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Full text of "Roteiro do viajante no continente: e nos caminhos de ferro de Portugal em 1865"

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ROTEffiO DO VIAJANTE 

NO CONTINENTE 



E NOS 



CAMINHOS DE FERRO DE PORTUGAL 
EM 1865 



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João António Feres Abreu 



COIMBRA 

IMPSENSA DA tHlVERSIDADE 
18G5 






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DEDICATÓRIA 

Ill.^o^ e ex.'^o sr. 



Não é cu> marqiiez de Salamanca, conde de los 
Lianas, grande de Hespanha de primeira classe, que 
agora me dirijo, 

É a D. José de Salamanca, o génio portentoso, 
que com seus vastos projectos e arrojadas emprezas, 
tem sabido dar o maior desinvolvimento aos m^ho- 
ramentos materiaes do seu paiz, e de mu\tos outros 
da Europa, entrando ^neste numero o meu Portugal, 

Sim, ex,^^ sr,, sem a poderosa iniciativa de v. ex.^, 
atrevo-me a dizel-o, ainda não tinhamos caminhos 
de ferro 'neste paiz, e quem sabe quxmdo os haveria! 
porisso, escrevendo uma ohra, cujo principal motor 
são os caminhos de ferro, julgo cumprir um dever, 
dedicando-a a v. ex.^ 

Dignê-se portanto acceital-a, substituindo o pouco 
valor da offerta, pela boa vontade do offerente. 



De V, ex.^ 
att,o v.oí* e criado 



Lisboa, dezembi^o 
de 1864, 



João Ântxniio Peres Abrexu 



IV AO PUBUGO 

O nosso principal pensamento foi ligar o i 
com o agradável, a quantidade da matéria com 
diminuição do preço. 

Conscienciosamente|,p9rece-no6 que conseguiu 
o nosso intento, porque a obra nSo é completa, n 
reúne o essencial. 

Pertence porém ao publico decidir se estan 
convencidos da realidade ou se laborámos em êr 
Se a sentença nos for favorável, impetramos o s 
auxilio, acudindo a comprar a obra por forma (\ 
promptamente se extinga a edição, único meio 
salvarmos as grandes despesas que nos acarreti 
diminuto preço por que a vendemos. 

Todos nos dizem: Em Portugal não se compn 
Iwros; e nós a todos respondemos: É porque 
vefnd&m caros. 

Quem terá razão? 

Por em quanto sustentámos e esperâknos ver p: 
vado que é 

O auctor» 

Lisboa, dezembro de 1864. 



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RESUMO GEOGRAPHIGO 



DO 



CONTINENTE DE PORTUGAL 



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Portugal; situado na parte occidental da Europa e no ex- 
tremo da peninsula Ibérica^ está dividido em 8 provincias^ 
17 districtos, 263 concelhos, e 3:864 parochias, com 4.000:000, 
approximadamente, de habitantes. 

As provincias sôi): Alemtejo, Algarve, Beira Alta, Beira 
Baixa, Douro, Extremadura, Minho e Trás-os-Montes. 

Os districtos são: Aveiro, Beja, Braga, Bn^ganecL Gastello 
Branco, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Leiria, Lasboè, Por- 
talegre, Port<v Santarém, Viana, Villa Real e Viaeu. 

Exceptuando Santarém e Villa Beal, que são villas, todas 
as demais cabeças de districto são cidades; e além d'esta3 
ainda ha mais It cidades, e são: Elvas, Guimarães, Lagos, 
Lamego, Miranda, Penafiel, Pinhel, Setúbal, Silves, Tavira 
e Thomar. 

Reparte- se em 8 divisões militares, que são: 1.* Lisboa, 
2.* Vizeu, 3.» Porto, 4.» Braça, 5.» Chaves, 6.* Castello Bran- 
co, 7.* Extremoz, e 8.* Tavira. 

Tem 1 patriarchado em Lisboa, 2 arcebispados em Braga 
e Évora, e 11 bispados em Aveiro, Beja, Bragança, Coim- 
bra, Elvas, Faro, Guarda, Lamego, Leiria, Porto e Vizeu. 

A justiça é administrada em 1 supremo tribunal, 2 rela- 
ções, 114 comarcas, e 134 julgados. 

Os seus rios de maior consideração são: Tejo, Douro, Mi- 
nho, Mondego, Lima, Guadiana, Cávado, Vouga, Ave, e 



As suas serras principaes sao: Estrella^ Marão^ Gerez, 
Bussaco; Caldeirão^ Ossa e Cintra. 

Os pontos mais elevados são os seguintes: 

Pico da serra do Gerez 2,040 metros 

Dicto da Estrella 1,920 » 

Ponto culmint^tff^ál^fielneaidaJioQteJiu^ctp. . 2^333 » 

Dicto do Marifti.. . J 1,820 » 

Dicto de Nogueira 1,050 » 

Dicto de Sancta Luzia 630 », 

Chaves 600 >» 

Morro de Burragueiro no Gerez 1,440 » 

Monte Gaviarra, na serra de Suajo 2,220 « 

Pico da serra.do Ctoamulo 510 ' » 

Ponto mais alto do Bussaco 495 » 

Dicto da serra da Estrella 2,160 » 

Guarda 900 » 

Castello de Monsanto ^ 660 >> 

Ponto mais elevado da serra da Louzã 690 » 

Ponto culminante da serra de Cintra 540 » 

Os aem principaea portos são: Lisboa, Porto, Setúbal, Fa- 
ro, Portimão, Lagos^ Olhão, Villa Beaí de Sancto António, 
Figueira^. Aveiro, Yia^A.e^ Caminha* 

Praças d^armas mais notáveis; Elvas, Jurom^iiha^ Campo 
Maior, Marvão^ Fetdçhetj . Monsanto, ÁJ^ofiiAsL, Chayes,e Va- 
lença. 

PharQeB.queindkam as: suas costas: S. JuliSa e Bugio (na 
barxftdo-3'<9P),,Càbo de E^icbel, Setúbal, Peniche, Cabo 
Mondego, Senhora .dn Luzmsrto da barra do Porto), B^- 
lengas. Cabo d»:S.-yicei^ey Belmn e Cabo de Sancta Maria. 

Tem .telegraph^-eleetríeos nas povoações mai» importan- 
tes do reijiQ, que^se icommKnicajn umas com as outras, & to- 
das com as cidades- mais notáveis da Europa. 

O conselho de saúde superintende sobre tudo quanto diz 
respeito n Doedicina, phavmada^ veterinária^ vaccinajt policia, 
de vivares^ hygi^iií^ pública, medicina legal, e quarentenas. 

Para estas ha 1 lazareto na margQm do Tego, e-33 esta- 
ções sanitárias^; 

Tem;Portugal longínquas possessões, como se rvê pelas se- 
guintes disitaooias, matcjiido como ponto de partida o Cabo 
da^ioca;. 

A Madeira, 130 leguás; aos- Açtyes, 210; a. Cabo. Verde, 
450; aBissau, 486; a S^ Tbomé, 890; a Loanda, 1:0Õ0; a Mo- 
çambique, l.»880; a Goa, 2:540; a Timor, 3:000; e aMacau, 
3:200. 



AGU 3 

Algumas doestas distancias porém são muito maiores, &n 
consequência dos rodeios que tem a nav^açfto. 

Como o espaço de que dispomos nos nao permitte dizer a 
niillesima parte do que n&o deviamos ealar^ ooncluircimos por 
dizer que o clima de Portugal é tão variado e benigno^ que 
permi^ as producçòes tropicaes unirem-se oom as das zonas 
temperadas, e que o intervallo de algumas léguas é eufS- 
ciente para passar d*uma temperatura bastante elevada, a 
outra suffieientemente baixa. 



Abrantes 

Villa e praça forte, situada na margem direita do Tejo, 
em elevada posição, que domina uma mctíl e deliciosa pla- 
nicie. 

É pOnto estrat^co reputado de grande importância, e 
que alguns reputam superior a Santarém. 

A estação de Abrantes dista da villa d kilometros e está 
situada no local chamado o Rocio, 

Para communicar d*um a outro ponto é necessário atra- 
vessar o Tejo em uma barca, que a camará arrenda, e cujo 
producto coiístitue um dos memores rendimentos do muni- 
cípio. 

Pôde imaginar-se o movimento que ha d'um para outro 
ponto, sabendo- sè que o direito de passagem produz para a 
camata quantia superior a 2:000^)00 de réis, e que cada 
transeunte ou cavalgadura apenas paga 10 réis. 

Agneda 

antigamente cidade de Emtnio, e hoje villa. 

E commerciaíite, mas parte do seu commercio terá que 
soflfrer modificações produzidas pela viação açcelerada, que 
comtudo lhe nâo sérâo prejudiciaes, se for realisadá a con- 
strução d'uma estrada d'alli para Aveiro e Talhadas.^ 

Em Águeda está centralisado quasi todo o commercio^ do 
peixe, que é consumido na Beira, commercio de bastante im- 
poi;|tancia. 

É cabeça de comarca, e nâo tem sido das mais felizes com 
a administração da justiça. 

Dista do Porto 68 kilometros, de kNcàxo AÃ, ^ ^^ ^wssv- 
hra 42. 



4 ALC 

Até agoi*a tinha a dili^ezicia e mala-posta; hoje uào tem 
meio neâram de conmHuucaçao. 

Agiii^da (ria), Antigo fiminio 

Nasc^e porta de Caaapâa (a 5 léguas de Viaeu)^ e desagua 
na esquer^ do Vouga abab^ da peaste da Eata: tam G lé- 
guas de eurâo^ é navegável da Águeda paca haii&o por entre 
agradáveis campos, que inunda e fertilhia quando oresee. 

Albergaria Velha 

Povoação a 15 kilometíoe de Aveiro, 55 do Porto, e 45 de 
Viaseu, e que fica na directriz da estrada d'aquella primeira 
cidade para esta ultima. 

A rainha P« Tar^ja passou alU, quando o local era o ata- 
lho d' uma estrada aonde os moradores de Vai Maior vinham 
T(yubaT e vMUar ú« ^a&sa^éíro^j em consequência do que man- 
dou ella estahelecer alli uma dUbergana de pobres e paaaa^ 
geiras, de cujo âicto ainda existe uma lapide indicativa, a 
qual está collocada em uma parede da ca$a, que fi)i da al- 
bergaria e hoje é da municipalidade* 

Modernamente adquiriu Albergam uma outra celebri- 
dadei e que por alguns annoe £ará recordai a multa gente 
os tempos passados, porque era alli que existia a celebre 
estalagem do$ padres. 

De Albergaria Velha é. natural o distincto cônsul que hoje 
teraoa no Bio de Janeiro^ cujo irmão M uma daa viotunas, 
que por causa das nossas dissensões politicas 8<^eu o mar* 
tyrio na Praça Nova do Porto, attestando-se esse facto aos 
moradores da sua naturalidade com a collocaçao da cabeça 
do inMiz em frente da casa em que nasceu. 

Alcácer do Sal (Antiga Salacia) 

Collocada á direita do rio Sadão, a 40 kilometroe de Se- 
túbal, é quasi que uma parte d*esta cidade, pela ligaç&a das 
salinas que ha entre uma e outra povoação. 

Tem grande oommereio de sal e esparto. 

Em domingo do Bom Pastor e a 10 de outubro, faaem-se 
alli duas feiras, que duram 3 dias cada uma. 

Alcobaça 

Moeúeiro chtersienae, cujos po88xddoTe8, coi^<efiidoe çelos 



ALC 5í 

frades Bernardos, descendiam de oito pobrte homem, que, 
descalços de pé e perna, atravessaram desde o bispado de 
Langres, em França, até Portugal, e um dos quaes passados 
poucos annos se assignava: 

D. fr. Paulo de Brito, D. abbade do real mosteiro de San- 
cta Maria de Alcobaça da ordem de Cister, fironteiro d'estes 
reinos, senhor donatário, e capitão mór das vi lias de Âleo» 
baç8> Aljubarrota, Alfaseirão, Álvominha, Pederneira, San- 
cta CatluKrina, Paredes, Coz, S. Martinho, Selha do ifeitto, 
Maiorga, Évora, Cella, Furquel, e mais legares e povoações 
de seus termos e dos coutos do dieto mosteiro, do conselho 
de sua magestade, e seu esmoler mór, reformador geral da 
congregação de S. Bernardo, 'nestes reinos e senhorios de 
Portu^ e Algarves, núncio apostólico, e embaixador "Cíx- 
traordinario, etc. 

Não deve admirar tanta elevação em tão pouco tempo, 
ponjiie isto foram as luvas que D. A^G^nso Henriques deu a 
^. 'Bernardo, por lhe alcançar do papa Innocendo m a btilla 
qwd io 'hz rei, -sendo a paga, fazer elle, por escriptnra pú- 
blica, a sua pessoa, as dos seus vassalos, os seus bens, e es 
áHiéiOB, ftndatarios doe frades de Sancta Maria de Claraval, 
da iwdem de Cister, no bispado de Langres, cujo documeritío 
i£lb copiámos por demai^ado extenso, mae não resistimos é, 
tentwçao' de transcrever o "final d'elle, que dis: «e se algvtai 
intentar cousa contrária a esta vassallag^n e testimutmo de 
fendo, Bendo vassallo, seja desterrado d'este reino, mas se 
aeaso 'fer rei (o que Deus não eonsinta) hs^a nossa maidi- 
içftey' 6*nSo se conte em nossos descendentes, e seja despojado 
áa ãigmdade pelo mesmo Deus que nos deu o reino, sçjk 
yeitcido de seus inimigos e sepiultado no inferno em oõm* 
wmhia do âilso Judas. Foi feita a presente carta na sé ée 
Lamego aos 27 de abril de 1143. Eu el-rei D. Affonsò, etC.» 
A grandeza do edifício era em tudo proporcionada ao ex- 
plendor dos titules com que se enfeitava o seu D. abbade; e, 
apesar do estado de desmoronamento em que vae caindo, 
ainda é-digno de ser admirado, principalmente por causa do 
tumulo de D. Pedro e D. Ignez de Castro. 

Unia das cousas que mais dava naTista aos viajantes era 
a co!dnha e o material de que ella se compunha, entre o qual 
fazia grande vulto um enorme caldeirão de cobre, apreciá- 
vel não só como antigualha, mas também como tropheu das 
armas pottuguezas, porque era um dos despojos da batalha 
de Aljubarrota, que D. João i havia offettíÃo ao ^tn^cNk», 
Em ISSádesappaxeceú «He d'ál\i, ^ tá!L"^ça \ÍN^»afò ^sjmí:^- 



6 ALC 

dades taUBmanicaa, porque o eâcamoteador chegou depois a 
ser ministro da jcorôa, e ainda nâo ha muito foi ornado com 
03 arminhos de par! 

A povoação pouca importância tem, e nâo admira isso, at- 
tento o quanto seus moradores eram gravados com os direi- 
tos senhoríaes, que o mosteiro impuima a uma parte d'ella, 
e a indolência que incutia na outra. 

Apesar d^isso ha alli movimento, que sustenta uma hos- 
pedaria regular, e quo do Carregado faz partir para lá ás 
terçaa, quintas e sabbados, uma diligencia que conduz pas- 
.sageiros de primeira classe a 3^000 réis, e de segunda a 
2^000 réis, podendo transportar 15 kilogrammas de bagagem. 

Alcobaça dista 118 kilometros de Lisboa, e 98 de uoim- 
bra. 

Alcanede 

Esta villa está situada nas £aldas d*um alto monte, que 
pertence á serra de Mendiga. Estende-se em parte a porroa- 
çao por terreno plano na raiz da montanha, e outra i>arte 
sobe e recosta-se-lhe no dorso. 

Situada em terrenos pouco férteis, afastada dos gnmdes 
centros de industria, a sem meios nenhuns de communiGação 
fácil, faltam-lhe portanto as condições essenciaes para o seu 
desiuvolvimento, e d*ahi provém que, tendo florescido no 
princípio da monarchia, hoje seja pequena e pobre. 

Apesar de tudo vamos tomar este artigo bastante extenso, 
porque esta villa nos dá logar a sguizar da simplicidade dos 
costumes e da frugalidade do viver nos começos da monar- 
chia, fallando das duas antigualhas, que tornam notável a 
villa de Alcanede, e sâo uma usança singular de que só res- 
tam memorias, e um monumento de antiguidade, que apesar 
do correr de tantos séculos e das convulsões do solo, ainda 
mostra importantes vestígios do que foi outr'ora. 

Consistia a usança 'num jantar, que a villa era obrigada 
a dar annualmcute a el-rei, o que era um verdadeiro tri- 
buto, porque ò foral dado á villa por cl-rei D. Manuel es- 
tatuo o seguinte a respeito d'aquella usança: 

O jantar se jpagará M jpdo pão, cevada, vinho, carne, e 
todas as outras coiizas segundo pagão e está decrarado no 
tomho da ordem e Uvro nosso da coza da svprtcação, sem 
embargo de se mostrar que alguma vez se pagou o dito jan- 
tar por ciiicoenta livras, porque não se achou oisfra razão 
^etfi direito jpara se deverem de pagar de outra maneira de 
cc?mo se àora pa^, da paga do qual nfio «eram escusas ne- 



ALC i 

nhunuu pessoas por Uberdade que tenham, nem privãegio, 
ainda que s^am derígos. 

Em seu principio parece que o jantar era dado a el-rei nas 
diversaB espécies da prodcuctos agrícolas. Depois foi pago em 
dinheiro na razão das taes cincoenta livras, acima alludidas; 
e no reinado de D. Manuel estava elevada esta quantia a 
90jjS000 réisj somma muito avultada para esse tempo, em 
qae o alqueire de trígo valia de lõ a 20 réis. 

Depois, propondo-se el-rei D. João v augmentar e engran- 
4eeer a. casa do infantado, instituida por een avô el-rei 
D. João IV, entre os muitos bens e rendimentos com que a 
enriqueceu, contava-se a propina do jantar de Alcanede. 

O monumoi^to de antiguid^e que esta villa possue, é o 
rcu castello. 

Campêa elle na coroa do monte sobranceiro á villa, tendo 
por base rocha e penedia. Conservou-se de pé e em bom es- 
tado até ao reinado de D. João iii. 

£m um livro chamado das visitações, da ordem de Aviz 
(« quem a villa pertencia por dpaçâo de D. Bancho i, tendo 
os cónegos de Sanota Cruz a jurisdição ecclesia»tica, juris- 
dição que el-rei O. Diniz deu também á referida ordem em 
1300), vem a descripção doeste castello no estado em que os 
visitadores o achacam no anno de 1516. 

Vamos transcrevel-a, porque poderá servir de auxiliar a 
muitos amadores, quando visitarem as ruinas d^oútros eas- 
teUo9* 

Dia o livro: 

«O castello e alcaidaria de Alcanede é da ordeftn. 

«Achamos por alcaide mór em a dieta villa Ayres de 
Sousa, fidalgo d^ casa d'el-rei nosso senhor, e commendador 
de Sanqta Maria de Alcáçova de Santarém, e de Alpedríz, 
o qual mostrou sua carta feita por Leonel Alves a vinte dias 
do mez de junho de- 1516 annos, assignada por o mestre, e 
passada por sua chancelaria. 

«Axihamoe por alcaide pequeno do dicto castello a Pedro 
Dias, criado de Lopo de bousa, do conselho d'el-rei, etc, o 
qual serve a dita alcaidaria por o dito Ayres de Sonsa em 
a dita villa de Alcanede e seu termo, o qual alcaide pe- 
queno está posto por mão do dito alcaide mór. 

«O qual castello tem á entrada da porta da barreira um 
baluarte de pedra e cal com suas ameias e setteiras. E á 
entrada da barreira tem um portal de pedraría com as ar- 
mas da ordem de Aviz, e com umas portas de castanho e pi- 
nho^ e tem âa parte de dentro ma f exxoWio «fôcci í^0da.^cq3:^. 



8 ALC 

(r£ dentro d*6Btas portas está uma casa snb^ra d*iima 
a^a com snas paredes de pedra e cal, e madeiras de casta- 
nho e-freízo, e telhado de t^ha và, na qual casa está uma 
escada de pedraria, com dois portaes de- pedraria com soas 
portas de castaiiho, e nma d'^las oom-fenolho e feehaãinra, 
a qual casa tem -de levante ao poente onxe -varas e meia, e 
de norte a sul qoatro varas. 

«Outra casa mística com a dita casa dianteira, que' tem 
nma porta, e poste com uma aldraba, com snas paredes de 
pedra e cal, emmadeirada de castanho e freixo, e tttn de le- 
vante ao poente etnoo varas, e de norte a sul ties -varas e 
terça. 

«Outra casinha além da sobredita com uma porta e poste 
sem fechadura, com as paredes de pedra e cal, ennnadeirada 
deeastanho e freiso, e telhado de telha tH, e tem de levante 
ao poente três varas e terça, e de norte a sul três varas e 
meia,. 

<cA m&o esquerda da dita casa dianteira está umaeasa 
de cozinha com. suas paredes de pedra e cal, emanadeirada 
de eastftnho, telhado de telba Tft, e tem de norte a sul três 
varas e três quartas, e de levante ao poente duas e terça. 

«Outra casa mística ^ pegada eom a torre de nienagem, 
sobradada de novo, e fbmda de pinho, -e tem de noiiea êUl 
cinco varas, e de levaoote ao poBite duas varas e três quar- 
tas. 

«Uma torre de menagem com sua abobada, e com s^us pi- 
lares de pedraria, e com sua escada de pedraria e ma^mel, 
que vae da oosinha até cima da dita torre oom suas portas 
de castanho, e uma d^Uas cooifenolho e fechadura, e tem 
de norte a «nl sete varas, e da levante ao poente duas avaras 
e duas ter^s. 

«Khitni torre que se chama Albarril com suas portas « fe- 
chadura, e repartida por o. meio, a qual torre é de abol»ada 
com sua escada de pedraria com sen maynel, e em eima um 
portal de pedraria com suas portas e fechaídura, e em um 
dos repartimentos da mSo esquerda estão umas grades com 
ferrolhos e fechadura, e um ambade, e dentro d*ellas outras 
grades com um cadeadc^ «s quaes grades são de páo, e 
doestas grades a dentro estfto os presos, a qual torre tem de 
norte a sul dnco varas e duas terças, do levante ao poente 
nove varas. 

«Antre as ditas torres está 'Um pateo com uma cisterna, 
o gual é cercado de muro de torre ia torre, e da parte do 
ijorte tem três cobelloB, 



ALH V) 

«O qual castello e casas é todp cei'cado de muro e barba- 
càa com suas ameias e setteiras e Í)ombardeiraS; e o castello 
e muro e barbac&a é todo de pedra e cal.» 

No mesmo livro, por occasiSÂ d'outra visita feita em 1538, 
escreveram os visitadores: 

«Vimos a fortaleaca e castello, o qual está derrubado, a 
torre da menagem, que cahiu^ segundo nos disseram, com o 
tremor de terra, e assim o nraro, e barbàcâa, e todo o outro 
aposentamento damníficado de todo; porque fomos certifica- 
dos que Duarte Sibeivo, recebedor das terças, veio ver esta 
fortaleza, e levou todo escripto por miúdo, assim da pedra 
que estava feita^ como do que havia mister para se refor- 
mar^. 

«Disse Fraucisco Annes, aleaide, que quando ealiiu a 
t(»n;e ficitícam lá moitoaienEOs^eBatoa um homem que es- 
tav;a preao.Ji 

Pelo que ddisamos dito ácêroa de Alcanede, podem bem 
coo[^parar-«ie os ten^pos antigo» aom ca da aetus^idade; 

iJdeiâi fiallaga do Baba Tejo 

Situada 20 ki^lemetros: âietante Iisboa> 'njiuna espécie de 
gol£», quo forma o yejio, por uma iiertál planieie. 

Abundante de vinho, fructa, pinheiros, sal e mariseosw 
Tem. feira, que ^ura tires dias, a qual pritucipia no penúl- 
timo, aabbado do mes de agosto. 

Aleinquer 

ViUa fofidadii |»eloj» AkuwSf él8 asnos antes da era. de 
ChnAtQ, e temada aos mouro» em 11Á& por D. Aâonso i. 

O seu terreno é fértil em ivigo e visho, e as duas fábricas, 
de lanificios e de papel^ que aÚi ha^ dão-lhe immeasa vida, 
e bastante movimento commercial. 

Yaa-se para lá ééxwá^ »TÍa ferr^ no Carregado^ d^onde 
está distante 7 kiiometros, lomando^ Ibgar na diligeneia^ que 
d*aqui parte para Alcoba^ ás terça^i quintas e sabbados de 
cada semaiuL 

"ra 



VUla situada sobre o Tejo, e ponto de communicaçâo com 
Torres Vedras e Sobral. 

Paara este ponto ha dilige&oia diária^ e para aquelle, nas 
terças^, quintas e sabbsrdos de eada semana. 

(Vide Sobrai e Torres Vedras). 



10 ALM 

^monrol 

Quero conlar-vos a historia 
Bo caslello de Almouroi, 
Vê-se de Tancos na frente 
Ao descobrir do arrebol. 
Bate nas velhas muralhas 
D'aurora o primeiro sol, 
Senta-se no meio do Tejo 
Gemo 86 fosse um pharol. 

r. GOMES DE BRITO. 

Diz a tradição que D. Ramiro, senhor do castello, partiu 
d'alli a combater africanos, apesar dos rogos de sua esposa 
e de sua filha, ambas lindas como os amores. 

Que depois de eommetter mil atrocidades, e cheio de orgu- 
lho pelas suas façanhas, r^ressava ao seu castello, quando 
um dia se^ perdeu nò meio d'um bosque, aonde encontrou 
duas mouras, m&e e filha, tão bellas e formosas como a es* 
posa e filha, que havia deitado em seu castello. 

Á filha trazia uma bilba oom agua, e como D. Eamiro 
estava devorado com sede, dirigiu-se ás mouras, exigindo- lhe 
a entrega da agua para elle b«lber; mas fez isto por tal for- 
ma, que a rapariga assustada deixou cahir a bilha^ que se 
quebrou. 

Furioso D. Ramiro, enriston com a lança ao peito da jo- 
ven, edepois de a atravessar oom uma lançada, fez o mesmo 
á mãe, que morreu amaldiçoando o cavalleiro. 

'Neste momento apparcMsia um joven filho e irmoo das 
mouras, e o cavalleiro tronxe-o captivo para o seu castello. 

O mouro tinha apenas 11 annos, mas jurou vingar a morte 
dos seus, e quando chegou ao castello e viu a mulher e filha 
de D. Ramiro, decidiu logo que seriam ellas as victimas 
immoladas á sua vingança. 

Ck>rreram os ânuos, e a esposa de D. Ramiro, um dia, mor- 
reu definhada^ sem 8e'lhe conhecer a causa,' porque o. mouro 
lhe havia appíicado um veneno subtil. 

Desgostoso D. Ramiro partiu a eommetter novas cruelda- 
des, e deixou o mouro em companhia de sua filha. 

Amaram-se os dois, e este amor foi uma lucta terrível 
para o mancebo, que se recordava do seu juramento de vin- 
gança, mas a força d*aquelle fazia esquecer esta. 

Um dia chegou D. Ramiro ao castello, acompanhado por 
um cavalleiro a quem destinava a tofio de sua filha, o que 
foi um raio, que veio ferir os dois amantes. 



ANA 11 

Furioflo o mouro^ contou tudo a Beatiiz, a& crueldades de 
seu paC; os protestos de vingança^ a morte da mãe, e a lucta 
que havia entre o amor que Ibe tinha^ e o desejo de vin- 
gança. 

O que se seguiu a esta confissão não se sabe: o que é 
certo porém é que o mouro e Beatriz desappareoeiani sem 
haver mais novas d^elles^ e que D. Eamiro morreu com des- 
gostos, e o castello abandonado foi cahindo em ruinas. 

Diz mais a tradição/ que em noite ái S. João appareoem 
'niHna das torrea do oastetlo o- mouro abraçado oom JBeatiiz, 
D. Ramiro rojando-se aos pés do mouro, a mulher juneto a 
elle respondoodo — perd&Oj^ sempre que o mouro diz— mal- 
diçlb. 

Algum viajante que alli passar em noite de Si Joâo,;pi<o- 
cute^. se-qoizor, verificar se a tradição é exacta;- mas em 
quanto o não conseguir), aproveite sempre qualquer oceasião 
que tenha para gozar o magpifioo e variado panarama^ que 
apresenta, oisastello situado no centro do .Tejo, esçeotaculo 
qite gozara com prazer, se* tomar logar do lado mreko da 
carroag^zi, seguindo esta da Barquixãia para a Praia. 

(Vide — Passeio de recreio a A&rantec^. 

Amarante 

VÂlla A 60 kikiBetios dò^Potio^sitilada juneto ao rio IV 
mega, sobxe.o» qual tepi uma magnifica pente^ 

Eat Amarante eruzam>se diaariameinte^ tomando e largando 
passageiros, as duas diligencias que transitam do Porto 
parada Begoa. e.vioe v^sa (doas-de ida e duas de volta). 

PreçQ^ Haxa o Porto ou para ^ISegoa 2^50 réis. 

Aaaéia 

Povoação da Bairrada a ^ kiioii]|^tros distante de Mogo- 
fores, de tão pequena importância, que até faz parte de duas 
frespemd (AfccoB-e Moita), .a cadaium de GtQoaparoohos está 
sukita seia mezes do anno* , 

Não produz genesos suffidentes para consumo^ e ])or isso. 
vê^se obrigada a in^>ortar qual» todo o essencial à vida. 

O vinho que produz, é que suppre a tudo. 

Apesar de tudo isto é cabeça^ «omarca, e tem, com ra- 
ras excepções, tido sempre magistrados muito dignos. 

Por muitos annos houve aUi nja ju^, modelo de morali- 
dade; mas tem degenerado alguma cousa depois qnelhe £o* 



12 ARB 

ram annexadas diversas povoações na última divisão terri- 
torial. 

O seu auditório é frequentado por três advogados dos 
mais distinctos do pa,iz, e qae de longos pontos vêm ser con- 
sultados. 

(Vide Bairrada e Moita). 

Ançã 

Povoação a 15 kilometros de Coimbra, aonde lia orna ex- 
traordinária nasoeAte de agua: tem antiquissinio commereio 
de pedras calcareas, que próximo d'alH ae extrahem, e que 
são — umas mui brancas^ outras azuladas, e tão fsceia de 
trabalhar^ que se cortam á serra. 

£ ^'esta pedra que se fasem os tiiolos, a que cbamam li- 
sanjay muito usados para ladrilhar claustros e igrejas, e que 
têm regularmente um palmo quadrado. 

Este commercio deve prosperar, eonelnida que sefa a es- 
trada da Mealhada a Cantanhede, porque então mais âusil 
lhe fica a communicação com a via fema, e porisso mais 
regulares e conmiodoB os transportes. 

Ancas 

Povoação próxima á estação de Moçoibies, importante 
pela cal que alli se fabrica, e d'onde foi fornecida a maior 
parte da que se t^n emproado na eonstmcção da nova 
alfEUidega do Porto. 

Hoje diminuiu essa importância, porque o selo de quem 
dirige aquellas obras, levou-os a descobrir em 6. Matheus, 
próximo a Ancas, pedreiras d'onde fazem extrahir pedra, que 
conduzem, pela via férrea, para o Porto, aonde a reduzem a 
caL 

Arraionos 

Villa distante 20 kilometros de Évora, 40 de Estremoz, 
23 de Monte Mor o Novo, ç 46 das Vendas Novas, aonde 
deixa a linha férrea, quem para lá quer ir. 

Tem feira que dura três dias e começa no s^tmdo do- 
mingo de julho. 

Arronches 

Povoação situada na confluência dos pequenos rios Ale- 
srete e Caia. 



AVE 13 

Dista 20 kilometros de Portal^re, e 10 da estação de 
Afisumart na linha de leste. 

Areiro 

Cidade edificada sobre a ria do seu nome, perto da fbs 
do Voaga, a 60 kilometros do Porto e 56 de Coimlva. 

No secólo XVI tinha 150 nayios; e ehegou a armar 60 por 
annoy para a pesca do bacalhau na Terra Nova. 

O JQgo hespanhol e as ai*eias accumuladas na barra de 
Mira, jvoduziram a decadência em que hoje está. 

A na de Aveiro é uma espécie de lago salgado, que pro- 
duz grandes tainhas, grossas enguias, bellos lingo«dos; ma- 
gnifieos solhos, e diversos mariscos. 

Além d'isso os seus arredores pioduzon em grande quan- 
tidade quanto é necessário á vida, o que toma muito econó- 
mica a subsistência alli. 

Um dos pnncipaes ramos de ccmimercio em Aveiro, e que 
é uma especialidade privativa d^alíi, sâo os fiizmgerados me- 
xShõea e ovos móUes, 

£ curioso o bulicio e algaaarra que faz uma multidfto de 
mulheres e rapazes offerecendo aquelle género aos viajantes 

âuando chegam os comboyos, e tanto insistem elles para que 
les comprem o seu mercado, que ás vezes não ha outro re- 
Toadio senio satisfazel-os. 

Esta condescendência porém ha de contribuir para £uer 
perder o credito, que aqu^e appetitoso marisco e saboroso 
doce com tanta razão adquiriram, porque o que alli se vende 
é ama completa yv-aauíe eommercUã, 

Tem Aveiro duas cousas notáveis: o lyceu e o tumulo da 
princeza Sancta Joanna; o lyoeii é um monumento que re- 
cordará aos vindouros o patriotismo de José Estevão: o tu- 
mulo é um suberbo quadro de mosaico, dadiva de D. Pe- 
dro II, para enceiVar os restos mortaes da filha de D. Af- 
fonso VI, que está no convento das fireiras dominicas, as 
qoaes com toda a benevolência permittem aos viajantes que 
o v&o admirar, e razão ha para isso, porque, exceptuando a 
capella de S. João Baptista, que está na egreja de S. Boque, 
em Lisboa, não ha no paiz cousa que o exceda 'naquelle gé- 
nero. A collocação porém, em que está, dimimie-Oie c(msi- 
deravelmente o seu valor. 

O passeio público, modernamente construído, resente-se 
doesta circumstancia, mas quando as arvores crescerem deve 
ser bem agradável passar alli as tardes de verão. 

Uraa das cousas que chama a atten<iãA do« Trv%.^<^\^^ «c^^ 



IG BAB 

Não tem Badajos um só «dificio de agradável e luxuosa 
apparencia^ e parece que a architectura nunca por alli pas- 
SOU; e de alguma ves esteve, foi atacada pela mâestia elide- 
mica da terra. v 

O único edifício, a que quiseram dar algum arrebiqtie 
quando o construiram, foi a casa da camará (AyuntarrdeTUo), 
obra do presente século^ nu» que não pioduz o resultado de- 
sejado. 

A eathedral é o momu&ento mais saliente que se eiuoon- 
trft em Badajos, não pelo seu merecimento «rtistioo nem pe- 
los objectos que encerra, mas pela solidea com que está oob- 
struíÀ, e pek) aspecto lúgubre « aterrador que apresenta 
interiormente com seus immensoB gradeamentos', pouoa luz, 
e a{ftbAryntada divisão. 

É obra principiada no reinado de D. Alonso, o êáldo, e 
viu concluída a sua primeira e principal capella em 128é. 

Badajoz tinha 13 conventos, dos quaes 5 eram para fta- 
des e 8 para freiras; um d'aquelles foi obra de D. João v, o 
qoaà, lifto contente com òs desperdioios que pnteticmi 'fiestc 
reúio eom taes obras, também a:lli mandoa construir ode 
S. SVancisco, cknk magnifica tdigna-de seus fmuMottsêy se* 
gundo diz Madoz, e que hoje é um magnifico quirtel de in« 
ntnlería. 

Se dispozessemos de mais espaço, era Badajot um dos^r- 
tigos a que devêramos dar maior desinvolvimento, |«ara o 
que tinhamos matéria muito kEtesressaate, •prindpií.ikdo polas 
luctas com a sua rival Yelves (Elvas); mas como nlo temos 
tempo, nem ó nosso propósito tractar de assumptos que pos> 
sam promover rivalidades, só falíamos em Badajoz em atteti* 
ção k parte activa que tem wm nossos caminhos de ferro, 
visto ser alli que, por eenmum aceérdo da empteza eons- 
tr]ietc»ra> e da oompanhki da Okidad Beai^ tennin« o serviço 
de exploração da Unha de leste. 

A unportaneia que esta combÍBaçâo dá a Badajoz deve 
porém terminar, liMpo que eeja aberta á exploração a Knha 
já oonstmida até Merida, porque então poucos serão os pas- 
sageiros que se demorem alli, e o serviço do eoifreio mudará 
comi^tamente s face ás eousaa. 

Barcel&dios 

Esta povoação é um arrabalde da viOa de BM*celloi9. Está 
situada em frente d'esta, na margem esquerda do Cávado, 
çae ora è um p&aco elevada, ora qoasi mvel do rio. tine o 



BAH 17 

arrabalde á villa uma bella ponle de pedra, fiolidamente 
construída e de fundação tão antiga, que se lhe attríbue ori- 
gem romana. 

Barcellos 

£ uma das povoações de Portugal mais graciosamente si- 
tuadas. Está sentada na margemrdireita do Cávado, em ter- 
reno elevado quanto basta para bem disfruetar as pittorescas 
vistas do do, sem ser incommodada em occasião de cheia. 

A sua fundação é «ttribuida a Amílcar, pae de Anmbal, 
ãdô.aiwos antes da era-christâ; mas o que se sabe com «cer- 
teza é-que D. ASonao Henriques lhe deu foral, que depois 
foi reformado por D. Manuel. 

Foi a primeira terra creada condtido em Portugal, porque 
D. Diniz, em 1298, deu o titulo de conde de Barcellos a 
D. João Affonso Telles de Menezes, titulo que até então era 
-ucMBdo^aneste xdno,-sem designação particular de povoação. 

£m'ld85 recompensou D. João i os relevantes serviços do 
gràwHft J>; ^UDO idvares Pereira, entre outras merdês, omn 
ir(tiialo,de«Mide de Barcellos, e este cedeu em dote ajHia 
filha B.^BeartariZy. quando casou com D. Affionso, que ideais 
foi duque de Bragsuiça (Vide Bragança). 

D. Sebasitiao elevou Barcellos á dignidade de duoMb, 
sendo seu piimeiro duque D. João, ££o de D. TheodMÍO; 
quisto duque de Bragança. 

Jõ inimeiío duque 'de Baroellos, que depois foi sento éb- 
que de Bragança, casou com D. Catiiarina, filha deiD. Donr- 
te, «duque & Gruímaries, á qual pertenceu o dsreitoidejiuc- 
e«8Ío ao. cardeal D. Henrique sia. coroa .de Portugal, direito 
€gae seus suooesaoves reivindicaram tm IfiáO. 
.; Foi Baroe^s erigida em o^egiada no asmo de «1474,. ci^o 
templo é um dos bons «difioios que possue. Alan da coUegiada 
tem, digno de ser visto, a egreja da àiiserícordia, o hospital, 
gàASASA da camará, e ^o extiaota convento "doB capuchos. 

'Tem a%umas easas de nobre apparencia, e muitas partes 
das suas muralhas attestam a sua antiguidade. 

X> .paço dos duques de Bragança oampêa em ruínas dene- 
gridas ha mais de qua^o séculos em posição pittoresca e so- 
braneeixa ao rio, éía. que ha uma bella ponte de pedra, que 
li^ a Baccelliuhos (Vide .esta palavra). 

O xio fomece*>llie salmões, lamprêas, sáveis, trutas, e ou- 
tras qualidades de peixe, e o oceano surte-a de peixe do mar. 

Tem lun bom mercado semanal, que é fornecido ás quin • 
tas feiras, por mui diversas fractas e hortalt<^^ d«& tstoa^^^ 



18 BAT 

quintas daa yizinhaiiçaa, e de caça em que abundam aquel- 
las cercanias. 

Barcellos communica com Braga c Porto, por meio de di- 
ligencias regulares, e dista d*aquella cidade XS kilometros, 
e d'esta 42. 

(Vide castello de Paria). 

Barquinha 

Yilla pittoresca e banhada pelo Tejo, cujo principal com- 
merck) é azeite, que exporta em ejande escala. 

Da Barquinha partem doas diligencias para TluHnar, na 
distancia de 24 kilcnnetros, e conouzem passageiros a 500 
réis cada um. 

(Vide passeio a Abrantes). 

Barreiro 

Esta^ principal do caminho de ferro do sul. Esta esta- 
ção, cujo desenho os nossos leitores v^râo na capa do p^re- 
sente Guia, é sita 'numa praia próxima á villa do Barreiro, 
na margem esquerda do Tejoy em frente de Ldsboa, distante 
em. linha recta 9 ou 10 kilometros d*esla cidade. A oonstmc- 
çâo é elegante.- O frontispicio tem 68 metxoe de comprímesito 
oem 16 janellas, 3 portões, e relógio no frontão. 

O pavimento da estação fica em niyel sobranceiro ao ter- 
r^io adjacente, mas tem fácil accesso por uma larga escada 
de cantaria de dois lanços, que dá sobra um vasto terrasso, 
todo guarnecido de gridaria de ferro. 

O fiando do edificio, incluindo o terrasso, é de 95 metros, 
occupando a superfide 6:460 metros quadrados. Tem quatro 
salas mui espaçosas para os passageiros das diferentes das- 
•aes, e acoommodaçòes para algumas repartições. Ao sul do 
edifido ha um armazém para mercadorias, com duas vias 
para entrada e sahidà dos vagons carregados, onde também 
está a estação tdegrapliica. Ao lado do norte ha vasto local 
com as necessárias (^&einas, eujas má-chinas são movidas por 
um locomotor fixo. 

A gcMre é no centro da estação, e são de ferro as cambo- 
tas do tecto, coberto de vidro e feriro galvanisado, tendo de 
largura 32 metros sobre 67 de oommrimento, cc«n plataforma 
e cinco vias para seu movimento. O terrasso e passagens in- 
teriores são asphaltados, com bordaduras de cantaria. 

Batalha 

E o brazão da arehitectnra gothica em Portugal, e o mais 



BEI 19 

singular entre os edifícios grandiosos das Hespanhas: é o 
padrão magnifico levantado á gloria e independência nacio- 
nal, objecto de gloria para os portogaezes, c assombro para 
08 extrangeirofs: finalmente é o cumprimento do voto de 
D. João I, feito a 14 de agosto de 1385, antes da memorável 
batalba de Aljubarrota. 

Este mosteiro, situado 'num comprido e extenso valle jun- 
cto ad Lena, dista 12 kilometros de Leiria e 20 de Alcoba- 
ça, e pertencia aos dominicos: não se sabe com exactidão 
quem foi o primeiro architecto que delineou a obra, mas o 
que se sabe com certeza, porque se vê, é que quem quer que 
eíle foi, projectou uma das obras mais perfeitas de todos os 
paizes e de todos os tempos, 'naqueUe género. * 

Tudo aUi é grande: a egreja com suas janellas de vidros 
coloridos, e seus túmulos, o claustro real, as capeUas imper- 
féitaa, o jazigo do fundador, os túmulos de mármore branco 
de D. Henrique, duque de Vizeu, de D. Fernando, de D. João 
e D. Pedro, que succnmbiu em Alfarrobeira, feizem parte 
doesse todo, que é um verdadeiro triumpho da architectura. 

A casa do capitulo, cuja abobada três vezes abateu antes 
de ficar definitivamente condnida, é também imi dos monu- 
mentos de construcção que nobilita o seu auctor, quarto que 
tentou a sua construcção, o que deu logar ao interessante 
romance intitulado a Abobada. 

Ghega-se á Batalha sem encontrar nem ver cousa que 
distraia a imaginação; e só qnasi dentro d'ella é que se vê, 
e depois de lá entrar esquece-se tudo 

Beira 

A província da Beira, com ser de todas do reino a mais 
extensa e a mais rica em dons da natureza, tem sido a Ine- 
no0 favorecida do estado na distribuição e progresso dos 
melhoramentos materiaes e dos coounodos da dviSsaçãe, de 
que ha doze annos andam cuidando todos os governos d*esta 
terra. D'ahi nasce que esta província é quasi desconhecida, 
e constitue, a bem dizer, um território extrangeiro, que só 
poderá ser explorado, quando se completar o systema de via- 
ção públioa, que já está decretado, e que, diga-se de passa- 
gem, foi msÉl planeado no traçado, e pessimamente dirigido 
no começo da execução. 

Deixamos, porém, em claro esta questão, q^ue não tem aq^ui 
cabimento, e vamos dar uma succinta noticia da provincia, 
na esperança de que em breve estarão concluídas a estrada 
2 



20 BEI 

de Coimbra a Celorico e outras, que facilitem uma viagem 
pela Beira, ou pelos logares maia 4iotayeis d'ella. 

Avulta em primeiro Togar a serra da Estrella com os sesis 
grandes la^s, catadupas e cascatas de agua puríssima^ e a 
sua riquíssima e variada vegetação, que fará a admiração dos 
curiosos e o encanto dos naturalistas e botânicos naciosDaes 
e extrangeiros. 

Esta viagem á serra não se pôde fazer senão em fibs á& 
julho a agosto, depois de se ter derretido a neve, de que a 
serra está coberta todo o inverno, e ainda assim é necessá- 
rio ir munida de roupa de inverno, porque mesmo nas cani- 
culas se sente alli frio, e o viajante tem de lá dormir 'numa 
cabana dos pastores, que são de dia os melhores guias, e á 
noite dão aos visitantes gazalhado com muita franqueza e 
mil respeitosas attençoes, offerecendo mesmo a sua fihigal 
refeição a quem se não lembrou de ir munido do indispensá- 
vel fajrnel. 

Quem subiu ao ponto mais elevado da serra v4ti uma 
grande parte de certo a mais importante do paiz, e também 
uma grande parte do reino vizinho. Doesse logar é que cada 
viajante pôde escolher os pontos que deseje visitar de pre- 
ferencia, conforme as suas incHnaçoes, profissão e vamo de 
scíeneia que mais cultiva. Quem quizer percorrer as aldeias, 
íiinda as mais insignificantes, situadas nas faldas da serra 
da Estrella e nas da cordilheira que á'eUA nasce^ encon- 
trará que ver nos seguintes ramos: 

Archeologia. — São frequentes por estes sitios os vestígios 
do dominio dos romanos e dos mouros. Na Bobadella existe 
ninda um arco romano, a que anda ligada uma tradição, 
que toda a povoação repete a quem lhe falia 'nelle. 

Não falta tamlNsm quem narre difierentes pormenores dos 
cocdntros de Viriato com as tropas romanas, e indique os 
logares onde provavelmente seriam esses ccMnbates nerol- 
cos entre aquelle famoso caudilho lusitano e as tropos ro- 
manas. O archeologo que quizer proceder a essas investiga- 
ções mais profundamente, deve ter o poema Viriato IVa- 
gicOf da Braz Garcia Mascarenhas, que foi o archeologo que 
mais luz lançou sobre os factos d^esses remotos tempos. 

^tiin«8maí»ca.— Faxeee-nos que não é ainda dtffieil' obter 
por esses sities uma eollecção completa de moedas itMianas, 
e algumas medalhas do tempo de seu dominio e edades pos- 
teriores. Os pastores encontram ás veaes grande porção de 
moedas, que distribuem pelas povoações. A maior parte 
Èêm-se perâido. 



BEI 21 

Asrchoograplda, — Na Bobadella, que foi nma cidade notá- 
vel dos romanos, e hoje é apenas uma aldeia insignificante, 
appareoeram ha annos alguns mausuleus e uma estatua, que 
cremos seriam destruídos; mas é provável que o archeogra- 
pMco encontre ainda cousa 'neste género, que disperte a sua 
attençâo. 

Architectura. — Nâo abundam 'nesta província os edifícios 
notáveis, a não ser nas capitães dos districtos, como Viseu, 
Giufd», etc; mas ainda assim apparecem algumas aldeias 
c(nn egrejas antiquíssimas, como R)mares, concelho de Ar- 
ganil, e 'nesta freguezia a egreja de S. Pedro, que se diz foi 
mesquita àios mouros, e que é notável por ser toda de alve- 
naria, obra de muito trabalho e segurança. As pedras, tanto 
das paredes do edifício, como das naves, estão coUocadas em 
Unhie rectas e paralisas, o que devia custar muito trabalho e 
tempo, por serem, como dissemos, as paredes só de alvenaria. 

O que, porém, nâo deve chamar a attençâo do architecto 
é a grande variedade de granito e schisto, que se encontra 
nas faldas da serra da Estrella e nas montanhas, que se es- 
tendem para o sul e nascente da meema serra. Ha espécies 
notáveis de schisto e lousa, de que nas aldeias da serra se 
jha..iUN> para oobrirem as casas em vez de telha, que alli é 
Hndto 4i£SgíI obter, e que não podiam resistir á força do 
vento. 

Jámeralogim — Esta província é riquíssima de minas, 
que estão por explorar. A revolução de lo48 impediu os tra- 
obIíkw d'Hma companhia, que se tinha oi^^anisado para a 
lavra e exploração das minas da Bçira, e nunca mais se tra- 
cfcGa â*is80,. nem tractará emquanto não houver boas es- 
tradas. 

Botânica, — Quem esteve na serra da Estrella não carece 
que Uie digamos cousa alguma a este respeito. O sr. .0. Ma- 
chado, bacharel em medicina, frequentou muito esta provin- 
eia a procurar elementos para aJ^Wa portugueza, que anda 
eacrevendo. Depois saberemos por pessoa tão competente o 
que a provinda possue 'neste género. 

Kfto nos permitte a Índole d'este trabalho que alongue- 
mos mais esta noticia, e porisso deixamos de referir os ricoe 
panoramas que offerece a Beira, e de fa^er a descrípçâo das 
£ã.bricas de lanifícios da Covilhã e S. Eomão, que ncam na 
aba da serra da Estrella, e que são justamente afamadas 
no paiz. Quem destinar uma viagem pela província, certa- 
mente não esquece estes legares, que são os de maior acti- 
vidade industrial e commercial da Beira. 



22 BRA 

Pelo mesmo motivo nâo falíamos da Guarda, Castello- 
Brauco, e d'outras povoações na província, onde o viajante 
se deve demorar, quando fizer jornada, e mesmo procurar 
ver, se for com animo de fazer uma viagem completa pela 
Beira, ou pelas duas Beiras. 

Beja (Pax Júlia ou Paca dos autigos) 

Edificada sobre uma eminência e cercada de muros com 
40 torres, tem um castello, mandado levantar por el-rei 
D. Diniz. 

Tem diversas antiguidades romanas, e da torre da cidade 
descobre-se a serra de Cintra, a 170 kilometros de distancia. 

Parece que deve ser abundantíssima de caça, se calcular- 
mos pela quantidade de perdizes que vimos em um lunch a 
que alli assistimos, preparado com duas horas de antecc; 
deacia. 

Tém club, e um quartel de infanteria, bastante regular. 

Na Praça, n.® 550, l.<» e 2.*» andar, é afaospedaria do Val- 
ladão, alfaiate. 

Braçal (minas do) 

Estas minas, propriedade do sr. Dtch. Matbias Ferhnerd, 
situadas no concelho de Sever do Vouga, distncto de Avei- 
ro, occupam uma área de 4.075:000 metros quadrados, e 
teml.fiíôesy quatro dos quaes estáo em lavra, e produzem 
galetio de chumbo. « 

Esta demarcação divide-se em dois diferentes campos de 
lavra: 

1.* Braçal, — Esta mina tem 105 metros de profundidade: 
para os esgotos das aguas trabalham constantemente 3 ro- 
das hydraulicas de 18 até 28 pés de diâmetro. 

Tem 3 poços: um com 105 metros de profundidade^ outio 
com 40, e o terceiro com 28. 

Ha alli duas rodas hydraulicas para a lavagem dos mi- 
ncraes, e uma para a extracção do entulho, que têm 10, 18 
e 28 pés de diâmetro. 

Nos trabalhos subterrâneos e na lavagem dos entulhos 
occupam-se de 50 a 120 homens, rapazes e mulheres. 

Esta mina produzia, em 1863, vinte e cinco mU arrobas de 
galeno de chumbo., 

2.^ Malhada. — E assim que se chama o segundo campo 
de lavra. 

Esta mina, descoberta em 1852, já foi explorada pelos 
mouros ou romanos, até á proftmdidade de 50 metros. 



BRA 23 

Tem dois filões de galeno de chumbo, que se acham em 
lavra, e dois poços, mn com 104 metros de profundidade e o 
outro com 40. 

O esgoto das aguas faz-se com duas rodas hydraulieas 
de 28 pés de diâmetro: mna outra de 14 pés tira o entulho, 
o ainda niais duas, com 10 e 18 pés, fazem a lavagem dos 
mineraea. 

Noi3 trabalhos e na lavagem d'esta mina sao diariamente 
enipregadas 120 pessoías, homens, rapazes e mulheres. 

O galeno que esta mina produziu em 1863, foram 34:640 
arrobas. 

'Nesta mina ápparece Uende (mineral de zinco) mas em 
muito pequena quantidade. 

O sr. Mathias aforou os inontes maninhos das proximida- 
des das minas, e fel-os plantar e semear de carvalhos e pi- 
nheiros, e outras arvores, para prevenir que de fiituro nâo 
faltem as madeiras. 

O galeno que as minas produzem é preparado e derretido 
'numa fundição que alli ha, denominada de D. Fernando, a 
qual contém um forno alto,'outrb para calcinar, um terceiro 
para refinar, e finalmente mais outro de prata, o qual é pelo 
systenpia Patterson. 

Além doestes fornos ha uma bateria de calcinação. 

O vento para os fomos é fornecido por uma roda hydrau- 
lica de 20 pés de diâmetro. 

O galeno de chumbo do Braçal contém, em cada 2:800 
partes, uma de prata; e o da Malhada, uma em cada 4:200, 



Outra demarcação no mesmo concelho e no Cm>al da Mó, 
oceupa uma área de 2.100:000 metros quadrados* 

Tem 7 filões, que parecem galeno de chiunbo, mas só õ têm 
sido explorados, dando 3 d'elles mostras de garantir a lavra. 

P^ JUão doesta mina conhecesse ^ue já foi explorado 
(provavelmente pelos mouros ou romanos) até 40 metro» por 
naixo d^um ribeiro, que lhe passa mesmo por cima.^ 

Estão já limpos 5 dos antigos poços e 360 metros de ga- 
lerias, tudo anti^: um dos poços já foi aprofundado 42 me- 
tros abaixo do no. 

Esta mina ainda está em princípio, e porisso apenas pro- 
duz o galeno y que se encontra nos entulhos velhos. 

O esgoto das aguas ha de ser feito por uma máchina de 
vapor, e a extracção do entulho com ingenhos movidos por 
cavallos. 



24 BBA 

A arborisaçao dos montes vizinhos tambcm não tem sido 
esquecida. 

Mais duas minas, uma de cobre e outra de chumbo, occu- 
pam a attençao do sr. Mathias, que 'nellas procede ás ne- 
cessárias pesqnizas. 

O sr. MatMas, honrado negociante e infatigável empre* 
hendedor, extrangeiro por nascimento e portuguez por affei- 
çâo, ia sendo victima da inveja d'uns e ^orancia d'outros, 
na commoção popular que, com o fundamento de que o fiimo 
das minas produ2âa a moléstia das vinhas, quiz arrazar e 
incendiar-lhe todos os elementos de prosperidade, que elle 
alli tinha concentrados, e que fazem subsistir centenares de 
famílias. 

Além doestas ha ainda 'naquelles sítios outras minas em 
exploração. 

rara o Braçal deixa-se o caminho ã& ferro emAveiro, se- 
gué-se para Albergaria, e d^aqui até Pccegueiro pela estrada 
em construcçâo para Yizeu, e chegados a recegueiro perto ó. 

(Vide Vouga). 

Braga 

Cidade antiquíssima e que foi corte dos reis suevos. Si- 
tuada em uma planície regada pelo rio d'Este, e distante do 
Porto 48 kilometros; abundantissima de tudo, é uma povoa- 
ção que reúne cm si numerosas memorias históricas de re- 
mota antiguidade, títulos honoriâfios de mui alta significa- 
ção, monumentos d'arte de grande apreço e uma situação de 
singular formosura e amenidade. 

Kenhuma das nossas cidades, mesmo incluindo Lisboa, 
guardadas as devidas proporções, tem tantas e tão grandes 
praças, nem tão regulares e tão bellas, como Bra^a; e ik> 
que ella leva a vantagem a todas, sem excepção, e na ma- 
gnifica situação de seus numerosos monumentos, que todoa 
se erguem desafogadamente em alegres terreiros ou em pra- 
ças espaçosissimas. 

O campo de Banct^Anna, que ha uma dúzia de annos era 
desegual e mal gradado, foi aplanado e aformoseado, £Etzen- 
do-se d*elle um espaçoso jardim cercado de grades de ferro 
com quatro portas, e é rodeado de casas do lado do sul e 
norte. 

Do lado de oeste estão os restos do antigo castello, que 
ainda resiste em parte, e abraça com seus velhos muros edi- 
fidos de oonstrucção moderna, e 'noutra parte destruído do 
toífo, já está transformado em casas de habitação. 



BSA 25 

Pek) lado de leste encontra-se, ena seguida, a praça do 
Campo do Nosêa Senhora a Branca, também toda orlada 
de casas, e tendo no topo a egrega que lhe dá o nome. 

O castello de Braga, fundado por D. Diniz, no século xni, 
reconstruído e augmentado por D. Fernando, em 1375, era 
formado por largas muralhas ameiadas, flanqueadas de tor- 
res quadrangulares e bastiões redondos, e tem no centro a 
torre de menagem, que se eleva a grande altura. 

Se dêmos algum deeinvolvimento á descripçâo do campo 
de Sanct*Anna, sahindo com isso dos limita em que nos 
circumscre\'emos, deve-nos ser desculpado, em attençâo a que 
o fizemos por ser alli que teve logar a expoôição agrícola 
de 1863, exposição que serviu para provar o talento artístico 
e hábitos laboriosos dos habitantes de Braga, porque das 
nove medalhas de ouro destinadas a premiar os iiove expo- 
sitores, que apresentassem maior perfeiçfio lioô seus produ- 
ctos, couberam seis á cidade, por distincção nas duas indus- 
trias, agricola e fabril. 

O apreço que damos a esta exposição nâo é tanto por ella 
mostrar que em Braga se fazem em grande quantidade cha- 
péus, sapatos, ferragens, obras de chifre, panno de linho, 
etc., como por nos recordar que já alli houve outra, promo- 
vida J)elo arcebispo primaz, D. fr. Caetano Brandão, a qual 
foi a segunda do reino, e talvez a da Europa. 

Temos orgulho em recordar estes factos, reivindicando a 
gloria da iniciativa dos grandes commettimentos dvilisado- 
rès, como no caso presente, cm que vemos attribuir esse pen- 
samento a extrangeiros, quando a primeira exposição que 
hoirve na Europa teve logar em Oeiras, aonde o graníde mar- 
quez de Pombal determinou que se fizesse uma feira, a que 
concorressem todos os objectos da industria portugueza; e 
mandou ordem a todas as províncias a fim de serem intima- 
dò§ todos os proprietários de fabricas, para virem armaf 
barracas e 'nellas exporem á venda os productos de sua in- 
dustria. 

Kingnem ignora como se cumpriam as ordens d'aquelle 
ministro, e portanto todos podem calculai se foi ou não con- 
corrida a exposição. 

Fàlta-nos o espaço, e porisso concluiremos este artigo lem- 
brando aos viajantes, que em Braga facilmente encontrarão 
quem lhes mostre o que ha digno de ver, mas que nâo de- 
vem e^tiecer a cath(íiral, o palácio do arcebispo, o Populo, 
o arco do postigo, o largo das carvalheiras, a capella de S. Se- 
bastião; as coínmjmB miliarias, o tumtilo do ^Tt^«^\^ .\fvft- 



26 BBÂ 

go de Sousa, que está na Misericórdia Vellia, e a Sé que com- 
munica com a mesma Misericórdia; o theatro de S. Geraldo, 
que éum dos melhores do reino, depois dos de Lisboa e Porto; 
o golpe de vista da Senhora de Guadelupe; e concluir pro- 
vando as famigeradas frigideiras, que em fama rivalisam 
com 06 QvoamoUes e.mexUhão de Aveiro. 

Braga precisa muito melhorar de meios de locomoção; e 
quando os. poderes do estado quizerem attender a que as 
vias farreas são, para onde ha movimento e vida, e não para 
charn^ç^^ aridaâ e desertas, ha de também ter a sua parte 
na r^dè. que deve involver todo o Minho. 

Até então, que infelizmente tarde será, vae-se remediando 
com o que tem, e eommunica-se com o Porto por meio da di- 
ligencia Q da mala-posta, que diariamente partem d'esta 
cidade para aquella e vice versa. 

Os preços vao indicados no final do artigo — Porto, 

Pararecovagens e encommendas ha sete estafetas, que che- 
gam ao Porto ás terças, quintas e sabbados, e regressam ás 
segundas, quartas e sextas. 

Estes estafetas encontram-se no Porto em differentes ca- 
sas da rua da Picaria. 

Com quanto o Bom Jesus do Monte diste de Braga 4 ki- 
lometros, pôde diz^-se que faz parte d'ella, e é um passeio 
forçado para todos os vi^*antes que forem a esta cidade. 

A historia d'este rico monumento de piedade christã, que 
augmenta dentro e f(^a do paiz a celebridade, que Braga 
por tantos titulos tem, reduz-se a uma lucta continua de 
confrariaa e clérigos, em que o sórdido interesse d'eBtes por 
muitas vezes ia destruindo a prosperidade promovida por 
aquecias. ... 

Estas luctas porém terminaram, e com ellas abrandou 
também jpor muito tempo o fervor das con&arias e o 2dio e 
boa administração de seus membros, mas que de novo vae 
appajrecendo. 

Lamentamos não poder descrever minuciosamente o que 
o viajante tem a ver no Bom Jesus, principalmente pela 
falta de cicerones^ que alli ha; mas como não podemos dispor 
de mais espaço, limitar-nos-hemos a recommendar aos via- 
jantes, que se não contentem com ver os admiráveis panora- 
mas que d'alli se disfiructam sem ir ás torres da egreja, por- 
que d'ahi é que elíes são encantadores. 

O monte <ío sanctuario com a sua frondosa matta; a ci- 
dade, de Braga no meio de {Hraaos cobertos de pomares e 
cearas; ao longe cordilheiras de serras; á esquerda, e a grande 



BBA 27 

distancia, o mosteiro de villa do Conde; em frente a villa de 
Barcellos; á direita o Gerez, serra que, se houvesse quem a 
soubesse aproveitar, seria um dos pontos de reimiâo dos ele- 
gantes da £uropa;' ao longe o oceano; e Ãialmènte por toda 
a parte innumeraveis soutos e devesas de carvalhos e casta- 
nheiros, quintas e pomares, e á verdura que constantemente 
se CQoseèva no Minho por effeito das suas fontes, rios e re- 
gatos, são tudo objectos q^e extasiam e admitam. 

Recòmmendamos aos visitantes d'este ^nctuario ás Me- 
morias do Bom Jesus, escriptas pelo sr. dr. Diogo Forjais, que 
pela sua exactidão lhes podem servir de completo gírta. 

A illustrada redaoçao do Af*chwo Pittoresco também pu- 
Idicou iio seu jornal alguns artigos, em que o «fr. I. de Vi- 
lhena Barbosa -descreve minuciosamente o Bom Jesus do 
Monte. 

Bragança 

Cidade episcopal, praça de armas e cabeça d*um dos deze- 
sete dustrictos em que se acha dividido o continente do rei- 
no. Está situada juncto ao rio Fer vença, que entra no fosso 
das suas muralhas^ em amena e fértil csabpina. 

Ficam-lhe perto as ruínas da antiga Brigantio, cuja fun- 
dação attribuem a Brigo, rei de Hespanha, 1906 annoô an- 
tes da era de Christo. O que se sabe é que a cidade actual 
foi povoada por D. Sancho i, em 1187. 

IDem diversas fabricas, e as< de veludo e seda fiVeram 
outF'ora grande feusia na península; mas agora estâò étn de- 
cadência; apesar d'isso a exportação dos productos dás éuas 
fabricas ainda regula por 300 contos, e a importação apenas 
chegará a 20.- '/'"". 

A sua alfandega é a mais importante das dos portos sée- 
cos. do reino. 

Esta cidade foi a capital da provincia de Traz-os-Mòtstes, 
domimo que teve de repartir com Villa-Real. 

Tem o singular privilegio de dar o seu nome á dyna;stia 
reinante, porque é cabeça do ducado de Bragança, instituido 
por D. Atfonso v, em 1M2, sendo seu primeiro duque D. Af- 
fonso, filho de el-rei D. João i, casado com D. Beatriz, filha 
do grande condestavel D. Nuno Alvares Pereira, e d'elles 
descendeu D. João iv, oitavo duque de Bragança, que subiu 
ao throno em consequência da revolução de 1640. 

Bragança dista 12 kilometros da raia hespanhola, e 100 
de ViUa-Real. 



28 BUg 

BuBsaco 

Matta e convento bem conhecidos, que foi propriedade dos 
carçielitas dc«K;aIços, situados oa serra do mesmo nome, 7 ki- 
lometros âí^tante da Mealhada. 

A matta está quasí cUyidida ao meio por uma rua, que a 
atravessfi desde a portaria até á porta de Sulla, e é drcum- 
dada por uin muro^ que tem 3; 800 metros de extensão. 

Todo este recinto está coberto com a sombra de carvalhos, 
castjinheiros e cedros gigantes. 

Este» foram plantados em 1643, e aquelles, para se poder 
imanar qual ^rá a sua antiguidade, basta attender-se a 
que já ein 1634 dizia a nossa poetiza D. Bernarda Ferreira 
de Lacerda, nas suas SdecUidee do Bubscíco: 

' Con negras sombras de robles 

Que aUi son grandes, y muchos 

Ltenos de barbas por viejos, 

Y enlas cabeças tan juntos 

Que no sufren los trojfpasse 

El planeta robicundo. 

En lugar de gromvma semòran 

El suielo guijarros duros, 

Pardos, ojtides, y negros . 
. Que d íiempo cubrio de musgo. 

É duvidosa a procedência da semente que produziu aquel- 
les cedros, mas os botânicos conccMrdam ^n que são originá- 
rios de Goa. 

Fr. Tliomaz de S. Cyrillo foi o prelado fundador d*aquelle 
convento^ cuja edificação foi principiada cm 7 de agpsito de 
1628, e em 19 de março de 1630 começou a observância do 
instituto. 

Sobe-se a montanha visitando os nove passos da prisão de 
Christo, desde o Horto até ao Pretório de Pilatos, e os seis 
da paixão, d^ade o Pretório até ao Calvário. 

Lstes passos, que primeiro foram indicados com cruzes, 
depois com pinturas, e ultimamente com cajpellas e imagens 
em vulto natural, estão locaUsados em conformidade com as 
medições, mandadas vir de Jerusalém pelo bispo conde 
D. João de Mello. 

Todas estas obras foram feitas durante o tempo que me- 
deia desde 1664 até 1717. 

Encontram-se dispersas pela matta diversas capellas, cha- 



BUS 29 

madas ermidas de habitação ou de penitencia, aonde alguns 
religiosos iam passar a vida ermitica da saa regra: e são 
eUas as ermidas de S. José, do Sancto Sepulchro, de Nossa 
Senhora da £zpectaçâo, de S. João Baptista, de Sanefa The- 
resa, de Sancto Elias, de Nossa Senhora da Conceição, de 
S. Miguei, do Sanctissimo Sacramento, de Nossa Senhora da 
Âssompção, do Calvário, e de Sancto Antão. 

Presentemente costumam ser habitadas, desde junho a on- 
tahm, por fiamilias que alli vão passar o estio, porque qual- 
quer d'ellas tem sufficientes accommodações para isso. 

A Cruz Alta, coUocada no ponto mais elevado da monta- 
nha, está sobre um baluarte cercado de ameias, construido 
das ruinas d*um outro mosteiro que alli havia ésnstido; e a 
ascensão até lá é uma das maiores galhardias, que podem 
practíear os tourtatas, 

Oecdvario é um dos sitios d'onde se disfructam mais agra- 
dáveis pontos de vista. -• 

Bussaco viu desterradas dentro de seus muros muitas 
pessoas distinctas, e entre ellas apontaremos os infantes 
D. António e D. José, filhos naturacs de D. João v, conhe- 
cidos pelos Meninos de Falhava, que alli estiveram desde 
1760 até 1777, epocha em que morreu D. José i, que os 
mandara para lá por causa das desintelligencias; que tive- 
ram com o marquez de Pombal. 

Foi na serra de Bussaco que a 27 de setembro de 1810 
teve logar a batalha em que foi derrotado o exercito fran- 
cez c(»nmandado por Massena, que então deixou de ser o 
anjo da vietoria. 

Para recordar aos vindouros este brilhante facto da nossa 
historia, determinou-se a construcçào d'um monumento, cuja 
primeira pedra já foi assente, graças ás instancias do sr. Cas- 
caes; mas parece-nos bem que a sorte d'elle será tão desgra- 
çada como a do celebre gatheteiro do Rocio. 

A historia escreve-se, reunindo os fragmentos d'ella, que 
se encontram dispersos, e porísso seja-nos pemaittido regis- 
trar aqui alguma cousa que para o futuro possa elucidar 
alguém. 

Em 1862 tinhamos a honra de ser um dos corresponden- 
tes do Commerdo do Porto, e deparámos 'num dos números 
d'este jornal com o seguinte artigo: 

Marmmento patriótico (do Jornal do Commerdo). — Da 
íjuerra peninsular não ha um só monumento, que comme- 
more as façanhas dos soldados portuguezes na delpnsão da 



30 BUS 

pátria. Ha 48 aimos que terminou a guerra cCmtra os ex- 
trangeiros, que pretendiam avassallar Portugal, e comtudo 
a nenhum governo lembrou nunca levantar uma lapide, se- 
quer, em algum campo de batalha, que recordasse aos vin- 
douros qual fêra o heroísmo do exercito portuguez em tão 
longa e porfiada campanha. 

O sr. Joaquim da Costa Oascaes, a quem o governo con- 
fiou a hqnrosa empreza de escrever a historia da guerra pe- 
ninsular, lembrou-se de propor ao sr. ministro da guerra, 
que no campo de batalha portuguez, onde maior gicHria ad- 
quiriram as. nossas armas, combatendo os exércitos france- 
zes, se levante um singelo obelisco, que memore o Mto he- 
róico ahi practicadp. . 

Têm os hespanhoes um pequeno monumento em AlbueTa, 
campo onde os exércitos alliados, inglez, hespaohol e portu- 
guez, mostraram mais uma vez que eram dignos de v^Kser 
os soldados do primeiro capitão do século. M^ em PprtugaL 
não ha mna pedra que diga aos vindouros — aqtd pelejaram 
08 porUiguezes pela independência da sua pátria, e venceram 
08 8eíi8 iimfúgoa. — Por esses campos jazem os restos de. 
tantos, que deram a vida pelo seu^iz, e não se vê erguido 
um padrão, que attoste ao viandante que aiU repousam o» 
valentes soldados portuguezes em perigos e guerras eaf orça- 
dos, que sustentaram com assombroso valor e extreibada 
constância a independência da sua terra. 

O nosso amigo, o sr. Cascaes, que estuda com amor a 
Mstoria d^essa famosa guerra, para lhe erigir um monu-- 
mento que de certo será digno do paiz e do nome litterario de . 
tão di^tincto escriptor, como que se envergonhou de não en- 
contrar por todo este Portugal, nas serras, nos valles, ou 
nos povoados, alguma memoria de façanhas tão celebradas 
— e de tão heróico patriotismo. 

Porisso, não contente dos trabalhos a que está entregue 
para levar ao cabo a empreza a que metteu hombros, quiz 
também o sr. Gascaes que lhe coubesse a honra de se lhe 
dever o primeiro monumento, de pedra, da guerra penin- 
sular. 

O pensamento do sr. Gascaes é o seguinte, segundo nos 
consta: 

No Bussaco se pelejou a primeira batalha, em que e exer- 
cito portuguez, além de valoroso, se mostrou disciplinado e 
firme, rivalisaiido em todos os dotes militares com o exer- 
cito inglez, conforme o testimunho insuspeito do próprio 
Jord Wellii]^on e do marechal Beresford. 



BUS 31 

o exercito portuguez no Bussaco tirou a sua primeira 
desforra da desconsideração a que parecia votado; e os in- 
fííezea foram os primeiros a fazer-lhe justiça. A batalha do 
Bussaco foi a rehabilitaçâo do exercito portuguez. 

Por estes motivos, pois, e por ser tâo decantado o sítio, 
pareceu ao sr. Cascaes, que o Bussaco era o campo mais 
apropriado para a execução d'um singelo, mas patriótico 
ODelisco, ciyo plano apresenta, e é o seguinte: 

Do próprio calcário que abunda na falda da serra, se 
construirá o momunento, cuja primeira pedra deverá ser 
coUocada no dia 27 de setembro, anniversario da batalha. 

O monumento constará d'iun pedestal quadrangular, com 
poucas molduras, coroado d^uma pyramide. Duas faces op- 
postas, ou lisas, ou com algum ornato singelo e allusivo, e 
nas outras duas, inscripçòes que commemoi*em, uma as cir- 
cnmstancias principaes do factO; e a ouixa a epocha e a data 
da ;erecçâo dio monumento. 

£ nm pensamento simples e podco dispendioso, e desde 
que elle é proposto a um minÍ8â*o, como o sr. visconde de 
Sá da Bandeira, que é também um veterano da guerra pe- 
ninsular, condecorado com a cruz de quatro campanhas, o 
nobre general não deixará de o aproveitar e de lhe dar se- 
guimento. 

A batalha do Bussaco foi dada a 27 de setembro de 1810, 
entre cerca de 60:000 veteranos francezes, commandadòs pelo 
marechal Massena, denominado o anjo da victoria, pela au- 
dácia e fortuna das suas emprezas militares, e o exercito 
anglo-luso, de 50:000 homens, sendo 27:000 portugnezes, sob 
o Gommando de k>rd Wellington. A batalha domeçou ás 6 ho- 
ras da ínanhâ, durou até ás 8 e meia, continuando até á noite 
já mais firouxa. 

Os alliados occupavam as alturas; atacados com incrível 
coragem pela direita e esquerda, repelliram o inimigo á 
bavoneta. 

Os alliados perderam 197 mortos, 1:002 feridos, 55 extra- 
viados ou prisioneiros. A perda dos francezes passou^ entre 
mortos e feridos, de 4:000 homens, entre elles 1 general, 3 
coronéis, 3 officiaes e 250 praças prisioneiras. 

A tropa portugueza compuima-se, em grande parte, de re- 
crutas, que se mostraram soldados completos. 

Será um dia jubiloso para os veteranos das gloriosas cam- 
panhas peninsulares, aquelle, em que virem erguido um pa- 
dríU> aos seus heróicos feitos. 



32 BUS 

Não podemos conter-nos, e dirigimos á redacç&o do mesmo 
jornal a seguinte carta: 

Caros redactores, — Acabo de ler^ transcripto do Jornal 
do Ccmmercioy de Lisboa, no tosso jornal de noje, o proje- 
cto do sr. Cascaes, para ecnnmemoraçâo do gra^nde feito àit 
armaS; qne no Bussaco fez eclipsar a gloria do OfRJo da vi- 
ctoria. 

Sem a mais pequena ideia de querer diminuir o rákar ao 
pensamento do sr. Cascaes, apresso-me a prerenir-vos que o 
projecto d'um monumento alli não é novo^ eom quanto p(^ 
diíi^rente forma e maneira. 

Cabe essa gloria ao sr. Adriano Baptistft Ferream, da 
Mealhada, o mesmo que na exposição agrícola d^essa «idade 
salvou os vinhos da Bairrada do olvido em que iríam ficando, 
e que* íez com que elles fossem classificados oomo deviam. 

Sendo presidente da camará da Mealhada, soube elle que 
uns lavadores do^ coneeUio de Mortagoa' eram seiJbiOTOS -aas 
nanas da capella, almas do enoamadouro, situadas 'nnm^ 
elevação da serra do Bussaco, a 50 metros da esteada de 
Viaeu. 

Sir Arthur Wellesley, depois duque de Wellington^ havia 
d'ella feito tenda de campanha, e d'ahi dirígira a batalha; 
porisso o sr. Baptista procurou e obteve, não sem bastante 
trabalho, comprar para o municipio aquellas ruinas ciMn seu 
terreno adjacente. 

Quando iez esta compra projectava elle faser reedificar a 
eapeHa> coUocar 'neUa um qnaibo com a pintura que recor- 
dasse a grande batalha, e mais dois com cópias das partíd- 
paçoe» que os dois generaes deram d'ella. 

Além d'isso queria promover uma romaria annual, que re- 
cordasse a/OB vindouros aquelle feito de armas, que pôde tal- 
Tea xepntazHse a prkneira « principal pedra arrancada aos 
alicerces do espantoso ediúcio consinddo pelo grande homem, 

Em>tndo isto havia só de grande o pensamento, porque 

Souco podia £Bxer com os< recursos diurna camará tão insigni- 
cante como a da Meidhada; mas* esse mesmo pouco, nfto o 
conseguiu, porque, largando a presidência, não teve substttu- 
toe<oom tão elevados sentimentos patrióticos como elle. 

£ pois aos srs. Cascaes e dr. Baptista commum a gloria do 

pensamento, sem qne a de mn deslustre a do outro, e porisso 

atrevo-me a lembrar que, co^ieeendo agora esta oircumslan- 

cia, muito bem faria o sr. Cascaes, alterando o seu i»pojeeto 

/fará que o governo adquira a mencionada capella, que já é 



S178 33 

«fifi moMumento hiaUnieo, e em seguida a faça leedificar con- 
vementemente, collocando-se o pedestal na esplanada em 
frente d*ella, porque é o local mais apropriado. 

A aoqnisição da capella é facillima, porque a camará não 
terá 'jiisflo a menor duvida, e reedificada que seja, esponta- 
neamente se reunirão os povos em tomo d^eUa para festoar 
as almas, o que será um verdadeiro cuemiversario. 

Sem mais infoimaçoes do que as recordações dos projectos 
do meu amigo, apresso-mo a pedir-vosa publicação d'esta 
«ogea a possível brevidade.— Porto, 11 de agosto.— Todo vos- 
•o, P. A, 

" DÍS8 depois escxevemos nova carta á mesma redacção, e é 
a g^ninte: 

Mtué carae, — Cumpri um dever, apressando-me a reivin- 
diear os direitos d*um amigo ausente, e cumpro outro recti- 
fieaxido e ampliando a carta que vos dirigi em 11 do corrente 
eroB dignastes publicar em o n.** 186 do vosso jornal, ácérca 
do manumeento patriótico do Bussaca 

Disse-vos 'nella que sir Arthur Wellesley fizera tenda de 
eampanha da capella aima$ do encarnadouro, e d*áfai dirigira 
a bataOia. 

Enganei-me. 

O general esteve no convento. 

A capella teve destino mais elevado, com quanto mais do- 
loroso... foi hospital de sangue. 

A cainara da Mealhada, presidida pelo sr. dr. Baptista, 
obteve a pr(^riedade da capella em 6 de outubro de 1859, e 
em sessão de 22 do mesmo mez requereu pelo ministério das 
obras publicas, para execução do projecto que vos incHquei, 
uma ajuda de custo de lõOiJOOO réis e algumas das madefams 
sèccas que se achavam pela mata do Bussaco, comprometten- 
do-se a faeer o resto da despesa. Até agora nâo teve despa- 
cho tal requerimento! Como se tractava d'um monumento 
hifitorico, nâo se fez caso. Cousas do nosso paiz; 

Mas deixemos divagações e voltemos ao monumento. 

Dizem-me que o sr. Cascaes se lembrara de o fazer em 
Sancto António do Cântaro, aonde houve um incidente com 
infanteria n.° 8. 

Se assim é, atrevo-me a insistir na lembrança de que seja 
o(^oeado ás almas do encamadouroy accrescentando as se- 
guintes razoes ás que já apresentei. 

Talvez que o sr. Cascaes, não conhecendo ci lQç.flAiâafe ^ 



34 BUS 

guiando-se pelos mappas, se lembrasse d'aqueUe pontO; jul- 
gando que e próximo da estrada. 

Nâo é assim: a estrada velha foi abandonada^ e aberta ou- 
tra de noTO; quO; como já disse^ passa a ÕO meta*os da capella. 
Aquelle ponto^ além de muito distante, fica escondido € 
sem caminho para lá, pelo que ninguém irá ver o monumento. 
Este âca visível e á mão de todos os viajantes poderem 
alli trocar um pensamento de compaixão por outro de gloria 
Acolá põe-se um marco. 

Aqui, faz-se um monumento para a pátria^ e um manso 
leu para os que alli morreram. 

Parece-me que isto é bastante para o sr. Cascaes se re 
solver a trocar Sancto António pelas aímaê, mas é neoessai^ 
que nos entendamos. 

A maior parte das vezes, mal entendidos caprichos fazem 
com que grandes cousas fiquem no olvido; para não suoce- 
der o mesmo agora, declaro alto e bom semi que, se me atreve 
a dizer alguma coujsa, é sem a mais pequena ideia de mati' 
char a gloria que pertence ao sr. Cascaes^ e só por me lem< 
brar que entregue a laboriosos estudos, nâo tem logar de sa< 
! ber o que por cá vae. 

Para prova, como s. s.^ vae escrever a historia da guem 
l peninsular, apontar-lhe-hei um facto bem saliente que teir 

í relação com ella, e que está bem em opposiçâo a outro maif 

1^ posterior. 

No convento do Bu^saco havia um menino Jesus d*uin va- 
lor artístico muito subido, porque era feito de eortiça. 
Um dos gcneraes :que alli estiveram em 181(^ dava poi 
i elle aos frades mn preço fabuloso, e como elles náo quize 

! ram, mandou-lhe pôr uma guarda para prevenir algum roubo 

^ Passados vinto e tantos ânuos appareceram outros gene 

raeSf que, menos cuidadosos, deionaram fugir o meninOj qw 
até açora uâo apparecou. 

. Muita gente sabe. que está em Coimbra, mas ninguém fát 
caso d'elle. 
I Se o sr. Cascaes também conseguisse que o governo fizessi 

recolher aquella preciosidade, aonde de direito pertence, se 
ria mais uma razào para presentes e futuros fallarem d'ell< 
com gratidão e respeito. 

Circumscrevi-me o mais que pude para roubar o meno: 
espaço possivel ao vosso jornal, se por ventura também pu 
blicardes esta, o que espero, porque conheço o vosso pátrio 
tismo quando se tracta da gloria nacional. — Porto, 17 d 
agosto. — P. A, 



BUS 35 

O CUT. Cascaes teve a delicadeza de dirigir á redacção a 
scgcdnte carta: 

Srs. redactores do Commerdo do Porto, — Desejando dar 
algomaB explicações, quanto ao projectado monumento do 
BoBsaoOy om que por duas vezee se tem fallado no jornal 
cpie V. dignamente redigem, tomo a liberdade de me diri- 
gir directamente a v.; visto não saber o nome do seu cor- 
respondente^ a quem agradeço os dois jomaes, que rhe rc- 
mettera. — Admirador dos heróicos feitos do exercito portu- 
gtiez, durante a guerra peninsidar, e ayaliando-os hoje, por 
ventura um pouco melhor, attento o estudo especial, a que 
ha tempo me dedico, parecia-me uma grave falta, não se ha- 
ver erigido, até agora, um çadrão sequer, que devidamente 
OB commemorasse. D'aqui a ideia do monumento. — Seçuia-se 
e local. Em território extranho, apesar dos nossos ahi havc- 
lem p^ejado com grande credito seu, já se vê, que não po- 
^ ser* No portuguez, sim. Mas aqui vinha naturalmente (i 
iâáa o Budeaco: íbi a primeira batalha regular, em que os 
portagueaes (dil-o lord Wellington) rivalisaram com a flor da 
tropa ingleza; vencemos, nós, recrutas pela maior parte, ve- 
tONKBOB franoezes, commandados por um dos primeiros e mais 
afittfonados generaes de Napoleão; — foi o Bussaco, o prolo- 
go, pOT assim dizer, de tantas acções brilhantes, successiva- 
mente executadas pelo nosso exercito, desde 1810 a 1814. 
EBOdUddo o local, vinha a forma do monumento. Um obe- 
lisco, que, sem aspirar á grandiosidade colossal d'essas cons- 
tracções cgypcias, que a arte ainda hoje conta, na primeira 
linha de seus primores, mas que, se não pelas dimensões, ao 
menos pela forma, se lhes assimilhasse, fora, quanto a mim, 
ornais adequado ao intento. Feitas estas considerações, apre- 
sentei-as verbalmente as. ex.% o sr. ministro da guerra, o 
este, dignando-se de as acceitar, ordenou-me de Ih^as dirigir 
per escrípto. Assim o £z, procurando dar-lhes mais clareza 
e desinvolvimento, usando mesmo indicar o theor das legen- 
das, que houvessem de ser inscriptas no pedestal do monu- 
mento e nas quaes tive em vista commemorar, não só a ba- 
talha do Bussaco, mas as que se lhe seguiram; isto é, tomar, 
quanto possível, monumento de toda a campanha o que ora 
se levantasse. — Eis o que se passou. Desejo, e muito, que 
alguma cousa se leve a effeito. Lembrado por mim, ou por 
ourtrem, serei contente preferindo-se o melhor. Eeedificar a 
capellinha das almas, e collocar-lhe na frente, assim á fei- 
ção de cruzeiro, o obelisco que propuz, eis o <\uc, «.c^ d<i^ 



36 BUS 

longe, e sem grande conhecimento do local, «c me asèegura 
preferível. Quanto á collocaçâo do monumento em Sancto An- 
tónio do Cântaro, a que o seu correspondente allude, declaro, 
que nâo só a não propuz, inas qno nunca tal me .passou pela 
ideia. Nâo especifiquei ponto algum da serra, porque a nâo co- 
nheço sufficientcmente. O negocio acha-se aflfecto ao ex.»» mi- 
nistro da guerra, e faremos por que de tudo haja conheci- 
mesito, a ^m de que melhor acerte em sua resolução. O que, 
em nome do paiz, e dos bravos, que pugnaram pela sua in- 
dependência lhe pedimos, é que leve quanto antes a eflfeito o 
pensamento que preferir. A maior gloria será sua. Em toda 
a parte a execução é muití^ porém muito mais em um paiz 
onde tudo se projecta, e que nada se executa. — Luz, 25 de 
agosto de 1862. De v., etc.— Joaçti^ da Costa Coêcaeê, 

Terminámos este incidente com a seguinte carta: 

Meus bons amiffos. — 86 agora vi a cipiA que o sr. Cas- 
caes vos dirígm por causa do monumento do Bussaco. 

Káo me enganou o coi^ação> quando tive o pálfitt de lhe 
remetter os dois Jomaes em que vos dignastes publicar as 
duas correspondências que vos dirigi, quando am estive. 

Na minha opinifto, o sr. Casoaes acaba de fazer mais jus 
á gloria que lhe cabe por promover a constmcção d*aquelle 
monumento. 

A modéstia, com que s. 8.* vos responde, e;icalta-a 

Agradecendo a delicadeza com que se escusa de nâo Efe 
dirigir a mim, peço<>lhe me conceda o continuar a conservar 
o incógnito, com o que nada se perde. 

Nâo posso, porém, deixar de lhe dar uma satisfação, e é, 
que acredito nâo ter elle tído o pensamento de eollocar o 
monumento em Sancto António do Cântaro; mas que, se o 
publiquei, foi porque muita gente está convencida que elle 
teve esse pensamento. 

Peço- vos que publiqueis esta, como as outras, e qtie te- 
nhaes a bondade de remetter-lhe o Jornal em que ella for 
publicada, para elle ter a certeza que, se receei ao monu- 
mento do mssaco a má torte que eostíunam ter estas eou^ 
sae no nosso paiz, boje estou completamente descansado, por 
lhe ver tâo Dom patrono;«-*Bancto Vaiâo, 1 de setembro, 
— P. A. 

O sr. Casoaes conclue a sua carta com as seguinteô pa« 

lavras: — Em toda a parte a execução é muito, porém muito 

jmw cm nm pm fíonde tudo se projecta, e nada se executa. 



CAL 37 

Terrível verdade é esta, que provavelmente se verificará 
com o monumento do Bussaco. 

Em 1859 requereu a camará da Mealhada auxilio para 
um monumento, e nem despacho teve. 

Em 1862 instou o sr. Cascaes pela factura d*outro, teve as 
melhores esperanças de o conseguir, foi dlle mesmo assistir 
à collocaçao da primeira pedra, mas estamos em 1865, e tal- 
vez que essa pedra, se ainda o não é, breve sirva de lareira 
na cozinli& ^^ algum rustíco das yi^hanças 



Cacilhas 

Povoação do lad(yypposto do Tejo, em frente do terreiro 
do Paço, ponto forçado para o passeio que os viandantes 
costumam dar á outra handa, quando vêm a Lisboa. 

Pouca ou nenhuma importância tem mesmo com o seu caea 
efortim^ mas, se quizerdes dar-lhe alguma celebridade, lem- 
Iwae-Yos que no caea de Oadlhas é que foi vencido e motto 
em 1333 o famigerado Telles Jordão. 

Montaes em um dos muitos e bons burritos que alli ha, e 
partis a gozar a vista que apresenta o castello de Almada; 
ides beber qgua á tão fallada forde da pipa; passaes pela 
fabrica da Margueiray Caramujo e Cova da Piedndej en* 
traes no palácio e quinta real, s^AlfeUt; e oouclais na qíiinta 
da princeza em Amora. 

Caldas da Rainha 

Povoação notável por causa dos banhos sulphnreos, qne 
alli ha, e que são &equentadissimos. ■ > 

Apesar doesta £requencia temos ouvido, que não é-saáto 
agradável medicamento, por quanto os banhos são tomados 
em oommunL 

Aos frequentadores das Caldas é imposto um tributo vth 
Iwntarioy que bastante interesse deixa á povoação: fallanios 
das cavíbcaSf que tão reconunendadas são. 

Esta Irníãtarice não é cara, antes pelo contrário o seu 
preço é razoável; mas, como alli não vendem as cavacas em 
separado, e quem as quizer comprar tem também de com« 
prar o açafate em que cilas vêm, succede porisso que é mais 
cara a salsa do que o molho, . . 

Do Carregado parte ás terças, quintas e sabbados uma di* 
Hgeocia que toma passag^o«^ a q^m è 1pes^ràii(^^\^^^!^ 



38 CAS 

de bagigon, e 06 preçò& sèoz via sóauBute 
O, ida e volta 3 jMlOO réis. 

Caldas de ¥iiélU 

PniJUBM> a Gnhnariesy frequentadas por nnmeroeos ba- 
iihistBSy prioeipaliiieiite do Porto. 

Cantaulieda 

Villa a 10 kilometros da estação da Mealhada, importaiite 
pela feira de cereaes e gadoa, qae alli se faz no dia 20 de 
cadamez. 

Perto está a Pocariça^ aonde ha maí^ cstabdecimflntos 
de oortinne^ qne a fazem prosperar. 

Cartaxo 

Tem feira qae dnra sôs dias; principa a 1 de nof^mbrai 
Diligencia ae Sanct*Anna, a iSO têka por passageira 

Carregado 

Estaçio da linha férrea do norte, que perdeo a maior parte 
da soa importância desde que teiminoa o serrí^ da mala- 
posta, da qoal era o ponto ae partida. 

Hcne serve de ponto de partida para Âlemquer, Caldas da 
Bainha, Alcobaça, Batalha e Pcraibal, locaes por ondç se- 
gue a estrada macadamisada, e qne ccmtinaará a ser per- 
eorrida por algnns vehicnlos em quanto se nao d^eríorar, o 
qne provavelmente nao seri tarde. 

Do Carregado para as Caldas e Alcobaça parte uma <£li- 
genda ás terçad, quintas e sabbados, a qual conduz passa- 
a quem é permittido levar até 15 kilogrammas de 



i preços sao oe seguintes: 

Para as Caldas: ida 2^000, ida e volta diOOO réis. Para 
Aleoba^: primeira classe 3i^000, segunda classe 2^000 réis. 

Noa mterraedios toma e larga passageiros, pagando estes 
em proporção das distancias a percorrer. 

Cascaes 

A 25 kãometroB ao poente de Lisboa, e á beira-mar, está 



CAS ã9 

a antiga villa de Cascaes, outr'ora praça de guerra bem for- 
tificada^ com duas baterias e um castello, quartéis para 5:000 
homens de infanteria, cavallaria e artilneria, hospital, er- 
mida, duas grandes cifitemas, fossos e contra-muralhas, 
além de seis fortes ao IcHigo da praia. 

No tempo da invasão dos castelhanos, em 1580, fez o du- 
qne d' Alba o desembarque das suas tropas em Cascacs, e foi 
logo accommetter a praça, que se defendeu- valorosamente 
por duas horas, até que mão traiçoeira abriu uma das portas 
por onde entraram os inimigos. 

Era governador, por parte do prior do Crato (vide Crato), 
o valente capitão d'Africa D. Diogo de Menezes, que, sendo 
aprisionado, foi dias depois degolado *num patíbulo levan- 
teido no meio da praça. 

Hoje está a praça desmantelada, e a villa é mi4 pobre; 
concorre porém alli muita gente aos banhos do mar e ther- 
maps do Estoril. 

£ digna de ser vista a gruta do infemOy antro medonho 
por onde entra o mar com estrondoso fragor, rugindo e re- 
^rvendo lá dentro como se fôra na fabulosa caldeira de Pêro 
Botelho. 

Para os meios de transporte de Lisboa a Cascaes, vide 
tabeliã dos preços dos ommbus; serviço de vapores da com- 
pflõiliia B<»*nay; e tabeliã dos preços das carroagens lisbo- 



Affonso Sanches, piloto, natural de Cascaes, navegando 
em uma caravela, foi letado por violento temporal a t^ra 
até alli desconhecida (1486). 

Arribou depois á Madeira, aonde morreu em casa de Chri- 
stofvão ColcHnbo, genovex^ç^Q alli havia casado, e que ficou 
com o diário náutico de Sanches. 

Por este diário foi que Colombo procurou em 1492 a Ame- 
rica, que era a terra aonde Sanches havia arribado. 

Gastello-Branco 

Cidade, capital dó districto da mesmo nome, fundada pe- 
los templários em uma eminência, perto da esquerda do rio 
Laca, sobre as ruínas de Castralencaa: parte da ddade tem 
muros e um castello antígo. 

Feira a 1 de agosto. 

Dista 84 kilometros da Gruarda, 120 de Elvas e 215 de 
Lisboa. 



42 COL 

Fondada^ segundo se dk, por Ataces, data da dominação 
dos alanos e suevos, e cahiu em poder dos mouros quando 
estes invadiram a peoinsnla, e em poder d^ellés so conservou 
durante essa longa lucta entre os defensores da cruz e os 
satellites do Corau, até que em 1064 foi définitÍA^^mente res- 
gatada por D. Fernando, o Magno, rei de Castella e Leão, 
e depois, em tempo de seu neto, D. Affonso vi de Leão, dada 
ao conde D. Henrique, no dote de D. Thercja, sua mulher. 

D. Aâbnso Henriques, fundador da nossa monarchia e £• 
lho dos mencionados D. Henrique e D. Thereja, teve a sua 
corte em Coimbra, quando andava em desintelligencia com 
sua mâe, que lhe recusava a ijosse do reino; e em consequên- 
cia de tal desintelligencia, foi, segundo dizem, a cidade in- 
terdicta por um legado do papa, facto que, verdadeiro ou 
apócrifo, produziu da mimosa peíma do sr. Alexandre Her- 
culano um pequeno mas interessantíssimo romance, que de- 
leita sobremodo a quantos o lêem. 

Os arrabaldes do Coimbra são fertilissimos, principalmente 
em milho e azeite. 

Possue algumas fábricas, que apresentam um bom ramo 
de conmiercio. 

Tem também muito commerdo de doce sêcco de írudtas, 
que se faz nos diversos conventos de freiras, que alli ha. 

O mais notável e afamado convento que tem Coimbra é o 
de Cellas, não s6 pelo celebre mcmjar branco, que alli se faz, 
como porque da maior sumptuosidade em que viviam as 
freiras, passaram á maior miséria com ã extincçfio dos dízi- 
mos, únicos rendimentos que garantiam o seu eiqjlendor. 

Coimbra dista 218 kilometros de Lisboa, llõ do Porto e 87 
da Figueira da Foz. 

(Vide o passeio de recreio a Coimbra.) 

Golláres 

Yilla distante 30 kilometros de Lisboa e 5 de Cintra: é 
abundante de excellente laranja e fructa, mas o que lhe dá 
mais valor é o excellente vinho do seu nome, reputado supe- 
rior ao mais puro Borgonha ou Bórdeaux. 

£ um giro forçado de todos os touristas de Cintra, os quaes 
vão alli passear á várzea e adniirar o seu tongúe, divagar 
pela matta e (alguns) sonhar deMetcu no pasaéio doa amores. 

Nenhum deixa de ir escrever a^nma cousa no mirante da 
quinta do Dias, 

Alguns imprudentes também vão ás vezes tomar o seu ba- 



CRÀ 43 

nho^á jpraía dasMa^ãs, apesar da infelicidade que outros já 
têm tido, porque as ondas alli batem com summa ^dolência 
contra os penhascos da serra. 

O Fqjo e a Pedra de Alvidrar completam o que merece 
ser vÍ9to em CoUares. 

Covilhã 

"VTlla situada ao pé da serra da Estrella, perto do Zêzere, 
em paiz povoado de frondoso arvoredo, elevando-se em forma 
de ampnitlieatro, de sorte que as suas casas parecem um 
grupo de ninhos de andorinhas. 

Tem grandes manufacturas de pannos, em que está em- 
pregado um capital muito valioso, e em cujo fabrico têm 
ultimamente sidío empregadas machinas segundo os melho- 
res systemas. » 

Dista 50 kilometios de Castello-Branco, a cujo districto 
p^iience, e 35 da Guarda. 

Grato 

Povoação que dá o nome a uma estação da linha de leste, 
da qual dista 3 kilometros. 

Foi celebre esta povoação por ser a cabeça do gran-jprio- 
rodo do Crato, que comprehendia 18 léguas de comprido, 
9 de largo e 56 de circuifi). 

O gran-prior gozava de toda a jurisdicçâó civil e criminal, 
e apresentação das justiças e benefícios nas treze villas e mais 
logares e commendas que compunham o gran-priorado. 

Este priorado fazia parte da ordem de Malta ou S. JoSo 
de Jerusalém, e datava de 1113, anno em que foi ai)provada 
por bulia do papa Paschoal ii. 

A dignidade de prior do Crato foi por muito tempo exclu- 
siva dos infantes, e um d'elles foi D. António, filho do in- 
fante D. Luiz, que pretendeu oppor-se á invasão philippina. 

Depois da restauração de 1640 nomeou D. João r^ para 
prior do Crato a D. Eodrigo da Cunha, visto que o gran- 
prior era infante de Castella. 

A ordem não quiz reconhecer tal nomeação, porque julçava 
esse facto de sua imica competência, e d'aqui se segmram 
questões, que duraram até D. Pedro ii tomar conta da re- 
gência do reino, epocha em que vieram todos a um accordo. 

Em 1790 passou a administração do gran-priorado do 
Crato, e ficou para sempre unido a casa do infantado. 

O primeiro prior do Crato foi D. fr. Álvaro Gonçalves Pe- 
3 



44 ]K>u 

reira,qiig«oompwthnnd>Teiá batalha do 8díado,eW 

da casa real de Bragança^ e o oltmio f(H o sr. D. Situei da 

Bragança. 

O gran-priorado do Crato acabou comi^etameiíte em 30 de 
julho de 1832 com o decreto da extinccao das commendas» e 
c<»n o decreto de 22 de agosto de 1833, que mandoa admi- 
nidtrar pela jtmcta dos juros todas as commendaa da ordem 
de S. Joio áô Jerusalém. 

A vm quarto de kgoa do Crato encontra-se o logar de 
Flor da Rosa, cajapofralaçao se emprega no fabrú» de louça 
ordinária, qne tem grande consmno, por ser reputada maito 
resistente ao fogo. 

Separado aigmn tanto do logar existe o alcaçar e o teamlo 
denominado de Nossa Senhora áeHor da JSosa, que fot/or- 
taleza inexpugnável, fundada para sua habitação peio men- 
dobado D. h, Álvaro GronçalTes Pereira, primeiro prior do 
Crato, o qual, d^ois de longa existência e cercado de deanto 
filhos, como diz Trancisco Sodrigues Lobo, 

Deu o espirito a quem Wo tinha dado 
Na Amieira onde então vivia, 
D^aUi a Flor da Bosafoi levado 
Com pompa funeral de deresia. 
^Naqudla mesma egreja sepultado. 
Que ergueu ao Saneio Nome de Maria, 
Bepotísa lá no céu livre da guerra, 
Quem obras dignas dó céu deixou na terra. 

Um d*aqueQes dezoito filhos foi o celebre D. Nuno Alva- 
res Pereira, condestavel de Portugal, e tronco da casa de 
Bragança. 

(Vide Bragança). 

Donro (rio) 

Nasce na provinda de Soría em Castella a Velha (He^a- 
uha), e termina em S. JoSo da Foz, 130 léguas distante d*onde 
nasce. 

Três léguas acima de Miranda do Douro serve de limite 
a Portugal, e entra de todo 'neste reino adma da Barca 
d* Alva na confluência do Águeda. 

Em Portugal recebe, á d&eita, o Sabor, Tua,'Pinh&o, Cor- 
go, Tâmega e Soma; á eôquerda, Aguada, Q>a, Távora e 
Paiva. 
- O seu trajecto em Portugal é de 30 léguas, durante o qual 



BiiV 45 

fertiliza Freixo de Espada á Cinta, Torre de MoncoiTO, 
S. João da Pesqueira, Provezende, Mezâo Frio, Peso da Ke- 
QOSLf etc. 

As 8tuu9 margens são ásperas, fragosas e difficeis de car 
vax, o que faz com que o leito seja estreito, e a corrente 
vi^enta. 

É. navegável em todo o Portugal, e por elle sâo transpor- 
tados em barcos os géneros de agricultura do paiz. 

Eçta navegação até 1785 não passava além do Cachão, 
a 20 léguas distante do Porto; *nessa epocha porém a com- 
panhia dos vinhos do alto Douro fez remover os principaes 
obstáculos que Lavia para isso, e a navegação estendeu-se 
como já dissemos. 

Nâo é cila porém livre de perigos, e bem recente está na 
memoria do todos o sinistro que alcançou o honrado barão 
de Fonster, e posteriormente o de que foi victima o espe- 
rançOBO engenheiro Magalhães.. 

. Se a navegação do Ifeuro é difficil, a entrada e sabida da 
sua barra nào o é menos, facto que infelizmente está bem 
comprovado por immensos exemplos, entre os quaes avulta o 
naufrágio do vapor Porto, que eobiriu de lucto a cidade 
doeste ultimo nome. 

Apesar d'isso é ao mesmo rio e á mesma barra que o 
Porto deve a prosperidade de que goza. 

Eixo 

Povoação, cujo' principal commercio sao objectos de cobre, 
que seus moradores vendem por quasi todo o reino. 

Está situada do lado esquerdo do Vouga, e os viajantes, 
que lá quizereni ir, deixarão a via ferroa em Aveiro, cie cnja 
cidade dista 5 kilomctros. 

Elvas 

Praça forte a 17 kilometroa de Badajoz. 

Estas duas povoações, ao mesmo tempo que sustentam um 
grande movimento conimercial, esjpreiiam-se mutuamente 
como suspeitando uma da outra. 

Elvas está edificada em posição elevada cm forma de am- 
phitheatro entre os dois fortes de Sancta Luzia e de Nossa 
ocidiora da Graça, que campéani sobre i9á(i a povoação 
juncto d'um terreno fértil em trigo, azeite o vinha 

Tem digno de ver-se, além dos dois mencionados fortop, 
uma cisterna o um aqueducto notáveis, c a só. 



46 E8T 

Da estação para lá ha regularmente doas a três diligen- 
cias na chegada dos comboyos; mas em quanto a hospedarias 
é que Elvas está completamente retrograda, porque o Hotel 
Elvenae, que, não sendo bom, é a melhor cousa que alli ha, 
abusa escandalosamente da posição dos infelizes viajantes, 
que lá entram. 

Para se poder calcular basta dizer-se que a duas victimas 
que alli foram ficar em uma péssima cama, e que á noite ti- 
veram uma gallinha de caldo com arroz, e no dia seguinte 
chá e pào com manteiga, exigiram 3^^200 réis. 

Peor do que isto só no pinhal da Azambuja. 

Entroncamento 

Depois da de Lisboa e Porto é a estação de maior movi- 
mento, que têm as duas linhas de norte e sul, porque alli se 
encontram e reúnem os comboyos que vêm de Lislíja, Bada- 
joz e Porto, e d'alli se separam, dividem e seguem para ou- 
tros pontos. 

Os comboyos que saem dé Lisboa são communs para am- 
bas as linhas até ao Entroncamento. 

Logo que chegam, dividem-se e seguem um para ncnrte, 
outro para leste. 

'Nesta divisão mudam-se os passageiros que transitam, do 
norte para leste « de leste para norte. 

Os comboyos, que vieram de Badajoz e Porto separados, 
reunem-se agora e seguem para Lisboa. 

Em quanto que tudo isto se faz, vão os passageiros, que 
querem, comer alguma cousa, e devem para isso r^gular-se 
pela tabeliã que ao diante encontrarão. 

Estarreja 

Povoação da estação doeste nome, cabeça de comarca, 
única cousa que lhe aá importância. 

Foi alli que residiu o celebre jurisconsulto Joeé Homem 
Correia Telles. 

Estremoz 

Não está averiguada a etymologia da palavra Estremoz, 
e o que se sabe é que foi fortificada por D. Afibnso m, por 
quem se suppõe que foi mandada povoar em 1258. 

E uma das villas mais aprazíveis, férteis e sadias de todo 
o Alemtejo, 



EVO 47 

Dista 15 tilometros èe Borba, 25 de Monforte, 35 de El- 
vas, 50 de Portalegre e 70 de Monte-mór o Novo, tudo po- 
voações ligadas entre si por uma estrada de primeira ordem. 

S^tcemoac foi tida em conta de praça forte e importante 
durante a guerra da independência. 

Foi nas vizinhanças de Estremoz que o marquez de Ma- 
rialTa « o marechal Schomberg ganharam em 1665 a assi- 
gnalada victoría de Montes Claros. 

Foi alli que falleceu a Rainha Sancta Izabel, mulher de 
D. Diniz, e modelo de todas as virtudes. 

Modernamente e por effeito das nossas dissensões politi- 
cas praeticou-se dentro das prisões de Estremoz um facto, 
que só a lembrança d'elle horroriza^ porque foram assas- 
sinados a golpes de machado os presos politicos que lá se 
achavam encerrados. 

Fatal cegueira partidária!.. i 

Évora 

Cidade do Alemtejo, capital do districto do mesmo nome, 
está situada sobre uma eminência no meio de uma campina 
fra-til eiÀ trigo, azeite e vinho. 

Perto d'esta cidade ha o rio Degebe, que desagua no Gua- 
diana. 

Tem Évora antiguidades de subido preço, como por exem- 
plot 

O aqueducto de Sertório, por onde ainda são conduzidas 
as aguas chamadas da prata. 

'O templo de Diana, cuja architectura é romana, apesar 
de adulterada pelos agarenos, e que tem no frontispício co- 
lunmas de 10 metros de diâmetro. 

A, celebre torre de Geraldo sem pavor, que tanto contri- 
buiu para a tomada de Évora aos mouros em 1166. 

Na sé, e 'num esteio que está juncto á capella da Cruz, 
vê-se uma lapide com uma inscripçâo, que prova o facto da 
vinda de D. Affonso deCastella a pedir auxilio a D. Affonso 
de Portugal, seu sogro, contra Abedanamarim, que em 1378 
entrou por terras de christâos, aos quaes em geral causou 
grandes prejuízos e terror. 

Belata o mais que succedeu e o resultado da batalha, a 
que os portuguezes assistiram, para a qual foram 100 caval- 
leiros e 1:000 peões de Évora, dos quaes foi por alferes Es- 
teve» Oarvoeiro. 

Évora tem dois fortes, um o de Sancto Axí^ctdmí ^ ^soíct^ <ò^ 



48 FAM 

de Sancta Barbara, que para pouco eerviriam em caso de 
necessidade, pelo estado de ruina em que se acham. 

Évora possue também um muzeu, um magnifico quartel 
de cavallaria, um hospital, um passeio publico concluído e 
outro em construcçâo, muitos e apparatosos palácios, entre 
os quaes sobresáe o do duque de Cadaval. 

Tem também trcs clubs recreativos, um aristocrático, ou- 
* tro commercial, e o terceiro artistico. 

Ha em Évora sete conventos de freiras, e sâo: as de 
S. Bento e Sancta €lara, que estão riquíssimas; as deS. Sal- 
vador, Sancta Catharina, Sancta Mónica e Parai»), que sâo 
ricas; e as do Calvário, que estão pobres, mas que, pela sua 
respeitabilidade o reconhecidas virtudes, sâo abundante- 
mente snppridas de tudo quanto lhes é necessário. 

Em todos estes conventos se fabrica variado sortimento de 
doces, e o mais apreciável de todos ellcs é o chamado bolo- 
real. 

Em Évora ha diversas hospedarias, a principal das quaes 
é ai do Tabaquinho, estabelecida no extincto convento dos 
jesuítas. 

A feira, chamada do S, João de Évora, começa no dia 
deste sancto, e continua por uns poucos mais: na linha feoprea 
do sul já este anno percorreram comboyos, conduzindo passa- 
geiros e viajantes para ella, a preços reduzidos. 

Da estação para a cidade, que é toda murada, ha car- 
ros e char-à-bancs, que conduzem os passageiros mediante 
uma pequena espórtula, que não excede a 120 réis, porque 
a distancia é 1 kilometro approximadamente. 

Além da hospedaria do Tabaquinho, também ha a da Leo- 
nor, no terreiro de S. Francisco, e a do Carne magra, na 
rua do Panno. 

Famalicão , 

Villa a 33 kilometros ao norte do Porto, e que serve de 
entroncamento a dois triângulos que forma, um com Gtiima- 
râes e Braga, outro com Braga e Barcellos. 

Dista de Braga, que lho fica em linha recta ao centro, 14 
kilometros; de Guimarães, que lhe fica á direita, 16 kilome- 
tros; e de Barcellos, que lhe fica á esquerda, 16 kilometros. 

De Braga a G-uimaràes ou a Barcellos também ha 16 ki- 
lometros em cada uma das distancias. 

Vê-se portanto que Famalicão é ponto obrigado de passa- 
gem para quanto do Porto for áquellas três povoações, ou 
vjce-verea» 



FIG 49 

E talvez esta cireumâtancia uma das que mais teuiiauí 
contribuído para o grande desinvolvimeuto que os melhora* 
mentos materiaes alli têm tido 'nestes últimos dez ou doze 
annos. 

Como se ainda i«to fosse PpueO; lá tem duas feiras^ uma 
a 8 e 9 de maio, e outra a 29 de setembro, e que dura três 
dias, a qual mais concorrida. • 

Famalicão communica com Braga, Guimarães, Viana e 
Porto por meio das diligencias o malas-postas, que constan- 
temente alli se cruzam, e cujos preços vão indicados no fim 
da deeeripçâo do Porto. 

Faro 

Cidade, capital do districto do mesmo nome, situada pró- 
ximo ásB ruinas de Oseonoba na foz do valle Formoso, com 
porto por onde exporta passas de figo e uvas, laranjas, amên- 
doas e alfarroba, sumagre e cortiça, obras de esparto e de 
folha de palmeira: tem feira, que dura três dias, a 16 de ju- 
lho e outra a 20 de outubro. 

Em frente d'esta cidade ha um grupo de ilhotas. 

Faro dista 138 kilometros de Beja, a cuja cidade se vaè 
approximar pela continuação da linha férrea do suL 

Feira 

Villa povoada em 990 pelo duque Mem Guterres, que lhe 
deu o nome de Sancta Maria. 

Para os amadores de antiguidades doesta ordem é o seu 
castello digno de ser visto. 

• Deixasse o comboyo na estação de Ovar, d'onde dista 10 
kilometros, e segue-se para lá a cavallo, porque uma dili- 
gencia que houve, nâo pode continuar por falta de concur- 
rencia. 

Figueira da Foz 

Villa situada no angulo sept^itrional da foz do Mondego, 
a 42 kilometros de Coimbra, e que tem apresentado progres- 
«ivo augmento em tudo. 

- Exporta sal, vinho, azeite e laranja, tudo em grande quan- 
tidade, e é abundantíssima de peixe. 

A agua alli é péssima, e tal a sua qualidade, que os» nu- 
merosos banhistas, frequentadores d'aquella costa, costumam 
mandal-a buscar a grande âi«tancia para a darem aos seus 
cavallos, porque, bebendo a da povoação, arripia-se-lhes o 
pello extraordinariamente. 



50 GUA 

Apesar de quanto tem prosperado, muito melhor estaria 
se a sua barra fosse mais aecessivel do que é, nâo obstante 
o empenho que tem havido em a melhorar. 

O viajante que passar próximo da Figueira em tempo de 
banhos deve ir alU, porque voltará satisfeito. 

Para isso deixa o canunho de ferro na estação de Formo- 
zelha, aonde se mette 'numa bateira, que o conduz a Monte- 
mor o Velho, e ahi freta um barco, que o afMresenta na Fi- 
gueira depois d'uma agradável viagem. 

Concluída que seja uma estrada para Monte-mór o Velho, 
e estabelecido um serviço de transportes regulares entre as 
duas villas, muito mais frequentada deve ser. 

Foz do Douro 

E o ponto de reunião para as pessoas distinetaa, que do 
Porto e das provincias do norte vão alli tomar banhos. 

Tem um castello, que guarda a entrada do rio Douro, 
construcção do tempo dos Philippes; e pela villa encont- 
tram-se diversas casas elegantes, confortáveis e luxuosas, 
que servem ás vezes de paraizo a seus frequentadores. 

Ha diversas hospedariam, casa de banhos quentes^ uma 
associação, bilhares, etc. 

Do Porto, do sitio da porta nobre, partem todos os quar- 
tos de hora char-à-bancs, que pela módica quantia de 80 réis 
conduzem diariamente nulhares de passeadores. 

Quem a preferir, tem a via âuvial; mas não a aconselha- 
remos a ninguém. 

Gollegã 

Povoação situada nas margens de extensos e férteis cam- 
pos, a 3 kilometios do distancia da estação de Torres Novas, 
apenas notável pela feira de S. Martinho, que principia a 11 
de ,novembro, e que rivaliza com a de Penafiá. 

É ÉLOtavel que estas duas feiras, do mesmo género, e que 
principiam no mesmo dia, reunam abundância de gados de 
magmâcas qualidades. 

O sr. António Vaz Monteiro faz debulhar os seus cereaes 
com machina a vapor, com o que obtém magniôcos resul- 
tados. 

(Vide Torres Novas.) 

Guadiana (rio) 
Antigamente iino: nasce na Uigoa de Buidera na Maa< 



GUI 51 

cba (Hespanha); perde-se em rana planicie, e reapparece 
d*ahi a 5 léguas: a oeste de Badajoz, e no Caia, principia a 
servir de limite a Portugal, e entra de todo 'neste reino djaas 
l^nsB ao norte de Mourão: toma a tocar a raia de Hespa- 
nha desde a confluência do Chança, até que finalmente des- 
apparece no mar entre Ayamonte e V illa Real de Sancto An- 
tónio. 

Seus affluentes principaes em Portugal sâo: o Caia, De- 
gebe e Corbes, á direita; e Ardila, Limas e Chança á es- 
querda. 

O seu curso total sâo 150 léguas, sendo 40 desde o Caia 
até ao mar, e d*estas (de Mertola para baixo), 14 navegáveis. 

Alcoutim é o seu segundo porto interior. 

Guarda (a Laucia Oppidana dos romanos) 

Situada em planicie elevada na falda da serra da Estrella, 
perto das nascentes do Mondego; com muros e castello. 

IMz-se que é farta, fda e fria, 
♦ Pelo que diz respeito a frio, chega alli a ser tào intenso, 
que em 1829 se gelaram ovos, agua-ardente e outros obje- 
ctos idênticos. 

É porém sadia, e as suas vizinhanças são férteis e abun- 
dantes de boas aguas. 

Fbi reedificada em 1197 por D. Sancho i. 

D. Jorge de Mello, abbade de Alcobaça, sendo violentado 
a ceder a abbadia e receber o bispado da Guarda, não quiz 
lá ir residir, por alli terem assassinado o bispo D. Álvaro 
C^ves. Esteve portanto a Guarda trinta annos sem bispo, 
que tantos foram os que viveu D. Jorge, durante os quaes 
reBidin em Portalegre. 

(Vide Portalegr^. 

A Guarda dieta 56 kilometros de Vizeu e 104 de Coimbra. 

Guimarães 

> 

Pofuco importa saber se Guimarães foi ou nao edificada 
pelos galloB celtas 500 annos antes de Christo, e basta di- 
zer-se que foi dada em dote a D. Thereja, filha de D. Af- 
fonso VI de Castella, quando este a casou com o conde 
D. Henrique. 

O conde estabeleceu em Guimarães a sua corte, mandou 
crear tribunaes e formar archivos, aonde se recolheram inte- 
i-eteantes papeis sobre negócios particulares e da monarchia^ 



52 Bm 

e estes archivos foram depois o núcleo da Torre do TombOf 
para onde el-rei D. Manuel os mandou transportar em lõll. 

£m Guimarães nasceu D. Aâbnso Henriques, e foi bapti- 
zado na egreja de S. Miguel do Castello, pequenino templo, 
de singelíssima architectura e humilde fabrica, e que talvez 
porisso mesmo deva ser reputado um dos. mais yenerandos 
monumentos de Portugal, apesar do sacrilégio commetddo 
em 1664 por D. Diogo Lobo da Silveira, que d'alli fez trans- 
portar para a sua egreja de Nossa Senhora da Oliveira a 
pia era que foi baptizado aquelle grande rei. 

Foi Guimarães theatro de grandes successos, porque alli 
tiveram logar os amores de D. Thereja com o conde de. Tra- 
va, amores que deram em resultado ser ella expulsa de Por- 
tugal. 

Foi alli que as tropas leoneaas, eommandadas por D. Af- 
fonso VII, cercaram a D. Aflfonso Henriques, em 1127, sendo 
tudo livre de eabir em poder de inimigos j^a dedieaçâo* de 
Egas Moniz. . . - 

Foi Guimarães que Mem Rodrigues de Yasconcello» eora- 
josamcnte defendeu em 1323 contra D. Affonso, que, revol-. 
tando-se contra seu pae, el-rei D. Diniz, veio pôr-lhe aper- 
tado assedio. 

£m 1369, reinando D. Fernando, sustentou Gaimarles 
novo cerco, que Henrique ii de Castella lhe veio pessoal- 
mente fazer, e resistiu a todos os assaltos que lhe deram os 
castelhanos. 

Felizmente o castello, em que tâo grandes feitos foram' 
practicados, escapou á sorte, que tantos outros tireram, e é 
um dos mai& bem conservados que ha no reino. 

Por qualquer lado que seja visto este castello, apresenta 
encantos á vista; mas o viajante, que quizer contemplar pa- 
noramas impossíveis do descrever, deve subir ás toixes do 
mesmo castello, e ficará extasiado oom quanto se lhe apre- 
sentar á vista. 

Guimarães teve duas epochas de prosperidade distinctas: ' 
a primeira, pelas regalias que lhe acarretou o ser corte de 
D. AíFonso Henriques; a segunda, pelos proventos que lhe 
acarretou a fama que, desde G^íliza até Castella, tínha o 
templo de Nossa Senhora da Oliveira. 

Hoje é uma das mais industriosas povoações do reino, que 
SC distingue no desinvolvimento das suas manufacturas; e 
oommerccia em obr^ de ferro, linha, doce de ameixa e de 
figos, objectos todos de incontestável merecimento. 
. Dista 44 kilometros do Porto e 16 de Braga: tem dlyer- 



UJí 53 

sas boBpedarías^ e commimica tota o Porto por meio da di- 
ligencia; cuja tabeliã se encontra no fim da descripçao do 
PwrtD. 

Ílhavo 

- Y^a situada á beira da ria e pouco distante de Aveiro, 
Giya povoaçâo; superior a 6:000 habitantes, é quasi toda de 
peBcadores. 

'. -O geral das mulheres de Ílhavo é serem lindissimas^ e o 
tri^ de que usam toma-as tão donairosas como as de Aveií-o. 

- ■ PcFto de Ílhavo está coUocada a fábrica -da Vista Alegre, 
que hoje nem sombras apresenta do que íou 

• As «peças de porcelana e-crystal, que alli se manufactu- 
ravam, eram eguaes, e algumas talvez superiores, ao mais 
perfeito que -nesse género nos vinha do èztrangeiro.. 

Boje está reduâda a fabricar louça de refugo. 

ApBBar dHsso é digna de ser visl», porqne ainda alli se 
encontra o sufiicientc para fazer admirar o génio e pensa*» 
mentos elevados que tinha José Ferreira Pinto Basto. 

Lagos (antigamente Lacobriga) 

Cidade situada em terreno fertilissimo, com um pequeno 
porto, bello aqueduoto e boa egreja da Misericórdia. 
Dista 42 IcilometrOB de Faro e 125 de Beja. 

Lamego 

-Cidade situada junoto ao monte Penude e pequeno rio 
Balsemão, õ kilcmietros ao sul do Douro, 4õ distante de Vi*- 
aen e 80 do Porto. 

Até 1038 foi corte dos reis mouros, a quem D. Fernando 
Magno a tomou, morrendo o ultimo d^elles (Eycha), christSlo, 
e BBU filho, deão da sé da mesma cidade. 

Ainda que hoje muito contestada, é opinião que na egreja 
' de Ahnaeave, d'esta cidade, foram celebradas as cortes de 



Attribue-se a fundação d-esta cidade aos gregos e celtas, 
881 annoe antes da era christã. Estrabão chama-lhe Laco- 
nimurgo. Os seus principa^js monumentos são: a sé, o oas- 
tello, uma cisterna prozima d'elle, e as-egrejas de Almacave 
e Senhora dos Bemedios, em que se faz uma das principaes 
romarias do reino. Communica com o Porto por meio das 
diligencias, eujo serviço vae annunciado para a Regoa no 
fim da desoripção do Porto. 



54 LEÇ 

Leça do Bailio 

A 7 kilometros do Porto, ponco distante da estrada para 
Braga, ergue-se com venerando aspecto, meio religioso meio 
guerreiro, o gothico templo de Sancta Maria de Leça do Bai- 
lio, mais velho que a monarchia, e que pertenceu á ordem 
de S. João de Jerusalém. 

A hospedagem, que alli receberam D. Affonso Henriques, 
D. Sancho i, a rainha Sancta Mafalda, filha de D. Sancho, 
o condestavel D. Nano Alvares Pereira, a infanta D. Phi- 
lippa, neta de D. João i, e outras muitas pessoas de elevada 
jerarchia, são factos de mui pequena importância, compa- 
rados com o que vamos relatar, que fez mudar completa- 
mente os destinos de Portugal. 

Tendo-se divulgado em Lisboa que el-rei D. Fernando 
casara em segredo com uma mvlher cacada, e produzindo 
esta noticia indignação publica, sahiu el-rei furtivamente 
da capital com D. Leonor Telles de Menezes e alguns fidal- 
gos da corte, e tomando o caminho do Porto, passou por esta 
cidade e dirigiu-se a Leça do Bailio, aonde, depois de con- 
vocar diversas pessoas, fez declaração publica do seu casa- 
mento, e recebeu-a solemne e apparatosamente. 

Seguiu -se beijamão; mas o infante D. Diniz, filho da des- 
ditosa D. Ignez de Castro, recusou-se a beijar a mão á rai- 
nha, o que infureceu D. Fernando a tal ponto, que correu 
com um punhal sobre o infante, e tel-o-ia morto, se d'Í8S0 
não fosse impedido por alguns dos fidalgos presentes. 

Baldadas foram depois todas as instancias para resolver 
o infante a beijar a mâo de D. Leonor, e porisso teve de se 
expatriar para fugir ao resentimento da orgulhosa D. Leo- 
nor, e á vingança d'el-rei seu irmão. 

Morto D. Fernando, sendo necessário um defensor para o 
reino, em consequência das pretensões de Castella, foi collo- 
cada a coroa sobre a cabeça do mestre de Aviz, com exclu- 
são d'aquelle infante D. Diniz e de seu irmão D. João, por 
estarem presos em Castella, para onde se haviam refugiado. 
^ Na egreja ha muitas antiguidades, mas a principal é uma 
rica e antiquíssima pia baptismal, que faz a admiração de 
quantos a vêem. 

Leça da Palmeira 

Situada na beira-mar, a 5 kilometros do Porto, defronte 
àe Mattozinhos^ em posição vistosa e agradável; é muito fre- 



LIS 55 

quentada no tempo dos banhos, para o que ha varias dili- 
gencias do Porto para lá. 

Leça e Mattozinhos quasi que formam ama só povoação, e 
se aquella é visitada em consequência dos banhos, esta nâo 
o ó menos em raeâo do seu sanctuarío, que alli attráe milha- 
res de concorrentes^ principalmente pelo Espirito Sancto, 
epoeha em que tem logar a romaria. 

Mattozinhos é quasi pátria dos celebres patriotas José e 
Mannd Passos, e a este acaba de ser alli levantado um mo- 
numento, promovido pelos srs. commendaáores João José dos 
'BÒB, Manuel da Silva Sanctos e Rodrigo Pereira Felício, 
este sobrinho e mn dos herdeiros do philantropico visconde 
de Ghuuratiba, no império do Brazil. 

Leiria 

Cidade fundada sobre as ruinas da antiga CaUipo, perto 
do rio LÍ2, em terreno fértil; tem bastante commercio. 
Foi tomada aos mouros em 1145, e estes todos passados á 



lonrada com a presença de muitos de nossos reis, deveu 
essa graça repetidas vezes a D. Diniz, o lavrador, o qual 
para não desmerecer de tao bem merecido titulo, mandou 
plantar o pinhal, que então tinha por úm obstar á invasão 
oas areias, e que depois se tornou uma riqueza nacional. 

Tem diversos estabelecimentos de bastante consideração), 
um sofirivel hospital, e uma alameda sobre o rio, que podia 
ser lindíssima, se houvesse vontade e gosto para isso. 

O ser sede de um governo civil, e a permanência de um 
corpo de tropa, dá muita vida a Leiria. 

Tem no cimo as ruinas de um castello, que devem ser vi- 
sitadas não só para as ver, mas também para gozar o agra- 
dável panorama que se disfructa em torno d'elias. 

Além das ruinas do castello ha também as do palácio d'el- 
rei D. Diniz, e duas egrejas de architectura gothica. 

O viajante que fDr a Leiria deve também ir visitar a Ma- 
rinha grande e a Batalha (vide as palavras). 

Vae-se para Leiria da estação de Pombal, para onde ha 
diligencias que conduzem passageiros a Is^OOO réis, com 15 
kilogranunas de bagagem. 

Lisboa 

Cidade antiquíssima e já muito conhecida antes dos ro- 
manos: está situada sobre sete outeiros em fórma de amphi- 



56 us 

theatro á dii^ta do Tc^o, de cajá foz dista 10 kilometroe: o 
seu porto é um dos melhores da Europa, porque riv&lCT 
com os de Constantinopla e Nápoles. 

Como a sua fundação remonta á maior antiguidade, quer-se 
disser que foi reediécada por Uljsses; em consequência do 
nome que já, teve de UUastpo, 

O que é certo porém é que estiveram de posse d*ella phe-* 
nicios, gregos, carthaginezes, romanos, godos e árabes,, eqao 
a estes foi tomada por D. Affonso Henriques em 1147. 1 

Lisboa, segundo^ o recenseamento geral, e£fectuado em: 31 
de dezembro de 1863, tem 169:593 habitantes, e estS«> di8se« 
minadoB 'numa área de 10 kilometros de extensão e 5 de 
largo. 

Apesar de todo o seu esplendor tem sido victima de mui- 
tas calamidades, principalmente terremotos e peste. 

D*aquelles, os principaes que tem soârido, são três: um 
em 1531, que íez desabar 1:500 «asas; outro em 1551, que 
fez cahir 200, morrendo mais de 2HXX) pessoas; e ânalmente 
o de 1755, que bem conhecido é de todos, não só por ser o 
maior e o de mais funestas consequências, como porque áett 
logar a desinvolver-se o génio do grande marquez de Pom- 
bal, que, como por encanto, fez surgir das ruinas d'vella 
uma nova cidade. 

A peste também a tem visitado por diversas vezes, e enl 
1598 estabeleceu 'nesta cidade o seu domicilio por espú^ ãB 
cinco annos, durante os quaes levou mais de 80KXX) pessoas. 

£m 1833 foi visitada pela cholerorinorbus. 

Em 1855 tornou a sentir os eâeitos da mesma visita, «d 
quando se julgava livre d'clla, appareceu no anno seguinte 
a febre amareUa, flagello duplicadamente terrivel não só 
pelos seus eifeitos, como porque eram desconhecidos os meios 
de lhe acudir. 

Os efiPdtos que a febre amareUa fez sentir foram gra-* 
ves, mas muito maiores seriam se esse anjo, que no throno 
foi Pedro v, não pozesse de lado todas as considerações e re- 
ceios, para somente attender a que a sua posição lhe impu- 
nha o dever de Telar pelo povo que a providencia lhe con- 
fiara. 

A dedicação d'aquelle magnânimo rei foi immensa, é ver- 
dade: a gratidão do povo porém não foi inferior. 

As saudades por elle não se apagam, e parece que cada 
vez são mais vivas... 

Lisboa tem immensos objectos, dignos da attenção do via- 
jante; como porém os limites da nossa obra nos tião permit- 



; us 57 

tem fiizer d-elles a cireumstaneiada deacríi^çãO; que dese- 
jávamos, limitar-nos-hemos a descrevcl-os rosuiuidauQueute, 
principiando pela 

PAAÇJL DO coMUEBciOy vulgarmento eliamada, tereeibo no 
FAÇO — ^Esta soberba praça, aonde esteve edificado o celebre 
pftiftcio dos reis de Portugal, chamado Poíços da Eiòeira, 
prende completamente a attençâo do viajante que desem- 
Dftrcs no eaes das cduninas. 

No centro está a estatua de D. José, fundida, de um só 
jaeto, em 1775, pelo portuguez Joaquim Machado de Castro, 
e é circumdada pela Bolsa, Alfandega e secretarias de 
estado. 

O modelo da estatua, que ainda existe na fimdiçiLo, em 
Sancta Clara^ é digno de ser visto. 

Embocam com a praça as três ruas do Ouro, Augusta c 
Iteta, das quaes aquelkts duas conduzem o viajante a 

VMkÇA DB D. PEDRO (xocio) — a mclhor da capital depois da 
do CJommercio, e a outra á 

. . FEAÇA DA FiGUEiBA — mcscado quo* abastece grande parte 
da eidade, e que está edificada no local aonde existiu o ce- 
lebre hospital de todos os Sanctos, mandado construir por 
D. João II. 

« Ailém d'estas três praças tem Lisboa mais oito, e são — Al- 
cântara, Alegria, Amoreiras, Camões, D. Fernando (em Be- 
lém), Piores, Príncipe real, S. Paulo, e Romulares ou Cacs 
dfrSodré. 
Tem Lisboa 824 ruas, 65 calçadas, 112 becos e 195 tra- 



Vem a pello prevenir os viajantes da cautela que devem 
ter em pedir todos os esclarecimentos precisos quando tive- 
rem de procurar qualquer ponto da cidade, a fim de se não 
verem em muitos embaraços, e ás vezos ua imxx)ssibilidade 
do enconti'arcm o que procuram. 

Fazemos esta recommendaçâo em consequência do dupli- 
cado nmnero de ruas, travessas, becos o calçadas, com os 
mesmos nome». 

Temos para exemplo quatro travejas do Forno — inna ás 
partas de Sancto Autâo, outra ao cam])o do baiict*Aima, ou- 
tra aos Anjos c outra ás Janellas Verdes. 

T^res becos do Forno — um na rua das Farinhas, outro na 
ma da Gralé e o terceiro no Castello. 



58 LIS 

Uma rua do Forno próximo á rua do Patrocínio, e para se 
não acabarem as fornadas^ ainda ha a caA^ada do Forno, á 
Cruz dos quatro caminhos. 

Talvez que alguns não façam grande caso d'esta nossa 
advertência por lhes parecer que o caso nâo será muito re- 
petido, e porisso apresentar-lhe-hemos mais. Três becos d€ts 
Amoreiras — um ao Poço dos Negros, outro na rua das Ola- 
rias e outro na rua da Guia. 

Ainda mais — uma rua nova do Carvalho, uma rua do 
Carvalho e um beco do Carvalho. 

_ Apresentaremos um exemplo practico, que prova até á sa- 
dedade a cautela que deve haver com as informações re- 
commendadas. 

Tractaes de fallar a uma certa hora com um individuo, 
que vos diz morar na travessa do Guarda-mór, 

Vós sabeis que a travessa do Guarda-mór é a S. Roque, 
e âcáes muito descansado: á hora precisa dirigis- vos áquella 
travessa, procuraes o numero da casa, subis ao terceiro ou 
quarto andar, perguntaes pelo sr. Fulano, e respondem-vos, 
batendo- vos com a porta na cara — nâo mora aqui. 

Ficaes de bocca aberta sem saber o que haveis de fazer, 
e muitíCS vezes o que haveis de pensar acerca do individuo 
que suppondes ter-vos enganado, quando elle vos fallon a 
verdade, porque mora na travessa do Guarda-mór, ao Poço 
dos Negros. • 

Parecerá fastidioso, mas ainda junctaremos outro exemplo 
mais frisante. 

Diz-vos um amigo que mora na rua de 8, Vicente, 

Ides á rua de S. Vicente, próximo á rua nova da Palma, 
e nâo o encontraes. 

Pedis informações, e dizem- vos que ha outra rua de S. Vi- 
cente próximo á rua de Sancta Marinha; dirigis-vos para lá, 
mas também debalde. 

Finalmente dirigem-vos paxá a rua Direita de S. Vicente, 
próximo a 8. Vicente de Fora, e também nâo encontraes o 
amigo que buscaes. 

Desesperado com tanto contratOTQpo, vagueaes pelas ruas 
próximas olhando para todas as janellas, e procurando ima- 
ginar um meio para saber aonde é a rua que procuraes. 

Apparece-vos uma ca/ritcUiva mulher, que encobre a cu- 
riosidade de saber o que por alli fazeis, e se tendes namoro 
com alguma vizinha, perguntando-vos o que procuraes. 

Dizeis- lh'o; responde- vos que nâo sabe, mas chama logo 
outra vizinha, que dá a mesma resposta; esta ohama tam- 



LIS 59 

Ijem outra, e dentro em pouco estaes rodeado por todo o mu- 
lherio da rua a dizer-yos que não sabem aonde é a rwi de 
S» Vicente, passando- se esta-comedia n^^propria rtta (íe^. Vt- 
oenteU 

£ quereis saber a causa d'isso? 

É muito simples. 

Um morador da travessa das Bruehas, enfastiaxio de mo- 
rar em local, cujo nome não só lhe parecia pouco aristocrá- 
tico, mas também irrisório, promoveu e obteve o ser riscado 
o titulo de travessa das Bruehas, e deram-lhe o de rua de 
S. Vicente, embora houvesse já três do mesmo ncMoae. 

O povo porém, que antipathiza com aristocracias háLofaSy 
continua a chamar travessa das Brv/chas ao que outros cha- 
m^tm rua de S, Vicente, 

Concluiremos ratificando a cautela que deve haver, em- 
bora o nome da rua pela sua esquisitice pareça nâo ser du- 
plicado, porque bem esquizito é o titulo de Esfola Bodes, e 
Qomtudo ha dois becos com este nome; um na rua da Boa- 
vista, e outío na rua do Caldeira. v 

Deixaremos porém as ruas, e passemos ás 

BQBEJAS — Das immensas egrejas que tem Lisboa is prin- 
dpaes são: 

S.Vicente de Fora, mandada construir por D. Affonso 
Henriques em 1147, para commemorar a tomada de Lisboa 
aos mouros. Foi mandada reedificar por D. Philippe i com 
o esplendor e grandeza que tem. 'Nesta egreja está o tu- 
mulo do heroe de Aljubarrota, D. Nuno Alvares Pereira, e 
a casa ch$jnada dos rtis, que é o jazigo da família reinante, 
da casa de Bragança (a). 

Martyres, construída também por D. Affonso Henriques, 
em memoria da tomada de Lisboa aos mouros, a qual oahiu 
por effeito do terremoto de 1755, e foi reedificada por forma 
que hoje é uma das melhores da capital. 

Sé Coíthedral, cuja fundação se perde na obscuridade do6 
tempos, digna de ser vista, nâo só pelas antiguidades, que 
pòssue, como pelos melhoramentos que acabam de lhe ser 
feitos. 

Das antiguidades são notáveis o tumulo de Bartholomen 
Joannes, do tempo de D. Diniz: a pia em que foi baptizado 

(a) Singular coincidência é ler Philippe i tornado aquelle templo 
um dos mais mageslosos da capital, para 'nelle repousarem depois 
08 restos morlaes d^aquelles que expulsaram 08 seus descendentes 
do domÍDÍo doeste reino. 



60 LIS 

Sancto António: o tumulo de D. Affonso, por cima do qual 
está a trombeta tomada aos mouros na batalha do Salado: 
o tumulo da rainha D. Brites, mulher do mesmo D. Afifonso: 
o assento dos claustros do tempo dos nossos primeiros reis, 
e muitas outras cousas, que seria longo enumerar. 

Sancto António da Sé, próxima á antecedente; pequena 
mas muito elegante, frequentada por muitos devotos, porque 
foi edificada no local em que nasceu o mesmo sancto. 

Estrella, fundada por D. Maria i, que com ella despendeu 
dezeseis, dos oitenta e tantos milhões de cruzados, que o 
grande marquez de Pombal deixou no Erário, quando lar- 
gou as rédeas do governo do estado. 

O painel da capcUa-mór é uma das obras primorosas de 
Batini: o sino das horas pesa 4:000 kilogrammas. Na capellar 
mór está a fundadora em um rico mausoléu. 

S, Domingos, a maior da capital; foi de frades, e hoje é 
a freguezia de Sancta Justa e Ruâna. Tem quadros de Pe- 
dro Alexandrino, e guarda os restos mortaes do celebre e&- 
criptor, fr. Luiz de Granada (Vide Pedrógão Grande.) 

Loreto, pertencente aos italianos; tem quadros de Lam- 
bruzzi, Rossi e Ratti. 

Mon*e e Penha de França, ambas notáveis pelas agradá- 
veis perspectivas que as suas posições fazem desfructar. 

Saneta Engracia, bem conhecida pelo dictado de — obras 
de Saneta Engracia, a que deu logar o ser obra tào coUos- 
sal, que jamais será acabada. 

ífossa Senhora de Jesus, digna de ser visitada, porque 
tem um quadro original de Buhens, 

Paulistas, que tem quadros de Vieira Luzitano. 

Conceição Velha, cuja entrada principal era a porta tra- 
vessa do um magestoso templo do reinado de D. Manuel, que 
desabou pelo terremoto. 

S. Boque, que pertenceu aos jesuitas, e aonde está a ce- 
lebre capella de S. João Baptista, mandada fazer em Roma 
por D. João V pela módica quantia de 14 milhões de cruza- 
dos. Ha 'nesta egreja quadros de Rebello, Reinozo, Vieiya 
Luzitano, Coelho e Gaspar Dias. 

Belém, fundada por I). Manuel, commemorando a desco- 
berta da índia por Vasco da Gama: é uma das mais sum- 
ptuosas da Europa. Tem quadros de Campello, Dias, Fer- 
nandes Gomes e Moor. 

Memoria, erigida no locaJ em que attentaram contra ávida 
de D. José i. 

Madre de Deus, pequena mas elegantíssima, c com- muito 



Jã& 61 

bonfl qnacbros na sachristía. Foi fandada pela rainlia D. Leo- 
noTy mnlher de D. João ii. 

Éempoêtay na eschola do exercito; aonde ha iim qnadro 
admirável de Holbeín, qne D. Catharina, rainha de Ingla- 
terra, trouxe para Portugal. 

Muitas ontras egrejas poderíamos mencionar, para o que 
BOB falta o espa^, porque o sen numero excede a 200; o que 
é htíl de acreditar, sabcndo-se que Lisboa tem 37 fregue* 
úfSj e tinha em 1834 oitenta conventos. 

Além das que existem, têm sido demolidas muitas, que 
encerravam documentos históricos, Qomo por exemplo a de 
8. Martinho, em que jazia o celebre conde Andeirp^ morto 
pelo mestre de Aviz, que depois foi D. Joào i; a âa Trin- 
dade, cm que jazia o fÍEunigerado governador da índia, Lopo 
Vaz de Sampaio; a de Sancta Marinha, que data do tempo 
da monarchia; a de Sancto André, aonde foi baptizado o 
màityr João de Brito, que ha poucos annos foi canonizado; 
e a de Sancta Justa, que passou a ser o thcatro denomi- 
nado de D. Fernando, e que presentemente é um prédio par- 
ticular. 

ESTABELECIMENTOS DE CABIDADE — H08pit(d dc S. Joêéj,nfí 

celebre casa dos jesuítas, chamada de Sancto Antão. Tem 
1:280 camas, e recebe annualmente, termo médio, dczeseis a 
dezoito mil doentes, com os quaes se despendem, approxima- 
damentc, 150 contos de réis por anno. 

Beal casa pia de Belém, onde sâo sustentados mil alnmnos 
de ambos os sexos, c tem cscholas para surdos-mudos. 

Sancta casa da misericórdia, fundada por D. Manuel; tem 
hospício para engcitados, dos quaes recebe annualmente mais 
de dois mil. Gasta com este hospício e com outras obras 
pias, approximadanicnte, duzentos contos de réis por anno. 

Hogpifal doa doidos, em RilhafoUes: chega a ter sctecen- 
toe alienados. 

Hospital de S. Lazaro, que chega a ter cento e tantos 
doentes, cuja moléstia indica o sancto do seu nome. 

Hospital da Estrellinha, para militares. 

Hospital da marinha, para marinheiros e militares, fun- 
dado em 1797. 

Asylo de Sancto António dos capuchos, que sustenta c 
veste mil asylados. 

Asylo da Ajiida, para crianças. 

Asylo de Sajicta Cafharina. 

E muitos outros do menor importância. • •^*' ' ' 



62 LIS 

ESTABELECiMEHTOS DE instulcçIo PUBLICA — Acodemia de 
hdí^as artes, que tem quadros de muito merecimento, e aonde 
se ensina pintura, desenho, paizagem, architectora, escnl- 
ptura e gravura. Faz exposições de trea em três annos, e & 
ultima foi no de 1864. , 

Bibliotheca publica, fundada por D. Maria i: tem perto 
de 150:000 volumes catalogados; 300:000 em deposito; e mais 
de lOKXX) manuscriptos. Tem obras da maior raridade, e 
um gabinete de numismática com 24:000 moedas e medalhas. 

Bibliotheca (publica) da academia real das sdendas, csom , 
50K)00 volumes. 

Bibliotheca da Ajuda,, pertencente á casa real, e qae é ri- 
quissima. 

Eschóla polythechnica, que ficará uma das primeiras no 
seu género, quando for concluída a sua edificação. 

Lyceu, que, além do curso completo de humanidades, tem 
o ensino de francez, inglez, allemão, latim, grego, hebraico 
e árabe. 
Eschóla do exercito, á Bemposta, fundada em 1790. 
Institvio indtistriaL 

Instituto agrícola, aonde se ensina quanto diz respeito á 
agricultura. 

Cvrso superior de letras, fundado por D. Pedro v. 
Aula de paleograpMa, na Torre do Tombo, aonde ha do- 
cumentos anteriores á monarchia (Vide Guimarães). 
Avia de numismática, na bibliotheca publica. 
Museu de historia natural, 
Eschóla naval. 

Conservatório real^ aonde se ensina musica, dansa, canto 
e declamação. 

Eschóla normal, aonde se preparam estudantes para o ma- 
gistério. 
Avia de commercio, com duas cadeiras. 
Além de todos estes estabelecimentos de instrucçâo pu- 
blica ha muitos coUegios particulares, organizados o mais re- 
gularmente possível, para satisfazer ao fim a que sào des- 
tinados. 

ESTABELECIMENTOS iNDusTBiAES — Imprcnsa nacioTiol, fun- 
dada em 1768 pelo grande marquez de Pombal, e que hoje é 
ccmsiderada como uma das primeiras da Europa. 

Depois de escriptas estas linhas tivemos occasiâo de ac- 
ceitar a delicada fineza que o sr. director d'este estabeleci- 
mento practicou comnosco, facultando-nos um minucioso 
exameta todas as suas officinas. 



LIS 63 

O ST. José Maurício Veloso, que esteve muito tempo em 
Paris a estudar as perfeições da arte, e que depois d'isso vi- 
sitou parte dos meínores estabelecimentos d'este género na 
Europa, foi quem teve a bondade de nos guiar a toda a 
parte, faeilitando-nos com a melhor vontade todos os escla- 
recimentos que lhe pedimos. 

Conhecíamos parte do estabelecimento, mas âcámos sur- 
prelrandidos quando vimos o todo. 

Houve porém duas cousas distinctas, que augmentaram a 
noBsa surpreza. 

A primeira foi uma machina que imprime por hora, e a 
duas cores ao mesmo tempo, 500 folhas de 83 centímetros de 
comprido por 58 de largo, e isto com tal perfeição, que nin- 
guém dirá ser impressão a vapor: o seu mechanismo e o mais 
" ingenhoso possível, e o preço de dez mil francos que custou, 
prova que o fabricante DtUarte, de Paris, teve mais amor 
pela arte, do que pelo dinheiro. 

A segunda foi a cordura que notámos 'nuns empregados, 
delicadeza e attençâo 'noutros, e applicaçào ao cumprimento 
das suas obrigações cm todos. Esta surpreza foi muito mais 
sensível, porque estávamos de opinião antecipada c<Mn a 
classe typographica de Lisboa, pelo que tínhamos presen- 
oeado em outros estabelecimentos 'd'esta ordem. 

Keeommendamos portanto a todos os viajantes nâo dei- 
xem de visitar um estabelecimento que por todos os motivos 
dá honra e credito ao paiz que o possue. 

Arsenal do exercito^ aonde está a celebre peça de Diu, e 
que occupa ordinariamente 500 a 600 empregados. 

Arsenal da marinha, com um bom dique e uma sala cha- 
mada do risco, que é a maior de Lisboa, e tal é a sua capa- 
cidade, que 'neíla se costumam fazer as exposições indus- 
triaes. 

Fabrica do tdbaoo, em Xabregas, que occupa perto de 
1;500 operários. 

JFi»Mca de tecidos de algodão, em Alcântara, que em- 
prega mais de 1:000 pessoas, e é á prova de fogo. 

Fabrica de pannos, do Campo grande. 

Fábrica de tecidos, do Campo pequeno. 

Fabrica de fwndição, de Collares, á Boa Vista. 

E outras muitas de differentes géneros, mas de menor im- 
portância. 

BDOTCios PÚBLICOS — Terrdro do trigo, construcçâo do 
tempo de D. José i. 



W LIS 

Praça de SancVÂnna, para corrida de touros no ver&Q. 

Preços — camarotes: 1.* ordem, grandes, õjííOOO; pequenoe, 
SálOOO; 2/ ordem, grandes, 3ií;600; pequenos, 2í;5005 cadei- 
ras, 700; sombra, 500; sol, 240 réis. 

ASSOCIAÇÕES RECREATIVAS — Os principacs d' estes estabele- 
cimentos em Lisboa sâo seis: 

Grémio litterario; Club lisbonense; Assembleia portuguesa; 
Academia dos professores de musica; Recreação phHarmoni- 
ca; e Sociedade luzitana. 

Em qualquer d'estas associações será o viajante bem re- 
cebido, logo que um dos sócios o apresente com certas for- 
malidades. 

A primeira é o ponto de reunião nocturna das principaes 
pessoas da capital, e aonde todos os politicos vão saber no- 
vidades. Tem boa bibliotheca e grande numero de jomaes 
do paiz e extrángeiros. 

Na segunda costuma haver magniâcos bailes^ a que con- 
corre a melhor sociedade. 

Nas outras ha diversos divertimentos, mas o principal são 
concertos musicaes. 

PALÁCIOS REAES — Ajuda, aonde residem suas magestades, 
o senhor D. Luiz e sua esposa a senhora D. Maria Pia« 

Foi principiado por D. João vi, e ultimamente tem el-rei 
mandado fazer alli consideráveis melhoramentos e deseja 
fazel-o concluir: se isso se verificar, será um dos mais vastos 
da Europa; tem quadros de Taborda, Cyrillo, Monteiro, Fos- 
chini, Sequeira, Eibeiro, Máximo, Bato, Princeza D. Maria 
Benedicta e Pereira. No ultimo orçamento vem propostos 
100 contos para continuação d'aquellas obras. 

Necessidades: reside 'nelle el-rei o senhor D. Fernando e 
o senhor infante D. Augusto. 

O gabinete de historia natural, a bibliotheca e os jardins 
sâo excellentes: tem quadros de Krumhobz, Fonseca, Sequei- 
ra, Rezende e outros. 

Devem, porém, ser innumeraveis as riquiezas de diversos gé- 
neros alli eidstentes, visto ser habitado por um rei tâo amante 
e tâo protector das artes. 

Bemposta, aonde falleceu D. João vr, mandado construir 
por D. Catharina, rainha de Liglaterra. 

Pcdado e quinta de Bdem, principiado a edifioar por 
D. João V. 

Cachias, de pouca importância. 



LIS 67 

QuduZj aonde nasceu, e depois falleccu, o senhor D. Pe- 
dro IV. 

Os bilhetes para ser permittido aos viajantejí visitar os pa- 
lácios e quintas regias, pedem-se na vedoria da casa real. 

Nào sâo porém permittidas taes visitas nos locaes em que 
suas magestades residem. 

PALÁCIOS DE NOBREZA E HABITAÇÕES DE PARTICULARES, DIGNOS 
1>E '^CENÇlO POR SUA ANTIGUIDADE, SOLIDEZ, ELEGÂNCIA, OU RI- 
QUEZA — Duques: de Palmella, Calharia, Rato, Lumiar, Cin- 
tra e Calhariz do Sul; de Loulé, pateo do Thorel, ao campo 
de S. Anna; de Cadaval, quinta de Pedrouços, Cintra e Porto 
de Muje, aonde reside parte do anno; de Lafões, aos Grillos; 
Daqueza da Terceira, a S. João da Praça. 

Marquezes: de Pombal, Janellas Verdes (a), rua Formosa, 
Oeiras' e Cintra; de Castello Melhor, ao Passeio público; da 
Ribeira, á Junqueira; de Niza, Xabregas; de Abrantes, cal- 
çada do mesmo titulo; de Vianna, largo do Rato e Cintra; 
de Borba, a Sancta Martha; do Louriçal, largo de S. Sebastião 
da Pedreira (ô); das Minas, Janellas Verdes; de Vagos, Costa 
do Castello; do Ficalho, rua do Carvalho; de Fronteira, Bem- 
fica; do Lavradio, campo de Sancta Anna; de Ponte do Lima, 
largo da Rosa a S. Tjourenço; de Vallada, ao Calhariz. 

Condes: d' Anadia, a S. João dos Bem-casados; das Alcáço- 
vas, na rua da Cruz; de Penafiel, na rua Nova de S. Mamede, 
aos Caldas, e quinta da Mata em Loures; das Galveas, ao 
Campo pequeno, e na Cova da Moura; do Sobral, ao Calhariz 
e na Luz; de Paraty, a Sancta Izabel; de Lumiares, ao Passeio 
público; dos Arcos, largo de S. Salvador; de Veiros, ao Pa- 
raizo; da Lapa, á Bemposta; da Figueira, á calçada da Graça; 
d' Almada, no largo de S. Domingos (c); de Rio Maior, rua 
de.S. José; de Villa Real, á Boa Morte; de Redondo, a Sancta 
Martha e na quinta do Bom Jardim em Bellas; do Sabugal, a 
S. Francisco de Paula (rocha do Conde d'Obidos); da Ponte, 
Boa Morte e Sancto Amaro; de Pombeiro, travessa do Conde 
de Pombeiro e quinta em Bejlas; de Camaride, na quinta das 
Picoas; de Sampaio, a S. Vicente dePóra;de Mesquitella, Ar- 
fa] 'Neste palácio reside sua magestade a imporalriz. 
(6) Este edifício é hoje propriedade do sr. José Maria Eagenio de 
Almeida^ que o está fazendo reediicar jpor forma tal, que deverá 
ser Osprimeiro da capital. 

(c) £8te palácio ó uma das mais gloriosas recordações históricas, 
porque foi allí que se prepararam os elementos para 'reconquistar a 
nossa independência, em 16i0. 
4 



68 LIS 

roios e Poço Novo; de Murça, Janellas Verdes; do Fanx>bo, 
• rua do Alecrim, Larangeiras, e Farrobo em Villa Franca; do 
Bomfim, calçada d' Ajuda ; de Linhares, Arroios ; d' Alvito, 
largo do Conde Barão, e Alvito; de Penamacor (a), Calvário 
e Penha Verde em Cintra; d' Azambuja, Palhavà; de Rilvas, 
largo das Cortes, ás Necessidades; da Foz, a Sancta Apoloaúa; 
de^Sarmento, na rua do Quelhas. 

Viscondes: da Bahia, a S. Sebastião da Pedreira; de Cam- 
panhã, largo do Calvário; de Condeixa, á Horta S&eca;*da 
Junqueira, á Junqueira. 

Baldes: da Regaleira, largo de S. Domingos e Cintra; de 
Alcochete, rua Formosa; Baroneza de Folgosa, Junqueinu 

Patriarcha, á Junqueira (6), residência a S. Vicente de 
Fora. 

Particulares: José Izidoro Guedes, campo de Sant^Anna; 
Sousa Lobo, campo de Sant*Anna; Palhas, SanfApolonia; 
Luiz Carneiro, rua de S. José; Luiz de Oliveira Calheiros, 
largo d' Arroios; Gaspar Vianna, ás Chagas; Ferreiras Pintos, 
a Sane to Amaro; Collares, a Sancta Catnarina; Bartholomea 
dos Martyres, a S. Roque. 

Palácios: do Sarmento, a Buenos -Ayres; do Godinho, a 
Sancta Clara; do Pateo do Geraldes, ás Amoreiras; edo GaXr 
vão, na rua dos Mouros. 

QUARTÉIS — ArtUheria: n.® 1, Belém; n.«4. Quatro Caminhos. 

Caçadores: n.» 5, Castello; n.» 2, Valle de Pereiro* 

Infanteria: n.° 1, Belém; n.* 2, S. João de Deus; n.» 7, 
Cova da Moura; n.« 10, Graça; n.« 16, Campo d'Ourique. 

Lanceiros: n.® 2, Belém. 

Sapadores: Paulistas. 

Marinheiros: Praça d'Armas, a Alcântara. 

Municipal de cofvaUaria e infanteria^' Carmo e em diversos 
quartéis pelos bairros da cidade. 

PASSEIOS t jABDiNs — Tem Lisboa seis passeios e jardins 
públicos, e são : , 

Passeio público: frequentado pela melhor sociedade da ca- 
pital, e aonde todas as tardes dos dias sanctificados tocam 
bandas de muzica marcial. 

[a] Este fidalgo possue uma redoma, em forma de pyramide, na 
qual eslão depositadas as barbas que 1). João de Castro (o celebre 
governador da índia) roandoa empenhar para a edífieacHo de l)íu. 

(6) Conhecido por palácio do ifotUê ChrisiB, pois qne íõi mandado 
coDfíruir pe)o abastado capitalista, sr. Manuel Pint)o da Fonseca. 



UB 69 

De verão costunm ser illuminado a gaz^ e ha muzica todas 
as noites^; pega, porém^ uma pequena quantia, quem o quizer 
frequentar de noite. 

Este passeio tem sufficiente número de bancos, espalhados 
por toda a parte, para quem se quizer assentar gratuitamente; 
mas, além d'isso, ha centenares de cadebas, que se alugam 
nos dias sanctificados e.nas noites de verão, e o producto 
d*e8te8 alugueres reverte em beneficio de dois asylos. 
. Também ha dentro d'elle um café, ou loja de bebidas, mas é 
pessimamente servido e escandalosamente caro. 

De inverno costuma a sociedade elegante ir á missa do Lo- 
veto, que é á uma hora da tarde, e finda ella vae para o 
passeio, aonde se conserva até ás quatro horas. 

De verão principia a concorrência das cinco para as seis 
faoifaa da tame. 

Passeio da Eatrdla: o mais elegante da capital, mas apesar 
disso é muito menos frequentado do que o antecedente, pro- 
vsvehnente pela posição elevada da cidade, em que está. 

Tem uma montanha e uma gruta artificiaes, taboleiros de 
verdura e de flores, ruas de arvoredo, lagos e assentos, estufii, 
e um pavilhão chinez, aonde nos dias sànctiôcados também 
ha muzica marcial. 

S. Pedro d^ Alcântara: pequeno, mas muito mais elegante 
do que o primeiro; tem uma bonita cascata, um repucho, 
bastos,, e avista-se d'alli um panorama magnifico. 

Era o jardim suicida da capital; mas acaba de lhe ser col- 
locada uma grade, que por certo acabará com tal mania... alli. 

Jwrdim da Mfoíndega: notável pela abundância de flores 
que tem no seu pequeno espaço, e peia óptima vista do Tejo, 
em cuja margem está. 

Passeio da Junqueira: entre Alcântara e Belém, tem um 
■copado arvoredo, e está orlado de palácios e casas elegantes. 
*Numa das suas extremidades está o cdificio da Cordoaria. 

Jardim da Praça dxis Flores: pequeno, e com um aca- 
nhado lago. 

Jardim Botânico: contiguo ao palácio velho da Ajuda, e 
fízndado por D. Maria i, para instrucçâo dos príncipes. Ao 
entrar pelo lado do Sul, tem duas estatuas attribuidas aos 
Phenicios, e desenterradas em 1785 próximo a Portalegre. 

Tem bellos repuchos e bacias de agua; duas magnificas 
«atufas, e outras obras de mármores, dignas de serem vistas. 

BAZABES — ^Aos amadorçs de objectos raros e antigos recom- 
mendamos que visitem os bazares dos srs. António Rafael, 



70 LIS 

rua Augusta, próximo ao Rocio, 253; João António dos Pas- 
sos, rua do Príncipe, próximo ao passeio público, 115 — 117; 
e J. Luiz do Valle & Irmão, rua Oriental do passeio pú- 
blico, 158. 

O primeiro, com especialidade, é uma agglomeraçâo de ob- 
jectos raros de muito merecimento e valor, tanto real como 
estimativo. 

Ao último não podemos deixar de aconselhar que empregue 
mais algum gosto e aceio, para fazer realçar os objectos que 
tem 'naquelle estabelecimento. 

Para começo da execução do conselho, deverá reformar os 
adressesy porque os que presentemente distribuo sâo incon- 
venientes. 

AQUEDUCTO DAS AGUAS LIVRES, E OUTRAS COUSAS DIONAS JXt 

OBSERVAÇÃO — Além de quanto deixamos relatado, muitos ou- 
tros palácios e edifícios públicos, estabelecimentos e fábricas 
de todo o género, e innumeraveis raridades de diversas ea- 
pecies ha em Lisboa ; mas d'estas, a mais surprehendente, 
porque no seu género é a mais magnifica da Europa antiga 
e moderna, segundo af firmam muitos auctores, é o aqueducto 
das aguas livres, obra do architecto Manuel Maia, que gastou 
na sua construcçâoo tempo que medeia desde 1729 até 1748. 

Tem 15 kilometros de extensão, e 127 arcos: o principal 
d'estes é o mais alto que se conhece no mundo, e tem 33 me- 
tros de largura entre as duas pilastras da sua base^ e 80 de 
altura até ao parapeito! 

Lamentamos o vermo-nos obrigados a reduzir o que escre- 
vemos acerca de Lisboa, em consequência dos limites da 
nossa obra, que toda cila não chegaria, se quizessemos dizer 
o que devíamos ácêrca doesta notável cidade, e por isso pas- 
saremos a mencionar mais algumas das principaes cousas^ 
que devem ser observadas pelo viajante, e são: 

Castello de S, Jorge : aonde está a porta que facilitou a 
tomada de Lisboa aos Mouros, por estes a nào poderem fe- 
char, embaraçados com o corpo de Mem Moniz, que ficou 
'nella atravessado. 

Torre de Belém : lindíssima construcçâo, ordenada por 
el-rei D. Manuel. 

Cemitério dos Prazeres: entre cujos riquíssimos e variados 
mausoleos que tem, se torna notável o do duque de Pálmella. 

Cemitério do Alto de JS. João, 

Cemitério dos Inglezes: á Estrella, onde está sepultado o 
celebre romancista inglez Fidding, 



LIS 71 

Quatro coisas ha em Lisboa, que o viajante não devo deixar 
de Yef, e são : 

O arsenal do exercito, próximo á estação de Sant' Apolónia, 
aonde estão colleccionadas as armas da guerra da Peuiusula, 
as do cerco do Porto, e muitas outras cousas dignas de serom 
vistas. 

Os restos do convento do Carmo, fundado pelo lieroe de 
Aljubarrota, D. Nuno Alvares Pereira. 

As carroagens da casa real, em Sancto Amaro, algumas das 
quaes são notáveis pela sua riqueza, e outras pela sua anti- . 
guidade. 

Finaltoeute, a Cordoaria, á Junqueira, fundada pela rai- 
nha D. Maria i. 

Em Lisboa ha sete prisões, e são : 

Limoeiro, Aljube, Castello de S. Jorge, Galé, Cova da 
Moura, Torre de tíelem e S. Julião da Barra. 

Lisboa e suas proximidades tem seis mercados, e são: 

Praça da Figueira, Kibeira Nova, Eibeiça Velha, Praça do 
peixe ao Terreiro do trigo, outra em Belém, e o Ver-o-peso. 

Tem grande número de fontes, que fornecem a agua neces- 
sária e em cujo mister andam empregados, só gallegos, mais 
de 3:000. 

Ao que deixamos mencionado, addicionem-se : 25 compa- 
nhias e agencias de 1.* ordem; 17 companhias de seguros; 
11 corretores ; 18 tabelliães ; 40 despachantes da alfandega 
grande; 12 agentes de enterros; 15 photographos ; 55 fábri- 
cas e laboratórios; mais de 100 hospedarias com licença, e 
250 sem ella; 14 casas de pasto; 20 cafés, e milhares d'outras 
cousas, que seria interminável descrever, e calcular-se-ha 
bem a importância que tem Lisboa. 

rVide subúrbios de Lisboa). 

A importância, porém, d'esta cidade deve augmentar con- 
sideravelmente, logo que estejamos completamente ligados 
com a Europa por meio dos caminhos de ferro, porque então 
tomar^se-ha ella a chave da America. 

Passemos agora a tractar de outros objectos, cujo conhe- 
cimento se toma necessário ao viajante, principiando pelas 

HOSPEDABIAS E ESTABELECIMENTOS COMMERCIAES — O ViajautC, 

que pela primeira vez entra em Lisboa, costuma ser assaltado 
por uma nuvem de individues que se intitulam corretores de 
íiospedarias, e martyrizam os que nâo sabem desembaraçar- 
se d'elles. 
O mais conveniente, quando elles offerecem hospeda jia, ou 



72 LIS 

bilhete para ella, é responder-lhes de prompto— nque já tem, 
porque o que assim nâo fizer, difficultosamente se livra d'elle8, 
sem levar muito encontrão, e sem ficar com os ouvidos azoi- 
nados . 

O viajante, que fôr para uma d' estas hospedarias, pôde 
contar sempre com ser tractado inferiormente ao que devêxa 
ser, em proporção com o que pagar, porque os corretores re- 
cebem dos donos d'essas hospedarias 20 por cento da quantia 
que o hospede pagar por espaço de 5 dias, o que mz com 
que o hospede que pagar 600 réis, apenas pôde ser tractado 
como pagando 480 réis. 

Para prevenir este inconveniente, deve o viajante dirigir-se 
a qualquer das hospedarias que no fim da presente obra in- 
dicamos, conforme o preço que quizer pagar, aonde, para 
ser mais bem tractado, basta a circumstancia d'os donos nâo 
terem de soffrer a reducçâo dos taes vinte por cento. 

Ha uma outra razão, pela qual os viajantes devem fugir 
dos corretores de hospedarias. 

Logo que elles apanham alguma víctima que lhes cáe nas 
garras, já não a largam, a pretexto de serem seus dcerO' 
nisy e por tal forma se insinuam, que pouco e pouco se tomam 
Mentores, e em resultado, querendo o viajante comprar qnal- 
quer cousa, conduzem-n'o aos estabelecimentos com que elles 
estão combinados, e depois vão buscar 20 por cento do pro- 
dueto total dos objectos vendidos. 

As principaes victimas d'estas espoliações, são os brazi- 
leiros, que, costumados a pagar tudo muito caro no Brasil, 
facilmente são illudidos quando chegam a Lisboa. 

Não ha muito que nós vimos um d'estes corretores receber 
quatro libras d'um ourives, a quem um viajante havia com- 
prado um objecto por vinte!... 

Devem portanto os viajantes ser cautelosos nas compras 
que fizerem, preferindo ir sós em logar de acompanhados, e, 
depois de percorrer diversos estabelecimentos, confrontar os 
preços e qualidades d^uns com os dos outros, e optar pelo 
que mais lhes convier. 

Outra prevenção faremos aos viajantes, e é que nâo mandem 
fazer serviço algum, sóm ajustar primeiro, porque de con- 
trario terão de o pagar dez vezes mais, e se fizerem alguma 
observação, respondem^lhes: do Tneu trabalho, só tu sou lou- 
vado. 

HOTÉIS — AçoTtaoío, Corpo Sancto, 28, 2,'' 



LIS 73 

AUiança, travessa do Secretario da Guerra. 

BeUa Aurora^ travessa d' Assumpção, 53. 

Braganza, Ferregial de cima. 

Central, cães do Sodré, 2õ. 

Columna d^ouro, travessa d' Assumpção, 103. 

DxMs Irmãs j rua do Arsenal, 146. 

DuraTidy lai^o do Quintella, 71. 

EngUshHotd, travessa do Corpo Sancto, 8. 

EãtreUa, rua da Prata, 199. 

EstreUa do Norte, S. Paulo, 3. 

Europa, rua nova do Carmo, 16. 

Qraiidão, rua do Ouro, 2õ. 

Hermínio, travessa dos Eomulares, 23. 

Italiano, travessa do Corpo Sancto, 8. 

Irmãos Unidos, Rocio, 113. 

Luzitania, Arsenal, 54, 2,^ 

Lmo-Brazileiro, travessa dos Eomulares, 11. 

Pedro Alexandrino, cães do Sodré, 4. 

Peninsular, rua do Almada, 11, 2." 

Portugal, Corpo Sancto, 23, 1.° 

Reino, rua Augusta, 75. 

Setubalense, Bacalhoeiros, 32. 

Streets, rua do Alecrim. 

Três nações, travessa da Yictoria, 94. 

Universal, Chiado. 1. 

Victoria, rua da Prata, 156. 

HOSPEDABiAS — Alemtejona, Confeiteiros, 99, 1.° 

Firmeza, Rocio, 30. 

Flores, travessa de Sancta Justa, 95. 

Na^onal, (muito frequentada pelos proprietários do Alemte- 

jo) Capellistas, 129, 2.» 
Oriental, cães de Santarém, 46. 
Pomba de Ouro, rua nova do Carmo, 102. 
Portuense, Arsenal, 54, 1.° 
Varandas, cães de Santarém, 19. 

BE8TAUBANTE8 E CASAS DE PASTO — Na praça dc Camocs, na 
rua dos Retrozeiros, na dos Capellistas, na arcada doTeiTeiro 
do Paço á esquina da rua da Prata, e a Taherrui Ingleza na 
travessa do Corpo Sancto, são as príncipaos: esta última é 
cara, mas notável pelo seu aceio e serviço á ingleea.' 

Aocrescem: 
Chuva, rua da Prata. 



74 LIS 

Gallo, rua dos Algibebes. 

Irmãos Unidos, rua das r>allinheiras- 

Magini, rua do Amparo. 

Padeira, praça d' Alegria. 

Pastelleiro, rua da Prata. 

Peninij rua do Jardim do Regedor. 

'Nestas e 'noutras muitas, de egual natureza, comem eco- 
nomicamente muitos indivíduos, que fora d'alli representam 
como Lords; e por isso o viajante económico ou pouco favo- 
recido da fortuna, pode fazer o mesmo que elles, e é, alugar 
um quarto, dos muitos que ha desde 2^400 até 6^000 réis 
por mez, e comer em qualquer das mencionadas casas de 
pasto, escolhendo a que tiver entrada para os envergonhadas, 
que costuma ser pela porta de serventia geral para o prédio. 

Escusam de se envergonhar, porque hâo de encontrar lá 
muita gente de coUeiririhos primorosamente engommados. 

CAFÉS — Exceptuando o Áurea na rua do Ouro, e Hespanhol 
no Arco do Bandeira, para depois de jantar, e o Martinho e 
Suisso, no largo de Camões, para palestra á noite, os demais 
são pouco dignos de menção. 

O Marrar e^ ao Chiado, é onde se reúnem os Janotas pur sang, 

TAMiLiAs DA província EM LISBOA — Aconsclharcmos aos in- 
divíduos, que quizerem passar algum tempo na capital com as 
suas famílias, que nâo vão para hotéis ou hospedarias. 

Em nossa humilde opinião, um chefe de família só em úl- 
tima necessidade deve ir com ella para um hotel, e este caso 
nâo se dá. em Lisboa, aonde se alugam centenares de casas 
mobiladas, e cujos preços regulam de 3 até 20 libras por 
mez. 

Economia, socêgo, e as inapreciáveis commodidades da casa 
própria, terão os que assim fizerem, e poupar- se-hâo a muitos 
desgostos. 

ESTABELECIMENTOS BE BANHOS — Na rua dc S. Domíuços n.® 
22, banhos simples e compostos, desde 400 até 900 réis. 

No hospital de EílhafoUes, também simples e compostos, 
desde 160 até 450 réis. 

E na rua dos Douradores n.° 92, de diversas qualidades, 
desde 160 até 400 réis. • 

Este estabelecimento é pouco recommendavel; o segundo 
está mal collocado; e por isso o primeiro é que costuma ter 
a preferencia. 



LIS 70 

Além doestes, ha os do arsenal da marinha, e os de D. Clara, 
ao Terreiro do trigo; sâo mineraes, e muito frequentados 
por nacionaes "e estrangeiros. 

APITO — O viajante que, chegando a Lisboa comprar um 
apito, e o trouxer sempre comsigo, póde-se reputar em com- 
pleta segurança. 

A razão é muito simples. • 

Se por acaso é aggredido e toca o seu apito, ouve logo tocar 
outros em diversas direcções. A policia corre ao ponto aonde 
tocaram, para cumprir com o seu dever, e o povo corre tam- 
bém para o mesmo sitio, a fim de saber o que foi. 

Como sâo muitos os que correm, convergindo a um centro, 
líStma-se uma rede, de que o aggressor difficultosamente es- 
capa. 

Prevenimos por isso algum travesso, que se lembre de tocar 
por brincadeira, para não cahir em tal, porque tem toda a 
probabilidade de ir dormir ao quartel da municipal. 

' rsTLoíiB — Sâo estabelecimentos, contra os quaes também 
prevenimos o viajante em Lisboa. 

Ordinariamente costumam funccionar das sete para as oito 
horas da noite. 

Passa-se por uma loja, vê-se muita gente e um energúmeno 
beirando e gesticulando — oito tostões, oitocentos e cincoenta, 
nove, nove, nove; vá, ha quem dê mais? nove e vinte, e trinta, 
etc., etc. 

A curiosidade quer saber o que aquillo significa, e faz 
entrar o individuo: vê um objecto, que lhe parece barato, e 
cobre o lanço; mas ainda bem nâo está coberto, já tem outro 
superior, sem saber de quem; cobre, e vê-se logo supplantado, 
porque outro o cobriu também: o amor próprio aguilhoa-o, 
e àm principia um combate, sem saber com quem; e 'num 
momento o que estava em dez, chega a cem!!! 

Se a prudência o auxilia, e suspende a tempo em que o lanço 
d'elle está coberto, vê continuar por muito tempo o mesmo 
lanço s«n haver quem cubra, e o pregoeiro com o olho 'nelle 
para ver se cae em dar outro lanço; se cae, entrega-lhe o ob- 
jecto immediatamente. 

Se nâo cae, ouve dizer ao pregoeiro: parabéns, sr. P... 
Alegra-se o individuo com isso, porque deseja conhecer quem 
o gfacrreou, mas por mais que olhe não vê ninguém pegar no 
objecto, porque o pregoeiro diz : assente ao sr. F. . ., que 
jnanda bnscar amanhã. 



76 .-LIS 

No dia seguinte, se lá voltar, vê ainda o objecto no mesmo 
sitio, o se esperar, toma-o a ver em praça.,. 

Se, porém, arrematou e lhe deram os parabém, leva para " 
casa um objecto, que 'noutra qualquer parte podia comprar 
pela terça parte. 

Alguns ha, porém, que riâo estão no caso indicado; mas o 
viajante deve procurar conhecel-os, antes de se terttar, 

A maior parte dos leiloe» de mobília diurna famiUa que se 
retira, sâo também armadilhas, contra as quaea deve estar 
prevenido o viajante. 

Vêem-se todos os dias annunciados diversos leilões d'esta 
ordem, ordinariamente para os domingos. 

A lembrança de que se pode comprar alguma coisa par 
preço razoável, visto que o dono da casa quer liquidar, ^ 
dirigir para lá os passos. , 

Entra-se e vêem-se sete mobílias em logar d'ama, porque 
na véspera tem para lá sido conduzidos um numero de méveis 
seis vezes eguaes ao que havia na casa. 

Aberta a praça principia a mesma contradança como a dos 
outros leiloes, e quem comprar alguma cousa tem logro c^to» 

Regra geral: Ninguém que se retire faz leilão da sua mo- 
bilia: chama um adelo, vende-lh'a em globo, e este toma conta 
da chave da casa, e f az o leilão por sua conta, mandando 
addicionar aos móveis, que lá estavam, os que tem em sua 
casa, com o que fazem magnifico negocio, porque ha moitò 
quem se deixe engodar. 

PREGO — ^Empréstimo sobre penhores) Ha centenares doestas 
cavernas de caco, aonde sâo esfolados vivos os desgraçados, 
que lá vão parar. 

Nada mais fácil do que um viajante, por qualquer inci- 
dente, ver-se de repente sein dinheiro por alguns dias, e ter 
objectos de valor que sirvam de garantia a quem lh'o em- 
prestar. 

Aquelle a quem isso succeder aconselhamos que fuja doi 
pregos, e que vá ao monte-pio geral, na rua do Ouro n.° p, 
aonde com a maior promptidào se empresta qualquer quantia 
e por qualquer tempo excedente a um mez, na razão de sete 
por cento ao anno. 

FAz-TUDo — Tractaremos d'um objecto, que, com quanto 
simplicíssimo na apparencia, parece-nos de bastante impor- 
tância para muitos viajantes. 



LIS ^ 77 

fincoôde muitas vezes qnerer-se mandar concertar um ob- 
jecto de uso, que soffi'eu desarranjo, como, por exemplo, um 
ocnlo de theatro, uma caixa de rapé, um estojo de barba, um 
alfinete de peito, e muitas outras cousas do egual importância, 
e tornar-se isso um verdadeiro embaraço por nâo se encontrar 
quem o faça. 

Falíamos por experiência própria, porque já nos vimos a 
braços com tal dilliculdade. 

Está, porém, o viajante livre de tal perigo, dirigindo-se ao 
ST. Francisco Correia da Costa, morador na travessa da As- 
sumpção^ n." 90, que, pela sua perícia na execução d'estas 
petjUenas coisas, é mais conhecido -pelo Faa-ttidoy do que pelo 
seu próprio nome. 

Devem porém prevenir os meios da prompta execução, em 
consequência das muitas cousas que elle sempre tem para 
fazer. 

No impedimento d'aquelle, ha um outro Fas-tudOy e é o 
sr. João António Sanroro, na rua da Prata, n." 90. 

CÒMPOSTUBA DE CHAPE08 — Choça O viajauto muitas vezes a 
Lisboa com um chapeo de magnifica qualidade, mas que ou 
cstíl muito sujo, ou fora da moda, e por isso resolve-se a 
dal-o ao creado da hospedaria; ou vae a um chapeleiro com- 
prar um novo, e deixa o velho, porque suppõe que nâo me- 
rece a pena dar um pataco ao gallego que o fôr buscar. 

Áquelles que tal quizerem fazer, aconselhamos que vâo 
primeiramente á calçada do Combro (Paulistas) n.® 97 e 99, 
faUar com o sr. José António Frazão, o qual por seis ou sete 
tostões p3e muitas vezes esses chapeos eguaes áquelles por 
que se vão dar seis ou sete pintos. 

xjLTstíiÀs — Para commodidade do publico, ha em Lisboa de- 
zoito latrinas publicas, e são: em Alcântara, Beleui, campo de 
SancfAnna, Estrella, Guia, Fundição, Obras de Sancta Èn- 
^acia, praia de Sanctos, rua da Procissão, rua do Príncipe, 
Bato, rua do Regedor, Ribeira Nova, Ribeira Velha, Sancta 
Apoloiiia, S. Carlos, S. Paulo e Ver-o-pezo. 

Cada uma d'estas latrinas têm oommodidades separadas 
para meia dúzia de pessoas, e um guarda para cuidar da sua 
limpeza. 

Quem quer servir-se d'ellas pede uma chave, que depois 
torna a entregar. 

O serrfço doa guardUs é gratitito; comtudo quasi sempre 
são remunerados. 



78 ' • LIS 

O mais attencioso d'elle3, é o de S. Carlos; ò menos, o da 
rua do Príncipe. 

MEIOS DE LOCOMOÇÃO EM LISBOA — ^0 numero de vehicolos, 
que em Lisboa ha para serviço publico^ entre omnibus, trens 
de praça, coupés, char-à-bancs, carruagens, etc, etc, é muito 
superior a mil. 

Daremos alguns esclarecimentos ácêrca d'este serviço, 
principiando pelos 

oMNiBus — É este o serviço de locomoção, mais basto, re- 
gular e económico da capital, pelas variadas carreiras ope. 
tem, a preços fixos, cujo ponto de partida é o largo do Fe- 
lourinho. 

As carreiras e preços sâo como se seguem: 
Belém (120 réis). 
Bemfica (160 réis). , 
Campo pequeno (Vide Loures e Lumiar). 
Carmde (200 réis). 
Cascaes, com escala por: 
Belém (120), Pedrouços(160), Dafundo (220), Oeiras (320), 
Carcavellos (400), Parede (480), Esturil (640), Casícae^ 
(720). Esta carreira é certa só de verão: no inverno con- 
tinua somente até Oeiras. 
Cintra, com escala por: 
Bemfica (160), Porcalhota (260), Ponte Pedrinha (400), Pa- 
pel (500), Rio de Mouro (680), Cintra (960). 
Loures,. com escala por: 

Campo pequeno (120), Lumiar (160), Telheiro do Cardoso 
(220), Povoa (280), ponte de Friellas (340), Loures (400). 
Lumiar (160), e Campo pequeno (120). 
Mafra, com escala por: 
Bemfica (160), Porcalhota (260), Bella« (400), Sabugo (560), 

Pêro Pinheiro (680), Cheleiros (840), Mafra {UOOO), 
Oeiras (Vide Cascaes) 
Poço do Bispo (120). 

Além d'estas carreiras fixasj ha outras temporárias para 
as feiras de Agualva, Campo Grande e Luz, festa do S^hor 
da Serra em Bellas e para quaesquer sitios de grande con- 
corrência. 

Sendo as horas de partida constantemente alteradas, deve 
o viajante consultar a tabeliã que é affixada diariamente na 
estação central, largo do Pelourinho n.*» 12, aonde também 
podem ser alugadas carruagens omnihus para serviços espe- 



LM • 79 

DE PBAÇA — Depois dos onmibus, são os trens de 
praça os que mais prompto e mais económico serviço fazem 
em Lisboa. 

Sào quatro 03 locaca aonde estes três podem estacionar, 
esperando freguezcs: Terreiro do Paço, largo da Abegoaria, 
Passeio publico, e estação do caminho de ferro a Sanct' Apo- 
lónia. 

Fora doestes locaes, nâo podem estar parados, e porisso 
andam em gyro constante, procurando quem os occupe. 

Deve poréitn advertir-se que, apesar do regulamento a que 
estáo sujeitos, e dafiscalisaçao que a policia municipal tem so- 
bre elles, costumam os cocheiros dos trens de praça abusar es- 
candalosamente da inexperiência dos viajantes, e porisso fi- 
quem estes prevenidos, de que um trem de praça coílocado na 
estação, ou transitando desempedido, tem obrigação de re- 
ceber e transportar qualq[uer pessoa, que lh'o exija, desde o 
romper do sol até á meia noite, com o descanso que lhe é 
permittido, como indica o regulamento que ao diante trans- 
crevemos. 

Nâo basta porém que elles declarem que estão impedidos, 
porque para mostrar que assim é, devem ter coílocado o dis- 
tinctivo que o regulamento lhes prescreve, como ao diante 
também se verá. 

O viajante, logo que encontra um trem de praça chamado, 
entra para dentro, e diz 90 cocheiro aonde quer ser transpor- 
tado, e quando chega, se não parou em parte alguma, nem 
sahiu as portas da cidade, e foi directamente d'um ponto ao 
outro, paga com 300 réis, se é de dia, e 320 réis se é de noite. 

Cfaama-se a isto uma corrida. 

Se os viajantes são dois, pagam o mesmo. 

Se nâo é corrida, e o "viajante anda por uma e outra parte, 
paga então 400 réis por umà hora, sendo de dia; e 420 réis, 
sendo de noite. 

Nâo estando o trem impedido, e recusando-se o cocheiro a 

' tomar o passageiro, dere tomar testemunhas e o numero da 

carroagem, e enviar ao chefe dos zeladores da camará uma 

qneiza assignada, em que vão designados os nomes das tes- 

tmmnhas. 

Os cocheiros trazem senhas conforme o modelo que se segue: 

Trem w.« 

Tabeliã a que se refere o artigo 6.<» 8 2.® 

da postura de 30 de julho de 1863 

Dentro da cidade 

Por uma corrida 300 t4\* 



80 - LIS 

Por cada hora 400 réis 

Por mais meia hora 200 » 

Por mais um quarto de hora depois ou antes da 
meia hora 100 » 

Fora da cidade 

'Numa área de 2 léguas, contadas do ponto de partida: 

Por cada quarto de hora de ida, 150 réis. 

Pelo tempo de volta, dois tetrços do que fôr contado pela ida, 
quer o passageiro ou passageiros se utilisem do trem, qner 
nâo. 

Pelo tempo de espera, 100 réis por cada um quarto de hora. 

OBSERVAÇÕES — Scmprc que forem transportados mais de 
dois passageiros, augmenta o preço por cada um, que exce- 
der no equivalente, a metade do que fica estabelecido para 
dentro da cidade, e para fora, com respeito a ida e volta. 

Qualquer espaço de tempo de serviço, maior de cinco mi- 
nutos, que exceda aquelle que se contar na forma da pre- 
sente tabeliã, será tido como um quarto de hora, para ser 
pago *nesea conformidade. 

Estas senhas são elles obrigados a entregar a qualquer 
passageiro que lh'o exija antes de entrar para o trem, a fim 
de servir de documento quando haja de fazer alguma queixa 
ou reclamação contra elles. 

Recordamos um estudo particular do regulamento que^on 
seguida transcrev- emos, porque temos visto dúzias de indi- 
víduos ajustando trens de praça pelo dobro e triplo da tabeliã 
e ficarem muito ufanos pelo bom resultado que tiveram. 

Eis o regulamento, ou 

Postura de 11 de março de 1864 

Artigo 1.® Ninguém poderá exercer 'nesta cidade a arte áe 
boleeiro, ou cocheiro, em serviço de cjuem quer que fôr, sem 
prévia matricula na repartição de pohcia municipal, sob pena 
de dois mil réis de muleta. 

§ único. Para a matricula deverão os interessados mostrar 
que são maiores de dezesete annos, e apresentar attestado 
que prove estarem habilitados para exercer a arte, passado 
por dois dos peritos nomeados pela camará para tal fim, pa- 
gando adiantadamente, na repartição de policia, o importe 
d'essc attestado; aquoUes porém, que se destinarem ao serviço 



LIS . 81 

de sotas, serão admittidos á matricula com menos d'aquella 
edade, e sem mais dependência. 

Artigo 2.° Nenhum trem de aluguer, do concelho de Lis- 
boa, ou de fora, poderá transitar pela cidade sem previa nu- 
meração da policia municipal, sob pena de incorrer seu dono 
na muleta de dois mil réis. 

§ 1.** Os trens de praça deverão trazer os números pinta- 
dos no painel trazeiro: os de cabeça, na parte inferior e os 
outros na superior, em letras brancas de dez centimctros de 
altura em fundo preto, pena de incorrerem seus donos na 
maleta comminada ^nestc artigo. 

§ 2.® Os trens de aluguer que nâo forem de praça deverão 
tiaaer os números pintados na frente da soleira em letras 
brancas, nâo menores de três centímetros, em fundo preto, 
sob pena de incorrerem seus donos na muleta comminada 
'neste artigo. 

,§ 3.<» lutende-se por trens de praça todos aquelles que 
se QoUocam nas praças ou estações designadas pela camará 
para os alugueres. 

Artigo 3.° Os donos dos trens que forem encontrados com 
os números repetidos ou alterados, incorrerão na mesma pena 
de dois mil reis de muleta. 

Artigo 4." Os boleeiros, e cocheiros de trens de praça, quer 
estes se achem coliocados nas estações designadas pela ca- 
mará, quer transitando devoluto pçla cidade, são obrigados 
a receber e transportar qualquer pessoa que se lhes apresentar 
para esse fim, pelo tempo e preço marcados na tabeliã que faz 
parte da presente postura, sob pena de dois mil réis de muleta. 

§ 1.* Cessa a obrigação declarada, quando o trem estiver 
impedido, ou por se achar alugado, ou por se retirar para a 
cocheira, ou por desarranjo, devendo para isto trazer a compe- 
tente chapa indicativa de impedimento (que 6 conforme o 
modelo que está patente na repartição de policia municipal) 
na r^oa superior da frente da caixa na altiu-a de cinco cen- 
thnetros, sob pena de dois mil réis de muleta; o aquolle que 
tiver o dicto signal de impedimento não poderá ser alugado, 
debaixo da mesma pena. 

§ 2.'» Egualmente cessa a referida obrigação, quando a 
pessoa, que se apresentar, estiver em visivel estado de em- 
briaguez. 

Artigo ô.® O tempo obrigatório do aluguer dos trens de 
praça nos termos do artigo antecedente, é desde o romper do 
aol até á meia noite, dando-se em cada espaço completo de 
seis horas, duas para descanço é alimento do gado. 



82 LIS 

Artigo 6.** O serviço será feito a horas ou a corrida, á von- 
tade do alugador; e na primeira hypothese regulado por 
qualquer relógio em que egualmente se possa verificar o 
principio e acabamento do mesmo serviço. 

§ 1.° Intende-se por corrida o transporte d'um ponto a outro, 
dentro da cidade, em direitura e sem detenção no caminho.. 

8 2.° Os preços serão os da tabeliã juncta. 

Artigo 1.^ O serviço dos trens de praça é obrigado a trote 
regular, e em harmonia com o disposto no art. 8." da outra 
postura da presente data. Nas subidas porém poderá ser a 
pasíío, e bem assim em todo o outro caminho, uma vez que 
sendo ahigado a horas o alugador o reclame. 

Artifío S.^ Todos os boleeiros ou cocheiros de trens de 
praça ficam ainda obrigados: 

1.° A trazer um numero sufficiente de senhas impressas, ou 
lythographadas, conforme o modelo que está na repartiç&o 
de policia, contendo o numero do trem, e a tabeliã dos preços 
marcados 'nesta postura, e com um pequeno espaço em branco 
para se escrever quando se queira a hora da partida, ou qual- 
quer outra breve annotaçâo. 

2.° A dar uma das referidas senhas a cada pessoa ou pes- 
soas, que pretendam ser conduzidas no seu trem, antes die 
entrarem para o mesmo, para lhes servir de documento quando 
tenham de fazer alguma queixa, ou reclamação. 

3.*» A conduzir junctamente com os passageiros qualquer 
bagagem que lhes pertença, uma vez que toda ella nâo ex 
ceda o pezo de oito kilogrammas. 

4.*^ A tractar bem os passageiros, auxiliando-os na entrada 
e saída dos trens, e não os escandalisando com palavras, 
gestos, ou por qualquer outra maneira. 

Artigo 9.° A transgressão de cada uma das disposições 
dos números 1.*» a 3.® do artigo antecedente, será punida com 
a pena de mil réis de muleta. 

§ único. Havendo queixa de duas ou mais pessoas, au- 
thenticada com as suas assignaturas, sobre a transgressão 
do disposto no numero 4.*, será o transgressor advertido e 
reprehendido pelo chefe dos zeladores, que d'isto formará 
auto com as testimunhas competentes. A reincidência 'nesta 
transgressão será punida com a pena de dois mil réis de 
muleta. 

Artigo 10." Aquelle boleeiro, ou cocheiro de trem de praça, 
que for chamado á repartição de policia municipal, para ser 
reprehendido, ou para responder por aquillo que 'nesta pos- 
tiira lhe é r. lativo, e nâo comparecer aÚi no dia e hora para 



LIS 83 

que for intimadO; incpiTerá na pena de dois mil reis de mul- 
eta. 

Artígo 11.° Aquelle boleeiro ou cocheiro de trem de alu- 
guer, que ceder o governo do seu trem a pessoa não sendo 
competentemente habilitada na conformidade do artigo 1.° 
d'esta postura, incorrerá na pena de dois mil réis de muleta. 

Artigo 12.® Os boleeiros, ou cocheiros, que nâo andarem 
acompanhados das suas matriculas para apresentarem aos 
zeladores, quando elles exijam vel-as, incorrerão na pena de 
mil réis de muleta. 

Artigo 13.® Os boleeiros e cocheiros, que se'sers'irem do 
seu chicote para dar em besta alheia, incorrerão na pena de 
mil réis de muleta. 

Artigo 14.° Os boleeiros e cocheiros, que calçarem os ti-ens 
com paras, ou coisa que náo seja uma cunha apropriada, in- 
correrão na pena de mil réis de muleta. 

Artigo 15.° Os boleeiros, e cocheiros, que espancarem ou 
tractarem cruelmente o gado, incorrerão na pena de mil réis 
de muleta. 

Artigo 16.® Os boleeiros e cocheiros, que forem encontra- 
dos em estado de embriaguez tal, que nâo possam dirigir os 
trenSi incorrerão na pena de dois mil réis de muleta, sendo-lhes 
tirado o governo dos mesmos trens, os quaes serão guarda- 
do9 na estalagem mais próxima até que appareça o dono. 

Artigo 17.° Os cocheiros, que usarem de chicote, sendo o 
cabo inferior no comprimento a 1",10, incorrerão na pena de 
mil réis de muleta. 

Artigo 18.° Todos os boleeiros e cocheiros, ficam obrigados 
a fazer parar os seus trens, logo que juncto aos mesmos se 
QSjpante alguma cavalgadura alheia, para que possa mais fa- 
cilmente ser aquietada e dirigida, sob pena de mil réis de 
muleta. 

Artigo 19.° No caso de reincidência de transgressão de 
qm^uer das disposições consignadas 'nesta postura, será a 
muleta sempre a dobrar, até ao máximo da lei. 

Artigo 20.° Na falta de pagamento das muletas impostas 
ao8 transgressores soíFrerâo os mesmos a prisão corr«Bpon- 



Artigo 21.° Fica revogada toda a legislação municipal em 
contrario. 

Artigo transitório. Concede-se o praso de trinta dias para a 
matricula de que traCta o artigo 1.°, áquelles boleeiros, co- 
cheiros e sotas, que actualmente exercerem a arte sem ma- 
triculaj e bem assim para serem numerados o« trftvi«^ <s^e. ^xsa^ 



84 LIS 

execução da presente postura também deyem ter numero po- 
licial. 

Tabell* * que se refere o artigo S) § t 

Dentro da cidade 

Por uma corrida de dia 300 réis 

» noite 320 » 

Por cada hora de dia 400 » 

» noite 420 » 

Por mais meia hora 200 » 

Por mais um quarto de hora, depois ou antes da 

meia hora 100 » 

Fora da cidade 

'Numa área de duas legoas, contadas do ponto da partida: 
Por cada quarto de hora de ida 150 réis 

IDe volta, dois terços do que for contado pela 
ida, quer o passageiro ou passageiros se uti- 
lisem do trem, quer nâo. 
De espera, 100 réis por cada quarto de hora. 

OBSEBVAÇÔES — Scmprc que forem transportados mais de 
dois passageiros, augmenta o preço por cada um qjie exceder 
no equivalente a metade do que fica estabelecido para dentro 
da cidade, e para fora com respeito a ida e volta. 

Qualquer espaço de tempo de serviço maior de cinco mi- 
nutos, que exceda aquelle que se contar na forma da pre- 
sente tabeliã, será tido como um quarto de hora, para ser 
pago *nessa conformidade. 



Este regulamento foi ampliado com outra postura, que reza 
assim: 

Art. 1.° Passados trinta dias depois da publicação da pre- 
sente «costura, nenhum trem dos que se occupam na conduc- 
ção de pessoas, oú seja de aluguer ou de particular, poderá 
transitar pela cidade de noite, e desde que se começa a ac- 
cender a illuminação publica, sem trazer lanternas com luz, 
sob pena de incorrerem seus donos na muleta de Isí^OOO reis. 

Art. 2.'» O preç-o do serviço dos trens*de praça que for feito 
de noite, na forma do artigo antecedente, fica sendo: — 320 
réis por corrida, e 420 réis por hora, dentro da cidade. 



us 



85 



CABBOAGEN3 LI3B0SEXSES — O qiiB porcm so pódc rocomuieií- 
dar ao viajante, qiio deseje ser bem servido *uosto género, ó 
o estabelecimento das carroagens lislx>nensct», tanto jieíos 
bons trens, e apurado gado qnc tem, como pelo escolhido 
pessoal que emprega. 

ESTAÇÕES 

Estação central, largo de S. Roque; estação telegrapliica, 
travessa de Sancta Justa, u.° 85; estação filial, rua di- 
reita de Alcântara, n.°s 50 a 53. 

Demarcação para o serviço ordinário das eai^oagcns 

Ponte de Algés, largo da Ajuda, largo do Calhariz c egreja 
parochial de Bemfica, largo de Camide, calçada do Car- 
riehe (Nova Cintra), Ameixoeira, largo da Chanioca, alto 
da Portella, largo dos Olivaes. 

Preços das carroageiM lUibonen«e« 



▲LUGUEB AOS D1A3 



, 8BBYIÇ0 DEKTBO DA DEMARCAÇÃO 
POB DIA 

Todo dia, desde o romper do 
sol até á meia noite 

Manhã, desde o romper do sol 
ate ao meio dia 

Tude, desde o meio dia até á 
meia noite '. . 

is HOBAS, 

niSDE o BOMFEB DO SOL 

ATÉ A HEIA NOITE 

Cada liora de serviço, antes ou 
depois das horas supra .... 

Doas primeiras horas 

Teroeua e s^^intes nào haven- 
do interrupção 

Meias horas depois das duas. . 



4 pessoas 



PBEÇOS 



Trem Trem 



2 pessoas 9 pessoas 



311600 
111800 
2^600 



^400 
1^100 

^400 
5â2íX) 



3í^000 
111500 
211200 






Char-u- 
bancs 



6;Í1000 
3;^000 

4)^000 






Í200} -á- 



86 



lilS 



ALUGUER AOS DIAS 


PREÇOS 


SERVIÇO DENTRO DA DEMARCAÇÃO 


Trem 


Trem 


Char-à- 
bancs 


POR DIA 


4 pessoas 


2 pessoas 


9 pessoas 


SERVIÇO FORA DA DEMARCAÇÃO 








Além dos preços acima estipula- 








dos paga-se mais por cada lé- 








gua fóra da demarcação .... 


ií;400 


,^300 


s^GOO 


por cada meia légua mais . . 


5^300 


5^200 


^300 


SERVIÇO ESPECIAL 








. dia todo, levar e trazer 








desde o romper do sol 








Cintra até á meia noite, . . 


6^600 


5^200 


10#200 


manhã, levar ou buscar 


4^000 


3^300 


6;^20Ô 


( tarde, levar ou buscar 


4i^800 


4^000 


7j^200 


Mafra, Cintra e Lisboa— três 








dias, levar e trazer 


1611800 


13^^000 


27s^000 


dia todo, levar e tra- 
CoUares zer , 








8^600 


(j$(m 


13i^000 


levar ou buscar . . . 


6^200 


5:^000 


9í^000 


/ dia todo, levar e tra- 








V zer, desde o rom- 








Caneças J per do sol até á 








1 meia noite 


5i^200 


4^200 


8^400 


' ir levar ou buscar . 


3IÍ800 


3í^200 


5^800 


Theatro — levar e buscar .... 


1|!500 


1^200 


-jíJ- 


Baile — levar e buscar 


3,^000 


2)^400 


-JU 


Cada mez 


78^000 


70^000 


-í- 







OUTROS DIVERSOS TRENS DE ALUGUER MuitOS OUtrOS trCDS 

de aluguer ha em Lisboa, e cujos estabelecimentos se encon- 
tram espalhados em grande numero por differentes pontos 
da cidade. 

Alguns d'elles estão em circumstancias de serem tâo re- 
commendados como os da companhia em que acabamos de 
fallar, sendo o principal d^elles o do sr. Gomes Filho, na 
rua de S. Francisco, n.® ? a 4. 

JEspecialiaamoa este e não outros, por ser o único (que nós 



LIS 87 

saibamos) aue tem preços fixos e invariáveis. Estes preços, com 
pequenas alterações, são egiiaes aos da companhia; o o viajante 

rd'elles quizer ter especificado conhecimento, pôde hl man- 
buscar a tabeliã, qae promptamcnte lhes ó ministrada. 

VIAGENS EM BARCOS A VAPOR vo TEJO — Ha diias companhías. 

A dos Vapores do Tejo e Sado tem a sua estaçfto na Ter- 
wiro do Paço, e é obrigada a manter carreira» diárias: 1." 
entre Lisboa e a estação do caminho de ferro do sul (Uarreiro) 
hora e meia antes da partida dos combovos, a 120 e 160 réis; 
2.« duas carreiras de ida e duas de volta, para a ponto do 
Mexiloeiro, que fica próximo á povoação c estação do Bar- 
reiro, a 50 e 100 réis; 3." duas carreiras como as precedentes 
entre Lisboa* e o Seixal, a 50 e 100 réis; 4.° entre Lisboa o 
Cacilhas, que é a mais constante; á semana a 30 o 50 réis, 
noB dias sanctificados a 70 réis. 

A companhia Bomay tem a sua estação principal no 
Aterro, juncto á Ribeira Nova, c d'ahi sáoni constantemente 
00 seus pequenos e elegantes vapores conduzindo passageiros 
pftra Belém com escala pelo Baluarte em Alcântara, aonde 
recebem e largam passageiros: preços 40 e 60 rf!ng. 

Tem uma carreira para Cascaes em quanto dnra o verSo. 

Para as horas de partida dos vapores de qualquer das 
duas companhias, é conveniente consultar as tabeliãs do ser- 
^dço, que sâo formuladas todos os mezes e affixadas nas res- 
p^vas estações. 

■SERVIÇO DE VAPORES ENTRE LISBOA E PORTO A COmmUnl- 

eaçâo fluvial entre Lisboa e Porto faz-se pelos vapores Lusi- 
tana c Lisboa, em carreiras successivas. 

O escriptorio é na rua do Alecrim, juncto ao arco do Mar- 
quez; consignatários os srs. George A. Hancoch e C* 

Os preços das passagens sâo: no Lusitânia: 1 .^ classe 6i^000 
réis, 2.» chisfle 4^000 réis, convés 2^000 réin. 

No Lisboa: camará 6:^000, convés 2.í>00(). 

nsmço DE VAPORES A ENTRE \fADEIRA E LISBOA — A mCSma 

companhia também tem estabelecida uma carreira de nave- 
gação a vapor entro Ciítes dois pontos, e os preços sào os 
aenuntes: 

1" classe 27jíí000 réis, 2.» classe 22^000 réis, convés 5)^000 
réis. 

lÀTEOAÇÃo PARA O ALGARVE, AÇORES B ÁFRICA— NâO eitSlid» 



88 LIS 

deânití vãmente regnlarisado este Ber\-iço, por parte da com- . 
panhia que substituiu a União MercarUil, indicamos somente 
o seu eacriptoríO) que é na rua do Ferregial de cima n.^ 20, 
para alli ir pedir esclarecimentos^ quem d'elles predzar. 

PAQUETES PARA O BSAZIL E RIO DA PSATA EstC SerVÍÇO é 

feito regularmente pelos vapores das duas companhias, Soyaí 
MaU Steam Pcuiket (Ingleza) e dea Services Maritimes deê 
Messageries ImpericUes (Franceza). 

Os vapores inglezes partem de Southampton a 7 de cadn 
mez, chegam a Lisboa a 13, e seguem no mesmo dia ou xio 
immcdiato. 

Be o dia 9 cáe ao domingo, é transferida a partida de 
Southampton para o dia 10, e porisso chega o vapor a lãê' 
boa a 14. 

Os vapores francezes partem de Bordeaux a 25 de cada 
mez, chegam a Lisboa a 28, e seguem no mesmo, dia ou do 
immediato. 

Ordinariamente regressam a Lisboa e seguem para 09 sem 
pontos de partida, tomando passageiros; 

Os inglezes, nos dias 28 a 30. 

Os francezes, nos dias 14 a 16. 

Os agentes das companhias sâo os srs. Arthur Yaniseller, 
rua das Flores, 13, l.*»; e H. Dux, rua da Prata, 14, 2.» 

Nos preços das passagcus comprehende-se cama, inesi^ 
viiiho de pasto, gratificações a criados c outras despeza»; 
não se comprehendem porém vinhos finos, licores, aguas ar- 
dentes e bebidas refrigerantes, que se vendem a bordo. 

Os passageiros deverão ir ás respectivas agencias pedir 
os esclarecimentos, porque ha diversas minuciosidades que 
devem conhecer com exactidão, antes da partida. 

PASSAGENS NO REGRESSO PE LISBOA PARA SOUTHAMPTOM !.• 

clasHC 54^000 réis, 2.» 45)^000 réis, criadas 30;Í000 réis, 
criados 22.^500. 

PASSAGKNS NO REGRESSO DE LISBOA PARA BORDE AtTX 1.* ClaSSe 

54.^000 réis, 2.» 39;^tí00, 3.* 28j^800, 4.« 14jí;400. 

VAPORES DE LIVERPOOL PARA O BRAZIL E RIO DA PRATA ^Além 

dos paquetes, de serviço regular, que deixamos apontados, 
ha diversos vapores que de Liverpool seguem para o Brazil 
e Eio da Prata, tocando em Lisboa em dias incertos, mas 
que 3&0 annunciados com antecedência nos jornaes; 



LIS 



89 



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91 



SSBVIÇO DE VAPORES DO HAVBE PARA MÁLAGA E VICE- VERSA 
COM BftCALA POR LISBOA, CADIZ E GIBRALTAR — EstC SeiTÍÇO QUO 

até agora era feito pelos paquetes do Havre e Saint Na- 
zaire, tocando cm Lisboa um paquete cada dez dias, está 
agora reduzido á carreira do Havre, por ter sido suprimida 
a outra, e por isso só de vinte em vinte dias, é que os va- 
pores chegam a Lisboa, conforme indica o seguinte 

Itinerário 



Partidas 


Dias 


Chegadas 


Dias 


Do Havre. . . 


. 5 25 15 


a Lisboa . . . 


9 29 IO 


De Lisboa . . 


12 « «« 


a Cadiz .... 


13 3 93 


De Cadiz . . 


14 4 »J 


a Gibraltar . 


15 5 95 


.De Gibraltar. 


16 6 96 


a Málaga. . . 


16 6 90 


De Málaga . . 


20 IO 30 


a Gibraltar. . 


20 I0 30 


De Gibraltar. 


22 19 2 


a Cadiz .... 


22 19 2 


De Cadix . . . 


25 15 5 


a Lisboa . . . 


26 16 6 


De Lisboa . . 


29 IO 9 


ao Havre . . . 


3 93 13 



N. B. Quem olhar para o presente itinerário, sem prestar 
tóençâo, pôde confundir- se imaginando que os paquetes sáém 
dò Havre, três vezes por mez, mas nâo é assim: nos mezes 
ímpares (janeiro, março, maio, julho, setembro e novembro) 
sáe um a 15, e nos outros mezes, saem dois, um a 5 e outro 
a 25. 

Devem portanto ficar scientes que os algarismos grossos 
correspondem aos mezes impares, e os algarismos finos cor- 
respondem aos mezes pares (fevereiro, abril, junho, agosto, 
outubro e dezembro). 



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LOR 93 

VIAGEN8 DE LISBOA PABA MADBID B SEVILHA — Scrá mal 06- 

colbido, mas pareceu-nos este lugar o mais adequado para em 
eoiiclusâo do presente artigo dizermos alguma cousa aos via- 
jantes que de Lisboa quizerem ir a Madrid ou Sevilha. 

Para Madrid, seguem a linha férrea de leste até Badajoz; 
ahi passam para a de Ciudad Real; já aberta á exploração 
Bté {ferida, e 'nesta cidade entram na diligencia-correio até 
Madrid. 

E porém conveniente, antes de partir, procurar quem lhes 
macti»B tomar logar no correio em Merida (ou Badajoz), por- 
que do contrarío arriscam-se a estar alli seis e oito dias es- 
peraQdo por elle, pois que os carros só têm dois logares, os 
quaes não correspondem ao movimento dos passageiros. 

Para Sevilha segue na linha férrea até Badajoz, e d'aqui 
na diligencia, cujo serviço é mau, e as estradas péssimas. 

Tatmbem é conveniente mandar tomar bilhete adiantada- 
mente, porque amiudadas vezes alteram os dias de partida. 

Lorvão 

Pofvoaçâo a 10 kilometros de Coimbra, celebre pelo gran- 
dioso convento de freiras bernardas, que alli ha, cuja gran- 
deza forma completo contraste com a pobreza a que chega- 
ram as religiosas depois da opulência e fausto em que vi- 
veram, porisso que mereceram sempre da parto das pessoas 
reinantes as maiores distincções. 

A egreja do convento, pela sua sumptuosidade e gosto ar- 
chitectico, é digna de ser visitada por nacionaes e extrangeiros. 
'Neila estão os restos mortaes de Sancta Theresa, rainha de 
Leão, e de Sancta Sancha, filhas de elrei D. Sancho i e da 
rainha D. Dulce. 

Sancta Theresa nasceu em Coimbra em 1175, e desposou-se 
com Affonso ix, rei de Leão, seu primo co-irmâo. A cerimo- 
nia nupcial teve lugar em Bragança, partindo a rainha d'esta 
cidade para o reino de Leào, onde foi recebida com as maio- 
res demonstrações de jubilo e alegria poios leonezes, não só 
pelas raras e distinctas virtudes, que a nobilitavam, mas por 
ser ella o meio de paz entre os dois reinos. 

Este consorcio, porém, foi annulado por um breve apos- 
tólico de Innocencio iii, chegando a estar por esta causa in- 
terdictos os reinos de Portugal e de Leão. 

A separação dos esposados chegou a effectuar-se, não sem 
grande pezar de Affonso ix, que não pôde resistir ás influen- 
cias clericaes. 



96 MAN 

Entre estas novas construcçòes, que todas sâo de gosto e 
elegância, avulta a bella casa do sr. conde da Graciosa, que 
é um verdadeiro palácio. 

A estes melhoramentos seguiram-se muitos outros, devendo 
ter especial menção o facto de haver alli duas hospedarias, 
quando anteriormente ninguém podia alli ir sem contar com 
algum banhista que lhe desse camp, e meza, e estes preci- 
savam fazer constantemente transportar para lá os comesti- 
veis de que precisavam. 

Das duas hospedarias a melhor 6 a do SeiTa, o qual por 
600 réis diários dá almoço de garfo, jantar com diversos pratos 
de meio e sobremezas, chá á noite, e quarto decentemente mo- 
bilado. 

Atres^emo-nos a certificar que se passa alli melhor do que 
em qualquer das hospedarias de Cintra, em que se pague 
1 5^200 réis como succede no SancfAnna, e Ij^OOO r^s como 
exige o Braz. 

E porém muito de suppor que a hospedaTia do Serra seja 
dentro em pouco supplantada po^ outra qualquer, que de 
novo se estabeleça alli, o que infallivelmente terá de succeder: 
tal é a concorrência de viajantes que a linha férrea, tem já at- 
trahido alli. 

Luzo communica com a via férrea por meio de diligencias, 
cujo serviço vae descripto quando tractámos da Mealhada. 

Vide Bussaco e Mealhada. 

Mafra 

Villa 32 kilometros distante de Lisboa e 17 de Cintra, 
aonde na 3.* dominga de julho e a 30 de novembro ha feiras, 
das^quaes a primeira dura três dias. 

E alli que está o celebre convento de Mafra com as suas 
5:200 portas e janellas, e 886 salas e quartos! 

Para se poder calcular o dinheiro que alli foi desperdiçado, 
basta saber-se que por muitos annos o menor numero de 
pessoas, que estiveram empregadas na sua construcçào, foram 
14:000, cuja feria importava em 15:000(^000 réis por semana, 
e que desde junho a outubro de 1730, o numero de pessoas 
chegou a 45Í000!! 

Nenhum viajante deixe de ir a Mafra, se fôr a Cintra: e 
como na passagem encontra a povoação de Pêro Pinheiro, 
deve ver as magnificas pedreiras de riquissimos mármores 
gue alli ha. 



MAR V i 

Marinha Grande (Fabrica da) 

Importantes estabelecimentos de fabrico de vidros e rezi- 
na^em, a 10 kilometros de Leiria e 8 da Praia, a primeira si- 
tuada em extensa planicie próxima ao grande pinhal mandado 
plantar por D. Diniz; como dissemos quando falíamos acerca 
de Leiria, data de 1769, epocha em que Guilherme Stephens, 
súbdito britaimico a fundou, protegido pelo grande marquez 
de Pombal. 

Nâo se sabe nem podem calcular as despezas feitas com 
este estabeleciriíento, e apenas ha conhecimento de que além 
de um empréstimo de 32.-O00i^000 feito pelo governo ao fun- 
dador, sem juix)s, foram concedidos muitos privilégios ao es- 
tabelecimento, sendo um d'elles tirar gratuitamente do pi- 
nhal a lenlia precisa para a manipulação. 

Fallecendo o fundador, c ficando herdeiro d'clle seu irmão 
João Diogo Stcphcns, este a doou ao estado, a cujo poder 
passou em 1826. 

As construcçòes ])crtencentes á fabrica e o terreno que 
constitue a quinta, oceupam um trapézio de 18 hectares apro- 
ximadamente, todo murado, tendo de leste, bòS^,lô, do sul, 
453'" ,0; de Oeste, 62r)",õ; e do Norte, 301'",55. 

Além d'este tem grandes porções de terreno, fora dos muros 
indicados. Duas terças partes d'aquelle trapézio estão occu- 
pados com o iialacio, casa nobre de habitação de bonita ap- 

C^ncia, jardins, theatro, dois grandes tanques, para os quaes 
como i)ara a laboração fabril e para as regas da quinta, 
é conduzida a agua por um aqueducto, que principia junto ao 
lugar da Amieirinha; dois kilometros distante da fabrica. 

As officinas de vidraça e de crystal estão separadas, c 
ambas sâo de bcUa apparencia: aquella tem 43 metros de 
extensão, sobro 16 de largo e 13 de altura: e as paredes têm 
de espessura 1",38: esta tem 40 metros de extensão sobre 31 
de largo e 13 de alto. 

Na officijiia de vidraça existem os fomos para a sua fabri- 
cação e para a têmpera dos cadinhos; na do crystal ha três 
fomos para o seu fabrico, dois mais pequenos, a que chamam 
arcas, para cozer os cadinhos, e três outros para temperar o 
vidro manufacturado. 

Aiém d'isso ha a officina de lapidação^ bonito edifício ao 
re» de chausée, que tem 25'»,35, 8°,35, com 3"»,50 de altura; 
é todo invidraçado, e tem montados 14 ingenhos de lapidar, 
que sao postos em movimento por uma machuina a vapor da 
força de 6 cavallos. 



98 MAR 

Esta inachiua nao faz parte do estabelecimento, porque 
é propriedade do idtimo arrendatário, que teve a fabrica por 
sua conta. 

Além do que deixamos mencionado, muitas outras cousas 
ha alli, mas que não descrevemos por falta do espaço, con- 
tentando-nos com dizer que existem todas os utensílios pre- 
cisos para a fabricação de todo o género de vidraça, crystal 
lapidado, moldado, lizo, etc, e que pode fornecer nâo só o 
necessário para consumo do paiz, como exportar para o es- 
trangeiro. 

A fabrica de rezinagem nâo é menos importante pelos re- 
sultados que d'ella podem provir, e deve-se a sua montagem 
em grande parte á iniciativa do sr. Bernardino José Gomes, 
zeloso e mtelligente empregado das mattas da Marinha 
Grande. 

As tentativas e as experiências, a que o sr. Gomes proce- 
deu, tendo apresentado um satisfactorio resultado, resolveram 
o governo a mandal-o a França examinar as principaes fa- 
bricas 'neste género, e comparar os productos d'alli com os 
da Marinha Grande. 

Estes productos, tendo sido examinados por Mr. Dives, 
distincto chimicp em Mont de Marsan, ficou elle tão surpre- 
hendido ao ver a riqueza da gemma e a perfeição com que 
d'ella eram obtidos os seus productos, que nâo só confessou 
serem superiores aos de França, mas até declarou que jamais 
vira gemma tão rica em óleo, e que apresentada ella no mer- 
cado competiria vantajosamente com todos os productos eu- 
ropeus d'aquelle género, porque os de Veneza e Chio nâo eram 
mais bellos. Mr. Chartes Detroyat (de Bayonna), arrenda- 
tário das mattas do estado, denominadas Dunas do Sul, fal- 
lando d'estes productos, diz: É penoso confessal-o, mas não 
podemos competir com os productos de Portugal, porque são 
o melhor que se pode encontrar ^nes'e género. 

Estes e outros pareceres, de idêntica natureza, fizeram re- 
solver a montagem da fabrica, que principiou a edificar^se 
em 1859 sob a direcção do sr. Gomes, e tem tido progresÊdvo 
desinvolvimento, pois que já alli ha dois magníficos edifieios 
de elegante architectura, um dos quaes está juncto á linha 
férrea americana (tramway) que conduz ao porto de S. Mar- 
tinho, e tem 40 metros de extensão e 17 de largo; contem 12 
tanques de capacidade de 8:400 litros cada um, e nos quaes 
se lança a gemma conforme é extrahida dos pinheiros, e ha 
de conter outros 12, que se estão construindo, de egual di- 
mensão. 



MEA 99 

O outro edifício é aonde está montado o apparelho distilla- 
torio; e vae ser construído juncto d'elle outra linha americana 
para conduzir a gemma dos tanques. 

Na frente d'este edifício ha um magnifíco poço artesiano 
qne fornece abundante e copiosa agua para a fabricação. 
. Continuam a construir-se outros diversos edifícios, tanto 
para a fabrica como para outros objectos. 

O* productos que alli se fabricam, extrahidos da gemnHi^ 
sfio terbenttna o seu óleo, tirado por decantação da gemma, 
essência da mesma, pez louro e reziua amarella. 

Estes productos não só foram premiados na exposição in- 
dustrial do Porto em 1860 e 1861, mas até na exposição Uni- 
Tersal de Londres, em 1862, como os primeiros de seu género. 

Sentimos de todo o coração não termos espaço para tran- 
screver na sua integra os dois excellentes artigos que nos fo- 
ram ministrados com referencia a estas duas fabricas, e ver- 
mo-nos obrigados a extrahir apenas o essencial, facto por que 
pedimos desculpa ao seu auctor, e damos os sentimentos 
a nossos leitores. 

Marvão 

Villa e praça forte, situada sobre a escarpada noontanha 
do seu nome, a que os antigos chamavam HerminiiLS minor, 
e na qual ha minas de ouro, prata e chumbo. 

Para o viajante lá se dirigir deve deixar o caminho de 
ferro na estação de Portalegre, da qual está distante 28 ki- 
iometros, e 16 da povoação do mesmo nome. 

Mattozinhos 

(Vide Leça da Palmeira.) 

Mealhada 

Principal povoação da Bairrada, paiz cortado pelo rio Sw- 
tema, e que produz vinho de óptima qualidade, bem pouco 
inferior ao do Douro. 

Podemos certifícal-o afoutamente, não só porque muitas 
vezes o temos saboreado, mas até por que milhares de pipas 
d'alli têm sido consumidas no Porto como vindas do Douro, 
graças ás guias que com mão larga são distribuídas no Dou- 
ro, aonde se vendem com toda a franqueza. 

Este facto é em nossa opinião um dos mais poderosos ar- 
gumentos a favor da liberdade do commercio dos vinhos. 



100 MIE 

A Mealhada tem ha poucoB annos prosperado baatante, e, 
apesar de lhe faltarem os princijpaes elementos de vidai, hã 
de ser obrigada a prosperar mais, visto que é alli o ponto 
cie partida para Luzo, Buasaco e Vizeu; e que também o será 
de Gommmiicaçâo para a Figueira, construída que seja a 
estrada para allL 

Quem ha ahi que, tendo frequentado a universidade de 
Coim^a, se não recorde que na Mealhada havia uma erta- 
lagem tão immunda como indecente^ e que os jumentos eram 
quasí tantos como os homens? 

Eois hoje tudo está alli transformado, porque em legar 
da nojenta locanda ha presentemente um decente e eonfeir- 
tavel hotel, e os char-à-bancs são tantos agora, como entSo 
eram os burritos. 

Três diligencias têm estabelecidas carreiras regulares paia 
Vizeu, e sào a do José Paulo, a do Figo, e a do Tarrmca^ 
Nâo affiançando nenhuma d'ellas, com quanto a do prim^ro 
seja a melhor, recommendamos comtudo mais cautela oom 
a do ultimo, porque é a com que tem acontecido mais BÍ- 
nistros. . 

Os preços das passagens são Sj^OOO réis até Vizeu, e nos 
intermédios em proporção. 

Além das diligencias e char-à-bancs, que ha na Mealhada, 
vêm alli todos os dias no tempo dos banhos dois chor-à^bancê 
de Luzo, que se apresentam regularmente á hora da che* 
gada e partida dos comboyos, para conduzirem por 200 iséÍB 
quem quer ir para Luzo ou voltar para a Mealhada. 

Miranda (do Douro) 

Lançada no extremo nordeste de Portugal, condemnada 
ha muito a um injusto esquecimento, a cidade de Miranda 
offerece um vivo exemplo do que podem as vicissitudes da 
fortuna. Cidade outr'ora única em Trás-os -Montes, e capital , 
d'esta província, sede do seu único bispado e residência de 
todas as auctoridades superiores que a regiam, viu-se esta 
povoação do auge do seu esplendor descer gradualmente até 
se achar hoje simples cabeça de comarca, honra que até lhe 
queriam roubar. 

Miranda offerecia 'naquelles bellos tempos aos olhos do 
viandante muitos e grandiosos edifícios, da maior parte dos 
quaes hoje apenas existem as iniinas a attestar-uos o nada 
das glorias mundanas! 

A 8 de maio de 1762, sendo esta cidade assaltada por 



IHB 101 

90:000 hespanhoes, commaodados pelo general Sarria, foi- 
Ifae o castello pelos ares, em consequência da explosão do 
paiol da pólvora, perecendo 400 pessoas, facto que se attri- 
bniu a traição do governador do castello, por ter sido com- 
prado pelos inimigos, visto não poderem domar os cei*cados, 
que ha muito lhe resistiam. 

As roinae do castello ainda attestam aqnella catastrophc. 

Do magnifico paço do hiepo apenas restam as paredes, 
HM» tão solidas como no momento em que sahiram das mãos 
de seus constructores. 

A sua cathedral, obra de D. João iii, assentada em sitio 
sebranceiro ao Douro, que corre encaixado, a grande pro- 
Aindidade, em um leito de rochas, é digna de se collocar ao 
pé de qualquer das de Lisboa, Coimbra ou Porto. 

A decadência de Miranda principiou com a fatal explosão 
d« castello, cuja narração, feita pelos velhos que a omnram 
a^seos pães, faz horrorizar. 

Após a niina do castello os hespanhoes fizeram destruir a 
maior parte das muralhas, o que fez decidir da sorte de Mi- 
randa, porque, tendo sido praça de guerra fortissima, aca- 
bsva de perder a sua importância como tal, e com ella o seu 
lirazão. 

Seguiu-se a isso a transferencia do cabido para Bragança, 
ordenada pelo bispo D. fr. Aleixo, que tendo, por seus há- 
bitos dissolutos, attrahido contra si a indisposição geral dos 
mirandcnses, vingou-se d'elleã por osta foi-ma. 
i A cathedral ficou sendo egroja parochial desde 1764. 

Mirandella 

Foi uma das villas mais notáveis e fortificadas da provin- 
da de Trás-os-Montes. 

Está situada nas margens do rio Tua, ims 30 kilometros 
ao norte da torre de Moncor\'o. 

Vista do poente tem alguma apparencia com a cidade de 
Gobnbra, para o que concorre a sumptuosa ponte que do- 
mina o Tua, que é toda de cantaria, c tem àion&vtoy^ arcos. 

O rio é muito caudaloso, por vir engrossado com outros 
dois emais duas ribeiras, que se lhe junctam acima da villa. 
Um d*elles é o Tuella, que nasce na Galliza, entra em Por- 
tugal pelo logar de Moimenta, e correndo pelosconcelhos de 
Vinhaes c Ton-e de D. Chama, vae desaguar no Douro i>ela 
foz do Tua, tendo 2>ercorrido 90 kilometros. O outro é o río 



102 Moa 

Mente, qae também nasce na G«lliza, e desagua no Toa, 
tendo percorrido o mesmo numero de kilometros. As dua8 
ribeiras sào a de Lobos e a da Mercê, que vêm engrossar o 
Tua, cursando a primeira 15 kilometros e a segunda 25. 

Tào caudal torrente fez indispensável esta grandiosa p<m- 
te, uma*das mais notáveis que ha no reino. 

O território de Mirandella é mui fértil: produz muito azei- 
te, trigo e fructas. Tem bom gado, bastaute caça, grande 
abundância de peixe dos rios que lhe estào vizinhos; e iio 
termo ainda se faz muita creação de bicho da seda. 

*Noutro tempo eram famosos os cavallos alli criados e 
adestrados, para o que concorriam os bons pastos e as ex- 
cellantes cevadaes dos campos de Mirandella. 

Nunca teve porém grande povoação, porque o clima não 
é dos mais sadios. 

El-rei D. Affonso iii foi quem elevou Mirandella á cathe- 
goria do villa, dando-lhe foral em 1288. Tem um castello, 
que ainda hoje se chama dos Tavorasy pOrque os marqueze» 
doeste titulo eram os donatários da villa: é murada ao uso 
antigo com três portas; mas o muro está em ruinas. 

Ha em Mirandella negrilhos ou lagomeiros (alamos pre- 
tos) de. extraordinária altura e grossura; c a sua folha serve 
para sustentar bois, porcos, etc. 

Mogofores 

Povoação situada sobre o rio Sertema, e que dá o nom^ á 
estação que alli ha, mas que nada tem de importante. 

As immediaçoes porém sâo muito pittorescas do lado do 
nascente, porque reúnem uma porção de pequenas povoações, 
que circumdam a Várzea de Arcos, productivo torrão, que 
abastece era grande parte o mercado que todos os domingos 
se faz em Anadia. 

Sobranceiro a esta povoação está o monte do Crasto, po- 
sição d'onde se descortina um magnifico panorama. 

Alli juncto está o solar da G-raciosa, cuja familia é o typo 
da verdadeira fidalguia portugueza; como já não ha Imsintis 
para annunciar a chegada dos forasteiros aos castellos, basta 
qualquer apresentar-se alli e pedir agasalho para ser bem 
vindo. 

Ha na Graciosa um riquíssimo museu, digno de ser visto 
pelos amadores: favor que o seu proprietário facilita com a 
melhor vontade. 






MON 103 

Moita 

Povoação situada á esquerda do Tejo, e que dá o nome a 
mna das estações do caminho de ferro de sul. 

Ha outra Moita próximo á estação de Mogofores na linha 
do norte, aonde se faz regularmente uma feira a 21 de cada 
mez, que não só é abundante de muitos géneros e bom gadO; 
mas que, no tempo próprio, é mercado abundante de magni- 
ficas lãs. 

Monção 

Yilla situada em terreno elevado^ com castello edificado 
por el-rei D. Diniz^ e cinto de muralhas, obra de el-rei 
D. Joào II. 

Monçào é celebre na historia portugueza por dois cercos 
que sustentou corajosamente contra as forças castelhanas, 
um na segunda metade do século xiv, andando travados em 
guerra os reis D. Fernando i de Portugal e D. Henrique ii 
de Casteila; o outro por occasiâo da lucta da independência 
de 1640. No primeiro immortalizou-se Deosadeu Martins, es- 
posa do capitào-mór de Monçào, Vasco Gomes de Abreu, 
conseguindo por industria, depois de haver dado muitas pro- 
vas de valor e devoção civica, fazer levantar o cerco no mo- 
mento em que a fome ia abrir as portas ao inimigo. No se- 
gundo adquiriu merecida gloria a guarnição diminutíssima, 
que defendeu valentemente a praça contra forças muito su- 
periores, durante quatro mezes e meio de cerco e de rijos 
combates, fazendo a final uma capitulação honrosa, quando 
a fome já lhe enfraquecia os braços. 

Próximo de Monçào, juncto ao rio Minho, encontram-se as 
relíquias do castello de Lapello, fundação de D. Affonso Hen- 
riques, e cheio de recordações. d'aquelles tempos cavallei- 
rosos. 

Dirigindo-se os passos ao longo do rio fica- se encantado 
com a formosura das suas margens, e voltando-se 'noutra di- 
recção vae-se admirar a notável gruta de Agrello. 

A 3 kilometros de Monçào, e outros tantos do rio, ergue-se 
o magnifico palácio da Brejoeira, solar de um morgado ins- 
tituído em 1500, e cuja edificação principiou em 1806 e ter- 
nánou em 1834. 

Para se fazer idêa da grandeza d'este edificio, da sua 
aprazível quinta, bellos jardins, compridas ruas de bosques, 
e excellentes ofiicinas, basta dizer-se qne as despesas da 
construcçào orçaram por 4Í)0 contos, e isto em epocha em 



104 MO» 

que os salários eram a terça parte do que são actual- 
mente. 

Moncorvo 

Pátria do ConstantÍDO Marques, a quem om Paris deram 
o titulo de rei dos floristas, titulo que lhe foi confirmado por 
todo o mundo elegante. 

A villa de Moncorvo, 8 kilometros distante da direita do 
Douro e 144 de Braga, foi fundada em 121 G por D. Sancho n 
juncto do Roboredo, que grande parte do dia lhe veda o boI. 
Tem grande cgi-eja de naves, bom chafariz, algum commer- 
oio e bastantes cordoeiros. Ko tempo do marquez de PomBal 
houve alli grande cordoaria para embarcações, na qual Be 
cmioregava o cânhamo da Yillariça (70 a 60 mil kilogram- 
mas), de cujo valle, cognominado o celleiro de Moncorvo, 
dista 5 kilometros. 

Mondego (rio) 

Nasce nas vizinhanças da Guarda, seiTa da Estrella; ba- 
nha Coimbra, cujos ferieis e extensos campos inmida nas 
cheias; o depois do receber, á direita o Dào e Frio, e á es- 
querda o Alva, Ceira e Anços, forma o porto da Figueira, 
aonde se faz muito sal, especialmente na ilhota il/orr«<j«ro. 

Percorre 30 léguas, 13 das quaes, do Dào pai*a baixo^ sfto 
navegáveis. 

Montalegre 

Villa que teve uma bom construída fortificação, de cnjo 
castcllo ainda hoje existem as ruinas. 

O concelho de Montalegre 6 mais conhecido por Terras de 
Barrozo; principia ao meio da serra do Pendo até á da Mi- 
sarella, e ó atravessado j^elas altas montanhas de S. Domin- 
gos de Morgade e pelas das Alturas, que em escalões v&o 
descendo até Ruivàes e faldas da notável serrimia do Gerez. 

No alto do Barroso é o frio tão violento o o invpJTio tfto 
continuado, que as geadas começam no principio do outubro 
augmentando gradualmente, c so diminuem em maio: os re- 
gatos gelam nos três mezes do inverno, e 'neste tempo as 
noves chegam a embaraçar o transito dos habitantes, que 
l>or muitos dias são impedidos de ver terra: o frio chega al- 
gumas vezes a 3 graus abaixo de zero. 

Apesar d'is80 os seus habitantes sâo robustos, sadios, o 
vivem longos annos. 

As Ten'as de Barrozo podiam ter um considerável ramo de 



MON lOÕ 

oommercio, como ha na Hollanda, Irlanda e Holstein, se os 
seas moradores Boubesscm manipular o queijo c a manteiga 
como 'naquelles paizca, para serem levados a paizos lon- 
gínquos. 

O principal rendimento dos povos das l^erras de BaiTOzo 
é a criação de gado, sobretudo o vaccum, cavallar e muar. 

O vaccum, a que chamam raça barrozâ, é incontestavel- 
mente o melhor de todo o reino, senão também o de Hes- 
panba. 

Deve advertir-se que as Terras de Barrozo comprehen- 
dem também o concelho de Boticas. 

£ curiosissima a descripçâo que ir. Luiz do Sousa iBaz da 
visita pastoral .que o sancto arcebispo D. fr. Bartholomeu dos 
Martyres fez em 1Õ64 ás Teirras de Barrozo, descripçâo que 
todos os demais bispos de^nam ler amiudadas vezes, para 
aprenderem como deve ser o zelo pastoral do clero. 

Emquanto que vamos á Suissa contemplar serras, neves e 
precipícios, ignoramos o que por cá temos digno de admira- 
ção: 'neste caso estào as serras que existem ou circumdam 
as Terras de Barrozo, especialmente o Gcrez. 

Para se poder calcular o que possuímos, diremos alguma 
cousa da ponte da Misarella, que fica na estrada que vae de 
Braga a Montalegre, e está lançada sobre o Regavão, 500 
metros distante da sua confluência com o*Cávado, è aonde o 
exercito francez, commandado por Junot, soffreu alguma re- 
sistência quando cm 1810 retirava para Hespanha. 

Esta altíssima ponte deve pouco á arte e muito á na- 
tureza. 

O ruidoso estampido das aguas, precipitando-se cm repe- 
tidas catadupas, e formando debaixo d'ellas imia profunda 
caldeira; um horisonte sombrio e aportado pelas montanhas 
circumjacentes, que se elevam em escalões de bravas pene- 
dias; o Gerez, que a mui curta distancia ostenta parte da sua 
selvática magestade, dào a este sitio um ar pittorcsco, e do 
melancholica solidão, e á ponte uma celebridade tal, que ne- 
nhuma outra do reino tem, chegando o povo ingénuo a crer 
qtie a ponte fora obra do demónio, como mostra a seguinte 
lenda: 

Um malfeitor das terras d' além Douro, perseguido pela 
justiça, embrenhára-se pelas serras de Trás-os-Montcs, ató 
que um dia fora parar á beira de uma torrente caudal e pa- 
vorosa pelo fragor das aguas, que dos penedos se precipi- 
tavam. Para se livmr da forca oílereceu a alma a Satanaa 
se elle lhe fizesse transpor aquellc abysmo. 



106 MON 

O diabo acceitou o pacto, e lançou- lhe uma ponte gobre a 
torrente. Apenas porém o salteador passou, desapparecea » 
poivte. 

A hora da morte confessou isto a um sacerdote, o qual 
teve a astúcia de lograr o demónio, já que era tào bom en- 
íçenheiro. 

Disfarçou-se em salteador, foi ao mesmo sitio, e fez egual 
proposta ao diabo, que acceitou logo. Reappareceu a ponte: 
passou o padre; mas, logo que se viu do outro lado, pueboa 
de um ramo de alecrim, molhou-o na caldeirinha de agua 
benta que levava escondida, aspergiu a ponte, fazendo o si- 
gnal da cruz e os exorcismos da egreja. O diabo perdeu logo 
o seu poder, e dando um estoiro medonho, fugiu espaTondo, 
, deixando o ar toldado de fumo negro e ascoroso. 

A ponte ficou alli desde então. 

Esta lenda, a do castello de Almourol, e muitas outras de 
egual género, que se relatam por todo o paiz, mostram bem 
que em quanto vamos a paizes extrangeiros admirar o que 
por lá ha, deixamos no olvido, ou ignoramos o que por cá 
temos. 

'Noutra parte a serra do Gerez seria o ponto de reuni&o 
de todos os touristas, e nenhum deixaria de ir á ponte da 
Misarella; aqui quasi ninguém sabe que ellas existem! 

Montalegre dist-a 65 kilometros de JBraga. 

(Vide Almourol.) 

Montejuncto 

Notável cordilheira nas proximidades de Leiria, composta 
das serras de Albardos, Minde e outras, aonde ha mármore 
fino, pedra calcaria e azeviche. 

Os cavallos que se criavam 'nestas serras eram tâo ligei- 
ros, que os poetas antigos disseram que as egoas alli conct^ 
hiam doa ventos. 

Moura 

Villa situada nas proximidades do Guadiana, a 55 kilo- 
metros de Évora: é murada, tem fabricas de tecidos, e grande 
commercio com a Hespanha. 

Tem feira a 4 de outubro. 

Monte-mór o Novo 

Villa do Alemtejo, próxima ao rio Oanka^ situada na es- 
trada das Vendas Novas a Estremoz. 



Mim 107 

Foi pátria de S. João de Deus, e do celebre historiador 
Mendes I^to. 
Dista das Vendas Novas 23 kilometros, e de Estremoz 87. 

Monte-mór o Velho 

• Vília antiquissima, situada á direita do Mondego, entre 
Coimbra e Figueira, e que tem algumas antiguidades, sendo 
uma d'ellas as rujnas do castello, cuja tradição rocord^ san- 
giiiiM>saâ eras, porque foi alli que Lopes Pacheco, Pedro Coe- 
lho e Álvaro Gonçalves, resolveram D. Afíbnso iv a fazer 
dar a morte a D. Ignez de Castro, e d'alli é que elle partiu 
pa^ ir fazer executar tào barbara deliberação. 

E terra de consideração, pelos depósitos de cereaes que 
alli ha, e pela feira que em todas as quartas feiras de cada 
quinze dias alli se faz, sendo a annual a 8 de setembro. 

Para ir a Monte-mór o Velho deixa-se a estacão de For- 
mozelha, da qual está distante 8 kilometros, e vac-se em 
bateira, a cavallo, ou mesmo a pó, o que é ma excellente pas- 
seio. 

Mortagoa 

Povoação a 20 kilometros da Mealhada, que nada tem de 
importante além da prodigiosa producçâo de seu solo, que 
na maior parte suppre os povos da Bairrada das priucipaes 
cousas necessárias á vida. 

Foi alli que falleceu o celebre medico João Jopes de Mo- 
raes. 

Moz e Murça 
(Vide Sam-Ceriz,) 

Murtoza 

Situada em ten-eno arenoso, e cujos habitantes são todos 
pescadores. Dista do Porto 40 kilometros, de Aveiro 10, e de 
Estíffreja 7. 

Em PardelhaSj uma das aldêas de que se compõe a Mur- 
toza, ha diariamente uma abundantíssima feira de peixe, 
que d'alli é transportado para o Porto, Vizeu, ete. 

A Torreira, em cuja costa 6 apanhado este peixe, e que 
lhe fica próxima, mas separada por uma língua de agua bas- 
tante caudalosa, e ás vezes arriscada na sua passagem, em- 
pi^ga nove companhas na pesca da sardinha, e muitas vezes 
rendem contos de réis cada vedada que tiram. 

O principal recreio, que têm os que vao tomar banhos ijata 



108 OLi 

a Torreira, é assistir diariamente a todos os pormenores 
para a pesca. 

As casas em que os banliistas habitam sâo feitas de ma- 
deira, e quasi todas com um andar e uma varanda. 

A estas habitações chamam palheiros. 

As arcas a pouco e pouco vào procurando submergir al- 
guns d'estes palheiros; mas seus donos, quando lhes parece, 
mudam-lhe o poiso, transportando-os, inteiros^ para outro 
local! 

A agua que alH se bebe é tirada de uns poços, qnae ha no 
fireal, e com ella se faz chá tão delicioso, como amda nâo 
tomámos em outra parte. 

Foi alli que o sr. José Luciano de Castro encetou a sua 
carreira jornalística, publicando os celebres Boletins da Tor- 
reira. 

Oliveira de Azeméis 

Villa bastante importante, tanto pelos seus edifícios, como 
pelo commereio que tem. 

Uma das camarás transactas, haverá doze annos, enri- 
queceu-a com um magm*iico edifício aonde são accommodadas 
todas as repartições judiciaes e administrativas, e para tâo 
importante despesa apenas foi lançado um tributo sobre o 
vinlio de consumo. 

Isto prova que a boa administração foi muita, e o consumo 
do vinho não foi pouco. 

Oliveira de Azeméis 6 pátria do sr. José da Costa Pinto 
Basto, um dos homens mais honrados que temos visto seguir 
a tortuosa vereda da politica. 

Dista do Porto 36 kilometros, e de Ovar 6. 

Na estação d'esta villa deve sahir quem para lá quizer ir; 
mas não ha meios de transporte senão a cavallo. 

Oliveira do Bairro 

Povoação entre Coimbra e Aveiro, a 21 kilometros d'esta 
cidade e 35 d'aquella. Nào tem mais importância do que a 
de ser cabeça de concelho. 

Oliveirinha 

Povoação 10 kilometros distante de Aveiro, crrjo imítso 
merecimento é a feira de gado, que alli tem logar a 21 de 
cada moz. 



l 



PEN 109 

Nâo ha feira no paiz aonde appareçam potros c cavallos 
novos, tâo lindos como alli; mas todos sentem muito a mu- 
dança para casa do comprador. • 

A razão é porque os criadores d'aquellcs sitios sâo tâo 
apurados no tractamento dos potros ou cavallos, c dào-llios 
tantos mimos a comer, que, passando para o jwder d'outros, 
estranham infallivelmentc. 

Além d'isso costuma ter maus cascos o gado que alli se 
vende, por ser criado nos campos de An^eja. 

O Br. Josó Luciano de Castro c natural da Oliveirinha. 

Ourem (Villa Nova de) 

Situada sobre uma montanha, com muros e castello, obra 
de D. Affonso i. 

Dista 105 kilomctros de Lisboa, 18 de Thomar e 20 de 
Leiria. 
f Ovar 

Situada na margem septemtríonal da ria de Aveiro c foz 
de Tuna ribeira, está quasi toda rodeada de pinhaes, que sus- 
tentam as áreas, os quaes sem este embaraço já teriam sub- 
mergido a povoação. 

A população, que é immensa, vive da pesca e do com- 
mercio. 

Dista 34 kilomctros do Porto e 28 de Aveiro. 

Juncto á estação ha uma hospedaria, c na villa ha outra. 

Palmella 

Povoação que dá o nome a uma estação próxima a Setú- 
bal, situada sobre um monte, d'onde se gosa o magnifico pa- 
norama, que Lisboa apresenta. 

Dista d'esta cidade 28 kilomctros, e 5 de Setúbal. 

Pedrógão Grande 

Perto «de Figueiró dos Vinhos, 40 kilomctros distante de 
Coimbra, e aonde houve uma notável fabrica de ferro, e um 
convento dominico, no qual o sábio fr. Luiz de Granada es- 
creveu as suas obras. 

Penafiel 

Pequena cidade, edificada no declive do uma montanha, a 
36 kilometros do Porto. 



112 PON 

prados que vecejam pereniiemente. Na parte mais alta er- 
gue-se a cgreja matriz, domiuando com a sua torre pon- 
teaguda toda a povoação; e na mais baixa espelham-se as 
casas na lisa supcrficie do rio, onde também se retrata a 
magestosa ponte, que dá communicaçào da villa para a mar- 
gem opposta. Esta guamece-se de arvores que brincam com 
a corrente fugitiva. £ nas costas da villa avultam ao longe 
elevadas montanhas fazendo caixilho a todo este gradow 
painel. 

A 3 kilometros para o interior fica a villa dos Arcos de 
Vai de Vez; e a 16, descendo pelo rio, está Ponte do lima, 
edificada como a Ponte da Barca, na margem esquerda; -e 
d'abi para baixo, a outra tanta distancia, senta-se na mar- 
gem direita, juncto á foz do Lima, a cidade de Vianna do 
Castello. 

Até 1350 nào houve alli habitação alguma; 'nesta epocha 
estabeleceu alli uma familia uma pobre casa de venda; se- 
guiram-se a esta algumas outras edificações, de forma qne 
no fim do século já havia o núcleo de uma aldêa. 

Uma d'estas familias era a de Maria Lopes da Costa e 
seu marido Gonçalo AÔbnso de Aboim, ambos de illustre li- 
nhagem: esta senhora é que pôde dizeir-se ser quem povooa 
a villa, porque viveu 110 annos, foi casada duas vezes, e teve 
dos dois matrimónios 120 descendentes, entre filhos, netos 
e bisnetos, 80 dos quaes viveram alli em convivência diária 
com a sua fecundíssima progenitora. 

Indo el rei D. Manuel a Galliza, pernoitou alli, quiz ver 
reunida a familia, fez mercês a todos, e concedeu foral á 
terra com vários privilégios. 

Assim se formou a povoação. 

Ponte de Lima 

Villa distante 22 kilometros de Vianna e 27 de Braga. 

De origem mui remota, sofireu muitas invasões dos sarra- 
cenos, que a deixaram em mísero estado. 

D. Thoreja e seu filho D. Afíbnso Henriques fizeram re- 
povoal-a cm 1125, dando-lhe foral com muitos privilégios, 
que foi confirmado por D. Afíbnso ii, e posteriormente por 
D. Manuel. 

Apesar d'isso viu-se depois em tal decadência, que ape- 
nas era uni montão de choças quando D. Pedro i a reedifi- 
cou em 1360, fazendo construir a sua ponte do 24 arcos en- 
tre duas toiTCs para sua defeza, e guarnecendo a villa com 
grossas muralhas, em que mandou abrir cinco portas. 



pa». 113 

Sítoada em posição muito aprazível; é abundante de ce- 
reaesy e mimosa de muitos fructos, saudáveis e saborosos. 

Ponte do Tejo 

£aia ponte, próximo á estação da Praia, cuja estampa da- 
mOB lia capa do presente Guia, é a obra de arte mais impor- 
tinte do caminho de ferro de leste, e pode dizer-se monu- 
mental e de primeira ordem, entre as grandes obras do seu 
género em toda a Europa. E não só notável pela solidez e 
ezoellente coUocaçao, como pela elegância de formas. Atra- 
Teena o Tejo muito perto da villa de Constança, no ponto da 
confluência d'este rio com o Zêzere, e a 118 kilometros de 
lisboa, ficando-lhe quasi contigua a estação da Praia. Tem 
em cada lun dos extremos, assentados sobre as margens, dois 
grandes encontros de cantaria e tijolo, e dezeseis vãos de 
zQí^jâO de luz, apoiados sobre pilares tubulares do ferro fun- 
dido.. Cíuia pilar 6 formado de três tubos cylindricos, tendo 
2",4Í) de diâmetro a parte d'ellcs cravada no terreno, c 1™,83 
a parte de fora. Foram cravados pelo systema de ar compri - 
mído, a profundidades variáveis, entre 10 e 19 metros abaixo 
da estiagem. Metade dos tubos assenta sobre um banco de 
rocha que está debaixo das áreas do rio: outra metade foi 
cravada através de área e de um banco de grosso cascalho, 
fortemente agglomerado com saibro. 

Os tubos da primeira Ana já estavam collocados, quando 
sobrevieram as cheias do inverno de 1861, o então se obser- 
vou que eram insignificantes as escavações em torno d'clles, 
produzidas pela corrente das aguas^ o que é devido á pe- 
quena secção dos tubos relativamente a grande vasâo da 
ponte. 

A altura dos cylindros, acima das aguas da estiagem mé- 
dia, é de 16 metros e meio; e a das vigas ou tirantes de ferro 
q«©' se cruzam obliquamente é de 3 metros; sendo 18 metros 
e meio a altura total entre os carris ou nivel por onde pas- 
sam 08 comboyos e as aguas da estiagem, no verão. 

É de 494 metros, ou quasi meio kilometro, o comprimento 
total da iK>nte entre os encontros.- 

'Nesta obra, de certo a mais arrojada do nosso paiz, en- 
tram proximamente 640 toneladas, ou 640:000 kilogrammas 
de feno laminado; e 1:150 toneladas, ou 1,150:000 kilogram- 
mas de ferro fundido: ao todo perto de dois milhões de kilo- 
grammas de ferro, e 3:250 metros cúbicos de madeira. 

Em junho de 1861 começaram os trabalhos definitivos 



114 POR 

d*esta construcçao, empregando -se durante cila, e sempre 
trabalhando, três macninas de vapor da foi-ça de doze ea- 
vallos cada unia, e diííerentes apparelhos de mergulhar. Em 
19 de agosto de 1862 correu sobre a ponte a primeira loco- 
motiva. Em 26 de outubro veriíicou-se a inspecção da obra 
por parte do governo. As competentes experiências foram 
feitas com um comboyo, composto de 24 wagons, carregados 
de carris, puxado a duas locomotivas, trabalhando a dupla 
tracção. O peso total d'este comboyo era para mais de áOO 
toneladas, ou três milhões de kilogrammas. 

Foram completamente satisfac tórios os resultados das pro- 
vas a que a commissào procedeu, e até superiores aos que 
mathematièamento se poderiam esperar. 

Portalegre 

Cidade, capital do districto do mesms nome e sede episco- 
pal, edificada sobre um alto monte, cuja importância nÂo só 
em industria, mas em avultada população e luzida nobreza, 
já era reconhecida em 1533, epocha em que D. João iii a 
tomou cabeça de uma nova correição. 

Este mesmo rei creou o bispado de Portalegre desmem- 
brando do da Guarda as terras transtaganas, e annexan- 
do-lhe outras do arcebispado de Évora, para assim acudir 
aos males que havia causado o desgosto de D. Jorge de Mel- 
lo, quando, violentado por el-rei D. Manuel, teve de ceder 
a administração da abbadia de Alcobaça ao cardeal infante 
D. Afíbnso, filho do mesmo D. Manuel, e acceitar a presi- 
dência da egrcja egitanense, presidência que exerceu 30 an- 
nos, durante os quaes residiu sempre em Portalegre, sem 
jamais ir á Guarda. 

Presentemente tem Portalegre dado grande desinvolvi- 
mento á industria fabril, principalmente em pannos, que ri- 
valizam com os das fabricas inglezas. 

Dista 10 kilometros da estação do mesmo nome, na linha 
de leste, e communica com ella por meio de um char-à-bancs 
e uma traquitana, que conduzem os passageiros a 400 réis 
cada um, podendo estes levar 7 kilogrammas de bagagem. 

Cada um d 'estes vehiculos faz a sua carreira diária, sendo 
o char-àrbancs para o comboyo mixto e a traquitana para o 
comboyo do correio. 

A hospedaria de Joaquim António Rodrigues e a estala- 
gem de Francisco Balon, sáo os melhores estabelecimentos, 
que alli ha *neste generó; e os seus preços variam de ÕOO a 
800 réis diários. 



POR 115 

Esta cidade é digna de attençâo pelos seus estabelecimen- 
tOB £abrís, pela heíla e pittorcsca posição em que se acha, 
p^os muitos e bons edifícios que possue, sendo de todos o 
mais notável a sé cathedral, e pelos amenos e aprazíveis ar- 
redoreSy abundantes do quintas e fontes, que muito a asse- 
melham com a provincia do Minho, não esquecendo a vasta 
serra^ que da cidade tomou o nome, coberta e povoada na 
sua maior extensão por uma soberba e rica matta de casta- 
nheiros, cujos cortes produzem boas madeiras de construc- 
çioy que abastecem os mercados da provincia, e se exportam 
paj;^ Hespanha. 

E digna do especial menção a perspectiva do monte de 
Nossa Senhora da Penha, cm frente da cidade, cujo piná- 
culo que o coroa, formado de rocha viva, se eleva a grande 
altura, dominando o extenso e ameno valle, ornado de fer- 
tílissimos vergéis, por onde correm riachos de crystalinas 
agoas. 

Porto 

r 

£ a cidade mais activa e commercial do reino. 

Está edificada sobre três montes, e olhada de Villa Nova 
apresenta uma vista amphitheatrica a mais agradável pos- 
Bivdl. 

Este quadro é realçado com o effeito que faz no centro a 
tonre dos clérigos, que tem 70 metros de altura, até á base 
da bola« 

Ignora-se completamente a sua origem primordial. 

6abe-se porém que em 569 pertencia' aos suevos, e cha- 
mava-se Castrum Novum para se distinguir do Castrum An- 
tiquumy como então se chamava Gaia. 

Foi consecutivamente passando ao dominio dos godos e 
árabes, a quem D. Affonso i das Astúrias a tomou em 716. 

Passou então a ser alternadamente conquistada por ára- 
bes e christãos, até que no século x foi completamente arra- 
iada por aquelles, nao ficando pedra sobre pedra. 

Arrazada esteve muitos annos, até que, entrando pela foz 
do Douro uma armada de gascões, e agradando a estes a 
localidade, reedificaram a cidade, e estabeleceram-se *ndla, 
ciiuBÍndo-a de fortes muralhas. 

Em 1094 tomou posse d'ella o conde D. Henrique como 
parte do dote de D. Thereja, e desde entAo foi prosperando 
constantemente até adquirir o grau de grandeza que ora tem. 

Para se poder imaginar o que é o Porto, basta dizer-se que 
tem 43 advogados, 82 agentes commerciaes, 63 alfaiates^ 21 
6 



116 POR 

algibebes, 6 alquilerias, 4 architectos, 8 armadores, 17 ar- 
mazéns de fato feito com o maior apuro e perfeição, 6 ban- 
cos, 110 barbeiros e calíclleiros, 12 cambistas, 63 carteiros 
e depositários de caixas do correio, 7 cerieiros, 20 chapellei- 
ros, 13 collegios de educação, 14 companhias de pmncira 
ordem, 5 condeceiros, 12 confeiterias, 4 constructores de pia- 
nos e 3 de navios, 12 despachantes, 6 douradores, 25 dro- 
guistas, 5 dentistas, 29 cncadernadore*B, 7 esculptores, 38 
pbarmaceuticos, 66 facultativos, 38 fabricas, 102 funildros 
e latoeiros, 29 hospedarias, 1:300 negociantes, parte dos 
quaes possuem 116 navios, 150 ourives, 24 photographoa e 
pintores, 28 periódicos, 66 procuradores e ajudantes, 20 ser- 
ralheiros e espingardeiros, 13 relojoeiros, e um sem numero 
de individues de diversas condições, que seria fastidiosipsimo 
estar a enumerar. 

Além d'isso tem grandes e sumptuosos edifícios, como por 
exemplo, a casa da bolsa, o palácio chamado dos Carranoaty 
hoje propriedade d'el-rei; os theatros de S. João e Baqueta 
o quartel de Sancto Ovidio, que tem commodos para 2:000 
soldados; a casa da camará; a relação; a assembléa portuen- 
se; a philarmonica; a casa pia; o hospital de Sancto Antó- 
nio; o paço do bispo; a sé com o seu altar todo de prata; a 
assembléa ingleza; e muitos outros de egual natureza. 

Tem abundantes mercados, algims dos quaes, como por 
exemplo o do Anjo e o do Bolhão, são riquíssimos em todos 
os sentidos, e abastecem a cidade de quanto é necessário para 
os gozos e commodidades da vida. 

Sâo dignos de notar-se: a alfandega e seus armazéns sub- 
terrâneos; as egrejas e hospital do Carmo; o cemitério pu- 
blico chamado Prado do Bepouso; a egreja da Lapa, aonde 
está o coração de D. Pedro iv, e ò cemitério próximo e per- 
tencente á mesma egreja; o seminário episcopal, e as vistas 
que d'alli se gozam sobre o Douro, bem como dos passeios 
das Fontainhas e Virtudes; o palácio de crystal; o banco 
commcrcial, o matadouro; excellentes estabelecimentos de ins- 
trucçào, como a eschola medico-cirurgica; academia poly- 
technica; eschola industrial: academia de. bellas artes; lyceu 
nacional, e seminário episcopal. 

Além dos cemitérios de que já falíamos (Repouso e Lapa), 
tem os de Agramente, S. Francisco, Carmo, Cedofeita, Trin- 
dade, Sancto Ildefonso e fiomfím. 

Tem doze hospitaes, e são: o Real, de Sancto António, de 
Sancta Clara das velhas invalidas, dos lázaros e lazaras^ de 
entrev&àoB e entrevadas, militar, militar de D. Pedro v, dos 



POE 117 

marinlieiros inglezes, e das ordens de S. Francisco, Carmo, 
Terço e Caridade, c Trindade. 

Além do quartel de Sancto Ovidio, tem o da Torre da Mar- 
ca, próximo ao palácio real, e palácio de crystal, e diversos 
conYNitos, em que egualmente estão aquartelados os corpos 
de tropa. 

A força militar existente no Porto e os pontos em que se 
estaciona, são os seguintes: caçadores 9, no quartel (con- 
vento^ de S. Bento; infanteria 5, Torre da Marca; iufánte- 
ria 18, Sancto OsncÚo; cavallaria e infanteria da municipal, 
quartel (convento) do Carmo (o); destacamentos de sapado- 
rea, em Monchique; de artilheria, na serra do Pilar; de ca- 
yallaría, na Batalha; e companhia de veteranos, no castello 
da Foz. 

A bibliotheca publica, estabelecida no extinclto convento 
de Sancto António da Cidade, próximo ao jardim de S. La- 
zaro, também é digna de ser vista. 

Tem perto de 70:000 volumes impressos, nâo contando os 
doa conventos^ que excedem a 100:000, e 1:200 manuscriptos. 

Tem o Porto três museus: dois públicos e um particular; 
08 públicos são: Atheneu portuense e Museu portuense; este 
também era particular, e dcve-se a sua existência ao incan- 
sável trabalho c avultadas^ despezas que fez o seu primeiro 
proprietário João Allen. E hoje propriedade municipal, e 
tem perto de 500 quadros de distinctos pintores nacionaes e 
estrangeiros, taes como: Sequeira, Kubcns, Van-Dick, Sal- 
vador Bosa, Rembrant, Guido, Murillo/Corregio, etc; e de. 
Vieira Portuense tem um Christo Cruxificado, um S. João e 
um quadro histórico. 

O Atheneu, na sua coUecção de quadros, tem dignos de se- 
rem notados um S. Sebastião, uma Adoração dos Magos, o 
enterro de Christo, e uma Vénus. 

Ha alli quatro preciosidades históricas, e são: a espada 
de D. Aífonso Henriques, a escrivaninha com que o papa 
brindou a fr. Bartholomeu dos Martyres, no concilio tri- 
dentino; e o chapéu armado e óculo que D. Pedro iv usou 
durante a campanha da liberdade. 

O outro mupeu é o do sr. Augusto Luso, que tem procu- 
rado enriquecel-o com preciosas e raras curiosidades. 

Ha um jardim e sete passeios públicos, e são: jardim de 
S. Lazaro; passeios: das Fontainhas, da Aguardente, do 

(a) Á municipal de Lisboa também tem ama parto da forçts no 
quartel (coavento) do Carmo. 



118 POB 

Bomfbn, da Lapa, das Virtudes, da Victoría e de Maasa- 
rellos. 

Todos porém sâo impróprios de uma tal cidade. 

Podia o Porto possuir o melhor jardim e passeio publico 
do paiz, se fosse reunido o jardim de S. Lazaro ao passeio 
das Fontainhas, demolindo-se os edifícios que lhe ficaiti de 
permeio. 

Houve uma epocha em que estaa^demoliçoes poucg impor- 
tariam; mas hoje seriam enormes em consequência das novas 
construcções que alli têm tido logar. 

Está portanto o Porto condemnado a nâo ter um passeio 
digno d'elle. 

Cinco associações recreativas, que não duvidamos j)or em 
2)rimeiro logar do que as de Lisboa, em escala correspon- 
dente, facultam distracções e promovem commodidades aos 
habitantes do Porto, e sào: Club portuense, Assembléa por- 
tuense. Feitoria ingleza, sociedade Philarmonica e sociedade 
Terpischore. 

Os bailes que se dão nas três primeiras sao de um luxo 
e profusão espantosos. 

Possue o Porto mui variadas e notáveis habitações, tanto 
pela riqueza como pela elegância e solidez das suas cons- 
tracções; é porém pobre de palácios de nobreza, 

D'estes apenas conhecemos quatro, e são: o do conde de 
Terena, próximo ao palácio de crystal; do conde deEezende, 
no campo de Sancto Ovidio; do visconde de Veiros, ás Aguas 
férreas; e do visconde de Azevedo, a Sancto António do Pe- 
nedo. 

O primeiro foi propriedade de Pedro Pedróssem, ácêrea 
de quem o vulgo conta uma lenda, na qual alteram o nome 
do heroe, transformando-o em Pedro cem, porque, dizem el- 
les, foi tão rico, que tudo quanto tinha era em numero de 
cem, e para em tudo ser exacta a conta, até tinha cem navios. 

Ensoberbeceu-se a tal ponto com a sua riqueza, que che- 
gou um dia a proferir a blcisphemia, de que não podia ser 
pobre, ainda que Deus o quizesse. 

'Neste momento entravam os seus cem naA^os pela barra 
dentro: de repente medonho temporal se desinvolveu, e todos 
os cem navios de Pedro cem foram feitos em pedaços. 

Esta catastrophe causou tal ruina a Pedro cem, que se 
viu obrigado a esmolar, e quando pedia, proferia as seguin- 
tes palavras: Quem dá esmola a Pedro cem, que já teve e 
agora não tem. 

Do antigo edifício apenas resta uma torre com ameias, e 



POR . 119 

da qnal também o vulgo diz que Pedro cem presenceou o 
complemento da sua ruina, tremendo castigo que Deus lhe 
deu. 

. A lenda, com quanto ridicula, tem mais moralidade do 
que muitas outras, que vemos repetidas com elegância,,. 

O segundo palácio tem um pequeno mas elegante jardim, 
que quasi se pôde reputar publico, porque o seu proprietá- 
rio manda facultar a enftrada 'nelle aos domingos e dias san- 
ctos, e centenares de familias alli concorrem 'nesses dias. 

Ha porém diversos palacetes de construcçâo moderna, que 
muito aformozeam a cidade, tornando-se mais notáveis os do 
António Bernardo Ferreira, no largo da Trindade-, do conde 
do Bulhão, na rua Formosa; do visconde de Pereira Macha- 
do, na rua da Alegria; e de Joaquim Pinto Leite, no Campo 
pequeno. 

São dignos de notar-se: a memoria feita a D. Pedío v, 
pela iniciativa dos artistas; a ponte pênsil sobre o Douro; os 
estabelecimentos de ourivesaria, na rua das Floi-es; a rua do 
Almada; as fabricas, movidas a vapor, para a fiação de algo- 
dão, de pannos, e de fundição; o cemitério de S. Francisco, 
subterrâneo, e similhante ás catacumbas romanas, e o da 
liapa; e as vistas que se descortinavam da torre dos clérigos, 
e a egreja da Lapa aonde está depositado o coração de D. Pe- 
dro IT. 

O viajante que estiver no Porto a 24 de setembro deve ir 
a esta egreja assistir ás exéquias que se fazem no anniveF- 
sario da morte de D. Pedro iv com o rendimento do produ- 
cto de uma subscripção levantada com tal destino. 

O Porto tem 214 ruas, 56 travessas, 30 viellas, 10 calça- 
das, 16 becos, 18 praças e campos, e 40 chafarizes. 

A praça de Carlos Alberto, que «empre é agradável, tor- 
na-se o mais interessante possível em todas as terças feiras 
do mez de abril, dias em que se faz alli um mercado sui ge- 
neria. 

Ao viajante que estiver no Porio em qualquer d'aquelles 
dias, recommendamos que vá áquella praça assistir á feira 
dos criados e criadas, e verá o ar de festa e arraial com que 
se compram e vendem serviços por um dado tempo. 

Concluiremos, especificando os meios de locomoção que ha 
no Porto, os pontos aonde devem ser procurados, e indicando 
alguns boteis e hospedarias. 



120 POE 

SEBYIÇO DE DILIGENCIAS, MALAS-P0STA8 E BECOVAGENS DO P0K.7TO 
PABA YILLA NOVA DE FAMALICÃO, BBAGA; GUIMABAES, 
BAECELL08 E VIANNA 

Escriptorio — Entre Paredes 
Diligencias para Braga e Gruimarães 

Partem á meia noite. 

1á Carriça ás 2 horas, e muda. 
a Villa Nova ás 4 horas, e muda. 
aBraga ás 7 horas, 
a Guimarães .... ás 7 horas. 

!?*»««.««»««» í de Braga ás 5 horas da tarde. 

Kegressam j ^^ ç-ui^arâes ... ás 5 1/4 horas da tarde. 

!a Villa "Nova .... ás 7 72, e muda. 
á Carriça ás 9 3/4, e demora Vé- 
ao Porto á meia noite. 

Mda-posta para Braga 

Parte ás 6 horas da tarde. 

!á Carriça ás 7 V2 toras, e muda. 
a Villa Nova ás 9 ly^ horas, e demora 1/4. 
a Braga á meia noite. 

Regressa meia hora depois. 

!a Villa Nova .... ás 2 1/4 horas, e demora V4' 
á Carriça á.s 4 1/2 horas, e muda. 
ao Porto ás 6 1/2 l^oras. 

Màla-posta para Vianna 

Parte ás 5 horas da tarde. 

!á Carriça ás 7 horas, o muda. 
a Villa Nova ás 9 1/4 horas, e demora V4- 
a Barcellos ás 12 horas, e muda. 
a Sancta Marinha ás 2 horas, e muda. 
a Vianna ás 4 horas, da manhã. 

Regressa ás 7 horas da tarde. 

!a Sancta Marinha ás 8 3/4 horas, e muda. 
a Barcellos ás 10 1/4 horas, e demora 1/4. 
a Villa Nova á 1 hora, e muda. 
á Carriça ás 31/2 horas, e muda. 
ao Porto ás 6 1/2 horas da manhã. 



POB 



121 



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122 POE 

OBSERVAÇÕES. — Por legua avulsa de 5 kilometros 200 réis* 
na diligencia^ e 240 na mala-posta. Para os menores dé septe 
annos metade dos preços marcados. 

A todo o passageiro é permittida franca de porte a ma 
bagagem até 7 kilogrammas na diligencia e 5 na mala-pofta. 
D'ahi para cima tem de pagar o excesso segundo a taoella. 
As fracções inferiores a meio kilogramma contam-se como 
meio kilogramma. 

As encommendas de pequeno volume, quando seu peso nâo 
chegue a 2 kilogrammas^ pagarão o duplo do preço marcado 
na tabeliã para o kilogramma. O porte de objectos pouco 
pesados e de grande volume, será regulado por convenção á 
vista dos mesmos. 

A companhia responsabilisa-se pela entrega das bagageps 
d encommendas que devidamente lhe tiverem sido intregues; 
e no caso de descaminho indemnisará o dono na importân- 
cia do objecto, uma vez que este tenha sido reconhecido no 
acto da entregaj e seu valor não seja assas importante. 
Quando porém a natureza do objecto não tenha sido conhe- 
cida, e este se ache fechado em mala ou caixa, será o dono. 
pelo descaminho d' estas, indemnisado na razâp de 2|^000 
réis por cada 5 kilogrammas de peso. 

Para os objectos de grande valor, ou quando seu dono 
prefira 8egur<ã-os declarará o valor em que os reputa, e esse 
valor será o que tem de lhe ser restituído, quando se veri- 
fique extravio ou perda dos mesmos. 'Nestes casos porém, o 
dono do objecto tem de pagar, além do peso, meio por cento 
dó valor dos mesmos objectos. 

Diligencia entre o Porto e Amarante — Viação j[>ara a Begoa 

Escriptorio — Rua Formosa, 410 

Sáe do Porto para Amarante ás 6 horas da tarde, e de 
Amarante para o Porto ás 9 horas c meia da noite. 

Preços (cada passageiro do Porto) 

A Vallongo 1^500 réis. 

A Baltar í^800 i> 

A Paredes Is^OOO » 

A Penafiel lií;200 . 

As Regadas li^õOO « 

As Três Cancellas 2i^000 » 

A Amaxajite 2^250 » 



POE 123 

Preços (cada passageiro de Amarante) 

J^ Três Cancellas 3^1250 réis. 

Ab Regadas iÍK750 » 

A Penafiel 1,^050 * 

AlParedes li^250 » 

A Baltar Is^õOO » 

A Vallongo ls^Y50 » 

Ao Porto 2jíl250 « 

A cada passageiro é permittida bagagem gratuita até 10 
tílogrammas. 

Para a Regoa 

Sáe de Amarante ás 3 horas, e chega á Regoa ás 8 e meia. 

Preço .* 4áS00 réis. 

DiUgencia para a Rtgoa e Amarante 
Escriptorio' — Rua Formosa, 394 
Parte diariamente do Porto ás 5 horas da tarde, 

Preços 

Para a Rego£({ 4t^500 réis. 

Para Amarante 2j^250 » 

» 
Diligenciais para Penafiel, Lixa e Amarante 

Rua de D. Pedro, 169 

Parte nas terças, quintas e sabbados ás 4 horas da tarde. 

Preços 

Para Penafiel Ij^OOO réis. 

Para a Lixa Is^iõOO » 

Aara Amarante .* Ij^õOO » 

N. B, As horas da partida são alteradas segundo as esta- 
ções do anno. 

Diligencia para Penafiel 

Largo da Batalha, 68—70 

Parte nas terças, quintas e sabbados ás 5 horas da ma- 
nhã, e volta nas segundas, quartas e sextas. 

Preço liííOOO réis. 



124 POR 

Alqvãarias onde se alugam trens, liteiras e bestas de seUa 

Rua do Laranjal, 111; rua do Bomjardim ao Paraizo; rua 
Formosa, 397; rua de D. Pedro, 168; praça da Batalha, 68; 
praça dos Voluntários da Rainha, 61. 

Estafetas 

De Vianna do Castello, Caminha, Valença do Minho, Mon- 
ção e Tuy (em Hespanha): chegam á praça de Carlos Al- 
berto, n.«» 85 e 97, as segundas, quartas e sabbados, e par* 
tem nos mesmos dias 

De Braga: chegamá rua da Picaria, n.»* 3, 7, 15, 22 e 32, 
e á travessa 4a Fabrica, n.P 7, ás terças, quintas, sextas c 
domingos, e partem ás segundas, quartas e sextas. 

Dos Arcos de Vai de Vez e Braga: chega á praça de Car- 
los Alberto, n.« 124, ás segundas e quartas, e parte ás ter- 
ças e quintas. 

Barcos da carreira do Douro 

De verão chegam da Regoa ás segundas quintas, e de 
inverno ás segundas de tarde ou terças de manhã. 
Guindaes, n."»» 3 e 4. 

Águia d^ouro, Batalha, 32. 

Aurora do Lima, Entre Paredes. 

Boa Esperança, praça de Carlos Alberto, 116. 

Boa União, S. Lazaro, 278. 

Clarense, praça de Carlos Alberto, 84. 

Commercio, praça de Carlos Alberto, 92. 

Cysne, Sá da Bandeira, 17. 

Estanislau, Batalha, 122. 

EfitreUa, Cimo de Villa, 173. 

EstreUa do Norte, Cimo de Villa, 94. 

Europa, Batalha, 133. 

Erancfort, rua de D. Pedro, 7. 

Garibaldi, Cimo de Villa, 159. 

Inglez, Reboleira, 55. 

Leão d^ouro, praça de Carlos Alberto, 124. 

Lisbonense, Sá da Bandeira. 

Liizo Brazileira, Calvário, 72. 

lAizitania, travessa de D. Pedro, 8. 



POB IgÕ 

Nova Itália, Batalha, 88. 

Novo Lisbonense, praça dos Voluntários da Rainha. 

cAFés — Nào mencionamos nenhum d'estes estabelecimen- 
tos, porque os encontrámos (quando alli fomos ultimamente) 
indecentes, impróprios d'e3ta cidade, e alguns notavelmente 
inieriores ao que foram em outras epochas. O que se distin- 
gue entre os demais é o Portuense, na praça de D. Pedro. 

Porto de Moz 

Situada na encosta occidental da serra de Minde, a 17 ki- 
lometros de Leiria, nâo deixaremos de dar noticia d'ella, ape- 
sar de estar Õ kilometros distante da Batalha, com a qual 
nâo tem communicaçao viável. 

A fundação d'esta villa originou-se de uma fortaleza, que 
D. Affonso Henriques conquistou aos mouros em 1148, e 
eendo destruída em consequência das guerras posteriores, foi 
reediâcada em 1200 por D. Sancho i, e chama a attençâo 
dos estrangeiros que visitam a Batalha, a ponto de torce- 
rem caminho para a ir ver. 

Porto de Moz teve alcaides-móres, e foram seus senhores 
os duques de Bragança. 

Tem misericórdia e três egrejas parochiaes; varias relí- 
quias de sanctos, que estào na egreja da Senhora dos Murti- 
nhos, trazidas a Portugal em 714 por um eremita que acom- 
panhou o ultimo rei godo, D. Rodrigo, depois da derrota que 
produziu o dominio dos árabes em Hespanha. 

Em Porto de Moz fabricam-se muitos pannos de la; e al- 
guns de seus habitantes, que passam por muito espertos, 
saem no tempo próprio a ganhar sua vida crestando col- 
meias, e negociando com o producto que d'ellas tiram. 

Tem um campo no logar de Mira (a que muitos chamam 
lagoa de Minde), que é cheio de vinhas e arvoredo, e ao qual 
86 attribue uma raridade natural, que nâo nos atrevemos a 
relatar, visto que nâo temos d'ella conhecimento visual, e 
porísso os viajantes que alli forem pedirão d'ella informações. 

Os mármores de Porto de Moz têm grande reputação. 

Praia 

Pequena estação, digna de mencionar-se pelo sitio em que 
está collocada, próximo ao Tejo e juncto á grandiosa ponte 
tubular que atravessa este rio, já fortalecido e augmentado 



1?6 SAC 

com o Zêzere, o que o toma, no inverno, snmmamente cau- 
daloso 'naquelle ponto. 
(Vide passeio a Abrantes.) 

Regoa (Peso da) 

Villa situada perto do angulo inferior da confluência ám 
rios Corgo e Douro. 

Haverá 150 annos havia alli apenas a mesquinha choa- 
pana do pescador Cabana, 

A companhia dos vinhos do Alto Douro mandou construir 
armazéns 'naquelle sitio, e estabeleceu alli uma feira de vi- 
nhos de embarque, que tinha logar no mez de fevereiro. 

Esta feira tomou tal incremento, que o valor das vendaf 
verificadas 'nella antes de 1820 montava a oito e dez milliSei 
de cruzados. 

Assim enriqueceu a Eegoa: e a sua riqueza e augmei^ 
de população forçou-a a estender-se e aformozear-se até ao 
Peso. 

Da Regoa ha duas diligencias diárias para o Porto e uma 
para Villa-Real. 

O preço doesta são 800 réis, o d'aquellas 4{jS500 réis por 
passageiro. 

Rio Maior 

Situada juncto ao Rio Maior, que desagua na margem di- 
rdta do Tejo. 

É singular esta povoação em consequência das salinas que 
tem no meio das suas montanhas, e que dão óptimo sal. 

Tem feira a 15 de setembro. 

Dista 23 kilometros da estação de Sanct'Anna, e 70 de 
Lisboa. 

Sacavém 

Situada próximo da estação do mesmo nome e juncto da 
foz do rio Friellas. 

Sacavém pouca importância tem, e nenhuma teria se n&e 
fossem os armazéns que possue, a fabrica de louça á ingleza 
que alli se estabeleceu ha poucos annos, e as feiras que alli 
têm logar em domingo do Espirito Sancto, a 14 de agosto e 
a 14 de septembro, que cada uma dura três dias. 

Para estas feiras costuma haver de Lisboa camboyos es- 
peciaes com preços reduzidos. 



SAN 127 

Sadào ou Sado (rio) 

Nasce nas serras do Algarve antigo, corre ao norte ató 

perto de Alcácer do Sal, e voltando depois a oeste, vae for- 

joar a grande e salifera ria de Setúbal. No seu curso, que 

^,de 30 léguas, das quaes 14 navegáveis, recebe mais doze 

'lOs menores. 



, ^ Tilla extensa, situada próximo ao Cabo de S. Vicente, 70 
^ilometros distante de Faro e 22õ de Lisboa. 
.^..^^ Poi fundada pelo celebre infante D. Henrique, filho de 
-■-^ . João I, que 'nella estabeleceu mna academia de astrono- 
*íc^ãa, navegação e commercio, e do seu porto fez sahir os ar- 
^"Onautas modernos, aquelles ousados descobridores, que, 
^^^anspondo as barreiras do cabo Não (a), descobriram a Sla- 
^^^ira, 08 Açores e uma grande parte da costa de Africa, 
^^l)rindo assim caminho ás grandes descobertas dos portu- 
^^oezee e outras nações em iim outro hemispheno. 

Em 1839 levantou-se 'nesta vilia um monumento ao in- 
fante D. Henrique, no local aonde ha restos da casa cm que 
^dle tinha residido. 

Sam-Ceriz ou S. Gyriaco 

A d5 kilometros de Miranda, que apenas mencionamos 
^porque na casa da camará doesta povoação, que foi ^-illa, en- 
controu Viterbo um frdo, que antigamente servia para cas- 
iâgar as mulheres bravas e maldizentes, e mesmo todas as 
pessoas cujo crime procedia de palavras. 

Em 1834 ainda havia a mesma alfaia em Murça e Mos, 
na provincia de Trás-os-Montes. 

Que grande de&involvimento teria a scrralheria, se de 
novo fossem adoptados taes freios! 

SancfÂnna 

Uma dás estações mais importantes entre Lisboa e San- 
tarém, porque é o ponto de communicação para Rio Maior 
e Cartaxo. 

(a) O cabo í^ílo fica o a costa occídental de Africa, lat. N* 28«,38' 
loDg. occidejDt. ^49', assim chamado, porqne era opinião geral qoo 
d'ani para diante nào se passava, ou nioguem tintia passado. 



128 SAH 

De SancfAnna parte diariamente uma diligencia para o 
Cartaxo, na distancia de 2 kilometros, e conduz os passa- 
geiros a 160 réis. 

Bio Maior fica-lhe na distancia de 25 kilometros. 

Sancta Gomba-Dão 

Comarca de pouca importância, na directriz da estrada da 
Mealhada a Vizeu. 

Dista d'aqui 32 kilometros, e d'acolá 27, e commuidca 
com as duas povoações por meio das três diligencias que 
percorrem a mesma estrada. 

(Vide Mealhada.) 

Santarém 

Yilla situada em terreno irregular sobre a direita do Tejo^ 
cujos arredores sâo fertilissimos em azeite, vinhos e cereaes. 

Foi fundada por Abidis, rei das Hespanhas, 1:100 aniios 
antes de Christo, e chamou-se Esca- Abidis ou Scalabis. 

Depois passou a ser denominada Sancta Irene, que por 
corrupção do vocábulo se tomou em Santarém. 

Foi tomada aos mouros em 1147 por D. Affonso Henriques. 

Santarém divide*se em Marvilla e Bibeira, e esta é qoasi 
que um arrabalde d'aquella. 

Não é possível entrar em Marvilla sem subir uma das 
nove calçadas que para lá se dirigem. 

Como porém quem lá for sae da estação do caminho de 
ferro, escolhe para subir a de Atamarma, que foi por onde 
D. Affonso Henriques entrou. 

Em Santarém deve o viajante examinar os paços do oon- 
celho, os extinctos conventos do Carmo e da Graça, o semi- 
nário, a misencordia, a torre das Cabaças, o theatro, o hos- 
pital, o quartel de cavallaria, o Arco do Bom Successo, a Al- 
caçoda e a praça dos touros. 

As egrejas de Nossa Senhora de Marvilla, de Sancto Es- 
tevão e da Piedade. 

Os magníficos pontos de vista dos Capuchos, do casal da 
Bafoa, de Monte de Cravos, das portas de Vallada, de Monte 
do Abbade, do Outeiro da forca, do Sacapeito, de Nossa Se- 
nhora do Monte, e do Outeiro de S. Bento. 

Se não tinha visto antes de subir, vae ver depois de descer 
a torre ou pedestal de Sancta Irene, que está na praia jun- 
cto ao Tejo, e em seguida dirija-se á estação para esperar 
a chegada do combovo que o deve transportar. 

(Vide Pernes.) 



SET 129 

S. Pedro da Cova 

(Vide Vallongo.) 

S. Pedro do Sol 

Situada na affluencia do rio Sul e Vouga, com um ramal 
para a estrada em construcçâo de Aveiro a Vizcu. 

Meia legna abaixo de S. Pedro existe o celebre banho, 
cuja i^a nasce fervendo, e é em tanta quantidade, que po- 
deria fazer andar moer um moinho. 

Seriema (rio) 

Pequeno, mas tào tortuoso, que obrigou a construcçâo de 
duas pontes para a linha férrea, uma antes de chegar á es- 
taco da Mealhada; outra antes da de Mogofores. 

Nasce em Luzo, passa por Casal Comba, Mealhada e Mo- 
gofores, e desagua na esquerda do Águeda. 

Perto da sua foz forma a pateira navegável de Fermen- 

tillOB. 

Setúbal 

Cidade, situada á direita do SaMo, com porto para navios 
de todo o lote, mas cuja entrada é difficil. 

Apesar d'isso exporta vinho, laranja, azeite e sal em tanta 
quantidade, que alguns annos tem chegado o numero das pi- 
pas a 20:000, e a importância da fructa a 70:000 cruzados. • 

A entrada da barra está defendida pelo forte de Albar- 
quel e pela torre do Outâo. 

Esta torre é obra de D. João i, e \empharol, 

Possue egrejas de boa apparencia, um theatro chamado 
de Bocage, alfand^a, quartel, um largo e uma praça. 

Também alli existe o convento de Jesus, que 6 o monu- 
mento mais notável da cidade e do tempo de 1). João ii. 

O campo do Bomfim tem ao centro um chafariz, e em tomo 
doeste um pequeno mas bonito jardim, aonde a musica re^- 
mental toca aos domingos. 

Está rodeada de bomtas quintas, e a praia é muito agra- 
dável. 

Próximo a Setúbal ha monumentos antigos, dignos de se. 
reoí vistos, principalmente a Arrábida e as minas de Ceto. 
briM ou Tróia, 

Estas são as antiguidades romanas que possuímos de maior 
merecimento, porque jaz alli enterrada uma cidade, que é 
quasi impossível desobstruir por estar debaixo das areias, o 



130 siL 

que torna dispencíiosissiina qualquer tentativa para ess< 
fiin. 

A coliunna que adorna a praça em Setúbal, e que é 6á 
mamiore branco raiado de preto e cinzento, com um capita 
primorosamente cinzelado, foi encontrada nas grandes eecfr 
vaçOes que D. Maria i alli mandou fazer. 

Além doesta columna enoontraram-se medalbas, vaaoBy 60- 
tatuas e diversos utensilios de prata e bronze, que foram re- 
partidos pelo duque de Laf5es, marquezes de Abrantefij 
Anpja, Alegrete e outros' fidalgos. 

Em 1814 fizeram-se novas escavações donde se tiraram, 
entre outras cousas, um castiçal, uma alampada e uma taça, 
tudo de prata, e cncontrou-se uma sepultura com um esque- 
leto que se tornou pó com o contacto do ar. 

Em 1850 renovaram-se as escavações, e entáo apparecevam 
e foram desenterradas completamente duas casas, cada nina 
de dois pavimentos, e nas quaes se conservava a pintura du 
paredes tào fresca como se estivesse acabada ha pouco. 

Muitas outras preciositlades foram extrahidas d*alli, Q 
parte d^ellas estào no musen que o sr. Xaro tem 'naqucdh 
cidade. 

Desde então uâo continuaram as escavações, nem tahrei 
continuarão mais, porque existe tal preciosidade no oobsg 
paiz; se fosse noutro já por certo se teriam organi^do eom- 
panhias ou empresas, que, por meio de acções, tivesse Tcri- 
ficado a resurreiçâo da cidade asfixiada, 

Setúbal é pátria dos dois poetas Vasco ^Mousinho de Que- 
vedo e do celebre Bocage. 

No dia 25 do julho é alli feira annual. 

Dista 28 kilometros do Barreiro, e SS de Lisboa. 

Em Setúbal ha diversas hospedarias e estalagens. 

D'aqiiellas a princi(>al é o Eíícoveiro. na rua das Farinhas, 
o segue-se-lhe a do BarMrinho ou das Varandas, no Sapalj 
6 a do Hespanhol, na Praia. 

Silves 

Cidade tomaiia aos moiuos em 1242. 
Está situada sobre o Portimão, e tem boa ponte de pedra. 
Antigamente era residência do bispo do Algarve. 
Exporta diversos géneros, sendo um d ellés cortiça em 
grande quantidade. 
Dista de Faro 48 kilometroe, e de Beja 103. 



SUB 131 

Sobral 

Povoação 24 kilometros distante de Lisboa, aonde se faz 
vma feira que dura três dias, e principia a 15 de julho. 

Do Sobral parte diariamente uma diligencia para Alhan- 
dra, tocando em Pontes de Monfalim, Arruda e Bulhaco, e 
regressa depois que chega a Alhandra o comboyo n.» 4, que 
£u a carreira para Santarém. 

Os preços sâo 500 réis do Sobral, 400 de Pontes, 300 de 
Armda, 200 de Bulhaco, e vice-versa. 

Vendem-se os bilhetes no Sobral em casa dos srs. Borges 
e lima; em Lisboa na rua dos Fanqueiros, n.® 235, l." an- 
dar; em Alhandra vende-os o cocheiro. 

Além d'esta diligencia ha também a que parte de Torres 
Vedras para Alhandra nas terças, quintas e sabbados, e re- 
gressa nas segundas, quartas e sextas, a qual tem destina- 
dos três logares para o Sobral, cujos bilhetes se vendem em 
Ldsboa na rua Augusta, n."" 62-68, a 550 réis cada um. 

Soure 

Villa fundada no século xii pelo conde D. Henrique, jun- 
cto ao rio Anços, que nasce ao norte de Leiria e entra na es- 
querda do Mondego abaixo de Villa Nova d' Anços. 

Tem feira a 21 de setembro e a 11 de novembro. 

Dista de Coimbra 32 kilometros e de Lisboa 186. 

Subúrbios de Lisboa 

Tem Lisboa subúrbios encantadores; Cacilhas^ com vistas 
admiráveis; Almada, em cuja egreja estão os restos mortaes 
do iUustre escriptor Diogo de Paiva de Andrade; Alfeite, 
propriedade real, cujo palácio foi mandado reconstruir por 
D. Pedro v; Campo pequeno^ perto do qual está uma inscripçâo 
que recorda umà das pazes feita pela rainha Sancta Izabel, 
entre D. Diniz e seu filho D. AlFonso (vide Pombal); Lumiar^ 
aonde ha uma lindíssima quinta dos duques de Palmella; 
Campo grande, com um extenso passeio e uma fabrica de 
pannos, e aonde em fins de outubro costuma haver uma feira 
ooneorridissima pelos habitantes de Lisboa; OdiveUas, aonde 
ha um convento em que se faz magnifica marmelada: este 
oonvento foi mandado fazer por D. Diniz, e 'nelle está o tu- 
mulo d'este rei; Luz, aonde está o collegio militar, fundado 
em 1802 a fim de preparar ofiiciaes para o exercito, e que 



132 SUB 

pode conter láO alnmiios: Bemfica, aonde está o convento ds 
S. Domingos, que fr. Luiz de l^usa tt)mou celebre pela des- 
crípçâo que d*elle fez; existem alli os restos mortaes de tão 
excellente escriptor, e os do celebre Joào das Begras, rival 
do grande D. Nuno Alvares Pereira na amizade do Mestre 
de Aviz, que a ambos deveu a coroa, porque se um lh'a aju- 
dou a conquistar com a espada, o outro ajudou-lh'a a codbo- 
lidar com a penna: *numa capeíla do claustro estão os túmu- 
los de D. Joào de Castro, o celebre governador da Lu^a, soa 
mulher, seu filho D. Álvaro de Castro e sua mulher. 

Triste cousa é ter de dizer que estes tmnulos estiveram 
para ser demolidos, e que foi um inglez que os salvou de 
terem tal sorte 

Bemfica tem lindissimas quintas e residências encantado- 
ras: as principaes são a da senhora infanta D. Izabel Maria 
e a do sr. marquez de Fronteira. 

As Laranjeiras, quinta do sr. conde de Farrobo, que fiea 
no caminho de Bemfica, é o passeio favorito dos viajantes, 
para o qual são destinadas as (juintas feiras, pedindo-se pre- 
viamente um bilhete no palácio do proprietário, na ma do 
Alecrim ou largo do Quintella. 

Oeiras, aonde está o solar do conde de Oeiras, que depois 
foi o grande marquez de Pombal. O actual sr. marques de 
Pombal faculta facilmente auctorisação para serem admitti- 
dos a vel-o os viajantes que lhe forem impetrar essa graça 
á rua Formosa, aonde reside. 

Bellas, Pedroiços, Paço d' Arcos, Linda a Pastora, Mgés, 
Cascaes, etc, sào outros tantos logares dignos de serem vi- 
sitados pelos viajantes amadores de tae« digressões. 

Terminaremos fallando da Calçada de Carriche, ponto 
obrigado para ser visitado por todos os viajantes, que vêm a 
Lisboa, e que difficultosamente deixam de ir á Nova Cintra, 
Nada pôde justificar este titulo; mas a moda concedeU'-lh*o, 
e porisso não ha remédio senão sujeitar- se a gente aos seus 
caprichos. A Novxl Cintra é uma pequena quinta com agra- 
dáveis passeios e uma boa casa de pasto. JPara nós só tem 
um merecimento, e é poder servir de exemplo na cschola da 
vida para provar o que é a* constância no trabalho e na in- 
dustria, porque de um ordinário e pouco rendoso casal c(m- 
seguiu o actual proprietário fazer uma boa e valiosa proprie- 
dade, e recebeu em recompensa das suas fadigas e lavores, 
deixar a adversidade de o perseguir, e ser hoje 'naquella lo- 
calidade querido e festejado por uns, adulado e invejado por 
outros. 



THO 133 

Tavira 

Linda cidade, situada na foz do rio Seca, com porto pai'ii 
ditíos peqnenoSy e uma ponte de seée arcos, que une a po- 
voação antiga com a moderna. 

Tem hospital e misericórdia; e na egrcja do Sancta Maria 
existem os restos de D. Paio Peres Correia. 

Tem feiras a 6 de agosto^ 8 de setembro e 4 de outubro, 
doruido a primeira três dias. 

Dista de Faro 30 kilometros e de Beja 102. 

Tejo (rio) 

Nasce nas montanhas de Albarrazin cm Aragão (Hes])a- 
lAa), duas léguas abaixo de Alcântara na foz do Elgas; prin- 
cipia a servir de raia a Portugal, e entra de todo 'neste reino 
na fos do Sever perto de Montalvão. 

£m Portugal recebe, á direita, o Elgas, Pensei, Laca, Zê- 
zere e Bio-Maior; á esquerda, o Sever^ Alpiarça, Zetas, o 
Canha ou Almansor. 

Principia a ser navegável em Villa-Velha; dividc-se perto 
de Salvaterra, e d'ahi para baixo forma muitas ilhotas, mna 
das quaes é a de Almourol (vido a pala^nra). 

Depois de ter regado Abrantes, Constança, Tancos, Santa- 
rém e outros pontos, forma em Ldsboa uma espécie de bacia 
de uma a três léguas de largo, aonde podem ser reunidas 
milhares de embarcações de todo o lote. 

As ricas e encantadoras margens doeste rio, cobertas de 
férteis campos, povoações e quintas, recordam o antigo 
E^vpto. 

Desagua no mar trcs léguas abaixo de Lisboa, depois d(; 
percorrer 150 léguas, 36 das quaes em Portugal. 

Na sua foz estão as fortalezas de S. Julião e Bugio, cada 
lona com seu pbarol. 

A navegação fluvial d'ei?te rio é importantíssima, porque 
taa chegado o movimento de seus barcos de Villa Franca 
ptta cima ao numero de sete a oito mil por anno, medindo 
^ntrenta a cincoenta mil toneladas. 

É abundantíssimo de peixe de varias espécies, e entre el- 
lu o grande e saboroso solho, e segundo relata Faria e Sousa 
(%ÍBt D. L. Hist. Portug., cap. 18) pescou-se um que pe- 
sou 17 arrobas. 

Thomar 

P^uenina mas lindíssima cidade, situada pertr^ ^ 



134 THO 

da antiga Nabanda, á diíeita do rio Nabão, c distante 6 ki- 
lon>etros da estação a que dá o nome. 

E uma fértil e deliciosa planície, que encanta o viver *nella. 

No tempo das regas e 'numa noite de luar, nada mais agm- 
davel do que aspirar o ar da atmosphera que alli se res- 
pira, e ao mesmo tempo ouvir o canto que fazem as rodas de 
regar, tocadas pelo próprio motor que querem attrahir. 

Thomar é mna cidade commercial, fabril e industrial. ' 

Tem muitas fabricas de diversos géneros, ainda que inft- j 
lizmente está parada a principal, que é de fiaçUo de algodlo^ 
e para o que tem dez mil fusos movidos pela agua do rio. 

Tudo 'naquelle edifício é grande e magestoso. 

Quando o sr. condo de Thomar esteve ultimamente noBÒ- 
nisterio, tinha todo o interesse na prosperidade da fabrica, e 
fecultava-lhe todo o auxilio de que podia dispor. 

Foi então que visitámos aquelle estabelecimento: fEiat 
gosto ver duzentas raparigas novas, bonitas e vestidas com 
muita decência e limpeza, empregadas nos differentes miste* 
res a que eram destinadas. ' 

Então, tudo vida e animação, hoje silencio sepulchral. 

Ignoramos as razões que ha para isso, mas admira que 
não possa organisar-se em Thomar uma companhia, que por 
qualquer contracto com os proprietários tomasse a seu cargo 
a conservação d'aquelle extraordinário estabelecimento. 

O que isto de certo prova é o quanto está desconhecido no 
paiz o systema de associação. 

E 03 proprietários por que não promoverão a organisaçâo 
de nma companhia de accionistas, representando elles um 
certo numero de acções? 

Muito se poderia dizer a tal respeito, mas como isso é f(5ra 
de nosso j^roposito, passemos adiante. 

Entre as demais fabricas que ha em Thomar são algumas 
de chapéus, cortumes e papel. 

No ponto mais elevado está coUocado o notável convento 
dos freires de CJtristo, parte do qual é hoje residência do 
sr. conde de Thomar, e na outra parte estão algumas repar^ 
tições publicas. 

Thomar tem duas feiras, uma em domingo da Sanctissima 
Trindade, e que dura três dias, e outra a 20 de outubro. 

Vae-se para Thomar na diligencia que parte da Barqui- 
nha, e que conduz os passageiros a 500 réis. 

Ha alli diversas hospedarias, e a melhor é o Hotel thoma- 
rense. 



TOK 13Õ 

Torres Novas 

- £8taç%o qae commnnica com a villa do mesmo nome por 
mão de nma diligencia, que para alli conduz os passageiros 
a 240 réis cada um. 

Esta villa, cabeça de comarca, roune as três qualidades 
de agrícola, commercial e industrial. 

Tem uma excellente fabrica de íiaçào e tecidos de linlio, 
a qnal mantém approximadameute 300 opcraiios de ambos 
08 sexos. 

É cortada pelo rio Almonda, que vae desembocar no Tojo. 

Também commuuica com a Gollegà c Cliamnsca, mas nào 
ha diligencia para nenhum doestes 2)ontos, ambos de grande 
riqneza agrícola, e aquelle notável pela feira de S. Ãíarti- 
nlK), que alli se faz a 11 de novembro, e que dura uns pou- 
cos de dias. 

A Gollegã é julgado, e a Chamusca cabeça de comarca. 

Tones Vedras 

Villa 35 Idlometros distante de Lisboa, em assento plano 
á excepção da parte que se eleva sobre o monte do castello 
do lado do sul. 

Do lado do norte é banhada pelo rio Sisandro, sobre o 
qual tem três pontes, uma que communica para o Riba-Tejo, 
outra para as Caldas, e a terceira para a costa do mar. 

Foi muralhada, mas hoje apenas o provam alguns restos 
d^dlas que se encontram em alicerces de outros edifícios. 

Não se conhece a epocha da sua fundação, mas sabe-se 
Qom certeza que já existia no tempo dos romanos. 

Os sarracenos, a quem D. Aâonso Henriques a tomou de- 
pois de conquistar Lisboa e Santarém, tinham-na em grande 
apreço pela salubridade de seus ares, e pelos seus férteis 
campos, deliciosos pomares, hortas e vinhas. 

Modernamente tomou-so celebre dentro o fora do reino, 
qpando alli se estabeleceram as linhas de defeza de Torres 
Vedra8 por causa da invasão franceza, nas quaes se gastou 
enonne cabedal, mas que, sendo bem defendidas, eram inex- 
pugnáveis. 

São dignos de serem vistos em Torres Vedras: o castello, 
o aqueducto e fonte principal dos canos, o hospital de Runa, 
a egreja de Sancta Maria Magdalena do Trocipal, e a er- 
mida da Senhora do Livramento. 

Fora da villa o Varatojo. 



136 ^ YIA 

Tem feira a 22 de agosto, e communica com a linha fer- 
rea por meio de uma diligencia, que parte para Alhandra 
nas segundas, quartas e sextas, e regressa nas terças, quin- 
tas e sabbados. 

Parte da Alhandra depois da chegada do comboyo n.® 2, 
e cada passageiro paga lj^200 réis. 

Em Lisboa vendem-se os bilhetes na rua Augusta, n.<* 62 
a 68. 

Em Torres Vedras ha uma hospedaria regular e bastante 
decente. 

Trancoso 

Villa situada no districto da Guarda, de cuja cidade dista 
27 kilometros, em vistosa planície, cercada de antigos mu- 
ros com quinze torres e castello. 

Valença 

Villa e praça forte no districto deVianna, situada de- 
fronte de Tuy (Hespanha) em terreno elevado sobre a es- 
querda do Minho, distante 60 kilometros de Braga, com cuja 
cidade communica pela estrada de Arcos de Vai de Vez e 
Ponte da Barca. 

Diz-se ter sido fundada por capitães companheiros de Vi- 
riato, 136 annos antes da era chnstã. 

Vallongo 

Povoação situada juncto á serra do mesmo nome a 12 ki- 
lometros do Porto, e que tem grande commercio de pâo co- 
zido, biscouto e regueifas, que são umas grandes roscas fei- 
tas da massa do mesmo pão, e que as 'CaUongueiras ySa 
vender ao Porto. 

São bonitas mulheres, talvez não inferiores ás de Ílhavo e 
Aveiro, mas o trajo de que usam tira-lhes metade da ele- 
gância que podiam ter. 

Da serra de Vallongo extrahiam os romanos prata, e em 
S. Pedro da Cova, ahi perto, ha minas de magnifico carvão 
e tão abundantes, que produzem sete a oito mil carros d^elle 
por anno. 

Vianna do Castello 

A cidade de Vianna do Castello, que ainda não ha muito 
era a villa de Vianna do Minho, está situada á direita do 



VIL - 137 

rio lima, e tem mn pequeno porto com mn castello e mna 
extensa ponte de madeira sobre o rio. 

A prosperidade de que gosava no século xvi, epocha em 
que contava setenta navios de alto mar que navegavam para 
a Africa, Ásia e America, e para os principacs portos de 
França, Inglaterra, Flandres e Allemanha, 8ofl5:eu grande 
qnebra, como suecedeu a Aveiro, com a dominação philip- 
pina, ainda que esse soffirimeuto nâo foi tao sensivel, graças 
a actividade e animo aventuroso dos viannenses que formam 
um completo contraste com os aveirenses. 

Um dos edifícios digno de ser visto é a egreja e convento 
de Sancta Cruz, em cuja capella-mór está o mausoléu do seu 
fímdador, o grande arcebispo D. fr. Bartholomeu dos Mar- 
tyresj que trouxe de Boma o risco para a mesma egreja. 

Também alli estão depositadas as bandeiras do regimento 
de infenteria 9, que era de Vianna, honra que mereceu pela 
distincçâo com que se houve na guerra peninsular. 

No alto cm que está a capella de Sancta Luzia, gosa-se 
uma A-ista pittoresca e encantadora. 

Vianna dista 60 kilometros do Porto e 48 de Braga, e 
conununica com estas duas cidades por meio da diligencia 
do Porto, cujo serviço vae designado a pag. 120. 

Villa do Conde 

Esta villa, situada em terreno chão, gosa das vantagens 
de porto marítimo, salubridade de clima e abundância de 
fructos. 

Seus moradores empregam-se no conunercio e na pescaria. 

O forte que tem na boca da barra foi principiado por 
D. Duarte, duque de Guimarães, e concluido na epocha da 
aoelamaçâo contra a Hespanha. 

A fundação da villa é attribuida a D. Sancho i em 1200, 
mas parece haver fundamento para a suppor mais antiga. 

Foi doada por D. Sancho i á celebre D. Mana Paes Ribeiro 
e seus filhos, e veio a passar áo dominio da fílha e genro do 
primeiro conde de Barcellos, que fundaram o mosteiro de 
Sancta Clara, aonde estão sepultados. 

As abbadeças doeste convento sentenceavam as appellaçoes 
das sentenças dos juizes e possuiam todos os direitos reaes. 

Como era de suppor, as cousas nâo marchavam regular- 
mente, e D. João III esbulhou-as de seus direitos em 1537 e 
instituiu a seu irmão D. Duarte como donatário da villa, 
passando posteriormente este dominio para a serenissima 
casa de Bragança: 



138 VIL 

A 4 kilomefros de distancia está a Povoa do Varzim, villa 
com um pequeno porto, e da qual foi senhor D. GottemB, 
francez que acompanhou o conde D. Henrique, de quem a 
houve por doação. 

Villa do Conde dista 26 kilometros do Porto, e a Povoa SO, 
e ambas são abundantes de pescaria. 

Em ambas estas povoações ha hospedarias, em que ee 
passa decente e regularmente, sendo comtudo as doesta su- 
periores ás-d*aquella. 

Villa da Feira 

O^ide Feira.) | 

Villa Franca de Xira 
/ 

A mais importante povoação que se encontra na linha fér- 
rea desde Lisboa a Santarém. 

Dista 30 kilometros da capital, e apesar d'is80 ainda alli 
podem fundear navios de grande lotação. 

Tem grande movimento agiioola, e produz excellentea fim» 
ctos, dos quaes merecem especial menção a laranja. 

Em frente estão as Lezirias, terreno tào extenso e de tanta 
producçao em trigo e pastagens, que deu logax a íbimar-ee 
uma companhia para as comprar, e que por ellas deu dois 
mil contos. 

Villa Nova de Gaya 

Fundada por D. Affonso ni para empório commercial, é 
um dos mais importantes centros industriaes do reino, e vm 
padrão commemorativo do progresso da civílisaçao doeste 
paiz. 

D. Affonso III, cuja ascensão aothrono é em nossa opâmfto 
um dos factos mais vergonhosos da nossa historia, qaiz eman- 
cipar- se da tutela em que o clero o collocára, mas como, -por 
experiência própria, sabia com quem lidava, procozoumi- 
nar-lhe os alicerces para que o edifido cahisse par ai. 

*Neste tempo percebiam os bispos do Porto as rendas pu- 
blicas da cidade, cujos senhores eram, e querendo D. Affiinso 
tirar-lhes tal regalia, mandou em 1255 construir a povoaçfto 
a que poz o nome de Villa Nova de Graya, e ordenou que to- 
das as fazendas que entrassem pela foz do Douro fossem des- 
carregadas em Villa Nova, e ahi pagassem os direitos aos 
seus officiaes. 

Travou-se renhida questão entre o bispo e el-rei; inter- 
veio o papa, e seguiram-se graves contestações, qne dnra- 
ram por largos annos, em diversos reinados e pontificados, 



VIL 139 

fl»8 apesar dos interdictos ao reino, e fulminações aos reis^ 
hoaveram-se estes com tanta perseverança, que a final per- 
deram os bispos a jurisdicçâo temporal e os rendimentos do 
oommercio da cidade. 

No entretanto foi Villa Nova prosperando a tal ponto, que 
hoje aó nos seus armazéns podem ser recolhidas cem mil pi- 
pas de vinho. 

Villa Nova só tem digno de ser visto o convento da serra 
do Pilar, como padrão e theatro glorioso das façanhas que 
nm punhado de homens, a maior parte de Villa Nova, con- 
triboiram para enraizar as instituições liberaes que nos 
r^em. 

Villa Real 

Cabeça de districto do mesmo nome, situada em amphi- 
theatro sobre uma coUina triangular, cujos lados são forma- 
dos pelos rios Corgo e Carril; e a base que a une ao bairro 
da Boa-vista apresenta um plano elevado, que se estende até 
á serra do Âmezio. 

A sua fundação data de 1289, em virtude da resolução to- 
noada na cidade da Guarda pela cortes, deliberação appro- 
vada por el-rei D. Diniz, que, depois de encerradas as mes- 
mas wrtes, foi examinar o sitio da nova villa. 

Em 1321 concedeu-lhe D. Diniz foral com doação amplis- 
síma, e mandou-lhe edificar a egreja de S. Diniz, e cercar a 
villa de muros; estes foram demolidos por ordem do conde 
de Amarante em 1816, e os materiaea mandados applicar á 
eonetrvísção do seu pala<do na rua do Jazigo! 

A situação da villa é deliciosa e saudável, e os seus arre- 
dores mui férteis, pittorescos e vistosos. O interior da villa 
cansa admiração pelo cuidadoso aceio de seus largos e ruas. 
Alguns edifícios públicos e particulares, coUocados em diver- 
sos pontos, são magnificos, e entre elles distingue- se o palá- 
cio do morgado Matheus. 

O cemit«rio publico, que foi começado em 1841 e termi- 
nado em 1845, é uma obra magestosa. 

O artista que quizer contemplar objectos de estudo nas 
bellezas da natm^eza, deve ir a Villa Real. 

As cordilheiras que a rodeiam imprimem em toda ella um 
aspecto respeitável; de todos os pontos da villa se vêem os 
einnes de soberbas montanhas, que no inverno ôuspendem 
grossas camadas de neve; e as próximas collinas são a meudo 
cortadas por torrentes, que se despenham em espumosas cas 
7 



140 VIM 

catas: numerosos regatos se precipitam rapidamente das mon- 
tanhas para alimentarem o Corgo, aonde se vâo precipitar. 
De qualquer ponto que o viajante se dirija para Villa Real, 
fica surprehendido ao contemplar os quadros que se lhe apre- 
sentam, mas nada eguala a belleza do ponto de vista que se 
foza^ descendo pela estrada de Bragança para a ponte de 
ancta Margarida que está sobre o Corgo. 
Quem porém quizer contemplar um arrojo da natureza, 
cuja' contemplação infunde na alma do observador uma or- 
dem de ideias, para que não chegam pennas nem pincéis^ é 
dirigir-sc ao coruto de enormes rochedos aonde está a er- 
mida de S. João da Fraga. 

Quem alli chega, deixando após si o aturdido malhar das 
officinas da rua dos Ferreiros, fica attonito pela súbita trans- 
figuração, porque a vida agitada e tumultuosa desappare- 
ce-lhe, se vê sobre um abysmo aonde parece rugir um leão 
encadeado, e na frente desdobra-se-lhe um horísonte sem fim. 

As serras da Teixeira, Padornellos, Gerez e Marão, £^- 
ram-se d'aquella eminência leves ondulações do terreno sem 
importância zoológica. 

No fundo do abysmo que tem a seus pés está o Poço Bo- 
mão, contrastando na placidez e apparente immobilidade das 
suas aguas com o susurro da queda, de que se alimenta, e 
com o horrisono fragor da catarata do Penedo em que se 
despenha, resaltando por entre fragas em frocos de espuma 
alvissima na altura de mais de 350 metros. 

Fronteiro á ermida está suspenso sobre o abysmo o pi- 
nheiro da rapozdra, arvore secular e gigantesca. 

Villa Real dista 100 kilometros de Bragança, 64 de Braga, 
e 75 do Porto. 

Villa Viçosa 

Bem construida, com um castello antigo qué foi doB: du- 
ques de Bragança, aos quaes pertence também a celebre ta- 
pada ou coutada, que dista 15 kilometros da villa, e tem 16 
de circumferencia, um palácio, grandes mattas e muita caça. 

Villa Viçosa dista 25 kilometros de Elvas, e 50 de Évora, 
em cujo districto é situada. 

Vimieiro 

Povoação situada entre Arraiolos e Estremoz, 22 kilome- 
tros distante da primeira e 20 da segunda, celebre pela vi- 
ctona que o exercito luzo-anglo a 21 de agosto de 1808 alU 



viz- 141 

ganhou sobre os francezes commandados por Junot, á qual 
se s^iu a convenção de Cintra para os francezes evacna- 
lem Portugal. 

Vinhaes 

Perto de 65 kilometros ao nordeste da cidade de Miranda 
c 20 de Bragança para o poente, entre uns outeiros do monte 
a que cHamam Ciradella, que banha o rio Mente, está si- 
tuada a villa de Vinhaes, a que deu foral el-rei D. Af- 
fonso ni no anno de 1262, mandando-a povoar 'nuni valle 
cercado de muitas vinhas, d'onde esta villa tomou o nome 
que ainda conserva. 

É cercada de muros com duas portas, e tem um castello 
com duas torres, que mandou fazer el-rei D. Diniz. 

O clima é excellente de verào, por ter boas aguas e muito 
arg>redo; é abundante de fruetas saborosas. 

É solar antigo de muitas pessoas nobres e tem um con- 
vento de freiras franciscanas, que, segundo affirma o auctor 
da Historia Seráfica, tinha no anno de 1702, nada menos de 
110 religiosas! 

Vista Alegre 

(Vide Hhavo.) 

Vizeu 

CSdade capital do districto do seu nome, situada sobre uma 
ribeira, cujas aguas se dirigem ao Dão. 

A sua fundação attribue-se aos Turdulos 500 annos antes 
da era de Christo, e que lhe deram o nome de Vacea: outros 
porem dizem que a cidade da Vacca era no local, aonde de- 
pois se chamou Vouga. 

Vizeu tem antiguidades admiráveis, entre as quaes se dis- 
tingue a cathedral, aonde ha quadros de grande valor; os 
rèfitúB dos mu'ros da Cava de Viriato, e a escada do semi- 
nário. 

Esta principalmente nâo pôde deixar de ser admirada, 
porque, construída em arco, é ellc tào disfarçado que parece 
que os degraus formam por baixo uma linha recta, e. que a 
cada instante desabam por não estarem amparados dos. la- 
dos, o que faz com que muitas pessoas receiem subir por ella. 

Mas, se as antiguidades de Vizeu são dignas de se verem, 
algumas ha modernas que estão no mesmo caso, e uma does- 
tas é o cemitério publico, obra de muito merecimento. 

Notaremos de passagem que, havendo sete freguezias, duas 



142 vou 

na cidade e cinco nas vizinhanças^ , todas sete se rediusem a 
uma, qne é a sé^ única em que ha pia baptismal! 

As vizinhanças de Vizeu são férteis em azeite, trigo, mi- 
lho» castanhas, etc. 

È alli que se faz a principal feira do reino, a que chamam 
ftira francaj começa a 21 de setembro, e tem doze dias de 
um movimento extraordinário, e apesar da notável differença 
que faz de outros tempos, ainda e admirável. 

Pode -se calcular a sua importância, á vista de uma cu- 
riosa noticia que o Commerdo de Coimbra (jornal) apresenta 
do resultado da feira do presente anno, em que se encon- 
tram os seguintes valores em objectos vendidos: 

Oarivesaria 80:000i^000 rfíg. 

Sola 60:000^000 » 

Atanados e Bezerros 25:000s^000 » 

Linho em rama. *. ll:000i^000 » 

Ferro 11:000^000 » 

Lanifícios 100:000^000 » 

Tamancos (!) 6:000í^000 . 

Somma 293:000^000 . 

Além d'isso: 

Panno de linho, teias 3:000. 

Muares, cabeças 100. 

Bois, cabeças 600. 

Novilhos, cabeças 1:200. 

Etc. etc. etc. 

Para Vizeu toma-se logar até á estação da Mealhada, e 
ahi *numa das três diligencias que conduzem os passageiros, 
devendo porém haver cautela com a do Tarrinca, como dis- 
semos quando falíamos da Mealhada. 

Vizeu dista 4õ kilometros da Mealhada, 50 de Aveiro, 56 
de Coimbra e 70 do Porto. 

A construcção da estrada de Aveiro a Vizeii progride com 
alguma actividade. 

Vouga 

Rio, que nasce em Quintella da Lapa a 6 léguas de Yizeu 
— passa ao Norte d'esta cidade, rega S. Pedro do Sul, e 
desagua na ria de Aveiro com 18 léguas de curso. 

E navegável de Pecegueiro para baixo (4 léguas), e vae 
ser communicado com as productivas minas do Braçal, Ma- 
lhão e Coval da Mó, no concelho de Sever do Vouga a 17 ki- 



vou 143 

lometros de Aveiro, por um caminlio americano de 8:454 me- 
tros de extensão, cuja construcçâo foi o governo auctorizado 
a eontractar^ por lei de 25 de junho passado, com Diederich 
Mathias Feverkherd Sénior, mediante a* subvenção de réis 



A este notável emprehendedor é que o paiz talvez deva o 
incremento que tem tomado a exploração de minas em Por- 
tugal, pela constância e resignação com que luctou contra 
todos os obstáculos, para levar a mina do Braçal ao estado 
em que está. (Vide Braçal) 

A foz do Vouga, que é 6 kilometros abaixo de Aveiro, che- 
gou a estar de tal modo obstruída, que o continuo movimento 
das areias, ao longo da costa, afastava a barra até perto de 
Mira, 15 milhas distante. 

As férteis campinas de Aveiro, que 'noutro tempo produ- 
ziram 30 mil moios de trigo, e as salinas que também haviam 
produzido quantidade de sal superior a 16 mil moios, sof- 
freram as conseqiiencias, porque este grande território trans- 
formou-se'num pântano, cujos miasmas se tornaram o flagello 
das povoações vizinhas. 

Em 1801 mandou o conde de Linhares estudar um plano 
que restituísse Aveiro ao seu antigo esplendor, e encarregou 
d*isso o tenente coronel Carvalho e o brigadeiro Oudinot. 

Pizeram-se os estudos, approvaram-se , começar am-se os 
trabalhos em 1802, e concluiram-se em 1808, tendo-se gasto 
quantia superior a cem contos de réis. 

Os resultados, obtidos em consequência d'estas obras, fo- 
ram satisfactorios, nâo só porque se mudou a direcção que a 
corrente tomara, conservando-a sobre o lado meridional, mas 
porque a mortalidade diminuiu consideravelmente pela mu- 
dança de salubridade. 

Nâo foram, porem, tanto como era de desejar, porque as 
areias, accumuladas umas sobre as outras, iam fechando a 
entrada da barra aos navios, que demandavam o porto ou que 
d'elle queriam sahir. 

Era necessário prover de remédio, e o governo encarregou 
isso ao distincto engenheiro, o sr. Silvério Augusto Pereira da 
Silva, director das obras publicas d'aquelle districto, o qual 
sem a'p'paTato e quasi sem recursos conseguiu abrir uma nova 
vereda para embarcações de muito maior lote do que era do 
esperar. 

Até á ultima hora esperámos esclarecimentos que um amigo, 
pessoa muito competente, promettera dar-nos acerca dos me- 
lhoramentos da nova barra*, mas até agora nâo appareceram. 



144 ZEz 

e por isso limitamo-nos a dizer que até vapores têm entrado 
páa nova barra. 

O amigo, a que nos referimos, terá por certo remorsos 
quando tiver de vera maneira por que nos obrigou a concluir 
o presente artigo. 

Nâo lb'o mereciamos... Paciência. 

Vouzella 

Villa, cabeça de comarca, situada ija directriz da estrada, 
em construcçao, de Aveiro a Vizeu, e próxima á confluência 
do rio Vouga com a ribeira de Zella. 

É notável pela magnifica qualidade das suas vitellas, co- 
nhecidas por viteUas de Lafões. Dista 50 kilometros de Aveiro 
e 15 de Vizeu. 

Zêzere 

(Antigamente Moron) rio que nasce na serra da Estrella, 
passa entre os Pedregâos, recebe pela direita o Nabão, e 
reune-ee ao Tejo, próximo á villa da Constança. 



145 



PASSEIOS DE RECREIO 



'Num paiz como o' nosso, aonde só é conhecido o systema 
de viajar directamente d'um ponto ao outro, será talvez con- 
veniente para muitos, indicar a maneira mais fácil de fazer 
excursões que alcancem diversos pontos de contacto uns com 
os outro3. 

Antes, porem, de fazer taes indicações, diremos alguma 
cousa como preparatório para as mesmas excursões, áquelles 
cuja experiência não estiver provada com a practica de taes 
lidas. 

Um passeio de recreio nâo deve ser dado por menos de dois, 
nem por mais de quatro indivíduos. 

O numero quatro é mais económico e recreativo, mas of- 
ferece maiores probabilidades de desgosto. 

Infelizmente estamos tão atrazados em quanto a fazer via- 
gens de recreio, que reunidos uns poucos de indivíduos para 
esse fim, pouco depois de encetarem a marcha, logo algum 
d'elles, desejando fazer espirito, aproveita o lado fraco d'um 
dos companheiros, provoca-o com alguns epigrammas, e pas- 
sado pouco tempo está o infeliz feito victima expiatória das 
loucuras dos outros. 

Quando regressam, nâo sabem relatar nada do que viram, 
mas repetem com prazer todas as travessuras que fizeram ao 
companheiro. 

Nào succede isto, sendo apenas dois os viajantes; nâo só 
porque a« /orço* são mais eguaes^ mas também porque mesmo 
que um d'elles seja mais forte do que o outro em fazer espi- 
rito, como não tem auditório para o applavdir, guarda isso 
para melhor occasião, e tracta de estabelecer a egvxildade e 
fraternidade com o seu companheiro. 

Quando, porem, for possível reunir quatro companheiros 
que pela egualdade de génios e educação se combinem per- 
Kitamente uns com os outros, deve então preferir- sè este 
áquelle numero. 

Quatro viajantes podem tomar um trem para irem a qual- 
quer sitio que nâo tenha serviço de diligencias, porque, di- 
vidido o aluguer por todos, fica regular a despesa de cada 



146 PASSEIOS 

um, como ao diante mostraremos no passeio aos quatro dis- 
trictos. Podem mesmo tomar um trem para logar, onde haja 
diligencias; mas cujas horas de serviço nâo estejam em hsi- 
monia com o tempo que tenham disponível. E podem também 
tomar um trem para partir quando quizerem, apear-se aonde 
o desejarem, e retrogradarem se bem lhes parecer. 

Quem viaja para recreio tem obrigação forçada de £Eizer 
as despesas a que chamam gor getas y porque ninguém vae v«f 
um edifício de certa ordem, aonde haja empregados que mos- 
trem e expliquem tudo, sem gratificar pelo menos com 500 réis 
ao cieeroni que o andou aturando; e quatro indivíduos podem 
retribuir com os mesmos 500 réis, como dois, do que resulta 
uma economia de 50 por cento. 

Dir-nos-háo que a economia de 500 réis por quatro pouco é, 
mas^nganam-se, porque edifícios ha em que muitas vezes sâov 
meia dúzia os dceroms que vào transferindo os visitantes uns 
aos outros, em consequência das especialidades a cargo de 
cada um, e no fim da visita tem- se dado 3^000 réis de gor- 
getas. 

Alguém nos dirá — nâo se lhes dá nada,' porque nSo há 
obrigação para isso; mas \l quem nos disser isso responde- 
mos que o melhor é nâo ir lá. 

Se ha um ponto a que se quer ir, mas para o qual nâo ha 
trens, nem cavallos, e os viajantes sào quatro, animam-se 
uns com os outros, alugam um burro para lhes levar alguma 
bagagem e comida de prevenção, e eil-os marchando al^re- 
mente a pé, e chegados ao termo do seu destin0| sentindoone 
pouco fatigados, porque reciprocamente se distrahiram do 
íncommodo que soôre quem nào está acostumado a andar a pé. 

Milhares de exemplos podíamos apresentar, provando a con* > 
veníencia de marcharem quatro de companhia; mas contra 
todos esses exemplos ha, como já dissemos, a difficuldade de 
encontrar quatro génios e educações eguaes: podendo cofnse- 
guil-q, reunam-se quatro; não podendo ser, vào dois, e apro- 
veitem os passeios de recreio que em seguida lhes indicamos, 
e cujo ponto de partida, facilmente comprehenderâo ser 
Lisboa. 

Devem, porem, antes de partir, revestir-se de toda a pru- 
dência e circumspecçào, para nos paizes por onde transitarem 
não practicar actos que os desauctorizem, e ccnnpromettam 
com 03 moradores. 

Não devem querer encontrar edifícios faustosos e obras 
esplendidas por toda a parte, nem achincalhar aquillo que 
lhes nâo agradar: se lhes não agrada o que houver^ callem-se 



DE EECREIO 147 

e nâo humilhem ninguém, principalmente tractando-se d'uni 
objecto que os moradores tenham em apreço. 

Nas hospedarias não devem ridicularisar tudo, a fim de se 
exaltar aos olhos de quem os ouve, porque succede sempre o 
contrario: ordinariamente, quando alguém 'numa hospedaria 
censora o que ha, e declara que nada o satisfaz, resulta-lhe 
de ahi o dizerem os circumstantes que em sua casa nâo goza 
elle tanto como o que alli deprecia. 

Ha, porem, uma cousa especialmente em que todos devem 
ser mm circumspectos, e éna \^sita a templos sagrados. 

Os portuguezes nas suas localidades, náo sofírem com muita 
facilidade qualquer cousa que julguem ser-lhes oífensiva, o 
milito menos quando 'nessa offensa se involva falta de res- 
-péto pelas cousas sagradas. • 

É portanto melhor não ir lá, do que ir practicar irreve- 
renciafi. 

Passeio ao Porto, regressando por Aveiro, Bussaco, 
Coimbra, Leiria, Batalha, Alcobaça, Caldas e Alemquer 

O viajante toma logar no comboyo do correio, e parte paru 
o Porto, aonde chega de manha. 

Logo que sáe da carroagem, dirige- se á grade de sepa- 
ração, e. chama uma mulher ou rapaz, dos muitos que alli 
estão para esse* fim, e dirige-se com elle á casa das baga- 
gens para receber a sua. u 

Logo que lh'a entregam, manda-a conduzir para unias bar- 
racas, que estào defronte da estação, onde lhe é fiscalisada 
pelos empregados da alfandega e do tabaco, e depois de mar- 
cada com o signal de que podo passar, manda-a conduzir para 
fójra da grade aonde escolhe um dos muitos char-àrbancs que 
aUi estão, o qual o conduz por 200 réis até á praça de D. Pe- 
dro, devendo primeiro dar alguma cousa a quem lhe andou 
com a bagagem. 

Chegado ao Porto, e logo que sáe do cliar-à-banca, appa- 
lecon-lhe immensos portadores, que lhe conduzem a bagagem 
e guiam para a hospedaria a que se quizer dirigir.. 

As distancias das hospedarias são em pontos que se paga 
este trabalho com 80 a 120 réis. 

Durante o dia tracta de desfructar o que poder, e á noite 
vae ao theatro, se ha espectáculo em algum dos três que tem 
a ddade. 

Antes de ir para o theatro dispue as cousas de maneira 
que pela manhã tenha prompto quem lhe conduza a baga- 
gem a tempo de estar a horas ua praça de D. Pedro. 



148 PASSEIOS 

Chegado ahi, faz-se conduzir 'num dos char-à-haruiSy e ás 
horas competentes parte no comboyo, devendo ter comprado 
bilhete para Aveiro. 

Apeia- se, e dirige-se ao hotel do Vouga, ou hospedaria da 
Luizinha, aonde é servido regularmente, devendo preferur 
esta, se quer economisar, e aquelle se quer mais apparato. 

Nas doze horas que aproximadamente está em Aveiro, tem 
tempo para ver tudo, nào esquecendo ir até ás cóLuTrmas des- 
fructar o agradável espectáculo que apresentam as salinas. 

Em quanto almoça dispõe as cousas para que lhe prepa- 
rem um barco que o conduza á Vista Alegre, visto que ime- 
lizmente nâo ha estrada em termos de ir em trem, e para que 
em quanto por lá anda, lhe apromptem os ovos moles e me- 
xittiOes, porque ninguém deve ir a Aveiro e deixar de com- 
prar d'aquella fazenda, tendo em attençào o que a tal res- 
peito dissemos na resenha geographica, quando tractámos 
d'esta cidade. 

Depois qué regressa da Vista Alegre, toma logar no com- 
boyo para a Mealhada, aonde chega á noite. 

Ao sahir de Aveiro, colloca-se na carroagem juncto á ja- 
nella do lado direito, mas senta-se voltado para o norte, a 
fim de poder gozar a aprazível vista que a cidade apresenta 
ao passar sobre o aterro das Agras, que é pouco distante da 
estação. • 

Logo que se afiei a na Mealhada, toma logar em um dos 
dois char-à-bancs (se é no tempo de banhos), e dirige-se a 
Luzo, mediante a quantia de 200 réis, que paga pelo trans- 
porte. 

De manha cedo parte para o,Bussaco, tendo determinado 
na hospedaria do Serra, que é aquella aonde se deve dirigir, 
que lhe mandem lá o almoço e o jantar, ou simplesmente este, 
se prefere levar um almoço simples quando para lá for. 

Sobe a montanha, e depois de lançar um volver d'olhos em 
tomo de si, sente uma espécie de orgulho por ser alli que se 
feriu essa renhida batalha, que tào mortal golpe deu no poder 
do grande Napoleão; mas em seguida vem-lhe a compaixão 
com a lembrança do que é a sorte que tanto eleva sJgmis, 
para depois os precipitar de mais alto. 

Nào lhe esquece contemplar a capella do Encanadouro, 
que serviu de hospital de sangue durante essa carnificina, e 
depois Tíae ver o local destinado para o moniunento comme- 
morativo de tào grande feito da nossa historia. 

Procura próximo ao telegrapho a ponta da serra, e d'ahi 
desfructa, o maia grandioso panorama que imaginar- se pode, 



DE RECREIO 149 

porque d'um lado vê as extensas planícies, que sâo banhadas 
pelo Mondego, e parece-lhe poder chegar com a mâo a Coun- 
bra, Monte-mór e Figueira; o oceano, circumdando a extensa 
orla da costa, apresenta-se á sua vista; centenares de collinas 
em todas as direcções; e em continuação, bosques, prados «^ 
campos, representam-lhe uma inunensidade de jardins; e em 
conelufião vê prolongar-se infinitamente a escabrosa e ob- 
scura serra da Estrella; e se é próximo ao pôr do sol, con- 
templa admirado a rápida transição que elle faz mergulhando 
Domar. 

£m seguida saboreia a deliciosissima agua, que brota d^uma 
roeha ahi perto, e segue para ver a fonte férrea, de mui su- 
periores qualidades medicinaes. 

Derpois dirige- se á porta de Stda, e ao entrar fica em con- 
templativa meditação, e suppôe estar no monte Libano pelo 
quadro que se lhe apresenta á vista. 

Segue por uma rua que o conduz ao convento, aonde pro- 
cura o capellào-administrador, homem afiPavel e de excel- 
lentes qualidades, e que lhe indica os meios de poder ver tudo. 

Escolhe o local que mais lhe agrada, e janta ao pé d'uma 
das muitas fontes que alli ha, sob o tecto de verdura que 
forma a rama dos milhares de cedros seculares. 

E preciso, porem, não se esquecer de descer para Luzo, 
-pei^ porta de Serpa, a tempo de ver o estabelecimento dos 
oanhos^ e seguir para a Mealhada, aonde entra no comboyo 
que parte para Coimbra. 

Chegado a Coimbra, é transportado por 80 réis 'num char- 
à-bancs, que o conduz até ao largo de Sansâo, e d'ahi di- 
rige-se a uma hospedaria. 

Coimbra tem quatro, que todas podiam ser recommendadas 
pelas especiaes circumstancias que se dão em cada uma 
d^ellas. 

A do Paço do Conde, porque é a mais antiga, e porque tanto 
pelos commodos, como pela quantidade de roupas de que 
está Bortida, pode facilmente accommodar immensos hos- 
pedes. 

A do Lopes, porque está coUocada em agradável posição 
jtmcto á ponte e sobre o Mondego. 

A do Hotel do Mondego, pelo luxo e apparato que apre- 
senta, e que muita gente diz não ser própria para Coimbra, 

Finalmente, a dos Caminhos de ferro, pela simplicidade e 
aeeio que alli se encontra, e pelas boas maneiras dos seus 
proprietários. 

Sentimos nâo poder recommendar aqueUas duas*.^ a çri- 



150 PASSEIOS 

raeira porque com antigos hábitos adquiridos, é só própria 
para 03 frequentadores a que chamam j?^* de boi, e dos quaes 
têm copioso munero de freguezes. 

A segunda, porque o proprietário está rico, e pouca ou ne- 
nhuma attenção presta ao seu estabelecimento. 

Recommendamos, portanto, o Hotel do Mondego e o dos 
Caminlios de ferro: aquelle, a quem quizer appacato, embora 
lhe custe mais caro: este, a quem quizer economia, limpe2ai 
e aceio, embora nâo faça brilhante figura. 

Advertiremos que o primeiro recebe três classes de hos- 
pedes: a 800 réis, Is^OOO réis e 1^S200 réis diários; o segundo 
a 800 réis e liíSOOO réis diários; e que ambas dào jantar de 
meza redonda a 480 réis por cabeça; mas que apesar d'esta 
quasi egualdade, as contas a final 'naquelle, são triplicada- 
mente multiplicadas. 

Aquelles que quizerem jantar à la carte, aconselhamos que 
vão ao Paço do Conde. • 

Em Coimbra tem o viajante muito que ver, e provavelmente 
por muito tempo será impossivel ver tudo a vapor, graças ao 
systema inquisitorial que ha na universidade, aonde tud^ 
devia ser visivcl com promptidâo, e aonde para se observar 
qualquer cousa, é necessário nm especial favor. 

Depois de escrevermos as linhas que antecedem, encon- 
tramos no Commercio de Coimbra, um artigo que justifica o 
que dissemos. 

Transcrevcmol-o d'aquelle jornal, apreciável pela serie- 
dade cora que é redigido, para registar o louvável procedi- 
mento do sr. José Ernesto. 

«O sr. vice-reitor acaba de ordenar que esteja todos os dias 
patente o paço e escholas da imiversidade para todas as 
pessoas, que os quizerem ^-isitar. 

Achamos acertadíssima e digna de elogio a resolução to- 
mada pelo bondoso prelado. 

Era um dissabor, era mesmo pouco edificante para o nosso 
primeiro estabelecimento litterario, que tivesse as suas portas 
fechadas aquelles, que querem ver e admirar o que encerra 
o beUe e eiunptuoso alcaçar das sciencias. 

£m toda a parte tem os estabelecimentos públicos certos 
dias, em que se facilita o seu accesso; porem na nossa Coimbra 
não se tinha isto como costume, e talvez não faltasse quem 
estigmatizasse a continuação dos hábitos de uma usança in- 
conveuieutissima. 

Diante, porem, das exigências da epocha e da força da 
ophiiào publica, nada resiste. 



DE RECREIO lõl 

A universidade, tendo suas. portas abertas aos que querem 
yifiital-a) exalta-se na opinião publica, porque tem muito que 
ver 6 admirar; e a sumptuosidade do seu todo nâo deixará 
de certo de preoccupar a admiração dos viajantes. 

Louvamos, pois, a resolução do sr. José Ernesto de Car- 
valho e Rego, vice-reitor da universidade; e conte o illustre 
prelado que tão acertada medida echoará na opinião publica 
de um modo assas lisonjeiro para s. ex.* 

Quizeramos, porem, que a medida fosse extensiva ao museu, 
que éát primeira cousa, por que em Coimbra perguntado 
vi^iaiite. 

Já finram maiores, do que hoje, as dificuldades que ha para 
se ver este importante, bello e a todos os respeitos sumptuoso 
ettabelecimento: comtudo, ainda não ha a facilidade que se 
requer para se obter a prompta permissão. 

Estes factos, sabemos nós, têm desagradado a muitas pes- 
soas de elevada posição, e nós quizeramos vel-os removidos, 
paza maior credito e bom nome da nossa universidade. 

Se estas nossas reflexões merecerem ao illustrado prelado 
o peso que julgamos devem ter, muito nos apraz se houver- 
moB de em breve patentear que foram attendidos os nossos 
desejos, ficando assim satisfeita uma justa exigência do pu- 
blico esclarecido.» 

Para Coimbra descrevemos três passeios especiaes, que ao 
diante se seguem, e 'rielles indicamos o que deve ser visto 
de preferencia. 

Satisfeito o ^âajante de passear era Coimbra, parte para 
Pombal, devendo escolher para a partida dia que seja 2.» 
feira, 5.* ou sabbado, para alli poder tomar logar na dili- 
gencia que Q conduz a Leiria por 1;^000 réis. 

Em Leiria tem as hospedarias do Ayres e do Manuel Rei: 
nenhuma é boa, mas aconselhar-lhe-hemos que prefira a pri- 
meira á segimda. 

Procura um transporte que no dia seguinte o conduza até 
Alcobaça com escala pela Batalha, e vae admirar este mo- 
delo de architectura. 

Da Batalha, se tem tempo e quer fazer o sacrificio de andar 
5 kil. de máu caminho, vae a Porto de Mós; e se nfto estA 
para isso dirige-se a Alcobaça, aonde deve estar em dia de 
o.* feita, 6.*, ou sabbado, para tomar logar na diligencia que 
em taes dias segue d'alli para o Carregado com escala i>elas 
Caldas da Rainha. Querendo demorar-se dois dias nas Caldas, . 
larga ahi a diligencia e espera que ella torne a passar para o 
conduzir ao Carregado e ahi entrar no comboyo cara Lisboa. 



152 PASSEIOS 

Nâo aconselhamos, porem, tal demora nas Caldas, não sendo 
em tempo de banhos, porque o que alli ha para ver não me- 
rece a pena de lá estar tanto tempo. 

Pode sim o viajante, depois de ver as Caldas, tomar tan 
trem. que o conduza ao Carregado; mas em tal caso deve 
ajustal-o com escala por Alemquer. 

Passeio de recreio a Coimbra (a) 

*0 viajante, chegado que seja á estação, toma logar em um 
dos muitos char-à-bancs que alli estão, e que o conduz até ao 
largo de Sansâo em frente da egreja de Sancta Cruz, pela 
módica quantia de 80 réis. 

Deve, porem, dizer ao cocheiro qual a hospedaria a qne 
se destina, porque algumas d'ellas são situadas 'numa da» 
ruas do transito, e outras nas suas proximidades, e se for 
para alguma d'estas, escusa de chegar ao termo da corrida 
do vehiculo que o conduzir, e deve sahir d'elle na rua da So- 
phia, que é a melhor de Coimbra, bordada de grandes edifi- 
cios, a maior parte dos quaes foram conventos, depois reda- 
sidos a habitações seculares, restando apenas dois d^aquelles. 

Recolhido á hospedaria, e depois de estar disposto para 
isso, pode formar três passeios distinctos, principiando o pri- 
meiro pelo cães, quç ainda não está conclui do, e entrando no 
fim d'elle na cidade dirigir-se á antiquissima capella do se- 
nhor do Arenado, cuja inscripção lhe indicará a origem dft 
fundação d'aquella ermida, e seguindo pela margem do rio, 
descer até á ponte do caminho de ferro, e se quizer, até á 
Memoria, caminhando sempre entre o rio e formoso arvoredo. 
E este um dos mais pittorescos passeios da terceira cidade 
do reino. 

Na volta vem pela ponte da Agna de Maias, entra na ci- 
dade pela Sophia, e sobe ao adro de Sancta Justa, que esti 
logo no principio da rua, e que é um magnifico ponto de 
vista. Ao lado das portas da egreja e^âo duas inscripçôes, 
que são a historia da sua fundação. E a egreja de Sancta 
Justa uma das mais elegantes de Coimbra; mas difficilmente 
se encontrará aberta, por não ser matriz da fre uezia. 

No fim da mesma rua encontra o viajante a riquissima 
egreja de Sancta Cruz, fundada por D. Affonso Henriques em 
o mosteiro da mesm^ invocação, que depois foi completamente 
reformado, e que actualmente está occupado pelas repartições 

faj Vide Passeio ao Porto. 



DE EECfiEIO 153 

ses^l dft eaznara municipal, administração do concelho^ correio, 

ojof-j ofarag publicas, pezos e medidas, roda dos expostos e cadeia. 

/ Na egreja tem o viajante a admirar o púlpito de pedra, 

p Qfef Aaunente torneado, que os reformadores mandaram pintar a 

ier»! oleo, as cadeiras do coro, obra de talha magnifica, o orgào, 

qoe é dos primeiros do reino, se nâo é o primeiro, o pouco que 

no sanctuario escapou á rapina dos francezes e dos vândalos 

del83á. 

Na capella-mór estão os dois túmulos de AfFbnso Henriques 
6 seu filho D. Sancho, mandados fazer por D. Manuel. Em 
1832 lembrou-se D. Miguel de os mandar abrir para ver o 
qoe continham, o que muito deteriorou estes dois preciosos 
m^umentos. 

E também digno de ver-se o claustro, que fica ao lado da 
^gr^a com entrada pela sachristia apesar de estar mal cui- 
dado e pouco limpo. 

Quem for amante da pintura encontrará ainda alguns qua- 
droB de bons auctores na magestosa sachristia e no sanctuario, 
maa muito mal- resguardados, o que é para sentir. 

Subindo para Monfarroio, chega-se por uma estrada ma- 
gnifica ao cemitério publico, que é ainda muito moderno, e por 
tanto pobríssimo de monumentos o mausoleos; mas em com- 
pensação desfructa-se d'alli uma vista encantadora de campo, 
de río, com as suas graciosas vistas de Sancta Clara, etc. Em 
baixo descobre-se o valle de Coselhas, que é um passeio ma- 
gnifico para quem gostar da poesia, do retiro e da solidão, 
onde apenas se ouve o trinado das aves, o murmúrio das aguas, 
e raras vezes as vozes dos camponezes, occupados em laborar 
as terras. 
Será este o principal passeio que o viaj ant e curioso deve fazer . 

SEGUNDO PASSEIO — Subiudo ao bairro alto pelo arco de Al- 
medina e rua de Quebra-costas encontra-se a Sé Velha ou 
egreja de S. Chrístovão, que é o monumento de Coimbra 
mais digno de attençâo, porque é talvez o único resto em Por- 
tugal do tempo dos godos. O pórtico e a frontaria, tisnada 
pelo correr dos séculos, está ainda mais bem conservada, que 
a de Sancta Cruz, mas mais sujos pelo ocre reformador d'este 
século destruidor. 

Ao lado d'este monumento, fica a imprensa da universidade, 
estabelecimento digno de ver-se, e em seguida avulta o edi- 
fício da universidade, edificado onde antigamente eram os 
paços reaes, chamados das Alcáçovas, e monumento digno de 
fim a que se destina e da nossa antiga grandeza. 



- 3 



154 PASSEIOS 

o viajante deve percorrer o paço das escholas, que serro 
de aposentadoria real, quando alli vae o rei, a sala dos csr 
pellos ou dos actos grandes, a sala que servia para os exames 
privados, quando os na^^a, e ó a galeria dos reitores da miiviff- 
sidadc, onde estáo os retratoa de todos desde o primeiro, ai 
aulas, a sala das congregações, a capella, ha pouco ^eiQ^ 
inada, a bibliotlieca, que ó 'naquoUe género o primeiro edi- 
ficioj depois o obí-ervatorio. 

Sáhindo da universidade pela porta férrea, desça o via- 
jante ao largo da Feira, chamada dos estudantes, e visite 
Sé Nova, que foi a egicja dos jezuitas, templo magestofiO^ 
apesar de mau gosto de arohitectura. próprio d'aquella ordem. 

Na sachristia existem ainda alguns quadros de bom aactor. 

Junto a este etlifioio está o museu, que é digno de ver-ae 
com miudeza. 'Neste mesmo largo o próximo ficam os bospi- 
taes e o lyceu nacional, que era também o coUegio dos je- 
suítas. 

Do largo do muzeu uirige-se o viajante para o larso do 
Castello, celebre j>elo grandeacto de heroísmo e fidelidade 
de ]Martim de Freitas. 

Este castello foi demolido para em seu logar se edificar um 
obser\-a tório, conieçatlo pelo marqnez de Pombal, mas que 
ilepoís nào se concluiu, nào sabemos porque cpposiçào dos ho- 
mens da i^ciencia. 

Doscoiulo pela rua encontra-se o collcgio de S. Bento, o 
jardim U^ranico, com a sua novíssima estufa, que é só para 
í-e ver de fora, porque é prohibida a entrada em mais de me- 
tade do jardim, nào sa))emo3 porque conveniências da ro- 
tina. 

Segue-se o collcgio das Ursuliuas e o seminário diocesano, 
eiliíicio grandioso, c^ue merece ver-se, principalmente a 
egreja, que é magnihca, e a nosso ver, a mais elegante de 
Coimbra. Como o viajante j^Kxle ver pela altiura das janellas 
do segundo anilar, o edidcio nào chegou a concluir-se, por- 
que segundo se diz parou ao ver-se que a despesa ia crescendo 
muito. Logi.) à entrada vO-se o retrato do fundador. 

Segue-se o Penedo da saudade, Ic^ar nuiito frequentado, 
priuoipalnieiite dos estudantes, a fonte do Cidral. que o hia- 
L«-r:ca, o comento de Sancta Tlioreza, o observatório meteo- 
rológico, que Ciítá ainda em priuiripio de orgauisaçàix. e ca- 
minhtmdo mais para o norte, chega- se a Sanoto António, cujo 
convento foi presa das ch;\inmas, som ao menos se poder salvar 
a sella, okde viveu o sancto mais jK>puI&r do reino, o thau- 
n::iTurgo j oi :ugi:ez. 



DE BECBEIO 155 

Uma senda conduz d'alli ao Penedo da meditação, sitio que 
frequentam os apaixonados e poetas, que se aprazem em con- 
templar um abysmo medonho, sentados no chão. 

Ifa volta de Sancto António, ou do Penedo da meditação 
deve o viajante voltar por Cellas, terra do afamado manjar 
branco e de bom doce, que se faz no velho convento de freiras 
que alli ha. No caminho de Cellas para a cidade, que 6 um 
passeio aprazivel, fica já próximo ao jardim o convento de 
SancfAnna, onde também se vende muito bom doce de fructa 
e de outras qualidades. 

Sesta-nos a quinta, ou cerca, de Sancta Cruz, que foi das 
mais extensas e admiráveis de Portugal. Quiz, porem, a sorte 
cpie ella cahisse nas mãos d'um grande capitalista, que tem 
destmido quasi tudo o que na cerca haWa de maravilhoso, 
para estender a cultura do milho e dos legumes. Restam 
ainda o lago e algumas assombrosas arvores regulares, uma 
fonte meio arruinada, e pouco mais. 

Descendo do jardim pela estrada de entre-muros, encontra 
o viajante a porta principal da quinta, onde se não entra sem 
licença, que hoje facilmente se obtém na mesma quinta. 

Dentro em poucos annos nada haverá que admirar 'nesta 
quinta, a nâo ser o bom feijão e milho, semeado onde em outro 
tempo se viam cascatas magnificas, lindíssimas ruas por cntrò 
arvoredo admirável, etc. 

A tanto obriga a falta de gosto ou a avareza! 

TEBCEiBO PASSEIO — Atravcssaudo a ponte, quasi sumida 
nas areias, encontra-se ao lado esquerdo o velho convento de 
Sancta Clara, fundado pela rainha Sancta Izabel, do qual 
apenas resta hoje uma parte da egreja, cheia de agua, por- 
que o resto desappareceu com as alluviões do rio, ajudado 
pela acção destruidora dos homens. O antiíiuario poderá ainda 
achar prazer na visita d'estas ruinas, se atinar com a entrada 
para ellas, o que nem sempre é fácil. Próximo d'aqui fica a 
quinta das Lagrimas com a sua tão decantada fonte dos Amo- 
res, onde, segundo a tradição, succedeu o trágico successo 
de D. Ignez de Castro. Só estas recordações tomam o sitio 
notável, porque o mais desappareceu (a). 

Restam felizmente ainda os seculares cedros, que assom- 

(a) O sr. Baeta Neves, digno portuguez, que, residindo no Bra- 
zil, tem sempre o peasamenlo na pátria, para a qual nilo cessa do 
promover melhoramentos, acaba de fazer um donativo de âOO^^OOO 
réis, que já foram entregues ao presidente da camará de Coimbra, 
destinados a diversos melhoramentos 'nesta localidade. 



I 



156 PASSEIOS 

bram aqaelle jorro de agaa a cahir *mmi tanque entalhado e 
velho. Para chegar á fonte é necessário romper por uma ve-, 
reda estreita, que é difiicil e perigoso atravessar por canaa 
das canas qne embaraçam o passo, e muitas vezes terem oom 
as folhas a cara do caminhante. 

E uma vergonha o estado eiu que está um monumento his- 
tórico dos mais notáveis da terceira cidade do reino. 

O único jardim particular, digno de se ver em Coimbra^ é 
o que fica contíguo a esta fonte, e que pertence aosr. Mkiid 
Osório, dono da quinta e palácio das Lagrimas. Nào é difidt 
obter licença para o ver. '7 

Fica mais adiante a quinta das Canas com a sua Lapa doB t 
Esteios, tào celebrada dos poetas; mas o viajante, que se poder 5 
demorar em Coimbra, deve destinar uma tarde para ir em- 
barcado á Lapa dos Esteios, e terá um passeio lindisaimo e 
barato. 

Subindo ao novo convento de Sancta Clara, edificado por 
D. Joào I, encontra o viajante um dos melhores e mais nooB 
panoramas do Portugal, principalmente subindo ao alpendre 
d*uma ermida, que fica um pouco mais acima. 

No convento deve ver a egreja, que é o mais notaTel; e 
pode comprar bom doce, que o ha magnifico 'neste convento. 

'Neste convento conserva-se ainda o corpo da rainha Sancta 
Izabel, que só as pessoas reaes e o bispo da diocese podem 
ver. 

Temos indicado ao viajante o que ha de mais notável em 
Coimbra; mas resumimos o mais que podemos para uâo dar 
a este livro mais extensão do que realmente deve ter. Quem 
tiver tempo de percorrer os arredores da cidade encontrará 
a cada passo monumentos históricos e sitios lindissimoe, dos 
quaes nào nos permitte fallar a brevidade d'este trabaUio. 

Passeio a Abrantes 

Aconselhamos este passeio ao viajante, principalmentepara 
que elle goze o surprehendente e variado panorama, que du- 
rante a marcha do comboyo apresenta o castello de Âlmou- 
rol, e Constância ao passar o Tejo. 

Para isso é preciso tomar logar no cconboyo n.° 2, que parte . 
de Sancta Apollonia de manha, e chega ao Entroncamento de 
tarde. 

Ahi almoça o viajante^ regulando- se pela tabeliã, e segue 
para Leste. 

Deve procurar sentar-se juncto & janella da canoagem 



DE EECREIO 157 

do lado direito, e durante o trajecto ató á Praia, gozará sen- 
sações de surpreza visual, que por muito tempo recordará. 

Se "neste paiz houvesse outro potentado de gosto tào pri- 
inoTOSO como «l-rei o sr. D. Fernando, por certo que procu- 
laria obter a acquisiçâo das ruinas do Castello de Almourol, 
e formaria alli uma deliciosa vivenda, que, com quanto de 
eenero muito differente, seria a rival da decantada Pena em 
CSntra. 

Antes de partir, lede na rezenha gcographica a tradição 
icerca doeste castello, e mais salientes serão depois as sen- 
sações que sentireis ao vel-o. 

Chegado que seja o comboyo á estação da Praia, procurae 
logo passar da direita para a esquerda e tomae logar juncto 
á jabella para na passagem do Tejo gozardes a aprazivcl 
inísta que apresenta Constância, que em forma deamphitheatro 
serve de bifurcação aos rios Tejo e Zêzere que alli se re- 
nnem, descendo este pela vossa esquerda e aquelle pela di- 
mta. 

Aqui aventurae-vos a lançar a cabeça fora da ventana (a), 
e admirae o. arrojo da arte, que construiu a ponte sobre que 
BCÃB conduzido, a qual tem 16 vãos de 30'",50 cada um, ou 
uma extensão total de 488 metros. 

As 8,30 horas chegaes ao Rocio de Abrantes, aonde está a 
estação, e depois de deixar o comboyo, procuraes obter uma 
caviugadura que vos conduza á praça de Abrantes, ou ides 
mesmo a pé por que é um passeio de 8 kilometros. 

Antes de partir para Abrantes será conveniente dispordes 
no reataurant da estação para que vos tenham prompto o 
Jantar quando regressardes, porque lá apenas ha uma reles 
ftuca. 

Feita esta disposição, partis, demorae-vos por lá até próximo 
da noite, e rcgressaes a estação, aonde jantaes com todo o 
-descanso, a fim de entreter o tempo para vos ser menos en- 
fadonho esperar pelo comboyo, que vos deve conduzir d'alli á 
noite, e vos apresenta em Lisboa do manhã. 

Passeio a Thomar 

Thomar é uma pequena mas bonita cidade, á qual merece 
a pena dar-se um passeio. 
O viajante que alli quizer ir toma logar no comboyo até 

(a) Yide o qoe a tal respeito dissemos, quando tractámos dos 
perigos a prevenir. 



158 PASSEIOS 

á Barqtuiúia, e d'alii é conduzido até lá na diligencia por 
500 réis. 

Vae hospedar-se no hotel Thomarensc, qne está regalar^ 
mente montado, e depois de passar nm agradável dia, regresM 
pelo mesmo caminho qne seguiu, se nào preferir vir a pé aJbé 
a estação de Thomar ou Payalvo, e entrar ahi no combojo {a). 

Passeio ao Cartaxo 

Quem quizer ir ver este pequeno rival de Santarém, toma 
lugar no comboyo até á estação de SancfAnna, e d*ahi BGgvB 
na diligencia por 160, regressando da mesma forma qne tcn» 

Passeio de Torres Vedras 

Tomado logar para Alhandra do comboyo da manhfl áe 
qualquer dos dias, segunda feira, quarta ou sexta, e chegado 
alli, toma-se logar na diligencia, que em seguida partenara 
Torres Vedras, aonde se vae pousar á hospedaria que {Jn ha, 
e que é muito regular. 

No dia seguinte regressa-se da mesma maneira que se foi. 

Para a compra do bilhete da diligencia, veja-se Torres 
Vedras. 

Passeio de recreio pelos quatro districtos, de Lisboa^ 
Évora, Portalegre e Santarém 

Partis, por exemplo, 'num domingo de manhã do Terrari 
do Paço para o Barreiro, e d^ahi para Setúbal. 

No dia seguinte regressaes de Setúbal, no comboyo qué 
d'ahi parte de manhã até ao Pinhal Novo, d'onde s^nia no 
comboyo até Évora. , 

Depois de ver o que ha de bom em Évora, e de ter aht* 
gado um trem que vos conduza, partis no dia seguinte (terea' 
feira) ás 4 horas da manhã, e ides almoçar a Azamja, âO 
kilom. distante de Évora. As 9 partis d'aqui, e ides jantar a 
Évora Monte, que dista de Azaruja lO.kilometros. Depois de' 
jantar partis ás 3 da tarde para Estremoz, d'ahi 15 kfl^ 
aonde ides dormir. 

Nos intervallos de comida e partida, tendes aproveitado o 
tempo disponível para ver tudo. 

(a) Por esta forma entra em Thomar pela linha de Leste, e re- 
tira-sc pela do Norte. 



DE BECBEIO 



159 



Na quarta feira, ás 7 horas da manhã, partis para Borba, 
qae dista 13 kil. de Estremoz, e aonde chegaes ás 10 horas, 
6 ahnoçaes em Borba; ao meio dia partis de Borba, e idf.s 
jantMr a Villa Viçosa, aonde deveis chegar á mna da tarde. Às 
5 da tarde regressaes de Yilla Viçosa para Borba, e fícaes ahi. 

Na quinta feira, ás 6 horas da manha, partis de Borba para 
Elyas, d'ahi 28 kil., aonde chegaes ao meio dia ou uma hora. 

Jantaes em Elvas, disfructaes o que alli ha de bom para 
Ter, 8 ás 5 horas da tarde jpartis para a estaçào, c tomaes 
lugar para Lisboa aonde chegaes de mauliâ, depois de ter 
percomdo um circulo de 505 kilometros de extensão. 

Este passeio sendo verificado por quatro, pode importar em 
quatro libras, aproximadamente, a cada um, e sendo só dois 
pode importar, também aproximadamente, seis libras a cada 
um, como demonstram as duas contas de despezas que se 
seguem, as quaes com quanto não se possam indicar como 
pCBcfixas, não devem estar muito longe da realidade. 



Despesa provarei 

2 bilhetes no vapor 

2 ditos do Barreiro a Setúbal 

Hospfidaria em Setúbal 

Bilhetes de Setúbal para o Pinhal Novo, 

e d*ahi para Évora 

Hospedaria em Évora. 

Almoço em Ájzaruja 

Jantar em Évora Monte 

Ceia e cama em Extremoz . 

Almoço em Borba 

Jsntar em Villa Viçosa 

Ceta e eamas em Borba 

Jantar em Elvas 

Aluguer do trem 

Gorgeta ao liteireiro 

Diligencia de Elvas para a estação . . . 

Bilhetes do combojo para Lisboa 

Chá no Entroncamento 

Totaes. . 
A cada um. . 



Para 
dois 



51^^420 
25;^710 



Para 
quatro 



5^320 


#640 


í^660 


1^320 


1^600 


3^200 


4^120 


8#248 


2^000 


3^200 


50900 


1#500 


U200 


2^000 


1^0200 


2^000 


ÍÍ1720 


1#200 


1^200 


2^000 


1;^200 


2^000 


1^.=>00 


2#500 


27^0000 


27^000 


lí^OOO 


1^000 


5^100 


^320 


6áK360 


12#720 


#280 


#560 



71#400 
17#850 



160 PASSEIOS 

Calculámos as despesas de comida, por cabeça, e a diffe- 
rença que parece haver a maior na de dois, comparada com 
a de quatro, é por causa do caleceiro, que obriga a fazer a 
despesa para três ou para cinco, conforme o numero dos 
viajantes. 

Fãsseio ã Santarém, Elvas e Badajoz, regressando 
por Portalegre e Gastello de Vide 

Ide na véspera ao largo do Pelourinho tomar bilhete para 
o omnibus, que de manha deve partir para o Poço do Bispo^ 
se não preferirdes um trem. 

Segui este agradável passeio; deveis calcular as horas, por 
forma que estejaes na estação do Poço do Bispo a tempo d© 
seguir no comboyo logo que chegue. 

Tomaes logar para Santarém, e ahi almoçaes no restau- 
rante da estação; subis depois a Marvilla, e desfructaes o que 
ha de bom em Santarém. 

gTide Santarém no resumo geographico.) 
uando o appetite vos resolva a fazel-o, jantaes em Mar- 
vill^i, ou na estação, como melhor vos parecer. 

A noite, quando chega o combpyo do correio, partis 'nelle 
para Elvas, e chegado que fordes á estação, entraes em uma 
das três diligencias que alli ha para esse serviço, e seguis 
para a Praça. 

Descançaes um pouco no hotel Elvense, almoÇaes, e em se- 
guida ides ver o que ha de bom 'naquelle baluarte da nossa 
independência. • 

Satisfeita a vossa curiosidade, partis para a estação e es- 
peraes o comboyo que de manhã sahiu de Lisboa, entraes 
nelle, e eis-vos caminho de Badajoz. 

Até á fronteira, ides sempre observando Elvas, que parece 
espreitar-vos descontente pela visita que ides fazer á sua rivaL 

Na fronteira pára o comboyo, e toma um carabineiro^ quô 
está já esperando por isso. 

Perdeis então Elvas de vista, e pouco depois apparece-vos 
Badajoz. 

Aqui, é-vos examinada a bagagem com a maior circum- 
specção e prudência, e depois seguis o vosso destino. 

Se não tivestes a precaução de levar moeda hespanhola, 
o que é mais prudente, pedis na estação que vos troquem 
algum dinheiro por duros y e facilmente conseguis isso, na 
razão de 920 réis cada duro, que tem 20 reales, e cada real 
equivale a 46 réis. 



DE RECEEIO 161 

Bseolhei ir para Badajoz a pé ou em diligencia. 

A pé chegaes mais breve á Pozada ou á Fonda, porque a 

dOjg^cia; em consequência da estrcitura das ruas, dá uma 

volta tâo extensa em tomo da cidade, que a primeira vez 
fine alli fomos julgámos termo-nos enganado, e que iamos na 
ffitigeneia de Madrid ou Sevilha. 

m fordes na diliíçencia, ides para a Fonda de las três Na- 
donea, que é a melhor de Badajoz, e está situada na Calle 
de la MoraUja, 

Esta hospedaria esteve perdendo o credito completamente 
em consequência da má administração que teve; mas hoje 
nrocara readquiril-o, tractando os hospedes regular e commo- 
damente. 

Pode alli passar-se com muito ou pouco. 

A ultima vez que alli fomos, almoçámos e jantámos por 
ISreales. 

O almoço foi tortiUaj pan, vino, café, e manteca. 

O jantar sopaj cosido, lingua, 'perdiz e três postres (sobre- 
mezas). 

Apeaes-vos da diligencia, pagaes quatro reales de trans- 
porte, e como nâo tendes tempo a perder, dirigi-vos logo ao 
café Stdsso na Plaza de la constitvcion, que é alli próximo, 
e no qual ides desfructar um quadro de vida e animação, 
como nunca vistes em Portugal, porque á noite em Badajoz 
tado está nos cafés, ou anda pelas caUes (ruas) a passeiar. 

Se ides recommendado a alguém, procuraes logo fallar-lhe 
para ver se conseguis ser apresentado em algum dos dois 
catinos (assoiciaçoes recreativas) que alli ha, se for noite de 
reunião. 

No dia seguinte procuraes ver tudo o que ha em Badajoz 
e depois de entreter o tempo até horas competentes, de manhã 
ou áe tarde, como melhor vos convier, partis para a estação 
a toímar logar no comboyo. 

Deveis, porem, ter cautela em vos guiardes pelo vosso re- 
" íf e nào confiar nos de Badajoz, porque sào regulados 
meridiano de S. Fernando, que faz 20 minutos de dif- 
iça do nosso. 

Tomaes bilhete para Portalegre, se quereis ver esta ci- 
dade pittoresca e. manufactureira. 

Parte o comboyo, e pouco a pouco vem- vos ao pensamento 
ae estareis sobre o terreno em que o condestavel D. Nuno 
Alvares Pereira venceu os castelhanos em 1384, morrendo 
ahi o Mestre de Alcântara e D. Diogo Gomes Barroso, nota- 
bilidades castelhanas. 

Desejaes saber qual seria o logar em qyxe no ^xma ^^.\N[X^ 



162 PASSEIOS 

houve as conferencias entre D. Henrique iv de Castella eom 
D. AíFonso v de Portugal, visto o conde de Feria, que entíla 
governava em Badajoz, não ter permittido a entrada de D. 
Henrique 'nesta praça. 

Envergonhaes-vos com a recordação do lamentável epi- 
sodio da nossa historia, que prova ter a briosa naçSo portn* 
gueza, forçada pela cúria romana, de fazer o papá de alffeê 
e carcereiro d'uma tâo virtuosa senhora, como roi a iniántt 
D. Joanna, porque, resultando d'aquellas conferencias a «eu 
casamento com D. Affonso, e vindo ella para Portugal, con- 
fiada no brio dos portuguezes, collocar-se sob a sua sahi- 
guarda, foi depois obrigada a professar no convento de Sanda 
Clara, de Coimbra, porque o pontifice lhe negou a dispensa 
matrimonial. 

Acode-vos então mais lúgubre pensamento, recordando-vos 
que por alli devia tor passado o duque de Alba em 1580, 
quando veio conquistar Portugal depois do fatal resultado de 
Alcacerquibir. 

Comparaes o presente com o passado, e admiraes-vos que 
em 1658 podessemos mandar por alli o general Mendes de 
Vasconcellos com 14:000 infantes, 3:000 cavallos, 20 canhões 
e 2 morteiros para sitiar Badajoz. 

Vedes retirar este exercito, e ser cercado em Elvas pelas 
numerosas forças que de Madrid vieram em soccorro de Ba- 
dajoz, commandadas por D. Luiz de Haro, .mas logo em se- 
guida tomaes a ver os siti adores retirar e recolher a Badajos 
completamente derrotados. 

Em 16G5 encontraes o marquez de Carracena, commandando 
15:000 infantes, 6:500 cavallos, das melhores tropas da Itália 
e AUemanha, 14 peças de artilheria e 2 ^morteiros para no- 
vamente conquistar Portugal. 

Em 1706 vedes alli um exercito de 30:000 portugoeses, 
commandados pelo marquez das Minas, derrotando mn corpo 
de hespanhoes, commandados por Marros; e em 1709 enoon- 
traes outro de 28:000 homens, commandado pelo marqnez de 
Fronteira, que foi derrotado, perdendo 2:000 mortos e 8KX)0 
prizioneiros. 

Vedes finalmente passar por aqui fora centenares de por- 
tuguezes, que, esquecendo rivalidades antigas, vâo para Ba- 
dajoz fortalecer a revolução incitada por uma audaciosa nra- 
Iher contra os francezes em junho de 1807, lançando fogo a 
uma peça para salvar^ erti dia de S. Fernando, o que havia 
sido prohibido pelo conde da Torre dei Fresno, governador 
àa praça. 
Embebido 'iiestas e em mil outxdA Tecntdsic;^^ dA fauotos 



\ 



DE RECREIO 163 

nracticados 'naqaelle traço de terreno, sentis parar o com- 
Doyo e darem- vos ordem para apear. 

Olhaes e vedes á porta de cada carroagem um individuo 
de má catadura, que vos pergunta se trazeis tabaco: natural- 
mente respondeis >lhe que nâo; mas vedes que a pergunta é 
ociosa, porque vos nâo acreditam, visto que em seguida en- 
tram nas carroagens e tudo esquadrinham o mais minucio- 
Munente possível. 

A' esta inépecçâo geral, segue-se a especial, porque vos 
«igem a abertura das malas, bahus e saccos de noite, revol- 
Jo em seguida e pondo em desordem e desarranjo quanto 
t. dentro. 

.hora dura este martyrio, e finda ella entraes nova- 
mente para o comboyo e seguis, se vos nao tem tentado a 
desgraça de comprar alguns charutos nos eataaicos nacionaes 
qao enoontrMtes em Badajoz. 

' Fugi de tão diabólica tentação... introduiá contos de réis de 
onfaro qualquer contrabando, que pouco risco correis (a); mas 
«B. YQB apanharem com uma libra de charutos, mal e bem 
mal vos irá. 

Tende sempre presente como eu tenho o que dizia uma se- 
nhora a cada amarrotadella que lhe davam nas sedas e en- 
gonuBados que trazia nos bahus da sua bagagem... e tudo isto 
poaroausa do tabaco!! 

Como estaes livres da fiscalisaçâo iàbacalf e ides chegando 
a Portalegre, disponde-vos para sahir, logo que dêem aviso 
da chegada áquella estação. 
, Uhfjgaates, tomae a vossa mala, entrae na diligencia que 
vos. conduz a Portalagre, e d^ahi dirigi-vos â hospedaria: al- 
oioçae e sahi a ver o que ha de bom pela cidade; depois 
vinde jantar, e concluído que sejíi, entrae de novo na dili- 
gencia para estardes na estação a tempo de partir no com- 
boyo do correio: chegaes ao Entroncamento, tomaes chá, pão 
(péssimo) e manteiga, que vos custa 140 réis, recolheis-vos 
ao comboyo, e de manhã estaes em Lisboa. 

Aqui BoSre a vossa bagagem nova revolução, que, nâo sendo 
ttido por causa do tabaco, como dizia em Elvas a nossa co- 
nhecida, também tem elle ahi grande parte. 

Livre da fiscalisaçâo, sahis, e tomaes o omnibus ou um trem 
para vos retirardes e dcscnnçar das fadigas da viagem. 

(a) Não se entenda con) o que dizemos qoe aconselhamos o con- 
trabando. 



164 



PEZOSE MEDIDAS («) 



Para muitos será conveniente, e a outros curioso, ooDheeer 
com exactidão a capacidade que têm as medidas nos oonee- 
Ihos ou povoações por onde transitarem, e por isso jundamot 
um mappa, que indica quantos litros e centilitros produz esda 
um dos 4S0 alqu^es e 410 almudes, que presentemente estia 
em uso no ocmtinente do reino. 

Todos os concelhos, que levam a nota de extínctos e nnidoB 
a outros, vão mencionados por lhes ser permittido oontíniiM 
a &zer uso das medidas que tinham na epocha da extinogla 

Deixamos de indicar as dos demais concelhos eztínetoSi 
visto que só podem £azer uso das medidas dos ooncelhoB a 
que £>ram annexados. 

Não mencionamos fracções, porque o espaço de que ^Ba- 
pomos é pouco, e além d'isso o alqueire e almude são bum 
sufficientes para calcular com exactidão qualquer transftoçio» 

Dos pezos não fazemos menção, visto que para elles jaeati 
em practica o systema métrico decimal. 

S) Depois de termos formulado este trabalho^ apparecen i lãt 
stema legal de medidas, redigido pelo sr. Joaquim José da Gnwa, 
obra qae devem coDsaltar todos os que desejarem ter cabal hdtbv^ 
mação d*e8ta especialidade. 



PEZOS B MEDIDAS 



165 



m lltrM e eeattlItrM, ei ~ 







Alqueires 


Almndes 


f4Hioeibo8 e freguesias 


Distríclos 


— 


— 






LU.octfit. 


Ut.oeent. 


AUul (a} 


Leiria 


Ue766 


17e5U 


Abrantes 


Santarém 


13 e 885 


17e280 


Agaeda 


AYCiro 


14 e 217 


19e680 


• w 


» 


57,000 


— 


Aguas Mias (c) 


Santarém 


13 e 760 


17 e 760 


Ag«íar*(d) . 


Évora 


lie 555 


20e6i0 


,• 4a Beira 


Guarda 


lie 820 


27e280 


ffôoLÍ 


Évora 

» 


lie 930 
14 e 696 


20e760 
18e2i0 


AllKtfgaria 


Aveiro 


1iei30 


2ie2i0 


(fl 


» 


— 


17e0i0 


Albufeira 


Faro 


15 e 110 


2ie2i0 


AfeacerdoSal 


Lisboa 


lie 205 


19e200 


taW 


Évora 


lie 852 


19eU0 


Santarém 


14 e 925 


20ei00 


Alcobaça 


Leiria 


13 e 965 


19e800 


Alco^e 


Lisboa 


13 e 730 


17 e 6i0 


AkoatiBi 


Faro 


13 e 640 


19 e 620 


AMèaGallega 


Lisboa 


13 e 770 


18.000 


Alfandega da Fé 


Bragança 


16 e 500 


25e200 


Alfarell08deJaUe8(i) 


Villa Beal 


lie 580 


26e8i0 


Alemqner 


Lisboa 


13ei80 


17 e OiO 


Alijó 


Villa Real 


16 e 330 


28e960 


AÍeinr [l)^ 


» 





25e080 


Faro 


lie 720 


27e900 



Concelbo extincto, unido ao de Pombal. 

Búzio de sal. 

Freguesia do concelbo de Ferreira do Zêzere. 

Concelbo extincto, unido ao de Yiana. 

Concelho extiocto, unido ao de Moole-mór-o-novo. 

Medida privativa para azeite 

Concelho extinclo, unido ao de Viana. 

Concelbo extinclo, unido ao de Sanlarem. 

Freguezia do concelho de Villa Pouca de Aguiar. 

Medida chamada do Porto. 

Concelbo extincto, unido ao de Lagos. 



166 



PEEOS B MEDIDAS 







Alqueires 


Alnude 


Gonceiiioe « fregiexiaB 


Distríctos 


— . . ■ 


— 






UU • cenU 


Lit. e oent. 


Aljustrel (a) 


Beja 


15 e 770 


2âe6§0 


Almada 


Lisboa 


14 6 410 


ís.mê 


Aloaeida 


Guarda 


17 e 150 


31 6 201 


Almeirim 


Santarém 


13 e 710 


16 eM 


Almodorar 


Beja 


16 6 800 


24 6 000 


Alpedrinha (ò) 


Castello Branco 


13 e 148 


24 6 571 


Alter do Chão (c) 
• Pedrosa (d) 


Portalegre 


14 e 878 


20 6YIO 


» 


15 e m 


24 «480 


Alvaiázere 


Leiria 


13 e 660 


216 OH 


Alvares (e) 


Coimbra 




18 6'820 


Alvito (/) 


Beja 


14 e 540 


19 6280 


Awarante 


Porto 


20 e 024 


26 6100 


Amares 


Braga 


17 e 291 


22 6^000 


te) 


» 


18 e 163 


-:-. 


w 


» 


17 e 930 


J^.... 


Amieira (i) 


Portalegre 


14 e 872 


20 6 000 


Aiiádia 


Aveiro 


14 e 800 


18600^ 
20eS^ 


Ançâfj) 


Coimbra 


14 e 338 


Anci5o.(/) 


Leiria 


13 e 420 


18 6 90 I 
23 6 70^ 


Arcos de Vai de Vez im) 


Viana do Castello 


17 e 822 


• ■ («) • 


» 


20 e 365 


— ■ ■ 


Arez (o) 


Portalegre 


14 e 740 


2l6006 


Ãf?anil ip) 


Coimbra 


14 e 840 


87 6 W 



Vide Messejana. . i 

Concelho extincto, unido ao de Fundão» 
Vide Altei* Pedrosa, Cabeço de Vide, Chancellaria e Sedi^ 
Freguesia do concelho de "Alter do Chão. 
■ [ej Concelho extincto, parte do qual foi annexo ao de Góes, 6 
esta parte é que continua a fazer uso das medidas do liquido que 
tinha, sendo o almude de 10 canadas ou 40 quartilhos. 
íf) Vide Torrão e Villa Nova de Baroina. 
Ig) Medida privativa do ceileiro da casa dé Castro dcéondt da 
Figueira. 

[h] Medida privativa da casa 6 quinta do fidalj 
na freguezia de Fiscal. 
ii) Freguezia annexa ao concelho de Gavião. 
íj) Concelho exlincto, unida ao de Cantanhede. 
(/) Vide JSedinAo. 
(m) Vide Soajo. 
(n) Medida de Reguengo. 
io) Freguezia annexa ao concelho de Niza. 
(P) VideCojà. 



4a Tapada, 



PEZOS E MEDIDAS 



167 







Alqueires 


Almudes 


Concelhos e freguezias 


Districtos 


— 


— 






Lit. e cent. 


Lít. e cent. 


Afganil (a) 


Coimbra 


14 e 840 


24e800 


Ailiamar (6) 


Vizeu 


15 e 293 


25 e 135 


...> (c) 


» 


17 e 110 


— . 


AiMea 


Aveiro 


16 e 270 


25 e 500 


■' • [d] 


» 


114 , 000 


— 


AMiolh» (ê) 


Évora 


14 e 865 


18 e 900 


Mtonehes 


Porlalegre 


14 e 565 


20 8 820 


àmáaif) 


Lisboa 


13 e 200 


16 e^ 


AMeíceira [g] 


Santarém 


14 e 070 


19 e 440 


kttííú 


Aveiro 


13 e 240 


17 e 400 


• • (ft) 


» 


39 , 000 


■ — 


Affim 


Portalegre 


15 e 465 


20 620 


^M(^) 


Coimbra 


15 e 080 


28e200 


• [i] 


n 


— 


22 560 


Aiambvja 


Lisboa 


13 e 535 


16 8 800 


As8itafr(fn) 


» 


13 e 860 


17 8 424 


BaiAo 


Porto 


17 e 830 


29 376 


Baroellos 


Braga 


15 e 128 


25 e 668 


» (fi) 


» 


17 e 232 


_ 


» 


n 


17 e 974 


-^ 


P\ 


» 


20 e 613 


— 


w 


» 


17 e 373 


— 


- [r] 


Viana 


17 e 360 


25 e 320 



Medida para azeite. 
As medidas de secco, cbamam novas. 
A esta medida chamam velha. 
Razão de lagar. 
Vido Vimieiro. 
Vide Sobral. 

Freguezia do concelho de Tbomar. 
Kaza de Sal. 

Vide Ervedal e Figaeiros. 
(/) Concelho extincto, parte unido ao de Oliveira do Hospital, 
e continua a fazer uso das medidas que tinha, uma das quaes era 
o almude ter 15 canadas ou 60 quartilhos. 
{l) Medida de azeite. 

Concelho extincto unido ao de Setúbal. 

Medida privativa do convento de Vilar. 

Raza de Reguengo. 

Raza grande ou velha. 

Raza. 

Freguezia. 



ih) 

{d\ 
(« 
if) 



í!i 



168 



PEZOS E HEDIDAS 







Alqueires 


AlmBdes 


Concelhos e freguezias 


Districtos 


— 


— 






Lit. ectfit. 


Lit. e c«iit. 


Barqueiros (a) 


YiUa Real 


17 e 850 


25«6il 


Barquinha 


Santarém 


14 e 110 


19e6l» 


Barrancos 


Porto 


14e800 


21 ,m 


Barreiro 


Lisboa 


13 e 690 


16 «IM 


Batalha 


Leiria 


14 e 079 


new 


ixr^ 


Beja 


13 e 340 


18eltl 


Lisboa 


13 e 690 


l^eM 


Belmonte (c) 


CasteJlo Branco 


17e30« 


21, M 


» 


• 


— 


25, M 


BeWer (d 


Santarém 


14 e 820 


25e8M 


Bemvive {e) 


Porto 


17 e 662 


«ein 


Benavente (H 


Santarém 


13 e 510 


18 ,0M 


BobadeUa(9) 


Coimbra 


16 e 660 


35671» 


Borba 


Évora 


14 e 002 


19eM9 


Boticas 


Villa Real 


17eí00 


25elit 


Bonças 


Porto 


17 e 303 


25el7i 


Braga 


Braga 


16 e 119 


23e7M 


• ih) 


» 


17 e 700 


— 


'• i) 


» 


16 e 506 


_ 


• U) 


u 


17 e 326 


_. 


• (' 


tt 


16 e 930 





. (mj 


» 


15 e 962 


_ 


Bragança 


Bragança 


14 e 040 


25e7M 


Bringer(n) 


Bejí • 


13 e 960 


18 e 960 


Cabeceiras de Basto 


Braga 


19 e 210 


28e112 


Cabeço de Vide (o) 


Portalegre 


15 e 176 


28eM0 



F^uezia unida ao concelho d^ Mezãoírio. 
Vide Bringel. 
I Vide Caria. 
Fregoezia pertencente ao concelho de MaçAo. 
Concelho extincto unido ao de Canaveies.* 
Yide Salvaterra, 

Concelho extincto, unido ao de Oliveira do Hospital: o al- 
iem 15 canadas ou 60 quartilhos. 
Medida- para trigo. 
Medida para milho miúdo. 
Medida para centeio. 
Medida ao extincto couto de Vimieiro. 
Padrfto existente na camará. 
Concelho extincto, unido ao de Beja. 
Frqgoeiía annexa ao cooceUio de AlVac ia Chift« 



PKZOS E MEDIDAS 



169 







Alqueires 


Almudes 


Concelhos e fregaezías 


Districios 











UU cent. 


LiU e cant. 


GabrUM 
Gadafal 


Coimbra 


15 e 176 


12 500 


Lisboa 


13 e 810 


17 e 040 


(kdima ib] 


Coimbra 


14 e 163 


21 e 156 


<kUas da Rainha 


Leiria 


13 e 580 


19 620 


Gminha 


Viana do Castello 


20 e 352 


23 820 


(kBpoUaíor 


Portalegre 


14 e 126 


17e»0 


GanaTeaes (e) 


Porto 


19 e 623 


26e040 


GiB0{rf) 


Portalegre 


15 e 680 


22 320 




Coimbra 


14 e 0i2 


21 e 360 


Gaiia(n 
Garmeao d'Anciães 


Castello Branco 


16 e 520 


26 604 


Bragança 


15,000 


250200 


Camgal(9) 


Vizeu 


23 e 468 


25e536 


Onrtaxo 


Santarém 


13 e 070 


16 800 


Gar? oeira [k] 


n 


14 e 220 


210 600 


Gattello Branco 


Castello Branco 


14 e 784 


25 680 


GaMollo de Pai? a 


Aveiro 


17 e 710 


25 e 200 


GastellodeVide 


Portalegre 


13 e 790 


19 440 


Castro d'Aira 


Vizeu 


15 e 912 


27 840 


Gaitro LaboMiro [%) 


Viana do Castello 


46 e 210 


53 760 


C^MtrtXaríB 


Faro 


15 e 760 


210 360 


Castro Verde (j) 
Caia Branca [l) 


Beja 


16 e 060 


2ie360 


Portalegre 


16 e 110 


20e880 


Caiarei (m) 


Beja 


14 e 8f0 


210 960 


Cêa 


Guarda 


16 e 370 


36,000 


Calórico de Basto 


Braga 


19 e 234 


230868 


(») 


» 


20 e 491 


— 


• da Beira 


Guarda 


16 e 050 


21 960 


Cert&(o) 


CasteUo Branco 


13 e 544 


18,000 



(a) Frognezia do concelho da Pampilhosa, aonde é asado este 
alBoda, a qne chamam Tacho. 



Concelho oxtincto, nnido ao de Cantanhede. 

Vide Remviter e Soalhiet. 

Fregnezia anneza ao concelho de Fronteira. 

Vide Ámçã e Cadima. 

CoDceibo extiocto, no ido ao de Beinionle. 

O alqueire senre também para medir sal. 

Freguezia pertencente ao concelho de Macio. 

Vide Sarzedas. 

Concelbo extincto, unido ao de Melgaço. 

Vide Cazetel, Entradas o Sancta BarHara 

Fregnezia anneia ao eoneelho de Fronteira. 

Concelho extinelo, nnido ao de Castro Verde 

Mãiãfãn BiL 



170 



PBZOS B MEDIDAS 







Alqueires 


Âlmude» 


CoB6eIho$ e freguezias 


Didtrictos 


— 


.^ 






Lit. e cent. 


LiLecenU 


Gerira (a) 


Villa Real 


18eGS0 


^•8it 


Gezimbra 


Lisboa 


13 820 


11 «M 


Chamusca 


Santarism 


13 e 8^ 


lOeiii 


ChaDcelaria (b) 


Porlalem 


lleSSd 


^•Itt 


GhaT68 


Yílla Real 


15 280 


24 6^Mí. 


Cintra 


Lisboa 


13 e 855 


IfieM» 


Coimbra 


Coimbra 


13 e 161 


HelU 


Coja (c) 


» 


14 e 800 


32elM 


[d] 


» 


— 


2Ke0a» 


Conceição (e) 


Beja 


14 e 210 


aOelM 


Condeixa (/) 


Coimbra , 


13 6 335 


leeMO 


Constância (Villa Nova de) 


Santarém 


13 680 


19eitt 


Comcbe 


» 


13 e 270 


19etta 


Conra 


Viana do Castello 


18 e 538 


^elit 


ig) 


j» 




23e«» 


CoTiiba 


Castello Branco 


16 7380 


Uéi» 


» W 


j» 





i2«'m 


Crato 


Portalegre 


13 900 


216 780 


Coba (t) 


Beja 


13 e 860 


17 62M 


Cascaeg 


Lisboa 


13 e 800 


16 6 188 


Ep ij) 
Elvas 


Coimbra 


13 e 770 


19e.8af 


Portalegre 


13 890 


16e8tf 


Entradas (0 


Beja 


14 e 860 


26A1M 


Enfendes (m) 


Santarém 


14 e 650 


22 680 


Ericeira (n) 


Lisboa 


13 430 


18 6 968 


Ervedal (o) 


Portalegre 


15 e 803 


226200 



O almude 'neste concelbo tem 10 canadas. 
Freguezia unida ao concelbo de Ribeira da Pena. 
Freguezia annexa ao concelbo de Alter do Cbfio. > 
Concelbo extincto, e que pertence parte ao de Ârf^anil, e parte 
Táboa. O almude tem 15 canadas ou 60 quartilhos^ 
Medida para azeite. 

Freguezia unida ao concelho de Ourique. 
Vide Ega. 

Medida para azeito. 
Medida de cobre a que chamam cântaro: só serre para tí- 

Vide Villa de Al?a e Villa Ruiva. 
Concelbo extincto, unido ao de Condeixa. 
Concelbo extincto, unido ao de Castro Verde. 
I Concelbo extincto, unido ao de Condeixa. 
Concelbo extincto, unido ao do malta. 
Freguezia aonexa ao conceWio de K^\u 



PEZOS E MEDIDAS 



171 







Alqueires 


Almudes 


Concelhos e freguezias 


Districtos 


— 


— 






LU. e cent. 


Lit. eccnt. 


Emdal (a) 


Portalegre 


15 e 803 


31c 680 


Smoieode 


Braga 


17 e m 


25e69â 


■ • m 


» 


32 e 422 


-~. 


BiUireja 


Aveiro 


14 e 250 


25 e 440 


Bitremoz 


Évora 


13 e 726 


18 e 840 


B9ora(c) 


n 


14 e 500 


17 e 400 


.• Monte (d) 


n 


13 e 330 


19e^20 


fftfe 


Braga 


19 e 538 


23 e 640 


Faja^W 


Coimbra 


15 e 796 


— 


VktÍBhà Podre (0 

• (g) 


» 


14 e 540 


â2o560 


9 


— 


20 e 256 


Faro 


Faro 


15 e 800 


18 e 600 


Mra 


Aveiro 


17 e 480 


25 e 440 


felgwiras 


Porto 


19 e 560 


24 e 480 


Feireira (A) 


Beja 


14 e 200 


18 e 300 


Figkiaira de Gastello Ro- 
drigo 








Guarda 


15 e 780 


26 e 400 


' « : da FoE (i) 


Coimbra 


14 e 470 


21 e 800 


Fígaeiros (/) 


Portalegre 


15 e 780 


22 e 080 


fliiieirÓdoB Vinhos 


Leiria 


13 e 760 


21^060 


Fât^m 

Fôrtio»de Algodres 


Yilla Real 


16 e 220 


26 e 460 


Gua da 


16 e 760 


26 e 400 


Fticda.' 


» 


16 e 130 


25 e 440 


Fhkgeas 


Vizeu 


15 e 632 


30 e 090 


Freixo 


Bragança 


14 e 900 


22e800 


Fronteira (m) 


Portalegre 


14 e 630 


20 e 040 


Fandão [n] 


Castello Branco 


15 e 944 


24 ,000 


Gahes (o) 


Portalegre 


16 e 100 


21 e 560 



Medida para azeite. 

Medida para sai. 

Vido ETora Monte. 

Concelho extincto, unido ao de E?ora. 

Concelho extincto, unido ao da Pampilhosa. 

Concelho extincto, unido ao de Penacova. 

Medida para azeite. 

Vide Aguas Bellas, 

Vide Lavos e Maiorca. 

Freguezia aonexa ao concelho de Atíz. 

Freguezia pertencente ao concelho de Sancta Martha de Pe- 
naguião. 
Tm\ Vide Cano, Casa Branca, Souzel e Veiros, 
jnj Vide Alpedrinha. 
(of Pregaeiià annexa ao concebido de l^^tAA ^^ ^^t« 



172 



PEZOS B MBDIDAS 







Alqueires 


Almudes 


Concelhos e freguezias 


Districtos 


— 


— 






IJt. e cent. 


Lit. e ceat. 


Garvfio (a) 
Gavifio (6) ' 


Beja 


14 e 560 


216 840 


Portalegre 


13 e 940 


22 6 560 


Gocs (c) 


Coimbra 


13 892 


366 480 


• W 


» 


— 


23 6 040 


• W 


» 





12 6 480 


Goleça 
Goodomar 


Santarém 


14 e 070 


18 6 060 


Porto 


16 e 777 


25 6 140 


Goavéa 


Guarda 


15 e 800 


39 6 600 


if] 


» 


17 e 980 


.i. 


Grândola' 


Lisboa 


14 e 540 


19 6 820 


Goanla 


Guarda 


14 e 3^ 


23 6 040 


{9) 


» 


19 e 070 


.^ 


Guimarães 


Braga 


19 e 418 


236228 


W 


m 


25 e 046 


■* ■ 


k) 

Honra de Sobrozo (/) 


» 


itleOSO 


-» 


Porto 


16 e 974 


256800 


Idanha a Nova (/) 


Castello Branco 


16 e 600 


48,000 


Ílhavo 


Aveiro 


14 e 100 


18 6 720 


(tn) 


» 


42 e 500 


... 


Lagares (nj 


Coimbra 


16 e 230 


39,000 


(o) 


» 


— 


316 200 


Lagoa 


Faro 


16 e 126 


24,000 


Lagos (p) 


» 


13 e 060 


17 6 400 


• \) . 


Coimbra 


16 e 380 


— 



a) CoDcelbo extincto, unido ao de Ourique. 
6} Vide Amieira, 
c) Vide Alvares, 

dj Medida para aguardente oa cabeça de concelho, 6 para aseiti 
em todo elle. 
(e) Almude chamado pequeno, e que tem 26 quartilhos. 
\f) Medida da tulha do ex."** conde de Mello, na villa di 
Mállo. 

Medida, chamada velha, do cabido da sé da Goarda. 
Medidas para cal. 
Medidas para cal. 

Concelho extincto, unido ao de Paredes. 
Vide Monsanto, Proença a Velha, e Salvaterra do extremo 
Rasa de sal. 

Concelho extincto, unido ao de Oliveira do Hospital. 
Medida para azeite: 
Vide Aljezur e Villa do Bispo. 
Concelho extiocto, anoexo t» de O^ritVra 4^ Ee«\íital. 



PKZOS S MEDIDAS 



178 



Concelhos e fr^aezias 



Distríctos 



Alqueires 
LA. e cent. 



Almudos 
Lit. e cenf. 



Lamego [a) 

• (í) 
lAToefc) 
Utre(<q 
Leiria 
Uidozo 
Uftfoa 
Loolé 

Lonriçal [e] 
LewrinbS 
Lonroza If) 

> (9) 
LMxS(Jk) 
Loozada(t) 

Mação (n 

Macedo de Cavalleíros 

MaeieÍFa de Gaiobra 

Mafra (»] 

Maia 

Maiorca (n) 

Maogiialde 

Maoteigas 

Marco de CanaTezes (o) 

Marrão 

Mealhada 

Meda 



Yizeu 

Coimbra 

ETora 

Leiria 

Viana do Caalello 

Lisboa 

Faro 

Leiria 

Lisboa 

Coimbra 



Porto 

Santarém 

Bragança 

Aveiro * 

Lisboa 

Porto 

Coimbra 

Vizeu 

Guarda 

» 
Portalegre 
Aveiro 
Guarda 



15 e Sii 

17 e 110 
14 e 950 
14 e 500 
14 e 063 

18 e 835 

13 e 800 

14 e 360 

14 e 475 
13 e 7^ 

19 e 450 

13 e 745 
17 e 792 

17 e 032 

16 e 2i0 

15 e 420 

18 , 000 

13 e 270 

17 e 350 

14 e 330 

15 e 851 
14 e 755 

14 e 020 
14 e 418 
15e8:M) 



250335 

29 e 100 
20 o 160 
10 e 560 
36 e 57B 

16 e 800 

19 e 920 
2f , 000 

17 e 280 
45 ,000 
36 , 000 

18 c 240 

24 e 864 

23 520 

25 e 120 
28 ,000 
18 e 960 

26 o 460 

23 e 184 

26 722 

24 e 480 

20 e 160 

21 e 144 

27 e 8i0 



(a) As medidas de secco chamam novaSf a de liquido é a da 
companhia dos vinhos do Alto Douro. 

lo) Medida, a que chamam v«(/^. 

\e\ Concelho extincto, unido ao da Figueira da Foz. 

[dl CoAcelho extincto, unido ao de Monte-mór-o>llovo. 

( e) Concelho extioclo, ooido ao de Pombal. 

!ff Concelho eztiocto, unido ao de Oliveira do Hospital. 

g) Medida para azeite. 

n) Vide Serviut. 

i] Yide Unkão. 

j\ Medida antiga. 

l) Vide Belver, Carvoeira e Envendos, 

(m) Yide Ericeira e YíUa Kova 4'Axoreira. 

( mj Concelho extincto, unido ao da Figueira da Foz. 

{ O) Yide Canavfzes. 



174 



PEZOS E HEDIDÀS 







Alqueires 


Almudes 


GoBcelhos e freguezias 


Distnctos 


— 


-*♦ 






LiU e cent. 


Lit. ecant. 


Melgaço [a] 


Viana do Castello 


n e 60S 


24 en^ 


Mertola 


Beja 


16 e 530 


22 em 


M66sejaaa[6) ^ 


)} 


lie 220 


20elMr 


MezSo Frio (c) 


Villa Real 


17 e 830 


27eim 


• W 


» 


— 


25e54ft 


• (v 


» 


— 


25., «M 


• /) 


)} 


— 


27.el0» 


MidOesto) 


Coimbra 


16 e 920 


48elêa 


(k) 


» 


— 


u%m 


lira 


)) 


14eS35 


22e«Qd 


Miranda ft) 


Bragança 


14 e 600 
13 e 440 


2ft64i0 

19 e 200 


Mirandella 


» 


16 e 078 


2S,JÍiO 


Mogadouro 


. » 


15 e 400 


38,Ma 


Moimenta da Beira 


Vizeu 


15 e 743 


25 6 800 


Monchique 


Faro 


16 , 000 


246» 


Monção [l] 


Viana do Castello 


.20 e 675 


24,000 


Moncorvo 


Bragança 


13 e 300 


25,00» 


Mondim (m) 


Vizíu • 


15 e 417 


24 e 861 


» n) 
Mondim de Basto 


)) 


17 e 110 


.^ 


Villa Real 


19 e 770 


29e0« 


Monforte 


Portalegre 


13 e 982 


21e5M 


Monsanto (o) 


Castello Branco 


18 e 460 


296» 


Montalegre 
Monle-Mór-o-Novo (p) 
Monte-Mór-o-Velho (g) 


Villa Real 


17 e 280 


2568» 


Évora 


13 e 790 


196200 


Coimbra 


lie 630 


2de0» 



Vide Castro Laboreiro. 

Concelho extincto, unido ao do Aljustrel 

Vide Barqueiros. 

Medida especial da freguesia de Barqueiros. 

Medida chamada do Porto. 

Medida para azeite. 

O almude 'noBte concelho tem 15can{ub6 ou 60 quai4iiÍio$. 

Medida para azeite. 

Vi^Je Semide. 

Medidas, chamadas antigas. 

Vide Valladares. 

Às medidas de secco chamam novas. 

Medida velha. 

Concelho extincto, unido ao -do IdAaha a Kova. 

Vide Águias, Lavre, Mora e Pavia. 

Yide Pereira e Tentúgal. • 



FBZOS B MEDIDAS 



175 







Alqueires 


Almudes 


Concelhos e freguezias 


Districtos 










Lit. 6 cent 


Lit. 6 cent. 


Hóra (a) 


Évora 


14 e 110 


20 e 580 


MorUgoa 


Vizeu 


15 e 082 


22 e 176 


]lo«ra 


Beja 


13 c 600 


18 6 840 


Moorso {b) 


Évora 


14 e 560 


20 e 400 


*irça 


Villa Real 


15 e 220 


25e30e 


» (c) 


» 


— 


25 e 570 




Vizeu 


15 384 


27 e 192 


Rte (íf] 


Portalegre 


15 e 105 


26 e 160 


Itoiriieira de Gravo íe)^ 


Coimbra 


13 e^70 


%e7ee 


gmim (n 


Beja 


16 e 680 


21 e 120 




Leiria 


13 e 690 


16 6 800 


Oleiros (o) 


Lisboa 


13 e 580 


17 e 100 


Caslello Branco 


13 e 930 


19 ,000 


Olbio 


Faro 


16 e 460 


18,000 


Olitaes 


Lisboa 


13 e 650 


16 6 920 


Oliteira d 'Azeméis 


Aveiro 


18,000 


24 e 600 


• • do Bairro 


» 


14 e 422 


16 6 600 


;. • ■ • ['') 


» 


— 


19 6 800 


W 


» 


— 


21 ,000 


• de Frades 


Vizeu 


16 e 378 


27 6 2i0 


• do Hospital (i) 


Coimbra 


15 e 700 


35 6 760 


(/ 


» 


— , 


28 6 608 


Orioila (w) 


Évora 


14 e 190 


18 e 480 


Onrique [nj 


Beja 


15 e 180 


226800 


Ovar 


Aveiro 


18 e 954 


26 e 160 



(a) 
U) 
(c) 

mude 

{f. 



íi 



Lagos, 
da Be: 

m) 
n 



Concelho extincto, unido ao de Montc-mór-o-Novo. 

Concelho extincto, unido ao de Reguengos. 

Medida chamada do Porto. 

Vide Arez e Tolosa. 

Concelho extincto unido ao de OUyeira do Hospital; o al- 
tem 15 canadas ou 60 quartilhos. 

Vide Villa Nova de Milfonies. 

O almude tem 10 canadas. 

Almude de Eixo. 

Almude de Malta. 

O almude tem 15 canadas: yide Atò, Bobadella, Lagares, 

Lourosa, Nogueira do Cravo, Penalva d'Alva e VJUa Pouca 
ta. 

Medida para azeite. 

Concelho extincto, unido ao de PerteL 

Vide Conceição, Garvâo e Paaoias. 

8» 



rm 



VtXOB B MEDIDAS 







Alqueires 


Almudes 


GoReelhos e freguezias 


Bistriclos 


— , 


— . 






Lit. e cent. 


Lil. e ccnt. 


Ovar a) 


Aveiro 


77 , 000 




. m 


» 


54 , 000 


— 


Paoos: ae Ferreira 
PafalTo(r) 
Palmela (ú) 


Porto 


17 e 434 


25eí«0^ 


Santarém 


13 e 620 


18 ,im 


Lisboa 


13 e 960 


17eÍM 


Pampilhosa (e) 


Coimbra 


13 e 840 


24 ,(m 


Panoias f]' 


Beja . 


14 e 070 


28 e 800 


fiatedeg g) 
Pa^ia(A • 


Porlft 


17 e 267 


25e8Mr 


Évora 


l«e29fr 


20c7W- 


Pedropao Gkrande (í) 


Leiria 


13 e 190 


18,5J5> 


PME Cova (/) 


Coimbra 


14 e 080 


20e8dÉ' 


Penafiel (/] 


Porto 


17 e 795 


24 e GOI. 


Peaalva d0 Âtva (m) 


Coimbra 


15 e 850 


33 e 30» 


• •■ •'•.•-(«); 


» 


— 


26 e^O' 


» dQGa8t6lIe.(«) 


Vizeu 


14 e 566 


28 e 9dé) 


• * iP) 


» 


16 e 387 


27 8 74i 


Ptnajnacor 


Castello Branco 


16 e 580 


27 e 936 


FènedoDo 


Vizeu 


15 e 569 


26 e 552 


Ptioelia [q] 


Coimbra 


13 e 468 


19 e 104 


Peniche " 


Leiria 


13 e 719 


17 e 460 


Pereira (r) 


Coimbra 


14 e 630 


19 e 200 



(?) 

cl 



Raza de sal. 
Ráza de cal. 

Freguezia pertencente ao concelho de Tbomar. 
Concelho extincto, unido ao de Setúbal. 
Vide Cúhril e Pajão, 
Concelho ettincto, unido ao de Oun'<}ue. 
Vide Honra de Sabrosa. 

Concelho extincto, unido ao de Monte-Mór-o-Novo. 
O almude tem' 10 canadas. 
Vide Farinha Podre. 
Vide Portocarrero. 

Concelho extincto, unido ao de Oliveira do Hospital: e al- 
tem 15 canadas. 
Medida para azeite. 
Às «medidas de secco chamam novas: as de líquido 39o para 



mude I 
(n) 

▼inho. 

{p) Às medidas de secco chamam velhas: a^de liquido são para 
azeite. 

(9) 



Vide Podentes e Rabaçal 

Concelho extincto, unido ao de Honle-ipór-o-Velho. 



PUZOS E HBDID^ 



177 







Alqueires 


Almudes 


Concelhos e freguezias 


Dístrictos 


— 


— 


• 


t 


Lit. e ccnt. 


Lit. 6 cenU 


Pernes (a) 


Santarém 


14^925 


20«40Ó 


Fezo d» Regoa (ft) 
» (c) 


ViUa Real 


U e 390 


S8e8Ô0 


» 


19 e 180 


2«e2Í0 


{d) 


» 


15 e 890 


29 «700 


U) 


» 


97 e 180 


_ 


.... . (f) . 


• 


32 e 200 


— 


Pico de Regalados (o) 


Braga 


17 e 361 


25 e 776 


PiaJiel 


Guarda 


13 e 780 


19 e 200 


Psdenles (h) 


Coimbra 


13 e 102 


18elÍ4 


?0iêne$ 


» 


14 e 140 


19 e 410 


.fmM (i) . 


Leiria 


13 e 320 


13 e 900 


.PODie da Barca 


Viana do Castelio 


17 «490 


23 6 400 


- • • (/) 


» 


19 e 825 


— 


Pootedo Lima [l) 


» 


17 e 125 


22e7«8 


-; •• ■ (m) 


3» 


«^ 


23e«IO 


:. : » • . («) 


)) 


19 e 970 


25 e 130 


';• .... 0) 


» 


17 e 129 


27 o 710 


" - • {p 


» 


19 e 925 


24 e 160 


n q 


■ )) 


17 e 660 


ií4«404 


...',» Ir 


» 


17 e 200 


t7oT74 


(t) 


íí 


17 e 135 


24 8^4 



Ía) . Goftcelho exiincto, unido ao de Santarém. 
b] Vide Mezào-Frio. 
c) Medidas chamadas de Sancta Martha de Penaguião, e que se 
osam nas freguezias de Loureira, Mouramorta e Sediellos. 

[d] Medidas chamadas de Villa Real, e que se neaik nas fregue- 
zias de Govallinhos, Galafura, .Poiares e Yellarinho <ie Frades. 

(e) Mndida para sai. 
if) Medida antiquíssima. 

Concelho extincto, uDÍdo ao de Villa VerdeL 

Concelho extincto, unido ao do PenoUa* 

Vide Abiul, Louriçal e Redinha. 

Medida do Reguengo. 

O almude tem 14 canadas. 

Medida {tara azeite. 

Medidas da coza de dentro^ nafregieda de Kefoto6 do Lima. 

£xt)nct08 coutos do Cabaço e da CorríUifi. 

Ex ti netos coutos da Faxa. ' . 

Extinctos coutos da Feitosa. 

Extinctos coutos de Gouduffe. 

Extinctos coutos da Queijada. ' 



nj 
o) 

r) 



180 



PXZ08 B HEDIDÂfl 



Goocelboi e freguezias 



Dúlrictos 



Alqueires 



Lit. e cent. 



Almudei 
Lit e cent. 



S. Tieenie da Beira 

Sardoal 

Saraeda la) 

Seda (6) 

Seixal 

Seixo {e) 

Selmes {d) 

Sem ide (e) 

Sernaoceme 

Serpa 

Serpias ( 

Setúbal ( 

Sever do Vouga 

SiWee . 

Sines {h) 

SialOfs:. 

Smjo C«) 

Soalhãet (;} 

Sobral (i) 

Sobreira Formosa (m) 

Soure 

• W 
Souz«l (o) 

Taboa [p] 

• (9) 



Castello Branco 
Santaren 
Castello Branco 
Portalegre 
Lisboa 



Coimbra 

Viíéu 

Beja 

Coimbra 

Lisboa 

Aveiro 

Faro - - 

Lisboa 

Vizeu 

Viana do Castello 

Porto 

Lisboa 

Castello Branco 

Coimbra 

>j 
Portalegre 
Coimbra 



15 e 074 
14 e 040 
14 e 784 

16 e 020 

14 e 070 

13 e 650 
13 e 200 

15 e 842 
13 e 520 
13 e 745 

13 e 200 

14 e 788 

16 e 530 

15 e 284 

17 e 361 
21 e 290 

18 e 455 
13 e 240 
13 e 920 
13 e 490 

157424 
17 ,000 



25e020 
18 e 960 
â4,000 
22 6 800 
18,000 

177980 

17 e 910 
25a656 
18e8á0 

18 e 240 
16 e 800 
SOeTaO 
24,000 

19 e 920. 
26 e 148 
OOaSáO 
29 6 856 

16 e 800 

22 e 080. 

23 e 040 

17 e 448 
10 e 920 
38 e 175 

20 e 360 



!4) ExtioctQ concelho unido ao de Castello Branco. 
b ) Fregoezia annexa ao concellio de Alter do Chão. 
c) Vide ^rwdai, 
d) 'Nesta freguezia é» concelho da Vidigueira usa 6 proprieta* 
rio António Coelho Perdigão, estas medidas, para seccos e azeite. 
( e ) Concelho extincto, unido ao de Miranda. 
Concelho extinot», Hoido ao da Louzi. 
TiáQ Ateitio 9 Palmella, 

Concelho extincto^ unido ao de S. Thiago de Cacem. 
Cftooelho extincto, unido ao de Areos de Vai de Vez. 
Concelho extincto, unido ao de Marco de Canavezes. 
Concelho extincto, unido ao de Arruda. 
Concelho ex ti neto, unido aa de Proença a Mova,: 
Medida para azeito. 

Fregoezia annexa ao concelho de Fronteira. 
O almude tem 15 canadas: vide Coja., . 
Medida para azeite, e tem 8 canadas. 



I 



PEZOS E BIEDIDA8 



181 



CoQcelhos e freguezias 



Districtos 



Alqueires 
IJt. e cent. 



Almudes 
Lit. e cent. 



TBkoaço 
Tarouca . 

Tavira 
Tentúgal (6) 
Terras de Bouro 
Tliomar (e) 
T^oza(<() 
TondelU 
Tmftoft) 
Torres Novas 
Torres Vedras 
Trancoso 

» if) 
U«bao{g) 
Van>8 . 
VaTladares [h) 
VaUença 

• (f) 

VaUoDg» 
Vai Passos 
Veiros il) 
Viana (m) 
Viana do Gasteilo 



M 
{o) 



Viseu 



Faro 

Coimbra 

Braga 

Santarém 

Portalegre 

Viíeu 

Beja 

Santarém 

Lisboa 

Guarda 

» 
Porto 
Aveiro 
Viana do Gasteilo 



Porto 

Villa Real 

Portalegre 

Évora 

Viana do Gasteilo 



17 e lie 

15 e 432 
17 e 110 
13 e 510 
13 e 380 
17 e 725 
13 e 100 

15 e 020 

16 e 839 
13 760 
13 e 665 
13 e 215 

16 e 270 

17 e 440 

19 e 961 

15 ,000 

20 e 030 
19 e 350 

16 e 870 

21 e 164 

17 e 280 

15 e 460 

16 e 642 
13 e 771 

17 e 287 

16 884 

17 e 050 



25 e 210 

25 e 240 

16 e 800 
19 e 929 

24 ,000 

16 e 800 

21 e 000 
266880" 

18 e 459 

17 e 940 
17 e 400 
27 e 360 

26 e 861 
20,000 
26 e 400 
26eS40 

25 e 976 

25 e 320 
24 6 900 

22 e 440 

19 e 200 

23 e 100 

22 6 800 

23 6 440 



Medida velha. 

Goncelbo extincto, unido ao de Honte-mór-o- Velho. 

Vid6 iffftosira e Paialvo, 

Freguezia annexa ao concelho de Niza. . )!) 

Goncelbo extincto, unido ao do Ahito. 

Medida chamada velha, 

Goncelbo extincto, unido an de Lovsada. 

Goncelbo extincto, unido ao de Monçfto. 

Extincto couto de Samfins. 

Medida do Gabido. 

Freguezia annexa ao concelho de Fronteira. 

Vide Aguiar e Alcáçovas. 

Freguezia de Lanheses, que foi eoato do mesmo nome. 

Freguezia de Sancta Maria de Geras do Litta, qoe (òi cento 



de Sancta Lcocadia. 



TEMPO MÉDIO 



Todos sabem qae o sol é irregular em seus movimentos, e 
isso faz com que grande numero de individuos, principal- 
mente naprovmcia, regule os seus relógios ao meio dia, sem- 
pre que têm á mâo uma boa meridiana. 

Como este facto pode causar transtornos a muitos viajan- 
tes, porque umas vezes os atraza e outras adianta dos reló- 
gios das estações dos caminhos de faro, julgamos conve- 
niente explicar resumidamente o que é tempo médio áquèUes 
dos nossos leitores que o ignorarem. 

Os astrónomos, para evitar os muitos embaraços que sof- 
friam com as irregularidades dos movimentos do sol, inyen- 
.taram um^^ regular ^ a Que deram o nome de tem^ medk), 
le Formaram uma tabeliã das díSerenças que o êol verdadeiro 
j^resenta do imaginário, ;: . . . . ^ . 

A estas differenças chapam equação do tempo, 

E por taes tabeliãs, que ao diante junctâmos, que são le- 
*^nlaaos os relógios das estações, e por ellas deve támbè^ 
|:«^lar o seu relógio quem qnizer prevenir enganos. ' 

Nada m^s simples. 

Imaginemos que no dia 1 de janeiro quereis acertar o vosso 
relógio pelo tempo médio: 

£iXaminaes uma boa meridiana ao meio dia, e em logsrde 
pôr o vosso relógio certo 'nesta hora, o adiantaes 3 minutos 
e 51 segundos, porque é esta a diferença que vos apresenta 
a tabeliã *neste dia. 

Imaginemos que no dia 1 de fevereiro quereis ver se o 
yosÍ90 relógio regula bem: 

Ao meio dia confrontaes-lo com a meridiana, e cm Ipgár 
dos 3 minutos e 51 segundos, que o adiantastes no mez ante- 
rior, deveis encontral-o adiantado 13 minutps e 54 segundos, 
que é a differença apontada pela tabeliã. , 

Imaginemos amda que no dia 1 de novembro quereis tor- 
nar a verificar se elle está certo: 

Confrontaes-lo com a meridiana; mas agora, em logar de 
o encontrar adiantado, achaes que faltam 16 minutos e 15 
jse^undos para, o meio dia, que a meridiana já vos apresenta. 



TEMPO HEDIO 



185 



Fácil é calcular os inconvenientes que podem resultar de 
ter regulado o relógio por uma boa meridiana, sem attender 
ás equações do tempo; comtudo apresentaremos dois exemplos: 

l.<» São 25 de janeiro, e quereis partir 'num comboyo: 

Vedes o vosso relógio, e ficaes muito descançado, porque 
jiilgaes ter demasiado tempo de vos apresentardes na estação 
áhora da partida; mas quando alli chegaes, âcaes admirado 
c talvez até indignado por vos dizerem que o comboyo par- 
tiu ha ÍSS minutos 6 29^ segundos, difiGorença que a;* taMla 
apresenta 'naquelle dia. 

-2.*» Sâo 19 de outubro e o^vosso relógio diz-vos que já nâo 
podeis partir no comboyo, porque passou a hora; mas se Ibs- 
seÍ6; ainda ch^aveÍB a tempo, porque o vosso seloigio eiàtá 
adiantado 14 minutos- e 54 segundos, que é a differença que 
a meridiana faz das tabeliãs 'naquelle dia. 

HClhares de casos como este se podem dar, ú com èlles 
succederem muitos prejuízos: por isso, quem quizer regularrse 
por ellas, ahi tem as 

. TaliellA« das equaçSes do tempo 







Adiantar 




Atrazar 


Dias 








.. .., 




domez 


janeiro 


feve- 
reiro 


março 


abril 


maio 


junho 


1 


3 51" 


13 54" 


12 36" 


3 58'J 


3^ 3" 


2 34' 


2 


4 20 


14 1 


12 24 


340 


310 


23a 


3 


4 47 


14 8 


1211 


3 22 


317 


215'. 


4 


515 


1413 


1158 


3 4 


3 23. 


2 6' 


5 


5 42 


Í418 


1144 


2 46 


329 


155 


. 6_ _ 


6 8 


1123 


1130 


229 


3 34 


145- 


7 


6 35 


14 26 


1116 


211 


3 39 


134 


6 : 


TO' 


14.29 


11 1 


154 


3 43 


123 


9- í 


T25 


14 31 


10 46 


137 


346- 


111 


10 


750» 


14 32 


1030 


121 


349- 


069 


11 


S14. 


1432 


1014 


1 5 


3 51 


47 


18 


8 88 


14 32 


9 58 


049. 


3 53 


35 


13 


9 = 


14 30' 


948 


33. 


3 54 


23 


14 


923 


14 28 


925 


OIT' 


3 5^ 


010 



186 



TBMFO UEDIO 





• 


Adiaiitar 




■ Atrtóài'" 


Dias 














.doinez 


janeiro 


feve- 
reiro 


7 

março 


abtil 


maio 

- 1 


jwnlip 


15 


> 9^44" 


14 26" 


9' 8 • 


02'^ 


3 55" ■; 


: O' V 














atrazar 


— ■ 


adÍBJit. 


16 


10 ô 


14 22 


851 


011' 


Ô54". 


014" 


•17. 


10^5 


1418 


$33 


26 


3 53 


27 


18 


1044 


1413 


816 


040 • 


3 51 


a40 


19:. 


11 8 


14 7 


7 58 


054 


^49 


053 


20 


1121 


14 1 


.7 40 


1 7 


346 . 


L.6 


21 


1138 


13 54 


7 22 


120 


343 


119 


22- 


1155 


13 46 


7,3 


132 


3 39 


132 


23 


1210 


13 38 


6 45 


144 


.3 35 


144 


24 


12 25 


13 29 


6 17 


156 


330 


157 


25 


12 39 


13 20 , 


.6 8 


2 1 , 


.3^5 


210 


26 


12 52 


1310 


' 5 49 


2Í7 


319 


2 22 


27 


13 4 


12 59 


5 31 


2 27 


312 


2 35 


■ 28' 


1316 


12 48 


512 


2 37 


re 


247 


29. 


13 26 





454 


2 46 


2 58 


2 59 


30 


13 36 





4 35 


2 55 


2 51 


311 


31 


13 45 


"• 


417 


~~~" 


242 


~~" 





Adiantar 




' Atrazar 




plBB 






■ 




domez 


julho 


agosto 


setem- 
bro 


outubro 


novem- 
bro 


dezem- 
bro. 


1 


3 23" 


6" 0" 


0' 6" 


1017" 


16'15" 


16'46" 


2 


3 85 


5 56 


025 


10 36 


16 16 


10 23 


3 


3 46 


5 52 


044 


10 54 


1616 


9 59 


4 


3 57 


5 47 


1 3 


1112 


1616 


9 53 


5 


4 8 


542 


123 


1130 


1614 


910 


6 


418 


5 36 


142 


1148 


1612 


8 45 


7 1 


428 J 


5 29 


2 2 


12 5 


16 9 


819 



TEMPO MÉDIO 



187 





Adiantar 




Atrazar 




Dias 














domez 


julho 


agosto 


setem- 
bro 


outubro 


novem- 
bro 


dezem- 
bro 


8 


4'38" 


5'22'' 


2'23" 


12'22*' 


16' 5"' 


7'58' . 


9 


4 47 


514 


243 


12 38 


16 


7 26 


10 


456 


5 6 


3 3 


12 54 


15 54 


6 59 


11 


5 4 


4 57 


3 24 


13 9 


15 47 


6 31 


12 


512 


448 


345 


13 24 


15 40 


6 3 


13 


520 


438 


4 6 


13 39 


15 32 


535 


14 


5 27 


4 27 


4 27 


13 52 


15 23 


5 6 


15 


534 


416 


448 


14 6 


1513 


4 37 


16 


540 


4 4 


5 9 


14 9 


15 2 


4 8 


17 


5 45 


3 52 


5 30 


14 31 


14 51 


3 39 


18 


5 50 


3 39 


5 51 


14 43 


14 39 


3 9 


19 


5 55 


3 26 


6 12 


14 54 


14 25 


240 


20 


5 58 


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6 33 


15 4 


1411 


210 


21 


6 2 


2 57 


6 55 


1514 


13 57 


140 


22 


6 5 


2 43 


7 16 


15 24 


13 41 


110 


23 


6 7 


228 


7 36 


15 32 


13 25 


040 
adiant. 


24 


6 8 


212 


7 57 


15 40 


13 7 


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25 


6 9 


156 


818 


15 47 


12 49 


019 


26 


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139 


838 


15 53 
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12 31 


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27 


610 


123 


8 58 


1211 


118 


28 


6 9 


1 5 


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16 4 


1151 


148 


28 


6 8 


48 


938 


16 8 


1138 


217 


30 


6 6 


030 


9 57 


16 11 


11 8 


2 47 


31 


6 3 


012 


~~~ 


16 14 


""— 


3 16 



SERVIÇO POSTAL 



Este serviço no continente do reino está dividido em dez 
administrações centraes, que fiscalizam as direcções parciaes, 
sendo ellas fiscalizadas pela direcção geral dos correioe, si- 
tuada em Lisboa, na calçada do Combro, ou dos Paulistas. 

As administrações sào: Boja, Coimbra, Extrcmoz^ Faro, 
Lisboa, Porto, Sautaren]^ Viana do Castello^ Yilla Keal e 
Vizeu. 

O viajante que chegar a qualquer das principaes cidades 
do reino com tençào de se demorar^ deve ir á estação postal 
indicar a sua morada, para lhe ser ahi entregue a corres- 
pondência que tiver. 

Em Lisboa principalmente é isto muito conveniente, por- 
que, como as distancias sào gi-andes e os negócios muitos e 
variados, torna-se incommodativo ir ao correio diariamente. 

Quem quizer que a correspondência lhe seja entregue com 
mais regularidade e promptidào mande-a apartar: mas em 
tal caso tem de reclamar no correio uma senha, para com 
ella ir ou mandar buscal-a: tem porém a pagar 10 réis por 
cada carta ou masso que receber. 

Querendo-se expedir uma carta, e sendo já horas de esta- 
rem fechadas as caíxaJf póde-se ainda remettel-a á direcção 
geral, aonde é expedida á ultima hora, pagando mais 20 réis 
além das estampilhas correspondentes ao peso. 

Quando o ^iajante se retira, vae de novo á estação postal, 
o alii indica o ponto a que se dirige para lhe remetterem a 
correrii>oni.iencia que chegar depois da sua partida. 

K»ta correspondência aâtsim remetrida de uns pontos para 
outros paga um porte egual cm sellos ou em dinheiro ao da 
9ua pTOoeden<;ia, sejam quantos forem os pontos a que for 
dirigida. 

Kxnnplo: • 

l^^artiiiios de Lisboa para Coimbra, e deixamos recommen- 
dnâc^ qoo nos lemettam para alli a nossa correspcnideneia: 
* i dia lá ebegm, ji nds temos partido para o Fort o. dei- 
"^ i wwmii i ffndaç S o , e poiisso é-nos remertiàu 
o Porto. 



SERVIÇO POSTAL 189 

Por fatalidade, quando ella chega ao Porto, estamos nós 
em Braga, e como também temos indicado esta direcção no 
correio do Porto, recebemos a correspondência alli. 

Temos entào a pagar em dinheiro um porte egual ao que 
vier indicado na carta, e nada mais. 

Escrevemos nada maia em itálico, para prevenir os via- 
jantes do roubo que já em alguns correios nos tem sido fei- 
to, marcando-nos tantos portes, quantas as diversas direc- 
ções que a correspondência tem seguido. 

A integridade do digno administrador do correio de Lis- 
boa devemos o saber esta circumstancia. 

Julgamos conveniente fazer conhecidas algumas disposi- 
ções do regulamento postal por aquelles que as ignorarem, 
e porisso vamos em seguida apresental-a resumidamente. 

O prévio pagamento dos portes "^os correios é obrigatório: 

l.*> Nas correspondências da posta interna. 

^.*> Nas correspondências expedidas para paizes extran- 
geiros em conformidade com as respectivas convenções pos- 
taes. 

3.0 Nas correspondências registradas para dentro ou fora 
do paiz. 

No continente do reino e ilhas adjacentes é facultativa a 
franquia por meio de sellos ou estampilhas: no Ultramar nào 
é permittida tal franquia. 

É pix)hibido vender estampilhas sem formal auctorizaçào 
da direcção geral dos correios, ou por preço superior ao que 
'nellas estiver designado. 

A correspondência ou maço, expedida pela pequena posta, 
nio pôde exceder a 240 gramma» de peso, porque, exceden- 
do, nâo vae ao seu destino. 

Extraviando-se uma carta registrada, recebe o interessado 
cinco mil réis de indemnização, se a reclamar no prazo de 
mn anno, contado da data do registro. 

Podem fazer-se remessas de dinheiro por meio de vales do 
correio, mediante o premio de 1 V2 P^^ Vo» 

Estes vales em Lisboa sâo pagos pelo thesoureiro pagador 
da direcção geral dos correios. 

Nos mais pontos do reino sâo pagos até 25jÍ000 réis pelos 
propostos dos recebedores de comarcas; até 50ií>000 réis, pe- 
los recebedores' de comarcas; e até IOOí^OOO réis, pelos the- 
soureiros pagadores dos difí*erentes districtos. 

Em todos os correios ha prazo fixo para a admissão das car- 
tas a expedir dianamente, conforme a partida das mallas, 
mas por espaço de uma hora, depois de findo esse ^r«jzí:i^ 



190 SBEVIÇO POSTAL 

ainda podem ser admittidas as correspondências, se os expe- 
didores pagarem, além do porte, 20 réis por cada carta ou 
maço, como já dissemos. 

Cartas e processos judiciaes, transportados de umas para 
outras povoações, sem ser pelo correio, devem ser franquea- 
das por meio de estampilhas, mesmo que as cai tas sejam 
conduzidas abertas: as que forem encontradas sem a men- 
cionada franquia, indicada pelas, estampilhas competente- 
mente inutilizadas, £cam sujeitas a pagar, como muleta, o 
sextuplo dos portes respectivos. 

Nas povoações em que haja alfandega marítima deve ha- 
ver, próximo á mesma, utna estação postal em que se rece- 
bam as cartas que são conduzidas em navios que saiam do 
porto, e quando elles estão para sahir é aflSxado um aviso 
na estação, indicando a hora a que se fecham as malas. 

Nas povoações em que ha pequena posta são as corres- 
pondências entregues nas moradas dos destinatários ou nos 
loca^ por estes destinados, exceptuando a^ que tiverem de- 
claração de — Posta restante; — as apartadas, as registradas, 
e aqueUas de cujos donos se não souber a morada, que são 
entregues somente no correio. 

As cartas de pequena posta em Lisboa são tiradas das 
caixas ás 7, 9 e 11 horas da manhã, e 1, 3 e 5 da tarde, e 
começam a ser distribuídas duas horas depois: aquellas po- 
rém que forem lançadas na caixa geral (calçada do Combro) 
até meia hora antes de começar cada distribuição, ainda vão 
a tempo de serem entregues 'nessa mesma expedição. 

As correspondências marítimas, nacionaes ou extrangei- 
ras, que chegarem a qualquer administração central, depois 
de haver sido expedida a última distribuição, âcam reser- 
vadas para serem entregues no dia seguinte, salvo se alguém 
pretender receber as suas cartas ou periódicos no mesmo dia 
da chegada, e a entrega lhe puder ser feita antes da 11 ho- 
ras da noite, porque então sel-o-ha, pagando o pretendente 
10 réis por cada carta ou maço, como correspondência apar- 
tada. 

As estações postaes estão -abertas diariamente desde as 8 
horas da manha até ao pôr do sol, para entrega das corres- 
pondências; e nas terras em que eíla chega de noite, mas a 
tempo de se distribuir antes das 11 horas, abrem-se nova- 
mente para se fazer a entrega. 

Desde 25 de novembro de 1864 ha correio duas vezes por 
dia de umas para as outras, das seguintes povoações: 

Aveiro, Coimbra, Lisboa, Porto e Santarém. 



SEEVIÇO POSTAL 191 

As horas da recepção e expedição, em cada uma das re- 
feridas terras, sâo em harmonia com as chegadas dos com- 
boyos de serviço dos caminhos de ferro. 

Como a Lisboa e Porto chegam á noite os comboyos que 
de manhã saem de cada uma das mesmas cidade, e distri- 
buida a correspondência que elles conduzem até ás 11 horas 
da noite. 

Parece-nos ter dicto o suficiente para elucidar o viajante 
ácêrca do serviço postal, e porisso concluiremos junctando 
€m seguida as tabeliãs dos portes a pagar, tanto nacionaes 
como extrangeiros, e recommendando toda a cautela na ve- 
rificação do peso, porque, quem expedir uma correspondeu 
cia para o interior do paiz com menor franquia do que a cor- 
respondente ao peso, obriga a pessoa a quem a dirige, a pa- 
gar o dobro do peso que estiver por franquear, se a carta é 
para o reino, e se é para paiz extrangeiro, fica retida no cor- 
reio para ser expedida quando alguém a for franquear de- 
vidamente. 



192 



SEBVIÇO POSTAL 



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até 240 gram- 
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193 



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194 



SERVIÇO POSTAL 



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192 



8ESVIÇO POSTAL 



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1^4 



SKRVIÇO POSTAL 199 

portuguez no continente do reino, Açores e Madeira, e em 
moeda forte nas provindas da costa occidental da Ai&ica. 

Todas as correspondências que não forem assim franquea- 
^ das deízar&o de ter seguimento, e £carâo detidas até que os 
remettentes as franqueiem. 

' 2.* Por embarcações serão expedidas semente as corres- 
pondências, que nos sobrescriptos indicarem este modo de 
expedição. 

3.* As cartas que houverem de ser registradas, apresen- 
tar-se-hão bem fechadas nas repartições do correio, e mar- 
cadas pelo menos em duas partes com um mesmo sinete posto 
em lacre, de maneira que fiquem presas todas as dobras dos 
sobrescriptos. 

4.* Os jomaes e mais impressos devem ser cintados, e não 
<5onter escripta alguma, algarismo ou qualquer outro signal 
manuacripto: os que tendo sido franqueados como taes, se 
«icontrarem sem estas condições, só se expedirão depois de 
uma nova franquia, como se fossem cartas. Esta mesma dis- 

Sosiçao é applicavel ás amostras de fazendas, as quaes não 
everâo trazer escripto mais do que o nome do destinatário, 
as indicações da sua residência, bem como as marcas e nú- 
meros de ordem. . 

õ.* Para os paizes extrangeiros não podem ser remettidas 
correspondências que contenham dinheiro, jóias, objectos 
preciosos ou outros quaesquer, sujeitos a direitos de alfan- 
dega; as que apparecerem nas caixas dos correios contendo 
taes objectos, são detidas e enviadas officialmente á direcção 
geral dos correios. 

6.» Deve sempre escrever-se na parte superior do sobres- 
cripto das correspondências, o nome do paiz a que são diri- 
gidas, a fim de evitar o serem remettidas para outro. 

7.» Se a correspondência vae para um paiz, por via de ow- 
troy como por exemplo para a Dinamarca pela Prússia, deve 
escrever-se na parte superior do sobrescnpto — Dinamarca, 
pela Prússia, — e ò mesmo com as outras em idênticas cir- 
cumstancias. 

FRANÇA (desde o dia 1 de janeiro de 1865). — A correspon- 
dência dirigida de Portugal para a França é estampilhada até 
á fronteira da mesma forma que a correspondência nacional. 

A correspondência recebida de França paga no acto da 
recepção o seguinte: 

Cartas — cada fracção de 7,5 grammas 120 réis. 

Jornaes, gazetas, etc, oada {rac<;&o da 4fò ^%sifiBi«^ ^ ^ 



200 



SKBYIÇO POSTAL 



CóUmiaSj possessões britanmeas, e paioes txtranffei 

dePortugcAf Madeira e Açores, <xêsitn como ospo 

por conta do correio hritcaimco, por< 





Pxanc 


Nomes das colónias e paizes 
extrangeiros 


pelos paquetes 
por cada carta até 


« 


7V2 

gram- 
mas 


15 

gram- 

mas 


221/, 

gram- 

mas 


3( 

gra 

ms 


America do Norte Britannica 
(exceptuando o Canadá) por 
via de Halifax 


260 
380 

300 
260 
320 


420 
540 

460 
420 
480 


680 
920 

760 
680 
800 


8 


Cabo da Boa Esperança, Natal 
e Bancta Helena 


1W 


Canadá e outras partes da Ame- 
rica do Norte Britannica por 
via dos Estados Unidos 

Costa do Ouro 


9 

-8 


Dinamarca 


9 


Estados da Confederação Grer- 
manica, a saber: Áustria, Bre- 
men, Brunswick, Francfort so- 
bre Mein, Grâo-Ducado de 
Hesse, Hesse Eleitoral, Hesse 
HiHnbui^o, Hamburgo, Hano- 
ver, HohenzoUem, Lippe Det - 
mold, Lubeck, Mecklembur- 
, K>-Schwerin, Mecklemburgo- 
1 3trelitz,Nassau,01demburgo, 
Pmssia, Reuss, Saxe-Cobur- 
go-Gotihía, Saxonia, Saxe-Mei- 
ningen, Schaumburgo-Lippe, 





faj Cada carta àe 90 até 45 gntiniiias, 1 jtUO réis; de 45 até 60 ^ 



SBBVIÇO POSTAL 



201 



fUsroL onde é facultativa a franquia das cartas expedidas 
que a repartiçax> do correio portuguez deve cobrar, 
CBurta que o remettente qvizer franquear 



britannica 



por via de Hespanha e França 
por cada carta até 


por navios particulares 
por cada carta até 


7V2 

gram- 
loas 


15 
gram- 
mas 


27 V2 

gram- 

mas 

560 
800 

640 
560 


30 
gram- 
mas 


15 

gram- 
mas 


30 

gram- 

mas 


60 

gram- 

mas 


220 
340 

260 
220 


340 
460 

380 
340 


680 
920 

760 
680 


260 
380 

800 
260 
320 


520 
760 

600 
520 
640 


ISMÍÒ 
(a) 

imo 

1^040 
1^280 



mas, 1á;520 féis. 



204 



iUOtVIQO POOTAL 



Colónias f possessões britanniccLs, e paizes extrangeiroSf. 

de Portugal, Madeira, e Açores, assim como as importan 

por corUa do correio britannico, por cada 



N<Bnes das colónias 
e paizes extrangciros 



Califórnia, Ofegon e 
Ilhas de Sandwich . . 

Cayeima, Sancto Eus- 
tachio, Curaçao, Gua- 
dalupe, S. Martinho, 
Guatttnala, Martini- 
ca, Suriam, NovaGra- 
nada e Território dos 



Cnha, Costa Rica, Por- 
to Kico e México. . . . 

Hha d'Ascençâo 

Colomhia Britannica e 
Hha de Vancouver . . 

Costa Occidental da 
America do sul por 
via de Panamá 

Estados Unidos da 
America 

Haiti, Nicarágua e Ve- 
nezuela 

Portos não inglezes da 
costa Occidental da 
Africa 



Portes hritamúoos' 



pelos paquetes britannicos 
por cada carta até 


7V2 

gram- 
ma« 


15 

gram- 

maa 


221/2 

gram- 

mas 


30 

gram- 

mas 


371/2 

gram- 

mas 


420 


580 


wooo 


1*160 


l*8é0 


380 


540 


920 


1*080 


1*460 


380 
380 


540 
540 


920 
920 


10*80 
1*080 


1*460 
1*460 


420 


580 


1*000 


1*160 


1*840 


620 


780 


1*400 


1*560 


2*640 


320 


480 


800 


960 


1*440 


260 


420 


680 


840 


1*200 


260 


420 


680 


840 


1*200 



^aj Cada carta de 80 até IBgrammas^ 1*140réis;<ie45ató60gram 



SERVIÇO POSTAL 



203 



BH fl ^iTn Pfl - 





por navios particulares 


por cada carta até 


por cada carta até 


7Ví 


15 


27 V2 


30 


15 


30 


60 


gram- 


gram- 


gram- 


gram- 


gram- 


grain- 


gram- 


mas 


mas 


mas 


mas 


mas 


xnas 


mas 










260 


520 


11:040 


S20 


340 


560 


680 


260 


520 


1^040 














220 


440 


880 


S20 


340 


560 


680 


260 


520 


1)^040 


340 


460 


800 


920 


380 


760 


i& 










420 


840 


z 


— 


z 


— 


340 


680 


1Í360 


a4o 


460 


800 


920 


380 


760 


1íí;520 


m 


340 


560 


680 


260 


520 


1íí;o40 


- 


— 


— 


— 


380 


760 


1sí;520 



Éat, ífm réis. 

r^eaaa carta de peso superior a 30 graminas, conduzida por paquetes, 
correio britannico por uma carta, dirigida para as índias Occidentaes 
fÈn o Keino Unido, e roais 2^ réis por cada 15 graromas, que é o porte 
lua a America do Norte Britannica é de 160 réis por cada 7 V2 gram- 
pãflilnas, ou fracção de 30 grammas, do porte do Reino Unido para o 
Ror Tia de Franca/com a differenca de que 'neste caso o porte de Porta* 
bieoréjs. 
B. ThODiaz, Cabo da Boa Esperança, Natal e Saneta Helena, conduzidas 

Fir eada 15 graromas ou fracção 'de 15 graromas; e om todos os outros 
[o de 90 graromas que accrescer, sobre as cartas que pesarero mais de 
Ameriea do Norte firitannica do peso de mais de 30 gramroas sero pas- 
Ws, pesando roais de 90 e roenos ae 1^ gramroas, e assim por diante. 
Iimiagoeza na razão de 40 réis por cada 7 V2 Ri'^'"!'^^^) quando as car- 
rial de ÍSi réis até 15 gramroas, sendo reroettidas pelos paquetes brítan- 
tvnút partirem os dictog paquetes oa navios. 



206 



«BVIÇO rWtAIj 





Portes britamii 


Nomes das colomas 
epaizes extrangeiros 


pelos paquetes britannicos 
por cada carta até 




7V2 


15 


221/2 


30 


37 




gram- 
mas 


gram- 
mas 


gram- 
mas 


gram- 
mas 


grai 
ma 


Califórnia, Oregon e 
Uhas de Sandwich . . 

Cayeima, Sancto Eus- 
tachio^Curaçao, Gua- 
dalupe, S. Martinho, 
Guatemala, Martini- 
ca, Suriam, NovaGra- 
nada e Território dos 
Mosauítos - 


340 

300 

300 
300 

340 

540 
240 

180 

180 


420 

380 

380 
380 

420 

620 
320 
260 

260 


760 

68($ 

680 
680 

760 

1#160 
560 
440 

440 


840 

• 760 

760 
760 

840 

1^40 
640 
520 

520 


IM^ 

1^ 

1^0 
1^ 

2#3f 

i#a 

8 


Cuba, Costa Kica, Por- 
to Rico e México .... 

Hha d'Ascençào 

Colômbia Britannica e 
Dlia de Vancouver .. 

Costa Occidental da 
America do sul por 
via de Panamá 

Estados Unidos da 
America ,,--,.,- t t - 


Haiti, Nicarágua e Ve- 
nezuela 


Portos nâo inglezes da 
costa Occidental da 
Africa 


8 



[a] Cada carta de 30 até 45 grammas, 900 réis; de 45 até GO g 

N. B. Os portes das cartas de mais de 30 grammas, dirigidas pai 
mappa anterior. 

Aos portes indicados 'neste mappa deyerá accrescentar-se o porte 
rem remettidas por Tia de Hespanha e França; ou o porte territt 
nicos, ou na?ios particulares, exceptuando as que procederem dos p< 

Pela recepção pagarão mais estas cartas o porte portugoez respec 
nicos, de áÚ réis por cada 71/2 grammas, Timio por Tia de Frasca e 



SERVIÇO POSTAL 



207 



pela recepção 



por 


via de Hespanha e França 
por cada cai-ta até 


por navios particulares 
por cada carta até 


7V. 

gram- 

maa 


15 

gram- 
mas 


221/, 

geam- 

mas 

880 


30 

gram- 

mas 


37 V2 

gram- 

maa 


15 

gram- 

mas 


30 

^am- 

mas 

680 


60 

gram- 

mas 


380 


500 


1|!000 


1^640 


340 


1^360 


340 


460 


800 


920 


1^260 


300 


600 


W 


340 
340 


460 
460 


800 
800 


920 
920 


U2Q0 
1^260 


300 
300 


600 
600 


380 


500 


880 


lííOOO 


1^640 


340 


680 


1Í360 


680. 


700 


ljí280 


IfWOO 


2,^440 


540 


1JÍ080 


2;í;160 


280 


400 


680 


800 


li^240 


240 


480 


960 


220 


340 


560 


680 


líSíOOO 


180 


360 


720 


220 


340 


560 


680 


1^^000. 


180 


360 


720 



mas, IjjKSOO. 

paizes acima mencioDados, devem ser calculados do modo indicado do 

tugaez na razão de 40 réis por cada 7 Y, gramroas, qoando as cartas io- 
de 25 rjéis por cada 15 grammas, sendo remeltídas pelos paquetes britan- 
d'ODde partirem os dictos paquetes ou navios 

o qual é de 80 réis por caaa 7 ^2^^^^^^^^ vindo pelos paquetes britan- 
panba, e do 80 réis por cadalS grammas, vindo por navios QacUcuU.cA.v 



208 



SEBVIÇO POSTAL 



Colónias^ possessões hritannicàs, e paizes extrangeiros, para 
onde é sempre obrigatória a franquia dos jornaes expedi- 
dos de Portugal, Madeira e Açores, assim como as impor- 
iandoê que a repartição do correio portuguez deve cobrar, 
por conta do correio britannico, tanto pela expedição, como 
pela recepção de cada Jornal 





Portes britamricos 

pela expedição 

e pela recepção 


Kom^ das Colónias e paizês 
eitríingeirofl 


III 


li 



America do Norte Britannica (exce- 

Í)tuando o Canadá) por via de Ha- 
ifax 

Cabo da Boa Esperança, Costa do 
Ouro, Sancta Helena e Serra Leda 

Califórnia, Oregon, e flhas de San- 
dwich 

Canadá e outras partes da America 
do Norte Britannica, por ria dos 
Estados Unidos 

Cayenna, Sancta Cruz, Sancto Eustá- 
quio, Curaçao, Guadalupe, Guate- 
mala, Háiti, S. Martinho, Martini- 
ca, Surinam e S. Thomaz 

Colômbia Britannica e Hha dè Van- 
çouver 

Costa Occidental da America do Sul, 
por via de Panamá 

Codta Bica, México, e Nicarágua . . . 

Caba , .. 



40 
40 

eo 

60 

4Q 

60 

80 
40 
40 



80 

&) 

100 

100 

80 

100 

120 
80 
80 



SBBVIÇO POSTAL 



209 





Portes britanuicos 




pela expedição 




e pela recepçAo 


Nomes dãs coloni&s e pakeB 






extrângeiros 


m 


^ S 




N-l ^ 




^ 2 y 


O'*' 




tfZ% 


na & 






^'^ 


m 


^J^ ^ 


T- 
M 







Dinamarca 

Estados da Confederação Germânica, 
a saber: Áustria, Bremen, Brun- 
swick, Francfort sobre o Mein, 
Grào-Ducado de Hesse, Hesse Elei- 
toral, Hesse Homburgo, Hambur- 
go, Hanover, HohenzoUem, Lippe- 
Detmold, Lubeck, Mecklembur- 
go-Scbwerin, Mecklemburgo-Stfe- 
litz, Nassau, Oldemburgo, Prússia, 
Eeuss, Saxe-Coburgo-Gotlia, Sa- 
xtt-Meiningen, Saxe^Weimar, Sa- 
xonia, Schwartzburgo-Eudolstadt, 
Sohaumburgo-Lippe, e Scbwartz- 
burgo-Sonderhausen 

Estados Unidos da America 

Gajubia, Ilha d'Ascenção, Ubá de 
Falkland e Natal. . ., 

Hollanda 

Ilhas Occidentaes Britannicas (in- 
cluindo Belize, Bermudas, e Guia- 
na Ingleza) 

Libéria, e todos os mais portos nâo 
inglezes da costa occidental da 
Africa 

Noruega 

Nova Granada e Venezuela .... 

Porto Rico 



eo 



60 
40 

40 
40 



40 



40 
60 
40 



80 

,80. 

80 

80 
80 



210 



SEBVIÇO POSTAL 





Portes britíinTiieos 

pela expedição 

e pela recepção 


Nomea da^ colónias e paizea 
estrangeiros 

t 


'Hl 

m 

^Í8 


li 

li 


Kussia e Polónia 

Suécia 

Todos os mais paizes de além-mar, 
quando os jomaes forem conduzi- 
dos por navios particulares, partin- 
do directamente dos portos do Rei- 
no Unido 


60 
60 

40 


80 







N. B. A estes portes deverá accrescentar-se pela expedi- 
ção a franquia portugueza de 5 réis por cada jornal, quando 
for remettido por via de Hespanha e França; ou o porte ter- 
ritorial também de 5 réis por cada um que for remettido pe- 
los paquetes britannicos, ou navios particulares, exceptuando 
os que procederem dos portos d'onde partirem os dictos pa- 
quetes ou navios. 

Pela recepção pagará mais cada jornal o porte portuguez 
respectivo, o qual é de 10 réis por cada um. 



SERVIÇO POSTAL 



211 



ColoniaSy possessões hritannicas, e paizes extrangeiros, para 
onde t sempre obrigatória a franquia dos impressos qn^ 
não sejam jornaes expedidos de Portugàíj Madeira e Aço- 
res, assim como as importâncias que u repartição do cor- 
reio português deve cobrar, por conta do correio britanni- 
co, tanto pela expedição, como pela recepção de cada maço 
dos dictos impressos 





Franquia e por- 




tes britaonicos 


Nomes das colónias e paizes 


pela expedição 


extrangeiros 


epela recepção: 




cada fracção até 




120 grammas 


America do Norte Britamiica 


60 


Cabo da Boa Esperança, Costa do Ouro, 




^ Gambia, Sancta Helena, Hha d'Ascen- 




çào, Hha de Vancouver, , Ilhas de Fal- 




kland. Natal e Serra Leoa ' 


60 


Estados da Confederado Grermaniea, a sa- 




"ber: Áustria, Bremen, Brunswick, Fran- 




<ífort sobre o Mein, Grâo-Ducado de Hes- 




se, Hesse Eleitoral, Hesse Homburgo, 




Hamburgo, Hanover, HohenzoUem, Lip- 




pe-Detmold, Lubeck, Mecklemburgo- 




Schvverin, Mecklemburgo-Strelitz, Nas- 




sau, Oldemburgo, Prússia, Reuss, Saxe- 
Coburgo-Gotba, Saxe-Meiningen, Saxe- 






Weimar, Saxonia, Schaumburgo-Lippe, 




Schwartzburgo-Rudolstadt, c bchwartz- 
burgo-Sonderhausen 




80 


Haiti. 


60 



10 



212 



SEBYIÇO POSTAI. 



Nomes das colónias e paizes 
extrangeiros 


Franquia e por- 
tes britannicos 
pela expedição 
e pela recepção: 
cada fracção' até 
120 graiDmas 


índias Occidentaes Britannicas (incluindo 
Belize, Bermudas, e Guyanna Ingleza) . 

Libéria, e todos os mais portos nâo ingle- 
zes da costa occidental da Africa .... 


60 
60 



N. B. A estas franquias e portes deverá accrescentar-se 
mais, por conta do correio britannico, tanto pela expedição 
como pela recepção, o porte de 20 réis por cada 30 grammas, 
quando os impressos forem remettidos pelos paquetes bri- 
tannicos ou por navios particulares, e o de 40 réis, quando 
forem remettidos por via de Hespanba e França. • 

Além dos sobredictos portes cobrar-ee-ha mais o porte 
portuguez respectivo, segundo a via por onde forem expedi- 
dos ou recebidos os impressos, o qual é de 20 réis por cada 
30 grammas, quando estes forem expedidos por via de Hes- 
panba e França, nâo se cobrando cousa alguma, se o forem 
pelos paquetes britannicos ou por navios particulares; e de 
20 réis por cada 30 granmras dos que forem recebidos tanto 
por via de França, como pelos dictos paquetes e navios. 

Os impressos em transito pela Grâ-Bretanba, de todos e 
para todos os paizes nâo mencionados 'neste mappa, estão 
sujeitos eos portes das cartas. 



SERVIÇO TELEGRAPHICO 



Em todas as estações telegraphías do governo se recebem 
e transmittem despachos para dentro e fora do paiz. 

Estes despachos pagam-se conforme o nmnero de palavras 
que contiverem. 

Dentro do paiz ou para Hespanha e França têm preço fixo, 
seja qual for a distancia a percorrer (tabeliã n.^ 1). 

Para InglateiTa pagam-se por zonas até á fronteira, e por 
tabeliã fixa d'ahi até ao ponto de destino (tabeliãs n.°" 4 e 6). 

Para os demais paizes pagam-se por zonas desde o ponto 
de partida até ao de chegada (tabeliãs n.°" 5 e 6). 

Números até cinco algarismos, nomes compostos, appelli- 
dos, titules de nobreza, nomes das ruas, numero e andar da 
casa de habitação, contam-se como uma palavra. 

A data do despacho, o nome do expedidor, e o da pessoa 
a quem elle é dirigido, são excluídos da contagem das pa- 
lavras. 

^ Pôde exi^r-se que o despacho seja recambiado da estação 
a que foi dirigido para aquella d'onde foi expedido, pagán- 
do-se egual quantia á da transmissão. 

Pode exigir-se a participação da hora a que chegou o des- 
pacho á estação competente, pagando-se a importância de 
um despacho simples (vinte palavras). 

A entrega dos telegrammas é gratuita, sendo o domicilio 
na mesma povoação em que estiver a estação. 

Transmissões internacionaes 

Este serviço é regulado em conformidade com os tractados 
de Berna e firuxellas. 

As transmissões fazem-se por series de dez palavras, mas 
o mhiimum a pagar por cada despacho são sempre duas se- 
ries, ou vinte palavras. 

Cada serie (^exceptuando Hespanha, França e Inglaterra) 
paga 136,8 réis por zona a percorrer, quer no reino, quer 
fora d'elle. 



214 ^ SERVIÇO TELEGEAP^HICO 

Ha porém sohre taxa em algumas estações, como adiante 
indica a tabeliã n.® 3. 

As zonas também vâo notadas nas tabeliãs n.*» 5 e 6. 

O despacho deve conter: 1.° a direcção; 2.<» a maneira de 
o expedir além da última estação telegrapMca, se for caso 
d'isso; 3.0 o texto; 4.* o numero de palavras para resposta 
(liavendo-as); e 5.*» a assignatura. 

A direcção deve indicar o destinatário e a sua residência 
l^or forma, que não offereça dúvida alguma, porque sendo 
inexacta ou incompleta, soflfre o expedida as consequências 
d 'isso. 

As indicações que o expedidor der sobre o modo de enviar 
o despacho, além do alcance das linhas telegraphicas, devem 
ser escriptas no original em seguimento á direcção, c entram 
no numero de palavras sujeitas a pagamento. 

Sc a estação de destino não recebe indicação sobre a ma- 
neira de expedir o despacho, remette-o pelo correio em carta 
registrada. 

Qualquer expedidor pode pagar a resposta ao despacho 
que apresentar, fixando a seu arbítrio o numero de palavras. 

'Neste caso o despacho entre o texto e a assignatura de- 
clarará resposta paga por,,, palavras. 

Se a resposta contém menos palavras do que as que tive- 
rem sido pagas, não é restituido o excedente. 

Se constar de mais, é considerado como um novo despacho, 
e tem de ser pago por quem o apresentar: 'neste caso é res- 
tituída a importância da resposta paga anteriormente. 

A resposta" deve ser apresentada no praso de oito dias, 
contados da data do despacho a que se responde; passado 
esse tempo já não é admittida como resposta paga, porque 
dez dias depois de expedir o despacho, não tendo havido res- 
posta, pode o expedidor reclamar a restituição da quantia 
que tiver deixado cm deposito para o seu pagamento. 

Esta restituição porém deve ser reclamada dentro de cinco 
dias em seguida aos mencionados dez, porque findos elles 
cessa o direito de reclamação. 

O expedidor pôde retirar qualquer despacho antes de en- 
trar em transmissão, c em troco do recibo ser-lhe-ha entre- 
guej a quantia que tiver pago, menos porém 136,8 (140 réis). 

E i^ermittido ao expedidor suspenaer a continuação de 
qualquer transmissão, se ainda for a tempo; e se não for, 
pôde pedir que o despacho não seja enviado ao seu destino, 
se ainda poder ter logar a suspensão da remessa: em qual- 
cjuer dos casos porém não pode reclamar a restituição do 



SEBVrçO TELEGRAPHICO . 215 

despacho nem a entrega da sua importância, o tem do pagar 
o despacho que para suspensão de remessa for dirigido :i es- 
tação competente. 

Sendo o local, a que se dirigir um despacho telegraphico, 
distanto da última estação telegraphica, p<3de ser remettido 
d*e8ta para lá pelo correio em carta registrada, ou por pró- 
prio. 

Remettida pelo correio em carta registrada, paga-sc a taxa 
de 182,4 réis, sendo destinada para a Europa (excepto In- 
glaterra), c sendo para outra qualquer parte do mundo, 4õG 
réis. 

Remettida por próprio, até á distancia de 15 kilometros, 
seja para onde for, pagam-se 547,2 réis. 

Se o despacho se perder ou for alterado a ponto de nâo 
poder preencher o seu íim, pode o expedidor reclamar o 
reembolso integral da taxa que tiver pago. 

Egual reclamação pode fazer, se, tendo mandado remetter 
o despacho por próprio desde a líltima estação até ao seu 
destino, esta remessa for alli retardaila por forma que o cor- 
reio chegue ao ponto de destino, antes do próprio que para 
lá partir. 

Estas reclamações devem ser feitas dentro de seis mezes, 
contados do dia da acceitaçâo do despacho. 

O reembolso porém pode ser recusado, se a culpa for im- 
putável a telegraphos de caminhos de ferro, ou ás linhas es- 
trangeiras que náo pertencerem aos estados contractantes, 
admittindo-se então a reclamação para a administração tele- 
graphica obter o mesmo reembolso de quem tiver dado causa 
ao transtorno. 

Nâo se pode reclamar reembolso de taxas, por demoras 
causadas pelos correios, ou pelos próprios além do alcance 
das linhas. 

Transmissões para Inglaterra 

Se o expedidor nâo declara a fronteira e via que prefere, 
para assim se sujeitar á taxa correspondente, os empregados 
taxam pela de Calais e Boulogne; e, se por acaso estas duas 
vias estão interrompidas, são os despachos dirigidos pela via 
de Ostende, fronteira Franco-Belga, que têm a mesma ta- 
rifa. 

A importância de um despacho telegraphico é façil de sa- 
ber, verificando com exactidão na tabeliã das estações na- 
cionaes (n.° G) as zonas a percorrer no paiz, conforme a fron- 



216 



SERVIÇO TELEGRAPHICO 



teira e via escolhida, e na tabeliã correspondente á tarifa 
ingleza (n.® 4) o importe até ao ponto de destino. 

A administração telegraphica ingleza, logo que o despacho 
chega á última estação, dirige-se pelo correio ao seu desti- 
no, se é local aonde não ha estação, sem por esse facto se 
pagar augmento de taxa. 



TAbella n.*" i 



Taxa para qualquer distância em Portugal, Hespanha 
c França 



Despachos até 20 
palavras 

Fracções até 5 pala- 
vras além das 20 

Idem até 10 pala- 
vras além das 20 



Portu- 
gal 


Hespa- 
nha 


Fran- 
ça 


r&s 


réis 


réis 


300 


547,2 


912 


50 


^ — 


— 


— 


273,6 


547,2 



* Observações 



Cada cópia do 
despacho além 
do original 100 
réis. 



SERVIÇO TELEGRAPHICO 217 

Tabeliã ii.« t 

TaocfiLs para qualquer paiz extrangdrOj exceptuando 
Hespanha, França e Inglaterra 



Cada serio até 10 palavras por zona a percorrer . . 
Cada cópia do despacho para entregar além do ori- 
ginal 

Remessas pelo correio desde a ultima estação: 

Na Europa 

Em qualquer outra parte do mundo 

Remessas por próprios até 15 kilometros da estação 



réis 
136,8 
136,8 



182,4 

456, 

547,2 



N. B. O mim*mum de cada despacho é pago por duas se- 
ries, ou 20 palavras, e além disso as sobre taxas aoncíe as ha 
(vide tabeliã n.o 3). 

. Tabeliã n.° 3 

Sobre taxas 



NOTA. — Tínhamos formulado a presente tabeliã, relacio- 
nando os poucos pontos para que havia sobre taxas a pagar; . 
mas depois d'isso appareceu tal alluvião d*ellas, que julga- 
mos dever supprimir esta secção. 

Para se poder calcular o embaraço em que nos encontrá- 
mos, basta dizer que o ducado de Stiria, na Áustria, tem 
presentemente cento e tantas estações telegraphicas, de que 
ee devam pagar sobre taxas. 

Remettemos portanto os leitores, que quizerem ter conhe- 
cimento d'ellas, para o Diário de Lisboa, aonde têm sido pu- 
blicadas, conforme vão apparecendo, desde o n.« 229 de 11 
de outubro de 1864. 

Anterior a esta data escusam de procurar, porque nada 
encontram. 



218 



SEEVIÇO TELEGRAPHICO 



Tabeliã n.» 4 



Taxa especial da importância de cada despacho e fracção de uma 

a dez palavras desde a fronteira até qualqurer ponto 

de Inglaterra 





Fronteira in- 
gleza 


Fronteira belga 


Fronteira hes- 
panhola 




Via: Calais, Bou- 

logne ouDieppe 


Via: Haya 


Via: Contanceí 


Destino 








Despacho até 
20 palavras 

(«) 


1P 


Despacho até 
20 palavras 

(«) 


Cada serie até 
10 palavras 
mais (b) 


Despacho até 
20 palavras 
(a) 


Cada serio até 
10 palavras 
maia (h\ 




réis 


réis 


réis 


réis 


réis 


réis 


Londres . . 


3íÍ;009,6 


UõOi,S 


4j^l95, 2 


2)^097, • 6 


— 


— 


Estações do 
Canal da 














Mancha (c) 


3^921,6 


UdQOfi 


511107, 2 


2j^553, 6 


2á5736,0 


1Í368,( 


Para as de- 














mais esta- 














ções 


3)^237,6 


UQlSfi 


4^456,032 


2i^228,016 


— 


■— 



(a) A estes preços junclar->se-ha a importância da transmissão até á fron 
teira na razão de 273,6 por zona. 

(6) Cada fracção até 10 palavras mais pagam por transmissão até á fron- 
teira 136,8 por zona. 

(c) Alperney ou Aurigny, Gernesey e Jersey, para cujo ponto (Jcrsev) si 
pôde por em quanto ser empregada a via de Contauces, pagando-se mais 182.4 
réis para correio marítimo. 



SEBYIÇO TELEGBAPHICO 



219 



Tabeliã n.» ft 



Numero de zonas que qualquer despacho pôde percorrer 

desde as nossas fronteiras até aos paizes 

em seguida designados 



Paizes 



Algéria 

Âltemburgo 

Aolialt 

Áustria « 

Bade « 

Baviera 

Bélgica 

Bremen 

Brunswick 

Cândia . . . 

Ceilão * 

China 

Corfá 

Dinamarca 

Egypto 

Estados pontíficios. 

Francfort 

Grécia 

Hamburgo 

Hanover 

Hesse Cassei. . . . . 
Hesse Darmstadt. . 

Hoheuzollern 

índia Ingleza e Por- 

tugueza 

Itália 



Zonas 



9 a 13 
13 

13 a 14 
10 a 16 

10 

10 a 12 

10 a 11 

13 

- 13 

28 

63 

56 

16 

14 a 23 
41 a 52 

12 a 13 

11 
19 a 29 

13 a 14 
12 a 14 

12 
12 



56 a 61 
8 a 13 



Paizes 



Lubeck 

Luxemburgo. . . . 
Maiorca (ilha). . . 

Malta (ilha) 

Mecklemburgo . . 

Moldávia 

Nassau * 

Noruega 

Oceania 

Oldemburgo. . . . 
Paizes Baixos *. . 

Prússia * 

Rússia 

Saxe 

Saxe-Coburgo . . . 
Saxe-Cob.°-Gotha 
Saxe-Meiningen . 
Saxe-Weimar . . . 

Servia 

Sigmaringen . . . . 

Suécia 

Suissa 

Tunis 

Turquia * 

Valaquia 

Wurtcmberg (a) . 



Zonas 





14 




10 


7a 


8 




15 


14 a 


15 


17 a 


20 




11 


21a 


25 




56 


13 a 


14 


lia 


13 


10 a 


16 


15 a 


24 




13 




12 




14 


12 a 


14 




12 


15 a 


17 


10 a 


11 


17 a 


25 


9a 


10 


14 a 


16 


18 a 


24 




18 


12 a 


14 



« Quando se tractar dos paizes designados com este aste- 
risco deve vcr-se a tabeliã n.® 3. 

(fl) No Diário de Lisboa, n.** 238, de 21 de outubro de 1864, en- 
contrará o leitor o quadro de todas as eslaçOes d'este reino, numero 
de zonas a cada estação, etc. 



220 



fiffiBVIÇO T£L£6RAPHICO 



N. B. Não esqueça que ao numero de zonas designadas 
'nesse mappa deve junctar o das que o despacho tiver a per- 
correr até á fronteira, á vista da seguinte 



Tabeliã n.* e 

Estações tdegraphicas no interior do reino, e numero de zonas 
que ha de cada uma d'e[las ás três fronteiras 



Zonas até ás fron- 
teiras 



Estações 




Abrantes 

Ajuda * 

Águeda 

Aldeia Gallega 

Amarante 

Arcos de Vai de Vez 

Aveiro 

Barcellos 

Barquinha 

Barreiro , 

Beja 

Belém 

Borba 

Braga 

Bragança 

Caldas 

Caminha 

Cantareira 

Cartacho 

Cascaes 

Castello-Branco 

Chaves >. 



2 


3 


2 


3 


3 


2 


2 


3 


3 


1 


3 


1 


3 


2 


3 


1 


2 


3 


2 


3 


2 


3 


2 


3 


1 


3 


3 


1 


3 


2 


2 


3 


3 


1 


3 


1 


2 


3 


2 


3 


2 


3 


3 


1 



2 
2 
2 
2 
1 
1 
2 
1 
2 
2 
2 
2 
1 
1 
2 
2 
1 
1 
2 
2 
2 
1 



SERVIÇO TELEGBAPRICiO 



221 



Zonas até ás fron- 
teiras 



Estações 




Cintra : 

Coimbra * 

Cortes 

•Covilhã 

Elvas * 

Ericeira 

Estremoz 

Évora 

Faro 

Figueira 

Foz do Douro 

Guarda 

Guimarães 

Lamego 

Leiria 

Lisboa « 

Mafra 

Mertola 

Mealhada 

Mirandella 

Moncorvo 

Monte-Mór o Novo * 

Necessidades « 

Olhão 

Oitavos 

Oliveira de Azeméis . 

Paredes.. 

Penafiel 

Ponte do Lima 

Peso da Regoa 

Portalegre 

Pcwto » 

Santarém 



2 


3 


2 


2 


2 


3 


2 


2 


1 


3 


2 


3 


1 


3 


1 


3 


2 


4 


2 


2 


3 


1 


2 


2 


3 


1 


3 


2 


2 


3 


2 


3 


2 


3 


2 


4 


3 


2 


3 


2 


3 


2 


2 


3 


2 


3 


2 


4 


2 


3 


3 


2 


2 


3 


3 


1 


3 


1 


3 


1 


1 


3 


3 


1 


2 


3 



222 



SEatyiÇO TELEGRAPmCO 



Estações 



Zonas até ás fron- 
teiras 




Setúbal 

S. Julião 

Tmra 

Thomar 

Torres Novas 

Valença * 

Vendas Novas 

Vianna do Castello 

Villa Franca 

Villa Nova de Famalicão 

Villa Real de Sancto António , 
Villa Real de Traz os Montes . 

Villa Viçosa 

Vizeu 



2 


3 


2 


3 


2 


á 


2 


3 


2 


3 


3 


1 


2 


3 


3 


1 


2 


3 


3 


1 


2 


4 


3 


1 


1 


3 


2 


2 



* Estas estações fazem serviço de dia e de noite. 

A fronteira Hispanico-Portugueza é imaginaria, resultante 
de combinações entre as duas nações para regularidade e re- 
ciprocidade de serviços. 

Serviço telegraphico nas linhas de norte e leste 

O serviço telegraphico das duas linhas, norte e leste, está 
á disposição do publico; e porisso, querendo qualquer viajante 
aproveitar este meio de communicaçâo, pôde fazel-o debaixo 
das condições seguintes: 

Escrever a communicaçâo intelligivelmepte e com todas 
as lettras. 

Cada communicaçâo regular compoe-se de vinte palavras 
alóm do nome e moradas do destinatário, data e assignatura 
do expcãiáor. 



SERVIÇO TELEGRAPHICO , 223 

Uma communicaçâo regular custa 262 réis e meio de trans- 
missão, e 10 réis e meio por cada kilometro que tiver a per- 
correr. 

Cada fracção de uma a cinco pala%Tras além das vinte de 
luna communicaçâo regular, paga mais 52 réis e meio, seja 
qual for a distancia a percorrer. 

' A entrega de qualquer despacho no domicilio do destina- 
tário custa 50 réis não excedendo 2 kilometros de distancia. 

Se a distancia é maior, remette-se por um próprio, pa- 
gando o expedidor a despeza a que isso dê logar. 

Lisboa está dividida em quatro zonas para entregas a do- 
micílios: a 1.* custa 50 réis; a 2.", 200 réis; a S.*, 400 réis; 
e a 4.*, que finda no convento dos Jeronymos em Belém, 500 
réis. 

Deve porém advertir-se que o serviço da empreza prefere 
ao dos particulares, e que porisso pode este ser interrompido 
pela necessidade imperiosa d'aquelle. 

Nas estações entrega-se ao expedidor um recibo com talão 
da quantia que pagar, e o destinatário ou pessoa que por 
elle receber o boletim, deve assignar outro recibo, designando 
a hora em que o recebeu. 

Apesar de haver nas estações tabeliãs, designando a im- 
portância de qualquer despacho para todos os pontos da li- 
nha, apresentaremos dois exemplos para facilitar o conheci- 
mento da sua importância, independente das tabeliãs. 

l.o Exemplo: 

Chegamos a Abrantes, e queremos enviar um despacho 
para o Carregado. 

Verificamos na tabeliã geral das distancias a que ha a 
percorrer, e achamos 99 kilometros. 

Como 99 equivalem a 20 vezes 5, temos: 

20 a 10,50 210,00 

Transmissão 262,50 

Somma 472,50 

. Addicionamos para decimal 7.50 

A pagar 480 réis. 

2.0 Exemplo: 

Imaginemos porém que desejamos transmittir o despacho 
de Abrantes para Pombal, e que consta de 42 palavras. 



CAMINHOS DE FERRO 

APONTAMENTOS PARA A HISJORIA DOS CAMINHOS 
DE FERRO EM PORTUGAL 



Ninguém desconhece qual era o verdadeiro estado da via- 
ção publica em Portugal na primeira metade do presente 
século, e as razões por que nào vigoraram algumas tentati- 
vas que se emprehenderam para alcançar os primeiros fun- 
damentos das grandes reformas económicas, que nos outros 
paizes estavam já exercendo poderosa influencia no desin- 
volvimento da riqueza publica e da prosperidade nacional. 

A primeira e essencial condição dos grandes melhoramen- 
tos materiaes, e das reformas na vida económica dos povos 
é a paz e a segurança publica, e nós 'nesse período calami- 
toso estávamos despendendo e empenhando em guerras civis 
6 luctas fratricidas os nossos capitães e forças, em quanto 
que a Inglaterra, os Estados-Unidos e outros paizes applica- 
vam os seus aos caminhos de ferro, ás estradas, portos e ca- 
naes, e a outros melhoramentos de que dependeu a impor- 
tância económica e politica que hoje têm no mundo civi- 
lisado. 

Quando todos estávamos cançados das luctas passadas, e 
o acto addicional á carta, e um governo patriótico e conci- 
liador cortaram os pretextos de outras futuras, entrámos en- 
tão no bom caminho, e hoje estamos já gozando dos fructos 
abençoados de doze annos de paz octaviana. 

Não nos propomos fazer o esboço completo d'essa epocha, 
nem a Índole do nosso trabalho comportava tal desinvolvi- 
mento. 

Todos podem julgar os factos que sâo de hontem, e os ho- 
mens que abriram na historia nacional um periodo notável 
de reformas e de melhoramentos económicos de vasto al- 
cance, e que mais parte tiveram na regeneração e progres- 
sos do paiz. 



CAMINHOS DE FEREO 229 

Julgamos porém que será agradável aos nossos leitores 
apresent^r-lhes um breve resumo da historia dos caminhos 
de ferro de Portugal; e d' estes melhoramentos importantes 
nos vamos occupar um pouco. 

Desejávamos poder esboçar a historia económica do paia 
nos últimos doze annos; mas nem temos tempo para tanto, 
nem podemos dar maior extensão a este livro. 



^ resitísm i 

A 6 de maio de 1852 foi assignado por sua magestade a 
senhora D. Maria ii e referendado pelos srs. Rodrigo da Fon- 
seca Magalhães, ministro do reino, e António Maria de Fon- 
tes Pereira de Mello, ministro da fazenda, um decreto, que 
determinava o concurso para a construcçâo de um caminho 
de ferro desde Lisboa até á fronteira de Hespanha, aonde 
a linha hespanhola deveria mais tarde vir ligar-se com ella. 

Esta linha dividir-se-hia em três secções, sendo a primeira 
até Santarém. 

Entre as condições havia as seguintes: 

A licitação devia ser feita sobre o minimum do preço in- 
dicado pelo governo. 

Dez annos depois de posto em exploração o caminho, podia 
o governo apropríar-se d'elle, pagando o dinheiro despen- 
dido e um bonua de 10 por cento, deduzido o que já estivesse 
amortizado, e se o governo não se apropriasse d'elle, podia 
a companhia continuar a exploração por mais dez annos sem 
direito a qualquer repetição de interesses. 

Findo este praso passaria o caminho com todo o seu ma- 
terial e edifícios a ser propriedade da nação. 

Appareceram diversas proposições tão innocerites que nem 
resposta mereciam. 

Em 25 de junho o sr. B. de Oliveira, em nome de Mr. Lock, 
Petto e outros, em logar de satisfazer ás condições exigidas 
para ser admittido ao concurso, apresentou modificações aos 
artigos do programma de 6 de maio! 

Terminado o praso para o concurso, foram abertas três 
propostas que haviam sidp apresentadas no ministério do 
reino, e como só uma d'ellas estava no caso de ser admit- 
tida, foi feita a concessão provisória a Mr. Hardy Hislop^ 
como representante da companhia peninsular dos caminhos 
de ferro de Portugal, 3l qual deu logo começo aos seus tra- 
balhos, encarregando dos estudos ao engenheiro T. Rumball. 



230 CAMINHOS DE FERRO 

Nâo sendo approvados os estudos d'este engenheiro, cm 
consequência do parecer dos srs. Abreu e Sousa, e Lobo 
d' Ávila, engenheiros do governo, encarregou a companhia no- 
vos estudos ao engenheiro Harcourt Witi, que em continente 
apresentou o resultado. 

A 7 de maio de 1853 fazia-vse a inavguraçào solemno dos 
trabalhos do caminho do ferro ao Beato António, e a 13 do 
mesmo mez apresentava o sr. Fontes ás camarás o projecto 
de lei, que approvava o contracto feito com o sr. Hislop 
como representante da companhia^ 

A commissâo das obras publicas, do que faziam parte os 
srs. José Estevão e Casal Ribeiro, foi favorável ao projecto 
de lei, exceptuando apenas as tarifas^ que entendeu deverem 
ser modificadas. 

A commissâo de fazenda também foi favorável ao projecto. 

As camarás approvaram a lei, e suamagestade a senhora 
D. Maria ii sanccionou-a a 11 de maio, sendo o decreto já 
referendado pelo sr. Fontes como ministro da fazenda e in- 
terinamente das obras publicas. 

Em 5 de setembro de 1853 eram mandadas pôr em vigor 
as instrucções para a fiscalização technica dos trabalhos, e 
a 17 de janeiro de 1854 ampliavam-se as mesmas instrucções, 
ordenando-se a assistência permanente de um engenheiro do 
governo aos trabalhos de construcção. 

Estava portanto prompto para germinar o systema de 
construcção de caminhos de ferro, e porisso seguiu -se logo 
uma proposta feita pelos srs. marquez de Ficalho e José Ma- 
ria Eugénio para a construcção de uma linha férrea desde 
Aldeia Gallega até ás Vendas Novas, proposta que foi re- 
duzida a contracto provisório e apresentada ás camarás em 
24 de julho de 1854, e a 7 de agosto do mesmo anno assi- 
gnava sua magestade o senhor D. Fernando, regente do reino, 
e o sr. Fontes referendava a lei que confirmava o mesmo 
contracto, devendo proceder-se a concurso e licitação ao 
preço da subvenção. 

A 24 de agosto foi proposto e approvado um addiciona- 
mento ao contracto de 24 de junho, em consequência do que 
era substituído o ponto de partida de Aldeia Gallega pelo 
do Barreiro, e estabelecido um ramal para Setúbal. 

Abriu-se o concurso, e a 6 de dezembro de 1854 tomou-sc 
conhecimento das propostas que tinham sido api-esentadas: 
seguiu-se a licitação, e em resultado foi adjudicada ao 
sr. Costa Ramos por si e como representante dos seus asso- 
ciados. 



CAMINHOS DE FERRO 231 

Estava aberta a carreira, porísso a umas deviam se- 
guir-se outras emprezas, e a 30 de setembro de 1854 apre- 
sentava o sr. De Claranges-Lucotte um contracto para a 
construcçao de um aterro e cães desde o forte de S. Paulo 
até Belém, uma docka para navios de todas as lotações, um 
caminho de ferro de Lisboa a Cintra, e uma linha telegra- 
pbica parallcla ao caminho de ferro. 

Entre outras cousas declarava a empreza, representada 
pelo sr, De Claranges-Lucotte, que contractava com conhe- 
cimento de causa,, e que se responsabilisava pelo cumpri- 
mento do contracto, renunciando a qualquer indemnização 
futura; e em consequência d'isso sua magestade o regente 
assignou, e o sr. Fontes referendou a 2G de julho de 1855 o 
decreto approvando o mesmo contracto. 

No entretanto marchava mal a direcção dos trabalhos do 
caminho de ferro de Lisboa a Santarém, acerca dos quaes 
já em 15 de fevereiro o sr. Gromicho Couceiro, engenheiro 
fiscal do governo, havia infoi-mado no seu relatório, que em 
consequência da inexperiência dos operários e da falta de 
alguns materiaes que ainda não haviam chegado do extran- 
geiro, os trabalhos não progrediam como devia ser, e o go- 
verno a 6 de setembro de 1855 viu-se forçado a intervir, 
mandando continuar os trabalhos que estavam suspensos, 
porque a companhia nào pagava aos seus empreiteiros. 

Estando as cousas 'neste estado, conheceu o sr. Fontes que 
era necessário um golpe decisivo, e porisso appeliou para o 
patriotismo nacional, pedindo algunâ milhares de contos para 
os melhoramentos que projectava. 

*Nesse tempo havia grandes receios dos encargos e des- 
pezas que trazem os caminhos de ferro, porque ainda não 
estava desinvolvida a propaganda a favor d'elles; e a poli- 
tica partidária, explorando estes pânicos, promoveu a cele- 
bre representação des 50:000 peticionários contra os proje- 
ctos do sr. Fontes. 

Cahiu o ministério, e o sr. Carlos Bento da Silva foi occu- 
par a pasta das obras publicas. 

Mr. Watier, commissionado pelo credito movei de França 
para fazer os estudos dos caminhos de ferro de Portugal, 
apresentou o seu traçado ao governo, que o adoptou, e em 
consequência d'isso cntregou-íhe a 7 de fevereiro de 185G a 
direcção dos trabalhos até Santarém, direcção que elle con- 
servou, sob as ordens do governo, até 28 de junho do mesmo 
anno, epocha em que o governo deixou de intervir na cons- 
trucção, entregando -a á companhia. 



232 CAMINHOS DE FEBBO 

A 13 de agosto de 1856 foi prorogado o praso para a con- 
clusão do caminho a Santarém -até fins de setembro de 1857, 
e adiantadas importantes sommas á companliia para a co- 
adjuvar em seus trabalhos: apesar de tudo isso, os trabalhos 
marchavam mal, é o serviço estava tão irregular, que, tendo 
sua magestade o sr. D. Pedro v percorrido a linha a 24 de 
agosto, viu-se forçado, quando regressava, a esperar por 
muitas horas em Alverca antes de chegar á capital. 

Finalmente a 28 de outubro de 1856 era inaugurada so- 
lemnemente a abertura da exploração até ao Carregado. 

No entretanto marchavam os trabalhos na linha do sul, e 
a 11 de março de 1857 eram approvados os estudos da úl- 
tima secção até ás Vendas Novas. 

Não succedia porém o mesmo na linha de leste, porque a 
31 do mesmo mez (março) informava o sr. Margiochi, fiscal 
do governo, no seu relatório, que a companhia não poderia 
concluir os seus trabalhos no praso fixado, porque á vista da 
pouca actividade por ella desinvolvida, era impossível ven- 
cer os obstáculos que lhe sobrevinham de todos os lados. 

O sr. Carlos Bento da Silva, a cargo de quem então estava 
a pasta das obras publicas, apresentou ás camarás, em 14 de 
abril de 1857, um projecto de lei para a approvaçâo de um 
contracto com Sir Morton PeitOj para a construcção de um 
caminho de ferro de Lisboa ao Porto, e pediu auctorisaçào 
para a rescisão do contracto com a companhia central penin- 
sular, para indemnisar os accionistas da companhia, e para 
regular as contas d'est& com os empreiteiros Shaw & Ba- 
ring. 

Tudo lhe foi concedido a 4 de junho, e a rescisão do con- 
tracto foi decretada a 9 de julho, encarregando-se ao sr. João 
Chrysostomo de Abreu a direcção geral da linha até San- 
tarém. 

A 31 de agosto inaugurava-se o caminho desde o Carre- 
gado até ás Virtudes, tendo sido dois dias antes assignado o 
contracto com Sir Morton Petto. 

Os trabalhos do caminho do sul marchavam regularmente, 
mas outro tanto não succedia com o de Cintra, porque o 
sr. Belchior José Garcez, no seu relatório ao governo, dizia 
que o concessionário não tinha desinvolvido os trabalhos 
por forma que podesse concluil-os no praso marcado. 

Esta morosidade chegou a ponto de o governo se ver for- 
çado a mandar fazer por sua conta o aterro desde a Ribeira 
Nova até Sanctos, encarregando a direcção doestes trabalhos 
ao sr, José Victorino Damazio, 



CAMINHOS D£ FERBO 233 

O desalento ia-se apoderando de todos, e a única cousa 
que ainda mantinha esperanças era a confiança que havia 
em Sir Morton PettOj esperado por muitos coin tanta con- 
fiança como os judeus esperavam o Messias. 

Mas Sir Morton Petto, em logar de vir, mandava propos- 
tas de modificação ao contracto, sendo uma d'ellas o suspen- 
der a construcçào nos pontos mais difficeis! 

A desconfiança generalísou-se então espantosamente, os 
ânimos exaltaram-se, a imprensa pronunciou-se, e a opposi- 
çâo nas camarás tomou grandes proporções. 
. As questões tanto nas camarás como na iníprensa perió- 
dica foram acaloradas; mas, apesar das muitas exaggeraçoes 
que se apresentavam de uma e de outra parte, transparecia 
por entre todas ellas o desejo de ver realisada a construcçào 
da via férrea. 

PíMrtanto, como Sir Morton Petto não pôde organizar com- 
panhia, como sem tal organização o sr. Carlos Bento não 
podia fazer construir as linhas férreas, e como sem esta cons- 
trucçào não podia existir o ministério, teve este de largar o 
poder. 

Tomou então a pasta das obras publicas o sr. António de 
Serpa Pimentel, que, incitado pelo seu génio e pela lei na- 
twralf de que não podia ser ministro d'aquella repartição 
quem não fizesse construir vias férreas, applicou toda a sua 
attençâo para a realisaçâo de uma tal necessidade. 

A 13 de abril de 1859 foi fixado a Sir Morton Petto j até 
31 de maio, o praso concedido para começar os trabalhos, e 
não tendo elle cumprido, rescindiu- se-lhe o seu contracto a 6 
de junho. 

A 8 doeste mez foi o governo auctorisado a contractar um 
novo caminho de ferro dafi Vendas Novas até Évora e Beja. 

A juncta geral do districto de Beja e o sr. visconde da 
Esperança deram 'nesta occasião uma grande prova de pa- 
triotismo e do interesse que tomavam pelos melhoramentos 
materiaes do seu paiz, porque espontaneamente ofifereceram: 
a juncta 3:000i^000 de réis para ajuda de custo por kilo- 
metros, e os seus bons officios para a cedência gratuita dos 
terrenos a expropriar; o sr. visconde promptificou-se logo a 
esta cedência nas importantes propriedades que a linha lhe 
havia de atravessar. 

Portugal estava de facto sujeito á tutela ingleza, porque 
ninguém suppunha que se podessem tentar eínprezas, e le- 
val^as a cabo, nâo sendo verificadas por inglezes. 

O sr. Serpa provou que nos podiamos emancipar d'es8a 



234 CAMINHOS DE FERItO 

tutela: a fama apregoava as audaciosas emprezas tentadas 
pelo sr. D. José de Salamanca; as construcçoes de linhas 
férreas, que elle tomava a seu cargo eram tào numerosas e 
importantes, que o cognominaram o rei dos caminhos de fer- 
ro; foi portanto com aquelle arrojado capitalista que asr; SeT'- 
pa contractou, provisoriamente, a conclusão da linha de Ba- 
dajoz, e a constinicçào de uma outra para o Porto; e a 30 de 
juího de 18Õ9 abriu-se licitação por quarenta dias ás mesmas 
construcçoes. 

A 8 de agosto do mesmo anno era também aberta licitação 
para a construcçâo do caminho de ferro das Vendas Noyas 
a Évora e Beja. , 4 

Náo apparecendo concurrente com o sr. D. José de Sala- 
manca, íbi-lhe adjudicado o caminho de ferro das duas linhas 
(Norte e Leste) a 12 de setembro, e o contracto provisório 
assignado a 14, scndo-lhe concedida a subvenção de 4:õ00 
libras por kilometro na linha de Leste, e õ:400 na linha do 
Norte, e a exploração por 99 annos; podendo porém o governo 
remil-a dentro em 15, pagando a remissão conforme certas 
bases. 

Entro as diversas condições do contracto, avultava- a de 
que o governo não poderia conceder outras linhas paraàlelas 
áquellas 'numa distancia inferior a 40 kilometros. 

Mr. Clarangcs Lucotte, infatigável em procurar oe meios 
de realisar os seus projectos, tinha conseguido formar em 
Briixellas uma sociedade anoni/ma dos caTmnJios de ferro c 
dockas de Lisboa, e o governo a 23 de novembro de 1859 ap- 
provon, por um decreto, a mesma companhia e seus estatutos. 

A 3 de janeiro de 18G0 era assignado o contracto para a 
construeçã,o do caminho de ferro das Vendas Novas a E\'ora 
c Beja, por sir John Sutherland Vaientine, como represen- 
tante de Mrs, Charles Eduard Nangles, e outros. 

Vem a pello recordar o patriótico offerecimento da juncta 
geral do districto de Beja, e do sr. visconde da Esperança, 
visto tcnnos a declarar que a juncta geral do disliieto de 
Évora seguiu tão nobre vereda, promptificando-se a contri- 
buir com a quantia de 1:200^^000 por kilometro. 

A 22 de dezembro de 1859 estavam approvados os estatutos 
da companhia real dos caminhos de ferro porttiguezesj e a 5 
de maio de 1860 era sanccionado com algumas modincações 
o contracto celebrado com o sr. D. José de Salamanca em 
14 de setembro de 1859. 

Entre essas modificações figuravam as que marcavam o 
praso de dois annos e meio em logar de três para a conclusão 



CAMINHOS DE FEBBO 235 

da linha de Badajoz, e 3 annos em logar de cmoo para a do 
Porto: a ponte sobre o Douro deveria estar concluída um 
anno depois da linha. 

Em 4: de Junho de 1857, 5 de março de 1858 e 22 de junho 
de 1859, haviam os governos sido auctorisados a crear ins- 
cripçõea de 3 por cento sobre a juncta do credito publico para 
eatisfazer ás despesas com a construcçâo das linhas férreas, 
e agora novamente foi o governo auctorisado a crear outras. 

A 29 de maio de 1860 foi decretado o contracto assignado 
por sir John Yalentine para a construcçâo do caminho das 
Vendas Novas a Évora e Beja, podendo o governo contractar 
a subvenção de IGrOOOj^iOOO réis por kilometro, ou garantir 
o juro de 7 por cento na proporção de 24;0(X);Í1000 réis por 
kilometro. 

A exploração pertenceria á companhia por 99 annos, po- 
dendo comtndo o governo remir dentro em quinze ou trinta, 
sujeito em qualquer das epochas a condições diversas. 

O caminho devia ser concluído dentro em 3 annos. Entre- 
tanto progrediam os trabalhos das linhas de Norte e Leste 
com mn desenvolvimento espantoso. 

O sr. D. José de Salamanca havia encarregado ao sr. D. 
Euzdbío Page a direcção geral d'estas obras, concedendo-lhc 
caria branca para executar bem e depressa. 

A actividade do sr. Page estava provada, porque, tendo em 
Hespanha cabido uma ponte que havia sobre o Jarama, e 
sendo elle encarregado de collocar, provisoriamente, outra 
em seu logar, em M) dias tinha feito construir uma ponte de 
madeira com 15 vãos, na distancia de 120 metros por 7 do 
alto, o que deu logar a dizer- se, na descripção que temos á 
vista, que é talvez a obra de tal natureza que em menos tempo 
«e tenha construído no mundo. 

Os trabalhos no caminho do sul também progrediam, e no 
l.® de fevereiro de 1861 eram inauguradas a abertura da linha 
ÚB Vendas Novas, e do ramal a betubal. 

O caminho de ferro de Cintra é que estava estacionário; 
e o governo viu-se forçado, em 27 de março de 1861, a an- 
nullar o contracto de 26 de julho de 1855, e a retirar a appro- 
vação aos estatutos da sociedade anonyma. 

Já, porém, a este tempo não era o sr. Serpa ministro das 
obras publicas, porque com os seus collegas havia pedido a • 
demissão de seus cargos, e fora substituído pelo sr. Thiago 
Horta. 

A linha do caminho de ferro do sul estava concluída, e, 
não se resolvendo o governo a fazer a sua acquisição, con- 
11 



236 CAMINHOS D£ FERBO 

tractou a companhia oonatruetora vendel-a ao sr. D., José de 
Salamanca. 

A yeriâcaçâo do contracto com o sr. Salamanca fez ciear 
cubica ao governo^ que interveiu logo a impugnar a venda, 
e o comprador desistiu immediatamente do seu direito, sem 
exigir perdas, damnos, ou indemnisaçôes. 

Passou portanto aquella linha a ser propriedade nacional, 
e foi encarregado da sua direcção o sr. Sebastião dp Canto e 
Castro Mascaranhas, um dos mais honrados e distinctos enge- 
nheiros que temos. 

A actividade nas duas linhas de norte e leste continuavn 
com o mesmo, senão com crescente desenvolvimento; mais de 
40.000 operários com o respectivo pessoal technáco eram em- 
pregados 'nellas, e comtudo principiava a empreza oouâtm- 
ctora das linhas do norte c leste a ver-se em embaraços; por 
um lado, a grande extensão de linhas, e o rápido desenvolvi* 
mento que pretendia dar aos trabalhos, obrigava-a a empregar 
indivíduos que não correspondiam á conâança 'nelles deposi- 
tada: por outro aa exigências do campanário obrigava-a a 
condescendências e actos prejudiciaes, tanto para os seus in- 
teresses, oomo para os do paiz ('neste caso estão as curvas 
que se fizeram dar ã linha do norte para a levar a. Aveiro, e 
aproximar da Figueira), e finalmente as expropriações, em 
cuja especialidade o sr. D. José de Salamanca foi escamoteado 
escandalosamente 

Outra empreza teria sossobrado, mas á força de paciência 
e de dinheiro foram vencidos todos os obstáculos, e a anno 
de 1862 não findou sem terem sido abertas duas secções á 
exploração, uma na linha do leste e outra na do norte. 

A 22 de fevereiro approvava o governo a «ecção do ca- 
minho de ferro das Vendas Novas a Évora e lieja. pelos con- 
cessionários a uma companhia novamente organisada, e teve 
a prevenção de estipular que a nossa companhia não poderia 
transferir seus direitos e obrigações sem auctorisaçâo do go- 
verno. 

Apparecem novamente em scena as dockas e o caminho de 
ferro de Cintra, contractados com mr. Dolxcousse em maio de 
1863, obrigando-se o emprezario a concluir o caminho eot 20 
mezes, approvados que fossem os planos. 

A 4 de setembro de 1863 era inaugurada solemnemente a 
exploração da linha férrea daa Vendas Novas a Évora. 
Egual inauguração se fizera na linha de leste desde Abran- 



0AMINH05 DE F£BBO 2B7 

tes áo Crato, e d*aqui a Elvas fôra aberto ao transito pu- 
em agosto seguinte. 

Em setembro festejavam os hespanhoes alegremente a che- 
gada da locomotiva a Badajoz, e abrigavam oordealmente 
os portuguezes que tinham tomado parte 'nesta festa. 

O ministério havia até agora prestado, franca e lealmente, 
o seu^apoio á enrpreza, e o jornalismo de todas as cores po- 
liticas, com excepção de um ou outro, seguia tao louvável 
exemj^J 

De repente, porém, principiou ogoverno a mostrar que havia 
desintelligencia entre elle e a empreza, e ao andar o anno de 
1863 desenvolvia o máximo rigor contra ella. 

O sr. D. José de Salamanca havia encarregado a direcção 
da empreza ao sr. D. Angel Arribas Ugarte em substituição 
do sr. Page, a quem concedera seis meze» de licença partir 
a Hespanha. 

O novo director teve instrucç3es do sr. Salamanca para 
ultimar todas as questões, pendentes com 6 governo, fasendo 
nas obras quantas modificações e alterações fossem recla- 
madas. 

Nâo descurou elle um momento do cumprir tal missão, e 
pôde finalmente, ainda que coni grandes sacri^cios, venoor 
todas as difficuldades, e convencer o governo de que /& em- 
preza andou sempre de boa fé. 

No entretanto havia sido inaugurado o resto da linha, até 
Beja em 14 de fevereiro de 1864 

-'Antes de findar a legislatura de 1863 fora o sr. João 
ChryBostomo dè Abreu, novo ministro das obras publicas, 
anetorisado a oontractar a continuação áàs linhas de Évora, 
a ligar, no Crato, com a de leste, com a directriz por Estre- 
moz, e de Beja para o Guadiana, na direcção de Sevilha, 
com ramal p&ra um porto de mar no Algarve, e b^m assim 
poder vender as linhas do Barreiro a Évora e Beja á com- 
pasiháa com quem contractasse as mesmas construcçoes. 

Em 11 de junho de 1864 era assignado o contracto defi- 
nitivo para a mesma venda e construcçoes com uma compa- 
nhia ingleza. 

Por esta occasiâo já a linha do norte estava prompta até 
Villa Nova de Gaia, e o publico estava ancioso pek sua aber- 
tura á circulação. 

O sr. D. José de Salamanca veiu então a Portugal, e 
quando retirou, ordenou que fosse satisfeita a anciedade pu- 
blica, o que teve logar a 7 de julho do mesmo anno (1864). 

A 11 de setembro seguinte eram inaugurados os trabalhos 



240 CAMINHOS DE FEARO 

tendo em attençâo que o despacho doestas nas estações prin- 
cipaes começa u mahora^ e termina doze minutos antes da 
partida dos comboyos; e nas estações intermédias, começa 
uma hora, e finda oito minutos antes da mesma partida. 

Se nâo tem bagagem, basta-lhe attender a que a venda dos 
bilhetes começa uma hora, e finda dnco minutos antes da 
partida dos comboyos. 

Em qualquer dos casos, porém, deve ter em vista que os 
relógios das linhas são regulados pelo tempo médio (a). 

Logo que o passageiro chega á estação compra bilhete 
para a classe em que quer transitar. 

Os bilhetes só servem para o comboyo, dia, ponto 'nelles 
designados. 

Cada bilhete nas linhas do norte e leste, custa na pro- 
porção de 18,90 réis por kilometro para 1." classe, 14,70 para 
2.*, e 10,50 para 3.*, e isto sempre que o trajecto exceda a 
6 kilometros. 

Nas linhas de sul e sueste, custam na proporção de 25^ 
para 1.* classe, 18,90 para 2.*, e 12,60 paj^ 3.*, sempre que 
o trajecto exceda a 5 kilometros. 

Se o trajecto é inferior a 6^ kilometros 'naquellas lin^jas, e 
a 5 'nestas, pagal-òs-ha o passageiro como se tivesse a per- 
correl-08. 

Para o passageiro saber quçmto tem a pagar, basta veri- 
ficar na tabeliã das distancias qual é a que tem à percorrer 
e multiplicar o numero de kilometros, que ella lhe apresentar, 
pelo preço correspondente á classe onde quer transitar. 

Quando, porém, o resultado final de qualquer d'essas mul- 
tiplicações nâo fér decimal, será elevado tanto quanto fôr 
preciso para o prefazer. 

Exemplos: ' 

1.° Queremos ir de Lisboa ao Poço do Bispo em !.• classe, 
e achamos na tabeliã que temos a pagar 4 kilometros, mas 

como o minimum a pagar são 6, mídtiplicamos 18,90 

por 6 

■ ■'.< * « 

resulta 113,40 

addicionamos : . 6,60 

a pagar ; 120^0 

Como o resultado final da multiplicação nâo era decimal, 
(a) Vide íempo médio. 



CAMINHOS D£ F£ERO 241 

tivemos de lhe addicioimr 6^60 para o prefazer^ e encontra- 
mos que temos a pagar 120 réis. 

2.° Queremos seguir da estação de CcÂmbra para Badajoz 
em 2«*. classe: vemos na tabeliã a distancia a percorrer, e 
achamos 287 kilometroe; mas como temos a separar os 6 íd- 
lometros da fronteira a Badajoís^ âeam-nos 281 kilqmetros 
a percorrer no paia: 

Multiplicamos 14,70 

por. 28 1 

14 7 
1176 
294 

Produz ..." 4130,70 

Addidonamos o transporte até Badajoz 90, 

EieBuJta 4220,70 

CpmQ o r^ultado nâo é decimal, junctamos 9,30 

A pagar ..,,.... 4230,00 

.£ ficamos cabendo quse devemos pagar 4j^230 réis. 

3.° exemplo: 

Quexveffios ir de Setúbal a Évora em 3.* classe; achajnos 
iia^, tabeliã que temos a percorrer. 114 kiLometPos: 

Multiplicamos 12,60 

por , .,.,.♦ 11 4 . 

. V ..." . 504 

126 
126 

Erodu£ ../,,,.. , 1436,40 

Como o resultado n|o é dedmal, junptamos 3,60 

Apagar ...,.,.. , 1440,00 

.•Pernos a. pagar 1:^440 réis. 

As creanças de 3 a 7 annos pagam meio preço; mas para 
a eoiitagem dos legares no mesmo compartimento de carroa- 
gem, contam-se duas creanças como occupando um só logar 
Menores de três annos nada pagam, com tanto que vao ao 
collo das pessoas que os conduiçem.. .... 

Comprado o bilhete, se o passageiro tem ba^a^em, dirige-se 
á omsk xesp^eçtiva para a fazer dei^achar. 



242 CAIOHHOS DE VEÊtíítO 

Se o passagôio diega á e8taçioaliora«m^[Be ji esCátet-- 
minada a yenda dos bilhetes, proeora o revisor, dia-Uie o 
local a que se dirige; elle manda-o entrar para a carroagem, 
e durante o transito dâ-Ihe inn iRlbele de pasngem que isoorta 
dNim lÍTTO «om taláo, e recebe a impCMrtancia d^dle. 

Na falta do rerisor diiige-se ao oondactor. 

O distinctÍYO do reTÍâ<»r é mn galào de ouro e CNitro de 
prata no boDet;eporiaso escusa o paasagqrode p ci giuita ryl 
^e èy pcnqne lhe basta procurar em torno de â o in dí^idn o 
que tirer tal agnal. 

Bagagens 

Os objectos considerados como bagagens, sio: babús, ma- 
las oa arcas com roupas, saccos de ncnte, caixas de chapéos. 
iierramentas de trabalhadores amarradas^ colxues> ete. 

É permittido a passageiro cfmdozir eomsigo^ e sem despm- 
cho, qnalqner pequeno embrulho ou sacco de noite, manta 
para agazaUiar^on objecto identicoy quepossaacoommodar &> 
dfanente por baixo do assento que occupar na camagea cm 
que idr, nào incommodando os demais passageiros (a>. 

Nas linhas de ntHie e leste, se a bagagem pean até 9Dki- 
logrammas, paga apenas 10 r& de registro e guia de esqve- 



í pen mais de dDkflogrammas, paga 4,90 lé» de ( 
desde um até 40 kilogrammas, por cada kikmetro que tenha 
a percorrer^ pagando tanto de excesso por uma ba^gem pe^ 
smdo 31 kilogrammasy como peiando TOl 

Se além dos 70 kilogrammas ainda ha ezressio, paga mais 
0^68^ por cada £rae^ao de um a 10 kilogranonas^ perlálo- 
metro a percorrer. 

Exem^os: 

1.* Temos uma bagagem pezando desde 31 até 70 kflo- 
giammas de ff>, e ^riginio-nos de Lisboa a Tones Niyraa. 
Tcmosna tahcBmadÍ8taneiaape i eo tj e i, e arhamnft IQgfcí- 
lometros: 

Mnlt^ilicamoe 102 

pmr. 4^20 

904 

408 

Produa .• 438,40 

■a] Co«o Muilai iafifiiass catemám que «■ c9o wi9 i 
MâMgmemf t fue ftr iaia faie irwiyauhir • C 



OAKINiSOS DE WES&O 243 

Junctamos dç guia 10 

Kesulta . 438,40 

Addiciouamos para completar o decimal ..,......* 1,60 

Temos a pagar 440 

2.<» Se o pezo da bagagem é de 70 a 80 kílogrammas, fa- 
zemos a mesma operação que já fizemos, que é paxá saber 
quanto temos a pagar pelo eoccesso dos 40 kilogrammas, e 
mais a seguinte, que é para sabermos quanto importa o se- 
gundo excesso de 1 a 10 kilogrammas: 

Multiplicamos 0,68j25 

Pela distancia a percorrer -, 1 02 

13G50 
6825 

Produa^-^Ofl. . 69,61,50 

Junctamos o excesso dos 40 kilogrammas 428,40,00 

Guia ^ 10, 

Kesulta 508,0,150 

Adicionamos para completar a decimal * 1,98,50 

Temos a pagar 510 

A exemplo d'estas se fazem todas as demais operações; e 
se a alguns ellas parecerem complicadas, facilmente conhe- 
cerão o contrario, logo que tenbaxn um pequeno estudo pra- 
ctioò. 

Nas linhas de sul e sueste paga-se o excesso do pezo de 
bagagens por cada fracção de um a dez kilogranunas além 
do9 30 eoacedidos, e na tabeliã respectiva vai indicado quanto 
é esse excesso. 

ADVERTÊNCIA iCERCA DO DESPACHO DAS BAGAGENS — Nâo pO- 

demos deixar de fazer uma advertência aos passageiros acerca 
do ^pacho das bagagens. 

Ordinariamente todos guardamos para a vUima hora o 
concluir qualquer serviço que temos a fazer, e por isso raro 

a parte, lembramos-lbe que tó ó permittido o transporte (folies, 
pela forma que ao diante vai indicada. 



244 OAMsmm x>i& ssbbo 

é o passageiro que se apresenta a despaekav a anã bs^agem 
logo que principia este serviço. 

O resultado é junctarem-se todos nas proximidades da par- 
tida do comboyo, e então é q»e chegam cs-^rtame^ todos têm 
medo de ficar em terra, começam a importunar os empregados 
para que os despachem com brevidade, e estes, querendo sa- 
tisfazer a todos e desembaraçar o serviço, não sabem para 
onde se hâo de voltar eom preferencia, e acabam por perder 
a cabeça. 

A consequência d'Í9to ^ que muitas veaes vai para Bada* 
joz uma bagagem que devia ir para o Porto, e para Coimbra 
uma com destmo a Santarém. 

O meio de prevenir todos estes transtornos é cada um apre- 
sentar-se na estação a horas de poder despachar a sua ba- 
gagem logo que começa este serviço, embora depois esperem 
xttsm um bocado. 

Aquelle que assim fizer, pode ter a certeza que dificilmente 
haverá engano no destino da sua bagagem, e que esta lhe 
será entregue logo que chegue ao termo da sua viagem» 

O que &eiit o eontrarioy nâo se deve- queixar de q^ o- ser- 
viço ômáu,. porque foi elle quem deu causa a isso. 

Todos devem reconhecer que despachar as, bagagens a 4(), 
ãO^ <^ 100 passageiros ao mesmo- tempO/ e quando se trarõ» 
^ãM a hora de terminar com tal serviço, ulo pódeaflçr' feito 
eom a mesma regularidade e perfeição como sendo feita a 
tempo e com fiooego.. . .., ,.j.i . 

As pressas á idtima hora devem ser somente para os casos 
e^tiáordkfatriòa. ' , 

Estações céntraés em Lisboa e Porto, para o sènriçó .' 
d^s Unhas de norte e leste ' -' ' 

■ í - ■ ' '/. ' 

Para eommodidade e economia do publieoy estab^eee«»ft 
empreza duas estações centraes: uma em Lisboa, na rn» dos 
Fanqueiros n.°« 296 e 298, e outra no Porto, rua de Sá da 
Bandeira. ' 

£m qualquer 4' estas estações, poderá quem qtdzer: * • 
1.° Munir-se de bilhetes para todas as estações das Mnhas 
de norte e leste. 
2.® Facturar as suas bagagens. 

3.<* Tomar logar para os omnibus destinados a conduzir 
os passageiros de lisboii até Sauota Apollcmia, e do Porto até 
Villa Nova de Gaia. ■ . 



CAMINHOS DE KEBBO 245 

- 4.° Factorar para grande ou pequena velocidade metallico 
e valores, recovagens e mercadorias. 

PASSAGEIROS — Os bilhetes do caminho de ferro acham- se 
à venda uma hora antes da sahida de cada omnibus, até dez 
minutos antes da sahida dos omnibus das estações cen- 
tntes. 

BAGAGENS— As bagagCDs podem facturar-se desde uma 
hora até dez minutos antes da sahida do omnibus^ pelo qual 
devera partir para Sancta Apollonia^ ou Yilla Nova. 

KBcovAGENS E MBRCAD0BIA8 — Beoebcm-se todo o dia^ c ás 
mesmas horas que estão annunciadas ao publico para a re- 
cepção, na estação de Sancta Apollonia, e Villa Nova. 

Admittem-se, cm todas as estações das duas linhas de 
norte e leste, bagagens, recovagens, metallico, valores e mer- 
cadorias com destino ás estações centraes. 

OBSERVAÇÕES — l." Os militares ou marinheiros, que tem 
direito por lei de serem transportados pela quarta parte dos 
preços estabelecidos, têm que comprar os seus bilhetes na 
estação de Sancta Apollonia, ou na de Villa Nova. 

2.» Não se recebem nas estações centraes pedidos para 
comboyos especiaes, despachos telegraphicos, nem transpor- 
tes de gado, cães, ou objectos de grande vdlume. 

Os omnibus em Lisboa partem da rua dos Fanqueiros 45 
minutos antes da partida dos comboyos, e seguem pela rua 
da Bitesga, praça de D. Pedro, ruas Augusta, dos Capel- 
liata»x d^ Prata, piaça do Commeroio,. rua Nova da Alfan- 
degia, dkectamente a baucta Apolloniay e de Sancta Apollonia 
pelas mesmas ruas até á dos Fanqueiros. 

No Porto partem da rua de Sá da «Bandeira para Villa 
Npva^ hora e meia antes das partidas ^os comboyos. 

Da eatttçâo de Villa Nova de Gaia partem para a rua de 
Sá da Bandeira depois da chegada dos comboyos. 

Não é permittido aos passageiros levar nos omnibus mais 
bagagem do que aquella que possam levar na mão, sem in- 
eommodar os demais. 

PREÇO DOS TRANSPORTES DA RTJA DOS PAKQTJEIROS 
A SAKCTA APOLLOiriA E VICE-VERSA 

Por cada passageiro ; . 100 róis 



246 GAlfftlEÍDfl DK mOÈO 

Os bilhetes para os omnHmsestio á venda tod(y o dia, até 
ao momento da partida d*e6teB. 

Cirande velocidade 

ÍCada bahú, mala, alforge ou voltime 
análogo 50 réis 
Uma chapeleira 30 » 

Recovagens on i De 1 a 30 kilogrammas 50 » 

mercadorias I Por cada 10 kiiogranmias mais . . 10 » 

Dinheiro em oiro, prata ou valores 

. Cada 50^5000 rfís de valor de- 

Dinheiro em prata \ clarado 50 réis 

( Cada lO0m réis mais 10 » 

Dinheiro em cobre 

r 

De 1 até 30 kilogrammas 50 réis 

Por cada 10 kilogrammas mais 10 » 

Pequena velocidade 

Recovagens ouíDe 1 até 80 kilogrammas ...... 40 réis 

mercadorias ( Por cada 10 kilogrammas mais. . . 10 » 

A empreza contracton estes transportes p os doesta estação 
aos domieilios com o sr. Luiz Salazar, e este encarregou-se 
além d*ÍBto, por^sna conta e risco, da recepção e expedição 
de todo o género de bagasens, recovagens e mercadorias, que 
lhe concdgnem, do despacho das mesmas na parte relativa i^ 
alfandegas; do seu transporte de Sancta ApoUonia, e para 
Sancta ÀpoUonia, assim como aos domieilios e d*estes para a 
estação central. 

Para os transportes desde a estação central aos domicilies 
e vice-veraa, considera-se Lisboa dividida em quatro ^nas, 
cujas divisões se acham patentes na ^tação central. 



CAlGNHOg DS FESBO 



247 



P&EÇOe DOA TSÁmPORTEB AOS DOMICÍLIOS DESDE 
A ESTAÇÃO OBNTBAL 



Grande Teloddado 



^ Cada bahúj mala, ai- 

Bagagens..., j^^^ 

f Uma chapeleíra 

[ maiã , , . « , 

Poqueua Telocídada 

maiB 



Zonaa 



Eém 



70 
50 
60 

20 



70 
20 



Eéis 



90 
60 
80 

20 



$0 
20 



3.* 
Réis 



110 

70 
90 

30 



no 

30 



4.* 
Kéis 



130 

80 

110 

30 



130 



PBEÇO DOS TBAKSFOBTES DA BUA DE si DA BANDEIRA 
, A YILLA NOVA DE GAIA 

Por cada pássagdrb . 200 réis 

Os biliíetes para os onmibus estão á venda todo o dia até 
a«|; momento da partida d'estes. 

1 '^- Grande velocidade 

ICada bahú, mala, alforge ou 
volume análogo, dei a 30 ki- 

lo^ammas . 60 réis 

De 80 a 60 kilogrammas ... 120 » 

^ Uma chapeleira 40 » 

IDe 1 até 30 kilogrammas . a . 90 » 

Por cada 10 kilogrammas mais 30 » 
Por cada canastra com criaçfto, 

do tamanho ordinário .... 80 > 



248 



OAMSBTBOa fiitJ^SiaO 



Dinheiro em oiro, pra^ ou valores 

Cada õOi^OOO réis, valor declarado 50 réis 

Cada 10^000 réis mais, valor declarado 10 » 

Dinheiro em cobre * 

De 1 a oO kílogrammas 90 réis 

Por cada 10 kilogrammas mais . 80 » 

Pequena velocidade 

(De 1 a 30 kilogrammas . . . 60réií8 
Década 10 kilogrammas mais 20 » 
^ Carruagens em suas rodas 

cadorias ] desíje o escriptorio central 

I até á estação dèVillaNova 
\ de Gaia e vioe-versit. .... 1í^2Ò0 » 
Tendo a empreza contractado, tanto estes transportes como 
os doesta estação central aos domicilios, com o sr. Seb&stiâe 
da Silva Neves, encarregou-se este, além d'ist)0, e pOT sua 
conta e risco, da recepção e expedição de todo o género de 
bagagem, recovagem e mercadorias que lhe ,ç(meignem; da 
despacho das mesmas na parte relativa íís aifandegas, do 
seu transporte de Villa Nova de Gaia para a rua de Sá da 
Bandeira, assim como aos âcHaaicilios, e d^egte» pa y aft eof ^t^Ão 
central. 

Para os transportes desde a estação central aos domici- 
lioB, e vÍGe>-vm'êay consid^anse o Porto dividido em ^sUicu» «mm»; 
cujas divisões se acham patentes na estação central. 

PBEÇOS nos TRANSPORTES AOS DOMICÍLIOS 
DESDE A ESTAÇÃO CENTRAL 



Grande velocidade 



Bagagens 
Cada bahú, mala, alforge <m volmne análogo . 
Umaishapeleira : . . ^ . . . . , 



Becovagóm 

De 1 a 30 kilogrammas * . *. ..';■• . . . 

Por cada 10 kâogrammas mais. . .' . ; ^ 

Uma eanastra oom criação, dotamaiihoy)rdinario 



Zona3 



l.« 
Réis 



90 
30 



90 

20 

120 



Réis 

110 

40 



im 

do 

150 



CybMUfBBOS BfilFBSEO 



249 



Ghranãe veloeidade 



Diiilieiro em cnro, prata ou valores 
Por òO^OOQ réis de valor declarado como mini- 

mum 

Por cada lOj^OOO réis mais de valor declarado 

como minimum , 

Dinheiro em cobre 

De 1 a 30 kilogrammas 

Por cada 10 kilogrammas mais 



*„v .. ^ , Pequena velocidade 

Recovagens e mercadotrías 

De 1 a 00 kilogrammas 

B^r.flidSilO kilci^amma3.mi4Í0. • . . . . 



Zonas 



1.*^ 


2.« 


Réis 


Réis 


70 


90 


20 


30 


70 
20 


90 

\ 30 



70 
20 



90 
8Q- 



T&AHS JOBT]^ ppB MAB — A èfíoptezÁ contratítou com o ti^. 
Francisco de Oiiveiradiambíca os transportes pela -via flaí- 
viaí desd» a estação de Ssuieta ApoUonia aos navios ftindèa- 
ckis.no quadro e portos do riò Tejo, sitnadoé na margem es- 
^]^ièrd% de^de^ abárra até ao IV^ do Bispo, e os situado» na 
margem direita desde a barra até Alcochete, pelos preçoê 





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De Sancta Apollonia ao cães 










de Lisboa, até AkautarR, 










e aos do Beato c Poço do 










Bispo . . - , , * 


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, Kft 


[ "ÍSS^ 


^ V^ 



2o2 CAMINHOS D£ FBBRO 

pra bilhete para o comboyo^ despacha a sua bagagem, paga 
o transporte d'e3ta ao empregado da companhia dos vapores, 
e depois d'isso só torna a ter cuidado com ella quando chega 
ao ponto a que se destina. 

Além das bagagens também se podem alli despachar al- 
gumas mercadorias ou recovagens de pequeno volume ou 
pezo, pagando-se o dobro do preço estabelecido nas tabeliãs. 

As demais mercadorias, os gados^ as carruagens, etc, têm 
de ser apresentadas, ou reclamadas, pelos expedidoresou con- 
signatários, na estação do Barreiro. 

E isto um grave inconveniente, que só poderá ser removido 
quando a empresa tenha vapores seus para os transportes, B 
luna estação com as acommodaçoes precísaa para dar expe- 
diente a toda a qualidade de serviço de caminhos de fsnx). 

Podem, poróm, os passageiros ir alli dar parte para preve- 
nirem com antecedência qualquer serviço extraordinário que 
pretendam no Barreiro. 

SALAS DE ESPEBA E ENTBADA FASA OS COMBOY08««-LogO qUB 

O passageiro tem a sua bagagem despachada, dirige-se á sala 
de espera que lhe pertence, conforme a classe para qiie com- 
prou bilhete, e alu aguarda o aviso de que pode ir para o 
comboyo. 

Becebido tal aviso, que é dado em voz alta, dirige-ee á 
plata-fórma, escolhe das carruagens, que tiverem indicada a 
classe em que faz viagem, aquella que mais lhe agradar, e 
entra para ella se houver logar, sonào vae para outra. 

Os que entrarem em Sancta Apollonia, com tenção de passa- 
rem além do Entroncamento, devem ter em attenção que est2o 
alguns empregados juncto ao comboyo, perguntando quem 
vae para o norte ou para leste. - • 

A esta pergunta responderão com cordura (a) porque Wa 
fazem com motivo justificado, e é o seguinte: 

Os comboyoB que partem de Sancta ÂpoUoui a, são coisitinBs 
para ambas as linhas até ao Entroncamento; logo que alli 
chegam, dividem-se; parte toma a direcção da linha dfe leste^ 
e a outra segue para o norte. 

Ora, se um passageiro que for para o norte, tiver entrado 
cm uma das carroagens que depois vão para, leste, ou viee- 

(a) Empregamos esta expressflo, t)orque Já Titnos tm passageiro 
dar a segumte resposla — Que lhe importa?... é bem asaof... — Ba 
muita genle, que se julga aticiorísado para tudo, visto que -pjtíga 
ecm ú seu dimhtiro. 



CAMINHOS i>£ FEBRO 2Õ3 

versa, e adormecer, é muito fácil seguir para Badajoz, que- 
rendo ir para o Porto, ou para esta cidade, tencionando ir 
para aquella. 

Para prevenir estes transtornos é que os empregados per- 
guntam a linha que se segue, a fim de indicarem as carrua- 
gens em que cada um deve entrar. 

Entrados que sejam os passageiros nas carruagens, e che- 
gada que seja a hora, dá-se na estação signal d'ella, tocando 
três badaladas com uma òampainha. 

Em seguida a estas três badaladas, se nHo ha inconveniente, 
toca o ccmductor um apito para prevenir o machinista de que 
pôde partir, e este, logo que ouve o apito, solta o sUvò da 
locomotiva para avisar que rae marchar, e põe o comboyo 
em movimento. 

PAssAOBiBos DúRAiTTE A viA&BM. — É tolcradO) mas nlo per- 
mittido, fumar dentro das carruagens. 

Devem apresentar os seus bilhetes sempre que qualquer 
empt^egado Ih-os exija. 

Ém alguns paizes costumam os passageiros introduzir o 
bilhete entre a fita que lhe oircumda o chapéo, com o que fa- 
cilitam a veriôcaçâo da stia existência, poupando-se ao tra- 
balho de o tirar do bolso diversas vezes. 

Nos nossos caminlios de ferro já alguns passageiros usam 
do mesmo systema; outros nâo querem aãoptal-o. 

Não nos aventuramos a dizer quaes são os que fÍEizem me- 
lhor; mas diremos que aquelles que assim nao quizerem pra- 
ctiear, também se não devem escandalisar quando lhes dão 
o incommodo de procurar o bilhete, que muitas vezes n&o 
sabem aonde pára. 

O passageiro que tiver entrado 'numa estação inteunwLia 
sem comprar bilhete, é obrigado a pagar a viagemdesde o ponto 
extremo da partida do comboyo, até áquelle em que safair; 
por isléo deve ter todo o cuidado em comprar o bilhete> logo 
que <shega á estação (como já 'noutra parte dissemos) para lhe 
nftò esquecer por distracção. 

Nenhum passageiro pôde subir ás carruagens ou descer 
d'ellas, quando o comboyo está em movimento; e depois de 
parado a6 pôde entrar ou sahir pelo lado da plata-fórma. 

Não é permittida a entrada nas carruagens a passageiros 
embriagados; mas se depds de o comboyo estar em movimuento 
fôr conhecida a existência de algum dentro d'elle, é posto 
fíôra na primeisa estação em que o comboyo parar, sem lhe 
ser restituído o custo do bilhete que tiver comprado; ■•*• 



254 CAMINHOS DÈ FBRRO 

Nenhum passageiro (como também já dissemos) pôde levar 
comsigo volumes que pela sua fórma, dimensão^ ou exhalação 
incommodem os demais passageiros. 

Kâo sâo permittidas armas carregadas dentro das carroa- 
gens; e por isso o passageiro que fôr portador do alguma em 
tal estado^ é obrigado a descarregai- a, se quizer ser admittido 
nas estações ou nos oomboyos. 

O passageiro que for encontrado em carruagem de classe 
superior áauélla para que comprou bilhete, é compellido a 
pagar a dinerença de preço d'uma á outra. 

Se porem algum passageiro, por falta de carroagem, tem 
de entrar, por disposição dos empregados, 'numa classe supe- 
rior á designada no seu bilhete, nSo paga o excesso do 
preço. 

Se pelo contrario, e por idêntico motivo, tiver de occupar 
logar de classe inferior, é-lhe entregue a differença no fim 
da viagem, se a reclamar. 

É permittido a qualquer passageiro occupar logar de classe 
superior áquelle para que comprou bilhete, pagando a diffe- 
rença d'uma {i outra: deve, porém, para isso, dirigir-se ao 
chefe da estação ou ao revisor do comboyo. 

O passageiro que viajar com bilhete de data anterior, sem 
para isso ter sido auctorizado paga o seu valor. 

Quando qualquer passageiro vir que o comboyo se apro- 
xima á estação a que se dirige, deve prestar attento ouvido 
para sahir, logo que os conductores e demais empregados 
pronunciem o nome d'essa estação; porque, se assim nfio fizer, 
arrisca-se a ter de seguir no comboyo até poder sahir 'noutra. 

Quem não conhecer as localidades por onde transita, fti- 
cilmente prevenirá esse inconveniente, se na marcha do coài- 
boyo fôr observando as tabeliãs do serviço correspòndebte 
ao comboyo em que transitar, tabeliãs que ao diante enidoot- 
trará, com as designações e nomes das estaç5es, collocaçSo 
em que se acham na linha (se á direita ou esquerda) diáfcsn-' 
cias d'umas ás outras, distancias da origem, estaçSes eiá-qoe 
as machinas tomam agua, horas do partida e chiada Mr 
comboyos a cada estação, paragens, tempo gasto do tranaltoi 
etc., etc. ...... ."> 

Logo que o passageiro ouve pronunciar o noèiéi 
a que se dirige, faz signal para que lhe alnturi a c 
e desce para a plata.-fórma da estação, sjOúàB èspeM^Q^.^ 
socego a partida do comboyo, e em seguida rerilBilil^-tiV 
bagagem, que lhe é entregue em troca do recibo rai tti 
àeram na estação d*onde parthu ^- ^W*A*fes 



CAMINHOS DE FEBfiO 2Õ5 

Os passageiros tom todo o direito a ser tractados pelos em- 
pregados com toda a consideração, e por isso também lhes 
devem retribuir em attençâo, mesmo para que, dado o caso 
de algum dever queixar-se dos empregados, ser mais justi- 
ficada a sua queixa. 

As queixas dirigera-se a qualquer empregado superior com- 
petente, sendo o mais regular ao chefe do movimento. 

Deve, porem, haver toda a prudência 'nestas queixas, por- 
que podem ir prejudicar um empregado injustamente. 

Os castigos sâo rigorosos, e por isso só em ultimo caso se 
deve exigir a sua applicaçao. 

uiLiTASES £ MARINHEIROS — Os militarcs 6 marinheiros, 
viajando em corpo ou isoladamente, mas em serviço, pagam 
a quarta parte do preço da tabeliã, apresentando requisição 
da auctondade competente. 

Nâo podem, porem, exceder a 120 em cada comboyo or- 
dinário. 

Os soldados e marinheiros que recolham com baixa á terra 
da sua naturalidade, ditifructam a mesma vantagem. 

Militares e marinheiros que vis^arem em comboyo espe- 
cial^ pagam metade do preço indicado para os combojos es- 
peoiaes de passageiros. 

Todos os militares e marinheiros que .viajarem para ob- 
jecto particular, pagam os legares por inteiro. 

O equipamento e bagagem pessoal, que os rogulamentos 
eoncedem aos militares e marinheiros que viajam em serviço 
ou regressam com baixa ás terras da sua naturalidade, pa- 
gam pelo excesso do pezo a quarta parte nos comboyos ordi- 
nários, e metade nos combojos especiaes, dos preços mar- 
cados para os passageiros. 

Como ieJguns militares entendem que lhes basta apresentar 
a& suas guias para gozar dos mencionados benefícios,. lem^* 
bramos-Ines que é necessária a requisição, porque seçi ella 
nâo lhes é concedida garantia alguma, e são reputados pas- 
sageiros como os demais. , 

EXTRAVIO DE BAGAGENS — Havcudo cxtravio de toda ouparte 
da bagagem, é o passageiro indemnlsado na. razão de mil 
réis por Jkilogramma que faltar competentemente rcigistrada. 

Sendo dinheiro ou valores manifestados, é indemnisado do 
valor ou quantia que faltar á vista do manifesto. 

FBRioos A PREVENIR — Em caso dc sinistro ou.accidente> as 



2Õ6 CAMINHOS DE FEMBO 

earroageDB do centro são as qne menos soarem com o choque 
e por isso devem os passageiros^ sempre que possam^ entrar 
para ellas com preferencia ás ontras. 

A rapidez d'umoomboyo é egnal á d'ama diligencia, quando 
â vista se nos âgura que elle marcha tanto como nm homem 
a pé, e o que causa tanta illusâo, é a extensão do oomboyo, 
e o pouco barulho que as rodas fazem sobre os carris, por* 
isso nenhum passageiro deve tentar entrar ou sahir das oar- 
roagens, emquanto o combojo se mover, por muito vagasosa 
que pareça a sua marcha, porque pode por um pé em falso, 
ou perder o cquilibrio, e dar uma queda perigosa. 

Tão pouco devem encostar-se ás portinholas, nem lançar a 
cabeça, pernas, ou braços fora d'ellas, porque podem ser 
apanhados pelas guardas de alguma ponte, ou de repente en- 
trar 'num Turmdf e serem esmagados contra as paredes ^'elle. 

Dado, porem, o caso de ser tanta a curiosidade que nfto 
possam fugir á tentação de lançar a cabeça fora do postigo 
da carroagem (como nós mesmos já aconselhámos) em ial caso 
deve fazer-se isso oom toda a cautela, o tendo sempre a at- 
tençâo dirigida para o lado a que o trem se encaminha, <a fim 
de. poder retirar-se a tempo logo -que ao longe se descobre 
algum perigo. 

Só devem sahir das carroagens para a plata-fMrma 'das 
estações no fim da viagem, ou quando houver paragem que dê 
logar a isso, porque pela celeridade oom que o serviço é feito 
podem ficar em terra,- ou arriscar-se a querer entrar qmando 
o comboyo já está em movimento, e succeder-lhes o que já 
prevenimos de pôr um pé em falso ou perder o eqnilibrío, e 
dar alguma queda perigosa. 

Não devem atravessar a linha sem ter absoluta necessidade 
para isso, e em tal caso fal-o-hào com toda a cautela, olhando 
primeiramente para um e outro lado, a ver se apparece algum 
combovo ou machiua, e apparecendo, esperar que elle passe 
e vá ja distante, porque nào fazendo assim, embora pareça 
haver muito tempo para a atravessar antes de chegar, póoe 
haver ilusão na vista, pode dar-se^ uma queda ou tropeção^ 
ou qualquer outra circumstancía que contribua para o indi- 
viduo se demorar na linha e ser esmagado. 

A mesma precaução deve haver nas passagens de nivel, 
quer a pé, quer a cavallo ou em carro, principalmente nas 
proximidades das estações, porque pode haver qualquer em- 
baraço 'numa agulha ou barra de mudança de Imha, e o in- 
dividuo ser atropelado. 

Eintre Pormozelha e Soure vimos nós um dia estar um cam- 



CAMINHOS BB PKBBO 2Õ7 

pino inontado na sua egoa^ muito deseansado, e dando toda» 
QB indícios que esperara a passa^m do comboyo* t < 

Quando este se aproximou, metéeu esporas á égua e atra- 
vessou por diante do oomboyo.para o lado opposto, « lá ficou 
muito ufanO; rindo com outros da galhardia que practicou. 

Se, porém, a égua tropessasse 'nnmB, calha ou tivesse qual- 
quer accidente, e nâo sahisse da linha a tempo^ qual era o 
resultado? . 

Tamfoem é perigoso dar para uma oarroagem, ou tomar 
d^elia qualquer objecto, quando o oombojo principia a mar* 
char, porque pode uma roda apanhar qualquer parte da roupa 
do individuo, e arrastal-o para debaixo d'ella« 

Da mesma forma é arriscado apanhar qualquer cousa oom 
que atirem para dentro da earroagem, porque a velocidade 
cena que o comboyo marcha, pode multiplicar a forçada pan- 
cada, >e esta tornar-se sensível senão fímesta^ 

Estar parado nas proximidades dos carris quando se apro- 
zima um comboyo, também pode ser fatal^ porque é possível 
haver uma espécie de fascinação que attraia o individuo a 
precipibar-ee debaixo d'elle. 

£8te farCto, de que tem havido exanplos, é attribuido á 
propensão que a victima possa ter para o suicídio* 
. Muitos passageiros entregam-se a uma leitura profunda 
durante a marcha do comboyo, habito de que se devem abster 
não fsó porque é diâicil e fatigador, mas tamhem porque a 
trepidação da carroagem mantém o livro ou jornal 'numa tre- 
mura quasi constante, que- obriga o leitor a empregar certa 
•ttençâo e vontade, de que se podem originar diversas mo- 
léstias, e até luna congestão cerebral. ^ >• 

Nào é menor imprudência quando algum individuo vae 
«eompanhar um Amigo, eneostar-se á carroagem, ou a um 
jeeibo oom lO pé sobre o icstríbo, e -esperar ein qualquer doestas 
posiçòes, que o comboyo jMrincipie a marchar, para ^neate 
momeato dar: o ultinx> aperto de mâa ' . [ ■ 

Quem reflexionar conhece perfeitamente a facilidade oom 
quq o individuo pode fiosgr debaixo do ^rem, e que por dsso 
deve haver toda a promptidão em obedeeer ao aviso da paiv 
tidE dado pela compainha^ desviando-se knmediaAamente do 
eomboyo^ nâo «esperar pdb aviso do apito do eooduetor e 
muito menos pelo da machina. - i» m 

O passageiro que viaja em caminhos de fsnro, devesenspre 
ir munido eom diidkeiro trocado, para £adlmente poder pagar 
RS despesas extraordinárias que fizer; do oontrario pode muita 
ve& 38rrprejudioado porque dando, por exemplo, uma libra 



2Õ8 GAHIKHOS DE VSSBO 

para pagar 500 réis; emqaanto espera pelo trôoo, se houve 
o ultimo si^al de partida do comboyo, ou ha de deixar ficar 
os 4:000 réis que devia receber de troco, e correr a tomar o 
seu logar, ou receber o trôco^ mas em troea ver partir. o com- 
boyo, e ficar em terra. 

L>evem portanto ter todos em vista que uma das cousa que 
se faz com o maior vagar, aonde tudo anda com a maior bre» 
vidade, é voUar a demazia de qualquer moeda que se deu 
em pagamerU/Oy e que por isso cada um deve ir proTeoido 
para nào ccuisar tndíarcíços áquelles a quem tiver de pagar 
pequenas quantias. 

Os passageiros que seguem para as linhas do norte e leste, 
vão todos reunidos 'num comboyo at^ ao Entroncamento: 
aqui separam-se as carroagens com destino para norte e leste 
e seguem dois combojos, um pela direita outro pela esquerda. 

Ko momento da partida devem os passageiros ter toda a 
cautela para não trocarem uma linha por outra, e irem-se 
encaixar no eomboyo que segue para o norte, querendo ir para 
leste, ou vice-versa, o que é muito fácil apesar do cuidado 
que os empregados têm em avisar convenientemente. 

Quando este engano mais fácil se toma, é á noite, porque 
os passageiros perdem do sentido a porta por que entraram 
para o restaurante^ e facilmente se confundem e saem por 
outra. 

Os passageiros nâo devem ter pressa em sahir das carroa- 
gens sem que os empregados lhe venham abrir as portas; mas 
como a maior parte nâo tem paciência para esperar, e logo 
que o comboyo pára, procuram elles mesmos abrir, para 
sahir mais promptamente, far-lhe-hemos a seguinte adver- 
tência; 

As portinholas das carroagens têm dois fechos, um no 
centro, outro em baixo: a primeira cousa que &zem os im- 
pacientes, é abrir o que lhe fica mais á mão, e depois o 
outro; devem, porém, fazer o contrario, abrindo primeiro o 
debaixo, e depois o outro. 

A razão d'i880 é porque tendo de se debruçar sobre o pos- 
tiso para abrir o feixo de baixo^ e fazendo com isso pressão 
sobre a portinhola, pôde esta abrir-se, e o individuo cahir 
sobre a plata-forma, o que de certo não snccede se abrirem 
primeiro o debaixo, por que quando depois abrem o outro já 
não impellem a portinhola. 

Logo que o passageiro sáe da carroagem, deve ver que nu- 
mero ella-tem para quando quizer entrar outra vee saber 
qual ella é, porque, senão tiver esta percaução, é faeil sue- 



CAMINHOS DE FERBO 259 

^eder-lhe nâo conhecer aquella d'onde sabia, e ver-se obri- 
gado a entrar para ontra, o que lhe pôde acarretar muitos 
incony^nientes. 

G passageiro deve estar com tudo prompto para sahir im- 
mediatamente logo que o comboyo chega á estação a que elle 
se destína^ e n&o reservar para a ultima hora, procurar o 
que lhe pertencer (a). 

Poucos sâo já os viajantes que deixam de ter um sacco de 
noite; mas áquelles que o nfto tiverem, recommendamos a sua 
acquisiçâo, e a uns e outros aconselhamos que mandem fazer 
uma correia, com fivella, que o circumde todo: 

Esta correia serve para o viajante fazer um volume de 
todos os seus objectos (manta, capa, paletot, ou cousa idên- 
tica), e entre elles metter a bengala ou guarda chuva, e pas- 
sando a correia pelas azas do sacco de noite, afivelar tudo de 
maneira que fique reunido, possa sahir por uma vez, e depois 
quando tem de se empregar algum portador para conduzir 
esees objectos, não ir cada cousa a cahir para seu lado. 

ÉiícouTao DB PAssAOErROs — O passageiro que for esperar 
alguém, n&o deve tomar logar para a estação onde houver 
cruzamento, embora a tabeliã de serviço lhe indi(]^ue que o 
comboyo em que partir chega alguns minutos pnmeiro do 
que aquelle que vae esperar. 

(a) Vem a pello relataf o seguinte fado. 

O proprietário e principal redactor d*um dos primeiros jornaes da 
f&pital, seguia 'num dos comboyos até á estac&o de Mogofores. 

Durante a viagem foi notando quantos defeitos lhe parecia en- 
contrar no serviço, e recapitulando áquelles de que o publico se 
queixava. 

Procurámos convencel-o de que algumas das faltas que hayia, 
procediam ein parte de ser um serviço montado de novo, e porisso 
nSo estar assente em bases solidas, e insistimos em que os passa- 
geiros a maior parte das vezes eram quem causavaia.os transtornos 
que soffriam. 

Chegámos a Mogofores, e saltámos fora da carruagem: ia o com- 
bfryo partir, quando elle se lembrou que ainda tinha ona capa dentro 
da carruagem; c(yreu para olla e a campainha dava o signal da parti- 
da: apesar d'isso, e das observações que lhe fez um empregado, entrou 
para dentro, e o resultado foi que, mal entrou, fechou-so a porta 
sobre elle, o comboyo partiu, e a bagagem ficou-lhe sobre a plata- 
forma. 

Se elle tivesse posto tudo em ordem a tempo e horas, nSo lhe 
suGcedia dar um passeio forçado até Aveiro, e esperar abi pelo com- 
boyo descendente para regressar a Mogofores. 
12 



260 cuífomos ds fsrso 

Chama-se cruzamento á manobra que fazem dois comboyos 
quando passam um pelo outro. 

Os cruzamentos verificam-se sempre nas estações, wto 
que só ahi é que os çomboyos podem passar cada um por seu 
lado. 

Os comboyos têm hora certa de chegada e partida; mas 
se um d^elles chega mais tarde do que a hora, o outro parte 
primeiro, embora lhe nâo pertencesse, visto que, como teve . 
de esperar pelo que veiu retardado, está prompto, e parte logo 
que tem a yia desempedida. 

O mais conveniente, portanto, é tomar logar para a esta- 
ção immediata anterior áquella em que deve verificar-se o 
cruzamento para sahir á vontade do comboyo em que vae, e 
entrar sem risco no que espera. 

Nâo fazendo assim, pode succeder-lhe, por qualquer inci- 
dente, oh^ar o comboyo que o conduz mais retardado, e nâo 
ter tempo para entrar no outro, e mesmo que o consiga, pode 
pela precipitação com que tiver de o fazer, entrar para uma 
carruagem, e o individuo que foi esperar, ir 'noutra. 

Deve, porém, entender-se que falíamos nas estações, onde 
a paragem é diminutissima, porque, quando ella dá tempo 
para tudo, como no Entroncamento ou Vendas Novas, então 
deve ser ahi o ponto de reunião. 

COMPARTIMENTOS BESEBVADos — Se um passagclro por qual- 
quer circumstancia quizer tomar um compartímento completo 
para ir em plena liberdade, pôde fazel-o, sendo nas estações 
extremas, mas para isso deve requisital-o ao chefe da esta 
çilo, meia hora antes da partida do comboyo, pagando no acto 
da requisição todos os logares do mesmo compartimento. 

Se é nas estações intermédias, só pôde tomar todo o <som- 
partimento, se o comboyo trouxer algum em circumstanoias 
d*isso. 

coMBOYOs ESPEciAEs — Quem quizer pôde, nas linhas do 
norte e. leste, servir-se d'um comooyo especial: 

!.*• Se o chefe da estação, depois de a pedir, receber au- 
ctorisaçâo para o conceder. ^ 

2.» Se o estado da circulação da linha permittir a sua 
sabida. 

3.« Se o serviço do telegrapho não estiver interrompido. 

4.® Se o serviço regular permittir empregar as locomotivas 
necessárias no comboyo requisitado. 

Aámíttido no comboyo, paga -se na razão de 1íÍ>470 réis por 



CAMIKHOS DE FERfiO 261 

kilometro a percorrer na ida e volta, sendo a menor distancia 
a pagar 36 kilometros, embora se nâo percorram. 

Se o comboyo passa da fronteira para Badajoz, paga, além 
d'isso, mais 11 $^280 réis pela distancia a percorrer entre estes 
dois pontos. 

A requisição para um comboyo especial deye ser feita, 
pelo menos, três horas antes d'aquella emtjue se quizer a 
partida, nas estações onde houver deposito de locomo- 
tivas. 

Nas estações, onde nâo houver taes depósitos, só se podem 
requisitar os comboyos especiaes, querendo esperar alán das 
três horas indicadas o tempo necessário para que a machina 
chegue, e pagando-se também, pelo mesmo preço de IM^IQ 
réis por kilometro, a distancia a mais que ella tiver a per- 
correr. 

No acto da requisição será entregue ao chefe da estação, 
em que ella for feita, a importância a pagar. 

Não se pôde fixar o tempo que o eomboyo ha de empregar 
para chegar ao seu destino, porque isso é subordinado ás 
exigências do serviço. 

O passageiro pôde regressar no mesmo comboyo passadas 
doae horas depois da chegada ao seu destino, se o trajecto tiver 
sido de 100 kilometros; e tendo sido superior áquella distancia 
pôde regressar 'nelles passadas 24 horas. 

Em qualquer dos casos deve no acto da chegada declarar 
se regressa 'nelle ou não. 

O maximum de que se compõe um comboyo especial sao: 
4 vehiculos; a saber: 1 carruagem de l.« classe, um fourgon 
de bagagens, um carro para cavallos, e um trudc para oar- 
roagene. 

Os comboyos especiaes, nas linhas de sul e sueste, obtem-se 
por ajuste partictdar, porque nâo tem preço estabelecido nas 
tabeliãs; mas esses ajustes regulam aproximadamente pelos 
das linhas de norte e leste. 

IfANIFESTO I» niHHEIBO EM PRATA, OUBO, OU VAlXmBS, SAB 

UKHAS vB KOETs B LESTE — Manifèstam-so estes metaes ou 
valores: 

1.' Pagando 10 réis por guia e registro de cada expedição 
e 115,50 réis por cada õOj^iOOO réis, em cada 50 kilometros 
de distancia a percorrer. 

2.° Pagando por qualquer quantia inferior a õOj^íOOO réis, 
ou distancia menor a 50 kilometros, o mesmo como se o 
fossem. 



262 CAMINHOS DE FEHRO 

S.*» Se a quantia ou valor excede trinta contos de réis, pa- 
gam-se apenas 26,25 réis por cada õOi^OOO réis, e por cada 
kilometros a percorrer, pagando por ÕO kilometros qualquer 
distancia que for inferior a elles. 

Para gosar estas vantagens devem as remessas ser feitas 
em caixas fortes de madeira, com cintas de ferro e eello de 
chumbo ou lacre, e acompanhados por pessoa de confiança 
do expedidor. 

4.<> Consideram-se dinheiro e valores o ouro e prata em 
barra, cunhado, ou em obra, plaque de ouro, ou prata^ açou- 
gue, platina, jóias, e pedras preciosas. 

O transporte de notas de banco, letras de cambio, acções 
e quaesquer outras classes de valores ao portador, são ob* 
jectos de convenção especial. 

Dinheiro solto, em ouro ou prata, nâo é transportado logo 
que a tfnantia exceda a õOí^OOO réis. 

5.<* Qualquer remessa de dinheiro, que exceda a 50j|í000 
réis, ou de objectos de preço, que dêem logar a ser trans- 
portados como dinheiro e valores, não é admittída senão com 
a condição de que a capa exterior dos volumes seja de na- 
tureza a prevenir ou evitar qualquer substituição ou sub- 
tracção^ e por conseguinte toda a contestação sobre a iden- 
tidade do volume expedida quando se entregar ao consigna- 
tário. 

6.** Os volumes com dinheiro e valores, nâo são recebidos 
senão sellados com sello especial^ applicado a todos os pontos 
que possam dar sabida ao que encerram. 

As costuras dos saccos devem ser feitas interiorm^ite. 

7.<> A empresa só responde pelo pezo e identidade do es- 
tado da capa exterior dos volumes. No caso de perda res- 
ponsabilisa-se pdo valor declarado. 

Toda a remessa de dinheiro e valores deve ser acompa- 
nhada de uma nota assignada pelo expedidor, declarando o 
nome do consignatário, a natureza dos objectos enviados, e 
sua importância escripta pJr extenso. A esta nota ajuncta-se 
um modelo dos sellos, de chumbo ou de lacre, que estiverem 
postos nos volumes. Sem que sejam preenchidas estas forma* 
lidados, não é acceita remessa alguma de dinheiro. 

6.*^ Antes da entrega do respectivo recibo, não é permit- 
tido-ao consignatário quebrar os sellos ou abrir os volumes 
para conferir o conteúdo, porque a empresa não responde 
pela veracidade da declaração do expedidor, e só sim pelo 
pezo, bom estado, e identidade do invólucro exterior^ visto 
que nio conferiu o interior. 



CAMINHOS BE a^BBO 263 

9.° Estas remessas sâo feitas pelo combayo que a empresa 
julgar mais conveniente. . , 

10.<* Nenhum .passageiro pôde levar nas carruagens mais 
de oito kilogrammas em dinheiro. Quando o peso for maior, 
será todo manifestado, e pagará o transporte acima indicado, 
ainda mesmo que o passageiro o leve comsigo, e debaixo de 
sua Tesponsabilidade. 

O dinheiro que nâo for reclamado dentro de 24 horas de- 
pois da sua chegada á estação de destino, paga 4 réis por 
cada õOj^OOO réis em cada dia. 

O transporte de dinheiro em oobre nâo é pago por valor, 
mas fiim a peso, na razão de 6,3 réis por oada fracção de 1 
a 40 kilogrammas, em cada kilometro a percorrer. 

Por cada fracção de 1 a 10 kilogrammas de eseesso além 
dos 40 pagam-se mais 1,575 réis. 

O minimum de percepção por «ada remessa de dinheiro em 
cobre são 90 réis, seja qual for a distancia a percorrer. 

Em todos os casos pagam-se sempre 10 réis de guia e re- 
gistro, por jjualquer expedição. 

MANIFESTO DE DINHEIRO NAS LINHAS DK SUL B 8UB»TB^r-Para 

se verificar a,sftu transporte, e por ocmsequencia o manifesto, 
é preciso preceder ajuste particular, porque nâo tem preço 
estabelecido na tabeliã. 

CÃES — Nâo é permittido o transporte de cães dentro das 
carruagens. . . 

Q passageiro que quizer transportar algum, apresental-o-ha 
na sala da despacho das bagagens, atrâado e acamado, e á 
vista do bilhete de transporte que já deve ter comprado, lhe 
darão um recibo, com o qual exigirá a -entrega do câo na es- 
tação para que for dirigido. 

Pelo transporte de cada cão, nas linhas de norte e leate, 
pagam-se 10 réis de guia e registro, e 73,25 réis por cada 25 
kilometros a percorrer. 

Distancias inferiores a 25 kilometros pagam*se como se hou- 
vessem de ser percorridas. : ,. , 

Se o cão é transportado para Badajoz, ou vice-versa, paga 
até á fronteira pela maneira que deixamos indicada, e á im- 
portância até ahi, addicionam-se 30 réis, que custa o trans- 
porte desde a fronteira até Badajos; 

Exemplos: r 

1.® Transportamos um cão de Elvas para Badajoz: 

Verificamos na tabeliã, e achamos 17 kilometros a percor- 
rer: abatemos os 6 da fronteira a "BaâL^tyiY», Çi T^^^ass^ W* 



264 CÂMIKHOB DE FERBO 

Como os 11 equivalem a 2ò, temos a pagar: 

Gxiia e registro 10^ 

Transporte 73,50 

Transporte em Hespanha 30, 

Resulta. 113^ 

Addicionamos para .completar a decimal • . . 6,50 

A pagar 120 

2.° £ o transporte de Badajoz a Lisboa, e por isso temos 
281 kilometros, dos quaes, abatidos os 6 de Hispanha, fieam 
275 a percorrer, ou 11 vezes 25. 

Multiplicamos 73,50 

por , 11 

735 
735 

808^ 

Guia e registro 10 

Transporte em Hispuiha ; 30 

848^ 
Addicionamos para completar a decimal 1,50 

A pagar 850 



Nas linhas de sul e sueste verifica-se o transporte des cães 
pela mesma forma que o do gado, e na tabeliã respectiva está 
designado o preço, que são 4 réis por kUometio; carga e desr 
carga 20 réis, registro de remessa 20 réis. 

Exemplo: 

Transportamos um cão do Barreiro para o Lavradio: 

A distancia na tabeliã são 2 kilometros; mas como o mt- 

nimum a pagar é de 5, multiplicando 20 

Por 5 

100 

Addicionamos carga e descarga 20 

Registro de remessa 20 



JE assim todoa os outros. 



f j 



CAMINHOS DE FKRUO 265 

CABBUAOENS, CAVALL08, GADOS E MERCADORIAS — Podem Ser 

transportados a grande velocidade, pagaudo-sc o dobro do 
transporte áa. pequena. 
(Vide em pequena velocidade), 

BE00VA6ENS E MERCADORIAS — Quem quízer transportar re- 
covagens e mercadorias pela grande velocidade nas linhas 
de norte e leste, pôde fazel-o, snjcitando-se ás segnintes con- 
dições: 

1.* Pagar registro, guia de expedição e transporte pela 
toma e preços indicados para a bagagem dos passageiros. 

2.* Comprehendendo que são denominadas recovagens ou 
mercadorias todos os volumes que deseje transportar com a 
velocidade dos viajantes, salvo matérias inâammaveis, que 
nâo podem ser transportadas pelos comboyos de passageiros. 

A conducçao eâectua-se mediante nota de remessa apre- 
sentada pelo expedidor, indicando: 1.® o seu nome; 2.o o nome 
do consignatário; 3.<> a sua morada e ponto de destino; 4.° a 
marca e designação do que os volumes encerram; 5.<* o peso, 
se o expedidor o souber. 

3.* Nâo sâo admittidas como recovagens ou mercadorias 
volumes ou pacotes que contenham dinheiro, valores ou ob- 
jectos preciosos, porque estes pagam o seu transporte pela 
forma que já indicámos a pag. 261 . 

4.* O preço de transportes de mercadorias a grande velo- 
cidade é applicavel a todos os volumes ou pacotes que forem 
apresentados por particulares. Nâo disfructam essas vanta- 
gens as empresas de recovagens, os recoveiros ou almocreves, 
as diligencias, os carroceiros, e outros intermédios de trans- 
portes, salvo quando os objectos por elles remettidos estejam 
empacotados em um só volume. Quando os apresentarem se- 
parados, pagarão por cada um, segundo o peso que tiverem, 
compntando-o isoladamente (a). 

Quando a empresa recebe os objectos a transportar debaixo 

Í[) Para melbor compreheneao apresentamos o exemplo seguinte: 
emos 5 volumes, pesando: 
í.^ 3 kilogrammas. 
2.0 4 
3.» 8 
4.0 10 
5.* 15 

Total. . 40 kilogrammas. 

Se estei cinco volumes pertencem a um paftfta^\ra,^R>%«b^&ftk^x 



266 CAMINHOS BE FERRO 

de coberta sellada, fica exenta de toda a responsabilidade, 
eutregando-os da mesma forma, e com os sellos intactos, ao 
expedidor ou consignatário. 

5.^ As mercadorias a grande vdocidaãe, sâo transporta- 
das pelo primeiro comboyo de passageiros^ mas é mister que 
a entrega d^essas mercadorias na estação expedidora se ve- 
rifique pelo menos 3 horas antes da partida do comboyo. 

6.* O expedidor pôde deixar de pagar o transporte no acto 
da remessa; declarando que o mesmo será pago pelo consi- 
gnatário no acto do recebimento; mas a empresa também pôde 
recusar- se a conduzir sem prévio pagamento do transporte 
carnes verdes, caça, fructos verdeS; leite, manteiga ôresea, 
mariscO; peixe fresco, aves e outros comestiveis susceptíveis 
de se avariarem na condução. 

No mesmo caso estão as expedições, cujos valores, não cu- 
bram as despesas do seu transporte. 

7.* As bagagens, recovagens ou mercadorias^ transporta- 
das por -grcmde velocidade, serão reclamadas pelos consigna- 
tários dentro das 24 horas seguintes á sua chegada, porque 
passado esse praso, pagam a seguinte 

ABMAZBHAOBM — As bag£^ens e recovagens ou mercadorias 
transportadas a grande velocidade pagam por dia e por ciada 
50 kilogrammas 4 réis, a contar das 24 horas findas depois 
da chegada do comboyo. 

A empresa não responde pelos volumes que forem deixa- 
dos nos seus armazéns, cujo conteúdo possa avariar-se. 

Passadas 48 horas depois da sua chegada, pode pôr á venda 
esses objectos, se entender que elle? se avariam, e entregar o 
producto ao consignatário, descontando d'elle a importância 
da armazenagem e mais despesas. 

TRANSPOfiTES FUKEBBES — A vista dos documcntos das au- 
ctoridades competentes, que os legalisem, efiectuam-se os 
transportes fúnebres nas linhas de norte e sul, pagando-se 
126 réis por kilometro e por wagon. 

O transporte nos sds kilometros de Hispanha custa 1^128 
réis. 

Nas linhas de sul e sueste deve preceder ajuste particular 
para se podei-em verificar taes condiçíies. 

tudo somente uma guia e registro, e 4 réis de transporte por cada 
kilometro a percori^r. 

Se não sSo de passageiro, e pertencem a qualquer dos indivíduos 
excluídos do l^eoetício, paga este, por cada Tolume, 4 réis por ki- 
lonelro a percorrer. 



CÀMmnOS DE FEERO 267 

tynLiDADE DO TELEGBAPHo ELÉCTRICO — ^0 telcgrapLo elcctrico 
táos caminhos de ferro de norte e leste, está á disposição do 
publico, como indicámos a pag. 222, o que muitas vezes pôde 
ser áé incontestável vantagem para o publico. 

Exemplo: 

Um n^ociante manda qualquer agente aVizeu para tractar 
d'um negocio, e este parte de Xíisboa no comboyo da manhã. 

Pouco depois recebe o negociante, pelo correio, noticia de 
que esse negocio feito em Vizeu é prejudicial, e que se fosse 
Ãito em Braga, era vantajoso. 

Que fazer, se o agente já partiu, e levava ordem terminante 
para concluir com urgência? 

Verque horas sao, e examinar pela tabeliã do serviço do res- 
pectivo comboyo, em que ponto estará elle então: calcular em 
qne estação poderá o telegrapho ir apanhar o seu agente, e man- 
dar- lhe ordem de mudar de direcção, seguir para o Porto, e 
esperar ahi pelas ordens que lhe vae dirigir pelo correio. 

JPãra a entrega de qualquer despacho deve sempre prefe- 
rir-se estação onde o comboyo tenha maior demora, sendo 
possivel, para haver mais facilidade e certeza na entrega. 

Outro exemplo: 

Durante a marcha do comboyo tem o viajante conheci- 
mento de qualquer facto ou circumstancia que lhe convinha 
participar ou prevenir promptamente. 

Fornmla o seu despacho, desce na primeira estação que 
lhe parece mais azada, e entrega o despacho ao chefe da es- 
tação para este fazer transmittir. 

A intelligencia do leitor supprirá a falta dos immensos 
exemplos que podiamos apresentar, e a força das circum- 
stan<Mas fará apparecer as occasioes para a execução d'elles. 

SERVIÇO ENTRE LISBOA E BARBEIRO Os paSSagCirOS qUO 

quizerem seguir de Lisboa para o Barreiro, ou vice-versa, 
aproveitam ae viagens que para esse fim fazem os vapores 
da companhia de navegação no Tejo. 

Os vapores largam do Terreiro do Paço para o Barreiro 
uma hora antes da designada para a partida dos omnboyos 
que d*alli saem, e do Barreiro para Lisboa logo que alli 
chegam os mesmos comboyos. 

Cada passageiro paga 120 réis á proa, e 160 á ré (a). 

(a) Além doestes preços devem lambem contar com alf^uroa cousa 
para um infaUgavel tocador de saUarello, que é alli admittide a es- 
tropiar musica, e a raartyrisar os oavidos dos \iasaa%<^it<s%. 



268 CAMINHOS D£ FERBO 

Para bagagens e mercadorias ainda a companhia, apesar 
de ter mais de 30 annos de existência, não pôde formar uma 
tabeliã... e por isso pagam-se a olho! 

Procurámos ver se dávamos uma indicação exacta por onde 
os passageiros se podesseín guiar, e o mais que obtivemos foi 
um dos directores da companhia declarar-nos que podia xe- 
gular-se: 

Objectos de volume 10 réiô por palmo. 

Objectos por pezo 10 réis por 15 kilogrammas. 

Sirva; pois, isto de norma aos passageiros, apesar do pouco 
valor que tem tal indicação; porque, em caso de excesso de 
pedido, com que fundamento se ha de reclamar contra elle? 

A companhia, por honra e credito dos seus empregados 
devia estabelecer imia tabeliã regular, única maneira de 
prevenir allusões a contas de saoco, como já temos visto fazer; 
e o governo devia também ter promovido a con&cção da 
mesma tabeliã, para impedir vexações ao publico. 



•ofms*^ 



PEQUENA VELOCIDADE 

Pequciía velocidade é o serviço destinado ao transporte de 
mercadorias, gados, ou outros objectos, que não demandem 
rápida expedição. 

Mercadorias 

As mercadorias sâo acceitas para se transportarem dentro 
de 48 horas a contar da entrega na estação. 

Nas estações recebem-se mercadorias desde as 7 horas da 
manhã, até ás 7 da tarde, do l.<* de abril a 30 de setembro; 
e das 8 da manhã até ás 5 da tarde, desde o 1.° de outubro 
até 31 de março. 

As mercadorias são despachadas á vista d'uma nota idên- 
tica á que apontámos quando tractámos das rccovagens a 
grande velocidade. 

Nas estações fomeceni estas notas impressas com claros 
para se encherem com os respectivos dizeres. 

As mercadorias dividem-so em quatro classes, nas linhas 
de norte e leste„ e em cinco nas de sul e sueste. 
-Ao diante indicámos nas tabeliãs das tarifas respectivas 



CAMINHOS DE FEBBO 269 

a cada linha, os objectos de que se compõe cada classe, e 
o preço a papear pelo transporte em cada kilometro, bem como 
nos seis desde a fronteira até Badajoz. 

Os cálculos para saber a importância a qualquer distancia, 
por pequena velocidade, fazem- se como para recovagene, pela 
grande velocidade, sujeitos, porém, ás bases aqui estabelecidas. 

''Nestes cálculos sào também elevadas as fracções á deci- 
mal, como 'naquelles. 

Exemplo: 

Queremos mandar de Lisboa para Coimbra 700 kilogram- 
mas de papel: vemos na tabeUa, e como nâo vem classificado 
reputamol-a de primeira classe, visto que 'nesta estão desi- 
gnadas manufacturas de todas as dassts. 

Achamos que cada 10 kilogrammas pagam por kilometro 
0,30,24, e como 700 kilogrammaâ têm 70 fracções de dez, 

multiplicamos 0,3024 

por 70 

produz 21,1680 

Examinamos a distancia a percorrer e achamos 218 kilo- 

metros, por isso multiplicamos aquelles 21,1680 

por 218 

169344 
21168 
42336 



produz 4614,6240 

Como temos a pagar 4 réis por carga e descarga de caáa 
10 kilogrammas, multiplicamos as fracções ... .70 
por 4 

importa 280 

junctamos, transporte 4614,6240 

para completar a decimal • . . . . 5,3760 

temos a pagar '. . 4920 

Todas as operações se fazem á similhança d^eeta, e com 

quanto pareçam difficeis, facilmente se compréhendem com 

uma pouca de attençâo e algum estudo. 
Nas linhas de norte e leste, além dos preços marcados na 

tarifa, pagam-se por carga e descarga de cada tonelada 400 

réis, ou 4 réis por cada fracçSo de 10 kilogrammas, mas nâo 

se paga guia nem registro. 



270 CAMINHOS DE PEBRO 

Nas linhas de sul e sueste paga- se o mesmo que nas outras, 
e além d'isso mais 20 réis de guia e registro. 

Q preço minimum de cada percepção, seja qual for a dis- 
tancia percorrida; é de 80 réis nas linhas de norte e leste, e 
de 120 réis nas linhas de sul e sueste. 

A tonelada é de 1:000 kilogrammas. Todo o peso de O a 
10 kilogrammas paga como 10 kilogrammas, entre 10 e 20 
como 20, e assim successivamente jior centésimo de tonela- 
da (a). 

Todo o kilometro começado é pago por inteiro. 

Toda a remessa de um ou mais volumes da mesma natu- 
reza, feita por um expedidor a uma mesma pessoa, e cujo peso 
nào chegue a 10 kilogrammas, paga como se os x>esasse. 

Applica-se ás mercadorias não designadas nas tabellasopreço 
do transporte das mercadoiias a que mais se assemelharem. 

Todas as vezes que um volume contiver mercadorias de 
differentes classes, comprehendidas em differentes tabeliãs, 
serve de typo para a cobrança do transporte a que o tiver 
mais elevsido. 

O transporte de massas que pesarem mais de 5:000 kilogram- 
mas nào é obrigatório para as empresas; comtudo ellas o ef- 
fectuam, sempre que o reputam possivel, mediante convénio 
amigável com os expedidores. • 

As empresas não são obrigadas a conduzir objectos, cujas 
dimjensões não seiam proporcionadas aos meios de transporte 
de que dispõe e a segurança da marcha dos comboyos. 

As mercadorias, susceptíveis de se confundirem com outras 
da mesma classe, ou cujo contacto lhes possa ser prejudicial, 
não são admittidas para conducção a gamei, excepto pa- 
gando pela carga de um wagon completo, isto é, pdo mini- 
mum de 0:000 kilogrammas. 

Se as empresas alugam um wagon inteiro para transporte 
de mercadorias, e não intervirem directa ou indirectamente 
na carga e expedição, não respondem por qualquer extravio 
ou deterioração que porventura occorra, ficando por este facto 
isentas de toda a responsabilidade. 

Todo aquelle que remetter mercadorias para as estações 
fará declaração previa, datada e por elle as9Ígnada: 

1.° Do nome, appellido e morada do expwiidor e do con- 
signatário; 

2.0 Das marcas, numeração, quantidade e uatureaa dos vo- 
lumes; 

M Cada arroba tem 14 VWogramaiíiS ^ ^S «utigramraas. 



CAMINHOS DE FERRO 271 

8.° Do peso, se o expedidor o conhecer. 

Toda a entrega effectuada no local destinado aos encar- 
regados das empresas para receber os objectos qne têm de 
transportar-se é havida por bem feita. 

líào são reputados como taes encarregados os empregados 
secundários, exclusivamente destinados a trabalhos materiaes 
e a occupações mechanicas dos escriptorios e estações. 

No acto de recepção das mercadorias dâo ao expedidor, 
ou á pessoa j)or clle encarregada, um talão no qual se de- 
clara a classe, peso e custo de transporte e demais requisi- 
tos convenientes. A entrega da mercadoria na estação de 
chegada não se eôectua senão em troca do dicto recibo. 

Quando as empresas recebem os objectos a transportar 
sob capa sellada, ficam isehtas de toda e quaesquer respon- 
sabilidade, entregando-os da mesma forma com os sellos do 
expedidor intactos. 

Com quanto as empresas se compromettam a empregar o 
maior esmero na conservação das mercadorias, declinam com- 
tudo toda a responsabilidade: 

1.° No transporte de líquidos em odres ou vasilhas frágeis, 
taes como ganafues, etc; 

2.** No de géneros susceptíveis de se avariarem ou adulte- 
rarem no caminho; 

3.0 Pela oxydação produzida pela humidade atmospherica; 

4.0 Pelas avarias resultantes do máo estado das taras-, 

5.* Pela abertura dos volumes pelos empregados fiscaes 
do estado. 

6.« Pelas quebras naturaes de peso, quando estas não ex- 
cederem as proporções ordinárias, e se não poderem attribuir 
a desleixo. 

As empresas têm o direito de se recusar a transportar mo- 
veis e volumes em máo estado de acondicionamento exterior, 
ou cujas taras sejam inadequeadas para conservarem as mer- 
cadorias que encerrarem. Se, apesar d'isto, o expedidor in- 
sistir na remessa, as empresas são obrigadas a effectual-a, 
ficando porém exentas de toda a responsabilidade, o que fa- 
zem constar na nota da remessa, que assigna o expedidor. 

Se as empresas repararem as taras para a boa conserva- 
ção das mercadorias, o consignatário satisfará a despesa 
quando se lhe mostrar que se ifez. 

A não se pagar de contado a importância do transporte, 
conforme as tabeliãs, as empresas podem recusar- se a con- 
duzir taras vazias, bem como mercadorias susceptíveis do 
avaria, as que carecerem de segunda capa para se conser- 



272 CAMINHOS D£ FEBBO 

varem, ou que pelo seu escasso valor nâo cheguem para co- 
brir o transporte. 

Os consignatários passam recibo no acto da recepção das 
mercadorias^ cessando desde esse momento a responsabilidade 
das empresas. 

As empresas têm o direito de fazer abrir os volumes para 
verificar se é ou nâo exacta a declaração feita sobre o que 
encerram. Se esta houver sido falsa, e tendente a diminuir o 
custo de transporte fazem pagar o triplo. Se pelo contrario 
a declaração tiver sido verdadeira as empresas repõem os 
volumes no estado em que estavam. 

Toda a mercadoria susceptível de deterioração, que, tendo 
chegado á estação de destino, não for retirada em tempo op- 
portuno, pode ser vendida pelas empresas por conta da pessoa 
a quem pertencer. O producto da venda é entregue ao proprie- 
tário da mercadoria, deduzidas às despesas em debito á empresa. 

Decorridos que sejam dois mezes sem que o consignatário 
retire as mercadorias, as empresas terão direito de proceder 
á venda em hasta publica, com prévio annuncio da folha of- 
ficial. Depois de se haverem indemriisado de todas as des- 
pesas o saldo do producto, se algum houver, fica depositado á 
disposição da pessoa ou pessoasa quem de direito pertencer. 

DIREITO DE REPESAGEM k cnEGADA — O consignatarío que 
quizer verificar o peso das mercadorias que se lhe entrega- 
rem, pagará a quantia que ao diante se designa sempre que 
d'esta conferencia resulte achar-se exactidão no peso desi- 
gnado nas guias e talão, ou que a difíerença provenha de 
quebras de peso resultante de causas naturaes nas propor- 
ções ordinárias, ou se não possam attribuir a dolo ou incú- 
ria. Se porém, feito isto, resultar a não combinação do peso, 
a despesa de repezagem ficará a cargo das empresas, e estas 
reembolsarão o consignatário da importância do peso levada 
a mais. 

DESPESA DE BEPESAOEK 

Nas linhas de norte eleste[?^-^^«-f4«^ ^^ 

Nas Hnbas de sul e sueste [?- ^XloaT". '''So'?" 

CARRUAGENS — Nas línhas de norte e leste são as carrua- 
gens^ carroes; omnibus, diligencias, etc., expedidas por glraade 



CAltINHOS DE FERRO 273 

ou pequena velocidade; sendo apresentadas nas estações 
duas horas antes da partida dos comboyos, com as lanças 
separadas. • 

Deve, porém, fazer-se a requisição para o transporto com 
a precisa antecipação, a íim de pedirem os trucks (o) a outra 
estação, se os nào houver 'naquella. 

Os preços para os transportes por pequena velocidade, 
vão ao diante indicados nas tabeliãs respectivas, e sendo ex- 
pedidos por grande velocidade, paga-se o dobro do traus- 
2)orte da pequena, exceptuando carga e descarga, guia e rei- 
gistro, que se paga o mesmo como se fossem por pequena. 

Be os vehiculos levarem passageiros, podem viajar gratui- 
tamente em 2.* classe, dois d'elles por cada trem de um as- 
sento, e três por cada trem de dois assentos. 

Os demais passageiros deverão comprar bilhetes de 2.* 
classe. 

Exemplo d*um transporte de pequena velocidade. 

Temos uma carruagem de 4 rodas com dois assentos a 
transportar na distancia de 10 kilometros: 

Como por cada kilometro se pagam 0,63 réis 

Multiplicamos por 10 

£ o transporte 630 

JunctamoB de carga e descarga 300 

Guia e registro 20 

A pagar 950 réis 

Se porém o mesmo transporte é por grande velocidade, 

multiplicamos * 1,26 

Por 10 

É o transporte 1260 

. Junctamos de carga e descarga. 3(X) 

Guia e registro ^ 20 

A pagar 1580 réis 

Se porém a carruagem leva 50 kilognumnas devÉmr^faí- 
terior ou exterior, e vae por pequena vdoddfldert< 

(a) Trucks bSo os carros próprio» fark ta^ÃMl 



274 CAMIKHOS DR FK&UO 

tiplicar 3,15 

por ■ 5 

qae produzem 15,75 

tomamoe ft multiplicar por 10 

e achamos 157^ 

Junctamos transporte da carmagem 9Õ0 

resulta 1107,60 

Addicionamos para completar a decimal 2^00 

e temos a pagar 1110 réis 

Os 3,15 são o tran^orte marcado na tabeliã por cada 10 
kilogrammas, c como os 50 da carga sâo ò vezes 10, por isso 
multiplicamos por 5, e nos produz 15,75, que é quanto a 
carga deye pagar em cada kUometro; e como são 10 kilome- 
tros que tem a percorrer, é a razão por que tornamos a mul- 
tiplicar 06 15,75 por 10, e nos produz 157,50 é o meono que, 
157 réis e meio. 

Nas linhas de sul e sueste seguem outro systema os trans- 
portes dos vehiculos, como facilmente se comprehenderá, exa- 
minando a tabeliã respectiva. 

GADO — O gado pôde ser transportado por cabeça ou por wa- 
gon, e por qualquer das formas tem preço estipulado nas tabel- 
iãs. 

Por cada expedição paga- se, além do transporte indicado 
nas tabeliãs, mais 20 réis por cada registro de remessa. 

Os animaes não classificados pagam conforme o espaço 
que occuparem no wagon. 

£m cada uma das tabeliãs, vae indicado o numero de ca- 
beças que completam a carga d'um wagon^ conforme a classe 
a que pertencerem. 

O transporte de gados a grande velocidade tem logar, pa-. 
gando-se o dobro do preço marcado nas tabeliãs, mas a des- 
pesa de registro, carça e descarga não tem augmento. 

O transporte de animaes perigosos, é objecto de convénio 
especial, e sujeito ás condições de segurança que exigirem. 

O embarque do gado deve effectuar-£e pelo menos uma 
hora antes da partida dos comboyos. 

Quando os proprietários do gado o desejarem, pôde este 
ser acompanhado pelos conductores nos wagons, pagando o 
preço dos logures de 3.^ classe. 



OAMINHOâ D£ FIl&BO 275 

CAVALLOS DE MILITARES NA LINHA DE NOBTE E LESTE «— As 

pragas montadas, que forem transpoi-tadas por comboyos es- 
peciaes, pagam pelo transporte dos seus cavallos o preço da 
tabeliã. Quando porém o transporte se eíFectuar pelos com- 
boyos ordinários de mercadorias, transportam os cavallos 
que couberem em dois wagons pela quarta parte do preço 
da mesma tabeliã. 

Por grande velocidade transportam por metade do preço 
da tabeliã até três cavallos de praças montadas, prevenindo 
na estação com 24 horas de antecipação, e apresentando a 
competente requisição. 

TARIFA ESPECIAL NAS LINHAS DE NORTE E LESTE TodoS OS 

volumes que, tendo um metro cubico,nâo pesem 200 kilogram- 
mas, são taxados pela tarifa especial, e além do preço d'ella 
pagine mais 10 i^éis por guia e registro. 

O mimmum cobravel sào 90 róis, incluindo guia e registra 

Exceptuam-se d'esta tarifa as taras vazias, que tiverem 
aiào transportadas cheias, as quaes pagam pela tarifa de 
terceira classe. 

Para gozar d'edta vantagem devem os consignatários, no 
acto de receber as mercadorias, declarar que devolveram as 
taras vazias pelo caminho de ferro. Feita a declaração, re- 
cebem do chefe, fiel ou empregado competente um vale, em 
que se declara a. quantidade de taras, as quaes só se trans- 
portarão á vista do mesmo ^HZ^^. 

Os transportes de taras vazias pagam-se sempre nas es- 
tações de partida. 

MATÉRIAS iNFLAHMAVEis — Estcs trausportcs só SC offcctuam 
pelos comboyos de n^rcadorias e com todas as seguranças 
que se entender deverem exigir-se dos expedidores. 

A pólvora de guerra deve ser entregue nas estações, em 
barris, e estes dentro de outros. 

A de minas ou caça em saccos de panno ou cartuchos, e 
estes cm barris ou caixas de madeira. 

Devem prevenir*se as estações, pelo menos 24 horas antes 
d'aquella em que se deseje o transporte. 

Toda & remessa de pólvora nâo deverá permanecer nas 
estações, quer de partida, quer de chegada por mais tempo 
que o necessário para carga e descarga. 

O preço d'estes transportes é, por kilometro e por wagon, 
150 réis — typo geral. 

Ainda que pequeno seja o peso doestas expedições pagarão 
sempre por wagon completo. 



276 OAMINHOB Jm l^^BRO 

A carga d*um wa^on é sempre uma tonelada menos que a 
sua lotação; e por isso,, se o wagon puder levar 5:000 kíIo- 
grammas, a carga será somente de 4:000; mas pagar-se-ha o 
transporte como se levasse os 5:000. 

TAfiiPAs MODipioADAg — Tarifa modificada é o rebitado da 
reducçâo dos transportes feitos pelas empresas, em géneros 
de primeira necessidade, quando d'ahi provenha utilidade 
geral para o publico. 

Para os expedidores poderem gozar as vantagens doestas 
tarifas, é preciso que a quantidade dos objectos a transpor- 
tar, e das distancias a percorrer, excedam certos limites, 
como nas tabeliãs acharão indicados. 

ARMAZENAGEM NAS LINHAS BE NORTE E LESTE Toda a mCr- 

cadoria, que permanecer nas estações 48 horas depois da sua 
chegada, pagará de armazenagem o seguinte: 

Por cada 100 kilogrammas e por cada dia — mirdmum co- 

bravel 50 réis. 
Depois das 48 horas e durante os primeiros 15 dias. . 1 real 

Durante os 15 dias seguintes 2 réis 

Por todo o tempo que exceder a 30 dias 4 » 

ARMAZENAGEM NAS LINHAS DE SUL E SUESTE As merCadO- 

rias levadas á estação do seu destino serão entregues dentro 
de vinte e quatro horas depois da sua chegada; passado este 

Í>razo ficam sujeitas ás taxas seguintes, pelo impedimento 
orçado do material ou por armazenagem: 

Por mercadorias não descarregadas «60 réis por hora e por 
wagon; 

Por mercadorias armazenadas 0,6 por dia por cada 10 ki- 
logrammas; 

Armazenagem dos volumes — de bagagem 10 réis por cada 
dia por cada 10 kilogrammas— minimo de percepção 60 réis. 

A empresa não responde pelos volumes que forem deixados 
nos seus armazéns ou estações, cujo conteúdo possa avariar-se. 
A mesma empresa poderá pôr á venda, passadas que sejam 
quarenta e oito horas^ os objectos susceptíveis de avaria: o 
producto será entregue ao consignatário depois de tirada a 
armazenagem e demais gastos. 



CAMINHOS DE FEBSO 



277 



Tarifas dos preços de transporto por kllometro nas Unhas 
de norte e leste, sem o com os ft por % Impostos por lei 
de 14 de JnllHi de «MIA e dos transportes pelos • kllome- 
trosda fronteira a Badajoa 



Grande velocidade 



Sem 
5 por % 


Com 
5 por o/o 


Réis 

CCDlCS. 

Milles. 


Réis 

Cenles. 

Milles. 



Hispanha 



2 " ii 



Passageiros (a) 

1.* classe 

2.* classe 

3.» classe 

Baga^ns (b) 

De 1 a 40 kilogrammas 

Cada fracção de 1 a 10 kilo- 
grammas; mais 

DinJieiro em cobre 
De 1 a 40 kilogrammas ..... 
Oada 10 kilogrammas mais . . 

Dinheiro em ouro, prata, 
ou valores (c) 

De 1 a 50i^000 réis 

Quantia superior a SOíÍíOOO réis, 
por cada ôOj^OOO réis ..... 

Comboyos especiaes 
Por kilometro 



18 

14 

10 


18 90 — 
14 70 — 
10 50- 


4 


420 — 





— 68 25 


6 

150 — 


630 — 
157 — 


110 


115 50 — 


25 


26 25 — 


lijSí400 


1Í1470 



120- 
90- 
60- 



1410 — 



33 44- 
8 36- 



115 50 



(a) €ada passageiro pôde conduzir W kilogrammas de bagagem, p^- 
ganao somente 10 réis pela guia. ^ 

(b) Estes transportes são pelo excesso dos 30 kilogrammas concedi- 
dos aos passageiros. 

(c) Estes transportes são por cada fracção de 1 a 50 kilometro» ^ 
percorrer. 



278 



CAMINHOS DE VBBSLO 



i 


Sem 
5 por o/o 


Com 
5 por o/o 


Hispanha 


Pequena velocidade 


Réis 

Gentes. 
Milies. 


Réis 

Gentes. 

Milies. 


Réis 

Gentes. 

Milies. 


Cães 
Cada um, e por fracção até 25 
kilometros 

Transportes fúnebres 
Por kilometro e wagon 


70 

120 


73 50 — 

128 r~^ 


30 

1^128 





Sem 
5 por o/o 


Com 
5por0/o 


Hispanha 


Pequena velocidade 


Réis 

Gentes. 
Milies. 


Réis 

Gentes. 

Milies. 


Réis 

Gentes. 

Milies. 


Mercadorias (a) 
1.* classe 
Annamento, arvores e plantas 
vivas, assucar, café e outroô 
géneros coloniaes, aves e ca- 
ças, azeite e gorduras, baga- 
gens, bebidas alcoólicas, car- 









ia) Os preços de transporte d*esta tabeliã sSo applicayeis a todos os 
volumes ou pacotes, que, mesmo empacotados separadamente, consti- 
tuírem uma remessa de mais de 10 kiiogrammas, com tanto que seja 
feita pelo mesmo individuS c consignada a uma mesma pessoa. 

Mão disfructam este beneficio as empresas de recovarem, recoveiros 
ou almocreves, carroceiros, diligencias e outros intermédios de trans- 
porte, salvo se os objectos por elles remettidos estiverem empacotados 
ew um só volume. 



CiiMlNHOS DE VBBMO 



279 



■ • '• ■ 


Sem 
5 por o/o 


Com 
5 por o/o 


Hispanha 


Pequena velocidade 


Réis 

Ceotes. 
Milles/ 


Réis 

Centes. 
Milles. 


Réis 

Centes. 

Milles. 


nes e peixe fresco, carrua- 
gens desarmadas e empaco- 
tadas, conservas e comestí- 
veis que tenham sido objecto 
de preparação, drogas e pro- 
ductos chmíicos não designa- 
dos, especiarias, fructos e le- 
gumes seccos, madeiras em 
obra de tinturaria ou exóti- 
cas, manufacturas de todas 






• 



I^So se comprehendein 'nesta tabeliã as massas invisíveis de 3:000 a 
S:000 kilogrammas. No entanto a empresa obriga-so a effecluar estes 
transportes, cobrando, em todos os casos, além dos preços da tabeliã, 
mais oO por cento. 

Todo o transporte que necessitar, pelas suas dimensões, o emprego 
de um ou mais wagons, paga pela carga inteira do wagon ou dos wa- 
gons que empregar, qualquer que seja o peso transportado. 

Os preços de transporte da tabeliã não são applicaveis aos objectos 
não designados na classificação, e que, debaixo do volume de um metro 
cubico, não pesarem SOO kilogrammas. Estes objectos pagam segundo 
a tabeliã especial para elles estabelecida. 

Egualmente se não coroprebendera na tabeliã as matérias iaílammaTeiy 
ou (ie fácil combustão, que tém outra, nem anímaes perigosos que, 
como taes, são objecto de accordo especial. 

A remessa de mercadorias e de outros objectos por pequena veloci- 
dade terá de realisar-se no dia seguinte ao da sua recepção na estacão, 
podendo comtudo demorar-se um dia mais por accordo com o fiscal do 
governo. Os consignatários poderão receber as mercadorias que lhe fo- 
rem destinadas desde 24 boras depois da cbegada do comboyo. Exce- 
ptuam-se os artigos sujeitos a deterioração, os quaes se entregarão com 
a possível brevidade. ' . 

Aempresa recebe a entrega as mercadorias sobro os molbes das esta- 
ções, e, oodo os não houver, nas estações. 

Militares — O equipamento ou arrecadações dos corpos transportados 
pelos comboyos ordinários de mercadorias pagam a quarta parte do 
preço da tabeliã. 



i% 



CàXDREOft D£ VEUO 



frraniie 7«?Iocida<ie 



5 per » .) õ por • ,, **^ 



ery^tsu^ii, objeeiss maamfn,- 
ctaTSbdoa lie cobr»»- ferro ■» 

«te«p peil«9 ÈMa *m. ocra. 

fónnaa. tabaco. í»údi:g de 
todas aj ciasses 



— 28.50 00,30^. 1^ — 



2.^ e^asire 



Alabastro em bmtn.. algndoes. 
arroz, barrotes, bítnme. caL 

carva»">F "r-^^eraí. caátanfcaá e 
outros artí^s alímentiííío-a 

outra» i 
òadaa^ dmmbo 
tae» em. bruto e em obca or- 
dinária, i^bre em brnto, eo- 
ke- cortiça em bmín. 
eajca, ou aaj 
aeceog t sul 

mmurm^ p^sazuio mmã ém 9&> : 

tlfe^fTaAii^i-ifcA por metr?} cn- 
Meoi^ le9Ja,&ã» e 4!anfiami> 

teria, - oft Qn(t% 

saJbcoâ^ trigo, v^gaa grandes 




CAMINHOS DE FEEBO 



281 



pequena velocidade 



Sem 
5 por 0/^, 



Com 

5 por o/^j 



PS u S 



Hispanha 



PS ^ 



c pequenas, vinagres, vinhos 

nào eugarrafados 

3** c[asse 

Ardósia, areia, argila, carvão 
de pedra, caí?^alho e pedra 
bi'itadaj Cinzas, esterco e adu- 
bos para tcrra^ fundi çues em 
bnittíj mós de n:io2nhOj pedra 
de cal j pedra dè gesso, pedra 
c ijiaterial de fonstrucção, 
pedra para reparííçSo de es- 
tradas e calçadas, p<?dra de 
alvenaria e cantaria, telhas, 

tijolos, sal 

4.* classe 

( Tarifas m odi ficadas de accordo 
com a portaria do ministério 
das obras piihUcaa de 21 de 
ahrUâeimÁ} 

Farinhas e cereaes (a) 

Pôr tonelíida e kilametros , , . 

Por fracção até 10 kiJo^ammas 

{menoi^ peíiOj uma londada ou 

1:000 kãofframnta^) 

Gado (a) 
Por wagon (6) e kilometro . . . 



20,20 



18 



14-^. 

--14:. 



50 



00,26,46 



00,18,00 



14 — . 
— 14- 



52,50 — 



1,56*- 



1,41- 



14,70 — 
— 14,70 



la) Menor distancia a percorrer, 6d kilometros. 

Estes transportes são isentos de carga e descarga, pagando só 20 réis 
pela guia e registro de cada remessa. No de mais regalam todas as outras 
disposições das tarifas geraes. 

(b) 'a carga de um wagon para gado é de 8 bois ou Taças, 16 vi- 
tellas, 40 porcos, 40 carneiros ou cabras, 80 cordeiros j cabritos ou leitOes. 



282 



CAMnmOS DE FEBBO 



roqiiciia velocidade 



Sem 
5 iK)r or^ 



.2 = — 

'«S s ^ 
« c^ S 



Com 
5 por o/o 



PS (^ 3q 



Hispanlia 



CS çj S 



I 



Por cabeça ckilometro— grosso 1 lõ 1 lõ,75 — 

' ' -j 6,30 — 



VitoUas o annlo^s i G 

Canioiros o siiuilhantcs : 3 



3,15 --I 



(mcdíncadas por Oítpoiitanca . 

vonhuie da rínjjríwí i 
^Ciida 10 kiloprammai?; 
Oanios ^^ÍOO kilogríiiiirítas de 

poso^ .tl"" 

CíUTào ^õ:lXX) kiUiírríiiíunas do " 

poso^ ^rt"^ " ■ 

Cjístanhas oi»eo$ ^l:lXXI kilo- ■ 

^ pnv ■> ti- 

Fniot a f , 1 arain a s/ 5 iiiaí^. limíes 

o cidras ^l:tW kilograiiimaj& 

de jx^ó^ (,a) , . . 

MadeiTA (5;000 kibmrmnmaâ 

de pc^jH*) 

S*! . 3.'OQ0 tolo^rr^mima de ■ 

}^50 .*' . ... 

Vinho. íiiritA-ardentí'. «jette, o 
vinainv. ombanrl^ado .J . . . 



— 18,90 

— 1S.90' 



1S,Í0. — . 
IS.» — - 



:a' XfBor ÀisUBciâ a p^rcf-ntr es esoJa àesccft黕;^ l)d kiIo»^- 
tr>K. 
(i- Hmot di$u»cia « f>erc«n«r :iO biMiririft. 

\il CH{a. é ta BÊ Ê% k • rqptM pw t^i^im c^mimí* TM rei». 
(fí Á eãtfà é^im v^f^B, Ofi: m^ ca^&V.j«. ^ bc,?. marcas «a jo- 



CAMINHOS DE FEBBO 



283 



: •.. 


Sem 
5 por 0^ 


Com 
5por0// 


Hispanha 


Pequena velocidade 


Réis 

Centes. 

Milles. 


Réis 

Centes. 

Milles. 


Réis 

Centes. 
Milles. 


Por cabeça: — cavallo, boi, vac- 
ca, muar, ou jumento (a) . . . 

Vitela ou porco (ô) 

Carneiro, cabra, cabrito, cor- 
deiro, (Hl leitão (c) 

Carruagtns 
Carrões, omnibus, diligencias 

e carruagens de 4 rodas com 

2 assentos no interior 

Carruagens de 2 ou 4 rodas, com 

um só assento no interior, f. 
Cada 10 kilogrammas de carga 

que contiverem 


18 

8 

4 

60 

50 — — 
— 30 — 

250 

2 

50 

-60 — 
10 


18 90 — 
8 40 — 

4 20 — 

63 

52 50 — 

— 3150 

262 50 — 

2 10 — 

52 50^ 

— 63 — 


112 80 — 
42 30 — 

28 20 — 

338 40 — 

279 18 — 

180 — 


Tdegrapho 
Quantia fixa 




CoDMnunieaçáo de 20 palavras 

Cada 5 palavras mais, seja a 

distancia qual for 

Tarifa especial {d) 
Por cada fracçãLo até 10 kilo- 

Guia e registo de cada ^pedição 


418- 









mentos, 16 Títellas, ^ porcos, 40 carneiros ou cabras e 80 cordeiros, 
cabritos ou leitOes. 

Ía\ - Qifga e descarga 100 réis. 
h\ Carga e descarga 50 réis. 
c) Carga e descarga ^ réis. 

(d) A tarifa especial é applicada aos rolames qae, 4endo um metro 
cubico de TMome^ M]am de peso inferior a Wi kHogrammaS'. 
13 



284 



OAUNHOS DE FBBfiO 



terreas de sol e mieste, sem e com oa ft por % Impostos 
por lei de fá de Jolho de M9Q9 



• 


Sem 
5 por 0/^ 


Com 
5 por o/o 


Tarifas geraes 


Réis 

Cenles. 
MHles. 


Réis 

Cenles. 
Milles. 


Passageiros (a) 
1.* classe 


24 

18 

12 

140 

60 

48 

(50 

120 

96 

120 ^^ 


25 20 — 


2 * classe 


18 90 — 


3* classe • 


12 60 — 


Bagagens (a) 
Ca-da 10 kilogrammas de excesso«(ò) .... 

Carruagens (c) 
De 4 rodas, pesando até l:500kilogrammas 
De 2 rodas, pesando até 1:000 kilogrammas 

riaHa 9fS0 1ri1n<rrfi.mtn5iJi míLipi 


60 30 — 
18 24 — 
60 30 — 


{Acompanhando os passageiros) 

De 4 rodas com o peso supra . 

De 2 rodats com o peso supra 

Cada. 250 kilosrrammas mais . 


120 60 — 

96 48 — 

120 60 — 


Comboyos espedaes (d), '. . . 

Conducçao de dinheiros (d) 

Transportes fúnebres (d) 





{a) São concedidos 30 kilograminas de bagagem a cada passageiro. 

(ò) Este transporte, «egaTido a lei de II de julbo, nfto esla enjeito ao 
imposto de transito. 

(c) O preço minimum a pagar pelo transporte d*ama carruagem é o 
correspondente a ^8 kilometro^:. 

Além d 'isso paga-se de carga e descarga de' cft^a orna 100 réis; de 
registro de cada reniesfia ÍO réis. 

Jd) Ajustes partlcnlares: oestamam regular pelaslinbas de norte e leste . 



CAiaSHOS DJE! FEBBO 



285 





Sem 
5 por o/o 


Com 
5 por % 


Tarifas geraes 


Réis 

Gentes. 

Millcs. 


Réis 

Gentes. 

MiUes. 



Mercadorias 

1." claflse 
Algodão em rama, cortiça, la em rama la- 
vada, pelles finas, seda em rama, tripa, 
renda e análogos, cada 10 kilogrammas 

2.* classe (a) 
Aves domesticas em canastras, cestos, etc, 
bolacha, caldeiras, cylindros, e peças de 
machina, caça, couros seccos e sola, 
cera,^ chá, farináceos, âructas verdes e 
seccas, hortaliças, la e algodão manu- 
facturado, linho em rama e manufactu- 
rado, massas, ovoe, quinquilharias, quei- 
jos, sapatos, sedas de toda. a espécie, 
tabaco fabricado, ctc.,. cada 10 kilo- 
grammas 

3.* classe 
Aço, ferro, chumbo e cobre, azeitej -vinho 
e toda a qualidade de líquidos eiivazi- 
Ihados, comprehendendo óleos, batatas, 
car^es verdes e seccas, carvão vegetal, 
casca de carvalho ou sobro, cebolas, 
cereaes, couros verdes, cal em pó, cebo, 
cok, drogas, lâ em r^ma, legumes, lou- 
ça, mercearias, madeiras, mel, neve em 
rama, ossos, papel, peixe salgado e 
seccò, sabão, salitre, unhas e análogos, 
vidros, etc, cada 10 kilogiammas. . . . 



OOéSOO 



00 82 00 



00 24 00 



0048 24 



00 32 16 



00 24 12 



(a) A classificação d'e$tes transporte^ dev« soí&er jtlguiuas modifi- 
cações, que por emquaato se nao podem saldei* quaes sSo. 



286 



CAMINHOS DE FERBO 



Tarifas geraes 




4.» classe 
Adubos agrícolas de toda a espécie (a), 
Alcatrão e análogos, areia, azulejo, eil 
em pedra, carvão de pedra, cinzas, ci- 
mento, fachina e cepa, gesso, minérios, 
mármores ou outras quaesquer pedras, 
sal, telha, tijolo, etc, cada 10 kilogram- 
mas 

5.* classe 
Mobília, caixotes com chapéos, taras va- 
zias, e análogas, cada IO kilogrammas 

Gado (b) 
Cada cavallo, boi, vacca, muar, ete. . . . 

Cada jumento, ou vitello, etc 

Cada porco 

Cada carneiro, ovelha, cabra, oão, etc. . . 



00 16 00 



00 84 20 



24 — — 

12 

6 : 

4 



0016 08 



00 84 43 



« o o 



[a] Os adubos agrícolas desde o fiarreíro até ao Pinhal Moto, pa- 
gam 16 réis por tonelada e por kilomelro, e de abi até ás Vendas Noras 
pagam 8 réis por tonelada e kilometro, e por carga e descaiga ai|ualquer 
distaucia SOO réis por tonelada. 

(6) Registro de cada remessa 20 réis. 

Alem d'issò í Carga e descarga Baldeação 

I por cabeça por wagon 

Cada cavallo, boi, yacca muar, etc. .. 100 réis 480 réis 

» jamento ou yitello 50 • 480 » 

» porco 20 • 300 • 

» carneiro, ovelha, caibra, cSo, etc. 20 » 480 » 

A baldeação paga-se, bavendo-a nas Vendas Novas. 
O gado deve acbar-se na estação uma hora antes, pelo menos, da partida 
âo camboyo a que se destina, acompanhado por um condoctor ou con- 
'^reg que assistirão ao carregameiklQ, t ajudarão á sua entrada e sa- 



CAMINHOS DS F£BBO 



287 





Sem 
5por0/^ 


Com 
5 por 0/^ 




Tarifas modificadas 


Réis 

Gentes. 
Milles. 


Réis 

Cenles. 

Milles. 


Farinhas e cereaes (a) 

Por tonelada e kilometro 

Por cada 10 kilogrammas 

Gado {jporcos) 
Por wagon completo: 

De Beja ao Barreiro ou Moita . 

De Cuba ao Barreiro ou Moita 

De Évora ao Barreiro ou Moita 

Da Casa Branca ao Barreiro ou Moita. . 


14 

— 14 — 

ISJiõOO 

12,í;095 

10,jl80 

8i^325 


II II II 

I II 1 II 

II II 11 



hída dos waçons. Os cnnductores dè cavalgaduras podem acompanbal-as, 
tomando bilDetes de 3.' classe. 

As remessas avuRadas. ou que preencham mais de um Wiagon, devem 
sempre prevenir-se com 18 horas ae antecipacAo, e a respeito das outras 
sempre na véspera, seja qual for a estação (i'onde partam. 

A carga de um TV.igon é de 6 cavallos/bois ou yaccas; 12 jumentos ou 
vilellos; 30 porcos (lS no compartimento inferior e Í5S no superior]; 10 
carneiros ou cahras; 80 cordeiros, cabritos ou leitões. 

A companhia não se responsabilisa porqnalquer dâmnoqnepoesa acon- 
tecer na conducçSo do gado, seja elle qnal for. 

(a) Os preços dos transportes, tanto de cereaes como de porcos» in- 
cluem todas as despesas accessorias. 



288 CAMINHOS DB FERBO 

Kegrúlãfflentt) para o daspacho dasmdrcadorias e bagagens, 
transportadas pelos caminhos de ferro do norte e leste, 
que faz parte do decreto de 28 de novembro de 1864. 

CAPITULO I 

Delegação da alfandega de Elvas 

Art. 1.0 A delegação da alfandega de Elvas fica aucto- 
rísada: 

I A dar despacho para consumo a quaesquer mercadorias 
estrangeiras, cuja admissão for permittida pela alfandega de 
Elvas; 

n A dar despacho de exportação ás mercadorias naoionaes 
ou nacionalisadas; excepto áquellas que já tiverem obtido 
esse despacho cm alguma outra alfandega, e que assim se 
prove com bilhete de despacho ou guia competentes; 

lU A verificar as bagagens procedentes dos paires es- 
trangeiros, excepto as que se destinarem ás cidades de Lis- 
boa ou do Porto; 

IV A dar despacho de transito para as delegações das al- 
fandegas de Lisboa e do Porto a todas as mercadorias es- 
trangeiras, excepto a pólvora. 

Art. 2.0 Nos despachos, a que se referem os n.'* I e II do 
artigo antecedente, se observarão as formalidades prescriptas 
para o despacho em geral nas alfandegas da raia. 

§ único. Os volumes assim despachados serão estampilha- 
dos com estampilha do modelo A, ou do modelo B, conforme 
o despacho for de consumo ou de exportação. 

Art. 3.<> Os volumes de bagagens verificados, a que se re- 
fere a primeira parte do n.» III do artigo 1.°, serão estampi- 
lhados com estampilha do modelo Gr, e os volumes de baga- 
gens que deixarem de ser verificados, segundo a excepção 
consi^ada no mesmo numero, serão estampilhados oom es- 
tampilhas do modelo D. 

§ único. Quando no acto da verificação das bagagenS; de * 
que tracta a primeira parte d'este artigo, se encontrem mer- 
cadorias sujeitas a direitos, mas cujo despacho seja privativo 
das alfandegas maiores, serão desde logo enviadas paz» a 
alfandega de Lisboa, nos termos prescriptos no attupo 6.% 
acompanhadas de guia do modelo n.^ 5; e a remessa «os vo- 
lumes de bagagens, a que se refere a segunda parte do mesmo 
artigo, será feita por meio de guia do modelo n.» 6. 

Art. 4.0 No despacho de transito, de que tracta pi 
do artigo 1.0^ se observará o seguinte: 



CAMINHOS D£ FEttBO 289 

I Os expedidores de volumes de mercadorias,, que forem 
apresentados na delegação da alfandega de Elvas, com des- 
tino ás alfandegas de Lisboa ou do Porto, deverão acompa- 
nhados de uma declaração, em duplicado, dos volumes, con- 
forme o. modelo n.° 1; 

II Conferidos os volmnes, som serem abertos, com as de- 
clarações, scrâo estampilhados com estampilhas do modelo D; 

Ili Um dos exemplares das declarações, a quo se refere o 
n." I d*este artigo, depois de visado de conformidade, e de 
rubricado pelo encarregado da delegação, será remettido em 
sobrescripto fechado, por mâo do agente fiscal que vier no 
comboyo, ao chefe da delegação da alfandega de Lisboa, ou 
ao chefe da delegação da alfandega do Porto, conforme for 
o destino dos volumes. O outro exemplar ficará na delegação 
da alfandega de Elvas. 

Art. 5.° Quando se apresentai'em na delegação da alfan- 
dega de Elvas alguns volmnes, sem serem acompanhados das 
competentes declarações, nos termos indicados no n.» 1 do 
artigo 4.", ficarão ahi retidos por vinte e quatro horas; e, se 
findo este praso, não forem exhibidas as declarações, serão 
remettidos, por transito, para as delegações das alfandegas, 
conforme o sen destino; e, quando feste se ignore, serão en- 
viados para a alfandega de Elvas, com a guia do modelo 
n.° 5, ficando em ambos os casos o recebedor dos mesmos vo- 
lumes sujeito ao pagamento das despesas da remoção. 

Art. 6.*> Os volumes das bagagens estampilhadas nos ter- 
mos mdicados na segunda parte do artigo 3.°, e os volumes 
de mercadorias estampilhados nos termos do n.° II do ar- 
tigo 4.°, serão conduzidos em wagons especialmente desti- 
nados a esse fim, cujas portas deverão ser selladas pelos em- 
pregados fiscaes. 

§ 1.0 Quando, porem, o numero dos volumes não for snffi- 
dente paxá se lhes destinar um wagon, *neste caso será cin- 
tado e sellado cada um dos volumes, e assim conduzidos nos 
wagons das outras mercadorias. 

§ 2i° Exceptuam- se do preceito consignado no § antece- 
dente aquellas mercadorias a gamei, apresentadas na dele* 
gaçâo, e que, attenta a sua natureza, não possam ser selladas 
e cintadas, as quaes poderão ser conduzidas èm quaesquer 
wagons sob a vigilância do respectivo agente fiscal. 

CAPITULO II 

Ddegaçoea das alfandegas de Lisboa 
Ai-t. 7.° As delegações das duas «Aí«ii(k^^^a ^^\à^c«í^^«^%- 



290 CAMINHOS DE F£E£0 

r 

tabelecidas iia estação principal do caminho de ferro do norte 
e lestp; ficam auctorisadas a dar despacho de consumo: 

I As mercadorias vindas por transito das delegações das 
alfandegas de Elvas e do Porto^ cujos donos ou representanes 
assim o exijaip. Exceptuam-se os tecidos de qualquer espécie^ 
as obras dos mesmos tecidos^ as bijouterias^ pérolas e gem- 
mas^ em bruto ou lapidadas, os productos chimicos e medi* 
cinaes, bem como as drogas e tintas, todas as quaes merca- 
dorias só poderão ser despachadas na competente alfandega; 

II A todas as mercadorias de producçâo ou de industria 
nacional, que estejam sujeitas a direitos de consumo local; 

m A verificar as bagagens que vierem por transito da 
delegação de Elvas, na conformidade do n.° IH do artigo l.**, 
dando despacho ás mercadorias sujeitas a direitos que se en> 
contrarem nas mesmas bagagens; mas, sa forem das com> 
prehendidas na excepção do n.» I d'este artigo, serão enviadas 
para a alfandega respectiva acompanhadas de guia do mo- 
ddo n.° 5; 

IV Verificar os volumes de mercadorias e das bagagens 
procedentes das diversas estações dos caminhos de ferro; e, 
quando forem encontradas quantidades de tabacos contra as 
prescripçoes dos respectivos regulamentos, proceder-se-ha de 
conformidade com estes. 

Art. 8.0 Os volumes das mercadorias, despachadas nos ter- 
mos dos n.«» I e n do artigo antecedente, serão estampHhados 
com estampilhas do modelo A. 

Art 9.° Ficam eçualmente auctorisadas as delegações de 
que tracta este capitulo. 

I A dar despacho de exportação ás mercadorias nacionaes 
ou nacionalisadas, que se destinarem a sahir do reino pelo 
caminho de ferro. 

Os volumes das mercadorias assim despachados serão es- 
tampilhados com estampilhas do modelo 6, e acompanhados 
da guia do modelo n.° 2. 

n A estampilhar com estampilhas do modelo D os volu- 
mes de mercadorias de procedência estrangeira que, estando 
* depositados nas alfandegas de Lisboa^ forem pelas mesmas 
despachados por transito para a alfandega do Porto. 

Art. 10.° As mercadorias a que se refere a primeira parte 
do n.° 1 do artigo 7»°, quando não forem despachadas no acto 
da entrada nas respectivas delegações, bem como aquellas a 
que allude a segunda parte do mesmo numero, deverão ser 
remettidas, sem demora, para a alfandega respectiva, uma 
vez que cheguem a horas de esta estar aberta, ou aliás, na 
primeira opporhmidade; e seiSU) aiComp^nha^Las da declaração 



CAMINHOS DE FEEEO 291 

do modelo n.° 1 quando venham de Elvas, ou da guia do mo- 
delo n.o 3 quando venham do Porto. 

As mercadorias, do que tracta o n.« II do artígo 7.°, que 
não forem despachadas no acto da sua entrada na compe- 
tente delegação, poderão conservar-se *nella até quarenta e 
oito horas; ando que seja este praso, deverão ser remettidas 
para a alfandega municipal, acompanhados da guia do mo- 
delo n.° 4. 

§ 2 Exarado o recibo no talão da guia pela entrega effe- 
ctuada na alfandega, será elle immediatamente devolvido á 
delegação por mão do guarda que tiver acompanhado as 
mercadorias. 

CAPITULO III 

Ddegação da alfandega do Forto 

Art. 11.» A delegação da alfandega do Porto nas — Deve- 
zas — em Villa Nova de Gaia, compete: 

I Dar despacho de consumo ao vinho e a quaisquer be- 
bidas espirituosas nacionaes, que forem conduzidas pela via 
férrea, ou tiverem de dar entrada pelas barreiras próximas, 
sempre que seus donos assim o pretendam; 

II Verificar os volumes das bagagens a que se* refere a 
excepção do n.<> n do art. l.«: e, quando sejam encontrados 
objectos sujeitos a direitos, serão remettidos para a alfan- 
dega acompanhados da guia do modelo n.° 5. 

lU Verificar os volumes de mercadorias e de bagagens, 
procedentes das diversas estações dos caminhos de fen-o, ex- 
cepto- aquelles a que se refere o numero seguinte; e, quando 
forem encontradas quantidades de tabacos contra as pre- 
scripçoes dos respectivos regulamentos, proceder-se-ha de 
conformidade com estes. 

IV Bemetter para a alfandega todos os volume» que re- 
ceber por transito das delegações das alfandegas de Liâboa 
e de Elvas, os quaes deverão ser acompanhados de um guarda 
que será portador da declaração do modelo n.° 1, quanto aos 
que tiverem ido de Elvas; e da guia do modelo n.<> 3 qtianto 
aos que tiverem ido de Lisboa. 

V A estampilhar com estampilhas do modelo D os volumes 
de mercadorias estrangeiras, que, estando depositados na al- 
fandega do Porto, forem 'nella despachados por transito para 
a de Lisboa. 

tl.« Se os comboyos que conduzirem os volumes a que se 
re o n.° IV doeste artigo, chegarem em occasião quê a 
al£a,ndega esteja fechada, 'neste caso a remessa se effectuará 



292 CAMINHOS pE F£BBO 

no dia seguinte a horas do expediente da mesma casa fis- 
cal. 

§ 2,° Os volumes, a que se refere e n.^ I d'este artigo, serão . 
estampilhados com estampilhas do modelo A, e com as do 
modelo C os de que tractam os n.<** II e III, nâo devendo, 
porem, a respeito dos volumes a que allude este §, proceder-se 
a nova verincaçao nas barreiras por onde entrarem, em Yilla 
Nova de Graya, sendo, comtudo, inutilisadas as estampilhas, 
no acto da entrada nas mesmas barreiras, pelos empregados 
que ahi estiverem de serviço. 

CAPITULO IV 

Disposições geraes 

Art. 12.° Os wagons, cujas portas tiverem sido selladas, 
segundo as prescripçoes doeste regulamento, somente serão 
abertos em presença do encarregado da delegação compe- 
tente, do agente fiscal que tiver acompanhado o c(Hnboyo e 
d'aquelle que representar a empresa do caminho de feiro; 
devendo 'nesse acto ser conferidos os volumes com as decla- 
rações ou com as guias, de que se acompanharem^ e não ha- 
vendo discordância, o indicado encarregado e o representante 
da empresa rubricarão as mesmas declarações ou guias para 
os effeitos convenientes. 

Art. 13.° Quando no acto de serem examinados os sellos 
tanto dos wagons, como dos volumes, se mostre que foram 
rotos, quebrados ou falsificados, o. encarregado da delegação 
que conheça do facto fará levantar auto de noticia, em oue 
se mencionem todas as circumstancias de que houver c<nu]0- 
cimento e possam elucidar o facto. 

§ 1.° O auto será enviado ao director da competente al- 
fandega, o qual, se conhecer que houve criminalidade nos 
factos apontados, o remetterá. ao agente do ministério pu- 
blico, para os fins de que tractam os aitígos 228.° e 310.° e 
correllativas disposições do código penal. 

§ 2.° Similhantemente se pro<^erá quando se conheça ter 
havido subtracção ou substituição de mercadorias contida 
nos volumes, ou descaminho de algum ou de alguns d^elles. 

Art^ \4t.^ Se durante o transito dos comboyos se dei* algum 
dos factos incriminados no artigo antecedente, o agente fis- 
cal, que acompanhar os comboyos forinuIai*á o competente 
auto de noticia, em que intervenham, pelo menos, três tes- 
timunhas, e o entregará ao encarregado da delegação a que 
Be destinar o mesmo comboyo, a fim de ser enviado &; reape- 



CAMINHOS DE PERBO 293 

~ ctíva alfandega, para os eífeitos de que tracta o mesmo ar- 
tigo antecedente. 

§ único. O agente fiscal ficará responsável por todo e 
qualquer descaminho que se der nos objectos em transitO; sob 
a sua acção fiscal, quando nâo proceda nos termos indicados 
'neste regulamento. 

Art. 15. *> QuandO; por alguma circumstancia extraordiná- 
ria, o comboyo nâo puder ser acompanhado do agente fiscal, 
o encarregado da delegação expedidora participará, telegra- 
phicamente, ao encarregado da delegação recebedora quan* 
tos sâo 03 volumes remettidos, e quaesquer circumstancias 
que tiver por convenientes^ isto no caso de nâo poder ser 
substituido, para todos os effeitos, aquelle agente fiscal por 
um guarda de fiscalisaçâo das alfandegas. 

Ali;. 16.° As mercadorias, que ma conformidade don.^IV, 
do artigo 1,°, derem entrada nas delegaçÒes das alfandegas 
de Lisboa e do Porto, serão consideradas como as que entram 
pela Foz, excepto quanto ao pagamento do direito de reex- 
portação, a que nâo estão obrigadas. 

Art. 17.*» O pagamento de direito de 1 por milhar ad va- 
lorem^ estabelecido pdo artigo 8.° da carta de lei de 22 de 
feverdro de 1861, eómcnte será cobrado pelo transito das 
mercadorias estrangeiras, expedidas pela delegação da alfan- 
dega de Elvas para as delegaçòes das alfandegas de Lisboa 
e do Porto. 

§ imico. Quando AS mercadorias; de que tracta este artigo, 
forem despachadas para consumo, encontrar- se-ha na impor- 
tância dos respectivos direitos a que tiver &ido paga a titulo 
de direito de ircmsito. 

Art. 18.° Os volumes que, tendo sido conduzidos pelos ca- 
minhos desferro, forem recolhidos nas alfandegas ou nas suas 
delegações, somente serão entregues - a quem se apresentar 
munido do competente documento, peloqusd se prove haver-se 
efPectuado o pagamento devido á empresa oonstruetora dos 
mesmos caminhos. 

Art. 19.° Os volumes, depositados nas alfandegas de Lis- 
boa e do Porto, que tiverem de ser remettidos, por transito, 
de uma paora outra das mesmas alfandegas, devem ser 'nellas 
eintados e sellados, e depois conduzidos ás ccmipetentes de- 
legações acompanhados de um gnaràa, que será portador da' 
guia do modelo n.° 3. 

§ anico. Os encarregados das delegações, achando con- 
formes 08 volumes com as guias, assignarão os recibos de 
talão d^aquelles documentos, os quaes restituirão «ô ^^««t^ 



294 CAXcmos de ferbo 

psra os apresentar nas alfandegas: devends as gaias ser le- 
mettidas ao encarregado da delegação da alÊuidega do des- 
tino, em sobrescripto fechado, por mào do agente tiscaL 

Quando, poremif eneontrem «évergencia, eonserrario os to- 
Inmes da delegação expedidora, dando logo parte ao diefeda 
respectiva alfandega, para os efieitos ccRErenientes. 

Art. 20.* A respeito da condocçáo dos volames. s que se 
re£ere o artigo anteeedente, observar-se-ha o qne se aeka dis- 
posto no artigo 6.* e seus §§, eroqito quanto aos T(4mnes 
serem cintados e sellados nas delegações, per isso que o 
devem ser nas alfand^^as, como fica expresso no mesmo ar- 
tigo antecedente. 

Art. 21.<* Qaando a bordo dos navios, qne entrarem no Tejo, 
vierem alguns volumes com destino á cidade do Porto, po- 
derão elles ser directamente conduzidos á delegação fiscal 
de Sancta Apollonia, onde serão estampilhados com estam- 
pilhas do modelo D, procedendo-se em tudo o mais na íorma 
do que prescrevem os artigos 19.* e 20.*, com excepção dos 
volumes serem somente cintados e sellados, quando nào sejam 
conduzidos em wagons, cujas portas forem selladas. 

Art. 22.* As conducçoes de mercadorias, das alfandegas 
de Lisboa e do Porto para as delações, e d*estas para 
aquellas, serão feitas pelas companhias dos trabalhos nra- 
çaes, á custa dos donos das mercadorias, quando estes nâo 
forneçam os necessários meios de transporte. 

Art. 23.* Todo o trabalho braçal que houver com as mer- 
cadorias sujeitas a despacho, depois de serem entregaes ás 
delegações das alfandegas, será, exclusivamente, feito pelo 
pessoal das companhias dos trabalhos braçaes das mesmas 
alfandegas. 

Art. 24.* Os guardas que acompanharem os TC^umes^ em 
transito, das alfand^as para as delegações, e doestas para 
aquellas, ficam responsáveis pela entrega dos mesmos volu* 
mes, de que somente serão exonerados -em vista do Tedbo 
passado pelos empregados que para esse fim estiverem au- 
ctoiisados. 

Art. 25.* O fornecimento do chumbo e fio, ou eordd ne- 
cessários para a sellagem nas portas dos wagoos e para a 
dos volumes, será feita pelas respectivas alfandegas, e as es^ 
tampilhas e apparelhos de sei lar serio fi)meeídoe pela dire- 
cção geral das alfandegas e contribuições indirectas. . . 

^rt. 2G.* As mercadorias nacionaes e as nacionalisadas, 
transportadas pelos caminhos de ferro, não carecem de ser 
aeompaabãdaa de guias. 



CAMINHOS D£ FERRO 



295 



CAPITULO V 

Disposição transitória 

Art. 27.^ O despacho de consumo de mercadorias estran- 
geiras na delegação da alfandega grande de Lisboa, estabe- 
lecida provisoriamente, na estação do caminho de ferrO; co- 
meçara logo que a mesma delegação esteja definitivamente 
habilitada para esse fim. 

Paço^ em 28 de novembro de ISQL^Joaquim Thomaz Loòo 
d' Ávila. 

f «iCTMi J 



TABELIÃ GEBAL DOS FBEÇOS DE COMIDAS E BEBIDAS 
NOS BE8TAUBANTES DA8 LINHAS DO NOBTE E LESTE 

(N. B. A primeira columna indica os preços da linha do 
norte, e a segunda os preços da linha de leste). 

Cosinha 

Sopa de pão , 

f de massa 

» de arroz , 

Beef à la mode 

» de vacca 

» de vitella 

Cabeça de vitdla 

Cabrito... 

. » com ervilhas 

Carne cosida í 



Carneiro assado ....... 

Carneiro com ervilhas . 

. .» ■ . com fegâo . . . 

Croquetes............. 

Costeletas 

Chouriço 

• > ' com ervilhas . 
» com.£e^'âo ... 

EmpadinUa.^ 

Fiambre 

Frangão assado ...... 

Oallinha e caldo. 

Língua guisada. 

Lombo lardeado 

Mão de vitella , 



••.>• 



20 


40 


20 


40 


20 


40 


140 


140 


120 


120 


140 


140 


100 


100 


80 


120 


100 


160 


80 


80 


100 


100 


80 


120 


100 


160 


100 


160 


100 


120 


120 


120 


80 


100 


100 


140 


100 


140 


100 


80 


120 


120 


100 


200 


160 


200 


100 


120 


120 


120 



-sas^v^^ 



296 



CAMINHOS DE FEBBO 



Paio 

» com ervilhas 

Pato com arroz 

Peixe assado 

» cosido 

» frito 

'» de escabeche. . . . 

Rost-Beef 

Salame 

Vitella assada 

Esperregado 

Feijão guisado 

Ervilhas. 

Conserva 

Azeitonas 

Sallada 

» de camarSlo .... 

Ostras, cada uma 

Ovos cosidos, cada umj. 

» fritos, dito 

Pasteis de carne, dito . 



Sohremézàs ' 



Queijo londrino. . . , 

» flamengo . . . 

» do Alemtcjo 
Pastel de nata . . . -. 

» de fructa.. . , 

Pudim i 

Amêndoas . 

» torradas. 

Nozes ............ 

Passas 

Laranja 

Geléa de fructa . . . 
Compota de ginja . . 
» de laranja . 

• » de pêra . . 
Arroz doce 



Copa 



Pão, manteiga e chá ...... 

» » e.café. . . ► . 

* » e chocalate, 
Châsó 



100 


100 


120 


140 


120 


140 


80. 


80 


60 


r 80 


60 


80 


60 


100 


120 


120 


120 


140 


120 


120 


20 


40 


30 


60 


40 


60 


30 


30 


20 


30 


30 


30 


60 


50 





40 


20 


20 


20 


40 


40 


40 


40 


40 


40 


40 


40 


40 


30 


30 


80 


30 


40 


40 


80 


30 


50 . 


50 


20 


20 


20 


20 


20 


20 


80 


80 


60 


60 


60 


60 


60 


60 


60 


60 


120 


140 


120 


140 


140 


140 


80 


80 



CAMINHOS DE PEHRO 



297 



Café só 

Chocolate só 

Agua e assucar . . 

Capilé. . 

Orchata 

Gtosseille. . .. 

Limonada . . 

Liaranjada. 

Soda. ; 

G.azoza 

Cerveja, botija 

» meia dieta 

j) ingleza, garrafa . . 

» . » meia diota . 

Grog de França 

» de canna 

» de erva doce 

» de cognae. ........ 

D de genebra 



Licores 



Licores anos nacionaes . . . 

» francezes 

Curaçíio. . 

Man-íiaquino . . ; 

Chartreuse 

Cognae 

» fino Champagne . . . 
Genebra de Hollanda . . . . 

Genebra iiaeionai ...... ^ 

Agua-ardente de França . . 

• » de canna . . . 

« de erva doce. 



3a 

80 

20 

.50 

40 

. 60 

.40 

40 

40 

. 70 

120 

60 

280 

180 

60 

40 

40 

60 

40 



20 
40 
50 
40 
40 
40 
50 
40 
20 
30. 
20 



40 

ao 

20 
50 
50 
60 
60 
60 
60 
70 
120 
60 
280 
180 
60 
60 
60 
80 
80 



40 
50 
60 
60 
80 
50 
70 
40 
20 
30 
30 



20 .20 



Vinhos 



Champagne 
Bordéos . . . 
Xerez .... 

Porto 

Madeira . . . 
Malvazia. . 
Moscatel . . 



Ií2200 
960 

IjííOOO 
960 
900 
800 
700 



li^OOO 
li^OOO 
UOOO 
960 
960 
800 
800 



298 



CAUIUHOS BE FESRO 



320 


l 320 


300 


300 


200 


200 


200 


200 


120 


120 


100 


100 


80 


80 


40 


60 


40 


50 


20 


20 



Carcavellos 
Lavradio . 
Bucellas . . 
Collares. . . 
Termo . . . . 
Madeira . . 

Porto 

Carcavellos 
Lavradio . . 
Termo. . . . 



Almoço em meza redonda 

Beef; chá; café, pão e manteiga, pòr oadá pessoa. . . 240 réis 

Jantar em meza redonda 

Sopa, cosido, guisado, assado, ervas ou sallada, meia 
garrafa de vinho do termo, fructa ou doce por 
cada pessoa 500 réis 



K. B. Uma lista diária designará os objectos de cosinha 
que ha para aquelle dia. 

Ka linha do norte, por em quanto, só há restaurante em 
Coimbra; na de leste ha-os no Carregado, Santarém, Entroor 
camento, Abrantes, Portalegre e Elvas. 

RESTAUBAMTES MAS LINHAS DE SUL E SUESTE 

Ha apenas uma espécie de taberna na estação das Vendas 
Novas, onde se vende carne assada, carneiro, pâo e vinho» 
«endo os preços sujeitos ao arbitrio e capricho do taberneiro. 

É portanto conveniente que os passageiros levem alguma 
cousa comsigo, nâo querendo sujeitar-se á balbúrdia da tal 
bodega. • 



300 



CAMINHOS DE FEKBO 



L 



COMBOIOS ESPRCIAES ENTnE LISBOA E CARREGADO 

N." 1 — Parte do Carregado ás 7^31' da manhan 
N." 6 — Parte de Lisboa ás /^'ÒXS da tarde 
Coml^ofo n." I — de manltan 



Eslfiçues 














iDUUnclii 


Nomea 


1 




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Villa Fr-itica-if. .13/ 


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D. 


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D, 


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S.ncavfím 'í.' 


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2 


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OUvács -, , l*-* 


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8 42 


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Poço do Bisprt. . *p 'i." 


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4 


33 


7 


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2 


8 53 


LISBOA ^,, ...... 1." 


D, 


4 


37 


7 


9 


- 


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Comboio n*" 6 — ile C 


arde 
















T, 




T- 


LISBOA "^ , . 


1/ 


K. 


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4^'30' 


Poco d(i Bí.spu , . 


%.' 


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4 


4 


9' 


4^39' 


2' 


4 41 


Olivais 


4/ 


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4 


7 


3 


4 49 


2 


4 51 


Síicavem 


4/ 


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7 


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2 


$ 


I^JVOíJ , . , . 


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2 
2 
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5 17 

5 28 
5 41 


Alverca * * * í ♦ 


Alhíiiidrn *J . . , . 


3/ 


ò 


26 


Villíi Franca ,, .* 


3/ 


E. 


5 


31 


9 


5 50 


3 


5 03 


Gnrrcgado 


3.' 


K. 


7 


37 


13 


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— 


— 


\ EstiJCÕeít aonde at TnachinãÈ ton 


?í7m (rguâ. 




^;-Y Chi^^amcnlos, 




, 


D. Direita \ 


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)s romi 


oio§ 


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-* 



CAMINHOS 1>E FEliVLO 



301 



VvaVas \^ ^ovU t \m\.í 

GOXBOIOS KSPECIAF.S ENTRE PORTO E COIHURA 

N.** 2 — Parte de Coimbra ás 7>' da manhan 
N.« 5 — Parte do Porto ás 3''7', da tarde 
c:omi»oio n." 9 — f ie manitan 



Nomeji 



Snnxclhfi 

Mealhada 

iMogofore* ^ . . . . 
Oliveira doB.iírro 

àvimo ^. , , 

Estarreja v7 • ■-- 

OVAR ^ .. 

Esmoríx , . , 

Espinho. . 

Granj^a .,___. 
Vaíladarcs . 

Coffii io 

riLLA S, De GAJA^ 

Vaíladarcs .-.-*, 

Granja 

Eipinho 

Esmorií , 

OVAB 5 

Estarroja *...,.. 

AYEtEO 7 T ;- . , * , 

Oliveira do Bairro 
Mogofares *].... 

Mealhada , 

Souzelias 

coiMBBA y 




300 



CAMINHOS DE FEURO 



COMBOIOS ESPKCIAES ENTnE LISBOA E CARREGADO 

N." 1 — Parte do Carregado ás 7^31' da manhan 
N." 6 — Parte de Lisboa ás 4^30 da tarde 
C^oml^ofo n.° I — de manltan 





Estriçue» 












1 


jCHiL^ndaj 








1 
Nomes 1 


Í|i| 


s 
■1 


cr 


■1 ii 


3 






M 


a 




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u 


CL. 


1 
















'm. ' 




W* 




Cíirrcgaíio 


3* 


D, 


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« 


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7^3!^ 




ViUa Fmmci vv- 


3/ 


U. 


T 


7 


Í2' 


7H3' 


3^ 7 46 




AlhaiHira ^ ,, ,.[3.* 


D. 


íi 


11 


9 


7 55 


2 i 7 57 




Ahcrca „.,,.,. |S,^ 


K, 


5 


15 


9 


8 6 


1 8 7* 




Povoa '"^' '4.* 


D, 


íí 


19 


9 


8 16 


21 8 18 




Sacavnm '4.* 


1), 


8 


27 


IS 


8 33 


2^ 8 3S 




Olíváçs . . , 14;-* 


li. 
1). 


3 

4 


30 

33 


X 1 
7 


8 42 
8 SI 


^8 44 
2 8 53 




poço fio Bispo,, ,* '4.' 




LISBOA ^ í.' 


D. 4^ 


37 


7 


9 


- 




CaniUolo ti." G — de larde 1 














T. 




T, 




LISBOA ^ .,,,..*. 11.' 


K. 


- 


- 


- 


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- 


4^^30' 




Pfiro dtí Bispo ,, 


■1/ 


lí. 


4 


4 


9' 


4^39^ 


^f 


4 41 




OJivats , 


4/ 


I>, 


4 


7 


8 


4 49 


2 


4ol 




Sacíivcm 


4/ 


c. 


3 


10 


7 


.4 m 


2 


a 




Ptn 0.1 


4/ 


E. 


8 


18 


15 


5 113 


2 


^17 




Ahf*rL*a , 


5,- 


I). 


a 


22 


9 


5 26 


2 


5 28 




AThaiJíirf» *; _ , , 


3/ 


\i. 


5 


26 


9 


a 37 


4 


5 41 




VÍ11.T Frnnca . , ,, 


3.' 


E, 


5 


31 


a 


5 50 


3 


5 53 




Cíirrrgaílo ..,,.. 


3,' 


K. 


7 


37 


13 


6 6 


— 


— 




< Esíaff>^ ffOíirftf úfi ííiflc/iínaj íon 


mm agua. 




VV Cruutmmíf^s. 




l 


J?:^:;':;;.»!-^^-'''-"*-^-'^' 


)s comboio t. 



CAMINHO^ DE FEEKO 



301 



Cp>lBOIOS KSPEC1AES E>'TRE PORTO E COIMBRA 

N.'' 2 ~ Parte de Coimbra ás 7'' da manhan 
N.« 5 — Parte do Porto ás 3*'7', da tarde 
CotiaM»io n^° g — rt ^ ifiiànitan 



Nomcâ 



COIMBRA Ç , , , . 

Somei Ma , , , , 
Mealhada , , . , 
Mogofores *í . , 
Olheira doB.iirro 

JtVEIHO I 

Estarreja -;-;- ^ ,. 

OVÀH ^ ,,,,.*. 

Esmoriz 

D Espinho , 

Grnnjíi ....,,, 
VallAfinrcs ,, . . 

VÍUA N, DE GAIA ? 

cioiwi tõ 

VIU A N. HEGAU^ 

Valladarcs 

GríinJB 

Espinho 

Esmoriz _ , 

OTAB í 

Esíorrcja 

AVEÍBO ^ TV . . * , 

Olivcirii d u Bairro 
Mogaft>roi ^ . , , , 

Mcalhiirin 

SouzelJas 

COIMBRA í 




304 



CAMINHOS DE FERRO 



HaTBOMCàllBIlíTO 

€«iiU»aia ii.«4-*^dUMriio 

Paf te àn 11^ 40 da manhatii 



KstfLçõea 



>?tjmes 



Dímtancisi 



íâl_ 



R>TEIOKCA1IENTO 5 U^^D 

ThoGK(Paya!vo);fl|/D. 
Chyo de AJarans, . Í.*D. 
TuniH*» de Úú^. 
Cncharias ^ ff . , 4;*Jl>, 
TÚQOel de t>7o^ 



Albergaria ' 

Vermoilí 

POMBAL fv 

Souie í 

ForiDDselba* .. .. 
Taveiro *. *.<... 

COJMflftAl tt 

SouzeIJas 

Mealbadaft ., ,. 
Mogorores * , . , . 
Oliveira do Bairro 
AVEIBU ^ 7v -. . . 
Estarreja 

o^^a Itr 

Esmoriz ,.,..,., 

Espinho 

Granja 

Vallariaresfi 

VILLA Si. BEOAIA f 



D 
O 
U, 
D 

3/ÍD, 

2.' D. 
B. 



a. 

4. 
2/ 

3 



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4*1) 

i.'b 



I 



107 
121 

130 



- ,11^25' 
19 U 26 



140 



20 



150 22 



16^ 



21 



170 15 



186 



2B 



202 30 



15 
1 



21 Ji 
91 (j 
225 



20 i 
12 i 

2371 22 
^45 16 
ââ3 14 
273135 
25 
24 
20 



288 
301 
312 

321 

328 
333 



12 47 



T. I 

1 13 

1 m-\ 

i 57 
S3 28 
3 a 
3 24 

3 37 

4 1 
4 24 
4 43 

O 
36 

6 
32 



6 5<i, 

7 13 
7 29 

7 40 

L 



11 ''40' 
12 7 
12 27 



12 51 

T. 

1 14 
i 42 

2 O 

2 32 

3 4 
3 25 
3 47 

2 
26 

4e 

1 

41 

8 

36 

58 



7 15 
7 31 



CAMINHOS DE FEREO 



305 



AO VORTO 

Farto ás 11^ W da noitte 



s 






.í 


Observações 


'S 


? 


bo 


12 




e 


IP 


• ea 






ed- 




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Comboio n.° 4 


23' 


12 3 


2 


12^ 5 


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16 


12 21 




12 '22 


cruza com 


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- 




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n.°21 era Cacharias 


30 


12 42 




12 46 


n.** 3 Qm Pombal 


« 


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n.*» 5 cm Aveiro, . 




M. 




III. 


n.° 7 cm Ovar 


23 


1 9 




1 10 


n.'»21 em ValladaTes 


i8 


: 1 28 




1 29 




i3 


1 42 




143i 


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33 


2 ^ 




2 10 


Comboio n.^ 8 ' 


36 


2 36- 




2f37 




IS 


2 52 




2 53 


cruza cora 


11 


3 4 




3 9 


n.* .7 em Thomar 


13 


3 22 




3 23 


n.*:2G em Coimbra .; 


19 


3 42 




3 43 


n.* 21 na Mealhada 


13 


3 56. 




4 


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12 


4 12 




4 13 




29 


4 42 




4 46 




22 


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5 9 




20 


5 29 




5 33 




17 


5 50 




5 51 




12 


6 4 


6 5 




13 


6 18 




6 19 




9 


6 28 


- 


- 





306 



CAMINHOS DE FEBBO 



BNTRONGAHKNTO 

Comboio »•• 41 --«lamo 

Parte ás iV" 41' da uaiilum 



Estaçoefe 





m 
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BB 
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3 


Nomes 


m 

1 


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Dlstdncids 






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Barquinha *..... 


3/ 


D. 


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11 50 


2 


11 52 


I^raia tf 


4/ 


D. 


9 


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16 


12 8 


2 


12 10 


Ponte dó Tejo SOO"' 


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Tramagal 


4,' 


D. 


12 


130 


23 


12 33 


2 


12 3S 


áBiiNTES ) *. .. 


2* 


E. 


6 


135 


12 


12 47 


10 


12 S7 


Betnposla 


4/ 


E. 


1^ 


147 


22 


1 19 


2 


1 21 


Ponte dcSôrfli-i- 


4/ 


D, 


i7 


164 


35 


1 56 


4 


2 


Chança 


4/ 


D. 


21 


184 


34 


2 34 


1 


2 3S 


Crato í 


3.' 


D. 


16 


200 


26 


3 1 


4 


3 S 


FObTáLEGHE ^ f f 


2.^ 


E. 


15 


315 


25 


3 30 


5 


3 3S 


Assnmar f 


3/D. 


i3 


227 


22 


3 57 


4 


A 1 


Saneia Eulália .. 


3.*|e. 


I9l246| 


3i 


4 32 


1 


4 33 


Elvas! tt 


i.*Id. 


20 


26â 


33 


5 6 


15 


S 31 


BADAJOZ f 


2.'D. 


16 


282 


27 


5 48 


- 


-^ 



Caminhos de ferro 



307 



A BADAJOZ , . . ' 

CamlKkio n.v A— uoetarno 

Parte ás 12^ 35' da Adnte 



2 


3 

1 


1 


S 

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ObservaçSes 




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11''28' 


67 


12''3S' 


Comboio ij.M 


8 


12 43 


;1. 


12 44 




14 


12 58 


1 


12 59 


cruza com 


- 


- 


- 


-. 


n.''^! na Praia 


17 


4 16 


1 


1 17 


Q.^ 3 em Ponte de Sòr 


9 


1 26. 


8 


1 34 




19 


1 53 


1 


1 54 


Comboio n.» 8 


34 


2 28 


.4 


2 32 




33 


3 5 


i 


3 6 


cruza com 


25 


3 31 


.4 


3 35 


n.^ 7 no Entroncamento 


ii 


3 59 


5 


4. 4 


n.^^SS em Ponte de Sôr 


20. 


4 24 


. 1 


4 25. 


n/ãl em Portalegre 


26 


4 51 


1 


4 52 


n.^" 20 em Elvas 


27 


5 1». 


15 


5 34 




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-„£fiau 


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14 



308 



CAMINHOS D£ FERBO 



rORTO AO 

♦ t 

Comlioio «•<» 3 — dlvruo 

Parte ás BH7' da mmxhan 



Ejstações 



Nomes 



Duiaociu 



Q 






VIILA y. HIE GAli^l ' 

Valladarcs . . 

Graaja 

Espinho «. « ^ 
Esmoriz . * • 

OVAE í tf ., 

Estarreja tt 

AVEIRO 5 . ** 

Oliveira do VairroU.' 
MogofoTcs 5 * • • * ^'' 

Mealhada I2. 

Soutellas . , , _ _ l4. 



,13. 
■r- 



CQ1KBBA f . , 

Taveiro , , , , 
Formoselba . 



Soure 5 í» 

FOMFALff 2 

Vermoil 5 — ■ ■ 
Albergaria <- ., 
Túnnel de 6T5' 
Cacharias ^ . . 
Túnnei de 640^", . J - 
Chão de Maçans . . |4. 
Thom.íPajaWoJf-ijI, 

EWTRÔNCAMENT.Ítí-i. 



5 
8 

12 
14 
lê 
21 

8 

12 
8 

7 
10 

16 

16 

9 

12 

11 



12 

21 
32 

4 o 

60 

80 

88 

97 

108 

115 

122 

132 

U7 
163 
172 
183 

194 



203 
212 



8'' 26 

8 42 

8 59 

9 21 
9 49 

IO 16 

10 56 

11 11 
11 31 

11 55 

12 10 
12 32 
12 53 

1 25 

1 57 

2 15 

2 43 

3 6 



Si^lT' 
2 j 8 28 
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2 9 1 
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5110 21 
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1 12 33 

2 12 5S 

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3 
4 
1 



3 30 

3 50 

4 17 



1 29 

2 O 
2 19 

2 44 

3 10 



3 31 

3 52 

4 32 



CAMINHOS DE FERRO 



309 



ENTRONCAHBIfTO 

Comlioto n.^ '9 — mictiiriio 

Pane ás 6^ 36' da tarde 



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Observações 


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Comboio n.^" 3 


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craza com 


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n.<'2e2ÒemEstarr«ja 


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6 13 




6 14 


n.^ 4 em Pombal 


17 


6 31 




6 35 


n.^ã0e21 no Entroncam. 


20 


6 55 




6 56 




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7 18 




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7 54 




7 55 


Comboio n.*^ 7 ' 


12 


8 7 




8 11 


cruza com 


13 


8 24 




8 25 




18 


8 43 




8 44 


li.* 4 em Ovar 


13 


8 57 




9 2 


n.<> 20 em Pombal 


10 


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n.* 8 em Thomar 


15 


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24 


9 53 




9 57 




24 


10 21 




10 22 




18 


10 40 




10 41 




26 


11 7 




11 8 




18 


11 26 




11 30 




18 


11 48 




11 49 




14 


12 3 


2 


12 5 




20 


12 25 


12 


12 37 





312 



CAHINHOâ DE F£EfiO 



ENTBONCAMEI<rTO 

Comliolo !!•« 3 — atar no 

Parte ás à\ 32' da tarde 



Estações 


3 


i 


1 


1 
.1 . 


Nomes 


2 

ê 


1 


4 


ENTBONCAMENTO f 

Torres Kovas . , 
Matto de Miranda 
Valle de Figueira 

SANTABÍM f .. . . 

Valle de Santarém 
SancfAnna ff . . 

Reguengo 

Azambuja ^ 

Carregado 

Vi lia Fraoca .. ,. 
Alhandra f -, .. 

Aherca 

PoToa /. 

Sacavém 

OUvaes 

Poço do Bispo ff 
USBOÁ f 


1/ 

4.* 
4.* 
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6 37 

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7 25 
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7 45 

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8 12 
8 21 
8 30 


1' 

1 
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2 
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1 
2 
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3 


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4 42 

4 69 

5 18 

5 4S 

6 11 
6 33 

6 41 

7 
7 16 
7 28 
7 37 

7 47 

8 4 
8 14 
8 23 



CAMINHOS DE PEREO 



313 



V\\y.\^as h ^otU e Leste 

A LISBOA 

Comboio n.* ^ — nocturno 

Pacto ásiS^ 37' d« mnte 



Diatanc. 


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Comboio n." 3 


231 179 


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13 


12 59 




1 


cruza com 


249198 


17 


1 17! 




118 


n.'8noPoço dó Bispo 


258 


207 


14 


1 32 




1 37 




272 


221 


20 


1 58 


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Comboio n»"" 7 


278 


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crucarcom 


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2 18 




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ii."24em SancfAnTia 


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2 43 




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13 5 1 




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1 


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12 


3 25 


1 


3 26 




326273, 


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3 33 


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3 34 




329278 


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3 41 




3 42 




333282 

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7 


3 49 


- 


- 





314 CAMINflOS D£ FESKO 

Porto a BadaJoB 

Entra o yi^ante no comboio n.^ 7 (nocturno), 
C(ua parte de Villa Noya ás 5** 36' da tarde, e s^ae 
até ao Entroncamento, aonde passa para o comboio 
n.^ 8, que vae de Lisboa, e ás õ^b9 da manhan 
está em Badajoz. 



BadujM aa Porto 

O viajante toma logar no comboio n.*^ 7 (noctmiiio) 
que parte ás 6^1b^ da tarde, e no Entroncamento 
toma K^ar no comboio n.^ 8, que vae para o Porto, 
aonde chega ás 6^28' da manhan. 



CAMINHOg DS MUaO 31Õ 



Eslíicôes 



Cliegada 



Par lida 



LisnoA .,.,., 

poço do Biipo, ,. m* 

Olivaea .* ,, 

Síicnrem- .♦.,,,... 

Pairoa *,.,-- 

Alvrrca - ,, 

Alhandra, „ 

VilU rranctt .\ 

CarregBííí» . . , , * 

Asamhiija , > . . 

Púiile de Re^uíogd 
SanerAntia. , ,. „ ,, 

SáLMTAILKM «....«,. 

Valle de Fii^uelra -, 

Matto iJe Miranda. .. 
Torre» Noviir, , » . ^ , 

Tíioiuar (Pavalvo).. 
Cbilo de UaçHiig. . .. 

Cacharias .. # 

Albergaria** *,..., 
Verinoil «.., ,p ,..> 

POMBAL É . 

Soure ....^i. 

Formoãelba ....... 

Taveiro .. * < 

COLMIRA.. ..,,».,, 

Soii^llat 

MealJu^ida ^é ^. 

Mogofore» » 

OJjveira do Bairro. . 
AvEino ........ ^. 

Ediarreja ...,....* 

OVAR ,,,..,,, 

Gsmorà .* 

Granja . •> , 

Vallfldare* .... 

VILI^A íiOVA BB akTà. 



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316 CAmN&Oa D£ FERBO 

MERCA IH) RIAS YOXVO & lt\%\)0(lki 



E&íacSeiJ 



Chegada 



Partida 



VlhLA NOVA DE GAIA 

Valladftrei • . . . ^ . * . 
E^morix 

OVA R * , p . 

EaUrreja 

Avcmo 



Qlívoíra do Bairro. 
Ma^aíi>refi ,,..,», 
Me«lhât!a .,,,... 

Souíp|]a:i 

COIMBaA,, ,. 

Taveiro 

FíjrnaoMlha 

SaurQ ,,..,,..»... 

FOMRAL ,.....,.. 

Vermoil , 

Albcr^nría ,,,,,,. 
Cacharias ,.. *. ,^ , 



Chão de Maçani^^,, 
TbotBftf (PftjaUo),, 

EHTROríCAWEítTO 

Torra* Novas ,*,,,. 
Matlo de Mifanda .. 
Valle úe Figueira . , 

aA»TAElH 

SaDcrAiina,«.. ..,. 
Paata de Reguengo 
Aiambuja .. . ^ »> ,, 

Carregado 

Yilla Fraaca , 

Atbandra . ,. *< 

Alverca 

Povoa* < . . w . . « , . . 



SacaveiUi . . . , , 

Olivaeâ 

Pqço do fijspo 



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5 


55 


6 


35 


7 


35 


8 


3£ 


8 


54 


9 


ãO 


10 


45 


JJ 


20 


11 


55 


l㣠


15 


líJ 


3õ 


T* 


l 


11 


1 


30 


1 


57 



CAMINHOS DE FEBBO 



317 



MBBCADOBUS — L\«\K>a al&QÀa^o% 



Estações 



Comboio n.<» 20 bis 



Cbegrada Partida 



Comboio n.° 24 bis 
Supplementar ' 



Chegada Partida 



LISBOA 

Poço do Bispo . . . 

Olivaes 

Sacavém 

Povoa 

Alverca 

Alhandra ....... 

Villa Franca. .. .. 

Carregado 

Azambuja 

Ponte de Reguengo 



Sanct'Anna . 



SANTABEM 

Valle de Figueira 

Matto de Miranda 
Torres Novas . . . . 
xhtboncamento .. 

Barquinha 

Praia 

Tramagal 

abba^es 

Bemposta 

Ponlc de Sôr . . . . 

Chança 

Crato 






POBTALEGBE. ... 

Assumar 

Sancta Eulália. . 



Elvas .. 

BADAJI02 



5M5' 
5 40 

5 55 

6 30 

6 46 

7 4 

7 35 

8 8 



8 53 
10 7 

10 33 

11 35 

12 30 

T. 

1 12 

1 55 

2 20 



4 
5 
5 
6 
8 
9 
11 
12 



35 
8 
56 
20 
2 
7 
5 
6 



1 14 

2 15 

3 25 

4 40 

7 28 



JM. 

5^ O' 
5 28 

5 44 

6 O 
6 34 



6 48 



20 

50 



8 21 

9 40 
10 10 

10 43 

11 55 

12 32 

T. 



4 20 



4 
5 

7 

8 

9 

11 



40 

16 

O 

20 

7 

48 

8 



12 17 
áf. 

1 30 

2 25 

3 40 

6 30 



9^8' 

10 10 

10 48 

11 30 

12 4 
12 31 

12 49 
V. 

2 42 

3 22 



3 ?4 

4 2Í 

4 39 

5 5 
32 

7 



10 
2 



- \ 



9 12 
9 58 

10 55 

11 34 

12 54 

1 ^^ \ 



9^ O' 
9 10 
9 18 
9 26 
9 50 
10 O 

10 3(í 

11 iò 

11 34 

12 9 
12 31 

M. 

2 O 

2 52 

3 24 

3 56 

4 23 



6 36 

7 11 

8 12 

9 13 
10 8 

10 56 
12 O 
12 55 



318 



CAMINHOS DE FERBO 



MEBCAD0SIA8 — I&qAa^OX a \i\$V)OQ> 



Comboio 11.0 21 bis 



Estaçdes 



BADAJOZ 

1LVA8 

Sancta Eulália. 



Âssumar .... 

PORTALKGRB. . 

Crato 

Chança ..... 
Ponte de Sôr , 
Bemposta . . . . 

ABRANTES.. .. . 

Tramagal.. .. . 

Praia ....... 

Barquinha . . , 



EIITRONCAMBNTO . . 

Torres Novas .... 
Matto de Miranda 
Valle de Figueira 

SANTtREU 

SancfAnna 

Ponte de Reguengo 
Azambuja 

CABREGADO 

Villa Franca . . 

Alhandra 

Alverca ...... 

Povoa 



Chegada 



Sacavém .. .. . 

lOIívaes ...... 

Jpoço do Bispo 

ÊLiSBOA 



10^20' 
12 30 



1 

3 

5 

6 

7 

9 

10 
11 

11 42 

12 45 

T. 



10 
55 



5 45 

6 33 

7 15 

8 22 

8 52 

9 18 
10 30 



7 
37 



12 12 
là 30 

M. 

1 7 
1 24 

1 43 

2 10 



Partida 



T. 

9''20 

11 20 

12 47 



2 20 

4 10 

5 25 

6 36 

8 10 

9 20 

10 40 

11 5 

12 15 
12 55 



8 32 

8 54 

9 50 

10 45 

11 20 

11 55 

12 15 
12 35 

M. . 
1 11 

1 30 
1 57 



Comboio n.'' 25 bis 
Supplementar 



Chegada Partida 



8M8 

.9 28 

10 22 
il 9 

11 57 

12 58 

2 O 

3 27 

4 3 

4 36 

5 .11 
5 59 



6 19 

6 45 

7 12 

7 46 

8 20 

9 24 

10 53 

11 20 

11 51 

12 11 
12 28 

1 3 

1 29 
1 39 

1 52 

2 4 



7»» 30' 

8 28 

9 29 

10 32 

11 10 

12 12 
12 59 



35 

28 
18 
37 



2 
3 
4 

4 

5 33 

6 3 



29 
46 
16 
.50 



8 42 
iO 35 

10 57 

11 21 

11 52 

12 12 
12 38 

1 4 
1 30 



1 42 I 



CAMINHOS DE FBBBO 319 



SERVIÇO DAS LINHAS DE SUL E SUESTE 
ATÉ 30 DE ABRIL DE IB65 



Évora a Beja não ha. 

O passageiro, que quizer hir de Évora a Beja, 
parte no comboio n.° 3, que sáe de JÈvoía ás 9*30' 
da marihan, até á Casa Branca :• ahi espera^ peto 
comboio n.® 2, que chega do Barreiro á 1^12f; 
parte para Beja á 1^22', e chega ás '3^.42' da.tard^. 



Beja a Évora não ha^ 

O passageiro que quizer hir de Beja a Évora, 
toma logar ás 8^ da manhan no comboio ri.** 3 até 
á estação da Casa Branca, aonde chega ás 10^26'': 
ahi espera pelo comboio n.^ 2, que chega do Baí^ 
reiro á W2*; KV depois parte para Évora, aontfc 
chega ás 2'»12'. ■ 



820 



CAMINHOS BE FERRO 



Sfc^niko àia% VmWs ^t SuV e Sue%U 



Bstações 



Nomes 



Distancias 

9 S 
d 5 
«43 






•ca 

I 

o 

I 



LI8BOA (Vapor) 

Barreiro 

Lavradio . . . . 
Alhos Yedros». 

Moita 

Pinhal Noto . . 

Poceirão 

Pegões 

Vendas Novas 
Montemor . . . . 
Casa Branca . . 
Alcáçovas .. •• 

Viana 

Villa Nova 

Alvito 

Cuba 



BEJA 



2 

5 

8 

15 

^0 

42 

57 

75 

90 

lOS 

110 

17 

125 

137 

154 



5' 

6 

8 
16 
30 
20 
38 
30 
30 
30 
12 
12 
18 
25 
30 



9^ 5' 
9 13 
9 22 
9 40 
10 15 

10 40 

11 20 

12 40 
1 12 

1 52 

2 6 
2 20 

2 40 

3 9 
3 42 



2" 
1 
2 
5 
5 
2 

50 
2 

10 
2 
2 
2 
4 
3 



7*» 45' 

9 O 

9 7 

9 14 

9 24 

9 45 

10 20 

10 42 

12 10 

12 42 

1 22 

1 54 

2 8 
2 22 

2 44 

3 12 



Ml 



BEJA 

Cuba 

Alvito 

Villa Nova . . . . 

Viana 

Alcáçovas .... 
Casa Branca .. 
Montemor . . . 
Vendas Novas . 

Pegões 

Poceirão . . . . 
Pinhal Novo . 

Moita 

Alhos Vedros . 
Lavradio . . . . 
Barreiro . . . . 
LtfBOA (Vapor) 



17 

29 

38 

45 

52 

64 

79 

97 

112 

124 

139 

146 

149 

152 

154 






8»>30' 

8 59 

9 24 
9 38 
9 52 

IO 20 
U 2 
U 30 
12 28 
12 52 



8^ O' 

8 34 

9 4 
9 26 
9 40 
9 54 

lÒ 36 

11 4 

12 O 
12 30 
12 56 

1 32 
1 50 

1 59 

2 7 



^ \^ 



Caminhos ds ferbo 



321 



aU SO ii i\)nV àfc 1^6^ 

Barreiro a Évora — Parte ás 9^ da manhan 



Eistaçue^ 






1 


1 






Dist^ncuí 






Homes 


o 




s 


o 

1 




1 


IH 

■t 




i 


M^ 


^ 


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0, 










M. 




JH. 


LISBOA (Vapor) .p 


- 


- 


- 


- 


- 


- 


7HS^ 


Barreiro , ,,,-., 


E. 


_ 


^ 


_ 


- 


- 


9 


■ Lavradio , 


i:. 


2 


2 


5 


9'' S' 


2' 


9 7 


Alhôs Vedros . ., 


E. 


3 


5 


6 


9 13 


1 


9Í4 


xMmta 


D. 


3 

7 


15 


1 B 
16 


9 22 
9 40 


2 
5 


9 34 
9 45 


iPitihai Novo *. .. 


iPoceirao . *. , . ,p 


E. 


lã 


30 


30 


10 IS 


5 


10 20 


Pegões 1 ,, 


£< 


iâ 


42 


âo 


10 40 


â 


10 42 


Vendas Novas ., 


D. 


15 


57 


38 


11 20 


50 


12 10 


Montemor 


E, 


19 


76 


30 


12 40 


2 


12 42 


Casa Branca .... 


E. 


15 


91 


30 


1 12 


10 


122 


EVOHA 


E. 


26 117 


50 


2 12 


- 


- 


Évora ão Barre 


iro — Parte ás 9''30 da manliaii 






1 




*. 




iV. 


EVOBâ . 


'd. 




1 


- 


- 


_ 


9^30' 1 


Cosa Branca . . . 


D. 


26 


20 


56' 


1046' 


10 


10 36 


Morilemor 


D, 


IS 


41 


26 


fl 2 


2 


11 i j 


Vendas Novas , . 


E, i 


Í8 


59 


26 


11 30 


30 


12 


Pegões 


b. 


15 


74 


28 


12 38 


2 '12 30 1 


Poceírao ,...,,. 


D. 


12 


86 


22 


12 52 


4 12 m i 


Pinhal Novo .... 


E 


15 


101 


30 


t 26 


6 


1 32 


Moila 


D. 


7 


108 


ir> 


1 48 


2 


1 50 


Alhos Vedros 


D, 


3 


111 


7 


1S7 


2 


1 59 


Lavradio., ...... 


D. 


3 


iU 


6 


2 5 


2 


â 7 


Barreiro 


D. 


2 


117 


7 


2 14 


- 


- 


usBOA (Vapor) ,. 


- 


- 


'. 




3 15 


- 


- 



322 



CÁHnmOS DE }B*E&BO 



LISBOA A SBTIJBAL K 



! Estações | 


Comlioio n.° 2 de manh. 


Nomes 


i 
1 


Díitancíw 




"^ 
2 

?- 


m 
m 

s 


cu 


5 

IH 

1 


LISBOA (Vn|íDr) ,. 

Barreiro . , 

Lavradio 

Aíhos Vedros . , , 

Moiía ' 

Pinhal Novo . . , , 

Palmclla 

SETÚBAL 


E. 

E 

E, 

E 

D, 

D. 

D. 


2 

a 

3 

7 
S 


2 
5 

8 
15 
23 

28 


! * 
16 

12 

14 


9^ S' 
9 13 
9 22 
9 40 
10 2 
10 18 


2 

i 

2 

10 

2 


M. 

9 
9 7 
9 14 
9 2* 
9 50 
10 4 


set(;bal 

Palmella 

Píohal Novo . . _ 
MoiLa ; » » 


E. 
E, 
D. 
D, 
D. 
D. 


5 

S 
7 
3 
3 
2 


5 
13 
20 
23 
26 
28 


12' 

14 

16 
8 
7 
9 


7^32 

7 48 

8 10 
8 20 
3 29 
8 40 

10 


2 
6 
2 
2 
2 


M. 

7""20' 

7 34 
7S4 

8 12 
8 22 
8 31 


/ilhos Vedros. .. 
Lavradio . ,,.... 
Barreiro , ,,,,.* 
LISBOA (Vapor) '* 




Coiiilioii}n.°ldemftnli. 



CAMINHOS PE F£BBO 



323 



ali 'ÀO àe, K\>ú\ ^^ \S6o 

VIGE VEBSÀ 



i Comboio n." 6 de tarde^ 




j 

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1 *« 


se 

ca 


1 


•?3 


Observações 


e 


§? 


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1 S 


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CU 


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T. 




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4M' 


Setúbal a Beja ou Évora 


« 


- • 


- 


5 10 


não ha. 


5' 


sMs' 


2' 


5 17 




6 


S 23 


2 


5 2S 


passageiro, que qui- 


8 


5 33 


2 


5 35 


zer seguir de Setúbal para 


15 


5 60 


10 


6 


Beja ou Évora, tem de 


16 


6 16 


2 


6 18 


partir no comboio n.° 1, 


12 


6 30 


■- 


- 


ás 7*^20' da manhao, e 










cbega ao Pinhal Novo ás 
7H8': Espera pelo com- 




T. 




T. 

12H5' 


12 
14 


lai-sT' 

1 13 


2' 
19 


12 59 
1 32 


boio n.* 2, que chega do 
Barreiro ás 9H0', e parte 


16 


1 48 


2 


1 50 


para Beja ou Évora ás 
9Ho', 


7 


1 S7 


2 


1 59 


6 


2 5 


2 


2 7 




7 


2 14 


- 


-. 




- 


3 15 


- 


- 




Comboio n-^^d de tardo 



324 



CAMINHOS DE FERRO 



Barreiro ás Vendas Novas — Parte ás i^ da tarde V 



Estações 



Nomes 



LiBBOA (Vapor) 
Barreiro, , . , . 
Lavradio . 
Alhos "VedroB. 
Moita. , . , 
Pinhaí Novo 
Poceirao ♦ . 
PegOes . . . 

TELHAS WOVáS 



Diâtufucias 



H 



5' 

6 

S 

15 

sa 

22 
34 



O 



5M5^ 
5 33 
5 33 

5 50 

6 g3 

6 50 

7 «6 



Ti 

4H Qf 

5 10 
5 17 
5 S5 
5 55 

5 55 

6 S8 
6 53 



Vendas Novas ao Barreiío-- Parte ãs BW da manhas 



VENDA» NtlVAS 

PegBea , . 
PoceirTio . . 
Piívbal Novo 
MoiLa. . . . 
AlhosVcdroi 
Lfiv radio . * 
Barreiro, , 
LISBOA Vapor) 



E. 


^ 


B. 


15 


D. 


1« 


E. 


15 


D, 


7 


D. 


3 


D, 


3 


D, 


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8 ÊO 
B 29 
R 40 

ÍO 



S 



7 1 



3 , 7 fie 



7 54 
e 1$ 

8 ífi 



â ! 8 31 



Évora a Setúbal —Parle ás 9^30' da maubaii 



SVOBji , D. 

C*ítt BrancH , , . * D» 

Mooltnj<íf D. 

Vendas Novae . - , E* 

PfefiSea D» 

Pticeifao ....♦, D. 

Pinhal Novo .... E, 

Palmella D, 

SETuaiL I D. 



26 
41 

50 

Í4 

86 

101 



ÍI 109 
5 114 



«Cill tt 

il 30 

|£ 28 

Í2 5fi 

1 Sfi 

1 52 

S B 



10^ 

30 

I £ 
I 4 

I 6 



^I^SO' 

10 36 

11 4 
1£ O 
lâ 30 
18 56 

i 3« 
1 54 



CAMINHOS DE F£R£0 



325 



Beja a Setúbal — Parte ás ^ da manhan 



Estações 1 






r- 




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Dísuncij» 1 






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D 

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D. 


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D. 


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E. 9 


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Viana , . , 


D. 1 7 


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9 40 1 


Alcaçoías. ..... 


E. i í 


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IS 


g 52 


3 


9 54 1 


C&^& Branca .... 


D. 


IS 


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3£ 


10 36 


10 lio 3S 


MontenoíSr* . . » . . 


D. 


15 


79 


£6]U S 


3 11 4 


YKHDAEi AÚVAS . . . 


E. 


ia 


97 


sa 'li 30 


30il£ 


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D. 


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PoceirSo. ,*.*.. 


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Pinhal Novo * * * , 


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15 


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Palraella 


D. 


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147 


20 


1 5â { S 


1 54 1 


SBT^BAL 


D. 


5 (153 


14 


S 8 1 - 1 - 1 


Vendas Novas a S 


etubal — Parte ás 6i'30' da manhan | 










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1 M 1 


TKNDAH HOVAi * . . 


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Pegões . , . , p ♦ . 


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15 


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flETCBAL .*..*- 


D. 


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14 


10 18 


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Setu]}al a Venda 


s Novas — Parte a 545' da tarde | 












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BKTUDÂL 


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Pinhal Novo , . » . 


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TBNDAS NOTAH , , . 


D. 


15 


55 


34 


7 «G — 


— 



32S 



As ^ Sci! «c SoÊsse rcfiesicsiaEs 3&& parcoBâo 
iârâ id^ 1:144 kãknKGnHw a ^> pâr âânu 

£iim de 4:710 kaiwms. a 34 pv h 



Lcsce. I->3 per ^*, jl rsiãs ii coe 2as À» ài£ e 



332 



RAMAL DE SETÚBAL 

COMBOIO» A8CEI«DEIVVE« 





■ 

Ee tacões 


MIXTO 


Mercadorias 


Passageiro* 




N.'9 


N.^11 




Barreiro (parHãa) 

Lavradio 

Alhos VeíJros , , , , 

Moita 

Piulial Novo (>A eg a ã.) 
Itlem . , . (partida) 

Palmelia , 

Setúbal 


8^» 15' 
8 20 
8 27 
8 35 

8 50 

Ô 
íí 15 

9 30 


1^40' 

1 55 

2 10 


5»» '30' 
5 35 
5 m 

5 50 

6 5 
6 10 
6 25 
6 40 




« COMBOIO» DESCENDEMTES 


1 


E^taí^Ões 


Passageiros 
MnCTO 


Mercadorias 


Piíisageiro» 
N.* 12 




K.*lO 


Á 


tíetubal , . (parlida) 

Peloiella . . , 

Piulld] ^Q\o (ckrgad ) 
Idem . . . (partida) 

Moita 

Alhos VedroB . . , . 

Lavradio , . . 

Barreiro (chtgaâa) 


8»> 20' 
8 35 

8 50 

9 5 
íl 22 
9 28 
9 35 
9 40 


12^ 50' 
1 5 

1 20 
1 35 
1 50 

1 58 

2 5 
2 10 


4»' 15' 
4 30 
4 45 

4 50 

5 10 
5 18 
5 25 
5 30 



4 Pdcó lia Aíàpo 

T I 0Liva«9 
to 7 :i Sacavém 

IS 11 tí 8 Povoa 

aa 19 1,5 13 
n n 20 17 

31 ti SI S) 

37 33 30 «7 

47 41 II n 

Un ul .|g 45 

01 fn SI SI 

m 

77 
87 
90 



QCias kilometricas a pagar 
I linhas de Norte e Leste 



Gíi 
73 

8n 
107 m m 97 

Hl 118 lli 1iâ 



84 

94 

103 



71 
81 
91 
09 



SAI 

9 
13 
19 
30 

43 

B7 



PASSAGEIROS 

(por kilomçtro^ 

l.»Claíiee 18,00 

1 í' • 14,70 

9B.' . 10^50 

È 

e 



i i 

8:) 

89 
101 



130 na 131 120 li:i h^^ de Magas 
líO 130 m 130 láa li<J Cacliarías 




í 
<o 



1 láa ijo 

I 132 If» 

111 ÍP 



no no un ISO 
102 ifi8 15:; 153 .,, . 
17ÍJ lOB 103 ifio m ifi 

180 182 179 170 108 W 
«02 198 19íi 132 ISI 1 

a li ana %mmi isi i 
ai« 9n *ii aos 200 1 

ai"-» 2⣠219 21G 203 24 
437 213 210 217 219 2- - 
2S3 2il 238 23Ip 2ÍÍÍ 2 í ^^^ 
t:i3 2i9 2Í6 213 23:i 2 f líi 



20 
32 
10 
Hl 
GO 

*.,.. ^ r ■- ^" 07 

273 270 2ti6 204 2-Í6 2 i ^"^S ^^l 112 lOi 88 
28g 284 281 278 270 2^ HO 139 137 IH 103 



11 Alberíjaria 
23 12 Vermoíl 
2] S Pombal 

23 16 Soure 

40 

rio 



37 
52 
G2 
68 
76 
87 

n 



S2 

42 
48 
GO 
G7 
76 
83 



U Formo^elba 
10 Tavcíro 



301 298 294 292 28 i 2^ 
312 309 300 303 29o W 
321 317 311 311 303 2 
32S 32^^321 319 311 3j 
333 329 320 321 31íi 3l 
llt 107 10Í 101 93 
119 115 lli 109 101 
130 120 lá3 120 lli 
135 132 129 126 118 1 
147 143 lio 137 liií 
101 100 157 154 lio 
184 181 177 175 107 
too 190 193 190 18i 
215 21 1 208 203 197 
Si7 2Ji 2i0 21^ 210 
230 iàS 
23G 2iS 

Síí3 t:8 275 n% ifil 



17 
21 

33 
44 
52 
72 

87 



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41 

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77 

90 

101 



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33 
30 
71 

81 
9S 



215 211 208 20^ 

/2i7^íi fid 2P 
ifn fi3 239 231 
sm 2 ;f ir>9 23í 
«JMI «k^U Q^K 4*} 



102 132 140 132 líG 100 
173 1U3 151 H3 127 111 
182 172 160 151 m 12(> 110 fOI 
189 179 167 159 143 127 117 l!l 
194 183 172 103 117 133 122 115 
37 47 59 08 83 09 109 113 
07 70 91 107 117 tl3 
79 87 103 119 129 m 
84 92 108 12i 134 140 
95 104 120 135 145 152 
90 100 lli 121 130 152 102 168 
111 121 133 141 157 173 183 189 
m 137 148 157 173 188^98 205 
111 151 163 172 188 203 213 219 
154 lÊi 176 184 200 216 226 232 
173 183 195 203 219 233 245 251 
\m Wi IXK ^m ^^ '^A 1U t70 

^n Vl% lu ^iaa \\^-msXi\^§si, 

^2fò% %\% 2aft ^^^ ^A '^i^ ^afò '^fc 







Barreiro 

2 Lavradio 
5 3 Alhos Yedro9 
6 3 Moita 



8 
15 
23 



30 
42 
57 
75 
90 
102 100 



10 
18 
23 
25 
37 
52 
70 
85 
97 



7 Pinbal No^vj 
15 8 Palmei! 
13 5 Set«| 
23 M 
35 W 
50 M- 
68 78 
83 » 
95 100 



15 
27 
42 
60 
75 
87 



110 108 105 102 95 103 lOf 

116 114 111 108 101 109 114 

117 115 112 109 102 110 115 
125 123 120 117 110 118 1» 
137 135 132 129 122 130 135 
154 132 149 146 139 147 15* 



taibrA 

Souzellas 

12 Mealhada 

20 9 Mogofores 

28 17 8 Oliveira do Bairro 

48 37 29 21 Aveiro 

6«k 52 43 36 15 Estarreja 

76 65 57 49 29 14 Ovar 
, 87 76 68 60 40 2o 12 Esiii< 

96 85 76 69 48 3i -20 9 
103 92 84 76 56 41 27 IS 
108 97 88 80 60^45 32 21 
123 134 143 150 171 185 199 210 
131 142 151 158 179 194 207 21g 
142 153 162 170 190 205 218 229 
148 159 167 175 196 210 224 235 
159 170 179 186 207 222 235 246 
176 187 196 203 224 239 232 263 
197 208 216 22i 244 239 272 284 
212 223 232 239 260 275 288 299 
227 238 247 254 275 290 303 314 
240 251 239 267 287 302 315 327 
239 270 278 286 306 321 334 345 
278 289 297 305 326 340 854 365 
S88 800 308 816 83$ 351 364 37IV 
S9i 308 314 82í 8i% 356 870 381 



3S5H5aSH5H5H5E 
[letricas a pagar 
> Sul e Sueste 

;eiros 

3m.otro) f{] 

.. .. 25,20 m 

.. .. 18,90 m 

•. .. 12,60 ffi 

lasasHsasHSHSHsa 



^1' a distancia de um 
O, traça-se uma linha 
■ desde a 1.» estação, 
ontal desde a 2.« : no 
3 acha-se o resultado. 

tEUPLO 



.Abrantes 



nar 
anel 



'fulalia 



SECÇÃO DE ANNUNCIOS 



Supprimimos esta secção por duas razões: 
1.* Porque o geral dos negociantes ainda nao conhece a 
ínveniencia, que p<5de provir aos seus estabelecimentos, 
indo auQunciados nas obras doeste género. 
2.* Porque, infelizmente, aquelles qne a conhecem, têm 
do tão escandalosameTite logr<xdo8, que por isso justificada- 
ente desconfiam de tudo. 

Estas duas razões são sufficientes para provar que tentar 
)ter annuncios nos nao daria honra nem proveito, e poi* 
80 resolvemos esperar duas cousas: 
1.* Ver se a acceitaçao que a nossa obra tiver do publico 
sufficiente para animar os annunciantes. 
2.» Dar tempo aquelles que o nâo têm feito para reconhe- 
irem que o annuncio feito 'numa obra doesta natureza tem 
ui diversas conveniências do que os que sâo feitos rios jor- 
les, porque estes sâo lidos por tim limitado numero de in- 
viduos, e no dia seguinte já se nâo sabe d'elles, em quanto 
le aquelles estão todos os dias á mâo, ou acompanham o 
ajante para toda a parte. 

Pica portanto reservado para o anno futuro o angmento 
esta especialidade para aquelles que d'ella quizerem usar. 



CONCLUSÃO, 
PEDIDO E AGRADECIMENTO 



Concluiremos a noasa tarefa^ prestando algumas explica- 
çoesy fazendo um pedido, e dando diversos agradeoimentos. 

Como os leitores encontrarão indicado no texto dã obra, 
tencionaTamos illustrar as capas do nosso Roteiro oom as 
p:ravuras da estação do Barreiro e da ponte do Tejo. 

'Nesse intuito mandámos fazer as competentes chapas á 
▼ista de umas gravuras com que deparámos no interessante 
jornal Archivo Pittoreeco, sem que nos passasse pela lem- 
brança o direito de propriedade, 

Recordámo-nos d'isso quando as chapas já estavam prom- 
ptas; e foi então que nos dirigimos ao escriptorio d*aquelle 
jornaly para pedir a competente licença de rejproducçSO; mas 
conhecendo logqpyrrkoniemo no direito de prapriednide, epor ■ 
isso, em logar de pedir licença para usar das nosças chapas, . 
pedimos que nos vendessem as suas, porque assim nos ficava 
o direito de usar das nossas, visto que as outras deviam es- 
tar cançadas; mas recusaram-se a isso. 

Nâo desistimos do nosso intento, e voltámos lá seguilda 
vez, propondo que nos imprimissem as capas; mas também 
se recusaram a isso. 

Tivemos portanto de abandonar o nosso projecto, ficando 
com a despesa feita, sem proveito. 

Fomos porém mais felizes com o mappa; porque, tendo j 
também reduzido a Carta de Portugal, do. sr. E. A. de Bet- ' 
tencourt, ao ponto em que a offerecemos aos nossos leitores, 
sem nos lembrar que iamos atacar o direito de propriedade, 
dirigimo-nos ao sr. Bettencourt, quando já estava a tiragem 
prompta, e elle com a maior franqueza e pralhardia nos con- 
cedeu a licença que soUicitámos, pelo que lhe repetimos aqui 
os agradecimentos que então lhe dêmos. , 

Podemos avançar que a xeduei^^o está com a maior exac- j 



coNCLUsSo 335 

tidào, porque a fizemos com todo o cuidado; e o sr. Palha, 
gravador geodésico, a quem encarregámos a reprodução, f ea 
este trabsdho com a mais escrupiúosa certeza; comtudo fal- 
tam muitas cousas, que nos vimos obrigados a supprimir, 
sendo a mais essencial a divisão de concelhos; e por isso 
aconselhamos aos amadores que comprem a Carta de Por- 
tugal do sr. Bettencourt, porque a perfeição da obra, o o 
diminuto preço de 720 réis por que ella se vende, convida a 
isso. •, 

Nâo perderam porém muito os leitores com a falta das 
duas gravuras, porque, se a nossa obra tiver a acceitaçâo 
que esperamos e desejamos, publicaremos regularmente um 
Boieiro em cada anno futuro, dispondo as cousas por forma 
que em fins de dezembro esteja prompto para ser distribuído. 

Para então reservamos o indemnizar amplamente os nos- 
sos leitores da falta que tiveram agora, enriquecendo, não 
as capas, mas o texto da obra, com gravuras, representando 
vistas de povoações e monumentos de maior consideração no 
paiz. 

Ajude-nos o público, que nós procuraremos cumprir fiel- 
mente a nossa missão; e para isso priítcipiámod fazendo o 
seguinte 

PEDIDO 

Poucas sao ag localidades em que deixe de haver um ou 
mais individuos conhecedores de quanto ha^nellas de bom, 
e desejem que sejam conhecidas e nâo fiquem no olvido. 

A estes rogamos o especial favor de nos remetèer quantos 
dados, informações e esclarecimentos julguem dignos de oc- 
cupar um logar no Hoteiro para elucidar o viajante, e que 
egualmente nos indiquem qualquer inexactidão, que encon- 
trem no presente, para a corrigirmos no futuro. 

Como alguém poderá persuadir-se que fazemos este pedido 
para nos poupar a trabalho, vamos apresentar dois exem- 
plos, que provarão exuberantemente não ser esse o motivo: 

1.*» Quando resolvemos compor a presente obra, nâo só fo- 
mos pessoalmente a muitos pontos, como também pedimos 
apontamentos e informações para toda a parte. 

Dirigimo^nos aos amigos e conhecidos, e até a immensas 
pessoas que nâo conheoiamos, e fomos muito mais coadjuva- 
dos pelos últimos do que pelos primeiros^ como se vê no fa- 
cto que registramos no artigo Votiga, por ca,usa da barra de 
Aveiro. 

2.° Também fomos a Évora, onde obtivemos informac^joe^ 



336 coNCLUsSo 

que julgávamos muito competentes; mas lia poucos dias de- 
parámos com um artigo na Fdha do StU, que nos mostrou 
o contrario, visto que nâo nos disseram haver *naquella ci- 
dade uma bibli^heiea com objectos dignos da apreciação de 
muitos viajantes^ èomo indica o mesmo artigO; que passamos 
a transcrever. 

«Na bibliothecá {)ública doesta cidade ha muitos dos mais 
antigos livros que se imprimiram nas cidades em que pri- 
meiro se estabeleceu a typographia. 'Numa pequena sala, a 
que chamam gabinete central, estão depositados alguns 300 
volumes, impressos, pela maior parte, no século xv. Sâo 
quasi todos em latim, mas ha alguns em portuguez, como o 
AJmanack de Abrahão Zacuto, publicado em 1496 em Lei- 
ria; a celebre Vita Christi em 2 volumes, publicados em Lis- 
boa no anno de 1495; os Autos dos Apóstolos (único exemplar 
de que ha noticia), publicados em Lisboa em 1505; o Can- 
cioneiro Geral de Rezende, Lisboa, 1516; o Sacramental de 
Crimente Sanches de Vercliial, Lisboa, 1502; etc. 

«Entre os livros latinos ha alguns de inestimável valor, 
e entre estes o segundo volume da bíblia impressa na cidade 
de Moguncia por Gruttemberg, pelos annos de 1450 a 1455. 

«Todos estes livros porém, que valem muitos contos de réis, 
estão em uma pequena casa sem ar e sem luz, muito húmida, 
onde nâo podem deixar de se deteriorar. Nem ha outro le- 
gar, em que se coUoquem, pela grande falta de espaço, cjue 
ultimamente se tornou ainda maior com o estado de ruina 
da sala septemtrional d'onde se tiraram mais de oito mil vo- 
lumes, que estão pelo chão nas outras salas da bibliothecá. 

<É para lamentai; que, havendo já mais de oito mezes que 
a mencionada sala começou a arruinar-se, não se dessem até 
hoje as providencias necessárias para *nella se fazerem os 
reparos de que precisai» 

Parece-nos que não restará dúvida da razão do nosso pe- 
dido; e por isso, aquelles que nos quizerem honrar com a 
sua coUaboração, basta sobrescriptar com o nosso nome 
para Lisboa. 

Como falíamos nas pessoas a quem pedimos cpadjuvaçâo, 
aproveitamos a occasião para novamente agradecer aquelles 
que nos obsequiaram; e se porventura deixamos de o fazer 
directamente a algum, esperamos nos seja relevada essa 
omissão, motivada pela confusão das nossas occupações, e nâo 
por falta de devida gratidão. 

Aproveitamos também a occasião para agradecer em ge- 
ral a todos oa empregados da imprensa da Universidade, e 



CONCLUSÃO 337 

em especial aos 111."'°' srs. Olyinpio Nieolau Ruy Fernandes, 
José Pereira Júnior, dra. Abílio Augusto da Fonseca Finto e 
Antoíiio Joaquim de Sá Mendonça e Adii&o Marques o zelo 
e boa vontade que empregaram para a publicação da nossa 
obra, e que nos obriga a mostrar-lhes a nossa gratidão, re- 
commendando aquelle estabelecimento a todos os que quize- 
rem fazer publicações com perfeição, aceio e economia; cir- 
cumstancias que os escriptores devem procurar reunir desde 
o principio até ao 



FIM. 



APPErVDICE 



Uma grave moléstia, que ha mezes nos martyrisa, tem de- 
morado a publicação do nosso Roteiro. 

Durante este tempo algumas alterações se têm dado^ das 
quács apontaremos, por essenciaes, as seguintes: 

SERVIÇO DE NAVEGAÇÃO A VAPOE DE LISBOA PABA O POBTO, 
MADEIRA, ALGABVE, AÇORES E AFRICA A pag. 87 iudicámOS 

O serviço da comjpanhia Luzitania. 

Esta companhia, que tem três vapores, Luzitania, Maria 
Pia e Lisboa, regularisou o serviço dos mesmos, pela seguinte 
forma: 

O Ludtania em serviço para o Porto, pelos seguintes preços: 

L* camará 61^000 réis; 2.» 4^000 réis; convés 2iíl000 réis. 

O mesmo Luzitania ou o Maria Pia uma vez por mez para 
a Madeira pelos seguintes preços: 

1." camará 27)Í;0(X) réis; 2.* 22iiõOO réis; convés 5^000 réis. 

O Lisboa para o Havre, uma ou duas vezes por mez, pa- 
gando-se de passagem SQÁQOO réis. 

N. B. Este vapor só tem uma camará (1.'); mas se por- 
ventura cm qualquer viagem for algum dos outros, pagarão 
em tal caso os passageiros que forem na 2.» camará 28|Í800 
réis. 

A companhia geral portugueza de navegação a vapor, que 
vciu substituir a União Mercantil, depois do que escreyemos 
a folhas 87 e 88, regularisou provisoriamente o seu serviço 
pela seguinte forma: 

Para o Algarve, a 1, 11 e 21 de cada mez. 

Para os Açores, a lõ de cada mez. 

Para a Africa, a 20 de cada mez. 



340 AFPBHDICE 

Os preços s2o os s^nintes: 

Algaire 

(sem comida) 



De Usboa a 


1.* camará 


2.* camará 


ConTés 


Sines 


4^400 
7^500 
8^000 
8^300 


3^800 
5^700 
61^400 
6j;800 


1^600 


Lagos e Portím&o 

FaioeOlhão 

Tavira. 


2^000 
2^400 
2^800 



Menores até 2 annos, grátis. 
» de 2 a 4 annos V4 
p de 4 a 10 n 1/2 



Comida 


1.* camará 




Almoço 

Jantar 

Ceiaoaehá 

Chávena de chá, café, ou caldo .., 


300 

600 

160 

40 


200 

400 

160 

40 



Açores 



De Lisboa a 


1.* camará 


2.* camará 


3.* camará 
(sem cama) 


Convés 


S. Miguel . . . 

Terceira 

S. Jorge, Gra- 
ciosa, ouFayal 


30^000 
32|;000 

34|;000 


26)^000 
28Í1000 

29ÍS000 


10^000 
11^250 

13^500 


6ií750 

8i;ooo 

lOíOOO 



APPBNDICE 



341 



Menores até 2 annos, grátis. 

» de 2 a 4 annos ^4 

de 4 a 10 . Vi 



Africa 



De Lisboa a 


1.» camará 


2." camará 


3.* camará 


Madeira 

S. Vicente ou S. Thiago . 
Príncipe ou S. Thomé. . . 
Ambriz ou Loanda .... * 

Benguella 

Mossamedes 


275ÍÍOOO 

724!000 

120,^000 

lõOíí^OOO 

leosíiooo 

170jí[000 


ISIÍOOO 
54sí!000 

90í;ooo 

110^000 

1205í;ooo 
130jí;ooo 


941000 
80ií(000 
40*000 
454Í000 
ÕOííOOO 
55#000 



Menores até 2 annos, grátis. 
» de 2 até 4 annos V4 
de 4 até 10 * 1/2 



Os preços sãa de cada beliche. 

Cada duas creanças que paguem meia passagem, e quatro 
que paguem um quarto, tem um beliche. 

O passageiro que quizer ir só num camarim, paga os outros 
logares que occupar, com o abatimento de 20 por %. 

Os passageiros do estado pagam menos um terço dos pre- 
ços geraes. 

Alem do que fica dito, julgámos conveniente fazer conhecer 
o seguinte 

Regulamento 

Art. l."» Nenhum logar se considera tomado em q^uanto « 
importância da passagem não for paga. A preferencia da, es- 
colna das camarás se dará conforme as datas em que os pas- 
sageiros se ajustarem e pagarem. 

Art 2.° O passageiro que deixar de embarcar só terá di- 
reito â restituição de metade da passagem que tiver tomado. 



342 APP£Ea>iC£ 

Art. S.^ Sal^-o ajuste especial^ nenhiim passageiro pôde 
ser accommodado num camarim só, em quanto hmiver logar 
para collocal-o com outros passageiros. 

Art. 4.® Os passageiros para maior distancia terão sempre 
preferencia na escolha dos camarotes em concurrencia com 
os passageiros dos portos intermediários. Esta regra, porem, 
não servirá para desaccommodar algum passageiro interme- 
diário cm quanto no navio houver desoccu^ado algum cama- 
rote egual. 

Art. b."* Quando no seguimento de viagem o passageiro de 
3.^ camará quizer mudar para 2.' camará ou d'esta para a 
1.* camará, pagará a differença entre o preço da passagem 
depois do ultimo porto jkm: que o vapor tiver feito escala até 
ao seu destino. * 

Art. 6.° Nenhum passageiro que nao tenha pago todoe os 
beliches de um camarim poderá occupar só efise camarim 
quando haja passageiros da mesma classe a aocommodar. 

Art. 7.' Os passageiros nâo podem levar para bordo para 
seu uso durante a viagem vinhos, aguas-ardentes, licores ou 
outras bebidas, havendo a bordo sortimento d'estes objectos 
por preços módicos. •• 

Art. 8.** A bagagem pesada, menos saccos de noite e caixas 
de chapéos, deve ser conduzida a bordo com antecedência, 
procurando os i^assageiros sobre este ponto esclarecimentos 
nas agencias. 

Art. 9.<> Mercadorias nâo são admittidas a bordo a titulo 
de bagagem, e todo o dinheiro, ouro e prata em- obra ou 
barra, jóias ou outros objectos de valor pagarão o^rete esta- 
belecido na tabeliã. 

Art. 10.» É permittido a cada passageiro de camará, livre 
de frete como bagagem, lun bahú, um saeeo de noite e «ma 
chapeleira, ou volumes equivalentes. Para evitar enganos c 
descaminhos, os passageiros terão cuidado de pôr letreiros 
com o seu nome e destinos em todos os volumes que lhes per- 
tencerem. 

Art. 11.0 Toda a bagagem que exceda o permittido,' pa- 
gará o frete de medição estabelecida na tabeliã da carga; 
])orem a companhia nâo pode sujeitar-se a levar taes excessos 
de bagagem sem declaração expressa no ajuste da passa- 



Art. 12.0 Encontrando- se a bordo qualquer objecto sone- 
gado ao pagamento de frete, pagará triplicado fretft; Se hou- 
ver connivencia de alguém de bordo será expulso do serviço 
(h companhia; tendo pago antes uma muleta de 10 vezeiso 



APP£afiDiC£ 843 

valor em que a lezaya. O mesmo se practicará a respeito de 
passageiro que porventura se encontrar illegalmente. 

Art. 13.0 ^em a companhia nem o navio se constituem 
respoínsaveis por qualquer perda, danmo ou demora de ba- 
gagem, sejam quaes forem as ciroumatanciaS). nem respon- 
dem eguaíxnente por volumes, jóias ou objectos preciosos, que 
pertençam aos passageiros^ quando nao tenhiun sido mani- 
festados como carga ou valores. 

Art. 14.° Nem a companhia nem o navio se consideram 
responsáveis por qualquer perda que os passageiros possam 
8o£&er por demora na viagem ou por aquellas que resultam 
de sinistros. 

Art. lò.^ Não «ao egualmente responsáveis pelas conse- 
quências que possam resultar dos regulamentos sanitários 
ou medidas de precaução tomadas pelas auctoridades, e que 
possam impedir o embarque ou desembarque doe passageiros. 

Art. IQJ^ As pessoas perigosamente doentes ou aâectadas 
de moléstias contagiosas assim como as em estado de demên- 
cia não podem ser recebidas a bordo como passageiros. No 
caso que durante a viagem se reconheça que um passa- 
geiro está af^tado de moléstia contagiosa, será desembar- 
cado a sua custa no primeiro porto onde houver lazaretto, 
por que o vapor fizer escala, logo que se reconheça a mo- 
léstia. Este passageiro terá comtudo o direito de continuar a 
viagem até ao seu destino em qualquer dos paquetes da com- 
pamúa, logo ,que se achar completamente restabelecido. 

Art. 17.<) £ prohibida aos passageiros a entrada na casa 
da machina ou no logar destinado ao commandante ou <^- 
ciaes de quarto, que não deverão ser distrahidos ou embara- 
çados no serviço a seu cargo. 

Art. 18.° Todos os passageiros devem comparecer á meza 
na occasiâo de serem servidas as comidas; exceptuam-se 
aquelles que por estado de moléstia devam ser servidos nos 
seus camarotes, e que o facultativo de bordo assim o julgue 
conveniente. 

Art. 19.° As horas em que devem ser servidas as comidas 
são: aos passageií-os de l.'^ camará almoço ás 8 i/2> jantar ás 
3 1/2, chá ás 8 ^2* '^^ passageiros de 2.' camará serão ser- 
vidas as comidas luna hora antes dos de 1.* camará. . 

Uma hora antes da indicada, serão servidas as creanças 
filhos dos passageiros. 

Os passageiros de 3.^ classe serão servidos á hora que o 
1.° commandauto julgar mais conveniente para regularidade 
do semço. 



344 APPEUIDICE 

Este serviço será ftimiinciado meia hora antes pelo toque 
de um sino. 

Art. 20.° Não épermittido aos passageiros fumar nos ca- 
marotes ou salões, mas sim sobre o convés no local para isso 
destinado pelo 1.*^ commandante. 

Art. 21.0 Qg passageiros de 3.* classe nao poderão ser ad- 
mittidos aos logares reservados para os de camará. 

Art. 22.0 Os criados dos passageiros somente poderão en- 
trar nas camarás ou camarins em serviço de seus amos, não 
podendo ahi demorar- se alem do tempo indispensável para 
esse serviço. , 

Art. 23.<^ As onze horas da noite todas as luzes dos salões 
e camarotes serão apagadas^ e só ficarão «as dos candieiros 
fixos. 

Depois d'e8ta hora não se fará serviço algum nas cama- 
ras; e os criados só poderão ser chamados em caso de doença^ 
ou urgência casual de que o commandante terá conhecimento. 

Art. 24.» Todas as representações que os passageiros te- 
nham a fazer serão dirigidas ao l.** commandante. 

Art. 25.° Roga-se a todos os passageiros, que tiverem de 
fazer queixas sobre o serviço a bordo, que as dirijam pelo 
correio a Warburg & Dotti em Lisboa; com indicação do seu 
nome e morada: communicações anonymas nunca serão at- 
tendidas. 

CAMINHOS DE FERRO DE SUL E SUESTE — A autcrior compauhia 
trazia o seu escriptorio na copa do chapéo d'um dos seus em- 
pregados; o que fazia com que ninguém soubesse aonde devia 
dirigir-se para tractar qualquer negocio com ella. 

A actual regularisou tão sensível falta, estabelecendo o seu 
escriptorio na ma do Ferregial de cima n.* 12. 

HOTÉIS E HOSPEDARIAS — Rctiramos qualquer elogio que fi- 
zéssemos a algum d'estes estabelecimentos. 

Por exemplo, a pag. 96 e 100 falíamos com louvor em dois 
doestes estabelecimentos, um em Luso e o outro na Mealhada; 
e hoje vemo-nos obrigados a declarar que, de então para cá, 
têm elles soffrido considerável mudança do que então eram, 
declaração que fazemos porque não queremos ser accusados 
de elogiar por encommeTida: a nossa obrigação é fallar a ver- 
dade a todos, e por principio nenhum nos separaremos de 
tal dever. 



APPENDIOE 345 

DILIOEN0IA8 — Díssemos a pag. 100 que na Mealhada ha- 
via três para Vizeu. 

Hoje hjEi apenas unui e meia.,, 

Expliquemos. 

Apresentam-se alli três diligencias, sendo duas para Vizeu, 
e uma para Mangualde. 

Ora da Mealhada saem apenas duas: uma, que segue di- 
rectamente para Vizeu, levando as malas do correio; e outra, 
que segue até Sancta Comba, e ahi divide os passageiros 
que leva uns para Vizeu, outros para Mangualde; o que prova 
sufficientemente haver apenas uma e meia para Vizeu. 

Parece-nos que as auctoridades deviam nscalisar este ser- 
viço, porque nma4al combinação, sendo proveitosa aos donos 
das diligencias, pôde ser prejudicialissima aos passageiros. 

Por exemplo: 

Se as diligencias de Vizeu e Mangualde vierem com os lo- 
gares todos occupados, como ha de ser a cousa em Sancta 
Comba, onde apenas ha uma para conduzir os passageiros 
das duas?... 

DiLiOENCiA PAKA cniTRA — A pag. 78 iudicámos a diligen- 
cia que a companhia dos omnibus tinha estabelecido para 
Cintra. 

Esta carreira, porém, terminou em consequência do in- 
cêndio que houve nas cavalhariças onde estava o gado da 
companhia, incêndio que lhe fez perecer grande numero de 
cavallos. 

O sr. Gomes, filho, de quem falíamos a pag. 86, e que 
mora na rua de S. Francisco n.« 2 a 4, estabeleceu uma car- 
reira diária para Cintra, sendo os preços os seguintes: 

De Lisboa para a Porcalhota 320 

Da Porcalhota para Ponte Pedrinha 180 

De Ponte Pedrinha para o Papel 160 

Do Papel para Bio de Mouro 200 

De Rio de Mouro para Cintra 320 

De Lisboa para Cmtra lijlOOO 

De Cintra para Bio de Mouro 320 

De Bio de Mouro para o Papel 200 

Do Papel para Ponte Pedrinha 160 

De Ponte Pedrinha para a Porcalhota 180 

Da Porcalhota para Lisboa 320 

De Cintra para Lisboa 1:^000 



346 APPEKDICE 

PONOTS »os AMORES — Em Uma nota qtic lançámos ft'p^* 155, 
quando descrevemos o terceiro passeio de recreio en^ Cbiihbra, 
dissemos que o sr. Baeta Neves, digno portugtteis* residente 
no Brazil, fizera um donativo de 200jÍíOOO réis para melho- 
ramentos na decantada fonte dos amores, e que essaquaiitia 
fora e^egue ao sr. presidente da camará de Coimbra para 
]hc dar o competente destino. 

Agora, porem, vemo-nos forçados a dizer que tal òfferta não 
foi acceita, porque o sr. presidente, em attenção ás estreitas 
réUiçdts de amizade e parentesco que tem eom o proprietário 
da referida fonte, nào quiz tomar parte h* este negocio, neni 
ser interprete para com o offerenteU 

Nós, porém, que não temos nada que nos embarace de o 
fazer, registraremos aqui o facto, inqualificável de ter a ca- 
mará de Coimbra preferido conservar aquellé local no estado 
indecente, em que se acha, a acceitar o ofiSsrecimento do sr. 
Baeta Neves. 

Aquelles e este serão julgados por quem visitar o local em 
questão 



BOTA' FORA DE PASSAGEIROS — Até ha pouco era tolerado 
que qualquer individuo acompanhasse um amigo até á partida 
dos cpmboyoft. 

Foram, porém, taes e tantos os abusos, qíié se seguiram a 
essa tolerância, que a direcção se viu forçada a suspender 
essa concessão, e hoje a ninguém é permittido acompanhar 
qualquer pessoa, senão até á porta da sala de espera. 

Aquelles, porém, que quizerem sophismar^Al prohibíção, 
têm um meio muito simples, que é comprar bilhete de transito 
para a estação mais próxima, porque com esse bilhete acom- 
panham o seu amigo até á sala de espera, d'ahi seguem até 
ao comboyo quando é dado o aviso, e logo qúe iahl ch^am 
se hão de entrar para a carruagem, deixam-sé ficar napèda- 
forma, e depois que o comboyo parte, retiram-íee muito des- 
cansados. 

is CAMARÁS MUNICIPAES A QUEM COMPETIR EsCUSadO dovia 

ser f aliar na utilidade que provem a qualquet j^voação junto 
á qual seja collocada uma estação dos caminhos de ferro. 

Vemo-nos, porém, obrigados a isso, porque a maior parte 
d^essas povoações não attendem a que essa "utilidade, para 
ser effectiva, deve ser promovida convenienfementc. 

Um do^Lineios de a promover é procurando attrahir alli a 



APFENDZCE 347 

concurrencia de viajantes e passageiros, já pelos bons com- 
modos e distracções que elles encontrem, eja pela certeza e 
commodidades de yeniculos, que òs transportem aonde lhes 
convier. 

Quem está no caso de promover e fiscalisar isso são as ca- 
marás municipaes; mas infelizmente vemos que ellaâ nâo cu- 
ram absolutameúte d'isso. 

Para prova do que dissemos bastam alguns exemplos, taes 
como os que se seguem: 

Oliveira do Bairro dista de Mogofores 8 kilometros. 

Em cada uma doestas povoações ha estação do caminho de 
ferro; mas, apesar d'isso, o correio larga as bolças com a cor- 
respondência de Oliveira em Mogofores, donde depois é con- 
duzida 'numa cavalgadura para o seu destino. 

Que tal irregularidade se dê no serviço postal, nâo nos 
admira, mas que a camará de Oliveira não procure remedial-a 
e dispenda cem mil réis annuaes em mandar buscar a 8 ki- 
lometros de distancia aquillo quei podia e devia ser-lhe en- 
tregue á porta, é que nos espanta. 

Não seria melhor que essa quantia fosse applicada para 
auxiliar o estabelecimento de qualquer vehiciUo que condu- 
zisse passageiros da estação para qualquer parte? 

'Noutro género é a irregularidade que encontramos com o 
serviço entre a estação de Mogofores e Águeda. 

A correspondência para Águeda é entregue na estação de 
Mogofor^, e d'alli conduzida para Anadia, aonde o correio 
de Águeda a manda buscar. 

O serviço do correio de Águeda é fdto 'num éiar-à-hanca, 
que conduz passageiros a 400 réis. 

Este char-àrhance passa na Ponte da Pedra a um kilometro 
de distancia da estação de Mogofores, e segue para Anadia 
d'alli dois kilometros. 

Eesulta d'ahi que quem quizer vir de Águeda para a es- 
tação, ou vice-versa, tem de seguir a pé, e com a bagagem 
ás costas, a distancia que ha entre a Ponte da Pedra e a 
estação! 

Se a camará de Águeda zelasse os interesses do munici- 

Íjio, como devia, procurava fazer com que a correspondência 
òsse entregue na estação, aonde o conductor iria buscar as 
bolças, e ao mesmo tempo conduzia os passageiros que hou'- 
vesse, sem que estes soffi'essem incommodo algum. 

A Mealhada também dá matéria sufficiente para notarmos 
o desleixo que as camarás têm pela administração dos mu- 
nicipios. 



348 AFPEKDIOE 

Esta povoação por muitas eircumstaneias tem apresentado 
um extraordinariç desenvolvimento, e ama delias é a proxi- 
midade de Luso é Bussaco. 

Como dissemos a pag. 100 ha durante a quadra dos ba- 
nhos dois char-à-òancs, que conduzem passageiros a 200 réis 
^itre Lnso e Mealhada. 

Succedia muitas vezes, porém, que estes v^culos faltavam 
porque os banhistas os alugavam para passeios de recreio, 
com o que causavam muitos transtornos a passageiros, que 
alli chegavam contando encontral-os. 

Estes factos devem ser prevenidos, e á camará compete 
procm-ar o meio de os impedir. 

Também deve atalhar ao abuso que practicam os arreeiros 
d'alli, quenâo se pejam de levar S^ÍOOO réis por conduzir quatro 
passageiros da Mealhada a Luso, como ainda ha pouco nos 
succedeu. 

Taes abusos apresentam um resultado negativo; porque, 
se no momento deixam esse interesse que o passageiro se vê 
forçado a dar-lhes, faz com que depois diminua a concurren- 
cia com o receio de taes tropelias. 

A camará da Villa da Feira, também aproveitaria, se pro- 
curasse meios de se estabelecer uma diligencia que de Ovar 
conduzisse o correio e passageiros, embora contribuísse com 
algum subsidio para isso, porque o que prejudicasse por esta 
forma, utilisal-o-hia por outra. 

Centenares de cousas ha com que as povoações próximas 
das estações das linhas férreas podem aproveitar e promover 
os melhoramentos materiaes dos seus municipios, se quizerem 
attender a ellas, e procurarem dar-lhes o desenvolvimento con- 
veniente. 

TYPOGBApHiAs — Tcudo fallado nas imprensas, Nacional, 
em Lisboa, e da Universidade, em Coimbra, com o louvor 
que lhes é devido, julgamos dever também mencionar dois 
estabelecimentos do mesmo género também dignos de espe- 
cial menção, e são a typographia da Gazeta de P<yrtugal 
situada na rua da Parreirinha, próximo ao theatro de S. Car- 
los em Lisboa, e a do Commercio do Porto (jornal) situada 
na rua da Ferraria de baixo, na cidade d'este ultimo 
nome. 

A primeira é digna de ser visitada pelo seu aparatoso 
salão de composição; a segunda pela sua excellente casa de 
machinas e prelos, inquestionavelmente a maior que no paiz 
ha, com tal destino. 
# 



APPENDICE 349 

Tanto em uma como na outra, sâo admittidos os visitantes 
com a melhor boa vontade. 

Concluiremos lembrando á camará de Coimbra, a conveniên- 
cia de mandar um dos seus zeladores ficalisar que os engaja- 
dores de freguezee para os char-à-bancs nâo inconmiodem os 
passageiros, como costumam, ao sahirem para fora das grades 
que separara o recinto da estação. 



FIM DO APPENDICE. 



Dividido era três partem 

6E06BIPHII. IISCELUIEA E CIIIIHOS DE FEBBO 



G^EOGRAPHIA 

Hesmmo geogntpbico i 

A 

Abrantes — Águeda — Albergaria a Telha — Akacer do 
Sal — Alcobaça — Alcanede — Aldâa Galiza — Alem* 
quer — Alhandra — Almonrol — Amarante — An^<K^ — 
Ançâ — Ancas — Arraiolos — Arronches — Ayeiro — 
Azambaja, 

B 

Badajoz — Barcellinhos — Barcellos — Barquinha — Bar- 
reiro — Batalha — Beira — Beja — Braçal (minas do) — 
Braga — Bragança — Bossaco. 



Cacilhas — Caldas da Bainha — Caldas de Vizella — Can- 
tanhede — * Cartaxo — Carregado — Cascaes — Castello 
Branco — Castello de Faria — Chamusca — Chaves — Cin- 
tra — Coimbra — Collares — CoTilhâ — Crato. 



Doaro (rio). 



ÍNDICE 3Ô1 

E 

Eixo — Elvas — Entroncamento — Estarreja — Estremoz — 
Évora. 

F 

Famalicão — Faio — Figueira — Foz do Douro. 

G 

Gojlegâ — Guadiana (rio) — Guarda — Guimarães. 

I í. ■■•■';;»« «,,.i .■ . 

Ílhavo. 

L 

« 

Lagos — Lamego — Leiria — Lessa do Bailio — Lessa da 
Palmeira — Lisboa -— Lorvào — Lourinhã — Luzo. ' 

M 

Mafra — Marinha grande (fabricas da) — Marvão — Matto- 
sinhos — Mealhada — Miranda — Mirandella — Mogofo- 
res — Monção — Moncorvo — Mondego Trio) — Monfale- 
gre — Monte-juncto — Moura — Monte-mor-o-novo — Mon- 
te-mór-o-velho — Mortágua — Moita — M(^ — Murtoza — 
Murça. 

O 

Olivaes — Oliveira d'Azemeis — Oliveira do Bairro — Oli- 
veirinha — Ourem — Ovar. 



Palmella — Pedrógão — Penafiel — Peniche — Pesqueira — 
Pernes — Pinhel — Poço do Bispo — Pombal — Ponte da 
Barca — Ponte de Lima — Ponte do Tejo — Portalegre — 
Porto — Porto de Moz. 

R 
Régua — Rio-maior. 

S 

Sacavém — Sado (rio) — Sagres — Sam-ciriz — Sanct*Anna 
—SanctaComba-Dão— Santarém— S. Pedro da Cova — 



352 ÍNDICE 

S. Pedro do Sul — Seriema — Setúbal — SUves — Sobral 
— Soure — Subúrbios de Lisboa. 



Tavira — Tgo (rio) — Thomar — Torres Novas — Torres 
Vedras — Trancoso. 



Valença — ^Vallongo —Viana do Castello — Villa do Conde 
— Villa da Feira — Villa Franca— Villa Nova de Gaia 
— Villa Real— Villa Viçosa— Vimieiro — Vinhaes — Vista 
Alegre — Viaea — Yonga frio) — Vouzella. 



Zêzere. ' 

Prociu-em-se pela ordem alphttbetica^ desde pag. 4 até 144. 



Passeios de recreio 145 

» a Abrantes 156 

» ao Cartaxo.- 158 

a Coimbra 152 

» ao Porto, regressando por Aveiro, Bus- 
saco, Coimbra, Leiria, Batalha, Al- 
cobaça, Caldas e Alemquer 147 

» a Santarém, Elvas e Badajoz, regres- 

sando por Portalegre e Castello de 

Vide 160 

a Thomar 157 

a 2L Torres Vedras 158 

» aos quatro districtos de Lisboa, Évo- 
ra, Portalegre e Santarém 158 

mSCELLANEA 

Agradecimentos 334 

Annuncios (secção de) 333 

Appendice das i^teraçoes 339 

Ào publico ni 



índice 353 

Dalendarío a vapor , . . . . xi 

Conclusão 334 

Dedicatória i 

Diligencias (procurem-se no final da descripç&o geogra- 

phica da povoação respectiva). 
Documentos que têm de ser sellados com estampilhas, 

e meio de inutilisar as mesmas 225 

Hospedarias (o mesmo como as diligencias). 

Lisboa — (contém o seguinte): 55 

» Aguas livres e outras cousas dignas de observa- 
ção 70 

» Associações recreativas 06 

» Apito 75 

» Bazares 69 

» Cafés U 

» Carruagens Lisbonenses *. 85 

M Compostura de chapeos 77 

» Diversos trens de aluguer 86 

» Edifícios públicos 63 

» Egrejas 59 

n Estabelecimentos de banhos 74 

» > de caridade 61 

» » de instrucçâo publica 62 

D » industriaes 62 

» Famílias de província em Lisboa 74 

» Faz tudo. . . : 76 

» Hospedarias e estabelecimentos commerciaes ... 61 

» Latrinas , 77 

» Leilões 75 

» Meios de locomoção 78 

» Omnibus 78 

» Falados reaes 66 

» » de nobreza 67 

n Passeios e jardins 68 

» Paquetes para a Brazil e Rio da Prata. 88 

» » para Bordeos 88 

» » para Southampton 88 

» do Havre para Málaga^ e vice-versa, 

com escala por Lisboa, Cadiz e Gibratar. ... 91 

» Praças 57 

» Prego 76 

>' Quartéis * 68 

>» Regulamento municipal para os trens de praça 80 

» Serviço de vapores entre Lisboa e Porto 87 



354 índice 

Lisboa: Serviço de vapores entre Madeira e Lisboa ... 87 

Theatros r'. 64 

Trens de praça 79 

Viagens a vapor no Tejo 87 

Viagens de Lisboa para Madrid e Sevilha .... 93 
Vapores de Liverpool para o Brazil e Rio da Prata 88 

Mappa de Portugal "...... iv 

» (advertência do) da capacidade dos 430 alqu^rès 
e 410 alnmdes usados no continente, compara- 
dos com o systema ipetrico decimal 165 

» da navegação para o Algarve, Açores e Africa 87 

Pesos e medidas 164 

Serviço postal (correios) 188 

» telegraphico nacional e internacional 213 

» » nas linhas de norte e Leste 222 

» » nas linhas de sul e sueste ...... 224 

Taxas 217 

Tabeliãs das equações do tempo 185 

* das estações telegraphicas portuguezas e das 
zonas que os despachos poderão aqui per- 
correr 220 

» das estações telegraphicas em alguns paizes 

estrangeiros 219 

» de incêndios (na capa) 

» da importância dos despachos para Inglaterra 218 

» dos portes da correspondência nacional 192 

» » estrangeira . . . 193 

> » obrigatória para 

as colónias e possessões britannicas, e outros 

paizes 204 

» » dos jomaes . . . 208 

» » dos nnpressos. . 211 

» » facultativa para 

os mesmos pontos 200 

» dos sellos que pagam os papeis commerciaes e 

forenses 225 

» das taxas do telegrapho para Portugal, França 

e Hispanha * 216 

» das taxas do telegrapho para os demais paizes, 

exceptuando Inglaterra 217 

' das taxas do telegrapho para Inglaterra .... 215 

Tempo médio , 184 

Transmissões para Inglaterra 215 

* internacionaes 213 



índice 3ÕÕ 

CAMINHOS DE FERRO 

Apontamentos para a historia dos caminhos de ferro . . 228 

SERVIÇO 

Grande velocidade 23*J 

Advertências 2S\) 

» acerca do despacho das bagagens 243 

Armazenagem 26G 

Bagagens 242 

Càes 263 

Carruagens 265 

Cavallos 265 

Comboyos especiaes . 260 

Compartimentos reservados. . ,. . / 260 

Encontro de passageiros 259 

Estação central de Lisboa para serviço das linhas de 

sul e sueste 251 

Estações centraes de Lisboa c Porto, para scitíço das 

linhas de norte e leste 244 

Extravio de bagagens 255 

Gados '. 265 

Manifesto de dinheiro em prata, oiu*o c cobre, ou valores 

nas linhas de norte e leste 261 

Manifesto de dinheiro em prata, ouro e cobre ou valores 

nas linhas do sul 263 

Mappa comparativo da velocidade do transito dos com- 
boyos de passageiros 327 

Mercadorias 265 

Militares e marinheiros 255 

Horários dos comboyos de passageiros 

(Linhas do norte e leste) 

j» Badajoz ao Entroncamento 310 

» » ao Porto 314 

» Carregado a Lisboa ' 310 

» Coimbra ao Porto 301 

» Entroncamento a Lisboa 312 

>> » ao Porto 304 

M » a Badajoz 306 

» Lisboa ao Carregado , 300 

» » ao Entroncamento 302 

. » Porto a Badajoz 314 

» Porto a Coimbra 301 

» w " ao Entroncamento 308 

10 



35tí ÍNDICE 

(^Liuhas de sul c sueste até .30 de abril de 1805) 

Iloraiios— Daireiro a Beja 320 

» » a Évora -. ;- . k :. 521 

» > a Setúbal 322' 

» «ás Vendas Novas 324 

» Beja ao Bai*reiro ^ . . * . * . . 320 

* i> a Évora , . . 319 

» • a Setúbal 325 

» Évora ao Barreiro 321 

» » a Beja 3J9 

« a Setúbal 324 

» «ás Vendas Novas 325 

» Setúbal ao Barreiro 322 

» Vendas Novas ao Barreiro 324 

» » a Sefubal 325 

» Desde o 1.® de maio de 1865 330 

(Hispanha) 

» Badajoz a Merida 32G 

» Merida a Badajoz • » 

Passageiros .,,,.$ 139 

» durante a viagem 253 

Perigos a prevenir 255 

l*redisposiçâo 239 

Becovagens e mercadorias 265 

Restaurantes nas linbas de sul e sueste 298 

Salas de espera e entrada para os comboyos 252 

Serviço entre Lisboa e Barreiro 267 

Tabeliã das distancias 332 

» dos preços dos restamantes nas linhas de norte 

e leste 295 

Tarifas das linhas de norte e leste 277 

» das linhas de sul e sueste 284 

Transportes fúnebres 266 

Utilidade do telegrapKo 267 



Pequena velocidade 268 

Armazenagem nas linhas de norte e leste 276 

» nas linhas do sul 276 

Carruagens 272 

Citváfllos de militares 274 

^^ireito de repesagem • • 272 



IKDICE 357 

G ado 274 

^Matérias iaflamiiiaveis 275 

Mercadorias 2G8 

Horários dos comboyos de mercadorias 

(Linhas de norte e leste) 

» Badajoz a Lisboa 318 

» Lisboa a Badajoz 317 

• » ao Porto , 315 

• Poi-to a Lisboa '..... 316 

(Linhas de sul e sueste) 

. Desde o 1.° de maio de 1865 330 

Regulamento' tias alfandegas 288 



Advertência acerca do mappa 



Apesar de toda a cautela^ que tivemos quando reduzimos 
o mappa, esqueceu-nos concluir a divisão dos districtoB de 
Évora e Beja, e tal esquecimento fez com qae Marvão ficasse 
indicado no mappa como pertencendo ao districto de BeJR, 
quando pertence ao de Évora. 

Sirva portMito de prevenção áquelles a quem comâer, e 
seja-nos relevada tal falta. 



DP 518 .P47 Cl 

RoMro do viajante no contine 
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3 6105 038 716 465 



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^..24205.