioa inipcrtancia, poin tecL o cunbo official « traduz {>erfei- 
lamente o mentir daquelle tempo. NAo foram jnis^adaíi bastantes 
ai penas pedidas pe o inventor em sua petição. Para maior ate 
moriaar os que porventuia tentassem apodtirar-se do novo invento, 
o rei fez decretar contra esses taes a pena de morte» 

Cofisultou-ie no desembargo do paço a El- Rei com tudos 
Di votoB e que o p emio que pedia era mui limitado, e que se 
devia ampliar. 

Sahiu despachado com a resolução seguintes 



«Como parece á mefta; exalem das penas, acrescento a de 
morte aos tranigressorei»; e para com mais vontade o supplicanle 
«e «pplicar ao novo instrumento, obrando os efletto» que rflata, 
lhe laço mercê da primeira dignidade que vftgar em minhas col- 
legiadas de Barcellos^ ou imantarem, e de len^e de prima de ma- 
tbematica na mi riba Universidade de Coimbra, com seiscentos 
mil reis de renda, que crio de novo em vtda do supplicante só* 
meate. Lisboa. 

17 de abril de 1T09. Com a rubrica de Sua Majestade.» 

* 

O requerimento do p." Bartholomeu e o deapacbo real trouxe 
á publicidade o invento e, como sóe sempre acontecer tornou-se 
o casfi motivo de commen tarife pró e coutra. 

Como Bpecímen trauscre vemos a poesia que se encontra na 
eolleeçâo impresiia, intitulada «Pinto renascido, composta pelo 
poeta portu|íues5 Thomas Pinto Braudào, o qual foi cou tempo- 
laneo do p.* Ikrtbolomeu de Guamào. 



- 256 - 

Ao novo invento de andai pelos ares 

DECIMAS 

1.* 

cEsta murôma escondida, 
Qae abala toda a cidade ; 
Esta mentira verdade, 
Ou esta duvida crida ; 
Esta exalação nascida 
No portu^ez firmamento ; 
Este» nuoca visto invento 
Do padre Bartholomeu, 
Assim fora santo eu, 
Como elle é cousa de vento.» 

2.» 

«Esta fera passarela, 
Que leva, por mais que brame, 
Trezentos mil reis de arame 
Somente para a gaiola ; 
Esta urdida paviola. 
Ou este tecido enredo; 
Este das mulheres medo, 
E em fim dos homens espanto. 
Assim fôra eu ccfdo santo. 
Como se ha de acabar cedo.» 



* 



Parece-oos seriam bastantes os documentos apresentados para 
evidenciar-se ter o p.* Bartholomeu de Gusmão descoberto uma 
machina pn'pria para viajar peloR ares. Mas para nenhuma duvida 
haver, ainda da memoria que nos está servindo de guia trans* 
crevemos prova decisiva. 

Aí^sim se exprime o Cone<^o Francisco Freire de Carvalho. 

«Este documento importantíssimo e fidedigno, mais do que 
os outros todos, é o alvará expedido a favor do p.* Bartholomeu 
Lourenço, em vista do seu requerimento, para a navegação do 
ar, por elle annunciada e promettida : documento fielmente co» 
piado na Torre do Tombo da Chancellaria d'El-rei d. João V. 
— Officios e mercês, liv. 31 fl.' 202— V. 




^ 257 -^ 

3." Documento manuscripto 

« Eu El^Hei ftço saber, que o P.* Bartholameu Lonjr^nço 
me representou por sua pi»tiçào, qne elle tinhn descoberto um 
initruTueuto para &b mandar pelo ar, da meitiia sorte que pela 
t«rra e pelo ma.r, e tom muito m&h brevidade, fa^endo^e tnuitaB 
r&wb* duzenla$ e lUflÍB légua» de eaminhn por dia ; no qual ius- 
tromento se prdprtam It- trar ob avisos de mais importAuda rq%. 
eiercitos e & terral mui remotas, quast nn mesmo lempo em que 
ae retolvianit no que interessa eu mais que todi a os outrop pria- 
capes, pela maior distaticia dos meus dominios, evitando-ât^ d'c3tA 
sorte o desgoverno das conqui^tas^ que procediam, em pande 
pane, de cbe^ar mui tarde a mim a noticia delles ; alf^m ile qua 
podaria eu mandar vir tudo o pr^ecíso d^ellas muita mnis breve* 
tuenCe e mais se^ro, e poderiam os homens de Tiegocio pangar 
tetr&i e cabcdaes com a mesma b''evtdade, e todaâ, a^ praças 
ihiãàAB poderiam ser aoceorridas, tanto de gente, cr>mo de mu- 
miçôet e viveres a todo o tempo, e retirarem-se d^ella^i a» pessoas 

3ue quirerem, »em que o inímig'0 o pódesíie impedir ; e qun se 
eicobririam as regifies que ficam mais vÍ2:inba-^ B^^^d prilos do 
iDumdq, sendo da naçJko portu.e:ues£a a p^loria desse deficobiirn^^nto, 
que tantas vt^zes liubam tentado inutilmente as e&traii^eiraa, 
Baber-te-bão as verdadeiras longitude» de todo o inundo, qud 
por efitarein erradas nos mappas causavam muitos naufrágios; 
alem de infinitas conveniências que mostraria o t*ímpo, e outras 
que por ei eram notórias, que todas mereciam a minba ri^al 
atteuç&tit e parque d'este invento tão útil se po^ieriam srguir 
muitas desordens, commettendo-Be com o seu uso muitos crimes^ 
e facíHtando-ie muitos mais na contiaitíja de se poder pa^f^ar LotjfO 
aos outros reinos, o que se evitaria estando reduzido o dito uso 
a uma sò pessoa, a quem se mandassem a todo *"* tempn as ordens 
que fossem convenientes a respeito do dito tranèporte, pr^hi- 
biudosa a todas as mais sobre (1) graves penas: ])nr snr justo 
que se remunerasse a elle snpplícsnte invento de iJinra iiíi(*or- 
taneia, me pedia que lhe fizesse mercê conceder privilegia, de 
que pondn por r-bra o dito iuvemo, nenhuma pfsaõa de qualidade 
que for» podesse usar d*elle em nenbum tempi» n'ep.ie reino © 
Buas conquistas, com qualquer pretexto, sem licença dVlle s^up- 
plicante ou de seus herdeiros, sob pena e perdimento de todos 
os leus bens* ametade para elle supjdi cante e a outra aiuetade 
para quem os jsccusKssem, e xobre bs mais penas que a iivim me 
parecessem, aâ quaes todas teriam lugar tanto que c<niMfaí-se que 
alguém fazia o sobredito ínstiumeuLo, ainda que nka tivesse 
usado d'elle para que não fícassem frustadas as ditns pen^a, 
ausentando-se o que ae tive^f^e iucírridfi ; E visito o que nl legou 
hei por bçm fazer- lhe mercê ao supplicante de lhe conceder o 



{1} Eé^mot á 1I1CA a aafiotcripto di Tturt do Tombo. 




^ 258 — 

privileg-ío de qae pondo por obra o invento dft que trata, iiêiiLoma 
peftsôa, de qualidade que tôr pos^ji usar d'elle em nenhum teinpo 
íiestfl reiny e suas conquistas, corn qualquer pretexto, eem Ji- 
ceuçM do 6up plica n te ou dw seus h^rdeiroe, sob pena de peidi- 
mento de todoB os seus beuR, nmetade ]íara elle Bup[>licantf) e a 
outra metade para quem os accu^ar: i^ só o t-uppiicante poder d 
iisar do dito invento como pede na sua petição. E este alvará 
ee comprlrá, inteiramente como u^elle se contem ; e valeráf po^to 
que aeu efteito haja de durar mais de um nnno, sem embargo 
dfi Ordetiaijao do livro 2,"^ tit. 4,^ em contrario. 

E pag^ou de novos direita» quiabentos e quareutíi réis, que 
se carru iraram ao thesoureiro delles a fl 160 do Hv* L* às. hxiã 
reeeita ; e se registrou o conbecimeato em liírma no liv, 1." do 
regiMro g^eral a fl. 14ÍÍ. José da Maia e Faria o fez em Lisboa 
aoe 19 de abrtl de 1709, Pm|;'ou doesta quatrocentos réis. Manoel 
de Castro Guimaràes o fez escrever— Kei — Conferido. Patrício 
Nunui : e coiiimtfço Joseph Corrêa de Mouca. 

Teria o padre Barthoiomeu levaco a etfeito o sea projecto? 
Terift feito a demonstração publica de aeu invento? E' o que 
nos ylio provar exuborantemí^nte os documentos que se seguem. 
Foi coute mporaueo do padre Barthoiomeu o beoefiL-íiido Frnu cisco 
Leiííio Feneira, piior da E^roja de Loreto em Lisboa^ homem 
eruditrt e de grando merecimento. De um manuacriptn, que 
esteve em mâo do patriarcha de Nossa Independência Joté Bo- 
nifácio de And rada e Silva, o autor & quem e>tBmoa seguindo 
copiou e transcreveu o seguinte. 

« 19 de abril de ITOà^DaLi do alvará d'el-rpii de Portu^l 
d. JoÁo V a favor do p." tJartholomeu Lourert^^o, clérigo de 
ordf na menores, natural do Rio dci Janeiro (foi engano de LeitAo 
Fen-piía, por qiLanto o individuo dt^que tratit era natural da vJlla 
de Santos, na provincía de S. Paulo, como atra/; fica dito,) em 
que lhe concedeu privilegio para que elle BÓmente e seus her- 
deiros podessem u*ar do intitrumeuto, que pe oftereceu fuzer para 
naveear pelo ar; promettendo nrart nova navegação de grande 
utilidade j^ara o dominio portuguez. Estamos esperando o eíFeito 
e experiências d'eate inaudito invento > 



Nota marginal do mesmo autor 



« Fez a experiência em 8 de íi gosto deste anno de 1709 
no pateo da Caaa da índia, diante de Sua Miije-«rade e muita 
fidalgura e gente, com ura globo que subiu ^uavempnte á altura 
da sala das embaixadas, e do meacao modo desceu, elevado de certo 
material que ardia, e a que flpplicíi o fogo o mtsmo inventor,» 
E continua depois : « Esta experiência se fez dentro da lalft 
das audiências.» 




— 259 — 



O mesmo poeta ã que já ante* nos rcferimas, Thotnaz Finto 
Bi-sAdâo, publicou ontru pttesÍA dedtc.idn ao p/ Bartholometi. 
Be lea coQtexto dcprchende-se ter âido feita api>^ a experioucia 
do aeroatato ficando confirmada^ pela realidade do facto, & alcunha 
de Vtjmhfi qtt© p*ilo povo lhe Lavia sido dada, 

# 

Ao padre Bartholomeu, lendo na Academia 

DECIMAS 

< Meu Padre Bartholomeu, 
Eu, iefrundo o meu sentir^ 
Não VI outro mais subir 
De quontuB vi voar eu: 
O ccrnceito é como meu. 
Que o nHo pude acUar melhor ; 
Forem se como orador 
Tanto eabei» levantar, 
NAo me deveis estranhar, 
t|jue ea vtís chame Voador, 

« Tanto no nr vos remontae», 
Que com dcljLcadnB idf^as 
yas^eis de alcunhas plebéas 
Antonomasias reaF« : 
E j:H>ia vos avesinhaes 
Mais ao celeste fulgor, 
Será tyranno ri^ijor, 
t^^ue eu também no ar nào fale, 
E quB na terra se cale, 
Que é uma águia o Voador, 



« Quem mais voe nào %e vi, 
E se lia quera deste se ^t^abe, 
Até agora se iiâo cabe 
Que cantil de pássaro é : 
fio vó« da vifetn e da íè 
8oia quem logra este primor; 
E pois tào alto louvor 
Nào ba outro a quem se appliqne, 
Rerá for^a quft eu publique 
Que stj vôà sois Voadot» 




— 260 — 



c For força do tosso efltndo. 

For irrito do voBfiO 6stadú 
Para tudo soíb a7jido, 
Tftudo pf nua para tudo t 
À8BÍm de eatylo nâo mudo 
No estranlio do mau louvor, 
E entendo do meu amor 
(Be o n&o tomae» por làbèo) 
Que até chegardes ao céo 
Haveis de ser Voador, 

Estes noa pareceram ob mais importantes documentos reco- 
lhidos com escrúpulo e sunimo cuidado pelo coneg^o Fraticiaco 
Freire de Carvalho, Pode riam os publicar outros não menos in- 
teressante^i si o eapaço de que dÍHpomoi« nã.» fosse liritadOt 

Como apeei mea do^^ brutaes ataquei a^ffridos pelo il lastre 
brasileiro, accu.sado de feiticeiro, endemoninhado etc, tendo sido 
obrigado a fuj^ir para escapar á sanha de seus temiye is inimigos,, 
pubiicamos este soneto: 

Ao P/ Bartholomeu, inventor da navegação 
do ar 

Veio na Trota um doente brasileiro, 

Em trajo clerical, sotaina e cVoa^ 
Fez crer que pelo ar navega e voa 
N^um barco sem piloto e lem romeiro. 

Vtti-se ao Jlarquea de Fontes mui ligeiro, 
Declara -lhe o íiegrredo, este o apregoa: 
Sahe a consulta, pasma-ae Liahoa, 
E em tanto t^squece a fome no Terreiro: 

Bem merece e&te doente eterno assento 
Na et h érea região ; eu já lhe aprovo 
A diabrura do subtil invento; 

Foi» um milagre fez, que é Tsals que noTO» . 
Em manter tantas bocas só de vento, 
Fazendo um cameleào de tanto povo. 

Resta-nns ag^ora appellar para o Instituto Histórico Geogr*^ 
phico Brasjteiro, para n Club de Eng^enharia, instituições que 
tantos e importante» «erviçoa têm prestado a nossa pátria, qúe- 
não deixem passar em olvido o sef^ndo centenário do extraor-» 




^ 261 — 

flinano invento. Em 8 de agoito de 1709 foi feita a pri- 
meira experiência do aerostaio D'alii para cá dous Beculoa se 
tem passado : a ideia tem progredido e aos brasileiros cabe grande 
soraEáa das gloria» coltidaâ pela humanidade em busca desio 
estupendo deâiteratum. Fui um brasileiro, um paráen&e Julio 
Cefar Ribeiro de Sousa que den nova forma aos balões, da qual 
«m breve se apoderaram engenheiros francezea, E' ura brasi- 
liiro qae sastenta na Europa a primazia na dirigibilidade dos 
«eroitotos. A França, sempre Kelosa de snaa glorias, celebra 
com enihusiasrao o centenário dos irm&oa Montgolfiere. Com 
toik razfto, com mais direito devemos nós os brasileiros acclamar^ 
por uma grande apotbéoae ao sábio padre Bariholomen de Gusmão, 
1 primazia que nos cabe no invento da nav.gaç&o aérea. 



HoSAKSfÂH DE OlITBIRíL 




OUVIDORIA DE PARANAGUÁ 



Azevedo Marqueaem sua Ckronologia publíeíida em a|>pen<lice 
aas seus AponiautQnios I lia tú ricos e J. J. Ktheir o na Chronfdogia 
Paulista^ vol. I, png. 666, dizem tor «Ido creada a coirarca án 
Paranaguá em 17 de junho de 1733. Esta, iifío é, poróui, a 
data da creação da referida comarca, utna daa oito ijuc ce des- 
membraram da comat-ía de S, Paulo creada pftlas Cartaa Bci^^iat 
de 24 de maio de 1G94 e 1 de íetembr^» de 161*9. 

Da Carta Régia de 26 de abril d© 1723 consta ter sido 
feita a nomeação de ouvidor-g^rxil ^min n villa de Paranaguá e 
aimilbanto noraent^ão iiÉlo estaria então feita, èÍ não já estivesse 
crcada a comarca. 

A Carta HiViria de 17 da junho del72Dnio creou, de facto, 
a comarca de ParaDagaá, se cingiu a ]iarticipar que o loj^ar do 
ouvidor de Parfln«!^u4 já e&tava provido e crí-ado, em virtude 
de repreficntíiçào do ouvidor de £3. Paulo» Rafael Pires Pardi- 
nho, quando íbí recebida a carta dp Rodrigo César de Menezes 
datada de 4 de outubro de 1722 e em que eâte, reformando seu 
parecer constante da cm ta de 13 do setembro de 1721, escre- 
via nfto ser preciso jtiiz de fora em Paraníiguá. 

Creada em 26 de abril de 1723 ou pouco antes, a comarca 
de Paranaguá ficou coiuprebendeodo todas as povoações e todo 
D território situados entre um.i linlta geognipliíca de leste a 
oeste tirada de Iguapo e ss divisas sul-nacionae?, até que a 
Cana Regia de 20 de novembro de 1749, que desmembrou a 
comarca eiitabelecendo a ciividoria de B, Catharína, a fe7^ limi- 
tar pelo sui coroa nova comarca pelos rios S. FranciscOj Negro e 
IguaBÉii e o Alvará d<! 12 de fevereiro de 1621 alterou em 

Jjarte as divis/t?, passando a villa do Lnges para a comarca da 
.lha de S. Catharina, entuo creada cora a divisão em duas da 
comarca de S, Pedro do Rio Grande e S. Catharina. como em 
virtude de Alvará de 1812 era denominada a comarca do S* 
CathariniL crcj-íla em 1749- 

Cora as primitivas divisas ou com as resultantes quer da 
crençào da comarea de S, Catharina, quer da dí^sannexaçfto da 
villa de Lages, o facto è que a ouviduria de Paranaguá, que 
em 1812 pasÈou a ser denominada comarca de Paranaguá e 
Curitiba, nâo deiíou de existir sinílo quando o Código do Pro- 
cesso Crirainal Brasileiro entrou em vigor, no anuo de 1833, e, 



— 263 — 

sfí «ntreCantOt ÃzeTcdo Marques escreva quo por Aliará de 19 
d« fevereiro do 1811 foi creiída a cnmarca de Faratiajíuá e Cu- 
ritiba e eiplicA iimilhrintecrpflçfl.o, dizendo que *A Carta Kégia 
dfl n d« junho díi 172j havia crendo a comarca de Paranníruá, 
qoe eomprohpndia us |í0V0ncõe3 lÍTnifrDphe& ãçi S. Catharina, 
Liffana^ S. Fra ti cisco do Sul © os tenitorioí» do Rio GratíHe do 
Sal, porém com a separarão deste e do de S. Cíttharina deiíou 
de ext&lir a comarca de Paraníigná e por isto nesta dará íoí 
«iflnoTo cffada a totuarca de rarao!í;;ijá o Curitiba», 

O Í4deffS-o liistoriadur paulista hiboiou, porém, ©m explicável 
eqtiivDtro ao fazer a comarca de Paraná f^uá e Curitiba creada 
per Alvará de 1811 e em erro quando disse extincta a comarca 
de Pflranag^aá pela í*reaçào da coEanrca de S. Catbarina, 

À comarca de ParAii»guá não foi de novo creada por alvará 
de 1? de fevereiro de 1811, vi^to que em tal data nào foi ei- 
pwíiílD pelo íTOveroo fietihum alvará çnm furça de lei, seodn, oo 
eotíetawto, ctrlo que de exactamente um aniao de|ioÍ9 data o 
AIrará de 19 do f,ívereiro de 1812 relativo á comarca de Pa- 

Este alvará, porém, com o qual ae explica o equivoco, apenas 
tnudúu o nome da comarca de Paríma^uá pelo dw Paranaguá e 
Curitiba, trafibferindo bo raeamo tem]io a sede da comarca e a 
njiidentía dos ouvidores da primeira para a íe^amda da^i villas 
nomeada», mas nAo crcou a comarca, já entAo exiàtonte deisde 
quâsi noventa aunofi. 

Na realidade, em 1811 ou 1812, a existência da comarca de 
Paraiafitruá já vinha aem floluçào de continuidade desd^ que foi 
a Duvidoria installada pelo dr, António Alves Lanhas Peixoto no 
primeiro quartrl do século XVI 11, não tendo ella deixado de 
existir em virtude da sei>aracão do l<io Grande do Sul e S. 
Catbarinfl, porque a Carta Hé^ia de 20 de novembro de 1T49, 
que fcí tal Bpjíiimçào, apenas dividiu a comarca de Paranaguá 
pelos tíoã B, Francisco, Negro e líçuasBÚ para constituir com os 
terrítf^TÍos e povoações ao sut a comarca de S. Cathariua ficando 
a comarca de Paranaguá coustituida díts povoações e tf^rri tórios 
«ituados entro as divisas da comarca de S. Paulo e os rios men- 
cionados. 

Come Azevedo Marque?, tnmhem Inborou em equivoco o 
operoso chronoloerista J. J. Ribeirí», quando, á p^g, 222 do vol* 
I.* dd seu trabnlho citado, affirmon que por Alvará de 19 de 
fevereiro do 1811 furam creadus as comarcas d© Paraíioguá e 
Curitihaj pois nem eiiste 6ÍmÍ]Uante alvará, conforme ticou dito, 
Bem fl» villas de Curitiba e Paranaguá foram, no regrn^eu ju- 
diciário dos tempos coloniaefs, eomarcaíi dístluctas entre A, 

1) Creada a comarca, foi nomeado seu íaividor Aíítokio Al- 
VBS Laxha» Peiiotd, a cujo f^vor foi i^xpedida a respijctiva pro- 
Tisâo r.os 21 de afi;;ostO de 17'24, ma^ cuja íiomeação já antes tinha 
lide levada no couhecimeDto do goveinador de S. Paulo pela 



— 264 — 

Carta Regrida de 14 de mnrço e a quem jA anteriormente, em 8 
de janeiro, o governo central mandara adeantar ajuda de custo 
na importância de 6í">0*000. 

Em 12 de novembro de 1725 n governador e capitAo-ge- 
neral da capitania de S. P^ulo, Rodrigo ' esar d»^ Menezes, em 
instrncçOeB, qu« deu « Peixoto, ordenou diversas diligencias que 
por este deviam ser levndhs a efteito logo que passasse para sua 
comarca, donde se infere que até entào não tinha Peixoto assu- 
mido o logMr, em cujo ex» rcicio fez correição na sede da co- 
marca, í^endo por ordem régia os provimentos, que entào deu, 
considerados nullos nas parte* em que contrariavam os do ou- 
vidor Pardinho, como consta da represpntaçfto feita pela Gamara 
de Pflranaguá aos 23 d« ngosto ae 1732. 

Pouco tempo exerceu elle as funcções de seu cargo, pois, 
si no caracter d^ ouvidor de Paranaguá foi a Laguna e aos 26 
de março de 1726, ao voltar daquella povoação fundada pelo 
paulista Domingos de Brito Peixoto, erigiu a villa do Desterro, 
em (> de julho do mesmo anno acompanhou o capitão general 
em sua viagem á Cuiabá, donde não m^ib voltou para sua comarca. 

A Rodrigo César de Menezes foi ordenado pela Carta Régia 
de 6 de agosto de 1725 que ao seguir para Cuiabá levasse em 
sua com])nnhia para auxilial-o no estabelecimento do regimen 
administrativo das minas e no que fosse necessário o ouvidor 
Lanhas Peixoto, que se suppunna eh ^ gado já da metro j3ole para 
assumir o cargo para que fôra despachado. 

O ouvidor de S. Paulo, que então era o dr. Francisco da 
Cunba Lobo, affirmava, purêm, que elle e não Lanhas Peixoto 
é que devia acompanhar o capitão-general a Cuiabá e apresen- 
tava em prol de soa afirmativa diversos argumentos, que foram 
todrts rejeitados pelo capitão general, que, a seu turno, affirmava 
que a ordem recebida era para levar Lanhas Peixoto. 

Não conseguindo ir em logar deste com a ajuda de cuato 
fornecida para a viagem, resolveu Cunha Lobo. a pretexto de 
pertencer Cuiabá á ouvidoria de S. Paulo, seguir viagem para 
aquella pov(»ação no caracter de ouvidor ; mas a esta resoluç&o 
o])pô% embai gos o capitão-general, não permittindo que fosse 
levada n effeito. 

Chegado a Cuiabá, o capitão-general, por carta de 22 de no- 
vembrí» de 1726 encarregou Lanhas Peixoto de exercer os cargos 
de 811 }>orin tendeu te, ouvidor-geral e provedor dos defuntos e 
ausentes. 

E' de n( tar-se que a ouvidoria de Cuiabá não tinha sido até 
entào creada, mas o governador, que não tinha competência para 
cre;il-«, delih rou por sua alta recreação que durante sua per- 
mniK^ncia naquelle povoado nelle houvesse ouvidor e encarregou 
das funcções desse cargo a Lanhas Peixoto. 

P^ra cohonestar seu acto o governador se apegou á ordem 
que tinha para a elevação de Cuiabá á categoria de villa, por- 



— 265 — 

<)iiiiito, ãr^tuneotava elLe, si delia, constara que a villa. devia 
ler ae^da na iárma da Ordeaaçào^ ellu também Ihn cnnc^dia a 
A f^caldade de iaxer tudo o maia qii^ lhe parectísae couveniente 
M real si^rviço. 

Çfsrto, f>orém, estava Rodrigo Ce«ar, apesar da fahu noção 
ipe tinha de sua autoridade, de que sett M^cta nAa »n dcliava 
Jiletui mente justificado c* m a faculdade, que deduziu d« ordem 
àà crt!açào da villa, e, por isso, em L* d*' mart;o e só em L* 
áe mar^r» de 1728. dando couta de<'ge acto aeu, pedia fnftse elle 
tpprovido. quando já pf^la provit-àfí recria de 15 de fevereifO 
dêtiH mesmo anno tinh» i^ído mandAdo revalidar tod^^i os pTo> 
Céuo^ e len tenças^ por nàn poder haver tem nova creaçílo dois 
oatidorf^ na meania capitania. 

Incumbido Laubasi Peixoto de e^i-rt^er oa car^oa iUpra meu- 
donadoa, »lle, de tacto, o* exerceu ató 8 de abril dw 1727^ 
^aáDdo pediu e obteve ana exonera çJLo. 

Oito dias depois, em 16 dd abril, foi Peixoto reintÊ^rado, 
* *eu pedido, no i-argf» de ouridor-geral, exercido eatAo pelo 
jnix ordinário liiodri^o Bicudo Chasaini, e no d<n provedor, n&a 
ff frendo no de superintendente, que cont^utiou confiado ao ca- 
pitão Gaspar de Godoy Moreira, que antes da chegada do g^- 
Temador <;ra quem o exercia. 

Até principio» do abril de 1727 tinha reinado completo 
«ôrdo, pelo menos apparente, entre Rodrigo Ceaar de Meneaoi 
8 tt ouvidor. 

O capit&o -general» ao incumbir Peixoto dos cargos já refe- 
ridos, dizia nào aó que a experiência lhe tinha mostrado o 
quânto acertada foi a eleição de Peixoto para acompanhai -o a 
CEJabá, como ainda que reconhecia na pesson do meísmo ouvidor 
«tcdaft a que II as circttmt^tancia» dignas de occupar os maiores em^ 
pregr-ft». 

Em 8 de mar^ de 1727 ainda o mesmo em relação a Lanhai 
Peixoto era o conceito externado peio capitAo-generalj que era 
carta desta data ao sobí-rano português escrevia que elle era 
dotado de capacidade, letras e prudência e, maia, que era credor 
de «toda a bonra que Sua Majestade costnma fazer aos que 
coxQ tanto zelo o servem». 

Em 16 de abri^ porém, já entre os dois enviados da me- 
trópole nào reinava a miasma harmonia e nes^e mesmo dia o 
ctpitào- general deu a entender què considerou a excusa ante- 
riormente apresentada por Peixoto como acto hostil a sua pessoa 
e o advertiu em relação as cultas judiciaes cobradas das partea 
litt^antes. 

As contenda» entre Peixoto e o vi^íario da vara o governa- 
dor as U*timott dixe n do qu© o perturbavam e desassocegavam 
e que, a seu vêr, ellas, depois de terem sido levada» ao conhe- 
cimento de quem as podia decidir, só foram renovadas com o 
âm de o amofinar. 




-^ 266 -^ 

Tendo Peixoto njandaáo sfvliar um ti ogro, que fora preso por 
ser eneonírndo coth Brina proliibida^ Rodrigo Ctssar c^Qí^urou seu 
proceder o íhe ordenou qu« mauda^se prender novuiaentâ o ne- 
gro & de-jmià o cnstigjfiífeR iia lVírm'v d;L lí*i. 

António Bíirroso ji^g^avii fom a cavillaçHo de receber o que 
ganhasse e níVo pairar o que perdesse e o governador ordenou 
a ♦ eixoto que t> maada&SB piendor, no que este replicou não lhe 
permiti irem aa leis a priíáo de quem quet que fusse gem culpa 
fOTiuíicln, sfíu prova e ?em deepaclio ti« pronuncia. 

Extrauliou Rodrigo Ceaar o proceder de Pf-ixoto dixendo que 
0% governadores eram lofo-teneuíei do Priucipe e, como taea, 
superiores a tod^s ns maia justiças e, íissim, importava em dão 
cumprimeiUfí do dever por jiartt? do ouvidor a iugbsorvuocía do 
que pelo governador lha ora ordenado. 

A iioi;fio, que de &ua autoridade tinha Rodrigo Cepar de 
MenezeSf f*ra f;ilíii, porque a Carta Kègia do 13 de março de 
17 i 2 jí tinha estatuído que a administração Ha justiça era in- 
dependeute dos ^overni\doic&, como depois a Cartai Hégia de íi8 
de mnlo de 1732 t?t*ibelcceu que em matéria de justiça na ou- 
vid' res nào fêm que dar conta aos goveroadores, que nenhuma 
juriadicção lem sobre elles . 

Este, poifrn, i\M era o modo de pensar de Rodrigo César 
e, por isBH, ellp, nAo cuntente de fa/er diver-as censurfís ao ou- 
vidor e de por mais de uma vpz ]he extranhar o procedimentOt 
fazia magoa questão do que Pt*ixoto lhe remcttcsse para serem 
julgadas em junta do jusiiça a devassa por doTs crimes de morto 
praticados por escravos e uma outra, a que Rodrigo César cha- 
mava «a devasffi do homem da folheta». 

Em relaçftn n esta Begiiuda devassa accrc&centava o f^over- 
Tiador que ísuppo-to íosi^e peão, brnnco e livre o delinquente a 
o ouvidor, i m vista de seu regimeuto, o pudesao seu teu ciar ató 
cinco annos de degredo, elle governador entendia que o caso 
pedia maior pena pela qiialidside do criuio e peias circum- 
btancias que o aggravavam 

Lanhna Peixoto nílo i-e eonfoimou com as exigências de 
Rodrigo Ceíiar e, depois do iniihi mente ponderais que nâo 8<^ po* 
dia f;is!er a funta do ju^íiça, *»scseveu aos 11 de outubro de 1727 
no governador lho pisrticipando que a continuaçílo do exercício 
dos cargo?, de que estava investido, iinplicava com sua conscí- 
eticia e lhes pettiudo a merco de acceítar a dcití&tencia que dos 
mesmos fazia elle Peixoto. 

A desistência foi Hcceita, a junta eo fez e uni negro homi- 
cida fi»i levado á forca, mas, por provisão régia de 29 de julho 
de 1732 foi achado que bem obrara Peixoto *em lhe parecer 
que a justa só df*vía ser feita em S. Paulo o cora a formalidade 
ordenada no regimento doã ouvidores* ^ 

Deixando o cargo de ouvidor, foi Peixoto nelle substituido, 
primeiro, pelo mestre do campo Antão Leme da Silva e, depois, 



— 267 — 



I 



por Diogo íle Lara e Morat^a, que deixou a jurisdicvAt» por ordem 
do governador, setido elk por oiitti aos 4 é^ abril de tT28 de- 
clarada éxtíticta, 

Em 5 de junho de 1728 partiu de Cuiubíi, dnnrlo pf>r finda 
a dili*^eiicia de qutí eiátava iticumbido, o governador líodiigo 
Cefiir, Tiiio sem tacrever nesse mesmo dia a Lpnhas Ppis:ntf> uma 
carta em que pela terceira \^7. It^mbravn a este a obríguçàn que 
lhe corria de acnmpanbal-o, poi^ que nAo Ihti era f'"ado abandonar 
& comarca de Paranflí^ná» para onde devia sef^nir vbjri-^Tn e 
onde devia residir, uma vex terminada a CMUmiseâo que Ibe fóia 
dada de acompanhar o g^overnador a Cuiabá. 

Nenhuma importância Uixou Lanbaa Peixoto áe cartas de 
Rodrigo César, se deixíiado ficar em Cuiabá por quaíi duts ao noa 
mais e só de lá partindo para S. Paulo era 1730, etn cujo raea 
de maio foi atacado em caminho ooa pAuianaes da embocadura 
do rio Jagaari, pelns índios paíaguaz, perdeu do entiltj maia de 
sessenta arrobas de ouro dos quintos reaes o que estavam a &eu 
cargo e perecendo com quasi toda sua gf»ut(*, quo se compunha 
de reiDeiroft e cem homens armados, dos quaos todos npeuaa es- 
caparam dí*RpEete, 

Conhecida em S. Paulo a hecatomb^, em que foi victima o 
primeiro ouvidor de Paríiua!>uá, o capitào g-erteral Antouio da 
bilva Caldeira Pimentel determinou por um bando datudo do 4 
do setembro de 1730 que fossem destniida» e queítmiida"; f»â aldeias 
doB indioG que infes^tavam o c&mitibo de CtJÍ»bài permittiu o saque 
das aldeias e a eicravizactio dos mesmoa Índios e nouieou chefe 
ánk expediçfio o cíjpit.aij-mór Gabriel Antunea ilaciel, 

A esta e^ípediç&o sefíuirara-se outrns sem que se come- 
guisae o lesultíido almejado, sendo a primeira pob o cammando 
geral de Manoel liodrigues de Carvalho e composta dn três di- 
visões sob oâ commandos de Gabriel Antunes Aíaciel, seu irmilo 
António Autuo es Maciel o António Pires ò^ Campos. 

2) A Laubas Peiíoto, que succumbiu nas màoa dos sel- 
vagens em maio de 1730, succodcu no logar de ouvidor do Pa- 
ranaí^uã o dr* António dos Santos Soakks, notceado pela reso- 
luçàõ tomada em 20 de maio de 1730, quando aiuda não era 
conhecida a morte de seu antecessor. 

António dos Santos Soares foi, anteriormente, juií de fora 
do Olivença e proferiu neste caracter em 1 de maio de 1718 
utna Henteuça, cujo inteiro teor se pode ler na pf^gina 102 dos 
Areatos publicados por Feliciano da Cunha Fratjç?* como appen* 
dice ás auaa ÂilãitioneR Aurea-que llhistrationejí ad quinque Hbros 
FrimiR Variia Fractiem Lusitanm Emmann&lis Meíides de Castro ^ 
ediçào de t7G5, Lisboa, 

Foi, também anteriormente, jui% de fora de Santoa, em cujo 
eiereicio despachou em 25 de junho de 1722 uma petiçào do 
sar^euto-mur Manoel Mauso de Avaliar e aos 23 de agoisto do 
17 2õ leve oídvm de assumir a Viira de ouvidor pgr ter o dea* 




— 268 — 

embargador syndicaDte António de Souea de Abreu Gh*ade so 
retir/tdo de S. Paulo, deixando a cidade sem ministro. 

Em 6 de julbo de 1730 foi expedida a favor do dr. An- 
tónio dos Santos Soares a respectiva carta de ouvidor de Para- 
rana^uá em vista da resolaçft» referida de 20 de maio do mesmo 
anrio, sendo elle em 13 de julbo nomeado provedor das fazendas 
dos defunt'18 e ausentes, capellas e residuos, Ibe sendo, em 15 
do mes ultimo reierido, fixado o ordenado de 400$000 annuaes 
com mais 40^000 de € aposenta dória para casas» e lhe sendo 
concedida por provisão de 20 de novembro do mesmo anno de 
1730 njuda de custo na importância de 200$000. 

Santos Soares, quando foi nomeado ouvidor de Paranaguá, 
se acbava no Bra^^il, onde tinha acabado de servir o logar de 
juiz de fora de Santos e, nào podendo, por isso, prestar pesso- 
almente na chancellaria o juramento do cargo, pediu licença parft 
presta 1-0 por procurador ou perante o governo de 8. Paulo e 
esta lhe foi concedida por provisão de 17 de agosto de 1730 
passada em virtude de resoluçào de 3 desse mes. 

A Camará da Paranaguá na representação, que fez em 23 
de agosto de 1732 ao governo da metrópole, dizia esperar do 
talento e prudência do ouvidor geral dr. António dos Santos Soa- 
res «boa creação e au^mento do bem commum». 

Aos 19 dn maio de 1733 o Conde de Sarzedas, governador 
de S. Paulo, escreveu a este ouvidor uma carta em que nào só 
accusava o recebimento da que Ibe fora escrípta em 25 do mes 
anterior, como ainda — tendo o ouvidor proviao por três meses a 
um escrivão do Rio de S. Francisco— fazia ver que os provi- 
mentos dos escrivães eram da competência do governo e não dos 
corregedores de comarca. 

Nova carta lhe escreveu o referido governador em 23 de 
julbo do mesmo anno, mas, desta feita, para lhe remetter alei 
de 29 de novembro de 1732 e Ibe ordenar diversas providencias 
para a execução da mesma lei. 

Em julho ce 1733 o ouvidor geral augmentou o ordenado 
do escrivão da Camará de Paranaguá e proveu em correição que 
as pessoas que achassem em abandono catas e faisqueiras velhas 
podiam nellas minerar sem obrigação de as comprar. A carta 
Regia de 16 de novembro de 1734 ordenou que o governador 
de S. Paulo, ouvidos o respectivo guarda-mór das minas e a 
Camará de Paranaguá, interpuzesse seu parecer a respeito das 
duas alludidas determinações do ouvidor Santos Soares. 

O Conde de Sarzedas, escrevendo ao monarcha portugnes 
em 23 de março de 1734, disse : «O ouvidor de Paranaguá An- 
tónio dos Santos Soares serviu de Juiz de Fora de Santos e se 
acha na ^ua comarca doente depois que foi para ella e pjr esta 
razão não tem feito ainda correição 9, e na carta eseripta a 9 de 
maio do anno seguinte informou ao soberano português de que 
«O Ouvidor Geral da Comarca de Paranaguá tem servido a V. 



- 269 — 

Maj.* naquelle logar com recta intenç&o e limpeza de m&os e bom 
acolhimento ás partes, porém carregado de achaques e como na 
dita frota lhe vem saccessor He administrará melhor justiça ás 
partes, o que não podia fazer o dito Ministro por estar qnasi 
lempre enfermo». * 

3) O Buccessor de António dos Santos Soares, ao qual 
Sarzedas se referiu em sua carta de 9 de maio de 17r5, foi o 
dr. Manuel dos Santos Lobato, nomeado pela resolução de 19 de 
outubro de 1733 e a cujo favor foi expedida a respectiva carta 
em 4 de maio de 1734 e fixado o ordenado, que era egual a de 
seu anteeefisor, por provis&o de 12 de novembro do mesmo anno. 

O dr. Manu-l dos Santos Lobato, que tinha sido juiz de 
fora da villa de Torrfto, foi, como ««s ministros que o procederam na 
comarca, nomeado provedor das fazendas dos defunroM e ausentes, 
eapellas e resíduos, se lhe fazendo mercê da serventia do refe- 
rido o£5cio por provisão de 27 de setembro de 1734. 

A este ouvidor, lhe dando diversas instrucções para a arre- 
eadação dos quintos reaes pelo novo systema de capitação, dirigiu 
em 15 de agosto de 1735 uma carta o governador de S. Paulo, 
a quem pela Carta Regia de 21 de fevereiro He 1738 foi mandado 
informasse com seu parecer a conta, que sobre a cata geralmento 
conhecida pelo nome de D. Jaime, dera o ouvidor Lobato. 

Este ministro, de facto, por carta de 28 de março de 1737 
levou ao conhecimento do governo da metrópole que do sitio de- 
nominado Santa Fé, distante da »éde da comarca pouco menos 
de um dia de viagem, existia u'a cata geralmente conhecida por 
cata de D Jaime, e que elle ouvidor não permittiu aos que 
pretendiam exploral-a o fizessem, visto se dizer ter sido ella 
aberta á custa da fazenda reaJ. 

Estando Lr»bato ''O exercicio do cargo de ouvidor de Para- 
oaguá, um decreto de 28 de janeiro de 1736 creou quatro in- 
tendências de mmas na capitania de S. Paulo e, nomeando para 
a de Goiaz o dr. Sebastião Mendes de Carvalho e para a de 
Cuiabá o dr. Manoel Rodrigues Tones, autorizou o respectivo 
governador a nomear interinamente para a de Paiauapaiiema a 
João Coelho Duarte e para a de Paranaguá o ouvidor da comarca. 

Romano Martins, em artigo publicado a de 8 de janeiro de 
1906 n'^ Republica, orgam da imprensa diária de Curitiba, es- 
creveu que o dr. Manoel dos Santos Lobato «casou com a distincta 
paranaguara d. Ânconia da Cruz França e por motivo desse acto 
perdeu o cargo». 

Na verdade, a Carta Regia de 27 de março de 1734 prohibia 
o casamento dos magistrados nas conquistas sem especial licença 
regia, sob pena de i>erem suspensos, riscados do serviço real e 
remettidos para o reino. 

4) O dr. Ga8par da Rocha Pereira, que em 1739 era 
juiz de fora de Santos, foi, segundo o citado historiographo 
paranaense, ouvidor de Paranaguá depois de Lobato. 




— 270 — 

O dr. Gnspar pm 1T5I era hitenefente da real t^asa dos 
quintos de Minas Gerítea na comurca do Rio das Mortes u a 
morta o cncout-TOu no exercicio desse car^o. 

5) O dr. Makokl Tavahbs db Siqueira e Sá^ que, tendo 
sido fliitea juiz de fi>ra da villa do Reíiondo da yiroviocia de 
Alemtfíif», sTiccedfii iia ouvidoria dti Pamaa-ruií o o dr* koelia Pe- 
reira, foi o peererario Ha Academia dns Selectoa, que por inicia- 
tiva de Feliciano Joaquim de Sousa Nunes e tendo por ]ire- 
sidente o padro-mestra Francisco de Faria foi celebrada no Rio 
aoB ^0 de janeiro de 1752 em obsequio a applauão de Gomes 
Freire d^ Andrada. 

Oi trabalhos da Ácademin dos Selectos foram colleccionados 
Bob o tiLulo — Juhíios da America na gloriosa ejaaltaçdrt e pro- 
moção fio Ilfmo. e Ejrmo, Sr, Gowes Freire de Andrada — e 
publicíidoâ em nm vnlum© in 4.", deííO — 3tí2 paginas, na olficina 
do dr Manoel Alvores Solnno, Lisboa, 1754. 

Dft vinte e cinco foi o numero de menibroa da Academia, 
Fe contandn entre t^Uea a poetisa flamitieusa d. Ang^ela do Amaral 
líanm^t uma Híi^ be rei nas das Brá,si leiras Celebres do Joaquim 
Norberto de Sousa e Silva, que affinna terem os seus versos 
bel los e ^iinpleF, fáceis 6 íluentea primado tobre au compo&içõei 
dos demáTs Academico^j eniorpecídas pela calculada aíTecta<;ào do 
eBtylo e repletos de antitbe.-e8, conceitos e IrocadilhoR, 

Para fuzer parte da Academia Ibi tambetn convidado o dr, 
Ga&par Gonçalves de Araújo, nascido em Santos ans A de maio 
de ÍGGl, mnsi elle se escusou, alienando seus acbaques e seus 
noventa annos de edade, por carta a que o referido secretaiio 
deu piiblicidtíde nos Jidiiloa da America^ ahi cbamando o illus^ 
trrt paulista « Ne&tor Brasílico ti o mais celebre Jurisconsulto 
Americano ». 

Entre os trnbalbos do secretario dr, Manoel Tavares de 
Siqneiía e Só, reunidos no nienciouado livro com os dos maif 
académicos, »^ lêem al^jiiEiB sonetos, dos quaes ao aca^o se tras- 
lada o Eeg;ulnte : 

A experiência confirma assaz notória, 
Ser a vida do bom em sobro a terra, 
l!íii dura, cruel, continua íçuerra, 
Na esperança final de Lu* victoria* 

A Coroa, a que appira, e toda Gloria 
Nutn certame Icgtttmi» se encerra, 
Contra os vicios vestindo, se mio erra, 
As Virtudes por Armas, sem vangloria» 

As premissas bem pôde confesàar-mas 
Todo aqiielle, que vir o mnl, que teguo 
Na formal berexia de ue;{-,ir-inaB 



— 271 — 

E, por texto a razão, basta quo alle^çue, 
Provando, que somente por taes Armas, 
A verdadeira Gloria so consegue. 

6) O dr. António Pires da Silva b Mello Porto Car- 
reiro era ouvidor de Paranaguá, quando em 1 de junfao de 1750 
o dr. Manuel José de Faria tomou posse do cargo de ouvidor 
de S. Catharina e instaDou a^^sim a nova comarca, creada pela 
Carta Régia de 20 de novembro do anuo antecedente. 

O dr. António Pires rasou-se rm S. Paulo aos 11 de abril 
de 1751 com d. Maria Joaquina da Silva Lu^tosa, natural da 
villa d« Santos o filha legitima de sargento-mór António Fer- 
reira Lustosa e D. Catharina da SíIvh Almeida e neta materna 
de Manuel Mendes do Almeida e d. Maria Gomos de Sá. 

7) Em 1755 aiuda exercia o dr. António Pires o cargo de 
ouvidor, pois que, conforme o refere Romario lilartins, lia em 
Curitiba acto seu datado daquelle anuo, mus em 1757, na affir- 
mação do mesmo historiographo, nâo mais- ora elle o ouvidor da 
comarca e sim o dr. Jeronymo Ribeiro de Magalhães. 

Entre esto ouvidor e o que se lhe seguiu mediou longo 
espaço de tempo, durante o qual a comarca esteve sem ouvidor 
efiectivo, sendo o cargo exercido, na forma da lei, pelo vereador 
mais velho da sede da comarca. 

O facto de ter estado acephala a comarca por largo tempo 
86 acha aíUrmado pelo Morgado de Matheus, d. Luis António 
de Sousa, governador e capitao-general de S. Paulo, que em 
carta de 2o de dezembro de 1767, levando ao conhecimento do 
vice-rei o roubo do cofre de aui»eiites em Paranaguá e consul- 
tando como devia agir para ])recavcr os descaminhos de dinhei- 
ros públicos, nma vez que nfio podia, no entender da Relaç&o, 
mandar conhecer do occorrido por mioistr» de outra comarca, 
escreveu: «A Comarca de Paranaguá está ha muitos annos sem 
ouvidor letrado, o que já fiz presente á S. MajV^tade». 

8) O governador Martim Lopis Lobo Saldanha em officio 
dirigido em 21 de abril de 1778 a Martinho de Mello e Castro 
escreveu : «O Bacharel António Barbosa i»b Matos Coutinho, 
ouvidor da comarca de Paranaguá, se faz digno de toda a mercê, 
que i>ua Majestade for servida conferlr-lhe pelo zelo, actividade, 
promptidâo e acerto com que tem executado as minhas ordens, 
e as do Marquez Vice-Rei, em tudo o que pertexce ao Real ser- 
viço distinguindose muito nas prompta^ providencias que deu 
em toda a campanha do anuo antecedente com excessivo tra- 
balho pessoal, e ainda com do^ippsa sun». 

Estando em correição na villa de Iguapo, que pertencia* á 
comarca de Paranaguá, ahi deixou este ouvidor em 20 de abril 
de 1779 um provimento p4*lo qual autorifava a Camará a as- 
sistir com o mantimento preciso os quo fizessem o vallo proje 
ctado para commuoicar o rio da Ribeira com o mar, provimento 



— 272 — 

esse que, segunán participação feita por Aotonio Rodrignes da 
Cunha em carta de 26 de ontubro, foi approvado pelo governador 
da capitania. 

9) Depoin do dr. Matos Continho foi ouvidor da comarca 
o dr. Francisco Lbanobo db Tolkdo Kbndon, nomeado em 2 
de abril de 1783. 

Este ouvidor era natural de S. Paulo, onde foi baptisado a 
29 de março de 1750, e filbo de Agostinho Delgado Ârnuche e 
d. Maria Thereza de Araújo e Lara, irmào dos drs. tenente- 
<?eneral José Arouche de Toledo Rendon primeiro director do 
Curso Jurídico de S. Paulo, e Diogo de Toledo Lara Ordonhes, 
desembargador do paço, conselheiro de fazenda, sócio correspon- 
dente da Academia Real de Sciencias de Lisboa e alcaide-mór 
da villa do Paranaguá por despacho de 22 de janeiro de 1820. 

O dr. Leandro fez em s. Paulo seus estudos de gramma- 
tica latina, pbilosophia e theologia e em 1774 partiu para Coim- 
bra, em cuja Universidade formou-se em leia no anno de 1779. 

Casou-se em S. haulo aos 16 de Julho de 1790 com d. 
Joaquina J( sefa Pinto da Silva, contrahiu, tendo-se enviuvado, 
segundai núpcias com d. Anna Leonisi>a de Abelho Fortes aos 
29 de maio de 1796. uma e outra filhas do dr. António Fortes 
de Bustamante e Sá Leme, e falleceu em 1810. 

Em Iguape deixou o dr. Leandro em 8 de agosto de 1787 
na qualidade de ouvidor um provimento pelo qual mandava se 
proee^uisse na canalização da agua da fonte chamada do Senhor 
para o abastecimento da villa. 

Em 20 de janeiro de 1789 fez o mesmo ouvidor, em obser- 
vância de uma portaria dacada de 24 drt setembro do anno an- 
terior, a erecção da ireguezia do lapó em villa com a denomi- 
nação de Villa Nova de Castro em honra de Martinho de Mello, 
e Castro, secretario de Estado dos Negócios Ultramarinos. 

10) O dr. Manobl Lopbs Branco b Silva, que succedeu 
ao dr. Leandro na ouvidoria, foi nomeado a 12 de outubro de 
1789, tomou posse em 9 de outubro do anno seguinte. Ibe foi 
por provisão de 9 de novembro e resolução de 20 de outubro 
de 1796 concedida licença para se casar com d. Gertrudes So- 
lidonia de Mello, viuva do dr. António José de Sousa, e erigiu 
em villa com o nome de Antonina aos 6 de novembro de 1797 
a freguezia de Nossa Senhora do Pilar da Graciosa. 

Em 15 de novembro de 1798, no tempo deste ouvidor, não 
hayia, segundo o asseverou o governador Castro e Mendonça em 
carta ao Tribunal do Conselho Ultramarino, não havia em toda 
a comarca de Paranaguá «um só letrado com carta de Bacharel 
e Formatura». 

11) O dr JoAo Baptista dos Gdimarãbs Pbixoto, na qua- 
lidade de ouvidor de Paranaguá, remetteu a Camará de Lages, 

Sara ahi ser publicado, seu edital de 23 de abril de 1800 acôrca 
o perdAo a criminosos concedido pela Carta Regia de 28 de 
agosto de 1779. 



— 273 — 

I)« um oMcio dirigido pelo g-overnador AiitoDio Marinei de 
Mello GtiBl^o e Mendonça em 20 de maio de 1602 ao V^iâconde 
d« Ãnftdia, consta que o ouvidor Guiinaràea Feixot^i foi pujspenio 
do carg^o pelo dito jçovernador, cuja ordem» ao aepnis expedida, 
|>tri que le recolhesae o owvidrr a S, Paub nào mais o encon- 
tpm em Paranaj^uá, tendo cUe partido em uma fiummae» para 
Femâmboco^ doudu erg uatural . 

12) O dr. ÂiTPONio DH Carvalho Fontes Hknrjquks Pb- 
uiKA tomou posfle do carj^o de ouTÍd«iT Ém ^ de ferereirn de 
1304, participcíW «na poise á Camará de Lagee emofficio de 7 de 
Qiirço íe^uinte e aoa 19 de ag"Oflto tomou parte na vereançA 
gíwj a que se procedeu na villa de Ij^iape p>ara Be deliberar 
lobíe o refazimento da rcÊpectiva Eg^reju Matriz. 

Em in formação, que a^s 6 de maio de 1805 pelo governa- 
das Frauea e UortA foi prestada em obediência ao aviio de 1 
de dezembro de 1803, eserpve elle ein relatjào ao dr. Fí»tites 
Hell^qa^ft: <0 ouvidor dt^ Parana^á me tem dado decisívai 
proras da @ua ignorância e insufficieocia para o iinportantecarí^o 

?|tt6 eierce», e^ depoii de especificar os facto* com qu© procura 
linffilmentar o conceito ■ i:t*?nmdo, termina: «Finalmente não se 
nega a accritaçào de offertua avoitadi^a^ e pelos factoiâ que me 
têm »ido presentes a este r^ti peito, devo justamente concluir, o 
iftae?erar a V. A. que è nennum o seu desinteresse e Limpeza 
de Mãos*. 

13) Na Ytlla de Ig^ape deixou aos 26 de agosto de 1809 
o dr. António Ribeiro db Carvalho, ouvidor e corre^fedor da 
eomarea, provimento para limpeza e asseio do rego, em que víuUa 
i igua para o abastecimento da localidade. 

14) Por decreto dfl 6 dw fevereiro de 1810 foi nomeado 
ouvidor dn comaica o dr, JoÃo de Mbdisirob Gomes, que a Id 
de março de 1812, dando execuçào ao Alvará de 19 do mes an- 
terior» tran aferiu a aéde da comarca para Curitiba, 

O referido Alvará d« 19 de fevt*reiro de 1812 nikn creon a 
comarca ou as comarcas de Paranaguá n Curitiba, mas, atém da 
crea^^o da um lopar de juis du íóra, só mudnu a deDomitiaçào 
da comarca de Parnuaguá para a de Paranaguá e Curitiba, fa> 
xendo desta vi lia cabaça de comarca e residência dos ouvidores. 

O dr. Joào de Mad*'íros Gomes fot o segunde» ouvidor da 
comarca á& Itá, c>nde a 15 de jnlho de lB2i presidiu a sessão 
extraordinária da Camará Municipal, em que foram juradas aa 
bajes da ConitituiçAo decretadas pelas Cortes Gemes de Lisboa, 
e, posteriormente^ foi ouvidor da comarca de S. Paulo em 1823, 
deputado supplente á Assembléa Gernl na primeira legais latura — 
18:í6-29 — , desembargarfoi da Casa de SupplicaçAo do Kio de 
Janeiro, cavalletro da Ordem Imperial do Cruzeiro por deH[mcbo 

{inHlicado no dia da sagraçào e coroação de d. Pedro I e caval- 
eiro professo na Ordem de Chrísto. 

15) Foi o dr. Medeims substituido na comarca já entào de 
nominadã de Paranaguá e Curitiba polo dr. José Carlos Peebira 




- 274 — 

DE Almeida. Torres, contra o qual representou o Governo Pro- 
visório de S. Paulo ao Príncipe Rí^g-ente, que tnatidou participar 
por officio de 15 de afarii do 1B22 aoireferido Governo que devia 
tomar este as medidas de se^i^urfinça que julgasse utei^. 

Almeida Torres, mais tarde agraciado com o titulo de Visconde 
de MacaliB, foi em 1824 ouvidor da comarea c^o Hio das Mortes, 
que linBa por Btíd© a vílUi de S, JoSo d'El-llei, foi eleito de- 
putado pela jirovincía dn 3. Paulo á quinta legislatura ^eral, 
represeijtou a proviucia da Baliia no »eiiíido do Império, tendo 
sido escolhido senador em 14 de janeiío de m43, foi duas vezes 
presidente da província de S. Paulo, a piimeira em 18'2d © a 
segunda de 1842 a 43^ ]>reãidente da província do Río Grande 
do Sul nomeado por carta imperial de 13 de outubro de 1B30, 
ministro do impfrio do gabinete de 2 de fevereiro de 1344, j*re- 
sidente do cotiselho de ministrofi do gabinete de 8 de março de 
1848, sendo a segunda pessoa que occupou o logar de preaidente 
do conselho, creado pelo decreto n. 523, de 20 de julho da 
1847, e falleceu aos 25 de abril de 1850. 

Sendo ouvidor Almeida Torres, foram alteradas as divisas 
da coniarcfl, de que foi desaunexada avilla de Lages por Alvará 
de J2 de fevereiro de 1821, a qual villa e seu termo já pelo 
Alvará de 9 de setembro de 1820 iinhani sido iocorpúrados á 
capitania de â. Catbariím. 

IG) O ouvidor da comarca dr JosÈ db Azevedo Cabral, 
que fora era 1806 juiz de fora da villa de S. Salvador dos Cam- 
pos de Líoitacaz, proveu em Iguape aos 3 de setembro de 1823 
que nenhuma pessoa distrahisse p^rã serveatia particular, como 
o pretendeu fazer Jj^nacio Moreno, as ag;uas que abasteciam n 
referida localidade. 

I7j O dr. José Verni-xjl-e (assim escrevia elle sftu nomo, 
como se \è da carta de &enten<;A por etie assiguada a favor do 
p." Pedro Gomes de Camaríro contra o altere* Joaquim Januário 
Pinto Ferríiz) o dr. José Vernbque Ribeiro de Aguillau foi 
empossado do cargo de ouvidor da comarca aoa ^0 de julho de 
1824, mais tarde des^embíirgAdor da Kc.laçao da Bahia e, depois, 
daCa»a de Supplieaçào do Rio de Janeiro, e casou-se em Cmí* 
tiba com d. Ânua de Sá Sotomaior, fílha do coronel Igaacto úe 
Sá Boto maior. 

Foi este o ultimo ouvidor da comarca de Parana^juá e Curi- 
tiba, tendo o art. 8." do Código do Processo Criminal de 29 de 
novembro de 1832 eitinguido as ouvidorias, que passaram para 
o doiiúnio da Hígtoi^ia, que ora relembra nestas paginas nào só 
os nomea dos que no largo per iodo de mais de um século foram 
os encarre;^adoi da distribuição da justiça em uma porçílo da 
terra brasileira, como algumas data? necessárias para o estudo da 
marcha que seguiu a mesma terra jiara o progresso e para ft 
civil isca çào . 

Alfredo de Toledo* 



lipk octts de ú^m ia Rio Je Jaoeíro i eapitaniâ de S, Paulo, no Brasil, un 
Teria de Ut3, am nlgniras ocltcb sobr^ & cidade da Balií& fl a ilh 
Trislio daCDDli3j eolreo Gâbft e o Brasil e qiifl hi ptuco foi occupaía- (*) 

&E GUSTAVO BEYER 
Traducção do sueco pelo ãr* Aíbêrto Jjfffjren 



Os |>aqueteB á vela, qne de Falmoutb m dirigem ao Rio de 
Jíneiro, aportam sempre na Ilha ãa Madeira, onde detnoram dois 
ííios para deiícar o correio d& Europa e rect^ber o qufs ro destina 
>o Brasil. Dabi, por egtml motivOi din^''em-se á Baliia, o que 
hztm 6(>meiite ua ida, de novembro ntê abril, quando o vento 
ili*i*{i gopra de uorte a aul e o equador i; transposto entre o» 
meridianos 22 e 26. ao passo que, de maio a outubro, quando 
o Tpnto sopra em direcção contrana, este porto é viaitado bq- 
ffiente na volta. 

A Bíiliia, a se^iinda cidade depois do líio de Jnneiro, na la- 
litudíi de IS"* sul, com 80,000 habitantes, está «ituada nbre um 
promontório a Ho, porto do mar, e avista-so de lon*^e. O seu 
Gonimercip é vasto e o seu porto e eitcellente e bem dtífendido 
por uma g^iarmçAo numerosa. O actual f^overuador da capitania 
J* Bahia, Conde dos Árco&, ex-vicp-nn do Brasil, é ainda moço, 
de qun' idades superiores e, sobretudo, de um penio creador quo 
íouitõ tem contribuido para o aformo&eamento de;te grande em- 
pfiO) que tfio favoravelmente se apresenta aos navios que sui^ 
cam o atlântico do sul, sombreado como está por bel las bana- 
íieiraí5, mangueiras e coqueiros. Domina a cidade o novo edi- 
fício da opera © ao entrar no porto o viajante é aurprebeadido 
jjor um belló, extenso e bem traçado jardim jittblico que de 
noite costuma estar caprichosamente illuminado. No meio deste 



(*} o Drlgtnil ã9 |ire«ant« 4 iPterostanta trAballio foi pabLIçmlo om IJtúck^lmD, nã 
trpoÇTiipWli í© EJiBÈa « (iranherir, no hbdo do IMN. e.senJo DOGOOlr.nJos peio bLl)ljútb«- 
cAri« dv d, li. Oficnr iT. úa t^ueelA, rtii blbl[€ib«cn pArticukr deita «c^tjernno doJB âxem- 
Tt!&rea 4o folbeto em qUQ o rilio orkelnnl tol d^ida i v»umpA. fí tt(*it\io nianjirchii, por 
tai«nnedio do meitmo bcq bll>1lcitbecArio, c«âea um do« exemplara» no roi^o 4Ut|nota 
conrchcío dl. A. LOfgron» « esle trocou loco d^ í»ier a vcti^d do lueco p»ra o Ttrjiacàlo 
i qtiftt DIA diuot pobílcídAde. 

N, DA R. 



r 




— 276 — 

paBceio ergne-Be, aobre um pedet-tal de mármore brancOf a esta- 
tua do Príncipe Regente, encarando ornar. No declive da rocba, 
«ntre o pafíeio e a praia, foi eonetniida uma formidãTôl bateria 
de 40 morteiro», o que juuto com m outras fortalezai, eipecial- 
mente uma rotunda com 100 canhões era 3 Beries, edificada ha 
pouco no ceiítio da bahia, impede qualquer desembarque inimigo» 
O estrangeiro que alli aporta comprehende logo o quanto slo 
erradas a^ opiniões que ouviu ua Europa sobre eete pais que» 
mui ti) favorecido pela natureza, ainda náo se acha civi tilado, 
apezar da mudança de cotouia para nação independente. Egual- 
mente comprehende quanto erraram oa escriptores d© viagens 
que, apenas visitando o Kio de Janeiro, tomaram esta cidade 
por padrão para julgar todo um território de 60,000 mílhat geo- 
grapbicas quadradas, quando elles, si quisessem ter se informado, 
poderiam ter conhecido o plano para a grande obra de civili- 
zação e povoamento do paiz. 

A Bahia pOBsúe grandes docas, fabricas de algodão, fumo e 
aço, tâo boas como na Inglaterra, Tem espaçosos hospitaes o 
quartéis para as tropas» que no ultimo anno foram augmentadaa 
com 2 regimentos de infantaria e um de cavallaria, commaDeia- 
dos pelos respectivos oãiciaea escolhidos entre os excelleutes 
ofEciaes dr» exercito português na Europa. Uma esquadra li- 
geira permanece sempre no porto, 

à posiç&o da cidade, do caminho da Europa para a índia» 
e a actividade de seus habitantes» crearam ahí uma riqueza que 
difficilmeiíte pode ser calculada, porém de que o fácil faaer-se uma 
ideia, âabi^udo-se que^ quando o Principe Regente, no começo de 
1808, ali pela primeira vez desembarcou noa seus estados ame- 
ricanos, o corpo commercial por si ofiereceu á Sna Alteza Real, 
caso elle íe decidisse a fixar sua residência na Bahia, a quantia 
de 5 m Ihòes de coroas para edificação de um palácio, além 
do compromisso de custear a corte toda por espaço de seis meses, 
despesa que, com toda a segurança, pode ser calculada era 
um milhão de coroas, o que então não podia ser acceilo, por 
já estfir tudo prepnrado no Rio de Janeiro para receber a família 
real e toda a comitiva. E' pena que eate empório famoso quaaí 
tivesse sido destniido por uma chuva diluviai nos meses de 
junho e julho últimos. 

Desde a Bahia não se perde de vista a bella costa brasileira^ 

3ue apresenta uma cordilheira contínua de montanhas cobt^rtas 
e vegetação. E' preciso vel-a para bem julgai -a. O Cabo Frio 
é dobrado na latitude '2'^ 54' sul, este afamado ponto de encontro, 
tanto para os cruzadores das potencíag navaes, como para os 
pescadores pacíficos que na sua simples embarcação, denominada 
^Ungitada* (1), construída de A paus apenas, buscam os mais 
laboro SOB peixes para fornecer á populaçào do iitofal e aos uavioft 



1 Juigiul». 




^ 



— 277 — 



qiie piueftm> Em todo o lúgRt que a vista devassa, enseriçam-aa 
I^eqaeQos navios que, ao tongo da cogta, conduzem os productoft 
do paiz aos g^odo^ port e e, em gerat, qo dia s^^ainte ao de 
ter dobrado o Cabo Frio, entra-ae no grandioso porto do S. Se* 
baetifto ou Rio de Janeiro* Â eatrida púasa em grandeza a das 
columnas de Hnrculea e pode ser cotopamda a uma porta cujos 
dois batenles sâo duas immenaas e nuas rochaa de granito, das 
quaes a da esquerda é denominada Pâo d^Ãasucare que, aegundo 
a ultima mediçAo, tem SOO pés de altura. Os n^vio^ passam tâo 
perto da fortaleza de Baota Cruz^ colloeada no centro da entrada, 
que com urn porta- voz pode -se responder &i perguntau que dali 
7êm, o que é obriefitorio, para ot qne intentam paasar em ãitencio. 
Santa Cruz è uma ilha perfeita que cruza o seu fogo com ode 
todas as fortalezas do porto e dos morroi ao redor da cidade. 
Desftet morro» o da ilba das Cobras é curioso, porque ao pé delle 
im maiores navios podem ancorar* Na entrada do porto, que tem 
o comprimento de algumas léguas suecas, a vista ae dfkntacom 
uma porçÃo de ilhotas encautadoras que go^am de uma primai- 
vera eterna e das qua*»8 emanam m mais agrada vei* aromaá. 
Entre ellai a «Ponto de Aeajou» (1), oude reside o almirante 
inglez Bnr* Diion, é a mnis aprazível pela sua situação. Os pa- 
quetes ancoram de preferencia d*^ante do palácio que, com a 
eidade, terá uma curta descri pção. 

O desembarque é feito numa praça quadrada, um poaco 
maior do que a praça de Gustavo Adolpbo em Stockholcno e 
onde, no lado do mar, pxiste um cAf^n de quadros de granito 
munido de degraus e de afsentoi. No centro deste cães ba um 
reservatório de agua ©m forma de obelisco, com inseripvôes e uma 
agua fresca e cry*tallioa que jorra do cabaças de cobras e de 
dragões. A agua lhe vem de ucna fonte distante duas leguasj 
de onde é conduzida para todos os logares públicos da cidade 
por aqneductos que sào verdadeiras obras primas de constmc^âo. 
Áo redor deste obelisco sempre se encontram bandos alegres, 
cantantes e barulhentos de negros que abi vém bus^car agua 
que eondttz*»m na cabeça em vasilhas de madeira parecidas com 
tonneis. Do lado do mar a agua é conduzida para os navios 
em calhas e bombas. Por causa da agglomoraçào constante desta 
^eute estão alli postadas sentinellas para manter a ordem. 

Os três lados da grande praça sfto occupadoa por edificações; 
i esquerda o palácio do Príncipe Regente; uo centro a capei la 
real, de fronte do reservatório e á direita, fronteira ao palácio, 
nm& outra casa grande. O* edííicjoa todos têm sacadas onde 
damas, cavalheiros e pagens se divertem durante as horas frescas 
do dia, respirando os aromas que se desprendem das numerosas 
flores ahi collocadas. A praça é bem nivelladar calçada de gra« 



1 PodU do c^ 





~ 278 — 

mto e coberta de uma areia quartzosa e brilhante. De noito, 
especialmente ao luar, ella è muito frequentada. No&í» praçAi 
chamada «Largo do Paço',e paríillela á capella real, tem começa 
a rua principnj, i\ cb amada Kua Direita, da onde partem todas as 
outras ruas era linha recta, um tanto estreitas mas munidas 
de passeios lateraes para os jiedestreâ. Atravessadas estas ruas 
nota-se qne a cidnde cfttámwito bem collocada num promotitorio 
quadrado rodeado de agua por três lados e teruiÍDando uo quarto 
lado por montanhas ornadas de uma rica vegetaçào. Apesar 
desta posiçfto, táo excellente para o commercio e a navef^açUo, 
seu porto sef!;^uro, iucompor-^vcl e bem defendido, capas de abrig^ar 
todas as armadas do mundo, seu luxo e sua riqueza, a cidade do 
Eio de JaneirOj com seus 130 "00 habitantes, n&o conatitiie, to* 
da via, um dos mais saudáveis log-ares do grande coo tin ente 
americano. Collocada num vallo au niveau do mar, na latitude 
de 23' Sf perto do Trópico do Capricórnio e Zona Tórrida, ro- 
deada de altas montanhas, que ]>rodu//em constantes chuvas ou 
177 dias chuvosos no anno, termo médio, e cajá agrua por falta de 
cauaee se esta^^na dentro do seu perímetro^ ong^iua dis&o uma 
humidade nociva ao oriranismo e uma pori^âo de insectos mo- 
lestos, dos quaeft ba ahí maior abundância do que em qualquer 
outro logar do Brasil. Oa descriptores de 'íiaí,''ens tcm-se, além 
disso, occupado tanto com esta capilal e suas curiosidades, que 
uma descripçâo minha seria apenas uma ^'petição inútil do que 
já SC conhece, além de t^ue o i^overno ja de!ibi^rou sanar os 
erros commettidos por occasiao da primitiva construcção da 
cidade, quando se consideraram apenas o porto e o seu com- 
mercio. 

Desta deliberação governamental já existem, aliás, bastantes 
provas desdo a vinda da Europa do Príncipe Regente que deu 
uma nova direcção a tudo nestas ricas regiões. No anno passada 
inauguraram-se uma academia militíir e uma escola botânica. A 
bibliotheca real cora 800C0 volumes e 4000 manuacriptos foi 
posta em ordem, assim como a famosa collecçâo mineralógica de 
Freyberç foÍ enriquecida com 90 espécies de diamantes pi^Io ar. 
da Camará, O Collegium Medicum, de organização complicada, 
foi dissolvido, recebendo um outro nome com trea professores 
apenas ; um bel Io edifício pura opera foi concluido no Campo da 
Cigfinha e fízcram-se os alicerces para o novo Banco e a Casa 
da Moeda. Muitos pslncioa foram concluidoB e outros começados 
por faroilias nobres e ricas vindaa da Europa, evidentemente 
porque pretendiam ahi fíjtiir--se. O novo Jardim Botânico, na 
Praia do Freitas, ostenta no seu terreno as inaís raras plantas 
importadas de outros continentes ; a frncta do pHo, a arvore da 
eampbora o o arbusto do chá abi èc desenvolvem bem, este 
ultimo é cultivado por uma colónia chineza e promette uma 
Bcclimaçâo proveitosa desta planta indica na America do Sul. 
Alg^umas fabricas de pólvora s&o construídas pelo tenente-ge- 




— 279 — 

nenl dfl Napion (1) pura Bproveitnr a inex|»otavel quantidade de 
ulitre do paÍ2 e o seu producto tfím oheg^ado ao preço de um 
iliilliaff K lihia, de que resuha v Brn&ú poder eiportíir Rsta ma- 
tería de defeja á pátria tnAe. Em L^autoa ha uma fabrica de 
foííi e é^ canhòes debnixo da snperinteadencin do mesmo g^eneral. 

Limitando com o KÍ*) de jRueiro, a Capitania de S. Paulo 
é tiia como o p^iraí^o do Brasil por causa da sua ahitiidni Beu 
tr SAudavel e fri»Beo. suas rica* minss e seus habitantí^s bnspi- 
tftleiroSt Conhecidos na historia brasileira pwlo nome de panthtíts. 
O estrangeiro que viaja nesta pnrte da América sem i>& visitar 
lofre uma perda reait assim como o naturalista e o philoâopho, 
que ali encontrarás mui favoráveis elementos para a iuvesti«í/»çao 
ti para a medilaçâo» Era a<;ora no meio do inverno, (o melhor 
t^mpo para tal víagRm) parecido eom o verÃo na Suei.- ta, exce- 
pto serem os diaa e as noiteH e^iialmente longos, qii<^ lomei 
esta re&oluçAo, porque nh» teria dn expor- mo no cnlor abrasador 
tias excurçdôfi peologíen* nas montanhas, O meu coinpanbfiro de 
m^em era o conde Nicola» von PnLU>n de Sào Petersburgo^ 
tao^o, ftnmvel e estudiofo, tào excelleote li tem to quanto conhe- 
cedor do mundo i^m virttide de vingffus pelos principneí* paises 
earopeus* Tudo foi posto em ordem pma esta viagetn que^ por 
ciusa de sua extenaáo e falta de commodidadpSf pt^ta mfitor [^arte 
no dnrsó de mulas, níio pode deixar áp. bít dífííeulrosíi. 

Apesar do Brasil dAo »er mais conaidenido colónia, o 
•^truugeiro encontra, todavia, diíSi^uldíidea cm viajar sem vaasa' 
portCH e recommendaçõeSj do que nú^ fist:ivftm<'s abundanff mente 
iDonido» e doe melfiores. A vio<2'em dos €doia norupgui^zns» píira 
o ioterior era logo o íinstimpto d:is ronversa* em todua fts rodas, 
porque poucas pessoas haviam que, dí^pojs de n^rem jtf^rminiecido 
poríinnis no Rio de Jnneiro, tiveaem tidt a curiósídiídt! dever 
ÈÍ. Pâtilo, tào afamado alíaa ror sua éitua^^Fm e sUfis beÍle7Ji9 
naturaes. Em tf>dã a parto offtjreceram-nos rGconinieiida<;n*^8 para 
>* aiais distinctíia ]iPssohs díi cnpimnia^ entr^^ na quat^^ lenho a 
hfjnra de coatar com reconlíeei mento jifirpetuo S. Ex.cia o Mar- 
ijuez de Alegrete (2), actual governador geraL O biíspo dom 
Adiuoel de Sousa (3) e o ouvidor dom Nuno Stiplitz (4) de ori- 

1 o teomite-genenil Carloi Antooin KíiqIoti foi etti ;«nfi. com Joiá BoniriicÍD s 

:; O Umf(}tt<^i â« Alein'^te» Ldjb TêIIch da tfllfn. adínlnívtroa a CKpItantn do ^. fiiiita 
íe 1 <le Dovejqbríi flfi iwii Ht(? a^r nomeado ^"^"'-'''Mn.dor do Hio GrAnaâ do bui, tm íd 
4v ftgwto 4fl lêtZ. Mndô snTiátltaldo ha govorno de S Panid por inn tHTimç-trito com- 
IMto do Nfipo d, tiiith«Q4, do ouvidor d. Nhúõ u i^ Intendtutâ de mAnu^n Ui^aet <lo«o 
d» OtUeSr» PJnto, 

3 ti» -H de maio d* 1707 a .' lie thhío do fNÍ-l. dnta do ícq fa!l'eciinei!t(i+ frjl bfspo 
de n, PftQto d. M^thQiis d? Abreu Pereira. Acrúdiumos qtiâa A is refere ao út Ui* 
noel Jongoird tíoRçnkeí do Andrii'ie. imcce^ior de d ^Atheu^ lindo *Ido *rpito bispo em 
li^^^í, porque, emborn t^iLfl pJlo is cb%ni&»e ffon^n e por «cci^ífto dat TJa^om de Bcyer 
B&o rot«e ntud^ bUpOi «r]& «l]ã eiiUu vii^^^irto gefAl d<r bíipMdâ e, portaniã, a RfíguadA 
«Qtorldiíde dtocenAna, o qan bem pndia Jti{^t{v»r o equivoco, eia que cniila o A,* nlo 
Usdfl »tD iqiéTéi»e maior em, eTÍulo. 

4 n. Nnro EiJ?en[« de Loclo e adlbis foi ouvidor úe S. PauIo de \h\^ ■ :!i dQ te. 
ttvlbro de 187 1, qnindo o Oortroo ProTtiwrio reiolvaa paspacdel-o e que «so lhe dot- 



— 230 — 

gem sueca pela linha materna, as mais altas autoridades do 
paiz. Com o capitão de um pequeno navio contratei a viagem 
para Santos por um dublão ou 16 piastras espanholas tt^ndo o 
cuidado de prover-me dos mantimentos necessários, armas e ar- 
reios e, no dia 1 de março, de manhã, embarquei para sahirmos 
immediatamente, aproveitando o t rral, o vento da terra. Além 
do conde von Pahien e de mim, haviam maiít passageiros entre 
os quaes um official que, por distincção na guerra em Portugal, 
tinha sido promovido para as tropas no Rio Grande do Sul para 
onde elle tinha de fazer a viagem por terra durante mais de 
quatro meses, depois da chegada em Santos. A nossa provisão 
viva de gallinhas e perus tinha sido consideravelmente augmen- 
tada por nossos amigos que, sem o no^so conhecimento, os man- 
daram a bordo, de modo que não somente havia abundância, 
mas ílcava ainda bastante para obsequiar os outros passageiros 
que tinham contratado a sua comedoria com o capitão. 

Em vez de um passaporte coramum, tinha eu o que se chama 
uma portaria, assignada \ elo ministro dos negócios estrangeiros, 
o Conde das Galveas ordenando em nome do Pfincipe Regente 
a todas as fortalezas e registros— logar de revisão da bagagem 
etc, — e a todas as autoridades que me deixassem passar livre 
e sem embaraços. Apegar de conhecer o valor debte docu- 
mento no Brasil não podia imaginar que também me desse di- 
reito á hospedagem, tratamento e transportei gratuitos, e que 
não são retribuidos pela coroa. Em ca>08 difficeis tem-se até o 
direito de HSHÍgnHi P. R. (Principe Regente), e niguem pode então 
recusar a hospedagem. Mas apesar do nem eu nem o conde von 
Pahien julgarmos próprio de nós aproveitar dn todas esta» liber- 
dades, é necessário confessar que na maior parte dos logare» no in- 
terior de S. Paulo a hospitalidade é tão grande que não nos dei- 
xaram pagar cousa alguma, )>arecendo até que consideram isso 
um tributo devido ao estrangeiro que constantemente recebe as 
mais significativas provas de bondade e de b -nevolencia. 

Depois de já dado o signal para a partida, chegou a 
bordo um official da forcaleza Villagalham para revistar os do- 
cumentos do navio e dos passageiros e notou que os primeiros 
não estavam conforme manda a lei. Por ter havido nisso um 
desfalque nas rendas da coroa, fez elle prender o capitão e le- 
vou o para ser interrogado na policia. Este acontecimento im- 
S revisto, que retardaria a sabida por muitos dias si o caso tivesse 
e ser tratado como é de praxe, passou, porém, sem consequên- 
cias, porque o mesmo official que o provocara, teve a gentilesa 
de dirigir -se, em nome do conde von Pahien e meu, ao gover- 
nador geral do Rio de Janeiro, Marquez de Vagos que, consi» 



leni oito diM para despejar a Provinda*. 36. tinha sido. antes de nomeado para ■.Paulo, 
ouvidor de Peroambnoo e foi o primeiro presidente da provinoia de Alafoaa (IH24> ■•• 
nador do império pela meema provind*, nomeado em : O de abril ie 1H2S. Fallaoea aot 
16 de Janeiro de IS48. N. dA B. 



— 2S1 — 

éonndo a noasa «ituaçào a bordo, ordenou a floltura do capitão, 
d« iDAdo qme dealro de duaa boras pademoa estar em «^miaho. 
Kio ha muita commodidade a bnrdo destes Da vi os, mas sfto os 
umeo» qun exi&tein, nfto querendo ir em canoas que nave^ana ao 
Inngo dn costa aportando cada noite. Ib«o, porém, é atriftc^ido 
por cawâa dos roubos pelos caboclos ou pelo perigro de eotontrar 
tempe-tftdes. Sem leito e sem cabina, dr»rme-SF^ no tombadilho 
ou no fundo da canoa e uma «st p ira coostitue toda a cama. Não 
te dere, porém, exibir commod idades quando se viaja tia co^ta 
brasileira, porque ha compens^açâo noa muitos lo^arns mn^oiHcos 
e belle3&a« naturaes que sómi^nt^ do lado do mar íe apresentam 
em toda a sua pleniiude. Ã comida neiten barcng correMpondem 
á« commodidades e é impos8tve! para um etiroj^u, apfsar de 
liaver diariamente c&me e toucinho mas que perdem o seu valor 
pelo mudo do preparo. Ã carne do Rio Grande é cortadu rente 
aoi OSS04 em tiras finns e longas que, depois de ^eccas, >ko en- 
roladas. Para preparar esta carne ^>de-se-n'a de molho para 
depois astal-a num espeto. O toucinho^ sem carne, é de g^o-^tu e 
ebeiro desagrada vt^ls e pnra tiào deteriorar, é fortemente t^alg-ado 
e pendurado ao lado do navio [)Rra seecar. Com isso rect^bem 
uma espécie de feijão preto cozinhado com farinha de tnandíoca 
&té formar u'a nuisfiá compacta que, depoin de dividida em 
grandes btjlas, é comida com a^ màoe, Ã mandinca é O pjio dos 
brafiilf^iros, tanto no mar como em terra^ especialmente em torma 
de farinha que vem em pequenos cêsIos. Esta farinha tem um 
^»to t&o Aj^rrãdavel que pelo costume se toma até prefÊrivel ao 
pãn, m^âmo iMira Os estranhe rroB, Neate dia {A>samoá Santa 
GmZf a grande p^opriedad^^ do Príncipe Ke;L:ente, gitunda na 
Ilha (frande. Ãhi S. Alteza Real vem passar nns meses no 
sono r^m companhia de sua familia e de seas miniatros. A pro- 
prc dade lera 100 le^uaa quadradas em área e é, portanto, do 
tamanho de um pequeno ducado. Destinam f^sta fazead'i para 
ttm campo de experiências ag^ricolat e foi muitHs vexes dirigida 
por agricultores in galeses. Como todos os melhores logares no 
Brasil foi esta propriedade ortí:anÍ!iada pelos jesuítas que eram 
ot »eus donos o que, para julgar pelas *rudera»> df certo 
nào divisaram de tirar Incro das vantagens que a natureza lhes 
âhí ofterecia O palácio, que ánteii era uni convento, é edi- 
fieid«j em quadro coro um pí*t6o aberto e galerias interiores UO 
primeiro o pegundo andar. Os 36 quartos, deiitinadofl aoi 
matigeAf sfto pequenos mas transformados © decorado» para a fa* 
mtlia real. Em frente do fialacio, ao sul, S^b. um beJlo parque 
da duas léguas suecas quadradas, cortado por doh ribeirões ua- 
vegaveis por pequenos navius, e cujas margens são ornadas por 
arvores indigenas de rara belleza. Todo o campo é um prado 
grande e verdejante onde pastam uns 7 a 8000 bovinos e me- 
rece o pincel de um mestre para sfir reproduzido. Os trabalhos 
&&0 escecutados por 2000 escravos que sAo todos instruídos na 
dontrina cliriâti, possuindo cada um um pedacinho de terra a 




— 282 — 

doia dias livrfs pot íetnan^ para trnkilbarem para si» sem contar 
os din* santificiídos. 

O tempo fstava mag^tiifico mas o tento noa foi cantrario 
até o dia 0| quando pa^safnoã entra a terra firme e a ilha de 
B> SebíistiUo, qnt é umíi dai! rcaiá férteis e nnde está aitiiada a 
cidade Yilla Nova da Princesa. A íllm dr.s Porcos vem em 
Bef^undo logar e poB&ue um porto reg-ular em qiio os navir»s pro- 
curam abrirão contra as tempRstades ou quíiudo o vento é con- 
trario. E' ©scai&amente povoada ii nào tem mnis qup 60 habi- 
tantes, dns quaf^s 32 perrencf^m n urna bó familiar a do sargento 
Manoel José de Mora, qui* em duas nujicias tov^e 30 fillingj todos 
ainda VIVOS. A ilba é nca em poixo e a Rua posiçào c muito 
favorável para contrabando, rasí^o j^orque ha aqui um destaca- 
mento de soldíidos píira vi^inr o-* nRvios e botes quM entram. 
Pertence a ilha â cidade do Obatuba (1), a duas lej^-uas d'nli na 
terra firme; cultivam a canna do íis^ucar, a mandioca © fabricam 
agua-ardentG. Demorai ali alg^uns dtaa na casa de um velho 
chamado Vasco, («riundo do Perto e que habitava na ilhA 
ha 40 annofi. Fui convidado para um cafamento que já 
durava um Bemíina com dança» e íol^uedoa. Cada tarde dança- 
vam landum e danças brasil eim&, ao som da citbflra acompanha- 
da de vo2es fortea e, como aqui somente ha g'ente abastada, os 
homens vinham ás danças cm botas claras d© couro de cabrito 
e grandes esporas do pratíi, cujo tilintar, junto com o bater com 
oa saltos no soiilho, acomt>anhava a raudca. Entalavam tarabam 
com os dedos para imitar CRStaubolíia. Fazendo a conta do que 
se matava aqui dianamettle em b<'i, vitcllo e porco e toda a 
fiortti d© avps, junte cí^m a qnantiíínde de fructas, caftí, cachaça, 
assucar o arroz, acreditar-gp-ia fai^il mente que estavam esperando 
a hoíi]vedflfíem de ttm batalhilo inteiro. Para honrar a íesta au- 
xiliei o trahiilho pata a (^r.ind(> canoa quo era destinada a 
transportar uma deputação da ilha dos Porcos para o Rio de 
Janeiro, alini de pedir ao Prineipe Heg^nte a concepsilo da par- 
tilha dos terrenoíi da ilha entre os habitantes. 

Ao louLTo da costa de S. Sebaatifío eoxergam-se lindas casaã 
e todos os nio^^ros mostravam plí»nt:içrjes de mandioca e decanna 
de assuc:ar que a^ora estavam colhendo pata levar á os en^^rt^nhos. 
Nas praias ha casas de armni^*Ao para a pesca das baleias que 
d'aqui atu Santos é negocio bastante lucrativo para os habitan-' 
te'í e para a cidade A coroa arrt^nda 6ita pesca a particulares, 
por annos determinados, tal como em Santa Catharina. Apanha- 
ram um dia um peixe-hoi, Tricbechus manatus L., que os Ín- 
dios cbamam «Ignuragua»» do tflmauhn ri© um boi e com a 
mesma boca e denteai, de modo que deve, como este, alimentar- 



dt IbAtahn, Povonv.lo fuodAda petoj :ínaúi da iCJO por Jordftú HomAm âh CoiU 
SAtnr&l dâ II ti a Tertâira. 

K. DA R. 




- 283 — 

se d« cApim, A cabeçn (5 arredrtndada e pnreco ade umamullier. 
O couro é duro como o do elephaiUe e o animal tinha dois 
W&Ç09 com 09 quses ijAiífiva e por bíiiio haviam diLSã tetas para 
aliiDeQt&r oa alhos, o que provH ter sido uma fêmea. O gosto 
da carne n&o era deaa;:rradavel e a hanha, {especialmente ao 
redor dã cauda» tinha ^ostn de manteiga. Os se^ia ossos eào 
Vrancf'8 como o mniffim e tí*m a mesma njtplicaçilo. 

Na outra marinem do canal, na terra íirme o nn melo de um 
BoQito bosque, divJBa-se um *^rande convento frnuci&cano, rodeado 
de coqueiroB, laranjeiraB e bananeiras, o qual, atém de outras 
Tantugenft naturaes, parece fstar edificado a propósito para {i^a- 
raatir aoà frades excpl lente pescaria. Calmaria e coutinuo vento 
contrario facultava^nos bastante laz^r para visitar toda* as 
curiosidadeâ de S. Sebastião e suas vizittb ancas*» de modo que 
»0(nente no dia 13 ancoramos na bahia de Santos. Já ao raiar 
do dia ouvSu-se o c&nboneio da fortaleza» rept^tido no muio dia 
«m tonra do anniversario do Príncipe Regente, quando passamos 
iM) estreito canal, oroado em ambaí as marp;ens de canipí'& cul- 
tivadcâ e altas montanhas, Lon^e da cidade vê-se a casa da 
(liíiirentena num excellriite logar, quasi todo rodeado de agua e 
tado reunese piara agradavelmente impressionar o estrangeiro 
reeemvíndo . 

Lo|íO chegou um escaler, isto é, um bote coberto e a dez 

íBmsSg cujo commsndante linha ordens do governador da Silva^ 

I quem a minha cheirada estava annunciada, para vir buscar-mc. 

Nesta viaíta o commandante diaa©-me que o sr. Marque/ de Ale- 

gfrettí Ibe ordenara que me hospedasse no palácio do governo, 

1 um autiíTO convento de jesuitas, espaçoso e bem situado, e me 

proporcÍ49unsse todas as commodidades necessárias pelo tempo que 

pretendia demora r-me em Santos. O conde de Pahlen, de cnja 

chegada o cavalheira da Silva nada sabia, ccmpartilhava com- 

migo estas tinexas e, depois de termos entregues as nossas cartas 

\ de introducção a vários fnuccionarioâ da coroa, recehemoã as mais 

i haonjeiras provas de eatima e de benevoleucia e é com a maior 

fjraiidào que no* lembramos do cavalheiro d^Oliveira Pinto (1) 

' mtendente da marinha e commandante da fiotilha, cuja gt-iitHeza 

I par» com ta esirangeiroa em geral ó tào grande i|uauto o sao os 

I seus méritos militares, Sautos é iima cidade ppquena cfim 40OO 

tftbitántes, tem forte commercio com a America Espanhola e 

exporta para a Europa pelo Rio de Janeiro grande quantidade 

de assucar e arroz que è considerado o melhor do Brasil. A sua 

população augmenta annualmente, como em todos os empórios 

commerciaes, ao passo que o numero dos frades dimtnue em cou- 



(!| Mi£t]çl ,jQsê de Q]Í7elrk Pinto tez pnTts do tniinivLríi>to, qtie tahitltuta tja f^o- 
vento dii CMpÉl^Qin em ISID ú Hirqaez de Ale^reiã. e do governo provisório constituído 
«li eoisciliitiiicfa do rtiovlmcato caçulas da 'ló de Junho du tfdl, Fâ.ll«cflii do Hlct agi 
II dB jAneirú d« L^il* 

N, DA B. 




— 284 - 

sequencia àé maior iustrac^ja*) 6 goveraança aabia . Variou con- 
Tentos nAo continhini mais de ^ ou 3 e o maior só abrigava um 
frade entre os seus mtiros. 

Durante os dísa 14 e 15 TisitanloA a cidade e «a auas curío* 
■idades © fizemos uma eicursàn nos arre d ore* para coUeccionar 
caramujos. No dia 16 embarquei uo mesmo escaler ás 8 botas 
da maiibâ, passando por um canal natural de trea kgua^ de 
com primei] to e considerado um dos maii beiloa no BraBil, oroado 
como está em ambos os lados p^r palmeiras, co<|uçiros e man- 
gueiraSf ©m cujas copas oníergam se e ouvem se as mai» bellas 
aves da America. Nas mAr^«'ns e quieta» sobre a areíâ, det- 
can cavam uma porçÃo de aves squaticas e tártara ^«i e por tnd& 
a parte pulavam peixes, tudo Hyre da^ armad e das red^s doi 
homt-n^. Neste canal tranquillo quasi se não cbeg-a a admirar 
uma liella vista qnando já se divisa uma outra ainda mais bella, 
e tildas ellas bem mereciam ser reproduzidas. O desembarque 
é ao pé de uma montanha enorme chamada Serra do Cubatào 
que parece ter sido collítcada pela natureza como limite extre- 
mo para o viajor curioso mas, depois de ter pago um imposto 
aduaneiro inFi^nifícante pelas jLe^soas, ãnimae^ e bdg'ageDS, re- 
cebido pela alfanie^a de Cubatào, arrendada aumac^sa ínglesA 
TAhj Copipettdiíl & Uomp., sibe-se em mulas esta parte da cor- 
dilheira. O caminho em zipue- zague.de ângulos curtos, é pro- 
tegido pnr um parapeito, ladrilhado e cr^ntinúa até a altitude 
de 7000 pés levandíj a subida cerca de duas horas. De cima 
offerece-se a mais de^tumbrante vista que talvez haja no mundo. 
à montanha toda coberta de mata» musgo e pluntas pequenas, 
é tormada de granito e um grei ferruginoso % dos altos preci- 
pitam -se massas de agua tormando lindas cascata» pasaaado por 
caminhos que a arte íbes cavou no próprio granito e em muitos 
logareá cruzam a ei^trada antes de cahirem no abysmo à maCA 
cobre a maior part^ da aerra e de jenvolveu-se de tal modo por 
cima do caminho que nfto somente o protege contra os raios 
solares como até contra as cbuvas que raras vezes faltam^ Como 
o dia era claro pudemos melhor apreciar esta obra gigantegca. 
Quatro a cinco caminhos em zigue-zague pareciam em muitot 
locares correr acima de notisas cabeças e davam uo voa ensejas de 
admiração por uma obra para cuja conclusão foi necesaarjo vencer 
tantos obstáculos naturaee e applicnr mílh5es de cruzados qu6 
foram gastos para derrubar a mata, construir tftõ longo cami- 
nho através da própria rocha e finalmente, caíçal-o com kgei» 
Tudo contribuo para dar uma alta ideia da energia do brasi- 
leiro e Bua inclinação para grandes empreia»* Poucos tra- 
balhas dçst-* natureza na Europa podem se considerar supe- 
riores a eate e, quando se leva em c^nta a populaçào tAo eàca<«sa 
nas pri»ximidades e mesmo aqui, ae comprehendem as puormea 
despesas que acarretou e que talvez em uenuhum outro pjiiz ae 
tenha luctado com tantas difificuldadea como eataa^ Já mencionei 




I 



— 285 



que lo4oB oi kanRportei f&o feitoB por trojiAe n àmo aqui de- 
screver umA E^ena qae pre^eDciei no Cubatâo, Deíronte da caia 
do guarda, num grande ef^paço plano, cujos lad^j» »ào occiípadoâ 
por armazéns e outrâs csiaa, trourerâm uma centena de mulaa 
para aerem arreadas e carregadas cont aa mercadnriaa que em 
canoas chegaram de Santos. O socego e a comprehent&o deitei 
animnes durante o arreainento são comparáveis naícAniente á 
pi^ricia dft* carregadoiéâ, eíi peei ai mente pratos» de repartir a 
car^a egoalmente noa doía lados. A carg-a é âxada sobre uma 
cangalha feita de palha e coberta dp couro crú com dois cabeço» 
para cima e nos quaes te âxam as cargas, sendo o maia diffícil 
a evitar que a cangalha pise o animal pelo attricto. As mulaa 
são amarradas umaa áa outras pf^las caudas e como ellas aasim 
canil nham em linha, sào ne cessa rios apenas poucos tropeiros^ a 
cuja voz ellai seguem e obedecem. 

Serra acima o terreno é plnno e muitos logares parece m-ee 
601D paisagens de Skane e Uppland, bavendo aqui estrada f»ara 
vebicul'js dó rodas « Tudo é di^errnte do que já tínhamos 
TÍ«to. Com um céu completamente puro, reapira-se um ar sau- 
dável e os próprio» habitantes nfto «e parecem com oa íieus pa- 
tricios das capitanias vizinhas. Julga-se yèr uma outra raça 
maia parecida com Oã ãuíssoã, O9 camponeses afto cortejes e 
Hospitaleiros e em casa de cada um deli es pode>se obter um 
grog, ovos e bom caldo de gallínha com gemman de ovo e fari'> 
nba de mandiora. A núte pas^amoa no Maríauuo, uma casa 
insulada numa grande mata e onde mudamos de anima es. Fomos 
ahi obsequiados com uma boa ceia e camat*, o que, de[H»ifi dn Mm dia 
inteiro de viagem a cwvalio. nts era eitremam»*nt.e wgríidavel, 
tantopara o estornado como para o corpo todo. No dia seguinte, 
de manhã cedo, chegou un^ iflicini da guarnição da ddade de 
8âo PaulOf por parle do governador qu ' tinba sido prevenido da 
nosaa chegada, para noa dar as boas vindas a esta capitania e 
communícar que elle teria muita aatiafaçàrt em nos receber e noa 
liar hoaj>edagem no palácio do governo (outro grande convento 
de je&uitasl, ai a. ex. n&o íoubesae que em virtude de rf^com^ 
mendaç&o dos nossos amigi>fl do Rio de Janeiro, isso já estava 
arranjado na casa do cónego Juan Ferreira. (1) Já tinbamos o 
prazer de conhecer a família deste senhor, maa nada sabíamos de 
ina Incomparável gentileza que passava tudo quanto era licito 
esperar- se meamo no paiz mais hospitaleiro. 



] o eoflufo Joio Fcmin de QUTaira Bdaho era ttfttaml de Bantoi « 111 li o da Joia 
Ferre It& 4e Otlrclrn q d. MAríA Bilano, t«r-ú«'tA de An&dor Rneno do Rtbelr*. o Aeúía- 
mado. PúrebAdú ciB ctnone» pela UnlvergtdAde de ColmíJpfc, foi oomeAdo «n&tro da Bé 
PuaiopoittAnA^ )i U de Jnobo de 171^' « Fiir^ceD em ^ d« çnftio ah ]h.\*\ initUalodú Uer- 
dátro nnlTeml o leu «obrínho deieinbarjçftriDr Jo&o de eoDua Pereir» Bnaao. VI eito peio 
poTO e trtfp*, fea pMtc do iro^-erno pruvlsorlo 49 H P atilo «m Iít2|-Í2, e sscravaD « 
aamçtú 4e dd* t1jh(«ib. 1^^ çlT^etnõa, ao Paraoi^ em imO. daitrçJUi qae WMbA ulun- 
l^iáa m» tomo t Aa M^v^ía do Itulííuto Sútoneo t ÕiograptUco Sra»tl*iro. 




— 286 — 

O Tnpsmo ofiãcial TiOS commiitiícou quo o fnr. ç(vvertiJid<^r 
tinha darlg ordem para Bos fbrnetrer csvíillos píirn toiUitiuarmot a 
viagem- Durauto alguns dias passaTuos por bonitas plwtitâ^ões de 
canil» de afsucar e de mandiocíi, mas muitos eampoa liavifl Sf^m 
cultura por fiilta de habitnntes. Atravessamos também alg*uns rios 
pequenos em cujas proximidadea se viam cnloniaa novas situadas 
na sombra de íaranjeiras e baiioneiraB. Oâ cavallos, que nos 
foi*am mandados» chegaram no dia VJ com duas ordenanças de 
cavallarja o puHemoe eníào deixar aa nossas luulaa e apressar a 
viagem, de modo que ás 4 lioras da tarde chegamoa a S. Paulo 
onde npeamoí* na cn&a do reíerido sr. cónego Juan Ferreii» 
que nos recebeu amavelmente, já tendo convidado nlg-umaií pessoas 
para jantarem era nossa companhia. Entre ellas esíavam o corO' 
nel Andrada, (1) grande naturalista, cujo irmão (2) e um flnr, 
da Camará (3J ha alguns annoa vit^itaram a Europa inclusivo a 
Suécia, De noite fomos visitar o governador geral, Marquez de 
Alegrete, que nos recebeu rodeado da força e do brilho próprios 
destes altos dignitários, poróni isso n?io nos iraprcsBiouou tatito 
quanto o modo amável e cortez coui que elle sf^mpre recebe 
todo* oi estrangeirf^s, assim como as muitas instituições novas 
que ellc tem orgaDÍ'i!ado na ca]útauia e que lhe têm merecido 
o amor o a estima de todos, 

E' aqui costumo o viajante receber primeiro as visitas, o 
que no uo^eo cuso se estendeu a toda a as classes e corporações 
e, sóiiieatH depois de ter pag-o as visitas todaj, foi que pude 
occnpar-me em passeios jtela cidade e examinar as suat curiosi- 
dades. S. Pfluln está situado num bonito morro de cerca de uma 
légua de perímetro, rodeado de campos e pradoF, regados e cor- 
tados por pequenos rios nue durante n tempo das chuvas o torna 
qunsi uma Uha, unÍndo-se todos ao rio Tietê que a uma légua da 
cidade corre na direcçào sudoeste. A cidade foi printipiada pelos 
jeauitas e tem o seu nrime do primitivo templo cujo padroeiro 
foi o Apostolo Paulo. Esse templo foi in;iugtirado em 8 dô fô- 



1 o corQDí?! Murtlni Francisca Kllielro de Àndr^K nRiceii ém SiDtQf em Hi^, bft- 
cBftreton-fit] em mAiliemiilIcnií na UtiivvrvldadB de Coimbrn, foi um do« griudcifl vnltoa dii 
JDdepQndcnf-ia Nacicintlt membro iÍq t^overDO iiravlsor^o il« i<. pHuro cirt ;i<'í!j-.:'?, depQtiuIoâ 
AtstMBblé* CondtltDinte úo \f'2i peto Kto du JAnelro, à Auemblé^ Geral U^^»]i.utm em 
duna leglvlatur^i». 2> e 4«>, tnlniíitFo da f&£end& em \^'^'i n *^S e cm IHO. Fci em IH^ã 
t»e1a CApItUinU do B. PitoN umA vin^cni mineralógica, cajo />iarici foi |>CLhUcado no vai. 
IX dA íftiifía áa Ihíí, JÍííí. líra*il„ que tambeiti piiMlt^u em pen tc^mo iti «etii Jitrmatã 
éat liafjtHf ptla cúpíania. MnrtJm FraDcUtO fultecQU em :i de fevereiro de !Si4, 

2 O IrmA^ do coronel Aodrjid.i, qae vliltua o velbo mu ido foi José fionlfirla de AadrAdft 
e Eilvm que o correa como natamliflii, e mlneralo^iita iarínlt dcx ann<ij 4d«»àe os ve- 
rdes campou da Lombardia nté n (^i>}Jada ^HpcIa 9 Narue^a, tudo observando e notando 
com a penplcHCJn e peDetriK&o do ua^io* . Nasceu elle em Saatoi aot U d« Junho d^ 
I7&'á e ralleoeu em S de abril de If-S^^^ 7ol clid pktrlota e um f «iblo o hera mereceu i> U to Iq 
de Pftlríiircha úa Independência do Bnu^l com qtio q Po!fterid;Kle o ^atardoou, 

3 O A. K4 rer^rs ao dr. Manuel KerroirA da Cninmm BlttpucoDTt e Sá ano fel 
eompaobciro de Jõr^ BontÍAcio cm fiti:i cxcbtsM frcienHUra pila KuTopa. u dr. C&mar» 
naiccu no correr do anno de HO- no arraial de UacambirussúnCapitania de illnaa Gera«i 
em JãS6 ttti BDiseado «enador do lJn|rerlo e íallcceu em j£t de dezembro de Ib3l^, 

N daB. 




^ 



— 287 — 

Teieiro de 1554, por occnsiào do huptíi-nio do pnticipe iiidi^ena 
Tavariça (Tibiriçá), moço dotndo do grnndes virtiidt s e excwllen- 
t**a quííUdadeB e que *2:0Terníiva a colnnia. que iiaquelle tempo 
*« chan.flva na ítn^^ua dos iiidirs tPiíntininga» o que quer dizer 
p*ííe «ecco^ por causa dos muitos peixinhos que fitavam em íçcco 
qiiMtdo, dppois daa cLuvas, o fio T«n^lRlldllàtt^bi, qua cerca a 
cídjide. diminuiu »a Buas e^uaa que tiitliam iunudado ns varzeat. 
Mais tarde, quando os portuírucsei occupnrara a cidade, S. Paulo 
ííii proclamado capital, em 1581, em vejs de S, Vicente, a pri- 
niQira cidade, qut) linha sido construída por Martiui Ai^uua > de 
Scu&fl em 1531. 

Em todo o continente americano não se conbece lograr mais 
Baudavf'!, A media do thennometTO está entre 50 e 80 i^ráus 
Fah^obeit (10-!Í7''), nem chuvas extraordinárias, nem trovoadas 
e^cepcioDfte» ae produzem e as noites sào de modo a torníir ne- 
t*wario vettir o sobretudo. E' &ode do Governador Geral, dum 
Bispo e um Ouvidnn lia varias praças publicaB com fontea 
•iaiína, 13 jnstituiçtiés relij^ifíena, das quae» S ig:rejas, 3 con- 
dir tcs de frades e um de freiras, a m.'íior parte, como na cas^aa 
da cidjide, conatruidaa de Tai^ia que muilo resiste ao tempti. um 
hr4pítii! eicelíente e boas bíirríJcas para as tropas. A ]inpuli;çâo 
dft etdade e seus suburhioti é calculada em mais do 15000 petecas, 
incZuâive o cU-ro e os militores. Oh primeiros sflo de principiou 
liberaes e o bispo, een chefe, é um homem de mento» íito- 
rflríos qu© fez varias viagens á EuTopa e multo tem contribuído 
para a tolerância e o eBclareeirnento que se notara nesta capitania. 
As tropas de todaa aa armas silo em numero de doi^íi mil horm^ns, 
divididos em legiões. A miíicia é nutnerofn porque cada homem 
é aiijeito ao Be. r viço militar. O corj>o medico é pequeno, tanto 
í^m numero como em conhecimentos, exceptuados os do hospital 
ei das legiões» Em leeral Rf^rvem oa ]>hnrinateutÍC! s do medico 
e dos seus armários distribuem Deus tabe o que, porque póde-se 
comprar delles fffrradura^ com a mesma facilidade que um fer- 
reiro vende vomitórios, e &ep;uc-íe d'!iquique ainda não e^í$>tem 
ftB as^^ficiaçòes dn officíos. Os ca&os dia moléstia a^ào raros em 
S. Fflulo e nHo ba epidemiflii, mas na vizinhança das mtnas vi 
frequentemente cabocloa com p^raiídes inchaçijes nas glândulas 
do peicoço, o que antes se pode attiibuir no costume de carrei^ar 
lado na cabeça, do que íio clima. Este costumo é tão invete- 
rado que muitas vestes encontram-se |>eísoíia quo carregam assim 
um garrafa vasia ou outro objecto pequenino. Esta inchação 
díffere do Stroma doa Alpes por per molle 6 se estender ás vezes 
de uma orelha a outra, A varíola qu© antes fazia grandes es- 
tragos, como em outros logíires entre os trópicos, ó prevenida 
por um instituto vaccínogeuico, iiistallado no imlficio do go%*erno, 
debaixo da protecção do governador geral. A vaccinnçào é ahi 
gratuita, como em todos os outros paizes bem governados e com 
o mesmo resultado fetis. 



Apesar de não haver fabricas nem manuíactaras de impor- 
tância, além das metallurgicas, ha em S. Paulo diversas indai- 
trias, entre as quaes merece menç&o em primeiro logar a das 
rendas, de largura e fineza excepcionaes — em geral, occupaç&o 
das mulheres. — Fazem também cecidos de algod&o de varias 
cores e qualidades, destacando-se os mosquiteiros com que se 
cercam as camas e que s&o tào finos que nenhum mosquito pôde 
atravessal-os. Ha também as redes com grandes barras feitas 
á mã,o e nos quaes se dorme a sesta no canto de algum quarto. 
Servem egualmente de cama em viagens, sendo armadas 
entre duas arvores ou dois postes. Obras de ouro ou de prata 
de toda espécie, principalmente trabalhos de filigrana, occupam 
muita gente. Nos arrabaldes moram muitos criolos Índios que 
fabricam potes de barro de grande consumo, porque é uso geral 
preparar nelles a comida e carregar agua. Muitos outros objectos 
B&o fabricados de barro e não sem gosto. 

Os camponezes nas proximidades da cidade têm por prin- 
cipal industria a criação de gal linhas e de porcos que em grandes 
quantidades conduzem para a cidade. Fornecem o mercado também 
de uvas, ananás, pvcegos, goiabas, maçãs, peras, marmeltos e 
a fruta do pinheiro da terra que assam e comem como castanhas. 
Legumes são produzidos com abundância durante o anno todo, 
assim como inhame, repolho, couve- flor, alcachofra, espinafre, 
espargo, alface, e muito agrião. Ha batatas europeas, batata 
doce, ervilhas, melancias e toda espécie de feijões e cebollas e, 
além difcso, encontram- se por pouco preço gallinhas, ganços, 
pombas, marrecos e perus. 

Os habitantes da capitania de S. Paulo distinguem-se de 
todos os outros americanos por sua civilização e boa apparencia. 
Fogosos, bravos e sinceros, tornavam-se rempre temidos nas 
antigas guerras com os espanhoes e os índios, sendo militares 
por natareza. Occupam um território maior do que a França 
apesar de não serem mais do que uns 250000. Os homens, 
ainda que tenham empregos civis, são todos militares, perten- 
cendo aos regimentos de milicia com obrigação de servir no 
caso de invasão inimiga e é esta a razão porque se encontram 
todos trajando os mais ricos uniformes que, como é natural, tanto 
realça esta sociedade. Os postos de coronel pertencem em ^ral 
aos commerciantes de primeira classe. Os militares são divididos 
em três categorias: a primeira, ou, a cnntractada, é paga pelo 
Estado e marcha para onde fôr mandada, até fora dos limites 
do paiz como acontece agora, para Paraguai ; a segunda, ou a 
milicia, fica sempre no paiz e recebe da coroa as armas, o uni- 
forme e a montaria; em certas épocas do anno faz exercícios. 
A terceira, ou as ordenanças, compõe-se de soldados velhos da 
primeira ou segunda categoria e serve para policiamento no 
paiz, nas aduanas, barreiras, registos e obras publicas para fis- 
calizar e tratar com os escravos. Não ha grande mistura destas 



— 289 — 

eate glorias e em cada corpo encontra-^e a miaf^ma cõr entre 09 
barnei]?; oa ne^TOi pertencem aos cowtractadna e trajam uni- 
form*^ branco Mas, apesar do ei piri to guerreiro t^ue reiua ticfita 
riipitan^a, ha também (.lessnas que amam o comraercio e outra» 
que se dbtingiiem por conhecimentí-B scientificoB, 

As mulheres sâo em gera! bonitsi, bfm feitas e extrema- 
mente enctntadíirfts no seu modo de ser. Nutica vi olhos mais 
eipreisÍTOB, dentes mais boniloa e pés maí« mimosos do que 
nella» — poder-se-ia crer eatar em Stockholmo, Canto e musica 
i&o talentos commun» que elk^ revelam com a mesma graça e 
Wilidade. O primeiru consiste principalmente nas conbecidas 
modinhas e os instruoipntos mais frequentes eUn o piano, aberpa^ 
a graitarra e o íir^am^ doa quae* a guitarra é o mais commum 
e tocado até entre o povo do campo. Simplea no trajnr, dia- 
tia;3juem-ae, todavia, as paulistas |>or um gosto exeepcioual e, 
&pps3r dé vivarem itum paiz onde o ourn e na, brilhantes nhundam, 
ut&m-nos raras vezes. Cnm nm simples enfeite de flores natu- 
tutaes ornam o «eu comprido e escuro cab©l]o,arraDJíido e fixado 
C!m ncos pentes. A« flores no cabello, dndas de presente, bÔo 
Teráadeiras [jrovas de graija e bem querer, comparáveis apenas 
a dança depois do jantar na Suécia, ambaa reservadas por muito 
tempo e ambaa (destinadas ao feliz correspondido. Elias são baf- 
tente seoa veta á liaonja e ae or^^ulham de ser paulistaB ; aâo 
ineicediveiâ nas pequenas intfifras e, como má foi contado, par- 
tilham com flS mulht^rea da Buropa o gosto pelas superficialida- 
afs, mas silo menos constantea que estíis. Rura^ vpkks oçcupam 
CArraní^em nos seu'^ passftioa ao campo ou viíiirens maiores, ]ire- 
>&rem montar a cavallo, no qu« térn grande habilidade, Quando 
Contam, vestem nma saia comprida que Ihaa esconde os pés, com 
gela vermelha o enfeitada de galões ou de bordados a ouro. Aos 13 
fia 14 íínnns cosrumam casar o é rai-o ver uma paulista solteira. 
Cada tftrra tem seus costumes, a?8Ím também S. Paulo, e 
em poucos logftres a poJidex é maia exairg^erada do que fiquí. 
Qaindo um estrangeiro pela primeira vex visita uma familia, 
^ fecebido pelo dono da casa que lhe oiíerece a « piili amixflde, 
*éO coraçào © a na casa, como ai ffvssQ a delle», o qut? de modo 
•tenham deve ser tomado ct mo uma simplea formula. Quando 
* bospede s» retira, o dono da casa chega primeiro á porta, não 
pMra dizer uma amabilidade^ rra^i para mostrar que o hoBpede é 
o ri*ino da caaa^ acompanha- o ate o ultimo degrau e, muitas vezes, 
até é rua. Isso é tào comtnjim, como o ó o costume de fazer 
|>r«»pnte d*' mu objecto que a peasoa gaba; p. ex. na viagem 
áa minas eneoatríimos um cavntfio Ferreira que montava um 
CAvallo bonito e He excellente andar e como eu [mr acaso o digaesse, 
quiz elle presentear-me com o animal, do que com uitiita difi- 
culdade fMidfl declinar. Taes ca^os se dào frequentemente e no 
começo embaraçam muito os e&trangoiroa, que, por iíso, aSo tido» 
por menoa bem educados* 



k 



â 




— 290 — 

O tempo pae&a depressa num paiz onde se go^am tantas 
fínezas como em &, Paulo. Faesamos uma semana inteira em 
divertimentos, entre ci qnaeii, sLém dt bailes « theatros, devo 
mencionar um passeio campestre a caTailo, org-anizado pf-la Mar- 
quesa de Alegrete, da cidade até o outro Jado do rio Tietá, onde 
pasfiamtB um dia inteiro brincando, Muitas senhoras casadas e 
moças bonitas compunham a comitiva que, toda unida, partiu da 
eidade^ acompauliada por um enxaire de ordenança» e criados. 
Um outro dia o g'OverDador i^ernl ordeuou manobrai da^ tropas 
no *Can po da Santa Lns!»» a que alguns milhares de pessoas 
vieram assistir, a pé. Os uuiforoies das legiões e os seus mo~ 
vimeotos mereciam todo o apjtJauío» distinguindo-se especial- 
mente a artilharia. De tropas extra nhãs havia um regimento 
de cavallaria de 800 homens, das mitias de diamantes de Minai 
Geraes, provavelmente um dos mais brilhanreb ret^iuiebtt s do 
muado, o qual estava de passa ^rem era S. Paalo para se ajuntar ao 
exercito brasileiro, acampado em Paraguai, perto do limite com 
o domínio da Ef^panha. Todo o metal nos arreios ora de prata 
massif^a e como elles pertenciam a fatriilíaa mineiras naquella 
rica província, eetavam equipados em correspondência. Conta- 
ram-me que no regimento nenhnm homem havia que não tivesse 
a EOmma de mil coroas na algibeira. O seu comportamento tam- 
bém era o melhur possivel. Do campo de ,exercicio e, acom- 
panhando as tropas com musica e bandeiras desfraldadas, se «^ui a m 
todas as damas e cavalheiros que^ em numero de 50, tinham sido 
convidados para passarem a tarde no palácio. 

No dia '23 cheg^ou a noticia da entrada do exercito rnsEO 
em Berlim o na mesma noite fegiejou-se este acontecimento com 
uma repro^enta<:ao no tbeatro particular que o Marquez tinba 
construído no palácio e onde estreiaram somente os seus ajudantes 
e algumas poucas damaã No dia 24 Feguiu-seum ^aude jaiitar 
com concerto e brilhante baile de noite. 

No dia 25 omprohendi a viagem para as minas em compa- 
nhia do sr. Elboque, tonente-coronel em S, Paulo, o ajudante- 
^eneral sr. Daukwardt» capitão da artilharia montada ^ o sr. 
Huntley, eommerciaute ing-les. além de cinco creados e uma es- 
coita de dois dragões e um sar^^^^eato que por ordem superior 
tinham de tomar conta de nossa bagagem e prestar os servif^os 
necessários. Todos iam montados, inclusive o conde v. Pahlen 
e eu. O caminbo seguia na direcção sul atravesBando Jaraguá, 
Ponamduba, Itu^ Porto Feliz. S, Joào de Ipanema, Sorocaba» 
Cotia e S Roque, ao longo do rio Tietê que |iaíEumrã em vários 
logaree por pontes compridas. Para níio ficarmos surprebendidos 
por homens ou aaímaes ferozes, guardamos a seguinte ordem : 
1," dois creados pretos; 2.* o sargento ; 3.* os viajantes, dois r 
dois, de modo a podermos converb-ar ; 4.* tros ciiudos com a ba- 
gagem, covinha e cantinas ; 5.^ dois dragões, todos com fuzis, 
Tietê é um rio especialmente curioso, porque corre do lito* 




^ 



— 291 — 

nH pira o interior, onde se torça maífr fando e mais largo, ser 
TÍado de commuiiicaç&o entra Uio» Santos e S. Paulo ao norte 
• 01 díitrictoft riÊOs de Cni&bá, Mato Gro&ao, Paraguai, Rio da 
Prtíâ, Potoú, Cbiquiiaca e uma grande parte do Peru, ao sul. 
A< mas miirgend sÀo encantadoras, Tietê tem 23 caclioeiraB que 
tsi^mím difficil a víageno porque em muitos logares é preciso con- 
dmir por terra úè canoas, únicas erabarcações que serrem pnra 
«it« fio. Elle une-fte com rs rioi Paraná ^ Pardo, Sucuriú e âo- 
f acaba e, ha poucOí o governo deu ordem para i*xploral-o por 
Ubei$ officiae^ de marinha, doa quaea esperam-se iutere^aantes 

Jar&grtá, que pertence ao ex- governador Orta (fíortaj, é 
eoahecido pela quantidade excepcional de ouro ali extrahido La 
ÍOO innoa, quando era considerado o Peru brasileiro. Hoje, po- 
rém, n&o é assim, apesar de continuar a eitracçÃo- O terreno 
io ledor é monf^anboao e desigual ; a própria montanha parece 
composta de gneiaa cora hornblenda cuja auperficipi e vermelha 
e contêm ferro. O ouro é encontrado em «stratos» de pedregulho 
tom oure, chamado* «cascalho» que se retira do morro com uma 
picareta chamada ralmocafre». É&te cagçatho é coUocado em ba- 
eiat de madeira, denominadas «batéas» onde é lavadn com roovi- 
oento constante e despejado pelos negros que durante o traba- 
lho (icain no meio do riacho que é regulado de modo a nâo ter 
kCórreatessa demastaja, Ã porçáo^ que é lavada cada vez, pode eer 
de Uíins 6 a 8 libras e compõe-se de quartsto, pyrítet e oxjdo 
ds ft»rro. O ouro que contem fica no fundo pelo propilo peso 
Hpiídâco e differe muito em quantidade e tamanho de «uas par- 
tieulas d^s '^uaes algamaa silo tào pequenas que bóiam, ao paaao 
f[ik^ outras chegam ao lamauho de uma ervilha e Até maiorea. A 
^Jili^çào do trabalho é feita por i spectoree que, para bem 
imt&r os negros, estàa aiaentadoa na fombrai num lo^ar alto 
perto do trabalho. O processo mais commum é seccar o ouro e 
fíitregal-o ao ofiScial que o pesa e tira um quinto que é para a 
cfirrva. Depois fuade-se o reí-to com Murias llydrargyri em forma 
d« barras que sAo quilatadas e marcada» pelo i^eu valor intrin- 
ISCO, 4o qual dào una att stado impresso que sempre acompanha 
A barra. Agora não é mais permittido deixar circular ouro 
Btti pó ou em barra, porque todo elle deve ser amo^ídado de 
ae^rdo com a moeda do pais que peto eeu valor exacto é entregue 
pelo bfluíio. Jaragmí tem grandes terrenos, extensas matas e boa 
caça de veado* uhambús, e outros animaes. A lavoura, que se- 
^'-niii á TOioeraçào do ouro, tem feito grande progresso e o trabalho 
é executado por 50 negroa ou escravos qu« aqui, como em outros 
logare^^ pertencem ao inventarío e fSo vendidos como o gadOf 
vmiendo actualmente 200 ríksdaler banko ( I5(.$í't**'')' 

à mina aurilera de Ponninduba ê menos exploiada do que 
Jsraguá por falta de agua até agora, mas é mai^^ rica. Um terço 
desta min» é propriedade do sr. Daukwardt qtie, por ter reben- 



- 292 — 

tado e removido nm grande morro que até então impedia a a^a 
a vir, deu a es^a uma direcção conveniente que prometteu ao» 
proprietários uma rica extracção. Rebentar morros com pclvora 
era tão pouco conhecido que, antes de ceder ao sj. Dankwardt 
a terça parte pela direcção teclinica dos trabalhos, o dono pri- 
mitivo de Ponamduba julgou poder destruir a montanha por 
meio de grandes fogos que aqueciam a superficie, sobre a qual 
depois deitava-se agua, mas como o eíFeito era insignificante, 
esteve quasi a abandonar a ex])loiação. Todos os pequenos 
rios nesta zona contem ouro n.as tão pouco que em muitos le- 
gares não vale a pena empregar na extracção mais do que um 
ou dois negros, ao ptsço que a lavoura está completamente aban- 
donada. E' triste ver ermo está inculta e deserta esta parte de 
S. Paulo cuja fertilidade roduziria cem por um e, num clima 
tão saudável, ao passo que o proprietário com sua sede de ouro, 
vive na necessidade de tudo e encara com indifferença a riqueza 
que a natureza lhe collocou aos pés. E* tido como remunerador 
o trabalho que rende ao dono uma pataca por negro e por dia, 
porque a manutenção do negro é avaliada apenas na terça parte, 
o que, calculado «obre um grande numero, dá um bom lucro, 
razão por que, tanto no campo ccmo nas cidades desta capitania, 
pessoas ha que empregam os seus capitães na compra de escravos 
que, trabalhando para outros, constituem o seu único mas rendoso 
meio de vida. Mais longe e antes de chegar á cidade de Itú, o 
terreno é cultivado e todos < s campos são ornados com planta- 
ções de canna e ao pé de cada rio encontram- se engenhos e 
alambiques, que são movidos por agua. Os valles são cheios de 
gado e satisfação e bem -estar caracterizam tudo. Itú tem uma 
bonita cathedral na qual ha bons quadros da historia da igreja. 
Convidados pelo vi«;ario, c< m quem jantamos em casa do capitão 
Marcellino, para visitar a Cathedral, mandou elle repicar os sinos 
á nossa chegada, mas não o fizeram, porque um outro prelado, 
que nos devia receber, l^mbrou-se que esta honra de modo ne- 
hum podia ser ft^ita a dois lierejes do norte, como éramos eu e 
o Conde. O vigário, acostumado a ser obedecido, mostrou visível 
descontentamento, mas não p(dia de forma alguma fazer o seu 
collega concordar nesta fineza para comnosco. Ma^ quando elle, 
finalmente, lembrou-lhe um trecho da ultima noticia que tinha 
vindo da Europa, de qu'^ o principe de Kutusof! tinha mandado 
conduzir a imagem de Nossa Senhora deante do exercito russo 
quando ia combater os franceses, os inimigos cruéis de Portugal, 
e forneceu assim a prova mais evidente de que os russos, como os 
outros povos do norte, eram catholicos, o collega, apparente- 
mente convencido, pediu humildemente desculpa e gritou para a 
torre: «toquem, rapazes». A altercaçAo entre os dois eccloi-iasticos 
era di-stinctamente ouvida, mas os hinos dobraram em Itú e nós 
sahimos debaixo de bençams. 

Viajando pelos arredores de Itú é impossivel n&o notar qae 




^ 29H ^ 



tod* a geatd áa clasie baixa ti aba os dentes íncmvoi perdidon 
ImIo HM eóniUate da caana de as^ucaff que aem ceisar chupam 
6 conserram na boca em pedai;oa de algumas poll,^gadas, Quei* 
em catt, qaer fura delU. nkn a Urg;atii e é poã<,Jv6l ^uq tista 
lambeiú st^ja a causa de bav^r aqui tmiia jj^^nte ^orda do que 
era outros lo«far©^. Â ctaik^e âuperior gosta eg^ual mente de doce, 
peb qu^ recebeu a nleuuba «luel do tauque» iiíto é, o melbor 
mi^l^ido produzido tia tabrica^ào d) assucar. Oi próprios bois e oa 
barros ijimbem parti c i P'Mttii dií inôãinft iiJcli[iHi;.ào e Êocoíitratn-Ee 
«Ued, tal qual stiOã crniductoreâ, m.'iati^ai]du cauna. E* um re- 
ffe?Hco para todos duraute o calor 

à elepbaadaãía é utaa moléstia bastunie cornniain em Itú 
e é crença jçeral que ella se cura nitíJhor com exortações © pelo^ 
saatcis do que pela luedícma^ Ã cau&a doate mal ainda nào 
está descoberta. 

Em caminho visitamoe a citiihecíila eacb^>fira do Tietê de> 
rK^mlnada «Salto áo hú* que tem uma exteiis&o de um quarto 
d« legita com Lar^curji c^rreiKpoiíd^iite, parect^ndo destinada pela 
lUtnToea para grande §i fabricas e sem muito trabalho, Mos ape- 
Nir dl 40 € apesar de que ii!< açudei, que no BraaíJ cut^tam tan- 
ti trabalho, já eii-tom ptslo aci* \ não ha nesta ímmenha cachoei- 
fh mais do qne um só rooajolo para snear milho 

Beis leguaa de Itú e à margem do mesmo rio, está a cida- 
de d^ Porto Feliz donde partem todas as expedií^Ôes miUtarea 
quiiido ae diri^fem para o sal, ao Paraná, Mato Groa*fi f^ Rio 
Grande e que r+^ceb^m d\iqui o ferro ^ n sal, a munição e o ves- 
toirio que o governo anouilmente ftrnfce p:ira as tropas. E*- 
U?am aqui varias diriâôes du e^tnóa^ çr^ndes, deatioíidat a 
uma ex[iedi<;ãi ses^reta mandadt pelo miuigierio de d. liodrigo, 
C<md« de Liuhareá, pre-^id^ote do conselho e míniâtro da fruerra, 
roíí, por iua morte, foram as canoas "guardadas em telheiros 
propNOft. Em cada canoa cabem 80 bomnns com armas e tudo 
neceaaari j, menoâ a aj^uat e todas sàn feitas da precioíia «peroba» 
de cujfi tamanho pode faz«r-8e uma ideía cabendo que uma 
caaôíi dest:i8 é feita do nm só trnnco. Ao pé da cidade ha a 
gr««.íe mftotanhíi calcarea denominada «Ai ara Ita^^uaba», nome 
esta que coinerva do t«inpo d-s Índios e qner disser : «comer 
eal» piífque, nos mese» de janeiro e fevereiro chfgam aqui 
milharffi de pi»pnga)o^ e cmtros fm^saios rimericanos que comem 
c4l HQtes de poreio os ovi.a. Em Fortn Ft^liz estávamos bos- 
pedadoâ em chs.i do ca[titào Ferreira, (IJ irtoào do couef^o Fer- 
reira, de S. Paulo e» como ellti, cumulou-ntK de fineí^as* A uma 
légua dti ci iade fomoã recebidos i elo capitàu-mõr ("abreviaçàu de 
■major» ) ou primeira autoridade e variod officiatifi que, junto» 
com o capitào Ferreira, do mesmo modo, nos acompanharam na 



El| C^kpltlA Mieu»l Perrelri de Oliveira Basno^ 

K, da R. 





- 2Ô4 — 

p&rtida. Tivemos aqui, pela primeira vez, a felicidade de almo- 
çar e jantar mn campaabia daa seiílioraa da c&ea. Em todos o§ 
outros lo gares estava moã sempre a sós coui o dono da casa e ob 
cumprimentoi recíprocos eram feitos por interine diários. 

Um pouco além de Porto FelÍK dt^ixamn^ o Tit^té para uos 
dirigirmos directamc^Qte ao rio Sorocaba, que passamos em canoas. 
Os animaes passaram a nadoj amarrados ud& aos outros pela cauda. 
Aqui começa a ver ladeira legiào da eiploraçfto mineira e por 
toda a parte ba ouro e ferro, porém nào em tal abundaucia como 
em S, Joào de Ipanema a al^^^umas léguas distante onde, naoia 
extensão de 10 le^uag suecas, se encontra um minério de 80 a 
85 7í de feri-Of á Hõr da terr.t e com raatwH numa ei tendão dupla* 
Ha varioâ ânuos tuucciona aqui uma iabiica. actualniente diri- 
gida por um sueco, sr. director Hedberg Na mesma occasião 
organizaram -se mais duas fabricas de ferro, uma em Tijuca peio 
Barão von E^chwoge, da Âllemanha, e outra em Minas Geraes 
pelo afamado mineralogista sr. da Camará, que o mundo £cien- 
tifico conhece deéde as suas viagens pela Rússia, Suécia e Alle- 
mauha. Mas nem uma nem outra tem dado bons resultados 
para os proprietários. A superintendência de Ipanema é exer- 
cida por uma «junta», de que o director é membro, © o capital 
de movimento está em acções de que o governo posaue um terço.. 
A fabrica é situada próxima ao no B^^rocaba que fornece a agua 
necessária e eetá projectada para trabalhar com dois fcíllps e ò 
fornos, doã quat^s um deve estnr era descanço. O trabalho é 
executado por ct*m nef^^roa^ além do» creoulos. Oa açude* sào 
feitos de pedra lavrada e toHas as fibraa interna a aao feita» d&s 
mats lindas rna4eira& do Brasil, cortadas numa serra bt^ru mon- 
tada e por meio da queda dagua do próprio rio conduzidas até 
A fabrica. O logar mai^ rÍC0| poréin^ ó a montanha chamada 
cGoraçoiabai, ordinariamente denominada «Morro do ferro», a 
meta le^u» de distancia da fabrica com a qual communica por 
uma estrada nova e larga* Em relação ao fabrico do carvão, jul- 
gava-se por muito tempo que as madeiras brasileiras nâo preíttavam 
por eauaa da âua dureza, porém a experieDcia do sr. Gamara 
convenceu do contrario. Ima^iuava-se também que a fabricaçÂo 
de ferro no Brasil prejudicaria á Europa e supplantaria a im- 
portação da Suécia, porque o aproveitamento dos recursos pró- 
prios seria de grande valor, caso uma guerra entre a Ing^laterra 
e aa potencias do Norte irapediãsem a exportação dos artigos de 
primeira necessidade, I«ínorancia to]jographica foi a ca ui a desta 
opinião errónea, ou, seria i^so um meio para afTa^^tar a concur- 
reiícia ? Em todo o caso desperton-me a atteuçân e para melhor 
conhecer aa condições fui mais umas 20 léguas adiante. Ferro 
em quantidade somente ba na capirania de S. Paulo e, si alguma 
vee as fabricas forem aperfeiçoadas, havendo alguma aobra pam 
vender, será necessário transportaUa até o porto de exportação 
mais próximo que é o Rio de Janeiro, ou eutâo» ao longo da 





— 295 — 

costa que tem 300 léguas e, neste caso, o processo é o legiúate: 
&m [panem A o ferro é carregado por atiimaes, pgr causa da falta 
de boas estradas, até a gerra do Cubatão otide desce 7000 pés 
iinrii declive forte, de modo que a carga nao pôde ser grande. 
De CubAi&o, onde %ú paçam direítoe por âer a alfandega arren- 
dada, o ferro é conduzido al^umftã lei?uaB em canoas até á ci- 
dade dt;. Sautríg, lo^ar em que é baldeado de novo pára pequenas 
erabarcaçdi-n coberta* para ser condazido por 30 léguas ainda até 
o Rio de Janeiro, oude, finalm^ntn, rode ser eiportado* Con- 
flídernndo agora que todíi este traballio é pago em ouro, Tê-%e 
que o ferro fica tàn caro que t>âo pôde dar lucro uenlium, mór- 
tnetit« quando já exii^te uma exportação remuneradora d@ café, 
istucar e couros e não pode concorrer com o feiro europeu em 
preço Segiuado o meu m^do úe pensar, o resultado final dos 
nov'03 projectos, isto é, n fo em executados, sei á apenas qije uma 
das maift interessantes provincias do globo, poderá produzir para 
si todo o ferro de que prèeisa. 

Duad léguas daqui está a cidad« de Sorocaba, que tem o 
seu nome dõ rio que a atravessa. E' muito empalhada, mas es^ 
cassamente habitada, sendo noíavel por seu-* cortumes de couros 
de cabra, suas redes de algodão e a grande renda que a coroa 
aqui arrecada do segundo imjtOÈto sobre todos oa cavallog, bestas 
6 bois que, em estado selvagem noã campot, ^ão conduzidos até 
aqui, para irem á S Paulo ou Rio de Janeãro, O primeiro 
imposto é pago em Curitiba na divisa da capitania. Roapeda- 
mos nós todos em casado coronel Franci&co de Aguiar, um homem 
abaetado que põz uma casa inteira a nossa disposição e nos re- 
cebeu do modo o maia amável . Em Sorocaba mudei do in- 
tento de continuar nesta direcçáo, onde já vi o mais interessante 
e deliberei, em vez disso, vistrar as minas de diamantes em Minas 
Geraea na companhia do Conde de Oyenhíiusen que fazia parte 
das tropafi a]Ii, o que necessitava novo equipamento e novos 
animaes, porque os que tinham servido até agora já estavam 
imprestáveis. Um acontecimento infeliz, porém, prívou-me de 
fazpr esta viagem para uma das mais rica a paites partes do 
Brasil e a mais interessante para o míneralogista. Voltamos á 
S. PbuIo por Cotia e S* Roque e cbí^gamoa no dia 5 de Junho 
de tarde, recebeu donos abí o noa^o amável hospedeiro sr. cónego 
Frrreiía que estava completameTite paramentado (in poniificúlibns) 
para o Santo Officjo na cfithedral, convidando* nos para assiíitir 
« ouvir bfsh muHÍça. Tudo estava em movimento para no dia 
ieguinte feâlejar o Espirito âaiito, correspondendo á nossa festa 
de Corpus Chrieti, com a diíferença, porem , de que em cada cidade 
uo Brasil e também nas aldeiam graud^â, ha um chamado im* 
perador, eleito por sortf^in que, por meio de subscrifujâo mantém 
em ;>ua caáa mesa lauta durante os dias que a festa durar. O 
imperador preside a esta mesa vestido de coroa e manto com 
brilhantes e sceptro na mão. Durante estes dias gosa elle de 



— 256 — 

ioJas as honras; as tropas Ibe fazem continência e na igreja 
elle entra em prociss&o e tem o primeiro logar. Numa caminha 
de madeira construída expressamente na praça da igreja e bri- 
Ihan temente pintada, recebe elle, as&entado no seu tbrono, as 
offerendas que lhe são dt-yidas e que em geial c(>nsi&tem em 
victualhas que depois sào repartidas entre os pobres. O ofler- 
tante apresenta a sua offerta na cabeça e ajoelha diante do 
tbrono; o imperador agradece, fazendo o signa 1 da crnz. Tudo 
isso é eflfectuado com tal cerimonia, tal ordem e tão circumstan- 
ciadameiíte e todos tào tào ricamente vestidos que parece ani» § 
uma festa asiática. A festa começava crm musica na cathedral 
que estava esf>lendidamente illuminada e onde encontramos todos 
os nossos conhecido-». Fogueiras e rojões haviam em todas as 
praças e, a noite passou- se em casa do imperador, que era moço 
e cujo pai antes tinha exercido esta dignidade durante muitos 
annos. 

O dia seguinte, <»u Corpus Chri&ti, passou-se cm diverti- 
mentos que pertenciam á fe>ta. O próprio bisj»o disse a misFa 
cm duas igrejas onde a musica era excellente. Todas as i-enLoraa 
estavam ricamente vestidas com sedas de cores e C(m flores em 
vez de mantilhas, como costumam, com rendas largas e que ser- 
vem especialmente paia ir ás igrejas. Os cavalheiros todcs tra- 
javam uniform s de gala. O governador geral tinba logar se- 
parado onde estava com o S3U estado -maior e, de fronte delle, 
sobre o seu tbrono, estava o joven imperador « om coroa dou- 
rada e uma grande corte. Durante toda a cerimonia leligiosa, 
que nào acaba vi autes das 4 horas da tarde, a guarniçào pelo 
lado dn fora, apresentava »s armas e Hava salvas com as espin- 
garda-, e rojões subiam aos ares. No liiesmo dia os monges 
franciscanos davam um jantar para cem pes>oas, sendo eu e o 
Conde v. Pahlen convidados, mas, como já estávamos convidados 
para o grande jantar que o imperador dava, ficámos em posição 
difficil, tanto mais por desejarmos muito assistir ao jantar 
no convento, o que talvez nunca mais teríamos occasião de fazer. 
Por isso foi feito o seguinte arranjo : todas as damas iriam jantar 
coai o imperador e os cavalheiros com os monges, para depois 
encoutrarem-se de tarde na casa de sua majestade. O convento 
é espaçoso, limpo e bem situado. O bispo recebeu os seus con- 
vidados num grande salào onde elles com genuflexões beija vam-lbe 
a mão, o quo o próprio governador geral também teve de — ap- 
parentar j)elo menos. Durante toda esta festa o governador dava 
o lado direito ao bispo, apesar das iiices>ante8 recusas deste. 
Aqui, como em toda a parte, a conversação tinha por assumpto a 
guerra contra a França e o ódio contra Napoleão que nem aqui 
é livre das maldições do j)ulpito e que nesta parte do mundo 
certamente nào tem um só partidário. E' necessário lembrar que 
isso era em junho do anno passado (1813). Finalmente tocou 
a campainha do refeitório do convento e os convidados foram 



- 20f - 

conduzidos p^r ntn comprido cnrrednr até & sala de jaatar, oode 
toioa fte asseii taram ao longru dtí uma immeusa inesit que quasi 
Terg^ra debaixo do peso do que poita hav<'r de superior & me< 
Ibor nesrn term^ Etii todo« os cnntoâ da $aln b»via m^gH» para 
oi trinchHdoreH. O «erviço era feito ex^luáí vãmente por noviços 
e bebi&m-se oi melh^ire^j vii)íin& eur. peus como ei e^tive^sâemos 
em quiitqai:-r capiut do vplbo coiitinentH. Nào poBt^o ne^ar que 
o jantar era tào alegre e livre como ÍDieres^arite ppr sua rari- 
dade, e tÃo pouco po«4o tie^^ar que debaixo de»iaa sotftÍQaa negras, 
que eto geral se dUting^iiam pi^la tristeza e meti^ apreso do 
[DUodu e doi boinea-; eu f^nc ntrej pct^soHâ distinctas, nhú aó- 
mente instruídas, Ci mo ínteiratrente re.^ peitáveis na eua vida 
íocíaI, àb ^HÚiÍe4 maÍ4 notavt^ia eram: depois do briade em 
honra da Real Fauiflia d» Bragança, aa v.m bonrn das nações 
que enfrentíivuin o Napolt-íko — a rws^a e a aueca e, em psra 
iDÍm immensttmeuie a^^r^davel rào lon^e ân fiatria. etn tal 
coiíipanbta o em inl logar, ter a felicidaitt du btiber a í-aúde do 
mnu rei e do grande prineijKs eujoã feitcs foram PiialD eidos 
aftate novo inundo. O jatuar atíibiín com café ài 1 bovaa da 
noite, depoit' do qoe, fomua convidados a uma outra gala para 
& sobremef^a, cuja quftiilidade pagina toda a d+^âcripção. Nyína 
irmiiiie mei^a quadrada estiavam »i'rvida.s todaâ lu frutas e todo!» 
<^a viobod da Ãmeriea do !?ul, acompanbadcig dt<» mai^ liuuís vinboj 
europeus e cervejíi branca e preta, o que aquj ê uma jt^raude 
raridade, para cuja ctn?ervaçào sao necesburiíis boaa iideg'a,i, 
*ío centro da mesa a tígurfi de umEi mulher rrpreaentava a Ame- 
rict com uma cétita dt^ fmtjis numa mÂo e noutra uma pequ«^ua 
gwmfa de viuho; flo redi>r delia» íormando ei^cada, bavia ama 
P*Jf(;&o de doees Bft:t;o* t^nvoltos em piípt^l de cores, o que muito 
'^ prt^atava par» pres#»ntetó áà damas, THZho por que a pobre Ame* 
Hca foi l^g-o despojada dog tbesíiuruí- doces que «guardava e s 
V^esa levada p^ira a j»ociedãde ira|>erifil oode servia noa jogos 
oa pieodii^^ muito em voj;a em S. Paulo, 

E' costume ir ver os ricoB ornatos do imperador, e^-peeial- 
íoente e&pera-»e isso d(>a ealrnugeiros, A coroa é de ouro mas*- 
*iço e muito b^m trabalhada; peaa 4 marcus (949 r^^-ammaa) e 
peiteii«:era ao« jt^suit^s que por oceasiãu da aua ex^mUào a ãv.i^ 
laram no muru d© um ronyeuto, onde íbi achada eom outros 
Falorea. O sceptro também é dti ouro mosaico e pesado *^ omaiiio 
é de seda branca com fielle*, eiHi-tetlado de [H-dm* preciosas que 
provavelmente nào [>ertencem ao im[ terá dor e píl » pedidas jtor 
prnpre^timo para a occa>iào, porém tudo é muito brilbuiue. Xo 
dia 8 houve a fe^-ta do imperador na víUa de Santa Anif^r (Santo 
Amaro), três le;íua? de S. PííuIo, e para a quíil tinha sido convi- 
dado o g^overundor cum bua íamilia, assiui eunio todíts aa petisoas 
gradas, p"*lo vijs^ario que teve a b «ndade de também noi* convidar* 
Os convidados formavam uma caravana muito g;raude a ca-' 
vaUo e de ambos os sexoa e, apesar de cahir uma cliuva forte, 





— 298 — ! 



todoH preferiam & moataría ás carruagens que apenas tran&jior- 
tavam al^um^s sânhoras idosas. Ã festa estaya brilhante dm 
Santo Amaro que tem uma bonita igreja e, depaiâ do terem ea 
treguea m offereadas ao imperador e s^aciado os pobres, paE^samos 
aqui doía diaa em divertimentos com canto, muaica e dan^ que 
sempre acabava com serenatas de ooite em honra das damas^ 
depnis de estarem já rocolbidíis aos seus aposentos. O vigário de 
Saoto Amaro é um prelado illustrado que na aua parochia tem 
introduzido muita cousa ntil e é por íbho estimado e amado por 
todos. No^ dias 10 e 11 arranjei todaít as collecções que liuba 
feito em S. Paulo e dispúj tudo para a viagem á iMiiiae Geraes. 
No dia 12 toda a sociedade foi cimvidada p^ra um baile de des- 
pedida e ceia que o Conde de Pahleu, eu e o sr, Dankwardt 
ofTtíreciamua em recnuhecimeuto de tudas as gentítezas qne nos 
tinham aido diapenfadaa. Por causa do eapa;o, este baile te^e 
logar na chácara do coronel Wnrtzé e que pelos cuidados do 
sr. Dankwardt foi muito bem illuminada, tanto dentro como fora.. 
Aã honras da casa, conforme o coatume da terra, foram feitas 
pelas eimau, aenhora» dona Maria de Loureiro e dnna Mariana 
Velasco de Portug^aU que tiveram a bondade de iucumbir-âe 
desta tarefa, contribuindo muito para a bnn ordem de tudo. Os 
convidados, em numero de 150 pessoas p pareciam todos satíafeitoa« 
Entre as danças executíiram-se lindos trecbrs do grande com- 
positor do Rio de Janeiro, sr. Marcas de Portugal, modinhas 
brasileiras e outrai* musicaa e cantos bonitos. A* mcía foram 
brindados a Família Real, o g^ovemador f^eral e as panlmtas e o 
bai)e continuou com aerviro ininterrupto de refret^coa até íJ horas 
da madrugada, quando o% convidados se reiiraram^ 

No dia 13 deixei S. Paulo, onde o Conde v. Pablen ainda 
ficava e, em companhia do capirào Dankwardt, nm conductor e 
dois creados parri pjtra o Rio d© Janeiro por Cubalio e Santot. Na 
meama noite chegámos á Ponte Alta, perto áti cordilheira, onde 
pafisf mos a noite, pretendtjndo s -guir viagem logo cedo quando o 
meu creado, um europeu, teve a louca lembrança de nos assassinar, 
a mim e o sr. Dankwardt, de noite, quando dormíamos. Depois 
de ter fechado as portas e as jauellas, de modo a n!lo deixar 
ninguém entrar nem sahir, correu elle para o nosso quarto e 
cnra um sabre começou a ferir o sr. Dankwardt, em cujfi au- 
xilio eu, sem urn momento de hesitação, corri ainda meio dor* 
raindo. Dua^ craves feridaa na cabeça duas no braço eiquerdo 
e uma contusão na mào direita, de mona travam que o aseasaino 
infelizmente aproveitara o seu tempg^ Hepuj^nando-me esten* 
del-o com ura tii*o de justola, í^mqufinto ainda tinha esperança 
de impedir o seu intento pela força pbysica, continuei esta luta 
desigual, unicamente com as minhaa máoa para, si posai vel fosae, 
ti-ar-lhe a arma e pren del-o, o que nào couseg-ui emquanto 
nào quebrHÍ o sabre com golpes furioaoa. Meio desfaUecido 
pela grande perda de sangue nào pude evitar a sua fuga, porem, 




-^ 2d9 ■- 

DO áuL Bd^íntô 09 doía soldados que lhe matidAmofl ao encalço, 
ú jieharatn trepado numa anrore uiidc» tinha pnasadi> a noite de 
inedf> da^ onças que nestzia parageaã pouco atacam as petsoaa 
pacificai^t Qíiaado deu eutraaa na eadem de 3. Paulo teve um 
accesso de furU, pelo que foi transportado para o hc apiul. No 
iaquerito úcou variticado que elle pretaudía jiriíneiro atacar^iioa 
á pUtola, e como ©4tíii eeuiTHDi mu »idas de fechos de teguraníja, 
que elLe oào enteadia, temos motivo de attribuir a isso a uosaa 
uivaçÃo. 

As extraordinárias provafa de amizflde e de interesfle que 
tive, tanta do governador geral Marquez de Alegrete, como de 
muitos outros panliataã, aerào sempre lembradas com a máxima 
gratidão. Poui^o a pnuco vetraram ai» forças e continuamos a 
^«gem serra ubaixo ond^, na divisa da capitania, separei-me do 
ir. Daukwardt que voltou para S. Faulo, porém devido a mi- 
nha moléstia, só che^^uei ao Rio no dia 12 de jullio. Já tÍLiha 
chegado a noticia do acontecimento em Fonte Alta, com o 
triste augmento que no caminho eu tinha falleeido das cou&e'« 
quencias. 

Em nenhum paiz do mundo encontram-se tào poucos aleija- 
dos como em S. Paulo e n&o me lembro de ter vi^to um só 
durante minha viagem ne^ta capitania, que tenho de concluir 
ag-ora com as seguintes observações. 

Além da sua poiiçào íavoravel e salubre, S. Paulo tem em 
si mesmo em abundância tudo quanm é iit^cessario para o bern- 
es tar e pode-se t*?r a certeza de que onde existem ne^-essidades è 
í^io devido á Talta de vontade paru trabalhar e nào de oecasiâo 
para ganbar e adquirir toda» as cnminodídades da vida Tudo 
ali ha por preços reduzidos, com excepção de rouj^aa paraatnbos 
os aexos, por ser artigo de imjíortaçAo, apesar do paiz produzir 
1& e algodào em abundância. Quando São Paulo compre- 
hender a utilidade das fabricas e chegar o tempo da sua 
inatailaçâo, eata capitania terá dentro de si mesma tudo quanto 
é preciso para ser independente de todas as mais. Uma casa 
na cidade, sufficíente pai^ abrigar decentemente uma familia, 
nfto custa mais do que 600^000 e nenhuma difficuldade ha em 
encontrar uma chácara perto da cidade pelo mesmo preço» oode 
pode produzir carne de toda a qualidade, toucinho, peixe, quei- 
jo, manteiga, legumes, toda eepecie de frutas própria» do ciima, 
gallinhas, pombas, marrecos ganços e perds, além de café, «ssu- 
car, aj^ua-ardente, vinho, milho, pimenta, arroz e mandioca e 
ainda lâ, algodão, etc, O gado, nos lof^^area onde se pratica a 
industria pastoiil, é do mesmo tamanho que o gado ing^les^ porém 
na maitría das fa/^^Midas elle é menor. A carue è saborosa eo 
preço commum de um boi é actualmente de 2,5 a 8 mil réis 
quando conduzido para a cidade e apenas a metade no campo 
As vaccas parem em geral dois bezerros cada vez (síc) Na 
província do Kio Grande, o gado é tão numeroso que um boi 



— 300 — 

é obtido por doas patacas e em muitos logares abate- sts o gado 
unicameiíte para aproveitar o couro ao passo que a carne é 
deixada para os cachorros bravos que percorrem e^Has paragens 
do Brasil. Âli, mas somente naquella província, a gula tem 
intr duzido ura modo extraaho de preparar o roastbeeí. Do 
animal, ainda vivo, corta-se da coxa uma comprida e grossa 
tira de carne com couro que se costura e assa no cbào sobre 
um fogo brando Ficando com todo o sueco natural, este prato 
é bastante saboroso. » s pellos s&o destruidos pelo fogo, de forma 
que o aspecto é agradável Este costume, porém, só existe entre 
as familias noraa IhS, viajantes, caçadores ou negros, mas, como a 
civilização e os costumes europeus já se espalharam ue^te paiz, é 
de buppor que ensinem áquelles vagabundos do Rio Grande que 
ha também outros modos de preparar a sua «grande francesa». 

Os cava)lc8 s&o excellentes e existem em grande quantidade 
desde 7 a 8 mil réis, sendo eutào já domados. Sã) apanhados 
bravos, como oa bois, por meio de uma corda com um nô na 
extremidade, chamada Inço. Em pleno galope jogam este laço 
no pescoço do animal que elles depois montam até cançar, ficando 
então domado. A grande quantidade de cavallos produ/idos no 
paiz é provavelmente a causa de todos os paulistas serem bons 
cavalleiros, e é conhecido que como taes são respeitados pelo? 
vizinhos e pelos inimigos. As mulas são apanhadas e domadas 
pelo mesmo systema que os cavallos, e são geralmente empre- 
gadas nos carros e nos transportes entre Rio de Janeiro, 
Minas Geraes, S. Paulo, Goiaz, Cuiabá e Curitiba, onde dia- 
riamente se encontram grandes tropas de ida e vinda, em geral 
carregadas corn um peso de 300 libias que transportam na dis- 
tancia incrivel de 200 a 300 léguas suecas. Não imaginava que 
pudejíse haver uma lucta egual entre o hora m e o animal, como 
quando uma mula chucra tem de ser domada. Chama- se também 
a isso «quebra-mula» e não se pode deixar de admirar a des- 
treza com que os cavalleiros hábeis se jogam de uma mula para 
outra ou para um c.avallo e depois os obrigam a aceitar o mais 
apertado freio. Ella, a mula, joga sti contra as paredes e ao 
chão, mas acaba por entregar-se, debaixo da applicação de um 
par de esporas reforçadas São Minas Geraes e as minas dia- 
mantiferas, onde a população c mais densa, que exigem a maior 
parte das mer^iadorias e de sal, que somente det-te modo, por 
falta de commuui<-açòes Tnais commodas. podem ser transportadas. 
O sal é produzido ein Bayo. perto do Cabo Frio, e vem também 
da colónia mais próxima das ilhas de Cabo Verde. O consumo é 
muito grande porque fdos os animaes morreriam se não o rece- 
be>sem diariamente, es])ecialnieute em S. Paulo observou-se isso 
sem saber bem porque Por toda a parte ha criação de cabras, 
cujo leite è preferido ao da vacca, mas a criação de carneiros 
parece negligenciada, apesar de darem-se bem e produzirem uma 
lã muito tina. 



— 3ni -^ 

Fora dua rios ou das proximidades do mar, é raro encontrar 
peíie. Os mais vulgares síLo i o dourado, a tainha, qae é muito 
grordi fl boa, e o timbé. A creaçào de abelhae nilo é favorecida 
em S. Paalo, apesar áet baver t^^do o motivo para írbo Rsistem 
tnuítas, tanto eetvageni c* mo dome^tícíia e a maior i>í*rte do mel 
e é^ cera é tirida dw arvorea fieas nnê flore&tsB* t-otitra toda a 
expectativa, quiisi toda a cera consumida no Brasil, è ititnídu- 
KÍQ4 dií colónias atricana» de Píirtugal 

Ai niíita? abrij^ain muitos aniinnes bravios e perigosos dos 

qiia«i o ti^re vulgar, o dgre preto, a pantlieia e o jnguBr eào 

os miii^ commiins, com uma espécie àf lootta. De outros qua^ 

dfi|H^deã existem i o tamanduá que vive eiclusivameíTite de for- 

DlJgpiSi a nntn ou tapir, dt^ cujo cour^ , deprtis á** ncco uo bol, 

í*s inJíos fwbrieam os seus escudos, Í di penetra vtís pelns bíUas e 

pelas flecha&j a preguiça, que tem seu nou e dn lentidfto de eeua 

mo ímentoâ, pouco mais rapidoft que os do rararaujií, é muito 

gí*rda e i^raiid»*, de cor citjzeuta e vive o maiw do seu lempo 

TIA* arv-ores onde »e alimenta de g-itlb^ s tenro*, e folhíiSt pririej- 

palmente d» embaúba. Tem-.^e ob-^rvado qu^ quBiito mfl h dt*&tfls 

arvore» existem, mai^ pre^uivas ha A É^arigiien (rapt ia) ria tnija 

dos gambás é o orríínde inimigo das ^':illiti|i«& e f^ua pr. ^ííriça 

revi*la*8e por u n fí^dor iuâiipportavel qu« o m'U corpo txbata; 

O f*Ufiço-t*aixeiro e o tatu qu^ vivo em snbterrfineos no enn^pos. 

A Cftbeça e a caudu parirei na com as do lagarto e o corpo è 

coberto de um coufo dum e imp«netravel, cnnm o çHâco da tar* 

tarnga, A sua defesm está na* Inngaa o afiadas anhas. í^endo 

uiuicfl g Bíofto come-se elle com praxer, pe!o qoe e muito caçado. 

rer&eiíuido, fu^^a elle o chílo num momento « nílo se pej^ando por 

um^i perua elle di*sftp|'arecfl, pr>rq»ie he ppgando peU canda e*ia 

arrebenta mas o animal se livra, Exii^iHm maia o veado e o porco 

do mato, que no go«to e na apparenuia, fis^emelha-SB a um 

granrfe leítilo a o ppqueno t-amello, mne que parece muito rnro, 

O viajante com niz^i} admira-s(^ do ^rindw unmero r.e ma- 

eaeos qne apparecem nns mídíis e das proey.^B qiiRÚ bumai^aa^ 

2oe fte contam da Guariba; n ceito é que vivpm numft fsjecie 
e sociedade e que sftn muito euriosos qui^ndo livit^ã, nas^ matas, 
Qoando, dw minhà ci^do, ellea d^i^cem [^ara rí»ubar ii]j.uam roça 
drt milho ou ura |*omfli% }iaeni &í»mpr" nos altos na vÍKÍnb>inça 
sentinellns qae por gritos communfcnni a Hppioximaçào dí^ un ã 
pessoa. Sendo neífli gentes, siio cas ti irados rfim varas si estilo 
perto e com pedradas qunndo foL'-*'m, Numa ca cada curiftf=a, á 
que sssÍFti. vi que as temeis quando lem de fugir de pressa, 
tomara os filhos nos brj^çoa- Encontrando atvrree tAo di^t!lnt^'a 
uma'* das outra» qae ufto alcancem o> galhos, a mfti joga-st^ fomo 
um raio, pegando os palhos do outro Indo. e fnro>rando a cauda 
onde eftava serve assim de ponte f>ara o filho. A simia senicidua^ 
ou mico realj ò do tamanho de um serelepe, muito bonito, porem 
nfto vive ao norte do equador. 





— 302 — 

In&ectot hh muitas e entre elles o moBquito, rn&B que n&o 
uioletta tfluto como no Rio. Fogem todos díi fumaça dos ci- 
garros. Mais vuljLifar, porèm^ é o pequeno insecto que chamam 
«bicboif em inglt^s chiggtr, que peuetra por baixo das unlias e 
Das ru^as doa dedr>s dog pés onde fr rma pequt^nas boi las cheias 
de Fenueft biancos tom cabeças pretas. Tira-se esta bolla cora 
uma agulha, enihendo depois cv buraco com tabaco rm calome- 
lauoB, opeiaçào esta em qua os neg:rpB sâo muito destros, E* 
necessário dizer-sí* que o pouco aeseio é a principal causa deste 
raal que não tein impoit.iucia no começo, O ^tande morcego 
que os YÍajautes tau to tôin descri pto, câu^H muito mal ao gado 
era S. Paulo. Tem 12 poli e*;:» das de comprimento e as azas tem 
de 4 a G polleg-adas. A língua é muito pontuda e munida da 
eipiabo». De noite a-ís«nta-se no hombro do& cayaltos ou 
muares e^ furnndo a veia do pescoço do animal, ãuga-lhe o 
sangue que depois continua a correr e o animal âca coberto 
delle. Durante a sucção o morcego abana cotn as azas para 
aasira diminuir a dôr da fínida. E' encontrado somente na Ame- 
rtca dn 8ul n na índia, atacando também as pessoas que dormem 
cnni aa janellas abertaji. 

De cobras e amjthibii>s ba muitas espécies. Ã cobra mais 
perigosa cbaraa-se cjuearaca» (jararaca) e habita não fomente 
09 campos o as matas, mas entra, ás vezes, ate nas ca«<as. A 
mordedura mata dentro de ii4 hora*. A Çucuriyha^ de cujo ta- 
mnnbo e força &(^ pode fazer uma idfia pela capacidade de matar 
o boi 6 a onça, habita perto dos no* Tietê e Amazonas. K&o 
pensava que nas minha-í viagens chegasse a ('Cr este monstro 
horrível, que laras vezes é encontrado na TÍzinhança das es- 
tradas publicas, mas qua-;i SBrnpre no iiitTior das matas ribeiri- 
nhas, porquft a sua natureza Ibe permitte viver ii^aírua como em 
terra, potem, casualcnente. vi um numa daa volta a do rio Tietê, 
cujas margens tinham u'a mata denr-a e impenetrável, talvea 
nunca percorrida por gente. O anima) era de cor parda com 
pel!e escamosa e brilhaiit^, cabnça chata mas redonda e munida 
de dois írraiidea olhos verdes boca hirga, uma fileira de dentei 
largos 6 ImíTira grande, nAo birurcnda. Estava dormindo e sem 
força de moverse em conseqUfTicia de uma refeição demnf^iada 
de um boi bravo- Eatica^a no chíVo com a larga cabeça refjou- 
sando na relva á soiabra dr um arbustOj a cauda estava enrolada 
conforme o costutne àn% cobras. O >eu ronco despertou a atten* 
ção doa negros que, aliás, tem certa facilidade para descobrir 
taes cf>ma^, corno cobras, passarris e outros animaei. Pararam 
iii. mediatamente e gritaram; «bicbot! o que dignifica tanto uma 
minhoca como uma cobra de 20 pés, porém dós continuamos a 
marcha atè ouvirmos gritarem: «grande bicho», o que desper- 
t^iu a nossa attcnçfta e curiosidade. Que aquelle que nunca viu 
tal monstro julgue da nos^a sensaçiio ao descobrirmos este. Ti- 
vemos muito tempo para examinal-o, porque nem o barulho 
dos nossos cavalloi ou burros conseguia accordal-o e como 



{ 



♦ 



t&ifít Dút edtâyAtnoB tòm espingardai, ch6n;ainofl perto e en-» 
TUimí»i-lhe uma dussià de baía» no corpo, o que foi repetido. 
á etbeçA foi attingida primfirot mas niog-tiemi nem os ne» 
grot que muitas vexiss se defendem com faca contra aa on- 
çit, tiveram coragem de se approxímar. O corpo torceu- ae 
«nmilfiivjuneQie, encolbeu-Bô. brilhando em varias cores e o 
iiQpe sabia da i-abeça. Fionlmeute foi morto 4 pedrada;^. 
Oi mgroê receberam ordem para Ibe tirar o couro, e ioi peua 
ftie & eabeça eãtív^âie totatm^^nle eí^mairada & n&o pude&iie 
Mf eonservada. O coaro, qoe tiuba 30 pés de comprimento e 
6,5 de largura, estava faradi em yurios log-areâ e foi me oâe* 
tecidio. Perto do logar desta caçada encnntrtimoa depois os rectos 
de nrn boi novo que a cobra matai a e que agora e&tnvam co- 
bertos de uma baba escura com myriadpá de mo&cas. Conforme 
diísemm-me, e^ta Boa nuni'a ataca a ^^inte e, qnando está com 
foQie, iobe a uma aryore onde se eâvonde t*ntrc as folbas pAra 
eipiAT os animnes que passam e que elLa matii do seg^uíuto mt^do: 
CAm & cauda enroscada jf^ga o corpo 8< bre o stiimal que eíco- 
Ib«a e fto redor do qual iMiIeia o restu do seu corpOj apertando as 
roíca* tadi» vez iiií-i^ atè moer os rs&fis. Com aã fauces aKtrtat 
fttíica então o animal fiinda vÍvo, su^ando-lhe primfiroo enngue 
t^do^ para depois erg^olir a êuíi victima, Á lefeiçÃo c t-empre 
thfí copiosa, qiie depois òfeo pode mover-8e e precisa repoU' 
Mri escolhendo para isso nm lí^gar perto de um no, onde è 
facil e-capar e onde ha frí-sca agradável. Este animal differe 
dl Bm consiricior que é ma or e ufto tem pseauiftíi na pelle 
A bdicininga, o ibibiboca ou cobia cf^al, bciquatíara e a boi- 
ÇfKLJiai;» eào cobra» que apparecem ei^ fcinlmeiíte no tempo 
do calor. 

O remédio tnais commum contra nã mordedura^i de cobra é 

deitar um negro chupar o Ingar mi rdído, o que elle faz do ae- 

e"í»t« modo: começa por mascar bastante teni[)n um pedíiço de 

fumo e em seg:nida susrnr, cuspindo fòa o quo tira da ferida; 

depois faz -se uma mistura de fumo e ap^ua qmí se dejta no In^.u" 

offeudído, mudando duas veze* pnr dia. Esto remédio que a 

I ^i[*rien/.'i» provou ser melhor, devia ser expenmentudo em outros 

I p«í«eí, fí ali bouvess* facilidade de t^r su «^adores como no 

' Braiil De amphibios encotttram-se nos rios dn o. Pauli^ o eai- 

I nifln, o jacaré e a capivara Um pequeno bgarto e encontrado 

pfsr toda a parte na^ casas. A p parece especsalinunte de tarde e, 

tfto innocente quanto frio, é por todort protei^ido, purque caça e 

mata oa mosquitos molesiadores E' um divertimento em S 

Psolo, de manha cedo, na cnma, observar esta caçada êt.!'re o 

OMwquiteiro e muitas vezes rigosijei-me da matan<ja destes m~ 

•ectofi odiados. 

Por toda a parte ha aranhas de tamanho descommutml, 
Termelhas, pardas, varieg^adaa e pelludas, entre as quaes a Sphaex 
coertdm é baitante vulgar, E^ comente durante as horaa mais 



- 304 — 

queDtPB dos dias de verão que uma espécie de aranba grande, 
extremaniente fria, apparece. Desta aranha emana um cheiro 
fétido que envenei^a as bebidas e mata com frio fxce^Bivo e 
tremor. Ha pouco tHm(>o, felizmente, achou -se no vinho um 
antídoto certo e ai^radavel rontra este veneno. De escorpiôtts 
ha um frenero pequeno e especial chamado «boiquiba>, cuja 
picada n:io niMta, mas ])r()voca uma dôr quo jasí>a tvdo co- 
nhecido e persist'^ durante 24 horas. Do género Scolopendra 
ha varias espécies, differentes ua fóima e tamanho. Uma deJlas. 
pr<*ta e com cabeça vermelha e pelluda, é um eicellente Ve- 
nerium quando posto «obre as partes ofenitaes, o que os índios 
p, outra>* classes no Brasil bem sabeoi. Acredita-se que, usado 
C' m frequência, causa feridas ulcerosas que chegam a determinar 
a queda das partes, mas is o, sem duvida, provêm antes dos 
Lubs venérea 

De formigas ha tantíis espécies differentes em S. Paulo e 
no Brasil, e a sua historia é tão complicada e íntefressante que 
aqui nào pôde ser o logar d^ as descrever e sfto todas tidas 
como uma das pragas do paiz h com just^a razào. A formiga 
maior e mais de.vastadora chamn-se «içá» e tem três quaitcs 
de pollegada. de côr vermelha e, no tocar-Fe, ella deixa um 
cheiro quasi de Imào. Ella mora « ni subterrâneos com canaes 
de um a dois metros de comprimento correndo eoi zigue-zague 
e com c«sas ou jardins na vizinhança, onde se propaga piodi- 
giopamente. Nfto se conhece contra ella outro remédio que nào o 
de destruir a sua habita^Ao com agua e cavando, principalmente 
no mes de setembro, quando os filhos est&o para sahir. A vida e 
o trabalho incomprehen^iveis deNte pequeno insecto sào admi- 
ráveis, e.-pecialmente qti?indo se observa como se dividem no 
trabalho de corrar p ex. o anan«z O biaxileiro distingue 
então entre, cortadora e carregadora, das quaes a primeira corta 
as plantas e a segunda as carrega. Encontram -se, porém, muitas 
vezes no caminho com umas p»'quena8 formigas pretas, que nào 
têm a mesma força. m;(S que cortam as ]>erua8 das grandes e 
lhes roubam a carga, naturalm^^nte pagando isso com a vida de 
muitas da>4 suas, porque a içá nào larga sem defender-se até o 
ultimo. \ içá tem uma vitalidade extraordinária. Mordido de 
uma içá no dedo até sahir sangue, cortei-lhe a cabeça com um 
canivete, mas nem assim ella h^rgou durante 11 minutfs, ron- 
tinuando a mover as antenna^^ e os olhos Fiz a mesma expe- 
riência com outras e o resultado era sempre o mesn o. O uuico 
meio de impedir a sua invasuo nos jardins é com pequenos 
canaes cheios de a?ua que nào ])odem atravessar. Em S. P*«iilo 
ha ainda uma outra espécie pequena e com azas, contra as quaes 
este meio nfio serve, mas síio, felizmente, raras. 

O cuj)itn é uma pequena formiga branca que somente é 
encontrada entre papeis e nas bibliotliecas, onde exerce o Ueu 
instincto destruidor, propagando-se de um modo incrível. VÍ na 



- 305 — 

Biblíotbeea Real do Rio de Janeiro os fragmentos de ura volume 
em folio, qnts o bibUoth'^carii> Asseg-urou-me ter sido destruído 
em poucos dias, junto com a maior parte da capa e é certo que 
milbares de volumes estavam mais ou menos estragados. Elias 
se destroem a t^i m>^«mas quando se introiuK nos ninhos delias 
uma massa de farinba, ars^mico e assucar, que as torna loucas, 
roa'! nfto as mata. Acreditasse ser o grude do encadernador 
que attr.ibe os cupins para as livrarias e é por isso que mistura- 
se boje arsénico n^ste grude. Estas formigas só existem no Brasil. 

Os {lassaros sà>em numero extraordinário e nào ha menos 
de cem espécies de papagaios dos quaes as araras sào as maio- 
res e qoasi do tamanbo de um gallo cap&o com uma cauda de 
raeio covado: a avestruz, a pica paradifiiaca. o irochilus mi- 
nirnus e o tbis sào também muito lindos . De aves de rapina o 
falco harpyia e o vuliur gryphiis sào os mais curiosos pela 
propriedade de se domesticarem para a caça de outros pássaros; 
a anha na, cuja tos é a do um burro, e a marreca, uma esiiecie 
de palmipede que n&o pode voar nem andar, somente nadar, sAo 
os mais raros. 

De galUnaceos ba em S. Paulo, além de perdizes e faisões, 
que e'n tamanbo sào menores do que os europeus, a jamperna, 
o jaeú, grande como um peru, o mutum e o macucn, que todos 
B&o saborosos e, apanbados novos, facilmente se criam e engor- 
dam como gallinbas. Dois jacus domesticados que conduzi 
por mais de 20 legaaa a cavallo, foram victimados por um gato 
a bordo, n-i viagem para a Europa. 

Lembro -me também de uma espécie de gallo, chamado «gallo 
musico», que tem a propriedade do prolongar uma das notas 
do seu canto por 1 a 2 minutos e que é muito estimado. De 
▼ista parece-se muito com os nossos gallos, é porem maior e raras 
s&o as ca «as que nào tem um gallo destes no quintal e dentro 
da casa um par de p<ip'ígaio3 que pairam ás vezes até uma meia 
dmzia de palavras principalmente na casa dos indi^enas. E' inte- 
rc^Siiante notar que os papagaios têm certa predilecção ])elos ne- 
gares e acottumam-se melhor com elles do que com os brancos ; 
os papagaios mai^ palradores sào educados por negros. Na Aírica 
seria fácil explicar isso, mas no Brasil, ondo a maioria dos ha- 
bitantes sào brancos, é menos comprehensivel. 

As matas de S. Paulo jiroduzem grandes o cxcelloutes ma- 
deiras que, quasi todas, têm conservado os seus nomes indígenas. 
Muitas têm uma gomina aromática e são consideradas as melho- 
res. O vinbatico é estimado por sua belleza, o cedro por sua 
força, a peroba por seu tamanho c dureza, sorvindo para canoas ; 
a jacarandá ou páo rosa de côr preta e amarella, a S. Sebastião 
de Arruia, cabiuna, jaracatão, ubatão, candurú e varias espécies 
de palmeiras, das quaes a iri é a mais notável ])or sua elastici- 
dade, e o pAo d'alho que tem o cheiro effectivo de alho P^ara 
oOBStraoçdot navaes a natureza nào deu melhores madeiras á 




— 306 — 

nação nenhuma do mundo e contam-ae maia de í(0,000 leguaa 
geog-raphicaB quadradaa cobertas delias, 

Êtn relaçào ao reino vegetal ^ aó po^BO mencionar && plantai 
maia commuDS^ dag qi]»eii a mandioca occiípa o primeiro Jog&r. 
Tem uma raÍ2 de um pé de comprimento e 5 a € pfiilegadaa d« 
grossura e um caule de um metro ou mais acima do chào. EU» 
é venetiofa, tHuto nova como eecca^ n^eirns para ob poicoe e é 
reduzida á farinha do se^niTite modo i Depois de arrancnda da 
terra é ella bem lavada, di^^cascada e ralada num ralo piçprio e 
a massa calLicada numa preusa que Ibe tira todo o sueco, depoit 
do que é eppalLada áobre um forno ãa cobre de 4 a 5 pés de 
dtanietro, Emqua&to estiver no Íqvho é conEtantemente reme- 
xida até evaporar- SC toda a humidade e, uma ve7i bem tecca, 
está prompta a £yrinba que, si deve ser mais fina é ainda pi- 
lada num pil&o. Guardada da humidade, esta farinba se con- 
serva por muito tempo e é muito nutritiva por caufa da tua 
propriedade gelntinoiía. Misturada com cm Ido de carne é mui 
laboroia ô eicellenle paia longa* viag-ens. O sueco, que sflbe 
da mandioca prensada, mata os porcos, apesar de^te^ poderem 
comer a raiz mm perijro. Eacontra-ae lambem uma ee[iecie de 
mandioca brava chamada caipi» e que tem o gosto da castanha. 
O inhame merece o logar defois da mfindioca c serve ccmo a 
Katata ; é farinbeuta e chega » t^r um diameiro de 5 pés, com 
casca parda escura, Conaerv/i-ae duranle gemanas no mar e é 
muito estimada pelos europeus, A banana é a Bobremeia pre* 
ferida do3 brasilpiios; tAo nutritiva quanto «saborosa, constitue 
e!la a comida principal dos negros, junto com a mandioca. O 
milho, emfiregddo como forríigem, © o arroz são ot productí'B 
mnis commiiuâ e ricos do paiz. O primeiro dá 120 pttr um, 
e tem e^piga-j cora mais d© 300 grâoa, O ananasn — Ananás 
BromeUa — , ansim chfimado por Plamier era honra do untura- 
Lata stieco OlaVtí Oromelim qtie nasceu em Orehro em 163Í*, 
ufio é tào gostoso como o da Buro]»a, mas os ]íequeno& limõt?s 
Eâ laranjnfi as uvai, os cocos, o maracujá- a manga, © a incom- 
parnvel goiaba que é emprcírada para doce, ex}>ortado em forma 
de queijo, sSo verdadeiras gulodices de S, Paulo, Ha muitas 
espécies de Mimosa, chamadas «Joqu^ri», que ornam os jardins^ 
A Copaifera officinalia é muito commum e o seu bálsamo, que 
sabe do tronco ferido, c apanhado em vasillias largas e empre- 
gado contra moleBtiaa ©itornaa. Da Gwrfuana fmprcga-«c n 
casca para tingir de amarei lo e da Irepad^^ira cimmnda «emby» 
fiiis-se ]>equeuAs Cordas. O mangne cresce nas margens dos rios 
o ribeiras e as eu»í raizos h© es pai liam por baixo do chão, d*i 
onde m pontas sabem de novo: a sua casca serve para coilumo 
por cau&a do it*r adÈtringente, A sajnicaia *em umit liucla cu- 
riosa. Assemolba-so a uma marmita com liimjia loineadn, d^oiide 
ella pende, abnndo-£e ua maturação deix&udo escapará sementes, 
que se parecem com castanhas e sfto d© agradável aabor. O pro* 




- 30T ^ 

prío (rttctõ è áuTo como pedra e contem geral misD to mait 50 }>e- 
quenoB fractos. Iba é nroa espccie de piulieiro que cresce até 
mna altura descommnnal, com a copa sobre um (ronco direito e, 
segundo Liiuié, existe aomeu te ua capitau:a d« S. Paulo. Ãft 
fructaa £ào compridas f muuidas de casca da cor da ca^Uúba e, 
como ella^ nho absadaã no fogo e comidas em aobremcaa. Em 
mtátoa centos t*htko ellas unidas, formando utim bolla det bonito 
asppcto que se seeca para separa- aa caãtauba^. O cipó (Viola 
Ipecacitanka) , a canell i brntica, a gengtvre, o tameriticiro, aja* 
lapa c muit&i ^mtnts plantas quó pertencem n pbarmítcia, exis- 
tem por toda a parte, mas^ como a agricultura, Bho para »erem 
aprovertadaa {)6la« gerações futuras, 

AS RENDAS DA COROA fíO BRASIL 



1-*. Uma quinto parte de todo o ouro extrobido, o que^ 
inchando as mina& da governo, dá uma renda con&íderavel, que 
para o aiino de 1812 foi calculada em 135 arrobas a 32 Jíbraa 
a arroba, ou 6640 marcos ouro de 16 lOd por marco, 

2.". 15 */^ de todas as mercAdorias importadas. 

B'. 5 ■/* <ic< tudo exportado, 

4,*, IO V.t (ie toda a producçÃo do paízi o que perfa2 uma 
somma con^IderavoL Calcula- se por exemplo a renda annual de 
counvs produzidos uo Rio Grande em B3 contos e em 66 contos 
a do assuciír e do al^^^odão exp^^rtados somenrc da Babia. 

5,^ Aé indulte ticim que resultam do arrt^ndamento a par^ 
ticalarfi» do direit» de cobrMr impostos 

6/. U«'ndas da alfandega de tudo quanto entra para o dia- 
tricto da»? raínss e que se paga no Hí^gístro de Mstbias Barbosa 
oii PjirabibuQa á r&zko de 1$000 a arroba. 

7.^. Imposto ?-obre flscravoà no,vos qne^ per capita, ]íflgara 
lOIODO e no meâmo artigo comprphende-se um imposto sobre 
bois para o Rto de Janeiro, de dois terços de mil réis, 

8/. Grande renda das barreiras de todos os rios e pontes^ 
ou de pagam 4$Q00 de cada mula solta^ como, por exemplo, em 
Boroeaba. 

9A 10 réis cada libra de carne de vacca vendida no Rio 
de Janeiro; e£tâ arrendada por coutracto ao sr. Husiel, vice- 
consut da Inglaterra, 

10.^ Grandfl ronda do fumo, do sal e doi contrftctoa do 
pesca da baleia, e outras pescas, todoí arrendados a particulares. 

11.* lOIOOD cada pipa de aguardente que do iuterior vem 
ao Hlo para ser exportada 

12/ A nova taxa predial que deve render muito. 

1%' Grande renda bem calculada das piastrai espanholas 
que no Brasil valem 750 reis, man que o banco compra para 
repunb^r as moédaa de 3 patacas com as armai e diviea do pais 
« que eahem da casa da moeda com g valor de 960 rèi9, dando, 



— 308 — 

portanto, um lucro do 32 •/, ao Estado. Esta transformaç&o 
monetária faz que não valha a pena exportar prata do Brasil, 
siuão para os colleccionadores e a operação é tanto melhor 
quanto o paiz não possúc este metal. Serve até de avieo a 
outras nações para dar maior valor á sua moeda de prata, afira 
de prevenir uma exportação illicita e prejudicial. 

A renda dos diamantes e pedras precioFas não entra 
nestes cálculos porque é muito incerta. Acredita-se, porém, 
que seja egua^ a do urucii, marfim c toda espécie de madeira, 
tanto para a tinturaria como para trabalhos finos, avaliada em 
3 300 contos por anno. Os diamantes de proj^-iedade do piin- 
cipe-re<^ente são avaliados em 33 mil contos ou 6 mil toneis de 
ouro. Calculam-se as despesas da corte no Rio de Janeiro, pcir 
800 pessoas que ali recebem m natura as chamadas «rações», a 
um dobrão ou 16 pia^tras espanholas por dia, ou, em dinheiro, 
em 10 contos 240 mil réis por dia, o que, segundo o cambio 
notado em 1813, a 78 pence por mil réis (sendo de 67,5 pence 
ao par), perfaz a somma de 214.000 libras esterlinas. 

* 

As moedas do Brasil são a s seguintes : 

Ouro: O dobrão ou 40 patacas, ru 12$000, é uma moeda 
imaginaria, como em Portuí^al. Meio dobrão ou «Joanete», vale 
20 patacas ou 6$400 róis. é a moeda mais acceita e tem grande 
valor entre todas as nações do sul, sem que tenha melhor ouro 
do que as outras. 

moedas de 12 1/4 patacas ou 4^000 
» 6 1/4 » » 2ík000 
> 3 » » 1|000, ou 2 pintos. 

Prata: ^ patacas (piastrà espanhola) 24 vinténs ou 960 réit* 



Cobre 



A divisa da moeda brasileira é: Stab. subque. Sign. Nata 
(Stabile subque signo Nata scil. Monita.). Kepresenta uma es- 
phera com o trópico e no outro lado o busto do principe-regent^. 

* * 
As taxas dos ])ortos do Brasil são oguncs j)ara todos os navios, 
excepto para os navios de guerra c paquetes. Os portos prin 
cipaes são: Pernambuco, Bahia e Kio de Janeiro. Nos doii 
primeiros paga-se: 



2 

1 i)ataca 

1/2 » 
1/4 » 


16 
8 
4 
2 


» 
» 
» 
» 


» 640 
» 320 
» 160 
> 80 


» 
» 
» 
> 


r 2 vinténs ou 40 réis. 
1 vintém > 20 » 











— 809 — 



um, 



Bem 



Âo pratico para entrada e sahida 

Entrada e sahida. 

Âncomgem p<^r dia . 

O Patrico-mór por dia . 

O interprete todo o tempo 

6 gnardat a 3 patacas cada 

manutenç&o, por dia 
O g:iiarda-mór do tabaco 
O goarda-mór da alfandega 

a primeira despesa . 

Hiaria 

No Rio de Janeiro pagam-se: 

Entrada e sahida com prat 
Interprete, diária. 
Ancoragem «... 
2 guardas, diária. 
Primeira despesa no Rio 
Diárias 



CO 



7$000 
4$000 

1§000 

2$000 

5S760 
3s200 
1}!;280, 
17S840 
aif760 



portanto, 



2r>$600 
lAOOO 
1^000 
ISOOO 

25$600 
3S900 



* * 



Quando um navio tem de sahir da Suécia devia-se calcular 
bem o tempo melhor porque, fazendo isso, a casa armadora ganha 
pelo menos 6 meses na viagem de ida e volta, 8em contar a 
eommodidade para o navio e para a tri])oIação com um bom vento 
constante que permitte gosar as vantagens. E* bom lembrar-Be 
qae os ventos alizeos sopram de Norte a Sul de novembro até 
abril, mas de Sul a Norte de abril a novembro e que, ])ortanto, 
08 navios suecos em viagem, devem estar na altura da Ilha ^^u- 
deira no começo de novembro e não, como até agora tem feito, 
sahir da Suécia neste tempo. Os que &ahem dos portos do Báltico 
devem estar promptos para navegar no íim de agosto e os do Mar 
do Norte em setembro, sendo de esperar que estes mesmos na- 
vios, voltando do Rio de Janeiro, pudessem, no anno í>eguinte, 
e»tar de volta em junho com suas cargas. Todos que navegam 
para o Brasil deviam além disso, receber ordens de passar pelo 
curso norte, nào sómenie para terem mais agua, mas ]>ara evitarem 
alguma aportagem no canal e as despesas que isso acarreta. 



* 



O seguinte quadro dá a latitude 
cipaes cabos e lagares do Brasil. 



Cidade Belém no* Rio Amazonas. 

Ponta de Tegioca 

Gidale Caheté 

Ilha S. Joio de Evangelista . 
nha Manmbfto 



e a longitude dos priu- 



LATITUDE 

Gr. M. S. 

30 
27 
36 
7 
32 



O — 
— 48 
— 46 
— 44 
— 43 



LONGITUDE 

Gr. M. S. 

i8 30 

8 

50 

14 

40 



-- SIO — 



LA7ITUDB LOMOtTtJDB 

Gr. M. S. Gr. M. 8. 

Hio Paraíba . 2 40 O — 41 20 O 

Sierra ..<..*,. 3 31 O — 38 23 O 

Cabo S. Roque, .,.,., 5 7 O — 36 15 D 

Rio Grand* , . , , , 5 17 O — 36 5 O 

Barra do Parabiba Norte .... tí 40 O — 35 30 O 

Cidade Olinda 8 2 O — 35 15 O 

Recife 8 14 O — B5 15 O 

Cabo S. AgOBtinlio 8 26 O — 35 15 O 

Bahia ou í5. Salvador 13 O O — 39 25 O 

Cabo S. Thomas 21 61 O — 40 49 O 

Cabo Frio . ...•-. 22 54 O — 41 35 O 

Rio de Jíiu-iro. ..... 22 54 O — 42 ^9 45 

liba Santa Catb iriím 27 40 O — 47 43 O 

# 

à ilba Ttittão da Cunlia que durante aeculoB dAo tem sido 

habitada, está a 23 gráofl latitude Bui, entre o Cabo da Boa 
Esperança tia Afriea e Rio da i^ata Da America do Sul, com 
tnaig du»« Hba^^Nightiogale e Ittaccei^sible, toda& situadas num 
clima êxcellentç, com veí5'*ítac:ao eitiberante, rica peíca de baleia 
UfLA 9uaa cobtaâ e graude tibundaDcia de }.)orcoB e de t!abrii» que» 
prfívavelmenie. toram ali desen^ barca do» jiot navio». Todas e^taí 
van ta^etifi, porê m nào puderam attrahír os habilaiiTes do Brasil, 
nem de outra parte da Ami^rica do Bui, a emigrarem pma esiaa 
bellas ilhaá, tiil?e2 porque onde estiiTam já tinham terra bas- 
tante pava cultivar. Estava reservado a um aventureiro norte- 
americano, chamado Roberto, tornar t^e conhecido pela occupaçâo 
dt ata ilha e, ha trea anno», de^>oi& de arranjar a protecção drt 
g^overnoB de Londres, Rio de Janeiro e dos Ei^tados Amencaoot, 
occupou-a de s4^-ciedade com um ex-allem&o de nome Sieyers. 

Parece que íbho promettia muita uliUdade aoi navios que 
ne&tas paragens estivessem neceBíifadne, raziU» porque as naçftea 
deram a sua protecção á en]preHa. Roberto pode logo aitrabir 
outros aventureiros á* s pal^çs próximos, alcançando o numero 
de 16 borne ns e 30 mulheres, iobre Oâ quae» elle deixru-se pro- 
clamar rei em 1812, com uorne de Roberto Primeiro, notííieaíidu 
ás futrai uações que os navios dellei, com retribuição modiea« 
podiam ser providos por elle com msntimentos, a^a etc. Im- 
mediatamente iaiciou varias cultuims como a de batatas e Je- 
^umeSf coni^trucç^o de um potto e um forte. De todos os navegan- 
tes recebeu elle provas de rratídão ede reconheclmetito ; barricas 
d^agua^ potes, apparelbos de lavoura, carretas, pequenos canhões 
etc. eram sempre presentes muito estimados peto novo rei^ Até 
o famoso navegador Pedro Heywood, almiran te do oavio inglês 



- 311 — 

cMontague», de 74 canhões, estacionado na America, fez ao Ro- 
berto uma visita pessoal e yiu-o diyidir-se entre a charrua e 
os cuidados da governança e, segundo o testemunho do sr. Hey- 
wood, a sua energia era de tanto maior valor, quanto elle era 
um homem nervoso, dotado de intelligencia perspicaz e inclina- 
ção para empresas arriscadas, como prova a sua decisão de po- 
voar uma ilha deserta e t-rear um abrigo aos navegantes naquella 
immensa extensào d'agua que separa a África da America. 

O rei Roberta morreu u anno pasmado debaixo do peso das 
fadigas, exactamente quando o sr. Sievers, que conheci pessoal- 
mente, no Rio de Janeiro, eslava occupado na negociaç&o de 
um empréstimo, afim de comprar uma escuna armada para defesa 
das costas de Tristão da Cunha. A p)imeira noticia da morte 
do soberano, o sr. Sievers apressou- t-e em voltar e apesar de 
ninguém conhecer o coti tracto que elle tinha com Roberto, é de 
suppor que elle se proclamasse succesbor. Certo é que em todas 
as occasiões . que o rei era mencionado, elle o chamava— The 
King my partner — o rei meu associado. 

Segundo tem sido garantido no sul, o código Roberto per- 
mittia a polygamia, o que talvez era antes uma necessidade po- 
litica do que consequência de principies. £m todo o caso, de- 
certo muitos desejariam s.r habitantes da ilha Tristão da Cunha* 



Juizado de Fora e Oavidoria de Itú 



O governador e capitão general Rr.drigo César de Menezes, 
em 28 de setembro de de 1722 dirigiu uma carta ao soberano 
português, na qual escreveu que na sua opinifto era «mui pre- 
ciso haver iia dita Villa de Outú Juiz de Fora e que e^te tenha 
jurisdicção na Villa de Sorocaba, fendo obrigado a repartir o 
tempo de sua assistência em uma e outra parte», e pel** Carta 
Regia de 17 de junho do anno seguinte lhe foi respc ndido que, 
depois de estarem bem estabelecidas as minas de Cuiabá e de 
per o seu rendimento certo e permanente, seria creado o logar 
de juiz de fora de Itú. 

Per esta mesma Carta Regia se ordenava outrosim ao go- 
vernador declarasse de que «moradores se compõe a dita Villa 
e as íreguezias que tem, e a terra que comprehende e se ha nella 
algum convento de religiosos para que, conforme a noticia, se 
possa tomar a resolução que fôr conveniente neste particular». 

As informações exigidas foram pret^tadas em carta de 18 de 
ag^osto de 1724 pelo governador, que affirmou se comporá villa 
«de oitocentos casaes, tendo sete legoas de districto, não tendo 
mais Igreja curada do que a Matriz, um Ccnvfuto de Religiosos 
Franciscanos, um hospício de terceiros de N. S. do Carmo e 
uma Igreja do Senhor Bom Jesus, e como está situada na barra 
do Rio onde desembarcam os mineiros que vem das minas de 
Cuiabá, e o concurso daqui por diante ser muito maior, le fietz 
preciso haver nella Juiz de Fora, não fazendo duvida o rendi- 
mento das ditas minas, por ser certo, do qual pode sabir o seu 
ordenado». 

Em vista do informe, foi, segundo communicaç&o feita ao 
governador da capitania pela Carta Regia de 12 de agosto de 
1726, mandado crear o logar de juiz de fora para a villa de Itú, 
sendo, para occupal-o, nomeado em 23 de março de 1727 o dr. 
Vicente Leite Ripado, que em 1720 era ouvidor geral do 
Maranhão e nesse caracter por officio de 13 de junho accnsou o 
governador Bernardo Pereira de Berredo de diversos factot 
escandalosos, sendo por este, a seu turno, accusado de excessos 
praticados cmtra os moradores. 

O dr. Leite Ripado, por carta de 13 de julho de 1729, re- 
presentou ao governo da metrópole pedindo a annexaçfto da villa 
de Sorocaba ao juizado de fora de Itú, a exemplo da reunião 



— 313 — 

da TÍlla de 8. Vicente ao jaizado de Santos, e tobre este seu 
pedido ai Cartas Regias de 25 de janeiro e 22 de abril de 1730 
mandaram qne o governador Caldeira Pimentel interpuzobse pa- 
recer ouvindo os officiaes da Gamara de Sorocaba. 

Elm 23 de abril de 1730 o governador e capitão general 
Caldeira Pimentel concedeu provisão de procurador de causas 
do jnizo geral da vil^a de Itú a Manuel St ares de Sousa, 
«attendendo ao que (este) «llegou e a informação que deu de 
■na intelligencia e caiiacidade o dr. V^icente Leite Ripado, Juiz 
de Fora da dita Villa». 

Na iecretaria do governo paulista se poz em 10 de abril 
de 1732 o ccumpra-ae» na carta de 27 de fevereiro do anno 
anterior, pela qual íôra nomeado juiz de fora de Itú o dk. An- 
tónio MoNTRiRO DE Matos, que tinha dado bra residência do 
logar, qne antes exercera, de juiz de fórn de Alenquer. 

Por provisão de 9 de março de 1731 pe fixou o ordenado 
annual de SOOjjOOO que devia elle vencer, tendo assim no or- 
denado um accre»cimo de 50$000 sobre o que vencia seu ante- 
cessor Leite Ripado, e por outra ])rovisão de 4 de abril do 
mesmo anno se lhe deram 200^000 de ajuda de custo, tendo lhe 
sido feito mercê, por provisão de 17 de março, do officio de 
Priivedor das fazendas dos defuntos e ausentes, capellas e re- 
síduos da villa de Itú. 

 este juiz de fora escreveu em 29 de dezembro de 1732 o 
Conde de Sarzedas, governador e capitão general da Capitania, 
ordenando fizesse toda a diligencia possivel não &ó para evitar 
a pratica contra a guerra j os geniios ja agufiz e a todos os 
mais bárbaros, que infe>tavam o caminho e minas de Cuiabá, 
eomo também pa>a que fossem castigados com a severidade, que 
merecia tão grande delicio, os que por elle deviam responder. 

Outra carta escreveu Sarzedas em 14 de janeiro de 1733 ao 
mesmo juiz de fora, mas desta feita para lhe fazer diversas ex- 
probações e entre ellas a de que havendo na capitania vinte o 
tantas villas, todas se conservavam em uma paz universal com 
excepção apenas de Itú, onde se não a experimentava. 

Tendo chegado ao conhecimento do soberano que na capi- 
tania de S. Paulo se tinham introduzido cunhos falsos com que 
se marcavam as barras de ouro, ordenou elle por carta de 15 ds 
maio de 1733 ao governador que nomeasl^e o ministro de maior 
capacidade que houvesse em seu goveino }>ara tirar logo devassa 
de todas as pessoas que tinham fundido ouro, ou ucado de cu- 
nhos falsos para marcar as barras ou folhetos sfm ^crem quin- 
tados, as pronunciar, prender e remetter ]>/tra a cadêa de Lisboa, 
enviando a devassa para a Secretaaia dn Estado e a conservando 
em aberto para se continuar. 

Resolveu o mouarcha, p( sterioi-mente, que a devassa com- 
prehendesse também os crimes de levantar casa de moeda, fazer 
moeda fidsa, cercear ou diminuir a verdadeirsi, e iucumbiu de 




— 314 — 

continuar a dita devasfa, lhe sendo sBta remettída pelo miQiBtro 
que delia ao achasse encarregando, ao dr. Braz do Valle, que 
vinha ^lara a capitania de Minae na qualídâdi^ de juiz do fiseo 
e que, tnaís tarde, foi nomeado por decretn da 28 de janeiro 
de 173G intendente de uma dai» cinco intendí-nciaB de Mitias 
C^era^s que lhe ffisse designada pelo respectivo governador j e, 
ainda depois, fez parte da Casa da Supf»licaçAo de Lisboa, da 
qual fui nomeado desembargador em 1748* 

Esta resolução do soberano português foi commnn içada ao 
pfovernador Saraedas por carta de -^0 de outubro de 1733, e da 
devassa sobre cunho falso, emquanto não chegafise de Minae 
Geraea o dr. Braz do Vatle, a quem fora con liada ti referida 
díliiçenciaf foi por uma portaria de 3 de dezembro de 1734 in- 
cumbido o juiz de fora de Itú dr. António Monteiro de Matos. 

Na jnnia, que ée realizou em S. Paulo ao^ 25 de abril de 
1735, para se estudar e propor o melhor modo de conservar e 
augmentar as minas de Goiaz, tomou parte este juiz a cujo 
respeito se externou Sarzedas na informaçi^O} prestada a 9 de 
maio de 1735 &obre os milttare«, ministros e mais cfficiaes da 
capitania, escrevendo que cO Juiz de Fora da Yilla de Itú tem 
mostrado na sua capacidade e letras que é digno do todo o bom 
accreãctntamento, e o bom conceito que delle faço me obrigou 
encarreg£<l-o da deva$-sa, que se continua em aberto nesta Ca- 
pital sobre a extracçÃo do ouro em p6, barras falsas e cercea- 
mento da moeda verdadeira*. 

Egualmente honroso é o tópico da carta de 24 de março de 
1734, na qual Sarzcdas aftirma, referiudo-te expressamente ao 
dr. Monteiro de Matos, serem mal empregadas suas lotras no 
logar de juiz de fora de Itú, onde o clima o tratava muito mal, 
como honrosos sào ns termos da portaria jiela qual foi conimis- 
sionado para tirar a devassa sobre cunho falso e na qual dizia 
Sarzedas estar no conhecimento das leiras, capacidade e zelo 
com QUe elle 9« desempenhava dos deveres do cargo do juiz de 
fora de Itú 

O governador Conde de Sarzedas na villa de Santos aos 3 
de junho de 17â5 deferiu juramento e deu posse do cargo de 
provedor das fazendas dos defuntos e ausentes da villn de Itn ao 
dr Joio Nobre Pbreira, que para tal cargo fora n' meado por 
despacho da Mesa de Consciência e Ordens de 4 de junho de 1734, 
como pela resolução regia de 6 de março e carta de 10 de dezem- 
bro do mesmo anno fora nomeado jaiz de fora da vi Ela mencioDada. 

Teve o dr. Nobre Pereira pela portaria de IO de dezembro 
do anno de sua referida nomeação 200^00 rs. de ajuda de 
custo, e por outras duas expedidas quatro dias depois se lhe 
arbitrou a aposentadoria em 60$000 rs. em cada anno e bO lhe 
fixou o ordenado annual em 300$000 i-s. 

Âs relações deste juiz de fora com o governador Sarzedaa 
nào foram Úo amistosas como as de seu antecessor ; pois em 12 




— âir* — 

de ãeztmhTo de 1735, tm 17 e 22 de jaaeiro do anno 8eg:tiíiitd 

Santedas lhe dirig-iu cArtâs o cfuaurando por ter posto o «cura- 
pra-«e* em om despacho do governador, por tetlavratto um auto 
contra o coronel rftjíente da viDae por ampliar a sua jtiri&dicçáo 
e diminuir a doB militares i partici[i^Ai]do que ordeoára ao coro- 
nel regente á&o lhe desse sjudn militar para a$ dili^fucjas de 
justiça Bem que prec«desBe pedido e advertindo que, 6e conti- 
oiiBafte o juiz a assim proceder, na conta annual sobre o procedi- 
mento doâ magistrados elle faria prés pinte ao soberano querer o 
jaiz alterar tudo quanto «e achava disposto pelo dito Senhor, 
para que esre determinasse o que houvesse j>or bem, 

Ã' carta de 12 de dezembro, escrif^ta por SsrssedaSf deu o dr. 
JoAo N^obre Pereira prompta resposta mostrando, a correcçHo do 
«éu acto quanto ao «cumpra^ses increpado ; dizendo qye na villa 
não havia militares e, por i^so, ePe oão podia pretender dimi^ 
niiir a jari»dicrçã<« delles, affirmaodo que nãn pediria ao coronel 
regente da yilla ou a qualquer outro official de ordenança ajuda 
militar para a^ diUgenciaa, porq^ie os officíaes de ordenanças não 
B&o militares e sim aubalternos delle juiz, e accrescentando que 
o governador podia dar a S. ^fajestade a respeito delle juiz a 
eoQta que bem lhe parecesse a elle governador, pois estava certo 
que si para ente t*ffeito o governador ae infurma&se de pessoa» 
tidedígnas nào poderia elle juis ter maior credito que a ínfor- 
mação do próprio governador, 

O Conde de Sarzedas, considerando incívil a resposta, que 
lhe deu o juiz de fora, instruiu com ella unta long^a aecnsaçào 
qiie por carta de 4 de feve-eiro de 1736 fe^ junto ao governo 
de Lishoa contra o dr. Nobre Pereira e na qual dizia «serem pou^ 
cas as esperanças de servir bem quem chega a fomentar ruínas 
dando armas prohjbidas para commetter delictos». 

Em vista da mencionada accusaçào foi expedida a Carta 
Regia de 26 de outubro de 1736 pela qual foi mandado advertir 
o dr. Nobre Pereira para que não procedesse pelo auto que formou 
contra o coron*"], nem impedisse a execução das ordens do go- 
vernador aos cabos das Ordenanças ;— se Ibe extranharam os dí- 
ver^of factos, de que foi accusado, — ae declarou que a carta do 
juiz nào era iocivil e estava muito nos termos do ne^^ccio,— e 
se dicidíu qne o jui^ de i ^ra tem jurisdicçào sobre ss Ordenan- 
ças e seus officiaes, nào Ih^) sendo, por issío, neceasario recorrer 
ao governador para proceder contra elles. 

Com provisão do governador para ser intendente e provedor 
da fazenda real chegou em 20 de janeiro de 1744 á^ minaâ do 
Mato Grosso o dr. João Nobre Pereira, que acabara de ser juis 
de fora de Itú, 

Em 24 de março de 1734 o governador e capitão general^ que 
estão administrava a capitania de S Pauto affirmou ao governo 
da metrópole não ser de nenhuma utilidade ao serviço real ha- 
ver juiz de fora em Itú e da Carta Kegia de 30 de dezembro 



— 316 - 

de 1735 se vê que pela resolução do Conselho Ultramarino de 
22 do referido mês e anno foi determinado que se extinguisse 
a judicatura de Itú e se creasse a de Guaratinguetá ; mas esta 
resolução não foi executada, tanto que não só em 27 de novem- 
bro de 1749 foi decretada a extincçào do logar de juiz de fora 
de Itú, seguramente porque elle não fora extincto pela resolução 
de 1735, como ainda o logar de juiz de fora de Guaratinguetá 
deveu sua creação ao Alvará de 9 de outubro de 1817. 

Foi, de facto, em virtude do decreto de 27 de novembro de 
1749 que a villa de Itú deixou de tor juiz de fora e a pro- 
pósito Pedro Taques, sobre informar em sua Nóbiliarchia Pau- 
listana que José do Amaral Gurgel foi o primeiro juiz ordinário 
do Itú, depois que se extinguiu «o caracter de juiz de fora na 
pessoa do DR. Theotonio da Silva Gusmão.*, ttsserta em &ua 
Historia da Capitania de 8 Vieente que o logar de juiz de 
fora de Itú se extinguiu no ai.no de 1750, quando o dr. Theo- 
tonio da Silva Gusmão deixou o exercicio desse cargo. 

O dr. Theotonio de Gusmão era paulista, segundo o affirma 
Azevedo Marques ; foi, por nomeação feita pelo governador Sar- 
zedas e por este a elle communicada em carta de 14 de setem- 
bro de 1735, Fiscal da Intendência das Minas de Goiaz, onde 
elle então se achava ; embarcou no porto de Áraritaguaba em 
companhia do Conde de Azambuja, primeiro governador nomea- 
do para a capitania de Mato Grosso, com destino a Cuiabá, 
onde chegou aos 11 de janeiro de 1751 e para onde foi na 
qualidade de juiz de fora da villa, que se havia de crear e que, 
de feito, foi erecta aos 19 de março de 1752 com o nome da 
villa de Mato Grosso, da qual foi elle o primeiro juiz de fora 
e o dr. Manoel Fangueiro Fracesto foi o segundo e ultimo 

O dr. Theotonio fundou em 1758 a aldêa ou missão de N. 
S. da Boa Viagem do Pará e «S Majestade lhe fez mercê, na 
afirmação de Nogueira Coelho, de que ahi fizesse um lopar de 
desembargador da Relação da Bahia com o ordenado de 600$000 rs.» 

Deixando a referida aldêa, passou o dr. Theotonio para o 
Estado do Pará 

Extincto o logar de juiz de fora de Itú. alguns ânuos de- 
pois se representou ao goveroo português pedindo sua restau- 
ração «para com esta medida se evitarem as prepotências de 
algumas familias daquella villa» e o referido governo em 5 de 
fevereiro de 1780 ordenou ao capitão general Martim Lopes 
Lobo de Saldanha informasse com seu parecer declarando se 
útil seria a creação de um juiz de fora em Itú, como já antiga- 
mente houvera, se eram reaes as desordens alludidas e quaes 
seus autores. 

Martim Lopes, cumprindo a ordem constante da carta que 
em 5 de fevereiro de 1780 lhe foi escripta pelo Secretario de 
Estado Martinho de Mello e Castro, informou em 9 de outubro 
do mesmo anno que, a seu ver, «a criação do dito Ministro se 



— 317 — 

&s inatil, primeiro porque sendo o ordenado diminato para este 
contineote, aonde quan todos vem mais com o ponto de vista 
da hirem ricos do qae servirem bem, se nugmenta esta despesa, 
n&o havendo fundo nesta capitania para pagar asactuaes. Se- 
gando, po^^qae, be S. Msj/ pretende evitar 8S hbsohitns da Villa 
de Itú com nm Juiz de Fora, será necessário criar ]>n a cada 
ama das mais villas outros sem elluintes ; e fallando a V. Ex. 
com a ciream8|iecç&o que devo, zelo e fi'ielidaHe com que sirvo 
a Sua MajA devo s-gurar-lhe que no tempo de meu governo 
não tem havido mais prepotoncihs que as fc^uggeridas polo Estado 
Ecclesiastico, sendo cabeça de todas o Bi8i)0 Dioce^an( » . 

Nào foi entfto nem depois restabelecido o juizado de fora 
de Itú, mas t»m 2 de dezembro de 1811 foi o-tn villa constituida 
cabeça de comarca, a que deu o nome e que c( mpiehendia a 
mesma villa e mais as de Sorocaba, S. Carlos, Mogi-mirim, 
Porto Feliz, Itapetininga, Itapova e Apiahi, com os rc^pectivo& 
termos. 

Um alvará de 2 de dezembro de 1811 creou na ca})itania 
de S. Paulo uma nova comarca comprebeudendo as villnn, com 
seus respectivos termos, de Itú, que ern a cabeça da comarca 
e lhe dava o nome, Sorocaba, 8. Cai los, Mogi-mirim, Porto 
Feliz, Itapetininga, Itapeva e Apiahi. 

Em 17 do ref''ridi» mês íoi nomeado ouvidor geral e corre- 
gedor dessa nova comarca, a ultima que foi creada nos tempos 
colouiaes em terra paulista, o dr. Mioubl Antoni ■ de Azevedo 
Veiga, que de abril de 1807 a princípios de 1813. quando tomou 
posse o novo ouvidor dr. d. Nuno Eugénio de Locio e Sciblz, 
exerceu egusl cargo na comarca de S. Paulo, de que foi des- 
membrada a de Itú. 

Attendendo a uma sua representação o governo geral houve 
por bem lhe conceder licença para que se casasse com pessoa 
apta, conforme reza o officio de 5 de março d« 1»17 do Conde 
da Barca, secretario de Estado, ao Conde de Palma, governador 
de S. Paulo. 

Obtida, como se vê, a necessária licença, o dr. Azevedo 
Veiga contrahiu nu< cias com d. Escolástica Joaquina de Barros, 
filha de António de Barros Pen tecido o do d. Maria de Paula 
Machado. 

Ao dr. Veiga i^uccedea na ouvido ia de Itú o dr. JoÃo i>k 
Mbobiros Gombs, que, tendo sido antes ouvidor e corregedor da 
comarca de Paranaguá, o foi, depois, cm 18:' 3, da coniarc«i de 
S. Paulo. 

O terceiro ouvidor da nova circuniscripçòo judiciaria foi o 
dr. António d» Almeida e Silva Fkicikk da Fonskca e esíe 
aos 28 de novembro de 1824 fez a erecção da villa da Franca 
do Imperador. 



— 318 - 

Foi o dr. Freire da Fonseca juiz de fora de Taubaté antes 
de ser nomeado ouvidor de Itú e, qaando juiz de fora, teve a 
iocumbeiicia de tirar uma devassa scbre a Bernarda de 23 de 
maio de 1822. 

Com os drs. Jo&o do Medeiros Gomes, Manoel Joaquim de 
Ornellas «> outros, foi o dr. Freire nomeado no dia 1 de dezem- 
bro de 1822, por occasiào de ser d. Prdro I sagrado e coroado 
imperador do Brasil, cavalleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro. 

Após o dr. Freire foi ouvidor e corregedor de Itú o dr. 
Francisco Lourenço db Frritas, paulista, natural de S. Se- 
bastião, nascido em 2 de janeiro de 1802 e formado cm leis na 
Universidade de Coimbra em 1824; 

Nomeado em 1825 para o logar de juiz de fora de Miuas 
Novas creado por alvará de 22 de janeiro de 1810, transferido 
em 1827 para o logar de juiz de fora de S. Sebastião, foi no- 
meado em 1829 ouvidor de Itú, e, tempos depois, juiz de direito 
de Santos, mas antes de entrar em exercicio foi removido para 
a comatca do Paraná e, não aceitando a remoção, ficou avulso 
até lhe ser de->ignada a comarca de Taubaté. Ficou novamente 
avuUo de 1855, quando foi removido pai-a Piratini, Rio Orande 
do Sul, e não aceitou a remoção, a 8 de julho de 1867, data 
esta em que lhe foi designada a comarca da Franca, onde admi- 
nistrou justiça até ser aposentado em 1873. 

O dr. Lourenço de Freitas casou-se em 1829 em S. Sebastião 
com d. Anna Leopoldina de Oliveira, filba de Manuel Gonçalves 
de Oliveira e de Anua Eufrosina de Sant^Ani a Lcpes e sexies 
neta de d. Simão de Toledo l^iza e sua muILer d. Maria Pedioso 
casad^^s em S. Paulo em 1640. 

O dr. Francisco Lourenço de Freitas foi deputado á As- 
sembleia Legislativa Provincial de S. Paulo na sétima legisla- 
tura (1846-47) e foi também o ultimo ouvidor de Itú, tendo 
exercido o cargo até a extincção do mesmo em virtude do Código 
de Processo Criminal. 

Alfrbdo db Tolbdo. 




os indígenas 



ENSAIO A|»£LE£i£NTADO AO IKSTIIUTO KH fiUA SKSSSÃO UB 20 
DB OUTUBRO DB 1907) 

Diapenso mf". de prc curar definir que aig^nifica o vocíibuln 
*™f^«rt£ij porque ^abe[n(>3 quo elfe è «pj^licadot entre uóa, pnra 
indicfii. oa habitantes bárbaros d i Ament^a, que foiíim irn|iro- 
P''tariiente detimnitindos tidfos, por algtina Anti{^ciB, pois quando 
«o citíscâbrja o Novo Mundjs penanvam ler dpsct+berto a índia. 
De on^e vietRrn o^ in-liíreivfts V 

Uís uma perg-ihita difficil de SBr rnsp udida Entretanto, 
Bobi-Q eate A-snmpto, existam laiUee tmbnlhos escriptos que dn- 
naru para 'ormar iima grandw biblintUecíiH 

BÍa«, paiA í^xplie;»!' como viecam Os indígenas aló a Ami^rica, 
nàn ^ noisn deixar de, primeiramente, remou tar-me, embora em 
"^^^ifa ginttjçse, á orí;^riin do homem 

E^ sabido que a esie reapa ito rxistem trrs opiniões, e, por- 
**nt<-> ti 66 te elevado t-^rreno scientificcv, o> sábios se dividem: de 
"^^ lado ilu-ítres sei en tintas d<' fendem e tusteutam a doutrina 
7^ t:>f>lyfíení&mrf, que é o syateraa dos que nttribuem ae ra^jas 
uurt>,^^^g íi djfforentR& tronc^^s primitivos, 

^* Frente doa p -lyg-eniataí, eritrf; muitos, rc destacam Moríoo, 
j^^^ , Líttié, Broca. A|jasMsi. e* aqui uo Brasil, o general Çfuto 
*** ^tagalhfies e o dr Silvio Roméro, 

O aubio Agaasis, emiuoute naturalista ^nisso. deu ao homem 
^^^T^ troncOá ; 1/ o polyiie^íio, 2.* o auatraliano. 3," o maliiio ou 
^ m\'^^* 4.* o hotteii'^ot6, 5/ o africano, 6/ o europeu, 7.* i> troo- 
goti^p ou flziaticoj 8,* u americano, 9.* o árctica 

Apesar disB*, porém, egse meimo i^abío nào hc^gitou cm ]iro- 

"^"^^tiiiar que *tudo no mundo foi feito por um Espirito aijte o 

qU¥%| Q hofuém nào pode beitào luunilbar-Be, para reconhecer, 

^^^y\ uma gratidfto íneflavel, aa prerogativas com que foi dotado, 

í^^^tTi da promesm de uma vída íutura». 

O geueral Goulo de MagalfaAes divide a humauidade em 4 

WOiicQp^ a saber; o preto, o amarcllo, o vermelho e o branco' 

E no seu oxcellente livro O Selvagem^ dÍ2 : 

«Como o Iroucõ uR^ro é o que melhor fupporta o calor: 

^^^0 a marcha dn planeta que habitamos tem sido do calor para 

o friO| e eomo todos ob phenomeuos vitaesíie ligam á marchada 

temperatura, o tronco negra parece que foi o priíoeiro croado, e 



— 320 — 

devia sei- o naqnella parte do globo onde, primeiro do qne em 
outras, a temperatura desceu ao grau que era compatível com o 
organismo do homem. 

«Pela mesma serie de comparações creio que o tronco ama- 
rello veiu depoi» do preto, o vermelho depois do amarello, e fi- 
nalmente o branco, que deve 8f>r conte nporaueo dos primeiros 
gelos, foi o ultimo. Julgo também •{ue, ua ordem do desappare- 
cimento, a natureza ha de pro.-eder pela mesma forma— o tronco 
pr**to ha dn de-ap parecer antes do amarello, e assim ^uccessiva- 
mente, até o branco. E^te ha de talvez, por sua ves, desapparecer 
também, no fim do período geológico de que somos contempo- 
raupo-? para, quem SHbc. dar luçarao apparecimento duma outra 
humanidade, tanto mais perfeita e tAo distante da actual, quan- 
to esta o è dos grandes qua irumanos antropomorphos que che- 
garam até nossos dias». 

D() outro lado está Lamarck, com a theoría do transformis- 
?«o, completada pela selecção natural de Darwin, que se funda 
no «8trngj>le for life». 

E ain-la temos os pirtidarios do monogeiíismOt que è o pys- 
tema antropologiiio que considera t^tdos os homens provenientes 
de um só tronco, ou de uma só origem. Sfto elles n sábio antro* 
pologo francez Quatrefages, o notável scientis ta inglez Pritchard, 
o grande Buffon, o po.ular Luiz Piguier, no seu livro muito 
conhecido UHom-ne primitif. Perdinand de Lanoye, e, entre nós, 
João Mendes de Almeida e Américo Brasiliense. 

De Lanoye, il lustre antropologista francez, na sua obra pos- 
thuma o Homem selvagem, diz : 

€A* Sciencia social, que estabelece a unidade de fim para a 
humanidade, não pode admittir para Oi seus membros uma illo- 
gica pluralidade de orignin, cuja conã**quencia seria, para cada 
raça, unaa deâigualdade de ponto d^ paitída, de méritos a ad- 
quirir e de «acrificios a real>zar, na busca de um tuturo idêntico 
para todos». 

«Finalmente a hi.storÍA, que resume todos estes dados, não 
pode dispensar-í>e de os corroborar, com uma auctoridade cujo 
valor é permittido discutir, mas que se nào poderia recusar sem 
má fé; queremos falar* da^ tradicções ainda hoje espalhadas pela 
8U|terfície da terra. Ou sejam estudadas e sabiamente formuladas 
na base dos syst^ímas religioaos ou cosmo gouicos das nações 
primmro civilizadas, ou se caibam os mais grosseiros restos nas 
reminiscências balbuciadas pela^ tríbus mais selvagens, fica-se 
impressionado com a analogia de t dos esses velhos échos dos 
primeiros dias da existência do homen: é-se f« rçado a reconhe* 
ct^r a identidade dos seus testemunhos que, se elevando de todos 
08 pontos do globo, e de todos 01 d^^gráus da escala da civili* 
sacão concluem, como Buffm do alto do seu génio, como a ici- 



— 321 — 

eneia escapando ás hesitações dos prejuízos, como Cbristo mor- 
rendo pela fraternidade hnmana, na unidade de espécie de origem 
e de berço» • 

Creio ser excnsado dizer que, como catholico, e, portanto, 
baseado na fé, eu já era monogenista muiro antes que os meus 
estudos sobre esta questão viessem confirmar, de uma forma abso- 
luta, as minhas crenças a respeito da origem do homem; e assim 
sendo, sempre acceitei, como uma grande verdade, as palavras 
do Oenensi 

lU creatnt Deus hominem ad imaginem stiam : ad imaginem 
Dei creavit illum : masculam e fosminam creavit eos. 

N&o posso, pois, a propósito dessas doutrina?, deixar de sub- 
screver o que um illustre patrício nosso, Américo Brasilíense, 
dbse ntim seu valioso trabalho : 

c Ha ainda a theoria de Darwin, fundada sobre o principio 
da selecçãOt da lucta pela vida. Este naturalista desenvolveu 
com mais amplitude e sob nova face a doutrina pregada por 
Lamark. 

« Dadas estas noções geraes, cumpre- me dizer- vos que não 
tenho estudos pro^ndos e especiaes sobre a matéria, não posso 
poT isso fazer a critica das diversas opiniões Isto não obsta, 
porém a que, em resultado de ligeiros conhecimentos adquiridos 
eom a leitura de alguns trabalhos dos escriptores que tratam do 
ABiumpto, me declare pela unidade da espécie humana. Esta 
doutrina, apadrinhada por sábios de tão alta reputação coroo 
Cu vier, Humboldt, Quatrefages e outros, é a mesma eusinada pelo 
Oenesis. Diga-se muito embora que ha raças privilegiadas para 
melhor comprehenderem — uma a liberdade, como a saxonia ; 
outra a egualdade, como a latina; e outra a fraternidade como 
a slava, -eu n&o me afasto das crenças que nutro. Sendo as 
condições fundamentaes da natureza humana as mesmas cm todas 
BB raçiis, todas têm os mesmos altos destinos . Si umas caminham 
mais depressa e apresentam mais harmonioso desenvolvimento, 
e goiam de mais prospera existência, certamente estas phases 
differentes, que se observam, são devidas ao vieio, onde vivem ; 
nfto só ás influencias physicas, mas ás moracs e intellcctuae&que 
aa cercam. E* esta a doutrina que professo; e desde os pri- 
meiros tempos de minha mocidade aprendi a crAr que a intellí- 
l^encia é um raio de luz divina dado á humanidade, que a li- 
berdade é essencial cond ção de seu integral desenvolvimento, 
que todas as raças tendem á perfectibilidade, que não ha bênçãos 
para umas e maldições para outras >. 

 propósito da origem do homem fico aqui, porque este 
rápido estudo não comporta digressões maiores. Entretanto, não 
poidia deixar de, embora ligeiramente, tocar neste importante 
aasumpto, antes de referir- me ás hypotheses mais aceitas da 
yinda do homem para a America. 

♦ * « 




— 322 — 

Sendo g'eralraente apontada a Ásia cotqo "berço do género 

hamatio, é de suppor que, ao dar-ae a dispersAo doa povos*, dessa 
occasífto date a vifidf* dos priraeiroa homens para a America. 

A3 principaes hypothe^es explicando como as primeiras cor* 
rentes micrratorias vibram pp-ra e^ta parte do mundo, bão : 

1.*) Que Oi indígenas forara habitantes da ^nti^ra Átlan* 
tida, grande continente que hoje está prfvado que existiu, em 
épocas remotissicnaB, entre a Europa a África e a Ãmeriea, e 
que também, no dizer de alguna, povoou o Egypto. P«ili1ham 
eata opiniào os illastrea indianoÍog:o8 Brasseur de Bourbourg, 
Alcyde d^Orbig-ny, Hnmard, Don Henrique de Thoron ; e, entre 
nóâ| o venerando ^abio brasileiro, conexo Uljssee de tennafort, 
auetor de trabalhos monumentaoa, entre ellea o BrasU Pri-his- 

2/) Que 013 priraUivog habítmites da America vieram pelo 
Estreito de Behrintí, que tem poucas leg-uaa de comprimento. 
Walttco, citítdo por Cândido Costa, acredita que este Eetreito se 
fúfLOou durante a épocia quaternária, e que já existiu uma com- 
mtinicaçào, sem soluçào de continuidade, entro a Ásia e America. 

Mearao actualmente, por occasiâo do& rig-orosos iuverno» que 
costumam reinar naquellas p«Triij;ens, ca g:eloí que se formam 
dào paisagens a pedestres, de um continente a outro. 

S.*) Que os Indií^euaí vieram da Ásia, fazendo escalas pelas 
ilhas do Pacifico^ ou quiçá impellidos polas tenipe&tâdes mui 
comniuns nesao mar. E para documenta^fto deata hjpoibesR, 
ãlleiíam que ate hoje nao é laro appareceretu nas costas da ci- 
dade de â. PranciscDj juncos chinezes alli atirados pelas tim- 
pestades ; e atá apontam que, de 1782 a 1S76, quarenta e bov© 
embarcações chiuesiaã foram arrastadas peíao correntes do Japfto 
ás costas norte-aniftricanas, 

4.*) Que i. \\\ tempos idos a America era unida ao conti* 
ueate aaiatico o que a separação ^e deu por effeito de um gr&nda 
cataclysmo. 

5.*) Noutra hypothese, brilhantemente fornjulada e desen- 
volvida pelo dr. Francisco Flmtaz de Macedo, num erudito 
trabalho intitulado Furmaçtio geohgka das Américas^ que sahiu 
publicado em UíOO, em um numero especial da ejceJleotri reví&ta 
Bnisil^Portugait este Ecientista aventa a idéa de que todo* oa 
coutinenteã fossem unidos, mas que iormídaveia abalos gec lógi- 
cos os sepíiraram, deixiando-os como estão actnaln:ente. 

Acho oftta hypothese be n rasnavel, baaeíido em doufi uiappai 
que acompí^nbam o referido trabalho ; mas no que discordo deese 
illustre BcientLsta é quando elle dtz que «o homem deveu itp- 
parecer em different©-; pont' s do macísso, em vanos tractos de 
terrenos^ separados pela* fendas, quer de norte © sul, quer em 
ontroa aentidoSt dando 001 cada ponto do i^eu apparecimento ori- 
gem is bases das raças primitivas. ■ 



Vê-sa, pobf por este pequeno trecbo, que elle é partidário 
do poljgenismo, theoria qne ha pouco acabei de con] bater. 

Eiitendoí aim — e nào me couita que esta opinião já tenba 
■ido ennunGÍada— que, ai por ventura as partea do mundo foram 
uiiidaâ, a i^elebre Atlântida de Platão, que os antigo» affirmam 
ter Jesappareciio, motivado par um ^raade çatacliíiao, «ra a 
própria à merina <^u% 6m ve» de %umir-ser afuiidada nas a^uas 
do oceano iiameti^u, deaappareceu aitn, portem da? vistas dos 
primeiros earopeufi e africanos, sendo arredada yiolentameule 
centeuiis de leguat da velba Europa e da Afíica, ficando de 
permeio as aguas piofundas do Oceano Atlauu^o* 



De que povo descendem os indif^enas da América? 

E' difficil dar-se uma respoata eabal. 

Particularmente nÃo partilho esta ou aquetta opiniào a reS' 
peito de matéria tâo importante e, ao mesmo tempo, tilo contro- 
vertida; porém admittQ algumas hypotlie&es que nellas se contém. 

Está provado que os inHi^enns da America pertenciam a 
divcir^^aa raças, e, consequencialmente, descendem de difterentes 
povos* Qnatrefag:es é de opiníào * que o novo mundo fora po- 
voado por trat raças : amarella, branca e nt^^^ra. A laça branca 
habitava principalmente o noroeste, a amarella é ainda linje 
representada prjr d iff« rentes t ri bus, e a ncj^ra, pouco números a, 
occupava o i^tbmo de Panamá e a ilba de S. Vicente^ na en- 
trada da golpho do México^ > 

Eutre as innumeráà opiniões que podia cítar escolherei ape- 
nas algumas. 

Poâísuo nm exemplar de uma obra curiosisãima intitulada 
Ktpêranza fie Israel ^ eácripta por Menaaseh Ben Israel, iheologo 
e phtl -ãnpho hebrfui, em 1651, e vet'tida para o espanhol por 
SantiafíO Pete^ Junquera. Npste livro^ o autor, bflseado em 
profundos estudus que fez dn míitería e amparado prÍncí[íAl- 
mente em Montesinos, autor da^ Memorias antiga» da híMoría 
da Peru, affirma qae foi o povo hobicu qae povoou a America, 
em cujo interior ainda espera a vinda do Messias, a redempçfto 
das tribus e o domínio univeràal. E argumenta, citando trechos 
da Bíblia, cotejando os costume;», a religião, a linguagem e os 
monumentos em minas doj indígenas, e conclue affirmando a 
origem bebréa das trihus selvagens do novo mao(fo« 

O sabto indianolog-j D. Henrique Onfroy, visconde de 
Thoron, numa memoria monumental, publicada em 1876, prova 
exuberantemente qui^ qè povoá da aattguidade a mais remota 
conheciam a existência da Ameriíia ,* e raf^re-se a Platáo, que 
dizia existir atraz da celebre Altanttda um giande coutintínCe ; 
cita Diodoro da Sicilia, que, 45 annos antes de Cbristo, já em 
seus fucriptosi falava claramente da America, indicando seus rios 



— 324 — 

navegáveis, suas edificações sumptuosas e dizia que os pbenícioB 
descobriram esse continente ; aponta Aristóteles, descrevendo um 
paiz fértil, além do Atlântico; cita também Plutarcho que no 
^Tratado das manchas no orbe lunar» conta, abrangendo todo o 
occidente além d s columnas de Hercules, qtie o continente em 
qiie reinava Merope foi visitado por Hercules numa expedição 
que fez para oestes e que seus companheiros alli apuraram a 
lingua grega^ que começava a adulterar-se. «Ora, continua o 
Visconde de Thoron, os nossos estudos de philologia comparada, 
nos têm feito descobrir que a lingua quichua ou dos Antis da 
America equatorial e meridional, contem centenares de vocábulos 
gregos. Este facto confirma a viagem de Hercules a America.> 

Em resumo, este notável occidentnlista procura provar, ar- 
gumentando cora um enorme cabedal de conhecimentos, que na 
antiguidade, até a queda de Carthago, 146 annos antes de Christo, 
o oceano fora quasi sempre frequentado ; que a America era 
então conhecida dos povos navegantes ; e que a facilidade de 
communicaçòes sempre existiu entre os dous grandes continentes 
pelos ventos geraes e as correntes equatoriaes, cujo conhecimen- 
to possuiam os marinheiros phenicios. E termina affirmando e 
documenrjindo suas así-erçôes, que as terras de Ophir de Tnrs- 
chisch, bem corao Parvaim, logares celebres, de onde, Fegundo 
a Biblia, Salomão mandava suas frotas buscar ouros e pedrarias, 
se achavam situados perto do nospo rio Amazonas. 

D. Félix y Sobron, no seu interessante, porém deficiente 
trabalho Loa idiomas de la America Latina^ baseado na lingua- 
gem dos iudigenas, nas suas pyramides e nos seus hieroglyphos, 
entende que elles descendem dos egypcios e também dos hebreus. 
Eis o que elle escreve : 

« Vários de los que ai principio estudiaron los idiomas, no- 
taran desde luégo Ia semejanza de muchas vocês dei quichoa y 
otros longuaj^es con otras palabras dei hebreo. 

« Al^uno avanza hasta afirmar que con respecto á la lengua 
de las Antillas, principalmente de Cuba, ])odia darse por sentado 
que no era más qu« cl hebreo corrompido ; proposicion califica- 
da por muchos otros de muy exagerada. 

« Fero despues do los eruditos trabajos dei sábio baron de 
Uumboldt, apoyados en las curiosas investigacioncs de los 
P. P. Gaona, Olmos, Motolinia y otros que obtuvo y medito ; 
y despues de otros estúdios más modernos de etnólogo» euro- 
peos y americanos, está completamente demostrado que en casi 
todas ias Icnguas dei nuevo mundo existe la más perfecta ana- 
logia de infínidad de palabras de ellas con otras de las lengoas 
asiáticas». 

« Y como se verá en su respectivo legar, uno de los más 
eruditos literatos mejicanos no se limita á senalar la semejanza de 
mujos vocablos con varias palabras hebreas, sino que apunta la 
identidad de la frase en su construccion y rodeo en muchos casos». 



— 325 — 

Cliarleã Vímner^-L^Empire d&t /íjcoa - depoU de brilhante 
osiudo a respeito dos indígenas da America, conclue: * Que les 
habitantâ desceudent du-ectmeut des raceg adatiques, ludi^ane, 
Itido — CUinoiâft et Monguie » . 

O sábio iiaturaliBta Alexandre de Hnmholãi—Tahlaux dela 
<^?aí^i^€ — diz « qae ca jmvos occidoiitaeí do antigo continente 
tinbíiui tiio rolíivôea com n A«ia mnitob minos miles da chegada 
dos espanhoeã. A arialogia do^ calendários mexicanos, Uiibe- 
tanoB e japonexes^ das pyraioides de degraus, orientados com 
toda a exatídÂo, os mytbo» antigoi acerca das qualro edades, ou 
08 quatro catacly»mos do mundo, e a disper&ílo da raça humana 
depois do uma graude iaandação, «ão outros tautos mdicios tMn 
apoie desta crença. 

c O que se tem publicado, depoiâ do meu livro, tia Ingla- 
terra, Prjinça e Estado* Unidos, acerca daa esculpturas singulares, 
executada* qua^í em estylo indico, eneoutrudag tias ruiniis du 
Guatemala e Yucatan, dá iiiuda maior valor ás aiialo^^iaâ que 
eu iudleava, Oâ antigo^; monumentos da peninsula da Yucataii 
assombram, ainda mais qufi oa de Paleoque, pela cíviliaaçiio que 
revelam >. 

O uosso Domingos José Gojiçalveá de Magalhães, visconde 
dé Araguaia, no seu livro Opúsculos iíiiftoricos e LiUrarioHj 
eontradítando Varnbagen, que atacara os índigeuas» na sua 
opulenta Histotia do Btasilf pondera: 

< Infeliz rnen to, porém, as Bárbaros da Europa que aixiquila- 
ratEk o coloaâal impei io dos incaií; qut^ deavaggaram tantas cida* 
d*?s flottíscentes do México e do Peru, e tantos monumentoa des- 
truíram, com tão eitupida feioeldade nos roubaram as melhoreu 
paginas que noa podiam gaiar na pesquisa da untiguídade ame- 
ricana. Comtudo, á vista des^aa niiaas eloquentes de Cuscot 
*teaguanae , Utatlam, Tttlba, Tenochtitlam, Culhuacan e Tezxueo, 
êifta Athena» ameriL'ana, onde Summaríava, primeiro bispo do 
México, ínvejoío di gloria attribuida a Ornar, amontoou em uma 
pmví^ todoâ OH documentOi da. historia, da literatura e das artee, 
« to ioa oâ manoàcríptos, hieroglyphos e pinturas doa Aztequcs, 
e ergueu uma pyramidn que entrc^gou áa cbammaB; á vista desta 
multidão de cidudei, de canae»?, de jionteâ, de pyramides, do pa- 
pcjl de |jita, cartai goograpbicjts, *s diviíjili do ^nno em 36Ô dias, 
e dessa maravilhosa estrada de quínhenta& léguas de Cuaco a 
{JLiito, por entre moatanbas, talhada nas rochas, e guarnecidas 
de ar^en^e^, fortalezas, templo* o hospieios para os camitibantes; 
4 vigta dtHsaa gigantescas ruiiias descri ptas nor Garciksso, Hum- 
bildt, Kuig^borough e ouíroa viajantes; oocumentos íncoutes' 
taveii dti uma civilizjiçlio de caracter antigo e original, quo de- 
tmncia geraç&«ít» succi^saivas e séculos para ter chegado a esse 
pout^i de graudesca e esplendor; á vista de todos ei^ea factosi 
tjto faci! uos é suppor essa civil izat^ão anterior, como contem po- 
ranea da mais antiga civtli*/ação da índia e do Egypto ». 





— 326 — 

Jo&o MeodeB de Almeida, no seu eicel lente livro Notaê 
GrenmhfficaSy a respeito da orig-em da povoaçÃo da America^ diz .• 
«Tt?mOB por cousa provável que o continente da America 
meridional foi, era tempos de impossível averignaç&o, invadido 
por habitantes das ilhas da Oceania, mais próximos á costa 
Occidental. 

€ Basta comparar cb UifFS e os costumes dos povos dftqnella« 
ilhas com oa asos e os co&tiimeii do& índios da Àmeiica, Â 
tatuagem ou a npm-ai;.Ao de desenhar, por sulcos abertos na 
cútis, pintura» variegadas; (s enf^-ites de pennas; o fetiche do 
jardc verde ; a superstição lig^ada aos amuletos de ossos huma- 
nos ; o uso de uma massa de pedra, fixada ao puleo por um 
amarrilbo, com o <^ual esmigalbnvam, nos combates corpo a corpo 
o inimigo ; a maneira do fabricar, de um só madeiro ou de xm 
único troacO} embarcações de mais de sessenta pés de compri- 
mentrtj bem comn o modo de Qpre&tal-aa para a nsvegsçâo ; 
as danças, sempre alleg^oricas á guerra, a gacriiicios a fuuerae» í 
a fónna hierarijhica e electiva do governo ; e muitos outros 
signaeà ; tudo ia«;o fni euc-ntrado na America, especialmente na 
região entre o rio Amazonas e o rio da Pratflj etc» 

O &abio Barbosa Kodrig;ies, depois de provar pelo mnyrakitã 
«a única prova palpável que noa pode dizer alguma cousa» sobre 
a origem asiática dos itidigeaas, diz no seu notável trabalho 
O muifrakiiã e os iãolos sifníhúlicos: 

< Eíitudândo^ee a historia mythi^logica e autig^a da Ãsia, 
meditando -se sobre o Génesis, ouvindo-so a tradição e compa- 
rando-se tudn, deaapaijtouarjftmente, o que se encontra em ruinaa 
da Americíi, ou o que se descobre sepuhado petas terraR, ou 
conservado de geração em geraçào pelos pnvos, com religioso 
respeito, vê-ee que a origem dos selvagens da America é a 
meama daquelles que na Europa se prezam de ser de uma ori- 
gem differente. 

« A Ásia, pondo-se mesmo de parte a Bíblia, foi o berço 
da humanidíile- Foi delia que partiram os Aryanos, mas delk 
partiram também nutros povos, que esgalhados deram ramos que 
se esteuderam pelaâ cinco partes do mundo. Bi em algumas 
épocas emigraram grupos de um so sangue, em outras houve 
leva de cruzamentos com fsan^ue que mais se mesclava pelai 
uniões amigáveis, ou peks conquistas e pelo dominio. Os Cou- 
dras, do código de Mauon também emigraram. 

« Foram desses grupos cruzados que chegaram á America 
ou nella se cruzaram com outros anteriormente emigrados e dahi 
o mixto de costume» e de linguas. A grande distancia e o 
grande espaço para estabelecimentOj o tempo que levavam a che- 
gar e a se encoutrarcm os diíFereutes grupos, tudo originava 
modifi^açòes de co.^tumes e de línguas, da épochas diversas, na 
América, emquauto que na Europa os grupos tinham um pequeno 
espaço para se estabelecerem e menor o tempo para os encontros, 




— a27 — 



pôrquo menores eram au distaueias a vencer: dabí conservarem^ 

ee mai9 puroB os coattimos, avançarem a civilizado e a lir^gua<^ 

O muito erudito conexo Pennatoit, acceitando e «mpHando 
o» brilhíiiites estados do grande ocd d entalis ta, gr. Visconde de 
Tboron, cita no seu Brasil pre^ histórico in num eros v^^cabuloa 
tupÍA, âanskrítoB e gre^osi e, fazendo um estudo comjmrativo doh 
m^^moit conclúe : 

« Para mo&trar o parentesco da nossa formosa linj^ua brâaí' 
lena ou tap com as tre» ímportantfa línguas do mando: o ho* 
braico, o sa^iBkrito o o grego» são aufficientes as etymologÍHS que 
reproduzimos da longa uomenelutnra que temos já escolhido e 
faa m parte do nosso Lexicon tupi Cf mparadi*, O que ahi íica 
exharado vem corroborar o que affirniíunoB sobi-e o ciUEa menta daa 
nossit ratj^aft bra^ileiías com as outras ravíi*^ semitiras e ai^anaa. 
« Emquaiitn aoa Pelasgins e aos HeUmma tino ha duvida 
que elíes tinham sciencia de alguma terra ao oeçte do Oceano; 
6 segundo a tradivâi parece certo que f^s greg-os também tive- 
ram na Ameriía estabelecimentos antes da fnudat;ào de Karkédon 
ou Karthayo, coltmia pbeniclann ; eomo tencmunha, dist de Th^^- 
Ton, podemos citar liS narrní;Õos belleniL-as dfi Tbeoporapo, lepro- 
dnxidaB pm latira por *'Klianu8 e em Plutarcbo; o primeiro affirraa 
que Hercules foi visitar os Gregoa entre os Maropas (Marupá^ 
em tuf*i); ora eatei babí taram era face da Lybia (Africa) os 
territórios occupados bojij peloa Brasilenos, em quanto que Sylla 
conduziu este mesmo Hercules até o mar byperbórco ou satur- 
niano, »obre o continente croneo, onde bablravain os Gregoa ; 
liftvia portanto Gregos ao Sul e ao Norte da America, Durante 
o bloqueio do estreito, o qual durou tressi^ntos ao nos, os Ilellenoe 
iãolado^ no meio dos bárbaros dega]>pareceramj maíi a sua liug^a 
ficou mesclada ás línguas americanas, iobretudo ao tupi, quo 
contem innumeias raives da língua grega etc<* 

Cândido Costa, no aeu íuteressaute livro Aa duas Améntas^ 
rftfore-s© a ujna peJra lavrada, com inacríp^-òeSt encontrada xio 
Estado de Parahiba, a qua)^ fcndo submettida ao juísso do sábio 
orientaUBta francoz Ernesto Renan, foi por çbte considerada de 
origctu pbeniciaua. 

O mesmo eicri(>tor conta que *outras três inscripçôps pu- 
nicaâ &6 acharam em Boston, cuja noticia se publicou ©m França, 
no auno de I78l; e, nHo ba muito, na vil la daa Dores, em Mon- 
tividéu, um luzendeiro descobriu uma lápida sepulcral, com cara- 
cteres desconhecidos, cobrindo uma sepultura do tijolos, onde se 
achavam espadas antigaa e um capacete, damnificados pela ferru- 
gem, n uma jarra de barro, de grande dimensão. Todos estos 
objectos foram apreaentados ao douto padre Martins, o qual obtove 
Ilt na láftida, em caracterea ^vt\g'^f.\—Alexandrt^ filho de Pki- 
Hpp^t era rti da Macedímia Tia olympiada 63: n^»tes lugares 
Ptoiorrieu». . ^ faltava o rosto. Numa das espadas se acbavn 




— â28 - 

gravada certa effigie que parecia ser de Alexandre» e no capa- 
cete &e viam esculpidai varias figurgg representando Achílle», 
arrftBtando o cadáver de Heitor em roda ão9 maroa de Troia». 

e PíJde-se Buppor que algum cbefe das arntadas de Alexan- 
dre, levado por a];^inti tormenta, eurgbse alli, e marcas&e com 
tal monumento a sua estadn». 

Ee&umindo e&eaft abalis^daã opiniões qoe citei, torno a repe* 
tir o que acima difi^e, iato G^ qua pertencendo oi iodjgcua& a 
dl Gerente a raças, consequentemente descendem de diversos povo&, 
p, portanto, nào se pode precisar um só povu como seu aucea* 
traí remoto. 

Admittido isto, é bastante provável as tribua bnincas da 
Araerica aerem oriundas talvez dos propiios europeus; a& verme- 
Ihas doa egypctoa e judeus ; as amarellas dos ehiuezes e japonc' 
zefi í e as pretas Hos africanos negros. 

Isto numa (fpocba reniõtiâsimn, purque em nossos dÍHs pare- 
ce-me qtie íó existem iodigenas amarei los 6 vermelbop, estes f\& 
America do Norte, representados principalmente pelos Pelles 
VermelJim, e aquelles na do Sul, peloa T^upu e eeuâ ramos. 



Os iudigenas brasileiros já começim a i^eruminytbo e breve 
desappareceríio do vaato Rceuario onde figuraram durnnie longos 
seculi a, e^ quiçá, afisis tiram a passagem de alguns milennjt^â. 

Eítá, portanto, bem perto o dia em qu^eileeíe trantíoima- 
rào em perâonagens lendários— e a lenda é afina) a mais pretica e 
formosa das immortalidados. 

Os iõdigenas eram quasi ^eralm^nte bons, meigos, alegres 
e hospitaleira. Raça do briosos e altivos, uiio foram vtncidos, 
porém sim esmagados pelo progresso. Sua terra fi i conqui&tudA, mas 
eliea nào foram conquistados, tanto que^ as etpbactladas Iribus 
que ainda existem em nosso pais, vivem na liberdade relativa que 
iLes offerece o seio amigo dos sí^rtõoa vetustos do Brabil ; porím 
tá meamo, á medida que a civilizaçào avança, pasaando algumas 
ve^es por cima doa seus miaeros cadáveres, elles recuam, cedem 
terreno, mas nào cedem a ai proprif s : é que, em sua simplici- 
dade nativa, não com prebendem o progresso que se lhes depara 
na ponta reluzente de uma bayoneta» ou na boca negra de um 
bacamiirie ministro. . » 

Existiu, contudo, ha bem poucos anno^, em oo^so pai£, um 
var^o notabilissimo em tudo, especialmente pala sua alevantada 
estatura moral— vulto gigantesco, que encheu gloriosamente maia 
de meio século da nossa historia, e cuja estampa cyclopiea avulta 
mais» cre&ce e crescerá sempre, á medida que o tempo pa&ea, 
indexivcl, derrubando as notabilid^des do momento e os heróes 
do dia, reduzindo '03 ás suas verdadeiras proporções e atirando-oa 
al£ni até o iuâmo pó do ebquecímeuto perpetuo* . . Âquelle 




- 329 — 

santo varão, que merecia figurar ao iado dos que Plutarcho ím- 
mortalixou, era filho do fundador e unificador da grande Pátria 
Brasileira. NaseeUi abriu os lábios tenros |ara o primeiro va- 
^do ua real Quinta da Bôa Vista, no meio do fausto e das ri- 
qupsas, e muitos annos depois (contingências da yida humana!) 
exhaloQ o ultimo alento de uma existência toda dedicada ao 
engrandecimento do seu paise, num hotel secundário de Paris, 
rodeado apenas por meia dúzia de amigos dedicados— esse prín- 
cipe illustre chamaya-se Pedro II. 

Pois bem, esse monarcha generoso, que conhecia perfeita- 
mente o tupi, sobre o qual até escrevera, em francez, um inte- 
ressante estudo, ioi um grande amigo dos pobres indígenas; 
recebia-os sempre em seu palácio, como um velho pae carinhoso 
recebe os seus filhos ; ouvia attento as suas queixas, presenteava- 
os, ecnfabuluva com elies na própria língua desses brasílicos 
Depois sahiam alegres e satisfeitos, cônscios de que seus direitos 
seriam respeitados, porque assim o affirmara aquellc grande velho, 
euja figura olympica, para elles, assumia propoiçõeg sobre naturaes. 

Acerca da popularídade do Imperador entre esses nossos 
irmãos, conta o viajante Maurício Lamberg, que nos sei toes da 
Bahia encontrara um indígena civilizado que, no tempo de sua 
vida nómada, fora apresentado a d. Pedro II, no Rio de Janeiro, 
com mais alguns membros de sua tribu. Assim que viu o via- 
jante, com a mais adorável das familiaridades, pressuroso, pergun- 
tou-lhe : «Como vai o Imperador do Brasil V > 

Sim, a saúde do venerando monarcha devia interessar muito 
os seus ingénuos e rudes filhos. 

No seu viver simples, elles naturalmente pensavam que o 
seu grande amigo não podia tombar ; si hoje, pois, chamássemos 
alguns daquello') indígenas que tiveram a ventura de ccnfabular 
(Som o Imperador, e lhes fosse contado que esse magnânimo se- 
nhor cahiu um dia do seu throno, foi exilado e morreu pobre 
no estrangeiro, elles ficariam certamente entristecidos; mas, si 
accrescentassemoi que hoje, após dezeseis annos, ainda se nega 
nma modesta sepultura, nesta terra immensn, ao maior dos seus 
filhos -então os gentios, selvagens mas generosos, haviam talvez 
de ahominar esta civilização brilhante, porém carcomida pelos 
odics e pelas paixões mesquinhas ! 

Bem distincção de classes e de partidos, eu não creio que 
haja um có brasileiro sensato e patriota que lu^o admire a ele- 
vação moral do «neto de Marco Aurélio», que foi grande no seu 
glorioso reinado, porém ainda foi maior na tristeza do s'>u iso- 
lamento, soffrendo h curtindo as agruras cruciantes de um triste 
exílio. Assim, não importa que o corpo resequido do velho Im- 
perador lá esteja repousando em terra estrangeira, pois em cada 
coração da maioría dos brasileiros a sua memoria tem, não uma 
sepultura, mas sim um verdadeiro tabernáculo carinhoso, onde 
é amada e respeitada condignamente. 



- 3áo - 

• 

o grande patriota, porém, o grande amigo dos nossos indí- 
genas, o pae da pobreza envergonhada, o philosopho, o sábio 
acatado e festejado pelas maiores summidadf>s europeias do seu 
^empo, hadevir breve, gloriosamense, envolto naquella antiga 
bandeira auriverde, que levou a fama da pátria brasílica desde 
as margens remotas do Amazonas immenso até as campinas do 
gaúcho heróico ! Ha-de vir breve, drscançar para sempre, debaixo 
das constellaçôes protectoras do nosso Cruzeiro do Bui ! 

O grande exilado de 89, porém, não cahiu, n&o morreu, 

Í)0ÍB o seu traspasse foi uma das maiores apothéoses que o mundo 
atino assistiu, commovido e soluçante ! Sim, não morreu, porque 
nos versos vibrantes do poeta: 

Quem na lucta cahe com gloria 
Tomba nos braços da historia/ 



S. Paulo, 1907 

Lbonglo ]>o Amaral Guroel. 




o PAf»RE MANOEL DE MORAES 



A figura do Padre Maooel de Moracsj pelo qua&i mysterio 
que a rqdeiiva e pelo ronjanesco qu© suggeria o pouco qnú so- 
bre ella transpirara das narrativas do tempo, tem tentado va- 
rini doâ que no Brasil se deiicum a asstimptos bi^to^lC^'g. 
Pereira da Silva idedizou-a numa uovella que nâo vale grande 
eoÚA, e Eduard'^ Prado penaava cunâã^rar-lhe uma monog-raphía 
que devia valer Tnuito O erudito paulista^porque ein Eduardc 
Prado lia via debaixo da bobemia do ghjhe truiter um fundo de 
p«cata erudição, que elle avivava com o bsllbo da lua graça— 
preteudia fundar o seu trabalho pnucipalmenta no processo áíi 
Santa Inquisição» a que reapondeu o curioso peraonagem qne foi 
missionário jesuíta e praticante calvlniata, andou vestido de 
roupeta e «de grU com traçado, chapéu e trancei ímj como gente 
de guerra, fez voto de castidade no Brazil c casou duas vezes 
u& Hollanda, foi lingua do gentio, capitão de índios nas guerras 
de Pernambuco e commerciante de páu brazil. 

Aquelle [processo, cujo conhecimento desmancha inuia anger- 
çâo errada^ de Innocencio da Silva entre outros, acaba de ser 
mandado copiar na Torre do Tombo de Lisboa peto Instituto 
HiatoricQ e figurará num dos futuros volumes da excellente 
Mevisiat que ha quasí setenta annos mantém a benemérita asso- 
ciação. Entretanto interf^ssaiá o resumo djis suas 500 paginas 
HD^ que se nâo contentam com as poucas informações de Duarie 
d© Albuquerque Coelho, entre os antigos, ou de Varnbagen en- 
tre os modernos historiadores, acerca de um brazilelro que foi 
bastante habil pára escapar à sanha do terrivel tribunal e 
bastante instruído para figurar com seu vocabulário tupi- latim 
na obra clássica d© Piso e Marcgraf sobre a historia UMiural do 
Brasil. 



A 25 de Fevereiro de 1646 entrava uo Patacío dos Estáos, 
onde fuDccionava em Lisboa o Santo Officio (no local em que 
hoje se levanta o Theatro de D, Msria II) um homem por 
nome António Ribeiro, que se disse mestre de uma caravella 








— 33á — 

recGmclifigada de PerDambuco e a bordo da qual se aebavam 
doía pnaoâ, remettid^ia paio ouvidor ^eral DominjproB Ferraz de 
Soti^a, para serem apreientadus ao referido tribunal relig-ioao. 

Alle^^ara o maritiuo que, teudo aua i^mbarcaçAo aurta junto 
á terra, melhor tora nfto deixar a bordo os accu^ados. 

laformado do oí-corrido, maiidou o Bispo inquisidor- geral 
bii3ca!-os « entregai 'OS no cárcere da penitencia pelo familiar 
Ãnconio Franco: como é sabido, honravam-fe de servir de be- 
le<ruins de-isas dilig^eucias eccLeBÍasti^^^as pHSÊons de tcida a cod-^ 
BÍder&çilo t até da mais alta nobreza. Um dos presos era e 
Padre Manuel de Moraes ; o outro um judeu couUet-idíi por Mi- 
gufcl france-Ap natural pnréiu do Li&boa e qiie, indo a Flandres, 
se circumcidára e apoatatára. 

Na mflnhà Beg-uinte, rtiunidos em conselho os senhores io- 
quisidores, liam os papeis enviado» d^^alétn mar e inteiraTam-se 
do caso, que nho era alia» uovo. Âtiuõa antes, em 1G39, fera 
Munotsl de Moraes denunciado por haver abjurado a religião ca- 
tholLca e yivtdo escandalosamente entre os schismauo s, julgado 
e coãdemaa^o á revelia peia Santa Iiiquisiçiho. O ouvidor geral 
doa povoa da capitania de Pernambuco, que exercia também aa 
funcçòes de auditor geral da gente de guerra, ao acompanhar 
as forçai em operaçílo contra oa bollaude^ea aquém do S. Fran- 
cia-lo, trouxera ordem do governaJor geral António Telles da 
Silva de promover a prisào do antigo religioso da Conipanbiaf 
que se achava novamente praticando a fé romana e vivendo 
entre portugueses leacfl, 

Tellea da Silva tinha tão feroa a beatice que, segundo 
acaba de informar- nos o sr Capistnmo de Abreu, Be ofierecia 
pqra montar o cnstear do seu bolso a Inquiaíçáo no Brazih à 
malovolencia de Martim Soares Moreno, um dos tre* njestres de 
campo debse período de campanha, eervindo aquella intrauai- 
geucia, permittiu qae ie pflPectuasse a captura do revel» seguida 
da ent-ega ao mest>e da caravtílía por J, Cotímo de Craabeco, 
quiçá parente do celebre impressor de Lisboa 

Os libertndoress tinham já então chegado ás proiíimidades 
do Recife, restabel incendo o arraial d^) Boui Jesus, e dominavam 
a menor parte do littoral, por onde exerciam francas suas com- 
munici^ções com a Bahia e com o Reino. Manoel de Moraes, a 
eíiSQ tempo o licenciado, nâo o padre, nenhuma resistência po- 
dia oferecer, e aa próprias rua^ do Recife, ainda em poder doa 
hollandezeit, lhe n&o prn[»orcianariam a gnarida da primeira 
estada Na flua defesa, aiiájí, aí^rmou elle, repelidas vezes, pu- 
trir o inteato de apreíentar-ae á mesa do Santo Officio desde a 
sentença, aiim de eximir- se das suas culpas, umas reaes, outraa 
imaginarias — porquanto, declaritva, peccára gravemente contra a 
honestidade, maà nunca contra a fé. Demorara em fazei -o 
porque tivera que voltar a Pernambuco por questões de di- 
nheiro. Também o acto merecia certa hesitação por parte de 



k 




— 333 - 

3 nem nto podia mais ^sar do favor e benefício dos apresenta- 
ofi, havendo sido «relaxftdo em estatua e avertido.» 

Do primitivo processo consta quaes as culpas attribuidas a 
Manoel de Moraes, denunciado por um Duarte Gutterrcs, com- 
merciante que asfistira em certo tempo (in Amstcrdam. Algu- 
mas dat testemunhas de accusaçAo revelaram manifesta parciali- 
dade, sobretudo um clérigo pernambucano, }>or nome Manoel de 
Carvalho. O licenciado aproveitou comtu-lo o intervallo para, no 
segando processo, apresentar em seu abono extenso rol de teste- 
munhas, entre ellas o embaixador portuguez junto aos Estados 
Geraes, Francisco de Andrade Leitào. 

Da exactidão das informações prestadas pelas primeiras, logo 
dá desvantajosa idéa a crntradiccão concernente á edade qne o 
réu apparentava ter. Suppunha-lhe (lutterr^s 34 annos em 163^, 
30 o christfto novo Joào Fernand s, 50 o carmelita Thomás 
Olagre, 50 também o christão novo Diogo Heniiqiies, 45 o 
mestre de caravella Doaiugos Vicente. Concordaram todavia 
todas em que era de poucas carnes o moreno do cõr, qunsi todas 
em que era de estatura meà, ajuntando t Igumas que coine(,ava 
a ler eis: uma de?creve-o *alto preto magro ef«o.» 

Na verdaie tinha Manoel de Moraes 43 annos naquelle 
tempo, poii que confessava ^0 em 164t), e muito provavelmente, 
pauliãta de nascimento e posto que só accu«andí> na sua ge- 
nealogia ascendência portugii^za, t nha parte de mameluco, 
mostrando-a na côr da pelie e nas feições. 

For outra contradicção jurava o denunciante Gutterres o 
jurava também Fernandes, que este era «professor da Ity de 
Moysés nos Estados da Olanda>, terem cm Amstérdam, nos 
annos de 1634 e 1635, conhecido Manrel de Moraes cubado e 
com filhos^ quando os demais depoentes relatavnm~o que era a 
verdade — ter elle caido em poder dcs bollfindezís per oocasião 
da conquista da Parahyba, que occorrcu jneciramente de 1G34 
|>ara 1635. 

Pelo depoimento do Padre Rnphael Cardozo, procurador que 
foi da Companhia no Brazil, ficanma snb«M)do que Moraes esti- 
vera, rapizola, no collegio dof jesuitas na Bahia, que paí^sára a 
Pernambuco corn o ]>rovincial e que, ao estalar a guerra, em 
1630, era superior de um i aldeia de índios, o que faz ciér que 
ali mesmo recebera as ordens. Segundo informação ulterior do 
provincial da Companhia em Portugal, Sinifto Alvares, Manoel 
de Moraes nunca chegou a prestar v*'tos solemnes, apenas os 
simplices, acabidos os dois annos do noviciado, e já se achava 
despedido da Ordem, por sua? faltas, antes de se j^as-sar jimacs 
hollandezes e muito antes, p'rtanto, de abandonar seu credo. 

De positivo ha que, homem de acçào por temperamento, 
commandou seus tutelados indígenas na primeira phuse da guerra, 
quando no primitivo Arraial Matbias de Albuquerque defendia 
obstinadamente a campanha contra os invasores herejes: a cir- 




- 334 — 



cumstancia não é cittitradictAda tio proceaso e exprefisanieute & 
refere um cbrifitao velho de Alcobaç^j por vinte annoa residente 
no Brazil Nào teu d o partícidu ^ot seus superiores deeent© tal 
Cíimbioaçíio de míâpionario e g-uerrilhf^iro por gcatn, foi Mauoel 
de Momeii tompellido a deixar a Jacta de carto ckui desagrado. 
Hetirou-se com varin» je^uitíis mais para uma aldeia de suas 
iniéãõi^s, driUi pa^(i'td<j a Itamarneá e^ an s^er tomada a ilha bid 
1633, trãnifeiind -&e para n Kio Grande do Norte. 

O ena cnnKecimento da liii^ua geral facilitava -lhe habirar 
flutre os .sbori^Goes e ievou-o «ataraímente entào a fixar-se em 
Ciinhahú, o»de dizia misBa e exercia as outras funcçôes sacf rdo- 
taeftj ao mesmo tempo preparando um coniiugente de 300 indioí 
para qualquer emergeuí^iã belUca. Arguiti-o seu inimigo, Padr« 
Manoel de Carvalho, de haver após a abjuraçâ-o determinado 
es^eg índios a pelejarem coíítra ns portuguessoe, mae o fíicto é 
inacreditaveí, pífr suspeita a fonte. O certo é que da Parahyba, 
Cinde prrivavelmante so encontrava desde a conquista do Rto 
Grande em IGoiJ, foi o jeauita levado prisioneiro para o Recife, 
onde é corrente que passou a trajar de secular e sacudiu coma 
roupeta aa cronçis, sendo por semelhante motivo e nfto antíríor^ 
tnente— DO que ^e deduss do processa — eXiiuUo da Ordem pelo 
provincial Domíngosi C jelho, uma vez avisado ette do oecorrjdo, 

Ao partir para a Hollanda, fazendo a embarcação escala 
pela Parahyba, ja o padre horrorizara oã cntholicoâ pre>entea á 
mesa do governador, á qual se sentavam uns vinte hollandexes 
e vários raitrndores principaes, comenda carne em quiota-feira 
de Endoení^as, quando os outros portugueses só ge serviam de 
queijo o ajLeitonas O» hollandeíaes, entre os quaes era o zelo 
calvinií-ta polo menos tà » int n^o quanto entre os p- rtuguezei 
o fervor romano, re^osijavam-se sobremaneira com uma tal apcstã- 
eia singular da parte de iiir letrado religioso e apontavam-no 
ciimo exemplo aos outros captivos, entre elies frei António Cal- 
deira, da Ordem de N, S. da Gr ça, que relata o facto. 

Por acceitavel se pode ter que, bandeado com o inimigo, 
tivesse Manoel de Morae*, pnra crMr- se posjçào, prestado, ccimo 
oitLro mameluco c lebre, n Calnibar^ informações valiosas ao& iu- 
vasores, íeito mestao ura livro «Jos portos e « ntradaa do Brazil». 
Isto explicaria a referencia de u ita das tesiemunhaB de que, em 
Amsterdíim, vivia o ox-je*uita é custa da Companhia das Itidias 
Occidentaes, por Sc^rviços a ella prestados ; pois que se 6ca sa* 
brindo, pelas confi-is-òes do réu, nfto poder ser verdadeiro o dlz^r 
d^ outra tentem anha allu^ivo ao Cisamento de Moraes com 4l 
filha de um dos principaes da Holsa. 

Nâu qne nfto tivesse o antii^o cura fortes in&tinctos commer- 
ciaes. Ao ser ordeitnd^i sua prisco «pelas paixões particulares 
de ^[artini Soaroa Moreno», Oi^tàva ellet segundo pesto&lmente 
declarou, numa aldeia do Hmíie d© Peruautbuco *a fa^ef pám, 
isto é, a e cubar ^^ar páu-brazil. A priaão não foi todavia tào 



— 335 — 

ineipersââ, nem tão desprevenido andava elle qaCj ao &er ãpte- 
lentado á mesa do Santo Oflicio, iiào ti f esse em Eeu babú um 
maço de papeia «que diziam a bem da sua cauEn*. O tribunal 
parecia de reato de algam modo prediapi ato em &eu favor, logo 
íeí^idindo contra o requerimento do promctor Domingos Eâtevea, 
que nào pasãaíse o preso doa cai ceies da penitencia para oa 
lecretoa, *vi9to £ua enfermidade e uAo poder aer corado comoda- 
mente ftin&o onde está*. Ue todo tempo valeram os empenhos i 
i»«tam<>s veuio que a^é pesavam na ca?a ainistra dan torturas, 
cajoft juUes era de suppor fossem a elles inaccesMveis. A prin- 
cipal raiâo da comtemplaçíio u^ada repide seguramente nas cer- 
tidões ô re com me n dações dos meatres de cam^o Joilo Fernandes 
Vieirft 6 André Vidal d© Negreiros, que por 6*se tempo andavam, 
sem auxílios directos da metrópole, recuperan<Ío para o Beu Hei 
os domioios américauos em poder doa boUaudesta. 

Ambos intercediam vivamente pelo accnaado junto ao Santo 
Officio, deseri*vendo-o descalço o He crucifixo na ruão a acompa- 
nhar e exhortar oi combatentes do gen berço e da âua primeira 
fé, entre os qnaei livremente vivia e porventura eierciã O 
•Acetdocio, tendo lhe -a^ge^urava elle — gido re^titaidas h& ordena 
por um coinmisftÉirio de Sua Santidade cooj quem, na Hollanda, 
&e confesáára e de quem ak-ançara a absolvição, uma vrz deser* 
tada a segunda mulher com a qutl se casara no rito ealvininta 
—eaMmonía que náo envolvia para elle mais do que uma mun- 
Ci>bia legalizada. 

II 

Na eonfi^^sílo espontaneamente feita a 23 de Março de 1646 
perante o Inquisidor Belchior Dia^ Preto, ast-entiu Muniel de 
Moraes em que eíTecti vãmente casara na Hotlfinda, nào só umn^ 
mas doas vezes: a primeira na província de Giieldria, com uma 
filha de Arn-jldo Vanderhflit, o qual tinha o contracto do pe^o 
na cidade que no processo se denomina de Ordrnick, Para ahi 
tinham remettido o prisioneiro á chegada do Brazil, ní'f?"nndíi-lbe 
pas-agem para a Ht^spaoba — recusa attribuida prr Man* el de 
Moraes ao receio que o seu regresso ao tlitatro da lucia inspi- 
rava, por causa da influenL^ia que eierci.i entrtJ o ^^etitio, Cf m o 
quiil se armara para a defesa ou pn^ra a traiçào, coufóane dermos 
credito a sua veisfto, ou á vergão do marquez de Basto?, dina- 
tario de Pemarabuco 

Mais ou menos dous annos viveu com esta e8]i08a de nome 
Margarida, qu^ ao íallecer lhe deixava um filho, com quem ficou 
o avo. A Companhia, vendo o antigo jesuíta assim publica* 
mente renunciar ao celibato ecclet-iaatico, portanto á douirina 
romana, quiz, preteinde elle, confiar-Ihe um earf^o de governo 
no Brasil. Moraes, porém, o não acceitou, para nã,o deitar sua 
fé, do que lhe faziam condiçào — asaim pelo menos contou as 




— 336 - 

cousas nos Estáos — e passando a leyde, onde pensava imprimir 
nm livro sobre o Brazil e sua fertilidade, conLecrn perto da 
Universidade uma Adriana Smetz, com a qual casou e da qual 
teve duas íilbes 

Porventura será esta a viuva pobre que frei Thomas Alagre 
lhe dava por mulher em seu depoimento. O que é menos fácil 
de conciliar é esse snu sacrilego viver matrimonial com a sua 
assers:ão de que não perdia missa, frequentando em Leyde ora- 
tórios particulares e em Amsterdam a egreja do Cordtiro Branco. 
Manoel de Moraes invocava a tal propósito extensa lista de 
te^temunbas 

Ao cabo àA outros dou» annos, cançado de ílamf^ngas e 
hollaudezas, saudoso dos trópicos e dos seus encantos, sensível 
mesmo ao parecer ás formosuras excticas, pois que, ao ir preso 
para Portugal, declarou com empenho alforriar, caso morresse, 
a mulata Beatriz que lhe servia de governante, abandonou o lar 
legitimado e embarcou para Pernambuco, ainda sob o dominio 
da Companhia das índias, numa das expedições de Boccorro. 

Os recursos muito provavelmente faltavam -lhe. A Com- 
panhia uào tomara encargo indefinido de i<ustPnta]-o. Entre os 
documentos recolhidos na Hollanda pelo dr. Joté Hygino, figura 
umi reclamação pecuniária do licenciado Moraes contra o conse 
lho da associação mercantil. Lá, se frei Manoel Calado, o auctor 
do Valeroso Lucideno, catholico e frade, lograra desfructar a 
amizade do Principe Maurício de Nassau, que proventos n&o 
poderia auferir entre os herejes elle, que havia dado tfto valiosas 
arrhas da tibieza da sua moral rcligioi-a? 

Do inventario a qu<^ não muito depois Manoel de Moraes 
procedeu no cárcere, cdos bens adquiridos por sua industria» — 
entre os catholicos, porque ahi lhe correu mais de feiç&o— vê-se 
que não pordera seu tempo. As dividas a receber excediam 
bastante as que tinha a pag.ir. Com cinco casaes novos de es- 
cravos da Guin- e mais três ne^çros solteiros bem dispostos, al- 
gumas juntas de bois, carros, um cavallo de sella e quantidade 
de machados, foices, etixadas e outros instrumentos, explorava o 
corte do pau hrazil no logar de Tapacurá. cinco léguas distante 
do Arraial. Vendia o aos judeus do Recife a cruzado o quintal : 
num sitio da Alagoa Grande possuia, ao partir, um de(>osito de 
1 200 quintaes, e noutro ponto algum mais de que lhe fizera 
mercê João Fernandes Vieira. 

Isto indirectamente explica a nova conversão politica, senão 
religiosa— dando de barato que nunca abjurou foriDalmente — do 
trefego paulista. As conversões mui raramente deixam de ter 
sua base interesseira. Manoel de Moraes voltou para Pernambuco 
em Dezembro de 1643. 

Rm 1644 dava-se a sublevação portugueza e João Fernan- 
des Vieira, o governador da liberdade divina, passava edictoa 
pelos quaes dava quitação aos que servissem a dita guerra do 
que deviam aos hollandezes. 



loteili^ente como era, o ex-jesuita comprehendeu de relaaee 
tódo o partííio a tirar da aituaçào. Em primeiro logar, fa^ia 
jxi5 ao seu perdão, no ca^o qae preyia de veacer a r<íTo1uçãiO : 
tendo viyído em Ãmsterdam e nq liecife e convivido cora dire- 
ctores e fiold&dofi, uiog^u^m nielhut podia aquilatar a coiTupçílo 
e o desanimo do lado hcvllandez. Em se^^undo lo^hr, tivrava-se 
do melhof modo do3 rommitteQtes poii que, sentindo ruaè decla* 
rações, recebí^ra de hollAndezeii peças, escravos da Guiné, Wis e 
ditiKeiro, uns 2.500 cruzados, para re&tittijr em pau-biazíl. Em 
terceiro logar tomava logar entre os especuladores e não entre 
os e&poliadoB, porquanto a gnerm da liberdade foi nos proceasoi 
um formidável roubv 

à fé ifnp^llia menoa que o amor do ^anho. Naquellti tempo 
iDesmo não fle podia chamar rara a indiff^rença religío-^a : a lii' 
tolerância oecultava muita cobiça. Manoel de Moraes fala de 
muitoã chriatàoã novos e algunâ velhos qne^ pas-iando para tcras 
neerlandeisafl, de novo se úzer&m hebreus ou abra<;at'am o cal vi' 
oismo» O facto 6 eonhf*oirjo, e bem assim que os bnns dos hol' 
landezet e judeus de Pernambuco foram po^tn» a saqu^, não 
tanto poi flerem de iniraig-^ia da santa religiàg quanto porserotn 
de inimigas abastadas 

Joào Fernandes Vieira, cuja moral foi caprichouai pilhou i 
^ande. Neste ponto tem razào o sr. Perei a da Costa no seu 
recente trabalho sobre o Caatrioto Luzitano : apenas nào foi e lie 
o único, sendo dos poucos que, tendo sacrificado haveres, pra* 
curaTam uma com[>ensaçào que nào era de tndo injusta. Da 
processo do Padre Manoel de Moraes consta quci ellt^ se apode^ 
rou— serve tão somente do eií^mplo — de cincoenta e tantos boi» 
de carro dn jui^leu Bakbazrvr áti Fim^nca e que mmdou para a 
Bahia em curto prazo 200 a 3^ escravos, uns de presente ao 
governador Tellêé da Silva, outrot para íerem vendidos par 
conta própria. 

O que sobrava, di^itribuia pelos amigoB, Os bens 6 n Olinda 
daquelle Fonseca f orara doadas a ura Luiz da Costa, hnmem 
sem mer^^cimento, diz a testemunha, e eoQstavam de casíis, jar- 
dins e ohirínsj tu lo calculado em 20-000 cruciados* O interea- 
sante é que o índio Camarào tinha «u is peç:i9 africina» e, maii 
extraordinário ainda, corria voz, qun Heoriqu^ Diass capitao-raór 
dos negros, tomara cmuitiàsimoa escravos e oa vPTidfira*. Atá 
para Portugal iam de premente de^aes escravos rnubados. quiçá 
também para neg-ocio ; na caravella em que seguiu Mauíi©! de 
Moraes, embflrcou um «valente neírnt reraetr,ido como mimo por 
Martim Soares Moreno a um sobrinho cleriofo. 

A eituaçAo era pois de tentar qualquer avenTureiro g-anan* 
cinaOj e Manoel de Moraf^s n&n pf rdeu tempo no decidir-siv Com 
effeito depoz André Vidal de Nesrreiro* que ao i-heirar á jnívoa- 
çào de Sauto Antnnio d«i Cabo com aljj^umaa companhias do aeu 
terço em auxílio dos moradores levantados^ já encontrou o U- 




— 338 — 

cenciado encorporfldo aoa soldados de João PernnndflB Vieira, que 
seguiu até a Ca&a Forte, animandoos com suas pias 63:bórtaçÔça« 

Mauool de Moraes estava, pois, perfeitamente ao facto de 
quanto se passava do lado doa portuguezes, das glorias como 
da& verí^ç^nnbaB^ ft por ia»o che^^a a pretender que o proceder do 
Marti m Soares Moreno para com elle obedecia ao receio de que, 
deapmbarcandn solto em Portugal, pode&se ter accesao junto ao 
Rei e referisse cousas menos ag^radavpis tocantes ao procndi- 
mento do me^mo mestre de campo. A prisco teria até sido ieita 
em deeaccõi'du com as ordens de Tellae dã Silva, quf) eram de 
mandar foroecer embarcação ao liceuciado para que po desfie ir 
apresentar^se ao Santo OfficiOj recommendaucio que fosso seguro 
porque escrevia em seu favor a Sua Maje&fsde, 

Diz Morâfs que a desconfiança hostil dw Martim Searea 
Moreno nustíera da circumstancia de, nuraa relação que aquelle 
escrevera, calarem-se os serviços JeBHe cabo de guerra © elo- 
gíareni-ae os dos dons outros, Vieira ft Negrt^iros. 

 facilidade com que o mafnehico mudava de aspecto e de 
opiniào leva a duvidarmos, até Sf^íjunda prova, de quanto sffir- 
ma, e conduz a crer que tanto falavam verdade &» testemunhai 
que no Recife o viram esciítaudo as prBrÉitiHs e vau gt-licjis quanto 
aa que na H^ltanda o viram ai^si^dndii ao santo i^act-iliiíio. Os 
intflrro«:a tórios aoffridoa pelo accusado levaram me;ç*i« e muitos, 
aondo verdadeiramente inquiáitoriae*, como os *Je todo p qualquer 
processn do calebre tribunal. Aa perguntas iosi tt^ntes, repeti- 
oAs. repicadas, capciosas de/iam fatig'ar espíiitos Já abalad<'S pelo 
sofiTrimento e prudiíspol-os a connssões meamo exaggeradaa, 
mesmo i«ví*roBÍínf*Ís. 

No caso em questão travaram -se sobre pontos de fé longoi 
dialo;^'os etiíre o Inquit^idor Belcbior Dínz Pretto e o Bx-Je^uita, 
cujo pnngíie frio e ar^-ucia se não deixavam díísmoniar acilmeutO| 
guardaiido-se de a'Tjhiguidade'í th**oloíTÍca!i, Em assumptos ae- 
cundurjoi teve poriam quu ir cedendo^ posto resalvando sempre 
euprgicampnte o esfiencijil, a pureza de í-uas crenças imioeculadaft 
a&ravé<i de todas as peripécias do «eu viver, até nào se aca- 
nhando de em pie- a Gueldria, entn^ protestantes, a garrai-- se com 
uma irnn*rem oa Virgem Maria em occasião le borrascas, 

A*4sim, admittiu Manoel de M' ira es ter revelado na Hol landa 
estarem mal defendidos os forrey da Companhia no Brazil, iivo- 
cando comtado cnmo poderosa attenuante haver salvado a Bahia 
de um ataque de ftine^taf^ cona'^quenc:ias. Sui&tenttira, ao que 
asaeveiava, em concelho doa dirtícti^r-^Sj serem fartos o* recursos 
da capittd hrazileira quando uratt carta do «governador Diogo Laia 
de Oliveira, apprehf^rtdida peUii^ corãarioa hoDandezed expunha a 
triste condiçílo d:i defesa do eentro do domínio portuguez na 
America. Seu concelho foi nào obstante seguido 

Outroftim, aconselhara «a autoridades a nâo v*íxarem antes 
tratarem bem ns pornambucanos, pretextando o interesse da 




— 339 - 

Companhia 01 aa de facto pAf-a síilvar eeus patrieioa de ty~ 
ranniaa Os serviços prestados cior elÍR ao inimigo uho 
pastavam, em verdade, de semelhaotes Bu^g-estões 6 atísos.. 
Também era exacto, reconliecéUi que comera carne em dia 
de preceito e com istn dera i^ecandalf^, mas por ^6 havfi a 
tnais farinha d*^ mandioca, A predicas calvinista* igualmente 
concorrera, nn Brexil e na Europ», sem todavia entender palavra, 
apenas por curiosidade, para apreciar a geatieula^ào dos prega- 
Àoteê. 

m 

Uma vez formulado o libe 11o da Jnstiça, com seus longos e 
'leveroa provarás, eonstítuín-se como proirurador da cansa do 
Padre Manoel de Moraes o licenciado Manoel da Cunha— aubsti- 
tutdo no andamento do proceâf^o pelo licenciado Lui^ Ferrão^ 
que apreiíiíntou (*m resposta Uns artigda drt contrarit^dade A 
Santa Luquígiçân não deixava as âuaa victimai^ f^^m adv^igado de 
defesa : OB seus pFdcesf^os revestiam tndaâ as furmae ordinárias 
da Justiça, eseepto que corria tudo secreto, jurando as prnpriaa 
testemnnbus nada rev*^íftrem do que tivessem dito e ouvido, 

E' claro que á infracção do juramento corre«pondiam pena- 
lidades . 

O licenciado Manopl da Cunha tomou a serio seu encarço. 
Invocou os fmtoFi de guerra do seu cliente, praticados contra oa 
hollandcs&es no Arraial, em Itamaracá, no Rio Grande do Norte 
^porque meemo depois de deixar o Arraial, fora elle obrigado 
a pelejar com Bpua indios em j^juda doa moradores portugLiezea, 
atai^ad«ift no gradual alastramento da occiupaçiio estrangnira— 
como a melhor, mais tangível prova da eua Bjuci^ridad^ e leal- 
dade á cauea portugueza, que era a causa catholica, E' d© ver 
que por completo rept*lliu a hypothese nventada de uma capi- 
tulado traidora, era formal contradicta áquella lealdade. 

As^im narrou a defesa o efUsodio que é conhecido na sua 
•otttra luz, porque delle se occufam a» Memorias Diárias ^ 
Achavn-BB Manoel de Moraes nn engenho de António de Vwl- 
ladarPH, na P/irahyba, com o seu gentio que rt" tirara do Rio 
Graud»*, quando António de Alburquerque e Marti m Soares Mo- 
teno íhe pediram que fosse buscar, para reunil*iis ao^ outros^ 
o» indin» da aldeia de Gararaoa, O je^uita as&i n fex, deixando 
á guarda dos dois miliMreri os aeus tuTeladoK. Atacados entre- 
mente* palofi hoUandezes, teriam oâ cnhos de guerra fugido, sem 
se defenderem, ci>m os soldudo;* do seu commando, abmdouando 
ao inirnígo os iodios, raa^* ass^^guraudo a Manoel de Moraes, a 
quem eticontramm de volta da Kua mis^ftn, que estavam esses em 
lalvo. Adíantando-se desacautelndo o Padre, depftro^ pelo con- 
trario com o seu rebanho tomado e a si próprio te viu cercado, 
não lhe reatando mais do que ent reinar ^í^t', visto ser impoRsivel 
qiialq^uer defeca» Accuaava elle oa fugitivoâ da origeiu de tal 



— 840 — 

infâmia: para encobrir sua covardia teriam ido falsamente in- 
formar Matbias de Albuquerque de que o missionário desleal se 
mettêra de caso pensado com o inimigo. 

A defesa, recebida a 23 de Novembro de 1646, apresentava 
uma considerável lista de testemunhas, em abono dos sens 
dizeres, no Brazil, Portugal e Hollanda. 

A inquirição respectiva começou a 18 de Março de 1647, 
tendo-se passado as commissões necessárias para serem pergun- 
tadas umas e vendo- se as demais por informaç&o. Algumas foram 
favoráveis, outras desfavoráveis. 

O desembarerador António de Sousa Tavares por exemplo, 
Secretario que fora da embaixada de Tristão de Mendonça Fur- 
tado, o primeiro enviado portuguez junto aos Estados Geraes 
depois do rompimento da uni&o com Gastella, depoz que o Padre 
Manoel de Moraes, seu conhecido da Hollanda, mostrara sempre 
nas suas praticas ser verdadeiro catholico romano, usando como 
bom religioso dn grande modéstia nas suas falas, e manifestando 
repetidos desejos de mudar-s-^ para Portugal, afim de ser de 
utilidade aos seus patricios. empenhados na recuperação de Per- 
nambuco, e ver seu filho criado na fé catholica. 

Declarou mais o desembnrgador haver então visto uma cer- 
tidão em latim de Artichofsky, o notável polaco ao serviço da 
Companhia das Índias e ^eu mais illustre capitão na guerra do 
Brazil, de como poupara a vida de Manoel de Moraes no en- 
contro em que o caprivára, pelo grande valor com que elle se 
defendera, pois mandara degolar a mór parte dos soldados ren- 
didos . 

O padre, aliás, não menciona esta façanha entre as que em 
geral se lhe attribuem, parecendo antes que lhe não f5ra dado 
offerecer resistência. 

Um camareiro do já defunto embaixador Tristão, por nome 
Jerónimo Esteves, confirmou com a autoridade peculiar á cria* 
dagem os dizeres de S^Uí^a Tavares, depondo que o accusado 
de facto almejava por tranHferir-se para Portugal e deiramava 
por esse motivo sentidas Inprimas : só o retinham a consideração 
dos filhos e o receio do ca8ti«;o capital. Concordava entretanto 
o fâmulo diplomático em que o antigo jesuita ensinava a »6Íta 
que os hollandezes seguiam, não por certo de coração, mas para 
não morrer de fome ou para não ser por elles morto. 

Ao contrario destes, o Padre Manoel Calado do Salvador,, 
o confessor de Calabar na hora extrema e amigo de Maurício de 
Nassau, foi cruel com o accusado. Affirmou que, com seus índios,, 
elle auxiliara os holland^zes contra os portnguezes, chegando a 
avançar— basta isto porém para se lhe descobrir o exaggero — 
«que se não íôra o dito padre, nunca os Olandezes entrarão pella 
terra dentro e fizf^rôo o d»mno que tem feito». O auctor do 
Valeroso Lucideno estava certamente pensando no renegado a 
quem assistira no patíbulo: do seu depoimento indicectamenta» 




¥ 



— 341 - 

ie concilie todavia, bem como de outros, que o mameluco orde- 
nho PÓ re&braçou sua fè quaado pre sentiu que oa portuguezot 
^anliartam a partida e que a bust salvação estaTa em acompa- 

Nenhuma testemunha te avaotajoii com efeito na defesa do 
réu ao procurador de Jofto Fí^ruandes Víwir» em Lisboa, cha- 
matido Jerónimo de Oliveira Cardoso; o que mais prova que foi 
o restaurador da liberdade pernambucana o maior protector do 
Padre apoatata e arrependido. Contirmou-ilie Cardoso todas ai 
Maa sobre o remorso qiie €>m certo tempo invadiu sua alma^ 
tQtheuticoa a bt««toria da cou€b-bo ^t^ial ^m Amsterdam, onde 
por e*s# tempo se acbava a testem uhIih, vivendo ct»ra o réu na 
na mesma casa^ corroborou finalmente, pela^ tní- rmaçoeã que 
eatâo e no local colbera, qUB Manoel dt- Moruea jámai» escrevera 
coPtra a doutrina catboiica e até frequentava asfiduamente as 
egrejaa romanas. 

Ãi te*temunbaa de Peruam bucn^ interro|radas em virtude 
da eominiiêâo dada ao vigário de Santo António do Cabo, licen- 
ceado Matbeue de Sousa Uchoa, íoiam de resto uniforme- 
mente escellentea para o accusado *. no seu numero conta-ae 
o famoso Gamai ào, cuja edade era em 1647 de 46 annos, e que 
declarou conhecer o missionário, de quem fora depois compa- 
nheiro d'armaa por dois annos, de quando &eus superiores o 
mandaram ensinar o catecismo na aldeia de Meretibi, onde o 
índio reaidia. Seja dito de |>assa^em que dsta declaração parece 
decidir completamente a questão da naturalidade do Camar&o 
em favor do estudioso ar. Pereira da Coàta, que sempre n reputou 
pernanibucanOj ficando a referida aldeia dentro dos conliua do 
feudo de Duarte Coelho. 

Recordaram essa» testemunhas de alêrn mar os com bateis do 
Padre contra os holtaudezes á frente do seu gentio da aldeia de 
Bfto Miguel, duas léguas distante de Iguarassú, e abonaram seu 
manifeéto arrependimento de quaesquer erros commet tidos na 
Hollanda, pois que n viam, apó^ o regresso^ ir assistir, ainda 
mesmo quando aboletado no Recife, aos serviços divinos ua 
egreja de N, S. do Amparo em Olinda, onde pregava frei Manoel 
dos Óculos, como era popularmente cotibeeido o Padre Calado, 

Para dar o devido valor a estes depoimentos e calcular 
quant<^ elles podiam influir sobre a sorte do rt^u, é migtt^r ter 
preéeiite que Manoel de Moraes ainda desembarcou no Brazil 
vestido de «ílítmen^o»^^ — o que elle todavia explicava pela pro- 
Mbiçào que na Hí>llanda existia para t^s religiosos de vestireui 
aeus hdbítoa^ — e que, ao ir residir na mata, em Âratangi, a dea 
léguas do Recife, «onde tinha casa d»' vivenda, pau brazil e 
rossanasB, o antig-o jesuíta se conservava apesar de tudo numa 
situaçÃo p^ão menos dúbia. Tinha^ portanto, gua im]iorta»cii, e 
grande, aaber-ae no Santo Oíficio que nesse poriodu cnsturaava, 
posto que afastado dos sacramentos, ir um t^ido o ea^o á misâa a 
■duas léguas dali, trazer coutas ao pescoço e rezar horas inteiras. 




I 




— a42 — 

Contoti Jofto Fernandes Vieira no seu depaimento, aliai d© 
tudo o ponto eynipathico, que o Padre lhe íoi-a primeiro tra- 
mdo preso por nm alferes a quem mandara «fazer gpnte*, e que 
primeiro o condussia ao cabeça João Lourenço frauce^, junto ao 
qual intercedeu o recrnSado para ser apresentado áqu«lle 
mestre de campo. Levado à sua presença, lançou- »n-lke aos 
péa e confessou seus erros e peiares, respondendo -lhe Fernandes 
Vieira com ar majestático e ma^animo que facilmente a^sumiat 
n&o ser seu juiz para o castig^ar. 

A segunda conversfto de Manoel de Moraes não foi por con- 
seguinte espontânea, conforme apreguavft o intereEisado em eeti 
coiitume de constante duplicidade, filbo porventura neasaa con- 
dições de não saber meamo, em ciccumatancias taes, o que mata 
vantajoso Ibe seria faaer. O in te rí* soante é, e íala pda sua 
habilidade mais ainda dn que pela botidade allieiSt que o accu* 
sado encontrou também testemtinlias bastantes para confirmarem 
suas praticas romanas na Hol landa, ncnhama havendo mesmo, — 
flfdra uma referencia vag-a— qtie jamais o tivesse lá ouvido falar 
mal da eanta religião. 

Manoel de Moraes pretendia provar mais do que íô&o, que 
só faltara bater-se por sustentar contra judeus e calvinistas a 
intang-ibiltdadfi do eredo catholico e repelir suas hére*ias— o que 
admittia Francisco de Andrade LaitÂo^ embai atador que era a 
esse tempo na Haya, apenas com relaçfto aos judeus— ponderando 
com muuo bom senso que em relaçUo aos outros « me não per- 
suado que diria mal delles em sua presença, dependendo do ^ea 
Cavor e sustentando-se do que lhe davam» Nào passar iam de 
algumas patacas os soccorros que o aotig^o jesuiia recebia cada 
mez para alimi^ittos, da Companhia das (udiag, mas o positivo é 
que, ainda ao partir Moraes para o Brasiil, o representante por- 
tuguês ouviu, e muito provavelmente assim era, que ia oUe em 
serviço daquella aseociaçÃo mercantil «em coadas de que os di- 
rectores o encarregavam, dando- lhe por* isso ordenados e obri- 
gandose a sustentar aua mulher em Amsterdam». 

No entanto a Francisco de Andrade Leitilo pedira o Padre 
que lhe procurasse meio de ir a Lisboa sem receio de ser exe- 
cutado por virtude da sentença centra elle passada, e que obti- 
vesse do Hei alguma tença para manutenção dos filhos e da 
mulher, no seu dizer uma das toais formosas da Hollaada:«com 
pretexto — informava o embaixador —de que o iria servir na 
guerra do Brazil onde poderia ser de grande utilidade para es&e 
Reino e muy prejudicial aos inimigos». Assim reza o depoimen* 
tos escnpto com que, a 6 de Sfitembro de 1646, respondeu An^ 
drade Leitão de Munster, onde se acha como plenipotenciário 
uomeado para o Congresso de Westphalia^ ao pedido da Inquisiç&o. 





— 343 — 

IV 

Nd tei^ allndido depoimento de Mtmater o emhaisBdf>r por- 
tugneE, poBto que não eximindo o Padm MftPOfl de Mames daB 
&Itas e embu^tei prAticado». todftvia o desculpava e achava dig^no 
de mitericordia ÓpiDava quo o réu lha não parecia em suab 
coinmunicaçuea hereje formal, execrando até ob erros dos qt6 o 
ênuDf e arreditava que elle pó nfto abanHf>nava a tnulbtír * por 
luxuria, aãeição Datyral e neceE^sidade, t^nendo qap, ai o Hstesee, 
perderia oa alimentoé que os directores lhe davam e outra» com- 
DaodidAdeí neceBa^naa para a 7ida mundana > A familia, isco é, 
a preeisfto de dar-^lhe de comer foi^ de re^to, o moúvo, em certo 
momento invocado pelo antigo je-uita. para PXfdicar seu re^írnsgo 
ao Bra2il--a ver au lhe podia gr^àugear alg'UDs meios d» i^ubsii^ 
tencia. 

à disparidade doa te&temuphos provém em ^ande parte, 
pelo que log^o âe percebi»^ da» incongruf nc as da vida do accu- 
iado. O seu advogado, por via de eontradict^s, apontou mesmo, 
no decorrer do processo, yarios Íiiimi|ífjft do réu, com ob quae& 
tinha elle tido difFerom^aK, e cujo depoimento se fazia [>or íebo 
mapeito: no numero contava- se um Frei Ao gelo. monge capu- 
cho e filho também do Brazil, com quem Manoel de Mi^raes 
discutira acaloradamente o argumento de um caf^o de consciência, 
acabando pf>r dizer-lhe, no ardor da disputa, que mais Bfibia um 
co2Ínbeito da Companhia de Jes^uado que um letrRdo da rehpão 
do ar^iinte, pelo que se poz o Fiade muito sentido e lhe ticou 
com odin. 

O tactn de fer sido fronteiro na gnerra e feitr, ao que 
apreg-oavái, grande damno ao inimij^^o com o seu gentio, det^ per- 
lou contra o missiotiario guerrilheiro muitos ©mubs que Ibe 
queriam mal, especialmente Capitàes e officiaes da milícia, qne 
ficaram outros Tantos inimigos aeufi, encobertos, os da peor aa- 
pecie, porque muito maia difficilmente se conaegue combatel-os* 

Negando a pés juntos que se houveBse bnndeado de interease 
e de crenças ci m os holLandezes, quer na aldeia parabybana 
de Itapúa, onde foi preso, quer no Hecife, onde apenas o guar^ 
daram dois mezes, antes de deppachalo pnra Amsterdam, o accu- 
£iido apontoQ outras testemunhas, e as mesmas antigas em êõ- 
gnnda condição, com o fim de contrariar as que contra elle ti- 
nham depKistn, segundo se vira da revelaçào das mais provas da 
justiça no seguimento dos tramites do processo. Esta nova iu* 
quirição para probança da d efe a fip parecia cr^mtudo dtífieil nesse 
anoD de 1647, pela guerra que tiiais e mais se geaeralizára no 
Brazil — lf>47 foi o anno do massacre e occupaçi^o de Itap^iríca e 
devastação do Recôncavo — nfto se tendo por outro Indo iio rela- 
tivo à& Províncias Unidas, realizado ainda a (az com a Hesjiaoha, 
que só no anno immediato occorreria em Jlunster. Por isso fez 
D réu d eftía tencia da siia dup plica e p^diu mesmo prompta sen- 



— 344 — 

tença, por se achar muito achacado e sofiErendo grandes calami- 
dades. 

A 29 de Agosto foi encerrado o processo, dppois de vistos 
os autos, culpas e confissões do reu, parecendo a todos os votan- 
tes da mesa que, com o accrescido err. seu favor, em parte se di- 
minuirá a prova que contra elle existia no primeiro processo, no 
qual nã.o fora ouvido ; mas que ainda assim rei^ultavam graves e 
urgentes presumpções de erros contra a lè A organização judicial, 
mais exigente, nada encontraria quH dizer contra a equidade de 
taes conclusõoR. Antes do de;; pacho final devia, pcirtanto, o rôu, 
de acordo com o estylo da e{ oca, commum a qnaesquer tribu- 
naes e a todos os paizes, ser posto a tiatos. 

Dos nove inquií^idores. uns opinaram por todo o tormento, 
outros por dois tratt s espertos, outros ainda por um esperto e 
um corrido: por esta ultima combinação foi que em appellação 
se decidiu o conselho. A 6 de Setembro, levado para a casa das 
torturas e instado para que confessasse tudo, Manoel de Moraes 
fraquejou deante dos instrumentos e, antes que o executor o se- 
gurasse, revelou afinal que de facto repudiara sua religião em 
fim de 1637, quando na Gueldria impellido a isso pela commu- 
nicaçâo constante com herejes e tentado da lascívia. 

Ajuntou que cteve crença na ceita dos calvinistas» coisa de 
quatro annos. Foi comtudo sincero no seu erre, quer dizer que 
imaginou piamente durante e^se tempo que se não perderia ac- 
ceitando a doutrina reformada. Frequentou — era infelizmente 
verdade — as egrejas protestanes, ouviu as predicas dos pastores, 
comeu carne nos dias de preceito e deixou de lêr as sua horas 
canónicas: por não saber hollandez, lia, porém, pelo seu antiga 
breviário os psalmos de David e, sh não usava assim da Biblia 
dos herejes, tão pouco commungava ao modo delles tque é 
comer pão em memoria da Ceia». A ninguém todavia podia ac- 
cusar de seducção. Elle próprio deixara-se corromper pelo máu 
exemplo, convencido em certa época de que os sacramentos da 
Egreja, excepção feita do baptismo, não 'ossem bens necessários 
para a salvação da alma. O remorso veio- lhe quando foi abrir- 
se CMTi Tristão de Mendonça Furtado: o caminho da embaixada 
foi A sua estrada de Damasco. 

Dir-s3-ia que a Inquisição apenas esperava esta franqueza 
para mostrar- se clemente ao réu. Mercê da confissão referida, de 
haver reconhecido sua apostasia e ter procurado ir apresentar-se 
ao Santo Officio para tal fim recorrendo a caiholict», dando si- 
gnaes de arrependimento e pedindo perdão e misericórdia, rece- 
beu o tribunal religioso, consoante a supplica formulada, no gré- 
mio da união da Santa Madre Egreja e não relaxou o braço 
lecular. sefrundo até aqui se acreditava na fé de Innocencio da 
Silva. O erudito autor do Diccionario Bibliographúo fbrtuguez 
não só menciona que Manoel de Moraes caiu na simplicidade de 
a]>resentar-se nos Estáos, fiado na caridade christã do Santo 



k 






— 345 — 

Officioi ^^omo relata que foi elle por muito favor garrotado em 
vez de queímaJo. 

Na verdade mandou a mesa que, em pena e penitencia de 
ta&B cutpftB, compareceaae o réu do auto publico da fé no modo 
coUumado, ieto é, cotn o habito penitencial e as inâig-nías de fogo 
e ali, junco ao crepitar das fogueiras de st i nadas a outros, ouybse 
toa fipnteuçai abjura íi d! o aeui heréticos erros em forma. Outrc^im 
eram-lhe aBsignado* cárcere e habito peuitencial perpétuos aem 
Femiasão; Bcaria pára sempre ânspeoiO das suas ordens, via-^e 
mandado instruir nas coisas d^i fé necessárias para a salvação da 
ilma, e teria de cumprir «aa mais penáB, e penitencias eiipiri- 
tuaés* que lhe íos^em impostas. Da Picommunhào maior em que 
incorrera o abeolviamt entretanto, oa juizes in forma ecdenícÊ, maa 
os bens materíae* ficavam -lhe coufiicados. O resultado era mais 
duro do que terrivel. 

À aeo tença conhrmatoria da mesa, passada pelo conielho 
presidido pelo Bispo — inquisidoí g-era! traa a data de 10 de Se- 
tembro de 1647, e o auto da fé em que foi ella lida ao réu, 
teve iogar no Terreiro do Paço no Domingo, 15 de Dezembro 
do mesmo auno* Q outro, em que o tinham relaxado em ee tatua 
occ rrera a 6 de Abril de 1642 

A indulgência do Santo OfEcio para cora o Padre Manoel 
de Moraes, apóstata e perjuro, nao se esgotou com irreaervar-lhe 
a vida. Por cárcere foi-lhe dada, a 11 de Janeiro de 1648» a 
cidade de Lisboa, onde teria de satisíazer suas penas espirjtuaes, 
lendo^lbe sómeate vedndo usar f>rata, ouro ou seda oas sua^ veàtes 
a andar em bestas de sella à vergonha do habito peuiteucial 
foi-lhe poupada contra o voto mesmo dos inquisidores que acom- 
panharam todo o processo tendo elle requerido aquella graça 
yifto estar contricto e soffrer de aethma, de potta e de outras 
enfermidades, ao ponto de não gosar um dia sequer de boa 
saúde . 

Concedeu-se-lhe também a 27 de Janeiro o poder commun- 
gar uma vez [)or mez. Finalmente f i i deferido por completo o 
seu pedido de poder sair para fora do Heino e ir para qualquer 
província catholica— em cujo fundamento alíegara estar [leragri- 
no, suspenso e i^em meios, não se podendo pois sustentar, nin- 
guém o ajudando nem ao menos lhe acudindo com esmolas, au^ 
tee, leudo de todos desprezado, passando com muito trahalho b 
padecendo necessidades tão excessivas que dormia sobre uma 
esteira, sem colchão nem enxerg&o, coberto com suas pobres 
roupas, 

A ultima notícia que temos do Padre Manoel de Moraes, pelo 
processo da Inquísiçílo aqui condeniado, é justamente a permls- 
iftô do Santo Officio, de 10 de Março de 1648^ para que pudesse 
itt&entar-se para qualquer parte do Heinn «xomo fosse de catho* 
lícos», tendo esta sido a redacção adoptada pttlo inquisidor geral. 
A mesa, aliás, anuuira purae simplesmente á formula do pedido 




— 346 — 

que, considerando mesmo enUU> Pernambuco proyincia contami- 
nada pelos herejes, a cujo dominio nfto conseguira ainda subtra- 
hila por completo o esforço pernambucano — 1648 foi o anuo dos 
Guararapes— dentro em poucos annos lhe permittiria, se a vida 
lhe fosse poupada pelos achaques, como o fôra pelos juizes, voltar 
uma vez mais á mata de Pernambuco e rever ou substituir a sua 
fusca governante* E' provável que os sustos e os sofirimentos 
tivessem, porem, abatido os enthusiasmos sensuaes do sacerdote 
apaixonado, a quem a Inquisição, de ordinário tão inclemente, 
fez mercê até da liberdade, quiçá porque elle muito amou e os 
que assim amam fazem jus á misericoraia divina, da qual o Santo 
Officio se proclamava o conselheire. 

Rio, 1907. 

M. DE Olivbira Lima. 




TIRADENTES Ê A EDUCAÇÃO CÍVICA 



(gONPB:E£NCIA RBAI.1ZADA a 20 D2! ABBIL DB 1907, PBLO FBOFBJSSOR 

Josô Feliciano, no e Grémio NoRMALisTâ»), 

Cidadão dr. director e coeus eoUc^aa! Min ha i setiborat e 
mQQB senhores! Meus prezados discípulos I 

Uma vez mais darei a estas conferenciaâ um matiz educa^ 
tivo, Ã e&ta elevada mira tenho subordinado aa modestas co- 
gitações d© minha vída cívica e relig^io&a. Defectiva como é e 
incompleta, tem>me ella maia fundauieat^ mostrado que a a nia- 
sellaa egaenciaesi de no&sa época derivam sempre de nosBas falhas 
educativas. E' mister que o^ professores e publicistas nào des- 
lembrem nunca o proveito educativa' de seua trabalhos quaesquer. 
De nossas mesmas lllusões e en^^nos emanam grandeâ vantagens 
para a propHa ou para a afh*'ia educaçào. E', porém, necessá- 
rio que nos não deixemos prender nas esttettesae de um parti- 
cularismo egoísta* 

Já déiDDB aqui provas de nossa largueza de vistas. Ã festa 
de 14 de Julho permittiu nos encarar a universalidade humana, 
como sendo a fonte e o alvo de nossos esforços educativos, ci- 
TÍcot ou pes&oaes. 

E^ um erro pensar que noa devemos isolar em com me mo ra- 
ções puramente cívicas. E^ erro igual ao das famílias arraiga- 
damente tradicíonaea. que &ó memoram aeus faatoa caseiros, suas 
preoccupações domesticas » Nào ha f^amilia sem Pátria que a 
auatente e nem Pátria sem a espécie humana que secularmente 
trabalha para as pátrias todas, formando em conjunto a Huma- 
nidade , 

E' jttato, porém, dar ao civismo, dar á Pátria o florente as- 
pecto que nessa trilogia está representando. Assim farei no 
€ibo^o rápido que se yae ouvir, 

* * 3» 



— 348 — 



O homem naBce para ser cidadão antes de tudo. Da cívica 
educação pende o destino fundamental do homem, ou sua acti- 
vidade efficaz. A educação domestica deve preparal-o para esse 
destino: é viciosa, quando propende a ahsorvel-o numa estreita 
esphera de interesses duplamente egoístas. A educação univer- 
sal completa a actividade cívica : dá-lhe elasterio, dá-lhe am- 
plidão de vistas, para coordenar, para aproveitar na espécie hu- 
mana resultados que tendem a concentrar-se em nacionalidades. 
Também se toma viciosa quando aspira a um vago internacio- 
nalismo inconsistente, a um desaggregador cosmopolitismo, falho 
dos deveres cívicos. 

O nó, o eixo da educação, está, pois, do civismo bem coor- 
denado e bem dirigido pelo centro affectivo da educação domes- 
tica. O civismo romano é uma digna preparação que devemos 
completar. O que antigamente se coordenava em tomo da 
actividade guerreira da conquista^ deve-se agora systematizar com 
a actividade industrial do trabalho. Ao estado de guerra per- 
manente succederá um permanente estado de paz. Os homens 
antigos guerreavam para incorporar o mundo á Pátria romana. 
Os homens de hoje devem trabalhar por se incorporar á espécie 
humana, como elementos úteis da grandeza universal. Em cada 
Pátria as classes diversas convergem os esforços, os resultados de 
seus officios differentes. Na Humanidade as differentes republi- 
cas exercem officios de utilidade universal e assim convergem 
seus esforços todos. A rivalidade militar^ que dividia as antigas 
cidades, será substituída pela convergência industriais que con- 
graçaná as republicas modernas. A sociedade cívica ficará socie- 
dade universal. 

Metastasio, em seu Attilio Regulo^ pintou em bellos versos 
o civismo romano. Si lhe alargarmos o horizonte, substituindo 
Pátria por Humanidade^ substituindo a guerra pela industria^ 
nesse quadro teremos a pintura do moderno civismo. E' o quô 
se pôde ver nesta formosa traducção de Bocage: 



Na pátria pensa ; 
Vê nella ura todo de que somos partes : 
Erro é no cidadão considerarse 
Da Pátria separado ; os bens, os males. 




_ S4â — 

Que deyo conhecer, sàa os proveitos, 

On detrimentoft delia, a <ftiem de mdo 

E* devedor : quando o suor e o sangue 

Por ella espalha, nada &ea de&pende: 

Qaanto lhe deve restitae á pátria* 

A pátria deu-lbe o aer, deu-lhe a dontrioA, 

O alimento ibe deu : co'aB leis, co'a8 armas 

Doi insulto^ domesticou o escuda; 

Dos e^ttemoa o salva: cila lhe presta 

Nome, bonra, grau, seus méritos premea, 

Viogrft 03 Bgg-ravo» seus; raàe carinhosa, 

Se eimera em lhe forjar probperidade, 

Em fazel-o feliz, quanto é poaeivfl 

Ão dèatino doe homens Ber ditoso. 

E* certo que eatea dons lá têm seu pezo t 

Quem o pezo recusa, o júa deponha, 

Renuncie o favor, mendig-o, inútil, 

0« desert^^a inhospitos demande, 

E em ferinas envolto hirsutas pellep. 

Contente de um covil, e agroátes frutos, 

Lá viva a seu sabor, inerte e livre» 



Áft&im, na sociedade actual não deverá prevalecer nem o 
egniimo de uma naçào,— como o iudustrialí&mo an^lo saxonico, — 
nem o egoi^ttio de utua classe, como o socialismo collectivi^ta ou 
intertiacionaL Entre o industrialismo nacional e o deniagfogismo 
induittr tal, — ambos igualmente ohpre?ièivo^, exclusivi^taSi^^iirt^e o 
industrial civismo aitruííiia, íiynthfdi-o e pacifico. Este vem har- 
monizar todas Ri classes, appl içando socialmente tc»dos Oít pro- 
duetos industriaes, uti1Í7>ando f^y?^temntiçamente todas as v^^rdadeg 
praticas e sinergicamente coordenando todos oa trabnlbos uIí^íb, 

O bem humano em g-eral è qu^ prpvalecerá, t^em nenhum 
exclusivismo nacit>nnl, sem a nintua eiptorncào das claaaeâ sociaei. 
A mira final do trabalho é o bem esitar da Posteridade, é o im- 
plemento dos i*ontinuoB, immensis planos que o Pa?fiRdo «sforça- 
oamente noi vae legando. Ã continuidade ininterrupta do con- 
junto humano ha de assim preponderar sobre a solidariedade 
contemporânea. Esta ^erá defini ti vãmente cimentada com uma 
base e um fim, extremes ão eí^oi&mo com que um movediço pre- 
aente a vae actualmente inquinando. 

Vivemos solidários no presente, ma6 pelo Passado e para O 
Futuro, Esse é o vero civisimo^ que le resolve uo fim gf^ral da 
educação, isto é, no piver para otUrem^ no viver para a Posteri- 
dade humana, coniinuando, immortaliKando nossos dignos avoen^oa. 

Corrigimos aaeim e assim completamos o civism > romano 
que tão Lindamente o poeta nos descreveu. Ã Pátria, abi exctu- 




- 350 — 

si vãmente enaltecida, é integrada pela espécie humana, pela Ha- 
manidade, que pode ser geralmente preponderante sem nenhum 
exclusivismo. 

E não ha dizer que yae nisto um idealismo v&o, porque na 
economia commnm, — politica, industrial ou pessoal, — essa mira 
se acha inteiramente consagrada. Ninguém consome todos os 
productos que realiza. Ao contrario, fal-os mais e mais durar 
conservando-os muitas vezes para um remoto futuro, em que 
nào viverá. Ninguém ha que não vise o futuro quando lahuta 
e não tire do passado os meios com que trabalha. O mal está 
em não se querer fazer isso mesmo por hem^ em se não syste- 
matizar o trabalho altruísta, como sendo o mais apto a satisfa- 
zer os mesmos interesses individuaes. 

A crise económica por que passamos é disso cabal de* 
monstraçAo. Si todos os cidadãos se unissem para commercial- 
mentf-, naturalmente valorizar nossos productos todos, veriam as 
cla^«es activas como seriam recompensadas por um relativo 
augmento de goso são, de bem estar verdadeiro... 



Eis ahi o civismo (|ue devemos cultivar, amando cada vez 
mais a nossa Pátria. Nós devemos amar a Pátria como os no- 
bres cavalheiros adoram a dama de seus pensamentos :—realçan* 
do suas qualidades e polindo, attenuando seus defeitos. Não ha 
mister simular qualidades e dissimular defeitos. E' necessário 
corrigir estes e fazer brilhar aquellas. 

As qualidades de nossa Pátria são as que se acham irre- 
vogavelmente incorjioradas ao passado, que lhe fizemos, e as que 
estão preparadas, antevistas no futuro, que lhe fazemos. Os de- 
feitos são nossas próprias imperfeições :— estão na tibieza com 
que a servimos, na detracção com que a ennegrecemos, na 
exploração com que malbaratamos seus immensos recursos. 

Realçar as qualidades da Pátria é reviver e glorificar suas 
nobres, meritórias tradicções, é completar os esboços do Passado, 
é integrar suas preparações, é rememorar seus heróicos feitos, — 
é commemorar Tiradeotes. Fazer brilhar suas qualidades é labu- 
tar em prol de um luzente porvir, é realizar os ideaes civicoa 
que já preluzem uo horizonte pátrio. 

Polir, attenuar seus defeitos é ensinar a nossos coevos o 
recto caminho do civismo, e instillar em nossos alumnos, em 
nossos subordinados um enthusiastico, altivo sentimento dos altos 
destinos de nossa Pátria ; é dar-lhes uma emoção edificant*^, no- 
breceu te de seus deveres a cumprir e recompensar seus deveres 
cumpridos. 

Corrigir os defeitos da Pátria é trabalhar na educação de 
nossos coetâneos, é fugir seus deploráveis costumes, sua maledi- 
cência malsã; é insistir mais e mais em nosso aperfeiçoamento 



— 861 — 

próprio, em noBsa edacaçfto pessoal. GeoeralizemoB essa cultura 
ciyiea, g^eneralizemos a civilidade individual nas escolas, nas fa- 
mílias, nas relações pessoaes, nos contratos, nos debates forenses 
ou camarários, nos contubernios de amigos, nas festas, nos 
desportos, no moderado athletismo, na amável callisthenia. 

Porque consagrar patrióticas estudantadas, batuques fami- 
liares, espirituosos remoques, convicios pilhéricos, arteirices de 
corretagem, mofinas escrituras, escândalos de imprensa, testilhas 
politicas, renzilhas forenses, tertúlias de tavolagem, carnava- 
lescos folguedos, serenatas de noctambulos, jo^os brutescos, 
gymnasticas derreadoras, frivolos brincos ou denguices anti esthe- 
ticas? 

 civilização da Fatria, seu nobre polimento aval iam -se pelo 
donairoso conspecto de nossas damas, pelo porte varonil de 
nossos cavalheiros, pela compostura dos que &e preparam a 
um destino sério. Avaliam-se pelos salões familiares, pelas ca- 
marás deliberativas, pelos tríbunaes, pelob escritos de nossa im- 
prensa, pela frequentaç&o de nossas ruas, de nosso commercio ; 
pela correcç&o de nossos negócios, pela nobreza de nossos pro- 
cessos em geral e particularmente por nossa linguagem, pela 
distinçfto de nossas maneiras... 

Eis aqui o civismo pratico, eis aqui o amor da Pátria de 
que em Tiradeates vamos ver um sublime exemplo. 



— 352 — 




TiPadentes aymlwiliza para nó? o espontâneo civisnio repu- 
blicano, como podia florescer no tempo «m que elle viveu» ua 
épo;a inicial da moderna concepçào da verdadeira Rppnblica. 

Ontr^ora Republica, res-puhlica^ era simplesmente a coíisa 
publica, a -nau do Estado, qualquer que fosse o Palinuro que 
lhe empunhasse o leme ou Ibe dirig-iese an tnanobraE. A consti- 
tuição das monarcbiaB modemaB outorgou ao chefe ào Estado 
os caracteristicoe fundamentaes da inviolabilidade e da beredita' 
riedade, A Republica aó começou a dettruir easea princípios com 
a decadência do siy»teraa catboHco feudal- A primeira e incom- 
pleta applicaçAo que teve o principio re(>ublicano foi no gf^culo 
XVI, na revoluçÂo bollandeza. Ahi surgiu e consagrou- se o 
dfig-ma revolucionário da soberannia popular. A liberdade r-reai- 
diu então à mais florente e á menos tempestuosa das crises re- 
volucionar ias, que inaugnir*Tain no Occidente a ínatituiçào repu- 
blicaim. Depois, um lampejo republicano irrompeu de nc^vo no 
ieculo XVII, e na aublevaçào ing^lesta estabeleceu o principio da 
igualdade como do^^ma politico. 

Na época de Ti rad entes, ao iniciar-BO o ultimo quartel do 
século XV III, a idéa republicana funde seus dogmas e piia a 
emaiicipa(;&o americana. Mas só no ultimo deceonio do XVITI 
século houve uma inteira, final convergência dos dogmas revo* 
lucionarios, para produzir na Fran<,ía a «Grande Criae». 

Explodiu Hntfto a maior, a mais dolorosa de todas ai 
transformações politicas e sociaes. A França abusadamente 
operou assim o desmoronamento final d» ordem antiga e aunun- 
ciou o alvorecer de uma organização humana, Bociocraticai livre 
de peias eobrenaturaes,.. 

No Brazil a emancipação doe EstadoB UnidoSt as idéaa fran- 
cesas, as idí^as republicanas tiveram uma viva repercussão. 

Oã estudantes de Mont|^iellier, os engenheiros^ oa poetas, ot 
viajantei abi commuoicavam essas agitações^ estcB santos alvo- 
rotos em prol de uma era nova. José Joaquim de Maia, de 
Montpellier, com o pseudonymo de Vefídek, escreve a Jefferson 
em Pariz e lhe communica essas emoções, ©Bsai idéas de inde- 
pendência republicana que trabalhavam a colónia portuguesa. 
ToTO com elle em Nimes uma conferencia e solicitou o auxilio 
dft novel republica americana. Disse lhe que os braziieiros esta- 
vam resolvidos a seguir o «admirável exemplo* dos americanot 



I 




porque sendo ■habitantei do luesmo continente» eram tde al^u» 
mft larte corajtatnc-tas». Declarou lhe que cos homena de letrai 
enun oe qae maid deBêjavam uma revolução» e que o \)&íz estava 
geralmente preparado para etla ; só lhe faltava chefe e um auxi- 
lio eãBcaZf como o da nação americana. Jeflerson^ leva» do em 
eonta a riqueza do pai;^, a irvstruc^ção e a fortaleza de seoa habi-» 
tante», reconb^ceu a probabilidade de le fazer do Brazil uma sd 
He[>ub1ic4; ma» teve o ctiidado de nada prometter ou de se 
escusar cautelosameote (l). 



Foi oea«e meio e o^ípse tempo que surgiu a nobre figura 
d« TÍr»dentes, com sem profundo e espontâneo civiamn. 

Baseados lào sámeiíte era uma triste jogralidade de I*rtiacio 
de Alvarenga Peixoto, varioa hiBtoriograpboB tílsm consugrrtdo 
em teu» livros que Tirad entes era «feio^ de aspecto repel lente». 
Já demonstrei alhores [2) que o beróe mineiro era betii iifirecido, 
era svmpathico, de agradável pr^aença, aberto de pbyÊitJiiomía e 
extraordinariaiDPute expansivo. Esta prazenteira pxjmniiibilidtíde 
é que aeuB mals^nadore» tacharam de indiscreta. EUe eA& nobre^ 
generoso e vivia para o bem, na esphera em qup nasct^-ra^ nos 
Jimiteft d© suas forças, que (arte desenvolvidas. Nào lhe f^ram 
precisos os Bubterfu^ins © cautelaa de quem vive escuieiítando a 
vida. As devussas de Minas e Rio, que tudo inquÍBitorifilmeute 
eBcudrinharam, nenhuma tacha descobriram, que de leve lhe pou- 
desse marear a vida, como intemerato cidadão. 

Tinh* 08 deft*ito6 da e»pon*aneidade exuberante* Míts tinha 
civismo tão profundo, tão eitremoso e tão commovednr que orçou 
pelas raias de uma religiosidade eitabundante. Em euu alma de 
ciente, esse enthuaiaamo era em verdade a pfjsxesHão tJe um deu ff ^ 
como o etjmo do vocábulo nos epsína. Confuudm-o cou r> culto 
de latria que votava á triplice divindade catholica. Por elle 
estava prompte «a dar seu corpo a devorar», como Danton, o 
alcandorado e^tíidiata da HevoluçAo Franceza. 

Enlretaijio, ho civiemo jierturbado de nosao tempo, foi e^se 
4pex de enthusLaamo que se lhe antojou o uaxinio defeito de 



II V R«Tlftli do Inêiitula ííiiíoriío do Rio, tomoi 3, 47 « ^6 

i) Vk meu opilícillo. Tiradr»f§t, poblitiaçílo n. '.♦, do Club Bf/tubUramo ã« Com- 
■ntiFt^rofâif eitieiM, V»m\újit,a, iwit. iO« artifiros nbt eiifefx«di>» i&d du iKbJi, 

Um* infoi UAçao, <)Qe teabo preietite. reForçA eiip^c^lA^mente Oi tebtcmunhot qne 
D«a»et opDfeulo» Citei ji oa^j t*, ú & /^t, Poí tlriid* p*lo dr José Rezi^t^de TeUcira Gnl- 
lau-idi, en S. Joté d Eí-Bei, e é datidi úd 23 ât Nbrfl â« }Hâír Ab\ vivia nnu ancíi 
d« $h UDM. que conli«cerm o M»rtyn £llA deolar* que Tiradmftt tra tin kaitum la- 

anlltt Mio leve caiaíi Bm «ippcUl dcumentÍT e««» cariem» e trttie inverdade doa c]u> 
ticúa blitAri^úrei de ríisb» P»tTÍR. «oí tjuo bIo tenbo eviudo, (jue tiíLu etttiri:! b re- 
prodQcçfto d«tM falAidftda, JUa* qtie Taier, li bA letraAov qoe p&o l«m e ló ucrfl- 




nosso herós. Um seu primitivo entbusiasta, — o AUtor da niaifl 
traballiada, cfiupletaj porém defeituosa biitoria da conjurav&o 
mifieira, *- apparen temeu te sõ por isso o quiz apear de sph plintho 
glorioso. O JÍ6W patriota lhe sahira um frade^ diz elle. Como 
■í aoa fradep fora impas&ivel atting-iroa altos píncaros do heroísmo 
ciyico e não poudeiiem chatuar-se um Savonarola ou um Frei 
Caaeca 1 

Já uoB tempoft da Republica, esse meemo glorinao aspecto 
d© DOBfto hetóe BuecitQU uiu dpsvio mais ^ravé. Na onda anonyma 
de certoa deaaíumiadoa detractores, apparece ao Norte a ambí- 
çfto nativíata, que teuj querido aiTebatar a Minas a gloria de 
um |>roto-inartyr republicano. O herõe que se lhe antepõe, o 
protn-martyr usorpador é ô pernambucano Bernardo Vieira de 
Mello, — «o feliss capitão dos Palmarei», como lhe chama Soutbej, 
ou. o ambicioso, o sevo, o infeliz ccapitã') do matio», como lhe 
chum^riamoB nofi omiooeos tempos do escrava^nâmo. 

Vejam como surpu «He, a pen^eguir mocambos e quilombo»^ 
livres; Vf*jam como viveu, a Tyraiiniz»r cruelmente a famtlia, 
idear violências que na vida civica lhe dpaaem post»'* prej^on- 
derant-s (3), VeJMm, por outro lado, a vida símpl*-», u^eneroí 
do dealista» do medico e&poQtarmo. a curar ^«atuitamf^nt^ s^^qí-^ 
concidadãos. Vejam saas occapaçòt:», Rua g-í^nerosa viva idade, 
»eus ptaíiuB induâtriaes tão pacificob, Uo uteta civicafiieute. Viajam 
tau tíaal enthu&iasmo patrinttco e sf^u crueitto pa rifício íinal. 
E di^am depois ú ha cotejo possível entre o pretenso beroe de 
1710, o !i*liz capitão diimioador « a boatia Bíif;i'ada que em I79â 
te immniou a Patriít querida, sendo simpleá alít^res de um obseuro 
regimeuto de cavallaríu... 



De í stirpe humilde, Tiradente^ nasceu era 1748, na fazenda 
do P^^mbal, á margem do rio das Nfortes, nn tf^mio da víUa do 
B. João d'B[-Rey (?) (e nAo S, José que hoje se honra com o 
nome do proto-martyr ?. V. nota in fine). Teve instrucçào 



63 ú% H*9i»ta do Iheí líint, BraniHrcK B, V de MQlIn tnorren em leu léllo, Hú LI 
moetro iLíiíidai, iolíboaún era n ite tn^emosâ peb» emanaçêet de tt» foffíireirc i^ttl 
deiitárA Acceio^ em seu iaiirt"<, O ant^ir Ún Karraç&o cbhinn * iito ocí^bar mal, em 
i]«*Heo da Aév% tyrj)iinl4 que oh fitnllta eitereeQ, p 't DecuãiAo do «Dppoato iuÍDlt«rfo de 
nmft £ua nom Oapatt de IoiadcJU» ferez&n. rl«po38 4^ Tonenoa »dinlnlatr&do» por todu 
M rt»«. depnli de inm niij^«lurn< fui & mStera» iQiTúCHd» por mAús ú.* m^n e do oa* 
rfdo. Eli como ú pirfteftado <^utO'r detcrvve aa *marte« daft^raçiidiiii* dMteii «ftetUM 

■A Búgr*. . (Borrflti: »Dirúcad&, e âfEeni qne Uerrando p«r cAa«)b ob do vJ^ta» 
«BaDJneaclft. ou intuiiiiiiçftõ dn bofe oq Aatlitn»^. O marido. Aodré Vieira a fleu pie Ber- 
ii*rda ^^lelrji. morreram tto Lloitfeiro de liídboa , eaie ucliiario.M», pet» mjin^hD. merto 
na cama, li»veiidí»-íe deitado netl» »%a, eam am fogareírti açc««o, qoe tinh» ni«ttidio n» 
frlisúiTa, em rui Ho da Trio de lote mo, qae entAo ara; atinei to, «Undajogaiiil» as tAbolJur 
TalcDtc, calti paJ^n trti 4í«f'igDta ; e anlio« foraat «em coaQuAo, secando aa notieiái qiiB 
rJeran de liltboa. daa a-obredlta» mortos*. 

O dr A^rnedo de T9iie4p, num arnuoado ccrradamimbe jaridioo. Já Uquldou et Ur 
AtitiHdicãfão improctdêMíê . 




— 355 — 

regiLUr, sabendo o francez e mesmo o latím. Redigia benj o 
com uma ealli^raphia melhor qu^ a de muitoe ktrados de seu 
tempo. Noisos prec^iticeitog Ijtemrios non levam a suppor que 
iô o alphfibetiamo dá iiiÊtrucçào, O Tiradentes podia sc^r anal- 
phabeto, e entretanto poA^mr uma inarrucçào mais completa que 
A dos letradofl íg-norantes- Basta va-lhe o proceaso da tradiçAo 
oral, que a qosbob maiorea pennittia adquirir um intenso, um 
alar|>'ado saber. 

Tiradentes inaugurou sua vida ciíica no commercio ambu- 
lante. Foi depois soldado e chegou ao posto de alíeres* Sempre 
Acreditado, »empre exacto no serviço, no cumprimento doi 
deTeres, era chamado para as mais arriscadas diligencjas e para 
eoisiniifÕei de confiança. Tentou sem resultado a rameraçào e 
tm eot^ndido em explorações mineralógicas (4), 

Ideou empresas industriais no Rio de Janeiro e em todas 
TÍ8a?a spmpre ao bem estar do seus concidadãos. Projectou 
trapÍL'heb nas praias e carreiras de barcas entre o Rio 6 a Praia- 
Grande. Planejou angtoentar as ae-uaa da Carioca, fazendo a 
canal iicaçilo do» rios Andarahy e MaracaaJl. Estes planos, am 
que o desattenderam ent&o, foram todos realizados mais tarde, 
como obras utilisíiimns ao trafego da vid^i cívica. 

Foi nassas constantes vtag:ens de Mioas ao Rio que Tira- 
deates começou a manifestar t^uas ídééê revolucíoufirías, seus in- 
tentos de emancipar o paiz do jugo portuguez e do governo 
realengo. 

Onde banriu eãsas idéas? Na maçonaria, cuja triangulo lhe 
sjm bolinava ao me^mo tempo sua devo^'ãie á Trindade catholica? 
dm os estudantes que regressavam a aeus lares, abeberados 
•das idéa^ do século, impreg-aadoB de espirito novo, dos fortes 
ideaps revolucionários? Com os poetos sonUaJoreí, a idear bypo- 
thpticâ« repuHlícas '? Com aacírdotes il lustrados, como o couego 
Luiz Vieira, cuja s^rande, selecta bibliorheca abraQ^çia todas as 
novidades do aeculqV 

Tenho por escusado fazer esta indagaç&o, A idéa da in de- 
pendência ei^tava no ar e era por todo§ aspirada, pertencia a 
todos os cidadãos activos. Os intentos de libertação estavam ge- 
ralmeate nesse povo indusfcrio*o, mas opprímido e vexado. Maia 
dizia; «a respeito da revoliiçàn nào ha mais que um pensamento 
em tildo o paiz». E o paií estava sufficien temeu te preparado para 
^sar da liberdade. No diaer de JeArtreon^ «o Brazil, compjirado 
com a Metropele* era mais popnlos", mais rico, mais frte e era tào 
instruído como ella». Só lhe estava faltsmdu a viril iniciativa, 
que em 1789 foi abafada, como em largos traços vamos apreciar. 



4} BuMlo 4i Mfti^lbKi». em nxnA coaferèâali feltt em Campinos, em 1004, dii 
qQe L^ êà. Cunha Mifnezes. «em oRílHo de 2i de abril de ílM. nomeou tiradenter, pa^^ 
MompftDliar (iMvAo úxt 6. M&rtlalio nama «xoloraçto mi i«rtfiei orleat*» di Dapitaol» 
por tsr MllTi XaTJer «intelLigencia miji«ral«^icip. 




— 356 — 



III 



Já foi dito que «Bem Tiradentes» a IncotiÊdeticla dimiuuirm 
em dois terçoB de %pu esplendor» (5)« E esaa é a verdade [tara 
qaem çot&iiTa os numero-os doeumootoa dessa mallograda con- 
spira(;S.o. Todos os companheiros de Tiradentes, meamo aquelles 
que o lieróe «achara com mais calor», á uai a, procuraram oxi- 
mir-se da responsabilidiide que tinham no projccíado levante. 
BeBafo^^ram-se em expansúeií covardes, descerarn & ri-crirainaçõe» 
vis, rebaixaram-se em delações v^rg-onhosas . E terminavam seuB 
indignos depoimentos com implorações á piedade da clemente 
rainha de PortníjaL 

Tiradeoteô fji UKtco a tiâo culpar DÍnguem, foi ukico a 
aguarentar a respon^ahilidtide doB m ia, mesmo de »eus inimi^oa, 
como o íiiibelle Gonxfljifa, que em suas «lyra^» indignamente a^ — 
mesquinha o g^eneroir* alferes, A si tao somente inculpou, cha- 
tnando-Be á autoria de quanto fez e tudo confeasatido com accento 
áú verdade. 

Não ha féria objecçllo oontra o primado do intf^merato al- 
feres na conspiração mineira. E' era verdade de uma Con,spiraç/ío 
àe Timdenieit t^u^ se trata aqui: os mesmos antigos historiadores 
palacianos andam nccordos no epigraphar aasim o planejado mo- 
TÍmeuto. Podemcts, pois, concentrar no magnânimo heroe ioda a 
trama revolucionaria e ver assim mais uma vez toda a grandezi 
civica desta alma de eleição. 



O imposto do quinto de ourOj era 1731 e 1750, fora com- 
mntado na obrigação de darem os povos das Minas cera arrobas 
annuaes de ouro. O atrazo em 1778 era de f>38 arrob 8, actual' 
mente un» 18 mil contos, e o governador Barbaceaa, em 17BSv 
viníia encarregado de lançar a derramat a finta geral pai-a & 
cobrança de» ta quantia. O terror que tal processo de cobrança 
inspirava aos minguados AOQ mil habitantes das Míiias, era nia 
real, um solido motivo para obter sua adbei&o ás idéas revolu.— 
cionaria^ de Tiradentes» 



() vide » putllcaçllo— lil Ú6 Abril». Oorú Preto 18M, 



É 




— 357 — 

Eis o que especialmente, eco nomicatD ente explica a recni— 
«ieicencía de^saâ idéas etm 1788. 

Hft, porém f teâtemunho de que Tirad entes começou a mani:- 
featAr *eu8 prineipio^ no governo de Luík da Cnnhi Menesíes, o 
fanfarrõjj Minuto das celebradas Carím Chilenas. Seria entàa 
por 1786 que Tiradentee se mau í testou Tevducionano. Maa té 
no anuo da projectada tlerrama Tiradentes proseguiu com vigor 
em *<?U8 patrióticos intentos. N^s e anuo, era acosto de 1788, 
encouir&-Be no Hío cora o dr. José Alvares Macirl, que a£abATa 
de cbei^Ar da Inglatorrn 

Aa noticias que Maciel lhe deu sobre a emãucipaç&o ameri* 
capa fiz^ram-ao chorar de enthuííiasnio. DaLí em deaute o fo^o 
Bggrado o devorou inteiramente^ sem remts&ãn. Buaca estudar a 
revolução americana e pede aoa amigos que lhe traduzam obras 
inglessas que tratam do assumpto. 



Tiradentes volta a Miuns, induz seu commaDdante a entrar 
ma cotispiniçào e o consegue, auxiliado por Maciel Sujígers a 
eonvBuiencia de uma reuniUo para cfmbjnar-ae o plano da re- 
volta^ para eleger-se o chefe e defitiitjvamentts determitiar-ae os 
encargo», os papeii dos cr^nspíradore^ A todos fala com eluquen- 
cia calorosa e é a elle que o comm/indante remette quantos 
qaerem saber d;i formalidade com que tinha deter mitiado esíabe- 
hcer a nova republica de Minas^ em consequência da do Rio de 
Janeiro, 

Ãoâ mes mo B letradofi, como Alvarenga, convidava n que 
viessem ouvir em sua casa a cx}Xj»i^o do alferes Joaquim Jose^ 

Nasceu dahi a reuní&o em que se combinou o Levaute e em 
que o Tiradentes teve sempre o primeiro papel- Oa coavitea do 
commandante, coronel Frnncigco de Paula, eram leitos com o 
fim de áftí encontrarem com n alferen^ para que vi asem quanta 
f(Úa^a inJlaTnmado nobre o levante^ que atê th^gava a chofrar. 

Nessa reuníào foram as idéas e planos de Tiradentes que 
geralmente, prevalecemm . Assim foi adoptada a idêa de se come- 
çar o levante por Minas e nâo pelo Rio. Era o corajoso alferes 
que sairia á rua por occaiifto da derrama e com alguns compa- 
nheiros iniciaria a revoIuçAo com o grito — Liberdade^ Delle foi 
a idéft da bandeira revolucionaria, com o mysterioao triangulo 
da Trindade, E chamou a si a mais arriscada miBs&o, — a do 
prender o governador oit eliminal-o, si preciso fcase. 



Eis o heróe em sua acçjio deciaiva, NAo é agora que devo 
alongar-me numa historia que ha três lustrais me attrahe, me 
seduz, sem que haja lazer paracompol-a deíiui ti vãmente. A penaa 




— 358 — 

accrescentareí maia algumas linhas para melhor caTacterizAr 
o fínal civi&mo de Tltadeiites^ Terminarei depois deAcrevendo 
o cm© nto BAcriíicin 

A conjuração itii denunciada ao governador a 15 de março 
de I7B9, quando o Tiradentes estava camiaho da Rio, com um 
mez de Ikeoça. Encoutrou-se com o refece deEator e ainda Lhe 
disse uma phraee caracteriâtica de seu altruiamo : *— «Oá ¥ou 
trabalhar para m outros, para vocêl» E o Judaa SiWí^rio ia 
trabalhar para aí, la pagar com a denuacia a enorme dívida que 
o prendia á fazenda real... 

Em caminho continuava intemeratamente na propaganda 
reTolaciouaria ; ^tmda o pegava*. Quando um seu amig^o, o 
cónego CoBta, lhe fazia j>ondaraçÔf5S| respondia sempre com ar 
leguro:— ^âcí ha dé aer nada; De^iS e^fá comiWHc^i! 

Delle dizia o iUustrado cónego Luiz Vieira que a hatítr 
muiÍQH ds seu quilate^ far^se-ia no Brazil uma RepubUm flo- 
rescente. E peu companheiro padre Holim testemunhava que 
elle era um heróef que *e lhe não dava morrer na acção ^ com» 
Utnio que dia se jheèse* 

Assim, animada pela confiança de seus companheiros e iio« 
bretudo encalmado pelo ardor de bue flamma interna, ia o Ti^ 
radentes para o seu Calvário, ainda cora a esperança de formar 
umn Republica e converter o pais e^it unia segunda Europa, Í3 
quando lhe talavam que era crime levantar^ge o vassalo contra 
«eu rei, respondia indi^tiado; — I.-*to não é levantar: é restaurar 
a 7Wtm terra/ 



Foi com taea estos dts enthusiasmo que chegou ao Ria 
c afouto e destemido, com o aferro de um quakerj^^ segundo 
testemunhou o frade Raymundo Pennaforte, que lhe assistiu aos 
últimos momentos. «Era um daquelles indivíduos da especio 
humana, ^^ áhi& o frade, -^ que poe em espanto a mesma natu- 
reza». 

Ahi o alcançou a denuncia, sendo preso em um e«conderiJQ| 
na antiga rua dos Latoeiros (Gonçalves Dias). Fora ainda sei 
terno civismo que lhe gran geara esse final auxilio. Obtivera- 
por intermédio de uma viuva a quem beneficiara, cu rand o- lhe 
a filha. 

Náo cabe aqui narrar as peripécias de um monatruoao pro- 
cesso, que durou três annoa. Ã sentença foi lida aos presos n& 
madrugada de 19 de abril de 1792, provocando em todos os 
com panb eitos de Ti radentes oa maia trietes desabafos. 5d este 
aoâreu quietamente a sinistra leitura. 

No dia aegainto, depois de embargos n&o recebidos, veiu a 
sentença final, em que a todos os réus, ezcopto Tiradentes, se 



É 



— 359 — 

ecmiD!itav& a pena de morte em de^rrede perpettio. Foi então 
que & lacra vietimn se elfí%*ou ao apic? de sen generf so civis-mo, 
de &iia maptiariimidade hercica. Em meio da ruidogfi ale«:rÍHi de 
seus caroi>anheirí>íi, que entoavam a Salve Rainha e cainavurn o 
terço de Nosia Seu hora, o Tiradentes, todo acorrentado, com 
êlles ae alegroti e deu^lhes o% parabenB Ão confe^fior^ que o 
aBstatía etn tAo doloroso transe, dUae «He sorrindo- ae tTÍatemeiíte: 
— <âg'Oni, bíid, morro cheio <fe prazer, poi^ não levarei após 
mim tanto» iníeiizes a qUf^m contaminei :-^ie lo mesmo eu intentei 
n&B malti pi içada» vezes que fui á presença doe miniairos, poU 
cempre lhes pedi que fiaeaBem de mim fó a victíma da lei ». 



Seguiu-se no dia 21 de abril a pavorosa execuçAo e o 
eequãrtejamento deibumaoo. 

Em 1892, por oceaaiào do centenário de Tiradentes, compus 
uma narração rimada da tremenda «cena 6aaL Essa é a que 
em seguida ^ vae ouvir. 

Fecharei com ella eate imperfeito esboço da grandeza cívica 
de nosao heróe. 



E agora a todos nóa, mestres e alumnoB, cidadãos autpe de 
tudo, reata-nofi pautar fystematícamente nossa vida pelos exem- 
plofi de um ctvÍ6mo espontâneo, que em Tiradentes attingiu aa 
alterosas cimas do eentimento reli-^^-ioso. 

EncbafTos o coração dos haustos afectuosos que estes seu» 
timentos nos despertam. Aasiin, predispostos ao bem, tratetnos 
de o praticar maia e mais em noHsa Pátria^ tilo «larecida de todos 
Oi bens para afugentar todos oi males de um organismo noveU 

O mal cívico está sobretudo em se não praticar o civico 
bem, em se negarem as fojmna melhor adjectivadas a seu im- 
plemento completo, E' o negativismo do bem que constituo o 
maU E' o negativismo em geral que derranca nosuos perturbados 
tempos. 

Vou concluir. (Vide o âppendicib). 




~ 360 — 



APPENDICE 

(a' COKFE!t£.SCU DH 20 D» ABRIL I>B 1907) 



I 

A EXECUÇÃO DE TIRÁDENTES 

1.) 

Descrição eitrahida do folheto n. 2 do Cluh Republicano 
de Commemornções Civicaíí^ Campinas, 1904 (conata de artigoi 
escrílos Gm 1892) : 

O dia 21 de Abril foi um Bahtiado. 

O sol banlmva os borissontea de esplendida luz, clareara as 
serras, os aUng pincang circnmínceote» e era já bem cálido á« 
oito lioras. Esse dia fora decretado de festejo publico, e para 
maifr «.oletiiiidncle sustou-fie a partida dos navios ancorados na 
bíibia. A trf jia toda trajada de nnifoiTne rico, oruado cem festoes 
de flore». O coni mandante Pedro Alvares de Andrade, o ajudante 
de ordens do vice- rei, que era seu fillio Luia Benedicto d« 
Castro, e ns demais antondades, motitavam briosos cavai los rica 
e cnrioinment*! ajaezados. 

Gualdrapas franjadas de ouio, nrreios com ferragem de 
prat^t, Ht^triboã do mefmo metal, ornamentos de velludo escarlate, 
mnitafi fitas entrei açando-se nas crinas e nas caudai^, tudo iato 
faseia o apuro e realce das galas grandes com que se festejava 
■uu>a exfciiçÃo pavorosa 

O lu^ar do supphcío, segundo as deânitivat indagações do 
er. Mi^^-tiel Lemos, é o occu|>ado actualmente pelas cocbetras da 
EmfreKji Funerária, á rua Visconde do Hío Branco n> 36. Esse 
terreno em 179"2 fasíia parte do extenso Campo de S. Domingot. 

Neãse campo, a confinar qtiasi com o largo da Lampadoso, 
estava levantada tima forca deãcommunal, de tíko grande altura que 
paia nella aubir tpi preciso uma uacada com mais de 20 degraus. 

Ficava 110 centro de um vasto triangulo iormado por quatro 
regimento* da tropa regular, engalanadoB com uaíformeB maiores, 
e providos com munições de 12 balas. 





Os soldadofl tialiam && cobíhs voltadas para a inacbina sí« 
lustra. 

Os instniDienios bellicoB coavam por toda a parte ; os ^itie- 
tas trotavam garbosos ou galopavam from^ntea, casando seu 
duro estrupido com ra sons do6 clarins e os riifofi dos tambores. 

Às janf^llas estavam vttido abaixo de tanto inulherio, àit 
Frei Roytnundo, e cmda uma apostava com otttra o melhor atseio 
e lu^imento de s<»u tr»jar, 

A multidão a|nnbava-ge & roda do instrumento fatal, sendo 
precído f>A tralha» para lhe &<inter a ctirioaidadp. 

Lo^ò cfedo o carraâco, qu« era o negro Capita ti ia, foi á ca- 
deia implorar ao Réu o perdAo da morte que involuntariítinente 
lhe ia dar. Tiradeotef, plaeidOj em sublime humildade, que o 
exaltou extraordiDariamente^ respi ndeu ao algo^: 

— O' MHU AMIGO, DE!X£]-MF<: BKlJAE-LHB A8 MAo8 E 08 PÉS ! 

E tendo-0 feito, provocou admiração e lagrima do próprio 
empedernido executar (1) 

Ao despir -<ie para enfiar ã alva e reeeber o baraço i tirou 
t&mbeiD a camisa, dizendo: 

— Meu Redemptor tambbm por mim MORREt; Núl 

Cerca de U horas da manha partiu o cortejo do edifício da 
cadeia publica, em qne hoje fte teune a Gamara dos deputados 
e onde naquelle tempo fuiiccíonava o Triburial da RelaçÃo- O 
oratório ou Capella de Je&ua, onde Tiradentejs ouviu a sentença, e 
oode permaneceu até ir para n cadafalso, era a í:ala que depois foi 
oceupada pêlo archjvo da Camará. A porta por onde t^ahiu, abria-se 
então para o lado da igreja de S. Joáá, em um pequeno lai'«ro que 
ainda existe e uelle havia ent&o um peb^urinho, Dahi seguiu o 
préstito pela rua da Cadêa fbqje AMembléa) passando pelo largo 
da CaHfjca, pela rua do Piolho (Carioca) até o Campo de São 
Domingos ou largo da Lampadosa. Esse grande quadrilátero era 
despo^^oado, retalhava^&e em muitos charcos ou pântanos e seus 
lados se formavam com aa actuaep ruas do Visconde do Río Branco 
(antiga do Cande da Cunha), da CotLstfi itição (&nti^H dos Ciganox)^ 
a face do Campo de Haut'Anna^ entr» etiSfts duas ruas, e a face 
Çpposta da aetusl Praça de TiradEníen (antigo Largo do Rácio), 
comprehendida entre as rua^ da Carioca e Stk de SÉÍembrOf outr' 
ora ma do Cano (2). 

Compunham u séquito : 



I 



\\ o fr^ HoTberto, aiirsndi} e«t9 episodio^ d!i que Tlrftdentei ieiceu àt tra p*' 
ittUi iê fkiria e alhnrea accreicenlft qu^ fluin pbrA«{3 de c^xcolâfc hamildiido, como em 
g^raT rt rptfçloío com portam cato do H?njO neíle dorido pasão, 3hç mostr^rnín que tmham 
fi^ir ~ Uí t txtctítada um frtidt V.ò ama alm». Idch^kz de lenUr ús éttimtilot 

^1 ' g'âita tp«la Jiaiirclit« Ao lecoW, poderá deâcúnliêcer m aaoiiDa vaUji 

<l*j -'ios«« que torna o homem eminentemente è^mpathlcQ, qOf! O Taz accoI' 

iWel A Í4>tl4* ii búu idéaa, íí apto & pratíeur lodaa aa tio»!* acçfiM. E* preciso, alèm 
4Jitw, Igroorar que âeue a«Dtlr é a li u ml Ida de ú principal aikerQç, pais, como dli 
Att^ulo Cõnnt«!, 

1 f|?Stfl»»Â« fi k It4SB DO AFKBrSIÇOÀM&HTO. 

1) JitotfKi* LEUoy, op. ctt. 




- 362 — 



t.*) Um éfquadrao de ca vali ária» seguido pelo clero e í 
mãndade da Mi^encordia com bue coUegiada, levando ca frente 
a respectiva bandeira. 

2.**) 9 relipoiíOB e meirinhos (3), escoltando o padecente, que 
ia no meio, de cri]cifíx:o oas màoB, e no collo o baraço fatal que 
o carrasco segurava. 

3.*') Desembargador ca do crime e escrivão da al<^ada, oi 
ministros desta, o ouvidor e o jniz de fora, 

 fúnebre carreta, destinada a trazer os doipojos da Victitna, 
vinbn no couce» a rodar pesadamente, puxada pur 12 galo». 

Oâ relig^josog psalmcidiavsm a prnposíto i de vess em vez 
parava o cortejo todo» oa tambores rufavam fortemente e lia-se 
o prei^ào infamante. 

Revestido da alva^ indumento sagrado j de que a Posteridade 
ias aeu maior titulo de gloria, maniatado com o erucifíico, ia o 
Martyr de olhos fitoa em seu Cbristo amado, symbolo de &ua fé 
Ardenttí e m por duas ve^es os aftiâtou para contemplar o c.áu. 

Diz deite Frei Ray mundo: 

«Cauâou admiração sua constância e muito mais a viva de- 
voção que tinhtt aos grandes mysterio& da Trindade e d« en^ 
carnação, de sorte que, falando-so-lhe nesses mysterios, se lhe 
divisavam as faces abrasadas, e ns sua& expressões eram cheias 
de uncçAo, o que fez que o seu director não the díscêsse nada 
mais sinílo repetir cnm elle o symbolo d» &. Aihanaeio» (4). 

O valor, a intiepidez e a pressa com que caminhava, os so- 
lilóquios que fazia com o cruciliJto que levava nas mãos, en- 
cheram de extrema consolação m que lhe assistiam», 

A's 11 boras chegou á praça o cortejo. O sol fulgia quaai 
a pino e a calma era grande. 

Todos os testemunhos do tempo sfto accordes em pintar a 
coragem, a resiguaçàfi e grandeza dahna com que Tirad entes 
encarou o f^upplicío e sofreu gua barbara^ aua ostentoua execução. 

Devoto fervente do gozoso mysterio da TrindadOf quando 
chegou á forca pediu ao confessor que só desta lhe falasse. 

Subiu testo a comprida escada do patíbulo. Com os olhos 
fixos ua imagem, eem estremecimento algum, deu o peseo<^ 
para o fatal apresto e ao carrasco ppdin três vezes que abre- 
viasse a execução. 

Nâo Ih 'o consentiu o guardião do convento de Santo An- 
tónio, Frei José de Jesus Maria do Desterro, que^ inftammafido^m 
desmarcadamente em caridade e em ju atiça (diz Frei liay mundo), 
Bubiu alguns degraus da escada e improvisou uma fala ao povo, 
exhortando-o a se não possuir tão somente da curiosidade ante 



^j Bei^undo q capltftú DIkí Barbosa^ mnrcIíaTjv ãepol« do pnâecente nmn eKo1tJL,qDe 
elle, como Wbotitõ ou tilfer^s, tiomm&Ddiiva, e o êiittuco ib úo Om ^M.Aicetedd, VurtO'^ 
aidftitt, BO}, 

4f Ahl pel*. ve? prímetrft ae 4A ao Eipirito Pâoto o oome de Bmt, compleUddo o 
^rufri» dâ tn» qut CóDitUueiD o myttfirJo da TripdAde. B«« ij^mbolo uíq foi ooia- 
p«it« par 3. AUiaDMlo, 



^ 363 — 

o f&woTúBO eap^etaculOj ante a constância do réu, que «ainda asaim 
fora objecto da clemeucia real e da illuminada justiça de 9eiis 
miiúetroa, quê lhe não aggravaram a petm* (1), 

Depiois rezou o meemo frade o gymbolo dos Apoatolos : no 
sepulcral silencio de todos os assistentes, aó se «rguia a voz do 
Tiradentes repetindo as palavras da oração. O frade descia os 
de^aus^ á medida que terminava o credo; |>o^ ^°^^> sumíram-se 

Segundo o eapitllo Barbosa» Tíradentes intentou falar ao 
povo e é tradição que chagou a dizer: 

— O' Pátria l rscb&b meu saobificíoí 



Mas o executor Capitania ímpelliu a Victima, que girou em 
cotiyulsòed no espa^^o e foi cavalgada pelo al^oz. 

Retambaram unisonos os rufos doa tambores, abafando o grito 
de horror que semelhante scena provocara. Frei Raymundo Pen- 
naforte, encarregado do discurso pare n ético allusivo ao acto, 
fel-o em se^ida, fundando-fie inteiramente naa palavras do 
SeelesiajÊÍeíi: 

«Nem por pensamento detraiaa de teu rei, porque as meamaa 
aves levar&o tua voz e inanifestaríko teu juizo». 

Acabada a fíila, desiez-se a figura triangularmos regimentos 
metteram-ã6 em uma tò colutnna e deante delles foi lido um 
diteorso do brigadeiro Pedro Alvares sobre a fidelidade devida 
ao» «oberanos. Deram depois três vivaa á rainba e entraram 
para os quartéis. 

Em 1842, um ancifto, morador no Rto e testemunba occular 
da tremenda e:£ecuç&Ot assim a narrava com as lagrimas nos 
olhos 6 apontando pava o lugar do fiuppUeio, até boje âem 
edificação (5): 

«Meus meninos, abi nunca ae construíram casaè, porque ei ta 
terreno é amaldiçoado: bebeu o snngTae de um justo, ou antes 
de um santo; foi aqoi esquartejado o Tiradentea, pelo crime de 
nos querer faier livres Éu tinha entào meus 19 annos, e me 
lembro perfeitamenle que neste lugar eu o vi dar a alma a Deus, 
naorrendo como um carneiro. Desde ent&o todos os donos deste 
terreno morreram de morte súbita, antes que pudessem fasser 
qualquer construcçào, porque Deus Nosso Senhor nAo quer qae 
neste terreno maldito se faça casa para morada de ehrístão». 



I 



Ahi está o herde, o martyr, o justo, o santo consagrado pela 
historia veridiea e pela tradiçílo popular 1 A vida e a morte 
desse homem extraordinário concretizam o vivek fará oittrhm 



i} 04auf« dê H^oUda IS ét Diíieabro de IBS O a úpiiieula< 4o ir. Lenics^ piff. *i4 




em auas feições mala comoioveates, Eva um desprendido de ãi 
mesmo, era uma aatures^a altruísta do modo o majs completo. 

Seu martyrio foi celebrado com festas. Além das galauicea 
do áia, alím doa díacursofi louvaroinlieiroai Louve um aolenna 
l^Deum^ depois de três dia» de lumÍDarías, ordeiiadss por fieveroi 
editaes do Senado da Camará. 

O decahido tbeologi&mo prestou- se a todos esses manejoi de 
sorvíHsoio , 

Ka solennidade religioí*a de 25, o afatnado orador Frei Fer- 
nando Pinto prégfiu um sermào totalmente moldado sobro aa, 
bases que na véspera lhe formulara o cbanceller jutz da alçai 

Eram três essas bflBés ; 

1.*) Dar graças a Deuâ pelo descobri meato da conjuração,, 
a taiupo de se poder dissipai- a ; 

2.*) Dar graças por ticar o Elo isento do contagio da dita^ 
nefanda conjuração ; 

3.") Persuadir oi povos a eerem Heis a sua Soberanai 
pia e clemente. 

Esee mesmo theolngiemo benzeu em Minas a pedra funda-- 
mental do mo aumento a Tira dentes, tem benzido as bandeiraa 
da Repnblica, tem promulgado constituições republicanas, depois 
de baver patrocinada intimameute a do extincto império, e ain- 
da h& pouco promovia exéquias á defunta mo n are h ia. 

Emqiiaiito o clero catliolico festejava o cruento sacrificio da 
hóstia safara d a, preludiando os bymnos cultuaes que lhe havia 
de entoar a Posteridade ^ emquanto a realeza folgava em tripú- 
dios vis» eram espalhadas a$ santas reliquias do Martyr. 

Beuiâ quartos foram distribuídos pelos lugares mencionados 
na sentença 

Sna cabeça, içada em um alto poste, foi collocada no lu^ar 
mais publico de Vil la Rica. 

O sr, ^lello Moraes (G) diz que em começo de setembro de 
1821, numa eminência ao norte de Ouro Preto, ainda se via nm 
poste alto e pt^nteajL^udo, onde estava o craneo do Blartyr, 

O padrão de infâmia, erguido era Villa Riea no cbào sal- 
gado de Bua casa, á rua S< José, foi arrazado em 1822. 



S) Ckrt^nicií 9 trai dú Broiii II. p««. iOl. 




365 — 



2) 

HA&EAÇiO BIMADA, SSCEIPTA EM 1892, POB OCCASlilo DO 

Um aabbado íúi. Nuvens de ouro o dia 
Esplpndeiite, flamivomo rompia; 

Era eesa a mesma luz 
Que outr'ora dirig-iu a errante frota 
Para a? plag-as gentis da terra ignota, 

A t«rra Vera Cruz (I). 

A ciéade se mostra tcjda em festa; 
O povo grado e o poviíóu se apreata 

A' solenne funcçào: 
Ha loldados em torno da cadeia; 
E á machina sinistra já rodeia 

Cerrada rauUídàu, 

Ok persODftgf^ne fodoe de alto porte 

E outroa, em quem pavor não move a morte, 

Montam ricos corcéis: 
Hiiare iôa a taba rumorosa; 
E a anlica chusma corre cuidadosa 

Doa direitos dos reis. 



De alva e baraço, o negro algoz penetra 
Na cadeia, e perdão ao Réu impetra 

Da morte que vae dar ^ , 
Mas Elte, humilde e plácido, Ihç disse 
Que somente , somente permittisse 

Os pés e as mãos beijar l 

O* peregrina, ó grande natureza t 

Que vivo exemplo á gente que despreza 

Os outroB 96 por st ! 
Aos outros sotopõr-íioB tal exemplo 
Nos impetle, e és maior quando contemplo 

Essa humildada em ti. 



0} A 81 d» Abril « trilM de Ckbr*] rrrãta nit ngau i\ué dâviíirn cbatuBr-Aâ 
br«itle1ru, N«Me dia virtioi úé portDgm^r«« 09 primei roa al^iet de terra jAlgcnsu 
àtTfnã fQtuprtdat) que «Dç^nitDliAniQ a frót* çarfl. notiiui plhgiu. Creio qae foi NOA- 
■KBTO {ptf. II LJ o prlmedro 1 fiour «ita eolficideDcla, 



n^^^^^^^^^^^^^^^^^^ 


— 3d6 — ^ 






Como Jbiús, — Chtistf» Jeftús kndáríOi 






Morrer intentíi, e tnarcba a seu Calvário 






Com baraço e pregào 1 . , . 






cortejo se more da cadeia 






Para o largt> EÍoistro, onde enxameia 






à sapeBiia multidão. 






Do povo e clero, da nobresia toda 






Quem senti&ae não houve a negra no d a 






De criíp© tâo cerva! 1 






Alegres, ou oa paalmos entoando, 






Do padecente á roda vào marchando 




1 

1 
t 


à' peanha fatal. 

Da Tinudade decoto fervoroso, 
Era Ibe esse my^terio t&o gOíOBO 

Que a via iacra andou 
Numa visão gratíssima engoliado; 
E em solilóquios com sen Chrtato amado 

Ão lar^o em6m chegou. 

Quaãí a pino o aol fui guindo estava 
No amplo triaugulo, que ahi formava 

A tropa reR-ular. 
A viiitima» de frades escoltada, 
A' praça chí*ga e sobe lesto a eieada 

Do patibulo-altar, 

collo dá para o fatal apretto, 

E do algox há requer seja elle presto 

Em sua atra mist^âo ; 
Nâo Ih 'o consente frei Jíbiíb Maria, 
E préfra e clama que a rainha ê pia, 

Que é hve a punição 

Só depoia destas vozes iraprudentetj 
Foude por tím rezar o Tiradentea 

symbolo da Fé. 
Tudo silenciou..* &ó era ouvida 
A voz do Heróe, que eslava, a fronte erguida, 

No cadafalso, em pé.«.. 

Ura impulso ... e no espaço se despenha 
corpo. . . Só enlào a voz roufenha 

Da multidão ecoou 

rufo doa tnmbore» retumbantes 
Ãi garrai do remorso penetrantes 


1' 


1 


Nesse povo abafou! 


^^^.r'i 



~ 367 — 

Frei Pcnnaforte té íneuinbia iJo resto: 
Do crime a ne.^idhú põe manífeito 

Em declamante voz*. 
Mas, da ctlU uo plácido recanto, 
Bem cnnfeáiofi que nosso Heróe espanto 

Ã' uatareza poz. 

Foi g^rande até ao lúfrubre momento; 
Porém doa odlos o fatal fermento 

Abi u&f^ cessará. , . 
Seu corpo fiea ein postas retalhado,,, 
E, }w1a estrada eiiihiii sendo espalhado^ 

D« c&es pasto será. 

Sua cabeça, por ten tença inica, 
Levada ioi á antig^a Villa Rica, 

Onde exposta ficou. 
Mão piedosa, porém ^ — diz-nos a lenda, — 
A ca-beça tirando á trave borrendap 

Em «ecreEo a enterrou. 

De vinte e dois o chefe grAndioao 
Juntar-«6 vem ao Martyr g^loríoao, 

Vem a Pátria formar: 
Do Hôróe mineiro o vulto venerando,^ 
Delido o traço de um labéo nefando,— 

Emfim se poude alçar. 

Outro cbôfíí depois, dô honrada fama, — 
Hóstia também do Amor que maii ioHammA 

Um peito varonil,— 
A* frente os sócio» destemido impelle 
E 08 destroço* reaes do throno eipelle 

B^m longo do Brazil. 



Os feitoR immortaes d^ Tiradentoe 
Di^vom liv^ras honrar os deflcendeutes 

Do excelso Precursor: 
— E' na floria ás altezas do Pasaado 
Que roaíft se apura o eâttmulo sagrado 

Do reverente Amorl 



1892; e revialo de 1907). 



José Falioiano. 




tr 



NOTAS E ESCLARECIMENTOS 



A BFFIOIE DO IIBROB 

A qiiefttão da «figura aanpathica^ feia, repellente, eipantai]a*í 

do TiradentcB merece uma nota especial, para bem caractemar 
a leveza cnrteaâ dos inasimoi historiadores desta conjuraçfto^ 

1 , **) No H ij K HTo di SI , ao ret r atar ma l ign a me D t e o H e r ó© ( 0<m~ 
juT. min.^ p 74) ; 

tA Bua phyBionomfa nada tinha de Bytnpattica e atitei m 
tomdvã notável (?) pelo quer qti© iossa de repellente, devido f?) 
em prande parto ao aeu olhar espantado», 

E em 15 o ta assim domtmentni 

«Era «m homem feio e parecia (?) tempre espantndo». 
Aisim o retrata o coronel Ãlvarenpi. 2.*^ /iit., 1^ Jan* 
90, Áp, 4, Dev. do R de J. Parece (?) que a physionomJa do 
Tiradentes o impressionara bastante. Ao principio disse que era 
uma cata que Qão conhecia. Idem»* 

Só transcrevo esta parte da paij^ina, embora possa refutar 
igWilmente toda a malignidade restante. 

2,") Varnhaqejn diz, sem citar doe , mas pondo entre aupaa 
oa dous malévolos adjectivos de Alvarenga {Historia^ p. 1034): 

«CumprB (?) accresceotar que para alguns dos mallogros do 
mesmo alíeres em ijua» pretençòes, além da circamstapcia (?) de 
ler liradtjitest devia (?) também contribuir o seu i^hysico- — Era 
bastante alto e muito eepadaúdo (? , de figura antipatbica, e «feio 
e et pau ta do V . 

As maligrn idades que Varnha^n accrescenta são tiradas de 
Norberto e affirmadas sem documento», como vamos vêr 

Consultei no origina] todos oa documentos da conjuração, 
que em 1893 estavam no Ãrchivo Publico do Rio e na Biblio- 
theca Naciooal. 

Li o dep- de Alvarenga» o de 14 de janeiro de 1790. E* 
aquelle em que o appellidado vate da bajulação «se resolvera a 
narrar tudo com pureza*^ para ae defender e acru&ar os compa- 
nheiros, A altiva paulista, sua exemplar es^posa, nào estava mais 
ahi para lhe impedir os «vôcs* de fidelidade malainadora e de« 
latoriA* Faz por isso um diacurso de (^ausidico arteiro, adubando 



1 



— 3Í>9 — 

com iromas, com desdéns «inmladoa 6 rastejando-sa numa delaç&a 
fofoial, tninaciosA, mexenqueirameate ÍQdÍg'oa. E' penosa a ieitura 
de tanta debilidade mrvtal, própria ào taful, do jo^^ador im- 
penitente que 80 vinha jantar à cása «por haver peixe freacOf 
raro em Villa Rica», e habitualmente de recolhia a deahoras, 
pelas três da madrug-^da. 

Nesse indiano depoimento-delatorio; bó e só nease trtgte 
docameoto — no mais estirado doa mais longos inteiTogatorÍnB(ll flp.) 
— ^é que se encontram a^ su^potiticiai bases para otnaligoo retrato 
de Tiradentes. Ahi, entre fingidos deadene, entre infwceniadoras 
dis«lmulaçõ6^, de[mr&inos o seguinte: 

1/J Refere Alvarenga que nâo dera importância no convite, que 
Ihd fizera o t^nente-coronef Freire de Andrade, para ouvir o Tira- 
dentes, «que oem uonhecia», sobre a matéria do levante, ipor- 
qne nâo navia de fatar em semelhantes matérias com ninguém, 
e eípccial mente com uma cara que nõjct a nheciaè ^ 

2.') Refere mats (fl. 7) que o tenente-coronel lhe dis^e que 
«havia de mandar» o alferes, porque «fa^ia g-os to que o ouvi^iOi so 
por ver quacto falava inflam mado na matéria que até cheg^ava 
A chorar»; mas elle «rôspondente lhe instou até sahir que o nâo 
mandasse». 

3*) No dia seguinte, caetaudo o respondente no eseriptorio 
dd Jofto Rodrigues de Macedo (1) {ornde ficava jogando^ àjt vez^ 
até às três da madr'igada] lub ai*parecbi; um official feio 
n E3PAKTAD0 (fl. 8) 6 Ihs disse quc lhe queria uma palavra em par- 
ticular; sabm o respondente, perguntou-!he quem era, e elle lhe 
di^se qu') era o alferes Joaquim José, que o ten nte>coronel o 
mandava ali curúfirar a elle respondente que a noticia do Rio 
de Janeiro era verdadeira, e que elle atmha ouvido g^eralmente 
aos tiegocsantes, ainda qoe em muito segredo, e que na verdade 
era pena que nns paisses tâo ricos, crimo eates, eativeasem redu- 
ítidos á maior mÍ8»*ria, bó porque a Europa, como esponja, lho 
estivesse chupando toda a eustancia, e os excetlentissimos ^e- 
neraes de três em três anno» trariam uma quadrilha, a que cha* 
niavam criados, que depois de comerem a honta, a faxenda^ os 
officios, que devtam ser doa habitantes, se iam rindo dellea para 
Portugal; mas que o Rio de Janeiro já estava com os olhoi 
abertos, e que as Minns pouco a pouco oa haviam de irahríndo: 
ao que o respondente Lhe disse que não andasse falando naquetlas 
cousaH, porque lhe podia ãuceeder muito mal, e que diíEesae ao 
seu tenente-cofonel que aquillo nâo era o que elle respondente 
Ibe tinha recommendado^ e que estava occupado {?), e que por 



«mlo» di 1774 «t^S^ KttnvA «liiançido em m:iU de um miihílo e itrcio de ernzidoi. Per- 
laaoi» «o nnniQrn do» protegi drta vvU Juitía dt AdminUtra^o ê Arrêcaaaçâe^ cvil 1D«ÍD- 
rta ttfft «tVB era maçua /Hirt Th. títtSZà.OA.\. teim^^va eiD dur em ArremjitaçAD a ciobrin* 
çs ám Air^lUfi. ^m voz il« o t^^t ella proprlt, como opinava *i depoudo « ncrífÍQ dã 
jQdU Ctrlo* JoM d» dílVA, Etto é Dm ponto gae mofto ídHoa um aprocfaçJlo do papt] 
QdliQ <^aci uBátê m^vlta&%io dofeapaoboa QooK&^a (V. E»v, ik InU,, tomo C e 44). 



— 370 — 

iáso o não ouvia maiB. Foi -8© embora © «íle reejKjndente ficott 
nes^a noite jo^aado com Joáo Rodrigues de Macedo tiié áft tre« 
horaa da madrugada ; quando chegou á ca&a achou todos dormindo, 
como quasi íí€mpi*e siiccedia^ * . ■ 



Ríb ahi o ÚNICO doe. hiitorico (1) ^m que se bageiani tioi«ot 

hÍBloriadoree jiara rimdimentar &uas malígnidadcs contra a /jf^ífoc 
do Tiiadentes, E* precÍBo ler todo o depoinseiito, em que Al- 
varenga desci roa de^denhoBaniente « cninpartJcipaçàf*^ os com^ 
promi*309 de seus amrffos. K* preciso ver como se Tâé innocen 
tando com ironÍAS, com remoque» á fatuidade do tenente-corocel 
Andrade, com bujulaçòeB «ao governo sctívigRÍuioe de fcg-o, qual o 
do lUm. 6 Exm, Vice-rei actual Luiíç de Vaeconcelloa e Souza, 
cujo caractct é paj-cere vubjeetis et ãtíbeílare snperbos :^ . . (1) 

Norberto nem ao raf^noe é fiel em sua nota, quftudoattribne 
a Alvarenga a [►hras*^ : 

*Era um homem feio e parecia »empre espantado»^ Alva- 
renga íó HÍ9se desdenWftTnenie rhocorreiíaiDeute, a deslujir os 
companheiro, para melhor se innocentar ante ob terrivei» juizes : 
um dia •lhe appareceu um i flficisl feio e esjiaotad* ».. (2). 

Onde, poi-, a base para a «figura autipatbica» para a 
«phyfiiotirmia nftsvel pelo quí^r que foíse de ropellente, devido (?) 
em grande parte (?) a ayu ri!hf*r (?) espantado » ? Nao temos ahi 
um triet exemplo deet.i rraligiudade literária qne dilúft phragea^ 
que ae achata, que as íii6tpiif'6 como olfaginosa gota de ca- 
luTonia ? 

Varnbafjreri tamhem unetuosamente ©xtetide os dou» epithe- 
tos e Cf^m ellp3 derrnnca o phyBico inteiro de Tiradonte»^ ttrando 
illaçòes moriícs, deBumitido ioferencias históricas. Norberto, em 
sua tianíidurfl, começara dizendí? qup n Ilerób «era de estatura 
alta, de espnduas bem desenvnlvidaB, como os nMuraês ãã, 
Capitania de 3fÍnos Geraeft (?)• Varnhaííen, que, jA fizera ,sua 
dí»&envf?Iu<;ilo, rc^um^ o ãoeumejit/j, rt»sum© M€U autor e faa o 
Tiradentefi ^hiwtiiiitt (?) nitíj e muito (?) espmhiúdo*, Hesume o 
reforça coro advérbios de sua invenção... 

j* * ♦ 

Eit a amostra que eu desejava P» rnecer, para caracterizar 

certo* processos históricos. Infi-lisímenie nfto é uniea e eu cou- 
sagrarei duas notas mai* a respigar nesses autores os errou sa- 
lientes, em que tá') n-^fastos processos tiví-ram uma pe»oal| 
vaidosa applicaçiho literária. 



\) Vide /Vfo* íiw/í/ffoí»™» nni 'Jliraj pottiem de I J âe A<viirBiif a Ptilx«]i«, Mio d» 
jAn^lro. Ihr^fi rKDt>;lc&<i1ns por À Morbe^btop, Archito io iHãtririo Fedíeraí. iflH, ti II 
ArcbiTo Pcblien do Kia lura V, opp n. i. 

aíF EiQ ns sto de lUli. í-iH mineirtí, (Or. C Ottonlj Mpre^&tindo Jiê Jtvfoema o ]lnv 
im NprtHsrto, chitiift i» l<j(o *irad«€gáo d*» poueú iisret^ 




— 571 — 

Terminarei com tree citações que de todo annullãm a ma- 
ligBA preten&fto de aiitipathicami^Dte caricaturar um victima ea- 
grada, uma alma religiosa, duplamente veneranda peto marty- 
rio e pelo amorayel civismo. 

t.*) Sí^ja a primeira a da desinteresseira ancÍ&» que já re- 
feri em nota á eoafereacía. Era D, I^aacia Simplicia de Souaar 
natural dn Santa Híta de Kio Abaixo, com 85 anu os, moradora 
em S. Joíé d'EUUoí. era 1862, Conhecera Tiradente* e seu 
irmão cap. José da Silva Saatos, entào já fallecido (vivia ainda 
em 1305^ como se sabe pelo testamento de outro irmàd, Padie 
Aotociio dm Silva Santos, dous anno& mais Telho que o Tira- 
dentoi). D, t^oacta disia «que Tiradeutes era um bomem boni- 
to* (e utQ em msio de outras informações que deu ao dr< José 
Rezende Tt^ixeLra Guimiràes, em 23 de abril de 1862). 

2,*) A secunda é di re*fi8Ítavel e iliustrado mineiro^ co- 
n^^^o Jaaqni^n Cíimillo de Brito, que morreu octogenário em 
abril de 1892. na cidadã de Sapucaia, Na Gazeta ãe Noticias 
^raarço 1880). díss eilci de Tiradtjotes: iNão (ra dh FtotitiA Atí- 
THiPÁTicAj CO no íiíeram crer ao nosso hi&toriador {Varnhaí^en). 
O cónego Rr>di'iga*is da Coata (conjurado, que regressou á Pá- 
tria, fíii da Constituinte e morreu em 1844)^ que o conhecia 
presencialmí^ote, e em cuja vivenda se hospedava elle em suaa 
Viagens ao Rio de Jaaeiro, reit eiradas vezes me disse que o 
K^^vier (as4Ím o tratava elle) era um rapaz svMPATHicOf e, posto 
que nAo hoive»be afinidade entre a farda e a sotaina, era~lhe 
setnpre agridacet Siia presêtiça* . 

S.*) Fnialmwnte, em noticia de 29 de maio de 1860, no 
0(/rrei*j M^rcinttl, dii n centenário capitão António Dias Bar- 
bosa Ferreira (que, corno teaent© de milícias, assistira ao sup- 
plicio de Tiradentes) : 

«Formara mtiita tropa, cm grande concurso de povo; ao 
meio dia cheíçou o padecente, que elle pessoalmente conhecia, 
e em cujo rosto se via a resignação e a coragem t era de mb- 

DtíHA BSTATUH^, í ãe C:lbeIlOi loUTOit € B8M PARECIDO.» 

Eis ahi a vera eíftgie ãn llerúe. Não fosse o maligno pro' 
poalti com que a de-ínaturaram, para melbor apoucar o inteme- 
rato alferes, e não seria preciso al-i'gar>nie tanto, Demaia é 
« ta o tj^pico eremplo de um mau proces&o histórico, ainda com- 
mum em nosinh cbrouistas ou historiadores. Era preciso bem 
caracterisal- ^ para o coniemnar do todo em todo e evitar ás 
novas gerações a reincidência em tâo feios de.^lisses» A hiíitoria 
nft.'> ha de liervir á aaiisfiiçAo de mina pajjtôe!* partidaristas. Delia 
havemts de inferir ensinamentos e preparaçôee ao continuo 
»rogrtfaflo da Humanidade, 

A nota »eguinto pretende esclarecer uma dessas preparaçôe» 
e afastar a tuju*tifiíadt reivindicnçáo de Pernambuco, Nào tra- 
tarei de Ufoa directa refutaçào, porque o trabalho do dr, Al- 
fredo de Toledo é a esse respeito ueciaivo. 




— 372 — 



K BEITINDICAÇÃO PERNAMBUCANA 

A intima aprecíaçào doe mug-natas sociaeí, o julgamento 
moral de noBsoâ heió'B é ponto mui delicado da histona, Eobre* 
tudo uoi tempos anormaes, nas épocas perturbadas. A ^oc/afeí- 
lidaãe, o civismo geral domÍDa muitas ye^ea em orgatiizaçòes, 
cuja sã moralidadet cuja pureza pessoal apresenta falhas sensi- 
veis. E^ entfto que o plieuomeno social deve ^er cr D^iderado com 
ab»traçllo do plienomeno mora), como no estudo BOciologico se 
apreciam as leis gociaes do orgatii^mo collectivo, antes de ar- 
gentar as l^tg tnorae» da organização individual. 

Mas um caso deftaes pTeci^a uitidam-^ute caracterizar-se como 
social. O scto civieo, a sodabil idade meritória ha de ser impo- 
nente/hade preponderar no campo da apreciação histórica. Houve 
claramente uma for^^a collecttva, accial, que se personalizou na 
individualidade mais enérgica, mais accfntuada que o meio cívico 
apresentava. O cidadão enérgico surgiu dominante sobre o pe- 
destal da liomem fali ido, e o r<^f)ahi1itou para os negócios, para 
o traí e 1^0 da vida civica 

Está nesse caso Bernardo Vieira de Mello, o destemido com- 
panheiro de Domiugrs Jorge,, na lamentosa destruição dos fíil^ 
mares (l) ? Na chamada Guerra dm Mascaien foi elle a viril 
personificação dos e&tirauloa cívicos e toraou se o magnara pre- 
ponderante, o eponyrao de seu tempo? 

Examinemos o caso rapidamente, já quanto ao meio civicõ» 
já em relação ao pretendido heróe, o proto-martyr usurpador. 

São vários os testemunhosi são múltiplas as chronicas que 
nos pintam o meio pernambucano em 1710. O facto que civi- 
camente o dominava eotão era a rivalidade entre recifen&e» o 
olindense», entre os ricos negocíaates, appellidados mascates^ m 
os nobreu fienhores dê engenho, moradores de Olinda. 

Informada a Metrópole dejsas «desuni 5eE», sabiataente m- 
tentou em se|:iarar a jm'Í<^dtcção dm vil las rivaes» dando a Re« 
cife independência urbana. No erigir o symholico, o discipli* 
nadtjt pelourinho e «na distribuição do termo>, não Recordaram 
as autoridades máximas, — o Governador Sebastião de Castro 
Caldas e o Ouvidor geral Jo«ó Iguacio de Arouche. Este pendia 



l; B<K?aA. PITT4. ffiit. da AwKÊTíeã porím^ãa , 2.* ítf, (88P, pip. asfl-si42. 



b 



— â73 - 



t eitreítur oí lindes nrbaDos e aqaelle os dilatara, a deagofttd 
dos oaturaes peraambucanoa 

Natural mente dons partidoa ae formaram a dlgladiar-ae vi- 
ramente, primeiro em convicio» « depoia a màos violentaa, 

Che§rardm as cou-aa a termos que, em 17 de outubro de 
1710, feias 4 horas da tarde, o governador e os seus foram 
alvejados por um bacamarte que lhe» dea^ojou 5 ou fi tbalae 
bervadaa* . Àpezar de «fazerem seu emprego», diz um parcial 
dos olindenaen, «as balaa nâo foram mortíleraa^ por não ser^^m 

SenetraDtfft, porque, parece, Êaya maii o eacopeteiro da aetívi- 
ade e viriutfe do veneno com que aa hervárai poupando por 
itao a pólvora»^.. (1). 

S©guíram-se peraeguiçÔefl, que atearam no» olindensea um 
geral movimento revoltoso. O governador, veado -ec em apuros 
ante «o furor do povo levantado», embarcou-se jiara a Bahia 
em uma sumaca, ou, como dh um seu partidário, «determinou 
pdr terra sm meio» (na madrugada de a ex ta- feira, 7 de novem- 
bro de 1710) (2). 

O biapo D. Manuel Alvares da Costa, pouco aifecto ao go- 
vernador, auccedeu-tbe no govf*mo, com tal ou qual apparencia 
de leeralidade* 

M&A Cã recifeiisea n&o ae conformaram com taes desordena. 
à percebem -»e com armai, com petrechos beilícos, abaatecem- 
ae de viveres e compram capiíàea de terços mílitarea,, . 

cA 18 de junho (1711), em uma quiota-feíra, ae repreaen- 
tou de publico a tragedia do levante do Recife», diz o jà ci- 
tado chroniata olindetiae. Aíortalezam-se, entrincheiram-Be, *iio- 
meiam os capitãea que vão presidiar aa torta lezaa» e cmaodam 
assestar a artilharia doa fortes para a parte da terra», „ 

Os olindenaes congregados os aasedibm e lerem escaramuças, 
Daht as ^uerrilhaa, d a hl a guerra ã&n mascates, tào pomposa- 
mente celebrada. 

Durou eate cêrco^ d araram estaa refregas até á chegada do 
novo Governador, Félix J. 5f achado de Mendonça. Desembarcou 
este a 8 de outubro, depoia que oa revolucionários, por inter- 
médio do biapo -governador, lhe fizeram entrega legal daa forta- 
lezas e deram iim ou tréguas a seus desatinados mo tina 

Eis o meio, eia oa alvorotos villàos, âs competíçòesi de cam- 
panário, em quR nem uma vez te falou na independência 
brasileira, numa republica nacional, para fazer de todo o paiz 
«uma Nova Europa», TodoK oa partidos lutaram por demonstrar 
vivamente sua extrema fidelidade á Metrópole. «De noasa parte 
é que está El-rel, poii), em nenhuma parte do mundo tem o 
dito senhor mais Leaes valsai los que os Pernambucanoa*. Âasím 



11 *.^^ pari qm flcMfletzi deotro no corpo, oaán Bzes^e a Iterpa aeo «ffHto«..i 
ACcfHCoaU o cbronUtA, maf icnhor d» tatepcí>«4 dJ» axibrodit» bilu (Em, âo Imí, 
Miàí. do Rio, tomo XVli 

t £#». dú Inãt, Eiãi. do aio, lomii LOt, 3.» puta. 



— 374 — 

declaron o senado de Olinda ao capitão -mor da Farabyba, 
João de Motta da Gama, que por aeu lado defeoflia a lealdade 
doa recifensee e 8e apresentava como medianeiro ^íre /jaríidcís 
tão fiein a «ieu rei*, (Eév. cíL tomo XVI). Si o opulento Recife 
estiyôege qaietiimente sujeito a Olinda^ nenhuisa revolta bavería, 
e estavamoK livres deitas apaixonadaB reíertaB bistoricas. 



Mas, d)r-me-S,o, o hêroe^ como beróe que era, esteve acinift 
de seu meio e foi um revoltado republicano, que se offereceu 
martyr de uma idéa nova, de um iuãtituto novo. 

Antes de tudo, como referi na conft-iencia e como refere o 
dr« Alfredo Toledo em gea folheto, só depois da independência 
amertcaiift começou a ter voga a idéa do moderno governo re- 
publicano. Bem o provam qa levolucifuiirios mineiros, bem o 
prova Tiradentea, que pedia aos amigos Ibe t^aíiu^iB^e^J obraa 
que explicavam o governo republicano da «America Inglesa* . 

Vejamos, poicm, o homem» o heróe, segando o testemunho 
de seua parciaes iRemsta ciL, tomo XVI, pHgs. 18, 20, 25, 28* 
2y, 101, 110 e 120; Kocha Pitta, op, cíí 239, 240-242. e 
281-282; Varnhagbn, Hist., 2.' ed., 825 e 826 seguindo suas 
preoccupações pessoRes). Nns datas, nas origens e episódios 
substauciaea, essesi testemunhos se aecordam com as chronie&s 
dos recifenses (Mev., tomo LIII^ 2/ ]iarte, pags. 65^ t)8j 75, 76, 
83, 90, 254, 268, 277, 291 e 295; Southby (ou P. L. Cokkexa), 
trad brazíL, tomo V, pa^^s, 122-127). 

Em 1695, Bernardo Vieira de Mello, diz Rocha Pitta, *era 
homem nobre e valoroso, experimentado uix guerra dqs negros, ha- 
vendo logrado algum tempo antes o feliz succe^so de umthoque, 
em que degolou e cativou um grande troço delles» . , . 

Foi eniào offerecer-se ao governador Caetano de Mello d« 
Castro para servir ua «campanha e conquista» dos Palmares, de 
que estava encarregado o paulista Domingos Jorge. Concorreu 
destemida e interesseiramente para a destruição dessa «rústica» 
Republica, dos negros. Como se vêj o heróe republicano inau- 
gurou sua grandes^ civica destruindo uma republica (reapubliçaj 
estado organizado),,. Tal inicio nào lhe poderia aer mui pro- 
piciatório 

Em 1711, talvess chamado pelo Governador, acudiu ao 
Becife com o terço dos Palmares, para servir o governo. Seus 
pareiaes proclamam sua innoceucia quanto aoa motins deste 
anno e exãlçam-lbe a fidelidade realenga. Dizem que elle se 
ni&ntinha no Hecife com sua gente, para livrar o fílbo dos har- 
haros assassinatos que cervalmeute commettèra : essa é a maior 
defeza que lhe fa^em. 

O Senado, na resposta a que já me referi, declara textual- 
mente : c , , . os uaturaes de Pernambuco . . . uo sangue de setia 



- 3t5 — 

fiaes e avos herdaram a maíi constante fidelidade para com seti 
rei. E fii Bernardo Vieira assistia por ora no Redfe, era por 
catisa dê lhe culparem um fiih» por uma morte e dematidarem 
Qtítro par um casamento * . Nóí tratamos de pa» e Vm. de 
g-uerra* Oh! como se ba àe Vm. arrepender do que obra» 
qoando Sua ^ta^esíade for sabedor de todo» . . , Â e)-ret «ba- 
vemofl de dar conta de tudo, pn>g de tudo é Vm. cauia. (Olinda, 
©m Camará, 26 de Jttnho de 1711» (1). Esta é uma acta ver- 
dadeiramente âuthentíca, na qiml estftõ exai^^doa oa uqícob ke- 
yTmsmos de Bernarlo Vieira em 1710 

à Ití de Junho de 1711^ ou por questões de prepotência 
contra os soldados de Reelfei ou pelo Puror dos amotinados mas- 
caten^ Bernnrdo Vieira, surpi-ehendido e «confuso da novidade», 
na janellã de sua casa reeebe dom tiros que o matariam... «ai 
o acertaram* (liz o cbronieta teu parcial) - 

A' viatâ do p^vo exaltado, que vociferava contra elle, seua 
amigai o prenderam e, p.ra aquietar as turbas, o metleram 
otima enxovia. Seus contrários o transferiram depois para o 
forte das Cinco Poata* (2). Ahi ficou durante todo o cerco» du- 
rante o tempo mais propicio a seu* e&tos de heròe republicano. 
Ahi e-teve sem agir, sem dar que falar de 6Í nem uma vez. 

Só pelos ecos tomou parte naa escaramu^^as da Í:amo^a 
«guerra», etn que, ua pneril descrição de Varuhageu, «rompeu 
fogo durante vinte horas ; acom[.ianbado de quando em quando 
de ehuva» (pag* 830) 

O filho André Vieira e o irmão Manuel de Mello lograram 
escapar, este para morrer desastrosamente âa mfto* do íatidico 
fobrruboj que tomou parte em guerrilhas e ahi cevou bbus ins- 
Untos dei trai dores i 

Do pretento beròe n&o mais falaram seus parciaes, até á 
chegada festiva do novo Governador metropolitano, Félix José 
Mncbado de Mendonça No dia que este desembarcou, a 8 de 
outubro, talvez prir ordem do Bispo, foi solto o heróe frustraneo, 
fi**m horoi^mo authentico, sem nenhum supplício, sem marLyrio 
b^m verificado. O utiico martírio que seus contrários lhe infli- 
giram é o que narra o chroniflta mcifí-nâí^, por occasiao dasfee- 
tae fstrondoâa^ que fizeram ao heroe D, Hebastí&o Finheiro Ca- 



1} Otn nnoQyraa, i 4 de outiiltro d« tTH, BscrcTen Aot reclfénicii ptrA defaadar oi 
âe Otind* contT* «í^ príHf**^e(ft cátomniíMi que «qnelles bn^jam de ipreaenur aa Qúvornft- 
dor, |>r'«W« A ch^ifAr. Alil t& diz - «U primeiro raadAmpiito Úa* soDlind».» g:lDdu dotin. 
m»*e*tJ^*. ^firn crecitlo iIb eeu eDcaQ4ci4<i z^ía, ou pre^ipjcio^ Atí 9UAS raatJiíCtijaít prés ti eq 
pçli4l, ftii 1 cal II maia que ^□iíerain ImpÒr de tacondd«ate9 aos PemAmbuc^no*, macn- 
Litdf* O t1nbr<9 idoVbQrr d« iha nobr^A coid tio infAnâ vilipendio , aeado estes oi qQo 
«nlr4 IfidOf 01 Portugnezei t^ podem Jactur ite jQtpilAdoft na fi> 9 ie si ilude. ^nt% c«ib 
S0II rei— «oiao d« «ea^ p«M « avós. cliJa« acc^Oft cqi& ú saugae beriaram, a publica a 
fAni t Argumente ; paia pelo ^alor d«lle, nem àjnda nem ilg^fp^sa da f»al faaenda vend^- 
rft>tt a« vi^Aâ eoa. r9AEaQri'Ç^Ao fie Perna eu bu ^, q,iia aA metm^ rei geoeruEo» tribatãrun . 

imv XVI. loo. 

2) âefUQdo D Gtironiita rocifente, é de vqt o modc tlmOfAlo, eoatriçto, de somenot 
aefnlimo eoiD n^^ te portou ne«te pMftõ, Oi meíiuoe tlroi 4 Janalta aerlim Ja coDtra 9 
fvsiâ qae fugia \Ii*v.i Ull, 90/. 



á 



— â76 - 

marâo. E foi o reguinte : Quando o GcrerDador na janella, 
em publico, Acariobava o b^róe, — Bernardo Vieira e o isãg^no 
chefe revolucionário André Dias íicaiATu defronte, em yé, a 
estnoer- se de raiva. Como ge vê, tiào ó uni raartyrio digno do« 
exaggeradog louros que lhe quer dar uma pOEter idade, em ex- 
tremo dadivOBH, . . 

E^ verdade que depoiB, por eOEpeita de novas tentativas 
lieroícae ou revaludonariag, oum domingo de Ramos, a 27 de 
março de 1712, Bernardo Vieira chegou preso ao Heeiie* O 
novo Governador o mandou para o forte de Brum» «niio ficaudo 
privilegiado dos ferroe ru algetnaa^» 

Na frota de 28 de julho de 1713, —a mesma que troiúera 
o Governador e a^ora ia de regr&BSo, — Bernardo Vieira e teu 
funesto filho partirarn para Lisboa, « onde chegaram a salva- 
metito e foram agasalhados no Limoeir'? » . Áhi morreram pa« 
cificamente, o primeiro agazalhado num quarto hem aquecida, 
mas com o ar viciado pelas emanações de utti fogareiro acceí^o, 
O outro morreu de repente» estando prazenteiro a jogar as ta- 
bolas (gam^ ou damas?). 

Onde o beroismo dettafi mcrteSf onde o martjrío de&t^i AerdcA, 
onde o cívico mérito extraordinário que sirva de alcandorar Ber- 
nardo de Mello acima do herde mineiro? 



Neaia mesma * guerra i>os mabcatsí » ha htrót» muito mai« 
interessantes, que podiam commover melhor seuA compatriotas 
pernambucanos (1). O coronel Leonardo Bezerra Cavnlcante, de 
«galhardo génio para persuadir», inimigo dos reinóeSf é um 
personagem muito mais vivo, mais digno e interessante. Sua 
vida mais activa apresenta finalmente um asfiecto lastimofO,^ 
com degredo e |ieregrinaçâo martyrizante, de Lisboa para a índia, 
da índia para o BraziJ, para Pernambuco, a suspirar pelo «ninha 
seu paterno». Conhecido ao saltar na Bahia» de novo o prendem, 
impedindo- o de tornar a Pernambuco. Na Bahia, tendo perdido 
de todo a vista, morre afinal, sem duvida ralado petas saudadei». 

Mas a gloriosa e polida Pernambuco nào tem precisào destai 
rivalidades. Sua messe de louros é demasiado aoundante para 
que ande a respigar estas migalhas. Basta-lhe a gloria daa 
luctas hollandezas, além de suas gloriosas tradicçòes veramente 
republicanas. 

Já o disse muito bem o chronista dos olindenses em 1711. 
E' elle ainda que, na precitada resposta do SenadOí assim jus^ 
tameute se exprime : 



11 Entre «llet se eoDti o ciipftlo André Diu, 4e iinem o cbroDÍilâ re«ífeOie àpofitA 
amu lotrigu, duu InuoctiUi llli«rdRâe« repuhUe&ina* i?) \pYi. TOK Do taeinci s«iier^ deirea 
ler M TevofociDDirlu traoiftB úo c;liropí»tA de âMUTuív, qae por Ino grfttultuBonta 



l_ 



- 377 - 



c Em nenhama parle do munlo libertaram pragas oe vasaallos 
da coroa de Portusal, como o» Pernambucanos, pois lem despeza 
da fazenda real e sem ordem do eeu rei, que jatgava a r<<âtRii- 
raçào ímp^^ssiveli se It^vántaram contra o inimigo, e com perdaa 
conui^eraveis de suas fazeaías e copLOsas eôusõea de sangue, dee- 
caIços, sem abrigo ao rigor do tempo, e mortoi a fome, restau- 
rsram a «eu rei efita& capitaniaii. E foram tào leae*, que em 
feu serviço desprezaram todas aí coTiveaiencias e enchente» de 
cabedal, que Ihea ofiereeia toda a HoUanda» (Rev, XY[, 24]. 



— 378 — 



3.*) 

A QUKRKA DOS MÂIGATSB 

(Respigas êm Vamhagen) 

Parec6-me que devemos restringir a tendência para desprea- 
tigiar uosaoa pre&oaagens eminentes. Somos ainda tâo pobrsd de 
gente preatigtada e com tal en lafniçamenta vae a politica Jea- 
traindo dosbos mellioreâ DO[nea,^qne uàn é demais pruparraos 08 
que ainda galbardamente sobrenadam em aoiso revolto meio 
iconoclasta. 

K mister, porém, qae efie respeito seja eaclarecido e não 
acarrete o desprestigio de outros peraonagena, nào degrade 
institntoB mais venerandos qne aí personalidades respeitadas. 

De noisoB liomens illaacrea é Varnhagen o que mais ?esefi 
noa deixa entali»cadofl entre esaas dnai dirHculdadeeí. Gomo elJe, 
ninguém mais largamente revolveu o a secretos eacanioboa de 
noasa historia o eipalhou maior numero de julgamento» peftaoaci, 
de observações refortnadoraa, de vivHaee correcçoea. 

A cada mnmetito suas inves^tigaçoes impoiilivas, suas cor- 
recç&ea miauciosaa, friaa; suas ojerizas pbilo&opbícas, civicaa ou 
literaríaa, seu or^Eilh > de achador noa obrigam a decidir, a ler 
preferencia a câliir ás vesea em lamentável partidi^mu pessoal. 

A nova edição da Historia Geral, a a no tida peto erudito, 
distinto eacriptor sr. Captstrano de Abrt^u, dá- nos esperanças de 
yèr clareadas essas maculas de Varobagen. 

A parte já publica la faz- me, poréras recear que se estej&l 
considerando Varubageo como o «syncretÍKadori auctorizado de 
nossa historia e nio como «um ardente investigador, um iufa- 
tigavel re^u^citadm- de cbronicas», na phrase de Oliveira Lima. 

Àpezar de sua meritnria indulgência para com i^u illustre 
patrono, o distinto escritor e diplomata dr. Oliveira Lima — 
raioavelmf^ote desconliece em Vninh^gen o dom precioso do ver- 
dadeiro historiador (Jornal do Commercio. 19 de julbn de l^S) 

Meu caro e illustre amigo, o Barão Homem de Mello^ em' 
verdes annos (L858), numa cntica notável, dizia que, tinvesti- 
gador laborioso e incansável, o autor da lUstotia QeraL , u&o 
é historiador ; (^ un medíocre cbronista»* Nota suas frequentes 
«reílexoe», deapidaa de interesse e selladas com o cunho da 
mediocridade». Ainda em 1905, o meu erudito amigo, lemprede 



I 



- S79 ^ 

jttTeuii etpiríto, repetia-me em Paris algumas destas tristes re* 
flezôet (Vide á. H. Lbal. Fantheon Maranh,^ IV, nota C). 

Náo é possível canoni^l-o como prócer nacional ou colen- 
dífisiiiio hiatoriador de nossa Pátria, O mal que uma exag cerada 
«cAnoai^çàd* pode cautar a noe@a lilstoria, é por domais «vi* 
dente para me justiâcar nesta» respigas. Desde que escrevi 
iD^ii opúsculo sobre o Descobrimento do Brazil^ comecei a 
(aser moderadameate estas respigas ou reservas. Sótão, leado 
a Chronica rfo Deacobrímento (Panorairm^ l^^^O), desejai que Var- 
nha^D se dÂo Itbert&a^e tão depressa do áno meio literário que 
tiefi^e tempo frequentava. Era io com pi ©ta a preparação com que 
desde logo se considerou um acabado^ um nobre cavalheiro das 
letras bistoricas, E essa orgalboaa âdalg^ia literária em má hora 
se juntou á altaueria pessoal, agaareotando os méritos do futuro 
historiador, . , 

Ã^ vista destas breves ras&Ôes, relevem-m^ as respigas ou 
retalvafi que lhe preciso fazer, quatUo á narrativa da j^uerra dos 
mascates e da conspiração miu^ira (em a nota seguiu te) 

1.) 

Logo no começo {pag, 823) ha um erro do facto: o ouvidor 
que contrastava Sebasuà) Caldas n&o era Lui« de Valenzuela 
Urtiz e sim José Igaacio de Aroucbe Só df^pois que este de* 
iifttiu do cargo ou foi nomeado tombador, veiu subatituil-o o 
Juiz de Fora Valen;Buela Ortiz {V. Rea. do ImL, XVI, 10 ; LIÍI, 
%* pari, 26; LX!V, L* part., 254; Southrv, V, llOj. Este erro 
é repetido por todos os compiladores de Varnbageu. AeompA- 
nha-o uma das retlexòes «despidas de interesae*. Diz elle \ 
«Katural era que estas demonstragões de applauso pelo chefe fa- 
vorável se convertessem em vitupério contra o opposto>« 

2.) 

A* mesma pagioa occorre novo erro, que se corrige pelo 
me«mo doe. que Varnha^^eu cita vítriai veaes foo tf>iiio XVI da 
Rm> do ln$t) : O Ouvidor (irouche) não ãeix-m o Bíapo, indo 
refugiar 'êe na vhhtha Parahyha Partiu em companhia do Bispo 
e este no caminho oppoz-se á prisào do ouvidor (Rev, XVI, 10; 
LIII, 37)* Ainda aqui, pag-. 824, se reflecte que— «A capitania 
ficou acépbala e toda se deu por sublevada. Tratou pois de ter 
nm chefe.» E na pagina i^eguinte diz que vários reçoitciú9 da 
Madre de Dexis se prestaram a ser chefes principaes da íiísuT' 
reição dos Jkascates («expressão com que na Ásia se iiomeavam 
os Tí^ndilhôet, e que na língua portuguezs viiu a produzir o verbo 
nmscateart applicado aos que mercadf^jan] ^ retalho*). Não é 
preciso nenhuma severidaoe para ver que, no corpo de uma 
Huioria Geralt t&m reílexòes orçam pelas raias do pueril. ., 



I 




— 390 - 



também de notar 
ia oLindenies» n&n 




à pg* 828 cít» as procisaSea doa «oi 
sr uma idéa doBv^ntimentos piedoso» qi 
os snimaTam», e na pag*. ee^utute congidera ; mN'em que a 
Providencia eavie ao» povoB a g^uerra ^itr&nha para caati^nr soa 
falta de uniào». lato nÍo o impedirá de tomar partido pelos oUn* 
denses» á pag. 830^ com uma de suaa habituaes reâezôes : «Â perda 
daac^o.-» deu novos b rio ^ aos bravos oVmàens^s^ como suceed^ 
»efnpre que oá causas que se defendem são verãadeiramenU pa- 
trióticas i do que n^ts Seííe servir dê confirmação o ardor com 
gu« defendiam a êua causa* ^ 

E acaba deacre vendo o «traje doi notso» fxmlem^* : <ea)* 
çõea e meiaa com ^pato e fivella... sobrecasacas agaloada» de 
mangaa lar«^aí, e oa chapeua de três bicoa, dos qucíés um ficava 
para deante* (!). Gomo se vê, nào foi para encurtar parla ndas 
que se commetteram aa omlasôes anteriores. 

3.) 

Depois descreve a batalha altima: «Rompeu o fogo ás 
oito da manhan e seguia peta noite adeante, durante vinte bo- 
raa ; acompanhado de quandfj em quando de chuva, O fuzilar das 
armas ae confuodia ád veaie* com o relato paguear doa coriscos, e 
do mesmo modo o rnido doô tiio© como ecb o dos trovões, reper- 
cutido pelos valles, Pelejou-se de pait© a parte cotn decisão*^ 
E ainda srcbitecta este medonho, confuso cataclismoi que nos 
dá a medida de certos processos históricos, quaodo o patidaris- 
mo pessoal nelles funestameate domina t «Os Camarões e Tnnda- 
cambes aproveitaram destas persieguições para exercerem suas viu- 
gançaa, asquaes, unidas ao arbítrio dos delegados da justiça, chega* 
ram a criar um partido ainceramente revolucionário, que ae tives9€ 
forças houvera levado avante sabe Detís que planos de desesperação ^ 
e em tal extremo (?), bem que afinal teriam que ceder extenuadoã 
e debilitados t poder a (!) a capitania chegar fiada menoã que a 
haver nadado {f) em um mar de sanguew (!). 

Com taes coDfusÕes e tal estylo, não ha factos que não sejam 
Btibstituidos por aereaa, escurai supposições pessoave. No caso 
pregente, a parciaUdade do chrouísta leva- o a esta catastrophe 
imprópria da aceua trágica e muito maia da scena histórica : 

«Cumpre (VI) accresceutar que a recente ''illa do Recife 
nào se estreou (?) com muita felicidade. Âo deiíarem^te foguetes 
em certa festividade, entrou um em uma casa, e foi abrasar um 
barril de polvoraj fazendo- a saltar ao* ares^ com morte de qua^ 
torze peasoas, o que levou o governo a, por uma provisào, dis- 
por acerca da armazenagem da pólvora destinada para negocio»» 

Ora, tal facto nào foi a estréa de Recife . Deu-se já no g^ 
veruo de D* Lourenço d© Almeida, succesaor de Félix Machado, 
e em dia de Banta Catherina^ a 24 de novembro de 1715. Ãeon- 



Vld, « qve tramcu^ri & paf . 38ã. 



-^ 381 - 

teeen o des&etre ao queímar-ae um casUHo^ qne Unçou quan- 
tidade de foguetes ; e a caaa não saltou para os ares, natn cfae- 
g^ram a morrer quatorze pessoas {Rev. do Insi , LIII, 2 * parte 

298-299} 

O que ahi eatá deve bastar para que, em a nota eegumte, 
me não accmem de examinar um aspecto aó dos defeitos de 
Varnbageu Para este exame, poderíamos escolher uma outra le- 
cçào da Historia Gérol^ e abi bem frequepte» seriam as falbas 
como as que a&abamos de earacterisar* 



1 



— 362 - 



4.* 



(Rtítpigcui em Varnhagen e Norberto) 

Varnliagen tem alg-um teiró com Norberto (1); embora o 
giga muitaB ve^es, n&o o cita e atira-lbo algumas notas amargat. 

1.") 

A' "pag. 1019 corrige uma data de J. Norbeito^ a quem se 
reporta sob o disfarce Jr *alíuns», e á pag 1032 emenda-lhe 
a interprataçà » à& um verso de Alvarengai chamando-o vufg-ar- 
rneot*^, ioíflotilrn^nte •uiiv escriptor que pefo nome não ptrca*^ 
Oà trecbos dé Norberto^ abi refugado», estào a paga, 174 e 
121 da Conjuração mineira. 

A propósito de GonsagUi ^ua »b rra literária» o leva acon* 
traríar Norberto, pretendendo haver feito um leaiudo profundo 
de toda a devasi^av {2), 

Sotretaoto u&o a cita nem utna vez : serve-se tão sómentâ 
da^ incompletas pubHcaçÕ<*s do Brasil FUmtfynco de M. Morae», 
e spgue Norbeno, ás vezes nas mesmas reflexões peisoaBs. E' 



1^ Pirere ter<st cni|;|[iido ecn lB■^l^ »« d^seutlrte o Hiihir dt» Dialogo» on Di^kí^ã 
dat Grandêsoi dú Broiíi 4ër. XI Lt, 211 « 4<>2-4< i^}. B' o mf>m& BeoUi T«;K«Im, mior 
dA Pra»optip'-a c Hãtacãtt nnaex»? Vi,rntiiig^t> ne^KV». pof iftâo «ãíar átipoêtú a dar iim- 
ívirú çrtditú* no AbliAile 8*rbo-a , Norhert* tocou iw ílvtn tn «ea frdco, «tibliDútode « 
liimsDi«nd{» euFfi axtrKalio modo de rejeitar te«teiauttlio, tnm «atro <lcM:ameDta tíém do 
SUA mtihor difjjoaifflfl pur* com am o