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Full text of "Secretario portuguez, ou methodo de escrever cartas"

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1465 



E«u^ j^Trt^ %S^ \^<ik^rU^k , 0> LA, 




V^.Tcr^LIiT :b^ 5-2^ 



.fc-. ;x 



b^ 



V/^5' 




SECRETARIO 

PORTUGUEZ, 

' o u 

METHODO DE ESCREVER. CARTAS 

¥or meio de htima lnstrucca6 Preliminaf : Regras de Secteiatia j 

Formulario de tratamentos , e luira grande numert) de Cartas 

cm todas as especies ^ que tern mats uso, com variaji, Cartas 

Discursivas sobre as Obrigagoes , Virtudes ^ e vic^os do 

novo Secretarlo. 

POR FRANCISCO JOz6 FREIRE; 

Kova id'ifaii csrrecta , emcniada ^i au^mentadt^ ecm dous Supple^ 

mentos SQbr< mttiUs pontes eoncerncntts a ThiorifH > e Praihs 

do CommarcU : 

'J. C0nUm : Carus de Commercio com as Respostas, r: InstrU- 
mento de Procura^ad , e de Fretam«nto. =: A police de Segti* 
TO. = Escrkura d^ Compromisso. =: Modelos para letras di 
Cambio. =: Protesto de huma letra de Carabio. r: VaHas F6r«< 
mas de Recibos. ^ . 

II. contemi Quanto o Negociante be iitil ^ e prestadio ao Es« 
tado.^s: Das Jetras de Cambio » e Maximvs concerhentes as dw 
tat. =: t)as lepras d^Credito i e de Transporte. =? Da Liquida- 
9a6. =: Das Partidas dobradas.z: D^s So^tfdades.r:: Da Espe-^ 
cula^ad. ir Do Syodico dos Faltidosw =::.£|1an9ogeral dos bens 
de bum FallJdo^ 

Com hum Tratado dos Cambios , e homa Tabo^da do valor do 
. dinieiro estrangerro de Amsterdam , Londres , Paris &c. em 
Lisboa t e Porto , segundo o Cahibio , que gyra enlre aquellas g 
e esias duas Pra^as Commereiantes , &c. 

\L I S B O A5 ^i' 

«A T'YPOGRAFIA liOLLANOliiNA.' 

I % o i. 

Com lieen^fi da Mti^a d$DeselHhrgo do Pa£i- 



Tn*..-r/^— 




ADVERTENCIA 

DO ED ITO R. 

1 

SOBRE A UTILIDADE DESTA NOVA EMCjAd^ 



C 



konhecida he de todos a precisao des 
hnm modelo para as cartas familiares , po^ 
iitfcas , mercantis , eld'outros gefteros: e 
por isso sem olbar a despezas , e empatet 
de lucres me resolvi a reimprimlr o Secreta-' 
rio Portugusz^t Obra qup tem tido gran- 
des applauses , e boa accelta^ao , nao s6' 
porqiie ate agora nao^ sahio a luz outra nes- 
te genero , mas tambera pelo nonSe de sea 
respeitavel Author, bcra conhecidoentre 
OS Literates, por seus escfitos j que tanta 
honrap a iiossa Na^ao , 'corao a dontissima j 
e Religiosa Sociedade j de que fpi nlembro^ 
e a que tanto lustre deo com s^us avulca- 
dos talentQS ,,e constimmado desabuso. • 

Esta nova Edi^ao apparece rauito rriais 
augmentada ; porque como me leiftbrei que 
neste Reino yai briosamente caminhando 
com agigantados passes o amor da h<>nf o- 
sa , e jsempre brilhantq oc<J0pa^a6 do Cora- 
mercio ; para que todos vejao ( se he que 

* ij 



'ainda ha qtjem o diivide) que este gene- 
ro f de profissaa nao he de tad potica mo- 
memo , como alguem pode pensar, visto 
que consdtue o esplendor , a for9a , e a 
riqueza das Na96es , civilisa os homens , 
da-Ihes a co&hecer o que se passa nos outros 
B«tados , >e 6s ennobrece 5 unindo-os com as 
jerarquias wais gradas das Cidades; ajun- 
to-lhe segundo SuppUmento , que contem 
V^ribs pontos concernentesaTheorica^e 
Tratica do Commercio , a saber : 

. r • 

; Quanto Negocianuhe util^ e presta- 
dio ao Estado. ; 

Das letras de Cambio, ^ 

■■ Mdximas concernentes a estas letras. 

Dlas letras de creditor e de transporter 

Da liqttiddgad. 

Das partidas dohradas, / 

Das Sociedades ^ e modelos'de escritU' 
ras de Sociedades* 

Da especulagao* 

Do Syndico dos FalUdos, 

Modelo do Balango geral de hum FaU 
lido* 



E ultimamente hum Tratado sohre os. 
Cambios , com huma Taboada do valor do 
dinheiro das Pragas estrangeiras em Lisboa , 
e Porto , fegtmdo o cambio , que gyra entre 
aquellas, e estas duas Pragas. 

Oatro fbi tambem o motivp, por que 
animando-rae a reimprimir o Secretario Pot" 
tugtiez. 5 Ihe ajuntei este segimdo Supplemeti'. 
to ^ para que se capacitem, os que ainda 
nao o estao , de que; esta Profjssao do Comi 
mercio, nao deixa de ter seLis principios, 
inethodq , politica , e estylos proprios j os 
quaes huma vezque se deixe de seguir, 
tudp se arriiina $ e desordena. E esta a ra- 
zao 5 porqiie 'nos Paize? raais cultos da Eu- 
ropa, ningnem se corre de aprender o Cbm- 
mercioj dcsociar com os Commerciantes, 
e de commerciar. Tao pouco deveser par- 
te para se despresfar qualqiisrProfissao o 
abuso, que della se fiz : grite-se embora 
contra x> abuso , e siga-se a Profissao ; qie 
onde a <\o CommerciOi gyra livre , e desem- 
baragadaraence , he o Paiz , em que os So' 
befanos sao mais temidos, e respeitados , 



e menos miseria se ve. 



As Advertencias , que 5e achao no prin- 
cipio de cada geaero de cartas sao extrahi- 



das } e traduzidas dos melhor^s Elscritores 
Francezes, e Italianos , e ampliadas pelo 
Author : pelo que merecem ser lidas, e 
9te estqdadas para cada qualformaras^uas 
cartas segundo os preceitos . dados^r 

Creio que do Publico assas conhtici- 
des sad os meus sinceros intentos , eajus- 
(a , e legitima causa por que ass|m obrq. A-^ 
mo o publico : preso muito a Na^ao Portu- 
gueza, da qual jasouconcidadao, por gos- 
tos, por domicilio , por afFeifao , por obri- 
gado. Assim todos os meus desveios porei 
em dar-)he a ler aquellas Obras , que a meq 
ver fprem uteis, e agradaveis. 



INDICE. 

XjLdvertencia do Editor sobre a utilidadc des- 

ta nova Edi5a6. - • - - iii 

Instruc§a6 Preliminar,; "•,""• " ^ 

Perfeifoes do Secret a fio. 

CAP. I. § L Scgredo. - - - ij 

- - - § 11. Erudi§a6. ... ibid. 

- - - § in. Generalidade. - * - 14 
. ^ - § IV. Reflexoes - 1 - - tf 
. - - § V. Eloquencia. - - - 16 

Imperfeipes do Secret ario. 

CAR II. § 1. Demora. - 1 - • 17 

. - - § 11. Prdixidade. - • - ibid. 

- - - § IIL Aspereza. - - * , 5^ 
. • - § IV. Ignorancia. - - - ibid. 

- ^ - § V. Escuridade. - - - i9\ 

Kegras ^ que Secret arto devepra^tcar naf 

Cartas 4o Negocios. 

CAP. III. - - - - - - ^9 

Forjnulario de Trat amentos. 

Jerarchia E(Cclesjastica. - - - - ' ^3 

Jerarchia Secular. - - - - - ^5 

Formukrio de Sobrescritos. 

\ Jerarchia 'Ecdemstica. - - ^ - 2,7 

Jerarchia Secular. - * r *", " ^9 

Ge^eros das Cartas 

Genero Pemonstrativo :3 Judicial =3 Delibcrati- 

vo, - - • • - - • 30 

Car- 



^iii Indick. 

Cartas de Fezames. 
Advertencia sobfc estas Cartas. /- - 31 
Cartas de Pezamcs per inqrte de Gardeaes , c 

Bispos. - - - - • - 32 

r- - -^ Per morte de Cavalhciros Benemeritos 

> nas anna^, e mais virrudes. • "34 

r - - Por morte de Senhores illustres. " 35^ 
.- - -' Por morte de outras Pesspas, - 7^6 

Cartas de RecommendafaS. 

Advertencia Sobre estas Cartas. - - - 4^ 

Cartas de R'ecotmncnda^ao. - - - 42 
ilesposta 4s Cartas de RecomtiieudajaS, - 49 

. Cartas d^ Parabens. 

Advertencia sobre estas Cartas - - 53 

Cartas de Parabeiis pcla'promo^afi de Cardeaes, 

. e Bispos. - - ' - - - ) ^ ' 5'4 

^ - •- Para Fidalgos. -r - - 59 

- - - Para pessoas particulares, • 61 
Respostas a esta« Cartas, - - ^ 6z 

- - - de Bispos./ - - - - ^ 65 
r - - de Fidalgos. - - - ' - ibid. 

^- r ^ dc Pessoas particularcs para outras , c 
para Cavalheiros. - - - - 64 

Qutras Cartas d? Parabcns por ocCwisiao d? al- 
gum Matrimonio de Fidalgos. - - 66 

1- - . - Para Pessoas perticulares, - - 69 

r T r Por niscimentp de Filhos para Fidal- 
gos. -^ > - - - . • r 70 

-•--.-•- dc Pessoas particularcs. 7a 

r - • de Parabcns a Cavalheiros por vinda 

de> Etnbaixadas , g Governos. - - - 74 

ifrr,r:r-3 Pfssoas p3rticulare5. 77 



I If D I C E. IX 

Cartas de boas Festas. 
Advertcncia sobre cstas Cartas^ - -79 
Cartas de boas Festas para BisJpos, eGardeaes. 80 

- - - Para Pessoas particulares. - 87 
^espostas ds Cartas de boa« Festas para Cardcac^ 

eBispos. - - - - - - 88 

- -' - - - Para Pessoas particulares. 9I 

Cartas de Offerecimento. 

Advertencia sobre estas Cartas. - • 9^ 

Cartas de Offerecimentj^. - - - 95: 

^ Cartas de Agradecmento. 

Advertencia sobre estas Cartas. - - - no 

Cartas de Agradectmento. - - - 12 j 

Outris Cartas de diversos Agradecimentos, 124 

'■ - - - Para Pessoas particulares. - i^^ 

Cartas de Desculpa , e JustificagaS. 

Advertencia sobre estas Cartas. - - 128 

Cartas de Desculpa , e jfustificagao. - ' 139 

Car,tas de Queixas. 

Advertencia sobre estas Cartas. - - 15'4 

Cartaside Queixas. - - - - iSf 

Respostas as Cartas de Queixas. - - 167 

Cartas de Consalafoo. 

Advertencia sobre estas Cartas. - , ■* 171 

Cartas de CotxsoIa5a6. - - - - 172 

Cartas de Aviso. 

Advertencia sobre esta&Cartas. ^ * 183 

Cartas de Aviso por alguma merce feita para 

Cardeaes. - -i - ^ - . - 184 

- - - • Para Cavalheiros. - - xSjt 

- - - - Para Pessoas particulares. - 188 
Ontras Caitas'de Avisos por ocwsiao de nasci- 

mcn-» 



X I N p I C E* 

roentos, mortes ^ &c. convidando tambertt nel- 

las para algaina cousa^ - - - 189 

J\espostas ds Cartas fie Aviso. - > - i(?9 

Cartas de Lonvor. , 

Ad.vartencia sobre estas Cartas. - - ^o6 

Cartas de Louvor. - -^ ' - - ^^07 

Cartas de 'Eochortagao , e Conselho.\ ' 

Advcrtencia sobre estas Cartas. - - 223 

Cartas de Exhorta^ao , e Conselho. - 225 

Cartas do Genero Mixto. ' 

Advertencia sobre estas Cartas. - - 23 j 

Cartas do Geqero Mixto, - -^ • - 236 

Cartas Discursivas^ 

Advertencia sobre estas Cartas. - - 25-4 

Cartas piscursivas, -^ - - - 25-5; 

^ -^ ^ Safyricas 5 de Despreso. - t 269 

prime):ro supplemento. 

Cariof d( Commercio ^ &c. . 

% I. V^AKTA Circular para huma Casa de novo 

estabclecida. - - - - 274 

Resposta. - - - - - 275 

Repetig^ da Resposta. - - 276 

pi versaS Cartas deCommercio, dcsde pag. 

276 ate r * " ^ > • ^^^ 

Hum Escrito, que vai aberto a hum viM- 

nho 5 ou Amigo , em qualquer occasiaS. ibid, 

§ IL Carta, ou Instrumento de Procura^ao. 281 

§ 111. Carta, ouInstrumentpdeFr^tamento, 282 

§ IV. Apob'ce deSeguro. • - - 28^ 

^ V. Instruments 5 ou Estritura de Compromise 

$p, ^ - • • • • 287 



1 N D I C «. XI 

§ VL Letras de Cambio. . ' . . 2^90 
§ yil. Protesto de hunia Letra de Cambio. 291 
§ VIII. Farias Fdrmas de Recibos. 

De Dinheiro recebido por inteiro. 291 

. ^ De Dinheiro recebido por coata de meu 

Amo. . . . . . 191 

De Dinheiro recebido em partd. • ibid. 

De Dinheiro recebido em parte decontas, 

que nao estao ajustadas . . ibid. 

jC(uando hum rol, ou conta se paga por 

inteiro, , . . . . ibid. 

Quando se paga dinheiro a conta de hum 
rol. . . . . ,. ibid. 

§ IX. Notas, ou obrigajoes, que faz hum ho- 
mem , quapdo toma dinheiro emprestado. ibid. 

^EGUNDO SUPPLEMENTO. 

Tratado sohre varios Pcntos cofKernentes a Tbeortcay 
e Pratica do Commercto. 

C A P I T U L O I. 

§ I. V^AKTo o Negociante he util , c pres- 
tadio ao Estado . . . 294 

$ II. Das Letras de Cambio . . . 296 

§ III. Maximas concerncntes 4s Letras de Cam- 
bio. ..... • 298. 

§ IV. Das Letras deCredi to. . . ^05' 

$ V. Das Letras dei Transporte. . • ibid. 

Rescunho de huma letra dc Transporte. 306 

§ VI. Da Liquida§a6 . . , . 3^7 

Modclo de Cartas . . • . . 30*9 

^ feippld,' ♦ , , , , ^12. 



XII 1 N D I C E. 

C A P I T U L O IL 

Das Partidas dobradas. j 

jGLrtigo I. Principio para estabeleccr o Deve- 

dor, e o Grddor. - - • - 3^7 

Artigo IL Do Diario - ' - - - 3r8 

Applicaq?>6 da Gonta de Capital, ibid. 

K Exempla. - - - 319 

Applicagao da Gonta d;a Gaixa. - "ibid. 

Exemplos. - - - ibid. 

Applicayao da Gonta do Banco, ibid. 

Exemplos. - - - 320 

Applica^ao da Gonta dc FazendasGe-' 

raes. ----- ibid. 



Exemplosu 







21 



Applicagao da Gonta dos Saques.e remes- 

sas « - - - - -* - ibid. 

, Exemplos. - - • ibid. 

Nota. - - - - ibid. 

Minuta de huma conta d? Saques y e 

remes5as cm duas columnar. .- 3^3 

Applicagad da conta das Despezas Ge* 

raes. - - , - - - ibid. 

» Excmplo. -^ - • ibid. 

Applica§a6 da Gonta dc Lucros,e per- 

das. - -N ^ * ^ ibid* 

. Exemplos. - - -ibid. 

Artigo in. Do Livro de Razao , e da maneirade 

lanjar nelie os a^tigos do Diario. -^ 325 

Applicagfies. - -^ - - 326 

Artigo IV. De varias contas particulares , uso 

-^ ^ ^ . ^ del- 



I N 9 I C X. Xllt 

dellas 9 c casos , em que se dev/em fortnar em 
duas columnas. - - - - - 327 

Artigo V. Da nianeira dc dar o balan^o^ e 
saldar tod^ as contas do Livro de Raza6| 
dc que se di a sahida. - - - 328 

Artigo Vr. Da mesma maneira de fazer a entrada 
do novo Diario , c do novo Livro de Raza6. 329 

Artigo VII. Dissolujao de Sociedgdcs. - 330 

Modelps de alguns Livrosauxiliares. 33a 

Observafffer solre os Diarios de compra , e venda , 

e sobre Livro de Caixa , qm algumas Casus 

costumao ter. 

Do Diario de compra, - . - . ^^4 

Ho Diario de venda. • • • . ibid. 

Do Livro de Caixa - - ^ --' - ibid# 

CAPiTULOm. 

$1. JL^AS Sbciedades. - - * - j^j 

A.rri§Qs da Ordenanja de Franga ^cercadasSo- 

ciedades. - - -..,. ^^g 

§ II. .Fprtiiula de hum Auto , ou JS^critura de 
Sociedade ^ntre dous Negopiantcs, ouMerca- 
dores , que dfevem concorrer para o Capital , ou 
fundo do seu Commcrcio comdinheirodecon- 
tado , cada hum com metadc, para repartir 
entre si igualmente os lucros , e perdas. 343 

$ III. Formula de huma Sociedade Comroandataria 
entre tres socios, hum dos quaes se encarre- 
ga de contribuir com tpdos os fundos neces^ 
sarios para alimentar o Commercio ^eosoutros 
dous de empregar os seus talentos , e cuidadqs 
ijm fezer prosperaroditoCommercio. - 3^4 



XiV 1 N D I C E. 

CAPITULO IV; 

§ 1. l^A EspcculagaC, • . -3^7 
Exemplos . . desde 368 ate 373 

CAPITULO V. 

X^O Syndico dos Fallidos . . . 373 
BaIan9o Geral de huofi Fallido *. . 377 

TRATADO DOS qAMBIOS. 

J aeoada das divefsas Prdcas que saca6 humas 

sobre outras, e do valor, per que ordinaria- 

. mente saca6, desde pag, 380 at^ . 384 

Carpbios de Portugal paratiOndres,r . 385' 

. de PortugaJ para Amsrcrdao. . 385' 

• de Portugal para Paris. • . . 387 
. . de Portugal para Cadiz , Madrid , Sec. 388 
. . de Portugal paraLiorne, Genova,,&c. 390 

• de Portugal para Hamburgo.^ . 391 
Catnbio de Inglaterra para Lisbpa^e Porto, ibid- 

. de Londres para Amstcrdao. . ibid-j 

. de Londres para Paris. . . 395 

. de Londres para Madrid. . . ., 397 

. de Londres >para Genova , eLiorne. 398 

. de Londres pai:a Hamburgo, . 399 

. de Londres para Brctncn. . . 40a 

. de Loiidres para Veneza. * . 401 

. de Londres pcjr a Petersburgo. . -402 

4 dc Lorldres para Dublin , Corke ^ &c, 403 

. de Dublin^ Corke , &c# p«ra Londres. 40^ 
' ■ ^ Can*- 



In dice. XV 

Caipbio de Amsterdao &c. para Lisboa. 407 

- - de Anisterdao para Paris. - - 408 

- - de Amsterdao para Londres. - - 409 

- ^ de Amsterdao para Mad rid , &c. 41 1 

- - de Amsterdao para Genova , eLiome, ibid. 

- - de Amsterdao para Hamburgo. - - 412 

- - deAmsterda6paraPetersburgb. - - 414 
Do Banco de Hollanda para o corrente ibid. 
Do corrente para o Banco. - - - - 416 
Cambio de l^aris para Londres. ^ - 418 

- - *de Paris para Amsterdam. - " 41^ 

- - de Paris para Madrid, Cadiz, &c. 420 

- - de Paris para Genova, e Liorne. 421 
Cambio de Madrid para LisbM , e Porto. 422 

- - de Madrid para Londres, -, - '423 

- - de Madrid para Amsterdao. - - 425' 

- - de Madrid para Paris ,^!Bordeos , Sec. 427 

- - de Madrid p&ra Genova. - - 428 

- - de Madrid, e Cadiz para Genova. 43a 

- - de Madrid para Liorne'.' - - 432 
Cambio de Geqova, e Liome para Lisboa , c 

Porto. - - - • - 433 

- - de Genova , e Liorne para Londres. 434 

- - de Genova, e Liorne para Amsterda6. 43 <^ 

- - de Genova^ e Liorne para Paris. 437 

- - de Genova para Madrid. - 438 

- - de Genova , e Liorne para (Z^diz. 444 
Cambio de Liorne para JM^drid , e Cadiz. 44 j* 
Cambio de Hamburgo para Lisboa , e Porto. 446 

- - de Hamburgo para Londres. - 447 

- - de Hamburgo para Amsterdam. 448. 
Cambio de Bremen^ e outras Pra§as para Lon- 
dres. * , - - - - 45'^ 



XVI I N D I C Bi ' 

Cambio de Ycneza para Londreg. - 4^9 

Cambio dc Petcrsbur gopara Londres. 45-1 

- n dc Pctersburgopara ArostcrdaS. 45 5 

Taboada do valor do dinheiro estrangciro cm 

Lisboa, e Porto, segundo o Catpbio ,, que 

gira^'cntre aqoella^ , e estas du^s pra$as com- 

mercianccs, dcsde a pag« %^^ ar^ ao ficli. 



\ 

I 



INSTRUCqAO 

P REL I M I N A It 

lSao lia Cciusa niaifecomrtium coma o.cscrciW Car- 
tas i e ccmi^tudo na6 Jie cousa comnnim o sabellas com-* 
por. A nece^idade da vida faz com que cadahumecrt 
tre a fazelks j poixiue tanto aos ignorances , como aos 
Sabios / frcquentemente he precise o communicareni-?a 
por Ti^io de Cartas com os ausentes : Porem pelo ordi- 
nario so he proprio de pessoas intelligentesocompol- 
las com methodo^ e boa'fefma. Para isto ralem-sede 
pi¥ceitc», e de exemplos, os quaes por serepi muifos f 
(pois saomuitas as diyer^idadesde Cartas) ii^ais servem 
a alguns para Iheconfundir ,aue para Iheilkistraro-en- 
tendimento. Eu alguns ,dou pclo decurso desta Obra em 
adv^rtencia , que fa§o no. principio de qualqucr especie 
de Cartas 5 procuranda facUitaf ocaminho aos que sa 
appJicarem a ta6'nobre, como preciso empfego. Porem 
mui pouco confio nas minha^ instruc§6es , se o novo Se- 
cretario na^fordotado de hum vivo engenhoiena6 ti-» 
ver hum intdro conhecimento das Linguds Latina, e 
JWaterna , e huma larg^ 11936 dos m^lhorcs Authores ,' 
'que escrev^ra6 Cartas , e tr^tara6 do moddcomose de- 
vera formar. Sa6 tantos osque ha nag Nafoesestranhas , 
como entre n6$ sao rarissimos os que escrev^ra6 Cartas i 
e nenhuns os que expu2era6omethodo,j e regras^com 
que estas se havia6 comp6r. Hum dos melhores Autho- 
Ti?s 5 e dos mais.modernosj he o Academko Arcade Isi- 
<ioro 'Nardi, a quern sigo nesta InstrucgaS Preliminau 
Toda ella/se encjaminba a instruir o Secretario princi- 
piante nas regras , que ha de.ojbservar , para com respei-' 
to, e louvor sustentar o caracter da sua riobre occupa- 
i^^ J e: ^ajftij^nte ada pes$oa a quem seryir. Porem no- 

•. ' * ■./':' A vo , 



\ 



4 " 1 N S IP R U C 5 A 6 - ' 

vo asgumpto m? chatnava primeiro do que ^te , queji 
hia pnncipiando, ^ i ^ . 

Como sei , que huma das maipres difficuldades , que 
• encontra huj^ nbvo^ Secretario , he o poder jdescobrir 
introduc§a6, ou exordio para asCartasjdarei hum bre- 
ve , e facilissimo methpdo para o poder achar , e ao mes- 
mo tempo, para organizar com.perfei5a6 , na8 s6a ca- 
beja, mas o crtpo de qualquer Carta.. 
. Todas as Cartas ( reservando as de mtta^6 , ^ 
descripca8 ) se dividttn em quatro periodos* ' No i pri- 
meiro se 'narra o facto : n^ segundo se foga a que se 
agrade§a , ou respectivamentc se dad os agradecimcri-i 
tos: no tcrceiro se offertce o prestimoj e^ no qua^tq 
se deseja6 felicidades, : * ' 

Para Jiaver. abiindaftda de termos ^ e .p^op^si^Scs ^ 
iquando s^ quizer principiar huma Carta , .bayard que 
OS prwicipiantes boservem attentamente quatro cousas ^ 
\$t^ he 5 o principio a quo , o termo aiqwm^ a rnstru-- 
mental^ t ^causal. . . / 

Siipponkamos Y. g.-que tefHos p?tra fa^erhuaUi Caiv 
ta de aviso. Examinaremos em tal caso o priucipio^i 
quo\y isto he', a qualidade dap^essoaiqueescreTe^eser 
gundo seit grio, bu dignidade, dedu?ireaios todos 
aquelles tei^mos , . que pddem ■ scr proprios , e corres* 
pohderites , havendo deescrevcr, ccmov^ g. 

O interesse. Odesejo. , 

A attenfao. A obriga§a&. 

A imlinafaS, Os votos* 

A ^opmsaB. A veneragaa* 

O respefto. ' O afectc^. 

A estimaeaS. O pisequh ,* ^c. : 

Fcito isto 'assim , facilnaente podercmos dar princi* 
pio i Carta , dizendo : • 

O respeito devido dpejrsoa deV. Es^tlknci^i > ^' 

A veneragaS^ que prof ess0 aos merecifnentos de^L 
Senboria , &c. ' ^ ' * 

A okrigafaS y que par muitn titui^£ Unb^^fd^K- 

O 



(1 phffkndo vhsequi^^ que ntmdo' i^c. 
Porem' se quizermos ^dnrprincipio com maisefegaiH 
cia, e^oniato Rh^tDricb^ eiirenios :., 

A humildade dQ retpeitOy que.frafhssJb a F* Excth 
kncta. . . / 

6 fervor -da serviiao , que ttnba &Ci 

A distinfao dd apreco^ que fafb &c. 

A for fa da imlhacaS., com que e^r. . , 

Pod^emo*. tambem \ na6 seiri clegancia , senrir-il6§ 
tdaiente dos epithftos.; coino v-'gw : ''^ y 

' A especial vener a cao &Ci • A altaestimatao^e^ 
A sinter a amiisade ^c.^ O sumnw respeito irtA 
A nen^irerite servldaS (itd 
A reverente seinridady que pt»f4isao i pessoa 4e 9^ 
Elcelieiicia ^ iiie obriga a dar4iie a iiotick da tninha. S> 
Jiz chegada a esta Cajte. ... , -. 

O Inifitiide rcsfieuo, com que.derotratara pes^o^ 
de V. Sentoria, me pdenaprccisa ohrigagaddelhesih 
gnificar a tninha chegada i Corte &Ci 

As particulars t.ijibriga goer, qoepor jxriiitos titu-' 
los devo a V- Exceikncta , fazein-meJen^ar a precisa 
acga^ de Ihe participar a mliijia chegada a efita Gidad^ 
Com prospero successo &c. 

A bonrosa servida6 , com quegostoso viTOCriade 
deV. Senhoria, mC'Cstiniula^ me gaia , me inditz , me! 
da impulse , me abre camink), itie obriga , flie ):ondu2{ 
a dar a. V. Senhofia noticia da xninha chesada &ۥ 

He, tafi graiidc , vivo>distincto , assignalado , effica^/ 
^^roso , ardente, o desgo, a ambigad, a vontade, « an* 
sia 5 que tenho , sinto , conserve , experimento , noanimi^, 
no coragad , de me emptegar nos estimaveis , lienrosos ^ 
appeteCKio^, suspitados ^ venerados! ^ preceitosj jlisposi- 
Sfe, ordens, deteiani^ia^fies^de V. Excellencia, que? 
<^onto, avalio, nom^rp, repute por grandly iionra , 
•^rte.^ dietin§a($ , ibrtnoa , a Qccasifi6 , a opportunidadcf, 
de obf decer , , de servir , de comprorar com as obr^ 
^ V« EsMllencia asmceridade das xnln^s paUrraif. &cr4 

^ Aji »^ 



>j§ I H ^ T ft V c;^ 3^'B 

Pelo que respeita ao termo W quern i istdhc , i'pes- 
spa' ^ qucm se escreve ^ ^usareittos de todos aquelles ta> 
inos^ que convem dfioaqiialiAade^ ccmo 7. g. . 
-', .A author idffde.: Ad^gnidade, 

A tenignidade. A ckmencla. 

O merecimenttK ^ ; O curacttr. 

A affiabilidad^.^ A b^ndade* 

Afam^. A ufJmnidade. 

\ As qualidades. . A ivrtezama ^e. 

Poderemos dizer i&to^com cnfase , e elegancia., dfr- 
isendo assim,: : . 

A^suhlimidade da mereci" -. yA ekvafaff da dignid^de. 
f>jento. X * ' Asin^aridade da cle- 

•O at tract ho da iemgnidadei mencia. 
O respeito da car^ainr. A raridade das quaiidades. 
A grandeza da author idade^ ^eJfpecialidade^ . 
: . Ou tainbem';podercmosusirsnnplesnae»tj^diC^epi- 
•lihetos 5 dizendd; i 7, ' : 1 . • V 

A suhJime aufioridad^* A imata benigmdade. 
•: O raro minechnento^ . . A distincta ckmencia. 
> A a It a dignldade. A singu/ar bondade. 

' 0£kvado cdracter. Asestimarveistiualidades^ 

Para continuar o periodo, lembrar-nos-heiiM)S de to- 
«idos aqueljey verbos , queadequadamentecorrespond^m 
ao principio h quoy de que ag0ra/tratatnos , ccdn v. g, 

Distinguir. Jftdt^ir. ^ Estimulan. 

Conduzir, > . ' Levar* . Animar. 

Obrigar. Mover* . v . . Quiar. 

Porertij para fallannos xnais elegantemente^ dire-^ 
ihos- por exempb : ' ^ , 

Abrir caniinho. Mover anima. , , 

Dar oecasiaS. Guiar ospassos.- 

' . Eis-aqui , qUe xieste modo fazemos com rauita facilL- 
dade o primeiro periodo: v. g;iBcqui^itiosprijKipiar 
pelo principto a quo, di^eoios v. g. em Cartas* dp boas 
jrestas: 

A huoiildade do. meu reapeiiD pede ^ qve eu tribiw 
' • • , ■ te 



K B L I M t K 4 ». f; 



te a V. Exceilencia hum -annuncio das inaiores felicida- 
da na corraote Festa do-5anto Nacal\ &c. . 

. Ese quizermos d^r ^pnnciiplo^lotettno ad quenty 
podonbs dizer dest* maneira : . 

A sublimidade do inefecimento de V, Scnhoria pe- 
de, que eu IKe deva desejar todas as prosperidades na 
prescnte Festividade 4o Nascioiento do Schhor , &c. * 
O que digo das Cartas de bo^*Fcstas, se dere en- 
tender de outras quaesquer, come de parabens , peza- 
mes , agradecimentos , recommenda^aS y &c. , 

A Instrumental serve para revettir melhor os so- 
breditps termds, como y. g. 

Com a maior hmnildade ih meu respeho. 
Com a fnaior sinceridade do ntet^ ammo* 
Com as expressSes tfi^is sinc^rds. 
Com o mah reverent i* testemunho. 
Com 9 obseqttio mats respeltoso^^ 
Com m mats obsequiosa demonstracaS , ^n. 
Estas fdritiulas instrumentaes tafito p6dem scrvir 
para o termo ad quem^ cOmo para o principio a qua ^ 
V. g. para o principio 4^ qiio ' . / 

Com mats reverent e obsequiodaminba strvidaS^ 
Com mats forte impulso ds minima inclina£aS. 
. i^om mats particular ^conheeimento das minhas 

obrigafoes. 

Com del^ejo mats ardente do meu animo^ ^c. 

Epara o ternio ad quentj diremos desta man^ira : 

Com as mats reverent es e^opressoes , que sao de-^ 

vidas ao merecimento de V. Excellencia , ^(^. 

Com a bumildade mats respeitosa que se deve d 

pessoa deV. Senhoria^^c* * 

Com as mais shciras demmstracoes , quepedem 
* as raraf vipiudes de V. Excellencia , i^c. 
Com mais fiel obsequio , quese deve ao alt0 ca^ 

riveter de V* Excellencia > &c» 
Deve-se notar, que logo depois das sobreditasinsr 
trumentaes^ podemos ajantarhumdossaguintes^yerbos: 

Fou 



,1 kr «r T 1* tr c i| A^ 

Apresento-meJ ^tibuto. 

Tenhoa hanra. ^ Offerefo-me. • ^ 
Tenbo a occasiaS. Enclimro ofif^una. 
Tomo atrevimento. 
8e, quizermos fiorem dar principio a Carta pela 
Causal^ que he a quartk formula para principiar huma 
Csrta , u^areitios o^ todos aquelles verbos f que pro- 
pjiscuamedtc se p6dem adaptar ao principio ^i quo , e aq 
%^T^mo ad. ^uem^ cotRoy* rg. v - , 
• Para satisftf&er d drrgafa^ , me tenha , &c. 
Para mestrar afiel servidaS ^ &c: 
Fata mofaJtardestiniafaOj'que^fafOji^C. 
, Para dar burn signal de veneragaq^ ifc. 
fata dar a conhecer a gratidaS ^ &c. 
Para fa?j^ justi^a aomerecimento ^ ^A 
Para render veneraCaS as virtudes^ <^r. • 
. Para applaudir as letras , e linlor , (j^r. 
Deve-se^ notar mais, qde podemos com muita pro^ 
^riedade, e elegancia ob^ervar as circunstancias seguin-^ 
t6s , V. g, o tempo , a occasia^", a oppbf tunidade , a 
fxperienda , &c.- por exemplo r 

Para acempanhar o pfesente appIaUjSO ^ &'c. ' 
Para ncS per der a0€Caxiao^ que me dd , &*€. 
Para vie valer da bpportunidade , que se offeree 
ce ^ iye. 
- A qui se abre hum largo theatroaocfigcnho do'Se- 
fsretario principianre, para mpstrar as-stias ideas: por- 
. que depois de e«t^r pratico nos quatro modos sobredi- 
to^^ poderi-desta CWjif / extrafmr com facilidad* muU 
^bli, e novos princlpios para a sui Cai*ta , formando 
Jliim periodo ma^i^ u»ido, r. g. ondedizemo&i 

Para satis fa%er a drigagaS. * 

Poderemos elegantenicntedizer assim-s 
. He taSgrantl^ a tAriga^ao , quepr&fess&d infiata 

henignidade de V. Ex^eltencfa t^\&(. 
Qu Hainb^i^ por este mode : 

Pror 



?rofess0 bwna ahrigacaS tao granie drara he-^ 

mgniiade de V. Senboria^ ^c. -* 

/ Ou tambeni asslai : 

Sttu tao particuiarmenti obrigado d bovdaie in^. 

nata ae E^ceUenaia , ^d^-c. 

Poderemos mudar o principio , que sc extrahe des- 

ra mesma (^ausai ^ nos outros dois modos , isto he ^ 

DO principio a qu^ , e no termo ad qucffi. Efn quanto 

aaprioieiro, estas saqas foromlas : 

Em attend adds distinetas obriga^eSyqUe devayifC* 

far a satisfa&r do nwitOy que a^mittha oirigada 

servidad^iiTc. 

Tara desempenbo das infinitas dividas , &c. 

Etn quanio ao segundo xBodo s^6 estas as forniu* 

las, T. g. ' ^ • 

Para jqueV. Exdelkncia conhefa^ q$iantoven&0 

OS seus singulares merecinuntos y ^c. 

Para que V. Senharia comprehenda^ atd onde cbe-* 

ga o respeitOy que ibe, prafessa , &€ 

Para que jK* Excellencia fiquepersuadido da alt a 

'veneraQaOy ^ue tenh& as suds raras virtudtSy &'c.- 

Esta iJc^smzCausai podera o Socretario.variardes* 

ta maneira > v. g. . ' 

Nao para c&rresponder com hum miro comprmen-' \ 

tOy mas para expressar kuma pur a verdade , &c. 

Nao para acmtipanhar o aso cmmium , mas para 

testificar a v. Excellencia a minha verdadeira 

servidaSy if'c. ^ . , , 

NaS p€r mqtivo.da minha conveniencia , mas sim 

por imfmlsoda minha^QbrigafaS ^ &c. 

£Ta5 ptnr pflitico costume y mas por particular 

obrigafab Tninha , ^r. 

Taiiibeax se piide mudar isto'mesmo por outro 

modo , na6 menos usado , e elf g^nte , v. g. 

Nao be o uso commtmi.y mas o prof undo respettOy 

que professo a V. Ex^cUemia , quern me con- 

fc, &c. • ' -. ^ 

NaS 



In^S T R U C q A 6 

NaS hsso a comeniencia , mas a distiMfn ohriga^ 

Ca5 y aqt^ella que me estimula J ^c. 

J^ao tra% a sua o^igem do costume ^ mas sim do af- 

fecta^ /lesejo que tekho de que V. Emelknciay i^c. 

lHaS de hum m^ro conhiinmento ^ mas das minhas 

dividas injmitasy he -que se derha, o sineiro 

Mesejo , , que tenho de- que V. Senhoria i &c. 

Applicarcitoos' todo o segundp periodo em pedir , 

que;se nos agr^dega o ^1 obsequio , e desejo. As fra-- 

ces ixiais proprias ^ elegantes , e ueadaa , sa6 as segirine 

Receba. Aceite. Agr adeem. 

Cerresponda. Digne-se^ Sirva-^se^ 

Acolba. De lugar. He^re. 

Outambem de outro modo : / ' 

/ Favare^ihmt. Fafa-me ofavar. 

Cunsole-me. Cantinue-me a bmra. . 

Honre-vie. Conceda-me agraca ^ iTCm 

Ou tambeiji de putra . maneira : ■ -" 

Espero^ v Conjio. Persuadihtne. 

CrejQ. • Entenda. Capacitchme. • 

Rstm cert0. Nao duvido. Na5 temo , ^c. 
Quando por6m e^crevemos a pessoa§ de grande au^- 
tJipridade, e a SuperioFOs, regularemos serapre estas 
formulas de modo , que pntrem esres termo9 : 
Supplicas , r$goSy desejos^ einstancias. 
Como V. g, 
Supplicq bumildemente aV. ExceUencia,y que se 
4igney&(;. '. . * 

Humildemenie rago a K Excelif^cia^ue me bonre. 
Cousa mnhuma desejo mats , qui a bemgna ajccei^ 
tafad de.V. Senhoria. 

JN40 cess^ de iff star a V^ Excei/encif y que me fa^ 

fa a grande honray &c, ■ • \ 

. , Porem, para.se ftaer mais apto p Secnetario para a 

romposijao dc hum carta , daivlhe-hei , C5om huma 

(Jivis:^6.dc pei-iodos^ hum novp^^xemplo, Oeiuzindo^ 

«9 ' 



«5 primtiro periodo do principio a tpm , o segundo 
Msccra do termo ad quern \ como v, g. 

As inexplicaveiscbrigacoes , que o meu animo^agr^- 
decide protesfea a V. E^cellencia , me Ieva6 precisamen- 
te a desejar a V. Excclfencia nesta Pesta Nataliciaoau- 
|e das maiwes prosperidades; ( Eis-aqui o priaieiro pe- 
riodo. ) Seraefteico da incomparavel benignida Je de V. 
Excellencia ser bem recebido csre meu sincerb , e devi- 
do obsequio : o que vivamente rogp a V. Excelleucia, 
imploraiido a sjia mesma bcnignidade. ( Eis-aqui o se- 
gundo periodo. ) . 

Pelo contrario^ se o primeiro perjodo se deduz do 
termo ad quern ^ o segundo deduzir-se-ha do. principio 
a quoy vJgk , 

Ac incompai;avel merecimentor de V. SeHhoria sao 
devidas , por. todos os ticuios » rodas aquelLns felicida- 
des , que eu Ihe desejo nesta Solemnidadc do Santo •Na-' 
tal (>Eis-aqui o primeiro periodo organizado pelo ter- 
nio ad quern. ) Ekj atten§a6 a este raeu obsequio , jusfa- 
inente espero , que V. Senhoria premiara a minha fiel 
8ervida8 con^ os scus frequeatissimos preceitos , 08 quaes 
suppiico com rarito ardor , como sinceridade. ( Eis-aqui 
segundo dedu^ido do principio a quo. ) 

Tambem para com eiegancia se tecerem os perio- 
dos, se no primeiro estiver a: Instrumental ^ no segun- 
do podera accrescentar a Causal y v. g. . 

Com bum acto da mais reverente servida6 vou de- 
sejar a V. Senhoria rodas as prosperidades imagifiaveis 
na corrente Festa do Santo Natal. ( Eis-aqui o primei- 
^ periodo da InstrumentaL ) Rbgo por tanto a V. Se- 
i^horia, que me de luim-nofo a^^imentodo seu beni- 
gno animo , fazendo-me o especial favor dfl; agradecer 
a sinceridade , e ardor deste meu deseja ( Eis^<jui o se- 
ffJndo periodo da Causal. ) . . . 

Pek) contrarioi Sa no primeiro periodo estiver in^ 
5^a a Causal^ osegundg jededuzifA da Instrument 

°' .Pa- 



ID HE H »T KMT C 9 A fJ 

s Para satis^er as roinha* precists obriga^tics ^ vent 
fiestes santos 6,ias do Natal desejar a V. Senhoria feU- 
Icidad^', ^ alegnes Pestas. ( Bis-aquio prrmeiro pmodo 
com a Cattsal. ) Digne-se- V, Senhoria com.a sua costu- 
mada benignidade -xlc a^eitaf , ^ ^gradecera sinceriiia** 
de deste mcu annual tri'butcu (Eis*aqui osegundocom 
a In^rttntmentaL ) 

Conheco, que htima da« tnaiores dilficuldad.es > gue 
a cada passo encontraS-op principtantes^heoimircpm 
propriedade, ;e graija o segundoperiodocoiaoprimei-' 
ro; e assiin Ihes lecibro, qjue para esta unia6 sqpodeai 
acrrir a tempo dt^articulas seguint^ : 

Fir Uinto: Com tuio. ^ ,. . 

Pdr tal r.azaS. Per tal motim^ 

Cam t4l funiamaae* For issa. > 

• #Porem entremos ja no exame do terceiro penodo^ 
Esta todo este .em exaggerar odesejo, quetemos de 
sefviv , e de que iia6 estejaociosa a no3sa oDcdienck -> e 
vontade. As Frasec communs , e proprias sadr^tas^ :. 

, Cdisieda-mt occ^siSes* Abra-me caiuinh^. 
* De$cubra''im mtfxlc. Conceda-me trieios^ 

* Ou tambem por outro modo : 

Desejdra. Nao possQ desejar tmih. 

^i^ra ttnicafmnte. So htefica o desejo. \ \^ 
Naa appetecamah. Si) me rest a ^ar a desejar , ^c. 
Tamhem dcoutra maneira : 
Qmelra Gee^ que eu possa , como denjo. 
Queira afortnna , que eu me fa fa babiL - ' 
. Queira ^ sdrte , que eu nte bahilite y<4yc* 
Deve-se neka parte observar, que se no segundo pe* 
-riodo nao tivermos u^dd das formulas de supplicas , e 
tapis , poderemos no terceiro usyar dcllas sem escrupu- 
lo: porcm se ja no talperiodoastiv'ertn©5mettido,d&* 
veaios nao usar mais dellas; ^eepto^ se^ houver huma 
particular degancia , q^e assim o permirta. 

So resta diaer algutaa cousa sobre o quarto periodo , 
e he poaco o que se p6de diaer. Eite( con»p ja disse- 
, \ mos) 



F R E L X It I N A Bl ir 

inos)na6 attendc a oucrofim , que a dcsejar felicidades 
^/xssoa, a quern se escreve, c cstas'ardiniriamcnte 
fioiisistemem huma vida dilatada/oso particular das 
Hcspaiihas; porque as outras Na^ocs dao pordi versa . 
modo &n is suas Cartas. A Franceza sauda , a Italiana 
•rdide liuinilha§6es , edcseja geralmcnte todas as pros- 
peridadcs, &c. 

& z pessoa , a qoem escrevemos, nos for inferior | 

ou amigo de confian^a , daremos fim a Carta dizeado : 

Deos^uardt a Fl Merci por muitos annos. 

Ceo guarde a V. MercS-pelo? anms , qae deseja. 

Escrevendo a cstas taespessoas , poderemos tambecn 

(iar fim a Carta , unindo laconicatnente com hum rela*^ 

tivo estc quarto periodo com.o terceiro , por exemplo: 

Fkopara servir a V. Merci^aquem Deas guarde^ 

Offereco todo o tneu prestimo a V. Mtfci / a qutm 

Deof guarde muitos anmos. 

Pica pronta a minha vontads , para se empregar 

no service dd V.Merc^^ a quern Deosguarde, S^c^ 

Porem se a pessoa nos for superior, ecom ella na6. 

tivermos confiangi , r'emataremos ;a Carta , principiaa- 

^P o quarto periodo desta mancira. 

4pesTca def^.Merci guarde Deos por felisses T^ 6 

dilatados annos , como todos bavemos mister. 
A pessoa de V. Excellencia guarde Deos pelos an* , 

nos ^ que todqs Itw pedimos. 
Deos guarde a V. Senhoria por largos annof , rop- 

mo todos nicessitdo^ pedem^ ire 
fiste he o merhodo mais familiar , eestasas formulas 
roais communs , para haver de sc c^rganizar com per- 
ft^i?a6 o corpodehuma Carta. "Muitas mais regras pu- 
^^ra dar se qaizcra Confundiracs principiantes, emlu- 
pr de OS ihstruir... Porem para quem principia, isto 
^asta-j porque para o diantc usus tc'plura docchit. Af- 
fectci ser breve ; porem etltendbj que nad mecompre- 
Wnde acjuella s^nten^a ; 

,Dum 



tz Inst k it c $ a 5 \ 

Dum J^rcvis esse laboroy ^ 
Obsctirus fia. \ 

Nao temos que encbmmeadaraperfei^artdaOrthb- 
grafia , e PontuagaS; porque na^ s6supponhooSecrc- 
tario perfeito nesra parte , mas ainda'no interior coilhe- 
cimento da lingua Materna , e Latina , como cousa ta6 
essencial. Se tiver a mesma noticia dos Idiomas mais 
polidos' da Europa, maior lustre dara ao seu nobre 
emprego. 

Acabatnos dc dar estas breres regras ao Secretarlo ^ 
no que respeita a fora^al cohtextura das Cartas. Agora 
he Jpreciso , que o instruaraos cm oiitras regras geraes , 
para fazer ri^6 s6 regJ)eitado seu caracter , mas iguaU 
meatq o do Amo , a quern servir. ' 

O Secfetario deve ser hum Jano com duas caras 9 
com huma deve olhar para seu Amo, e com outra para 
o ^ujeito', a quern escrcvc por-mandado do mesrao, E 
por qiianto do coinmercio Epistolar sa6 materia8os,se- 
gredos, que nelle se communica0 , c encerra6,' poris- 
so todas as regras se comprehendem nestes tres pontos ; 

Ou a respffito do Amo^ a quern se serve. • 

Ouji respeito das pes sous , a qtitm seescreve. 

Ou deer c a das materias , de que se escreve. . 

. Para maior facilidadd, e clareza, deduziremos des* 

t©s tres pontos dez regras , em cujas ciaco primelras 

xnostraremos os predicados , e per/ci§6es que o Secreta- 

'do devre ter^ e nas outras cinco os vicios, e im^erfei- 

, 9&CS5 de que deve fugir. As regras sa6 as seguintes : 

Segredo. Demdra. 

Erudicao. Proliocidade. ' 

Ceneralidade. Aspereza. 

Refiexao. Igmrancia^ 

t' Eloquencia^ Mscuridade^ 



PER- 



URFEiqO ES DO SB CRETJRIO.) 
G A P I T U L O I. '^ 
§ I. Segredo. 

1 6de-$e dizer a *hmn Secretario >; que a observancit 
do segredo he a maior elogio,com que pode deixarrc- 
commendada a sua memoria. Recebe os segredos dn 
boca de seu.Anjo , para os comniunicar, enao paraos 
divulgair. Sa6 d maneira dos Aqueductos sobterraneos^ 
qne communicaS as agua^ para fora. Em fim , osegi^e^ 
do ha deser nell? prbprianiente segredo. For isso hum 
discrcto Italiano a hum Secretario, cjue tinhapor Arr 
mas humLyrio, e actiualmentc seryia a hum Grande, 
deo per empreza outro Lyrio, e perto de huma Kosa 
com estes versos , que, em Portugucz dizem : 
Se. acasQ W mo te abrires^ 
Eu semfre estarel fechada.- v 

\Ux> hp , que o Secretario na6 deve abrir a boca ^ 
sec Amo na6 abrq a sua , nem descobrir oseu peito, 
quando o Amo na6 patentea o seu. 

§ II. Erudi§aSn .:- • 

Houve hum subti>engenhb , quc.dis^equea Arte de 
ttcrever ensiua hum^ ni;iravilhoso ^grcdo , o qual .he% 
de pintar a palavra 3 fallar aoisolhos;, edar cor, fc al- 
nia aos pensainentps* Se isto conveqi^aqualquer Escrir 
to, quanto melhor convird as Carta?. ^'por meio das 
quaes ss explica6 , e nlanifesraSos conceitpsaosauscttf 
tes ? Dc'muita trudi^ad necessita o Secretario, sendo 
tantos 5 e ta6 diversos . os pensamentds de seus Amos, 
principalmente se sa^Spessoas Cpnstituidas emalgum air 
to etnprego. ^ . ' . 

Deve-se achar aelle ( se for possivel ) junto todo 
^quelle enidito thesoiiro , que se v^ em outros dividido : 
como heHistoria principalmente profttia , Rhetorical 
Filosofia, Politica; Geografia, conheclmento dgsliiir 

guas^ 



l^ - t H 9 T R tl C 5: A 6 ' : 

guas, e de outras mais Sciencias, cojuque oS HomeM 
dmxa6 igualmente distincto^j c immortaes oi sciis do- 
mes, f- , - . 
\§ TIL Getier alidade. ' 

GSecretario deve em tnuitascousasser geral, pria- 
cipalmente oa inven§a5 , a qual com eiegante descobri- 
mcnto d^ Frguras veste os cbnceitps despidos d« lodo 
o adorno Rhetorico. Por exempla : Eu vos amo. A In- 
venqa6 faz-se por tres modos; ou he facil , oti profiin-^ 
da 5 ou ornada. O prinwiFO modo deriva-se dos Luga- 
jes>~que cbama6 proximos; ccmo v. g. no BDesrao 
-^cemplo, que agora puzemos. Os n^ossos predicados me 
:estimula6 a amar-^vos. Osegundo deriva-sedascousas, - 
assim prpximas , como remotas ; esempre comiiiagni- 
ficeiicia usa de hum pomposo ornato de palmyras gi^a^cs ; 
cotm)-: lifiriqueceo^voj oCeo C4>fn tao r^ros dottt^ que 
nwvem a tcdos ^ para,vos amnr ^ emuiparticularitk^n^ 
te a mini , que tendo mais distintt$ cmhecimentodeUes , 
ihes fariahumanotavel injuria ^ se cptn agrandeza 
^Mks na6 ignorasse ^a do weu^ffecU.Do^ttmo^ se 
ajum:a6 as ccusas , que gcra^ o amor. . \ 

A inven^ao ornada toda cprista hOB eh^tst^ormr^ 
tos^que a vestem/v. g.Como m plbos vencem em 
lu% as EsifettasYOssim tambim si(S huin viDdargU" 
iHent0 da n)ossaf^mosurfl , e do meu amor. 
»'• Em segundo lugar deve oSecretario s* geral nos 
Estilos 5 porque saS ifiuitos , e diversos , seguqdo as di- 
Ve^^idades de Cartas,. P6dem-se ^tes redOzir' a dois , 
T|ne sa6 os tnais tisados. O primeiro consiste em hum 
feilar eJoquente, porem pouico lib^alde ccnteitds , e 
palavrils.. Usou-o Cicero > chama-se^ Esrilo temperado. 
Osegundo consiste em dizer concisamente ; e rem o 
nome de Laconico ^ usado igualmcnte do mesmo Tul- 
4io has suasAttica^ ' ^ -: . 

Incluem em si cstes Estilds o Estilo grave, simples, 
cDliCeituoso ^ jocoso, faceto, picgntc , cifrado , e 
Tmijtto. ' . ,. 

O 



' I* K oar L I M r H A *. ^^ 

O estilo grave ^ e simples ht cominum atbdos; c 

he aqucHe jnesmo, que observe Senecai, fallaftdo a Lu- 

c/fe doEstiio Farniiiar : Qu/rlis meus sernio.esset , si 

m\ scdertmus , autambularemus ^ iilahratas (yfaci^ 

Us \ -tales volo esse Epistolas nieas» . s 

O conceitueso pede ^nigenho : o facet o quer. ngturar 
Mz^^ de ditos graciosos : x> pic ante ,. pede Umbem 
muitanatur^lidad^, mas com artiiicio de engcnho ; o 
cifrado Q^cv symbolos, oundmeros arithmeticos,. qac 
pareqa que ji^o concorda6/ e que foraofeitossem con- 
sidera9a6y porem ha6 de inciuir.cm si segredo y que 
tantc ha de saber quern iiiaiida , ccnno quern jteeebe^i 
Carta \ o mixta deve participar'de tado. 

Em tercciro iugar deve o Secnecario tef hum geral 
conhccimento das^Frases , que m6 majs proprias do Es^- 
tilo, deque^usa, e da materia , do que trata.: O faUar 
natural louva-se ^ e «grada ; o que he occultaramte ar^ 
tificiidso , nao se vitupera : o aflectado*enfastia ; e obrC'^ 
veesuaiar*se.,.sep.Negocio opiede) e se na6 degeaer 
ra emescuridade. /,. 

Era quarto lugar dere gerjalnaente saber ascotklas 
mais importantes 5 para applicar is dirersidades daKina^ 
terias, de que escreve^. .• ■' , : I .•:...:• p /j 

Emqiiiftto Lagarhe^lhepred:?aJw>magrande.sih(;eiT* 
dade , degei^iio:., deiembaraco com as . pesscasi, com 
qiiem trata ^ e.em ultimo lugar. deveslaber'todos Jbine- 
gocios , e interesses deseu Amo. . . ^ i >; ' ; 

.. § lY. Refiekhs^ ... :- ^ 

. Hum dos principaes prcdicados, que^etsqtar hvip 
bom Secretario , he a jenttaBy potJquedevc muJcoi'et 
flecdr sobre as ma terias, esujeitos, com quern tratta^ 
e tambem sobre a-qOTHdaderdapassoaV'^^tttrstrve. 

Com OS sujeitos de4bferi:orxortdiga6 »: oa de^^ouca 
capacidade » deve usar dos termos maisnatuca^i para 
que o-coute^do $e Ihe fajai percejrtiveL Cpih osiAttiigos 
( se nad houvcr outromociTO ) dwe scrliber^iie^prir* 
vras^ e discucsos , £ de upressdet a&(mfosas* ^ poB* 

SOM 



.!< f K tr It If c 5 Ad 

soas illustres, edegrande predicamento pelosseu^em- 
pregosy deveescrever succintamente , e com estilo res- 
peitoso, como v. g. o de Plinio para Trajano. Se as pes- 
-soasforem sabiasusard deerudi§a6, e de hum estilcjes- 
cnipulosatxientc castigado. ' 

Qiiando houver dedar notioias de coiisas presentes , 
sera de rnodo , que na narra9a6 as>adorne , ma;p sem a 
ininima afFect49a6 ; porque csta , como sabem os doa* 
tos 5 he o maior vicio do Escritor. 

• Deve £ambein reflectir iRuito HOFestilosyincis^trata* 
imcntos V i^osi ternaos , e nas consiequencias ,: quepddem 
ter.ar. Cartas-, para'quen:i6 va6 a offender, iiemdellas 
nasgao 'algumas diiFerengas.; . ' , ' • 

^ . Dev©;uldtiiaiDente-^zer.reflexa6 nogenio, enOes- 
tado 5 e ua.qualidadc de seuAnio ,- assim para I3a6 o .em* 
bara^ar- cim alguma cousa sem fufadaipmtto ; cbnio para 
tanibem della /O naa fa«cr ceder tend9 Ta2a6. L)?au>rc*' 
€e do dito daquelle ^abio : Contenthsa , out ofrioya 
€cyifUo facthnuw safe caksa^ ^ foment um^iSS. "' 

§ V. Eloquencia. .:■' -^ 
w ; Hdma simples Erudija^ he coma: rustica^ c huma 
Gmxm. -com pensamentos' niis he cousa insipida. He . pre^ 
ciso adornar huma , e cutra com as florcs da Eloquen** 
eSa^^Parascusar dds pcpceitos della henecessaria adis- 
crcta reifexa^ , - que agora encpmmendifiios; • , o - ^ 
•- I De«e:oSecfctarioleinbraT-se , que. a Eloquencla dr?s 
Cartas na6 he a mesma , de que usa6 os Oradores-v « 
Academicos nos seas Discars^s* For quanto , seja quaP 
ipieii aD'pcssba , ou ^ijateria j de queefcreva , seinpre 
a Caitaideve ter hum' na6 sei que de familiar, ^ parti- 
Ctt-lar.; - - . - - ^ « ' i 

.: :Por «so use oSccretario depo^cosexordios, « es* 
tes claroes e, com huma visivel connexai6 com^o cbrpo 
daCaftak Sejad affectuosos ( porquc o aflfecto concilia be^ 
neyofeAda ) , je jseja6 igualmeutc mui .'breyer, para 
que aL "Carta naS cntre logo a cau^ar tediol Grestil^ 
xkvei^rjBiaia Laicoaico, que A&iatioo;^ .porcm ^sebre 

-'.Jv? tu- 



P^ B L i M I N A *. f7 

.deve scr tal , qual he a materia de que se trata i 
e i}& , pesseas ^ que epistolarmente se comtnuniea^* 
Nao despreze os Tropos , Transla^oes Rhetoricas ^ 
com tan to , que o tiso seja moderado , e discrerbi 
Pdde usar dc Sentengas,. de seiiiclhan9as , e Formulas ^ 
de Periodo§ , e de outras clequentes Figuras da Rhe^ 
torica ytm6 passando^ta,permhsa6 a liberdade Poetical 

IMPERFEl'qOES DO SECRET ARIO^ 
CAPITULO IL 

§ L- Dem6rai , 

JPjs'SE defeito piide achaf-se oii no Secretario , oil hi 

Cart^. No Secretario, he huma grande imperfei5a6,} 

poique pela diligencii se adiaata osenrigo deseu Amo} 

c ^pela negligencia ,r ou defticka , totalmehte se perdc^ 

Ha, outra cspecie de dem6ra , que procede doenge-- 

ulio obtaso, o qaal fast difficil a pronta composigad 

de huma Carta ^^ e Ihe irap^e q- ser perfeita , despia- 

do-a daqueHa gra§a, qae naturalfterite Ihc corkvcm. 

Estc dcfeita na«ce comhoscp ^ e cond difficuldadesetti* 

ra ; J)Or .i§so Gaudeant bene natu Com' tudo p6de-se re- 

mediar, qu. ao menos dimuiuir ', iia6 xtienos 6om o 

cstudo, que com a prarica* . . 

§ IL Proltxidadei 

ChamO ptolixidade t hticnaxerta yastidaS , t grari- 
deza de Cartas, que dizeiidopouco em inuitas palayras/' 
cau§a fastio a quern \L. I^vre^se por taritb o Secretario 
de ampliac6es^ digrcss6es , e-de outras semelhantes , cf 
fastidiqgas locu^oes. f'uja de multiplicidade detextbs^' 
e authoridades : e husque scmpre ser breve^, com tantc>\ 

2uev|ia6 tire a ienergia-io conceito^ dd que Usa na sua 
arta. • "^ . ,. 

Nas Cartas de cbnipritiidntb' a jiessoaSgr^ndes^ ii 
fakVras, devem ser poucas, e o esiiio:respeitGso,4 



; . ^ ; ^ ' ^ 

1% I K 8 T 3: tr c 5 A 6 

conciso; na$ de narra^ao tantas\, quanta^ ba^rn p^ta 
se descrcver alguipa cousa adomada de algumas Figu- 
ras. , Nas de pczames fuja muito mais da extensa6 , pa- 
ra na6 augmentar com. repetiqdes o sentiipento, ncm 
ayivar huma d6r que taitez ja na6 he penerrante. 
§ III. 4spereza. , 
Esta p6de estar ou no conccito , ou naspalavras- 
E tanto devc o Secretario fugir de ser aspero , e duro 
em huma 5 como em outra cousa., OteHceito hade ser 
delicado V as expressoes suaves. Ainda quando reprc- 
hender a hum inferior-, ha de usar de pouca austeridade, 
c rigor ; porque deve attender muito a que se cooserw 
p respeito, e caracter de seu amo. OJuizo prudcncial 
cstd em temperar odoce com o amargoso, I maneira 
da abeiha , que com o seu ferra6 tanto fere , comp sua- 
visa , langando a.do§ura do seu mel ; e na6 copio os 
Mfedicos , que para curareni a doen§a , exiraiiem o 
sangue.por meio de molestas sangrias^e com eliemui- 
tas, vezes a vida. 

• § IV* Ignoponcia. 
.' Jd acima diss^mos ao §. em que tratamos da Eru- 
digao , quid grande defeitp seja era hum Secretario a 
ignorancia. Neste s6 brevemcnte diremos , que ha duas 
'diversidade$ de ignoranbia :. Huma pri\ratiya , e a outra 
positiva : e tanto huina,comio outra se cura6j e re- 
medea6 com a erudijad. 

A privativa he aquelia , que se conhece em hmna 
Carta, quando esta dtspida de todo' aquelle erudito 
composto, que devia ter. A positiva ( da qual unica- 
mente fallamos neste lugar ) he a que se aeha em hu- 
ma Carta, quando nella-seencontrao erros* £stes pcS- 
dem ser de muitos modos. ' * 

Primciramente a rcspeito das pessoas , d quem se 

cscreve, privando-as com^offensa da sua authoridade, 

e dps titulos, e termos,- que Ihe sa6 devidos , por 

ignorar a fdrmalidtde dds tratamentos. 

' £m scgundo lugar, pdde dar-se tambem crro na^ 

♦ ma- 



P 1 It 1 I M I H X t. f ^ 

material ^ tiataiido'as dehummodo , cestilo superior^ 

00 inferior aonierecimento dos suieitos , a quenr wcreve< 

£m ukimo lugar , pode igualmenfe dar-se nas his- 
torias , que reiatar , nas autnoridades , que allegar ^ 
na Chronologia 5 Geografia , &c. Pof isso para o Se-« 
cretatio fiigir destes erros , he preciso hutasL larga li-* 
$a5^ e com ella huma grande cautdia^ 
§ V. Escuridade. 

Sa6 a® vozes signaes dos pensamentos j e substituindd 
as Cartas o lugar dalles , evidenremente se vd, que sL 
escuridad©' ao dizer he hum notaveb^efeito , e huma 
consideravel imparfei^aS. Atfectar este viqio , sendo, 
cousa a rbdtys commiitn , he mm parqcularmente cond^ 
mum nos SecretaHos. -' * 

.P6demrse desculpar' os primeiros Mcscres cJas Scien^ 
cias dei as^hav^jrem tratado com '^ escuridade , porque 
com a clareza do» termos na8 as qulzera6 fazer vul-^ 
gares ao Povo; porem nenhuma- desculpa pddem tef 
OS Secretarios ; pois as Cartas. ^ como express6es de 
km cora^a^ ao outro^ nunc^a sep6dem saciar de cla*' 
reza, ^ ' \ ' 

E per quanto 'o que pafa hum Idiota he escuroj 
para num Doutor he claro , torno' cnitra vez* a recom- 
mendar ao Secret^rio a reflexa6 v e a propriedade no 
Estilo, &* sic de ceteris. He preciso usardo^tempef^ 
ros segundo OS n^anjares ^ e destes i prqpcJrgafi dos es- 
tomagosi 

REGRAS, 0E O SECHETJRlO JiEVt 

PRATICAR NAS CARTAS t)© HECJOCIOSi 

G A P I T U L O III. 

Orooo OS Negocib$( o 4ssuriipt6 mSis Stnpdrtante dasf 
Cartas , na6 basta dar ao Secretatio regras geracs , e 
tommuns a todas as Cartas; he preqiso dar-Ihealgii^ 
mas particulares. para taS consideravel Biataria. Po^; 

B ii quan- 



ad 1 IT St K u t q A 6 

i^ato , si n® Cartas de comprimento parece , que brip* 
ca o Heflgenho, ^naquellas , em que setrata6 Ncgocios , 
falla-se c(Jm isericdadei. porque se trata de interests , 
em que p6de perigar ooem commum, ou ao ttmaoso 

^aFticd^. 

Nas outras materias humerfb de peima na6 costuma 
trailer OBmsigo grande consequencia : eo mais quep6de 
fazer^ Jje que o SeCr^arioem lugar de adquirir nome de 
discretp , o>pgrca com vergonha do seii caraeter. 
. He preciso primciramente ao SeCretario hxm. singu- 
lar J e- inyiolay^ segredo-nos Negocios : e muit6 iriflis^ 
Feepeitando estes ao publko. Ao depois . he aecessario 

/que a sua Carta €cja dtfialmodo ordenatte ^ que por el- 
la ( podcn^o Ser ) .se cossiga logo ofim desejado dq Ne- 
gocio ; d maneira do fogo v^^e pegado ao murrao im- 
provisamente-accende a polvora da miiia , primeiroque 
se yeja o fumo , e sc: sinta o cheiro^ ^ 

Para bem setrat^em os Negpcios , reouer-se huma 
sblida erudiqa6 / fundada na perfei'ta intelligencia das 
Historias, c das Negociajoespoliticas, que outros fize- 
ra6, ou para<na6 cahir no mesmo precipicio , ou para 
buscar o mesmo caminho. 

He prcicisp.enieBd€T que materia se trata ; se publica , 
on se particular , para saber as consequencias : e por isso 
se. reqtfer tambem quea erudigao acompanhe a reflexa6 , 
5e a genei^alidade , das quaes ja fizemos menqa6 nas re- 
gras precedehtes. 

He igualmente muito necessaria; a intelHgencia dos 
termos proprips i qualidade do Negocio , de q^ue sc es^ 

, orevej como v.g. sese tr^tasse de vendas , ou de ou- 
tros contratdsi Attenda tambem muito ehi escrever com 
desembarajp , sem rebuco , dissimula§a5 , ou engano , 
parania6 embara^ar dealgum modo^ seu Amo, princi- 
|)almente se es Negocios res]peiia6 a© publico ; porquft 
jnuitas vezes pela imprudencia de huma Carta perde a 
fortuna quern ,iieg<K:ea , ou f^ra' oPrtiicipe^ ou para o 
jonununa, ., 



P K I? L I M I H A K* %l 

A 'elo^ucncLi em semclhantes Cartas nao !ia dc 



um das 



por- 



o subjime^ Porem bastari que se cncoste ao me- 

'«>ra 5 que em outras Cartas he toleravel j 

; -:;ui notavelmentc prejudicial. 

. outras Cartas se deve com brcvidade % quasi 

: , fuglr da proli: ' ncstas amda que se deve 

'^^csso , scmpi:- J:- ooni que nao cuide cm 

eve. Heprecko dizertanto, quanto pedea 

- vexes ?uccedc cm Imma s6 Carta tratar 

cIqs, E quando estes se derem ^ he neccs- 

^s cm §§• para nao confundir hum com 

' sempre o primeiro seri o mais impor- 

AS exren&o* 

positivH J da qital nas rcgras gcracs ji 

n ultima ruiaa do negocio ^ e a maiof 

nente a esciiridade ^ -a qual em outras Cartas 

]r de cxcrctcio a agudos engenhos , ncstas 

T"! . rrtie dcteiia a nio das Negociajues ; 

sa de se niultiplicarem as Cartas , 

iuima scr mtcrprete da outrn ; e ■■■■'••- per* 

a o Negocio , e a occasiaS y e qua;i.,v^ nao se 

ousivelj se fara muito diilicultoso. 

irmo^ outra vcz a dizcr em poucas pala- 
>.vio se deve haver o Secretario em kernel h an- 
as /bastara que saibaj que com sen Amo ha 
:!oso, com o Gorresponde-^ ' cero ^ e com- 
^.p,.- ^..*ado. Sea pcssoa, a quern e.;^.LV^ ^ hegrandc, 
e o NegoGio he de outrem ^ ser:i bom que principle 
' ■ ' e, e cngenhoso cxordlo. Jid ca- 
\;L^^.i::tiam. Se o Negocio for da pes- 
- ^ cscreve ;> sera mui proprio o kmbrar- 

Ihc 



I 

4 



^» I *r s T » u c q A (J 

Ihc a princlpio a servida8 de seti Amb , settipre prdm- 
pta pgra>^ empregar nas suas ordens. Se o N^cio 
estd t)em'assomDrado, e aicaminhado , dara delkiboas 
fssperanga^s ^ confiinda itociito \ ponenti hunca as^gufando. 
Se se trata com pessoa , que alias estd pouco diiposta 
para o fazer , usara 4e hum tal artificio de palavras , 
que a vcnha '$ disp6r. Ultima mente, se o Secrecitrio 
fconhecer que o sujeito, a quern ^scrcve, -^lem com sea 
Amo huma sinc6ra , einterior amizade ^ do6CMbra-se na 
Carta coin elle'^ e vi2i6 Ihe occulte do Negocio cousa 
^l^uma. , ^ 

* No que rcspeita ii Cartas em Materia jjttratados > 
que pertencem ao publico, na5'tenho qiie dizcr- apSe- 
cretario , sena6 que 16a attentamenteoutrasCaiptas-,escri- 
tas em semelhantes casos , das quaes ha Livros em diver- 
ts linguas da Europa ; porque assioiy sobre. saber os 
fiuccessos .dos tempos pa^sados , ; e gcnio^, e cqpf umes 
^ (3e diversas Na§6es , aprenderi o verdadeiro estilo,e 
xnodo de fbrmar com perfeiga^ semplhantes Cartas. 

Em quanto aos Negocios particulares, he preciso 
que attenda , e faga reflexad , se a pessoa , a quern es-» 
creye, heniaiori Jgual 5 ou inferior ; se o Negocio 
hede gtaja, ou dejustigay se de favor, bu de obri-» 
ga5a6 , e se de contrato gi-atuito , ou oneroso. Usar 
sempre de rcSgos com tos maiores , se delles depende o 
jae^cio ; e com todos de termos cortezes i c affaTeis. 
Sep. claro, d^jsembaragado , pronto, e observar se^ 
gredd^ e cautela, 

Finalmente , estasregras, sendo rauitas , ainda na6 
feastao para se conseguir, qiiehum Secretario.seja per- 
feito no seu nobre emprcgo; porem «upra p seu na* 
tural engenho', bom gosto: que se o na6 tiver,- mui 
poucos progresses Ihe^ss^guro, .Omcthodo, com <iue 
^e forma cada especie de Cartas, ponho no principio 
lie cada huma com clareza ( 50 que me parece ) em 
putras tgntas adtertencia«^, nas quaes certaiiiente sigp 
5§ melhpres Authorcs *^ que deste assumptp escrev6ra6, 



PuBLIBIIIlfAt, 1| 

& eu , ou nas Regras , que dou , ou nas Carta^i 
qa csCTCvo , nad desempenho ( como creio ) a graodc 
difficuldade da emprexa ; com tudo setnpre hei dc vaA* 
rcoet algum louvor no prudcjite juizo daquelles.^ que 
sabem , que 

In magnis voluisse s At est. - 



FORIViULARIO de TRATAMENTOS- 



K 



I A Instruc9a6 PreliDainar , que d^mos no principio 
deste Livro ao Secretario, no § que tratava^da KeJUxa^^ 
disscmosijue deve attender muito ao proprio , e devido 
tratamento , que perteoce a pessoa , a quern escreve , 
para que na6 nas;a por culpa sua algum pique. Porem 
para, maior clareza escrevemos aqui hum Fortnulario 
dos tratamentos, e do modo de fazer os sobrescritos; 
e he o seguinte. < , 

Jerarchin EccIesUs-tisa* 
. Primeiro que tudo, deyc-se advertirque se 6 Secitv 
tario cscrcver a pessoa, com qiiem sell Amo na6 tenha 
particular confian^a , ou que Ine seja superior pelo nas^ 
cimento , dignidade , &c. ou tambem se a Carta for de 
formalidade, e ceremonia , . deve escrever-lhe em folh^ 
de papel , e que na6 ^eja do oirdinario , mas do fmo dc 
fiollanda , &c. 

Havendo de escrever a Cardeal , pori bem ijo alto 
da Carta: Eminentissimo^ Reveren^issimo SenharXnvi'- 
cipiara a primeira regra della no meio dapagina , em si- 
gnal de maior veneraga^* Nediscursoda Carta diri sem«*^ 
pre : V, Ewisencia , e no fim della : A pessoa de F. Emi- 
nencia guopde Dms $ if*e. No meio do resto da paging^ 

3ae ficftrem.brancO) escmvera duas regras : na |>rimeira 
ira Eminentissimo , e Reverendissimo Senhar , na se- 
gunda Airi Beija ^ sagrada Purpura de V. EviwencU: 
e eatad muito abaixo da pagina se assinara ^eu Amo, 
Ao Scnhor Arcebispo de Bra^a, como iUbo do Ser 

nhor 



' |4. \ I N 5 T'K tr*c 5 A /5 

ifcor Rci D. Pedro H. , Ihe escrevera o Secretario sem- 
pe epa folha de papel conio aos Cardeaes. Pord no alto 
^ carta iSenhor D. Jozi Arcehispo Frimaz; Principi^- 
fi tambem a primeira regra da Carta no meio da pffgi- 
M, e no^isQurso della dirdsempre: V. Altesia.h^^hz^ 
ra a Carta,dizendo : A pessm de K Alteza guafdfiX>eos 
tnuitos annosy como a sua S^nta Igrejatftecessita , ^r. 
e assinar-se-ha seu Amo muho abalxo da pagina em si- 
gnal de venera§a6 a ta6 grande pessqa. 

Havendo de escrever aos Principaes da Santa Igrej^ 
^ de Lisboa , serd obrigadoa dar-lhe o tratam^iitodc Ex^ 
ceUeneia^ eoino Grandcs do Reino. Pora no alto da 
' Q^vtzxExcdkntissimo^e Reverendissimo Senlw. Priiici- 
piari a primeira regra maisalgunia cousa acima,qae^aos 
Cardeaes': no corpo da Cirta diri sempre ^. jB»?r^/&»i!r* 
cia J e no fim da Oirta parao lado esquerdo delta dira : 
Bxceltentissimoj e Reverendissimo Senhor PffncspaJ 
4e..* isto he J o sobrenome, com que se^dis^ngue. 

P mesmo tratamento , e formalidade se deveprati- 
car com 6s Aroebispos ^ e Bispos , que forem ndtneados 
por Sua Magcstade* . ! 

" . Aos Ministros da SantaJIgrejade Lisboa, que ves- 
tem Habito Prelaticio, perteiKeo tratamento de^y^iji^^ 
ria lllustrissima. Pord o Secretario no alto da Carta : //- 
^ustrissima^e Rever^ndissimD Senher : no discurjo della: 
iP". Senhor ia lUustrissima i enofimaolado esquerdo: 
lilustrissimo , e Ri^verendissinw Senhor Monsenhor de.. 
' istp he, o sobrenome, com. que se distingue- 

JEste mesmo tratattiento compete aos Arcebispos , o 
pidpos que- na6 .fbrem nomeados por Sua Magastade. 

Aos. Conegos da mesma Santa Basilica dcvera tratar 
eipmpre com o tratamento de Senhoria ^ mas sem p6r 
cousa alguma no alto da Carta ^ e s6 nofimdelk a^hum 
}ado porA: Senhor D. JST, 

Este mesrno tratamento devera dar^ esci^evendo aos 
Priores Mcires das ordens de S. Bento de Aviz , e de 



P K E L I M I N A 11. 2f 

Ecdesiastica deThotnif : aoCommissarioGSral da Bul- 
la daCruzada ;- ao Reitor da UniversidadedeCoimbra| 
20S CabidDs ^s* Igrejas Archiepiscopaes , e Enisco- 
paes , tanto em S6 plena', como em Se vacante, ' 

Escrevendo o Secretario ' ao Geral Esttiolcr M6r, 
acs Reformadores das Oirdcns Religiosas , e aosGeraes 
das meanas Ordens ^ ao D/ Prior da Ordem de Chris- 
to , ao« Provinciaes das Religioes^ e ao Reitopda Um- 
versidade d^ Evora , dtv^ti dar o tratamento de Pater^ 
nidadeReverendissima. Para no alto da Carta : Rcveren^ 
dissimo Padre ; e depois no finadella ao ladoesquerdo: 
Revereniissimo Pndre Geral y e Refornmdor ^ D. Prior 
irmnci^l ^ Reitor de...'y &c. 

Jerarcbia Secular. 

Escrevendo-se a Duques , Marquezes , e Condcs , 
se Jks deve dar, como Grandes do Reino, o trata-» 
memo de Eyjcellencia/^o alto da Carta se pora Illu^^ 
trissimoy e Excelkntixsimo Senhor. Kocorpodella , K 
Bxcetlencidy e depois no fim aolado essquerda, Illus^ 
trirsimo, e E^icejlenthsimo Senbor. Eesta mesma for- 
walidaie se deve praticar com os Secretarios die Est a do; 
Escrevendd-se ao- Regedor da justiga da Casa da Sup- 
plica^a6 , ao Governador da RelagaS do Porto , aos Ve-* 
dcresda Fazeiida, aos Presidehtes^ do Desembargo do 
Paco, da .Meza da Cdnsciencia , e Ordens, doConsc- 
Iho Ultramarino/ do Senado da Camara de Lisboa, 
se Ihes data, tambem o tftitatnento de Excelhncia. 

O mesmo tratamento se deve dar aos que forem , oa 
tiverem gido Embaixadores de Sua Magestade a Reis da 
Europa 5 ou a Potencias , cujos Embaixadores , segan- 
do costume deste Reiuo , reiiha6 o mesmo tratamen- 
to, qee OS 4qs sobreditos Reis : E este mesmo deveri 
daro Secretario aos Embaixadores , queosditos Reia, 
^ Poteijcias mandarem a esta Corte^ 

Do mesmo modo tratara aos Vide-Reis da India ,e 

^0 Brasil , assim actuaes ^ comD aa« que houverem si- 

^^Oa aos Governadorcs d^s Armas ^ aos Mestres d$ Camr 

P^ 



96 I H 8 T R U C 5 A 8 ' 

p6 GeiKftaes , ( cuja Patents teqi seoif re os Conselliei- 
ras de Guerra) , e ao General , e Altnirante da Armada 
Real de alto b6rdo do Mar Oceano. ^ ■ ^ 

Aos Goverxjadores , a cjueiii Sua Magestade conce- 
4er Patente de CapitSes Generaes , se deve dar o :iiies- 
Q)o tratamento de Excellencia , estando a pessoa j que 
escrcvcr , no districto dos scub Governos , e na^ sendd 
assim, na6 se Ihes podera dar meaor tratamonto que 
o d^ Senboriak 

Haveodo o S^qretariQ dc cscrcvferaViscondes, Ba- 
r6es , Officiaesf da Casar de El-Rei , Rainha , e Prince- 
zas destes ReitiDs, e gentkhonieiie da Gamara dos In-/ 
fantes , a i^hos , e filhas legitimas dos Granges , dos 
Viscondes , do* Bar6es, dos Officiaes da Gasa de El- 
Rd , Rainlia , Princezas , e aos dos Gentishotnens da 
Camara dos Infantes , ccuno taiBbem aos Moqos Fidal-* 
gos com excrcicio deste Foro, a tpdos devera dar o 
trataiuento de Senborta. 

Este mesmo comp^e aos Enviados , e Residentes ^ 
assim actuaes , como os que houverem sido mandados 
l^or Sua Magestade a Reis , e Potencias acima referi- 
das: e o mesmo trataoiento ^ dere i^almente dar aos 
que stiajndarem a e9ta Cofte os siesmos Slek, e Po^ 
lencias. • 

Aos Governadores das Prajas^eCapitania^doRei- 
BO , e Conquistas , durante o teinpo aos aeus Gover- 
nos , c no districto dejles ,i« deve dar a tratamento, 
^ue conforme a gradMaca8 4e seus Postos, lh$ tocar 
entre os Militares. " • 

Aos Governadores interinos da India, eBabia de^ 
veri o Secretario escrcvcr por Senhoria^ se cmiv sea 
Amo assistir no dlttricto dos seus Governos : isewi du- 
rante o tempo delles. 

As mulnere$' tern a respectivo natamento dc scu$ 
Maridos, excepto s^ por.outro principio Ihes perten* 
Cj^r.outro maior , como v. g. pel© acguinte. 
\ Bscrevendo-se h Fidaigas que. $,a6, ou forao Ca- 

uia- 



' ^ F m E li I M'r N A lu % ' ^7.. 

midrajs Mdres, Alas, Donas de Hohor^ e Dbm^s do 
P250 y se deve dar t> t ratamento de Eocceilencia / e usar 
iz mesma form^idade y que ji diss^os a respeico dos 
Duaaes , Marquezes , Condes , &c. 

Ultimaniente por Senhoria se deve escrever ds Pi- 
dalgas irmds , e filbas legitimas dos Mo§os Fidalgos 
com cxercido deste JFbro. 

A quern naS fop condecorado com alguns destes em- 
pregcS, qualidadee, edigoidades, na6de7e dar o Sfe*- 
cretario mails tratamento q^e o de Mfrci. PorA no alto 
da Carta ( $e Ibe parccer ) o nome da pessoa , a queui 
escreipep^.e principiard a Carta de nenhum roodo dizea* 
do : Meu S&nhsry ou Senhdr mtu\ pbrque seri causa de 
que-seu ana© se comprehcnda nas penas da Lei novit^ 
«ima dos tratamentos. 



FORMULARIOt^e SOBRESCRITOS, 

JetarcMa Eccfesiastica. 

X ECHARA o Secretario a Carta emmeia folha de pa% 
pel da mesma qmiidade. P6r-lhe-ha Signet? , que sera 
pcqueno , sea.pessoa for superior , maior algtrma cou^ 
sa, se fttf igual , e grande, se for inferior. Isto enten- 
de*sc, SQ a jCarta for para-fora da terra ; que se for 
para a mesma parte i onde o Secretario escreve , raras 
vezes se usa deSignete. Sendo para fora da terra, se^ 
ra o Sbbrescrito ao largo , de sorte que a obrca fique 
para baixo :• se fpr para psssoa , qiie estejjf na mestna wr- 
ra, s«ra o Sobresdrito go alto J eficara aobreapara a 
parte direita. J^cile, afem do traf&ineaito , pord o prin^ 
cipal titulo, dignidade , ou etnprego^ que tiver a pes-, 
soa, a quern escrcver; e se a Cai^ta for para fora da ter- 
ra, pora tamfaem em baixo a parte , cmde a tal pessoa 
^ssisce, afim dequeaCarfa Ibefossa ser entregue. O 
So^rescrito pai^ dard^acs , mi 4«8te modo*.; 



aS In s f b: tr c 9 A ^ / 

Ao .Emine^ti^sjimo , e Reverendtssifko Sinhs^ 'Cat-- 
deal N... guarde De9s muitQs anmu 
, ... A parte onde assistir. 

Sendb , v. g. paraoEminentissimo Senhor GarAeal 
Patriarca , pora no Sobrescrito , -cpmo assima diss6raos , 
os' seus principacs Titulos , por exeaiplo : ^ 

Aa EfHunmtissmOye Reverendissimo Senhor Cardeal 
Patriaxca de Lisboa , Cnselbeiro de Est ado y i Capelr- 
laS M6r , ga^rdt Deosmuitos annos. 

Para o Emineiitissiin0 Senhor Cunha , pbri r ' 
Ao Eminent is si mo j e Reverendissimo Senhor Gjirdeal 
da Ctmba^ Inquisidor Geral destes Reinos , eOonse^ 
Ibeiro deEstado , guarde Deos muitos anhos. 

Para o Sehhor Arcebispo de Braga , por ser da Ga- 
sa Real pora :' 

Ao Senhor D.Gaspar Arcebispo , e Sinhor de Braga^ 
Frimaz das Hespanbas , guarde Deos muitos annos. 

Para os Principaes da Santa Igreja de Lisboa ser'dp 
Sobrescrito deste modo. ^ ' • 

Ao EoccellentissimOj e Revcrendissimo Senhor Prin* 
apal de .., do Conselho de Sua Magestade^ guarde 
Deos muitos annos. 

Para os Arcebisfpos ; e Bispos nomeados por Sua 
Magest^de, sepora deste. modo: 

Ao Excellentisjimo ^e Reverendissimo Senhor Arce^ 
bispo J ou Bispo de ... do Conselho de Sua Magestade, 
guarde De^s muitos annos. 

... A parte onde assistirem. 

Advcrtiiiios que tem alguma diversidade o Sobres- 
crito para o BispQ de Coinabra , porque he duas vezes 
Grande do Reino, e assim dir*se«-ha; 

Ao ExcellentissimO'j e Reverendissimo Senhor Bispo 
de Coimbra y 'Conde deArganily do Conselho de Sua 
Magestade , guard^e Deos muitos annos% 
' Igualrfiente «eni diversidade o Sobrescrito para o Ar- 
cebispo de Goa , porque 'direcnos : • 
AoExcelkntisslmo^eReimrt^ij;sim Senior Arcebis^ 



f & G?/af , pnma% do Oriente , da Conselbd de Sua 
Mugestade y guarde Deos muitos amtos* 

Tambeip presentementehe divers^oo Sobrescrito pa- 
ja Bkpo do Algraye , porque foi Arcebispo de Goa j 
.eassim airemos: 

Ao ExcellenthsimOy e Reverends s simo Senhar Ar-- 
tebisfo Bispo do Algarve^ guarde Deos muitos annos. 

Aos Bispos , que na6 sao nomeados por Sua Mages- 
tade , sera o SobrqsGrito. deste modo. . 

' Ao lUustrisnmo , e Rtvermdissimo Senbor Bispo 
de.., ^c. - . 

Para os Prelados da Santa Basilica Patriarcal , di- 
remos :.. 

Ao lllustrissimo , e Reverevidissiino Senbor i4onse^ 
nhor jYh. do Conselko de Sua Magestade\ gifordt Deos 
tnuitos annos. 

Para os Con^ps da mesma /Santa Igreja, d£ste 
modo. 

Ao Senbor D.N..* Copego da Santa Basilica Patri^ 
arcaiy guarde Dfos muitos annos. 

Aos prelados das ReligiGes , poremos:. ^ 

AoReverendissimo Senbor Padre y v. g. Reformat 
dot , Geraly 0^ Provincial i p*c. df^...guardo D^os niui» 
tos annos*^ , .. ' -■ . ,» 

Jerarcbia Secular. 

A todos OS Grandegi^ seculires se pbri deste modo? 

Ao lllustrisfimo , e Excelkntissimo Senbor ^ v.g. , 
Huqtfey Marq$^&^ ouConda de... , do Conselbo deSua 
Mages^ade , guarde Deof muitos annos. 

Aquelles Cavalheirbs, queperos«eusempregosri\r©^ 
rem trataipiento de Excellencia , diremos assim : 
Ao^llbisfnishn^^e Excelkntissimo Senbor D. N..&C. 

Tornamo^ (sQm que pareca impertinentria, ) a en- 
coimnendaT se porJia sempre o Emprego destas pessoas , 
como V. g. EsjtribeiroMcir , Mordoma Mdr , Aposenra- 
dor K6r , Vice-Rei ,. ou Governador , e Capitad 
Qeneml de^M Embauador a Q^^ de*«. Goyernado^ 
' "' ' ■ das 



3© / I N S T ibtr c § A ^ 

das Armas da Frovincia d^. Mestre deCampo Gene- 
ral /&c.^ ; ; .'' 

Acs Cavaiheirosr, que tiverem tratamcnta de Se- 
iihoria i se fx>ra : ^ ' ^ 

Ilfustris^irHo SenhorD. N'... &'c. 
. Pcfraas Senlioras, que sa6.Duquezds, Marquezas, 
p Condes?as, devetn scr os Sobrescritos destamai^ira : 

ji JUustrhsima , e Excelientissima Senhora^. v. 
£• Duquef&a, Marqu^zki m Cr^tdessa de..., &c. 

O tnesniQ trataimnto tern as Seiihoras, que sa6 
Daitias do Fafo , chi casadas com Cavalhelrbs ^ que teixi 
Excellencia. 

As Senhoras , oue tiVcrem o tratamento de.^^o- 
ria , deveri ir o Sooittscrito deste jnodo : 

A Ilhisfrhsima SmboraD. N.,. , &c. 

Advertimos ultimaineme ao Sccretario, qfle como 
cm. Portugal se costiiina emrc pareccespAr-nos Sobres- 
critos o grao de parcntesco , se na6 esqueja desta cir- 
^ciMistancia^ que os Secretarios dealgumas NagSes^ es- 
tranhas approvaS./ 

DOS GEJJEROS DAS CAUTAa 

Genero Demomtrativi. Genera JuMcUL 

De Parabcns.. De Desculpa, <? dtejusti- 

De Olferecimento. Iicasa6. 

De ^gradecimento* Die Qgeiicas^ ^ - 

DeXx)UTor. ^ - De Pezaoftes.' 

De Recommenda^ad^ 
De Boas Festasi 
De Consola9a6^ 
De ExhcwrtacaS , c Conse- 
Iho: 

// . ' SE- 



\ I ■ ,. ■ ii ■ I ■ 



SECRET ARIO 

PORTubuEZ. 



■ ««HMi««i^« 



CARTAS DE PEZAMES. 
ADVERTENCIA. 



N. 



I a6 ha cousa talvez mals propria do Homem , que 
o compadecer-se do seu Ami go nos successes contra- 
ries , a que a nossa vida esd mui sujeita \ pelo que dis- 
se Soieca » Jbiiquum estcoUapsis manumnonporrigere* 
For issQ he ac§a6 , e ceremonia muito necrssaria com* 
padecer-se da afflic§a& alhea caujsada pela morte de at* 
gum s^ parente ; o que se faz do modo seguintc. Pri- 
meiramente eugrandeceremos quanto podermos apena^ 
que temOB pela morte. Em segundo lugar poremos a9\ 
razoes , por que a sentimos , e fer-se-ha como breve 
commemcNnagad das virtudes dapessoadefunta. Etntei> 
ceiro lug^i; 9e pora algumamzao , quctenhafor§a para 
consolar ; porque muitas vezes aos pezjames ajui3tara6 
grandes AmlK>res a conforta5a6, E finalmente cuidare- 
mos muito em ser breves , por Ihe na6 augmentarmos ^ 
ou avivarmos o sentimento , se estd ]i diminuido* Se» 
mdhantes Cartas- pertencem ao genero Deliberativa 
Estcs sa8 OS preceitos em que muitas vezes oengenho | 
c eloquencia do Secretario poderi diftpensar para fazcr 

^ CAR. 



C A R. T A S D E P E Z A M E S 

POS MORTfi im CAKDEABS> E;'Bi^FOS. -<- 

DiA mais infausto para'' este Reino y e para a 
Casa de V. Excellenci;^ foi certamente o em que fal- 
leceo o Embentissimo Scnhor Cardeal N^^^j.porque 
nelle faltou i Patria hum Principe da priiiieira Autho- 
ridade , na6 roenos peli» caracter , que pelas virtudes j 
c a V. Exicellencia hiim Tio , que tao distinctamente 6 
aipava, tanto pelas razees da natureza, cqibo pelas da 
seiTiClhanca. Estas fortissimasrazoesme levfSadizcra 
V. Excellencia ,. qu? fico inconsolavel por ta6 triste 
acontecim^to , e rogo a Deos nosso Senhof me cem^ 
iDunique tanto a mim , como a V. Excellenciavo mcio 
j>ara nos conformarmos com a sua aha disposi^aO. A 
pessoa de V. Etcelleiicia guarde o mesmo Safthysr por 
dilatados anno^. • ^ ^ - 

a Na6 ha occasia45 mais justa para otnaior fen- 
timento , que a preseme , em que passou des^ vida o 
feminentissimo Senhor Cardeal N... ; porque nfeta fal- 
tou a sua Igreja, a Patria., e as virtudes hiima forte 
Columna, que as sustentaya, Eu sinto esta grardc &ta- 
lidade , como posso , e iia6 como devo ; poi^e o meu 
emendimieiitOv i^tamente na6 he capaz de cc^preiren-* 
der a grand ez^^ de Huma tal perda; e o niesrtto succede- 
ri a todos^:.porqu^ esta he huma das cojusequdncias ^ 
^que trazepi weisigQ -seaielhantes fatalidades*! D«os 
console a V* Excellencia , e guarde por irioitos ajmosg 

3 Huma das grandes desgra^as que ibs traz a 
presente da morte do. JSipinentrssimo Swhor Cardeal 
N»..,. he Tia6 poder. «ef dignamei^te ch6rada pela sua 
actraordinaria grandera. Eu sou o primciro , que ex- 
perimetitQ e«te defdto; mas do modo que me he pos- 
fiivel , vou-'me deitar aos p6s. de V. Excellencia , para 
o acdmpanhar, na.sua justissim^ magoa^ e alternar ass 



P 6 K T V 6 r B 5. • 55 

Togativas a Decs, J)ara que tenh^asuaalmanoeternd 
descan^o. O mcsmo Senhdr guarde a V. Ercellencia 
ffluitos annos. - ' . 

4 Seria inconsolav^l o meu sentimento pcla morte dd 
Exccllcntissimo Senhor Bispo N... , sc a piedade Chris-* 
ta me ^a6 exhortassca enxugar as lagrimas ^ diz^ndo-md 
que Sua Exceliencia esta na Patria do dcscanco gozandd 
etcrna premio das exemplares virtudes , com queapas-* 
centava o rebanho -do Senhor. De V, Senhoria higar a 
esta presiosa considcracaS , porque quero aiignientar o 
meu allivio, alliviando igualmente a V, Senhoria, a 
quern DeOs guarde muitos annos. " 

5 Em taogrande, elastinaosa perda, coitio he a da 
vida do ExccUentissinio Senhor Bispo N— , nao pode 
haver consolagao , porque a todos comprehcnde ; sen^ 
tindo huns a faltade hum Vara6do maior donselho ; ou- 
trosaperda dc'bum Pastor da mais exemplar caridadej 
t todos a morte de hum dos filhos mais benemeritos da 
Igreja. Eu com estes motivos, e'como omaisobrigado 
a Sua Exceliencia , sou quemtem maior parte no scnti-" 
mento desta fatalidade , o qual represento a V. Senhoria 
cocno o signal da minha eterna gratidao aquellas vene- 
raveis cinzas. Deos guarde a V. Senhoria muitos annos. 

6 A con8idera5a& da rara vigilancia ^ com,queo Ex-»- 
cellentissimo Senhor Bispo N... goyernou ta6 santa-, 
mente as suas ovelhas > faz com que eu admitta consola- 
5a6 pela sua morte; porque piamenteestoupersuadido^ 
queo Senhor que Ihe entregara o governo, Ihe tcmja 
premiado as muitas li^irtudes, que nelle com taritoex-* 
cmplo praticara. He necessarlo que V. Senhoria ad- 
mitta igualmente estat importante consolagao , na6 me-J 
nos para raitigar a sua perta como Catholico , que para 
dobrar o meu allivio comoamigo. Deqg guarde a V4 
Senhoria muitos annois^ 



Pif 



54 S E c ii E T A » I a 

J^or morte de Cavalheiros benemeritos nas armas i 
e mats virtudes. 

7 No infaustissimo successo da morte do Excellentis- 
«imo Senhor Marquez N... se revcste a Patria depro- 
fundb s^ntimcnto ; porquc quando as causas sa6 gran- 
dcs , he forjoso que o sejao^s seus efteitos , proporcio- 
nando-se com ellas. Na pessoa de Sua Excellencia nos 
falta o maior Soldado, eConselheiro que a Patria ve- 
nerava : assim o* dispox Deos , mas consoie-se V. Ex- 
cellencia, corho todos fazemos , considerando que se' 
as virtudes politicas o ha6 de fazer scmpre no Munda 
lembrado , as Christais, como piamente cremos,jao 
•sm glorioso na Patria rerdadcira. A pessoa de V, Ex- 
cellencia guarde Deos pormuitos^ e felizes annos coma 
Ihe descjo. 

8 Mudamente falla6 na presente occasia6 todas as 
occasioes deddr, que p6dem mover para sentir ta8 gran- 
ge perd^ , como he a da morte do lUustrissimo , e Excel- 
lentissimo Senhor Conde N.... Nelle perdemos todos 
hum Vara8 , de que. os Seculos passados sempre foraS 
avarentos , ou se attenda is valcrosas virtudes da gucr- 
ra,- ou is prudentcs do ggbinete. Deos Senhornosso^ 
que sobre este Reino dcscarregou ta8 pesado golpe, 
aios dd o remedio ,' com. que o curemos , que he a con- 
formidade com as suas inescnitaveis disposi96es. Esta 
lembranca da Patria seja igualmente a de V. Excellent 
;Cia ^ a quem Deos guarde muitos annos. 

9 Falta6-me as palavras, e sobrao-me as raz8es, e 
,Q sentimento para chorar a perda do Senhor D. . N .. , 
fiempre sensivet, e muito mais notcmpoemqueas suas 
^randes virtudes b faziao ta6 necessario a este keino , ^o 
qual Deos Senhor hosso attendera , como a V. Senhoria, 
inspirando-lhe todas aquellas razBeis , que dicta nesfes 
casos a picdade Christa. O me§mo. Senhor gtiardc a Vr 
Seuhoria pgr muitos aonQs. 



Na morte de Senboras iUustr^s. 

10 Tenlio presente ad6r, e o sentimento que md 
causou a morte da Illustrissima Senhora JMarqueza N. ^ 
que me tira toda a liberdade para me podcr explicar; 
Tao grande he o tneu pezar ! E qual sera o de V. Ex- 
cellencia , perdendo huma Mai , que era o credits da9 
mesmas virtudes ? Na6 posso dcseobrirpara mim , e me- 
nos para V, Excellencia , consoIijaS alguma em seme- 
lhanreperda : ese alguma ha , he s6 a pia confian^de^ 
que a Bondade Divina teri coroado na Bettiaventuranf aT 
OS virtuofios luerecimentos desta Senhora. O mesmo Se-< 
nhor nos conserve os de V. Excellencia .pormuitos annos. 

ti Como criado invito antigo , e favorecido da Casa 
^e V. Excellencia , dou a V. Excellencia os pezames ^ e 
como Carholico osparabens pela morte da Illustrissimfa, 
e Excellentissima Senhora Condessa N... : e desta no-f 
vidade sena6 escandalize V. Excellencia ; porque a Se-- 
Jihora Condessa esta no Reino de4:oda a alegriat gozan- 
do eternamente os fructos daquellas yirtudes , com que' 
nesta vida se fezia veneravcl : assim mo dicta a piedade ^ 
e assim o persuado a V. Excellencia , a quem Dcos guat^ 
de por muitos annos. 

12 Enxugue V^ Senhoria as suas lagrimas jerixugue 5 
porqae a morte da Senhora D, N,.. , na6 foi morte ,,foi 
triunfo em jque coroira6 as suas exemplares virtudes* 
Assim mo persuade a sua vida , na qua! forad tantpso^ 
dias como os merecimentos , os quaes ninguem cfonhece 
melhorque V. Senhoria , porque osherdou ; e esta hef 
tambem huma das fortes consola^es , que tenho pari 
alliviar a minha inexplicavel peila. Deos gaarde' a V^ 
Senhoria f)or mttitoi annos, 

13 O prufundo sentimento , que me assiste pela mor- 
te da Illustrissima , e Etcellentissimai Senhora Marque- 
2a N... , passaria a hum nunca visto exces^o de prazer ^ 
^ a provi(kncia,daCeo rcie nad prepar^ra \\z muitd 
tempo o. remedio para golpe ta6 peoetrinte , que ^6 ^ 



36 V S E C K E T A R I O 

cpnsidera9a6 de que se^ faltoii 5ua Exc^llcncia , que era 
o depcisito detodas' as virtudes, deixou a V; Senhoria 
unico herdeiro deste rarissimo thesouro. Amodestia de 
v. Senhoria na6 p6deadniittirestamiahaconiolac«6,e 
$6 Ihe cabe a de eonformar-sc com as deter minacoes dc 
Dcos 3 que guarde a/V, Senhoria por muitos annos. 

* Na morte de outras pessoas. 

14 Meu amigo. Agora que recebo a tristis«ima no- 
ticia do falecimento do Senhor scu Pai, confesso que 
nao fico em mim , e passo a estar com, v. m.acompa- 
jnhando-o no seu justificado sentimento. Deos Seniior 
Nosso, decuja poderosa ma6 nosvem estes penetrantes 
golpes , he que nos ha deQonsolar, dando-nots constan- 
cia para ossofFrer, por serem disposi§6es da sua alta 
Providencia. Omesmo Senhor guarde a v. m. per mui- 
tos annos. 

15 Bern presentes sa8 a v. m. , c publicas.atodos 
as muitas raz6e» que tenho , para vivamente sentir a 
xnorte do Senhor N. , porque se a v. m. faltou hum Pai> 
cu perdi hum verdadeiro amigo; e certamente na8 vale 
menos esta perda. Eu consolo-me fitando no Ceo os 
olhos da alma, e e^a mesma consolaqa8 desejdra 'eu 
tambem a v. m.para lermos semelhantes no alliyio, as- 
sim cpmo o fomos na pcrda. Deos guarde a v. m. por 
inuitos anrios. 

16 Meu amigo. Eu na6 pertendo impedir asprimei- 
ras lagrimas, que v- m. derrama p»la sensivel mor- 
te do Senhor seu Pai ; porque hao pertendoj fazer hu* 
ma injuria & natureza; mas so quizera que v. na. , de- 
pois de chorar como filjio amante , se consolasse como 
filhd^Chrisra6 , considerando piamente que as virtudes ^ 
com que o Sfcnhpr N... tanjo se distinguia nesta vida 5O 
clevira6 deste dest^rro a Patria verdadeira. S6 esta con-. 
sola§a8 he o podero$o balsamo , com que se cura6 se- 
melhantes feridas, pcos guarde a v. m. por muitos an- 
nos*. 

Se 



P O "fe ¥ V <5 U E z- 37 

17 Se eu nao offenddra de algum modo a fiel ami- 
zade 5 que a 7. m. professo , deixando desentir interior- 
me/ite a morte do Senhor sax Pai ; mais me havia 
alegrar , que entris'tecer cam v. m. por este accidente ; 
pois por meio delje, assim piamente ocrcio , livrcdos 
trabalhos deste Mundo , cstd no Rcino do descanqo go- 
zando dos fructos dosseusrirmosos merecimentos , dos 
quaes deixbu em v. m. hum fiel retrato , que me ser- 
ve tambem de instrumento 5 sena6 dealegria'i ao me- 
nos dfe consolagad; Deos guarde av*m. por muitos 
annos, ' - . ' '" . 

18 Ta<S vrvamcftte me tern perietrado a tristissima 
iioticia da morte do Senhor seu Pai , que para mostrar a 
V. m. quanto o meu cora^afi o acompanha em ta6 no* 
tavel perda , certamence me fa]taria6 e^vess6es , se mui- 
tas vezes^as lagrimas na6 valessem porpalavras ; e falla* 
riao cstas scm descanqo , se a conformidad'e Christa me 
nao fizesse lembrar das inescruraveis disposi56es de 
Deos. Dcsejara muito que a sua justificada pena dqsse 
|«gar a fazer esta impOFtante con?id€ra9a8 ,' para v. m. 
igaa!mente me servir de companhia no allivio, dDeqs 
guame a v. m. por muitos annos. ■ . • ' 

19 Perdeo v. m. a melhor parte de si , na perda da Se- 
nhora sua Mai, cujo tristissimo casosinto eumuiviva- 
mente,, xmo meaospela forte dot*, com que v. m. tanto 
se afflige , que pela muita faltaque heide experimentar^ 
como criado tao antigo da casa de v* m. , ^ue com a sua 
cxperimentada prudencia , eeonformidade Catholica sa- 
bcra dar.allivio is paix6e$ do amor, e da natureza. 
Deos guarde a v. m. por muitos a mios. 

20 Meu amigo. A perda do Seiihof seu Pai he para 
fodos roui scasivei ^ porquefaltou aPatria , quandoespe- 
ravatnos lograr as ^certadas- ©perajoes dc hum Varao 
sabio, prijdente> e virtuoso •< porem considerando que 
Deo« Senhor nosso quiz premiar os seus gfandes mere- 
ciaieiitos , levando-o para si , v, m. , e todos nos devenvos 
eonsolar, e agradecer ao Ceo tap alto beneficio. De<js 

' - > guar- 



3? S E C ^ B T A R 1 a 

guarde a v. m. por muitos aiinos, co (a fa tambetn me- 
recedor de ta6 alta felicidade. 

ai Nao vou com esta fiel tcstemunha do mcu grswde 
sentimento aggravar a profunda ferida , que no cora^adi 
dc V. m. fezamorte do Senhorscu Pai; massimades-r 
pertar a sua conhecida pradencia , para que considere 
que se mon^eo , foi chdo de annos , e de merecimentos , 
que Ihc assegura6 nestc dcsterro huma famasempre vi- 
va, e na Patria huma eternidade sem^re gloriosa. A. 
considerajao destas duas felicidades he poderoso reme- 
idio para v. m. curat ta5 sensivel golpe^ Debs gaardea 
Y. m. pof muitos annos. 

22 MeH amigo. Li a sua ?arta com os tnesmos 
olhos 5 com que v. m. a escreveo ; porque me penc- 
trou tao vivamente a triste noticia da morte dp Senhor 
scu Pai, como pedia6 as muitas razoes de obrigado , 
que nunca eu saberei cabalmente explicar^ nem ainda 
fonhecer. Estas que ea em vida quasi desempenhava 
from piiblicas confissdes,' pagarei agora com ardentes 
rogativas a Deos , p!edindo4he teiiha a sua alni<| no 
pternt descancQ. O mesmo Senhor guarde a v. m. por 
.inuitos annos, ' ^ ♦ 

23 Agora recebo a triste^noticia da intempesriva 
morte do Senhor seu filho , e confesso a v. tn. que fiquci 
penetrado de hunj particular sentimento : e seraprc co- 
ino amigo me acompanharia este pesac , sc como Chris- 
ta6na6 considertira no distincto bcneficio ^quQ Debs 
Ihe fez , levando-Iho para si : pois hum mundo de cos- 
tumes ta6 corruptos nao era digno de ter a quern era, 
se nos annos mancebo , nas virtudes vara6. Peos guar- 
de a V. m. por muitos annos. 

24 Considero a v. m. sem consola9a6 alguma pela 
inprte dp. Senhor seu filhotsuccedida na primeira fldr dos 
«eus annos , e das suas esperan9as. Saojustissimas , c tie-r 
f cssarias as lagrimas , se attendernjos aios fortes vincu- 
los da nauireza : mas he offensa d conformidade Car 
^holica nao as enxug^r: porque devey.m. entrarn^ coiv? 

^ '' ' ' • ' ' * S4^ 



To "n r ;<5 tr E «• 39^ 

sidtra5a6 de que do Ceo Ih^vem estas afflic§8es para 
provar a sua consitancia. Nestes dois actos tao diversos 
«inprc aconipanho a v. m. , ou seja como amigo , ou 
como Clirista6, Deosguarde a y* m. pormuitosannos, 
25 D& v. m. muitas gra§a^.aoSennorpeloinestima- 
vel' bcneficio, que Ihe fez em Jhe lerar^para si ao 
Senhor seu filho ; porque foi merce maito especial que- 
rer Deo« anticipar o pretnio is adultas virtudes , com 
que elie adoroava a sua florccente idade: pois na6 po- 
dia deixar de as ter quem era filho de hum Pal de tan- 
tos mereclmentos. Deos guarde a r. m- por muitos 
annos. 

16 S6 a grande prudenqia, ca conformidade Chris- 
ta, virtudes qjie ta6 distinctamente se conhecem na 
pessoa de v. m. , he que pddem ciirar a peqetrante fe- 
rida', que no seu coraja^ fezamorte, arrcbatando des-^ 
te Mundo a vida da Senhora sua Mai , a qual como era 
exemplar, abrecauiinho para v, m. exercitar estas duaJ 
grandes virtudes em obsequio do sfcu allivio , e da al- 
ma da mesraa Senhora , que esta no Ceo. Nao posso di- 
zcr mais a v. m. a quem Deps guarde por muitos an* 
nos." 

:i7 Meu amigo. He esta vida humtenebroso dia de 
Invemo, em que muitos acaba6 na manha, alguns ad 
meio-dia , e j)oucos na tarde. Nella acibou'a sua car- 
reira a Senhora sua Mai : foi grande dita ; acabou-i 
cheia de mereclmentos , e foi rara fclicidade. Se estas 
circunstancias bastira6 para a Senliora D. Nv.. viver , e 
morrer contejite , muito mais devem bastar para v. m, 
viver consolado. Peos Senhor Npsso , cottio Deosde to- 
da a cbnsolajaS, inspire no afflicto animo dev. m. es- 
tas duas fortes considerables para seu , e meu alliyio. O 
mesmo Senhor guarde a v. m. por npuitos annos* 

28 J4, nas lagrimas , que v. m. tem derramado pela 
intempestiva morte do Senhor seu filho , pagbu como Pai 
a natureza o tributo devido i agora he predso que como 
Qtholico de lugar a considerajao , de que Deds quelha 

dep^. 



^ SECllEfARIO 

d€o , foi nrnmo que Iholevou : c se foi anticipadanrai-r 
te maior merc^ deve ao mesmo Senhor; pois quiz pre- 
iniar dcprcssa os bons costumes , com que elle uestJ^ vi- 
lida se fazia querido de v. m. , e veneraao de todos. D^os 
guardc a v. m, por muitos annos. \ 

/ 20 A minha leal amizade vai aos p6s de v. m. cartifi- 
car-Ihe o cxcessivo scntimento , com que me deixa a 
niorte do Scnhor N.*% : assim porque considero a grandc 
afflicqao , cm que v. m. estara , como porque ^sperava 
vcr no Sciihpr scu filho em bcneficio publico hum hcr- 
deirp das muitas virtudcs, c merecimentos , que to- 
fios reconhecem cm v.^ m. Porem, Scnhor > se as ta-^ 
26cs de amigomeobriga6acstcact0 5 as de GathoUco 
me incita8 a Icmbrar a v. m. que Dcos^ssimo dispdz., 
c que devemos cliristamente conformar-nos comas suas 
altas disposijocs. O mesmo Senhor guarded a v. m. por 
xnuitos annos. 

- * 59 Se a justissima pena , a quer. m. se entregapela 
morte do Senhor seu filho , Ihe dcsse lugar para consir- 
derar nas rar^s virtudes deque elle era ornado , na8sem 
admiragao dos seus poucps gpnos ^ na6 havia v^ m. cer- 
'ifamente sentir ta6 amargamente a sua morte; porque 
alcm de se conformar com as altas disposiqoes do Ceo , 
hatia consolar-se considerando igualmcnte que fora 
para a Patria das suas mesmas virtudes. Estaconsolaca6 
que eu admitfo , inspire Deos Senhor Nosto no magoado 
cora§po de v. m. , a qucm o mesmo Senhor guarde por 
jnuitps annos, 

31 Se eu nap encontrara a pratica , estilo do^Mundo , 
havia nesta occasiao dar a v. m, mais-parabcns, doque 
pezames ; porque a morte da Senhora sua Mai he mais 
pbjccto de alegria que de sentimento. Pral«cou nesta 
vid^ tap altumentc todasasyirtudes ChristaSjaquecra 
p espelhp cm qye todos se compunhaS : e deste raodo. 

• eu tenho por certo ,. pelo que me dicta a picdadc , m^ 
t:sta Senhor^ ^sta no Ceo Jcorpada com ps s?us granacs 

• ixierecimentps. Se a pena de v. m.derlu^aresta impose, 

^ate 



P o n T tr G u E z- 4r 

twte consideragad , estou certo que ha deonxqgaro sea 
pranto. Assim queira Decs , que guarde a v. in. por 
iDuitos annos. 



CARTAS BE RECOMMENI)AqA<5! 

V A b V B B ^r ]^ N C I Ak 

iJaS mui frequentes na pratica as Cartas de Recom- 
inenda§a6 , e humas pertencem ao geaero Demonstra- 
tive , e outras ao Deliberative : porque ncllas iguaU 
mente se usa do louvor , e da pcrsuasaS 5-cujos dots 
termos hum cal^e sobre o Derhonstrativo , outro sobra 
o Deliberative. Porexn como o louvar em semelhanto 
occasia6 tern igualmente por fimopersuadir, devem^ss 
absoJutamente comprebender as Cartas de Recooimen-i 
dacao no genero Deliberative ;, no qual mais que nos 
outros generos , se deve guardar decoro , attendcnj^- 
se ©uito a pcssoa que recommenda , a recommendaoa , 
aquella,a quern se rccommenda , e a cousa que se deseja. 
No principie da Carta mostraremos as raz6es , que te-? 
aios para rccommendar a tal pessoa , ou pela antig^ ami- 
zade, ou pela muita obriga§ae, ou per piedade day 
suas afflic§6es &c. Louvaremos a pessoa , a quern pedi- 
mos , mostrando-lhe o poder da sua authoridade , a sua 
benignidade , c trazende ^ memoria , ou o desejo que 
tern de favorecer a todas as pessoas necessitadas , e be- 
nemeritas , ou e antige favor , come que nes trata. Loi- 
varemos a pessoa recommendada , mostrando a sua ben- 
dade, as suas letras , a sua necessidade, o seu merito , 
e- seu agradecimento , &c. Fecharemos a Carta com 
ofFerecimentos , e rendimentos peliticos. Marco Tul- 
lio, cerno observa P^ulp Manucio , usava dcstes quatro 
pontes: Qt^e ^recomflt^ndadosejafsossaamig^ y ou dd 
^Iguma pessoa , a.f^em devrniosobrigacSes^que sefa§a 
?^?r?f^^?f= ^# tlC(tmi^M^S^\ q^HC acousaquesepede 



42 ^ S E C ft IB T A 1R I 

s^a just a > e huvavel^ e que da mssaparte^ e da delf^^ 
se prametta ^ratidao, iV respeitxjdasrespostas as Cartas 
de Recomraenda^ao observkr-se-hao estespreceitos-Lo-f 
'go que recebermos alguma destas Cartas , devemos res- 
ponder a ella , e muito mais se for ,suJ)eriora pessoa , 
que de^nos, se vale : diremos que sem interpor demora ,. 
cxecutaremos o que se nos mandar^) ou que na6 p6de,ser, 
t para isito daremos razSes, qi^e cheguem a satigfazer. 
"He muito vario o artificio jXom que se podem formares- 
tas Cartas; humas v^es, di«»nao que os merecimentos 
do recommendado erad cxnpenho bastanter para nossa 
protecjao i outras a honra'que nos.fazemem^cvalereni 
do nosso patrocinio, e oiitras finalmeotedizendoque a 
tal r0commenda^0 he hum effeito de henignidaae, e 
hum instrumento para nos desempenhar das rauitas obri- 
gardes,, que devemos i pcssoa^que recommenda , &c- 
Outros muitos artificios p6de descdbrir o engenbo doi 
Secretario , ao qua! nos. remettem'os. 

tlARTAS DE RECOMMEND AqAd. 

I V^OMo na8 ha pessoa que ignore a grande merc^, 
<ju6 V- Excellencia me faz , vem-se valer demimo Por^ 
tador desta N,.. , para que V, Excellencia ,o admitta ac> 
seu sQrvigo no foro de sen pagcm, Conhego muito bem 
^sta pessoa, e posso certificar a V. Excellencia que terfi 
todbs OS predicados necessarios para scryir a V. Excel-^ 
lencia: porque Jie de nascimento honrado, e de louva-i 
veis costumes acompanhados dehumgcniodocil , e de 
bons cstudos ; requisitos a que V. Excellencia costuma 
muito attdnd^r: pelo que fipb na esperanca de Ihc^naS 
ser inutil o men valimento para com V# Excellencia , 4 
qqen\ agradeccrei esta raerce , confessando-rme seu gran-* 
de devedor. Peos guarde a Vt Excellencia pormuitoi 
annos. . . 

% Conjo ?u nad posso, nem deto ^c^usar a honrai 



POUTUGUEX. 4J 

ami que V. E^cellencia rae trata , vou patrocinar com 
V. Excellencia' o Memorial incltiso , que hedepessoaa 
quem desejo muiro valer: porque a sua pobreza , c mui- 
tos dotes p^ssoaes ofazem digno de todo o patrocinio. 
Tudo oqwenelle relata he vcrdade : mas na6 diz tudo o 
que he verdade: porque eu sei que^iinda he m^iorasua 
necessidade ^ eo seu merecimento. Como tern estas cir- 
cunstancias , nem ellc , nem euduvidamos do patrocinio 
de V. Excellencia, aquem pecocomintiadasoccasi6es, 
em que possa mosrrar o.quanto Ihe sou obrigado. Deos 
guarde a V. Excellencia pormuitosannos; 

J Vou apresentar , ena6 a patrocinar com v. m.o 
Memorial incluso J pwque seria offender asuaconheci* 
da rectida6, proteger com v. m. a clara justly deN,.. , 
a queai muitos , e importances litigios demorao nesta 
Corte, com, grande incommodo seu , e dispendio das • 
suas rendas. V. m. me ordene occasi6es , em que e\i 
possad^mpenhar-me da grande obrigajao , em que es-? 
pcro ficar ao seu favor. Deos guarde a v. m. por mxii-s 
tosannos. 

4 Vale-se da minha protec5a6 N...para que eu pe^ 
Sa av.m. conp toda a efficacia queira concorrer com a 
seuvoto, afmde conseguir o que no Memorial in^ 
cluso relata, Eu na6 poderei reieber de v. m. maiorfa*^ 
vor, se tomar na §ua lembran§a ao sobredito sujeito pa- 
ra favorecer no que pertende; porque tem mereci- 
mentos 'jpara muitomais , os quaes ca mui disctintamen- 
te estimo. Fico^ para dar gosto a v. m. a qu^m Deos 
guarde pormuitosannos. 

S N„., Portadordestadeseja multo, que V. Senho- 
riaofavore^a com 0seu poderoso patrocinio em hum, 
flegocio , que elle export a V. Senhoria. Peco a V. S©^ 
nhoria com o maior erapenho o queira ouvir , e patro- 
cinar, no quefara huma obra depiedade*, e de^justi^a ; 
^ piedade , porque tem o sujeito muita pobreza ; e de 
i^^^^S^ 5 porque tem muita raza6. V, Senhoria. me 
continue a hpqra dos saus estimayeis preceitos j pa-f 



44 Secretakio 

ra o que peos guarde a V; Scnhoria por muitos ah-^ 
nos. , / - ^ 

6 Vai aesta terra N.... pessoa a quern eu devomui 
parriculares obtiga^obs , e estimo com a maior distin- 
^z6 pelos seus raros faiarecimentos. Desejara com a 
maior ejficacia que elle descan§asse a sombra da protec- 
§a6 de V. Excelleacia: no que estou ccrto, assimpela 
grandeza da pessoa de V. ExcdUiencia , e muito favor 
que mefaz; comp pelos estimaveis merecimentos do 
sujeito 5 que na6 o sabera desmereccr a V. Excellencia ; 
porque entre asmuitas virtudeis que tern y .|ia6 Ihe falta 
a da grUtida6.' FicQparaobedccer as ofdens de V. Ex- 
cellencia , a quern Deos guarde por muitos annos. 

7 A V. E^cceUencia , que jamais- deixa sem premio 
^os bcnemeritos , busco f«ra que exercite cssa suaraTis* 
sima virtude com N... porcador desta , patfocinando-o 
<-om OS Ministros N... N— a lira de que seja preferida 
no emprcgo , que^ pretendc no MecRorial incluso , para* 
o qual certameure Ihe sobra talento, eestudo. Ainna- 
ta behignidade de V. Excellencia para me honrar^ ea 
natural propensaS para favorecer aos estudiosos , meas- 
€egura- o desejado efFeito da minlra elEcip recommenda^ 
§a6 , de que beijarei as maos a V. Excellcncia , a quern 
desejo servir. Deos guarde a V. Exeellencig por mui-» 
tos annos. 

8 N,.,, que eotregara esta a V, Senhoria > he pessoa 
a quem devo mui distincias obriga56es ; estas me mo- 
vem,. a valer-me do favor > com que V. Senhoria 
me irata , pedindo-lhe que o recoba benigoamcnte , 
e favore§a na preten§a6 , que ellc expord a V. Senhoria ; 
a qual como he justa faz-se digna^cj^p^'otecga^ de V. 
Senhoria, a quem eu-, e elle nos opnfessaremos etcrna'* 
mente obrigados. Deos guarde a V. Senhoria por mui-^ 
to^ annos, , , ^ 

9 Certifico a V. Excellcncia que na8 pdsso livrar- 
rne delhe dar.oincommpdo de Ihe pedircom tod^s-a^ 
fprgas dp maior empenho qudra dc^empcrtliar-me das 

' , . • ami- 



P O. R T x; G U E 2. 4^ 

]8tu£siS2ttenc6es , que devo a hum aoiigo , patrocinando- 
m ao ^Portador desta, queelle me rccommenda para 
com V. Excellencia com'a maior instancia, O sea ne- 
pcio , aoque parece , he de jusri^ ; ellc o expori a V. 
ficellencia com toda&ascircunstancias , edesejaria que 
alcan^asse pelo patrocinio de V. Excellencia , nao s4 
para remir a sua grande pobreza , comofpara que^ saiba 
amigo que me euipenh^, quanta o desejo sen'ir, e 
(juanto eu valho com V. Excellencia , a auem oflerego a 
minha vontade para ttldo o que me mandar. Dcos guar- 
ds a V. Excellencia por muiioi? annos. 

10 Ncm V. Senhoria sabe negar o sen favor , ncm eu 
posso dcixar de o buscar : pelo que vou importunar a V. 
Senhoria , pedindo-Jhe por conta das muitas obriga- 
0es que Ihe devo, sesirva de favoreccr ao Porrador 
dcsta no que cxp8e oseu Memorial incluso ; porquelhe 
teejo todo o bom successo pelas particolaresatrenc6es, 
<iue Ihe dcvo. A antiga cxperiencia, que tenho domui- 
^0 , que V. Senhoria me deseja fazer merc^ , me per- 
suade do dcsejado cffeito deste negocio. Offerego a 
V. Senhoria a minha- vontade para Ihe dar gosto em tu- 
^0 que me mandar, Dcos guarde a V. Senhoria por 
^^uitos annos. 

n Tenho a confiafi^a de rogar a V. Excellencia seja 
scnido interp6r toda a suaauthoridade com os Dcsem- 
wgadores N... N... par^ que'fagao justiga ao sujeito 
^0 Memori'al incluso em huma causa, que Ifie hao^de 
s^ni^ci^r. S9 eu nao soubera amiiira razao, queasgiste 
^ ^^e sujelto 5 nao, me atrevera a valer-rae de V. Excel- 
l^f^cia ; porque na6 Ihe havi^ fazer huma grave offensa , 
hindo-Ihe pedir hum* favor. Este que deV. Excellencia 
^F^^'o^fiado na: muita merc^ que me faz, contarei entre 
^s niuitos de que ihe sou devedor. Deos guarde a^V. 
E^'ccllencia , por muitos annos - ^ v * 

, ^i No poxtador dcsta concorrem todos osrequi- 
^^^osj e sobrao os. rq^ereciftientos para conseguir o 
q^epretei^de no Memorial indyso. RogoaV. benho 



46 ' S E C K fi T A Ra O 

ria com o maior empenho, e instancia , o queira fa^ 
vorecer com aquclla-mesma efficacia , que tern expe- 
rimentado em v. Senhbria outros meus afilhados ; de 

3ue ambos nos confessaremos a V. Senhpria perpetuos 
evedorcs. Deos guarde a V. Senhoria por muitos an- 

BOS. 

13 A benignidade com que V* Senhoria nad cessa dc 
me fazer merce , he a causa 'de quemuitas vezes o im- 
portune , coipo agora fago , manda«do-lhe a sua pre- 
senga N... , para que p ampare no negocio que die ex- 
pora a V. Senhoria, Eosso testificar que hermuito po- 
Dre , muito honratio , e muito.erudito i e como sabe que 

'V. Senhoria he igualmcnte muito favorecedor de quem 
tern estas circunstahcias ; vai na cxrteza deconise'guiro 
que justainente pcrtende , mais fiado na recommendagad 
cos seus oicrecimentos', que na da minha carta. V. Se- 
nhoria se sirva de me dar occasides , em que me des- 
erapenhe dos muitos fa vores qiie Ihe devo. Deos guar- 
de ? V. Senhoria por muitos anno^. 

14 A m«*ecida opiniad que ha nesta Corte do mui- 
to, que V. Excellencia deseja premiar sujeitos de me- 
recimentos, abre caminho a N.r. para que vi a V. Ex- 
cellencia apresentar o^ seus : e como eu delles sou liutn 
grande yenerador , qucrc que va acbmpanhado desta 
minha recommendagafi , na qual pe§o a V, Excellen- 
cia que 6 attenda com algum emprego , cm que possa 
viver segunjlo a qualidade do seu nobre nascira,6nto, 
e muito feliz seria elle, se o patrocinio dd V. Excel- 
lencia fosse igual aos granfles merecimentes que tem , 
de que na6 duvido, dan^piseoccasiaSjporqueat^ nes- 
ta virtude he V, Excellencia singular. Ofiefejo a V. 
Excellencia toda a inutilidade do meu prestimo/sefdr 
semdo miindar-me. Deos guarde a V. Excellencia por 
jiiimos annos. 

15' He t^6 dlstincta a cap?icidade dcN-.l, porta- 
dor desta, para qualquer emprego, qupji pod^ra tef 
muieos de grande considera^S, se se tiyesse dado 9 

CO- 



P o * f u G x; E z. ' 47 

conliecer. T£\x que dos sens merecitnentos sou o maior 
yeDcrador , sentindo esfa sua irresblu9a6 ^ o tnando A pre- 
senja dc V. Excelkncia pedindo-lhe efficazmente que 
queira empregar na sua Secretaria ; e esrou certo 
cut V. fixcellencia depois de experimentar a qualidade 
C; seu talento, se ha de dar por mui pago do zelo, 
com que desejo que V, Excellencia seja ijem servido. 
A pcssoa de. V* Excellencia goarde Deos pot muitos 

16 Dou a V. Senhoria ^occa6ia6 de exercitar comigo 
a sua incomparavel benignidade , pedindo-Ihe com a 
raaior instancia. queira favorecer, ao portador desta, 
mandando em s^u nome esses Memoriaes aosDesembar- 
gadotcs N— N.., a fim de sentenciarem com brevidadc 
huma causa deste sujeito, A sua pobreza , e justiqa fa- 
zem-se liiuito dignas da i:«commenda5a6 mais viva de 
V. Senhoria , de cujo favor fico certo , regulando-me pe- 
los passados. Disponlia V. Senhoria da minha vontade 
cm tudo o qxte for servido. Deos guarde a V. Senhoria * 
por muitos annos.^; 

17 A grandeza da C^sa deV. Excellencia foisempre 
a de favorecer desamparados : ninguem o he ma is que o 
portador desta ^ porque sendp estranho ;, eadornado de 
muhos, e excellentes requisitos, se acha sem amparo 
algum Dfsta Cortc. Pertende entrar no'servigo de V» 
Excellencia , e como nas suas i^irtudes . tern o melhor 
Memorial , bastard ir a presen§a de V. Excellencia , sem 
apadrinhar a mAnha reconimcoda9a6, a qual com tudo 
sei que V. Excellencia na6 ha de desprez^r , pela muita 
honra com que sempre me trata. E$ta me faz confessar 
que sou de V, Excellencia hum pcrpetuo devedor. Deo$ 
guarde a V. Excellencia por muitos annos. 

18. Nao ha qu^m exceda aV,. Senhoria na rar^ virtu- 
de de valer a todos; e eu que conhe§o este desejo deV. 
Senhoria 5 qucro dar-lhe occgsia6 para o poder exerci-. 
tar, rogando-lhe se sirva de ter na sua lembranfa'a N,.^ 
fara,o jfavorfcer, noraeaado-Q em algum dos officios 

da 



4^ ^ ' S. E C R E T A R T O , ^ 

da Casa deV. Senhoriaj' porque. certamcnte oseupro- 
ccdimento , habilidade,,' e verdade ofazem digno do pa- 
trocink) , e service de V. Senhoria , a quern poreste fa- 
vor me confessarei sempre mufto obrigado. Deos guar- 
ds a V. Senhoria por muitos annos. , \^ 

19 Penetrou-me de tanta compaixa6 a grande pobre- 
za , em que sc acha o portadot desta , procedida dos 
muitos litigics , que traz ncsta Corte , que me move a 
patrociualio com V. Senhoria , a quern roga com o 
mais particular empenho o queira ouvir , e ver chorar 
tao just^mente pelos seus trabalhos , porque estou ccr- 
to que qom a narragaC) delles se morera tanto V. Se- 
nhoria a compaixao , que se ha xie declarar por seu pu- 
blico Protector cm beneficio das suas causas. Deos 
guarde a V, Senhoria muitos annos para' me fazer fa- 
vor, &c, 

20 Conhe^o muito bem que V. Excellencia nad 
necessita no scu scrvi^o de raais^Criados benemeritos ; 
porque nisto se distingue muito a Casa deVvExcellcn- 
cia : porcm sai6 ta6 avantajados os m^recim^ntos de 
N... , portador desta, que descjdra muito que V, Ex- 
(jellencia o mandasse escrever no numero dos seu^ Cria- 
dos graves. Experimente V, Excellencia priroeiro o seu 
talento , que estou certo que ( deixe-rijc V. Excellen- 
cia explicar assim ) ha de passarpara V, Excellencia a 
obrigajao , conbccendo a qualidade do sujeito por 
quem me eropenho.. V. Excellencia .me mande como 
seu criado. Deos guarde a V. Excellencia por muitos 
annos.. , 

21 Assegura-me N... , , portador desta, que a bre- 
ve, e favoravcl expedi9a6 de huma sua causa esti nas 
m^os de V. m. , e quer que eu o acompanhe com hu- 
ma minha recpmmendaqao ^ara seu melhor despacho. 
Supplied a V. m. (para o <{ut empenho toda a nossa 
amizade ) ijue Iheraga todo o favor , que permittir hu- 
ma justiga , que, attende ao summum jus , compa-» * 
decida da fragilidade da nossa a%tureza« Estou certo da 

pro-* 



P a R T V a ^ c 2. 4^' « 

propens46 , coin que v. ni. Ka de Hear para^mefazer es- 
ta gra§a , a qua! me dcixara^ta6 obrigado,comoagra-^ 
decide. Deos guarde a v. m. per muitos annos* 



,R, 



RESPOSTAS As CARTAS 

DE regommenx>a§a6. 



,ECEBO com mui particular estima^ad q prd- 
ceito de V. Senhoria , erh que me manda que favorega 
a N.., no que,podfer. Esteja V. Senhjoria na certezade 
que esta inuito na minha lembranja y e que na6 perde- 
rei instante ein cuid^r dos-^cSia augmcntos, para po- 
der daraV.Benhoria hum signal da minha gratida6,pe- 
loinuiro que Ihcdcvo. Deos^guardea V. Senlioria.por 
muiroi? annos. ^ 

1 Tomo mill gostoso o.ettrpenho de patrpcinlr ao 
afilhado de V.^SteohorianoitnpQrtantenegQdoyde^ue 
trata, assim'.por scr justo^ como porque he V. Senho- 
ria quern o'recommenda. Esperoque o eonseguira conio 
desqja ^ porque eu n^6 me hei de poupar d diligencia pa-*^ 
ra Iho conscguir; pois muito mais me dicta a minh* 
obrigagaS que obre tm obsequio de V. Senhoria , a 
qucm tanto dcvo. Deos guairde a V* Senhoria por mui- 
tos annos. : , 

3 As recomrhendafdes de V. Excellencia sap para, 
toim gwtosos preceirps , ^ue hei de obserrar exactaraen- 
te Gomo sen ta6 farorecido Criado t pelo que p6dees- 
tar na certeza o seu afilhado. que hd de tomaf comp rai- 
nhas as suas dependencias }- que na6.p6dem deixarde sei^ 
ffirnhas ^quellas,, em que V. Exeellencia me continiia ^ 
honra , que me faz em me mandan Deos guarde a V« 
£5:cdleilicia por ifiuitos annos. ' 

4 A maibr provai, que eu tenho doS mefecimentos^ 
do seu afilhado Jt'i . * ^ he jser recommendado por V. Se- 
^oria, icuje. tai^ < altamentQ OS sabe conhecer, eavalian 

/ Ji 



so S B C K A T A ft r o 

Ja o accfeftei no meu servijo, e nelleiserd detnimestr- 
mado , como mcrecem as circ^nstancias 4e hum sujei- 
to 5 aqucm V. Senhoria farrto engrandecc Fico esperan- 
do mais occa^iSes , em que possa dar gosto a V. Senhor 
'Tia y a quern Deos guarde par muitos annos. 

' y Bern poderi o afilhado de V. Scnhoria na6 buscar 
outro premio aos seus mci-ecimentos , mais que os dis- 
tiiictos louvores, com que V. Senhori^ tanto o honra. 
Jia sua recommendacaS ; mas jd que elle,^ai*a eu.fi- 
car bem senridp , na6 conhece a grandeza do elogio , 
promptamente o acceitei no emprego de meu Secreta- 
rio, ohde a di$tinqa6 , que farei delle , he que dar^ a 
conhecer ^ V. Se4ihoria o grande afjrego , que ia^das 
suas recommeAda96es4 I>eos guarde a V. Senhorla por 
muitos annos. , 

6 Recebo comlitim particular aprego a reoommen-' 
da(ja6 de y. m. a favor dosmerecimcntos,vedespacho 

.'de N... , aos^ quaes attendee! com todo ocmdado, e 
irontade no que a justiga peftnittir / tendo scmpre na 
•lembranja que he v. m. quem me .; maftda j.e qiM«n o 
faVorcce. V^ m. disponha da minha vontade tudo o que 
for servido, porque sempre. esta promptissima* Deos 
guarde a v: m. pbr muitos annos. ^ . 

7 Sem p6r demora no que v. m. mcordena.nasiui 
'Carta a favor deN...fiii logo fallar como Dcsembarga- 

dor N... 5*0 qual dco taes raz8es , parajua6mepoder 
por hora servir , que de nenhum modo Ihas pude con- 
tradizer, antes com ellas cohdescendi ; e assha hefoi-- 
yoso que o seu afilhado soffra ppr poucos mezes o que 
padece ha tantos annos* V. m-ikjue persuadii© da mi- 
nha diligencia, e do meu empenho: que eu fico espe- 
rando outros, cm que cumpra com oqu^devot Deos 
£uarde a v. m. p6r muitos annos. : 

8 Frustrara6-se , meuamigo, todas as minha^dili-- 
. genciasj porque d6 nenhum niodb mefolpossivel con- 

•seguir b negocio, que v. m. tantodesejava para o scu 
afilhado ^ e que ^He pelos 9etts muitos mcrecimemos canr 

' to. 



P o R n tf d ir K 24 ft 

toiDerecIa.> Qaer Deos Scnhor nosso provat a sua cons- 
Vaada, encontr^odo-iiie os seus inientos. Como y. m* 
sabe muito bcm oquanto Ihcdesejo obedocer, hedes- 
irecessario dizcr*lhe q semiincnto, que me fica do fint 
contrario deste, mea empenho* Na6 me negue v. m. ou- 
tras occasioes de o servir^ nas quaes desejara sef maii 
aforfunado^ Deos guarde a v.. m* por muitos aonos. 

9 Asseguro a V* Senhoria > que a causft do seu afilha-* 
do ha de ser vUta com a maior atten^o, e estudo ; 
porque hex dep6r todas asfpf^asempooderar asraz6eS| 
que ihe^ assistem , para Ihe fazer justi^.j no que maitf 
cumpro com a^minh^ pbriga9a5 , que com asordeas 
de V, Senhoria, de quern qesejo outras , em que pos^^ 
fta liyremeAte sacrificar a mlnlia vontade. Deo^ guarde 
a V, Senhoria por xil|iito$ sjnnos* 

10 Muito tempo ha que des^^p persMa4if a V. Et- 
Cellencia que he senhor ^ da ininha vo^cade ^ e appete^a 
scmpre occasides jie o poder mostrar. Nesta que agon 
ttiec^ece a benignidade deV. ExceUencia , cxecutar^ 
rei que tanto dcsejo^ obrando de modo a respeit^ 
.do seu afilhgdo , que acredirem sl% pbras a yerdade des^ 
tas minhas palayras* j^s^im o asseguro a V. Excelleacia^ 
a quern Deos guafde por oiuitos annpsl. 

11 Reqebo poF mul especial fayor a lembran$a^, 
que V. m. tern de me mandar , e em cousa.qO^ v. m* tanta 
oeseia , como he o bom successo no oegocio do seu a&* 
Ihadfo) no qualppreitodasasminha§ for§as para o con- 
seguir ; assim para mo^tr^X a y. m* a minha boa vonta^ 
de ,/cpmo. pPrque p /pret^ndente tanto o merece peloi 
estiioave.is predicado^ , que v. m. Comelogios ta6 distin- 
ctaaiqite afiafi^. Na6 m(e poupfe y. ra. outras occasides , 
«n que pie c.oiitin\pe a tfltejima hpnra , porque nai6 ha-? 
vcri mudanga na minha vontade. Deos guarde a.y, ih# 
por muitos anrios. 

12 V. Excellehcia p6de ficafr^na certtfza dequedmt 
fccneficio da i)essoa , e negocios do seu afilhado , hei 
i^ obscryar aju8ti^a> aqual^ aoqueeotendo^ Ihe ixsl6 



^% S E C K B T A R I O 

falta ; e seria die ciuifeliz, se elk fosse igualaode- 
sejo 5 qife tenbo de scrvir a V. Ercellencia, a quern 
•Peos guarde pormuitos annos. [ 

13 Depois que repebi a Carta de V. Senhoria , pa- 
trocinando-me obom successo do negocio do seu afi- 
Ihado N... •) confcsso-lhe qiie na6 tive descango , em 
quanto ha6 fiz adiligehcia, na qual achei alguns em- 
bara90$ ; mas procurando desfazellos , alcancei o que 
todos tanto desejavamos. Na6 posso explicar a V. Se- 
nhdria o gosto, que me fica de coHseguir fcsta pretenr 
^a5 , igualmente ' por cumprir com as ord€Hs de V. . 
Senhoria, que por favorecer a pobrtza do seu afiiha- 
do. Debs guardeaV. Senhoria por muitos annos. 
' -14 EU;, meu amigb, na6 necessito de Cartas para 
haver de patrocinar as refebmmendagdes de v. in. ; oas- 
tia-me unicamente^hum recado seii , oti virem-me ftl- 
lar tm nome de v. in*,' p^a eu at4:ender <om prom- 
|)tdda6 a quern vicr recommendado por pessoa , que 
cu tanto venero. Assim .0 dei a entender ao seu afilha- 
tdq 5 o qual ja rai despachado j cdesejara eu muitoqiii 
ir. m. tpdos os dks me tratasse com esta distincgaS^ 
Deos guarde* a v. m« por muitos anhbs. 

i^ Todas as v^zcs que v< nt. se serve dfe ififsinliar* 
«ie alguma coUsa do seu servi^o , perde a minha von- 
tade a ac5a6 , d6 obrar livremente : porqne ds^muitoS 
beneficios , de que a v. m. sou clevcdor , me obriga6 a 
ob^decer. E^tejav. m. na certeza de que nolitigio de 
Nr- 5 que V. m. me rcebmrtienda , ' nao seri necessaril 
outra recommenda^ao , nem iinda lembran§a'. Se al- 
gum merecimento nisto tenhb , quero que v. m. mo 
agrade§a mandando-me outras-bccasi6es , em que pos* 
sa bbrar 6 mesnao. Deo$ guarc^ a v.tn. por n)ult09 
ahno0» ■ ' ' . . . I .. • 



CAa^ 



P O K T TT G U 



E Z. 



n- 



CARTAS DE P'AR ABE NS. 

A D V E B T E H C I A. 

^ssiM como q^uando sentimos a dcsgra^ de algum 
nosso amigo , Ihe dimtnuimos ^ pena , assim tambem 
quandonos aIegratnos:por alguma suafortuna, Iheau- 
gmentamos o gosto, Os preceitos para se formarcm so* 
meJhantes Cartas sa6 ertes : Engrandecereii\os com pa-^ 
layras expressivas a nossa alegria , mas ha6 de ser escri-i 
tas com tal cuidado, quenaSpare^aSfilhas dalisonja, 
mas sim dehuma fielamizade de amor brando , ou de 
hum obsequio. Eporqucosparabens/Sempre yem acom- 
panhados de louvor , •engrandeccrcmos ' elegSntemenw 
a cousa alcangada , como Dignldadc , Posto , &c;; ac- 
crescentando porem , que ainda na6 h« premie devido 
aos seus merecimentos. Aqui se poderd6 igualmento 
Jouvar as virtudfe xlo premiado : dizenda que ra6 gran- 
de Dignidade, ouPosto, em ningucm podia estar mais 
proprjo, que na sua pessoa , porque em niriguem JO 
achariad ta6 raros merecimentos : mas isto dito de mo* 
do , ( torno-.o ourra vez a encommcndar ) quena6 pa-» 
reca clara lisonja. Ultimamente Ihe dcsejaremos perp6-^ 
tua conserva^ao da codsa alcan^ada , se ella o content 
tir, c OS augmentos . das maiores fclicidades : c se o$ 
para bens que dermos, forem de lugar em algum dos 
Tribunaes , suavemcnte cxhortaremos a 'pessoa despa- 
ciiada , para que obrc de maneira que mere^a fama de 
inteiro, c prudente Ministro. Algumas vezes se come* 
§ara indirectamente pelo lugar, como dizem ps Rhor 
toricos, fingindo que na6 nos alegra.mps como sen em* 

}5rego , V. g, porque estc na8 Ihe da honra , antes pc* 
as suas virtu^es a recebe ; mas que com tudo nos en-^ 
chemos dp * prazer , porque nelle pdde dar exercicio ^s 

- ^ suas 



f4 S « c » % r A 1 10 

suasmesmasvirtudes* Observo que Cicero nassuas Car^ 
ras deParabens. por eriipregos ^ usa de^tcs tres termos* 
f^ritneiramcnte dlegra-se , porque ao atnigo se desse tal 
Pignidade^ ou Officio j ao, depoislhedes^jaquefdiz- 
lticnte ogoze, e nofim oexhotta a que exercite o tal 
emprego com reputa^a5; Se bs Parabens forem de ci- 
camcntos , ou nascimentos de filhos , mostrareitios a 
uosia alcgria por estas felicidades , e vaticinaremos 
Igrandes fortunas. O engenfio do Secrct^rio dispora es^ 
tas cousas com juiaJo , e madureza , ' considerando a qua- 
lidade das pessoas a quern cscreve , e este serd o seu 
Hiaior cuidado. Semclhantes Cartas pertencem ao ge^ 
uero Demonstrativo,. j 

CARTAS DrE' PARABENS PEL A Pl^OMO^Ad 

; 0E CARDEAES , E Bts?0S, 



.M, 



TJiTo^ tempo ha que os raros merecimentoa 
6e V. E)minencia devia6 rer premiades torn a Sagnada 
Purpura Romana: chegou a desejada occasia6 , com 
extraordinario contcntamento de todos , e mui parti* 
cularmente meuj pelo que dou'aV, Eminencia os pa-- 
rabens com aqucllas sihc^fas , e. humildes expressoes , 
que me sptibe inspirar a raza6 desubdito taofavoreci-* 
do, de V/ Eminenci^ , a quem sapplico sedignederc- 
ceber ^te mm devido obsequio com a sua natural be- 
jiignidade, A pesspa de V, Eminehcia guardeDeospor 
^Uatados annos', como haveraos mister, &c, 

1^ A pi^omoQa6 deV. Eminencia i altissima digni- 
fladc de Principe da Santa Igreja tern occiipado o ^o* 
Ta9a6 de todos de huma verdadeira \ e extraordinaria 
^Icgria , m qual eu nao tenho o segundo lugar , con-, 
fiderando pa8 menos as glorias daPatria, quea>da lU 
lustrissima Qsa de V. Eminencia , daqualteu para mi- 
Iijia grande honra souantigo Criado. Deos Senhor nos- 
§0 ^ tjue gssixti <ju« prcmwr jjs exempl*re§ yirtudcs do 



F oil T U G.U E Z. « 

y. Ethinencia , Ihe coaceda dilatados annos de tida , ' 
para V. Eminencia as poder mais excrcitar em benefit. 
. do, de todos aquelles^ que tiveraS a vehtura de vItct 
debaixo do suave jugo de ta6 bom Pastor,, &.c. 

3 A elcvaqa6 de V. Eminencia i sublime dienida- 
dc de Cardeal da Santa Igreja na6 foi pretpio , foires- 
titui§a6 , que se fez aos rarissimos merecimentos de V. 
Eminencia ; e nesta cefrteza dou a V. Eminencia os 
ParabeiTs com as mais sinc^ras cxpre^sdes de contenta* 
mento } e rogo ardentemente ao Senhor dilate a/ V. Emi- . 
nencia a vida , para fazer grandes seryi^os i sua Igre- 
ja , e para que em V» Eminencia tenhamos todos hum 
Pastor , que nos ama como Pai. Deos guarde a V- 
Eminencia por muitos annos. 

>4 Na digni^slmar prpmoga^ de V, EiAinencia i Sa- 
^ada Purpura promovo igualmente eu o meu obse- 
quio a esjimavel honra de poder ir com esta beijar a 
ma6 a V. Eminencia com aquelle contentaiiiento , que 
mercce ta6 consideravel noticia , e com aquella humi- 
I]ia5a6 , que se deye a tad alta Dignidade , que Deo* 
Senhor nosso fa§aIograr a V. Eminencia .por tantosan^^ 
nos, quantos sao ps ardentcs votosr d,e tantos subdi- 
tos, &c. . . 

5 Logo que. se divulgou nest<r i€tra a considera- 
vel noticia d^exaltagad de V, EminenciaaSagrada Pur- 
pura , logo- cpriri com o corajao a render gra§as ao 
Senhor , e com a ma6 a dar por esta os parabens a 
V. Eminencia ^. os quaes acceite como nascidos da gra- 
tida6 de hum Criado^ que he creatura deV. Eminen- 
cia , cuja importante vida prospere o Cpo j>or felizes ,, 
e largos, anoos, para credito da Patriate das virtudes^ 
&c. . , " 

6 Com extraordiriario contentamento recebem ;o- 
dos a fiaustissima noticia da elevagao de V. Eminencia 
a Sagrada Purpura ; porque a todos he presentc o mui • 
distincto' merecimento de V. Emiqericia para ta6 alta 
Dignidade. ^ Eu tgnho a gloria, e o dcsvanecin^entode 

ser 



jtg S B<: R E^ A R I 6 V 

ser singular f ritre todos na grandcza do pra^^er ; assitn 
desejaHa iquc V. Eminencla o enrend^ra , para credito 
da rninha servida6. A exemplar vida de V. Eminencia 
gujirde peos por muitos ai^ncrs , como todos pedimos , 
pliavertos mister, &c. 

7 Na6 podia Sua Santidade, ao que m6 parece, 
&zeracca6, que fosse niais gloridsa para o seu rontili* 

"cado^ cio que aquella, ein' que creou a V* Eminencia 
Cardeal da Santa Igreja j e certamente me na6 engana 
q conceito: porqiie com a'promocao de V. Eminencia 
deo o Santissimo Padre a Jerar.chia Egcle&iastica hum 
f^rincipe das mais consummadas letras , e a Igreja hu- 
ma columna das mais reJevantes virtudes. Desta exal- 
ta5a6 , de que a Patria re^ulta huma rara gloria , dou 
a V, Eminencia os Parabens, --beijSndo a Sagrada, Pur- 
pura na6 menos em signal do^meu singular contcntamen- 
to, qu6 da minha devida hupiilhagao. A pessoa de V. 
Eminenqia guarde Decs por Jargos annos > como ha- 
ycmos' mister 5 Sfc. / 

8 Por todos 6s ^motivos era devida a V. Eminen- 
cia a Sagrada Purpura , que com universal applauso re- 
peoe V. Eminencia de Sua Sanjtidade na promocao pas- 

^ada; pelo que sendo incomparavel o merecimento de 
• V. Eminencia J nao ha quemcom estanoricia naosia- 
ta em si huma cxtraordinaria alegria. Eu nella tenho 
a hcnra de ser singular , porque iguaimenie tenho a 
honra de ser singuFarmente farorccido de V. Eminen- 
cia^ a quern Debs Senhor nosso concoda larga dura- 
ga8 , como a sua Igreja , e todos necessita6 , &c. 
; 9 Agora podcni V. Eminencia gabalmente conhe- 
ter a disrincta grandeza de seus merecimentos ^vendo 
4^w Sua Santidade , ou mpvido do particular amor, 
que a dies tem, ou da distinc^aS com queosvenera , 
clevpu a V. Eminencia a sublimidade da Purpura Ro- 
mana. Esta consideragap,, que as virrudes de V. Emi- 
liencia llie na6 permittem fazer, faz ([odo est^l^eino, 
applaudindq excessivamentc ca6 alegre noticia , na qual 



P O R T t; G TJ E Z J7 

Ta6 mere^o cu o segundo lugar , por ser crettum de 
V. Eminencia , a quern beijo a Sagrada purpura 5 e de^ 
sejo huma dilarada vida , assim para a Ipgrar , como 
para a ennobrecer , &c. 

10 You tardc a dar a V. Eminencia os parabens 
pela sua dignissimapromo^aSaoGardinalado, na6por- 
que fosse tarda em alegrar-mepomtaoconsideravelno- 
ticia : mas como a minha alegria he de pessoa parti- 
cular, pareceo-me juste que para ser conliecido, fos- 
se dcpois do applauso universal ; sendo que o meu pe- 
la sua e^ftraordiharia grandeza, me faz crer que sem- 
pre havia ser entre todos conhecido.V. Eminencia des- 
culpe a demora, e acccite o rendimento, e sincerida- 
de deste meu obsequio , como de quem mais que to^ 
dos , applaude a eleva5a6 de V. Eminencia , e conser- 
va ainda maior applauso , para quando vir a V. Emi- 
nenda enthronizado ( como espero ) na Suprema Di- 
gnidade da Igreja ; para a qual ja vaofazcndocscada 
OS seus altissimos mereqimentos. A pessoa de V. Emi-t 
ncncia guarde Deos por felizes .annos. 

11 He superior a todas as expressoes ocoritenta-* 
niento , que me resulta jda justiga , com que Sua Santi-^ 
dade , e El-Rei nosso Senhor quizera6 premiar os su-^ 
Wimes merecimenros de V. Excellencia , elevando-o d 
veneravel Dlgnidade da Purpura Romana. Em attcn-^ 
936 a este meu excessivo prkzer na6 devo pedir mais a 
V. Eminencia , sena6 que me rcconheca por hum dosi 
seus mais humildes , e fieis Criados ; que serd para mim 
a mais estimavel honra. Deos Senhor nosso guarde a 
dignissima pessoa de V. Eminencia portantos, e feli- 
zes annos , quantos sa6 bs mens ardcntes rogos , &c. 

12 A cleica6 /que Sua Magestade, faz. de V., Ex- 
cellencia pant Prelado da Santa Igreja de.,. causou-me 
aquella grande alegria,que costumo receber, quando 
vejo as Dignidades bem empregadas ; motivo por que 
me alegro com V. Excellencia , como' quem antes que 
consdguisse esta' ISjun com efl[eito a havi^ ja mere- 

* ' ci- 



jS S E C R E Y A R I O 

cldo com as virtvdes. Par^a gloria dell^ , c acnpafodosr 
seus subditos, Decs Senhor nos'so, que a fez merecer a 
V. Excellencia , Iha fa§a gozar por dilatados annos ^ Sec 

i:; Grande sentiinento tinha Cu de- ver ocrosos os 
grandes xnereciraentos de V. Excellencia; agora inte- 
riormente me alegro de os v6r ja empregados na Di- 
gnidadc de Bispo de.,. , pela qua! se abre a V. Excel- 
lencia hum largo thesouro , para qs poder augmentar 
nos muitQs scrvi^os-, que Jia de fazer na cultitra espi- 
rirual da Vinha do Senhor. EUfe- oucavas-uiinhas ar- 
dentes supplicas, paradar a V. Excellencia muitosaa- 
nos dQ vida, a fim de que exercite as suas grandes vir* 
tudes , para exemplo nossb , e utitidade dos seus sub- 
ditps. Decs guarde a V. Excellencia , &c. 

14 E^ta Dignidad^ de Arcebispo de..» , que agora 
com publico conteqtamento de tedos nasce par^ V. 
Exceiieucia, era jd lia muitos annos adulta, assim na 
singularidade do merecimento , e sangue de V. Excel- 
lencia 9 como na opiniad do Mundo : pelo qu6 me pa^ 
rece qoe V. Excellencia na6 consegue.neste caso mai« 
<^e huma particular occasiao de accrescentar as glo- 
rias /da sua oant* Igreja, na6 menos pelosmerecimen- 
tos passados^ que pelos futuros. Disto he que douaV. 
Excellencia os parabens, e delles passo jiaosrogos, 
pediadoao Senhor que seja V. Excellencia ta6 perdue 
ravel na vida y cemo o ha de ser na &ma das suas vii^ 
tudes, &c. 

ly Entre os comnauns applausps , que V. Excel- 
lencia receberi pcla sua dignissima eleva5a6 a Mirra 
dc^.. , ^acceite a benignidade de V. Excellencia osme^s 
como nascldos da minha obrigagao, e d^ quern mais 
pnofundamente venera as exemphires virtudes de V- Ex- 
cellencia y que se^n duvida sera6 de tanta utilidade aos 
seus subiditos, coma fora6 a toda esta Corte ,aonde 
dcllas ouvio V. Excellencia tantos ajpplausos , seni pei^ 
der o merecimcntp. Deos guarde a V; Excellencia por 
muitos anno9« 

Na6 



P O 11 T TT G vV :5 z*" 5r^ 

i6 Na8 hanria ea dar a V. Excellencia os Parabens , 
xnas $im i sua Santa Igreja , porqueella he- quern rccc-" 
be toda- a gloria , pela €lei9a6 que de V. Excellencia 
fez a rectissiiha providencia de Sua Magestade : mas 
dou a. V. Excellencia- os Parabens , porque com esta ^ - 
sua jiolneaqa8 se aSre caminho a V.' Excellencia para 
^{lerci^ar niais krgamente as suas ta6 conhecidas virtu^ 
des eib utilidade dos seus subditos , aos quaes invejo 
a Ventura, assim como deseio as ordeos de V. Excel* 
lencia^ a quern Deos jguarde pormuitosannos. 

Para Fidalgos. 

17 A dignissima clei§a6 , que de V. Excellencia fesB 
Sua Magestade para Govemador das Armas dS Provin* 
cia de..; , he igualmente hum proporcionado reconhe^ 
cimento dos grandes meritos de V. Excellencia , e hum 
j«sto motivo para a alegrla de todos , que estimarem os / 
avigmentos^da Patria. Sirva-se V. Excellencia demefe-- 
zer a honra de crer queeuneste parabem sigoo natural 
kipulso , que me da6 as ra^fies de Criado ta8 favorect- 
do da Casa de V. Excellencia, ^ quern o Ceo prospere 
por muitos arftias , como este Reino ha de mister. 

, x8" A venera§a6, .que eu professo ao merecimenta 
incomparavel de V. Excellencia : ^s^rigagdes , que por 
tantos titulps Ihe devo /e o dcsefo , que tenho das suas 
maiores prosperidades , sa8 os fundam'entbs , com qfue 
xne distingo . entre; todos os Criados de V. tixcelleneia : 
c por isso entre os communs parabens , que V. Excd-* 
lencia ^ra recebido pela sua dignissiina Presidencia, 
desejo que acceite qs mens, como nascidos das mes- 
mas especificas raz6e$ , que Igualmente me movem ^ 
fiollicitar a honra dos seijs estimadissimos preceitos. Deos ^ 
guarde a V. Ex(Jelfencia por muitos annos. 

19 A elei§ad que de V. Elxcellencia fez Sua Mages- 
tade para o Tribunal de,.. he certamente applaudida de 
todos ^ porque como na8 ha quem na6 conheja. o in- 
«>nM)a«vcl mercciiacma de V. Excelleacia, todos sc 

ale- 






■ i 



A) / S E C R E T A It I O 

aJegraS por ta6 justa nomea5a6. Do men exdessivo con- 
tent a mento na6 pode V.\Excellencia deixar de est&r 
fjersUadido , nao menos pcias raz6es do sangue, que pe- -^esiel 
as da ohriga§a6 , as quales desejao a V. Excellenfcia • '-^^ 
aquelles' premios , de que os seqs distinctos merecimen- '^^^ 
tos se fazem ta6 acredores. Deos Spnhor nosso dilate a "^ 
V, Exceilencia a vid'a para resuscitar ha justiga huma "^ 
virt.ude quasi desconhecida , &c. > 

20 Para 'V. Exceliencia conseguii as maiores hon-i -fc 
ras deste- Rejino , largo caminho Ihe fazem os seus pro* irj 
prio^ merecimentos. Em attenga6 a ellcs nomeou Sua ^n 
Magestadc a V. Excellencia Embaixador a Cortede...^ 
deque dou a V. Excellencia os parabens , e jd tarn-' 
bem ^ Patiua; porque no seu Minfsterio obrara V. Ex* 
cellencia taes ac§6es, que deixar^ esquccidas asdeseus 
antccessores , e mais lembradas as deseus illustres Maio- 
i?es. Assim o promettem as raras rirtudes de; V. Ex-s^ 
celleacia , a quem Deos guardepor muitos annos. 

21 Bem pod^ra eu na6 dar a V. feicellencia os pa- 
rabens pdo authorizado postode- General, deque fez 
merc^ a V. Excellencia a rectissima pibvidencia d^ Sua 
llllagestade: porque V. Excellencia ha muitos arino$ 
que%na optniad do Mundo o lograva , se na6 na pessoa , 
certamente nos mMropientOs : poreoji como agora se 
offerece a V. Excwoibia aoccasia6 de poder illustrar 
ncste Posto as iierbicas virtudes de seus illustres Progc-i 
nitof-es , dcfU a V. Excellencia os parabens com todoa 
OS signaes de verdadeiro contentamento^ V. Excfllencia 
se na6 csquega de me mandar , porque sempre a minha 
vontade.esta prompta. Deos guarde a V, Excellencia 
por muitos annos. - . . 

22 A acertada eleioa6 de V^ Excellencia para o 
Gov,e|-no das Armas da Provincia de.,. foi cje todos es-r 
timada com tahto applauso , que geralmente devemos 
dar a Sua Magestade os paral?ens pela sua incompara+ 
vel nomeafa^; pois ne^a proporcionou a grandeza , e 
aurhorii4a,dc dcste. Postp com os merecimemtos de V^ 



P 6 R T <e G u B «. 6t 

jExcellencia y do qual esperamos todo^ ouvir o que de 
outros, que ja V, Excellcncia occiipou , espalhava a 
fa ma ne^teReino. Fico park obedeceraV. Excellencia 
com aquella vontade , que pedem as ianumeraveis^ obri* 
gaq6es , com tpe a sua benignidade tern corifusa a mi- 
nha gratida5. Deos guarde a V.£xdeUeQciapormuit6s 
annos. 

Para pessoas particulares. 
^3 Meu atnigo. V. m. com os seus novos mereci-. 
mentos vai sempre fazcodo caminho para novos empre- 
gos , e novas honras , pomo presentemente succede 
com o novo Officio de,.. , depois de tantos ta6 louva- 
yelmente occupadq^ , que honrou v. m. a mesma hopni, 
Deste espero eu que saia v. ra. com a mesma gloria ,♦ e 
Ihe dou. delle bs parabens , como seu fiel amigo , e 
obrigado. Exercite y. m. na minha obediencia coda a 
authoridad^ , que tem para a mandar. Deos guarde a 
v.m. por muirosannos. < 

24.AIeu atnigo. Ainda neste Convento na6 hoove 
Opitiilo, do qual resulrasse mais gloria aosReligiosos^^ 
e a mim maior ccmtentamenro ,' como no presence^ eiti 
que V^ P.R. foi elcito Provincial ; pelo que dou o^ 
parabeos i Religia6, a V. P. R. , e a mim mesmo, e 
com maior especi9lidade ao nosso amigo Fr. N..;^ ^ 
qual teve a maior parte nesta elei5a6 que alcangou^, 
porque a favorecia com justiga. Deos Senhor nosecrdi- 
rija a V. ?• R. de raaneira , que depois da elei§atf ^ se 
siga a acclamaqao de todos ; assim o espero , e destf|0 
como amigo taiS'&i, e obrigado de V^P^R* a quem 
Deos guairde pormuitos annos. ^ 

25^ Dou a V. P. OS pacabens do seu novo cargo , 
que be mais conhecimento , que reconhecimento das 
snasgrandes virtudes, e dos seus grandes services , os 
quaes para serem dignamente premiados^ na6 e^)era6 
mais 4^e a occasiao ;' pontile senate a justiga foi ^ 
principal Prelado. da Religia6 de v. P.; aquemDeoc 
^nhor OQssQ C9oserv6 a yi^a 9 para em todos-O^ltt^ 

ga-» 



6% S E C R E T A R r O 

gares oue o edpera6 , Ihe fazer muitos sem^os, Sccm 
26 Era juitissimo cfue V. P. R. , depois de haver 
^do valeroso brago do Corpo Monastico da sua Ve- 
ueravel Religia6, fosse delie em fim Cabe§a, coma 
succedeo agora , com tanta uniformidade dos Elei to- 
res, como increchnento do Eleito. Dou a V. P., Bi- 
os parabens como de cousas que ^u tanto desejava: , 
\ assim pela* mlnha amizade , como pelas minhas obri- 

§ac6es : e roga incessantemehte ao Senhor que d6 vi-^ 
a^a V, P. R. para que o seu governo sii-va de exem- 
plar para a posteridade , &c. 



RESPOSTAS A ESl^AS CARTAS. 

> T| , 

I XvEcoKHEgo a V. Excellencia por hum. dod 
mais interessados nos applausos da hiinha promo9ii6aci 
Cardinalado ; e para eu o crer , na5 he necessario cue V. 
jExcellencia hid testifiaue: mas }i xpa V. Exceliencia 
:m& quiz dar este grame gosto, agr^de^o muh particu* 
Jarmente a attengad de V» Excdlcucia , a quern desejo 
#om toda a vontade dar go^to. Deos guarde aV. Ex- 
.cdlencia por muitos annos. 

. 2 Agrade$Q a V. Excellencia mui distinctamcnte o 
go^to, com que applaude a liitnha promogao, o qual 
evu sempre mer^ci a V. Excellencia , pelo muito qofc 
jyctoero Qs seus grandes' met-ecimehtos , que rodos sa5 
mui proprios da Casa de V. Excellencia , a quern oSch 
xe$o toda a minha vontade. Deos guarde a V« Excel* 
lencia por muitos annos. . V 

3 Fora6-me mui^ particularmeate acceitas as expres-* 
^6es^ com qup v^m. na sua Carta meparticipouoseu 
<ontentamento pela minha promo^6 , de cuja lean 
ibfan^a eu cm nenbum tempo me hei de esquecer para 
^r gosto a.v« m. >.a quern Deos guarde por muicosannos^ 



E a R T 9 G Iff E «• - 6% 

De Bispos. 

4 Exerclta V. Excellencla conaigo , alem dos efieitos 
da griande2(a da sua pessoa , todos 08 da sua benigni^ 
dade, encbendo-nie de favores em todas as occasi6es , 
e snui particularmente nesta indigna eleigad^ que de 
mitn fez Sua Magestade para o Bispado de;.. Eu iia6 
posso corresponder^ V. Exceliencia , mais que com hum 
verdadeiro agfadecimento ; e se.V. Exceliencia quizer 
favorecer-me com os seus estimaveisptecdtos , poderei 
desempenhar inai« as minhas obriga^es. Decs gtuirde 
a V. Exceliencia por muitos annos. 

5 Os estlniaveis parabens aue V^ Senhoria foi senri* 
do dar-me pela desmerecida elei^ad, que Sua Magesta- 
de fez de mim pala o Bkpado de«.. , sa6 outros tantos 
ttttemunbos da benignidadc do animodeV. Senhoria y 
a quern dou os devidos a^adecimratos , uoindo a elles 
hum. sinc6ro desejo de servir a V« Senhoria esn tudo o 
-que me xudenar. Deos guarde a V. Senhoria por muicos 
annos, 

6 Em nenhmn tempo se esqueceo y. Exceliencia de 
file iazer favor, --do qual recebo hmn hovo testemunhOy 
agora que recebo buma Casta de Y. Exceliencia , em 
que me dd os parabens da eiei9a6 , que demim&zSua 
Magestade, para o Bispado de N.«. , indigna certamente, 
se se attender a qualidade dos xneus m^ritos. Dou a V. 
Exceliencia os agradecimentos pelos continuados favo- 
res , com que me trata , ofierecendo-lhe toda a minha inu- 
tilidade , que he todo o raeu'pi^stimo , par^ sempre dait 
gostos a Y» Exceliencia, aquemDeosguardepormui^ 
tos.annos. 

T)e Fidalgas. 

' 7 Bem certo estara eu de que V. Excdiencia havia 
•«cr quern primeiro me fizessea honradeestimaramer- 
ciS , com que a Real benevolencia de sua Magestade 
<^e distioguio ; gpQn|ue omlto tempo .ha que esCou per* 

fiua-» 



-64 S fi C R E T A |t I O. 

suadido que V. Excellencia estima como seu os meus 
augmentosi nad merios pelas raz6es do sangue , que pe- 
las da amizade , das quaes eufaco huma particular esti- 
ina9a6. Disponha V. Excellencia aa minha vontade , para 
de algum modo me poder mostrar agradecidd a tanto 
favor. Deos guarde a ;V. Excellencia por muito ahnos. 

8 Em todas asoccasioes^ em que V. Senhoria mefaz 
favor , me continiia -a mesma honra , com quesempm 
me tratou a Casa de V. Senhoria ; o que V- Senhoria me 
dd mais a conhecer, agora que me da os para bens da 
mercc, com. que Sua.Magestade medespachou. Estas 
antigas , e novas, obrigajdes estao tanto na minha leni- 
branqa'5 como sempre estivcrao na de rreusavos , assim 
para o reconhecimento , como para b desempento. 
Deos guarde a V. Senhoria por muitos annos. 

9 Agradcgo, como na6 sei ei^plicar, o contenta- 
mento que a v. m. causou o xneu despacho , segundo 
rat di a ler na sua attenciosa Carta , a qual assim co-- 
mo a recebo por huma das mais.£inc(h^s , que nesm 
occasia6 se m'e tem escrito , assim a conservarei para 
:despjertadora do. meu agradecimento ; pois desejaiei sem- 
pre ter occasi6es de dar gosto a v. m. ^ a quem Dem 
guarde por muitos aiinoa. *; 

. • . ■ ' • ... V 

De pessoas farticutares para outras^ e para - 

Cavalbeiros. - y 

*• 

10 Meu atoigo.. Estou mui persuadido do contcfi- 
tamento , que a v. m. ha via causar a fortuna do meu 
despacho ; porque em todas as occasioes sempre conhe- 
ci em V. m. Jium particular afFecto para comigo ; e.ash 
sim como eu agradejo a v^ m. com, a maior distingaS 
cstc favor , assim v. m. p6de estar na certeza , de que 
jitiJMia 6 peMcrer da memdria , para servir a V, m.- nas 
cccasi6cs em que for seryido mandar-me. Deo« gua^^ 
:jde a Ti.m. por muitos annos. ^ 
.SI Men amgor O parabem> que t# m. Bie da p^i* 

-■ ' • • . 'la 



. Pi^O .R T ir G V E z. 6^ 

U .honra., que%ia Magestade foi servidofazer-ifte, na ; 
lie em v% m. ,actode benignidadc j'^njas sim ^^Justi^a , 
^vida a Ittinha .fiel atnizade j-porque os augmentos d i 
Casa^ de v. m; scmpre os ^descjei futures , c estiraei pre - 
semes. BsCUsado era Icmbrar enistoav. m. ^que >ani 
to o Conhccc ; nias J^e a,.ynifto modo, ,que descubni 
parg. agrad^cer a sua grande anenqa6 , depois c^ rende: 
wdjt. ^ minha vontade aos^precehos dev; nj;, a queai 
Deos gtlardepftr muitos aiaiios; ^ .- . ; 

i^ Meq amigo. A alegriacomqucv;f«; applaudeoii 
nSeus jiugmentos , he hum sincero testemunho da sua 
ficl ati^sade, ao <\ml correspondoj agradecendeav. m^ 
o seUiestimavel^favor, que farei comtjue nao seja sin- 
gular , pondo o maior cuidado^ em dar go»to a v. jn. i 
para o^que espero as i5uas ordens, Deosguarde^ v-m, 
por froiiros annos. . . ' 

.. 13 Achorme perplexo. em descobrir ei^t-essoes , com 
que possa d%ntimenre agradecfi^ra V. Senhoria a hon- 
ra, Cam que me trata , Jighando-^e d€ me dar o^ para- 
l>ens'pela diinha nqva Prelazia, as quaes humas Vezes 
me deiMd d^svanecido j ootras eiiTergonhado*- O uni- 
^o- meio'5 que a minlia CQnfusa6' pdjie desi:obrIr 5 heo 
^e ofterecer-rae todo do servi§o de V.' Senhoria , e en- 
commendallo incessantem^nte a Deos ^liitoddsosmeus 
sacrificios. Po desempenho deste meu a'gradccimentc 
pode iicar mui certo V- Senhoria ^ a qqem Deosguarde 
pOr-muiros artnosw ■•■"■■■ .. ■ 

14 Na6 cabe nas minhas palavras, ^meno&no'meu 
agradecitnefiro, r<e^nder digftameii'te a« graqas a V. Se- 
nhoria pela sua hoiiradissima Carta , efti que V. Senho- 
ita me da os parabens da eleica6 , (^ue d^ «ikn fizerad 
para Geral desta.Congreg^t^aS; e. aissim rogo hiimilde- 
mcnte a V. Senhoria qucira disp6r de*mim, edefoda 
a minha Ordem, tado o que for de seu servi^o,; pbr- 
^ue me pefsuado que Sj^'porestempiopodefei dealgum 
mdAo agradecer ta6 distincra horira a V^ Sfelihoria ^ s 
n^m D#as guarde por muitos annogir. 



B / / Meil 



65' S E C » E » A » I^ 

ly Mea^^migQ* Com esjra Carta , qrie de v. m. rece-* 
bo,' daodb-me os parabens da minhk <K>va Prelazia., 
augmento o niimero das minhas obriga96es, qtie irrn 
todo o terapa devi a v. iDi , e esteja v^. A. ria- perteza , 
que todas, 6 itaui es^ciainsente esta ,*€sta6 tarito na 
miqiha lembranfa , c<:mit esta na de v. m. ocuidada de 
sem precis aijjginehtan Se v, m. se persuade queemt«nim 
haja algum presiitao^ desvaneca-se com os'Seu6 preoei^ 
tos , que a' niinl^ vontade esti serapce*pronta, D^os 
guarde a v. nwpor muitos annbs. 






OUTRAS CARTAS DE PARABENS 

'" K)R pCCASIAd DE ALGUM' MATRIMONIO DE FIDAI.(JpS. 

^ I JLyESEjAVA que.V.-^ EJxQell^mria me ^.sse ahon- 
ra de ,persuadir-sfe de que eu ,* comp hum de seusmais 
favorecidos Oiadosk^ tcoho a, maior parte ijo conllfenta- 
inenro do Matrifnonio de;. V- Excelleneia;, de.que dpu 

/ a y. Excellencia os parabeo^, que cedo csppo tornar 
a dar-lhc pela feJiz succcssaO de bum filho ; e que to*-, 
'dos osCriados da.Casa de V. Excellencia pedimos in^. 
cessantementc a Deos^* O mescno Senhor guarde a pes- 
«ol de V. Excellencia por muitos annos. 

a Por occasia6 do ;^iatrimonio de V. Excellencia^ 
dou a V.Exc^Ienciaosparabeus'pordoisgratides aeer^ 
tos , '^ue nelle cbnsicifero : o primeiro he auniaSpeJa" 

' illustrissima semelhanga do sangue ^ & segund6 pela 
das virtu^Qft : - e certanjent'e na6' he no Munda cous» 

^ inui comtnum dar-sehura, e outro' vinculo nosagraHq 

* do Matrimonio. Esta felicidade, com queeu tantome 
alegix)^ applaudirei muito mais , quando a. vir repro- 
duzida cm hum suspirado filho ^mie Deos SeohorNosso 
(d^ a V, lEjcellencia'J a quemljeos guarde por mukos- 
»nnos* ' . ^ 



. ^ jy^o 4ar« V. Excelleitcia os parabens pAz acer^ 
tada clei§a-6*5,que.fez da Excel lentissitta, Senhora D. ' 
N... para sua Esposa. ; porqiae nesta Senhora contendeqt 
OS dOt^ iftaie raros com o sa^gue mai^ esclarecido , itf 
s6 cntre *«i se uiaemy para.ced€rem*asyirtudes. V. E»f 
ceikncia logre por felici^j^imos , e dilatados annoa- dk 
ta na6 vtilgar felicidade^ e vejadellajDdes^dofracta 
em hum filho $ . que seja tao herdeiro da Casa y dotno 
das vi^aqles de tao* grandees Pais, I>^.V* E^ellencia ex- 
-ercicio arnifiha tonrade/cdm os seusestimaveis pfecci- 
tos 5 jpoT que tanto s*fBpiro. Deos guafde a V. Excel-* 
Icncitt- por tmiitoS annps, * , . > 

4 A geral^^i)prova§a6., e wi^eatamcnto pelo ' acw- 
tado Gasacaehto de V. Excelleficia co»iaExcellentissi- 
ma Seohora D. N.^jjustameflte mclcvafiftdaros para- 
bens a V. Ex^ellencia ^ e prognosticar-lhe huma felicis- 
§iin^ 5 e ^uccessiva posteridade para a sua tao veneravei 
Osa ^ que . Debs oonsefve por dila^dos aiinos , cbmo 
todos desefamos^ 3 e l^avemos mister. Bleceba V. Ex- 
'Ccllcncia Denignamente estc mea obs^uio , c desejo^ 
e. seja p.^ignaj o honrar-jnc com 05 seus cstimavetd 
precq^to^* Deos guardc a V» Excelleflcia pormuitos 

' annosi ; . • ; 

5 A;®*attdc2;a da. Qi^ de, y. Stalitoia m6 podia es^ 
.tx)li*er Es|),d6a mais dign^ ^, que a ExeeMehtissima Se-» 
nhoraDi.N.. , porque ncsta Senhora se;acha humsan^ 
gue igualmenje i}tq$trissimo ^ « hufii? costumes igual- 
niente virtuosds^ 3^ii » e todos os que temos ndticia dk 
qualidade desta escolha, damo* a V* Senhoria oa p*- 
rabens / OS .quaes ^esperamos breVemente rcpetir peto 
nascimento ae fium filho 5 que seja tanto-frlictO deste 
sagrado i* vinculo ,^ cbmo do das ymudes de tad illuiStraj 
Pais. Sir74-se V. Senhoria de *(lar exercicio i mjnha 
Vontade com os seus Continuadbspreceitbs. Deosguar^ 

. de a Vdj^SfMihbria^or rojukosannos. 

6 Para- conserva9^6 da grandeza da Casa de V. Ex-* 
c^lencia casou Y# £lxcellencia seu jSlho primogenita 

^ E ii com 



com a E^cellentissima Senhora D. N^.. wrft j^artc^cfc 
V, Excellencia esta' acertada elei^ad; porque nestas 
duas Casas saS cspeciffcas^ c iguacs^asvirtudes , e a no- 
' Breza : serri qia^ em alguma del las ^e possa descobrir 
*x(iesS0i Em todos 6^ Matrimoftios da Casa'de V. Ex- 
cel laicia sfcmp^eeu'ti y e muitasvczesli> que hoiireraa 
estes- acftrtos ,/dkp6stos cerramente pcla Pfovidencia 
de Decs, que as^im quer premiar a heroica effiisa6 de 
sangue*, que per ^lledcrramdrap osgenerosos 'Ascenden- 
tes OT V. Excellencia. O mesmd SenHor', que d Casa de 
V. Excellehcia ccritiniia estes benefi[cio$t naolhaha^e 
ialtar comos de huma diJatada, e firrrie ^uccessftd, k 
tml eu espero que braremcnte' principle, paf a Mar a* 
V, ExcelJencia^muItipHcaHos parabensi Deosguardea 
'V. Excellencia por raiiitos annos. • 

7 Estitno, ealegro-me'com' a maiQr distin^ao pela 
jioricia , que tenhb do casamenro' do filho priittogenito 
d^' V. Senhoria oom a Scnhora D. N/.. ,• pbrque com 
die se'continiiari na'Casa de V^ Seritiofia* a succ<Jssa6 
daqudles Varies,' que tjinto' tcfm ennqbrecfdo'a Patria 
Cbm OS seus illustres ftiro^ydos quaesr he V.^fe'nhoria 
' glorioso 4ierdeir0.Dtes Seidiornos?o conserve a vida 
at V. Senhofia por tantos annos, aue veja homens a 
seus netos: amtn 6 pego ardenlrmcftteao S^nhof,; co- 
mo quem se interessa tatito na dufasa6.da*Ca$a^ V#, 
Senhoria, &c. ;' ' ' 

• 8 O casamtfnto de V. Senhbria' he agora de todos 
ta8 applaudrdo , como afttes bftvia «Mo-'desejado:,ena6 
crrara , se diss^ra que o applauso ^inda he m^iop, do 
•que fora odesejo, pela elei§a6 , que V. Senhoria fez de 
Esposa , aqual faem podia ser mais bem* empregada, 
nem V. Senhoria a podia escolhei^^rfielhor-, motivo, por 
que rae persuado que as virtiides de ambos fora8.as 
*<iue atara6 estesagrado lajp., do qiial serd certo ofru- 
cto: equeira o Senhor que seja com'aquelli bsevidade, 
^ue cu desejo, c rogo. Dcos gdardea v: S&nhofia por 

' Se- 



1? 0'« T U <5 U K r/! '69^ 

9 Sej^ per muitps aanos, e todoB felicissimos , o 
acertado Casamento , que V. Senhoriafae desua filhaa 
Senhora D. N... cona oSenhgr D. N..; , aaqual he que 
dev^ra dar os parabehs ; por^qc nesta Senhora , score 
hum sangueilhistrissimo, levouhum inefFavel thesquro 
de virtudes, o qual 4io mundo he ta6 rare , como na Ca- 
sa de V. Senhoria inexhaurivel. Este principal dote nos 
promette atodos huma grande alegria pelo nascimento 
de hum fiUio ; o que rogo aDeosseja com brevidade, 
« que guards a V. Senhoria por muitos anoos. 

Fara pessoas pafticulares.' 

lo A igualdade h# huttw das prynciras circwnstan-' 

cias ,. que*de7e haver pa^a o matrimonio ser feliz : esta 

nao falta' no de v. nr, , porque a noiva he de sangue 

ta6 honrado^ e de virtuaes. t«6 loijVaveis como v. m. ;. 

pelo que havera ixas 'vontades de ambos huma dupli- 

cada , e perpetua 'uniao ,' do que dou z ^: rii. muito? . 

parabens, que cspero'repetir com a biwidade posd- 

vel, prendiando o Ceo este estimavel vinculoi.com 6 

desejado fructo de hum filho , que serd em tudo senae- 

Ihante » seus.Pais. Fico as ordens de v» m. , a queoi, 

Decs gu-arde por muitos annos» 

II Em todas.as feltcidades daCasa devvm, temof , 
todos, OS meus amigo? ik alfegria, que pedem asjiossas, 
obrigaoo^s. A. mfnhahe especial ^qlo casamqnto dc 
V, m. com a Senhora D, N... , assim porque ape^e 
o meu agradeciraenxo^ 5 ^omo porque as yirtudes cl$ 
ambo^ 3ssiju;.amerec0ai/ V, m. veja coitipleto o seu • 
desejo' com o nascimqntp de hum filhp, que na6 tar^ 
dari se\Deos ouviri^os tQi^ti% rogos. O mesmo Sftnhor 
gii^rde a w m, por muitos ann^s*^ .~ 

IX Meu . amigo. B^pcebo a noticia , quQ v. m. me 
4a do seii^'^matrimoniq , >e re<Kbo-a mais como jobriga* 
qad., do que favor tjue v^m. nw fazj porque ©ca de«. 
vida a hum aitiigp^ap mitriormjchte seu, como en sou, 
«gt^ l©Q ale^^ qotioia* C^pabe§o wuiw bem ^ familia 

r. ■ . - • L ■ '* ■ . da ' 



7b . S K*c m « f A 1R r 6 X ' 

iia noiva, honrada toda pornascimento , eftmito m^ls 
por costumes ;* e este conhecimento me faz alegrSr 
jnais 5 vendo ta6 bem empregados bs de v. m. , a tqifem 
TDeos. dilate por myUps. aiinos a vida , assim para" lo- 
grar OS fructos desejados de ta6 estimavel Consorte , , 
corao para me dar ttiuicas occasi6et de poder senrir a 
V. m. comb devo , &c. 

' '^* I J Meu amigo. Logo que soube tjue v. m^' d6ra 
lostado a se^ filho, fiz hum partknlar concetto da ncv 
treza do nascimento> e das virtudes dessa Sefthora ; * 
porque. as eleijoSs dfe v* m* .sa6 ta6 acertadas , como 
pascida* da sua grande prudencia , e juizo; I>ou a t. * 
|ft, mil^vezes'os parabens, e rbga ao Senhoi* , que ji 
que deo a v. m. hum filho , e h«rma fiora d^ ta6 esti-f 

. maveis dotes, *o faga Com a possJvel breridade digno 
de hum neto de grailries*. merecifhehros : ^asiim o quei- 
ra o raegmb Senhor , que guarde a ▼• m. por muitos 
^niiQs para lograr esta venrura , &c. . » 

JP^^abms por nascimentos defilbas para Fid4lgos. 

14 Na6 pbsso cxplicar a V. Excellencia 6 interior 

contentamento, que me causbu a noticia de rer**dado a, 

Etcfellentissima Senhora Marqu^za aluz fttimfiihpVque 

eii muito.d&sgavay como criadota^favorecido da Capa 

de V. Bxcellencia 5 pelo qufc dbu ^ a W. Excetlencia 05 

parabens 5 e reudo t Ueos'a§gra$as :*a V Excellenci^ 

por me dar tnais hum Amo > e a Debs por ter ouvido os 

^meus rogos, Queira o mesnio Seibhor que este fructo 

"^l^'fa^a maduro, eqnepelas suas Virtild^ humas'^vezes 

fa^a Jemljrar , outras esquecer ^a- memoria' ., dos nossos 

Her6cs^. V% Excellencia accelce estesmeUs dese|6s'c(Jhio 

cffeitos sipceros dagrande obrl^agaS, qife devo a Vin 

Excellencia, a quem Deosguacde por muitos annos, 

ly Como sa6 ta6 distinctas as virtiTd^te^'da Casa 

' ^e^y. Excelfencia , por isso Deos se lembra tanto deiU ' 

fe, eittiqatcendo-a continuame/ite c©mbsseus benefi-? 

Si\P$: He toui'p^rti(:ul^r «st4 (do felicisSteao partb d^- 



F O R T UjG.U E «. 2* 

Exc^ll&ntissima^ Senhora 'Marqueza ; pofqiie pofello 
teni VjExcellencU hum Succesa^^ para a sua^ grande 
Casa : e como ho dado pof Deos , igualmcAje o ha 
de aer dos nmitqs merecimentos de V, Excelleneia. O 
inesino .Senior ihe conserve avida para se fazer digi^J 
de tao preqiosa heranga , e a V. Ext^lencia guarde por 
muitos anfibs - . - ^ . . ' \ 

1 6 O parabenv , que ea pod^ra rVceber per mui- 

tas raz6cj5,,dou a V^ Excelleneia com niuita alegria , 

pelo feliz parro' d^ Excetfehtjssima Seohora Condessa , 

em que no§ dec a \\xt ham ibenino , a qaem Deos 

Senhor.nossa conserve » vidg para continuar a successao, • 

c a gloria -da Casa de V. Excelleneia. .Qufeira o nies* 

ino Senhor dar-nos muitas vVzes* estei grande conten-* 

tamenco , pofque de arvore tad especiosaj devenr ser in- 

finitos OS ftucfos. Eu firmeaicntejespera, este ben^ficio^ 

pondo a consideraqaS nos.fnuitos favores,*que foz O 

mesmo Senhor fa .Casa d©V* Excellenoia. , a quen^of- 

ferejo toda a niiplia vonrade para tudo o cjue for sea 

goaro. Decs guard? a V. E^ccjilencia por muitos annos. 

17 Sempre eiit^^di que as exemplai*es virfudes da 
Excellentissima Seqhora C<;^essa havia6 merecer a 
Deos muitos successes felizes- pura , a Casa de . V. Ex* 
celleacia, e agora fico porsuaefidT) que o seu felicissimo 
parto.heefFeito da$ suas mesmas virtu^es. A ellas dou. 
OS parabcns pela grande alegria , que quizerafi dar a. 
todO;Sy 6especialmeAtea.mim, que depoi^deV.' Excel* 

* len^ia , sou d^Uas 6 tndior-veneradoF* V. Excelleneia 
me- fpande. com)© a «eu,.fliair agradecido servo, ^ara 
na6 estar ociosa a rhinha'^ prompta obediencia. Deos^ 
guarde a V. JExeelkncia ppr Amitos annos. 

18 Seja6 dados a. V. SSn^ria mU parab^s pelo 
bem succedido f)artQ da Senhora D.. N... , de que eu 
Qpncebo hun;^^ extraordinaria alegria , e igual»iente 
huma qsperanga certa de^ue ^ta ndva plants ha de 

' floreccr , para coroar com os seus m^ecimentos a il* 
lustre mcfoonade sc&i|^arQ$« Aasim disponha pjsospa*- 

ra 



*• 



7* S i: t It «:*¥ A R I o 

ra dfe^ser dbasbvezcs filho^id^.V. Senhojrii, a qiiem a. 
mesmo Senhor guar4c por muik)s annos.' 

1^ Em ta6»deseiacla occasia^corao he a'dofelicissi- 
ino parto da Excdlentissima Spftliora D.N..., na6pos- 
•so deixar d^ maniftstara Vr Senhoria.(oexCe^sivo cpn*, 
tentamento com due fico , e rnaior que terei , deque o 
xnenino conte id^ae adiilta, para ver assegurada asuc- 
<essa6daGasa dcV. Senhofia, que tanrc ^esejo, cbmq 
huma das niais benemeritas dest^^Reino: Assim o fa 5a 
I>eos como p6de , e goardc ar V. Se^jhoria, fo^t muitos 
annos. ^. * ' ' \ "^^ * ' .. 

7.0 Por muitos titulos, que^Vt §enhoria haj5 ignora ^ 
Ihe dou OS parabens por4ar d«ua[ esclab^cida Casa humsL 
successa6 ta5 ditosa , tomo desejada doiF quesc pr^zaS 
de criados de jVl Senhoria. Goze V. Senhoria. esta fpli- 
cidadc pAr muites annos^, . e deixe-nos igualmente Jograr 
0utras senpelhanres , J3ara re^mos a gloria de vir reprodu- 
zidas as virtudts cJeV. Senkoria , a quern Deos guai-de 
^r -muitos annos. -' ^. 

'■' 21 Assiiri'como na6 'Jia , quern me ijguale emdcsejar 
continuasprosperidadesd-pessdaje G^^atleY. Senhoria^ 
assim he ^naior, quetpd^asexpress6es o contentameni - 
to que recebo pek jipi-iqa dofelizparto daSeuhora D, 
N... ', em qae deo a luz'hum oieninD a quern desejo viaa, 
f que Cros9a mai« nas virtudes , que na idade. Btm^pode- 
M v. Senlioria dobrar-itie esta alee;ria , seas^im como 
mc deaesta noticia , me impu^csse aooiesnio tempo al- 
jgum preceito, com qiiedesse'mfercicio a prompiida6 da 
minha vontadc : mas constolpr^ne ;- que* se Vv Seiihoria 
impede este sacrificio a n^inha obriga^ao , faz com que 
receba qutro a miiiiia pacfenqia. Dcoe guardc a V. Sc-? 

phona poi:' muitos annos. ^ f 

. '' < . • 

Para pessoas particulares 

ax; Pa fioticia , que v* m. di do beqi succedido 
parto da Senhora D. N... ; resu^ha ao^meu c(M-aqa6 hu- 
fpa particular alegcia , pelos 49BeJQs cjue sempre tive 

■'•■ ■:{:■■■■■■■■■■ 'V-: *^- 



P O 1R T V G U X Z. 75 

dc vBr estabeleoida a Casa dev. m. , de quern sou an- 
tigoxriaHo. De6s Senbor nosso assini coiiio Hie ftz o 
beneficib de dar^he tao suspirado^filho j I'ho continue 
ftzendo com que chegue^ aidade, cm que pelos me- 
recimentos possa sei-vir de gloria a v. m. , a quemte-^ 
nho per grange honra servir como dcvo*^ Decs guar- 
de a v; m. por^muitos annos. ' • ^ . ^ 

23 'Meu,.amjgOi Em diuita obrigJigaH me deixa V« 
m. . particii>afedo-me a nova do feliz parto daSenhora 
N.;. 5 dke^'eu esnmo^de hum modo, que a r. m,na6 
sei expiicar; ^gr^sim. porque I%os outio as suas inces-^ 
sanfe® siippljipas , danddf^lfvc. em hum menino a*sncccs-» 
sap , 4e ^ue tanto .nece^sitava , como porque espero 
que este recem-iKi,scido, Seguindo-;as mesoias pizadas 
dc V, m., represejpte- em benefido publico oshonrados 
merecimentos de seus avosv Assim jo disponlia ft Ceo, 
que guarde a v.* m. ^^or muitos annos. ■" ' 

24 Men amigo.' Nao posso descobrii^ o fundamen- 
to, por (|u*e V. m. nao mehavia participar a aIegreno-» 
ticia do feliz piirto da Senhora N... , <juaado certan 
inence a minha^ fiel ^amizade ,' que ranto sabe applaun. 
dir OS seus gosros, IheAao merecia estedescuido; mas- 
como para mitp. pezao mais as raz6es de amigQ,.quo 
de politico, dou a v, m. muitas vezes os parabens com 
toda . a sinceridade'; e rogo a Deog que, a menina recem- 
nascida chegue a idade, emqiie nas perfeicSeS dbcor- 
po , e ftas da aliito se pareca com sua inai, Y* *m. mo 
trate conirciais^amor , e .com mais imperio:; ^rque 
mc prezo de.obe^decer a v.. m, , *a quem.Deos guarde 
por muitos annos*. -•« . ' 

25 Men anugo. Climpfio Dios os meus dfesejos , 
porque deo a iuz a Senhora 'D. N.. huni meaino i nor 
.va que eu tantp appetecia': e assini, vou jeceber dev, 
m. parabens na occasiao , em que Ihos voudar'y por-f 
que he de ambos aalegria, e o ihtere.ssei dc v. m. , 
porque vd xoi\tinuada a-successao da sua Casa : e de 
fflim J -pQfqije esperq^ vfr ne|?t^ meftiiw continuad^a 

• - - ' • ^ ^ * . ■■' igual-^ 



74 S -RC R E T A IK ! r 

igualmente a succcssa6 (fbs mens protefctores. V. m. me 
nao.fej^irn^ dos^seus cstiniaveis prcceitos , que/a^ib'icm- 
sim^ftte desejo, Deoe guarde a v. m. por tftuitos an- 

nos. * , ' ' .. ' - 

Parabens a Cavalheiros por vinda de ^mbaixadas , 
^ ; ^f Govtrms. 

n.ii Muito tempo ha que a profiindissimp t^leiitg, 
c as singularefi virtftdes, com^uc V. ExcdfeiicU ropre- 
sentou ta6 dign^mente naCortede;r/oC^^raJc?el^eEm- 
t)aixarfo^ dc Sua iMagestade, merecia6 pa Patrjg ouvir 
da Jboc9 de todbs as acclannyj|i5e$ de viva«, .V. Bsufcl- 
lencia as 0115^, e as Ibgre^ coSo tributo, que^offere-* 
cefti a verdade, e a iustija^aos knerecimentos de V. 
E^iCceHencia , e na6 aiisonja, ou a politica d grandeza, 
da Sua**pessoa ; e tntre cantos applauses d/gne-se V. 
ExceHencii de accclt^r estes meus p^abcns , triburo 
igualmente precise 5 e.slncero .da minha gratida6. ta6 , 
devedora a V, Exeellencia , a q[uen\ ambi(2^osateeiite de* > 
sejo $ervir. I>os guarde ia V. Exeellencia por muifos 
alinos. • ■ ' ' * ' , -• 

• 27 Mais sei experimentar , qtie dizer a V.- Eiccellencia 
o grande contentatnentcr, deque tcabada a sua gloriosa 
Embaixada , se restirpissc k nossa Corte; porqueas mi^^ 
nhas obriga56cs per butna p^rte , e o iheu affecto por ou-" 
tra'ccooperao para a mtnha alegrisi. As suppliers • que eu 
ate agui fazia incessantemen|;e arDcis p^la vima de V. 
Exeellencia , continuarei agora , para que dilate feliz- 
mente a^ida de V. Exeellencia , conio jt patria em ro- 
dps OS seus SuccessoresJia dtf mistej, Assim o queira o 
nicsma*Senhcr , que*tanto favorSce a esje Reino. V. Ex- 
ceIl«ciatnG continue aquellc antigo usodehonrar-com 
OS seus preccito? aminha se|^vida6. Dcos ffUardc aV^ 
Exeellencia por muitos annos, 

28 Com muitos beneficios* favorece Deos Senhor 
nosso a este Reino :^porem o maior , . segundo enren- 
do, foi dispdr que V. Exeellencia ,, depbis dc taopro- 
. * '^ li- 



1^ o'V. r V G V iy. 7jr 

lixst:^ e perigcsa'^viagem desde o Orieiftc, se rcstituisse 
a Patria , acabando fcliz , e gloriosamente o Go- . 
vcrno. Sim, Senhor , esre'^he o maior beneficioj^ljois 
que mui particularmentd necessitanlos do valor , pri*- " 
dencia , erprofundissimo,taIento de V, Excellcncia , z 
qtiem Deos quiz fazer singular na6 menos para nO^sa 
utilidade^j^qtie desvanecimentc.Enrre taota felicidade 
na6 resta mais que rogar ardentenlente ao mesnio Se- 
nhor que o?annos da duracaS da vida de V. Excellen- 
cia ^a6 iguaes aos^dafama :. siipplica , de queeu ftie 
na6 possaesquecer ;^/cm attenda ao zelo Bfijtpral , ou 
as obriga§6es d^ Griado miii favorecido*de V. Excel-, 
kncia, a quem Deos guarde por muitos annos. 
. 29 Ta6 era-iquecido daqueiles , Thesouros , que iia6 
ias aC56es illiistres \ como pobre do qnf produz^o Orien- 
te, acabou V. ExceUeficiao seu Vice-Reinado da In- 
dia ,• e cliegou a esta Corte^, onde cerramfente havia 
ser recebido com smceras , e df vidas acclanta^oes do , 
todos ,^ntre qs quaes na6 tenho eu-o segundo lugsjr j^ 
porqiie d|>u a V. Excellenda' os parabens da boa vin- 
4? com as maior^S' expressdes.' de content'amento ; e 
para mostrar a V* Elsccllencia^a grandeza delle,- deseja- 
ra escrever aquellas'", que eu por^d^feito da minha, ca- 
pacidade: na6 sei dizer. V.Excellencia se digue dehon- 
rar-nie com seus fuequemes preceitos, os quaes ,.an- 
sios^meme -fico espcrando. Deos guardc a V. Excellen- ' 
ciii por muitos annos, « 

50 A minhi* exccssiva alegria pela chegada de V. 
Seshoria a este Reino naSsoffrcodejiora em dara V. 
Sel^oria os parabens , levado na6 menos da miuha 
fel^rtii^ade -, Ijue das particulares ob/iga56cs , com . 
qoe >y. Senhoria me tern feito jieu peFpth:i» de^cdpr. 
l>fiseance V. Senhoria- do grave pezo dos cuidados , em 
que o trnha ta6, importante Governo ^ e o«§a o§ *;^p- 
plausos , c louvres de todos , ou conA. uuico , 'e 
maift digno'p!?iemio aos seu« grander ' servi9os , ou co- 
niQ principio glorioso d^ $ua iwinoatal memoriae Knr ^ 

tre 



tre tanto tta6 sa^cfqtfega V. §enIioria igwalmente do^ 
meus applauses , e dos seus preceltos , para na6 rer 
ociosa a minha vonrade, D^o« guarde.a V. Senlioria 
por muitos annos.. x 

31 Seja V. Excellencia ta6' bcm vindo do seu Go- 
verno , ^otpo sempre luesta Corte foi de todos deseja- 
do; e isto he o qye mais p©sso desejar a VvExcellen- 
cia pcla sua chcgnda a este Rcino, o qual cerramentc 
se reveste de hum novo prazcri vepdo qui5 outra yez 
recebe na pessoa de V. JSxccUencia a sua, gloria^ e b 
scu augmcntCK Eu, corao hum dds mais objrigados a 
V. ExtcIIancia , me interesso igualmente muito na sua*^ 
vinda ; porquc mc concinuara V. Excellencia a mercedos 
seuspreccitos,.e da sua protecgao. Para tpdos estes fins 
Deos guarde a V.txcfcUerici^ por Hiuitos annos. - 

9X Dou mais parabens a minha fortttna, . que a V. 
Senhoria, p^la'sua chegada a essa Corte : porque ja, 
teiiho de mars- perio a^ V- Senhoria, /para poder maisf • 
(Jiligentemeiifte buscar as^. siias ordens , e. desempenhar 
( se he possivel ) as minhas obriga96es^ D^o| Senhor 
Nosso mede aconsolagao dedilatiir a'vida , c continuar 
a saude a V. Senhoria pj>r tanros , annos » qu^ntos^ ^sx 
com sinceridade lh(;dfsejo , &c, ' 

33 Dou a V. Excellencia mil parabens per se ver 
restituido a I^atria , c nao foubado a ^la : porque ^^ 
vinda de V. Excj^llehcia he proprlampnte restitui9a6 , • 
pois he rbqto , que se faz a Patria , quando se Ihe ii^ 
ra hum Cavaih^^ico camo V. Excellencia , de que ella 
tanto nece^irava oara sya gloria v c conserva9a6 po- 
litiea. Esta-rse-mc' represen^ndo aalegria. detodoesto 
Keino ; e comp eu pelo 2alo de nacional devo'= sqp in- 
.teressado n«s* sous aug^nentos , acompanho este geral 
€oatentaniento , de que torno a dar parte a V. Excels 
l^ia J para que se pcfsuada nao s6 do meu ^Secto ', 
ma? igualmellte da minha gratida6 a»s muifos benefit 
cios 5 que tenho fecebido da grandeza de V. Ex!C^en-r 
r^^i a; qu?m I)?os giiar4e pgr niuitos J^niipst 



• \P d K T XT Q tr 8 «. ' ^y 

34 Logo que tive i^ alcgre noticia da chegada de 
V. Excellcncia i Patria^ confesso conl todi a sinceri** 
dade que mt enchi de hum conrentaniento igual ao pra- 
zerV com, ^que fiquei pela sua partida. Dou a V. Excel- 
]encia mil parabens , e a toda a sua pra nde Cbza ; e rogo 
a V. Exotld«icia me qucira agradecer'este exc^ssivo 
prazer , tnandando-me frequentes Joccasi6es , tfipf que 
possa sacrificar a niinha vontade a de V. Excellencia> 
a quem Decs guarde per mui^osannos. 

35* Todos dara6 a v. Eiccellencia os parabens pela 

jaia rcstitifi^afi a estc Reinb; porem ninguem os dara 

a V, Excellencfe com mas sincero contentamento dp 

que eu : porque sobre as forte6raz6esdosangue|itcnho 

as fortissimas cie hupia antiga/e seiiipre fiel amizadc 

acompanhadas do na6 vulgares pbriga96es , que.sa6 

indeleveis na minha 'mehioria. Espero brevemente re- 

petir'm^is parabens / pelos despiachos > com que Sua 

Magesiade premiara os avantajados servijos, que V. 

Eiceilencia Ihe ^ez no seu Goverfto com tanta utilida- 

de da Coroa , coibo credixo doscu nome. Fico igual- 

inente esperando'as ordens de V.-fixcellencia , a quem 

Decs guarde '^ormuitl3sannos? ^ . 

36 Sendo Ta6 excess! voo meu ccmtentament9 pela 
chegada de V^SenhoriaaestaCorte , quantomaior s©- 
'ria, seeu pM^lmente podesse»dar 03 parabens a V. Se-;- 
nfioria 1 i^as como^a penosa distaiKia oemb^raga , fara 
a ptnni ^^officiodaiingua , e far4o coraca6 oexercicid 
dos'olhos 5 *dan4o como he possivel as boas vindas a V. 
Senhon^a , que cstimarei chegasse cqm fel^icissima saude, 
e Yiagem para se atjgmentsfr m«6to mais meu^icbnteam- 
ment^ De^erle V, ^enhoria a rainhaservida&ha tanto 
tempo privada dos seus- preceitos 5 queambfcioaamehtc 
fico (^erandcC l>9ot guarde a Y . Senhoria poir muitog 
gjinos. . '-^ ** " * 

Para^p^oai particulate^ ; 

37^Meu lamigo.*. Na6 • quero prin^ipiaf p«?- quei-^ 
^a»;i ^91; u^ junanBe^^e pgdia i^rmar, pela lalta da 



, / 



7? * S^'E C R * T A R I O . 

corfpspcmdencla , que v* tn. ^coipigo tcve em jtodo o 
temfo do- sen** Mjnisterio fqiia deste B^^einb ; pofque 

' querb dar lugar a" todo o contentamento pi^ feliz che- 
gada de v, 'tn. Delia She dou mui siqceros pai^bftns , 
c a toda § sua C^sa f que tanto ^uspirava porest;i v;n- 
da> e passarf a «cessiya a minha alei^jb^^se v. m. vier 
com^ robust* saude, a qual Ihe desejo pot «Hjitos ,an- 
nos 5*^ como seu antigp , bcm que pouco lenabrad© y ser- 
vidon Continu^-gtie V. ni.ahonra da sua corre&ponden- 
cia, cdos seus prepeitosj porqueHie na6 irrerece me- 
nos a minha- fiel amizade, e sei?fida6. Deoi gus^ddySL 

/y. m- por.inuitos annos. . / ' ' *<», 

38^Meu .nmigo. Foi^ forga de venturosa '^cstrella 
chegar v, in» a sua F^t^ria- dcpoij^de ta^ rigprosos tra- 

^t^lilos padecldos, n:^6 menos ni terra, «<5^e na proli- 
xa viagem do mar.TDe t|6 g!*ande b^ueficio eu sou hum 
dos que rcrido gra§as ao Scn¥oi», e dou pdrabcnsa v* 
%n^ com fodt^ as expressoes , que piSde.dictar hyrria yer- 
dadcira^ e ant,iga amizade, que nei^adistanciaj^nem* 
o tempiJ scll]tiera6^Cjue€er^ e menos diminuin^ Esta 
mesnia constaRcia e^perimentara v. ift. ?empi^e etnmim, 
e mui to rnais se fiiq ddr frequ'emes occa5i6cs de iB^^ni- 
j>reg4ir tioscix.sepv^o como dfvo, Deosguarde a y. ni» 
jor inuitos arinos. , "^ * ' " 

^6 Meu aniigp. Selesta mijiha Ca^c^spodes^e yoar 
tanto , cosaok xca p meu' ardenti^qao desejo , conhe- 
ceri^ .V. ra. com evi^encia na^^so a^ingplaridadjp dt^ni- 
nhn ararizade , mas igualmente o exc^sso do meu con- 
tpiil^cmor»peIa 'sua boa chegadi a essa Cottez^tnasc^ 
J3IO kt^o hum impoicirei , eirva-se v. m* de accei- 
tsT estes meuS' parabens, do modo jqulfc posso, m na6 
.mciiosjc) iesejo /que teriho dp seu -brevmroo Delpa- 
irfio., d6 qual me per«uadem os cowhecjjdos^ tms nn6 
vul^res ^ervi^os de v. Jifp. feitos nosPoatos y cjue tejjct 
occupado^cc^p-tanta satisfs^^dajustiga : ^ssimd^sta 
o espcfp, c de^ifr m.continuidasoccasi6esdefll?p(Jdef 
dar g^OyCos^o d«yo. Deps gtiar^p a v. m. por mutton 
aiuios. " . *^ As 



P O R !• U Q U E ^rf * ^ . 79 

As 'Respoiitis a est as Cartas dt Banrikns faci^ 
m^te se podemfomiar , com mui pouca altera cao das 
rcs^ostasj que^ vao ds Cartas de par abens para Ca^^ 
deaes^ Bispos y Cavalheiros j^&c. ^ no apte naU encoth 
tram duvida a bahilidadl do Secret^ia^ 






,CAIITAS DE BOAS FESTAS. 

A D V j: K T E N C X A. 



H. 



LE mui lofivavel , e anti^ o uso das Cartas de 
"Boas Festas, que sc da8 pelo nascimento, c R^ur- 
rei^ de Christo : j¥)r<^U!e por estes Mysteries vieraS 
• ao mundo as xnaiores felicidades. O modo de as ordc^ 
ioar he o scguinte.. Annunciaremosi prosperidades a pes- 
• soa a quern escrevemos , nab s6 tempbraes y mzs tarn- 
bem dacjucjlas, 'que nos concedem »os, altos AJysterioj 
do Nascimento ,>e Ressurrei§a6 do Senhor# •Se'a pessoa.* 
para quem !be a Carta, nos for wperior, faremps ^^ 
mesmo que ern, qualquer Carta , ^ue he expHcar o nos-** 
so conceit com exi^ressdes reverentes : ^^xendo v, gl 
que na^ccdas nossas obrigagoes , ou do oosso agrade- ' 
cimento, ou do npsso yivo alFecto , e \lesej^ , com^ue 
Ihe annunciamos festas fclizes. No !im da Carta, coqpi 
todo o respeito nos oitoreceremos is suas ordeu^ , as 
quhes muito desejarexnos. So^ 3 pessoa nos for igual , e 
amiga, usareaios de' express6es .nascidas de amizade^* 
dizendo v. g. que esta ^ na8 podia esquecer eoi ihe de- 
sejar fe^tak alegres ^ &c/Nas^^e8postas ^gradecereiTjos 4 
attenjaS i pessoa j^ que nos ticreve y e Ine^ desejareoios , 
o mesmd, que nos awuiikcia ^ com tgrmoa dignos da 
qualida^Je da sua pessoa. A<) Secretario como* pessoa ,. 
que deve ser instmida na^ Arte Rhetocica , naao Hie ^1- 
Ura^ mpdos, ppr ondf principie.> e discc>rra nestas* 



t6 •^ * S E C R'E.T A.R I e. 

Cartas , qite..pertenccm humas vezei ao gcnero Draaops- 
trativp 5 e outras ao Deliberatiyo ; porem: ii^is. c6txi^ 
mummente a este ; pprque mais se dirigem a perftia- 
4ir, que a loujrar. . : 

CARTAS OE' boas ^FESTAS PARA BISPOS ^ 

^ . ' E CARDEAES,. 

. I A'BiByfA obsequies aos merecimento$ de V, 
En)ineucia,que«.d€seja*para V. Eminencia com par- 
ticularcs votos as maiores prosperidades : ^ e sendo eu 
qpem com p:iais profunda humilha9a6 yenera, as iltSs; 
virtudes de V. Eminencia , na6 posso em tempo ta6 
pro|>rJo', 'Como o dp Santo Natal , dcixar de annun* 
ciar a.V. Eminencia fcstas jfeiicis.simas ^ chei^s-daqiiel* 
las prosperidades , que vem aoMujido com^ sanrissi- 
ma yiridado AJeninoDe^s. O mesmo Senhof o dis* 
j)onl]a assim , comp' Ihepego, e^gyarde a V. Eminen'^ 
cia pof ajiuitos' ?mhQs como necessite / &c. 
v 2 Estou imii. % jjieme^te persuadido d^ sincdra es-- 

^trmagad, qu^ y. Ejninencia faz -dostoeiw ob^^^ios j 
P assim vojir augmeqfar o meu credito , desejando'a 
V. Emineuoia ftst^s prosperi&sioaas^ neste ^ntWnio 
tempo d^ J^atal. 'JSupplico .a. V, Eminencia quo^epoii 
dereceber teste irjfujinnual tributo com a sua costu- 
3i!^da btoigqidade 5 satisfajgat^a^ambi^ao qpe tenho-dts 
me dcwanecer com as ordens - de V.. Emmmcia , p^^* 
ta as quaes aminlia yoniRde • perdeo ha muito tempos 

*o.privUegio de Jivre. Deos Nosso Senhor guarde at 
iqipontaiate vida de y. Emineiicia por mutios arinos , 
como a sua Igrqa ha deifister/&c. * - ^ 

f \ ^ Vou (Jar a V. Emfnencia hum novo testemu-» 
nh'o do humilijle*, e sinciro ofesequio , que rendp d al-* 
tajDigriidade,^ maiis alaos merecimentos de,.V..Emw 
aieoci^^ aknunciando-lhe todafasfelicid^d^siiestasFes- 
'jtas Nata^cias : .4:0m 9 que jEia^ pretcado satisfazer. as. 



^ P O K T V Q XT B l?l tit 

liimitheraveis obrigagSes , que devo a V. Ertiincncfa j 
mas sim rogar d sua -natural benignidade , qi^e me dd 
OGCa$i6es para dealgum modo as poder diminuir em-- 
pregando-me contmuam^nte -no exercicio das (suas esti- 
maveis ordens. A pessoa d? V* Emineilcia guarde Deo4 
por dilatados annos , domo todos Ihe rogtoios , &Cf 
-4 Ao singular mereciinento de V* Eminencia satf. 
dcvidas todas'aquellas felicidades , quenr nem da o Munr» 
do , nem a fortuna dpoiina. Ei* as desejo para V, Emi^ 
nencin corn a mais ardente vontade ne^^e santissimtf 
tempo do Nascimento do Senhor, e efe^ero da gratifi-* 
ca§a6 de V. Emineniria que se digne de me honrai* 
com o§ seas es'tiqiadissimos preceito^^ para eu ter d 
dcsvaaecimento de na6 ser Criado ocioso de V. Emi-*- 
nencia 5 a quern .Decs Senhor noisso dilate a vida pelosi 
snuiros annos, qae todos havcmiOs mister , &g. 

5 Em toda a occasiaS devo manifestaf a V. ElmiiieiH 
cia meu pfofundissimoobsequio , obrigado dos partM 
culares be^neficios de que a V. Eminencia sou eterno de-« 
vedor ; porem na presente Festa do Nalscimento do Sp-* 
inhor tenho a particular honra de V. Eminencia meed* 
nhecer por hum Criado o mais interessado nas suas feln 
cid^des ; as quaes rogo aO Ceo que,seja6 iguacfs aos sinj-» 
gulares rterecimentos de V. Einincncla , a quem pe§d! 
roe qoeira hojir4r-com as suas ardent , para eu testificar' 
com as oBras a verdade do queesctevo, ' A Digtaissrma 
Pessoa deV. Eminencia guarde Deds por largos annos ^ 
como todos necessitamos ; &c. 

6* Era toda a occasiap , que C!onsi<Iefd iids incdrhpa^ 
ravels 1 merecimentos de V* Emiaeneia, se me accent 
deo desejo d«v^r a V. Eminencia prospetado cdm a* 
felicidades ^ que vera do Ceo. Todas ardeptemewte pe*^ 
§0 para V. Eminencia na presence Festa do Santo Na-« 
tal, para que V* Eminencia cdnhe^a- o profiindissimcf 
respeito , com que vend'o as' siias a leas', virtiide^ ; eat 
attenga^ !ao qual fivo na firme esperan^a de\ qde V^ 
Eminencia flat ba de hztr a hoora dd mt desvan^G^f 

J? ' 6a# 



9i ' ' f! « C 1^ ft T A H I O .'- 

com OS «eus cstimaveis preceitos , que prpmptdtnent* 
liei de Qomprir; A pessoa cje y. Eminencia guardc Decs 
DOT fclizes, e dilatados annbs 5 como havQrnos mister^ 

7 Reputo perdido aquellcr tempo 5 em q«e na6.tenh0 
a fortuna de.tfibmar a V. Excellencia o meu profimdo 
obsequio. Com mui particular contentaitienfa m& vallia 
4a presume octas^la6 da Festa do Santissimo Natal ,^ 
para o rej^der ^ V, Excellencia , cpm Ihc desejaralcgrea 
Festas, acompanh^das das maiores felicidades, com 
que Deos nascido favorece Jioje os homens. V. EcKcel^ 
lencia se digne nao s6 de receber este meu ardentedestf- 
jo, como dferivado dos aptigos favores, com que V» 
Sxcdlencia raetemhonrado, masigualmente deo pre- 
'Aiiar com ag suasordens, como<aomaisfe$\rorQso,^esin-<> 
c6ro dc todos osque V. Excellencia per esta 0€casia6^ 
«cebei Deos Senhor nosso guards «a pessoa de V. Excel-"- 
Icncia per largos annos coaio a sua Santa Igreja neces- 
•ita , &c- . * 

> S Na8 vau desejar , vou receber de V. Excellerf- 
cia as ftlicidades^ que nascem hoje noMundo comb 
liaecimento do Senhor ; porque destas^ como parti*^ - 
calar .dadiva do Ceo , nao ba quern tenha maior 
^J^iesQuro que V. Excellencia:; porque, dellas tdfa^ mai» 
4}igno pelas exempkres virtudes , com que apascenta o 
Kmnho do mesmo Senhon V. Excellencia se digne de 
meparticipar esta felicidade pdr meio dassuaspodero^ 
^asora goes, para eu ter alegres Festas , e iguaJmenta 
jne faga a honra de me dar no seu ^ervigo occasi5es , 
Wfim gufrmi'possa gloriar de s^r Irum Griado mui fer* 
torecido de v . Excellencia , a quern -Dros gaarde por 
fanto^ annos y quantos sa6 os votos dos seus subditos., 

' 5> Assln^ como na6 ha quern se it^6 edifiijue com as 
«[«mplarcs virtudes de V. Excellencia ,. empfregadas to* 
4a5 cfli beneficia^ da Sua Sanc^Igreja , assim i^ualmen- 
4V m^ lia^iKia&gd 4esej[e paiu Y« Eycdlenaki contk 

^-.>j * . sua$ 



f 6 X * tr Q u E ri 8^ 

fRias ifeiiiridades^ na6 menos para ver pfetnia^ o« m0^ 
recitnentos de V. Bxcellencia y que niais avai^ajadasat 
ujpilidades'doS seus subdrros. Eu aue no affecto^ e nz 
obriga9t6 sou o rtiior de V. Eicefkncia , 'nz6 mecoiw 
ten to s6 com desejaraV. Excellencia asfelicidadcsdo 
Mundo, dcs«3€)-lhc tatiiBem as do Geo , c|ue nos an^ 
nuncia a presente Sblemoidade do Santissiitio NataL Vi 
Excelienoa aslogitcom butna vida ta<itiiIatada,"a>-^' 
mo nccessita6 OS mtercsscs da Igreja ^ &:c. - ', 

MO Com o mais sincero, « arderrttt desejo rogor 

aI>eos, tm presente^casia6dos(%i SaiitissmioNasdy 

femtoj que pitticipe z V.JExcellencia asmalorcs feliw 

chkdtt: porem sa6 de ta6 pouca for9a as miiikas sup^^ 

plicars y que receio muito tA6 coQsigao o que tsA an*' 

slosamente preteQdem ;- e s& conBo nas niui distinctas 

virttides,' cohi que V. ExceHencia regt a sua Santa Igre^ . 

ja , que Ihe ha6 de alctn^r do Senhor eststs prosperi-^ 

dades i as quaes cer^ameiitt ka6 de set copiosas y porn' 

que OS mececimemo^ de V. Bxcelleneia ^5 nmito®. O^ 

iere^o toda ainudlidade domeupre$titnoisdisposi^!6afc 

de V;. ExceUencia , a queA Deos guarde pislos adnos^ 

que todo? desejaS , &c. 

li He inexpMcavet o desejo , qu6 tffihO) dd que 
V. Exceliencia pelas ftlicida:tks* come os' annos da sua 
vida J porem nenhurfias desejo para V. Etcellencia con* 
mais ardentes votos, que as presentes que nos da a San* 
tissima Eestiridade da Re8urrei9a6 do Senhor ^ que esw 
tas , como vindaf do Ceo , he que sa6 mais proprias deS * 
V. Excdlencia , que oom taiita vigilancia culti^a a yU 
nha Ev:aiigelica.da sua Sant* Igreja, e colhe*del!ata(t 
copiosos, e sf^zonados fructos, que naS conhecem at 
virmdes Pastor mais rico. Para ca6 imporfarftes servH 
qos guarde Deos a jtessoa de V. Exqellchcia pormuitoi 
annos ,*&c. , ' *' ' 

^ 12 Desejar para V. Esxellencia astnais attas* feli^ 
cidadcs na6 he obsecjuio , he obri^gaiS , '^ue de justi* 
|a sedm^staras virtudes de Vvglisc^lieiQieta^ e»r6v« 

Fii % 



94 S IE C R « T A R I 6 

fadat com' umaedifica§a6 detodoa no sen Pastoral ofr 
ficio. Como tal asannuncio a V^ Exirellencia ncsta San- 
.ti^sima Solcmnidade da Resurreiqa6 doSenhor, acjuegi 
com ardentes votos supplico as communique copiosa- 
meme a VJ ErccHencia , e que guarde per seculos a sua ' 
fa6 idfiportante vida , como ^eccssitamw , &c, 

I J He meu particular interesse dcsejar a V. Excel* 
lencia, c dMaExcoIIcnti^sima Casa diiatadas prosperi- 
dades; porque se V. Excellencia as gozar proporcio- 
nadas a6 s£ja grande racrecimento , pb^so eu igualmen- 
te pof muito lempo vivcr 4 podetosa sombra do pattx># 
cinio de y. Exccllcnda , e tef dellas huma jgrande pat^ - 
le; m0tivd por que Ihe desejo felicissimas as Festasda 
Santo Natal) equeTcnha^companhadas daqiuellas fe* 
licidadcs , com que Deo« peJo seu Nascimcnto enri* 
qtiece o Mundo. Y^'Excellenci^ se sirva de me distin^ 
guir. entre os seus Criados com a Jionra dos seus conti- 
iiuos preceitos ^ .os quaes iia6 desmerece a minha we^ 
neragad, ^vontade, Deos guarde aV. Excellencia por 
muifos amos. 

, 14 Do particular desejo que tenho , de que V. BKcek 
lencia logreasmaiorefefelicidades, nasce odesejXr para . 
V.Excelleaeift-tedasiisque dii a presenteSolemnida^eda 
Kesurrei^ad do Sedhor , a quern rogo que , attendendo A 
ainceridade dos meusvotos^iascjonceda a V. Excellen- 
cia , como. premio devido aos seus virtuosos mereci* 
sneutos. Estou na firine esperan$a de que ¥• Excel|en* ^ 
.cia se na6 ha deesquecer de pcemiar este meu precise^ 
obsequio, dando com seus frequentes preceitos exerci-* 
cio^a minha ambiciosa obediencia. Deos guarde a V^ 
Excdteiicia pOr muitos annos* 

15 Em desejar a V* Exfcel lencia Festas felicissimas ^ 
ika presenteo€casia6' do Santo Natal, dou raais excrci- 
cio a minha precisa.obrigaca6, que ao meu Toluntario 
ojbscquid : porqOe esta V. Excellencia particularmente , 
cmpenhado em sempre me fazer favor, Rogo a V. Ex- 
iccilencia que benignamente acceite este sinc^ro cffeito 

/ ,- ':da' 



P CTK riy 6 U E « ' tf 

ia minha gratidad^ e com os seas e^timadissimos 
fw«ceitps siatisfaca ao unico desejo, com que vivo ^de 
servira V. Excdilcncia , a ^uemDeos guardcpormui'* 
tos anrioSj. 

i6 Desejando cu sempre para V. Excel lencia conti- 
nuas pro«peridades , certatnente perderia "huma ^and« 
occasia6, se deixasse de asannunciar a V. ExceTlencia 
nesta Santissiraa Festividadejda Resurrei5a6 do Seohor j 
pclo que as voU desejar a V. Excellenciacomasmais 
siftceras expresstfes > as quaes d^sejara ' v6r agradecida« 
por V. Excellencia ^ honrando a miriiia obediencia em 
todooteinpp com iis si^as ordens , deque fico xmiito 
certo; porqpe V» ExceHencia sabe bustar todois 09 
modos parj me fazer favor. Dcos guarde a V, pxcellcih* 
cia pormuitos annoSi ^ 

17 Desejar a V, Excellencia .fejicidades qiiem a V» 
Excellencia vive obrigado, maisobracomo agradeci* 
do ,- que obsequioso. Eu que devo JL V. Excellencia 
tantos ^beneficios , quantos em nchlium tempo podcrei 
expressar, levadb da obriga^aS , em ^ue elles me cons- 
tituem, vou aos pes de V. Excellenci:! desejai:-llic to- 
das aquellasprosperidades , que nascera no Mundo com 
c Nasciqiento do JVleninoDeos , h quern rogo coaceda 
a V. ExceHencia naS so estas , mas dilatadas annos de 
vida , comocu muitoueceasito , &c. 

18 A solemnidade Santissima da Resurreica6 dp Se- 
nhor he destinada ,parA iributos , e para igualmente se 
i^petrar no Ceo as maiores prosperidad^. Ea osren- 
'do de sincero obsequio a V. Excellencia , e Ihh -desejo 
todas as felicidadgs , de que se fazem dignas as suas co-* 
uhccida& virtudes ; assrm por verestas premiadas, co- 
mo diminuidas aqudlas obrigajdes, coAi queainnata 
benignidade de V. Excelleacia continuamepte me estt 
ligando, as quaes, sencjograndcs., poderad ser. maiores , 
se V. Excellencia quizer dispdr da aiinha vontade tudo 
o que fdr servido. Deo? guarde a^Y. Excellencia * por 
ttuitos aunos,* - 

. O 



$9 S' « € H B Y A * I O , 

19 O maioi* teBtemunho , . que p^sso dar i' V, SUk 
nhoria da tniiAa fiel aervidad , bc^d^sejar a V, Sente* 
fia contitiuas, e copiosas felicida^cs^ e sendoas do 
Santo fiJatal presents as tnais conslderaveis , e igualfneit- 
te as mais dignas da^ virrudes de V* Senhoria ,.ita5 
j)Osso d.eiMr de Uias desejar, e par esiemeiodarQxer-J 
«icio d minha;Servida6 JitJUcV. Senhoria a tern ocio«» 
«wi a falta dos seas preceitos. Beos gtiarde a V. Se^ 
Jihoria pdr muhos annos.. - - - ' • 

to Nao ha quern sda mais interes^nAa^ do que eo , 
tAs prosperidadfes de V* Senhoria ; pd^qiie i^^to todai 
pqr minna: pe!o que neste prescnte -tempo do Nasci- 
inento do Senhor intnuncio £?¥. Senlioria'Cfm excess! vo 
4e6ejp todas aquellas feliddades , que eu|appetec^ra 
pafa mini mesmo ; e mais ainda j-pcM-que m6 renho os 
inerecifnentos, que tbdosverierafi na pcssoa de V. Se-r 
jjihoria, Se V. Senhoria quizer experimentar a rahiha 
^gradecida servidad, na6 pare? tempo emmeimporo 
•suave pezo dbs seus preeeiros ; porque a minha vontade? 
fssra sacrificada S de V. Serihoria , a qupnl Deos guarde 
ppr muitos anri05. ' * \' ' ' 

3f Os virtuosos meredinentos de V. Senhoria sa6 
capazcs per siracsmos de conseguir as maloresprospci^ 
ridacjes : niotiro por que nad 3s vou annuiv:iar a V. Se- 
lAoria na presentc Festa 'Natfalicia , mas sima lembrar- 
,lhe a minha grande , e singular obriga§a^ , a qual me' 
endivida_^ de mjmeira 5 que em ueniium tempo mc po-? 
^erei desempenhar , o que cu muito estimof porqii^ 
^ella tne rcsulra a gloria , e a utiiidade de set* Criada 
jfftui'favorecicJb de V. Senhoria , a quern Deos guarde 
por muitos annos, 

ari Odesejo xji^e continuamente tenho/de que Deos 
S<5nhor'nosso prospere aV. Senhoria com as v«iN^delras 
felicidades , ihe obriga a rogar incessantcmente ao mes- 
pio Senior que commui^que a V- Senhoria to(ias aqueU 
las, com gueiK)f incio do seu^Nascimento favoreceo 
iniseravel estifao d^ noss^ ^laWf^^a. Se V^ Senhori^ 



- adinittir benigaamenre a sinceridade destes mcug votos ^ 
estou. certo que en^ recomrsnsa irife ha de inandai; occar. 
sioes , em que possa sw^vir como devd , a V, Senhoria^ 
a qii^n Deos guarde^r muitos annos. 

2) Em toda a ^ occasia6 he grandjs o desejo , que 
t^nho dc vir prosperado a V. Serthoria ; porem nesta d^ 
Skntissima Pascoa ^he extraordinaf io : porque sa6 in- 
xx)inparave}s as felicidades , que nos vem por ta6 mys^ 
teriosos dias. Os meas ardentes rogos firmemente es- 
perad que o Sewhor^rcsusckado visite a V: Senhorin 
xoro.e^s verdadelras prosperidadesi; e a minha servida^ 
•esi;a igualinentc iia certeza deque V. Seahoria se nao h4 
de esquec€r de a honrar com os sebs preceiros* Deo$' 
guarde a V« Senhori:^ poF muitos annos. 

24 Desejar a V, Senhoria as mais altas fellcidadef 
h^ mcu mui particular intcrcsse : porque de qualquer 
^proSperidade de V. Senhoria resulta no inpti animo hu-- 
ina iDterior consblagno; motivo por que neste alegi:is- 
simo tempo da Pascoa do Senhor vou desejar a V. Scf 
nhoria enchentes de felicidades com Q desejo mais ar- 
dcnte, quepode caber, nps limites de hqma amizadc 
vcrdadeira. ' Fico csper^ndo as ordens de V. Senhoria ^ 
a queip Deos .guatde por muitos annos» ^ 

: , ¥ara pessoas fartitulares. 

. ay, Meu, amigo. Todo o meu desejo esti empenha- 
do no gosto -, de que v. m, t^nha Festas taS prosp^ras , 
que nem cu., Jiem v. m. tenhamos tnais que desejar. Y# 
HL receba este meu sincero bbsequio como memorial ^ 
. em que exponho o affecto da minha fiel amizadc, eeitt 
<^c rogo a V. m. que excrcije por meio dos seus honro-^ 
SOS prcceitos Q poder , .qiie tem sobre. a xninha yonta- 
d0. Deos guarde ii v-m, por muitos annos. 
. 26 As continuas , e nao vulgares atjen^oes , oprn 
que V. m. esta sempre obrigando a esta sua Casa \ fizer 
m6 com que todos della ^ m6 meno$ para seu desem^^ 



: ^ S E C K E Y A H I O 

penho que para sua honfa y $c declarassi^ verdadeirot 
Criados de V. m. , e cottio taes va6^ do niodpqiielhe^ 
he possivel , buscar os iph de v. m. ^ € desejar-lhe Fes^ 
fas iPelicissimas , acompanhadas de huma saudc ta6 per* 
feira , ^^e satisfaja aos nossos' dcstfjost Ser4 luperfluo 
f)Herccer a \% m. o nosso prestimo, porqUe httn s^bcd 
fjua'nto esta scmpre prompra a nossa vontade, Deos 
guatde a v. m. por muittas annos. 

27 Meu amigo. Vou Com o mais ardente desejo 
linnunciar a v. m. aquellas enchentes de prosperidades , 
com que se ehrfquece jo Mundo no p«-csente tempo do 
$anto Natal , as quaes ^s minhas pbrigaq6es Ihc devem 
.desejar, e os^ merecimentos de v. m. sabem merecer. 
Acceite v. m. com sincera benigsidade este meu annual 
tributo , como ofFerecido mais pelo ^gradeciraento ,^ 
que pela politica ; e mande-me continuadosempregoa 
no seu servi^o, para cu ter a honra de me ver particu^ 
Jarizado entre psseus Criados, Deos guardea v. m.por 
inuitos annos, 

ReSPOStAS A. CARTAS i?e BOAS FESTAS 

BE C AK DlftAES. 



vA 



S frlizes Festas , qge V. Excellencia me an- 
puitcia na prcscnte solemnidade do^ Santo Natal , bem 
fcvidentemente maniftsta6 o distincto aflFecto , com que 
V. Excellencia metrata; e assim como me cbrigao a 
|ium propordon^do agfadecimento , assim rac movem 
>a pedir a V. Excdliencia que me conceda muirasocca-» 
pi6es, em que ihe possa dar gosto. Deos guarde a Ym 
pxcellencia por muitos annos. 

% Da natural benlgnidade de V. Excdlcncia he que 
pasce p ardente affbcto, com que me deseja alegres 
¥??fg»> f CQft^P99SM0speri4adcsi| otisequioqueeumui 



P CR TU G XTE X; . ^ 

pflrticolarmente cstimo , e para minh^ perp^tua lembran-^ 
qa o proponho no numero das outras muiras attencoes , 
com que V. fixceljericia nie trata. Como V. Exccllencia 
sabe o siiK^fro desejo , que tenho d^^lhe Har gosto , he 
cesnecessario offerecer a V. Excellencia a minha vonta- 
dc. Decs guarde a V. Excellencia por muitos annQS. 

3 Unicaijiexite o iiTipuIso tia imiata benignidade de 
V,u Scnhoria he quern ,ipoveo a V. Senhoriaaannunciar- 
me prosperidades na presente Festa da Pascoa d» Se- 
nhor; as quaes elle^, que c6«n a sua gloriosa Resurrei- 
ca6 santiika estes dias, reparte mui cdpiosament^ com 
V. Senhoria , a quern ofFereco a minha.vontade, como 
sea grandeobrigado, fe antigo vcnerador. Deos guarde 
a V, Senhoria por muitos annos. . 

4 Se eu nz6 estivera ha muiro tempo persuadido do 
grande afFecto , e atten9a6 com que V. Senhoria me tra-* 
ta 5 tinha agora a maior prova na attenciosissima Car* 
ta de? V. Senhoria , na qual me annuncia todas aqiiellas 
felicidades, que yem ao Mundo com o glorioso Nasci-» 
Hiento do Senhor. Com estas, e semolhantcs atten56es 
csfa V, Senhoria sempre gravandoa minha<obngaca69 
caugmentando-mc o desejo de dar gosto a V. Senhoria 
em tuda o que for seryido: do que a minha V/Ontade 
estd ta6 prompta, como desejosa. Deos guarde a. V. $e«* 
phoria por muitos annos. : - 

De Bispof, 

5 Acceite V* Excellencia como sinoera ,. o como dc^ 
vidas estas cxpressoes, com que do modo que pdsso, 
agradeco a V. Excellencia o cuidado, com qae mede- 
seja Festas mui felizes ncsie santo.tcmpode Natal. Deos 
Senhor nos80;'aue com o seu Nascimenco tfaz tantas 
fe'li<;idade$ ao Mundo ,, que dellas se hz u6 pouco m^ 
rccedbr , as communique a V. Excellencia , que tantoas* 
jnerece : supplica , de que eu me ^na8 posso esquecf r ,^ 
ponio ta6 obrigadd a V. Excelkncia , a quern pS^rego 
^49 4 ffiinh^ vont^cje par^ tudo o qu? n?e prd(enar^ 



f» S j: C R !R Y A fl f to . ^ 

Deos ^ardc a V- Exceilencia por miiitos^ aimdfc 

6l De huma grande cofisola§a6 me servio a Carta de 
V". Exceilencia , cm que me annunciava todas aguelks 
prospcridatlcs espirifuaes , que iios di a gloriosa Resur- 
rei^ao do Senhor ; porque as (Ibnhecidas virtudesde V. 
ExceUencia sa6 mui poderosas intercessoras para ' me. 
cbnseguir do Ceo estes bens, de que tanto - necessrta 
para a cultura da vinha, quemeesti eitcarregada. Se V, 
Exceilencia se persuader que em mim ha algum presd* 
mo pari o seu service , pode dispdr da minha vontade 
como 6ua. Deos guarde a V. BxceUenda por muitos » 9 
leiizes .aimos em seu^anto servigo. . 

7 Na[6 |Jerde V. Scnhoria occasiafi em me obrigar t 
C liesta d6 santo'Natal ^ em que me annutiQia alegres, 
Festas^ s6be a maior auge a minha obrigagad; porque 
Hie deseja aquellas felicidades , que na6 fern a sua ori- 

fern na fortuna , ma^ sim no Santissln^o Nascimento da 
enhor, Elle as rcparte com V. Senhorie, .e comigo; 
com y. Scnhpria porque as oiercce ; comigo porque 
dellaa nccessiro para regular melhor as ac^aes do mea 
Pastoral Officio, nq qual se eu poder dar gosto a \^ 
, Senhoria , po^era V. Scnhofia disp6r da minha vbnta'' 
de , como* for servidorDeos giiarde a V, Senhoria por 
fiiuitx>s annos, 

Z Kecebi com igual estima9a6 que contentamentq , 
a attenciosa ' Carta de V. Senhoria , assim por ser de 
V. Senhoria, como por nella me annunciarnesta Santa 
Pascoa Festas muito alegres , cheias daquellas felici- 
dades , a que todos devemos aspirar. Na5 pos?o •des-' 
empenhar-me com V. Senhoria, que tanto* me favore* 
ce 5 sena6 rogando ao Senbor que prospere' continua- 
mehte a pessQa , cCasa de V. Senhoria , nao s6 com. 
setnelhantcs felicidades , mas com* dilatados annos de 
rida^ todos empre^dos no seu santo service, &c» 
h . .■-'•• 



fo K r XT G U B 2* ^ 

De Cava^iras. 

9 Na5 podiaaboodadedeV.Excellencta, co partis 
cular favor , com que me trata , esquccerrse de annunciar- 
me Festas felizes J porque na6 sabcV.Excellcnciaperr 
der tempo em me~ desejar ielicidades. £sta Qbri^a9i6 ^ 
cm que V. Excellcncia me p6e, sendogrande, alndaW 
posso pagar , desejando igualmeote a V. Exceilencia^ 
nestas Festas as mesmas prosperiSades : e seesta possi-- 
bilidade sedcsse nasoutrasobrigagdes, i)a6me^expozera 
cu a parecer ingrato ^mas satisfa^rendo a V. Exccllonm- 
como possp, obrocomodevo, que he offerecer-me todo 
a V. ExeelJencia , para tudo o queforseu gosto*Deo* 
guardc a V. Excellenciapormuitosannos. 

10 Da-me V* E^cceJlencia ciaramentea conhecerasitK 
gular benevolencia , e atten§a6 , que comigo usa na sioce^ 
ridade > cbm que me desej^ prosperas Festas : ereflectia* 
do eu nasprecisasobriga^oesjem que V. Excellencia^o. 
p6e, dou a V. Excellcncia os mais vivos agradecimentos, 
e ofFere§o-lhc com animo igualmente sincero a minha 
voiitade, para della disp6r o quefbrdeseumaioragra* 
do. Dcos guarde a V. Exceliencia por muitos arinos, 

1 1 Muiro pouco meieco a V. Senhoria na sua attcn^ 
ctosa Carta deboas Festas, porq'u^e servindo-se de me 
annunciar nella muitas , e continuas felicidades , 'na6 
mc qui* desvanectt com os seus estiniaveis preceitos , 
mercccndo-os tanto a minha venera§a6 , e j>edindo-09 
ta6jttstament€o meu agradccim^nto. Porcm confio' muk 
to que V. Senhoria daqui em diante nao ha de permits 
tir que ai pareca ingrato , tendo emtantaoeiosidade a 
ininha pbedieacia. D6os guarde a V^ Senhoria por mui-^ 
to3 annos. ^ ^ ' 

12 Da gmnde bondade de V. Senhoria he que nas-^ 
c^ o sinc6ro desejp, com que me annuncla Fcstasfeli^ 
cissimas nestes santos dias Natalicias ; de que fico tafi 
particuiarrnenr? obrig^dQ a Y, S^nttoria jCju^sobre Ihe 



jksejar coin vivo aftecto afe mesmas prosperidadles , sa-^ 
♦rifico a disposicoes de V. Scrthoria toda a minha von- 
tade , jse ella poder ter algum prestimo no sen servi-^ 
Hja Deosgoarden V. Seuhoria pormuttosaunos. '^ 

De pessoas parti'culares. 

13 Meu amigo. Na6 pbsso cxpressaf a v. m. aobri* 
ga§a6, em que me poz a sua attenciosa Carta, em 
que trtc anhunciava Festas mui prosperas^ ; pOrque cer- , 
tamente ha6 merecp a v. m. tanta attengao ; mas esta 
lie a ^inc^ra generosidade do seu animo ^ a qual eu na6 
posfio agradccer, sehao confessando-me piiblicamente 
seu perp^tuo deVedor, e s^crificando-m6 todo jio sea 
serviqo , se a benignidade de v. m. ^que tantose'em- 
/penha cm hotirar-mei me quizer tambemconceder es* 
,ta mercd. Deosguardeav^in. muitosannos. 
. ^4 Afeii amigo, Na6 me julgo digno de merecer a 
honra , que v.. m. me faz , desejando-'rae ncstas Fesrat 
Naralicias tantas prosperidades , se y. m, se n'a6 servir, 
como vivamentc Ihesupplico, de dar exercicio a mi- 
nlia vontade com frequentes preceitos : porqu^r esta he 
^ honra, que eu raais desejo , e a maior felicidade, 
a que aspiro, assim para minha gloria , como meu 
^csertJp^aho. Ocos guatde a y. m. por muitos annos; 

15 Meu amigo, Recebo/ com a maior distingaj^ cr 
primoroso euidado , com que v. m. neste santo .temp^ 
da Pascoa me deseja Festas alegres, e prosperidadc» 
contfaua$: mas recebc-o com a condijaS, de que v. m. na6 
ha de perder tempo em me eriipregar no seu senrif o j 
pqrque so, destc modo poderia lograr as felicitiades , 
^ue ipe deseja. Assim o merece a minha fiel aaiizade > 

vC . rcvercntc fiervida6. Deos. giiarde a v. m. por piuitos 
annos* ' 

16 Meu amigo. Em grande obwga^aS me consti- 
tjue o primoroso cuidado, com que v. m, he servido 
annutjciar-me Festas felizcs, prprpgando-me o gosta 
4e$tas 9oin o favor das suas ietras. Dcsejara eu vivas 



- I 



ttprc8s6cs , pbr roei6 das. quaes podcsse agradecer a 
V. m* ta6 particular honra.; porem ab defeito do meu 
entcndimento suptira o exccsso Wa minha vontade rc^ 
da sacriiicada is suas ordens. Deos guardc a V. iti. por 
jnuitos annos. 



CARTAS pB^OFFERECIMENTO. 

AUVERTENCIA. 



H 



.'E o offerecer hum effeito proprio do amor ; poN 
que nenhuma outra cousa he amar a alguem^ que 
Duscar para o objecto amado alguma cousa estifiiavei ^ 
como aiz Ari$ioteles no sei^ Livro de Rhetoricaifi^s 
dadivas sa6 sem duvida o sustento , com que . se w^ 
tre, e conserva o amor, tamo na pestioa que da, co- 
mo na que rcccbe ; porem h^ cousa tanro raais no- 
bre 6 dar^ que o receber, quanto oopcrantc henuiis 
nobrc que a cousa operada. Ainda que na6 ha cousa , 
que se venda mais cara que hum presente, com tu- 
do he muiilobre este contractt^, npqualosanitnosmais 
gtncrosos contratati com gr«nde lu^cro; porquemui- 
l\s vezes com hum pequeno donativo jB;3nha6 o affe- 
cto, e OS cora9(>es dog Homens. Sa6 poucos o^ pre» 
ccuros, qiie nesta especie de Cartas se podeai dar.e 
p6dcm-se dividir eai tres partes. Nj^iprimoira so pode- 
ri6 Jouvar as virtudes , e merecimeiitos da pessQi^ , a 
quern se presentea , se a occa$ia6 , e o e$tilo b pedir, 
Ka segunda parte, se ha de procurar dispdr o ani- 
mo da pessoa , a quern ofFenscemos ialguma cojisa ,> 
par% que a reccba com agrado , mostrando v. g. o af- 
fecto que ihe temos., a servidaS quelhe professamois , 
c o, desejo com que viyenaos de nos conservar na soa 
jjra ja ^ usaado scmjpra daquelles termos i que seja8^ de-^ 



/ ^ 



ij4 / S B c R F^r A R I b ' 

centes tant0 i- qualidade da pcssoa jque di , ipoino dft 
que recebc , e cuidareiiros tambem muito na <}ualida- 
dc da amizade, que h&. Na terceira parte mostranrmos 
com artifkib a tenuidsde> do preseate , dizemiov. g* 
que he mfmora esta obriga9a6 , e ao nosso desejo , « 
Iht rogarcnios. que beuignamente o acceire conio tcs- 
.tettmaiio do notso amoi-> e gratidao^ sc ha ami^tide; 
ou que perdoe a confian^a , se a amizadc nad for es- 
trcifa^e loga dafemos Bm d Carta , se atgum iWgo^ 
cio nao acompanbar o doxiativ^o. Na5 s6 se chrma6 
Cartas de offcreciinento aqaellas , eAi que a.alguem 
iTiandamos alguinacousa , mas igualmente debaixo des-- 
te titulo se comprehendem a^uellas, cm queofFereca- 
mos a nossa amizade , favor , oil patrocinio , sem que 
nmiras^vcTCs para tal sejamos rogados : e muito maU 
se ^s pes^as forem benemerita? pelassuasletras, e vir- 
tudes; 6u tambem se forem daquellas" que necessitan-- 
do de algUai favdr , na6 se querem valer de. n6s , ou 
pof^niodcstia , ou^ outrOs respehos.'Nesta especie de of* 
ferecimento poderemos discorrer de^ta sorte: depois 
depropoi* a inossa amizade f ,dircmos que escamos pron-^ 
toS para o servir,.^ Ihe dsir gosto em tudo o que for 
dc sua u'tilidade, agrado , e repOta9a6 da s«a pe^soa* Se 
t amigo estiveremalguma vexa^aa^ofFerecefemossin- 
cdramente o noBSO prestimo , para acUa Ihe valer , e 
Ihe rogarerbos que 6 queira acceitar , pofque nisto hos 
dimiriuira o pesar , com- que cstaraqs pela sua afflic- 
§a6 5 &c. 'Devem-se estas Cartas organizar Com cx-^ 
pressdes vivas , fltsinceras , paria que na6 pare§a6 nas* 
cidag'j ineratbente da politica ,/ mas sempre olharemo^ 
'miiitd jsara o caracter da pessoa , que escrever , e~ daqueU 
ia a quern se escreve ^ e esta he huma das cousas, a 
'que mais d€v€ at tender o Secretafio, como huma dai 
imiora$ difflculdades do seu Officio ,* como jd poP> ve- 
2CS havemos recomm'endado. Percencem cstas Cartas 
«»^ gehero , Denipnstrativo ^ &c« 



P50 :r rv'Qv ««. 99 

CARTAS DE OFFERECIMENTO* 



t J)i 



H eu nao fora Criado , e niiii favorecldo de 
V.-Excdleiicia, de neiilium modo inc.atrevera aioflfe- 
recer a V. E^ccUenqia essa galantam ; porem ccftifiado 
ncsta poderosa circujjstanda , tenho a confian^ de a 
cjiyiar a V. Exceilencia , que benignamenie a ha de ac- 
ceitar; porque sabc dcscobrir mdos os modos de hon- 
rar aos sens Criados. V. Exccllencia me conserve na sua 
cstimavel graja j e para della me dar a maior prova , 
sirva-se V. Excellencia' de me eriviar os scus preceitos , 

Sie ansiosamcrite iico esperando. Deos guarde a V^ 
xcellencia. *por imiitos annos. * 

a Como eu na6 ignore que os melhores , e aiais 
acceitos obsequids. sa6 o&mais sinceros , vai o mcu af* 
fecto ^ oflbrecer a ¥• Excellencia essa gakntaria., qiie 
agora me foi mandada. Por esta razao na6 fico duvi-' 
TOso do modo 5 com que V. Excellencia a aceitard ; 
porque estou certo que em recompensa me ha de Vw 
Excellencia presentear- igualmente com o inestimavd 
mime dos sens preceitos , de que summam^nte soil 
ambkioso. JDbos gu^rde a V. Excellencia por muitoa 
ann^s* . ' 

.3 Como he ardente odesejo > que tenlio de corres*» 
poiKier cm alguma parte as olniga^oes tao particularism 
tnx que V. Senboria me tern posto ^ animo-me a offereeei? 
a V. Senhori.^ aquinta d^.., , para nelja'pousar na sua 
Jornada a... ; por todo o tempo que for ^eryido; Se V. 
Scnhoria me na^iiesculpar esta cpnfianqa, oiFere^o-me 
pai« todo o castigo : mas se bcnignameme a acceitar ^ 
desejaria muito que V* Senhoria ma agradecesse , par- 
ticuwrizando-me entre os sens Criados com freqp.ieutis- 
simos preceitos ^: porque a mihba vontade na^ p6de 
ser mais pronta.' D?os guarde. 4 V; Scnhoria por mm^ 



f<5 S E C K E T A ^ I ^ 

, 4 He ta<5 particular., e ta6 publico o favor: com 
que V. Scnhoria i\ic tfata , que nie3 abre caminho par^ 
me animar a oftbrecer a V. Senhoria esses... : offereci- 
irento pequeno , se se attpnder a grnndeza da itiinha 
cbrigaca6 ; jmais proprio , se se considerar a minha te- 
iiuissima possibilidade. Comp tal o acceite V. Sci^horia: 
. e se V. Scnhoria quizer ver maiores effeitos do meu 
agradecimeuio , coiiceda-me a honra dcs seus prccei- 
tos 5 que eu saberei exccutar com tanta prontida^ co- 
mo vontade. Deos giiarde a V. Scnlioria por miiitos an- 
nos. ' . I 

£. A benignidade , com que V. Excellencia se tern 
dignado de estirnar a minha reverenre servida6 , he a 
que mc fa^ animoso para ofFerecer a V. Excellencia es-» 
sas... : ofFcrccimento que seria muito digno de V. Ex- 
cellencia, se tivesse . tahtp dc grandioso , como tern de 
sinc^ro. Esperoquc V.Excellencia pelagrandeza do seu 
animo o ha de acceicar com tal agrado, que augmente 
cu o numcrp das minhas obrigaqoes , e na6 cesse em in-> 
quirir occa«ia6de podet servir a V. Excellencia , a queai 
Deos guarde por muitos annos. \ ^ 

6 Anhno-me a offerecer a V* Excellencia esdas... ; 
porque v., Excellencia pela sua benignidade permittc 
aos sous amigo^oobrarem spmelhantes ac^oes* Bern do* 
f ejara eu que fossem muitas no numero , e raras na bon- 
dade; porem a Esta^ad o dispdz deoutro modo , tal- 
vez para que eumostrasse mais a grandeza domeuaffe* 
cto , que do meu animo : motivo por que me animei ^ 
como tambem pela consideragaS de que V. Excellencia , 
quando se serve dc acceitar as minhas galantarias ^ as 
recebe como sincero signal da minha amizadca e servi- 
•c^a6 , a favcr dajs quaes, peco a V. Exqellenci*- as 
f uas ordens. Deos guarde a V. Excellencia por muitQ9 
annos. 

7 Tenho a noticia de que V. Senhoria ha de hxci^ > 
Jornada... y e como necessariamente ha de passar pe^ 
la minha quinta de... ^ rogo iflcessantemente a V. Se^ 



P o ft TV a Tt « i. ff 

lihorisi se queira servir del la por todo o tetftpb por queJ 
Ihepareceri adyertindo a V. Senhoria quescfor, mui-^ 
to ifiaior serd a- minha honra , e o meu gosto. He es^ 
te ta& ardente , que para V- Sertlioria mo satlsfazer i 
offerejo a- y» Senhofia por valia aqueHa sincdra^ *' 
prompta voritade , com que scmpre desejd servir a V« 
Senhoria , a quern Oeo"§ guardcpor muitos anhos* . 

8 Quando V, Seithoria favbrecco festa quinta conl 
a Wa prcsen§a , favoreceo igualrhente as fructas delU 
com grandes louvores , pdresta Causa escolhi alganias ^ 
que me parcc^raS seriao do miioi*^grado de V. Senho- 
ria,. e resolvo-me a offerecellas ao gosto, ena6dpes-' 
soa de V, Senhoria , porque na6 se estenderia a tanto a ^ 
minba confianqa. Com esta condijao estou certo que! 
ha.de €er este mimo ta6 agradavel a V. Senhdria , qud 
em lecompenta me mandard' muitas oCcasides , em qud 
para servir a V. Senhoria ppssa dar exercicio i minha 
prompta vdntade. D«ds guarde a V. Senhoria por mui- 
tos airnos. 

9 Empenha-se V- Excellcncia tanto em ttie hoilfai? 
cm todb o lempo com ta6 disJtinctas atten^Seg , qud 
ine rcsolvea, mais lerado da gra^idad, que da con^ 
fian§a, a ofibecer a V* Exccllencia essa duzil de...;of^ 
ferecimento que para ser de algum modo prdporciona- 
do a pessoa de- V. Excdiencia , vai acomp^nhado dci 
huma grande sinceridade, e de hum 'igual interesse; 
pOBque espcjro que V, E)CceIlcncia por e^e meio pre^ 
miara a minha gratidad com seus frequentissimOspre-' 
ccitos. Deos guarde a V. Excellencia por muitos ail-* 
nos« 

10 He ta6 grande a bondade de V. Etcdkricii 
para todos, e mui particuJarmente para mim, queJ 
sempre esta disfar§ando as minhas git)ssarias* Por esti 
causa me atrevo a ofFerec^r a V. fecellehcia esses... 1 
mas se a V. Excellencia parecer €;ste offereciitiento de-* 
masiada liberdade , castigue-me V; Excellencia cdm O 
aeu desaigrado ^ mas luiQga com a priya^a^ de 9tut pre^ 



y8 ^ S E c k « T A It r f 

ceitos; que csta scria para mim a, penamais setteivel: 
xnas he mm mal fundada a minha desconfianga , por- 
que a benignidade/ de V. Excellencia he ma lor que 
qualquer atrevimento. ,Deos guarde a V* Excellencia 
por muitos aTmos* 

11 Certamente incorreria na feia nota de ingrato 
aos particulares beneficios , qu9 devo a V. Excellen- 
ce .jSe, sabendo que V. Excellencia faz Jornada a..., 
Ihe na8 ofFerecesaf as casas , que nessa terra tenho 
para nellas assist ir portodoo teinpo , ^que for servido* 
Rogo vivamente a r. Excellencia q^e me queira fa»er 
e^sa honra, para que todos saibao a distinqaS^ com 
flue V. Excellencia me trata , e para eu igualmente po* 
der dar hum piiblico , bcm que pequeno , testemunho 
da mioha >gratida6. Fico iiesta ^^ ^ e na csperanfa dps 
preceitos de V. Excellencia ^^ a jqiiem Dec^jpiardepor 
inuitos annos. 

12 Nuhca entcndi qu6 houvesae occ^siaSj para m 
poder formar queixas de V. jSenhoria: porqife parecia 
que V. S^nhoria estava empenhado «r me obsequiar 
com todas as attengdes que d sua iniiata baignidade 
podia6 lembrar : pqrem experimento agora , com igual 
^ntimento que queixa, havcr-se em V. Senhoria di- 
mifluido este favor , com que me tr^^tava : porque ha* 
vendo de fazer jorna.da a.*.-, e devendo precisamente 
passar pek minha quinta de.*. y ma na6 manda ter prom«« 
pta para sua hospedagem, Estequeixososentimentome 
ourara em "quanto Y. Senhoria me nao fizer a honra 
de a dcccitar por todo o tempo , que for servldo ; mfi9 
cstou certo que V. Senhoria me ha de dar este gos- 
to ; porque qtief ter os -sens Criados mui satisfeitos 
iio seu servi^. Deos guarde a V^ Senhoria por muitos 
anrios. 

I J Oflferpfo a V. Exccll^cia com a veuera^afi dc 
discipulo para seu Me&trc este Livro, que em obse- 
^uip da Patria e^creveo o men zelo. Na leitura deiie 
f&rva-te V. Excelloicia de passar aquellas iioraa^ em 

que 



^eoS negocios piiblicbs o deixa6, se 1146 desi^anjar , 
ao iTienos alHviar. Nelle na6 encontrari V* Excelleh-' 
cia o estylo, que pede hum^ Hist6fia'ta6 altamente 
gravel como essa j porem achard V. Exeellencia nella 
acgoes ta6 heroicamente dignas da imrnortalidade > qotf 
parecera a V* Exeellencia que esti lendcx a Historic 
doB seus illustr^ Pfcgeriitores : e esta cifcunstanc^ia bas- 
ta para que as xninhas vigilias raeiregaS a estimavel ap- 
provaqa6 de V. Eicellencia , que he a mafior Fama*, z 
que eu posso aspirar, assim como a minha maiot; for-* 
tuna he a de merecer os preceitos de V. Exeellencia ^ 
a quern Dcds guards por muitos annos# 

14 Gomo eo na6 posso^ offerecer sena6 cousas mui 
liraitadae , e muito mais a V. Exeellencia , que iga^U 
mente pcla»quaUdade da pessoa, edos merecimentos^ 
lie tad gr^nde , nad estranh^J V^ Excelfencia o oftere- 
^cer-Ihe esta pequcna Composi^afi , que Jiz naqudla* 
horas , 61ft que os meus ctiidados fa^em tregoas cotni- 
go, V. Exeellencia a 16a, e a patrocine^ se Ihe pai^-* 
cer digfia da sua judicio^ ccnsura : naas se e&ta a con-- 
siderar mais como aborto / que parto , farci com que 
logo- em lugar da luz veja o fogo* Esta rnerc^ , e at 
dos prec-eitos de V. Exeellencia fico ansiosam^nte <js* 
j^erands. Dcos guarde a V* Exeellencia por inuitos an- 

I105. ' '' ' ' \ " ' 

ly Offereqo a V. Senhoria nestas Versos humaa 
flores, que agora col hi subindo arf Parnasp-, o que ra- 
ras vezes me suecede, porque hum Pygmeo em huoi 
inonte aiitda^dd mais a connecer a ped[ueinheza da suai 
estatura. Estou'certo que V. Senhorit na^ as hade ac-« 
ceitar com desagrado , ainda (fue nella's m6 ache fra-^ 

Srancia ; assim porque sabem a rustica producca6 , qud 
i O meu eanlpo, como, porque tambem na8 ignori 
que eu na6 as ofFereco mais que para satisfazer ao d^-* 
«ejo que tenho de oWquiar de rodos o^ modos a V, 
{Senhwia y a tjuetn Deos guarde per muiro^ annos* 
s6 CooK) «a m que p maior oibrccimento ^ qu4 




lOO S E C > E T A B; I'O 

a V. Senhorlsi se pdde fazer , he hum Livro., y^^ ^^ 
fcreccr a V, Seuhoria esse ^ que em bencficio da Patria 
compoz 9 meu zclo, na6 o meu engenho. V. Senhor 
xia o favorcga, lendo-o com aqu«lles plhof com que J6, 
c na6 com aquelles com que julga ; porque de outro 
modo pelas letras sexonrard6 as imperfei96cs ; e com 
csta condijad he que me animo a oflferecer a V* Senho- 
ria, a quern ambieigsarqente desejo servir. Deosguar* 
dp a V. Senboria por muitos annos, 

17 Qiiiz V. Excellencia honrar a minha penna , man-^ 
dando^me que fizessc alguiita Composi9a6 sobre o.as- 
sumpto de-.^ Remctto a V. Excellencia estes Epigram- 
mas, mais para obedecer as spas benignas palavras , q6e 
OS pddcm favorecer,' que para satisfazeroseu grands, eiw 
genho, que os podp castigar. V. Excellencia os^receba 
unicamente como Memorial da tnifldu servida6> seaipre 
ambiciosa das suas ordens : e deste modo evito.^s censu- 
ras, aufe.eUaS tao justamente mcrecem. Fico esperando 
que V. Excellencia^ me mande putras divcrsas occasi6es , 
cm que melhor possa mostrar a promptidaS da firinha 
Yontade, porque eu sou mais engenhoso no officio de 
servir , que no de compdr. Deos guardc a V. Exicellencia 
por muiros annos* 

. 18 Eu nad devo pcrder pccasia6 a]gwma,.que me 
abre caminho de me poder mostrar agradecido aos ^ui 
distinctos favores, que devo a V* Senhoria; motivo 
por x]ue me animo a ofFerecer a V. Senhoria ^estes Pai- 
neis, nps quaes desejira que V. Senhoria vissecopiada 
meu sincdro obsequio , c devida gratida6 ,- ua6 menos 
para fazer mais desculpavel , que grandioso , este ofib- 
recimento: porem se V, Senhoria for servido man4ar- 
^le 5 poderei mostrar vivamente estas cbpias na piompra 
'Cxecu9a6 dos scus estimaveis preceitos. Deos guardc a 
y. Senhoria por muitos annos, 
Offjerechnento dc amizade ^ servidaS ^ e protecfaS. 

19 V. Excellencia na6 p6de viver obrigado anjuem 
com taiua authoridadc, e poder domina* He minha 



V. 



P Oy T U G TJ E Z/ lOI 

particularobrigagao servir a ^^JExcellencia , e heminha 
grande fortana achar oCcasioes de opoder fazcr. A mi- 
nha amizade jd na5 esri fto berco, cresceo , e fez-sc 
robusta com osraros mcrecimentos de V. Excellencia; 
e deste moda 5 para haver de sustentar-se , heprecisa^a 
solideza das obrr:^, e'nao a tenuidade das i;ialfl(vras , que 
estas pela suapouca substancia Qventoas leva : e assim 
iia6 me poupe V. Excellencia no sen servi go., an res me 
de este gosto com tanta frequencia , que satisfaja a 
ambigaS da minha vontade. Deos guarde a V. Excel- 
lencia por muitos anno». 

20 O na6 se serrir V, Senhoria mfuitas vezes de me 
fazer digno dos seus preceitos , he quasi hum mandar- 
ine que cale ; porem eu na6 me quero calar de modo , 
quedeixe de dizer a V. Senhoria vque vivo, evivo ?eu. 
Rogo a V, Senhoria que por tal me conhega com hum ^ 
signal , que attenda rnais^ grandeza da sua benignidade ,• 
que a baixeza do meu mereclmenro , e na6 pode havc|: 
niaior signal , que' a continuagQ6 dos seus preceitos, d 
que a minha rontade heinsaciavel. Deos guarde a V^ 
Senhoria por muitos annos. 

21 Em ■ eu servir promptamente a V. Senhoria,* 
alem de fazer o que dcvo , •mostro que soubc apren-' . 
der de V. Senhoria esta. promptidao. Valha-'se por tan- 
to V. Senhoria do meu prestlmo , se o ha , e da nii- 
jiha vontade , em que nao ha diivida , para tudo o ^ 
que for de seii servi§o ; que eu nao sou dsquelles , que 
attcndendo s6 ao util , contratao na amizade com usu- , 
ra ; e se em mim alguma ha em servir a' Y. Senhoria, 
he com o unico fnteresse de querer estar sempre vivo 
na sua kmbranga para novos preceitos. Deos guarde 

a V. Senhoria pcM* muitos anno?. 

22 Vivendo eu tao dcsvanecido pela sincera ami- 
zade, com que V. Excellencia me honra, ha6 deixo 
cm muitas occasiqcs de estar della queixoso, pe!p ver-« 
dadeiro senti'mento, em que me p6e a falta dos pre-y 
ccitos de V. Excellencia , que eu de nenhum mo4o des- 

• . I ' me- .;» 



Ubi S B C K E V A R I • 

jfterego j pop »er hijni dos mais intimos , ^ obfigadoi 
amigos, V • Excellencia se digtie de me conhecef por 
tal , e seja6 part mini a prova as frecjuentissimas oc- 
casi6es de me cmprtgar no exercicxo aas Suas ordens , 
us quaes ambiciosaniente desejo mais para safisfazer a 
hnma verdadeira obrigaijad , que a h:.ioia corteza po- 
litica, Assim scpersuada V. Exceltencia , t quern Decs 
guarde por miiiros annos. 

i3 Na6 cabe nas mlnhas exprefis6es , h sd na gran- 
:deza do animo do V. Excelleneia he que p6de caber 
o'mui particular beneficio, com <jue V, Excellencia 
jnc quer agora d^ixar seu perperuo devedor, Na6 poi^ 
, 'dla eu iTjerccer ta6 grande distin^a6, nem dignamen- 
te a poderei agradecer: e se algum agradecimento se 
p6de dar , he s6 ofFerecendo a V. E^xcellencia hum vi** 
yo desejo de rixe occupar no exercicio do« seas pi'ecei^ 
tos, OS quaes pe^o a V. Excellencia , ria6 menos para 
cmprego da minha agradecida obediencia , que para 
premio da confusao , em que me p6'^ o favor de V, 
Excellf hcia , a quern Deos guarde por muitos annds. 

44 O Real seryico de Sua Magestade. me manda 
com brevidadefazer Jornada a Provincia do.,., naqual 
a deqiora ha de scr muiia , porque o negocio a pede, 
Dou disto parte a V. Senhoria , para que servindo-se 
de me nao faltar com a estimavel honra do$ seus prc-^ 
ceitos 3 ipe na6 escreva aCorte^ mas a..-,, onde espe-^ 
TO ser mui particularizado por V. Senhoria com cstes 
favores, que sao o desvanecimento ,da minha obedient 
, C^ia, Dcos guarde ^ V, Senhoria por muitos annos, 

^S" Negocios 5 que importad muito i utilidade das 
rcndas da mirtha Casa , meobrigad i passar aProvin-.' 
dia da,„5 e assistir todo o Vera6 na Gidade.., Asmi- 
.:phas obrigagoes pedem que desta resolu§a5 d^ parte a 
V, Excellencia , que assint como nao as ignora ^ assim 
vtambpm nao ha de perjnitrir que esta distancia m^ in*» 
tcnompa a honra de me empriegar nO seii serviqo, V, 
Es«Uei)cia m9 inand^a coii^q ^empf^i' porque ^ min 



"P O R T U G XT K «• 10} 

nha obediencia na6 seaparta do$ pcsdd V. Ezcellenciai 
a quern Deos' guarde por muitos annos. 

26 Para diversos interesses da minlia Casa devo fa« 
zer Jornada i Odade dc... , t nao devo fazer sem del- 
' la dar parte a V. Senhoria , na6 s6 para me conceder 
a licenga , mas para qde saibaem que parte me hade 
Iwnrar com os seus estimsevei^ precmtos j dos quaes na6 
5e deseja v^r privada a minha vontade* Deos guarde 
a V. Senhoria por muitos annos. 

17 Bern dcsejira cu ]poder ^plicar a v. m. o vivo 
MntiiB^pitOy com que fico pelo seu desgosto : poreqi 
inuito mais desejira nellc valer a v. m. , assim porque 
o pedem as muitas atten96es , que a v. m. deyb , co* 
mo porque a sua evideate innocencia assim o merece. 
V. m. de nenhum oiodo me poupe para tudo o que for 
da sua justiiica9a6 ^ porque estou com huma vontade 
sijDcdra de obrar tudo o que poder, c v,m. mcorde- 
inar a este fim. Deos guarde a v. m. por muitos an- 
nos, 

28 Visitou Deos Senhor nosso a v. m, com a pre- 
90ote fatalidade , para fazer huma prova da sua constan* 
cia J e esta seja a unica considera5a6 , que v. m, deva 
ter , antes que entrc a mostrar a sua innocencia , a qual 
como he no Mundo accusada , necessita muito de pa-- 
trocinio. Se em mim se persuadir v* m.que temalgum , 
disponha delle como muito Ihe parecer : porque a mi- 
nha vontade esta sinceramcnte prompta para obrar tu-\ 
do o que servir decredito, e justincajad a v»m., a 
quem Deos guarde por muitos annos. 

2^^ He impossivel poder eu deixar de vivaitierite 
' sentir o desgosto , e amic$a6 , em que V. m. esti ; por* 
que a, amizade me desperta , e os favores me obrigao : 
para v, m. conhecer com evidencia esta' minha sincira 
confissa6 , ofFerejo a v. m. todo o meu prestimo^ st 
for preciso , ^ara dar alguni aliivio a sua sensivel per- 
da , ejustificado, sentimento. Na6 se persua'da v. m. 
que e^c, meu ofFerecimento nasce das vulgares ceremoi- 

nias 



t©4 ',S B C R E T A R I * 

pias da politica < porque Ihe asseguro que 1mm. animo , 
pinc^ro, c prompto he qucni. me dicta estas palavras. 
Peos guarde a v. m, por rnuitos annos. 

Fara pessoas particulares , epara atnigoy. 

30 Meu amigo. Sc cu nao.conhccera a sinceridade 
da amizade , cotii-que v^ma. roe trata , iderienhum modo 
me atrev^ra a enviar-lhe esse teaue ofFerfJciincnto ; tnaa 
considerando nesta forte circuhstaacia , na6 $6 p man- 
do, mas nem ainda pego pcrda6av,m. , e sd Iherogo 
que me de frcquentcs occasi^cs dcmeempregar a>Q»sua'^ 
ve exercicio dassuas ordens, que ansiosamcnte ficoesi' 
perando. Deos guarde a v. m. por muitos annos, , 

31 Meu amigo. Como v. m. na6 perde. occasia^ 
de nie fiizer favor , taixibetn eu nao quero pcrder es- 
ta dc Ihe mostrar o meu grande affigtcto , offerecendb-? 
Ihe essas,.. , que agora me Viera6 de presente. ;0 of- 
ferecimcnto fora mui limitado., e ainda indigno, se o 
pad enviasse o amor, e amizade mui sincera , que uem 
r^piira em ceremonias , nem avulta mais com grande- 
|tas, Fico para servir a v^m,, a qtiem Peos guardepor 
inuitos annos. 

32 Meu amigo. Como pela inutilidadc do meu 
prestimo^ nao posso dar no servijo de v. ixi. hum eviden-r 
te tcstemunho da minha gratidad, vou aomenosdallo 
do meu ^ffccto ,. por meio dessa galantaria , que offe^ 
re§o a y, m. , da qual Ihe pe§o niuitas vezes perdao ^ 
que facilmente conseguirei, considerando v. m. que a 
fninha sjmizadc i^aS sabe o que .obra para se mostraf 
flgradecida* Esta , como sempre , esta promptissinia pa-^ 
ra ohedecer ao minimo aceno da voqtad^ a^ v, m, j a 
quern Deos guarde por muitos annos. 

33 Meu amigo* Coma v. m, ainda de todo .naoes^ 
\i restiruido a sua antiga saude , ainda eu igualmente 
fiaS estou convalescido s porque sinto reciprocamente 
{IS suas queii^as, Difflcil sera a extincao destas , se ic* 
.ffit na^ in«dar is ^rej : e?t?§ 4« m^% ^uifitft «6 ^'- 



lel>nados^ por saudaveis em toda esta "^Isinhaofa; eas^. 
sfoi rogo a v. m. , coai a maior sincferidadc de animo , 
que OS veiJ^a gozar ? porque sd deste modo sera maia 
facil a sua restiriiijao. Se ,os meuj rogos nao sa6 po- 
dcrbeos , tomo por valia os de todos de^ta Casa , que 
na oiuItipIici4|ide me pddem veneer. Em quanto na5 
temos este allivio , continue-nos v. m. o dos. seus fre- 
quenter preceitos , para hdnra da nossa obediencia** 
Decs gu^de a v. m. por muitos* annos* 

34 Agora hunn amigo me fez presence dessa ga- 
]antaria,e para cu Ihe moscrar a devida estima9a6y 
que della fazia, respondi-lhe que logo a havia mandar 
a V. m,, a quern rogo que a acceite com aquelle a^ 
fecto 5 e sinceridade com que he offerecida , assimpa- 
ra se satisfazer a minha amizade , como para sc des- 
empenhar, sehe possivel, a minha grande obrigagad. 
V, m, me conserve na sua memoria , como deve ; e 
' me .continue a honra ^ dos seus preceitos , coma* p6-» 
de: para oque Deos guarde a^. m.^por muitos an- 
nos. ^ . . •. . 

3J Meu amlgo. Esta galantaria, vai ofierpcida nad 
a V. m. mas i sua natural benignidade, que pddedis-* 
far^ar , e engrandeccr qtialquer tenue , e indigna de- 
ifionstra§a6. Deste modo me livro do castigo, quep©« 
la cpnfian§a merec^ra , e me farei nierecedor da ines- 
timavel recooipensa dos seus preceitos , que espero 
com. tanta ambiqao , conio pede a honra , que delles 
me resulta. Deosgiiarde av. m. por muitos annos. 
' 36 Meu amigo. OfFerego a v, m. esses versos, que 
sendo muitos. pesaopouco; com tudo scrvem de pa- 
gamento nova a dividas antigas.Creio que exprimem 
o assumpto j ha6 s« com que engenho, mas sei com 
que desejo ; porem se nao servir a Poesia, que hecou- 
8a.de cittendimento , entendo qiie servi ao amigo , 
cue mos pedi6, que he obra d^ vontajde, e de obe^ 
pientia, que Ihe'professo por obrigajoes mui antigas* 
Af qu§ wd^YQ a Y, m, sa0 imwemoaa«§ ; e gpinopno^ 
- ' pria-* 



ia6 • S«cm«f A^rto 

priameaMr m^ as. pp9so pagar^ wlho-me cfartas id^ar 
se na^ pafa meo desempenho;^ «o menos para tninba 
Iraibranga.'^V. m. iguaJmcnte a r«ha, mas sej> para 
me maodar com tantia especinlidade como freqiieocia. 
Deo3 giiarde a v. m. por muitos annps, 

37 JVIea amigo. Se eu na6 mando a v, .fn. hum per- 
feito Epigramma , , roando-Uie ao menos kima pcnH* 
ta obediencia; que perfeitamcntc obcdece, quern lo- 
go obedece : e assim "^e n^6 passac> pof bom , passara 
por pronto ^ que he no que cuidei muito; porque 
quem serve hoje , senre com obras ; qnem servir a- 
maohS, serve com esperan^as : e assim como esras na6 
8a6 do agr^o de v. m. , assim tambem na6 servem pa* 
ra raim , que desejo adevinhar os seus ^ostos ^ para lo« 
go pitmtameate os satisfazer. Fico is ordeHS de v. m. , 
a qoem Deos guarde por muitos annos. 

28 Meu amigo. Tanto ferio a v« m. o duro peder*- 
nal do meu petrificado engenho , quQ conseguio , na6 
' sem milagre y fazer Jan^ar dcUe algumas faiscas mdis. 
ardentes deaffecto, que Iuzentesd6reapieud6r. V. in.', 
que deo a causa, temobrigajad de descuipar o efFei-^ 
to i o que mais sinceramente rogo a v. m« comoa mes^r 
tre , e como amigo. Deos gmrde a v. m. por miiitos 
anaos. 

39 Meu amigo. Quem faz versos unicamente por 
servir, s6 serve, e na6 poetiza; pelo que mais de^ 
pressa merece o nome de bom amigo , que o titulo 
de bom Poeta, Tal me succede agora com os Epigram* 
mas , que remetta a v. m. para satisfa^er i instancia > 
com que mos pede. As Musas , como Senboras , que* 
sem ser livres : na6 querem cantar f^ra de tempo, 
aem contra o seu ^euio ; e assim o que produzem des* 
ta maneira , Jia6 he parto seu , mas sirp de quem por 
forga as faz parir. Dcste modo esta Composi9a5 be 
toda de V. m. ; porque a for§a ma tifou da penna, Por 
fUnto^ como sua a oi&rega r. m. , c como minba a 
doscuipe, se quer com tudo que tu Delia, tenha al*^ 



F ^ T v-^ V r » tpf 

guma parte. RecommendE-se ansiosamente a minha 
obediencia aos preceitos de v. m., a quern Deos guai> 
de por iiiuito? annos. , 

40 He coiisa ociosa , e ainda indigna , render Ioa« 

vores aos merecimentos de v. in. , quandp elles por si 

se l6uva6 com tao gostosas ac96es ^ com tudo ^ atre^ 

vo-me a louvar a v» m, ncsse Epigrammayeatrevo-me^ 

perque * lingua Poetica na6sd he propria, nias a mais 

digna para 8C celebrarem os Heroes. Eu bera sei que 

he mui pouco bum Epigramma, quando o sujeito he 

ta6 grander mas tambem conhe^o que he muito , quan* 

do o Poeta he tafl pequeno. Receba-o portanto v. m. 

mats como signal de hum sinciro obsequio,e verda- 

deito ftnera^ad^ que como recrato dos sens grandes 

roececimentos. He superfluo oflferecer a v. m. a minha 

cega obeditocia , porque jd o tempo tern mostrado 

que o que mais desejo he na6 esrar oeioso no seu ser- 

vi§o. Deos guarde a v. m. por muitos annos. 

41 Meu amigo. Mandou-me v. m. que cantasse al- 
guns versos ao casamento de Sua Excellencia. Na6 pu- 
de logo satisfazer aos. sens preceitos, porque bem sabe 
F, m. as occupa^Ses , em que enta6 estava. Agora aue 
dellas me vejo 'mais livre, subi ao Parnaso, e colhi 
algumas flcwes de varias cores, porem de hum mesmo 
cheiro. V. m. as escolha , e dellas forme huma Coroa, 
com que coroe os Exceilentissimos Desposados , e a 
mim me mande por gratific^^aS a estimavcl hofira do? 
jseus preceitcs, que/ a minfca ambiciosaobedienciatiad 
cessa em desejar. Deos guarde a v. m. por muitos an- 

HOS, 

41 Sc tudo o que nasce entre espinhos fosse rosa, 
huma it)sa mandava eu agora a v, m. ; porque entre 
mil cuidados , que luuito me pica6 , nasceo esse So- 
neto* porem na6 he rosa , e he espinho, para na6 
degenerar da sua semcnte , e para se parec^r, com ^ 
eampo , onde nasceo. Com tudo, eu entendo que na6 
fe pouco^i porquft , para cli*«r a v. m* a verdade , 

nem 



re8 S « c R E'^ A fir # 

ncm jeii ja siiro para a Poesia , nem a Poesia jd serve 
para mim. Scx) taeu pcnsamenro me engana^ v.» m. me 
desculpe , e receba esrc pouco em lugar domuito , que 
dev^ra dar , se pod'fca , em attengaS aos Innum^rareis 
favores , que devo a v- m. , a quern Deos guarde por 
Biuitos annos, 

Offertcitnento deamizade ^ e proteccaS. 

43 A singular benignidade de v. ra. que cu antw 
havia venerado , mais por fama , que pof erperiencia ^ 
iia8 s6 augtnenta novx>s estimulos acmeu aiFecto, m^^ 
me qbriga a procuraf ambiciasamente o desempenho. 
Pelo que por aquelles mesmos meibs , que nie con- 
duzirao , nao ha muiiotempo, abuscarasuaaimzade, 
vou recommendar-me a v, m, , para que se iiaft esqutJ- 
Sa de me dar a gosto dos seus honrosos preceitos, 
que este he o unico meio parajser indissoluvel b vin- 
culo da nossa amizade. Deos guarde a v. m. por mtri- 
tos annos. 

44 Meu amigo. VJ m. por modestia occupa-me 
pouco: eu por affecto pego multo; mas pela minhfi 
imuil^dade de nada sirvo. Com tudo, nestc aada rogo 
a ; v. m, que me conheqa todo ; porque todo neste na- 
da me.offcrego a v. m, para tudo o que for de sefii 
•ervico. Deos guarde a V. ra. por muifbs annos. 

45 Meu amigo, A minhg vontade sa6 os precfei* 
tos de y. m. , por tanto mande-me , se me desejar 5ervir, 
c rccommende-me a toda a sua Gasa , se me deseja favo- 
recer : e estas sa6 as duas unicas cousas , que pego a v, 
m. em gratificagao de alguns favores, se os ha^feitoff 
em obsecjuio do seu grande merccimento. Deos guarde 
a V. m. por muitos annos. ^ 

46 Que for§osos motivos tinha a minha fiet anai-* 
zade para se queixar de v. m. , porque devendo a ella 
ta6 particulares finezas , Ihos na6 sabe gratificar! Opa, 
meu .amigo, igualmente para crediro meu, ede v^m; 
Dao-se esqueca de agradecer cste lYieu vivo affecto: 
e como iia6 "pdde haver gratifica§a6 mais dign$ dc 

mimi 



mim, ncm mats projn-ia de y. m. , que a frcquencia 
dos «eus honrosos preceitos, v* m. mos p^rticipe; 
porque a miftha vontade, certamente na6 pdde esrar 
mais pronta para servir a v. m. , a quern Decs gudrde 
por muitos annqs, 

47 Meu amigo. Agora qtie da6 a noticia da grave 
afflic§a6, cm que v, m. se acha, fico pcnetrado de 
hum viv^o sentimento, de que a v. m. dou parte , pa- 
ra que ccMaheja o quanto a minha amizadc he verda-, 

deira, Forcm ^ para que v. in. o possa conhecer com 
cvidencia , sirva-se^de me mandar em tudo o que Ihe 
parecer, que conduz para allivio da sua afflicgao: porT 
^ue. Ihe asscguro que o cxecutarei com tanta pronti- 
aa6 3 quapta he a sinceridade , com cyic me ofibregoi 
Decs guarded v. m, por muitos annos, ' 

. 48 Se OS amigos se conhecem nas. occasides , iia6 a 
tem y. m. mais propria para }a»e corihecer , como a 
presente, em que se ve cdrcadode tantas adversidades, 
que amea§a6 a ruina a sua Ca«a, Se v. m. , mea ami- 

fp ', ' assim como sabe que cm mim lia^ huma verda- 
eira amizade , entendcr. que- igualmente ha algum 
i)rBstii)3o para Ihe valcr nas>pTOentes aiflic§0ea , rogo- 
he mui vivamente que me na6 paupe j porque- todo , 
e por todog os modos me^offerejo a v. ot* para o ser- 
vir, e alliviar. Entre tanto console-se v. laa. pondono 
Ceo OS olbps da ponsidera^ao : e se acaso os abaixar , 
seja para adv^ertir que toda a coi»tancia/ da fortuna es- 
ta unicamente nas xmidan^as. Deos guarde a v. m. pop 
muitos annos. 

jis Cartas , qtfe se seguem , podem servir mui^ 
tas deltas de respostas a est as de offer ecitmnto , que 
acabamos de escrever\ 



CAR- 



-110 Sec K'e r L%t0 

• II I I I " ill I I w '[ I 1 ' i m ■ i M i I II » ■'■■ ■■> ^ III 

CARTAS -DE AGRADECIMENTO. 

XTIe xnui necessark) o a9to de •gradecer favores , 
porque o Homenii como diz Hesiodo, deve imitarii 
terra, a qual sempre da muito mais do que. recebe, 
pelo que m6 sc podendo logo agradecer com o eftei- 
to , ha de se agradecer moseraado a gratida6 do ani- 
mo em confessar a obrigajad , e prometter^o desem- 
penho , quando se derem as occasi6es. Gomiste tudo , 
em dois termos , os quaes, sao Reconhecimenm , c 
OflBerecimento. No primeiK) se exagera a grandeza do 
faror, o qual se p6deamplificar, ouda parte dequem 
o faz , ou de qumi o recebe ^ ou tambem da cousa 
recebida. Primeiramente da parte da pessoa que di ^ sei 
houver oiFeiiecido algurna cousa espontaneamente com 
piontida6 , sem ftn aigum de interesse , e^ sem para 
tal ser ofarigado ; c entao louvaremos muko a mia 
grandeza, magnlficencia , e benignidade, que.coiftnos^ 
CO usa , ^:esenteaDdo*nos , ou favorecendo-noe com 
. outra qualquer cousa. Mostraremos ^ue fazemos par- 
ticular estimagad do presente , assim pela pessoa, queo 
maiida ^ como peja experiencia dellc , a qua! Iiavemos 
eragerar , ainda que neIJa a na6 haja ; mas com ter- 
mos, que na6 paregao claramente dictados pela li-^ 
sonja, ]i se sabe qtie o agradecimento nao s6 sc en-* 
-tende por algum presente , mas rambem por beneficio , 
que se nos houver feito, Ou patrocinio, que houver- 
mos experimentado. Em segundo lugar poderemos am- 
plificar da parte da pessoa , que reoebe , engrandecen- 
do , i^e for presente , a grandeza do; afFecto , com que 
ficamos} e se. fot outra alguma merc^^ a.utilidade, 
-'. • ' , e'' 



^ beneficio, que della oos resulta. Em tercdrolu^ 
poderemos amplificai* da parte da memia cousa reeahi*^ 
da 5 dizendo que m6 9e nos podia fazer mais oetima- . 
vel favor, nem podia ser maior, Feito isto, offercce* 
mos outros tafatbs , e tn^is com igual sinceridade , e a&» 
fecto : e se pela ^randeza da pessoa , que nos' fez o fa* 
Tor, ou pela grandeza das nossas for^as^ na6 poder- 
mos recompensar 5 prbmetteremos huma ctcrna gra- 
tida6 , dizendo que na6 cessaremo$ de publicar o fa<- 
yoT em todo o tempo , e iugar , o que muitas vezes 
se acha nas Cartas La tinas dc Paulo Manucio. Podere* 
BIOS algumas vezes agradecer por modo opp<^to , do 
qual u^ra6 os meUtores Authoies Latinos^, v. g. 
m6 agradecendo, com dizer que o favor he tadgraa- 
de 5 que na6 descobrimos expt^6e» para dignameate 
o pooermfes agradecec , e que iia6 sc dere explicar 
com triviaes concekos, ou tambem diitmos que a 
iiossa amizade na6 sdfire agradecitasntos , como cousa 
superflpa entre amigos verdadeiros , e antigi)s , do que 
inostro dois exeniplos de Bruto a Cicero. O primei- 
r0 he : Jam no» ago tibi gratias ; cui emni re vix 
referrefossum , htdc verbis n(mpotitMr res sastisfieru 
O segundo he: i^oli expect art , dwn Hbi gratias aganij 
Jam priidem hot ex nastra necessitudine , q»^ adsum-^ 
mam benevolentiam prevenit , sttbJatum esse debet. Es- 
ta especle de Cartas sa6 do genetx) Donociwativo. #. 

CARTAS DE AGRADECIMENTO. 



• Tc 



ODAs as ac§6es de geoerosa benignidade, 
que V. E^rcellencia tem sempm >oomigo.usado, occu- 
pira6 o meu animo de hum vivo reconhecimertto , e 
de mui estreitas obriga^6es j pcjrem o TOCsente mimo^ 
que a superabundante grandeza 46 V. Sxcellenda me 
offerece, estreita a esftra do meu animo , vence X- 
fer^ das 9)»k?i«t espptess^s^ aat^ menoi pela precio- 

' - Bi*. 



in S E c- R 1^ T A K I a 

sidack da materia , que pela cspeciosidade da fiSrma 5 
o oiie tudd reccte com particular pejo meu, porque 
/V, fixceilencia por ncnhum aiotivo dcyia lemorar-se 
de mim , como in4igno para/rccJeber rao disrincto fa- 
vor. Ddle 5 como posso , dgn^ a V. Excellei:icia hum 
sincero agradecimcnto ; c para proya delle , sirva-se 
V. ETCcUencia de me facilitar o caminho de me em-' 
pregarnps seus hoorosos preceitos, Deos guarde a V; 
jExcelJencia por muitos annos. . 

a Com a mais Mrticular distin§a6 recebo o espe- 
cioso mimo dc V, Bxcellencia , e delle dou a V. Ex- 
cellcncia ra6 vulgar agradecimeoto ; rogando-llie viva- 
mente qde ji que se servio de mooffereccr com benl- 
gnidade, mo dei;se ^ozar com gdsto ; e certattiente nad 
o p6de para mim haver maiop, que concedcr-aie V. 
Excellencia que eu na6 csteja odoso no seu servijo , 
nO' qual me desejo tanto.empregar , como pedem as 
minlias multiplicadas obriga§6cs. Deos giiarde a V- 
Excellencia por muitos annos. 

3 Na6' posso dcscobrir modo para fazer, com que 
^ V. Exctliencia mqderc as continuas 4emonstra$6es , de 
que a sua innata b^nignidade usa para me fazermi- 
moso , e obrigado. De nada valem as jninhas suppli- 
cas, de nada as cxpress6es do njeu pejo , edejnada o 
grave peso da« minhas obriga§6cs^ quejana6 tedho 
for^as pars supportar. De nada vale tudo isto ; porique 
agora me ofFerecc V. Excellencia este mimo , grandio- 
so na .quantidade, ^aro ,na qualidade , e singular no 
amor 5 que o acompanha. Se he do agrado de V, Ex- 
cdiencia exercitar comigo estas ac§6es da sua grandiq- 
sa ^nerosidade > conceda-me tambem que eu possa 
cm alguma parte corresponder-lhe , empregando-me 
todo no exei'cicio dos seus frequentes^preeeitos , que 
com ^grande ansk fico esperando , comb mais estima- 
yel ;presentc. Deos guarde a V. Excellencia por muitoa 
annos. 
' .4 Agrade^ a V. Excellencia. com todaa aquellas 



•cxprcssjSes , que nascefn de hum anirao ta8 gratemen- 
te 43brigado ,* o excdlente mimo que me offercce ; 6 
qual deixahdo-ime em perplexidade , ainda me da lu-. 
gar p^ra conheccr que y. Excellencia com a sua vir^ 
tude de profiisa generosidade he a causa dequeatodos 
pare9a que em mim se da hum vieio , e o maiof d^ 
todos , qual he a ingratidaS: porque nao he possivel 
que eu possa de ajgum modo cprresponider a ta6 sin- 
gulares attendees, pois^ confessallas he mulpouco: por 
rem he ate onde p6dem chcgaras minhas for^as: o 
que nao cessarei de fazer , para nao coatrahir ta6 feia 
npra* Deog guarde a V. Excellencia por muitos annos.. 
5 Q ^timavel presenre , com qi|e V* Exqellencia 
me honra, sobre me deixar ,em hum^ noravel confu- 
sao , me obriga a hum correspondcnte agradecimento , 
pelo credito que meresulta da $ua geuerosa benigni- 
dade. Se eu poder mostrar alghm, he s6 no servigode 
V. Excellencia; para o que rogo arderitemente d suat. 
Wndade , que assim como para mim se mostra ta6 ge- 
Beroso de jtten^Ses , o seja igualmente dos sous pre* 
ceitos : para eu , se aao dimiuuir as ipinhas obriga* 
§6es , augmentar ao meaos a minha honra. Deos guar*- . 
de a V. Excellencia por muito» annos. 

6 Fazendo eu tad particular , e devida estirtiagad . 
do especioso. presente , que V. Excellencia me oflFere* 
cc , por ser.cousa sua , ainda subiria a maior grao a 
minha estimagaS, se V. Excellencia igualmente me pre- . 
senteasse cdni os seus estipaadissimos pij^eceitos : por-* 

3iie alera de me resuhar delles hum credito distincto^ 
ava-tne V. Excellencia occasiao ,de se fazer patent? o 
meu agradecimento dcvido a esta ^ e outran muitasobri-* 
gagfiesj com que V. Excellencia oantinuamente esti 
gravando a minha- gfatidaS.. Bstou presuadido qtie.V.' 
Excellencfa > que sabc buscar todos os modos para me' 
fazer favof, me bade conceder este', que ambieiosa-* 
meme appetejo* Deos guards a V/ Excellencia poi?^ 
jauitos annos^ . ' 



^14 Sbck^tario 

.7 Com grande pejb recebo o estiinavel presents de 
V. Excelleneia ; porque experimento mui frequ.ente- 
menie os seu« fevores : e tanto ma is ?e augmenta es- 
te , quanto mais considero na minha ihcapacidade pa- 
ra me po^er tnostrar agradecido, Por tanto , siipplico 
a V. Excellcncia , ou a me de^cobrir algura meio , 
com que OS saiba gratificar; e certamente na6 me po- 
de V. , EUccIlencia dar outro ,' que seja mais proprio 
do que o perpetuo exercicfo de seu humilde Criado. 
Assim o cspero cjc V. Excellencia , a»quem Deos guar- 
de por ipuitos annos. * 

8 Recebo o mimo de V. Excellencia , c receboo 
com huma grande estiraa^aS, e gpsto , assirri pela hon- 
ra , que delle jiie resulta , como por chegar em oc- 
casiao mui opportuna. Agradeco-o a V. Excellenciar 
com aquellas express&s , que mais dicta a sincerida- 
dc , que a politica: edesejdra muito quetfssim como 
V. Excellencia nz6 se esquece de me encher de honras , 
se lembrAra igualuiente de me honrar com os seas pre-^ 
ceitos, e que p fizera coin aqucHe dominio , que tern 
em mim, como seu antigo Criado, Deosguarde a V. 
Excellencia por muitos annos., 

9 Eu na6 tenho pakivras para agradecer dignamen*- 
te a V. ExccUencia o ciiidado , com queselembra/das 
jminhas afHic§6es , e a gcnerosidade com que se raeof- 

- ferece para nellas me valer j porque tao alto favor pe*» 
dia proporcionadas expressfies:. mas esta he a grande- 
2a das virtudes de V. Excellencia , que na6 liayendo 
pessoa , a quera iiao valhao , na6 ha termos que as 
saiba6 agradecer j e esta he tambem a fortuna da mi- 
tiha desgraga : porque hum oiFerecimento ta6 altamen- 

' te grande ^ que na6 se p6de gratificar , nece6sariam€n- 
te' ha de ser hum seguro meio para me ver restituido 
ao meu antigo estadoi P^^^ o que me.valerci de y. 
Excellencia , quando ^ occasiao o pedir. Deos Senhor 
iiospo he quern ha (|e agradecer a V. Excellencia este 
favor, fazendp tantbsasua grande Casa , quantos sao 

OS • 



, f O K T XT G ^ ft t. ti^ 

Ds meus rogds, X) mesmo Scnhor guatde a V* Excel- 
lencia por muitos annos. 

lo Agora que V. Excel i encia na sua honrosa Car- 
ta seDte a minhar desgraca , e se me ofFerccc para nellat 
obrar tudo o que conduzir pam mcu credito , *e alln 
vio J conheco mais claramcnte a V. Excellenci^ pelo 
§eu illustrc? appellido : porque seoipre foi ocaracterdos 
gloriosos Progeni tores de V. Excellencia o procurar 
valef aos neeessitados , e patrocinar aos afflictos. Dou 
a* Y. ExceMencia os mais rendidos agradecimentos por 
tal Jembranja, e offerecimento , que henoMuiidotad 
raro, como he a raifaha desgraCa, e a minha constan- 
cia pars' a supportar, Ar^ ^iqui por varios inconvenien-* 
tes ainda na6 gude mostrar a minha innocencia : equan-* 
do a justi§a , ou a maldade de tneu^ emulos tnc der lu^ 
*Mf '? esta. justificagao , necessariamente m^liei de va- 
ler do'poderosopatrocinio de V. Excellencia , para que 
se pe;'suada o Mundo da njinha innocencia , vendo 
que a protege, V. Exccllencia , a quern para meu am- 
• paro gu^rde Deos por muitos annos. 
' II Recebo o Soiieto de V. Excellencla com aquel- 
la veneragao , que tivera , se o ouvira sahir da corti- 
na de Apollo. Se com este respeito o recebo, com 
igual agradecimento o agrade^o a V: Excellencla , i>a5 
s<S por sastisfazer a minha vontadc , mas por occupar 
a minha memoria , e illustrar o meu entendimento* 
P^ra creditd de todas as lerras Deos guarde a V. Ex- 
ccllencia por . muitos annos. 

.' la Recebo o estimavel preserite. do Livro, e nad 
sci eu selouve mais a-attengao , co^mo que V*' Excellen-* 
cia mo manda ; se adoutrina, com que- o escreveoj 
mas parece^me V* Exceliencia ^m huma, e.outra cou^ 
sa ta6 perfeito Filosofo , e copipleto CaValheiro , qucf 
s6 com o silencio dcvolouvar tao raras virtudes, para 
m6 as exp6r aevidente perigo. Agradecerei\$6 mui. 
distinctamcflte a V? Exceliencia este preceito presetite , 
« o conceito que de mijiin fdrma, per$uadiod<?-se q^ 

H li soM 



ii6 S E C K eT A R i*o 

, sou capaz de me aproveitar de ta6 util 5 c nobre Ii§aS , 
oqual farei oiuito por nad^desmentir^ applicajidO-mc 
a Icitura dellc de tal raodo , que V. Excellencia me 
venha a estitnarcoraoscu especial discipulo.Deos guar- 
de a V. Excellencia por muitos annos, 
, ij O particular affecto^'com que se servio V. Se- 

. nhofisL de me ofterecer este excellente oilmo , aug^ 
menta em mim nqvos esrimulos de gratidao, e me,faz 
desejar com maior ardor t)0casi6es de a poder mostrar 
i V. Senhoria no exercicio dos seus preceitos , os quaes, 
o meu aftecto, amizade, e venerafaS sabem Qoni jus- 
tiga merecer. Deos guarde a V. Senhoria pop muitos 
annos. 

14 O excellentissimo milmo, com que V, Senho-- 
. ria me presented , serve de augmenrar*" mais a miriha 

lobriga^ao, e persuadir-rae daquelle vivo, affecro, corft 
que V. Senhoria em toda a occasiao me trata. Eu es- 
tou .na duvida, se hci de agradecer ja a V. Senhoria ta6 
distincto favor ^ ou se talvez ha de esperar o meii agra- 
decimento alguma occasiao de pod^r servir a Y. Se^ 
phoria ; porem considerando que V. Senhoria, sendo 
' . para mim em tudo generoso y he s6 dos sens precei-- 
tbsavarcnto, e que assim me nao dara facilmente esta 
^ occasiao, na6 quero deixar de beijar as maos a V.Se- 
» choria por ta6 particular merce: e quija que V^ Se- , 
nhoria por este meu rendimento me na6 baja de fazer 
a honra dedar gosto & minha vontade ta6 ambiciosa dai 
suas ordens. Assim o espero de Y. Senhoria, a quern - 
Deos guarde por muitos annos. 

15 Parece cjue esta V. Senhoria empenhado em naS 
perder occasi^S de me fazer favor, de que agora re- 
cebo hum novo argumento no grandiose presente , due 
me offereee. Eu na6 tenho expressdes proporcionaaas 
ao meu desejo , para agradecer a V. Senhoria t^6 as- 
signalada honra; mas se V. .Senhoria se servir dedar 

, com frequencla exercicio a minim servida6, darei al- 
'J^m gi^nal do meu agradecimento , e farei que V. Se- 
. ^ nho- 



P O K T U G TT i: «. 117 

nhoria pclas obras conheca a sinceridade do meu ani- 
Hio , no qual renho csculpida a imagem da ^ua innata 
benignidade. Dco5 .^uarde a V. Senhoria por muitos 
annos. 

16 Qualquer tnimo , com que V> Senhoria me hon- 
ra 5 he paramim itiui particniarmenteestimavel , e po- 
dera este, de qu^ o seu affecto agora mefaz presente , 
niereccr muito inaior estiiiiagao , por chegar Certamen- 
te a tempo mui opportuno para hum meu desempenho. 
BeijoaV. Senhoria mil vezes araao.pelo favor, com 
que quer honrar a este Criado , que no servi^o de V. 
Senhoria he pcioso , mas nao inutil , porque se V. Se- 
nhoria for servido mandar-me em alguma cou$a , ve- 
ra com que proraptidao , e vontade obcdego aos $eu8 
preceitos, Deos guarde a. V. Senhoria por muitos an- 
nos. 

ly Obriga-me V. Senhoria de hum modo, que eu 
iia6 posfo cxplicar, nem agradccer , com omimoso pre- 
. scrtte , que me ofFerece r e so percebo que V# . Senhoria 
nesta dcmonstrajad do seu vivo affecto esta empenhado 
em confuudir a gratida^dcsteseu Criado, de que mui- 
to me prezo , porque me parece que s6 deste modo he 
que poderei agradeccr esta grande atten5a6 a V. Se- 
nhoria , a quern Deos guarde por muitos annos. 

18 Qiicr V. Senhoria obrigar-me nad s6 coin hon- 
rosas expressocs dictadas pela sua benignidade , mas 
iguajmente com este estimavel mimo ofFerecido pela 
sua grandeza. Eu beijando as maos aV. Senhoria. /o 
recebo como hum especial favor , e o ponho em dis- 
tincto lugar' entre as outras muitas obrigajdes, cdm 
qye suavemcnte esta gravada a minha servidao. Se eu 
alguma coiisa mereco a V. Senhoria , rogo-lhe com o 
animo mais sincero , que por meio dos seus frequentes 
preceiros me descubra caminho , com que dignamente 
possa agradeccr-lhe tao continuas, e'pariiculares at- 
tengoes* Deos guarde a V. Senhoria por muitos an- 
nos. 

' Agra- 



tit \ ' S 15 C K B T A R 1 Cr 

29 Agrade§o a V. Scnhoria com as mais dccerites 
txpress6es o prccioso prcsente do Livro qu? me man- 
td?t. Logo conhcci por legitimo -parto do alto enge* 
nho de V. Senhoria, had tanto pela erudi5a8 , quan- 
to pela ordem com que estd disiX)sro : porque de tal 
inodo o organiza , c^nima V. Senhoria , que me pa» 
rece que reguscitard seug sabios, Av6s , e scja qstc 
roais digno elogio a ta6 recoaimehdavel Obra*. Con* 
tinue V, Scnhoria ta6 alta empr^sra para hem da Pa^ 
tria , assim portjue se utiliza , e aesvanece , como poi»- 
que para sua gloria terd sempre vivoa V. Senhoria nas 
jidbias producc6es do seu rare entendimento. V. Senho- 
ria disponha da minha vontade como p6de, e como- 
deve. Deos guarde a V- Senhdria por muitos annos. 

20 Ja que o uso tern feito ta6 communs os agr?«4- 
^ecimentos por. Carta, desejara que V, Scnhoria, poF* 
ttieio ' dos seus preceitos , quiz^sse que eu singularnien- 
te podesse agradecer o particular favor, com que m& 
offercce p seu cruditissimo Livro 3OU oseu vci'dadeiro 
reti*ato ; porque tielle vejo copiado a V. Senhoria, 
que todo he ent&ndimento. Estes sa^ os termos mais 
breves , de que posso usar ^ para dizer que este Livro em 
tudo §e parQcc com as outras eruditissimas Obras de Vk 
Senhoria , a quern torno a ofFereccr foda a minha von-f 
tade para tudo o que for sei-vido.Deos guarde a V, 
Senhoria per muitos annos* 

. ^ 21 Mufto me agradao osEpigrammasde V. Senhor , 
ria , porque sa6/bons ; mas nao sac^ bons , porque me 
agrada6 , como V. Senhoria pretende.: porque eu se 
aigum .d|a enfrei no veneravel Templo das Alusas , foi 
^<S para render adorac6es , e nao tributes' as suas divin- „ 
dades. Quizera a sorte que eu fora como V. Senhoria : ^ 
porque seria ' o filho primogenito de-ApoHo, e tam-r 
pem ticrdeiro de seu Imperio, se os Deoses fdssem 
mortaes. V, Senhoria continue , -para qtie osfoetas 
lias suas Obras tenhaS Oraculo , a quern coiisultcnv: e 
M^ se csqueca tambem V, ^cnhoria de attender aq 



^m^u agradecimcnto , continuando-me a honra dos seus 
preceitos, que he o ma is aquQ cu posso aspiran Deos 
guarde a V. Senhoria por niuitos annos. 

iz He mui proprio dos Sabios desejarem &zer 
Sabios : por isso V. Senhoria meofterece o seu em- 
ditissimo Livro j porque me pode fazer tal , se em mim 
houv^ tanto talento para o entender , como nelle ha 
dourrioa para ensinar. Certifico a V* Senhoria que ellc. 
ha de ser o meu quotidiaiio estudo ^ ou o espelho , 
em que o meu entendiniento se ha de comp6r j oioti- 
vo por quedelle faqoainda ma ior €31111139365 que Ale- 
xandre fazia da Ilkda de Hdmero, For ta6 grande be- 
neficio beijp a Y* Senhoria niuitas vezes a nia6', t 
dcsejara digndinente sabello agradccer , fazendo na li- 
gao destc Livro taes progressos , que o Mundo me 
cofihega por discipulo de V. • Senhoria , a quern Deos 
guarde por muiros annos. 

23 ,A protec5r.6 , que V. Senhoria me offerece, 
compadecido das niinhas idesgra§as, nao he hum sim- 
ple aero da sua iilustre piedade, he obrigajao dc quern 
dcscende de'huns avos taes, comoos de V. Senhoria, 
que seguindo a rarissima maxima deTiro , julgavao pot 
pcrdido aquelle dia , .cm que nao protegia6 a alguem. 
Bern sabc V, Senhoria qup eu nao costumo pcrtumar 
com o incensov da lisQnjjSt, e muito mais a V, SenlKH 
ria : porque esta noticia vem de mens Maiores em suc- 
cessiva tradigao, e eu muitas vezes tcnho experitpien- 
tado em V. Senhoria a verdadc della j de que agora 
m3 da a mais evidente prova no seu singular offercci- 
raeuro, que eu pela notavel confusa6 , em que elle me 
dcixa , na6 sei dignamentc gratificar , e so delle me 
«abersi valer , quando se der oppormna occasiad a mi- 
nha innocen(;ia para sejustificar, Deos guarde a-V. Se- 
nhoria |X)r muitos annos. 

Z4 Para eu com evidencia conhecer a fidelissima 
amizade, que V* Senlioria me professa , na6 fcrao pre- 
cisas cant as , e ra6 repetidas occasioes , quantas V. Se- 

nho- 



1» S fie ^ETA]RI4^ 

jihoria me tern dado : bastava esta , em que me oflfere- 
<e toda a sua protec^a^, para me valer no infelizca-r 
so 5 que me succede* De tao raro favof vai a minha. 
tem tudo ^emeihante amizade dar os devidos agradcci* 
mentos afV. Senhoria , e certificar-lhe na6 s6 que o 
acceito com grande consaIa§a6 , como quem delle 
tinicamente'iieG€Jssita , mas que tambem o recebo com 
igual pejo , por v^r que em'mim nao ha merecimentos 
pafa aellc me fazer digno t e que s6 he hum gsneroso 
icfFeito da hereditaria grandeza de V. Senhoria , a quem 
Deos guarde por aluitos "annos/ 

^5 Meu amigo. Com queexpreS56e&hei deeuagra^ 
deccr a v. m. o afFecto, com que metrata', em taS 
cstimaveis, e continuados pr^^ntes?^ Mas de algum^ 
modo. poderei ; porque se v. m^ me confunde com da^ 
divas 5 eu o confundirei com amor ; que- com 'as ar^ 
mas delle estou tao guarnecido , que posso veneer a 
V, -m. , mas de tal modo , que nunca o poderei privar 
tda palma da attengad', em que v. m. me ercsde ; e 
"Hiuito mais meexcederi, se me empregar, nosseus es-r 
limaveis preceitos*, a^ que ta6 ansiosamente aspire, 
peps guarde a v. m. por muitos arnios/ 
- ^ z6 Meu amigo. Nad bastava a v. m. fazer-me a 
honra de me niandar ta6 mimoso prese'nte, ^cnao ram-» 
bem aGompanhailo deexprcss^es ta8 rendidas, e dis- 
postas por hum lal modo , qiie me fiizem parecer Iih 
gratp , sobi^e me deixarem confuso ? Qite quer v-. m, 
que Gu responda ? Chanlarci descortez a ranta corte-r 
^ia; porque me inhabilita ainda para hum agradeci^ 
'inento de palavras ; porcm muito se confessaa^radccir 
do quem obrigado seremette no silencio ,evoJuntaria^ 
IJiente se confessa deyedor. Deos guarde a v. m. pof 
•puitos annos. ' ^ - - >. ^ 

27 Meu amigo,, Na6 me can^rei em dar a v. m, 

ps agradecimentos pelo ©specioso prescnta, com auo 

|tie l>onra ; porque certamente nao se pode com pafa-. 

yras pagar §emelhant« ohrjgagjS. Porei rodas asmi« 

* '*' ^ ^ 9ha§ 



« P.O R T tX G XT E E. lil 

nhas forgas para a gratificar comobras, empregando- 
mc' todo no hohroso cxerciciq, dps seus preceitos , 
dos quaes na6 sefaz desmerecedora aminha,fielamiza- 
de , e reverent^ seryidao. Dcos-tguarde a' v, m, por 
muitos annoa.1 - , 

28 Meii amigo. O vivo afFecto com que v. jh^ me 
ania ^naS podia deixar de me particularizar com hum. 
tao estimajel raimo ; e a ficl amizade que v. m. me 
professa' , nao podia dictar outra Carta senao esta ,que . 
-cheia de tao ttnas expresses me escreve. De huma ,. 
c outra cousa beijo muitas vezes agradecido as maot 
a V. m. a quem catifico que em mim ha huma igual 
correspondencia , se na6 nas dadivas , certaraente na 
amizade, e afFecto , que suspi/a6 pelas ogcasiSes do 
poder dar gosto a v. m. , a quem Deos guarde por mui-* 
tos armos. 

19 Meu amigo. He especial o presejite , que y, 
m. me maiida , e especial o affecto , com que maraan-. 
da; mas muiro; mais especial he o animo, com quo 
€u agrade§o. Muito se empenha v. m; p»ra me obri- 
gar por este tnodo, que he.bem superfluo , quando 
para tal fim sobrav^ so a particular benignidade , com 
que V. ip. me trata , ou empregar-me no suavissimo 
exercicio dos sous preeeitos , quetanto me difficulta* 
"Este he o mais estimavel mimo > e a mais distincta 
. honra , que me p6de fazer v. m. , a quem Deos guar-' 
de por muitos annos, 

30 Mcii c4mig04 Se.palavraspagass^m obras/tanta 
materia daria eu aler a v. m, quantas'sa6 as qcca-*. 
sioes: , com que a sua benignidade . me sabe obrigar. 
He raui distincta esra 5 em que v. m. grandio^ameAta 
meolFereee fao especioso mimo , o qual agradeca cor 
mo posso, e na6 como devo"; porquersendo v. m. em 
tudo para mim tao generoso , $6 he parco em me pre-^ 
sentear com' os seus cstimaveis preceitos, V. tn. mos 
participe , senao mequerver em tudo en^ividado. Deos 
guard? ^v.m. por xpuijos anqos,. • / 
® ^ ' ,^ Mw 



X2a ' S E C R B f A R i O' 

31 Meu amigo. Assim como a nossa amizade, 
mais para se amar , que para, se conservar', permitte 
cstes mirtios ; assim a mesma , mais para se mostrar fa- 
miliar , que descQrtez , permitte nao dar delles agra- 
decimcnto. Dcste modo recebo dev, m, o presente de- 
fructa, que he excellenre, nao s6 por vir da sua quin- 
ta ,'como da sua inao , o que eu mais estimo ; e pob 
vcjo que v, m/ se nao esquece de mini para me amar ^ 
espcro ofaga assim tambem para me mandarv -porque 
a minha amizade , qomo heniia , nao pode ter os 
©Ihos unicamente nointeresse: c so no dos preceitos 
dc V. m. cuida tanro a minba Von^ade , <}ae diega a 
scr ambiciosa. Deos^^uarde a v. m. por rauitos an- 
nos. 

^i Men amigo* Para ser indissoluvel o estreito vin- 
culo da nossa amiz^de , sa6 bem desncccssarias tao 
continuadas demonstra^oes em tajo frequentes mimos j 
porque quanto a mim nestas acgoes podcr-se-ha nella 
dar a conhppcr , mas na6 se coscuma conservar; prin* 
cipalmente quando jse aclia com raizes tao profunda* , 
como tem nos nossos cora§6es ; porem v. m, , para 
cm tudo se mostrar comigo excessivo, conhecendo es-^ 
ta verdade , na6 a quer abra^ar / porque agora ta6* 
jnimosamente me presentea; "Eu fim dera a v. m, os 
agradeclmentoc , se me naS x:oafessara seu verdadeiro 
amigo ; porem quero com o meu silencio 'desaggra- 
var a nossa familiar amizade da injuria, que v. m. Ihe . 
hz com a sua^grandeza: e muiio mais a despicara , 
se V. m, me mandassp muhas occa$i6^, em queopo- 
desse servir ; porque com cstes mimos he que cUa 
urficamente, ?€{^ sabe conservar. Dcos guarde a v* m. par ' 
muitcs annos, .. . , 

33 JVIcu amigo. V. m. ainda da mais do que pro- 
roette , ei^u ainda agradego mais do que mostro* Com^ 
aqucUa vcneraqa6 , que he devido tributo d diviiiiJade 
ck spaMusa, recebi, e li os Versos de v. m,, os quaes 
sa6 tao singular«s , que hei 4^e§forcar_a minha me- 
mo- 



moria , para que perperuaojente os conserve como 
thesouro, se consideravel pela quantidade, pela quali- 
dade digno daquella esrinia9a6 , que se da as sitigula- 
res pedras preciosa^ 3 que he na6 saber dar-lhcs esti- 
ina^ao. Isto he o menos , que eu , e todos podemos 
dizer de ta6 grande Lirro. Fico esperando as ordeiis 
de V. m. com huma acnbi9a6 ra6 grande como a mi- 
nha amizade. Deosguarde a v. m. pormuitos annos. ' 

34 Men ^ciigo. Se v. nu . assim como com ta6 dis- 
tinctos favores me sabcobrigar , me ensinassc igualmen- 
te o modo de os saber agradecer , nao me acharia eu 
agora tafi embarajadp em dar a v, m. os agradecin\cn-. 
tos pelo precioso presente, que me faz do seu erudi- 
tissimo Livro., que eu estimo como riiesouro, e re^ 
ccbo como directorio ,dos meus estudos : pelo qual 
tfspero fazer nelles tao grandes progressed, que che- 
gue a augmentar .a ilJustre foma de v. m, pelo milagre 
obrado ^ no meu entendimento. V. m. nie mande como 
p6de', que eu ©bedecerei , como devo, lembjrado da- 
quelJas obrigajoes , que na6 oessa6 de me confuhdir, 
Peos guards a v. iti. por muiros annos. 

35- Meu amigo. Para qualquer parte que eu at6 
agora vollasse* os olhosda' consideragao, me via cer-» . 
cado de infiniros favores , e iguaes dividas, em que o 
vivo afFecto, e fiel amisade de V. m* me-tem posto; 
poretn pa attenclosis^sifna Carta dev;lii. , que agora re- 
Cebo 5 na qual as minhas desgra^as offerecao seu pa- 
trocinio , m& me vejo s6 cercado. de beneficio« , mas 
. jgunlmente (fe cgnfusaS^ a«^lm porque eu na& itiere^ 
cla'tanto , como porque tambcna na6^ posso agradeccr 
tanto, aihda que eu nao cesse de nic o^cupar 110 ser- 
vijo de V. m. cujo favor sempre Ihe rogo, se na6 
para meu agmdecimento , ao mQflps para minha lion- 
ra. Nao seme oiFerece agora •oc<;a$ia6 deme po.der 
valerdo singular favor dev. iii., o tjuai buscareiaseu 
tempo, como quern delle tantcj necessitat Reos- gmtf-' 
^^ a y, rp, por myitos annos, . 



1 24 Secketakio 

36 Me« amigo. Logo que v. n1. soube do meii 
infortunio , na6 pode soffrcr demora a sua amizade , 
sewi que me ddssc parte do seu sentirtient©^ e me offe* 
reoesse a sua protecca6. Quando , e .como poderei eu 
agradecer a v. m. tanta letribranja, e tanto favor ? Mas: 
V. Ill, nao espera gratida6 de tao pobre devedor: 
vive s6 para ajudar, e tern por grande ventura o poder 
favorccer; e assrtn julga-se v. m. por bem gratificado, 
quaudo sc Iheofferecem cstas occasides, e eu'tne vale- 
rei dcstaSj que v. m^ agora me da^ijuandoa injustiga 
o pedir. O meu prestimo he mui inutil , porqUe h? de 
pobre ; mas se v^ m. c quizer faz^r apto , enriquecen-. 
do-to com seus honrosos preceitos , muita maior seisi K 
minha obriga§a6. Deos guarde a v« m* por rpuito^ annos. 

Outras cartas de dhersos agradecimentos. 

37 O favor que V. Excellencia foi^servido fa^er- 
mc, de at render tanto ao requerimento do.meu afi- 
Ihado N... , me obriga a beijar a ina6 a Vc Excellencia, 
r6nden4o-Ihe qs mais devidos agradecimeatos , cade- 
sejar em todas as gccasides , ^ue. V. Exgdlencia me 
der de Ihe obedecer , mostrar que correspondo com as 
pbr^s a tao particular b^neficio , que eu recebo como 
proprio : porque do mesmo modo o pedi* Deos guar- 
de a V. Eicellengia por muitos annos. 

38 Serve-jse V. . Eycellencia deabragar com tanta 
benignidade os mens cmpenhes , que o mesmb he. per 
dir eu a V. Excellencia alguma cousa ^ que v^r logo 
cumprido o meu dosejo. -Assim o e;|^periltie£ito^gor9 9 
que Y-, .Excellencia ttie dd notkia deestar ja o raeu'ai!^ 
ihado servi^do no jicgocio,« que tanto desejava. Agrade^ 
50 a y. Excellencia tao estimavel favor , como posso , 
e na6 como dcv^rn", cmpregando^me contin;iamente 
na observancia dos. seus preceitos : mas esta culpa he 
de y* Exc^Iencia , qufe tanto mos difficulta , pedin^ 
do-«s eu • sempre com tanta ansia , como ambijao. 
peos guar^ a V* ExgeUencia por muitos annos, 

Lo- 



ri^:^.^ 



P o n T y «> u E 2:, iiy 

3^ -Logo que puz 4 sombra do patrocinio de V. 
Senhoria ao meu afiihado N-. , experimenrou hum ze- 
fyro de fortuna , conseguindo com bfevidade o nego- 
cio, que ha ranto« annos pertendia; o que eu esrimo 
iTiUito , porqiie. o provides he pessoa digna do maior 
louVor pclos seus raros estudos, e mais raros costu- 
mes, Por esta estimavel mcrce. vou reoder sinceros agra- 
• decimentos a V. Senhoria , que tanto estima a minha 
cstreita amiizade , e attende a minha inveterada servi- 
da6 , se na6 com os seus preceitos , que he otjue eu 
mais estimara , ao menos com favores , que eu tanto 
agrade§o, Deos guarde a V. Senhoria por muitos an- 
no?. 

40 Eu Dunca duvidei que V/Senhoria houvesse de 
p6r -todas asfot^as do seu maior empenho^ para que 
o meu afilhado N... conscguisse o que tao justamente 
desejava j porque vivo mui persuadidd da merce, e at- 
ten^a^, com que V,. Senhoria me trata: e assim na6 
he tambem preciso dar agora ts agradecimentos a V. 
Senhoria; porque V, Senhoria tambem nad duvidada 
grandeza da minha gratidad. Fico esperando asordens 
de V. Senhoria , para dignamente poder mostrar-me 
agmdecido. Deos guarde V. Senlioria por muitos an- 
nos. 

41 Dou muitas gra§as ao Ce5 por haver inspfra- 
do a V. ExceJIencia que me consolasse pelo infausto sue* 
cesso de meu,.. : porque de outro modo coireriad as 
lagrimas perpetuamcnte ^ de aieus olhos^ e agradeco 
igualmente a V. Excellencia o extremoso affecto, com 
que me conforta ^ e as fbrtissitiias raz6es , com que 
me cohvence ^ mostrando V^ Extellencia nestas o quan- 
to aprcnddra naescola das virtudes , e naquellc oquan- 
to resulta da sua estimaVel- amizade. V. Exceilencia ma 
continue^ empregando^mQ nos seus hom-osos precei- 
tqs, -que na minha obediencia nunca encoatrara6 impe- 
dimeato. Decs giiarde a V. ^xcelleocia per muitos aj|- 

' ' . ^ ^ Coal. 



tt6 S E c n fi T A R r oj \ 

4Z Com 'ta6 raro , e efficaz mbdo . me coiisola V. 
Excellcncia pela scntidissima morte de meu... ^ que a 
mcdicina na6 so me he preveitosa , ^mas tambem agra- 
davel. Ta8 sunvemenre usa V. Excelleilcia da for^a 
das suas virtudcs , e da sua eloqucncia , que veda o 
^ sangue , e cura a chaga , sem que fique ainda a cica- 
triz. Decs Senhor nosso remunere a V . Excellencia ta6 
grande remedio , pelo qual as paixS^s da minha alma 
experimenrarao tao notayel allivio, queen nao posso 
agradecer a V. Excellcncia , senaS ofFerecer^do para - 
senipfe a minha liberdade is disposigoes de V, Excet- 
JeiKia 5 que entendo me na8 negara essa honra. Deos 
guarde a V- Exccllencia per muitos annos. 

43 Com cxpress6es mais' distinctamente rendidas 
beijo as macs a V. Senhoria pelos saiidaveis afgumen- 
tos , com que na sua prudentissima Carta me admoesta 
de algumas couSas, Na8 he este o prinieiro beneficio, 
com que V. Senhoria me tera obrigado, nem 6spero 
que sga o ailtimo. Oesde a raiz da arvore corre pelo 
tronco hum succo 5 que se convert© em p6»o : da 
raiz do coracao de V, Senhoria vem humas-palavras 
ta6 substanciacs , que logo em mim fazem fructo ; por- 
que o mesmo he admoestar-me V. Senhoria ,. que v^r 
immediatamente a sua exhorta§a8 o fim , que pertende, 
V. Senhoria disponha da minha vontade como de^e , 
c como pode; porque em mim hea obediencia tanta^ 
como em V. Senhoria o dominio. Dcos guarde a V. 
Senhoria por muitos annos. 

44.Mui particularmente agradego a V. Senhoria a 
proroga^ao da licenga, que me^alcati^ou ; e pela grar>- 
de diiEculdade della, he que eu mego o agradecimento 
a V. Senhoria. Vem por h«m anno , e he o quebas-. 
tara , porque eu nao sei se para .elle ba^tarei ; poreiii 
por muito, ou pouco que eu viva, sempre no servr- 
(JO de V. Senhoria desejo empregar a minha vida , co- 
nJo sen reverente , ' e favorecido Criado. Deos guarde 
a Y. Senhoria por muitos amiosr 

At 



P O R TV G U E 7. ny * 

45 Ai cortezcs attendees , com que V. Excellencia 
lem todo o lugar, e occasiao me trata, bem eviden- 
temente me dao a (Jonhecer o vivo affecto , com que V.^ 
Excellencia mc ama,: pelo que nao me faz admJrado , 
mas so agradec^do o singular favor,, com que V. Ex- 
cellencia patrocinou o meu negocio com os Ministros 

^. do Tribunal do.,., que espero seja unicamente por es- 
se, meio bem succedido. Assim o descjo ; porem mui- 
Vo mais, e com maior justica os preceiros deV, Ex- 
cellencia 5 a quern Deos giiarde por muitos annos. 

46 Do fortissimo empenho, com que V. Excellen- 
cia quiz que eu fosse provido no Emprego , que pre- 
tendia, augmento a esriniagaS , que V. Excellencia 

^de mim fa^; , da qual na6 lie certamcnte digrio o meu 
humilde raerecimento ; e por esta raza6 resultando-me 
destc lugar tanto interesse , ainda o meu desvancci- 
- mento he maior, que a minha utilidade. Beiji^ndo as maos 
a V. Excellencia agrade^o , coma posso , esta nccao 
da Siia iljnata benignidade , e rogo a- Deos que dilate 
a V. Excellencia tanto os annos da sua vida , quantos 
sa6 OS s^us ardentes rogos, nao menos para meu aug- 
n^entct 9 q^e para minha honra , &c. 

47 Nao he cousa nova encher-me V. Senhoria de 
favores , he sim . nova a bondade , e empenho , com 
que .agora vxe patrocinou no negocio , a que eu aspi- 
rava, e mo tX)ft9egi>io com ranta brevidade , que pa ret* 
ce nao mediou tempo. Como a grandeza destc h^n^" 
ficio me d?ixa em huma precisa confusa6, forqcisamen- 
te me impede o pcwier dar a V. Senhoria os devidos 
agradccimcntos , os quaes s6 dignamerite renderei , pro^ 
curando nesrc meu ndvo lugar fazer tudo o que poder , 
para fazer parte do que devo a V. Senhoria, a quera 
Deos guarde por muitos annos* 

48 Com tad;is as express6es mais vivas agrade^o a' 
V* Senhoria o parabem , que me da do ndvo Empre- 
go , conferido mais a minha. forruna , que ao meu me- 
i^cimemo. , §ea4Q pjw:^ roio) grandc, tm merce, ain-* 

da 



128 Sechetario ;^ '' 

da pbderi ser maior, se neste meu ndto lugar houvef 
occ^siao, em que possa servir aosamlgos, emuipar- 
ticularmente a V. Senhoria , que naSso hearoigo^ mas 
viva lei de singular amizade. Pica a minha ambijj^ao es- 
perando as ordens de V, Senhoria, a quern Deos guar- 
dc por rauitos annos. 

49 Os dois paimeis, que o generoso affecto deV. 
Excellencia me offerece*, sao para piim de mui parti- 
cular estima9a6 5 xnais pelo priraorMe 'V, Excellencia , 
que OS manda , que pelo do Pintbr , que os figurou. Pes-- 
soas , que desta especic de-esiudo, e ideas pddem fazer 
juizo , louva6 muito o cxcellente estilo do artifice , e 
eu, que paraestesjuizos, nao tenhoo mais vivo juizo, 
iia6 fa 90 mais que engrandecer o estilo da generostda* 
de, c aiFecto de V. Excellencia , que he o de quete- 
nho perfeito conhecimento ^ pelo vivo rctrato , qjiie de 
huma , e outra couja esta impress© na minha memo-* 
Via. He superfluo dizer a, V. Excellencia que a minha 
vontade esta ociosamente prorapta para cm tudo Ihe . 
obedeccr. Deos guarde a V. Excellencia pt>r muitos an- 
nos. 

50 Eu , na6 V« Excellencia, he que- spa o qilff 
vivo obrigado ;. porque V. Excellencia em me escre- 
ver favorece-me , e eu em Ihe responder honro-me : 

^ ^iiercitando deste raodo V. Excelleecia a grandeza na 
sua benignidade, e eu augmenrando o credito a mi- 
nha 5ervida6; e provando assim com tanta evidenciaser 
cu qucm vive obrigado, parece que V. Exc.ellencia.ou 
se esqueice do que he , ou quer que eu me na6 lem- 
, bre do que sou ; o que sera impossivel , porque nao 
ccsso de publicar a servida6, que professoa V. Excel* 
lencia , procedida de infinitas dividas de niui particu- 
lares favores. Deos guarde a V. Excellencia por mui-* 
tos annos. 

ji Ainda que, me .conviesse agradecer mais a V".- 
, Excellencia com hum rev.erente respeito , e profunda 
silencio^ que com alguma extriaseea d^moostra^aS da 
. , . : pa- 




P b K TUG WE/* fij^ 

muitas arten0es com que V, Excellencis. 
me rnua , com rudo o preserirc boieficio , qnedcvo:i 
V- Excellencia j he tao grandc, que me taz lotmr a re* 

Sf.; ■ -T I _ ■ . : ....-.'•:,■ . .J. .;..'_ : : .,^. :-me a 

III' ■ . ^ .. I V . _ > ,. ■ ,■ .-uani- 

mo agnideciJn. Por ti vezes a V. Er« 

ce" ' " "^ :;^- ' uio-iiic i "' ^^ ." ^ "M,n hum 

5f ■ - . ' o qual . 1 V, 

Excellcncia me pamculan ?seui 

C -.'ir. . ■ --....-,.--.- ^r--/ a nitnha 

Oi' ' ■•:. ■'- ;v - .' ^ ." ■ , 3 qucin 

Doos gtVcirde por muitos an nos. 



c 

a 



aue a meu taror obrou ^ para eu 



...V ^ 



J que me d^ occasifies ^ 



Ui^afsd e^e especial favor, Ueos guarde a V< Senlioria 

pOf ' OS. 

53 ' OS louyorci?, que V, &Mihona di ao^ 

tneus Epii'ramnias , que nao s6menic bas tad para en 



e gostar das niinhas cotisas. 

■ ■ ' . ■■! • ■■■'■ . -' ' " ■' I ^ aero, 
J em- 
U a Gonsidera^ao ni grandeza detlcs , e na3 



(•I 

T 




J ^.J < ■ 

inccbo, V, Seiihorin mc louv^ 






ijo S * c * E ^ A » r b 

,t ^4 V. Senlioria com os seus louvofes fea? com qtie 
OS meus Epigratnftias logrem aquella Nperfei^aS^ q«e o 
mcu' talemo na6 Ihe podedar^ nem a mesma Artft 
Ihes podteria conseguir. Agradcca a. V. Senhoria ta6 
grande approvaja^ , a qualaiadaquefiascedoscuaffo- 
cto, e na5 do sea juizo , com tudo sempre porter de 
V. Senhoria me desvanece , e roe faz conseguir no pu- 
blico hum grande applauso. Ta6 alto conceito hxtm 
todos dos conceitos de V. Senhorii ainda quaiKio nellcs 
periga evidentemente a. vcrda<Je ! V* Senhoria me con-^; 
titiue o fevor, nsL& dos iieiis louvOres ^ ainda que me. 
lionra6 , liias dos seus preceitos , porque mais nje 
acreditao.* Deoj^guarde a V. S^horia por muitos.afl.- 
nos. ... 

55 Em huqia notavel conftisa6 me deixa6os louvo-' 
res de V. Seabbria : porqae ( p6rmitta-s6-me esta ex^ 
prcssao) por eapricho do sea amor estd V. Senhoria , 
^mpenhado a fazer grande oquede si he tao pequena. 
Ha cmisa queseja tao pouca , comoo men taleutt) ?,;C^e 
digo ?. Pduca ! Ha cousa que seja mais semeihantC'«o na- 
.da 5 sendo hum confuso cahos , em que nenhuma, coii*- 
..sa tem forma ? Mas agora- conheqo o quanto era preci- 

so qiie V. Senhoria fizesse parecer grande a pequenheza 
do meu engenho ; porque como me quer ft^r seu $ 
por mi^io de huma estreita amizade , era mui necessaf* 
rio que antes me fizesse grande, para me fazer digno 
: dc tad ^stimavel favor. Com esta consideracaS , beijo 
mil vezes as maos a V. Senhoria , e pom a oiaiorsinpe- ' 
ridade de animo Ihe sacrifico toda ia minba vontade 
por vie lima a ta6 raro favor. Deos guardeaV. Senho* 
rin por miiitos annos. 

56 Li . a Carta de V. Excellencia , e .ainda agora 
que respondo a ella , estou admirado da aka ^Joquen- 
cia , com que louva os meus escritos , e confuso pelo 
xiistincto aftecto com que rrata a minha hamilde ser* 
vidao. Bern quiz^raeu agradecer a V. Excellencia tatf- 
ta honra -j porem sdbre a minha coiifusa4"j conhe^d 

; ''' ,;'* . ^^ que. 



-^ / 







14 ^H 


W ftlco hum respeirco, e 


;n itundo silencio , 


aoqual ^H 


■ J e me 




' 1 q«e 1 
im niaira ■ 




leV. iJ^cr 


13 ^J 


1 
1 




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1 




o ^H 




.V 1. k 


Mia V. T 






^^J 



ija S E c K « T A R I p 

■ Excelleneia ociosa a jtninha ofc^reiicia, se the pare* 
cer ; que a« minhas obras na6 sao coaio as mmhi^ 
palavras. Deos guarde a V. Excelleneia pormuitosan-^ 
uos. • 

5*9 Com as expressfies desta Carta , ta6 altaroeftK 
te affectuosas como elegantes*, tne honra Y. Senhoria 
de tal oiodo, que por ambas as partes mc deixa con- 
fuso. "Cortio posso, agrade^oa V. Senhoria esta hon- 

. ra, qtie me raz ; e tanibem dissera que agrade§o cb- 

. mo devo ; porque fica impressa na minha memoria , 

e durara nella, em quanto me durar a vida. Conao a 

, benignidade de V. Senhoria he tao grande, como eu 
agora cxperim^flto ^ rogo-lhe vivamente que ja que 
com tao honrosas palavras ine quiz favorecer , me 
queira tambem com os sens estimaveis- preceitos gloT- 
riar; porque das obras, e na8 das palavras?, Jic que 
nasce a gloria. Deos guarde a V. Senhoria por neiitos. 
aprios. •• ^ 

6b'^Com tanto iardor me puz a ler o Livro de V. 
Senhoria , e 'Com tanta susp,enssi6 continue: , qtie qua*-- 
si tne Kia esquecendo de respondera Carta dc V. Se- 

. nhoria , e de Ihe agradecer tao estirtiavel presents Sei 

que V. Senhoria me ha de pei^oar esta neglig^icia , 

' como nascida de muiia diligencia j considerando qtie o 

■ seu Livro 3 pela alta eloquencia , com que e^ta com* 
posto, sem -ser virtude occulta, he huma noVa Ma-' 
gnete na Historia litteraria, e que para claramentese 
conhecer que he de V. Senhoria, he miii desnecessai- 
rio que no frontispicio se imprimisse o seu gratide no- 
tm. Isto he o menos que devo dizer para elogio; as^v 
siin coiiio para agradecimento , o mais que po^o*, he 
oiierecer-rme todo isdi^posijoesdeV. Senhoria, A quern 
Deos guarde por muiros annos. 

6i* Acrenciosissima he a Carta que; V. Senhoria 
iOW escreve, sua\pissiiBos os yerb^os, com que ^eicre- 
crea ; porem he descortczissima a miBha forfi'ina , por 
kie retardar tanto o go$to dcsrcs , e a Jionra^'daquel^ j. 



P O K T U <5 tr E 2, I^l 

O qucnem merccia o-vivo affecto , com que atno a V.' ' 
Senhoria ,• ncm a profijnda venera§a6 , com que estimo 
as suas Obras, Beijo ama6 a V. Senhoria poresta , que 
Jie servido enviar-me , a qual iia6meatrevo a elogiar, 
cso pqderei fazer , depois que ella me instruir : para o 
que prometto a V. Senhoria de nad perder tempo j por- 
quc sera tad continuo oestudo , que nella farei , que 51 
hei de imprimir toda na memoria , para nao abrir ma« 
algum daquelles Livros , em que estao escritos os mila- 
gres da Poesia, V. SenI:ofia entretantonaSseesque^a do 
dominip , que tern sobre a minha obediencia , e sejao 
■ as preceitos ta6 frequentcs , que tenha eu mjiito mais 
que dever aV/Senhoria, a quern. Deosguarde pormui- *' 
,to$ annos. .. 

62 .Ofterece-me V. . Excellencia a exacta / e erudita 
IJistQria de.., ,, que em [beneficio da Patria , e das Scien- 
.cias escreveo a sua veneravel penna uaquelJas Koras^em 
que OS negocios politicos b deixad alUviar. Agradego a 
V. Excellencia, com a maior distinga6, que posso , 
tao precioso presente, que eu recebo como instrucca6 '^• 
dos mcus estudos ; porem na6 posso deixar de dizer a 
V. Excellencia que eu na6 merecia tao recommendavel 
favofc : porque sendo este pela sua grandeza tad distin- 
cto, pedia huma pessoa , alem de sabia, acreditada : 
e bem conhece V. Excellencia quehuma , courra cpi^sa 
.jpe falta i asclencia pela humildade do ineu talento ; o 
credito , porque nunca a bcnignidade de V. Excellencia 
se? sefvio de aie empregar no estimavel exercicio d:ts 
suas ordens, Espero. de V. Excellencia que me de esta 
jionra , nad menos para satisfazer aomeu ambicioso de- 
sejo , quj2 para emendar em parte o seu ,tad notavel des- 
€uido^ . Deos guarde a V* Excellencia por muitos 
annos. • , • 

93 A benignidade , e o afFecto nad sad as ultimas 

virtudes, com que V. Excellencia , e a sua grandc Ca- 

$a se cniobrece, por isso cstcu mui sinceramente per- 

sadido; que .V. Excellencia, c todos os demais SenUp- 

^ ^ ^ . '* ' • res 



134 . S E C R E T A R 1 O 

* res sehtira6 a minha enfermidade , do mesmo modd 
quq 'OS membros do corpo costumao por comnium cou- 
eenfeo sentir a indisposigao de algum, ainda que seja o 

^ minimo de tfedos, B^ni quizera. eu xom dilatadas ex- 
press6es agradecer' a V^ Excellcncia tao distincta atten* 

* ca6 ; porem he este hum pezo , com que na6 p6de a 
fraqueza da minha convalescetica ; <juando ella me res- 

J timir ao meu antigo estado , porei todas as for^as , 
para me desempenhar com V. Excellcncia , empregah- 

, do-me > todo no suave exercicio dos seus preceitos. 
Deos guarde a V. Excelledcia pbr muitos annos. 

64 Quando saberei eu agradecer devidaaiente a V, 
Excellcncia a'memoria, que detnim tem, ea vonta- 
de com que tanto se emperihou nos mens intere^es ? 
Certaraente que se eu seguir a opiniafi daqiwlles , que 
affirmao serem estimaveis os beneficio?, em quanto se 

J)6dem agradecer ^ devo muito sentir o ser ta6 particu- 
arizado por V. Excellcncia ; porqiie nem ainda ^hts 
' go a- ter palavras , para dignamente poder mostrar-nie 
*^ pgradecido. Coin tudo , vivo assim mui.contenre , 
porque me desvaneco desta minha ignoranciaj- e do 
iiiesino modo deve viver V. Excellcncia ; porque taai- 
bem se deve gloriar da grandeza inexplicavel da sua 
proteceao. Deos guarde a V. Excellencia por maitos 
anncs, 

6 J Rendo a V. Senhoria infinitos agradecimentos 
por lidver reputado os meus Escritxjs na6 so dignos de 

* serem" lidos 5 mas ainda louvados. Eu na6 me itreve* 
. rci a entfar na queka6 , se as minhas Obras sa6' mais 

engenhosas , que felizes , para n^ nao opp6r ao pru* 
deniissimo juizo de V. Senhoria , e rcmerter*ine-hei a 
hum dev'ido silencio, como a melhof patrono. da'mi- 
pha causa. So nao o observarei para rogar vivamente a 
V. Senhoria que seja para mini tao liberal dos esus^pre- 
Qeitos , ccnio o he deelogios : e ainda que a minhascr- 
viciaS n?.6 mereca tad distincra mcrce , a bemignidade 
' (ik Y, Scnhona he tal, ^ue me pdd?babilitar paraesra 



honra, Deos guardc a V* Sealioria por muirof 



166 O mclhor inodci 



uhro para agradecer a 

^■^'^ , que me faz , he 

- deccr i porciue so- 

6 expressues, V* Seoiioria 

V I3l eoEi 
Q oicu ralenro. 



lilJlU^. 






iroi 

' I] Jt4 5C CI I'll CO- 

.da minha ren- 
Je a V* SmJioria pormuitos 



uie. Dc 






minha Carta ^ bre\rc deexpre^soes, e mncia de pa- 



, do que ao qtiecx* 
^ue V, m. me honre com as suas opdens , a qye cu 



fquL 



Sou rntii deved^ aconhecida beniG;nic1ade dc v, 

■"■ I ■-'• ^-' ■ ''. r/ficio de pni'- "■•.•■■ ^ '■ 
...? J que se vi:i ■ i ■ 
ie nao ter comp^ix^S dclle. Fqfo 



Je n cons^r valla com m^v' 
luimUj c.;: ' no seu servko , com* 

Ihe 



i^6 S E C R E T A R 1 

• •Jhercgocondtodaiasioceridadc, eaffecto. Deo« giiat«» 

dc a V. m. por muitos annos.. 

69 Meu miigo. Com grande cstimagaS recebo a 
Carta de*Y. ni*,j poriquc ncUa vejo hum retrato da sxia 
amizade , principalmente quando se mostra sentido dos 
desgostos, que- ta6 vivamentc me cerCa6. Na6 podia 

• eu cspera^ menoe , nem mais deV» m. , a quern sempje 
' de\ri ^ ta<) particulares, fayores , -que ota bem na minba ipe- 
moria , tn^s na6 ijoaneu agraTQeciifiento. Eu to dos mo^ 
re§o a >v. rn. , porqiie 'a miaha amizade preza-«e 
de nao ceder d sua ^ ge aa6 pelo; prestimo , certamen- 
te pela fidelidade. Deos guardeav^m. pqr muitos an- 

' nos. • '\ " • • ' 

70 Meu attiigo. Assim como © parti cillaris^imo fa- 
vor de V. m. me scrvio agora de merecimento para al- 
canjar ta6 honroso eqiprego ; assim me persuaflo que 
melhor o exercitarei com honra , e gratidao , se a beni- 
gnidade de v. m. me fiz«- merecedor dos sens preceitos , 
de que vive mui certa a ambicad da minha Vontade. 
Deosguarde a v. m» por muitos annos. 

71 Meii amigo, V. m, na5 sabe perder 0Gcasia6 de 
xnc fazer favor ; por isso tao inteiramente a sua amiza- 
de applaudc o meu novo emprego , em que a piedadc 

'tirou'ovoto ajustiga. Nelle entendo que poderei ^obrar 
de maneira quemcreqa louvor ; mas ha deser, se v. m. 

^ for servido dirigir*me com as suas admoestacoes , e 
3ionrar-me com os seus preceitos; Assim rogo vivameo* 

: te a Vi m. Jiuma > e outra cousa , na6 menos para na6 
par^cer indigao , que ingrato. Deos^iiarde a. v. m. ppr 
itmitos annos. .. ^- ^ 

. yz MeuamigcPelo empenho, com que v, m. me 
favorece nojusio negpcio, que oi pertea^ia, clara- 
metite conhe^q 'a grandeza do ^ affecto, e da sua. 
^mixade. Oli quanto , e de quapto dcvo eu render agra^ 
decimentos a v. m. \ Pwem guardoncjs no meu affectuQ- 

. to cora§a6 ; porqiife me parege que cntrcgaedo-os i. 

•'^^enua ^ cs dcsperdigo* JNg6 digo ii*ais^ esd rogo a 







'^^ v,U7* que sempre uie conserve na sua 

para me favoreccr amando-ine , que 
dc a V, m. por muitos annos. 
J a que V, m* , unicam^nie levado 
natural benignidcide , havia dcrer- 



rninado honrar cam louvnrcs a humildade das mere- 

^,.^,^....-.. t^.i ^...: o,^.*. ;.ir' -"T.*r.str dos versos; por- 

c -Sj e fingimentos da 

1^ , he que sq podiao tolerar I36 aitenciosos ex- 

c ^1^" ^'^nutra maneira sv--^ cerrameinc dignos 

M^*.; ^ rcpreheiisaC. .- -jo a v. m. mui 

a cciosidade do seu engenho , t agrade- 
--'■" ;^n--:'- quero parecer verdadei- 
raras veacs corri , e ne* 
io dilatado campo da Poesia > enas 
-'T. ^■•ccoiTi, foi mais para cor- 
. a, Se as forps do mey en- 
:cessem logo oar prim^nras carreiras , 



I dad , so a csra com- 

^:)-llle , qw oque 

ijio i hz a nam- 

men attecto* V. m. me mandc como pode, c 

^ '>los guarde a v. m. por muitoa aotios. 

^o. A miaha amixade ^ tao aftectuo- 

cera , agnadecea v, m. mui vivamente os 

ki3s , que he servidodar-me do meu nn--? -n-* 

'J a qual p:ira mim sera muico mais h .- , 

J, nefle mequizer dar frequentcs occ em 

T "^ rriostrar 5 na execucad dos sens precei- 

. ' 1 CO de outro modo a divida > que eu 

s6 umcaimniQ por estc chego a conliecer. Bas- 

' oucas pa* ; i>?!ra o meu agradecimeoto ; 

query n • ;;mdo ex^"eL''^des para hum 

5oi mostrar que p ainuir og 

irs ^ . . c as mitthas coiiiicciuas obriga^oes. 



TjS StCRlTARlO 

V. m, nids augraeote, empregando-aiejiosimveerbrci- 
cio das suasordens, que a mi^^ha airtbi^ad Ihetoma a 
pedin Deos guardc a* v. Oi. pcx- mukos annos. 



CARTAS DE DESGU£*EA , K JUSTIFICAlQAd- 

A D 1^ JE.R * E H C I A. 



N. 



I a6 ha diivida que qaalquer houteiii p6de muitas 
vczes cahir em algiips defeitos , 4o».qua«s ao depois 
ie costuma desculp^ ; para que nojuizo alii^io, ou 
pare9a6 menores , ou na6 ^nem 'comqaettidos por 
fnalicia da vontadc , mas sim por esquecimentp , e 
inadvertcncia ^ pu por ignbrancia , . e inhabilidade , 
&c. A luz , que aesta materia pddetnos com bre^ida- 
de dar , he a que se segue. Se for indubitavel o erro , 
e iinpossivcl dar huma desculpa , que satisfa§a , re- 
correremes aos rogos , pedinda perda6 a pessoa oiFen- 
dida ,' e artificiosamente louvaremos a sua bondade , e 
clemencia , que p<Sdera , e sabem perdoar consts. mais ' 
.graves. Irqmos insensivelmente diminuiado a culpa 
com todp o modo, e- artificio possivel , especialmeute 
peJo commum da fragilid^de da natureza humana.Pelo 
oontrario, se na6 houvertAos commettido oque se nos 
iraputa 5 principiaremos a Carta, admirando-nos que 
cpeia de ntSs tal a pessoa , que nos culpa , sabendo a 
sincera amizade^ egrande obriga9a8 , que Ihe pi«fes- 
samos , &c. Feito isi»o , iremos tambem difeinuindo o 
supposto erro pelas partes , a que chama6 cbnjectu- 
raes , mostrando v. g. sar a tal coosa incrivel , difficil , 
0U irapossivel : iremos resokendo todos^ os argumen- 
tos /';/ contrario. Ultiniamente rogaremos a pessoa of- 
fendida que tirq de si toda a suspeita ;*que se'ieda 
nossa amizadCy e a queira experimentar emmuiraaoc- 

', - ca- 



^r^^^^^^^^^^^ 




F c asides c*^ 


L com Will 


^^^^^1 


K Se a de^L^ 


, ou podermos ser- ^1 


P vir c!*^ 


v 4 - n : -Tibcm 1 


1 de h 


euios ^1 


1 ^s raxocs ^ 

1 pr 


e na6 o fizcmos. de sortc que a ^H 


L 5. 


- .-^. .-cias^ ^H 




> dar s^ nelhajTies Cartus, as quaes ^H 




- cm c^tiiu declamatoriot paiencem ao ^| 


^^^^^^^^^^WWI»« 


, e se de outro raodo^ ao DeliberaU' I^M 


V CARTAS 


DE DESCULPA , E JUSTIFICAGAa _ J 


^M. 


r n ndmirado fico com a Carta 6e V. Ex- ^H 




nelJa me escrevc, mas por 1 


■^^^^^^■B^'i 


V o que mc cscr ^a 1 


1, fl^^Hjb^ * 


". ExcTllencia , -^.'^ i.o ^^J 




dc i logo rotal- 4^H 


WW^ V 


> dcsssna ^^ 


jfc fTiin -•' 


: icncia , e ^1 


I 


3 possivel que rompesse em ml ^H 


1 


^ ' 1 a paisao, 


1 


dciium ver- 


1 


, c de hum Lilleiro tanto se 


r c. 


lencia: e como he 


1" 


^ u a da que eu dissesse 


V ° 


hormr de dizer ? Eu sou 


ii 


>1 , pop; " ■;apa2 de 


d. 


, -u!S semp: J - .: i .viuxto em 


C 


, que me deo a forruna , fosse 




!Tcia. Nao digo Hiais a V* 


i» 


^. , J _:ista para o seu jiuzo, e sp- 


|.k 


iral venia^P; esofogo a V. £xcellcticia 


■ que mc 


a 1 guns -arnDgnntes tcrmos , com que 


1' 




L^ 


^ y ^ H^ 9_ ' ^^ ^^^^^B 



140 S It C K E t A Ht 6 

cscrevo ; porque nafi pude conter o ifnpeto da petlna , 
que naturalmente corria , c menov^ do juizo , que aire- 
batadamente discorria^ pois a paixaS , com que Ji a 
Carta de V. Excellencia, ainda foi maipr doqucaquel- 
la , com que V. Excellencia a cscrcveo. P6de mais a in- 
nocencia que o brio ; e a vcrdade que ^s invectira^ , 
que algum introduzio a V. Exceilettcia , a qnem Ykos 
guarde por muitos annos. .. * 

2 He mui justificada a raza6 que V. Excellencia tern 
para se queixarj mas ha6 de se dirigir as suas'queixas ao 
meu esquccimento , e na6 i minha impolitica ; porque 
esta como mancha maior dos da minba condiga6 , nz6 
se da em mim, nem como inimiga declarada da grati- 
da6 , se podia dar no meu animp agradecidd* Aiiida 
que a minha culpa nasceo do esquecimento , confesso 
^ne sempre este foi mui notavel , por aisentar em 
mim, e dirigir-se para V. Excellencia: em mini, f>dr- 
que como ta6 estreitamente obrigado o na6 dcvia ter ; 
e para V.' Excellencia 5 porque como ta6 raramentebe- 
nigno o na6 podia mereceh Porem esta mesma beni- 
gnidade de V. Excellencia he queraealenta, emeen- 
caminlia a buscaros seuspes, paraCDiJ!segairoperda6, 
considerando que a bondadede V. Excellencia he supe- 
rior a maior offensa ; a mancira do Sol 3^ que esqueci- 
do da injuria , com que alguns barbaros o apedrejavaS 
na tarde, Ihe espalhava ao outro dia benignamente os 
- seus raios. Assim o espero dcV. Excellencia -, toman- 
do-meacontinuar os«e©s favorcs^e 5bus preceitos, qugn- 
do |iad seja por merecimentx) met3-^ ao menos ^or gran- 
deza da sua pessoa. Daos guarde a V« Excellencia por 
muitos annos. * . " • ^ 

. 4 Eu na6 tenho, nem sera fecil ter desgo niais 
ardente, que o de ^rvfr a V. Exceljencia, para po- 
der ir diminuindo nas occasides os muitos favores , que 
a sua bondade profosp* Por «esta raz^d na6.j)6de V. 
Excellencia entrar na menor duvida, sobi?e a qualkiadc 
do enipenho , que tomei , a fini de conseguir o 4^e V. 



F D B t if G IT B T. 



._.ii^^.*^ _^ 



14 r 



► 



:rn como he po ^^ 
-n , para naoou 

I $e seguio tia mw 



imtnte sjTKO J r 



Fx^ ■'"-"' ^^ -- rr - ^' -jrn como ne PO ^- ir 

ieci memos, nenii 

jiiia medicina ; t 

dsir a V. tied I c, . . ^. o, e a iiiinha : ij 

hum novo credito : porem espero ^ue em outras oi 

cnsiCes poderci c ' 

benignidade de \ , . . . i ,.^. Jcmim 

iom OS sens preceicos. Deos giiarde a V. Excellencia 

pof fir V w^ anno?. 

4 i . :, desgraga , qtle desejando a minlia amiza- 
dc , e pediJido as mi alias obriga^Ses o scrvir a V, Ex- 
cellencia , r-:\-r -"- i Jesse ^7 ' -r,. ,-,..:...•;■..-,. ,, 
que V. £:v- ,. 1 dc rnc : , ,_^i,'.p i 

cousa , he em occ^v hum modo ore 

3ir !-(^-.i-. •"■' . . . ■ . ■■ '..lose 

\ . , uafi- 

ih a , aue para ter 



^ 



com que tico, c para em algii;riaoccasia6fa«* 

^ ^ , = ' ! . no scu s ^ ^ ^uar- 

de a V. txcdJencia por niuitos annos* 

^ n ■ ■;', ,: ^r -.-..- . ■ '-,--•■■ ^ ■ --^^me 

P^ ■ '■'■ ■/' /■ • ■ '■- r ,- ■- 'J "■■■ ' *^»n 

|>cssr>a de uts mereciincntos ^ qwe podia meriecer o 

■ - ■. * h. i" '/. I". , ■'' li'. .■ . Lifruna de 

J egos de 

3S0S precei- 

^ na mi- 



I 



devo a \ 



a*queai §;icn ico i 



VUJ1-. 



*f 4i SBCREtARtO 

tontade para tudo- o que for servido, Decs guarde a 

y. Excellencia por muitos annos. ' 

6 Ja confer! o officio , sobre que V. Excellencia 
ifte escreve como amo , e senti mui sinceramcntc que 
me chegasse tao tarde a Carta de V. Excellencia , pa- 
ra Iho offerecer como Criado; porem pode estar V. 

' Excellencia , e o sen afilhado na certeza de que dando- 
$e outra occasia6, me nao hei de esquecerdasobriga- 
5oes 5 que devo ao protector , nem dos merecimentos , 
que venero no protegido. Deos guarde a V. Excellencia 
por muitos annos. • v 

7 Se eu na6 medisse o animo de V.^ Extelkiftsia pelo 
jneu, cntenderia que liav^ia offendido as Lcis daarfiiza* 
de, e daobrigacao, por deixarderespondira'algumas 
Cartas de V. Excellencia ; porem como estou ^^rsuadi- 
do que V. Excellencia conhece o men antigo ^ e sinee- 
ro affecto, (que para se conhecer nao necessita destes 
actos exteriores ) n^6 doulugaradesconfian^aalguma , 
que V, Excellencia podera formar , se fora escrupulo-*' 
so. Na6 tenha V. Excellencia ociosa a minlia vont^de 
com a falta dos sens" preceitos ; porque nem V. Excel- 
lencia tera desculpa para deixardemaTidar-me*, nem eu 
para na6 I he obedecen Deos guarde a V. Excellencia 
por muitos annos. ; ' . 

8 Recebi a Carta deV, ExQellencia ,ecora eHahum 
negocio, que me encarregava , o qual bem qufe grave, 
foi para a minha obediencia siiavissimo. Puz logbnelle 
hum ta6 grande cuidado , que me fez esquecer de to- 
dos OS meus ^ poreoa forao frustradas as minhas maiores 
diligencias , porque na6 pude nelle conseguir cousa , 
que pdssa dar gosto ao desejo de V. Excellencia , nem 
€rediro a minha servida6 , o que sinto como devo j 

})orque as minhas bbrigacocs assim o pcdem. V. Excel- 
encia na6 cesse defassermaisprdvas da minha obedien- 
"^cia, porque po4erei em algiimas ser aforrunado , e V. 
Excellencia bem sdrvkk). Deos guarde." a V; E^Krellcn- 
cia por muitos annos. • • 




^' -Tciso ncsta occasiad valcr-me, mais 

i outra, d,i benignidade de V, Excel- 

para que tr ge na6 posso cuniprir 

-■-^ - - ■■ r nic mand: F" ~^rou mal 

■ v^ . J V. Excel i- .le busca 

? fsta li : de hum tnotivos , 

I OS da < i; poi^m naO qaem cntre- 



C' 



nao s6 me ha 



ao 



if , nia3 

anno5. 
^ liy- 

ou da:^ 

: . ■ ' ' . . .-,:?■ 

lorar na tal terra ^ pcrem 

dominio que V. Excdlencia rem cm 
-. . ^ V. Ex. 

: ■ -^ . ' '- ' ^ i-^ie ami- 
uosirana mais aiten^fi que fotni** 

V, Ex- 

. : • ,■ ..;ig3do a 

I obmva o que na6devia fazer. 



o a 

J oncrcci- 
da nos^a 



f 



144 S E CREfARIO 

inando os Epigrammas ^que com tanto empenho mc 
pede. Na6 me nego ao trabalho , ( se acaso o lie ser- 
vir a V, ExccUencia ) porem hei de rtmperar as cor- 
das , quando erfi mim houver descan§o , que he o que 
querem os Versos, ou quando esta mioha ( estou pa- 
ra dizer importancia ) se poder reduzir a acto. He su- 
perfluo ofFerecer a V. Excellencia a minha voritade pa- 
xa todo o demais , que V, Excellencia for^servido man- 
dar-mc. Deos guarde a V. Excellencia por muitos an- 

BOS, - 

iz Na6 p6de em V. Eifc^Uenck haver importuni- 
dade , havendo tanta prudcncia^ em mim he ijue na6 
ha forgas havendo tanta vontade : que se em mim 
se desse , seria V. Excellencia logo servido com os 
Versos , que me pede. As Musas como sao diyina^ , nap 
p6dem sofFrer violcncias, nem.em todas as occasiocs , 
e tempos p6dem ser propicias. Poetizar sem poesia nao 
he mais , que ordenar huma cad^a de syllabas, com 
que se atormenta a Arte divina; e.he tal este atten- 
tado 5 que no sabio juizo Poetico nao dgixa de pare- 
cer sacrilcgio. Havendo em mim descan^o, sera V, 
Excellencia servido como eu poder: e queira a siirte 
que o que eu poder seja o mesmo que eu quizera., pa- 
ra ficarmos ambos satisfeitos, Deos guarde a V. Ex- 

. cellencia por muitos annos. 

13 Assim como p nao me esquecer eu contioua- 
mente de V. Scnhoria he signal dovivo aiFecta,coni 
que o amo ; assim o escrever-Ihe. raras vezej^ he argu- 
mento do profundo respeito, com que aV, Senhoria 
venero. Por esta causa- desculpe V. Senhoria a demo- 
ra, que tive em ir a sens p6s, do modo que p6deni. 
as Cartas , e nunca se persuada Y» Senhoria que em 
mim he esquecimenco , mas sira cscrupulo da dema- 
siada confian^'a ; a qual cert^mente podera tomar^'re- 
flectindo na . lingular benignidade , cqm que V. Sc- 

' nhoria me trata: porem a minha condigno nao sabe 
sahir daquelles Umiies 3a modestia, que Ihe assigiioa 



P 6 R r't € ij -R t. t4f 

« fortuna , para observar com t^o distinctas'pessoas. Vj 
Senhoria me honre com os seus preceitos, porquen^ 
execu5a6 dalles he que eu serei cuidadoso , e prom- ' 
pto 5 como cousa propria da minha esfera. Deos guar- 
de -a V. Senhoria por muitos annos. 
^ ,14 V. . Seiriioria prbmpcamente responde as minhas 
Cartas 5 porque he mui benigno ; mas eu tarde as re- 
ceboj porqiic sou pouco conhccido. . Esta he a unica 
razao , por-que V* oenhoria experimerita demoras nas 
ininhas respostas : e^assim V. Senlibria me descuipe,- 
sc se persuadir desta verdade, e de-se por enganado ,' 
se acaso formasse di verso concei to ; capacitando-^se tal- c 
yez que o esquecimento fora quern tivera toda a par- 
te na deten^a, Porcm he dcmaisiadamente escrupuWa 
a minha amizade, porque: na6 he possivel que V. Se- 
nhoria feca tal juizo , terido experimentado tarito 6 
meu affectOj esabendo.que he V.' Senhoria quemuai^^ 
camente cccupa a minha memoria. Esta como* tami'-- 
bem;se nao csqucce dos grandes fayores, que deve 
a V. Scnhpria ^. deseja para a minha vbrftade continua-^ 
dos preceitos' de V, benhoria ^ a quern Deos guarde 
por muitos annos* , . 

ly Bern conheqo ,' que . he tarda a minha obsdien-? 
cia em servir a V. Senhoria ^ que sempre esti prom-' 
pto para me fazer favor ; porem' iia6 he certameatei 
tardo o ardente aflpecto , com que o sirvo. R-emetto a 
V, Senhoria concluido o negocip, que me encommen-i 
dou , e cstimarei muito que va dc modo,' que seja a 
•agradecimento o agrado de V. Senhoria , a quem de-* 
€ejo. persuadir que a demori , que tive, ainda que gran-^ ' 
de. toda foi^ precisapara poder completamente serviiif 
a V. Senhoria , comb eu queria , e esta^a , ent faza^ 
das mii>has obrigaqoes , obrigado a fazen Deos guar-» 
de ,a V. Senhoria por'niuitos annbsrf 

i6 Quando W, recebi a Carta dc V, Senhoria ,:^. 
estftvi tao gravemente ftiolestado, que querendo o ie's-' 
jurit© rcsponder com o ardor do desejo^ impedlogi 



14^ ' S B ctiTAura 

corpo com b ardor da febr? ^ de que ainda m6 estoa 
livre. Rogo muito a Deos que mcrestituali iiiinha 

*antiga saude, para poder servir^a V. Senhoria no ne- 
gocio 5 que inc encommendou , ncrquai me eihpenharei 
do niestno modo , que V. Senhoria faz aos mais ; porcm 

^confio' muito pouco do bom siiccesso , porque nada fio 
da pessoa , sobre que V. Senhoria me escreve , para 
que eu Ihe fiiUe , assim pela qualidade do sm g^nio 
pouco inclinado a prestar ^ como porque eu , depois 

. das ra:^6es 5 que V. Senhoria snbe , pfincipiei a tratar 
csijte sujeito y como se principjassc a conhecello : po- 
rem para ^errir a V. Senhoria m6 s6 tenho sacrifica- 
da a minhs vontade , mas ainda o meu brio : c adsim- 
para V. Senhoria ficar bem , nao duvidarei eu de ficar 
inaL Deos guarde ^ V. Senhorik por muitos annos. 

17 Quem ihor^e fica Jivre de toda a obrigajad, 
c absoluto de toda a divida, e se ha quem preteitda 
alguma cousa , recorre aos herdciros ; por esta razaS 
cstou eu livre da promessa do Epigramma , porque 
fliibfreo em mim a.poesia : e se V. Senhori* pretende 
alguma' cousa , recorra aos herdeiros , is to he , a essas 
centurias de Epigrammas , que remetto, os quaes co- 
mo sa6 feitos a diversos assumptos, podera^V. Senho- 
ria cm algum , roudando-o de quadrado para rcdondo , 
cncontrar o que de mim pretende. V. Senhoria me des- 
culpe para esta resposra, e este estilo, que ji he de 
quem. nai6 sabeo que escreve; cigualmeiitd me man- 
ae em outras ccusas , em que eu mostre que sei ser 
Criado , c na6 Poeta , que he o que mais d^sejo dc 
V. Senhoria ^ a quem Deos guarde por tnuitos an- 
nos. 

18 Tarde respondo com a penna a attenciosa 
, Carta 4e V. Senhoria , se bem que cedo com a von- 
tade , e afiectd. Quando a recebi , achava-me graYis- 
simamente acommettido de huma ardente febre , a qual 
me tern po^o de mbdo que na6 me conhe^o; pjawce 
ijue mais sahi de huma sepultura resuscitado^ qu^ de 

^ " - hu- 



PO » T »« ^ )>«* tiff 

huina «ama lionvalescido. ,Espero no Senhor de me 
ver br^vemente com 9 sintjga saude, para pdder pa- 
gar a V. Senhoria tap continuadas atten96cs ^ ' jia^ 
com : rcspostas , porqxie o meu talentq he moeda de 
mm baixo pre§o para pagar diVidas *, que fa6 quasi 
infiaitas^ ; n>as com, obras ^ ' empregahdo-mc todo no 
servi§o de V. Senhoria ; porque s6 a minha senrida^ 
he meio proporcb^nado par* o meui desempenho. Ocotf 
guards a V. Senhoria por muitos annos. 

19 Faltei a minha obriga§a6 , quando faltei dessat 
Corte f porque flem me diespedi, nem. bugquci as or-' 
dens de V. Senhoria camo devera ; porem o mao tem*- 
pp foi o que me fez parecer map amigo ; e scndo a 
culpa deste, he a pena minha, V. Senhoria i vist* 
dc,ta6 forte, e ^incerg razao seja ^ervido desculpw*-' 
me", e cbnheja eu qpe estou peraoado , fayorecendo-^ ~ 
me V. Senhoria com frequentissimop preceitos, quef 
nunca o sera6 tantp , como he odesejo,, com quef 
OS appete^o/ Assim o e$perp de V* Senhoria , a qupm 
Dcos guarde por muitos annos. 

zo Tardc respondo i pergunta > qye V. Senhoria 
para honrar 09 meus eptudp« -, foi servido fazer-me# 
Desculpe-me a $ua bondade ; $endo (}ue na6 nasceo a 
demora de negligencia ,. mas dp.tempp, due eia pre^ 
ciso para i«solyer huiiia dii^ida posta por V. Senhoria^. 
Remetto o meu parecen Entendo que fta6 ha de per- 
Euadir, e convencer a V. Senhpria; na)5 pela humil- 
dade, ou. contumacia', mas sim pela grandeza, c su-^ 
perioricjade do seujuiz:o , e ^tudos, que na6 se con- 
tentando com bom ^ sd bu3ca6 oihelhor. Este cer-*^ 
tamcnte nunca se da nas minhas obras , aquelle poii- 
cas yeze§. Se a V. Senhpria p^recer que nessa resposti 
uem. ainda este se da , torn0-me a $i}a bondade a per- 
doar, considerando que a culpa he sua ; porque pre- 
tende que hum campo-, que raras ^vczcs deixa de pro- 
duzir espinhos, que mpi€sta6 , produza flores,,quc 
jigrftda^ ^ Ou fructo$ qt^ laboregi^^ V, Senlioria nm 



248 S E Q R E T A R I O 

inande como p6de , ^ dere ; mas se|a em coiisas , com 
•que se augmente, e nao diminua 6 meu credito. Deos 
guarde a v. Senhoria pOr muitos annos. 

21 Deixar eu muiras vczes de escrevcr a V* Se- 
nhoria na6 he incivilidade, he politica ; na6 hcesque- 
cimento, he kmbran^a. Lembro-me das coni{nuas.oc- 
cupagdes dc V. Senhoria em beneficio commum : e 
tomo ^hei de prefcrir o men inttressc particular ao de 
todos ? Como hei de conscntir que as minhas inureis, 
e importunas Cartas va6 fazer perder tempo tap util ,, 
c necessario ? He justo que na li<^z6 dos meiis E$- 
critos se empreguem olhos , que em todos os ihsta ri- 
tes sa6 precisos para vigiarem sobre a Republica? Es- 
tas razScs sa6 mui fortes, tanto para V. Senhoria mtr 
desculpar, como para eu deixar de Ihe respond er: ma's 
se com tudo isto V. Senhoria quizer antepor i sua 
comoiodidade a minha honra ^ cu importunarei a V, 
Senhoria de modo , que se ha de arrepender de ser 
para mim tao benigno. A maior distincao / que V. 
Senhoria ha de fazer de mlm , he na6 cessar dc des- 
vanecer a minha prompta obediencia com os seus hon- 
rosos preceitt)Si Deos guarde a V. ^enhorid por'moi- 
tos annos. 

22 Como posso eu ^^r flares a V. Senhorsa , se ja 
passou a minha primavera /e sc» no meio do Vei;a6 
•tremo do passado ,. e procurp quanto posso emendar- 
mc para p futuro ? Mui to JBoreci no Parnaso na pri- 
niarera de meus annoy , ag<>^^ ^^ preciso produzir al- 
guni fructo, que se vem chegando o Outono ; e por 
^sta raza6 ja na8 emeio.flores, antes se acho algu- 
majs antigas sementes' della's , as dcsprezo como dcge- 
neradas. A vista das" ra26es •, que allego , V. Senhof- 
ria me desculpe , se 6 na6 sirvo , e ccntente-se desta 
coxaposigad do meu animo y em lugar da composi^ao 
Ppctica 5 que me pede. Se V. Senhoria se servir de 
•jpandar-me cm outras cousas , que nao desac^eclitem 
PS meu; aanos ^ mas que hoarem a minha seryida6 , 
- . ,hci 



hdl de estimallas como poder. Deos guarde a V. tic-*' 
hlioria por niuitos annos. 

23 He para mim grande fortuna o servir a v. m. ^, 
e he para mim igualtnente grande pena na6 o poder 
fazer ; como ao presente expcrimento com o nego-» 
cio, que v. m. tanto me pede. Sao estreitissimas as or*-, 
dens, que ha sobrc cste particular ; de s6rte cjue .seni 
erro notavel no meu officio , me he impossivel dar 
gosto a V. m, A nossa amizade , ou o benigno animo 
de V. m. , deve desculpar-me pela jiistificada* raza6,. 
que allego ; e deve igualmente a9ceitar , como serpigo 5^ 
o grande sentimento, que me fica desia forqosa nega-, 
tiva. Vl m. busquc outras occasioes ; se quermostraro 
quanto em, mim pode, e se qncr que cu de a conhc-. ^ 
cer o quanto a v. m. devo. Deos guarde a v. m. por 
muitos annos. , 

24 Mostra v, m. na sua attenciosa Carta , que hd 
scrvido escrcver-me , hum vivo empcnho a favor de, 
N.,., pef^soa dc qucm eu igualmentc tenho hum^s in-; 
formag^es , que redundao em grande credito do sea 
juizo, edos sens costumes; e estas tircunstancias ain^ '. 
da me fazeni mais vivamente sentir o nao poder dar 
gosto a v. m. ; porquc hum Decrct.o de Sua Magestadje 

. cxpressamente o prohibc com grandcs penas. Como he 
jusrificada a razao, deve v. m. desculpar-me ; e o sea 
afilhado consolar-se , e buscar outros caminhos para ' 
seu adiantam^nro., nos' quaes desejarei mui sinceramen* 
te rer alguma parte, sc v^. in. mo ordenarj assim_ para 
attL'nder as muitas , e consideraveis obrigas^es , que a . 
V. m. deyo , como para valer aos conhecidos mercci- 
mcntos do scu afilhado, que na6 necessita6 de ta6 
poderoso padrinho. Deos guarde a v. m, por uiuitos 
annos. . 

. 2^ Meu auiigo. Onde ha huma antiga amizade,, 
nao devcni ^ntrar aquelles escrupulo^ da politica ; por-* 
qu^ estcs sxS se introduzirao no Mundp. para tirar a li- 
pcrdacje 4 ami?;ade , q ao amor j que esse por s«r me^ 



fjd ^ S 1^ It « t A R t # 

nino, quer ser vdluntdrit>, t, iqatlh\ pot velhi quef * 
ter discango. For esta raza6 nad escrevo frequente- , 
incfnte a v. m. : qiianto itiais que roubo o tempo as 
suas , t minhas occupa^des , principalmente na6 ha- 
Tendo negocio, que Communicar. Na6 se hadedimir 
nuir com tudo o Hosso Antigo dfFecto , porqtie nao he 
fConlo as ndos, qiieestandoem calmaria, nao iiHvega6; ; 
sempre este ha de continuar ; porque na nosss^ memo- 
fia esti tafi vivamente impresso , que nenhiima mu- 
jdanga de tempo , ou de fortuna o podera.nella apagar. 
Para maior estabelecimento destz perpetuidade , favo* 
reja-me v. m, com os seus preceito^ , que promctto na 
<xecuqaS delles concorrer com huma promptis$in*a obe*' , 
fdiehcia. Deos guarde a v. m. por muitos annbs. 

16 Na6 quer v. m. acabar de persuadir-se que eu 
86 uriicamente sei ser amigo , e na6 Ppeta, porque 
tei estimar o ofFcrecimento dos seus Sonetos, e nad 
sei, emendar os defeitos , que v. rti. n^lles suppde^ 
Eq nad posso ,ser Mestre em hutna obra , que mep6- 
?ie fazef discipulo ^ porque a julgo ( acasd possO julgar) 
niuitas vezes digna de se imprimir na memoria daFa- 
ma. Se eu tive algum contentamento das Musas , foi 
nos* meus annos pueris, e foi conhccimenro , mas na^ 
Confianja. Ha muitos annos que quebrei a lyra , por-r 
fjue jtae pareceo ser escandaloso o terjcommercio, oem 
flue innocente, com estas Divindades , contando ja 
idade, em que apenas ha calor^paraviver, quanta 
lliaig para poetizar. V. m, acceite tad justa desculpa, 
t com a sua costumada benignidade reccba a adver^ 
tencia de me nad mandar xxicij^s em cousas , em que 
me he impossivel servillo, por faltar para ellas erti 
mim prdtica ^ e em v. m. sobrar especula^ad. Para tu- 
fdo o^mais esta a minha obediencia tap prompta, co% 
nio pbrigada. peos guarjie i y» jn, por muitos an^ - 

pos. " ^ 

* 27 Meq amigo. Ao favor , que v. m. ^»e pedCj^ 
tgsporido ^ pedindolhe outro fayor. PermittaTttie v» m. ^ 

' V ^^' ; '\ /'.' " - --'^qu? 



' P o K T ,u G u B r. ijr 

que cu Ihe diga que de nenhum modo me* he possivel 
sati$fazer. ao scu empenho 5 porque certamente Had sou 
bom meio-para o conseguir. A razaS^eu a darei 'vivif^ 
voce ^ e sera logo, porque ja^estou a{fiicto, reflectin- 
do ncrconceito , que vT m. talvez de mim ficard forrnan- 
do. Esteja y, m. pa certeza que eu soupprejudicado; 
porque nego a n?in) mesmo o raaior credito , que po-. 
dia ter , como era o de servir a v. m. como deVo em 
razao das minhas infinitas obrigafdes. Deos guarde a 
y. m, por muitos annos. 

28 Meu aiftigo. O Livro, que v. m. mc pede ; na6 
tsti na livraria. Poueos tempos ha que o eqpiprestei ao 
nosso atxiigo N..4 Delle o podera v, m. h^ver, pecJindo- 
II10 em meu noiBe ; e espero da sua memorla que coiq 
bre^ddade mo mandara, iia6 s6 por me ser preciso, 
como para que o largo usofructo na6 passe a posse. 
Na6 repate v. m. ncste meu modo de fallar, porqup 
na6 qiicro dartratos ao juizo para dizer cousas cpm jui-^ 
zo. A nossa aniizade tudo consente : quanto.mais que 
cmprestimos de Livres* tudo pedera , e ainda muitp 
mais 5 naJ3 so por screm a,s alfaias mais ricas , mas tam^ 
bem as mais ncces^arias. Bern sabev. m. queha muitps 
que fundados nao sei em que ofiniao pedem empresta- 
qOs Livros , que valera livras , e ao depois os conserva6 
como livre^ de toda a restituigao. . Em h.uma muito 
grande me esta'v. m., por nao mc^quererpagar cpm os 
seus preceitos o vivo afFecro , com que o amo : porem 
espero que v. m. se ft'ca melhor pagador , paraanjijijha 
fcrvidao ^se' enriquecer Como descja. Deos jguarde ^ 
V. vci. por muitos annos. 

29 Moj amigo. Perdoe*mc.v. m* so at^ agora fb- 
nbo faltado em cumprir com oque Vi-m. me ord^noij 
jia.sua Carta , 'ta6 abundante de i^xpressoes aiFectuogas 
foitio cipquentes. Seja voluntarip o perda6 , porque 
conheceado o- meu erro, cqnfessoque totalmente me 
esqjieci ; porem asseguro a v# m^ que nad nasceb este 
fsqupcitnpnto de pouco caso^ nem de aflecto adorme- 



. lyt Sec ret a r i o ^ 

icido. As minhas continuas , e graves occupa9rfe& pii- 
blicas fora^ as que me fizerao esquecer de cousas tad 
domesticas ; e coop^rou tambem rauito para a detpo- 
ra 5 saber que a breyidade nao era pfecisa. V. in. me 
mande em cousas mais graves , poraue CKtas fnra6 em 
mim maior imprcssao , nao s6 para me lembrar , mas 
para promptamedte obcdcccr. Debs guarde a v. m. por 
muitos anhos. 

30 Meu amigo. Fazer versos he' cousa para mim 
jdifficultosa, fazellos para v. m. he difficultosissima ^e 
fazellos com -brevidade impossivel. As minhas occupa- 
<^6es sa6 grander, e me fazcm estar mui distante das 
'Musas : o sujeito he grandissimo , e capaz' de as fazer 
occupar todas com insupportavcl trabalho : e assim con-^ 
^idere v. m. em que Gonstcrna§a6 me poe os seus pre- 
peiros. Com tudo , dando-se-me tempo , farei o que 
souber ; c se na() chegar opportuno a oflFerecer marmo- 
res para o edificib do Templo, nunca chegarei impbr- 
tuno a reverenciar nelle com o desejo o objecto , que 
pu ja ?idoro nas virtudes. Em quanto v, m* nao recebe 
a devida resposta , acoeite esta , que dicta hum animo , 
que na6 pode o que quer , e descja b infinito mime-' 

• I'o das suas pbriga^oei. Deos guarde a v. m, por mUir 
tos annos. 

31 Meu amigo. Manda-me v. m. que eu me cmr 
perihe com o Desembargador N.-3 a fim de conseguir 
p que ta6 ansiosamentc pretende. Nao posso explic'ar 
a V. . ro. a ajHlicga'd , que me causa este seu preceiro ; pot? 
conta da brio 5 tlnha fixamente assentado no. meu animo 
de, na6 pedir cousa alguma a tal Ministro. Se v. m. rac 
pod€r dispensar , ftiz-^me hum particular favor : sendo 
flue as obrigagSes 5 que devo av,m. sao u6 grandes , ' 
que obrigado devo sacrificar todo o meu pondonor as 
0isposi§des da sua vontadc. Fico esperando a.r^spostaj^ 

% desejara que a amizade, na6 a poliiiea a d^sse>, por^* 
que se,verdadeiramente he preciso b meu pmpenho^eu 
J5 MO tenhc) diiyida de g|a6>attender ao iueu brio, p:^7 



. P OR T IT G UE K. 1^3 

ra c]ue v. m. fiqne servido. Deos guarde a y. m, por 
muitos annos. 

^1 Meu amigQ. Eii betti sei que deve ser altamen- 
te chorada a perda dos Varoes grjandes, mas ha de 
ser.de modo, qu^ na posteridade ^ppar^5a6 maioi^s , 
ou para prernio das vimidcs que praticara6, ou para 
credito dos engenhos que os engrandeccrao. Muiros 
que toma6 estas emprczas, as desempcnhao de mo- 
do 5. que muitas vezes chorando dao materia para, ha- 
ver de se rir. Eu nao quero ser hum destes-, porque 
nao quero .fazer ridicula a sdria , e luctuosa acgao , em 
.que OS Foetas mais graves des.acordemcnte acdrdcs fa- 
zem as ultimas honras a morte do Conde'N... : e pot 
isso nao cs acompanho nos versos , se bem os nao deixq 
no int^ior sentimento , como raerece.a falta de hum 
Varao tao\ sabio ,, prudcnte, e valcroso, que o anu 
mavao t>s espiritos de Cesar, e Catao , iguatmcnte pa-.. 
. ra gloria da Patria , e das virtudes. Este he o unico 
elogio ^ que .posso dedicar a sua eterna memoriae 
talvez que nao se podcra descobrir outro maior: pe-»: 
lo que me eiirrego a hum profundo silencio , emulo 
quasi do da sepultura, em que j^z t^6 saudoso Varao, 
cujas raras virtudes pedem mais imitadores , que Pa-i 
negyristas; porque ^se hu ma cousa he ta6 difficuitosa , 
a .o«tra he impossivel. Deof guarde a v. m. por miUT . 
tps nnnos. ^ 

33 Meu amigo- -' Confesso a v. ra. que nao acho 
desculpa , que desculpe o^meu descuido j e assentaque 
mcMi^^r he coafeisar o meu erro , para me vaicr a sua 
innata benignidade. l^i nao quero dizer que as rainhas 
continuas , e graves occupagoes dariao a c^usa a este 
descuido; porque nap quero que v. m. Justamente me 
•fesponda que na8 deve para mim haver' ocGupa§a6 
piaior 5 q'^c a de obedecer prontamente^ as suas ordens ; 
assim ^o confesso , e por isso torrto outra vet, a pedirper- 
dao a \\ ra*V e' a prometter huma iuviolav^jl ^enda. 
peps guarde a v. m. por muitos anngst 

'^ ^ ^ Qs 



1^4 S E,C K ir T A K X o 

,:;4 Os motives, que me -impedira6 o servir a ▼• 
m. ha mai^ tempo no negocio que niandou , fora6 
iDuitos 5 e .inui considerav'eis j coibo as contin\ias^ 
doengas , que em casa experimento ha irmitcw mezes , 
c outros trabalhos, que nunca fa|ta6 a hum homem^ 
pobre. A benignidade de.v. m, h^^-tal', que na6 s6 ha 
dc ncceitar tsta dtsculpa , mas tambem se ha de com-» 
padecer della com a sinceridade de verd,acleiro ^migo. 
Agora que cstes embaragcs me dcixa6ser Criado, mact- 
(do a V, ra. quando p(?de, c creio qucsirvo bem, porque 
me persuado que v. ^m. na6 podia ficar mais bem ser* 
vido , o que estimo como devo , porque as iBinha$ 
obrigacSes assim o pedem. Deos guarde a v. m.. por 
muitos 9nnos. ' 

35 Meu amigo. Muitas cousas ha , que tern em si 
mesmas a im.possibilidade de se fkzerem ; de s6rte que 
da parte dcHas , c nao da vontade, he que esti tpda 
a falta. Alui grande empenho^ tomei. eu ^ para que o. 
negocio y em :quc v. m. me fallou , tivessebom successb r 
ajudei-o quanta pude, e eacaminhei*o quanto soube j 
porem ijada^ bastou , porque se ^me respondeo que sL 
justija do confrario era evidente, e que tirar-lha. serla 
huma injuria , que escandalizaria a roesmajustica. Sea 
bondade de v. lii. trie quiier favorecer,na6Jhe falta- 
ra8 outras occasi8es , em que mandando-me , fique v^ ra. 
bem servidoj e eu igualmente satisfeito. Deos guarde 
d V. m. por muitos annos, > 



CARTAS DEaUEIXAS* 

' A D V E K y B N C I A. 



G 



TiiJliiDE allivio verdadeiramente c)cperimepta hum 
homem afflicto , q^awio tern Hum bo^ amiga , 4 

quem 



P O R T tl 6 ir E «. 15*^ 

^uera cdirtmunique a sua d6r, e sentimento: na6 s6 
porque os males cotnmunicados se suSvlzaQ, mas por- 
que o amigo , compadceendo-se das suas a tflicjoes o 
consola por mejio de Cartas; e lie este h'um particular 
privilegio da verdadeira amizade. Porem naS ha Au- , 
thor , que nestc genera de Cartas assignasse^algum pre- 
ceitoj talvez. porque a dor na6 necessita de arte, e 
naturalmente ^e faz; expressivo quem esfa sentido, N5s. 
unicamente darexnos huma regra^, e he que 6m seme- 
Ihantes.Carfas poremos primeiram^nte as paz6es da 
nossa qufeixa ; depois mostraremos que esperamos ver- 
nofs livres da afflic^a^, xjue nasce das queixas; par^ 
o que fundar-nos-hemos em alguma cousa. Sa6 tam- 
bem muito proprias .em semelhantes Cartas as inter- 
roga§oes , e as exclama§8es , porc^ue fazem hum born 
effeito : primeiram^nte , porque melhor se move 4 
compaiifaS a pessoa, a quem cscrevemos: e emsegun- 
do iugar, porque tambem^ mostramos mais vivamen^ 
te a gratide^a do nosso desgosto. Isto , he b q,ue pu-' 
demos observar em Authdres Classicos , que escrevd^ 
ra6 C^tas sobre ewes assuirfptos. Verd o Secretario se 
com os' seus estudos , e experiencia pcide descobrir ou-» 
tras regras' para estas Cartas , que perteacem ao gcaero 
Judicial. » • > 



CARTAS DE aUEIXAS. 



>i 



ustAMENTE me queiXo do que a mo^tc nc» 
roubasse o nosso grahde amigb D. N...; po- 
rem muito mais justameate me queixo de que V. Ex^ 
cellencia se queixe tatito , e«^ue Ihe pare§a ser ain- 
da ta6 dimii)uta asiia d6r5 queanda d^safiando losto- 
thnento. He v(?ste muito justo, na6 o (Juri^o , porque^ 
tambem nao he pouco o meu pesar ; porem quizera 
qi|e V, BxccUeHcia to n^ pevdesse a si: pela perdados 
SWigQS i mas que seach^s^ a si mesnjo «^ |mfldeza 
;: V •* - ~ ^"^ ' da 



156 S E C R E T A K I O 

do scu aVi'imo, e doseii jiiizo. Gozc V. Excettencia nc> 
espirito aquella parte do atnigo que parrib, e nos sen- . 
tides aquella que jRcou •, isro he , a i I lustre memoria , e 
OS muitos merecimcnios , que dcixou comd despojo 
da sua vidsj. De outro modo he dar V- E3fcc;Ilertcia a 
entcnder que nao se qucr aproveitar do que sabc ; jpois 
fnuifo bem sabe qyc qucm morre , nn6 morre todo. 
Estc pensamento que principiou GentilicQ , he hoje 
igualntente Christac. Naodevo dizermais a V.^Excel-. 
lencia, c s6 devo Fogar-Ihe que nao se esqlie^a de mini; 
para me mandar comd Criado devedor. ^Deos guardc a 
v. 'Excellcncia por muircs annos. 1 ' • 

2 Entre quantos espinhos de cuidados se colhe a 
rosa de§te Mundo! Mas com quanta major brevidade, 
e desgosto , depois qup se colhe , se ve murcha ! As- 
sim claramentc o prova a triste noticia da-morte de 
nos5o , gjrande, amlgo o Marquez do.,. , o qual depois 
de alcahcar o premio devido aos seus distinctos.mej?e- 
cimentos com oalto emprego de Vice-Rci do Estado 
Oriental ', e depois 'de recolher as vdlas de tao pror 
lixa iiavegaca6, devendo veneer os Barbaros, infames 
inimigos do Estado, ficoii vencido da morte, inimi'gJi 
eiais barbara da sua gloria ! Foi estc golpe grande psh-. 
ra OS animos, porem fatal a Patr-ia:' e eu nao sei que 
remedio possa ter a MedicinaEstoica para curar, nem 
ainda para diminuir a dor, que nelle nasce: e se al- 

fum ha, s6 se pode achar.na illus.tre Gasa deste gran- 
e Vara6 , produzindo outro semelhante, que njjo Ihe 
sera difficultoso, cotHo mai fccunda de heroicos filhos. 
Esta considera9a6 he a que unicamente me poderi co i- 
solar , e nao deixara de fazjcr em V. Excellcncia o mes-r- 
mo eflfeito : porque coniiece a verdade della ^ cqmo flo- 
recente ramoque ainda que transplaotado, semprecon-. 
sfervou-a mcsma virtude do Tronco. Deos guardc ^ V. , 
Excellencia por muitos annos. , ' . 

^ 3 O temor, que em mim havia, de que as minhas ^ 
Cartfiis ^se tivesse^tn dswwaminhado ^ p^^sQU jli a senti^r 

nVea- 



PoRTVGtTEZ. 157 

mcnto de ter perdido a gra^a de V. Exceljencia; por- 
que nao pudeterresposta da terceira, que escrevi por 
•duas vias, ou para que faltando huma ,' nao faltasse 
ciura 5 ou para por ineio de huma , e outra saber a 
<aiisz de tao graiide silcncio. Ja nao tenho mais reme- 
dio que calarrine com apenda, para nao flilLir. cpm 
a pena j^persuadido que V* Excellencia quer desatar 
aqueJIe l^go, que fez a amizade, e da minha parte 
conservava hum vivo.afFecto, Coino em mim Jiao se 
deo causa , se nao vivo contente , vivo consolado. Fa- 
5a V. Excellencia o que Ibeagradarj, porque a minha 
amizade ha de ser tao perduravel, ccmo a minha gra- 
tidao aps muiros fayores , com que a sua benignidadc 
tanto me honrava eiti outro tempo. Dcos guarde a V^ 
Excellencia por rauitos annos. - . , ' 

4 Escrevi a V. Excellencia duas Cartas nao ha mui*' 
to tempo 5 e fui breve para dar-Ihe pouco que ler , 
e menos que responder. Agora vejo qae jjada me res- 
ponde^ nao sem grandei rcsentimento da mrnha ami- ^ 
zade , e do meu aSecto. Ainda por hora na6 quero 
imaginar que esta ofFensa nasqada vontadev porque na6 
quero arrebatadaitiente gravar a V. Excellencia de cul- 
pa , e a mim de maior sentimento. Do,successo desta 
he que ficarei persuadido, quefentendo ser^feliz, por- 
que me capacito que o ardor do afFeqto de V.. Excel- 
lencia nao esta amorcecido nas cihzas do,esquecimen- 
to; e se o esta, servira certamente esta para odesper- 
tar, a lim de que noyamente seatee na nossa autiga , 
amizade. Assim o espero de V. Excellencia, a quern 
desejo obcdccej-^, porque nao estou esquecidq das mi- 
nhas obrigacoes. Deos guarde a V/Excqllencia pormi^i- ' 
tos annos. 

5 Eu bem sei que muito responde V.. Excellencia 
ds minhas 'Cartas, quai;ido se digna de as receber j 
que muito me favorecc , quando toma o trabalho de 

•33. ler, e que summamente me honra,,. quando se ser- 
ve de as estijinar. Cqw tudp ^ueao-me com V. Ex- 
cel- 

• / 



15^8 ' S E C R B T A^^ to 

cellencia di causa , porque tantq^ me detem as respo^^ 
tas 5 a qual eu nao obrei cousa com que as dcsme- 
tecesse ; e em V. Excellencia t'ambem me pareee que 
na6 p.6de ser csquccimento ; porque na6 he possivel 
que fcc esquejadcllas, lembrando-se tanro de raim pa*? 
ra outras cousas. V. JExcellencia se sirva de me respon- 

/ der , mnis para alliviar a minha fiel amizade de Inim 
grave escrupulo, que para a fazerdigna de humagran- 
de honra. Assim o espero de V. Excellencia , fi, quem 

. Deos guarde por'muitos annos. 

6 Como -poderei eu deixar de format queixas dc 
V. Excellencia , se por muitos signaes vejo que nasua 
mcmoria ]i na6 ha uicmoria da fidelissima atfaizade , 

' que sempre a V, Excellencia professei ? Sim , Senhor.: 
• por muitos signaes o vejo : pofqiie ncm V. Excellejr>- 
cia respondc as minhas. Cartas , nem com seus precei- 
tos di exefcicio a minha obediencia. Para V. ExceL- 
lencia deixar de me responder por meip destes, na6 
ha, nem podc haver desculpa ; parajna6 corresponder 
com as rcspostas , alguma pada*a haver ; c descubro 
oue scrd a importunidade das minhas frequences Cartas, 
be assim he, t^m a razao de V. Exc^lencia rauipou- 
ca raza6 : porque eu 'na6 sei outro modo , com qiie 
se haja6 de amar osatisentes. Qualqaer que sejaomo- 
tivo , fa«endo-mc qucixar , nunca me fara esquccer dc 
* V. Excellencia , attendendo agradecido as minhas obri- 
ga^oes. Deos guarde a V. Excellencia por muitos an- 
nos. ' ■ 

7 Na6 sei como posso cr^r que Jia6 tenho recc- 
bido Cartas de V. Excellencia , depois que se'ausentou 
dcsta Corte , tj^ndo eu escrevido tantas , que se todas 
fora6 entregues , iriais (parecerei imj5ortuno que ami- 
go. Na6 sei se me queixe de V. Excellencia : era 
mui.preci«o, assim para desaggravoda amizade, eo- 
ir.o para testemutiho do meu afltecto ; porera ainda pop 
•hora reprimo a colera da queixa : porque talvez que ea- 
ta^ falta sas^ d« muitas occupa^^es^^e na4 db es« 

que-» 



* P O R T V G U « 2, V fyp 

quccimento de V, Excellencia* Scassiaihe,muitomc 
escreve V. Exceikncia ^ nao me cscnevendo ; porque 
nao quero incpinmodalio a troco de buscnr o max al- 
livio. S6 nao ccssarei de rogar a V. Excellencia qus 
nao tenha ociosa a minlia ©bediencia , deixandtJ dea 
cmpregar no suave' exercicia dos seus preceitos,Deos 
guarde a V. Excellencia por muitos annos. 

8 Qyem vive peFsegiiido , na6 falla sena6 em 
qucixas , nem tem inaior allivio , que quando dcsafo- 
ga a sua pena. Nao he a mcnor , que« actualnlente me .' 
atormenta , ver que infieis me desamparaS aqu^JIej 
mesmos 5 que ^imourro tempo tamo obsequio me.ren* 
diao, Saiba V. Excellencia nao «cm horror, que de* 
pois que contra mim se conjurou o implacav«I odio da . 
fortuiia , nao vejo mais que desattengocs^vncrti expe- 
rimento sena6 descortezias : de tal icodo, q^e mui 
feliz seria eu se aquelles , que antes me j^ravao amiza- 
de 5 me tratasscm agpra como se principiagsem a cl> 
nhecer-mc; Agora , Senhor , ,he que advirto que a 
lisonja, queos passaros rendem ^s arvores, desfazeD-"^ 
do-sc cm canto , nfa6 he em attenqa6 ao rronco , mas 
fiim^ aos fructos. Tambem agora conhe^que naFf- 
Iwofia do mundo , quando hum ente he de pouca 
actividade , passaia ser objectDsensivel. Este sentim?!!* 

to sendo dos maiorcs , ajnda podcra ter raaior argu^ 
mento, se V. Excellencia mc deixasse,, como outros 
lizerao ; porem semelhante acgao nanca sepoderd dar 
na qualidade da pessoa de V. Excellencia', e mencK sa 
da sua amizade ; porque he desta desconhecida virtu- * ^ 
de huma rara imagem, Eu a conscrvo eistampdda na 
memoria para minha unica consola§a6 : e se V. Excel- 
lencia for servido dar-me della mais copias cm outros 
taatos preceitos seu^, passarei de desgra^ado a feliz. 
Dcos guarde a VL Excellencia por muitos. annos. 

9 He ta& . obstinado o silencio de V. Senhoria , . 
que quanto a mim , j4 na6 me parece silencio, para- 
ce^me crueldade: iiM p4de ser fi de viva amiaade , 

he 



t6o » S E C R E T A R I O * 

he evidcnte tcsreaiiinho. de morto afifecto. As cousas 
mortaes , ainda que muitas vezcs sejao chatnadas , na6 
respondera ; ainda que sejao provocadas , na6 se resen- 
tem. Tal he a amizacje de V. Scnhoria , quenemres- 
ponde is minh'a? frequentes Cartas , em que .resente 
das ^ minhas repctidas qucixas •, porem espero que esta 
agora , conio escrita com rodo o meu espirito , ou 
acordara de ta6 escandaloso lerhargo o languido afFe- 
cto de V. Senhoria , ou resuscitara a sua morta ami- 
zade. Tan to assim o espero , que ji impaciente me 
parece que me falta a resposta desta Carta , na6 me 
saJiindo ainda das maos. Fico , cdmo sempre , para 
obcdecer a V. Senhoria-, a que.m Deos guarde por 
muiros annos. ' . 

lo. Sabe . V. Senhoria porque nao tern ma6 para 
me escrever.? Porque na6 tern cora9a6 para me amar. 
Creia V. Senhoria esta resposta, que he verdadeira.' 
Onde ha affecto sempre ha vontade para escrever. EK-- 
ra V. Senhoria que sou importune, diga-oraui to em- 
bora, que nunca pcdera.dizer que o nao amo. Vira 
occasia6 em que ya a Corte , e en^ao .he que espero 
que se vingiiem estas minh,as queixas : porque se agcf* 
ra ( talvez falsameme ) me diz que por molestado naS 
tem mao pajik me escrever V-enta6 por. comprehendi- 
do tao teri V. Senhoria verdadeiramentCv lingua para 
se desculpar. Eu nao posso reprimir a rainha , porque 
na6 devo deixar de professar a V, Senhoria huma sm- 
cera , e aftecruosa amizade. Na6 peco a V. Senhoria 
que desculpe acega arrogancia destes termos , senao 
que me att&nda ; quando na6 com as suas Cartas 5 
que tanto me eonsolao , ao menos com 9s seus pre- 
ceitos 5 que tanto me honraS. Deos guarde a V. Se- 
nhoria por. muitos annos. 

II Esta vinda de V. Senhoria d minhaquinta , que 
tantas vezes^ me tem promettido , he como a materia 
prima ^ que sempre esta em potencia , nunca se reduat>. 
a acto> sempre as suas prosiessassaopromessas^eseivi^ 
• , ■ ^ pre • 



. ^ P o R T tr G tr 15 2f* f^t 

pre. as mjnhas . esperan^as fica6 espcKiilfas. Porem o 
que ate aqui na6 puderao conseguir qs meus rogog, 
eonscguiri a delicia; d^ Estag^d , que corwida a V. Se- 
nboria a qoe se queira alii viar do- grave pe?o dos nes- . 
gocios , que suscenra. Seja esfa a minha v^Iia, ja que' ' 
zs queixas , e as aiipplicas da.rtiinha amtzade , quede- 
sejava6 honrar-'le " com taS gran<te hcfspedfe /.forao de 
neahuma: valia, Espero cqm t)rcvidade cste favor ; por- 
que nao des^jara que 'insiensivelTnefite passasse ta6 deli- 
cioso tempo. Entre tantb espero ambicioso » ordeus 
de y. Senhoria , a^ quern Dcos gii^rde' por ftjuitosan- 
flos. V . 

12 Ja na6' he convenier>te o *lIenj:io-; he preciso 
cpe eu falle, e que tambem me qaeixe, para qw nao 
parega insensibilida^e o que fbi pfudencia, E havendo 
eu"" de mostrar a's feridas , ' que os continues combktes da 
cmula9a6 fizerad no mtu aniino, a quern 4rtelhor as 
podemi manifestar que aV^ Seahoria , qua'c^m o po- ; 
deroso balsamo das «uas- virtudes , edoutrina as pddc 
€arar.? Saiba V,- Senhoria que, 6s emulos nst6 per- 
dem tempo, neiii occafia6 em ine atravessarem com 
as agudas settas das suas linguas , a ^6 contra ihiin 
t%nta«. as invcotivas quantos- sa8 os vficios que neil^ 
ha. .A que niais altamente rrie pcnerrou foi publiqa- 
rcm que eii dissera mal dc'N...; n^dic d6 quern con- 
fesso ser creatura ; aquellc , que , para exclr.plo de ro- . 
dos , 'he a id6a de todas as. 'vkrudes, Considere V. Se- 
nhoria se eu havia dizer pial de ly.im Cavalheiro, de 
quern todos dissem bem , quando de tal gente digo^ 
^ bem , de. quern rodos dizem mai. Nao ddrel de satis- 
fa§a6 snais huma palavra, e poiaca? nlai&e^crevi ao tal' 
nosso .amigo ^ parf que nao pareca desculpa , oque he 
innocencia, Acabarei rogando a V. S,enlioria^ nao s<5 
que me allivie de cad gra^c pezar cgm a.sua.resposra , \ 
mas que persuada % N;:. a* verUade ; . e ifstQit certoque* 
o ^ha de' fazer V. ^P^horjacom grande abqrfia mcu , 
porque*sabc melhor quewcJos ^uem sou eu, e quern 

. L cl- 



l6l &E C R E T A R I O / 

dies 5^. Fico como dero , para obedecer a V. SmlkH 
riA, aquem Deo6 guarde por muicos annos. 

13 Estou :Com talftt6'Cuidado por nad ter at^. ago* 
ra Cartas •^e V^ Senhona, quanta consola^a^ , egoscb 
tivera , . se> reaebesse algupia mticia da sua saude. Mui 
cuidadoso certamcnte me teiYtesta,, por ter d/^xado a 
V. Setihoria iiidiaposto , quando pstssei por e$8a .Vilia. 
Sea molestia coQtinuou ) ^ss^s escandalizadoiScareide 
V. Seilhoria , por (tella iia& me dar parte para p mcH 
aftecto,-^ as niinbas abriga§,6cs.fa2crera o queclevern^ 
Poremctfoio iia6 .supponho que em V. Senhoria Ka- 
veria na6 n^otavel esquecimento , assicn tamb^m 11* 
persuado- qw Sol otttra a causa , porque rite nega as' suas 
noticias, de qu^ estou ra6-sent4do, que altahiente me 
queixara, se o.respeito de^Vi Senhoria mo penmitti* 
raw .Cottio Ba6 posso, s6 rogo a Dcos qtjc d^ a V. Se^- 
jihoria kuma saude , que nz^ seja perfeitissima , por*- 
qi!c Jiao c qucro y£r logo en^rmo : . pois as cougas ' 
quando chega6 a s\!a perfeijao., he precis quedecli* 
ncm. O mestio Sefthor guarde a V. senhoria pormui« 
top annosJ ' - 

. ' t4* V. Senbftria como boiivPoera naS p6de deixar 
de Kngi^ bem^ e eu cooio itluito amiga b^ p9S» 
igualnicDte d'eixar de rfte queixar muiro. Pedi a V* 
Senhoria bum Soncro, e atrevi-me a importunallo , 
jjorque como o empenhb que tinha era graade, «a6 
podia buscar maior Poet«f Desculpou-se-me V. Senho- 
ria, dizendo-me que ja ApoHo. o iia5 conhecia ; co- 
mo se eu haAria crer que hum Pai CQstqpia fezer tal a 
hum a^u ill ho primogenito. Fica a V. Senhoria. o sea 
gosto , porque o que^iytinha da saa obra , seodp gratis 
de 5 ainda' na6 he o maior ; pois .mais g<isto que V« 
Senhoria poi^ minha cao^a ua6 pade^ o meiiiorijicdaii- 
modo. Eu he que por V. Senhoria nao duvidarei sacrificar 
toda a miaha, vontade; ji queaao.posso poc inliabi-' 
lidade fezer o mesmo ao mea entendiment-o. . Deos 
guarde a V. S?^hw^ po*^ amiros annos. 

Hon- 



'P 6 -B T TJ G XJ E ST/ ' ; 1^3 

: ij Hontem tove V. Sefthoria a fcondade da nie * 
boscar , mas eu imi4 tl*e a ijotira de tne achar em ca- 
ta para receber t«lS efthtlavel favor; o que atrribuo 
iiaK as* diaposl^ies do aca60, mas sifif is da minha 
desgra^a^ ^u« sempre'para me affltgi^ meaccmipanka. 
Se eu ackvmhaiBsc tanta fortuna , certamente na* parti- 
ria par4 ^ CJorte/sem qu^ a boftigmdadbdftV^Senhoi- 
ria ititimiMs o €}i9e s6 ao atieu^grande aifecto devia. 
Eu torno «utra vesB cmri brcvidajdc ptrti o campo , #a- 
de tieijare^ domo a^adecido a^^ mSos g V. 6^nlior!a> 
e Ipgrarti como i^nturoso aquclk ' occasia6 , que me 
fiegou' n' fortuna, Entr^ tanto visi?eri« V- Seilhorm 
com OS sous estiMaveis preeeitcfe', -pw^^ tstes. da6 a 
fiiinha referent* SeftiAio a mesiha .Jrorira. *06bs guat- 

de a V. SeHhoria por itmieos anuOR 

i6 Procui^ V, m, de iiiim-'alIbio;as queitks, que 
^a>a "da cnieldade da mOtte.^Eu 6aHiviarei, mas 
fca <Je ser igualmente queixand6-me> pbrque cu na6 
f69fo'€cm$ohT a v* m. pela raorte do-S«nhor seu Pai , 
tenao com qiieixas. Sad 'continuas as que ftSrrao por 
csta deftgraga contJ-a a minha desgra§a , jerque se v, m. 
^ded hum Pfti > cu perdi ham amigo fiel , e hum 
grande bemfcitdr r e como no* mundo he ctousa mui- 
to rara acharem-se estes, por i»so sfto^ontiaiiHs as mi- 
flhas queixas, Queixemo-nos , meu aaiigd^-queixe- , 
ino-nos como orfao^, que p6dera ser virtudes asquei- 
xas , como ta6 bem fondadas contra a c^ga bar barida^ 
de da morte, qufe na6 attcridendo aos estreitos la^os 
d»nai:ure2a, e da amiaade, foubou a v. nt. hum Pai , 
qfteera amigb, e a mimh^rh amigo qu^ erai^Pai. A 
pem' -esti ai»di em ^ugmem(>, itao admirte consola- 
936; tm dimiauindo efira6 a Moral Ihe applicara otc- 
medio, Entre taixto ifa6 fee es^ue^afv.m. deteroccu pa- 
da a minlia promptissima ^be^ieacia com as suas esci- 
H^refs ordem* Dcc^ gwarde a v. m. por mukos an- 
nos* .'••...■' 

17 Meu a«iigo. Mul .justrfmSn'te -me devo quelxar 

L ii . de 



t64 S E C R E T A R I a 

iit y* ID* : f>on}ue nacessitando do meu poucd piesitj-' 

'mo, para haver dc-se valer-dCsvmiai , se valeo de ou« 

tro ami go. Nao posso . dcscobrir qw razafi mpveria a 

V. ml para obd^ Xi6 dcsacertadacoUsa ^ porqueaadcne 

de70 'papacitar qvte em vi- m., fosse desconiiaji§a da que 

«ai por seu rcgieito o na6 serviria. Se. eu d^sse lugar 

a esta consider a5a6 ,. queixara-aic com.t. iti. de tal 

modo , que eyitaria • para o futiiro iputra quiixa; Nao 

4iperta ixMiis ft miaii^^ei.amizadfi, e s6 ^inkai^eiite 

-diz a 1^ ill. qu9 oa6.-liinjurie coravalias^ por^netem 

>v* m.-a author^dad&ijue ba»la, para a m^ndar^e ell« 

.tem -as qbrigajoes ^ que §obra6 parg proiiipUmente o 

servir. Peos guarde a-t. m. pormuitos annos.. . - 

1 8 Meu .afmgo. .£stousobrie''m0ismo,^C3iidalizar 
do de V. m.: porqued menw?riad08 Principes , c dos 
Qrandrfl, que por plolitica encobrem as suas jernadas^,^ 
quiz ,v. m. ooralgo diesigiular a sua- Esta ceremwiiana<$ 
;€ompreheade w-a^s (jw sai) particularcs , nem'-se usa 
tambem com , ps prticuiares amigos. Vovg» dumAHO 
a mipha ju^a queixa*, porque presumo que-r- oi. iib* 
dustriosaeienie fez esta aecap , para experixpwtaj- a 
minha affectuosa aaiizades Discorrera y. m, pelo Atuja- 
do com OS passes ,^e discorrera tauii)em co^i^Bt^ten^ 
dimento;^. cxptfimectard diyersas na96€$;f.diversQ^ ge* 
nios', c diversas amizadesj mas esfou. certo que entce 
tai^tas na6 encontrara huma:, que possa ser c<igia da 
minha : pon^ue esta he tal , que at6 em mim Jbc sia^ 
^ular comparando-a com a que profesjo a outros' afni-^ 
gos. Comt) agradecimefito a est% singylaridadc^. rogo 
a V. r^ que na^ ine^-d^pGc^«i«6 de me queixar df sua 
correspondcAcia , tisim como fintdeopgrafotmarquei'- 
xasrda'^sua patria. Todo.b meu prestimp sincecameitt- 
tc Qfiere§o 'a v. m. a qtiem- XJces,guarde por muifos 
annos. - ,. . - . - , 

' 19 iia6 esperav^ eu ^e r. tn. , e ipeiips do ^a 
juizo , que houvesse de violar as estreitit?simas lets da 
p^layra.^ one me deOj^public^adoo^egfedo, ,que Ihe 

com- 



P O R T U G tJ K Sfi^ t6f " 

contmunlqueiv, coin a condiqa6 de que suppcHzessie qve o 
irtf6 ouvira. Sa6 mui'outras as obriga^6es^ com que r. 
m. ittasceo 5' e devia i^ialmente ser mui OHtroomodo^ 
coVn qfiie devia tratar-me. Porem )a de humtf , e outm 
cousa- itfe na6 admire ; porque csta p^lzvr^ifitleiidade 1x6 
. ^hoje "no Mundo hUitl ehte nominal^ e a de nabreza ,, 
^ guindo peias a'cj^esdegenera. Beni posso dizer a v* tvu 
que ^ offensjT pede tudo ; porem na6 s^i que cousa 
ixie suspehdc* a'ipenna : seri prudencia ; e assim he justa 
pra cofft armas'conrrarias me despicar.briosatnentc 
eojb V;^ tH. ," a quern Decs guardepor muitos annos. 

20 Meu amigo. Eh renders muitos agradecimen- 
tds i fortana, se com hum s6 dos seus revezes me. 
castigasse * mas «a^ ta»tos os mafcs^ com que me per-' 
seguem'5 que o cerpo das'desgraqas he. a sombra do 
meu c5rpor 3^eguira6-nie af4 \3qui os estranhosr.e 
jd, oa ean§ado8,oirsati«ferto^ me deixao- Agora ps 
parentis ocGupdra8 6 lugar destes, declafando-semeus 
inimigos tanto peiores^ quanto a corrup9a6 era da me- 
Mior -parte j- que eu tiflha; .Na6 me cabe'no tempo , e 
menos' na memoria, o poder cgntar a r. m. as inve- 
ctivas, que contra mim tern forraado; s6 poderei di- 
zer qiie imagfnadas c^usaria6 temor. Como eu sei que 
ehfermidade, que pecca- no sangue, nao se cura,.§e 
este 'na6 se aparta do corp5 ^ apartei-me delles, juI- 
gand© ser melhor que elles me na6 veja6 , que scr 
deltes mal visto; c capacitandb-me que q Signo de * 
Gemliiis hunca-sera para^mim CaM,deexalta§a6/ Fpi- 
me preciso fazer a v. m. sabe^or' 4i^p, antes que.^el- . 
les fagad com v. m. que p^oa aqudle conccito,. que 
de mim faz», 6 que ^ntirei qomo o maior dos meus 
infortunios* Porem co^fio muito que .v. m^ por estar 
tanto inforfnado '*de mim , coma delles , sefitenciari 
pelo conccito, e nad pelo succedido, de que a in-" 
vfja fbi origem , e que o odk) Momenta. Iksos guarde . 
a V. ♦!!!. por muitog'' annos. ' " : * 

zi, Meu- amigo. Chegou-seaf occiisiao 4e eu me 



t66 S^E C R E t A Tl I A 

Tal^Tf ^ ^^ ^^ erperimeiKar a amizade de v. Iri*, 
que della ha mako tfcm'po qutestou iceito , e mttom 
€u entei^i que a occasiad fosse tad urgent^, e ksci^ 
xnosa. ChegoAif a minha desgraga. a ligAv-dc a libenla'^ 
lie na horrorosa prizao .de hum c^rcer^ , que taais pa-' 
rece sepultura , qufe haj§ita^a6. IlfeUe {)daK> a& impor- 
tttnas noras do dia , attonito cau^ o espectacttto .^M 
flicus inforti^ios, que rbubatido-me ate^dc^ oilios^ 6 
scfmiao , me n^a6. aqudle descao^o , 4^ que a mtuien 
,:ml he tsS liberal com os iiK>itaes.^ Todo o^ibequtfri-- 
mento , ou se me nega , ou ae ine defuom nas maoa 
dos MiilistroG: sa6 como asmedicim$ 0ial pr^ptradas;^ 
que mo^rem, mas na(t resolrep pa hum^^*. Pafa re-* 
luediar esta segunda injustifa fue vaiiio^lo grande pn^ 
trocihio de v. m. , paVa^ qant quern dar o Memorial 
incluso ao Ministro N...-5 que he Jiomem ^t quec 
ralias, Y. m. para elle a he txm particd^ : ajude- 
me en> fudo b que poder ^ pois de tudo se faam-'dU 
gnas as minhas queixas^ e infelicitiades ; que eu porei 
-tao distincto* befteficio no infinito iiumero 4^ mwhf/is - 
antigas obriga9de$« Deos guarde a v. sn. pqr muitoa 
annos. " • • ' ' ' . * 

'.11:5 Meu amigo. Quant» intejo a tv m. 9. rara Wi- 
cidade, com que vive, vivendo lirre de llfigio^*! Pa- 
bre-, e infeliz de mim, que sa6 tantos osqu^teftfep^ 
que parecem ta6 innutherayeis como he o dinhciro^ 
que com elles dispeudo. Eu o d^ra^ per -mui bem 6fli- 
pregado , se me tefssem justi^a j pdren;^ todps os pas-* 
- so%^ que dou , si6 como os dos Planetas rctrOgraaos> 
que sa6 inuteis. Breve he o dia para subir^ e desc^ 
escadas de Ministros, ^Escrivaes) sendoqifeem hunt 
Hao deixa de haver letras , nem em outros presteza : 
mas a6* letras de kmt, pel© que papafij sa666dePa- 
piniano ; e a presteza ,dos outros, pelo que rouba6 , 
Ae como a velccidade de Atalanta com sentid6 nos 
f'licrcs de oiro. Disfarcfe v. m, ou a puerilidade , »ou a 
clarcaa com que me explico, e s6 attends a compade- 

X ■ cer- 



J?t>RTT7GXTE2. [jif/ 

ccpi^e dos mens trabalhos, dando-me cdm^ maior 
empenfao. esses Memonaes ^nclusos^ nos quaes tnais fal- 
la a. juati^a, que a piedade. Esperodev, nu todoofa^ 
Tor, porque todo Ihomerece a minha servida^/ Deos 
guardevE Y. m. por muitos annos. . . 

Z3 Meu amigo. At^gora, na8 possp t«r o goslxi dc, 
T^r resposta de htima Carta , que a v.tn. escrevi , p&- 
dindolne q seu jigtrocinio s^ favor dcN... , pes^ a 
^uem devo- nao, commuas obrlgagdes. JSnt^do que 
esta demora^ on msA do esquecimento , ou talvez da 
pOuca vootade, .que v. m. tern de me favorecer. Eu 
faeoi'^i que emmixh iiao ha njefccimtotos para alca)i* 
Cif hum tal favor^ porom certamenle haviaros (mqucl- 
k raiseravel , asaim ' pela juiti^a , que Ihe assiste^ e 
dtira. pnza6 \qiic padece , conap pela piedade, coai 
que a roga. JEii na6 pcrtendia, cjiiando de Vi^m. me 
Talia , violar a justi^a , maiis $im mitig^r osummumjui^ 
Quamm sa6 indignos da luz, e com tu^ tambem nas- 
ce para .elles e dia , como para os outros ! Na6 digo 
mais porque na^^^quero com torn de orador^ltecandali- 
2ar o procedimento do Mundo : e «^ rogo a v. m. que 
'me respoHda , para eu satisfazcr a este sneu pobre 
afilljado, fliostrando-lhe que. da minha parte \puzera 
todas af for§a$ para o seu bom successo. Isto he 
agora. mais que eu pe90 a v. vci» ^ parecendo-me antes 
o mriK>i». Fico as ordens de v. m. com melhor yon- 
tade^e com maior promptida6.Deos guarde a Vm-pormoi- 

RfeSPOSTAS AS CARTAS DE. aUElXAS. 



i tic 



LoNRA-ME V. Exceliencia na sua Carta de 
/iStlodo, que me conftinde , e nella me'escref^ de ma- 
neipa , que me ensina. Nella sa6 tantas as elegjincias , 
como OS favores , e se estes me deixa6 obrigado , tam- 
btm^ aquellas me pddem fazer. discretq: porem euauo-y 

ro 



l6^ S E C t E T A K I O 

TO deixar dc o ser , pard nic applicar todo i parte 
que me obriga, e me deve fazer ^radecido. 'Em 
quanta obrigii^§a6 me deixa o sentimento , que V*. Ex- 
cellencia tevc de na6 seachar j4 nesta VilJa, quando 
o busqiiei ! A quantos agradecimentos me obnga6 as 
queka&j i^ue o ,scu aiFecto fbrraou por esta mesma 
causa y ^s qua^ sendo mal fundadas por dizerem reib<- 
5a<ta mim , na6 forafi *i;om tudo d^ctada§ pelos com- 
muns comprUnentos da political por vkem de V. E:^ 
cellencia ! Depois ,dc agradec^r tanta fineza , rogo 
muiio a V. Ercdlwcia que na6 se dcaacommode ^ 
vindo-outra vcz a esra terra por causa minha ;. ^xjrquc 
iia6 c^Cro que V. Excellencia-venha" fazer a e&ra Vil- 
la 5 o que eu com brevidade hei de ir fazer a cssa 
Corte; Em quaoto nai6 pxecuto csta resoki^aS , Ssu^^ 
nie V. Excellencia mui frequentemente mimoso &os^ 
sens preceitos-, pofque na execugaS deljes serei mais 
prompto. > DfQS guardc a V. Excellencia poR'Ojuitps 
annbs. ^ • 

2 Era- preciso que eu me esquece^ de qaeti) . V. 
Senhoria he, pntj^ terpor cerra a noticia , que £ia sua at- 
tenciosa- Carta me cscrevci Quern nasce com as obri'- * 
gacdes de V. Senhoria j nao podia commetter hum^tteor- 
tado, quechega a escandalizar , quando se-daeiBUiiin 
na^cimento humild/e, Deixe V. Senhoria failar os scus 
cmulos , c continue os seus passqs , fazegdo qo^ na5 
ouvt, a maneira da Lua com os: atrevidos latidos .dos 
c^es y esteja na certeza que nenhuma inimizade po* 
dera desattr o. vinculo <Jo nosso aiFecto , p<)fque he 
indjpsspluvel. Agora ine dizctih que V, Senhoria vetn i 
Cortcj^u estimo infinito, ejd ofFerejo a*V. Se- 
ahorir copi toda a sinceridade a minha Casa , para 
della se scmr coqio sua. Avise-me V, Senhoria se he 
certa csiji ndticia., c de como se serve de acceitar esje 
aeu devido ofFerecimento. Deos guarde a V. Senhoria 
for muitos annos. 
K 3 Para se amar a httmamigo he preciso amaUo 

com 



P0RTUt5UE«. ^ l6y 

CEsm o seu dcfeito; porque de ourro nnodo nad haver 
jia amizadcs , e querer*se-faia cjue o Mundo na6 fosse 
Mundo. Mui|a$L vczes tcnho promettido a V. Sonhoria 
de o ir visirar a sua quiuta, e oiitras tantas^' Ihe.tepho 
faltado ; mas he nec^ssarip qtic V. Senhoaa roe 4^%* 
farce estas incivilidades , nascidas cei;tarnente de hum 
Snnocente esquccimento , ^ue jd oad.quero dieer oc- 
ciipa56es.; porque V. Senhoria oa6- se quer ja fersoa- 
dir destas desculjpas^ t conx raza^ , poi« oa^^als p6d^ 
jiaver para deixar de lograr a companhia 146 estlmar 
vel de V. Senhoria. Com a brcvidade , .que* me for 
possivel, irei rcceher- a pastigo -de taQta escKiecimetiia> 
ic agradecer vivamente a V. Senhoria o-atecto> cona 
que me trata , o qual ea sem diivida Ibe mere§o. En- 
tre taiito mande-m? V. Seiihoria como p<Sde , para ea 
€umprir com os seus preceitos cqmo devo* Deos guards 
a V. Senhoria ' por onuitos atmos. 

4 MKU'amigo. ]^a ^casiad, em que W; m. me di 
ium particular gosto com a sua estimavel Carta ,. me 
causa., hum igual^^encimento com a sensirel .narra- '^ 
fad das suas desgragas. Nenhuma admirajfafi mefeo* 
rao ; porque com lastima as rejo mui familiares cm 
pessoas dos, merecimentos de v, m« Este he o procedi-> 
£nenta da Mqndo , e etn todas » idades. sempre fo| 
juizr desta iateireza ; cqo^ nos testificad as iieis teste-i 
dptunhas das Historiaa. Coi9sole**se v. m. com as^ suaa ' 
desgra^as, console-s^ porque hesi^ial evidente deque* 
he benemeriro : quanto mais.quena<5 era o primeim, 
nemcertamente sera o ultimo. Se eu poder servir a 
V. !«♦, de t)utra. consolagaS., na6 me poi^ por qu^m 
he: porque em. mim acbara v. m. mim tal JaiFecto'^, 
e vontades para Ihevaikr , qjue na6 seri^ facil achar ou-* 
tra ta6siiicera, egrande, porque na6 seri facil des- 
cdbrir-se hum axriigo como c«. Di^arce v. ai. esta 
jacrancia ; porque sofe^e assentar em verdade , redcn^ 
da em credito da minha amizade. Fico prompto para 
tudo o que v. m, &r.?ervido mar*dar-mc, e seja com 



170 S E C R E T A B X O 

m ^revidade, c(u€ pedem as .mmhas o&dga^^eg. DewT 
guarde a v. m^-por muhos ^moi* 
. 5 }Aj^ Apjigp* £u c/^vjxamtte n^rtcnho expresk- 
«jks 5 com ^iie pos«jiu iSOiPrtsw -^t' vv ra» o interior seriti*- 
iinc^plx}, com <^tte ^ov^a ^nslvai' iu)tiei^ , que oie 
dd da sua- pfi2a9. Se este podcsse'f^ceber augmento , 
sd o teijg,. por ,nie na6 p^tlcipar v. ra, o motko. Aalt- 
&c9a5^ que Immi^ vezes <dd entendlmento , outras ti- 
ra a ittemdria ; pomm fosse qiKiIquer a razad , sexnpre 
«6tou certd que |iavia ser ««ri raz»6 ; porqiie dos co$- 
taine^ ifir. /imr* na6 m podia . esperar cousa , em qii^ 
as Leis tinossefQu^part^. Esta CQSsiderat;ao melassoce^ 
gar , c diwr a v, ni. t^vte pa6 se ateraorizc com a . 
•formenca de jioje , que amanha apparecera Geo 
aerenp; porqae sempre- a desoudez 8iac6fa<da^ua in- 
noceo^ia poderi mats ,- que o r^^o atiasvido das 
a^us emuloSi.Eu 0§tou itremptismmp para fezel* tudD 
que v.m* .me iit&inua ; e neti' corp tanto empeflJioco- 
xno brevidadie : assim porqueopedem as mitihas obrii*- 
ga^es , coni6 a af&ic^ao de*^.jffi. , a quern DeosgUarde 
-per ijiuitos annos*^ ^, ' 

6 Men atnigo. Na6*p6de r. m. ODnsidifcar o grsm^ 

^ sentimeoto , .cim qi«e.me deixa a noticia da fuadh^ 

isordia c©m scus parcniBs., porquc aestes^ t a v. m. 

Cfitimo maito , pelo partiCuiw favt>p , coha que ^e tra- 

' tafii Gonta este mal a fic^a anriguidade , que o 

Muado; porque o primero sacrifiGio, qiK ,neUe se 

' fez , foi a- discordia ia»ocJttaida entre dois irmSos. 

Istd basta? para cu ii»6 -itie admirar , e p*ra pefder as 

csperan^as de pqdercttmr ^afermidade, que-'he! taii in- 

vetftiida. ?et9m^ motiro f^&mehivci papcial; e sd 

ctridatei cm desempeuhar bo* conceito, em que v. 

■«• estiy de que sd eu Hie s6u verdadeiro .amigo ; i\o 

i)ual 4pi6 perderei tei«po, nem occasiaS , assim para 

satisfezer ^s antigas finezas , tpat a v." rn: A^vo , co- 

mo paifa agradccer esta, em: que r. m. antepoz ovin- 

■ cu- 



P o * a* tr G u « z. 171 

cijfe da aiiii^ade ao i9$treuQ do parentesco. Deos giu»» 
de a V. m. por muires anods. 

' Outrds r^sfnatas f4ra CartMS dt^eiooas ^ on n 
MhardS nat que escrweims dt desculpa y ou ccm fkcpf 
dade as poderd fortkar del/as engtnho do Stcfttsrioi^ 



bARXASDECONSOLAqA6. 

AC V.EiK.T £ N C I At 

^A& mui cQinmuns. as oceaei^os^ de coi»aIar » poi> 
qae sa6 fM|M« Mundo friui rulgaresiia advefsidadeB; e 
he est^ eserciclo imii^pmprio de hum animo chtmnfi^ 
Bforque samfaz # Jtuint das^obras de miserictfrdia* 
EstaAosr obrigaidos a^esqever'semelllaiftibr Cartas. a pc^ 
soas f ]»nga« ^ cOAiobndo*^? pelaNperda de^iguma ccw* 
aa atHMveL aO teu arrificio. he o seguxhte : 6e A jpcs^* 
»SLy a qu^em. se ha de coneielar.^ for pmdeme, e aafiH* 
xa, claramefile Ihe ma^raremo6'<:om argumentos (}ue 
aff6' diete la^tinuf^^se* Se for de finiaio fraco , e o sen-* 
tiinento' for el^ ^sOfte cf^e natf consnita cmsolafad » 
usareiiio»*dehumtaI^trt<fici6i, que sexn oanhno o $tm^ 
tir., se ifftfxxiazi^o allivio , e a confortajafi, dizenda 
V* g» que fta6 escrevemo^ frara ti coasolar ; porque sa# 
hemos edm quahtd valor sabe sofirer as adversidades f 
ou (]ue estaiDos tambem n6t tjccupaidos de hum tat 
sentimenta, .que tia6 vamos aconsolar, antes i)ccea« 
slcamos ae quern nos coisisole. Logo inaensrvdniefM 
iremos usando de -todas a& raz6es, que podem. nsiti- 
gar a pena i dizenoo , pc«r exetnplo , que a p'Srda m^ 
he ta6 graVe como pareec, ou qite he de pouca diH 
ragafi ; e entad daremos. espcran^as , dt que a foft»* 
na imidari de rosto. Se a perda for depessoa^ <jtte4Bor- 
Feo , consolaieffios , . louv&ndo-lhe. as virtud*s , com 

que 



171 S E r m E ♦ A K I d. 

^e ho Mundo se fesamavd j e'cotn que iiclksodh* 
morrer, Finalmcnte cancluiremos , "exhortando ^ tal 
pessoa a que sdcegue , e Ihe <Sffereceremos todo d tiosso •' 
prestimo, &c. Pertencdm estas -^Cartas aogeneroDe^ 
likirativQ. 

. CARTAS DECONSOLAqAd 

1 V^OM que olhos podia cu1er a Cafta de V- Excel- 

lencia , sena6 com aquellcs uiesmo* com que V. Excel-* 

kncia a escreveo ? Peaetrou-rae sem diivida tao viva- 

ipente a noticia da morte do Senhor Conde de,.', , 

que as iagrimas humedecArad o papel; porem'naS du- 

rdra6* estas tanto , que iia6 di«sem no juisco entrada 

d razaS* Enxugou-as logo a pia conjectura , de qoe es- 

tiaqadla grande alnta jia Patria dos escolhidos J jpor- 

que a- vida dos homens ^ra'iide» na6 he tftaJs qUe' hutri 

continuado -comments sobre a m6rte. Esperd que a' 

piedade de V JExcellencia dfe entrada a esta cdnsidera- 

9a6 , e que se ac^so 4ii»dd chora , seja6 a$ lagrlma? 

mais" de inveja^, que de* compai3ta6 , leaabrando-se de 

que este Cavalbeiro com o alto debuxo ^as suas virtn^, 

d® fabricou-, em qnajMfo vifo, a;' e^c*Sa para subir 

60 Ceo. Papa V. Kxcellenck havef de se epftsolar , ^ 

tnuito meoos bastara se se attender So'seu prudentis- 

«ira0 juizb ;* mas muicb malk-fra preciso, se se reflectir 

Ika mifihafraca capacidade ; por^m fazendo tudoo que- 

jpQssO) fa§6 quanto d^d para alliviar a V. Excellencia 

de ta6 grave semimentp. Deos guarde a V> ^cellencia 

por muiros^anos. ' "'v. 

.•2i|4orieo a Scnhoi^ Condegat e que quer dizer 

ixiorreo ? Acabou xie ser-mi^ravel-j e talvpz principia 

i^ser feliz: porque acabott bem^ como V, Excellencia 

cfttreJagrioiasf. cqcfessa. ^'afi «e entregue V. Excellen- 

aia^a tanto -^enximento j pois andamos heste Mundo de , I 

tul'ilnodo;) q^e mais nps . dev^mos admirar de qiiem ! 

■' uas- 

I 
I 



P d % t V e V i^T. T7| 

i^ipe , que ie quera liiofre. Muico pod^ dizer para 
consoiar a V. Bxcdloncia, porem fiaSquero com as 
iJDiinhas e^horiacoes injuriar assoas siSIidas vittudes. Em 
si mesmo tern V* ExceUeBcia opoideroso balsa mo pa- 
ra ta6 penetrante. goJpe, Eti iia6 digo^mais. Decs guar- 
de a V.' Excellencia por muitos annos. 
— 3 O ccynst^iGte animo de V. Exceltencia , para ser 
consola^lo por ta6 infausto accidcnte , fiao necessita da 
vuigar mcdicina ^ de que para caes golpei^ usa o affe- ' 
<:to dos xrms fieis aCiigos, O espipto de V. Excellen- 
cia teni o 4nesmo rejrtedio , ^e se • adtnirava oa Ian§a' 
d€ .-Achilles; . Ki. como o OJympo, onde na6 ha lu- 
gar para aquella^' tees, qaesKi convem a humildade 
dos outros momesj pelo que se eu intentira conso- 
iar a V. Excellencia, naS faria mais, por muitq que 
fizcssf ^ que mostrar liuina sombra, que logo dissipa- 
da pelos. penetritntes raios do juizo deV/E^fcellencia 
em nada so resolveria, Unicamente busco a V. Excel- 
liencia^para' me consoiar com sens preceitos, dos quaes 
a minna obedicncia se v^ ha tamo tempo privada , 
que a impaciencia, vencetodasagexpressoes* Deosguar- 
de a V. E^fcellen^ia por muitos annos. 
. 4^ He. inufil a consola^afi, onde ha constancia nas 
adversidades. Estg he a motivo , porque na6 vou con- 
solar 'a. Y. Excellencia pek inconsiderada determina- * 
• §a6 , que contra a sua-pessoa se tomott; que se tal . 
v^-tude se nao dera ta6 aitaaicnteem V. Excellencia, 
disseria que o animo do homem fofts nu6 cahe com ^ 
o primciro^golpe da fortuna: que »« estd innocente,< 
jjaa fia ..inaior fclicidade j porquQ, com a sua ausencia 
se ausenta tambem com elle a justiga; e que setal- 
vez esti compreheiididQ em sdguma culpa;, tambem, 
para satisfazer ao seu. brio,^ ua6 d^ve em atren9a6 i 
perda enircgar-se ao semimcfito j porque assim Como^ 
na6ha quabd^de de.ar, que seja impeneiravel ao rdo'- 
da Aguia , assim igualmente jsa^ h^ terra , que na& 
seja . pacria ; do ^omem constants Ouno o £s€orrer 

• ' , ; maifi' 



f74 S 1 € »» r A » I o 

maii ncita trnttt'im pdck ser coiisa odlosa , e de amset^ 
quenciaS) dou fim a Carta , txagando unicameQte ^ V^ 
l&xcelkncia que nad me escejad distantes os s^g pri^ 
ceiro9, assim cocno, we cstd a »ia pessoa.' Deos gimr% 
de a V. Excellcncia por rrtuiios annost 

5 Nao saberia qu que cou$a era atnizade, se dis^ 
s^a que na6 he justissimo o sentimento , que V. Ex- 
cellcncia akaoiente padeceo pela perda de seu gran- 
de amigo D. N... xie este gwpe ta6 forte > que pdde 
iem de8Credito do vaI(M:> prostrar o animo^matsccHis^ 
ttnie; pofque entrar na id^a.de na6 seatir, he de^ 
prezar a raza6. Sinta poi& V, £xce]j^[^iaf,^porem- dd 
Aodo como se devem smtk as advei^idajdeS' do Mun^ 
do, que he adxnittindO'CO0sola§a6: e sejaade V.Ex- 
eeliepcia x> considerar que s« Ihe faltoa o amigo^ nun^ 
ca V. Excellencia faltou ai^ sahtas Leis da amieade , 
que em quaoto vivo Ihe profes$ou com o alFecto , e 
ainda contimia com os sufiragios depois de a^itrar na 
%egisi6 das alma^. Na6 se esque^ V, ExcelleAck. de 
hontar a miuha obediencia coiti as seus estimaveis pre«« 
ceitos^ de que sesppj^, como V. Excelieocia $afae , 
fui ta6. ambicioso.^ Dmfi guarde a V^ Exoeliencia' por 
amitos aonos. 

6 A larga enfermidade de V. Excellencia tern fei- 
to em todos huma imprei^6 ta6 viva de sestimentd 
como n^BTcce a estimavel pessoa de V. Excelkoda ,^ 
e como pedia<6 os muitjos beneficios , que a tanios* 
tern &ko B sua generosa fcenignklade.'Eutre elksnafi 
tecdbo &x o scgundo lugar ; por hso sou talvez^o pfi- 
xrieiro a de^^r a V. Excellencia a' sua antlga saude: 
€ eaaquanto esta na6-chega a aiiliviallo domodoposh- 
aivfcl 5 per^adindo'O « que toiere com paciencia o 
piedoso rigcr , com que o Ceo o quer experimefitar , i 
>de»fiattdo a sua constascia. Lemb're-se V* Excellencia 

que quanto mais fraca > e ecferma esti' a carne, tan- 
ta« mcnos fbrgas tera^ para se rebellar contra o espiri- 
to , u que no crjrspl te que se purifica 6 curo^ apar- 

i. ' . . ,tau- 



^ ' ' \ ■ ■ ■ 
P 1R T tJf S U » X. tyf. 

tantloro d^8 &2^. Bern simerfiuas sa6 para as yirtuck^ 
de V. Exceileacia estas admoe^ta^Ses ; poresn o meif< 
e^tado . as pede , . e. o meii exo-cicio as lembra, Deos 
guarde a V. Exceilencia por muiros aiinoSv ' 

7 Se OS lucres do Ceo se podessem- chamar per<» 
dtsf* fe terra ^ diria cu que grande perda expa'imenta 
a CofXe pela itiorte do Senhor O. N«.. hum dos seusr 
mais principaes Cavalhcind^ , ou se attenda ao esplea- 
dar do msGimeata^ oji ao dA& virtudes, Porem conto 
ea me p^suado qtse. ii6s na6 perd^tnos^ mat aniei 
lucriinos a3m a sua inorte;; porque coni elk passcma 
hiitna* vlda- iimitiortal^ a^sim no Mundo pelafaina,(x>* 
mo no CeO'pelos merEcimwtos ; dcvo dizer a V. Sc* 
nhoriaf eonj zelo, tanto de Catliolioo, eoiDO deami«» 
go y qcie iudisattarnpnte se entregaao sentimento : 
porque^ na6 se contenta de usar deile ^ mas o desper- 
4i§a ^ naS sera injiiria do seu. pnicfenitissimo juizp , neni 
s^m graven ofFeni^ as. rarasviftudes d6 morro , que es- 
tA j4 teceliendo o pi^raio dellas ua feiiz Regia6 doi 
Escolhidi^s^ Rogo^' Deos que inspire' akamente em V. 
Senhoria estas raz6es 3 e que guarde a sua digna pes* 
•soa por irfyiros annos. • ' 

8 Com razao fia V. Senboria nmito da minha ami-. 
2ade, e afFectOj participaudo-mea tristissima noticia 
da morte do Senhor D, N-. porque siabe que^ua 
hei de sentir , ccmio se pel» minhas v^^as passasse ta5 
illostre sajague , e <que hei de ©este scmimento acom^ 
panhar a V. Senhoria , coi^ose fo88eifk>s duas almas 
miidas em hum corpo. Assim he ; hei de acompanhar 
a V. Seiihoria, mas ha denser parao conso'Iar /como 
€u a mim fa^o , propondo-lhc .a piissima confectUl^de 
<|ue este Cavalheiro pm meio-das suas conhecidas vir^ 
tildes camlnhou peia Via-Lactea para a verdadeira fia- 
tria* renmn^adora. Consolemo-nos , Senhor, »cobso- 
lem(>-no?. Passbu o dia da Tnortc dojiosso aroigo, pas- 
se tambem a. noite ^o nosso sentifltiento : e da viva 
Ii^7 d^quella aima fsli^s^oas^a a <s€r.enidade da nossa vi- 

d?. , 



o 



176 S E C K E T A R I O 

da , para que o Mundo nos conbega por amlgos , e 
o Ceo por Christies. Estas razdes sad as que bastao 

Sara a minha amizade , e as que sobrao para o juizo 
e V. Senlioria-, a quern Deos guarde por muitos 
annos« . ' 

^ A tanto extremo chega a pena , que Kit assfete 
peu) desgosto de V. Sejihoria , que certamenre me 
lalta6 expressCes para- a encarecer , e ainda para a 
parricipar. A forruna tem^ hoje inuito poder no Mim- 
do, porque este esti inuito vario, e ella s6 bsls vg* 
riedades t^m a sua fumeza. A velocidade da sua roda 
he incomparavel , e incrivei j c os-accidentes , que. a 
cada instantc se oflferccem , ta^ -que bao ha outro 
antidoto, mais que apaciencia. Supplico a V. Senho- 
ria que fa^ esta considera^, # se persuada quena6 
ha peregrino neste Mundc?, que de passo sem.ser 
acoiRmettido das siiladas da fortuna.; porquQ a nao ser 
isto assim ^ pcrderia o Mundo oseu ser. 1st© he 6 que 
posso por hora di^er a V. Senhoria , -porqiie nad pre- 
tendo accrcsceatar com as minhas palavi:as as suas af- 
fiic^oes. S<S rogo.a sua bondade que na6 me diminua 
com a falra dos seus preceitos a honra ^-^jue tenhode 
ser Criado 4^ V. Seahoria, a quem Deos gaiardej)or 
muitos anric^, 

10 Erti toda a occasiao deve briHiar a constancia de 
animo na qualidade de pessoa^ como V. Senhoria ; 
porem em nenhuma melnor que na pfesente, em que 
a V. Senhoria succede hum tao, grave . inforrunio , 
que raiias vezes apparecp nas pessoas da condicao de 
V. Senhoria^ sendo o Mundo ra6; liberal delles. 
MiHto temera eu de Vj. ScJiihoria ^^ se jia6 ovirafort^Ie* 
cida com as virtudes, as quaes Ihe fazera corisiderar 
que estesuccesso hehuma viska,. que Deos Uiefaz para 
experimentar como amig^ a sua cojista^cia'j e he oerto 
que ji na patria dos Fortes esta preparada para- V. Se* 
jihoria huma Coroa immarcescivel. Grande felicidade,! 
Ja nao cousolo a V» Senhoria ,; doij-lhe os.parabcns, 

• ' •' - e 



V. 



PoRTTTGtyEZ. I77 

c parabens de p v6r tao feliz , que incita em mim ha- 
xna santa inveja. Deos Senhor nosso continue a V. S©^ 
nboria taritos berts , • porque delles se fifzem tao dig- 
Hos OS sens rafos merecimentos. O mesino Senhor guar-* 
de a V. Senhpria por niuiros annos. 

11 Ougo que V. Se;nhoria esta altamcrite pcnetra- 
do pcla desgra^a , com que a fortuna o na6 quiz isen- 
tar ^a sua fatal jurisdigao. Mui pouco fundamento des- 
cubro em V. Senhoria para as queixas' , que forma j 
porque se persuade que sao escuras trevas huinas le* 
ves sonibras , que mais fazem brilhar, qiic impedir i 
luz. As desgrajas tern hum nome como oCamaIea6^ 
que ria6 se p6de proferir sem estrondo , e.sem cau- 
sar algum terror na fantasia: Os que sa6 de hum .es- 
pirito cffeminado imagina6 que he hum mpnstromaior 
que hum Elefante , e mais formidavel que hum Lea6 j 
mas se o vissem em hum campo coberto todo dchu- 
ma s6 foiha de arvore, zombaria6 do atrevimento do 
sea nome ^ e nz6 duvidaria6 por desprezo de o pizar 
com OS p6s. Considere V. Senhoria profundamente 
iieste exemplo , e applicando-o para a sua desgraja ^ 
«ombe (JeJla como cousa , que uni'camente no voca- 
buJo causa horror a hum animo constante. Vista-se da 
veneravel' vestidura da Filosofia Christa , e appliean- 
do-se i Aichimia , que ensiiia6 as virtudes , transforme 
o. ferro'das' tribulufegSes em oiro de felicidades. Re- 
ceoso' de que a paixa6 de Y. Senhoria na6 attenderd 
a estas minhas raz6es , dou constrangido fim ao meu 

.assumpto, esperando mais opportuna occasiaS. t)ese- 
jara achar. semelhante, em que V. Senhoria comos seUs 
]>receitos deixasse de me _ter ocioso no seu servijo*- 
Deos guarde a V. Senhoria per multos annos. 

12 Eli ^na6 mc admiro de v*er sem premio os co^ 
nliccidos merecimentos de V. Senhoria. :vadmirp-md 
ium de que a sua prudencia seresdlvessea queixdr-se^ 
dua§i parecendo-Ihe nova a injusti§a do Mundo^ Quan- ' 
do vi€i V* Sewhoria coroadas com o derido premio as 



17? S E C J t T A 1R I • , 

virtudes ? Quando vio que hum bcnemerito , sacu din- 
do p honroso, p6, contrahido na carreira das acc6cs 
illustres , . descangasse a sdmbra do valimento do Rrin*- 
cipe , ta6' enriquecido de premies , como elle soubera 
cnriqUecer-se de glorias ? V. Senhoria na5 tern repa-r 
rado que Venus, sendo avimagem dasac§6csinimigas 
da heroicidade , tern lugar no Ceo coii;i o timlo'de 
Estrella , c que Pallas sendo a que inspira iciencia no 
valor , e valor na scicncia , jiem tern lugjar. no Ceo,, 
nem o ^splendor de Estrella. Consolc-se pois V. Se- 
nhoria., ja que v6 que^s Bast6es na6 sao, como,a 
Clava de Hercules, argumento de valor, e que $6 
se dao para se arrimarem aqyelles , que se vem dcst^- 
tuidos de forgas , naS por causa de idade debilitada , 
mas em razao do espirito feminiL Aluito raais pode- 
• ra dizer a V. Senhoria para sua conso)a§a6, que na6 
he csteril a materia : porem isto para V: Senhoria bas- 
ta , e se dissera mais , seria muito^ A quern tentasse o 
vio , ou surcasseondas'niais^ fortes, wrid mui facil o 
uaufragio. Deos guarde a V. Senhoria por muitos an- 
nos. ^ ' 

- 13 Mcii amigo. Muito obstinada tern sido a ea- 
fcrm^dade "dev. m. porque nz6 cede aos romedios do 
tempo, € menos aos daMcdicina. Eu o sinto rhui vi- 
iramente, como pide a minha aflPectuosa amizade , e 
as minhas na6vulgares obrigagSes. Estas assim como 
me disp6em para o sentimento , assim igualmejate. me 
movem a curar a v. m. com mais certa. medicina f se 
na6 da doenqa mais forte ^ que he a do .cpfpp , ao 
meno^ da mais perigosa , que he a do espiritp , por- 
que ouco que V. m, d4 grande entrada a impacieiicia^ 
He preciso ., meu amigo , fitar no Ceo os olljos da 
considera§a6 , e redectir que as enferraidades sa,6 a 
alma vivificahte de hum Catholico ; sim eafraquecemi 
o corpo , porem reForga5 o espirito : sao a pedra ^ 
onde se toca o oiro -das virtudes , pgra se experimeiir- 
tar a qualidade do seu^valor^ c sem p^ssar por esic 
V exa* 



PoKttrGUK3ff if^ . 

examc,' oil na6 se cbnhece, ou fica duvido^sa ^ sua 
estima^ao. Pode iigualmcnte servir a v. m, dehum gra*' 
yc allivio a companhia dos» amigos , que o visita6 , oy 
quaes quanda sao verdadeiros, sao hum tliesouro , quel 
nao se sabe estimar , porque sabem sentir , cotnoprcH 
pdas 5 as enfermidades dos seus aXiiigos , d maneira doi 
corpos sublunares , que sentem em si todbs os acci-* 
dentes do corpo da Lqa. Acceite v. m* ) esres podercH, 
«os remedies , effeitos sinceros da minba ami^ade ^ 
que deseja fortaleccr o seu espirito inquieto, ja que 
nad pckle dar vigor ao seu corpo cnfcrmo , o xjual 
niedianre Deos cspero com muita brevidade* O mes-» 
mo Senhor guarde a v. iti. pormuitos anno?. 

14 Meu amigo. P6dc v. m. cstar na certeza (!e ■ 
que ainda nao tivc noticia , que me penetrasse ta6vH 
vamente o corajao com sentimento , come a presen-* ^ 
te 5 em que v/ m. da parte do sei^ desterro , e niuitd 
mais sendo originado por' huma causa, cm que y. irt* 
mosTrou que sabia cumprir.com as obrigagoes do seu 
sangue, na6 sabendo sofFrer injurjas. Seesta ac§ao de 
V. m. nao he briosa , eu nao sei que cousa possa sef - 
brio : se na6'foi necessaria , tambcm na6 sei com que 
obriga§6es na€C€ hirm homem de honrado nascimen-^ 
to. Suppoijho que esta ignoraiicia he defeito do meu 
Juizo 5 e quero-me sujeitar a este parecer por na6 me 
sujeitar a padec^r culpado o castigo%, que v* m. pade-^ 
ce innocence. Pa sso a lembrar a v- m. que na6 se et-» 
que§a da sua cbnstancia ; da quai em semelhanrcs sue-'. 
cessos dera a v. m. muitos exemplos j pi:aticado8 por 
VarSes grkndes , se em • outros maiores , como os da 
8Ua Familia, na6 tiyera v* m.. outros exemplafes, qua 
imitar. O principal officio do tempo he gastar as cou-» 
s^as , e do bom Principe , como o que temos ^ he 
apagar como Pai aquella ira , que accendeo cdmoReirf 
V. m. dispdnha de tpda a minha vontade^ como sei 
fpra sua , seu excepga^ de tempo , e de preceito i 
porque e^tas occasiSes s^<> pedra^ em* que sc conW 

M ii -^ €flf. 



. l80 . S E C R E r A R I O 

ce , quando ^o toca , o rio da amizade verdadeira. Deps 
guarde a v. m. por muitos annos* 

1^ Men ^migo. Ja o- Mupdo nad podia soffref 
que estivesse occulta a virtude do a^ninio de v. m. , por 
isso o quer affligir com os presentes* trabalhos, E/le se- 
gue o seu antiquissimo costume , procedido da pessiraa 
cduca9a6 da sua infancia : sigamos ,n6s o dos homens 
fo^*tes 5 softrendo coiistantemente os cegos golpes da 
fouce d<J tempo , e contaudo com paciencia as.horas 
mingbadas dp seu fatal relogio. Seeupossoconsolafat-. 
m. de butro mode , considere-o asua affiic^ao ; :quc se , 
cu o dcvo fazer, bem p coiisidcraS as minhas obrlga*- 
§6es. A minha vontade est^ ta6 prompta, como quern 
conta por proprios os seus trabalhosl Tpda a dempra se- 
ra mais prejudicial ao meu desejo , que is necessidades 

' de V, niv, a quern Deos guarde por muitos annos* ' 
16 Meu amigoi Muito admirado estou da noticiay 
que V. m. me participa , na6 pelo que obra6 os seiis^ 
cmuIos> irias pelo que v* in. obra. Queixa-se v. ra.^ 
delles ? Desta vil plebe da Republica litteraria ^ Ja oa 
Gisnes e^uecldos da suavidade do seu canto, fazem , 
casb di importuna ybzeria dos Grous ? Ja a Lua sus- 

, pendendo o seu curso, da atteccao aos temerarios la-^ 
tidos dos-caes? Or^ , meu amigo, ta6 longe esjii v^ 
m. de se poder queixar^ que antes deveagradecer aes- 
tes emalos os defeitos , que pdem a sua obra : por- 
que rendefh por sacrificio a sua mesma inveja5.e dad 
tudd 5, que podem, pois dao tudo o que nelles ha* 
Nao OS despreze , agrade§a-lhes^ este beneficio , .por- 
qije as luzes dcyem todo o seu resplaiidor as sombras: 
e s<S se de justamente por queixoso , e por'inferiz\ 
quando elles emmudccerem : pois entao entraria v. m. 

' 210 descangado ntimero daquelles ^ que carecem de ini- 
migos. Nad digo mais'j que para o juizo prudente de 
^. m. ainda isto sobra, e so rogo a sua bondadeque 
me^ continue a« honra estimavel dos seus preceitos* D^os 
guarde a y* m. por muitos annos. 

' ^ ' Meu 



P o R T V g'u e z. iSi 

17 Meu a^migo. Li a Critica , que' ao Soneto de 
V, in. fez hum Aaoftymo, c como foi com a condi5a6 
de dar sobre ella o meu parecer , em mui pofucas pa- 
lavra^ o expcnderei , consolando igualmente a v, m. , 
pois ( segundo se 16 na sua Carta ) entrou no seu ani- 
mo a melancolia. O Author , quern quer que hq , cou- 
sa nenhums^ fez n.^ sua Critica com advcrtencia, se- 
nao occultar nella o sea nome \ porquc asseguro a 7. 
jpsi. que seria entre os intelligcntes apontado por huna 
daquellcs , que nunca como hobre Cisne subio ao doih* 
to Motite das Mlisas , jiem bebeo das ^uas aguas •; 

,iiias que seitipre coipo vil rt viveo no lodd dos char- 
cos , que no vallij se cntdntrafi. As raz6cs , com que 
impugna, sao como os versos do antigo Mevio , que 
OS niel bores era6 o^ pdores ; e como os animaes da 
Numidia, <qvic os mais formosos era8 os mais'enoiv 
mes. Aspalavras,' com quediscorre^ sa6 para.mim to- 
talmente desconhccidas : entendo quenasc^ra6 doJdiof 
ma corrupto , com que falla a ignorante plebe d^ Re- 
puclica litteparia , a maneira do Povo das outras Re- 
publicas , que sempre usa de huma linguagem quasi im- 

, perceptivel a quern he civilizado , e intelligente, Hu- 
ma unica agudeza acho nesta dbra , a qual devo^ di^- 
^er, e he a do estilo,; pois conserva. sempre aforqa 
da sua 'etymoiogia , pelo que fere , penetra , e tras- 
passa, Tendo eu mais vagar , direi a v. m. com excen- ^ 

.sa6 o meu papecer ; e ferei no corrupto corpo desta 
Critica huma rigorosa -opera9a8 Cirurgicr, cortan- 
do-lhe quasi todos os sens membros. Entre tanto Mes- 
cance, c console-se v. m. ; fe se acaso houver nova in- 
vectiva , sofFra-a do mesmo modo , que se sofFrem as 
savandijas no- ^Estio. Estou , como devo r- sacrificado 
aos minimos acenos da vontade- de v. m, , • a qucm 
Deos guarde por muitos annos, 

18 Meu antigo. Para 6ccasi8es de ta6 grande , c 
justificado sentimcnto , eu na6 posso descobrir outra 
consolacad, que ter fixamcnte na naemoria, o como , 

ou 



ItSa S E C K ]E T A K I- <i 

pu tarde , ou cedo ^ he precise -per Lei indispensaf-r 
vel pagar i tiiorte o tributo r e que na6 vao de ppiop 
^ondi^ad os que va6 primeiro ; porque no mar des^ 
jeMimdo quanto mais se navega, maiores baixos se 
icncontraS para 6 nauft^gio. Supplico a v. m. cm no-r 
me da minha fidelissima amizadej que de lugar a es-. 
ta consideragad ; para que a grandeza do allivio seja 
semelhantc d do pczar , e a do metr" desejo. Assiiti o 
pspero dc V. m. , como quern entre todas . as virtudw 
iia6 tern a prudencia no ultimo lugar , nem o amor 
j\o primeiro \ porque este deve cedcr is consideragbes 
de num entendimento Catholico, e aq«ella deveresi-:^ 
^ir com venera§a6 pm hum animo Varonil. Deosguar- 
^e a V. m. por muitbs annqs, 

ijt Mea amigo. Posso certificar' a v. m. , com hu-r 
ma verdade despida de toda aiisonja,, que sinto raur 
to o infeliz successo y que teve a sua pretea5a6 , cor 
mo se cu fora o intefcssado; que ta6 grande he a 
amizade que a y. m. fielmcnte prpfesso. He tao amir 
ga entre os homcns a injusti^fa, que del la , ie do Mun- 
'po temos iguaes noticias; e assim use v, ra« da sua 
constancia /e prudencia, que he o.unicx) balsamo , 

3ue a Medicina Chrisra applica para scmelhantes ferir 
as. Dcos Senhor nosso' melhorard os dias , e occa- 
8i6cs } porque ainda espero'quc v, m. veja premiados 
OS seus Gonhecidos merecimentos, Os que eu lenho 
dc professar a v, m. huma afFectuosa amizade, naS p6^ 
dem aspirar a outro premio , maij^ que aos frequentes 
prtfceitos de v, m. , que espero mais comfo efieito de 
justi^aV que de favor. Deos guarde a v. m. par mui- 
|os arinos. 

20 Meu amigo. Nsi6 quer v. ro. acabar de s^ fgzcr 
.surdo as jgnorantes crititas dos sens emu los , os qwacs 
fpmp Iheconhecem o genio , mais quereip affiigir p 
sc(i animo , que vituperar as suas ooilis. Socegue , 
fiiPH amigq , p despreze todos os ditos, que mais had 
'^gsfer gi'les 8ur9fa,qi|e 9 pgcgsQ ^Q f ?y flogie, Dpst^ 



P R T U XT B ^. l8j 

terra he que nascc o oiro , c destcs espinhds a rosa. 
Quantas nuvcns no ar represcnta6 hamens , castellos , 
animaes, e oiitras muit^s^ cousas , que ao depots em 
hum instante desfaz o vento , sem dellasficar algum 
. vestigio f Assim succederi a cste maligno vapor , a 
quern agita , e eleva a maldadc : para que ao depois . 
resplande^a6 mais vivamente as claras luzes das Obras , 
dc V. m. , a,, quern depois de pedir qvk de lugar a esta 
considerajaS , rogo que na6 me tcnha ocioso no es- 
timavel exercicio das suas ordens,,»que tanto dcsejo. 
Deos guarde av.m. por muitos annos. 



.CARTAS DE AVISO- 

A D V E H T 3E N C I A, 

J\^S Cartas de aviso fora8 as primeiras , de queusa- 
n6 OS antigos Escritores ^ porqae na6 se inventara6 
as composi96cs epistolares para outro fim,' mais que 
para avi^ar os amigos ausentes de cousas , que ou a 
dies, ou a n6s pertencem. Por tanto devendo ser a 
Carta hum messageiro , que exponha a outrem o nosso. 
pensam^nto , e negocio , devemos logo no principio 
captar a bpnevolencia do amigo; e so o poderemos 
cvitar em ^res occasi8es* A primeira , quando ha hu- 
ma reciproca amizade , que na8 admittp ?ste sacrifi- 
<:ib,i a segunda , quando sobre o mesmo assunto ti- 
vermos escrito outras vezes ; e a tcrceira , quando 
para havermos de escrever , nos faltar de tal modoo 
tempo 5 que apenas nos baste para dar noticia do ne- 
gocio. Acabado o exordiq , ircmos i narra5a8 , a qual 
dcve tcr estas seis qualidadcs : Brevidade ^ clareza , 
probabilidade , elcgancia , desemharafo , e propriedade. 
Ob$crvar-§erha na narrasaoo dizer primeiro as cousas 

sn^is 



184 S E C 1 E t A R t O 

mais communs ; e prlmeiro as doamigo, que as pos^: 
sas. Se avi^rmos de aiguma fortuna , que tivemosi 
attenderemos muito a qualidadc da pessoa^ para assim 
distinguirmos a Carta , co(mb tantas vez^ estd insi- 
nuado. A esta especie de Cartas 'pertcncem , e servem 
de assurtto assim as cousas piiblicas , como as parti- 
iculares 5 as quaes se devem tratar compj^dissemos na 
Jnstmcjad Preliminar. Q genero Dfemanstrativo ^tten- 
de a cste assunto , Sec. * 

CARTAS DE AVISO FOR ALGHMA MERGE 

FEITA PARA CARDEAES 

1 JL^iQNOU-sE a Real piedade , e grandeza de Sua- 
Magestade'Seyprover cm mim o posto vago rde... : e 
como a experiencia me tern mostrado , na6 sem np- 
tavel confusaS dp meu agradecimento 5 que a innata 
benigniidade .de V. Emin^ncia estima mui paxticularr^ 
rhenre os"mcus augmentos ,^, dou a V.Ettiinencfa par- 
te desta merc6 ; assegurandp a V. Emin^ncia com as 
mais sinceraS- express6es , que a honra , e con ten ta- 
menro, quie della meresulta, ainda p6de ser msior , 
se V. Eminencia -6^ servir WBsta minha nova occupa^jao 
dc dar frequeritemente exercicio a minha ambiciosa 
vontade com os scus estipiadissiraos preceitos. A pes- 
soa de V. Eminencia guarde Deos pelos annos , que 
todos-lhe pedimos, &c, . - , 

2 Terilio a particular' honra de ir do inodo pbssi- 
vel a presen$a de V. Eminencia a significar q^ie'^a 
Real grandeza de El Rei nosso Senhor jd foi servido. 
liomeair-m6 na occupa§a6 de... : e como .este emjjre- 

. go foi cfFeito do alttf patrocinio de V. Er^iinfncia , 
que 4ttendendo ao nada dos meus merecimenros me 
quiz fazcr sua creatura , devp agradecido |«iiar a 

' fimbria' da sagrada Purpura de V. Eminencia; o que •- 
f^gp com aquella humilia^ao ^ d<^Yid4 , .na6/menos 4 
/ - •- , — ^ • • ' , ^ ' ' / . grant; ■ 



:P o R T tr o UK «; ' xSj; 

grandezi da- -pessoa de V. Eminencia ^ que' a da minha 
inexplicaveL obriga^ao- Deos guarde a V. Eminen- 
cia por muitos annos , como todos havemo» mister , 

3 Perderia eu o honroso caracter de humilde Cria- 
do de Vi Eminencia , se deixasse de dar ^parte a V* 
Einiftencia do meu novo augmento , porque sendo o 
maior gosto para V. Eaiuiiencia o adiantaniento dos 
seus Criados, mostrava, que na6 sabia ser fiel, dei- 

^xando de participar a V. Eminencia esta noticia, Foi 
Sua Magestade servido nomear-me para o lugar de.,., 
cuja mferc6 certamente eu nap esf^r^vji , pu porque 
nao a pedi , ou porque nad.a merecia r^ircunstancia y 
que me cstimularia para hum particular desempenho , 
se a capacidade fosse ignal ao desejo. Nao he menos 
ardente o que tenho , ;dc que V. Eminencia me na6 
pfive do honroso exercicio 4e seu humilde Criado ^ 
porque tambem a grandeza de V.. Excel lencia mecoH^- 
funde com semelhantes bcneficios , tad ppuco roga-« 
dos 5 como desmerecidos y mas este he o grande poder 
|3os Principes , gue fazendo-os a natureza grandes , 
se.sabem dies fazer maiores. A pessoa de V. Eminen- 
cia prospere Deos por muitos anhbs, quantos ssl6 o$^ 

, nossos votos 5 &Cr ' . 

Para Cavalteiros* 
'4 Toda a demora que eu tivesse enj dar parte a 
V. Excellencia de hum meu novo emprego / era tafi 

. prejudicial a niinha affectuosa amizade , comoseria 
^stranhada pela deV.'Exceltencia, que tanto emtantas 
occasj6es tern mostrado queestima, como seus, os-meuj 
^ugmentos. Com#eu os na6 desejo aeaaS para poder ^ 
iTielhor , sefvindo a V* ExceUencia , desempenhar as 
minhas graves obriga^fies ;- agora que i^ecebo a noti- 
^cia de esiar provido no Posto *de:». , a participo sem 
<!emora a V. Excelleiicia , para que principie a dispdr 
as ocgagi6es, que a minha ambiciosr vontade tanto 
'^?seja»5. 4espida tQ^m^at(e„4aqweIla iisionja ^^ cpm que 



l86 S 1 C K E T A R I 6, 

a politick para ?e fazer corteza ^ perde o ser sinc^ra; 
Ddos guarde a V. Excellencia por muitos anrtos. 

5 A fiel amizade , c6m que V. Excellencia tanto , 
me trata i corao me honra , ' persuade-me que ha de'rc- 
ceber hum sincere , e na6 politico contentamentb pe-. 
la noticia , que Uie patticipo da merce que sua Mar 
gestade foi servido fazer-me de Presidente da... , a qual 
ji. OS meus arinos nao espcrava6 , e deila quasi, deses- 
peraria^ os roerecimentos / se erii.num os houyera. Es- 
pero do dominio, que V. Excellencia tem sobrcami- 
nha vontade ^ que na6 a tenha em ocio neste meu novo, 
cxercicio; porque liao merece tal ingraitida6 o ardor, 
com que deseja os preccitos de V. Excellencia ,nem a 
prontida6 com que estd para o executar. Deos guarde 
a V. Excellencia por muitos annos. , 

6 Como V. Senlioria em.tantas occasi6es se tem 
ijiostradov ta6 particularmente empenhado nos m^us 
adiantamentos , seria notavel descortezia , c maior in- 
gratida6, deixar de dar parte a V. Senlioria da merce, 

' qiie a grandcza de El-Rei nosso Scnhdr sc dignou fa-* 
zer-mfe, provehdo-m^ na Vara de... , a qual os mei» mc-^ 
rccimentos ainda nao podia6 aspijrar* Queira as6rteque 
assjm como cu agora cresci cm ^rao ,' cres§a iffualmcn^ 
te tanto em- merecimentos, quemesupponha V. Scnho- 
ria digno dos seushonrosos .preceitos , para os quaes ja 
a minha vontade na6 p6de estar mais prohta. Assim o 
C5pero de V. Senhoria , que tail to ' sabe favbrccer aos 
seus Criados ; porque eu da minh^ parte porei todas 
as for^as para merecer esta honfa. Deos guarde a V, 
Senhoria por muitos annos. 

7 Na6 permitte a reverente sei#da6 , que profes-^ 
«o a V. Senhoria , o deixar de Ihe particij^ar a noti- 
cia 5 de que com estas novas pr<)moc6es de Sua Ma- 
gestade me coube alguma parte na honra, c na utilir 
dade ; porqiic foi servidp unicamente por hum aqto 
da sua Real ^randeza nomoay-me.., Julgo acjaS xuui 
$uper|iua p pfferccer-me a Y^ S^ahoda ^ p^r^ ^u? w^** 



P o R T v « y E z. ' 187 

te meu novo ediprego disponha^da miaha vofitade, c 
do meu prcsrimok, como, e quando 'muito Ihe pare- 
cer; porque bem sabe V.. Senhoria a authoridade que 
V. Senhiuria rem sobre a ijiinha obcdicncia. Decs guar- 
de a V.' Senlioria por muitos, annos. 

8 He Formosa consequencia das minhaS obriga^Ses , 
derivadas da rara benignidade , coiti que V. Senhoria 
me trata^ o participar-lhe a nbtkia de qufe a Real pie- 
dade de El-Rei nosso Senhor foi scpvida de prover ein 
mii^ o lugar. de,,. : e ainda que ^u estou persuadido 
que V^ Senhoria facUmente por outra parte I)ie terd 
ja vindo a noticia esia , de que agora a V. Senhoria 
ta§o aviso i torn tudo, parece-me niui preciso que V.. 
Senhoria a soube^se tamb^m por minha via , para lem- 
hrar a V. Senhoria que na6 rm esque^o das m.inhas 
grandes bbriga56es., e que em todo o lugar, e occa-» 
siao, se nao ^s possbdestempenhar, as desejddiminuir,^ ^ 
enipregando-me todo no suavissimo exercicio dos seus 
preceitos, os quaes viva, e sincera*n^nte rogo a V. 
Senhoria ^ como o maior devedor. Deos guarde a V^ 
Senhoria pprmuitps annos. . ^ . 

9 Parecer-m^-hia que qom escandalo despresava a 
honra. da minha fid-eiissima servidaS , se faltasse' em dar 
parte a V, Senhoria da raerce, que Sua JVUgestade foi 
servido, fazer-die , elegendo-nje para o Governa de.., ; 
a qual .quanto -pdde ter de indigna, se se attender ao 
incu' ppuco rne»ecimehto,vtanto,p6de ter deaccrtada, 
jje se considerar na altissima comprehqnsao /de queoi 
a fez. Agora que V, Senhoria tem hum Criado , se nao 
mais condecorado , porque na6 sepdde subir a maior 
honra * que a do seryigo de V. Senhoria, ccrtamente 
mai^/prestadio ; porque se abre campo mais dilatadp 
para a minha- servidap:, tenho que rogar corn a maior 
sinceridide de animo a V. Senhoria^ que na6 me par- 
ticipe qom parcimonia os "^eU3-J^ni^sos preceitos , por- 
que qiiero/por mcip delfcs, sobfe h^rar 6 ca^acter, 
cue teqliQ ^e s%^ Qmio^ ac?e4«at est§^^e« ngyoemti' 

. ^ ^ . pre- 



i88 Secretario 

pr'ego. Assim o rogo viramente a V.' Senhpriay^a qitc» 
Ucos guard e por rauitos annos, * . 

Para pessoas partictdares. 

10 Mcu amigo. Faltaria eu certamente i minha 
obrigagad , se faltasse em dar a v. m, a noticia , de 
como Sua Magestade por hum oenigno ercesso da sua 
Real grandcza , sc dignou nomear-me... , lugar, a que 
aiiKla ijaS podia6 aspirar outros emprcgos , que exer- 
citei, ncm o podiaj6 merecer os meus reqaisitos, co 
mo V. m. bem sgbe , ainda que o na6 confessa. Para 
eu desempenhar ta6 inesperado despacho , busco ja a 
V. m. rogando 4 sua affecniosa amizadc que frequente- 
mentc d6 cxerckio a minha obrigada servidao com as 
suas estimaveis ordens; que he o mcsmo qiie aconse- 
Ihar-me, e dirigir-me para a recta administragao dajus- 
tiga , a que unicamente devo aspirar. Assipi o cspero 
da bondade de v. ra. , a quern Deos guarde por muitos 
annos. 

1 1 Meu amig6. Como a experiencia me tern mostra-' 
do o quanto a sua fiel amizade se interessa Aos meus 
adiahtamentos 5 de que s^d infinitas asprdvas; he pre-- 
ciso que At pafte a v. m. da honra que Sua Magestade 
foi serrido fazer-me , despachando os meus servi§os 
com o Posto de..'. , no qual com hum particular cdn- 
tentamento desejarci que v. m. chegue a conhecer a 
grandeza da rainha amizade, e obrigagaS, empregan-* 
do-me no' honrose exercicio das suas ordens , as quaes 
rogo a V. m. que seja8 consideraveis^como frequentes^ 
Deos guarde a v. in. por miiitos annps. 

j':^Meu amigo. 'A parcial amizade, com que v. 
m. em toda a occasia6 me trata , deixa-rme mui per- 
s^dido de que ha de mostrar hum sincero prazier c6ni 
a noticia , que agora Ihe doti , de que com a ,descida das 
Consultas subio o meu adiantam?nto ao lugar de Pro* 
yedor... , para o qual poderia entender que sc d^raS 
cm tnira •merecimeritos, porque a recta aetefmiiia<;a($ 
4« Sua Magestade ai« e^olheo Qntre xnuitpa pi-ecett* 



P K)' R TV a V % Z. ' 189 

i3«ntcs ^ que s'obre benemeritos erao patrocinadosf. 
Com, a brevidade, ,que me for possivel, hei defazer 
Jornada ; e fico na firmer esperanca , de que^ a distan- 
cia nao ha de pcder fazer i^ com que y. m. se esque- 
^ da fiel amizade , e do grande dominio , quQ tein 
sobre a minha obedieticia, Deo8 guarde a v. rti. poi- 
Hitritos annos* 

Outras Cartas de aviso par oceasiaa de nascimeu* 
tas i mortes , <b^r.^, convidando tambtm nel- - 
las para a/gufna cousa. 

j:? Para desvanecer-se , e hohrarnse mais a fel scr- 
vidao , que ja minlia famili^ professa a V. Excelleiicia , 
foi Deos sdrvido que me nascesse hiim filho 5 ao qual 
amanha se ha de ministrar a Sagrado Baptismo. Ro- 
go a y. Exf ellencia einpenhando para is?o ^ sua na-» 
tural ' benigilidadc , que me queira fazer a particular 
Ijonra de ter parte neste Sacramento , raandandoto- 
- c^t como Padripho neste seu novo Griadq. E^ou niui-i» 
' ^o certo que V.^ Excellencia nao me ha 3e. difficultar ' 
€sta merce , porque sabe na6 perder as oGcasi6es pa- 
ra me hojjrar. Eu igualmente as procuro para agrad^ 
cer a V. Excellencia' tantos fa^rores , quantcs eu nad 
sei expressar 3 e $e nao me mostro agradecido , he de^ 
feito do meu prestimo, e na6 da minha rontade. Deo« 
guarde a V, Excellencia pormuitosannos. 

14 Gpm successivo nascimeuto de varios filhos, 
assim como $e raulttpJicafii os cuidados, assim tambem 
se me augmentao as honras, porque sempi^os Sonho- 
res da Caza de V. Senhoria se dignarao de me fazer o 
estimavel favor de quererem ^ como. Padrinhos , ter 
parte no baptisma delles. Ha dias que foi Deos servi* 
do que me nasccsse hmn : e como ciinaodevo pri- 
var-me da antiga honra , rogo a V, Senhoria que n)a 
' continue J - do que na6 p6sso duvida^r, porque V» Se- 
nhoria , ^eg»ihdo o exentpJo dos'seus grandes Pais , 
rem a bondade d^ altend^r aos seus antigos Griados, A 
pessoa de V. Senhoria guaido Deos por muitos annos. 
^ ^ Meu 



IpO . S E C |l It T A K I' O* 

15 Meu amigo. Foi Deoj, Senhor nosso servido de 
dar successa^ a mitiha Caza, dando-me lium-filhojjque 
veio ao Mundo com hunna tal felJcicfede , que aindi 
augmenta maife o ,beiv:ficio. Como ed desejo buscar 
todog OS meios para sen indissaluvel a nossa afFecluo-. 
sa' aiTiizadc, e s6 o posso conseguir com hum vinculo 
espiritual 5 rogo a v. m. com o maior empenhoqudra 
lisongear o mcu gostb, e desranecer a minha servidao, 
fcrvjndo-se dc querer , como Padrinho , ter parte no 
Sacramento , que Domingo se ha de rrtinistrar cni 
casa : de cujo favor fico tao certo , que ji mui rendi- 
damenre o agradc^o a v. m., a quern Deosguarde pof 
ttiuitos annos» • ' 

16 Dou parte a V. Excellencia em como foi Deos 
servido levar para si Jium , Criado ta6 antigo , como 
gel da Casa.oe V. Excellencia, que era meu Pair e 
como em V, Excellencia tantotrilha a benignidadede 
hum espirito illustre, como- a piedade de hum animo 
Christa6, peco a V. ExceUencia queira honrar o sen 
cadaver, assistindo na parochia de... ao piedoso aero 

'do seu enterix), que sera hoje pelas Ave Marias; de' 
cufa rherc^ ficarei a*' V. Excellencia ta6 obrigado , co- 
iTiO pede a honra , que della me resulta. Deos guarde 
a V. Excellencia por muitos annos* . 

17 Hoje pclas Ave Marias se ha de dar sepultura 
na Igreja do Convento de... a minha mai, a quern 
hbntem cham'ou o Geo , levando-a desta vida. Rogo 
a V. Senhoria queira fazer ao meu afflicto ej'pirito 
hum pederoso sufFragio, honrando com a sua assisten- 
cia OS piedosos actos de enterro ,..e Officio, oqual ama- 
nhS »e ha de fazer as horas cbstumadas. Deosguarde 
a V. Senhoria por muitos aiinos. 

J 8 Moi arhigo. Depois de huma ta6 dilatada , e 
penosa cnferjmidade, rioi Deos^ servido levar -liontem 
para si a minlia Mulher: e como hoje pelas ^eis ho* 
ras se Ibe ha de -dar sepuitura na Igreja do Convenio 
^«*«> rogQ a v. m. me queira acotnpaiihar o seu Ga<" 

- ' dar 



P o f. r vQ V -R z.' 191' 

daver , ja que me ha de acompanhar no sentimento. 
Por este favor me confessarei a v. m, perperuamente 
obrigado ,e o porei no punicro-daquelles muitos,que 
nunca saberei , como he devido , agradecer. Deos guar- 
de a V, m. por muitos annos, • ^, 

Outras cartas jde aviso sahre diversas cousas. 

IQ Dou a V. Excellencia parte cm como d^poi* 
,dc Iiuma tao prolixa Jornada , chcgueLJiontem a esti 
Corte com feliz suqces^o; e por este preciso acto da 
uiinha fiel servida6 reconhecera evidentemente V, Ex- 
cellencia que nem a larga distancia , nem o dilate do 
curs© de muirgs annos me pud^i'a^ fazer esquecer de 
V* Excellcncia 3 e se em mim se desse ta6 indigna ac- 
§a6 5 ofenderia gravi^simamente as invidlaveis Leis da 
amizade , que V, Excellencia me professa , c tambem 
as da gratidaS , pelos muitos beneficios , que a sua 
- natural Denignidade me tern feito. Rogo a *V. Excel- 
lencia com a inaior sinceridade de am4go, qiie -se.sirva 
•de cdntinuar^me aquelle antigo favor , com que por 
tneio -dos seus estimaveis preceitos desvanecia ariiinha 
obediencia : porque ainda esta o na6 soube desmere- 
ccr , pcla mesma promptidao , com cjue esta para ser- 
vir a V/ Excellencia, a quern vDeOs guarde por mui- 
tos annos. 

20 A enfermidade do Senhor Marquez de...- v^i-se ^ 
mui sensivdmenteaggravando: motivo por que nos tern. 
a todos em huma notavel confnsao , e em hum evi- 
dente tfemor, oqual augmenta muito a esta§»6 , em que 
•estamos , que sendo eqi. toda a parte nociva , henes- 
ta terra mortal. O corpo esta n\A condicionado V ^ na 
sua grander maquina dd lugar a muitos maos humo- 
res. Quanto a mim esta quasi morto, porque Ihe fal- 
ta a" melhor parte , em que clle vivia , que era na 
siia rara viveza. Deos Senhor nosso , ehi cuja podero- 
sa. ma6 esti- a- saude, inspire o especifico remedio a 
ta6 fprte mal, que serviri igijalmente pira a enfcrmi- 
dadQ 4e anioiQ, que padecem os muitos amigos des-* 



, 1^2 S E C B B T A R I 

te ta6 h6m Cavalheiro. Sobre ttido^ faga-se asiiaDi-^ 
vina vontade , e o mesino iSenhor guarde a V. Excel- 
lencia por muiios annos ; 

. 21 A minba ambiciosa sefviSao vai participar a 
V. Excellencia que tern ncsta Corte mais hum Gria- 
do, porque honrem cheguei eu a elk, com a confti- 
sa& do negocio , que me encarregou o Real Servijo^ 
Se ao de V. Excellencia for precisa a inutilidacie de 
meu prcstfitno , bem sdbe V. Excellencia que ^ me fa- 
ri huma nptaveMnjiiria , se me privar destti-honra , a 
qualaspiro para satisfazer ahum sinc^ro desejo da mi- 
Dha obediencia, e na6 a hum mero acto de pdlitica 
lisonja. Muito confio na,bcnignidade de.V. Excellen- 
cia; pelo que ja dou parabcns a minha servida^. Deos 
guarde a V. Excellencia por muiios annos. 

22 Foi indisposiqa6 do meu cOrpo, et^afi da mi- 
nha vontade o deixar de responder a attencjosa C^- 
ta , com que V, Excellencia , para ostentar a sua be* 
nignidadc,' desvancceo a minha servida6. Pejo decur-* 
so de tres mezes estive successivamente morrendo ao 
impulso de liumas dores tao penetrantes por tpdo a 
corpo , que me parece certamente .que nem ainda 
imaginadas poderiad ser maioits. Se na Medicina haal- 
guma substancia , toda se esgotou cm particulares re- 
medies para este mal : porem nenhuns aproveitara6 , 
^ntes com a multiplicidade delles se multiplicarao emi 
mim as dores , ate qu^ por conselho proprio determi- 
nei buscar na natureza o'que na6achava na Arte^Fui 
para" huma quinta^ e foi-me ta6 proveitosa esta deter^ 
mina5a6 , que em breves dias , i1a6 sem prodigio, 
me vi inteiramente restituido. Este foi o uriico nio- 
tivo, como jddisse, porquc logo na6 agradeci a V*' 
Excellencia a hbnra da sua Carta ; o que agora faco , 
como posso 5 e na6 como dev^ra ; porque agrandeza^ 
deste favor, sabendo-a eu' conhecer , na6 a sei express- 
gan Fico todo com a vontade mais ^sincera ^as dispo- 
si§6es de V. Excellencia , a quern Deos gSarde J)or 
xnttitos annos A- 



P o m T u a V B 2:. f 9 j 

%^ A affcctupsa amiz^ade , com que V. Excellencia 
he scrvido distinguir-me, -me anima a rogar^a V. Exf- 
ccUericia queira ..authorizar com .a sua assistencia o acta 
ds -cntrada de hunia rrriqha iilha noConventodasReli-* 
giosas de.,. , que amanba de tarda se ha de fazer. Es- 
tou na firme esperanga de que V. Ei:oellencia me nao h4 
de negar esta particular honra , porquc, a sua haturai 
bcBi^nidade na6 a pode diiKcuItar , nem a minha fiel 
servidao a sabe dcsmerecer. Delia disponha V, Excels 
lencla como.deve, pois eu como posso a offerego pron- 
tissima as disposi§8cs de V. Excellencia , a quern Deosr 
guafde por muitos annos. / 

24 Tenh6 contratado a casar meu filho primogeuitd 
com a Senhora Dona N... 3 filha dos Scnhores d[o,.. : e 
como sem a approva§a6 de V, Excellencia nao devo dar 
por ajustado este contra to > rogo a V. Excellencia sef 
sirva deme eommunicar oseuparecer .peloqualproteV 
to de me dirigir, coqipomaisacertaao. V, Excellencia 
cona OS ^eus frequenti^simos prccejtos exercite toda i 
authoridade ,- que tern sobre 'a minha pronta 6be-« 
dieaeia^ Deps guarde a V. Excellencia por muitos an- 
nos* 

^5* Dou a V- Sefi^ioria a tristissima noticia de ^S 
hontem, depois de h'uma breve doen9a ; passbu a me- 
Ihpr vida jnosso bom ai^iigo N... Fico por esta per^ 
da mui penetrado- de seiitimento ,- e vivo de modo^ 
que bem dpu a entender que contra vontade viroii 
Confuso com, est^ pena^ nao sei se me console ,.con-^ 
siderando b quanto aquella feliz alma me amoy , ouL 
se sinta , vendp que *ta6 cedb me desampardu ; poreni 
sentirei , que para os affiictosnao ha cousa maisagraw 
davel que . o sentimento f no qual certamerite me ha 
de acorn pa nhar V. S'enhoria ,. porq'ue entre os fie is' 
amigos deste digno Cavalheiro na6, tinha V. Senho^ 
ri»-o ultimo lugar. Eu me preso de ter oprimciroen^ 
tra OS Criadps de V. Senhoria ; motivo por que Ihef 
jpcjD , cpQ entire todos me distinga com ^s scushonij^ 



^94 ' SECfttetAtio 

rosos preceitos. Deos guarde a V, Scnhoria por mul- 
tos annos. 

26 Finalmente depois de huma dilatada enfermi- 
dade , menos clieio de annos , que de merecimenr^y. ^ 
acabou a vida o Padre N... Incuravel ferida rccebe- 
ra6 as Letras , e fatal perda esta Republica , sendo es* 
te sabio Religio^o a gloria de ambas. Tal , tbi esre na* 
clonal J e ta6 raro em todo o gcnero de cstudos , que 
a sua erudi§a6 mais a hao de conhccer oshomens per 
Ihes faltar , do aue antes a conheciao pelo possuir. O 
profundo juizo de V. Senhoria , comoi^uem pode ver- 
dadeiramente avaliar a quaHdade desta perda, nao ha 
de duvidar deste meu "conceito ; antes ha de ser pelo 

{)artiGular conhecimento , .que della tern , quern rae- 
hor a saberd sentir : em* cujo sentimento acompanha- 
va6 a V. Senhoria os meus suspiros , conci o afflicto 
^co do sen grande pranto. Deos guarde a V. JSenhpria 
por muitos annos. , 

27 Eu na6 sei que possa6 haver express6es , que 
dignamerite agradegao a V. Senhoria a continuada hon- 
ra , que me faz com a's frequentes Cartas , que he 
servido escrever-me , cuidadoso do estado .da.minha 
saude. Eu , Senhor , gra§as ao Ceo , vou com nielho- 
ria muito conKecida ; , porque o mal , ou corao fraco 
deo costas , ou como compade:cido se retirou^ Tenfi- 
me ordenado os Medicos qufe daqui . em diaate gaste 
1K)S estudos menos a2;elte , e menos tinta. Eu nao sei 
tomo o poderei fazer , estando nos Livros , ou a mi- 
rha vida , ou a consola^a6 delia. Niinca me parece 
que estou nlais vivo , do que quando trato com os 
mortos ; principalmente nesta idade, em que o Mun- 
do esta ta6 decrepito, que o vejo totalmente arruina- 
do, a forga de tantos males, e'tanros descohcertoW 
He o de que por hora possb avisar a V, Senhoria, a 
quern rogo que me conserve muito na . sua gra^a , e 
sejao della argumento os seus es-timaveis preceitos* 
Deos guards, a V. Senlioria por muitos annos. 



P O Ji T tJ G tf E It, 195^ 

^ 28 A nobfeza do satiguc , que neste Mundo he 
comnuimmente huma sunima ventura , tambem he pa- 
ra iruitos^ pcla extrema pobreza , huma summa dc>- 
graca. Hum evidenre exeiiiplo rios da nossd bom ami-* 
go D. N^., 5 que vive ia6 falto de ben3 para se susten^ 
tar ^ que so possue a paciencia , com que soffre a suA 
miseria. Para haver de a diminuir, vale-se ^a piedadd 
de huns amigos , e do patrocinio de outros. Huns d 
ajudao a yiver como podem , outros quando podem , 
porem nunca como pede a qualidade da sua pessoa, Sef 
V. Senhoria , ja que as virtudes opuzera6emhumhH 
gar que tdnto attende aos pobres , tiver alguma oc-* 
casiao defioderalliviar a extrema nccessidadedeste ami- 
go com alguma consideravel esm6Ia, fara V, Senhorii 
huma acca5 digna do lugar que occupa ^ e tao propril 
do seu sangue, como das suas virtudes. Ambos viva-* 
mente nos fecommendanios a V. Senhoria j sc hum pela 
parte da amizade , outro pela da pobreza. Deos guar- 
de a V. Senhoria por muitos annos. 

29 Devo fazer sabedor a V/ Senhoria do como te^ 
nho pas^do, para me desculpar a falta emqueestoii: 
porquc ainda que V. Senhoria admitte as libefdadesdei 
numa verdadeira amizade, na6 sofFre desattengoes £ 
superior • condigafi da §ua pessoa. Quando eu cntendiji 
que por haver vencido a forga da .minha grande doen- 
5a 5 acharia algum ailivio na convalcsccnga j recahi , 
novamente; porque se ateou em mim huma febre taci 
ardente, que se passados tres diasna6 diminuisse, cer-* 
tamente na6 tena V. Senhoria mais Cartas minhas^ 
Estou mui prbstrado, sendo tormenta sobre tormenta ; 
porem como agora o mal deo lugar a que podesse di- 
ctar estas poucas regras, nao pudq soffrer demrora em 
me desculpar com v. Senhoria , o que me parece faqd 
de modo, que ficard sem a menof nota de desobediente 
aminha fiel servida64 Deos guarde a V. Senhoria poiT 
muitos annos. 

30 Tenho de dar $ V* &nhoria eai huma notici* 



196 S E C K E f A K I O 

hum grande goito , porque he V. Senltoria hiima viva 
copia da verdadeira ami^ade, Foi hontem D. N... des- x 
pachado por Sua Magestade para o iGovcrnode.*. com 
huma Coraracnda, que p6de animar o seu cspirijro , e o- 
da sua Casa , quasi monbunda pelas tenucs rendas , 
com que vivia, Foi este despacho gcralmente apprq- 
vadp, c todos da6 por elje a este Cavalheiro raultos 
parabcn? , pronosricando-lhe ainda maioret augmentos , 
•em que a inveja appare§a era publico , salvo sc hfe 
xnascarada. Eu sou dos que com mais fe Ihe fazem cer- 
ta esta esperanga ^ e Iha desejo verificada ;, porque dos 
seus grandes merecimentos sou o seu primeiro venera- 
dor, e dos seus favores nao sou tambemo segundoen- 
riquecido. Muito me ha dc acompanhar V* Senhoria 
licstt gbsto : sena6 pclo segundo , certamentc pcio 
meu primeiro fundamento ; e na6 so por este motivo 
Ihe anticipo csta noticia , mas para que V. Senhoria ,. 
e o amigo igualmente conhe^ao a qualidade da rainha 
amiTjade. A que eu com animo sincero professo a V. 
Senhoria , vive com impaciencia, por e^tar pri^a 
dos seus honrosos prcceitos ; e assim nao a queira V. 
Senhoria ter mortificada, ja que tem tsuita bondade o 
seu animo. Dcos guarde a V. Senhoria pDr muitog - 
annos. 

32 Meu araigo* Pot causa de v. m. del em roubar, . 
Roubo esta hora ao somno, para a dar a v. m. , que 
he o mesmo que roubar a mim a vida , para viver 
com V. m. daquelle melhor modo, que a disranoi^ 
consdnte. He ji muito antigo terem os amigos o 
cpitheto de ladroes do tempore quern' diz. tempo ^ 
diz vida. Isto basta para v. m. ficar inteiramente per- 
suadido das minhas occupa§6es, e do meu afFecto. Eu 
cstou com o beneficio dos banlios ta8 sensivelmente. 
ihelhor, que me parecemelancolia.dizer qiie na6 es- 
tou bom. O sitiohe tao agradavel , assim pelo clima , , 
como pcla situa^ao, que tambem tern cooperado mui- 
to , nao mcnos para a miuha mclhoria ^ que para o 

. > meu 



^ V OK *r TX « V E X* * , f57 

ineu divertimento ; porem ainda com tantos bens y 
saiba. v. m. que nao cstou pcrfeitamente contentc , 
porque me falta a sua amarel companhia , e instructi- 
va conversa§a6 ; mas com brevidade, se a melhoria 
me nag engana , irei gozar do que tantodesejo. Dis- 
ponha V. m./ehtre tanto da minha vontade como quern 
no afFccto na6 esta ausente* Deos guarde a v. m. pof 
inuitos annos. 

'^z Meu aniigo. Post varios casus ^ post tot discri- 
fnina' rtrum , cheguei a esta Rcpublica. Nella' estou 
com huma particular satisfaqao minha ; porque na6 
me fazem saudades aquellas circunstancias , com que 
a Patria me attrahia. A urban idade esta aqul tanto no 
scu auge,, que s6 clla he quern tern sobrq tudphum 
diespotico dominio. Pela multrplicidade de gentes , que 
ajiabita, rne parece todo.oMundo abbrcviado, na6* 
se pareceftdo com ella parte alguma do Mundo. Aqiii 
florcce a nobreza , ^ e nao o vulgo das letras , porque 
sem usar do incenso da lisonja , os Historiadores saO 
Livics 5 , e Salustios ; cs Oradores Ciceros , e Quinti- 
jianos : e os Poetas Virgil ios , e Ovidios. Dilatado cam- 
po «e me abria para/discorrer no Elogio dcsta^ Cor* 
re da politica , lembrando-me taxnbem da magnificen- 
cia dos' seus edificios , da riqueza dos sens subdkos , 
c do valor dos seus filhos : porem na6 o consente a 
sua propria gi^andczji , nem a brevidade , com que es- 
crevo; s6 unicamerite direi que he, em tudo o. que 
diZ'Singiilaridade, a emula Carthago de Roma moder- 
na; Enrre tanto conieiitamcnto na6 me queira v. m. 
cntfistecer com a. falta das suas Cartas , em que me 
de noticia da saude, e nellas igualmente exercicio a 
minha scryidau com os seus honrcsos preceitos. Deos 
, guarde a v. m. por muitos annos. 

33 'Meu amigo. Que. dira v. m. quandp souber, 

que hontcmpassou desta vida a Senhora Marqueza de..,? 

Dira cerramente : Oh que Sol sepoz no Meio Dia ! 

Oh que flor se murchou na manha! Eu comoCriado 

. tab 



198 '. Sechetakio 
tao antigo desta Senhora , s6 digo a v. m. qne sinto 
sem ter alma , que sem coragatS rr.'e vejo pcneirado 
<de liuma viva dor ; pois s6 estn singularidade de senrimen- - 
to iiiefecia6 os singulares beneficips , que em quanto 
• viva Ihe devi. S6 ire consola a picdosa fe de que este 
Sol posto ha de resuscitar mais brilhante no Ori^nte 
tjo Ceo f e que esta flor ifitircha ha de transplanrada 
rcverdecer mais bella no, Paraiso com immarcescivcl 
t3uraqa6. .Assim o espero da infimta bondade do Se- 
iihor, que guardc a v. m. por muitos annos, 

34 Meu amigo. Pranto de herdeiro he riso mas- 
carado, Scmpre assim. o entendi, e.sempre afe aqui 
ine mostrou a experiencia que na6 me enganava ; .po- 
rem para nao ser infalliVel o meu conceito , foi neces- 
fario que N... morresse, e que seu sobrinho N— o 
herdasse; porque coni sinceridade de lagrimas satisfez 
is obriga§6es do sangue , « com pia magnificencia 
ni03trou que venerava o cadaver , ou como de paretic 
te, ou de bemfeitor, Certamente ainda nao vi im 
Jierdeiro tanta generosidade , nem em annos tao verdes 
tiao maduros acertos ; porem que rauito , que de ex- 
cp^plps singulares quem rem singulares* virtudes , co- 
mo todos sabem, e e&tim^ J V. m. logrqhuma saude, 
como eu Ihe dc.sejo,que' certamente nao a harde ap- 
peteccr maior a sua vontade : recommende-me saudosq 
todos OS Senhores^ e disponha da minha obedien- 
cia, como amigo fiel, e Griado antigby Dcos guarde 
;i v,' m. por piuitosanrics, ^ ' 

35" Meu amigo. Novas de consoIa§a6 nao se de- 
vem retardar. Esta tarde fez seu filho de.v. m. j^esta 
Uhiversidade todos os seus actos de tal riiodo,queos 
louyara^ os Mestres, e os invejara6 os cofidiscipulos. 
3Eu o estifnei muito: porem nao me- fez admiragao; 
porque sei qual he o seu .enge'nho , e quaes forao os 
?pus ^'estudos. Com 'muita bre:vidade Ihe esp6ro gran- 
^ ip(^s adiantamcntQs , porque sobre a circunstancia d4 
pali^isdg dft ?ua pessRa, tfip «m3in?Pte 3 d? sciencia, 



POBTUGUE*. I5>9 

tjue assim Ihos promette; e se isto assim nao succeder , 
s^rvira de hum total desengano acs que se desejao ap- 
plicar. Se eu nesta .Cidade tiver algum prestiino para 
p service de v. m, rogo muito a sua beijignidade que 
nao me queira negar, nem retardar esta honra. Decs 
guarde a v. m, por muiros annos, 

36 Meu amigo. Ja sao infinitas as admocstacSes , 
que tenho fcito a seu filho sobre a sua distraccao nos 
estudos ., e no procediinenro : pelo que entendo que 
ja Diaiores exhortacoes o nao emendao ,' maior au- 
thoridade sim ; porque qliando o reprehendo i enver- 
gonha-se naais pelo que Ihe digo , do que pelo que 
faz : e se alguma emenda promette' , he exhalagao , 
que logO/ desapparece ; porque d raaneira de hi^m pao 
verde acceso, que por huma parte ' chora , e por ou- 
tra arde , continua nos seus vicios. He o do que posr 
ro aris^r a v. m. na6 sem grande pesar meu ; pois de- 
sejar? que este fructo nao degenerasse da. arvore^ que 
cresceo com tao sabios , e virtuosos cultores, eiirre 
OS quaes; occupa y. m. o ultimo higar na ordem do 
tempo, porem nao na dps* merecimentos. Deos guarde 
a V. m. por muitos anoos. 



RESPOSTAS As CARTAS DE AVISO. 



xC 



jou o sincdro . contentatnento , que t6nho pela 
cstimavel noticia , que V. Excellencia me participa , 
he que dignamente agradeco d benignidade de V. Ex- 
cellencia a grande honra /que por ella me faz, distin- 
guindo-me tanto entre os seus mais fieis Amigos , e 
Criados. *Tudo eu merego a V. Excellencia ; porque a 
parciai amizade , que nos tern unido , faz com que 
eu repute por proprios os augmentos de V. Excellen- 
cia. Eu Ih? desejo Uuma mui prospera saude^ par^ 
' ' ^ ' no 



^Cm SECKEtAltIO 

no novo emprego podcr , em bencficio da Patria , e 
fda sua fama, obrar aquellas ac§des, a que o estimula 
a qualidade do scu sangue, co exemplo dos seusMaio- 
res. Em quanfo cu assistir nesta Cidade tem V. Ex- 
tcellencia nella hum Criado promptissimoas suasordeni^ 
Na6 seesquega V. Excellencia do que dcve, assim co- 
mo eu sempre me hei dc leinbrar do muito, que Ihe 
fdcvo. Deos guarde a V. ExccHencia por muitos annos. 
. 2 A cstimavel noticia , que V. Excellencia foi ser- 
vido participar-me/ do seunovo despacho, foirccebida 
pela minha fidelissima amizade de tal modo, que eu 
c na6 sei expressar. Os adiantamentos deV. Excellen- 
cia tem toda a origcm no s6u conhecido merecimcn- 
to , o qual conwderando a alta compreliensa6 de Sua 
^jigestade, nomeou' como acfa6 necessaria , a V. Ex- 
cellencia para tao importante Governo. Nelle espero 
que y. Exeellencia se l^mbrc dc mim com frequcntissi- 
mo6 preceitos ; para pcder com a prompta pxecu5a6 
delles tesiificar a V. Excellencia a devida estima9a6, 
^quc faco da honra , com que me distingue, eo quanr 
to a sei agradecer,.se nao como devb, ao menos cp- 
^mo posso. Deos guarde a V. Excellencia por muitos 
annos, como a Patria neccssita i &t. 

3 Por esta estimavel noticia, que V, Excellencia, 
para desvanccer a minha scrvidao, he servido dar-me 
po scu novo despacho , me resulta o particular con-r 
tentamento de ver ja complero o meu descjo, que tanr 
to suspirava que a justi^a olhasse para os distinctos mcr 
recimcntos de V. Excellencia. Por esre ta6 especial 
favor rendo a V. Excellencia os devidos agradccimen- 
tos , € desejara muito podello dignamente agradecer* 
Disponha V. Excellencia que a minha obediencia nao 
Viva ern penosa ociosidade.pela falta dos squs preceitos* 
. Assim o espero de V. Excellencia , a quern Dcos guar- 
de por muitos annos, 

-^ Na6 posso 3 como quizer-a 5 expressar a V. Excek 
|cnci^ a viva pena^ com que ficg pcia iafaust^ apticia 



P O R T 1? <5 V E Z. 101 

da morte do Senhor Marqucz de... , a quern sempre 
profe^sei hujna fidelissima amizadc, e devi nao vul- 
gares obrigajocs. Muito na sua benignidade pcrd6ra6 
OS amigos , no scu patrocinio os necessitados , nos seus 
-cstudos as Icrras 5 e na'sua prudencia a Rcpublica; 
porem a consideragao , dc que esta perda agradou ao^ 
Ceo ,'^ondc esta , como piamente creio, dcve fazer 
suspender o' pranto de todos. Visita-nos Deos Senhor 
nosso com estas enferoiidadcs do esptrito , ou para pro- 
var a nossa consrancia , ou para castigar os nossos des- 
ccncertos. He tao. precisa esta consideraca8, queh^a 
unica , que pode ter hum animo Catholico. O mesmo 
Seniior guai:de a V. Ejcellencia por iiiuitosi annos , c^ma 
pede a minha affectuos^ servldao , &c. 

y Para eu conheccr a distinjao , que V, Senhorja 
faz djf minha* sincera amizade ; sao ja tantos os funda^ 
mentos 5 que .paracste fiai era mui desnecessaria a es- 
timavel noticia^ que foi scrvido dar-me da sua chega- 
da a'Corte de... com huma Jornada , bem que dilata* 
da, suave. Porem ^serapre com as mais devidas ex-^ 
press6es ^gradego a V. Senhoria esta grande attenqao j 
porque com cUa socegou-se o meu animo do preciso 
.cuidadb , em que estava, de que o abalo da jornad^ 
causasse a V. Senhoria algum damno. Oirerecer-me a 
V. Senhoria para tudo o que for'$crvido, parece 
jgnorancia da minha^ obediencia ^ que ha tanto tempo 
tenho sacriiicado ds disposic6cs de V. Senhoria , a quepi 
Dcos guarde por muitbs annos, 

6 Em attengao, aos distinctcs merecimentos de V. 
Senhoria , se vio a Real inteireza de Sua Magestade 
obrigada a nomear a Y. 3cnhoHa jfera o Governo 
de... 5 como na sua artenqiosa Carta me da noticia. 
Nao se podia ccrtamente dar mais recta eleiga6; por-^ 
que nomeajao as virtudes a outras virtudes: as virtu-^ , 
des dajustica', e grandeza.dc Sua Magestade ds^virtu- 
dcs do ^elo, e valor de ,V. Senhoria. Eu como hum 
^os Hiais intercj>s5do§ uestg despacho 4qu a tciyax mcs-- 



20Z S E C R E T A R I O 

ITO OS parabws, e a V, S^nhoria os ma lores agrade- 
cimentos pela bondade ^ que teve de me participaf a 
noticia delle; attenjaS que com a minba sinceraami* 
zadc tenlio merccido, e coKi a minha immudavel ser- 
vida6 sabcrei dignamente agradecer. Deos guarde a V, 
Senhoria por muitos annos. 

7 Ondc se ha de cncontrar hum gosto perfeita- 
jnente ? I^a6 he possivel neste Miindo : porque he a 
tristeza companheira inseparavel da aiegria : e $endo 
OS eiFeitos de aiubas en-tre si tao contraries , natural- 
mente se unem para fazerem mais afflicros os nossos 
dias. Com hum graiide contcntamento recebi., e prin- 
cipiei a ler a Carta de V. Senhoria ; porem logo' se 
turbou todo o cxccsso dc&te gosto com a triste, noti- 
cia , que V, Senhoria me dava da repeti^ao do seu. 
mal, originada ( se o conceito me nao engana ) do 
cxcesso da Jornada. Ha de qucrer Deos que esta noyi- 
dade nao de o miaimo cuidado^ para todos nos allU- 
viarmos , c mui particularmente cu , que padc§o na 
alma a doenca qu? V, Senhoria sente no corpo. Fi^ 
CO suspirando pela desejada noticia da melhoria coixi 
huma ansia tal , que ja deila tambem adoego. Deo5^ 
guarde a V, Senhoria por muitos annos. ' 

8 Era hum acto mui necessario dar-me V. Senho^ 
ria noticias dos seus augmentos j porque sabe que 
nelles tenho huma grande fi^arte, como 'seu fidelissimo 
amigo; que como tal desejava ver dignamente empre- 
gado p alto talento de V. Senhoria, c remuneradas 
as suas conhecidas virtudcs* Foi esta noticia aqui mui 
applaudida de todos, de talsorte, que cadahumque- 
ria ser o primciro. em elogiar os grandes merecimen^ 
tos de V. Senhoria. Esta he a maior das ifelicidades., 
c o premio mais alto, a que pode aspirar hum bcnc- 
merito, vef canonizadas com. applauso geral as suas 
grandes virtudes. Para gloria dellas , e da Patria pros* 
pere , e dilate Deos a vida de V, Senhoria , a quent - 

por 



por veto do agradecimento sacrifico pcrpctuameate a 
minha obedieacia , &c. 

9 Meu amigo. Assim como pela estimavel noticia, 
que V. m. me participa dos seus novos augmentos, 
se conhece claramente a sua benignidada ; assim tam- 
bem , pelo slncero agradecimento , que Ihe dou por 
aviso de tanto gosto, conhecera v. m. comevidcncia 
a qualidade da minha altcctuosa amizade. Brevementc 
espero de v. m. outra noricia , e em mim ouiro novo 
gosto com a promocao do mais consideravel adianta- 
itiento, porque cs dotes de v. m. sa8 taes, que com 
brevidadc Ihe farao subir rodos os degraos ; es^ assim 
nao succcder; queixe-se v. m. do Mundo , queixando- 
se da emuIa^aOvRogo a y. m. que entre tanto se na6 
esqueqa de mim com a honra da sua correspondencia, 
e dos seus preceitos, que tudo espero com luiaia von- 
tade tao prompta 5 corao ambiciosa. Deos guarded 
•v. m. por muitos amios. 

JO Meu airJgQ. Nao sabe v. m, perder occasiao 
de inquirir modo para haver de me honrar, comove^ 
jo claramente nesta, em que v. m, com a noticia, 
que me da do nascimento de hum seu filho, me con* 
vida para , como Padrinho , ter parte no Baptismo 
del le. Don em primeiro lugar a v. m, os parabens por 
esta felicidade , que Deos foi s^rvido dar a sua Casa; 
e em segundo beiio a v. m. as maos, pela honra da 
^scolha, e por ella no suave exercicio dos seus esti* 
iti^veis preceitos me reconhecerei sempre raui distin- 
ctainente pbrigado a v, m. , a quem Deos guarde por 
muiros annos. .• . 

II Meu smigo. Recebo a Carta de v. m. com 
hum particular alvproco, por ter a* noticia de que a 
Senhora D. N... deo a luz hum menino com grandc 
felicidade J e rccebo-aigiWimcnte com muito desvane- 
'cimcnto, por v, m, nella me escolher para Padrin|io;^ 
elciqao a que me naodevo negar : porque della tarn- 

bem results huiu c§tmU5§i«Q vingmo a nossa amizi- 



a04 • SECKETAItIO 

de , c huma distincta honra dminha scrvlda6; clrcuns- 
tancias que $6 na presen^a , Jbcijando.a v. m. a ma6 , 
saberei dignamente agradccer. Y. fii. me mande. cotno 
devc, porque a mmha vontade.certamente na6 p6de 
cfitar mais prcmpta. 'Deos guarde a v, m.. gor muitos 
annas. 

12 Meu amigo. Deixou-me vivamente penetrado 
de hum grande sentimento a trhfe noiicia , que v. m. 
me participou , de se ter agravado o mal ao nosso 
amigo N... , e com symptoinas que prognosticao in- 
consolavd pezar, Se faltar , falta a viva imagem da 
verda^deira amizade , do .que todos sao testcmunhas 
em nada suspcitcsas. , ainda que obrigadas. Porem ha 
de Deos Senhor nosso disp6r que nao se sinta ta6 sen- 
sivel golpe , principalmcntc paramim, quesobre oes- 
treito la$o da mais fici amizade; vivo I igddo com oes- 
treitissimo das suas particularcs obriga56cr* Assimocs- 
pcro do niesmo Senhor, que guarde a v. m.por muitos 
annos. 

13 Estd V. m. empcnhadoemmedar serapreoccasj6e« 
do maior gosto, das quaes rcccbo agora hum novo aug- 
mento , rccebendo huma Carta de v. m. em que com 
attenciosas express6es, dictada^s pela sua innata beni- 

Jjnidade, me convida para sqr Padrinho dc humscufi-- 
ho rccemnascido. Na6 me devo negar a cste gosto , pel a 
particukr cstimagao , que fiz sempre dapessoa dfc r. m. : 
c desejara eu podello tcr maior , valendo-sc v. m. de mim 
cm occasioesimportantcs J porque certainentc me achara 
com huma promptissima vontade. Deos guarde a v. in. 
por muitos annos. 

14 Ainda na6 experimentei contentamento igual ao 
que V. m. me dd na sua atrenciosissima Carta, parti- 

. ^ cipando-me a estiniayel.no ticia da sua melhoria. To- 
da csta sua Casa me acompanha, como dev6> neste 
^* gosto 5 e no desejo , com que rogo a Deos que con- 
X • tinue tad grande alegria. Para csta se conseguir , foi 
j mui j>rudcute oconselho dps Medicos ;j aCordandoto- 
r dds 



]P O K T V » U I ». 205: 

i3os ctn que v* tn. se abstivesse dos estudbs grandes , 
a que' se applicaya , porque 'sa6 mui prejudiciaes a 
. ,quem padecc, como V. m, , djsbilidade no pcito* Eu 
se na6 como Medico, ccrramente como ajmigo , ap- 
provo tambcm a v. in. o mesmo rcmcdio j'porque mui- 
to me intefesso em que a sua vida na6 fake , para que 
na6 falte a imagem da amizade , c das virtudes. Fico 
cotno sempre as ordeas de v. m. a. quern Dcos gua:rdc 
por muitos annos. - 

15 Meu amigo. Muito me escandallza v. m. na 
.^ occasiao , .em que com attenciosas expressocs me hon- 
ra na suaCartla; porque me convida como amigo pa- 
ra as'sistir a profissao de sua.fiiha, a qual eu devia ir^ 
comp Criado ; porem jaque v. m. secsqueci^ deqtiem 
he , eu me lembrarci de quern sou; porque com ^estc 
meu honroso, como antigo foro assistirei a solemni- 
dadejdcste aero': e enrre tarito Jcmbro av, m.a minha 
mcsm'a servidao, para que a occupecom il'equentissi- 
mos preceitps, que ell a tan to dcseja como merece. 
l)eos guarde a v. m. por muitos annos. 

16' Meu amigo. Que malignos dias sa8 os desta 
idade ! Nos annos mais vigorosos , e quando mais 
cra6 necessarios, morrem os sabios, os fortes, "^ o 
que he mais , os virtuosos , como succedeoa Senhora 
Marqueza de... , raro exempio da Corte na observan- 
• cia de todas as virtudes^ Esta fatal notici^, que v. m. 
rae participa , muitoi me tem magoado ;. nao so por- 
que esta Senhora falta, mas porque fezfalta, naome- 
nos a sua grandc Casa com a falt^ de direcgaS , que 
a toda essa Corte com a falta de exempl^o; e aconsi- 
dt?ra§a6 , de que quando sc perdc hum tal ihesouro , com 
biiiita difEculdade se adquire outro , me deixa ainda . 
pencrrado 4^ niais vivo 'sentimento. Porem console- 
mo-nos , na8 ha outrp remedio : lerabremo-nos de 
que nos diz a^piedade Christ^' que esta esta Senhora 
;ia patria do desca^njo , gozando os fructos eternos 
de seu8 merecimcBtos. Deos Scnhor npsso nos faga 

igual- 



2o6 Secretario 

igualmcnte dignos de tao alta premio , e guarde a r. m* 
por muitos annos* 



CARTAS DE LOUVOR. 

ADYERTENCIA. 



.S Cartas Laudatorias sao mui vqlgares : a cada 
passo as lemos , contendo elogios a engpnhosa^ com- 
posi^oes , algumas pafticulares virtiides, ou ac56es 
memoraveis , &c. Para a formaqa^ destas devem-se 
observap estps preceitos, Se hoiivernios de escrever em 
louvor de algumais pessbas , em que conCorra6 respei- 
tosas circunstancias, dcsculparemos na primcira parte 
da Carta o rosso atrevimento , dizendo que na6 me- 
reCe tao elevado assumpto a humildade do nosso estilo , 
e que s<S dcUe he digna liunia penna igualmente gran- 
de ; porem que emprehendemos este assumpto., mais 
para nqs mostrarinos agradecidos , que discretos; mais 
para, satisfazermos i nossa obriga^ajS , que a proptie- 
dade rhetorica. Entre tanto logo na' segunda parte , 
principiarcmos a louvir alguma virtude mais illustre. 
Costumao-se louvar os homens pela prudentia , pela, 
justica, pela temperan^a, peialitteratura, pelasacgoes 
guerreiras 5 pela piedade, pela Religia6, pela libera- 
Jidade^K&c. e cada h^ima destas virtudes elogiaremos 
de niodo , que nunca se perca do sentido a qualiiade 
da pessoa ^ a quern se escreve, Na terceira parte con- 
cluiremos , dizendo que ainda em seu louvor escreve- 
HiDs poucQ ; porque mtiitas virtudes envoi vembs no si- 
lencio para na8 offender a sua rara modestia , &c. Se 
o assumpto do louvor for alguma cojiiposi9a6 , discor- 
rerenxos sobre a inven^ao, mostrando que he natural,, 
bdla y e erudita ^ ou tambeni sobre o Sxk da obra ^ 

di* 



P o r't V <J V E 7. 2(yf 

diz^fldo que heutil ^cxeijiplar, e instmctiva , &c.PSs- 
satemos. a louvar como liunia das primeiras ciscunsrati- 
cias , a purcza da- lingua ^ a elegancia , a clareza , os 
nobres cpnceitos, i^s bcUas figuras , e o proprio qstiio , 
&c. O genero /Demonstrativo he o norte de semclhaii- 
tes composi^Ses. 

CARTAS DE LOUVOR. 

1 iJEND'o as itiais- das cousas deste Mundo falsas ^ 
caducas , cmudaveis , so a virtude estaplantada com 
proflindissitiias raizes, as quaes nenhumas for^as p6dem 
extirp^r, nem ainda^ mover do firme lugar, que oc- 
cupao. Sobre o negocio , que V. ExcellenciaNnao igijo- 
ra 5 houve quern f^retendeo eclipsar as claras luzcsda 
virtude de N,.. , comp quern nao conhecia a grande- 
xa i c constaneia do seu.animo, que apparece brilhan- 
te na escuridade , e serena , nas tormentas , Gocno com 
. evidencia sevio, quando Ihederao a noticia. Na6 
houve pedra , que o seu emulo na6 movesse j mas el- 
le superior a todas as invectivas ; e calumnias ^ repu- 
tava estas lavaredas como fogos fatuos , que so p6dem 
atemorizar a animos feminism Finalmente applacando- 
se 5 mais como cobarde , que arrependido , o furor do 
vil contrario > se v^ o nosso amigo descan§ado , e 
com a rarissiraa cii^cunstancia de trocar em benigiiida- 
de toda a grandeza da sua constaneia , para eterna con- 
fbsa6 daseu inimigo. Como V. Excellencia estava dese- 
jcso de saber o iim deste negocio, e he destas virtu- 
des . igualmenre o maior panegydsta , e imitador , pa- 
receo-ine , mui preciso dar a V. Excellencia esta noti- 
cia, e se com ella obsequiei o seu desejo , recompen- 
«e-me V. Excellencia este gos^o com outro j e he cer- 
to. que para mito na6 o pxSde haver maior , -que o dc 
servir continuamente a V . Excellencia , a quem Deos 
guarde pQr oiuitos aonos* 

' N ' . Bern 



a Bern mostra V. Excellencia com a alta petietragao 
do «cu juizo quanto dista o nosso vcr do scu ante- 
vcr , porque parecia impossivel poder-se perceber hu- 
tna tal idia , que nem ainda sonhada poaeria vir ao 
pensamcnro. Mas cstas he que «a6 as occasi6es , enr 
que V. Excellencia da claramcnte a conhccer a singu- 
iaridade do seu talento , e fas com que 8feja6 multa . 
infcriores ao seu distincto merito os puWicos elogios , 
que o Mundo sabio Ihe dedica. A Patria , alem destcs 
mesmos louvorcs , dcve dar a V. Excellencia eternos 
agradccimentos , na6 menos pela gloria , que tern de 
hum filho ta6 benemerito , que pela utilidadc , que 
Ihe resulta de hum Ministro tao distincto. For esras,c 
outras muitas circunsrancias , que a modestia me diz 
que cale , prospere Deos a pessoa de V. Excelleneia 
por dilatados annos. 

^ Com muita raza6 , e com maior justi^a louva 
V. Excellencia aN/,. , porque certamente he hum su- 
jeito 5 que estando na flor de seus primeiros annos , 
teto ja colhidp os fructos dosmais provectos. Qy^nta 
prudencia , e urbanidade hanellepara o trato civil ,• 
quanta fidelidade, e prestimo para a amizade , qufn-* 
ta intelligencia -, e talento para o maior negocio, c 
quanta eloquencia ,- e erudigab para hum discurso ! 
Not juizo dos vcrdadeiros sabios he^milagre , no pa- 
reeer dos fingidos a inveja da suaidade. pu rcflectin- 
do muito nestes seus raros dotes , raais propendo pa-' 
ra a inveja, que para a admira§a6; porque se dafon- 
te naace <J rip , e o frqcto da arvore , elle nasceo de 
huns Pais , e vem de huns tae^ ascendentes^,.que Tq-* 
ra6 a gloria da Patria , e de todas as virtudes* Con* 
tinue V. Excellencia em o louvar , e Igualmente Aa o 

Sroteger , ji que elle teve a felicidade de vir ao^ 
/lundo no tempo de V, Excellencia ^ a quern offeree 
50 como seu .reverente, Criado a minha pronta vonta- 
de para tudo 6 que for servi4o. Peos guarde a V^ 
Excellencia por muito^ annos^ 

/ . ' Naa 



, P O R T 17 G TT 'E Z* Id^^ 

•4 Na^ davidava eu queV*ExcelIcncia tiresseprori- 
ta a lingua para me deCender, tendo tao pronto o co- 
ra^ao para me a mar. He Y. Excel Jencia vivo retrato ' 
da verdadcira.nmizade , de que sao rantas as testemu- 
nhas, quanias sao as pessoaj, que tivera6 a honrai 
de tratar a V, Excellencla. Entrc estas logrei eu i 
cstimavel fortuna de ter hum distincto lugar , peli 
qupl me resuka tanta honra , como utilidade : do qud 
agoira me deo V. Excellencia huraa prova , defenden- 
do a minha fa ma dc liunia iniquissima calumnia. Bei- 
jq a V. Exccllencia as m^os pela grande obrigajao^ 
com que deixa gravado. o nifiu agradecimento , e fazj 
mais ardente a minha obedieq'cia para tudooquefor 
do 6ervi§o ^ c agrado de V, Excellencia , a qucm Dcof 
guarde por muitos annos, 

5 A obra , que V. Excellencia he servido mandar a 
minha censura dedicada is sumptuosas Exequias do Se-'. . 
nhor l^RT^uez de... , rcsplandece mais do que quan-" 
tfis luzes se aC:cendera6 em ta6 piedosa ac§ao.\Sahin-' 
do pois esta com tanta luz , nao neccssita dc examd 
para sahir a luz. Os partos de V. Excellencia sa6 comrf 
Q nascim.cnto do Sol , que senipre nascc perfdto , e 
sempre coroado de ardcntes resplandores. Na6 possa 
nesta. materia dizer menos a V. Excellencia , a querrt 
vivamente rogo. que me continue coal frequencia o fa-^ 
vor de: taesmimos, quQ tanto me acreditao, quandoi 
tan,to mc instruera. Deos guarde a V^. Excellencia por "' 
Xiiuitcs annos. . ~ 

6 Li com rigorosa reflexa6 o Poema de V. Ex- 
ccllencifi-,, como ordenou a miilha obediencia 6 seu in-: 
dispensayel preceito, Se acaso, sem o menor atrevi-' 
nien'loj.mc he licito.o poder em tal materia fallar, 
digo que V. Excellencia se mostroii nelle diias ,vezea 
pintor, huma^ porque na idea magestosa, episodios 

'naturaes, c agradaveip, e n:i:s aiais, partes , de que se 
comp6e huni perfeito Poema y retratou fielmente a- 
irciicravel figura da Poesia ; e outra , porqfue nos sub^^ 



aid SicltETARio. 

tfs cgnceitos, purcza de vocabiilos, e magestade dc 
cxpress6es se pintou a si roesitio , pintando o seu cs- 
pirito, Qiiizera-rne dilatar em assucnptb tao fecundo ; 
porem julgo indiscreto esse tneu descja, quando a 
publica voz do Mundo sabio tomou d suacantaoelo- 
gio dcvido a esta grandc obra. V. Excellenci^ o ou- 
5a, c principle a gozar da immortalidadc , que espe- 
ra o seu illustre nome.; e na6 se esque^a igualmente 
de dar exercicio i, minlia prorttissima pbediencia com 
OS seus honrosos preceitos. Dcos guar:de a V. Excel- 
lencia por inuitos annos. 

7 As poesias dc V. iBxceliencia , que agora sahem 
i luz, bcm mostrad que sa6 partos pcrfcitos do sett 
grande engenho , pdrque ncllas gloriosamente compe- 
te a suavidadc com a subtilc5:a. Eu as lixpm hum tai 

fostOjC admirajao, que se me fora possivel as'man- 
ara a memoria , como hum raro iiiilagre de v^r em 
tempo de flores taS sazonados fructos, Na6 rtietenha 
V. Excellencia por lisonjeiro , se talvez (oque duvi- 
do ) na6 ouvir commummente louvados cstes seus Ver- 
sos : porque ja desde agora appcHo para a posterida- 
de, onde serd6 tantos os que me seguira6 , como os 
que se applicarem a esta Arte Divina: pois ja entao 
es annos tern dissipadas aquellas nuvens, cpm que a 
invejosa emulagad pretendia offiiscar os claros respiaii- 
dores da verdade. Coiisidere V. Excellencia bem nis^ 
to , para nao desistir desta sua appiicaca^ ; e premie 
•tambem este men con^elho com a cstimavel honra dos 
seus preceitos. Dcos guarde a V. Excellencia por 
muitos annos. 

8 O clogio 5 que V. Excellencia foi servido man- 
dar-me , he ta6 excellente , que iia6 s6 me parecedl* 
gnissimb do sujeito , e do Amlior, mas tambem de 
outro clogio de V. Excellencia; porque s6i)6deser. 
dignamente^ouvado por quem o souber fazer louvaveL 
Asseguro a"V. Excellencia ( se ncstas materias possa 
assegurai" alguma cousa ) que deste gentio ainda nad li 



P o K T u G u E z, in 

cousa semclhante ; ou sc attends a pureza das paU* 
vras , c magestade das expressSes, ou a subtileza doe 
pen^amentos , e suavidadc da nana§a6. Eu o guardo 
sinceratnente como aurea producgao do seculo de fcr- 
1:0, fio qual as boas artes , segundo . a opinia6 d« 
algans, estao mnribundas, e $egiindo a- minha estar- 
'ria6 mortas, ^e V.-Excellencia nao vivcssc. Para ere- 
dito desta idaue prospere Decs a vida a V. Excelle jpk 
cia como desejo , &:c. 

9 Facfi dcsde agoi'a huma^ particularissima cstlma- 
^6 das minhas obras, pcla bondade, que nellas ha, 
a- qual ainda que eu nao conhe5a, firmemeritc a sup- 
ponho, por haverem merecido a sinc^ra approvajatJ 
dc. V. Excellcncia , c com express6cs ta6 singularcs, 
que . occupa a confusao o lugar do agradecimento^ 
Sim, Senhor , a confusaS', considerando que ta6 dra-* 
mente me louva quern he das iciencias hiim thesouro 
ta6 inexhaurivel', que na6 o possuio igual a Antigui- 
dade : quem he da Encyclopedia hum Templo ta8 ve-f 
neravel, que na6 quer «lle em outra parte collocar d 
isdU'throno, Na6 accendo o incenso da lisonja; poraue 
nao saS minhas estas paiavras , mas do Mundo sabia^ 
corho V. Excelli^ncia na6 ignora , tiada que a »ua f^- 
r^ modestia na6 se qucira lerabrar. Se na8 me repri- 
misse o j-usto desvanecimenfo na6 sei que virtude, ja 
ea na6 cedia a minha penna ^s maiores da fama , mor 
tivo por que rogo a V. Excellencia que me dilKculte se- 
inelhantes favores , e me conceda unicaraeftte os do^ 
^eus preceitos ; porque ainda que ambos me acredi-- 
tern 5 huns podem^ piTJudicar ao mcu cntendimento , 
outros certai»entc^'utiliza6 a minha vontade. Dcosguar-* 
de a V,. Excellencia por muitos annos. 

10 Nunca V. Senhoria me hohra com is suas at- 
tencidsas Cartas , que na6 fique na diivida , qual brx- 
Iha riiais em V* Senhoria^ se a eloquencia, con^qiie 

me louva , ou se a familiaridade , com que me escre- 
^c, Se 9lho para O -^cu mereciraento , vcnee a fami-^ 

O ii * liit 

m • • 



liaridade, st attendo para as Cartas, excedc a (cIoh, 
quencia : porem entre questa6 ta6 agradavcl , doa a 
palma i familiaridadc , pprque me hoiira, e na6 i 
eloqucncia , porque nie desvanece: esta pode-me pre- 
cipitar, aquella faz-me subir, poispor- ella me vejo 
particularizado entre todos os Criados de V. Senho- 
ria 5 a quern rogo que faga ainda subir mais festa dis- 
tin5a6, fazendo com que as obras acompanhcm as pa- 
lavras : isto he , segumdo-sc a lionra dos precfeitos a 
honra das cortesissimas , e familiares express6es^ Decs 
|[uarde a V. Senlioria por rauitos annos. 

ti Mais venturosos, que excel lentesrSe- podem 
chamar os meus Escritos, depois que tive a fortuna 
de conhecer a elpquente urbanidade, e siiicero animo 
de V. Senhoria cm argumentos tao frequentes , quaa-r 
tas 'sa^ as attenciosas Cartas , com que V. ' Senhoria 
me h^nra. Eu as conservo como cousa de V. Senho- 
ria ; e isto basta para o mais diffiis© elogio^que po- 
dera for\nar sobre a singularidade dellas. Para instruc- ' 
jao dos ■ meus estudos continue-mas V. Senhoria , e 
nell^g iglialraente para exercicio da, minha prontaobe- 
diencia participe-me , em lugar da hqnra dos Ipuvores^ , 
a dos sens estimdveis preceitos. Deos/'guarde a V.' Se- 
nhoria |)6r muitos anrios. 

12 Recebi. a Carta , em que V. Senhoria, para 
liave^ de honrar a memoria dos hieus Escritos , quer 
con^ndir , ou ao menos gravemeute desvanecer o meu 
cn):endimento, Apenas a principiei a ler, pareceo-me 
Ijdgo^ dictada ria Escola de Plata^ , onde b amor, he 
•Filosofo, e a Filosofia he amantc. Cada palavra.salie 
da boca do amor , e todas me eleva6 ^^ainda que me 
louvem , porque todbs os^ elogios sa6 aijion Bern po- 
d^ra com tudo V. Senhoria, ahendendb i modestia, 
cvitar estef louvores , pois nelks' ise louva a si me^- 
mo^ porque se o amado he huma grande pai'te da 
amantc, V. Senhoria querendo elogiar-me , se elogia 
i|;ualincAt§ a si| sendo eu huma part?, ta^^rande de 



. " ^ ^ P O R T XT G TX E ^. 11^ 

V, S^nlioria. Para eu com evidencia cotihecer a qua- 
lidade. do seu afFecto , sao superfluos es louvores : ba$- 
ta q«e nunca tenha ociosa a minha proiita servlda6 
com afalra dos seus preceitos ; a fini de que eu pds- 
-sa satisfazer $i huma pequena parte do muite , que de-* 
vO'.a, V. Senhoria, a queiT^. Deos guarde por aiuitos 
itniiosv ' 

V 13 Ell esquecer-iiie de V, Scnhori^ ? E atreve-sc 
v.. Seiihoria a considerar ; que digo considerar , a es- 
^r^ver tal ? V. Senhoria he que se esqueceo de mim , 
e se e&queceo de si: de mim , supppndo-me capaz de 
•meesquecer: -r, de si , na6 refleGtihdo que as pessoas 
como V. Senhoria na6 podem, ser csquecidas. Tudo^ 
► Q que he agradavel na6 he hum inemorial de V. Se- 
nhoria.? Tudo o que Tie bom na6 he hum seu retra* 
to ? Tire pois V; Senhoria do'Mundo. tudo o que he 
agradavel , e desrerre jlelle' o que he bom , que s6 
eiita6 se desterrara da minha memoria a imagem de 
y. Senhoria :^ mas ncm ainda assim ; porqae rauito 
tiiais facil sera que oMundo^ perca a sua bondade, e 
' agrado , que eu perca o interior affecto , com que ^ 
^amo as raras yirtudes. de V. Senhoria , a quem^ rogo 
,-COnsidere que ^ se o amor como meiiiuo he mui dcs- 
confiado, tambem para escrever de^te^modo tern co- 
itio tal liiuira confiaxica. V. Senhoria se na6 esque9a ' 
do- mim com Os seus preceitos , que destes favores 
he que eu sem duvida estoii, mtii privado ^ e da falta 
delles mui sentidOy como esquecimento , * que a mi- 
nha' fiddis^l ma servidao nao sa be msrecer. Deos guar- 
de' a y.- Senhoria por muitos annos. .^ ^ 
^ 1-4 Manda-.me V. Senhoria qle eu. censure os Pis- 
carsos- 5 que sobre o estudo ' Moral escreveo a sabia 
penna de V, Senhoria a isto, Senhor^ he confundir- 
Hie 5 e nao hbnrar-me. 'Mostfaria eu nao soqueos pai^ 
lera^ mas ainda que em taes assumptos ja mais poze- 
ra, OS olhos , sqacceitasse o lugar de Censor ,.'qu0\ 
V» Seoligrk me ofter«e> na6 podeadd eu aiada set 



. ai4 Sbchitakio ' 

idon«o Panegyrista* Discorfe V. Senhoria , sim , mas 
p6c ta6 fixamente os passos , que nos deixa i0mor-^ 
taes ve«tigios da sua sabia carreira. Corre o caminho 
de Aristotelcs , sim ; por6ni cbega V, SeaWia com 
felicidade aquella baliza , que elle se a vio , nao sc 
atreveo a tocar. Dcsae modo , como he possivcl que 
haja quern enire no exame de huma tal Obra , que pa- 
fa ser magistral , *p6de fazer com que o Filosofo per- 
jdesse o yehcravel nomc de Mestre ? Porem , conside- 
rando agora que os preceitos de V. Senhoria sa6 in- 
violaveis , vcjo-me obrigadb a tomar a vara censoria , * 
dizendo que este Livro he dignissimo da luz p^blica : . 
pprque ddluz, e luz nova a trevas antigas. Em^tten- 
^6 a (este men grande sacrificio , feito a cega obe- 
diencia , premee V. Senhoria a minha vontade com 
frequcntissimos preceitos; para que nuuca esteja ocio* 
«a no senrico de V* Senhoria , a quern Deos guarde 
por muiros annos. 

i<r As cousa9 preciosas sa6' rar^s ; por i^so he que 
as Cartas dp V. Senhoria nao sa6 frequentes ^ com tu- 
fio , frequcptes sao osargumentds da sua urbanida<le , • 
c grandes . as provas do seu afFecto. Hum* , e outra 
cousa me. di V. Senhoria a conhecer na sua Carta , em 
que comigQ se desculpa dp scu dilatado silencio ; por- . 
que he grande urbanidade desculpar-me V, Senhoria , 
na6 havendo obrigagao algiima para a desculpa ; e he 
vivo alFeisto conservar-se memoria do amigo^ median- 
do huma ta6 dilatada falta de correspbndencia. Porem, 
^inda que V. Senhoria me houvesse escandalizac-o com 
p seu silencio, eu perdoara facilmentc a pf^ensa , pelo 
grande gosto, que me deo , mandando-mc hum novo 
partp dp seu raro engcnho. Muitas vez€s contemplan'- 
dp p |i , e observei as perfeitas partes, que.oorgani- 
t^6 : e cdmp Profeta he synonymo de Pbeta , levan- 
tandprljie figtira , vaticinei que- gozaria huma vida ta6 
djlatada i qii^ h'^via ser etcrna ; e qae seria cm tpdas 
*? ida^gs partif glar 3ssumptp dam^iprveneraca^. , pof 



Po K T U 6 U E «. ^ tlf 

singular me^trc dos Sabios futuros. Para su? maibr glo- 
ria toutini^e -V, Senhoria 'em dar a luz semclhantcs 
jjartos i e para minha grandc honra nao cesse igual- 
mence de. mc impor qs seus estimaveis preceitos. Deos 
guarde a V. Sdhhoria por muitos annos. 

|6 Darei principio a esta resposta a carta de V. 
Qenhoria por aquella parte , que nao me deixa dar fioi 
a admira§a6tf Lt o .Elogio dc V. Senhoria , dedicado 
4s saudosas cinzas do grande N... ; e tad altamenteme 
arrebatara6 os delicadissimos pensamentps^ as puras 
palasrras , e as magcsto^^as expressoes , que julguci pop 
nienos sdbia a Antiguidade , quando nos deixou tao 
particijlarmcnte rccommendados , como obra com- 
^pJcra, osElogioB dcPlinio, Nazario , Pacato., e ou- 
firos. Nelles ccrtan^^nte na6 ha subtilcza , conceito j 
ou elcgancia^ que V. Senhoria no seu nao exceda-r^ 
'' at^ para sua maior singularidade , tomoa V. Senhoria 
por assampta nao hum Herdc , mas a mesma herpici- 
dade 5 alma vivificante daquelle saudoso, e immortal 
Vara6« Eti nao sei dc que Portugal ^se deve maisdes- 
vaneccr ; se de produzir hum tal assumpto para hum 
tal Panegyrista , ou sc hum tal Panegyrista para huni 
tal assumpto: porim jiao hapreferencia nestas glorias ;* 
porque .ambas «a6 igualmentC/^ingulares, e de huma , 
e outra resulta a Patria tao nova ftma , que nao se 
pode desvanecer com ella aantiga Roma. Istoheome* 
no's 5 que posso dizer a V. iSenhoria , a quem rogo 
que continue . semclhantes emprezas ., pols com ella$ 
nao §6 louyara , mas ha de fazer Heroes ; porque 
muitos justamehte ambiciosos dos Elogios de V. Se- 
nhoria, obrarao ac^des, com que 6s venhao* a mere- , 
ccr. Fico para/ ^ervir a V, Senhoria qui tudo qiie for 
servido mandar-mc, &c. 

17 Eu na8 devo ser avarento de elogios para quem 
Deos he ta6 liberal de favores : se V. Senhoria nao 
OS quer , nao fa 5a cousa , xjue os mere9a. Mas que 
digo , Senhor ? Aconsclhar a V. Senhoria a que dcpo* 

* ' . '. " nha 



nha a penna ! Dizcr-Ihe qiie nao biisque a gloria da 
parria ,. a utilidade dos esiudiosos ^ c a farha- immor- 
tal do seu noitie! Na6 , Senhor; retracco-me. Escfeva 
V. Senhoria , escrcva , para deixar recoitiniendado^ 
posteridade o feliz secnlo , em que na*co : e a* peisar 

• ca sua ' rara modestla , ou^a os elogios , qiic Ihe tri- 
butao Qs seus naturaes , desvaaccidos.coiii ta6 gr^ade 
vcntura. Entre cstes nao despreze V. Senhoria os 

- xneus , que ainda que indignos , pela ha;nildade da 
fjstilo , mcrecem attengao pela sinceridade do afFecto ^ 
pom que sa6 compostos/ Todos me vencerao na.eie- 
gancia; porem hinguem me venceri no affectOjCcom 
iesta singularidade parece-me que vea^o atodos. para 
Jionra das Lctras , e maior escravida6 da minha ofac- 
'diencia , Dcos guarde a V. Senhoria por muitos an- 

iS Nestcs montcs , em que vivo ^ fizeraf) tco t>s 
applauses, com que o Munao altamenteadmiradoc^- 
lebra a extraordinaria. magnificencia , com que V.. Se- 
nhoria reprcsenta nesra Corte o caracrer de* X\li|iistro 
tde Sua Magestade, Principiava aqui a propag^r-sc/esta 
mesma admiraca6; porem para que a nao houvessenao 
trabalhei pouco , persuadindo a todos quenafi scdevuaS 
^dmirar dcvirtude, que em V. Senhoria he ' tao trqrn- 
nium 5 15 na sua graMe Casa tao vdlgar , que nao ha 
pagina nas nossas Historias , que della nos naodemar 
' ^nificQs exemplos : e que de outro modo , era ofFen- 
Her a V. Senhoria; porque se admiravao de.ac0es , 
flue s6 y, Senhoria , dcixando de. ser quern he , po- 
^dia deixar de as fazer. Parece-me que neste particiuar 
fiz na6 peqiieno servigo a V. Senhoria / o qual espc^- 
j-o me premee , empregaudo-me sempre no agradavel 
Hixcrcicid das suas orden?.~Para credito nosso , eadmU 
itagao unifca dosEstrangeiros, D^psguardo a V. Senho-t 
fia ppr muitos annos. 

" 19 Marida-rae V. Senhoria que Ihe diga o, meu pa- 
fe^er gohre a Elegia, que a •sua.elegaaie penna c?scre-^ 



P O R T TJ 6 U E Z. - 227 

Tco ao s^grado assumprq dc,».. Dcvrwdo. eu sempre 
obedecer a V. Seplioria , hag sei agora- como o. posso 
^zer , iiao tendo Ja nidis subivlo ao Monde dasMusas 
para o ciiliivar, mas so para mediv?rtiir nos sens de- 
liciosos campos. Porem como a alfiiccid da e.-irendi- 
ixif nto 5 a que. eiu tenlio de obedecer pmcfipramente a. 
V. Senhona ^ mcjinspira a dizcr-Ih'c que a Elegia nao 
so ,he eX9eJl€ntc , mas admiraivcl ; porque excede ccr- 
taritiente as Ovidlanas ,. nao menos na suavidade do. 
metro, que ha' sublimidade do assumpto. A natureza 
z fer elegante , ^ ma fori a piedosa , e a Arte pal Ida. 
Ultimamente he dignissimai de que V. Scnhoria nclla 

- se nao fa 9a Anonymo , como emoucras se tern fen 
ti? ; *porquc sc se coiisultar ao Parnaso ^ nao haveri 
nelle Pocrado ,Estro mais digno, queambiciosamen-' 
te na6 dcsejasse ser delia o Author, Isto.he o que a 
minba sinceridade pode dizer" a V. Senhoria, a qu^oi . 
mui; particiilanncnte dcscjo. siTvir. Deos gtiarde a V, 
Sephoria por muitos annos. \ 

20 Meu amigo. Pergunt^-me v. m. , na6 m^nos 

, como Pai, que virtuoso, quaes sao os progressos de 

seu fiiho neste Religibso Institute , que abracou. Co-* 

mo he fructo de. boa planta , todos os Religiosos 9 

go§ta6. ToqqS^ seediitca6, porque cresceo no.servigo 

- de Deos firmenas raizes do seu san to proposito. Quern 
na modidadcbem educada se faz Religio^o, depressa 
se faz Homem. de vida Religiosa. 'Quein em annos 
maiores se faz Religioso, quasi sempre sera hum Re- 
ligioso liftenino, sc voz, superior o na6 tiver ehama-- 
da Eu , e todos estamos na,firmc espcranca deque 

•^eu fiiho sera em breve tempo Homem para a Rcli*'; 
giao j e de que lograremos em idade moja huma- pro- 
yecta Rejigit:)sidade;^ Louve v. m. a Deos , acompa!-' 
nhando as iiosias gragas por tao grandc boneficio. To- 

-.^otned prcstimo , bem que inutil / bfFere<;o com 
|i maior sinceridade de animo a v* m,^ 4 quern Deos 
guar^e por m^uxtQs aaags, .t ' 

■; ' ;'/^ -. : ' ' ■ Men ^ 



r 



1. 

Hit S E C a E T A It I O 

21 Meu amigd. As saudadcs , que eu padecia au^ 
scnte de v. m. agora se mitigao com os Versos , de 
.que V. m. mc faz prescnte, rfs quaes sao liuraa vivar 
imagem sua, porque sao hxitn^x viva copia do seu es- 
pirito, da sua discrigao , e do seu etigenho. EUesna6 
s6 mc agradara6 , mas agradarao ;.porcin pa61ieesta 
a boa defini^ao da bondade dclles.: entendo queagra- 
daraS is Musas , e persuado^me qiic entehdo bem.: 
porque nellcs cscmpulosamentc se observao os precei- 
tos , que ellas prcscrcvem* Na6 deixe v. iti. scocar a 
tinta na pcnna , continue , porque ^s seus fructios , 
dcvendo ser verdes para a idade , sao ji tnaduros par 
ra a gloria, O cngenlio he maduro , c madura he a 
Arte. A fama tern todas as cem bocas promptas : he 
prcciso que v. m. cam as suas obras Ihe continue o 
assumpjCD para cllas fallarem, Assim espero do 3eu ra- 
ro talcnto, o qual para honi'a das boas artts guarder 
Dcos por muitos annos, . 

21 Meu amigo. Eu nao sei agradeccr a v. m, , '] 
eomo devera, a honra com que me tirata , fazerido- 
mo digno do seu grande Livro , e j>reciosidade , com 
^ue me preseritca ^ offerecendo-me hum theSouro 
jnestimavel de to4a^ 1 jerudi§a61 Sim,^ Senhor, hum 
tliesouro: porque nelle facil men te se encontra6 todas 
as preciosidades 5 que a Encyclopedia na6 repartio ate 
agora qom ma6 liberal pelo Mundo dps Sabios. Mui- 
tas vezcs beijo a v* m. as mSos por querer enrique-^ 
cer tanto os raeus estudos., e desejara humas expires-* 
.s6es, que parccessera filhas do seu Livro , „.para di- ' 
gnamente me mostrar agradecido. Muito mais, co- * 
mo obrigado , dissera do favor , e do merecimeiitQ de 
V. m. , se- a vontatic fosse entendimento ; porem cqt 
|ho este fdlta , l6uvarci s6 com o excesso daqqella , c 
passarei dos iouvores aos rogos , pedindoJhe que des^ » 
cance . agora aosom dos applausos , que a Fama co* . 
mo enpobrecida Ihe rend^ , e todos os ^ estudiosos co-^ 
mo obrigados Ihc U'ibuta6. Deponha v* m. a p^nna^ 



,P O R T ¥^« ¥\B 2. H9 

deponhar.assim porque a sua vida , coiho de hum Sa- 
hio y he tao jmportante , como porque depois de hu- 
ina tal Obra, ja nao ha nas Sciencias novidade, que 
nos contmunican V* m. disponha da minha obedien- 
cia , como quern sobreclla tern ta6 antigo domioio^ 
e seja com frequcncia j para eu publkar que he v. 
j9^« tao generoso destes mimos , com iqtre acreditard a^ 
minha scryida6 , como dos outros, comquc honra a 
minha amizade, Deos guarde a v. m» por muitps an* 

2;^ Meu amigo. Se as'Leis do Mundo se ob^er- 
v^ssem , muito tempo ha que v. m. gozaria o premio , 
qiiepede ajusti^a para os sais nao vulgares merecU 
memos. Eu me lastimo miiitas vezcs comigo, e ou? 
tras com,pessoas, c|ue*podia6 ajtidar a v. m. , da ne-^ 
gligencia , coni que se dcixao perder os en^enhos de 
' grande esfera ; e sempre rcmato o disciirso com y, m. , 
dizendO' o que y. m. na6 merece , porque meiiece 
tHuiiio mais : c se o premiar este mais estivera na min 
iiha map, a^seguto a v. m. que na6 havia envergO" 
nhar a Patria ,^ nem^ ver oftendido o seu merecimen-t 
to: m^s este he hoje o proceder do Mundo ; quo 
quem p6de na6 quer,. c quern quer nao pode. Dispo* 
nba v'. mi, da tniniia vontade como sua , para tudo o ' 
» cue eu poder , que hi^ mui pouco ; o que sinto muU 
to , pela ;raza6 , que acabo .de dizcr. Deos guarde a y» 
IB. por mduos a^neis. ■ ^ 

24 M^a>jamigo. S6 a raj^ prudencia \ e igual actx- 
vidade He v. m. -fez facil hum negocio tao ard\io , 
que nao houve quem se atreve^sfe. a entrar* nelle. Pa- 
ra prova do que digo, basta a elf iqao , q[U€ de v. m^ 
fez Sua .Magesrade, que com- a suaaltissima. compre- 
hensad sabe escolheF.ientre os .maiores a.quem hegran-f 
de. •Muitos prcmios esperao cis assignalados servigos*^ 
de V, m. , o ^ue hei de ^stimjir como devo : porem 
ginda sendo •muiros , como da conhecida reqtidaS do 
fV40cipe §g ??|3eva , semprs^sera6 poacQ5 p^r^QS gran^ 



220 ^ StCRETARfO^ 

^es merecimcrttos de v. m. ; porque o'Mundb t\n6 
Jnbc prcmisir as virtudes , quando sa6 singulares. Of- 

'. fere5o a v. m, com o animo mais sincere todo 6 mea 
prestimo , para tudo o que for scrvido mandar-me. 
Deos guafde. a y. m. por muitos annos. 

ij Meu amigo. Reccbo a Carta de v- m. , e com 
dla dois Sonctos : hum funcbre i saudosa mortc do 
Gonde de,.. , outro Encocniasrico em applause doze- 
lo , com que procuro levantar hum Obelisco Poetico 
i immortal memdria' deste sabio Cavalheiro- Ambas 
as Obras pflreccm logo de v. m. : porera esta ultima: 
louvaria eu muito mais do que faco, se v. m. «e nad 
louvasse muito mais do que deve ; porque sapp8e 
que em mim he obscquio de nacional, oqiieheobri- 
ga^ao de Criado. O segundo Sonero he a inelhor 
Obra 5 que eu tenho em coda a grande Collcc§a6 : e 
scin mendigar mais express8es ,. esta basta para sea 

, maior elogio. Ja o encorporei com outros , c vat lia 
principio ' para servrir de douta cabe^a a este disctefa 
corpo : nao porque fosse e^crito com este fim ., mas 
porque foi composto com est& merecimento. Fico 

" para obedecer a v. m. em 'tu^o 6. que for serndo 
Eiandar-rnc. Deos guarde i v. Ofi. por muitos. annos. 

26 Meti amigo. O jcerto he que quern desejar 
flprender as Leis todas*<3a yerdadeira giii)izade , ha-de 
piocu'rar ser amigo de v. m. ; porque he hum vivo^ 
ora^culo desta rarissiina Virtuck.' Ea destou bxf)erimen* 
tando frequciiremente , n&6; scai confusao minha: mas 
;<juem ha que o nao experimente ?-Todos publicaS -es- 
ta verdade'5 mais obrigados, que obseqiiiosos. A iitim 
parece-me que a.todos excedo ; porque a benigrtida- 
de de V. m. para comigo he tao graftdei que dissera- 
flub me.obriga ta6 gravemerite , que se me faz iusup- 
.portavel o pezo , se o*obrigar me nao fdra hum Fa- 
zer-me scu por for^a. Nap pode o' meu agradecimen- 
t5 desempenhar-se de oiitrp/modo , sena6 com esta 
-piibliga coniis?a8j porcjue meu prestimo Jie tal ^qu? 



F O K T tr Q U fe.Z* 421 

UuiKa ft pbdera v. m. servir delle : mas se talvcz sc 
der alguma occasiaS, serei vencuroso, se v. m» o oc- 
cupar cofn toda/ a authoridade , que he a condi^ad , 
"com qu? o ofFere§o a v. iiu , a quern D^os guafde 
por Jiiuitos aiinos. 

.27 Mea :amigo* 'O caracter especifica da Corfe , 
cm qu? V. , m.. assists 5 he a urbanidade, e seu maior 
pmhre be tratar .como nacionaes aos^ ^srragciros. As-, 
sim na6iie paramim novidade,, que v.'m. nella fosse 
tad -Jbenigaamente reccbido : do que me admlro ^ he 
que^cntre t-ao gfandes distin^es se nao esqueccsse v. 
nn de hunia j^tssoa ta6 particular como* eu sou. Po* 
rem os animos nobres por nature^.a , nao se alteraS 
per accidente y a mancira dos Colossps , que sempre 
sa6 grandes , ou estejao huniilde, ou altamente goI- 
loCvidos. JSeija a mao a v. m. por esra Icmbraqca , que 
de mim teve, ^a Carta , que foi servido escrever-nie, 
na qual as auen§6es se coutavao pelas palavras. Estc 
agraaecimento he limiiado.; pdrem para o fazer mais, . 
digno , saiba v. m. q.ue. se raeii prestimo poder rjes- 
taCorte ser em ajguma cousa util a V. m, todo o 
©ffereco a sua di^posicad^ como quern ha tanto tem- 
po tern sacrifiCado toda a vontade aos estimaveis pre-* 
ceitos de v. m. a quern Deos.guirde por muitosan- 

28 Meu amigb,, ?or. huiha carta duas ! E taes 
Cartas ! Mas assim succede a'quem semea em campo 
feciifldo. Eu estou co^fuso c6m tanta urbanidade. Ca- 
da palavra h^huina expressao., que dicta a corteziaj^ 
c-o affecto ins()ira ; e cada exprcssao he hum iman pOr 
4eroso, qw atrrabe gs cforagoes, na6 menos para 
, a' correspoadencia', qpe para o agradecimeiito. Modo 
mais novo de obrigar eu ainda o nafi vi^ nem facU« 
Hicnte. 6 v:erd; porque ^ste sendo espfedSco de. v.in. , 
coxii difficuldadQ se achari em oujr^ pessoa. Por^. 
flaS he aijada^esta a minha maior confusa6 ; maior a 
cxperimcntOj caaiJi4e(aq4Q P ^uaftRi m? he impos-^ 



ail flBCBETARIO 

sivel corrcgpondcr a ra6 rarasatten56es;com tudocon- 
solo-nie : poraue a incsma impowibilidadc , que cm 
mim Iia , ha ae haver cm todos aquellcs, a qucm v. 

, ID. por cstc modo obrigar; e basta para a minhapos- 
sivc gratida() mostrar companheiros no meu impos- 
sivcl. Deos gaarde a v. m. por muitos annot. 

aj Men fimigio. Que he isto ? O amor da v. m. 
guer-mc maf? Esquecido v, m. da antiga amizade , se 
faz meu novo inimigo ? Em lugar da minha vida , biis- 
ca a minha raorte ? Em lugar do descanjo , os meus 
trabalhos ? Sim, Senhor; tudo isto v. m. me busca, 
persuadindo-me a que vi para a Corte. Hei de trocar 
a vida segura pela perigosa , a quieta pela cancada , 
a bemaventurada pela infeliz ? Aqui no campo , c 
melhor no monte , he que verdadeiramente se vive : 
porquc a saudc desterrada da Corte fez aqui o seu as- 
sento J e os vicios affugentadog daqui , para la fora6 
buscar o seu domicilio , c ambiciosos na6 se conten- 
tara6 de buscar somentc as casas humildes. No cam- 
po na6 cega a injusti^ , nem corta6 as linguas: $e- 
ga6 as fouces os fructo^, e cQrta6 os aradosa terra. 
No campo na6 se piza5 os'. benemeritos , para dar 
gosto a inveja , pizaS-se os fructos , para dar delicia 
ao paladar. Na6 se levanta ccdoo Lavrador , para inu- 
tihnente se fazer estatua da paciencia nasiala de -hum 
Ministro , levanta*sc p^ra se fezer synjbolo da vigi- 
lancia , continuando com o seu trabalho a utilidadc a 
sua casa 5 e i Rcpublica. Muitas vezes coihe este no 
seu campo p que na6 semeou ; e la na6 se colhe tou- 
5a , sem que primeiro se sem^e. Dir-mc-ba r. vn. que 
aqui mais se vive para os brutos, gue ' para os Ho- 
mens 3 e eu Ihe r^ponderei que melhor he viver pa- 
ra OS brutos , que parecem Homens , pelo que ensi- 

. na6; do que para os Homens, que parecem brutos, 
pelo que obra6. Muito ti vera que dize? a v. m;<; po- 
tem rcmetto-me ao silencio, porque jd soU' mui ex- 
tenso« V» fii. me perdoe^ . sc naa diividei dtr f^zer pi- 



P d B T V € tr E «. ,' 223 

rallclo do catnpQ com a Corte, e fiz flodepois com 
ijue esta com toda a sua lirbanidadcncassevencida da 
tusticidade da^iielle. Na6 penejida v. m, vencer-me , 
porque se isto em mim ila6 he razao, he hunia pai* 
xa8, dominante. Como o prestimO- do cainpo nao ser-- 
ve- para a Corte, nadi tenho que oflerecer a V. m, se-^ 
na6' hum* sincera vontade , . que de$eja toda erapre- 
gir-sc no seu service. Decs guarde a v. m. por muitos 
aimo$« 

■■;''■' ':''.'■ ^ ) .■ 

■ • >, '" . n i . ft- .i !>ii i ■ II , W H I n' l I , I ' i 1 1 II III I I i | I II III I ami 

CARTAS DE EXHORT At;A6, E CONSELHO.^ . 



A D V E R T E N C I A. 



A 

-t\ E3rHOKTA9A6, e a persuasa6 sa6 quasi humames- 
ina ccusa ; porque qu An persuade,, igualmente exhor- 
.ta , pnncipalmentc nofim: pelo qiie disserao que a 
ifihortaga^ era parte^ ou epifogo da persuasao. Po- 
rem a persuasaS usaide provas-, e a exharta§a6 para 
mover • os afFectos , serve-se de cstimulos , os quaes se 
costumaS extrahir de dcz fonres , quesaS as segulntes: 
Dm Mfivor y da esperan^a , do ttmot- , do odio , do amovy 
da rrtisericordia, , da emula§a&y da expect a^aSy dosex^ 
emphs , e dds^ ragos. Depois que tivermos captado a 
benevolencia da pessoa j que quizermos exhortar, tra- 
zendo V, g. i meaioria o affecto, que Ihe temos, lo- 
go Ihe' proporcmos a cpusa , louvando-a quanto nos 
parccer nccessario, Por mcio do IcHivbr se exh«rta dc 
oois modos: o primeiro he louvando amesma cousa:, 
dizendo v. g; que hp^ gloria , ardua , pia , tiuaca 
emprendida , &c. : o segundo he louvando 1 pessoa 
pelas suas acgfics pa^sadas , pela nobreza do seu nisei- 
men to, pela suajprudencia , experiencia, &c. Advei^ 
^timosp i|ue asdim 98 sAuico^^ como os poucos annos 

» • . pa- 



ai4 . S E c K K T A K I a 

pagao-se dcleuvores dilatadps ; porque facilmcnte en- 
tra o dcsvanecimento nestas idades i porem na6he^s- 
sim com facHidade cm annos pcrfeirosi For meio da 
esperanga dos prcmios vivamente se exliofta y discor- 
rendo sobre a iniiDortalidade do nomc , sobre as hoii-^ 
>as, gloria, utiiidade,^ &c. • Iguala»ente se'exhorta, 
por nicio do tcmor dos damrios , trazeiidp . v.: g. d 
iTicmcria os trabalhos, os desgostos,^ -a infamia , &C« 
Tambem por meio doodio, amplificando odosriai- 
-V migos, a crueldade , linfidclidadc ,. o .atrevimentx>-, 
^ insolencia , &c. Do rtiesaio modo por ipeio. do 
amor*5 leinbrando ac^ridad^ a favor daqucllcs, pelos 
quaes se ha de tentar a cmpreza , &c. Igualmente pe- 

'ia misericordia , augme ntando ^ com artificio a nieces-, 
sidadc aos amigos , os males, que padecem, as pf- 
fensas , que so&rem , &c, Tambem por meio de emu- 
la^ad, propondQ,.as virtudes dos cmulqs v. g. aindirs- 
tria , o valor, o poder ,. &c. Do mesmo xnodo por 
meio da expecragao, liiostraudo quao.graiide bemsc-*- 
jao OS amigos, parentes , patria, &€. E. dircraos'que 
esta exp'ccta5ao he mui natural , e provavel ,> conai- 
derando na sUa*nQbr€za , boa. ediicajao/c nocredi- 
. - tQ de outras ac96e$ passadas , / &c.' Igualoicate por 
meio de cxemplos ^ trazendo i memoria semelhantes 
emprezas, feitas ou pOT seu$. maiore§ , on por ©utros 

. Parricios , ou por outros Homens , de que tratao as 
Historias antigas 5 e modersias -, &c* Tambem podcre- 
n>os exhprtar por meio de rogos j,, instando vivamctn- 
le. com artificio, e dizendo a pessoa a qucm cscreve-* 
iDos, que obre cousas dignas do seu- valor, taiento j 
qualidade, &c. Advertimos-, em ultimo lugar, que' 
toda a cxh6rta§a6 se.deve ado^ar, como quasi sem- 
pre fez Cicero , para que na6 haja pique : c assim dirc-- 
jmo^^ue Ihe propomos a tal cousa para augoiento da ka 

. fama , o que como amigo desejamos , e uao porque se en^ 
tenda que he tal , que necessita de exhorta^Ses ,'edccoii- 
«clhos. Pcrtcnccm cstas Carta$ apgenecaDeliberatiVo*. 

'■" • ^ ::^ \ CAR- 



P O fc T O Q V E «. iij 

CARTAS DE EXH0R:TAqA6, E CONSELHO* 

1 iN a6 tenho coiisa , que mais ame , do que a nie^ 
Itioria dc V, Excellencia j por isso na6 tive cousa , qud 
mais sehtisse, do que a sua ausencia desta Corte. Ccjrra-» 
mente foi csta partida para mim mui sensivel: e nad 
neccssito de encarcccr a V. Excellencia cste pesar^ 
porqiie nao sa6 poucos os fundamentos , que V. Ex- 
cellencia para o conheccr podcr4 ten V. Excdlencia y 
que faz a fcrida , he $6 quern Ihe p6de applicar o re- 
medio, O: qual na6 p6de ser Oiitro , scna6 a suaresti-j 
tukaS a Cortc. Muito expliquei com a palavra resti- 
tui5a6 i porque na pessoa de V. Excellencia roubou-- 
se-nbs o gosto , crcdito , c a instruc§ao da suaprar* 
tic«,, o crcdito da sua companhia', e o gosto da sui 
vista. Attenda V. Exceljencia, attenda a nossajustija j. 
c^nao a dilate; pofqiie he mui prejudicial a perda:^- 
sena6 eu pcssoahuente buscando a V. Excellencia me 
irci fesiarcu** Como V. Excellencia sabe o despotica 
dortiinio , que tern sobre a minha obediencia , he ac- 
536 mui desnecessaria ofierecer-lhe a promptidao da 
minha vontadc , para tudo o que for servidoi Deoi 
guarde aV* Excellencia pbr muitos annos* ^ . , \ 

1 Muita iplc me cbega6 as Cartas de V.' Excel-* 
lencia , por isso tarde chega6 tambeni as rainhas res^ 
postas , ainda qije com diligcncia sa8 escritais , e man^^ 
dadas. Para evitarm^ estas demoras^ ponh^ V^ £x-' 
cellencia pressa em yir para a Corte^ Nao se cancenl 
.ss pennas.5 nfem as penas : ja tantoesperar he desespe- 
ran As conversa96es, ou ria6 continuao , du se conti- 
nua8, logo se fazecn fastidiosas ; pofque Ihes falta 
aquella gra5a ^ com que V. Excellencia as sabe' faizef 
saborosas. Dcsta nausea todos adoecem, e euf msiis 
que todos : por isso sou o que mais rogo a V* Etcel-^ 
Icnciat que torn^ , t seja' com tanta brcvidade , cjuaqj* 



a%6 Secret ajk lo 

ta he a-minha tristcza, ou o meu alvoroco. Assitn o 
cspero dc V. Exccilcncia, a 'qucm Dcos gijarde por 
muitos onnos. ' 

3 O ^ffecto de V. , Excel lencia na8 corresponde 

eTfeitafticnt6 ao mcu ; na5 Senhor , na6 corresponde. 
e hum ^co', que unicamcnte corresponde aos unicc^ 
accentos; isto he, ds mlnhas ultimas affectuosas de- 
mons tra58es, XZonvido a V. Excellencia a que vepha 
gozar da delicia desta csta9a8 neste delicioso sitio , c 
tudo he respondcr-me que vira , mas nunch vem, Na6 
merece este future quern a V. Excellencia amaJ de pre- 
sente ; porem desde agora estou na certeza de quet V. 
ifexcellencia , oil ^^stimulado das minhas siipplicas , ou 
compreheiidido pelo. scu descuido, na6 ha d§ despre- 
zar OS meus' novos rogoi, ciffcltos siqcdrosdaminha 
fidelissima amizade.' Ppr instantes cspero o arrependi- 
mento de V. Excellencia , csperando a sua Pessca nes- 
ta quinta, e ja tetes instantes me pareceiri dias, por 
Ba8 dizer seculo, Dcos guarde a V. Excellencia por. 
muitos annos. , 

4 Agora me da6 a noticia de que V» Excellen- 
cia cahira na^cama dfor^a de huma grandcfeb.re. Pa- 
rcceo cousa nova ao afFecto, mas na6 ao juizo; por- 
que ha tempos vendo eu a V. Etcellcncia , Ihe obser- 
Veina6 sei que no semblante, que n^ tnt coatep- 
tou. A. todos estes acddentes podera1|P queV. Exr 
cellencia d6 causa , porque apenas se abstem da pen- 
na. Estudos fortes fazem fraca a saude , comn\unicaii»* 
do-lhe fortes doenjas. Nao estranho que o xorpo se- 
ja servo da alma ; estranho simaindisa:i§a6, com que 
o querem fazer servo miseravel, sem hum instante de 
Jiberdade. Es]}erb em Deos que V. Excfellencia'breve- 
mcnte se vera restituido , e ehta6 cspero tambem em 
V. Excellencia que viva para si, para viver para:' to- 
dos* Para a vida dos estudos , c da fama,}d V. Ex- 
cellencia . viveo tanto , quanto basta para conseguir 
lium jiome immortal^ Use V. Excellencia 4^ste.re- 

me- 



P O » T U 6 V M Z. 227 

#e<3io, como espccifico para a sua. enfermldade, 6 
qual ]he teceita quem cbmo antigo Criado seinteres-^ 
sa iiiulto na Siiude, todo na vida de V. Eicellencia ^ 
a qucm Deos guarde por muitos annos. . 

y Como -todcs sabem a^ distingad, com que V< 
Excellqncia mc trata , todos inc pcrscguein nds seusi 
ticgocios, . para que os pltrocine coni V.-Excellencia^ 
Da maior parte dcstes cmpenhos livro-me! com IheS 
dizer que na6 me quelra6 fazerimpertiiiente a tro- 
■ CO de ficarern servidos, nem dem causa a se perder 
a minha amizade , por ganharem o seu negocia.- Ago-^ 
ra -^me" busca,, N... , que Vi Excellencia coiihece por 
faomem niais importuno, que as moscas; para o lan- 
5ar fora de tnim o mando cm meu nome a V. Ex-» - 
cellencia. O negocio , que tern , he dos seus costuma^ •; 
dos , que sempre sia8 impertinentes , e sempre impos-^ 
siveis. V. . Excellencia o contente com cortezes des-« 
culpas, que cu o consolarei com desejos de o servir* 
Ficara elle ^atisfeito, e eu , e V- Excellencia flcare-* 
iiios livres* Estou como sempre para dar gosto a V* 
Btoellencla em tiido o que apetecer. Deos guarde si ^ 
V. Excellencia por muitos annos. ' ' ' 

6 Go€rtaiido eu muito , como todos , d^s bbfa's 
de V. Senhoria ,' na8 gostp do modo como as coiri- 
f6e. Levado de huih .espiriw inquiero faz a planta ; 
d na6 prindpia a ebra , ou se ralvez llie da princi- 
pio , fnanent optr/f interrupt a ^ Modere V. Senhorii ' 
tanto fogo, naoo apague ; porque ra6 dam'nosa he 21 . 
falta , como o eXcesso* NaS seja como os Leopardos ^ 
OS quaes despreza8 a Ca^a, se dos prirtifeiros saltos ^ ^ 
nao prendem. Na6 he hem cousa tar6 facil de c6n-< 
aeguh-; he^ preciso'hum obstihado sofFrimeiito sbbr€i 
Jium largo estudo , e litim genioTiloderado sobrehunt 
espirito vivo. Os annos de V< Seiihoria , e desejo^ ' 
que tenho , de que em tudo seja filho de seu gra^def 
|)ai , sofFrem esta admoesta§a6_: e por estes fundamen- 
tos ^pcro tjiie V* Senhoria na6 s6 b^ftignamente « 

. P ii V^f 



aaSi Secbktakio 

acceitard, mas que tattibcm a observara; pprquc tein 
muita humildade o seu engcnho' divino. pcos guarde 
a V. Senhdria ppr rauiros annost . • . 

7 A fiel amizade 5 qiie prdfesso a V. Senhoma,^c- 
rivada da que semprc tive com a sua Caj^a .^ me ani- 
ma a admoestar a V. Senhoria a qu6 desista da em- 
prcza que intenta. Parece-me que be imprudente aquel- 
leca candor , que nao duvida pcrder hum cavallo , a 
rroco -de ira^ar huma lebre; A acca8 na6 he digna 
dc V. Senhoria , c crea-mc que rodo o que acdnsc- 
Iha a V. Senhoria o contrario , deve picrecer a sua 
indifrnagao. Ainda' que esta cmpreza per si niesraa pos^ 
sa ogradar, runca agradara pelo Author., V. Senhoria 
pcrJ.oe esra lil^rdade de cscrevcr; porque como ji 
disse 5 a fiel amizade a dicta, podendo-a tambemau- 
tljorizar os mcus anncs. Porem nada temo: porque 
conheco a nature^a. de V. Senhoria , que mais esti- 
ma hiima triste verdade , que huma ^legre Jmentira* 
Deos guarde ' a V. 5^nh6ria'pof muitos annos.' ; 

8 Com particular contentamenro recebo a Car- 
ta de V. Senhoria , por me communicar o louva* 
vel animo, com que esta de fazer hum gyro.peIa« 
Co rtes da Europa. 'Muito me alegro , tprno a dizer ., 
cbm esta noticia a pesar da minha saudade; porque 
huma tal resolu§a6 n^6 so he louvavel , mas necessaria 
a quern nasceo com as obrigac6es de V. Senhoria* 
Se eu nao conhecera quaJ he o genio de V. Senho- 
ria, muito finha que Ihe admoestar, para Ihe ser^^ir 
de guia na sua Jornada, Disscra-lhe que usasse mais do$ 
plhos da alma que do corpo ; istohe, que* olhasse 
mais para os costumes, e genio, que para as magni- 
iicencias , c grandczas. So destc modo he que se adqui** 
re hum thesouro de incstimevel prejo. Praticao-^e os 
Sabios , aprendeni-se as linguas, e cviltiva6-se asvir- 
tudesj deste modo he que se possue hum patrimonio 
de mercciroentos y ou ao meno§ de cousas raras. So 
las^im lie que sc augment^ o esplendor , a nobrpza , e^ 
' '■ : • ' ■' ' . a' 



P O K T U G tj 15 Z. IZp 

a capatidade para o servi^o da Patria. Com cstas li* 
-^oes recolhe-se hum Cavalheiro , traz'endo como subs- 
tancia aquella n'obreza , ,qae levcq comd accidence. 
Os rios se naq peregrinassem especulando' terras , e 
as entranhas dos montes , 'ou na6 seria6 conhecidos , 
ou nunca teria6,o titulo de grandes* Muiro pod«fradi- 
zer a V. Senhoria : porem nao quero (jue huma Cat ta 
parega tfatado. So por conclusa6 Ihe digo que Como 
p. geuio deV. Senhoria he tal , que nao necessita deex- 
horragtfcs , ha de tornar para a Patria taSoutro do qae. 
fbi 5 que ha de ser mais invejado que gpplaudido- Se 
o meu prestimo servir a V.' Senhoria para algumacou-. 
sa 5 di^ponha delle livremente c6mo seu ; porque hcdo 
seu maior amigo. Deo^ guarde a V. Senhoria por 
muitos annos. 

9 "Espalhourse nesta terra a rioticia de.que Sua, Ma- 
gestade iizer^ elei^ao de \^ Senhoria 'para o" Governo 
de.., , mas tambem logo se divulgou ouira , de cji;e. 
V. Senhoria nao acceirava a nomeagao. Cri a primei- 
.fa, porque os grandes merecimentos de V. Senhoria 
ainda se fdziao dignbs de muiro mais ; pbrdm nao dei 
cr^dito a segunda , porque a prudencia concorrendo 
cam todas as virtudes , na6 tern emV. Seniioria o 
segundo' Jugar. Nao he V; Senhwia quern se ha de 
negar ao servi^o publico , e muito menos' por falta 
A^ premios ; porque had sabe V. Senhoria escurecer a 
antiga gloria da sua ?illustre Casa^ nem pcrder as fu- 
turas utilidades delja ,■ com pr^juizo evidence da sua 
posteridade. ' V. Senhoria me faca certo nesca noticia , 
que me quere'm asscgurar,, c me conhe^a por hum 
dps ^migos interessados no seu credito,,e nps scus 
aagmehtos. Deos guarde a Vi Senhoria por muicos 
annos. 

IQ Paz-se-me preciso avisar a V. Senhoria em d)- 
mo se trata m.Qito no negocio de prender a N... , pes- 
soa a ouem V. Senhoria tanto patrocina. .Alnda he 
tcttipd ae bpor on parte segura > sQudo que a parte 



tyy' Secketario 

,Jic Argos, que na6 pcrdc tcinpoein ovigiar. Eu diss* 
sera a V. Senhoria que logo logo o 6zesse passar o rio , 
para passar a Hcspanha , que isto he o tnais seguro j 
'porque o contra rio , como tnl na6 suppSe , nao o 
Fara prender* : porem como devemos conjecturar ttis- 
do , sou tambcm de parecer <iue va em habitos des- 
conheoidos , e com o nome mudado*) porquc deste 
mode, ajpdando-se ao mesfT)o tempo da sua esperteza, 
Iia6 podera scr conhecido. Entre t^nto busc:ar-rse-ia6 
todos OS meios, para que a parte de o perdao ; para 
OS quaes ja me offere9o a V. Senhoria , se for p reci-» 
popcorn buma vont^e muiio prompta , e sincdra^ 
peps guarde a V. Senhoria por muitos annos» 

II Miu amigo, Grande contentamento tenho do 
que V. m. se ^vcja Ji Jivre do trabalho que contra a 
sua constancia maquinou a inveja. Sempre assegurei a 
r. m. este fim , porque 0s seus emalos sao pabllca* 
mente conhecidos por infames filhos da maledicencia, 
J>fo que respcita a v. m. dizer-me que ainda escrupuli-^ 




logo que nao fa§a tal. V. in. naopi 
csta mal , na dos maos nunca esta bem.^Muitas yezes 
p na5 saber a'lgumas cousas he ^ciencia .' buscar mais , 
be buscar^ mais cuidados. Tome v.m. sentido no que 
Ihe admoesto , e louve a Deos pclo beneficio , que Ihe 
ftz. Q mesmo Senhor guarde a v, m*.^ por muitos ant? 
pos. _ \ . - ^ 

12 Meu aipigo. Estou informado dos trabalhos , 
com que'Y, b. se v^ perseguido , sinto-os como nao 
sei explicar ; sendo que v. m. nelles , pelo que>ou5o , 
teve algum^ culpa, Fiou-se muito de quem todos fiao 
poqco , e cu nada , porque sei circunstancias , as quaes 
V, m, Q{\ nao atrgndeo , ou nao sou be. Daqul em diann 
te procure a'amizade dos bons , e se tiv€v poucos 
^migos, )5nia^ os, terd verdadeiros, ' Na que rcspeit^ 
89 pgsado;^ gemQle-se.Yi m* ? ^ic^vttiffetaf ^ rf/V^r^r^* 



P o » f ir <3 u KB. ' ^ ^jr 
nat. Na& he esta tormenta tz6 perigosat ,^ que ria6 
se haja dc descobrir algura porto, Eai que v. m. ha 
de cuidar heemter mais olhos nas castas^ qucnoros- 
to ; porque cste scculo he pes«ima V, ^i; jd me en- 
tende. Para tudo o que eu poder, nao tern v. m. mail 

2UC niandir-ipe'como ao seu mais pbediciUe Criado, 
>cos guarde a v. ni; por muitos annos. 
13 Meu amigo. As produc§6es po^ticas de v. m, 
dao humas grandes esperangas, porque sa6suaves, e 
<:legantes; por^m na6 se fie v. m.'tanto na disposi5a6 
da natureza, que na6 attenda is disposi;6es da Arte« 
He preciso ler a Po^tica de Horacio , para se faze- 
icm versos como Virgilio. Com este nbbre mixtofor- 
mard v. m. corpos porticos, que viver46 y e fara6 vi*; 
vcr a' T. m. com eterna fama na memori^ de todos*. 
Eu o estimarei. miiiio, aiada que me resultari huma! 
grander pcrda ^ porque ficarao-spndo fezes aquellas mi- 
nhas obras , que v. m. estima por oiro. Por hora na6 ^ 
diga mais ; espero nbvas composi§6es suas , para ver 
se este coaselho produzio o seu cfFeito. Fico as or- 
dcns de v. m. , a quern Deos guarde por muitos an- 

DOS. 

14 Meu amigo. Na5 imaginava eu que y. hi. to* 
masse tal resoluga6 ; porque nao supponha no seu ani- 
mo tanta desconfianca. Por hum naufragio na6 sedei- 
xa /toda 9 navegass^o. Mude v. m, de velas , segundo 
OS ventos , que na6 he incpnstancia j o ponto estd 
cm ter sempre o Norte |irme. Os merecimentos de v. 
IB. coQstituemK) mui capaz para chegar ao.porto de 
qualquer ' honra. Os caminhos sao diversos , tente , c 
na6 esmorega ; porque prejudica nao mengs aos seus 
interesses , que a sua vida. Se eu podcr sef bom a v. 
m. para conseguir o fim , que deseja , tem % m. p 
meu^animo ta6 prompto para o servir , como ami- 
nha penna para o recommendar. Deos guarde av. m. 
por muitos annos. 

IS Meu amigo. As desgrajas nunca vem sera com- 

• pa- 



sj^ Secketaitio 

panhia : quern cahe em huma , bem p6de estar na 
certeza que ha dc cahir em muitas. Por csta raza6 he 
precise todo o empenho , e vontade em valcr ao nos- 
so bom amigo N.,. V. m, assim o fa§a , na6 s6 por- 
que p6de , mas porque elle se faz digno dc toda^ a 
c6mpaixa6; pois se acha em Kum estado d mais mi-* 
: scravcl , na6 por erro proprio , mas por culpa alheia. 
A parte he forte, immiga poderosa na causa , Irrc- 
conciliavcl no animo; e se se,Ihe poder resistir , na6 
ha mais for^a que o poderoso patrocinio • de v. m. , 
o qual eu espero 'quando se der occasia6 ; porque a sua 
bondade he conhecida ate por aquelles , que na6 cot 
chccem as virtudes. Fico as ordens de t. m, a quern 
Deos guardc por muitos annos» * 
• 1 6 Meu amigo. Pofes & hoc tanto sub casu du- 
€ere somnos y nee qu£ circumstant deinds peri aula cer-t 
pis? E que soruno houvc, que fosse mais scmclhan-? 
te a^mortc*, do que cste , a que v. m. seentrega ? Rcti- 
re-se, meu amigo, rccire-se: porque vcjo iiao sel que 
ruvcm, que prognostica grande , e fatal tempestade; 
Ainda que a raza6 dc v. m, o possa ter seguro em to- 
|3o o tempo, na6 o poderi ter seguro em todo o luU 
gar. Quando no Mundo cntrou a prudencia , nao en- 
trou para outro fim , que para remediar semelhantes 
accidentes. Na6 tenho mais que dizcr , nem que Ihe. 
cncommendar, sena6 a brevidade^ na fugida, eodar- 
me noticia ' da parte , onde se aehar para eu s^atis- 
fazCF com as minhas obrigacoes. Nestes apertos he que 
se conhecera os amigos : descjara eu muito que v. m. 
por tal mc'cohhcccsse, mandando-me a t6do o risca 
para tudo o que poder servir de uiilidade a rcpentina 
ausencia de v. m* , a quern Peps guardc por muitos 
?nnos. 

17 Meu amigo. Recebo a Carta dc v.,m., e com 
elja a incumbencia de rcparar de algum modo a des^ 
grg^a ., que v.m, presentemente padccc, £u a sintp cor 
i[no pede* ?i nossft amizade, epomctto ay. m. d.?..naS 



? O K T U • XT B .«. 253 

pcrdcr tempo em v6r se o posso alliviar; por6m sem 
demora, e dcmora grande, nao se poderi conseguiro 
bom successo , e v.m. na6 ignora a.razdo. Em ouanto 
a V. m. , na6 sirvo porobra, devo scmJIo por palavra; 
porque deve cxliottallo a pacIcnciardizendo-!he que- 
raro ver sine tonitru. Assim vau as cousas deste mando. 
O docc conffna com o amargoso » oamargoso com o do- 
ce : de sortc que hum he quern produz ooutro. Pafa v, m. 
isto basta; porque tern juizopara destas palavras dedu- 
2ir muitos exemplos de cousolaca6! Dctoda anovidade 
avisarei a v, m. como quern tanto deseja dar-lhc gosto , 
e valer-lhe em ranta afflic§a6. Deos guarde a v. m. por 
muitos annos. • ^ ' ' 

it Meu amigo. A parcial amiza'de, <jue s^mpre 
proFessei a Casa de v. m. /me faz mui particularmente 
€Stimar as noticias , que tenho dos progressos , que oseu 
esuido faz na Jurisprudencia/ com loiivores de huns, e 
imreja de outros , que cultivao essa Universidadc. Eu 
sempre assim o varicinei : porque scmpre conheci em v. 
m, hum talento , qqe he hum th^ouro , de que o munda 
raras vezes costuma ser liberal. Havetido em v» m. tal 
cngenho , e em seus Av(5s ta5 grande exeraplo , sao mui 
Haturaes estes progressos. Gqntimie v;. m. , e com estu^. 
do forte,; porque a Facuidade tudopede. Na6p atcmd-* 
rize o trabalho , nem o dilatado mar, que tern que surcar ; 
conseaurincia quasi infallivel dos estudos , e dos estudia-' 
SOS. V^ V. m. este papei , cm que eu Ihe escrevo ? Ve-o ? 
pois s,em ser baddo , pizado , esem passar por outros mui- 
ibs tormehtos, na6 sefazlizo, fino , e capaz para nelle 
se depositarem os thesouros dasscicncias, A simili. Na6 
digo mais; porque nao quero por extenso privailo das 
horasdoseuestude. V.m. dispgnha da minhavontade, 
como de quern a sua. Osa deve na^ communs obrigar 
§6es. Deos guarde a V. m. por muitos annos. 

19 Meu amigo. X^c he isto ? Tanta colera pm v, ra. ? 
Eu tal na6 dissera jiemenos imaginara.,Fitgiode v, ra. a 
prudei^cia ^ cpara ead?iria I V«Q par^ mim. Sim , Se- 



. ^34 SEritETAKI5 

nhor ; para mim , a fim de que cu Fosse a valia para v. m. 
a tornar a reccbcr. Por parte delli me empenho todo 
com V. in. exhortando-o a que apague^o fogo inconsi- 
dcrado da suac61era ;^porqucna6 tere razao para one- 
cender. Amiens Plato , sed magis arnica Veritas. E!b 
sou deste pareccr,' e ria5 deixarci de ter sequito, ^e 
buscar OS Prudenrcs. Por outra parte dcsculpo a v. m. ; 
porque csta nbssa natureza he hutna fera que nemseai- 
pre podenio^ domar : quanto maisqueemv.m. fbiesta 
a primeira vcz , que se conbecep este defeito. ^ Ja que 
culpo , e desculpo a. v. m. ,' culpe-me , e desculpc-nw^ 
igualmente a mini : culpe-T|«e em na6 o admoestar mais 
cedo , e desculpe-me a li'berdade com que o admoesto ; 
porque asrazSes da nOssa estreitissima amizade , e da 
nossa qua« fraternal creaqa6 , tudo Consentem com hum 
animo sincdro , em que na6 entra fingimento. Fico cor 
mo sempre com todo o aficcuo as ordens dcv. ra. , a 
quern Deos guarde por muitos annos. 

20 Meu amigo. Pfcrgunta-me y. ra. se o acoB^elho a 
passar.em servi^o da Patria ao E3tado da India ? Na6 
dirci a Y, m. o meu parccer ; s6 Ihe direi ^ que traga a me- 
morid seus pais , e.seus maiores , e logo resolvera o que 
ha de seguir. Gonremplara no zelq, c no valor, com 

?ue muitof delles passando aoOriente ennobrec^rafi a 
atria y eosseusnomes compalmas^, queplantira^com 
, maos vi9toriosas , dasquaes ainda hojecplheinos respei- 
tados fructos : e no fim destaconsidcrajaS estou certa^ 
que ha de v, m. resolver-se a seguir-lhcs^ os passos^ e in-* 
^armn^ado de riobre^espirito a emprentier aquellas at- 
^s , com que elles deixara6 fama, e netos illtrstres. 
JNa6 po^so dizer mais a v. m. , a quemrogo quemcpan- 
ticipe o dia da suaida, para enprincipiar a pedir a 
Dqps que Ihe d6 feliz viagem , e Jhe prospere avida 
por dilat^dosaanos;, cbmo Ihedcsejo, &:c, ^ ^ 



CARt 



P o m T tr-6 u B «.' ?35r 



CARTAS PO GENERO MIXTO. 



A }> Y £ K T ,S N C I A. 



M. 



(JLuiTAs vezes succed^ csci;ever em buma jnesmaCar- 
ta diversas cousas ; parque mujtas vezes ha Qccasia6 de 
pcdir , agradecer , recdmmendar , &c. Nao sc p6dc duvi- 
dar que scmrihanres Cartas sao mixtas ; porxjue aquella, 
que as escrcvf , prop6eem sidiversos fins. Demos a estas 
o ultimo Ijugar J c com ellas constituimos quasi humquar^ 
to generof porque nos pareceo que na5 secomprehen- 
diaS bem jios outros: Na6 he nepessario ape;>tarmos re- 
gras* para semclha^tes Cartas j porque berti sahe o Se-i 
crerafio que se devaservir dos prec^itos particularcs da- 
quellas' cspecies^ de Cartas , x que neila se comprehended 
ra6 : como v. g. se ao mesmo tempo louvasse , eexhor- 
tasse, devera valer-^e dospreceitos, que scapontao nas 
advertpjicias dasCartas.de louvor , e exhorta^ab , &c. 
XJnicamente qtianto a .ordeni devemos advertir que ps 
negoeios piiblicos se nao devem misturar com^particu- 
lares, nemasjcousas passad,as confundir com asfutura$; 
antes s« devem escrever separadamente para maior'cla- 
teza , e intelligc .cia de. quern ler: porem com bumtal 
artificio , que luima cousa seva/encadeaixdo com outrat 
Saiba. finalmente o Secretario que todos os preceitos,, 
que nestas Advertencias apontamos;^ na6 sa6 ta6 invio- 
laveis que privemos seujudicioso ehgenho depodcr ac- 
crc&centar, e diminuir alguiiu cousa , segundo apcca-* 
sla6 5 c p bom- gostQ o pedij j porque uao ighoramoa ' 
que tudo sepode iiielhorar5^are<:}iegar4§ua ultimapet^* 
feijao : e ass.im tornaraos para sua maiorin3tru9a6 are-* 
pecir-4be -a regra 4e mus t^^luri dmi^Un ' ^ 

^ ^ CAB.-- 



»36 / Secretario 

C A R T A S DO G E N'E R O M I X T t). 



.N, 



i ASCEO a V, Excellencia hum filho , e a minx 
hum Amo ; deve V. Excellencia recambiar os mesmbs 
parabens , que cu raui sinceramente Ihe douj porque 
cbm esta felicidade ria6 se interessa menos a tninhk 
Casa , que a de V. Excellencia , aiada que os firisse- 
jafi'divcrsos. De6§ Senhor\nosso prospere a vida a es- 
te inenino para ser mais herdeiro da gloria^ que da 
Casa de V, Excellencia ;- o que firmemerite espcro , 
porque as virtudes della estao sempre necebendo da 
Ceo mui J>articulai?s beneficios. Como he ta6 ptiblica 
a merc^ cona que y. Excellencia me distingue entre os 
scus Criados , valem-sc de mim estes dois sujeitos.do 
MetTiOrial incluso' para que V. Excellencia os patrocine 
no que nelle relata6, Sa6 irmao's no sangue , qtie he ' 
hdnrado , e nos co&tumes , que sa6 louvaveis. Todo o 
bemj que V, Excellencia Ihes fizer , o hci de estimar 
muito , e o distinguirei entre o numero infinite de fa- 
vores , que devo a V. Excellencia , a queni offere^o 
com animo sinqero a minha prontissima servida6 para 
tudo o que for deseu gosto. Deos guarde a V. Excellen- 
cia por muitos annos. 

2 Acceito OS louvores que V, Excellencia me da, 
mais como imagem da sua rara eloquencia , que co- 
iT)o retrato do meu vulgar merecimehto , e neste par- 
ticular , por na6 me confundir, nao dirci mais. Para 
responder a outra parte da Carta de V. Excellencia , 
direi quc/nunca entendi que N... rompesse em tal ex- 
cesso. He muito grave o caso ^ e ?ja6 sei quefimin- 
fausto The prognostico. Dira V. Excellencia que tern 
o Sol perto 5 que. logo dissipari^ o teaebroso de toda 
a teif.pestade', porem a mim parece-me que e^a mes- 
ma visinhan^a mais o ha de abrazar, que equfntar.' 
Appelio par^ oKmpo, No qtte respfeita ao mais, es- 
.• tou. 



. . P O K T U G U E -7. V 237 

ton pronti$simo para.fazer tudo^ui^ntq V. fixccllencia ' 
me ordenar; de sorte que Ja tuHo scispendo. , para 
«pcrar as dcrerrinpacoes de V^ Excellencia , a quein 
Deos guarde por muitos annos. 

:} As Cartas de V. Excel Icncia sepfipre- vem a tem- 
po ^ porque as dicta a benignidade , e na6 aobriga-' 
§^6. Assim qiiizera a sorte que se calasjem J«i as'pei> 
nas,'e que entrassem ^ fifllar as linguas j porque ja 
a saudadc lie i^soffriv^l, Esta minha commum trisieza 
recebeo hu^n grande allivio com a estim^vel noticia,^ 
que V. Excelleiicia me deo dairielhoria da Excel lemls- 
'Sima Senhora Condessa. ,Ouvia Decs ias ardentjps siip^' 
plicas' do3 'Criados desta Senhora , entrc os quaes te- 
"nlioeu o. primeiro lugar; porque a bondade da Casa 
de V, Excellencia assim o quiz, quando n\^is que to- 
dos me favoreccp. Gomo V. Excellencia sabe qaal 
he a terra em que vivo^ beni sabe as npvidades'que 
nella ha ; todas indignas dc tomar o t^mpo a V., Ex- 
cellencia , deque tantp neccssita para utiiidade piibli-. 
ca. Para minha particular, participe-rae V. Excellent 
cia^.a honra dos seus preceitos , para que aquisesaiba 
que ainda V. Excellencia sc nao esqueceo de me fa- 
vorecer. Deos guarde a[ V. Excellencia pof muitos' an- 
nos. '■ , ^ ■ ■ ' ' 

4,0 silencia diJatado de V. Extellencia faz com ^ 
que principle a fajlar a minha suspeita 5 na6 do affc- 
cto, de V, jjgxcellencia , porque delle ,na6 posso duvi- 
dar-, mas sim da sua saude , ' da qual principib a te- 
men Para' se aquietar, e consolar o ,meu animo, ro- 
go tnuito a V» Excellencia que me fa§a a honra de me . 
escrever ; qu, por outro algum modo dar-me noticias 
suas. As que eu de^ta tepra posso dar a ,V. ExceUen* 
cia , he que hontem com sentimento de todos passou. 
a melhor vida N... Muito o ha de sentir V. Excellen- 
cia, porque era o maior venefador dos grandes me- 
recimentos de$te Hpmem benem^rito , que para cre- 
dito 4a syafaoia ^ c deshonra de muitgs ^' njorreo. 



ai^R Sccni^TAitio 

pobfe,, otcupando hum emprego ta6 rendoso na« 
maos de ourros: V. Excellcncia me conserve na susL 
lembi*an<;a para me m^ndar, que fta6 quero .ter ocio- 
sa a niinha obcdicncia. Deos gaardc a V. Excellcncia 
por muitos annos. . 

y A minha afFectuosa servida6 ; que V. * fixcellcn- 
cia ^ digna chamar antiga amizade , muiio mercce as 
atrenciossimas expressde^,da Carta de V. Excellencia , 
porque tenho a gloria dc a ninguem ceder, cm jseja 
ro vivo afFetto , ou na fiel servida6. Vencido o na- 
tural ,re'speiro , que est a infunde , com a sincera con- 
fen^a , que aquelle permitte , animo-me a oflferecer 
a V. Excellcncia essa duzia de.. , como fructa a mais 
particular, que |^roduzjo cstfe anno a minha* quinta. 
. V. Excellencia pcrdoara,. se se persuadir que ha cul*- 
pa i porem a benignidade he huma grande parte de V* 
Excellencia No que respeita aonegocio, que V. Ex* 
cellcncia me cncarregou , tendo feito granaes diligea- 
cias 5 ainda na6 fiz as maiores por causa de tfegocios 
que tive , scna6 de .maior importancia , certamentc de 
hum grande embaraco* De tudo o que se passar avisa- 
rei sem dcmora a V. Excellcncia , a quern como fide^ 
^ lissimo Criado dcsejo servir com a maior ansia. Decs 
guarde a V. Excellencia por muitos annos. 

6 Recebo agora a segunda Carta de V. Excdlen-* 
cia 5 € com^ella segundos louvores , e segundos srignaes 
do scu parciaJissirao ^ffecto para coi^igo. Ambos me 
confundem; porque huns se fazem dignos de hum al* 
to -assumpto , t outros merecem huraa singuliar corres- 
pondeJBcia. De ta6 assinalados favorcs tomarei aquella 
parte, que me convem , c guardarei a outra , para cs- 
timiilo' a proporcionados merecimentos. Muito mealc- 
gra a noticia,.qu^ V. Excellencia me da da ipelhoria: 
do Senhor D. N-.v; queira jo Ceo que continue* dtf 
modOj-que, na6 tenhi eu ^mais, quedesejjtr. Sobre a 
ifjais, qpe V. ^Excellencia ine manda que fa^ , betti 
tabe que a minha seryida6^ como* ba lamo teihpof 

que" 



f O R T V G 47 E 2. Igp 

que esti ociosa.voara para logo sj^rvir a V.' Exccllen- 
cia , a quern Dcos guarde por nniitos annos, 

7 SeiBpre que V. Excellencia. mc .escreve ^ sen;i- 
pre lue affligc; porquc ou em hiimas Cartas naosa- 
be V. Excellencia dar exerciclo. a minhn ambidosa 
scrvida6, ou em outras^jnehadchonrarcompreceitos, 
a que eu iia6 posso obedecer , como presenteoicnte 
cxperimento: Muiro tempo ha que desfia^ o commcr- 
fio com as Musas, e he hoje para mim ta6 difficul- 
toso hum verso mao , como em putro t^mpo o fa- 
zello bpm : e ainda que cu intentasse eospretider esta 
grande diitlculdadc, sao tantos os negocios , que jne 
cmba^ra^aS , que na6' me dcixa6 cm descanjo o jui- 
zo. Sirva-sc V. Excellencia da minha vonradc que he 
pronta , e na6 do meu entendimento queja nao hc^'ap- 
fo; e entao seri V. Excellencia seryido' como mereGC,c 
cu obedeccrei como devo. No outro particular cni 
que V» Excellencia nie falla, pedindoTitie o meu'pa- 
reqcr, digo qqe sou de mui diversa opiniao que ou-- 
tro segue. Sigo so a V. Excellencia : e se eu na6ti- 
ver^"^ r^zpes , em que fundar-me, bastava. a razad de 
V, Excellencia §egufr o mesixio. Na6 deve bus- 
car o wngue illustre; porque-Q oiro sendo o mais 
pfecioso dos metaes , tambem^ tern fezes , e o dia* 
mantesendo a pedra mais csdmavel , rambem tern fa- - 
Ihas. As novidades desta terra 8a6 o casaniento deD* 
N,.. com huma filha de N.*. pessoa das mals illustre? 
de toda esta Provincia ; e huma motestia qqe deo no 
Governador , a qual. ainda os Medicos' na6 conhecd- 
ra6 ; e qocira Deos que i venha6 a conhecer , para 
que o animo de todos se veja socegado* V- Excellen- 
cia ine mande como p6de, para eu obedecer como 
devo. Deos guarde a V. Excellencia por muitos an* , 
i^os. 

8 Muito estimo a noticja, que V. Excellencia me 
^i de ter achado nos.ares da sua qtiinta o rpmedia 
i sua cnfermidade. £u nenhum adho na Medicina 

con- 



240 SECRETAltid 

contra a • molestia , que ha tanros mezes padcgo. Di*. 
zcni OS Medicos que ainda nao vira6 naturcza mais olv 
stinad^ ; c eu dissera que aincia na6 vi estudos mais 
jgnorantes. Remetto a V- Excellencia o que mepede, 
inas como cu posso. Accfeite V. Excellencia o poder 
.^m lugar do. dever , c '.reconhcga a sua benignidade 
rjcsras pouca« palavras a minha muira voatade. Ponlia- 
me V. Excellencia aos pes cje todos. esses Senbores', 
- e da minha parte , ji que a molestia me impossibilita, 
]he agradecerd com a maior distin9ao a lembranca, 
que 'conservao de hum Criado, que s6 pcla razao dc 
antjgo a podia merecer. Fico como devo as ordens 
dc V. Excellencia , a qucm Deos guarde por muitoa 
anno$. 

9 Vou . exercitar hum precise acto da minha fi* 
delissima servidao, desejando a V.' Excellencia fe^tas 
mui prosperas neste alegre tempo do santo Natal, c 
se forem como V.^ Excellencia pierece , nao podera 
desejar mais a m^inha rontade.. Agora que me deixa 
com algum descanqo huma impertinente molestia , 
^ , que ha dias me sffligc , he que pcs^o agradccer a V 
Excellencia tanto o' excellent^ mimo , com que me 
honrou , como a Carta de recommenda9a6 5Comque 
me tavoreceo , pairocinando o mcu afilhado , a qual 
foi tr.6 elfic^z , que ja conseguio o que pretendra. V. 
Excellencia com os'seus estimaveis preceitos d^. occa- 
sia6 a minha vontacje 5 para se poder desempenhar de 
tantas obrigacoes. Deos guarde a V. Excellencia per 
' muitos annos; ' " ' 

'10 Que meu Pai falecesse , fpi lei da' natureza- ^ 
que eu chore he obriga§a6 do sangue , - mas que 
V. Excellencia o sinta he effeito do seu vivt) afFecto , 
c da sua innata benignidade. Eu finalmen^te sinto,, per 
natural impulso das minhas obnga§6es nascidas da Ca- 
sa de -V. Excellencia a grave molestia da Excellentissi- 
ma ' Senhora Condessa ; porem se Deos Senhor nosso 
s^ dignar attender as minhas ardemes . s^pplicis , com 
/ mui- 



P p n T tr G ty £ X. ^ J4t': 

ftiuita brevidade nos veremos todos livrrfs deste seii^ 
timehto. Onegocio, em que V. Excellencia rae falla^ 
he tmi dilHcuitoso deconseguirjpelas estreitas ordenSj 
que se tern dado; porem vcnha o sen afilhado,, q^uc 
eu entrarei na sua perten5a6 com todo o nieu efiipenho, 
e se eu Q na6 ^ervir, , scfvir-me-ha elle , servindo-m^ 
de testemunha para Jiir tcsti€car a V. Excellencia a 
. qualidade do cmpenho ,. que mostrei , e os camU 
nhos > que: descobri para v.^ Excellencia ficar obede^ 
cido, e cllc premiado. Estou, como sempre, as of* 
dens de V* Excellencia , a quem Deos guarde por mui* , 
tos annos. 

1 1 llccebo a Carta de, V. Senhorla , c ^om elJa d 
offerecimento da: sua quinta para convalcsccn^a da mi* 
nha molestia. Agradego a V. Senhoria tanta atten^ao : a 

'^ quizera Deos que onial , quepadeco, consentisscopo-* 
der torfiar ta6 bom rCcnedio j\porem continiia dembdo» 
que todos OS dias achao os medicos muito mi novidad^j 
nos pulsos , € nenlnima boa tios livros. No que respeita 
ao que V, Senhoria me diz dos ttabalhosdeN.., , quasi 
que sa6 merecidos. Semeou-os com a propria lingua , 
recolhe-os agora como proprio ^ fructo. O q^ue dese-« 
jira he que nao andasse descaljo , ja que semeou 
Cspuihos i porquQ Ihe receio maiores contratempos* A 
encommenda de V. Senhoria ainda na6 he possivel que 
ya. "Nao perco tempo , esperoo ; poique he preciso quox 
venha a esta§a6 pro^-ria, Ja nao posso resistir mais as 
dores , que estbu padecendo. Deos guarde a V, Senho-» 
ria poi* muitos fifinoK. 

12 Muito obrigado me deixa certc\mente V, Senhp* 
ria pelo cuidado corq que deseja saber da mi nha mc«» 
Ihpria ; eficito «videntfe do cordial affecto , com quQ 
V. Senhoria sempre me soube disting6ir. Se eu dev<!ra' 
obseqaiar cs Medicos, e.enganar a V, Serhoria,ciis;« 
sera que jd experiraento melhoria ; pOrem ta6 long^ 
estou de a ter» qie (se a uieUncoIica me nao en-* 
gana ) • mt parcce i^ut estou melhor para €> tar pion 



^4(1 SECVBfARIO 

Conhe^o o ctnpenho , que V, Senhoria tern sobre o bom 
successo do negocio do scu afilhado N,.. Do meu vo- 
te \i V. Senhoria p6de esrar segur6 ; tairibem o estara 
o aos mais companheiros , pela efficacia com-quelhes 
proporci a vcrdade. Em quanto ao mais de que V, Se- 
nhoria me falla , na6 posso dar resposta : porquc toda 
pende da. vontade alheia. Tambcm com empenhoen- 
trarei neste negocio : porem quanto a mim y parcce-me 
infructuosa toda a diligencia : e na& digoa V. Senhoria 
' a razao, porquc della resulta ao sujcito nao sei que 
mal. V. Senhoria me mande sempre em que Ihe obede- 
5a , o que farei com prontissiraa vontade. Deos guarde 
a V. Senhoria por muitos annos. 

13 V. Senhoria poc todos o3 caminhosquer veneer a: 
niinha attengad , usando da sua com tanta Jiberalida- 
de, que me acho com duas Cartas emrcspostas ahu- 
ma minha. Beijo aV. Senhoria a mao por ta6 extreme- 
sa urbanidade, que em muita parte mere§o j porque 
vive V. Senhoria na minha memoria amadocom hum 
singularissimo afFecto. A noticia , que a V. Senhoria 
posso dar, he que hontem falleceo a Senhora Cpndes- 
sa de..rf Foi mui sensivel esta morte ; porque verd^dei- 
T^amente faltou na Corte huraa Senhora y que se com- 
punha ao espelho das virtudcs, nella tanto vulgaris ^ 
como rarissimas no Mundo, V.: Senhoria me recom- 
mende muito ao Senhor D, N,- , e itiefa^aa merce de 
Ihc dizer da minha parte que tenho muito na memoria 
a sua encommenda ; e que para Iha remetter so espero 
o bora tempo. Fico como posso aos pes deV.SenhQ- 
ria esperando as suas ordens. Deos guarde a V. Senho- 
ria por muitos; annos. , . 

14 JSJem sempre acerta o vulgo, quando diz que 
quanto mais longe siesta dos olhos, mais distaBte 
se esta do cora^aoj pois cada correio recebo da bpn- 
dade de V. Senhoria ta 6 extremosos favores , que na6 
'cabem na minha memoria, e menos no meu agradeci- 
mento. Agora recebo hum , que mui parti cularmente 

' es- 



f o n r XT 6 xr E ar. 14^ 

cstimo, com a noticia que V. Senhoria medd deestdr 
ja servidp o meu afilhado , o qual em meu , ecm scu no- 
xnc ira como agradecido bcijar a maoa V. Senhoria. Puz 
tod^ 'a consideragao sobre a,materia,emqueV, Senho- 
ria me consulta , c resolvi que denenhum modo convem 
a V. Senhoria dar o sim. As razoes nao sao para Cartas : 
'viva vace as direi a V.. Senhoria , c persiiado-me que O 
lia6 d^ persuadir. Nao- so me fundo em conjecturas , 
que nao sa6 tcmcrarias, mas cm consequencias , que 
sao infallivcis. Mande-mc V* Senhoria dizer como estd 
a molestia do Scnhor D. N... , que me da nao pouco 
cuidado ; porque a sua disposi§a6 nao he das mais ro- 
bustas, aindas que a idade em si oseja. Nao s6 me 
mandc V. Senhoria. esta noricia , mas itiande-me tarn- 
bcm cOrao seu Criado. Deos guarde a V. Se;;ihoria por 
muitos annos. / 

1^ O ce^co he ^ Senhor , que se o meu sentimento 
admittira alguma consolagao ^ so a poddra achar na 
Carta.de V. Senhoria , tao deliCada em ponderac8es, 
como forte cm conselhos ; porem despreza tod^ o al- 
livio ou seja a grandeza da minha perda,»ou a do 
'meii aiFecto. Para fugir a consoIa§6cs , que nao sao 
como as de V. Senhoria , porque sao mais importu- 
nas, retirei-me para a minhaquinta de... Nella mehei 
de demorar por muito tempo , porque assim o pe- 
dem ' OS negocio^ da minha casa , nascidos desta in.r 
tempestiva desgraga. Nao me esquece agradecer a V. 
Senhoria o especioso raimo, que me oiferece j^ reser- 
vei advertido' esta accao para o fim da'Carta ; porque 
na8 Iho posso dar mais proprio , que acabando eai 
rendidos agradefcimentos. Deos guarde i Y. Senhoria 
por maitos annos. . . 

16 He' tao cxceilentfe o mimo, com que V^ Senho** 
ria me presentea como singular o affccto , com que 
mo mknda , e o^ agradecimento , com que eu o rece- 
bo. Para a .delicia dos doentes lie miii proprio , e pa- 
ra a nlinha iiidisposi5a6 he 6 mais.. adecjuado. As no^ 

Q;ii _ ti- 



144 Secketabio 

ticias , que-V. Scnhoria della me pede, sa6 taes que 
nao pos^o dizer que eirpcnmento melHoria^ poiqae 
nad a tcnho, scn^6 das bocas dos medicos, que sa6 
como as dos Astrologos, que rudo O" que sabem , e 
dizem he duas vczes arnu^do no ar. Estc o niorivo , 
por que ainda me naofoipossivel informar a V. Senho- 
ria com o. meu parcccr sobre aCririca fdta a Obra 
do nosso aniigo N... Asbim como pela fysionomia do3 . 
sujeitcs dizem os mesmos Astrologos que se conhe- 
cem OS scus gcnios , assim tanibem pelo rost,o dos li- 
vros se pcde vir no conliccimento do que elles em si 
enccrrr.6. Estc tal pelo frontispicio he muito mal as- 
sombrado. Tern seus erros na Grammatica , e pala- 
viMs que naS sei a que Nng-io pertencem ; a Portu- 
gal certamenrc nao. Sc o cor;^o for a^sim como he o 
scniblante , cahir-Ihe-ha cm casa o mesnio raio, com 
que fere ; porque passara de Critico a Criticado , ede 
jusriqa Ihe deve nosso amigo dcste modo agradeccr o 
nivo'r, que Ihc fez, Brcvcmente, querendo Decs, pp- 
de;ei fcllicar , e tambcm florear , e asseguro a V. Se- 
nhoria'que nao hei de deixarao Critico por pe cm ramo 
vcrc^e. ^ao sei se estas cquivocas palavras sao delirio 
da dcen§a : dos Escritores antigos certamente fora6 de- 
lirio por m.uirp usuaes, e dos modernos tambem por 
serem rarissimas. V. Scnhoria me conserve na sua gra- 
^a , para me favorccer 'com scu afFecto y e na sualera- 
branca 5 para me honrar com seus preceitcs, Deos g«ar- 
de a V. Scnhoria por muitos annos. 

17 Puz-me a ler com tanca ansia o livro de V. 
Senlioria , e continue! com tanta admiracao , que 
quasi iiie hi^^ esquecdndo de responder a attenciosa 
.Carta dcV. Senhcria , e de agradeccr a sua 'genero- 
sidade tao precioso presente. Eu nao sei dizer a V. 




que 

la ja^ como o assunto merece , mas ^duvido muito, 

c. 



PORTUGUE^. 24f 

t com fundsmcnro ; pcrquc as ?uis ^tns sao cartas 
para^ tao alto yoo', e a. muhipllcidnde das snaslinguas 
ne iTiui limitfida para hun louvor , que merece ser 
infinite. Na Corte ha algiimas novidades , humas de 
5urnmo gosro ^ outras de summo pesar, Humas sao as 
raortes do Condc N... , e do Marquez N... dois ca- 
valheiros, ambos filhcs dif^nos da Patria^ em quenas- \ 
ccrao 3 por havereni herd.^do com iis suas casas as ac- 
§6cs illubtres de seus Asccndcnte?. As outras sao as 
nQmea96es , que Sua Magesrade fez de D. N... para 
Governador das Armas da PcoVincia da... , e de D. 
N... para Presidemc da.... Fldalgos ambos ,; que tam- 
bem contcnfariao as-id^as dc Plata(5^ se vivesscm na 
sua idade. Nao tenho niais coiisa consideravel deque , 
avisar a^ V. SenliOria, e so tenhff que Ihc pedir itie . 
ponha reverente na presenca de todos esses Seiikores , 
c ,'que me .continue o estimavel. fov^or dos seus hon- 
rosos preceitos. Dcos guarde a V. Senhoria por niuitos 
annos. 

'i2 A ininha fel amizade ^ urida as infinitas cbri- 
ga^oces , que a V. Senhoria devo 5 me conduz do mo- 
do. possiyel aos pes de V. Scniicria, aanni:nciar-!heno 
presente tem.po da sanrissimo Natal todas as felicida- 
des, que na?cem no Mundo com o Kascimenro do 
Menino Deos/ De todas ha de V. Senhoria parricipar ; 
porque 'o mesmo Senhor ha de oiivir cs mens rogos , 
que" tm por fim o es^ercitar huma virrude tao gran- 
de, como rara, qual he a gratidao. Este mesrho ob- 
seq'uio devido ja rendi ao Senhor ,D. N... Nao ihn 
resposta sua ,. O' que mcdd na8 peqneno.cpidado; por- 
que conjecturo que recahiria na passada moiestia, V. 
Senhoria me avise se esta novldade procede da cau-^i 
que eu imaginoj que se na6 procede, muiras queixas 
tern que .formar justamcnte a amizadc , e o aff/cto. 
Tambem OS dois Enif^famrr.as , que mandei a V. Se- 
rrhnria 5 naf) sei se Ihc scria8 cntre^^ues ; poquc atu* 
a£cra nao civx- Carta , nuefnllasrcen^ssc nariicuJar. Mui- 



246 ^ ^'snc rV«^*A"i Ti 

lo scmirci que a Carta, cm qnc os ms^^^^ 
i'fsse iK> correip , |H)rquc m6 rnc scni -i inan- 

• dallos ourra vcz a V. Scnhorb ; pois mm cut papcl, 
na mcmoria ccnho cdpia dclles. Cunscrve-mc V. 
nom na sua Icmbran^a , que Iieoque uiais meirn* 
porta , para na6 cstar ocioso no sen servijo. D6©j 
£uardc a V. Scnhorin '^'^^ t* -^^ i"--^^^. 

la Acho-me mui . vivo drhaixc 

de duas Icis cntrc si ■- is i si#i do Mc- dsl 

do Amor* Nao seiqui^^^ uji dc ohscrvar* i.ai 
rem que cscneva rauiio, .^qiiellns ff*ie nada t 
Pnrcm para me livrar desta vki liei de suavi-j 

zar Immas com outra.^ • "'v--/ - - ^^--rel^ 

Ic moiro farci lium b :-s- 

Icrevo a V.Scnlioria ^ desejniido-lhe huma dil 
fdc com frstas mui '^-^ — \ Com n - — v- ^ 
rei a V*SenhoriaL- m1 nao pt 

^encia precisa no oegocio do^uaillhadi o pcla 

E^aiide, e pela cccasiad. Ko querespeita .k- -^ '*ii 
[que V. Senhoria ine coa^ulta, tiigo em r 
[j^fnidcntissjino parecer. Arenas eu me v 
|fact> tc:--ir' ,■'- ^-^;-^r a Cone; ^^-^-r-' <j 

^goSiO t read desfe t N » 

nella ccmoCriadoDiui aniigo de Y* Seiiliori.i 
fDcoi? guaide por iiiuiros annoF. 

o A sincera amizadc com que V, Sealion.i 
to me trara , como me honra , pcrsui^de-me q 
dc rcceber na6 commmn conteotamejito com m 
cia J que Ihe doti da elei en d, que de mlm k 
Magestade para o Goveruo de.., ; sendo que desra roes- 
ftHia suavidade $e hn de V, Senhoria sdmirnr , 16 

^roceder Sua Magcsrade nesta e!eica6 com <> ■>>- 

imado , e prudemi?!simo accrto ^ porque meattendeo 
— "' por circunsrajicias , que mo sa(j :[-* 

a mercc obriga-mc a cuidar no 
neu ii!ho hcrdeiro ; pojg iuli»o mui ; 
mui;i casa n:x6 pahir sem ofazeti Fonho osoit. 



^ha de D. N... 5 e distingo muito esta Senhora en- 
tre as daCorte, porquc sobre hum sangue illustretcm 
virtudes raras. V» Senhoria me diga o seu parcjet^r , 

3UC protestb seguir pelo mais acertado , como nascidd 
e huma pmd'encia , que na6 csperou pelos annos, pa- 
ra scfazer vcQeravcL Entre tanto principle V. Senho- 
ria ja a disp6r da minha vontade como sua: consider- 
randp o como eip todo o tempo^ do mcu Governo 
me ha de ter cmpreg^ido no scu, servigo , ao qual as- 
piro com tanta ansia como sinceridade, Deos jguarde a 
V. Senhoria pqr muitos arinos. 

21 Meu amigo. Com grande gosto rcicebo a Car- 
ta de V. m. , e com clla a conclusa6 do negocio, que 
Ihc pedi. Grande foi o empenho com que busquei a 
v.m. ; por^m maior foi o seu cuidado em o diligen- 
ciar , e abrevidade em o copseguir. De tudo beijo a 
V. m« a maS, como quern Ihc vive ta6 particularmen-' 
te obrigado, e desejara tarobem que v. m. fizesse cbn:^ 
qtieo meu prcstimo se mostrasse agradecido. Muito 
sinto OS desgostos de v. m. , assim porque Ihe inquic- 
ta6 o animo , como porque Ihe vem de parte ta6 vil. 
As Icis politicas aconsdhaS despique: as CathpUcas 
applicaS a pacienqia, e eu como Christao , eamigo 
devo aconselhar a v. m, os dictamcs destas. Nestas ma- 
terias quern mais perdoa he quern mais gartha para se- 
rem os negocios da terra contrarios aos do Ceo. Sin- 
to isto muito^ tprno aiiizer; ppr^m na8 me admiro 
3ue as^ moscas importunem a quern tern tanta do^ra 
c genio. Muitas vczes tenho dito a v. m. que tratar 
scm palavras afFavcis a semelhante gente , he mela 
obra de caridade , para na0 Ihc dar occasiao de ser in- 
solente. He humaespecie dejustiqa disrributivaserpor- 
to para OS. bdns, e baixo para os maos. Na mudanca 
do animo de v. m. esta 'toda a quietagao do. seur ani- 
mo. Nao digo mais , c so Ihc^ogo que me conserve, 
na sua memoria , para meoccupar no suave exerciciQ 
das suas crdea^. Dcos guarde a v. m. por muitos annos. 

Mcu 



.54§ S E c B i: T A p I - 

ai. Mcu atnlgo. Muito tcp/:[*o ha que ji cxperlra-^ 
cia nie tern mostrado o quanto v. m. he incnn§avel em 
sc&yir OS amigos , e mui particularmenrca minii por-*- 
qucrnaobasta huma minha palavra, basta hum signal , 
com que cxpliq'ic o mcu cescyo : como com cvideh-^ 
cia cxj^crimento agora no particular favor , que v. m. 
ire fez , dc que inuitas vezes obrigatlo Ihe beijo a 
• 5n.io. Por na6 mc confundir, p.^sso adiante. O nego- 
cio ^o nosso amigo esta bcm at^sonibrado i sombrado 
patrccinio do Marquez de,.. Pcrsuado-me , i\n6 haveiH 
cIq no^a invectlva , que mui brevemente s^a solto* 
Eu nesra diligcncia tenho obrado inais .do quepodix, 
»ttcndendo ainutilidade do meu prestino; porem mui- 
to mcnos do que dcvia , considerando as obriga^oes ,. 
' ^que a clle, e a v..m. dcvo. No negocio , sobre que 
V, X»K mc consulta , na6 posso dcixar de scguir o scu 
iTiej^mo parcccr , como' o mais acertado ; pois a no- 
.breza da Senhora rao dcsmcrccCj e as virtudes xom 
JR riqueza facilirao. Seniclhaiitcs matrinioruos qdcreiii 
bre^vidade ; porque sc trnra de hum negocio tao cioso, 
aue com qu^'qu^ cousa se rru?r;:i. Me tao giande o 
dcsojo^ que tcnho de o vcr ja elieirtiado , para ver es- 
tabelecida a.Casa de y. m. , que cstava para Ihcdarja 
t:s^ pnrabcns da sua futura posteridade ; poreni fc os 
Jia8 dou como certeza , rs ecu como valicinio. Of^ 
fcrego como devo a v. m. a nnnha iiel servidao piira 
tudo o que for servido mandar-me, mais comoaCria-' 
do> que a amigo, Decs guarde a v, rn, por muirdsan- 
iios\ - • 

a 3 Meu smigo. He v. m. desgra^ado , porque he 
liomemj-nao porqxjc scjaindigno^ Diz-me que he mais 
t^e*gracado que tpdos os homens , nao duyido ; po- 
rtal he por scr mais homcm que os demais homens: . 
Amigo^. aquicre-scj e console-se : qucynao m€ mos- 
*rar^ homcm. da sua csfera, a queni a forty na por 
SLiidto teoipo favorcja* O contrario mostra5 as Hs- 
torks au tudos^ os scculos , porque sempre o Munda 

' fai 



Port u g v e k. - 149 

foi o mcsmo , com escandalo gravissimo das virtudef?. 
Para.maior consohicao dey. tt^« offerc^o ao seu jiiizo 
cssa inoderna obra do nosso araigo N,./Considcre_v. 
m. o quanto tambcm vive desgraqado hum cngenho 
tadfeliz, do qua! ( sc eu algum voto posso. dar ) a 
maior prova ]v: csta obra , porqiie deste genero-he ra6 
cstiinavel, que he singular. Bastava-lhe para gloria' em- 
prendella, e sobrava principialla , quanto mais^ar-rne 
fm. Elle tern na6 sei que rcquerimento com N^.. , 
rogo vivamente a w m., ja que com elle tern tad par- 
ticular amizade , que Ihe queir^. diier diias palavras 
a favor dcste desprezado talcnto , e seja antes que el- 
Je'va fallar com o tal Ministro , para Ihe fer capta- 
do a benevolcncia , e o chegue a ouvir cora attetiga^ ; 
que he o maior favor , que a, este Ministro se p6de 
pfdir. Ja a esta^ao pede carapo , e a saudadc allivip. 
Com muita brcvidadc nos veremos, se me poier des- 
embara^ar de huns negpcios , que me opprimem. En- , 
ue tanto mande-me v. m. como deve \ que a minha . 
vontadc esta setnprc prompta como pode. Deos guar- 
dc a v. m. por ftiuitos ani\os. 

24 Meu ainigo. Faltnria eu a huma precisa ac- 
536 da minha amizade , se fahasse entre tanto concur- 
so de p'arabens , e louvores , em me alegrar com v. . 
m; pelo seu novo lugar de... tao merecido , que ja a 
reclidao se queixava. Nelle nao desejo a v. m. mais 
que vida com saude , para que o desempenho seja co- 
mo Ihe dicta6 as suas muitas virtudes , e como o es- 
timulad OS reqtisslmos excmplos. de seus. Pais. Agor^ 
que a v. m. cscrevo esta 3^ rccebo hum presente de 
hiJm meu particular amigo ; c porque cm si heestima- 
vel 5 faz-se digno de v., in., e niuito mais porque o 
afFecto, he quern unicamente o ofFerece. A novidade , 
que a. v. m.* posso dar, que para mim seja de imppr- 
TanciaVp-'s uiilidade que della me resulta , e av. im. 
dc gosto , pcja fiel amizade com que me trata , he. 
haver ja vencido b gr^nde pleito do Morgado contra 

N— ■ 



^ JO -'^ 3 E r tT^t^^' i 11^ ™ ^^^^ 
N.., F**^'- * nou-o ccrtamcn£c a jusri^i^ porcfoc o# 
Mbkt rt E.,, , cN..*, Hi>m^ns, em cujo jui- 

zo pczao -ntc as Iciras^ c a jagti^a* Gramas a 

Dcas queja ^. v-u livre dalabyrimho:, cm que v. m^ 
ainda anda u6 cnrcdado ; porim sc eu para «e con- 
ic^uir o descmbimgot poder alguma causa > todo me 
otkre^) a V. mt , a qucm Dcoi giunic por muitos ao^ 
nos. 

[ ly Mcu ^miga Rcceba a Carta At v» m# com aqud- 
la r '- ^ ^^- - .,,.., ^-^_ ,^^^ ^ g cocmg 

aq ropcao l^jfl 

diiatada dt comcspondencia, Respondo ainda 3gura ^ 
ponque alnda agora mc di lugar hum grandc ^-^^ :-■ 
xo nos olbos , os quaes estivcr36 em visivcl . ^ J 
Consent! ndo-me jd c$ie o poder rcspondcr , porque la 
as ordens sc despedira6, ainda nao ^ " '» 

por mat) propria , que ainda a inflami , i ^ > r| 

ddxar* V, m. disfargara^ ou por esre tTjndamciilo / oa 
porque sa cscrevo com m36 ailnJa, dicto comoprO| : » 
coraqao , no qual certamente nno tern v^. m* lugar , j^- ^ - 
que he toda a parre do mesmo lugar. A sua recammeflda^ 
gaS esta muito m lembraii^a , para quando m der oppor- 
tunidade , nao sci porqae he t. m. quern manaa ^ 
mas porque he tal a pessoa, que pede y tao hoorada 
por n como por costumes; o que eiitanri4 

bera I near. OfFerecer a v, m. a minha von^ 

fade , para tudo o que for servido ^ he aRgravar & 
minha -*i6, e offender a despot ica authoridadf , qu^ 
V, m. l;l:_; : : ill lein, Deos guarde a v. m. rior minrn4| 
aiino£, I 

26 Mcu amigo, Recebi o ahlJiado de v- m* davjuel- 
le modo ^ que eu cosrumo receber os seus preceitos , 
que he com tanto gosto^ corau veneiiacao. Ouvi a 
seu rcquerimeuio g e par ser justissimo , Ihe pronv'^* 
o meu patroctnio , e Ihe ofFcrcci ttida a minha vou- 
tade. Assini como ir* m* oao perde occasiad de mc 
favorccer com osseusprecckosj assim cu tambem nua- 

ca . 



P O 1^ Y U d U E C* Iff 

ca deixo de o importunar com os meus escritos ; co- 
mo agora fa$o , inandando-lhc .este Lirro , que nas 
horas de ociosidadc escreveo a minha.diligencia. Ro* 
go a r. m. que o lea com sevcra refl^xao , e que 
com liberdade me diga o seu parecer ; porque se for 
reo _, antes quero que morra nas trevas do dcspreza 
sem 0ieu vituperio, do que viva . na luz do Mundo 
com minha vergonha. Espero ouvir o parecer viva vo^ 
ce ; porque brevemente nos veremos , pojs ja me con- 
viJa a delicia do tempo a buscar o campo. Fico ds 
ordens de v. m* a quern Deos guarde por muitos an- 
no?. , 

27 Meu amigo. So a falta de saude , que grarc- 
mente me afflige , me podia privar do grandc gosto , 
que fazia de pessoalmente dar a v. m. os para bens pete 
seu casamcnto. Conhecendo-se cm todas as acgdes de 
v. tn. o seu prudentissimo juizo , e'm nenhuma se deo 
este mais a conhecer como nesta d6 que trato ; por- 
que buscou V. m, para Esposa quern parecia sua irma j 
ou nas qualidades das virtudes, ou nas donascimento. 
Deos Senhor nosso com a brevidade possivcl deixe ver 
a V. m. o desejado fructo desta santa uniao : no que 
todos OS seus amigos recebcremos muito maior con- 
tentamento. A pcnuria desta terra , em que vivo , he 
tanta , que dcsejando eu muito que atstaCarta acom- 
panhasse alguliia pruducga^ do tempo , para sincero si- 
gnal do meu afFccto , nao aehei/outra galantaria mais^ 
que a que leva o portador. Para ella ser digna de v, 
m. sirva-se de receber nella toda a minha vontade ,• 
como principal ofTcfeciraento , ad'vertinda que espero 
em retorno muitas ordens de v. m. , em qiie possa dar 
fexercicio a minha prompta bbediencia. Na5 preten- 
do , ncm posso pretender mais da incomparavel bon- 
dade dev. m. , a quem Deos guarde por muitos annos. 

28 Meu amigo. Suavissima medicina applicou a 
minha enfermidadc a benigna mao de v. m. ,■ c creio 
que para elia era o unico especificp , que se podia" 

, de£- 



dcpcabrir. Ji o aiumo nsO r *' '- t-.r^tMr-^lr^ . 
que para men rtmc4io , cci 
do o ^ 1*0, qjc ba^civ^ para mcu d; 

mo c ^ algiitna rcc:ihi(la : c como c 

vczcs CM , nno dcirc v. m. de mt? 

mitido o pifdo?o rcmcdjo dos scus «ai 

Acabii'-^'"^ ^ - -— — •-^--•j-rrttos, piiuvij.:;jo 

ra as 1 v. ni* ra»iro cons 

uic f par que 

ha 

vo a 7. m, ^ e que muito a no* 

go mc dro a noticia tic rcr v - 

ra Provcdor dc„» i* Eu o c>[ 

car; porquc ainda me parecc dimi^ 

q^'- ^^'"^ ' '^ -•—— ---- 

D- 

dc ir,m, para ac:ibardcsij!i 

com tantos n -^ '^' — ' -j ^uai t 

rc$, Ficoem t > a r. m, , :: 

guarde p^r r 

29 Mcu r*;uit;u, iViL?iLQ srn 
amizrtde aiioticia, que v. m. n 
enfmuidadc do Scnhor sen V 
maior o n. sc: na v 

forme co do Ceo, I ; 

csta coiiformfdaie christa dc v. m, , proiongaqdo ao ( 
tc OS dias dd vida : e csion nao cerco deste ht 
cio , queja porinsrantes esperoaalegre noticia dei 
Jhoria. Os cilores insoffriveis da csc3$a6 mc impcdell 
a ir fs'zcr a diUgencia sobre o ne-^ncio 
to me cncomacfidoa : por^ni s^^elles n *l, 

ncstcs dias J jiadespem mais. Irci ,ccomizelodcaail| 
BuFcarei todos os niodos para ver 
coiisa ; e do qtie se passer nio t€:. 
aviso a y- nir, a queni moiro desejo scr n 

de a V, m. nor nioiios anfxos* 



P O R T U G U B X, 25*3 

30 Men amigo. Perdeo v, m. a melhor parte dcsi, 
com a pcrda que experimcnra da Scnhora Sua Mai. Eu 
slnto estl fatalidade com liiimaniniota6inieri6rniente 
iragoado , coino sc me obrigassc a raza6 do sangue^ c 
nao da amizadc. Considero a v. ni. coxxjo filhoamante, 
e consideFQ-ine tambem a mim conio Criado favofcci- 
dp. Porem sic eraljnfatis , e bcm faz v- nn quefazcn- 
do-se catholica esta consolacao gcntilica , quer dizer que 
assim Deos o cinha determinado. Coilio aafflicqa& da 
entendrnjento , recommendci a posteridadc as illustres 
virrudes desta grande alma no incluso Soncto. V. m. o 
examine,^ quando o seu sentim,ento oconsentir, e se 
achar que eildf cm lugar de rccommendar virtudes,re- 
commenda a minha ignarancia , castiguc-o v. m. com o ' 
fogo , ja que he indigno da luz. As nocicias desta ter^ 
ra tambrm sa6 fataes , porque sa6 cheias taocontinua- 
, das, e fortes, qi:e sobrc ellas nadi6 quasi lodosostr^- 
balhos dos solhcitos lavradores-.TaniDcm Dccsassimo 
^ispoe ; consolcmo-nos. Acceite v. m. Iembran9as5 e 
sentimentos desta sua casa, que na6 ^oricorre a fazer este 
piecioso acto j porque liuns pordoentes , outros per en- 
fernieiros esia6 justamente impossibilitados : e por esta 
c^"usa me pcdem que esias poucas palaVras osr:epresen- 
^^nvsentidos aos pes de v. m. , a quern todos descjamos 
^ervir em tudo com huma vontade igual a nossaobriga- 
jao. Peos guarde a v. m. por muitos annos. 



GAR- 



•3f4 SSCKBTAAI* 



CARTAS DISCURSIVAS. 

▲ OTEKTKMCIA. 



M, 



;uiTAS vczes cntrc os homens cruditos sc offerc- 
ce occasia6 de discorrer por meio de Cartas cm as- 
sucnptos humas rezcs graves , outras curiosos , ou pe- 
dindo a alguem o scu parecer, ou respondendo a quern 
o pedio ; ou tambem disputando naqucllas duvidas , 
«obre as quaes os juizos variao, e discorda6..Etn se- 
melhanres Cartas pouco artificio tcmos que lembraf ao 
novo Secretario ; porquc os Escritores de tacs assun- 
tos buscao nos Dialecticos , e em parte nos Rheto- 
ricos as f6rmas de arguir , e os modes de consultar as 
raz6cs alhcias, c confirinar as proprias. Apontaremos 
com tudo alguns ternios cms,e attenciosoSj que os 
Authbres , que lemos , praticarao em tal especie de 
Cartas, sendo hum dos primeiros o dcsculparem-se no 
principio da Carta, dizendo que inais por dar gosto , 
que por contradizer , ofterecem o seu juizo; c obser- 
ve que deixao seirpre livre a eleijao, e mostrao que 
fazem scmpie grande estimaqa6 das razoes contrarias, 
de quern ou duvida , ou impugna. Deve por tanto o 
novo Secretario, quando entrar no ponto da disputa , 
Hiostrar com toda a modestia os scus argumentos , 
mais duvidando , que aflirm^ndo; depois dafi a co- 
nhecer artificiosamente aquellas razoes , que faca6 sp- 
^ pareccr a verdade do ponto , sobre que sc disputa , 
sem que intente dar a conhecer claramentc o erro , ou 
cquivoca5a6 alheia, como cousa impropria a hum en- 
gcnho nobre , c ao caracter de lium Secretario. No fim 
da Carta sera mui proprio o dizermos que em tudo 
nos sujeitaraos ao seu juizo ^ e que discorremos mais 
' ' ' ^ pa- 



9 Q 1R « ^ a U S «• Iff 

-poto, tet occWiaS de aprcnder,^ qiie de ostentar voto 
em bil materia: ou que o seu talento he tal , quesd 
clle poderd satisfasera todat as objec^^es, &c. Per- 
tencem estas Cartas aro genera Demonstrativo , e del- 
las: offerecemds aqui alguns excmplos , discorrendo so- 
brc as obriga96es, evirtudes de hum Secretarip , tan- 
to no istilo das Cartas, como no mais , que pertcn^ 
ce ao seu nobre OfEcio. 

CARTAS DISCURSIV AS. 



,M. 



tEU a^igo, Eu na6 tenho juizo, para fazef 
juizo ^ tenho-o para em, tudp o sujeitar ao juizodev. 
in. Deste modo he que sou capaz dcdaromeupa- 
recer sofare as Cartas de N... , que v- m. me reniette, 
como cousa que muito estima. Sou igudlmente deopi- 
3iia6 que. dellas sahe aquelle suavissirtio cheiro, que 
devem e^alar as Cartas familiares : o que pouco per- 
cebe a ignorancia de huns , e despreza muito a inveja 
de outrds. A^inguagemhe ta6 pura, como de Author, 
que para cscrcver molha a penna nas fbntes mais pu- 
ras aa.eioquencia Pprtugueza; quero dizer que segue 
OS Escritores, quq s6 deviaS authorizar o Diccionario 
da nos«a lingua. As expressSes sa6 propriissimasdocs^ 
tilo epistolar familiar., e estou certo que muitos, a 

3tiem iitcha a presump§a6, fard6 hum conceito mui 
iverso deste meu; porque scguem huna estilo tal, 
que se os Oraculbs fallassemassim, seriainutil consul- 
talios pela impossibilidade de entendelios. Eu na6 sei 
como chame a semelhante estilo ; ,mas lembro-roe que 
o grande Vieira Ihe dd o nome de^ bocal , em lugar do 
de culto, corn que pertendem distinguillo os que del- 
le usa6. Estd , men aftiigo, ta6 introduzido nas Car- 
tas familiares tstt estilo , que a outro qualquer cha- 
mao fallar plebeo. Concedd-lhes que assim sejaeminui- 
tas partes. For ventyra 6 Povo tarabem nab he mes- 

tre? 



2$6 SEC^IiETAKIO 

tre? Na6 dizia Cicero que elk era qucm oeii?iniava: 
Magister vicu-s populus} Dc sorte que opaidaclo- 
quencia queria tcr o Povo pormcstrc , c hoje ha quern 
sc injuria de o tcr por companheiro. Eu ix-o quero scr 
popular em tudo, mas neni tanibcm singular sobrc 
lodos: e sc me ccnsarap os meus escritos , eu gosto 
de seguir a plcbc doi Escritorcs , ainda qye me con- 
tern nclla. Sci que as Cartas tern , ou devem ter as 
suas frases proprlas, e as suas vozes familiares , como 
^queria Cicero , e ensinava Seneca entre os Romanos , 
c enire nos 'pratica o Marauez dc..., que se impri- 
misse as suas Cartas, nao allegaria eu agora com Se- 
neca , e Cicero. Ds Gregos nao affccravad tanto o es- 
tilp Attico, o Jonico, o Porico, e o Eolico, que 
tambcm nao lisassem muitas yezes do commum. CJ'-a 
csre commum he que eu desejara na nossa lingua , e 
louvara na ccmposijaS familiar ; e se tivera authorida- 
de 5 pegdra na penna para- b persuadir. Este meu de- 
sejo, que na6 he mais que balbuciar , por ser ainda 
mcnino em hum tal estudo , qucr dizer mais do que 
soa : qucr dizer que deve v. rh. >por utilidade da pa- 
tria, e credito do scu nome , compor sobreesteassun- 
to 5 c introduzir 6 bom gosto dcescrever Cartas a^ 
quern ' o tiver estragado : ja que na sua primejra idade 
conbecem todos em .,v. m. aquellas luzes, que muitas 
vezes se nao vem raiar em amios provectcs. Eu jades- 
de aqui me ofFere^o por discipulo, assim comohamui- 
to t^mpoqueme tcnho ofterecido por seuCriadoie te- 
ria huma grandc Ventura, se meresultara tanto.aprovci- 
tamento da primeira otferta y como me resulta gloria da 
scgunda. DcOs guardc a v. ni. &:c. 

2 Estimci a vossa Carta como cousa vossa , e dou- 
vos OS agradecimentos pelo amor, que nclla me mos- 
trais, devido certamente a particular estitra5a6, que 
fago de vcssos costumes, e cstudcs. Pcrque ranto vos 
estimo , e as vo^as Cartas , qtiizcra que me esc re ves- 
sels a miudo, e mais familiormcntc , scm tantos per- 



• P o ;r tug u e «. 2^/ 

fuHies J e termos ta6 exquisites* Lcio na \'Gssa Car- . 
-ta tantas scntcnjas Latinas , ., que me persuade que 
me na6 quizcstes esjcrever em Portuguez. Livrai-noS' 
disto , porque he huma discrigad , que so agrada 
aos Escritorcs', qlie'no palacio das Lctras sao au- 
thores de escada abaixo. Olhai , as Cartas nao had 
de ser-,ta6 enfcitadas, principalmente as.^quesccscre- 
vera aos domesticos , e trataS , como a vossa , decou- 
sa^* doniesticas: e scacaso seescrevernellasalgamas pa-^ 
lavras Larinas, seja com cconomia, e commuito jui- 
zo. UsC'Se de proloquics ^ e p.roverbios , que socm 
melhor naquella, Jingua, 4^4^^ ^^ nossa , do mesmo 
niodo que Cicero se servia dos Grego?., corao obser-^ 
vareis , se lores as suas epistolas. As elegaiicias sao ,mui 
naturaes , as translagoes mui proximas , c o ornato 
scm alFecta^ao, Nao useis de locucaS , que na6 seja 
clara , c breve ; porque a Asiatica 5 se nao canja a 
qiiem a escreve, can§a a quern a le. Sobre as pala- 
vras deve haver hum. particular estudo, e liuma es- 
crupulosa advertencia; porque nao sedevemcavar da9 
cntranhas da antiguidade , nem devcm ser tao novas ^ 
que o uso na6 as tenha abra§ado, e feito communs: 
seja6 propriasj de borti som , e as que psde nao hu- 
ma oracao , mas huma carta, familian Que mais vo9 
posso dizer? Mil cousas vos dissera , se nao tivera. 
mil cousas que fazer. Segui ds vossos estudos , ja qua 
o engcnho vos acompanha , a commodidade vos a]a-» 
da, e. a compleicao vos nao desampara; poremi tudd ^ 
quer ,modo ; muitas vezes por'muito estudar se estu-* 
da poUco; A vossa idade he capaz destes conselliosV 
e o vbsso cngenho destas Jicdes : se a vossa vontade as 
rcceber, direis que eu satisfac;o as obriga§6es do pa-* 
rcntesco , cumpro com as Leis dp ampn Este fii;ak 
prompto para vos dargo$to, &c. 

3 Meu amigo. Eu na6 sei agradeccr a y* fn.' ze-** 
lo 5' com que riao descan^a cm me instrtiir, mandarn " 
do-me. com frequencia Composi^oes suas, que sa6pil-f / 

1 , i^ trojl 



tros tanfos thcsouros, com auc se p6de enriquecer O 
meu pobrc talento. Para maior confusad do mcu ani- 
mo agradecido, me rcmctrco v. m. huiiia coIlecjaS 
das suas Cartas familiare$ , escritas a divcrsos assum- 
pros; Se a ansla , e venera9a6, com que as 11, basta 
para agradecimento di honra ^ que v. m. mc faz , as- 
saz cstou degempcnhadb; porquc as li dc modo , que 
imentei mandallas i memoria, o que me seria pos- 
sivel , se o niimefo dellas o consentissc. Tudo o, que 
li mc aritrahio., e mc arrebatou ; mas ^sobretodoa brc- 
vidpdc, com que v. m. $e cxplica , fugindodc causar 
a minima nausea ao paladar do Leitor discrcto: Segue 
V. m. o estilo do Author d6 Universo , que nas cou- 
sas grandes sempre he grande, e nas pcqucna$ a cada 
passo he grandissimo. Sempre o meu pouco talento se 
agradou da brcYidade, quando iia6 degcnera emcscu- 
ridade , e o dizer muito cm pouco nao me parccc pou- 
co. £u huma Carta familiar , se fosse possivcl , qui- 
z^ra que as palavras na6 excedessem a materia , nem 
a arte vencesse a naturezaj descjara que as suas luzcs 
fossem corao-as cstrcUas no Ceo , a^quaes ni6 s6racn- 
te sao ortiato do Ceo , mas parte do mcsmo Ceo ; 
nascem esras luzes na Carta , como os olhos no cor- 

!)o humano , que- nascem com o mesmo corpo. Pal- 
e-sc como quern falla familiarmpnte ; mas scja6 o« . 
conceiros como qucm escreve ^om hobrcza ; cousas 
ordinarias 90m modos cxtraordinarios. Que mal parc- 
cc a qucm tern gosto dclicado ler em semclhantes Car- 
tas periodos aftectados , e cxpressfies mendigadas pelo 
artincio rhe^orico ?^ As mulhercs formosas miiitas ve-- 
zes parecem mcnos bcllas , pelo demasiado ciifeitc. 
Dos cabellos da sua Laura dizia Pctrarca due com tal 
arte os com^unha , que parccia que os aesprezava ; 
o mesmo quizera eu nq cstilo familiar de huma Car- 
ta J quizera hum aftificipso esquecimento : porquc el- 
le nasce muitas vezes do Icmbrar huma cousa boa. 
yudo isto ¥• m. obs'erya com bem rigoroso escrupulo^ 
/ poi: 



P a n T tj <i V B «. ^ iff , 

|)or isso sa6 raros os^ applauses qutJ ouvej tnas cdn* 
tcnte-se com os dos Sabios, que ainda que poucos,- 
ta6 OS verdadciros : Principibtis placuisfeviris nonul-^ 
tima laus est : que eu jd que na6 sciapplaudif , Co- 
nbecendo o merecimcnto , na6 faqo mais que rogar a 
Deos guardca v. in. para crcdito nosso per muitoa 
anrios. * . ' 

4 Meu amigo. Finalmcntc subio v. iti. onde o 

chamava o scu tnercciniento. Esta feitoSecrctariodc..' 

que he o mcsmo, que Bizer que he ^ lingua do Prin-i 

cipe com os^ prescntes , silcncio do Principe na sua bo- 

ca, ,cora§a8 4q Principe com o mesmo Principe, e 

com toda a pessoa occulta , e inviolavel chave dos 

segrcdos ao Principe. Dou a r. m. muitos parabens^ 

como quern sabera conservar o cargo coitt os racsmofl^ 

mcrecioientos, com ^ue o conseguio. Sim, Senhoi^; 

todos OS que conheCem a v. ni. como amigo, c c6-^ 

mo sibio, applaud^m de tal modo a elei^ad, que od 

^parabens mais se dirigem a quern a fez, que aquem 

a mcrece. -He mui justa a novidade destei patabens^ 

porque s6 v. m* ( scm lisonja odigo)temfundamen- 

tos proporcionados para hum edificio ta6 sublime. Sd 

V. m. sabe quaes sao as verdadeiras regras do pcrfeito 

Secrerario , que todas sc reduzem a humia , e he 6 se- 

- ^uir em tudo a vontade de scu amo. Tanros geflios 

i de PrimripcS) tantas Leis de Secretarfo* S6 v. ml' sabe 

considcrar quantas .vezjes succedeo cahircm na indii* 

gna^ad , e desgra9a dbs Principes alguns , que quize-« 

ra6daf os preceitos, due Ihes propunha a sua obsti-* 

nada idea., As Cartas oe huns taes Secretarios dcvefll 

ser. mais prudcntcs , que arfificiosamente orrfadas j d 

dar mais que considerar , do que ler* Qyem melhof 

do que y. in* sabe que com sujeitos inferipres detcm 

' as dartas ornar-se s6 de hum nobre desprezo d6 or-» 

liatos rhctoricos, sem a ;tiinina suspeita de'ostentajad } 

jporque as pessoas de alta esfera mais cuida6 cm va-* 

Icr , do que a^radar., principaimente aos (jue Ihes sa$ 

R ii ia 



a6o StctBTAKio 

de inferior condigao. Eu comparo tsiea composigoes 
is matronas, as quaes so vestQ a gravidade , e nad 
is donzcUas ^•is quaes $6 adornaa os cnfeires, Sa6 ra- 
ros OS que como r. m. cpnhccem que as Cartas , que 
as pessoas grandes escreveih aofe iguaes , ou aos supe- 

• riores, podem .admittir alguma disCrigao, porem tal 
que parega que lembrou para adornar aquclle Jugar i 
e que cstes 56 com os que Ihe sa6 iguaes, ou supe- 
riqres, he que desejao apparecer com figura potnpo- 
$a , c elegante. Finalnicntc, igno'rao rouitos j que pre- 
sumem de ignorar poticp , que o Secretario nas suas 
Cprtas deve scr como .0 comediante, que no theatrq 
representa a pessoa de hum Rei , o qual quai^to mais 
naturalmcnte a sabe exprimir em todos os higares, e 
tempos, tanto mais se faz excellente, e digrtodchuih 
nierecido louvor. Insensivejmente hia esta Carta dege- 
nerando cm tratado, v. m, me dcsculpea extensao, e 
me rcleve a ou^adia, com que cntrei em hum^ 9$sum- 
pto , no qual oii aiiida cstou no bergo , porque na5 
sei fallar 5 ou principid a andar porque fallo muitd 
mal ; porem basta-me que v. m. mc^perccba a since- 
ra vontade, que tenho de mecmpregar todo no seu 
scrvico 5 como seu ta6 particular dcvcdor, Dcos.guar- 
de a V. m. por muitos afnnos. 

5: Meu amigo. A(|ande-n1e ,v. , m. , ixiais para me 
instruir , que obsequiai:-5^o. discu?^, que fez as Cartas 
do nosso amigo N... ^ e certam<?nte de tal modo me 
clevou a lica6 delle^que ©u nao xne sHeJcpIicar; e 
na6 me desconsolo , porque a todos os que p lerem , 
ha de succeder o iiicsmo. Que grande mestre se mos- 

' tra V. m. do Ycrdadeiro estilo de escrever Cartas^ e de 
louvar aquelles , a\ie as cscrevcni de modo , que me- 
reccm a estimaja'o , e ap|ilauso da penna de v., m. ! 
Ainda agora que estoucscrevendo esta .Carta , na6 pbs- 
sp apartar de mim o discurso de v, m. ; Icio-o , e enle- 
' to-me do modo , com que v. m. discorre na honrosl 
projSssao de hum Secretario ^ acompanhado scmpre da- 

c[uel- 



; P o K T u G tr E z. 261 

.qurfla illustre multida6 de E^critoj-es antigos, e mo- 

dernos , entre os quaes occiipa - hum distincto Itigar , 
como sen Principe, o Principe da Elpqucncia Roma*- 
na. Com tai^r^ doutrina, como prudcncia /responde 
V. m. a opinao daquelles , quejulgaoque na6hacom- 
posigaS mais dcsordcn^da , que huma Carta com or- 
na^to, porque s6 sc deve ornar com a falta de ador- 
no. He preciso considerar ( .como v. m. s^biamente 
adverte ) quaes saoas Cartas, que pedem estilb fami- 
liar y e naturalidade , e quaes as que querem ornato , . 
e elegancia. m humas , as quaes , ou pela materia 
que tratao 5 ou ]pela pessoa a qucra se dirigem , con- 
vem a doutrina de Seneca , quando dissc.que eile^es- 
crevia as suas Cartas com aquelle mesmo estilo facil , 
e sem artijficio , de que usava quando fallava , ou 
conversava com alguem em algum passeio. Ha outras 
Cartas , que ou por conterem nssumptos graves , ou 
por serem escritas a pessoa de alta esfera ', pedem 
num estilo ornado , e copioso , ou para se pcrsuadir a 
importancia do as^umpto, ou para que a pessoa^, a 

..quern se escreve , na6 julgue que'a'pequenhez da Car- 
ta estima em pouco a grandeza do seu caracter. Fi- 
nalmente , conj raza6 diz v. m. que se nao abragarmos 
esta doutrina , Jie precise que censuremos as Cartas 
de Plinio escritas a Trajano^; e o que he mais , niui- 
tas de Cicero' , principalmente a que escreveo a Len- 
tulo , aqiie enViou a Curia6 , recommendandoJheMi- 
lao, outra escrita a Lucio , rogaiido-Ihe qvie compc)- 
zesse a historia das suas acgoes , e outra^s muitas , 
que escreveo a Marco Varro ; nas quaes se vem cla- 
ramente aqueilas luzes do artificio rhetorico, que bri- 
Iha6 nos sous livros da Eloquencia. Como di§cipulo 
de tao grande Mestre o mesmo pratica v. rft. Quando 
o seu discuiso ennpbrecer a estampa , yerei desterrada 
esta opiniao, e praticada a dev. m. entre todos'oses- 
fcrupulos ; que tanta he a authoridade , qu^ tern as. 

' doutrinas de v, m. quando as persuade como mestre. 



%6i SieKSTJLKio 

A^sitn o espero do seu zelo , e da sua bondade , q&e 
me honrc corfi os scus estimavcis preceitbs, de <juc 
he ta6 ambiciosa a mirAa, vontade^ Eteos guarde , &c. 
^ Meu amigo. Mando a v, m. o que me pede ; 
mas nad c6mo mo pcdc, $ena6 como posso seg^ndo 
as occupa^^es > com que cstou. Mandou-mc v. m. que 
Ihe dissesse com penna , que na6 fosse succinta , o 
meu parecer sobre a estila de huma Carta ^miliar ; 
pori^ue havia sobre ecta materia disputado com alguns 
9inigos, t desta que8ta6 naic6ra6 diVersas opihi6es^ 
Isto ^ meu atnigo , he o que m6 pdde ser ; porque 
fsa6 tantas as foihas , que -a minha penna tern que es^ 
crever , que se fora Gigas parecc-me que ainda me 
faltaria6 maos, Porem como na6 me esqueqo da^^fi*^ 
iiezas, que v. m. px>r mim obra > e que por e^taraza^ 
o pedir-me he mandar-me^ direi em poucas regras a 
regra , queobservb no que pcrgunta. Eu sou de opi- 
iiia6 que o escritor de Cartas devc_ ser hum drador 
Jiutiiilde, c sigo o parecer de Falarcd , o qnal quer 
jio seu tratado de Elocutione , que o cstilo episto* 
Jar ( U80 das suas roesirtas palavras ) exiiitate indigtat* 
Mas com tudo na6 appro v a este Author que domes* 
mo modo , cue se escreve o Dialogo , se escreva aCar-* 
ta , porque iiuma composi9a6 imita a qiieih fiilla ; ou- 
tra a quern escrfevei pclo que he necjcssario , diz el- 
le, que as-Cartas seja6 algunia cousa'mais curtasque 
o Dialogo, prlncipalmente sc se escrevesse a,Princi- 
pes , ou em materias graves , como de pezames , coo* 
solagaS^ consclho ^^. Segundo a qualidad'e do as- 
sumpto,x)u da pessoa , a quem se escreve, se rodu^ 
?iCaftti 5 ou ao csdlo^ humilde ,• ou ao medio , ou ao 
eleganre, a qaejufeto Lip.sio okizvciz Magnifico. %%cvor 
vcndo-se de ^ssumptos altos, como de p8«es , dc 
gucrras , e negocios da Republica , use-se iosomatos 
do estilo grave, ,Nas Carta$ de recommendagad , pa- 
yabcns 5 aviso , e de outros comprimentos , "do cstilo 
wediQ, en« das '?ou§^ feoiiliarw , ;« da galwtari* 

nad 



f Tot * tr o u K r. t6j 

)m6 hmbpcm oi^tros teriwos , ^ue os dp «stilo humil:* 

de. Ftnalmente , segundo as circunstancias da mate* 

riz i do tempQ , do lugar , c da pessoa se deve con- 

formar a Carta, quanto for possivel , a qual nas cou- 

sas altas ( como jd dissc ) dcve ser grave , nas medio- 

cres ornada , nas hjumildcs elegante, Scja em narrar 

claca, em pedir modesta , em recommendar vehcmen- 

te, e attcnciosa , em pecsuadir grave, e senteacidsa , 

cm exhortar efficaz , em consolar agradavel , cm scn- 

tir aflectuosa , em congratullar sincira , e cm galan- 

tear aguda, c hon^ta. Estc he o m^ pare^r , que 

M6'exponho ^mais largamepte , porque me chama6 ner 

gocios joaui importantes, dos qwes taato que respi- 

rar', farei por scrvir a v. m. dc modo , que se satisfa- 

^ a mrnha vontade , e se va6 deseoipennando (sehe 

posfiivd) as minhas obrigaqoes. De6s gu^e, &c.. 

^''7 Mca arargo, Nao aosso acabar comigo de se- 

guir a opiniao deN,.. , desejando eli seguillo em tu- 

do o mais, para fazer justi§a aos seus giandes estu- 

dos. Em mim •na6 he-obstina^atf , podera. ser ignoran- 

cia^ por^m d<;scjoseguir osyestigios daquelles primei- 

ros authores, que prescrev^pa6 os preceitos ao estilo 

epiftolar , e fclizmeme os praticdraS. Que he liama 

carta , mais que huma mcnsageira , ^u^ comb^ tal de-. 

ve correr? Lpgo tambem nao so de profissa6 , mas 

de estilo deve ^er corrente; e mtuto nfiais corra8 as 

mioha? Cartas , que $6 fora8 cscritas para correr. As- 

sentcmrse ( se se devem asstertHir ) na cadeira- como mes- 

tras^aquellas , que e5crevj6ra8 os Var6es grandes d? 

^ue^ Portugal nao he esteril; e ver-se-hia a sua fcr^iii- 

'pade,-se gozassem do beneficio da impressa6^ que as 

mihhas nem merecem , nem aspira6 a cste lugar ; por- 

'que confesso que na8 pude conscguir o cscrevellas mai^ 

i luz' do- Sol , que i do candieiro ; entendo por esta 

Iqz a domeu talenro, e aquella pela da arte. ,V. m. 

due de mim ddve fazer este mesmo ,conceito , n^6 

dcixe igualmente de me leguir na opinia6, dc que o 

. ^ . es-' 



^64 Secketakio 
f stilo cpistolar deve scr corrtnte ; porque saiba que eu 
ncsta parte sou como os Juristas , que scenverganba6 
de fal.iar sem lei na$ materias legacs. Cicero , <jue he 
o Bartholo dos S^cretarios, dizia a Attico , que can-^ 
VersavA com elle^ qiiando Ihe escrevia :- e em outfo 
lugar nos deixou hum grande exemplo , quaridb a(Kr- 
mou que escrev^ra a sua Carta com palavras quoti- 
dianas ; isto he , com as usiiacs , de q«e usa6 na cbn- 
versa5a6 os homens polidos , e civilizados: e deste 
modo. deo a entender que guardava os termos subli- 
nics para o Senado . qiiando nelle se revestisse do ca- 
racter de Orador. Plinio ^^ que occupa o higar immc- 
diato a Tullio ( ainda eecrcvendo em seculo infeliz ) 
^mava o estilo siiigelo , de que nos di em muitas Car- 
tas diversos exemplos , e se 'na8 he em ' todas , nisso 
mesmo imitou a Cicero ; porque (como eu ja disse a 
V. m. em outra occas!a8 ) he mui diverso o estilo , d6 
que se usa, quando .§e.egcrevc a pessoa de altocara^ 
' cter, ou se trata8 materias ' dc grande pezo. Seneca 
iifas suas Cartas, familiares observa com tantoescrupu- 
Id o mesmo estilo , que dcclama contra outro qual- 
qucr, como improprio ao assumpto ; o^que sera fa- 
' cil de vcr lendo-se as suas. Cartas a Lucilio. Verda- 
deiros imitrfdorcs destefs grandes homens fora6 entre 
nos o P. Antonio Vieira , D. Francisco Manoel , e 
, inais algum. NcUes admiramos a nobreza , com que 
sc cxplicad nas slras Cartas , mas por meio daqueila^s 
cxprcssoes , de que elles raesmos usariao , se conver- 
sqssem com' o mesmo sujeito , a quern escrevia^ Pe- 
Jo contrario , quando a Carta he para pcssoa de alta. 
esf^ra , ensinao-nos que o estilo deve ser grave sem 
escuridade , e anlficioso, sem aflfectaga^ , de que sa6 
cxemplos as Cartas, qje escreverao a Principes. Isto , 
mcu amigo /he o qnesinto, e sinto que outros na6 
figao o n^esmo; porque ncsta materia gostarkimos fm- 
ctps mais i^iaduros da mocidade Portugueza , se be-. 
t???§ P?is fontes. puras. \Y^ nt. no seq seryico me 
' ' ^ ', . waiv- 



V O R T ;a G U E 2. 265* 

•mande cotna deve , qud eu obedccerei como pos«a , 
&c. ' ^ ' ' ' . 

8 Meu amigo. Diz v. rn. bem , como seinprc ; 
he Filosofo*, c sabc que he na Filosofia axioma ser 
viciosa ^aquella definicao, na qual se despcrdicaO mui- 
tas palavras , podendo comniuinmeiite fallando for- - 
iiiar-se compoucas. O raesnio succcdc ds Cartas, ,que 
devem ser breves, para que naoiparcfao hum' tratado, 
porcm de modd , que tambcm se nao • pare5a6 com 
as rcspostas dos Oraculos; Algumas ha , que pederai o 
ser dilatadas pela materia, dexjue tratao: e assima 
brevidade , 'ou grandeza dellas' deve^se proporcionat 
^o mesmo modo , que a veja com a nao , ciomo dou- 
tatnente nos avisou Justo Lipsio. Errara cerfamente 
aquelle , que fot breve em varicdade^ 'e multiplicida' 
de de negcicios, do que se queixava Cicero com De- 
cimo Bruro , quo-usaya da brevidade ^ quando mai:?ai> 
dia o incendio da guerra civil , pedindo entao a gra- 
vidade dos negocios Cartas mui extensas> ^Porem cm 
oucro lugar, scgiiiudo o Laconismo do mesmo Bruco , 
poVque-assim convinha assuas gravissimasocciflpa§6es, 
'diz: Brevitatem secutus. sum ^ te magistro:^ Daqui se 
compfehcnde que^sera breve aquella Carta , aqMalain- 
da que difFusamcnte escrira , nao coiitem senao o ne-i 
ccssario \ e que aqu<^lla , que. trata cousas ,superflaas , 
ainda que seja succinta, sempre sera extensa. Com os 
amigos te:n excepgao esta regra , porqtie na6 se Ihes^ 
deve escrever cm estilo Laconico , para na6 suspeita- 
rcm- que os estimamos em pottco. Assim o ensinou 
Plinio , quando escreveo a Carta 20 do Livro 9 ac seu 
amigo Venator , dizendo-lhe : Tpi'a verb ephtola tanto 
ffiihi jucundior fuit , quanta loHgiar. Sendo cousa tao 
difficil o saber ser breve em huma Carta, maior dif^ 
ficuldade ha em , saber ao mesmo tempo ser claro. 
Nos confins da breJvidade ha de estar a clare^a : isto 
mui pducas vezes se ^ncontra , e o que se acha a 
tad^ passQ he p cjue diz o gr^nde Po^ta Lyrico j Bum 



t66 S E C R E T A K I O 

irrvis esse labore , ohscurus fio. He rcrdadciramcnte 
grandc dcfcito em. hum Escritor na6 se deixar cn^ 
tender : e ncste Ticio cahcm alguns por huma certa in- 
ditposl9a6 da natufeza , e estes sa6 dignos de descuU 
pa ; por^m ha outros que pecca6 , pbrque. camw 
nhando por caminhot desutados , queretn que as pes^ 
SMS communs os reputem por sujeitos de grande eQ« 
genho , e profundo.^ estudo. Nao seria injiiria sc is 
obras de taes Escritores se fizesse o mesmo , queSa5 
Jeronymo fez as Satjrras de Pcrsio , pois as Unjou no 
fogo pela sua escuridade. Nos Authores principiantes 
contao-se .muitos r^ds deste vicio; sa5 atuitos osaue 
fazem apparecer os seus escritos coipo as Divindadcs 
no theatro , que sempre descMfi cercadas de muitas 
nuvens. AfFecta6 escuridade por^ ambi^a6 de engenho ^ 
f com a arte de na6 sc deixarcm pcrccbcr prcren- 
flem que os respeitem, como aguias, aquelles que^sa6 
morcegot. Bern imitU era discorrer eu em tal vicip ^ 
sendo v. m. quon mais o abomina , e queih nielhorque . 
todos p6de extinguir ta6 4^nsa noite com asJuzes; d^ 
sua doutrina, que brilha no. doutisslmo Tratado,qa« 
escreveo sobre^ brevidade^ eclareza das Cartas fa mi« 
liares : por^m sou inimigo ta6 declarado dos qujc assim 
escrevexn , que nao pude reprimir o impetoda penna , 
que naturalmente quervoar, quango se Ihe oflSerece a 
occasia^. Deos guarde. av.m. &c 

9 Meu amigo. Quern primeiro, devia- sef sabedop 
das fortunas de v. m. he o ultimo, que as sabc, por- 
que ainda agora sei que v. m. esta no servi^o do Emi<- 
nentissimo Senhor N... com o caracter de Secretario, 
Eu nao sei dizcr a v. m% o gi'ande contentamento , que* 
tcnho com esta nocicla ; mas dizendo que iu6 o sei 
•cxpHcar^ lie ^uc pcopriamente o expHco. Nasce esta 
miqha impossibilidade de ver j^ tad com^etasassuas 
csperan^s , e recolhidas as v^las em porto tad seguro. 
O Eraincntissimo he Senhor^ ornado de gp^nde bon-* 
dade/de hum respeito affavel^ e dehumaaffalMiidadc 

. ^ • ' res- 



P O R T. U « tr E 8. 267 

respeitosa. Graiides cousas me ^rognostica o animo y « 
o corajid me diz que estc crnprego de v. m. na6 he 

. oais que 9 primeiro degrao para subir a escada de 
outros rhais altos. Aesim o dpcra a vivcza doscuen- , 
genho 5 a profundidade do seu talcntb , e a tnadareza 
da sua prudcKia ta6 exercitada , que prpuvera- a Deos 
tiycra.clia tanios prcmios como tetn testemunhas. Estd 
V. m^ instrutdo na Filosofia da Cortc.de modo , que 
dclla se poderd valcr era toda aoccasia6. JBqueadoii- 
raveis documcntos dara v. m. das virtudci de hum Se- 
crctario iqucUes , ^q^c Ihe quizcrem seguir oe passos> 
ouyindo da sua boca as doutrinas ? Aprendera6 a sua* 
vidade do trato com os preeendcntes , a dociiidade do 
genio com os subordinados , e o amor , c obedicn- 

^ cia a seu amo ; pqrque dcste mpdo , sobrc o agra*» 
dar o seu servi^o, coascgpirdo pstima§a6, c crcditp 
com a p.essoa, a quem servircm. Pra^carad a verdade, 
obscrvario o desinteresse , e serio cscrupulosos obscr** : 
vanres do segredo. Finalmentf^ , toda« aquellas quali- 
dades , -qye ' rai:as . vezes se vem separadas , se veri6 
Cni'das>em v»m.; ese seguirem ta6 s61id^s doutrinas, 
tera- v, m. ^ gloria de fazer discipulos , nos quaes vi- 
va mui larga idade com taiito credito da Patria ,. cc(- 
roo proveito delles. Para este grande fim eu oa6 ce$- 
^ sarei de ro^ar a Deos que guar4e a v. m* pormuitos 
annos« * . \ ^ 

10 Meu amigo. Na5 supponha eu em y. m* tan- 
ta ociosidade, sempra o suppuz occupado , e ernes* 
tudos ta6 graves ^ que nao o deixassem em tempo al- 

{fum ser ociosoj. mas certamentc enganei-me, porquc 
elo jmma Car^a de v. m. , cm que me manda Ihe di- 
ga o que simo €obre as frases, epalavras , de que as 
Cartas se devem formar. Se eu por todos os modos 
Iia6^dcv^ra obedccer a v. m., fizcrji-lhe* esta mesmaper- 

funt4 5 porque so os sens gcandes cstudos, he que ca* 
almeme me podi^ responder*^ eIJa; e eis-aqui em 
qnQ con$i§te a ociosidade dc v. m* , perguntarcm os 



268 - Secretario 

lynccs is toupelras se he dia , cas aguias aoS mosqui* 
tosgc sa6 niut dilatados os espajos da regiao do ar,. 
Porem como o cumprir com os preccitos *de v. m. he 
ac<^^6 em mim necessaria , dirci^o que me parece , e^seta 
receio , de que me encontre com o seu juizo ! porque 
mais vou a responder a minha obediencia , queaper- 
gunta dev.m. Assimcomo no corpo humane naf6rma 
essencial, que he ^ alma, e forma accideiital , que he 
a formosura do comp'osto material ; assim igualmcnte 
nas Cartas a materia he o corpo deilas , e a forma ac- 
cidental *sa5 as frases , e as palavras. ' Est^s qucrem' 
propriedade , e pureza da linguagem em que se escre- 
ve ] e aquella elegancit natural , e formosura. Ou pe- 
la lica6 , ou pelo ouvido as poderemos adquirir ; porem 
confK) mais na li^ao , que no ouvido, porque na5 se 
nos imprimcm ta6 bem as cousas que ouvimos, , co- 
mo as que lem j:i ; q.ianto mais que sao raros os que 
fallaS com aquelle mesmo cuidado , com que costu- 
ma6 escrever , e a expeitencia nos esti mostrando que 
ha homens, que quando escrevrem sao eloquentes , quan- 
do falla6 saS .outros, O meio para se con^guir,a 11- 
536 , qu« seja ta6 seguro como util , he o imitar os 
melhores Mestres , e so deste modo he que se aicanga 
a abundancia de frases, e de palavras , . tudo propor- 
cionado ao assumpto. Ha diversas imita56es,: porque 
humas sao pueris , das quaes contmumment? so gos- 
ta a mocidade, outran. sa6 adultas , que so parecem 
bem a annos mais crescidos.Para a imitagad pueril 
sa6 miii proprios nao poucos Authores Bespanhoes , que 
imprimirao Cartas, e alguns Italianos , entre os quaes 
exceptuou Lipsio a Angelo. Policiafto , e o igualdra 
aos antigos Escritores , se nas saas Cartas na5 achara 
-algumas vczes afFectadas agudezas , c frequentes con- 
ceitos. O mclhor , e unico exemplar para a imita5a6 
adulta he Cicero; e porque Sadoleto , Bembo^ Bu- 
iielli , e Manucio forao os que mclhor a seguita6, ain- 
da que com passos mais - pueris , que firme$ ;, como 
' Jul. 



P O R T V G V. B Z. ' 265^ 

julga a critica de Lipsio , sera tambem muiiitil a sua 
li§ao. UnicaHienfe em Tuilio achareiros a pureza , e 
'propriedadc das palavras , c a clegancia , c formosura 
das frases, das quaes se,deve omar o cstilo episrolan 
Nas sua?- cartas veremos com singijjaridndc em cada 
hunia aguellas palavras ra6 proprias, cca«tas,como 
gueiTi Jiavia polido a lingwa dos.Gracchos, e aquellas 
frases proporcionad'as la ccnv^rsajad, e na6 ab Sena- 
do; a acoigo 3 que escreve, e na6 aOrador,.quc de- 
clama, Se eu escrevcra a outro 5. que nao fora v. m. , 
e compozessc hum Tratado , e nao huma Carta , de^ 
ra aqui ' alguns" cxempjos das frases mais cscolhidas, 
que o Conde. Manoel Tliesauro descobrio nas epistd- 
las de, Cicero , para autborizar as que sa6 proprias de 
huma Carta : porem como por hum fundamcnio he inutil, 
e por outro iraproprio^, nao faqomaisqucunitamcnte 
Jembrar a y. m. me honre comos seus esrirnaveisprecei- 
tos em premio do sacrificio , : que fez a cbediencia , man- 
dando que hum discipulo dcsse, parecer a seu'Mestre. 
Deos^ guarde /&c. , ■ ' • 

Sobre as Cartas satyr icas ^ e de desprszo. 
II ^Meu amigo. Li as Cartas , que v, m. me re- 
metre escritas contra N... ;, e como a nossa amizade 
he a mais estreita , digo-lhe scm rcbuco que nao me 
p'arecera6 suas : porque v. m. costuma es'crever coral 
tinta , e nao com, sangue^, usa dc pennaj e nao de 
ferro anatomico , que tanto jroais subrilmente corta. 
Nao 5 meu amigo, as fartas satyricas., e de desprc- 
zo ha8 se forriiao dcste modo rja que v. m. se vio 
obrigado a escrevellas , devia primeiro saber o seu af- 
tificio , para nao manchar o papel. Enganoii-scv, m. 
no seu conceifo j porque se persuadio que para repre- • 
hcnder .vicios , era preciso hum estilo tal ', que des- 
empenhasse bem a sua etymoJogia, Na6, Senhofya 
carta satyrica consist na persuasa6 Ethica ; porque o 
objecto da satyra sao os vicios » (^ esta na6 he mais 
que huma reprehensao delles : confcsso que ha de ser 



VJO S E CT K E T A k I 6 

fliordaz; porem saiba tambcm v. va. que deve ser en- 
cobcria com tanta dissimulac;a6 , como engenho; por- 
que J)e detCbtavel toda a morddcldade patente , e dcs- 
pida de agudcza. Eu s6 unicamcnte chamarei cnge- 
nhcs;i , e propria , assim dc hum jui2o recto , comp 
dc lium homem de bem , aquclla satyra , que accu- 
se , c parcce que dcsculpa j a qu^ despreza , da a 
entender que louva, u^ando huma? vezes deironias^ 
outras de equivocos , que sa6 os seus ornatos mais 
proprios.^ De modo , que a satyra na6 difFere da ac- 
♦cusa5a6 na substancia , sena6 no estilo, e por estefun- 
datuento se reduz a contcxtura de taes Cartas a estes 
dois ponto; , que saf) narra§a6 das ac96es viciosas dis^* 
simuladamente manifestas , e reflex6cs mordazes , e 
agudas por meio de cquivcces, iarcphthegmai , e ex- 
■pressocs ironicas , que Ii£ongeanao rcprehepda6. To- 
dos cstes precciros , que nas suas epistolas nos dei^fcu 
Cicero , observa v. m. muito pelo xrontrario na sua 
Carta satyrica : e pssim como nesta na6 atinou 4:0m o 
norte , o mesmo Ihe ^ succcdeo na de desprcso ^ ,que 
jgualnfente me remcrtc, com^ animo' de que me have- 
ria de diveriir. A Carta de dcspreso hp outra especie 
de satyra, porem difFerente daquelJa, de que agora 
iratarci ', porque a satyra he huma reprehensaS aguda, 
e engenhqsa , a qua! anima a persuasa6 Ethica, e Lo- 
gica.^ c a de desprcso he huma reprehensa6 manifes- 
ta , c que .participa mdis do modo pathetico, que de 
qualquer outro : sertdo o riso/huma forte paixao , que 
Basce de algum succ'csso , ou djto losco, e contrario 
ao decoro , o artificio que a arte prescrcve , he cstc : 
exporemos cm primeiro lugar a causa de que se t\ , 
ou que se dcspreza : porem de modo que nos na6 fal- 
icm as formulas agudas , que movem a risco. Em se- 
loelhante assunto de nada serve ^ vizeira cahida de 
Misantropo , cujo original quizV, m, copiar cm si j 
pot-que o sal he toda a gra§a desta vianda : • melhor se- 
ria que se aiFcctasse parecer Crisippo ^ que morreo d$ 



P O K r V 6 If E «• 27t 

riso J porquc vio a hum jumento comer figos cm hum 
prato. Em scgundo Iilgar devcfemos fazer rcflcx6eg 
ridiculas sobre o dito, ou successo, rcprcsentando-<l 
graciosamente com suas circunstancias ^contrarias ao 
dec6ro; porcm com tanio, que estas na6,fira6^ao vi- 
vo": cm ^racs assuntos permittc-se o tocar levemcnte a 
pclle, ^mas na^ o pcnctrar gravcmcnte a carne. ]^stc 
lie o* pareccr dc todos os que para escrevcrcm consul- 
tad OS Livros , e na6 as suas paix6cs ; e o mcu he que 
V. m. na6 publiquc as suas Cartas , que rcstituo-i por- 
que na6 sa6 estes os cspinhos p dos quaes para v. m« 
nasccrd rosa. Deos guarde a v. m.^ &c. 

iz Mcu amigo. Como v. m, na6 perde tempo 
em me honrar, nem eu o qucro perdcr cm o servir : 
mandei logo buscar o Livro que v. m. me pcdlo, o 
qua! Ihe remctto; se bem que na6 Ihe ha de ser util; 
porque o Author d^ixou no tinrciro ^ material que v. m. 
Duficava. Tratando de muitas cspecies de Cartas , neoi 
huma palavra tern, em que ensine a organifa^ad da- 
qucllas, em que se pede a alguem perda6 per outros: 
pOrem comd as muitas obrigajdes me mandaS que eu ^ 
sirva a v. di. ^ainda sem ser mandado, nao deixarei^ 
de Ihe dizcr o que neste assunto tenho observado em 
alguns Authofes, principalmcnte em Cicero , que nes-'^ 
tas materias he hum Oraculo^ que sendo consultado, 
nunca deixou de dar resposta. Obseryo que este unico 
^cstre sempre. dit em primeiro lugar nas Cartas, em > 
que pede se perdoe a alguem , que o ral pdderi alle- 
gar muitas causas , pel as quaes minorasse a sua cul- 
pa , e carregasse , ou a diversa fortuna , ou a malicla 
alheia, pori:|tie muitas vezes a mesma innocencia pa-s^ 
rece culpada.' Era segundo diz que o rio renuncia a 
sua defensa , c que recorte da ira apiedadc: e ulti- 
mamente extralie raz6es , que pQssa6 mover o animo 
do oiFcjodido a que use de compaixad , cdepoisdevi-* 
vos rogos accresc^nta que fka por fiador do reo, o 
q^ual se IheofferQce porlxum s^cu fiei criado^ tendo a 

ver- 



27^ S E C R E TAR I O ' " 

vcrgonha que experimenta , pelo roais grave castlgo 
da sua culpa. E«ta humildade, e jeconhecimento he 
cou$a mui propria descmelhantes Cartas, porque hu- 
ma cousa he defender ao t6o ^ e cutra be pcdir per- 
dao per die : a organisagao das Cartas de defensa he 
propria do genero Judicial na persuasao Logica : po- 
rem das dc pcdir }>ertla6 pertence a persuasao em ap- 
placar ao oHcndido. ^ Isto he o que eu tenho obser- 
vado em Cicpro ; dcsejarci que satisfaja a curiosidade 
dc V. m. , e quando o pao consiga , sempre tenho o 
gosto J de que r. m. conhecera o sincero animo , e 
prcnta vontade, com que vivo de o servir. Dcos guar- 
dc a v. m. , &:c. 

«4 Mcu amigOj quanjdo rccebi a Carta de v. m. 
estava tao ccrcado de occupagoes graves, que na6 me 
foi possivel podcr roubar huma hora para Ihe re^pon- 
der. Bcni iraitil he dar a v. m.esta satisfa5a6j porque 
esta pcrsuadido que so hum grande negocio me podia 
embara^ar a resposta ; pois se lembra de quanto eu me 
nao esquego daqucllcs.favores , com que v. ra» me dei- 
xa obrigado , e me dcve fazer diligentc. Agcra que ja 
rr.e vejo scnao livre, alliviado do peso d'asoccupa^ces, 
que me opprimiao , r^spondo a v. m. : e para cntrar 
lego no f onto da resposta a pergunta , qu<^ me fez a sua 
curiosidade , digp que ainda que as Cartas ap^Iogeti- 
cas , e defenscria,s parc5a6 scr o mesmo , ha com lu- 

'do entrc cUas muita differenca, segundo o uso do 
noipe. A primeira he. que as Cartas , que unlcamente 
sao defcnsorias, trata6 de huma accao unica,daqual 
alguem he accusado : e as apologeticas de ordinario 
disccrrem sbbre matcrias , em que se censurao os di- 

, tos , ou escritos de alguem. A segunda differenca lie , 
que as Cartas meramente defensorias sa6 cscritas mui- 
tas vezes para amigos, com os quaes, nos desculpa- 
mcs em particular; porem as apologeticas sao Cartas 
piiblicas contra pcssoas maldizeqtes , de sorte que as 
respostas a ellas devcin s$r fortes^ e encaminharem-fe 



N 
i 



P a * T tr 6 vi t. 47^ 

210 publico. Finalmcnte a.dffensa p6de assehtar sobrt 
liuira simples *cousa que se disse , ou srfez; iras ^ 
apologia, attendc pela maibr parte a responder as ccn-i 
suras feitas fobre aivcrsas cousas. Na6 ha duvida qud 
as Cartas defensorias perteaGem a classe de Cartas I0-' 
g!c5s , porem inais cssericialrtiente as apologetica^ j 
porquQ sendo a sua materia mai's engenhosa, muito 
mais se necessira dc engenhosos , c aguddsargum^entog 
para responder i accusacao. Per este fundamento sa6 
precisas mais persuasoes ethicas, e patheticas^ para se 
mostrar que he injusta ^ censura , e para se mover o 
odio contra o censor ,^manifestando-se ou a sua mali-» 
cia, ou a suaignorancia. Esfas sao ^sdifFeren^a^, qua 
descubro nos Authores em senfefliantes Cartas ; r«sta 
agora come v. m. me manda , que digil eu 6 que sinto 
sobrt a contextura das Cartas apologeticas. Poucos 
sao OS que neste assunto sacia6 a sua sede com agua 
pura 5 porque commummente lemos que 0$ Censore® 
escr^vem libellos famosos , os censurados vomitad 
▼eiieno , que manchao a parte mails delicada , qual 
be a honra. Finalmente a apologia deveprincipiarpor' 
huma perguhta contra o Censor, iingindo que se na6 
sabe^ que cousa o moveo a pegar na penna ; eesta par- 
te deve ser moral , mostrando que nos compadecemos 
delle. Muito mais pod6ra dizer a v. m. ncsta materia^ 
mas reservo-o para occasiao majs opporruna , pois ago-* 
ra ^ como V. m. sabe, as occupa§6es excedem a mi- 
nlia capaci.dade ^ e igualmentc o tempo : so este m^ 
Jia6 falcara para servir a y« m; como aero , &C4 



tu^ 



PRIMEIRO SUPPLEMENTO. 

CARTAS DE COMMERCIO. 

I. 

Carta circular para huma casa de novo estaheleeida. 
Ao Rio de Janeiro. Scnliores N. e N. 

Lisboa , 20 d? Julho , 1777. 



o 



coNHBCiMENTo , quc tcmos da reputa^ad, c ere- 
dito de V. m. nos convida a participar-lhes cm coxno cs- 
tabelccemos nesta Cidade a nossa casa de negocio com 
as jfirmas de N. e N. E nesta conforraidadese servirao 
V. m. de tomar nota , para que , caso que se queirao 
servir do nosso presrimo para a compra de fazcnoas , e 
efFeitos dcsra Cidade, &c, , nos farao mcrce dar-nos 
as sua5 ordens ; e ao mcsmo tempo dar-nos tambcm a 
iaculdade de Ihes fazermos a« encoinmendas do que 
necessitarmos dessa. Vindo por este modo a ser o ne- 
gocio rcciproco , para o.que nos .obrigamos por esta 
( Carta ) ao desempenho da nossa firma , cada hum 
por si , e Jium por ambos. Teremos muita* honra em 
5cr de V. m. . 

Muito veheradores. 

V • / S.F.eB.D.C. 



Ao Rio dc Janeiro. Scnhores N. e N. 

I Lisboa J, i4deOutubro5 1777. 

JL ELOs^conhecimcntos, e factura junta, ser£.6 v. m. 
servidds mandar tomar conta das fazendas quc contem, 
carregadas em o navio N,.,Capita6N,..comoimpor'- 

, ^ te 



Str'i»?LiM*irl?o* iff 

te de... reis , para tne fazerem a graca vender porm.c. 
e comp. pelo mais alio pre^o , que podcremalcancar, 
e o .estado da terra permittir , preferindo scmpre a di- 
nheiro do cbnrado., ^da sua vendamefarao logo avi-. 
so, para saber se hei de ou nao conrinuar com. as 
nicsmas fazendas. D^rsejara que me avisassem seteraa 
cxtrac§a6 (raes, e taes generos ) para Ihos enviar, e 
aprpveiraT-me do favor que v, m. me fazcm , em re- 
compcnsa' do qual me offereco para os servir comcj 
seus 

Rcverentes, c pbrlgadissimos C* 

V. P. e Comp4 

K E.S P O S T A, 

Em Lisboa* Senhores V. P. e Comp* ^" '"' 

Rio de Janeircf, 20 de Maid, 1778* 



T. 



ivEMos a honra de receber a de v. m. Com data 
^c 14 de Ourubro , 1777 , vinda pelo navio N... , que 
sc rccolheo em... , livr^ deavarias, e nesta forma re* 
cebcmos a factura , e fazeiidas que nos consignou com 
o valor pelo carregado' de,.. reis , das quaes fizemoji 
logo vsnda , ametade a dinheiro de contado , e me-« 
tade a seis mezcs, tudo apessoasdecredito, quecreio^ 
nao faltarao ao pagatnento no dia de seu yencimeiitOi 
iPcia conta de venda , que Ihe rcmettcmqs pelo navio 
N... / qiieesrd a partir^- vera6 v. m. as fazendas que ' 
fazem mais conta para conrinuar , assim como poderadi 
remetter taes , e taes gencrcs ^ qi^ia tem nesta ( Cidade ) 
pronta sahida , Sec, 



1% Its- 



276 PKIMBItO 

REPETI5A8 DA BESPOSTA. 

Em Lisboa. Scnhores V. P. c C- 

Rio de Janeiro , 10 de Julho , 1778. 

J\, ciMA he a c6pia da minha ultima , e seu cpnted- 
do confirmo: e com csta tern v. m. a conta de venda 
das fazcndas , que nos consignou , cm que mostra ser 
o liquido, cobrado aue seja , tiis..^, de que v. m. dis- 
pord como for serviao, &c. 

Preps dos effeitos. 

Assucar - - a - - rels. 
Tabaco - - a - - reis. 

Ao Rio <ic Janeiro. Senhorcs N. e N. 

Lisboa', a xodeAgosto, 1778. 



R, 



.ECEBia muito estimada de v. m. de 20 deMaioyC 
com' eila a noticia de haver recebido a facrura das fa- 
zendas, que Ihcs consignei, e da sua venda, de que 
sou contents 

Agradejo a v. m. a noticia , que me participa8 das 
fazcndas, que dizem nessa ( Cidade ) tern pronta sahi-^ 
da, o que me anima a novamente me aprovcit^ir de 
seu favor, remcttcndo-lfies nesta occasiaq pelo havio 
N... Capitao N.,.'o que consta da factura , e conheci- 
xnentos inclusos com o valor de reis...quev. m. sera6 
servido^ mandar toraar conta, e dispor na inesma for- 
ma pracurando cm tudo OS meus interesses, como 
costumaS^. ^ 

Nesta occasia6 tomei a confianca de sacar sobre 
V. m. huma Ictra ( dcrisca, ou segura ) com o valor de 

V ' ' reis.r. 



S TT P ? L E M E N T O, 277 

tfis... que V, m. tcrao a bondadc de pagar a N... , e do 
resto, cobrado que scja, me farao a merc^ cmpregar 
em Assucares, e Tabaco , e remetter-mos na primera 
occasia6; esc antes .da\sua sahida sahir algura navio, me 
avisard6 para haver deseguraf. Para' tudo o que pres- 
tar 'fico'certo em servir a r. m. como scu, &c. 

Ap Rio dc, Janeiro. Senhores N. cN. 

Lisboa, 2odeAgosto de 1778. 

jLjkciMA he a c6pia da rpjinha ultima , eseu conteudo 
confirmo menos" na parte em que digo empreguem em 
assucar ( sc na ch'egada desta , os nao tiverem ja compra- 
dos ) pois pela Carta , que dev. m, recebi de lode Ju- 
nho 5 vejo nao fazerem corita por valerem ncstaa t,.. , 
e em lugar destes comprara6 v. m. taes , e t... 

Recebi a conta de venda da factura n. i. com oil- 
quido dcreis... de quefico a v,m. obrigado; pois me 
convida a continuar, Sirvao-se v. m. im me dar os scus 
Jionrosos preceitos para execu tar como qucm he, &c. 

A Londres. Scnhor N. , 

Lisboa, de Janeiro, 1777* 

jl\s dev. m. deg c 1} dbmezpassadd recebi em 5 
do corrente pelo navio N... Capita6 N... , enellasiad- 
Virto que v. m. intenta carregar a bordo do primeiro 
bom navio , destinado p^a csta Pra^a , as fazendas 
que recommendei a seu cuidado Jia mihha ultima : com. 
esta vap mais amostras; mas o que Ihe. pejo, he de 
encommendar ao Tintureiro , que as cores tcnha6 vi- 
veza, e que sejaS de dura, Pelo ultimo navio man-^ 
dei a v. m. a conta da v.erida da partida de meias de se- 
da , como tambem dos; 3 caixoes de chapeos , qug me 
vicrao consignados pelo navio N... se se offerecerem mais 

de 



17? Pkimeiko. 

dc qualquer dos gcneros sobrcditos , scndo accommO' 
•dados , bem pode mandallos , por sercm agora ped'i- 
dos : com condicao , que scjao da moda , e dc bom 
feitio. 

I'enho njustado as suas 20 pipns de'azcite paraos 
primeiros navies de cafra , com as 20 pipas ^ e 3 quartos 

y-1<* «Tir»K<^ l^fn »^/^*-fc /-Ilia «o *'^1-«->/\ /^ l-N/^rri/^ ,A r\ t-»oirir-\ ^.T 




. pe , .^___ ^^ 

salvamento j e 8cndo o que por hora se otFercco ^ sou 
dc v,m, 

O mais obrigado servidor 

A Lisboa. Senhor N. • 

Londn 20 de Marco, 177*.. • 



JlLs 



^STOU favorecido com a de v. m. dc 3, do corrente, 
C ^cho que em cumprimento da niinha ordcm , tern 
V, m, comprado os quinhentos barris de Arenquc de 
funio por livras onzc por lastro ; ea nao tenho diivi- 
da que esse foi o racnor prego por que v. m. o; podia 
gbter, e que a sua boa qualidade eorrespoadia. Meu ^ 
navio csta-se prcparando com toda'a prcssa para Ir 
buscallo. EUc se pocie carrcgar no sea caes , pois que 
nao dernanda mais que nove pes deaguA 5 coino v m> 
he servido dc-apontar-me, que me poupard de ga^ros 
quarro pcniqucs por barril. Eu julgo que elle podera 
levar sctcccntos barn's, ou mais: se assim for, quan- 
• do cllc chcgar , v, m. o podera carregar. O Capirao 
nao tern neccssidade de diaheiro , e por isso nao sq 
llae- deve dan 

Agradcco a v. m. a informagao , que me da a res- 
peitp dos camblos doUslwa para esrc lugar j ma? como 
Cu olho para r^mcssas do dinheivo , atjiu tao arris-* 



S U f P L E M E N T O. 27^ 

cado em Ictras do Excbequer ,' v. m. sera servido dc 
sacar score mim ao mais accommcdado cambio^quc 
Ihe for possivel , e suas lerras a usanja cosLumadatc- 
rao toda a dcvida honra, &c. 

A Cadiz, Senhor N. . ' , / 

Load. ' dc Mar§o , I77-* 



Di 



^ivEBSAs Cartas de v. m. me vierao a mao a seu 
tempo , como tambem a#inha conta corrcnte, a qiial 
tcnho riotado cm conformidadc com v. m. Sua ultima 
foi de 27 do mcz passado , na qual me da v. ra. red- 
bo das trcs letras , impdrtando seis mil patacas deoito 
realcs ; as quaes meu irmao Jose\. mandou a v. m. por 

amnh^ conta, epqr minha ordem. Eu farei hum mao 
r>egocio com cllas depois. do desembolgo de meu di- 
nhciro Jia tanto tempo , alem dc que o Cambio foi mais 
spmenos que o pre9o da prata , e do cambio. Agora 
que tenho esperado todo este tempo, c na& havendo 

^probabilidade de sua baixa> scja v. m. servido deman- 
dar-me o meu dinheiro , como for o cambio , scja pa- 
ra esta Praja, ou^;;ij'/^r^/^5', como v. m.julgarmc fa- 
rd melhor conta. Se a prata, ou cochonilla baixarem 
a pre CO , que a v. m. parcca ser mcIhor do que por re- . 
inessa em Ictra de fambio , neste casofaca-ma cm qual- 
qu^r destes ^eneros : o que deixo inteiramcntc av.m. 

-estando persuadido que v. m. obra ?m meus negocios 
como em sous proprios 

Eu me alegrei de ouvir a chegada da frota^ qucpo- 
dera ser que de algum alento ao negoclo, para que 
Iiuma pessoa "possa fazcr algum emprego , que depre- 
seiite nao convida. He quanto sc ofFerece dizer a v. ra. 
de quern sou. 



tZo Pkimbiko 

A Cadiz. Senhor N, 

Load. deAbril, 177... 



n 



"o outro lado csta a c6pia da tninha ulrlma de 
18 do ccrrcnrc. Ku supponho que meu irmao^c/j-^'rcm 
fciro algumas irmessas a v. m. por minha conra , de 
que sabcrei a quantia pclo primeiro correio de Hol- 
innda. Com esta remctto a v. m. trcs lerras ,impcrran- 
do quarro mil pe?os deoitoreales, sobre v. m. , a cuera 
as e-iJossci , valor em minh#conta ; cujo dinliciro v, 
iw, seraservidocmpregar a dinheiro arisco, junto coai 
pquelle que meu irm^o Jose Ihe river remettido enx 
duas , ou trcs naos de Guerra ; e me alegrarei muito 
que isto chegue a tempo bastante para alcan^ar o Se- 
nhor J. T. , e as ourras naos de guerra. Em tal caso , 
e nao de outro modo, podera v. m. s^acar mais doque 
.s€ Ihc tern rcmcttiuo por minha conta , dez mil ducados , 
c ponha-os V. m. com o meu outro cabedal arisco^ em 
trcs , ou quatro nios de Guerra , e seja scrvido de ob^ 
cervar , que scm embargo queeu ordenei a v. m, na c6^ 
.pia da minha antecedente, de carregar em huma "ale- 
ra 5 ou navio mercante trcs ^yiil ducados, e cm nao deGuer-r 
ra dcz mil ducados , que podia sobre mim sacar ; eu ic- 
vogo a dita ordcm , c pcgo a v. m. que nao carregue eoi 
galera , ou navio mercante, mais de dois mil ducados', 
cquena6saque sobre mim aopresente; njas s6menre o 
quctcnho remettida a v. m. ; escja scrvido mandar-me 
huma distincta conta , com ihreira informacao do nego- 
cio para picu govcrno , c fipo com todo o dcvido rcspei- 
to, &c, .. 

^ • 
}ium €scr;tinha , que vai alert a hum vifinh§ , f^ti ami^ 
go y em (jualqucr occasiaS^ 



iOi Senhor Cr-S,,.qae Tc M. seu serva, e criado 

b?ya a S, J^i *^ iPios roil yezes ^ c ^uc the f^^a inercS 



S TT P P L E M E N T O. iSl 

de Ihe mandar pelo partadpr desta,., scndo-IIie prccisa- 
mcnte heccssario ncsra occasia6> c,sempre ficara mui- 
to as suas 6rdcns>. , 



/ § n. 

Carta , ou Instrument o de Proct^racao. 

i3AisA8 rodos qjiantos este Instrumento, ou Carta dc 
Procura^ao virem, q.io eu A. B. de... homem de Ne- 
gocio , tcnho no^meado , .e constituido , e por estas 
presentcs , noineio ^ ordeno , constituo , e faco o Se- 
Tihor B; C. de.i. mea verdadeiro, c legitimo Prpcara- 
dor para que por mim / e em meu nome, possa de* 
m^dar , arrec'ad^.r, e reccber de J. B. Mercadop, a 
somma de.,.^a nilm devida pelo diro J,B. ,, dando , e 
por esta cdncedendo ao meu diro Procurador o ineu 
podeT plenariOj e authoridade de exercitar, eusarde 
todas as acgoes, e oucras cousas em* dir^eito necessa- 
rlas para a cobran^a da dita divida, e em tneu nomQ 
oar , e fazer quitttjSes , ou outras descargas , e geral- 
mente fazer., e executar na materia sobredita tao pie- 
nariamente coiiio se-eu mcsmo fizesse , ou podesse fa- 
zer , esrando pcssoalmente presente, ratificando , con- 
firmando, e outorgando tudo, c qaalquer cousa que 
o dito meu Procurador legitimam'ente fizer, ou cau- 
sar de se fazer neila por estas presentes. Em te^temu- 
nho do que assignei ^ e §ellei esta cm,., aos... dias dp 
niez de... de 17... 



For A. B. 



Assignadp ^ seliado diante 

T, 
M 



^'"''''^;i'} T^^^t^^"«i^^5. 



§ HI, 



iSi 



Carta ^ GU Inr: 



^ in 



.» 0410^ i^Vi 



S U P P L E M E N T O. aSj 

inercadorias metridas a bordo do dito Navio ao... scv- 
bredito, aos xiitos homens dc Negocios, aos sens Fci- 

. tores 5 ou CcnstitiuHies , ou aalgiim, ou alguns del- 
les cm salvamento , e bcni acondicicnadas , salvo o 
risco dos mares , e deten^ao de Principes, e Go'/er- 
nadores; mas tembem recebeirao j toniardd a carregar, 
e tomarao a bordo do dito navio , dos ditos ijomens 
de Negocjo , dos seas Feitores bu Constituintcs , ou 
dc algum 5 oa alguns dellcs , .todas as fazendas, emer- 
Gadorias qaeellcs , pu qualouer delles alli carrcgiirem/, 

' ou mettercni a bordo delle ate o cumprimento iatei- 
ro da carga do dito navio: A saber , tanto quanto beru 
se pcdcr arrumar debaixo da coberta , no conves ,'e 
adiante do masto grande . salvo so o lugar para man-, 
timentos , enxarcias , ^ apparelhos do. dito navio ; e 
OS" ditos... dias . de trabalho sendo acabndos , O'J o di-' 
to navio sendo alli mais depres?a dcspachado , o que 
primciro succeder ., elle dito Mcstre, ou sens Consti- 
uiiates J com a priiricira boa occasiao de tempo, e 
vento favoravel 3 em direltura navegcirao , etornaraS 
a vir com o dito navio , e a sua carga (^ib dito Por- 
to ' de descarregar , q carregar de*.. aqai denrro de.., 
dias dc trabalho logo depois da entrada do dito na- 
vio dada na ainmdega destc dito... e!le dito Mectre, 
ou OS sous Consrituintes , descarrcgarao , e entregarao 
as'ditas fazei^das., e mercadorias earregadas a bordo 

'do dito nay 10 ao.seii descarregar, e recarregar.,. so- 
brcdito aps diros-Homen^ de Negoelo , ou seus Tes- 
tan\entciros, Admiiiistradorci> , ou Constlraiate.^ , em 
galvamenro 5 salvo o risco dos mares , e derencao de 
PrincipeSj.e Governadores , e assim se acabara a dita 
dest'nada viagem... E os diros Homens dvi: Negocio 
concertao j-promecrem, coutorgao por eiles mesmos , 
e qualqucir dellcs, -ou seus , e qualqucr dos segs Tcs- 
tamcnteiros , Administradores j e Consdtulntcs , por 
estas pi"escnrc3 ^ que... seus ^restamenreiros , Adminis- 
tradores , FQitQrCSy QU CQU^UWintes , ua,u s6m?:ue 





P B 


t M 


E I f O* 


c 


fPC^r 




^ adito 


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. C ! 




.^ir dc* 






rJ 


o mesmo 



picharifi , e 

ra , e fcir'^ 

dias^ c tc ■ , ,__:.: . . ,. 

dc todo u jfretc qiic sc veneer, parn 

dir, por - ' 

bcm. t? V- : 

M' m scu^ Testae 

dc. iv: ,: , ijira , c fiSririJ^ ^'-^nmic : A : ^ 

dcKe denrjo cm,., dias li i cntriida do d 

^vio, dada na / " ' ' ga ric, i/r'm , mai 
Idks proximos l,^-.:.js, c ores tame du l:. 
tciro dcncro em,., di^i? , lo^^o dcpois d^desc/ 
' ■ iita; e csd r 

1, .^... ,.,-,- _-„..„. ..,^arrcs por :.i mcsu-. ,, .:- 
licukre? Tesiaaiemeiros , e AdmiiiUtradora, q 
dof 0£ ; ' " ros, qus sc vcnccrt! 



se, oil 
gctu 



iiitcesta pre^cnte, e 



in- 



sento pagos , e sarkfcitog m man 

pclos dit<>s 11 
^•--^^-,..- , .... ..-.. , .^:,.;.;..4tdros , oy Con^i^-'. 

Alem d:sso, por cstc sc ajiJsia que podera scr lie. 
diios Homciis de Negocio^ scus Feitores , ouC 
tuintes^ o rctcrcm o dito navio^ demor:!^^'^ "^ 
dito Porto da descarga , e rccarga , e tk 
bre^ito ranto iwipo , e tantos ^lias que se 
alcin dos dias ccr cos actma uponrados , nau ^ . 
doK,.. dias por mmro, EIIcs dims homens dc 
cio, seas Fcitore^s^ Ccnsrhuiiiics, porcada In; 
ta€s dias pa^jarifi ao diio Mcstne^ oo aos seus u.i 
lirutntes, dia por dig, aonc!* o itie^tno se veneer 
ra se pagar, nx6^ ::r cousa dn 

tas em conrnrio : ^ ^.v: , ^,*,.:^ imcnto dc 
de cada Imnu das cousasdeclaradas , asqus 
te^ e p€lo que toca ao dito Me^trej aos 5^ 



( 



S U ? ? L EM E N T O. iSj 

xnenteiros 5 Admiriistradores , ou Consj:ituintes ,,ccada 
hum dcllcs, sao, e devcm de ser havidas , tidas, ob- 
servadas, e cumpridas, O dito Mcstrc se obriga a si : 
iiiesmO/5 09 scus Tcstamtntelros y 6 Adnainistradores 
junta mente com a dito navio , o seu frete , enxar- 
cias , e apparcUios , aos ditos Homcns dc Ncgocio , 
aos seus Tesraaienteiros , Administradorcs , c Consti-' 
tuintes 5 e cada hum.dellcs, na soinma , ou pena 
de... de dinheiro correntc dc,.. para se pagar bem, c 
vcrdadeira^cnte por estas presentes, e tambem pelo. 
cumprimcnto de todas , e dc cada huma das cousas so- 
brcditas; as quaes por parte, e pelo que toca aos di- 
tos homens de negocio, aos seus Testamenreiros , ' 
Administradores , Constituintcs , ou qualquer dellcs , 
sa6, e devem de scr 'guardadas^ pagas, e cumpridas:.- 
OS dltos Homens de Negocio se obriga6 a si mesmos , 
c OS seus Testamenteiros>, e Administradores , junta- 
mcntey e separadamente com as suas fazendas, que se • 
carregarem. a b6rdo do dito navio ncsta presente , c 
destinada yiagem , ao^ito Mestre, aos seus Testa- 
mentciros , e Consxit^intes , e a cada hum delles, na 
semeLhante somma de pena de... semelhante dinheiro 
corrente de... para ser pago, bem ,, e verdadeiramenT 
te por estas presentes. Em testemunho do que,^ as par-^ 
tes sobfeditas agsignara6 , e sellara^ reciprocamente 
estas presentes Cartas de Fretamento ,. contracradas no r 
dia, e anno, primeiro acima declarado. .; 



T. C 



Sellado , e entrcgue diaiitc 
de A. B. G, D: 



§IV. 



286 Primeiko 

§ IV. 
Apolicc de S^guro, '» ' 

Em nome dc Deos. Amen. 

_S^ anto no sen proprlo nome, como ^ou cm ho- 
me, cu nomes de rcdcs , e cada pessoa^ ou possoas 
a qiicm o mesnio pertcnce , possa , cu pcdera perten- 
cer , em parte , on cm tcdo , face seguro , causa a 
si mesmo, e a elles , c a cada hiimdelles, de assegu- 
rar-sc , perdidos, cu nao pcrdidos,.. sobre qualquerge- 
nero dc fazcnda^^^ , c incrcadcrias carrcgadas , cu pa- 
ra se carrcgarcm a bordo do bom navio per nome.., 
da carga de,.. tcneladas pouco mais, du mcnos, de 
que P. M. he mestrc , debaixo de Dcos , ou quem quer 
que for per Mcsn-e do dito navio .cu Mcstrc dellc se 
iiomee , ou nomcrara , principiando o risco sobre a^ 
ditas fazendas, c mcrcadorias , logo depois de carre- 
gallas ao dito navio..., c assim' se continuara, e fica- 
ra ' ato que o dito navio ^ com as ditas fazendas ^^ e 
me^cadcrias 5 quncsquer que elJas scjao , chegarw.. , e 
as mcsmas ahi descarregadas em salvamento ; e sera 
licito pe!o dito navio, ncstaviagcm , dcparar, e de- 
tcr-se em quaesquer portos ^ ou lugarcs... sem prejuizo 
a esre seguro. As dims fazendas., mercadorias, per 
concerto, sao , c serao avaiiadas cm... sem que se de 
outra conta delJas mesmas ,^ tocante as venturas , e 
riscos comquc nds^os Asseguradoresnos contamos , e 
tomamos sobre nos esta viagem. Ellas sao dcsmares, 
das naos de guerra , dc fogo , inimigcs , corsarios , 
ladrdcs, roubadores, jetrezonas, ou fazendas perdi- 
das,*c ^citadas no Mar; letras de Marte , e contra 
Marte, sobresaltos , tomadias no Mar, citacoes, to- 
lliimentos , e dcrencas dc todos os Reis , Principcs , 
e Povos de nacao, condi$a6, ou qualidadq , qualqucr 

bar- 



S U P P L "E M E K T O. 2S7 

baratria , . e ccritrastcs enganosos do Mestre , e dos 
. Marinhciros , c de tedcs cs cutros perigos, perdas, 
e desastrcs que ja vierao , ou que virao, ou prejuizo , 
desaproveitarnento , ou, damno das ditas fazendr.s , c 
mcrcadorias, cu de algun^a parte dellas. E sc acaso 
succec^er alguma pcrda , du desvcntura , sera licitc ao5, 
Asseguradores , Fei tores , Servos, c Cont^tituintes dp 
mandar fazcr diJigencias, e trabalhar^ por em acei:- 
ca de defeza, salvamento , e rpcobramento das ditas 
fazendas, e mercadorias, ou de alguma parte dcllas 
sem prejuizo a este spguro , aos gastos do. que, nos 
OS Asseguradores contribuirenios cada hum conforme 
a sua quantia nelle assegurada ; e nos os Assegurado- 
res csramos de acordo, e concerto, que esta Escritu- 
ra , e Seguro tera tanta for§a , e valor ^coino a mais 
aurhentica Apolice , ou Escritura de Seguro, da ntes 
fcita era qualquer parte; E assim nos os Asseguradores 
somos contcntes, epor esta.promettcmos, e nosobri- 
gamos i cada hum por sua propria parte, e os nos- 
sos Hercteiros'5 Testa men tciros , Administradores , e 
Constituintes-, pelo verdadciro' cumffrimento das cou* 
sas acim^ declaradas , confessando que estamos pagos, 
c^satisfeitos do que se nos deve d conta desre Seguro. 
Em testemunho do que , nds os Asseguradores as- 
sigilamqs ao pe desta com as quaniiasasseguradas , &:ۥ 



1 A. B. sou contente com -v 

:e Sci?,uro por qnatro cen- C o ^ 

s e oitenta mil reis. Lisb. r-4^o«>' 

1... de...' 1777. ^ J 



este SCi?,uro por qnatro cen- ( ox /• 

^Qg . ^:..^.J.^:i La:, i :.u > .4600)000 reiS 



Instrumento^ ou Escritura de Compromisso: 



A 



TODOs quantos este presente Instrumento,ou Es- 
critura de Compromisso virem > de nos Acredores de 

G. 



2o8 Phi METRO 

G. M. Mercador de...saudc. Em como o dito G. IVC^ 
ao prcscnre fica dcvrndo , c em dircito devc a nos os' 
Acredorcs dcllc diro G. M. variasi, e divcrsassommas 
de dinhciro, &c. as quaes em a-azao dc muitas divi- 
das, c algumas dellas mui grandes, que tambem em 

, direito sc Ihe dcvcm a elle, nem se pckiem .arrecadar 
scm alguma dilagao de tempb, e por sercm algumas 
dellas incobrayeis srm dcmanda , elle esti por hora 
muito i;Dpos$ibilitado de fazcr pagamento a nos- os 
sens Acrcdores da nossa intcira , e justa divida , con- 
forme a sua vontade, c dcsejo : a respeito dc que el- 
le nos pedc com todo o encarecimenro , que. nos os 
ditos Acredcres , e cada hum de nos fossenics servi- 
dos de dar , e conceder a elle dito G, M. aps seus* 
Testamenieiros , Administradcres, ou Constiruinres , 
tanta largue2a,.ou dilagao de tempo pelopagamcnro, 
c satisfa5a6 de ncssas dividas parriculares , que JJie pa- 
• Tcccr justo 3 e ra7a6 pelo alcance, e cobranqa das ditas di- 
vidas : A sabcr'que n6s , t cada hum de n6s fieasse- 
iros contenrcs a tomar , c rcceberdenossas dividas in- 
teiras sem... para se repartircm cm... partes , para se 
pagarem "em,,, pagamentos diversos , na maneira, c 
forma seguinte: A _ saber, o primeiro pagamento del- 
la ha de scr... , e oresto pagar-se-h? em.,, proximo pc- 
la imeira paga, e satisfacad das ditas dividas especi- 
ficadas. E pelo- mais plerario cumprimento dos va- 

^ rics pagamentos sobreditos em tal maneira , e forma 
como acima sc limita, e declara , ao vcrdadeiro in- 

^tcrito destas presentes , elle o dito G. M. , ao, ou 
antes do... sera pbrigado a nos ditos Acrcdores , na 
mesma conformidade , por huma obrigacao , que sc 
/ fara na melhor , forma de Direito , com todos , e ca- 
da hum dos pagamentos na maneira acima li.mitada, 
huii] certo lugar, ou lugares convenientes de nos 'di- 
tos Acredores nomeados *, e a pcna de cada huma^das 
obriga§6es ha de ser dobrada da somm.ainteira incltj- 
sa nella mcsma , para ser a nos euitregue , c a eada 

hijin 



hum de n6s , ou npssos Tcsramenteiros ou Constimin-i 
tes , ao , ou antes do... proximo seguinre da data des- 
ta. Por esta causa saiba-sc que nos os ditos Acredo- 
res aqui abaixo assigaados, c cada hum de nos per si 
em particular , e per seus Testamenteiros , Adminis- 
tradores , e Constituintes, a rcspeito do acima esper^ 
cificado , c declarado , por estas presentes , de vonta- 
de propria , conseatimos , contratamos , . promette- 
mo3 , e concordamos ao , e com o diro G. M. , ou 
sens Testamenteiros , Administradores , c Constituin- 
tes, que nos os ditos Acredores , e cada hum denos , 
ou nossos Testamenteiros, Administradores, e Cons- 
tituintes , accciraremos do dito G^ M. , dos seus Tes- 
tamenteiros , Administradores, e' Constituintes , to^ 
das, e cada huma de tacs dividas , e quantias de di-* 
nhdro do dito G. M. a nos , e a cada humdcii6s de-^ 
vidas, e vencidas, em virtudc de Xaes obriga^oes, sc- 
guranja 5 ou segurancas sobreditas, para se pagareni 
em tal modo, e maneira , e aos taes dias, e tempos' 
que acima se limitafi, e requerem. E alcm disto, que; 
n6s o s ditos Adredores , e cada huni de nos ^ ou no> 
sds , e cada hum de nossos TestanrienteirOs , Adminis- 
tradores, e Constituintes , em conformidade da en- 
trega da dita obrigajao a nos , e a cada hum dc nos- 
sos Testamenteiros', Administradores ,e Constituintes ,- 
a custa do dito & M. , ou seus Testamenteiros , Ad- 
ministradores, e Constituintes , sellaremos , assignare-^ 
mos , e na melhor forma , e direito entregaremos aa 
dito G. M. a nossa geral , e sufficiente descarga , parai 
ser rendida por elle dito G. M. ,ou s.eus Testamenteiros, 
Administradores, e Constituintes, a data, calimita- 
§a6 antes do dia , e data dessa obrigagao nova. Emt 
festcmunho do que temo^ assignado^ e sellado e^taf 
cm.4. do annorf.. &c. 



■X ' %n 



1^ PRIMEIK^ 

§ VI. . 

Letras deCamhie. 
Londres cm... dc 1777... por 3ooinilreis. 



A 



VISTA desta rninha primeira Letra de Cambio^ 
pagara v.' m. ao Senhor T- M. , ou por sua ordcm, a 
quinta de trezentos rail reis em dinheiro correntcde 
Portugal , valor recebido do Senhor T. D. , c a tempo 
fara bom pagamento, lan§ando-ana coma, como por 
aviso dc - 

^ Ao Senhor T. M. Merca- S. D. V. M. 

dor cm Lisboa* F. M^ 

Lisboa cm... dc 1777 , por 25:0 L. Esterl. 



A 



QUABEKTA dias vista esta ininha segunda Letra dc 
Cambio ( nao sendo paga a primeira ) pagara v. m. ao Se- 
nhor F. G. e Comp, ou por sua ordem, a somma de 
duzentas e cincdenta libras E^tcrlinas em moeda corren- 
te de Inglaten-a, valor recebido do Senhor J. D ,ea 
tempo fari bom pagamcnto ^ assentando-a na conta 
como por ^viso de 

Aa Senhor T. B. M^rca- H. Sr ^ 

dor em Londrea. F. P. ^ 



§ vir. 



- s 



7 StJffLKIlBN'rO* 1511 

§ VIL ; ; 

Praftsto dehuma letradc€dmbio. 



AtBA6 toUos a quem>sta presente Escritura toCaf,qUd 
aos.- do mez de... do anno de-.. a requorimentodePiC*. 
Mcrcad.or dc... Eu M-N.E. Tabelliao denotas, jura- 
do, '.e admittido pcla authoridade do Rei ^ &c fai a 
casa da morada 'do Senhor T. B. sobre queni a Letra de 
Cambio acima referida he sacada , e mbstrei oorigi-. 
nal ap diro ^* B.requcren4o-Ihcaacceita5a6deIla : ao 

. que me rcspondco , que* na6 acccitava a dita Letra pof 
humas razoes , que cscrevera ao Senhor F. P. sacadpr i 
peJa qual raza6 , cu dito Tabellia6 protcstei , e' por estas 
presentea protcsto , tanrb contra dito F. P. sacador 
como tambem contra o dito T. B; sobre quem he sa-» 
cada , e mais contra todas as outras pessoas , Endossa- 

• dores , ou outras nella intcressadas j por todos os Cam- 
bios, rccambios , damnos , intercsses, quaesquei* que 
dies sejao , em presenga ^4e H. I. S. T, chamados pof 
tcstemunhas a- este pres«me acpo 5 feito no meii Escri-» 
torio em o dia , e anno a^ima dcclarado* 

\ " M- N; Notario Publko* 

• § VIIL 

Varias forrkas de reciho^4 

DinhetTia rtc^tido por inteiro^ 

JXiCEBr a:i de Janeiro 5 1777 ^ do Senhor T.Csei^^i 
centos mil reis ^ por inteirp cumprimento de todas gsi 
comas, por • ^ * 






T a tU 



Dinbeird recebido porconta de men Amt^ 

RecQbi a 2a dc Fcverciro, 1777, doSenhorT.L* 
' quarcnta mij rdis , por conta de mcu Anio S. T, , por 

DhhtirQ recebido em parte. 

Recebido a 30 de Marqo , 1777 , do Senhor J.Q. du- 
centos c vinte cinco mil r^is , por conta dc meu Pai 
A. T. , por 

Dinbeiro recebido tm parte de con t as , queHaSestaS 
ajustadas. 

Recebi a 14 de Abril, 1777, da Senhora D. Mr R. , 
por mad de P, C. trinta e cinco mil r^is d conta, por 

Quando hum rol^ou conta se pagaporinteiro. 

. Recebi a 15' dc Maio^ 1776, a quantiadesta con- 
ta , por 

Quando se paga dinbeiro d conta de hum roL 

Recebi hojc 6 dejulho, 1777 > vinte mil reis eni 
parte desta conta , por 

§ IX. . 

l^otaSy ou Obrigafoes , tj^e faz hum' bomem yquan- 
do toma dinbeiro empr est ado. 

Lisboa, 4deJunho^ I777. 

Jljxj abaixo assignado prontetto Jiagar ao SenhorE.D., 
ou a sua ordcm , quareata dias depoi« da datia desta , 

' ' obri- 



, S tr > x» ji « M 1 If t p. ^95 

<fhrig2^6y quatroccntos ctrinta mil xils por valor re-' 
ccbido. "' 

43o<j5>ooo reis C. V. T. ' 

. Eu abaixo ' assignado pfometto pagar aoSenhorP. B, ^ 
qu a sua ordcm , cjn se me pcdindb , trezentos noventa 
c quatro mil reis , por valor reccbido hojc 17 de Julho , 

394^000, r^is. P.V.D.C. 

Eu abaixo assignado prometto pagar ao Senhor J. T. , 
cu a sua or^em quarentt *e nove milr^is , a seis mezes 
depois da data dcjsta obriga^ao , por valor rccebido , tvck 
\crdadc de que a assignci hoje 24 de Agosto \ 1777* * 

49<jDcoo r^is G.J* 

N. B. Ohserve-se que em natas , ou obriga^^^^ \ 
sempre se declara a quant ia reeebi(^ : sem aqualsao 
d^nenbum^ for^dy e n$S tern author id^de. 



\ 



. V. 



SEGU^DO SUPPLEMENTO. 
TRATADO SOBRE VARIOS PONTOS 

CONCEKNENTES A TllEORICA , E ?RATICA DO COM- 
MERCIO. , ^ 

C A P I T U L O L 

' . § I, Ouanto Negociante he util y e prestadh 

^ ao lEstado* 



N> 



lA6'he o'mesmo ser Negociante ^ que Mercador\ 
pcrque cstc de ordinario se cinge a ccrta repartica& 
r^ercantil , e sua sciencia so consiste cm saber com- 
prar com accrto huma ranta quantidade de mercado- 
Tia?5 e tornar a vendcllas depois por miudo; quand o 
^quelle , pelo contrario, n'ourro alvo mais longer p6e^ 
todas as suas miras. Roubando-lhc incessantemcntc os 
cuidados varios ramos do Commcrcio daquelle Ksta- 
'do, onde reside, da todas as tn^^as por facilitar a ex-r 
port»ca6 das mcrcadorias do sea paiz com a maiot;, 
vaiiragcm , e ao mcsmo tempo faz quanto p6de por 
passar sem as dos seus visinhos' , ou ao menos por 
mandallas vir somente a fim de exportallas depois para 
ourras terras de fora. O Ncgociante , como o que 
acabamos de pintar, deve ser havido por hum nacio- 
|ial 5 que muito contribue' psra que o Estada tenha ca- 
da vez ma is a que se atei" , e com que alimentar as 
forgas , de que he c^pnz. 'Nem estc conceito he so de 
pgora, porque muitos Negocisntes.celebres tern h^vi-^ 
do em 6ras arredadas 3^ os quaes servem de provar o 
que hora acabairos de dizer, Na8, dco hum "^atqties 
C(^ur ^Carlos VII, com suas riquezas imiijensas.os 
jiieios de conserrar huma parte dos seus' Estados ? Ce?/-' 
xne ie Medici^ na6 a^sentou , como cm bazc , no seu 
fQiTimerciQ a su^ grandeza , e a dos seus vindouros ? 

4 fftoiilia do? Vrjg^n \^ N^gQci^nte? 4e ^usbgyrgi., ^ 



' . S ti P P L E M 15 N T o. apf 

o famoso 'Jaao Datns da Fra§a de Anvers naS emprcs- 
tarao aruLradissimas sommas ao Imperador Carlos V. ? 

. Na'S se distinguio c?te ultimo por via dc hum lance 
de'genercsidade .nunca ouvido , queiraando ira presen- 
ca deste Principe hum^bilhete de.dois milh6es , que 
ihe ^mpre^tdra ? Finalnicnto em'1710 na6 trourcrad 
aos pes do Trono , a vista de tddfos , -os.Negocian- 
tes de S. Malo hunma ^somma de trinta e tres millioes^ 
com que defrao a Franca as primeiras forgas , que el- 
la teve ? Assim que hojeestamos venda quetodasas 
Nagoes se enipcnhao em fazer de maneira , que a ba- 
langa do Commercioj. que hoje he a do poder, pe- 
ios nuutos meios , e expedientcs que fornece , se in- . 
dine a favor dellas. Mas este respectivo emperiho he 
o mesiTiO 3 que actualmeiitc torna^ mais espLnhosa , e 
mais difEciI depraticar a^profis^ap doNegociante^ do 
ique.nao era n'outro tempo. Os seus conhecimcntos 
devem ser -extensos , eelle estar sempre prompto a Ian- . 
car mao de todas as occasioes favoraveis , que podem 
dar a 'sua Nagad aquella preferencia, que todos os vi- 
sinhos Ihe disputao. Alem da ^obriga^ao ^ emqueesta 

-de calcular aturadamfente , de5embargarnegocios.com- 

f^licados J antever os perigos do mar , conheccr o va- 
or das moedas respectivas^ as variances dbscambios, 
a .. diflferen^a dos pezos , medida^ , &c,deve ter tam- 
bem noticia das Jeis , costumes , usos, indole , gos- * 
to , e ainda caprichos das difFcrentes uagocs , e de tu-, . 
do quanto produzem as terras , para onde dd ordensr^- 
Dcve guiar os Fabricantes do seu paiz a rcspeito das 
variaqoes , que podem aconteeer nas m6das entre os 
estrangeiros , antever de algum modo a carreira^, e a 
abu-ndancia , a paz, e a guerra , para dirlgiY as siias 
opera^oes sempre com acerto. Se..a estima ,' c consi- 
dera5a6 constituem o galarda6 dos talenfos , quern - 
maisvos merece do que os Negociantes h^beis ? Ases^ 
tatuas, que os Inglezes levantirao na Praga de Cqm- 
inercio aus scus decantados Ncgociaoies Gresham , 



t,^6 Skgundo V 

Spencer^ Craven ^^ ao racsmo tempo que provaSoseu 
ggradecimento ^ da6 a conhcccr as outras iNa^ocs quan- 
to devcm apr^ciar o merccimcnto, do commerciante. 
Kisto OS imitara6 os Hollandezes , eGuilherme Beuckel 
rccebco dellcs iguacs honras, Concluamos Jogo sem 
r^^bujo que o negocio tao util he ao JEstado , como fru- 
ctuoso pa^a oroesmo negociante : c que as Na§6es ,e>os 
Soberanos , que nao conremplara6 como incompafiveis 
o Negocio , e a Nobreza, ajui2dra6 cpmp Hom^ns sisu- 
dos , c Legisiadores illustrados. 



§ II. Das letras de Cambio. 






-lETKA de Cambio he huma tira de papal de ordiV 
nario comprida , e estreita , que centum huma ordeni 
para se pagar ao portador dclla , em lugar distantc,Q 
dinheiro de contado , que se entregou iiaquelle , on- 
de clla fbi lavrada^ He opini^o mais commuin terem 
sido 'as letras de Cambio inven9a6 dps Judeos , que 
como fossem banidos de Franca pelos cnormes crimes , 
de que os accusavao, e tiVcssem buscado guarida em 
Lombardia nos reinados dcFilippe Augustoem 1181 , 
C de Filippe o Longo cm 1316 , acliarao rnciodpes;- 
trahir os seus effcitos , os quaes tinhao confiado dos 
«eus amigos y por meio de algumas cartas secrctas , ^ 
bilheres escritos em termos breves, e concisos, ta^s 
como podem sef as letras actuaes de Cambio,, e isto 
por entrevengao dos viajanics, emercadores estrangei- ' 
Tos. - . 

Retirando-se para Amsterda6 os Gibelinos , depois 
que a facijao dos .Giielfos os langara fora da Italia , 
valerao-se das mbsmas'tra^as, que os Jud^os para exr 
trahir as fazei;idas , que fbra6 obrigados a deixar na 
Itajia; d? maneira que he verisimil terem elles sidpos 
Prixn?U*P?:5 qU? intrpduzirao p n^goyp d^s letras d^ 



S U 1^ P L E M E N T O. 297 

CambiO entre os vmercadores, e Negociante? dc Ams- 
tcrdao , que depois dissp p cspalharao por toda aEu- 
ropa com a mira sonicnte em facilitar de algum mo- 
do as suas negociacoes mercantis. Ha qucm diga que 
«res mesnios Gibelinos forao os que invenrdrao o re- 
cambio , com o pretexto de perdas , c lucros , quan- 
do as letras de Cambip , a que chamdrao Apolke de 
Camhio ^nho se pagavaS , e vo]ta\ra6 com o prote^- 
to. )A*3i quern queira tambem .que os de Leao fosserri 
OS primeiros , que puzerao. em praticd na, I^ranca o 
negocio dasLefr^sdeCambio arespeito dasgrandesne^ 
gociaqocs , que tinhao com os de Amsterdad, c Italia. 

O que da ser , e forrna a huma letra de Cambio 
lie a cessao , ou venda' de dinheiro , que osacadorfaz 
aquelle , em cujo prpveito a sacou para tomar^ e re- 
ceber do seu correspondente njorador n'outro lugar^, 
que.na6 he aquelle, onde a letra foi sacada ; e esta 
cessao, ou'venda de dinhciro S2 faz , em termos mer-. 
cantis , pcJo valor .jcjcebido , o que quer dizer , par 
outra fgual q^uaMia ^ que amesmo, em cujo provei-. 
to a letra lie sacada, da ao sacador em dinheiro , fa-, 
zendas , ou outros efFeitos : de maneira que tres cousas sao 
necessarias para haver lerra de Cambio. 1. Que a letr^ 
seja sacada de huma para outra Cidade , o que se 
chama sacar dcPraf^ a Prafa: 2. Haver trespesspas^ 
que sao ; o que saca a letra : aquelle sobrc que elU he 
sacada , o qual he o devedor , c o correspondente 
do sacaddf : 3. Fazer a letra men^ad de que o va- 
lor, que o sacador recebeo daqlielle, emproveito do 
qualasacpu, he n'outra letra de Cambio, ou em di- 
nheiro 5 ou em fazencjas , ou em oUtros effeitos , que 
devem dcclararrse, sem o que na6 pMera qualificar-se 
de ietra de Cambio, . ' 

He de notar que as letras de Catnbio seestipulao^ 
qua.tro vencimentos diffcrentea,* a tantos dias visra, em 
tal dia aprazado, a uso, adois usos ^ Avista, istohe^- 
8p apregentar 4a letrs^, \ 

' Quan^ 



19^ S B G t| H D O 

Quando a letra de cambio diz por vaJor em mint 
vitimo , Qu por valor dc mini mesnio , qye he a mcs- 
nia cousa, cstas palavras nao querem dizer quequem 
psssou as leiras p6z niao no vaior dellas ; mas que o 
racador he crcdbr dffqiiclle, sobre auem.saca a letra , 
c que quando aqueilc sobre o qualne sacada river pa^- 
go o conteudo nella a- quern die a passou , ou aquel- 
le.em cujo provcito deo as ordens , cFte valnr fica- 
ra ao sacador cm si tresitio , para Ihe ser.lcvado em 
contn ?obrc maior quantia , que devc , qu para ficar 
dcsobrigado de iguaf quantia. Este valor , posto pelo 
sacaior , na6 diz rcspeita aquelle , a qucra alctra,ha 
de ser paga, pois em tal case faz sooofEcio de ami- 
go , ou commissario , mas sim ao sacador , e aquelle 
sobre quem a letra he sacada ; de maneira que se a 
Ictra voka com protqsto , aquelle em cujo proveito 
clla foi sacnda nao lera acjaS alguaia de recomer coii- 
tra o sacador y mas deve somente ficar nulla a l^tra. 

§ III. Maximas concernentes as letras de Cambio. 



.A, 



.RBiTRABios 6a6 OS termos das letras ^e Cambio, 
com tnnro que clles declarem quem a faz, quem deo a 
valor del la , e de que modo o deo. 

% ^'huma letra de cambio entraiS regularmcnte quq* 
tro pesspas , ou pe!o menos tres , e algumas vezes so 
duas j mas semprc vcm sobentendidas nellas huma , ou 
* duas. 

3 Bem que conccrrao tres , ou tambcm quatro pes- 
8oas n'huma letra de Cambio, duas todavia sad sds as 
que contratao j' quem faz a letra de Cambio, fe o que di 
o valor dclla , que he o seu propietario ; os outros dois 
s6 cntrao para a sua execujaS. 

4\ Ainda que quem deve pagar humaletra de. cambio , 
© aquelle , que a deve reccber , s6 entrap para a sua execu^ 
jaS , podcm todavia terac^agsegundo os casqs. 



' Supplement o. 299 

'5 Xo^*^s OS dilFcrentes termoa de pagamentos dc le- 
trns dc Cambio se rcduzem a cinco ; a vista., ou a von- 
tadc, a tantos dias vista, a tantosde tal cne-ii, ahum 
ou mill ros uses,. a pagamentos , ou em feira. 

6 Logo que he rcita a letra dc Cambio cmmoeda,' ' 
que pao corre, na qual deveserpaga, he necessario 
por-lhe o prejo , pcio quahdcvc scr avaliada. 

7 Como o coiitrato das letras de Cambio se faz pa-, 
ra utilidade reciproca do sacador, e dc quern Ihes da o 

'v.ilcr,* nao podc desfazer-sesem causa legitima , ou ro- 
ciproco consentimcato, • ^ ' ' 

8 Da mesma maneira que hum .compwidor , se na3 
Jhe for dada cau^aS , ou scguro, p<5de dispensar-se de' 
pagar o pre^o, outbrnallo apedir /sobrevindodopois' 
da compra pcrigo apparente de evic(;a5; assim aquel- 
Ic, que ajusta tooiar huma Istra 'de Cambio , e he hu- 
ma cspecie de comprador , p6de dispensar-se de pagar 
o valor della, ou rornallo a pedir, sc depois da con^ 
vcnjao sobrevier algum- perlgo apparente , de que a 
.Jetra na6 ha de ser paga , o^ que sendo protestada 5 o 
sacador nao podera pagalla na voka; salvo se ihc for 
dada caugao , on seguro. 

9 Da mesma maneira que* quern vende fiado na8 
p6de deixar de entregar a cousa veftdida, menosque 
nao sobrevenha algum accidente ao comprador, queo 
inhabilite para pagar o pregb no tempo dovenoimen- 
-ro ; ^ssiih aquellfe, que prom^rteo dai; huma. letra de 
Cambio najS p6de deixar cje entregslia , excfepto quan- 
do sobrevenha -algum accidente a qucm prometteo 6 
valor dcUa , e este inhabilite para pagar no teitipo 
aprazado* 

io Em quanto a letra de Cambio nao mudnr de pro- 
pricdade , aquclle que a fez temassuas excrp^^es sal- 
ivas s mas •'se ella mudar de propriedade iaipi)rta que se 
.cumpra , ficando ao sacador a agjadsalva contra acjuelle, 
com- quern tratou, 
II Ainda que o portador nao C5t^ja obrigado, sem 

or- 



4 
300 S E 6 U N D O ^ 

ordcm , a fazcr acccitar as Ictras deCambio , deve to- 
davia aprcsentar a tempo habil as que sao a tantos dias 
vista para dctcrminar o vencimento ; c na6 o fazcndo 
assim , fica responsavel a todo o risco. , 

" 12 O protest© ra falta de acceite, feito antes de 
tempo, nao prodiiz cffcito algum. 

1 3 O nrotcsto , na falta de acceite , feito dcvida- 
meme em rcira , ou pngamento , produz TCtorno sem 
cspcrar'o fim da feira , ou pagamento. 

14 O prdtcsto na falta de acceirc feito em Prar5a ,on- 
de o acceire he pelo uso , ou pela ordem da letra , serve 
de obrigar o sacadora restituir o valor ,. ou adar segu- 
ro deque a letra sera paga no sea vencimento. 

iy,Logo que aqucUe, a quem a letra de cambio 
vcm dirigida , he credor do sujeito , que deo o valor 
dclla, podc acceitalla para pagar a, si mesmo , com 
tanto. que a divida csteja liquidada , vencida, ou para 
veneer ao raesmp tempo que a letra de cambio : ista 
he 5 em estado de compensaqao, 

16 Liquidada csta a divida , quando a quantidadc 
he ccrta. 

17 Logo que a letra de Cambio Jie protestada por 
xnotivo de quem deo o valor della ^ qucm a saca na(J 
csta responsavel a isso. ^ . 

18 Como seja utilidade para os negocios de todo9 
OS que estao obrigados a letra de Cambio, o acceitalla 
sob prctesto , assim o podem fazer todos j a saber o 
portador , aquelle sobre quem hesacada , c outro qual- 
quer terceiro* 

J9 Quem paga hdm^ letra deCambio sobprotcsto 
tera acgao xontra aquelle , por honra do qual a paga , 
c contra todos 'os seus authores. 

20 Qii:*4n paga huma Jctra de Cambip sob protest 
to,, esta cbrigado a dar partfe disso o mais cedo que 
lie ptissivel ^ aqUflle , por honra de quem paga , e 
w6 .pode ^acar^sobre outras Fracas $ein scr por fait* • 

de 



S 17 P ? L IE M E K T O. JOt 

<!Ic occasiad , e cm caso t^l deve sacar sobre a que 
niais perto esta. 

. 21 Cpncorrendo varias pe^soas^.que queira6 accei- 
taH huma lerra dc Cambio- sob protesto , sao de pre- 
,,.ferir, i, aquej^Ie, que tern ordem do sujeito , por con- 
ta de quern a letrade Cambio he sacada : 2. o que 
tern ordem. do sacador : 3, aquelle, sbbre quern a le- 
tra * de CamBio he saca4a , sc acceira livre , ou sob 
protesto 5 ou tambem para a levar em conta : 4. o 
que quer acceitalla poir honra do sacador he preferido 
aos que :s6 querem acceitalla por honra das ordens : 
5. coojcorrendo muitos 5^ que queira6.acceitar de huma 
mesma maneira , he preferido o portador , depois desre 
aquelle ) sobre quem hesacada: 6. aquclle, que accei- 
ra sob protesto por honra de huma primeira ordem 
lie preferido aquelle , que s^ acceita sob protesto por 
honra d'outraordent^ posterior. 

' 24 Na6 ^se pode acceitar huma letra de Cambio sob 
pfotcsto por honra de alguem , se ha prohibi§a6 para o 
fazer. ' ' \ 

23 Naosc p6de acceitar 5 ncm sob protesto , nem li*- 
vremente^ por conta' de alguem , quando he publico ter 
fallido^ / 

24 Q que acceita na6 se pode retractar, e deve pa- 
gar 5 acontega o que acontecer , logo que entregou o- 
seu acceite ao portador ^ que esti na boa fe, e os sens 
aiuthorcs tamberh. . v ^ 

25" Quando o acceite de huma letra foi feito Gomsor-» 
prezamento , pode queni a acceita fazer corti que seja 
desonerado delle. 

2d Em quanto o que acceita rem em.si o seu si- 
gnal,, isto he, em quanto na6 entrega a letra de Cam- 
bio, p6de riscar o seu acceite ; • mas depois da en- 
trega , ainda quando Ihe tornasse as mads ^ na6 p6de 
xiscalio. 

27 Qiiando aquelle, ^obre quem a letra de Cam- 
feip he sacada , a reteip sob pretexto de teila per- 

di- 



302 ' Sb<»>undo 

dido, o«' a'outro qualcjujer modO) esta retencaS V3- 
Icra por acceitc. * 

2c O sacador, nao fica dcsoWgado pelo acceite d^ le- 
tra deCanibio , pois que se^rppre estd obrigadoatg;que 
ella scja real -, c cffectivamenrepaga. 

29 Se o pprtador se descuida no dia do vencimeri- 
to dc fazer as.suas diligencias , o\i se concede alguma 
espcra ao.que acceita , nao dcve isto ser cm datiino 
do rrxador. 

^o Aquelle, sobre quern « letra de Cambio he sa- 
cada 5 cu que a aceita ', nao podo obrig^r o porta- 
dcr a receber o pagamtnto dclla anies.do scu vencimcn- 
•to. ' 

'31 Huma vez que qiieni acceita pcSde ser constrangi- 
dp, podc obrigar oport^ador a receber , sem- que obstc 
a d^ir.ora que o uso, ou osRcgulamentoslhcconccdem 
para fuzer as suas diligencias. ._ "- 

31 Para exigir huma letra de Cambio he necessa- 
rio xjue ella haja de ser paga a querri ped'e o pagaipen- 
tC'della, cu pclo contcxto da letra, cu por ordem , 
ou per traspasso de quem tern direito a ella , oil de 
quem tcm a procura^ad. ' '- 

33 Se aquelle, a quem a letra de Cambio ha de ser 
paga, fallio , os seus credores|^ cu aqueUe por conta 
do . qyal he remetiida ^ pci^cm obicr do juiz 6 podcr 
'de cxigillp. ' • * 

'34 Aquelle, que paga est a letra de Cafhblo, deve 
conhecer o que recebc ,, alias aventura*se'a na6 pagar 
Y^lidamc^te. 

35" O que recebe he abonador da verdade das or- 
dcns , e da letra , salvo o seu rccurso contra os au- 
thorcs, 

36 O portader de huma letra de Cambio he obri- 
gado no dia do vencimcntq, ou quando murto. nas 
demoras ordinarias dos lugares , a exigir a letra de 
Cambio, ou fazelJa protesta'r, intimar o profesta deJ- 
la, e proccder contra aquelies, com quem preten-* 

' de 



. S" V ? ? L E M i: *» Y o. 303 

dc cxercer os pcdercB. de abcmador nas demoras or- 
dcnadas,^ sob,pena dc nao seroi|vido. 
' 37 i^^r? este ' protcsto ser valioso, devc fazer-se 
scgi)ndo o uso.do lugar , ondc a Ictra de Campio ha 
de' ser paga , c na6 daquellc, ctn que ella foi saca- 
da. ^ \ \ ^ ^ ' 

38 Nunca o portador pode recofrcr caiitra bs seus 
cndossadorcs , e sacadores, sem mostrar por via de 
lium protesto , cjue se recusou pagar a letra. 
' 39 Os eadossadorcs , e sacadores ^ que prctende^n 
dcsJobrigar-se do abdno, 0Hg^an§a por ineio de exce- 
P5a6 , por falra de diligencia a cenjpo,/'devem justifi- 
car bans que derao o valor da letra de Cainbio , e 

05 outros que' quer^ a acceitou devia , ou tinha' pro- 
vixnento. ' ' * 

40 O portador , que na6 h^ proprietario da le- 
tra dc Cambio proresrada por falta dc pagamen?o , o 
que ppde fazer he tornalla a cnviar ao seu author, e 
requerer os gastos do protesto , e o seu provimento. 

41 O portador proprietarlt) da letra de Cambio 
prptestada por faita dc pagamento p4de i. fazer com 
que o embolcem, alem ,da ^rtima princip;il , dos'gas- 
tQS do protesto , do seu proYim,ento : 2. sacar p*.ra a 
Cidade, donde he orig^naria a letra de Cajnibio , e, 
nao outra, a-sonima principal, os gastos do protesto., 
seu provimento , a corretagena , e prc§o do novo Cani- 
bio, ^ que chamao re cambio. .^ 

4Z Lqgo que nso ha negocio regrado entre a Pra- 
5a , onde a letra de cambio he sacada , e aqueila cm 
que a letra sedevis pagar,'a*recambiQ das Pra§as cn- 
tremediarias be-o que Ihe he devido; - 

45 Tanto que o sacador deo. poder para ^egociar a. 
flua letra sobre diversas Pragas, orccattibio devido -he 

6 da? ditas Pra9as. 

, 44 O portador pode tornar a pedir o s«u eoibot- 
go da letra de cambio , que foi-acccita , e |>rot^tada' 
por falta de pagamento^ contra o acceitardor, cados- 
' ■ ' ■ ' ' sa- 



304 S E G ty W D'O' 

sador, e sacador, c alnda contra os que ordenara6 que « 
sacasscm ^ do que ellc tern prdya ; pois todos estes , e ca- 
da liiitn /» so//dumcs\ci6 ohng^idosi letra. 

45 Ncnhum dos que acceitarao , sarcaraS , ou endossa- 
ra8 huina letra de canibiOj p6de desonerar-sedaobriga- 
ca5 , . cm que cstii , ainda que so a tenhao acceitado , sa- 
cado, e endosshdo por corrimissao. 

46 Qi:ando venhao a fatlir todos os que estaS obri- 
gadcs a letra decambio acccita , e protesrada por falta 
de pagamento, como o portador tem 30930 contra ca- 
da hum /;; sol/dum , e contra todos , tem direito para 
cntrar em cada dirccqao, e contribuicao , sem poder 
scr obrigado a escolher, ou dcDerminar hum,,e des-* 
prezar os outros. 

47 Se o portador de huma letra de. cambio accei- 
ta , e prorcstada por falta de pagamento , assigna o con- 
irato de hum dos obrigados , sem resalva , fica sem 
accao contra cs outros. 

48 O portador de huma letra de cambio acceita , 
c protcstada por falta de pagamento, que assigna o 
contraio de hum dos primeiros obrigados, sem con- 
sentimento dos ultimos de nao prejudicar isto a sua ac- 
qao , sem ac^ao fica contra elles , por nad Ihes poder 
cedcr a ac^aB toda. 

49 O portador de huma letra de cambio acceita , 
c prorcstada por falta de pagamento, qiie he, entrado 
em alguma contribuicao, na6 pode entrar nas seguin- 
tes , sena6 succes^ivamente pelo que Ihe he ^ devido dc 
resto. 

50 O portador de huma letra de cambio protestada 
' p6de'c6m permissa6 do Juiz requerer aprehensa6 nos 
' tffFeitos de todos os que esta6 obrigados a, ella. 

yi Todos OS que estao obrigados ao pagamenrcr ^ 
oU a fianga de huma letra de cambio protestada per 
falta de pagamento, pddem ser constrangidos aelle to- 
lios juntos. 

52 A letra de cambio protestada por falta dc paga-^ 

- ' meiv 



. , S ¥ ? IP L IE M oe N f p.' JOjr 

fneiito n^6 p6de trazer hyporheca contra cada hum dot 
obrigados , s^ na6 des dp dia^o reconhccimcnto , ou dc-* 
ncga§a6 rcspcctiva a assignatura de cada hum. 

5^3 NaS ha bilhcte de cambioy qu6 naS sejaporlc'- 
tras pasSjadas , ou por passan 

54. NaS.ha bilhctes dc cambio por letra passada ^ , 
que na5 declare tobre quern esta foi sacada , a quern stf 
dcve pagar ^ e d^. que raaneii*a o valor della he dec la-* 
rado. . 

jy Nao ha bilhetc dc catnbiapor letra', que se ha 
dc pagsar , o qual fla6 declare olugar, onde ellas se de-' 
vjem sacar, quando devcm ser pagas, e deque maneira * 
foi' pjigo o valor delte. ; 

^6 Nao ha bilhete de cambio , se. os devedofes nad 
sao de qualidade, que se po$sa fazer a negocia§a6 nel-* ^ 
k mencionada* e se nao he terdadeira* . 

' ; § IV. Das ktras de credita* 

INDA 'que estas letras scja6 difFcrentes dasIeWasdd 
cambio,^ tern ps mesmos privilegios para obrigar ad 
pagamento.das sommas recebidas em virtude dellas. A 
prudencia pedc , que $e d^ aviso pela posta ab CorrespPri- 
dente de ter .parfido o sujeitp , que tern a cargo a Icf- 
tra de credito , designando exactamcnte a sua figil- 
ra 3 a fim dc evitar por este meio que no caso de ndu- ' 
bo 3 ou i^erda na6 se apresenjteoutrem emseulugan 
, ' Por letra de credito seentende a que hum Banquel- 
ro, ou Negocianie da a algucm para recebcr dinheird 
de seu« correspqndcntes ein lugares distantes, ^o easo 
de precisao. ^ > . 



A 



§ V. Las ktras dc transporter 



LETRA de^ transporte he hum escrito brevef , e sue- 
tinto, que se da aos a!rrtocrevcs pai^a cobra(t^em o "pre-* 
niio- do carreto das fazendas, que Ih^ forao <Jadas ^ 
^ ' . . . U '_ .- caf-< ■ 



3o6 S E a tj N D b 

cargo. Tern csta Ictra muirasclausiilas: i.As marca^, 
c numirosdashallas , ou fardos: 2. A datadaremessa: 
3. O nome do almocreve : 4. A cspecre da fazenda , que 
contem os fardos, sobrco que notar-se-ha- que algiimas 
paga&dircito por niimcros, outras as duzias , ou por 
grosso, e outras rm fim por peso, c destas que humas 
paga6 cm bnito, c outras liquido: 5 Esripular que as 
fezcndas scra8 entregucs bcm acondicionadas : 6. Que 
chcgarao dcntro em tantos dias, sob pena de dimi- 
nuigao no carrero : 7* Fazer mcngao de que os almo- 
creves scrao embolggdos dos direitos , que pagarem 
no caminho , quando assim o ^^q^6: )i. Opreniio do 
carrero J que se dcve por por Ictra: 9. Por letra se pora 
tambcm o que montad os emboigos quando os naja. 



Rescunho de huma letra di transporter 

EmbaL • • . 14:400 ^ Lisboa 13 de Julho 1784. 

Senhor .^ . ^ ^ ^ 

P. G. A-mcrc^ de Deos, e por N... almocreve de 
N. 4. N... , remetto a v. m. doii fardos marcados 
c y \ em frontcque peza6 duzentos arrateis, e Icvao 
aoo^T, quarenta e cinco arratcis liquidos de scda , fabri- 
cada nesta Cidade ; desoito arratels liquidos de 
galoes ,^ pas^samancs em oirq fiuo, fabricados 

* tambcm nesta Cidade y quinze arrateis -liquidos ' 

• de N... fabricados em N,.. , e quarenta eoiro 
duzias de pares de luva^ decamurga. As. quaes 
recebido que y. m, tenhabem acondicionadas^. 

- ' c (dentro em dczoito dias, sob pen^ d^ terja 
parte do seu carrcto , pagari ao dim almocreve 
dols. mil e. quinhentos e trinta reis 5^ e o exur 
bolcara dos direitos , que mostrar tcr pago^ e 

alem 



\ 



aleindisso a quantia de quatro mil^cento e vinte ' 
reig 5 tudo conforme ao aviso dc 

Ao Senhor.., De v. m. 

Muiro ^ sar vcnerldoi' 

"' O^ Mercadorcs , Negociantes*, e.Commissariosdd-» 
vera .tcr o^cuidado de entregar ao almocreve ^squita-^ 
56es , ,e guias , ou passaportes , ccrridoes , e oun-os dcs^ 
pachos dasCasas das cixas , &c. , quando ashaj.i, pu 
dc.ajuntaUos a carta de, aviso, para na6 haver difficul- ' 
dade algiima em tirar gs f^endas da Alfandega , oil 
Casas de despacho, onde podem dcscarregar ;' masse 
elles deixareoi a cargo do almOcreve o cuidado depa-> 
garas fazendas nas Casas de despacho , que jficad em 
caminhb 5 imp^orta que declatem tambcm csta ultima 
clausula aqui mencionada. * 

Em Franja os que falsi ffca8 Ictras detransporte sa6 
condcmnados pela primeira vez a aqoutes , e cincp annos 

: de degredo com multa, qu^nunca he menos daquartat^, 
parte dos seus bens ; e no caso de reincidencia a nove 

^annos de -gales ^ com a mulra de metade de seus bens , 
scgundb a Ord. de ^^ dejulho de i68i.'art. 21. e 2i* 
do dit. Cownun four les Fermes du Roi. ^ 

§ VI. Ha /iquidafao* ' .'' ^ 

.OR liquidafao ^-Mhn^o geralmente , entende-se at 
reduccao , .e resolujab^ fixa , ja de huma sotoma incer- 
ta ,:'ou sobre que se conten'de, ]i de varias pretencdc'^ 
respectivas , que dois sujeitos podem ter hum contra 
c outro dcerca de certa quantia Hquida^ e cJara ; oil 
finatmente da arrum^gao , . em que hum >Jegociantcf 
quef por os seus negoclos. No Commercio enteilde-scf 
propfiamente e'sta palavra dos pagamentos , q4iC se far ' 
«m aoscrddores; e das sommas havidas dos devedo-* 
. . ' V U ii . ' - ' f eg ' 



3o8 -^ SBtttrwDo 

res no fitndchuma sociedade, du de hum commercio. 
De muitas' ma^ieiras se p6de proccder a huma Hqui- 
da§a6 , •. e por conscguintc ha difFerentcs maneifas de 
lan^alla no« livros. Sobre estc ponto escusado scria 
tratar aqui com alguma miudcza , se os nielhores Au- 
thores , que tem tratado sobre os livros de Partidas 
dobradas, tivessem tocado sobre isto alguma cousa ; mas 
como ncm M- dela Forte , nem M. de la Rue , e ta3* 
pouco Giraudeauy Sec. derao al gum model o para clla, 
e muitii^imas tczcs hum Guarda-Jivros , e ainda al- 
guns Negocxantes , podem ignorar o raodo de proceder 
a huma liquldagao, julguei que'na6. seria improprio 
tratar aqui das difFerentcs liquidajoes , e dar alguns 
xnodelos para ellas. ' - ^ 

I Supponhamos jdois Socios , que depois de ter 
trabalhado juntos muitos annos, se resolvem a afarir^ 
mao do Commercio : e tendo feito o seu inventario 
cxacto v6-sc que tern , tanto emfazendas., como cm di;^ 
nheiro , c emdividas , a quantia de i5':6co<^ooo: que 
devcm a varios cr^dorcs a de 6:400^000; e que por 
conseguinte toca a cnda hum, assim porsaldo.dasua 
conta dos fondos ,/Como pelos do tempo ^ ou corren- 
tcs , e contas delucros a quantia de 9:^00 '|)ooo (dado 
caso que a sua associa5a6 seja por cdnta dcametade ) : 
dos 2^.6co^OQOj em que monta o seu hade haver \ ha 
6:400(^000 ^ em fazcndas, 3:2oc(|)ooo em dinheiro, e 
16:000^000 em dividas. A primeira cousa , que devem 
fazer , he pagar aos scus crcdorcs com 3:200(^000 em 
dinheiro , c no caso de nao estarem vencidos os paga- 
inentGs das dividas , rcbatellas , e Icvar o agio ao cre^^ 
dita da nova conta de lucros^ e pcrdas. Pevem de- 
pois disso trabalhar juntos em vender as fazcndas , cco- 
brar as lommas^dc scus devedores : e no caso de haver 
lucro,' ou perda na vcnda das fazendas,.ou quandoha- 
•ja rebates, ou descpntos feitos pclps devedores , de- 
vcm cstcs artigog lanjar-se cm divida , ou em.credito 
dos lucres, e pcrdas- A proporjao da entrada 'dop{o- 
^ . du- 



, , S U P P L E M E N IP O. 907 

<Jucto das fazendas , ou dos dcvedarcs, pkguc-se ;ios 
deraais credorcs , c huma vcz que estivcrcm pages oS 
-6:4001^000 , cmpregar-sc»ha o remanescerite cm liqui- 
dar primeifamentc as respcctivas contas correntes ; se- 
gundo as contas dos fundois , cem fim as contas de lucres. 
Vcndidas que seja5 todai as fazendas ^ etendo os devc- 
dores page, addicionar-se4ia o dcve , c ha de haver da 
coara dc iucros , c pcrdas\csolde-so pelas contas dos lu- 
cres dos doi$ socios. Para maior clareza darcmos aqui 
hum modclodcstas.difFcrcntes contas. 



Fazendas Gkkaxs, 



DlVEM 



Rt 



Peiars <\oe estaa em 

scr .... .6:400^000 



000 



Haver 



I. 



Kt 



Vendido por 

caixa 2, 6:oSo^opo 

Lucros, e perdas j.« j40(^ooo 



6:400.^000 



C A i X A. 



Dk^x 



Tor especies nel- 

Ja . . • 3:200^^000 

Por fazend.vead. 1. 6:o8©^ooo 
pividas que en- 
, trara6 • ♦ i jiaSo^jj^ooo 



^4: V 60^000 



Havkb V 

Pelo que pagou a va- 

f rios cr^ dotes 

Dito 

Por N.SrXaillat 

. conta corrente $ • 

Por N.Sr.Filii- 

berto dit. Z, 

Por N. Sr.Caillat 

conta de fundos 4. 
Por N. Sr, Filis- 
. bertp dito 7. 
Por N. Sr.Cpillat. 

conta de lucres 6. 
PorN. Sr. Filis* 

berto dito p« 



2. 
KS 

:200(J^ooo 
: 1 04^000 

aoojj^odo 

20Qq^000 

;200(j|g^oo# 
: 200^000 
:7^8<J&ooo' 



^4: 560^000 



^10 



S E Q U W D O 



e 



LUCROS , E PgRDAS. 

Devbm 

r 

FerdAS das fa- 

zendas i. j^o^ooo 

ftriit, e re- 
bates aos d«« 
.vcdores 720^000 



Haver 



F. 3. 



Rf 



Por desconto a 

varies * - - 96^000 
Por Sr; Calllat 

comadelucros~6. 47* ^000 
Pgr Sr. Filis- * 

• bert^ dito 9. 47*^000 



1:040^000 



1:040^000 



O Sr. CAII.LAT 5. C, de fan Jos, ' 
Z)ev« 



Jt Caixii 



Rf 



«. j:2oo^ono 



Haver 



R9 



Por seu capital j:2oo^oo'<^ 



O dito Sr. 5. C cprrente. 

Deve 



j! Caixa 



Jis 



Haveh 



RS 



Capital, e intercsse^ 5:200^000 



Dito S^. C* de lucrps* 

Deve 

RS 

4. Taixa "• 1. a;728(^doo 
^ijCfo^,e pcrd. i. 47 2<5onrt 

, ' "" 5:200^^000 



6, 



Haveh 



RS 



Pielos que Ihe7toca6 j;2uo<^ooo 



jiioo^oack 



S U ? P L E M E N T O. 



311 



Sr. FiLisBSKTo S,C* di fmUi 




F* 7- 1 


D»v« 


Havir 


I 


R5 




R9^ 


ji Caixa , 2. y.zQO^^oo 


Por seu capitar 


):i6oj)ooo 


• 




dito Sr. S. C^ ^ornate. 




8. 


Drve 


Haver 




RS 




US' 


\k Caix^L ' 2, 5:200^000 


Capital^ c inter* 


JMOoJjJOOO 


f ' 





O dito Sr. 5. C «fc i«cri>/, 
Deve 

RS 

'A Caixa 2. 2:728.^)000 

Lucros,e perd. 3. 47 2;5ooo 

3:ioo^ooo 



Haver / 



KS 



Pelos que Ibe tocao }:2ooj&ooo 



}; 200(^000 



2 De dois socios so hum ha , que deixa o Commer- 
CIO, e outro tonia a si aiiquldagno ^a sua antiga so- 
ciedade , e isto per conta , e risco Je hum j e outro. Pri- 
nieiramentc importa examinar quacks forao assuas coii- 

^vencoeS) as quaes podem scr de mukas maneiras. i.O 
Socio, quchouvcr de continuar , p5de tomar a cargo em 

' seu 'nqme particuhir todas as fazQndas por hum prcgo 
entre si coiivencionado'. 2. Podc toitiar a cargooven- 
deHas^-por conta, c risco da Socledade. . No primeiro 
caso he rcsponsavel p6r ellas acr seu Socio , como por 
sommas cobradas , que Ihe pertencem cohio proprias. 
No segundo deve ter huma conta exacca dellas nos^u 
novo CommbrciO para beiieficiar a, sua antiga soci.edade 

i 



jiz . ' S E a V K D o 

A medida da venda. Facil he de \rer que a primeira con- 
vengad he a mais clara ; rcqucr menos escrituras , e na6 
estd tt6 sujeita a difficuldades. Pelo que so nos cingi- 
tnos a tratar dcstc ultimo caso, c para facilitar a inrelli- 
gencia dclle, aqui daremoi hum exemplo. Supponhanios 
pois que o Socio cncarrcgado da liquidagao toma per 
sua conta os 6:400^000 r^is de fazendas , cquc rcspon- 
de pelo que ellas inolita6 is^ua sociedade antiga , cq- 
ino por'huma somtna que entrou, 

E X E M P L O, 



Q ScPICHAUX sic. defuados 
JDhve 



RS 



J(l liquid.da pres.ii. 5:200^^000 



Havbr 

Por seu capital 



F. I. 

' Rf V 

5;apo^ooo 



P Sr. TiUrtins. S. C. dcfandoj 
Div£ 

Aliqujd.dapres.12. 3:900^000 



Havbr 



O Sr. PicHAVX 5. C. corttnte 
Deve 

RS 

'/Iiquid.d4pres.i2. a: 400^5^000 

i)Sr. AIartins 5, C\ eorrente 

Dive 

lis 

*4i !wM,^a pr^s. <a. 1:600^000 



Haver 



2, 



Rt 



For seu capital 3:200^000 



RS 



For seu capit. c int. 2:400(^000 



Haver 



RS 



Ppr seu cap. t iliter. . 1 ; Soo^oock 



Supplement o. 



3'? 



O St. /PICK AUX S. C. Vf luQTB 
Deve 

RS 

A Iiqui()a9«5 da 

Pascoa 12. 1:069^ J 6^ 

Xd^t. einAgos^is. 1:265^560 
ildic»pelosSan(t.ia., i:4^JJ^)ooo 
A luc. e perda 1 1. ll$)0%9 



i;S40^oQo 



Hayeh 



F.f. 



RS 



Por lij^ro annuaU 2:S40^oo<> 



j:S40<^«oo 



9 Sr. i^^ARTlNS S. C. dc Iwro 

DC VI 

RS 

k Fiquid, da pres. 

p«Ia Pascoa 1 2, i :o69^ \ dlo 
-A dit.craAgost.iiJ. 1:265^360 
A dit. pelos 

Santos ,12.1:428^300 

^ liic, e perda n. 77^^080 

/ 3:840^000 



Haver 



6.V 



I . 



R9 



Por Iu<ro annual 3:140 j^oo» ' 



3:S40(^oo# 



FAZENDAS GERAES. 

Devsm 



RS 



Biiaf em set 6:400,^000 



Haver 



7^> 



RS 



Por liquid, da pr«si 6:4o|p<^ooo 



II W ii r ii I ■i - ii m 



C A 1 X A. 



Deve 

RS 



?«U ^SjpeQJenclifli ^2400^^000 



g. 



Havsr 



>:$ 



PqI Iii]»id,<ta^pr9f« 2;400<3^ooo 



314 



S E G V N D O 



DEVEDORES VARIOS . (j) 
Devim 

RS 

Ao pagamento* ^ # 

dos Rcis 4;4oo<^ooft 

Ao pag. da Pasc. 5M44d&ooo 
^o pag. de A«osto.j:8$6^ooo 
Aopag. doi 5an(. 2:SSo^ooo 



i6:48o<jf^ooo 



Haver 

Por liq. dapres. 
Dica - . 
Lucres, e perd. 
Liquid, da pres. 
Lucros, a perd. 
Liquid, da pres. 
Lucros, e perd. 



F. jr. 



I 



R» 
12. 4:400^000 
12. 5;264.^0OO 

11. 80^0110 

12, 2:856.^6000 
It. 24^000 

II- 96^000 
i6:48o«;^ooo 



CREDORES VARIOS . (0) 
Deveu 

RS 



A Hq.da pres . 12. 


2:800^000 


A dit.pelaPasc. 12. 


1 : 544^000 


JL dita liesconto 




d« Agosto 1 2. 


1:780^^880 


A luce perd. i u. 


2]^lZO 


A liq. da pres. 12. 


i:229;Jii8o 


A luc. eperd. 11. 


18,^720 




7: 200^ JOO 



10. 



Kavbr 



KS 



Pagam. dos Reis. 2:800^000 

Pa<;am« da Pase. i:544;^aoo 

Pagain. d« Agosto 1:808^000 

Pagain. dos Santos i:;» 48(^00 



7-200^000 



(aa) Pcrna^ ahrlr muiias contas ojuntamot n*huma to cs devedores^ 
t noutra todcs 6s cr6dores , o que^uasi qucfar, mesmo efcito. Vij-- 
itngaim§s aqui as vchciment^i pot pagameutos pfira aqucilas terras , em 
que assim e&tlver em ato ; mas nas Cidades » onde tol use tmo he praii'^ 
€0f e ie eompra, e vcnde a tenip» aprazado, de scis mezes, ou ham an^ 
90 t,servlri mesmo vso ,• e ate sera aeerto para b^ tit dos Sodos , qu9 
padem tA* parties dejigtiaes ntt CamtAsrcio , soldar iodos os tres niczet 
a conta da Uqiddagaif , para faze r gem que cada Saiio lazr^ das fuiidas^ 
quctarnaran a cnitar durante est§ intcrvalh^ 



LUCROS 


« 


E PERDAS. 


' - 


^ 


Devem 

RS 


A devedores 


varibs 9. 8o;^oao 


A ditos 




9. 96^000 


A ditos 




^ 9« 34^^000 






»S. 200(^000 



Sxri»FIiEMENTO, 



Haver 



31 J 



F. M, 



RS 

Por varios cred. 10.^27^^120 
Por varios cred/ io.^i8(|>72o 
Pelo Sr. Pichaux 

conta de lucros 5- llri^O^o 
PdoSf. Martins dit.6. 77^»8o 



>s. 200^000 



LiQUIDAqAS da sociedade de 
PICHAUX,e MARTINS. 

Deve 

\ -RS 

Ptfg^. doi Rtfi5 1 7 6o. 
Per fazend. ger. 7. 6:400^^000 
Por cuiiia 8. 2:4oO(;^ooo 

Pcvedotes varios 9. 4:40o<;jj^ooo 



1 5:2oO(jJooo— — 
Devedores varios 9. 5: K4(i&ooo 



J1J44^<IQ0- 



12. 



Haver 



Rf 



QSr.Pichaux con- 
ta corrcnte J. 2:400(^000 
O Sr, ^la^t. dit. 4. i:6oo(;j;>ooQ ' 
Ppr crcdor. vlir. lO. 2:800^000 
Pelo St. Pic Iraux 

conta de fun- 

dos da meta- 

de , que Ihe 

toca. I. y.2QO^O0O 

Pelo Sr. Martins 

dito. - - 1. 5:2ooj&ooo, 
*i3:io6(j&ooo— -7 
Por pagam. da 

Pascoa 10 322o4(ji^8 8o 

Pelo Sr^ Picliaux 
• contardelucr. 5, 1:069^ 5 6d 
Pelo Sr. M;irtins ^ 
'' i\\Q - / 6. i:o69i^s<50 



^ 



3i6 



S E G u If n ©• 



«M 



Fagamcnto tie AgosU^ 



RS 



Pard«v,v^r4 9. 5:760^000 



3'7^QJ)oOQ ' ' " 
Pagamento d§s Santos. 

Rf 

For dev. vir. 9. a;8j 6^000 



^28 5 6(^000- 



RS 

Por cr(5d.vir. 10. iiii^^zZo 
Pclo Sr.Pichaux 

Cont.deUrcr, 5. i:26S(^36o 
Pelo Sr^Martins 

cont.de lucr. 6. i:z65^j6b 
j;7 60^000^7— 



Pelo Sr.Pichauit 
cone.de Jucr. i, 

Pelo Srjtlfftias 
diCo. • . 6. 



1:422 



Rfi- 



)oao 



a:S$6(J)OQo- 



l;4*S^ooc> 



A tncsma conta dc liquldagaS se dcve abrir no novo ^ 
Livro dc Razao 5 ea die se devem passar as racsmas 
partidas , tendo o cuidado dc langar em debito as que 
csta6 acrediradas , e cm crcdito as que cstaocnidcbito, 
Tambcm sc dcre abrir novas contas , assim aps dois 
socios , como aos devedores , ou aos crcdorcs. Na conr 
ta dos dois socios se Ihcs acrcdita ts sommas , que Ihes 
pertencem , assim para saldo das suas CQptas corrcntcs , 
como das defundos, elucros, e selhcsdcbita porcai- 
xi a medida dos pagatncntoi , pelo mcnos ao que dci- 
xou o Commcrcio ; porque aquellc, que o continiia , 
ou seja s6 , ou com novo socio , deve ser debitado na 
. dita canra , 1. por sua conta dc fundos , 2. por sua con- 
ta correntc. Nocasoquc este.nao embolcc oseuantigo 
«ocio das sommas J que 1 he pertencem, deve-Ihe pagar 
o agio dcllas , scguodo a ordem. Quanro^as contas do^ 
devcdores , ou credores varios , so se Ihes devem abrir 
-no caso de cncarregar-sc o novo commercio dc pagar, 
ou rcccber com dcioneragaS doantlgo* 

' ' . ■ .CA- 



p< 



SiTPPLEMlK NT O. 317 

CAPITULO. II. 

Daspartidas dobradas. 



o^ este nome scentende o itiodo deter oslivros dc 
Cbxnnicrcio^ cuj^ inven5a6 he do5 Italianos , etadap- 
provada foi geralmentc, que quasi rodos os Negocian- 
tcs a seguem. Assim que, so por mcio ^ella hequees- 
tcs podem conhecer n'hum instante a situagad particu- 
lar., fpi que se acha6 com cada hum dos seus correspon- 
dent's, c sab^r empouco tempo oestado geral de to- 
dos OS seus negocios. Eainda que muitos tern havido , 
OS quaes escrevera6 ja sobre esta materia V come os 
sells livros na6 p6dcm vir as maos de todos', c'a«saz. 
n^o se p6dem multiplicar principios ta6 intercssant.es 
para oCommercio, jtilgamos que na6 he dcsacordo 
trttar com algum^ niiudeza sobre este ^ponto : eparao 
fazer com ordem o dividimos em muitos artigos. 

A K T I G O I. 

Principio para estabekcer dsvednr j eo cridor. 

X-/M termos deCommefcio osujelto, quedai chama* 
se crMor ^ e o que recebe cbama^sc^e'Wi^^r ! A vista 
deste Principio comoque assazfrfra ahum Negociapte 
abrir para si liunia corita geral, onde carregasse em 
divida a si propriotudo o querecebesse , e seacreditas- 
se tudo quantp d^sse,^ t ao mesmo tempo abrir con- 
tas a todos os seus correspondentes , nas quaes seguisse 
a mesma regra; mas como nas opcra§6es do Cpmmer- 
cio seria pouca toda a clareza , e omethgdoacimadito 
so causaria confiisao / a esta conta geral sesubstituirao 
muitas contas gera^s , as quaes todas representa6 o Nc- 
gociante. As principaes saS a conta dc capital, oude 

fun- 



5T8 . S B G XT K D O 

fundos ; a conra de cnixa para as sotnmas recebidasf, 
on pngas ; a conta do Banco pnra o que csre rccebe , 
ou par;a por conta do Ncgociantc ( esra conta so csta 
* cm u?o nrrs Cidadcs, ondc lia Banco ; ) a .coutadcfa- 
2cndnr> gfracs*, nara ^s que entrao , ou sahcm do- ar- 
mazcin ; a conra dos saques , e remcssas para as Ictras 
de Cambio , ou bilhctcs , que sc rccebem , ou se nc- 
goccao ; a conta das despezas geracs para asq'uesefa- 
zein com oComn:crcio ; cfinalmente a conta dos lucres , 
e perda?, a qwc se pas^ap os ganhos, eprejuisos. No 
anij.;o scguinte do Dii^.rio mostraremos coxho sqiappli- 
cao estas ditfcrcnics contas. 



I 



A K T I G O II. 

Lo Diario. 

JIe o Diario hum traslado arrasoado doBorrador , 
cm Gtie^scda a cada q^rtigo o devedor, e credor, que 
llie he proprio. O Borrador he hum liyro, em 'que 
diaria , e successiyamente se escrevem todos os negocios , 
que se fazem n'hum commercio, em compras, vendns, 
png?.mentos,.receiras, &:c,, e he o unico , que fa^ fe 
cm Juizo, e de que da aentender que falla a Ordcna- 
§a6 de Franca de 167;, no$ artigos i. 3, 5. tit. 3 , 
quando qucr que os Negociantes, e Mercadores -, que 
vendem em grosso , ou por miudo , tenha8 hum livro, 
que contenha todo o s4u negocio , as suas letras dc Cam- 
bio , e as suas dividas activas , c passivas.' • 

Jpplicafao da conta de capitaL - 

JL ARA abrir assento dos fundos, com que hum Nego- 
ciante, ou muitos socios devem contribuir para huma 
sociedade, "abrireis a cada hum huma conta corrente, 
c carregar-Ihe-heis em divida paraabono da conta de 
capital a somma . que cUe devi^dar. 



S U ? P L E M E » T O. ^ 519^ 

' ' Exemplo. 

J AiME Tovar sua conta corrcnte deve 2 si proprid $ua 
conra de fundos por Igiial, somma , com qCfese obrigou 
a contribuir para o nosso'commcrcio. scgundo a cscxi- 
tura desociedadc pagsada entre nds.sob nosso signal par- 
ticular 5 .0 &c. 3:20c^oqo reis. 



AfpUca^ao da conta da caixa^ 



OuPPONDO que hum dos vossos devcdcrcs vos pagaem 
dinheiro dc conra.dohuroa quantia , carregai era^ divida 
a caixa , pois que ella a rccebc , c acreditai-a em' parti- 
cular a quern paga, 

Extwplo. '' ^ 

/AiXA deve a Diogo Pujol d^ Lisboa por especies, 
que me contou neste dia por saldo ( ou a conta. ) 
..•..*.. . . . 32C(jf)ooo reis. . • . 

E quando pagardes carregai em divida ao parti- 
cular 5 e acre4itai ^ caixa , pois que esta he a que 

' - ' ' . '\ ' ' 

Exemplo. 

X 11.ISBERT0 Joz<^ de Lisboa deve i caixa por^espe- 
cies / que se ihe coutarao para saldo , ou ( acoo-- 
ta;) \ . • 160^000. riis. 

'^ApplicaCao da conta de BancBn ' 

t3uppoNHAM6s que cedeis^huma letra de Cambio a 
hum particular 5 ^que assigna o, valor della no Ban- 
co , carregai em divida ao Banco , e abonai ^ conta doa 
sacjues , e rcmessas^' se. a letra de Cambio la Foi lan- 



320 SEGUnDO. 

jadas ou a conta do dcyedor , que vo-Ia tlver rcmiet- 
tidp cm pagamento , quando a ncgociagao della- se 
faz logo ; oil em fim a conta de caixa , quando te- 
nhais compfado a eobredita letra dc Cambio. Sobrc 
cstcs tres casos scrvirao os seguintcs excmplos. 

I. 

O Banco dcvc a saqucs , e rcmessas , que ha de 
rcceber por nojsa conta de Luiz Forjaz , ccompanhia, 
por valor da letra segiiinte a elles cedida. 

Fl. banco 200a sobre Vernette Rictdhan , e compa- 
; ubia de Amsterdam a doi« usos do &c, ^pontadas no 

Piario, pag. 5. a r^is/ 

II. 

O Banco derc a Pedro Paulo y.quercccberi pornos- 
sa conta, &c.- como acima. 

III. 

O Banco dere i caixa , que reccbera por nossa con- 
ta 5 &c. como acima. 

Qijandp tomnrdcs letras de Cambio para enviarde^ 
a alguns correspondentes , sc assi^nardes o valor delias 
sobre o Banco ao Pnrrlcular ^ que vo-Ias forncceo ^ dc- 
vcis carrcgar era divida aquellc , a queni ciiviais as Ic* 
tras para abono do Banco. 

Exempto. 

JL EDi^o Pittet de Pariz deve ao Banco, c qualpagari 
por nossa conta a Guilberme Aguiton pelo >seu saque 
iegte dia , a nossa ordcm , a hum uso sobre Charf , e 
iilhos deLea6: 960^000 r6is. 

Applic^aS da conta de Fazcndas gcraes. 

V^ANPoV qualquer amigo vos mandar fazendaspor 
vossa conta carrcgai em divida a conta de Fazendas 
geraes st importancia dellas ^ e abonai-a ao amiga* 

... Ex* 



\ 



S u F F L K a^ E jH t a* f if v 

Exempto. * 

AzENDA^ gcraetf devem a Bartholomeo Vasseur de 
Rouen ^ peks qu€ elle nos rcmetteopor N. , c a'pjl-' 
gar em seis mezesi, segundo a sua carta , e Factura de 
&c. . . . Rs. • . .. ' . 240(^000 

Qiiando pclo coutrario remettcrdes a alguns dos 
vossos correspondentes algupias Fazendas por sua ccnta^ 
carregai em divida a este correspondente , e abonai a 
Fazendas geraes, * 

Exemplo* 

JL EDRo Nicolao de Viseu deve a Fazendas gcfies, 
pel?s que Ihe fqrao remettidas em duas caixas enfar- 
dadas, msrrcadas com ^ raarca F. O. remettidas Jl ..* * 
e a pagar o seu valor em hurt anno .... iSZ^oocf 

Applica^ao da conta 4os saques , e reme^sas. 

C^t hum correspondente vos faz remessas dedinhel- 
fo /carregai em divida a sacjues , e remessas, e a^io- 
nai o amigo, ijue vo^las enviou. 

Exempla. >• 

^AQVEs, e; remessas devcm a Dattiel i^atal da S«^ 
hia sua remessa em letra de Jorge Rodrigues, de &c* 
ordem de N« a N. &c. amim , o &c. sohre GiraWe^. 
do Porto a trcs roezes de sua djita* ....<. * * . - * 
Rs. " ' • *. . 4 24o^5jooct 

Quando negociardes esta mesma l^tra , debitareis a 
ciixa, se receberdes em dinheirodecontadoo valorda 
letra , ou a Conta do amlgo, a dueip a cedeis, seforetri 
pagamento , ou para pagar o valor delta em tempo apra-' 
2ado. Sirvapne^tes casos os doi$ seguintes £xenmlos. 



iZ% S E a XT K D O 

I. 

Caixa de?e a saques , e remifessas , pela minha re^ 

mesfia sobre Giraldes do Porto , a tres mezes da sua 

dara^ cedida a Joa6 Peres, valor em dinheiro de con- 

tado • . , . . 240(^)000 

I n» 

Joa6 Luiz Vianna do Porto devc a saques, e re- 
jnessas , a minha remessa sobrc Giraldes do Porto , a 

ties mezes da sua data R& 240^^^000 

Nota. 

Como he rarissioio faz«rem-se asnegocia96e$das le^ 
tras de Cainbio, ou bilhetes pdo quedflasvalem ; e de 
crdloario nellas se ganha, e perde^, ou seja em tomal* 
las, ou em cedellai, conv^m abrir a eonta desaque^ 
e. remessas em duas columnas : na columna interior quer 
do debito, quer do credito, Ianca6-sea$somma$reae9^ 
e effectivas conteudas aa letradeCambio,ena colum- 
na exterior s^sejan^aa'somma, que se paga ao tomar 
a letra , e a que se rccebe ao cedella , por cujo ineio as 
duas columnas interiores, tanto do aebito, como do 
credit© , devem srfmjpre soldar-rse huma por outra ; aQ 
me^mo tempo que as duas deixSra so podem soldar-se 
com lucres, e perdas: isto he, sea columna exterior do 
dcbito monta mais que a columna do credito, heprova 
dc se ter perdido nas negocfajoes feitasno correntede 
hum a outro inventariot; e ema^ estaisobrigadoa,acrc-* 
ditar esta eonta de saques, e remessa § pelodebitod^ 
lucros, e perdas ; se pelo contrario a columna do cre- 
dito monta a mais que a do debito y. carregai em divida 
aisaqties, e remessas^ e acreditai lucros, e perdas^ 



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AppUcafaS da.conta das despezas gtraeu . 

Jl ARA lavrar assentos de gastos de comtn'^rcio , com 

.transporter, cprreios, alugueis, &c. debiiai a coutadas 
despezas , e acredifai , ou a conta da caixa ^ ou a 
conta particular , a que isto pertence. ^ 

E'xemplo. 

X^ESPEZAS gcracs devem a caixa por gastos de trans- 
portes,*correios, &c. pagos des o tempo de • .. at^ 

o tempo de , e langados miudamente no Uvro> a 

que pertence. • . . ' . , 96(j[)8oo 

Despezas g^raes devem a N. npsso caixeiro de 
seus ordenados des o tempo de . . . , &c. a raza^ de 
'Sovj^^ooo reis por anno . . ^o^ooo 

He todavia de notar que muiros l^egociantes na^ 
abrem conta a despezas gecaes , e passao todos estes 
arcigos em debito a lucres, e perdas ;♦ o que parece 
que vein a dar no mesmo , vistb que est^ mesma con- 
ta de despezas geraes deve saldar-se ab inlventaria com 
OS lucros , e perdas. 

jipplicacuS da conta de lucros , e perdas. 

OupPONix) que hum dosvossos devedores vos pede re- 
bate de huma partida^ carregai em divida aos lucros, 
c perdas cste desconto , e acrcditai ao devedor, 

Exemplo. - . .-' 

J^ucRos 5 e perdas devem a Pedro Paulo pelo re- 
bate de tres por cento, sobre a partida detaldia. . , 
Rs. . , . . . - 24(J)ooo 

Sc pelo oontrario f^gais antes do ' veocimentq , he 
nccessario Jangar em divida ao. partijailar o rebate , e 
abonar alpcros^ ? perda"s# ' ^ Eit- 



B 



S tr P P L E M E If f O. ^ Jljr 

Exemplo. 

(ernabdo Lopes deve a lucros ^ e perdas pelo re- 
bate a seis por cento sobre a partida de tal dia , e . 
qu? hoje Ihepaguei. . . . Rs • . 4 . ' . 44(i>ooo 

A |i T I G IIL 

Do Uvra de razao, a da nianeira de lan§ar nelk 
OS artigos do Diario. 



o 



LTvBo de razao dey« conter todas as contas ge- 
raes, e particulares , a que todos bs artigos\, assim 
do deve , como do ha de haver , devem referir-se. . 

Quando se abrem estas contas, devem p6r-se ao 
lado' de cada huina as folhas, onde esta6 para poder 
levallas -ao Repertorio. ' 

Quando se abre liuma conta a algutn particular , 
oii algunf ^fFeitos , na6 se Ihe deve abrir cowa , sal- 
va se for difFerenre a intitula^ao da conta. 

Gasos ha todavia. , em que devem abrir-se de no- . 
vo a e he quando esta6 ch6as , c entaS sommar-se-h^ 
o deve y e o -ha de haver ^ e depois de per aberto a 
nova conta langa-se nella .0 que passa , da maneii% 
seguinte. ^ " ' . 

No At^e. 

Pelo que vem da sua conta do deve a folhas^, &c.: 

No ha de hjver. . . 

Pelo que vem da sua conta Ao ha de haver. 9- fo- 
Jh^s , &c. ^ '^ 

Haja cuidado de p6r no fiin da folha segue a fo*- 1 
ihas 5 &c. , e depois continua-se esta nova conta: na 
mesrtia ordem da^primeira, ; 

Abertas qu6 seja6 as contas ^ para entrar a langar 
o? artigos do Diario no Lhrro de razao cumpre i. ti^-. 
rar huma iinhazinha aio lado de cada arti^ do Jor- 



^%6 S E G » N D O 

nal , e declarar por cima desta linha a foiha 'doLivro 
de razao, em que se acha a conta do devedor ^ epor 
baixQ afoiha da conta do Cr6dor. 

Jf plica faS primeira. 

•OMO pof" este artijgo a caixa deve a Daniel Na- 
yille a quantia de ijp^dxsy rdis, deve carregar-seem 
divida a caixa , da aianclra seguinte. 

A Daniel Naville....'. D. 8.L. deR. 8, i40(3!)oo* 
E abaixo dew acreditar-se a Navilk. 
• Pclo que a caixa reccbeo por tal partid^ .•*..••., 
P, 8. Lt de R* 2* . i . i40<J)oooi 



vJqmc 



jfpplicafaff segunda^ 



lo por este artigo a caixa deve a Fazendas go^ 
raes a importancia das vendas feitas adinheiro dccon- 
t^do, deve carregar-se em divida a caixa , desta^ tna- 
neira. ♦ . 

A Fazendas geraes. D. 13. L. de R; 11. 328^700 
reis. 

J^ Iog0 se abonard a Fazsndas geraes do modo seguinte^ 
For caixa .. • . D, 13 L. de R, 2. t^z^^joo reis, 
. Donde se v^ que na5 esta em use arras6ar-se nas 
contas geraes., assim no deve^ como no ha de haver y 
mas sd usar destas palavras a N.\ oix por N. Na6 he 
porem assim a respeito das contas dos parti culares , 
nas quaes iniporta declarar o essencial do artigo para 
poder orden^r as suas contas correates, 

AppHcagao terceira. 

/0M> por este o amigo Pictet de Paris deve 9 
Houessard, e Beaumont deLisboa.^ por hutna reracs-? 
sa sobre Paris , deye-se carregap ?m divide a Pitt?t ^ 
^a^ m^neifa ssguin^e^ 

.A 



S U 1» f X « M S- 1* T o. 3^7 

A liouessard, e Beahmorit, sui remessa sobrc iPa- 
jris a sessenta dias da data dellaD. 26t L. deR i2«..;% 
• ♦ .^ 376(^)000. 

J)ep$is disso deve acrtditar-ie a Houessdrd , e Beauy 
i mont desta maneirai 
' For Pictet, sua remessa sobre Paris* D. 26, L. de 
R. 17 . . • . . . 37it^ooo 
Estas tres ap plica 96es sa6 sufficientes para dar hu- 
ma no§a6 da maneira dc trasfadar os artigos para ^ 
Livro de Raza6: t he de notat ydmente que cumpre 
ser exacto;^in p6r as datas nas columnas destinadas 
para isso. 

A m T I a Ov IV. 

De varias ^oHtdf parti culares , uso delta f , e tasos^ em 
que se de!vem formap ein duas columnas. 



Esi 



BTAS contas se intitulafi i. N. de tal N. C 1. N*; 
de tal S. C. 3. R d:e tal N. C. i parte, 4- N.de tal S. 
C. a parte, y.N. detalN. C a tempo. 6* N. de tal S* 
C. a tempo, &c. 

1 As contas intituladas N. de talN. C. devemesten- 
der-se em duas columnas •, a primeira , que comenha a 
moeda do correspondente , que recebe, ou paga , e a 
€eguitda a avaliagaS desta moeda' na nossa. 

2 As que seintitula6 N.de tal S. C* devem formar- 
^e n'huma s6 columna , que he a da somma , que paga- 
mos pelos nossos aroigos. 

3 As que se intitulaS IJJ. C, a parte, sa6 domesmo 
genero que asdc n. i. 

4 As que se intitula6 S. C i parte sa6 do mesmo 
genero que as def n. 2. 

Para estas duas contas s6 se passa6 pnrtidas em 

aberto , e quando plias |torna6 ai entrar , cu se 

paga6 5 trasiada6-se para N. C , ou para S. C. - 

Dcsta maneira as contas k parte $4 consta6 de par- 

.: • ' '.'-.• ' . eel- 



•jaS S E a u H D o 

cffUas, que esta6 para tomar a cntfar, ou pira pa- 
gar. 

y c 6 As comas intitules N. de tal N. C. « 
tempo 9 ou N. dc tal S. C- a tempo servem para as par- 
tidas, que ha6 de scrpagasacertotempo. 

Outras contas ha que se podem abrir scgundo os diF- 
fcrenics negocios do cbmmcrcio ; mas como se fundao 
«obre OS mesmos principios, limita5-se ^s scis re- 
ferl^as* 

A R T I. G o V* 

•» 
J)s maneira de dar c balanco , e saldarJodas as contas^ 
do Livro de RazaOy de que se da a s^hida. 



\^hjfffo\ 



5NDO que todos os artigos do Borrador tenha6 
pomualmente passado para o diario, para darobal^n- 
50 , dcve-se come§ar poHtuaudo , quero dizer exam.i- 
Uar se os ^rtigos todos do diario esra6 lan^ados no 
deve t ba de haver das contas do Livro de razao , 
que o Diario aponta. 

. Por exemplo , acha-se na primeira pagina dc Dia- 
rio que a caixa , 6cc. deve a viuva , &c. S. G. C. a , 
quant ia dc , . . • 1:440(^000 

P^ra saber se este artigo passou cm forma ao Li- 
vro dc Razao , he necessario ver neste mesmo livro 
se na conta da cafxa esta carregada em divida esta 
quantia de i:44C(|)ooo ,reis; edepois disso ge na da 
viuva, qne se acha a folhas i, se abonou a me$ma 
eomma \ o que achando-se conformc , convem fezer 
com hum lapis hum ponto, ou huma linha- — ^aoladq 
destas sqmmas , nao sq no deve e ha de haver das 
duas contas no Livro dc RazaS, ma^ tambemaolada 
da'foHia do mesmp artigo no Diario. 

Pontuados que gejao da maneira ^ que acabo dedi- 
-jser , . todos os artigos do Diario ^ he preciso sommar 

tgdss 8SI wmi do JLjivro ds V^^uq^ ^^im do devie^ 



S U i> ? L E ■[ D N TO, 129 

eo'mo do ha de haver ^ clanjar n'huma folha de pa- 
pel as diffcren§as que ha. 

Depois disso para ) saldar tddas as contas do Liyro 
de Raza6, de que se hz a sahida, he riecessario for- 
mal* sobre o mesmo Livro de Razao huma conU , que 
se p6de intitular: Balanco de sahida do Livro de Ka-* 
zaS A.^ edebitaHa de todas as sommas, que se nos 
devem a favor do's particulares,. ou dos etfcitos que 
noJas devem, e isto s6rnente por tnotivo da boa or- 
dem , e para saldar a sua conta no livro antigo; por* 

3ue estQs parrkulares 5 e estes cflfeiros tornar-se-hao 
evedores no outro livro B,^ 

Finalmente he necessario debitar os particulare^ , 
a quern devemos, a fj^vor dp incsmo balanqo.de sahi- 
da , e isto tambem por motivo de boa ordent , e paca 
saldar as su^s contas. ^Por nwo destas escriEuras- de- 
vem achnx-^e saldadas todas as contas do Livro do 
, R^za6 , donde se faz a sahida, r ^ 

^ •" . . •' ; . 

A R T I Q O VI. 

* ^ 

Da mesma maneira de faster a entrada do mrifB 
Diario , e do novd Livro de Raz^S. 



p 



AKA faz^r 1 etitrada do novo Diario, he necessa- 
rio I. carregar em divida ao balanco de entrada to- 
das as sommas , que se devem , a ravor daquelies , a 
quern sa6 devidas ; 2. debitar os particulares , ou os 
efteitos que os fepresenta6 , a favor do dito balanco 
de entrada; e dfepois continuar a langar no Diario os 
novos negocios, que $e fazeoi, segundo osprincipios ^ 
dados no Artigo IL 

Pat-a fazer. a entrada do novo Livro ^de Raza6 , 
dcve-se abrir primeiramente huma conta, que se pode ^ 
intitular Balanco de entrada dd livro B. , c abrir de* 
pois varias contas a cada hum dos Crcdortrs , Deve- 
^Qfe^ , e^^iw§, (^ pas$ar depois para novo Livra^ 

' de ~ 



330 ^ S E <J VtT DO 

de Kaza6 na6 s6 as escrituras conCcrnentes ao baiftit«» 
90 dc entrada , mas. tambf m as que respeita^ Acs novot 
negocios , que se fazcm. 

A K T I o Vlf. 

DissdlufaS^ 

JL AHA fazcr a dissolu^ad de huma sociedidc, de- 
pois de tcr feito o balanco do ulrimo LivrodeRaza^ 
n^huma foiha dc pa pel ^ devem soldar-se as contas ge- 
raes desta maneira : 

X Para soldar a conta da caixa he preciso abriroutra 
de novo 5 e carregar a csta em divida , a favor da anti- 
ga> a somnia que sedeveachar na caixa. 

2 Para soldar a conta dos saques, e remessas he 
necessario fazer hum mappa das letras , e bilhetes , 
que se acha6 entao na Cafteira , e avaliallas scgundo 
o cambio do dia, qxx\ que se faz este mappa : depois 
disso deve-sc abrir nova conta de saque^, e remessas , 
c carregar a esta em divida, a favor dal'antiga, a 
impoftadcia dcstas letras > e bilhetes ; depois do que 
ha de soldar a conta antiga com o devej ou ba de 
haver dos lucros , e perdas , segundo o beneficio , ou 
perda que houve. 

3 Para cerrar a conta das despezas geracs, de- 
ve-se debitar a dos lucros , e perdas a favor da con- 
la das despezas. 

4 Qoanro i conta das Fazendas geraes, he neces- 
sario fazer hum inventario de todas as fazendas , que 
lia em $er , c passallas pelp preqo , qiie deve ser , ^ 
depois disso importa abrir nova conta de fazendas gc- 
raes , c carregar em divida ;a Importancia do inventa- 
rio a favor da conta antiga, Finalmente para fcchar a 
tonta veiha , he necessario debitalla a favor de lucros , 
e perdas, do beneficio , que houve sobrc esta conta ; 
que ?5f pelo contrai:iQ' tivera h^vido perda ^ dever- 



S U P r L E M E K T O- 35^ 

se-hia debitar. a lucros, e perdas a favor das Fazen-. 
das. 

$ Paira cwar a conta de lucros , e perdas , a ter 
liavido beneficio , dcve carregar-se *em divida a favor 
da conta dos fuudosj e qu^rido haja perda , dcbitar- 
se-ha a conta dos iundos a favor de lucros , e per- 
das. 

'6 Finalmenre para saldar a. conta dos fundos , he 
necessario carregar em divida a favor de cada Socio 
cm conta corrente oque Ihcs toca, assim a respeito 
do quc^.dera6 para os fundos, como da sua parte do 
beneficio. . \, ' ' 

Saldadas que assim esteja6 as contas geraes , resta 
fazer a reparti§a6 dos devedores , e cfFeitos , e acre- 
ditar a sua conta o debito da conta corrente do Socio, 
a que se as^gna6. 

Quanto aos cr^dores he pr^ciso debitallos a favor 
do Socio , que toma a si o pagallos , por c^ujo meio 
' tod^s as cpntas devem ficar cerradas. 



MO 



I3» 



Caixa 



S E <l ^ K D O. 

MODELOS DE ALGUNS. 
Modah dt hum llvro da Caixa. 



P#/. 



h, Pelo que nelia 56 metteo como consta dp 
£orrador . -^ „ . 

2. Recebeo de Paulo Jos6 
]• de Cui Rodriguef 

4. de t^edro Lopes 

5. de Jose Roil e filho 
dit. de Felix Bacbosa 

1 ; - 

'Caixa. Cantt aava 
5. Para saldo da conta velha - 



Dev« 

1^0^480 

4SJDooa 
$oi(Ao5^ 
Devb 

RS 



NOOBLO DE HUH LIVRO DB ENTRAOA t B CAHIOA. 
B N T R A D A* . 



». 



Cavb' ^« l€^snte 

!• Hum fardo imporundo 
J» Hum dito^ 

3. Hum dito 

4. Hum dito 



AGVA-AROBNTB ^41 llha 



X • Huma pipa importando 
R. Huma dita 
3. Huina dita 



Rf 

6$jb6oo 
' d4^ot>9 

62<j&4oq 
258^)400 



- - 179^200 

- - - 162^400 

- - - li4<^QoQ 
4S 5^600 

^ f tf/tf especU de fazendas se dcve Mhrlr tas eonta e9tno tstas. 

■ ■■ ■ ^ - - ' ' ■ 1 1 1 - I I I — 

m6dez,o de ham Livro de v<Hcimcatesm 

rARARECEBER 



©4/, Em Abrlh 

X • De Celjer , e Laval por fazend« » 

R« De Desgoutes^ e Peres por ietras sobre ellei 

N, B, Da m^/f^n i^ti^ uiei 4s meus^\ 



RS 

'640(|f^oofi 
9<k>;&oo© 



-^ ' * " I 






S V ? P I. E M5 N T'O. 


^ ' 333 


LI V R O S A U X 1 LI ARES. 


Aaver 




Dut. ' ' ' 


RS 


1« Peloque pagpu a Joa6 Pedro - 


• 


Sojj^ooii 


a. - - a Antonio da Costz - ^ 


* 


4^^000 


3. - - a Marcos Fauro - ^ 


•^ 


*4^oa4 


4. -' • a Francisco Felis ^ - 


• 


6;<J>3o<> 


5* Pela^ especies na caixa » ^ue nestp dia 




r >^ 


passiraiS i conta nova - - 


- 


9Sl<j^82S 


' - . ^ 




501^052 


Havek ^ 




; VaL ' ■ , " ' '/ ^. ■ 




Contlnua'Se como aeinia. 




PAKAAS FAZE N*D A S. 




„ S A H 1 D A. 




V. ^"^^^ 


R8 


1. Vendido a Rein«t , e Mirab^air 


^j<i>92o 


,2, a Jpao, e Pedro Vaz Lisboa *' 


^^5^2So 


j. aLuJzdosReis - 


65^840 


4. JN. B, pdr vendor , e cm «cr - r^' 


<^^d40o 


\ 


a 57 (^440 


De qucbras 


• 


(3^9 <?• 



9sr. 



X* Vendida ao amigo Marques 
a; a Jaa6 Francisco Costa 

J, a Pedro Peres » e Comp. 



T)e quebraa 



RS 

>74cl&4oo 

» 1 60^000 

J 40.^^00 

47-5 <ji 200 

10^400 



PARA PAGAR. 



Ptff • em Ahril 

J* A Manoel Bezerra per bllhete -^ 

a. A jQa6 Luiz » e Comp; por lepras da Corte« 
Arnul ^ t ,C9fnp, de Uad sobre n^i 



RS 

4Sd^ooa 

a40<ji^oo» 
720^00 



334 S s a IT K o 

OB SER V A C6 )E S ' 

Sabre os Diaries de compra^ evenda^y efohreclivr9 
de caixa , que algumas casas costumaS ter. 

Do Diario de compra. 

X^AKA este livro se pas^a6 todas asfacturas das Fa- 
Jtendas , que se rece,bem. Nelle se costuma debitar a 
conra das .Fazendas gcracs a favor dos Particulares , 
que as remettern , e no artigo sefazmenjad das coa^ 
sas e$senciaes. . ^ 

D^ Diaria de venda. 

Para este Livro se passa6 as venda? , e remessas 
de fazendas , que se fazem : nelle sa6 debitados os 
Compradores , a favor das fazendas ger^es. r , 

Do Livro de caixa. 

O livro de caixa, que estas casas tem, hediffercn- 
te daquelle, de que acima d^mos hum mbdelo, bern 
que se salda da mesma maneira. Nelle he debit^da- aa 
lado esquerdo a caixa, a favor dos Particulares , que 
paga6 , ou dos effeitos , que da6 occasia6 a receita ; 
€ do lado dircito se Ihe abona tudo o que ella pag^ 
pelo debito dos Particulares , que recebem , ou do* 
cfFeitos, que niotiva6 o pagamentoj c em cada arti- 
go se faz nien§a6 das cousas, que Ihc convcm.* 

Alem destcs tres Livros, tern os meshios Nego- 
ciantes omtro , que *intitula6 Diario de annota^Ses ^ 
para o qual passa8 as Letras de cambiOj, ^uerecebeniy 
9^ que remcttein , e todos os negocios differentcs do» 
que se referem aos outros tres Diario?. 

As casas , que costun:}a6 ter tddos estes Livro^ , 
fazem passar direitamente para o Livro de Razao to-i 
dos os negocios nelles coiiteiidos. E cprao este proee^ 
der ^xp6e o Guarda-livros a fazer muitas vezes 
antedatas, cm(|o que seria conveniente fazer todos os 
dias huma c6pia per exirato das €oni|)ras ^ vendas , 

■ ■ ^ / . . ■ . ■', ^ . " - ■ P^ 



S U P > L E M E N T 0. 335- 

pagamentosj e recejitas , que se tiverem feito, e pas- 
jjar tocjos estes artigos , assim para o Borrador , de 
que acima fallainos, como para 6 Diario geral, ci^ 
tando as folhas dos Livros de compra , vcnda , c cai* 
xa^ ondc se achassem lan^ados miudamentc, 

C A V IT U L o m. 

§ I. Das^ Soctcdades. 

JL OT socicdade entcnde^se hum acto, corjtracto, 6vt 
tratado, cm virtude do qual duas , ou muitas pessoas 
se unem por certo tempo , a fim de fazer algum com-- 
me^cio, c parti eipar das perdas, pii lucros^, segun- 
do a quantia com quq entra cada Jium dos Socios para 
o dito negbcio. / 

. J^a conformidade dasOrd. de Franca , especialmen- 
te da de Mar^o de 1673 ^P^^s as Sociedadi^s ordinariaSj^ 
ou Commandatarias devem fay.er-^se por escrito , cuf 
para haver pr6va dell^s, ou para reigrar assuasclau* 
sulas, e condigoes. Esta formalidade na6 requer o Di- 
reito Romano, c assaz he o consenfimento verbal para» 
operar todos OS efFeitos da Sociedade. 

Sociedades ha^ que sa6 feiras por varios morivqs , 
de diiFerentes especies,. e entre difFerenre$ ^ujeitos. No 
commercio sa6 d^ tres. castas : Sociedade geral, ecol-l 
kctiva, ou ordinaria; Sociedade Commandataria , e 
Sociedade anonyma : esta se subdivide em quatro es^ 
pecies; \ ■ 

A sociedade geral he a que se faz entre dois , on 
muitos Mercadoi^s, (\nt tTabalha6 igualmente a tern 
dos hegocios da Sociedade, e qiie fawm commer^ 
cio debaixo dos seus nomcs collecifivos , econhecidos^ 
detodo omundo; isto he, qucos nomes de todos 0$ 
«ocio3 entra6 na raza5 do cotnmercio, como quern? 
dissesse Pedro , Paulo , e Joa6, 

A sociedade Crai^9«ii)d»tdfia hd a^qut se fas? entre 
> ' ■ '■ \ . dois, , 



3j6 S E Q-U N DO 

dois y 0^ tres sujeitos, hum dos qqaes na6 faz out!:a 
cousa sc na6 contribuir com o $eu diinheiro para a sch 
ciedade, sem exercer funqao aiguma de Socio, :nem 
ser nomeado na razao do CommerHo; e os otitros , 
ou o outro , que era termos mercanlis se chatnaS os 
Cumprimentarios da Sociedadk , dao algumas vezes o 
seu dinheiro^ mas sempre entra6 com a sua industria , 
c'com osscus nomes. 

As socicdades assim geraes , como Commandata- 
. rias devem fazer ipen^ao de multas cousas , js entre 
outras do capital, com que cadaVium entra, do tem- 
po que ellas devem durar , da partHha dos lucos , 
e perdas , &c. Das niinutas de muitas formulas deso- 
ciedadc , 4^^ adiante daremos, ver-se-ha6 todas as 
clafisulas , ^ condi^Ses, que p6dem ter lugar oos actos 
^e scciedade mais* usados. 

A sociedade anonytna he a que se faz sem que ap- 
parega nome algum. Todos os ititeresjados trabajhaa 
cada hum em particular , sem que o Publico saiba da 
sua socied;3de ; e da6 dcpois conta huns aos outros 
tlos lucros , ou perdas , que tem feito na sua negocia- 
^a6. A sociedade anonvma chama-se tambem mo^ 
mentanea ^ porque muipssimas vezes. sddtir^o tempo 
de ,coiTTprar huraa partida de fazendas, e tortialla 
a vender ,-ou repartilla. 

As Ordens na6 fazem menqao das sociec^ades ano- 
nymas, sem duvida porque forao meramente havidas 
como hum acto Qrdinario de commercio, cujonume- 
ro he tad coxjsideravei ^ que na6 seria possivel dar 
providencia a todas. . 

Quatro especies ha de sociedades anonymas , co- 
mb fica dito , bem -que todas quatto tenhao bastaiKc 
rcla^ad entn^^ ^i. A primeira chama-se 'J^articipante,^ 
ou de part idpa caff y & de ordinario se f^z pbr ;cartasi 
missivas entre. dois, ou ntuiros Mercadorfes de varias 
Cidades , e verbalmente quando todos se acha6 no 
mesfiio higar, Estas sociedades se £)zem jppr motivo 

/ * * de 



.. ■ ' \- 

Su??LlSM«ltTO. 3^7 

dc. ft7:endas., e do b^nco : por exemplo. Bernard inb 
dc Marseljia , & chcgada de hum navio do Levante 
qucr especular hiuna partida as^az grossa de algodad 
fino 5 que sc-acha a bordo do dito navio; mas co- 
n1o cste negocio he coilsideravel , ^ cscrcve a huitj dog 
seus correspondences a Lea6 , a quein manda liuma 
rela5a6 cxa;cra da ^uantidade de fardos, qualidadc di 
fazenda J e pre^o, por qdc esperava havella d si,- edo 
termo , que sc concedcra para o pagamento , propon-*- 
do^lhe que se intercFsc nella em ametade, ou n*hum;t 
ter^a parte, &c. O'amigo de Lea6 , antevcndo que < 
cste nfegocio pode ser vantajoso, acceita a proposigad ^ 
c arranja-sp Com elle para contribuir com osfundos re- 
latives a sqa .por9a6 , encarfega-se de a vender toda'^ 
ou em ^parte , ou tambem nao se encarrtfga disso* 
Feita a venda por hum dos dois, reparr6-$c o lucro> 
pu a perda , e dissolve-se a sociedade. Nesta soQiedade 
assaz he, como se vS, o consentimento. He tambeiil 
de notar que aihda que a sociedade pfimitiva se pas-^ 
sa entre duas pessoas , huma pode sem o consdntimen-^ 
to da outrainteressai: nellaterceira\:ibem etitendidoque, 
isto s6 pode ser na_sua por^ao, ficando intacta a da 
oiitra. Deve-se tambem notar n6\ exemplo acima , que 
o Negociante de Marselha he o uiiicojevedor , qutf 
deve reconhecer o vendedor , c que na^ pode recdi'-^ 
rcr contra o de Leao , excepto no case , em que as 
fazendas se reparrissem entre os dois ^ocids, e qiiel 
se provasse que o de Lea6 naS' tern pago ao de Mar-« 
sclha. Em tal caso teria o vendedor direito def ir bus- 
car as fazendas nasmaos do de Leao. 
• A seguada , e terceira espcde de sociedade^ i no-<. 
hymas quasi'i (^ue sao da mesma casta. A pfittieiri 
consiste no-p6nterto , que fa^em muito^ mercadore^ i 
. que ^^6 a hlima feira , de nao comprstr htfm c'erto ge-» 
nero de fazendas-,* senad por hum pvt(^a cdnvencip-* 
nado, ou^ para melhor dizer de,comparallas pofrcbn- 
ta de todo9 , e repartillag depois disso em ktes |>a[r4 



3^< S E (S ty N D p 

x:ada. hum , cm por58es iguaes. A6 socledadcs desta 
casta |a6 dc qrdinario fnuito desavantajos^s para os 
vendcdorcs , que algumas vezes se vem obrigados a 
dar as suas fazendas por nien6$ do que ellas Ihes cus^ 
tira6. A scgunda se faz entrc algtinsMercadores pos- 
sajites , que se unem para atravessar n'hum paiz cer- 
tas fazendas, que forafi raras , a fim demandallas con- 
duzir, is feiras, e pfacas, onde os compradores sa6 
constrangidos a pagar-lhas pelo que clles querem. Es- 
tes dois gencros de socicdade , comb quasi scmpre 
$eja6 improvisas, s6 se fazem vei;balmente , e depen- 
dem da boa fe dos que contractao. E demais disso hu- 
ina , e outra podem ser tidas como monopolio , c 
travessia : que nunca se deve privar a liberdade do com- 
jnercio, e tudo o que tende a dcstruilla he digno de^ 
condemnar-se. 

A quarta especie* dc sociedade anonyma he a que 
se faz entre muitos negocianrcs, qucnendp, ou.an- 
tcvendo que em Hcspanha , por'exejnplo, havera ca- 
restia de trigo , e abandancia delle eniFran§a, liao- 
ee. entre si para mandar comprar , e tornallo a vender 
dejiois em Hespanha : e como csta negociacao tira a 
demora, passa6 entre si huma escritura particular , 
mas sem dar nome algum social a sua sociedade , sen- 
db s6 hum dos socids oquefozacompra , e vctidat 

Aqui faremos men^ao da Orden. Ho Commercio 
de Franca do mez de Margo de 1763 , tit. 4. , a 
quar,regula, e determina em 14 artigps tudo quanto 
se deve observar nas' sociedades , assim geraes , como 
commandataHas. 

-^r/. /. Toda a sociedade, assim a geral, coma 
?ommandataria , se fara ou porescritqra publicadiante 
de hum Tabellia6 , ou em particulaf,j-c nafi se ad- 
mittira pr6v1a algutna de testenmnhas cohtm , iOU alem 
d6 conteudo no Auto de socicdadfe, hem sobre o que 
se allegasse ter-sc dito^ antes do auto, na occasiao 
dcUe, ou dcpois, bcm que $6 se contendiesse por 

quan- 



SxT?PLlRMENTO» ^^9 

qiiantia, ou valor sotnenos de loo liv. (16^000 
reis. ) 

Art. ir. O Traslado das sociedades entre Merca- 
dores , e" Negociantes, assim cm grosso, como ctI, 
miiido 5 sera registrado no Cartorio da Jurisdicca6 Con-* 
sular 5 quando o haja , e se na6 no Cartorio , ou Ai*-* 
quivo da Cidade, e quandfo nem este haja , no Car-" 
torio-dos nossos Juizes dos lugares^ ou no dos Se-» 
nliores ,/ c o traslado affixado em lugar publico , tudo 
sob pena dc nullidade dos Autos , c Gontratos passa-f 
dos 5 assim entre os Socios , como com os Credores. 

' Nota. A pezar de ser este artigo de tanta import 

tancia para a seguranca piiblica , e interesse do Com-' 

^ mer'cio em geraf^prevaleceo uso contra a disposicaS 

- deste artigo ; por quant as Escri/uras , ou Autos d4 

sociedacie nem se puh'licao^ nem se registraS* 

Art. III. Nenlium traslado dfe escritura de Socie- 
dade se registrara , o qUal na6 esteja assignado ou pe* 
los socios, ou por aquelles , que tiverera permittida 
a sociedade , e que na6 contenha os nomes , sobreno- 
mes , qualidades , e onde residem os socios , com as 
clausulas extraordinarias , quando as haja , para a assigna- 
tura das Escrituras ,' e 6 tempo ein que^ ella deve co- 
me§ar , e acabar: e na8 se contcmplara Gontinuada , 
sem haver auto por escrito , igualmente registrado, 
c affixado. 

Nota, como itctma Art , It. 

Art. IV. Todo5 os autos que consta6 de tnudaii- 
§a de Socios , novas estipulayoes , ou clausulas pari a 
as^ignatura , serao registrados, e pu"blicddos, e g6 te-«' 
Ta6 lugar des do dla da sua publicafa6. 
^ l^ota ^ como acima Art. IL 

Art. V. Os Escrivac^ na6 feceberad pelo regi^tro 
da Escrltara da sociedade^ e traslado della mais,d« 
cinco soldos ( 4o*rei9 )j epor cada traslado, que del-» 
Ja der 5 tres soldos ( 14 reis ). , ^ 

Art. VL As sbciedadps s6 teri6 effeito a rffspeito 

Y ii da« : 



340 S B 6 U N D ^ 

dos socios y c suas viuvas , e hcrdeiros , credorcs , c 
de- quern scus podcrcs ou direito tiv^r'dcs do. diaque 
forem registcadas, e publicadas no Cartorio' do domi- 
cilio de todos os contrahentes , e do lugur pndc tivc- 
rcp3 armazem. ' ^ 

Nota , como acima Art. 11. 
Art. VII. Todos os socios serao obrigadps cadi 
hum in solidum is dividasda sodedade, bem que sd 
fosse hum o que a assignasse ; no caso de ter assignado 
pela coiftpanhia ; c nao de outra sorte. 

Nora, l^ao seriao obrigadqs os que campoem a so^ 

citdade ^ '^e aquelle que asngfia , so assignasse o seu no- 

mcy ou a escritura da sociedade o excluisse de assignar. 

Art. VIIL Os Socios Coramandatarios so serao 

obrigados at6 a concurrencia da sua parte. 

Nota. A sociedade Comma ndat aria obriga so a quern 
a faz , quant a confa Aosfundos , com que se obrigou 
a contribuir , e nao a respeito da sua conta corrente , 
para- a import ancia da qual entra dpropor^aocom ps 
outros Credores^nocasode fallimento. 

Art. IX. Toda a sociedade deve scr com a clau- 
sula de sobmetter-se aos Arbitros a respeito das con- 
tendas, que sobrevierera entre os Socios ; e ainda qaan- 
do'a clausula se omitisse , hum- dos Socios podcra 
nomear o que os outros hao de cumprir , d*outra s6r- 
tc nomeallo-ha o Juiz a respeito dos que o recusarem. 
Art. X. Queremos tambem que no caso de fallc- 
cimento , ou ausencia dilatada de hum dos Arbitros , 
someem os Socios outros ; e se nao , o Juiz dar^pro- 
yidencia a isso por parte dos que recusarem. 

Nota. Pelo Edicto de EI-Rei Francisco IL , de Fan-^ 
tainebleau em 1560, foi dito quctodasas dijferencas 
€ntre Mercadores por motivo de fazendas decern termi* 
fiar-se summar lament e por-tres pessoas quando muita^ 
approvadas por elks , ou que elies serdo constrangidos a 
approvar pelos Juizes -dos Lugares. 

An XL ^0 caso, que os Arbitros sedesavenha6 
. . : nafi 



. S U ? f LE M E 1^ TO. 341 

Has opini6es5 .podera6 convir n'hamsobre-Arbirrosem 
' o consentimento da$ Patrtes ; e quando ellesnaS cobyc* 
iiha6 , a Juiz nomeari hum- ^ 

Art. XIL Podera6 os Arbitros julgar peFos papeis , 
que Ihes forem cntrcgues sem formalidadc algumadejus- 
.tiga , na6 obstante a ausencia dealguma das Partes. 

Art. Xlll] As scntcngas arbitraes entre SociOs , a res- 
peito de negocio , fazendais , ou banco > serao approvadas 
pelajyrisdic^a6 Consular , se a houver , quando nao pelos 
Juizes ordinarios , pelos nossos Juizcs , ou pelos JuizCs 
dos Senfaores. • 

Art. XIF. Todo o referido teri lugar a respcito 
das Viuvas , Herc^eiros , ou quern direito tiver emnome , 
ou per parte dos.Socios. 

Pqr num^ scnten§a notavel do Parlamento de Pariz ^ 
dada a 25" de Janeiro de 165^7 foi julga do que ^smul he- 
res dps socios , na6 p(Sdem prcferir^ aos credores da So* 
ciedade-sobrc os effekos della. 

Logo que huma sociedade secontrahio, hiini dos 
Socios nao pode admittir 9 ella pessoa alguma sem 
participagaS, e consentimento dos outros- socios. P6- 
de fazella participante do seuinteresse particular: mas 
nao p6de obrigar os sens socios a dar-lhe conta , por 
ua6 serem estes obrigados a reconhecer por seu So^ 
cio , sena5 aquelle j com quern trataraS eiil primeiro 
lugar. 

Aihda que huma sociedade pode admittir todas 
as clausuMs , em que as partes quizerem convir j he de pre,- 
suppor que ria6 deve , nenj pode ser feita para commercio 
algum 5 que permittido, e licito na8 teja ; sem o quenul- 
la seria emMireitd. - . ^ ^ 

. I Contrahindo-se a sofciedade so pelo consentimento 
dfls Partes, pode tam.bem desfazer-se ' s6 pelasuavon- 
tade. Taml\em acaba com a morte civil , ou natural 
dos Socios, ecessa quando hx3m delles, perdendo todo 
^o,seu cabedal, fica impossibilitado de podes contribuir 
para as despezas < da sociedadt. 



34^ S E « V N D o 

Direito ha para rec^uerer a dissolu^ao da socieda* 
de antes do tempo aprazado , quando hum dos socios 
]ia6 quer cumprir com as clausulas , ou se o seu ge* 
nero de proceder he ta6 mao', que pdde.resultar del- 
le consideravel perda a sociedade , ou tambem quan- 
do elle he de genio tao extraordinario y que os ourros 
^ocifos na6 p6dem viver com clle. 

Em todos estes casos se lavra o auto de dissolu-* 
^16 pbr i>aixo de cada copia-da sociedade, e se est!- 
pula da maneira scguinte/ * 

99 Nos abaixo assignados concordamos decomihum 
f > coqscntimento que a sociedade por mis contrahida 
>9 a •••,•.: , e nas costas desta . escrita , ficara reso* 
99 luta , e dissolvida desrc dia de iioje a seis'mezes , 
79 nos termos , e condi^oes declaradas no artigo . • . • 
. f9 da nossa dita sociedade , a qual promettemos findai: 
99 de boa fe , como devem fazer os bons , e fieis so- 
9i cios , propondo , sem que obste a presente jesolu- 
99 §a6, ficar sempre cm boa amizade: e porserassim 
' f 9 passamos dois de hum theor hum em cada huma 
>9 das escrituras , que em nosso proprio poder fica. Lis- 
$9 boa a,.. de.,.>9 

Como todas as Sociedadcs podem resolver-se por 
consentimento unanime dos socios , tambem podem 
prorogar-sc., e continuar-se , ja com al'gumas mudan- 
jas nas condiqoes , ja debaixo das mcsmas. N'hum , 
c outro case assaz he declarallo . per hum auto, que 
$e lavra abaixo de cada copia da escritura de socieda*- 
dc, eaue pode cstlpular-sc desta maneira : 

99 JSbs abaixo assignados N. N. socios nomeados na 
99 Escritura dc sociedade retrp , reconhccemos ter 
f9 continuado, como effectivacnentc contlnuamos pela 
19 presente a nossa sociedade por . , . , . annos , coni 
19 as mesmas dausulas\ ^ condij^es mencionsidas na 
|9 dita Escritura de, sociedade , eha decom^qaracon^ 
11 tinuagaS ddia a , , •, e acabard em igual dia doan^. 
« nO; itft^t KiK fe do que gssignaraos dois destQ 



. S U r P L C M E ir T O. :J4 J 

n thcor abaixo de cada huma das copias, que nosfi- 
>9 ca6 5 &c. ^9 J 

Os socios nao.podem estipulgjr que a sociedade ha 
de continuar depois da sua morre com os §eusherdei- 
ros , por quanto a escolha das pessoas , e sua indus^ 
iria he hum dos pontos o mais importante da socieda- 
de ; sabida cousa he que ninguem p6de eonhecer 
herdeiros, pois estes ieofipre sa6 incertos ate a mor-. 
te do Socio ; de raancira que tanto. he impossivcl ele- 
gellos, comb o fazer conceito algun\ nelles. 

Ngta. Na6 dbstam^ o que a este respeitb -diz 
Saveiy , a experiencia riiostra que ^m muitas socieda- 
des se estipula essencialaiei;ite ^ que no caso * de .morrcf 
algum dols Socios , os seus herdeiros , ou queni seus 
poderes tiver, podera6 continuar se quizerem , oudis- 
sofver a sociedade, e muitas vczes estes mesmos herdei- 
ros toma6 p {wimeiro partido. O certohequeestaclau* 
sula s6 tern enta6 lugar a vista da viuva , oufilhos, * 

SILFORMULA^ ^ 

*^ * 

De hum Acto , ou Escritura de Sociedade entre dots 
Hegoctantes , ou Mercadores , ; que devem concorrer 
para o capital^ oufundo do seucontmerch com di^ 
nheiro de contado , cada hum com a metade^^ para 
repartir entre si igualmehte os lucros , e perdas. 



K 



I OS abaixo assignados N. , c N^ , temos contrata- 
do fazer , e com cffeito fazemos, o presentc Tratado 
de Sociedade , para negociarmos ambos em mercearia y 
c outras cpusas, que nos parecerem mais vantajosas , 
e isto por tempo de seis annos successivos , e scm in- 
terrupgad alguma , contados des do primeiro de Ou- 
tubro do presente anno de ij6i ate outro igual dia, 
c inez do anno de 1767^ e. ambos assignaremos com 
OS nomes dc N. > e N* todos os papeis concernentes 

' ^ .a 



344 S E Q t? N D a 

i dita socicdade , da mancira seguinte tudo de^ 

baixo das clausuias, e condi^oes cohteudas nosartigos 
seguintes. 

jlrf. L O fundo capital da nossa sociedade sera de 
doze contos , e oitocentos mil reis , com a qual cDn-^ 
f ribuiremos atnbos cm ignal parte , para que rainbcm 
cntre ambos se repariafi em igual parte os lucros , ou 
perdas , que a Deos aprouvcr dat-nos. 

jirt. IL Da parte dc mim N, a scinma de 6:4CX)^ooo 
r^is , que cu prometto pagar. dentro dos tcrmos se- 
guinies , a saber 3:200(J>goo reis cnt dinheiro de coiit 
tado no dito dia primeiro de Outubro de 1761 , ea 
de 3:200,^)000 reis, tambcm cm dinheiro de contado 
a 2 dc Janeiro do anno proximo de 1762 , ^s quaes 
duas sommas iFazcm cffectivamcntc a de 6:400^000 
reis , a que me obrigo. 

Jrt. IlL Da parte dc mim N, igualmente a som^ 
ma de 6;/4oc(j^ooo reis , que cu proipctto pagar cn:\ 
dinljeiro de contado dentro dos tcrmoS scguintes ; a 
^ $aber a dc 2:400<3[)coo reis no diti) dia pnmeiro jde 
Outubro dc 1761 , a de 2:400(^000 reis a 2 dc Janei- 
ro de 1762, efinalmentc a de i:6qo^ooo reis nopri-t, 
meiro de Abril scguinte ^ as quaes; trcs sommas fafcm , 
c Gomplctao a de 6:4oo<|)ooq sreis , a que me ohri- 
$0, 

Art. IV* E attendcndo aps differentes termos , . que 
reciprcc^mcnt^ temamos para contribuir , e comple- 
tar as nossas, contas de fundos respeaivos, consenti^ 
mos ambcs, cm fazcr bom ao.nossb futuro commcr- 
cio , o juro da leiporaqucllas sonimas, para as quaes 
tomamps tcrmo ; bem cntcndido que csta clausula nao 
podcra dispensa^nos dc contribuir aos Fcmpos acima 
aprazados com as sommas , a que nos obrigamos , e 
qoando hum dfe ncjs nao cumpra com o qye dcvc a 
^sx^ rcspeiro-, nao podcra requercr a concinua^So dA. 
sociedddc, e ficara ao alvcdrio do que tivcr dado to- 
^§ ^ sya conta dc fuiide p rcsol^clla ^ comp bem Ihc 



SuffX-EMENTO. 345' 

parecer , -sem que & outro pO«sa requerer compensa- 
qao 5 nem indemnidadc. 

Art. V. Ficara a nosso alvcdrio mctter cada liutn 
dc n<is para p nosso commcrcio , (durante a dlta socic* 
dadc, as spnirnas', c dinheiros advcnticios y que po- 
dermos , haver, x das quaes ficareinos crcdbros , cada 
hum na sua conta TOrrcnte, para nos ser pago. o in- 
tcressc pelo nosso comniercio a jure da lei. E no ca* 
so qtie hum de nos qilcira drar algunias sommaspara 
ciir.a de 480(^000 reis da sua conta corrente , antes de 
findar adita sociedade, sera obrigado a advert ir disso 
o outro pelo menos ties mezes antes.. - 

Art. Vh Nao sera todavia dado a algum de ncis b 
tcr conta corrente', cm quanta na6 cstiver intcirada a 
sua conta, de fundo , e isto nos termos mencionadOs nos ' 
artigos II. III. elV. da prcsentc. 

Art* VIL Temds convcncionado que para fazcr o 
nosso commercio , ahiguemos em nome da §ociedade-^ 
,os armazcns nccessarios naquclle ^bairro , ou sitio da 
Cidade, que bcm nos parecer , cos alugueis 8era6vpagof 
pelo nossa commercio. 

Art. i^///. Temos demais disso convencionado 'que 
cu N. occupe tal, ou tal quKfto dependente do sobre- 
dito arrcndftincnto , &c. , e qxic eu N» occupe tal ou 
tal &c.j^ eque nocaso dcfiaKr difficuldade aeste-res-p' 
pcito, estarcjnos intciramentc, pcia dccisaS de ^Iguna 
dos nosfQs amigos. - . " 

Art. IX. Como .0 nosso - presente commcrcio re- 
quer quedemos.de comer aos^Mercadoaes , ou Fr^-*_ 
guezes , que vem cpmprar fazepdas ao, nosso arn^-r 
zem , tern OS ajustado que a dcspeza de bock scja 
'commurn durante os ditos,seis annoft, assim para n<4s ,^ 
como para oa nosios Cai^cciros,- aprendizcs ^ c do- 
Hiesticot , jc conicguintemente que se comprcm a cus- 
ta do commcrcio os moveis necessaries para guarne^ 
qer huma sala commum , prcparos de cozinha , toa^ 
JIj^s pva as^ mczas ^ goajQ t^nbcwi OS tPOTCis neces , 



34^ S E G U H D o 

sarios para os aposfntos dosCaixciros, e domesticosr 
todos OS quaes cfteitos ficara6 psrtencendo ao dita 
Commercio* 

Art. X. Quanto aos mdveis necessaries para os nos- 
SOS quartos , scrao comprados a custa de cada hum de nos. 

Art. XL O dinl^iro que se lucrarcom os apren- 
dizes durante a presente sociedade , passara'para o 
lucro da dita socicdadc. 

Art.. XII. Temos assentado que em quanto durar 
o arranjamento , que aclma consta do artigo IX. , ne- 
nhum de nos tomard para as suas despezas particular 
res, niais da quant ia de i6o<J)ooo reiscadaanpo.- 

Art. XIII. Se algum de nd? secasar, durante a 
presente socicdade, encarregar-seJia domaneio domes- 
tico,|tot sua conta particular^ dara cama , emeza a to- 
dos OS caixeiros, e domesticos docomm6rcio, para o 
quf Ihe pagara o commercip pdr cada caixciro, o\i 
aprendiz 64(^)000 reis , C3Z(J)oO'j r6is pox* cada domes-* 
tico todos ofe annos ; al6m de tomar por sua conta to- 
dos' osmovcis , e utensiiios mencionados no artigo 
IX. pelo prcgo do ultimo inventario , sobre a impor- 
tancia do qual ocommercio Ihefara boBS' dez por loO 
de diminuigaS ; e seobriga de mais disso p, dar otf 
jantarcs, as ceas, c outros rcfrescos aos Mercadores , 
como csta cm uso., para o que Ihe dara dc mais o 
commercio a quantia de 64^000 reis 

Art. XlV\ £ no casoqiicambos ndscasemos, du- 
' rante o tempo desta nossa socicdade, o primeiro que- 
' de nos se ca^ar cumprira com as condi^oes no prece^ 
denie artigo XIIL mcncionadas , sem que ao outro 
seja dado requerer que o ponha6 no seu lugar, quanto 
ao sobredito maneio, ou outra qualquer ds^s ciausu- 
las do tresmo artigo XIIL 

Art. XF* E no caso antevisto nos artigos XIII. e 
XIV. , assentamos^ tomar cada himi por anno, em 
lugar dos i(j0^ooo reia estipulados gno artigo XII. , a- 
quantia: dc sioAooo reis, 

- Art. 



S U P P L E M E N T O, 347 

Att. XVl. k nenhum de Ji6s sera pcrmittido fa- 
zcr commcrcio algum particular durante o tempo da 
nosfsa dita sociedade ; mas tudo.quanto se fizer , sera 
cm beneficio commum, e por lucro , e vantagem- do 
rosso commum commercio , e sempre com parecer 
de hum , e outro. 

Art. XVlh Nao ficar^ i escoiha dc algum de n6s 
renovar o escrito de arrendamento da casa , ou ar- 
maze.n, que alugarmos , sem consentimento do outro, 
dadv ppr escrito. 

Art. XVllL Para bem reger , e governar o nossa 
d i to commercio , teremos todos os livros, que m.anda 
a Orden. , e os demais necessaries para o uosso dita 
commercio ; e quanto ao Livro grande , ou Livro de 
razao, tcllo-ha em partidas dobradas hum Guarda-li- 
vros ,. eleito'. a satisfa§ao de ambos , e cujo salario 
serd pago a.custa do coriimercio. 

Art. XIX. A caiia de dinheiro corrente tera €m[ 
seu'poderj e a regera .o Senhor N. nofeso socio , a 
quem por este n;iotivo pagard o commercio cad a anr 
no a quaiitia de. 24(^)000 r^is., pelo? esquccimentos , 
que poderao haver , moedas baixas , que se rccebe- 
rem , e outros semelhantes prejuizos* Na6 entcnde- 
inositodayia aqui fazello responsavel, ou fiador das 
diminui^oes de especies , que o nosso dito commer- 
cio expcrimentar ;^c quando as ditas especies venhao 
a avultar , o lucro sera pela mesma razao todo para 
a sociedade. 

Art. XX. No fim de cada anno se'fara hqm in- 
yentario geral dos lucres ', e perd;is da sociedade, 
para que cada hum dc nos fique com a sua copia , 
assignada por ambos , *e este inventario constard do ba* 
lan§o do nosso Livro dc razao. E no caso , que hum 
de nos ( o que Deos nao permitta ) venha a falecer 
antes de findar o primeiro auno , e por conseguinte 
antes que se pos§a fazer o primeiro inventario , far-» 

«e-ba hum aipisavclmcntccom qs $^us hcrdeirps , pa- 

r4 



14^ •'Seound'O 

ra sc repartir com dies os lucres , ou as perdas , que 
dcllc rcsultarcni , confortne a por^ao atiribuida acada- 
hum de-nos ncsta'nossg preseritc sociedade, sem que 
o dito Inveniario possa icr requcrido, ou feitoporjus- 
ti^a^^o qucprohibiraos, sob pena de pagar o Conira- 
viiKlo 5 ou OS herdeiros do que morrer primeiro , a 
quantia de '960(^)000 reis para ona6 contravindo,scm 
que csta pcnna possa repotar-se cominatoria. 

Jlrt. XXi. Sc hum de nos ( o que Deos na6 per- 
mitta) iViCrrcr durante OS ditos "seisannos, os seus 
hcrdeiro€ , ou quern direir© tiver sera6 obrigados a es- 
tar pclo ultimo in\'cntario cntre n6s feito, e assigna- 
do, e pof conseguinte nao podcrio .pretender omras 
sommas mais , do que aqiielJas , de- que o defunto se 
achar crcdor no dito invcntario, quer cm conta de 
fundp , e capital , quer cm conta corrente ; e quanto 
aos lucres, ou perdas repariir-se-hao igualmenre enrrc 
o que sobreviver, e os herdeiros do defunto-, sempre 
rios tcnnos ^ e na j:onformidade do sobrcdito ultimo 
inventario. 

Art. XXIL > ParaTacilitar ao que sobreviver concor- 
damoS em que a conta corrente do defunto , se cstea 
tiver 5 na6 possa ser embol§ada pelos seus herdeiros , 
ou quem seus podcres , e c^ireiro tiver , sena6 5m dois 
pagamentos iguaes de treg em tres mezes j a saber ;imc- 
tade tres mczes depois da sua morte, ea outra metadc 
seis mczes depois da sua morte , fazendo-sc todavia 
V bom aos ditos herdeiro^ ojuro daditaconti^ corrente a 
propor^aS do pagamento. 

Art. XXIII. Qaanio ao embol§o da conta de fun- 
do ^ou capital V temos ajustado que no caso de falle- 
cer hum de nos , proceder-se-ha da mancira "seguinte, 
I. O que sobrcvjver sera obrigado a dar 4ios herdei- 
ros do defunto hum traslado ^ cxtrahido pontual- 
iFiCntc de todos os livros da Sociedade , de todas 
as spmmas rcccbidas dos devedorcs , da* que se tive- 
rctn pago aos Crcdores do ^ommcrcio coatcudas no 

di- 



I 



S XT p P L E M R^ "TT T O. ^4f 

dito Invehtario ,'. des do. dito ahtcccdcDtc inycntario 
ate o'falccimento do seu sooio. 2. Os fundos , que le 
acharem na ,caixa ao tempo do dito falecimento ,' 
ej(npregar-se-Ka6 em pa^gar os credores do nosso.com- 
i:nercio, ainda- com rebate, c adiantado; e quando 
OS ditos fundos nao i>astem ^ suprirao os primeiros, 
que entrarem ao 'diante, provindps dos nossos deve- 
pores. 3. Tres mezes depqis qu^ todos os credores do 
yiiosso xomm^rcio forem.pagos, dard'o que sqbreri- 
'ver nova conta do que tiver recebido depois disso dos ' 
nossos devedorcs, c pagara por enta6 amerade do 
jnontc das ditas sommas.aos herdeiros do defunto, e 
suecessivamente sera obrlgado a fazer com elles da^ 
tres em trcs mezes igual partilha das somma«, que ri- 
ver recebido , at^ a total satisfa^ad de todos os deve- 
dorcs. Desta maneira se;repartira6 as nossas cont^as de 
fundos a quern direito tiver em rgual parte a propor- 
§ao da cobranga^ e o seu prod ueto total mostrara. a 
pcrda , ou ganho', que Deos for servido dar a6 nosso 
commercio. 

Jlrt. XXIV. No caso de estar casado o que iixorres- . 
sc durante os difos seis annos , conccdcmos a sua viuva 
$6mente a faculdadc de continuar a prescnte sociedade 
ate que esta espire , e entao se faraboa aoqu'e sobre- 
viver- por via do commercio huma somitia annual de 
i6o(|)ooo reis em compensacao da maior lida , c fadi- 
ga^ , que de necessidadc ha de ter no commercio ; e de 
iriais disso a dita viuva sc^ra obrigada a estar por todos os 
- artigos da prescnte sociedade. 
. ■ Jrt. XXK E quando' a dita viuva .de hunii de nos 
julgue acertado continuar a prescnte sociedade ( o que 
clla sera- obrigfida a 4vclarar dentro em. quarenta diag 
depois do faleqiftiento de seu rfiarido, e passados el- 
Jes , ss o na6 fizer , .reput«r-se-ha ter repusado ) serd 
obrigada a seguir , ,€ conformar-scas clausulas , econ- 
di$6es conteudas nos -artigos 21, 22, e 23 da pre-? 
scntc cscritura , sob pena de todas as dcspezas^. 

' ' ' pre^ 



350 S E G U N D O' 

prejuizos, c intcresscs, quando assim o recuse fa- 
zer. ' '^ 

Jrt. XXVL A nenhuni de n6s sera dado romper, 
on dissolvcr a prc^ente sccicdade antes do tempo apra- 
zado da sua duragafi , coino acima sc declara ; e no ca- 
so que qu??Iqiicr denosqueira ir contra estacondigaoex- 
prcssa , sob qualquer pretexto , c de qualquer maneira 
que scja , sera obrigado a pagar ao na6 contiavindo a 
quantia de' 560^000 r^is a titulo de compensa§a6 , e 
intcrcrses, paga cm dinjieiro de contado , e sem que 
possa ser-lhc applicada , ncm entrar em discussao nas 
respcctivas contas , tudo n^ ccnformidade , que enteu- 
demos, de nao admittir mcdifica5a6, nem ser havida 
con.o cominntoria. 

jlrt. XXVIL E quando nenlium de nos quelra no 
fnn dos ditos seis annos rcnovar a presentesoci'edade , 
reremcs obrrgados a advertillo hunt ao outro reciproca- 
ir.cnte seis iTiCzcs antes, para que durante este tempo 
nao se compre fazendaalguma , ese possa trabalharna 
liquidacno , vcndendo as fa'zendas que se acharem^^ no 
armszcm , pagando aos nossos credores , 'e recebendo 
as dividas de todos os deve^ores. 

Jlrt. JXVni. No fim dos ditos seis annos faremosr 
invcntario geral dasfazendas, e outros effeitbs, que 
rcsrarcm , assim como dos dcvedpres , e credores , 
quando os haja 5 para que de tudo se fa^a^ dois lotesos 
mais iguaes , que ser poissa, a fim de sc l^ngarem sor- 
tes 3 caquelle a quem cahir, sera/ obrigado a tomallo 
sem difficuldade alguma. s 

. ylrt. XXIX. Cada hum de n6s em part-icular se- 
ra obrigado, durante hum anno, a fazerrodas asdi- 
ligencias neccssajias para cobrar dos devedofes, que 
nos cahirem por sorte , para depois fazer disso a con- 
ta entre ambos , assim como tambem dos gastos , 
quando os haja , de seis em seis mezes , e volvidb 

3tc seja b anno depois do vencimento das ditas dlvi-' 
as , sc hum de n<5s deixar de fazer para a cobra-n^ 



^a dcllas todis as diligericias necessarias 5 durante odi- 
to anno ate a seritenga definitiva , a^ ditas dividas 
correrao por conta , e risco daquelle , a quern, fica- , 
rem pertencendo , e delUs dard conta ao outro como «c 
as tivera recebido. . \ 

. Art. XXX. E de todas as dividas activas y que • 
restarem para receber depois do dito*anno, tprnar- 
se-ha af fazer dois lotes iguaes, quesera6 outra vez 
lan^ados em sorte , e ficari pertencendo aquelle so- 
bre quern esta cahir, scm que possa pretenaer recur- 
so algum contra o outro em razao de prejuizos. E des- 
ta maneira se findara , e ficari desfeita a nossa socieda-' !' 

Art. XXXI. E no caso de succeder ( o que na6 
esperamos ) algum^s difEcuIdades entrq nos durante , 
ou na occasiao da, dis6olu9a6 da nossa sociedade . pro- 
jiiettemoSv e nos obrigamQS a estar inteiramente , a 
respeito das nossas difteren^as , pela decisau.de doisar- 
bitros, que sera6 nomeados pdr cada hum de nds , e 
nao podendo estes concordar entresi , ja desc^e 4gora , 
e para enta6 Ihes damos poder para nomear ^ tercel ro , 
ou sobre-arbitro , ao parecer do qual nos sobmette- 
mos, ja desde agpra , e para enta8 ; ao (jue obrigamos 
♦tambem' as nossas viuvas^ filhos, herdeiros, ou quem 
direito tiver, e a esf^ pelas suas sentencas como si 
fossem de hum Tribunal suprepio , sob pena de pagar o 
contravindo 48o<^ooo r6is, que sera6 applicados, a 
terga parte para o hospital Real dolugardonosso*do- 
micilio, outra ter^a, parte para os pobresda nossa Paro- 
chia, e a outra ter§a parte para o nao contravindo , a 
qual pqha declaramos":na6 cominatoria. 

Art. . XXXIL Concordamos de mais disso em dar 
lodos osannos24<J>0€>o reis aospobres, queambosea- - 
tendermos que sao mais necessitados , para que. o, Ceo 
nos abengoe o nosso comraercio 
- Art. XXXIIL Hum ab outro promettemo's ami- 
.?adc^ e fidelidade, e inantcr,© presentc tratado sem 

in- 



35'^ S E <5 V K D o 

innota5a6 al^uma cm tod as as suas clausulas, c'cort- 
diqoes debaixo das pcnas declaradas no^rart- 31. Ro- 
gando a Dec^s , que se digne dcabcn^oar o nosso com- 

mcrcio, c para clareza passamos duas Lisboa i^ 

de Julho dc 1761. E assignar-se-ha6. N; N* 

Muitas cousas sa6 de notar nareferidaescricura de 
fociedadc. / 

Sobre os Art. a , 3 , e 4 , as soinmas , que ha6 
de fcrinar as ceintas defundo dc cada socio ^ podem 
pa^ar-?e , c dar-se n'hum ^s6 tcrmo j c sendo assan 
torr.ao-se inutcis as clausulas conteudas nos ditos trcs 
arirgos. 

Tnrnbcm pode ser que tcndo ja hum s6 dos so- 
cles rrabalhado por sua conta, se ache com fazendas , 
cffcitcs para ncgociar , dinhciro, devedores , e cre- 
dorcs ,-e cntao bcm se deixa ver q.ue as clausulas de- 
vcoi Fcr differentcs. Mas Jiuma cousa se offerece , a. 
que aqiicllc, que cntKa para cstc antigo commercio , 
deve ciar nuiita attenga^ i e he a avaliagao das fazen- 
da^ eiii ^cv \ per quanto bem pdderia sef que o an-* 
tigo cstabelecido nao fosse de tanta probidade, Como 
so rcqiicr, e quedessc as suasfazcndas pre^os muito al- 
tos , que fazcndc-lbe todo o beneficio , na6 deixa8 ji 
ipspcran9a alguma a nova sociedade^a rcspeito da venda 
^as dirasTazendas. . 

Sohre os artigos 9 , ^ 10 , podendo hum , ou ambos 
OS sec Tos casar-se na occasia8 dasocieda^e, superfluos 
ficad sendo estes artigos , e deve passar-se hum xjaasi se- 
mclhante ao art., 13. 

Sobfe oArtigo 19, sociedades ha , em que se esti- 
pula que cada socio tera alternativamente a caixa hum 
anno. - 

Sobre os Artigos 21^22^ 23, ^24, as clausulas, 
que nclles se cont^m ^ao arbitrarias ; mas sempre se 
costuma facilitar o que sobrevive. , 

Soi^res os Artigos 25 , 26 , 27 ,^ 28 , as clausu-* 
W^ que nelles.sc concern ^ sao algumas vczcs^osadasr 

mas 



' ^ U ? IP L « M K N t (>• 15^1 

tttas' ha tambem outras muitaiB Consagradas igualtnen- ' 
tc pelo uso, c a tnais commum he dar a cargo a hum 
dos, spcios o fazer a liquidagaS 4P coinfn&rcio,,JstO 
he , toiTiar elle a .si ( seiitpre por conta , e risco da so-' ■ 
cjcdade ) ,a vejida das fazcndas, o pagamento dos cr^-* 
4orcs , ft cobtanca. das dividas,, c geralmcnte toda* 
as 6pera96cs , que podem pcrtefnccra sociedade: ea-» 
tao' o que terrt a cargo a liquidajao , todos o^ tfcs me;<' 
zes' ddve .estar obrigi^do a dar aos'seus amigos so-» 
cioshuma conta de liquida^ab, e fazeif men5a6 a ca-^ 
da hum do que Ihc toca, taoto arqspcltoda suacorita 
dci fuii(fos , couio da conta dd lucros. I 

Todas , as clausulas , e xondi^pes das sbciedades ^ 
geralmente fallando ,^ sa6 arbitrarias, t depcndem in-^ , 
tciramente da^vontade dos contrahentes : e «(6 ajusti- 
§a J <5 equidadc sa6 as duas.cJdusas, deque nunca $6 
dcvem tirar os olhbs. Hum; socio nunca deveusarmat 
das circunstancias y em .que seacha o scu^ socio ;nuni- 
ca deve fazer com que a sua; sorte scja mai|i avanta-'' 
lofa i ciista da do scu companheiro : tudo em fim de* 
ve ser fundado sobre os fiindos, ou talcritos > e in- 
dustria de cada socib. ' 

E. como a Escritura dtf sodedade Cbtnm^iidatarii'^ 
tern dilFerengas assaz'assignaladas qUanto d sua cstipula- 
5a6, por isso julgamos que nao podiansOs escusar-nos * 
dc dar tarabem huma formula para ella; visto cjue es- 
te pcqaeho Tratado he pfincipalmeritc feito para oA 
,que priocipiao, e por esta raka6 nunca seremos dc* 
masiados em esmiugar; huma materia ta6 important^ { 
t i$6 cssenclal^ coino a. das socledadesi 



■ .4 , < » _ . 



#. 



i nt 



1 



Jos6 



35r4 . S E 6 » li B o^ 

^ § in. F O IR M XJ L A 

De hutntr sociedade Cordrtiandatarta entre tres fovior y 
hum doi quaes se encarrega de contrihuir com.todos 
OS fundos mcessarios para aUmentat 6/ cdtfimercio ^ e 
OS out r OS dois^de empregar os seus talent os y e cut* 
dados em fazer pr$sperar o dito comniercio. 

T • 

^ OS abaixoa^^^gnados Ricardo detal , Commissario, 
Galliano , Mercador Fabricantc de sedas deOiro , 
e prata , e Jacinto de tal , todos assistentes , ^ morav 
dores na Cidade de, • •, ieclaramos'ter.,feito, >e cpm- 
cffciro fazenabs todos. a presentc .cscritura desociedade 
para esrabelecer huitia manufactura dasditas $eda3 de 
oiro, e prata , e coramerciai; com cUas, c i^ro por 
tempo de scis annos consccmivos, e sccn^ iiitervaflo. de 
teInpo^5 que comccarad noprixneiro de Janeiro de 176%^ 
e findarao'no mesmo dia , e mez do anno ,^ue se ha. 
detontar de 1767 ,.dehaixo dos nomes de Jose (^alUa- 
J!ia, c Cpmpanhia , ao qual Galjiano s6 daaao^ autho^ 
ridade p«ra assignar todos o« p^peisy que , podem 
perrcncer ao.nossO dito commercia , .durante os di- 
tbs seis annos, ^ • , - . . - . 

Jirt. L Para a eiecucao da,dita sociedadeibi-as- 
setitado que a conta- de xundoa, e capital dcsta seja de 
4S:4©o^Oeo reis. effectivos, com que se ha. ;de>*CQntri- 
Vuir i a §aber. _ , ^ ' - 

Art. IL Da parte do Senhor Ridardo que se obri- 
gt^ c promctte dar a^ohrecjita.quantia de' 6.2400^060 
reis,^ 'a saber~4;8oo(|)OGO reis em dinlx^iro de cpnta- 
do no pagamento dos Santos prdximo, e i:6oo<|)ooo 
r^is que Iia de dar em seda em rama dePiempnte v bcm 
<5ntenaiclo-que as ditas sedas se passarao .peiG prejo,* 
que. -correr^ na pccasiao , da. entrega , e 'as 'qualidades. 
dellas^scrao a- conteatp dp Senhor Jo§e GaUiano. nos- 
^o socio >s-Csno. caso de diiEculdade a cstc respeito, 
. , ; ^ / : ■ ■_^ :- ■ • . *'• ■' ' ;• .-« ' wn-' 



S^U P P L B M E 1< T O. . ^5^ 

concbrdamos hiins , c outros em /^star pela dccisap 
de dois Corretores , :6s quaes scfaS nome^dos, hiirii 
pelo, Senhcr Ricardo, e o outro pclo/Scjjlior Gall^- 
lia nossos socios ;' e suppogdo que os duos' Correto- . 
res athem as sedasV ou muito caras , ou piuitd inferior ' 
\cs na qiialidade, o Senhor Ricardo sera obrigado A' 
' completar a dita sonima de 6:400^000 reis em. dinliel-- ' 
to de t^ontado, e isso dentro em.quinze diascontadqs . 
des da deci^a^ dos ditos. ' ... 

u4rt. ITL O Senhor Ricardo se oBriga de mais dis- 
so a cohtribuir para o dito Commeixiocom a qiiantia 
;de 5;'6oo(^oco r6i? , que se Ihe levara em ,conta corren- 
te a prdpof^ao da entrada, para se Ihc pagar ojuro . 
delfa a cihco por cento cada anno;,. ametade em di- 
^^heiro de contadoj e a outra ametade em scda tax 
j-ama , e em trama , bu em . dinhciro i e patacas ; 
bem entendido ' que as mesmas claiisulas , e condicoeg 
' declaradas no artigo 11. executar-se-Jiao ho que p6de 
pertericer . ao present© artigo. 3 , a respciro"' das, sed^s ^ 
dinlieirg, e patacas. . . - , 

Art. IV. Nad podera o dIto Senhor Ricardo tirar 
quantia- alguma da ,sua c-pnta corrente de ^*.6oo^Qod 
r(f IS', antes de findar, e espirar a presente socicdadeif 
- exccpto 'se os Senhqres Galliano , e Jacinto assim o ti- 
verem por acerrado para^vantageh) do commercio so^ 
cial ; e entao serad obrigados a avisallo hum mczantes' 
do embol^o, que jnlgarem convenientfc fazer-jlie , e 6 
dito Senhor Ricardo t^^ podefa deixar deacceitar* 
Ciuanto^aos Juros dos ditos5)f:6oO<|)ocx)reis, e outfos . 
a propor$a6 , o dlto Sefihor Ricardo sera' obrigado* a 
recebellos 5 e tirallos' todospsannps. 

Art V. E no caso, que oai negocloscJo flcssocajft'* 
. m.ercio social v^njiad a ser mas cpngider^veis , 6 seja^. 
.li^ccssarios ftiaiores fundos/o Senhor Ric^f do, Se obri-^ 
ga J requcrendo-lho o Senhor Galliano / e i vista do 
cxan-e ^ que elle topia ^^si ,, fazcr ' scbre o^: livrps 4 
flar para o ditd CommV'*cio aii^ a (Juanti* de ou-^ 



. ^.^.^jjS^^M 



3^6 ' ' ^S E « V K D o 

tros 9:6cO(]()CCO r^i? , que Ihe scrilS Icvados em oih 
*tra conta correntc para sc llie pagar^igualtnenre pcio 
dito' Commercio social ojuro dc cinco por cenro ca- 
da anno. Ficara de mais dissoa arbitrio do dito Scnhor 
llicardo rirar de tempos tm tempos , e por partes sc- 
paradas, que. rta6 poderd6 exceder de 1:400^000 reis 
OS iiltimos ^.600^600-^ advcrtindo-o. todavia . hum 
mez antes ao Senhor Galliano, o qua! terd ^ mesma 
liberdade quanto aoembol^, e com as me^mas bon- 
diodes acima. 

jiirt. VL Da. parte* do Scnhor Jose . Galliano , Ba6 
coritribuiri este com dinhciro algum iiem . outros cffei- 
tos para o noseo dito CommcFcio em razao do seu ca- 
pital; cm vez do qual obriga-se a concorrer com tcdo 
o seu trabalho , e Industria par^adirec^ao.da dita Ma- 
nufactura 5 assinina fabrica.das scdas , comon^com- 
pra dos cabedaes ^ e amelhoramento testes , cu cm fim 
»as vendas , e cxpedijSes das fazendas provindas d^ 
mesma Manufactura. . : 

^ Art. VIL E da parte do Senhor Jacinto, na6 cpn- 
tribuird da mcsma sorte^ com dinhciro.algum , nctn ou- 
tros* cffeitos para o nosso dito Commercio em razad do 
seu capital, em vez do que promette ftzcr, c contri- 
buir com todo«. .os d'ebuxos necessarios d. nossa dita 
'Manufactura em qualqucr genero, que stja dersedas^ 
cxcepto da» que se chama6 v/^ estreito^ f^zer redo o 
pcssivel por innovar sedas de jiqvo gcsto, e de novo 
gencro, e sc obriga fornialmentc a*na6'fazer >debuxo 
algum para outras pessoafi, bu fabricas, 'sob^pena dc 
todbs OS gastos, damnos., c interesses, 
' • Art. Fill. O dito Senhor'J^cintd se obrigatam- 
bem a fazer de doi$ em do:is aniios huma viagem a 
Paris , oridc se demorara pelo imenofs dois mezcs , 
J)ata tomar huma id^a das sedas de^ novo go^to, que 
se* tiverem fabrrcado , trabalhar djemaisdis^jo nos' de- 
fcuxos ^ necessarios para a ^ossa fahrica' durante, a ;sua* 
fusencia,' vlsitar-tc coxtt <§|:CQrrespondehces, que po-* 
' ' V ^ • ■ •♦ ' -' ' , . • ■ •' de-. 



- > 



S U f f L K>[ B N t 6# ^5^7 

defcmos tcf na • dita Cidade dcPanz,'e ihovellos 
qiianto llie.ior possivei a preferir-nos para as suas 



comrniss6es; 



j^rt. IX. Por cada vkgem^ que fizer a Pariz dara* 
o Cpmrnercio ao dito Senhor Jacinto a* quantia dc 
'vintcinoedas, a fim de indemnizajlo dos gastoS j e 
despezas , que conseguintementc serd obrigado a fa* 
tcv'y mediant!* a qtial quantia dcsessenta tnoedas pclas 
tes viagens na6ppdera p'cdir xnais nada a sociedade 
por conta disso. • , 

ifrA X O Seiihor Galliano em nopie dasociedade • 
alugara os armaiz^ns, e G&sasueqessarias para acultu-' 
ra ,. c^mclhoramento do nosso dito Com mere ro ' , e 
oaanafacturAs , c os aliigueis dc cada anno serao pa- 
ges ,.e abdnados pelo dito Commercio. ' ^ ' 

Art. Xi. Podera tambem 6 dito Senhor Galliano • 
tromprar os moveis, e utensilios necessarios , mahdaf 
fazer bs adornos, que julgar mais uteis* ,^ e todavia 
com a maior economia, quepoder ser , e com a 
itia^or vantagem da sociedade: e todas cstas dcspcps 
sera6 por conta do dito Gommercio. 

jirt, XIL Todas as despezas annuaes , t diarias^ 
OS salaries de caixciros , gages dos dorafesticos i ordi-» ; 
.deiras', e outras,^ serao'tambem pagas por .conta da 
dita saciedade. 

iArt. XIIL Na6 ficara a eleicai6 , e alvedrib da 
Senhor Galiiano fabricar , ou mandar fttbricar.seda al^' 
guma' 5 ncm fazer outre qualquernegocib , que na6 
seja para utilidade , e lucroda nbssa.societkde. • ' 
;' j^rt. XIF. Todos OS debuxos noTOs , e amostrai 
s? apresentara6 ao Senhor Kifardo , para qucesiepos'^ 
sa dizer oseu.parecer; *e quahdo julgueacertado com- 
prar elle , as se^as , que sc hao dc fabricar por estcs 
mesmos dcbqxos , o S,cnhor Galliano , e Jacinto se 
obriga.6 ,a prcferillo , pelos mesmos pregos.todavia , : e 
com as mcsmas condijoes, com 'que as teria6 vendi- 
4q a outro? Cotumissarios j pois hao secntende que* 

"^ rer 




35*8. S E G U K D o 

rrr o Scnhor Rlckrdo aprovcitar-sc da qualWade do 
Socio para haver as fazfendas por methor mqrcado , 
in^s so scr o primeiro que as veja, c dar-se-]he apre-. 
fercncia, . ^ ./ , 

Art. Xl^. Para o governo do nossa Comaicrcip ha- 
veri todos os livros necessaries , como* sap p Borra- 
dor geral ,. Livro dc razao, e outros lirros auxili^res , 
relatives ao genero dq Commercio , que emprenclcraos : 
tpdos estcs livro? cstardo a car^^o do dico Saiihor Gal- 
liano, exccpro. o lirro de razao, que se cscrcvera cm 
j^irtidas dobradas, e tera conta nclle hum Guarda-Li- 
vros conhecido , e cleiro pe!o Senlior Ricardo,, e cu/a 
wlario sclhepagari por conta da sociedade. Alemdisto 
rcserva para si. o Senhpr Ricardo afaculdadc de.exarai- 
"nar todos os nossos livros de Commcrcio quantas vezes ' 

, julgar ^onveiiicrite. . * \ ' ^ 

) ^Art. XVL Nao podera o dito Sciihar Jose Gal- 

• liaho faz^ yenda. alguma de fezendas p:^ra cima de 

^' j:920(^ooo,^m o conseniimento dos Senliores. Ricax-e 
do ^ e Jacinco, dado por cscrito , sob pena de corr^r 
todo5 OS riscos i dita venda* A mesma clausula se en- 
tericjera com o Senlibr Jaciiiro nas occasioes, em que 
tiver .k seu cargo as vendas> quer cm Pariz5.quer em 
Liao, , . -. 

Ant. ^Vlh. Far-se-ha todos os annos hum inven- 
tarip geraldc; todos os nossos elPeitos , fazendas ,, es- 
necies, devedores, e crcdores , c jiara se poder estabe- 
lecer o. beneficio^ ou perdas, que a soctedade tiver 
experjmenrado durante hum anno antecedcnte , doqdal - 
ii^v^ntario. scfaraotrcsciipias 3 a^signadas por nos^tres, 
e cada hum de nos ficari com a sua. O Invent^rio . 
das fazendas sera feito pelos tres socios juntos , enelle 

^ ^p declararao os ♦ pr^gos , segundo a ayaUaqao , que 
flics tqdps fizerem. .. - ~ • - . 

, Art^.XVllL Nao, se poderi tpmar todos osanlios 

' cm nossQ dito Comm^rgip mais do que a somma 
^? ife^QQQ §4i§ p^m as nossos f^spegtlvi^S dcspe^as'i 



OS qtfaes se repartir^6 entre OS tres : asaBer jio(|jtooo' 
r^is para o Seohor Ricardo , 320<j!>ooo rei^ para o Se* ' 
nhor Jose Galliano, e.outra tanta quantia pSra o Senhor 
Jacinto. ^ "" ' ' s" .. 

-/frr, XIX. Eicafa: ao alvedrio dos Senhores Jo$6 
Galliarjo., ejacint;p traier , e'rnetter cm o.ii6spo.Com* 
mcrcio as sommas , c dinheitos adventicios, que poderem 
receber , durante anos*a presence saciedade, oupor viar 
ije psamento 5 siiccessao , qu d'outira,qttalquer maneira ^ / 
e dVlias^ ^et^o Havidos por credores em sua cont% Corren-- 
te, p^x^ se Ihes pagar ajuro de cinco por cenrb. - 

jlrt. XX. A caixa dadinheirOyCorrenfe fic^ra cm pop- 
def dd Senhor; Josd Galliano, a quern em attenqa6 a 
isto fara bom o nosso Commercio todos oA-annos a quan- 
tia cje 40^000 reis peios desCiiidos , que p6dem li^ver j 
ffioedas ' baixas , que elle pdde reCeber, c outrofe -se^ 
nlelhantes pr<?jaizos; Nii6 he todavia; nossa imertgajS 
iazello fiador das ditninm^de^ das e^pecies, as.quae§ 
correrd6 ? por conta do Commercio- social ; e quan- 
dp*asditas especies avultem raais , , o lucro , . qu? ' 
daqui sfe seguir', sera; pcla mesma rkza6 todo . da- sd- 
Ciedade. ■ - _ " - ' ': 

\y Art. XXI. Abrfr-se-ha no Livro de raza6 huma 
ccflta de lucros .annuaeg , na qual^ se abonara6 todos o^ 
que se fiz(?rera cada^anno: e estes me^mos lucros s^ 
poderao repartir-se 'no fim da nossa sociedade , .sem 
que fiqcie ao alvedrio" dc algum denos levantar:_ antes 
disso- sQmma- alguma dos ditps lucros, durahte o tern- 
p<J da sociedade. - - 

Art. JfZZJi- Fi¥-'se-ha boa todos 05 annos a6 Serihor 
Jose Galliano a somma' dii' ^4(^000 r(^is para meza , e 
apokntadoria de cada caixeiro , ou debuxador: nias a 
seu ^rbitriu ficara o-su^teritalio , oirpagar-llie a sobre- 
dita soitima de 64(^)000 rels pelo seuaUmentcf, eapo- 
5ent2doriai e da mesma inaneira 3;s<^ooo reis annual'- 
mente por cada domestico , ordideira , com os quaes 
fara a mesma eleijaoacima dita*. , . - * 

■ * ' Art. 



g8o S I « tr n D o 

Art. XXin. Se hum de n6s ( o <^ue Deos nao.pcrmiN 
fa) fallecer durante a dita sociedade ., dar-se-ha 
por finda , e dissolvida a sociedade dcs do dia dofal- 
leciinento de qualquer de nos ; e na gaso dc ser^ , 
por dcsgraga nossa , o Scnhor Ricardo , seus herdei- 
ros , ou qucm seus podcres, e direi to, river, sera6 obri- 

/ gados a estar pelo ultimo liiventario asisignado ,e na6 
podcrio pedir mais sommas , do que aqueilas ^ de que 
o dito Senhor . Ricardo sc achar crcdor no dito Inven- 
tario, ajyunrando todavia a estas as que ejje tivqr da- 
do depois da data da assigns tura , ou dcscont^ndo ^s . 
que Ihe tiverem sido pagas des do ditotempo* Abonar- 
gC-Jia igualmente em conta a seus herdciros , oaqjuera 
sens poderes, c direito tiver 055 bcros, que se acha* 
l^m vencidos no dia do seu fallccimenro , e entao 
o seu novo Commcrcio se encarregara de fazer ,a Iiqui- 
da(a6 do antigo, c dari .conta aos herdeiros, ou d 
qucm. direito tiver do Senhor Ricardo , a jH-oporcao 
0a Gobranga, .que se fizer das sommas., i^ue ihes 
focarcm em .razao da dita heran^a, dando principib 
pelas Qonras correntes dadito Senhor Ricardo ; depois 
a sua conta de fundos; e finalmcnte osjucros , qtie 
Ihe . p^eitenccm ate o ultimo Inventario : jtudo p^ con-, 
formidade do que sc pratica ordinariamente no Cqai- 
mcrcio. E qu^nto abs iucro$ , c pcrdas ,• que o Com;- 
mergio -tiver feito dcs do dito ul.timo Invi^ntariq assigna- 

.' do ,^ ficao por conta- dos ditos Senhores Galliano , e Ja- 
cinto- 

Art. XXIV. E no caso de morrer o Sen^hor Jos(^ 

Galliano, -a ^ociedadc ficara igualmente acabada , e 

.N dissolvida, eentap o Senhor Ricardo ficari encarre- 

gado da. liquidagao .d6 nosso prescnteCommercio.com 

'as mesnias clausulas , c condicoes declaradas- no Art, 23 \ 
pelas quffcs 5er46 obrlgados a-esrar seus j?i'erd^iro$ , ou 
miem feqs ppder^ , e direito tiver sem r^stiic§a5 al* 

^ pm^r. \ ' \ / " ■-. ^ , ^. ■ ^ 

Axt^ XX}\ E ^u^ftdp yenh^ afalltcero Senhor Jar 

cin-5 



S U "? ? L E M-E N T O. . ^6l 

citifo , ficari igualmejite acabada , edesfelta a socieda- 
dc ; * entad o Serihor Jos6 Gallidno tomari a seu car- 
go j^ liquida§a6 do nosso presente Commercio cojn as 
iiicsma? clausulas , c condi^oes dcclatadas no artigb . 
2^5 5 pelas quaesserao obrigados acstar ibus herdciros , 
ou quem seus podercs, e dirckos tiver scm restfic^ao, 
aJgum'a. . 

Jlft. XXFJ.iSds, Inezes antes que espirc a gr©* 
sente a. sociedade^ serecnos obrigados a advertir reel-* 
procatnenre .buns aos'outroS sc julgamos a proposito 
continuar, ;c /prolongar'a nossa dita sociedade-; e^do 
coTitr^tio^ hb fim dos seis ^nnos farenfos hum inrca«. 
tarip geral dc ' todas as fazcndas-, devedores, ecfe^ 
. dores , e cm geral dos effeitos da dita sociedade ; e 
Senhor Jose Galliano, tomara > a -sea cargo fazer a 
iiQui4a§ao dio dito Coratnercio\ bu vendendo as^fa^ 
zendas , ou toittendoras . por sua propria conta , e cnt • 
tao.. se llie fara6 bons pelas mesmas fazcndas dcz. por 
cento. de rebate, por meio do qiial os abonara eni 
conta m liquldacap , como se as-.p-agara. a dinheira. 
dc contado : procederd depois disso ao -pagamento Am 
iK>ssds differentcs credbres^ e cobra noi das dividas, 
c de ttido oque iizer sera,, obrigado a dar huma miuda ' 
relajao a cada hum. dcnos ,' todos os trcs mezes , cabo- 
riar-nos,em conta a huns, e outros as sommas , qtJ«. 
nos tocarem. . . -. 

Jrt. XXFII. Dar-se-ha ao dito Senhor Jos6 Gallia^; 
no porJiumavcz s6mente aquantia de'i6o^pcia.i'e^is, 
que se tirardfi dos lucros do nosso Commercio , t por 
mcio da qiial toma.elia u;seu. cargo, b fa zcr a ditaliqui-s- 
dacao , a sua custa , exceptuando poreui aquellias dili- 
gencias , ou procedimentos j^ que se vir obrigado a fa- 
2«r contra; OS nossos devedores, os quaes seine ievarao 
em cohta nasTcIa^des , que der*, 

Arti XXJ'^IIL Eattendendo a quQ o dito Senhor 
Galliano se encarrega peta presente sociedade a fazer 
g Iic|ui4a§a6.do nossgi Commef cjo ^ cqiiywqs em Que 



3^i \ Skoxtwdo 

clle fique- na Hvre posse de todos os livros, papeb y 
e docuracntos perccncenres ao nosso Commercio ;• bem 
entcndido que todos nos niostrara todas-,' e. qi^ntas 
vezes assim o rcquerermos. -: , 

.Jlrt. XXIX^ Rcpartir-5e-hn6 os lucros- , eperdas 
que Decs (ot scrvido.dar a nossa sociedade; a sarbcr 
huma tcr§a parte para o Senlior Ricardo ^ outra re'r-. 
cagarte para oScnhor Jose. Galliano , e 'finalmente o 
terceiro terco para o Senhor Jacinto. *\ ' ■" 

Art. XXX. A iicnhum de nos sera dado romper , 
nem desfazer a presenre sociedade antes do tcrmo apra- 
zadop^ra-a suadura^ao, coma acima se declara ; e 
IK) caso que hum de nos queira ir contra esta coiidi- 
jao cxpressa , sob qualqucr pretcxto, ou de qualqiier 
maneira que scr.possa , sera .obrigadd a pa gar ao na6 
contravinda.a quanrfa de 960(1^000 reis a ritula de per- 
das , e .damnos , pagos em dinheiro de contado ,- sem 
que possa6 imputar-se , nem entrar ^m dis€ussa6 nas 
•conta's re?pectivas;tudo como he nossa inten5a6 5 que 
esta quautia ^oao podera admittirmodifica^ao , nem ser 
ha^ida por comminatoria. 

. Art^ XXXL ( As mestnas clausulas , e condi56ies 

que no Artigo 31 da primeira- Formula de Sociedade^ 

Art. XXXIL Omesmo, qucL no Anigo 32 da 

'Art. XXXIIL O mcsmo ^ que ho Artigo 54 da 
dita. 

r Na^ serao jnai acertadas algutjus observagoes so- 
brcesta Sociedjjde, e poderdo «ervir de iiTstruc§a6, pa- 
ra OS iftancebos ;,' que entrao no Goiiunerpio. '^" 

Sobre 4^tM IL Necessarw eraabsalutapierite esta- 
belccer cop^icSes a rcspeito dassedas, c6m tjue deda 
entrar o aenhor Ricardo , visto que quando se pas^a 
Jiuma escritura , dere-se attender a todo , e -qualqaer 
^conrecimento , e precaver quanto for pogsivel as dif- 
iiculdades j.que podem sobrevir sobrc este prjncipib. 
rPodia acontccer que o'Senhor Ricardo constrangesseos 
'* ■ seus 



s^eus* Socios a toiDar por i:6oOs|)ooo algumaV sedas We- 
riorcs 5 ou pa'ssadas por pregos muico a.hos. . * 

Sobre dArt.:^. Di-se hum anno int^ro ao Senhor - 
Rkardo.para fariiecer a sua conca-corrente fixada;-at6 - 
9:609:1)000 reis,, porque he de pfcsumir que p^ Com* 
mercio nad p6d(?^ neccssitar desta qiiantla a hum^tempo. . 
Qa^ntp is , deni^i§ clausulas ', referem-se as - Qbserva- ^ 
cpcs dp, Aru t. V , ' * ^ ' . '--. \ ^ ' • \- 

: Sohr^ A^L ,4. Muitas cousas ha queoKservarjies^*^ 
te Artigo.,!. (^amio se .4<iixassc einliberdade a^Se- 
nhor llicardo para tirar a sua. cont^ coriiente aiodoo 
tempo, que ^uizgs&c, D'huovinfetante dara p eapricho 
cav terra com esta fabrica , ou pelo menos aporiaem 
e^i«ia de nao pbd^p fazer. osiiiesirios, negoci6j^; ^tno ^ 
da.fites:;2l Podcndo acontecer que este Commcrcio pdr 
via de^iguns lucrps Gonsidera^e.is y ou por dii'ninui9a6 , 
n^o sevisse necessitado de tasitos. fundos, era natural' 
que elle (izesse maito por dirainiiir- p$juro$, qu^ eatajfa^- 
obrigado a pagar, e conseguintemeate por embolgaf o. 
capital superfluo' aa sou proprktario. 3. ^Obriga-se ab^ 
,^ Senhor Ricardo a tirar tod oa os.arfnos o5'juro^..;dasaa. 
cQnta corronte , para que nap succeda , pag^r-«e juros-, 
dos Jufos 5 oque na$ suceede icara? vercs com^detrimeit'- . 
to dos dcmais So.cios. .^^ ^ : . . ' . - ^ 

Sabre. Art. 5.. A mesjpia 6bserva§ad , que spbi* o:; ^ 
Ai^t. 4i. .■ '^ :;■ /- :•;. / - / 

. Sohre os- Artp 65^7. Fara talv<ez admiragaS qu^os^ 
Scnhores Galliano , c Jacinto nad coneofra^^QCHil An*- 
dp aJguth para',o Commqrcio, ao mcsmo tempo que • 
o outro socio estd obiigado a cpntribuir comtodoel- 
let,, mas brevemente cessa a admiragao se reflectirmos 
que o Senhor Ricardo na6, tern direito ^paraiazer, 
cam que. se -f^brique , .^ tad pouco fern trabalho al- 
gum na cultura ,.e amelhoratxiento deste CommeFciQ* 
Comq poder;a die, xompensar p direito, talentos, li- 
da ,.'.e fadiga dosSenhores Galliano , c Jacinto scnad* 
fors CQOi dinhQirO ? £ demais^ dissa se' a-dinheiro se 

con- 



s 



3^4- I • ' S E G TT N n o 
contempla como foria c^sencial do Commercio , os 
talcntos nz6 sao os prim^iros, e legitimos motorcsdex- 
♦ sa fdrja ? # . 

Sohre Art. 14. -Bern podc csra prcferencia ser devi- 
da a hum socio, mas nao deve ficar lcsada.nella a So- 
cicdadc, ' • ' ' . 

Sobre Art. 15'. Scndo Scnhor Rics^rdo o que 
maior risco corre nesta .sociedadcj c hum GuardarLx- 
vros qucm devc ver o mais claro que ser podcnos ne-^ 
gocios de hiima^casa , he natural que dcJleiaja concci- 
to o socio principal. 

Sol>rd Art. 16. As mesinas raz6es , que acima 
disseaios, 

Sobre OS Art. 23 , 24, 25:. Fageis sao , e muito 
«imples as obscrva^dcs sobre estes tres ArCigos; Por 
jnuitas razoc's he de nccessidadeque por inorte dc ai- 
giutn dos ♦socios finde a sociedadc. Com a morte do 
Scnhor Ricardo fica o Commercio privado dos fiia- 
dosv que o dito Senhor tinha nellc ; e se os dois., que 
sobrcvivcm ). quercm continuar, sa6 obrigados a tomar 
outro Coitmiandatarib. Por morte do Senhor Galliano 
perde o Commercio q seu nome, e vO sea' principal 
Agcnte, epor conscguinte na6 pode sosrer-se. Quanta 
v^a do .Senhor Jacinto ppderia supr;r-se , tomando owr 
tro Debuiador , a queni sepagasse salario , epoderiao 
continuar os dois sobrcviventes , mas sempre seria 'ne- 
'ccssario fazer a liquida^ao do antigo Commercio , e for- 
mar ejitre os dois huma nova sociedadc. Dctermina-se 
que o Scnhor Ricardo £391 aliquida^aS, .ou 6 Senhor 
Galliano, sem fallar no Scnte)r Jacinto : a raTa6 disto 
he clara , pois o talent9 dc luim Debuxador na6 abran-. 
- ge a sciencia dos calculbs, e ncgocia^oes. 

Depois dc ter tiiatado compbastantftlargiiezadoque 
pertence aos autos , oucscrituras dcsoeiedade, na6 sera 
desacertado dizer alguma cousa sobre a maneira jCom 
que dev^tn viver 0$ socios, eordcm que devem ter 1105 
scus negocids, ■ . * 



S 'a P T L E M X N T O. ; '365 

O acatament© , araizadc,. e eomprazerj sa6 tre^ 
coueas cssenciacs para bem /viver com os socios; de 
ipancira que ate sao de neccssidade . para qhegar a^fa- 
zer hum ..Cdn^mercio avantajoso ; e he rarissimo: ver 
prosperar hum'a socicdade, qujando os socios- nao se 
upem bem, quando se conrrari^'6 nas coueas mais so- 
mehos , e naS trabalha6 de conccfrto huns com os ou- 
tros. Todo Q homem , que faz huma ^ociedadc, deye, 
tomar huma firmc rcsolu^aiS de bem.vivcr comosseus 
$ocio$, Dao fazer case de muitas cousas ; c<levecs<> 
tre ludb fezer m-uito p'or ter.hum gcnio de confpr- 
inar-se "com todos,.priBcipalinentc quando o scu in- 
teresse nao for Iczado de hum cerro modo. O bem da 
paz d#v^e movello muito itiais do que ourra qualquer 
cOnsid^ragaS. " ' '. 

A ignorancia , c algumas vezcs a mi ft dicraS as 
cfscrituras de sociedade ; esquecem-sc muitas vezcs de 
anteyer todos os casos dttiicuJtosos : mertem-semuiras. 
vezes neiJas algumas clausulas usun^rias , c dcshwma^' 
nas; na6 se a^ttende igualmenre aos inreresses de todos 
os sccios i OS mancebois , a quern oempenho de se- 
rem associados'iiaolhes dd muitas' vezes lugar paia fe- 
zer'-algum^s obscrva56cs d este respeito, assi^nafi ce- . 
gamente , e .sclu cpnsiderJicao alguma. : com.c^a entao 
Q Commercio ; trabalha-se , vfnde-$t , compra-se ^ 
chega o xempo do. inventario; faz-se., cstd : e.a vista 
delle desperta6, e admirao-se estes mancebos , .que.ti- 
nhao feicohum coiaccito o mais vantajoso dos lucros,, 
que esperava6 , e i\^6 ppdera' comprehender como tcn^ 
6p feito tantoSrHegocios , t^opouco se' tenha gaiiha* ^ 
do. Abrem entao os- olhos ^ cahem em si , e adver- 
tem 5 mas muito tarde , que carregadais por extremo 
as comas correntes absorv^ra6 p rnelhor, do que . S0 
beneficiou , e que os interesses dos Socios na6 se re- 
partiraS com equidade. O qiie se segue daqui hearre- 
penderem-se, e enojarem-$e5 daremmutuamcrtte dcros- 
to huns ao«' outroscoxn o que htlas pelos outros fi- 



^66 Skottndo^ 

2cra6 y cnlrarem em invcctivas , e virem a rematar em 
fo7er-?e o alvo de ivcos , deshi'/cndo forcadan)ente a 
scciedade , e miiitas vezes movendo dcmandas , que 
OS arruinno. O 'unico .mcio.dc obviar todos estes in- 
convenicntcs h^ nao n'^^ignar em socicdade alguitia sera 
examinalla priir»eiro com todd o escrupuho, e scm ter 
confUiiado jujciios ir.ais . iIIu?trados quenos, e final- 
mentc nao proceder arrebatadamcnte n'lium negociC) 
de ranto momenrb. As socicdacks Commandatariases- 
ta6 n-.ah exprstas aos inconveiuentes , que agora acar 
bamos do dizer* 

Ouira coiisa ha tambem ntnito essencial h'huma 
tocicdade , e he dividir-se entre ps Socios os prinGi- 
paes objcctos do amelkoramcnto do scu Commercio, 
Para chegar a isso com inrelligencia da CQ.usa deve 
cada socio fazer-se justica, assentar sem rodeio afgum 
do amor proprio naquillo , para que' cada hum he 
proprio , e lomallo de boa vontade a seu cargo. Bent 
se ve 5 per exemplo , que o Socio que he de genib 
active, e vigilante 3 que rem o dom depersuadir', he 
ir,ais proprio para comprar, e vender fazejjdafs , para" 
viajar, e geralmente fallando para tcdos os negocios 
de for'; ; e aquelle pelo contrario, que gosta oe tra- 
talho sedemario, deveabracaroda e$crifa, da caix^, 
da correspondencia ,.&c. ' 

Quanto d leajdade , q«e os sector devem hiins aos 
cutros^5 lie esta biuna virtude tao essencial , que jnlga- 
incs escusado fallar nella. - ' , . . 

E finahi>ente da^fios de parecer a todososque ne- 

- gocea6 de sociedade, que todas as sims escrituras se- 

ja6 cm parridas dbbradas , pois este methodo fie o me- 

Ihor de lodes'^ e so por elle chega qualquer com mais. 

fecihdade a dar bum;^conta mutua ^ fiel ^ e exacta. 



CA- 



' " '-y "S V P I fc B M 1 N T b. .3^7 ' 

C A ,R1 T U LO iv. 

§' I. Pa especulacao. 

JL OR- €specukca6 entendemos o cdniprar cada hiinr 
per si niesmp, ou maadar comprar por seUs^ corre?- 
pondeates 5 quen por sqa propria contk , qiicr ppr . 
conta de particlpcicao com putrcm , certa^ f^s&endas 
em tempo ) que correm por preco in^is baixo que o . 
.ordiuario para tornallas a vender depois ,^jd nomesmo 
lugar;- cnde foi feha aconipra, ja mandan^^s^vir, 
)i finaliwhte remetrendo-as p^^ra obtros paizes ^ Onde 
se v^ qae ha afacrra de desfazcKse dellas com vaflta- 
'gem.' •' ;■■: V :. - '' ,' ^ ' ^ ^*" ^- ' ■ 

Para. e$pecular aproposiro, e com intelligencia, 
he ncces^rio sa^er miuas cousas. . 

I O preco exacto dp ciisto da fazenda. 

% A relacao do peso, ou mc^idd da CiMade /onde 
«9;'compra.,cOm o. peso ou.medida^aijuella, para on- ' 
de se destiaa a dita fazenda^ - .^ . . 

: 3 Em . quanto' monta6 em mdeda; da Praca , onde 
a compra se faz, os gastcfs v. g* de loo Jiv. , de lod 
«tedidaS 5, de 100 pe^as QU de hiima desia cousas/ 

4! De que maneira devc scr pago.'o cprrespondefl"- 
t© , que comptou , quer ' eile saque/ qmer se Mie re- 
nietta. ^ ' ' " / . .*^ -, • ^ 

. 5 Finalmente OS gasios ao todo , des da expedicdo 
aie a vend.a , aos. quaes poder-se-hia ajuntar o interest 
se do adiantaitijenca do? fundus ^t^ a* sti^ reentRdKia j ^ 
mas como na6 he pbssivel, antevelto , melhdr tecf^i^fti- ' 
^imwiair este interesse do henefidio-; ou- ajuntailo a ^ 
pefda. ■ ../' - . ;■ '- " ^^ , 

tstO' sq explica^ raelhor com^ ^goas exemplos. ' 

Supponhamos i. que hum Negociante -v. g.deTii* 
fia diz a' hmn^ de seus amigos de Li"a6 que .pod^rja 
compr^t hifti^a-parrid^ de^eda eoi^tacnaa li^ I^iy.- de ^ 
I . « ^ -' ■"''■'. ^ Pie-- 



368 S E G U N D O 

Piemonre,' cada livra de 12 ong. , ico liv. das qua« 
r jia6 fazem mais que 77 liv. pagas em Lia6. 

2 Que todos OS gastos. dc Turin a Liao sera6 de 
30 sold; per cada liv. de Turin, • 

3 Que poder-se-ha sacar sobre Lia6 a 5r> sold* dc 
Picmontc por cada 3 liv. de Frnnca. > 

E querendo saber a quan'to se reduzira a livra do 
peso de scda em Lia6 , dcve-se fazer a 6pera§a6 da 
Rcgra conjunta, e dizcr: 

Se 77 liv. de Lia9 a pagam. fazem 100 liv. dc Turin 
E iliv^dc Turin . • custa 35Q s. compr. e gasr. 

ou 17 L Id s* 

E 5a sold, de Turin . . valem 3 liv. d? Fran§a 

'Qua,nto 4iira • . .^ • . i liv. de Lia6? 

Resposta ... . ^61.4. s. jd.deFranga 

Otitro cxemplo de Farts com HamburgQ. 

. » Supponhamqs que hum Negocianre de Hamburgo 
'ayisa a hum dos seus qorrespondentes de Paris* 

\l Que pbderia pbt^r ccrra qyaiidade de fazendas a 
. 6$ jnarc. lubs banc<^. ; - ' . 

2 0ue OS gastos da coaipra , commissao , &C. so- 
' ria6 de 4 por cento banco. •; 

3 E que poderia sacatr para o seu emtolqo, a s^ir^ 
^ber: * " ' 

Sobre Paris a 27 sold, Ifibs banso porbumescu'do dc 
cahibio. 

, Sobre Amsterdao a 51 ^jspldi conimum banco por 
hum daelder. ' ■/ . , \ 

E, sobre Londresa 33, schtlhigspqfhvimalih. stdirL 

Suppondo agora que o Negociente dc Paris sabc que 

I ' Os gdstos^de Hamburgp em Paris serd6 >de 5 por 
2C0 at^ a venda* ^-4.. 

% Qsie .pode fazer ,os fundos em A.msterda6 a. 56 
din. dd grosso bam:o por hum qjcidrdo de caaibio.^ ; 

... ••• \ ' ;/. , •■ ■ E 



' : S U ? P I- Br M E N T 0. -? ^ 569 ' 

, • 3 E em Londfes a 32 dim stcrl. por hum escudo / 
de cambio. ^ ' ' 

4 E' em fim qi;€ ico. li,v. dc Paris fazem lox de 
Hamburgo'; ,^ .; 

E quertndo dcscbbrir cm quantas llvfas de Franja . • 
itiontaria6 as 100, liy% de Pans, devem-afe fazcr trcs 
opera goes dci.Regrft conjuam , conio^asquisev^. , 

' ,' - * '^ - 

§ILDisposifaQ para saqut de Hamburgo s$bre Paris^ 

' * "• . . • - ■ ' *• 

Sc 100 1. de Paris^ao igtiaes a 102 L* At Haiitiburgo 

^Se 100 1. deUamburgocus,ta6 * 565 niarc, lubs banco 

Sc 100 marc. labs* b. hjzcm > 104 cm raza6 dc gast. 

. Sc X marc, lubs b. vale 16 sold. lubs banco. 

Se por^27 spld, lubs. b. sepnfga . j !♦ de Franca / 

Se xco liv. de Paris fa^eiu 105 L cm raz. dc gast. 

Quantas liv.dcFra^nyiidaraa 100 J. dc Pan's ? , 

RespHta . i28I.i4s.2.d.dePans. 

§ 111. Difpasi^ao para p saque de Hamburgo^obre^ 
AmstcrdaQ y t rtmessoi de Paris para Am^terdaS^ 

Se jco 4iv. de Paris fazem lb^ de HambtlrgOf 

Se icx) liv. dc Hamburgo custa6 65 marc, lubs b. 
Sc 100 marc, lubs b* fazem 104 em raza6 de gasr» 

Sc por X marc, lubs banct) , ou . . 

I daelder se.paga 34|s* com.b.cmAmst* 

Sc I sold, commum vak .v^din. degrosso . 

Sc por 5.6 diii. de grpsso se pa^a 3 liv. em Paris 
Sc lop Tiv. dc Paris fazem ' coj em razao de gasr.;' 

Quantas liv. de Franjadara^ loo liv. de P^ibis > . \ 

mitm,<, m — ■■ ■ ^ i .n ■■ I I I M I II III < 

Rcsposta " ISoIiv.iS^s^dcFranja, 



Aa . f iV. 



370 • S B 6 y N D o - 

§« IV* DifposicaS para o satjue de Hamburg0 sohre 
Limdrer » e remessa dc Par/s para Londres. 

Se loo liv. de Paris fezcm xo2 dc Hamburgo 

Sc loo liv. dcHamb.fazem 65* mar. lubi banco 

Se looraarc. lubs. b^fazem to4 cm razao de gasu . 
Se I marc, lubs <>• vale; 16 sold, lubs banco 

Se6soId. lubsb. valem i $oId. de grosso 

Se ^ 3 sold, de grosso valem 1 4iv. esterl. 

Se I \iv. .sierL vale 240 din. sterlin. 

Sc ppr 1% din. sterl. se p^aga 5 liv.«ide Franifa 

Sc ICO liv* de Franca tazcm loy em ra2a6 degast. 

Qiiantas liv<de Franja dara6 100 liv. dc Paris ? 
■ " > ' ' " "' Ji .. ^ ■ 1 " 

Resposta '^. . ijiLps^Sd.dcFranga,. 

- » \ ^ 

Pestas trcs operafSes resukaque 
A fazcnda dariapelo saqucde ^ 

Hamburgo sobre Paris. liS 1. 14 ^% d/cada lool. 
E pelofaque de Hamburgo ' ^ . " 

sobre Antscerda6 em 130 1. i^t. - \ 

E pelo de Hamburgo sobtc^ 

Lcndres' .. '• . 131L 11. s.-S.d. 
Seria logo convenicntc que o antigoc de Paris desse 
ordem ao de Hamburgo para sacar sobre Paris. 

§ V. Ouiro €xempIo para as f agendas \ que se 
xefidem^pot, medtda de comprimento./ 

•Supponliamos^que hum I^egodantc de kouenavi- 
sa a seu correspondentc de Cadiz. - 
*^ I Que poderia comfirar a dihheiro de^. contado os 
panes brancos a 130 \xy. cada 106 aitnas de Rouen , 
ou a pagamento. 

2- (Hie ' OS gastos da ^compra seria6 , coitipVehen- 
dendo a commissa6 , ' 7 , por cento- com pouca -^ilfe- 
rcncja. 

, . . ' ' , Que 



!' 



S U.F > t B Bf E K^T a ' 371 

3 Qie |>oderid sacar os seus desembol^bs sobre 

Cadiz a i> liv. 2 jolA.rpor cadd pistola. 

4 £ que Q amigo dp CadAz'sab^ qtieos g^tbs 
des da expedi^d6 aid a venda sera6de8 por cento» 

- y Equc icx> ^7^«tf J* Vde Rouen fazcm 140 var«s dt 
^Cadiz. ^; : ^H^ 

£ querendo sabJHJt^ntc^s reales de pr^ta da7k6 w 
100 varas^ direm©s™Ia Regra coiyuncai, . 

Se 140 varas de Cadiz fazera ' loo aunas dc Roudn 

Se 100 aunas de Rou^n cnstajS 130 liv. decomprd 

Se ibo liv. fiazem .•■ . 107 em razaS degast. 
Sc por 15 K\r. 2 sold, se paga 1 pistola dc camKio 

Se 1 pistola de cambiovale / 32 reales de prata 

Se 100 rcales de prataiTazem . iqS com ^astos 

Quanto darafS as *^/. • , loo yaras ? .^ 

Re^pQstd ^ ^ • ; • ' 327 feales ijmaravfed. 

, § Yl. O$fro exempJo p4ira os graosi ' . 

' Manda hum Correspondente de Napolcs dizcraa 
scu Correspondente de jyiiirseiha que 

I Poderia comprar o'/^27>/(9//. de trigo a 11 carlhtu 

2, Que OS gastos da exportaga^^ciu saJiida dc Na-^ 
poles serio de 36 por cento pouco mais y oa menos* 

3 Qpe sacara os seus descml^olgos sobre Venczji 
a iij due. de 10 cariim por icx) ducados.banco. 
' E o dc Marselha sabendo , . • . 

1 Que Vei^a poderia tomar o $eu emboJgo sobre 
Paris a 6t diicados banco por 106 liv. 

% Que ICO ttmioUs dt N angles fazem pbra de if 
septieres ej 4® Paris. ^ . ' , ' 

3 Que ioo septkres deParisfa^cmpoUco mais, ou 
menos 94 cargas e y de Marselha. , ' ^ ^ 

4^Quc OS gastos dc Napoles eui Marselha ^serar-^, '^ 

4,por^ico pouco, mais ; ou »cr!(i^, • VE ^^ 

' - '' . . Aa ii' '^ ' 



^yt S K a N DO 

jr E que podera fazer os fandos cm V^ris 'a a por 
ICO dc p^^nalfetra. . . 

. »' E querendo saber quanto Jhe custafia a carg^i dc 
Marselha cm^ dipheiro de Franja , dcvcmos dizer pela 
Regra conjuncra, 

Sc joo cargas de Marselha f^fjff ' ^ ' 

. zem pouco rnais , ou menos icy 7, sept, dc Paris 
Se -1 00 sept, de Paris/azera. .. 

pouco mais , ou menos '^283 j romol. dc Napol. • 
Sc I tomoli custa la carJ. 

Se .^ , 10 carlins valem , 1 ducado. 

Se ICO ducados fazeiri * 1^6 cm razad de gast. 
Se por 115 ducados dcNapbles 

s6 sc paga6 too due. b. dc Vcncza 

Se por 61 due. que Veneza re- - / ' 

cebe, sepaga goo liy. cm Paris .... 

Se por 100 sSsc paga 9^} liv. em Maii^eiha 

Se 100 dc Marselha faam . 104 cm razao dc gasr^ 
Quanto dard ' - » . - i c^ffjg-irde MarseU ? 

. Respostas •. . r^ l;4s. lodrdcFranga- 

§ VII. Outro exefnph para os azehes. 

- Hum Ncgocia-ite de Oorne avisa :ao seu Corres* 
pendente de namburgo. 

* I Que poderia alcanpr os azeites de Gallipoli a 
20 liv. mot da longa cada barfil de 85 Xwrzspeso iro-, 
' manai • .''''. ^' . '^ ' 

a Que osgastos at^ a expe€i5a6seria6 pouco mais, 
ou menos de 5 por ido'w^r^/z longa. 

3 E que poderia sacar os seus deeembokos sobrc 
Amsterdaoa 85 din. degros. b. pen pUstradeSrCales. 
" E 'to Negociante de Hambur^^cf s<tbendo . . 

* I Qyc, ioQ liv. peso d roniana faz Jii,i sofmeute' 71 |4c 
Paris. 

2 Qi)e 100 iiv. de Kirls hztvA 102 ^t ilamhurgo*. 



/ S t; ? F 1/ E M E N T o. 373 \ 

'3 Q^ ^^ gastos de Liornc cm Himburgb scriad 
pouco mais J ou mcnos deS por loo. 
\ 4 Que poderia fazcr remessa "para AmsterdaS de 33 
soklos Cammu ns ba rico por hum daeldo-. 

S Qyc OS azcices sc vendem cm Hambutgo a tantos 
rixdalles 4^anco"por cadaSzdliv/ » 

E querendo saber quanto ih<5daria6 as ditasSloHv* 
dira pela Regra cdnjuncta. 

S^ 101 1. dcHamburgo faecm loo Hv. 'de Paris ^\ 
Sc 71.3-1. de Paris fazcm 100 pes* dromanasiU 

Se 85 1. bu hum barrii casta6 20 1. moed. long. 
Sc 100 liv. moed. long, fazem i05 cm raza6 degast. 
Sc 6 liv. mped. longij^valem i piash de 8 real. 
Se pori piast. dc 8 real.sc paga ^85 din^ de gros. ban- 

- . .^ ^ CO em ' Amstcrda6 
Se. zdin. de gros. banc, valem ' I sold, com. banco 
Seppr j3sold.C0m.b. sepaga 1 marc, ©u i daeld. 
St 4| marc, liibs b^noo fazem ^ i rixdalle banco 
Se loorixdailcs^fitzcm 108 em raza6 degast. 

Quantos 3ara6 as • . 82b liv. deHamburrg. ? 

ij — — _^: . r^ .— .^'_ 

Respasta . • . . - 24 riid. c 32 sol. hibs. 

Estes cinco e^emplos bastardQ para mostrar d que 
. bemctssario saber posithamentepara emprehendtr hu^^. 
fta espeeula^ao y e c^mo sa deva apierar para fai^lla 
com* certei&a. .^^ ^ • ^ . 

CAP IT U L V. ^ 

- Do Sy»dico dos Fallidos. . 



Pc 



Qji SyndffO sc entende hiim* NegocUntc credor de 
- hutti Fallido, nomeadot e eleito por todo o congres- 
SQ dos Cr(idorcs para ctiidar dos sens negocias com- 
raufls, e cxaminar os livros do seudey^dor, Sec. 

1 / ^ V De 



374 S E G tr N D o 

De ordinafio ^a6 muitos os nomeados,* huntdos 
quaes se noniea para dcpositario dos* dinheiros : a no- 
mea^id^de todos deve scr feita pdr pluralidade devo- 
tes , e scgundo a boa ordecn , approvada pela Jurisdic- 
Ca6 Consular do lugar , sc ahouvar, e pela Real, ou 
Parlamento, se a na6 ha. (a) . ' ^ 

, ' Os podcres que heca^mme conqeder aosSyndicos 
sa6 : . > r 

' 1 Proccder a levantamento do scllo , quando o har 

a Fa«r o inventario geral de rbdos , e quaesquer 
efFcitos do Vallido , assim xoibo, de todos os livnos , 
pa pels , e documcntos^,, que podem servir para instruct 
{ao dos 5eus negocios. - 

3' Examinar conseguintemente ebalanso, que ode*- 
Tedor RprcsOTtoa , part vcr se estd , ou na6 regular ^ e 
bem feito. , * 

4 Cuidar na venda de todos^ os eflfeitos doFallido , 
ereinetter os dinheiros deste§ aoque d'entrcellcssyn- 
dicos for noiwado para, isso , oU a hum Tabelliafi es^ 
colhido por todos para estefioi. ;^ 

Cobrar todas as dividas activas, e^fiizer para isso 
us diiigencias ncccssarias- ^ * • ^ ^ 

6 Exaofiinar com cuidado mdas as justifica^desdos 
que pretcndem ser cr^dores do Fallido , para apurar* a 
, y alidade dcUas. ^ . '• ,. - ,, • 

^ Para que cumprao perfeitatnenffe com 'todas a^s'uas 
6bfiga96es , tern de observar niuitas cqusaW 

1 Na6 devem abusar da aurhoridade ; que Ihesfoi 
da da pelos cfedor^ 5 para Tcxar*, t malrratar o Falii- 
do: mas tambeni cumpre quefuja6 de ftvdrecello com 
prcjuizo delfes poritlotivos de interesse particufar. 

2 Depois deter. fejtb approTar o s6u?pocler^ ^3^- 
vem levar a cam do Cbromissario liiimi r^la9a6 Se to- 
dos OS oppoehtes do sello do Fallido , Fazellos assignar 
eni, ^ua ca«a para que convenhao rio levantanlento des- 

■ " ' •. ' '•' tt: 
\%) ^Nb Dossd Kcu)o o he pcU J^inti dp Coiliimrcfo* 



S XT P f L E M E N T 6* "^J^ 

tc: e. como.; de ordinariocaida oppoentQ aj^rcce "por 

s^u prbcurador , devem oi Syndicos fazcr com que sc 
orde|)e que o, Procurador ,aiais\antigo sirva por todos. 
OS oppoeiitcs ^ a fim de evitar os gasjtos consideraveis , 
que se fariao-^ se,,cada bppoente tlrera o seu pfocu- 
rador: pois todos 'esrcs gustos recahem spbre omori-^ 

j.Se fazendo o iawntario, algucti cr6dor reven- 
dicai" a ikz^nda , que tiver-vepdido , ao dcvedor ^ he 
#>^e$5ano fa?er a descnpqao dell^ , e sab^r a qualida^ 
de , .Iquantidadc , e cdr i se as peqas t^ ainda asr^^j*, 
isto ke^ se esta^ , bu iaao eneetadas J eochumbo, em 
q»c esta gravada a iqarca dp revindicante , e dar-lhc 
huin ^uto para Ihfj.ser eritrcgue. Is to esta cm uso^ a 
fim de e?ritar toda.a contfenda iiyusta; \ 

Feito o invcntario geral do Fallidov, devem os 
Sfndico;S exaininar <^act9,meiite.os seuslmosparaqer*^ 
,tificar-6e de qu€;.a relagao^d^s devedpres' , ^ e credbres , 
qa6 die deo , esta cqtifprrae. Deyetn depois disso ava- 
liAr crti qiqantq podem raon tar todos os seus efFeitos-, 
■c hci^s j assim moveis j como.de raiz, c dar hutna 
conta ddlft na primeira Juflta dos Oedores , para que 
. se possa resolver se cohy6m deixaljbs ^em poder do Fal- " 
lido com tas candiqSes , que clle prop6e , ou fazgl^-' 
lq;s vcflder/efti Ic.ilaS \ para repartirrse o dinKeiro entre 
todi>$ PS crMores, ^^ * / . ^ 

( jf Antes depassar a'est^^ deliberacao, deye^se obri- 
gflr 40 Failido a datyConta dp seu generp de proce-^ 
' qcr : dete . cste primcirp que tudp justificar as suas per^ 
d^sr com bons, e valiosoa instrurn^os^ como por' 
^xemplo com^scriturasjde cspcri, ou accammoda^i^o - 
com 0^ seus detedores ; se estas.perdas prpcedem de 
ffellimento, de prbcessbs verbaes, oii pelomenos par 
cartas de aviso: is^ ellas fora6 motivadas por narioto-^ 
mado^ ou nauFragado, &c. ^ 

6 Dcyem dqx)is dissp os Syndicos examinar o ere- 
dito. de cada credoif^ em particular, para Ver .$e a^ sotn- • 
.:(., .'■.,'••'" ■ ' • mas. 



37^ S E Q U N f) b 

•» mas," que illes pedem, sao legitimanlentc deyidas; se 
aqticlles', que dizjem scr jcr^Mbresliypothecarios , osa6 
cm Virtude de coritrato dcconstituijaSdcrendas; ohri- 
gajoes, sentenqas , #&c, se outros o sao por venda de 
casas ; se ellcs tern privilcgio especial sob'rc cstastjce 
OS' cr^doreS chirograforios o 8a6 como portadorcs de 
, letras de cambio protestadas ,* de promessas , biihe- 
tes, ou comq vendedores. de diversas fazendas.:De- 
vem, tambem discutir ef?criipulosamente os interes^es da 
iDulhcr do Fallido, examinar em Yirmdc de queeHa. 
se faz cr^ddra dc seu maricfo. E final ment^ he de afb- 
soluta necessidadc que todos os tirulos , e papeis,, cm 
virtude dos quaes os.credores dizem qiie psa6 doFatl- 
lido, seja6 cxactissimamcnte. cxarfiinaaos , porque" em 
, .taes recoil tros se fazcm de ordinario muitas veljiaea- 
' das. . ' • • '* ■ . . 

^7 fexaminando OS Syndicos os Liyros dc Fallido , 

'devem sobre tudo vedficar se clle aa6 fez alguin'as 

'Tendas , /cessSes ^ traspa^sos , c/ pagamcatos-cfti provei- 

to de algutis deseus credores^^pouco' antes dfe fallir,' 

e por conscguinte corh detiimento do« outros seiis 

crcdorcs; porqiie todas estas cessf>es ,. traspassos , ' )r- 

tras passadas , &c, ficao de dlreito nuHas , e dcf'em 

tiazer-se ^ mcnte * o que na6 sp He cqnforme ao- co^- 

Tuine J senao^que em l^ratiqa ate assim o ordennd as 

Ord, como entre outras a de Mar§o de- 167^^ Art..4. 

Tit. i'l., aquai diz: J}€c/amwos nul/os tvdosor tras- 

fas SOS , cessoes , vendas , e doaCoes de bens tpovejs , o» 

de raiz ^feitos em fr nude dos ere dotes , e queremos que 

se tragao ao mcnte commurn dos.effehos^ jE o Art; 13 

da Regimento da Pra^a de Lia6 de i .de Junho de 

l66j y o qual diz : Que Udas astess^es ^e traspassos 

sohre-os ej^eiios das FalUd^s serAoMtilios^ vaS siffdo 

feitos pelovienQs dez di as antes' de serpii/ic& Qfalli^ 

vitnto. E aOrd. dc Henrique LV* idomez de Mar^ de 

1609, que A\z^ssv:nv Dec-aramosiaes traspassos Crs* ■ 

soes^ vendas \, e doa^oes^ de hens ^meis^ ou de rai^ ^ 



I 



1 



1*ag. 377 * 



■ , c fr^^om , f . Trancisct ***. HAFER. 

Reis. Il^is. 



" t; A 'pnmHra cousa V qtie" »€e\'sin- laia^ t»»-'5fndi 
cos, feito que rcnha6 a rela^ab ou bakn^o rtferido 
he convocarWiroa Junta gcral de todos os cr6dores 
para dar eonta dos negocios do FalHdo. Aqueile , i 
queiafoi.dadb a Carga o balanjo , esSe he o queue 



. soi^re-os c, - ^'^^ Vnliidos serMmlios^ nkS s^fido 









, S XJ P IP L E ME K T O.. . ^ ^^*J^ 

feitbi emfraude dos crtdorts \ dire eta » oU inMre^ta-- 

mente ,* nulks ; e de nenbum effeito , e vigor ^ prohibit 

'wos a todos OS Juizes quenad^s attendaOj (3*0. A De- 

claragao de Luiz XIV. dc i8 de Noverhbro de'iyoi, 

quc.qonfirpiaiido , e approvando o Art 13 do Regu- 

lamento da Pt^a^a de Liad , ordenou qiie todas as ces-* 

sSes] e traspassos^sobre 9s bens dosMercadores , qUt^em 

a .fallir y serdo milos^ ede nenbum vigor ^fjao sendGlfei*- 

tos pelo menos de% dias antes de cerrer a noticia do seu 

fajlimento ; como tambemr^ que todds as escrituras , t 

okriga cots passadas perante algum TabeUiao ^ em bene^ * 

jfido de'alguns dos seus crtdores ioupara contrabitno^ 

n:as dividas ^ejuntamente as senten^ds ^tiUe sedtrem 

contra elles.naS adquirirdo hypothec a algtftna^mmpre-' 

ferencia ,sobre os cr^dores chirografarios^ quandirdsdh' 

tas escrituras] e obrigacoes nao s^o passadas ytrasdi' 

tas sentenfas dadas igualmente pelo menos dezdias an^ 

^tes deserptiblicoiofaUimento. 

8 Depois ,quc os Syndicps tiverem cumprido port** 
tualmente tudo qaanto ate aqui fica dito dcvem' cui- 
dar eb fazer' hiim balance , ou rela?a6 por Deve, e 
Ha- de haver dc todps bs bens , e cffeitos doj^allido ^ 
assim^crivos, como passives. Eporque muitas pes^oas*, 
e particularmente ostnogos p6dem ignorar qual fiSnna 
se deve dar a. hum balango' do Failido^, na6 nos pa-, 
'^eceo^ desaccrtado dar aqur hum tnodelo para elle ; 
onde inelhor* se cxplicara tudo quanto heesseiiciaU * 

Esta fdrm^ula s6 p(Sde servir de modelo panaoutras 
de qualquer maneira que clla sefa ; vi»to qiio^irtuitos 
fallkrcritos-ha /que jia6 trazem comsigo todas as cir- 
cunstancias , que nelle se declarad. ' j' - 

9 A primeira cousa, que *devem fazer os* Syndi- 
cos, feito que t<!nha6 a rela^ab ou balan§o rcferido , 
he .conyocar J^uma Junta geral de todos os cr^dores , 
P<ira dar conra. dos negocios do Fallido. Aquelle , a 
quai) fgi^dado a cargo o balanjo , ipsse -lie o quede^ 



ve expoUo^ que curbprc que faja de huma itianeira 
breve y t intelligiyel , fem cxageraga^, e com mode- 
ni^6* Quanto as proposi9de$ da acc6mmo4a9a0 y s6 
sc devem faier pdo Fallido, ou por.qiietn suas vesres 
£zer , iicando spmfH^ salvo aos Sjsdicos q examiiiai* 
fas para poder proairar o que cm me^os desabono, e 
prejuizo for de todos 08 credores. 

10 Se o Fallido f6r conscrangido a abrir ina6 ^m 
^^1 de todos OS seus beits, e antregallos aos seus 
<TWores , devem eftta6 os Syndicos r^obrar a sua vi- 
gilancia , para que efFeito nenhum na6periguevouse* 
3a vendendb promptamente M fazendas , que jcsta^ em 
^stado de perder o vabr por baixa.^ mudan^a dempda, 
&c. ou cobrando com exacta diligencia as diflfeixntes 
-dividas, ou iinalmmte escolhendo algumas pessoas io- 
telligentes para fazer. a liquida^a6 de todos os nego^ 
xips^ dar conta della em Junta , e fazer a partiiha 
pelos cr^dorqs ^ a propor(a6 .da cobran^a , e s^undo 
ratcio. , ~ 

Em fim devem os Syndicos scr na6 so sujeitos de 
probidade, e- de reputac;a8 intacta., mas "devem tamr 
bcm ser capazies per si mesmps de rcger , e adminis- 
irar os pegocios do JFallido , saber rerolver^se com acor- 
do segundo as circunstancias > que se offerece^, en- 
tender tambem alguma cousa da Jurisprudencia mer- 
cantii, para que no caso do litigio possa6 tomar o 
partidoy que mais vaotajoso for para o monte, &c;« 



TRA- 



r 



TRATADO 
DOSCAMBIOS. 

Cffmo sa8 differentes asCambios segundo as different es 

^Pra^as\ sebre que se sacao l^etras ^^areceo-nos 

acertado , e Util ajuntaraquia seguinte Tab ^a da naS 

so das Pra^as , que sacao humas sobre 0utras , mas 

tambem ido differerite ^dkr , /w que sacao. 

' _:..•',■•, ',-.§!• --.V ' ■' '''•■■'■■ 

TA BO AD A ; 

l)as ^dhersas Pracas^ que sacaSbumas sobre outras^ 
e do valor ^ for queardinariamente saedS. 



/ISBOA , E PORTO sobrc ;; . 

Londrcs., a canibio .de '63 at^, 69 \ dinheiro?, de 
libras sterliaas pof i(|)ooa reisjeja tern 
. cfiegado a' 70^ 
Amsterdao , &c. a 4I at(^ 50 grossos de;fl(Kiiis 

' ^por cada cruzado , ou 400 r^is^ 
Paris . . . , a 441 atp joQ r(§is por cada escudp, que 
"sad 3 libras Tornezas, e ja chegou ^ 420 
^ reis. ' . 

Madrid , &c. ^ 2^185- r^is at6 2^580 por cada 
♦ doblao de 3 2 reales de prata. ^ 

* -V a 701 atd 820 r^is por cada peso ,: 
Genova, « I ou'pacaca;,quevale5r libras, e 15' sol- 
Liorpe '* rdos no Ccmmercio ^fuori banco cm Ge- 

J nov^a , e 6 libras em Liorno, 
Hambufgo a 40i at6 50 Grossos de florins por ca- 
da cruzado , ou 400 reis. < 



LON- 



380 ' S JE « N D O 



LONDRES sobre ^ -, 

Lisboa , c Poi> 1, a 63 ate 6<) i dinheiros de livra ster- 

■ to /iina por i4)ooo reis. 

Amsterdam ") ' \^ 5 soldos , ou schcllings^ e 3 1 di- 
D !l !i A V nfieiros dc -florins ith 28 soldos , ou 
KotterdaS, e^ schellings dc florins por cada liva 

n , T, J "> azoatd^S^idinlieirosdelibra ster- 

&c.^ '• > lina por I cscado de 3 libras Tornc- 

Madrid , Cadiz , ? ^^ «p^^ J> ^ ^^ ^ g ^^^^^^ ^^ 

y prata , ou ^72 maravtfdis 
^ , •v a 64 J ate y 7 j.dinheiros de libra ster- 
Genova , C'Liw- 1 lina por cada peso, ou p^taca de 5- li- 
ne ' r? bras banco em Ge/iova,.cde 6 libras 
-/cm Liorne. 
' Hamburgo , a :^i'soldds , ou schellirigs c|grosso dc 
^ fiorim at^. ^6 soldos , 6u schellings de 
florim por cada" libra stterlma. 
Bremen , e ou-^ * 

tras terras L a 541 at6 j8o rixdalles por 100 lib. 
na G^rwj- Csterlinas;- - ^ 

Veneza , a 45 f ate,55'-|-dinheiros de lib.sterlina por 
, ' ^" hum ducadqde banco de 24 grosses. 

Jetersburgo , a 40 \ at6 6a grossos de lib. seeriina 

. ' por cada roble. 

Dublin , Corke 3 1 : \.' ,• 

&c, J a 4 ate 13 f libras por loolib. . 



j'\^ ^ 



DU- 



S u IP p L E mt, w * c. ^8l 



DUBLIN , CQRKE \ &c; sobre ^ ' 

Londres a 4 ate ijf libras per io6|^ 

■■■ ■ " ^ >-■ --•>-- ■■ . ■ '' '■ ' ■ itf ' 

AMSTERD AArOTTERDaO, ANVERS,&c.- sob. 

.LIsboa , c . Vqt- \a^^ ate jjD.grpssos de florins por ca- 
to /da cruzadodc^oori^is. ,. 

Paris, a ^o ate 58 ^grosses dc florim por humescu- 

. do do 3 libj-as Tornczas. 

Londres , a 3;^ ^ soldos, 03 l-grossos de florim atd 

38 soldos 5 ou schcllings de florim por 

xada libra sterlina, * 

Madrid/Gadiz, 1^ 9^4 /t^ ip } grosses dcJ florim por 

&c C "^ ducado de '375 maraYedis de 

Geneva , e Lior- ? « ^3 at^ ,5; igrosiibsdc florim por ca- 
' r da peso ou piastrade jliras banco 

^ ^ em Genova^ c de 6 lifas cm Liornc. 

Hamburgo', a 20 } soldos ou sfuyvers^t6^^^ ~ sol- 
dos , ou stuyvers por cada ducado , 
' * ou 2: marcos/ -*. ^ 

Perersburgo, a ^j at6 54 f soldos, ou stuyvers ^ox 

hum roble. ^ 
O Banco de Hollanda para a'moeda corrente he 
a I I at6 6 por 106 , e a. moeda correbte deHoUanda 
para o Banco he a 1 ^^xi 6 por 100. 

PARIS , BpRDEOS ,'&'c/ sobre / 

Lisboa, e Por- 1 a 441 ate 5-00 reis por cada esta- 
te J dp de 3 libras Tornezas. ' 
Londreg, a 29 ate 38 || dinheiros delib.'stcrlina 
. . por hum escudo de 3 Ub.- Tornczas/ 
Amsterdad ^ a 50 ate 58 J-^ grosses dv' flojrim por ca- 
. . . . da escudo dito. j 

\ : .- . .^ ' Ma- 



^tt S E. CI V N D- 0" 

%tf J J r^ 4* ? alivras Tprnezas 13, ir soldo$at6 
Madrid, Cadiz, ^ j,^^ 17, losoldosporhumd^a^ 
^^* ' -) de 32 r*ales de prata. • 

"\ a 93 at<J loi soldos, e 3 diaheiros de 
Genova., c Lior- l liv.Torneza por cada peso de j liv. 
ne y i^. soldos fuari banco em Genova ', e 

•^ liv. 6 cm Liorne. 

MADRID , CADIZ , &c. sdbre 

Lisbioa, a izSy at6 25*80 reis por h^{^ dobraS dc 

prata dc 32 reales. 
Londres ^ a[ 36 f at^ 45^ 7 dinheiros de libra sterlina 
• por hum peso de prata dc 8 reales^ 

Amsterd'i^ ? * 90t'at6 103 { gfossos dc flori/n 

Paris Bordeos '?^^^^^- Torne2asi3, 11 soldos/at6 
g^^ ' > liv- Tomczas «7, iq soldos por hum 

' 3 dobra6 de prata de 3 2 real^. 
Geneva, a 621 at^ 660 maravedis de prata por hum 
cscudo de oiro j tambem aiivr. 21 , 
16 soldos at6 liv. 24 , 5 j Sfuori banco 
por cada pistofa de 40 reales* 
liiorae, a 120 ate 134 1 pesos de Hespaaha por cada 
100 pesos de Liorne de 6 liras cada 
hum; 

GENOyA sobre ,. ^ - 

Lisboa, a 701 ate Sao reis por cada peso de y li'n". 
15 soldos fuori banco. 
Londres, a 46 j ate 5'7 ^ dinheiro por hum peso de 

liv. 5 banco. '\ . 

Amsterda6, a 83 ate 95^ | grosser deflorim porhurn 

diro. ,. ; . / ; 

Paris ^ • . a «^ ate loi soldos pbr bum.dito. 

' . . . Ma- 



MaikM >a 6zi at^ 660 maravedls de prata por hum 

' ^scudo de oiro ; oii^ a livr. 21 , 16 soldos 

' ate livr. 24 , 5" 5 6 , por hiima pistola d« 

4Ci reales de prata^ ; 

Cadiz, e Ma-r 1 a 126 at^ 1J4I pesos de Hcsptrtha 

drid. J por 100 pesos de Genova. 



LlORNjEsbbre 

Lisbpa, a 701 at6 820 reis'peir hum p^so 'de 6 

liVras.^ 
L<md£e8.) a 46 | ate 57 ^dinheiros de life; ^terL pei 

, hum dito. 
Attisterda6 , a, 85 ate 95 j grosses de iloriin por hum 

dito. - 
Paris, a 93 are 10 1 soldos , 3 dinhciros por .hum 
dito. 
Madrid ^je Ca- 1 a 120 at& 134 | pesos deHcspanha 
diz , J por loo^itos. \ 



HAMBURGO sobre ^ 
Lisboa , a 40! 7 ate 5'ogrossos de florim pw cada cni- 

zado , ou por 40© ireis 
Londres, a 31 soldos^ ou schellings c l^grosso de 
Aorim at6 36 soldos de dito por budm 
libra sterlina.* 
AmstcrdaS, a 29 j atd 35 tj soldos; , ou //ijywrx 
por z xuarcos banco. 



BREMEN , e. outran terras na Germania sobre 
Londrcs , a 5-41 at^ 5" So rivdalles por ico liv. sterl-. 



VE- 



584 S E Q.U N D O 



VENEZA gobi« 

Londres, a 49 artJ j'f jdinheiros de iil). sterL per 
* hum ducido de 24 grossos;. 



PETER SBURGO sobre 

Londres , a 40 j ate 60 dinheirospor humroble,^ 
Amsterdao , a 37 |atifc54«soldos , ou stuyoers por 
' hum dito. 



§11. _ ^ 

Depois de ter mostrado na antecedehte Taboada 
iquacs sa6 as fracas , que sacao huraas $pbre outras , 
c o valor , por que sacao diiFerehtes quantias , na6- se- 
ra inutil dar hum cxemplo sobre a maneira dc prati- 
car as contas , que a cste tespeito sc devem ifaz^er^ 
dandp hum exemplo ^obrc o Cam!^i6 de cad- Pra§a. 

.. . Cambiode Portugal para Londres. 

_ JaaS sacou kira eni Lifhoa para laondres ^$hre Pe- 
dro pela quant i a de ^g&^ooo rei^ a cambio de 64 ^ di- 
nhetros de libra sterlinap^r i<^ooo>reis.', Q^er saber 
quant as librae sterlinas importao em Londres} 

Rcsolveremos. a questaS de que se tr»ta , valen- 
do-nos sempre das regras dadas. ' .. 

1 Buscando nesta proposta os dbis.niimeros scmc-t 
Ihantes , que devem servir de primeiro^ e segniido 
antecedente^, visto quQ a .proposta -se dcve resolver 
pela dirccta,'acharemos gue sa6 i^ooo reis , e 596(^003 
leis. " ' / ' " ' * 

2 Para ^bermos qual destes dQis de^e ser o pri- 
meiro .antecedence, .devemos examinar qual dcJles he 



f» priiKipal da questao , c acharemod cjiie he icjyoogf 
r^is , por ser o que vem^rom o seu rclativo 647 dinhei^ 
-ros , c logo procedercmos i Qper|9a6^ dispondo 6» 
termos da mancira seguinte : - 

r^is. r6is. din. liv^r. sold. dirii 



1000 : 596000 :: 64^ : • 160 



6 



aooo 


129 
596000 


« 


•- 


774 ^ 
1161 

64f 


-dim 




76884000 

lOOOO 


3844»- 


4 


'O 





Que reduzidos a soldos repartindo por il , e qud^ 
ciente> que^der a parti§a6, por 20, acharemos quail-. 
tas livtas sa6 ^ como se v^ : 



0200^ 
6 



ao4*3^o3 
• 100 
60 



3203 soldos, 6 dinhelro^i 



1. 
160} 



d. 
6. 



Feita assim a operagaS diremos.qtie ^^6^lyx>o si 
64\ dinheiros pdr i^coo riis impt^rta^ livras stcrliiutt 
160, 3 soidps , 6 cUnheiros. n - 



Cambio de Portugal para Amsterdanl. 

Como resolverernos a seguiote questaC sobre o Cam-* 
i>i6 de Lisbda para Atastardam ^ pergttetarei.s talvezi 



g86 Seg^udo 

SacdrsS em Lishoa para Amsterdam Letrd ck 
194(2)000 a Cambio de 45 grossos de Jlorim por 400 
reis., Quantos fionhs impottaS em Amsterdam ? 

Feito o mesmo exame como nat antecedenrc. , , cii,spo 
nemos OS tcrmos , e farcmos a. operajap na seguintc 
QiaDcira. 

riis r6is, grossos. flor. s. d» 



400: 



294000: 
43 


• 43 ' 


882000 
1176 


grossos 


12642000 
002000 
00 


31605 



790 : 



. Que reduzidos a soldos , repartindo por 2 , e o quo- 
ciente 5 que resultar da parfica6 por 20, acbareinos 
quantos florins sa6 , como se vS : 





soldos. 




florins. 


a-f ^1^5 


15801 


0. 20^15801 

Q), OIOO 


,790. 


II004. 






CXD 




' ' ■' 00 





Feito isto acharemos que 294^000 reis a Cambio 
de 43 grossos por 400 reis , da6xem Amsterdam 790 
florins „ 2 soldos , i dinheiro ♦ ' 

Paril saberdes donde vem os 2 soldos , e hum di- 
irfieiro , notareis que repartindo 15802 soldos por 20 
soHos , que rem cada florim , veio ao' qiiociente 790 
florins, ficirao de residuo 2 soldos, coryiose v^ da ope* 
Taqa6, Da mesma s6rre repartindo os 3 1605' P^'os grossos, 
que tern hum soldo, ncou de residuo i dinheiro. E 
assim o deveis entender de todas as opera^oes seme- 
Ihantes, que .fizerdes^ e vos sc^bejar da parti 5a6 algu- 
jna cousa* 



S tr * » «r K M E N * O* ^itj 

Camhio dc Portugal para Paris. 

SacdraS em Portugal s^bre Paris^SA^booo a cam^ 
Ih de 4^2 riis pwrescudo. Quantas linjras T4f'nessias 
fmpprtao} . » 

Devcmos advertip.qoe r escudo temtres livras Tor> 
nezar , e dispdr os tcrmos nesta ordenor , procededdd 
logo 'd opera§a6, 

livras. 
• 3 



reis. 
451 



r^Is. 
354000 

1062000 
015842X 

0425:1 
O 

451-^5-040 

052* 

068 

12 



livras, 
^'349 ^ 



sold. 
II . 



dim 



ii^ 



residuo. 

.sold/ 
'li sold. 

tesiduo. 
dinlieiros. 



r 



1 y 



dinheirospjY 



452^8i<5 
^ 364 

E diremos c|ue 354'|)oob r^is a cambiode 542rdis 
per escudo y imporra6 ^349 livras, li soldos, i Tff; 
dinheiros. 

He de notar que raultiplicando o residuo if 2 poi? 
ao, e refwrtindo o product© , ao ^de deo o cjuociente 
da parti 536 chamaxnos soldos t e tornando a multipli-' 
car o residuo 68 desta ultima parti5a6 por 12, rcK 
partimos o, producto , e o que deo ao quociente cha* 
mamos dinhcirois : e a vti^o por que assim o f»^mod 

Bb ii hi 



3SS S E « ^ V 9 o 

he quecomoreiiduo 252, e o partidor 45^2 figuramor 
horn quebrado, de que fica sendo numerador ^252^ e 
deoominador 452 > dizendo que sa6 fff de livras Tor- 
nesas. Fara sabenoos a quanto oionta este quebrado, 
deremos fiizer a opera^aS que vistes , eii se vos mos* 
ttou que inonta6 11 soldos, i^ de ainbeiro. Bern 
tntcncMo J que como do residuo da parti9a6 , e seu 
partidor se forma hum quebrado , segundo acima dis- 
semos , do rcsiduo 364, e do partidor 452 fazemos ^ , 
que reduzido a menor expressafi , repartindo per 4 , 
assim o numerador, como* o denominador, confdrme 
a regra , ' ^fica o quebrado v^nor^j : o que se ficara 
cmendendo de outra qualquer^opera^6 semelhaate. 

Camhio de P^tngal para Cadiz y Madrid , &c. 

Sacou 'Bjodrigo letra em Lishoa s§bre Francisca em 
Cadiz y import and9 6i4<J)oa3 rets a cambto de 2(^1)340 
tits por cada dobraB de 32 re ales de prata* 'Quanta 
import a em Cadiz ? 

Sabendo que hum dobra6 tern 4 pesos ^ e cada pe- 
so 8 reales , e hum real 34 mdravedis , respondereis a 
esta questad ^ por meio da seguime opc^afad. 



r^is 



S u '» » 1, B a E K T O. , - 3^9 

4340 : 614000 : : I : 

' - . 4 pesos, - : 

- 8 



32 reales, 

_34 

128 

__9^ 

614000 



435:^000. 

1088 ' ^ ^ ^ . 

6^iS ' ifaaravcdfs, .^ * 

;ioq83688 | 

. OIIOI 

CJOO ♦ 

Querendo agora sdhcr.z'i^^^^ maravcdfs quantos 
^ pesos sa6, fazei a seguiate opera§a6 de redijfcqaS. , 

realee. inarave<iis* ' 

34^1854^318396 i^ 

013229 I . . , 

• -0321 • • . 

pesos, reales. maravedj's. 

5 -f *394 f IQ49 4> i^iff 

^ 0074J . 

JO 

E vereiis que iraporta a letra em Cadiz 1049 pesos, 
4 reales , 9, i^.ff mararedis. . Cam' 



590 ,'SiBaTri!iDi> ^' 

Cambio de Portugal pars Liorne\, Genom^- ^e^ 

Gomo o Cambio para Cenova, e Liorne he o mes- 
mo , assaz he que para exeoiplo vos mostre como se' 
resolve a seguinte questa6. • 

Huma Ictra sacfida em Lishoa Tobre Genova im- 
fortando 342(^)000 rii^s a ca^nbio de y^u rets por cada 
bum peso^ ou pataca , quanta rende em Genova ? 

Eteveis advertir , que hum peso de 'Genova se di- 
vide em 20 spldcR;^ e hum soldo «m 12 dinheiros. 

Deveis tambe'm sabtr que huma lira, ouIivra,que 
lie o mesmo , se divide igualHiefite em ao soldos , e 
hum soldo em 12 dinheiros; e que hum peso, ou pata^ 
ca , que serve para os ca'mbios no Commercio , vale 5* 
livras, e 15 sbldqS, ou iif saldo^f fuori banco j mas 
p seu valor -obmmum he de 6 livras , ou 1 20 soldos. 

Isto supposro resolveremos a questa6 , de que se 
^ijita desta maneira. 

7^0 : 342000 : : i : 
240 2Q 

i^^SoOQO to ^ . 

6S4 , I?' • 



■•flr 



■ 2i40 ;; . ^ 

82080000 I 109440 dinheiros. 
073300 I 
P030 ^ 

Os -quaes para reduziriaos a\p*so$ » repartiremos. 
fi0r.i2, e o que resultar no qubcjeptc por q^p, da 
^i^neif^ seguinte: / 



f* 



S U B. F L B- M B N T a. Jpf 

I2>f 109446 I 9120 sold, (p 2o-f.9i!io P456 ^S. 

00120 I : . IIO' I . 

Da opA'agaS sc mostra , 1 que a letra , de <jue sc 
trata ,. vem a impprtar em Genova 45*6 pesos de 5 Ur. 
c 15 soldos. 

Cambio de Portugal para Hamburgo. 

Rcsolveremos finalm^nte a scguintc proposta pant 
cxemplo sobre o Cambio de Hamburgo. 

Huma ktra t^emettida de Lisboa para Hamburgo 
imporSandj yio^ooo r^is a^ eanibio de 4^4 gros{os de 
fiorim pQr /^ riis-i q^antd rende} 

He nece§sario saber que hum marco, ou florim de' 
Hambui'go tem i6 soldos; hum soldo tern I2^inhei- 
ros , ou 2 grossos , c hurti grosso tem 6 dinhciros. 
. Hum rixdalle tem. 3 marcos, ou 48 soldos, 

Isso siipposto resdivei a qucstad reduzindo^os 48I 
grossos d dcnomina$a6 do quebrado , e o product© , que 
resulrar da multiplicacao , tornai a reduzir a diqhciroa , 
multiplicando por 6.3iaheiro^, em que humgjrossose 
divide. O que tudo fareis da maneira segiilntc : 



. / 



r^ 



39* 



IS k G tr K .0 • 



400 
?Q0 



yiocDOO : : 




582 

720000 

< . ■ I. w 

II64 . 

4074 



419040000 
61560 
000 



5'238o« 



Qiierendo agora saber ^'23(^800 "dinheiros quan- 
tos iQarcos sa6 , fazei a reau'cqa6 , repartindo os 
$23(^800 dinheiros por 12,, cjue.tafitos dinhq^rostem 
hum'soWo, e o que vicr ao quociente-tornai arcpartir 

gor 16 soldos J que terno marco, ouflorim, edar-vos^ 
, a o" computo de florins, que importa af letra em Ham* 
|)urgo , como se re : ^ 



12-f 5*3800 1 43650 


) soldos, 




04760 1 




. . ■ poo, ■ . . / 




, ' florins. 


soldos. 


l6^456fc> 


2728 


» 


- - "43^ 




* 


OQIO * 


\ 





' 


. '\ 



. Da opcr{j§a6 asslmfeita, claramehte se mosrraqqe 
|iTi porta aletr^ em Han^bqrgq ?m^ banc.^^orius 2728, 



' / S u ir t L E M E 1? T o. 3^ 

Camhif) de Inglaterra fata . Lisboa , e Porto. 

Tctfjos ate atjai tratado sobre o cajpbio de fcrtu- 
gal para estes diversos portos. Pa«semo8 agora ao de 
IngUrer^a , e sirva o ,seguinte ercaiplo. * • . , 

Huma letra sacada em Londres ^ohmt o Porto vem 
impot-tafjdo emij{2 livrasHerlinas, i^soldosye 4dh 
nheiros y d 67 dinbeiros por icco rdis. (^tr-ss sabtr 
a quanto monta em imeda corrente de Portugal. , 

^I|aveis de saber que huma livrasterlina se divi- 
de em 20 solflos, ou schellings/e hum soldo em iz 
dinheiros. 

Isto $upposto 5 observando scmpre as rqgras , prepa- 
rai OS termos, e dispondo-os na ordem estabelecida y 
proce.dei a opsracad na fbrpia sqguinte : ' . 

dinheiros. .lib. -sold. dinh. reis. 
67: 142, 15/ 4 :: looo! \ 

' ■ i°_ . i - ,' 

•12 - - ' .,. 



5710, 



34MO . ,. ■ 

_ ^ 1000 reis. 

34Z400001 JI10447T 



-0077^3^^1 
00005' 

Importa a letra em mbeda cwrente dp Portugal em 

f iic44^f r^is. 

' damhio de Londres para Amsterdam.^ 

O que flea dito, entende-se do cambio de Lou- 
(Jres para Pbrcuggri , mas sendo de Londres para Aras* 
lerd^o^ sefvifd 9 se|uinEe eiejnplQi • ' 



394 S K G IT N D O 

Pedro sacou em Lotidres sobre Amsterdam 65-2 //u 
3 sol* 1. dinh^ a camAitp ^34 svL e 2^ dinheirbs de 
grossopor btimaUvra sterlina. Quant as Ih. sterlinas 
import ard a letra ? • 

* Deveis saber que para o cambio delngla terra hum 
florini stf divide em 20 soldos ; e hum soldo cm 12 
grosses, ou * stuyvers; e hum grosso em meio stuy- 
vers 5'ou 8 dinlteiros. 

Isto supposco para resolver a antecedente propos- 
ta, reduzii^eis os soldos a grosses ajuntando-lhcs os 2 , 
e depois disso reduzireis a dmhcirOs , e eomo \ gros- 
so sa6 quatro dinhdros , ajuptar^lhos-heis \ e procedei 
a opera 5a6 da proporcao, corao aqui se vi : 



lib. ^ lib. 
I : 65-2, 



sold. 
3^ < 



dinh. 



20 
20 



20 



1% 



3284 



sold. 

34> 
12 g ros. 

70 

J4: 



gro?. 



410 
8 dmh. 

3^84 



626072 . 

125:^144 
3^3036 
4695* 5-4 dinhciros<\ 



514005112 
03046193 

IpI2I2 

o 000 



21416877^ 



E querendo redinltr a flowiia repartffeis os 2: 14 1 (j>687 
dinbeiro$..por 16 ; e o que tier ao i|ttOciente por 20, 
t sSahirap os florin^ como se y| ; . 



S u » e L KM E ir T o# 3)1 



t 



soldos din. • 

164.3141687! 1338^5, 7 ^ 
0563S87 1 . .^ 

o "^ 

\ " " flor. sold. dinh. 

204.133855(6692 IS 7H 

' OMOI 1 ' 

00 , . " ' . ' . . 

-^E ficareis qntendeudo qiie 64Z lir. est. 3 s: 2 dinh. 
rendem era Ainsterdam a cambio dc 34 s. 2~gr. 6(^692 
ilor. . 15 s. 7j^- dinh. 

Camhio de Londres para^ Parts. 

SacdraS em Londres, iohre Parts Lst. 158 , 455', 
ft cambio d^ 3 97^ dinbeiros 4^ sterl. por bum escudo. 
Quantas livras Tornezas rendem em Parts ? 

Primeiramente dems saber que huma livra Torne-r 
za divider em 2osoldos ^ hum soldo em 12 dinheirps, 
c que hum cscudo rem 3 livras , ou 60 dinheiros. 

Istb suppostb para rcsponderdes a presente questad ' 
fareis a .segi;ihte opera$a6* 



\ • 



dint 



S9^ \Segxjndo 

din. " ^ I.es. told. din. ^ cscud. 

"a43 3164 ' 20 _ 

*^i3 6333 240 

3x64 3 lir.^ Torn^ 

37973 720 

.227838 
^.7973^ ,^ , ^ 

7^ 
1215136Q , . 

"425^2976 dinheii'gs. 
437448960 I 702i6y^^f ' . . 
001302685 I 

014026 ' I 

0031 - , 

o ' • , 

E para sabcnnos* 702(J)i6jr dinjieiros a quantas li- 
vras Tornczas montafi i faremos a seguinte operagao. 

sold. 'din. ,. ' 

12,^7,02165: j 5?y 13 9 

106149 j 
^ coooo 

' liv.Tora. sold. din. 

" loii I . 

00 

A opcra^ad assim feita mostra que ryS l.st. 4 sold, 
f din. 5 9 caitibio de 38^^! dinheiit)S dest. porhuines* 
Oido , rendcra cm Paris 2^25 Ur, Torne2sa§i> 13 sold, 
9|ff dinhciiw. 

Cam-- 



S P F^ 'P E ME K T O. 397 

Cambio de Landres\para Madrid.^ ^c. 

Passcrhos ao'cambio deLondres pdra Madrid ^ e 
sirva de exempio ^ segmnte prMOf^-. f 

SacdraS em Lgmlres par^Sl^irid i6olh.st,fi^' 
sold. , IP din: a cambio de y/j p3'hum feso\ quanto€ 
pesos tender d}^ 1 \ 

Convert) primeiramentc saber que lium peso tem 8 • 
reale?, e hum real 34 maravedis. Isto supposto rosol- 
veis bcm a questao da maneira seguinte. ^E lembrai-vos 
que tanto nesta opera9a6 , como nas^ntecedentes sem- 
pre vamd^ seguindo as regras ja dadas pata aregra de 
trcs. Escna6iK)tai. - . : 

diiih. l.st. ' sold. din. * peso. 

^'^\\ 160, 14, \o \\ I : 

8 so ^ ^8 



-r- 



643« 



.38578 





"8 


pesos. • 


real. 


marar. 




3ob6^ 


11039. 


z 


3a5 7 




011711 










^ OZ04 


residuo. 


\ 


, 




^ 
8 








197 


^ V^ 1 


I f^l. 


>v 





marav. 3 4 

- 124. 

897 X '105:4 I 3ff^ mgrafadfs, 
0163 I 
**» N Ren- 

' * ... 



398 S E « tr N D o ^ < 

Rcnde a Ictra cm Madrid a capibio de 37jd. I. st • 
por hum peso (fe prata , oofBo tt v6> 10J9 pesos^ i 
.real / 3||^ m^ravedis. 

Camlic de Lomifes para Gemva , Liarne^ dfc. 

Em L&n^es stMcm letra deii^^ L y s.6^d. s$ire 
Cenova <a 49 7 dinheiros de liv. st. por cada peso yOupa^ 
taca. Ouantes pesos ^ ou paiacas render d a ktra em 
Geneva. 



din. I. St. 


' s. d. 


peso. 


49j' "34, 


S» ^•' 


t 


c 10 




• y.. 


a4« 340IJJ 


1 


' ' 5 


12 






4V376 




1468^ 


. 




25>6226 




• 


T 


pesos. sold. 


din. 


148 1 1 30 


597^. y 


11^ 


0241974 






017574 


residuo. 


• 


000 ' 


, 




ao 


soldos^ ' 




348.^1480 


'\S : , ; 




0240 


t , 




li 


dinheirp5. 




4 So 






240 




\ 


248 ^ 2880 \ 
0402 \ 


ii^cKnheiroSt 




1 




15 







A opera 536 feita nos mostra que 1234 1. st. y s. , e 
6 dinh; a cambio d^ 49.1 r^adem em Gcnoya 5972 pe^* 
SOS , 5 ' sold. , 11 j|- dinh. 



' S U? P 1 i M E K T o, . 39^ 

Cambio de Londres para Hamburgo. 

Hufna^letra sacdda em l^dres sobre Hamburgo 
vem import ando L st, ^6j , Z s.i} d. a cambio de 34 
soL $ grossos , 'por huma liv. st yquajatosflcrinS rtn- 
derd em Hamburgo. ', - 

Para resolver esta proposta dcveis saber tju^ hum 
marcb ^ ou florim tern 16 schelliags , ou soldos , e hum 
schelling, ou soldo tern 12 dinheiros. . ' 

Deveis . sabei" jiiais £ue hum soldo de grosco, que 
he o que serve neste cambio, tern 12 grossos /ou 6 
solctos lube , hum soldo lubs tern 12 din. , e hum grosso 
6 dinlieiros lubsi Assim fareis a operagao desta maneira. 



liv. 1. s. 
I : 567,, 8. 

20 * 20 


d. s. 

•9 • : 34 
6 

' . 2(04' 


grossos. 
sold. lubs. 


30 11348 


sold. lubs. 


1% 1 ' 


408 

204 




240 2170$ 
II348 






2448 


dinheiros. 
dit. que dad 




2478 


dinheiros. 



Preparfldos assim os termqs, continu^ a opera- 
gad 5 comd aqui se mQstjra : 



din. 



^ieo , S E^^ tr K D 9 

din. din. lubs. . 

740 : ' 13618 jT : : M7*- 

1089480 ^ 

544740 
272370 dinneiros- 



337466430 i4o6iiOf 
0910220 I 

- CO 00 

• 

Hora reduzi estes dlnheiros a soldo5 lubs , repartin* 
do por 12 viinheiros: que taneos tem hum soldo lubs, 
c o quociente tornai a partir por 16 soldoslubs, que 
tantos teoi hum marco, oufloriai, como seve: 

sold. lubs. din. lubs. « 
1x4.14061101117175', 10 

C282970 I 

ODOOI 

marpos sold. din. 
16^117175 I 73^3 > 7> lof- 

' 000 

E tanto rendc a Ictr^^ cm Hamburgo j isto he , 731 j 
.snarcos^ 7 s. , lo^in, . ; (^ 

Camhio de Londres psraBremen^ 

SacdraS em Londr^is para Bremen huma letra de 

yj4 /. }t.*^ 12 sold.^ 18 din. a cambio de^^J^j rixdal-' 

ks tor 100 /. St. Quantos rixdalles dardS €m Bremen^ 

^ ne de advertir que hum rixdalle tem 72 grossos* 

Isto suppostolazei a operajad desta oianeira : 

fit. 



S v'f P L t M E It IP 9* 



4&« 



loo ' 
to 

20C0 
12 



St. 

20 



8. 
12 



lO 



11092 
12 



24000 d, 22194 
/ 1 ro92 - 



^331^4-^ 

547 

532456 

72^^3358 
Q0091 

2 



dinh^ 



rixd. 

3033 



21558 

4^716 
149506 . 



^4000. 



tioo 



1537776 
. 0091 

rhd, 
Rcnde a letra em Bremen 303 3 



rild^ 

547 



gfds, 
64 



fcsiduo. 
grossos. 

gros. 



0^ 



"4$oT 



^ Cambio de Londres para FenezK* 

Huma letra sacada em Ldndtes sobre Vene^a hkpdf^ 
tando I. St. 524 , i^sold. 1 1 dinh. it cambibde 46^ di-' 
ftheiros de Ih. st\ por huin due a do banco \ quaftio dard ? 

Dcveis^ saber q«e hum duc^dp tern 14 gros'sbs , oti 
6 liras , t 4 soJdos , oil 1I4 soldos. Hum gi'ossoteiri ^ 
soWos , e 2 dinbeifos, ou 62 dinheiroS* Hiima lir^ 20 
coldos, e hum soldo 12 dxDheIrQ$# 

- ^ ■ I. . Cc fef> 



4oa S K G V N D e 

Isto supposto rcsolvcrcmos a presentcqucsta6 dcs^ 
t;x. maneira : • • 



din. 


St. 


9. 


din. 


ducado 


461: 


5M> 


M> 


II Irl 


I : 


S 


20 









373 



10494 
12 

20999 

"5939 . 
^ 

IC075J2 
C261439 

000024 



156 
78 



• 373-^936 
190 
62 

380 
T14 ^ 

373^11780 
00597 
21 



ducad. 

2701, 

grosses. 



gros. 
2, 



.din. 



"2 grosses. 
din. 

3l|~| dinhciros,. 



• E diremos querendc a letra em Veneza 2701 doca- 
do8 , 2 grosses,. 31 77 J dinhQiros. 

Cambio de Lmdres para Petershurgo* . 

Vidal sacou em hondres svbre 'Rodder em Tetershur^ 
w> letra de 540 /• st. 12 j-fl/^.^ 11 dinheir. acamhio de 
5 z\ dinh. par hum ruble ; Quantos rubles dard ? 

He de saber que hum ruble tcm 100 copecks ^ e as- 
sim faremos a operaqa6 scguinte. / 

din. 



•v?^ 






S u y T L E M 5 w r o/ 

1. s. ih 

540, 12, II : : 



465 



2 


'20 


ao5\ 


10812 
12 


2T63J 
' , 10812 


' 


1^975 S 
100 



I : 

TOO 



icx) copecks* 



12975500 

2 rubl. 



2471 



copecks- 



35951000 
04956550 
071524 
0000 , 

Advirto que nesrtas opefa^oes vem logo ao quoci- 
ente ( cortando duas letra^ ) 0$ rubles ^ c copecks, cb- 
mo desta, que acabamos dc operar, se mosrra. A ra- 
2a6 he manifesta ; porque se vem ao quociente I47152 
copecks 5 que para reduzir. a rubJesi devem repartir-se 
por 100 copec. , que cada rubl. tern , f laro 'fica , que 
Cortadas duas letras para a direita, as que ficad para a • 
esquerda mbstrao rubles, e as duas corradas mostr^^ 
partes centesimas de rubles , que s'a6os mcsiiios copecks* . 

Camhio de Londres para Dublin ^ Corke, ^.c* 

Sacdrao em Londres sobreCorhe 664 Lsty ii sM&s^ 
a cambio de 8j for Joo si. : Quantp importa a letra " 
em Corke ? . , ^ 

A presente proposta se responde da mesma maneira , 
que as dog juros no nosso Reino. Assim eu respoiid^aL 
a esta proposta de varias maneirasi porem usoda re* 
gra geral , e pratico o seguiiite : . ^ 

Cc ii . ca- 



404 



8 B h V If B • 



capital. capital cambio. 

100 St. : 664, li : : 8^ : 

ao. 20 4 

2600 13192 33 

l^ 12 

24000 26584. 

4 13*9* 



96000 159504 

^^_ 

478512 
478512 

5263632 
046.9 

•79632 
20 

96000 •f 1591640 
0636 

056640 

12 



cambio s. 


d. 


54 1. 16 


7^ 


residuo. 




s. 




16 




residuQ. 





I I 3280 . 
56649 ditk 



960004.679680 I Taf 

007 I . ' 

E diremos que importa o catnbio a razaS dc 
8^ por 100. 1. 54, 16, 7^ 
Capital. 664, 12, ^ 

719, «.7^ ' . .^. 
liy^ s. din. 

Importa a letra em Corke 719, 8,' 7^ 

Eu raostrocstaopcrasaSporoutroinpdo^ . .. 

lir* 



SuPfLEICEKTO. ^5* 



IW. 664, ' 12 , 0» 



8f 



5-31^, 16, o 
J. . i66, 3, o 

54.52, 19, o. 

20., 

1^,5:9 



118 



7,08 fracsa6. -^ 



capital. 1. 664 >. 12,0 ^^ 
cambio. 54 .'"i 6, yf^^^ 

7^9 > 8, 7jf fra?5a6 redusyda i mcftor 
cxprcssa6. 

Camhio de Dublin j Corks (b*c. para Londres. 

SacdraS em Dublin sobre Londres buma letra ini^ 
portando 350 /• , i^ s. ^ a torpor 100: Quanto rendc 
em Londres ? 

Resolvereis deste modo. 



loor 



4o6 



S E G u N no 



20 



4 



2200 
10 

S 



2215" 
12 

4430 
2215 

26580 



100 I : 
20 

— ■ I m 

2000 

24000 



350, 

20 



12 : 



7012 
12 

"14024' 

7012 



84144 
24000 



336576 
168288 



2019456000 
CI5885422 

02073 • 
on 
o 



dinheiros. 
75976Hf 



rcducjaS I'i^^JS^jf^ 

03314 

000 



00-1.6331 
on 

o 



1. 
316, 



6331 > 






d. 

4 



d. 
4 



4Tr 



Outros fariaS esta conta de outra maneira , e na6 
Ihc daria em tantas liv, st, , como se v6 praticando o 
§eguin?e; 



Supplement 



407. 



l.v 


1. 


s. 


1. 


100: . 

4 


350,' 

20 


12 : : 


4 



400 



7012- 
43 



43 



•21036 
128048 



s. 



301516 753, 
C213 7012 , 

QO ^ 6258, 

' 316 
12 ^ 



d. 



9ll 



AO~ 



632 
316 ' 

400^ 3792 
01 



d. 



20- 



625-8 

001 



[31^ 



liv. 



E diriao que 350 liv. , 12 sold, a cambio de lOj ren- 
dem em Londrcs 312 liv*, j 8 sold. 10^7 dinr 

Mas he de notar que quando se trara de abatimentos 
deve haver huma razaS diversa da, que Jia nps lucros. 
Sobre isto havera opinioes : siga cada hum a quequi- 
zer; que eu sempre digo , que os rebates devefti fazer-se 
a favor do que ( ppr assiiVi dizer ) perde, e nao pareee 
' razao que hum homem rebata daquillo m'^smo , que 
na6 recebe* 

Cambio de Amsterdao ^ ^'c. para Lishoa. 

Exemplo. Francisco acceitou huma letra de I5'4 
jlor. 13 X. vinda de Amsterdao a, cambio de ^S^ g^^^"- 
SOS por cada cruzado. Ouer saber quantp imp^rta em 
moeda corrente de Portugal. 

Estas 3 e outras questoes, corao estas, rcsplveitls 
da- maneira seguinte : - gi'o^- 



40^ 

grossofl, 

AST 
4 

f83 



S K O IT N D O 



flor. 



309Z 

2 



9894400 

0742429 
PIII3 

00 



sold. 
iz :' : ,460 



6184 
liSoo 

II ^ .J 
3710400 
6184 



54067m 



El ^irpis que iroporta a ktra 54067 {{f riis, 

Cambio de AmsterdaS para Paris. 

Exemplo. Hums letra sacada em AmsterdaS fuirm 
Parts a s^j grossos por bum escudo , uem impgrtanda 
f^insS^Oy i^s. Quant as tiv. torn, d^dom Paris} 



i;tw 



5'u ? ? L E ME *r T o. 



409 



grosso$. 
-567 : 

XI3 



flor. 
640, 

20 



14 



12814 

a 

25628 

1440, 

■ i I . ^ " I I ■ 

lOZjIZO 

lozyiz 
25628 



'escudo. 

. '60 sold* Torn. 
12 ^ 

72Q 

' 2 



1440 



36904320 
03046882 
07^970* 
0001 



dinh. Tom, 

326586112 



s. Torn. 
124.326586 1 27215, 
082166 I 
.0000 
liv. Torn; sold. 
204^27215 |. 1360, •' J5, 
010 



.din. 
6 



'din. 

ri o'* 

^7J1 



. Importa 9 letra em Paris 1360 L ly s, 6 d. f^ 
CambtQ Se AmsterdaSy &c. para Londres. 

Huma ktrdy que se sacou em Amsterdao para Lon- 
dres^ vem import andt> ^ em florins 504,1 10 x. a cambio 
de 34 Si i\ grossait porcada /. st. Quanto renderd em 
IjQndres. 

Notai que cada grosso teni 8 dinheirps , e que meio 
grosso por conseguinte sa6 4 dinheiros. 

Notai tambem qi,ie hum wl4o d? .grQS^Q tern 1% 
grgsso?^ QH J(S diwhwQs* Com 



4TO S E G V N D O 

Com csta advcrtenfcia passai a preparar ostermosdcs- 
ta roaneira. Multiplicai 34 sold, pot 12 grossos , e ajun- 
tai-lhc OS 2 grosj^oj; ; passai dcpois a reduxir os grossos a 
dinheiros , niultiplicando por 8 , e ajuntai-lhe mats 4 
dinhciros, que he o meio grosso, damaneira que aquise 
vc: 



s. 


gros. flor. 


S. 1. St. 


34: 
12 


r 2^: 504, 
20 


10 : : I : 

20, sold. St, 


70 

34 
410 
8 


1 . IC090 

60540 

10090 


12 
240 din. St. 


3284 


dinh. 161440 . 
240 


dinh. 




6457600 
3228^0 


» 
dinh. St. 




38745600 

©59018^8 

262226 


il?9^^ 




020 


'' 






121^11798 
'0Q932 

GO 


. s. > d. 
983, z 


^9^ 


l.st. s. 

983 49 > 3> 

10 




d. 



Tanto. importa a letra ^ cujo valor buscavatnos. 

Cam^ 



\ S^V P-P L E.M E N T O. r 4Ha 

Pamhio de AmsterdaO' para Madndy &c. ' 

Pedro sacou em Amsterdaa para Cmliz ^obre Joze 

^huma ktra^de 4800 fiorinsa camifio de-ij^j gross-^spor 

bum ducado de 375 mafavedis dc pr^ta. Ouanto rende 

em Cadiz ? ^ ' . / 

mar. / ' 

375*: ^ 



781 din. 96000 
16 



gros. 


flor. 


9ty: 


41^00 : : 


8^ 


20* 



5-76 

96 



1536000 

37? ■ 



7680 

19.75'i 
4608 



tnaravedis 



576000006 
022382918 
0645272 
^ .01711 

, 000 

reales. 
34^^728i5('2 21417, 

■ 04455-4 
1021 

:0 O 

CamhiQ de AmsterdaS para Gf nova 



mar. 



Liorne. 



Sacdrao em Amsterdao para Genova huma letra de 
1400 florins a cambio de 88} grossos por bum peso , ou 
piaura. Quango reMderd a letra emQsn^va'i 

. Res- 



4IX S E G U N D O 

Responderemos a esta , e outras semelhantes pro 
postas dfesta niaheira : 

florins. 
1400 : ; 

10 
28000 



grosses. 

SSi: 

8 



peso. 

I 




16 



20 

040 



707 dinh. 



168000 
28 



448000 
240 



17920000 
896 

107520000 

036876^17 

oi45'6i4 

0000 



dinh.* 



15^079^ 



12^152079 
038833 

0000 



sold. 
12673, 



dinh. 
3 



20^^12673 I 633 

OQOI I 



pes. 

^33 r 



sold. 

13 > 



dltu 



Tanto importa a Ictra co^ Genova , isto he 633 
pes., 13 s., 3iVrd. 

Cambio de AmsterdaS para Hamburgp. * 

SacdraS em Jimst^rdaS para Hamburgo buma letrs 
de ^26 fl. 10 s. a cambio de ^^^saldos par iada ducadfu 
Qganto render a em Hamburgo t 

Devcis §aber i|ue hum ducado tern % marco^i 

num 



S U ? t 1. B M K K T Q. . 413 

hum marco 16 schellings , ou soldos; hum schelling , 
oil soldo 12 dinheirps. 

Rixdalle tern 3 raarcos, 48 dinheiros. 

Isto supposto resolviremos a proposta dcsta manei- 



^ra. 



flor. 



' sold, 

34i - 
16 

i04 . 

34 ^ 

lodinh. 39180 



sold. 

10 : 



ducado. 



2 marc. 



6530 
16 



16 



32 sold. 

T2 



554d inh. 65*^0 
1044150 

384 



64 

3^ 



'•\i 



3i$4 dinh. 



417920 
-835840 
323440" 


dinh. 


40120320 

01342784 

023019 
oi5< 

■ 00 




" sold. din.' 
ta.^i-72419 J 6034, II ' ' 
00051 1 


16^60: 

* 121 

QIC 



marc. sold. dinh. 
!4 1 377. ^> "*H77 . 

[2 . 

J- '• 



' Do que se nios(;ra que teode a letra em Hamburger 
'377 marc, as., ii^din* . • \ > 



414 



S E G U N D O 



Camlio de AmsterdaS para Vetershurg9. 



Yuma letra sacadaem Amsterdao ^ eremettidapa^ 
ta lettrshurga ^ veni import aftdo ji.^b. 341', 12 .r. a 
42I sdd. J ou sttiyxers por bum ruble. Queregfi saber 
quqntos rubles dardo em Peter sburgo ? 



s. 

- 427 : 
16 


34i> 

20 


s. 
12: :• 

rubl. 
162, 


rub, 
I : 
lOu copecks 


251 
42. 


685-2 
16 


I 


I 4 
676 din. 


41112 

6852 


• 




109632 

. IpO 


cop- . 


r 


10963200 
• 04107048 
014220 

0155 . 
60 





.Mostra a operaca 6, que ^-ende a letra 162 rubles, .17 
copecks , e ^f de cop, 

Ijo banco de Hollanda para Cqrrente. 

E^emplo. ^^coo florins cor refutes a 4^ por 100, 
quantos em banco ? . ' 

Haveis de advertir que o Agio he de i\ ate 6 por 
100 5 com differenga que do Banco para p Correntc he 
ae Jucro , e do Correiite para o Banco he de abatimento- 

Isto £upposto , como esta proposta he do Banco pa- 
ra o Corrente, deve rcsponder-se a ^Ha como. a qual- 
qucr proposta de nossosjuros de Portugal^ dizcndo : 

cap. 



cap. 
loo': 



S tr P 1 L E M E N T O. 

cap: lucro. 

ycoo : : 4^ 
47 



415' 



20000 
.• 1250 



flor. 212,50 fracga^T^ 

' 20 



aold. 



lOjOO 



. flor. 
cap. 5000 
agio. 212 , 



10. 

10. 



correntcs. 5212 , 

Hora esta pperagao assim feita , podemos fazer de 
outra nianeira,7e sirva.de rcgra geril. por causa deal- 
' gum quebrado de maior expressao , que se p6de ofFcre- 
cer, E assim tambem se pode praticar o s^guinte : 



100 : 5000 
4 17 


:: 4t 
4 




• 17 


.400 85000 
012 


212 flor. 







20 


4 wi-40 10 soW. 




capital ba 
a| 


nc. 50CO , 
;io. 212 , 



10 sold. 



10. 



correntes. 5212, ^o. .' 

Na seguinte proposta na(> se deve praticar ass'ra. 
Eu me explico. Do 



4x6 S C G( XJ N D o 

Do Ccrrente pars o banco* 

Exemplo. ^ooo florins correntes qMntos serdS han-^ 
CO a 4f por ICO } 

Como csta proposta asseota sobre rebate, ou aba ti- 
mento dcvemos praticar o seguinte; isto he, ^juntaros 
4j aos ICO , e dizcr que 1047 ^^ para 100,' assim co- 
mo yooo serd par* o liquido, que fkar do abaumento^ 
ou rebate , como se mostrat 



1047 
10 



2080 
• S 



J085 ^f 



,5000 

20 



'lOCOCO 
200b 



200000000 

0192^84 
, cx)4654y 
CO 16 



loot 

20 



2000 



9S9H 

residuo. 
dinheirba. 



d. 



3270 



2085 ^8720 4^ dinh. 

* 0380 I ' 

^ Reduziremo^ a florins , cpmo se vfi ; 

flor. s. d. 

io^-95'923 I 4796, 3/ . 44i7 
mo /^ 

000 ^ 

E diremos que jooo florins correntes fazem b. flof# 

4796, 3. 44^7. . n . c 

Resta mostrar-vos hiima reflexao que tazcrj e Jie 
que esta operacao he de rebate , oU abatimento , c 
todos a fazem per esta maneira; mas no rebate, ou 
abatimento de Corke na6 he assim, que a fazem ; se-« 

gunr* 



' ^ 0^ P ? L E M « If * •. 4tf . 

Uganda dissemps quando tratamos do cambio de Lbij- 
drcs para Corke ;^ e se bem Yos lembrardcs , fizcrao^ 
a operacao por dua$ for mas* Agora quizera eu que 
Hie dessem a raziJo, porque n'liuns rebates se ha d^ 
pratic^r isto, e n'outros nao. 

Mas deixenlos ao juizp de cada^ium toda a reflexa$ 
•sobfe esta materia ^ e entremos com os cambios de Parisi- 

Cambio de Paris fata Lisboa , ^ Porto. 

De Paris remetteraS^ para Lisboa bmHa letra hf^ 
portando 3820 liv. Torn. , ij sold. 9 i//;^. , a cambio de 
448^ por hum escudo. Quant impdrtao em dinbeira 
corrente de Portugal. '• 

A . esta , e outras scmelhantes respondereinos da^ 
maneira saguinte; e he de a4vertii' , coma \x fica di- 
to , que hum escudo tem 3 livras ^ ou 60 sbldds j 
huma livra tem 20 soldos, e^hum soldo 11 dinheirbs*.. 

dinh» : r6is» 

9 ^ ^ 448? - 
. 4, * ' 



liv.: 


liv. 


sold. 


3 


: 3820 , 


15,' 


. -20 


20, 




60 


764 J 5 




li 


12 




: 720 ' 


I5i»39 • 


\ 


. ,.^.^ 


76415,. 


» >• • i 


a88o 


91698?/ 

: 1795 
4584945 

Sayiyqi 
64189x3 




r 


916989 


r^is. 


* 


i64599jiyj 


571516^ 




13^0/3^5^7 






0045773 






10 io 




r 


« «» 





i>4 D» 



4x8 *' Sb«vkd€l 

Do que te mostra render a letra em moeda cor- 
rente de Portugal, 57152677V- 

Camhio de Parts para Londres. 

SacdraS em Paris para Londres buma letra , que 
hnportavaem Itvras Tomezas ^gcb ,' is , to, a cam- 
bso de 35 77 dihbeiros de sterL por bum escudo. Quan^ 
tas St. render d a letra t 

Responde-se a esta proposta praticando o seguinte* 



escud. 
I : 

20 



60 
12 



720 
16 



^7»Q 
Z1520 



5900, 

20 

118012 

12 

236034 

118012 

1416154 

• 7080770 
9913078 

7080770 



12, 



d, 
xo 



din. de st. 

16 



%1S 



095408 
008, . 



dinh. * 
7o684rlll- 



42 ►f 70684 
1000 , 
010 
o 



said, din* 

^^P7 4 



liv. 



9. 
10, 



diit: 



\' 



Importa a letra em liv. st. 294/ 16 sold. 4yH^ din h* 



' ^ Adyirta-se qae para rcduxir os .5*800 soldos a liV; , 
idrtei alcifra, e tirci^ametadc do^cjMfeoU, que hd 
b mesxnofque reparrir por 20. E po|-qiue <ie, 6 tirada 
^mctade fica d© rcsiduo x , cste vale iq solaos^ co* 
mo acima se -^k't •"• ' 

Gambia de Pmtis fara AmsterdaSi- 

Pedrohrecebeo em AmstefdaS huma ktraiacada fd^\ 
hre elk y da qu^niia-de4y2€>liViTmL^jfy ti,atam^ 
bio de 54j grasses de florim por hum escudo* Quan^ 
tos florins devi pagaf^ - - .^ 

Responderembs pciti, ptaticando a scguinte opera* 
^a'6. ' 



esCud^ 
^ I : 

10 



47?o, 

•'20 



t4, 



II 



to 
12 



y44M 
.12 




720 



188839. 
944<4 



1132979 



7030853 
1132979 
1265^958^ 



I45856443 
oi5'4y2<)6 
-.C10993 
011136 

. 00 



grossdsV 
8536^ 



J rcsiduo.' 
dinlteiroSrf 



^ 2^80.^-18904 ( 6f^idinhV ^ 
oioi . I \ 
fi querendo feduzir6s"85'366'" gross, iioli&i^ tit 
Sbldos a fibrins , prsiticaremos seguintej 



'410 



S E Q IT N D # 



2^2^166 \i4%6S^ soldos. 
oxioo I 

. -CO.. ,i 

flor. sold* 
. 20^4268312134., 3, 

' , OOCX) 



•dinh# 






E.fanto tendc 9 letra em Amsterdad/ ^. 

Cant bio de Paris para Madrid^ Cadiz ^ &c. 

2iJ)5oo liv. Tarnezas remettidas para Madrid n 
camhto de 1$ liv. $ sold^pwr hum dgbraS x\qtianto itn* 
derdS em Madrid^ . -^ • * 

Deveis saber que o a6bra6, ^de que trata^o^ cam- 
bios tern 4 pesos : hum pcs<rtem-8 feales--, hum real 
de prata tem 34 maravedis de prata, ou ^4 ditos de 
velhao. Dcveis tambem saber que hum.j:eal de veihao 
tem 34 maravedis de velhao ou 84 quartos. 

Com esta advertencia entrareis na operagao, e fa- 
rds o seguinte. " ^ . l 



sold. liv. 




dobrao. 



.4 
8 



pe$08^ 



32 reaes. 



2866224 

0303 2 2. '• 
CI 20 ' 

CO 



mzr. - , 



128 
96 



TjoSoaiarav, 



K 



S U if'tL * ME Nir O. ' 41^% 

' E reduzlndo os marave^fs a reale^ faremos o se- 
guintej notando sempre que tudo quanto vamosVope-^ 
rando , he dcbaixo das mesmas regras* geraes , que 
atras apontarnos. -■" ^ * 



- ' 


, real. 


man 


34^fi7836o' 


5MS^ » 


30^ 


ooSjoo 






123 


"* ■, 


* 


' ■ CO 







CamhiQ de Pdris para Genoua , ^ Liorne. 

SacdraSeni Parts sobre Genova $^oqoUv. Torne&as 
M cdmbio de <)j Jr. 11 d.por bum peso ^ ou piastra : q^uan^ 
tos pesos renderd a letra em Genova ? 

Ja fica dito que hum peso tern aosoldos , e hum sol- 
do 12 dinheiros. 

Dissemos tambem que huma lira, oi^ livra ttm to 
^oldps, e hum soldo iz dinheiros. 

Isto jupposto faremos a seguinte 6peraca6 para res- 
pondermos a esta, e outras questSes, como csta: 



sold.' 



^ 



sol. 
ST* 

12 



din. 
11 t 



2oy 
97 



S P G U N -D Ot 

yooo: : 

lOOOOO 

12 

IJOCOOO 

24b 



I 
12 

240 dinh. 



48 

*4 



dinh, 
,245106^1 



288000300 

053005550 
060274 
0100 
o . . , - 

Rfduzindo agora os dinheiros a pesos , obser* 

. soldos. dinh, 

ii^f.245fo6 J 20425 ^ 6 
060366 ] 

ix> ^ ' - ^ ■ ' 

pes, spld. dinh, 
' 20.^20425 Tioz I 5'. 6jf^ '^' 
0000 J . 

Tanta diremos que rende a letra em Genova, 

Cambh de Madrid^ &€. para Ltsboa , e Porte. ' 

' SacdraS. em Madrid pdra Porta huma letrd da ' 
quaptia de 285 pezos ^ 3 rea/es , a cambiode iZ^T^rdh"^ 
for hium dobrao de 32 reaUu Quanta rende a letro/ 
po Porto ? 

Ji dissembs que hum dobra6 tern 4 pesos, hum pfr' 
"SQ I regies, ? hum re^l 34 mqir^vecjis, 1 



SUTFLEMENTO. 



42J 



Pelo que responderemos a es,ta questa6 desta mancira 



dobrad. pesos. 


. " reales. 


riis. 


4 8 

■ 8 ' 2283 rcales. 


2293 

V 

1 


31 34 




U 9131 
128 , ,6849 




96 77622 , marar. 




jo88fflarav. 2I93 




232866 
698598 / 


- . - 


155244- 
155244 . 


rels. 


- 


177987246 
069103228 






©S94933 
06612 




. f 


, poo 







\ 



E dircmos que rende a Ictra emmoeda correntc de 
Portugal rels 1 635'9i~| , / 

Ht Madrid , &€. para Londres. 

s , Pa'ssdrao ktra de Madrid para Londres , e impor^ 
tava 5822/;<?j<?x, 4^ re ales ^ if^mar.-, a cambio de Afi\ 
dinbeiros de st.por hum peso. Quant as liv. st. import a a 
letra ? • ; '* 

Farcmos a seguinre operagaiJ. 



pe- 



4»4 



8 B« V V p • 



1 : 

B reales. 



pesps. 
3812, 
8 



real. 
4> 



3C580 real. 
171 roar. 34 

8^ 

4176" 



mar. 

^ 

33» 



9174 

— — — r-' 
1039733 marar, 

331 - 



1039733 
^119199 

3119199 



dinh. 



344151623 
126^-53021 
01774^29 
«03279 

00 



E rcduzlremps' os 158157 diphelrps a soldo9 , e 
^e soldos a li?. st. desta maneira : 



dinh, 


pold. 


dinli. 




032919 

0010 


^3^79 


9 






I.St. 

?o 1^13179 6j8 
cm 


sold. 


din. 


PC 


1 


, 


> 



7|in!P r?n4? ? ktra cm I^n^r?s, 



€<f«h 



Supple m e n t a.' 



425 



Cambio de Madrid^ ^c. para Antsterdao^. 




tfindo ^ 

^QT hum dticado. Quantd — v-.— ,— ^^ - 

^ Ja disseihos que hum ducada tern 375' niaravcdR Pe-* 
Ip que fareraos a seguinte operajao, 

ducada* real€s^ grosses. / 



dinhpiroS. 



^ : 
375 


5000 : 

170000 
. 7ft 


:^ 98I 
8 

^ 7^1 




5537 


din. 




I 344700C0 
021920500 ' 
0322255 ' 
02322 


.3585861 



QOO 

E reduzindo osdinheiros a soldas, e desoldos a flo- 
rins , acliaremos que rende a letra em Amsterdafi b. flon 
1x20, il , ipj. 

sold. din. 

036120 I 
0001 

itor. sold. dinh. / 

jo^f-22411 I iiipy I J , 10^ 

000 I , 

^ Notareis nesta opera$a6 , que na$ reduzimos o. 

, ppimelro termo a denominates A6 quebrado , assim 

€0«4Q r?4B^imo§ 0"ter(:?irQ, qqaijdo w* QUtras / assim 



4l6 S E G U K D O 

praticamosj mat a razao he, porquedizerscteoitavo^- 
dc grosso 5 he ol'^mcsmo que dizer sete dinheiros , pois 
hum grosso tern c#to dinhciros. Scndo assim escusada . 
he a rcducjafi ; porque o quociente nos mostra dinliei- 
ros , OS quaes. podcreni05 reduzir na* forma acima de- 
clarada ; quanro mais que m^is commodo he o fazer as'- 
sim esta opera ca6. 

Mas eu a Fajo.tambcm por outro modo , e vereis 
que vcm a dar oo mcsmo. Notai porem que o quo- 
ci^te da ]?arli(;n6, que he .o quarto tcrmo da dpera- 
5a6 da regra dc tres, vos mostrar^ grosses. E se nao 
vcdtf; . -> . 



due. 
I : 


real. grosses, 
ycoo : : 981- 

X70000 791 




375 
8 




3000 


791 


■ 


/ 


5J3Z 
791 


grosses; , ( 


dinhei 


« 


13^3000 
.0120U res. 
.06 08 din, 

2 


44823 

dinh.. 


»f 



Hera reduzi os grossos a solder desta mancira : 

Hum soldo "^ ^ " grossos sold, 

tern. • • S' 2 >ii 44S23 I 22411! 
grossos. 3 ocooi I 

E achais de resldub i grosso, que he |- soldo, e 
per cqnseguinte S dinheiros , porque huin soldo tern 
16 dinheirosV 

Estcs 8 dinheiros juntos com 03 27, que ji temos 
da outra reducjfaS, fa^eci lof dinhdros, notjue con- 

ft- 



S tj ? p, I, :e m Ev» t o; 423P 

fere com a red u 0536 , que antecedcnteniente fizemos , 
como podcis v6r, ; - ' ■' 

Reduzamos tigora os 2^41 y soldo? a florins , e acha- 
reis que vem a dar em Ij20 flor.', ii sold. , 10} din. 
como aqui sc ve : ' ^ 

sold. florins sold. din., 
aof 22411 I H20, II, lof 
000 I . 

.Isto mesmo he o quje t^ende a letra cm Amster- 
dam. \ 
. E na6 vos parcga mais encadeada esta opera5H6 j por- 

que he enganp. ^ . - ■ ^ , , 

Vede agora como se resol vem as quCTt6cs de cambias 
de Madrid para Paris, Bordeos, &c. . 

Caw bio de Madrid para Paris , Bordeos , ^r. 

. Francis0 sacou em Madrid fata Paris bum a letra 
de 3f 00 reaks de prat a , a cambio de liv. Torn, ij , 
i^ sold, par cada dobrao. Quant import a a letra em 
Pas'is} 

^u respondo a esta" questa{S da^ maneira seguinte : 



N 



do^ 



4*8 ^ $««»»»•' 


dobra6. reales. liv. sold. 


. _L. •• 35c 

4 pes- 
8 

22 real. 


X) : : 15, 

JO 


15 : 


315 
12 


630 


\ 


315 




3780 


' 


3500 


dinh*. 


1890000 
J134 


13230000 
00414246 


4i3437r , 


U121 




.0000 


• 


Para reduzir os 413437 diii. a soldos, e de soldos 
4 Hv. Torn, faremois seguinte : 


sold. dinh. 


^►r4i3437 
055631 


34453* « 


0000 




' 



^0^34453 

lOOL 

o 



liv. 



sold. 
^3> 



din. 



'E tanto rende a letra em Parfs. 

Cambh de Madrid pa fa Genava^ 

Excmplo I. SacdraS em Madrid para Genciia hd^ 
ma letra de 1^17 reales\ ii maravedis a tambiode 
632 maravedis , deprata por bam escuda de oirox 
Quanto rende em Qeadvai ' ■ " 

Res- 



^ tJ f ? L ^ M E N TO. 

Responder-se-ha a questa6 desra mandra: 



4»^ 



mar. 


reales. 


mar, ■ 


escud* 


.632 : 


1737 » 

; 6949 
5213 


21 : : 

* \ 
esc. 8^ 


I : 

. din. 




59079 


1 93 3 9y 


77V 



C2I93 

Q30 



rcsiduo 503 
: 20 




9 soldos. 



4-4464 J'tV 
004G ' 

Hbra deveis safcer que estes 93 esc, , 9 sold., e 
yjj dip. de oiro montad ;i certa quantin de liras fuori 
"banqo^ que sa6 a$ que ""cQrrepi nos cambios. 

Para isto d^vels.fazer as mesmas operagSes, que 
adiante explic^K?i ,• quando tratarmos dos cambios de 
Geneva para Madrid, e por isso so aponto neste Id^ 
garia'fdfma de disp6r os termos , recommendando-vos 
que para mellior cnrenderdes o que aaui so toco,, ro- 
nieis o trabalho de ler o que ncsse lugar tratamos a 
jpag. 438 ard 444, ' . 

A prinieira regra scja. Se 100 escudos de oi'ro fa- 
zem 1227 de prata, 93,. 9^ ?tj ^^ ^^^^ quantos fa- 
xi6 de prata ? 

Oisponde os termos da maneira seguinte : 
•. ' * ■ *! ' esc. 



■430 S E Q U N D O ' 

esc* esc. s. did. €sc» 

loo : 9S» 9> 77V = -'"n • 

Preparados os termos , c procedendo i fegra A( 
propor^aS achareis que vos da6 114, 8 » S > ^^^ ^'^ 
guina frac5a6 de jJrata. ' 

Agora direis : Se i escudo dd prata tern 7 lb 
12 sold., 114 e^c, 8 s., 3yd. de frac^ad, quaAtasli^ 
ras darad? \ » ^ 

Disponde OS termos deste modo. 

esc. esc. s. ^d. fracg* lir# s* 
I : .114, 8, ^ -- : : 7, iz: 

Preparados 6s termds , e feita, a operajaS acharcis^ 
que nionta6 os escud. de prata a i6^ lir« banco, ii s.^ 
3 d- com alguma fracjafi. - ' 

E dizendo finalmente. Se iij I. f. b. , vem de 100 
J. banco ^ 869 I. , 11 s. , 3d. fracqa6, quantas dara6 
cprrentes , ou fuori banco. E fkzcndo o mesnio , que 
acima diosemos, achareis, que moftta6 a i(J>ooo liras 
^orrentes , oil fuori banco. 

Cambio de Madrid y c Cadi % para QcMW* 

Exemplp II. RemettSfaS dc Madrid para, Gentyod 
j4)<^40 pistolasy 5 reaJcfs dc prata a cambio del 15^ 
% s. fuori 47anco par hutna pistola : QuantAS //v. iw 
perta a letra ? ^ . - 

He dc saber que huma pIstola.tem4oreaUs'i.e u* 
sim faremos a segtiinte operajad* 



|dS» 



S U P ? t. E ME ^ r o* 





/ 


' 




pist. 


real. 


117. 


V. s. 


lO^O , 


5 • • 


i?, 


^ : 


40 . 


- 


. 20 





43» 



pist. 

I.: 

40 

^4 ^ 41605 
1360 mar. 34 

166420 
124815 

1414570 

5658280 
.56^82^0 
707a85Q • 

^072850 



7842576080 
^0407 1 200^ 
©0986740 

00000 



462 
- 12 

924 
462 

5544 



dinheiros. 
5766453 



Repartindo o quocicnte S7^^4^^ P^^ 12 , e o qi 
tesirlrar .da parti§a6 'no novo quociente por 2(>, dard 
tcrceirb liv. 24026, i^jy^^ Qoxna aquisev^. 



ue 
o 





■ "s. 


d. 




ii>i-S7664s^ 


480137, 


$ 




•. - 05.00499 




' 


/ 


O' 06 






- 


. 


I. . 


s. 


d. 


,30^4805371 
goon 1 


240^6 j, 


J7» 


pfuonb. 






) 


! 









B tanfo rende a letra. 



CWw- 



"43^ S E (i tj N D o 

Cambio de Madrid,^ e Cadiz para Liorne. , 

HaffUt letrasacada em Madrid para Liorne , sobre 
a quantia de 350 pesos de Hespanba , 4 reales ^ e 11 
viaravedis ^ a caynhio de ii%\ pesos de Hespanba pot ^ 
cada 100 pesos de Liorne \ quant render d < 

Ja fica dito que -humpeso de Liorne tern 20 soldos , 
c hum soldo iz dinheiros. Que huma lira rem igualmen- 
te 20 soldos, e hum soldo \i dinheiros. 

l^to supposto para respondermos a esta proposta de- 
vemos pratipar . a fieguinte opera§a6. Avertindo que 
hum peso de Liorne tern 6 liras^ como emoutro lugaf 
dissemos. 



pes. Hesp. 
real. 8 






pes. Hesp. real. mar. pes. de Lio/, 
35*0, 4, II : : 100 : 
8 20 



1061: 
34 

.4244 
36074 mar. 



1804 

34 



2000 
12 



1 1 228 

8412 



I40CO dirt* 



95348 mar., 
24000' 



3?J39^ 
190696 



din* 



228835:2000 

'. 0123910484 

01569018 

042688 

0173 ^ 

03 

Que reduzidos a soldos , e ^ soIdos; ^ pjsosii fa-* 
'2ein, eomo sc ve, 264 pesos, 6 sold,, i—ff dinh. 



,S IT P P L K M E N T O; 



43J 



5:286 , . z. 



12^634^4 
03072 
100 
. ' ,0 

pes. s. d. 

20^5286] 264, 6 ^^^^. 

loa } ' , 

• o;. ' . ^ ' :- . 

^Tanto rende'a Ictra em Liorne, 

Cambio de Getrovay e Ltprne para Lisboa^ e Porto. 

SacdraS em Geneva para Porto huma htra itnpor^ 
tando SQ6pe^oS'y j soldos ,' 3 din. a camhio de 740 r//^ 
por I /^^jt?. ^r? 5- liv. i; si^d.fuori banco. Quantose de^ 
ve pagar em Lisboa ? 



peso. 
I ; 
20 



pesos, 
yoo, 
' 20 



sold. dinL rcis ^ 
S> --' 3 : : 740: 



12 


din. 


10005- 


»40 


12 


1 


20013^ 

10005- 




«■ 


120063 
740 



4802520 
840441 



r^is. 
37O1947 



88846620 
1602^06 
00 010 

E taneo rcadc a ktra , que se dere p.ig^r no Porto, 



434 S E « u j« p o 

^ Cambio de Geneva , e Liorne para L§ndres. 

Sacdrao em Genovapara Londres hum a letra de 2821 
pesos , 4 soldos , a s^^dinheiros detiv. st.por humpe^ 
so. Quant as liv. st. st devepagar em Londres ? 

Devcmos advertir que cada peso como ja se disse, 
em Geneva rem 5: livras , ou liras, ou 100 «oIdos ban- 
co ; e 5 livras 15 soidos , ou iij soldos fuori baDCo. 
Em Liorne porem cd(k peso teiii 6 liras , ou' 120 sol- 
dos. 

Isto supposto faremos a opera gad da maheira ssgnin- 
te: ' 



pes. pes. 
I : 2821 , 


s. 


din.de 
5^\ 


20 20 
12 J6424 


2 

105: 


240 'rx 
2 ' H2848 




480 5*4^4 

677088 
icy 




3385440 
677^880 

71094240 
2385640 

030010 
, 


dinfa. 
148113 


' 



P eduzidos estes dlnheircs a soldos , e de soldos a liv. 
St. fazein 617 liv. , 2 s. , 9 dinheiros , como se ve :' 



soh 



\ 



S ¥ 1 > t E M J& S fO^ 4^^ 



'sold. dinlu 
I2>ili48ii3 j i234z> 9; 
024539 
0000 



Iiv. sold, dinh* 
20^12342 J 617 , 2 > 9 

CX>IO / . 

o 

' ■ , " ■ ' ' * ' • 

E tanto rende a letra em Lcndres* , 

J^este lugar advert unps que 2821 pesos, 4 sold* 
a seis livras por peso, em Liorne fazem lir. 16927 , A 
sold*, como se ve : \> ' ■ , 

pes. ,. sold. lira. 

fS2i, 4 X lo^MI ^ ' 

liras./ 16927, 4 

E em Genova OS mesmps 2821 pesos, 4^ ^oldosa 
L y banco fazcni 14106 liras, ou livras , como sev^# 

' sold. l.b. 

Pesos 2821 > 4 vio^adr I 
... . ' S f o I 

Band. 14106, '^ ^ 

Mas valerido o peso a ^ Iiv. 15 s. fazem i6jii lift 
18 sold. , fuori banco ^ como sc ve* 



Ec ii . ' |iid« 



^3^ S X « XT K D O 



pes. 

20 



pesos. 


sold. 


iiv. 


sold. 


2821 , 


4 ' - 


5, 


15 


20 




20 





564H I If 

115 



2S2I20 

56424 sold; 
56424 



20A 648S760 I 32^38 

o 

sold. I.fuor.b.' sold. 
20 17-32443& j 16221 , 18 

o 

Cambio de Qenova , e Lhrne para Amsterdao. 

Sacdrao em Liorne para Amsterdam sobre a quaniia 
'de 775" pesos y 5 sold. , 3 dinb. atambio de Sj^gr^ssos 
de fiorhn per, bum peso de 6 lir, banc. Quant 6s fior. de- 
xe dar que acceitou a letru ? 

Hora sabida cousa he que hum florim de Amsterda6 
\tem 20 soldos , ou stuyvers, e que hum soldo tern 16 
dinheiros , ou 2 grosses , e que por conseguinte hum 
grosso J que he meio soldo , tern 8 dinheiros. 
. Resolveremos pois a quesra6 desta maneira : 



P^- 



Supplement 



peso 
I 
20 

12 

240 



pesos. 

20 ' 



sold. 
5 > 



12 



15505 

186063 r 




I3O244IOP 
01066098 

. 00I20I 
vOO 



dinh." 
5^426831 



Que reduzidos a florins fazem 1695 , 17 sold.^ iij 
dinh., como ac|ui.se oiosti^: 



10^33917 
nil 

000 



1^ .^542683 
^ 064221 
ion 

o o 

flor. sold. 
1695, 17, 



sold. 
33917 > 



dinh. 
II. 



dim 



E tanto rende a letra em ^ Amsterda6. 
''Cambio de Genova^ e Liorne para Parts. 

RemettSraS de Geno^a para Varis 2(j?>500 ps ^os a 
cambio de ^fsotd. 11 d. de Hv. Torn, por hum peso : 
Quant as Uv. Torn, import a a letra ? 

Antes de resoh'tf a propostatornamos a advertlr 
'^ ; que . 



^j8 S E G ¥ N D Q 

aue huma liy. Torn, tcm 20 soldos ^^e hum soldo la 
inheiros. 
Com /wfta advertencia Msoiveremos a proposta da 

mancira ge^^we. 

peso* pifeos soId.Torn. d. 



20 20 i^ 

12 50000 2oy 

»40 ' " 97 



II 



^oooeo . 1175 
1175 



705060000 I >9375^^ ^^°^- 
229820 
001 10 
00 

E reduzindo a liv. faremos a seguiate opera^ao : 

sold., dinli. , 
n^^937Soo : 244791 8^ 
0559128 



li^.Torn. sold, d, 
2OH1-244791 I 12239^ II, 8 



(X)IC30 



oooor 
Que tauto rende a letra cm Paris, 

Cambio de Genova para Madrid. 

De Genava para Madrid sacdrao sobre Pedro huma 
letra de 500 liras carrentes , ou fuori banco a cavibio 
d^ 63,2 maravedis de prat a par hum efeudo de oiro : 
^anta rende em Madrid'^ 

Antes dc resolvenros esta .proposta devemos sa* 

•her 



S tJ ? P L B M E N T O: 4^gt 

her que em Madrid hum real de velha8 tern 34 mara- 
vedis de velha6; que hum real de prata teni 34 marave- 
dis de prata , qu 04 maravedis dc velhad, e que hum 
peso tern 8 reales de prata. 

Deveiii<» tambcm saber que hum escudo dc oiro 
em Genova divide-se em ao partes, ou soldos , e que 
hum soldo se .divide cm ix dinheiros ; ou partes* 

Ainda ' mats : deveraos, saber que 100 escodos de 
oiro valcm por iiif ,de prata : que ham escudo de 
prata tem 7 li?ras, e 12 soldos bancb , e fitialmente que 
y liras banco fazem 5- fuori banco, 6u iiy soldos 
fiiori • banco , que he o valor de hum peso , ou pataca. 

Agora passemos i opera 9a 6. E como o cambioda 
noesa prbpofita he a S^fz nraravedis por hum escudo he 
fiecessario saber yoo liras fqori banco quantos escudos 
de oiro fazem. 

Para isto conv^m sjiber primelramente 5*00 liras fiio- 
ri banco quantas fazeni banco. Isto saberemos dizen- 
do: Se 115' correntes fazem 160 banco, 5:00 cqrrentes 
quantis fara6 banco ? E disporemos os tcrmos segundo 
as regras geracs dadas para a operaga6 da proporqaS, 
da maneira que aqui se v^. 



cor-, 



440 



corrent. 



S B 6 V K D O 

corrent. 



banco* 
yoo: : xoo: 
loo I. banc« 



434 



$oooq 
04056 |. 
0590 r^sidud. 
020 



1154. 1800 
0655 

12 



*900 
09s 



i^ ^Idos 



7n di^' 



Mostra-nos csta opefa9a6 que 500 liras fuofi banco 
fazem liras banco 434 , 15-5 7^}. . ^. 

Passemo^ agora a examinar 434 lir. bancov, 15 s. 
jrl|. difl* quantds escudos de prata fazeq? •, dizerido se 
7^1ir. 12 sold, fazem i escudo , 434 lir. ij s. 7|j quan- 
'Kw fara6? Vcjamos. 



> 



$ U T ? X E M E N T O. 



44? 



J, ":- 434. ^5 J 7¥ 

20 ^O 



19 




8695- 
II 



17597 
8695 



2824 

n 



104347 
n 



5472 313060 



3648 .^08694 


esc. s. 


din. 


41952 2400000 
03024P6 
. 008736 
20 


57 > 4> 
residue. 


,.'^ 


41952 ^1747^ 

/ 00691 

2 


4 sold. 





13824 
6912 



41952 .r8i944 
40992 



1^ dinh. 



Sabemos ja que ^34 lir. 14 sold. 7|.jfazem escudos 
tde prata 57 , 4 s. ifff d. 

Vej;amos agora ^7 esc. 4 s. i^ff d. de prata , quan- 
tos fazem de oiro; diganios se I22f de prata fazem 100. 
de oiro , 57, 4, I jfj de prata quahtos de oiro fara^ ? 
Facamos *a opera§ao , e preparemos os tocmos para 
clla. • _ ■ 



122 



»2f : 

' III ■ 1 


S e (i u 

57 y 

20 


N D 

4, i^ 


7 • • 


, "44 
12 


/ 


2448 
12 


2289 
"44 

13729 

457 




4896 

144« 




29376 

205632 
88128 

11:^504 . 


96530 
41 187 

54916 

6000000 


* 



loo 



I28373I2 

Prcparados assirii os termos proccdamos d opera^ad , 
^2endo : ' 

^^^837312: 6000000 : : 100 : 

' IQO 

600000000 1 46 CSC. de oir. 
o865'075'28 | 
09483648 residue/ 

i'8967296o J i4sold. dcesa 
061299842 1 

099505*92 residue. 
12 

1*9901184 

995'Q5'9^ ^^"- de esc. ' 
1 19407 104 I g^'s'rrh . . 



063871296 

Hora temos achado que 57 esc. 4 s. i~l fl. de prata 
fazem 46 esc. 14 s- 94^777? d. de oiro. 

' . Res- 



S ^ ? TTL B k B W 1* o. 44^ 

R?st^-no».responder anossa questa6 da tnaneirasc* 
guinte : v 




240 
40 1 1 66 
*li6b4664Q 

^ ■» >i: rf ■ , , ^ m 



escud. 
46, 

20 

.5>34 

. I'ai 

1877 
9H 

IIZI7 
40116^ 



sold* 
14 » 



dinh» 



. 67505? 

11^2} 
11^25 

448688 

632 

%993i2jo 
; 334^9896875?. 

^6999 7937 50 

2843978875'ooo 

09i8?8i4i588 

0518629990 

03722991 

08345^ 

0643 

E reduzindo os 295-38 marav,^ a realcs y repartin*. 
do na conformidade da regra por 34 marav. , que tern 
hum real de prata , achareis que montao a 868 real. 

M 



' inarav. 



'444 S i» « IT K a o 

' real, marar. 

02396 
022 • 



Pclo que dircmos que as 500 liras foori banco rcn- 
dem em Madrid a cambio de 632 marav. porhumes- 
oido dc oiro 868 rcales , 26~fjJ|7 marav. 

Cdniio de Geneva , e Liorne para Cadiz. 

SacdraS em Genovapara Cadiz huma letra impar-- 
tando f 122 liv. 15 s. g d. fuori banco a cambio de 23 / 
6 sold, par huma pistola. Quanto rende a letra eui 
Madrid ? ^ 

Deveis advertir que o cambio que corre de Gene- 
va para Cadiz , cone tambem deGenova para Madrid j 
mas na6 succede assim com o cambio de queafabamos 
dc tratar, que so corre em Madrid. Dc Liorne porem 
^ para Madrid , c Cadiz corfe sdmente" hum de que lo- 
go tratarcmos. 

Res'pondamos por hora i questaS propostdc 



llY. 



liv. 

" 466 
' 11 



S V f r L £ M X IT T O. 

*ofd. , livr, Bbld. 
ao 



102455- 
. 12 



dio. pistol. 



93» 


2049 » 3 




466 


I'5245'f 


pisr. 


5S9^ 


I "9,463 
©111045 


219 




04815 


residue. 




40 


rcales. 




5592.^192600 


'34 reales. 




024842 






' 02472 


residue. 




: 34 


maravedis. 



9a88 
^^ 7416 / 

5^92^^84048 I ly^ mirar. . • 
\ 28128 I 
cx>r6 

Aende a letra , como se vd , 219 pist. , 34 real, c 
ly^^j maray. 

Cambio de Liorne para A^adrid, c Cadiz. 

Sacdraoem Liarne huma letra de tropes. , 3 j£?A/. ^ 
9,T ^^'-^5 a iiSjpes. de Hespanha psr 100 pes. de laior^ 
ne. Qifanto rende em Cadiz ? 

kcsponderemos da nianeira Seguinte; 

per. 



444 

pes. Liorn* 
ICO : 

.2000 

12 

24000 

2 

480CX) 



20 



$ B o tr H D o 
pes. Liorn. ; s; din* pes. Hesp. 

Sr ealcs. 
1029 

H. 

4116 

J087 
34986 marav« 



5^i 
12 



lOOIJ 



60045 



120091 

34986 



720546 

960728 
10808 19 
480364 

360275 



maravcd. 



.4201503720 
0365J65 

«02I0II 
00 

8753 r mar. reduzidos'a reales, sa6 2574 real. ^ 15 
marav.|~, coirio sc v4 ^ 



3^1^531 

021 1 
00 



real. 



maraved. 



E tanto rende a ktri cm Cadiz. . ^ • 

Cambio de Hamburgo para Lisboa , ^ Porto^ 

SacdmS em Hamburgo sobre Lishoapda quant i a de 

40cx>f 



S U > P L E M E N 1? O. 443^^ 

4000 florins banc, a cambio de 41 ^ grqssqs por 4001 
Quanta import a emmoeda corr^nte de Portugal^ 
ResponderQmos a^sim: 



grosses. 


florins. 
4000 : : 
16 - 


riis. 
400 : 


. "1 


640CXD 




2010 


I28dOO 

64, 

768000 
8 




/ 


6144000 
400 


reis. 




2457600000 
044548424 
045:3731 

OIIII 


I222686;| 




OOP 





^ / 



Cambio de Hamburgo para Londres. 

Sacdrao ei^i Hamburgo para Londres sobre a ^uan-^ 
tia de $coo florins^ 7 sold.^ 4 dinh. a cambio de 34 
schellins 5 grossos por huma liv. sterl. Quant as liv. st, 
import a a Utra ? * 

Para respondermos a esta proposta farcmos a opera^ 
. §a6 seguinte : . 



Khel. 



^^ S 1^ 6 tr N p o 

cheL gros. flor. sold, din, 
34 , y : yooo , 7 , 4 



X2 20 



73 ic)ocx)7 

^4 ^^ 





200JI5 
100007 

i 20008 Ji 
240 

48003 5 2« 
2400176 



28802II20 I 116231^77 

040243582 

1547710 
005737 

•00 

J E para sabermos a quantas Jivras stcrl. moBta6 0$ 

1x6231 dinheiros, faremos a scguinte operacjaS. 

' ^ sold. din. 

iai^ii623i 9685^, II. 

008071 
101 
o 

' l.sr. *s. d. 
20^685 I 484 , 5 , 12^ 
100 I 
o 

' Camhio de Hami?urgo para Amster.daS: 

Sflcdrao de Hamhurgo para Amsterdao sohre s 
^antta de ^oomdrcos banc. 8 sold. , 6 diuh. , a camhio 
de l^~ soldos par 2 n^arc. , ^// I due. Quanta rende em 

Amsterdao} ; , 

. marc* 



S U y ? L E tt E « T •. 



inafc. 
2 : 
, i6 


mar. 

j-oo 

16 


5. d. 
,8,6 :i 

schell.ous. 


3^1. 
16 


31 ' 

I a . 


300B 
500 


20$ " 
31 


64 

3^/ 


8008 


325- 


-384 


T^'02i 

8008. 




( 


96101 


* 




4805-10 
195204 
480510 


dlnh* 


>■ 


' 


50453550 
1^039334 
005-4467 

133^ 

000 


nnW 





44f 



Qu«rcn4o agora saber 131 389 dinh. qaantos flo* 

,t!ns sa6 , ijapartiremos esta quantia por 16 , e p quft 

vicr ao quociente pdr 20 , achafemos finalmente que 

$a6 Borins '410 , li ^. , ij^j- d. , e tanto jrendc aietra 

em Amst?rda6 )^omo- se v^ : 



16^131389 

C03123 
CGI 



sold. 
8'2I1. 



din. 



20 



^8211 

00 . 



flor. 

410.- 



sol. 



dirf. 



Ff 



ck«sh 



4SO S E 6 V N D O 

Cambio de Bremen , e outras Fracas para lAndres. 

Excmplo- SacdraS em Bremen para Londres , j-^^ 
hre.a quant ia de iiyi rixdalles a cambio de^G-^riX" 
dalles por looliv. st. Quantas liv. st. import ao} 

rixd. • rixd. st. J, st. s. dinh. 

563 : 1152 : : 100 : 204. 12. 47^7 

100 

204 1. St. 



I 15200 
002648 
0348 residuo. 
20 



563 ^^.6960 12 s. 

/ 1334 I 

0204 . 
12 



408 

.204 



563^2448 4f!f dinh. 
oiy6 I 

E diremos que ii^z rixd. a cambio de 563 rixd. 
per 100 liv. St. rendem. liv. st. 204. 12. 4— dinh. 

De Veneza para Londres. 

Carhs sacou em Veneza para Londres , sobre a 
quant ia de 1603 banc. d. ^ 9 gross os a cdmt^iode jof 
dinh. de, sf. por bum due. yuanto rende ^m Londres} 
^ , Deveis saber , e na6 sei se ja vos disse que hum 
ducado tern 24 grosses , ou 6\ livras , ou 124 soldos, 
ou 1488 dinheiros. Que hum grosso tern 57 ^Idos, 
ou 5 soldos , c 2 dinheiros , ou 62 dinheiros. Final- 
irtente que hiima livra tern 20 soldos; hum soldo iz 
diaheiros. v 

' . - Is- 





S u 


P T h E J 


M 15 N T 


.O4 ■ . 


4^ t . 


Isto 


supposto 


resolverers 


a prpseate qutmp desti 


Illctiivli^. 


dud 


due. 


gross. 


din. 






T : 


1603, 


,9 : 


•5^ a 






' ' ^4 _ 


.. ^4 


\ 


, ^. 


. ' ■■ . 




'8 


6421 


■- . 


'•407 





192' 



3206 



3848^ 

407 



26(^^67 
i5'3924o 



dlnh* 



15661767 j 81571IJ 

00369725 
70333 



OIOI 

6 



E reduzidos a soldos , e de soldos a I'. st# como a- 



cima praticiimos , e aqui nt mostra , da6 : 

soldos. dinh. 

^797^ 7 



12 ^2 ts,7 1 

09197 

lOO' 

^o ^6797 
on 
o . 



339- 



Mid. 
17. 



dInh* 

/i4 



, Cambio de Petershurg<f para Londpres. 

'- Sacdrad em Petershurgo para Imtdres sohre. 
quantia de rj^o ruhks^ 6f copekes r a cambio de 50^ di- . 
nheiroT par hunt ruble. Ouanto rendem ^m I.ondres ? 
Ta vos disse qqe hum ruble se divide em .ico 
Copeke*. ■ ■ J 



45^1 Segundq 

I?to supposto. respondereis ao que se vos pcrgun- 
ta, fazendo a seguinte operaqa6: 



ruble. 
t : 

lOO 


rubles. 
175^0. 6f : 

100 


dinh. St* 

: 507. : 

2 

lor 


\ 


2 


175006 




2CX) 





, . ^ 525020 

600 ^ 

Antes de passar adiante direftios porque multi" 
plicamos oe 100 cop. por 2 , e depois por 3 ; pois 
I3a6 verieis ategora qiie pratioassemos isso ; porque 
nunca se oiFereceo questa6 com dois quebfa^dos de ai- 
versa dcnomiha9a8 , como he^, e|. E^ssim cm sc- 
nielhantes qiiestoes deveis reduzir as unidades^ a'qtic- 
brados, c os quebrados a huma mcsm^ denoriiiriaca6. 
Eu me explico melhor. Depois dereduzrdas as uuida- 
des i denorainagad dp seu quefiJ-ado^ como na ncssa 
operagad as 50 unidades , ou dinlieiros , que reduzi- 
mos a -J-, e OS rubles reduz;idos .a, cOp* , e^decop. a 
•^™^- 5 feduziremos as ^unidades do outro - tcrmo 
lod a ^°; c como multiplicando o segundo rerino 
•^~^-- pelo terceiro termo —-. fica o quebradiD redu- 
zido a huiDft commum denomina^ao , isto Jxe , vein 
a ficar em l^^^tES.^ iiccess^riamente deyeiBos reduzir 
OS ~ a. — para igualar os termos , e sahix a pro- 
por5a8, que se busca; 6 assira preparados os termos 
procederemos a opera§a6 ,' dizendo.que -7- he para 
'^^--assiiii como loi he paFa...j^ como sc vc: 



600: 



6go 



S U f P L E M K N T O; 

L loi ; 



4^3 



Id 

525020 / 
525020 ' 



53027020 
052452 
ociod 



V ■' "'^ 

88578™ frac5a6 reduzida^a 
ihenor ^xpressad. 



■ / 


sold. • dinh. 




IVA88378 


1 7364. iqH 




0475P 




-' 


001 






, . liy. SDld# 


dinh. 


20^73^4 368. 4. 


^^. 


< -, ' 1^o 




E tanto fendc 


a letra cm -Londres. 





■ ^ Cambi&' de Petersburgo para Amsierdao, - 

' Sacdrao em Petersburgo 'para 4fhsterda5 buma 
letra de iioo rubles, 15 €opekes a cambio de/^^i sqI^- 
dbSj ou sttiyver^ par humrubie. Quantos florins vem 
a import ar a letra. ^ ;., * 

A isto se responds desta maneira. \ * 

ruble. rubles. cop. sold, . *v / 

jL : iioo. .15 : ; 45- : 

IQO . . 100 . 2^ ,, 

91 



200 



HCOI5 
91 

'■ ' V * 

iiqoij 

990135 



10011365 

OOOOII 



sold. 
5005 6K: 



454 S EGU k D o 

E reduzindo os soldos a florins acharemos, que 
fazcm 2J02 flar. i6 s. 13^ dinh. ' - ; 





flor, sold. 


ao •7-50056- 


2502. 16 


lOOI 







. 



Rcduzi ^ de soldo a dinheirps , multiplicancjo a 
HUiTicrador 32 por 16, e repartindo pela dcnomina- 
dor 40 : achareis que fazein 13^ dinheiros , como 
PC vA* * 

j6 

198 
'33 ' 



4o>f528 
IQ 
O 



13^ dinh. 



Pe mani^ira , que fica a letra importando cm 
AnipterdaS >f02 fl. 16 s, 13I dinh. 



TA- 



TABDADA 

JDO FALOR DO DINHEIRO ESTRANGEIRO 
eni Lisboa^ e Porto ^ segundo o cambh que git a entre 
' aquellafyeest0s duasPrafasCommerciantes. 

x\.NTEs de aymguar o modo , com que cada hum d»e- 
ve utilizar-se da seguinte Taboada , como nellaentraS 
muitos numeros quebrados , he necessano advertir,, 
que sendo permittido na Afithmetica, ou para.melhor 

* dizer . usliO'l y e ainda n^cessario para a exactidatf das 

' opera^oes , supper huma unida^e , como v. gn iium- 
peso, huri^a libt*a/.huni .soldo , dividida em quanta^ 
partes qui zernios , e dessas partes tomar da mesma 
maneira quantas quizermos , para significar esta sup- 
posigao he que se usa dbs numeros quebrados. .Os 
quaes por esta mesma razao consta6 de dois termos, 
hum' que cliamaS I)enominador\ e serve 'para mostrar, 
em quantas partes supponhos , on temos dividido.'a 
unidade,;e outro, que chamao Numerador^ e serve 

• para indicar quantas partes queremos toaaar daquellas ^ 
cm que a unidadc se supp6e dividida. 

isto supposto , qucrendo por exemplQ, ou sup-, 
pondo Jiuma libra sterlina dividida em 148 partes ^e^ 
dessas querendo tomar '26 usaremos do seguinte que- 
brado : ; , /' • 

Numerador 26 . , 

♦ Denominador 148 

E clafo fica que o Denominador i^Z^tcX^rz ^ ou 
inostra em quantas partes suppomos dividida a unida- 
de, c o Numerador 26 tnostra da meshia maneiraque 
das 148 partes queremos . tomar 26^ partes , a que 
chamao os Adthmeticos avos ^ e dizem 26 cento e 
quarenta e oit'oavos.^ 

QLierendo porem usar da seguinte 'Taboada , t de-- 
sejando por cxemplo saber quanto importa6^ Ou v,a- 



4f6 S K « W K D o' -' . 

1cm cm Li8boa ^14 florins, 12 soldos, e ii grosso 
^e /^msterdafi, a cambio de'43^, buscareis nella a 
casa competcntc ao dito cambio de 43^ , e achareis 
que hum florim vale r6is 369, e,-|} avos de hum real. 

Jstosupposto multiplicai ^6^ r^is. 
p or 524 fl orins. 
J 476 
- ' • 738 
.1845 ^ 

E achareis que valem 1935)6 rels, 
Fasaai depots disso ao quebrado ^ c multipli^ 
#ai o 

' Numerador 163 

por 524 flor. 

326* ' 

E dostg multipnc45a8 Vem. ♦ . 85-41^ par- 

tes de reaes. BLcparti .agora com cuidado' 6 produ- 



rdis - # 

493 vem ao qtiocicn- 



pro , . ... . . 85412 

pck) denominador 173 kI- 16243 

'0062 te. 

Somai agora estes. 493 do quqcienie -com os 
19335^6 ; como se v6 : 

49^ '''■-. 

193^9^ c tanto iinporta6 J ou valem os 5:. 24 flor, 

Passando aos. soldos., fareis o mc^nro como aqui 
pe ve. Achareis na casa do cambio a 43^ qi^e hum 
soldq vale l8-~y. Mulriplicai os lo reis. 

1 2. sold* 

18 



S. achareis (^ijg wl?m < ? 2V4 rSi? 



Pas; 



V S V 1» ? L E M E K ^T O, . 45^7 

Passai agora ao quebrado , e itiultiplicai o ^ 

Numcrador S6 
. per '^2 - 

•172 sodo?. 

' ' . ■ / '■■'■ ^ ^^ ^ ' 

E dara: producto. . . ^ * lOjz partes dereaes* 

, • /• '^ > ■ 

RepJirtf este mesmo producto pelo denominar ^ 
.A^r. ;. , / . .. 173 ^103^ I 5 reis . ^ ; * 

' ' 6467 I 

. Somai agora o producto. . . . 216* ' 
Colli o .quQciente . • /-^ • • • - 7 ^ 
E vcm a importar'os 12 soldos .' . . 221 reis, 
Aj^int:ii-lhe o ralor dc hum grosso % . ,^ 
B vem a vaier os 12 soJd. , e i grosso 230 ' ^ 

! -^ ■ • ' r . • ^ ^/ \ ^ . ' 

Felto isso sommai os residuos das duas parti-- 

' J 123 V 

Com o numeradgr. ' 4^ d o qUebradp perten^ 

E* esta sotpm^.' . • - • 333 cente ao grosso^ 

- Rdpaftireis pelo dpnpminador 173 ^ como aqui se 

v^. ■ / ''-'-. ^ ■ 

173 ^333 1 i-ilf reis dd o quociente. 

Somai agora as tres parcellas ; o valor dos ^o- 
rins. . . . . . . . • . . . 3193849 

O valor dos soldos, e hum grosso 230 

E o quociente. . , . . . . i^ jj 

jSoma rei^. .1 940804— \ 

Pesta somma ficareis cntendcndo que 5*24 florins 
%% Soldos I grosso a camhio de 43J , impQrta6 em 
ino^d4 corrente de Portugal reis 1^^46307^1 .^vps de real, 

^ • ' • *<^ 



45^8 S E Q U N D o 

O mesmo praticarcis cm outra qualquer quantia , 
' qualquer que for o carabio , ou nioeda estrangcira. 

Agora V08 mostrarci a operajaS aqui feha, so por 
algarismo. . ' 

369 r^is. numer^dor 163 

524 flor. 524 

1476 6s t 

.738 326 

184^ 815 r6is. 

193356 reis. 173 .^85-41 2 493^ 

Flor.^ 493 • 16243} 

- — ' '. ©062 

jr24-- 193849 reis. X 

86 18 

12 iz 

8.6 i§ 

173 ^103^ I ? r6is ii6 : 
0167 I jT i^is. 

12$oI. .^21 t6iS. 

Residues 123 

167 
43 nuinerador do quebrado. 

DcAom. 173 ^-IsThiia 

160 j reis. 

524 florins 193849 

12 soldos A .' • . . . zzi • 



I grosso. 9 



1 60 

T71 



residues, e quebrado. ..... . 

total.. .;. . . . .reis i94c8oHf - 



i 



S U F IP L E M ]& N T O. 45:9 

Carnbh de Amstetdao para Lisboa , e Porto. 



A 43 grdssos. 



Florins 

Sodos 

Grosses 



I 
I 

'I 



reis, 
18 if 



A 43 I grossos. 



Florins 
iSoldos 
Grossos 



1 
I 



revs. 
571 If 

9 7f 



. A 4^ J gro9SOs. 
Florins i 369 

Soldos I 18 

Grossos I 



4 ? 



J^ T7T 



A 43 {grossos. 
Florins i 368 

Soicjos I 18 

Grossos I 



1S± 
77 

i47 



9 T?7 



A 43 1 grossos. 
Florins 1 ^ 367 

Soldos . I , ,18 
Grossos ,1 y 



71 

8 7 

JLZ. 

87 



A 42 1 grossos. 

Florin? t 366 ffl 

Soldos ^1 18 l^f 

Grossos X 9 T;^f 



A 43 J grossos. 
Florins ^ i 365^ 

Soldos I 18 

Grossos 1 



A 43 f grossos. 
^Florins i 3^4 fjf 

I Soldos I x'8 yif. 

^ - Grossos 1 9 Tsf 



A 44 grossos. 
Florins % 36 

Soldos I • li 

Grossos I 



1 i 

_4 

Ti 

9 if 



A 44 y grossos. 
Florins i 3.6 z 

Soldos _ I 18 

Grossos I 9 



sr4 
J ?7 



rs^ 



A 44 i groseos. 
Florins i ^61 fff 

Soldos . I ^18 ^II- 
Grossos I 9 T77 



A 44 1 grossos. 
Florins i 360 ff 

Soldos I 18 

Grossos 1 9 



7* 



A 44 1^ grossos. 
Florins i- 359 

Soldos I ^7 Ji 

Grossos I 8 II 



4> 

X7 



Flprins 
Soldos 
Gfp§sqs 



A 44 {grossos 



I 
I 

I 



358 
17 
S 



ill 
111 

A 



4^0 



S E ftU N D O 



V 



A 44 i grosses. 
Florins i 

Soldos I 

Grossos I 



A'44 J grossos. 
3S7 T7T Florins i 3^6 

19 f^ Soldos I ,17 

8ffJ Grossos i 8 



r9/ 

i\9 



A 

Florins 
Soldos 
Grossos 



4jr grossos,' 

I 3SS 

I 17 

I ' 8 



A 45 y grossos. 
Floriiis i ^ 354 

-Soldos I 17 

Grossos I 8 



20 f 

J 6 1 

Z 6; 



±11 

S6l 



A 45 ^ grossos. 
Florins .1 35*5 
Soldos I 17 

Grossos I 8 



A 45 I grossos. 
^'r Florins ' i 352 
~ Soldos 1 17 

7jf Grossos r 8 






A 4J ~ grossos. 
Florins I 351 

Soldos I 17 

Grossos I 8 



11 
91 

91 

7 2 

31 



A 45- 1 grossos. 
Florins i 35- 7; 

Sofdos ' i 17 4j 

Grossos r 8 }f 



35-0 ^7 



A 45 J grossos. 
Florins i 349 

Soldos I 17 

GrQsso3 I 8 



111 



A 45 Y grossos. 
Florins r 348 

Soldos ' X 17 

Grpssos Mi 8 



ill 
III 

2 64 
T^7. 



A 46 giossos* 

Florins i 347H Florins 

Soldos I 17 XT Soldos 

Grossos I 8 I7 Grossos 



A 46 !» grossos. 

I 346 Iff 

• ' •? ill 



8 



A 46 -grossos. A 46 1 grossos. 

Florins i 345-11 Florins i 345 

Soldos I • 17 17 Soldo? ^ I ^ 17 

Grossos I . 8 f ^ Grossos I 8 






S u ?:? L E M E N r #. 



461 



A 46 ^ grosses. 
Florins i . ,344 

Soidos ' I ,^ ' If 
<3rcssos I }> 

A 46 J gro^sos^. 
Florins i 

Soidos ylJ 

Grossos I 



il 



34^ irf 

8IQ4 



A 46-y grosser. 
Florins I. ' 343 

Soidas' I 17 

Grossos .1 ^ 8 

A 46 J grossos. 
Florins - i ;}4i 

jSoldos I 17 

Grossos I 8 



ft 

Tn 

J7? 






^ A 47 -grossos. 
Florins 1 .340 

Soidos I 17 47 

Grossos I 8 ft* Grossoa 



41 
1 



;A 47} grossos, 
]?lorins /i 3.39 
Soidos i' 16 

I 8 



Hi 

Hi 



A -47 ^ gtossos/ A 47 1 grossos. 

Florpjs \\ I 338 f|| Florins ^ i 

Soidos ' ■ I ' V 16 f^ Soidos I 16 

Grossos i^ 8 jg-l Grossos 1 8 






i 79 



A 47 -^ grosso?. -A '47 J grossos. 

Florins "l 336 fj Florins i • 335^ iff 

Soldos^ - I / ' 16 i^^ Soldcs t 16 -^f 

Grossos I 8 rl Grossos i 8 



JUL* 
iiT 



- A 47 } grossos. 
Florins I '335 

Soidos I j6 

Grossos I 8 



11 

£44 
7 2 

1?A 



A 47 J grossos.' 
Florins * i 334 
Soidos I'- ^ 16 

Grossos I 8 



-11 

iU 



; A '48 grossos, A 48 1 grossos. 

Florins , I ' 333 7 Florins i 332 

Soidos I . 16 f Solcios \ i . 16 

Grossos \ J 8 I Grossos " i & 



u 

7 7 



A^ 



r 



4^2 



S E G U N » O, 



A 48 {- grosses. 
Florins i 321 

Soldos X 16 

Gro;>sos I 8 



HI 

ILL 

Ilk 

I9i 



A 48} grosses. 
FJorins i 350 

Soldos i 16 

Grossos I 8 



J y 7 

J»7 



A 48 7 grosses 
FJorins i 

Soldos 1 16 

Grossos I 8 



5-9 



''I 

S7 



A 48 f grosses. 
Florins I 329 

Soldos 1 16 

Grosses i 8 



1$ 

ill 

Hi 



A 48 7 grosses. 
Florins i 328 

Soidos I 16 

Grosses i 8 



A 48 f grosses. 
Florins i 

Soldos I 

Grosses i 






Cambio de Londres para Lisboa , e Porto. 



A 6^ dinhciros. 

reis. 
Livras i :8o9 

Soldos I 190 

Dinh. I 1$ 



li 

6 ? 



A '63 J dmheiros. 

reis. 

Livras t , 3801 tIt 

Soldos I 190 — 

Dinh. I 15 -If 



. A 63 7 dlnheiros. A. 63 j dinheiros. 

Livras i 3794 ^jf Livras 1 3786 ^^^ 

Soldos . I 189 4^ Soldos 
Dinh. I 15 -^ 



^^ Dinh. 



^5' 



io7 



A 63 -J dinheiros. 
Livras * I 37S0 -i4f 

Soldos I 188 '^' 

Dinh. I 15 



'27 
T27 



A 6^\ dinheiros. 
Livras I 3772 

Soidos I 188 

Dinh. . I 



509 

joy 



15 -Hf 



A 63 f dinheiros. 
Livras I 3764 

Soldos I 188 

Dinh. I ly 



A 63 1 dinheiros. 
IT Livras . i. 3757 
^f Soldos ^ 187 

tf Dinh. ,1 15- 



11^ 

is*' 



S U P P,L E M: E N T O. 



4^2 



. A 64 dinheiros. 
livras ' I, - 375'0 
Soldoe I , 187 4 

pinh. I I'J f 

> ' • ■ 

A 64 i dinheiros. 
Liyi-as i 5735- |fi 

Soldqs I* 186 i|f 

DinB. 1 16 1^ 



• A 64} dinheiros. 
Livras , 'i 3742 lil* 

' 187 .4 



Soldos 
Pinh. 



A 64Jdinbc;j[ros. 
Livras i 3728 -if 

Soldos 1 186 -rif 

Pinh. ' t js iH 



A 64 1 dinheiros. 
Livras i 3710 

Soldos I 186 

Dinh. i 16 



1 3-9 

129 



. A 64 1 dinheiros. 
Livras i v 3713 

Soldosi I 185 

Diah. i i j 



111 
5 1 7 



A 64 J dinheiros. 
Livras i' 3706-^1 

Soldos I i8y ^ 

Dinh. '^1 15- Vsj 



A 64} dinheiros. 
Livras i 3699 

Soldos I \ 184 4^ 

Dinh. I ly .^ 



^"1 



A 65 dinheiros. 
Livras j ^6f)z --f 

I 184 rf 



Soldos 
Oiuh. 



15 






A 65 J dinheiros. 
Liyras' i 3685: ill 

Soldos. I 184 -iif 
Dinh. I ly ^|i^ 



i . A 65;- dinheiros.. 
Livras^ . i 3678 zjf 
Soldos' I 1S3 

Dinh* I 15 



i 7 

i 6 1 



A 65: i dinheiros. 
Livras 1 3664 -rfr 

Soldos I ^ 183 tIt 

Dinh. .. I 15 rff 



A 65 1 dinheiros. 
Livras 1 3671 -|f 

Soldos I 183 jif 

Dinh. . I 16 "" 



52? 



A. dff dinheiros. 
Livras i ^^ 3(^57 

Soldos I' i8z 

Dinhr X 15 



-1 

3t 



464 



S E G U N D .0 



A 65 ^ dinheiros. , A 65 y drnheiros. 

Livras i 3<^5'o.c~ Livras / 'i 3643 

Soldcs I 182 llf Soldos I ; l§a 



Dinh. 



IS ^ Dmh. 



527 



15 T^y 



A 

Livras 

.Soldcs 

Dinh. 



66 dinhcirok. 



181 If 

?5 7f 



^ A 66 J dinh^ros-* 
Livras i 362^ 

Soldos ' X 181 
Dinh. . I 



15 IT 



S2> 
S2f 



A66^dinheiros. . 
Livras i 3622 {f 

Soldos I ' 181 TT 

Dinlu I . 



5? 
15 T^ 



Livras 
Seldom 
Dinh. 



A 66 1 dinbeiros. 



I 
I 
J 



3615- 
180 



:*JLS 



tivras 

SoMos 
Dinh. 



A 66 ~ dinhciros. 



3609 



Livras 



A 66 fdinhei ros. 



180 74f Soldos 
iS-rJT Dinh. 



I 
I 
I 






r? 9 



' A 66 ~ dinhciros, 
Livras , i 35'9y ^-^, 
Soldos .1 179 It7 
Dinh. I X4 f If 



A 66 1 dinheiros, 
Livras^ 



Soldos 
Dink 



I 
I 
I 



3588 r^-i 
179 



M to? 



A 6^ dihheiros. A 67 1 dinheiros. 

Livras i 3582 -^ Livfjjs i 3575 

Soldos I 179 77 . Sokios i 178 

Diqh. . .1 14 If Dinh. i 14 



5?7 
4 14 

^ ?7 
*82 



A 67 J dinbeiros. 
Livras i 3568 

Soldos . I 178 
Dinhi. I 14 



ill 

3 6? 
-65 



, A 67 J dinheiifes. 
Livras i 35-62 ylf 

SoJdos, ^ I .178 -^ 
Dinh. ; ^ I 1^ Ifi- 



UPPIiEMEKTO. 



465: 



A 67|dinhelfos. 
Llvras .1 3555- 

Soldos ,1 1 77 It 

Dinh. 1 ^ 15 Tf Dinh* 



. A 67. J dinheif q<t. 
4 Livras j 

Soldos I 

I 



lU 



3548 ,,, 

14 #^ 



•A67:j'dinheiros. 
Livras i ^ 35*42 

Sbldos i' * 177 

Dinhi I 14 



ii 
,271 

20 ^ 



:^7A 



A 67jdijiheifoS4, 
Livras , i ^ ^^^^^ 4fi 
Soldos' I 176 ^if 

I 14 # 



'^U Dinh 



A 
Livras 
Soldos 
Dinh. ' 



68'dinheifos, ' A 68}dinheiros. 

35-29 yf Livras/ i . 35:22 

176 tI Soldos ^ I. 176 

14 4f Dinh. r^ I 14 



I 
I 
I 



ton 
lot 

— 1£ 

♦ 7. 4 



A68jdinheiros. 
Livras . ..I 35-16 
Soldos I i7f 

Dinh. I 15 



» ? 2 

Tn 
13.1 
27? 

27? 



LiVfas 
Soldos 
Dinh. 



A68|dlnheiro^. 

.1 3510711 



A 68 £ dinheiros. 
Livras ^ I 3503 
Soldos I 175 

Dinh- I 1^ 



1 ? 7 
_2 ^ 

1 ? 7 
T?7 



A 68 1 dinheiros. 
Livf as I 

Soldos I 

Dinh. ^ ^ t 



3497 Tri 
174 T^ 



A 68 1 dinheiros. .'A 68 f dinheiros. . 

Livras i 3490 jf Livrafs ■ i 3484 iU 

Soldos i 174 77 Soldos i 174 ||| 

Dinh. i 14 ji Dinh* 1 147!/ 



A 

Livras 
Soldos 
Diiih. 



} 

69 dinheiros. 

i" 3478 
.1 
1 



TS 



A-^pfdinifieifo^^ 
Livras ' i jy^^t 
Soldos 1 175 ^^^ 

Dinli. t J4 ^ 



i£,7 

? ?I 



Gg 



466 



S E G V H ^ ^^ 



A 69 J dinheiros, ^^9t dinheiros. 

Livras I 346^ —^ Livras i 345-9 

Soldos 1 iJi ^Yi Soldos I 173^ 

Dinh. I 14 T— Dinh. i 



1 1 t 
1 08 

X I 1 

14 TTT 



A 69 1 dinheiros; . A.69 fdinheiros. 

Livras . I 3453 TTT Livras ^ i , 3447 

Soldos . I 172 rrl ^oidos i . 17^ tt? 

Dinh. I 14 Tff Dinh. r 14 |^ 



A 69 jdinheiros/ 
Livras i* 3440 

Soldos I .172 

Dinh. I 14 



24 

ill 
111 

27? 



V,'- 



A69|^inheiros. 

Livras * i 3434 

Soldos I 171 

Dinh, I 14 



HI 



A 70 dinheiros. ^ ' A70jdinheiros. 

Livras i 3428 ^ Livras i 3442 

Soldos I 171 7 Soldos , I 

Dinh. I 14 7 Dinh. i 14 



3y| 

171 rff ' 



14^ 



A 70 ;j dinheiros: ' 
Xivras 1-3416 ^f Livras 

Soldos . I 170 \lr Soldos _ 

Dinh. ' I 14 ^f Dinh. 



A 70 7 dinheiros. 



I 
I 
I 






A 70 r dinheiros. 
Livras i 3404 

Soldos' I 170 rir 

Dinh. I 



-11 
I .i I 



4 1 

I4 7tf 



Cam- 



StrFFLBMBHTO* 467 < 

• Cambh de F arts ^ para Lisboaj e Pdrto* .^ 

A.42or6is. A 421 r6is/ 

Livra I r 140 Livrst j 140' fjl 

Soldo I . 7 Sbrldo X ^^77! 

' Dinh. I b -^ Dinh^ ^ i O ^ 



" A 42Z rei9. ' ' , A 425 r^is. 

Livra I ^40'— Livria t i^i • 

Soldo .1 7 ii- Soldo r 7 1^ 

Dink X ' o ^ Duih/ X ^ o || 

A 424 rets. ' A 42f fdiSi ^ 

Livr^ I 141 f£- Livra .X 141 yH 

Soldo . I 7 i|- Soldo . I ' , 7- 11^., 

.Dmk 1 .0 4^^- Dinh. . I. 'o4l# 



ISO •^'"•y , -• w jju 



■A/426 f^isj. - . , A 427x613. 

Livra x . 142 LiVra i 141 Iff 

Soldo I 7 ^ Soldo I 7 ;ii 

Dinh. i o 4^ Dinh. i o f|| 

A 42S f6is'.- A 429 thii. 

Livra I ^ "142 tI^ Livrst i 14; 

Solder 17 tIo^- Soldo -1 7 41 

.Dinh. - I ojfi Dinh; 1 o ^^ 

A-43c>reis,i # A431. rdis. ^ 

Livra ^ .1. , 143 H^ Livra ~ Xx 14? #f 

Soldo .1 7 jlf Soldd t ; 1|| 

Dinh. 1 ,0 jT^ Dxhh< i , © ^ 

A 43i r^is. ' A 433 f^is. 

Livra I 144 Livra ' i tAA ii^ 

Soldo I' 7 -i Soldo". I- 7 Ii| 

Dinh/ J © 7 Dinh< 1 © ii| 

Gg ii A, 



• 4^8 , S E Q U N^D O 

A 434 riis. A 435: rdi». 

Livra • I / 144 m Livra i 149 

S .^ao 1 7 Tie Soldo I ' 7 ^fl 

Dinh. i^ o t^l Dinh. i o ^^ 

(■ . . , ■ ^ 

A 436 oSis,* A 437 riis. 

Livra i 149 rif , Liy^a i 149 4|| 

Soldo I 7 yii Soldo^ I 7 ff^ 

Dinh, ' I o 11^ Dinh. . .1 of 



72* 



A 438 t^is. A 439 r^is. 

Livra I 146 Livra 1 1^6 ^% 

Soldo I 7 tM Soldo ,1 7 ^ 

Dinb. I o i^i Dinh. 10 ^l-J- 



A 446 r6iss ' %A 441 ^^^* 

Livra i 146 jf Livra i ^ 147 

Soldo I 7 TT Soldo 1 ' 7 „; 

Diuh. I o XT Dinh. i o | 



9 

80 



A '44^ rdis. • A 443 r^s. 

Livra I 147 jt* Livra i 147 rlf 

Soldo I 7 {^ Soldo . •! . 7 fri 

Dinh. I o ~ Dinh. i o " 

A 444 reis. ^ 445: r6is. 

Livra r 148 Livra i 148 

Soldo ' I . y fi Soldo I . 7 rl! 

Dinh. I . o fo- Dinh. i o t|t 

A 446 reis. A 447 reis. 

Livra I ^ 148^5 Livra l 149 

Soldo ' 1 • 7111 Soldo i 7^ 

Diiih. I 6 4|i Dinh. I o i^^ 



7 2& 



144 



S p F 4- E M B w a- o. ^6^ 

A 448 t6is. A\449 r^is. 

Ltvra I 149 ff Livra i 140 ±|£. 

Soldo I 7\l \Soldo I 7 ill 

Dinh. - I o If Dinh. i o |f|. 

• A 4J0 reis. ' A 451 r^is. 

Livra i , ijo .Livra- i 15:0 ill 

Soldo I , ^ 7 |. Soldo I 7 III 

Dinh. , I o I Dinh. i o ||| 

A 45'a r^is, A 45-3 reis. 

Livra ' i 150 fff Livra i 15- 1 

Soldo , X 7 -U Soldo .1 7 iJI 

Dinh. I. ofji Dinh. i ''' 



51 

4« 



-1£ 
144 

__8 4 

144 

«9r 



A454r^i«- ,A 4^^ reis. 

Livra I 151 ^1 Livra , i if i 

Soldo I . 7 f2i Soldo I 7 

I^"h. I ^ o m Dinh. I p T^ 

A 45-6 r^is. A 457 r^is. 

Livra i ifi Li?ra i xy» -yH 

Spldo J 7 fi Soldo I 7 fii 

Dinlx. I o'jl Dinh. ; 1 ' ojii 

A 458 reis. A 459 r^is. 

Livra i ija f|| Livra i 155 

Soldo I , 7 ill Soldo 1 . 7 ji 

Dinh. I ofil Dinh*. i o i^ 

A 460 r^is. A 461 reis. 

\t'Y/ I 15^3,74 Livm I 153^ 

Sjoldo . X . 7 fi Soldo , J 7 j^: 

Dinh. ,1 ofi Dinh. i ,• o -,|i 



476 S E G tJ H f) o 

A 461 rew. * A 463 r^i«. '^ 

Lh-ra i K4 Livr? i 15-4 Tjf 

Soldo 1 7tI^ Soldo. 'I ' 7fif 

pinh. 1 Ot^ Dinh. - l o^ 

A 464 i^is. A 465 r^is. 

Livm I iHif Livra. ' i "^ 155 

5oIdo I . 7 XT Soldo J. 5 tI 

Pinh, 1 ofi Dinh. 1 07^ 

A 466 rets. A 467' t^i«. - 

Livr* 1 Iff ^ LiTra i , i^f f|| 

Soldo ■ I 7 Til .Soldo I . 7 fif 



7J» 



Pinh. I . o^k I>i»h..' I 

A 468 reis. A.469 r^is. 

t-ivra 1 156 tivra ,1 If 6 f|| 

Soldo I 7i? Soldo' 1 7 

Pinj). . 1 ^ / 4f Dinh. l- o 

A 470 r^is. A 471 r^is. , 

X-ivra I 15^ tI Livra i 158 ,,^ 

Soldo I 7t^ Mdo 1 7i^ 






4U 
iii 



pinh, I ♦ o ^ Dinh. 1 o ^ 

A 471 reis. A 473 ^^*s. . 

LIm . I 157 ?l- I^ivra . i , 1^7 ffl 

Soldo 1 7 ^- Soldo 1 -.7 Hi 

Pinh, » ofi' Dinh. I o '" 

A 474 r^is. A 475^ feis. • ' 

J.ivra 1 1^8 Livra ,' i " 15? 

goldp . .1 7|^ Soldo J 7 TX7 

Pinh, • r o T^ Piiih, I O TT4^ 



4 7t 
720 



if. 



S u p B t. E M E s T* o. 471 



Livra 
Soldo 
Dinh.: 


A 476 reis. , 

. 1 7 Hk 


Livra 
Soldo 
Dinli. 


A 477 r^j«. 

., I '7m 


Livra 
Soldo 
Dinh. 


A 478 rein. ' 

1 mm 


Livra 
Soldo 
Dinh. 


A 479 r<^i»- 

I Q i^ 


Livra 
Soldo 
Dinh, 


A 480 reis. . 
I ^ 160 
' i 8 

;. I . of 


Livra 
Soldo 
Dinlv 




Livra 
Soldo 
Dinh. 


A 482 r^is.. 


Livra 
Soldo 
Dinh. 


A 4h '■<^^^- 

? 8 .1^ 


Livra 
Soldo 
Dinii. 


A 484 r^»s. 


Livra 
Soldp 
Dinh,. 


A 485 ,reif . 



A 486 fei^. A 4?7 riis. 

Livra i 162 Livra .1 l6^ 4^t| 

Soldo I 8 T^^ Soldo ' I 8 ^^-^ 



40 



Dinh. I ofJDinh. • i, o f |: 

A 488 r6is. A* 489 reis. 

Livra I 162 {I Livra i 163 

Soldo - I . 8 i| Soldo I. 8 ^f 

Dinh. , ■ I - o |i Dinh. • i o ^^ 



47* S E G H N D O , • 

A 490 reis. A 491 rdis, 

Livra i i^3 ft Li^ra i 163 ^ 

Soldo I 8 If Soldo , ' r 8 ^4^ 

Dinh. I b 44 Dinh. .1 o " 



49 ' 



7 = 



■20 



A 49i r^is. A 495 reis. 

I.ivra I 164 Livra ' i 164 

Soldo r 8 If Soldo i 8 ^4! 

Dinh. I o ^ Dinh. * i o f 1^ 

A 494 rdls. A 495^ reis. 

'Livra 1 164 y^ Livra i i^f 

Soldo I 8 tII Soldo I 8 ^ 

Dink I of^ Dinh., r o fi 

A 496 r<^is. A 497 reis. 

Livra i i^S 7s ^^^'^^ ^ 16^ U§ 

iSoIdo 1 . 8 If Soldo • . I 8 fl 

pinh. I , o II Dinh. i 0^1 

A 498 reis. A 499 reis. 

Livra r 166 Livra i 166 ~ 

Soldo 1 8 -4^. Soldo I S iU 

Pinh. I o tI^ Dinh. i , ±1^ 



A 5po reis. 
Livra x 166 ^ 



1 i 



Soldo I 8 44 



Pinht*; I o 



17 



C(ffli« 



UPPLBMENXO. 



473 



Cambio de Genava , e Liorne far a Lisha^ e Porto. 



A 7pi reis. 



P^sds 

Sojdos 
Dmh, 



I 
I 

I 



701 , 



A^ 702 reis. 



■' A 703 r^is. 
Pesos I 703 

Soldos I 3f ^ 

Dinh.' -I 2 






Pesos 

Soldos 

Dinb- 

.r 

Pesos 

Soldos 
Dinh. 



reis. 
702 






704 reis. 
1 704 



2 - 



\l 



IS 



A Voj rdis. 
Pesos I . JOS 

Soldos I 35 14 

Dinh. 1 : ■ 2 44 



' -' A 706 reis. 
Pesos • I 70^ 
Soldos I 35 

Dinh. I I 



1 20 
1 11 



^. A 707 reis. A 708 rdis. ' 

Pesos I 707 Pesos x 708 

Soldos . I ; 35 ^f^ Soldos I. 35: 

Dinh. ' I .-2 11^ Dinh. i 



-I 
20 

2 ii 



A 709 reis. 

Pesos I 709 

Soldos I 35' 

Dinh. - 1 - 2 



2^i 
249 



A 710 r6is. ' 
Pesos • I 710 

Soldos I 35 fl 

Dinh. ,1 2 1^ 



Pesos 

Soldos 

Dinh. 



PesQ? 

Soldos 
Dinh, 



A 711 r^is. 



71 r 
3?fl 
i So 



A 712' r^is. 

Pesos I 712 

Soldos 1 

Dinh. I 



i 10 



A 713 r^is. 
. I 713 



I ?<r 



40 
2?^ 



• A 714 r^is. 
Pesos I 714 

Soldos I 



Z 11^^ Dinh, 



2C ^ 

2 11 



474 



S E G U IT D O 



A 7iy rdis. A 716 r^is. 

Pesos 1 7iy Pesos x '716 

Soldos I 35 X7 Soldos i 35- 



Dinb, 



4;; 



Dinh. 



4JL 

60 



A 717 rcis. A 718 r6is. 

Pesos I 717 pesos 1 718 

Soldos I ' 3jf II- Soldos I 35 

Dinh. I 2 f^ Dinh. i 2 |ii 



ion 

I 23 



. A 719 reis. . 
Pesos I 719 

Soldos ' I 
Dinh. 1 



12 8 

z ^ Dinh, 



A 720 T^is. 

Pesos I 72^ 

Soldos 1 36 

J 3 



A 721 r^is, A 2^^ rdis. 

Pesos I 721 Pesos i . 72Z 

Soldos J 36 ^^ Soldos X 3^ rif 

Dinh, 1 3 ~ Dinh. i ' % -^ 



A 723 r^is. 
Pesos I 723 

Soldos I 36 



Dinh. 



3 t? Dink 



A 724 rdise^ 
Pesos I 724 

Soldos i S^ 



3 ^ 



A 725 r^is, - A 726 r6is. 

Pesos I .725 Pesos I 726 

Soldos J 3^ T? Soldoai i 36 i^ 

I 3 ^i Pinh; I . 3,iv 



Dinh- 



A 727 reis. A 718 r6is^ 

Pesos I 727 Pesos i 7^^ 

Soldos I 36 ^ %>ldos I -. 36 tI- 



Diah, 



3 ^^ Dinh. 



iQ 



Pesos 

Soldos 
Pinh. 



pesos 
Soldos 
Pinh. ' 



Pesos 

Soldos 

Dinh. 



S 
A 729 



A 73 



Pesos 

Soldos 

Dinh. 



Pesos 

Soldos 

Diqli. 



tfPfI.EME»TO. 

r^is. 



77S 



A 733 



A 73 



A 73 



A 730 r^is. 
725^ Pesos I yio 

- 36 |i Soldos , 36 a 



r^is. . A 732 reis. 

731 . Pesq^ I 

S^lil Soili 't 

3 ^i| Dinli. .1 



2 ^ 



73^ 

36 if 

3 «o 



r^is* ; A 734 reifi. 

733 ,_ Pesos :^ 1 V34 



36 3il Soldos . 1 
3 2tI- Dinh. ^ I 



367!^ 

6 12P 



reijg, 



A 736 reis. 
735' V Pesos I 736 

36 i^ Soldos 'I 36 Jl 

3 tr Dinli. I ; ^ 3 " 



J. 

15 



? 



> 737 
5^ 



240 

3^ 



A 738 reiy. 

Pesos . I 738 

Soldos I 36 

Dinh. !>• 3 



A 739 '■eis* ' A 740 i^i$. 

Pesos I 739 P'esos I 740 

Soldos I 36 ||| Soldos I 37 

^^«^' ? ' 3^ all Dmh; 1 3 



IS. 

4*> 



I. 
12 



A 741. r^i$/ 

Pesos I 741 

Sol4os I ^^37 

Pinh, I. 3 ^ 



4 

so 



A 742 Tii$, 
Pesos I 74^ 

Soldos I 37 1^ 

J?inh, X . 3 ni 



I* 



47<5 



S E G V N n x> 



A 743 r6is, A 744 riis. , 

Pesos I 745 Pesos i 744 

»oldo$ .1 37^14 Soldos I, 37 --I 

Dinh. I 3 ^ Dinh, i 3 -^^ 



Pesos 

Soldos 
Dinh. 



A 745: rcis. 
t 37 



4S 

i 



A 74^5 reis. 
pesos I 746 

Soldos ^ 

Dinh. I i ui 



37rll 



A 747 r^is. 
Pesos I 747 

Soldos I 

Dinh. I 



37 if 
3 n 



A 748 r^is. 
Pesos r. 748 

Soldos I' 

Dinh. I 



37 il 
3^ 



Pesos 

Soldos 

Dinh. 



A 749 r6is. 
I 749 



I 37 Iff 



A 7^0 r^is. 
Pesos ^ 1 75*0 

Soldos I 37 4 

3 'i^ Dinh. 1 . 3 T 



A 75*1 r^is. 
Pesos I 75? 

Soldos I 37 

Dinh. 1 



3 ^ri^ 



A 7jr2 r^is. 
Pesos 1 . yffi 

Soldos I 37 'n: 

■I 3t| 



Dinh. 



A 753 ^'s. . 
Pesos I 7^^ 

Soldos I 37 



X>inh. 



Pesos 

^ Soldos 
3 ^i Dinh. 



75'4 r6is. 
I 75^4 
I 37 

* 3. 



84 



A 75'5' reifS. 

Peso% I 

Soldos I 

Dinij. , I ^ 



A 756 r^is. 
755 Pesos I . 75'6 

37 ^ Soldqs .1 
Dioh. I 



3ii 



3f II 



3.^ 



S V 



P p! X E M B K To. 



477 



Pesos I 7^7 Pesos • i 758 

Soldos 1. 37^ Soldos 1 37^- 

Dinli. I * s^' Dinh. , i j 



1 ^O 
120 



A 759 riis. 

Pesos , I . y^^ 

holdoj I 37 {^ 

Dmh. I , 3ii 

A 761 reis. 

Pe?os I 761 

Soldos I 38 ^i§ 



; . A 7i56 feis. 

Pesos 1 ^ 760 

Soldos 1 38,' 

Diiih. I . 3 i 

A 76% riis. 
Pesos ^ I 762 

Soldos y 38 :i4 

Dinh. I . 3 :^ 



A 763 r^is. 
Pesos I 763 

Soldos , 'i 
Dinh. i\ 



37 24,0 

2 -^^ 

D 240 



A 764 r6i^. 
Pesos I 764 

Soldos I 

Dinh. I "31^ 



37 IjcT 



Pesos 

Soldos 
Dinh. 



A 76^' reis. 



765' 
.3t^ 



A 766 r6i&. 
Pesos I y66 

Soldos I 38 

Dinh, ' I 



1 20 

D 12» 



Pesos 

Soldos 
D;nh. 



767 reis. 
I ' ' 767 

I '38 

1 



_84 

240 

P 240 



A 768 fdis. 

Pesos 1 768 

Soldos I 38 -I 

Dinh. r 3 | 



A y6^ reis. - 

Pesos I 769 

Soldos 1 , 38 

Dinh, I ^ 3 



240 

_4 > 
244^ 



A 770 riis. 

Pesos 1 770 

Soldos r ' 38 it 

Dinh, i .3 ai 



47t 



S E G ir N I> o 



A 771 reif. ' . A 77a rcis. 

Pesos I '771 Pesos 1, 772 

Soldos X 38 4f Soldos I 38 4^ 

I 3 il Dinh. .1 3 -^ 



Dinb. 



A '773 reis. A 774 r6is. 

Pesos I 773 Peso^ i 774 

Soldos I 38^11^ Soldos 1 38 ^ 

Dinh. I 3 ^:^ Dinh* • i 



3 Ti' 



A 775 r6is. 
Pesos I 775" 

Soldos I 38 

Dinh. I 



11 



3 7T Dinh. 



A 776 r6is< 
Pesos 1 77^ 

Soldos' ' Jj , 38 ^ 



A 777 ^^^^• 
. Pesos I 777 

Soldos t 38 

Dinh. I 



£1 

So 
3 80 



Pesos 

Soldos 

Dinh. 



778. reis. 

I 778 ■ 
I . 38 M 



Pesos 

Soldos 

Dinh. 



A Jji) riis. 



Pesos 

Soldos 

Dinh. 



I 
z 
I 



779 

38 

3 



A 781 rcis. 



I 
I 



781 

39 

3 



240- 

-1' 

240 



2JO 



pesos 

Soldos 

Dinh. 



Pesos 

Soldos 

Dinh. 



780 reis<| 

I 39 

t 

782 r^i$. 

I 7*i 

* " 59 
t 



3f 



3 r 



It 

I 29 



A 783 r^I^^ 
Pesos I 783 

Soldos I 

Dinh. • I 3 



39 g 



Peso^ 

Soldos 
Dinh. 



784 reis. 
I 



39 rr 



3 FT 



A 



V P ? L E ME N ^ O, 



479 



A 785 r^k . 
Pesos ' t „ 785 

Soldos .1 36 

Dinh. I ^ 

A.787 i^i§; . 
Pesos I 787 

Soldos I 39 

Dinh. i '3 



4S 



6 7 

240 



Pe§os 
Soldos 
Dinh. * 



A ,780 v6\Si 
I 786 

J 39 



Pesos/ 

SoMos' 
Dinh. 



40 



788 rcls- 
I 

I 



788 



£4 

17. ' 
5 60, 



< A 789 reis. 

Pesos- I 7^^ 

Soldos 1 ^ 39 

Dinh. \ I 3 



IS 

1^ 



A 790 r^is. ,~ 
Pesos 1 ^90 

Soldps I 

Dinh. i 3 



397I 



A 7^1 jr^is. 

Pesos 1/ 791 

Soldos I ,59 

Dinh, I z 



240 



Pesos 

Soldos 

Dinb. 



792 r6i«. 



A 795 f^is. 
Pesos I 793 

"Soldos I 39 

Dinh. I 3 



240 , 

7I _ 
4 40' 



A ^94 r^is. 

pesos ' t 794 

Soldos I 

Dinh, i 3 



39^ 



A 795* reis. 

^ 79J . , 

I 39 tI Soldo*' .1 :r9 '7 

Diuh. I 3 -r? Dinfi. I , • 3 -^ 



Pesos 

Soldos 



A 796 r^is. 
Pesos X 796 

Soldo*' .t 



A 797 reis. ^ 

P^OS 1 

Soldos I 

Dinh. I 



A 798 r^is. 
797 Pesos I ' 798 

39 #i Soldos * 1 39 

3.2!^ Dinh. I 



IS 
40 

y 4* 



48o 



S £ G U K D d 



A 799 viis. 
Pcpos I 799 

Soldos I , 39 
Dinh. 1 ^ 3 



2-10 

240 



A 8co reisi 

Pesos ^ I 8cx7 

Soldos I 40 

Dinh. i 



3 f 



A 801 reis. 

Pesos 1, 801 

Soldos 1 40 

Dinh. I 3 



so 
so 



A 802 rdis. 

Pesos I 802 

Soldos I 

Dinh. 1 



40 Til 

D 120 



A 803 r^?s. , V A 804 r^is. 

Pesos I 803 Pesos i * 804 

Soldos I 40 t|j SoWos I ' 40 ^ 

Dinh. I 3 ^li Dinh. i 3^ 



A 805 ^-dis. A 806 rdis. 

Pesos I Soy . Pesos i 806 

Soldos I 40 7I Soldos I 60 

Dinh; I i j^ -Dinh." i 3 



7*20 



A 807 reis. 
Pesos I 807 

Soldos I 

Dinli. I 



A 808 reis. 
Pesos r S08 

. I 
Dinh. I 



40 If Soldos 

4 — ' 

T" SO 



3ii 



A 809 r€is, 

.Pesos I 809* , 

Soldos I. MOT?! 

Dinh. I, 3 ^ Dinh.' 



A 810 r^is. 
Pesos I . 

Soidos I 

.1 



5l6 

•1! 



StTFl^LEM'EW T A- 



'^1 



CamiioJ^e Madrid' para Lishojiy e Torto. 

A 2295 reis. "- ' r ' * ; . A 2300 reis. 
^ reis* ' , r6is» 

Pesos 'i .573 Tjff Pesos i 57^ 

../xTflf Reales i 

Marav. i 



Reales 
Mkrav. 



^ i5TT 



71 i^ 

^ T44 



A2305'rdis. ' 
Pesos , ' I ^ 576 7 



Reales 
Alarav*. 



X 

I 



7^7 



272 
?4 



ill 



A 23 TO reis. 
Peso^ ^^ I ' $11 ^^ 
Reales i ^ 72 iff 

Marav4 . ' i ^ ^ ^l. k 



, A23iyriis. 
'Pesos I 

Reales . i ^ 
Marav. ' i ' 



'*' 1088 



A 23 20 reis. 
Pesos I 580 

Reales 1 72 

Marav. i - f 



12.- 
54f 



Aijr^-yreis. 
Pesos I 5^it|| 

Reales r 

Marav. 3 ^ 



^^ -111 






A2336t<^is. . 
Pesos i , jSi 

Reales 1 "7^ 

Marav*- \ * 2. 



Jit 

<44 



A 23 35* reis. 

Reales 1 72 4^- 

M-arav. i 2 -^^ 



A 2340 reis. 
Pesos I 585? 

Reales i 73 

Marav* ; i 2! 



$44 



A2345r^is. 
Pesos i^ 58^Tf}f 

Reales i 

Marav. i 



\^ 



73 logs 

^ IDgg 



A235of^is. 
Pesos I 587 ^\ 

Rcates i 73 Tif 

Marav* i .. t -^t 



A 13^5' reis. 
Pesos' I ySgyllf 
Reales I 73 Tii? 

Marav* ' J .'i'-irl 



\A 2360 reis. 
Pesos I 590 

Reales i 73 i|f - 

Marav* t t -^^ 



4«t 



8 E <j tr H D b 



A 2365* riis 
Peso? I 

Reales i 

Maray. x 



A237orefe. 
S9^7tf P^sos I 5-92 

73 7^14 Regies .1 73 



2 7^g-|- Marav. i 



'*' 544 



Pesos 



A 2375 reis. 

^ S93rzji PesosI 

Reales i* 74T3i| Reales 

Maray. i ^tstt Marav. 



A238or^is. 

X 595- 
I 

I ' 



74 11! 

^ 104 



A 2385' rfis; 
Pesos I S'p^rHf Pesos 

Reales i 74 t^tI Reales 



A239ordis. 



Marav. 



** 108S 



Marav. 



I 
i 
1 



597 iti 
74 if^ 

^7^ 



A 2395 r6is. A 2400 r^is. 

Pe?os I 5'9^T»fl ^^^^^ ^ ^^^ 

Reales • i 74 ^^-^ Reales j 75- 

Marav. i- ., 2-r^| Mara\^. i a 



1-4 

34 



• A 2405 r6is. 
Pesos I 6017III 

Reales 1/76 

Marav. i 2 



loss 
1*0 ss" 



, ' A 24 10 reis. 
Pesos ' I . 702 1^-- 
Reales i 

Marav. . i 






A 2415 
Pesos I 

Real^ I 

Marav. l 



reis. 



?T £ 



^^3 To sT 

■ 75 T^Tr 



A242ore;s. 
Pesos I ddj 

Reales . r ,75 \^, 
Marav. ' i 2 ~i 



A 242 5* reis. 
Pesos .1 
Reales ' i jsi^ 

Marav. i i 



606 r^H 



10 « s 



A: 



Pesos 

Reales 

Marav* 



430 rei?. 
I 607 
I 



1 73 

75^77 



^ii7 



A 



&U P P L i M K « T 



0< 



483 



I A2435'reis. 
Pesos ^ I 6a8 
Reales I . . 76 

Marav, i / 



81^ 



2t|j^ M^arav. 



A2445'reis* 
Pesos I ^611 

Reales ^ i / j6 
Marav. ; i .2 

- A 2455.r^is. 
Pesos J . ^i^ 

Reales ' i 56 

Marav. ' i. 2 

A 2465 rcis. 
pesos i 616 

Reales i , 77 

j^Iarav. 1 2 

Ai475'r^is. 
Pesos . I 618 
Reales * i '77 
Marav. r 2 



Tfrr* Marav- 



A2485'reis. 
Pesos I 621 

locales 1 77 

Marav* t 2 



^ A 2495* reis. 
Pesos I ^623 

Reales i " 77 

Marav. i 



P88 
I02 



oTs 



OS 



111 

OS 8 
088 



1L£ 
088 

174 

£11 
088 



^71 
0S8 
111 



o 54 



Pesos 

Reales 



Jl 2440 r^is. 



I 
I 



610 



A,245'orcis. 
Pesos I 

Reales r 76 ^ 

Marav. i ' 2 " 



'*' 1088 



^i»m 



< 7. 

544 



A246orQis. 
Pesos I 6t$ 

Regies r 76 i|| 

* ■ -• ^42 



^^4 



^ 54T 



A247oreis. 
Pesos I 617 

Reales i yj 

Marav- ^ i ' . , 2 

A248oreiSi 
Pesds I 620 

Reales i 77 

Marav. i 2 



$44 

£4Z 
S4^ 



S44 
I 52 



A249ordis. 
Pesos ^ i 622 -^^^ 
Reales' 1 77 f|| 

Marav. i 



-* 54^ 



A 2^06 reisi 
Pesos r 625* 

Reales ' i 78 ^f 

Marav; 1 2 ''^ 



U2 
S44' 



Hk a 



-<^4 



S £ a u If D 



A ?5'o5'rii5r. 

* ^*" lots 

iv .-s . I 78r>f 



Aiyior^ils. 
Pesos i 627^ fif 

Replies ^ I 78 f;x 

Marav. i 2 ' 



_^7 
S44 



Aayifreis. 
Prsos I 6z8 rlH 

R..ics 1 78, if I 

Marav. i % 



a 



J08]{ 



A25'2or6is. - 
Pesos I 630 

Reales i .78 iff 

Marav. i 



2 ^- 



Pesos 

Re'ales 

Marav* 



Aijiyreis. 

iosg 



78758] 



Pesos 

Reales 
Marav. 



A25'3oreiSi. - 

^ 632 ^} 

I 79 >^ 



.2 



S44 

17 7 



A25'35'r^is. A25'4or6is. - 

Pecos I ^33T3Tf P^sos i S^f 

. 79tIyI R^ales J 70 ,,^ 



Reales 



Marav* 



^Tutr 



Reales 
Marav. 



?04 



tit 






Pesos 

Reales 
Marav. 



A25'45riis. 



I 

I 
I 



636 T 



?72 



royj 

/y J 01 8 



Pesos 

' Reales 

M^rav. 



A 25'5'o r^is. 



I 
I 
I 



79 ^.ii 

2i^ 



A25'5'5'reis, A25'5ordis. 

Pesos I 6387411 Pesos i 640 

Reales i VptUt Reales^ , j 80 

MaravV i ^iHk .Marav. i 



1 ^ 



Cam- 



S IT P l^ L E M-E ^ T O. 



4tS 



Cambio ch Hamburgo pars Lisboa , e Tortd. 



A 40-g- grosso^. 
Banco. - rei;5, 

Marcos ^ i 



Soldos 
Grosses 



I 
1 



9^9 



A '40^ grosses, 
Marcos i 318 



19 ll-l- Soldos ~ I 
' -— GrossoSs. I 



15^ 
9 



I < I 

6 I 



^ -^ 4o|- grossos. 
Marcos , 1 317'— 
Soldos/ . 1 19 tH 



Grossos 



9 jv* 



A 4b| grossos. 
Marcos i 316 

Soldo I 

Grpssos I 



4 
jr. 

9ff 



A 4of grossos. 
Marcos I 315' 

Soldos <i ^ 19 
Grossos I 9 



M 



II 



y-'. A 40^ gfossos 
Marcos . ' i 
Soldos I 

Grossos i 



3H>T7T 
TO l^± 

9—1 



Marcos 

Soldos 

Grossos 



A -4of grossos. 



313 .-^7 Marcos 



A 41 gtossos. 



^9 
9 



Soldos 
Grossos 



212 ~ 

9^ 



' A 
TAarcos 
Soldos 
Grossos 



4I7 



grossos. 

I 

I 

I 



'II -^ 

i_4 1 
J2? 



19 

9 



A 

• Marcos 

Soldos 

' Grossos 



41:^- grossos, 
. I 
I . '19 
I .9 



D^O 



11 
j7 



A 41} grossos. A 41* grossos. 

Marcos I 309 fff Marcos i 308 ^ 

Soldos \ ' 19 rfr Soldos I. 19'' 



Grossos 



9 fff Grossos 



87 



A 

Marcos 

Soldos 

Grossos 



4I7 grossos. 

, 1 307 
X 19 

I 9 






A 
Marco's 
Soldos 
Jjrrossos 



41 J grossos. 
I 9 



T4f 



4S6 



S E a U .N D o 



A 

Marcos 

, Soldos 

Grosses • 



4 if grosses. 

I .305 

I 

I 



A 

Marcos 
19 -f Soldos 
9 ^^ Grpssos 



4Z grossos. 

^ I 304 

r - 8 



2 t 



A 
Marcos 
Soldos 
Grossos 



4-7 grossos. 



I 303 fry 
I 18 ^^ 

I o i-^ 



*, A 42j groissso 
Marcos i 
Soldos - .1 'i2 
Grossos ' I 



902 f If 



^69 

9Tff 



A 42} grossos. 
Marcos I 302 
8(^1 dos 1 18 

Grossoi I 



?i9 

o ^^ 



. . A 42! grossos: 

Marcos i 301 77 

Soldos I 18 i^ 

Grosso? I ' • 9 77 



A 42^ grossos. 
Marcos I 300 
iSoldos I 18 

Grcssos , I 



TOO 



^1{ 



9 ITT 



A 42j grossos. 
Marcos i ^2pQ 
Soldos I ' 18 

Grossos i * 9 



_7I 

i 71 

j^l 2 

171 

6 t 



A 42I grossos. 
Marcos i ^ 298 
Soldos- i 18 

Grossos I 9 



JLLL 

i4i 



A 43 grossos. 
Marcos i 297 — 

'Soldos I 18 If 

Grossos I ' 9 TT 



, A 

, M;ircos 
f?oldos 
'Grdssos 



43t grossos. A 

I 296 If Marcos 

*• 1 • • 18 if Soldos 

I 9 7I Grossos 



437 grossos. 



I 
I 
I 



295- 
18 

9 



III 

X7J 



A 
Marcos 
Soldos 
grosses 



43? grosses. 

I 18 



>4T 

i S 4 

J 4 7 

J4^ 



A 

Marcos 

Soldos 

Grosses 



43I grossos 
I 
I 
I 



m if 
18 |i 

9t^ 



Su 



H J L E W B N TO. 



487 



Marcos 
Soidos - 
Grosses 



A 43I grossosi 



Marcos 

Soidos 

Gr6sso« 



43^ 



grossos. 



Marcos 

Soidos 

Grossos 

A 44 
Marcos 
Soidos 
Grossos. 

Marcos. 
Soidos 
^ Grossos 



Marcos 
Soidos • 
Grossos 

Marcos ^ 

Soidos 

Grossos 



29:? j~ Marcos 
18 IH J^oldos 
9 



A 43t grosso^. 



j|y . Grossos 



I. 

I. 

I 



292 ^ 
9 7 



9Ttf 



.. A 
Marcos 
Soidos 
Grossos 



44 grossos. 
1 . 296 
i 
I 



II 
9 TT 

) 



grossos. ; A 44^ grossos. 

2.90 7^Y Marcos i , 289 /^ 

.18 j^ Soidos J 18 -^V 

9 TIT Grossos .1 9-^ 

grossos. A 44i grossos. 

288 If Marcos I 2$7 If 

18 yf Soidos I ^ 

9 TT Grossos I 



i7 



** IT 



grossos. 

18 
9 



298 

111 

?S7 



A 

Marcos 

Soidos 

Grossos 



44t grossos. 

I 2?6 

I 17 

I ' 8 



1 7% 
r5 7 






grossos. A 45. grossos. 

285' -r4f Mar'cos i 284 4- 

18 f|f Soidos X . 17 I 

, 9 jtf Grossos I * ^1 



grossos.- A 45^ grossos. 

283 Y?f Marcos 1 282 
17 Irf Soidos I 



^ llf Soidos I 17 Ttr 

8 frr Grossos I 9 rn: 



j*i 



488 



S B G If N D <^ 



A 45f grosses. A 45^ grossos. 

Marcos 1 tSi 77^ Marcos i ., 281 fj 



Soidos 
Grossos 



I 17 TTT Soldos I 17 tf 

I 8 fff Grossos " i ' 8 ff 



A 45y grossos, , -^.'45^ grossos. 

Marcos 1 Z89 jT Marcos 1 

Soldos X ' 17 -ir Soldos r 



Grossos 



17 ff. Soldos 
8 -^^ Grossos 



8 1-; o" 
- TTT 



A 45^ grossos. A 46 grossos. 

Marcos 1 279 -^y Marcos i 278 37 

Soldos I • 17 fly Soldos ^ I 17 3Y 

Grossos I • 8 flf GroWos ^ i . 8 ~ 



Marcos 

Soldos 

Ciossos 



A 46- grossos- 



A 46^ grossos. 



I 
I 
I 



277 H| Marco^ X 
If llf Soldos I 

8 ^i Grossos ' 1 



^77 77 
^ 77 



A 46|. grossos. A" 46^ grossos, 

Marcos x 276 -^ Mafcos i 275 ff 

Soldos ' I 17\\{ Soldos. I ' 17 |f 

Grossos 1 , 8 yff Grossos i ^ 8 If 



A 46^ grossos. ' A 46f grossos 

Marcos 1 274 7^f Marcos 1 

Soldos is 17 t4 Soldos -^ i * 17 rtt 



Grossos 



1 I 



8 f if Grps^os I 



i«7 



A 46f grossos. ^ A 47 grossps. 

'Marcos . t 273 f f Marcos i 

Soldos I . ' 17 T^ Soldos I 



(Jrossos 



I ^ 



8 7^ Grossos 



- 8|f 



Stj??lbm-en t cv 



4^ 



47l 



X 



A 

Marcos 

Soldos 

Gro8s6s 

A 

Marcos 

Soldos 

Grossos 



Marcos 

Soldos 
Grossos 

Marcos 

Soldos 
Grossos 

Marcps 

Soldos 

Gj?ossoS 



471 grossos. 

. 271- 

'I 



grossos. 



^70 TV, 

8 1 ^S 



grossos. 



A 

Marpos" 
.Soldos 
Grossos 

Marcos 

Soldos 

Grossos 



4H 



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ILL 

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Jn 



grosses. 
267 

16 



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27 2 

Hi 



grossos. 



grossos. 



A 

Marcos 
Soldos ' 
Grossos 

A 

Marcos 
Soldos , 
Grossos 



47? grossos. 



2'^a -^ 



47~ grossQs. 

X 269-1.} 



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Sif 



A >47j grossos. . 
Marcos 1 " 263 
/Soldos .1 
Grossos I '8 j-f 



16 -^^ 



A 
Marcos 
Soldos 
Grossos 



48 



grossos# 
I 
I 
I 



266 % 
84 



iTT 



A 48!- grossos. 
Marcos I 265 

Soldos I 16 ~-, 

Grossos . X S Tj7 

A 48^ grossos. 
Marcos i 263 |f 



^Soldos 
Grossos 



8f^ 



grossos. ^ A 48|- grossos. 

262 114 Marcos I 262 If 

16 f|f Soldos , '. I i^. if 

i> jSI Gro?sos . I ' 87-5- 



499 



S B G U N D O 



A 487 grosso?. 
Mircos 1 261 
Soldos I 16 

Grcbsos I o 



—f Marcos 

T^f Soldos 

T7r Grosses 



A 49 grosses^ 



I 
I 
I 



261 Yj 



Ai 49y grosses. A 497 grosses. 

Marcos i 260 {fj Marcos i 259 

SolJos I 16 'f\j S0I40S I 

Grosses 1 8 ~ Grossos • i 



'li 






A 497 grossos. A 49^ grossos. 

Marcos I 25'9 —■ Marcos I 

Soldos I 16 if Soldos I 16 ^ 

Grossos I 8 ri- Grossos i 8 tt 



158 n 



}{ y|^ Grosses i 



9f 



A 49f posses. 

Marcos I 257 
Soldos I 16 y^4 

Grossos 1 . 8 T77 



?7I 

9 7 



A 49|- grossos. 
Marcos i 25*7 
Soldos I j6 

'Grosses X 8 



Ilk 

TIT 



A 49j grossos. 
Marcos I 256 
Soldos I j6 j\j 

Grossos I. ^ ih 



£1£ 



A 50 grossos. 

Marcos ^ i "-256 

Soldos I 16 

Grossos I S 



F JM- 



,'1 



LIVR.OS Imprejfof ;>tfr Francisco Rolland » Imprejfor-Vivreif 
, em XiLboa ^ no Largo do iLorcto^ - '- 

A'- ' ' '. ■ '■ 
Venturas de Telemaco , pbr M. FenelorL , traiiuzidas em Poi^-; 

tMguez ; 'em 8. Lisb. 178 f. * ' 

. Anno Cdristao , on excrcrcios de Piedade para todqs os dias 

do anno Pelo Padre Ooiset. Traduzido em PorCnguez. eni 4. 2. 

Vol. Btevemente fahlra Tomo 111, ^ \ 

Atlas Moderno , ou principios ciarospara fe aprender a Geo- 
j;rafi^ : Truducgaa. accreTcentada , e adornada com 24 i.iappas ,♦ 
em 8. Lisb. 1 791. ' • 

Aipigo do Principe , e da Patria , ou o Bom* Cidadao : 
-^ traduzido do FraiKCz , em ,8. Lisb. 1779. , 

Adagios , ProverbJos , Rifuos , eAnexios'da Lihgiia Portu- 
gueza 9 tirados dos melhores Autiiores Nacionkes , em 8. grande, 
Lisboa , 1780. ' 
^ . ,^deiia de Senange , ou Cartas de Lord Sydenham » traslada-* 
das cm Vulgar , em 8. » n 

Arte Poetica de Horacio , traduzida , e illnftradapor Candi'. . 
do' L^ifitano. Terceira Edicao correct* , e emendadi , e au^meo-. 
tada com hum Tratado fobre as Regras d^ Vtrfiiica9a6 Portui 
gueia/em 8.' Lisboa , 1784. 

lelizario » efcrito em Francez por Marmont^i , e traduzida 
cm vulgar por J. N. T. ftj. Segunda Edigao corri^cta , emendada , 
C adornada com o Rettato de Beiizario cego , em 8. Lisb." 178$. . 

Bom Lavrador « ou o Apaixonado da Lavoura • traduzido do 
Fraqcez , em 8. 2. Vol. ^ ^ . 

Boa Lavradora , ou a Cafeira economica : traduzida do Fran-» 
cet , para fervir de continaagao ao Bom Lavrador , em 8. Lisb. 

1779- ' , 

Carlos » e Maria, Novella Ingleza , pelo Autor deAd^U4 
de Scnange , traduzida do Francez. Em ?, grande. 1805. 

Coileccao dePecas imporrantes ,' d$ quaes fe ajuntao hunt 

ExTRACTos His.TORicos das Vidas , c ac<;6es de Hotriens cclebres 

que figurarao no mundo > huns pelos feus talentos , e virtudes , 

outros pelas fuas maldades » c erros ; traduzidas em Vulgar. Em 

. *. i2o6 

Dar-fe^ha aa puhllco hum Volume cada a/ino^ 
f Compendio da Grammatica Portugueza para ili(lrucga6 da 

Mocidade em 8. 

Ciceronis EpiJlol4S ad ufum Lujitan^ juventutls, Em 8, OH-' 
fipont;. 1805. • ^ 

Catecismos da Diocese de Montpellier para por clles 5^ enfi-* 
Ptr a DQUtrina Christ^ aps Me^iUQ? 1 ^(P 12, 



^ Coftumet dos Christ aos por W. Flcury , traduzido» em Por- 
tuguez cm 8. 2. VoL Usi>oa 1 1782, 

Catccifino Pvomano abbreviado , ou novo Connrpendio da 
Douirina Chrilla , 'traduzitlo , e accoromodado para o ufo da Mo- 
cid«we ?orciiguezd pelo Djutor Fr. Frtrncljco da Natlvidade , Moa^ 
ge Bfnedlctino , em 3. Lisb- 1785.^ 

• Cailas /obrc as Wodas , em 8. I7 89*broxado. 

Coilecto de Historias » Anecdutas • Faccos , Fabukis » I>!a- 
logos , Cartas e Di'smat ; traduzidos dos melhores Authores 
F^'ancezer', prlncipalmeiice de Mr. Berquln na sua obra intitaiada 
Aoiis^o da mocKbde : para inscruc^ao <ia tnopidade d^ ambos of 
sexos , em 8. 5. Vol.". 

tom' hrevtdade fahlraa 0$ Tomos ffgulntes. 

Diccipnarib ibreviado da Biblia , traduzido do Francez. 
Obra utiiissimapara a inteliigencia do Velho ^p Novo Tescainen- 
to , c para a Historia da l^reja. Seguiida edigao « correcta , e 
•mendada » em S. " •. ^ 

Defcripgao das Enferiiiidades dos Extrcitos pelo £ara6 de Van- 
Switen : traduzida por Anconio Martias Vidiga^. Tcrccira Edicao 
correda , e^mendada , em 12. Lisboa ,17^1. 

DifTertacao fobre a Ejucagau, e EAudos neceflarios aosMilita* 
res , em S. 1791. 

Dilcurfo acetca do Modo de forrtentar a<lndul!f/a 60 Povo ; 
traduaido em Portuguez em 8. Lisboa, 1778. 

Dfalogos dos Mortos para defahofar a Mocidade d^ ttku\tas 
preoccupagoes em 8. 1786. ^ ■ 

Defvarios da raza6 ,ou corfefpondencia do Marqucz de Va/- 
mont com o Coode • e CondefTa • f^^us filhos , fob^e diverfos 
pontos : Traducgao Pprtugueza t em 8. j. Vol* 

Escoiha de Anecdocas Antigas , e Modernas , recopiM^ 
dos melhores Authores j em %, 1 8o6. .7 

Emilia , c Affonfo., ou Perigo de entregar^-fe * as primeirat 
imprefloes »'pe]o Ai>tor di^ Carlos 1 c Maria : rradt»ido da Fran« 
cez. Em 8. grancfe. 1 S05 

Espirito do Christfanismor, ou Cohformidade. do Christa5 
com Jesu Christo ♦ em 8. • 

Elogios Hiftoricos dos Senhdres Reis de Portugal > efcritoa 
por tr." Bernardo de Brito , em 8. 1786. - : ^ 

Elementos da Civilklade , e da Deceheia , paia inftrucgad 
da Wocidade de ambos os fexos , em S. :i7 88. 

O Evarjgdhoem tiiuafo . ou Hilloria d'hum FilosoFo def^n- 
ganado, tradii|zido do Cailelliano, cm 8. 8 Vol." 1802. • 

Ekmeutos da Voctica'i par Pedro Jozc da f^oalsca ^ein S. 



^fcoTa Fundamental, ou Metjiodo facil para aprenffcr a I^r ,- 
ttfcrever , e ,contar, com os prim^iros Elementos da Doutrina 
Chrifla , e,m 12. 1800. ^ n^- ^ 

Escolha das rmfllmres Novellas , e Cont^s Moraes , efcritof 
cm Francez por iyiM. D* Arnaud , Marnfiontel ; Madama de Go- 
mez J &c. e traduzidos por * * * , em t, 7 Vo). LIsb, 179S. , . 
Bfcvcm<nte fc puhVidara 6 T^oma Vlll, » 

FiJosofa por amor, ou Cartas de doui Amantej^apaixoha- 
<los , e virtuosos, cm 12. 2. Vol. i]8o6. 

FabuUs deEfopo, traduzidas da) Lingua Greg3 com appjica- 
^oes morafs a cada Fabula por.Manocl Mendes da Vidiguerra, 
cm S, 1791. 

Hiftoria galante do Joven Siciliano , traduzida ^m portu- 
gu^z. Em 8. ,4. Mol. 1S05. 

Hist<^ia da Virtuosa e Infeli? Clara Harl6w6 , escrita" em 
Inglcz pelo Cclcbre Richardson , e traduzida em Francez pot 
Wr. Je Tourneur^, c do Francez em Portuguez , em ,8. 5. Vol. 
Cffm . irevtdade sahirjS fit Tomts segmntes, 
Hiftorla de Bonaparte, acorn panrhada das suasacc(5es memo- 
raveis , Rfefpostas , e Rafgos fuWimes , com as anecdotas relatr-) 
vas as fuas^ dilferentes Campanhas , traduzida da terceiira Fdi^a^ 
de Paris , em 8. 3. vol. » 

' HifloTia UmVerfal i efcrita cm, Francez pelo Abbade Millot , 
c traduzida cm Vulgar por J, J. B. em S. grande, 9 VcK ti>- 
boa , 17B9; . 

Homenfi Efcrupulpfo : Optifciilo muito utM , e necefTarfd 
para as Almas efcruNpulosa*; e para oa Padies efpiritua^s , que 
\»s dirigem ; cm S. Lisboa. 1785. 

' Hifloria da Virtuofa Portugueza , ou q Exemplar da^ mulbe^- 
• res Cbrillas,-dedicada as Senhoras Portug. em^. ^7S8. 

. Hiftoria de Theodofia o Grande , Traduccao pofthuma da 
Capitao Manoel de Soufa , em 8, grande. 17^6. 

NiHoria Geral de Portujral , c fuas concjuiflas\ des do 
feu principjo aid agora; pir Damiao Antonio de Lemos Faria 
c Cartro ,"* em ?. 20 Vol. bom papel Lisboa , 1 So4, 

Hiftoria Ecclefraflfca , ou os Seculos Chrirtao^ no feu ef^abe- 
lecimeiito, e progrcfToi t^efcrita em Francez |7clo Abbadc Ducreux, 
e traduzida cm Portu^j^z- por *** , em ^. grande , 9 Vol. 

1790* . 7 - ' ' 

Hiftoria Gcral de Portugal , efcrita rm Francez por PrT. La 
Clede , e traduzida em Vulgar , com notas hifloficas ».criticas , e 
geograficas , em 8. grande » \6 Vol. Lisboa 1797. 

Irma , on as pesgr^cas de hjima JQVcn Orfaa , Mistoria lodia- 
iia. cm 8. 4. Vol. 1805. 



Tmitscsri fl« Ciuistp por Kempis. Nova Fdi^ao adornada com 
•flaiDpas , em 1*2. l.isboa , 1797- ' 

Innraqar) da SS. Virgem , em 12. Lisboa , 1779 

LieOes da Naturf za , ou Consideragfi^js sobrc a Historia na- 
tural , a Physica , e a Chimica , trasladadas em vulgar pelo Xra-* 
ductor ^os See iilos ChristSos , em 8. 1805. 

Livivo dos MeninoSi ou Ideas geraes , e defini9oes das coufas, 
que* o^ Meninos devem faher. Segunda Edigao cor re da , e »u«j- 
mentada com as Scnten^os Motoes de Milord Kint , ejn 8. 1.791. 

Laura de Anfrjfo , Poe(ias do Liceirciado Manoel da Vefga: 
Nova F.dicad correcta * e emendada , em 8, 1788^ 

AM 'e hiima Noites , Contos Arabicos , traduzidos do Fran- 
cez pe!o Traductor do Viajante Uqiversal , em 12. 8. Vol. 

JViilerere expofto em Penfamehtos , e affeilos dchumildade, 
e pacicncia > em 8. 1787. 

l\lemorial de Ritos , por Luiz Miguel Cdelho de Alberna?^ 
fcgun.^a edicao em 4J. 1792. 

JV'iifcellanca Qirjofa , e Proveitofa. , cm S. 7.' Vol, 

iVedicina Domeflica , ou Tratado corhplecto dos meios de 
confervsr a faude , e d^ curar , e precaver as enfermidadef por 
via (!o rigimeu , c temedios fimples : pelo I)r. GuilhermeBu- 
CHAK , e irasladada em vulvar em 8. 10 Vol. Lishoa i,go2> ■ 

Nitma, PompiJio J segundo Rei de Roma, pe/o e/^;/o d\% 
Aventaros deTtlcmtco , por Mr. de Fl«rian , traduzido em Vor- 
t^Jijuez. F^m 12. 2. Vol. 1805. 

jiaufragio de JMancel de Soufa de SepuTveda , eDona.Lia- 
nor de Sa , fua Muflier ; corrpofio^m Verfo heroJco , e oiVava 
Rfma por Jeronymo Ccrte-Real. em &. 

' Noticia ,de Mythologia » em 8. grande. Lisboa , 1780. 

Noites d'Young ( as 24 ^ . TraducgaS'de Vicente (Carlos d^ 
Oliveira , em 8. 2 Vol. Lisboa. 1804. * 

Noites Clemehtinas. , Poema em 4 Cant6s a mortc dc Cle- 
irente XIV. ( Ganganelii ) trasladado cm vulgar por hum Ano-' 
nimo ; em 8. 178 J. 

Obras do Doutor Francisco de Si JVIiranda, Nova Edicao 
correcta , en^ndada , e aiiginentadaccm asua Vida , c Cotne- 
dias , em 8.-2. Voi. Lisboa. 1784. 

Obras Poetjcas de Joaquim Fortunato dje, Vanadates Gam- 
boa. Segunda Edicao correcta , e' emendada , em 8. 2. Vol. 
1804. 

Officio da Semana Santa. Nova FdJcao coftecta , e augmen- 
. tada com Pre-facoes-,- e Aleditacoes no prlncipio de cada OfRcio» 
e com Ora96es para a Coiiiifia6 ^>,e Comnmnhao « &c« em 12. 
Lisb. 1785. 



Ori^fiTi , e Ortho!»rdphia da lingua ?ortu*neza , por Bu- 
arte Nunes de Liao. Scgunda Edigao correcta-, ^ cmendada , 
<ni 8. Lisb. 1784. y ' , ' 

Obras Pocticas de Dominros dos Reis Quita. Seguu^a Edi- 
^ao aiigmehtada com as Obras Pofthumas., e Vida do Author » 

euj 8.. 2 Vol. Lisboa ,17^1 ' ' 

Obi a s elcoJbidas do Martjuez de Caraccioli , tradtrzidas 
em Portuguea , em 8, 9 Vol. a saber : , ' 

Defpedidas ( a$ ultimas ) da Warechal de * * a feus Filhos , 
cm 8. 1791,. ' ' ' 

Retrato da Morte : cofn hum Djalogo entre hum Vivo ;, e 
hum Morto « Segunda edicao em. 8. 1792. 

Gozo de Si Wefiwo , dividido em 7 4.Capitufos fobre Af- 
fumptos importantes , em 8. 1789. 

Chriftao do Tempo prefente » confundiijo pel6s primeiros 
Chriftuos, em S, 1792. 

Keligiao do Homcm Konrado , em 8. 1792. 
Liiiguagcm da Razao i em 8. 1798. . 
Linguagem. da Keligiao » em 8. i79t 
Grandeza d'Aliiia , em 8, 1798. 
VerHadeiros IntefefTes da Patria. Em 8. 180^. 
ir^ncas exhortatorias para soccorro dos Moribundos em 8. 
pelo Padre Bernardo Joze Pinto de Queir6s, em 8. 1802/ 

Panegyricos*, e Difcurfos Evangeljcos , traduzidos , e recopi- 
lados dos tiYe^hores Oradore3 Francezes % e Itsilianos , em 8. 4 
Vol. 178s. 

. Parajfo Pcrdido , Poema de- Jdao MilHon ; com p Paratfo 

Heftaurado , Poema do mefmo Author ; em 8. rr.Vol 1789. 

Perfeito Pcdagogo em a "Arte d« educ'ar' a Hilocidade : em 

12. Lisboa , 1782. ' ' . » 

Peregrinaca/> de Chriftao , oi| a Vih?em para a Cidade Ce- 

Jefte ; ^fcrita debaiKd da Allegoria de hurti Sooho : traduzida em 

Portuguez em 8. Lisboa, 1782. ■ ^ \ . . 

Pratica da Devogao do Sagrado Coragad de Jesu Christo , 

em 8. 1786. 

O Engenhoso Fidalgo D, Quixote de la Mancha , pprMf^uel 
lie Cervantes Saavedra , traduzido em vulgar , em 8. ^.,VoL 
Rimas Poeticas* de Manoef iVlathias Vieira Fialho de Wen- 
donga i em ?. 1805. , ' 

^ Reflexdes sobre a Mifericordia de Decs , efcritas em Francez 
por huuia Peccadora irrependida (a Duqueza de La Valiere) 
t traduzidas em vulgar , em 8. 1786. 

Reflexoes sobre a vaida^cfe dos Homcns , por Mat-hias A:tes' 
Ramos da Silva da Egn > om 2. Lisboa, 17^^. 



Fe«:ras da VcrHfictgao Portujuera , em S. Lisboa /t77T^ 

Sciencia rfos Cosiuires , para Hcao da Mocidade , e dos if"*??. 
ntf> ti"i. n»aior€s Ffludos , ffn 8. 17S?. ^ • '^ 

if .'iitax* litina , explicada fcgiiPito o moderuo fystema Fjld- 
sofico pnta iifo da mocidade , que descja aprender fdlidamente a 
hn.ua l.Jtina; por *** Profxiffor de lingua Xatina » «m «* 
Lish, 17S5. 

Tratado das Obrigaqdes da Vida Chrifla, cfcrito «m France^ 
pelo PrUe Hellirfiey , e Waduzido em vi\\gzx pchde/unt^ Capita m ^^ 
^lanii'-l de Stusa , cm S, 2 Vol. Lisboa » 1779. . * 

Traiado completo de Anacomia , on Dfscripcao de tbda^ 
as paT^L*; ii> Corpo liumano, escrito em Francer por Mr. Sabatier^ 
t traOni-^ado em vulrar/cm &. 6 vol 'i S02. / 

'i*rataH.> das Doepcas Cirurgicas , e das Opcracoe* -que 
Jhes c'uivcm » escria©'' cm Francet por Chopart , e Default , 
Profri'orcs na Kscu)a«pratica da Cirurgia , e trasUdado cm 
vuli,ar pelo Tradiictor da Aiiatomia de Sabatier , cm 8. ^ Yoh 

Tratado Phyfico-CIiymicorxM^dico das Ajju.as das Caldas da 
Rair.hn , por Joa6 Nunes Gago , Medico » cm S« Lisboa., 1779. 

'1 I'f lonro de Fregadores , por Fr. Antonio.de Fauda c Bel- 
las » till 8. 2 Tomos , Lisboa , 1779. 

^ Thratro EftraP^uMrb , dLvidido cm Numeros , cm 8. lySt, 
C^d^ Ts-iimcro fe vende fepar^dauHnte pclo pre^& dc iCorch z « 
fahtf : * s ; 

. - Num. I. O CJd^ Tragcdia dif P. Corneille, 
-- Num» IK O Avafento, Cmi^edia.de iMolier^. . 

• - Num. III. O Jogador , Comedia de Regnard. \ 

- - Num. VI, O Pai de Familias Comedia d« Diderot. 

• * Num. V. Osdocs Ami*^s , Comedia dc Beaumarchai?^-, 
^- l^\My\, VI. Ahira , Trajjcdia de Voltaire. 

Vade Wccum. do Medico, ou Ereve Resumo d^ Meaicina ' 
Pratica , extrahido das Obras dos maixceJebreS- Medicos ; em ?* 

Vida de Jesu Chriflo em a Eutrbaristia , e tiaduzidr em 
Portut"C2 , em 8. Lisboa ,1785.' i 

Vida de D. Jqao de CaAro {>or Jacinto Freire de Aiufrada % 
eiD t. Lisboa. 1786 . 

. V'd;^. priyada , c-pul)Iica>de Luiz XVI cm 8. 2. Vol. i8o(J* 

Via^cns de Antenor pcia Gcecia e Asia , com nbcocs sbbre o 
F«rvptq : Manuscrito Grego do Herculano , traduzido em Francez 
por E, F. Lantter", e do Francez em Portiiguez , em 8.6. VoL 

Viajantt! Universal , ou rioticia ^o Mdndo antigo , e mo- 
derno ; Obra composta em Francez por Mr, de Laporte > traduzi- 
da cm 1 sp3nb(»l , correcto o original , e illustfado com notay t 

• agora vercida cm Poituguez. em 8. 56* Vol. 



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