(navigation image)
Home American Libraries | Canadian Libraries | Universal Library | Community Texts | Project Gutenberg | Children's Library | Biodiversity Heritage Library | Additional Collections
Search: Advanced Search
Anonymous User (login or join us)
Upload
See other formats

Full text of "Tentativa etymologico-toponymica; ou, Investigação da etymologia; ou, Proveniencia dos nomes das nossas povoações"







^**SlfcÍ 



•■-iV- 








w,^ 



■w. 



Digitized by the Internet Archive 

in 2010 with funding from 

University of Toronto 



http://www.archive.org/details/tentativaetymolo03ferr 



Tl 




ifi iraiiifiHiPiíi 



ou 



INVESTIGAÇÃO DA ETYMOLOGIA 
OU PROVENIÊNCIA DOS NOMES DAS NOSSAS POVOAÇÕES 



POR 



Pedro Augusto Ferreira 

Bacharel formado em Teologia, 

continuador do Portugal Antigo e Moderno 

e Abbade d» Miragaya, aposentado. 



TERCEIRO VOLUME 



PORTO 

TYPOGRAPHIA MENDONÇA (A VAPOR) 

Rua da Picaria, 30 



Tentativa Etyniologico-Topoiíyiiiica 



ou 



INVESTIGAÇÃO DA ETYMOLOGIA 
OU PROVENIÊNCIA DOS NOMES DAS NOSSAS POVOAÇÕES 



II 



m rr 



1 1 



™ 



liiL 



m 



DA^lV 



lilCi 



ou 



INVESTIGAÇÃO DA ETYMOLOGIA 
OU PROVENIÊNCIA DOS NOMES DAS NOSSAS POVOAÇÕES 



POR 



Pedro Augusto Ferreira 

Bacharel formado em Theologia, 
continuador do Portugal Antigo e Moderno 

8 Abbade de Miragaya, aposentado. 



TERCEIRO VOLUME 



Porto 

Tipografia. Mendonça (a vapor) 

Rua da Picaria, 30 

1915 




S2*SITYOF-5^Sí^' 



DP 



FRÔLOâO 



Com este volume termina a Tentativa Etimológica, do 
Dr. Pedro A. Ferreira que, se fosse vivo, teria muito prazer 
em a ver coucluida e por certo a deixaria mais aumentada e 
talvez mais perfeita. 

Esta obra teve o seu princípio de publicarão em folhe- 
tins no Conimbricense^ desde 21 de maio de iy04: alo agosto 
de 1907, em que esse bom jornal acabou, como se lê na Auto- 
biografia do autor, a pag. 71 e 172. 

O Dr. Pedro Ferreira apelida-se, na frente dos volumes, 
«continuador do Portugal Antigo e Moderno». Antes de con- 
tinuador, êle foi o principal colaborador do grande Dicionário 
de Pinho Liai, dessa obra monumental de corografia portu- 
guesa, a melhor do seu tempo e que, embora tenha muitos 
defeitos, representa imenso trabalho e um grande progresso, 
auxiliar de publicações congéneres mais perfeitas. Mas não 
basta dizer isso; outra expressão torna mais frizante o mérito 
da empresa do continuador ; é que, se não fosse éle, a grande 
obra que imortaiisou Pinho Liai ficaria por concluir. 

Pedro Ferreira recomendou que se lhe terminasse a im- 
pressão da Tentativa Etimológica e fica feita a sua vontade. 

Como investigador de etimologias, ainda ninguém em 
Portugal se lha avantajou. O assunto é escabroso e dificil; e 
quanto a nomes de terras, quási inteiramente novo entre nós. 

Para continuação de trabalhos desta ordem, a que algum 
amador da especialidade queira abalançarse, aqui se deixa 
consignado que na Biblioteca Pública Municipal do Porto 
existem, oferecidos pelo autor, mais de vinte e sete mil ver- 



betes etimológiccs; e em poder do sr. L)r. Joaquim Albino da 
Silveira, notário em Alcanena^ do distrito de Santarém, tam- 
bém oferecidos, «talvez mais de cem mil verbetes», como de- 
clamou o autor na sua Autobiografia, a pag. 74. 

Tendo-se ultimamente escrito por duas vezes ao sr, i)r. 
Silveira o mais atenciosamente possível, primeiro em carta 
registada e depois por mão própria, para que publique esses 
verbetes ou os dê á Biblioteca Pública do Porto, onde já es- 
tão os outros, não se dignou responder. E pena que venham 
um dia a extraviar-se, e por isso a perder se o trabalho que 
custaram ao autor e o valor intelectual que representam. 

E' prodigiosamente grande o número de nomes cuja eti- 
mologia o autor estudou. Além dos 127:000 verbetes inéditos, 
que correspondem a outros tantos nomes, vejam se os Índices 
desta obra, especialmente o deste b." volume, que, apesar de 
grande, ainda não contém todas as palavras de que êle indica 
a origem, pois que ás vezes, para abreviar, se tomou apenas 
um termo, como tipo doutros semelhantes. 

Em vista de tão vasto campo desbravado, temos de re- 
conhecer que o Dr. Pedro Ferreira foi realmente um grande 
trabalhador, 

A impressão póstuma desta obra, desde o ponto em que 
a deixou o autor, quando faleceu, para diante — e êle só pu- 
blicou o 1.° vol. e dois terços do 2.° — {Autobiografia, pag. 
172), é uma homenagem que ã memória do mesmo autor pres- 
tam um parente e um amigo dele. 



lotroáicp (|i!e o andor 
c (|ye iii toí 




ToduB babem ^ue, fallecendo Pinho Leal, benemérito 
auutor dv Portugal Antigo e Moderno, em jdiieiru de 18y4, 
deixando aquello diccionario approximadamente a meio do 
volume X e do artigo Vianna do Caatello, eu tive a lionra de 
ser o continuador da dita obra, concluindo o mencionado 
artigo e o referido volume e levando o diccionario até ao 
fim da letra Z e do volume xii. 

Intitulava-se a dita obra : Portugal Antigo e Moderno, 
diccionario Geograpliico, Estatístico, Chorograpbico, Herál- 
dico, Archeologico, Histórico, Biograpbico e Etymologico 
de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de 
grande numero de aldeias...» O titulo era tào amplo, que 
justificava o pensamento de Garrett: — Ha títulos que não 
teem livro e livros que não teem titulo. Em verdade era quasi 
impossivel a um só homem levar a bom termo obra tão va- 
riada e tão complexa, pelo que Fuinho Leal gastou com ella 
27 annos — e muito fez— honra lhe seja! Eu também algo 
fiz e gastei 6 annos, desde 1884 a 1890, para bem ou mal a 
concluir, seroando constantemente até ás 3 e i horas da ma- 
nhã, porque então era parooho e gastava os dias com o ser- 
viço parochial ou d'obrigação, destinando as noites para o 
serviço extraordinário ou de devoção. 

Luctei com grandes difíiculdades para bem ou mal satis- 
fazer ás diversas secções da dita obra, nomeadamente á se- 



VI INTRODUCÇÃO 



cção etymologica toyonimica ou dos nomes das nossas povoa- 
ções, porque este pelouro é o mais difficil da nebulosa soiencia 
etymologica, mas lindissimo. 

Eu simpathysei muito com elle, pelo que, apenas conclui 
bem ou mal o pobre diccionario em 1890, tratei de lavourar 
o nosso campo etyraologico toponimico investigando a ety- 
mologia ou proveniência dos nomes das nossas povoações, — 
campo até hoje inculto. Nem os frades se abeiraram d'elle — 
tanto em Portugal como na Hespanha, havendo na França e 
na AUemanha numerosos e preciosos trabalhos congéneres. 

Eu, vendo que na Hespanha ha muitas povoações com 
os mesmos nomes das nossas, recorri a Madrid, pedindo tra- 
balhos com relação á etymologia d'ellas, mas de lá me res- 
ponderam que sobre o assumpto não tinham trabalho algum 
regular, o que muito me espantou e contrariou, mas não es- 
moreci. Norteado pelos etymologistas francezes, tratei de 
investigar a etymologia dos nomes das nossas povoações, — 
trabalho de pelle diabi, porque, sendo o nosso paiz tão pe- 
queno, tem nomes geographicos variadíssimos e nebulosíssi- 
mos, por ter sido habitado desde os tempos pre-historicos da 
iiade da pedra por uma infinidade de povos, da maior parte 
dos quais nem sequer os nomes sabemos ! 

Milhares d'annos antes do nascimento de Christo anda- 
ram por aqui os phenicios, povo muito civilisado que já en- 
controu a península toda povoada. Bem podiam elles damos 
noticias muito curiosas d'esses diíferentes povos, se o^phenicios 
fossem tão francos e expansivos como os gregos e romanos ; 
mas infelizmente elles eram judeus e judeus da peor espécie, 
para quem o segredo é a alma do negocio, pelo que, para in- 
triíjarem e explorarem a humanidade, prohibiram systema- 
ticamente as escolas, concentraram em si tudo o que viam 
e sabiam e não deixaram em prosa nem verso documento 
algum dos seus vastos conhecimentos sobre historia, náutica, 
geographia, linguistica, artes, industrias, etc. 

Elles intrujaram e exploraram o oriente e oocidente, o 
norte e o sul — e até o próprio Salomão ! Na minha humilde 



INTRODUCÇÃO VII 



opinião, contornaram a Africa e conheceram a America e o 
Amazonas, mesmo porque o nome da ilha de Marajó segundo 
supponho vem de Marajoth, nome pessoal hebraico do antigo 
testamento levado para alli muito provavelmente pelos phe~ 
nicios ou pelos cananeus, seus amigos inseparáveis, uns e 
outros judeus, cujo idioma era um dialecto hebraico. 

Proseguindo na forma de investigar o etymon ou pro- 
veniência dos nomes das nossas povoações, li muito, porque 
muitos d'elles foram importados d'outros paizes pelos di- 
versos povos que habitaram a peninsula, taes foram gregos, 
romanos, povos germânicos, árabes, mouros, etc, que muito 
provavelmente para aqui trouxeram nomes geographicos das 
suas terras nataes, como nós levamos para as nossas coló- 
nias, nomeadamente para o Brazil, muitos nomes geogra- 
phicos da metrópole, taes como: Lamego, Vizeu, Porto-Alegre, 
ou Portalegre, Vianna, Coimbra, Elvas, Évora, Faro, Tavira, 
etc. 

Outros foram tirados das condições geographicas, taes 
como Ladeira, Ladeiro, Costa, Pedreda, Pedrosa, Pedroso, 
Pedrugal, Covas, Covellinhas, Covelias, Villa Chã, Montale- 
gre, Montalto, Monte de Adeus Mouros, Monte de Buena 
Madre, etc. 

Outros foram tirados dos rics, regatos, ribeiras e ribei- 
ros, como Arroios, Arraj^olos, por arroyolos, Riboira, o mes- 
mo que rivolia, ribeira; Caldas, Caldellas, Rio Caldo, Rio 
Bom, Rio Frio, Alemtejo, Alem-Tamega, Alencoão (d'alem- 
Côa), Transleça, Transfontão, Trezeste, Ribeiradio e Misarella, 
o mesmo que Mijarella, catadupa, cascata, grande queda 
d'agua. Temos com os ditos nomes de Misarella e Mijarella 
um casal, uma freguezia, cinco aldeias e vários sitios deshabi- 
tados para os quaes chamamos a attenção dos pesquisadores 
da hulha branca, pois todas as nossas Misarellas e Mijarellas 
■são quedas d'agua naturaes, — algumas lindissimas, de gran- 
de altura e grande força, — jazigos preciosos de hulha branca. 

Também muitas das nossas povoações tomaram o nome 
das aves que alli abundavam, como Riodades, dos adens; — 



vrii introduccao 



Silgiieiros do antigo hespanhol silgiieiro, actualmente jir- 
guero — pintasilgo; Melreira, Melres, Melriça, Melriçal^ Mel- 
rina, Melrineta, Meirinha, Melrinita, Melroa, Melroeira, Mel- 
roinha e Mello, villa, antigamente Merlo — dos melros; Cor- 
haoho, Corbeto, ('orvaoeira (minha torra natal). Corvaceiras, 
Corvaoeiras Grande?, ('orvaoeiras Pequenas, Corvacho, Cer- 
val, Corveira, Corveirop, Corvel, Corvella, Torves, Corvete, 
Corvite, (íorvo e Corvos — dos corvos. 

Assim fomo togo deu fogacho, fogueira e 1'ogaceira — e 
iodo deu lodeira o lodaoeira corvo deu Corvacho, Corveira 
p Corvaoeira. 

Nds temos ditierentes povoações com o nome de Corva- 
oeira e na minha humilde opinião todas tomaram os nomes 
dos corvos, inclusivamente a Corvaceira, pequena povoação 
onde eu nasci, na margem esquerda do Douro, freguezia da 
Penajoia — antiga Penajulia, concelho de Lamego — mesmo 
em frente da estação actual do Molledo^ posto que a minha 
Corvaceira é mimosíssima;, povoada de bellos vinhedos, mui- 
'tas arvores fructiferas e bons pomares de laranjeiras. Ahi 
abundam aves canoras variadíssimas e nomeadamente rou- 
xinoes: não ha memoria de se ver um corvo único, mas isso 
não obsta a que tomasse o nome dos corvos, porque as suas 
condições agrícolas mudaram completamente. 

Toda a vasta fregaezia da Penajoia — a lendária terra 
das cerejas — é e com razão denominada o jardim do Douro. 
Não só prodnz muitas e muito boas cerejas, as mais têmpo- 
ras do nosso paiz, mas muitas laranjas, figos, pêcegos, peras, 
maçãs, castanhas, damascos, etc., ao todo 500 a 600 carros da 
melhor fructa do Douro. Também quando a baga dos sabu- 
gueiros lá se vendia a 5 e G mil reis a arroba, ella chegou a 
dar por anno 23 a 30 mil razas d'optima baga; mas a sua prc- 
ducção principal foi sempre vinho d'embarque e ainda hoje, 
apesar das muitas doenças que perseguem as vides, ella dá 
por anno 3 a 4 mil pipas de vinho. Do ezposto se vê que a 
minha Penajoia — a terra das cerejas — produz algo mas do 
que cerejas ; mas é bastante declivosa, muito abijadante em 



INTRODUCClO IX 



húmus e muito vasta, oomprehendendo ao longo da margem 
esquerda do Douro oerca de 7 kilometros. Está toda muito 
bem agricultada e muito bem emparedada e socalcada, mas 
o seu arroteamento, emparedamento e ensocalcamento não se 
faziam hoje com dois mil contos e demandaram séculos. An- 
teriormente devia abundar em brenhas e matagaea — bichos, 
lagartos, feras, serpentes^ cobras e corvos. Data, pois, d'essa 
época o nome da minha Corvaceira. 

Veja-se Corvaceira e Penajoia no Portugal Antigo e. 
Moderno. 

Também muitas das nossas povoações tomaram o nome 
das arvores, como Saboral, Saborida, Saborosa, Saboroso, 
Sabrosa, Sabroso, Sobra (por Sobreira), Sobrada por sobrei- 
rada, Sobradello, Sobradinho, Sobrado, Soborido, Sobrado 
de Paiva, Sobraes, Sabrainho por Sobralinho, Sobral, So- 
brallas, Sobralinho, Sobrão por sobreirão ou sobralão, So- 
breda, Sobredo, Sobreira, Sobreiral, Sobreiras, Sobreirinha, 
Sobreirinho Sobreirinhos, Sobreiros e Sobello ou Sobrallo, 
Sobrido, Sobro, Sobrosa e Sobroso, etc, ao todo mais de 
mil povoações, casaes e quintas, — dos sobreiros, o que prova 
que estas arvores em tempos muito remotos povoaram gran- 
de parte do nosso paiz. 

Também a rua dos Martyres da Pátria, no Porto, antiga- 
mente rua da Sovella, talvez que tomasse o nome de Sobrella 
por Sobreirelía, como Sobello por Sobrello ou sobreirello — 
dos sobreiros. Note-se que antigamente- abundaram no chão 
do Porto carvalhos e sobreiros. 

Também dos carvalhos, em latim robur, uris, tomaram 
o nome outras muitas povoações do nosso paiz, como Car- 
palhosa por Carvalhosa, Carva, Carvalha, Carvalhada, Car- 
valhaeS; Carvalhal, Carvalhão, Carvalhas, Carvalheda, Car- 
valhedo, Carvalhella, Carvalhellos, Carvalhiça, Carvalhiças, 
Carvalhice, Carvalliiços, Carvalhido, Carvalho, Carvalhos, 
Carvalhosa, Carvalhosinho, Carvalhoso, Carvaihote, Carva- 
Ihotinho, Carviçaes (por carvijaes e este por carvajaes, do 
hespanhol carvajal, carvalhal ?), Roboredas, Eoboredo e Ro~ 



INTRODUOÇAO 



buído, o mesmo que Roborido e Roboredo, como Carvalhedo 
e Carvalhido, Sobredo, Soborido e Sobrido, Azevedo e Aze- 
vido, (restido por gestedo ou ^iestedo, Lonredo e Lourido 
etc. 

Dos carvalhos tomaram o nome talvez mais de lõLK.) 
povoações nossas, o que prova que elles abundaram em 
grande parte do nosso paiz desd^ tempos muito remotos. 

No artigo Barbosa, do Portugal Antigo e Moderno, men- 
cionou Pinlio Leal o grande carvalho do Barbosa que estava 
e supponho estar ainda junto da antiquíssima e nobilíssima 
casa e honra de Barbosa, frcguezias de Rans e Cannas, con- 
celho de Penafiel, casa hoje representada pelo snr. D. Mendo 
Vaz Guedes d'Atayde Malafaia. Ao tempo já o dito carvalho 
contemporâneo dos começos da nossa monarchla estava car- 
comido, podendo abrigar-se na cavidade do tronco um reba- 
nho d'ovelhas e tinha de circumferencia no tronco nove metros. 

E' também muito antiga e magestosa a carvalha de D. 
Mafalda que pompêa na mata do extincto convento da Costa, 
em Guimarães, actualmente Collegio de S, Dámazo. 

Suppòe-se que a dita carvalha é contemporânea da rai- 
nha D. Mafalda, mulher do nosso primeiro rei D; AôVmso 
Henriques, fundadora do dito convento, pelo que tomou 
d'ella o nome. Está ainda vigorosa e já no tempo dos frades 
ou antes de 1834, ella tinha de circumferencia, no tronco, 
•10 palmos e meio ou 9 metros^ segundo se lê em uma táboa 
que os frades n'ella pregaram. 

Também dos .castanheiros tomaram o nome as nossas 
povoações seguintes, ao todo mais de 300 : Castaide, Cas- 
trtiuça, Castainço, Castanha, Castanhas, Castanhal, Casta- 
nheira, Castanheirão, (/astanheiras, Castanheirinhas, Casta- 
nheirinho, Castanheirinhos, Castanheiro, Castanheiro Grande, 
Castanheiro Redondo, Castanheiro Talhado (fendido talvez 
por algum raio), Castanheiros, Castanho, Castanhos, Castedo, 
contracção de Castanhedo, Casteição por Castainção, augmen- 
tativo de Càstainça ou Castainço, por Crtstaniço, Castendo 
por castanêdo, como Castedo, Oastinçal por castaiaçal, etc. 



INXBODUOÇAO XI 



Os castanheiros abnndaram também muito em várias 
regiAes do nosso paiz, rao.? por darem madeira exoellente para 
teixefi de lagares o azenhas, traves, caibros, latas, remos, 
vergas, mastros, ta boas para portas, jaiiellas, sobrados, va- 
silhame, leitos, arcas, mesas, cadeiras, bancos e construcções 
de toda a ordem, desde muito que teem sido desbaratados os 
nossos grandes soutos de castanheiros. 

Também muitas das nossas povoações, tomaram o nome 
de casas e d'ontros edifícios que n'ellas avultaram, taes são: 
Casa. Oasa Alta, Casa Boa, Casa Branca, Casa Caiada, Casa 
da Capella, Casa da Corva, da Estrada, da Figueira, da 
Guarda, da Horta, da Tsca. da Neve, da Palha, da Penna, da 
Pólvora, da Vinha, da Volta, das Vacas, de Baixo, de Cima, 
de Dentro, de Gaião, de Pau, de Poços, de Saúde, do Cer- 
cado, do Doutor, do Frade, do Gallego, do Meio, do Moinho, 
do Monte, do Paço, do Sal, do Senhor, dos Porcos, dos Tea- 
res, etc. 

Temos também Casa Grande, Casa Nova (só com este 
titulo mais de 500 povoações, herdades, casaes e quintas): 
Casa Telhada, Casa Vedra, Casa Velha, Casa Verde, Casa 
Vermelha, Casanho, Cascão, Casarão, Casaria, Casarias, Ca- 
sario, Casarões, Casarollas, CasaruUos^ Casas, Casas Altas, 
Casas Baixas, Casas Brancas, Casas Crespas, Casas da Egreja, 
da Estrada, da Fonte, da Horta, da Nora, da Ribeira, da 
Rica, da Varella, das Pires, de Cabello, de D. João, de 
Dentro, de Fora, do Balsão, do Eido, do Poço, do Rio, do 
Senhor, do Soeiro, do' Soppo, do Vai do Judeu, dos Cra- 
veiros, dos Montes, dos Riscos, etc, muitas povoações, casaes 
e quintas. 

Temos também mais de 300 aldeias, casaes e quintas 
com' os nomes de Casas Novas e Casas Velhas e mais de 100 
povoações, casaes e quintas com os nomes de Casebre, Ca- 
sebres, Caselha, Caselho, Caselho.-*, Casella, Casellas, Caselli- 
nhas, Casello, Casepio, Caserma, Casermo, Caseta, Casevel, 
Casfreiras (Oasa das Freiras?), Casilho, Casinha, Casinhas, 
Casita, Càsito, Caslopo (Casas de Lopo?), Cás Louredo, 



XTI IXTRODUGÇÃO 



Casões, CasoUas, Casório, Casórios, Casoulo, Casouto, Caze- 
gas, Cazevel, Cozelhas e Cozelhos, por Caselhas e Caselhos. 

Também temos PÈção (por Palação?), Pacheca, Pache- 
eas. Paoheoo o Paohecos — de palaciaco, diminutivo de pala- 
mo, o mesmo que palacioo, palacito, palacinho, Palaçoulo, 
Paço, e Paninho, no baixo latim palatiolum. Na historia ro- 
mana da nossa Peninsula já figura um capitão chamado ou 
appellidado Paciecus — Pacheco — e na minha opinião Pa- 
oiecus é contracção de Palaciecus. (Vide vol. ii, pag. 312), 

Na Hespanha também ha Pacheca, Pachecas e Pacheco, 
nomes geographicos de Alicante, Muroia, Cadiz e Cuenca. 

Paoinho, Pacinhos, Paço, Paço, Faço Branco, Paço da 
Golpilheira (o mesmo que Raposeira, de vulpis — raposa), 
Paço da (Quinta, da Torre, d" Alem, d'Aquem, d'Arcos, de 
Baixo, de Belmonte, de Carives, de Carvalhaes, de Cima, 
de Cordeiro, de Matto, de Morelena, de Oliveira, de Rei, de 
Santa Eaphomia, de Sortes, de Souto, de Sousa, de Villar, 
do Lumiar, do Monte, do t^uinteiro, do Saraiva, Paço Gran- 
de, Paço Juz, Paço Meão, Paço Minotea, Paço Novo, Paço 
Pequeno, Paço Redondo, Paço Travesso, Paço Vedro, Paço 
Velho, Paços, Paços da Serra, de Baixo, de Brandão, de 
Cima, de Ferreira, de Gaiolo, de Sanfins (o mesmo que de 
S. Félix) de Villarigues, do Monte, dos Carpinteiros, etc, 
ao todo mais de 8(X> aldeias, casaes e quintas que tomaram o 
nome dos Paços — palácios. .Tunte-se ainda mais de 400 a 
ÕOO povoações nossas, casaes e quintas cora os nomes: Pa- 
lácio, Palácios, Palaçoulo (no baixo latim Palaciolum), Pas- 
sinho, Passinhos, Passo, Passo, Passões, Passos, o mesmo que 
Pacinho, Paço, Paço e Paços, cujo etymon é o latim palatíum, 
palácio, casa real, magestosa, como Palácio da Ajuda, das 
Necefisidades, de Belém, de Bemíica, de Salvaterra, d" Al- 
meirim, da Brejoeira, de Matheus. de Mangualde ou dos 
Condes da Anadia, da Corredoura, junto de Lamego, das 
Brolhas, em Lamego, do Freixo e dos Carrancas, no Porto, 
hoje Palácio real. 

Temos pois, mais de 120Q aldeias, casas e quintas, etc, 



IlíTRODUèçÃO XjIí 



qufl tomaram o nome don palácios ou Paços que alli pom- 
pearam desde tempos muito remotos; mas 1200 palácios para 
um paiz tSo pequeno são palácios de mais. Alóm d'isRO na 
maior parte dos sitios indicados não lia vesfi^ios nem me- 
moria de palácio algum. 

Note-se qiie no baixo latim pal(nii;n> (If.sigiiou as irnsas 
d'habitação, grande.^: e pequenas, por veaes bem humildes, 
cobertas de estevas e colmo. 

Um dos nossos tbrac^" velhos que se emontram rto Povtu - 
galia Mon. Hisf., diz : < . . .e quando o senhor da terra fizer o 
.seu palachim, vós não sois obrigados a fazer- lh'o, mas sim- 
plesmente a dar-lhe estevas ou palha para o robrir». 

Isto é facto, mas não posso citar as paginas, porque não 
tenho á mão o verbote próprio. 

Note se tamijem que a^; antigas casas nol>rô.s, solar das 
fdmilias mais disti netas, eram por vezes casas l)em pequenas 
e bem humildes, e na sua pequenez e antiguidade estava a 
sua nobresa e magestade. E por vêz--ís os grandes fidalgos 
donos do.s ditos palácios, quando os restauravam não lhes 
punham vidros, mas simples rótulos ou adufas de madeira 
para lhes conservarem o caracter de vâtustos, por serem as 
vidraças, adornos mai.^^ recentes, uma aífronta aos seus de- 
fumados pergaminhos. 

Também muitas }>ovoaçu8s nos.sas tomaram o nome dos 
edificios e estabelecimentos religiosos, como igrejas^ capellas, 
ermidas, mosteiros e conventos, taea são Grijó, do baixo la- 
tim eccJesinla, edicula-, ermida, pequeno templo, pequena 
egreja ; Mosteiro, de monasteriolum, diminutivo de mo- 
nasferium, convento, mosteiro, e por seu turno monasterium 
com o prefixo-arabe ai deu Almoster. 

Também muitas das nossas povoações tomaram o nome 
das plantas, como Estarreja — do latim botânico de Plipio 
a abrótea, — Cambres. importante freguezia do concelho de 
Lamego — de latim botânico de Plinio crambe; çs., a couve e 
toda a hortaliça. Note-se que a dita parochia abunda eiri hor- 
taliça e tanto que abastece d'hortaliça a praça da Regoa. 



XIV INTRODUCÇÀO 



Cezimbra — de sisymbrium^ ii, — certa planta semelhante 
ao mastruço, muito estimada pelos romanos,, porque dava 
tlôres brancas de que faziam grinaldas e com ellas coroavam 
os noivos. Notese que Cezimbra demora no sopé da Arrá- 
bida, serra que pela sua exposição e não vulgar constituição 
geológica abunda em plantas não vulgares. 

Temos também na freguezia de Condeixa a Velha a 
quinta e aldeia de Atadôa — que na minha humilde opinião 
tomou o nome do latim botânico adatoda, certa planta, men- 
cionada por um naturalista, cujo nome se encontra nos meus 
verbetes, bem como o titulo da obra e as paginas, mas nâo 
tenho á mão o verbete próprio. 

Este tópico das etymologias dos noasos'n©mes geogra- 
phicos tirados das arvores e plantas é vasto e muito inte- 
ressante, pelo que eu lhe prestei toda a attenção, lendo e extra- 
ctando as obras de Joly Clerk (cinco volumes em francez), 
Brotero, Linneu^ Plinio^ etc. 

Também li e extractei o Catalogo geral, n." 36, da Real 
Companhia Horticolo- Agrícola Portuense, publicado em 1902 
e d'elle colhi bastantes verbetes. 

Temos também muitas povoações, cujos nomes foram 
tirados de nomes pessoaes dos indivíduos que alli se estabe- 
leceram, como estão dizendo Adanaia, Adarce, A de Barro, 
A de Formoso, Adefroia, A de Geraldo, A de Junho, A d© 
Justa, A de Martinho, Aderaoço, A de Mourão, A de Paulos^ 
A do Alcaide, A do Bello, A do Cavallo, A do Ceia, A do 
Coelho, A do Freire, A do Lindo, A do Motta, A do Pisco, 
A do Rainha, A do Rocha, A do Serra, A do Vigário, Ado- 
rigo; A do Fernandes, A dos Ferreiros, A dos Francos, 
A dos Gallegos, A dos Mattos, A dos Melros, A dos Negros, 
A dos Neves, A dos Nobres, A dos Ramos, A dos Ruivos, 
A dos Yicentes, Adourigo, etc, — o mesmo que A villa 
(granja, quinta ou casa de campo), de Anaia, Arce, Barros» 
Formoso, Froia. Moço, Mourão, Bello, Cavallo, Ceia, Coelho, 
Freire, Lindo, Motta, Pisco, Rainha, etc, appellidos nossos, 



INTSODUOÇiO XV 



muito archaicos e muito antigos, sendo alguns d'elles, como 
outros muitos appellidos nossos, tirados de nomes pessoaes. 

No meu Diccionario tV Appellidos portuguezcs ou usados 
por cidadãos portuguezes, dou como appellidos nossos, além 
dos patronimicos, muitos nomes pessoaes de santos e santas, 
etc, pois raríssimos serão os nomes pessoaes que não tenham 
sido -empregados entre nós como appellidos. 

Ahi vae uma amostra do panuo, colhida por mim na lei- 
tura de livros e jornaes: 

Dr. Fernando Frederico Bartholomeu, distincto magis- 
trado ; D. Sancho Manoel, 1.» conde de Villa Flor; José de 
Lemos de Nápoles Manoel, distincto fidalgo da Beira, sogro 
do sr. Dr. Ovidio Alpoim; Miguel Maria Cândido; José 
Joaquim Alibnso; Carlos Alberto Lucas, etc. 

Os leitores devem conhecer muitos dos individuos supra 
e podem couvencer-se de que não phantasiei. 

Volvendo aos nomes de terras citadas supra, com o pre- 
fixo  de. . . seja-me licito dizer que Geraldo, o mesmo que 
Gerardo e Giraldo, Justa, Martinho e Vicente, foram nomes 
de santos. 

Adefroia ou A de Froia, vem de Froila, antigo nome 
pessoal trivialissimo nas chronicas hespanholas e portugue- 
zas. E' o mesmo que Fruéla, nome germânico d'um rei da 
Hespanha, etc, e teve formas variadíssimas no baixo latim 
da idade média, taes como Froilaz, patronímico de Froila, 
que deu Forjaz, appellído nobre. 

Também Froila teve o diminutivo Froilanus, i, is, que 
deu Froilano e Froilão, nomes de santos', — Forjâo, aldeia, 
Froia e Frajão, appellidos nossos ; Fraião, aldeia, freguezia, 
etc, e talvez Frejão ou Feijão e Frião, povoações nossas. 

Por seu turno Foilaní deu Friande, aldeia, freguezia, etc, 
e Froilanis deu Forjães, três aldeias e uma freguezia. 

Também Froila deu Faroia, o mesmo que Froia, appellído 
e talvez Froes, quinta, — Forles, aldeia e freguezia, Froles 
e Frolía, appellidos. 



XVI INTEOOUCÇlO 



DeBCulpetu ianios dislatea, porque u UÉiaumpto é nebu- 
loso e do embale pôde nascer a luz. Ob etjcandalos por vezes 
sáo uteis, mas vae illi per quem scandalum venitf... 

Já tenho as orelhas a arder, parecendo-me os leitores e 
os meus acres censores rindo e mofando, o t{ue pouco me 
importa, porque sou uma nulidade em tudo e nada tenho 
a perder. Somente lhes direi — eddc tua! . . , 

A critica ó tacil, mas a arte é ditficil. Teniem-na e verão 
o que lhes sucçede. 

Hira bien qui rira le dernier. 

Prossigamos : 

A de Junho — vem talvez de Juniiis, ii, nome ou cognome 
romano de Decio Junio Bruto, etc, e corresponde a Vicero7iii 
villa, Tíberii villa, etc, -—a villa (granja, quinta ou casa de 
campo) de Junio, de Cicero, de Tibério, etc. A, de Junho é, 
pois, uma reminiscência da ocupação romana. 

A do Pisco — póie vir dos piscos, aves— ou antes de 
Prisco, nome romano e nome d"um santo, que teve a forma 
Pisco. 

E,ny Fernandes, na sua interessante descripçâo do terre- 
no em volta de Lamego duas léguas, escripta em 163Í5 e publi- 
cada no vol. V dos Ineiitús da Historia Portagueza, fallando 
da villa da Regoa, diz que o seu orago in illo fempore, era 
S. Pisco. Hoje é S. Faustino. 

Adorigo por A de Origo ou A d'Ourigo vem de Hono- 
ricus, nome germânico, que deu também Adourigo, povoação 
nossa, Origo, Oriz — Ourigo, sitio na praia da Foz, Ourique, 
villa histórica, e Ouriz, casal. 

As formas Ouriz, Oriz e Ourique vem de Honoriquis ou 
Honoriquiz, patronímicos de Honoricus. 

Guilhomi! por Guilhamil -- de Wiliamirus, i, nome ger- 
mânico, pertencente á longa serie dos nomes germânicos ter- 
minados em icus, taes são: Allaricus, Amalaricus, Fridericus, 
Henricus, Manricus, Viaricus, Villiaricus, Sabaricus, Asca- 
ricus, Aspericus, Rodericus, etc. 



TíÍTRODTrCCiO XVll 

Fridericua pelay fórmaa patroiiimicaB b'ricleriqui, Fride - 
riquiz tí Frideritj[UÍ3Í deu Frariz e Freiriz, povoaij^oe;- nossa&i, 
e Fradique, antigo uorae pesboal e appellido, contracção de 
Fraderiques por Frideriquey. 

Henricus deu Henrique o Henriques. 

Manricuy deu Manrique, aniigo nume pessoal e appellido, 
tirados talvez de Memrioo ou Menrique, ou de Banri<j[ue por 
Ben ou Iben Rique. 

Note-se que a desinenuia icus dos nomes germânicos, su- 
pra, é uma barbara latinisaçao do germânico ou teutonico 
rih — rico, poderoso, quo se encontra na composição de mui- 
tos nomes germânicos pessoaes como suliixo e como prefíxo; 
como suffixo nos nomes supra, e como preíixo em Ricardo, etc, 
pois Ricardo, em germânico Rikhard e em Irancez Richard, 
vem do teutonico rik — rico,— e hnrd ousado. Por seu turno 
Rikhard na passagem para o latim deu Ricarduti, i, e no 
baixo latim da idade média Rkáredus, depois Recaredus, /', 
Recarêdo, nome d'nm rei godo ou visigodo da Hespanha, etc. 
unde Recarei (de Recarédi) treguezia do concelho de Paredes 
e estação da linha férrea. do Douro. 

Recarei quer pois dizer, villa (granja ou casa de campo) 
de Ricardo. 

Voltando a Manrique por Memrique, note se que Mem 
foi nome pessoal, apócope de Mendo, nome germânico, no 
baixo latim da idade media, Menendus, i, cujo patronímico 
Menendis deu Mendes, appellido nosso vulgar, posto que no 
baixo Egypto houve e não sei se ainda ha ura povo que adora 
como deus o bode, chamado alli mendez (quasi Mendes\ pelo 
que os romanos deram áquella província o nome de Mendesia, 
que íígura em antigas medalhas romanas alli cunhadas, como 
se lê e eu já li era uma Numismática geral de õ volumes que 
se encontra na Bibliotheca do Paço Episcopal de Lamego, 
Bibliotheca interessante e muito bera conservada, que foi do 
CoUégio que tiveram os Jesuítas na Beira Alta, junto do 
sanctuario de Nossa Senhora da Lapa, alcandorada em sitio 



XVIII INTRODUCÇlO 



pittoresco e muito vistoso, mas trio, áspero, agreste e deserto, 
no alto da serra da Lapa, concelho actual de Sernancelhe. 

Veja-se Quintella da Lapa no Portugal Antigo e Moderno, 
vol, VIII, pag. 35 6 88. 

Pela extincção dos jesuitas os bispos de Lamego toma- 
ram posse do edifício do' collegio e levaram a livraria para 
o seu Paço Episcopal, onde oceupa um grande salào, tendo 
no centro duas grandes mesas de nogueira preta que são 
hoje talvez as maiores e melhores mezas de nogueira que ha 
em todo o nosso paia. Tem cada uma cerca de Jm,50 de 
comjDrimento e l^^^O de largura; são bastante ornamentadas 
e estão muito bem conservadas. 

A livraria comprehende cerca de 30:U(KJ volumes, todos 
com encadernação inteira, e muitos clássicos latinos, portu- 
guezes e francezes sobre diversos ramos da litteratura, 
historia ecclesiastica e profana, philosophia, direito civil e 
canónico, geographia, numismática, medicina e particular- 
mente theologia, — grandes Polyglotas, a Historia Ecclesiastica 
de Fleuri, a de Tillemont em muitos volumes, — a Colledio 
Magna de todos os concilios da Hespanha, do cardeal Aguirre 
e a Collectio Magna de todos os concilios da egreja catho- 
lica, etc, Btc. Sendo eu professor de direito ecclesiástico no 
seminário de Lamego, quando se creou o curso trienal theo- 
logico em 18Õ8-1859 (se bem me recordo), e com elle a aula 
de Historia Ecclesiastica, regi — sabe Deus como — a dita ca- 
deira e além da Histoire Ecdésiasiique do Barão de Henrion» 
em 12 vol. 4.°, minha^ servi-me das de Fleury e de Tille- 
mont, citadas supra, que o santo e saudoso prelado sr. D. 
José de Moura Coutinho se dignou emprestar me. E quando 
em 1898 fui passar em Lamego 7 mezes em convaslecença 
d'uma grande enfermidade, proveniente da pobreza de san- 
gue e de forças por excesso de estudo e de trabalho paro- 
chial, » 

■ Termina assim o original num período incompleto. Veja-se a Tenta- 
tiva, 1.° vol., pag. 6 e 7, ou a Autobíogmphia, pag. 202. 



Substituição de letras no baixo latim 



Extracto de Ducange 

— p letra caprichosa: suatim e suaptim, talvez forma 
do latim suapte, por si mesmo ; espontaneamente ; ou como 
diz Ducange — intra se; apud se; penes se; de si para si. Ibi. 

— b por c : subcedens por succedens ; subcedere por 
succedere. Ibid. 

— Subcendere por succendere. Ibid. 

— c (lendo-se A* ou q) letra caprichosa : subdictus por 
subditus — súbdito, vassalo. Ibid. 

— s letra caprichosa : Felisberto de Philisbertus. Doe. 
a. 1529, vb. Subdictus. Ibid. 

— p letra caprichosa: dompnus por domnus e este por 
dominus. Ibid. 

— c por s : subjectio por subjestio e este por sugges— 
tio. Ibid. 

— bi por pi : subitus por sopitus — adormecido. Ibid. 

— b por^e: sublectile por supellectile — alfaia. Ibid. 

— Sublementum por supplementum. Ibid. 

— u por o. Supra. 

— s por t ou vice-versa : malatosta e malatotta — certo 
tributo. 

Vb. Subjugatio, 2. Ibid. 



b TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

— 6 letra caprichosa : submentum por summentum — a 
barba ou barbella. Subphragium por suffragium. Ibid. 

— Subprimus e supprimus — segundo. Ibid. 

— b letra caprichosa: subscitatus por suscitatus. Ibid. 

— Substentare por sustentare. Ibid. 

— Substentatio por sustentatio. Ibid. 

— Substentus por susteutus. Ibid. 

— cu por tu : subuculares por subtulares — as sandálias. 
Ibid. 

— n letra caprichosa : stragular por strangular — dego- 
lar. Ibid. 

— Strangulum por stragulum — o estrado, a colcha, o 
tapete, etc. Ibid. 

— Stringa por striga — a bruxa, a feiticeira. Ibid. 

— metathese : strantum por transtrum — a viga, a trave. 
Ibid. 

— axi medial por asei ou assi : straxinare por strassinar© 
ou strascinare ou strassignare — em francez trainer e em 
italiano strascinare — arrastar ; género de supplicio. Ibid. 

— gna por na. Supra. 

— n letra caprichosa. Supra. 

— fa por za ou vice-versa : strofa e stroza — certo tri- 
buto. Ibid. 

— ba, fa e pa na idade média confundiram-se : stuba, 
stupha, stufa, stuffa, stupa e stuppa — a estufa, o banho 
quente, do germânico stube, ou do saxonico stofa — id. Ibid. 

■ — n por m: stunulus por stumulus e este por stimulus 
— o aguilhão. Ibid. 

— d por t e t por d : o latim stupidus deu no baixo latim 
stupitus, estúpido, pasmado. Ibid. 

— po por mo: stupor por tumor — soberba_, arrogância. 
Ibid. 

— s letra caprichosa, como inicial. Ibid. 

— i, j e g brando na idade média confundiram-se: sturio, 
sturgio e sturjo, onis — certo peixe muito estimado. Ibid. 

— o por e: estrumo (patois) por estrume. Ibid. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 7 

— d letra caprichosa: subdariolum por sudariolum, o 
mesmo que mappula, suadorium por sudarium e manutergius 

— o manustergio. Ibid. 

— m por n : stamarria por stannaria — a mina ^e esta- 
nho. Ibid. 

— rr em vez de r. Supra. 

— st inicial por int'. stentinae por intestina. Ibid. 

— c, s, Ic oxi. q Q t na idade média confundiam-se e substi- 
tuiam-se, verbi-gratia, scema, stema, schema e sthema, do 
grego skêma — habito, vestido, etc. Ibid. 

— pu deu hu : stipulatio e stibulatio. Ibid. 

— chi e M deram ti : schilla, skilla, esquilla, squilla e stilla 

— a campainha. Também se denominou skella, esquilo, esqui- 
leto, esquilon, schela, esquelle e scilla (?) etc. Ibid. 

— i por a : stindardum por standardum — o estandarte. 
Ibid. 

— der confundiam-so : stipadium e stiparium — idem. 
Ibid. Também teve as formas stibadium, stephadium, stipa- 
rium, etc. Ibid. 

— pa e ba confundiam-se. Ibid. 

— ba e fa ou pha, idem, supra. 

— i por u : stipa por stupa ou stuppa — a estopa. Vb. 
Stipare. Ibid. 

— r por d, supra. ^iá. 

— o por a: stalum, staulus e stolus — a cadeira dos có- 
negos e dos frades, que deu também estaus. Ibid. 

— rei confundiram-se : storarius e stotaturius. Ibid. 

— s inicial por hi : storia por historia, storicus por his- 
toricus. Ibid. 

— n letra caprichosa : storinus por sturinus e "este por 
sturninus. Ibid. 

— s letra caprichosa : stortissius por tortitius — a tocha. 
Ibid. 

— gi por bi : suburgium por suburbium — arrabalde, su- 
búrbio. Ibid. 

— b por r : hibtus por hirtus. Ibid. 



8 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

— h por n : hiblatus por niblatus. Ibid. 

— h por 6: hica por bica. Ibid. 

— e, i, u confundiam-se : hillio e helluo — guloso. Ibid. 

— lo por do: illomius por idoneus — legitimo, Ibid. 

— u por a : sugma e sugmarius, suma e sumerius, por 
sagma e sagmarius. Ibid. 

— p por f: sulpor e sulfor por sulfur — o enxofre. Ibid. 

— Sulpurium e sulphurium. Ibid. 

— be por me : sumberinus por summerinus ou v. v. Ibid. 

— m por b : summissus por submissus, summittere por 
submittere. Ibid. 

— l por r : superalia por superaria — a veste superior ou 
que se põe sobre outras vestes; o roquete, a casula, a sobre- 
peliz. Ibid, 

— p por 6: suprinus por sobrinus — sobrinho. Ibid. 

— ca por ta : surcaria por surtaria. Ibid. 

— r por l : surfur por sulphur — o enxofre, Ibid. 

— u por y : Suria por Syria — a Syria. Ibid. 

— r por b : surrogare por subrogare. Ibid. 

— se por ge : sursere por surgere. Ibid, 

— b cahiu em sustantia por substantia — alimento, — e 
em susticio por sustitucio (sic) e este por substitutio, Ibid. 

— za por da : suzarium por sudarium — o lenço, Ibid. 

— z por g : suzzens por sugens -r que suga, Ibid, 

— g, letra caprichosa: sagetia e saettia — a seta, na- 
vio. Ducange. Também se denominou sagitta, sagittea, 
saetya, sagetia, sagitia, sagittia, sagentia, etc. Ibid. 

— u deu ou: sumarii e soumarii — os que têm a seu 
cargo o vinho das cellas ou dos monges. Ducange vb, Sagma. 
Ibid. 

— ta por ca: Salacattabia por salacacabia — salsa caca- 
bularia — a carne salgada que se cose nas panellas ou cal- 
deiras. Ibid. 

— l letra caprichosa : salbanum por sabanum ou sabla- 
num — lençol, lenço. Ibid. 

— i por u: salcitia — a salcicha, por salsutia, ou v. v. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA » 

— carne salgada, em italiano ■salcixza, em francez saucisse, 
e no baixo latim salciccia (salciccise). Ibid. 

— e por i: salectum por salictum, o mesmo que salice- 
tum — o salgueiral. Ibid. 

— l por g: salma por sagma — carga. Ibid. 
a por u: samnia por sunnia. Ibid. 

— a no baixo latim por e : saparare do latim separare 

— em portuguez separar, dividir. Ibid. 

— p medial por b — e. 

— s medial por /; sapsonatus por sablonatus — arenoso. 
Ibid. 

— e, o e u por ã: saraballa, sarubella, sarabola e será- 
bula — do chaldeu sarahallum — as pernas e as calças ou 
vestes que as cobriam. V. Sabordella, Salaborda e Serralva. 

— r deu rr : o latim saracenus deu no baixo latim sara- 
cenus e sarracenus — em portuguez sarraceno. A raiz é Sara, 
mulher legitima de Abrahão. Ibid., etc. 

— t por r: sartalia por sarralia — a serralha ou leituga 
herva. Ibid. 

— l medial por n ou vice-versa : satallin, satanin e sa- 
thanin, o setim. Ducange. 

— ta por ga: satax por sagax — sagae, astuto, sábio 
Ibid. 

— e por i e rr por r: saterricus por satyricus — satirico 
Ibid. 

— ve por ce: savellarius por sacellarius — o thesoureiro 
(fiscicustos). Ibid. 

— ce deu ze: sancetum por salicetum, deu sanzetum — 
o salgueiral. Ibid. 

— so (lendo-se zo) deu xo: sasonare e saxonare — condi- 
mentar bem. Ibid. 

— gu deu xu: sagum, saxum — saio. Ibid. 

— cu por tu: scacacus por scacatus — estofo em quadra- 
dos em diversas cores. Ibid. 

— ca por ta: scambucinus por stambucinus ou vice-versa 
— a cabra montez. Ibid. 



10 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

— mi por bi: scamnium por scambium — escambo, per- 
muta. Ibid. 

— s, letra caprichosa : scanabis por cannabis — o linho 
cânhamo. Ibid. 

— na por va : scana por scava — as covas ou fossos ; 
a escava das vinhas. Ibid. 

— ca por ci: scandula por scindula — a telha de barro 
ou de madeira. Ibid. 

— gi por bi: scangium por excambium — o escambo. Ibid. 
— pa por pha : scapa por scapha — certa medida de 

seccos. Ibid. 

— phi por bi : scaphinus por scabinus — o jurado, juiz, 
ou accessor do juiz. Ibid. 

— phi por pi: soaphisterium por capisterium — o vaso 
de pau em que as mulheres levam do rio ou ribeiro a roupa 
lavada. Ibid. 

— s letra caprichosa : scapularis e capularis — o escapu- 
lário, veste. Ibid. 

— scapulus por capulus — o cabo ou punho da espada. 
Ibid. 

— ca por ta ou v. v. : scarani e starani — os bandidos 
salteadores. Ibid^ 

— X por c, ou s, ou SC : paxere por pascere — apascen- 
tar. Ibid. 

— a por i: palatium por palitium — a palissada, Ibid. 

— acuvfi por anum desinências adjectivaes na idade mé- 
dia ; Albiniacum (palatium), Andiacum ou Pandiacum ; Anten- 
nacum, Argentoracum, Artiacum, Attiniacum, Andriaca, Bel- 
gentiacum, Belvacum, Bestisiacum, ou Bistisiacum. Betiniaca 
ou Bestiniaca (villa). Bobiacum, Bobacum ou Boiacum, Bor- 
giacum, Brennacum, Bruchuriacum, £rucheriachum ou Bro- 
cariaca (villa), Cambriliacum, Camiliacum, Cangiacum, Capto- 
nácum ou Catonacum, Carbonacum (Carbonária villa), Cari- 
siacum, Harisiacum, Cariciacum ou Carraciacum, Casiacum 
ou Caziacum, Cauciacum ou Cusiacum, Chaingiacum^ vulgo 
Chaingy, Cymgiacum e Chingy, Chansiacum e Canciacum 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 11 

(Choisy) Cizciacum por Cispiachum, Chepiacum ou Clipiacum 
e Clippiacum (Clich}^), Clunacum, Cociacuiíi (Coucy), Com- 
merciacam (Commercy), Oorbiniacum (Corbeny), Coynciacum 
por Quiuciacum (Quinçay ou Quincy), Crisciacum e Crecia- 
cum (Crécy), Crispiacum ou Crispiniacum (Crespy), Croicia- 
cum e Groiracum (Crony), Cruztiacum (Cruzenach), Cruci- 
niacum, Cusiacum ou Cuoiacum, ou Cauciacum, Gymgiacum 
e Chaiagiacum, Dionysianum (S. Denis), Dodiniaca (villa), 
Duoduiacum e Duziacum (Douzy), Ercliariacum e Ercherecum 
(Eschery), o mesmo que Erteriacum por Erceí-iacum ; Flori- 
niacum, G-avargiacum (Javarcay), Qentiliacum (G-entill}', agri 
Pariz), Germiniacum (Germigay), Hiscutiacum por Seatiacum 
(Sentzich), Jogundiacum ou Jogentiacum e Jogennacum 
(Mout-Joui? Jovi? Jou ?-) que também se denomiaou Jocun- 
diacum, Joguntiacum (nunc .Toac) em doe, dos séculos 8.° e 
9.°; Issiacum e Isciacum (Issy), Juvenciacum, o mesmo que 
Jocundiacum, supra (doo. a. 832). De Juvenciacum — Mout- 
Joui ? Jovi ? Jou ? 

— Juviuiacum (Juvigny), Latiniacum (Laguy), Livriacum 
(Livry), Loriacum (Lory), Marlacum, Marliacum, Morlacum 
(Morlay vulgo Marly), Masolacum, Masolagum e Mansolacum 
(Maslay), Mauziacnm (Mausac), Paciacum (Pacy), Pandiacum, 
Parintaniacum, Pauliacum (Pouilly), Pissiacum ou Pisciacum, 
Polliacum (Pouilly), Pontiliacum, (Pons Arliac, ou Arliciorum, 
ou Arleiam, Poiítarly), Rausiacum (Roucy) também Ran- 
ciacus e Raiiziacus, Roíiacum e Rufiacum, Romiliacum. 

— te por ce mediaes : Esteriacum por Esceriacum — pa- 
latium. V. Eschariacum in Palatia. Ibid. 

— rr por LI: reburrus por rebullus, ou v. v. rebuUus por 
reburrus ou rebursus ; do francez rehours — crespo do cabello. 
(T. Flavius Reburrus). Ducange. 

— c brando por q : rocerium e rocherium ou roquerium 

— rochedo. Ibid. 

— au deu o, mesmo no baixo latim, como : rauderius e 
roderius — o bobo, o estrião, que graceja ; do francez rauder 

— gracejar. Ibid. 



12 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

— Também rudus — rude, grosseiro, deu raudus e ro- 
dus. Ibid. 

— Una deu linda: berlina — berlinda, coche, que tomou 
o nome de Berlim, a cidade onde se fabricavam. (A. Coelho). 

Berlinda deu também a locução estar na Berlinda — 
locução antiga e que já vem de longe. 

*Condemnetur (concubina)... ut tonsis crinibus stare 
debeat per totam illam diem ad berlinam, et in mane se- 
quenti, usque ad nates pannis rotundatis, fustigari debeat 
per plateas communis Mantuae.» 

Duc. vb. Rotundare, 2. 

Em vulgar: «A concubina seja condemnada á seguinte 
pena: — que, depois de lhe cortarem o cabello, esteja na 
berlinda (na gaiola do pelourinho) um dia inteiro e na ma- 
nhã do dia seguinte, vestida apenas com pannos redondos 
(saias) até ás nádegas, seja açoutada pelas ruas publicas da 
cidade de Mantua.» 

Slat Mantuae, lib. 1, cap. 152, em Uuc. loc. cit. 

— sa, inicial, por ca : Sarrasqueira por Carrasqueira — 
o castanheiro bravo, para madeira. 

— ca, inicial, deu também cha em Charrasqueira, patois 
portuguez de carrasqueira, como Sarrasqueira, supra. 

— sa, inicial, deu za: sambucus — zambujo ou zambu- 
jeiro. Magnum Lexicon. 

— sa, inicial, por fa : sactio por factio — mercadoria. 
Ducange. 

Sagíbarones, entre nós boni homines — homens bons (os 
mais importantes e mais considerados), eram os juizes que 
julgavam as causas in mallis puhlicis. 

Também na idade média se denominaram Sachabarones, 
Saccebarones, Sacebarones, Sacerborones, Sachibarones, Sa- 
cibarones e Sagbarones. Coroprudium a Senatores dos ro- 
manos ou Legis doctores, ou Jurisperiti. 

Os etymologistas divergem. Uns dizem que Sagiba- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 13 

rones vem de sacch ou sacke — causa de qua litigatur, e Baro, 
onis — homem ; outros de saga — narração ; outros de saio, 
ou sagio, onis — espécie d'esbirros, officiaes ou ministros que 
acompanhavam sempre os reis godos e visigodos, para cum- 
prirem as suas ordens sem delongas no conhecimento e jul- 
gamento das causas. E que foram denominados saiones ou 
sagiones — a saio vel sago, vestido próprio que usavam. Cf, 
nesapius — não sabe, ignorante. V. sábio em A. Coelho. 
Nós, sendo uma completa nuUidade em frente do sábio 
Ducange e dos seus annotadores, diremos que Sagibarones 
recorda Sapii (sabii?) barones — homens sábios e versados 
em direito, — ou Jurisperiti, legisdoctores, ut supra, e Sagi- 
barones vem do italiano saggio — sábio, douto, prudente, ju- 
dicioso, entendido, circumspecto. Prefumo, 

— 5, letra caprichosa; ruspecula por rupecula — pedri- 
nha, diminutivo de rupus — a pedra, o penhasco. Duc. 

— p por 6' : ruspus por russus ou rupatus, em latim ru- 
òer, em italiano rosso, em francez roíige, e em portuguez 
rosado — vermelho, côr de purpura. Ibid. 

— ex já no baixo latim da idade média deu es: Morbo 
ryptico statim estinctus est. Vb. Rypticus. Ibid. 

— s por c antes de e, i e í/, e vice-versa — passim. Ibid. 

— s por h : sutte e sude em germânico, do saxonio hudde. 
Ibid. 

— s deu r em Was por "War e em virlos por virlor. Ibid. 

— za, inicial, deu sa e já : Zacynthos, ilha, deu Sacyn- 
thus, jacyntho — flor e pedra — e Jacyntho — nome pessoal. 

V. Sibilina, etc, infra. 

— sa, inicial, por za, supra. 

— ja, inicial, por sa ou za, supra. 

— z deu ss: massa, patrisso e patisso por maza, patrizo 
e pitizo. Magnum Lexicon. 

— z deu sd : Esdras por Esras. Magnum Lexicon — 
litt. Z. 

— z deu s: Sacynthus por Zacynthus. Ibid. 

— z deu d: Medentius por Mezentius. Ibid. 



14 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

— d por z. Supra. 

— s, inicial, por z. Ibid. 

— y é letra vogal do grego da qual usamos somente nas 
dicções gregas. Os antigos latinos não se serviam d'ella e 
em seu logar punham a vogal u, escrevendo Purrum por 
Pyrrhum, Phruges por Phryges, Suila por Sjdla, etc. Ma- 
gnum Lexicon. Ibid. 

— la por ia, mediaes : rolia por rota — a roda ou locuto- 
torio. Duc. 

— hl por tu : rollulus por rotulus — o rol, ou certa es- 
pécie de peso ou de medida. Ibid. 

— si, medial (zi) por fi: rosia por roíFa, ou rofia, ou 
rufia — as pelles dos animaes, destinadas para capas de livros. 
Ibid. 

— si [zi) medial, por sei: rosidus por roscidus — (Virgí- 
lio) cheio d*orvalho. Ibid. 

— ss por ,s, mediaes, ou v. v. : rossolia e rosolia — a 
torta, empada, fogaça. Ibid. 

— gi, inicial, deu qui: Quinjeira e Qainjeirinha, povoa- 
ções nossas, por Ginjeira e Ginjeirinha, em hespanhol Guin- 
dalera. 

— e por o: redoma por rodoma, do baixo latim rotumha.. 
Ducange. 

— be por fe, mediaes, ou v, v. : rubéola e rufeola— ■ 
uma espécie de torta ou fogaça. Ibid. 

— r, letra muito caprichosa: rabricondus por rubicundas 
— vermelho. Ibid. 

— o por u, supra. Ibid. 

— ce por ge, ou v. v.: rumicestri e rumigestri — espécie 
de lança. Ibid, 

— ge por fe, ou v. v., remiger e remifer — que faz ruido, 
estrondo. Ibid. 

— chi ou ki poi' ci: runchinus por runcinus — o rocim. 
Ibid. 

— u deu ou: rapa — roupa. V. Roupa. 

— JJ por t: raplus por rutlus, contracção de ratulos. Ibid. 



TENTATIAA ETYMOLOGICO-POPONYMICA 15 

— a por e: ruraster por rurester, o mesmo que rurensis, 
ruricola, rurestus, ruricalis, rusticanus e rusticus — patola, 
homem do campo. Ibid. 

— r letra caprichosa: sevrum por sevam e este por se- 
bum — sebo, Ducange. 

— sexe deu seyse e seze : sexenus, seysenus e sezenus — 
a 6.» parte dos fructos que se pagava ao senhor da terra. 
Ibid. 

— u letra caprichosa : sextuarium por sextarium. Ibid. 

— si por fi: sibula por fibula — a fivela. Ibid. 

— u por i : sibulare por sibilare — assobiar. Ibid. 

— c por t: sicula por situla — a caldeirinha d'agua benta. 
Ibid. 

Oppostos d contracção 

— Sigillariarius por sigillarius — o guarda sellos. Ibid. 

— s inicial por f: sindabulum por fundabulum, em latim 
fundíbulum — a funda, arma com que arremessavam pedras. 
Ibid. 

— m, prefixo, cahiu em sinuare por insinuare — insinuar. 
Ibid. 

— qua por ca: siquare por secare — segar. Ibid. 

— si por fi : sisconus por fisconus — o colchão de palha. 
Ibid. 

— ha inicial por ma: Bathildis por Mathildis — Mathilde. 
Vita S. Bathildis Reg. 

Duc, vb. Fiscus dominicus in Fiscus. Ibid. 

— ze por ce : sisara (o mesmo que sisera) por sicera — 
a cidra, bebida feita de fructa, etc. Ibid. 

— n por m ou v. v. : cisinus por cisimus, que deu tam- 
bém sismusilus e sismusinus. Ibid. 

— _s por c: sismusilus e sismusinus, retro. 

— i por o: sispes por sospes — são. Ibid. 



16 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

— s letra caprichosa : sistarcia e sistarchia por sitarcia e 
sitarchia — a cesta, o sacco, os alforges, etc, 

O mesmo vocábulo deu também satartia, cistartia, setar- 
cia, cistarcha, talvez a forma primitiva, tirada de cista et 
archa. Ibid. 

— a por i: domanium por dominium. Vb. Sit. Ibid. 

— e por i ; eh por Jc ou. q\ ci por qtii ou Jci ; ti por ki ou 
qui : skella, squilla, schilla, skilla, schela, esquilla, soilla, stila 
e stilla, etc. — a campainha. Ibid. 

" — 7'au em vez de rfl^rsmarauda por smaragda — a es- 
meralda, —do francez emeraud. Ibid. 

— p letra caprichosa; solempnis por solemnis, solemne, 
solempnitas, solempnizare, solempnizatio. Ibid. 

— s por f; inidaes : soliata por foliata, Ibid, 

— ou ou ol: souderarius por solderarius e este por sol- 
darius — o soldado. Ibid. 

— fu por pu : solifaga por solipuga e solipunga. — Certo 
animal que se embravecia com o sol. No baixo latim soli— 
fugum. Magn. Lexicon e Ducange. Ibid. 

— i por u : sollicio por solutio. Ibid. 

— h por p : nubtiae e nubtialis por nuptiae e nuptialis. 
Ibid. 

Note-se que já no latim nubeo deu nupsi, nuptum por 
nubi, nubitum. 

— s inicial por m : sorilegus por murilegus — o gato, 
quia mures ligit, ^. é. coliigit. Ducange. 

— o por e: sortilogi por sortilegi os feiticeiros. Ibid. 

— ol deu ou souldiarius por soldarius. 

— ou por o e u: souto por soto ; soumarius por soma- 
rius ou sommarius — o burro, etc. Ibid. 

— z por r : sozus por sorus — este por saurus — o açor 
ainda novo. Ibid. 

— gr, letra caprichosa : spana e spanga — em italiano spanna 
— o espaço entre o dedo polegar e o minimo ; o palmo; — 
do teutónico spannen — estender, ou do anglo — sax. spaunan 
medir. Ibid. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 17 

% por t : spazerius por spaterius, ou spatharius — o que 
faz espadas. Ibid. 

— pe ipor phe: espera por esphera. Ibid. 

— r por s ou. c: sperillum por specillum — a tenta ; 
instrumento de cirurgia. Ibid. 

— e por o : sperlagium por sporlagium e este por spor- 
tulagium, do latim sportula que no baixo latim deu sporta, 
sporla e sportula e em portuguez, espórtula — esmola ou gra- 
tificação em dinheiro. Ibid. 

Sportula deu sporta, sporla, sporlagium, sperlagium, 
sporlanum, sportule, sporle e em antigo francez esportule. 

O mesmo sportula deu no baixo latim sportulare e spor- 
lare — pagar a espórtula ou tributo devido ao senhor da 
terra, etc. Daqui o portuguez esportular — dar a espórtula. 

O latim e baixo latim sportula é uma forma do latim e 
baixo latim sportella, diminutivo do latim e baixo latim sporta, 
ae — cabaz, alcofa ou cesto feitos de vime, junco, palha, es- 
parto ou coisa semilhante. Em Vizeu ha cestos ou cabazes 
lindissimos feitos de vergas de castanho muito bem traba- 
lhadas e quasi que transformadas em fitas, a que chamam 
corra. Daqui o nome de cestos de corra dado aos dictos 
cabazes. 

Vide Vil de Moinhos no Portugal Antigo e Moderno^ 
artigo meu, como Viz^u, etc., etc, vol. 12.*, pag. 1537, col. 2.a 

— e por a: spergere por spargere, espargir. Ibid. 

— l letra caprichosa: pilia por spia — o espia, explora- 
dor. Ibid. 

— l por t : sporla por sporta — a alcofa, o cabaz, o cesto. 
Ibid. 

— ga deu cha : spranga e sprangha, em latim, planca, 
prancha, em francpz, planche, Ibid. 

— d por g: ou vice- versa ; stadium e stagium — certo 
espaço de tempo marcado para residência dos cónegos. Ibid. 

Stadingi e stagingi — certos povos que estavam ou de- 
moravam nos confins da Saxonia e da Frisia, cercados de 
ribeiros, lagoas e pântanos. Ibid. 

VOL. Ill 2 



18 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

— ta por ca ou vice-versa : stamnum por scamnum, o 
mesmo que stallum, o talho ou açougue, e talvez' estanco, 
loja em que se vende tabaco ! Ibid. 

— ca por ta. Supra, Ibid. 

— allum deu annum e talvez ancum : stallum, stannum 

— estanco ! 

— n medial por l : philomena ou Filomena por philomela 

— o rouxinol, em antigo francez rossignol. Ducange. 

— o por a: phono por phano, onis — a bandeira. Ibid. 

— ro por to: phoronomus por photonomus, ou vice-versa 
o mesmo que pheronymus — o encarregado de accender as 
veias ou de fazer luz; de publicar as virtudes d'alguem. 
Do grego pheronnumos — ferens veritatem nominis sui. Ibid. 

— z por g: phrysum por phrygium. Ibid. 

— p inicial por h: praevia por brevia. (Vb. Phylacteria). 
Ibid. 

— pi, inicial, por bi-, picarium por bicarium, e pichetus 
por bichetus. Ibid. 

— r medial, por ti pilorus por pilotus — a pelota, o pe- 
louro. Ibid. 

— Pf medial, por Z: pipula por pilula — a pilula? Ibid. 

— ci, inicial, no baixo latim deu pi : cistella, a cestinha, 
deu pistella. Ibid, 

— te, medial, deu ce: pistella, supra, deu fiscella e 
piscella. Ibid. 

— Pintetum o mesmo que pincetum — certa medida de 
liquidos. Ducange. 

Também no baixo latim foram equivalentes Pisterna, 
pincerna e picerna — copeiro; vaso de vinho, Ducange. 

— fe, ve, xe e se confundiram-se e confandem-se, v. g. 
trouxe, trouse, trouve e troufe. Estas ultimas duas formas 
são vulgares no patois portuguez. 

— * por a : pinerium por paneriun — do francez panieV) 
paneiro, cesto, — Ducange — ou do latim panarium, idem. 

— n, letra caprichosa que apparece e desapparece como 
o r: pignus e pingnus — o penhor, a hypotheca. Ibid. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 19 

— Pitalfas e pintalphus — vaso de vinho, Ibid. 

— e, inicial, cahiu muitas vezes : pittaphium por epita- 
phium — pistolare por epistolare — e pistolarium por episto- 
lariam — o livro das Epistolas. Dacange. 

— wi deu pi. V. Pitius e Pitões na nossa Tentativa — 
e Pitto em Duoange. 

— pi, inicial por bi: piranga por bifanga — certa medida 
de grãos. Ibid. 

— va e fa, mediais, confundiram-se: pivanga e bifanga, 
supra. 

— ve e fe, idem : trouve e troufe (trouxe) em patois 
portuguez. 

— pi deu vi: pipio deu pivio, 'onis — o pombo Du- 
cange. 

— l, medial, foi letra caprichosa: placare por pacare — 
pagar. Ibid. 

— ta, medial, por la : polutare por poUulare — pullular, 
crescer. Ibid. 

— a, e e o confundiram-se: porcaria, porcheria e porho- 
ria, Porq.^ Ibid. 

— o por e: poriodus por periodus. Ibid. 

— r, medial geminado, por ce: porrelagium por por- 
cellagium. Ibid. 

— po por fo, inicial: portilitia por fortilitia — o forte, 
a fortaleza, castello. 

— 2^» inicial, por b : pruce por bruce — os grãos ou ce- 
vada de que faziam a cerveja. Ibid. 

V. Bruçaes, infra. 

— i deu é: Aimiricus — Américo. Ibid. — vb. Prefe- 
rentia. 

— ca, medial por ta: prescaria por proestaria. Ibid. 

— p, inicial, por b: prodium por brodium, em francez 
bronet — certo caldo ou pitança. Ibid. 

Prolium por brolium. Ibid. 

— fe deu ve: prof«ctus e profit — proveito. Ibid. 

— pJia deu va: Stephanus -- Estevam. 



20 TENTATIVA ETYMOLOaiCO-TOPONYMICA 

— p deu h ou vice-versa: Nortpertus — Norberto. Du- 
cange, vb. Proficium. Ibid. 

— ci deu gi\ profigium proficium — proveito, lucro. Ibid. 

— eSy medial, por ec: projestum por projectum — pro- 
jecto, propósito. Ibid. 

— te por ce: protentinus por procentinus — o chefe de 
100 soldados. Ibid. 

— zi deu xi: provisionatus, provixionatus. Ibid. 

— z por v: pulzinettum por pulvinettum — a almofadinha. 

— pu, inicial, por hu: purchravius, purgkravius por 
Burggravius — o conde do burgo. Ibid, 

— si, medial, ou zi por gi: pusillares por pugillares — 
certas alfaias do culto usadas nos pontificaes, ou coisa se- 
melhante. Ibid. 

— u por a : pustura por pastura — a pastagem. Ibid. 

— y deu u: — pyra deu no baixo latim pura — a pira, 
fogueira. Ibid. 

— py, inicial, por hy : pysanteus por bysanteus, bisantino 
ou de Bisancio (certa moeda). Ibid. 

— u por i: quadruvium por quadrivium, a craz de qua- 
tro caminhos. Ibid. 

— c, medial, por r : quarcellus por quarrellus — uma 
espécie de seta. Ibid. 

r, medial, por d : quarruvium por quadrivium ou qua- 
druvium, supra. Ibid. 

— X, medial, deu z : quasare por coaxare ou quaxare — 
o coaxar das rans. 

— qua, inicial, valeu trivialmente ca : quathedra — cathe- 
dra, cadeira; quasamentus, casamentum (prédio, feudo); qua- 
cara — caçara, codorniz ; quarga — carga: quarruca — carruca 
— charrua; quarrum — carrus, carro; quarta — charta — carta • 
quauda — cauda, etc. Ibid. 

— ve ou ive, inicial, deu gue : assim o germânico (ant. alt. 
ali.) Werra, contenda, deu guerra. A. Coelho. 

— que, inicial, por ve : querus por verus — firme, verda- 
deiro. Ibid. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 21 

— r por s e vice-versa foi vulgar na idade média : 
quaesere por querere; rasitas pro raritas; charuble por cha- 
suble; fuseur por fureur, etc. Ducange, tomo v, letra Rt 
pag. 571, col. 1.» 

— ra por ta, iniciaes : rabanus por tabanus — certa, 
mosca ou moscardo. Ibid. 

— ra por wa, iaiciaes, ou vice-versa: raba e rapa por 
napus — o nabo, o rábano, o rabanete. Ibid. 

— pha ou fa deu ha: raphanus — o rábano ou rabanete. 
Magnum Lexicon. 

— u por i: redebutio por redhibitio. Ibid. 

— i por e: refriscare por refrescare. Ibid. 

— Z, medial, por r : regaldum por regardum — a renda 
cu prestação annual. Ibid. 

— i por e ou vice-versa: registrum e regestum — o re- 
gisto do livro, etc. Ibid. 

D'aqui registrare, regestrare — e d'aqui o portuguez re- 
gistar. 

— re por de, iniciaes : regluvere por reglubere ou deglu- 
bere ou deglubare — esfolar, tirar a pelle. Ibid. 

— i, medial, cahiu algumas vezes, como em regmen por 
regimen, e tegmen por tegimen, etc. Ibid. 

— i por /i: reicere, por rejicere. Ibid. 

— a por e: remadiare e remediare. Ibid, 

— re, prefixo por vezes falso, v. g. — repascere por pas- 
cere — apascentar. Ibid. 

— u por i: residuum por residium — a residência, habita- 
ção — e residuus — residente. Ibid. 

— r por .?: ressarire por ressasire «ex frequenti muta- 
tione s in r» — restituir á posse. Ibid. 

— ss por s: residentia por residência. Ibid. 

— ihi, medial^ por dhi : rethibere por redhibere — pagar, 
restituir, Ibid. 

— d, letra caprichosa : Normannus — Normando ; Nor- 
mannia — Normandia. Ibid. 



22 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

— va, medial, deu ga, e vice- versa: revardum e regar- 
dum — a guarda. Ibid. 

— p deu b, e vice-versa: o latim sebum no baixo latim 
deu sepum — sebo. Ducange. 

— qua por ca: sequare por secare — cortar. Ibid. 

— q por c: sequus e sequs por siccus — secco. Ibid. 

— r por rr : serralherrus por serralherius — o serralheiro. 
Ibid. 

— giu e ju deram zu. Vide Zupa. Ibid., e Zoupassia — 
infra. 

— * por c: serculus por circulus. Ibid. 

— da por ga: sarda por sarga — a sarja, estofo ; no baixo 
latim, sargea, sargia, serdia e serga, do francez, sarge. Ibid* 

— r deu t : sertare por serrare, fechar, serrar a porta, etc.» 
e serticulum por serriculum — a seitoura ou a foucinha de 
cortar a herva, porque tem dentes a modo de serra, — e sertura 
por serrura — serralho, claustro, clausura. Ibid. 

— ra deu va: servaculum por serraculum, o claustro o 
serralho, etc. Ibid. 

— p, letra caprichosa : dampnificare por damnificarei 
dampnum por damnum, etc. Vide Servaliter. Ibid. 

— a por i: servaliter por serviliter — servilmente. Ibid. 

— Servare por servire — servir. Ibid. 

— s por c: servus por cervus e sesare (sic.) por cessare. 
Ibid. 

— se por de: seguinari por designari. Ibid. 

— es por ex: sestarium por sextarium, Ibid. 

— eu por en: seudatum por sendatum, Ibid. 
Severare por servare — respeitar, guardar. E' forma 

opposta á contracção. Ibid. 

— sa, inicial, deu xa ou vice-versa : zaba e saba ou sabea 
— a loriga. Ducange. 

— sca deu sa: scabellum e sabellum. Ibid. 

— se, inicial, deu ze ou vice-versa : Sebellina e zebellina, 
a pelle de marta, denominada também gibellina. Ibid. 

— se, inicial, deu ge, supra. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 23 

— a, e, i, o e u, confundiram-se e substituiram-se, como 
em sabelina, sebelina, gibellinica por sibellinica^ zobelina por 
sobelina ou sebelina e subelines — as pelles de marta. 

Yide Sabelum em Ducange. 

— a e u deram o: Radulphus, Rodolpho. Ducange, vb. 
Secta, 4. Ibid. 

— ss por d: sessio e sessus por sedio e sedius, formas 
de sedes — casa, assento, residência, granja, aido, eido, casal. 

Ducange, vb. Sedes, 4. 

— se por le, no antigo francez e antigo portuguez : Selon 
por Lelong, em França no século xiv; entre nós Ledesma e 
Sedesma; Ledões e Sedões; Ledouro e Sedouro; Leixosa e 
Seixosa ; Leixões por seixões (penhascos) ; Lemede, Samede 
6 Semide; Lente e Sente; Lezide e Sezite; Lever e Sever; 
Lages, Sazes por Saxes, Saxis, .Sassis^ etc. 

— le por se : é o artigo francez /e, em portuguez o e em 
anglo-saxon se: v. g. Segode — O bom, de 5e = o e good = 
bom. 

Ducange, vb. Segode e Segundus. Ibid. 



flcum e iacum 



— Salmontiacum, (Samoucy) ; Satanacum (Stenay); Ster- 
piniacum ou Stirpiniacum (Estrepagny); Stirpiacus (Estrepey); 
Stramiacum ou Strennacum (Stramiatis, hoje Tramoye); Ta- 
verniacum (Taverny) ; Tauriacum (Toury). Ticiacus (villa) ; 
Tulpiacum, Tolpiacum e Tolbiacum ; Tussiacum (Tusey) ; 
Verberiacum (Verberie) ; Victriacum (Yitry) ; Virzinniacum 
(Verzenai) ; Vitriacum ; Vizeliacum, (Vizelay), etc, etc. 

Ducange vb. Palatia Regia. 

— s letra caprichosa : scarella por scarcella, no baixo 
latim ; em italiano, scarsella — a abertura que o caranguejo 
tem na barriga. D'aqui o portuguez carcella — a casa onde 
se mettem na roupa os botões. 



24 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Prefumo e Ducange. 

— ca por ta mediaes : scatucia por statutia — a lei, o 
estatuto. Ibid. 

— Scaticum e staticum — certo tributo. Ibid. 

— Ice deu ce e vice-versa; sceletus — o esqueleto — do gr. 
skeletos, secco. Ibid. 

— cu deu ^M ou vice-versa: spuma, atino, deu no baixo 
latim schuma e em portuguez ainda hoje espuma e escuma. 
Ibid. 

— in por il: inluminatus por illuminatus. Ibid. 
vb. Scirpus. 

— va por fa ou pha : scrova por scrofa ou scropha — 
certa maquina de guerra. Ibid. 

— za por la ou vice-versa : scurzata, scurlata — certa 
espécie de navio. Ibid. 

— t cahiu por vezes : segrearius por secretarius. Ducange. 

— t por ses por t: semosta por semossa — intimação, 
citação, e assur por astur, o açor, que deu Ansur, appellido 
na edade media, hoje Falcão e Calfão outr'ora, como Senhora 
do Calfão, castello do Calfão, em Távora, concelho de Ta- 
boaço. Ibid. 

— s por t: supra. Ibid. 

— e por i: senape por sinapi — a mostarda. Ibid. 

— r por s ou vice-versa : renda e senda — o cinto ou cin- 
turão. Ibid. 

— a por i ou vice-versa, já no latim : assaratum e assi- 
ratum — bebida composta de vinho e sangue. Magn. Lexic. 

— s por t ou vice-versa : sensificare e sentificare — fazer 
sentir. Ibid. 

— s por c: sensivus por censivus — sugeito ao censo, 
que também deu sensus por census. Ibid. 

— u foi também e lettra caprichosa, v. g., sensuatus por 
sensatus — sensato. Ibid. 

— i letra caprichosa : Sentellus por Seintellus e este por 
Seynelo — S. Clodoaldus — em França hoje S. Ciou, em por- 
tuguez S. Clu?!... Ibid. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 25 

— e e O por ?' : sentena, sentha e sentona por sentina — 
latrina, lupanar ; do latim e baixo latim sentina — o fundo 
do navio, o lupanar ; em francez, santine e sentine. Ibid. 

— h por p: obtimus por Optimus. Ducange, vb. Sépia. 
Ibid. 

— m por n: septemium por septennium — o periodo de 
sete annos. Ibid. 

d por n ou vice-versa : Septizodius e Septizonius, idem. 
Ibid. 



Domes de Darias poDoações nossas com o prefixo 
d por de 



• — Agares e Diagares. 

— Airas e Dairas. 

— Aires e Daires. 

— Aixa e Daixa. 

— Aldas e Daldas, 

— Alva e Dalva. 

— Alvares e Dalvares. 

— Alvares e Dalvares. 

— Amião e Damião. 

— Amonde e Damonde, 

— Anaia e Danaia. 

— Ardão e Dardão. 

— Arnella e Darnella. 

— Aroal e Daroal. 

— Aroeira e Daroeira. 

— Aspara, Aspra e D'Aspra. 

— Atão e Datão. 

— Azia, Dasio e Dazia, santa. 

— Sid, Side e Decide. 

— Eça e Deça, appellidos. 

— Eirão e Deirão. 



26 TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMTCA 

— Elvira e Delvira. 

— Estriz e Destriz. 

— Groiva e Degoiva. 

— Golla e Degolla. 

— Mó e Demo. 

— Moninho e Demoninho. 

— Morta e Demorta. 

— Motta e Demotta, 

— Netos e Denetos. 

— Orada e Dourada. 

— Ornellas e Dornellas. 

— Ourado e Dourado. 

— Ouro e Douro. 

— Ouroanna e Douroanna, 



flleíQíheses 



Algramassa, Argamassa e gramaça, da grama. 

Atadôa por Adatoda, que deu também Adôa. 

Aranguêz, de Aragonêz. 

Augusto e Grostavo, nomes pessoaes. 

Baluzal por Lubazal, o mesmo que Lobagueira e Lubal. 

Barraxas por Barracas, de Rabaças? 

Bassagueira e Sabacheira por Sabaqueira e este por 
SabugueJra. 

Bazorreira e Zaborreira. 

Bem, natolares por Bem, naturales? 

Berbilheira. Vide Revilheira por Ervilheira. 

Cávado e Cádavo. 

Cavidai por Cadu-vae. Confronte-se Cada-vae, Cada- 
vaes e Cadaval. 

Chancrão por cranchão e este por Grranjão ? 

Concedeira por Cocedeira, de Codeceira. 

Ermigio e Remigio, santos, etc. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 27 

Ervelho, Ervelhas, Revelha e Revelhos. 

Ervilha e Revilha. 

Ervilhaes e Revilhães ou Revilhaes. 

Ervilhão e Revilhões por Erviihões, plural de Ervilhão. 

Escada, Escadas e Escadinhas, aldeias, por seccada, 
seccadas e Seccadinhas, e estas por Secca, Seccas e Se- 
quinha ? 

Escairo por Esqueiro e Sequeiro. 

Escalhão, de Secalhão? 

Escalheira e Escalheiro, por seccalheira e seccalheiro e 
estes por Sequeira e Sequeiro ? 

Esgueira, Esqueira, Esqueiro e Esqueiros por Sequeira, 
Sequeiro e Sequeiros. 

Esguio por sequio ? 

Esquinheira por sequinheira, o mesmo que Sequeira e 
Sequieira. 

Esquiró por esqueiro e este por Sequeiro. 

Jeromano e Jeronymo, santos. 

Gajove, de jagove por Jacob? 

Gomes, de Cosme? 

Ílhavo e Ibalho, como lá diz o povo. 

Ludovina e Deluvina. 

Magalão por Malagão, o mesmo que malaguenho, mala- 
guêz, filho de Málaga. 

Magdalena e Madanéla. 

Meganho por Maguenho e este por Malaguenho supra, 
ou Meganho por Gamenho, Confronte-se Gamenha e Ga- 
menho, povoações nossas. 

Revilheira por ervilheira? 

— Sinagoga, Senoga e Esnoga. 

— Orlando, Rolando e Roldão? 

— Mendeiros, Merendeiros e Remendeiros? 

— Baraçal e Rabaçal. 

— Baraças e Rabaças. 

— Barrada e Rabada. 

— Barradinho e Rabainho. 



28 TENTATIVAY ETMOLOGICO-TOPONYMICA 

— Barrai e Rabal. 

— Barrella e Rabella. 

— Barrello e Rabello. 

— Barroeiras, plural de Barroeira e Raboeira, 

— Barrosa, Rabosa e Raposa. 

— Barrosas e Raposas. 

— Barroseiras e Raposeiras. 

— Barrosinha e Raposinha. 

— Barroso e Raposo. 

— Barrosos e Raposos i. 

— Orca e Roca. 

— Orge e Roge. 

— Rubim e Ruvim — de Urhinus, i '. 

— Rubina e Ruvina, de Urbina. 



flíereses 



Belida por Belleda, o mesmo que Avelleda ; Bellaido 
por Avellaido ; Belledo por Avelledo ; Bellido por Avellido 
Avelledo ; Bitureira, o mesmo que Abitureira e Abutreira, 
abundante em abutres. 

Bobadella por Abobadella, pequena abobada ; Bobeda 
por Abobeda e este por Abobada. Confronte-se Abobada e 
Abobadas, povoações nossas e Aboadella por Abobadella, o 
mesmo que Bobadella e Boadella, povoações nossas também. 

Boim por Aboim ; Brinheiro por Brunheiro e este por 
Abrunheiro ; Bronhido por Brunhedo e este por Abrunhedo ; 
Brunhaes, Brunhães, Brunhal, Brunhaxos (sic) por Brunha- 



^ Bo e po trivialmente se confundiram. V. o meu longo tópico — 
Substituição de letras. 

^ Cf. Oaldim, Gualdim e Gualdino; Martim, Martino e Martinho; 
Alvim por Albim e Albino. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 29 

ços, Brunheda, Brunhedo ; Brunheira, Brunheiras, Brunhei- 
rinha, Brunheiro, Brunheta, Brunhosa, Brunhosinho, Bru- 
nhoso e Brunhoz, etc. por Abrunhaes, Abrunhal, etc. pov. 
nossas que tomaram o nome dos abrunhos. 

Calainho, appellido nobre e antigo, por Alcalainho ; 
Lainho de Calainho ? Lameda de Alameda ; Lazão por Ala- 
zão ; Lexim por Alexim ou Aleixim, Aleixinho, o mesmo 
que Lijó por Alijó de Aleixiolus, i, Aleixinho ^ 

Lizardo (Vinha do Lizardo) por Felizardo ; Loindreiro 
por Eloendreiro. Dos Eloendros. V. Alandroal e Londral por 
Landral, o mesmo que Alandroal; Meiral por Ameiral ou 
Amieiral, o mesmo que Amial, propriedade minha ; e Meira 
por Ameira ou Amieira. 

Meixide por Meixido ou ameixido; Mexedinho por 
Ameixedinho; Mexedo por Ameixedo; Mexide por Mexedo. 

Mora por Amora; Moreira por Amoreira; Moreiral 
por Amoreiral; Moreiras por Amoreiras; Moreirinhas por 
Amoreirinhas, e Moreirola por Amoreirola. 

Ordia (Vinha d'Ordia Pires) por Dordia, antigo nome 
pessoal; Tibães e Tivaes, de Estivaes por Estevaes? Trizio 
por Prizio, de Aprizio, o mesmo que Aprigio, nome d'um 
santo, etc. 

Vellariça e Villariça, de Avellariça ou Avellanariça 
ou Avellaniça ! . . . Xurreira por Eaxurreira, de enchurreira, 
o mesmo que enxurreira e enchurdeira, — de enchurro ou 
enxurro, antigamente enchurdo e enchudro. Cf. Enxudros, 
Enxuldro, Enxudral, Enxurreira e Enxurreiros, povoações 
nossas. 

No Alto Douro, margem direita, junto da estação de Ba- 
gauste, ha uma quinta com o nome de Enopudreiro, cuja fun- 
dagem é coberta pelo Douro nas enchentes e ali deposita gran- 
desnateiros, lamaçaes, enxudros, enxuldros, enxurdeiros ou en- 



^ Veja-se o meu grande tópico : — Diminutivos com a desinência 
olus, ola. 



30 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

xurreiros. V. Figueiredo e Baptista. Enxurdeiro é meta- 
tese de enxurreiro. V. Churdo^ Churro, Enxurd... — En. 
xurdar-se, Enxurdeiro, Enxurrada, Enxurrar, Enxurreira, 
Enxurreiro, Enxurro, Surro e Xurreira, no diccionario do 
snr. Cândido de Figueiredo. O povo também diz enxuldrar-se 
por enxurdar-se. — Irra ! . . . 

Zabelleiras por As avelleiras. Cf. Soliveiras por As 
oliveiras que podiam dar Azoliveiras, Zoliveiras e no diapa- 
são gallego Soliveiras ; Zagaia o mesmo que Azagaia — 
quinta — de azagaya, lança curta; Zambuja, Zambujeira e 
Zambujinha, o mesmo que Azambuja, Azambujeira e Azam- 
bujinha, por Zambujeirinha — povoações nossas — de Zam- 
bujeira ou Zambujeiro, espécie de oliveira brava. Do latim 
samhucus, i, como diz o snr. Figueiredo; mas o latim sam- 
hucus significa sabugueiro, não zambujeiro. 

Zavel, quinta, o mesmo que Izavel por Isabel, povoação 
nossa; Zeiteiros por Azeiteiros; Zevinho por Azevinho, de 
azevinho — arbusto espinhoso; Zido, afereze — de Azido por 
Azevido, o mesmo que Azevedo por azevinhedo, unde Azedo 
e Azevo por Azevedo — povoações nossas, que tomaram o 
nome do azevinho supra. Também Zido pode vir do latim 
— Zithum i, a cerveja, bebida muito antiga. 

Temos também Azeval, Azibal e Azival por Aze vidai; 
Aziboso por Azevidoso e Azído, o mesmo que Zido — nome 
de varias povoações nossas e appellido d'alto coturno. 

Temos também Zorzaes ou Zurzaes por Os Orjaes — se- 
vadaes ? ou Os Urjaes — urgueiraes. Confronte-se Orjaes e 
Urjaes, Soliveiras e Zabelleiras, povoações nossas. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 31 



Reuerso da medalha 

Também temos vários nomes de povoações que obede- 
cem á prothese, augmento d'uma syllaba ou letra no prin- 
cipio dos nomes das povoações. Occorrem-nos os seguintes : 

Abarella por A varella ; Abebera por A bebera ; Abenaia 
por Aben (de iben -filho) e Anaia, antigo nome pessoal ou 
appellido; Abenaia quer pois dizer, filho de Anaia. Abicha- 
nas por As bichanas? Abicheiro por O bicheiro. Confronte-se 
Bichana, Bicheiro e Bicheiros, povoações nossas. 

Aboicinhas por As boicinhas ; Abrançalha por A bran- 
çalha ; Acharrua por A charrua ; Adanaia por A d'Anaia. 
Conf. Abenaia, supra ; Adarce per A de Arce, appellido. 
Adaval por do Vai? Adebagão por A do Bagão, appellido. 
Adefroia por A de Froila, antigo nome pessoal. 

Ademoço por A do Moço ; Ademascos por A de Marcos 
ou dos damascos ; Adonella por A de Donella ou de Donello, 
de Domnellus, i, antigo nome pessoal, unde Donello, povoação 
nossa ; ^ Adorarcos, o mesmo que A dos Arcos ; Adorigo 
por A de Honorico. Vide o tópico Ourique, supra; Adornai 
por A do Amai, arenal; Adoufe por A de Adolpho, o mesmo 
que Ataúlpho, nome godo. Adourigo, o mesmo que A dorigo 
supra ; Adozeiros por A dos eiros, o mesmo que Eiras. 

Cf. Eira, Eiras e Eiros, povoações nossas, e Zabelleiras- 
Zorzaes e Zurzaes supra. 

Adufe, o mesmo que Adoufe supra. 

Somma e segue. 

Afeitai por A feital — dos feitos ou fieitos ; como Afei» 
teira por A feiteira; Afolhadella por A folhadella. V. Fo- 
Ihadella, povoação e appellido nossos. 

Agatoeira por A gatoeira. V. Gatão,, Gataria, Gateira, 



^ Domnellus, i, é diminutivo de Domnus, i, por Dominas, i, o 
mesmo que Sénior, oris, Senhor, antigos nomes pessoaes. 



32 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Gato, Gatões e Gatos, povoações nossas. Agodim por A do 
Godim — de Godim por Godinho; Agordel por A do Gordel 
e Agordella por A da Gordella ou do Gordel. Cf- Gorda, 
Gordalina, Gordim, Gordina, Gordo e Gordunho, povoações 
nossas, cujos nomes foram tirados de Gordo, appellido con- 
traposto a Magro. 

Aguincheira por A guincheira — abundante em guinchos, 
espécie de gaviões; Aguincho por A do Guincho; Ajoias 
por As jóias? Aladeira por A ladeira; Alagar por A do lagar; 
Alagarinho por A do lagarinho ou por O lagarinho ; Alagôa 
por A lagoa; Alagoiça por A lagoiça; Alagoinha por A la- 
goinha. 

Junte-se ainda: 

Alamella por A lamella. Cf. Lamella e Lamellas, po- 
voações nossas. Alanhosa por A lanhosa ou lenhosa — 
abundante em lã ou lenha. 

Alapella por A lapella. Cf. Lapella o mesmo que La- 
pinha, povoação nossa, diminutivos de lapa, irmã gémea de 
pedra, pena, penha, penhasco, rocha, calhau. 

Alcainça por Al caniça? Das canas ou dos cães. Cf. 
Canidello por Canadello, Canisça de Caniça, Canizal, Canna» 
Cannavial, Canniça, Canniçada, Canniçal, unde Cannizal 
supra, Ganniças, Canniceira, Canniceirinha, Canniço, Canni- 
ços, otc. 

Alcains por Alcanins . ou Alcaniz — depósitos de cães 
para caça, etc. 

De canil ou canim — deposito de cães; tal é o canil da 
camará municipal do Porto, etc. V. Caniz, casal nosso. 

Alcanim, Alcanins e Alcaninsinhos, de Al canim, Al 
canins e Al caninzinhos, de canim. por canil? 

Também Alcains pode vir de Alcalains por Alcalainos 
ou Alcalainhos — filhos ou oriundos de Alcalá, cidade da 
Hespanha. 

Cf. Alcalainha, povoação nossa, Calainho, appellido no- 
bre e antigo — aferese de Alcalainho, — e Lainho, aldeia, 
aferese de Calainho ? Alcalaim <; Alcalim <I Alcanim << Alça- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 33 

nins << Alcaninzinhos. A Hespanha tem Alcãniz, cidade ; Al- 
canizes e Alcãnizo. 

Alcalva por Alcarva e esta por Alcarpa — a carpa, ar- 
vore que deu carpalho, unde carvalho, como já dissemos. — 
V. Carva e S. João Evangelista d'Alcarva, povoações nossas 
na Chorographia Moderaria. 

Alcanede por Alcanede, o este por Al Canedo. Vide 
Canedo muitas povoações nossas — e Canedo appellido ; — 
Alcarabouça ou Alcabroacia por Alcabroaça? — de Al Ca- 
broaça abundante em cabras. Confronte-se Cabra, Cabreira, 
Cabreiro, Cabroeira e Cabroeiro, povoações nossas. 

A Hespanha tem Cabra, Cabrera, Cabrerôa, etc. 

Cf. Lagoaça, Alcobaça, Taboaça, Villaça, Vinhaça, La- 
maça, Arregaça, por A regaça — regadia ou Regada. 

Cf. Rega, Regadinha, Regada, Regadia, etc. Sarda por 
Sardoeira ou Sardoaça. Confronte-se Sardal, Sardoal, Sar- 
■ doeira e Sardoura, Gramaça, Ervilhaça, etc. 

Alcarapinha por Al Carapinha. — Vide Carapinha e Ca- 
rapinheira, povoações nossas, — Alcaravella por Al Caravella. 
— Vide Caravella e Caravellas, povoações nossas ; — Alçaria 
por Al-caria — Vide Caria, povoação nossa. 

Alcobaça por Al Cobaça, de covaça grande cova? Con- 
fronte-se Alcobella, por Alcovella e este por Alcovella. Vide 
Cova, Covas, Covella e Covellas, povoações nossas; Alcobia, 
por Al Cobia, diapasão gallego de Cova. 

Lista d'aIgumQ5 das nossas muitas pouoações 

que tomaram o nome dos uaííes — todas mencionodas 

na Chorographia fíloderna 

Balancho, por Valle ancho, grande valle. 

Cf. Mangancha por manga ancha. Pedra ncha por pedra 
ancha, etc, povoações nossas também, como Balancho, casal 
e Valiancho, sitio próximo do Bussaco. Também temos Bal- 
lancho, aldeia. 

VoL. III 3 



34: TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Balanqueira por Balonqueira é o mesmo que Vallon- 
gueira, irmã gémea de Vallongo. 

Baldossa é o mesmo que Vai da Uça e Vai da Ursa, 
povoações nossas também, pertencentes á grande serie das 
nossas povoações que tomaram o nome dos ursos. 

Vide pag. '2'29 e seguintes na primeira parte d'esta 
minha louca Tentativa Etymoloyica. 

Baleira. — Vide Valleira. 

Baleizão é o mesmo que Valeizão e Valleirão^ povoações 
nossas, e rira hien qui rira le dernierl... 

Notese que na onomástica portugueza muitas vezes se 
confundiram as letras s e r. 

Vide o meu longo tópico supra : Substituição de letras. 

Balescura é o mesmo que Vai Escuro ou ValJa Escura. 

Balicete é uma forma de Vallicete, diminutivo de valle, 
como Punhete por Pinhete, contracção de Pinhalete, Azinha- 
lete, contracção de Azinhal, Marmelete, contracção de Mar- 
mellal, etc, povoações nossas também. 

Baloca, Balocas, Baloco e Balocos são formas de Valloea, 
etc, e diminutivos de valle, como Palorca por Baloca, po- 
voação nossa também, pois na onomástica portugueza ha, bo, 
hu e pa, pó, pu, muitas vezes se confundiram. 

Veja-se o meu longo tópico : Substituição de letras. 

Baloquinhas é. diminutivo de Balocas, supra. 

Balouça e Balouço são formas de Baloca e Balôco, pois 
o deu ou. 

Balouta e Balouto são formas de Balouça e Balouço, 
pois na onomástica portugueza ca, co, cu, e ta, to, tu confun- 
diram-se. 

Veja-se o meu longo tópico : Substituição de letras. 

Temos também Valjada por vallejada; Valia, Vallada, 
Valladares, Valladarinhos, Valladas, Valladinha, Valladinhas, 
Vallado, Vallados, Valladouro, Vallador por Valladouro? 

Vallagões, Vallagueira, Vallalhe, o mesmo que valhelha 
e Valhelhas, supra; Vallaria, Vallarinho, o mesmo que 
Valladarinho ou Villarinho? 



TENTATIVA ET YMOLOGICO-TOPONYMICA 35 

Valias, Valle, Vai Abrigoso, Vai Andeiro por valle do 
Andeiro, appellido nobre e antigo. 

Vai Bom, Vai Bona — de Bona, Boa, antigo nome d'uma 
santa, etc. ; Vai Bonito, Vai Claro, Vai Cova, Vai Covo^ 
Vai da Borra, Vai da Burra, Vai da Cabra, Vai da Canada, 
do antigo portuguez canada, congosta, caminho estreito e 
fando. 

Vai da Casa, Vai da Cerejeira, o mesmo que Cerdeira 
ao norte do nosso paiz, — do baixo latim cereria — Cerdeira ; 
Vai da Chamma, de Chamma, antigo nome de mulher que 
se encontra na Torre de D, Chama, em latim Flamma, deflam- 
ma^ chamma, undc Chamoim, aldeia e freguezia nossas e 
ChaimporChamoim? — aldeia e appejlido — Chamoinha, aldeia, 
Flamiano e Villa Flamiano em Lisboa. 

Temos também Vai da Forca (salvo seja!...); Vai da 
Formiga, Vai da Freira, Vai da Froca, metathese de Forca?; 
Vai da Golpa, o mesmo que valle da raposa, do latim vulpis, 
raposa, quo deu também Golpilhaes, Golpilhal, Golpilhares, 
Golpilharinhos, Golpilheira, Grolpinas, Gulpilhares e Gulpi- 
Iheiras, o mesmo que raposeiras, povoações nossas. 

Temos também Vai da Misarella, que tomou o nome de 
mijarella, como a nossa freguezia, três aldeias, um casal e 
vários sitios com o nome de Misarella e uma povoação que 
ha na serra d' Arouca denominada Mijarella, nome que tomou 
d' uma linda cascata ou catadupa natural que ali forma o rio 
Caima, despenhando-se de grande altura. 

A agua, batendo no fraguedo, se esparge e o vento a 
leva como chuva até grande distancia. 

As nossas Misareilas todas são, pois, grandes cascatas, 
catadupas ou quedas d'agua, pelo que chamamos para ellas 
a attenção do nosso governo e dos pesquisadores da hulha 
branca. 

Temos também Vai da Uça e Vai da Ursa, o mesmo 
que Baldossa, supra; Vai da Zebra, que tomou o nome das 
zebras, como Zabro por zebro; Zebra, Zebral, Zebras, Ze- 
breira, Zebreiros, Zebrinho, Zebro, Zebros, Monte do Vai 



36 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

de Zebro, Monte de Zebro, Monte Zebro, etc, povoações 
nossas. 

Do exposto se vê que antigamente abundaram em Por- 
tugal as zebras, mas ha muito desappareceram por completo, 
bem como os ursos. Estes ainda abundavam entre nós nos 
princípios da nossa monarchia, nomeadamente em Traz os 
Montes, pois em um foral velho dado a certa povoação tras- 
montana se diz:... e dareis ao senhor da terra tantas mãos 
d'ursos por anno. 

Vide Fortugaliae Monumenta histórica. 

Temos também Vai de Abrão que tomou o nome de 
Abrahão, nome biblico e nome d'um santo, etc. ; Vai de 
Abutre, que tomou o nome dos abutres, aves de rapina, como 
Abitureira, Abitureiras, Abutre e Abutreira, povoações nossas. 

Vai de Açor e Vai de Açores, que tomaram o nome dos 
açores, como Açor, Açoreira, Açoreiras, Açores, Estora, Es- 
torãos, Estore, Estoril e Esturãos por esturões, o mesmo que 
asturões, povoações nossas, porque açor vem do latim astur, 
uris, que na Hespanha deu Astúrias, região muito alpestre, 
e Astorga, antigamente Astirica, Astorica e Asturica, a ca- 
pital das Astúrias, região que abunda em açores. 

Estoril é o mesmo que estural por astural — açoreiral, 
pois entre nós as desinências el, il e ai, confundiram-se e 
substituiram-se. 

Temos por exemplo : 

— Alportel, Portel e Portal. 

— Espinhei e Espinhal, 

— Fael, Fail e Faial. 

— Favarrel, Favacal e Faval. 

— Ferrei e Ferral. 

— Corvel e Corval. 

— Alparrel, Parral e Parreiral. 

— Freixiel e Freixial. 

— Ervidel e Ervedal. 

— Maciel e Maçai por maceiral ou macieiral? 

— Mourel, Mouril e Moural. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 37 

— Murtazel por murtazal, Mortal, Murtal e Murtinhal 
— da murta. 

— Corvel e Corval. 

— Lourel, Louril, Loural, Louriçal e Louridal, o mesmo 
que Louriçal. 

— Nodel e Nodar por Nodal ? 

— Pinhel e Pinhal por Pinheiral. 

— Ponte vel, antigamente Ponteval, o mesmo que Ponte 
do Vai, povoação nossa. 

— Tamel e Tamal por Thomar ? 

— Samuel, Samil e Samel. 

— Malhadil e Malhadal. 

— Cabril e Cabral. 

— Marroquil e Barrocal ? 

— Mouril, Mourel e Moural. 

— Aroil e Aroal, o mesmo que aroeiral. 

— Barril e Barrai?!... 

— Bizarril por Bezerril e Bezerral. 

— Cabanil e Cabaual. 

— Carril e Carral. 

— Carvoil e Carvoal. 

— Fétil, Fetal e Feital. 

— Gamil e Gamoal. 

— Landril e Landal. 

— Ouril e Ourai. 

— Ovil, O Bevial e Ovial. 

— Pasmil e Pasmai. 

Cf. Casimira, Casimiro e Casmillo, povoações nossas. 
De Casimirus, i, Casmillo e Casmil ; de Casmil, Pasmil e de 
Pasmil, Pasmai? 

Na toponymia portugueza, ca e co iniciaes deram pa e po, 
como provaremos em outra ordem de trabalho. 

— Passíl e Passal? 

— Resomil, Remesal e Romezal^ contracção de roman- 
zeiral, bosque de romanzeiras. 



38 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPOXYMICA 

Resomil é metathese de Romezil, o mesmo que Remesal 
e Komezal. 

A bússola é o ouvido e rira hien qui rira le dernierf... 

Temos também Sahil e Saial, povoações nossas. 

Touril e Toural, etc, etc. 

Temos também Azuil e Zoil, nomes pessoaes e nomes 
de santos, o mesmo que Joel ou Johel e Zoei, também san- 
tos, formas de Johel, nome bíblico. 

O povo também diz facel por fácil, difficel por difificil, 
e Camões em vez de terrível disse terribil. 

E as mães que o som terribil escutaram 
Ao peito os filhiniios apertaram. 

Albuquerque terribil, Castro forte 

E outros em quem poder não teve a morte. 

Lusíadas. 

Voltando ao thema Valles, temos também Vai de Ago- 
dim e Vai de Agodinho, o mesmo que Vai de Godinho, 
povoação nossa. 

Vai de Aires, de Árias, antigo nome pessoal, que deu. 
Ayres, appellido, Airas, casa nobre. Castro d'Ayre, etc. 

Vai de Albuquerque, de Albuquerque, appellido, tirado 
da villa de Albuquerque e esta do latim alhus quercus — cax- 
valho branco ? 

Vai de Alconde e Vai de Alcondinho, o mesmo que Vai 
do Conde, povoação nossa e valle do Condinho. 

Vai de Algares, que tomou o nome de algares, fojos, 
barrancos, como Algar, Algarão, Algareira, Algares, Alga- 
rinho e Algarinhos, povoações nossas. Também Algares deu 
ilgares e por metathese Ligares, freguesia trasmontana. 

Vai de Antão, do hespanhol Anton, em portuguez Antó- 
nio, nome 'd'um santo, etc, tirado do latim Antonius, que 
deu Antoninus, ^, Antonino, o mesmo que Antoninho, unde 
Santo Antoninho e Santo Antonino, povoações nossas. 

Também Antonius deu Antonianus i, is, unde Antu- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 39 

nhães, povoação nossa, — Antunes por Antoniis, patronimico 
de António e Antoniolus, i, que se encontra em Antanhol, 
aldeia e freguesia do concelho de Coimbra. 

Na edade média foram triviaes entre nós os diminutivos 
de nomes communs e pessoaes com a desinência ohis, ola, 
assim monasterium — mosteiro — deu monasteriolum — Mos- 
teiro ; ecclesia — egreja, deu ecclesiola, unde Egrijó por 
Egrijola, Grijó, Hirijó e talvez Erjó ou Irijó por Erjó ou 
Irijó, povoações nossas ; palatium — paço — deu palatiolum 
— Palaçoulo, Paço e Passo por Paço, povoações nossas, unde 
Paço Vieira, appellido e titulo do snr. Conde de Paço Vieira, 
ex-ministro das Obras Publicas. 

Também o latim área — eira, deu areóla, unde Eiró e 
Eirol^ povoações nossas. 

Também temos Eituró, aldeia, que na minha humilde 
opinião vem de Hectorolus, ^, diminutivo de Hector, oris^ 
Heitor, nome d'um santo, etc. 

Eituró quer pois dizer Heitorzinho e recorda o vene- 
rando Heitor da freguesia de Loureiro, concelho da Regoa, 
fallecido ha pouco tempo, a quem o povo, sem aguardar a 
beatificação e canonisação do estylo, adorava e chamava 
Santo Heitorzinho, nome que dava e dá ainda hoje á casa e 
á sepultura d'elle. 

O povo chamava o venerando ancião e fidalgo Heitor, 
SantQ Heitorzinho, como prova de particular veneração, 
affecto e carinho, — costume tradicional entre nós, como pro- 
vam as muitas povoações que temos chamadas Santinho, 
Santo Antoninho, Santiaguinho, Santosinhos, S, Bentinho, 
S. Cibrainho por S. Cyprianinho, S. Cosmadinho, S. Domin- 
guinhos, S, Joaninho, S. Lourencinho, S. Pedrinho, S. Toinho 
por S. Theotoninho, etc. 

Também temos Santa Comba e Santa Combinha, Santa 
Cruz e Santa Cruzinha, Santa Senhorinha, Santarinho, 
Santecinhos, diapasão gallego de Santosinhos, o mesmo que 
Santinhos, etc. E na freguesia de Almalaguez, concelho de 



40 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Coimbra, o povo dá a S. Sebastião o nome de S. Sebastião- 
sinho !... 

De passagem direi que Almalaguez é uma das nossas 
muitas reminiscências toponymicas da occupação hespanhola 
6 árabe, pois Almalaguez vem do hespanhol malaguez, o 
mesmo que malagueiio (lê-se malaguênho) filho de Málaga^ — ■ 
com o prefixo ou artigo árabe ai— o, a, os, as. ^ 

Almalaguez por Al Malaguez, quer, pois, dizer o ma- 
laguênho, filho de Málaga, cidade importante da Andaluzia, 
que na minha humilde opinião deu também Malga^ duas 
aldeias nossas, e malga, tijela branca ou de cor. Por seu 
turno Málaga vem talvez de Malaca, cidade da índia, cujo 
nome foi importado pelos Phenicios, como importaram do 
Golpho Pérsico para a Phenicia do Mediterrâneo — Tyro e 
Sidónia, — na opinião d'um sábio esçriptor francez. 

Os Phenicios foram um povo muito antigo, muito illus- 
trado e mysterioso, porque eram judeus — e judeus da peior 
espécie, para quem o segredo é a alma do negocio. Prohi- 
biam systematicamente as escolas — monopolisavam tudo o 
que sabiam — e não deixaram monumento algum literário 
em prosa, nem verso. Contrastavam com os gregos que tive- 
ram sempre escolas francas, — inclusivamente ao ar livre. 

Os Phenicios intrujaram o mundo inteiro, — incluindo o 
próprio Salomão I 

Elles deram o nome á Phenicia — e a Phenicia foi pá- 
tria d'elles, não a primitiva, mas a ultima^ pois sabe-se que 
elles foram para alli da Mesopotâmia, onde viveram algum 
tempo, tendo vivido anteriormente nas margens do Mar 



* Com vista ao meu bom e velho amigo, padre António d'Almeida 
Pedroso, que durante muitos annos foi parocho d'Almalaguez até que se 
aposentou, mas continuou vivendo e ainda hoje, Maio de 1912, vive em 
Almalaguez, na casa que ali construiu, junto da matriz, sendo parocho. 

Também foi orador sagrado de muito prestigio, pelo que a predica 
lhe deu alguns contos de reis. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 41 

Vermelho, pelo que alguém suppõe que elles se affeiçoaram 
tanto á côr vermelha, apurando-a e usando-a nos seus barcos^ 
nos seus turbantes, cintas, roupas e estofos. 

Diminutiuos da onomástica portugueza 



formados pelas desinências cellus, i, icha, icho — ixa, ixo — 
ita, ito — eita, eito — oca, oco, uco — ota, ôto, etc. 

Diminutivos com a desinência cellus, celli. 

Arcozello e Argoncilhe, povoações nossas. De arcucellus 
e arcucillus, i, diminutivos de arcus, arco. 

Cortes, Cortelhas e Cortizellas ! — Fradizella — Grriman- 
cellos — Guardizella, 

Guardizella de Gurdicella por Cardicella, diminutivo 
de Cardella, povoação nossa. 

Hortozello, Lourizella, Lourozella, Manhuncellos, Mar- 
tinxel, Mintezello, Monte Ceie, Monte Sello, Montesello 
e Monteserro por Monteselo, de Monticellus, i. Montesella, 
Montesello, Montesellos e Monteserros por Montesellos, o 
mesmo que Montinchol!... Monte Sello (Monsello) Monte- 
tezellos, quinta em Villa Real, Montinchol (por Montinchel. 
Confronte-se Martinxel). 

Ortezello e Ortozello. Padroncellos ou Padroucellos. 
Confronte-se Padrãosinho, Padrosinho e Padrosinhos por 
Pedrosinhos. Pinhão e Pinhão Celle, Quinhão e Quinhão- 
celle, por Pinhão e Pinhão Celle. 

Piscãocelo (Piscãocello ?) Pontisella e Pontisellos. Por- 
tozello, Sadonselhe por Sadoncelhe) Sernancelhe, de Sernan- 
dicelli por Sezinandicelli, diminutivo de Sezinandus, i, Tor- 
rozello (Tordecillas na Hespanha) Tuizello, de Theodicellus , i, 
diminutivo de Theodus, i. Vallizellos e Vai de Zello por 
Vallicello; Vasconcellos, de Velascucellos^ Vasquinho, dimi- 
nutivo de Velascus, Vasco, nome pessoal. 



42 TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMICA 



Cellus, ceíli — na Oespanha 

Aragoncillo, Arcucelos, Argujillo — em Zamora; Ayl- 
loncillo; Baronceli e Baroncelle; Basconcillos. x 

Cântaro e Cantaracillo por Cantarocilo ; Castroncellos. 

Gordoncillo; Granacillo; Pajaroncillo ; Reporicello — 
em Orense. Reporicelo é talvez uma forma de Reboricelo. 
Saceda, Sacedon e Sacedoncillo em Guadalajara e Cuenca. 

Nós temos Sadão, Sades e Sadonselhe. 

Diminutivos com as desiaencias icha, icho^ ixa, ixe e ixo: 

Arneiricho por Arneirinho. Cavalluche por Cavallicho 
e este por Cavallinho, Fornico por Fornicho? G-aducho por 
Gadicho — gadinho, como Guedexe e Guedixe por Gadicho? 
ou Gadixo, também gadinho, 

Guedixe ou Guediche, segundo a tradição local, foi uma 
cidade que houve no alto da minha Penajoia, nas abas do 
grande monte do Poio, que outr'ora foi habitado por pasto- 
res, negociantes e creadores de gado. E ainda hoje no dito 
monte, baldio commum aos concelhos de Lamego, Rezende 
e Castro d'Ayre, se cria e pastoreia muito gado lanigero. 

Note- se também que a pastoreação e creação do gado 
foi a industria primitiva mais importante em Portugal e fora 
de Portugal, pelo que não admira que muitas povoações to- 
massem o nome do gado — e que esses nomes, por serem 
muito archaicos, fossem com o tempo muito deturpados !...- 

Confronte-se Gadelha e Gadelho ; Gadanha por Gade 
nha, Gadenha por Gadelha, Gados, Gadunho por Gadinho, 
Guedelha, Guedelhas e Guedelhinhas por Gadelha, Gade- 
lhas e Gadelhinhas, Guêlha e Guôlho por Gadelha e Gade- 
lho — povoações nossas que talvez tomassem o nome do 
gado I... 

Junte-se Guedieiros por Gadieiros — pastores. 

Volvendo á desinência icho, temos também Gavicho por 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 43 

Gavinho e este por Gaviãosinho, diminutivo de Gavião, 
povoações nossas, como Gavielo e Gavianito, etc. 

Governicho, diminutivo popular de governo. 

Lagartixo, povoação nossa, é claramente uma forma de 
lagartinho, diminutivo de lagarto. 

Diminutivos com as desinências ico e uco: 

Antoninho e Antonico. Bichico, Bolso e Bolsico. Bra- 
zico por prazico, prazinho, pequeno prazo. 

Confronte-se Prazinho, mimosa e fértil propriedade mi- 
nha, lá no Douro, na minha Penajulia. 

Burnico, o mesmo que burrico e Burrinho, povoação 
nossa. 

Burrico, Cavallico, cavallicoque, cavallicho, que se en- 
contra em Cavalluche, casal de Sacavém. 

Chapelico. Joaninho e Joanieo — povoações nossas, bem 
como S. Joanieo e S. Joaninho. Livreco por livrico. More- 
nicos. Osso, ossico e ossinho. 

Pedruço, appellido, por Pedrico, o mesmo que Pedri- 
nho. Pocico e Brazico, povoações nossas. Poço, Poceco 
ou Pocico, Pocinho e Possacos, plural de Poçaco, o mesmo 
que Poceco e Pocico. 

Sobral, Sobralinho e Sobralico, Sobreiro, Sobreirinho, 
Sobreirico e por contracção Sobarigo por Sobreirico ou 
Sobralico — bosque ou mata de sobralicos ou sobreiricos?... 
Sobrei rinhos ou Sobralinhos?... 

— Rira hien qui rira le dernier ! . . . 

Diminutivos com as desinências eta, ete, ita, ito. 
Alditos por Al ditas e este por Aldeitas? 
Almargem, Almarginho e Almarjanito ; ^ Azenhita, Bei- 
ranita e Boiranita. 



1 Almarjanita é diminutivo de Almargem, como Almarjão é au- 
gmentativo. 



44 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Belbuganito? Cabanita, Cabanitas. Carritos, plural de 
carrito. 

Casalito, Casanito. Casita, Casito. Catrivanita por Ca- 
tivanita. Cuibraaitos, plural de Cuibranito por Coimbra- 
nito? 

Fragueta o mesmo que Fraguita. Melanito e Monte 
do Melanito. Melrineta e Melrinita. Oleira e Oleirita. 

Olhitos, plural de Olhito. Padre Cabeçanita, Pai Ca- 
nito. Panasquita. Pequito, appellido. Perdiganito. Pêro 
Garção e Pêro Garçonito. 

Pisanito. Poupanita. E-onca, Roncão e Roncanito. Rou- 
bão e Roubanito. 

Sellão e Sellanito, Séquito. Serranita e Serranito, 
Vai Gravanito e Vai Gravão. Xebrito por Zebrito? Con- 
fronte-se Zebro e Zebrinho. O povo diz: — Amarellinho e 
amarellito; azedinho e azedito; barquinho e barquito; burri- 
nho e burrico por burrito ; casalinho e casalito, unde Casa- 
linho e Casalito, povoações nossas, como Casaleixo por 
Casalicho e Casalzote por casalote, Casalorio e Casório por 
Casalorio. 

Casito por Casalito, etc. ; casaquinho e casaquito ; caval- 
linho e cavallito; chapelinho e chapelito ; espertinho e es- 
pertito ; franguinho e franguito ; grandinho e grandito ; livri- 
nho e livrito; rapazinho e rapazito, etc. 

Diminutivos exóticos da onomástica portugueza : 

Abarella, Abarinho, Abbadim, Abbadinho, Abbedim. 
Abitonicas, Aboadella, Aboicinhas. 

Aboim, Aboinha; Abrunheta, Achadinha, Achete; Ade- 
ganha e Adeguinha, o mesmo que Adeganha. 

Aderneirinha, Adernella, Aduinha, Affonsim, Agodim. 
Agordel, Agordella, Agordigo. 

Agostem, Agostinhas e Agostinho, o mesmo que Agos- 
tem por Agostim, de Augustinus, i, diminutivo de Augustus, i, 
' — Augusto, nome romano e nome d'um santo, etc. 

Agrella,, Agrello e Agrellos: Agrinha e Agrainha por 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 45 

Agrinha? Agnella, Agneto; Airelles, Aidrinho; Alagoiça; 
Alcorrilhes ou Alconilhes. 

Aldeota, Alditos por Aldeitos?; Alijó, Almarjanito ; Al- 
mezendinha e Almidinha. 

Alporchime, Alporxinhos; Alvitelhe, Amezendinha; Anis- 
sò, de Anisiolus, diminutivo de Anisio, santo. 

Annica, Antanhol, de Âutoniolus, i, diminutivo de An- 
tonius, como Antoninus. Antoinha, Antonicas, Araviinha; 
Arcossó, de Arcusoius,, diminutivo de arcus — arco. 

Arneiricho, Arneirinho, Arneiros. 

Arnellas, Arnoia, Arnoiha; Arnozello^ de Arenozello, 
diminutivo de Arenoso, que deu Aroso, appellido, etc. 

Arranho, Arriconha; Arudanito, Asseiçó, Assilhó por 
Azinho, de Azinheirola, pequena azinheira. 

Avinho, Azeitelhas, Azenliita; Azinhalete. 

Bacellete, Badalinho; Badoucos, de Balouços por Valo- 
cos, pequenos vales. 

Baixetes, Bajouto, Bajouco; Balicete, Baloca (Palorca) 
por Paloca, de Baloca por Valoca^ pequeno vale. 

Balouça, Balouço, Balouta, Balouto; Balurco, Balutos, 
Barbitello. 

Barigellas, Batigellas ; Barquete ; Barro, Barrins, Barris ; 
Batanete, de batanete, pisão? 

Batalhoz; Beijos, Beijouca e Beijocas. 

Beiranita, Beiro, BeiroUas, Belbuganito, Bibirellos; Bi- 
calho e Bicanho, Bilrete; Bocarinho, aldeia. Vide Pucari- 
nho, povoação nossa também. 

Bocequinhos, aldeia. 

Boiranita. Vide Beiranita supra. 

Bolciculos ou Pocicaros (Bociculos ou Pociculos) Bor- 
dalete, Borguete, Borracheta, Botéco; Bolocas. Vide Bolo- 
tas, povoação nossa também. 

Boucelha; Bouchina. 

Boucinha e Bouçainhas, Bouco, Bouços ; Bruço por Brus- 
só, de Brissolus, diminutivo de Brissus, nome d'um santo, 
etc. 



46 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Bruahoz, de Bunholus por Abrunhulos, pequenos abru- 
nhos. 

Burgete, Burguete e Burgueto são formas do mesmo 
nome tiradas de burgo — alfoz. 

Burgueta, Burguete, e Burgueto; Burnico por Burrico, 
o mesmo que Burrinho, povoação nossa também. 

— Para amostra do pano contentem-se os leitores com 
este ligeiro extracto que tirei das letras A e B da Chorogra- 
phia Moderna. 



II 



Diminutivos formados peia desinência olus, ola 



Airó é talvez uma forma de Eiró, tirada do baixo latim 
areôla — eirinha, diminutivo do latim área — eira. 

Confronte-se Eira, Eirão, Eiras, Eirinha, Eirinhas, Eiró, 
etc. — ao todo mais de 500 povoações nossas que tomaram 
o nome das eiras. E talvez que Einó, povoação nossa tam- 
bém, seja uma forma de Eiró, pois na onomástica portugueza 
w e r trivialmente se confandiram. 

Veja-se o tópico — Substituição de letras. 

Alijó 6 por aferese Lijó, de Alexiolus, i, diminutivo de 
Alexius — Aleixo, nome d'um santo, etc. 

Alijó quer^ pois, dizer Aleixinho. 

Alvarol, de Alvarolus, i, diminutivo de Alvarus — Ál- 
varo, nome pessoal, 

Alvarolus deu Alvarol, como Antoniolus deu Antanhol, 
infra. 

Anissó, de Anisiolus^ i, diminutivo de Anisius — Anisio, 
nome d'um santo, etc, como Anisia. Confronte-se Niza, 
povoação nossa, que pôde vir directamente de Anisia, supra, 
ou antes de Anisia villa — granja, quinta ou casa de campo, 
de Anisio — como Régulos — Regulo, nome d'um santo, etc, 
deu Regula villa — hoje a formosa villa da Régua. 

Antanhol, de Antoniolus, i, diminutivo de Antonius — 



48 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

António, nome d'um santo, etc, que deu Antoninus — Anto- 
nino e Antonina, também santos, como Antoliano por Anto- 
niano, e Antolino por Antonino, pois l e n trivialmente se 
confundiram. 

Veja-se o tópico — Substituição de letras — e o meu DiC' 
cionario d' Appellidos, 

Também Antonius deu Antão, nome d'um santo, etc, 
unde Antão e Santo Antão, povoações nossas, como Antoniis 
deu Antões e Antoninus deu Antoninho por Antonino, po- 
voações nossas. 

Também temos Antonicas, nome d'um casal, tirado de 
Antonica, forma popular de Antoninha. 

O mesmo Antonius deu Anionianus, i, is, unde Antu- 
nhaes por Antunhães, povoação nossa também, como Antu- 
nes, que tomou o nome de Antunes, patronímico de António. 

Fecharemos este longo tópico dizendo que António, em 
francez Antoine, vem do etrusco ou toscano Anton, filho 
d'Hercules. Por seu turno Anton vem do grego afiti — contra, 
como diz Boucrand. 

Arcossó, do baixo latim arcusolus, diminutivo de areus 

— arco. Arcossó quer, pois, dizer pequeno arco ou Arqui- 
nho, povoação nossa também, como Arcozello e Arcozellos, 
que tomaram o nome do baixo latim arcusellus, o mesmo 
que arcusolus. 

Também arcus deu arcusillus, i, unde talvez Argoncilhe, 
outra povoação nossa, como Arco — Arco do Cego, em Lis- 
boa, — Arco Pintado, em Coimbra, — Arcos, Arcos de Val- 
de-Vez, Arcos da Anadia, etc, muitas povoações nossas 
também. 

Areola e Areolas, do baixo latim arenola — areiinha, 
diminutivo de arena — areia, que deu o nome a centenares 
de povoações nossas, entre ellas Alvarenga, de alva areneca 

— areiinha branca, — Arega e Aregos, de areneca e arenesos, 

— Arnado, em Coimbra, de arenatus — sitio que abunda em 
areia, — Arnoso, de arenoso, como Aroso, etc 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 49 

Areólos, de arenolos — areiinhos, uade Montareol e Mon- 
tareola, o mesmo que Monte da Areosa e Monte das Areias, 
povoações nossas também. 

Arneiros, de arneirólos. diminutivo de Arneiros, o mesmo 
que areneiros, unde Areeiro e Areeiros — varias povoações 
nossas. Também temos Arneiricho, o mesmo que Arneirinho 
e arneiro, singular de Arneiros. 

Confronte-se Lagartixo por Lagartinho, e veja-se o meu 
longo tópico — Desinências, bem como Guediche por Gadi- 
cho — gadinlio, na 1.^ parte d'esta minha louca Tentativa^ 
pag. 240. 

Arnoia, de arenolia — areiiniia, o mesmo que arenola 
e Areóla, supra. 

Arranho, de Al -j- Ranho, o mesmo que Ranhola — raa- 
zinha, pequena ran. Vide Ranho e Ranholas, infra. 

Arrayollos, de arroiollos — pequenos arroios, pequenos 
regatos, pequenos vieiros ou veios d 'agua. 

Vide Beiro por Veiró, infra, e Arroia, Arroiuha, Arroio, 
Arroios, Arrojello por Arroyello, antiga forma de Arroiello, 
e Roios por Arroios, povoações nossas. 

Confronte-se também Arroyo — appellido nobre, actual 
do snr. conselheiro João Arroyo, ministro d 'estado honorário, 
distincto orador e distincto maestro, compositor d'operas 
que teem sido cantadas e muito appíaudidas em Lisboa e nos 
paizes estrangeiros. 

Asseiceirola, Asseiçó e Asseiçola por Asseiceirola, de 
Al -j- Sinceirola, como Asseiceira, de Al -f- S incei ra, o mesmo 
que sinceiro — salgueiro que entre nós deu sinceiral — sal- 
gueiral, 6 na onomástica portugueza: — Asseiceira, Asseiceiri- 
nha, Asseiçó, o mesmo que Asseiceirola e Asseiceirinha, 
Sinceira, ou Seiceira. como se lê na Chorographia Moderna^ 
— Sinceira Branca (salgueiro branco!...); Sinceira Grande, 
Sinceirinha, o mesmo que Asseiceirinha, supra, e talvez Sin- 
çães por Sinçaes — salgueiraes!... 

VoL. III 4 



90 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

' Com vista aos manes dos constitucionaes e miguelistas, 
qtie jogaram a ultima tacada na Asseiceira, sem se importa- 
rem com a etymologia d'ella. 

. Vide Asseiceira no Portugal Antigo e Moderno, artigo 
interessante do meu benemérito antecessor Pinho Leal que, 
sendo alferes, tomou parte na dita batalha, ficando prisio- 
neiro e ferido. 

Os salgueiros abundaram sempre em Portugal, pelo que 
tomaram d'elles o nome varias povoações nossas. Além das 
mencionadas occorrem-me as seguintes: Salgam por Salgào, 
e este por Salgueirão; Salgolga por Salgoga, este por Sal- 
goca, e este por Salgaeiroca, diminutivo de Salgueira? 

Salgolguinha, dim. de Salgolga e subdim, de Salgueira? 
■ Salgom^ diapasão callaico de Salgam por Saigão supra; — 
Salgosapor Salgueirosa; — Salgueira, Salgueiraes e Salgueiral, 
á mimosa terra natal do tão illustrado e bondoso, como in- 
feliz José Augusto Vieira da Costa, distincto escriptor. 

Junte-se ainda: Salgueiras e Salgueirinha, o mesmo que 
Salgolga e Salgolguinha supra ; Salgueiroso e Salgueirosa que 
por contracção deu Salgosa ; Salzada eSalzedas (o povo 
também diz Sanzedas! , . .); Sarzeda, Sarzedas, Sarzedello, 
Sarzedinho e Sarzedo, do baixo latim saUc€tum — s&\gueirsi\. 

Mudando de diapasão, junte-se também Souza, appelido, 
aldeia, rio, freguezia, etc. pois na minha opinião Sousa vem do 
baixo latim saneia — salgueiral, como pôde ver-se em Ducange. 
'• Por seu turno Sousa deu Sousamil por Sousanil, o 
mesmo que Suzanel infra por Sousanel e este por sousanal — 
salgueiral, souzal? 

Junte-se também Souzeiro, Souzel por Souzal, como 
Pinihel por pinhal ^: Souzeíla, Souzellas, Souzello e talvez 



1 Note-se que na onomaslica poríuguezi se confundiram as desi- 
nências el, il t ai. 

Vide na minha louca Tentativa etymologica o tópico —Substituição 
de ktras. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 51 

Sôza por Souza e Sozão por Souzão o mesmo que Salgom^ 
Salgão e Salgueirão, Mas talvez que Sozão e Suzão, e po- 
voações nossas, venham do antigo portuguez susao ou suzão 
que está do lado superior; — do latim sus — para cima. 

Susão e suso eram antitheze de jusão e juso que estava 
a jusante ou do lado inferior; do baixo lo-tim jtisum — e este 
do latim deorsum, como diz o sr. Cândido de Figueiredo no 
seu Novo Diccionario da Língua portuguêza, do qual eu tive 
a honra de ser o mais obscuro informador ou cooperador» 
como s. ex.* declarou na lista própria. 

Podia também Susano, antigo nome pessoal e nome 
d'um santo, dar Sazão, como Adriano 'deu Adrião, Romano 
dea Romão, Valeriano deu Vairão e Aureliano deu Orelhão, 
que se encontra em Lamas d'Orelhão, villa extincta e muito 
antiga, hoje simples fregaesia trasmontana do concelho de 
Mirandelia, diminutivo de Miranda, mas que hoje vale mais 
e muito mais do que a cidade de ^Miranda. 

Fecharemos este insulso tópico mencionando ainda uma 
povoação supra que tomou o nome dos salgueiros: E' Suzêdo 
por Souzêdo, o mesmo que Sarzêdo ! . . . 

Desculpem tantos dislates e hurrah pelos salgueiros, tão 
prolíficos na onomástica porfcugueza e jnos chãos húmidos, 
nomeadamente ao longo de certos rios e ribeiros e de vários 
lanços da nossa linha férrea do norte. 

Cora vista aos habitantes de Lorvão que muito présam 
os salgueiros brancos, pois é d'elles e só com elles que fazem 
os decantados palitos, com que abastecem Portugal e o 
Brazil, e em que apuram contos de reis por anno. 

V. Lorvão no Portugal Antigo e Moderno. 

Prosigamos com os diminutivos em olusy ola. 

Afilho, povoação próxima d'Albergaria-a- Velha. 

Na minha opinião Assilhô, por Assinhó, ó uma forma de 
Azinho, por aziahola ou azinheirola, o mesmo que Azinhei- 
rinha, pequena azinheira, povoação nossa também, que tomou 
o nome das- azinheiras, como outras muitas povoações nossas, 
Taes são : . 



52 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Azilheira por Azinheira, que auctorisa a forma Assilhó 
por Azinho, supra. Note-se que na onomástica portugueza 
l e n, bem como Ih e nh por vezes confundiram-se. Veja- 
se o meu longo tópico — Substituição de letras. 

Assilhô por Acilhô também pôde vir de Aciliolus, dimi- 
nutivo de Acilius, ii, — Acilio, nome romano dos cônsules 
Acilio Glabrio e Acilio Aviola, etc. 

Vide Lamego no Portugal Antigo e Moderno, vol. iv, 
pag. 38, col. 1.^ 

Prosigamos. 

Azinal por Azinhal. Azinal é uma reminiscência da 
occupação leoneza. Apenas perdeu o til (~ ) com que os leo- 
nezes supprem o nJi, que não teem. Escreviam, por tanto, 
Azinal, que soava Azinhal e como na edade média, por falta 
de luz, andavam todos a jogar a cabra-cega, nós, em vez de 
Azinal, fomos escrevendo Azinhal, desprezando o til que mal 
conhecíamos e de que não precisávamos. Ou o til se evapo- 
rou com o teippo. A mesma festa se nota em outros nomes 
de várias povoações nossas. 

Prosigamos. 

Azinhaes, Azinhaga, Azinhal, Azinhal Redondo, Azinha- 
lete, Azinhalinho, Azinheira, Azinheirinha, o mesmo que 
Assilhô por Azinho e este por azinhola,"o mesmo que azi- 
nheirola, como já dissemos. Jaute-se finalmente Azinheiro, 
Azinhosa e Azinhoso. 

Avinho por Al -f- Vinho, o mesmo que viuhola. Vide 
Vinho infra. 

Barro, de barriolus, diminutivo do baixo latim barrius 
— barro ou bairro' — agrupamento de casas, povo, aldeia? 

Batalhoz, plural de líatalhó por batalhola, do baixo 
latim battualiola, diminutivo de battualia — batalha, e este 
do latim batuere — bater, dar pancadas, etc. 

Batalhoz seriam, pois, pequenas batalhas ou lides entre 
fidalgos e ricos-homens de edade média, como as lides 
d'Hervas Tenras, junto de Pinhel, e as lides de Recarei, 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 53 

junto de Vallongo, mencionadas pelo conde D. Pedro no 
Livro de Linhagens. 

Beiro, Beirollas e Beirós por Veiró, Veirollas e Veiros. 

Vide Arrayolos, supra, e Veiro, Veiros, Veiros, Vieiri- 
nhos, Vieiro e Vieiros, infra. 

Bilhó, aldeia e freguezia do concelho de Mondim de 
Basto, é talvez uma forma callaica ou minhota de Binhó 
por Vinho. 

V, Avinho, supra, e Vinho, infra. 

De passagem direi que esta freguezia de Bilhó, posto 
que é pouco populosa, pois o censo de 1900 deu-lhe apenas 
884 habitantes, é considerada a freguesia mais rendosa do 
dito concelho ! . . . 

Bouçós, vem de bouçolas, boucinhas, pequenas bouças. 

Cf. Bouça, Bouçainhas por Boucinhas, povoação nossa 
também, como Fontainha, Fontainhas, Pontinha e Fontinhas^ 
Cabrainha por cabrinha, etc. povoações nossas também. 

Junte-se Boução, Bouças, Bouceguedim por Bouça do 
Godim ou do Godinho, — Boucelha, Boucinha, Bouchina, por 
Boucinha, povoações nossas. 

Para atesto do casco juate-se Vouzella por boucella, 
quasi Boucelha, supra, diminutivos de Bouça, como Bouçós, 
Bouçainhas, etc. V. Vouzella, artigo meu, no Portugal Antiga 
e Moderno, vol. xii_, pag. 1:997 a 2:050. 

Brinhola, de brunhola, por Abrunhola, contracção de 
abrunheirola, o mesmo qne abrunheirinha, diminutivo de 
abrunheira ou abrunheiro, ameixieira ou ameixoeira brava 
que deu o nome a varias povoações nossas. Taes são : 

Abrunhal, Abrunheira, Abrunheiros, Abrunheta, Abru- 
nhosa, Brinhola (cá está ella); Brunhaes por Abrunhaes; 
Brunhães por Brunhaes; Brunhal ou Abrunhal; Brunhaxos 
por Abrunhaços ; Brunheda, Brunhedo, Brunheira, Brunhei- 
rinha, o mesmo que Brinhola por Brunhola e esta por 
Abrunheirola ; 

Juntese Brunheiro, Brenheta ou Abrenheta (sic); Bru- 
nhosa, Brunhosinho por Abrunhosinho ; Brunhoso por 



54 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Abrunhoso, e Brunhoz por Brunholos, o mesmo qne Abru- 
nholos, Brunhosinhos ou Abriinhosinhos, supra, 

Bruço, de Brissolus, diminutivo de Brissus, i — Brisso, 
antigo nome pessoal e nome d'um santo, que deu Brissos 
ou Brincos, aldeia nossa também e S. Brissos, duas fre- 
guezias. 

Note-se que na onomástica portugtieza, todas as vogaes 
se confundiram e substituiram, nomeadamente i e u — substi- 
tuição já usada no latim. 

Veja-se o meu longo tópico, Substituição de letras. 

Brunhóz. V. Brinhola_, supra. 

Campanhó, aldeia, freguezia etc. 

1.0 — Do baixo latim campaniola — campanhola, pequena 
batalha ou lide, como Batalho, supra. 

y.o — Do baixo latim campaniola, campiniola ou campo- 
neola, diminutivo de campaneana, campiniana ou campo- 
neana, — que tem grandes campos ou campinas, unde Cam- 
panhã, freguezia importante e com bellos campos no aro do 
Porto, — e Campeã, no alto do Marão, freguezia também 
muito importante, que eu já vi, e tem grandes campos e 
uma vasta campina, que parece a bôcca d'uma cratera ex- 
tincta ! . . . 

Chamamos para este dislate (?) a attenção dos naturalis- 
tas e geólogos. 

O snr. Cândido de Figueiredo (desculpe s. ex.^) diz que 
a etymologia de campanha — batalha — é o latim campania, 
mas no Magnum Lexicon latino apenas vejo Campania — 
o nome próprio da Campania, região da Itália, que teve por 
sede Capua, hoje Nápoles, o mesmo que Neopolis — nova 
cidade. 

Cancinhola por Casinhola — é diminutivo de casa. 

Caricola por Carricola, Carrajoia, CarrazoUa, Carreia e 
Carrôlo, povoações nossas, são diminutivos de carro. 

Carrajóla e CarrazoUa são formas do mesmo nome, pois 



TENTATIVA ET YMOLOGICO -TOPONYMIOA 55 

já, jó, ju 6 zá, zó, zu por vezes se iConfandiramiinaonoBaasr 
tica portugueza. i i 'i : — •,,'). : ;;. 

V. o meu longo tópico: Substituição de letras. 

Casarollas, Casarullog por CasaroUoá, Casollas 'e Gasôujo 
por Casulo ou Casollo são diminutivos de casa, Gomo Canci- 
nhogo e Cancinhola, supra, Casebre, Casebres_, Caselhá. Gsu- 
selho, Caselhos, Casella, Caáellas, Casellinhas, Casellò, Ca- 
sépio, Caseta, Casilho, por Caselho, Casita por Caseta, Casito, 
por Casita, Casollas, Casouto por Casoto e este por Casito, 
supra, Coselhas e Cozelhos por Caselhas e Caselhos, etc. povoa- 
ções nossas. > 

A bússola é o ouvido. 

Junte-se Cacella por Casella, Cacilhas por Casilhas, 
Casinhas, em leonez Casillas, unde Caxias, palácio e povoa- 
ção nossos também. ; 

Cacilhas e Caxias são formas do mesmo nome. 

Também temos Cazegas, do antigo hespanhol casejas^ 
que entre nós deu ou podia dar Cazegas, Caselhas e Cozelhas. 

Na onomástica hespanhola não ha Caseja nem Casejas, 
mas ha Casica, Casicas, Casilla^, Casillas, Casita, Casitas, 
Casota, Cazorla, Cazullas, etc. » 

Cazorla é talvez metatheze de Cazarola. — Dicant pa- 
duani. — Respondam os nossos bons visinhos. 

Prosigamos. 

Caveirós — aldeia, etc. Pôde vir de caveirolas e este 
das caveiras, como Caveira e Caveiras^ differentes povoações 
nossas também. Mas Caveirós é talvez assimilação de Ck-\- 
Veirós, que demora áquem ou do lado de cá de Veiróè, 
povoação nossa também. 

Vide Beiro, supra, e Veiros infra. 

Ao mesmo diapasão de Cá 4- Veiros obedecem outras 
muitas povoações nossas. Taes são :— Alemcarça por Alem 
çarça; Além da Fonte, Alem da Ponte, Alem de Cantim, 
Alem Pinhão, Alem Tâmega, Alemtejo, Antelagar {sic),. Ante- 
porta, Ante-portas, Ante Ribeiros, Ante Renda, Autadega, 



56 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

O mesmo que Ante a Adega; Pritarouca, do latim prae — 
antes ou adeante — e Tarouca. 

Juntese Cabages por Cá -j- Vagens ? Cabeçadas por Cá 
-j- Vessadas ; Cabelleiras por Cá -f- Avelleiras ? Cachamorra 
por Cá + Chamorra ; Cachoça por Cá -\- Choça ; Cachouças 
por Cá -j- Chouças ; Cachouzende por Cá -|- Chouzende. 

Contronte-se Chousenda, Chozende e Chozendo, povoa- 
ções nossas também. 

Somma e segue: — Cadarnedo por Ca -f- d'Arnedo ; Ca- 
darroeira por Cá + de Aroeira, povoação nossa também; Ca- 
deirão por Cá4-d'Eirão; Cadoeira por Cá -[-da Eira; Ca- 
eiras por Cá -|- Eiras; Cajaneiro por Cà -|- Janeiro ; Cajórge 
por Cá + Jorge; Cathejál ou Catojál por Cá -j- Tojal, etc. 
povoações nossas que tomaram o nome da sua posição rela- 
tiva. 

Caveirós sem violência pôde, pois, vir de Cá -[- Veiros. 

E' assim a arte nova, e iHra bien qui rira le dernier. 

Prosigamos. 

Celleiró e Celleiroz do baixo latim cellariolus, i, pequeno 
celleiro, diminutivo do latim cellarmm — celleiroj despensa. 

Celleiró e Celleiroz são synonimos de Celorico e Celorios, 
povoações nossas também. 

Celorico recorda Burnico por Burrico, forma popular 
de burrinho, que deu Burrinho, povoação nossa também. 

Cellorios — é contracção de eellariollos, o mesmo que 
Celleiroz. 

Cidró, quinta próxima da villa da Pesqueira, no Alto 
Douro, quinta pertencente a um irmão do snr. Marquez de 
Soveral e que tem uma linda oapella onde o snr. Marquez 
foi baptisado. 

Cidró vem de Cidrolus, i, diminutivo de Cidrus — Cidro 
por Izidro, contracção de Izidoro, nome d'um santo, etc. 

Confronte-se Santo Isidro e Santo Sidro, povoações 
nossas. 

Cidró quer, pois, dizer — quinta do Izidorinho!... 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 57 

Por seu turno Izidoro, em francez Izidore, vem do grego 
Isis e dôron — dom. Izidoro significa, pois, — dom de Isis^ 
deusa dos Egypcios. 

Co ou Có — aldeia. Talvez seja uma forma de Claudius, 
Cláudio, nome d'um santo, etc, ou de Claudiolus, diminutivo 
de Claudius, como Claudinus, Claudino também nome pes- 
soal e nome d'um santo, etc. Mas deixemos Có para segunda 
leitura. 

Cochicolla, de cochicolla — pequeno coche. 

Cortiço, de cortiçóla, diminutivo de cortiça, que na 
onomástica portugueza deu Cortiça, Cortiçada, Cortiçadinha, 
Cortical, Corticeira, Corticeiro, Cortiço, Cortiço, ou Cortiço, 
Cortiços, etc. 

Corticeira e Corticeiro são o mesmo que Sobreira e So 
breiro por serem os sobreiros as arvores que dão a cortiça. 
Confronte-se Corticeira no nascente do Porto, o mesmo que 
Sobreiras ao poente. 

Também Cortiço e Cortiços podem designar as colmeias 
ou cortiços das abelhas, por serem outrora e ainda hoje os 
cortiços das colmeias feitos de cortiça. Cortical pôde, pois, ser 
o mesmo que Sobral ou Sobreiral — bosque de sobreiros, ou 
Colmeal — grupo de colmeias, povoação nossa também. 

Costió, casal da freguesia de Leça do Balio. Vide Custió. 

Crixó. Vide Grijó. 

Custió, de Custodiolus, diminutivo de Custodius — Cus- 
todio, nome d'um santo, etc. Conf. Alijó e Cidró, supra, 
Eituró, etc. 

Também Custió talvez provenha do baixo latim custo- 
diola, diminutivo de custodia — guarda, atalaia, esculca, etc. 
Confronte-se Costoias e Castoias, povoações nossas, tiradas 
do latim custodias — atalaias, esculeas, guardas, e Escurquella 
por Esculquella — pequena esculca, pequena atalaia, pequena 
vigia, pequena guarda, — Custodiola ou Custió, como Eccle- 
siola deu Grijó e Ficariola deu Figaeiró, etc. 

Egrejó. Vide Crixó, supra, e Grijó, infra. 



58 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Einó e Eiró são talvez formas do mesmo nome, tirado 
do baixo latim areôla — eirinha, — diminutivo do latim área 
— eira. 

Vide Airó, supra. 

Eituró, de TIectorolus, i, diminutivo de Hector, oris, 
Heitor — nome d'um santo, etc. 

Eituró, aldeia nossa, quer, pois, dizer — granja, quinta 
ou casa de campo do Heitorzinho. 

Confronte Santo Heitorzinho, nome que o povo dava, e 
dá, a um distincto j&dalgo da freguezia de Loureiro, conce- 
lho da Regoa, chamado Heitor, homem virtuosíssimo que 
podendo viver explendidamente, passava privações porque 
tudo quanto possuía e lhe davam — tudo repartia pelos pobres. 

Falleceu já velhinho, haverá dez annos, sendo pela sua 
extremada virtude considerado como santo^ mesmo durante 
os seus últimos annos de vida. 

O nome do Santo Heitorzinlio, era alvo da maior vene- 
ração em todo o norte de Portugal — e como santo conti- 
nuou e continua a ser considerado e venerado — sem a mí- 
nima opposição das auctoridades civis nem do prelado 
diocesano, — embora não esteja ainda beatificado nem ca- 
nonisado pela cúria romana. 

Quando o Santo Heitorzinho falleceu, os habitantes da 
Regoa, villa próxima e sede do concelho, d'accordo com o 
respectivo administrador, quizeram levar o cadáver para o 
cemitério da mencionada villa, mas nada conseguiram. Ape- 
nas chegou a noticia á freguezia de Loureiro, os parochianos 
todos se amotinaram, — tocaram os sinos a rebate e correria 
muito sangue, se os habitantes da Regoa não desistissem, 
como logo desistiram do seu intento. 

Note-se que a freguezia de Loureiro, onde nasceu, viveu 
morreu e jaz o Santo Heitorzinho, é bastante populosa, pois 
o censo de 1:900 deu-lhe 1:839 almas, e não é uma fre" 
guezia sertaneja. Demora no centro do coração do Douro, 
uma das regiões mais mimosas, mais férteis e outrora a 
mais rica do paiz, formada pelos concelhos de Lamego» 



TENTATIVA ETYMOLOGUOO-TOPON V^MIGA 59 

Eegoa, Penaguião e Mezãofrio. A sua capital é a formosa 
villa da Eegua, que tem. mais vida do que a maior parte das 
cidades de todo o nosso paiz. 

Veja-se no Portugal Antigo e Moderno, vol. xi, pag. 766, 
col. 2.a e seguintes, o meu artigo Villa Jusã, freguezia do 
concelho de Mezãofrio, onde pintei com vivas cures a de- 
cantada região denominada coração do Douro. 

Prosigamos. 

Erjo ou Irijo, povoações nossas mencionadas na Choro- 
graphia Moderna^ talvez sejam deturpações de Erjó ou Irijd, 
e o mesmo que Hirijó, povoação nossa também. N'este caso 
podem vir do baixo latim ecclesiola diminutivo de ecclesia — 
egreja, como Egrejó por Egrejola, Grijó e Crixó por Grijó. 
A escala seria : Egrejó, Erejó, Erjó; Egrejó Erijó, Irijó, 
Hirijó? 

As meias tintas confundem e a minha lente d'arte nova 
forjada por mim a martello, está pedindo outra mais aperfei- 
çoada, 

Irijó e Hirijó também podem vir de Ericius — Ericio, 
nome d'um santo, etc, cujo diminutivo Eríciolus, i deu ou 
podia dar Hirijó, como Alexiolus deu Alijó. Hectorolus deu 
Eituró, etc, 

Confronte-se Santo Ericio, aldeia nossa também. O nome 
d'este santo veiu claramente do latim ericius — o ouriço ca- 
cheiro, animal que ainda hoje se encontra em algumas re- 
giões do nosso paiz — e é revestido de fortes espinhos com 
os quaes se defende dos outros animaes e carrêa para o seu 
antro ou ninho a fructa que encontra e de que muito gosta. 
Pertence, pois, Ericio á grande serie dos nomes afron- 
tosos, como Leão, Lobo, Leopardo, Urso e vários nomes 
tirados dos porcos. — Taes são: Porcario, do latim porcarius 
— porqueiro — Porcia^ Poreio, Porciana, Porciano, etc. Note- 
se que os santos, por humildade, muitas vezes tomavam como 
nomes próprios os apodos com que os afrontavam. 

Também temos vários appellidos e alguns d'elles nobres 



60 TENTATIVA ET YMOLOGICO-TOPON YMICA 

e-d'alta cotação, tirados de apodos afrontosos, mas para con- 
forto d'uas e d'outros já disse ha muito um sábio escriptor: 
«Honra o teu nome e elle te honrará — seja qual fôr!» 

Seja o lemma também conforto para a nullidade d'este 
Petrus in cunctls, níhil in omnibus, pois todos sabem que 
Pedro vem do latim Petrus e este de petra — pedra, penedo, 
rocha, calhau. Por seu turno o meu appellido Ferreira ou 
vem do latim ferraria — ferraria, mina de ferro — ou de 
ferreiro, artista que trabalha em ferro. 

Talvez que por decência fizessem de Ferreiro — Fer- 
reira, mudando a desinência o para a, como de barboso 
fizeram Barbosa. Mas note-se que os ferreiros, no tempo das 
armas brancas foram muito considerados e tanto que Viterbo 
no Elucidário, vocábulo Ferros, menciona um fidalgo distin" 
.cto que sendo muito rico, era ferreiro por officio !... e muito 
estimado e considerado pelos nossos reis. 

Vide Ferreiro, Ferreiroz, Ferrol e Ferroz, infra, e des- 
culpem os meus poucos leitores estas divagações tão insí- 
pidas, moléstia que me ficou das bexigas e tem de ir comigo 
para a cova, pois já completei 77 aanos e a custo vou arras- 
tando os 78, vivendo sem criada nem criado e seroando por 
habito desde 1884 até ás 2 a 3 horas da manhã. 

Cada tolo com a sua mania. Estamos em 1910 e desde 
1890 lavouro com preferencia o nebuloso campo etymologico 
das nossas povoações, trabalho de pelle diabi, até hoje tão 
descurado entre nós. 

Mal imaginam os leitores as dificuldades com que lucto 
e tenho luctado. 

Desçam do palanque, tomem a penna, entrem no redon- 
del e verão o que lhes succede!... 

Costuma dizer-se: A critica é fácil, mas a arte é difficil. 

Em trabalhos d'esta ordem a própria critica é difficil, 
não sendo a critica de mofa, critica alvar, balofa, imprópria 
de gente séria. 

— Rira bien qui rira le dernier I ... 

Prosigamos. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 61 

— Espio, aldeia, etc. Talvez provenha de Espiola, pe- 
quena espia ou esculca, atalaia, vigia, torres maiores ou me- 
nores que se faziam outr'ora em sitios altos e algo distantes 
das praças de guerra, como vedetas, sentinellas ou guardas 
avançadas para vigiar o movimento dos invasores e evitar 
surprezas. Aproveitavam-se mesmo algumas vezes penhascos 
nativos, próximos das praças e com vistas largas, para suprir 
as atalaias. Assim se aproveitou em Traz os I^Iontes, a caval- 
leiro de Vimioso um grande morro que lá se vê ainda hoje, 
denominado Atalaia, que domina a mencionada villa — um 
largo horizonte — e a formosa e vasta campina denominada 
Veiga de S. Miguel. 

Veja-se Atalaya, Esculca e Ricoveiro no Elucidário de 
Viterbo. 

O snr. Cândido de Figueiredo no seu Novo iJiccionario 
da Lingua Portugueza, do qual eu tive a honra de ser o mais 
obscuro informador ou cooperador, como S.* Ex.* declarou 
na secção própria, diz que atalaia vem do árabe at-talia, mas 
Viterbo diz que dos árabes nos ficou esta palavra que elles 
pronunciavam attalaia, vinda do verbo tálea que na oitava 
conjugação significa vigiar, etc. ^ 

O snr. Cândido de Figueiredo também diz que esculca, 
atalaia, vigia, — vem de inculca — e este de inculcar; mas no 
supplemento do mesmo diccionario reconsiderou, dizendo 
que esculca é de origem germânica. E ai não disse. 

Talvez que a et3'mologia de esculca por exculca seja la- 
tina, pois o Magnum Lexicon dá exculcato?', oris como termo 
do velho latim, significando vigia, explorador {?...) citando 



^ Nos Vestígios da Lingua Arábica em Portugal lê-se: 
"Atalaya — Attallaâ. Villa na Provinda da Estremadura, Patriarcado 
de Lisboa. Significa lugar alto. Torre d'onde as vigias descobrem o campo. 
Lugar eminente. Deriva-se do verbo tálea, subir, e na Vlll conjugação é 
vigiar, olhar ao longe, descobrir com a vista. Também se chamam atalaias 
os homens que vigiam os campos, fortalezas, praças e presídios,,. 



62 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Vegecio. Por seu turno Viterbo, no Eluccidario, verbo atta- 
laya, II — depois de dizer que as atalaias estavam em sitios 
ermos, escuros, pelo que os soldados que as guarneciam se 
denominavam escusados, — diz que já os romanos lhes davam 
o nome de escultatores e scultatores, o mesmo que hoje sen- 
tinellas, citando egualmente Vegecio, Arfe Militar, livro ii,' 
cap. XV, mas parece-me que o não leu, porque no Magnum 
Lexicon não se encontra excultator nem scultator, mas so- 
mente exculcator. 

Fiat lux. 

Eu adoro Viterbo como antiquário, mas como latinista, 
respeito mais o auctor ou antes autores do Magnum Lexicon. 

Exculcator vem de exculcare, termo que se encontra 
no Magnum Lexicon, mas com significação muito diíferente 
de exculcator. 

Exculco, as, avi, aium^ are, significa fazer firme, calcar 

com os pés ; lançar, tirar para fora pisando. Em latim não 

ha exculca nem eseulca, sculca ou coisa semelhante. Não ha 

também excultare, nem excultator nem scultare, mas somente 

auscultare^ escutar e auscultator, o que escuta, etc. - 

Exculcator e excultator talvez se confundissem, pois ca 
e ta confiindiram-se outrora na onomástica portugueza, afi- 
nada bem ou mal pelo diapasão latino. 

Veja-se o meu longo tópico, Suhstituição de letras, e 
será bom também consultar Ducange, que agora não tenho á 
mão. 

Viterbo, loc. cit. dá escalca e escuta na mesma accepção, 
citando as Alfonsinas da edade média, e na mesma accepção, 
deu também esculca e escuta o sr. Cândido de Figueiredo. 

Vejam que salsada e que estopada para mim, que mal 
posso respirar com o peso dos meus 78 annos, tendo a vista 
já muito cançada e muito esvaida. Seja tudo em desconto dos 
meus peccados e da cabulogia d'outróra. 

Volvendo ao thema Espio por Espióla, pequena espia, 
ou esculca, atalaia, vigia, vocábulos synónimos que deram 
o nome a differeutes povoações nossas, ad ridendum vou citar 



TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 63 

uma, afinada pelo diapasão de Espiola. E' nem mais nem 
menos Viola, aldeia, que por certo não tomou o nome d'al- 
guma viola, portugueza ou franceza, posto que nas nossas al- 
deias ha violas antigas de tamanho descomunal!... 

Na minha opinião, Viola, supra, é contracção de Vigiola, 
pequena vigia ou esculca, atalaia, espia, como Vião, povoação 
nossa também, é talvez contracção e forma do Vigião, o 
mesmo que Vegião, aldeia nossa também, augmentativo de 
vigia, que por seu turno deu Vigia^ três povoações nossas. 

Risiim teneatis. 

Esculca na onomástica portugueza, alem de três povoa- 
ções com o mesmo nome de Esculca, deu Escurquella por 
Esculquella, pequena atalaia, vigia ou esculca, povoação que 
já visitei. Demora na margem direira do Távora, rio que 
tomou o nome do latitíi tabula, taboa, o mesmo que taboas e 
por extensão castanheiros, por serem as taboas de castanho- 
in illo tempore, as taboas por excellencia. 

Também tabula deu Taboa, villa nossa, Taboaço por 
Tabulaço, grande souto ou matta de castanheiros, villa que 
demora na margem esquerda do rio Távora e pouco distante 
d'elle como Tabosa por Tabulosa, freguesia do concelho de 
Sernancelhe, que tomou o nome de Sernandicelli por Ses- 
nandicelli, de Sezinandicelli, patronimico de Sezinandicellus, 
diminutivo de Sezinandus, i^ Sezinando, nome d'um santo, etc. 
que deu também Senande e Sernande, povoações nossas. 

Vide o meu longo tópico : Diminutivos formados pela., 
desinência cellus, celli. 

Do exposto se vê que o rio Távora quer dizer, rio das 
taboas ou dos castanheiros, nome bem apropriado, porque 
desde os tempos mais remotos o grande valle do Távora 
abundou em castanheiros, nomeadamente a villa e honra de 
Távora,^ solar dos Tavoras, que demora na margem esquerda 
do mencionado rio e d'elle tomou o nome ou vice versa. 

Vide Távora e Passal de Távora no Índice da 1.^ parte 
p'esta minha louca Tentativa. 



64 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Escurquella pertence como Tabosa supra, ao concelho 
de Sernancelhe. Já não tem esculca, atalaia, castello ou torre^ 
mas demora um chão relativamente alto e vistoso que 
muito bem se prestava para vigia, atalaia ou esculca. 
Podia talvez corresponder-se com o Monte do Facho, que 
demora no alto da freguezia de Sandim, na margem esquerda 
fronteira e opposta do Távora, monte que, segundo está di- 
zendo o nome, foi também esculca ou vigia dos lusitanos 
por meio dos fachos. 

Veja-se Sendim no Portugal Antigo e Moderno, vol. ix, 
pag. 98 a 105. 

Na onomástica da Hespanha não ha Esculca nem Escul- 
quella ou Escurquella, mas ha na província de Orense 
Esculqueiro, o mesmo que atalaeiro, e em Logroho Escur- 
quilla, o mesmo que entre nós Escurquella. 

As atalaias foram mais prolíficas na onomástica hespa- 
nhola e portugueza. r)'ellas tomaram o nome talvez mais 
de 100 povoações nossas, mencionadas na Chorographia Mo- 
derna. Taes são: Atalaia, Atalaias, Atalainha, Ataia, por 
Atalaia, ; Ataija por Ataya, o mesmo que Ataia ; Taias por 
Ataias ; Taijas por Ataijas ; Talaeiros por Atalaeiros ; Talaia 
por Atalaia ; e Tayão, aferese do Atalaião, augmentativo de 
Atalaia, o mesmo que Vegião por Vigião, supra. 

A montante da cidade de Portalegre já eu vi um castello 
desmantelado que ainda hoje conserva o nome de Talaião ou 
Atalaião. 

Na Hespanha também ha differentes povoações com os 
nomes de Atalaya e Atalayas ; Tainas por Taiiias e este por 
Atalainas (?) em Oviedo; Taja por Ataya e este por Ata- 
laya, como Talaya, povoação hespanhola também ; Talayuela, 
Talayuelas, Taya, Tayala, etc. 

Desculpem os nossos bons visinhos o bater-lhes á porta, 
pois já é tempo de acordarem e de investigarem também a 
etymologia da sua onomástica. 

Proseguindo com o mesmo assumpto ahi vae outro jor- 
reiro ou chorreiro de dislates meus. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 65 

O italiano spina vem claramente do latim spina, que deu 
em castelhano empina e entre nós espinha, pois as desinências 
italiana e castelhana ma, ino deram em portuguez inha, inho. 
Os italianos e castelhanos, n'este ponto, respeitaram o latim 
mais do que nós. 

Confronte-se o italiano e castelhano camino, do baixo 
latim caminus, em portuguez caminho. 

Também o latim linum em italiano e castelhano deu Uno 
e em portuguez linho. 

O latim marinus, a, um em italiano e castelhano deu ma- 
rina e marino, e em portuguez marinha e marinho. 

O baixo latim 7nolinus em italiano e castelhano deu 
molino e em portuguez moinho. 

O latim pinus em italiano e castelhano áevL pino e em 
portuguez pinheiro e pinho. 

O latim vinum em italiano e castelhano deu vino e entre 
nós vinho, etc. 

Os castelhanos não teem no seu idioma a graphia nh, 
mas tem o som equivalente na graphia na e fio, que soam 
nha, e nhó. 

Do exposto se vê que o nosso appellido Spinola per- 
tence á grande série d'appellidos portuguezes que foram im- 
portados do estrangeiro e este, como outros appellidos nossos, 
veio da Itália. Se fosse portuguez devia escrever-se Espinhola 
e se fosse castelhano devia escrever-se Espinola., pois vem 
do latim spina, em castelhano espina, em portuguez espinha 
e em italiano spina que, além de ter as variadas significações 
do latim spina, do catelhano espina e do portuguez espi- 
nha, tem ainda outras e o diminutivo spinola, unde Spinola 
supra. 

Veja-se o artigo spina no velho Diccionário Italiano e 
Português do Prefumo. Ali se menciona uva spina — a uva 
espim ou groselha, fructo da groselheira, planta de que ha 
30 variedades, como diz Valdez, vbs. grosella e grosellero. 

Também ha em italiano spina — buril; espinhos de diver- 
sas plantas^ como spina alba — ou espinheiro alvar; o cardo 

VOL. IH 5 



66 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

leiteiro ; o cardo mariano ; o cardo branco ; o pirliteiro ou 
pilriteiro; a roseira brava, etc. 

Também ha em italiano spina cervina, o espinheiro cer- 
val ; o abrunheiro ou ameixieira bravos, e a cambra ou cam- 
broeira (?j, planta espinhosa da familia das solaneas,. Prefumo 
diz cambra ; no diccionario portuguez do snr. Cândido de 
Figueiredo não se encontra cambra, mas somente cambroeira 
supra, e cambrão, fructo da cambroeira. 

Cambra é talvez contracção de cambroeira e d'ella podia 
tomar o nome a villa de Macieira de Cambra!.. 

Prefumo também deu a spino a significação de espinho, 
espinheiro, silva, espinha dorsal, roseira brava, etc. N'este 
ponto os italianos não respeitaram o latim spinus, pois signi- 
fica só e unicamente abrunheiro bravo, como se lê no Ma- 
gnum-Lexicon. 

Também Prefumo deu a spinoso, substantivo, a significa- 
ção d'ouriço e javali ou porco montez. e a spinoso, adjectivo, 
a significação de espinhoso, cheio de espinhos e por extensão 
molesto, difficil, embaraçoso. Tal foi para a minha nullidade e 
para os meus 78 annos este longo artigo Espio, com que eu 
não contava. 

Spinola, como já dissemos, vem do italiano spinola, 
diminutivo de .spina, — espinho, espinha, espinhas de peixe, 
etc. Pôde, portanto, o appellido Spinola indicar um indivi- 
duo magro e alto e ser Spinola synonimo de Magro, appel- 
lido nosso actual, o mesmo que Megre, appellido nosso 
também, tirado do franeez maigre — magro. 

Pôde também Spinola ser ^yaonimo de Magrinho, apel- 
lido nosso, archaico, pois temos na onomástica portugueza 
differentes povoações com os nomes de Magra, Magras, Ma- 
gro, Magros, Magrinho e Magrellcs, o mesmo que Magri- 
phos. 

Pôde também Spinola ser synonimo de Magriço, canta- 
do por Camões nos Luziadas, como chefe e commandante 
dos Doze d'Inglaterra, — doze cavalleiros portuguezes que 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 67 

foram á Inglaterra justar ou bater-se para desafrontarem as 
damas inglezas. 

Os taes 12 cavalleiros cobriram-se de gloria, nomeada- 
mente o Magriço, o que prova que apesar de ser magrinho, 
era, como diz o povo, homem cfama cana só, muito valente» 
cavalleiro esforçado e muito destro no jogo das armas. 

Era magriço, magro ou magrinho, como são geralmente 
os athletas, mas muito valente e recorda o Esqueleto ambu- 
lante de Pariz que, sendo também muito magro, era tido e 
respeitado como o homem mais valente da capital da França 
no seu tempo, segundo diz Eugénio Sue nos Mysterios de 
Pariz, romance que eu já li ha muitos annos. 

Magro e Magrinho são appellidos que já vêem do tempo 
dos romanos com as formas latinas Macer, era — Magro, Ma- 
gra, e Macrinus, IN^agrinho, diminutivo familiar ou popular de 
macer, era, crum, magro, magra, coisa magra, macilenta. 

Aemilius Macer, Emiiio Magro, foi um poeta latino de 
Verona. Escreveu alguns poemas sobre plantas, serpentes e 
aves, mencionados por Plinio. Compoz também um poema 
sobre as ruinas de Tróia, como supplemento á lliada de 
Homero e falleceu no anno 16, antes do Nascimento de 
Christo. 

Lucius Claudius Macer, Lúcio Cláudio Magro foi pro- pre- 
tor d 'Africa no reinado de Nero ; tomou o titulo de impera- 
dor e foi morto por Galba, ^ que reinou apenas oito mezes. 
Succedeu-lhe o imperador Othão, Otho M. S., Marco Salvio 
Othão, ^ que por seu turno reinou três mezes somente e 
suicidou-se no dia 20 d'abril do anno 69 da era christã. 



^ Galbão, Galvana e Galvão, pov. nossas e Galvão, appellido, po- 
dem vir de Galbanus, dim. de Galba, supra, e este do latim galba, insecto 
dos carvalhos e azinheiras. 

2 Outão, castello e quatro povoações nossas, podem vir de Othão, 
supra, em latim Otho, onis. 



68 TENTATIVA ET YMOLOGICO-TOPONYMICA 

Salmonius Macrinus foi muito considerado no sec. XVI. 
— O seu verdadeiro nome era João Salmon e appellidou-se 
Macrinus, Macrino ou Magrinho, porque o imperador Fran- 
cisco I costumava denominal-o Macrinus, por ser talvez 
muito magro. 

Era muito illustrado e bom poeta. — Compunha em latim 
versos lyricos muito correctos e com a maior facilidade. Foi 
o Horácio do seu tempo e como tal denominado. 
Falleceu no anno de 1571. 

M. Opilius Severus Macrinus — Marco Opilio Severo 

Macrino ou Magrinho? foi imperador romano depois de Ca- 

racala, a quem fez matar, por ser muito cruel e sanguinário. 

Macrino era natural da Argélia, onde nasceu de pães 

obscuros no anno 163 da nossa era. 

Foi primeiramente gladiador e depois caçador de feras ; 
em seguida foi notário, intendente, letrado e finalmente Pre- 
feito do Pretório. 

A sua muita severidade como imperador o tornou mal 
visto dos soldados, pelo que uma parte do exercito se su- 
blevou e acclamou imperador a Elagabalo. 

Seguiu-se uma batalha entre os dous, ficando Macrino 
derrotado, pelo que fagiu e foi morto na Capadócia, tendo 
reinado apenas um anno e 47 dias. 

Vide Macer e Macrinus no Magnum-Lexicon e no Dic- 
cionario Clássico. 

Spinola tem a mesma etimologia d'Espinela, nome 
d'uma santa que, segundo diz Pinho Leal, foi religiosa do 
convento d'Arouca. Devia ser macrina — macilenta, magra 
como uma espinha ou spinela — muito fraca pela sua com- 
pleição e em razão da sua vida penitente. 

Espinela e Spinola recordam também Espinelo, appel- 
lido do poeta hespanhol Vicente Espinelo, autor das decimas, 
composições poéticas, pelo que a principio se denominaram 
espinelas, como diz Valdez. 

Também Spinosa, appellido d'um grande philosopho, 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 69 

deve ter a mesma etymologia de Espinela, Espinelo e Spí- 
nola, que é o latim ou italiano spina, supra. 

O tal sr. Spinosa foi muito iliustrado e fundador d'uma 
seita denomiaada espinosisrao^, como se denominaram espino- 
sistas os sectários d'elle e d'ella. Mas parece que a tal seita 
não teve na Itália grande voga^ pois no idioma italiano não 
se encontram os vocábulos supra: spinosismo nem spinosista, 
ou espinosismo e espinosita, vocábulos que se encontram nos 
idiomas portuguez e castelhano. 

Spinosa sustentava que a natureza é activa e passiva. 

De passagem direi que o appellido Spinosa vem de 
spinoso, como Barbosa de Barboso. Por decência ou por ou- 
tro qualquer motivo deram a este e a outros appellidos a desi- 
nência a em vez de o. Assim talvez que o appellido Ferreira 
d'este Petrus in cunctis, nihil ?w omnilms — Pedro A, Ferreira 
— appellido vulgar e muito antigo em Portugal, seja o mes- 
mo que Ferreiro!... 

Note -se que no tempo das armas brancas e em toda a 
idade média os ferreiros foram muito considerados. 

Viterbo no Elucidário, verbo Ferros, menciona um fidalgo 
distincto que, sendo muito rico, trabalhava como ferreiro 
por officio e era muito estimado e considerado pelos nossos 
reis ! . . . ^ 

Póie também Ferreira vir do latim ferraria, mina do ferro. 

Temos também vários appellidos com. a desinência o 
por a, como Peixoto por Peixota do antigo portuguez peixota 



^ No capitulo v da Vida de Jesus, diz Rénan: "O costume judaico 
exigia que o homem dedicado aos trabalhos intelectuaes aprendesse um 
officio. Tinham-os os mais famosos doutores.,, Diz mais n'uma nota; 
por exemplo, "Rabbi Joharan o Sapateiro, Rabbi Isaac o Ferreiro.,, 

Podemos accrescentar que este costume foi adoptado por algumas na- 
ções modernas e assim se explica a origem de appelidos designando pro- 
fissões. 

C. P. 



70 TENTATIVA ETYMOLOG-ICO-TOPONYMICA 

— pescada^ e Pizarro por Pizarra, do castelhano pizarra, 
em portuguez, piçarra, terra com mistura de areia e cascalho. 

Agora ahi vae outro appellido portuguez vindo da Hes- 
panha, synonimo de Spínola, Espinela, Espiuelo e Spinosa. 
E' o nosso apellido Lacerda, pois vem claramente do hespa- 
nhol cerda, as sedas do javali ou porco montez, com o artigo 
castelhano la, como prefixo. 

Note-se que em castelhano, espinoso significa espinhoso, 
cheio d'espinhos e corresponde ao italiano spinoso, adjectivo, 
que deu spinoso, substantivo, com a significação de porco 
montez ou javali, porque as cerdas ou sedas que o revestem 
são fortes espinhos. 

Note-se também que a etymologia de espinho, como jâ 
dissemos; é o latim spina, que em italiano deu spina, em 
castelhano espina, e a locução estar en la espina, estar na 
espinha ou muito magro. Também espinha em portuguez 
significa pessoa muito magra. 

Do exposto se vê que o appellido Lacerda as sedas ou 
cerdas do javali revela magreza e é synonimo ou affim de 
Spinola^ Espinela, Espinelo, Magro, Magriço, Macrino, Ma- 
grinho 6 talvez Espio por Espiola, contracção de Spinola. 

Sume-te coisa má ! Esta me lembre e outra cá não torne. 

Para atesto do casco ainda direi que Spinola correspon- 
de ao portuguez espinhola, afíim de P^spinhosa, povoação 
nossa, que tomou claramente o nome do portuguez espinhosa^ 
abundante em espinhos ou em plantas espinhosas. 

Eu conheço a dita povoação. Demora na margem di- 
reita do Távora, concelho da Pesqueira, no Alto Douro, e e 
bastante fértil e mimosa, mas talvez que antigamente abun- 
dasse em plantas espinhosas. Taes são o tojo, as silvas, car- 
dos, codeço, espinheiros, sarça, pirliteiros ou pilriteiros, 
ameixieiras bravas ou medronheiros, etc. E por coincidência 
na foz do Távora, não longe da Espinhosa, está uma das 
nossas muitas povoações com o nome de Espinho. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 71 

Temos outras povoações, — ao todo mais de mil — que 
tomaram o nome dos espinhos e das plantas espinhosas su- 
pra, todas mencionadas na Choro gr aqhia Moderna. Ahi vai 
uma amostra do panno : 

Espinha, Espinheira, Espinheiral, Espinhal por Espi- 
nheiral, Espinheirinha, Espinheirinho, Espinhei por Espinhal» 
Espinho, Espinhos, Espinhosa, Espinhosela, Espinhoso, Es- 
pio, etc. 

Também temos Espindo, que pode vir do leonez ou cas- 
telhano espino, pois o d foi letra muito caprichosa na ono- 
mástica portugueza ; Espindro por Espindo e Espindello, 
talvez forma de Espinello!... 

Espindo pode também ser uma forma de Espendo, outra 
povoação nossa, como Espêdo, cuja etymologia é talvez o 
latim spinetum espinhal, logar cheio de espinhos ; e deve ter 
a mesma etymologia Espinedo, povoação da Hespanha. 

A escala seria : spinetum > Espinedo ^ Espedo ^ Es- 
pendo > Spindo ? 

Confronte-se Castedo e Castendo, povoações nossas^ 
cuja etymologia é claramente o latim castaneiíim, castanhal 
ou castanheiral, souto de castanheiros. 

Espendo sem violência deu ou podia dar Espindo, pois 
na onomástica portugueza trivialmente se confundiram as 
letras e e i. 

Vide o tópico : Substituição de letras. 

Também temos Pindella, Pindello e Pindo que podem 
ser aphereses de Espindella, Espindello e Espindo ; mas talvez 
que Pindella, Pindello e Pindo venham de Penidella, Peni- 
dello e Penido por Penedo, povoações nossas também, como 
Peneda e Penedelio, Penedinho, Penida (Monte da Penida) 
por Peneda, Penude por Penide e este por Penido supra, o 
mesmo que Penedo!... 

Note-se que a froguezia e a serra de Penude, no aro de 
Lamego, abundam em penedos e que na onomástica portu- 
gueza as letras i e u, bem como e e o trivialmente se confun- 
diram. 



72 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Veja-se o meu longo tópico: Substituição de letras. 

Junte-se Pinella e Pinello, povoações nossas também, 
que podiam igualmente dar Pindella e Pindello, como espino 
deu Espindo e espinello Espindello ! 

Na onomástica da Hespanha ençontram-se muitos nomes 
congéneres. Taes são: Espin, Espina, Espinal, Espinanca, 
Espinar, por Espinal, Espinareda, Espinaredo, Espinarido, 
por Espinaredo, Espinedo, Espineiros, Espineo, Espineras, 
Espiniella, Espinilla, Espinillo, Espinillos, Espino, Espinosa, 
Espinoso, Espina, Espinal, Espinaredo, Espineira, Espineiro, 
Espino. Estas ultimas seis povoações demoram na Galliza, 
irmã gémea de Portugal, pelo que muito se resentem do dia- 
pasão portuguez. 

Na Hespanha não ha Espindo nem Espindro, mas ha 
Espirdo^(em Segóvia) talvez forma de Espindo ou Espin- 
dro ! . . . 

Dicant paduani — respondam os nossos bons visinhos. 

Ha também na Hespanha, em Leão, Pendilla, que se 
lê Pendilha, e é talvez contracção de Penedilla, o mesmo 
que Penedela, diminutivo de Peneda, povoações hespanholas 
também, como Penedo, Penela, Penelas, Penella, Penellas e 
Penilla por Penella, diminutivos de Pena e Penas, povoações 
hespanholas também, como Penna, o mesmo que Penha, po- 
voação portugueza. 

Pendilla, que se lê Pendilha, é irmã gémea de Pendilhe 
por Pendilho, povoação nossa, cuja etymologia é penedilho 
por penedello, como na Hespanha penedilla deu Pendilla. 

Desculpem os nossos bons visinhos o bater-lhes á porta, 
pois também já é tempo de acordarem e de investigarem a 
etymologia das suas povoações. 

Finalmente Espio, como jâ dissemos, pode vir de Es- 
pióla, pequena espia ou esculca, atalaia, vigia ; ou espiola por 
Spinola, na accepção de Espinela, Espinelo, Magro, Magriço, 
Macrino, Magrinho; ou de Spinola na accepção de Espinhosa, 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 73 

terra abundante em espinhos ou em plantas espinhosas; ou 
de Espinola, na accepção de magro e alto, como talvez fosse 
o fundador da povoação denominada Espio, 

Desculpem os leitores tantos dislates a propósito da 
etymologia d'uma simples aldeia, pois habet dentem coelhi, 
mormente para a minha nullidade e para os meus 78 
annos. 

As meias tintas confundem; já tenho a vista muito can- 
çada e a minha lente d'arte nova, forjada por mim a martelo, 
está pedindo outra melhor e mais aperfeiçoada. 

Os meus acres censores podem rir e mofar, mas desçam 
do palanque, tomem a penna, entrem no redondel e verão o 
que lhes succede / . . . 

Rira bien qui rira le dernier. 

Prosigamos. 

Esquiró por Esqueiró vem talvez de Sequeiro por sequei- 
róla, povoação nossa também, de que logo falaremos. 

Note-se que na onomástica portugueza as metatheses 
foram muito triviais ^ e na minha opinião es e se iniciaes 
confundiram-se muitas vezes. 

Confronte-se Escalhão por Seccalhão. 

Eu conheço a importante, muito rica e muito populosa 
freguezia de Escalhão, a montante de Barca d'Aiva, e posso 
affirmar que é muito secca e muito falta d'agua ! . . . 

Também temos Escalheira, talvez forma de seccalheira, 
o mesmo que Sequieira, povoação nossa também, como ilis- 
seca por Al-Secca, Secalina, Secarias, Sequeira, Sequeiro, 
Sequeiros, Sequeiro, Sequeiros, Sequieira, Séquito, etc. 

Junte-se Esgueira, Esqueira e Sequeira, talvez formas 
do mesmo nome, como Esqueiró e Sequeiro, Esqueiros e 
Sequeiros. 



Veja-se o tópico : Metathezes. 



74 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Esgueira demora na margem esquerda do Vouga, mas 
talvez que tenha pouca água, tanto potável como de rega!... 

Dicant paduani — respondam os filhos da localidade. 

Esquiró por Esqueiró vem, pois, talvez de Sequeiro, mes; 
mo porque na onomástica portugueza i, ei e ai confundi- 
ram-se. 

Veja-se o meu longo tópico : — Substituição de letras, 

Fazendóla, vem claramente do portuguez popular fazen- 
dóla, diminutivo de fazenda, na accepção de terreno cultivado; 
prédio rústico, etc. 

Confronte-se Granjóla, pequena granja e Quintóla por 
Quintaróla, pequena quint a. 

Feijó e Fijô, ou Fijó, appellidos^ etc, vêem do baixo 
latim fasiòlus, i, pequeno feijão ou feijãosinho. 

Feijão, appellido nosso d'alta cotação na actualidade, é 
um dos nossos muitos appellidos tirados dos legumes, como 
Trigo, Milho, etc. 

Feird^ aldeia, etc, vem de feiróla, pequena feira, antitheze 
de Feirão e Feirões, povoação nossa também. 

Ferreiro, Ferreiroz e Ferroz vem do baixo latim ferra- 
riola, — pequena mina de ferro. 

Ferreiroz é plural de Ferreiro, como Arneiroz é plural 
de Arneiro, etc. Por seu turno Ferroz é contracção de 
Ferreiroz e Ferraz, appellido, é talvez o mesmo que Ferroz!... 

Ferrol, cidade da Galiza^ vem de Ferreolus, i, Ferreolo 
nome d'um santo, etc, pois não admira que nas densas trevas' 
da idade média lessem Fereolus em vez de Ferréolos. 

Figueiró, Figueirôa e Figueirós vêem do baixo latim 
ficariola, figueirinha. Figueirós é plural de Figueiró e quer 
dizer Figueirinhas, nome de varias povoações nossas e nosso 
appellido actual, muito considerado no Porto, etc. 

Fijô e Fijó, Vide Feijó, Filhoz, aldeia, etc Pôde vir do 
baixo latim filióla — filhinha — ou de filiolus — filhinho. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 75 

Também Filhoz poderá vir do portuguez filho, certo 
condimento de farinha e ovos, mas quem não acreditar não 
pécca. 

Ainda direi que Filhoz talvez seja uma forma de Vinhos, 
povoação nossa também, como Yinhó, Avinho por Al-|- Vinho 
6 Vinhosinhos. 

Vide Avinho supra e Vinho infra. 

Note-se que na onomástica portugueza vi e fi, bem como 
l e n, Ih e nh não raras vezes se confundiram. (^) Podia, pois, 
Vinho dar Filho e Vinhos dar Filhoz, 

E' assim a arte nova e rira hien qid rira le dernierl... 

Gaiola^ aldeia_, herdade, etc. 

Podia tomar o nome do portuguez gaiola, pequena clau- 
sura movei para aves, e por extensão cárcere, casinhola, ou 
de gaiola por gaiosa, que abunda era g^ios, aves. 

Gi-aiolo — de gaiolo, gaio pequeno, ainda novo. 

Note-se que os gaios são aves muito lindas, muito ale- 
gres, muito sympathicas e abundam em varias regiões do 
nosso paiz, pelo que d'elles tomaram o nome vinte e tantas 
povoações nossas. Tais são: Graio, Gaiolo, e talvez Gaiola 
supra; Gaios; Gaiosa, Gaião, Gainhos, etc. Gostam elles 
muito de figos, pelo que são denominados papa-figos e ma- 
rantéus, pois abundam em Amarante onde ha muita fructa, 
nomeadamente figos, uvas, castanhas e pêcegos deliciosos, 
bem conhecidos e muito estimados no Porto e no Douro 
todo. 

Uma das industrias d 'Amarante é a sementeira e a cria- 
ção de pecegueiros variadissimos, que d'ali se exportam em 
cargas até grande distancia. 

Garraíola, quinta, etc. 

Talvez tomasse o nome de garrafola, apodo ou appei- 



^ Vide o meu longo tópico : Substituição de letras. 



76 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

lido do dono da tal quinta, tirado de garrafa, vasilha, como 
Pote, Pipa, etc. , appellidos nossos também. 

Note-se que dos apodos e appellidos tomaram o nome 
centenares de povoações nossas, nomeadamente casaes, quin- 
tas e moinhos. Alguns dos ditos nomes estão até pedindo 
esponja, taes são (desculpem os leitores) Bostarenga, Caga- 
Jones, Cagança, Caganita, Cagão, Cagarraz, Caguideiro, por 
Cagadoiro ou Cagadouro, Cagunça por Cagança, etc, povoa- 
ções nossas todas mencionadas na Chorographia Moderna. 

Gatôa de gatola por gatella, povoação nossa também, 
que tomou o nome dos teixugos ou gatos bravos, como outras 
muitas povoações nossas. Taes são: Gata, Gatão, Gataria, 
Gatas, Gateira, Gateiras, Gatella, Gatiande, e Gatians (?); 
Gatim, Gatios (de gatinos por gatinhos?); Gato, Gatôa, 
Gatões, Gatos, Gatuna de Baixo, Gatuna de Cima e Gatunas, 
herdades, casaes, quintas, etc. 

Junte-se ainda Teixuga, Teixugo, Teixugos, Teixugueira 
e Teixugueiras, varias povoações nossas, e a locução popular : 
gordo como um teixugo I . . . 

Do exposto se vê que os gatos bravos, texugos ou teixugos 
abundaram antigamente no nosso paiz, mas actualmente são 
raros, raríssimos, com o desenvolvimento da população e da 
agricultura. Eu contando já cerca de 78 annos, sendo creado na 
província e tendo cruzado em todas as direcções a maior 
parte do nosso paiz, não me recordo de ver um teixugo. ^ 

Por igual motivo tendem também a extinguir-se em Por- 
tugal as corças, veados e cabras montezes, os lobos, javalis, * 



1 Geralmente se confundem gatos bravos com texugos. Veja-se 
Animaes nocivos ao lavrador, por João Salema, pag. 13 e 26. 

C. P. 

2 Frei Bernardo de Brito, a respeito de S. Victor ou Victoure e d'ou. 
tros santos de Braga, diz que lá era costume fazer-se uma corrida de porco, 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 77 

raposas, fuinhas e ouriços cacheiros, como já se extinguiram 
por completo as zebras e ursos, que outr'ora abundaram tam- 
bém no nosso paiz, como provam as nossas muitas povoações 
que tomaram o mome dos ditos animaes. 

Por egual motivo teem diminuido também muito as 
cobras e lagartos ou sardões e os corvos, aves carnivoras, 
que deram também o nome a differentes povoações nossas, 
ao todo mais de oitenta, em muitas das quaes não se vê actual- 
mente um corvo, nem ha memoria d'elles!. . , 

Vide Oorvaceira, a minha terra natal, no Índice da pri- 
meira parte d'esta minha louca Tentativa Etimológica. 

Também por egual motivo as corujas, bufos, morcegos 
e ujos teem diminuido e continuam a diminuir entre nós. 

Portugal tem progredido bastante, mas podia e devia 
ter progredido bem mais ! . . . 

Gaviôa, pôde vir de gaviola, como Gatôa de gatola supra, 
mas Gaviôa quer dizer abundante em gaviões, como Gaviar- 
ra, Gavieira e Gavinheira, povoações nossas também, Toma- 
ram ellas o nome dos gaviões, pequenas aves diurnas de ra- 
pina, denominadas também guinchos, termo onomástico bem 
apropriado, porque as ditas aves guincham muito, 

Ellas são aves de rapina, como provam as garras ou 
unhas que teem, relativamente grandes, muito agudas e cur- 
vas, mas alimentam-se com insectos que apanham no ar, 
sempre voando em carreira vertiginosa. Somente repousam 
nos buracos e fendas das pedras e paredes, onde costumam 
aninhar-se. 



na véspera de S. João e acrescenta : « Melhor nos parece que por festejar 
ao Santo Percursor ordenavam os antigos d'esta cidade que na sua véspera 
e dia houvesse verdadeira montaria de muitos porcos montezes e outras 
feras, de que junto á cidade havia grande quantidade, por estar toda cer- 
cada de espessos bosques, onde se creavam e multiplicavam com damno 
dos campos e searas visinhas.» 

C. P. 



78 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Note-se que as ditas aves téem, como as andorinhas, 
vista de grande alcance e abundam em varias regiões do 
nosso paiz, como provam as nossas muitas povoações, talvez 
mais de 40, que tomaram d'ellas o nome^ todas mencionadas 
na Chorographia Moderna. Taes são : — Gaviães, Gavianito, 
Gavião, Gaviãosinho, Gaviarra, Gavieira, Gaviello, Gavim, 
Gavinheira, Gavinho, Gavinhos, Gaviôa, Gaviões, etc. 

Junte- se Gavaria por Gaviaria e Gavarra por Gaviarra! 

Gaviães é uma forma de Gaviões, porque as desinências 
ães e ões confundiram-se e ainda hoje se confundem na ono- 
mástica portugueza e no idioma portuguez. 

Vide o meu longo tópico : Substituição de letras. 

Gavião pode também vir do castelhano gavilanes, plural 
de gavilan — gavião. 

Gavianito, Gaviãosinho, Gaviello, Gavinho por Gaviãosi- 
nho e Gavim por Gavinho, são diminutivos de Gavião ; mas 
Gavinho,, nome de cinco aldeias e d'um appellido d^alta cotação, 
talvez provenha de Gabinius, ii, Gabinio (quasi Gavinho! ...) 
nome romano d'am cônsul, etc. 

Vide o Diccionario Clássico. 

As meias tintas confundem. 

Os habitantes de certos concelhos do Minho, mais pró- 
ximos da Galliza, nomeadamente os de Monção e Melgaço, 
costumam denominar-se gaviarras, porque ali abundaram os 
gaviões, talvez. 

Dicant paduani, respondam os filhos da localidade. 

Também é certo que muitos habitantes dos ditos conce- 
lhos exercem o officio de pedreiros, como os seus visinhos 
gallegos, pelo que ao norte do nosso paiz se dá geralmente 
o nome de gallegos aos pedreiros que vêem dos lados do 
Minho, tanto aos gallegos, propriamente ditos, como aos 
gaviarras, filhos d'aquelles dous concelhos e por consequência 
portuguezes. 

O snr. Cândido de Figueiredo, no seu Novo Diccionario 
da língua portugueza, não mencionou o termo gaviarra. 

A Hespanha tem Gabarra, quasi Gavarra e Gaviarra 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 79 

supra, em Lerida ; Gabarros em Barcelona; Gabean, Gabian, 
Gabiera e Gabim na Galliza; Gabilanes, quasi Gaviães, po- 
voação nossa, em Ávila ; Gavilanes em Leão e Salamanca, e 
Gaviria, qnasi Gavaria snpra em Guipuscôa. 

Jantese Gavião e Caviões_, povoações nossas, antigas 
formas de Gavião e Gaviões, pois ca, co, cu, e ga, go, gu 
trivialmente se confundiram na onomástica portugueza. 

Vide o meu longo tópico : Substituição de letras. 

Juntem se finalmente os nossos appellidos Gaivão, me- 
tathese de Gavião, e Gavicho por Gavinho, pois na onomás- 
tica portugueza também algumas vezes se confundiram as 
desinências icho ou ixo e inho, como em Lagartixo por lagar- 
tinho, povoação nossa. 

Também tivemos no alto da minha Penajulia ou Pena- 
joia uma cidade com o nome de Gadiche por Gadicho e este 
por Gadinho. 

Vide Guediche e Penajoia no Índice da primeira parte 
d'esta minha louca Tentativa Etymologica. 

Também temos Rabicho, casal, nome talvez tirado de 
Rabicho, apodo^ e este do portuguez rabicho o mesmo que 
rabinho, diminutivo de rabo. 

Desculpem os leitores tantos dislates a propósito de 
Gaviôa e dos Gaviões. 

Sat prata biherunt. 

O thema foi prolífico, emmaranhado e confaso e não 
menos confuso é o seguinte, como os leitores vão ver: 

Grândola ou Grândola, villa do Alemtejo, pertencente 
ao districto de Lisboa. Lá mesmo na localidade uns dizem 
Grândola, outros Grândola, segundo me consta. Esboçarei, 
pois, a etymologia d'ella pelas duas formas. 

Grândola pôde vir do baixo latim granatula, como 
Granatula, povoação da Hespanha, diminutivo do latim 
granatus, a, abundante em grãos ou cereaes, como trigo, 
centeio, cevada, aveia, milho, etc. N'este caso a etymologia 



80 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

de Grândola seria a mesma de Granada, povoação nossa, e 
de Granada, cidade da Hespanha, 

Também Grândola pôde vir do latim glândula, pequena 
bolota ou glande, diminutivo da glans, andis, bolota, glande. 

São muito acceitaveis estas duas etymologias de Grân- 
dola, porque glottologia não se oppõe e porque a freguezia 
6 o concelho Grândola não só abundam em pão de pragana, 
mas em sobreiros e azinheiras, arvores que dão bolotas e 
sustentam milhares de porcos!. . . 

A creação do gado suino é uma das industrias principaes 
da freguezia e do concelho de Grândola. 

Também granatula deu ou podia dar granatóla, unde 
talvez Grândola. 

Podia também Grândola vir directamente do portuguez 
popular grandóla, tirado de grande pelo diapazão de bandeirola, 
rapazola, barcarola, casarola e casola, que deram CasaroUas 
e Casollas, povoações nossas, como Fazendója, Granjóla, Quin- 
tóla por Quintaróla, etc. 

Nós temos também Grandella, appellido e aldeia, aífins 
de Grandóla, que podem ter a mesma etymologia e vir do por- 
tuguez popular grandella, — homem alto e magro. 

Confronte-se Spinola e Espinella, mencionados no artigo 
Espio, supra; mas Grandóla e Grandella talvez sejam con- 
tracção de gandarola e gandarella, diminutivos do portuguez 
e hespanhol gándara — terreno arenoso; pouco productivo * 
estéril. — Terreno despovoado, mas coberto de plantas agres- 
tes. Tal devia ser e com certeza era o termo de Grândola ou 
Grandóla na edade média, pois, como diz o meu benemérito 
antecessor Pinho Leal, vb. Grândola no Portugal Antigo e 
Moderno, vol. 3.°, pag. 317, artigo pequeno, mas muito inte- 
ressante, no principio do século XVI o termo de Grândola 
era muito despovoado, uma medonha gandra! 

Abundava em caça miúda e grossa, como javalis e ou" 
trás feras, pelo que o duque de Coimbra, D. Jorge de Alen- 
castre, gostava de ir para ali caçar e ali costumava residir 



TENTATIVA ETYMOLOQICO-TOPONYMICA 81 

grande parte do anno com grande fausto, pois era riquíssimo, 
Dão só duque e senhor de Coimbra, mas grão-mestre da or- 
dem de S. Thiago o filho legitimo d'el-rei D. João II. 

Affeiçoou-se muito a Grândola, pelo que transformou a 
pequena e pobre aldeia d'este nome em uma formosa villa, 
a villa mais plana, mais bem traçada e mais bem alinhada 
que temos em Portugal ainda hoje ! . . . 

N'ella fez um bom palácio para sua residência, promo- 
veu a construcção de muitas casas nobres, e dotou a villa 
com grandes privilégios e 5 templos: 4 nos 4 ângulos ou 
extremidades d'ella e boa egreja matriz no centro, além 
d'uma egreja, d'um hospital de Misericórdia e d'um celleiro 
commum, etc. 

Hurrah ! pelo benemérito D. Jorge, duque de Coimbra, 
pois anteriormente a formosa villa de Grândola ou Grândola 
era uma gándara ou gandaróla. 

O snr. Cândido de Figueiredo, no seu Novo Diccionario 
da língua port/tgueza, do qual eu tive a honra de ser o mais 
obscuro informador ou cooperador, como sua ex.a declarou 
no titulo próprio, diz que o portuguez gandara vem do cas- 
telhano gandara ; mas Valdez, vb. gandara, manda simples- 
mente ver vava, termo que não se encontra no seu tão cor- 
recto Diccionario Castelhano e Portuguez ! . , . Encontram-se, 
porem, na onomástica da Hespanha 23 povoações com os 
nomes de Gandara, Gandaras, Gandarela, Gandarilla, Gan- 
darina e Gandaron — todas na Galliza, irmã gémea de Portu- 
gal e só duas em Santander com o nome de Gandarilla, 
quasi Gandarella, mas que se lê Gandarilha. 

Na Hespanha também ha Granadella, Granadilla, Grân- 
dola (?!. . .), Granado e Granatula (!...), i^ais 13 povoações 
<5Òm os nomes de Granda e Grandas, talvez formas de Can- 
dura e Gandaras, todas em Oviedo ; só uma na Galliza. 

Nós não temos povoação alguma com o nome de Gan- 
dara nem Gandaras, mas temos Gandarella, Gandarellas, 
Oandariças, Garidarinha, Gandarinhas, Gandarinhos, Gandra, 

VOL. III 6 



82 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMIOA 

Gandras, Grandella e Grândola, ao todo mais de 400 povoa- 
ções que tomaram on podiam tomar o nome das gandaras 

Na onomástica portugueza predominou a forma Gandra 
pelo que temos com este nome talvez mais de SCO povoações 
todas mencionadas na Chorographia Moderna. 

Também temos no Porto, Gandara, titulo de viscondado, 
e em Lisboa, Gandarinha, titulo de condado. 

Granjola é claramente diminutivo de granja, como Fa- 
zendola de fazenda, e Quintola de quinta. 

Granja, nome de diversas povoações nossas, vem do 
portuguez granja, prédio rústico, celleiro, casal, abegoaria, 
como diz o snr. Cândido de Figueiredo, e na opinião de sua 
ex.a o termo granja vem do latim granea e este de granum 
— grão. Mas o latim granea significa somente certo guisado 
feito de grãos torrados, como se lê no Magnum Lexicon. 

Consulte Ducange, que não tenho á mão no momento. 

Em castelhano ha granja em francez grange na mesma 
accepção do portuguez granja, termo que foi muito vulgar 
entre nós na idade media, pois temos talvez mais de 400 
povoações com os nomes de Granja, Granjal, Granjão, Gran- 
jas, Granjeira, Granjeiro, Granjinha, Granjinho, Granjola, 
diminutivo de Granja, como Granjão é augmentativo ou tal- 
vez contracção de Granjulào, como Pinhão de Pinhalão, 
grande pinhal, Sobrão de sobralão, grande sobral, Olivão de 
Olivalão, grande olival, etc. 

Na Hespanha também ha muitas povoações que tomaram 
o nome das granjas, taes são : Granja, Granjas, Granjina, 
Granjuela, Granxa e Granxola, quasi Granjola, na Galliza. 

O snr. Cândido de Figueiredo também dá o termo po- 
pular granjola na accepção da pessoa corpulenta, e diz que 
o termo granjola vem do radical de grande. Na minha opinião 
granjola supra é deturpação de grandúla, pois na idade média 
do e jo confundiram-se e substituiram-se, como em Ferradosa 
e Ferrajosa, povoações nessas que tomaram o nome do ferro. 

Vide o meu longo tópico — Subòtituíção de letras. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 83^ 

Grijó vem do baixo latim ecclesiola. Vide Crixó, Egrejó e 
Erjo ou Erjó, supra; Hirijó e Irijo ou Irijó, supra. 

Guistolla do baixo latim genidola, diminutivo do latim 
genista, giesta, planta. Note-se que na onomástica portugueza 
gé deu gué, como em Penaguião, que tomou o nome Gedeão^ 
pois a villa de Penaguião foi fundada por D. Gomes Gedeão 
rico-homem da idade média, como diz Viterbo no Elucidário, 
vbs. Alvariçar, Cajom e Caldeira. 

Também gi deu gui. Confrontese gissa e gyssa^ portu- 
guez antigo, actualmente guisa, maneira, modo,i como se lê 
no Archico da Collegiada de Guimarães, em um documento 
do anno 18'i3. Pelo mesmo diapasão genistola d-eu gistola e 
Guistolla supra. 

E' assim a arte nova e rira hien qui rira le dernier. 

Também Guistolla poderá vir de Gudesteus, ei, Gudesteo, 
antigo nome pessoal de Guesto Ansures, o lieroe das cem 
donzellas, mencionado pelo meu benemérito antecessor Pinho 
Leal no tópico Figueiredo das Donas, Portugal Antigo e Mo- 
derno, volume 3.°, pag. 193, columna 2. a 

Gudesteus foi também um dos antigos prelados do con- 
vento da Vacariça e do de S. Salvador de Bouças, mencio- 
nado na Memoria do Convento da Vacariça. 

Gudesteus, ei, deu Gostei, povoação nossa, e pelo dimi- 
nutivo Gudestiolus, i, deu ou podia dar Gudestiola, villa & 
por contracção, Guistola? As meias tintas confundem. 

Hirijó. De ecclesiola. 

Vide Erixó, Egrejó, Erjo, ou Erjó, e Grijó, supra, Irijo 
ou Irijó, infra. 

Ilhô ou Ilhó do baixo latim insulola, diminutivo do la- 
tim insula — ilha, que deu Insua, Insuas, e Insuella, o mes- 
mo que Ilhô ou Ilhó, varias povoações nossas, entre as quaes 
avulta no concelho de Penalva do Castello a quinta da In- 
sua, na freguezia do seu nome. E' uma das quintas mais lu- 
xuosas de Portugal todo e solar nobilissimo dos Albuquer- 
ques da Insua, hoje muito dignamente representados pelo sr. 
Manuel d'Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres. 



84 TENTATIVA ETYSIOLOGICO-TOPON YMICA 

Vide Insua na primeira parte d'esta minha louca len- 
iativa Etymologlca, pag. 352 e 3õ3, 

A parochia da Insua também já se claamou Gastando, 
nome que 'tomou do baixo latim castanehim, souto de casta- 
nheiros, que deu Castedo e Castendo. Vide Castaide no Ín- 
dice da segunda parte da minha louca Tentativa. 

Jou, de Jolus por Juiolus e este por Juliolus, diminu- 
tivo archaico de Julius, nome romano e nome d'um santo, etc. 

Juiolo ou Juliolo correspondia a Juliuho ou Julito, dí. 
minutivos actuaes de Júlio. 

A escala seria: Julius, Juliolas, Juiolus. Juiolo, Joio, 
Jou? 

Confronte-se Linho e Linhou, povoações nossas também, 
que tomaram o nome do baixo latim linolus, diminutivo do 
latim linum, — linho, planta. 

Labrujó, de Labrujola, diminutivo de Labruja, povoa- 
ção nossa, bem como Labruge e Labrugeira, nomes tirados 
do baixo latim labrugia e este do latim labrusca, videira 
brava, que por seu turno deu Labrusca e Labruscas, povoa- 
ções nossas também, todas mencionadas na Choi^ographia 
Moderna. 

No idioma castelhano ha labrusca, na accepção do latim 
labrusca, vide brava, mas na onomástica da Hespanha não 
se encontra Labrusca nem coisa semelhante! Refiro-me ao 
Diccionario general de los imebloH de Espana, publicado em 
Madrid no anno de 1862. 

E' possível que na dita obra haja ommissão n'este ponto. 
Viterbo, no Elucidário, vb. Villa, menciona um documento 
de 91Õ, no qual* D. Ordonho II, rei de Leão, confirmou á Sé 
de Lugo as cidades e dioceses de Braga e Orense e junta- 
mente lhe fez doação do mosteiro de S. Christovam . . . in 
território Tudensi, loco vocato Labrugia^ ripa Limiae. . . 

Bem sabemos que ao tempo ainda não existia Portugal. 
Todas as terras mencionadas supra pertenciam ao reino de 
X/Cão e muito provavelmente Labrugia, nas margens do 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 85 

Lima, é a nossa freguezia actual de Labruja, pertencente ao 
concelho de Ponte do Lima, bem como a povoação e fre- 
guezia de Labrujó, em questão. 

O mencionado documento prova, pois, que Labruja vem 
do baixo latim labrugia e que Labrujó muito provavelmente 
vem de Labrujola, diminutivo de Labruja, povoação e fregue- 
zia pouco distantes de Labruja. 

Em francez ha lambruche ou lambrusque — videira brava, 
uvas bravas, vidonho labrusco, segundo diz Fonseca. 

Prosigamos. 

Lacaio vem talvez de lacaiola, diminutivo do portuguez 
lacaia, ou de lacaiolo, diminutivo de lacaio, criado que 
acompanha o amo com libré ou sem ella; triutanario, etc, 
vocábulo d'origem incerta. 

Ein castelhano ha o termo lacoyo na mesma accepção do 
portuguez lacaio, e lacayiiela, dimuiurivo de Iwayo, corres- 
pondente ao port. pop. lacaiolo, uude talvez Licaiú, supra, 
como já dissemos. 

Também Lacaio talvez seja assimilação de La -\- Caio. 

Coiifronte-se LHbarella por La|-Varella; Laboucinho 
por La -)- Boucinho; Laeira por La -\- Eira ; Lamó por La -{- 
Mó, etc. povoações nossas também. N'tíste caso Lacaio por 
La -\- Caio talvez provenha de Gaiola, antigo nome da fre- 
guezia de Urra, concelho e Portalt^gre, ou de Cayola, rio 
confluente do Caya, no concelho d'Elvas. 

Lacaio é uma povoação da freguezia de Monsul, con- 
celho da Povoa do Lmhoso, do Alro-Mi.nho, muito distante 
de Portalegre e d'Elvas; mas como todos sabem, os nomes 
geographicos repetem -se. 

Também Lacaio por La-f Caio pode vir de Caiola por 
Gaiola, povoação nossa também, pois ca, co, ca e ga, go, gic 
trivialmente se confundiram na onomástica portugueza. 

Vide o meu longo tópico Sab.stituicão de letras. 

Lajó e Lajós, de lageola e Lageolas, diminutivos de 
lagea ou laja, o mesmo que lage — pedra chistosa de super- 



86 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

ficie plana. Do baixo latim lausa, que deu também Lousa, 
Xiousã, Lousada, etc. 

Lamó é assimilação de La -\- Mó ; por seu turno Mó 
■vem do latim mola — a mó do moinho. Lamó quer, pois, 
•dizer o moinho ou a mó do moinho. 

Os leitores mal imaginam as deturpações que soffreu e 
as muitas povoações a que deu o nome o latim mola, tanto 
•em Portugal, como na Hespanha. 

Leiró e Leirós, de leirola e leirolas, diminutivos popu- 
lares de leira. Por seu turno leira vem do latim Ura, pois 
na onomástica portugueza i deu ai e ei, o e ti, etc. 

Vide o meu longo tópico, Substituição de letras. 

Lijó. Vide Alijó, supra. 

Linho e Linhou. Vide Jou. 

Lobió, de Lobiolo, diminutivo de lobio, antiga forma 
popular de lobo (?) em Oviedo e na Galiza. 

Confronte-se Lobio, povoação de Oviedo, e Lobios, po- 
voações de Lugo e Oren.-se. 

Nós também temos Loivo e Loivos, metathese de Ijobio 
e Lobios supra, além do outras muitas povoações que toma- 
ram o nome dos lobos. 

Vide pag. 25Õ, na 1.* parte d 'esta rainha louca Tentatica 
Etymologica^ onde dei uma extensa lista das nossas povoações 
.que tomaram o nome dos lobos. 

Junte-se Luval por Lobal, Luvar por Luval, Luvares, 
plural de Lavar, Luveiro por Lobeiro, etc. Lopo, nome 
pessoal e nome d'um santo, vera claramente de lúpus, lobo, 
fera, como Lobo, appellido vulgar, e Lopes, patronímico de 
Lopo. Também Loba foi antigo nome de mulher e temos 
outros nomes pessoaes e nomes de santos tirados das féraS, 
taes como Leão, Leopardo, Tigre, Urso, Ursicio, Ursino, 
Úrsula, Ursulma, etc. 

Lnrjó, appellido, ó talvez uma forma de Larjó, tirado de 
Largiolus, i, diminutivo de Largas, Largo, antigo nome 
pessoal e nome d'um santo, como Largiào de Largianus, i, 
outro diminutivo de Largus, Largo. 



TENTATIVA ETYMOLOQICO-TOPONYMICA 87 

Malho, Malho e Malhou, povoações nossas, e Malhoa^ 
appellido, podem vir do baixo latim malleólus, z, este do latim 
malUolus^ i, martellinho, pequeno martello, diminutivo de , 
malleus, ei, o martello^ maço. malho, etc. 

Malleólus deu ou podia dar Malho, Malho e Malhou, co- 
mo liniolus deu Linho e Linhou, supra. Malhoa pôde vir de 
maíle'')la, como Figueiró e Figueirôa do baixo latim fica- 
riola — figueirinha, diminutivo de ficaria — figueira. 

Mamôa, pequeno dolmen, e Mamoa, varias povoações 
nossas, vêem do latim mammula — maminha, diminutivo do 
latim mama, peito de mulher, que no baixo latim deu ma. 
mola, unde Mamôa, pequeno dolmen, pela semelhança... e 
Mamola, povoação da Hespanha. 

Maniosolla on Manisolla, Manisella ou Manisolla, Mani- 
sollinha ou Maniosollinha, povoações nossas, mencionadas na 
ChorograpJiia Moderna, ficam para segunda leitura. 

Milheiros de milheirolos, pequenos campos de milho. 

Mó do latim mola, a mó do moinho e por extensão o 
moinho. 

Vide Lamó, supra. 

Moinhola do baixo latim molinola, diminutivo de molinum 
— moinho. Confronte-se Munhota, velha rua do Porto, que 
tomou o nome do baixo latim molinota, o mesmo que molinola. 
Não longe da tal rua da Munhota havia e ainda ha no Porto 
a rua da Atafona, o mesmo que Molinhola e Munhota por 
Molinhota. 

A rua da Atafona pertence ao bairro de Miragaya, que 
vem do tempo dos romanos, e prende com a rua Ancyra, 
assim como esta com a rua Arménia, nomes que segundo sup- 
ponho, ja vêem do tempo dos romanos, pois a Arménia, paiz 
da Ásia Menor, fez parte do império romano do Oriente e An- 
cyra foi a capital da Arménia. 

Da Oração de Cícero pro Djotaro se infere com muita 
probabilidade o motivo porque âs ditas ruas foram dados os 
nomes de Ancyra e Arménia. . , 



88 TENTATIVA ETYMOLOOICO-TOPONYMICA 

Prosigamos. 

Montareol e Montareóla de monte -f- arenolo e arenola, 
areiinha. 

Vide Antanhol, Areol e Arneiroz, supra. 

Montinchol, de montiçolus por montisellus, que deu Mon- 
te Ceie, Montesello, e Monte Sello, povoações nossas tam- 
bém. 

Vide o meu longo tópico supra: Diminutivos da ono- 
mástica portugueza formados pela desinência cellus, celli. 

Moreiró e Moreirola, do baixo latim morariola, diminu- 
tivo de moraria — moreira ou amoreira, arvore, — em latim 
morus, i. 

Mosteiro, do baixo latim 7nona^teriolus, diminutivo do 
latim monabterius, ii — mosteiro. 

Mouçós. Vide Bouçós. 

Mouriçó, de Mai^riciolus, i, diminutivo de Mauriciiis, 
Maurício, nome d'um santo, etc. 

Muuhota, antiga rua de Miragaya, no Porto. De moli- 
nota, o mesmo que moliuola. 

Vide Moinhola supra. 

Munhoz, appellido, quinta, etc. 

De molmolos e esta do baixo latim molinolus, diminu- 
tivo de molinus, moinho. 

Vide Moinhola e Munhota. 

Murçós é talvez deturpação de Burçós por Brussós, o 
mesmo que Brissós. 

Vide Bruço e 7'ira bten qui rira le dernier ! . . . 

Navio — do baixo latim navigiolum e este do latim navi- 
gtolum, diminutivo de navigium — navio. 

Nogueiró, do antigo portuguez popular nogueirola e 
este do baixo latim nucariola, diminutivo de nucaria, no- 
gueira. 

Nogueirola é congénere de moreirola, Quintola por quin- 
tarola, bandeirola, barcarola, etc. 

Oriolla — de Ariola e esta do baixo latim areno/a, arei- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 89 

inha, um dos muitos diminutivos da onomástica portugueza, 
tirados do latim arena, areia. 

Vide Areola, Areolas, Areolos, Arneiroz Montareol e 
Montareóla, supra. 

Orjó de Orjolo, diminutivo de Orjo, que se encontra em 
Vai do Orjo, povoação nossa. E talvez que Orjo seja o mes- 
mo que Orge, povoação nossa também, cujo nome pôde vir 
do francez orge — cevada. 

Vide o meu longo tópico Diapasão francez na onomás- 
tica portugueza, pag. 275 a '294, supra. 

Também Orjó pôde ser aferese de Lorjó, supra. Vide o 
meu longo tópico : Afereses da onomástica portugueza. 

Pdçô, Palaçoulo e Passo ou Passo. Do baixo latim pala- 
tiolus, diminutivo do latim palafium — palácio, paço. 

Palmeirô, de palmeirola, diminutivo de palmeira, em 
latim palma, 

Confronte-se Nogueiró, supra. 

Paranhô, de paranhola ou paranholo, diminutivo do an- 
tigo portuguez paranho, terra privilegiada, couto, honra. 

, Pardilhó, do baixo latim parietola, o mesmo que parietela 
paredinha, diminutivo do latim parles^ e/is-, a parede. Também 
temos Pardelhas, appellido e notne de varias povoações nos- 
sas, tirados da parietelas, plural de parietela supra e teem a 
mesma etymologia os pardeihos, redes de pesca, pois armam 
se em forma perpendicular, a modo de paredinhas. 

O snr. Cândido de Figueiredo não mencionou os taes 
pardeihos, muito vulgares no Douro, etc. 

Paro e Parola, do portuguez parola^ palanfrorio, pala- 
vriado, palavras ôoas, do latim parábola, como diz o sur. 
Cândido de Figueiredo, ou antes do baixo latim parábola, 
deturpação de parábola. 

No concelho d'Armamar houve e não sei se ainda ha 
uma feira, denominada Feira da Parola. 

Passo ou Passo. Vide Paço. 

— Pessós talvez provenha de Passos por Paços, pala- 
çoulos, pacinhos, pequenos paços ou pequenos palácios. 



90 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Também Pessós pôde vir de pezolos, plural de pezolo, 
diminutivo do antigo portuguez ^e20 — casal completo, como 
já li algures, se bem me recordo. Tem a mesma etym. Pe- 
sellinhos, Pesinho, Peso, Peso da Régua, Pesos, etc, ao todo 
mais de 30 povoações nossas. 

N'este caso Pessós ó synonimo de Pesellinhos e Pesinhos. 

Também Peso e Pesos podem vir de teso e tesos, outr'ora 
sitios altos. 

Vide o meu longo tópico Substituição de letras. 

Picanhol de picanhola, diminutivo de Picanha, povoa- 
ção nossa também, como Pica, Picadoira, sitio, Picadouro, 
Picanheira, Picanheiras, Picarenha, Picaró, Piqueiral, etc. 

Vide Ranho e Ranhola, infra. 

Picaró, por Pincaró, vem talvez de Pincarolo, diminuti- 
vo de Pincaro, o mesmo que pináculo, sitio alto e escarpado. 
Confronte se Picarotos, Pincarinhos e Píncaros, povoações 
nossas. 

Também Picaró talvez seja diminutivo e depreciativo 
de Pico, na accepção de pincaro, sitio alto, escarpado e 
aguçado, que. deu o nome a varias povoações nossas. Taes 
são : Pica, Pico, Picos, Picota, Picote, Picoteira, Picotim, 
Picotinho, Picoto, Picotos, etc. 

Picarotos e Picotos — são irmãos gémeos ou parentes pró- 
ximos de Píncaros e Pincarinhos, povoações nossas também, 
mas pincaro vem do latim pinaculum, e pico do celta pie, na 
opinião do sr. Cândido de Figueiredo. 

A' mesma familia dos Picos e Pincaros pertencem as 
nossas povoações denominadas Cotello, Coto, Cumieira, Ou- 
teiro, Outrete por Outeirete, o mesmo que Outeirinho, etc. 

Pinho — do baixo latim ^moíeis — pinheirinho, diminu- 
tivo de pinus — pinheiro. 

Pinhôa — do baixo latim pinnola, penninha, diminutivo de 
penna d'ave, deturpação do latim pinnula — idem. 

Também Pinhôa por Piuhola talvez provenha do baixo 
latim pinola, pinheirinha, — feminino de pinolus, supra. Con- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 91 

fronte-se Pinheira e Pinheiro, varias povoações nossas, como 
Carvalha, Carvalhinha e Carvalho ; Salgaeira, Salgaeirinha e 
Salgueiro; Sobreira, Sobreirinha e Sobreiro; Castanheira,. 
Castanheirinhas e Castanheiro ; Marmeleira e Marmeleiro J 
Carrasqueira e Carrasqueiro ; Reboleira e Reboleiro, etc, 

Com vista ao meu bom amigo dr. Francisco Ferreira da 
Cunha^ distincto professor do Lyceu e clinico, morador na 
rua da Reboleira, aqui no Porto — rua mais velha do que eu, 

Poçoulos por poçolos, diminutivo de poços, como poci- 
nhos, plural de pocinho, diminutivo de poço, em latim pu- 
teus, que já no tempo dos romanos deu Puteoli, orum, actual- 
mente Pozzuolo, cidade da Campania, — e puteolanus, a, um, 
coisa de Poxzuolo, como a pozxolana, cimento vulgar de terra 
vulcânica, misturada com cal. 

Também pnteus em latim deu Puticuli, orum, poços do 
monte Exquilino em Roma, onde se sepultavam os mortos da 
plebe. 

Puteoli e Puticuli são diminutivos de puteus, poço, como 
Poçoulos, por Poçolos, supra, povoações nossa^; e temos 
outras muitas com a mesma etymologia, taes são : 

Poça, Poçanco, Poças, Poceirão, Poceiro, Pochos, por 
Poços, Pocico, Pocinha, Pocinhas ^, Pocinho, Pocinhos, Po- 
ço, Poços, Poçonhos, Possolos, o mesmo que Poçoulos e 
Possacos, plural do Possaco, o mesmo que Bussaco. 

Também temos Paçancos, Pucello, do velho latim pu- 
teolus, singular de Puteoli, supra; Pucicaros, quasi Pocicolos, 
do latim Puticuli, supra ; Pussos por Poços e Putellos por 
Potellos^ plural de Potello, o mesmo que Pocello, Pocico, 
Possaco e Bussaco, supra. 

E" assim a arte nova e — rira hien qui rira le dernier ! ... 



- No alto da minha Penajúlia ou Penajoia, no Douro, a montante 
do Castello dos Mouros, tenho eu um grande pinheiral denominado Poci- 
nhas, que tomou o nome d'umas pequenas nascentes d'agua — pocinhas, 
pocicos, pocécos ou poçacos que ali ha. 



92 TENTATIVA ETYMOLOGlÇO-TOPONYMrCA 

Portouro, do baixo latim portolus ou portolius, diminu- 
tivos de portus^ porto. 

Confronte-se Riboura, grande poço do Douro entre o 
ponto de Canedo, a juzaute e o de Ripança, a montante, ^ 
entre os concelhos de Baião e Rezende. O tal poço no in- 
verno é largo e medonho, mas na estiagem é muito estreito, 
pelo que foi denominado Riboira ou Riboura, do baixo la- 
tim rivolia, ribeirinha, diminutivo do latim ricus, regato, ri- 
beiro, arroio. ' 

. Rivolia ó deturpação do latim rivulu^, diminutivo de 
rivus, supra; e sem violência alguma rioolia deu ricoina e 
Riboira ou Riboura, porque as letras h e v, l e r, trivial- 
mente se confundiram na onomástica portagaeza. 

Veja se o meu longo tópico — Substituição de letras. 

Possolo, appellido^ e Possolos, aldeia. 

Veja-se Poçoulos, supra. 

Qaintola, do portugiiez popular, quiatarola, diminutivo 
de quinta, como barcarola, de barca; bandeirola, de bandeira» 
casarola, de casa, etc. 

Veja-se Fazendóla, Grândola ou Grândola, e Granjóla, 
supra. 



1 Ripança vem talvez de rapança, e este de rapar, arranhar, como 
Rapa, outro ponto do Douro. N jte->e que os ditos poatos são ponios 
de verão e que ali a corrente do Douro é muito rápida, muito precipi- 
tada! Deslisa bôbre rochas nuas e na estiagem tem pouca altura, pelo 
que as ditas fragas arranham ou rapjm e por vezes fazem em estilhas os 
barcos na desciJa. 

Os pontos de Rapa e Ripsnçi ou Ripança do Douro correspondem 
aos rápidos do Ttjo e ás ranhas d < Minho. 

Veja-se Pontos do Douro, artigo meu, no Portugal Antigo e Mo' 
demo, e Ranho, infra. 

" Vc-ja-se o tópico Poços do Dmro no m'"u longo artigo Vizeu, 
do Portugal Andgo e Moderno, vol. xii, pig. 1:704, col. 2.» — e Riboura, 
no meu longo artigo Zezire (Sinta Marinha do), publicado também no 
vol. XII da dita obra, paj. 2:105 até 2:15õ, col. 2.» 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 93 

Ranho e Ranhollas, formas de Ranhola e Ranholas, per- 
tencem talvez á série das nossas povoações seguintes : 

Arranhadouro, casal; Arranho, 3 aldeias e 1 freguezía; 
Ranha, 10 aldeias, 1 casal e 3 quintas; Ranhada, 2 aldeias; 
Ranhadinhos, 1 aldeia; Ranhado, 1 aldeia; Ranhados, 1 villa, 
2 freguezias, 4 aldeias e 1 casal ; Ranhadouro. 3 aldeias e 1 
quinta; Ranhão, 1 casal; Ranhas, 1 aldeia; Ranho, 1 aldeia 
e 1 casal e Ranhollas, 1 aldeia. 

Junte-se Rebulheira, talvez forma de rabulheira por 
arrabunheira ou rabunheira, 1 aldeia, e Rebunhado por ar- 
rabunhado ou rabunhado, 1 casal. 

E' grande a affinidade glotologica entre os nomes d'es- 
tas nossas povoações todas, mas qual a etymologia d'ellas? 
Difficilem rem postulasti. 

Ranho, Ranhollas, Ranhada, Ranhado e Ranhados, po- 
dem vir do portuguez popular ranho, muco, monco, em la- 
tim mucus. O povo também diz ranheta na accepção de ra- 
nhola. N'este caso Ranhada e Ranhado sáo synonimos de 
Moncada, appellido nosso talvez tirado de Moncada, apodo. 
Pertence, pois, Moncada, appellido, á grande série de nomes 
6 appellidos affrontosos, nacionaes e estrangeiros ; mas — 
honra o teu nome e elle te honrará — seja qual for! ... ^ 

Nós não temos povoação alguma com o nome de Mon- 
cada; temos, porém, Moncôa, casal, que pôde vir de Moncôa 
por Monte do Côa ; mas, como o dito casal pertence ao dis- 
tricto de Portalegre, muito distante do rio Côa, na minha 
opinião Moncôa vem de Moncola, synonimo de Ranhola, 
supra. 

De passagem direi que Moncocos, povoação nossa tam- 
bém, é uma forma de Moncucos, o mesmo que Monte dos 



^ O appellido Moncada pôde vir de Moncada, duas povoações da 
Hespanha, uma em Barcelona, outra em Valência. 



94 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Cucos, outra povoação nossa, ambas mencionadas na Choro- 
graphia Moderna. 

Volvendo ao thema Ranho, alguém dirá que não pôde 
vir de ranho, — muco, monco, — pois Ranho c o mesmo que 
Arranho, povoação nossa também, e deve ter à mesma ety- 
mologia de Arranhadouro, que vem de arranhar. 

Concordo em que Arranhadouro vem de arranhar, mas 
assim como Arranhadouro deu Ranhadouro, também Arra- 
nho deu ou podia dar talvez Ranho. 

Como já disse e repito, estes e outros muitos nomes das 
nossas povoações, já vêem da idade média, do tempo em 
que, por falta de luz, andavam todos a jogar a cabra-cega. i 

Confundiam as letras todas, tanto as vogaes como as 
consoantes, incluindo as iniciaes que foram sempre as mais 
resistentes. 

Veja se o meu longo tópico — Substituição de letras. 

Também deturparam escandalosamente os nomes de mui. 
tas das nossas povoações com methatezes ou transposições. 

Veja-se o meu longo tópico — Methatezes. 



^ Ainda hoje, em pleno século xx — o século das luzes, — em Por- 
tugal a percentagem dos analphabetos é de 75 % e dos 23 restantes, cerca 
de metade, são pouco menos do que analphabetos. Não teem exame nem 
sequer do 1." grau de instrucçâo primaria; a custo lêem e escre^rem car- 
tas muito incorrectamente e não lêem jornaes, porque os não teem nem 
entendem. 

Ainda hoje, em pleno século xx — o século das /uzes, — Portugal 
tem muitas freguezias sem uma escola dínsirucção primaria, pelo que 
é um viveiro ou manancial de paióis ou de provincianismos, como não 
ha outro em ioda a Europa. 

Irra ! Irra !. ,. 

Em Lisboa e em Coimbra, no Porto e em Braga, temos bastante 
instrucçâo e aulas superiores bem montadas; mas na parte restante do 
nosso paiz, nomeadamente nas freguezias ruracs, a falta de instrucçâo e 
de luz, ainda recorda as trevas da idade média!. . . 

Veja-se Serdeiró, infra. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 95 

Deturparam também outros com afereses, cortando-lhes 
a l.« letra ou a 1." sylaba. Outras vezes por assimilação au- 
gmentaram os nomes das povoações, incorporando n'elles os 
artigos o, a — ou o artigo árabe correspondente ai, que mui- 
tas vezes tomou a forma ar — e no diapasíío leonez e castelha- 
no o artigo la por ai. 

Assim escreveram Arranhadouro e Ranhadouro, e Arra- 
nho por Al-Ranhó, Ranho, ranheta ou Ranhola ! 

Confronte-se Aboadella e Boadella ; Abobada e Bobeda 
por Bobada; Aboicinhas por Al-Boicinhas e Boucinhas, o 
mesmo que Boicinhas ; Aboim e Boim ; Acripreste e Ci- 
preste ; Afeitai o Feital; Agodim e Godim; Alagôa e Lagoa; 
Alçaria e Caria ; Alcongosta e Congosta ; Alfundão e Fun- 
dão; Alportel e Portel; Alubagueira e Lobagueira; Avellosa 
6 Vellosa; Avelloso e Velloso; Avessadas e Vessadas ; Aze- 
nha e Zenha, etc, povoações nossas. 

Do exposto se ve que Arranho e Ranho, são ou podiam 
ser formas do mesmo nome, como Arranhadouro e Ranha- 
douro. 

Ahi vae outra série de dislates meus. 

Arranhadouro, Arranho, Ranha, Ranhada, Ranhadinhos, 
Ranhado, Ranhados, Ranhas, Raiihol, Ranholas, etc. também 
podem vir do portuguez arranhar, que deu arranhadella, ar- 
ranhado, arranhador, arranhadura e arranhão, o mesmo que 
arranhadura, — mas qual a etymologia de arranhar, — ferir 
levemente com as unhas ou com a ponta d'algum instru- 
mento ? 

O snr. Cândido de Figueiredo diz que arranhar talvez 
seja uma forma de arreunhar; de re... -\- unha? 

Eu lembrarei raha, que se lê ranha, termo da Extrema- 
dura bespanhola : — chão montanhoso povoado de urzes, len- 
tiscos e outros arbustos (talvez espinhosos, silvas, tojos, car- 
dos, etc.) como diz Valdez; — mas não dá rahar nem arrahar, 
em portuguez ranhar e arranhar, que muito naturalmente 
vieram ou podiam vir de raha, ranha, supra : — chão monta- 
nhoso povoado de plantas espinhosas. 



% TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

O mesmo provincianismo hespanhol rana (ranha), sem 
violência deu entre nós arranhad^la, arranhado, arranhador 
arranhadura, arranhão e arranhar — bem como o provincia- 
nismo transmontano arranhadoiro, na Beira, ranhão, instru- 
mento de fornos. 

Podia também rafia, supra, dar o portuguez arranha 
apparelho para a pesca do polvo, usado na ria de Vigo. Em 
castelhano não ha arrana (arranha) ; — é talvez termo próprio 
da Galliza, donde viria para Portugal — ou vice-versa. 

Podia também o provincianismo hespanhol rana — chão 
povoado de plantas espinhosas — dar sem violência o nome 
ás nossas povoações denominadas Arra)ihadouro, Arranho, 
Ranha, Ranhada, Ranhadinhos, Ranhado, Ranhados, Ranha, 
douro, Ranhas, Ranho, Rauholas, etc, pois na idade média 
talvez que o chão d'ellas estivesse inculto e povoado de 
plantas espinhosas. 

Eu apenas conheço a povoação do Ranhadouro, perten- 
cente á freguezia de Cambres, no aro de Lamego, — uma das 
freguezias mais mimosas, mais vastas, mais populosas e mais 
bem agricultadas que temos em todo o nosso paiz. — No Ra- 
nhadouro não ha hoje memoria de cardos, nem silvas, nem 
urze, nem outras plantas espinhosas, isso porém não obsta a 
que na idade média ali as não houvesse. 

Ha também na mesma freguezia uma povoação denomi- 
nada Bugalheira, que tomou o nome dos bugalhos e recorda 
o tempo em que o chão da dita aldeia, hoje muito mimoso 
e muito bem agricultado, era um bosque ou matta de carva- 
lhos. 

Cambres produz muita fructa, da melhor do Douro e de 
Portugal todo, incluindo laranjas, muita e óptima hortaliça, 
algum azeite, bastante milho, etc. ; mas a sua producção 
principal é vinho, do melhor do Baixo Douro. Em tempos 
normaes chegou a produzir em um só anno quatro mil pipas 
de vinho. Mas tomou o nome das couves, pois Cambres vem 
do latim botânico de Plínio — crambe, es — a couve e toda a 
hortaliça, nome bem apropriado. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 97 

Note-se que a vasta freguezia de Crambes, hoje Cambres, 
produz não só hortaliça para a sua numerosa população, que 
hoje se eleva a 3:500 habitantes, mas também abastece de 
hortaliça, a grande villa da Regoa, que lhe fica próxima. 

Cambres data, pois, do tempo dos romanos e é anterior 
a Plinio, como na falta d'outro documento prova a sua ety- 
mologia. 

Desculpem os meus poucos leitores tantas divagações e 
prosigamos. 

Rebunhado, casal nosso, vem talvez de arrebunhado, ap- 
pellido ou apodo, e este do portuguez popular, arrebunhar, 
ferir com as unhas, o mesmo que arrabunhar e arranhar, tal- 
vez contracção de arrabunhar ! . . . 

O snr. Cândido de Figueiredo, como os leitores já vi- 
ram supra, diz que arranhar pôde vir de arreunhar e este de 
re. . . -|- unha. Ora, arranhar e arrabunhar são formas do 
mesmo nome e na rainha opinião arrabunhar podia, sem 
grande violência, dar por contracção, arranhar ; mas qual a 
etymologia de arrabunhar ? 

Se arranhar pôde vir de re... 4- unha, seja-me licito 
dizer que arrabunhar pôde vir de rabo e unha ! E qual a 
etymologia de rabo? O snr. Cândido de Figueiredo diz que 
rabo, cauda, vem do latim ropum, mas em latim rcqmm si- 
gnifica somente o rábano, rabão, ou rabam, planta, que deu 
rapulum, i — o rabanete, como se lê no Magnum-Lexicon. 

Rabo talvez que venha, não do latim^ mas do baixo 
latim . . . 

Consulte-se Ducange, glossário que agora não tenho á 
mão. 

No idioma castelhano, como já dissemos, ha raua, pro- 
viucianismo da Extremadura, que se lê ranha e significa 
chão montanhoso, povoado de urze, lentiscos e outras plantas 
espinhosas, mas no mencionado idioma raiia apenas deu raho, 
que se lê ranho, certo peixe, e um instrumento ou gancho 
de ferro para arrancar as ostras que estão pegadas ás rochas. 

VoL. Ill ' 7 



98 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Ha, porém, na onomástica hespanhola muitas povoações 
que tomaram ou podiam tomar o nome de rana supra 
Taes são : 

Arranos, na Biscaya; Ranadiza, Rana Dorio e Eanadoi- 
ro, na Galliza ; Rana do Rio, em Oviedo; ^ Ranas, Rane, 
Rauestras e Rano^ na Galliza ; Raneces, em Oviedo ; Ranin, 
em Huesca ; Rabunada e Rabunade, na Galliza. 

Nós também temos em portuguez ranha (provincianismo 
do Minho) rápido, declive do mencionado rio. 

Julgo que no Tejo dão o nome de rápidos aos sitios 
mais declivosos que ha no leito do rio, entre as Portas de 
Rodam e Abrantes, na estiagem. 

O nome de ranhas dado aos rápidos do Minho, com 
certeza vem de arranhar, porque os taes sitios são declivosos 
— teem pouca altura d'água no estio, e os barcos tocam 
nas pedras que formam o leito do rio, pelo que os arra- 
nham. 

No Douro denominam pontos o que no Tejo denominam 
rápidos e no Minho ranhas, mas no Douro, além dos pontos 
que arranham e que são numerosos no estio, ha outros 
muito diíFerentes ! . . . 

Entre os muitos que arranhara e por vezes despedaçam 
os barcos rabellos, ha no Douro apenas dous, cujos nomes 
teem muita affinidade com as ranhas do Minho. São os 
pontos de Rapa e Ripança, o mesmo que Rapança, que toma- 
ram o nome de rapar, arranhar. 

Veja-se no Portugal Antigo e Moderno, o meu artigo 
Pontos do Douro, vol. vii, pag. 198 ; no meu longo artigo 
Vizeu, o tópico Poços do Douro, vol. xii, pag. 1704^ e no mes- 
mo volume, pag. 2115, o meu artigo Zêzere (Santa Marinha 
do) freguezia do concelho de Baião, onde fallei do Poço de 
Riboura. 



^ Rana Dorio, Rana do Rio e Ranadoiro, são talvez formas do 
mesmo nome, como Ranhadouro ou Ranhadoiro, povoação nossa. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 99 

Nós temos varias povoações que tomaram o nome das 
plantas espinhosas que arranliam e picam, taes são : Espinhal, 
Espinheira, Espinheiral, Espinheirinha, Espinheiro, Espinhei 
por Espinhal, Espinho, Espinhos, Espinhosa, Espinhosella^ 
Espinhoso, etc, 

Junte-se Picadouro, Picaduras, Picadurinhas, Picauha, 
Picanheira e Picanhol por Picanhola, diminutivo de Picanha, 
talvez synonimias de Arrranhó, Eauhó e Ranhola supra, di- 
minutivos de S-anha por Arranha ! 

Picadouro é synonimo de Arranhadouro e Ranhadouro, 
supra, e ha na minha terra natal, Penajulia ou Penajoia, fre- 
guezia do concelho de Lamego, um sitio denominado Pica- 
deira, no alto da freguezia e nas abas do monte do Poio. ^ 

O tal chão da Picadeira pertence á minha familia e é 
uma synonimia de Ranhadouro e Picadouro, pois abunda em 
tojo espontâneo, que arranha e pica muito, como todos sa- 
bem. Também lá temos um bom pinhal e já tivemos bello 
tojo amai, de semeadura. 

O tojo espontâneo abunda em varias regiões do nosso 
paiz, pelo que d'elle tomaram o nome dezenas de povoações 
nossas. 

Vide Tojo e Tuzar no Índice da 1.» parte d'esta minha 
louca Tentativa, onde dei uma lista de todas as nossas po- 
voações que tomaram o nome do tojo. E' uma lista curiosa, 
pois em alguns dos nomes d'ellas, por serem muito anti- 
gos, só com a lente d'arte nova se lobrigava o tojo, coma 
em Tijosa por Tojosa; Tugal e Tuzar por Tojal; Tuido 
por Tugido e este por Tojedo ; Tugueira por Tojeira ; Tuxa 
por Tojo, etc. 



1 Monte do Poio é pleonasmo, porque Poio vem do baixo latim 
podiam, outeiro, monte, unde poia, certa broa de pão, e poio, monte do 
que já foi pão. 

Monte do Poio significa, pois, Monte do Mente. 

Veja-se, Podia, Podium e Podius em Ducange. 



100 TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPON YMICA 



DiminutiDOs da onomástica portugueza íormados 
peia desinência oliis, ola 

Rebolho, Rebólia ou Rebolía i, Redolho, Riból, Ribo- 
Ihinhos, Ribolhos, Kiboura, Ribóz, Eivóz e talvez Ruivóz, 
povoações nossas, todas mencionadas na ChorograpMa Mo- 
derna, — podem vir do baixo latim ricóhis, i, — ribeiro, arroyo, 
regato, pequeno rio, — e de rivolia, — ribeira, etc, — e estes 
do latim rivus e rimilus, idem. 

De rivólus — Ribol, Ribóihos, Ribóz, Rivóz e talvez Rui- 
vos^, pois na onomástica portugueza i deu ai, ei e iii. 

Vide o meu longo tópico. Substituição de letras. 

Rebolho — de Ribolho, singular de Ribóihos. 

Riboira ou Riboura — de rivolia — ribeira ou ribeirinha 
como já drssemos a pag, 92. 

Rebólia ou Ribólia — talvez seja uma forma de Riboura, 
ou contracção de Rebolaria, povoação nossa também, o mesmo 
que Rebolai, Rebolar e Rebolía — bosque ou matta de re- 
boleiros, castanheiros bravos que se encontram em Reboleiro, 
Reboleiros e Reboleira, povoações nossas, — e na velha rua 
do Porto, chamada Reboleira, onde mora o meu bom amigo 
dr. Francisco Ferreira da Cunha e moraram outr'ora o len- 
dário Pedro Sem (Pedro Pedrossem da Silva) e o grande 
capitalista António de Sousa Lobo, muito conhecido no 
Porto, como Lobo da Reboleira. 

Na mesma rua e na mesma casa que foi de Pedro Sem 
morou também o grande capitalista e negociante Francisco 
Cardoso Valente, fallecido ha poucos annos e que deixou uma 
fortuna avaliada em oitocentos contos de reis. 

Vide o meu longo artigo Nicolau (S.), freguezia do Porto, 
no vol. 6.0 do Portugal Antigo e Moderno, pag. 41. 



^ O snr. J. M. Baptista, na Chorographia Moderna, escreveu sim- 
plesmente Reboiia. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 101 

Redolho é talvez uma forma de Reboibo, pois ho e dg 
confundiram-se na onomástica portugueza. 

Vide o meu longo tópico — Substituição de letras, 

Ribolbinhos ó diminutivo de Ribólbos. 

Riboz e Rivoz são formas do mesmo nome, pois b e v 
confundiram-se trivialmente na onomástica portugueza, e 
ainda hoje se confundem no idioma portuguez popular. 

Eruivóz talvez seja uma forma de Rivoz, como já disse- 
mos supra; mas também pode vir do baixo latim Rafinolus, 
diminutivo de Bufinus, — Rufino, antigo nome pessoal e noma 
d'um santo, etc, tirado do latim riifus — ruivo, que deu tam- 
bém Rufus, Rufo, nome pessoal e nome d'um santo, etc. 
N'este caso Rufinolus é diminutivo de Rufinus e subdimi- 
nutivo de rufus — ruivo. 

Confronte-se Rufino, Ruiva, Ruivana, Ruivas, Ruivinha, 
Ruivinos, quasi Ruivinhos, Ruivo, Ruivos, etc, pov. nossas. 

Assim como Rufus em portuguez deu Ruivo e Rufinus 
deu Ruivinho ; também Rufinolus deu ou podia dar Ruivo- 
lus e Ruivoz ! 

Prosigamos. . 

Sarolla. Vide Seroa, Serrôa e Zarola. 

Serdeiró por Cerdeiró, vem de cerdeirola, forma popu- 
lar de' Cerdeira, o mesmo que cerejeira, arvore que dá cerejas. 
Abundam em varias regiões do nosso paiz, nomeadamente 
na minha Penajulia ou Penajoia, pelo que é denominada 
terra das cerejas e também jardim do Douro, por ser a fre- 
guezia mais mimosa do Douro e de Portugal todo ! . . . 

EUa produz muitas e óptimas cerejas, muito variadas e 
muito têmporas. Alii se encontram cerejas maduras no& 
fins d' Abril e alguns annos em Fevereiro, sendo estas ulti- 
mas provenientes da florecencia outomnal. Mas, além das ce- 
rejas, produz óptimas laranjas, peras, damascos, pêcegos, 
castanhas, figos, ameixas, diospiros, maçans, etc, ao todo 
600 a 800 carros de fructa variadíssima! 

Também produz bastante azeite, cereaes, muita hortaliça^ 



102 TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMICA 

batatas e óptima baga de sabugueiro. Hoje produz pouca, 
apenas 4 a 5 mil arrobas por anno, porque a baga embarate- 
ceu muito e os sabugueiros são parasitas. Demandam boa terra 
e estendem as raizes até grande distancia ; mas no tempo em 
que a baga no Douro se vendia a 5 e a 6 mil reis cada 
arroba de lõ kilos, só a minha Penajulia ou Penajoia chegou 
a produzir 10 a 15 mil arrobas de baga n'um só anno!... 

— Foi, porém, sempre o vinho a sua producção domi- 
nante. Em tempos normaes produzia 2:õ00 a 3:000 pipas de 
vinho por anno, e actualmente produz três a quatro mil, por- 
que já reconstituiu os seus vinhedos com vides americanas, 
e transformou em vinhedos muitos soutos de castanheiros. 

Do exposto se vê que a minha PenojuUa ou Penajoia — 
decantada terra das cerejas — produz algo más do que ce- 
J^ejas. ^ 

Desculpem os meus poucos leitores estas rudes linhas em 
homenagem á minha terra natal — a Penajoia — onde nasci 
no casarão ou casa da capella, da povoação da Corvaceira, 
concelho de Lamego, mesmo em frente da estação actual do 
Moledo, no dia 14 de novembro de 1832, sendo baptisado na 
freguezia de Samodães, próxima e limitrophe, no dia 26 do 
dito mez, Já decorreram cerca de 78 aunos, pois estou escre- 
vendo estes rabiscos em 1910. 

Prosigamos. 

Serdeiró por Cerdeiró, e este por Cerdeirola, é congéne- 
re do portuguez popular bandeirola, barcarola, casarola, quin- 
tarola, etc, etc. 

Os leitores não estranhem a graphia (iJerdeira e Serdei- 
ra^ que se encontra na Chorographia Moderna, pois, como já 
dissemos, na idade média, por falta de luz, andavam todos a 
jogar a cabra cega, pelo que uns escreviam Cerdeira e outros 



' V. Penajoia no indice da primeira parte d'esta minha louca Ten- 
tativa Etymologica e no Portugal Antigo e Moderno. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPON.YMICA 103i 

Serdeira, confundindo as letras c e s, e todas as outras, tanto 
vogaes como consoantes, incluindo as próprias iniciaes, que 
foram sempre mais resistentes. 

Também temos na onomástica portugueza : Ceada e Sea- 
da; Sebolido por ceboledo, o mesmo que Cebolal e Cebolarí 
Ceiceira e Seiceira; Celada eSellada; Celadinha e Selladinha; 
Cella e Sella ; Celho (Cima de Celho) e Selho ; Cella de 
Baixo e Cella de Cima, — Sella de Baixo e Sella de Cima! 

Ceilão e Sellão ; Cellas e Sellas ; Celleiro e Selleiro ; Cen- 
tieira e Sentieira ; Cepães e Sepães ; Cepeda e Sepeda ; Ce- 
pellos e Sepedellos; Cerdedo e Serdedello ; Cerdeira e Ser- 
deira (cá está ella ! . . . ) 5 Cerdeiral e Serdeiral ; Cerdeiras e 
Serdeiras; Cerdeirinhas e Serdeirinhas ; Cerdeiro ou Cordei- 
ro? — e Serdeiró ; Cergaça e Sargaça ; Cernada e Sarnada ; 
Cernadas e Sernadas ! , . . 

Junte-se ainda : — Cerquedo e Serquedo ; Cerqueira e 
Serqueira; Cerqueiral e Serqueiral; Cerradello e Serradello; 
Cerradouro e Serradouro ; Certão e Sertão ; Cerzeda e Serze- 
da; Cerzedello e Serzedello ; Cestaes e Sestaes ; Cevadeira e 
Sevadeiro, m, de Sevadeira; Cever e Sever, etc, povoações 
nossas, todas mencionadas na ChorograpMa Moderna. São um 
bello espécimen da onomástica portugueza comparada ! . . . 

Prosigaraos. 

Cerdeira ó o mesmo que cerejeira, arvore que dá cerejas 
— e tomou o nome do latim cerasus — a cereja e a cerejeira. 
A forma cerdeira não vem do latim, mas do baixo latim ce- 
reria — e este talvez do latim Ceres, eris, — a deusa das searas. 

Cereria deu ou podia dar cerdeira, porque o d é letra 
caprichosa. Muitas vezes cahiu e outras surgiu por eupho- 
nia na onomástica portugueza e no idioma portuguez. 

Veja-se D no meu longo tópico — Substituição de letras» 

A forma cerdeira é geralmente usada em todo o norte 
do nosso paiz, nas provindas do Minho, Douro, Beira e 
Traz-os-Montes ; na parte restante de Portugal, mesmo nos 
districtos d'Aveiro, Leiria e Coimbra é usada a forma cerejeira. 



104 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Um meu amigo d'Ancião, districto de Leiria, sendo bas- 
tante illustrado, formado em direito por Coimbra e hoje 
advogado no Porto, tendo sido delegado do procurador régio 
em Traz-os-Montes, disse-me que ficou attonito quando ouviu 
dar ás cerejeiras o nome de cerdeiras ! . . . 

Também ao norte do nosso paiz, nomeadamente nos dis- 
trictos de Braga, Vianna e Porto, são vulgares os termos 
eido e aido, — termos completamente desconhecidos no centro 
e sul do nosso paiz ! . . . 

Também ao norte do nosso paiz dá-se o nome de montes 
aos sitios altos e despovoados, emquanto que no Alemtejo 
dão o nome de montes ás povoações ruraes, que ao norte 
do nosso paiz se denominam aldeias, povos, logares, assento 
e residência. 

Também ao norte do nosso paiz ramada significa parreira, 
latada, emquanto que no Algarve significa abegoaria^ — casa 
feita de pedra para recolher gado : — bois, cavallos, etc. ^ 
Sendo Portugal um paiz tão pequeno, n'elle abundam estes 
e outros muitos provincianismos, O snr. Cândido de Figuei- 
redo já mencionou bastantes no seu Novo Diccionario da lín- 
gua portiigueza, mas podia mencionar muitos mais! . . . 

Seria até muito interessante um diccionario de patois 
portuguez, mesmo porque o nosso paiz foi habitado por 
centenares de povos desde os tempos mais remotos e conta 
ainda hoje infelizmente 7õ°/o de habitantes analphabetos» 
que falam, como falavam os seus pães e avós. 

Portugal é, pois, um viveiro ou manancial de patois, 
como não ha outro em toda a Europa ! E hoje era fácil co- 
lher elementos para o diccionario que proponho. Bastava 
que o governo formulasse um questionário sobre o assumpto 
e o distribuísse pelos parochos e professores ruraes de todo 
o nosso paiz, encarregando-os de satisfazerem aos diversos 
quesitos no praso d'alguns mezes. 



Na Galliza, ramada significa rama dos carvalhos ! . 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 105 

Prosigamos. 

Seroa. — V. Sarolla, Serrôa e Zarola, 

Serrazolla vem do portuguez popular serrazolla, dimi- 
nutivo de serra, montanha. 

Serrôa pôde vir do portuguez popular serróia, diminu- 
tivo de serra e contracção de Serrazolla, supra. Por seu 
turno Serrôa deu ou podia dar Seroa, porque o í' é letra 
muito falsa e muito caprichosa ! . . . 

Veja-se o meu longo tópico — Substituição de letras. 

Também Seroa por Sarôa pôde vir de Sarolla, supra. 

y. Zarola, pag. 110. 

Sequeiro e Sequeiros, do portuguez popular sequeirola 
e sequeirolos — terra secca ou sequinha. 

V. Esquiró, supra, e conf. Sequeade, Sequeira, Sequeiras^ 
Sequeirinha, o mesmo que sequeirola e Sequeiro, supra ; Se- 
queiro, Sequeiros, Sequieira, o mesmo que Sequeira, etc, 
povoações nossas. 

Temos também Seca, Secalina, Secarias, Secas, Seco, 
Secos, Seculinho, por Secalino, musculino de Secalina ? As- 
seca por Al -|- Seca ; Assequins por Al -f- Sequins — -os chãos 
sequinhos ou secalinos, ^ Escalhão por Secalhão, etc. 

Tabaçô, por Taboaçô, é diminutivo de Taboaço, que vem 
do baixo latim tabulatium, grande souto de castanheiros, do 
latim tabula, taboa e, por extensão, castanheiros, por se- 
rem outr'ora as taboas de castanho as taboas por excel- 
lencia. 

De tabulatium, tabulatiolus, Taboaçô e por contracção 
Tabaçô. Confronte-se Melgaço, Pomaraço, Gestáço e Gestaçô, 
Travasso e Tr^ivassô, povoações nossas e veja-se Tabaçô no 
índice d'esta 2.» parte da minha louca Tentativa Etymologica. 



^ Sêcca, Secco e seus derivados escrevem-se com dois c c, pois 
vêm do latim síccus, sícca; eu, porém, segui a Chorographia Moderna, que 
por seu turno respeitou a ortographia popular e official dos nomes das 
nossas povoações. 



106 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Talho e Talhos. 

Veja-se Telho. 

Teixeiró, do portuguez popular Teixeirola, o mesmo que 
Teixeirinha, diminutivo de Teixeira, que tomou o nome dos 
teixos, arvores coníferas, em latim taxus, i, — arvores que 
outr^ora abundaram em differentes regiões do nosso paiz, 
como provam as nossas muitas povoações que tomaram d'el. 
las o nome. Taes são : 

Teixa por Teixo ; Teixedas por Teixeiredas ; Teixedo por 
teixeiredo ; Teixeira, Teixeiras, Teixeirinha, Teixeiró (cá está 
ella !...); Teixello, Teixinho, Teixo e Teixoeira, íórma ante- 
rior de Teixeira, como Figoeira, povoação nossa também, é 
forma anterior de Figueira. 

Junte-se ainda Teixoso, Teixedo, metathese de Teixei- 
redo, o mesmo que Teixedo, supra. 

Ha em Lamego um teixo muito lindo, que é talvez o 
mais lindo de Portugal! — Deve ter mais de 100 ou 150 annos 
— e demora no cimo da rua da Seara, a montante e pouco 
distante da capella de N.' Senhora da Esperança. Foi educado 
e muito pacientemente aparado á tezoura por um fogueteiro 
de nome Feliz, dono do quintal, onde se vê, e da casa próxi- 
ma. Foi um artista afamado, ordenou dois filhos e falleceu 
ha bastantes annos. 

O lindo teixo terá 8 metros d'altura e tem a forma 
d'uma p3^ramide quadrada muito regular, encimada por uma 
coroa real do mesmo teixo, e nos quatro ângulos superiores 
da base tem quatro pombas, talhadas á tezoura no mesmo 
teixo também. Merecia a honra de ser photographado e 
transplantado para o jardim mais luxuoso de Lamego e de 
Portugal todo! . . . 

V. Teixos e castanheiros notáveis no Índice d'esta 2.* 
parte da minha louca Tentativa. 

Telho pode vir de telho e este do baixo latim teguliola, 
telhinha ou telhola, diminutivo do latim tegula — telha, que 
deu o nome a varias povoações nossas, ao todo mais de tre- 
zentas. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMTCA 107 

Taes são: Telha, Telhada, Telhadas, Telhadella, Telha- 
dínho, Telhado, Telhados, Telhaes, Telhai, Telhe, Telheira, 
Telheiras, Telheirinha, Telheirinhas, Telheirinho, Telheiro, 
Telheiros, Telhelhe, Telho e Telho, supra, 

Junte-se ainda : Casa Telhada, Fonte da Telha, Fonte 
do Telheiro, Forno da Telha. Forno Telheiro, Monte da Te- 
lhada, Vai da Telha, Vai de Telhas, Vai de Telheiro, etc, 
povoações nossas também. 

Telho pode vir também de TelUolus, diminutivo de Te- 
lus, i, antigo nome pessoal, que deu Tello, e Casal Tello, 
povoações nossas, e Telles, appellido vulgar. 

O mesmo Tellus deu ou podia dar Tellonius, i, iis, unde, 
talvez Tellões e Tenões por Tellões, povoações nossas. 

Telho é uma povoação da freguezia d'Arnoia, concelho 
de Celorico de Basto, e na dita povoação de Telho houve 
uma casa nobilíssima e antiquíssima, onde nasceu o snr. 
D. José de Moura Coutinho, santo bispo de Lamego, que 
me ordenou em 1857 e logo me nomeou professor do Semi- 
nário, examinador pro-synodal e vigário geral interino. Era 
uma excellente pessoa, muito illustrado, muito virtuoso e foi 
muito meu amigo até que falleceu em 1862. Deus o tenha 
em bom logar, como firmemente creio, pois era um santo. 

Veja-se no Portugal Antigo e Moderno o meu artigo 
Telho, vol. 9.0, pag. 530, onde dei a biographia e a genealogia 
de S. Ex,* para d'algum modo lhe significar a minha gratidão- 
Veja-se também no mesmo diccionario o meu artigo Villa 
Pouca, povoação da mesma freguezia d'Arnoia, ^ onde volvi 
a falar du nobilíssima casa de Telho e da sua extincçao por 
falta de successão ! 

Ainda por ultimo direi que Telho deu ou podia dar 
Talho e Talhos, plural de Talho, povoações nossas também. 

Thó ou Tó, ficam para segunda leitura. 



^ Portugal Antigo e Moderno, vol. xi, pag. 897, col. 2.a e seguintes. 



108 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Confronte-se Có, Collo e Collos, povoações nossas, bem 
como Paulo, Pó, Polo e Poulo, Tola e Tolo, pois có, pó e tó 
confundiram-se na onomástica portugueza. 

Fiat'lux, e entretanto veja-se o meu longo tópico — Sub- 
stituição de letras. 

Travassô, Travassó e Travassos pertencem á grande sé- 
rie dos diminutivos da onomástica portugueza, formados pe- 
las desinências olus, ola, e a uma grande série de povoações 
nossas, ao todo mais de 100, denominadas Travassinho, Tra- 
vassinlios, Travassó, Travassô, Travassó, Travassos e talvez 
Traváz ! 

Mas qual a etymologia d'esta grande série de povoações 
nossas, todas ellas mencionadas na Chorographia Moderna^ 
Talvez seja o trevo, planta de que ha differentes espécies e 
que abunda em varias regiões do nosso paiz, mesmo porque 
não temos povoação alguma com o nome do Trevo ou coisa 
semelhante. Mas o trevo é planta primitiva, muito anterior 
á oceupação romana, e em latim era denominado frifolium, 
porque tem 3 folhas. A escala foi trifolium — trivolium — 
trevolio — trevo ; mas Travassó, Travaz, etc , na minha opinião 
não vêem directamente do latim trifolium; — talvez prove- 
nham do baixo latim ! , . . — Consulte-se Ducange, glossário 
que agora não tenho á mão — e note-se que trifolium também 
deu trifolio em portuguez. 

Em castelhano, trevo é trebol. A escala seria talvez tri- 
folium >> trivolium ^ trevolium ^ trevol ^ trebol. 

A onomástica da Hespanha tem Trabazas, Trabazo e 
Trabazos, na Galliza, Ovido e Leão ; Trebole e Trevoedo por 
Treboledo, na Galliza também; Trevino e Trevinos, que se 
lêem Trevinho e Trevinhos, em Burgos e Almeria. 

Em italiano trifolium deu trafoglio, trefoglio e trifoglio, 
na accepção do trevo. 

— Também Travassó, Travassô, Travassó, Travassos e 
Travaz — poderão vir do latim trabs, ahis — a trave e por 
extensão castanheiros, arvores que desde os tempos mais re- 
motos abundaram em diversas regiões do nosso paiz e davam 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 109 

óptimas traves para construcções de toda a ordem, — cubos 
para moinhos, faixes para lagares, etc, 

Confronte-se Travaz, Trave, Traveira, Yal da Trave e 
Vai das Traves, povoações nossas também' 

Note-se que já em latim puro trahs, ahis — significou 
arvore e navio ou náu, como se lê no Magnum-Lexicon. 

Prosigamos. 

Urro, Urro e Urros — do baixo latim ulólu.s, diminutivo 
de ululus, que deu Urros, povoação nossa também; mas o 
portuguez urro vem de urrar— e este do latim ululare — bra- 
mir, uivar — que pela forma italiana urlare deu urrar. 

Varreirós por Barreiros — vem do antigo port. popular 
Barreirolas ou Barreirolos, diminutivo de Barreiros, nome de 
varias povoações nossas proveniente do barro. 

Varreirós é synonimo de Barreirinha, Barreirinhas 
Barreirinho e Barreirinhos, povoações nossas também. 

Junte-se o portuguez popular barrojella por barrozella, 
chão que tem pouco barro, pouco húmus, pouca terra, chão 
secco, escarpado, pouco productivo e de pouco valor. 

Veiros por Veeirós — vem do antigo portuguez popular 
vieirolas ou vieirolos — arroios, pequenos veios d'agua. 

Vide Arrayolos por Arroyolos, Beiro, Beirolas e Beirós, 
o mesmo que Veiros, supra, — Ribóz, Rivós, etc. 

Veeiro d'agua é o mesmo que veio d'agua. De veio- 
veeiro e vieiro; o povo, porém, não diz vieiro, mas íieiro 
d'agua (por fio d'agua) — termo popular que o snr. Cândido 
de Figueiredo não mencionou. 

E talvez que fieiro e vieiro sejam formas do mesmo 
nome e tenham a mesma etymologia, pois vi deu fi em fita, 
do latim vitta, etc, e talvez que fí desse vi!... 

Prosigamos. 

Vinho — do portuguez popular vinhola — e este do baixo 
latim viniola, diminutivo do latim vinea — vinha. 

Vinhos c plural de Vinho, o mesmo que Avinho por Al 
-j- Vinho, supra, povoação nossa também. 



110 TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 

Vinhósinhos é diminutivo de Vinhos e * subdiminutivo 
de vinhas. 

Viola, aldeia, — de viola, banza, instrumento de musica,— 
ou antes, de vigiola, diminutivo de vigia, atalaia, esculca. 

Vide Espio, supra. 

Para atesto do casco e fecho d'este iusulso tópico dos 
diminutivos da onomástica portugueza formados pela disinen- 
cia olus, ola, — ahi vai agora mais um chorreiro ou jorreiro 
de dislates meus. 

Zaróla — casal, etc. 

Ad ridendum pôde vir do portuguez popular zarola, 
apodo, o mesmo que zarolho, vesgo, cego d'um olho; — mas 
qual a etymologia de zarolho ? — Difficilem rem. posíulasti. 

O snr. Cândido de Figueiredo nada disse a tal respeito, 
e eu nada me atrevo a dizer também, mesmo porque Zarola 
(segundo supponho) não pertence ao tópico supra, de que no 
momento nos occupamos : Diminutivos da onomástica por- 
tugueza formados pela desinência olus, ola. 

Mas talvez que Zarola seja uma afezere de casarolla, 
singular de Casarollas, povoação nossa, como Casarullos, Ca- 
selha, Caselho, Caselhos, Coselhas por Caselhas, etc. 

Vide Casarollas, volume 2.°, pag. 73. 

Pode portanto Zarola pertencer â grande série das nossas 
povoações que tomaram o nome das casas, bem como á série 
das nossas muitas povoações, em cujos nomes se encontra o 
prefixo cá assimilado. 

II 

Prefixo Cd assimilado 

Confira-se Cabages e Bages, povoações nossas, menciona- 
das na CJiorographia Moderna, de Baptista, bem como as 
•seguintes: — Cabeça e Beça; Cabrito e Brito; Cacães (?) e 
Cães; Caceira (?) e Ceira; Cacella, Cella e Oellas ; Cacha- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 111. 

morra e Chamorra ; Cachoça e Choça ; Cachouça e Choiça, o 
mesmo que Chouça ; Cachouzenda, Chouzenda e Chouzende ; 
Cachusella por Cachousella e Chousella ; Cacilhas e Cilhas; 
Cadarroeira por Cadaroeira e Aroeira ; Cadeirão e Eirão ; 
Cadeiras e Eiras; Cadoeira por Cadaeira e Eira; Caeira e 
Eira; Caeiras, Caeirinha, Caeiro, Caeiros e Eiras, Eirinha, 
Eiró, Eiró e Eiróz. 

Vide Einó, o mesmo que Eiró, supra. 

Caeiro, appellido, vem talvez de Caeiro, povoação nossa 
e este de Ca -]- Eiró por Ca -|- Eiró, supra. 

Somma e segue : 

Cagarraz, e Garraz, antigo prédio do passal de Távora, 
concelho de Taboaço ; ^ Cajaaeiro e Janeiro ; Cajorge por Cá 
-f- Jorge e Jorge, varias povoações nossas ^; Calabouço e La- 
boucinho, diminutivo de Labouço por Calabouço?; Calaceiro, 
aldeia, e Laceiros, plural de Laceiro ; Caleira e Leira ; Ca- 
lourenço por Cá -\- Lourenço e Lourenço ! . . . ; Camões e Mões ; 
Capella e Pella ; Capelias e Pellas ; Capinha e Pinha ; Capote 
por Ca -f- pote e Pote; Carambola e Rambola; Caramella e 
Ramella ; Carámos e Ramos ; Caratão por Ca -{- Ratão e Ra- 
tão, Ratinhos, Rato, Ratões, Ratos e Ponte da Rata, povoa- 
ções nossas que tomaram o )iome dos ratos. S. Pedro de 
Rates, villa e freguezia, não tomou o nome dos ratos mas de 
Renatis, patronímico de Renatus, i, Renato, o mesmo que re- 
nascido, nome d'um santo, etc. Em compensação temos ainda 
Morgunhal, Morganheira, Morganhos, Murganheira e Mur- 
ganhos, povoações nossas que tomaram nome do portuguez 
murganho, rato pequeno. 

Proseguindo com o thema ca, prefixo da onomástica 
portugueza assimilado, junte-se: 



^ Vide pag. 469 na 1." parte d'esta minha louca Tentativa Etimo- 
lógica, n." 71 

2 Com vista aos manes do meu saudoso irmão Jorge. 



112 TENTATIVA ET YMOLOGICO-TOPONYMICA 

Caravella e Rabella ? ; Careiro ou Carreiro, Eeiro e Rei- 
ros ; Garrai e Ral ; Carrasca e Rasca ; Carrascas e Rascas ; 
Carrasqueira e Rascoeira, talvez forma de Rasqueira, como 
Teixoeira e Teixeira, Figoeira e Figueira, povoações nossas 
também. 

Somma e segue: 

Rasquinha e Rasquinhos, talvez afereze de Carrasquinha 
e Carrasquinhos; Carregado e Regado; Carregainho e Re- 
gainho por Carregadinho e Regadinho; Carregueira e Re- 
gueira; Carregueiras e Regueiras; Carreiro e Reiro; Carreiros 
e Reiros! Carromêu e Romeu, nome d^um santo e de quatro 
aldeias e uma freguezia nossas. Carromêu é, pois, uma nitida 
forma de Cá -\- Romeu ! 

Junte-se ainda : Carroqueiro e Roqueiro ; Casa Vedra e 
Saavedra ou Savedra, appellido. 

Logo volveremos ao assumpto. — Casalão e Salão ; Casa- 
rollas, plural de casarolla, que pela desmembração do supposto 
prefixo ca, deu ou podia dar Sarolla e Zarola, como já disse- 
mos. Logo serei mais explicito. 

Casaes e Saes, Caselho e Selho ; Casella e Sella; Ca- 
sellas e Sellas ; Casilho e Silho ; Casollas e Sollas ; Casouto 
e Souto ; Cassapa e Sapa ; Cassapos e Sapos ; Cathejal ou 
Catojal e Tojal; Cavallaria e Vallaria; Cavallas e Valias; 
Cavalleira e Yaileira ; Cavalleiro e Valleiro ; Cavalinho e 
Vallinho ; Cavallinhos e Vallinhos ; Cavallões e Vallões ; Ca- 
vallos e Vallos ! ! ! 

Somma e segue: 

Cavaca e vacca ; Cavaquinhas e Vaquinhas ; Caveirós, 
Beiro, Beirolas, Beirós (em Rezende) e Virós. 

Vide Caveirós, supra. 

Cavêz, Arcos de Val-de-Vêz, — Vêz, rio, — e Vez d'Aviz, 
aldeia. 

Cavião, Gavião e Viao. 

Galandim por Calandim ou Cálandim e Landim, de 
Landelinus, i, Landelino, antigo nome d'um santo, que deu 
também Nandim, na Hespanha, e Mandim, povoação nossa. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 113 

Landim^ Nandim e Mandim são formas do mesmo nome. 

Vide o meu longo tópico — Substituição de letras — e 
rira bien qui rira le dernier ! . . . 

Galbam ou Galvão por Galvão, e Alvão, que deu ou 
podia dar Galvão e Galvão pela forma Gá -|- Alvão, pois 
c«, CO, cu e ga, go, gu trivialmente se confundiram e subs- 
tituíram na onomástica portugueza. 

Este tópico do prefixo cá assimilando-se é muito inte- 
ressante para o estudo etymologico da nossa onomástica, 
mas demanda attenção, pois é muito nebuloso, a principiar 
pelo próprio cá, prefixo e adverbio portuguez, que significa : 
n'este logar; aqui ; para este logar ; entre nós; a mim; a nós. 

Nenhuma d'estas significações se adapta ao prefixo cá 
supra, assimilado aos nomes das pov. a que se une ou junta. 

Na minha opinião o dito cá, por de cá, significa ante, 
antes ou diante de — e corresponde ao prefixo portuguez ante, 
equivalente a antes de. Do latim ante, como diz o snr. Gan- 
dido de Figueiredo. 

Gonfronte-se De Gá Pinhão (sic), povoação nossa. 

Em vez de dizerem : — De cá Bages ou De cá das Bages ; 
De cá Geira ou De cá do Geira ; De cá Ghoça ou De cá da 
Choça, etc, — pela lei do menos peso, disseram Gabages, Ga- 
ceira, Gachoça, etc. 

A forma De Gá Pinhão — por De Gá do Pinhão — é o 
typo de todas as nossas povoações mencionadas supra e na 
Chorographia Moderna com o prefixo cá. V. Zarola, pag. 110. 

Nós também temos varias povoações com o prefixo ante 
por antes ou diante, supra, taes são : — Antadega por Ante 
a Adega. 

Goníronte-se Adega, Adeganha, o mesmo que Adeguinha, 
Adegas, etc, povoações nossas também ^. 



' Ás formas Adeganha e Adeguinha corresponde Mesquinhata por 
Mesquintanha e esta por Mesquitinha. 

VoL. 111 «8 



114 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Anteiras por Ante -|- Eiras ; Antelagar, Ante-porta e 
Ante-portas (sic) ; Ante Ribeiros, Ante Ronda, etc, povoações 
nossas. 

Junte-se Pretarouca do latim prae, ante, antes ou dian- 
te. — Note-se que Pretarouca está junto de Tarouca, do lado 
de Lamego^ e talvez que o nome lhe fôiíse dado pelos frades 
do antigo convento de Tarouca, pois revela conhecimento 
do latim e Pretarouca não tem a aspereza de Catarouca e 
Antarouca ou Antetarouca. 

A etymologia vulgar de Pretarouca é preta rouca, uma 
das taes etymologias d'agua chilra, como Alijó de Ali Job; 
Estarreja de Esta rege ; Mezãofrio de mijam frio, etc. ^ 

Ao diapasão de Pretarouca talvez pertençam Percota, 
Perdurão, Perleirinlias, Perlonga, Permontello, Perral, Per- 
ramedo por Peramedo, Persellada, etc, povoações nossas, 
cujos nomes podem vir de pre por prae, que se lê pre e Cota, 
Durão, Leirinhas, Longa, Montello, Ral, Amedo e Sellada, 
povoações nossas também. 



III 

Prefixo álem e álem de... 

Aos nomes das povoações mencionadas supra com o 
prefixo cá por de ca, o mesmo que ante, antes, diante ou 
ãquem de, como prae, que se lê pré, e per metatheze de pre, 
temos em contraposição varias povoações com o prefixo" 
álem e álem de. Taes são: — Alemcarça por Aiemçarça ou 
Alemsarça — do portuguez çarça ou sarça — silva, silvado, 
matagal, — em castelhano zarza. 

Note-se que no antigo portuguez ca valeu ça ou sa e 
ca ou ka. 



O povo, ainda hoje em vez de Mezão frio diz Mijãofrio. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPON YMICA 115 

Junte-se : — Alem d'Agua, Alem da Fonte, Alem da 
Ponte, Alem da Ribeira^ Alem de Cantim, Alem de Paçog, 
Alem do Porto, Alem do Rego, Alem do Ribeiro, Alem do 
Rio, Alem Douro, Alem Tâmega e Alemtejo, que deu Alente- 
jão, como Alem Côa deu Alencoão, appellido na populosa e 
muito importante freguezia do Cima-Còa, chamada Escalhão, 
metathese de Secoalhão, etc. 

Prefixo trans, o mesmo que ólem ou álem de 

Ao mesmo, bloco pertencem as nossas muitas povoações, 
em cujos nomes se encontra o prefixo trans ; traz por trans ; 
— tréz por traz e três por tréz, — do latim trans, — em por- 
tuguez alem ou alem de, ut supra. Taes são : - Transleça, 
Transfontão, Traz Cova, Traz da Egreja, Traz da Fonte, 
Traz da Moita, Traz da Serra, Traz da Vinha, Traz das 
Casas, Traz do Castello, Traz do Monte, Traz do Padrão, 
Traz do Rio, Traz os Montes e Trezeste por Traz ou Trans 
-|- Este, da freguesia de Celleirós, concelho de Braga, que 
demora alem do rio Este. 

Junte-se : — Trancide por Trans -{- Cide, appellido e al- 
deia, — e Trandeiras por Trans d'Eiras, o mesmo que Traz 
das Eiras, povoação nossa também. 

Todas estas povoações com os prefixos — cá ou cá de ou 
de cá de, — pré e per, metathese de pré, o mesmo que ante, 
antes ou diante, álem ou álem de, o mesmo que trans e traz 
por trans, pertencem á grande serie das nossas povoações 
que tomaram o nome da sua posição relativa. 



116 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

IV 
Posição relativa 

Este tópico é longo e muito interessante para o estudo 
etymologico da nossa onomástica e, sendo apparentemente 
simples, muito simples, tem algo de nebuloso e muito nebu- 
loso, como provam particularmente os nomes já indicados de 
muitas povoações nossas com o prefixo ca assimilado. Em 
muitos d'elles só com a lente d'arte nova se lobriga o tal 
prefixo — ou se nota a ausência d'elle em vários nomes de 
povoações nossas, aos quaes estava unido e dos quaes poste- 
riormente muito inconscientemente se desmembrou, como já 
dissemos. 

Logo volveremos ao assumpto e seremos mais explícitos. 
A' mesma serie das nossas povoações cujos nomes deri- 
vam da sua posição relativa, pertencem as que tomaram o 
nome dos sitios relativamente altos e baixos, como foram as 
seguintes : 

— Alto da Ajuda, Alto da Bella Vista, Alto da Cerca, 
Alto do Duque, Alto da Fonte, Alto da Forca (?. . .), — Alto 
da Fraga, Alto da Guarita, Alto da Pacheca, Alto da Pedra, 
Alto da Quinta, Alto da Raposa, Alto da Serra, Alto das 
Picoas, Alto das Telhais, Alto das Vinhas Grandes, Alto do 
Baixo, Alto de Cima, Alto do Facho, Alto do Moinho, Alto 
do Pontão, Alto do Rosário, Alto dos Judeus, Alto Pacheco 
ou do Pacheco, etc. 

Aldeia de Baixo e Aldeia de Cima ; Aldeia de Juso, o 
mesmo que Aldeia de Baixo, que demora á jusante como 
Villa Jusã e Villa Jusão, differentes povoações nossas tam- 
bém. 

Fundo da Villa, Fundo de Villa e Fun' de Villa por 
Fundo da Villa, Cima de Villa, Cimo de Villa e Villa Meã, 
muitas povoações nossas que demoram no meio ou centro da 
villa, entre o cima ou cimo e o fundo, a parte mais baixa da 
villa. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 117 

Também temos: Casa de Baixo e Casa de Cima; Casal 
de Baixo e Casal de Cima; Casal do Fundo e Casal do 
Meio; Fundo da Canada, da Costa, da Lameira, da Lomba, 
etc. 

Cima da Bouça^ da Rua, da Veiga, de Cantim, do Celho, 
de Eiriz, de Rezende, do Douro e do Souto. 

Samodães por Cimadaes ou Cimadães, Simadas» Simados, 
Samadas por íSimadas ou antes Cimadas, que estão no alto, 
no cume ou no cima, — não sima. 

A Chorographia Moderna escreveu Simadas e Simados, 
respeitando a graphia popular, embora inconsciente, errónea, 
pois cima (não sima) vem do latim cyma ou cuma e este do 
grego kumãy como diz o snr. Cândido de Figueiredo, o nosso 
mais auctorisado etymologista dos nomes communs portu- 
guezes. Mas no Magnum-Lexicon latino eu apenas vejo cyma 
ae, o mesmo que cyma, atis, com a significação de grelo de 
couve. Não vejo cuma; vejo, porém, a preposição supra, 
significando em cima e o adverbio supra, significando da 
parte de cima. 
Fiat lux. 

Samodães, terra natal do snr. conde d'este titulo, povoa 
çào e freguezia do concelho de Lamego, em um documento 
do século XII (a. 1:130) foi denominada Çamadaens e no 
latim bárbaro d'aquelle tempo — Çamudanes. ^ 

Um documento do século xiv (a. 1:346) deu a Samodães 
os nomes de Çamudaães, Çamudãaes e Çumaduaes, como pôde 
verse no meu artigo Villa de Rei, publicado no Portugal 
Antigo e Moderno, vol. XI, pag. 1043, col. 2.» 

— Um dos Livros Findos do registo parochial da minha 
Penajulia ou Penajoia, — decantada terra das cerejas, — pa- 
rochia visinha da de Samodães, deu a esta o nome de Simo- 
dães, — nome que o povo ainda hoje lhe dá. — N'este ponto 
não anda mal, porque na minha opinião Samodães vem de 



Elucidário vb. Cruz. 



118 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Çumadaaes, supra,— e este de Cimadaes, — terras que estão 
èm ciina d'uma grande encosta ou ladeira, como está eíFecti- 
vámente Samodães. 

Note-se que a povoação distará apenas um kilometro da 
margem esquerda do Douro, em linha recta, mas a differença 
de nivel entre os dous pontos é talvez superior a duzentos 
metrcsl. . . 

A povoação e a freguezia demandaram sempre o Douro, 
a via fluvial, para exportação dos seus productos, — casta- 
nhas, fructa e vinho, — pois desde tempos muito remotos o 
vinho é a sua producção principal. Tem, pois, Samodães 
duas estradas carreteiras muito antigas, que ligam a povoa- 
ção com o Douro, nas duas extremidades d'ella: — o cães do 
Mourão a N. E. — e o d'Angorêz ou da Corvaceira a N, O. 

— A 1.' é tão violenta que se denomina estrada da Costa 

— e bem merece o nome; — a 2.» é denominada E,abélla, por- 
que, para vencer com menos difficuldade a grande ladeira, 
dá grandes voltas, imitando a cauda d'um boi ou de uma 
enorme fera. 

As taes voltas teem a forma de um S descomunal muito 
achatado e elevam ao dobro ou mais o percurso do tal kilo- 
metro em recta entre o Douro e Samodães. — E, apesar das 
grandes voltas que dá, tem lanços tão declivosos, que deman- 
dam duas juntas de bois para os transporem na subida os 
carros com as pipas cheias de vinho ou d'agua-ardente. 

Samodães ou Simodães por Cimadaes é, pois, deturpa- 
ção de Çumadaes por Cimadaes, 

Note-se que^ por falta de luz, na idade média andavam 
tod^)s a jogar a cabra-cega, como já dissemos, pelo que na 
onomástica portugueza as letras- se confundiram — tanto as 
vogaes como as consoantes, incluindo as iniciaes, que foram 
sempre as mais resistentes. 

Veja-se o meu longo tó-pico — Substituição de letras. — 
Ali se encontram muitos nomes de povoações nossas em que 
as letras a e i, — c e s, — o e a, — i e ic, etc, se confundiram 
e substituíram, O mesmo se deu nas outras nações, pelo 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 119 

que já Voltaire com o seu génio sarcástico dizia : — «A scien- 
cia etymologica ó uma sciencia exótica, pois n'ella as vogaes 
nada valem — e as consoantes muito pouco» . 

Também um sábio etymologista francez disse que no 
campo etymologico a bússola é o ouvido. 

Foi trivial na onomástica portugueza a substituição das 
letras i e u, como em Gamadaes por Cimadaes. 

■ Cf. Algeruz, Aljariz e Aljeriz, o mesmo que Argeriz, 
povoações nossas. 

Também temos Brinheiro por Brunheiro — e Brinhola 
por brunhola, que não deu, mas podia dar Brunhó, como 
brunholas ou brunholos deram Brunhoz, povoação nossa. — 
Dos abrunhos, ameixas bravas, como Abrunhal, Abrunheira, 
Abrunheiros, Abrunheta, Abrunhosa e Labrunhal, o mesmo 
que O Abrunhal, povoações nossas. 

Junte-se Eevenduda, o mesmo que revendida. 

Confronte-se Revenda, povoação nossa também, e Bene- 
venutos, Benevenuto, nome d'um santo, o mesmo que Bene- 
Venitus — Bemvindo. 

De Benevenitis — Bem Vides^ povoação nossa, ede Bene- 
veniti — Benavinte, Benevente, povoações nossas e da Itália, 
e Benavente villa nossa, o mesmo que Benevente, supra. 

Alem de Çumadaes por Cimadaes, hoje Samodães, te- 
mos no aro de Lamego mais duas freguezias importantes, 
em cujos nomes se encontra actualmente a substituição das 
letras i e u. 

São ellas Valdigem e Penude, pois na minha opinião 
Valdigem por Valdige, nome que o povo lhe dá, é uma forma 
de Valduje por Valdujo — Valle do ujo ou dos ujos, aves 
nocturnas de rapina, que outr'ora talvez abundassem na dita 
povoação. 

Note-se que Valdigem demora no sopé da grande o al- 
cantilada serra de S. Domingos, onde fazem ainda hojo 
creação os bufos e ujos. 

Note-se também que temos outras povoações que tomaram 



120 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

O nome das ditas aves, — taes são Ujo, Valdujo, freguezia 
que eu já visitei, pertencente ao concelho de Trancoso, e 
Valduge, povoação da freguezia de Galés, concelho de Mafra. 

— Valduge, Valdujo, Valdige e Valdigem — são formas 
do mesmo nome. 

O povo inconscientemente anda bem, dizendo Valdige 
por Valdigem, como diz bagage por bagagem, orde por 
ordem, varge por vargem, etc. 

Falemos agora de Penude : 

Ahi vai outro jorreiro de dislates meus. — Leia quem 
tiver coragem. 

— Penude por Penudo, na minha opinião, é uma for- 
ma de Penido por Penedo, o mesmo que Penedos. 

Note-se que a freguezia de Penude (eu já a visitei), 
pertencente ao concelho de Lamego, — e a serra de Penude 
contigua — abundam em penedos. 

Penido é também pov. nossa e o mesmo que Penedo. — 
Também temos Peneda, Penedellos, Penida serra, — e Peni- 
dello. — Por seu turno Penido também deu Pindo — e Peni- 
dello deu Pindello, povoações nossas. 

Também temos Pindella, freguezia e titulo de condado, 
mas não temos Penidella^ forma de Pindella. 

Egualmente temos Pendilhe por Pendilho, contracção de 
penedilho, o mesmo que Penedinho, pov. nossa também. 

Note-se que na onomástica portugaeza confundiram-se 
Z e w — e por concumitancia Ih e nh. 

V. o meu longo tópico Substituição de letras. 

— Hurrah ! por Valdigem, o mesmo que Valdige por 
Valduge ou Valdujo — e por Penude, o mesmo que Penudo 
por Penido, que deu Pindo, Pindella, Pindello, etc. 

— É' assim a arte nova, — e rira bien qui rira le der- 
nier / . . . 

Prosigamos : 

Com relação á desinência âes de Samodães^ o mesmo 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMIOA 121 

que Simodães ou Cimadães por Çumadaes, — e este por Ci- 
madaes ou Cimadans — eu suppoaho que a forma anterior 
da desinência ães foi ans. 

Cf. Magalhans e Magalhães, pov. nossas, e Magalhães, 
appellido, tirado talvez do latira magalia, o mesmo que ma- 
palia, ium — choupanas, choças, cabanas, que no baixo latim 
deu ou podia dar magalianus, i, is, — unde Magalhans e Ma- 
galhães — habitantes das choças ou cabanas, — serrenhos, 
serranos. 

Confronte- se Serrano e Montez, appellidos nossos tam- 
bém, 

Junte-se Cães de Baixo e Cães de Cima, — Cans de 
Baixo e Cans de Cima, — Cansinos e Canzinhos por cãosi- 
nhos ou cãezinhos, povoações nossas também, que tomaram o 
nome dos cães, como Cachorral, Cachorreira, Cachorrella e 
Cachorros. 

Veja- se também o meu longo tópico : Desinências da 
onomástica portugueza pouco vulgares, onde falei das desi- 
nências aes, ans e ães, confundindo se. — 2.* parte, pag. 137, 
138 e 499. 

A freguezia de Samodães comprehende varias povoações, 
avultando entre ellas Angorêz, que já vem do tempo dos 
romanos, pois na minha opinião Angorêz tomou o nome de 
Angora, cidade importante da Ásia Menor, muito estimada 
pelos romanos, como provam as muitas velharias romanas 
que ainda hoje lá se vêem, — Foi fundada sobre as ruinas da 
velha Ancyra, capital da Arménia ; — o imperador Augusto 
a beneficiou muito, pelo que lhe erigiram um magestoso 
templo de mármore branco, — e Nero a fez capital da Gala- 
cia, como dizem Bescherelle e Devars na sua Oeographia 
Universal antiga e moderna. 

— Angora deu ou podia dar Angorêz, como Braga deu 
braguez ; Miranda — mirandez ; Ávila — Avilez ; Málaga — 
Malaguenho e malaguez, unde Almelaguez por Almalaguez, 
freguezia do concelho de Coimbra. 



122 TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMICA 

Também França deu francez ; — Génova — Genovez ; Ir- 
landa — irlandez ; Córdova — cordovil e cordovez; China deu 
chinez ; Hollanda — hoUandez, etc. 

Não se estranhe o ir buscar tão longe a etymologia 
d'Angorez, pois no tempo da occupação romana Portugal e 
a Hespanha bem como a Gallacia, a Arménia, a Ancyra e 
toda a Ásia Menor, o Egypto e toda a Europa, etc, etc. — 
pertenciam ao grande império romano e a cada passo os 
habitantes da parte oriental do grande império percorriam 
como funccionarios públicos, negociantes e turistes ou via- 
jantes a parte occidental — e vice-versa. 

Também os habitantes do grande império romano por 
vezes eram deportados por castigo do oriente para o occi- 
dente — e do norte para o sul — ou vice versa, — Nada, pois, 
mais natural do que estabelecer-se in illo tempore no local 
d'Angorez algum filho d'Angóra, mesmo porque o chão 
d'Angorez é muito fértil, muito abundante d'agua potável e 
de rega — e, embora declivoso, — é muito mimoso, pois de- 
mora no clima das laranjeiras, como provam os laranjaes que 
ainda hoje lá se vêem. 

Produz também outra muita fructa da melhor do Douro 
e do mundo todo, mas desde tempos muito remotos a sua 
principal producção é o vinho, pelo que no tempo da velha 
companhia fundada pelo Marquez de Pombal — Angorêz foi 
uma povoação muito rica e teve casas nobres. 

Também Angorez teve um filho, chamado Angorezinho, 

— pequeno povo já extincto, que demorava junto da velha 
estrada de Angorez para S. Gião, na margem esquerda do 
ribeiro da Corvaceira, linha divisória entre a freguezia de 
Samodães e a da Penajoia. 

Pertencia, pois, o Angorezinho á freguezia da Penajoia. 

— D'elle só restam o nome e vestigios d'algumas casas no 
sitio onde esteve até os fins do seçulo xvii, pois nos livros 
findos da minha Penajulia ou Penajoia eu já vi mencionado 
o tal Angorezinho, como povoação habitada in illo tempore. 

Eu bem queria dar um esboço etymologico das restantes 



TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMICA 123 

povoações da freguezia de Samodães e de todas as freguezias 
e povoações do concelho de Lamego, mas faltam-me as forças 
e o tempo. 

A custo vou arrastando os meus 79 annos; já encurtei 
os meus serões e nem confio no dia de amanhã. 

Mesmo com relação á minha terra natal — a freguezia da 
Penajoia, visinha da de Samodães, já principiei o esboço 
etymologíco das povoações d'ella, mas tantos empecilhos me 
tolheram, que não conclui nem concluirei talvez. ^ 

Por egual motivo fui obrigado a suspender o esboço 
etymologico dos concelhos de Fafe e da Povoa de Varzim. 
Com relação a este concelho não passei da freguezia de 
Nabaes ou Navaes, seguindo a ordem alphabetica das 10 
freguezias d'elle, comprehendendo as muitas povoações de 
cada uma d'essas freguezias. 

Seja tudo em desconto dos meus peccados e da cabulo- 
gia d'outr'ora. 



Ainda o prefixo cá assimilado 

Volvendo ao tão emmaranhado como nebuloso tópico do 
prefixo cá assimilado, ahi vai outro jorreiro de dislates meus 
com relação ás nossas povoações em que — na minha opinião 
— se encontra unido o tcil prefixo. 

Vejam-se as pag. 110 supra e seguintes, onde mencio- 
námos as ditas povoações, pois na explanação que vamos 
fazer, seguiremos a ordem alphabetica dos nomes d'ellas. 

— Cabages e Bages são povoações nossas que tomaram 



^ Vide Penajoia, nos indicas da l.a e 2." partes d'esta minha louca 
Tentativa Etymologica. 



124 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

O nome das bagens por vagens — feijões, em portuguez po- 
pular, bages. 

Também temos Cabage, Bage e Baginha com a mesma 
etymologia, mas só com a lente d'arte nova se lobriga em 
Cabage e Cabages o adverbio cá, assimilado como prefixo, 
dando a tão estranhos nomes a significação de — povoações 
que estão áquem dos feijoaes. 

— Cabeça e Beça — podem vir de cá e Beça, appellido 
e povoação nossa também ; mas Beça talvez provenha de 
Cabeça por afereze ou separação do ca, tido e considerado 
como prefixo ! . . . ^ 

Nós temos outras muitas povoações denominadas Ca- 
beça, Cabeças, Cabeço e Cabeços, que tomaram o nome do 
latim caput, iíés — cabeça — e por extensão pincaro, outeiro, 
sitio alto, cabeço, coto, curuto, Cotello, Corutello. 

Beça na minha opinião é, pois, afereze inconsciente de 
Cabeça, mesmo porque na idade media, tempo em que por 
falta de luz todos andavam a jogar a cabra-cega, muito in - 
conscientemente juntaram por vezes o prefixo cá a diversos 
nomes de povoações, tornando-os informes, incomprehensi- 
veis. — Taes são Cachoça, Cajaneiro, Cajorge, Calouren- 
ço, etc. 

Outras vezes, considerando o cá inicial como prefixo dos 
nomes a que estava unido, — sem ceremonia cortavam-no, 
formando com a parte restante d'esses nomes outros nomes, 
como a cara d'elles. ^ — Assim de Carreiro e Carreiros — fize- 
ram Reiro e Reiros, povoações nossas que só com a lente 
d'arte nova se pôde aventar o que sejam. 

Na minha opinião, pois, — assim como de Carreiro e 

Carreiros fizeram Reiro e Reiros, — de Cabeça e Cabeças 

fizeram Beça e Bessas por Becas, povoações nossas também. 

— E' assim a arte-nova — e rira bien qui rira le dernier ! 



^ Logo mencionaremos outras desmembrações e aferezes simi- 
Ihantes. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 125 

Prosigamos : 

— Cabelleiras, pov. nossas, pode vir das cabelleiras — 
cliinós, cabellos compridos, — ou de cá -|- Avelleiras. 

Note-se que temos centenares de povoações que toma- 
ram o nome das avelleiras, como Avelames por Avelanes e 
este por Avelanas, rio das Pedras Salgadas, — Vellariça por 
Avellariça, bosque ou matta d'avelleiras, — e Villariça por 
Vellariça, etc. 

Vide paginas B51-354 na l.« parte doesta minha louca 
Tentativa Etymologica, onde se encontra uma extensa lista 
das nossas muitas povoações que tomaram o nome das 
avelleiras. 

— Cabrito e Brito, povoações nossas. 

Podem vir do portuguez cabrito — ou de Cá e Brito, 
appellido vulgar e nome de varias povoações nossas, como 
Brita, Britas, Britello e Britos, — Cabrita, Cabritas, etc. 
Mas Brito, na minhao pinião, vem de Beritus, forma latina 
de Beyruth, cidade e porto de mar da Palestina, d'onde veio 
talvez para Portugal no tempo das Cruzadas, como Cypriano 
e Cibrãc, nomes de santos e appellidos nossos, vieram de 
Chypre--e Maltez de Malta, ilhas do Mediterrâneo, em que 
tocavam os Cruzados. 

Beritus deu ou podia dar Brito, appellido, etc, e Beri- 
tianus, i, unde Bertiandos e Bretiande, povoações nossas 
muito antigas e muito consideradas. 

Cacães, povoação nossa, é uma formosa assimilação de 
Ca e Cães, povoação nossa também. 

Caceira é outra formosa assimilação de Cà e Ceira, rio 
e povoação nossos, talvez afezere de Osseira, abundante em 
ossos ou em ursos, do leonez ou castelhano oso, que se lê 
óço ou osso e significa urso, fera, que abundou antigamente 
no nosso paiz, como provam as nossas muitas povoações que 
tomaram o nome dos ursos. 

Vide pag. 23 e 235 na 1.» parte d'esta minha louca 
Tentativa Elt/mologica, onde se encontra a lista das nossas 
povoações que tomaram d'elles o nome. 



126 TENTATIVA ETYMOLOaiCO- TOPOJíYMICA 

Vide também Ursos no indica da 2.» parte. 

— Cacella, povoação nossa. — Pode vir do antigo por- 
tuguez casella, o mesmo que o leonez e castelhano Casilla — 
casinha. — Por seu turno Casilla, que se lê Cacilha, deu 
Cacilhas, em frente de Lisboa, na margem esquerda do Tejo, 
— e talvez Caxias na margem direita do mesmo rio, a ju- 
sante de Lisboa. 

Também Cacella pôde vir de Cá e Cella, igualmente 
povoação nossa, como Cellas. — Também Cacella e Cacellas, 
pela desmembração do prefixo cá podiam dar Cella e Cellas, 
como Cacilhas deu Cilhas, Carreiros deu Reiros, e Cabeça e 
Cabeças deram ou podiam dar Beça e Becas, supra 

Cachamorra é outra formosa assimilação de Cà e Cha- 
morra, povoação nossa também. 

Cachoça ó assimilação de Cá e Choça. 

Cachouça é assimilação de Cá e Chouça, o mesmo que 
Choiça. povoação nossa também. 

Cachouzende é assimilação de Cá e Chozende, povoação 
nossa também, como Chousenda. 

Cachusella por Cachousella claramente vem de Chousella, 
povoação nossa também, com o prefixo cá, muito inconscien- 
temente assimilado. 

Chousella por Choucella è diminutivo de Chouça e deu 
Chusella em Cachusella supra, como em outros muitos nomes 
de povoações nossas u e ou se confundiram. 

Vide o meu longo tópico Diapasão francez, pag. 275, 292 
e 294 da 2.^^ parte d'esta minha louca Tentativa Etymologica. 

Cacilhas e Cilhas. 

Vide Cacella, supra. 

Cadarroeira por Cadaroeira é um formoso espécimen da 
onomástica portugueza e recorda De Cá Pinhão, por De Cá 
de Pinhão, povoação nossa já mencionada. 

Cadarroeira vem de Aroeira, povoação nossa também, 
com o adverbio cá e a preposição de por a de. . . assimilados 
como prefixo. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 127 

Com a minha rude lente de arte nova, forjada por mim 
a martello, vê- se claramente em Cadarroeira De Cá d'Aroeira. 

Por seu turno aroeira foi o nome anterior da planta cha- 
mada hoje lentisco. —Digo anterior, pois na onomástica por- 
tugueza apenas temos 5 povoações com os nomes de Lentisca, 
Lentiscaes, Lentiscas e Lentisqueira. Nem uma com o nome 
de lentisco ou lentiscos; mas temos bastantes povoações que 
tomaram o nome d'aroeira. estando alguns d'esses nomes tão 
deturpados, que bem mostram vir do nebuloso tempo da 
idade média. Taes são: 

— Aroeira, Aroeiras, Aroal, contracção de Aroeiral, como 
talvez Arai,— e Aroil, o mesmo que Aroal. 

Junte-se Arrueira por Arroeira, o mesmo que Aroeira, 
unde Cadarroeira por Cá da Aroeira ! . . . 

Também temos Daroeira e Daroeiras. — Daroal e Da- 
roaes por Daroeiral e Daroeiraes, - - e Daroal ou Aroal (sic) 
— segundo se lê na Chorographia Moderna. — Estes últimos 
nomes pertencem á grande serie das nossas povoações em 
cujos nomes se encontra a preposição de por a de. . . — assi- 
milada como prefixo. 

Logo daremos a lista d'esses nomes — e viva la grada 
de Cadarroeira! 

Prosigamos : 

Cadeirão, — aldeia da freguezia dos Valles, concelho de 
Vai Passos. — Podia tomar o nome d'alguma cadeira colossal, 
enorme, — ou antes de Eirão, povoação nossa também, com 
o prenxo Cã de por De cã de . . . — assimilado. 

— Cadeiras — das cadeiras — ou antes de Cá d' Eiras. 

Confronte-se Eiras, muitas povoações nossas, porque 
em todos os casaes, herdades e quintas ha eiras, mais ou me- 
nos luxuosas. 

Uma das mais caras, mais espaçosas e mais luxuosas 
do nosso paiz é a da quinta d'Entre Aguas, na freguezia de 
Santa Marinha do Zêzere, concelho de Baião, — quinta que 
foi da nobre família Perfeitos e bem merece o nome d'Entre 



128 TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMICA 

Aguas, porque demora entre dous grandes ribeiros que a 
limam e regam toda. 

— Para a distribuição da agua tem luxuosos regos de 
granito e, como a sua producção principal é milho, no alto 
d'e]Ia fizeram uma espaçosa e luxuosa eira para o seccar. — 
E' absolutamente a l.a do concelho e custou contos de reis, 
por ser toda de granito aparelhado em esquadria e ter, em 
vez d'alpendres, espaçosas casas contíguas, onde recolhem o 
milho por occasião de chuva, antes de seccar e de o levarem 
para a tulha. 

Veja-se no Portugal Antigo e Moderno o meu longo 
artigo Zêzere, freguezia do concelho de Baião, onde a pag. 
2118, col. 2.'', do vol. XII, descrevi a mencionada quinta. 

— Houve também no Alto-Douro, na região do port- 
wine, uma eira notável que formava o tecto da entrada para 
uma grande frasqueira mandada fazer em um subterrâneo 
por Félix Manuel Borges Pinto na sua quinta de Castello 
de Borges, situada na margem esquerda do Tedo e perten- 
cente â freguezia de Villa Secca d'Armamar. 

A quinta, por morte do dito fidalgo, passou para o seu 
filho José Pinto Borges de Carvalho, 1.* visconde de Castello 
de Borges e d'este para o seu filho, 2.o visconde do mesmo 
titulo que, aproximadamente em 1905, foi barbaramente as- 
sassinado na mesma quinta ! . . . 

Vide no Portugal Antigo e Modei^no, vol. xi, pag. 1058 
a 1070 o meu longo artigo Villa Secca d'Armamar, onde na 
pag. 1062 mencionei a dita eira e a preciosa frasqueira. 

Outra eira mais espaçosa, muito mais antiga, mais sólida 
e mais barata do que a da quinta d'Entre Aguas é a da freguezia 
de Villares, concelho de Trancoso. Demora a pequena dis- 
tancia da linha da Beira Alta, que ali passa^ e d'ella se vê 
perfeitamente, como nós já vimos 

Dista pouco mais de 3 kilometros da estação de Villa 
Franca das Naves ; é tão espaçosa que malham n'ella o pão 
todos os lavradores d"aquella freguezia, — por vezes seis e 
mais a um tempo. E é tão antiga, que foi construida pelo 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 129 

Supremo Architecto do Universo, quando fez o planeta que 
habitamos, pois é formada por um enorme penedo de superfí- 
cie plana cora óptima exposição para o fim a que é destinada. 
Veja-se no Portugal Antigo e Moderno o meu artigo 
Villares, vol. xi, pag. 1307, col. '2.« 

Prosigamos : 

Cadoeira por Cádaeira vem de Cá da Eira. 

A bússola é o ouvido. 

Caeira, Gaeiras e Caeirinha são formas de Cá -}- Eira, 
Cá-Í- Eiras e Cá + Eirinhas. 

Caeiro e Caeiros são formas de Cá + Eiró ou Eiró, o 
mesmo que Eirola, Eirinha e deu Caeiro, appellido. 

Cagarraz pôde vir de Cá-}-Garraz, ou vice-versa, (xarraz 
de Cagarraz, povoação nossa. 

Confronte-se (Jaga .Tones por Cagajones, Caganita, Cagão, 
Cagança, Cagunça por Cagança, Caguideiro por cagadoiro, 
povoações nossas congéneres de Cagarraz, todas mencionadas 
na Chorographia Moderna. 

liisum ieneatis e desculpem os leitores a franqueza. Estas 
e outrasmuitas povoações nossas estão pedindo esponja e sabão. 

— Cajaneiro — de Cá e Janeiro, povoação nossa também 
o mesmo que Januário, nome d'um santo, etc, em latim Ja- 
nuariíis. 

— Cajorge — de Ca e Jorge, nome d'um santo e de va- 
rias povoações nossas também. 

— Com vista aos manes do meu saudoso irmão Jorge e 
do padrinho d'elle — Fr. Jorge da Conceição Ferreira, meu 
tio avô, de quem herdamos o casal da Corvaceira, freguezia 
da Penajoia, concelho de Lamego, mesmo em frente da esta- 
cão actual do Molledo. -^ ^ 



' Vide Corvaceira e Penajoia no Portugal Antigo e Moderno e nos 
Índices da l.a e 2^ partes d'esta minha louca Tentativa Etymologica. 

VOL. Ill 9 



130 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Calabouço, casai, etc. — Tomou talvez o nome do portu- 
guez calabouço — prisão subterrânea e por extensão logar 
sombrio ; mas na idade média, tempo em que, por falta de 
luz, andavam todos a jogar a cabra-cega, de Calabouço fize- 
ram Ca -j- Labouço — e de Labouço fizeram Laboucinho, po- 
voação nossa também. 

De passagem direi que a etymologia de calabouço é o 
castelhano calahozo, idem. 

Calaceiro, aldeia. — Pode vir do portuguez calaceiro — 
indolente, mandrião, ou de Cá -f- Laceiro, e este do portuguez 
laço, que deu laçar, prender por meio de laço, como ainda 
hoje se prendem' na America e na Extremadura os bois, etc. 
pelo que podiam denominar-se laceiros os homens adestrados 
em prender os bois com os ditos laços. D'aqui talvez La- 
ceiros, povoação nossa, mas fique para segunda leitura a ety- 
mologia de Calaceiro e Calaceiros. ^ 

Caleira, casal, etc, podia tomar o nome de cal, ou antes 
de Cá e Leira, povoação nossa também. 

Calourenço — tomou evidentemente o nome de Cá e Lou- 
renço, nome d'um santo e d'uma povoação nossa também. 

Vide Cajorge, supra. 

Camoeira e Moeiro (masculino de Moeira), povoações 
nossas, ficam para segunda leitura, posto que Moeiro e Moeira 
talvez sejam formas de Moleiro e Moleira, povoações nossas 
também. 

Camões e Mões, são povoações nossas e não seria dislate 
comprehendel-as n'este tópico ; mas na minha opinião, Mões 
vem de Moniis, patronímico de Monius, ii, antigo nome pes. 
soai, cujo diminutivo foi Moninus, i^ is, que deu Moniz, 
appellido vulgar e muito considerado desde o tempo d'Egas 
Moniz, aio do nosso 1.° rei D. Affonso Henriques. 

Capella e Capellas, varias povoações nossas. Tomaram 



^ Confronte-se Laceira, Laceiras e Laceiro — Ladeira, Ladeiras, La- 
deiro e Naciros, varias povoações nossas. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 131 

O nome do portugiiez capella e capellas que, pela inconsciente 
desmembração do prefixo cá, deram ou podiam dar Pella e 
Pellas, povoações nossas também. 

Capinha e Pinha são também povoações nossas, cuja 
etymologia é confusa, pois Capinha pode ser diminutivo de 
capa — ou vir de Cá e Pinha, o mesmo que pinheiro ou pinhal 
tomando o fructo pela arvore. 

Também Capinha pode ser contracção de carapinha, 
antigo nome de certa planta ^ que deu Carapinha, Carapinhal, 
Carapinheira, Carapinhos e Carapilheira por Carapinheira, 
ao todo — '2( ' povoações nossas. 

No Alemtejo o povo dá o nome de carapinha ao ovário 
da esteva ou giesta, depois de cabidas as pétalas. 

Carapinhal e Carapinheira são, pois, talvez o mesmo que 
Esteval, Esteveira, Estiveira por Esteveira, Estiboiral por 
Estiveiral — Gesteira, Gestal, Giesteira, Giestral, etc, povoa- 
ções nossas também. 

Prosigamos : 

Capote, herdade, — Pode vir do portuguez capote — ou 
antes de Cá e Pote, o mesmo que Alambique, nomes de varias 
povoações nossas também^ taes são Alambique, aldeia, casal, 
quinta, etc, e Pote, Potes, Fonte do Pote e Chapitel, vinha 
nossa, o mesmo que Vinha do Pote!. . . 

A tal vinha pertence ao nosso casal da Corvaceira, fre- 
gueziíi da Penajoia, minha terra natal, concelho de Lamego, 
mesmo em frente da estação actual do MoUedo. E a vinha 
do Chapitel demora a juzante do adro da nossa capella, que 
deu o nome de Casa da Capella ao casarão contíguo, onde eu 
nasci, em 14 de novembro de 1S32. * 



^ Julgo ser a giesta, chamada em Monte Mór-o-Velho — Carapinha 
e Carapinheira. 

^ Vide Penajoia, no Portugal Antigo e Moderno e nos Índices da 
l.a e 2.* partes d'esta minha louca Tentativa Etymologica. Vide também 
Curvaceira, no meu longo artigo Vizella, rio (Portugal Antigo e Moderno, 



132 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Chapitel, que actualmente se lê Xapitel, outrora lia-se 
Capitel, nome tirado certamente do latim capiteUum, i — o pote 
ou alambique, nome bem apropriado, porque no cimo da tal 
propriedade, hoje vinha, e a montante d'ella passa uma es- 
trada publica e no verão um rêgo d'agua. 

CapiteUum, i — deu capitel e chapitel por capitel no 
tempo em que clia, che, chi, cho, chu entre nós valeram A-a, 
Jce, Id, Ico, ku. 

Veja-se o meu longo tópico: — Substituição de letras, onde 
se encontra Cábrinha, e Chabrinha, por Cabrinha — Cachão. 
Chaxão por Chachão e este por Cachão, etc. 

O latim capiteUum significava o capitel das columnas — 
e o pote ou alambique, pois capiteUum vem de caput, itis — 
cabeça, e os potes tinham e teem uma grande cabeça. 

Na minha opinião, pois, a tal vinha do Chapitel por 
Capitel tomou o nome d'algum pote que ali houvesse, mesmo 
porque está em sitio muito próprio, a meio da povoação da 
Corvaceira, povoação mimosíssima, cuja producção principal 
desde tempos muito remotos é e foi sempre o vinho, talvez 
desde o tempo dos romanos. 

Note-se que a dita povoação demora junto do rio Douro 
(margem esquerda), e os romanos, como todos sabem, já explo- 
raram a navegação do Douro desde a sua foz até ao Cachão 
da Valleira, junto da villa actual de S. João da Pesqueira, 

Veja-se Pontos do Douro, artigo meu, no Portugal Antigo 
e Moderno^ vol. vii, pag. 198, col. 2. a — e Villa Secca d'Ar- 
mamar, longo artigo meu também, no vol. xi, pag. 1058 e 
seguintes. 

Note-se também que os romanos deviam gostar muito da 
minha Penajoia, por ser a freguezia mais mimosa do Douro 



vol. XII, pag. 1968) onde dei uma lista das nossas muitas Corvaceiras, todas, 
com o nome de Curvaceiras, porque ao tempo (1888) ainda ignorava a sua 
etymologia. 

Corvo deu Corveirae Corvaceira, como fogo deu fogueira e fogaceira, 
e lodo deu lodeira e lodaceira. 



TENTATIVA KTYMOLOGICO-TOPONYMICA 133 

e de Portugal todo, e deviam gostar também da minha Cor- 
vaceira, por estar á beira do Douro, no clima das laranjeiras, 
como prova o nosso pomar, que é o melhor de toda a Pena- 
joia e de todo o concelho de Lamego. Foi também sempre 
o vinho da Corvaceira, do melhor do Baixo -Douro, por ser 
creado á 'beira do rio, e ouvir ranger a eftpadella ! 

Ainda com relação á nossa vinha do Chapitel ou do pote, 
direi que na minha juventude, se bem me reccordo, vi mon- 
tado junto d'ella um pote, e não ha em toda a povoação da 
Corvaceira memoria d'outro, além d'um que tivemos na casa 
do nosso moinho, durante annos, a juzante do nosso pomar 
das laranjeiras, na margem esquerda do ribeiro da Cor- 
vaceira. 

O tal pote foi comprado pelo meu pae á velha Companhia 
dos Vinhos, e era da lotação de 1 pipa de 550 litros. Fazia 
óptima aguardente, mas, depois que o meu pae falleceu em 
1863, um meu irmão vendeu o dito pote pôr 74-fOOO reis. 

Prosigamos : 

Carambola, casal, pôde vir de Cá e Rámbola, povoação 
nossa também, forma popular de rámola, serie de quadros de 
madeira ou ferro, onde se estendem as peças d'estôfo para 
seccarem ao sol, nas fabricas de lanifícios. 

Eu já vi muitas das taes rámolas na villa de Gouveia* 

Caramella podia tomar o nome de caramelo, gelo, que 
deu também Caramello e Caramellos, egualmente povoações 
nossas. Mas Caramella pôde vir também de Cá e Ramelía, 
povoação nossa também, ou vice-versa Ramella vir de Cara- 
mella, pela inconsciente desmembraçâo do prefixo ed. 

Também o monte do Carumúlo talvez tomasse o nome 
de caramilo por caramelo, gelo, pois i e u trivialmente se 
confundiram na onomástica portugeza. 

Vide o meu longo tópico — Subsfittdção de letras. 

Carâmos pôde vir de Cá e Ramos, povoação nossa tam- 
bém, ou de Parámos, egualmente povoação nossa, e esta do 
portuguez páramo, planície deserta, como é Parámos, ao sul 



134 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

d'Espinho, ou do paramo, o mesmo que paranho, couto, sitio 
privilegiado: honra. 

Vide Paramo em Viterbo. 

Caratão, pôde vir de Cá e Ratão, grande rato ou gran- 
des ratos. 

Confronte-se Ratinhos, Rato, Ratões e Ratos, diíFerentes 
povoações nossas que tomaram o nome dos ratos, como tam- 
bém Morganhal, Morganheira, Morganhos — Murganheira. 
Murganhos e Villa Pouca da Murganheira, povoações nossas 
que tomaram o nome do portuguez murganho, rato pequeno. 

Também temos uma frequezia com o nome de Rates, mas 
não tomou o nome dos ratos. Vem de Renatis, patronimico 
de Renotus, i — Renato, nome. d'um santo, etc, e talvez tenha 
a mesma etymologia o largo do Rato, em Lisboa. 

Dicant paduani. 

Caravella — pôde vir de caravella, barco e appelido, ou 
de Cá e Rabella, povoação nossa também. 

Careiro ou Carreiro, Carreiros, Reiro e Reiros. 

Vide Cabeça, pag. 124 supra. 

Carral- -tomou o nome dos carros, como Carril, pelo dia- 
pasão de Cabral e Cabril, Loural e Louril, Aroal e Aroil, 
etc. Por seu turno Carral, pela inconsciente desmembração 
ou aferese do prefixo Cà, deu talvez Ral, povoação nossa 
também, como Carreiro e Carreiros deram Reiro e Reiros 
supra. 

Carrasca pôde ser contracção de Carrasqueira ou a forma 
feminina" de carrasco, planta. Por seu turno Rasca, povoa- 
ção nossa também, pôde vir de Carrasca por aferese, como 
Reiro e Reiros de Carreiro e Carreiros, Ral de Carral, etc. 

Carrascas e Rascas, povoações nossas também, com 
certeza teem a mesma etymologia de Carrasca e Rasca, 
supra. 

Carrasqueira e Rascoeira, o mesmo que Rasqueira, po- 
voações nossas. 

Veja-se Carrasca, supra, contracção de Carrasqueira^ 



TENTATIVA ETYMOLOGIcb-TOPONYMICA 13Õ 

como já dissemos. Por seu turno carrasqueira é o mesmo 
que reboleiro e reboleira — castanheiros bravos, assim deno- 
minados, porque dão castanhas arredondadas. 

Com vista ao meu bom amigo Dr. Francisco Ferreira da 
Canha, morador na rua da Reboleira, antiga rua do Porto. 

Também temos Charrasqueiras (por carrasqueiras), po- 
voação, cujo nome vem do tempo em que cha valia xa e cá. 

Vide Capote por Cá -j- Pote, o mesmo que Chapitel por 
Capitel, supra. 

Também temos Chabouco e Cabouco, Chaeiros e Caeiros, 
Chanal e Canal, Chauosa e Canosa, Charrão e Carrão, Charro 
e Carro, etc, povoações nossas. 

E' assim a arte nova, e rira bien qui rira le dernier. 

Ha na minha Penajulia ou Penajoia uma boa matta de 
castanheiros bravos, denominada Carrasqueiral de Viegas, e 
também lá se encontra o appelido Charrasqueira por Carras- 
queira. 

Prosigamos : 

Carregado, povoação nossa, vem talvez de Cá e Regado, 
povoação nossa também, como Carregainho e Regainho por 
Carregadinho, de Cá -j- Regadinho. 

Carregueira, de Cá e Regueira, povoação nossa também, 
como Carregueiras e Regueiras, Carreiro e Reiro, Carreiros 
e Reiros, supra. 

Carrola, pude vir de Cá e Rola, povoação nossa também, 
ou de Carrola por Carrazolla, augmentativo de carro, como 
Carrão, povoações nossas também. 

Confronte-se Pedorido, aldeia e freguezia do concelho 
de Castello de Paiva, pois talvez que Pedorido venha do latim 
petoritum, carro ou carroça de quatro rodas, segundo se lê 
no Magnum-Lexicon latino. 

Carromêu, é uma nitida forma de Cá -|- Romeu, como já 
dissemos. 

Carroqueiro, pôde vir do Cá e Roqueiro, povoação nossa 
também, que tomou o nome do portuguez roca, o mesmo que 



136 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

rocha, unde castello roqueiro, nome que antigamente davam 
aos castellos fundados sobre rochas. 

Também Carroqueiro pôde vir de carroceiro, conduetor 
de carroça, que faz fretes com carroça, pois outr"ora c valeu 
■s, Ic e q. 

Vide o meu longo tópico — Substituição de letras. 



VI 



Cq5q Uedro e Saaoedra 

Ahi vae agora um jorreiro de dislates meus, dedicado 
aos manes do meu saudoso amigo José Augusto Pinto da 
Cunha Saavedra. ^ 

Casa Apedra, povoação nossa, pertencente á freguezia da 
Junqueira, concelho e comarca de Villa do Conde. Vem do 
baixo latim casa vetera, casa antiga, velha, s^-nonimia de 
Casa Velha, povoação nossa também, e recorda Alhos Vedros. 
Eira Vedra, Eiras Vedras, Moinho Vedro, Monte Mór-o- Velho. 
Paço Vedro, Torre Vedra e Torres Vedras, povoações nossas, 
e Pontevedra, cidade da Hespanha, na Galliza, etc. 

Por seu turno Casa Vedra, pela desmembração incon- 
sciente do cá, tido talvez como prefixo na edade média, 
quando por falta de luz todos andavam a jogar a cabra-cega. 
Casa Vedra deu ou podia dar Savedra e Saavedra, pois, como 
todos sabem, na edade média o á agudo era representado por 
dois aa. Confronte-se Cumadaaes por Gimadaes, antiga forma 
de Samodães, supra, como já dissemos, a pag. 117. 



^ Vide Provezende, no Portugal Antigo e Moderno, \ol. \\\, pag- 
680 a 714, e esta minha louca Tentativa Etymologica, parte 2.*, pag. 140 
a 142, supra. 



TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPOÍíYMICA 187 

Um sábio escriptor liespanhol diz que o appelido Saave 
dra vem de saía velha ! . . . Outros dizem quo Saavedra vem 
de sala -f- vetera, casa velha, pois sala em antigo hespanhol (?) 
significou casa. Isto mesmo já eu disse a pag. 149 do 2.^ vol.^ 
nota 1.', accrescentando : — «Também sala deu Sá, appelido 
6 nome de varias povoações nossas, ao todo mais de 40, bem 
como Sá de Baixo, Sá de Cima, Sá de Sangalhos, Salaberte 
(casa verde ?}, Sala e Salinha, povoações nossas também. 

Confronte-se Casa, Casa Vedra, Casa Velha, Casa Verde» 
Casa Vermelha, Casarollas, Casarullos, Casas, Casinhas, etc, 
muitas povoações nossas, ao todo mais de mil, que tomaram 
o nome das casas.» 

Foi isto o que eu escrevi no logar citado e é possivel 
que outr'ora sala fosse uma synonimia de casa, por serem as 
salas os compartimentos principaes das casas, mas nenhum 
dos diccionarios portuguezes nem o Elucidário de Viterbo dão 
sala na accepção de casa. 

No idioma castelhano sala tem muitas accepções, pelo 
que Valdez lhe dedicou um longo artigo muito interessante ; 
mas também não lhe deu a accepção de casa, — nem mesmo no 
castelhano antigo. — Talvez seja provincianismo da Hespanha? 
que Valdez não mencionou, pois na onomástica hespanhola ha 
muitas povoações com os nomes de Sa, Saa, Saas, Sala e Salas, 
na Galliza e fora da Galliza; Saavedra^ freguezia, em Lugo, 
e Saavedra, povoação de Orense. 

Nós também temos õ8 povoações com o nome de Sá, 
mas nem uma com o nome de Saa nem Savedra ou Saavedra. 
Temos apenas Saavedra, appellido. 

Também temos Salla, Sallinha, diminutivo, e Salão, 
augmentativo de Salla, o mesmo que sala. 

Pôde, pois, Saavedra vir de Casa Vedra — casa velha, — 
ou de Sala Vedra, casa velha também. 

Com o mesmo diapasão de Casa Nova e Casa Vedra ou 
Casa Velha temos na onomástica portugueza outras muitas 



138 TENTATIVA ET YMOLOGICO-TOPON YMICA 

povoações. Occorrem-me as seguintes, todas mencionadas 
na Chorographia Moderna: 

Agra Nova e Agra Velha; Alçaria Nova, Aldeia Nova e 
Aldeia Velha: Azenha Nova e Azenha Velha; Bica Nova e 
Bica Velha; Bouça Nova e Bouça Velha; Broeira Nova e 
Broeira Velha ; Calçada Nova e Calçada Velha ; Campo Novo 
e Campo Velho, sitio do Alto Douro, do que adiante falare- 
mos no fim d'este tópico. 

Junte-se Campos Novos e Campos Velhos; Casa Vedra 
e Casa Velha; Casal Novo e Casal Velho; Casas Novas e 
Casas Velhas; Castello Novo, Castello Velho e Câstro Velho; 
Cerca Nova e Cerca Velha; Egreja Nova e Egreja Velha; 
Eido Novo e Eido Velho; Eira Nova, Eira Vedra e Eira 
Velha; Eiras Vedras e Eiras Velhas; Estalagem Nova e Es- 
talagem Velha; Estrada Nova e Estrada Velha; Fazenda 
Nova e Fazenda Velha ; Feira Nova e Feira Velha ; Fonte 
Nova e Fonte Velha ; Forno Novo e Forno Velho ; Gandra 
Nova e Gandra Velha; Granja Nova e Granja Velha: Horta 
Nova e Horta Velha; Macieira Nova e Macieira Velha. 

Junte-se a Moinho Novo, Moinho Vedro e Moinho Velho? 
Monte Novinho, só uma povoação; Monte Novo, mais de 
trezentas povoações e Monte Velho, mais de cincoenta ; Monte 
Mór-o-Novo e Monte Mór-o- Velho ; Montes Novos e Montes 
Velhos; Paço Novo, Paço Vedro e Paço Velho; Pinheiro 
Novo e Pinheiro Velho; Poço Novo e Poço Velho; Pomar 
Novo e Pomar Velho ; Ponte Nova e Ponte Velha ; Porto 
Novo, Porto Velho e Portantigo, o mesmo que Porto Antigo 
e Porto Velho. 

Ainda temos Povoa Nova e Povoa Velha ; Presa Nova e 
Presa Velha; Quinta Nova e Quinta Velha; Ribeira Nova e 
Ribeira Velha ; Ribeiro Novo e Ribeiro Velho; Rocha Nova (?! . . . ) 
e Rocha Velha; Serra Nova (?!...) e Serro Velho; Souto 
Novo e Souto velho; Tapada Nova e Tapadas Velhas (sic); 
Torre Nova, Torre Vedra e Torre Velha; Torres Novas e 
Torres Vedras; Vai Novo (?!...) e Vai Velho ; Velha, Velhas, 
Velhinhos, Velho, Velhos, e Velhote; Venda Nova e Venda 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 139 

Velha e ad r'idendum — Venda das Palgas ('.'! . .) — ViJla Nova 
e Villa Velha; Vinha Nova, Vinha Velha e Vinhas Velhas, 
Ahi vão agora algumas linhas com relação ao tópico 
promettido: 



VII 



Campo Velho 

E' um sitio muito vistoso e muito lindo na margem di- 
reita do Tedo, freguezia de S/" Adrião, concelho d'Armamar, 
no Alto Douro e na região do port-icine. 

Demora em um pequeno planalto a meia encosta entre 
o rio Tedo e as serras de Adorigo ^ e é cortado por duas 
estradas que ali se cruzam. 

O seu chão é muito árido e não tem campos, mas so- 
mente a pequena distancia uma horta de vários consortes, 
regada com água de uma mina. 

Tomou o nome de quinta do Campo Velho, porque o si- 
tio onde se cruzam as duas estradas é plano, a modo de 
campo, mas de schisto compacto e nativo, formando uma es- 
paçosa eira publica de grande utilidade para as seis ou sete 
casas de quintas que ali ha, avultando entre ellas a nossa, 
feita pelo meu pae approximadamente em 184U. 

O nosso casal da Córvaceira, freguezia da Penajoia, con- 
celho de Lamego, é muito mais mimoso e tem uma casa maior 
e mais vistosa do que a do Campo Velho, chamada casa da 



^ A dita serra de Adorigo é toda arável e tomou o nome da fre- 
guezia e povoação de Nossa Senhora de Condezende de Adorigo, á qual 
pertence e cuja etymologia habet dentem coellú!. . . 

Na primeira parte d'esta minha louca Tentativa dei a pag. 232 a 
etymologia da mencionada parochia. 



140 TENTATIVA ETYMOLOaiCO-TOPOXYMlCA 

capella, mesmo em frente da estação actual do MoUedo, Mas 
o meu pae qniz passar os últimos annos .da vida na mencio- 
nada quinta, por haver feito a casa e por estar o Douro en- 
tão em alta. 

Alli falleceu em 1863, dando a quinta 60 pipas de vinho 
e tendo-o vendido nos últimos 5 annos por um titulo único, 
a 72$000 reis a pipa. Durante aquelles 5 annos apurou só 
no vinho da quinta, 4:320$000 reis por anno, e no vinho do 
nosso casal da Corvaceira apurou também por anno cerca de 
dous contos de reis, pois o dito casal produzia 40 pipas de 
vinho, que vendemos a 50$000 reis a pipa, aproximadamente. 

Apuramos, pois, só no vinho do casal e da quinta, du- 
rante aqueles 5 annos, 6:320$000 reis por anno. 

Dava também a quinta uma a duas pipas d"azeite, em 
annos de safra, e 30 a 4(.» arrobas de figos seccos. O casal 
da Corvaceira também dava algum azeite e 80 a 90 arrobas 
de baga de sabugueiro que alguns annos alli se vendeu a 5 
e 6 mil reis cada arroba. Dava. também muita fructa varia- 
díssima, comprehendendo laranjas deliciosas, pois o nosso 
pomar da Corvaceira é absolutamente o melhor de toda a 
freguezia da Penajoia e de todo o concelho de Lamego. ^ 

Bom tempo era aquelle em que o meu pae falleceu. pois 
não chegou a conhecer a phj-loxera, que passados alguns annos 
se manifestou no Douro. 

Conheceu apenas o oydium, que se combatia facilmente 
com o enxofre. O primeiro lavrador que o applicou no Alto- 
Douro foi o Félix Manoel Borges Pinto, na sua quinta do 
Tedo, e o segundo foi o meu pae, na mencionada quinta do 
Campo Velho, visinha da do Félix, pelo que os dous apura- 
ram bastante dinheiro, pois só passados alguns annos se ge- 
neralisou a applicação do enxofre no Douro. 



^ Durante 5 annos apuramos, pois, só em vinho por anno, ('):320$000 
reis; Em azeite, baga, figos, etc, 380^000 reis; Rendimento total da nossa 
casa por anno durante aquelles 5 annos, 0:700$000 reis. 

— Bom tempo foi aquelle ! . . . 



TENTATIVA ETVMOLOGICO-TOPONYMICA 1-li 



YIII 

flinda o prefixo cá 

Faremos ainda mais algumas considerações e explana- 
ções relativas ao emmaranhado e nebuloso prefixo cá, da 
onomástica portugueza. Desculpem os leitores tanta semsa- 
boria e tão grande interrupção 

Volvendo a pag. i3() e proseguindo pela ordem alpha- 
betica, ponhamos de parte o longo tópico da Casa "Vedra, 
Casavedra ou Cá -f- Savedra e fallemos agora das nossas 
povoações seguintes : 

Casaes e Saes. 

Casaes é o nitido plural portuguez de Casal e pela in- 
consciente desmembração do supposto prefixo ca, — era pos- 
sível fazerem de Casaes, Cá -|- Saes, como de Carreiro e 
Carreiros fizeram Reiro e Reiros, de Casa Vedra, Cà-|-Savedra 
e Savedra, de Carrasca e Carrascas, Rasca e Rascas, etc. 

Note-se que Savedra e Saes vêem do tempo da occupa- 
ção leoneza e que na Hespanha não ha z sibilante. Casa 
Vedra soava, pois, Cassa Vedra, qae pouco differe de Cá-|- 
Savedra. Por seu turno Casaes soava Cassaes, que pouco 
differia de Ca -[-Saes. 

No estudo etymologico da onomástica portugueza deve- 
mos procurar e investigar até onde fôr possivel as formas 
antigas dos nomes das nossas povoações no tempo dos arabeá 
e mouros, dos castelhanos e leonezes, dos romanos e povos 
germânicos, dos gregos, cartaginezes, celtas, bascos ou iberos, 
etc. 

Devemos desconfiar das etymologias bazeadas nas for- 
mas actuaes dos nomes das nossas povoações. Muitas d'essas 
etymologias só servem para rir. 

Saes é uma povoação e extincta casa nobre de Rezende, 
chamada vulgarmente Ossaes. Pôde vir de Casaes pela 
forma supra, ou de Ossaes, como pertencente á longa série 



142 TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 

da8 nossas povoações que tomaram o nome dos ossos e dos 
ursos, em castelhano osos, que se lê também ossos!. , . 

Confronte-se Ossa, aldeia e serra nossas, Ossada, Osseira, 
Ossella, Osonoba, Ossos ou Villar d'Ossos e Oeira, rio e fre- 
guezia, etc, que podiam tomar o nome dos ossos ou ursos!... 

Vide também Caceira, supra e Ursos nos índices da 1.* 
e 2.* partes d'esta minha louca Tentativa Etymologica. Ali se 
acham indicadas as paginas em que falíamos das ditas feras 
e se encontra uma extensa lista das nossas muitas povoações 
que tomaram d'ellas o nome. 

Com vista ao snr. dr. José Leite Vasconcellos, ramo da 
nobre casa dos Saes ou Ossaes, distincto areheologo, muito 
versado em etymologia também. A sua ex.» cumpre resol- 
ver a questão, velando pro domo sua. 

Casalão pôde vir de casalão, grande casal. Confronte- 
se Olivão por Olivalão grande Olival; Pinhão por Pinhalão, 
grande Pinhal; Pomarão ou grande Pomar; Sobrão por So- 
bralão, grande Sobral, etc, povoações nossas também. 

Por seu turno Casalão, no idioma leonez Cassalão, pela 
inconsciente aferese ou desmembração do supposto prefixo 
cá, deu ou podia dar Ca-p Salão e Salão, povoação nossa tam- 
bém. Mas talvez que Salão seja augmentativo de sala, na 
accepção de casa. 

Vide Casa Vedra, supra. 

Casarollas e Zarola, povoações nossas. 

Vide Casarollas e Zarola, pag. 112. 

Caselho e Selho. Podem vir de Caselho, diminutivo de 
casa, pois Caselho no idioma hespanhol soava Casselho, e 
pela desmembração do supposto prefixo cá — deu ou podia 
dar Selho. 

Casella e Sella, Casellas e Sellas, povoações nossas. 

Veja-se Cacella. supra, e note-se que no tempo da occu- 
pação hespanhola Casella e Casellas soavam Cacella e Cacellas 
ou Cassella e Cassellas, unde talvez Cá -f- Sella, Cá + Cellas, 
Cella, Cellas, Sella e Sellas, pela desmembraçívo do supposto 
prefixo cá. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 143 

Casilho e Silho, povoações nossas também. Podem ser 
formas de Caselho e Selho, supra. Por seu turno Casliho 
pela desmembração do supposto prefixo cá, deu ou podia dar 
Cá -1- Silho e Silho, mas também que Silho, quinta da Barca 
d'Alva, etc, venha de Silius, Silis, nome romano. 

Caselho e Casilho pertencem á grande série das nossas 
povoações que tomaram o nome das casas. Vide Cacilhas e 
Casella, supra, Casollas infra, e Cozelhas por Caselhas, povoa- 
ções nossas também, como Caselho, Coselho e Coselhos. 

. Casollas e SoUas, povoações nossas também. Podem vir 
de Casollas no diapasão leonez Cassollas, que pela desmem- 
bração do supposto prefixo cá deu ou podia dar também 
Solias. 

Vide Casarollas, supra. 

Casouto e Souto de Cà-j- Souto? 

Cassapa e Sapa, Cassapos e Sapos, povoações nossas. 

Podiam tomar o nome dos Sapos, com a addição do 
prefixo cá, ou directamente dos caçapos, coelhos novos. 

Os sapos são reptis d'aspecto ascoroso, mas muito úteis 
para a lavoura e para a limpeza das hortas e dos jardins, 
pelo que na Inglaterra se estimam e vendem nos mercados, 
em quanto que nós, por falta d'instrucção, os perseguimos e 
matamos barbaramente ! . . . Não obstante isso, d elles tomaram 
o nome varias povoações nossas, como Sapa, Sapeira, Sapei- 
ros. Sapinho, Sapo, Sapos, Vai de Sapos, etc. 

Dos coelhos e caçapos tomaram também o nome varias 
povoações nossas, taes são : Coelha, Coelhal, Coelhas, Coe- 
lheira, Coelheiras, Coelheirinha, Coelheiro, Coelheiros, Coelho, 
Coelhos, Coelhosa, Coelhoso e Coenheiros por Coelheiros. ^ 

Junte-se : Monte do Coelho, Monte do Coelheiro, Monte 
dos Coelheiros, Vai de Coelha, Vai de Coelho, Vai de Coelhos^ 



^ A bússola é o ouvido. Note-se que na onomástica portugueza 
/ e « se confundiram, e por concomitância Ih e nh. 

Vide o meu longo tópico — Substituição de letras. 



14-1 TENTATIVA ETYMOLOCIICO-TOPOXYMICA 

Villa Cova a Coelheira, Alconilhes por Alconilhos, povoação 
nossa também que talvez tomasse o nome de conejillos, forma 
castelhana de coelhinhos, diminutivo de conejo, coelho. 

Na Hespanha tamljem ha duas povoações com o nome 
de Conil : uma em Cadiz, outra nas Canárias, e nós, além 
das povoações mencionadas supra, que tomaram o nome dos 
coelhos, temos ainda Cassapos, Cacapos e Caçapunho, antiga 
forma de caçapinho. 

Confronte-se Çumadaaes por Cimadaes, antiga forma de 
Samodães, que o povo chama Simodães, por Simadães, o 
mesmo que Cimadaes. 

Vide pag. 117 e seguintes. 

Cathejal ou Catojal, ^ povoação da freguezia de Unhos, 
concelho de Loures, vem de Cá -}- Tojal. 

Xote-se que no dito concelho ha uma freguezia com o 
nome de Tojal e outra com o nome de Tojalinho. 

Cavallaria e Vallaria ; Cavallas e Valias; Cavalleira e 
Vaileira ; Cavalleiro e Valleiro ; Cavallinho e Vallínho ; Ca- 
vallinhos e Vallinhos ; Cavallões e Vallões ; Cavallos e Vallos ; 
povoações nossas. 

Podiam tomar o nome directamente de Cavallaria, Caval- 
leiro, Cavallinho, Cavallos, etc, ou de Vallaria, Valleiro, 
Vallinho, Vallos, etc, com o prefixo cá, ut supra. 

Cavaquinhas e Vaquinhas, povoações nossas. Podiam 
tomar o nome do portuguez cavaquinhas ou de Vaquinhas 
com o prefixo cd, supra. 

Caveirós, Beiro, Beirolas, Beirós, (em Rezende) e Veiros, 
povoações nossas, pertencem á mesma série de que no mo- 
mento nos occupamos. 

Caveirós pôde vir directamente decaveirolas, caveirinbas, 
ou de Beiro, Beirolas, Beirós e Veiros, por Veeiró, Veeirolas 
e Veeirós com o prefixo cá. 

Veja-se Veiróz, supra, pag, 109. 



^ Vide Chorographia Moderna, vol. iv, pag. 7õ2, e vol. vi, pag. 136. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 145 

Cavez, Vai de Vez, Arcos de Vai de Vez, Vez, rio, e 
Vez d'Aviz, aldeia, podem vir de Canavcz por afereze ou 
desmembração inconsciente do supposto prefixo cá. Por seu 
turno Canavez é singular de Canavezes por canavizes e este 
por canabizes, nome que tomou do latim canahis ou cannabis, 
o linho canamo ou cânhamo para cordas, etc, linho que desde 
os tempos mais remotos abundou em varias regiões do nosso 
paiz, pelo que d'elle tomaram o nome diíFerentes povoações 
nossas. 

Vide pag. 336 e seguintes na 1/ parte d'esta minha 
louca Tentativa Etijmologica, onde se encontra uma extensa 
lista das ditas povoações. 

Gavião, Gavião e Vião, povoações nossas, talvez sejam 
formas do mesmo nome, pois Gavião deu ou podia dar Gavião 
pela trivial substituição de cá e gá. Por seu turno Gavião 
deu ou podia dar Vião, pela inconsciente afereze ou desmem- 
bração do supposto prefixo cá. 

Também Gavião pôde ser uma forma de Gá e Vião, que 
por seu turno pode vir de Bibianus, Bibiano, nome d'um 
santo, etc, ou de vigião, grande atalaia ou vigia, 

Gonfronte-se Atalaião, castello desmantelado que eu já 
vi a montante de Portalegre. 

Vide Espio, supra, pag. 61, 62 e 72. 

Para atesto do casco junte-se : 

Galandim por Galandim, de Gá-j- Landim. 

Galbão, Galvão e Galvão de Gá e Alvão (?), povoações 
nossas. 

Vide pag. 113. 

Cá também foi adverbio hespanhol, antigamente. E' hoje 
acá e tem dififerentes acepções indicadas por Valdez, entre 
ellas acá e allá, cá e Zá, como em portuguez, denotando logar 
res diversos. E parece que na onomástica hespanhola o adver- 
bio cá significou também outr'ora cá de, ou de cá de, po- 
áquem de ou antes de, como na onomástica portugueza. 

VOL. Ill 10 



146 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Ahi vão algumas amostrinhas da onomástica hespauhola : 
Caballe, Baile, Balo, Vale e Valle. 
Caballeria, Ballerias, Valleriola e Valleruela. 
Cáballes, Bailes e Valles. 
Cabarceno e Barcena. 
Cábarcos e Barco, singular de Barcos. 
Cabezas e Bezas. 
Cádagua e Agua. 

Cádamancio por Cá de Amâncio, nome d'um santo, etc. 
Cádapereda e Perada. 
Cádenava, Nava e Navas. 

Cadorna ou Cádorna? Dorna, Dornas, DornelaseDornillas' 
Caeira e Eira. 
Cairá, Aira e Airas. 
Cairola e Airoa, contracção d'Airola? 
Cálaceite (por Cá lo Aceite?) 
Aceite, Aceituna e Aceitunilla. 
Cáladrones ? ! . . . 
Cállosa, Losa e Loza. 
Capella, Capela e Pela. 
Capillas e Pilas. 
Carato e Rato. 
Caraso, Raso e Razo. 

Caroyas, Roja e Roya, singular de Royas. 
Carral e Ral. 
Carramal © Ramales. 
Carrasqueira e Rasquera. 
Carrasquero e Rasqueros, plural de Rasquero. 
Carregal e Regall. 
Carriazo e Riazo. 
Cáserras e Serras. 
Caviíia por Cá -)- Vina e Vina. 

Desculpem os nossos bons visinhos tantos dislates a 
propósito do prefixo cá, pois talvez se encontre assimilado 
em alguns nomes das povoações hespanholas supra, como se 
encontra na onomástica portugueza. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 147 

Ponho aqui ponto final com relação ao longo tópico dos 
nossos diminutivos formados pela desinência oliis, ola, que, 
pela negaça de Casarolla, Sarolla e Zarola, me obrigaram a 
fallar do prefixo cá da onomástica portugneza e hespanliola. 

Ainda direi que ha na Gralliza uma povoação denominada 
Casarôa por Oasarola, que se lêem Oassarôa e Oassarola e 
pela inconsciente dosmembração do supposto prefixo cá, po- 
diam dar Sarolla e Zarola, povoações nossas, bem como Seroa 
(por Sarôa), povoação nossa também. 



IX 



Prefixo a de 

Nós temos grande numero de povoações em cujos nomes 
se encontra o prefixo a de, o mesmo que a villa, granja, 
quinta ou casa de campo de. . . Taes são as povoações se- 
guintes, todas mencionadas na Chorographía Moderna: 

Adanaia — o mesmo que A de Anaia, appellido e povoa- 
ção nossa também, 

Adarnal, o mesmo que A do Arnal. 

Confronte-se Arenal, povoação nossa também, como 
Arnal, contracção de Arenal, o mesmo que Areal. 

A das Carreiras; A das Sovellas; Adaval, por A do Vai; 
— A do Barros, — A de Formoso ou Ade Formoso; Adefroia 
por A de Froila, antigo nome pessoal, cujo diminutivo 
F)'oilamis, i, is, deu Forjàes, povoação nossa também. 

Por seu turno Froilaz, patronímico de Froila, deu Forjaz, 
appellido d'alta cotação em Coimbra no meu bom tempo 
d'estudante. 

Adegas, varias povoações nossas. Tomaram o nome das 
adegas, armazéns de vinho, mas pelo diapasão do prefixo a 
de — uma ou outra das ditas povoações pôde ser contracção de 



148 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

A d'Egas, o mesmo que a granja, quinta ou casa de campo 
de Egas, antigo nome pessoal. 
A de Geraldo. 

Adeiujo? — E' talvez uma forma de A do ujo ou A de ujo. 

Confronte-se Ujo, Valduge, Yaldujo, Valdigem por Val- 
dige e este por Valduge, o mesmo que Valdujo, povoações 
nossas, que tomaram o nome dos ujos, aves nocturnas de 
rapina. 

Somma e segue : 

A de Junho; A de Justa; A de Martinho; Ademascos 
por A de Marcos, pois r e s confundiram-se na onomástica 
portugueza. -- Veja-se o meu longo tópico — Substituição de 
letras. 

A de Meios ; Ademoço por A do Moço, antigo nome 
pessoal. 

Confronte-se Pêra do Moço, povoação e freguezia do 
concelho da Guarda. 

A de Mourão ou Aldeia de Mourão (sic). 

A de Paulos. 

Aderneira, Aderneiras, Aderneirinha e Adernella por A 
de Areneira, A de Areneiras, A de Areneirinha e A de Are- 
nella, cujo plural Arenellas se encontra em Arnellas, povoa- 
ção nossa também. A etymologia é o latim arena, areia. 

Veja-se Adarnal, supra. 

A de Velha; A do Alcaide; A do Baço; A do Bello; A 
do Cavallo; A do Cêa; A do Ceitas ; a do Coelho; A do 
Cubo; A do Freire ; A do Lindo; A do Mealha; A do Meio; 
A do Motta ; A do Pereira; A do Pisco; A do Rainha; Ado- 
rarcos ou A doa Arcos {sic.) 

Junte-se: A Dorde por A da Ordem; Adoria por A do 
Dória; A do Rocha; A do Serra; A do Vigário; A dos Bis- 
pos e A de Calças. 

Na freguezia de Cambres, concelho de Lamego, ha so- 
berbas quintas e avulta entre ellas a do Calças. Demora toda 
no clima das larangeiras e produz muitas laranjas, mas a sua 
producção principal é vinho. Em annos normaes chegou a 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 149 

produzir 300 pipas de vinho de 550 litros cada uma, sendo 
todo muito bom, porque todo ouve ranger a espadella ! . . . 
A mencionada quinta pertence, como outras muitas, á 
familia Silveiras, do Visconde de Várzea, muito dignamente 
representada em Lisboa pelo snr. Bernardo da Silveira, Mar- 
quez de Castello Melhor. 

Prosigamos: 

A dos Corvos ; A dos Fernandes ; A dos Ferreiros ; A 
dos Francos ; A dos Gallegos ; A dos Loucos ; A dos Mattos ; 
A dos Melros;. A dos Molhados; A dos Negros; A dos Ne- 
ves; A dos Nobres; A dos Potes; v A dos Ramos; A dos 
Ruivos; A dos Sedas; A dos Vargens; A dos Vicentes e 
Adozeiros por A dos Eiros ou Eirôs ou Eirós? 

Confronte-se Eiró, Eiró, Eiros e Eiroz, povoações nossas 
que tomaram o nome do baixo latim areola, eirinha, diminu- 
tivo de area^ eira. 

Proseguindo com o thema prefixos, ahi vae um outro 
também muito interessante para o estudo etymológico da 
nossa onomástica. 



X 



Prefixo de por a de . . . assimilado ' 

Como additamento á lista supra de nomes das nossas 
povoações com o prefixo a de, o mesmo que a granja, quinta 
ou casa de campo de. . ., ahi vae outra lista de povoações 
nossas, em cujos nomes, pela lei do menor peso, se encontra 
o prefixo de por a de supra. 



' Veja-se Capote e Chapitel, supra, pag. 131 e 132. 
- Vide pag. 104 da 2.a parte ou vol. da minha louca Tentativa 
Etymológico.. 



150 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Dabade^ o mesmo que Do Abbade, povoação nossa, bem 
como Abbade e Abbades. 

Dabeja ou A da Beja (sic) e Beja. 

Dairas, Daires ou Adaires (sic), Ayras, Ayres e Caslro 
Daire por Castro d' Árias. 

Daldas, Aldas e rua das Aldas, velha rua do Porto. 

Dalhães, Alhaes e Alhões, o mesmo que Alhaes e Alhães, 
pois na onomástica portugueza e no idioma portuguez as 
desinências aes, ães e ões confundiram-se e ainda hoje se 
confundem ! . . . 

Vide o meu longo tópico — Substituição de letras. 

Dálvares e Alvares. 

Dalváres ou Adalváres e Alvares. Dalváres ou Adal- 
váres é um sitio e casa nobre do aro de Lamego. 

Damaia — e Maia. 

Damonde e Amonde. — De Edmundiis, i, Edmundo, nome 
germânico e nome d'um santo, que deu também Bamonde, 
contracção de Ben por Iben Edmundi, filho de Edmundo. 

Vide o tópico Iben, prefixo árabe, pag. 45 a 47 do 2.° vol. 

Danaia, Anaia, Naia e Naias, povoações nossas. 

Danço, Anços, plural de Anço, aldeia, e Villa Nova 
d'Anços, villa e freguezia. 

Daporta ou Aldeia da Porta (sic). 

Dardão e Ardão. 

Darnella, Arnella e Arnellas. — De arenella, areiinha. 

Daroaes é contracção de Aroeiraes. 

Daroal é contracção de Aroeiral. 

Daroeira e Daroeiras, Aroeira, Aroeiras e Cadarroeira 
por Cá d'Aroeira. Todas estas povoações tomaram o nome 
do portuguez aroeira, lentisco. 

Vide Cadarroeira, supra, pag. 126. 

Somma e segue. 

Darque, por Darco, é talvez o mesmo que Do Arco. 

Vide Arco, Arcos, Arcos de Miragaya e Arcos da Ri- 
beira, no Porto, ainda existentes, Arco da Vandoma e Arco 
de Sant'Anna, antigos arcos também do Porto, mas que já 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 151 

desappareceram ; Arco do Cego, em Lisboa ; Arco d'Almedina, 
eEQ Coimbra; Arcos de Val-de-Vez; Monte dos Arcos, Vai do 
Arco, Vai dos Arcos, etc, povoações nossas. 

Também Darque pôde ser aferese de Bundark, nome 
germânico pessoal que pela forma latina Bundarcus deu ou 
podia dar Buarcos. 

Ad ridendum junte-se darkland, terra escura, nome que a 
marinha ingleza costuma dar ao nosso litoral por ter poucos 
faroes. E note se que a freguezia de Darque demora ao sul 
de Vianna do Castello e pertence ao nosso litoral. 

Prosigamos : 

Daroana por Douroana — de Ouroana, antigo nome 
pessoal. 

Confronte-se Doroauna e Douroanna, povoações tam- 
bém e Ouroanas, sitio. — Das Daldas, povoação nossa. — E' 
pleonasmo. 

Confronte-se Das Aldas, velha rua do Porto e Don'Alda 
por Dona Alda, povoação nossa também, como Daldas, supra. 

Alda por Aldara vem talvez de Ilduara, antigo nome pes- 
soal também, que por seu turno deu ou podia dar o nome a 
S. Martinho d'Aldoar, povoação e' freguezia do concelho de 
Bouças. 

Fiai lux. 

Decide ou A Decide por A de Cide. 

Confronte-se Cid, appellido nosso e Trancide por Trans- 
cide, povoação nossa também. 

De passagem diremos que (3id, appellido vulgar e nobre, 
muito antigo, vem do lendário cavalleiro hespanhol - - Ruy 
Diaz el Cid, cognominado assim pelos árabes, por ser o ter- 
ror d'elles, pois cid ou sid em árabe quer dizer senhor ou 
heroe por excellencia. O appellido não podia ser mais hon- 
roso, pelo que o dito cavalleiro Ruy Diaz — Rodrigo, filho 
de Diago, o mesmo que Diego, Diogo o Thiago, o tomou 
para nome próprio, assigiiando-se Cid Ray Diaz, na Hos- 
panha, em portuguez Cid Ruy Dias. 



152 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Do exposto se vê que o nosso appellido vulgar Dias, 
nada tem com os dias da semana, pois é a forma portugueza 
do hespanhol Diaz e quer dizer filho de Diago, Diego, Diogo 
ou Thiago ou de Jacob, patriarcha biblico e apostolo, vul- 
garmente denominado Jacó e no baixo latim lacus. Assim 
foi durante séculos talvez denominado na Galliza o apostolo 
S. Thiago, cujo nome é uma inconsciente deturpação de San- 
ctus lacus, Santo laco, depois Sant'Iaco e por ultimo S. Thiago, 

Ad ridendum, ahi vae uma deturpação moderna muito 
semelhante : 

Em um Rol de desobriga da cidade da Figueira já eu 
vi Santo Mé por S. Thomé ! , . . 

Na Itália ainda se encontra laco, nome pessoal, por lacó 
ou Jacob, nome que tem tomado outras muitas formas, além 
das de Thiago, Diego, Diogo e Diago supra, — taes são Jayme, 
Jacques, Jacome, Santiago, appellido, etc. 

As formas anteriores de Diago, Diego e Diogo foram 
Thiacus, Thiecus e Thiocus. 

Por seu turno Thioquis, patronímico de Thiócus, deu 
Tougues por Toigues, povoação nossa, e na minha opinião 
Touguinhas, povoação nossa também é uma forma de Thio- 
quina villa, tirada de Thbguimcs, a, diminutivo de Thiocus, 
Diogo, o mesmo que Dioguinho e Dioguinha. 

Também temos Touguinhó, aldeia e freguezia, que vem 
ou pôde vir do Thioquinolus ou Thioquinola, diminutivos de 
Thiocus, como Thioquinus, a, supra. 

Vejam que salsada para os meus 79 annos ! . . . 

Para atesto do casco ainda direi que as nossas duas 
freguezias denominadas S. Miguel de Seide e S. Payo de 
Seide, ambas do concelho de Villa Nova de Famalicão, po- 
diam tomar o nome do lendário Cid ou Sid Ruy Dias, su- 
pra, ou d^outro qualquer Cid ou Sid, pois na onomástica 
portugueza, i deu ei. 

Veja-se o meu longo tópico: — Substituição de letras. 

Com vista aos manes do meu saudoso amigo e mestre. 
Visconde de Corrêa Botelho (Camillo Castello Branco), dis- 



TENTATIVA ETVMOLOGICO-TOPONYMICA 153 

tinctissimo escriptor, qno passou os últimos annos da sua 
atribulada vida e falleceu ua mencionada freguezia de S. 
Miguol de Seide. 

Prosigamos : 

Degoiva, Goiva e Goival, povoações nossas que talvez 
tomassem o nome dos goivos. 

Degracias. Confronte se Deogracias, antigo nome pes- 
soal e nome d'um santo. 

Deirão ou Leirão (sic). De Eirão ou Leirão, povoações 
nossas também, como Deilão por Deirão, pois na onomástica 
portugueza dei confundiram-se. 

Vide o meu longo tópico: — Substituição de letras. 

Delães. E' talvez uma antiga fórma de Bellães, paro- 
cliia extincta e unida á do Britiande. 

BelUnis, patronimico de Bellinus.^ i, Bellino, antigo nome 
pessoal e nome d'um santo, deu ou podia dar Bellens, Bellães 
e talvez Delães, pois b e d confundiram-se na onomástica 
portugueza. 

Vide o meu longo tópico : — Substituição de letras. 

Com vista aos manes do meu saudoso amigo e distincto 
escriptor Albano Bellino!. . . 

Delhalva por D'el Alva, Do Alva? Confronte-se Alva, 
rio, castello e villa. Barca d'Alva, etc. 

Delvira por De Elvira. 

Confronte-se Elvira, nome pessoal. 

Demenderes, de Demetriis^ patronimico de Demetrius, ii. 
Demétrio, nome d'um santo, etc. Também Demenderes por 
Demendres, talvez seja o mesmo que Demendes por De Men- 
des ou Do Mendes, pois na onomástica portugueza, como na 
franceza o ?• é a letra mais falsa e mais caprichosa! Appa- 
rece e desapparece instantaneamente, confunde-se com o l 
e 5 e já no latim se confundiu também com o d, pois a forma 
anterior de meridies foi medidies — meio dia! 

Veja se o Magnum Lexicon e o meu tópico: — Substituição 
de letras. 



1Õ4 TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMTCA 

Demo ou Adimó {sic), por A da Mó ? — pois na onomás- 
tica portugueza confundiram-se e ainda hoje se confundem 
as letras a e i. 

Confronte-se Samodães, que o povo chama Simodães. 

Confronte-se também Mó, mais de 30 povoações nossas, 
que tomaram o nome do latim mola — a mó do moinho e por 
extensão moinho, por ser a mó a peça mais importante d'elle. 

Demotta é o mesmo que Do Motta. — Confronte-se Motta, 
appellido e varias povoações nossas, que tomaram o nome 
do portuguez mota — e este do hebraico ? — segundo diz P. 
Caldas. 

Denetos. — Confronte-se Neta^ Neto e Netos, varias po- 
voações nossas também, 

A quinta do Neto é uma das mais vistosas do Douro e 
pertence á freguezia de Fontellas, o mesmo que Fontainhas, 
por Fontinhas, concelho da Regoa. 

Dessourinho e Sourinho. 

Confronte-se Souro Pires, talvez forma de Soeiro Pires, 
e Soeiro, appellido e nome de varias povoações nossas, tira- 
dos do latim suarius — porqueiro e este de sm.ç, suis, o porco 
ou a porca. Também suarius^ ii, iis, deu Soares, aldeia e 
appellido, patronimico de Soeiro. 

Soares quer, pois, dizer — filho do porqueiro ou do Soeiro. 
Estes appellidos pertencem á grande serie dos nossos appelli- 
dos aífrontosos, mas, como já disse: — Honra o teu nome e 
elle te honrará, seja qual fôr ! 

Destriz e Estriz, são povoações nossas também, que to- 
maram o nome de Asteriquiz, patronimico de Astericus, an- 
tigo nome pessoal? 

Discorreiâs por Das Correias ou Dos Correias. 

Confronte-se Correia, Correias, povoações nossas também 
que tomaram o nome de Correia ou Corrêa, appellido, e este 
das correias dos soldados. 

Pertence, pois, Corrêa á grande serie dos nossos appelli- 
dos tirados da militança, taes são : 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 155 

Alabardeiro, Alferes, Almirante, Archeiro, Artilheiro, 
Assentista, Atalaia, Atalaião, Bandeira, Batalha, Batalhoz, 
quinta; — Besteiro, Besteiros, Bombarda, Brigadas, Briga- 
deiro, Caçador, Cadete, Caixa, Canana, Capitão, Castello, 
Castellões e Castro. 

Junte-se :— Cativo, Cavalleiro, Cavalleria, Cazerneiro, 
Clarim, Corneta, Corneteiro, Cornetim, Coronel, Corunheiro, 
Corveta, Couraça, Couraceiro, Cunha, Esculca, Escurquella 
por Esculquella, Espada, Espadagão, Espia, Espingarda, Fra- 
gata, Fragateiro, Forriel, Fuzileiro, General, Granada, Gra- 
nadeiro, Guarda, Guerra, Guerreiro, Lança, Lanceiro e Leme. 

Somma e segue : — Major, Marinha, Marinheiro, Mili- 
ciano, Milicio, Muralha, Patuleia, Pica, Piquete, Ponteleiro, 
Porta Bandeira, Porta Machado, Prateleiro, Rebolim, Re- 
treta. Rufo, Sapador, Sargento, Sargento-Mór, Sentinella, 
Seta ou Setta, Soldado, Talaia por Atalaia, Talaião por Ata- 
laião, Tambor, Tambor-Mór, Tamborileiro, Tenente, Torre, 
Torrejão, Torres, Torrezão, o mesmo que Torrejão, — Vareta, 
Vedeta, Vigia, Vigião, Virote, etc. 

— Viva la grada da nossa quinta chamada Discorreias, 
o mesmo que Das Correias ou Dos Correias, que me levou a 
escrever tantos dislates. 

Volvendo ao tópico do prefixo de, assimilado, juntese : 

Dobrôa, o mesmo que A do Broa. Confronte-se Broa, 
Broalhos e Broas, povoações nossas também que tomaram o 
nome das broas. 

Foi meu contemporâneo em Coimbra um estudante conhe- 
eido pela alcunha de Broa, por ser do Minho e muito nutrido. 

Dolves, casal, não pertence á lista das nossas povoações, 
em cujos nomes se encontra assimilado o prefixo de; mas 
pertence â grande serie das nossas povoações, cuja etymolo- 
gia vem de Ataulphus, i, nome germânico pessoal, o mesmo 
que Adolpho, nome actual e nome d'um santo, muito prolífico 
na onomástica portugueza. 

Vejam-se as pag, 41, 56, 133, 265 e nomeadamente as 



156 TENTATIVA ETVTMOLOGICO-TOPONYMICA 

pag. 303 a 305 do 2. o vol., onde fizemos varias referencias no 
dito nome e, para complemento ahi vae agora uma lista de 
todas as nossas povoações que na minha opinião tomaram o 
nome do prolífico Ataulphus, i, hoje Adolpho, nomes que em 
algumas d'ellas só com a lente ti'arte nova se lobrigam, como 
os leitores vão ver. 

Adaúfa; Adaúfe; Adaúfe ou Adoufe; Adoufe; Adoufe 
ou Adaúfe ^; Adufe por A d'Ufe ^; Aidova por Adolpha; 
Baldrufa por Baldufa e este por Valdufa? 

Confronte-se Vald'oufe (sic.) e Valduve por Valdufe 
infra. 

Somma e segue. 

Casal Doufe?; Casal d'Ufe; Dolves (cá está elle ! . . . ) ; 
Doufins por Adolphinis? Estrada de Ufe {sic>) Fonte d'Ufe; 
Ufe; Vald^oufe; Valduve por Valdufe?; Villa Duffe e Villar 
d'Oufe?!... 3 

Os leitores podem rir e mofar, mas a critica de mofa é 
critica banal, balofa, imprópria de gente seria, e rira hien 
qui rira le dernier. 

Adolpho, como já disse, vem de AtatdpJiud, nome ger- 
mânico, e este do godo atta — pai, e do teutonico hulf — 
ajuda, soccorro ; do celta ulphe, que significa também soc- 
corro, como diz Boucrand, vb. Ádolphe. 

Do exposto se vê que o celta e o teutonico são irmãos 
gémeos e que o nome Adolpho é muito sympathico, pois 
quer dizer que ajuda, soccorre ou protege como pai. ■ 

Com vista ao snr. conselheiro e meu bom amigo Adol- 
pho Loureiro, distincto escriptor e engenheiro, inspector ge- 
ral das Obras Publicas, etc. 



' Seguimos textualmente a Chorographia Moderna. 
2 Vide Casal d'Ufe, povoação nossa também, infra. 
' Junte-se Cachadoufe por Cacli da Doufe e Cachoufe por Cacha- 
douf e ! . . 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 1Õ7 

Prosigamos: 

Dueça por Doeça, o mesmo que do Eça. Confronte-se 
Eça, appellido, e Deça, rio, talvez o mesmo que Leça, villa, 
rio e appellido nosso também, pois na onomástica portugueza 
dei confundiramise. 

Veja- se o meu longo tópico — /Substituição de letras. 

Deça vem de Decia, villa, e est^ de Decius, nome ro- 
mano, tirado do decem — dez, adjectivo numeral. Note-se que 
os romanos tiraram nomes pessoaes de todos os seus adjecti- 
vos numeraes, desde primtis até decimus^ que corresponde a 
decem — dez. 

Primus, por exemplo deu Primo, nome d'um santo ; Prime, 
aldeia e quinta junto de Vizeu, e Prime, titulo de barão, 
visconde e conde, tirados da mencionada quinta de Prime. 
Também Primus, i, deu Primianus, outro nome de santo, 
etc. 

Vide Prima, Prime, Primiana, Primiano e Primo no 
meu Diccionario d'AppelUdos. 

Por ultimo direi, que Primi talvez desse também Prim, 
appellido hespanhol e portuguez, e que Primianus, i, is — 
talvez desse Priannes, duas povoações nossas, como Primiana 
deu ou podia dar Priana, povoação nossa também. 

A bússola é o ouvido. 

Fecharemos este insulso tópico do prefixo de assimilado, 
comprehendeado n'elle as nossas duas povoações seguintes : 

Duvida e Duvidas, mencionadas na Chorographia Bloderna, 
pois na minha opinião (muito atrevida é a ignorância!...) 
-—Duvida e Duvidas, devem ler-se Duvida e Duvidas t. . . 

Confronte-se Vida (do), o mesmo que Do Vida, e Vidas, 
povoações nossas também, mencionados igualmente na Choro- 
graphia Modetvia, e que tomaram talvez o nome de Vida e 
Vidas, apodos ou appellidos nossos. 

Duvida e Duvidas, ou Duvida e Duvidas, por Do Vida, 
ou do Vidas, são ou podem sor formas do mesmo nome e de- 
turpações como outras muitas da onomástica portugueza, 



158 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

vindas da idade média, do tempo em que por falta de luz to- 
dos andavam a jogar a cabra-cega, como já dissemos. 

E' assim a arte nova e rira hien qui rira le dernier! . . . 

Para "atesto do casco ainda direi Duvida ou Duvida é 
uma povoação do concelho e districto de Portalegre; Duvi- 
das ou Duvidas é um casal do mesmo districto de Portalegre; 
Vida ou Do Vid^i é uma quinta da Lageosa/ freguezia do 
concelho d'01iveira do Hospital; Vidas é um casal do conce- 
lho de Paredes de Coura, districto de Vianna. 



XI 



Diapasão callaico ' 

Abouxada e Abuxarda, por A Bouçada? 

Alapega? — Confronte-se Pega, Pegarinha, Pegarinhos, 
Pegarriuhos por Pegarinhos, Pegas, Pegaxa, Pego, Pegos e 
Peguinho, povoações nossas. Confronte-se também Lapa, La- 
pedo, Lapeira, Lapella, Lapinha, etc, povoações que toma- 
ram o nome das lapas — pedras. 

Alapraia — Confronte-se Praia. 

Alcaron e Algarão? São augmentativos de Algar, povoa- 
ção nossa também. 

Alcobia — A cova? 

Alconilhes por Al Conillos — os coelhos. 

Alcrimes por Alcrines — de alecrines — alecrins? 

Aldeijas? V. Aldeias. 

Alfoxeira por Alfaxeira e este por Alfaceira — das alfa- 
ces, como alfacinha? 

Honni soit qui mal y pense. 



^ Vcja-se pag. 314 e segg. na 1." parte d'esta minha louca Tentativa 
Etymologica, e desculpem as repetições. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 159 

Almaceda por Al Manzaneda, que se lê mançaneda. Ve- 
ja-se Maceda e Mazeda. 

Almodovar. Confronte-se Almodovar, Almudevar, e Mo- 
dubar, povoação da Hespanha. 

De almo por olmo do vai? 

Alporxim e Alporxinhos? 

1.'' — De ai e porcinus, i, porquinho? 

2.° — De alperchim e alperchitiho, diminutivos de alper- 
che, damasco pequeno. 

3.^ — Alperxim por Alperchim ó provinçianismo transmon- 
tano. Vide Figueiredo. 

Alporxinhos de Alporcinhos, que se lia Alporquinhos — 
os porquinhos? 

Amêijoa, Ameijoafa, Ameijoafra e Ameixoafra. De amei- 
xoafa por ameixoada. Confronte-se Meijoeira, Meijoadas, 
Meijoadella, por Meixoeira, Meixoada e Meixoadella, e estes 
por Ameixoeira, Ameixoada e Ameixoadella, o mesmo que 
Ameixieira, Ameixeda por ameixieireda e ameixedella, dimi- 
nutivo de Ameixeda, o mesmo que Ameixiosa, povoação 
nossa. 

Ameijoeira por Ameixoeira. 

Amorchos ? 

Antosido por Antocido ou Antoxido, etc, o mesmo que 
Entocido por entoxido, o mesmo que entojido e Tugido por 
tujido ou tojido, de tojo? — Confronte-se Antuzede por Eatu- 
jede, Entojide ou Entojido, Tocho, Tojo e Tucho por Tocho, 
o mesmo que Tojo, povoações nossas. — Confronte-se também 
Toclieiro por Tojeiro, Tngal por Togai, e Tuzar por Tugal 
e Tojal ou Tuxal. 

Aracio, forma callaica de Horácio. 

Aranjuez, o mesmo que Aranguez. 

Arranas, por As Rannas. Vide Rana, Casal das Ranas e 
Casal das Rinas por Casal das Ranas ou rans. 

Arreces, forma callaica do As Rezes? 

Arraxo e Arrujo por Arroio, que já se escreveu Arrojo. 

Arruda e Arrudon — De ruda, planta. 



160 TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYWICA 

Assacaias por Azagaias? — Confronte-se Azagaia e Zagaia, 
povoações nossas. 

Assarias — casal — JJe Azarias, nome hebraico? 

Ataija ? — Confronte-se Teija, ribeiro e Teja, casal. Tam- 
bém Ataija por Ataya, pôde ser contracção de Atalaia, como 
Taias e Tajas de Talaias por Atalaias. 

Balancho, Balanxo e Ballanxo. ^ 

Barrocide por Barrocedo, o mesmo que barrozedo. Con- 
fronte-se Barrosa, Barroso, etc. Barrochaes por barrojaes ou 
barrocaes. Confronte-se Barrogueira, Barroja e Barrojas, po- 
voações nossas. 

Barroja e Barrojas — De Barrosa e Barrosas. Veja-se 
Bojorreira por Barrojeira e este por Barrozeira, o mesmo 
que Bazorreira e Borrazeira, povoações nossas. 

Beixinheira ? povoação nossa. Conf. Bichinha e Bicheira. 

Bella Cosa por Bella Cousai* aldeia nossa. 

Biscossa por Visgosa ? quinta. 

Bojorreira. Confronte-se Barroeiras, Barrogueira, Bar- 
roja, Barrojas, Barrosa, Barrosas, Barroseiras, Barroso, Ba- 
zorra, Bazorreira, Bojorreira por Bajorreira, é o mesmo que 
Barroeira, Barrogueira, Barrojeira e Barroseira e Bazorreira, 
methatese de Barrozeira, o mesmo que Barroseira, pov. nossa. 

A bússola é o ouvido. 

Bona-Villa por Buena-Villa. Confronte-se Buenos-Aires 
e Monte de Buena Madre. 

Bougega por bouxega e este por boucega, o mesmo que 
Boucelha, Boucella e Vouzella, Bouçainha e Boucinha. 

Borracheira, Borracheiras, Borracheiro, Borrazeira e 
Borrazeiro. 

1." — Das borrachas. 

2." — Das borracheiras? 

3." — Da borragem, planta herbácea. 

Borracho e borrego —dos borregos? 



De Vai ancho, grande. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 161 

Bona Villa, casal. Confronte-se Boa Villa o Villa Bôa, 
povoações nossas também. 

Bouxa por Boiça ou Bouça e em Traz-os-Montes Buiça ?!... 

Brunhaxos por Brunliaços? — dos abrunhos. 

Buxalme, casal, por Dojalme ou Dejalme, appellido. 

Cacella por Casella, povoação nossa. 

E' diminutivo de casa, como Cacilhas, Caxias, Casinhas, 
Oasita, Casollas, Casoulo, Casouto, Cazegas, Cozelhas, etc, 
povoações nossas, 

Cacilhas por Oasilhas., Veja-se Cacella e Caxias. 

Camajam ou Camajão e Camalhão. 

Campilho, appellido, por Campillo, Campinho, 

Cancinhogo por Cazinhogo. Veja-so Cacella. 

Canoja e Canejo por canaleja e canalejo — unde Cane- 
Iha, QucJha e Quélho, povoações nossas. 

Canha do hespanhol cana, cana. *• 

Canhada e Canhado. Vide Galharda e Galhardo, diíFe- 
rontes povoações nossas. Galhardo, appellido, e galhardo, anti- 
gamente diabo. Confroiite-se Calçada dos Galhardos, cal- 
çada muito Íngreme a montante de Folgosinho, na serra da 
Estrella, e que segundo resa a lenda, foi feita pelo diabo, 
assim como a Calçada d'Alprajares, (al-pajares, os palheiros), 
na margem esquerda do ribeiro do Mosteiro, freguezia de 
Poiares, concelho de Freixo d'Espada-á. Cinta. 

Cauxinhos por Cãesinhos? 

Caramoxel- De caramoxal por caramujal. Veja-se Cara- 
muja, Caramujeiía, Caramujo e Cararaual por Caramujal? 
De caramujo, espécie de couve e de marisco. Cardunxal por 
cardosal? Veja-se Cardai, Cardosa, Cardoso, etc, povoações 
nossas. Carraxana. Veja-se Carrasana, Carrasona, Carra- 
zolla e Carjtana por Carraxana, povoações nossas. 

Carregouceira por Carregoceira do carregoseira. Veja-se 
Carregosa. 

Carreirancha por carreira ancha. Confronte-se Lamei- 

rancha, Mangancha, Pedrancha, etc, povoações nossas. 
VoL. m 11 



162 TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 

Carrilha, Carrilho, Carrilhos. São formas callaicas de 
Carrinho. 

Carrocedo por Carracedo. Sào formas callaicas de Car- 
razedo. 

Carron por Carrão, povoações nossas. 
Carxana? Veja-se Carraxana, supra. 
Casaes de Martanes por Martim Annes? 
Casal das Ranas e Casal das Rinas por Casal das Ra- 
nas. Veja-se Casal das Rans, Vai de Ranas e Vai de Rans. 

Casal de Alboxão por Alvo yj^ão. Confronte-se Montalvo, 
Montalvinho, Montalvão, Mont'Alvão, MonfAlvinho, Mon- 
fAlvo, Monte Branco, Penalva, Penalvas, Pedra Aiva, Pedra 
Branca, Pedras Alvas, Pedralva, Peralva, etc, povoações 
nossas. 

Casaria e Gaxaria por Casaria. 
K^Jasinha e Graxinha. 

Caxias — do Caxillas por Cacilhas. Veja-se Cacella. 
Ceada, Chiada e Seade por Geada? 
Cebido por Cebedo de Azevido ou Azevedo. 
Chanxa por Sancha. 
Chão dei Conde, por Chão do Conde. 
Chardeirão por Sardeirão, de cerdeirão, grande cerdeira. 
Chardinheiro por Sardinheiro, que vende sardinhas. 
Charilhe por Sarilhe de Cyrillus, i, Cyrillo, nome d'um 
santo. 

Charnaes. Confronte-se Xarnaes. 

Charoeira. Vem de Charroeira e este de jarroeira. Con- 
fronte-se Jarroeira, povoação nossa. 

Chaxão, quinta, por Seixão? ou saehão, grande sacho. 
Confronte-se Sachola, herdade. Também Chaxão talvez seja 
uma antiga forma de Cachão. 
Ché por Zé. 

Chédemião por Zé Damião? 
Chelleiros por Celleiros? 
Chelrito. Confronte se Xelrito e Xerito. 
Chequinho por Sequinho? 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 163 

Cherita por Cerita? 

Choeirinho e Choeiro. Veja-se Soeirinho e Soeiro. 

Chonos oii Casal Choiios, aldeia. Talvez de Chonos por 
Chões? Coafronte-se Chãos e Chõds, povoações nossas e 
Chãos ou Chons, casal. ^ 

Chãos ou Chons, casal, Confronte-se Casal, Chonos, 
Chãos, Chões, povoações nossas, Veja-se Chonos. 

Choqueiro e Choqueiros por Sequeiro e Soqueiros, ou 
Jogueiro e Jugueiros, lendo-se chô, porco. 

Chosenda, Chosende, Chosendo, de Josenda e Josendo 
por Josinda e Josindo, de Josina e Josino, antigos nomes 
pessoaes? Confronte-se Josenda (sic), povoação nossa. Con- 
íronto-se também Gondesende, Gozende, Gozendinho e Go- 
zendo, povoações nossas, cujo etymon é Gondesindus, i, nome 
germânico. 

Choutoria e Chouto são formas callaicas de Soutaria e 
Souto, povoações nossas também. 

Christoval, de Christobal por Christovam, na Hespanha. 
Confronte-se Sam Christobal, 40 povoações da Hespanha, 

Chupai por Choupal. 

Cibrainho ou S, Cibrainlio, por S. Cyprianinho. Con- 
fronte-se Cibrão c S, Cibrão, o mesmo que Cypriano e S. 
Cypriano. 

Cidro por Zidro — de Izidro por Izidoro. Veja-se Santo 
Isidoro, Santo Isidro e Santo Sidro, povoações nossas, e Ci- 
dro, quinta de Cidrolo, diminutivo de Cidro. Cidro quer, 
pois, dizer - quinta de Isidorinho. 

Cinheiros por acinheiros, de azinheiros. Confronte-se 
Azinhal, Azinheira e Azinheiro, 

Coalho o Coanho por coalhos. 

São termos das nossas queijarias, tirados do latim coa~ 
gulum. 

Cochicolla por Caxicolla — de casicolla, diminutivo de 
casa, como casinholla. Confronte-se o nosso appellido Cace- 
gas e Cazegas, aldeia e appellido que vem de casica, diminu- 
tivo de casa, unde casicolla, supra, diminutivo de casica e 



164 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

sub- diminutivo de casa, como casinholla. Cochicolla pôde 
também ser diminutivo de coche. Confronte-se Cocheca e 
Carrola, povoações nossas. Cochofram e Cochogam, aldeias. 
O apparelho é d'Alem-Minho, mas em toda a Hespanha 
não encontro fazenda semelhante. Fiat lux. Confronte-se 
Cochafonis e Cochagonis, povoações nossas. 

Codexido por Codecido, povoações nossas que tiraram 
o nome do codeço. 

Vide Codal, Codeçal e Codeceda, feminino de Codecedo. 
Codecido é uma forma de Codecedo. 
Codracheira por Cordazeira? 
Vide Corda, Cordas e Cordazal povoações nossas. 
Coja e Cojinha. 

Confronte-se Coixa, Coixinho, Goija, Goije, Goixas, Goi- 

xe, Goja, Gojo, Tocha, Toja, Tojo, povoações nossas que 

talvez tomassem o nome do tojo, em portuguez popular toijo. 

Condeixa por Condelécia, de Condeleça— Condessa. — 

Confronte-se Condeleça, quinta, Condessa. Condessinha, 

e Condeixinha. 

Corona ou Quinta da Corona, 

Do latim corona, coroa ?, e por extenção, estado, casa real. 
Confronte-se Coronas e Corunha na Hespanha. 
Coruche, Corucho, e Coruchos, por Cerujo e Cerujos. 
Vide Gourozeira. 

Costa de Chelleiros, o mesmo que Celleiros na Gallisa. 
Vide Chelleiros, supra. 

Costa da Mançanilha, de manzanilla, diminutivo de 
manzana, maçã na Hespanha. 
Coxella por Caxella. 
Veja-se Cacella?!. . . 
Coxilhas por Gaxilhas. 
Veja-se Cacilhas e Caxias? ! . . . 

Creixomil, Queixomil e Queixomar, de Casimirus, i, Ca- 
simiro, nome d'um santo, que deu também Casmil e Casmillo. 
Crixó por Grijó. Do baixo latim ecclesiola, diminutivo 
de ecclesia, egreja. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 165 

Cruzetas. 

1.° De... 

2° De crujetes por corujetes, pequenas corujas. 

Confronte-se Crujes, por corujas, duas aldeias, Coruja, 
Coruja], Corujo etc. muitas povoações nossas. 

3,0 Cruzetes por crujetes, de crujaletes pequenos Corujaes. 

Vide Corujaes e Corujal. 

Cujo — trez quintas 
. 1.0 De... 

2.0 De corujo. 

Confronte-se Crucho e Crujo, e Coruche, por Corucho e 
este por corujo. 

Dessouras e Dessourinho, aldeias. 

Confronte-se Soeira, Soeiro, Soure, Sourinho, por Soei- 
rinho?, e Souro Pires por Soeiro Pires. 

Dongello ou Vai de Dongello — De Donzello por Donzel? 
Veja-se Donzel, appellido. 

Espalheiros por Sepalheiros, de Ossepalheiros por Os 
Palheiros. 

Confronte-se Seloureiros, Soliveiras. 

Estujaes por Setujaes? Do callaico Ossetujaes por Os 
Tojaes. 

Confronte-se Espalheiros Seloureiros, Soliveiras. 

Eugé por Euxé, de Euzé por Euzebio? 

Favaxa e Favaxinha. Das favas, como Favella e Fa- 
vellinha e Alfafar por Al Faval, O Faval? 

Faxeiros, Faxellas, por Favaxeiros e Favaxelias. Veja-se 
Favaxa. 

Fenxe e Fonxe, De Alfonsi. Vide Alfange e Alfonge. 

Fixoeira por Feijoeira ou Figueira? povoações nossas ;- 
mas Feijoeira tomou o nome dos feijões e Figoeira tomou o 
nome dos figos, o mesmo que Figueiredo^ Figueiroa, etc. 

E'ontão e Fonton, o mesmo que Fontão, como Antão e 
Anton. 

Fonte Cinas por Fontetecinas ou fontecinãs, fontesinhas, 
Fontellas, Fontainhas, Fontinhas 



166 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Fontom por Fontão artigo supra. 

Fonxe por Alfonxe, de Alfonsi. 

Confronte-se Alfange e Alfonge. 

Fosco ou Foxo (sic), e este por Tojo? 

Frechão, Frijão e Frijom. De freixão, grande freixo? 

Frijão e Frijom. Vide Frechão. 

Galifonxe. Veja-se Alfonge, Fonxe, Affonso, Alonso e 
Ildefonso. 

Gallaxinhos e Gallaxos por Galleguinhos e Gallegos. 
De Gallacia por Gallecia, e esta por Gallicia — Gallisa? 

Gallisteu, de Callistio por Callisto? 

Gandoxo? 

Confronte-se Ganducha e Gorducho, povoações nossas. 

Garrocheira por Carrocheira. 

1.0 De Carooheira. Veja-se Carocha. 

2.° Garrocheira por Carrojeira. 

Veja-se Barroja, Barrogueira e Barroseiras, povoações 
que tomaram o nome do barro. 

Gassamar por Casamar? De Casimirus, á, como Ganti- 
mirus, i, deu Gondomar, Leodumirus, e deu Lomar e Theo- 
domirus, i, deu Thomar. 

Genrinhas por Chenvinhas, de Senrinhas por Searinhas? 
Veja-se Senra por Senara — seara? 

Geroz e Xerez. 

Gerico e Xerito por Xerico? 

Getemião por Chetemião. Veja-se Chedemião. 

Gogim e Goujoim de Goxoim, e este de Guzuhmís, i, 
antigo nome pessoal. 

Com vista ao Snr. Dr. Joaquim Silveira, depositário 
dos meus verbetes etymologicos, 

Gogim é contracção de Goujoim. 

Note-se que o povo de Gogim, demora na Beira Alta, 
entre as villas de S. Cosmado e Goujoim. 

Goixa e Goixe. Veja-se Goge, Goia, Goija, Goije, Goja, 
Gojo, Tocha, Tocho, Toja, Tojo?!. . . 

Gourozeira de goroxeira por corujeira? 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 167 

Graínas por Grainas. Veja-se Grainho. 
Granxa por Granja, em Vigo. 

Granxola por Granjola, em Tuy. 

A Hespanha tem muitas povoações com os nomes de 
Granja, Granjas, Ciranjuia, Granjuda, o mesmo que Granxola, 
Granjola. 

Grixó por Grijó, em Pontevedra. 

Guindaes, bairro do Porto. 

Do gallego ou hespanhol guindales, e este de guinda — 
Cerdeira, gingeira. 

Note-se que entre os penhascos dos Guindaes eu já vi 
cerdeiras bravas. 

Hombres, aldeia, do castelhano homhre, homem. 

Hucho e Icho, de uche por ujo? Veja-se Hujo, Ujo, 
Valduge, Valdujo e Valdigem por Valdige. 

E' assim a arte-nova e rira bien . . . 

Joanhe por Joanne, João. 

Juntios por Gentios? 

Labareja, Labarella, Laboucinho, Labrunhal. 

Labarincho por Labyrintho? 

Laeira por La Eira ou Ladeira. 

A Eira ou a Ladeira, povoações nossas. 

Lagido e Lagiedo por Lagedo. 

Lama de Cheda, por Lamacheda, o mesmo que Lima- 
ceda. Confronte-se Lama Cheira por Lamaceira. 

Lama Cheira por Laraacheira, de Lamaceira. Confron- 
te-se Lamaceiras e Lamaceiro, povoações nossas também. 

Lamuracha por Lameiracha de lameiraça? Confronte-se 
Lama Cheira e Lama Cheda. 

Laxique ou Vai de Laxique? Confronte-se Manique, Sa- 
quinibaque, Sequinique e Totenique, Penique e talvez Pe- 
niche por Penique. 

Lexim — de Licinii, patronímico de Liciniu^ ii — Licinio, 
nome d'um santo. 

Lilhares e Linhares. 

Lembrados? Lombresido? Lombresinhos ? 



168 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Lombresinho por Lombresino, é talvez diminutivo do 
callaico lumbre — lume, ou de L^hombresiíio — o homenzi- 
nho, diminutivo de hombre — homem. 

Maça, Maçadas, Maças, Massarellos, (?), Massas. Mas- 
sorra, e Mazorra, e Villar de Maçada. Do hespanhol masa 
e masada — granja, quinta, herdade, fazenda, casa de campo 
— Valdez. 

Massarellos pode vir também de Macerellus, Magrinho, 
diminutivo de macer, magro. 

Confronte-se Magrellos, Magriça, Magricella, Magriço, 
Magrinho, Magro^ Megre (do francez maigre), appellidos nos- 
sos, como Branco e Branquinho, Gordo e Gordinho. 

Machiai, por macial. De ameixial, bosque de macieiras, 
ou ameixieiras. 

Machieira, De Macieira ou Ameixieira. As meias tintas 
confundem. 

Maçoeira, por Maxoeira — De ameixieira? ou macieira? 

Maçom por Mação. 

Madons? por madronos, medronhos. 

Cogfronte-se Badões e Medrões. 

Magueija e Torre da Magueixa, Confronte-se Bagueixe. 

Majapão, o mesmo que Malha Pão, povoação nossa tam- 
bém. Confronte-se Moinho das Majapôas, aldeia nossa. 

Majôa por Malhoa Vide Malhão. 

Malaguarda de mala guarda? Vide Guarda má? 

Malas caras. Na Gallisa ha uma parochia denominada 
Carantoha, e em Lerida uma povoação com o nome de Mala- 
cara, irmã gémea de Carantonha e Malas Caras. 
Nós também temos povoações com os nomes de Caraça, 
Caracha, Caraxa, Cara-feia, Carão, Caratão e Carazana, 
affins de Carantona ou Caranthonha. Vide Mancha. 

Mala Venda. --Confronte-se Venda das Pulgas, povoa- 
ção nossa também que tomou o nome d'alguma venda ou 
locanda abundante de pulgas, que bem podia denominar-se 
Mala Venda. Confronte-se Pulga, Pulgas e Pulgueiras 
povoações nossas também. Vide Mancha. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 169 

Manachinha por Manacinha? Confrontese Manacás, 
Manixe? Confronte-se Manique, Peniche e Penique. 

Manjoeira por Manxoeira. Vide Maçoeira. 

Manoela Lucas. — E' um casal nosso. 

Mancheis? — Pôde ser aférese de Caramancheis, phiral 
de Caramanchel, povoação hespanhola. 

Manzedo por Manzanedo. Confronte-se Mazeda e Ma- 
cedo, povoações nossas. 

Marbom — casa nobre do concelho de Celorico de Basto. 
Marbom e Marvão, são f()rmas do mesmo nome, tirado tal- 
vez de carvão, pois má, mó, mu e cã, có, cu, na onomástica 
portugueza confundiram-se. 

Martinxel por Martinchil é talvez o mesmo que Martim 
Gil, povoação nossa também, 

Note-se que as desinências ai, el e il, muitas vezes se 
confundiram e substituíram, como já dissemos. 

Pôde, porém, Martinxel vir também de Martincellus, i, 
dim. de Martinus, i, Martinho, nome d'um santo. N'este caso 
Martinxel significa Martinzinlio. Veja-se na minha Tentativa 
Etymologiea supra, o tópico Diminutivos^ com a desinência 
cellus, i. 

Martinzes por Martinxes ? 

Marzelona por Barcelona. 

Masgallos no diapasão callaico Masgalhos. Veja-se Mar- 
galhos, povoação nossa também. 

Máucha? De Má Ucha? Confronte-se Ucha, Ucharia e 
Uchas, povoações nossas, e Malafaia, Malagarta, Malaguarda, 
Malas-casas, Mal assentada. Mala Venda, Malcata, Mal Cu- 
rado, Maldorne, Mal Enforcado, Mal Forno, Mal Gasto, Mal- 
joga. Mal Julgada, Mal Julgado, Mal Lavado, Mal Medra, 
Mal Partida, Mal Partilha, Mal Pensa, Mal Penteada, Mal 
Penteado, Mal Pica, Mal Talhada, Mal Talhado, Matta Má, 
Pedra Má, Quinta Má, etc. 

Meijoeira por Meixoeira. Veja-se Maçoeira e Manjoeira. 

Melecas por Meneças, de Menezas? Veja-se Menexas e 
Menezas. 



170 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Menexas por Menezas. Veja-se Melecas. 

Mengas e Mengo, De Mengo, o mesmo que Domingos 
na Catalunha. 

Miagos? De mialhos? Oonfronte-se Mealha, Mealhada, 
Mialha, Mialhas, Mialheiro, Mialho, Migalha è Migalhinha, 
povoações nossas, e migalha e migalho, termos communs 
populares. 

Milho e Minho?!., . 

Mimvaqueiro ou Mim Vaqueiro e Mingo Rei, de Mingo, 
o mesmo que Mengo e Domingos, na Hespanha. Veja-se 
Mengas e Mengo. 

Mirabal — que mira o valle. A Hespanha tem Mirabal, 
Miraval, Miravalles e Miravel por Miraval? 

Miragaya, que mira ou vê Gaia. 

Misseu — De Bisseu por Visseu e este por Vizeu ? 

Moacho e Moachos. O apparelho é callaioo, mas na Gal- 
lisa não ha povoação com taes nomes. 

Moinho das Majapôas, Veja-se Majapao. 

Moinho do Alonso, forma callaica de Affonso, o mesmo 
que Ildefonso. 

Moinho do Diés, o mesmo que Diegues e Diagaz, unde 
na Hespanha Diaz e entre nós Dias, appellido vulgar. 

Mojes por Moxes — de Mozes? por mós, plural de mó, 
moinho na Hespanha. 

Moliana, Moliena, Molino — povoações nossas, — A Hes- 
panha tem centenares de povoações com os nomes de Molina, 
e Molino, M'ola, Molanes, Moleles, Moleda, Molejon, Moles, 
Molim, Molinete, Molinecos, Molinicos, Molinilla, Molinillo, 
Molinos, Molino, Mudelas por Moledos; Muina, Muinò, Muinos, 
Muli-farine (Moinhos de farinha), Muli-papere (Moinho de 
papel) e Mohoz, em portuguez Munhós, appelido tirado de 
Molinhos, 

Monjão, Monjões e Vai de Monjão. Vide Monsão? no 
diapasão callaico Mouxão, quasi Monjão. 

Monte de Buena Madre — casal. 

Monte Ceie por Montecelo — V. Montesella e Montesello. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 171 

Monte Sello — Vide Monte Ceie e Monteselo. 

Monte de Remacho. — E' talvez uma forma de Monte 
do Ramajo, Monte do Ramalho.— Confronte-se Ramalho, 
Ramalhão e Romagom, quasi Romagão e Ramalhão, — Cf. 
também Monte do Ramalho, e Monte dos Ramalhos? 

Monte de Xevora — De Scevola? antigo nome pessoal. 

Montijo, Montijos e Montinchol por Montinchel, de Mon- 
ticellus, i, que deu também Montezello. São diminutivos de 
monte. Confronte-se Arcozello, Monte Ceie, e Monte Sello 
supra. 

Montinchol oor Montinchel — de Monticellus, i, diminu- 
tivos de mons, montis, — monte? Confronte-se Monte Ceie, 
Monte Sello, Montezello. Veja-se Montinchel. 

Mon vestido, de monte vestido — arborisado? 

Monvides, por monte das vides? C, Monte da Vinha. 

Monxorro por Monzorro, grande monte. Veja-se Mon- 
sarros, Monsorros, Montorro e Montorros, Monzorros —ou- 
teiros ? 

Morachique e Morachico. 

Morções por Morçoanes ou Morxoanes de Mór Joannes ? 
Confronte-se Morjoanes, casal nosso. 

Morincheira? 

Mortazel por Murtazal, de Murtaçal — bosque de murta. 

Muchacha — de rauchacha, feminino do callaico muchacho 
— rapazinho. 

Murcella e Murcellão. Confronte-se Murzella, Murzel- 
leira, Murzello e Murzellos, povoações nossas também. 

Muxagata e Muxagato, muchos gatos, muitos gatos bra- 
vos ou teixugos, Confronte-se Teixuga, Teixugo, Teixugos, 
Teixugueira. 

Nebrijo ~ de lebrijo ? o mesmo que Lebrinho, povoação 
nossa. 

Nelmenso? 

Nijo — de nicho ? Confronte-se Ponte do Nijo, casal nosso. 

Nixebra por Xinebra, de Ginebra por Genebra, nome 
d'uma santa. 



172 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Odiaxere por Odiazere — do celta vmd — rio — e Azere 
— villa, etc. 

« Oh Xuã pega certo » — costumavam dizer no Porto os 
gallegos que tiravam as saudosas cadeirinhas. 

Orbacem por Ormacem — de armazém? Confronte-se Ar- 
mazém e Armazéns, povoações nossas também. 

Pagans por Pagones — pagãos — Vide Gentios e Juntios 
povoações nossas. 

Paisso ■ — de Painço ? 

Palaçoulo — de palatiolum — Vide Paço. 

Palancha — casal — Pode vir de Pala ou Palla-ancha, 
grande. — Confronte-se Lameirancha, Mangancha, Novancha, 
Pedrancha, Cumeirancha, Carreirancha, Barrancha, Pernan- 
cha, Barbancha, Malhadancha, povoações nossas. 

Palausoro ? 

Palena? — De balena, baleia? 

Confronte-se Balêa, Baleai, Baleeira e Baleeiro, povoa- 
ções nossas. 

Palença — Confronte-se Valença. 

Palome — é talvez uma forma do castelhano paloma — 
pomba. 

Pampilho, Pampilhosa e Pampulha — Do callaico pam- 
pillo, em portuguez pampilho^ nome de varias plantas. 

Pan. Veja-se Pão. e confronte-se o lendário pan y toros 
dos nossos caros visinhos. 

Pancoito- — de panis coctiis, pão cosido ou coito. Con- 
fronte-se biscouto, de bis coctus. Pão Duro e Pão Molle^ 
povoações nossas. 

Parafunxa? por Parafuxa de parafixa por petrafixa. 
Vide Parafita , Pedra Fita e Perafita, povoações nossas. 

Paraimo, de Paramio Vide Paramó e Paramos. 

Paraxa por Paraxã e Prachã, de perachã por pedra chã? 
Vide Pedra Chã, Paraxinha e Paracha, povoações nossas 
também. 

Pardejo, de Pardalejo, diminutivo de pardal? 

Parxanhas, por Passanhas? 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 173 



Patinella de Patinella— por patinhella? A Hespanha tem 
Patina. 

Paul de Trijoito? De... 

Fecho — do callaico pecho, peito — Confronte-se Peito, 
appellido nosso e Feito d'Aço, casal. 

Pedom. 

Pedrego, por Pedredo? ou Pedrogo — Vide Pedreda, 
Pedrógão, Pedrogo, Pedrogos. 

Pegaxa, pega pequena? Vide Pegarinha, Pegarinhos e 
Pegarriuhos, por pegasinha, pegosinho e pegosinhos? 

Peijcs por Peixes? 

Pelomo — de paloma, pomba — Veja-se Paloma. 

Penamacor por Pena Major. 

Penavoente, aldeia nossa. E' talvez uma forma de Pe- 
navente por Benavente, povoações nossas ,que tomaram o 
nome de Benevenitus, i, Bemvindo, o mesmo que Benevenu- 
tus, Benevenuto, nome d'um santo. Note-se que pá^ pé, pi, 
pó, pú e bd, bé, bi, bó, bií, se confundiram e substituíram 
na onomástica portugueza. 

Penedão e Penedones — penedão? 

Penedinho, Penedinhos, Penilhos, de Penilho e Peniuho, 
por Penedinho? 

Penedones — de penedões? Veja-se Pendão e Penedão. 

Penedono, Pendão, casal. 

Perzegueda ou Prezegueda, ou Presigueda, de perce- 
gueda por pecegueda, o mesmo que pecegal por pecegueiral, 
bosque de pecegueiros, arvores que dão pecegos, na Gallisa, 
persêgos, forma preferível, porque os pecegos e pecegueiros 
tiraram o nome da Pérsia. Confronte-se Pesseguido por Pe- 
cegucdo, pecegueiredo e Pexigueiro por pecegueiro. 

Peseguido por Peceguido, o mesmo que peceguedo, Pe- 
cegal, Pecegueiredo. Também temos Pesseguido. 

Pessim, Pexem e Pexim? Confronte se Peixinho. 

Pexigueiro —por Pecegueiro ? Confronte se Pecegal, Per- 
zegueda e Pesseguido. 



174 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Pexilgaes. Confronte-se Pecegaes e Possilgaes, povoa- 
ções nossas. 

Pigamira por Pegamira. — De Pegameira, que abunda 
em Pegas? 

Piriscoxe ou Piscoxe. 

1.» De 

2." De Pires ou Peres Coxo ? 

Vido Peres, Peres Alves, Peres Escuma, Pires, Pires 
Alves, etc., povoações nossas, 

Pixoeira — Vide Pisoeira e Pixoira, contracção de Pi- 
xoeira. 

Pixoira? — E' talvez contracção de Pixoeira por Pi- 
soeira, povoação nossa também, como Pisão, Pisoaria e Pisões. 

Poaxiras por Poaxeiras — pôde vir de Boas Eiras ou de 
Pixoeiras. Confronte-se Boas Eiras, povoação nossa também. 

Pochos por Poxos? Vide Poços. 

Pombares por Pombales — Pombaes. 

Pontegas, de Ponteja, 

Porgosseiras por Murgaceiras ? Vide Margaceira. 

Ponteleixa por pontelecha? diminutivo de ponte. 

Portancho, de porto ancho? Confronte-se Balancho e 
Vallancho, Barbanxa e Barbanxo, Lamirancha, Mangancha, 
etc, povoações nossas. 

Portaxeira ?.— De portageira ? 

Povoença, Povoinha, Povoinlio e Zé Povinho. São anti- 
gas formas dè povo e povoa. 

Possijal, Possigal. Vide Possilgaes. 

Praisal — de Paizal, povoação de Redondella. Vide Pain- 
çal. Na Gallisa também há Paincegas, Painzas, Painzosa e 
Paizas por Painzas, como Paizal por Painzal? 

Preanes por Pere Annes, o mesmo que Pedro Annes, 
como Priannes, povoação nossa também. 

Prenxa. E' uma forma de Prancha. Veja-se Pranchas, 
povoação nossa tarabem. 

Proviços e Proviçal ? 

Pujalho, Pujalhos, no diapasão callaico, Pugalho, Puga- 



TENTATIVA ETYMOLOaiCO-TOPONYMICA 175 

lhos, em portugaez Bugalho, Bugalhos, povoações nossas, 
como Pujalho e Pujalhos. 

Puxadouro. — Vide Pousadoiro e Pousadouro. 

Quartijos — Vide Quartilho, Quartinos. 

Queirom — Vide Quirão e Quiral. 

Queixada — Vide Queijada, Requeijada e Requixada. 

Quejas — Vide Quelhas 

Quinjeira e Quinjeirinha, por ginjeira e ginjeirinha. Con- 
fronte-se Penamacor, de Penamajor, Penamaior, o Penaguião^^^ 
de Pena Gedeão. 

Quintana e Quintanilha, povoações nossas. Tomaram o 
nome de Quintana e Quintanilha, varias povoações da Hes- 
panha. 

Rabacinas — E' uma reminiscência da occupação leoneza, 
tempo em que Rabacinas se escrevia Rabazinas e se lia Ra- 
bacinhas. Confronte -se Rabasa, povoação hespanhola e Ra- 
baça, Rabaçal, Rabaciuha, povoações nossas. 

Rana — rã? 

Refojos e Refoxos, na Gallisa. 

Rexidouro e Rejidoira, na Gallisa. 

Roçada, Roussada e Rouxada. 

Kocairo (lia-se Roçairo). Veja-so Rosário. 

Rochio, Roxio. Veja-se Rocio, 

Rojai ou Vai de Rojai. Veja-se Rosal, no diapasão cal- 
laico Roxal unde Rojai? e Vai de Rosal, povoação nossa. 
A Hespanha tem Rosal, Rosales, Rojales, Rozas e Rozar, o 
mesmo que Rozal, Rosal e Rojai. 

Romagam? Vem talvez de Ramajom, antiga forma de 
Ramalhào. 

Roncio. Veja-se Rocairo. 

Rouxada. Veja-se Roussada. 

Roxel. Veja-se Rogel de Rogerius, i i"? 

Roxiso. Veja-se Rochosa. 

Rubio, Ruivo. 

Rubolhones. Parece uma íórma callaica de Rebolhões, 
angmentativo de Bolhões ou Bulhões. Confronte-se Bolhas, 



176 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Bolho, Bolbos, Bulhão, Bulho, Bulhões e Eebolho, povoa- 
ções nossas. 

Sabacheira por Sabucheira? De Sabuqueira por Sabu- 
gueira. Veja-se Sabacho, povoação nossa também. 

Sabacho por Sabucho '? De sabujo por sabugo, sabugueiro. 
Veja-sa Sabacheira. 

Sabrêos por Sabrêus. Veja-se Abreu e Abreus. Confron- 
te-se Seloureiros, Soliveiras, Servos, Sebouças. Também Sa- 
brêus pôde vir dos Hebreus, pelo callaico Osshebrêus. 

Sabuzedo, do hespanhol sabucedo, e este de sabuco — 
sabuguedo. Sabuzedo é o mesmo que sabuguedo por sabu- 
gueiredo. 

Saim, Chaim e Xaim. 

Saime. Veja-se Jayme. 

Sainça, Chainça e Xainça. 

Salgon, é o mesmo que Salgam ou Salgão por Salguei- 
rão povoações nossas. 

Salzeda e Salzedas, do hespaahol Salceda e Salcedas, 
do latim salicius, salgueiro, que no baixo latim deu salicetum 
salgueiral. 

Sambro, casal do zambro, torto, cambado^ unde Zambro, 
í:podo ou appellido do dono do dito casal. Note-se que 
muitas casas, moinhos, etc, tomaram o nomo . dos apodos, 
appellidos e alcunhas dos donos d'elles como jà dissemos. 
Confronte-se Torto, Cambado, Pernancha, Pernanehinha, 
Pernão, Pdte, Pernelhas, Pêro Calças, Pêro Calvo, Pêro Chu- 
maço, Pêro Cuno, Pêro Gaita, Pêro Manco, Pêro Mogo, Pêro 
Pescoço, Pêro Pião, Pêro Ponto, Pêro Testa, Pescoço, etç., 
casaes nossos. 

Samfalhos, de chamfalhos, espadas velhas, ferrugentas? 

Saudoeira por Chan da Eira? ou por Sardoeira? 

Sanfanha por Sanfonha, o mesmo que saufona, clássico 
e mavioso instrumento da Gallisa que por escarneo tomou o 
nome do grego symphonia ?!. . . 

Sangalhos por Zangalhos, e este de Zagalhos por Ga- 
zalhos — dos gazalhos, tortulhos ou cogumelos. — Confronte-se 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 177 

Gazalha, Gazalho, Zagalho e Zangalho, povoações nossas. 
Pelo mesmo diapasão callaico ou castelhano, lambera San- 
galhos pôde vir de S. Gallo, pois Gallo foi nome d'iira santo 
6 na Hespanha iia-se Galho. 

Santecinhos por Santosinhos, o mesmo que Santos Illos» 
por santosilhos, Santosinhos ou santinhos, povoações nossas. 

Santrilha, do callaico Santrilla por Santilla, Santinha? 

Santo Sidro — Vide Cidro. 

Santos Illos por santosillos, (Confronte-se Santosilhos) o 
mesmo que Santosinhos, povoação nossa. 

S. Colmado e S. Cosraado, de S. Cosmadio, e este de S- 
Cosme Madio por Damio, do baixo latim Damio, onis, Damião. 

Note-se que a villa de S. Cosmado, terra natal do nosso 
grande mathematico Dr. Francisco G. Teixeira, tem como 
orago S. Cosme e Damião, S. Colmado é talvez a mesma 
forma de S. Cosmado, porque l e s trivialmente se confundi" 
ram e substituíram, bem como s e r. 

Sardeiras por Cerdeiras. 

Sargedo por Sarcedo e este por Sarzedo. 

SaroUa por Zarola, zarolho, vesgo, cego d'um olho. 

Sarrasqueira por Charrasqueira e este por Carrasqueira, 
povoação nossa.— Vide Carrascal por Carrasqueiral. 

Sebouças por As Bouças — Vide Sabrêus. 

Selabentes por Sevalentes, de Valentes? A bússola é o 
ouvido. — Confronte-se Sabrêus, Sebouças, Seloureiros, Sevi- 
vos, Soliveiras, e Valentão, Valentas, Valente e Valentim. 

Selhariz e Senhariz por Senhoris, de Seniorinis. — Vide 
Senhorim. 

Seloureiros por Os Loureiros, no diapasão callaico Osse 
Loureiros. Confronte-se Soliveiras, Sevivos e Sabrêos. 

Seneadas por Semeadas — de Meadas, pelo diapasão cal- 
laico Assemeadas. Veja-se Meada, Meadas e Meadella. 

Senestal por Chenestal de Genestal — giestal, e este do 
b. latim genista, giesta. 

Senhas, por Assenhas, de azenhas. Confronte-se Sebou- 
ças, Seloureiros, Senestal, Soliveiras, etc. 

VOL. III 12 



178 TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 

Serranchinos por Serrachinos, — de serracinos, sarra- 
cenos ? 

Servecia por cerveja ? 

Sestosa por senestosa — de genestosa? Veja-se Senestal. 
Confronte-se Gestaçô, Gestaço, Gestal, Gesteira, Gestosa, 
povoações nossas. 

Sevivos — de Os ^ Vivos, no diapasão callaico Ossevivos. 
Confronte-se Seloureiros, Sabrêos e Soliveiras. Confronte-se 
também Vivos, aldeia e o portuguez popular, vivo — porco. 
Zezelhe por Secelhe — de Cecília, patronímico de Ceci- 
lius, ii, Cecilío, nome d'um santo, etc, cujo diminutivo Ce- 
eilianus, i, deu Silhão, aldeia nossa. Também Cecilius deu 
Sílho e Silio, povoações nossas. 

Siadouro por chiadouro? Veja-se Sieira^ Chieira, e Chil- 
reira, povoações nossas. 

Silgueiros, do antigo hespanhol silguero, actualmente 
jilguero — píntasilgo. 

Note se que na freguezia de Silgueiros, concelho de Vi- 
zeu, ainda hoje abundam os pintasilgos. 

Soacho e Soajo. — São formas do mesmo nome com apa- 
relho callaico. 

Soan, Soandris e Soanes por Joanes, na Gallíza. 

Sobreço ? — Vide Sobredo, contracção de sobreiredo, 
como Sobral 6 a contracção de Sobreiral. 

Soliveiras por As Oliveiras, ou Adassoliveiras. Con- 
fronte-se Sabrêos, Seloureiros, Sevivos, povoações nossas. 

Sopellos — Choupellos. 

Soppo — choupo ? 

Soriço por chouriço? Vide Chouriça, Chouriço, povoa- 
ções nossas. 

Suanes por Suannes — João? 

Subrígal e Sobrígo (Vai de Sobrigo)- De sabugueiral e 
sabugueiro.— Assim como sobugueiral deu Subrígal, sabu- 
gueiro podia dar subrigueiro, subrigo e Sobrígo. Fiat lux ! 

Tocha por Toxa e este por Toja? 

Tocheiro por Tojeiro. Vide Antosido e Antuzede. 



TENTATIVA ETYMOLOaíCO-TOPONYMICA 179 

Tocho por Toxo e este j)or Tojo. 

Togeda e Tugido povoações nossas. 

Trochainho por Tochainho? Vide Tojalinho, no diapa- 
são callaico tochalinho. Confronte-so Tocha, Tocho, Toja, 
Tojal, Tojo, Tosar, Tngal, Tugido, Tugueira, Tujães por 
Tujaes, Tuxo e Tuzar, povoações nossas, que tiraram o nome 
do tojo. 

Trocheiros por tocheiros. Veja- se Tojeiros e Trochainho. 

Tugal por Tojal. Veja-se Antosido e Antuzede. 

Tucho por Toxo, o mesmo que Tojo, povoações nossas. 
Veja se Antosido. 

Tuzar por Tojal ou Tuxal, Veja-se Antosido e Antuzede. 

Val-Bona. Confronte-se Valbôa e Vai Bom. 

Vai de Geans, por Vai de Joannes? 

Vai de Paxis. Veja-se Peixe, Peixes, Peixinho e Vai de 
Peixe, povoações nossas também. 

Vai de Pertevens, ou de Peste vens? 

Vai de Plames por Palomes? Confronte-se o castelhano 
paloma e palomo — pomba, pombo e Vai de Pombo, Monte 
das Pombas e Monte dos Pombaes, Monte dos Pom.bos, etc, 
povoações nossas que tomaram o nonae dos pombos. 

Vai de Ranas. Veja-se Casal das Ranas, Casal das Ri- 
nas e Vai das Rans. 

Vai do Rojai por Vai de Rosal. Confronte-se Vai de 
Rosa, Vai de Rosas e Vai do Rosal, povoações nossas. 

Vai de Rum? Confronte-se Ruho, povoação da Galliza. 
Na onomástica portugueza é rarissima a deí?inencia un, e 
com a desinência um, apenas me recordo de Gandum, Ca- 
brum e Casal d'Um. 

Vai Salmeirira por Vales Almeirim, Valles d'Almeirim? 
Veja-se Almeirim, Almeirinho, Almeirinhos e Valmeirim, po- 
voações nossas. 

Vai de Saraça?— Confronte-se Sardaça povoação nossa, 
e Sarasa, que se lê Saraça, povoação da Navarra! 

Vai de Vinos. — Confronte-se Vai de Vinha^ mas Vai de 
Vinos pôde sair de Bald\TÍnes, Baldwino ou Baldoíno, nome 



180 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

pessoal germânico e nome d'um santo, diminutivo de Wbaldos 
ou Ubaldos ou Waldus, que entre nós deu Balde, Baldos, 
Galdim, Gualdim, Gualdino, etc. Para evitarmos repetições, 
vejam- se na 1.» parte d'esta minha louca Tentativa as pag. 
41, 104, 364 8 365. 

Valbascos — de Vallascos (por Velascos) pois em callaico 
Vallascos sôa Valhascos. 

Valhegas —de Vallegas ou Vallejas, que na Hespanha, se 
lê Valhegas. ('onfronte-se Vallega e Vallegões, povoações 
nossas, como Valleja e Vallejas. 

Varchinhas. — E' diapasão callaico de Varginhas, ornes- 
mo que Fariginhas (por Farginhas), povoação nossa também, 
pois va e fa confundiram-se e substituiram-se na onomástica 
portugueza, como já dissemos. — Veja-se o tópico Substitui- 
ção de letras. 

Verejom, aldeia. — Confronte-se Verejão appellido. 
Várzea do Corxinho e Várzea do Corxo, 
De corcinho e corço ? — Confronte-se Villa Corça. 
Vellamoço por Vellanoço — E' forma callaica de Vel- 
lanoso por Avellanoso, abundante em Avelleiras. Confron- 
te-se Avellanoso, povoação nossa também. Vellamoço por 
Vellanoço recorda Avelames por avellanes, pequeno rio e 
grande hotel das Pedras Salgadas. O rio Avelames por Ave- 
lanes tomou o nome das avelleiras ou avelãs, 

A Hespanha tem varias povoações com os nomes de 
Abellanes, Abellanos, Abelleira, Avelan, Avellanes, Avella- 
nosa, Avelleira, etc. Nós também temos muitas povoações 
que tomaram o nome das avelleiras. Veja-se paginas 351 e 
354 na i.a parte d'esta minha louca Tentativa. 

Ventelharia. De Ventellaria, que no diapasão callaico 
sôa Ventelharia. Confronte-se Avanteira, Venteira, Ventiella, 
Ventosa, Ventosella, Ventosinha, Ventureira. 
Vernaldo por Bernardo. 

Villarejo. Confronte-se Villarelho. A Hespanha tem 
vinte e tantas povoações com o nome de Villarejo, mas na 
Galliza nem uma I . . . 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 181 

Vingai por Vinhal? 

Volencia por Valência? Veja-se Valença. Note-se que 
na onomástica portugueza, o e a muitas vezes se confundi- 
ram e substituíram, como já dissemos. 
Veja-se o tópico Substituição de letras. 

Xaim. Confronte-se Chaim e Saim. 

Xainça. Confronte-se Chainça e Sainça. 

Xainho e Xainhos. Confronte-se Chainha o Chainho. 

Xará, de Zara? 

Xambona por Chã boa. Confronte-se Chambôa, Vai Bôa 
e Vai Bona, povoações nossas. 

Xapelar? — E' talvez uma forma de Bacelar?!. . . A es- 
cala seria Bacelar > Bacelar >- Pachelar >> Chapelar >> Xa- 
pelar ? 

Xaranche ? 

Xarás ou Xarás ? — Vide Gerez, Xerez e Greraz ? 

Xarnaes — Confronte-se Charnaes. 

Xarrama ? — Confronte-se Zarramasedo, povoação da 
Galliza, e Xarrama, nome d'um rio da Hespanha. 

Xasqueira, povoação nossa. — Vide Chasqueira, Casqueira, 
Carrasqueira, Charrasqueira, povoações nossas também. 

Xebrito. Confronte-se Chebrito e Xerito. 

Xerez e Gerez. Veja-se Geraz. 

Xerito? Veja-se Xebrito. 

Xibrão. Confronte-se Chibra. 

Xímpeles por Simples, do latim simplex, icis^ — simples, 
unde Simplício e Simpliciano, nomes de santos. 

Xirto, Xisto e Xistro. Confronte-se Sisto, Sixto e S. 
Xisto. De Sextus, Sexto. Veja-se Deça. 

Xoenes por Xoanes de Joannes — João. 

Xofral? Veja-se Enxofrai, Enxofre o Enxofreira, povoa- 
ções nossas também. 

Xurreira, Confronte-se Enchurreira, Zorreiras, Zorreiro, 
Zurragueira e Zurreiras, povoações nossas também. 

Xusberro? 

Zazelleiras. — As avelleiras. 



182 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPON YMICA 



Etymologias soltas de varias povoações nossas 



Abalembra e Abrambres. De Abalamber, ris, nome ger- 
mânico pessoal? 

Abarella por Avarella. — Vide Varella, appellido, etc. 

Abbação. — De Abbação antigo nome d'um santo. 

Abeção, Aveção, e Aveçãosinho De aveçao por avejao, 
ave grande. Note-se que Aveção é uma aldeia da freguezia 
da Campeã, que demora junto dos fragões do Marão, onde 
fazem creação es bufos e ujos, grandes aves de rapina. 

Abexim — Abyssinii, patronímico, de Ahyssinius, ii-~ 
Abyssinio, nome d'um santo, etc, tirado de abyssinio, oriundo 
da Abyssinia. 

Abicbanas — De Al -|- bichanas, as bichinhas? 

Abicheiro — De Al -f- bicheiro, o bicheiro. 

Abitureira — De abutreira, que abunda em abutres. Con- 
fronte-se Abutre e Abutreira, povoações nossas também. 

Aboadella — Da Abobadella^ diminutivo de abobada. Con- 
fronte-se Abobada e Abobadas, varias povoações nossas. 

Abobleira por A Bobreira e este por A Bebreira, espé- 
cie de figueira. Note-se que o povo não diz bebereira nem 
bebreira, mas bobreira. 

Aboicinhas. De Al-Boicinhas — as Boucinhas. 

Abragão. De Abregon, antigo nome pessoal. 

Abrahão, Abram e Abrão. De Abrahão, nome biblico. 

Abranches, appellido. Do Avranches, povoação da França. 

Abrotica. De abrotega, planta, que deu Arrotiga por 
Abrrotiga, povoação nossa. 

Abutre, Abutreira e Avitureira. Veja se Abitureira, 
supra. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 183 

Adães, appellido, Atão, Athães, Atheães, Athei e Atia- 
nha. Confronte-se Adão e Adães, varias povoações nossas. 

Atanes, em Orense. Atea oii Atéa e A teca, em Saragoça. 
Atiega, em Alava. Diana ou Diana, em Gerona. Tiana ou 
Tiana, em Barcelona. Tiano, Ponte vedra. Para Atianha, con- 
fronte-se Adeganha. 

Adanaia por A de Anaia, Anaia, Danaia, Naia e Naias, 
diíFerentes povoações nossas. De Anaia, antigo nome pessoal. 

Adarnal por A do Arnal De arenal, areal. 

Adaval por A do valle. 

Adefroia por A de Froila, granja, quinta ou casa de 
campo de Froila. 

Adeganha, é uma forma de Adéguinha, pov. nossa também. 

Adeiões. De aldeões ? 

Adeiujo, por A de ujo ou Ado ujo. Dos ujos,como Val- 
duge, Valdujo, Valdigem, por Valdige e este por Valduge o 
mesmo que Valdujo, povoações nossas. Também temos uma 
quinta denominada Ujo. 

Adeixeira por A Deixeira, antiga forma de Teixeira. 

Adiça e Povoa d'Adiça. Confronte-se Aticia, velho 
nome romano. Revista de Guimarães, vol. 24, n.» 2. — Abril 
de 1907, pag. 80, n.o 12. 

Adorigo e Adourigo. De Honoricus, antigo nome pessoal, 
e este de Huneric, nome germânico d'um rei dos vândalos, 
etc. Adorigo, freguezia do concelho de Taboaço, que tem 
como orago Nossa Senhora de Condesende por Gondesende. ^ 

Veja-se Adorigo nos Índices da 1.» e 2.*' partes d'esta 
minha louca Tentativa. 

Afains e Fens por Afães. De Affaniis, patronimico de 
Affanius, ii, antigo nome pessoal d' um supposto bispo de 
Vizeu, pelo anno de 541. 

Veja-se Vizeu, longo artigo meu, no Portugal Antigo e 
Moderno, vol. 12, pag. 1595, colurana 1.^ 



Veja-se Chozende. 



184 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Afeita], Afeiteira, Alfeite e Alfeiteira, etc. Dos fetos, 
feitos ou fieitos. Veja-se Covão do Feto, Faitos, etc. 

Felga e Felgueira, em Figueiredo. 

O povo também diz fétam, fetão e feiítam por feto, feito, 
fento e fieito. V^eja-se Fentos no iiidice da 1." parte d'esta 
minha louca Tentativa. 

Affonsira, Affonso, Fonxe, Galifonxe, Guilhafonce, Gui- 
Ihafonso, Ildefonso e Villa Fonche, povoações nossas. São 
formas de Ildefonso, que na Hespanha deu também Alonso e 
entre nós Alifon. A freguezia de Santo Ildefonso, do Porto, 
foi fundada sobre a velha Albergaria de Santo Alifon, e em 
um documento do anno 1043 se encontra Vilifonso testis, 

Poriugaliae, momimenta, 1. Cho7'fae, pag, 199, n." 326. 
Veja-se Galifães, infra. 

Agilde. Veja-se Atahide. 

Agodim. De Al -j- Godim, o Godinho. 

Agostem. De Agostim por Agostinho, povoação nossa 
também. 

Veja-se o tópico Diapasão france2. 

Agra, Agrão, Agreira, Agreiros, Agrella, Agrellas, Agrei- 
lo, Agrellos, Agria, Agrinha, Agrinhos, Agro, Agros, Arga 
por Agra, etc. Do latim ager, agri., campo de lavoura. 

Na povoação de Agrellos, freguezia de Santa Cruz do 
Douro, concelho de Baião, avulta a casa dos Ferreiras Paes 
do Amaral que desde longa data foi uma das mais nobres, 
mais ricas e mais importantes de Baião e na actualidade é 
o grande bloco do concelho e da comarca. 

Nunca foi tão rica nem tão considerada, pois é muito 
dignamente representada. 

Aguim. De Aquini, patronimico de Aquinus, Aquino, 
nome d'um santo, 

Aiala ou Ayala, appellido e Ayalla. De Ahala, sobre- 
nome do familia Servilíos, em Roma. 

Diccionarlo Clássico. 

Alagar. De Al — lagar, o lagar. Confronte-se Alagari- 
nho, o lagarinho ou lagarzinho. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 185 

Alares — de Alariis ou Hylariis, patronímico de Alarius, 
ou de Hylanus, antigos nomes pessoaes. 

Albano e Albino. São formas do mesmo nome, tirado de 
Albus, branco, alvo, que deu Alvim, appellido. Confronte-se 
Branco e Branquinho, appellidos. 

Urbano e Urbino, nomes pessoaes e nomes de santos, etc. 

Albardo e Albardos. 

1.0— Do .. 

2.° — Do Abeylard, pela forma castelhana ou gallega, 
Abelardo, nome actual no Ferrol (190'2), etc. De Abelardo, 
Albardo? Albarrol, Alborrol e Alvarol. São talvez formas do 
mesmo nome, tirado de Alvavolus, i, diminutivo do Alvai'us, i, 
Álvaro, o mesmo que Alvrinho, povoação nossa também, 
ou do baixo latim harrohcs, i, unde Barro, diminutivo de 
barrus — barro, etc, que também deu Barros, appellido. 

Albufeira e Almofeira por Albofeira. Do portuguez Al- 
bufeira, lago, repreza d'agua. 

Alcalva por Alcarba e este por Al -f- Carpa. De carpa^ 
arvore amentacia, unde carpalho — carvalho, arvore amentacia 
também. Conf. Carpalhosa o Carvalhosa, povoações nossas. 

Alcarva. E' o mesmo que Alcalva e Alcarpa. 

Alcobaça. Confronte-se Cubaças, CubaDião de Baixo e 
Cubalhão de Cima, Covalhão, Covilhã, Covilhão, Covilhó e 
Cubelhores por Covilhoses?! . . . ou Covilhoz. Confronte-se 
Arneiroz, Mó e Moz, Ferreiro e Ferreiroz, etc. 

Alcochete. De al-)-cochete, pequeno coche, pequeno carro. 
Confronte-se Carotes, aldeia, por carrotes, Carrocho, Carrajola, 
Carramanho, Carrambois, Carreta, Carrilho, Carrinhos, Car- 
ritos, Carrelhas, appellido. Carro Quebrado, Carro Queimado^ 
Carrôa, Carroça, Carrola, Carrolinha, Carrolo, Coche, Co- 
checa, Cocheiro, Cocherre, Cochogom, etc, povoações nossas 
que tomaram o nome dos carros, como Pedorido, que vem 
do latim petoriium — carro de 4 rodas. ^ 



V. Alcochete, no índice da l.a parte d'esta minha louca Tentativa. 



186 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Alcoentre por Alcoentro e Alcoentrinho. Dos coentros, 
planta. 

Alcolena. De Alcalena, como talvez Alcanena, povoação 
nossa também; e Alcalena, de Alcalá, cidade da Hespanha, 
que deu também Calainho por Alcalainho, appellido nosso. 

Alconilhes. De Al-conilhos — os coelhos. 

Alcordal. De Al-Cardal, o Cardai. 

Alcorochel. De Al-Coruchal, o corujal. Veja-se Corujas, 
no Índice da 1.^ parte. 

Alcrimes por Alcrines. De alecrines — alecrins? 

Alda, antigo nome pessoal, que deu Aldas, velha rua do 
Porto ; Aldar, Aldara, forma anterior de Alda ; e Aldoar, 
freguezia de Bouças. 

De Ilduara, antigo nome pessoal. 

Aldão e Ardão. São talvez formas do mesmo nome ! . . 
Veja-se Ardada. 

Aldarete, Aldrete, Aldreu e Baldreu. De Wilderedus, i, 
nome germânico pessoal, quo teve as formas Ildereãus, Wal- 
deredus e Valdredus, Aldredus e Baldredtis , i. Veja-se W 
no Índice da 1.* parte d'esta minha louca Tentativa. 

Aldariz, Aldriz e Aldrigo. De Ildericus, Ilderiquiz, nome 
germânico. 

Aldeganha, aldeia do concelho de Moncorvo. De Alde- 
gaha? Confronte-se Aldegão. 

Aldova. De Adolpha, villa (granja, quinta ou casa de 
campo') de Adolpho, em latim AdolpJms, i, nome tirado de 
Athaulphus, i, nome germânico. 

Aldrigo, Aldriz, Baldrigo, aldeias, etc. De Balderic, no- 
me germânico e este do teutonico bald — ousado, corajoso, — 
e rich — poderoso, rico. 

Balderic podia ter a forma Walderic e dar também Al- 
drigo e Aldriz; mas para estas duas ultimas povoações nos- 
sas prefiro a etymologia Ardaric, nome germânico também 
d'um rei dos Grepidas, etc, nome formado do teutonico hart 
— ousado, corajoso, e rich — poderoso, rico. 



TENTATIVA ETYMOLOOICO-TOPONYMIOA 187 

Note se que ai e ar confandiram-se e substituiram-se 
na onomástica portugueza. 

Alecrinal, Alecrineira e Alegrete por Alecrinete. Vide 
Alcrines, supra. 

Alemtem ou Alentem. Confronte-se o castelhano llanten, 
a tanchagem, planta; note-se que na Hespanha, llantem sôa 
Ihantem, mas ó possível que nós, ignorando o valor dos dois 
11 castelhanos, acceitassemos llanten como lantem, mormente 
na idade média, a idade das trevas, e que juntando-lhe o 
prefixo árabe ai, de llanten fizeíssemos Alentem. 

Alfafar por Alfafal. De Al-Faval, o faval. Note-se que 
fa deu va. 

Alfaião e Faião. 

1.0 -De. .. 

2.0 — De Faião grande Faia? 

3.° — De Fayão, rico homem da idade média, tronco dos 
Sousas? Eor seu turno Fayão vem de Fafilanus, i, diminutivo 
de Fafila, nome godo, que deu Fafe, etc, e Fafilanis deu 
Fiães, povoação nossa e quinta nobre d' Avintes, pertencente 
ao snr. Christiano Wanzeller. 

Alfarella e Alfarellos. Do castelhano alfarero. Oleiro. 

Alfeite por Alfeito. De ai -|- feito — o fento, feito ou 
fieito, planta arbustiva e parasita que abundou e abunda em 
varias regiões do nosso paiz, pelo que temos centenares 
de povoações que tomaram o nome dos fetos, feitos ou 
fentos. 

Veja-se Fentos no Índice da 1.» parte d'esta minha louca 
Tentativa, onde os leitores podem ver uma extensa lista das 
taes povoações. 

Alfena, aldeia, freguezia, etc. Do portuguez alfena, o 
mesmo que alfeneiro, arbusto da familia das oleíneas, — li- 
gustrum vulgare, de Liunêu. — Do árabe aZ — hinna, como 
diz o snr. Cândido de Figueiredo. 

Alferce. De Alfereçe por Alferese? provincianismo de 
Alferes. 

Alforrulo. — De Alferrolo e este de Ferreolus, i, antigo 



188 TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMICA 

nome pessoal e nome d'ura santo, que deu Ferrol, cidade 
da Galliza. 

Junte-í5e o prefixo árabe ai e veja-se o meu Diccionario 
d'Appellidos. 

Algeruz por Algeriz^ Aljariz e Algeriz, de Argeriquiz, 
patronímico de Argericus, nome germânico. 

Algez. De Ildegizis, patronímico de Idegisus, i, velho 
nome germânico. 

Algodres, Lagendo, Lagindo e Lagundo. De Idegunda 
ou Ildegundis, nome germânico pessoal. Aldegunda, nome 
d'uma santa, Aldegondes e Ildegunda, nomes actuaes. De 
Aldegundo, Lagundo? Lagendo e Lagindo são formas de 
Lagundo. De Aldegondes, Algodes e Algodres? 

Algoso. E' metáthese de Lagoso. Note-se que em Algoso 
ha uma pequena lagoa. 

Algova. De ai — cova -^ a cova. 

Algramassa. De Al -}- Gramaça, que abunda ©m grama. 

Confronte-se Gramaça, Gramacha, Gramacho, Gramaços, 
GramataJ, Gramella, Gramido por Gramedo; Gramosa, Gra- 
mual, etc, povoações nossas que tomaram o nome da grama, 
como Gromicho, appellido, etc., por Gramaxo e este por 
Gramaço. 

Alhandra. De Alhambra, cidade da Hespanha. 

Alijó e Lijó. Alexiolus, i, diminutivo de Alexius, Aleixo. 

Alijó e Lixo querem dizer Aleixinho ! . . . 

Aljustrel. De Al -j- Justei^ diminutivo de Justus, Justo, 
nome d 'um santo. Confronte-se Germanello e Jarmello, 
Fratel e Fradellos, Pedrelles e Pedrello, Martinel, etc, po- 
voações nossas. 

Almaceda, De Al -\- Maceda. Confronte-se Mazeda, Ma- 
ceda e Macedo, povoações nossas, cujos nomes foram tirados 
do castelhano manzaneda, bosque de maceiras ou macieiras. 

Almarjanito. E' diminutivo de Almargem; por seu tur- 
no Almarjão e Almarjões são augmentativos. 

Almelaguêz por Almalaguez. De Al-j-Malaguêz, o mes- 
mo que MalagueÍLO, filho de Málaga, cidade da Andaluzia, 



TENTATIVA STYMOLOGICO-TOPONYMICA 189 

fundada pelos Fenicios. Por seu turno Málaga veio talvez 
de Malaca, (údade da índia. 

Note-se que os Fenicios antes de se estabelecerem na 
Fenícia do Mediterrâneo andaram flaneando pela Mesopotâ- 
mia, pelo Mar Vermelho e pela índia! 

Almidinha e Almeidinha, são formas do mesmo nome e 
diminutivos de Almeida. 

Almodovár por 'Almodoval, de almo ou olmo do valle? 

Almofeira. Vide Albufeira supra. 

Almoster. Do latim monanterium , i i, convento, mosteiro 
com o prefixo árabe ai. 

Alpalhão. De Al e Palhão por Palheirão. 

Alpoem e Alpoim, são formas do mesmo nome, como 
Agostem por Agostim, supra. Vide Diapasão francez no 
Índice da 2.» parte da minha louca 2'entatica. 

Alporxim. De Porcinii, patronímico de Porcininius, i ú 
diminutivo de Porcius, Porcio, nome d'um santo, tirado de 
porcus — o porco. 

De Alporcinii, Alporxim, a granja, quinta ou casa de 
campo de Porcínio. 

Alquetes, propriedade minha no Douro. Do celta Koiiete 
— mata, com o prefixo árabe ai — o, a, os, as — ou com o pre- 
fixo também celta are — junto de — que se encontra em Ar- 
moríca, hoje Baixa Bretanha. 

Vide Guillou e Alquetes no Portugal Antigo e Moderno. 

Alter e Alther. — De Walter, nome germânico. Veja-se 
Baltar, infra. 

Alva, villa e freguezia. — Do latim alhus — branco, de 
côr alva, que deu Albanus e e Albinus, nomes pessoaes e no- 
mes de santos, e Alvo, appellido nobre e antigo também, 
como Albinus, i, deu Alvim, povoação e appellido nobre e 
antigo, e Alvem por Alvim. Veja-se o meu longo tópico — 
Diapasão francez. 

Com relação á villa d'Alva, freguezia do concelho de 
Castro d'Ayre, veja-se no Portugal Antigo e Moderno o pe- 
queno artigo Alva, do meu benemérito antecessor, e no vol- 



190 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

XI, pag. 774 e segg. o meu artigo Villa Maior, freguezia do 
concelho de S, Pedro do Sul, onde, fallando da villa d*Alva, 
sua limitrophe, contei um facto que alli me succedeu e me 
fez chorar, no meu bom tempo de Coimbra, mas dentro em 
pouco já ria e cantava. 

Prosigamcs. Alvaiade de Alvaade por Alvalade e este 
por Alvallado — o vallado, povoação nossa também. 

Alvaiázere. — De Alva -\~ Azere, povoação nossa tam- 
bém, que tomou o nome do latim ace?', eris — -o bordo ou 
faia, planta. Veja-se Azere, infra. 

Alvar, — De alvar, espécie de pinheiro.^ 

Alvarenga. Veja-se Mioma, infra. 

Alvarginho por Albarginho. — De Almarginho^ povoação 
nossa, diminutivo de Almargem, como Almarjanito, supra. 

Alvargizes por Alvargides. — De Álvaro Gil, povoação 
nossa também, como Álvaro Gildes ou Alvarogizes, quasi 
Alvargizes, segundo se lô na Chorographia Moderna. 

Alvariz. -- De Alvariuiz, patronimico de Alvarinus, i, 
diminutivo Alcariis. — Álvaro, como Alvarolus^ i, que deu 
Alvarol, povoação nossa também. Veja-se Antanhol, infra e 
Alvariz, supra. 

Alvarol. Veja-se Albarrol e Alvariz. 

Alveite e ~Alvite. — São formas do mesmo nome, pois 
na onomástica portiigueza ^ deu ei — e vice- versa, como já 
dissemos. 

Por seu turno Alvite vem de Alvitus, i, antigo nome 
pessoal, que deu Alvito e Alvitos, povoações nossas, e Alvi- 
tellus, i, unde Alvitelhe, povoação nossa também. 

Alvéllos. Confronte se alvéola — certo pássaro que abun- 
da em alguns cantões do nosso paiz. Chama-se também ra- 
beta, porque tem a cauda relativamente grande e sempre em 
movimento constante, — lavandeira e lavandisca, porque lá 
por certas razões gosta dos lavadouros ou lavanderias. ^ E' 



^ Note-se que em Lisboa dão ás próprias lavadeiras o nome de la- 
vandeiras ! . . . 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 191 

ave muito sympathica e não prejudica as lavouras nem a 
fructa, 

Alvem e Alvim — são formas da mesmo nome, tirados 
de Albinus^ i, Albino. 

Alvorge. — De Al -|- Varge— A Vargem, pois a e o con- 
fundiram- se. 

Amandes — De Amanciís, patronimico de Amancius, ii, 
Amâncio, antigo nome pessoal, que deu Amâncio, povoação 
nossa também. Confronte-se Juvandes — de Juvancius por 
Juvencius — Jiivencio, nome d'am santo, congénere de Flo- 
rêncio, Innocencio, etc. Amâncio foi também nome d 'um 
santo. 

Amêda, Amêdo e Meda. 

1.0 — De... 

2.° — De ameirêda e ameiredo por amieireda e amieiredo, 
o mesmo que Amial e Araieiral. Confronte-se Ameixeda, 
Ameixedo, Moixeda e Meixide por Meixido e Meixedo. 

Brunbal, Brunbeda e Brunbedo por abrunheiredo — dos 
abrunhos. 

Carrazeda, Carrazede e Carrazedo. 

Carvalheda, Carvalhedo e Carvalhido. 

Castanheda, appellido e Castedo por Castanhedo. 

Cerdeda e Cerdedo por Cerdeiredo. 

Cerqueda, Cerquedo — Cercal, Carvalhal. 

Cerquida e Cerquido — de qiiercus, carvalho — como 
Cerqueira, appellido, etc. 

Codeçal, Codeceda, Codecido e Codexido por Codecedo. 

Figueira], Figueireda e Figueiredo. 

Loural, Loureda, Lourede e Louredo. 

Maçai — Maciel, macial, macieiral, Maceda, Macedo e 
Mazeda, rua de Lamego. 

Noeda, por nogueda, nogueireda, Nogueiredo e Nuzedo, 
o mesmo que Nogueiredo. 

Reborêda, Reboredo, Reborida e Roboreda, Roboredo e 
Robuido, o mesmo que Roborido ou Roburido. 

Carvalhal, Carvalheda, Carvalhedo e Carvalhido. 



192 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Salzedas — Sarzeda e Sarzedo (Salgueiral) — Serzeda e 
Serzedo, o mesmo que Sarzeda, Sarzedo ou Oerdeda e Cer- 
dedo surpa, do baixo latim cericetiim — cerdeiral. 

Sobral por Sobreiral, Sobreda, Sobredo, Sobrido e Sa- 
borido por Sobrido. 

Teixedas, Teixedo e Treixedo por Teixeiredo — dos tei- 
xos, etc. 

A villa da Meda, que eu já vi, também podia tomar o 
nome d'uma grande meda de pedras nativas que avultam no 
alto da villa. 

Amedo e Semblano. Confronte-se Amed e Sambrana, 
appellidos de Isaias. 

Amed Sambrana foi um negociante judeu, estabelecido 
no Funchal em 1906. 

Amonde, aldeia. De Edmundus, i, — Edmundo, antigo 
nome d'um santo, em francez Edmond, nome tirado do teu- 
tonico ead — íehz, e mund — homem, o mesmo que man. 

Edmundo quer, pois, dizer — homem feliz, como se lê 
em Boucrand. 

Amorim De Amorinus, i, — Amorino, antigo nome 

d'um escriptor, etc, diminutivo de ^wor, om',— Amor, nome 
d'um santo, etc. . 

Amorim e Aborim, povoação nossa também, talvez se- 
jam formas do mesmo nome!. . . 

Ampiada. — De Ampliata (villa), e este de Ampliatus, ^, 
— Ampliado, nome d'um santo, etc. 

Anaia. — Veja-se Adanaia, supra. 

Ancede. De Ansedus, i — Ansedo, antigo nome pessoal, 
que figura em um documento do século xii, (anno 11-10) re- 
lativo ao concelho de S. Romão de Cira. Veja-se Cea, no 
Portugal Antigo e Moderno, volume 2.°, pag. 223, col. 1.^ — 
e Ancede, vol. L°, pag. 204, col. l."* 

Anciães e Ancião. Do portuguez, ancião — velho, que 
podia dar Ancião, appellido, synonimo de Velho; mas talvez 
que Anciães e Ancião venham de Ancianuf>, i, diminutivo de 
Ancus, i, — nome romano de Anca Mário, etc. 



TENTATIVA ETYMOLOCICO-TOPONYMICA 193 

Ancide. E' o mesmo que Ancede, supra. 

Ancora, linda praia nossa. Tomou talvez o nome de 
Ancona, cidade maritima da Itália. 

Andaluz, appellido. Da Andaluzia e esta de Wandali, 
hoje Vandali, orum — os Vândalos, antigos povos da Ger- 
mânia, hoje Saxões. (Magnum Lexicon, na palavra Vandali), 

Andonia, aldeia nossa. E' talvez uma forma de Antónia. 
Confronte-se Antónia, Antonias e Antonicas, povoações nos- 
sas também. 

Andrade e Anreade. São formas do mesmo nome. Veja-se 
Estarreja e Mioma, infra. 

Angorêz, aldeia da freguezia de Samodães. — De An- 
gora, cidade importante do império romano oriental. Angora 
deu Angorêz, como Génova deu genovez, Málaga — malague- 
nho e malaguez, Irlanda — irlandez, etc. 

Anissó. De Anisiolus, i, diminutivo de Anisius, Ánisio, 
nome d'um santo, etc. Confronte-se Alijó, supra. 

Annibal, Setúbal, Tentúgal, etc, Confronte-se Maherbal, 
celebre general carthaginez, e Asdrúbal. V. Diccionario Clássico. 

Anquião e Inquião, aldeia que demora na margem di- 
reita do rio Teixeira, junto de Mezão-frio. Pode Anquião ser 
uma forma de eiiguião, eiró, ou grande enguia pescada no 
rio Teixeira ; pode também Anquião vir de Ancião no tempo 
em que c valia A" ou q. 

Anreade. Veja-se Andrade, supra. 

Ansur, appellido arch. de Guesto Ansur, etc. Do latim 
anser, eris — o pato, ave. Ansur é, pois, uma syuonimia de 
Pato, nosso appellido actual. 

Guesto vem de Gudesteus, ei, antigo nome pessoal que se 
encontra em Gostei, povoação nossa e na Memoria do Concelho 
da Vacariça^ etc. 

Anta e Antas. De anta, o mesmo que dolmen e entre 
nós antigamente Arca e Orca. Veja-se Arca, infra. 

Antadega. De Anta d'Egas ou de Ante a Adega. Con- 
fronte-se Ante-lagar, Ante-portas, Ante-Ribeiros, Ante Ronda, 
etc, povoações nossas. 

VoL. III 13 



194 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Antanhol. De Antoniolus, i, dim. de Antonius, António. 

Veja-se o meu longo tópico supra: — Diminutivos com 
a desinência oliis, ola. 

Anteiras. De Ante as eiras. 

Antões. De Antoniis^ patronimico de Antonius, António. 

Antunhaes. 

1.0 — De Antunhaes, e este de Antonianis ? I , . . 

2.0 — De Ante -j- Unhaes. Confronte-se Unhaes, povoação 
nossa, bem como Unhão. 

Também Ante -f- Unhaes e Ante -j- Unhão, podem vir de 
Antonianus, i, ist... Confronte-se Antadega, de Anta d'Ega 
ou Ante a Adega, como Antelagar, Anteiras por Ante as 
Eiras; Ante-portas, Ante Ribeiros, Ante Ronda (ou Redon- 
da?), etc, povoações nossas. Confronte-se também Cabeçadas 
por Cá-Vessadas ; Cabranca por Cá + Branca ; Cacães por 
Cá -j- Cães; Cachamorra por Cá -f- Chamorra ; C^achouça por 
Cá-f-Chouça; Cachadoufe por Cachada d'Oufe e Cachoufe 
por Cachadoufe ; Cachouzende por Cá -[- Chozende ; Cachu- 
sella por Cá -j- Chousella, etc. 

Junte-se Perdurão por Pre -j- E>"rao ; Perlonga por Pre 
-j- Longa ; Permonteilo por Pre -j- Montello ; Prechoças por 
Pre 4^ Choças ; Premedellos por Pre-Medellos ; Presandães 
por Pre-Sandães ou Santães ; Pretarouca por Pre-Tarouca, 
etc. ^ 

Arda, rio. De Alda, rio da Itália? Confronte-se Alda, 
nome de mulher, e rua das Aldas, aqui no Porto, no bairro 
da Sé. Veja-se Alda, supra. 

Ardada, Ardão, Ardega, Ardeira, Ardido, Ardo e Ardosa. 

l.«— De. .. 

2.0 — De Cardada, Cardão, Cardega por Cardiga, po- 
voação nossa. Cardeira, Cardedo, Cardo e Cardosa, povoações 
nossas que tomaram o nome dos cardos e podiam dar Ar- 



' O próprio pre, supra, é versão do latim prae, que significa ante, 
antes, ou diante. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 195 

dada, Ardão, Ardeira, Ardosa, etc, pela forma Cá Arda, Cá 
Ardão, Cá Ardeira, Cá Ardosa, etc. formas mal entendidas 
pelo simile com os nomes das nossas muitas povoações for- 
mados com o prefixo ca por aquém de, como Cabeçadas, Ca- 
ceira, Cadouca, Catojal, etc. 

N'estes e n'outros nomes, na escuridão da idade média, 
uniram o ca aos nomes das terras e por escrúpulo mal enten- 
dido, separaram n'o em Cardada, Cardosa, etc. 

3.° — Ardo. Pôde vir também de Adelardus, i — Ade- 
lardo, nome d'um santo, que por contracção podia dar Alar- 
do e Ardo. 

As meias tintas confundem. 

Aredes e Arêz. 

1.0— De... 

2.° — De Aretis, patíonimico de A)'etus, i, Areto, an- 
tigo nome pessoal. Veja-se Nestor, no Diccionario Clássico, 

3.0 — De Aretas ou A7'etes, is, nome d'um santo. Stro- 
mata, pagina 76. 

4.° — Arêz — de Aresiis, patronimico de Aresius, ii, — 
Aresio, nome d'am santo, etc. 

Veja-se o meu Diccionario d'AppeUidos. 

Arega e Aregos. — V. Alvarenga, supra e Mioma, infra. 

Areola e Areolus — de arenola e arenolus. 

Arga,— Vide Agra, supra. 

Arganil, Argemil, Argil e Argomil, 

l.o — De Argymirus, /" — Argymiro, nome germânico e 
nome d'um santo, etc. 

De. Argomil, Argamil e talvez Arganil. 

2.® — Arganil — de Ariamiriis, i, Ariamiro, nome pessoal 
germânico também. 

A escala foi ou podia ser — Ariamiri, Arjamil, Argamil, 
Arganil ? 

Argivae. — De Arcliihaldiis , i. Archibaldo, antigo nome 
pessoal germânico? 

A escala seria: — Archibaldi, Arguibaldi, Arguibai, Ar- 
givae? 



196 TENTATIVA ET YMOLOGICO-TOPONYMICA 

Argoncilhe. — De arencillus, i, diminutivo de arens-arco. 
Vide Arcozello, Argozelio e o tópico supra. 

Diminutivos formados pela desinência cellus, celli. 

Argufe. — De Ariulphus, i, nome germânico pessoal, tjue 
deu também Arufe, povoação nossa. 

A escala seria: — Ariulphi, Aryulphi, Arjulphi, Argul- 
phe, Argufe? De Ariulíi, Arufe? 

Arguinhos. — De Arquinhos. 

Aricera. — De uma planta, cujo nome não me occorre 
no momento. 

Ariques. 

1.° — De Arriques por Anriques, e este por Henriques! . . . 

2.*^ — Afereze de Alariques, patronimico de Alaricus, 
Alarico, nome germânico pessoal, que teve os patronímicos 
Alariquis e Alariquiz, — unde Ariques e Arts, povoação nossa 
também. 

Aristides, Euclides, Thucydides, etc, são nomes d'ori- 
gem grega. 

Arjona. E' talvez aferese de Barjona. 

Armental. — Do latim armentarius, ii, — pastor de gado 
grosso ; — de armentum, i — rebanho de gado grosso, como 
cavallos e bois. 

Armil e Armilo, — De Ariamirus, i. — Ariamiro, nome 
germânico pessoal, que pela forma Arjamirus, i, deu ou po- 
dia dar Arjamil, Argamil e Argomil por Arganil ! . . . 

E' assim a arte nova — e rira bien qui rira le dernier, 

Arnado, Arnal, Arnellas, Arnosa, Arnoso, Arosa, Aroso, 
e suas etymologias. Veja-se Mioma, infra. 

Arneiricho e Arneirinho. São formas do mesmo nome. 
Veja-se Arnado. 

Arneiros. Veja-se Arnado. 

Arnequinha. E' contracção de arenequinha, diminutivo 
de areneca e sub-diminutivo de arena. Veja-se Alvarenga. 

Aroal. E contracção de aroeiral, bosque ou matta de 
aroeiros — lentiscos. 

Arochas. E' o mesmo que As Rochas? I. , , 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 197 

Aronha. E' talvez o mesmo que Aranha, pois na onomás- 
tica portugueza trivialmente se confundiram as letras « e o. 

Veja-se o tópico Substituição de letras. 

Arosa. E' contracção de Arenosa, como Areosa. Veja-se 
Mioma. 

Arrabaça e Arrabaçal. Veja-se Rabaça e Rabaçal, po- 
voações nossas também. 

Arrada. Veja-se Arada. 

Arraiolos por Arroiollos é diminutivo de Arroios ! . . . 
Confronte-se também Roios, aferese de Arroios. 

Estas povoações tomaram o nome do portuguez arroio^ 
pequeno ribeiro ou regato, que deu Arroio, appellido d'alta 
cotação na actualidade. 

Arredonda e Arredondo. — De Al-Redonda e Al-Re- 
dondo. Estas povoações tomaram o nome da sua configura- 
ção redonda ou aproximadamente redonda, bem como outras 
povoações nossas, taes são as seguintes : 

Agua Redonda. Vide Ponte Redonda; Azinhal Redondo ? 
Bouça Redonda ; Cabeça Redonda ; Cabeço Redondo ; Campo 
Redondo ; Carvalhal Redondo ; Castanheiro Redondo ; Chão 
Redondo; Corte Redonda; Figueira Redonda; Lama Re- 
donda; Matta Redonda; Moita Redonda; Moitinha Redonda» 
Monte Redondo; Nave Redonda; Outeiro Redondo; Paço 
Redondo ; Pé Redondo ; Pedra Redonda ; Pego Redondo ; 
Penna Redonda ; Peso Redondo ; Pinhal Redondo ; Poço 
Redondo; Ponte Redonda?!... Vide Agua Redonda. Con- 
íronte-se Ponte de Pé, povoação nossa também. Rebordondo, 
contracção de Rebordo ou Rebordão Redondo. 

Redonda; Redondal; Redondas; Redonde, o mesmo que 
Redondo; Redondella; Redondello; Redondinho ; Redondo, 
villa, etc. Redondo — bateria da Praça de Peniche; Redon- 
dos ; Redundo, o mesmo que rotundo e Redondo ; Ribeira 
do Monte Redondo ; Rotunda da Boa- Vista, largo e jardim 
publico do Porto, hoje Praça Mousinho d'Albuquerque ; 
Sernada Redonda ; Serro Redondo; Sobreira Redonda ; Souto 
Redondo ; Vai Redondo ; Várzea Redonda, etc, etc. 



198 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Todas estas povoações estão mencionadas na Chorogra- 
phia Moderna, e são povoações nossas. 

Arrojello. E' uma forma de Arroiello, o mesmo que Ar- 
raiollo e ArroioUo. 

Arrotiga. — Vide Abrotica, supra. 

Arrouquellas. — De arouquellas. Vide Arouca e Arou- 
quinha; Tarouca e Tarouquella, o mesmo que tarouquinha. 

Arrueira. — Vide Aroal.e Aroeira. 

Arrufina. — De Al -|- Rufina. 

Arufe, Baião, Brete, etc, etc. — Vide Zêzere (S.** Ma- 
rinha do) longo artigo meu no Portugal Antigo e Moderno, 
vol ]2, pag. 2123 e seguintes. 

Vide também o meu artigo Vouzella. 

Arunce, rio que passa na Louzan ? e Arronches, villa. 

1.0 — De... 

2.° — De Aruntius, ii, lis — Aruncio, nome d'um romano 
celebre. Veja-se Diccionario Clássico. 

Arzilla. — De Arzila, cidade de Marrocos ? 

Asanto. — De Al -|- Santo — o Santo. 

Assafa. — De Asafa (villa), e este de Asaftis, i — Asafo, 
nome d'um santo, etc. 

Asseiceira, Asseiceirinha, Asseiçó por Asseiceiróla, o 
mesmo que Asseiceirinha, Assinceira, Ceiceira, Ceiceiro, Sei- 
ceira ou Sinceira, Sinçães por Sinçaes, contracção de Sin- 
ceiraes, Sinceira ou Seiceira, Sinceira Branca, o mesmo que 
salgueiro branco^ Sinceira Grande e Sinceirinha, pov. nossas. 

Tomaram todas o nome do portuguez sinceiro — sal- 
gueiro. Veja-se pag. 249 da 2.^ parte d'esta minha louca 
Tentativa. 

Asseiçó, aldeia. De Asseiceirola, pequena asseiceira, de- 
turpação de sinceira por sinceiro — salgueiro, que em bom 
portuguez deu sinceiral — salgueiral. 

Nós temos 15 povoações com os nomes de Asseiceira e 
Asseicerinha, o mesmo que Asseiçó por Asseiceirola. Tam- 
bém temos Ceiceira e Ceiceiro, Seiceira ou Sinceira e Assei- 
ceira! . . . 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA ' 199 

A forma predominante foi Asseiceira por Al -\- Seiceira, 
de sinceira por sinceiro — salgueiro. 

Em bom portuguez não ha salgueira na acepção de sal- 
gueiro, mas na onomástica portugueza, além de muitas po- 
voações com os nomes de Salgueiral, Salgueirinho, Salguei- 
rinhos, Salgueiro e Salgueiros, temos também diíferentes 
povoações com os nomes de Salgueira, Salgueiras, Salguei- 
rinha e Salgueirinhas. 

Assilhô por Assinhô — vem de Azinho por Azinhola, 
contracção de azinheirola, pequena azinheira ou azinheiri- 
nha. Coníronte-se Azilheira por Azinheira, Azinal por Azi- 
nhal, Azinhaes, Azinhal, Azinhalete, Azinhalinho, Azinheira, 
Azinheirinha (o mesmo que Assilhô, supra?!. , .) Azinheiras, 
Azinheiro, Azinhosa e Azinhoso, muitas povoações nossas 
que tomaram o nome das azinheiras. Note-se que l e n, bem 
como Ih e nh se confundiram e substituíram na onomástica 
portugueza. V. o meu longo tópico — Substituição de letras. 

Assilhô é uma jóia da arte nova. 

Assomadas por Assumadas, vem de Al + Sumadas por 
Simadas, terras que estão no alto, cimo ou cima d'uma la- 
deira ou encosta. Veja-se Samodães, infra, bem como Samu- 
das, por Sumadas, o mesmo que Simadas e Assomadas, supra. 

Esta solfa é muito linda, mas demanda aprendizagem. 

Astroluzia, herdade do districto de Beja. Talvez seja 
uma forma popular de Astronomia, 

Atadôa. E' metáthese do latim botânico de Plinio (?) 
adatoda, certa planta. 

Atahide, Athaide, Athainde, Cabide, Tagilde, Tainde e 
Thaide, povoações nossas. — De Athanagildus, i, nome ger- 
mânico. Veja-se Agilde, supra, 

Ataia e Ataija por Ataia — de atalaia, que deu Atalaia, 
Atalaias e Atalainha, varias povoações nossas, bem como 
Taias e Taijas por Ataias e Ataijas, Talaeiros por Atalaeiros, 
Talaia por Atalaia e Tayão por Atalaião, grande atalaia ou 
castello, tal é o Atalaião que eu já vi a montante da cidade 
de Portalegre. 



200 • TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 

Ataija é uma antiga forma de Ataya por Ataia. 

Athenor — De Antenor, nome grego d'um troyano, fun- 
dador de Pádua. 

Atrozella por Atrrozella. De Al -{-Terrozella, e este de 
Terrosella, diminutivo de Terrosa, que abunda em húmus ou 
terra. Confronte- se Terranho, Terrenho e Terroso, povoa- 
ções nossas também. 

Aulete ou Aulethe appellido. Confronte-se Aulethes ou 
Auletes, cognome dado a Ptolomeu xii, rei do Egypto, por- 
que tocava muito bem flauta, como se lê no Diccionario 
Clássico. 

Aveção e Aveçãosinho. De avejão, grande ave, Note-se 
que as ditas povoações pertencem á freguezia da Campeã, 
que está no alto do Marão, serra que abunda em bufos e 
ujos, aves corpulentas, que bem podiam denominar-se avejões. 

Também temos Avessão e Avessões, o mesmo que Ave- 
ção e Aveções. 

Aveiro. — Confronte-se Ovar e Oveiro (?! . . . ), povoa- 
ções nossas — e note-se que as letras o e a trivialmente se 
confundiram e substituíram na onomástica portugueza. 

Avellada. — Vide Avelleda, contracção de Avelleireda, 
bosque de avelleiras, arvores que abundam em algumas re- 
giões do nosso paiz desde os tempos móis remotos, pelo que 
temos muitas povoações que tomaram d'ellas o nome. Vide 
Avelleiras no Índice da primeira parte d'esta minha louca 
Tentativa. 

Avellal e Avellar. São formas do mesmo nome, con- 
tracção de Avelleiral. Confronte-se Cebolal e Cebolar, Mar- 
melal e Marmelar, etc, povoações nossas também. 

Avenal e Avenêda. Vide Avellal e Avelleda. 

E' assim a arte nova ! . . . 

Avidagos. — De Al -|- Vidagos — os vidagos ou vinhedos. 

Ávidos e Óbidos. São formas do mesmo nome, tirado 
de Avitus, i, Avito, nome d'um santo, etc. 

De Avitus, Ávidos — e de Ávidos — Óbidos? 

Avinho. — Al -|- Vinho, a pequena vinha. — Vide Vinho. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 201 

A França tem Avignon, em portuguez Avinhao, anti- 
these de Avinho ! 

Avintes. — De Aventinis, patronimico de Ai'entinus, i-— 
Aventino, nome romano e nome d'um santo, etc, que por 
seu turno foi tirado de Aventino, celebre monte de Roma. 

Com vista ao meu bom amigo, distincto escriptor e cli- 
nico, Dr, Innocencio Osório Gondim, benemérito filho de 
de Avintes. 

Avô, Avôa e Avões. De Avolus, i, is, antigo nome pes- 
soal, tirado de avolus, i — avô. 

Ayrães e Ayrão. De Arianus, i, is. Ariano, antigo nome 
pessoal, 

Ayras, Ayres e Castro d'Ayre — de Árias, nome ger- 
mânico. 

Azagães por Azagaes — de Zagal, pastor. 

Azavel, é deturpação de Isabel. 

Azebral por A Zebral, terra, quinta ou povoação que 
tomou o nome das zebras, animaes muito lindos, hoje com- 
pletamente extinctos, que outr'ora abundaram no nosso paiz, 
pelo que temos varias povoações que tomaram o nome das 
zebras, tal é o Monte da Zebreira, na foz do Sousa, a pe- 
quena distancia do Porto. 

Veja-se Zebra, Zebral, Zebras, Zebreira, Zebro e Zi- 
breira, artigos meus no Portugal Antigo e Moderno, vol. xir. 

Azelha e Azenha. São formas do mesmo nome, tiradas 
de azenha. 

Azenhol e Azenhal ou Azinhal (segundo se lê na Choro- 
graphia Moderna) — de Azinhal por Azinheiral, bosque ou 
matta d'azinheiros. Veja-se Assilhô, supra. 

Azere, villa, etc. Do latim acer eris — bordo, planta. 

Azeredo, appellido, etc. De Azereiredo, bosque d'azerei- 
ros, planta. 

Azevedo e Azevido por Azevedo. De azevinhedo, bos- 
que ou matta de azevinhos, oliveiras bravas. Por seu turno 
Azevedo deu Azevo, povoação nossa também. 

Azibal por Azival. E' talvez contracção de Azovidal. 



202 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMTCA 

Azilheira. Veja-se Azinheira. 

Azinal por Azinal. Veja-se Azinhal. 

Azival. Veja-se Azibal, supra. 

Aziveiro. E' contracção de Azevedeiro, bosque de aze- 
vedos, por azevinhedos. Veja-se Azevedo e Azevido, supra. 

Azuleiral. De Açureiral por Açoreiral. Confronte-se Aço- 
reira, Açoreiras, Açores e Azurara por Açorera ou Açoreira. 

Azurara. — De acurara por Açoreira, abundante em aço- 
res. Confronte-se Açor, Açoreira, Açoreiras e Açores, muitas 
povoações nossas e um Archipelago. 

A Hespanha tem Azoreira, Azoreiros e Azores. Con- 
fronte-se Azuleiral, por açoreiral, povoação nossa. 

Também Astorga e Astúrias tomaram o nome dos aço- 
res, pela forma latina astur, uris, que entre nós deu Estoril 
por Asturil, o mesmo que Astural — Açoreiral!... E' assim 
a arte nova. 

Babaes e B abainho. Veja-se Nabaes e Nabainhos, e o 
tópico Substituição de letras. 

Babe. "> 

1." — De Bavius, ii. — Bavio, nome romano d^um poeta 
d'agua doce. Veja-se o Magnum Lexicon. 

2.0 — Babe-; — De Nave ? 

Confronte-se Nave, muitas povoações nossas. 

Baçal, Baçar e Bassar, são talvez formas callaicas de 
Bazar — feira !. . . 

Bacalar. — De Vai de Nácar? Confronte-se de Neckar» 
importante cantão da Allemanha, no reino de Wurtemberg, 
e Nechar, rio da Allemanha, que banha a cidade de Heidel- 
berg. 

Commercio do Porto, n.» 17, de 20 de Janeiro de 1910 — 
na secção telegraphica estrangeira, pagina 3. a, columna 1.», 
titulo — Stuttgart. 

Stuttgart. — E' uma cidade da Allemanha, capital do 
reino de Wurtemberg e do circulo de Neckar, unde Valle 
de Neckar — não Valle de Nackar. Veja-se Bescherelle y 
Devars, na palavra Stuttgart. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 203 

Bacana. Vide Vacaria. 

Bacarice. Vide Vacariça. 

Baceiro e Baceiros. Vide Naceiros, povoação nossa 
também, que talvez tomasse o nome das naças, armadilhas 
de pesca, unde Naceiro e Naceiros, vários sitios do Douro. 
Um d'elles está junto das Caldas e da Estação do Molledo. 

Bacellar — appellido nobre. E' o mesmo que bacellal, 
vinha nova. 

Bácora, Bocoreira, Bacorinho e Bácoro. De bácoros, 
porcos. Vide Barcos, infra. 

Badim, Bedim e Bodim. 

1." De... 

2.° De Vatinii, patronímico de Vatínus, ii. — Vatinio, 
nome romano d'um sapateiro de Benavente, cidade do reino 
de Nápoles, etc. 

Este nome foi tirado de vatinius, a, um — que tem as 
pernas torcidas para fora ; zambro, cambaio, segundo se lê 
no Magnum Lexicon latino. 

Bafoeiras por Baforeiras e Balforeira. Do portuguez 
balforeira, espécie de figueira brava. 

Bagauste e Baguaste. De Iben Augusti — filho de Augusto- 

B aguaste é metáthese de Bagauste. 

Bagauste pertence á grande serie das nossas povoações, 
em cujos nomes se encontra o prefixo árabe iben — filho, 
mais ou menos deturpado. 

Veja-se o tópico: — Thema Iben, supra. 

Baguim — De Iben Aquini, filho de Aquino. 

Bagunte. 

1." — De... 

2° — De Iben — Arcontii, e este de Arcontíus — Arconcio, 
nome d'um santo, etc. Confronte-se Argonde e Argonte, al- 
deias e appellidos nossos. 

A escala seria : 

Iben — Arcontii, <^ B argonte <^ Bagonte <^ Bagunte ? 

Arcontii deu ou podia dar Argonte, como Leontius deu 
Leonte no Gerez, etc. 



204 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Baião. Coufronte-se Bailão, antigo nome d'um santo, ete. 

Bajanca, Bajancas, Bajanco, Bajancos, Do antigo portu- 
guez, bayanca e bayanco, o mesmo que bajanca, bajanco e 
barranco. 

Veja-se Bayanca, em Viterbo. 

Balancho, Balanxo e Ballanxo, são formas de Valle- 
ancho, grande, como Vallongo, Vai maior, etc. Confronte-se 
Malhadanclia, Pedrancha, Pernancha, Pinhanços por Pinha- 
lanchos, Mangancha por Manga-ancha, etc, povoações nossas, 
6 veja-se o longo tópico supra: — Desinências da onomástica 
portugueza, pouco vulgares. 

Balça ou Balsa, Boaça, Valça e valsar. Para as suas 
etymologias, vejam-se na 2.» pairte d'esta minha louca Tenta- 
tiva as paginas 302 e 303. 

Balde, Baldos, Ubaldo, etc, Confronte-se G. Wald, ne- 
gociante inglez (?), da rua de S. Francisco, no Porto. 

Balde, Baldos, Graldim, Gualdim, Gualdino, Ubaldo, 
nome d'um santo, etc, vêem de Wild, o mesmo que Wald? 
nome germânico pessoaj, que entrou como prefixo na com- 
posição d'outros nomes germânicos. 

Para evitar repetições veja-se W — no Índice da 1.* parte 
d' esta minha louca Tentativa. 

Baldossa, Ceira, Oceira, Ossa, Ossaes ou Saes, Ossella? 
Ossonoba, Ossos, Urca por Urça, Urzella por Urcella; Serra 
d'Ossa, Vai da Uça, Vai da Ursa, Vai d'Usso, Vai do Usso, 
Villar d'Ossos, etc. Dos ursos, em antigo castelhano — ozos e 
actualmente osos. Confronte-se Oza, 4 freguezias da Coru- 
nha, — Ozaeta, em Alava, Ozanes em Oviedo, Ozon, na Co- 
runha, Azuela (Ossella) em Leão, Ballosera, em Santander, 
Osa, em Cuenca, Os em Lerida, Oseiro na Corunha, Oseja em 
Saragoça, Oselle em Lugo, Osera em Lerida e Saragoça, 
Osia em Huesca, Osilla em Cuenca, Oso em Ávila, Osona 
em Soria, Osonilla, ibi, Osoho em Orense, Osormillo e Osor- 
mo em Palencia, Ossa em Albacete, Osso em Huesca e Le- 
rida, Osuna em Sevilha, Osunilha em Málaga, Valdelosa em 
Salamanca, Valdeosera em Logrono, Ucero em Soria, Urcela 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 205 

em Pontevedra, Ursayas em Biscaia, Ursuaron em Guiposcôa, 
Ursuco, ibi, Urzabal, ibi, Urzanique em Navarra, Ussall em 
Gerona, Usana e Usanos em Huesca e Guadalajara, Useras 
em Lucena, Uson em Huesca, Usum em Navarra, Uzarraga e 
Monte de Olza em Guiposcôa, Monte Osada em Valhodolid, 
ete. Ha também na Hespanha Llosa, Llosas, Lloseta, Llo- 
vera, Lloveral, Llovio^ Lloza, Llussa e Llusas, nomes geo- 
graphicos. 

Baldreu ou Valdreu, de Ilderedus por Wilderedus, i, 
nome germânico. Veja-se Aldarete, Aldrete e Aldreu. 

Baleizão e Valeizào. De Valizão por vallejão grande valle, 
como Vallongo, Vai Maior, etc, povoações nossas também. 

Balescura por Balescuro. Vide Val-Escuro, povoação 
nossa também. 

Balhadouro. Vide Banhadouro, povoação nossa também. 

Balicete por Valicete. E' diminutivo de valle, como 
Valigote, etc. Balicete pertence á grande série de povoações 
nossas com a desinência ete^ que é diminutiva. 

Confronte-se Alcochete, Alegrete, Azinhalete, Bacellete. 

Barguete, Pipalete, Punhete por Pinhete e este por 
Pinhalete, etc. 

Vide o longo tópico supra : Desinências da onomástica 
portugueza pouco vulgares. 

Baloca, Balocas, Baloco, Balocos, Balouça, Balouço por 
Baioca e Baloco, Balouto por Balouço, Palorca por Paloca 
e este por Baloca, são diminutivos de Baile por V^alle ! 

A bússola é o ouvido. 

Balsa, Balsas e Balsinha, differentes povoações nossas. 
Vide Diapasão toscano, no índice da primeira parte d'esta 
minha louca Tentativa. 

Baltar, Gaiteiro, Gaitar, Gualtar, Gualter, nome d'um 
santo, Valteiro, Valter, nome pessoal, etc. De Walter, nome 
germânico e nome d'um santo, que deu também Alter e 
Alther, povoações nossas. Vide W no Índice da primeira 
parte d'esta Tentativa. 

Balsemão. Quatro povoações nossas. Do grego balsa- 



206 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

raon, em latim halsamum, em ailemão halsum, e em hespa- 
nhol e portuguez bálsamo. Vide Basemath em Boucrand. 

Bamba, de Vamba ou Wamba, nome germânico. 

Bamonde. De Iben-Amonde. Note-se que Amonde é 
povoação nossa também, cujo nome foi talvez tirado de 
Edmundus, i, Edmundo, nome germânico e nome d'um santo. 
Fiat lux. • 

Banalares. De Iben Alariis ou Hilariis, patronimicos 
de Alario ou de Hilário, nomes pessoaes. 

Bandalhão e Bandalho. Nomes communs e afFrontosos ; 
trapo, farrapo; pessoa desavergonhada. 

1.° — De bando?— ou do árabe batum? — como per- 
gunta o snr. Cândido de Figueiredo. 

2^ — Bandalho de bambalho, e este do latim bambalio, 
õnis, nome fingido e affrontoso que Cicero deu ao sogro de 
Marco António. Magnum Lexicon. 

Bandilhão, aldeia nossa. Confronte-se Bandalhão, supra. 

Banduja. Ad ridendum. Confronte-se Blandusia — certa 
fonte dos Sabinos. Magnum Lexicon. 

Banreza e Banrezes. Confronte-se Barrezes, povoação 
nossa e Manresa, povoação da Catalunha. 

Baraçal, Braçaes, Braçal, Braceiro, Bracial, Bracieira e 
Bracyal por Bracial ou Bracejai. De baracejo, vulgo bracejo, 
planta de que se fazem baraços ou cordas, ceiras, capachos, etc. 

A dieta planta abunda em alguns sítios pantanosos do 
Algarve e da Beira, em Portugal, e em Algeciras, na Anda- 
luzia. 

Barbacena, appellido, aldeia, etc. Do portuguez popular 
barbaçana, o mesmo que barbaças, que tem grandes barbas. 

Barbeita. 

1.° — Do árabe barr-baita — o campo da casa. De barr — 
campo — e baita — casa, como diz Sousa, mas quem não acre- 
ditar não pecca. 

2." — De Barbita, porque i deu ei. Confronte-se Barbeita, 
Barbeitas, Barbeite, Barbeito e Barbeitos, povoações nossas, 
como Barbacão por barba de cão? ; Barbacena, Barbada, Barba 



TENTATIVA 2TYMOL0GIC0-TOP0NYMICA 207 

d'Allio, Barba de Pelle, Barbaido por Barbido e este por 
Barbedo? Barbanxa por Barba ancha, grande; Barbanxo, 
Barbas, Barbas de Lebre, Barbas de Porco, Barbas-ralas por 
Barbas raras; Barbatona, Barbatorta, Barbeita, Barbeitas. 
Barbeite, Barbeito, Barbeitos, Barbialhos, que tem barbas 
d'alhos; Barbido, o mesmo que Barbedo; Barbosa por Bar- 
boso; Barbuda e Barbudo, Barbuta e Barbuto, povoações 
nossas. 

Ad ridendum, ahi vae um annexim hespanhol: A muger 
barbuda de Jejos la saluda ! . . 

Barcadigas, Cardiga, Cardigos e Fradigas. Confronte-se 
o antigo portnguez Carcadiga por Carcada — o carregamento 
ou carga d'um barco, e Fravegas (quasi Fradegas ?) por Fra- 
goas. Viterbo, no Elucidário. 

Barcarena. Tomou o nome dos barcos e rima com Ver- 
derena, povoação nossa também, e Verena, antigo nome 
d'uma santa. Confronte-se também Barchiena e Marchiena 
por Barchiena? 

Barcellos e Barcellinhos, povoações fronteiras, banhadas 
pelo Cávado. De barcellos, diminutivo de barcos, o mesmo 
que Barquinhos. 

Barcelona, cidade, capital da Catalunha. De Barcenona 
por Barcinona, e este do latim Barcino^ onis, o mesmo que 
Barchino, onis — nomes que Tito Livio deu á dita cidade, 
tirados talvez de Barcha, appellido do general carthaginéz 
Amilcar Barcha, fundador da dita cidade de Barcelona^ 
Também Ausonio deu o nome de Barcinonensiii^ se — Barci- 
nonenses, aos filhos ou habitantes de Barcelona. — Magiium 
Lexicon. 

Barchiena. — Veja-se Barcarena. 

Barco, Barcos e Barcouço, muitas povoações nossas. To- 
maram todas o nome dos barcos, exceptuando a villa de 
Barcos, na Beira Alta, concelho de Taboaço, pois demora em 
sitio alto, no sopé da serra de Sabroso. 

Na mencionada villa de Barcos não ha rio_, ribeiro, lago, 
nem lagoa navegáveis e nunca lá se viram barcos, pois dista 



208 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

5 a 6 kilometros da margem esquerda do Douro, que é o 
rio navegável mais próximo. 

Na minha opinião esta villa de Barcos tomou o nome 
dos bácoros — porcos, pois demora na serra do Sabroso, o 
mesmo que Sobroso por sobreiroso, abundante em sobreiros, 
arvores que dão bolotas, bom alimento para porcos, E per- 
tence Barcos ao concelho de Taboaço, que desde tempos 
muito remotos abundou em castanheiros, arvores que dão 
castanhas, óptimo alimento para os porcos, muito superior 
ás bolotas. 

Eu conheço a localidade e heide dar um esboço etymo- 
lógico do concelho de Taboaço. D'elle verão os leitores que 
abundou sempre em castanheiros, pois tem muitas povoações 
que tomaram o nome do latim tabula — taboa e por extenção 
castanheiros, por serem as taboas de castanho in illo tempore 
as taboas por excellencia. 

O mesmo tabula deu tabuaço, hoje Taboaço — grande 
souto ou bosque de castanheiros. 

Confronte-se Melgaço, abundante em mel, Pomaraço, 
grande pomar, etc. 

Também na minha opinião Távora, villa próxima de 
Taboaço, e Távora, rio que banha a mencionada villa, toma- 
ram o nome de tabula, que deu Taboa, Taboaça, Taboadella, 
Taboadello, Taboada, Taboeira, Tabelado, etc, povoações 
nossas, e podia também tabula dar Tábura, hoje Távora, por- 
que l e r e la e ra se confundiram. 

Em documentos antigos se encontra Bracara e Bracala 
por Bracara — Braga. 

Também na margem esquerda do Távora se encontra a 
povoação de Tabosa, contracção de tabulosa, e na margem 
direita do mesmo rio — em frente de Taboaço, demora a po- 
voação do Castanheiro, que talvez tomasse o nome d'algum 
grande castanheiro. Bastava que fosse tão grande como houve 
um em Távora, que tinha 12 a 15 metros de circumferencia 
no tronco. Do exposto se vê que na villa de Barcos podiam 
abundar os bácoros, porcos, pois abundavam as bolotas e 



TENTATIVA ETYMOLOCICO-TOPONYMICA 209 

castanhas e dos bácoros tomaram o nome outras povoações 
nossas, taes são Bácora, Bacoreira, Bacorinho, Bácoro, etc. 

Também temos diíFarentes povoações que tomaram o 
nome dos porcos, taes são Porcalho, Porcalhota, Porcariça, 
Porcas, 'Porco, Porqueira, Porqueiros, Porquinhas, etc. 

Bargo e Bargueiros. — Veja-se Barco e Barqueiros. — 
A bússola é o ouvido — e rira hien qui rira le dernier ! . . . 

Barreiros e Marreiros, appellidos, etc. São talvez formas 
do mesmo nome, pois ha e ma confundiram-se entre nós na 
idade média. Veja-se o meu longo tópico — Substituição de 
letras. 

Barrosinha e Barrosinho. São diminutivos de Barrosa e 
Barroso, que abundam em barro. 

Barrouca, Barroucal, Barrouco e Barruco. Veja-se Bar- 
roca, Barrocal e Barroco, Barrocos e Marrocos (por Barrocos) 
— quinta do Alto Douro, que tem grandes despenhadeiros, 
barrocaes ou barrocos. 

Barrozende. De Iben — ai — Rodezindi, filho de Ro- 
zendo ou Rodezindo. 

Barturim. De Iben — Arturini? Veja-se o tópico Thema 
Iben. Confronte-se Agostem por Agostim e este por Agosti- 
nho, — Martim por Martino e Martinho, etc. 

Bassalares por Basselares — De Bacellares. Veja-se Ba- 
cellar. 

Basteira, Basteiras, Basteiros, Besteira, Besteiro e Bes- 
teiros— dos antigos besteiros, soldados armados com bestas. 

Bastida, aldeia, ponte, etc. Oonfronte-se Bastida e Bas- 
tido, varias povoações da Hespanha, e Bastido, muitas povoa- 
ções da Bélgica e da França ? ! . . . 

Vide GeograpMa Universal, de Bescherelle e Devars. 

Mas qual a etymologia de Bastida ? — E' o francez bas- 
tido, casa de campo (no sul da França). 

Basto, appelido, Celorico de Basto e Mondim de Basto. 

1.» — De... 

2.0 — De Vedastus, i, — Vedasto, antigo nome d'uin san- 
to, etc. 

VoL. m 14 



210 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Batalha, Batalhas e Batalhóz. — Das batalhas, lides, con- 
tendas. Batalhóz vem do baixo latim batalióla, diminutivo 
de Batalha, Veja-se Arnado e Arneiros, supra — e o meu 
longo tópico: — Diminutivos formados pela desinência olus, ola, 

Batanete. Do antigo portuguez batanete — pisão, nome 
tirado de bater, como pisão — de pisar, moinho de moer, be- 
bereira de beber, etc. A bússola é o ouvido. 

Baúlhe por Baulho. — Do portuguez popular bagulho, 
muitos bagos ou restos de bagos d'uvas e por extensão vi- 
deiras, uvas. 

Confronte-se Arco de Baúlhe por Arcos de Baúlhe, fre- 
guezia do concelho de Cabeceiras de Basto, onde, como em 
outras freguezias do Minho, abundam videiras sobre arvores 
formando arcos e ramadas sobre os caminhos. 

Bazorra e Bazorreira. São metátheses de Barrosa e Bar- 
roseira, povoações nossas também. 

Beduido. E' metáthese de Vidoedo, contracção de vi- 
doeiredo, bosque ou matta de vidoeiros, planta. Beduido é o 
nome da freguezia a que pertence a formosa villa de Estar- 
reja, que por seu turno tomou o nome de Tiastula regia, ut 
infra. 

Beiro, Beirólas, Beirós (em Rezende), Veira, Veirigas 
por Vieiricas, Veirigo por Viarico ou vieirico, Veiro por 
vieiro, arroio. Veiros por vieiros, Veiros por veirolos, vei- 
rolas ou vieirolas; — Verigo, Vieira, Vieiras, Vieirinhos (?!...), 
Vieiro e Vieiros. 

1.° — De... 

2.° — Do portuguez popular vieiro d'agua, o mesmo que 
veio d'agua, arroio, pequena porção ou nascente d'agua, pe- 
queno ribeiro, ou pequena ribeira. 

Beiro e Beirós são talvez formas de Veiró e Veiros por 
Vieiro e Vieiros, o mesmo que Vieirinhos!... Na Beira o 
povo também diz fieirinho d'agua por vieirinho d'agusí. 

Viarico foi nome pessoal germânico, em latim Viaricus^ 
Viariquiz, unde Viariz, Beiriz e talvez Verigo. Veja-se Via- 
riz, artigo meu no Portugal Antigo e Moderno. 



TENTATIVA ETYMOLOGTCO-TOPONYMICA 211 

Vieira e Vieiras também podem vir das vieiras — con- 
chas, que foram emblemas da armaria, tirados das conchas, 
distinctivo dos romeiros de S. Thiago, como as palmas foram 
distinctivo dos romeiros dos Logares Santos. 

Beladãos. — De Valladãos por Valladões, o mesmo que 
Vallagões, povoação nossa também. 

Belães ou Bellens, freguezia extincta, hoje incorporada 
na de Bretiande, junto de Lamego. 

l.« — De.. . 

2.0 — De Bellienis, patronimico de Bellienus, i, nome 
romano. Veja-se Bellienus, em Boucrand. 

Belchior. — E' o mesmo que Melchior. 

Bellaido por Avellaido e este por Avellanido, o mesmo 
que Avellanedo e Avelledo, quasi Avelleda. — Das Avel- 
leiras, 

Bellazaima, povoação e freguezia nossas. 

!.<» — De... 

2.0 — De Belisama, nome que os gaulezes davam a Mi- 
nerva e queria dizer Rainha do céu. 

Veja-se Belisama, em Boucrand. 

3.°.-— Do árabe belad — hazima, paiz destroçado, como 
diz Sousa? . . . 

Belizanda, nome pessoal de mulher em Trancoso, no 
meu bom tempo. — De Belizana, o mesmo qae Belizama, 
nome que os gaulezes davam a Minerva e queria dizer Rai- 
nha do céu, como fica dito. 

Veja-se Belisana, em Bouc7'and e Bellazaima, supra. 

Bemfins ou Rego de Bemfins, povoação próxima de Co- 
selhas e de Coimbra. — De Iben Felicis — filho de Félix. 

Confronte se Sanfins e Sinfães. 

Bemnonis. — De Ben por Ihen e Noniis, patronimico de 
Nonius, ii, antigo nome pessoal, o mesmo que Nunius, ii, e 
Mumms, ii. Veja-se Mioma, infra. 

Bemnonis quer, pois, dizer villa, quinta ou casa de 
campo do filho de Nónio. 

E' assim a arte nova e rira hien qui rira le dernier! . . . 



212 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Desçam do palanque, tomem a penna, entrem no redon- 
del e verão o que lhes succede!. . . 

Bemposta. — Do latim hene posita, bem situada, bem col- 
locada! Tal é a villa da Bemposta, em frente da foz do rio 
Tormes, que vem dè Salamanca, na Hespanha, e divide a 
província de Salamanca da de Zamora. 

A mencionada villa da Bemposta pertence ao concelho 
de Mogadouro e tem vistas explendidas sobre a Hespanha e 
sobre o Douro, para leste e para poente até á villa de Mo- 
gadouro, dominando a vasta planície de 15 kilometros que 
medeia entre a Villa da Bemposta e a do Mogadouro. 

Bemposta é uma synonimia de Bella Vista, Vista Ale- 
gre, como posso aífirmar de visu com relação á villa da Bem- 
posta do Mogadouro, pois já a visitei. O mesmo posso dizer 
com relação á Bemposta, linda povoação da freguezia do Pi- 
nheiro da Bemposta, concelho d'01iveira d'Az6meis — é te- 
mos outras muitas povoações denominadas da Bemposta, que 
talvez estejam igualmente bem situadas. 

Bem-que-fede, povoação nossa. Talvez tomasse o fedo- 
rento nome de Ben por Iben Japheth, filho de Japheth, no- 
me biblico. • 

O mesmo Japheth, na minha opinião deu Ca fede, povoa- 
ção nossa, pois ja no diapasão leonez sôa ga, quasi ca. As- 
sim Japheth podia dar Caféde e Ben- Japheth — Ben-câ-fede 
e Bem-que-fede ! , . , 
Risum teneatis. 

Bem Sarilho. —De Iben e Cirilus, i — Cirillo, nome ro- 
mano e nome d'um santo, que nas densas trevas da idade 
média podiam denominar Sarilho ! . . . 

A uma senhora de Baião chamada Sybillina o povo cha- 
mava-a Cebolinha ! . . . 

Bemvende, aldeia e Bem Vides, casal, etc. De Beneveni- 
tis, patronímico de Benevenitus. — Bemvindo, nome d'um 
santo, que também deu Bemvinda, Benavide, Benavidinho, 
Benavente e Benevente, povoações nossas. 
De Benavente - Bemvende? 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 213 

Benafatema. — De Iben-al-Fatima — filho de Fátima — 
nome árabe, 

Veja-se Fátima, povoação nossa também e Alfatima, 
lendário monte da serra da Estrella. 

Benafavaes. — De Iben-al-Phebadiis — filho de Phebadio, 
nome d'um santo, etc, que por seu turno deu Favaios ! . . , 

Benafins. — De Iben-al-Felicis — filho de Félix ! . . . 

Note-se que Félix, icis, — Félix, nome d'um santo, deu 
Sanfins e por metáthese Sinfães. 

A freguezia de Sanfins do Douro, concelho d'Alijó, em 
documentos antigos foi denominada Santa Maria de Santo 
Felice. 

Note-se que Santa Maria ainda hoje é o orago da men- 
cionada freguezia. 

Benagaia. — De Iben-al-G-aia — filho de Gaya? 

Note se que antigamente Gaia foi nome pessoal e talvez 
seja uma forma de Caia, povoação nossa e rio também, for- 
ma feminina de Caius — Caio, nome romano. 

Por seu turno Caia, rio, deu Gaiola, diminutivo de Caia, 
unde Gaiola, appellido nobre, etc. 

Benamor. — De Iben-Amor, filho de Amor. 

Note-se que Amor foi nome pessoal e nome d'um santo» 
tirado do latim amor, oris, amor. 

Por seu turno Amot\ oris, deu ou podia dar Amorinus, i, 
unde Amorim, povoação nossa também, e talvez Aborim por 
Amorim, como já dissemos. Veja-se Amorim. 

Benavente e Benevente, povoações nossas. — De Bene- 
venitus, i, — Bem Vindo, o mesmo que Benevenutus, i, Bene- 
venuto, nome d'um santo, etc. 

Confronte-se Bemvende e Bem Vides, supra, Bénévent, 
cidade da França, e Benevente, cidade da Itália, que talvez 
tenha a mesma etymologia. 

Dicant paduani. 

Benavilla. — De Buena villa — Boa Villa. 

Confronte-se Boa Villa, Villa Boa e Villas Boas, diffe- 
rentes povoações nossas. 



214 TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYWICA 

Benavilla é, pois, talvez uma das muitas reminiscências 
da occupação leoneza e callaica do nosso paiz. 

Bencatel. 

1." De... 

2.0 De CatelluSy i, antigo nome pessoal com o prefixo 
árabe Iben — filho. 

Bensafrim. — De Iben Zephirini, filho de Zephirino, no- 
me d'um santo, etc. 

Bensimon, appellido nosso.— De Iben — Simon, filho de 
Simão, o mesmo que Simões, patronimico de Simão. 

Beute. — De Benedicti, patronimico de Benedictus, i, que 
deu Benedicto, o mesmo que Bento, nomes de santos, etc.^ 
tirados do latim benedictus — bem abençoado, bemdito. 

Berbedã. Veja-se Barbada. 

Berbéria. —Da Barberia de Marrocos. — E', pois, Berbé- 
ria, recordação árabe ou mauritana. 

BerdascH. — Do portuguez verdasca, varinha^ pequena 
vara. Confronte-se Albarella, supra. 

Bergamota ou Vergamota — antiga variedade de peras 
em Portugal. 

l.o—De... 

2." — De Bergamo, cidade da Itália. 

Berganção. E' o mesmo que Braganção, filho ou natural 
ou senhor de Bragança, que deu Braganção, appellido nobre 
e antigo. 

Bergieira, Berjoeira, Berjual, Bregieira e Brejoeira são 
formas do mesmo nome, tirado' de brejo — pântano. 

Teem a mesma etymologia as nossas povoações seguin- 
tes :--Bregiaes, Bregio por Brejo, Bregos por Brejos, Breja, 
Brejão, Brejinho, Brejioso {sic) ; Brejo^ Brejoeira, Brejos, Bri- 
jieira ou Brejoeira, (sic). Tem a mesma etymologia o Palácio 
da Brejoeira, no Minho. 

Bermil. E' contracção de Vermoil, o mesmo que Ver- 
moim, povoação nossa também, que tomou o nome de Vere- 
mundini, patronimico de Veremundinus, i, diminutivo de 
Veremundus, i, Veremundo^ nome germânico pessoal, que 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 215 

deu Bermudo, nome actual, e Bermudes, appellido, patroní- 
mico de Bermudo, 

E' assim a arte nova. 

Bernalda e Bernaldo. São formas antigas de Bernarda e 
Bernardo. 

Bernalfor. E' talvez contracção de Bernardo Alcanfor. 

Bernardia, quer dizer pertencente á ordem dos Ber- 
nardos, 

Confronte-se Donairia, Francaria, Galleguia, Mouraria, 
etc. 

Berredo, appellido nobre e antigo. — De barredo, abun- 
dante em barro e lama, como é o Barredo, bairro do Porto, 
ou de Verredo, e este do latim verres, is, varrão, varrasco, 
porco inteiro ou não castrado, que deu Verres, appellido de 
Caio Verres, notável cidadão romano. 

Confronte-se Verride, povoação nossa, talvez forma de 
Verrido por Verredo, quasi Berredo. 

As meias tintas confundem. 

Berrossos por Berrosos, V. Barrosos. 

Bei»tello. — De Bretello por Britello, povoação nossa 
também. 

Bertiandos. — De Berthiamis, i, diminutivo de Berthus 
— Bertho, masculino de Bertha, nome pessoal. 

Berthianus podia dar Bertiandos, como Normanus deu 
Normando e Normania, Normandia — de nort e mann, homem. 
Normando quer, pois, dizer homem do norte. 

Também temos Britiande, que pôde vir de Berthiani, 
patronímico de Berthianus, i, supra. Mas talvez que Bertian- 
dos e Britiande tenham a mesma etymologia de Brito, apel- 
lido nosso vulgar que na minha opinião vem de Beritus, i, 
latinisação de Beyruth, cidade da Palestina e porto de mar 
de Jerusalém, porto muito frequentado pelos hespanhoes, 
francezes, allemães, portuguezes, etc, no tempo das cruza- 
das. Podia, pois, muito naturalmente vir de Beyruth ou 
Berythus para Portugal o appellido em questão, Brito, no 
baixo latim da idade média Berithus, que podia dar Beri' 



216 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

thianus, i, Bertiandos, Britiande, Britas, Briteiros, Britello, 
Brito, Britos, etc, muitas povoações nossas. 

Por seu turno, Britello podia dar Bertelhe e Bertello, 
povoações nossas também, como Birtello e Birtellos, metá- 
these de Britello e Britellos ! . . . 

Bestança, rio. Vide Bestai e Bestares, povoações que 
tomaram o nome do latim hestia fera. 

Podem ter a mesma etymologia Besteira, Besteiro e 
pésteiros, além da que eu já propuz. Veja-se Basteira, supra. 

Betocas. Veja-se Batocas, Batoque e Metoque, por Ma- 
toque, o mesmo que Batoque? 

Betunes. Confronte-se Bethune, povoação franceza. 

Bezelga. Do baixo latim bazelica, basílica, templo. 

Bezerrins. E' plural de bezerril, o mesmo que Bizarril e 
Bezerral. Confronte-se Cabral, Cabril, Cabrins e Cabris. 

Bicalho e Bicanho. São formas do mesmo nome e dimi- 
,nutivos de Bica. 

Bilhão. Veja-se Bolhão e Milhão. 

Biscaia, Biscainho e Biscainhos. — De Biscaia por Bas- 
caia e este dos bascos ou iberos, pois a Biscaia demora na 
região dos bascos. 

Fiat lux. 

Bitarães. — De Vidoríanis, patronímico de Victorianus, i. 
— Victoriano, o mesmo que Victorinus, i, Victorino, diminu- 
tivo de Victor, is, ou de Vidorius, ii, antigo nome pessoal que 
se encontra em Bitoure por Vitoure, povoação nossa também. 

Bitureira. Veja-se Abitureira e Abutreira. 

Bizarril por Bizarral. Veja-se Bezerral e Bezerrins. 

Bliandro — De Iben -|- Leandro — filho de Leandro? 

Bogadella. Veja-se Bobadella 1 . . . e este de Abobadella, 
diminutivo de abobada. 

Boiça e Bouça, nomes communs, terreno inculto. — De 
balsa ou balça, idem ; matagal ; terreno onde crescem arbus- 
tos espinhosos; espécie de funil de madeira ou pequeno 
balde para baldear o vinho ; estandarte ou bandeira dos tem- 
plários, etc. 



TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMICA 217 

E balça do latim baltea, plural de balteum, como diz 
Figueiredo no Siipplemento, mas halteum significa talim, 
boldrié, talabarte, tiracolo, cinto militar, como se lê no Ma- 
gnum Lexicon. 

Foi portanto halteum tirado do teutonico ou scandinavo 
halt — fita, que deu também o nome ao Báltico, por ser mar 
muito estreito e tortuoso, imitando uma fita. 

A balça, balsa ou bandeira dos templários era qua- 
drada, como se vê em gravura no Elucidário vb. Balsa, 
mas outras bandeiras militares terminavam em duas pontas 
muito compridas, que tocavam no chão. 

Veja-se Balsão, no mesmo Elucidário. 

«Levava um balsam preto com a haste sobre o hombro; 
cujas pontas hiam pelo chão arrastando». 

{Ch?'onica d'El-Rei D. Diniz, capitulo 5.o, loc. cit.). 

Viterbo deu seis differentes significações a balsa ou balça, 
mas não propoz etymologia alguma. 

Balteum, balteus ou balteu, podia dar balça, como pu- 
teum ou puteus deu poço e poça. 

Por seu turno balça deu ou podia dar bouça e antiga- 
mente boaço, porque ai deu aii e au deu ou. Nós temos Balça 
ou Balsa, povoação do concelho da Pesqueira, em pendente 
rápida sobre a margem direita do Távora. 

Pôde vir do portuguez balça — brenha, matagal, ou do 
toscano, sbalzo — despenhadeiro, como já dissemos no tópico 
Diapasão toscano (pag. 56), na 1.» parte d'esta minha louca 
Tentativa. 

Bolbugão e Bolegão. Veja-se Borba (?), Borbelegão, Bor- 
bella, Borbelegão e Borbulhão — do portuguez borbulhão — 
grande borbulha ou bolha d'agua, que rebenta da terra a 
modo de bolha da agua quando ferve em cachão. 

Borbulha virá d'um radical celta, como diz o snr. Cân- 
dido de Figueiredo, mas o suffixo é com certeza o latim 
hulla, bolha d'agua fervendo; empola, que deu Bulia, afamado 
e terrível ponto do Douro, formado por uma grande bolha 
d'agua, o que prova que os romanos já exploraram a nave- 



218 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

gação do Douro e deram ao dito ponto o nome de Bulia, 
nome bem apropriado, que ainda conserva intacto ! . . . ^ 

Boldrarias. Confronte-se Poldraria, povoação nossa tam- 
bém. 

Boléco. Veja-se Foléco. 

Bolegão. Veja-se Borbolegão e Borbulhaol. . . 

Boieiros. Veja-se Moleiros. 

Bolembre, Veja-se Abalembra. 

Bolhão, sitio e praça do Porto, Bolhas, Bolho e Bolbos, 
Veja-se Bolegão. 

Boliago. — De Belliago, appellido. 

Bolocas. Veja-se Balocas e Bolotas. 

Bombarral. — De Bom Barrai. 

Bombinhas. Veja-se Pombinhas. 

Bonaval. — De Bom Nabal. 

Boquilobo. — De boca de lobo. 

Boquirão. — Do portuguez popular boqueirão, grande 
ravina. Confronte se Boca do Inferno, Vai do Inferno, junto 
de Coimbra. Algarào, Barrocão, etc, povoações nossas. 

Borba. E' talvez contracção de borbulha, nascente d'agua 
que rebenta da terra. Note-se que a villa de Borba abunda 
em agua potável e de rega, pelo que é denominada Cintra do 
Al&mtejo. Veja-se Bolegão, Bolhão, Borbelegão, Borbella, 
Borbolegão, Borbulhão, etc, povoações nossas, e Bulia, temí- 
vel ponto do Douro, que tomou o nome do latim bulia — 
bolha, empola, nome bem apropriado e conservado intacto 
desde o tempo da occupação romana. 

Bordonhos. — De Iben — Ordonius^ filho de Ordonho. Ve- 
ja-se o tópico — Thema Iben, supra. 

Boreira e Boreiras. Veja-se Moreira e Moreiras, pois bo 
e mo trivialmente se confundiram, 

Borges, appellido. Confronte-se Bruges, antiga e muito 
importante cidade de Flandres (Bélgica). 



* Veja-se Pontos do Douro, artigo meu, no Portugal Antigo e Mo- 
derno. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 219 

Borgo. Veja-se Burgo. 

Borguete por Burguete. E' diminutivo de Burgo. 

Boriz e Buriz. Veja-se Mauriz, Mouris e Mouriz e o tó- 
pico Diapasão francez. 

Borja e Borja ou Várzea (sic). — Do portuguez popular 
Barja, e Varja por Várzea. 

Bornes e S. Martinho de Bornes.— Do castelhano home 

— ave. 

Borrai. — De Barrai, como Borrainho por Barrainho — 
de Barralinho, pequeno barrai. 

Borreco, Borrecho por Borreco, Borrecos, Borregos e 
Borregueiros. Do portuguez popular borregos, carneiros. 

Bostarenga e Bostello. — Da bosta, excremento dos bois, 
como Bustarenga e Bustello, povoação nossa também. 

Botão. — De Iben-Otton, filho d'Ottão ou Othão? 

Boteco. — Do hespanhol bodego, armazém subterrâneo? 

Botelho, appellido vulgar. — De botelha, aboboia. 

Botto, appellido nobre. — De boto por bota, calçado? 
Confronte-se Peixoto por peixota, pescada. 

Botulho. Veja-se Botelho. 

Bouça, Bouçainhas por Boucinhas, como Fontainhas por 
Fontinhas; Boução^ Boucinha, Boucinhas, Bouçó, Bouçoães, 
Bouções, Bucellas por Boucellas e Vouzella por Boucella. 

— Das bouças, terreno espinhoso e mal cultivado, Veja-se 
Balsa. 

Bouçó e Bouçós. — De Bouçóla e Bouçólas, diminutivos 
archaicos de Bouça e Bouças. Veja-se o tópico supra — Di - 
minutivos em olus, ola. Junte-se Bouceguedim por Bouça Go- 
din ou do Godinho? 

Bougega. De bouxega por boucega, o mesmo que Bou- 
celha, Bouçainha e Boucinha, Boucella e Vouzella, Boucellas 
6 Bucellas, supra. Junte-se Bouxa por Bouça? 

Bouzende e Bouzinde. — De Iben-Ouzende. Confronte-se 
Ouzenda, Ozenda, Ozende e Ozendo, povoações nossas. Jun- 
te-se Valdozende e Zendo, povoações nossas também. Con- 
fronte-se Adosinda e Adosindo, nomes populares e appellidos. 



220 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMrCA 

Braçaes, Braçal, etc. Veja-se Baraçal. 

Brailhe. — De Braulii, patronímico de Braulius, ii — 
Braulio, nome d'um santo, d'um meu cunhado, d'um meu 
sobrinho e d'um dos meus afilhados. 

Bramão, appellido, e Bramanfão, aldeia nossa. — De bra- 
mar, gritar, berrar. Confronte-se Goelas de Pau, sitio do Porto. 

Bramanfão é augmentativo de Bramão e recorda Fan- 
garrifão por Fanfarrifão (?), augmentativo de fanfarrão. 

Fangarrifão é também sitio nosso. 

Brancanes. — De Branco Anes. Branco, filho de João. 

Brancelhe e Brancelho. — De Brancellus, i, diminutivo 
de Brancus-Branco, nome d'um santo, etc. Veja-se France- 
Iha, Francelho e Francellos, infra, povoações nossas, cujos 
nomes foram tirados de Francellus, i, diminutivo de Fran- 
cus-Franco, o mesmo que Francisco e Francez. 

Brandão, appellido, etc. De Blandanus, i, nome d'um 
santo^ tirado do latim hlandus, pacifico, plácido, brando. 

Blandanus é diminutivo de Blandus, que deu também 
Blandianus^ i, Blandinus, i e Blandínianus, i, is, unde Bran- 
dião, Brandim e Brandiu haes por Brandinhães, povoação 
nossa.' 

Brantães. — De Brandães por Brandiães, plural de Bran- 
dião, povoação nossa, como Brandão, Brandim, Brandinhães 
por Brandinhães, Brando e Brandoa. 

Do latim blandus, um, brando, terno, suave, carinhoso, 
amável, que no baixo latim deu blandanus, blandinus, i, blan- 
dínianus, fl, um, etc, unde Brandão, Brandião, Brandiães, 
Brandim, Brandinhães, Brando, Brandoa e Brantães por Bran- 
dães, supra. 

Também Brandão, appellido, pôde vir de brandão, vela, 
cereal. 

Brazão e Frazão, appellidos. São talvez formas do mes- 
mo nome. 

Bréa ou Breia, Bréas, Vréa de Bornes e Vrêa de Jalles. 
Do antigo portuguez verêa por vereda — caminho, estrada. 
Confronte-se Brada e Vereda, povoações nossas também. 



TENTATIVA ETYMOLOGIOO-TOPONYMICA 221 

Breda, appellido etc. — De vereda, caminho. Confron- 
te-se Vreia de Bornes e Vreia de Jalles, supra. 

Bregiaes, Bregio, Bregos, Breja, Brejão, Brejinho, Bre- 
jioso, Brejoeira, Brejos, etc. Veja-se Bregieira, supra. 

Bribáo, casal e quinta. — De Bilbau, cidade da Hespa- 
nha, ou do portuguez brimbau, instrumento de musica, em 
francez brimbale, que podia dar appellido ou apodo, unde 
Bribáo, casal, etc. Note-se que dos apodos e appellidos to- 
maram o nome centenares de casaes nossos. 

Briço por Brisso. — De Brissus, Brisso, nome d'um santo, 
cujo diminutivo Brissolus, deu Bruço, por Brisso, aldeia e 
freguezia que eu já visitei no concelho do Mogadouro. — 
Confronte-se S. Brissos, povoação nossa também. 

Britas, Briteiros, Britello, Britiande, Brito, Britos. Ve- 
ja-se Bertiandos. 

Brofe e Brufe. -- De Ben-|- Ariulphi, íilho de Ariulpho, 
nome germânico, no baixo latim AriuJphus, AryulpJius e Ar- 
julphus, i, no diapasão callaico Argulphus, i, unde Argufe, 
povoação nossa também. Veja-se Arufe. 

Bronhido. Vejase Bronhedo por Abrunhedo^ como Bru" 
nhaes, Brunhães por Bruuhaes, Brunhal, Brunhaxos por Bru- 
nhaços, Brunheda^ Brunheta por Brunheda, Brunhoz por 
Brunholos, muitas povoações nossas que tomaram o nome 
dos abrunhos, ameixas bravas. 

Brufe. --De Ebrulphus, ê, Ebrulpho ou Ebrulfo, antigo 
nome pessoal e nome d'um santo. Veja-se o meu Diccionario 
d^ Appellidos. 

Bruzende. — De Iben-Rozendi, o mesmo que Rauzendi, 
patronímico de Raiizendiis^ i, Rauzendo, antigo nome pessoal, 
o mesmo que Rozendo, nome d'um santo, que deu Rezende, 
Rozem e Rozende, povoações nossas. 

Veja-se Barrozende, supra, o mesmo que Bruzende. 

Buarcos e Barcos, Confronte-se Buarque, appellido actual 
do Snr. Dr. Buarque de Macedo, brazileiro? Barcos dos bar- 
cos ou dos bácoros, porcos I, . , 

Refiro-me á villa de Barcos, concelho de Taboaço, pois 



222 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

demora em sitio alto e secco, onde não ha rio, lago ou lagoa 
navegáveis e está junto da serra de Sabroso por Sobroso, 
contracção de sobreiroso. Abundava, pois, a dita serra em 
sobreiros e bolotas, bom alimento para os porcos. 

Por seu turno Taboaço tomou o nome de tabulaço, abun- 
dante em taboas e por extensão castanheiros, por serem in 
illo tempore as taboas de castanho, as taboas por excellencia. 

Demorava, pois, a villa de Barcos na região dos casta- 
nheiros, que abundava em castanhas, óptimo alimento para 
os bácoros ou porcos, alimento superior ás bolotas. Na mi- 
nha opinião, pois, a villa de Barcos não tomou o nome dos 
barcos, mas dos bácoros, porcos, como outras muitas povoa- 
ções nossas. Veja-se pag. 208, supra. 

Buçaqueira por Bussaqueira. — De poçaqueira, abun- 
dante em charcos ou poços. Confronte-se Bussaco por pos- 
saco ou poçaço, o mesmo que poceco ou Pocico, povoação 
nossa também, como Possacos, plural de possaco, o mesmo 
que Bussaco. 

Bucellas. — De Boucêllas, pelo diapasão francez em que 
ou vale u. 

Veja-se no Índice da 2.* parte da minha louca Tentativa 
o tópico Diapasão francez. 

Bulia, temivel ponto do Douro. Veja-se Bolbugão, supra, 
e Pontos do Douro, artigo meu, no Portugal Antigo e Moderno. 

Bulonguinho, E' uma forma de Vallonguinho, povoação 
nossa também. A bússola é o ouvido. 

Bunheira, Bunheiro, Bunho, e Bunhosa. — Do bunho, o 
mesmo que palha de tabúa, planta pantanosa, de que se fa- 
zem esteiras, tapetes, estrados, cadeiras, etc. 

Burbelão. Veja se Bolegão, Borbelegão, Borbolegão, Bor- 
bulhão, etc. » 

Burgete e Burguete. São formas do mesmo nome e di* 
minuitivos de Burgo, aldeia, alfoz ou arrabalde, que deu 
Burgáo, Burgão, Burgueiros, o mesmo que Bargeiros, Burgo, 
Borgões ou Burgães, Burgos, Burgueta, Burguinho, S. Sal- 
vador do Burgo, em Arouca, etc, povoações nossas. 



TENTATIVA STYMOLOGICO-TOPONYMICA 223 

Buriz. — De Iben-Oriz. Veja-se Adorigo, supra. 

Burlateira. — De borrateira ? 

Burnico. — De Burrico, o mesmo que Burrinho, povoa- 
ção nossa. 

Bussaco e Bussacos. Veja-se Poçanco por Poçaco e Pos- 
sacos, povoações nossas que tomaram o nome dos poços, 
como Pocico, Pocinho, Pocinhos, Poço, Poços, Poçoult)s, 
Possolos, etc, povoações nossas. 

Butarens por Butarães. Veja-se Bitarães^ supra. 

Buttes Ghaumont, bello parque de Paris, anteriormente 
forca de Montfaucon — do Monte do Falcão? 

Tem lá no fundo um grande lago com barcos de recreio, 
patos, cysnes, etc, e uma linda gruta com uma cascata rús- 
tica, estalactites, etc, kiosques cobertos de palha, differen- 
tes estatuas, etc. 

D'alli se descobre grande parte de Paris, nomeada- 
mente o bairro operário de Pantin, Belleville, La Villete, etc- 

Buttes Chaumont é, pois, talvez uma forma de Buttes 
au Mont — Abobadas do Monte. 

Desculpem os leitores esta reminiscência da minha via- 
gem a Paris, em 1880. 

Ca por áquem de — prefixo de vários nomes de povoa- 
ções nossas. Veja-se Ardada, supra. 

Cabadouso, Cabaduço, Cabaduços, Cadouças, Cadouço e 
Cadouços por cabadousos. — De cava ou cova d'ursos, em 
castelhano ozos, que se lê ocos. Veja-se Ursos no Índice da 
1.* parte d'esta minha louca Tentativa. 

Cabage e Cabages. — Veja-se Ardada, supra. 

Cabanil. — De Cabanal. 

Cabeçadas. — De Ca -|- Vessadas. 

Cabeçadeira. — De Cabeça (por cabeço) da Eira?!. , . 

Cabecanita. — De cabecanita por cabeçanito, pequeno 
cabeço. 

Veja-se Outrete. 

Cabedello. — Do baixo latim capitelum, pequeno cabo ou 
pontal d'areia, etc, diminutivo de caput^ capitis, cabeça e 



224 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

por extensão cabeço, pontal. Cabeda e Cabedo são formas 
de cabeça e cabeço, pois ça, ço, çu e da, do, du confundi- 
ram-se. 

Veja- se o tópico Substituição de letras no Índice da 2.» 
parte d'esta minha louca Tentativa. 

Cabedo pôde vir também de Canabedo, como Cambedo. 
Veja-se Cambedo na 1.^ parte d'esta Tentativa, pag. 336. 

Também Cabedo pôde ser contracção de Cabedello. Ve- 
ja-se Quevedo, infra. 

Cabelleiras. — De Cá -|- Avelleiras. 

Cabencas e Cabenco — De covanca e covanco, augmen- 
tativos de cova, ravina. Confronte-se Cavanca, Covalhão, 
Covanca, Covanco e Covão, povoações nossas também. 

Cabiçalva e Cabiçalvo. — De cabeça alva e cabeço alvo. 
Confronte-se Montalvo e Montalvão, Penalva, etc. 

Caboqueira. Veja-se Cabouco, Coboucos, Cabouqueira e 
Cabouqueiro, povoações nossas. 

Cabornegas. — De Cadornegas, pois co e do confundi- 
ram-se. 

Veja-se Cadorneiro infra e o tópico Substituição de 
letras. 

Cabrauca. — De Cá Branca. 

Note-se que temos uma freguezia muito linda com o 
nome de Branca, e varias povoações com este mesmo nome, 
além de Brancanes, Brancas^ Branco, etc, 

Cabrella, Cabrellões, Cabria, Cabrial por Cabral, como 
Cabril. Cabris, Cabrins por Cabris, Cabroeira, Cabroeiro, 
Cabrões, Cabruello, Cabrum, etc, das cabras. 

Cacães. — De Cá -|- Cães. Veja-se Cães, duas povoações 
nossas. 

Caçarelho. — De Casarelho. 

Caçarilhe por Caçarilho. E' uma forma de Caçarelho. 
' Caceira. — De Cá -|- Ceira ? 

Cacella. — De casella, diminutivo de casa, como Caci- 
lhas por casilhas. Caxias por caxilas, forma leone^a de Caci- 
lhas, Oozelhas por Cazelhas, etc. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMIOA 225 

A Hespanha tem muitas povoações com os nomes de Ca- 
silla e Casillas, em portuguez Cacilha e Cacilhas. 

Cachadona. — De Cachada de Dona, antigo nome pes- 
soal, ou de cachadona, augmentativo de cachada. 

Veja- se o tópico Desinências da onomástica portugueza, 
pouco vulgares. 

Cachadoufe. — De Cachada de Adolpho. Tem a mesma 
etymologia Casal Doufe, Casal d'Ufe, Villar d'Oufe, etc, 
povoações nossas. V^eja-se Adaufa e Aldova, supra. 

Cachamorra. — De Cá -j- Chamorra? Veja se Chamorra, 
differentes povoações nossas. 

Cachão. Veja-se Chaxão, antiga forma de Cachão. 

Cachão da Valleira. Temível ponto do Douro que já foi 
uma rendosa pesqueira. Veja-se Masouco, infra. 

Cacheina. — De Cacheira e este talvez de Cachoeira, 
catadupa, queda d'agua. Mijarella ou Misarella. Cacheina e 
Cachoeira são aldeias nossas, que talvez tenham catadupas. 
Dicant paduani. 

Cachoça. — De Ca -\- Choça. 

Cachoufe. E' contracção de Cachadoufe, supra. 

Cadavaes, Cadaval, Cadaveira, Cadaveiras, Cadaveiro, 
Cadavosa e Cadavoso. — Das canas ou de canabis, cànamo 
ou cânhamo? 

Confronte-se Cadabal, Cadabedo, Cadafresnes e Cada- 
vedo, povoações da Hespanha. Canavaes, Canaveias^ Cana- 
veira, Canameira, Cambedo por Canabedo, Cannaviaes e 
Cannavial, povoações nossas. 

Também temos Cannaíichal, Cannaficheira e Cannafre- 
xaes, povoações que tomaram o nome talvez de canafrecha, 
planta, mas recordam Cadafresnes, pov. da Hespanha supra. 

Note- se que freixo na Hespanha é fresno e que d e n se 
confundiram e substituiram já no tempo dos romanos. Con- 
fronte-se pecunia por pecudia — de pecus, udis, gado, como 
diz Figueiredo. 

Também temos Canna Vieira por Cannavieira, forma 
de Canaveira ou Canameira. Fiat luac. 

VoL. m 15 



226 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Cadeirão. — De Cà do Eirao? Veja-se Eirão, povoação 
nossa também. 

Cadeiras. — Das Cadeiras, ou antes de Cá de Eiras. Ve- 
ja-se Eira e Eiras, muitas povoações nossas. Eu conhece 
algumas e em uma d'ellas já passei muito bom tempo ! 

Cadoeira. — De Cá da Eira. 

Cadoiço, Cadouço e Cadouços. 

Veja-se Cabadouso. 

Cadorneiro, Cadornos, Codorneiro, Codornellas e Co- 
dorno. — Dos codornos, pereiras bravas, que o povo chama 
cadornos, e que deram Cogorno por codorno, appellido nosso 
também. Mas qual a etymologia dos cadornos ou codornos? 
E' talvez Cadorna povoação de Oviedo. 

Cadouças, por Caboucas— De Cá -j- Bouças? 

Caedo. — De Canedo? 

Caeira, Caeiras e Caeirinhas. — De Cá -f- Eira, Cá -|- Ei- 
ras e Cá-j- Eiriuhas. 

Caeiro e Caeiros. — De Caneiro e Caneiros ? 

Caetano. Coníronte-se Gaetano, appellido na Itália, ti- 
rado de Gaêta, cidade italiana. Caetano é a forma portugueza 
de Gaetano. 

Caféde. Veja-se Bem-que-fede, supra. 

Caga-Jones. Vem talvez do castelhano cagajones, plu- 
ral de cagajon, cagalhão. Confronte- se Cagança, Cagão, 
Cagarraz, Caguideiro, por Cagadeiro ou Cagadoiro, e Ca- 
gunça por Cagança, povoações nossas. Confronte-se Monturo, 
nome actual d'um sitio de Lamego, chamado outr'ora Mer- 
deiro, como se lê e eu attonito já li em um documento do 
cabido lamecense. Demora o tal sitio junto da Praça do 
Commercio de Lamego, á direita de quem vae para Rezende 
e Sinfães pela nova estrada a macadam e ali o povo costu- 
mava e costuma ir fazer dejecções ao ar livre, pelo que o 
nome de . . . Monturo ó bem apropriado e o chão contíguo 
muito fértil, por ser bem adubado ! . . . 

Os nomes supra estão a pedir esponja^ como outros 
muitos da onomástica portugueza. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 227 

Cabide. Veja-se Atahide, supra. 

Caires. -- De Quires, povoação nossa também, e este de 
Quiriquis, patronímico de Quiricus — Qiiirico, nome d'um 
santo, etc. Confronte- se Paires e Pires, formas do mesmo 
nome e povoações nossas também, pois i deu ai na onomás- 
tica portugueza. 

Veja se o tópico Substituição de leti'as. 

Cajadães. — De Cajadões. Confronte-sé (Rajada, Cajade 
por Cajado e Cajados, povoações nossas também. 

Cajaneiro. — De Cá -f- Janeiro. Confronte-se Janeiro e 
Januário, nome d'um santo, o mesmo que Janeiro, povoações 
nossas também. 

Cajorge. — De Ca -j- Jorge. Confronte-se Cajameiro, Jorge 
e Jorgim, povoações nossas também. 

Calamar, appellido. — De calamar, peixe do Algarve. 

Calçada d'Alprajares e sua etymologia. Veja-se Masouco, 
infra. 

Calçado Velho, aldeia. Calça-perra, Calça Forte, Calções, 
Callo Velho e Fotenique. Bellos títulos para um Marquez, 
etc. Confronte-se Ferro Velho, antigo largo do Porto, que 
n'este momento (Abril de 1900) se está transformando em 
um bairro luxuoso e muito lindo. 

Tivemos também no Porto Forno Velho, rua que foi 
absorvida pela da Nova Alfandega, Bica Velha, outra rua 
do Porto, Cordoaria Velha, Alfandega Velha, Fonte do 
Olho do c..., Fonte de Mija Velhas!... e Fonte de Lava 
Côlhos, hoje Fonte das Virtudes. 

Calhabé e Calhabem, povoações nossas. 

De calha-bem ? Confronte-se Bemfica, Bemposta, Bem 
Canta, Bem andaste, Bem Devisa^ Bem Devíso, Bem-lhe-vae, 
Bem parece, Bemvía, Bem Vistoso, Boa Vista, Bom Gosto, 
Bom Sitio, Bom Retiro, Villar Formoso, Villar do Paraíso, 
Vista Alegre, Vistosa, Vistoso, etc, povoações nossas. 

Calhandra, Calhandriz e Calhariz por Calhandriz? — 
Das calhandras, aves, espécie de Cotovias. 

Calheiros. — De Malheiros e este de malheiro por ma- 



228 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Ihadeiro, ou antes de milheiro? Confronte-se Malhada, Ma- 
lhadas e Malhadeirinhos, povoações nossas. 

Também Calheiros pôde vir de palheiros, pois cá e pá 
confundiram-se na onomástica portugueza. 

Veja- se o tópico Substituição de letj^as e note-se que a 
palha deu vários appellidos nossos e muitos nomes de terras, 
como Palha, Falhares, Palhinha, Palhaça, Palhacinhas, Pa- 
Ihaes, o mesmo que Palhares, Palhal, Palhavã (?...); Pa- 
Iheirão, o mesmo que Alpalhão ; Palheirinho, Palheiro, Pa- 
lheiros, Palhoça, Palhota, Palhotas, Palhotinha, etc. povoações 
nossas. 

Calidonio e Calydonio^ appellidos e talvez nomes pes- 
soaes, mas não de santos. Confronte-se Caledunum, antiga 
povoação da península, indicada no Roteiro de Antonino. 

Alguém , diz que a dita povoação ó hoje representada 
pela cidade de Guimarães. 

Calva, Calvada, Galvão, Calvelha, Calvelhe, Calvelho, 
Calvella, Calvello^ Galvellos, Calveto por Calvete, Calvilhe, 
Calvinho, Galvinhos, Calvino, Galvinos, Calvo, Calvos e S, 
João de Calvos, povoações nossas. — Do latim calvus, calvo, 
e seus derivados, reminiscência da idade média, tempo em 
que os militares usavam capacetes de ferro e os fidalgos 
armaduras de ferro completas, pelo que traziam a cabeça a 
arder e perdiam o cabello, tornando-se calvos. 

Isto muito os recommendava por ser uma prova de terem 
prestado relevantes serviços á pátria. 

Camanho, appellido e Tamanhos, povoação nossa. — De 
Tamagnus, antigo nome pessoal ou appellido, cujo diminu- 
tivo Tamagninus, i, deu Tamagnini, appellido italiano e 
também nosso actualmente. 

Tamagno é também appellido na Itália. 

Camarão, dois casaes, etc. — De camarão, peixe e appel- 
lido, ou de Gamarão por Gramarão, povoação nossa também, 
como outras muitas que tomaram o nome da grama. 

Camarinha, Camarinhal, Camarinheira e Camarinhos. — 



TENTATIVA ETYMOLOCICO-TOPONYMICA 229 

Das camarinheiras, planta empetracea que dá camarinhas, 
como diz Figueiredo. 

Camarrão. Veja-se Camarão. 

Cambedo, Cambeiro, Cambellas, Cambezes, Cambiaço, 
Campises por Cambizes e este por Cambezes, de Canabizes ; 
Canavae, Canavaes, Canaveias, Canaveira por Canabeira, 
Canavezes, Canavezinhos, etc, — Do latim canabis, o linho 
cânhamo, que na Villariça attinge 2 ^j^ a. S metros d'altura, 
sem rega nem adubos e que deu ali o nome de Canameiras 
por Canabeiras aos chãos destinados á dita cultura. 

Junte-se Cavêz por Canavêz. 

Cambedo é uma forma de canabedo. Cambeiro é talvez 
forma de canaLeiro, como Cambellas de. canabellas; Cam- 
biaço de canabiaço; Cambezes, de Canavezes; Canavae e 
Canavaes de canabiále e canabiáles ? — Canaveias, de cana- 
beiras; Canavezes, de canabizes, como Campizes, etc. 

Também Cabêdo, appellido, pôde ser uma forma de ca- 
nabedo, como Cambedo. VeJa-se Cabedo. 

Camboa. Veja-se Gamboa. 

Cambres, mimosa, importante e muito populosa fregue- 
zia do concelho de Lamego. Tomou o nome do latim botâ- 
nico de Plinio, crambe, es, a couve e toda a hortaliça, nome 
bem apropriado, pois Cambres abunda em hortaliça e tanto 
que abastece não só a população da sua vasta freguezia, mas 
conjuntamente a praça da Regoa, villa próxima, que sup- 
planta a maior parte das nossas cidades ! . . . 

Cambres produz também muita e óptima fructa, inclu- 
sivamente laranjas, bastante milho e muito vinho, sua pro- 
ducção dominante. Produz talvez mais de 3:000 pipas de 
vinho de 550 litros cada uma. 

Campanhã e Campeã. — De campaneana por camponean, 
abundante em campos. Tal é Campanhã. Por seu turno Cam- 
peã, posto que demora em um dos sitios mais altos do Ma- 
rão, tem a maior parte da sua população em volta d'ama 
grande campina, que parece formada pela cratera d'um vul- 
cão extincto ! . . . 



230 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Campanhó. — De Campaniola por campaniola, pequena 
campina ou pequeno campo. 

Vulgarmente diz-se que a freguezia de Campanhã tomou 
o nome d'uma grande campanha ou batalha que ali se feriu, 
correndo tanto sangue que deu o nome de Rio Tinto ao 
pequeno rio que a banha e que por seu turno Campanhó 
vem de Campanhola, escaramuça, pequena campanha. 

Campeã. Veja-se Aveção e Campanhã. 

Campeiros, Campellinho, Campellinhos, Campello, Cam- 
pezinhos, Campinho, Campinhos, Campino, Campinos, Cam- 
po, Campona, Camposa, Camposinhos, etc, povoações nossas, 
cujos nomes foram tirados do latim campus, i, campo. 

Campellinho é diminutivo de Campelfo e subdiminu- 
tivo de campo. 

Campezinhos é deturpação de Camposinhos por campi- 
nhos e recorda Mattosinhos por matinhos. 

Também temos Campilho, appellido nobre tirado do 
hespanhol Campillo, quasi Campello. 

Junte-se Campolide, contracção de Campo da Lide, ou 
.da batalha. 

O Nobiliário do Conde D. Pedro menciona muitas vezes 
o termo lide n'esta accepção, falando das lides de Recarei 
junto de Vallongo, d'Ervas Tenras, junto de Pinhel, etc. 

Nós também temos varias povoações que tomaram o 
nome do latim ager, agri, synonimo de campus, campo. Ve- 
ja-se Agra, supra. 

Campises por Cambizes. — De canabizes, como Canave- 
zes.— Veja-se Cambedo, supra. 

Canada, Canadas, Canadeiro, Canado, Canados, Canaes, 
Canal, etc. Veja-se Canella, infra. 

Candal. — De quintal, como Quental, ou de canal? 

Candão. — De canadão ou canalão, grande canada, ou 
canal. 

Candedo. -De cardedo, cardabedo ou Canedo!... Can- 
deias . . ■. e 

Candeira. — De Cardeira, ou de Candieira^ infra. 



TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMICA , 231 

Candeiro. — De Cardeiro? ou Candieiro, infra. 

Candeirôa. — De Cardeirôa? ou Candeiroa? Confronte-se 
Cardosa e Cardoso. 

Candiceira. — De caniceira? 

Candieira, Candieiro e Candieiros. — Das candeias, flor 
dos castaniieiros e d'outras arvores. Antigamente chamavam 
candeias ás velas de cera e de cêbo e candieiros aos fabri- 
cantes das ditas velas, mas supponho que não deram o nome 
a todas as nossas povoações denominadas Candeias, Can- 
deira, Candeiro, Candeirôa, Candieiro, Candieiros, Candi- 
nha por canadinha ou candieirinha, etc, ao todo mais 
de vinte. 

Candinba. —De canadinha? ou de caninha? 

Candinho. — De canadinho? 

Candosa e Candoso. — De Cardosa e Cardoso ou de Ca- 
nosa, infra. 

Candoz. — Veja-se Cadoz. 

Caneda. — De Canada, supra. 

Caneira, Caneiros, Caneirmha, Caneirinhos, Caneiro e 
Caneiros. — Das canas, canaes ou canos? 

No Douro chamam canaes e caneiros ás pesqueiras fei- 
tas com estreitos canaes, espécie de quelhas, 

Caneja e Canejo. São formas gallegas de Canelha (po- 
voação nossa) e canelho, diminutivos de canal e formas de 
canaleja e canalejo. Por seu turno canelha e canelho deram 
entre nós, quelha e quélho, caminhos estreitos, unde Quelha, 
Quelhas e Quelho, povoações nossas. 

Canella, Canellas, Canellinhas, Canello e Canellos, Ca- 
nidello por Canadello, Canilhas, apodo ou appellido, Cani- 
Iho, povoações nossas. 

].° — Do antigo portuguez canada, caminho estreito e 
fundo. 

Assim temos ainda duas estradas diabólicas no Alto 
Douro, que da foz do rio Tedo vão — a da margem direita 
para Adorigo, Santa Leocadia, etc, e a da margem esquerda 
para o marmelal e Vila Seca d'Armamar. 



232 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Canada, caminho estreito e fundo, vem talvez de aca- 
nalada, estrada semelhante a um canal. 

2.° — Das canas. 

Confronte-se Cauadal, Canadelo, Canal, Canaleja, Cana- 
lejas, Canalica, Canalito, Canalon, Canalosa, Canda, Canda- 
nal, (quasi CandalV, Candanedo, Candano, Candanosa (quasi 
Candosa) ; Candaosa, Candas, Candeda, Candedo, Cande- 
leda, Candenal, Candenosa, Candas, Cando, Candoa, (quasi 
Candão) ; Caneda. Canedo, Caneiro, Canelas, Canellas (lê-se 
Canelhas) ; Canero, Canet, Caneto, Canido, Canillas (lê-se 
Canilhas) ; Canillejas, Canada (lese Canhada); Canadas, 
Canadilla, Caiiadillas, Canal, Canaleja, Canaes, Caneda, 
Canedino (lê-se Canhedinho); Canedo, Canete e Caiieto, 
muitas povoações da Galliza e d'outras províncias da Hes- 
panha, pelo que os nomes d'eUas variam com as formas 
dialectaes. 

Cancinhogo por Cancinhoga. — De cazinhoga? 

Cancinhóla. — De Canzinhola. Veja-se Cacella, supra 
Casollas e Cazegas, infra. 

Candemil, Candomil, Contumil, Contumillo, Gondomar, 
Gondomarinho, Gondomil e Gontorail. — De Guníhimijms, 
i, nome germânico pessoal, que deu Gondomil, Gontomil e 
Gondomar, como Leodomirus, i, Leodomiro, nome germâ- 
nico também, deu Leomil e Lomar, e Theodomirus ^ i, Theo- 
domiro, deu Theomil e Thomar? Veja-se Candemil no Índice 
da l.a parte d'esta minha louca Tentativa. 

Canha. E' aférese de Ocanha. Veja-se Cocanha, Tanha 
e Ucarjha, povoações que tomaram o nome dos cucos, bem 
como as seguintes: Coquêda, Coqueira, Cocaria, Cocões, Co- 
cujães, por Cocujaes, Cuca, Cucanha, Cucana, por Cucana, 
forma leoneza de Cucanha; Cuco, Cucos, Cuqueira e Cuqueiro; 
Moncócos por Moncucos, Monte dos Cucos, Tanha por Ca- 
nha, etc. 

Hurrah! pelos cucos!. . . 

Canidello. Veja-se Canada, e Canadello supra, e con- 
fronte se Canitello, povoação do sul da Itália. 



TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMICA 233 

Canixa. Veja-se Canniça, povoação nossa também. 

Canizal. Veja-se Caniçal^ pov, nossa também, que tomon 
o nome das canas, ou antes do caniço, espécie de cana del- 
gada que abunda no aro de Lisboa e serve de tapume e de 
abrigo para outras plantas. 

Cantanhede. 

1.0 — De 

2." — De Castanhede por Castanheda ou Castanhedo, 
souto de castanheiros. Confronte-se Castanede e Castagnede, 
povoação do Languedoc. A escala seria: — Castanheda, Cas- 
tanhede, Cantanhede, pois na onomástica portugueza confun- 
diram-se e substituiram-se as letras w, r e s. Veja-se o tópico 
Substituição de letras. 

Cantim. — De Quintini, patronímico de Quintinus, i, Quin- 
tino, nome d'um santo, etc. 

Por seu turno Cantim deu Contim, povoação nossa tam- 
bém. 

Quintino deu ou podia dar Quintim, como Gualdino 
deu Gualdim, Constantino — Constantim, Martino — Mar- 
tim, etc. 

Canxinhos. E' uma forma callaica de Cãezinhos. Veja-se 
Cansinos por Cansiiios, outra forma callaica de cãezinhos, 

Capareira, Capareiros, Caparica, Caparicas, Caparide 
Caparim, Caparosa, Caparrosa e Caparrosinha. — Do latim 
cappar, aris ou cappari, indeclinável, ou capparis, is, a al- 
caparra ou alcaparreira, planta hortense. 

Cappelleda. — De cabelleda por cavelleda e este de 
Cá -j- Avelleda. Veja-se Cabelleiras, supra. 

Capelleira. Veja-se Cabelleiras e Capelleda. 

Capellina e Capellinha. São formas do mesmo nome, pois 
Capellina já se escreveu talvez Capellina, que no diapasão 
callaico ou leonez soava Capellinha. 

Capelludos. — De cabelludos ? 

Capeta. Veja-se Carapeta. 

Carabalho. Veja-se Carvalho. 

Caraça e Caracha. Veja-se Carocha. 



234 TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 

Caramão. Vejase Carramão. 

Carambon. — De Carrão-bom. 

Caramoxel por Caramoxal. — De Caramujal, Veja-se Ca- 
ramujeira e Caramujo, povoações nossas tambera, que to- 
maram o nome dos caramujos, moluscos. 

Carapalha. — De Carabalha, por Carvalha. Veja-se Ca- 
rabalho, supra. 

Carapeços, Carapeta, Carapetal, Carapetalinho, Carape- 
teira, Carapeteiro, Carapetinhos, Carapeto, Carapetos, Cara- 
petosa, Carapita por carapeta, Carapito por Carapeto, Carra- 
petal por Carapetal e Carrapitos por Carapetos ? — Dos 
carapetos ou carapeteiros, espécie de pereiras bravas. 

Carbaceira. Veja-se Corvaceira. 

Carcará, Veja-se Cárcere e Carquere. 

Cardaes, Cardainho, por Cardalinho ou Cardinho ; Car- 
dai, Cardalinho, Cardão por Cardalão, como Gardão e Guar- 
dão ; Cardeaes, Cardeal, Cardealinho, Cardeira, Cardeirinha, 
Cardelha, Cardella, Cárdia por Cardaria; Cardida por Car- 
dada ou Cardada; Cardido por Cardedo; Cardieiras, Car- 
diellas, Cardiga por Cardida ; Cardim por Cardinho ; Cardos, 
Cardosa, Cardosas, Cardosinha, Cardoso, Cardosos, Car- 
dote por Cardalote ; Cardunxal por Cardosal ; Gardaes por 
Cardaes ; Gardal por Cardai ; Gardão, sitio, por Cardão ; 
Guardães, Guardaes e este por Gardaes; Guardai por Gar- 
dal; Guardalido por Guardaledo e este por cardaledo; 
Guardão por Gardão; Guardeira por Gardeira e este por 
Cardeira; Guardete por Gardalete e este por Cardalete; 
Guardinhos por Cardalinhos ou Cardinhos ; Guardizella por 
Gardizella, este por Cardizella e este ainda por Cardosella, 
diminutivo de Cardosa, supra. 

Todas estas e outras povoações nossas tomaram o nome 
dos cardos agrestes, bravos, planta espinhosa e espontânea^ 
que abundou sempre e ainda hoje abunda em varias regiões 
do nosso paiz. 

Também Cardai deu ou podia dar Candal, Cardalão, 
Cardão e Candão; Cardedo e Candedo; Cardeira e Can- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 235 

deira; Cardosa, Candosa; Cardoso, Candoso, etc, como já 
dissemos. 

Carem. Veja- se Carim. 

Cariçaes. Veja-se Carriçaes. 

Caricola. — De Carricola. 

Carigas. —Do latim carica, o figo passado. 

Caril. Veja-se Carril. 

Cariola e Cariolinha. Veja-se Carrola e Carrolinha, po- 
voações nossas também, diminutivos de carro, como Cari_ 
cola por carricola. 

Carmelleiro, Veja-se Marmeleiro. 

Carmões, freguezia do concelho de Torres Vedras. — De 
carbões por carvões ? 

Carmogeiro. — De caramujeiro. — Veja-se Caramujeira, 
supra. 

Carnachide e Carnide. São talvez formas do mesmo 
nome. Confronte-se também Carnicha e Carnota, povoações 
nossas. 

Carneiria. — Dos Carneiros. Confronte-se Cárdia, Fran- 
zia, Galleguia, Mouraria, Mouria, Touria, etc, pov. nossas. 

Carniçães por Carniçaes. Veja-se Carriçaes. 

Caroada e Caroadinha. — De carroada e carroadinha. 

Caroca por Caroça. Veja-se Canosa, Carosa, Caroça e 
Croça, povoações nossas. 

Carochia e Carochinha. Veja-se Carocha. 

Caroeira. —De Carroeira. 

Carombaes por Carrombaes. Veja-se Carrambois por 
carrão de bois, povoação nossa também. 

Carosá. Veja-se Canosa e Caroca, supra. 

Carpalhosa. Veja-se Carvalhosa. 

Carpetal. Veja-se Carapetal, Carrapatal, Carrapetal e 
Carrapassal por Carrapatal, povoações nossas. 

Carqueija, Carqueijal, Carqueijido por Carqueijedo, Car- 
queijo, Carquoijosas e Carqueijoso, povoações nossas. — -Da 
carqueija, planta, que também deu Carqueija, appellido d'alta 
cotação actualmente no Porto. 



236 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Carquere. Veja-se Carcará e Cárcere, pois ce já valeu 
Tie ou que. Confronte-se Carcel e Carcer, povoações da Hes- 
panha, e Cárcere, povoação nossa. 

Carracal por Carraçal. Veja-se Carriçal. Também Car- 
racal pôde ser uma forma de Carrascal e Cerregal. 

As meias tintas confundem; eu já tenho a vista muito 
cançada e a minha lente d'arte nova, forjada por mim a 
martello, está pedindo outra mais aperfeiçoada. 

Carrajola. Veja-se CarrazoUa, povoação nossa também. 

Carramão, aldeia, appellido, etc, — De carro de mão? 

Carrambois. — De carrão de bois? 

Carramilhal. — De Caraminhal por Camarinhal, supra. 

Carraminheira. — De Caraminheira por Camarinheira, 
supra. 

E' assim a arte nova ! . . . e rira hien qui rira le dernier. 
Junte-se Cramarinhos por Camarinhos ou Camarinhas!... 

Nas densas trevas da edade média andav.am todos a jo- 
gar a cabra-cega. 

Carrapassal. Veja-se Carrapatal, povoação nossa também. 

Carrapata, nove povoações. Carrapatal, Carrapatas, Car- 
rapateira, Carrapateiras, Carrapateirinha, Carrapateiro, Car- 
rapatello, Carrapatinha, Carrapato, Carrapatosa, Carrapatoso, 
appellido e Carrapetal por Carrapatal, povoações, nossas. — 
Dos carrapateiros, arbustos espontâneos que dão carrapatos, 
fructo a modo de feijões, de que se faz o ricino. Os taes fei- 
jões são muito lindos e deram-lhes o nome de carrapatos, por- 
que imitam os piolhos assim denominados. 

Carrasca, Carrascal, Carrasco, Carrascos, Carrascosa, 
Carrasqueira, Carrasqueiro, Carrazeda, Carrazedo^ Carregal, 
Carregosa, Carregoso, Carregueira, Carregueiro, Carregui- 
nha, Charrasqueiras, Chasqueira e Xasqueira. — Dos carras- 
cos, oliveiras bravas, ou das carrasqueiras ou carrasqueiros, 
castanheiros bravos, que outr^ora abundaram e ainda hoje 
abundam em varias regiões do nosso paiz e deram o nome a 
outras muitas povoações nosssas. 

Taes são: Carrasca, Carrascaes, Carrascal, Carrascali- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 237 

nho, Carrascas, Carrasco, Carrascos, Carrascosinha, Carra- 
zeda e Carrazedo, por Carrasceda e Carrascedo, reminiscên- 
cia do tempo em que ce valia Ice ou que. 

Também Carrascal pôde vir de Carrasqueiral, bosque 
ou matta de carasqueiras ou carrasqueiros, nome que dão na 
Beira aos castanheiros bravos. Veja-se Chasqueira e Xas- 
queira. 

Carraxana por Carraxona. Yeja-se Carrasona, povoação 
nossa também, e no tópico Desinências, a desinência ona. 

Carrazeda e Carrazedo. Confronte-se Carracido por 
Carracedo, appellido hespanhol. 

Carrazedo vem talvez de carrasquedo, matta ou bosque 
de carrascos, oliveiras bravas. 

Note-se que antigamente em vez de carrasquedo escre- 
viam carrascedo, porque cé valia Jcé ou que. 

Carreço. Veja-se Carriço. 

Carredal. Veja-se Carregal. 

Carregaes e Carregal. Veja-se Carrasca, Carrascaes e 
Carrascal. 

Carregainho. E' contracção de Carregalinho. 

Carregal e Carregosa. 

1.° — De. . . supra. 

2.0 — Do antigo portuguez carrega — certa palha ou 
colmo palustre. 

Veja-se Carrega em Viterbo. 

Carregam por Carregão. — De Carregalão, augmentativo 
de Carregal. Confronte-se Pinhão por Pinhalão, Sobrão 
por Sobralão, etc, povoações nossas também. 

Carreguinha. — E contracção de Carregueirinha, diminu- 
tivo de Carregueira, povoação nossa também. 

Carreirancha. — De Carreira ancha, grande. Veja-se no 
tópico Desinências.,, a desinência ancha. 

Carreiroto. E' diminutivo de Carreiro. Veja-se no tópico 
Desinências a desinência oto. 

Carremá e Carrimá. — De carro mau? Confronte-se 
Carro Quebrado e Carro Queimado, pov. nossas também, 



238 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Carriça, Carriçaes, Carriçal, Carriço e Carriçosa. — Dos 
carriços, aves muito peqaenas, mas que fazem ninhos grandes. 

Carriche, calçada de Lisboa. — De carricho por carri- 
nho, carro pequeno? Confronte-se Guedixe por Gadicho e 
este por gadinho. Lagartixo por lagartinho. Cavalluche por 
cavallinho, etc. Veja-se no tópico Desinências. ■. . ícho por 
inho. 

Carril. E' uma forma de Carrai, como Cabril e Cabral, 
Fetil e Fetal, Mouril e Moural, etc. 

Veja-se o tópico Desinências il e ai. 

Carrilha, Carrilhas, Carrilho e Carrilhos. São diminu- 
tivos de carro, como Carrinhos, Carritos e Carrôlo, povoa- 
ções nossas. 

Carrimá. Veja-se Carremá. 

Carrizes, Vem talvez de Carriches por Carrichos, carri- 
nhos. Veja-se Carriche, supra e o tópico Substituição de 
letras. 

Carrôa. Veja-se Carrola. Carrolinha e Carrôlo. 

Carrocedo. Veja-se Carrazedo. 

Corromeu. E' uma linda forma de Borromeu, nome 
d'um santo, etc. 

Carron. E' forma callaica ou leoneza de Carrão, como 
Anton e Antão, etc. 

Carroqueiro. — De carroceiro ou barroqueiro, pois c já 
valeu h ou q. 

Cartaxa, Cartaxaria, Cartaxeira, Cartaxo e Cartaxos. — 
Dos cartaxos, aves. 

Cartem, Cartim, Quartinos e Quatrim — de Qua7'tinus, i, 
Quartino, antigo nome pessoal, diminutivo de Quartus — 
Quarto, nome d'um santo, etc, tirado de quartus, quarto, 
adjectivo numeral romano. 

Note-se que os romanos tiraram nomes pessoaes de to- 
dos os seus adjectivos numeraes, desde primus até decimus. 

Note-se também que pelo diapasão francez em por êm, 
Cartim deu ou podia dar Cartem. Confronte-se Agostem por 
Agostim e veja-se o tópico — Diapasão francez. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 239 

Cartemil. Confronte-se Candemil e Contumil, Gontumil 
e Gondomar. 

A escala podia ser: — Candemil <^ Contumil -<^ Carte- 
mil, De Quntimirus. i, nome germânico. Veja-se Candemil, 
supra. 

Cartim. Veja-se Cartem. 

Cartuxa. Veja-se Cartaxa ? 

Cartuxeira, quinta. — De cartuxeira, parte integrante do 
equipamento militar, que podia dar o appellido ou apodo 
Cartuxeira, ou antes de Cartaxeira, supra. 

Caruje, Carujeiro e Carujos. — Das corujas, aves, ou de 
caruge por carugem — caruncho, ou do portuguez popular 
carujeiro — neblina, névoa densa e húmida, que deu carujar 
— choviscar. 

Com relação ás corujas, veja-se na 1.* parte d'esta mi- 
nha louca Tentativa, pagina 297 e seguintes, a lista das nos- 
sas muitas povoações que tomaram d'ellas o nome. 

Caruncho, aldeia, casal, etc. — Do caruncho, verme, que 
podia dar Caruncho, apodo e appellido, ou antes de Caran- 
cho por Carrancho — carro ancho, grande. Confronte-se Ca- 
runcholas por Carancholas, povoação nossa também, que 
talvez seja uma forma de carrancholas por carrajolas, Ve- 
ja-se Carrajola e Carrazolla por Carrajola, supra. 

Carutello. Veja-se Curutello, povoação nossa também. 

Carutos. E' uma forma de curutos. 

Carva, aldeia, freguezia, etc, e S. João Evangelista de 
Alcarva, aldeia. Veja-se Alcarva, supra. 

Carvalha, Carvalhada, Carvalhaes, Carvalhal, etc, per- 
tencem á grande serie de povoações nossas que tomaram o 
nome dos carvalhos. São ellas ao todo mais de mil, por se- 
rem os carvalhos arvores de grande porte, que dão excel- 
lente madeira e as carvalhas bolotas, bom alimento para os 
porcos. São além d'isso arvores muito vivases e muito du- 
radouras que brotam espontâneas em varias regiões do nosso 
paiz, pelo que desde tempos muito remotos tivemos e temos 
ainda em Portugal grandes bosques ou mattas de carvalhos. 



240 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Por seu turno carvalho na minha opinião tomou o nome 
de carpalho e este de carpa como já dissemos. 

O portuguez carpa, arvore amentacea, como é o carva- 
lho também, deu carpalho e carvalho, como choca deu cho- 
calho, fio deu fiálho e Fialho, bica deu Bicanho e Bicalho 
etc. Confronte-se Carpalhosa e Carvalhosa, povoações nossas, 
como Alcarva por Alcarpa, e veja-se também o tópico Sub- 
stituição de letras. 

Das muitas povoações que tomaram o nome dos carva- 
lhos, todas mencionadas na Chorographia Moderiia, mencio- 
naremos apenas algumas, cujos nomes são menos vulgares. 

Ahi vae uma amostra do pano. 

Carvalhada e Carvèrlheda por Carvalhada. 

Carvalhedo, Carvalhedos e Carvalhido por Carvalhedo. 

Veja-se no tópico Desinências edo e ido. 

Carvalhela e Carvalhelhos, são diminutivos de carvalha 
e carvalhos, como Carvalhinha, Carvalhinho e Carvalhinhos, 
povoações nossas também, 

Carvalhiça e Carvalhiças, correspondem a Carvalhada 
6 Carvalhadas. Confronte-se Milharada e Milharadas, Milha- 
riça e Milhariças, povoações nossas também, que tomaram 
o nome do milho. 

Carvalhice por Carvalhiço? e Carvalhiços. Veja-se Car- 
valhiça e Carvalhiças. 

Carvalhido. Veja-se Carvalhedo e confronte-se Cerguedo 
e Cerguido, povoações nossas também e synonimias de Car- 
valhedo o Carvalhido, pois pertencem á serie das nossas 
povoações que tomaram o nome do latim quercus, carvalho. 
Veja-se Cergueda, infra. 

Confronte-se também Roboredo, Reborido, Roboredo e 
Eobuido, o mesmo que Eeborido ou roborido, também syno- 
nimos de Carvalhedo e Carvalhido, como Cerguedo e Cer- 
guido, pois Reboredo, Reborido, Roboredo e Robuido, po- 
voações nossas, tomaram o nome do latim rohur, uris, que 
significa também carvalho. Veja-se Reboreda, infra. E' assim 
a arte nova e rira òien qui Hra le dernierf . . . 



TENTATIVA STYMOLOGICO-TOPONYMICA 241 

Prosigamos. 

Carvalhosa. Veja-se Carpalhosa e Carvalha supra. 

Carvalhote e Carvalhotinho. 

São diminutivos de carvalho, como Carvalhinho e Car- 
valhosinho, povoações nossas também. 

Carviçaes por Carvijaes. — De Carvajaes por Carvalhaes. 
Veja-se Carvajal, supra. 

E' assim a arte nova e hurrah pelos carvalhos!. . • 

Carvoal, Carvoeira, Carvoeiro, Carvoil por Carvoal, etc. 
— Do Carvão, que deu também Garvão por Carvão e talvez 
Carraões por Carvões como já dissemos. 

Carxana. Veja-se Carraxana. 

Casaes, i'emos talvez mais de três mil povoações que 
tomaram d'elles o nome, todas ou quasi todas mencionadas 
na Chorographia Moderna. Indicaremos apenas algumas, cujos 
nomes são menos vulgares. 

Casaes Cimeiros. Veja-se Samodães. 

Casaes da Famalva. Com vista ao meu benemérito suc- 
cessor. 

Casaes de Sezareda? Talvez de Cejareda por cerejeda! , . . 
Confronte-se Cerdeira, Cerdeda, Cerdedo, Serdeira e Ser- 
dedello, diminutivo de Serdedo, o mesmo que Cerdedo por 
cerdeiredo. 

Casaes de Martanes? Confronte-se Martim Annes, po- 
voação nossa também. 

Casaes de Nuzellos. Veja-se Luzellos e Nuzellos, infra. 

Casaes do Parou. Talvez de Parou, apodo ou appellido 
6 note-se que dos apodos e appellidos tomaram o nome va- 
rias povoações nossas, nomeadamente azenhas, moinhos, ca- 
saes e quintas. 

Casaes dos Gingas. Cá estão elles! . . . 

Casaes dos Ledos, Confronte-se Tio Ledo, povoação 
nossa também. 

Casal Chonos por casal dos ehonos. — De ehono, antiga 
forma de chão. Coufronte-se Chãos, Chões e Casaes dos Chões, 
povoações nossas também e veja-se o tópico Desinências., , 

16 



242 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Casal da Cascota? Talvez de Cascota por Cascata!... 

Casal da Corvachia?. . . ^ 

Casal da Estortiga?. . . 

Casal da Misarella. Veja-se Mijarella e Misarella, povoa- 
ções nossas também. 

Casal da Nabôa ou Casal d'Anna Bôa. E' uma mimosa 
aldeia do aro de Lamego e podia tomar o nome de Dona 
Bôa, mencionada em velhos documentos do cabido de Lamego. 

Casaldate por Casaldote. E' talvez uma forma de Ca- 
salote. 

Casal Dasco. Veja-se Casal Vasco, povoação nossa tam- 
bém. 

Casal das Rinas. E' uma forma de Ca^al das Ranas. 
Veja-se Casal das Rans, povoação nossa também. 

Casal de Alfouvar. Vejase Alfafár, supra. 

Casal d' Avô. Veja-se Avô, supra. 

Casal de Benzendos.— De Iben-}-Zendos, — Confronte-se 
Zendos, povoação nossa' também e vide Sendim no indioe da 
2," parte da minha louca Tentativa. 

Casal de Breia, Veja-se Bréa, supra. 

Casal Dégo. De Diego? 

Casal d'Eita. De Ecta, antigo nome pessoal, que deu 
também Torre d'Eita, povoação nossa. 

Casal d'Ello por Casal Dello. Vide Casal Tello. 

Casal de Jão. E' uma forma de Casal de João, povoa- 
ção nossa também. 

Casal de Marcolos. Talvez de Marculus^ diminutivo de 
Marcus — Marcos, nome d'um santo, etc. — Confronte-se Ca- 
sal de Marco por Marcos, povoação nossa também. 

Casal de Mido. De BJido, onis, antigo nome pessoal 
que deu Medão, appellido, e Midões. 



^ Veja-se Corbacho e Corvacho, povoações nossas também, perten- 
centes á grande serie das nossas povoações que tomaram o nome dos 
corvos. 



TENTATIVA ETYMOLOCICO-TOPONYMICA 243 

Casal de Nino. De Ninus, i, antigo nome pessoal que 
deu Nine, povoação nossa também. 

Casal de Nique ? 

Casal d'Ouzende. De Adusindus, i. q[ue deu também 
Ozendo e Zendo, povoações nossas. 

Casal de Serquidello por Cerquidello.— Do latim qnercus 
— carvalho. Veja-se Alcalva, Alcarva, Carva e Carvalha, 
supra, Cerquidello e Cerquedo, infra. 

Casal d'Ufe. Veja-se Adaufa e Cachoufe supra. 

Casal-digo (sic). — De casaligo por casalico, dim. de ca- 
sal, ou de Casal Dego por Diego, o mesmo que Diogo, infra. 

Casal Dito (sic). Veja-se Casalito, infra. 

Casal Diz. E' contracção de Casal do Diniz. 

Casal do Cerejal. Veja-se Casaes da Sezareda, supra. 

Casal do Criz por Casal d'Ocriz. — De Ocriziis^ patroní- 
mico de Ocrizius, ii. Ocrizio, nome romano. Ocrizia foi mãe 
de Sérvio Tullio. 

Também Ocriziis deu Criz, nome d'um rio nosso. 

Casal do Crutello. Veja-se Curutello e Crutello por 
Corutello, povoações nossas também. 

Casal Dona, Casal Done e Casal Donello. — De Do- 
mnus, i, Domno, contracção de Dominus, i, Senhor. 

A forma Domno encontra-se era Penedono, villa, outr'ora 
denominada Pena de Domno. Donello vem de Domnellus, 
diminutivo de Domnus, i, que deu também Domninus, i, unde 
Donim, povoação nossa. 

E' assim a arte nova, e 7'ira bien qui rira h dernier. 

Casal do Secorio. — De Siatrius, ii, Sicnrio, antigo nome 
pessoal, que deu Cicouro e Sicurio, povoações nossas tam- 
bém. Veja-se Cicouro no Índice da 2. a parte d'esta minha 
louca Tentativa. 

Casal Doufe. Veja-se Casal d'Ufe, supra, e Adaufa. 

Casal dos Cadinhos. Veja-se Gadanha, infra. 

Casal dos Gosmos. - — De Cosmos por Cosmes, plural de 
Cosme, nome d^um santo, em grego Cosmos, quasi Gosmos, 
nome tirado de kosmos-rauudo? 



244 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Também Gomes, appellido, talvez seja metáthese de 
Cosme ! . . . 

Casal Drigo. — De Casal d'Adorigo? Veja-se Adorigo, 
supra. 

Casal Dronho. — De Casal d'Ordonho, antigo nome pes- 
soal, em latim Oy^donius^ ii, que deu Ordonho e B?)rdonhos, 
povoações nossas também. 

Bordonh«s vem de Iben Ordonius, filho de Ordonho» 
como já dissemos. Veja-se o tópico Thema Iben filho, no ín- 
dice da minha louca Tentativa. 

Casaleixo. De Casalixo, diminutivo de casal, como Ca- 
salinho. Confronte-se Lagartixo por lagartinho, e veja-se o 
tópico Desinências. — A Itália tem Casalicehio. — Casaleixo 
pôde ser também contracção de Casal do Aleixo. Fiat lux. 

Casal Juzam por Jusão. Do antigo portuguez jusão, que 
está do lado de baixo, antithese de suzão, que está do lado 
de cima. Veja-se Villa Jusã, artigo meu no Portugal Antigo 
e Moderno, vol. xi, pag. 766 a 772. 

Casal Mão por Casal Mao. De Casal Máu. Confronte-se 
Matta Má, Pedra Má, Quinta Má, Eio Máu, etc, povoações 
nossas, como também Casal Máu. 

Casal Meilho. De Casal Milho j)or Casal do Milho, pois 
i deu ei, como já dissemos. V. o tópico Substituição de letras- 

Casal Mendinho. De Menendinus, i, is, que deu Mende 
e Mendiz, diminutivo de Menendus, i, nome germânico pes- 
soal que deu Mendo e Mendes, Villa Mendo e Mem por 
Meado. 

Casal Mondinho. — J)e"3Iondinus, i, antigo nome pessoal, 
que deu Mondim, povoação nossa também. ^ 

Casal Sandinho. — De Sandinus, i, antigo nome pessoal, 
que deu Sandím, Sendim e Sindim, povoações nossas tam- 
bém, Veja-se Sendim no Índice da 2.» parte d'esta minha 
louca Tentativa. 



Mondiíms, i, vem de Mundinus, i, diminutivo de Mundas, limpo. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 245 

Casal Sartainho por certainho — certanejo? Confronte-se 
Certa, Certainha, quasi certainho, Certão, Sartainho, Sar- 
tainhos e Sertão, povoações nossas tambena. 

Os leitores não se espantem, pois na onomástica por- 
tugueza ce, sa e se confundiram-se e substituiram-se. Con- 
frontese Cerdeira, Cerdeiral, Cerdeiras e Cerdeirinhas, Sar- 
deiras, Serdeira, Serdeiral, Serdeiras e Serdeirinhas, povoações 
nossas também e veja-se o tópico Substituição de letras. 

Casal Teiro? E' talvez uma forma de Casal d'Eiro por 
Casal d'Eira, povoações nossas também. Confronte-se Casal 
d'Ello por Casal Tello, povoação nossa também, que tomou 
o nome de Tellus, i, Tello, antigo nome pessoal, que deu 
Telles, appellido vulgar, e Tellonius, ii, iis, unde Tellões e 
Tenões por Tellões^ povoações nossas também. 

Eu gosto d'esta solfa. 

Casal Veliide por Vellido. — De Velledo por Avelledo, 
contracção de Avelleiredo. Veja-se o tópico Avelleiras no 
Índice d'esta louca Tentativa. 

Casalito, Casalorio, Casalzote e Casanito por Casalito. 
São diminutivos de casal, Veja-se o tópico Desinências . Jun- 
te-se Casares de Casales, diapasão leonez de Casaes? 

Casas. Temos talvez mais de mil povoações que toma- 
ram o nome d'ellas, todas ou quasi todas mencionadas na 
Chorographia Moderna. Veja-se Cacella, supra, onde men- 
cionamos algumas das ditas povoações ; das restantes apenas 
indicaremos as seguintes : 

Casa da Capella, casal da freguezia do Valle, concelho 
dos Arcos de Vai de Vez, Também se denomina Casa da 
Capella o casarão onde eu nasci em 14 de Novembro de 
1832, na povoação da Corvaceira, freguezia da Penajoia 
concelho de Lamego, mesmo em frente da estação actual do 
MoUedo. Veja-se Curvaoeira e Penajoia no Portugal An- 
tigo e Moderno, e no indico da 1.* parte d'esta minha louoa 
Tentativa, 

Casa de Gaião. Veja-se G-aiao, infra^ povoação nossa 
também. 



246 TENTATIVA ETyMOLOGICO-TOPONYMICA 

Casa de Longra. Veja-se Longa e Longra por Longa, 
povoações nossas também. 

Casa de Pau, com vista aos directores das companhias 
de seguros contra os incêndios! 

Casa dos Porcos, Veja-se Possilgas, povoação nossa 
também. 

Casa Grande. Não é a minha casa da capella, posto que 
tem 30 metros de frente e é uma das maiores e mais vistosas 
que ha nas margens do Douro. 

Casa Nova. Também não é a minha, posto que parece 
nova, por ter sido restaurada em 1900, mas é muito anterior 
á capella, que foi feita em 1740. 

Casanho por Casanha. De Casinha? ou de Casalanho por 
Casalinho. 

CasaroUas e Casarullos. São diminutivos de casa, como 
CasoUas, Casoulo e Casouto. — Casouto pôde vir também 
de Cá -f- Souto. 

Casas de Azibreira. Veja-se Azibreiro, Zebras, Zebreira, 
Zebreiros, Zebros, Zibreira, Zibreiros^ povoações nossas tam- 
bém, que tomaram o nome das zebras, animais muito lindos 
que abundaram em Portugal outr'ora, mas que "ha muito se 
acham extinctos, como se extinguiram os ursos. Veja-se Zi- 
breira e Zibreiro, artigos meus, no Portugal Antigo e Mo- 
derno. 

Casavô por Casa do Avô. V. Avô, Avôa e Avões, supra. 

Casbarra por Casbarro. — De casa ou casas de barro 
que podiam ser feitas de adobes, como ha muitas no dis- 
tricto de Aveiro. Confronte-se Cascorrêa por Casa do Cor- 
rêa; Cascurella por Casa da Courella; Caserma por Casa- 
Erma, Casermo por Casa do Ermo; Casfreiras por Casa das 
Freiras; Caslopo por Casa do Lopo; Cas-Louredo, por casa 
do Louredo ou Loureiredo, o mesmo que Louriçal e Louri- 
dal, infra; Casluvado por Casa do Lobato? Castelhada por 
Casa Telhada; Castermo por Casa do Termo, que podia es- 
tar no extremo ou linha divisória de duas freguezias ou de 
dous concelhos. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 247 

O prefixo cas, de Casbarra, etc, etc, supra, é uma remi- 
niscência da occupação leoneza, pois cas em antigo leonez 
ou castelhano significava casa ou casas, como diz Valdez. 

Também cas no antigo portuguez foi synonimo de casa, 
como prova ura documento da Guarda (século xiii), no qual 
se encontra cas na accepção de casa, mosteiro, residência. 
Veja-se Cas em Viterbo. 

Nós temos 14 povoações mencionadas supra, com o pre- 
fixo cas e a Hespanha tem entre outras as seguintes: Cas- 
cardoso, Casdemendo, Casdenodres, Casderrey, Casdiad, 
Casfareja, Casferreiro, em Orense; Casfiel; Casfigueiro; Cas- 
gutierre; Casmartiião, Caspedro, Casa do Pedro, em Lugo; 
Caspueiias, em Guadalajara; Castomas, casa do Thomaz, em 
Orense; Casviana, Casa do Vianna (?) em Oviedo; Cas Here- 
mie, Casa do Jeremias, nas Baleares, etc. 

Por seu turno a Geographia Universal, de Bescherelle 
e Devars menciona Cas, povoação da Bohemia; Cas, povoa- 
ção do sul da França, no Languedoc (?!...); Cas ou Caste- 
ren, povoação da Hollanda ; Casviejas (Casas Velhas) povoa- 
ção da Hespanha; Cascatel Casa do Castello? também no 
Languedoc e finalmente Casdorf no ducado de Nassau. 

Este tópico dos casaes e casas, ficou bastante longo, 
mas talvez tenha algum interesse para o estudo etymologico 
da nossa onomástica. 

Prosigamos. 

Cascaes. — De Cascalhaês ! . . . Confronte-se Cascalhai, 
Cascalhão, Cascalheira, Cascalheiro, Cascalho, Cascalhos e 
Cascalhosa, ao todo mais de 30 povoações nossas, que toma- 
ram o nome do portuguez cascalho: pedra miúda; mistura 
d'areia, seixos e cascas de crustáceos, como diz o sr. Cân- 
dido de Figueiredo. Tal é o chão da villa de Cascaes e o 
da Cascalheira, sitio muito pitoresco e muito conhecido no 
leito do rio Vizella, junto do grande estabelecimento thermal 
d'6st6 nome. 

Cascão, aldeia nossa. E' talvez uma forma de Gascão 



248 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

por Vascão, povoação nossa também, como Vasco, Vascões, 
Vascos, Vasques e Vasquinho. Veja-se Biscaia, supra. 

Cascarneiro. Veja-se Cas, supra. 

Gascarria por Cascaria. E' talvez contracção de casca- 
lharia. Veja se Cascaes, supia. 

Cascavalhedo. E' talvez metáthese de Cascalhavedo por 
Cascalhaveiredo! , . . Veja-se Cascaes. 

Casco, Casconha, Casconhe e Casconho. Veja-se Cas- 
cão, supra, e G-asconha, infra. 

Cascorrea e Cascurella. Veja-se Cas, supra. 

Casevel e Cazevel. — De Casa vai, casa do valle. Con- 
fronte se Ponte vel por ponte vai, ponte do váu ou do valle 
e Ponte do Vai e Ponte do Váu, povoações nossas. 

Casfreiras. ,. Veja-se Cas, supra. 

Casilho. E' uma forma de Caselho, povoação nossa tam- 
bém, como Caselha, Caselhas, Casella, Casellas, Casello, 
Casepio e Cozelhas por Caselhas. Veja-se Cacella e Casas, 
supra. 

Casimiro, Casmillo, Creixomil, Gassamar, Pasmai, Pas- 
mil, Posmil, Quixomar, Queixomil, Seixomil e Trouxemil por 
Treixomil, povoações nossas. —Do Caisimirus, i, entre nós 
Casimiro, nome actuai e em França Casimir. 

Do slavo Kazimir, que significa homem celebre. Pôde 
também significar maitre dans la maison o senhor da casa, 
como diz Boucrand. 

De Casimirus. <i Cassimirus <^ Gassimirus <^ Gassamarus 
<^ Gassamar, como Leodomirus, i, deu Leomil, Lomar e 
Loumar, Gunthimirus, i, deu Contumil, Coutumillo e Gon- 
domar, Theodomirus, i, deu Theomil e Thomar, etc. 

De Casimiro, Casmiro e Casmillo por Casmiro. 

De Casimiri, Creiximil e Creixomil por Creiximil? A 
bússola é o ouvido. 

Também Casimiri deu Casmil e Pasmil por Casmil, pois 
ca 6 pa confundiram-se na onomástica portugueza. Veja-se 
o tópico Substituição de letras. 

Por seu turno Pasmil deu Pasmai e Pasmil, pois na 



" TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 249 

onomástica portugueza confundiram-se as desinências el, il e, 
ai, bem como as vogaes o e a. Vejam-se os tópicos Desi- 
nências e Substituição de leiras'. 

De Creixomil, Queixomil, porque o r, como já dissemos, 
é letra muito falsa; appareqe e desapparece instantanea- 
mente ! . . . 

Por seu turno Queixomil deu ou podia dar Queixomar, 
pois na onomástica portugueza i deu ei e vice-versa e a de- 
sinência il deu m' por ai. Veja- se o tópico Desinências e 
Candemil, supra. 

Seixomil por Ceixomil é talvez uma forma de Queixo- 
mil, pois outr'ora ce valeu ke ou que e ce e sé na onomástica 
portugueza confundiram-se. Veja-se o tópico Substituição de 
letras. 

Também Creixomil deu ou podia dar Trèixomil e Trou- 
xemil por Trèixomil. 

A bússola é o ouvido e rira bien qui rira le dernier. 

Hurrah! pelo nome Casimiro, tão prolífico na onomás- 
tica portugueza, mas leva-lhe a palma o nome Adolpho 
supra ! 

Casita e Casito. São diminutivos de casa, como Cá- 
sellas, Casoulo, Casouto, ete. Veja-se Cacella e Casas, supra. 

Caslopo, Caslouredo, e Caslouvado. Veja-se Cas, supra. 

Casório e Casórios. São contracções de Casalorio e Ca- 
saloriosl... Confronte-se Casório, povoação nossa., 

Casoulo e Casouto. Veja-se casita. 

Casqueira, Casqueiro, Casqueiros, Chasqueira e Xas- 
queira. - De charrasqueira e charrasqueiro, formas populares 
de carrasqueira e carrasqueiro, reminiscência do tempo em 
que se escrevia cha por ca, charrasqusira por carrasqueira e 
e charrasqueiro por carrasqueiro. 

Também se escrevia cho por co. Charrasqueira é appel- 
lido antigo na minha Penajulia, e Charrasqueiras aldeia 
nossa. Casqueira^ Casqueiro e Casqueiros, são contracções 
de Carrasqueira, Carrasqueiro e Carrasqueiros, povoações 
nossas também. 



250 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMIOA 

Casquilho e Casquilhos. — De cascalho. Veja-se Cascaes. 
Cassadouro. Veja- se Passadouro, pois ca e pa confun- 
diram-se. Confronte-se Casmil e Pasmil e veja-se o tópico 
Substituição de letras. 

Cassima. Pode vir de Cas e Sima, casa ou casas que 
demoram no alto, cimo ou sima d'algLima encosta. Veja-se 
Cas, supra, e Samodães, infra. 

Cassinheira por Cassilheira. — De caeilhas, casinhas? 
Veja-se Caeella, Cacilhas e Casas, supra. 

Cassurrães por Cassurrões. — De cachorrões^ grandes 
cães? Veja-se Cachorral, Cachorreira, Cachorros e Cães, po- 
voações nossas. 

Castaide por Castaido. — Do baixo latim castanitum por 
castanetum^ souto de castanheiros, do latim castanea, o cas- 
tanheiro e a castanha. Veja se Castedo e Castendo., povoa- 
ções nossas que tomaram o nome de castanetum^ supra. 

Castainça e Castainço. — De castaniça e castaniço, cas- 
tanheiral. 

Castanheiros. Temos talvez mais de 150 povoações que 
tomaram directamente o nome d'elles, por serem arvores de 
grande porte que desde tempos muito remotos abundaram 
em varias regiões do nosso paiz, nomeadamente nas provín- 
cias da Beira, Minho e Traz-os -Montes-. 

E porque as taboas dos castanheiros foram desde os 
tempos mais remotos as taboas por excellencia e para assim 
dizer únicas em Portugal, o latim tabula, taboa, foi synonimo 
de castanheiro e por seu turno deu o nome a varias povoa- 
ções nossas também. Veja-se Taboa, Taboaço, Tabosa ê 
Távora, infra. 

Além das povoações mencionadas supra tomaram di- 
rectamente o nome dos castanheiros outras muitas mencio- 
nadas na Chorographia Moderna., taes são Castanho, con- 
tracção de Castanheiro, como Pinho de Pinheiro, Sobro de 
Sobreiro, etc. Castedo e Castendo. Veja se Castaide, supra, 
Casteição de Castanição. Veja-se Castainça e Castainço^ 
supra, e Castinçal por Castaniçal, infra.- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 251 

« 

Veja-se também Castanheiros no indica da 1.* parte 
d'esta minha louca Tentativa e Cantanhede por Castanhede, 
supra?. . 

Fallemos agora dos Castanheiros bravos, que o povo 
chama carrasqueiros, carrasqueiras, reboleiros e reboleiras, 
por darem castanhas arredondadas, a modo de rebolos. 

A forma carrasqueira deu: Carrasqueira, Carrasqueiras, 
Carrasqueiro e Charrasqueira (leia-se Xarrasqueira), muitas 
povoações nossas e Charrasqueira, appellido na minha Pena- 
joia, onde tivemos também uma linda matta de castanheiros 
bravos, chamada Carrasqueiral do Viegas!. . . 

Também temos talvez mais de 150 povoações com os 
nomes de Carrasca, Carrascaes, Carrascal, Carrascalinho, 
Carrascas, Carrasco, Carrascos, Carrascosa e Carrascosinha, 
que podiam tomar o nome dos carrascos, espécie d'oliveiras 
bravas, ou dos carrascos, arbustos silvestres, espécie d'oli- 
veiras ou de carvalhos. O povo da Beira também dá o nome 
de carrascos aos abrunheiros bravos, como diz Cândido de 
Figueiredo. 

Também Carrascaes e Carrascal podem vir de Carras- 
queiraes e (Carrasqueiral, como Carrasca de Carrasqueira e 
Carrasco de Carrasqueiro, etc. 

Confronte-se Sobra por Sobreira, Sobro por Sobreiro, 
pinho por pinheiro, etc. 

Também Charrasqueira podia dar Chasqueira, povoação 
nossa. 

A forma reboleira deu Reboeira e Rebola, contracção 
de Reboleira; Reboa, contracção de Rebola: Rebolai, sitio 
da minha Penajoia, que é uma grande matta de castanheiros 
bravos e Rebolai, quinta do districto da Guarda, Rebolar, o 
mesmo que Rebolai, Rebolaria, Reboleira, antiga rua do 
Porto e aldeia; Reboleiro, Reboleiros, Rebolía, contracção 
de Rebolaria, supra. Confronte-se Cárdia por Cardaria, 
Franzia por Francezia, etc. 

Rebolido, o mesmo que Reboledo, contracção de Rebo- 
leirado; Rebolosa, contracção de Reboleirosa; Rebordai; Re- 



252 TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 

bordainhos, contracção de Rebordaliiahos ; Rebordans (são 
assim chamadas as castanhas dos reboleiros), Rebordãos, 
Rebordeiras, Rebordello, Rebordinho, contracção de Rebor- 
dalinho ou Rebordeirinho ; Rebordo Chão, Rebordões, Re- 
bordondo, contracção de Rebordo ou Rebordão Redondo ! . . . 
Rebordosa, Robeira, contracção de Reboleira ; Robera, con- 
tracção de Rebolera, forma castelhana de Reboleira ; Rebo- 
leiro^ o mesmo que Reboleiro. 

Rebolan deu Rebordan, porque l e c?, na edade média 
confundiram-se e ainda hoje se confundem, e porque a letra 
r é muito caprichosa. 

Assim também Rebolo deu Rebordo ; Rebolãos deu Re- 
bordãos; Reboleiras deu Rebordeiras; Rebolosa deu Rebor- 
dosa, etc. 

E' assim a arte-nova; a bússola é o ouvido — e rira 
bien qui rira le dernier / . . . 

Note-se que os castanheiros bravos são os castanheiros 
primitivos. Já vêem dos tempos prehistoricos, bem como os 
sobreiros, carvalhos, medronheiros, cadornos ou soromenhos 
(pereiras bravas) — o tojo, etc. 

Não admira, pois, que os nomes d'estas plantas tenham 
sido tão deturpados. 

E' também muito longa e muito variada a lista das nos- 
sas povoações que tomaram o nome dos castanheiros enxer- 
tados. 

Casteira. Veja-se Casteira, infra. 

Castelhadá. E' contracção de Casa Telhada ! . . . Veja-se 
Cas, supra. 

Castellejo e Castellejos. São diminutivos de castQllo, 
como Castellinho e Castellinhos, povoações nossas também. 

Castelside. — De Castello do Cide ou Side. Confron- 
te-se Cide e Side, povoações nossas também e appellidos^ 
tirados do celebre Ruy Díaz, cavalleiro hespanhol, terror 
dos mouros, pelo que estes o cognominavam El Cid — o Se- 
nhor por excellencia. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 253 

D'aqui provém o nome de Cid Ruy Diaz, que lhe de- 
ram os castelhanos, em portnguez Cid Rny Dias. 

Do exposto se vê que o nosso appellido vulgar Dias 
nada tem com os dias da semana. E' a forma portugueza do 
castelhano Diaz, contracção de Diagaz, patronímico de Dia- 
go, o mesmo que Diego, Diogo e Thiago^ formas de lago, o 
mesmo que lacob por Jacob, que deu também Jacome, Ja- 
cques, etc. — Dias quer, pois, dizer — filho de Thiago ou de 
Jacob— e hurrah! por Castelside !. . . 

Castendo. Veja-se Castaide e Castedo. 

Castermo. Veja-se Cas, supra. 

Castilhão. Vem do hespanhol Castillon, povoação de 
Lugo, augmentativo do hespanhol Castillo, nome de muitas 
povoações da Hespanha, que entre nós deu Castilho, appel- 
lido d'alta cotação e quer dizer castello. 

Castrellos, povoação nossa. E' plural de castrello, dimi- 
nutivo de Castro e forma outr'ora de castello. Por seu turno 
Castro vem do latim castrum — castello, fortaleza, entrin- 
cheiramento. 

Castrello quer, pois, dizer pequeno castro, pequena 
praça de guerra. Sendo Portugal um paiz tão pequenino, 
tem centenares de povoações com os nomes de Castello e 
Castro, reminiscência do tempo em que n'este jardim á beira 
mar plantado as guerras foram contínuas, desde os tempos 
mais remotos. Também temos muitos sitios deshabitados com 
o nome de castros, em que se verteu muito sangue. 

Castro Daire por Castro d'Ayres. — De Castro e Árias, 
antigo nome pessoal, que deu Airas, casa nobre, junto da 
Villa da Feira, e Ayres, appellido vulgar, etc. 

Também Árias foi prefixo de Ariamirus, i, antigo nome 
pessoal. Veja-se Arganil, Argemil e Armil; supra. 

Castro Laboreiro. — Do baixo latim leporarius, lebreiro 
ou abundante em lebres. Tal é o chão de Castro Laboreiro, 
por ser alto, frio e pouco povoado. 

Confrontese também Lebreiro, appellido nosso, e La- 



254 TENTATIVA ETYMOLOaiCO-TOPONYMICA 

borim, dififerentes povoações nossas, que podiam tomar o 
nome de leporinus, i, o mesmo que leporariíis, supra. 

Também temos Lebre, Lebrem, Lebreira, Lebres, Le- 
brinho, povoações nossas que tomaram o nome das lebres. 

Lebrem por Lebrim é o mesmo que Lebrinho. 

Junte- se finalmente Lebre, appellido congénere de Coe- 
lho, Raposa, Raposo, Pardal, Perdiz, etc. 

Catacomas. E' talvez uma forma de catacumbas, se- 
pulturas, 

Catrapal. — De Catapreiral e este dos catapreiros, pe- 
reiras bravas. 

Catarredo. — De Gatarredo, muitos gatos bravos ou 
texugos. 

Catarroeira. — De gatarroeira, o mesmo que Teixugueira, 
povoação nossa também. 

Catem. — De Gatem por Gatim, povoação nossa também, 
como Agostem por Agostim e este por Agostinho, como 
Gatim por gatinho? Veja-se o tópico Diapasão Francez. 

Cateosa. — De gateosa por gatosa, abundante em gatos 
bravos, Coufronte-se Gataria, povoação nossa também. 

Catharim. E' uma forma de Catharino, antigo nome 
pessoal e masculino de Catharina, nome d'uma santa, etc. 

Cathejal ou Catojal, povoação da freguezia de Unhos, 
concelho dos Olivaes, assim denominada na Chorographia 
Moderna, volume 4.*', pagina 7õ2. E' uma das nossas muitas 
povoações qne tomaram o nome da sua posição relativa. 

Cathejal ou Catojal vem de Cá -)~ Tojal e quer dizer que 
demora antes ou áquem do Tojal, povoação e freguezia do 
mesmo concelho dos Olivaes. Veja-se pagina 350 e seguintes 
na 1.^ parte d'esta minha louca Tentativa. 

Catraia, nome de 15 povoações nossas. — Do provinci.a- 
nismo portuguez catraia, baiuca, venda, taberna. 

Caulino, appellido. — De Paulino? Veja-se Paulo e Polo, 
infra, povoações nossas. 

Cá vae, sitio ou fazenda. — De Cá vae, appellido ou 
apodo ? . , . 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 255 

Cavalhão. E' uma forma de Covalhão, grande cova ou 
coval, povoação nossa também. 

Cavallinha, Cavallinho e Cavalliuhos. — Dos cavallos ou 
das aves que o povo chama cavallinhos. Cantando muito em 
dias de sol claro, são prognóstico certo de chuva próxima! . . , 

Cavalluche, casal de Sacavém. — Do toscano cavallucio, 
no baixo latim cavalhtchis, ii — cavallinho. Confronte-se Pao- 
lucci, nome ou appellido actual italiano do Marquez Paolucci 
dl Caiboli, etc. 

Cavallúm, aldeia. Tomou o nome dos cavallos, como 
Cabrum, aldeia e rio, tomou o nome das cabras. 

Cavanca. E' uma forma de Covanca, povoação nossa 
também. 

Caveirós. — De caveirolas, restos de caveiras ou de 
Cá -|- Vieirós, por vieirólos — pequenos arroios, fieiros ou 
vieiros d'agua. Veja-se Beiro, supra. 

Cavenca. E' uma forma de Cavanca, supra. 

Cavez. E' contracção de Canavez. V. Cambedo, supra. 

Cavião e Gaviões. Veja-se Gavião, Gaviões e Gavinho 
por gaviãosinho. 

Caxias. E' uma fórma de Cacilhas por Casillas, nome 
de varias povoações da Hespanha. Veja-se Cacella, supra. 

Caya, rio e povoação. — De Caitis — Caio, nome romano 
de Caio Júlio César, etc. -- Caius deu. Caya, villa — granja, 
quinta ou casa de campo de Caio, como Regulus, Regulo, 
nome d'Lim santo, etc, deu Regula, villa — hoje a formosa 
villa da Regoa. 

Por seu turno Caia, rio, deu CayoUa, appellido, etc. 
Também Caya deu Gaya, Villa Nova de Gaya, Miragaya, etc. 

Cazegas, — Do hespauhol casegas — casinhas, que se lê 
cacegas, o mesmo que na Hespanha Casillas, que entre nós 
deu Cacilhas, Caxias e^ Cozelhas por Cazelhas. Veja-se Ca- 
cella e Casas, supra. 

Cazevel por Cazeval. — De casa do valle? 

Cebido e Cebo. - Do callaico Acebido e Acebedo. Ve- 
ja-se Azevedo e Azevo, supra. 



256 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Cebolal e Cebolar. — São formas do mesmo nome, como 
Bacellai e Bacellar, Marmelal e Marmelar, etc. 

Cedofeita. — De cito fada, feita não a correr ou preci- 
pitadamente, mas feita recentemente, como disse Herculano, 
falando de Cedofeita, freguezia do Porto. Note-se que te- 
mos em differentes pontos no nosso paiz mais dez povoações 
com o mesmo nome de Cedofeita. 

Cedovim, que o povo chama também Cedavim. E' tal- 
vez metáthese de cevadim por Cevadinha, povoação nossa 
também. Fiat lux. 

Cedovim pôde também vir de cedovem, o mesmo que 
megengra, certo pássaro conirostro, parus major de Linneu, 
ou de cedovem, nome que o povo dá a certo milho de seca- 
dal, muito temporão (unde cedovem), cujas canas são muito 
delgadas e muito baixas. Não attingem um metro d'altura, 
mas dão no fundo, a pequena distancia da terra, 3 a 5 es- 
pigas relativamente grandes, que produzem bastante milho 
de qualidade superior ao milho graúdo regadio, pelo que o 
tal milho cedovem é sempre mais caro. 

Eu conheço-o e já o vi muitas vezes, pois cultiva-se em 
grande escala na formosa veiga de Naçarães, junto da serra 
de S. Domingos da Queimada, veiga onde passa a velha 
estrada de Lamego por Figueira para Armamar, Goujoim, etc. 

Ali passei muitas vezes, quando frequentava prepara- 
tórios em Lamego e ia visitar a minha familia de G-oujoim. 

Naçarães é reminiscência da ocupação leoneza, pois 
tomou o nome de Nazarianis, patronímico de Nozarianus, i, 
diminutivo de Nazarius, Nazario, antigo nome pessoal. 

Como a Hespanha não tem z sibilante, Nazarianis soava 
Naçarianis, quasi Naçarães. 

Cedrim. E' talvez uma forma de cedrinho. Confronte-so 
Cedro, povoação nossa também, 

Cegôa e Cegonha. São formas do mesmo nome^ tirado 
das cegonhas, como Cegonhaes, Cegonheira, Cegonhita, etc, 
povoações nossas também. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 257 

Ceiceira e Ceiceiro. — Do portuguez sinceiro, salgueiro. 
Veja-se Asseiceira. 

Ceira (o Ceira) rio e Ceira, freguezia. Do castelhano 
oso, urso. 

Confronte-se Uceira, differentes lugares da Corunha e 
de Lugo. 

Confronte-se também Oso, Osona, Osonilla, Osoho, Ossa, 
Osso, Osera e Oseiro, em differentes províncias da Hespanha, 
e Ossonoba ou Ossonova (ossonova, Ossonilla, ursa nova?) 
antiga cidade episcopal do Algarve. Veja-se Ursos no Ín- 
dice da 1.'' parte d'esta minha Tentativa Etimológica. 

Cella, Cellas, Sá, Saavedra, Salaberte, Salla e Sallinha. 
— Do antigo portuguez ou hespanhol Sala, casa e Saéla 
casinha? 

Saéla é contracção de Saléla e deu Cella? Veja-se Sá, 
aldeia da freguezia de Santa Eulália d' Arouca, no Portugal 
Antigo e Moderno, volume 8.°, pagina 268, columna !.■ 

Saavedra — vem de sala vetera — casa velha. 

Salaberte — vem de Sala Verde —Casa Verde, povoação 
nossa também. 

Cellas e Chellas. São talvez formas do mesmo nome. 

Celleiró, Celleiróz e Celorios. Do baixo latim cellariolus, 
diminutivo de cellarius — celleiró. 

Celorico. Vem do antigo portuguez cellorico — diminu- 
tivo de celleiró, como Celleiró, supra. Vejam-se os tópicos 
Desinências e Diminutivos em olus, ola. 

Cendufe por Sendufe. — De Sindulphus, nome germâ- 
nico pessoal. O prefixo é sindt que deu Sande, Sandim, Sen- 
dim, Sindim, etc. Veja-se Sendim no Índice da 2.» parte 
d'esta minha louca Tentativa. O suffixo de Sindulphus, i, foi 
tirado do teutonico ou celta uljyh — ajuda, soccorro e por 
•ser muito sympathico se encontra em outros muitos nomes 
germânicos e em todos os nomes das nossas povoações se- 
guintes : 

Adaufe, Adufe por Adaufe, Aiufe, Argufe, Arufe, Ber- 
tufe, Casal d'Ufe, Estrada d'Ufe, Galhufe, Gandufe, Gon- 

17 



258 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

dufe, Gundufe, Manhufe, Regufe, Rendufe, Sezulfe, Tufe, 
Ufe, Ufe ou Aiufe, etc. Veja-se Adaufa, pagina 156. 

Este tópico é um espécimen d'arte nova. Eu podia des- 
envolvel-o, mas faltam-me o tempo e as forças. Já vou arras- 
tando 80 annos ! . . . 

Em todo o caso direi que Adaufe, Adufe, Casal d'Ufe, 
Ufe, etc, vêem de Athaulphus, i, nome germânico pessoal, 
que deu também Adolpho, nome actual, no baixo latim 
Adolphus, i, que por seu turno deu Aidova por Adolpha, 
villa, Dolves por Adolphis, etc, etc. Veja-se Adolpho no 
Índice da 2.a parte d'esta minha louca Tentativa. 

Argufe e Arufe, — De Armlphus, i, que pela forma 
Aryulphus, i, deu ou podia dar Argiufe e Argufe. 

Bertufe. — De Bertulphus, i, nome germânico. O prefixo 
berth, encontra-se em Bertha, nome d'uma santa, etc, e como 
suffixo em Alberto, Norberto, Roberto, etc. 

Gralhufe e Guilhufe, vêem de Wãmlphus, i, nome ger- 
mânico. Gandufe, Gondufe e Gundufe vêem de Gundulphus, i. 

Manhufe. — De Maniulphus, i. 

Eegufe, — De Riculphus, i, nome germânico também, 
cujo prefixo é o teutonico 7nck, poderoso, rico, suffixo de 
Frederico, Roderico, etc. Rendufe — vem de Randulphus, i. 
Sezulphe — de Sisulp/ius-, i ? 

Tufe. — De Theodulphus, i — ou de Ataulphus, i, supra. 

Centeno, appellido. — Do Centeio. Confronte se Milho e 
Trigo, appeliidos nossos também, tirados dos cereaes, como 
Batata, Feijão, Nabiça, Botelho por botelha, etc, appeliidos 
tirados dos legumes. 

Cepães por Cepões, Cepeda, Cepellos, Cepo, Cepôes. — 
Dos cepos, troncos d'arvores. Veja-se Trancoso. 

Cereal. Veja-se Cerqueiral. 

Cercosa. — De quercosa. Veja-se Carvalhosa. 

Cerdal. E' contracção de Cerdeiral. Veja-se Cerdeiras no 
Índice. 

Cergaça. Veja-se Sargaça e Sargaçal. 

Cernande ou Sernande. Veja-se Senande, Sernancelhe e 



TENTATIVA 2TYMOLOGICO-TOP0NYMICA 2Õ9 

Sernande. Sernancelhe vem de SezinancUcelli e este de Sezi- 
nandus, i. — Sezinando, nome d'um santo, etc. 

Ceromil. — De ceramil por celamil e este por celamim, 
pois il deu im e vice-versa. A bússola é o ouvido. 

Cerqueda, Cerquedo, Cerqueira, appellido, etc. ; Cer- 
queiral, Cerqueiras, Cerquei ro, Cerquida, por Cerqueda, Cer- 
quidello, Cerquido por Cerquedo, Cerquinho, appellido, Ser- 
queda, Serqueira e Serqueiral por Cerqueda, Cerqueira e 
Cerqueiral, supra. São formas de querqueda, querquedo, etc., 
pois todas estas povoações tomaram o nome do latim quer- 
CU6 — carvalho. Veja-se Carvalha, Carvalhedo e Carvalhido, 
supra. 

Cerra-bodes, casal nosso. — De Encerra-bodes, apodo que 
deu Encerrabodes, appellido nobre de Joaquim António En- 
cerrabodes, da freguezia de Santa Leocadia, concelho de 
Taboaço, etc. Foi durante muitos annos administrador do 
concelho, excellente pessoa, intimo amigo de meu pae e pa- 
drinho do meu irmão Joaquim. 

Cerrada, Cerradello, Cerradinha, Cerradinho, Cerrado, 
Cerrados, Sarradas, Serrada^ Serradas e Serradello. — Do 
portuguez cerrado, cercado, murado. 

Certa, villa, aldeia, quinta, etc. 

1.° — Da lendária certa ou frigideira?. . . 

2.0 — De certa, certaneja, villa ou povoação que demo- 
rava em sitio então ermo, Confronte-se Certainha, Certão e 
Sertão, povoações nossas também. 

Cerva, Cervainhos, Cervelhos, Cervo, Cervos, Serva e 
Servas. Do latim cervus, i — veado ou do latim servus — 
escravo. 

Cervães, appellido, freguezia, etc. De Severianis, i — 
Severiano, nome romano e nome d'um santo, diminutivo de 
Seve7'us, i, nome romano também, que deu Cever e Sever, 
povoações nossas também. 

O mesmo Severus, i, deu também Severmus, i, Seve- 
rino, nome d'um santo, e Severim_, nome do meu bom a.migo 
Severim José de Brito, de Paredes de Coura, no Minho, 



260 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

grande proprietário e um dos mais ricos negociantes do 
Porto. O mesmo Severianis, supra, deu Serviães, povoação 
nossa também, forma anterior de Cervães. 

Cervainhos. E' uma forma de Cervinhos, pequenos vea- 
dos ou pequenos escravos. Confronte-se Cabrainha e Cabri- 
nha, Fontainha e Fontinha, etc, povoações nossas. 

Cête. E' talvez nome árabe ! . . . Na doação que D. Af- 
fonso Henriques fez d' Alcobaça aos monges de S. Bernardo, 
menciona-se um castello que alli tinham feito os mouros e 
dá-se-lhe na dita escriptura o nome de Castello de Ben-Ab- 
Cete. Veja-se Alcobaça, no Portugal Antigo e Moderno, volu- 
me 1.", paginas 72, col. !.*■ 

Mas na minha opinião Cête ou Cêtte é nome d'impor- 
tação, que veiu de Cête, cidade do litoral sul francez, e esta 
talvez do latim cfiíe, baleia. 

Alguém diz que Cêtte vem de Seth, nome biblico. 
Fiat lux. 

Ce ver, Veja-se Cervães. 

Cezar. — De Cesarius, ii. Cesário, nome romano, tirado 
de César, áris, César, o mesmo que Tzar e Czar. — 'Veja-se 
César e Czar em Boucrand, artigos muito interessantes, mas 
bastante longos. ^ 

Cezimbra por Sezimbra. — Do latim botânico sisim- 
brium, ii, planta. Veja-se o Magnum Lexicon. 

Chã, Chão e Chãos, muitas povoações nossas. — Do por- 
tuguez chão, e este do latim planus, plaino ou plano. 

Chabocos. Já se leu cabocos e era uma forma de Ca- 
boucos, povoação nossa também. 

Chabouco. Veja-se Chabocos. 

Chabrinha. Veja-se Cabrinha. 

Chacão. Veja-se Cachão. 

Chadeira por Chã da Eira. E' o mesmo que Chandeira, 
povoação nossa também. 

Chães. Veja-se Chãos, Chões e Cães, povoações nossas 
também. 



TENTATIVA ETYMOLOCICO-TOPONYMICA 261 

Chafé. — De Japhet, nome hebraico. Veja-se Cafêde e 
Bem que fede, supra. 

Chamoim. — De FlamuUnus, i. Flamuli, antigo nome 
pessoal, como Flaminius, a, e Flamulus, Flâmula, que se 
encontra na Torre de D. Chama, etc. 

Flamulinus é diminutivo de Flamulus. 

Chanosa. Veja-se Canosa e Carosa por Canosa? 

Chanxa. E' uma linda forma de Sancha, pelo diapasão 
callaico. 

Chão de Ourique. E' uma povoação da freguezia de S. 
Miguel, da villa, concelho e comarca de Penella, no districto 
de Coimbra, mencionada na Choi'ographia Moderna, por João 
Maria Baptista, e nas Noticias de Penella, pelo seu illustrado 
auctor e meu saudoso amigo, commendador Delfim José 
d'01iveira, pag. 529. 

Na minha opinião foi no dito Chão d'Ouríque e não no 
Campo d'Ourique, do Alemtejo, que no século xii se fejriu a 
tremenda batalha em que D. Affonso Henriques se cobriu de 
gloria, derrotando, com um pequeno exercito de christãos, 
um exercito espantoso de centos de milhares de mouros ! . . . 
Veja-se desde pag. 212 até pagina 231, na 1.* parte d'esta 
minha louca Tentativa^ a etymologia d'Ourique e as razões 
do meu tão estranho asserto com relação à dita batalha. 

Chapineira e Chapinheira. São formas do mesmo nome, 
tirado de chapinar. 

Charam por Charão. E' uma forma de Charrão por Car- 
rão, povoações nossas também, como Charambeis por Cha- 
rambois e este por Carrão de bois. 

Chasqueira. Veja-se Charrasqueira e Casqueira. 

Chavães. De Flavianis, patronimico de Flavianus^ i, 
nome romano, que deu Chavão, povoação nossa também. 
Flavianus é diminutivo de Flavius, ii, que deu Chavim, po- 
voação nossa também, como Flavii deu Chave, outra povoa- 
ção nossa e FJaviis (Aquis Flaviis), deu Chaves, outr^ora ci- 
dade episcopal e hoje villa, unde Chaves, appellido, etc. 



262 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Por seu turno Flavius, nome romano, foi tirado do latim 
flavtis, i, louro, que tem o cabello da côr do ouro. 

sábio escriptor Frei Manoel dos Prazeres Maranhão, 
natural da villa de Favaios, concelho d' Alijó, intitulava-se 
Fiaviense, convencido de que Favaios tomou o nome de 
Flavius, supra, mas aliqiiando dormitai Homeriis ! . . , 

Favaios vem de Phebadius, Phebadio, nome d'um 
santo. A escala seria Phebadius, Phabadius, Phabaios, 
Favaios? 

E' assim a arte nova, e rira bien qui rira le dernier ! . . , 

Chaviães e Chavões. Veja-se Chavães e Chavão, supra. 

Chaxào. Veja-se Cachão e Ohacão, supra. 

Ché e Chedemiam. — São formas callaicas de Zé e Zé 
Damião por José e José Damião. Veja-se o tópico Diapasão 
callaico. 

Cheira e Cheiras, muitas povoações nossas. São formas 
de Geira e Geiras, povoações nossas também. 

Cheires? ! . . . 

1 .'^ — Do latim de Plí/nio xyris, is, — o lyrio silvestre ? ! . . . 
que podia dar também Xéres, na Hespanha, e Gerez, em 
Portugal. Veja-se o Magnum Lexicon latino. 

2,0 — Cheires por Cheiras, de Geiras, ut supra. 

Chellas. Veja-se Cellas e Sellas, povoações nossas 
também. 

Chelleiros. De celleiros ? Veja-se Celleiro, Celleiró, Cei- 
leiróz, Celorico e Celorios, povoações nossas. 

Chequiuho. De sequinhõ ? 

Cherita, Veja-se Carita, povoação nossa também. Con- 
fronte-se João Cerita, nome d'um velho monge, fundador do 
convento de Tarouca. 

Chestadiços por Chestaduços. De Gestal dos Ursos? 
Veja-se Cabadouços e Cadouços, supra. 

Chicarro e Chicorro, appeliidos. São talvez formas do 
mesmo nome. 

Chileiros. Veja-se Chelleiros, supra. 

Chili, republica americana. Confronte-se Xilon, i, nome 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 263 



que deu Plínio á arvore do algodão?!. . . Veja-se o Magnum 
Lexicon. '^ 

Chintoada por Chantoada. — De tanchoada, vinha ampa- 
rada por tanchões? 

Choeirinho e Clioeiro. Veja-se Soeiro, infra, 

Chões e Chonos (Casal dos Chonos) por Chões. Veja-se 
Chãos, supra. 

Chóqueiro e Chóqueiros. São formas callaicas de sóqueiro 
6 sóqueiros. 

Chorozeira. Veja-se Corujeira. 

Choupello, Choupica, Choupico. São dim. de choupo. 

Chousa, Chousal, Chousalinho, Chousas, Chousella, 
Chousellas, Chousinha, etc. Confronte-se Sousa, Sousas, Sou- 
zel, o mesmo que Souzal, Souzella, Souzellas, Souzello, etc, 
povoações nossas iambem que tomaram o nome do baixo la- 
tim saucia — salgueiro. Veja-se Ducange. 

Choutaria e Chouto — De soutaria e Souto. 

Chozende e Chozendo. São formas de Gozende e Go- 
zendo, que já vêem do tempo em que cha, che, cJii, cho, chu 
valeram ka, Jce, lei, 7co, ku na onomástica portugueza e ca, co, 
cu e ga^ go, gu, se confundiram. Veja-se o meu longo tópico 
Substituição de letras. 

A escala seria : Gozende e Gozendo, Cozende e Cozendo, 
Chozende e Chozendo? 

Mas qual a etymologia de Gozende e Gozendo? E' 
Gundesindus, i, nome germânico pessoal, que, além de Go- 
zende e Gozendo supra, deu Gondezende, quatro aldeias e 
uma freguezia, Gondizende, casal da freguezia d'Esmoriz, 
concelho d'Ovar, Gozende, Gozendes e Gozendinho, Go- 
zandina por Gozendina, e Condesende (Nossa Senhora de 
Condesende), titulo do orago da freguezia de Adorigo, con- 
celho de Taboaço. Condesende é uma nitida forma de Gon- 
dezende. Veja-se Adorigo, supra. 



Confronte-se também Patchiti, cidade da China?! 



264 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

E' assim a arte nova, e rira bien qui rira le dernier! . . . 

Mas, dirão os leitores, qual a etymologia de Gunde- 
sindus ? 

E' o teiitonico gund, guerra, que se encontra como pre- 
fixo em outros nomes germânicos, taes são Gundebald, em 
latim Gundebaldus, i, unde Gondivai, povoação nossa. 

O mesmo gund se encontra em Gundulph, que em latim 
deu Gandulphus, i, unde Gandufe; Gundifellus, unde Gon- 
difellos, povoação nossa também, como Gondufe, Gondufo» 
Gundufe, etc. 

Também gund se encontra como suffixo em vários nomes 
germânicos, tal é Aldegund, unde Aldegondes e por con- 
tracção Algodres, povoação nossa também. Veja-se Boucrand, 
Diccionario etymologico de nomes pessoaes. 

O suffixo de Gundesindus, i, è o teutonico sind, que 
entre nós deu Sande, Sandiães, Sandim, Sendimj Sindim, etc- 
Veja-se Sande e Sandim no Índice da 2.^ parte d'esta minha 
louca Tentativa. O tópico é longo, muito longo, e podia 
dar-me entrada franca em um manicómio. Desculpem a vai- 
dade. 

Chrestins. — De Christinis, patronímico de Christinus, i, 
Christino, antigo nome pessoal e nome d'um santo, como 
Cbristina. 

Chrestovo, quinta. E' uma linda forma de Christovam. 

Cbristello e Cbristellos, varias povoações nossas. São 
formas de Crestello por Castrello, diminutivo de castro, 
como Castello por Castrello. Veja-se Castello, supra. 

Christoval, Christovão e Christovãos. Veja-se Chrestovo, 
supra. 

Chupai. E' diapasão francez de Choupal, como Luriz 
de Louriz, Luro de Louro, etc, povoações nossas também. 

Veja-se o meu longo tópico Diapasão francez. 

Chnsas. Veja-se Choiça poi* Chouça, cujo plural é chou- 
ças, unde Chousas, Chuças por Chouças, Sousas, povoações 
nossas também. 

Cibrão, appellido, e S. Cibrão. Veja-se Cypriano. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 265 

Cicouro. Veja-se Cicouro no indice da 2.* parte d'esta 
minha louca Tentativa. 

Cidadelha, Cidadelhe e Cidadella, povoações nossas. São 
formas do mesmo nome, diminutivos de cidade. 

Cidró, Quinta da villa da Pesqueira, no Douro, perten- 
cente a um irmão do Snr. Marquez de Soveral, que foi bapti- 
sado na capella da mesma quinta, no dia 17 de Junho de 
1851. Cidró vem do baixo latim Cidrolus, diminutivo de 
Cidrus, Cidro, o mesmo que Izidro, contracção de Izidoro, 
antigo nome d'um santo, etc. Cidró quer, pois, dizer quinta 
do Izidorinho ?! . . . 

Veja-se o tópico Diminutivos formados pela desinência 
olus, ola. 

Cigarrinhas e Cigarrosa. — Das cigarras, insecto que 
abunda em varias regiões do nosso paiz, nomeadamente no 
concelho de Louzada. 

Cilho, quinta. 

1.0 — De... 

2.0 — De Silius, Silio, nome de Silio Itálico, distincto 
escriptor e geographo romano. 

Cimbres. — Dos Cimbros, povos da Dinamarca, em la- 
tim Cimbri, orum, como se lê no Magnum, Lexicon. 

Cinati, appellido italiano. 

1.» — De... 

2.0 — Aferese de Cincinati, patronímico de Cincinatus, i. 
Cincinato, antigo nome pessoal. 

Cintra. — De Shuintila, nome germânico pessoal, unde 
Sintila, quasi Sintra, antiga forma de Cintra. 

Ciparros, E' talvez uma forma de chibarros, grandes 
chibos ou grandes bodes. Confronte-se Chibeira e Chibos, 
povoações nossas também, 

Ciradelha. Veja-se Cidadelha ! 

Cirolico. Veja-se Celorico. 

Clarianes. — De Claro Annes. 

Clergueira. — De Clerigueira. Confronte-se Cleriga, Clé- 
rigo, Clérigos e Cleriguinho, povoações nossas também. 



266 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Coalhadas, Coalhai, Coalheira e Coalhos. — Do leite 
coalhado. Confronte- se Manteiga, Manteigadas, Manteigas, 
Manteigueira, Manteigueiro, Mantegas por Manteigas, Man- 
teira por Manteigueira, e Manteirinha por Manteigueirinha. 
Junte-se Requeijada, Requeijo, o mesmo que requeijão. Re- 
queijó, o mesmo que Requeijinho, diminutivo de Requeijo ; 
Requeixada, o mesmo que Requeijada; Requeixo e Requei- 
xos, o mesmo que Requeijo e Requeijos. 

Coalva. — De Côa Alva? Confronte-se Agualva, de Agua 
Alva: Alvaiázere, de Alva Azere; Fontalva, Penalva, Vil- 
lalva, etc, povoações nossas também. 

Cobertinha. — De Cupertina, villa, granja, quinta ou 
casa de campo de Cupertino. 

Cobrada, Cobradas, Cobradinha e Cobrados. Veja-se 
Quebrada, Quebradas, Quebradinha, Quebrados e Quebran- 
tões, povoações nossas também. 

Cobrica. E' diminutivo de cobra, como Cobrinha, po- 
voação nossa também. 

Cobro e Cobrosa. São formas archaicas de Sobro e So- 
brosa, povoações nossas também. 

O povo illiterato ainda hoje escreve ca, eo, cu, por ça, 
ço, çu, ou sa, so, su. 

Cocanha e Cocaria por Cucanha e Cucaria. — Dos Cu- 
cos. Téem a mesma etymologia Canha, Cocujães por Cucu- 
jães, Cuca, Cucanha, Cucana por Cucaha, forma callaica ou 
leoneza de Cucanha, Moncocos e Tanha por Canha, supra, 
pois ca, CO, cu e ta, to, tu, muitas vezes se confundiram na 
onomástica portugueza. Veja-se o tópico Substituição de le- 
tras Q Canha no indice da 1.* parte d'esta minha louca Ten- 
tativa. 

Cochada. E" talvez uma forma de Cachada, pois na ono- 
mástica portugueza trivialmente se confundiram as letras o 
e a. Veja-se o meu longo tópico Substituição de letras. 

Cachafonis, Cochagonis por Cochagones, cochagões, Co- 
chão, Cocharro, Cocharrinho, Coche, Cocheca, Cocheiro, Co- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 267 

cherre por Cocharro, Cochofrom e Cochogom. — Dos coches, 
carros ? 

Cochafonis. E' talvez uma forma de Coohagonis, plural 
de Cochofrom por cochafom, cochagom, por cochagao. Ve- 
ja-se Alcochete no mdice da 1.^ parte d'esta minha louca 
Tentativa. 

Cocujães. Veja-se Canha e Cocanha, supra. 

Codal, Codeçaes, Codeçal, Codeçalinho, Codeceda, Co- 
deceir», Codecido por Codecedo, Codeçosa, Codeçoso, Code- 
xido por Codecido, etc. — Do oodeço, planta arbustiva es- 
pontânea, que abunda em varias regiões do nosso paiz e 
também já abundou no Codeçal, antigo bairro do Porto. Co- 
dal é talvez contracção de Codeçal ! . . . 

Codim. E' uma forma de Godim, povoação noss'a tam- 
bém. 

Codorneiro, Codornellas, Codorno e Cogorno. Veja-se 
Cabornegas e Cadorneiro^ supra. 

Coeira. Veja-se Caeira por Cá -f- Eira, supra. 

E' assim a arte nova. 

Coenheiros. Veja-se Coelheiros, pois Ih e nh confundi- 
ram- se na onomástica portugueza. Veja-se o tópico Substi- 
tuição de letras. 

Coensos por Coentos. — Dos coentros, planta que deu 
o nome a varias povoações nossas, taes são : Alcoentre e Al- 
coentrinho, supra; Coentral, Coentros, etc. 

Coffaro por Caffaro. — -De safaro, estéril? Confronte-se 
Safara, Safardão por Safarão; Safarenho, Safaruja, SaíFara, 
Saffordão por Safardão; Safra por Safara; Safurdão por Sa- 
fardão, etc, povoações nossas também, como Serafão por 
Sarafão, metáthese de Safarão. Veja-se Safara, infra. 

Cogana por Cocana. Veja-se Canha, Cocanha, Cuca» 
Cucana, e Cucanha, supra. 

Cogulla, aldeia e freguezia, pouco populosa, mas muito 
rica, do concelho de Trancoso. E' mais rica do que a pró- 
pria vilia, sede do concelho e da comarca. Eu tive óptimas 
relações na Cogulla; passei ali muito bom tempo, e posso 



268 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

dizer que a dita povoação tomou o nome d'um grande pe- 
nedo que alli ha, imitando as cogulas dos frades. 

Coidel por Coudel. — Do antigo portuguez coudel, ca- 
pitão de cavalleria, unde coudelaria, estabelecimento onde 
se apuram as raças cavalluns? Coidel e Coudel pertencem, 
pois, á grande serie de vocábulos portuguezes em que oi e 
ou trivialmente se confundem e substituem. Confronte-se 
loiro e louro, coiro e couro, Doiro e Douro^ oiro e ouro, 
moiro e mouro, etc, etc. 

Coimbra, cidade. — Do latim CoUmbrica ou Conimhrica, 
formas do mesmo nome que os romanos lhe davam. Tem-se 
escripto muito sobre a etymologia de Coimbra; eu apenas 
proporei uma variante ad riãendiim. E' guimbra, nome que 
o povo d'Avintes dá a três carreiros ou caminhos muito 
estreitos e muito Íngremes que ali há, aprumados sobre a 
margem esquerda do Douro, pelos quaes os negociantes de 
madeira arrastam as vigas e traves para o rio. 

Mas, dirão os leitores, que relação téem as guimbras 
d' Avintes com a cidade de Coimbra? 

As taes guimbras são muito precipitadas, pelo que só se 
pôde subir por ellas em zig zagues, serpeando como as co- 
bras. Guimbra vem pois talvez de colimbria, caminho de 
cobra, todo em zig-zagues. Taes são as ruas da cidade de 
Coimbra, não as da parte baixa, mas as do bairro alto, que 
foi todo murado e era a cidade ou Almedina propriamente 
dieta, uma valente praça de guerra no tempo das armas 
brancas. 

Risum teneatis. 

Junte-se ainda o dragão ou serpente que figura no bra- 
zão d'armas de Coimbra. 

Também temos Coimbrã, Coimbrães, Coimbrão, Coim- 
bró e Coimbrões, que devem ter a mesma etymologia de 
Coimbra. Coimbró vem talvez de Coimbrola por Colimbrola 
pequena Coimbra ou pequena guimbra, e pertence á grande 
serie das nossas povoações com a desinência ólus, ola^ que ó 
diminutiva. Coimbró quer, pois, dizer Coimbrinha ou guim- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 269 

brinha. Veja-se o meu longo tópico, Diminutivos formados 
pela desinência olus, ola. 

Coina. Talvez de Goina, antigo nome pessoal de mulher. 

Goina Mendes figura em um documento de 1130. Ve- 
ja-se Paço de Sousa, no Portugal Antigo e Moderno, volume 
6.", pag. 387, col. 2. a, in principio. 

Coira e Coura, muitas povoações nossas tomaram o 
nome do latim coria, couros ou cortumes de couros. Na 
povoação de Medello, onde passa o rio Coura que banha 
Lamego, ainda ha e eu já vi — uma fabrica de cortumes de 
couros. E' pequena e nova, mas segundo lá me disseram, 
representa outra muito antiga ! . . . 

De passagem direi que Medello vem de Metellus, i, 
nome romano, que além de Medello, deu Metello, appellido 
nobre, etc. Por seu turno Metellinus, i, diminutivo de Metel- 
lus, deu Medellim e Medellinha, povoações nossas, e Medim 
por Medellim, parochia extincta no concelho de Penaguião, 
que tinha como padroeiro S, José. e foi annexada á freguezia 
de Sanhoane, antiga forma de S. João, pelo que o orago 
d'esta é S. José, vulgo S. José de Medim ! . . . 

Coirual. Veja-se Queiroal, infra, povoação que tomou o 
nome do queiró, urze do mato, denominada também quiroga, 
queiroga, e queiroz, unde Quiroga, Queiroga e Queiroz, 
appellidos congéneres de Tojal, Carqueija, Silva, Silveira, 
Brenha, Matta, Bosque, Giesta, Juncal, etc, 

Coixa, Coixo e Coixos, varias povoações nossas, com- 
prehendendo três aldeias, etc. Podiam tomar o nome do por- 
tuguez coixo, manco, ou do tojo, que o povo denomina toijo. 
Confronte-se S. Domingos do Monte Coixo, sanctuario de 
Traz-os-Moutes, que demora no alto d'um monte abundante 
em toijo ou tojo, planta espinhosa que abunda espontânea 
em varias regiões do nosso paiz, pelo que tomaram d'ella o 
nome centenares de povoações nossas, em muitas das quaes 
só com a lente d'arte nova se lobrigam os tojos. 

Veja-se Tojo na primeira parte d'esta minha louca Ten- 
tatim, pag. 278 e 345 a 350. 



270 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Coja, Cojinha e Cojo ; são formas de Toja, Tojinha e 
Tojo, povoações nossas também. 

Veja-se Coixa, supra e Cója no indica da primeira parte 
d'esta minha louca Tentativa. 

Colles. — Do latim collis — outeiro ? 

Colmassa — do colmo, palha. 

Colmeosa — das colmeias de abelhas, que deram o nome 
a outras muitas povoações nossas. 

Colomella, mimosa quinta de Lamego. Do latim Colu- 
mella, sobrenome de Lúcio Junio Moderato, que escreveu 
muito sobre agricultura — em prosa e verso. — Pôde ver-se o 
busto d'elle, em granito, no alto do bello pórtico da mencio- 
nada quinta. ^ Columella vem do latim columnella, colu- 
mninha, diminutivo de columna. 

Columbeira. Vem do latim columba — pomba — e é o 
mesmo que Pombeira, povoação nossa também. 

Comba e Combinho são formas de Pomba e Pombinho. 

Combro e Combros. Podem vir do portuguez cômaro 
e cômoros, paredes, sucalcos ; em latim cumuhis. O povo não 
diz cômoro, mas combro, e também temos Cômoros, aldeia. 

Compeiros. Veja-se Campeiros. 

Compenhos. Veja-se Campinhos. 

Compostella, três povoações nossas. Tomaram o nome 
da cidade de Compostella, vulgo S. Thiago da Galliza. Por 
seu turno Compostella por Campus Stellae, Campo da Es- 
trelia, tomou o nome da luzinha, espécie de estrella, que, se- 
gundo a lenda, brilhou muitas noutes seguidas na brenha ou 
mato, onde posteriormente appareceu o tumulo de S. Thiago. 
Em seguida lhe dedicaram a magestosa bazilica ou grande 
templo que ainda hoje lá se vê e admira, posto que não é a 
primitiva. Mas com certeza foi reconstruida no mesmo local 
da primitiva, pois é muito declivoso e impróprio para um 
templo tão grande e tão magestoso. 



Denominada pelo povo geralmente, Nico de mel. 



TKNTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 271 

Concedeira, quinta. Pôde ser metáthese de condeceira 
ou de codeceira, 

Conchada, três aldeias, dois casaes, uma quinta e uma 
estrada muito íngreme junto da povoação de Valdigem, na 
falda da serra de S. Domingos. 

Conchada por Enconchada, tomou o nome dos acciden- 
tes do terreno e das grandes voltas que ali dá a estrada. 
Confronte-se retorta e Retortinha, Revolta e Re voltinha, 
povoações nossas também. 

Condeixa, Condélxinha e Condeleça. — Do baixo latim 
condecia ou condelecia, condessa. 

Veja-se Vila do Conde, artigo meu, no Portugal Antigo 
e Moderno, volume xi, pagina 69-i. Ali dei uma inscripção 
latina do século xiv, onde se vê condecius com a significação 
de conde. 

Condominhas. — De terras que eram de condomínio. 

Congorça. — Do portuguez congorsa, planta herbácea 
de flores azues. 

Congosta. — Do portuguez congosta, rua estreita e com- 
prida. 

Conqueira, Conqueiro e Conqueiros. Do antigo portu- 
guez conqueiro, que fazia concas, tijelas de madeira. 

Eu conheci lá na minha Penajulia ou Penajoia uns pa- 
dres' Saavedras, que faziam para seu uso garrafas de ma- 
deira ! . . . 

Constance. — De Constantii, patronímico de Constantius, 
ti, Constâncio, nome romano. 

Contarinho. Veja-se Cantarinha, Cantarinho, Cantari- 
nhos, Cântaro e Cântaros, povoações nossas também. Con- 
tarinho é, pois, uma forma de Cantarinho. 

Contença e Contenças, Contenda e Contendas. São for- 
mas do mesmo nome, pois ça e dá confundiram-se, como já 
dissemos. Veja-se o tópico Substituição de letras. 

Contím e Contíns. Veja-se Cantím, supra. 

Contriz. E' uma forma de Gontriz. Veja-se Gondariz, 
(jrondoriz e Gontariz, povoações nossas também. 



272 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Contumil, Contumillo, Gondomar, Gondomil e Gontomil. 
Veja-se Caudemil, supra, terra natal do snr. conselheiro An- 
tónio Cândido. 

Convido por Convido? E' talvez uma forma de oouvêdo, 
abundante em hortaliças ou couves, Veja-se Cambres, supra 
e Couves, infra. 

Copa Cabana, antigo nome d'uma • quinta do Douro, 
junto da Rede, posteriormente chamada quinta da Bebereira. 

1.0 -De... 

2.° — Do latim copa, taberneira, estalajadeira, unde tal- 
vez Copa Cabana, a taberneira ou estalajadeira da cabana, 
como ainda hoje ha muitas em Portugal e na Hespanha, 
junto das estradas, pontes e linhas férreas em construcção. 

E é possível que d'algum templo dedicado á Virgem 
feito junto d'alguma das ditas estalagens, proviesse a invo- 
cação da Senhora da Copa Cabana. 

Podia também Copa Cabana ser terra populosa e im- 
portante, pois não raras vezes simples albergarias e behetrias 
deram villas, taes como Albergaria Velha, hoje sede de con- 
celho e de comarca, Britiande na Beira, Mezão-Frio, hoje 
sede de concelho e de comarca, província de Traz-os-Montes, 
que foi behetria, etc. 

A quinta de Copa Cabana, junto da povoação da E.êde, 
no Douro, pertencente á freguezia de Villa Marim, concelho 
de Mezão-Frio, foi do general miguelista José Cardoso, d'Ar- 
mamar, e tomou o nome d'uma antiga capella que ali houve 
com a invocação de Senhora de Copa Cabana. 

Sendo posteriormente a dita capella profanada, tomou 
a quinta o nome d'uma bebereira colossal, que tinha em 
uma horta junto da estrada do Porto á Regoa (lado superior) 
6 que espantava os tranzeuntes. Eu a vi muitas vezes, mas 
talvez que já não exista, porque no meu bom tempo já era 
muito velha e as bebereiras não são arvores muito dura- 
douras. 

A imagem da Senhora de Copa Cabana supra, depois 



TENTATIVA ETYMOLOGIOO-TOPONYMICA 273 

de profanada a capella, foi, segundo me consta, levada para 
Villa Marim pelo novo proprietário da quinta. 

Agora uns laivos de historia : 

Segundo já li em uma descripção da Columbia, repu- 
blica americana, ha ali um sanctuario da Senhora da Copa 
Cabana. O auctor da tal monographia da Columbia, não po- 
dendo aventar a etymologia de nome ali tão estranho, re- 
correu ao Peru, do qual se desmembrou a Columbia, e soube 
que no Peru eífectivamente houve ou havia também um 
sanctuario com a mesma invocação de Copa Cabana em sitio 
muito vistoso, junto de um grande lago e dominando-o todo, 
avultando a meio d'elle um alto pincaro, sempre coroado 
de neve. 

Também o auctor da citada monographia apurou que 
no sitio onde se fundou o sanctuario de Copa Cabana, junto 
do dito lago, houve antes da conquista hespanhola um tem- 
plo dedicado ao Sol. Conclue o auctor da monographia di- 
zendo que na sua opinião Copa Cabana era uma synonimia 
de Vista Alegre ou Boa-Vista. 

Eu não tenho á mão o verbete próprio ; cito de memo- 
ria, mas julgo que não me engano e accrescentarei o seguinte: 
Ha na formosa bahia do Rio de Janeiro um forte denomi- 
nado também Copa Cabana, que ainda ha pouco tinha algu- 
mas peças d'artilheria com as armas portuguezas, e ha 
também no Brazil uma povoação, denominada Sorocabana, 
afim de Copa Cabana ! E temos no concelho de Santa Martha 
de Penaguião, um sitio e uma capella com o mesmo nome 
de Copa Cabana^ pertencentes á grande quinta das Cabanas, 
propriedade actual do senhor Júlio Moreira, distincto es- 
criptor, etc. ^ 

Copa Cabana passou, pois, talvez do Peru para a Co- 
lumbia e para o Brazil, e do Brazil para Portugal. A pro- 



^ Morava S. Ex.a no Porto, onde falleceu no meado de 1911. 

13 



274 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

cedência de Copa Cabana deve ser hespanhola, mas na lies- 
panha não ha povoação alguma com tal nome. Tem muitas 
povoações com os nomes de cabana e Cabana e uma com o 
nome de Copa, em Murcia, mas nenhuma denominada Copa 
Cabana. Fiat lux. 

Coqueda e Coqueira por Cuqueda e Cuqueira — Dos 
cucos. — Veja-se Canha, supra. 

Corbacho e Corbete. — Dos corvos. — Veja-se Corbaceira, 
supra, e Corvaoeira, infra. 

Corcovido — De Corcovado ? 

Veja-se Corcovada, povoação nossa também e note-se 
que as letras i e a confundiram-se. 

Cordazal. — De cardozal — e este dos cardos. Confron- 
te-se Alcordal por Al-Cardal. 

Corga, Corgão, Corgas, Corgo, Corgos Corguinha e 
Corigos, Do portuguez córrego, pequeno rio ou ribeiro, 
arroio, fio ou vieiro, por fieiro^ veio d'agua. 

Corisca, Coriscada, Coriscas, Corisco e Coriscos, povoa- 
ções nossas. 

Dos coriscos, raios? 

Corjães por Corjaes. Veja-se Corujaes, infra. 

Cornados. — Do latim Co7-onatus, — Coronato ou Coroa- 
do, antigo nome pessoal e nome d'um santo, etc, Teem a 
mesma etymologia Coroado, Coroados e S. Mamede de 
Coronado, povoações nossas. 

Corregancha. De Corga ou Correga -\- ancha, grande. 
Confronte-se Mangancha, Pedrancha, etc, povoações nossas 
também ; e veja-se o meu longo tópico Beninendas. 

Correguinha. E' antithese de Corregancha. 

Corregosa. Veja-se Carregosa, povoação nossa também. 

Corrida. E' talvez uma forma de carriola ! . . . 

Corsinos e Corsos, por Corcinos ou Corcihos, que se lia 
Corcinhos e Corços. Veja-se Corça, Corças, Corcitos e Corço, 
povoações nossas também, que tomaram o nome das corças 
e corços, animaes que hoje só se encontram no Gerez, 



TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 275 

Também Corsino pôde vir de Corsino, antigo nome d'um 
santo, etc. 

Cortegaça, Cortegada, Cortegana e Cortiçada. São for- 
mas do mesmo nome, como Cortegacinha e Cortiçadinha, 
diminutivos de Cortegaça e Cortiçada, Confronte-se Corte- 
gosa por cortiçosa e Cortizellas por Corticellas, diminutivo 
de Cortiça ou antes de Cortijo ! . . . Veja-?e Cortijada e Cor- 
tiçada, muitos cortiços ; Casal, granja, em latim villa e Cor- 
tigo (na Andaluzia) casal, granja, prédio rústico, o mesmo- 
que em latim villa, como diz Valdez. 

Cortijada (leia-se Cortigada), e Cortijo (leia-se Cortigo) 
são synonimos na Hespanha e significam granja, casal, casa 
de campo, aldeia, em latim villa. 

Também Cortijada na Hespanha significa cortical, col- 
meal? em castelhano colmenar, de colmêna, colmeia. 

Cortegadas vem, pois, do hespanhol Cortijadas, que se 
lê Ccrtigadas, quasi Cortegada, que entre nós deu Cortegaça» 
pois aça e ada confandiram-se na onomástica portugueza. 
Veja-se o tópico Substituição de letras. 

Cortijo (leia-se cortigo) na Hespanha designa cortiço 
d'abelhas e cazebres, caselhas ou Cozelhas, pelo simile, pois 
muitas vezes em casas pobres e muito pequenas vivem mui- 
tas pessoas e conjuntamente gallinhas, gatos, porcos, jumen- 
tos e outros animaes. As casinhas d'alguns pobres parecem 
colmeias. 

Cortelhal, Cortelhas, Cortelho e Cortelhe por Cortelho^ 
Do portuguez cortelho, pequena corte de gado, loja de ce- 
vados, etc. Confronte-se Corte e Cortes, muitas povoações 
nossas. 

Cortiçada, Cortiçadas, Cortical, Corticeira, Corticeiro, 
Cortiço, Cortiço, Cortiços, etc. — Da cortiça e dos cortiços 
das abelhas por serem antigamente feitos de cortiça. 

Cortiço vem de cortiçola ou cortiçolo, pequeno cortiço. 
Veja-se o meu longo tópico: — Diminutivos em olus, ala. 

Corticeira e Corticeiro. São formas populares de So- 
breira e Sobreiro, denominados corticeiros por darem cortiça. 



276 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Cortilhas. Yeja-se Cortelhas, Costilha e Costinha, po- 
voações nossas também, que tomaram o nome das cortes e 
das costas, ladeiras ou encostas. 

Cortinas, aldeia, casal, etc. E' uma antiga forma de 
Certinhas ; em leonez Cortinas, que perdeu o til em por- 
tuguez. 

Cortinhola. E' uma forma de Córtinha, diminutivo de 
corte. Veja-se o tópico Diminutivos em olus, ola. 

Cortizellas. Do baixo latim corticella ou cortixella, dimi- 
nativo de corte ou de cortiça. Veja-se o tópico Diminutivos 
formados pela desinência cellus, celli. 

Coruche, Corucho, Coruchos, Coruja, Corujaes, Corujal, 
etc. etc. Das corujas, aves nocturnas. Veja-se Chorozeira, su- 
pra, Coruche e Corujas, no indice da primeira parte d'esta 
louca Tentativa, onde dei a lista das nossas muitas povoa- 
ções que tomaram o nome das corujas. 

Corvaceira, minha terra natal, que demora mesmo em 
frente da estação actual do Molledo, na margem esquerda 
do Douro, no clima das laranjeiras, em chão muito fértil, 
muito vistoso, muito mimoso e muito bem cultivado. Pode 
dizer-se um viveiro de rouxinoes e d'outras aves canoras. 
AUi não ha memoria de corvos, mas na minha opinião Cor- 
vaceira pertence á grande serie das nossas povoações que 
tomaram o nome dos corvos. 

Corvo deu Corveira e Corvaceira, como fogo deu Fo- 
gueira e fogaceira, lodo deu Lodeira e lodaceira, etc. 

Para evitarmos repetições, veja-se Corvaceira, nos Índi- 
ces da 1.* e 2.a parte d'esta minha louca Tentativa e Cut- 
vaceira no meu longo artigo Vizella, rio, que em 1890 pu- 
bliquei no Portugal Antigo e Moderno, volume xn, pagina 
1968 e seguintes. Ali dei uma extensa lista das nossas Cor- 
vaceiras todas. 

Corvel. Veja-se Corval. 

Corvite. Veja-se Corvete. 

Coscos, Cuscôs ou Cuscus e Cuscus ou Cuscôs, povoa- 
ções nossas. Do portuguez cuscus ou cuscus, grânulos de 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 277 

farinha para sopa. Do árabe coscus, como diz o snr. Cân- 
dido de Figueiredo. 

São portanto as ditas povoações, como outras muitas 
povoações nossas, reminiscências da ocupação árabe. 

Coselhas. E' uma forma de caselhas, casinhas. 

Cosmado (S. Cosmado) Cosme e S, Cosme. De Cosmus, i, 
nome romano d'um perfumista celebre. 

Do latim cosmus, i, perfume, ornato da cabeça; e este 
do grego Jcosmos, ordem^ ornato. Veja-se Boncrand. 

S. Cosmado.— De S. Cosme e Madio por Damio, em 
latim Damio, onis, Damião. Note-se que a villa de S. Cos- 
mado, na Beira Alta, tem como orago S. Cosme e Damião. 

S. Cosmado é uma das nossas muitas reminiscências da 
occupação leoneza e gallega. 

Também S. Cosmado deu S. Colmado, povoação nossa« 

Costilha. E' uma forma de Cestinha, povoação nossa 
também e diminutivo de Costa. Costilha vem do leonez cos- 
tila, idem. 

Costió, casal da freguezia de Leça do Balio. Vem do 
baixo latim Costodiolas, diminutivo de Costodius — Custodio. 
Veja-se o tópico Diminutivos em olus, ola. 

Cotães por Cotões ; Cotalleira por Cotoleira ? ; Cotão 
por Cotolão ; Cotarejo por Cotolejo ; Cotarinhos por Cotosi- 
nhos ; Cotello por Cotelho, diminutivo de Coto ; Cotelões ; 
Cotem por Cotim, é uma forma de Cotinho, povoação nossa 
também ; Cotens é plural de Cotem ; Cothurinho é uma 
forma de Cotosinho, synonimo de Cotarinho, Cotem, Cotim 
e Cotinho; Coto, Cotões, plural de Cotão, supra, Coto- 
luda, etc. 

Todas estas nossas povoações tomaram o nome do por- 
tuguez coto, outeiro pequeno. 

Cotovial, Cotovieira, Cotovio, Covio, Cotoviote, etc, 
povoações nossas. Tomaram o nome das cotovias, aves muito 
lindas. Cantam muito bem, mas não gostam do clima das 
laranjeiras. Preferem os praganaes e as serras. 

Cotto, Coturella e Coturellos. Veja-se Cotão, supra. 



Íí78 TENTATIVA ETYMULOGICO-TOPONYMICA 

Coulella. Veja-se Courella. Coura, muitas povoações 
nossas. Veja-se Coira, supra. 

Couraça, aldeia, Couraça de Lisboa e Couraça dos Após- 
tolos, ruas de Coimbra, e couraçados, navios de guerra 
actuaes, protegidos por valentes laminas d^aço. Do portuguez 
couraça, antiga peça d'armadura, por ser primitivamente 
feita de couro. 

As duas ruas de Coimbra com o nome de Couraça to- 
maram o nome das antigas muralhas que defendiam a Lusa 
Athenas do lado sul e do lado norte. 

Couval. — De Coval ou das couves, hortaliça, que deram 
o nome a varias povoações nossas, Taes são Cambres, Cou- 
ve, Couvelhas, Couves, Horta, Hortal, Hortas, Hortinha, 
Hortinhas, etc. 

Couxaria, Gouxa, Gouxaria e Gouxo. — Dos mochos, 
aves ou -dos muchões, mosquitos? Confronte-se Moçarria por 
Mocharia ou mucharia? e Mução, de Moção por muchão? — 
Mochinhos, Mocho e Mochos, Moxarro e Muxarro. 

Mouchaes, Mouchão, Moucharia (?) Moucheira, Mouchi- 
nho, Mouchinhos, Mouchões. — De Moucharia, Couxaria e 
de Couxaria —Gouxaria? Confronte-se também Coixa, Coja, 
Goia, Goija, Goixa, Gouxa, Tocha e Toja?. . . 

Coixo, Cojo, Goio, Gojo, Gouxo e Tocho, Togo, Tojo e 
Tuxo, o mesmo que Tocho, Togo e Toxo, Coixo, Cojo, Goio, 
Gojo e Gouxo?!. . Gouxa e Gouxo vêem, pois, do tojo, no 
diapasão popular toijo — unde Coixa, Coixo e Monte Coixo, 
onde ha tojo (?) ... no concelho de Sabrosa. 

Ca, CO, cu, ga, go, gu, e ta^ to tu, confundiram-se e subs- 
tituiram-se. Veja-se o meu longo tópico — Substituição de 
letras. — Fiat lux! . . . 

Cova e Covas, lista de muitas povoações nossas que 
tomaram o nome d'ellas. Os profanos dirão : « você é a crea- 
tura mais massadora que Deus votou a este mundo ! Todos 
sabem o que são covas, pelo que desnecessário é indicar as 
povoações que tomaram o nome d'ellas!...» Assim parece; 
vão, porém, os leitores ver que nas densas trevas da idade 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 279 

média, em que todos andavam a jogar a cabra-cega, os nomes 
de muitas povoações tiradas das covas, foram de tal maneira 
deturpados, que Jioje é preciso uma lente d'arte nova, supe- 
rior á minha, para n'elles se lobrigarem as covas. 

xVs ditas povoações ao todo são mais de 300, pelo que 
apenas indicaremos as seguintes : 

Cova de Viriato, bem conhecida em Portugal todo, no- 
meadamente em Viseu; Cova da Burra, Cova da Lua, Cova 
da Moura, Cova da Onça, Cova da Raposa, Cova da Serpe 
ou da Serpente, Cova de Lobos, Cova da Loba, Cova Má, 
Covada, Covadas, Covaes, Coval e Coval Chão {sic.) Somma 
e segue. 

Covalhão, Covanca, Covanco, Covão, Covão do Frade, 
Covão do Lobo, Covão Grande e Covão Pequeno ; Covas. 
Só cora este nome talvez mais de 100 povoações, além das 
seguintes : 

Covas d'agua. Covas de Belém, Covas de Ferro, Covas 
do Douro, Covelhas, Covella, Covellães, Covellas, Covelli- 
nhas e Covellinho, Covello e Covellos. Só com estes dois no- 
mes talvez mais de 150 povoações. 

Junte-se Covide por Covido e este por Covedo? Covi- 
lhã, Covilhães, Covilhans e Covilhão por Cavalhão, supra, 
mais de '20 povoações nossas. 

Ainda temos Covilhó por Covilhola, pequena cova, como 
Covinha, Covinhas, Covinho e Covinhos, povoações nossas 
também. 

Junte-se Qovitata, do baixo latim covitata, metida em 
uma cova? ou encovada, termo vulgar dos caçadores de 
coelhos. 

Temos também Covo, Covões, Fabrica do Covo, Quinta 
do Covo, Condes do Covo, etc. 

Também na minha opinião pertencem á mesma serie 
das covas e covos, as nossas povoações seguintes: 

Gávea e Gavia, aldeias nossas, que talvez tenham a 
mesma etymologia das gáveas ou cestos das gáveas dos na- 



280 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

vios^ espécie de taboleiros com paredes de cordas, imitando 
covas, a certa altura d'um mastro e atravessadas por elle. 

A etymologia de gávea, como diz o snr. Cândido de Fi- 
gueiredo, é o latim cavea — cova, de cavus — concavo. 

Aqui temos nós a etymologia de Gavia e Gavia, supra, 
povoações nossas, e talvez de todas as nossas povoações se- 
guintes : 

Gouveães, Gouvães por Gouveães; Gouveia, Gouveias, 
Gouvim, Gouvinhas, Gova, Gove e Gouveiras ? ! . . . 

Note-se que na onomástica portugueza trivialmente se 
confundiram e substituiram ca, co, cu e ga, go, gu. Também 
cahiu muitas vezes o l intervocalico e o deu trivialmente ou. 
Assim Covelhães, supra, deu ou podia dar Gouveães e Gou- 
vães. 

Gouveia e Gouveias podem vir de Covella e Covellas; 
Gouviu por Govim é talvez uma forma de Covim por Covi- 
nho, supra, diminutivo de Covo. 

Gouvinhas é uma forma de Covellinhas, povoações pró- 
ximas e visinhas uma da outra no Alto Douro. Eu conheço-as 
de visu, bem como a freguezia de Covas, que está um pouco 
a leste de Gouvinhas e é muito mais populosa e mais im- 
portante do que as de Covellinhas e Gouvinhas. 

Góva é talvez uma forma de Cova e Gove por Gôvo é 
talvez uma forma de Covo ! . . . 

Note-se que as desinências é e o, trivialmente se confun- 
diram na onomástica portugueza. Veja-se o tópico Substitui- 
ção de letras. 

Finalmente, Coveiras por Gouveiras pode ser uma forma 
de Gouveias, pois, como já dissemos, o r é a letra mais falsa e 
mais caprichosa que ha no mundo ! ! . . . Veja-se o meu longo 
tópico Substituição de letras. 

Eu gosto d'esta solfa, mas já me incommoda muito, 
pois a custo vou arrastando os meus 80 annos ! . , . ^ 



^ Estamos em 1912 e eu nasci em 14 de Novembro de 1832. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 281 

— Forte maluco! dirão os leitores, mofando, mas a cri- 
tica de mofa ó critica alvar, balofa, imprópria de gente se- 
ria — e rira hien qid rira le dernier. Desçam do palanque, 
tomem a penna, entrem no redondel e verão o que lhes suc- 
cede ! . . . 

A este longo tópico das covas talvez possam juntar-se 
Grova, Grovas e Grovellas, povoações nossas também, que 
podem ser formas de Gova, Govas e Govellas por Covas 
Covas e Covellas, supra!. . . Fiat lux — e prosigamos. 

Covide, Covilhã, Covilhó, Covitata, etc. Veja-se Cava e 
Cova, supra. 

Cachoigo. — De cochoigo por cochigo, este por cochico 
6 este por cocheco, diminutivo de coche? Confronte-se Co- 
checa, feminino de Cocheco, povoação nossa. 
A escala seria : 

Coche, Cocheco, Cochico, Cochigo, Cochoigo Coxoigo. 
Fiat lux e confronte-se Pontega e Pontoiga, infra. 
Cozelhas e Cozelhos. Veja-se Casas e Caselhas. 
Cramarinhos. E' uma forma de Camarinhos. Veja-se 
Camarinha supra. 

Cramuce, aldeia da freguezia de Annaes, concelho de 
Ponte de Lima, districto de Vianna. Chorographia Moderna, 
volume 2.0, pagina 133; mas no 7.° volume, pagina 75, manda 
ler Cramace por Cramuce. De Claraouse, appellido inglez e 
portuguez? Mas Cramace pôde vir de Cramaço por Grama- 
cho. Confronte-se Gramaça, Gramacho, Gramaços, etc, po- 
voações nossas que tomaram o nome da grama, como Gra- 
mido por Gramedo, etc. Gramacho é também appellido nosso. 
Crasto 6 Crastos, muitas povoações nossas. São formas 
populares de Castro e Castros. 

Crastovães por Castrovãos. E' uma linda forma de Chris- 
tovãos, plural de Christovam, nome d'um santo, etc. Con- 
fronte- se Chrestovo, Christoval, Christovão e Christovãos, 
povoações nossas também. 

Com vista aos manes de D, Christovam de Noronha 
Mello e Faro de Barreto, ultimo grão-senhor do Palácio de 



282 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPON YMTCA 

Porto de Rei, concelho de Rezende. Era muito alto, muito 
corado, muito nobre e muito rico, mas muito desequilibrado. 
Crato, villa, antigo solar da Ordem de Malta, em Por- 
tugal. — Do grego kratos, força? Desculpem o dislate, pois 
cito de memoria, por não ter á mão o verbete próprio. 

Crava e Cravas. Talvez sejam formas de Cabra e Ca- 
bras, povoações nossas também. 

Cravada, Cravadinha, Cravaes, Craveira, Craveiras, Cra- 
veiro, Cravei, Cravelhe, Cravella, Cravellinha, Cravello, 
Cravo, Cravos e Gravosa. Todas estas povoações nossas po- 
diam tomar o nome dos cravos, flores muito lindas, muito 
aromáticas, muito variadas e muito antigas em Portugal. 

Cré. — De gré, forma popular de greda, barro branco. 
Veja-se Greda, povoação nossa também. 

Creixomil, Queixomil e Seixomil por Ceixomil. São for- 
mas do mesmo nome, tiradas de Casimirus, i, Casimiro, nome 
d'um santo, etc. 

Seixomil por Ceixomil, vem do tempo em que c valia * 
e l: ou q. Veja-se o meu longo tópico Substituição de letras. 
Confronte-se Jeguintes por Jaguintes — de Jaquintis por Hia- 
kintos — Jacynto, ílôr e nome pessoal. Também temos Joarim 
por Joasim — de Joacim por Joaquim, 

Crespa, Crespellos, Crespim, Crespina, Crespo e Cres- 
pos, appellidos e povoações nossas. — De Crispiis, i — Crispo, 
nome d'um santo, etc, que deu Crispim, Crispina, Crispi- 
niana e Crispiniano, também santos, Crispula e Crispulo, 
igualmente santos. 

Crispo, Crespo, etc, foram tirados do latim crispus — 
que tem o cabello crespo. 

No districto da Guarda occupam ha muitos annos rol 
distincto os Crespos da Cogulla, freguezia do concelho de 
Trancoso. Veja-se Cogulla, supra. 

Crestello. Veja-se Castrello, Christello e Crastello. 

Crestim e Crestins. — De Christim e Christinis, patroní- 
mico de ChrHstinus — Christino, antigo nome d'um santo, que 
deu Christiana, Christiano e Christim, também nomes de 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 283 

santos, como Christeta e todos estes nomes foram tirados de 
Christus — Christo. 

Crestins é uma forma de Chrestins, povoação nossa tam- 
bém. 

Creta. Pode vir directamente de Creta, ilha da Grécia, 
ou de Greda, povoação nossa também, que tomou o nome 
de greda, barro branco, e este do latim creta, unde talvez 
Creta, supra, ilha da Grécia. 

Crez. Veja-se Cré. 

Cricas, aldeia. Podia tomar o nome do portuguez po- 
pular eriças, pêcegos abertos e seccos. 

Crixó. E' uma linda forma de Grijó, infra. Veja-se o 
tópico Diminutivos em olus, ola. 

Criz, rio que nasce no Caramullo e morre no Dão, tendo 
cerca de 3õ kilometros de curso e Lucriz por Lo -\- Criz, 
O Criz, casal, etc. 

De Quiriquis, patronímico de Quiricus, Quirico, antigo 
nome pessoal e nome d'um santo, que deu também Quires, 
Queires, Queiriz e Caires, povoações nossas. Veja se Caires. ^ 

Crotelinhos por Corutellinhos. Veja-se Curutello, infra. 

Croxa por Cruxa. E' uma forma de coruja. 

Crucheira. Veja-se Chorozeira e Corujeira, supra. 

Crucho e Cruchos. São formas de corujo e corujos. Ve- 
ja-se Coruche. 

Crucial e Crucieira. São formas de Crujal e Crujeira 
por Corujal e Corujeira. 

Crueira. — De Crujeira, supra? 

Cruéis. — De crujeis, plural de Crujel por Corujal? 

Cruito. — Do portuguez popular Cruito por curuto, O 
povo chama cruita á parte mais alta d'uma arvore. 

Crujaes e Crujães por Crujaes. 

De Corujal, supra. 



^ Também Criz e Ocriz podem vir de Ocrizins, ii, iis, Ocrizio, 
antigo nome pessoal. Occrizia foi mãe de Sérvio TuUio. 



284 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Crujes por Crujas ou Crujos. — Das corujas ou corujos. 

Crustello. E' uma forma de Ciiristello, supra, pois na 
onomástica portugueza trivialmente se confundiram as letras 
i e u. Veja-se o tópico Substituição de letras. 

Cruta, Crutello, Cruto e Crutos. — Dos curutos — ou- 
teiros, pincaros. Também Cruta pôde ser uma forma de 
Gruta. Confronte-se Grota por Gruta, infra. 

Cruz. Temos mais de mil povoações que tomaram o no- 
me das cruzes. Mencionaremos apenas as seguintes : 

Cruz Alta, sem ser a do Bussaco, assim denominada 
esta por estar no ponto culminante da formosa matta. 

Cruz da Ventosa. Deve ser mimosa de vento. 

Cruz de Bentoso. E' uma linda forma de Ventoso, mas- 
culino de Ventosa, supra. 

Cruzes. Sitio com diversos casaes e quintas, uma das 
quaes foi do meu avô paterno, Manoel Caetano Ferreira. O 
tal sitio tomou o nome de três cruzes que lá se vêem ainda 
gravadas em um penedo, para indicarem que o dito penedo 
era o marco ou baliza do termo de três concelhos, pois iam 
até ali os concelhos das villas de Barcos e de Goujoim e o da 
villa e honra de Pinheiros, villa outr'ora acastellada e que 
hoje é uma parochia insignificante. 

Demora na margem direita do rio Tédo, e pertence ao 
concelho de Taboaço, bem como a villa de Barcos. Goujoim 
demora na margem esquerda do mesmo rio Tédo e já não é 
concelho. Apenas tem o titulo de villa, mas pertence ao 
concelho d'Armamar, 

Cuba e Cubas. Das covas ou das cubas ? 

Cubai. Veja-se Coval. 
' Cubalhão. Veja-se Cavalhão, supra. 

Cubeiras, Cubeirinhas, Cubeiro e Cubeiros. — Das cubas? 

Cubellos. Veja-se Cava, Cova e Covello. 

Cubo e Cubos. — Dos cubos dos moinhos ou de Covo e 
Covos, supra. 

Cuca, Cucana, Cucanha, Cuco e Cucos. Veja-se Canha, 
supra. 



TENTATIVA ETYMOLOCICO-TOPONYMICA 285 



Cuchel por Cuchal. E' talvez uma forma de Tojal. 

Cuibranitos por Coimbraaitos e Guibrans por Coim- 
brans. Veja-se Coimbra, Coimbrã, Coimbrão, Coimbró e 
Coimbrões, 

Cuide. E' talvez uma forma de Cabide, supra, o mesmo 
que Athainde ou Tainde, Athaide, Tagilde, Tahide, etc, 
como já dissemos no tópico Ataide. 

Cujo por Côjo, vem talvez de Tojo. Em Aveiro ha um 
sitio denominado Côjo e nós temos duas povoações com os 
nomes de Tocho e Tuxo, formas de Tojo. Rira bien qui rira 
le dernier. 

O tojo, planta espinhosa espontânea, abunda em varias 
regiões do nosso paiz desde os tempos mais remotos, pelo^ 
que tomaram d'elle o nome dúzias de povoações nossas, 
aohando-se em muitas d'ellas o tojo tão deturpado com o 
volver dos séculos, que hoje mal se descobre sem uma lente 
d'arte nova. Veja-se paginas 278 e 345 a 360 na 1.* parte 
d'esta minha louca Tentativa^ onde dei uma extensa lista de 
varias povoações nossas que tomaram o nome do tojo. 

Cume, Cumeada, Cumeira, Cumeirancha, Cumes, Cumi- 
eira e Cumieiras. — Do portuguez cume, o ponto mais alto 
d'um monte. 

Cumeirancha ó contracção de Cumeira ou Cumeeira 
ancha, grande, Confronte-se Lameirancha, Mangancha, Pe- 
drancha, etc, povoações nossas também com o mesmo suffixo 
ancha e veja-se o meu longo tópico Desinências, já citado no 
artigo Balancho, supra. 

Cuncos, Cunqueirinho, Cunqueiro e Cunqueiros. Ve- 
ja-se Conca, supra. 

Cunha, aldeia, freguezia, appellido, etc. Cunha Alta, 
Cunha Baixa, Cunhal, Cunhas, Cunhedo, Cunheira, Cunhos 
por Cunhas, etc, 

1.0 — Dos cuneos, povo que habitou a extremidade O. 
do Algarve em volta do Cabo de S. Vicente e que talvez se 
denominasse cuneos, por estarem no angulo, espécie de cunha, 
formado pelo dito cabo. 



286 TENTATiyA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

2,0 — Dos ângulos de terreno semelhantes ao dito cabo 
6 que podiam denominar-se também pontaes, cabedellos, 
cunhas, etc. Veja-se Cabeda, Cabedello, Cabedo, Ponta, Pon- 
tal, etc, povoações nossas também. 

3.0 — Cunha, Cunhas e Cunheira — das cunhas de ferro, 
que usam os pedreiros ou montantes para partirem as pe- 
dras grandes e fazerem cruzes, cruzeiros, esteios para ra- 
madas^ tampos para lagares, pelourinhos, etc. 

4.0 — Cunha e Cunhas — das cunhas de ferro que no 
tempo das armas brancas por vezes se empregavam para es- 
calar os muros e muralhas das torres e praças de guerra. 

ò.° — Cunhal e Cunhaes — dos cunhaes ou ângulos das 
paredes das casas, que por vezes são exóticas e formam ân- 
gulos muito agudos de ponta de diamante, que podiam dar 
o appellido Cunhal. 

(3.0 — Cunho, Cunhos e Parada de Cunhos— das cunhas 
ou de cunhos — inscripções ou letras gravadas nas pedras. 

Fiat lux. 

Cunqueirinho, Cunqueiro e Cunqueiros. Veja-se Conca 
e Cuncos, supra. 

Cuqueira e Cuqueiro — dos cucos. Veja-se Canha, supra. 

Curaceiro. Pôde ser uma forma de Couraceiro, povoação 
nossa também, que tomou o nome dos soldados que usavam 
couraças, como Besteiros dos que usavam bestas. 

Curadeiras ou Coradeiras — Das mulheres que outr'ora 
se empregavam em corar ou branquear os panos e meadas 
d'estòpa e linho em sitios próprios, chamados córadoiros, 
nas margens de certos rios e ribeiros. 

Curalha. E' uma forma de muralha, pois ca, co, cu e 
ma, mo, mu coufundiram-se na onomástica portugueza. Ve- 
ja-se o tópico Substituição de letras. 

Curceiro. Talvez seja uma forma de Corceiro, abundante 
em corças ou caçador d'ellas. Confronte-se Corça, Corçães 
por Corções, Corçãos, Corceal, Corcealinho, Corcitos e Corço, 
povoações nossas também. 

Curcumellos por cucumellos. — Dos cogumelos, tortulhos. 



TENTATIVA STYMOLOGICO-TOPONYMICA 287 

Curía. Confronte-se Guria ou Guria, nome d'um santo e 
Gurias ou Gurias, também nome d'um santo. Mas Cúria 
pôde ser uma forma de Caria, ou contracção de curaria, 
terra doada a um convento para tratamento dos religiosos 
ou religiosas doentes, como sapataria, terra doada para cal- 
çado. Vestiaria, terra doada para vestuário, e Ucharia, terra 
doada para alimentação. 

Sapataria, Vestiaria e Ucharia, são povoações nossas 
também. 

Curiosa, herdade e quinta ou casal. Podia tomar o nome 
de Curiosa, apodo, pois temos differentes casaes e quintas 
que tomaram o nome dos apodos, como na ria d'Aveiro, a 
quinta e capella da Maluca, etc. 

Curral, Curralão, Curralinho, Curralinhos e Curralões, 
tomaram o nome dos curraes do gado. 

Currello e Currellos. Podem ser diminutivos de Curro 
e Curros, povoações nossas também, como talvez Correlho, 
Corrello e Correlios por Currelho, Currello e Currellos. 
Fiat lux. 

Curtido. E' talvez uma forma de Cortido por Cortiço, 
povoação nossa também, pois ça, qo, çu, e da, do, du, con- 
fundiram-se na onomástica portugueza. Veja-se o tópico 
Substituição de letras. 

Curtinha. E' uma forma de Córtinha, povoação nossa 
também, diminutivo de Corte, nome de muitas povoações 
nossas, como Cortelha, Cortelho, Cortes, etc. 

Curto, appellido, casal, etc. — Do portuguez — curto, pe- 
queno, antithese de Grande e Longo, appellidos nossos 
também. 

Curutello. E' diminutivo do portuguez Coruto, cumeada. 
Veja-se Carutello, Carutos e Cotello, supra, povoações nos- 
sas também. 

Curvaceira e Curvaceiras. Veja-se Corvaceira, supra. 
Curvai. Veja-se Corval. 

Curvas ou Corvas {sic). Veja-se Corva, Corvas, Corvo 
e Corvos, povoações nossas também. 



288 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Curveira. Veja-se Cerveira. 

Curvella. Veja-se Corvella. 

Curvião. E' talvez uma forma de corvião, grande corvo? 

Curvo 6 Curvos. São talvez formas de Corvo e Corvos. 

Cuscôz ou Cuscus e Cuscos ou Cuscôz. Veja-se Coscos, 
supra. 

Custeira, Ousteiras e Custeirinha. São formas de Cos- 
teira, Costeiras e Costeirinha, povoações nossas também. 

Custió. Vem claramente de Custodiolus, i, diminutivo 
archaico de Custodius, ii, Custodio, nome d'um santo e de 
três povoações nossas também. 

Custió, vem de Custodiola, villa, e quer dizer granja, 
quinta ou casa de campo do Custodinho, como Alijó, granja, 
quinta ou casa de campo do Aleixinho; Cidró, granja, quinta 
ou casa de campo do Cidrinho ou Izidorinho ; Eituró, granja, 
quinta ou casa de Campo do Heitorzinho, etc, etc. Veja-se 
o meu longo tópico: Diminutivos formados pela desinência 
olus, ola. 

Custoias. — Do latim custodia — gw&xào. e^por extensão 
esculca, esculquella, unde Escurquella, vigia, Atalaia, etc. 

Cutarella. Pôde ser metàthese de Curutella. Veja-se 
Cotello, Carutello e Curutello, supra. 

Cuteis. Veja-se Cotens, supra. 

Cutello. Veja-se Cotello e Curutello. 

Cutena por Cotena. — E' talvez contracção de Cotarena, 
casal ou povoação que demora em sitio alto. Confronte-se 
Alcanena, Barcarena, Barchiena, Matrena, Motrena, Verde- 
rena, etc, povoações nossas também. 

Cutiães por Cutians e este por Catians. — E' talvez uma 
forma de Gatians por Gatiães ou Gatiaes, sitio em que abun- 
davam teixugos ou gatos bravos, que deram o nome a varias 
povoações nossas, como Gatians, supra, Veja-se Gatão e Tei- 
xugeira, infra. Cata e Gata, Catão e Gatão, Catarredo por 
Gatarredo, Catarroeira por Gatarroeira, Catella e Gatella, 
Cateosa por Gateosa, etc, povoações nossas. 

Cutifo por Catifo. E' talvez uma forma de Cativo. Con- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 289 

fronte-se Cativellos por cativinhos, povoação nossa. Monte 
do Cativo e rua do Cativo, no Porto. 

Cutinho. E' talvez uma forma de Coutinho ou de Co- 
tinho. 

Cuval. E' uma forma de Co vai, povoação nossa também. 

Cuvas. Veja-se Covas e Cuba. 

Cuvieiros por Cavieiros. E' talvez uma forma de Ga- 
vieiros. Confronte-se Gravaria, por Caviaria, Gavarra por 
Gaviarra, Gaviães por Gaviões, Gavianito, Gavião, Gavião- 
sinho, Gaviarra, Gavieira, Gaviello, Gavim, Gavinheira, Ga- 
vinho por Gaviãosinho, Gavião, Gaviôa e Gaviões, povoa- 
ções nossas, que tomaram o nome dos gavi-ões, aves. 

Gavinho é também appellido nobre, como Gaivão, me- 
táthese de Gavião. 

Cuvilhão. E' uma forma de Covalhão e masculino de 
Covilhã, povoaçõas nossas. Veja-se Cava e Cova, supra. 

Cuvinhó, aldeia. Tomou o nome de Covinhola, covinha, 
pequena cova. Confronte-se Cobilhó e Covilhó, povoações 
nossas também, que são formas de Cuvinhó por Covinhó, 
pois na onomástica portugueza l e n confundiram-se, bem 
como Ih e nh. 

Veja-se AssilhO por Azinho, supra, e os meus longos 
tópicos : Substituição de letras e Diminutivos formados pelas 
desinências olus, ola. 

Cuvo. E' uma forma de Covo ou de Cubo. 

Cypreste e Cyprestes. — Dos cjprestes, arvores, estes 
do latim cupressus, e este do grego Jcuparissus, cypreste, que 
por seu turno veio do hebreu góphêr, resina, pêz, por serem 
os cyprestes arvores resinosas como o pinheiro, o cedro, o 
eucalipto, etc. 

Cypriano, quinta, — De Cypriano, nome d'um santo, 
etc, que deu também S. Cypriano, aldeia e freguezia nossas. 

Por seu turno Cypriano vem do latim Cyprianus, o 
mesmo que Cyprius, a, um, natural, oriundo ou filho de 
Chypre, ilha notável do Mediterrâneo, em grego Kupris e 
em latim Cyprus, i. Esta ilha tomou o nome da flor do cy- 

19 



290 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

prus^ denominada em francez troene, em portuguez alfe- 
neiro^ em grego kupros e em hebreu kóphér, alfoneiro, planta 
que abunda na mencionada ilha. 

Pôde também dizer-se que Chypre tomou o nome do 
grego kupris, cobre, já porque este metal abundou em Chy- 
pre, já porque na velha chimica se dava o nome de Vénus 
ao cobre, metal consagrado a Vénus, pelo que esta deusa 
foi cognominada Cypriana. Veja-se Cypris em Boucrand. 

Cyprianus deu Cypriano e Cypriao, como Adrianus deu 
Adriano e Adrião, Julianus — Juliano e Julião etc. 

S. Cibrão e S. Sibrainho, são povoações nossas e anti- 
gas formas de S. Cypriano e S. Cyprianinho, pois Cibrão e 
Cibrainho não se encontram nos santoraes, mas somente na 
onomástica portugueza. 

Nos santoraes nem se encontra Cypriana, mas somente 
Cypriano. 

Dabade por D'Abbade. E' o mesmo que a granja ou 
quinta do Abbade. Confronte-se Adanaia por A de Anaia ; 
Adefroia por A de Froila; A do Alcaide, A do Freire e a 
do Vigário, A dos Bispos ; Granja do Marquez e Granja do 
Thedo; Quinta da Morgada, Quinta d'El-Rei, Quinta do 
Bispo, Quinta do Cónego, etc, povoações nossas. 

Dabeja ou A da Beja [sic) povoação nossa. 

Tomou o nome d'alguma mulher ou senhora appellidada 
Beja. Confronte-se Dabade, supra. 

Da Baile, aldeia e quinta. Pôde ser uma forma Do Valle 
®u de ao valle, que demora ou está em um valle. Confron- 
te-se Adaval, povoação nossa também, e Vai, Valle e Valles, 
muitas povoações nossas. 

Da Correia, aldeia e quinta. Podia tomar o nome d 'algu- 
ma senhora appellidada Correia. Confronte-se Dabeja, supra, 
e varias quintas do Douro, bem conhecidas pelos nomes de 
quinta da Pacheca, da Ferreirinha, etc. 

Dadas, Dade, Da de Longo, Dadim e Daem por Daim, 
o mesmo que Dadim. — De Datus, a, por Adeodatus, Adeo- 
data, antigos nomes pessoaes, contracção de A Deo Datus, 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 291 

Dado por Deus, synoniraias de Deuladeu, Deus Dado e Deus- 
dedit, nomes de santos. 

Adeodato foi também santo. 

Deuladeu, nome da heroina de Monsão, é a versão por- 
tugueza do latim Deus- dedit. 

Dá de Longo, aldeia, pôde vir de dar de longo ou an- 
tes de Dade Longo, povo comprido, longo. Confronte-se 
Campo Longo, aldeia nossa também; Fonte Longa, varias 
aldeias e uma freguezia; Monte Longo, duas aldeias; Pedra 
Longa, aldeia e quinta; Pena Longa e Penha Longa, uma 
freguezia e duas aldeias, o mesmo que Pedra Longa e Pena 
Longa. 

Também temos Longa, Longas, Longo, Longomel, Lon- 
garella, Longorella por Longarella, Longos, Longos Velhos, 
Longral, Longras, o mesmo que Longa e Longas, Vallongo, 
villa e muitas aldeias, freguezias, casaes, quintas. 

Com relação a Daem por Daim, supra, junte-se Dem 
por Daem, outra povoação nossa e veja-se o meu longo tó- 
pico Diapasão francez. 

Daffóes por Daffões. E' uma forma de Lafões, povoa- 
ção nossa também. Veja-se Vouzella, artigo meu, no Portu- 
gal Antigo e Moderno, e o meu longo tópico Substituição de 
letras, onde os leitores verão que da e la se confundiram na 
onomástica portugueza. 

D'Airas, Daires ou Adaires. Veja-se Aires, Ayres e Cas- 
tro d'Ayre, supra. 

Daldas e Das Daldas por das Aldas. Veja-se Alda, 
supra. 

Dalhães por Dalhões. Confronte-se Alhões, povoação 
nossa também, augmentativo de Alhos, varias povoações 
nossas, que tomaram o nome dos alhos, planta culinária bem 
conhecida e muito aromática ! Podia dar-se o nome de alhões 
aos alhos verdes e aos alhos porros. 

Dalva. Veja-se Alva, supra. 
• Dálvares ou Dalváres. Entre Lamego e Tarouca ha uma 
quinta e casa nobre com o nome de Adalváres por A de 



292 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Alvares. A etymologia pôde ser alvar, pinheiro, supra, ou 
Alvares, patronimico de Álvaro. 

Dama e Damas, Podem vir do latim dama, corça, cabra 
montez, veado pe'quenô, ou do portuguez dama, o mesmo 
que senhora e dona. Veja-se Dina, infra. 

Damonde de Baixo e Damonde de Cima. São formas de 
granja, quinta ou casa de campo de Edmundo. Veja-se 
Amonde, supra. 

Danaia, Veja-se Adanaia, supra e Naia, infra. 

Danço, casal. — De Danço, apodo ou appellido, como 
Dança, Cantante, etc. 

Dardão. Confronte-se Aldão, Ardão e Ardegão, povoa- 
ções nossas também. 

Dardos, casal. Podia tomar o nome de Dardos, apodo ou 
appellido e estes de dardo, arma de arremesso, pequena lança. 

Darei. De Darii, patronimico de Darius, ii, velho nome 
pessoal e nome d'um santo, etc. 

Note- se que na onomástica portugueza i por vezes deu 
ei, Veja-se o tópico Substituição de leiras. 

Darnella. Veja-se Arega, Aregos, Alvarenga, Arnellas, 
etc, povoações nossas que tomaram o nome do latim arena, 
areia. 

Daroaes, Daroal, Daroeira e Daroeiras. Veja-se Aroal e 
Aroeira, varias povoações nossas, que tomaram o nome do 
portuguez aroeira, o mesmo que lentisco, planta silvestre. 

Aroal é contracção de Aroeira), como Pinhal de Pinhei- 
ral, etc. 

Daroana, casal, Doroanna e Douroanna.— De Ouroaiia, 
antigo nome pessoal, que deu Ouroanas, sitio da >minha Pe- 
najulia ou Penajoia, decantada terra das cerejas!. . . , 

Darque. E' talvez aférese de Bundark, nome germânico, 
em latim Bundarcus, que sem violência deu ou podia dar 
Buarcos, povoação nossa também. 

Ad ridendum junte-se darkland, terra escura, nome que 
a marinha ingleza costumava dar ao nosso litoral, por 'ter 
poucos faroes. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 293 

Das Correias, Das Daldas, Das Delgadas, Das Pinas e 
D'Aspra. São abreviaturas de villa, granja, casal, quinta ou 
casa de campo, das Correias, das Aldas^ etc, appellidos 
nossos. 

Na Chorographia Moderna lê-se Das Daldas, deturpação 
Das Aldas. Confronte-se Alda, supra, e Aldas, velha rua do 
Porto. 

Deão, freguezia, etc. Tomou o nome d'algum deão, di- 
gnidade capitular. 

De Ca Pinhão, quinta. Tomou o nome da sua posição 
relativa, como outras muitas quintas e povoações nossas, 
taes são: Alem Pinhão, Alem Tâmega, Alemtejãc, Alemtejo, 
Alencoão por Alem do Côa, etc. 

Junte-se Cabeçadas por Cá Vessadas; Cachoça por Cá 
Choça; Cachouzende por Cá Chouzende, Cadarnedo por Cá 
d'Arnedo; Cadarroeira por Cá d'Aroeira; Cadeirão por Cá 
do Eirão; Cathejal ou Catojal por Cá do Tojal, etc, povoa- 
ções nossas. 

Decide ou A Decide. E' o mesmo que a granja, quinta 
ou casa de campo de Cid^ appellido nosso tirado do famoso 
cavalleiro hespanhol Ruy Diaz. Rodrigo, filho de Diago, 
cognominado pelos mouros el Cid, o Senhor ou heroe por 
excellencia, por ser o terror d'elles na lucta da reconquista. 
— De Ruy Diaz el Cid passou a denominar-se na Hespanha 
Cid Ruy Diaz, e em portuguez Cid Ruy Dias. 

Defesa e Deveza, muitas povoações nossas, como Deíe- 
sinha, Devezinha, etc. São formas do mesmo nome tirado 
do latim defensus^ a, um, coisa defendida; chão vedado ou 
murado. Mas em algumas regiões do nosso paiz, nomeada- 
mente na Beira Baixa, deveza é synonimo de baldio, com- 
pascuo, logradouro commum para certas e determinadas 
povoações. 

Degracias, aldeia, freguezia, etc, E' talvez contracção de 
Deo Grratias, antigo nome pessoal e nome d'um santo, como 
Deodato ou Deus Dado, em latim Deodatus, Deuladeu, em 
latim Deus Dedit, etc. 



294 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Deilão e Deirão ou Leirão {sic). Podem ser formas do 
mesmo nome, tirado de Eirão, grande eira, oii de leirão, gran- 
de leira. 

Também Deilão e Delães podem vir de Elianns, i, is, 
diminutivo de Elius, nome romano de Elio Adriano Augusto, 
que foi cônsul^ etc. 

Veja-se Aravor no Elucidário. 

Deilão e Delães significariam, pois, villa ou casa de 
campo de Eliao. E' assim a arte nova. 

Deimãos por Deimões. Talvez seja uma forma de limãos 
por limões, pois na onomástica portugueza confundiram-se 
dei — i e ei. 

Veja-se o tópico Substituição de letras, e note-se que 
temos varias povoações com os nomes de Lima^ Limão, Li- 
mãos, Limas, Limeira, Limeiras, Limoeiro, Limoeiros, Li- 
mões, etc. 

Deiró, titulo e appellido do Barão de Sousa Deiró, pre- 
sidente da Camará do Commercio Anglo-Portugueza de Lon- 
dres e ali residente. — De Eiró, muitas povoações nossas, 
pela caprichosa assimilação do preposição de. Confronte-se 
Deville por de Ville, outra assimilação análoga. Veja-se 
Ville, artigo meu no Portugal Antigo e Moderno, vol. 11, 
pag. 1409 a 1415. 

Delhalva por Del-halva? — Veja-se Alva e Dalva, supra. 

A forma Del-Halva por D' Alva, é reminiscência da 
occupação leoneza. 

Delouca, sitio. E' talvez parente próximo da quinta e 
da capella da Maluca, na ria d'Aveiro. 

Delvira. E' uma forma de granja, quinta ou casal Da 
Elvira. 

Dem. Voja-se Dadim e Daem supra. 

Demenderes, quinta. 

1.0 — De... 

2.0 — De Demetriis, patronímico Demetrius, ii, — Demé- 
trio, nome d' um santo, etc. 

Rira bien qui rira le dernierl E' assim a arte nova. 



TENTATIVA STYMOLOGICO-TOPONYMICA 295 

Demo e Demoninho. — De demónio e demoninho, apo- 
dos ou apeJlidos, como Diabo, Diabo de Borba, Diabroria, 
Diabrura, etc, povoações nossas, que tomaram o nome do 
Diabo, synonimia de demo ; e recordam Diabude, ponto 
diabólico do rio Douro, no inverno. Alli não ha cachoeiras, 
nem dornas ou sorvedouros; nem bulhos, bolhas ou empolas 
como no ponto de Bulia, nome bem apropriado, posto pelos 
romanos e tirado do latim hulla — a bolha ou empola da 
agua quando ferve. 

O ponto de Diabude é formado por fitas d'agua falsas 
e quasi imperceptíveis, que fazem desgovernar e naufragar 
os grandes barcos. Veja-se Pontos do Douro, no Portugal 
Antigo e Moderno. 

Deo Christe, freguezia, etc. Podia tomar o nome de 
Deo Christi, apodo ou appellido, ou antigo nome pessoal, 
como Deo Gratias, Deodato ou Adeodato, o mesmo que Deo- 
datus, — Deuladeu, versão portugueza do latim Deus detit. — 
Veja-se Dadas supra. 

Também Deo Christe talvez fosse a antiga invocação da 
matriz d'esta parochia. Actualmente é seu orago S. Mamede. 
Note-se que os oragos de varias freguezias teem sido alte- 
rados e substituídos por outros. Assim o padroeiro da villa 
da Regoa foi S. Prisco, vulgo S. Pisco e actualmente é S. 
Faustino. Também no concelho de Penaguião a freguezia de 
Sanhoane, antiga forma de S. João, teve como padroeiro S. 
João, mas o seu orago actual é S. José, vulgo S. José de 
Medim, contracção de Medelim por Metellim, de MeteUinus, i, 
diminutivo de Metellus, i, nome romano que deu Metello, 
appellido nobre actual, e Medello, antigo couto, hoje simples 
aldeia no aro de Lamego. 

Também o Porto substituiu por S. Pantaleão o seu an- 
tigo padroeiro S. Vicente, etc. 

Derreada, Derreados, Derrubados, Derruída, Derruídas 
e Desbarato por Desbaratado, povoações nossas. Tomaram 
talvez o nome do portuguez derrear, na accepção de derruir^ 
desbaratar, desfazer, destruir, desmantelar. 



296 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPOIÍYMICA 

Confronte-se Desfeita, povoação nossa também. 

Dessourinho. Veja se Sourinho, Destriz e Estriz.v— De 
Destericus, Desteriquis, is, Desterigo, antigo nome pessoal. 
Viterbo, Elucidário^ vb. Igreja. 

Deveza, Devezas, Devezinha e Devezinhas, mais de 
400 povoações nossas, Veja-se Defeza, supra. 

Diabo de Borba, Diabroria, Diabrura e Diabude. Veja-se 
Demo, supra. 

Diagares. E' talvez contracção de Diogo Ayres. Con- 
fronte-se Diogo Alves, Diogo Dias e Diogo Martins, povoa- 
ções nossas também. 

Diogo Dias é o mesmo que Diogo, filho de Diogo, pois 
Dias, appellido nosso vulgar, é a forma portugueza do cas- 
telhano Diaz, contracção de Diagaz, patronimico de Diago, 
o mesmo que Diego, Diogo, Thiago, Jacob, Jacome, Jayme, 
etc, etc, como já dissemos. 

Diano. Veja-se Deão, supra. 

Dine e Dines. De Dignus, i, is, antigo nome pessoal. 
'Dina, por Digna, foi santa e auctorisa a forma Dinus 
por Dignus, Digno. 

Diniz, aldeia, quinta, etc. — De Diniz, nome d'um santo, 
o mesmo que Dionizio, como Duarte e Eduardo são formas 
do mesmo nome. Também Gil e Egidio são formas de 
Heziodo, nome grego, etc. 

Dirão da Rua. Vejase Deirão supra. 

Discorreias. Veja-se Correias e Das Correias, o mesmo 
que Discorreias.* 

Dobeira e Dobreira. Veja-se Lobeira e Lobreiro, povoa- 
ções nossas também, 

Dobrigo. Veja-se Lobrigos, 

Note-se que as letras dei, confundiram-se na onomás- 
tica portugueza. Veja-se o tópico Substituição de letras. 

Dobrôa ou A do Broa, casal. De Broa, apodo ou appel- 
lido, tirado do portuguez boroa, pão de centeio, cevada ou 
milho. 

Docim por Docem. Pôde vir de Ossem, appellido ar- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 297 

cbáico de Pedro Pedrossen da Silva, o lendário Pedro Cem. 
Confronte se Alpoem e Alpoim, Agostem por Agostim, etc, 
Veja-se o meu longo tópico Diapasão francez. 

Dóide por D'Oyde. Pude vir de Oydiz, appellido nobre 
do tempo de D. Affonso Henriques. Veja-se Ois do Bairro e 
Ois da Ribeira, infra, povoações nossas também. 

Polves por Adolves. E' uma das muitas formas de Adol- 
plius, i, Adolpho, nome pessoal e nome d'um santo, que foi 
tirado de Athaulphus, «*, nome germânico muito proliíico na 
onomástica portugueza. Veja-se Aldova, supra e Adaufa 
Adaufe, Adoufe, Adufe, etc, etc, no Índice da 2.» parte d'esta 
minha louca Tentativa. 

Domingão, casal. Vem talvez de dominicanus, adjecti- 
vação de Dominicus, Domingos, nome d'um santo, etc. Con- 
fronte-se Dominicanos, nome vulgar dos religiosos de S. 
Domingos 

Dominguizo, aldeia e freguezia. Vem talvez de Domi- 
niquizi, patronimico archaico de Dominicus, Domingos. 

Note-se que na idade média os patronímicos foram muito 
variados e muito caprichosos ! . . . 

Dona, Don'Alda, por Dona Alda; D. Anna; D. Antónia; 
D. Belida ; D. Branca; D. Brites, contracção de Beatriz; 
D. Catharina; D. Clara; D. Dulce; D. Emiliana; D. Fran- 
cisca; D. Helena; D. Ignez; D. Isabel; D. Joanna ; D. Ju- 
liana; D. Luiza; D. Margarida; D. Maria; D. Rita; D. Rosa; 
Dona Senhora; D. Senhorinha; Donairia e Donas, povoa- 
ções, herdades e quintas nossas. Tomaram o nome das se- 
nhoras que mencionei, para provar que, se outr'ora as senho- 
ras não tiveram a importância que hoje teem, pelo que a 
maior parte das nossas povoações tomaram o nome dos 
homens e não das mulheres, por excepção também muitas 
povoações nossas tomaram o nome das mulheres, nomeada- 
mente das senhoras mais consideradas, que tinham o trata- 
mento de dom, tratamento outr'ora raro, raríssimo ! . . . 

De passagem direi que dom e dona, tratamento social, 
vêem do baixo latim domnus, a, contracção do latim domi- 



298 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

nus, a, — senhor, senhora, o mesmo que Sénior e Seniora, 
antigos nomes pessoaes, como prova o pleonasmo supra : — 
Dona Senhora. 

Também no baixo latim Sénior e Seniora deram Senio- 
rinus e Seniorina, unde Senhorim, que se encontra em Ca- 
nas de Senhorim, freguezia do concelho de Nellas, e Se- 
nhorinha, nome d'uma santa e de D. Senhorinha, supra. 

Também Domnus, i, foi antigamente nome pessoal, que 
se encontra em Penedono, villa outr'ora denominada Pena 
de Domno, como Penaguião — Pena de Gedeon, rico-homem, 
seu fundador. 

Por seu turno Domnus teve os diminutivos Domnellus, i 
e Domninus, i, que se encontram em Donello e Donim, po- 
voações nossas tâmbem. 

A' longa serie das nossas povoações que tomaram o nome 
das Donas, junte-se : Cachadona por (>achada da Dona? — 
Fonte da Dona; Maçans de D. Maria; Poço da Dona; Porta- 
dona; Quintan-dona por Quintan da Dona; Vai de Donas; 
Vinha Dona por Vinha da Dona, etc. 

Também temos Donas Botto, appellido nobre e antigo, 
tirado de Donas e Bota, como Peixoto de peixota, pescada. 
Em contraposição, a desinência a por o se encontra em vários 
appellidos nossos, tal é Barbosa por barboso, o mesmo que 
Barbudo, Barbuto e Barbeito, appellidos nossos também, ti- 
rados das barbas, como Barba, Barbedo, etc. Veja-se Bar- 
beita, supra. 

Donai. De Donadi por Donati, patronímico de Donatus, i. 
Donato, nome d'um santo, tirado do latim donatus, dado ou 
premiado por Deus. E' antithese de Maldonado — male do- 
natus, appellido. 

Donairia é uma aldeia nossa, que tomou talvez o nome 
d'alguma herdade, villa ou quinta, pertencente a algum con- 
vento de Donas_, tal era o de Villa Nova de Gaya, deno- 
minado convento das Donas de Corpus Christi, 

Donairia recorda Prancaria, o mesmo que Franzia por 
Francezia, terra de francos ou francezes, Galleguia, terra de 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 299 

gallegos, Portuguedia, terra de portuguezes, etc, povoações 
nossas, 

Donim. — De Domnini. V. o longo tópico supra, Dona. 

Doninhas, aldeia. Tomou talvez o nome das doninhas, 
pequenos mamiferos muito sympathicos e bem conhecidos^ 
chamados em latim mustela. 

Dordelinho. E' uma forma de Lordelinho, povoação 
nossa também, pois d q l confundiram-se na onomástica por- 
tugueza. 

O povo ainda hoje diz leixar por deixar. Veja- se o tó- 
pico Substituição de letras. 

Doroanna e Douroanna. Veja-se Daroana, supra. 

Doroeira. Veja-se Aroal e Daroeira, supra. 

Doroso. E' talvez uma forma de Loroso, por Louroso, 
contracção de loureiroso, abundante em loureiros, Confron- 
te-se Lorosos, Lourosa e Louroso, povoações nossas também. 

Doura ou Ribeira d'Oura, formosa ribeira transmon- 
tana, onde está o luxuoso estabelecimento thermal de Vi- 
dago. — De áurea, dourada ou de ouro, ribeira muito linda 
e de muito valor. Confronte-se Fontoura, povoação e fregue- 
zia nossa, de Fonte áurea ou d'agua deliciosa, tal é a fre- 
guezia de Fontoura, no concelho de Rezende, e talvez que 
abunde também agua deliciosa nas outras nossas povoações 
denominadas Fontoura. 

Também temos Refontoura, cuja agua deve ser ainda 
superior á das povoações denominadas Fontoura, pois na 
onomástica portugueza ó augmentativo o prefixo re. Con- 
fronte-se Bouça e Rebouça ; Canto e Recanto ; Chã e Rechã ; 
Covello e Recobello ; Camo e Recamo ; Falcão e Refalcão ; 
Fojos, Refoios e Refojos; Torta e Retorta; Voltinha e Re- 
voltinha, etc, povoações nossas. 

Douro, aldeia, rio e dififerentes ribeiros. — Do latim Du- 
rius, nome que os romanos davam ao rio Douro, nome que 
por seu turno vem do sanscrito dru, correr, por ser muito 
precipitada a corrente do Douro. Veja-se Guillou: Vestígios 
da lingua celta. 



300 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Dragas e Drago, aldeia, etc. Podem vir de drago por 
dragão, em latim draco, onis, serpente fabulosa muito grande. 

Talvez que no chão da dita aldeia fosse encontrada al- 
guma cobra muito grande ou serpente no tempo em que o 
nosso paiz esteve em grande parte inculto e povoado de 
bichos e feras. Datam d'esse tempo as lendas que ainda hoje 
vogam de grandes serpentes e cobras e talvez que na dita 
aldeia de Drago vogue também ainda a lenda d'alguma 
serpente. 

Dicant paduani ; respondam os filhos da localidade. 

Nós também temos Drago, appellido, que tem a mesma 
etymologia e podia dar o nome á dita aldeia, ou ser tirado 
d'ella. Confronte-se Serpente, Serpa e Serpe, o mesmo que 
Serpente (?) ; povoações nossas também. 

Drave — E' talvez uma forma de Trave, povoação nossa 
também. 

Drizes — E' talvez uma forma de Andrizes por Andrezes, 
povçação nossa também e uma das muitas formas de André 
na onomástica portugueza. — Taes são: Andrade. Andrades, 
Andrães (?) André, Andreas, Andrés, Aiçidresa, Andresas, 
Andreu, Andreus, Andrezes, Andrias e Anreade por An- 
dreade, que outr'ora soava Andrreade, o mesmo que An- 
drade^ como já dissemos. 

André vem do latim Andreas, ae, cujo patronimico An- 
dreadi deu Andrade e pelo diapasão francez Andrreade e 
Anreade. Veja-se Alvarenga, supra. 

O latim Andreas — André, nome d'um santo, vem do 
grego andreios, viril, valente, unde andreia — coragem viril, 
derivados de aner, andros — homem, como diz Boucrand. 

As formas Andrezes e Andrizes recordam Menezes por 
Menizes, patronimico de Menizus, i, antigo nome pessoal. 
Veja-se o meu longo tópico — Desinências — e confronte-se 
Carril, Carris e Carrizes, povoações nossas. 

Também Drizes pôde ser aférese de Aldrizes. Confron- 
te-se Aldariz, Aldrigo e Aldriz, povoações nossas também» 
tiradas de Ildericus, iquis, Ilderico, nome germânico? 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 301 

Duabellos. Confronte-se Dolabella, nome ou cognome 
romano, tirado talvez do latim dolabella por dolabrella, enxó 
pequena, diminutivo de dólabra, enxó? 

Duarte, casal, etc. — De Duarte, o mesmo que Eduardo, 
nomes de santos, etc, em francez Edouard ; em inglez Edward 
e em allemão Eduard. — Do anglo saxão ead, felicidade e 
ward ou wart, conservador, guarda. 

Significa, pois, Eduardo, defensor da felicidade, como 
diz Boucrand, pag. 66. 

Com vista ao meu bom e velho amigo Eduardo Velloso 
d'Araujo, proprietário e capitalista, morador na sua formosa 
Villa Eva, freguezia de S. Thiago de Lordello, concelho de 
Guimarães. 

Villa Eva tomou o nome do mencionado meu amigo, 
dono d'ella, pois na frente da sua linda casa de campo man- 
dou gravar E. V. A., iniciaes de Eduardo Velloso d'Araujo. 

Não podia ser mais feliz na escolha do nome para a sua 
linda casa de campo. 

Duas Fontes, quinta. Tomou talvez o nome de duas 
fontes ou nascentes d'agua que ali houvesse. 

Os meus avós tiveram uma quinta chamada quinta das 
Cruzes, porque demorava no termo ou na extremidade de 
três concelhos, indicada por três cruzes que ali gravaram em 
um penedo nativo, na forma do estylo. Os taes três concelhos 
eram Barcos, hoje simples freguezia do concelho de Taboaço, 
Pinheiros, villa e honra acastellada, actualmente mera fre- 
guezia do mesmo concelho de Taboaço ; e Goujoim, agora 
apenas freguezia do concelho d'Armamar. 

Goujoim demora na margem esquerda do rio Tedo, con- 
fluente do Douro, mas comprehendia e comprehende a povoa- 
ção da Eibeira e um longo tracto de terra na margem direita 
do mencionado rio, incluindo a tal quinta das Cruzes, dis- 
tante da villa de Goujoim talvez 4 kilometros. 

A tal quinta é denominada quinta das Cruzes, mas po- 
dia denominar-se quinta das Sete Fontes, porque tem sete 
fontes ou nascentes d'agua. 



302 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Também temos varias povoações, casas e quintas com o 
nome de Sete Fontes, e junto de Pinhel um sanctuario com 
o nome de Senhora das Fontes ou das Sete Fontes ; sanctua- 
rio pouco apparatoso, mas muito interessante, que eu já 
visitei. 

Das fontes tomaram o nome centenares de povoações 
nossas, avultando entre ellas pela sua antiguidade e pelo 
numero Villa Nova de Mil Fontes (nada menos de mil fon- 
tes!. . .), freguezia do concelho de Odemira. 

Veja-se Villa Nova de Mil Fontes, artigo meu no Por- 
tugal Antigo e Moderno, vol. xi, pag. 854. 

Dume e Dumes. 

1.° De... 

'2.0 De Didymus, i, nome d'um santo, etc. 

3.° Do latim dumua, i, — o espinheiro ou mato com 
espinhos. 

D. Durão, aldeia; e Durão quinta. De Durandus, antigo . 
nome pessoal, que deu Durão, como Ferdinandus deu Fer- 
nando, Fernão e Ferrão, etc. 

D. Sagrim, casal. De Siagrinun, i, diminutivo de Sia- 
grius, ii, antigo nome pessoal e nome d'um santo, cujo pa- 
tronimico Siagriis deu Sagres, villa e promontório do Al- 
garve. Veja-se Sagres, infra. 

D. Soeiro, casal, etc. — De Soeiro, antigo nome pessoal, 
hoje appellido, tirado do latim suarius, porqueiro ou nego- 
ciante de porcos. Por seu turno suarius, vem do latim sus, 
suis, o porco ou a porca. 

Eirogo. — De eiroco por eiroca, pequena eira, como Bi- 
rinha, Eiró, etc, povoações nossas. 

Eliseu e Elyzio. São formas do mesmo nome. Confron- 
te-se Basilêu e Basilio, de Basileia, cidade da Suissa, unde 
Vaseu por Basilêu e Viseu por Vaseu? 

Elvas. Oonfronte-se Helvetia, que se lê Elvecia, antigo 
nome da Suissa. 

Engalfinhado e engalíinhar-se, termos communs. 

1.0— De... 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 303 



Veja-se Novo Diccionario de Cândido de Figueiredo. 

2.° — De engalfilhado e engalfilhar-se e estes do antigo 
portuguez filhar, agarrar á força, filar. 

Note-se que Ih e nh confundiram-se, bem como l e n. 

Veja-se na minha Tentativa Etijmologica o tópico Substi- 
tuição de letras. 

No Douro já eu ouvi dizer, finho por filho. 

Ervidel. — De Ervedal e este de ervodo, medronheiro, 
como Ervedeira, Ervedeiro, Ervedinho, Ervedosa, Ervedoso, 
Ervideira, Ervideiro, Ervões, Ervosa por Ervedosa, etc, po- 
voações nossas. 

Escureda e Escuredo. 

l.o—De... ' 

2.0 — Do latim aesculetum, azinhal. Magnum Lexicon. 

Escupir, cuspir. — Do antigo francez escrupir, na Pro- 
vença scupir, cuspir ! . . . 

Esgueira. — De Esqueira, metáthese de Sequeira, po- 
voações nossas, como Esqueiro e Sequeiro, Esqueiros e Se- 
queiros, etc. 

Confronte-se também Escalhão, metáthese de Seca- 
Ihão!. . . e Escalheira por Secalheira, o mesmo que Sequiei- 
ra, povoação nossa também. 

Esparto. Ibérica herba. (Quintil.) o esparto ; Iberici funes 
(Horácio), cordas d'esparto. Magnum Lexicon^ vb. Ibericus. 

Também Plinio deu a Carthagena, cidade da Hespanha, 
o nome de Spartaria Carthago. 

Do exposto se vê que o esparto abundou na província 
ibérica ou na Hespanha, mas, como diz Cândido de Figuei- 
redo, o esparto, planta gramínea, vem do latim spartum e 
este do grego sparton, unde Sparta, na Lacedemonia, for- 
mosa cidade da Grécia, no Peloponezo. 

Estanque por estancado. Confronte-se Breve por abre- 
viado. Entregue por entregado. Estreme por estremado- 
Exangue por Exanguecido? Firme por firmado. Inerme e des- 
armado por inarmado. Imberbe e desbarbado por imbarbado. 
Livre por livrado. Prenhe ou prenha por emprenhada, etc, 



304 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Estarreja. De hastula regia — a abrotea, planta medi- 
cinal. Magnum Lexicon. 

Veja-se Abrotica por abrotea, povoação nossa, como 
Arrotiga por Abrotica, pois no diapasão francez Abrotica 
lia-se Abrrotica, 

Assim também Andreas, Andreae e Andreadis deram 
André nome d'um santo, Andrade, appellido, e Anreade fre- 
guezia de Kezende, que em documentos da idade média 
se escrevia Andreadi, mas pelo diapasão francez lia-se 
Andrreade, quasi Anreade. 

E' assim a arte nova, e rira bie?i qiii rira le dernierf . . . 

Veja-se o tópico Diapasão francez, no indice da '2.» parte 
d'esta minha louca Tentativa. 

Também Santo André na Hespanha deu Santander. 

Estiboiral. — De esteveiral, o mesmo que Esteval, Ges- 
tal e Giestal. Confronte-se Esteveira, povoação nossa, bem 
como Estiveira, Estiveirinha, etc. 

Estriz. Veja-se Destriz. 

Etymologias irrisórias. Veja-se Verride, no Portugal An- 
tigo e Moderno, vol. 10, pag. 313, col. 1.* 

Fadregas. Veja-se Fragas e Fradigas. 

Fangarrifão. Veja-se Bramão, supra. 

Farminhão, aldeia e freguezia. — De Firminianus , i, Fir- 
miniano, nome pessoal e nome actual. E' diminutivo de Fir- 
minus e subdiminutivo de Firmus. 

Farrapa, diíferentes povoações, — De esfarrapa, que arra- 
nha, por ser o seu chão a modo de matta ou gandra, povoado 
de plantas espinhosas, que picam ou arranham. Tal é a Far- 
rapa, que eu conheço, no concelho d' Arouca, junto do Rego 
de Chaves. 

Favaios. — De Phebadius, Phebadio, nome d'um san- 
to, etc. 

Faxeiros e Faxellas. — De favaxeiros e favaxellas. Con- 
fronte se Favaxa e Favaxinha, povoações nossas, como Alfa- 
iar por Alfaval, o Faval? 

Feijão, appellido nosso d'alta cotação em Lisboa, etc. 



TENTATIVA ETYMOLOaiCO- TOPONYMICA 305 

Foi tirado dos feijões, legume. Confronte-se Centeio, Cen- 
teno por Centeio, Milho, Trigo, Farinha e Feijó, o mesmo 
que feijãosinho, pois Feijó vem do baixo latim phasiólus por 
phasiolus, o feijão bravo. 

Honra o teu nome e elle te honrará, seja qual for ! . . . 

Feijões, em 1532, na Hespanha e em Portugal. 

«Os feijões vão muitos pêra tralos montes, e pêra cas- 
tella ; e rende cada alqueire em castella 500, 600 reis. E 
vale aqui (em Lamego), o alqueire 20, 30 reis : em castella 
vendem-se a arrates.» 

Ruy Fernandes, pag, 555, na interessante Descripção 
do terreno em volta de Lamego duas Legoas, escrita em 1532. 

Fernão e Ferrão. — De Ferdinandus, i, Fernando, que 
outr'ora deu também Ferrandus, i, e assim como Fernandus 
deu Fernão por seu turno Ferrandus deu Ferrão. 

Ferraz, appellido. Confronte-se Ferros, aldeia, uma das 
nossas muitas povoações que tomaram o nome do ferro. 
Ferróz é talvez contracção de Ferreiróz ! . . . e Ferraz o 
mesmo que Ferróz? Fiat lux. 

Ferreira, appellido, castello, rio, freguezia, etc, Con- 
fronte-se Herrero (ferreiro), appellido actual na Hespanha. 
Confronte-se também Farrera, Ferrera, I^erreras, Ferraria, 
Ferverias, Ferrero, Ferreros, Ferreira, Ferreiras, Ferreiro, 
Ferreiros, Ferreirous, Ferreirua, Herraria, Herreira, Herrera, 
Herreras, Herreria, Herrerias, Herrero, Herreros e Herre- 
ruela, varias povoações da Hespanha. 

Junte-se Ferrère, povoação da França; Ferrera, povoa- 
ção da Suissa ; Ferrara, diíferentes povoações da Itália; 
Ferrière e Ferrières, muitas povoações da França ; e Fer- 
rières, duas povoações da Bélgica. 

V. também no Elucidário de Viterbo o artigo Ferros, 
onde se menciona um fidalgo distincto, ferreiro por officio!... 

Confronte-se também Ferrero, appellido actual d'um 
distincto escriptor italiano (1912). 

Fotos. Confronte-se Monte da Feiteirona e Monte da 
Feteira. 

20 



306 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Sendo os fetos uma planta arbustiva espontânea e sem 
valor, deram o nome a centenares de povoações nossas e 
tomaram os ditos nomes formas tão variadas, que em muito» 
d'elles só com a lente d'arte nova se distinguem os fetos. 
Veja-se paginas 295 e seguintes na 1," parte d'esta minha 
louca Teiitativa. 

Fibeda, Firveda, Firvida e Fivida. Também temos Fir- 
vidas e Firvidellas, aldeia e freguezia. São formas do mesmo 
nome e recordam Fervença, nome d'um pequeno rio de Bia- 
gança, que se precipita sobre a margem direita do Sabor, 
correndo por entre fragas, como que espumando e fervendo, 
a modo de Misarella ou Mijarella. Eu já o vi. 

Filomena ou Filomena. — De Philoméla, em francez 
Philomêle, nome d'uma filha de Pandion, rei d'Athenas, 
transformada em rouxinol. 

Do grego pMlos, amigo, e mêlos canto, propriamente 
que ama o canto. Veja-se Philomêle em Boucrand. 

Fiúza, casal. Confronte-se Ophiusa, antiga povoação da 
Peninsula, mencionada no roteiro d'Antonino. 

Fogo de vinagre. Veja-se Masouco, infra. 

Folques. Confronte-se Folque, appellido de Pedro Fol- 
que, natural da Catalunha, junto dos Pirinéus, e que d'ali 
veiu para Portugal na 2.'' metade do século xviii. Foi homem 
muito illustrado e de muito merecimento, pelo que exerceu 
entre nós altos cargos, taes foram o de capitão general de 
S. Paulo, no Brazil, inspector dos telegraphos, director dos 
trabalhos geodésicos, commandante geral de engenharia, te- 
nente general, etc. 

Nasceu em 1744, na Catalunha, e falleceu em Lisboa em 
1863, contando 119 annos, se não mente o Janeiro de 80-4-907. 

Fontes Trans Basseiro. Veja-se Alem Banho, De traz 
d'Agra, Traz-os-Montes, Traz do Rio, Trezéste por Traz 
Este, que demora além do rio Este ; Tresval, que demora 
do valle, etc. 

Todas estas povoações tomaram o nome da sua posição 
relativa, como outras muitas povoações nossas. 



TENTATIVA ETYMOLOGlCO-TOrONYMICA 307 

Taes são : Alem-Douro, Alem Pinhão, Alem Tâmega, 
Alentejo, Alentejão e Alencoão, appellido tirado d'A]em-Côa, 
como Alentejão de Alemtejo, ete. 

Formam antithese com estes nomes os seguintes, em 
que se encontra o prefixo cd por de cá, v. g. Cabeçadas por 
Cá Vessadas; Cabelleiras por Cá Avelleiras; Cabouca por 
Cá Bouça ; Caceira por Cá Ceira ; Cachóça por Cá Choça ; 
Cachouça por Cá Chouça; Cachouzende por Cá Chouzende; 
Cachusella por Cá Chousella ; Cadarnedo por Cá de Ar- 
nedo; Cadarroeira por Cá de Aroeira; Cadeirão por Cá do 
Eirão; Cadoeira por Cá da Eira; Cajaneiro por Cá do Ja- 
neiro; Cajorge por Cá do Jorge; Calourenço por Cá do Lou- 
renço; Casouto por Cá Souto? Cavallas por Cá Valias? Ca- 
vaquinhas por Cá Vaquinhas? Caveirós por Cá Veiros. 
Vieirinho, Vieiro, Vieiros e Veiros por Vieirós, são povoa- 
ções nossas também. Cathejal ou Catojal por Cá Tojal, po- 
voações da freguezia de Unhos, concelho dos Olivais, distrito 
de Lisboa, mencionadas na Chorographia Moderna, vol. iv, 
pag. 752. 

Note-se que na mesma freguezia de Unhos ha uma po- 
voação com o nome de Tojal, o que auctorisa a etymologia 
de Cathejal por Cá Tojal. 

A' mesma série de povoações, que tomaram o nome da 
sua posição relativa, pertencem outras muitas e entre ellas 
as seguintes; Cima da Aldeia, Cima da Bouça, Cima da 
Rua, Cima da Veiga, Cima de Cantim, Cima de Villa. 

Só com este ultimo nome temos talvez mais de 200 
povoações com os nomes e mais de 50 com o nome de Cimo 
de Villa, o mesmo que Cima de Villa. 

Também por antithese temos talvez mais de 200 povoa- 
ções com os nomes de Fundo da Alchia, Fundo da Costa, 
Fundo da Lomba, Fundo da Villa e Fun'de Villa por 
Fundo de Villa. 

A' mesma série pertencem Villa Juzã e Villa Meã. Só 
com este ultimo nome temos talvez mais de 30 povoações. 

Junte-se finalmente Samodaes, a terra natal do snr. 



308 TENTATIVA ETYMOLOQICO-TOPONYMICA 

conde d'este titulo, freguezia do aro de Lamego, na margem 
erquerda do Douro, pois Samodães foi outr'ora denominada 
Çumadães por Cimadaes, terras que estão no alto, cima ou 
cimo d'uma encosta ou ladeira. 

Samodães é, pois, uma forma de Simodães por Cima- 
daes, Cimadans ou Cimadaes, nome bem apropriado, porque 
Samodães demora em sitio alto e muito vistoso, no cimo 
d'uma grande encosta ou ladeira que terá pouco mais de um 
kilometro de extensão em linha recta sobre a margem esquerda 
do Douro, mas o desnível entre os dous pontos é talvez su- 
perior a 300 metros ! . . . 

Note-se que o povo não diz Samodães, mas Simodães, 
quasi Sima-|-Dães, e que na onomástica portugueza trivial- 
mente se confundiram as letras i, a e o, como já dissemos 
no tópico Substituição de lett^as, tópico muito importante para 
este ramo d'estudo arte nova. 

Foz do Sabor e Sabor^ rio, etc. Confronte-se Sapor ou 
Veiga de Sapor sitio da freguezia de Ville, concelho e co- 
marca de Caminha, districto de Vianna do Castello. Veja-se 
Ville, artigo meu no Portugal Antigo e Moderno, vol. xi, pag. 
1413, in fine. 

Fradigas. Veja-se Barcadigas. 

Fradique, Frariz e Freiriz. — De Frederiquiz, patroní- 
mico de Fredpiricus. Veja-se Flariz. 

Fraião. E' o mesmo que Froião e Froilão, antigo nome 
pessoal, diminutivo de Froila. Veja-se Froilano, na Vida da 
Beata Mafalda, pag. 225. 

Francoim, casa nobre no concelho de Felgueiras. 

1.°— De... 

2.° — De Francalim por Franklim. 

Francelha, Francelho e Francellos. Veja-se Brancelhe. 

Freita, Freitas, Talhada e Talhadas. — De pedra e pe- 
dras fendidas pelos raios, fractas. Confronte-se Castanheiro 
Talhado ! . . . 

Freixo de Numão e Numão. Confronte-se Naumann, 
appellido d'um ministro actual allemão (1907); mas Numão 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 309 

pôde vir de Numanus, diminutivo de Numa, nome romano 
de Numa Pompilio, etc. 

Também Numão podia dar Lomão, povoação nossa, pois 
l e n trivialmente se confundiram na onomástica portu- 
gueza. Veja-se o tópico supra Substituição de letras. 

Frende. — De Fredesindus, i, Fredesindo, nome germâ- 
nico d'um' bispo de Salamanca, etc. 

Fredesendi, Fredezende, Frende, Friães, Friande, Frião, 
Fridão, Friões por Friães e Friunde por Friande. 

1.0 — De Frigdiamus, i, antigo nome d'um santo. 

2.0 — De Ferdinandus, i, Fernando, também nome d^um 
santo. 

Frontelheiro. — De forno telheiro!... Veja-se Forno da 
Telha. 

Fuschini, appellido. Confronte-se Fuscinus, i e Fuscus, i, 
cognomes bem conhecidos na epigraphia romana da nossa 
Península. Revista de Guimarães, vol. xxiv, n.° 2, Abril de 
1907, pag. 82. 

Fuscinus podia ler-se Fuskinus, i, e era diminutivo de 
Fuscus. 

Gabim, Gavim e Gavinho. — De Gahinius, ii, Gabinio^ 
cônsul romano. Veja-se Gabinius e Ptolomeu no Diccionario 
clássico. 

Gadanha, sitio, Gadelha por Gadenha, Gadelho por 
Gadenho, Gadiche e Gadinhos (Casal dos), Guediche, cidade 
extinota no alto da minha Penajulia ou Penajoia, Gadunha, 
serra, Gadunho por Gadinho, aldeia, etc. Guedexe por Guedi- 
xe, Guedieiros por gadieiros, pastores, como boeiros, cabrei- 
ros, ovelheiros, etc. 

Todas estas povoações tomaram o nome do gado. Con- 
fronte-se Arneiricho e Arneirinho, Gavicho, appellido e Ga- 
vinho, aldeia ; Lagartixo e Lagartinho ; Cavalluche por Ca- 
vallucho, este por Cavallicho, e este por Cavallinho ; Rabicho, 
casal, e rabinho, nome commum, etc. 

Galifães e Galifonxe. 

1.° — De... 



310 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

2." — De Wilifonsi, patronímico de Wilifonsus, i, nome 
germânico unde Aífonso, Ildefonso, antigamente Alifon, Ali- 
fonxe, etc, e talvez Galifon e Galifonche por Galifonxe, porque 
o W germânico inicial, precedendo vogal, umas vezes cahiu, 
outras vezes mudou para g gutural! Confronte-se Walter 
que deu Alter, Baltar, Balteiro, Gaitar, Gualtàr, Gualter, 
Valteiro, etc. 

Também Willelmus, i, deu Guilherme, Wimaranis, deu 
Gomarães, Gomares, Gomariz e Guimarães. 

De Galifon, Galifào, Galifães, Galifões Gueifães, Gui- 
íães, Guifões e Guinfães ? ! . . . 

Confronte-se também Balazar, Galazar e Vai d'Azares 
(por Valazares?) de Bdisarius, ii? Gallamares, Gamil, Gui- 
Ihamil, Guilhemil e Guilhomil, de Wiliamiris? Guilhabreu 
de Wiliabredus, i, Guilhufe, de Wilialfus, i, Guissoi de Visoi, 
antigo nome pessoal. Veja-se o meu longo artigo Viseu, no 
Portugal Antigo e Moderno, vol. xii, pag. 1715, col. 2. a in 
fine. Guizande de Wisandus, i. Veja-se Fõrstemann e Affon- 
sim, supra. 

Gaitar, Gualtar, Gualter, Valteiro e Valter, nome pes- 
soal. Veja-se Baltar, supra. 

Galvão^ appellido, aldeia, etc, Veja-se Galvão, povoação 
nossa também. Confronte-se Alvão e Montalvão. 
i Galvão, appellido. 

1." — De... 

2.0 — De Galbanus, i, diminutivo de Galba, nome ou 
cognome romano de Sérvio Sulpicio Galba, imperador, etc. 
Diccionario Clássico. 

Este appellido romano foi talvez tirado do latim galba, 
insecto que se cria nos carvalhos e azinheiras. 

Gandufe, Gondifellos, Gondivae, Gondivão, Gondivenho, 
Gondivinho, Gondufe, Gondufo, Gonfão, Godolphim, appel- 
lido, Guifáes, Guifões, Guinfães, Gundufe, etc. 

1.0— De Gondulphus, i, nome pessoal germânico, e dos 
seus derivados. Veja-se Cendufe, supra e Gondifellos, infra. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 311 

2.0 — Guifães, Guifões e Guinfães. — De Wifonsus, i 
(Wílifonsus, i). Veja-se Galifões e Galifonxe. 

.3.0 — Gaifães e Guifões. — De Guião, onis, Guido, nome 
d'um santo, etc, 

Gardaes, Gardães por Gardaes, Gardal, Guardai, Guar- 
dalido, Guardão, Guardeira, Guardete, Guardinhos, Guardi- 
zella^ etc. — Dos cardos. Veja-se Gardaes, supra. 

Gassamar. Veja-se Casimiro. 

Gava e Gavia. Veja-se Cava e Cova. 

Gavinho, appellido. 

1.0 — De... 

2.0 — De Gabinius, ii, Gabinio, nome romano d'um côn- 
sul, etc. 

Veja-se Diccio7iario clássico. 

Gem, povo da freguezia de S. Thomé de Covellas, con- 
celho de Baião. — De Gemini, patronímico de Geminus, i, 
Gemino, antigo nome d' um santo, etc. como Gemina, nomes 
tirados do latim geminus, a, um, gémeo, nascido do mesmo 
parto. 

Por seu turno Geminus deu Geminianus, i, Geminiano, 
também nome pessoal e nome d'um santo. Confronte-se 
Geme, Gémeos e Gens, povoações nossas, também com a 
mesma etymologia. Gens é plural de Gem. 

Gemunde, três povoações nossas. Confroute-se Gemíiad, 
povoação d'Allemanha. 

Gende e Frugeude? 

l.«— De... 

2.° —Do árabe gendi, o soldado. Veja-se Gindi em Sousa, 

Germanello. No Portugaliae Monumenta, 1. Foralia, pag. 
432 e 433 ; se encontram os foraes de Barcellos e Germanello. 

Não teem data, mas, como diz Herculano no primeiro, de- 
viam ser dados pelos annos de 1 140-1146, porque n'elles D. 
Affonso Henriques se diz Rei, e porque nas assignaturas 
ainda não figura a mulher d'eile D. Mafalda. 

No do Germanello se diz, entre outras cousas, o se- 
guinte : 



312 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

« Et inde ad African partem per ubi attingere et quan- 
tum pertingere potuerint indefinite libere habeant et in- 
colant.» 

(Couto de homisiados). 

Era assim generoso com relação ás terras sul do Ger- 
manello, por estarem ainda occupadas ou devassadas pelos 
mouros, como eu já disse no Portugal Antigo e Moderno e 
nos meus folhetins publicados no Conimbricense. 

Germaneilo vem do baixo latim Germanellus, diminu- 
tivo de Germanus, Germano, nome d'um santo, etc. Por seu 
turno, Germaneilo deu Jarmello, freguezia do concelho da 
Guarda. 

Também Germaneilo podia dar Germel, povoação nossa. 

Germil, Sangemil e Sanjumil. — De Gimirus, i, nome 
d'um santo, etc, talvez forma d'Argimiro, também santo, 
que deu Argemib Argomil e talvez Argil, Armei, Armil e 
Armilo, povoações nossas. 

E talvez que Argimiro seja uma forma de Ariamirus, i, 
nome godo, que podia ler-se Aryamirus, i, e Arjamirus, i, 
unde Arganil por Argamil. 

Germunde, Gilmonde, Gimonde, Samonde, Semonde e 
Sermonde. 

L° — De.. . 

2.0 — De Sigismundus, i, Sigismando, nome germânico e 
nome d'um santo, em francez Sigismond, nome tirado do 
teutonico, sig, sieg, victoria e mund, homem. Significa, pois, 
Sigismundo, homem victorioso, triumphante, synonimo de 
Victor, também santo. • 

O mesmo prefixo de Sigismundo se encontra em Sige- 
berto, victoria brilhante, illustre, celebre, e em Sigifredo, 
em francez Sigefroi, em allemão Siegfried, do teutonico 
sig, sieg, victoria, triumpho e fried, fred^ paz, tranquilidade. 

Significa, pois, Sigifredo, paz victoriosa. Tal foi a que 
o Japão firmou com a Rússia em 1905. 

O mesmo prefixo se encontra em Sezinando ou Size- 
nando, antigamente Sisnando por Sigisnando, santo. 



TENTATIVA STYMOLOGICO-TOPGNYMICA 313 

O suffixo é O mesmo de Fernando, em francez Ferdi- 
nand ; mas o que significa nand ? Será uma forma de land, 
terra ? 

Gitano. Vocábulo portuguez, é o mesmo que cigano, e 
vem do castelhano gitano, como diz o Snr. Cândido de Fi- 
gueiredo. 

Por seu turno gitano é talvez aferese de egyptano, 
oriundo do Egypto . . . 

Idanha, povoação nossa, outr'ora Egitania, vem, pois, de 
egyptania, o mesmo que egyptana, terra de ciganos. 

Giz, aldeia e casal. 

1.0 — Do giz? — carbonato de cal... 

2.° — Do latim de Plínio zygis, gis, quasi giz, o serpão 
bravo — planta. Magnum Lexicon. 

Goelas de Pau. Veja-se Bramão, supra. 

Gonçalo. — De Gundisalvus, i, que se lia Gundiçalus. 

Gondifellos. 

1.0 — De... 

2.0 — De Gondulphellus, i, diminutivo de Gondulphus, i, 
nome germânico, unde Gandufe, Gondufe, Gondufo, Gonfão 
e Gundufe. — De Gondulphanus, Gondufão, <^ Gonfão, Gon- 
difão <^Gondivão? 

De Gondulphus, i, GondulpMnus, i, e Gondiphinus^ i, 
unde Gondivenho, Gondivinho e Goodolphim, appellido 
actual do distincto escriptor Costa Goodolphim. 

Gondifellos, Gandufe e Gondufo. Veja-se Chozende, 
supra. 

Gondivae, Gondivau e Gondivão por Gondivau. — De 
Gondebaldus, i, nome germânico. Veja-se Chozende, supra. 

Gondomar, Gondomarinho, Gondomil e Gontomil. Ve- 
ja-se Candemil. 

Gontijas, Gontije, Gontijo e Gontilhe. Confronte-se Gõt- 
Hngen, cidade e rio da Allemanha na actualidade (1912) 
Veja-se a grande Geographia Universal de Bescherelle e Devars. 

Gordo. Segundo diz o snr. Cândido de Figueiredo, vem 
do latim gurdus, termo de origem hispânica; mas gurdus^ i, 



314 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

segundo se lê no Magnum Lexicon — significa o tolo, estou- 
vado, inútil, não gordo. Confronte-se Gorda, Grordalina, Gor- 
daria, Gordeita, Gordesas, Gordim,' Gordina, Gordinheira, 
Gordo, Gordôa, Gordos, Gorducho e Gorduras, pov. nossas. 

Gouvães, Couveães, Gouveia, Goveias, Gouvim. Gouvi- 
nhas, Gove e Goveiras. Veja-se Cava e Cova, supra. 

Gouxa, Gouxária e Gouxo. 

1.° — De... 

2.°— Do tojo?!. .. 

Confronte-se Goija e Goixa (quasi Gouxa?) Goja e Gojo, 
que no diapasão callaico daria Goxo quasi Gouxo, povoações 
nossas que na minha opinião tomaram o nome do tojo, como 
Tocha por Toja, Tocheiro por Tojeiro, Tocho por Tojo e tal- 
vez Togo; Toja, Tojal, Tojalinho, Tojão por Tojalão; Tojeira, 
Tojeirinho, Tojeiro, Tojinha por Tojeirinha? Tojinho, Tojo, 
Tojos, Tojosa; Toyssa por Tojosa, Tozal por Tojal; Tozeiro por 
Tojeiro ; Trochainho por Tochainho e este por Toxalinho, o 
mesmo que tojalinho, pequeno Tojal ; Trocheiros por Tochei- 
ros e este por Tojeiros ; Trouxa ou Troxa por Toucha e To- 
cha, supra, o mesmo que Toja; Tugal por Tojal, o mesmo 
que Tozal e Tuzar. 

Gouxária ou Gauxaria, pode vir de goxaria por tocharia, 
o mesmo que toxeira, Tocheira e Tojeira. 

Nós temos Francaria, appellido e Franqueira; Pinheiria ; 
Cárdia por, Cardaria e Cardeira; Carneiria e Carneira; Bar- 
rocaria e Barroqueira; Vacaria, Vaqueira e Vagueira por 
Vaqueira? Soutaria, Soutosa e Souteiro, quasi Souteira; Fer- 
raria e Ferreira; Lameiria, Lameira e Lamosa por Lamei- 
rosa. 

Abelheira por abelharia, ou Abelhal; Açoreira por aço- 
raria ; Aguieira por aguiaria, o mesmo que Aguiar e Aguilar ; 
Alheira por alharia, o mesmo que alhal e alhar, que se en- 
contram em Alhaes e Alhares, povoações nossas. Barreiria, 
Barreira, Barradas, Barrosa e Barrai. Felgaria, Felgoso, Fel- 
gar, Felgares, Felgueira, Felgueiras, Folgarosa, Folgorosa, 
Folgosa, etc. Dos fieitos, frentos ou feitos. 



TENTATIVA ETYMOLOGIOO-TOPONYMICA 315 

Temos também Couxaria por Gouxaria. 

Gozaudina, Gozende, Gozendes, Gozendinho e Gozendo. 
Veja-se Chozende e Chozendo. 

Gozundeira por Guizandeira — Dos guisos, campainhas 
do gado lanígero, denominadas também louça pelos pastores 
da serra da Estrella. Em dias de festa oU feira costumam os 
donos do gado dizer aos pastores, seus criados : — botem a 
louça toda ! — em vez de dizerem : — levem o gado com to- 
das as campainhas e chocalhos. 

Gozundeira e Guizandaria, povoações nossas também, na 
minha opinião téem a mesma etymologia, e pertencem á 
mesma serie de Campainha por Campainhas, Chocalhinho 
por Chocalhinhos. 

Chocalho, Moinho do Chocalho e Tintinillo, forma cal- 
laica de Tintinilho, o mesmo que Tintinolho, povoações nos- 
sas, que tomaram talvez o nome do tinir das campainhas do 
gado, 

E' assim a arte-nova e rira bien qui rira le dernier. 

Grimancellos e Grimancinhos. — De gramanços por gra- 
vanços, grãos de bico, em castelhano grabanxos. 

Grova, Grovas e Grovellas. Veja-se Cava, Cova, Covas 
e Covellas. 

Gualdino. E' o mesmo que Ubaldino, nome actual do 
Dr. Ubaldino Amaral, director do Banco do Brazil na actua- 
lidade (1910). 

Estes nomes vêem de Wald, nome germânico pessoal, 
que no baixo latim deu entre nós Waldus, Ubaldus, Gual- 
diis, Gualdinus, Gualdino, Gualdim Paes de Marecos^ Ubal- 
dino, etc. 

Também Ubaldus, i, por aferese deu Balde e Baldos, 
povoações nossas. 

Gueirinho, ribeiro transmontano, confluente do rio Pi- 
nhella, que morre no Tua, margem direita. 

Gueirinho por Guieirinho é uma forma de Vieirinho, 
diminutivo de vieiro, nome que o povo dá a um pequeno 
veio d'agua. Confronte-se Beiro por Vieiró, Veirigas por 



316 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Vieirigas, Veirigo por Vieirico, Veiros e Veiros, povoações 
nossas que tomaram o nome dos taes vieiros, como Vieira, 
Vieiras, Vieirinhos, Vieiro e Vieiros ! . . . 

Confronte-se também Arroio e Arraiolos, pequenos ar- 
roios; Fontes, Fontinha, Fontiniias e Fontainhas por Fonti- 
nhas; Eibeira, Eibeirinha, Ribeirinho, Ribeiro, Eiboura, Ri- 
bóz e Rivóz, povoações nossas que tomaram o nome das nas- 
centes d'agua maiores ou menores, como outras muitas po- 
voações nossas. 

Guerner e Werner, appellidos portuguezes importados 
do extrangeiro. São talvez formas do mesmo nome. 

Guerredoura por Gorredoura. Veja-se Gorredoura ? ! . . . 
Guilhafonce, Guilhafonso e Villa Fonche. — De Vilifon- 
sus, Vilifonsi, nome próprio no século XI. Veja-se Affonsim 
e Guilhafonxi, século XIII. 
iV.* Malta, II, 79. 

Guímaré e Guimarei. De Vimaredus, i, Vimaredo, antigo 
nome pessoal de Vimaredo, abbade do mosteiro duplex de 
S. Miguel em Riba-Paiva, que figura em um documento 
d' Arouca, de 989. Elucidário vb. Deo Vota. 

Guissoi — De Visoi, antigo nome pessoal, mencionado 
por mim muitas vezes, citando o PortugaUae Monumenta, 
no meu longo artigo Vizeu do Portugal Antigo e Moderno, 
vol. XII, pag. 1715, col. 2.*. 

Gyssa ou guissa é portuguez antigo; actualmente guisa, 
maneira, modo. 

Archivo da Collegiada de Guimarães, documento do 
anno 1373. 

Henrique^ nome pessoal. 
1.0 — De... 

2.® — De Hermeneriqui, patronímico de Hermenericus, 
Hermenerico, nome germânico d'um rei dos suevos, etc. 

Herminios^ habitantes da serra da Estrelia, são uma 
forma de Arménios. Veja-se Herminius em Boucrand, pa- 
gina 88. 

Hospicio, casal, quinta, etc. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMIOA 317 

1.» — Do portuguez hospício. 

2.0 — De Hospício, nome d'um santo, etc. 

Ildefonso. Teve as formas seguintes : AíFonso, Alfonso, 
Aldonso, Aldôso (leia-se Aldoço), Alonso, Alífon, etc. etc. 

Alifon (Santo Alífon), no Porto, e Ilefonso (na Hespa- 
nha) . . . «graeías a san Ilefonso.» 

Covarrubias ; vb. Leocadia. 

Irmensil, aldeia, etc. 

l.*~De... 

2.° — De Almansil, nome árabe. Yeja-se Almansil, fre- 
guezia nossa também. 

Izeda e Zedes. Confronte-se Osa, Osedo, Oset, Oso> 
Ossa, Osso, Ossuna, Ossanilla, Oza, Uceda, Ucedo e Ucero, 
nomes geographicos da Hespanha, tirados talvez dos osos ou 
ozos •— urços. 

De Uceda — Izeda? 

De Oset <Ozed<Ozedes< Zedes? 

Jafafe. — De Janes Tafila — João Fafe ? 

Jallares,' povoação nossa. E' talvez contracção de Joan- 
nes Alariis ou Hilariis — João, filho de Alario ou Hilário. 

Note-se que o latim Joannes deu João e Joannes^ appel- 
iído, em composição deu Ja, Jam, Jaem e Joam na onomás- 
tica portugueza. Confronte-se Jadão por João Adão, quinta ; 
Jafafe de Janes Fafila — João Fafe?; Jambo por João Bom» 
herdade ;JJamor por João Amor e Jamuros por João Muros. 
Oonfronte-se Zé dos Muros, apodo do Dr. José Ernesto de 
Carvalho e Rego, lente e prelado da Universidade no meu 
bom tempo de Coimbra. ^ 



^ Elle era uma excellente pessoa, meu patricio e tão meu amigo, 
que chegava a dizer: — lamento que este rapaz não seja meu sobrinho!. . . 

Foi durante muitos annos prelado da Universidade, sempre muito 
considerado pelo governo e muito estimado pelos estudantes; elles, po- 
rém cognoniinaram-n'o Zé dos Muros, porque vivia em uma casa da rua 
da Alegria, cujo quintal era muito ladeirento, mas tocava na rua da Cou- 
raça de Lisboa, aproximadamente a meio d'ella. 

O santo homem, para fugir da grande volta que tinha a dar, se fosse 



318 TENTATIVA ETYMOLOaiOO-TOPONYMICA 

Janaffonso por Joanne Affonso ; Janalvo por Joanne 
Alvo ; Janas por Jannes e este por Joannes; Janas ou Janós 
por Joanolus, o mesmo que Joannico e Joanninho, diminuti- 
vos de JoãO; que se encontram em S. Joanico e S, Joaninho, 
povoações nossas, como S, Joanne e S. Joannes, Sanoane e 
Sanhoane por Sanioanne, antiga forma de S, Joanne, pois 
2, g 6 j na idade media confundiram-se e substituiram-se 
como jâ dissemos. 

Junte-se também Jancido por João Cid ; Jandorem por 
João d'Ourem?, Jandurão por João Durão — e este por Du- 
rando, antigo nome pessoal, em francez Durand, que deu ou 
podia dar Durão, como Ferdinandus deu Fernando, Fernão 
e Ferrão, etc. 

Jancid — é o mesmo que Jancido supra; Joães — de 
Joannis, patronimico de Joannes; Joanhe — de Joanni, por 
Joannnis?; Joanico, outro diminutivo de João, como Joanni- 
nho, Joanne, Joannes, João e João AíFonso, o mesmo que 
Jonafifonso, supra, 

João Alvo — o mesmo que Janalvo, supra. 

João Bom — é o mesmo que Jambo, também supra. 

João de Boim por Aboim. 

João de Vilheiro. Confronte-se Guilheiro e Vinheiro, 
povoações nossas. 

João Folheiro ? — herdade. 

João Guilheiro. Veja-se João Villeiro. 

João Paias? — João Paneiro, João Privado, João Rou- 
peiro, etc. 



para a Universidade pela rua da Alegria, largo da Estreita e Couraça de 
Lisboa, mandou fazer um atalho pelo seu quintal até á rua da Couraça, 
mas por ser o dito chão muito Íngreme, o atalho era todo uma escadaria 
com lacetes e paredes que estavam sempre a desabar e elle sempre a man- 
dal-as reconstruir. Gastou com ellas boa parte das suas economias, pelo 
que os estudantes já tinham dó d'elle e o cognominaram Zé dos Muros. 
Veja-se Penajoía, no Portugal Antigo e Moderno, vol. vi, pagina 
562, col. l.'' e segg., onde dei a biographia de sua exc.a, para d'algum 
modo lhe significar a minha profunda gratidão. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 319 

Do exposto se vê que o nome João foi muito prolifico 
na onomástica portugueza ; mas não foi menos prolifico o 
meu nome Pedro, com as suas differentes formas Pêro, Pe- 
res e Pires, como pôde ver-se na Chorographia Moderna. 

Pires é patronimico de Piro por Pêro, contracção de 
Pedro. 

A Hespanha tem Sampiro, appellido e duas povoações 
com os nomes de Sampil- e San Pil, tirados de Sampiri, pa- 
tronimico de SampiruSj i — Sampiro ? 

Jalles. — De Jalaliel, elis, nome biblico. 

De JalalieliSf Jalelis, Jalles? 

Jesufrei. — De Sigifredus, ?', antigo nome pessoal, que 
deu também Safredo, povoação nossa. Confronte-se Siegfried, 
nome allemão (?) d'um distincto maestro. 

Joaves e Jubal. — De Juvenalis, Juvenal, nome romano 
e nome d'um santo. 

Judia, Juhia e Juia. — São formas do mesmo nome. 

Juncaveio. 

1.0 -De... 

2.° — De juncaleio por juncaleiro, o mesmo que Jun- 
queiro ? 

A escala seria : — Junco ]>■ Juncal >- Juncaleiro ^ Jun- 
caleio ^ Juncaveio ? 

Note-se que l, h e v confundiram-se e substituíram- se e 
que ore letra muito falsa / . . . 

Juromenha. Veja-se Soromenhos. 

Juvandes. — De Juventius, ii, Juvencio, nome pessoal e 
nome d'um santo. 

De Juventiis, Juvaniiis, Juvandes ! . . . 

Confronte-se Juvencio, nome próprio actual. Veja-se o 
meu longo tópico — Diapasão francez e Amandes, supra. 

Juvencio e Amâncio foram nomes de santos, como Flo- 
rêncio, Innocencio, Constâncio, Venâncio, etc, 

Loborim. Confronte-se Labori, que se lê Lábórí, appel- 
lido actual francez. Vejase Castro Laboreiro. 

Lagendo, Lagindo e Lagundo. Veja-se Algodres, supra. 



320 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Lampaça, Lampaças, Lampaceira e Lampas. — Das la- 
pas, pedras. Veja-se Lapaceiras. 

Lalim e Larim. São talvez formas do mesmo nome, por- 
que l & r trivialmente se confundiram e substituiram na ono- 
mástica portugueza. Por seu turno Larim é talvez contracção 
de Lazarim, freguezia próxima de Lalim. Mas Lalim pôde 
vir também de LandelinuSi i, nome d'um santo, etc, que deu 
Landim e Nandim. 

Lamdim e Nandim. Veja-se Lalim, supra. 

Lardoeira. Veja-se Sardoeira e Sardoura. 

Larim. Veja-se Lalim, supra. 

Lavandeira e Lavandeiras — mais de cem povoações nos- 
sas ! — Tomaram talvez o nome das alvéloas, chamadas tam- 
bém rabetas, lavandeiras e lavandiscas. Veja-se Alvellos. 

Lavegada, Levegada e Levegadas. Veja-se Lobegada 
por lobagada, abundante em lobos, o mesmo que Lobata ; 
contracção de Lobugata. 

Lavos. 

1° — De lagos. 

2.0 — Aféreze de Olafus ; Olafo, nome d'um santo. 

Olafus — vem talvez de VVlaf, nome germânico? 

Leiróz — De leirolas. 

Lemos, appellido. De Lemnos, ilha da Grécia, no mar 
Egeu. 

Lerdeira e Lordeira. Podem vir de lodeira, sitio abun- 
dante em lodãos ou lodos, arvores qne abundaram em diífe- 
rentes pontos do nosso paiz, nomeadamente na minha Pena- 
julia ou Penajoia. Eu lá vi alguns de grande porte e a dita 
freguezia tem á beira do Douro, mesmo em frente das Cal- 
das do Molledo, um sitio com duas quintas, chamado Lo- 
doeiro, que tomou o nome dos lodos. 

De Lodoeira, Lordeira e de Lordeira, Lerdeira, pois e e 
o confundiram-se na onomástica portugueza. 

Também se confundiram l e s pelo que Lerdeira pôde 
ser também uma forma de Cerdeira ou Serdeira, povoações 
nossas, como já dissemos. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 321 



Veja-se também o meu longo tópico Substituição de letras. 

Dos lodãos cu lodos, tomaram também o nome Lodão 
ou Lodam, Lodares e Lodões, povoações nossas. 

Também Lodoeiro podia tomar o nome do lodo e dos 
lodos. 

Licou, aldeia. — De Nicolo? V. Nicolau e Nicola. 

Lisboa. 

1." — De Olisipponna e esta de Olisippo, oni-s, nome que 
lhe deram os romanos, tirado de Ulissipona, cidade de Ulys- 
ses, lendário e famoso heroe da Odysseia ou Ulysseia, phan- 
tasiado e cantado por Homero, supposto auctor da Odysseia. 

2." — Olisippo. — Do fenicio alisahho — bahia amena, como 
disse Bochart, citado por Herculano. Vej«-se a minha pobre 
Tentativa Etymologica, parte l.i, pagina 9Í>. 

Lobagueira. — Dos lobos, como Lobeira. Confronte-se 
Vidigueira, Vidigal, Vidigão, Vidago, etc. 

Lobazim ou Lubasim. 

1.0 — De... 

2." — De Lupicinii, patronímico de Lupicinius^ ii, — Lu- 
picinio, antigo nome pessoal tirado de Lúpus — Lobo, nome 
d'um santo, o mesmo que Lopo. 

Luppicinus, i — Lupicino, foi santo. Veja-se o meu IHc- 
cionario de Appellidos. 

Lobrigos. 

1.0 — De... 

2.0 — De Lodericus, Loderico, antigo nome pessoal do 
século IX. 

Vida da Beata Mafalda, por Frei Fortunato de S. Boa- 
ventura, pagina 217. 

3.0 — Do baixo latim lupiculus — lobinho. Confronte-se 
Lupicolo, appellido na Itália. Veja-se Penaguião, infra. 

•1.0 — De Lovericus, antigo nome pessoal, talvez o mesmo 
que Lodericus? . . . 

Loivos. Do callaico ou castelhano lábios — lobos? Con- 
fronte-se Novios, povoação nossa, o mesmo que Lobios ou 
Lovios, Novelhe e Lobelhe, etc„ pois l e n confundiram-se 



21 



322 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

na ofiomástica portugueza, como já dissemos. Veja-se o tópico 
Substituição de letras. 

A Hespanha tem varias povoações com os nomes de 
Lobio e Lobios, quasi Loivo e Loivos. 

Lomão. Veja-se Numão. 

Lousandas, povoação nossa. 

De lousanas ou lozanas. Confronte-se Loza e Lozaua, 
três povoações da Hespanha, em Alava, Oviedo e Jaen ; Losa 
Losana, em Cuenca, Oviedo, Soria e Segóvia, etc. 

Lubata, quinta, etc. — Do italiano lupatto — lobosinho, 
pequeno lobo, ou do castelhano lobato, idem, ou antes do 
portuguez lobato, o mesmo que lobacho, lobinho e lupato 
por Lopito. ConfVonte-se Lopitos, três povoações nossas e 
veja-se Lavegada, supra. 

Lumião, Numilão, Nunilão e suas etymologias. Veja-se 
Sandim, infra. 

Lusiadas, nome que deu Camões ao poema dedicado 
aos lusitanos ou lusos, Confronte-se Branchiades, cognome 
de Apollo, por ser extremoso para com um mancebo chamado 
Branchus. Erigiu-lhe um templo, cujos sacerdotes se deno- 
minavam Branchiadas . 

De Branchus, i, Branchiadas, como de Lusus, Lusiadas. 

Diccionario clássico. 

Luzendas, povoação nossa. 

De Incendas e este de Lucenas, povoação de Granada. 

Na Hespanha também ha differentes povoações com o 
nome de Lucena, unde Lucena, appellido nosso. 

Má, Mal e Mau, na onomástica portugueza. Confronte-se 
Casal Máu, Lama Má, Málagarta, Malaguarda, Malarranha, 
Malas- caras, Mal assentada, Mala Venda, Mal dorme, Mal 
Enforcado, Malfeitoso, Mal Forno, Mal gasto, Mal Joga, 
Mal Julgada, Mal julgado, Mal Lavado, Mal Medra, Mal 
Partida, Mal Partilha, ]\Ial Pensa, Mal Penteada, Mal Pen- 
teado, Malpica, Mal Talhada, Mal Talhado, Mal Vás, Mal-^ 
vizins, Mátamá, Mau, Mau Anno, Mau Frade, Mau Ladrão, 
Mau Vinho, Mausinho, Mausinhos, Mavandeira (Má Ven- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 323 

deira), Má Vontade, Pedra Má, Lage Má, Porto Mau, Quinta 
Má, Rio Mau, Souto Mau, etc, povoações nossas. 

Macabio, povoação nossa. — De Macabêus, ei — Macabêu, 
nome biblico d'um santo, etc. Foi Judas Macabêu. 

Maça, appéllido. Confronte-se Mazza, appellido actual 
italiano. 

Macário, nome d'um santo, etc. 

l.o—De... 

2.0 — De Maçaria, antigo nome da ilha de Chypre, em 
latim Cyprius^ ii, unde Cypriano e Cibrão, nomes de san- 
tos, etc. 

Também S. Macário deu Samagayo, appellido no Porto 
etc., porque os habitantes da serra de S. Macário deturpam- 
Ihe o nome, chamando-o Samagaio. ^ 

Macieira de Cambra. — De macieira e cambra por cam- 
broeira, planta, cujo fructo ó denominado também cambrão. 
Veja-se o Novo Diccionano do snr. Cândido de Figueiredo e 
o Diccionário italiano de Prefumo, vb. spina. 

Magarellos por Megarellos. — De Megara, cidade da Si- 
cilia, que tomou o nome de Megára, cidade da Grécia, na 
Attica. Veja-se Diccionário Clássico. 

Magrellos, aldeia, freguezia, etc. Vem de Magrellos, di- 
minutivo de Magro e o mesmo que Magrinhos, plural de Ma- 
grinho, povoação nossa também. Confronte-se Fornellos, o 
mesmo que Forninhos, povoações nossas. Barcellos, diminu- 
tivo de barcos e o mesmo que barquinhos. Agrellos, diminu- 
tivo d'Agro, campo e o mesmo que Agrinhos e Camposinhos 
por campinhos, como também Mattosinhos, povoações nossas. 
Negrellos por negrinhos, plural de Negrinho, povoações nos- 
sas. Também temos Campello, Campelios, Campinho e 
Campinhos, Campellinho, Campellinhos e Campezínhos por 
Camposinhos, diminutivos de Campo e Campos, povoações 



^ Macedo, appellido, é talvez contracção do hespanhol manzanedo. 
Veja-se Mansilha, infra. 



324 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

nossas também e Campiiho, appellido portiiguez, importado 
da Hespanha, pois na Hespanha, Campillo sòa Campiiho e é 
o mesmo que entre nós Campello, Campinho, Campezinho 
e Caraposinho, supra. 

Campiiho é appellido nobre em Vidago. 
Maia. — De Maia, amante de Júpiter, ou de Maia, filha 
de Fauno, a qual foi adorada como deusa em Roma, segundo 
resa a Mythologia e se lê no Diccionario Clássico. 
Malapio, pêro doce e aromático. 

l.« De melapio e este de mel, como diz o snr. Cân- 
dido de Figueiredo. 

2." — Do latim botânico de Plínio — myrapium — o pêro 
de cheiro. Myrapium, sem grande violência, deu ou podia 
dar malapio, pois i deu a e r deu l na onomástica portugueza, 
como já dissemos. 

A escala seria: myrapium, mirapio, milapio, malapio?. . . 
Mamouros. — De Mamurius, nome romano de Mawurius 
Veturius. Veja-se Diccionario Clássico. 

Man ou Mann e Mund. Em teutonico são synonimos e 
signiticam homem. Veja-se Cunimond em Boucrand. 

Mancellos e Manhuncellos. São formas do mesmo nome 
tirado de Mimitiellus, i, diminutivo de Minutius^ ii, nome cu 
cognome romano de Paulo Minucio, etc. 

Também Mancellos pode vir de Mansellus, i, diminutivo 
de Mansus, Manso, nome d'um santo, etc. Confronte-se tam- 
bém Maunsell, appellido actual inglez. 

Manhente. — De Magnentius, ii — Magnencio, nome ro- 
mano. Veja-se Diccionario Clássico. 

Mansilha, appellido. — Do castelhano manzanilla, dimi- 
nutivo de manzana, maça, pomo e arvore. Confronte-se Ma- 
çãs, appellido nosso também. Mazêda, rua e quinta de La- 
mego, e Manzanares, rio microscópico de Madrid, que tomou 
o nome do castelhano manzauar, o mesmo que manzanal, 
bosque de maceiras ou macieiras, entre cós maceiral ou ma- 
cieiral. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPON YMICA 325 

Manteca, Manteiga, Manteigada, Manteigas, Manteiguei- 
ra, Manteigueiro, etc. Veja-se Coalhadas, supra. 

Manzedo, povoação nossa. — Do hespanhol Manzanedo. 
Veja-se Mazeda, Maceda e Macedo. 

Marialva, nome commum adjectivo : relativo ás regras 
de cavalgar á gineta, estabelecidas pelo marquez de Ma- 
rialva ; masculino, bom cavalleiro ; (depreciativo) — aquelle 
que gosta de touros e cavallos e timbra d'extravagante e 
ocioso ; fadista pertencente a familia distincta. 

De Marialva, titulo histórico de condes e marquezes, 
tirado de Marialva (a velha Aravôr dos romanos) villa do 
concelho e comarca da Meda, districto da Gruarda, bispado 
de Lamego, província da Beira Baixa. 

Eu já visitei a mencionada villa, que demora em sitio 
alto, muito vistoso e foi praça de guerra murada, mas já tem 
os muros desmantelados. 

Da villa se descobre um largo horisonte para leste, norte 
e snl, comprehendendo as duas torres de menagem do cas- 
tello e cidade de Pinhel, distante cinco a dez kilometros 
para E. S. E. e outras terras da Hespanha e de Traz-os- 
Montes. 

O sito mais vistoso de Marialva ó um fragão denomi- 
nado Corvaceira, onde está uma capellinha de Santo Amaro, 
se bem me recordo. 

A extincta cidade romana (?) de Aravôr estava na pla- 
nície, junto da villa actual e é certo que no ai foz da villa se 
teem encontrado muitas moedas romanas. Veja-se Marialva, 
no Portugal Antigo e Moderno. 

Marzugueira e Murçogueira, quinta. — De morcegueira, 
abundante em morcegos. 

Masouco e Samouco. São formas do mesmo nome tirado 
de . . . samoco por Samouco e este por sabuco — sabugo, sa- 
buqueiro ? Confronte-se Saboga, Saboguezes, Sabugal, Sa- 
bugo, Sabugosa, Sabugueiro, Sabuzedo por Sabuguedo, Sa- 
mocal por Sabugal, Samocas, Samoqueira, Samoqueirinha e 
talvez Sugueiro por Sabugueiro, povoações nossas. 



326 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPON VMICA ' 

As formas Samocal e Samocas anctorisatn Samoco, Sa- 
mouco e por transposição Masouco. 

SamoLico é uma freguezia do concelho d'Alcochete, ua 
margem esquerda do Tejo; Masouco é uma pequena fregue- 
zia do concelho de Freixo de Espada á Cinta, na margem 
direita do Douro. 

Samouco e Masouco são duas povoações mimosas, mas 
de aspecto muito difíérente, pois Masouco demora em chão 
muito accidentado e muito escabroso ; Samouco, pelo contra- 
rio, demora em chão pouco accidentado. 

Eu nunca estive em Samouco, mas já estive em Masouco, 
indo com o meu saudoso amigo Lopes Mendes, auctor da 
índia Portugiieza, de Miranda do Douro para a Barca d'Alva, 
passando na freguezia de Poiares, onde com espanto vi ainda 
completas e habitadas differentes casas circulares como as 
da Citania de Briteiros e as do monte de Santa Lusia, em 
Vianna. E entre Poiares e a Barca d'Alva descemos pela 
Íngreme Calçada d'Alprajares, que tomou o nome do caste- 
lhano pajares, em portuguez palhares, palheiros, com o pre- 
fixo árabe ai, o, a, os, as. 

Alprajares por Alpajares quer, pois, dizer — a Calçada 
dos Palhares, palhaes ou palheiros. 

Eu não me recordo de ver, em Masouco, sabugueiros, 
mas vi algumas laranjeiras, arvores muito mais mimosas do 
que os sabugueiros. 

O que mais recommenda Masouco é o Salto da Pandeira, ^ 
grande cataracta que ali forma o Douro, despenhando-se d um 
fragão que o atravessa de lado a lado e tem mais de trinta 
metros d'altura, pelo que não passam alli os peixes do Douro, 
como sáveis, lampreias, bogas, enguias, barbos, solhos, etc. 

Isto determinou os Congregados de Freixo de Espada á 
Cinta a fa^.erem, um pouco a juzante da cataracta, uma pes- 
queira onde colhiam carros e carros de peixe ! . . . 



* Pandeira é talvez uma forma de Bandeira!. .. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 327 

O Salto da Pandeira podia dar a Masouco o nome de 
Pesqueira, como outra cataracta semelhante á do Cachão da 
Valleira, deu o nome á villa da Pesqueira, por ser a povoa- 
ção mais próxima do tal cachão que antes do rompimento do 
dito fragão era a maior e melhor pesqueira do Douro todo -! , . , 

Veja-se Villa Secca d'Armamar, artigo meu, no Portu- 
gal Antigo e Moderno, volume xt, pagina 1059-1061 é Vias 
férreas, longo artigo meu, também no mesmo diccionario, vo- 
lume X, pagina 488. 

No primeiro dos artigos citados eu disse que o corte do 
Cachão da Valleira foi mandado fazer pela nossa rainha 
D. Maria I, no anno de 1780 a 1792 e transcrevi a própria 
inscripção, que lá está e que eu já vi, gravada no fragão 
que forma a face esquerda do canal e que assim o declara 
expressamente. Mas já no segundo 'quartel do século xv^i 
foi iniciado o dito corte a fogo de vinagre pelo Dr. Martim 
de Figueiredo, como disse em 1532 Ruy Fernandes na sua 
minuciosa, muito interessante e muito conscienciosa Descripção 
do terreno em volta de Lamego duas léguas, publicada pela Aca- 
demia Real das Sciencias em 1824, no volume v dos Iné- 
ditos de Historia Portuguezo. 

Alli, a paginas 565, no Titollo da navegação do DourO 
se lê textualmente o seguinte : 

«Esta ribeira do douro se navega vynte e cinquo legoas, 
a saber : dè sam Joam da foz, que he a barra do porto, pollo 
rio arriba até sam Joham da pesqueira, que sam as sobredi- 
tas 25 legoas, com barcas q. carregam 1500 até 1800 al- 
queires de pam polia grande medida. E de sam Joam da 
pesqueira nom podem pasar, por híia muy alta fraga que 
lá está, onde hé a pesqueira; donde nom podem pasar sável 
nem lampreia, nem otro peixe pêra cima. 

«E no mês de maio toma naquella pesqueira muitos sa- 
vees hum homem que está atado com húa corda per debaixo 
dos braços na fraga, e com húa rede que deita em baxo, tira 
muta soma de peixe. 



328 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

'Esta fraga manda ora (1532) quebrar o doutor martim 
de figueiredo e a quebra com fogo de vinagre. ^ 

*Tem muita parte já quebrada e, se a acabar de que- 
brar, farão grande navegaçam atée velvestre, que de lá pêra 
cima nom podem pasar. . . 

«E ainda que isto seja fora do compasso de duas legoas, 
se pôz aqui por fazer ao caso.» 

A dita Memoria é muito interessante e muito curiosa, 
posto que Ruy Fernandes, o seu benemérito auctor, era um 
simples cónego tercenario ou a terça parte d'um cónego, pois 
recebia apenas a terça parte d'uma conezia de Lamego. 

Medeiros, appellido, pôde vir de Hemeterius, nome d'um 
santo, etc. 

Medom, appellido. — De Medon, nome grego. Veja-se 
Diccionario Clássico. 

Meimão. Confronte-se Ahude Meyman, nome d'am chefe 
mouro do paiz do Ouro, ao sul de Marrocos. V^eja-se Memo- 
ria d* Alfredo Alves, pagina 92. 

Meimão e Meimoa. — De Mamum e Mamona, nomes 
árabes, que significam conservado^ seguro, guardado. 

Do verbo á mana — estar seguro, firme, constante, con- 
servado, como diz Sousa. 

Meira ou Mej^a, appellido. — De Mira, pois i deu ei. 

Meixomil. — De Maximilli? patronimieo de Maximillus, i, 
diminutivo de Maximus, nome romano, que deu também ilfa- 
ximirus e Maximianus, i — Maximiano, nome d'um santo, etc. 

Por seu turno Maximillus^ i, deu Maximillianus, i, Ma- 
a.imiliano, também nome pessoal. 

Meigas, appellido. Confronte-se meiga, peixe do Algarve, 

Mello, villa, appellido, etc. 



^ Eu (se bem me recordo) já li algures que Annibal, o celebre gene- 
ral caríhaginez, quando foi da Hespanha para a Itália com o seu grande 
exercito, na passagem dos Alpes teve de abrir alguns lanços de caminho 
partindo penedos com fogo e vinagre. 



TENTATIVA ETYMOIjOGICO-TOPONYMICA 329 

1."— De... 

2.° — De Merulo, nome d'um santo, etc, e este do latim 
merula, o melro ou merlo, ave, como se lê no Magnum Le- 
ccicon latino. Note-se que Mello antigamente se escrevia Merlo, 
quasi melro — e no pelourinho da villa de Mello se vê um 
melro sobre um pinheiro. 

Melres. Confronte-se o francez merle e merles — melro e 
melros, aves. 

Memorial, Marmoiral e Mormeiral. São formas do mesmo 
nome. 

Menano, appellido. Confronte-se manano — maçã quasi 
silvestre e muito têmpora que abunda em certas regiões do 
Alto Douro, nomeadamente no valle do Tedo, 

Mesquinhata. 

1,° — Do árabe masquinat ^^ log&r da pobreza. 

2.*'— Mesquinhata — de mesquitanha, o mesmo que Mes- 
quitella, pov. nossa e mesquitinha, diminutivo de Mesquita- 

Mexedinho e Mexedo. — De Ameixedinho e Ameixedo. 
Confronte-se Ranha por Arranha e Ranhadouro por Arra- 
nhadouro, etc. 

Mezão frio. — ^De Mansio frigida — mansão fria. Revista 
de Guimarães, da Sociedade Martins Sarmento, vol. xxvi, anno 
de 1909, fascículo n.o 3, pagina 111. 

Midões. — Do supposto latim Miigdonius, ii, iis, filho ou 
ou oriundo da Mygdonia, provincia da Grécia na Macedónia. 

Também Mygdonia foi nome d'uma provincia da Phry- 
gia e d'outra da Mesopotâmia. Veja-se Mygdonia no Ma- 
gnum Lexicon. 

Mioma por Miuma. E' metáthese de Múmia, villa, granja, 
quinta ou casa de campo de Mumius — Mumio, cujo diminu- 
tivo Mumianus, i, is, deu Miomães, povoação e freguezia do 
concelho de Rezende, a qual compreende os banhos das Cal- 
das d'ArBgos, a capella e algumas casas do dito estabeleci- 
mento thermal; as restantes pertencem á freguezia de An- 
reade. 

A linha divisória das duas freguezias é uma ribeira cha- 



330 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

mada Frieira, que vem lá do alto, atravessa de sul a norte a 
povoação das Caldas e desagua no Douro. 

Pertencem á freguezia de Miomães as casas que demo- 
ram na margem erquerda ou poente da dita ribeira ; as da 
margem direita pertencem á freguezia d'Anreade, chamada 
ontr'ora Andriade que pelo diapasão francez em que a letra 
r depois de d, f, p e t é forte, se lia Andrriade, quasi An- 
reade. 

Vem, pois, Anreade de Andreas, ae, que deu André, 
nome d'um santo, etc, e na Hespauha Santander por Santo 
André. Por seu turno Andreadis, patronimico de Andreas, 
deu Andrade e Anreade. 

Com vista aos numerosos banhistas das Caldas d'Arégos. 

Por seu turno Arêgos vem de arenecos — areeinhos, re- 
ferencia ao areal que demora entre a povoação das caldas 
e a margem esquerda do Douro. 

Pertence, pois, Arêgos á longa série das povoações que 
tomaram o nome das areias, taes são : 

Alvarenga por alva areneca, areinha branca. Note-se que 
a villa d' Alvarenga demora na margem direita do Paiva, alli 
abundante em areias. — Alvarenga é, pois, uma synonimia 
de Arealva e Arealvo, povoações' nossas também. 

Junte-se Arenal, o mesmo que Areal e Amai; Arenosa, 
o mesmo que Areosa e Arosa ; Areola, do baixo latim are- 
nola, que deu também Arnoia; Arnadello, diminutivo de Ar- 
nado, contracção de Arenado ; Arnal, o mesmo que Arenal e 
Arnal, supra; Arneira, Arneiras e Arneiro, o mesmo que 
areneira, areneiro e Areeiro ; Arneiricho, o mesmo que Ar- 
neirinho, povoação nossa também. Confronte-se Lagarticho e 
Lagartinho, (xuedixe por gadicho e este por gadinho, etc. 

Junte-se Arneiros de Arneirolos, e veja-se o tópico Di- 
mimitivos com a de-nnencia olus, ola, 

Arnella e Arnellas são contracções de arenella e arenellas 

Arnôlha vem de arenolia, o mesmo que arenoia e Ar- 
noia, supra. 

Arnozella e Arnozello são diminutivos de Arnoso, po- 



TENTATIVA ETYMOLOGUCO- TOPONYMICA 331 

voação nossa também, cujo nome vem do latim arenosus, a, 
unde Aroso, appellido, e Arosa, povoação nossa e ria da Gal- 
liza. 

Miomães. — De Mumianis, patronimico de Mumianus, i, 
diminutivo de Mumius ii, nome ou cognome romano do Côn- 
sul Lúcio Mumio, etc. 

No anno 146 antes de Christo este cônsul, por ordem 
do senado romano, saqueou e arrasou a cidade de Corintho, 
mas Júlio César a levantou e restaurou passados cem aunos 
e a povoou de libertos, dando-lhe o privilegio de colónia ro- 
mana. Veja-se Mioma e Sandim. 

Mirão. 

l.o— De... 

2.0 — De Myron, nome grego d'um estatuário celebre. 
Veja-se Diccionario Clássico. 

Moacho e Moachos. — De Munatius, nome romano. Ve- 
ja-se Diccionario Clássico. 

Mocambo, sitio de Lisboa. 

1.° — De.. . 

2.^ — Do árabe Mocamo — casa ou logar sagrado. Veja-se 
Mocamo em Sousa. 

Mocifal ou Muoifal — uma aldeia da freguezia de Ool- 
lares. 

1.0 — De... 

*2.° — Do árabe mósfal — o logar baixo ou inferior, Con- 
fronte-se Turcifal, Tentúgal^ Setúbal, Annibal, Asdrúbal, etc. 
Estes últimos dous nomes são claramente fenícios e talvez 
que os restantes quatro nomes sejam da mesma prove- 
niência ! . . , 

Mões. — De Moniis, patronimico de Monius — Monio, 
nome pessoal no século xii. Vida da Beata Mafalda. 

Mogadouro. Confronte-se Mogofores, Paimoga, Paimogo, 
Pai Penella, Pai Cobrado, Vai de Mogão, Vai de Mogo e 
Vai do Mogo, etc. Confronte-se também Mogão, Mogãos, 
Mogo, Mogos e Mogrão por Mogão, povoações nossas, que 
tomaram o nome do antigo portuguez mogo, os marcos que 



332 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

dividiam e separavarr) os territórios ou terrenos nns dos 
outros. 

Ainda hoje são notáveis os Mogos d'Anciães, como diz 
Viterbo. Também mógo, por extenção, designava sitio alto, 
vistoso, nome que podia dar-se ao Mogadouro ou antes ao 
monte de Zava, contiguo ao Mogadouro, que, por ser bas- 
tante alto, indicava as proximidades do Douro aos viandan- 
tes que seguissem pela velha estrada romana que vinha da 
Hespanha e passava a leste do tal monte de Zava e da villa 
actual do Mogadouro. Veja-se 7.a\ja. artigo meu, no Portugal 
Antigo e Moderno^ volume xii, paginas 2078. 

Também na minha Penajoia ha um sitio muito vistoso, 
denominado Mógo. 

O snr. Cândido de Figueiredo dá mogo na mesma acce- 
pção supra e diz que vem do basco múga. 

Também Mogadouro pôde vir de Mogador, cidade afri- 
cana de Marrocos e Zava de Zabda, nome árabe, como eu 
já' disse no meu pobre artigo Zava, supra. 

Note-se que em assumptos d 'esta ordem não ha precisão 
mathematica e que por vezes sábios etymologistas francezes 
propõem três e mais etymologias para o nome d'uma po- 
voação. 

Ainda direi que Mogo foi appellido nobre e antigo de 
Antão Mogo de Mello Carrilho, natural de Torres Novas, 
casado com D. Angela Sigeia de Velasco, dama da infanta 
D, 3Iaria, filha de D. Manoel i, O Venturoso. Veja-se Tor- 
res Novas no Portugal Antigo e Moderno, vol. i, pag. 621, 
col. 2A 

Mogueime. — De Mogueime, antigo nome pessoal de Mo- 
gueime Cresconio, pai de D. Cresconio, Bispo de Coimbra, 
que falleceu em 9 de Janeiro de 1098, Veja-se Historia Ec- 
clesiantica de Lamego, por D. Joaquim d' Aze vedo, pag. 213. 

Moinhos. Confronte-se Modellos, Moéga, Moinha, Moi- 
nhella, Moinhola, Moldes, Molledo, Munhota por Mulinhota 
ou Moinhota, velha rua do Porto, pouco distante da rua da 
Atafoíja. 



TENTATIVA STYMOLOGICO-TOPONYMICA 333 

Todas estas e outras muitas povoações nossas tomaram 
o nome do latim mola — mó e moinho, nome que foi muito 
deturpado e modificado com o volver dos séculos pelos mui- 
tos povos que occuparam a península ibérica. 

O latim mola, na idade média, em que andavam todos a 
jogar a cabra cega (Veja-se Ducange), podia dar molacho e 
Moacho, supra. 

^Modellos é metáthese de MoUedos, plural de MoUedo, 
nome de varias povoações de Portugal e da Hespanha. 

Note-se que Modellos é uma freguazia do concelho de 
Paços de Ferreira que tem muitos moinhos movidos pela 
agua do rio Ferreira. 

Moéga ainda hoje é uma peça importante dos moinhos. 

Muinhella, Muinhola e Munhota por Molinhota são di- 
minutivos de moinho. 

Moldes, povoação nossa e da Hespanha, vem. do baixo 
latim moles, itis, que na Hespanha deu também Moles. 

Eu já visitei a nossa freguezia de Moldes, concelho 
d'Arouca. Demora ella na margem esquerda do ribeiro cha- 
mado Moldes, do qual tomou o nome e que move talvez 
mais de 40 rodas de moinhos, desde a serra d'Arouca, onde 
nasce, até o Pai voto, confluente do Paiva, onde morre, junto 
d'Alvarenga. 

Alem das povoações mencionadas supra, nós temos tal- 
vez mais de duas mil que tomaram o nome dos moinhos e a 
Hespanha tem talvez mais de seis mil, cujos nomes ditierem 
muito dos nossos e alguns d'elles fazem rir!. . . 

Ahi vae uma amostra do pano : 

Molins, Mollaneda, MoUeda, Molledo, Molle, Mollet, 
Mòllina, Mollo, Mos, Mosaga, Mosaregos, Mosejos, Moslares, 
Mozar, Mozares, Mozota, Mozuelos, Mudelos (confronte-se 
Molledo); Muela, Muelas dei Pan, Muina, Muiho, Muinos, 
Muleria? Muli-Farine (molino harinero) em Lerida; Muli- 
Papere (molino de papel), ibi. 

Munera e Muneras por mulinera e mulineras? Muneta 



334 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPCNYMICA 

por mulineta?, Muailla por muliailla? Confronte-se Molina, 
Molinilla e Molinillo, povoações da Hespanha também. 

Muiieda por mulineda ; Muíiico por Mulinico. Confron- 
te-se Molinecos e Molinicos, povoações da Hespanha. 

Mufieca e Munecas por Mulineca e Miilinecas? 

Munochas por Muliiiochas :' 

Munogalindo, Muíiogrande, Munohierro (Moinho do Ga- 
lindo, Moinho grande. Moinho de ferro); Munon, moinhão, 
grande moinho :' Muíio Pedro e ^lunopedro — Moinho de Pe- 
dro; Munopepe, Muno Sancho, Muíiotello, Muhoz — de mu- 
linoios e Muzeros? (Museros). Confronte-se Mos, Mosarejos 
e Mosejos, povoação da Hespanha, bem como as seguintes: 

Mó, Moa (por mola); Moanes (por Mó Annes?); Moar 
(por Molar, differentes povoações): Moas; Mobera (Mó Ve- 
tera) ; Moces (por Mozes?); Modamio (Mó de Damio) por Da- 
mião?; Modino por Molino?; Modubar por Mó do Yal? 
Moella por Molella? Moeiros por Moleiros?; Mohernando, 
Moinho do Fernando, etc. 

Nós também temos nomes de povoações muito lindos, 
tirados dos moinhos, taes são : 

Moinho da Asneira, Moinho da Caganata, Moinho da 
Rapoila, Moinho das Fales, Moinho das Majapôas, Moinho de 
Pau, Moinho do Alho, Moinho do Barranco, Moinho do Bato- 
que, Moinho do Chocalho, Moinho do Chorisco ou do Corisco ! 

Somma e segue : Moinho do Demo, Moinho do Inferno, 
Moinho do Eoncão e Moinho do Ronco; Moinho do Traque - 
lhas, Moinho dos Gafanhotos, Moinho dos Quintos; recorda 
o Moinho do Demo e o Moinho Santo. Moinhos da Carpa- 
Ihosa por Carvalhosa; Moinhos da Cobrançan (?) ; Moinhos 
da Cova Escura, Moinhos da Minhateira (?) ; Moinhos das 
Cagôas ; Moinhos de Gaitar. Gaitar e Gualtar são povoações 
nossas, cuja etymologia é Walfer^ que deu Alter e Alther^ 
Baltar, Balteiro e Valteiro, Gualter e Valter, nomes de san- 
tos, etc. Moinhos do Sevelho, Moinhos de Trepecido, Moi- 
nhos de Via Ladra, Moinhos do Escovo, Moinhos do Zam- 
barito, etc. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 33Õ 

Junte- se finalmente Picarnel, sitio da margem esquerda 
do rio Tédo, na freguezia de Santo Adrião, concelho d'Ar- 
mamar. Note-se que lá o povo chama picarneis aos moinhos 
reles e no tal sitio ainda se vêem restos d'um moinho. Tam- 
bém temos Picarrel, talvez forma de Picarnel, supra ou 
vice-versa, pois w e r confundiram-se na onomástica portu- 
gueza. Veja- se o meu longo tópico Substituição de letras. 

Monchique. Confronte-se Montjuich, nome geographico 
da Catalunha e d'um castello de Barcelona. 

Moncocos por Moncucos, o mesmo que Monte dos Cu- 
cos, povoação nossa também. 

Os cucos são aves d'arribação que na estiagem abun- 
dam em varias regiões do nosso paiz, pelo que, além 
d'aquellas duas povoações, temos outras que tomaram d'elles 
o nome, taes são Coqueda, Coqueira, Cocanha, Cocaria, Cu- 
cana, Cucanha, Cuco, Cucos, Ucanha, antigamente Cucanha, 
e Canha, aférese de Ucanha? ! . . . 

E' assim a arte-nova e rira bien qui rira le dernier f . . . 

Também temos" Cocujães, talvez forma de Cocujaes, 
plural de cocujal por cucujal, abundante em cucos. Confron- 
te-se Corujaes e Corujal, Crujaes por Corujaes e Crujães por 
Crujaes, povoações nossas também. 

Note-se que na onomástica portugueza as desinências 
aes, ães^ ans, eis, ens e ões confundiram-se e substituiram«se, 
como já dissemos no tópico Desinências, supra. 

Com vista aos illustrados professores do Coliegio de 
Cocuiães. Veja-se Cocanha, supra e Canha, no indice da 1.* 
parte d'esta minha louca Tentativa. 

Mondego, rio, chamado anteriormente Munda. — De 
Munda, antiga cidade de Betica. Veja-se Diccionario Clássico. 

Monsarros e Villa Nova de Monsarros, concelho d'Ana- 
dia, diocese de Coimbra, no districto d'Aveiro. E' talvez o 
mesmo que Monsorros por Monzorros, montes grandes. Con- 
fronte-se Montorro, Montorros e Monxorro por Monzorro, 
povoações nossas, como também Monte gordo. Monte grande, 
Monte-Mór, ete. 



336 TENTATIVA ETYMOLOGIOO-TOPONYMICA 

Montido. — De montado ou Montijo? 

Montingrão. — De Montigào, por Montegão, — augmen- 
tativo de Monteco? 

Mosellos. — Do baixo latim mosellus — moinho? 

Mourigo, Touriga e Tourigo. — De mouro e touro? 

Mumadona. — E' o mesmo que Dona Muma e Dona Mu- 
madona. Veja-se Sandim, infra. 

Murça, villa, etc. Confronte se Murcea ou Murcia, deusa 
da fraqueza, segundo se lê no Diccionario Clássico. 

Murracezes, Murraçâo e Murraceira. — De murraça, erva 
de chãos pantanosos. Confronte-se também Borrazeira e Bor- 
racheira por Borrazeira, differentes povoações nossas. 

Nandim. Veja-se Lalim e Landim, supra. 

Nandufe. — De Lindulphus, i, o mesmo que Lindolphus, i, 
Lindolpho, nome actual. 

Landufe deu Nandufe, como Landim deu Nandim — de 
Landelinuò-, i, nome d'um santo, etc. Veja-se no meu longo 
tópico Substituição de letras — l e n. 

Nariz, povoação nossa. -»- De Alariquiz, Alariz, Laríz, 
Nariz? 

Nataria. — De Natália; como Rosaria de Rosália?!... 

Nazes. Conf. Nazis, appellido actual italiano (1910). 

Neiva, rio, etc. —De Nevius, nome romano de Nevio 
Sertório Macron, etc. Veja-se Macro ^ no Diccionario Clássico. 

Nonato, nome d'um santo, etc De nonus natus — nono 

na ordem do nascimento, como Nono e Nuno. Confronte-se 
Primus, Secundus, Tertius, Quartus, Quintus, tíextus, Sspti- 
mus, Octavius, Nonus e Decimus, nomes romanos pessoaes, 
tirados dos adjectivos numeraes. 

Novancha por Novancho. — De Novalancho por Noval- 
ancho. Confronte-se Lameirancha, Pedrancha, Pernancha, 
Pernanchinha, Pinhanços por Pinhalanchos ; Portanxo por 
Porto ou Portal-ancho, Balanxo e Vallancho, por Val-aucho, 
sitio próximo do Bussaco, Mangancha, etc, povoações nossas. 

Numilâo e Nunilão. Veja-se Lumiào, supra. 

Nuzellos. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMIOA 337 

1.° — De nux, ucis — a nogueira, unde nucellos e Nuzel- 
los — nogueirinhas? Confronte-se Nogueira, Nogueirinha, No- 
gueirinhas e Nogueiró, povoações nossas. 

2.0 ~ Nuzellos por Nozellos — do toscano antigo nosella, 
o mesmo que nocciolla, nocella e avellana — avellã, nux avel- 
lana, de Plinio. Veja-se Las Casas, vb. avellana, parte 2.», 
pag. 290, col. 6.3 e Magnum Lexicon Latino, etc. 

Nuzellos e Luzellos, povoação nossa também, podem ser 
formas do mesmo )iome. 

Ois da Ribeira e Ois do Bairro. 

1.°— De... 

2.0 — De Oydiz, appellido nobre e muito antigo de Pe- 
dro Oydiz, juiz de Ferreira d'Aves no tempo de D. Affbnso 
Henriques. Vejase Ferros, no Elucidário de Viterbo, paginas 
32, col. 1.% mihi. 

Ois da Ribeira, etc, e Outil ! 

l.o— De... 

2.° — De Odiliis, patronimico de Odilius, ii — Od)I. nome 
d'um santo, o mesmo que Odilio (?) Optilio, Othilio e Otilio; 
Veja-se o meu Diccionario d'' Appellido s. 

Optilia, Othilia e Otilia foram santas. Veja-se op. citafum. 

De Optilii, (Jthilii ou Otilii — Outil? 

Onia. Coufronte-se Onega, antigo nome pessoal. 

«A doação de Onega Ermiges, feita em 1105 e a de Bo- 
nimenzo Argamerix em 1116...» Vida da Beata Mafalda, 
pag. 91. 

Orgens. — Do francez orge — cevada. Confronte-se Vai 
do Orjo, povoação nossa. 

Oriz e Ouriz. 

1.0 — De... 

2.* — De Odoriz, appellido de Pelagio Odoriz, que figura 
em um documento d'Arouca^ do auno 1148. {Elucidário vb. 
Ferros, pag. 323, col. 1.^, mihi). 

Orjaes, povoação nossa, e Urzáis, appellido hespanhol. 
São formas do mesmo nome, bem como talvez Orgeas, supra. 

Ornellas, appellido. — De Dornellas, varias povoações 



338 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

nossas, diminutivo de Dorna e Dornas, povoações nossas 
também, que podiam tomar o nome das dornas, espécie de 
lagares, ou das dornas, sorvedouros d'agua muito vulgares 
no Douro, quando o rio vae alto. 

Também Ornellas pôde ser uma forma de Arnellas, con- 
tracção de arenellas. Confronte-se Darnella, povoação nossa 
também, Fiat lux! . . . 

Ousia, portuguez antigo. Doe. 213. «Feito no logar hu de 
costume fasem cabidoo e de seer na pregaçom a par da 
ousia de Sanhoane. . .» Reviata de Guimarães, infra. 

Viterbo e Cândido de Figueiredo dizem que ousia si- 
gnifica altar mór, mas no documento supra significa sim- 
plesmente altar (jalgo eu) pois o altar mór da CoUegiada 
devia ser altar de Santa Maria, não altar de S. João. 

Também supponho que não iriam para a capella mór 
fazer cabido, deliberar, discutir e lavrar as escripturas de 
compras, vendas, trocas, emprazamentos, etc. 

No documento 22õ, o tabellião diz simplesmente: — «Feito 
na Ousia de Sanhoane.» Parece qne Ousia significava ca- 
pella ! . . . 

No documento 226, o tabellião diz : — «Feito em Santa 
Maria^ no logar da pregaçom.» 

Todos estes documentos supra foram lavrados no mesmo 
local: — a capella de S. João da igreja de Santa Maria. 

Não deixam duvida os documentos 260 e 261, ambos do 
anno de 1360, pag. 20, em que o tabellião, claramente, diz : 
— «Feito na capella de S. Joham». 

O mesmo se lê nos documentos 268 e 269, da pagina 22, 
anno 1360 e documento 270, de pagina 23, anno 1360, tam- 
bém; no documento 287, de pagina 97, anno 1363, e do- 
cumento 273, de pag. 23 e 24, anno 1361. 

Junte-se o documento 263 de pag. 21, e do mesmo anno 
1360, em que o tabellião diz: — «Feito na Ousia de Sa- 
nhoane.» 

Revista de Guimarães., volume xxv, de 1 de Janeiro de 
1908. Fiat lux. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 339 

Outão. 

1.°— De... 

2.0 — De Otbão, em latim Otho, onis, nome ou cognome 
romano do Imperador Otho M. S. (Marco Salvio Othão) e de 
Oiho Roscius, tribuno romano, ete. Diccionario Clássico. 

Outeiro do Penedo e Outeiro do Pindo. Veja-se Penedo, 
Penidello, Pindella, Pindello e Pindo. — De Penido por Pe- 
nedo, como Penude por Penido. 

Oveco, antigo nome pessoal, no baixo latim Ocecus. 

1.0 — Do italiano verxMo, velho. Oonfronte-se Ancianus, iy 
Ancião, o mesmo que velho, antigo nome pessoal, e Velho, 
appellido nosso actual, bem como Vecchi, appellido nosso 
vindo da Itália, o mesmo que Vecchio ou patronímico de 
Vecchio. 

2 " — Lubeck, antiga cidade da Suécia, pertencente á 
velha Germânia?— De Lubeck, Lubecus, TJbecus, Oveco. 

Oyam ou Oyão, aldeia e freguezia. — De Odilanus, i — 
Odilão, nome d'um santo, etc. 

Paço e palácio. — Do Xdiúm palatium — e este?— De Pa- 
lacium ou Palatium — Palácio, pequena aldeia no Monte Pa- 
latino, onde depois foi edificada a cidade de Roma. Veja-se 
o Diccionario Clássico. 

Também ha no latim Palatium ou Pallatium, ii, Palatino, 
um dos sete montes de Roma, nome que Varrão deu ao dito 
monte. 

O mesmo nome deu Ovidio aos palácios ou paços e ca- 
sas reaes. Veja-se Magnum Lexicon. 

Palácio tomou, pois, o nome da dita aldeia, e esta do 
Monte Palatino, ou vice-versa. Fiat lux. 

Pacovio, tonto. Confronte-se Pacuvius, Pacuvio (quasi 
pacovio), poeta trágico latino. Magnum Lexicon. 

Padim e Paim, appellidos. — De Paladim por Paladino, 
diminutivos de Paládio, nome d'um santo, como Paladia, 
unde Palaia, appellido também. 

Pai Agua, Pai Cabeça, Pai Calvo, Pai Canito, Pai Cão^ 
Pai do Ladrão, Pai .Tones, Pai Mogo, Pai Poldro, Pai Vil- 



340 TENTATIVA ETYSÍOLOGICO-TOPOXYMICA 

Ião e Paio do Pelle, povoações nossas. — De Pelagius, ii, — 
Pelagio, nome d'um santo, cujo patronímico Pelagiis deu 
Paes, appellido vulgar. 

Por seu turno Pelagianus, diminutivo de Pelagius, deu 
Paião, freguezia e povoação do concelíio da Figueira. 

Pelagius vem do latim pelagus, mar. 

Paixam e Paixão, aldeia, casal, quinta, etc. 

i." — De Paixão, appellido, 

2.<* — De Pacianus ou Patiamis, i — Paciano, antigo no- 
me d'um santo, etc. 

Palha-canna. 

l.o_De... 

2.° — Do latim de Plinio pallacana (lese em hespanhol 
palhacana) — cebola dura, comprida, sem cabeça. Magnum 
Lexicon. 

Palorca por Paloca. Veja- se Baloca por Valloca, supra. 

Panoias, antigo nome do districto de Villa Real, etc. — 
De Panonias, nome que os romanos davam ao paiz denomi- 
nado Hungria, depois que os Hunos se apoderaram d'elle. 

Note-se que os Hunos foram no baixo latim denoniina- 
dos Hunigari, unde Hunigaria — Hungria. 

Parada Todeia. 

l.o — De... 

i.° — De Thadêa e este de Thadeu^ nome d'um santo, 
etc. Confronte-se Monte Thadeu, actual rua do Porto. 

Pasmai, Pasmil e Posmil. Veja-se Casimiro. 

Pedonho. Confronte-se Petonius ou Petonio, nome d'uma 
estação do Roteiro d' Antonino. 

Peléas, quinta, etc. Talvez de Peléas, forma grega? e 
anterior de Pelêu, nome d'um santo, etc. Confronte-se An- 
dreas, ae e adis que deu André e Andreu, nomes de santos, 
Santander por Santo André, na Hespanha, Andrade, appel- 
lido, e Anreade freguezia nossa ; André, Andréas, Andrés, 
Andresa, Andresas, Andrêus ou Andréas, Andrezes e An- 
drias, povoações nossas também. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 341 



Confronte-se também Dorothêa e Dorotheu, nomes de 
santos, que talvez tivessem a forma anterior Dorothéas ! . . . 

Philothêa, Philothêu e Philotên, que também foi santo, 
não Philothêa ou Philotheia. 

Penaguião. — De Pena-Gedeão. Veja-se Elucidário, vh. Ca- 
jom 1.® e Caldeira, onde se diz que a villa de Penaguião foi fun- 
dada pelo Rico-homem D. Gomes Mendes Gedeão, em 1191. 

Veja se também Alvoriçar, no mesmo Ehidãarlo. 

Do que Viterbo diz nos logares citados se infere que a 
freguezia áa S. Miguel de Lobrigos, antes de 1191 pertencia 
ao concelho de Godim ou de Borba de Godim, hoje simples 
freguezia de S. José de Godim, concelho da Regoa e que 
pelo facto do abbade de S. Miguel de Lobrigos, concelho de 
Borba de Godim, magoar o Rico-homem D. Gomes Mendes 
Gedeão, este fundou a villa e o concelho de Penaguião, ao 
qual ficou pertencendo a freguezia de S. Miguel de Lobrigos, 
para melhor se desaffrontar do dito abbade, pondo-a na sua 
immediata dependência, posto que já no acto do conflicto 
não lhe acatou ou respeitou as ordens, isto é — insultou-o e 
bateu-lhe ! . . . 

Pendilhe por Pendilho. — De penedilho por penedello, 
diminutivo de Penedo. Confronte-se Pendilla, que se lê Pen- 
dilha, povoação da Hespanha, cuja etymologia é penediila 
por Penedela, dimi«iutivo de Peneda, povoação da Hespanha 
também. 

Peonia, planta e flor. 

1.° — Do grego paionia, como diz Figueiredo, 

2.0 —Directamente do latim Paeonia, paiz da Macedónia, 
que tomou o nome de Fean, filho de Endymion, que alli foi 
estabelecer-se, como se lê no Diccionario Clássico : note-se, 
porém, que Endymião e familia pertencem à mythologia. 

Perestrello, appellido. — De Péres-Tello? — Fiat lux. 

Piães. — De Aphianus ou Apianus,i,fs, nome d'um santo. 

Pinhanços. — De Pinhanchos e este de pinhalanchos, pi- 
nhaes anchos — grandes? Veja-so Novancha, supra. 

Pinhão, rio. — De pinhalão, como Sobrão de Sobralão. 



342 TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMICA 

Note-se que vários escriptores, tentando elucidar o Ro- 
teiro (r Antonino, dizem que Pinetum marcado uo dito Ro- 
teiro, quer dizer pinheiral e corresponde a Pinhão. (Revista 
de Guimarães, volume xxvi, pagina 112). 

Piolhos. Veja-se Outeiro do Piolhinho, Fonte do Piolho, 
no velho Porto, Hotel do Piolho, ibi (Aljube). Piolhinho, 
Piolho e Piolhosa, povoações nossas. 

Polo e Poulo. — De Paulo? como Paula, Paulino éCau- 
lino por Paulino, appellidos. 

Ponte do Anhel. — De Agnellus, i — Agnello, nome d'um 
santo, etc. 

Porisso, aldeia. — De Pariço, e este de Apparicius, Ap- 
paricio, nome d'um santo, etc. Confronte-se Pariço, povoa- 
ção nossa também. 

Portagide. 

l.°-De... 

2.® — De Mortagide por Murtagide ou Murtagêde, Mur- 
tagal^ Murtéde. Veja-se Mortazel, Murtêde, Murtinhal e Mur- 
tosa, povoações nossas. Junte-se Myrtilis Júlia, hoje Mertola, 
que foi cidade romana e tomou o nome do latim myrtus — 
murta. 

Portagua. Vejase Mortágua e Portagide. 

Portanxo. 

i." — De. . . • 

2.° — Contracção de Portalancho. — Portal-ancho, por- 
talão. Veja-se o tópico Desinências ancha e ancho e Novan- 
cha, supra. 

Portas Faronhas e Portas Fronhas. 

1.° — De... 

2.° — De Portas ferrenhas, faronhas e fronhas, portas 
de ferro. Veja-se Ferronha, Ferronhe, Portado de Ferro, 
Portas de Ferro e Porta Férrea, a porta principal da Uni- 
versidade de Coimbra. Confronte-se o provincianismo minhoto 
— portal fronho, o portal por onde entram os bois na resi- 
dência do lavrador, e porta fronha a porta principal da casa. 

O snr. Figueiredo, no supplemento, propõe como ety- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMIOA 343 

mologia de fronha — travesseira ou travesseiro da cama, o 
hypoth. latim foraneuft, como addição ao castelhano forauo, 
que timidamente propoz no texto. Para ff^nha, portal, não 
propoz etymon algum. 

Eu lembro ferrenho, o mesmo que férreo, de ferro, por- 
que as portas principaes das casas e abegoarias eram e são 
pesadas e demandavam fortes gonzos e chapas de ferro, para 
maior duração d'ellas e para melhor defeza contra os ladrões 
e assaltantes. 

Portigens. 

l.*»— De... 

2.0 — De portagens. 

Note-se que Portigens demora na margem esquerda do 
Douro, tem uma barca de passagem e pertence á freguezia 
de Barro, concelho de Rezende, Confronte-se Portagem, Por- 
tadeiros, Portaneiros e Portaleiro, povoações nossas também, 
e portageiro, cobrador de portagem, nome commum. 

Portinos. — de Portinos, o mesmo que Portinhos ? Con- 
fronte-se Martino e Martinho, Poupiuo por Poupinho, etc. 

Porto da Soanda. — De Soenda por Soenga? 

Portouro e Portouro de Sangalhos. 

l,»— De... 

2.°— Do baixo latim portoliufi, portinho, Portello. Ve- 
ja-se Portinho, Portinos, Portunhos e Riboira ou Riboura (de 
rivolia !. . .) 

Portugal. Confronte-se Portugalete, povoação da Hespa- 
nha e Portugalof, appellido actual na Rússia. 

Portulada. Veja-se Portella, Portellada, Portelladia, Por- 
telladinha, etc. 

Portunhos é uma forma de Portinhos. 

Porvella, vinha. — De Provella. Veja-se Prova, bacellada, 
vinha nova. 

Potam. Veja-se Botão ou de potão, grande pote ou alam- 
bique. 

Pote Viceiro. 

!.• — De... 



344 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

2.0 — De viceiro por vezeiro, pote commum a certo nu- 
mero de consortes, que se revezam no uso d'elle. Confron- 
te-se o provincitiiiismo minhoto e transmontano — vezeiro, 
rebanho que se reveza com outros em certas pastagens. Con- 
fronte-se também a vez da fonte, a vez da eira, a vez do 
fòrno, a vez do banho, etc. 

Como vezeiro vem de vix, icis, vêz, a forma viceiro tem 
jus etymologico acceitavel. Confronte-se Vice-Consul, Vice- 
Rei, Visconde, Viscondessa, Visorei, etc, 

Poupino. — De poupinho — pela forma poupiiio ? Veja-se 
Portinos de Portinos. 

Povoa de Sabrinhos. 

1.0 — De... 

2.° — De Salgueirinhos ? Veja-se Salgueiral, Salgueiri- 
nho, Salgueirinhos e Salreu por Salrêdo, salgueiredo? Con- 
fronte-se Milleu e Milreu. 

Povoa de Varzim. Confronte-se Poço do Gil Varzino, 
povoação nossa também. 

Pracana. 

1.° — De... 

2.0 — ^Do portuguez pragana, unde, pão de pragana. Ve- 
ja-se Bragança, Pragaes, Pragal e Pragança. 

Prachã. 

1.°— De... 

2. o — De pêra chã. Veja-se Pedra Chã, povoação nossa 
também. 

Pradanta. Veja-se Pedra d'Anta. 

Praisal. 

l.o_De... 

2.° —De pai:;zal por painçai, de paniçal, e este áe pa- 
nis, pão. Veja-se Painçai e Painzella, povoações nossas. 

Prazins. — De Placiniis, patronimico de Placinius, ii^ no- 
me romano. 

Publio Elio Placinio figura em uma inscripção encontrada 
em Vai de Telhas. Veja-se Portugal Antigo e Moderno, vo- 
lume X, pagina 90, columna 2. a 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 34Õ 

Prezandães. — De Prés — Andrães. Confronte-se Preta- 
rouca, povoação nossa também. 

Priana e Priannes. 

1.0 — De... 

2." — De Pereannes, Pedro Annes, Pedro, filho de João. 

Priana. — de Pereanna (villa) a granja de Pereannes. 
Confronte-se Martianas, Martim Annes, Pai Janes, Pai Joan- 
nes, etc. e Jallares, supra. 

Pruzella. Veja-se Pedra, Pedrozello, Perozello e Pro- 
zella, por Perozella, povoações nossas, diminutivos de Pe- 
droso e Pedrosa. 

Púcaro, appellido nobre. Foi alcunha de D. Pedro de 
Menezes, irmão de D. Duarte de Menezes, capitão de Tan- 
ger e depois Vice-Rei da índia, pelo que a dita alcunha de 
Púcaro se tornou appellido nobre e muito nobre em Portugal- 

Ainda em 1891 vivia no Porto um filho de José de 
Mello, de Lalim, coronel de milicianos realistas, o qual filho 
usava do nome F, de Mello Pitta e Púcaro. 

Pulgas, Fonte da Pulga, Pulga, Pulgas, Pulgueiros de 
Baixo e de Cima, Venda das Pulgas, Courellas de Vai de 
Pulgas, Purgaçal de pulgaçal ? Vai de Pulgas e Vai de Pul- 
guinhas, povoações nossas. Veja-se Piolhos, supra. 

Purgaçal. Veja-se Pulgas, supra. 

Quartinos e Quatrim por Quartira. — De Quartinus, i^ 
diminutivo de Quartus, Quarto, nome romano e nome d'um 
santo, etc. Veja-se Cartem, supra. 

Queires, Queiriz, Quires e Villa Boa de Quires. Veja-se 
Caires. 

Queiró, Queiroal, Queiroga, Queiroz, Quiroga, etc. Veja-se 
Coirual, supra. 

Queixomil. Veja-se Casimiro e Creixomil. 

Quelfes, no Algarve. — Do árabe quelfe, coisa malhada. 
Do verbo cálefa, ter a côr negra, misturada com manchas 
amarellas, como diz Sousa. 

Quetriz. — Confronte-se Guetiz por Guetiis, plural de 
Guetim por Gatim, povoações nossas. 



346 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Quevedo^ appellido. E' talvez uma forma de Cabedo, 
appellido e povoação nossa também, como Cabedello, que 
por contracção deu Cabedo. Por seu turno Cabedello vem do 
baixo latim capitellum, pontal, extremidade, diminutivo de 
caput, itis — cabeça. 

O mesmo capitellum, i, deu capitel — o remate ou ponto 
mais alto das columnas e ha na minha povoação da Corva- 
ceira, freguezia da Penajoia, no Douro, um sitio denomi- 
nado Chapitel, que muito provavelmente é uma antiga for- 
ma de Capitel, por ser talvez aquelle sitio o cabedello ou 
ponto mais alto da povoação in illo tempore. 

Chapitel, vem, pois, do tempo em que cha e ca se con- 
fundiram na onomástica portugueza. Veja-se o tópico — Sub- 
stituição de letras. 

Quires. — De Quiriquis, patronimico de Quiricus, Qui- 
rico, nome d'um santo, etc. 

Quixomar. Veja-se Casimiro. 

Raiva 6 Raivo, cinco povoações nossas. 

l.«— De... 

2.«> — De Raida, antigo nome d'um santo, etc. 

A forma dos Santoraes é Raida, mas o nome é mascu- 
lino. Veja-se o meu Diccionario d' AppelUdos. 

Rameral [sic) ou Ramesal, Remesal e Romezal. — De 
romanzeiral? 

Ramil, Ramilla, Ramillo, Ramillos e Ramires. — J)e Ra- 
mirus, i, — Ramiro, antigo nome pessoal. 

Rapejães. — De Rapojães, este de Rapojaes e este de 
Raposaes! Confronte-se Raposal, etc, povoações nossas. 

Note-se que temos talvez mais de cem povoações que 
tomaram o nome das raposas, incluindo Rabosa, Golpe, Gol- 
pilhal, Golpilhães por Golpilhaes, Golpilhares, Golpilhari- 
nhos, Golpiiheira, Golpinas, Gulpilhares, Gulpilheiras, etc. 

Rato, appellido. Já vem do tempo dos romanos, pois 
Decio Mus foi cônsul. Note-se que em latim mus, uris, si- 
gnifica o rato. Veja-se o Magnum Lexicon e o Diccionario 
Clássico vb. mus. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPoNYMIOA 347 

Raviçaes — De rabaçaes. Veja se Rabaçal. 

Raxão. — De Rechào, povoação nossa também. 

Reboa e Reboeira. Veja-se Rebola e Reboleira. 

Rebocada e Rebogato. — De Revocatus, aatigo nome 
pessoal. 

Rebolai, Rebolar, Rebolaria, Reboleira, Reboleiro, Re- 
boleiros, Rebolia, Rebolido, Rebolosa, Rebordaiuhos, Rebor- 
dans, Rebordãos, Rebordeiras, Rebordello, Rebordinho, Re-^ 
bordo Chão, Rebordões, Rebordando, Rebordosa ; Robeira, 
Robéra, etc. Veja-se Castanheiros bravos, supra, chamados 
rebordãos ou rebordões, porque dão castanhas arredondadas 
ou rebordans. 

Reboreda, Reboredo, Reboriça, Reborido, Roboreda, 
Roboredo, appellido, etc. Roboredos e Robuido, o mesmo 
que Reborido e Roborido, povoações nossas, tomaram o no- 
me do latim robur, uris', carvalho. Veja-se Carvalha, Carva- 
Ihedo, Carvalhido, Cerqueda, Cerquedo, Cerquido e Carpa- 
Ihosa, supra. 

Rebulheira. — De Rebunheira. Confronte-se Rebanhado» 
Ranha, Ranhadouro, Ranhado, Ranhados, etc. 

Reca, Recião, Rega, Régua, Reguião, Requano, Re- 
quiães, Requião, Requim, Requina e Rica, appellido, etc. 

1.° — De... 

2.0 — De Rekila ou Rikila, nome germânico e dos seus 
diminutivos. — Requilanus, z, e Requilinus, i. 

3.° — Reca — das récas — porcas. 

•i." — Rega — das regas. 

5.° ~ Régua — de Regulus, i, ut alibi. 

Reçamonda, Recamonde, Recamunde, Ricamonte e Ro- 
camondo. 

l.« — De... 

2.° — De Richmond, Recimunduò-, ou Rikmundus, nome 
pessoal germânico. Veja-se Forstemann. 

E' Richmondus, i, em francez Richmond, nome germâ- 
nico tirado do teutonico rich — poderoso e miind — homem. 
Veja-se Boucrand. 



348 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Recião, Eeguião, Requiães e Requião. 

1,0 — De rocião, grande rocio, que o povo chama recio. 

Confronte-se Rocio e Rocios, mais de vinte povoações 
nossas. ^ 

2." — Rôcião, Reguião, Requiães e Requião — de Rikila- 
nus, diminutivo de Rikila, nome germânico pessoal. 

Recibal e Recibos. Veja-se Reconco, infra. 

Reconco, Reconquo, Reconqnos e Reconço. Veja-se Oon- 
00 e Recanto. 

Reconco é contracção de recôncavo — cavidade, fenda, 
concavidade, gruta, antro, recanto? Confronte-se Refoios ou 
Refojos, Espiunca, . etc. Veja-se também Recibal, Recibos, 
Recobello e Recovellas, povoações nossas. 

Recibal é talvez uma forma de Recovai, grande Coval, 
e Recibos é talvez uma forma de Reco vos ! . . . 

Coval, Covão, Covellas, Covello, Covo, Covões e Covos 
são povoações nossas e as letras i e o confundiram-se e sub- 
stituiram-se na escuridão da edade média. 

Reges, Regi, Regil, Regis, appellido ; Reinalda, Rei- 
naldo, Reinaldos e Reinol — ameixa muito grande e averme- 
lhada, mas pouco saborosa. — De Reginildus, i, antiga forma 
de Reginaldus, 2, que deu Reinaldo, etc. Confronte-se Tagilde, 
Thaide, Atahide, Athaide e Tainde, de Athanagildus, i, nome 
germânico. 



^ Note-se que em Recião, aldeia da freguezia de Várzea de Abru- 
nhaes, concelho de Lamego, ha uma espaçosa e mimosa planície, que foi 
cerca do extincto convento de Recião e hoje (1912) é uma boa quinta do 
snr. Conde de Samodães. 

Eu já alli passei em 1848 e gostei de ver, faceando com a estrada 
publica junto do extincto convento, um modesto chafariz com esta inscri- 
pção do tempo das freiras ou dos frades loyos que alli anteriormente vi- 
veram : 

Siquis sitií, venial ad me et bibai. 

Em vulgar: — Qntm tiver sede approxime-se e beba. 

Este convento foi muito notável. Veja-se Bispo Azul, no meu longo 
artigo Vízea, do Portugal Antigo e Moderno, volume xii, pag. 1607. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPOKYMICA 349 



Regufe. Veja-se Cendufe. 

Eeimonde. — De Eeymondm,[i, antiga forma de Eaymun- 
dus — Raymundo. 

Mestre Affonso Raymundo das Leys figura em um do- 
cumento do anno 1354. 

Cat. Bispos do Porto, 1.* edição, parte 2.^, pag. 180, 
col. 2.a 

Reirigo, Reiriz e Reriz. — De Raiincus ou Heirkus, antigo 
nome pessoal, 

Fernando Rairiguiz ou Reiriguiz, figura em um docu- 
mento do anno 1142, relativo ao convento de S. Romão de 
Ceia. Veja-se Cea, no Portugal Antigo e Moderno, volume ii, 
pagina 223, columna 1.» 

Rendufo e Reudufinho. Veja-se Cendufe, supra. 

Requano. — De Rikilano ? Veja-se Recião, Reguião, Re- 
quiães e Requião, 

Requezende, povoação nossa. 

1.° — De... 

2." — De Recesioindus , l, nome germânico pessoal. A es- 
cala seria: — Recesioindus, Receswindi, Recesindi, Recezindi, 
Recezende, Requezende, pois ce e ke ou que substituiram-se 
na idade média. Veja-se o meu longo tópico Substituição de 
letras, 

Requeijada, Reqneijo, Requeijó, Requeixada, Requeixo 
e Requexos. — De requeijão. Veja-se Coalhadas, supra. 

Requim e Requina. Veja-se Reca. 

Rés, appellido. — De rêz, cabeça de gado lanígero?... 
por euphemismo. Oonfronte-se Cabra, Cabral, Cabrita, Car- 
neiro, Cordeiro, Ovelha e Ovelheiro, appellidos nossos 
também, 

Resamonde. Veja-se Reçamonda, supra. Confronte-se 

Rosimunda, nome d'uma antiga abbadessa d'Arouca. 

Vida da Beata Mafalda, pag. 231. 

Resomil. Veja-se Remezal, contracção de roinanzeiral. 

Revenduda. — De Revendida. Confrontese Benevenutus, 
nome d'um santo, o mesmo que Benevenitus — Bemvindo. 



350 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONyMICA 

De Benevenitis — Bem Vides, povoações nossas e de Bene- 
veniti — Benavinte, Benevente, povoação nossa e da Itália, e 
Benavente, Villa, o mesmo que Benevente. 

Rica e Ricca, appellido."' Veja-se Recião. 

Rica Monte, aldeia e Reçamonda, supra. Confronte-se 
Richmond, povoação importante, pouco distante de Londres. 

Ringuete, casal. — De reguinguete, portuguez popular 
— que reguinga. 

Ripança, ponto do Douro e Ripanço, casal. Veja-se Ra- 
pa, freguezia e ponto do Douro — e Ribança. 

Rival, quinta. — Do latim rwalis, le — que habita ou 
vive em ribeira, arroio ou torrente. Magnum Lexicon. 

Rivara, appellido. — E' talvez uma forma de Rivera, 
muitas povoações da Hespanha em Cadiz, Sevilha, Leridai 
Barcelona, etc, o mesmo que Ribeiro e Ribera, na Galliza» 
Oviedo, Murcia, Leão, etc. Confronte-se Azurara, o mesmo 
que Azoreira (Açoreira), povoação da Galliza. 

Robom. Veja-se Rio Bom. 

Romadinha. Veja-se Ramadinha. 

Romagom. E' talvez uma forma de Ramagon, o mesmo 
que ramagão e Ramalhão ? ! . . . 

Note-se que Romagom prende com o diapasão hespanhol 
em que ja, jo, ju se lê ga^ go, gu e em portuguez deram lha, 
lho, Ihu. 

Assim na Hespanha escrevem atajo que se lê atago e 
em portuguez atalho ; também lá escrevem remojo, que se 
lê remogo, em portuguez remolho, etc. 

Também a desinência hespanhola on em portuguez dèu 
ão. Assim no tempo da occupação hespanhola podiam escre*- 
ver rumajon que soava romagon e correspondia ao portuguez 
ramalhão. 

Romazelhas. — De Romanzelhas. Veja-se Romãs, Ro- 
mezal, Remezal. 

Rompecias, Rompecilha e Rompecilhas. São formas do 
mesmo nome, tiradas de romper cilhas. 

Rosmanial. Veja-se Rosmaninhal e Rosmaninho. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 351 

Rosmono. E' talvez uma forma de rosmano, contracção 
de rosmaninho. Veja-se Rosmanial. 

Rosulha. Vem talvez de Rosilha, o mesmo que Rosinha. 

Roufe, aldeia do concelho de Guimarães. — De Rodól- 
phus, i — Rodolpho. Veja-se Raul e Rol. 

Rozem. — De Rauzendi, como Rozende e Rezende, Con- 
fronte-se Mem e Mendo. 

Ruy Fernandes, distincto escriptor do século xvi. Veja-se 
Mttsouco, supra. 

Sá, Saavedra, Salaberte, Salla, Saliinha. Veja-se Cella. 

Sabadelhe e Sebadelhe por Sevadelha. — De cevadelha. 
Veja-se Cevada, Cevadaes e Cevadinha. Confronte-se Saba- 
dell, povoação da Catalunha, próximo de Barcelona. 

Sabrosa e Sabroso. 

1/' — De suher, eris, o sobreiro. 

2.0 — Do latim salebrosus, a, um, coisa escabrosa, cheia 
de altos e baixos. — Do latim sãlebra, caminho ou logar es- 
cabroso, pedregoso ou de altos e baixos. — Magnum Lexicon. 

Sabugueiros. Lista das povoações que tomaram d'elles o 
nome. Veja-se Masoueo, supra. 

Sabrêos. -De Safredus, i, Safredo e este de Sigifredus^ 
i, nome germânico que se encontra em Vai do Safredo, e deu 
Jesufrei, Cigoffrey e Guilhabreu. Confronte-se Abreu e 
Abreus ! . . . 

Sadoncelhe por Sadoucelhe. — De Sadonceli, diminutivo 
de Sadon, Sadâo ou Sado. Sadoncelhe quer, pois, dizer pe- 
queno Sado. Confronte-se Sernancelhe e veja-se o meu longo 
tópico — Diminutivos formados pela desinência cellus, celli. 

Sadorninhas e Sadorninho De Saturninus e Satur- 
nina, nomes pessoaes. Veja-se Saturnino, povoação nossa 
também. 

Safara, Safardão, Saffordão, Safurdão e Serafão. — De 
safarão, muito pouco fértil, diminutivo de sáfaro — inculto, 
agreste, bravio, estéril, que deu também Safara, Safardel 
por Safarei Safarenho, Safaruja^ Saffara e Safra, povoações 
nossas. 



3Õ2 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

A raiz é o árabe çakra — deserto. Veja-se Coffaro, supra. 

Safardel, Safarenho, Safaruja e Safra. Veja-se Safardão, 
supra. 

Safordão, Safardão, Serafão. Veja-se Safardão, supra. 

Sagres. 

1.»— De. . . 

2. o — Do árabe sacres , certa espécie de galleões. 

3.0 — Do árabe sacron — espécie ou qualidade de peça 
d'artilhe]ia?. . . Sousa — verhis — Sacre e Sagres. 

4.0 — Sagres — de Siagriis, patroaimico de Siagrius, ii, 
Siagrio, nome d'um santo, etc, tirado talvez do latim botâ- 
nico de Plinio syagrms, ii, certa ospecie de palmeira, apodo 
que bem podia dar-se a um homem alto e magro. 

Também Sagres pôde vir directamente de !<yagrius, por- 
que as palmeiras dão-se bem no Algarve, província bastante 
quente e que outr'ora devia ser mais quente, segundo a theo- 
ria do arrefecimento gradual da terra. — Fiat lux. 

Salamonde. Confronte-se Salamonde, appellido italiano 
actual e Sálomon, õnis, Salomão, nome biblico e nome d'um 
santo, etc, que deu também Samões e Samonde, povoações 
nossas. 

De Salomone. — Salamonde e Samonde? 

Salema, aldeia, appellido, etc. — Do árabe salama — sau- 
dação com que os homens costumam cumprimentar-se, como 
diz Sousa. Confronte-se também salema, peixe do Algarve e" 
note-se que temos muitos appeilidos tirados dos peixes. Taes 
são: Bordallo, Cação, Capatão, Enguia, Lampreia, Peixe, 
Eoballo, Pescada, Sardinha, etc. 

Salgoga e Solgoguinha. Salgolga vem talvez do sup- 
posto baixo latim salicólca, o mesmo que Salgueirinha, po- 
voação nossa. Salgolguinha é diminutivo de Salgolga. Con- 
fronte-se Salgam, Salgom, Salgosa, etc, povoações nossas, 
cujos nomes foram tirados dos salgueiros e estes do latim 
salix, lieis. Confronte se também Silgado e Sirgada, o mesmo 
que Salgado e Salgada por Salgueirado e Salgueirada, po- 
"Voações nossas, e estas por Salgueiredo e. Salgueireda, como 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 353 

Sarzedo, Sarzeda e Salzeda. O povo também diz Sauzeda e 
Sauzedas. 

Salgosa. Veja-se Salgueirosa. 

Saltadouro, Confronte-se Bebedouro, Passadouro, Pou- 
sadouro, Regedoura e Regedouro, o mesmo que Rugidoura 
6 Rugidouro — do rugido que faz; estrondo, ruído — e que 
deu Rugido, povoação nossa também. 

Salto da Pandeira. Grande cascata do Douro e rendosa 
pesqueira! Veja-se Mosouco, supra. 

Sambade. -^De S. Beda? 

Beda foi santo^ doutor e confessor. — De S. Beda, S. 
Bade e Sambade ! Confronte-se Shambat, appellido italiano 
do Maestro G. Shambat, auctor de varias composições, entre 
ellas um Nocturno, bem conhecido no mundo musical como 
iSocturno de Shambat. Veja se o jornal do Porto — Primeiro 
de Janeiro, de 27-7-907, pagina 1.», colurana 7.f> 

Sambrana e Sambro. São talvez formas do Zambrana e 
Zambro, tiradas do portuguez, zambro — cambado? 

Samede e Samedes. — De S. Mamede? Confronte-se 
Sampaio por S. Pelagio, Samor, por Santo Amor, Sandurão 
por Santo Durão ou Durando, Sanfins por S. Feliz, o mesmo 
que S. Félix; Sanfippo por S. Philippo e este por S. Phi- 
lippe; Sangemil e Sanjumil por S, Gimiro; Sanjurge por S. 
Jorge ; Sanhoaiie e Sanoane por S. João, etc. 

Sameice. 

1.0 — De... 

2.*^ — Do árabe //ít m<?/'ca — logar exposto ao sol, como 
diz Sousa. 

Samodães e o Teixeirinha. Veja-se Castanheiro do Sal- 
vado, no Índice da 2. a parte. 

Samodães. 

1.0— De... 

2." — De Samosatanus, i, is, filho ou oriundo de Samo- 
sata, cidade da Syria, junto do Euphrates. Foi pátria de 
Luciano. Diccionario Clássico. 

3.0 — Samodães. — De simadaes, terras que estão no alto 

23 



354 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

OU cima de uma grande encosta ou ladeira, como está Samo- 
dães. Note-se que o povo ainda hoje não diz Samodâes, mas 
Simodães, quasi simadães, e em documentos da idade média 
se escrevia Çumadaaes por Samodâes. 

Samossa por Samoça, povoação nossa também, como 
Samocal e Samocas, Samoqueira e Samoqueirinha. Veja-se 
Saboga, Saboguezes, Sabuga, Sabugal, Sabugo, Sabugosa e 
Sabugueiro, povoação nossa também. Samoqueira e Samo- 
queirinha são formas de sabugaeira e sabugueirinha. 

Samudas por Semudas? 

l.« — De... 

2.' — Aférese de Assemudas, diapasão callaico de As 
Mudas. Confronte-S8 Muda, nome de quatro povoações nos- 
sas e Sebouças, Sabrêos, Semilhans, Seloureiros, Selouros, 
Sepedros, Sevivos, Soliveiras, etc. 

S.** — Samudas. — De Sumadas por Simadas, terras que 
estão no cimo d' ama encosta ou ladeira, ou de qualquer ou- 
tro sitio relativamente escarpado. Coufronte-se Cima da 
Bouça, Cima da Rua, Cima da Veiga, Cima de Cantira, Ci- 
ma de Rezende e Cima de Villa, 

Só com este ultimo nome temos talvez mais de trezen- 
tas povoações ! . . . 

Também temos Cimo da Aldeia, Cimo da Lomba, Cimo 
de Sande e Cimo de Villa. 8ó com este ultimo nome temos 
talvez mais de cem povoações. Confronte-se também Sima- 
das, Simados, Simães por Simadães; Simal por Simadal ; e 
Samodâes por Simadães, Simadans ou Simadães, como já 
dissemos. Veja-se Assomadas, supra. 

Sandim, etc. Munio Sandinio foi parocho d'Almacave, 
em Lamego, no anno 1055. Veja-se Cambres no Portugal 
Antigo e Moderno, volume ii, pagina 53. 

Mões, Mona e Mono, quintas e Muna, aldeia. Monas foi 
santo e é o mesmo que Monas, Moniz de Moninha, Moninho, 
o mesmo que Monino, a, antigos nomes pessoaes que deram 
Monim (Villa Monim) povoação nossa, e talvez Maninho por 
Moninho, pois temos Maninho e Moninho (sic), aldeias. 



TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMICA 356 



Nona, Nonna e Nonno foram santos, bem como Nonato 
(nonus natus)^ o nono nascido ou nono filho ; nono na ordem 
do nascimento, como Primus, Secundus, Tertius, QuartuF, 
Quintas, Sextus, Septimus, Ootavus, Nonus e Decimus. 

Nónio foi nome pessoal romano que deu Noninus, a, 
unde Noninha, aldeia, o talvez Nonide, de Noninizi, patro- 
nimico de Noninus, i. 

Também Nonus deu Nonno, nome d'um santo — Nunus — 
Nuno, nome pessoal, Nunes, appellido vulgar; Numilius, ii, 
que se encontra em Nunelhe, aldeia, o Nune que se encontra 
em Villa Nune. 

Nuno Alves Nobre foi ura dos portuenses mais ricos e 
mais beneméritos do século xix, Confronte-se Nunila, Nuni- 
lona e Nunnilona, nomes de santos, como Numilão, talvez 
forma de Nunilão, em latim Nunilanus, diminutivo de Nunila, 
como Nunilona. 

De Numilão, talvez Lumião, aldeia nossa. 

Note-se que l e n iniciaes, por vezes se confundiram e 
substituiram, e que o povo ainda hoje diz lomear por no- 
mear; atolico por attonito, etc. 

Com relação ás etymologias de Sande, Sandim, Sendim, 
Sinde e Sindim, vejam-se as paginas 36 e seguintes da se- 
gunda parte da minha louca Tentativo. 

Sangalhos, freguezia do concelho da Anadia. Confron- 
te-se Portouro de Sangalhos, aldeia da freguezia de Sanga- 
lhos — Sangalhos da Egreja e Sangalhos da Villa, aldeias da 
mesma freguezia. Ribeiro de Sangalhos, aldeia, idem. 

l."-— De Galhos, Gallo, nome d'um santo, etc. 

2." — Sangalhos — dos gazalhos, tortulhos, que deram 
o nome a varias povoações nossas, taes são: Gazalha, Gaza- 
Iho, Zagalho e Zangalho, que outr'ora se lia ou podia ler 
Sangalho e dar Sangalhos, pois sa e za trivialmente se con- 
fundiram e substituiram na onomástica portugueza. 

Com vista ao meu benemérito successor, natural da fre- 
.guezia de Sangalhos, supra. 

Sangemil. — De Sanctus Argimirus, i. Confronte-se Ar- 



356 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

gemil e Argomil, Armei, Armil, Armilo e Arganil, povoações 
nossas, 

Sarafana, quinta e appellido. E' talvez metáthese de 
Safarana. Confronte-se Safara, Safardão por Safarão. 

Safarenho, Safaruja, Saífara e Safordão por Safardão — 
De safaro — chão secco e estéril. 

Saraminheira e Saraminheiro. 

l.o_De... 

2.0 — De soromenheira e soromenheiro. Veja-se Salma- 
nha 8 Siderma. 

Sardinheira, aldeia, etc. 

1." — {Ad ridendum) — De sardinheira, mulher que vende 
sardinhas. 

2.° — De Sardinaria, villa e esta de Sardinarius — Sar- 
dinario, antigo nome pessoal do primeiro bispo de Lamego 
no tempo dos godos, etc. Sardinarius deu ou podia "dar Sar- 
dinaria, villa, granja, quinta ou casa de campo de Sardina- 
rio, como Regulus, Regulo, nome d'um santo, deu Regula, 
villa, hoje a formosa villa da Regoa. 

Sarguinheira. Veja-se Sangrinheira e Sanguinheira. 

Sarradas, Serrada, Serradas e Serradello. Veja-se Cer- 
rada, supra. 

Sarroeira. Veja-se Oharroeira, supra. 

S. Toinlio. — De Santo Antonino (?) ou Santo Antoni- 
nho, povoações nossas. 

Savariz. Veja-se Sabarigo e Sabariz. 

Scipião, — Do latim Scipio, onis, nome ou cognome ro- 
mano e este do latim scipio, onis — bastão, bordão. Magnum 
Lexicon. 

Sebal Grande e Sebal Pequeno. — De Cevadal?. . . 

Seculinho. — De seccalino? Veja-se Seccalina. 

Segodira e Segolim por Segalim. — De secçalim. Veja-se 
Secalina e Seculinho por Secalino. 

E' assim a arte-nova. 

Seide por Ceide. — De Gid, appellido nosso, tirado do 
lendário Cid Ruy Diaz ou Ruy Diaz, o Cid. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 357 

Note-se que na onomástica portugueza i deu ei e ai. 

Seita por Ceita. — De Cepta, hoje Ceuta, cidade de 
Marrocos. 

Seixomil por Ceixomil. — De Queixomil por Creixomil 
e este de Casimirus, i — Casimiro, nome d' um santo, etc. 

A escala seria Casimiri>> Craximiri ^ Craximil>> Crei- 
xomil >> Ceixomil que outr'ora se leu Queixomil. 

Seixomil é uma forma inconsciente de Ceixomil. 

Queixomil é povoação nossa também. 

Note-se que antigamente cé valeu sé, ké e qué. 

Sejàes. — De Segães por Segaes — contracção de Sega- 
dães por segadaes. 

Selhariz e Senhariz por Senhoriz. — De Seniorinis. Ve- 
ja-se Ariz e Canas de Senhorim. 

Selhe, Selho e Silho. — De Siliiis, ii, nome romano. 

Sellores por Cellores. — Veja-se Cellorios, de cellariolus, 
como Celleiró e Celleiroz. 

Seloureiros. — Por Os loureiros. Confronte-se Soliveiras, 
Zabelleiras, etc. 

Semblano, appellido, etc. Veja-se Amedo e Semblano, 
supra. 

Semedo, appellido. 

1.° — De... 

2." — De Simethum — Simetho, rio e cidade da Sicilia. 
Veja-se Simaethum no Magnum Lexicon. 

Semilhans. 

1.0 — De... 

2.° — De Ossemilhans, diapasão callaico de Os Milhãos? 
Confronte-se Sebouças, Seloureiros, Selouros, Semilhans, Se- 
pedros, Sevivos, Soliveiras, etc. 

3.® — Semilhans por Semilhães. — De Similiams, patro- 
nimico de Similiamis, i, Similiano, antigo nome d'um santo, 
que deu Semilião, aldeia e freguezia do concelho de Rezende. 

Semonde. Veja-se Sallaraonde e Samonde. 

Senadre. — De Cernade por Cernado, supra^ ou de Ser- 
nade por Sernado, infra. 



358 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Senhariz. Veja-se Selhariz. 

Senra, Senrada^ Senradellas, Senras, Senrella e Senrel- 
las. — Do antigo portuguez seara, o mesmo quo seara, con- 
tracção do baixo latim senara, como diz Figueiredo. 

Senrada era uma porção de senras — senaras — searas, ibi. 

Sonradella pôde vir também de serradella, planta, na 
província da Beira. 

Serafão. Veja-se Safardão, supra. 

Serpigeira e Serpilhão ou Solpilhão. 

l.o_De... 

2,° — Do portuguez serpilho, o mesmo que serpão e ser- 
pol, planta muito aromática, em latim serpillum, do grego 
serpylon. 

Serpigeira é uma forma de serpilheira e Solpilhão por 
Selpilhão ó uma forma de Serpilhão ? 

Sertão. Veja-se Certa e Certão. 

Serzedo, freguezia do concelho de Villa Nova de Graya, 
antigamente denominada S. Mamede de Salzedo, como diz o 
Padre Carvalho. 

Pela forma Salzedo é o mesmo que Sarzedo e vem do 
baixo latim salicetum — salgueiral, como Salzedas, Sarzeda, 
Sarzedes, Sarzedello, Sarzedinho, Sarzedo, etc. 

Mas talvez que Serzedo, como Serzeda, Serzedello e 
Serzedinha venham de cerejedo, o mesmo que Cerdeiredo 
bosque de cerdeiras ou cerejeiras. Confronte-se Cerdeiral, 
Cereja], Cerejas, Cereje ou Zereje {sic), Cerejo, Cerzeda, Cer- 
zedello, quasi Cerzedo, Sergide e Sergido por cerejide e 
cerejido, quasi cerejedo; Sergude e Sergudo por Sergide e 
Sergido; Serjal por cerejal, Serigal por Serjal, cerejal ou 
cerijal, Serijo por Cerejo, etc, povoações nossas. 

As meias tintas confundem. 

Setúbal e Tentúgal por Tentuval? 

Rimam com Asdrúbal, 2." general carthaginez, enviado 
á Hespanha pela republica de Carthago. 

Era cunhado de Amilcar, o primeiro dos generaes car- 



TENTATIVA ETYMOLOaiCO-TOPONYMIOA 359 

thaginezes. Annibal foi o terceiro e succedeu a Asdrúbal. 
{Tentativa Etymologica, parte 1.», paginas 114). 

Sevivos, povoação nossa. 

1.0— De... 

2,° — Aférese de Ossevivos, diapasão callaico de (Js Vives 
Confronte-se Vivos (porcos?) povoação nossa, e Sebouça?, 
Semilhans, Seloureiros, Selouros, Sepedros, Sevivos, Soli- 
veiras, etc. 

Sezem e Sezim, povoações nossas. — De Sisinius, ii, Si- 
sinio ou Sizinio, nome d'um santo, etc. 

Sezulfe. Veja-se Sendufe. 

Sibyllina, nome pessoal. — De sibyllinus, a, um, coisa 
das Sibyllas ou pertencente ás Sibyllas. Magnum Lexicon. 

Sines, villa. 

1.» — De... 

2.0 — De Sinis, is, nome latino dado por Ovidio a um 
famoso ladrão de Corintho. Magnum Lexicon. 

3.° — De Sines {sic), nome d'um santo. 

Soeima. Veja-se Soleima. 

Solgos por Solgas ? 

1.0 — De... 

2.° — Aférese de Assolgas, diapasão callaico de As Olgas? 
Confronte-se Olga e Olgas, differentes povoações nossas e 
Samudas, Seloureiros, Selouros, Semilhans, Sepedros, Sevi- 
vos, Soliveiras, etc. 

Soliveiras, Zabelleiras, etc. Confronte-se Ribeiro dos 
Obraes por Dos Sobraes. 

Sonhim e Sonim. Confronte-se Sonnino, appellido actual 
italiano. 

Sordo, aldeia, quinta, etc. Confronte-se Sordo, appellido 
actual italiano de Sordo Muti, editor e typographo de Gé- 
nova, 1907. 

Soromenhos. Veja-se Ledesma, Salmães, Sedesma e So- 
romenhos no indice da 2.* parte. Confronte-se Farminhão 
por Sarminhão e este por Sarminheirão. Veja-se o meu longo 
tópico Substituição de letras —F e /S. Veja-se também Fer- 



360 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

medo por Sermedo, Sul, rio, e S, Pedro do Sul. — De sur, 
nome hebraico d'um rio, Confronte-se sm\ o mesmo que sud 
em castelliaíio e em portuguez, sul, como diz Valdez. 

Tabelladas. — De Tabladas e este do hespanhol tahla, 
taboa. Confronte-se Tablado e Taboado, povoações nossas. 

Taboaça e Toboaço. Confronte-se Colmaça e Vai Col- 
maço, que tomaram o nome do colmo. Milhaço e Vai de Mi- 
Ihaço, porque tomaram o nome do milho. Melgaço, Pomarão 
e Pomaraço, etc. 

Taboa, Taboaça, Taboaço, etc. — Do latim tabula — taboa 
e por extensão, castanheiro. 

Taboaço. Confronte-se o hespanhol conejazo, augmenta- 
tivo de conejo, coelho. 

Genestacio, povo de Leào. 

Genestaza, parochia d'Oviedo, o mesmo que Gestáço, 
freguezia nossa. 

Tablazo ~ em Oviedo. 

Tagilde, Tainde e Thaide. Veja-se Ataide, supra. 

Talaia. Veja-se Ataia e Atalaia, supra. 

Talharezes. — De Calharezes por Calharizes, plural de 
Calhariz por Calhandriz, que tomaram o nome das calhan- 
dras, aves. Veja-se Calhandra, povoação nossa também. Con- 
fronte se Menezes — de Menizis, patronímico de Menizus, i, 
velho nome pessoal. 

Tamal^ Tamel, Theomil e Thomar. — De Theodomirus^ i, 
Theodomiro, nome germânico pessoal. Confronte-se Leodmi- 
rus, i, que deu Leomil, Lomar e Loumar, povoações nossas, 
e Gunthimirus, i — Gunthimiro, que deu Candemil, Cando- 
mil, Contumil, Contumillo, Gondomil e Gondomar, povoa- 
ções nossas também. Veja-se o meu longo tópico — Substi- 
tuição de letras. 

Tamanhos, aldeia e freguezia. — De Tammagnus, antigo 
nome d'um santo, etc. 

E' assim a arte nova e rira bien qui rira le dernier ! . . . 
Confronte-se Manhos — de Magmis. Veja-se Camanho^ supra. 

Tare e Téra, casaes, etc. — De Thera^ nome hebraico do 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 361 

pai d'Abrahão, etc. E' o mesmo que Tharé e vem do hebreu 
therach, que espalha aromas, como diz Boucrand. 

Tarroso. Veja-se Terroso. 

Távora. — De tabula, taboa. Confronte-se o antigo cas- 
telhano espóla — espora, hoje espada, Valdez. 

Temes, appellido, etc. — De Themis, deusa da justiça, 
filha do Céu e da Terra. 

Do grego themis — lei, direito, justiça, logar em que 
se administra a justiça ; tribunal, como diz Boucrand. 

Terêna. - De Terina, cidade dos Bracios na Itália, hoje 
Nocera. Magnum Léxico n. 

Terranho, Terrenho e Terroso. Veja-se Atrozella e Tarroso. 

Thesido. — De tojido por tojedo, o mesmo que Tojal, 
Tugido, Tuido e Tuzar por Tujal. Confronte-se Tejão por to- 
jão ou tojalão ; Tigeiro por Tojeiro e Tocheiro; Tijosa e Te- 
josa por tojosa e tojoso. Nós temos Tojosa e Toyosa. 

Thodeia (Parada Thodeia). — De Thadêa, villa, e esta de 
Thadêu, nome d'um santo, etc, ou de tordeia, o mesmo que 
tordeira, ave semelhante ao tordo, mas um pouco maior, 
como diz Figueiredo. 

Tibães. - — E' talvez uma forma de Tibaes, o mesmo que 
Tivaes por Estivaes e este por Estevaes, povoações nossas, 
como Estivada, Estivadas, Estiveira, Estiveiras, Estiveiri- 
nha e Estiboiral por Estiveiral, o mesmo que Esteveiral e 
Estival. 

Tibalde e Tibaldinho. — De Thibaldus e este de Theo- 
baldus, nome germânico pessoal d'um santo, etc. Confronte-se 
Typaldos, nome ou cognome grego na actualidade. Assim é 
denominado um capitão de marinha que se revoltou contra 
o governo da Grécia em Outubro de 1909. 

Toqueirão. Confronte-se Toco e Tocos, povoações nossas 
também, o mesmo que Tronco, Troncos e Trancozam por 
Trancozão, povoações nossas também. 

Toriz, Touriga, Tourigo, Touriz e Turiz. — De Theodori- 
quiz, patronímico de Theodoricus, Theodoríco-, nome germâ- 
nico d'um rei dos godos, etc. 



362 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMIOA 

Do teutonico theod — povo, chefe, príncipe, e ric ou rich 
— poderoso, rico. 

Tortozeudo, Tozende e Tuzendes. 

1.0 — De Truycosendo, antigo nome pessoal de Truyco- 
sendo Gueda ou Guedes, avô de Egas Moniz, o Aio. 

Truycosendo >> Trucozendo >> Trutozendo >> Turtozen- 
do ^ Tortozendo. 

2.0 — De Tructexindus, i, nome pessoal germânico. 

Tougues, Touguinha o Touguinhó. — De Thioquis, Thio- 
quina e Ihioquinolus , i, formas anteriores de Diogues, o 
mesmo que Diegues, Dioguiuha e Dioguinho. Veja- se Dia- 
gares, supra. Também Tougues pôde vir do árabe touche, es- 
pécie de bandeira que o alferes costuma levar diante do 
Grão Turco, pelo que os ditos alferes são denominados — 
Tougues. Veja-se Touge, em Sousa 

Tovar, appellido nosso ; Tobar e Tovar, povoações da 
Hespanha. — De Theobaldus, Theobaldo^ nome germânico e 
nome d'um santo, que deu também Theobalde, Tibalde e Ti- 
baldinho, povoações nossas, Theobardo, também nome d'um 
santo. Thibaldo e Tibáu, appellidos nossos também, Con- 
fronte-se Bivar — de Vivaldus e este de Wilibaldus, i, nome 
germânico pessoal, que deu também Guilhovai e Guilhoveis 
por Guilhovaes, povoações nossas. 

Tramagal — De tamargal por tamargueiral — que abunda 
em tamargueiras, arbusto de casca adstringente. 

Travasso e Travassô. Confronte-se Trebatius, Trebacio, 
nome romano de Caio Trebacio, iurisconsulto, contemporâ- 
neo de Cícero. Magnum Lexicon. 

Tricas — ninharias, bagatellas, enredos. 

] .° — Do latim trica e este de Trica, nome próprio, como 
diz Figueiredo, mas eu não vejo no Magnum Lexicon, trica. 

2." — Do latim, tricae^ arum, — tricas, futilidades, enre- 
dos. — Magnum Lexicon. 

Trouxemil ou Trouxe Mil. Veja-se Casimiro. 

Trufei. De Theodofredi, patronímico de Theodofredus, i. 
Theodofredo, santo e martyr. Bispo de Vizeu, etc. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONVUIOA 363 

Veja-se Évora, no Portugal Antigo e Moderno, volume iii, 
pag. 110^ columna 2.* — e Vizeu, volume xir, pag. 1592, 
columna 1.^, onde, sob o numero 10, mencionei Theofredo 
o mesmo que Theodofredo, Bispo de Vizeu, pelos annos de 693. 

Trugal por Turgal, Truguel por Turcal e este por Tur- 
gal. Da torga, planta arbustiva, como Torgal, Torguêda, etc, 
povoações nossas também. 

Trulhe. De Tertulii? 

Ucanha, antigamente Cucanha. Veja-se Cuca, Gucana, 
Cucanha, Cuco, Cucos, Cocões, Cucujães por Cucujães, Mon- 
cocos por Moncucos e Monte dos Cucos, são povoações nos- 
sas que tomaram o nome dos cucos. 

Unhão, Unhaes e Unhos. 

1.0 _ De... 

2.*' — Do latim unio, anis — certa espécie de cebola. 

Vai de Avim e Vai de Eoira. Veja-se Aboim. 

Vai d'Asares ou Vai de Asares, aldeia e freguezia e por 
consequência povoação muito antiga. 

1.0 — De Balthasariis, patronímico de Balthasarius, iíj — 
Balthasar, nome biblico e nome d'um santo. 

2.0 — De valle de azares; mas não julgo acceitavel esta 
etymologia, porque a dita povoação vem da idade média, 
tempo em que o termo — asar ou azar, aventura infeliz, não 
vogava por certo ainda. 

Vai de Azares. Confronte-se Baldassare, appellido actual 
italiano. 

Vai de Geans. — De Geanes por Joannes? Confronte-se 
Jannes, Joaes, Joannes e Vai de Janianes — de João Annes, 
João, filho de João e Vai de Joannes, povoações nossas. 

Valdemar, Vai de Mar, Valdemil, Valdemir, Vai de 
Mira e Vai do Mar. Confronte-se Wladimirus, i — Wladimiro, 
nome germânico pessoal o Waldemar, appellido nobre actual 
na Dinamarca (1912). 

Vai de Menantis. — De Menantiz por Menentiz e este 
por Menendiz, o mesmo que Vai de Mendiz, 



364 TENTATIVA ETYMOLOGIOO-TOPONYMIOA 

Vai de Nacomba. — De Vai de La Comba ou Anna 
Comba. Confronte-se Casal de Nacomba. 

Valdigem por Valdige. Confronte-se Orge, Orgem e 
Orje, povoações nossas. Confronte-se também Faldigens e 
Faldijaes por Faldijães, que soa Faldigens!. . . 

Valeizão. Veja-se Baleizão, 

Valença e Valência. — De Valentia — Valença, cidade 
do Latium, que depois se chamou Roma. Plinio também deu 
o nome de Valentia a Valença, cidade da Hespanha. — Do 
latim valentia — valentia. 

Valentim — de valentinus, a, um, coisa da cidade de Va- 
lência ou de Valentini, orum — os valencianos. 

Valhelhas. — Do Vátim. vallecula e vaUicula — pequeno valle. 

Terêncio e Testo no Magnum Lexicon. 

Varães, Varaes por Varães e Virães ? 

1.0 — De Varianis, patronímico de Varianus, a, um — 
coisa de Quintilio Varo ou pertencente a Quintilio Varo. 
Magnum Lexicon. 

-2.0 — De varaes — grandes varas, antithese de Varellas. 

Variz. 

1.° — De... 

2.0 — De Variquiz por Variquis, patronímico de Varicus 
— Varico, nome d'um santo^ etc. 

Vasconcellos, appellido. — De Vellascucellus, diminutivo 
de Velascus, o mesmo que Vasquinho. Confronte-se Castron- 
celos, povoação de Lugo, que tomou o nome do baixo latim 
castrucelus, diminutivo de castrum — castro, como castrinho ? 

Vellez, appellido. — De Avilez e este de Ávila, cidade 
da Hespanha. 

Vermil e Vermoim. Veja-se Bermil. 

Vermil e Vermoil. — ^De Veremundini, patronímico de 
Veremundinus, ?', diminutivo de Veremundus, i, antigo nome 
pessoal que deu Bermudo e Bermudes, appellidos, etc. 

Vial, appellido. 

1." — Do latim vialis, pertencente ao caminho ou rua. 
Confronte-se Ruas, appellido também. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 365 

2.° — Vial — de Vidal e este de Vitalis, nome d'um 
santo, etc. 

Vianna e Vião — De Bibiano e Bibiana, nomes de san- 
tos, etc, que tiveram também as formas de Viviano e Vi- 
viana, quasi Vianna. Veja-se o meu Diccionario d'Appellidos. 
Confronte-se também Viviani, appellido actual francez (1912) 

Viariz. Confronte-se Biarritz, povoação franceza; mas 
Viariz, povoação nossa, vem de Viariquiz, patronimico de 
Viaricus, nome germânico. Veja-se Viariz, artigo meu, no 
Portugal Antigo e Moderno. 

Viça e Vicainha. Veja-se Bica e Biquinha e confronte-se 
Fontainha e Fontinha, etc. 

Vieirinhos (Lourinhã) Veiros e Vieiros. De fieirinhos e 
fieiros, nome que o povo dá aos pequenos arroios ou córregos 
d'agua. 

Fieirinhos e fieiros — vêem de fio — corda delgada, — e 
note-se que fi e vi na idade media confundiram-!so. Veja-se 
o tópico Substituição de letras. 

Vilhenga, 

l.^ — De... 

2.0 — De Vilhega. 

Confronte-se Vilhegas, appellido nosso, tirado de Ville- 
jas, que se lê Vilhegas, povoação hespanhola, o mesmo que 
Vilhelga, povoação hespanhola também. 

3. o — Vilhenga de vilhenda e este de Vilhena, appellido 
nosso, tirado de Villena, povoação hespanhola d'Alicante, o 
mesmo talvez que Vilela, povoação da Hespanha também, — 
•entre nós Villela por Villella, pois entre nós a desinência 
diminutiva ella tem dois U. 

Confronte-se Paradella, Fontella, Pontella, Portella, Va- 
rella, Vargella, Varziella, etc. 

Villa Nova de Portimão. Confronte-se Portimão, aldeia 
da freguezia d'Alvite, concelho de Cabeceiras de Basto; mas 
Villa Nova de Portimão tomou talvez o nome de Porto Máu, 
porque o seu porto não é bom. Confronte se Barrimao e Bar- 
rimáu por Barro Máu, povoações nossas. 



366 TENTATIVA ETYMOLOQICO-TOPONYMTOA 

Também Portimão pôde vir de portus magnus — porto 
grande, como diz o meu illiístrado amigo e collega sar. José 
Fernandes Vieira na sua interessante Alonographia de Villa 
Nova de Portimão, recentemente publicada. 

Villaça, appellido. — De Vilacha ou de Villaza, povoa- 
ções da Galliza. 

Visu ou VizêuT Oonfronte-se Visiedo, povoação da Hes- 
panha na provincia de Teruel. Confrontese também Vazêu . . . 
e Basilêu, o mesmo que Basilio, nomes de santos, etc. ' 

Basilêu podia dar Vazêu e Viseu ou Vizêu!. . . 

Por seu turno Basilêu vem de Basileia, a velha Au- 
gusta Bauracorum, hoje Bale, cidade episcopal da Suissa e 
capital do cantão do seu nome, atravessada pelo Reno. Ve- 
ja-se Basileia, em Cândido de Figueiredo, volume n, pagina 
8HG; Basilia em Bescherelle e Devars, volume ii, paginas 171. 

Ximenes, appellido. 

1.° — De... 

2." — Metatese de Gemims, patronímico de Geminus^ i 
— irmão gémeo? Confronte-se Gimênez que é forma caste- 
lhana de Ximênes. 

Também Geminus^ i, deu Gem, povoação nossa. 

Gemino, Gemina e Geminiano, foram santos ! . . 

Zabelleiras. — Vem de As avelleiras. Confronte-se So- 
liveiras por As Oliveiras, no diapasão callaico Assoliveiras e 
por aférese, Soliveiras. 

Parece que Zabelleiras já teve a forma Sabelleiras!. . . 
Confronte-se Sabeira e Sabeiro, talvez contracção de Sabe- 
leira e Sabeleiro. 

Zava. — De Zabela, nome árabe. Veja-se Zava, artigo 
meu, no Portugal Antigo e Moderno, volume xii, pagina 2078. 

Zebras. Confronte-se Vai da Zebra, Vai das Zebras, 
Vai de Zebro, Vai do Zebrinho, Monte do Zebro, Zebra, 
Zebra e Pombeiro, Zebral, Zebras, Zebreira, villa, freguezia, 
casal e dous montes — Zebreiros, Zebrinho, Zebro — seis ca- 
saes e uma herdade. Zebro de Baixo, Zebro de Cima, Ze- 
bros, aldeia, casal, etc. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 367 

Zibeira — uma freguezia, quatro aldeias, três casaes e 
uma quinta: Zibreira da Fé, Zibreira de Fitas e Zibeiros, ao 
todo trinta e oito povoações e dous montes deshabitados. 

Zedes. — De Zetes ou Zethes, ae, Zetes, filho de Boroas, 
rei da Thracia. 

Zé dos Muros. Veja-se Jallares, supra. 

Zido. 

1.0- De... 

2.° — Do latira zythum^ i e Zythus, i — a cerveja, bebida 
archaica, bem conhecida. Magnum Lexicon. 

Zurara. Veja-se Azurara, supra. 



368 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 



MflIS ETVMOLOQIAS 

O trabalho que segue appareceu truncado no espólio 

do auctor 



Adanfa e Adaúfe, appellidos e nomes geographicos — 
de Athaulphus, nome germânico d'um rei visigodo, etc, no- 
me tirado do gothico aita — pai e do celta ulphe — ajuda, 
soccorro, on do teutonico hidf^ idem ; em gallaico, anglo sa- 
xão helpe; em flamengo, hulpe — ajuda soccorro. Veja-se Boií- 
crand. 

O mesmo suííixo ul2}he ou hulf se encontra em Ra- 
dulphus ou Rodulphus, i, Sindulphus, i, Theodulphus , i, etc, 
nomes germânicos. 

Radulphus, i, deu Raul, nome pessoal e este deu Raullo 
ou Eaúlo, Raulino, Raulim e Rolim, appellidos. 

Também Radulphus deu 'RoàoXphus, i, Rodolpho, no- 
me pessoal e por contracção Rol, appellido, aldeia, etc. 

Sindulphus, i, deu Cendufe, aldeia, freguezia e appellido. 

Teodulphus. i, deu Theodulpho, nome dum santo, etc. 
Tufes è Tufos, nomes geographicos e appellidos nossos. Mais 
prolifico, porém, foi Athaulphus, i, porque além de Adaufa 
e Adaufe, supra, deu os a^Dpellidos e nomes geographicos se- 
guintes : 

Adolfo ou Adolpho, nome d'um santo, etc. 

Adoufe e Adufe, nomes geographicos. 

Adulpho, o mesmo que Adolpho, supra. 

Aldova, metáthese de Adolpha — Casal Doufe, Casal 
d'Ufes. 

Dolves e Estrada de Ufe, nomes geographicos, mencio- 
nados por esta forma na Chorographia Moderna, de Baptista. 

O mesmo Athaulphus, i, deu : 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 369 

Odulfo OU Odulpho, nome d'um santo, o mesmo que 
Adolpho e Adulpho. 

Ufe. 

Vai d'oufe era Vai d'Oufe. Villa Daffe e Villar d'Oufe, 
appellidos e nomes geographicos, mencionados d'esta forma 
por Baptista. 

O mesmo Ataulphus, germânico, foi adoptado pelos ára- 
bes, como appellido. Confronte-se Mahomad Cid Atahuf, no- 
me árabe d'um senhor de Gaya, no século ix. Monarchia Lu- 
sitana, p. II, 311. 

Também Athaulphus já no século xi teve a forma Adaul- 
fus. Adaulfus ihen zaide quos vidi. Documento do anno 1041 
no Porttig. Monum. l. Chartae^ pagina 195, n.o 317. 

Iben zaide ou Zaide talvez desse Bensaude, appellido 
actual. Veja-se Ahenaia, supra. 

Também Athaulphus deu Aldulfus por Aldufos, meta 
these de Adulphus— Káol^ho e Adulpho, Aldulfus, presbiter, 
confirmo. Documento do anno 1033. Veja-se Portug. Mnnum. 
l. Chartae, 171, n.» 278, e Aldova, appellido e aldeia, supra. 

Athaulphus <;Adulfus -< Aldulfus << Aldolfus -< Al- 
dofus <;Aldofa (villa) < Aldova — arte-nova, como Dolves 
por A dolves — de Adolphis, etc, etc. 

O mesmo Athaulphus, além de Adolphus, Adulphus e 
Odulphus, i, no século vii, deu Hidulfus, i, nome d'um bispo 
de Iria (^do Padrão) que assistiu a um concilio de Braga no 
anno 675. [Monarchia Lusitana, p. ii, 249, e Cat. dos Bispos 
do Porto, 183, mihi, onde se lò — «Hidulfus..., Iriensis 
Ecclesiae Episcopus. . .» 

E talvez que, pela arte-nova, Hidulfus desse Ivus — Ivo, 
nome d'nm santo e appellido nosso também. 

Adelaide, appellido e nome d'uma santa, etc, em alle- 
mão, Adelheid. Do teutonico, adel, nobre, e heit, pessoa. 
Quer, pois_, dizer, pessoa nobre, illustre. 

Alberto é o mesmo que Adalberto e Adelberto, nome 
d'um santo e appellido nosso. 

Do teutonico adal ou adel, nobre e bert, illustre. 

24 



370 TENTATIVA ETYMOLOGIOO-TOPONYMICA 

O mesmo Alberto deu Alberta, Albertino e Albertina. 

Adelfo ou Adelpho, appellido e nome d'um santo, etc. 
— Do latim, Âdelfus, i, e este do grego adelphos, irmão, no- 
me composto de a copulativo e delphus, seio. Adelfo signi- 
fica, pois, fraterno, fraternal, fraternidade. 

O mesmo Adelfus deu Adelfinus e Adellina, por afére- 
ses, Delfim, Delfina, posto que estes dous nomes também 
podem vir do grego delphin — golfinho, peixe e constellação. 
Veja-se Boucrand e Fraterno, infra^ também appellido e nome 
d'um santo, etc, tirado de fraternus e este de fr ater —irmão. 

Fraterno e Adelfo são synonimos. Confronte-se também 
Materno e Paterno, appellidos e nomes de santos. 

Adeodato, appellido e nome d'um santo, etc. — Do la- 
tim a Deo datufi (dado por Deus), o mesmo que Deusdado, 
appellido também e Deus dedit, antigo nome pessoal, mas- 
culino e feminino, como Deuladeu (Deus a deu), nome da 
heroina de Monsão. Confronte-se também Mafalda e Mafaldo, 
.contracção de Malfadada e Malfadado^ o mesmo que Mal- 
donado, do latim male donatus? 

Adjuto, appellido e nome d'um santo, etc. — Do latim 
adjuius, ajudado ou favorecido (por Deus). E' antithese 
de Maldonado e o mesmo que bene donatus, que parece ter 
sido também nome pessoal. Confronte se Bemdada e Bera- 
dado, appellidos nossos infra, e Bendada por Bemdada, al- 
deia e freguezia nossas também. 

De Adjutus, Adjiita, antigo nome de mulher, Adjuta 
(villa), a quinta ou casa de campo de Adjuto, e Ajuda, for- 
moso sitio de Lisboa e formoso palácio real que ficou in- 
completo ; mas temos um paço episcopal, hoje quartel mili- 
tar, cuja planta exterior é a do palácio da Ajuda completo, 
embora reduzido. E' o paço episcopal de Pinhel^ segundo 
me dizem. 

Adôa, appellido e quinta. E' contracção de Atadôa, al- 
deia e quinta ; mas qual o etymon de Atadôa ? E' talvez o 
latim botânico adatoda, planta mencionada por Linneu ou 
Plinio. Não tenho á mão o verbete, próprio. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 371 

Adorigo, aldeia, freguezia, appellido, etc, e Adourigo, 
casal e appellido, Veja-se Adorigo na 1.» parte, paginas '232 
e 233. 

De Honoricus, nome pessoal germânico do século x. 

Honorigo didaz test. Documento do anno 943, Portug. 
Monumenta, l. Chartae, pagina 30, n." 50. 

Honorigo didaz é o mesmo que Honorigo Dias, porque 
Didaz ou didaz supra é contracção de Didagaz, o mesmo 
que Didacaz, patronimico de Didacus ou Didagus, antigas 
formas de Diago e Diego na Hespanha, entre nós Diogo, o 
mesmo que Thiago, Jayme, Jacques e Jacome, formas tira- 
das de lacob ou Jacob, nome biblico. 

Por seu turno Didaz, Didagaz ou Diagaz na Hespanha 
deu Diaz e entre nós Dias, appellido actual que já também 
teve a forma Diaz. Confronte-se Ruy Diaz, el Cid, vulgo 
Cid Ruy Diaz, nome do lendário guerreiro hespanhol, assim 
denominado nas chronicas da Hespanha e nas antigas chro- 
nicas portuguezas, mas posteriormente e actualmente em 
portuguez Cid Euy Dias, o mesmo que Rodrigo Diegues ou 
filho de Diogo, pelos árabes cognominado Ei Cid, o heroe, 
o senhor, o grande homem, o guerreiro por excellencia, por 
ser o terror d'elles. Note-se que o pai de Cid Ruy Diaz era 
Diego ou Diago. Veja-se Dias, Diegues e Diogo, infra. 

Honorigo deu Adorigo e Adourigo pela forma A d'Ho- 
norigo, casa, granja, casal ou quinta de Honorigo. Confron- 
te-se A. de Barros, Adefroia, A de Geraldo, A de Justa^ A 
de Martinho, A do Alcaide, etc, povoações nossas. 

Adefroia vem de Froila, nomo germânico, o mesmo que 
Fruéla e deu Froilanus, i, is ^ az, unde Forjães, Forjão, For- 
jaz, Faroia, Froes e Froia, appellidos e nomes geographicos, 
arte-nova. 

De passagem diremos que Froila é talvez uma barbara 
latinisação e germanisação de Florus, i, nome romano, que 
deu Florianus, quasi Froilanus, e Honoricus é talvez germa- 



372 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMTCA 

nisação de Honoriíis, nome romano também, ou contracção 
do latim lionorificus. ^ 

Pelo intimo contacto em que durante muitos séculos 
viveram os romanos e os povos germânicos, estes acceitaram 
d'aquelles e vice-versa, muitos nomes próprios e communs. 
Também os árabes, pela sua longa permanência na Hespa- 
nha, levaram para o seu vocabulário muitos nomes latinos, 
como em Portugal e na Hespanha ficaram muitos nomes 
árabes, tanto communs como próprios. 

De Ad'Honorigo, Adorigo, Adourigo e talvez Dorigo, 
appellido archaico e nome pessoal no século xi. 

Ego Dorigo Brandilazi. . .Documento do anno 1039, no 
Portugal Monumenta, l. Chartae, paginas 186, n.o 306. Na 
epigraphe lê-se — Dorigus. 

Brandilazi ó patronímico de Brandila, nome germânico 
também— unde Brandiianus, i, Brandião, appellido, aldeia, etc. 

O mesmo Honoricus deu Origo, Oriz, Ourigo, praia da 
Foz, Ourique e Ouriz, appellidos e nomes geographicos. 

De Honoricus, Honoriqui ou Honoriquizi, Ourique e 
Honoriquis ou Honoriquiz, Oris e Ouriz. 

Em documentos do século xi encontra- se também Au- 
dericus, Auderigus e Auderigo, nomes pes«oaes que pa- 
recem affins de Adorigo ou antes de Aldreu, Aldrigo, Al- 
driz, Aldrogões, Aldrogos e Drizes, appellidos e povoações 
nossas. Veja-se Aldariz. 

Também parece affim de Adorigo o velho latira enduri- 
guus, o mesmo que irriguus, chão que tem agua e fontes, 
chão regadio. Veja-se Endovelico no Elucidário. 

Temos também Oldrões, freguezia, e Oldrons, aldeia, que 
são formas de Aldrogões e por consequência também afíins 
de Adorigo ou antes de Auderigo, Aldreu e Aldrigo. 



^ Honoricus é latinisação barbara de Huneric — Hunerico, nome 
germânico d'um rei dos Vândalos, etc, como dizemos alibi. Veja-se Ado- 
rigo, na 1.* parte da minha louca Tentativa Etymotogíca, paginas 232. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 373 

Adosinda, appellido e nome pessoal. — Do latim dulcis, 
ce — coisa suave ao gosto ou doce; e amável, agradável, ju- 
cunda, bella, formosa. Confronte-se Doce e Dulce,- antigo 
nome de mulher e d'uma nossa rainha, o mesmo que Ado- 
sinda ou Adozinda, por Alduzinda, de Dulcina ou Dulcinia, 
com o prefixo árabe ai — a. Confronte-se Dulcineia, a dama 
ou tricana de Toboso, a quem rendia culto o heroe manchêgo. 
Parece que dulcis deu também Dulcinus, ^, ou Dulci- 
nius, ii, unde Docim, appellido nosso e aldeia. Confronte-se 
também Aldoça (quasi Al — Dolce ou Al — Dulce), antigo 
nome pessoal de mulher, como Aldonça e Aldonsa por Al- 
dolça, no baixo latim do século xi, Ildonza, Eldonza e El- 
donze. 

«... gundesindo et ildonza ...» 

« . . .pater noster gundesindo cum cônjuge ejus eldonze. . .» 
«... Argido prolis gundesindo et eldonza conf.» 
Documento do anno 1043 no Portug. Monum. l. Char- 
tae, paginas 199, n.*' 325. 

Adosinda vem de Aldosina ou Alduzina por Aldocina 
ou Alducina, o mesmo que Aldulcina, diminutivo de Aldolça 
por Aldonsa. 

Em um documento do anno 1033 se lê no texto Marcus^ 
et Aldosinda, e na epigraphe Marcus uxorque ejus Adosinda. 
Chartae— 170, n.o 278, Confronte-se Aldonsa e Aldu- 
zinda — aldeias nossas. 

Houve também Alduzindus, i, nome pessoal masculino, 
e na minha humilde opinião Alduzindus, i, e Alduzinda de- 
ram Bouzende, Bouzinde, Oucidres, Ouzenda, Ozenda, Ozen- 
de, Ozendo, Provezende, Zedes e Zendo, appellidos e po- 
voações nossas. 

De Aldozinda, Aldozenda, Auzinda e Auzenda, antigos 
nomes pessoaes mencionados por Frias, e Ouzenda, aldeia, 
porque ai deu au e oic. Confronte-se Theobalde, Tibalde e 
Tibaldinho, povoações nossas, Thibau e Tibáu, appellidos — 
de Theodohaldus , /, nome germânico. 

Audericus, Anderigus e Auderigo, antigos nomes pes- 



374 TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMICA 

soaes, Aldreu e Aldrigo, nomes geographicos — de Aldaricus 
por Ildericus, nome germânico. Veja-se Adovigo, supra e Al- 
dariz. Confronte se também Salzeda e Salzedas^ povoações 
nossas, que o povo denomina Sauzeda e Sauzedas — do latim 
salix — salgueiro, como Sousa, Souzel, Souzella, Souzellas e 
Souzello, pois salix no baixo latim deu saúda, salicetum, etc. 
Confronte se também Souto, Soutello, Soutinho, Soutilho e 
Soutulho (? ! . . . ) appellidos e nomes geographicos. — Do la- 
tim saltus, bosque. 

De Alduzinda, Auzinda, Auzenda, Ouzenda, e Ozenda. 
De Alduzindus, i — Auzende, Ozende, Ozendo, Zedes, 
por Ozendes e Zendo por Ozendo ? 

Provezende — de probe por pobre e Zende por Ozende? 
Bouzende e Bouzinde, povoações nossas, de Iben Ou- 
zende e Iben Ouzinde por Aldozindi. 

De Aldozindis << Auzindis<^ Onzindes<^Ouzides<;;Ou- 
cides <lOucidres — porque o r é letra muito falsa e muito 
capricliosa. Apparece e desapparece com facilidade. 

Um documento hespanhol do século xiii (anno 1239), 
diz: — «Pedro de Laez con su muger Ouçendra Alonso...» 
Antiguid. de Tay, paginas 149, mihi. 
Ouçendra é o mesmo que Oucenda, Adozinda e Ou- 
zenda, porque no dialecto gallego z vale ç, e talvez que Ou- 
cidres por Oucides, Ouzides, Ouzindes, seja uma reminiscên- 
cia toponymica da occupação gallega ou leoneza. Confron- 
tem-se os nossos nomes geographicos seguintes : 
Alcaron por Algarão? 
Alcobia — a cova? 
Alconilhes —os coelhos? 
Charnbona e 
Xambona — chã boa? 
• Chozendo por Chocendo — de Joseno por Josino? 
Campilho^ appellido -de Campillo, Campello, campinho. 
Fixoeira, feijoeira. 

Fonte Cinas por Pontecinas, fontesinhas, fontinhas, Fon- 
tainhas. 



TENTATIVA ETYMOLOGICÓ-TOPONYMICA 375 

Fontanaes, Fontanal, Fontanas, Fontanellas, Fontella e 
Fontellas — do hespanhol fontana, fonte. 

Gogim e 

Goujoim — de Guzuinus, i, nome germânico pela pro- 
nuncia gallega Gôxuinus, i, Goxim, Goxoim. 

Fontom por Fonton — Fontão. 

Hombres — Homens. 

Muxagata e 

Miixagato por Mucha gata e Mucho gato — muitos ga- 
tos ou teixugos, 

Pagons — pagões ? 

Penedones e 

Penedono — de penedon, penedão — grande penedo? 

Penedono vem talvez de Pena de Dorano por Domino, 
antigo nome d'esta villa e sede de concelho. Penedono quer, 
pois, dizer Pena ou Penha do Dono ou do Senhor. 

Note- se que antigamente Senhor, em latim Sénior, oris, 
foi nome pessoal, como Domnus por Dominus, synonimia de 
Senhor. Também Domnus teve os diminutivos Domnellus, i, 
que se encontra em Donello, aldeia nossa, e Domninus, nini, 
que se encontra em Donim, povoação nossa também. 

Por seu turno Sénior, óris, Senhor, antigo nome pessoal, 
teve os diminutivos Seniorinus, i, que se encontra em Senho- 
rim e Cannas de Senhorim, povoações nossas, e Seniorina, 
que deu Senhorinha, nome d'uma santa, etc, e Senhorinha, 
povoação nossa também. Confronte-se também Dona Senhora 
e Dona Senhorinha, casaes nossos. 

Puxadouro — de pooadoro por posadoro — Pousadouro. 
Quartijos — quartilhos ? 
Queirom por Queiron — Queirão. 

Tocheiro — Tojeiro ? 

Tôcho— Tojo? 
Quejas — quelhas ? 
Quintana e 

Quintanilha por Quintanella ou Quintanilla — Quintella, 
Quintinha. 



376 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Rana — Ran. 

Roxio — Rocio. 

Ruivo e Ruivos — do hespanhol rubio, rubios, como 
Loivos de lobios, na Hespanha lobos. 

Rubolhones — do gallego ou liespanhol . . . rebollones? 

Santecinhos por Santocinhos, Santosinhos, santinhos. 

Santos IIlos por Santosillos, santosinhos, santinhos? 

Santrilha — do gallego Santrilla por santilla, santinha? 

Senestal — de genestal, giestal. 

Soacho — Soajo. 

Sopellos — choupellos? 

Sôpo — choupo ? 

Suenes e 

Xoenes por Xuanes — João. 

Vai de Rojai — Vai de Rosal. 

Varchinhas — Varzinhas, Varjinhas. 

Varejom por Varejon — Varejão. 

Villarejo — Villarelho. 

Xará — Sara ? Zara ? 

Xerica — gerica? 

Ximpeles — simples ? 

Xurreira — zurreira ou zorreira. Confronte-se Zorra, 
Zorral, Zorras, Zorreiras, Zorrinho, Zorro^ Zurreiras e Zur- 
reirinhas, povoações nossas. 

Guindaes — rua e sitio do Porto. Do hespanhol guinda- 
les — ginjaes, de guinda — ginjeira, ginja. 

Silgaeiros — do antigo hespanhol silguero, actualmente 
jilguero — pintasilgo, ave canora muito sympathica e muito 
linda, que abunda em Portugal, mormente em Silgueiros ! . . . 

Monte da Buena Madre — casal nosso, cujo nome ó da 
mesma familia. 

Chardeirão por Sardeirão e este por Cerdeirao, grande 
Cerdeira. 

Chardinheiro por Sardinheiro. Coufronte-se Sardinha e 
Sardinheira, povoações nossas. 

Chedemiam por Zé Damião. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 377 

Chansequias por Chans Sequinhas? 

Chansiaha por Chanzinha. 

Ghanxa por Sancha. Confronte-se Sancha, difiPerentes 
povoações nossas. 

Cheira, Cheiras e Cheires por Geira e Geiras, povoações 
nossas. 

Chequinho por Sequinho. 

Cherita por Cerita. 

Chestadiços por Gestadiços, o mesmo que Gestaduços 
— Gestal d'Ursos? 

Chétas por Setas. 

Choeirinho por Soeirinho. 

Choeiro por Soeiro — de suarias — porqueiro. 

Choqueiro e Choqueiros por Sóqueiro e Sóqueiros — ta- 
manqueiros. 

Chonos (casal dos) por Chões. Confronte-se Chãos e 
Chões, varias povoações nossas. 

Choutaria por Soutaria. 

Chouto por Souto. 

Saim e Xaim, 

Chainça, Sainça e Xainça. 

Varchinhas por Varginhas. 

Xerez por Gerez. 

Sixto, Xisto e Xistro, povoações nossas. 

Zorreira e Xorreira, idem. Veja-se o tópico — Diapasão 
Callaico. 



378 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 



Esboço etymologico 
das freguezias do concelho de Paredes 



Aguiar de Sousa 
(l.o) 

Aguiar vem do baixo latim aquilare, is — abundante 
em águias, aves bem conhecidas, cujo nome foi tirado do 
Isítim aquila, ae — águia. 

Chama-se esta freguezia Aguiar de Sousa, porque temos 
outras freguezias e povoações que tomaram o nome das 
águias, taes são : Águia, A guia, Aguiar, villa e freguezia, 
Aguiar, freguezia, quatro aldeias, um casal, uma quinta e 
uma habitação isolada. 

Temos também Aguiar da Beira, villa, freguezia e sede 
de concelho ; Aguiarinho, Águias, Aguieira, Aguieira Velha, 
Aguieiras, Aguieirinho, Aguieiro, Aguieiros, Aguilares (dos), 
appellido e casa nobre, Villa Pouca d'Aguiar, etc. 

Temos também Quinta das Águias ou de S. Pedro das 
Águias, que foi um convento importante da Ordem de Cister, 
fundado e muito generosamente dotado pelos Tavoras e é 
hoje uma das quintas mais importantes da freguezia de Tá- 
vora, solar dos Tavoras, concelho de Taboaço, quinta perten- 
cente ao snr. Alexandre Augusto Pereira de Barros, que 
n'ella reside ha muitos annos e a tem beneficiado muito. 
Veja-se Távora, no Portugal Antigo e Moderno, volume ix, 
paginas 515, columna 1.^ e seguintes. 

Na mesma freguezia de Távora ha um penhasco impor- 
tante denominado Penha Amarella ou Penha d'Aguia, por- 
que ainda hoje alli fazem criação as águias. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 379 

Esta freguezia d*Aguiar de Sousa tomou o nome do rio 
Sousa, um dos muitos confluentes do Douro. Nasce junto de 
Margaride, capital do concelho e comarca de Felgueiras; 
atravessa depois grande parte do concelho de Louzada, em 
seguida banha grande parte do concelho e comarca de Pare- 
des, depois de receber na margem direita o rio Ferreira que 
vem do concelho de Paços de Ferreira e banhando parte do 
concelho de Vallongo, morre no Sousa, tendo de curso trinta 
kilometros approximadamente. 

Por seu turno o rio Sousa, depois de receber o Ferreira, 
desagua na margem direita do Douro, quasi em frente de 
Arnellas, tendo de curso total quarenta e cinco kilometros. 
Emquanto atravessa e banha os concelhos de Felgueiras e 
Louzada, o Sousa é plácido e ameno; mas desde as proximi- 
dades de Paredes até morrer no Douro, o seu leito é em 
grande parte declivoso e fragoso, nomeadamente a zona cha- 
mada Inferno do Sousa, por ser muito funda e ter margens 
formadas por alta penedia abrupta, escarpada, onde faziam 
creação as águias, bem como em outros íragões que avultam 
nas margens do mesmo rio a juzante do Inferno do Sousa, supra. 

Por seu turno Sousa, rio, vem do baixo latim saucia — 
salgueiral ou bosque de salgueiros. A escala seria: saucia — 
sauça — souça — Sousa ! . . . 

Teem a mesma etymologia as nossas muitas povoações, 
casaes e quintas denominadas também Sousa, Sousa (do) Vi- 
nha, Sousa Menezes, Sousas, Souzeiro, Souzel, Souzella, Sou- 
zellas e Souzello, povoações mencionadas d'esta forma por 
J. M. Baptista na Chorographia Moderna, que vamos seguindo. 
Também temos outras muitas povoações, ao todo mais de 
trezentas, que tomaram o nome do latim salix, icis — o sal- 
gueiro, taes são : Salgom e Salgam ou Salgão, por Salguei- 
rão ; Salgosa por Salgueirosa ; Salgueira, Salgueiraes, Sal- 
gueiral, Salgueiras, Salgueirinha, Salgueirinhas, Salgueirinho, 
Salgueirinhos, Salgueiro, Salgueiro Mouro, Salgueiros, Sal- 
gueirosa, Salgueiroso, Salzeda, Salzedas, Sarzeda, Sarzedas, 
Sarzedello, Sarzedinho, Sarzedo, etc. 



380 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

A freguezia d'Aguiar de Sousa demora entre quatro 
montes, pelo que sobre ella certamente revoavam as águias, 
e comprehende as povoações seguintes : Aguiar, Alvre, De- 
veza, Senande e Sernada, Com relação á etymologia de 
Aguiar já dissemos o bastante. 

Alvre é deturpação de Arvore. 

Deveza — do portuguez deveza, que tem varias accepções 
e na Beira Baixa também significa — chão compáscuo, lo- 
gradouro commum para certas e determinadas povoações. A 
raiz é o latim difensa — de difendere, como diz Cândido de 
Figueiredo. 

Sernada parece uma forma ou contracção de senarada, 
portuguez antigo, tirado do baixo latim senara — seara. 

O mesmo senara deu também senra. Nos documentos 
mais antigos de Lamego se chamavam Senra do Bispo o que 
hoje se chama Rua da Seara, porque antes que os bispos de 
Lamego a fizessem povoar, nada mais era do que terreno 
bastante plano, próprio para seara de pão. Veja-se Senra em 
Viterbo, Seara em Cândido de Figueiredo e Senara em Valdez. 

A mesma etymologia de Seara — habet dentem coelhil. . . 
Uns dizem que vem do árabe outros do baixo latim. 

Senande é a povoação mais importante d'esta freguezia. 
Está entre quatro montes e dista cerca de quatro kilometros 
da margem direita do Douro para N. N. O.: meio kilometro 
da margem esquerda do Sousa, para S. E. na estrada de 
Vallongo para a margem direita do Douro, e dista de Pare- 
des lõ kilometros para S. O. 

Cenande por Senande, vem de Sizenandi, patronímico 
de Sizenandus, i, nome d' um santo, etc, que deu também 
Cernande ou Sernande, Sernancelhe e Sizandro, povoações 
nossas. 

Cernande ou Sernande é o mesmo que Cenande ou Se- 
nande, porque a letra r é &. letra mais falsa e mais capri- 
chosa, como dizem os próprios etymologistas francezes. 

Sernancelhe vem de Sezinandicellus, i, diminutivo de Se- 
zinandus, i. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 381 

Pertence, pois, Sernancelhe á grande série dos diminu- 
tivos que se encontram na onomástica portugueza formados 
pela desinência cellus, i. Assim arcus, us — o arco, no baixo 
latim deu arcucellus, i, que se encontra em Arcozello, nome 
de varias povoações e freguezias nossas, entre ellas uma que 
eu já visitei junto de Moimenta da Beira. Junte-se Argozello, 
outra povoação nossa, o mesmo que Arcozello, pois ca, co, 
cu e ga, go, gu, trivialmente se confundiram e substituíram 
na onomástica portugueza. 

Também Arcucellus, i, supra, teve a forma Arcucillus, ?', 
unde Argoncilhe, povoação e freguezia do concelho e co- 
marca da Feira. 

Também o latim arcus — arco — no baixo latim deu ar- 
cuçolus, i — arquinho, pequeno arco, que se encontra em Ar- 
cossó, povoação e freguezia nossas também. 

Arcossó pertence á grande série de povoações nossas, 
cujos nomes foram tirados de diminutivos formados pela de- 
sinência oZms, ola. Assim, Ecclesia, egreja, no baixo latim deu 
Eccleziola, unde Egrejó, Grijó e Crixó, povoações nossas, etc. 

Brandião, outro povo doesta freguezia, vem talvez de 
Blandilanus, i, diminutivo de Blandila, nome pessoal. 

Confronte-se Blanda e Blandina, nomes pessoaes e no- 
mes de santos, que auctorisam as formas Blandus e Blandi- 
nus. Brando e Brandino, diminutivo de Blandus, Brando. 

Também temos Brandim e Brandinhaes ou Brandinhães^ 
povoações nossas. Brandim vem de Blandinu.^, i, supra, que 
deu Brandino e Brandim, como Consiantinus^ i, deu Cons- 
tantino e Constantim. 

Por seu turno Brandinhaes ou Brandinhaes, vêem de 
Blandinianis, patronímico de Blandinianus, /, o mesmo que 
Blandinus, i, Brandim, diminutivo de Blandus, Brando. 

Também temos Brandão, appellido, que pôde vir de 
brandão, grande vela de cera, ou de Brandanus, i, Brandano 
ou Brandão, nome d 'um santo, etc. 



382 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 



Astromil 
(2.a) 

Esta segunda freguezia do concelho de Paredes foi de- 
nominada também Estromil e vem talvez de Astrimiras, i, 
nome pessoal germânico. 

Foi ella da apresentação dos Magalhães da Villa da 
Barca, dos quaes passou para os Nunes Barretes, morgados 
de Freiriz, 

De passagem direi que, na minha opinião, Magalhães, 
appellido vulgar, é synonimo de Serrano, pois magalia^ ium, 
latim de Virgílio, significa choças, cabanas^ choupanas, unde 
mogaliaiú — Magalhães, Serranos — habitantes de choças, ca- 
banas, choupanas? — Risum teneatis, mas rira bien qui rira le 
dernier. 

Freiriz, supra, vem de Frederiquiz, patronimico de Fre- 
dericus, iqui — Frederico, nome d'um santo, etc, nome ger- 
mânico muito sympathico, pois é formado pelo teutonico fred 
ou fried — paz — e rich — poderoso, rico. 

Significa, pois, Frederico — homem poderoso^ rico e pa- 
cifico. 

O mesmo Frederiquiz deu Frariz, aldeia nossa também, 
e Frederiqui deu os appellidos Fradique e Frique. Tudo é 
bom saber-se. 

Esta freguezia é pouco populosa e com prebende apenas 
quatro povoações: Astromil, Carreiro, Costa e Egreja, 

Já dissemos algo do etymon d'Astromil; Carreiro pôde 
vir do portuguez carreiro, atalho, caminho estreito; Costa 
de encosta, chão ladeirento; Egreja, do latim ecclesia. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 383 



Baltar 
(3.a) 

Esta freguezia tomou o nome de Walter, nome germâ- 
nico pessoal, muito prolifico em portuguez e na onomástica 
portugueza, pois deu Valter e Gualter, nomes de santos ; Al- 
ter e Alther, Baltar, Balteiro, Gaitar, Gualtar (o mesmo que 
Gualter), etc, povoações nossas. 

Os leitores não se espantem, porque temos outros mui- 
tos nomes de terras, nomes pessoaes e appellidos, em que 
figura o W — germânico, que por não ter letra correspon- 
dente no latim, soíFreu tractos de polé na passagem para o 
latim e do latim para o portuguez. Assim Wald, nome ger- 
mânico (?) em latim deu Waldus, i, unde Ubaldo, nome d'um 
santo, etc, Baldos e Balde, povoações nossas. 

Também Waldtis-, i, deu Waldinus, i, unde Gualdino, 
nome d'um santo, o mesmo que Gualdim, nome do lendário 
Mestre do Templo, Gualdim Paes de Marécos. 

Walfrido, nome d'um santo, é o mesmo que Alfredo, 
Wilfredo e Wilfrido, também santos. 

Wenceslau é o mesmo que Venceslau, nome d 'um santo. 

Willibaldo, nome d'um santo, é o mesmo que Villebaldo 
e Vivaldo, também santo ; Vivar e Bivar, appellidos. Por 
seu turno Willibaldo, em latim Willibaldus, i, deu Guilhovai 
e Guilhoveis por Guilhovais, povoações nossas. 

Wladimir, nome germânico e nome d'um santo, em la- 
tim Wladimlrus, i, deu Baldomero, também santo, Valde Mil, 
Valdemir, Vai de Mira, Valdemiro, Valdemar e Valde Mar, 
povoações nossas, Waldemar, AValdemaro, Waldemira, Vv^al- 
demiro, Waldimira e Waldimiro, nomes pessoaes e appellidos. 

Wolfango e Wolfgango, são nomes de santos e talvez 
formas do mesmo nome ! 

Wulmaro, Gumaro, Vulmaro e Ulmaro, são também no- 
mes de santos e talvez formas do mesmo nome I Por seu 



384 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

turno Gumaro, supra, em latim Gumarus, i, is, deu ou po- 
dia dar Gomares, povoação nossa e Gumarinus, i, is, dimi- 
nutivo de Gumariis, i, deu ou podia dar Gomariz, povoação 
nossa também. 

Com relação ao W germânico, veja-se o meu Dicciona- 
rio df Appellidos portugueses ou usados por cidadãos portugue- 
zes e W no Índice do 1.* volume da minha louca Tentativa 
Etymologico-Toponymica, obras que teaho no prelo, tendo já 
dispendido com a publicação d'ellas mais de 600$000 reis, 
comprehendendo um Catalogo Chronologico de todos os nos- 
sos Frades Grillos ou Religiosos Agostinhos Descalços — ca- 
talogo inédito, curioso e authentico. 

Ainda não conclui as ditas obras por falta de forças 
physicas, pois já completei 80 annos em 14 de Novembro de 
1912. • 

Volvendo a Baltar, direi que esta freguezia comprehende 
três grandes povos: — 1.", Ribeira de Baixo; 2.°, Tagilde; 
3.°, Ribeira de Cima. Cada um d'estes grandes povos com- 
prehende dififerentes legares ou povos mais peqaenos. Assim, 
o povo da Ribeira de Baixo comprehende os logares seguin- 
tes: Egreja, Mámoa ou Mamôa, Ramos, Casal d'Egas, Tainde, 
Ribeiro, Gandarinha, Villa Nova, Lapa e Aacede. 

O povo de Tagilde comprohende os logares de Tagilde, 
Capella, Covello, Frido d'agua, Sargedo, Padrão, Valle e 
Feira, 

O povo da Ribeira de Cima comprehende os lo rares 
seguintes: — Gralheira, Sargeal, Capella das Almas, Carva- 
lho, Além do Rio, Figueira da Porta, Areal, Quinta e Ponte. 

Comprehende mais esta freguezia as quintas ou habita- 
ções isoladas de Regadia, Portello, Cabo, Covellas e Souto, 
aldeia. 

As etymologias de quasi todas as povoações menciona- 
das supra são obvias, pelo que falaremos apenas das se- 
guintes : 

Mámoa ou Mamôa são synonimos de dolmen, como anta, 
arca e orca. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 385 

Suppõe-se que os dolmens, monumentos prehistoricos, 
eram destinados para mausoléus mais ou menos luxuosos, em 
harmonia com a importância das pessoas para quem eram 
destinados. Por vezes a caixa ou arca era formada por pe- 
quenos esteios de pedra, cobertos com outra pedra, a modo 
de lágea ou lajão. Mettiam dentro os cadáveres e cobriam o 
pequeno monumento com terra e pedras soltas, formando um 
monticulo ou pequeno monte, em que nasciam plantas e ar- 
vores que se viam cie longe e não se cortavam. Eram monu- 
mentos sagrados para os povos que os construiam, mas, logo 
que os ditos povos eram substituidos por outros, estes cor- 
tavam o arvoredo dos taes pequenos montes, depois arran- 
cavam os troncos, iam baixando os ditos montes e, por se- 
rem de forma cónica, imitando os peitos, foram denomina- 
dos mámoas ou mamôas, algumas das quaes ainda existem, 
mas a maior parte d'ellas já desappareceu ha muito. 

Outros dolmens, destinados para pessoas notáveis, eram 
muito mais luxuosos, embora feitos no tempo da pedra tosca, 
sem apparelho, porque ainda não se conhecia o ferro, nem o 
ouro, prata e bronze. 

Formavam os dolmens por 6 ou 8 esteios de pedra tosca, 
postos a prumo, tendo por vezes os esteios 4 metros d'altura 
fora da terra e 1 metro debaixo da terra, para se conserva- 
rem firmes. Depois cobriam os esteios com um grande lajão 
tosco, tendo por vezes 6 a 8 metros em quadrado. No vão 
immediatamente inferior collocavam o cadáver, revestindo os 
vãos dos esteios com pedras toscas. Assim se teem encon- 
trado muitos dolmens no nosso e em outros paizes, mas 
outros muitos teem desapparecido, porque o povo analpha- 
beto os não respeita e os destroe quando necessita de pedra 
para quaesquer obras, mesmo para pocilgas ou casas de por- 
cos e até para as pias de pedra em que deitam a vianda aos 
cevados. 

Mas alguém suppõe que os mencionados dolmens supra 
eram por vezes também cobertos de terra e pedras soltas, 
chegando a formar não montículos ou pequenas mámoas ou 

25 



386 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA • 

mamôas, mas grandes montes artificiais, que ainda hoje se 
admiram pelas suas enormes proporções d'altura e circumfe- 
rencia, contando milhares d'annos 1 . . . Taes são talvez os 
dous grandes montes, denominados Germanellos, por serem 
muito semelhantes, a modo de irmãos gémeos, na altura 
bôjo e circumferencia. 

Eu já os vi, com surpreza, quando visitei a villa de Pe- 
nella, concelho e comarca do districto de Coimbra, pois de- 
moram não longe da mencionada villa, à* direita de quem vae 
de Condeixa-a-Nova para Penella. Veia-se Zambujal, artigo 
meu, freguezia do concelho de Condeixa-a-Nova, no Portu- 
gal Antigo e Moderno, vol. xir, pag. 2064, col. 1.» e seguin- 
tes, onde falei d(..< montes do Germanello. 

Outro monte imponente e muito lindo que demora 
actualmente em planície e parece artificial, talvez resto d'um 
grande dolmen está na importante e antiquíssima parochia de 
Sendim, concelho de Taboaço, província da Beira Alta. 

Chama-se o dito morro Monte Verde ou Verde Monte. 
Note-se que a dita parochia é lima estancia archeologica muito 
interessante, pois abunda em velharias not*aveis, entre ellas 
muitas sepulturas abertas na rocha. 

Pinho Leal, meu benemérito antecessor, ainda mencio- 
nou 39 das taes sepulturas!... Vejase Sendim no Portugal 
Antigo e Moderno, vol. xii, pag. 98, col. 2." e seguintes, no- 
meadamente a pagina 101, col. 2.*, in principio^ onde fallou 
do Verde Monte ou Monte Verde. 

Tagilde e Tainde supra são formas do mesmo nome, ti- 
radas de Athanagildus, i, Athanagildo, nome germânico, 
muito prolífico em portuguez, pois deu Ataide, Athaide, Ta- 
hide e Thaide, Thaim, Tainde e talvez Cabide por Tahide 
ou Thaide supra, pois ca e ta confundiram-se e substituiram-se 
na onomástica portugiieza. 

Também Fagilde e Failde, povoações nossas, podem vir 
de Tagilde, como Fail de Failde, pois ca e fa confundiram-se 
na onomástica portugueza também. 



TENTATIVA ETYMGLOGICO-TOPONYMICA 387 

Casal d'Egas, supra, podia tomar o nome do lendário 
Egas Moniz''ou d'algum seu homónymo. 

Gandarinha, supra, é diminutivo do portuguez gandara. 

Sargedo pôde ser uma forma de Sarzedo — Salgueiral, 
como já dissemos, ou vir de cerejedo, o mesmo que Sargeal 
por Cerejal e Cerdeiral, povoação nossa também, que tomou 
o nome das cerdeiras, o mesmo que cerejeiras. 

A forma Cerdeira vem do baixo latim cereria e esta tal- 
vez de Ceres, eris, a deusa das searas. Sendo o nosso paiz 
tão pequeno, na parte sul é desconhecida a forma cerdeira, e 
na parte norte é desconhecida ou menos usada a forma cere- 
jeira. 

"Covello e Covellos, são formas do Covella e Covellas, 
muitas povoações nossas que tomara-m o nome das covas e 
este do latira cacea, que deu gávea, termo náutico, e Gávea, 
povoação nossâ. 

Ferido d'Agua e Ancede — ficam para segunda leitura. ^ 



Beire 
(4.0 

A etymologia de Beire, titulo doesta parochia, hahei den» 
tem coelhi, porque as meias tintas confundem e nós temos 
varias povoações, cujos nomes parecem affins de Beire. Taes 
são os seguintes: 

Beire, Beiredo e Beires, appellido gallego; Beiriz, Beiro, 
Beirolas, Veira, Veiro, Veiros e Veiros, Vieira, Vieiras, Viei- 
rinhos, Vieiro, Vieiros, etc, povoações nossas, todas mencio- 
nadas na Chorographia Moderna, ao todo mais de trinta. Só 
com o nome de Vieiro temos 1 freguezia, 8 aldeias, 1 casal e 
3 quintas e com o nome de Veiros, 5 aldeias e 1 titulo de 



O primeiro nome deriva-se talvez de aferido d'agiia. 



388 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

viscondado historioo do tempo da nossa monarchia. Também 
tivemos viscondes de Beire. 

Junte-se ainda Bobeiro — Bovieiro, aldeias nossas, não 
mencionadas na ChorograpMa Moderna e que talvez sejam 
contracção de Bom Vieiro. 

Vieira, vocábulo portuguez, segundo diz o snr. Cândido 
de Figueiredo, é um mollusco acéfalo e a concha d'esses 
molluscos, d'onde provém o nosso appellido Vieira que se 
tornou muito vulgar desde que os numerosos romeiros de 
S. Thiago de Compostella {Campus stellae) adoptaram como 
distinctivo uma das taes vieiras, allusão ao facto miraculoso 
mencionado na Historia de 3. Thiago, por occasião da passa- 
gem do corpo do dito apostolo em um navio, a pouca dis- 
tancia da praia de Mattosinhos, quando seguia para a Galiiza. 
Veja-se no Elucidário de Viterho o longo tópico F^e^ra, pa- 
ginas 268 e 269 e em seguida o tópico Vieiro — foro real, 
pensão que se pagava á coroa e que era o terço do ouro, 
prata e cobre das minas que em Portugal se exploravam. E' 
muito interessante o mencionado tópico. 

Hoje vieiro significa simplesmente veio de metal, filão, 
e a sua etymologia é veeiro — de veio^ como diz o snr. Cân- 
dido de Figueiredo. 

Beire, nome da freguezia em questão, pôde vir também 
de Beire, nome d'uma villa hespanhola de Navarra, mesmo 
porque Portugal já fez parte da Hespanha e na Hespanha se 
encontram ainda povoações com os mesmos nomes das povoa- 
ções portuguezas. 

Também o appellido hespanhol e portuguez Beires, pôde 
vir de Beires, povoação de Almeria^ na Hespanha ou do hes- 
panhol, beris^ certo género de insectos mencionados por Val- 
dez. Confronte-se Barata, Aranha, Moscoso e Mosqueira, ap- 
pellidos portuguezes, nobres e antigos. 

Beiro é também uma povoação de Pontevedra. 

Beiro de Abajo e Beiro de Arroba são povoações de 
Orense em Ribadavia. 

Vieiro e Vieiros são também 3 povoações da Hespanha, 



TENTATIVA ETYMOLOaiCO-TOPONYMICA 389 

na Galiza, irmã gémea de Portugal. Confronte-se também 
fieiro (quasi vieiro), provincianismo alemtejauo — enfiada de 
bolotas que se põem ao fumeiro para corar ou avelar e 

Fieiro d*agaa, provincianismo beirão, — corrente d'agua 
microscópica, — um fieirinho ou fieiro d'agua — dos fios das 
linhas pelp simile. 

O povo também diz vieiro d'agua, o mesmo que fieiro, 
— de veio pelo simile com as veias, — ténues canaes que dis- 
tribuem o sangue pelos corpos dos animaes. 

Estou abusando muito dos meus 80 annos já feitos e da 
paciência dos leitores, pelo que ponho aqui ponto final. Mas 
qual a etymologia d'esta parochia Beire? 

Fica para segunda leitura ou para quem tiver uma lente 
d'arte-nova superior á minha, forjada por mim a martello. ^ 

Prosigamos. 

Comprehende esta parochia as povoaf^ões e casaes se- 
guintes: — Beire, a matriz, Bairros, Barrocas, Beça, Boa-Vista» 
Bodo, Brêa, Cabo-Villa ou Cabo de ViUa, Casal, Eiró, Ermo, 
Fonte Cova ou Fonte da Cova, Lameiras, Logar, Macieira» 
Mirandella, Moinhos, Monte, Oleiros, Outeiro, Outeiros, Paço, 
Paço da Torre, Pereiro, Pinheiro, Predo, Quebrada, Quebra- 
dinha, Rans, Rebordãos, Ribeiro, Roriz, Serrado, Silveiras, 
Sobroso, Souto, Talho, Testamento, Tojal, Torre de Madu- 
reira, Vai, Vallinho, Venda Nova, Egreja, e os casaes de 
Bairros, Beça, C'abo Villa ou Cabo de Villa, Casal, Ermo, 
Landeira, Logar, Moinhos, Oleiros, Outeiros de Cima, Outei- 
ros de Baixo, Paço, Pereiro, Pinheiro (2 casaes); Torre de 
Madureira (2 casaes); Valle, Vallinho; e as quintas de Paço 
da Torre, Fonte Cova ou Fonte da Cova e Rebordãos. 

A etymologia da maior parte d'estas designações é obvia, 
pelo que diremos apenas algo das seguintes : 



' Parece ler-se algures que, como Beire é terra de creação de por- 
cos, a palavra Beire se deriva talvez do latim verres — o varrão, ou porco 
inteiro. 

E' mais uma ideia para a apreciação dos competentes. 



390 TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPOXYMICA 

Bairros — do hespanhol barrio, em portaguez, bairro — 
uma das partes em que se dividem as povoações grandes e 
medianas; arrabalde, como o bairro de Triana em Sevilha- 

— aldeias pequenas immediatas ao povo de que dependem — 
ou do portuguez bairro — cada uma das partes principaes 
d'uma cidade; parte d'uma povoação. Do baixo latim bar- 
rium — como diz Figueiredo. 

Beça, de Beça appellido e este de Beça, rio e freguezia, 

Bodo — do antigo portuguez bodo, festa em que se dis- 
tribuíam alimentos e dinheiro aos pobres por ocoasião de cer- 
tas festividades entre as quaes avultavam as do Espirito 
Santo era Leiria e actualmente ainda avultam as do Santo 
Christo, nos Açores. 

Brêa — de vereda, estrada, caminho, como Vrêa de Bor- 
nes e Vrêa de Jalles, freguezias nossas, transmontanas. Para 
não se confundirem^ a primeira tomou, o segundo uome do 
árabe borni, espécie de falcão, a segunda de Jailaleelis, patro- 
nímico de Jallaleel, nome biblico. Jalles é, pois, contracção de 
Jallalèélis, que deu também Jalles, appellido. 

Eiró vem de areóla — eirinha, diminutivo do latim área 

— eira. 

Mirandella vem de Mirandella, appellido, tirado de Mi- 
randella, formosa villa transmontana, diminutivo de ívJiranda, 
vistosa cidade transmontana também, distante de Mirandella 
5õ kilómetros para E. S. E. Por seu turno Miranda vem" do 
latim miranda — vistosa e admirável. Tal é a cidade de Mi- 
randa, pois demora em um lindo promontório muito vistoso, 
mas muito fragoso, formado a leste peio rio Douro e a poente 
pelo rio Fresno, que alli faz juncção com o Douro, correndo 
ambos por entre fragoedo escarpado, pelo que vulgarmente 
se diz que da cidade de Miranda se vêem as águias pelas 
costas, pois ainda hoje as águias fazem creaçào na penedia 
que forma o promontório de Miranda, a meia distancia entre 
o Douro e a cidade, que eu jc4 visitei e da qual me recordo 
ainda com saudades. 

Paço e Paço da Torre, povoações d'esta parochia de 



TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMICA 391 

Beire, tomaram o nome do latira palatium — palácio, e por 
contracção paço. Mas, dirão os leitores, nós temos, com o 
nome de Paço, Paço, Palaçoulo e Paços, ao todo, mais de cem 
povoações, algumas muito insignificantes, simples casaes. 
Custa, pois, a crer que, sendo Portugal um paiz tão pequeno, 
tivesse tantos palácios ! . . . 

Os leitores não se espantem, porque na edade média, 
entre nós, se denominaram palácios por vezes casas insigni- 
ficantes, cobertas de palha ou colmo e giestas. Eu já li no 
Portugaliae Monmnenta Histórica um foral velho dado pelos 
nossos reis a uma povoação de Traz-os-Montes, no qual, en- 
tre outras coisas, se dizia: — «E quando o senhor da terra 
mandar fazer o seu palácio, vós (os habitantes d'ella) não 
sois obrigados a fazel-o, mas simplesmente a coadjuval-o 
com os vossos bois, se os tiverdes; sois, porém, obrigados a 
dar-lhe colmo, palha ou giestas para o cobrir.» Portugaliae 
Alomimenta, titulo I^oralia. 

Deu-se, pois, na edade média, o nome de palácios a sim- 
ples casas cobertas de colmo e assim foram por certo ou- 
tr'ora as casas de Paços ou Palácios de Ferreira e as de Vai 
Paços ou Valle de Palácios; mas talvez fosse uma casa im- 
portante a que deu o nome de Paço da Torre á mencionada 
aldeia supra, pois era fortificada e defendida por uma torre!,. . 

Dicant paduani — respondam os filhos da localidade. 

Predo é contracção de pereiredo — bosque de pereiras e 
talvez pereiros. 

Quebrada ó o que hoje chamamos ravina — depressão do 
terreno; Quebradinha é diminutivo de Quebrada. 

Rebordãos tomou e nome dos castanheiros bravos, que 
dão castanhas rebordas ou arredondadas. Teem a mesma ety- 
mologia as nossas muitas povoações — ao todo mais de 80 — 
denominadas Rebolai, Rebolar, o mesmo que Rebolai e Re- 
boleiral. Rebolaria, Reboleira, aldeia e rua do Porto, Rebo- 
leiro, o mesmo que Reboleira; Reboleiros, Rebolia, contra- 
cção de Rebolaria; Rebolido, o mesmo que Reboledo, con- 
tracção de reboleiredo; Rebolosa, contracção de reboleirosa 



392 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

— mata, bosque ou souto de reboleiras ou reboleiros; Rebol- 
Ião, o mesmo que Rebordão ; Rebordainhos, Rebordai, o 
mesmo que Rebolai e Rebordai, supra; Rebordans, Rebor- 
dãos, Rebordeiras e Rebordello. Só com este nome temos 
duas freguezias^ dez aldeias e uma quinta, além de Rebor- 
dello de Baixo e Rebordello de Cima, casaes. 

Rebordinho, Rebordinho de Baixo e Rebordinho de Ci- 
ma; Rebordo Chão, Rebordões, o mesmo que Rebordãos, 
supra, Castellões e Castellãos, infra; Rebordondo, Rebor- 
dosa, etc. 

Roriz — de Roderiquiz, patronímico de Rodericus, riqui, 
Rodrigo, nome pessoal germânico e nome d'um santo, que 
deu também Rodrigo, Castello Rodrigo, Ciudad Rodrigo e 
Rorigo, povoação nossa. Mas qual a etymologia de Rodrigo? 

E' o teutonico rod ou rad — pronto, e rich — poderoso, 
rico. 

Sebroso por Sobroso é uma das nossas muitas povoa- 
ções que tomaram o nome do latim suòer, eris — o sobreiro, 
taes são as seguintes : Sabrosa, Sabroso, o mesmo que Sabo- 
rosa e Saboroso; Saboral, o mesmo que Sobral; Saborida 
por Saboreda, o mesmo que Sobreda, infra; Soborido, o mes- 
mo que Saborido, supra; Sobra, o mesmo que Sobreira; So- 
brada, por Sobreirada; Sobradello, Sobradinho e Sobrado 
por Sobredo ; Sobrados por Sobredos ; Sobraes por Sobrei- 
raes ; Sobrainho por Sobradinho e Sobral por Sobreiral. 
Só com este nome ha talvez mais de cento e cincoenta povoa- 
ções e um titulo de marquezado. 

Sobral de Baixo ; Sobral de Cima ; Sobral Grordo, So- 
bral Magro, Sobral Pichorro; Sobrallas. Sobralinho, Sobram 
nu Sobrão por Sobralão, grande Sobral, como Pinhão por 
Pinhalão, grande Pinhal ; Cardão ou Gardão por Cardalão, 
grande Cardai, etc. 

Temos ainda Sobreda por Sobreireda; Sobredo por So- 
breiredo, e Sobreira (só com este nome cento e vinte povoa- 
çõesj; Sobreira Formosa, Sobreira Redonda; Sobreiral, o 
mesmo que Sobral; Sobreiras; Sobreiras Altas; Sobreirinha, 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 393 



Sobreirinho, Sobreiriíihos « Sobreiro. Só com este nome tal- 
vez mais de cento e quarenta povoações ! . . . 

Temos ainda: Sobreiro Cunhado, por acunhado; So- 
breiro Curvo, Sobreiro de Baixo, Sobreiro de Cima; So- 
breiro do Gato, Sobreiros, Sobrello ou Sobrallo ; Sobrido por 
Sobredo; Sobrinha por Sobreirinha ; Sobrinho, por Sobreiri- 
nho; Sobro por Sobreiro, e Sobrosa, o mesmo que Sabrosa 
e Sebrosa por Sobreirosa, etc. 

Junte-se Cortiça, Cortiçada, Cortiçadas, Cortiçadinhas, 
Cortical, Cortiças e Corticeira, Corticeiro, Cortiço, Cortiço, 
Cortiço, Cortiço de Farta Vaccas, Cortiço Novo, Cortiço Ve- 
lho, Cortições, Cortiços, etc, porque os sobreiros são as ar- 
vores que dão a cortiça e da cortiça, outr'ora, se faziam os 
cortiços para as abelhas. 

Prosigamos : 

Talho por Telho — do baixo latim teguliola — telhinha, 
diminutivo de tegula — telha. 

Testamento — do velho portuguez testamento, que teve 
differentes significações, mencionadas por Viterbo, sob os 

titulos I, II, III, IV, 

Videte, videte. 

Landeira — de ladeira, encosta ou de lavandeira, ave 
muito sympathica, assim denominada, por ser companheira 
inseparável das lavadeiras. Chama-se também lavandisca, 
borrego e alveloa, como diz o snr. Cândido de Figueiredo, e 
na Extremadura chama-se boieira também, porque acompa- 
nha muito de perto os bois que andam lavrando, para as di- 
tas aves irem saboreando os vermes que o arado vae pondo 
a descoberto. São, pois, as ditas aves, muito úteis á lavoura, 
pelo que os lavradores e boieiros as estimam e respeitam. 
São aves pernaltas (charadrius), como diz o snr. Cândido de 
Figueiredo. E com relação á freguezia de Beire — sat prata 
biberunt 



394 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 



Besteiros 
(5.-) 

Esta freguezia tomou o nome de besteiros, soldados ar- 
mados com bestas, armas muito antigas, que já foram usa- 
das pelos romanos, pois besta vem do latim hallista— o tra- 
buco, instrumento bellico de arremessar pedras, lanças, etc, 
unde ballistarium, ii — o logar em que se guardavam os tra- 
bucos — e ballistarii — besteiros, soldados que manejavam as 
bestas ou ballistas, pedras precursoras das balas. Mas nunca 
os besteiros imaginaram o alcance, a leveza e rapidez das 
nossas armas de fogo actuaes, que dão por minuto trinta 
tiros, expellindo balas que attingem dois kilometros e mais 
de distancia, o que é nada com relação á nossa artilheria que 
expelle balas enormes, verdadeiras obras d'arte, que attin- 
gem 5 kilometros de distancia, custando cada tiro quatrocen- 
tos mil réis ! . . . 

A arte bellica tem prosperado muito e absorve grande 
parte das rendas publicas de todas as nações, mas já os ro- 
manos diziam: si vis pacem, para bellum. 

Comprehende esta parochia os lugares habitados se- 
guintes: — Igreja, Quinta, Serzedo, Chello, Boa Vista, Po- 
voada, Fonte, Insuella, Monte, Paço e Aido, Outeirinho, 
Cancella, Moinho, Cavadas, Crasto, Pedra, Rio, Ribeira, 
Outeiro, Villa, Paços, Figueira^ Devesa, Vidigueira, Monte, 
Florido e Residência. 

São fáceis as etymologias da maior parte desses nomes, 
pelo que apenas fallaremos dos seguintes : 

Quinta é uma forma de quinta. 

Serzedo pôde vir de Sarzedo e este do baixo latim sa- 
licetum — salgueiral. Também Serzedo por Cergedo pôde vir 
de ceregedo, abundante em cerdeiras ou cerejeiras, como 
Cerdal, Cerdedo, Cerdeiral, Cerdeiredo, Cerejal, Sarjal por 
Cerejal, Serigal, Serjal, Serdeiral, etc, povoações nossas. 



TEríTATIVA ETVMOi.OWIOO-TOPOXyMICA 395 

Não estranhem os meus poucos leitores o propor dijQfe- 
rentes etj^mologias para o nome de uma só terra, porque as 
meias tintas confundem e os próprios etymologistas france- 
zes^ que na especialidade são os primeiros da Europa e do 
mundo inteiro, por vezes propõem três e quatro etymologias 
para o nome d'uraa povoação, pois n'este ramo de litteratura 
não ha precisão mathematica. Muitas vezes a bússola é o 
ouvido ! , . . 

Chello- fica para segunda leitura. Apenas direi que 
Chello pôde ser uma forma de Quelho, pois na onomástica 
portugueza cli inicial vale algumas vezes q ou k como em 
Chabouco por cabouco, Chabrinha por cabrinha, Chacão por 
cachão, etc, povoações nossas. E todos sabem que ello, na 
Hespanha, sôa eJlio. Ora, tendo sido o norte de Portugal hes- 
panhol (gallego e leonez), Chello in illo tempore, podia soar 
Quelho. 

Povoada, é o mesmo que povoado. Povoa ou Pobra — 
do baixo latim popula — povoação. 

Insuelia, claramente vem do baixo latim insulella, pe- 
quena insua ou ilha, em latim insula. São vulgares no Mon- 
dego as Insuas — sitios do Campo de Coimbra, despovoados 
e assim denominados, porque o rio, nas enchentes, os cerca 
d'agua por todos os lados, transformando-os em ilhas. 

E' também denominado Insua um ilhéu que temos ainda 
amuralhado na foz do Minho com uma pequena guarnição 
de veteranos, a pequena distancia de Caminha. Veja-se In- 
sua no Portugal Antigo e Moderno. 

Também temos vários sitios deshabitados e outros ha- 
bitados com o nome de Insua, avultando entre ellas a paro- 
chia de S. Gencsio da Insua, concelho de Penalva do Cas- 
tello, comarca de Mangualde, districto de Vizeu. 

Penalva do Castello, titulo d'este concelho, foi villa, 
mas já desappareceu ha muito ! Apenas resta o nome no ti- 
tulo do concelho, que tem a sede na povoação de Castendo, 
outr'ora também villa, mas actualmente é uma simples aldeia 
das muitas que constituem a freguezia de S. Genesio da lasua. 



396 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Vide lasua ou Castendo, freguezia do concelho de Pe- 
nalva do Castello na Chorographia Moderna, de João Maria 
Baptista, vol. iii, pagina 462 e Castello de Penalva, outra 
freguezia do mesmo concelho — ibi, paginas 459. 

Esta parochia da Insua nunca foi villa^ mas já com- 
prehendeu duas villas — Castendo, villa extincta, hoje sim- 
ples aldeia, onde está a sede do concelho, e Penalva do Cas- 
tello, villa que já desappareceu ha muito, por completo, mas 
que foi a primitiva sede do concelho, sede que mudou para 
Castendo^ conservando o concelho o mesmo titulo ou nome 
de Penalva do Castello. 

Isto é uma salsada, um labyrinto para os estranhos á 
localidade, como é o humilde auctor d'estes rabiscos, estando 
de mais a mais já decrépito e mal podendo mover a penna, 
pois já completei 80 annos em 14 de novembro de 1912. 

Comprehende esta parochia, entre outras povoações, as 
da Insua, Castendo e Gondomar, e as quintas da Insua, Al- 
vellos ou Arvellos, Retiro, S. Sebastião, Souto do Ruivo, 
Regadias, etc, avultando entre todas as quintas d'esta paro- 
chia, d'este concelho, d'esta comarca e de todo o nosso paiz 
a bella quinta da Insua, da nobre familia Albuquerques» 
hoje muito dignamente representada pelo snr. Manuel d' Al- 
buquerque de Mello Pereira e Cáceres, de 59 annos de idade, 
ainda solteiro, filho legitimo de João d' Albuquerque de 
Mello Pereira e Cáceres, já fallecido, e da snr.« D. Camilla 
Ribeiro de Faria, actualmente viuva, mas que ainda vive no 
seu formoso palacete da rua do Rosário, no Porto. 

Teve o snr. Manuel d' Albuquerque apenas um irmão» 
de nome Francisco d'Albuquerque de Mello Pereira e Cáce- 
res, que nasceu em 1856 e ainda vive com a sua mãe no 
Porto, sendo official de Marinha, casado e com successão. 

Para a genealogia de SS. Ex.^», veja-se o meu longo 
artigo Miragaya, freguezia do Porto, no grande diccionario 
chorographico, Portugal Antigo e Moderno, voj. v, pag. 271, 
col. 2.», até pag. 275. 

De passagem direi que a nobre quinta da Insua, meneio- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 397 

nada supra, comprehende um espaço muito regular e muito 
vistoso palacete, pois demora em sitio relativamente alto e 
domina um largo horisonte, comprehendendo muitas povoa- 
ções na margem direita e na esquerda do Mondego, incluindo 
grande parte da serra da Estrella. 

Além d'isso o grande palacete, feito na segunda parte do 
século XVIII, está luxuosamente mobilado e muito bem tra- 
tado ; tem espaçosas casas annexas para os caseiros e jorna- 
leiros, bons lagares e azenha para fabricação do vinho e do 
azeite da grande quinta que produz, termo médio, 300 pipas 
de vinho óptimo de pasto e 15 pipas d'azeite do melhor de 
Portugal com o minimo de acidez, pelo que o azeite d'esta 
quinta da Insua é muito cotado no Porto e em Lisboa e tem 
venda fácil e remuneradora. 

Note-se que o snr. Manuel d'Albuquerque, succedendo 
nos vincules da sua grande casa e sendo um dos nossos mor- 
gados últimos, ó uma honrosa excepção entre os nossos mor- 
gados todos ou quasi todos, pois é bastante illustrado e tem 
o bom senso de conservar, augmentar e melhorar a sua grande 
casa, vivendo aliás faustosamente com bons trens montados, 
automóveis e grande numero de criados. 

O pae de S. Ex.* chegou a ter 25 criadas e criados e 
hoje o snr. Manuel d'Albuquerque na sua nobre casa da 
Insua, onde costuma viver, e a sua adorada mãe, no Porto, 
onde costuma viver no seu palacete da rua do Eosario, teem 
mais de 30 criadas e criados, comprehendendo jardineiros, 
cocheiros, trintanarios e pessoal dos seus automóveis. 

Ia eu dizendo que o snr. Manuel d Albuquerque, ape- 
sar de ser morgado e viver com tanto fausto, tem a maior 
dedicação pela agricultura e a sua formosa quinta da Insua 
parece uma luxuosa quinta regional. Costuma concorrer ás 
exposições agrícolas, obtendo sempre distincções e prémios 
para os productos da sua adorada quinta. 

Aproveitando a agua d'um pequeno rio ou grande ri- 
beiro que a banha e é confluente do rio Dão, montou no 



398 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

dito ribeiro um dynamo de bastante força que produz a ele- 
ctricidade com que illumina a sua nobre casa toda, os seus 
armazéns e lagares, os seus vastos jardins e duas formosas 
ruas para fresca na estiagem — uma tem cerca de 300 metros 
d'extensão, revestida de buxo copado ; a outra é mais curta e 
formada por cedros da mesma qualidade dos do Bussaco. 

Tem linhas americanas, na extensão approximada d'um 
kilometro atra vez da sua nobre quinta e por ellas em carros 
próprios eléctricos conduz a azeitona para a sua azenha e as 
uvas para os seus lagares ; com a mesma electricidade moe a 
azeitona e fabrica o azeite, bem como nos seus lagares são 
pisadas as uvas e conduzido para os seus toneis o vinho. O 
mesmo conductor eléctrico leva da sua azenha modelar o 
azeite para cascos próprios, depois de bem fabricado, pelo 
que o seu azeite é uma delicia!. . . 

Produz também a grande quinta muita fructa, muito sa- 
borosa e muito variada, mas fructa de caroço, nomeadamente 
maçãs, que em toda a grande quinta são quasi espontâneas. 
Fructa d'espinho tem pouca, por ser o clima rielativamente 
fresco, mas temperado e muito saudável. 

A grande quinta comprehende também uma grande 
matta, com o nome de Matta do Castello, matta que o snr. 
Manoel d'Albuquerque, talvez para evitar desgostos, desde 
27 de Maio do corrente anno de 1913, submetteu ao regi- 
men florestal entre nós em vigor. 

Na Ribeira de Coja que banha esta freguezia da Insua 
e a grande quinta de que no momento nos occupamos, ri- 
beira em que o snr. Manuel d'Albuquerque montou o dyna- 
mo, productor da electricidade, como já dissemos, fez tam- 
bém um espaçoso lago, onde tem cahiques para recreio, mas 
uma das coisas que mais embelleza e recommenda a grande 
quinta — embellezamento que não se improvisa — é uma orla 
de cyprestes que a circundam. 

Foram todos plantados ao mesmo tempo ou quasi ao 
mesmo tempo, convenientemente alinhados e distanciados, 
comprehendendo ao todo mais de cem, tendo hoje (Maio de 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 399 

1913) vinte a trinta metros d'altura cada um, approximada- 
mente. Estão todos vigorosos e, contando mais de cem annos 
promettem durar séculos. 

A grande orla de cyprestes vê-se de grande distancia e 
são uma espécie de bandeira que chama a attenção para a 
nobre quinta. 

Não conheço em Portugal nem fora de Portugal outra 
quinta assim orlada. 

Os cyprestes são escuros e algo tristes, mas muito bem 
andaram os avós do snr. Manuel d'Albuquerque, orlando com 
elles a sua nobre quinta, por serem muito vivazes, muito du- 
radouros e uma espécie de pyramides uniformes que attin- 
gem grande altura e fazem pouca sombra. 

Ainda direi que a nobre quinta da Insua também pro- 
duz bastante pão, mas colhe na sua grande tulha muito mais 
pão de foros e rendas de milho, trigo, centeio e cevada, ao 
todo cerca de 15:000 alqueires! 

Do exposto se vê que a grande quinta da Insua não se 
confunde com qualquer outra, posto que hoje temos ao norte 
do nosso paiz, quintas muito luxuosas, taes são no Alto Douro 
concelho d^Alijó, a quinta do Noval, que foi de José Maria 
Rebello Valente, de quem passou para o genro, Visconde de 
Villar d'All6n e d'este para o grande capitalista e negociante 
de vinhos, António José da Silva, das Palhacinhas, Gaya. 

E' também muito luxuosa a quinta da Brejoeira, conce- 
lho de Monsão, no Minho, quinta que foi de Simão Pereira 
Moscoso e que hoje é, por compra, do grande negociante e 
capitalista do Porto. snr. Pedro d'Araujo, que na dita quinta 
já gastou em embellezamentos e abastecimento d'agua, tal- 
vez mais de 200 contos de reis!. . . 

Volvendo á nobre quinta da Insua, diremos que o snr. 
Manuel d' Albuquerque é um fidalgo distincto e muito rico, 
mas a maior parte da sua grande fortuna e da sua adorada 
mãe, a Ex.™^ Snr.a D. Camilla Ribeiro de Faria, é em nu- 
merário, superior a dous mil contos talvez, mesmo porque 
ainda ha poucos annos herdaram alguns centos de contos do 



400 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

snr. Arnaldo Ribeiro de Faria, tio materno do snr. Manuel 
d'Albuquerque. Mas a grande quinta da Insua por si só dava 
para suá'tentar com decência toda a freguezia da Insua, que 
é bastante populosa, pois pelo oenso de 1900 contava 452 fo- 
gos e 2:071 habitantes. 

Como o snr. Manuel d' Albuquerque está solteiro e não 
disposto a casar, toda a sua grande fortuna e da sua ado- 
rada mãe passará para o irmão snr. Francisco d' Albuquer- 
que, official de marinha e excellente pessoa também, casado 
e com successão. Eu não tenho a honra de o conhecer, mas 
conheci muito bem o sogro, que era uma excellente pessoa 
também e um fidalgo distincto — Gonçalo Guedes de Carva- 
lho — dono da grande quinta de Touraes, freguezia de Cam- 
bres, no aro de Lamego. 

Fecharei este tópico, dando algumas etymologias que 
se prendem com elle: 

Touraes, tomou o nome dos touros, bois bravos. 

Cambres — vem do latim botânico de Plinio crambe, es, 
a couve e toda e qualquer hortaliça, nome bem apropriado, 
porque a freguezia de Cambres é muito espaçosa, muito mi- 
mosa e muito populosa e a sua producção principal é o vi- 
nho, excellente vinho de pasto do melhor do Baixo Corgo. 
Já deu mais de 3:000 pipas, alguns annos. Mas também 
abunda e abundou sempre em hortaliça, pelo que não só 
abastece de hortaliça toda a freguezia de Cambres, a mais 
populosa de todas as freguezias ruraes do concelho de La- 
mego, ^ mas abastece a formosa villa da Regoa, que lhe fica 
próxima na outra margem do Douro. 

Lamego pode vir de Lamek, nome biblico, ou do baixo 
latim lamacus, lamacento, abundante em lama ou lodo, pelo 
que outr'ora os seus bispos eram denominados lamacenses. 

Penalva é o mesmo que pena ou penha branca, alva, do 
celta ou neo-eelta pen — cabeça e pelo simile penha, penhasco. 



1 Pelo censo de 1900 contava 3:357 habitantes. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 401 

Pertence, pois, Penalva á grande série das nossas po- 
voações que tomaram o nome das pedras e penhas, grandes 
pedras ou penedos, como Pena Cova, Penafiel, Pena Firme, 
Penafria, Penagateira, Peiiagatilha, Pena Ventosa, Pena 
Verde, Penalva, Penalva d^Alva, Penha Forte, Penha Longa, 
Penha Verde, etc. 

Em Távora, solar dos Tavoras, freguezia do concelho de 
Taboaço, districto de Vizeu, também ha uma grande penha, 
denominada Penha Amarella ou Penha d'Aguia, porque 
n^ella ainda hoje fazem criação as águias. 

Castendo vem do baixo latim castanetum, que deu Cas- 
tendo e Castedo, povoação e freguezia nossas também, no 
concelho d'AHjó e no de Moncorvo. 

A freguezia da Insua tem muitas povoações e não são 
fáceis as etymologias d'algumas d'ellas, mas não podemos 
resistir á tentação de dizer algo da povoação de Gondomar. 

Vem de Gunthimirus, i, nome germânico pessoal, muito 
prolifico na onomástica portugueza, pois na minha humilde 
opinião deu: Candemil, aldeia e freguezia do concelho d'Ama- 
rante, formosa terra natal do snr. conselheiro António Cân- 
dido; Candomil, freguezia do concelho de Villa Nova da 
Cerveira; Gondomar, villa e sede de concelho do districto 
do Porto ; e mais duas freguezias e oito aldeias com o mes- 
mo nome de Gondomar; Gondomarinho, aldeia; Gondomil, 
uma freguezia, duas aldeias, um casal e uma quinta ; mais 
uma aldeia com o nome de Gontomil. 

Gunthimirus, i, deu Gontomil, Gondomil e Gondomar, 
como Leodomirus, i, nome germânico também, deu Leomil, 
Lomar e Loumar, e Theod^mirus, i, deu Theomil e Tiiomar. 

E' assim a arte nova, e rira hien quí rira le dernier. 



26 



402 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 



Castellãos 

m 

(COMEÇO DE ESTUDO) 

Castellãos ou Castellões de Cepeda, de Tondella, de 
Cambra, de Villa Nova de Famalicão, de Chacim, em Traz- 
os-Montes, de Eecezinhos, etc. 

Não se dava outr'ora somente o nome de Castro ou 
Crasto aos montes que tinham grande ou pequeno castello; 
dava- se também áquelles cuja posição era própria para ali 
se edificar qualquer fortaleza, e até aos que, sendo coroados 
por penedias, simulavam de longe um castello. 

Confronte-se Castello dos Mouros, nome dado a um 
grande morro natural de forma cónica que avulta no alto da 
freguezia da Penajoia, concelho de Lamego, morro outr'ora 
denominado Penajulia, und^ Penajuia, Penajoia e também 
Penajudeia por Penajuleia. 

Por ser a dita parochia muito vasta, muito fértil e a 
mais mimosa de Portugal todo, foi pelos romanos denomi- 
nada Penajulia, em homenagem a Caio Júlio Cezar, como 
Lisboa foi denominada Felicitas Júlia ; Évora — Liberalitas 
Júlia; Beja — Pax Júlia; e Mértola — Myrtilis Júlia, etc. 

A minha Penajoia também se chamou Gadexe, Gradixe 
por gadicho, e este por gadinho, e no foral que lhe deu o 
nosso primeiro rei foi denominada Gdadexe. 

Cêtte 
(7.0 

(NOTAS SOLTAS) 

Cette recorda Villacete e Villacetinho, quatro povoações 
nossas. 

Cette, freguezia do concelho de Paredes ; Cette, aldeia 
da freguezia de Custoias, concelho de Mathosinhos. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPON YMICA 403 

Villacete, aldeia, Canavezes, Alpendurada; Villacete, al- 
deia, Canavezes, freguezia de Mattos; Villacetinbo, aldeia, 
Canaveze.s, Alpendurada; Villacetinho, quinta, Canavezes, 
freguezia de Mattos. 

Note-se que a freguezia de S. Miguel de Mattos está 
annexa á de S. João d'Alpendurada — Chorographia Moderna. 

Veja-se Igreja e Rigaço, em Viterbo; Cabral e Cette, na 
2.* parte da minha louca Tentativa Eti/moloyica, pag. 81 e 82. 



O auctor faleceu quando trazia entre mãos o estudo etymologico 
sobre o concelho de Paredes, que ficou muito incompleto. 

Vejam-se, nos índices, várias denominações de lugares do concelho 
de Paredes, como por exemplo : 

No 1/' vol. da Tentativa, os nomes— Insua, Eira, Pena e as palavras 
Povoações, Tojo, Valles; no Suplemento ao indice, os nomes Baltar, Bar- 
reiro, Eiró, Lordêlo, Sobrosa, Tojal, Tojosa ; e no vol. 2° os nomes Aido, 
Baltar, Bouça, Brandião, Cepeda, Eido, Eira, Eiró, Lordêllo, Lourêdo, 
Lourosa, Magdalena, Mezio, Parada, Recarei, Reiros, Senande, Sousa, Vi- 
digueira; e as palavras — Nomes derivados, Povoações, etc. 

O indice deste 3° vol. mais abundante será em etymologias a res- 
peito de Paredes, mas está apenas em elaboração. 



404 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 



Aido e Eido 

(Estudo incompleto do auctor) 



Talvez que o latim aedes — casa, assento, residência, — 
no baixo latim desse aedium — na mesma accepção, lendo-se 
edium, como aedes se lê édés. 

Por seu turno edium, daria em antigo portuguez, edio e 
por metatheze eido . . . 

Sume-te, coisa má ! . . . 

Por seu turno, aido é talvez uma forma de eido. 



Eido e Aido 

De aedes. 

O mesmo aedes e facere deram edifício e edificar — fazer 
casa, casal, eido. Confronte-se artífice, artifício e artefacto. 

Pontífice — de pontes e face7'e. 

Maleficio, maléfico, malfeitor e damnificar. 

Beneficio, benéfico, bemfeítor e beneficiar. Retificar e 
Rectificar. Veja-se Amplificar e Ampliar. Simplificar, Modifi- 
car, Solidificar, Purificar, Reedificar, Deificar, Beatificar, Cru- 
cificar, Torríficar, Sanctificar, Honorificar e honorífico, Forti- 
ficar, Gratificar, Testificar, Certificar, Justificar e Petrificar. 



Adro e aido 

Do italiano átrio — entrada exterior de qualquer edificio ; 
átrio, adro. — De átrio, aidro, aido ? 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 405 

Por seu turno átrio, vocábulo italiano e portuguez, vem 
do latim atríum, ii — o pateo, alpendre, pórtico. 

Aido e Eido 

Parece que foram synonimos de Aldeia,- Casa, Casal^ 
Quinta, Villa, Villar, Villarinho, Assento e Residência, nomes 
geographicos triviaes ao norte do nosso paiz, nomeadamente 
no Minho e entre o Douro e o Minho. 

No districto de Braga ha setenta a cem sitios habitados 
com o nome de Residência, cerca de duzentos e cincoenta 
com o nome de Assento, e uma aldeia com o nome de As- 
sento ou Residência. 

No districto do Porto ha cerca de cincoenta povoações 
e sitios habitados com o nome de Residência e oitenta a no- 
venta com o nome de Assento. 

Com o nome de Casa, Casa Branca, Casa Nova, Casa 
Velha, Casas, Casas Novas, Casas Velhas, etc, temos ao norte 
do nosso paiz mais de mil povoações e sitios habitados. 

Com o nome de Casaes, Casal, Casal Novo, Casal Velho, 
Casaliuho, Casalorio, etc, temos ao norte do nosso paiz mais 
de dois mil sitios habitados. 

Com os nomes de Aldeia e Aldeia de Cima, Aldeia Nova, 
etc, temos ao norte do nosso paiz mais de mil povoações e 
sitios habitados. 

Com os nomes de Quinta, Quinta Nova, Quinta Velha 
Quinta, Quintans, Quintão, Quintas, Quintella e Quintinha, 
etc, temos ao norte do nosso paiz mais de dois mil nomes 
geographicos e sitios habitados. 

Com os nomes de Granja, Granjal, Granjão, Granjinha^ 
Granja Nova, Granja Velha, etc, temos ao norte do nosso 
paiz mais de quinhentos sitios habitados. 

Com os nomes de Villa, Villa Boa, Villa Chã, Villa No- 
va, Villa Pouca, Villa Secca, Villa Verde, Villela, etc, mais 
de mil e quinhentos sitios habitados. 



406 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Com OS nomes de Villar, Villares, Villarinho, etc, mais 
de quinhentos sitios habitados. 

Note-se que Assento, Residência, Casal, Granja, Quinta, 
Villa, Villar e Villarinho, foram nomes geographicos, entre 
nós quasi syuonimos. 

Ainda hoje, no distrioto de Bragança, ha povoações com 
o nome de quintas, que já foram freguezias e ainda tem pia 
baptismal. 

Parece que o nome geographico Aldeia designou sem- 
pre uma povoação maior ou menor e não uma simples vi- 
venda rural, como hoje, casal, quinta, e antigamente granja, 
villa, eido e aido. 

Ainda nos fins do ultimo século se dizia — um assento 
de casas, por — umas casas. 

«Pelo mesmo tempo emprazou aquella Collegiada um 
assento de casas com sua quinta em Bruscos, para alli se fa- 
zer um casal.. .» como diz Viterbo, vocábulo — Feitio. 



Eido e Aido 

Nas Taipas, chamam eido ao quintal ou chão vedado, 
onde criam plantas mais mimosas. 

Em Arouca, aido é o curral do gado ou pequeno quin- 
teiro junto das casas. 

Em alguns sitios da Beira, dão o'nome de eido á eira ! . . . 

Era volta da Regoa e de Lamego, eido é o quinteiro do 
gado. 

Eito é uma lista de terra que fica entre dois sulcos do 
arado, quando semeiam o centeio. 

Aido é synonimo de adro, pois em differentes partes o 
povo diz aido e aidro, por adro. 

Aido é uma aldeia pertencente â freguezia de Cabanas, 
concelho do Carregal, districto de Vizeu. 

Na dita povoação avulta a nobre Casa do Aido, que foi 
do Visconde de Midões. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 407 



Diz-se que a dita casa tomou o nome de Casa do Aido, 
por ter junto d'ella um terreiro, aberto de um dos lados. 

Note-se que )io dito concelho dão aos adros das igrejas 
e capellas o nome de aidos, o que tem fácil explicação. 

Como adro vem do latim atrium — adro, átrio, o povo, 
por metatheze, fez de átrio — aidro e depois Aido, porque o 
r è B. letra mais falsa e mais caprichosa. Apparece e desap- 
parece instantaneamente, em Portugal, em França e n'outras 
nações. 

Aido e Eido 

Confronte-se Enxido, forma de eixido — eido, aido. 

Enxido e Enxidro, nomes geographicos nossos. 

Aido, Aidrinho e Aidro, nomes geographicos nossos 
também. 

Note-se que em Tondella se denominou aido — o adro 
ou átrio dos templos e que ainda hoje no concelho de La- 
mego o povo denomina indistinctamente aido e aidro, o átrio 
ou adro dos templos. 

Confronte-se : 

1.0 — O antigo castelhano exida, actualmente salida, 
saida, passo, porta, arredores, contornos, espaço, campos 
contíguos a alguma cidade ou villa, onde se vai passear, etc. 

2.° — O antigo castelhano exido, actualmente ejido — \o- 
gradouro publico, terreno sem dono e inhabitado, á entrada 
d'uma povoação e que é|commum para todos os seus habi- 
tantes fazerem eira, brincar, passear, jogar o pião, a choca, 
o pau, etc. 

Valdez e Covarrubias, vocábulo Chueca, folhas 29õ, v. 2.» 

Ad notandum — De passagem direi o que algures já disse 
■— que não acceito aditus nem exitus, como etymologia de 
Aido e Eido. 

Opto pelo latim aedis, is — ium, casa, casas^ palácio ou 



408 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

paço e por extensão Granja, Villa (casa de campo), Assento, 
Residência, Casal, Quinta, Aldeia, povo, logar, Paço. 
Veja-se Aido, Eido e Eixido, em Figueiredo. 

Eido na Hespanha 



Note-se que Haedo, povoação da Hespanha, vem do an- 
tigo hespanhol haedo ^ — faial, alameda ou bosque de faias e 
arvores, em hespanhol haia — faia. 

A Hespanha tem Ahedillo e Ahedo, povoações, cujos no- 
mes foram tirados de haedo, faial, supra. V. Valdez. 



Eidos na Hespanha 



1 — Eidian, aldeia, Lalin, 82 habitantes. 2 — Eido da 
Riba, aldeia, Caldeias, 145 habitantes. 3 — Eido da Riba, al- 
deia, Puente Caldas, 148 habitantes. 4 — Eido Vello, aldeia, 
Puntàreas, 68 habitantes. 5 — Eidos, aldeia, Redondela, 166 
habitantes. 6 — Eidos, aldeia, Tuy, 51 habitantes. 7 — Eidos, 
aldeia. Vigo, 112 habitantes. 8 — Eidos, aldeia, Vigo, 72 habi- 
tantes. 9 — Eidos de Abaixo, aldeia, La Caniza^ 178 habi- 
tantes. 10 — Eidos da Riba, aldeia, La Caniza, 220 habitantes. 
11 — Eidos da Baixo, aldeia, Tuy, 55 habitantes. 

Todos estes Eidos estão na província de Pontevedra. 
No resto da Hespanha nem mais um, nem um aido, nem En- 
xido. Tem três Egidos em Almeria, Badajoz e Cáceres. Não 
tem Quinchoso, mas tem nove povoações na Galliza com o 
nome de Quinteiro, sendo todas aldeias ou logares. Nenhuma 
d'ellas é parochia ou freguezia. Geogr. General de Espana. 



Por Hayedo . . . 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 409 



Aído e Eido na Hespanha 

Ahedillo, ] em Burgos, Ahedo, õ em Burgos. Ahedo, 1 
em Santander. Edillo, 1 em Burgos. Ediao, 1 em Santaader. 
Egido, 1 em Almeria. Egido, 1 em Badajoz. Egido, 1 em 
Cáceres. Eido, 3 em Pontevedra. Eidos, 7 em Poatevedra. 
Haedo, 2 na Biscaia. Haedo, 1 em Santaader. 

Eidos e Aidos na Hespanha 

Egido, iiortas e moinhos (barrio) em Almeria. Egido 
Blanco, povoação em Badajoz. Egido de Machado, deveza 
em Cáceres. Egito, povoação em Badajoz. Asiento, em Cadiz. 
Em hespanhol — Ejido é logradouro commum — junto de 
uma povoação (Valdez). 

A Hespanha tem residência, residencial, residenciar, re- 
sidente, residentemente e residir. 

Aido e Eido na Hespanha 

Ao norte da Hespanha (Viscaya a Santander), ha diffe- 
rentes povoações denominadas haedo, que talvez correspon- 
dam ao gallego e portuguez Eido, entre nós o mesmo que 
Aido. 

Note-se que em latim ha haedus — o cabrito. 

Na Hespanha ha também Aes, na província de Santan- 
der, 1 Ahedillo e 5 Ahedos na província de Burgos ; outro 
Ahedo na de Santander; 1 Hedesa na de Santander, e 1 
Hedesa e 1 Hedeso na de Burgos. 

Eido e Aido 

Anachrysis historial, pag. 204 e 20õ. 
O auctor limitou-se a citar a obra e não chegou a fazer 
o extracto delia. Bem ou mal, elle aqui fica : 



410 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

No AnacJirysis Historial, por Mauoel Pereira de Novaes, 
volume I, publicado em 1912, pela Bibliotheca Municipal do 
Porto, lê-se a pag. 199 que o dr. João Salgado de Araújo, 
abbade de Pêra, dá por fundador da cidade do Porto ao co- 
rypheu de todos os gregos, na guerra troiana, o principe 
Menelau, rei de Lacedemonia ou Esparta. E depois de vários 
argumentos n'esse sentido, accrescenta o auctor a pag. 204: 
Õ). . . pode-se conjecturar que o mespao principe, assim como 
fundou a cidade, daria nome ao caudaloso rio que por ella 
passa, chamando-lhe Douro, dos visinhos de Esparta, que se 
chamavam dourienses; e este rio tem o nome de Douria e os 
povos Dourienses faziam parte da Lacedemonia, ficando en- 
tre ella e a Etolia, como observa Strabão, livros 8 e 9, folhas 
846; devendo accrescentar-se o costume que ha e ainda hoje 
dura na Galiza e em muitas partes da provincia de Entre 
Douro e Minho de os moradores chamarem ás casas onde 
vivem «os seus Eidos», e é palavra lacónica de Lacedemonia^ 
pois para dizerem «Vamos para casa», «Vamos para a al- 
deia», dizem «Vamos para o Eido» e isto é uso de Esparta, 
como notou Strabão n'esse livro 8. «Eido — pro domo vel te- 
ctum USU8 est)>. 

Tem, pois, segundo o Anachrysis Historial, a palavra eido 
uma origem grega e significa a casa, a aldeia, onde se habita. 



Quinchoso, Quinteiro, Enxido, Aido e Eido 

E' o terreiro que nos estabelecimentos rurais de certas 
regiões ao norte do nosso paiz está entre as casas nobres 
d'habitação onde vivem o caseiro e jornaleiros — casas que 
teem lojas para abegoaria, onde estão os porcos, bois e ca- 
vallos. 

O dito quinchoso tem para entrada a porta fronha ou 
ferronha, por ser grande — a maior do estabelecimento rural 
— para dar entrada e sahida franca aos carros de bois carre- 
gados com lenha e madeira, estrume, etc. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 411 



O dito quinchoso ou quinteiro por vezes é coberto com 
uma ramada ou parreira horizontal, para sombra e reudi- 
mento, e n'elle anda o gado espairando ao ar livre, curtindo 
o estrume. 

E' notável o quinchoso da quinta de Fiães, em Avintes, 
pertencente ao snr. Christiano Wanzeler, porque é coberto 
por uma grande ramada ou parreira, formada por uma só 
vide Isahella, americana, que na sua pujança deu durante 
annos duas pipas de vinho de 550 litros cada pipa. Estava 
ella plantada a meio do grande quinchoso e tinha uma 
pequena parede circular em volta do tronco para o não feri- 
rem os porcos, bois e cavallos, quando alli por vezes andavam 
espairecendo ao ar livre. 



Aido e Eido 

Confronte-se Ahedillo e Ahedo, seis povoações da Hes- 
panha, todas na provinda de Burgos, mais 1 Haedo na de 
Santander. Eidian e Eido, 8, em Pontevedra, mais 2 Haedos 
na Viscaya e 1 em Santander. 

1 Aidinho, no districto do Porto; 1 Aido, aldeia, no 
districto de Braga, 2 aldeias, no do Porto; 1 dita, no de 
Aveiro; 5, no de Vizeu; 1 casal, no de Coimbra; 1 no do 
Porto; 1 quinta, no de Vizeu; 1 dita, no de Coimbra e outra 
no de Aveiro; mais i Aido das Figueiras, aldeia; Aido 
d'Além, 3 aldeias d'Aveiro ; Aido de Baixo, 3 aldeias d'Aveiro ; 
Aido de Cima, 1 aldeia de Vizeu; Aido do Carvalho, i aldeia 
d'Aveiro ; Aido do meio, 2 aldeias d' Aveiro; Aidos, 1 aldeia 
do Porto e 1 de Vizeu; 1 Âidrinho, casal de Braga; 3 Ai- 
dros, 2 aldeias de Braga e 1 casal - ibi. 

Com as formas Eidim, Eidinho, Eidinhos, Eido e Eidos 
temos 102 povoações, sendo quasi todas pertencentes aos 
districtos de Braga, Vianna e Porto. As restantes pertencem 
aos districtos de Vizeu, Aveiro e Coimbra; nos outros distri- 
ctos nem um Aido nem um Eido. 



412 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Todos os Aidos retro são povoações, exceptuando 2 
quintas e 6 casaes, tendo o nome de Aidrinho e outro o no- 
me de Aidro. 

Os Eidos são também todos povoações, exceptuando 18 
casaes. 

Os assentos são também povoações nossas, exceptuando 
32 casaes e 6 quintas. 

As Residências são também povoações, exceptuando 10 
casaes e 2 quintas. 

Os quinteiro^, synonimos de Aidos e Eidos, são 22^ 
sendo 6 d'elles casaes e os restantes povoações. 

Os Quinchosos, também synonimos de Aido e Eido, são 
5, sendo I denominado Quinchosa, outra Quiuchosinho, e 3 
Quinchousos. 

Enxidos, também synonymo de Eido e Aido, deram 7 
povoações nossas, além de Enxudos por Enxidos, Enxudros, 
Enxudral, Enxuldreiro, Enxurreira e Enxurreiros, povoações 
que tomaram o nome do enxurro, lodo e lama. Veja-se Fi- 
gueiredo. 

Eidos (povoações) 

No districto do Porto, 27; no de Braga, 40; no de Vi- 
zen, 17; no de Vianna, 16; no de Aveiro (Eidim), 1; no de 
Villa Real de Traz-os-Montes (Eidinho), 1; total, 102. No 
resto do paiz, nem um! 



Aidos (povoações) 

No districto de Aveiro, 12; no de Vizeu, 10; no de 
Braga, 6, comprehendendo 1 aidrinho e 3 aidros; no do 
Porto, 5, comprehendendo 1 aidrinho; total, 33. No resto do 
paiz, nem um! 



TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 4 13 



Assentos (povoações) 

No districto de Braga, 216; no do Porto, 51; no de 
Villa Real, 6 ; no de Vianna, 4 ; total, 277. No resto do paiz, 
neÉQ um ! 

Residências (povoações) 

No districto de Braga, 73; no do Porto, 49; no de Vi- 
zeu, 14 ; no de Vianna, 8 ; no de Aveiro, 6 ; no de Villa 
Real, 1. No resto do paiz, nem uma ! 



Aidos e Eidos 

Um amigo do auctor escreveu-lhe, dizendo : 
«Um quinteiro ou pateo de quinta tanto serve de en- 
trada como de sabida e por isso é natural que tanto se cha- 
me aido (de aditus — entrada), como eido (de exitus — sahida) ; 
e exitiis poderia dar eixido, nome que também se usa dar aos 
eidos ou quinteiros. 

Se ba terras- em que a palavra eido tem outra significa- 
ção, também as ba onde as palavras quinta e monte têm um 
sentido particular». 

A resposta parece ter sido a adiante transcripta da Au- 
tobiographia ; leia-se, porém, agora esta carta: 

Lisboa, 21-8-12. 

Presado Amigo: 

«Desculpe-me o não responder bontem ao postal de 
V. com data de 19, porque fiquei tão satisfeito por en- 
contrar o monte de papeis, relativo ao meu inquérito de bas- 
tantes annos com relação aos nossos eidos e aidos, que tratei 



414 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

logo de O passar pela vista para o mandar a V, Gastei 
com a tal revista bastantes horas e conclui o trabalho ao 
anoitecer, pelo que não me lembrei de pôr no invólucro — 
Eureka ! Eureka ! 

«O tal macete do meu inquérito é aproveitável para o 
estudo relativo aos eidos e aidos. Eu gastei annos com elle 
e consegui-o, porque ao tempo estava tratando do Portugal 
Antigo e Moderno^ e em activa correspondência com muitos 
parochos e outras pessoas de vários pontos do nosso paiz. 

«Do meu inquérito e da Chorographía Moderna, bem 
como da Revista da Sociedade Martins Sarmento, de Guima- 
rães, claramente se vê que o Minho foi o centro d'onde irra- 
diaram os eidos e aidos, termos que só tarde chegaram a 
Traz-os-Montes com significação deturpada, exótica: — logar 
próprio de cousas e pessoas ! . . . 

«Também ao sul do Douro quasi que desappareceram ! 
São raríssimos nos districtos d'Aveiro e de Coimbra e do 
Mondego até os confins do Algarve, nem se conhecem taes 
vocábulos!. . . 

Variou também muito a significação d'elles, mesmo no 
seu habitat, o Minho, pois no Alto Minho, eido chegou a de- 
signar um casal muito grande, comprehendendo casa nobre 
d'habitação com vastos prédios contiguos -e casaes e prédios 
diíferentes, mais ou menos distantes da casa nobre central. 

«Falando-se de certo individuo que vivia no concelho 
de Barcellos ou Guimarães, um individuo que estava pre- 
sente e era do Alto Minho (Amares ou Terras de Bouro) 
disse ; — «Esse senhor deve ser muito rico, pois lá na minha 
terra possue um eido muito grande!» — Queria dizer — um 
casal importante ! 

«Isto me contou ha muitos annos certo informador meu. 
— Agora vae V. rir : 

«Folheando novamente a Chorograpliia Moderna, vi que 
o districto de Braga tem eidos, 42; o de Vianna, 26; o do 
Porto, 23; o de Vizeu, 9; o de Coimbra, 1; total dos eidos 
em Portugal, 101. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPON*^'MICA 415 

«Mais 1 Eidinho no Porto e 1 povoação com o nome de 
Eidinhos ; no districto de Braga mais 2 povoações com o 
nome Eidinho e no districto de Aveiro, 1 povoação com o 
nome Eidim, o mesmo que Eidinho. 

«Agora os Aidos : 

«Em todo o districto de Braga, apenas 1 ; com o nome 
'de Aidrinho, mais 1; com o nome de Aidro, 3. 

«O districto do Porto tem, com o nome Aido, apenas 4 
povoações e 1 com o de Aidinhos ; total, 5. O de Vizeu tem, 
com o nome Aido, 10. O de Aveiro tem, com o nome 
Aido, 12; O de Vianna tem, com o nome Aido, 0. O de 
Coimbra tem, com o nome Aido, 1 ; somma, 28 ; mais aquel- 
les 3 do distrito de Braga; — total, 31; total geral, em todo o 
nosso pais: Eidos, 101 ; Aidos, 31. 

«O dr. Garcia de Moraes ainda não mandou nem mandará 
tão cedo os apontamentos para a ligeira biographia d'elle. 

«Os meus respeitos para Sua Ex.™^ Esposa e filha e para 
o seu gigante, bem como lembranças para a ama e filha, cu- 
jas cartas ainda aqui não chegaram. 

«De V. Crd.° humilde e obrg.'"" 
Pedro A. Ferreira-» 



Este estado sobre aidos e eidos completa- se com o que 
o autor escreveu no volume 2.° da Tentativa, de paginas 
33 a 35 e 274. 

Podia também citar-se a Autobiographia do autor, a pag. 
185, 189 e 190; mas como a sua tiragem foi muito restricta 
e vários leitores da Tentativa não possuem a dita Autobio- 
graphia, para aqui se transcreve d'esta o que a propósito se 
acha nos logares indicados d'ela. Lê-se a pag. 185: 

«Concordo no que V. diz da Córtinha, o campo mais 



416 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

próximo da casa, uma das muitas synonimias do velho por- 
tuguez eido e aido, termos antigos que tem feito matutar boa 
gente, conservando-se ainda mal definidos, por terem signi- 
ficações muito differentes ! . . . 

«No tombo do velho passal de Távora, freguezia onde 
eu fui parocho, tombo feito no século xv, mencionam-se 
varias vezes: uma casa com seu eido, outra casa com seu 
eido, etc, na provável accepção de córtinha; mas actualmente 
aaquella freguezia e uo concelho de Taboaço, a que pertence, 
não se encontra sitio algum com a denominação de eido ou 
aido. Eu já disse e escrevi muitos dislates com relação aos 
nossos eidos e aidos e alguma coisa adiantei talvez com rela- 
ção aos escriptores que me precederam ; mas tarde ou nunca 
se liquidará tão nebuloso assumpto 1 » 

Vê-se a pag. 189 e 190 o seguinte trecho d'uma carta : 

«Vulgarmente diz-se que eido vem do latim exitm, 
sahida ; e aido de aditus, entrada. Não me satisfazem estas 
etymologias, porque eido e aido teem significações muito 
differentes ! . . . 

«Nos districtos de Braga e Vianna, temos grande numero 
de povoações com o nome de Eido ; no districto do Porto 
predominam os Aidos, mas na Extremadura, no Alemtejo e 
no Algarve não ha povoação alguma com os nomes de Eido 
nem Aido, nem na Beira Baixa. E na Beira Alta apenas se 
encontram alguns Eidos, mas poucos : um delias é um pe - 
queno casal da minha Penajoia, onde nasceu o santo Dr. 
José Ernesto de Carvalho e Rego, etc, 

«Outro Eido pertence ao concelho de Rezende e-era o 
melhor casal da nobre Casa da Soenga, pois rendia cerca de 
um conto de reis . . . 

«Do exposto se yê que os Eidos supra não significavam 
entrada nem sahida, mas dois casaes completos, um bastante 
pequeno e outro muito grande. 

«Também no Alto Minho, Eido significa um casal com- 
pleto, por vezes grande e comprehendendo differentes pro- 
priedades. 



TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMICA 417 

«No districto do Porto dá-se o nome de Aido ordinaria- 
mente ao terreiro ou quinciíoso que está junto da casa nobre 
da quinta e das lojas do gado; outras vezes, como em Gon- 
domar, chamam aidos ás iojas destinadas para os bois e 
cevados. 

«N'outras terras chamam eido ou aido o terreno próximo 
das casas, na reetaguarda d'ellas e vedado, onde cultivam 
salsa, flores, alfaces, etc. 

«Em outras terras chamam eido ou aido o terreno próximo 
das casas, mas comprehendendo a eira, o espigueiro e por 
vezes propriedades dififerentes, separadas da cerca da casa. 

«Em Mirandella (Traz-os-Montes), não ha Eidos nem Ai- 
dos, designando propriedades grandes nem pequenas, mas 
ha o termo commum e vulgar eido, significando o logar pró- 
prio de cousas e pessoas. Assim lá trivialmente dizem: arruma 
esse chapéu, esse banco, esse machado, etc, e vae pôl-o no 
seu eido. 

«Por vezes, estando á meza ou á lareira, na cosinha, di- 
zem : vae para o teu eido ou logar próprio ; esse eido é do 
teu irmão, etc. 

«Ora que relação teem taes eidos com exitus — sahida, ou 
com aditus — entrada ? 

«Nos velhos documentos da Collegiada de Guimarães, 
trivialmente se mencionam casas com exidos ou enxidos, que 
talvez correspondessem a cercas pequenas, ou terrenos veda- 
dos próximos, a que o povo chama quinteiros e enchidos. Se 
bem me recordo, em documentos relativos ao velho passal de 
Távora, onde eu fui parocho, por vezes se menciona: «uma 
casa com seu eido, outra casa com seu eido, etc.» Mas hoje 
em toda aquella freguezia e em todo o concelho de Taboaço 
não se encontra sitio nem povoação, casal ou quinta com o 
nome de Eido nem Aido, e ninguém por lá conhece taes vo- 
cábulos! Fique, pois, para segunda leitura a etymologia 
d'elles>. 



27 



418 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

O autor não chegou a escrever linguados; apenas dei- 
xou verbetes soltos, não numerados e sem ordem. Disso se 
resente a imperfeição deste trabalho. Por vezes eram notas 
de estudo com repetição da matéria. Se não organisou, po- 
rém, uma obra completa, ninguém a levou tão longe como êle. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 419 



POVOA DE VARZIM 

(esboço etymológico) 



Povoa — nome de várias povoações nossas, vem do baixo 
latim popula, povoa, em antigo portuguezí pohra — pequena 
povoação. 

Varzim — é povoação muito antiga e já figura no baixo 
latira da idade média (principios do século xi) com o nome 
de uerazini, que se lia aerazíni. 

«... in loco predicto inter uerazini et regaulfi et amorim 
prope litore maris, território portugalense, et alia inter ave 
et lahrugia ...» 

Documento do anno 1033 — Partugalice Monumenta — 
CTiarke, 172, n.'' 281. 

Alli se mencionam : Amorim, Ave (rio), Labruge e Povoa 
de Varzim. 

Mas qual a etymologia de Varzim ? 

O meu benemérito antecessor Pinho Leal, no seu artigo 
Povoa de Varzim, Portugal Antigo e Moderno, diz que Var- 
zim vem de varzinha, pequena várzea, próxima da grande 
villa da Povoa, e insurge-se contra os que dizem que Varzim 
tomou o nome de Caio Varzinio, que na opinião d'elle não 
podia dar Varzim. 

Aliquando dormitai Homerusl. . . 

Na minha opinião, varzinha é que não podia dar Var- 
zim ; pelo contrario^ Varzinio sem violência podia muito bem 
dar Varzim, pela forma latina Varzinius, ii. 

Note-se que a Povoa de Varzim vem da idade média, 
tempo em que o latim (baixo latim) era o idioma usado nos 
documentos officiaes. 



420 TENTATIVA ETYMOLOaiCO-TOPONYMICA 

Eu não conheço Caio Varzinio, mas, se existiu, muito 
naturalmente deu ou podia dar o nome á Povoa, pois no 
baixo latim da idade média se escreveria Popula de Varzini, 
quasi Povoa de Varzim! 

Mas, como não conheço o nome romano Caio Varzinio 
e em assumpto de tal ordem não ha precisão mathematica, 
proporei outra etymologia para a grande villa da Povoa de 
Varzim, mesmo porque os grandes etymologistas francezes 
por vezes propõem três e mais etymologias para o nome de 
uma das suas povoações. 

Varzim pôde vir de Barcini, patronimico de Barcinus, i, 
Barcim, cognome ou appellido de Amilcar Barcino ou Bar- 
cino, capitão carthaginez, de quem falia a nossa historia 
antiga. 

c Amilcar Barcino, quando veio de Carthago. . .» 

Thebaida Portugueza, parte I, pag. 5 (nota). 

Também Garihay no seu Compendio Histoinal, fallando 
de Barcelona, diz : 

«En aquella marina començaron a edificar en los anos 
de dozientos y treinta A. C. una ciudad nueva, que dei nom- 
bre dei gran linage suyo — Barzino, — de donde el grand 
Hamilcar decendia, fue llamada Barzino, y luego Barzino va ^ 
que 'aora dezimos Barcelona . . . Por manera que Barce- 
lona fue fundada por Hamilcar Barzino, y dei tomo lo 
nombre» ^. 

Barzino é o mesmo que Barcino supra, pois em caste- 
lhano não ha z sibilante, como em portuguez. 

Podia, pois, a grande villa da Povoa de Varzim tomar 
o nome do grande general carthaginez Hamilcar Barzino, ou 
de outro qualquer Barzino carthaginez. 

Note-se que os Fenícios e os Carthaginezes, também Fení- 
cios, percorreram todo o litoral da nossa peninsula e ocupa- 



Julgo que o auctor diria Barzinona !. . . 

Vide Covarrubias, na Bibliotheca Municipal do Porto. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 421 

ram grande parte d'ella muito antes da invasão e ocupação 
romana. 

Por ultimo diremos que Varzino foi appellido nosso an- 
tigo, tirado talvez de Vazinio, cognome romano, ou de Bar- 
zino^ appelido carthaginez, supra, ou da própria villa da 
Povoa de Varzim. 

Confronte-se Poço do Gil Varzino e Serro do Gil Var- 
zino, povoações do termo da villa de Loulé, no Algarve, 
mencionadas na Chorografia Moderna^ vol. v, pag. 530; e 
vol, VI, pag. 408 e 504. 

A propósito diremos que a villa da Povoa de Varzim é 
muito populosa; é, porém, mais populosa a mencionada villa 
de Loulé, — mais populosa do que todas as cidades do nosso 
paiz — exceptuando Lisboa, Porto, Braga e Coimbra. 

Pelo censo de 1900 a Povoa contava 12:623 habitantes 
e Loulé 22:511, mais 9:888 habitantes do que a Povoa. 

Também pelo rriesmo censo de 1900 as 10 freguezias do 
concelho da Povoa tinham 23:703 almas, e as 8 freguezias 
do concelho de Loulé tinham 44:063 almas, ou mais 20:360 
almas do que as 10 freguezias do concelho da Povoa de Var- 
zim. 

• Note-se que as freguezias do districto e diocese do Al- 
garve são quasi todas muito populosas, pelo que, segundo 
se lê no Mappa das Dioceses, de 1882, tendo o bispado do 
Algarve 66 freguezias — contava 47:247 fogos e 205:901 ha- 
bitantes. — Por seu turno o bispado de Beja, comprehen- 
dendo 115 freguezias, contava apenas 42:626 fogos e 173:378 
almas. O bispado de Bragança, comprehendendo 334 fregue- 
zias, contava apenas 44:697 fogos e 187:675 habitantes, — 
mais 268 freguezias — e menos 18:226 habitantes do que o 
bispado do Algarve!... ^ 

Volvendo á etymologia da Povoa de Varzim, seja-nos 



^ Vide Villa Verde, freguezia do concelho de Mirandella, artigo 
meu no Portugal Antigo e Moderno, vol. xi, pag. 1094. 



422 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

licito dizer que Varzim pôde também ser importação estran- 
geira, como Apúlia, freguezia pouco distante. ^ 

Coníronte-se Varzi, povoação da Sardenha, na Itália. 

V. Warsy, povoação e commuua da Picardia, em França. 

Varzy, cidade e communa de França, no cantão do mesmo 
nome. 

Barsin, quasi Barzim, povoação da Pérsia, na província 
de Khorassan, como dizem Bescherelle y Devars, no seu gran- 
de Diccionario de Geogi'aphia Universal, antiga e moderna. 

Fiat lux. 



Esboço eíymologico 
das freguezias e povoações da Povoa de Varzim 

Este concelho é formado por 10 freguezias, e n'este 
nosso humilde trabalho seguiremos a ordem alphabetica dos 
nomes d'ellas. 

AIV/IORIIVI 

(l.a) 

E' bastante emmaranhada, nebulosa e difficil de apurar 
a etymologia d'esta parochia, porque as meias tintas ccni- 
fundem e Amorim tem muita affinidade com Morim, Morem, 
Mororim, Aborim e Aboim, povoações nossas também, men- 
cionadas na Chorographia Moderna, de João M. Baptista, a 
obra mais completa na especialidade e mais fácil de consul- 
tar que temos em Portugal até hoje. 

Referimo-nos ao vr vol. da dita obra, onde o seu bene- 
mérito auctor dá por ordem alphabetica, muito bem organi- 
sada, os nomes de todas ou quasi todas as povoações de Por- 
tugal, pelo que n'este nosso humilde trabalho, em que va- 



' Apúlia tomou claramente o nome de Apúlia, antiga cidade e re- 
gião da Itália, na grande Grécia. Por seu turno a Apúlia italiana tomou o 
nome de Apuli, na lUyria, outr'ora pertencente á Grécia e ao império 
romano, etc. Vide Apuli e Apúlia, em Bescherelle y Devars. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 423 

mos citar muitas povoações nossas, — talvez mais de qui- 
nhentas — seguiremos a dita obra. Mas vamos ao assumpto : 
Leia quem tiver coragem ! . . . 

Amorim pôde vir de Amorinus, i, diminutivo de Amoi', 
úrií>, Amor, antigo nome pessoal e nome d'um santo, tirado 
do latim amor, oris — amor. 

Confronte-se Amorino, appellido nosso, tirado evidente- 
mente de Amorinus, i. 

Amor e Amor da Faia, povoações nossas, bem como 
Jamôr, por Janamor e este por Joanne Amor — João Amor. 
Com o mesmo diapasão temos Jadão por Joanne Adão, — 
Jallares, quinta, por Joannes Hilariis — quinta de João 
Hilário; Jambo, forma popular de Joanne Bom — João Bom. 

Note-se que Bom e Bôa foram nomes de santos. Em 
Vianna ha uma capella e um largo com os nomes de Santo 
Homem Bom ; e em Lamego ha junto do Sanctuario dos Re- 
médios uma pequena mas muito linda, muito mimosa e muito 
antiga povoação denominada Casal de Nabôa, que tomou o 
nome de Anna Bôa, ou antes de Dona Boa, senhora que eu 
já encontrei mencionada em um velho documento do archivo 
capitular de Lamego. 

Também temos JanaíFonso por Joanne Afíbnso, o mesmo 
que João Aífonso, outra povoação nossa; Janalvo por Joanne 
Alvo, o mesmo que João Alvo, povoações nossas também ; 
Jancido por Joanne Cid — João Cid ou João Cidro, por 
Izidro, contracção de Izidoro. Cidro na idade média podia 
dar Cido, porque o r é letra muito falsa e muito caprichosa: 
apparece e desapparece instantaneamente. 

A propósito de Cidro ahi vae um cumulo etymologico : 
é Cidró, quinta próxima da villa da Pesqueira, pertencente a 
um irmão do snr. Marquez de Sobral, — quinta, em cuja ca- 
pella foi baptisado o próprio snr. marquez. — Na minha opi- 
nião, Cidró pertence á grande série de povoações nossas, ao 
todo mais de cem, cujos nomes foram na edade média tirados 
dos diminutivos com a desinência olus, ola. Taes são: Mos- 
teiro de Monasteriolum, diminutivo de Monasterium, mos- 



424 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

teiro; Paço, de Palatiolum, diminutivo de palatium: Paço» 
contracção de Palácio; Figueiró e Figueirôa, do baixo latim, 
ficariola, diminutivo de ficaria— figueira ; Alijó, àe Alexio* 
lus, diminutivo de Alexius — Aleixo; Eituró, de Hectorolus^ 
diminutivo de Hector, oris — Heitor, etc. ^ 

Pelo mesmo diapasão Cidró vem ou pôde vir do baixa 
latim Cidrólus, diminutivo de Cidrus — Cidro, o mesmo que 
Ixidrus ou Izidorus, como já dissemos. N'este caso Cidró 
quer dizer — quinta do Izidorinho ! . . . 

Nós temos varias povoações com os nomes de Izidoro» 
ízidro, Izido, Santo Izidoro, Santo Izidro, Zido, e nas Cal- 
das do Moledo os Quartos do Cidro (grande casa com capella), 
mandados fazer nos princípios do século xrx, pelo capitão 
Izidro, vulgo, capitão Cidro, da Eegoa. 

Voltando ao thema Jan por Joanne ou João, ainda men- 
cionarei mais algumas povoações nossas. Taes são : Jando- 
rem por João d'Ourem; Jandurão por Joanne Durão; Jan- 
side por João Cid, Jannes por Joannes, o mesmo que Annes, 
quinta nossa e velho patronímico de João, etc. 

Prossigamos : 

Amorim, como já dissemos, pode vir de Amorini, patro- 
nímico de Amorinus, i, diminutivo de Amoi\ oris — Amor, 
que deu ou podia dar Amorinus^ i, como Victor, nome d'um 
santo, tirado do latim vidor — vencedor, deu Victorius, íí, 
Víctorío e Víctoria, nomes de Santos ; Victorinus, Victorino 
e Victorina; Víctoriana e Victoriano, em latim Victorianus, 
f, is, unde Bitarães, por Viturães, como Victorius, ii, deu 
Bitoure por Vítoure, povoações nossas. 



^ Também por excepção alguns diminutivos com a desinência olus, 
deram ol. Assim Antonius deu Antoninas, Autonianus e Antoniolus, 
unde Antanhol, freguezia do concelho de Coimbra, e Ferreolus, i — Fer- 
reolo, nome d'um santo, etc, deu Ferrol, cidade da Qalliza. 

Desculpem os meus bons visinhos o bater-lhes á porta, pois já é 
tempo de accordarem e investigarem também os nomes das suas povoa- 
ções. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 4'^5 

Também temos Bitvireira, Vitoreiro e Vitoreira ; estas 
povoações, porém, não tomaram o nome de Victor, mas dos 
abutres, aves de rapina, como Abutre, Abutreira e Abítu- 
reira, o mesmo que Bitureira e Abutreira. 

Também Nestor, oris — Nestor, nome d'um santo, etc., 
deu Nestorius, Nestorio, Nestoria e Nestorianus — Nestoriano, 
antigos nomes pessoaes, mas não de santos. 

Hector, oris — Heitor, nome d'um santo, etc, foi pouco 
prolifico. Apenas deu, no baixo latim, Hectorolus, i, unde 
Eituró, povoação nossa, o mesmo que Heitorzinho, como já 
dissemos, e recorda o Santo Heitorzinho, da freguezia do 
Loureiro, concelho da Regoa, titulo que o povo muito cari- 
nhosamente dava e dá a um virtuoso fidalgo da mencionada 
freguezia, chamado Heitor, fallecido ha poucos ânuos com 
opinião de santidade, 

Confronte-se Santiaguinho, S. Bentinho, S. Cibrainho 
por S. Cyprianinho, diminutivo de S. Cibrão, o mesmo que 
S. Cypriano; * S. Cosmadinho, diminutivo de S. Cosmado, ^ 
S. Jlominguinhop, S, Joanninho, o mesmo que S. Joãosinho; 
e S. Lourencinho e S. Pedrinho, povoações nossas. ^ 



^ Este nome foi tirado de Cyprías, ii,--a. ilha de Chypre — latini- 
sação do grego Kuper — cobre, antigo nome da mencionada ilha, por ser 
muito abundante em cobre. 

- Nós temos S. Cosmade, S. Cosmado e S. Colmado por S. Cosmado, 
mas Cosmado nunca foi nome de santo. E' uma villa da Beira Alta, terra 
natal do snr. dr. Francisco Gomes Teixeira, mathemático distinctissimo e 
actual professor e director da nossa Academia Polythecnica. A mencionada 
villa segundo suponho tomou o nome de S. Cosmado, por serem seus ora- 
gos S. Cosme e S. Damião, em latim Damio, onis. S. Cosmado vem de S. 
Cosmadio contracção de S. Cosme e Damio, Damião, seus padroeiros. Isto 
prova que a mencionada villa é muito antiga, pois S. Cosmadio revelia a 
ocupação leoneza. 

3 O povo de Almalaguêz (o malaguêz ou malaguenho, filho de 
Málaga) também dá o nome de S. Sebastiàosinho a uma imagem de S. Se- 
bastião que ha na dita freguezia, pertencente ao concelho de Coimbra, e 
que é alvo de muita devoção. 



426 TENTATIVA' ETYMOLOGICO-TOPONYMTCA 

Também Amorim pode ser contracção de A (villa, gran- 
ja, quinta ou casa de campo) de Morim, o mesmo que Mou- 
rim e Mourinho, povoações nossas, que tomaram o nome de 
Maurinus, i, diminutivo de Maurus, i — Mouro, antigo nome 
pessoal e nome d'um santo, que entre nós deu Moura e na 
Hespanha Maura, appellidos com a desinência a em vez de 
o por decência, como Barbosa por Barboso, Ferreira por 
Ferreiro, appellido nobre antigamente. — (Veja-se esta 2'en- 
tativa, vol. 2,°, pag. 309), posto que Ferreira pode vir tam- 
bém do latim ferraria — ferraria, como petraria deu Pedreira, 
povoação nossa e nosso appellido também. 

Pelo facto de terem os mouros vivido entre nós cerca 
de 500 annos, — desde o século viii até ao século xiii — te- 
Baos talvez mais de 150 povoações que tomaram d'elles o 
nome, taes são : Moura, Moural, Mourão, Mouraria, Mourata, 
Mourato, Mouratos, Mouraz. Moure, Mourel, Mourellinho, 
Mourello, Mourellos, Mourens, o mesmo que Mourins, Mou- 
rento, Mouria por Mouraria, Mouricão, Mouriga, Mourigo, ^ 
Mouril, unde Mourilhe, Mourim, Mourinha, Mourinho, Mou- 
rinhos, Mourio, Mouris, Mourisca, Mourisco, Mourisia, Mou- 
rissó, " Mouriz, Mouro, Mouroal, o mesmo que Moural, supra; 



^ Maurus - Mouro, no baixo latim deu mauricas, maurica, Mouriga 
c Mourigo, como taurus deu Touro, tauricus e tauria, touriga, uva, e 
Tourigo, povoações nossas. 

- Este Mourissó por Mouriçó, vem de Mauriciolus, diminutivo de 
Mauricius, Maurício, nome d'um santo, etc, e pertence á grande série dos 
diminutivos com a desinência olus, ola, supra, como Bruço e Brussó, al- 
deia e freguezia do concelho do Mogadouro, pois Bruço vem de Brissío* 
lus, i, diminutivo de Brissus, Brisso, nome pessoal e nome d'um santo, 
que deu Briço, Brissos e S. Brissos, povoações nossas. 

E' assim a arte-nova e rira bien qiii rira le dernier !. .. 

Note-se que na idade média as vogaei todas e quasi todas as con- 
soantes, mesmo as iniciaes confundiram-se e substituiram-se, pelo que, em 
trabalhos d'esta ordem, a bússola é o ouvido. 

Vide o tópico Substituição de Letras, nesta minha pobre Tenta- 
tiva Etymotogica. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 427 

Mouronho, ivloiiros, S. MarL;Liiiu ue Moun.s, M^nte cie Adeus 
Mouros, etc. 

Maurinus, i, is, deu Morim, Morins, Mourim e Mourens 
por Mourins, o mesmo que Mauriz, Mouris e Mouriz. 

Amorim pôde vir, pois, de A (vilia, granja, quinta ou 
casa de campo de) Morim. 

Com o mesmo diapasão temos varias povoações nossas, 
taes são : 

Abareila por Avarella e Varella, Varellas e Varellinhas, 
povoações nossas. 

Abicada, Bicada e Bicadas. Abichanas por As Bichanas, 
e Bichana singular de Bichanas. Abicheiro e Bicheiro. Aboi- 
cinhas por Alboicinhas, As Boicinhas e Boucinhas, o mesmo 
que Boicinhas. Abouço por Al Bouço, Bouça, Bouco, Bouçós, 
Bouços e Bouçós por Bouçolas, o mesmo que Boucinhas e 
Boucinhos, povoações nossas. Acharrua e Charrua. Arcipreste 
e Cipreste, Adoneila e Donello, masculino de Donella, dimi- 
nutivos de Domnus, Domna, Dono, Dona, antigos nomes pes- 
soaes, tirados do latim dominus — senhor. 

A dória e Dória. Afeitai por Al Feital, e Feital, o mes- 
mo que Fetal, Felgar, etc, povoações nossas. Afeiteira por Al 
Feira, e Feiteira, o mesmo que Felgueira, Feliteira, Fil- 
gueiras (em Cambres) e Filtreira por Feliteira, etc, etc, po- 
voações nossas, que tomaram o nome dos feutos, feitos, fetos 
ou fieitos, em latim fiLix, icis e no baixo latim felix e fili- 
ctum^ planta que deu o nome a centenares de povoações nossas. 
Il'esta minha Teniatna EfymoJogua dou a lista d'ellas todas 
mas em muitas d'ellas só com uma lente d'arte nova se dis- 
tinguem os fieitos. 

Prosigamos. 

Afolhadella e Folhadella ; Agodira por Algodim e Go- 
dim por Godinho, como Severim por Severino, Martim por 
Martino, o mesmo que Martinho; Valentim por Valentino, e 
Marim, que se encontra em Villa Marim, etc, por Marinho; 
Agostem por Agostim e este por Agostinho, etc. 

Note se, porém, que a desinência im, em nomes geogra- 



428 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 



phicos portuguezes em geral vem de ini, genitivo de nomes 
pessoaes e é uma das muitas formas patronímicas d'elles. ^ 

A ladeira e Ladeira ; Alagar por Al-lagar, O Lagar e 
Lagar; Alagarinho por Al-lagarinho, O Lagarinho e Laga- 
rinho; Alagôa e Lagoa; Alamella e Lamella; Alapella e La- 
pella ; Alapraia por Al-la-Praia (pleonasmo), pois la è o mesmo 
que ai e Praia. Amendo por Al Mendo ou A (villa, granja, 
quinta ou casa de campo) de Mendo, Mendo, Villa Mende e 
Villa Mendo. Tal foi Estella, outra freguezia do concelho da 
Povoa de Varzim, chamada outr'ora Villa Menendi — Villa de 
Menendò^ o mesmo que Mendo, pois na idade média perten- 
ceu ao conde D. Mendo Paes Bufinho, como logo provare- 
mos. Também temos Villa Mendo. 

Com o mesmo diapasão de Amorim e Morim, ainda te- 
mos varias povoações. Taes sao : 

Amieira, Ameira e Meira, appellidos, etc. ; 

Amieiraes, plural de Amieiral, Ameiral e Meiral; Apaula 
e Paula; Apaulinha e Paulina, o mesmo qne Paulinha ; Aperal» 
Peral e Pedral, o mesmo que Peral ; Aprestimo e Préstimo ; 
Arbouça por Albouça e Bouça; Arramadas por Alramadas 
ou Asramadas e Ramadas; Arramadinhas e Ramadinhas ; 
Arranas, Rana e Rans, em castelhano Ranas; Arranjei e 
Rangel; Arreçaio, Recaio e Roçaio; Arreehã, Rechã e Re- 
chão; Arrechella, o mesmo que A rochella diminutivo de 
Rocha; Arredonda e Redonda; Arredondo por Al-Redondo 
e Redondo. 



^ E' notável a grande série de povoações que ha em volta de La- 
mego com a desinência im, taes são: Godim, Constantim, Medim, Nostim, 
Penim, Cantim, Contim, Ferreirim, Magostim, Mondim, Gogim, Gonjoim, 
Lalim, Lazarim, etc, o que Içvou Fr. Bernardo de Brito a dizer que todas 
aquellas povoações tomaram a desinência im de Zadan, Iben Huim, rei 
mouro de Lamego, que as restaurou e beneficiou muito. 

Aliqunndo dormitai Momeras. — Brito foi um sábio de primeira or- 
dem, mas claudicou na sua affirmativa supra, pois nenhum dos nomes 
das ditas povoações tem relação alguma com o do tal mouro. N'esta mi- 
nha pobre Tentativa Etymologica dou a etymologia d'ellas todas. 



TENTATIVA ETYMOLOGIOO-TOPONYMICA 429 

Arregaça (em Coimbra) o mesmo que A Regada e Re- 
gacinha, o mesmo que Regadinha, povoação nossa também. 

Confronte-se Cortegaça e Cortegada, povoações nossas, 
Cortegada e Cortejada (lê-se Cortegada) na Gralliza, Cortijada, 
Cortijadas, Cortijo e Cortijos ; muitas povoações na Hespa- 
nha nas provincias de Granada, Sevilha, Jaen, etc, mas nem 
uma na Galliza. 

Também temos Arregata, Regata e Regada, o mesmo 
que Arregaça !... 

Arretorta e Retorta. 

Arriache por Arriacho e Riaclio. 

Arribas e Ribas. 

Arroça e Roça. 

Arroçada e Roçada. Arroçadas e Roçadas. 

Arroçaio, Recaio e Roçaio. ^ 

Soma e segue. 

Asanto por Al-Santo, o Santo e Santo. 

Assomadas e Assimadas e Simadas, poveações que de- 
vem estar em sitio alto, no cimo ou cume d'alguma encosta 
du ladeira como as nossas povoações denominadas Cumieira 
e Samodães, em documento antigo, Cumadaaes, que se lia 
Sumadaaes por Simadaaes, forma anterior de Simadães, hoje 
Samodães. O povo diz Simodães. 

Note- se que o povo de Samodães demora na margem 
esquerda do Douro, em sitio alto, alegre e muito vistoso, no 
cimo ou cume d'uma grande ladeira ou encosta. Distará do 
Douro 1 kilometro, mas a differença de nivel entre Samo- 
dães e o Douro não é talvez inferior a 300 metros ! . . . 

Com vista ao snr. Conde de Samodães, que alli nasceu, 
alli tem o seu solar e um dos palacetes mais vistosos que ha 
no Douro. 



^ A Galliza tem Rezada e Rezadas, que se lêem Roçada e Roçadas, 
e em Santander ha Rozadio, que se lê Roçadio, quasi Roçaio, ou Rocio, 
largo publico. 



430 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Prosigamos: 

Ataboeira e Taboeira ; Atalaia e Talaia ; Atoleiro e To- 
leiro ; Atoleiros e Toleiros ; Aval por Al- Vai — o valle, Vai 
e Valle ; Aventeira e Venteira que, pelo diapasão francez, 
de» vanteira e Avanteira, povoação nossa também, ^ 

Avargas por Al-Vargas — as varjas ou vargeas, Varga 
e Vargas. 

A Hespanha tem na Galliza e n'outras províncias diffe- 
rentes povoações com os nomes de Barja e Barjas^ que se 
lêem Barga e Bargas, e nas provindas de Toledo, Santan- 
der, Albacete e Valhadolid tem Vargas. 

Avelleda por avelleireda, e Velledo, o mesmo que Vel- 
leda. Avidagos por Al-Vidagos — os vinhedos ou vidagos, e 
Vidago, o mesDJO que Vidagos. Avinho e Vinho, do baixo 
latim viniola — pequena vinha. 

E' mais um dos nossos muitos diminutivos com a desi- 
nência olus, ola. 

Azagaia e Zagaia; Azambuja e Zambuja; Azavel e Za- 
vel por Isabel; Azebal por Al-Zebral — o zebreiral, e Zebral, 
differentes povoações nossas, como Zebra, Zebreira, Zebri- 
nho, etc, que tomaram o nome das Zebras, animaes muito 
lindos que outr'ora abundaram no nosso paiz, mas que ha 
muito desappareceram por completo, como desappareceram 
também os ursos e tendem a desapparecer os lobos, as ca- 
bras montezes, as corças e os veados, as raposas, fuinhas, 
ouriços cacheiros e teixugos ou gatos bravos. Estas ultimas 
quatro espécies de bichos ainda hoje abundam em algumas 
freguezias d'este concelho da Povoa, nomeadamente em Es- 
tella. 

Somma e segue : 

Azeimota, Zemoto — moinho e Zeimoto, appellido ar- 
chaico d'um companheiro de Fernão Mendes Pinto, quando 
visitou o Japão. 



^ Veja-se o tópico Diapasão francez, n'esta minha pobre Tentativa 
Etymologica. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 431 

Azeiteiros e Zeiteiros ; Azenha e Zenha; Azevinhos, plu- 
ral de Azevinho, e Zevinho; Azibreiro, masculino de Azi- 
breira, e Zibreira ; Azido e Zido?.. . Azoio e Zoio : Azurara 
e Zurara, do supposto leonez ou callaico azurera, em Lugo, 
o mesmo que Azoreira e em portuguez Açoreira, uma das 
nossas muitas povoações que tomaram o nome dos açores. 
Oonfronte-se Azoreira e Azoreiros, povoações da Galliza, e 
Azores, povoação de Córdova. 

De passagem diremos que Estoril por Estoral e este por 
Astoral é o mesmo que Azuleiral por Açoreiral, povoações 
nossas que tomaram o nome dos açores. 

Note-s6 que açor vem do latim astur, uris, que na Hes- 
panha deu astôr, nome commum, e Astor, Astorga por Asto- 
rúa, Astorguia, na Viscaya ; Astulez por Asturez em Alava; 
Astúrias, Asturianos, o mesmo que entre nós açorianos, etc., 
varias povoações da Hespanha. 

Note-se também que a desinência hespanhola era corres_ 
ponde á nossa desinência eira. Confronte-se Bandera, Cabre- 
ra, Morera, Noguera, etc, varias povoações e appellidos na 
Hespanha, entre nós, Bandeira, -Cabreira, Moreira, Noguei- 
ra, etc, como na Galliza, irmã gémea de Portugal. 

Com o mesmo diapasão de Amorim por A (villa, granja, 
quinta ou casa de campo) de Morim por Moreirim (Mouri- 
nho), temos outros muitos nomes de povoações. Taes são os 
seguintes : 

Adanaia por A de Anaia, appellido e três povoações nos- 
sas ; Adarce e Arce, appellido ; Adarnal, Amai, Arenal, Areal 
e Arai, formas do mesmo nome, tirado do latim arena— areia, 
como arenoso. Arnoso, appellido e titulo de Condado, e 
Aroso, appellido, o mesmo que Arenoso. 

Também temos Arenosa, Areosa e Arosa, varias povoa- 
ções nossas e a Galliza tem Arosa, etc. 

As areias foram tão prolíficas na onomástica portugueza 
como são férteis na freguezia de Estella e n'outras dos con- 
celhos da Povoa, Espozende, etc. 

Prosigamos com o thema A de... 



432 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMIOA 

A das Carreiras, Carreiras, Carreirinhas, etc. ; A das 
Sovellas, por Sobrellas, sobreirinhas, como Sobrella, Sovella, 
antiga rua do Porto, etc.; Sobrallas por Sobrellas, quinta. 
Confronte-se Odivellas por Olivellas, Oliveirinhas, notável 
povoação nossa, pois dei confundiram-se e ainda hoje se 
confundem. Assim, o povo diz leixar por deixar, etc. 

Adaufa, Adaufe, Adaufe ou Adoufe, Adouíe ou Adaufe, 
Adufe por A d'Ufe ; Baldrufa por Valdufa, Casal Doufe, 
Casal d'Ufe, Dolves, Doufins, (Dolphins ?), Estrada de Ufe, 
Fonte d'Ufe, Ufe, VaWoufe, Valduve por Valdufe, Villa 
Dufíe, Villar d'Oufe, etc., povoações nossas, todas menciona- 
das na Chorographia Moderna. A etymologia d'ellas todas, 
na minha opinião, é Ataulphus, i, nome germânico, entre nós 
actualmente Adolpho. E' assim a arte-nova e rira bien qui 
rira le dernier. . . Veja-se a minha louca Tentativa Etimoló- 
gica. 

Prosigamos. 

Adaval por Ado Vai ou Valle. A de Barros?!... Ade 
Formoso por adem-formoso ; mas, na minha opinião, deve 
escrever-se A de Formoso. 

Adefroia (sic) por A de Froila, antigo nome pessoal, que 
deu Faroia, appellido. — Froes e Froia, appellidos e povoa- 
ções nossas; Fruella, antigo nome pessoal. 

Froila deu Froilanus, i, is, — unde Forjão, Forjães, po- 
voações nossas, e Froilaz, patronímico, archaico de Froila, 
deu Forjaz, appellido nobre d'alta cotação em Coimbra no 
meu bom tempo de estudante — 1851 a 1856. 

Adrião Forjaz e Diogo Forjaz foram lentes da Univer- 
sidade que falleceram ha muito sem pensarem talvez na ety- 
mologia do seu nobre appellido. 

Adeganha, por Adeguinha, povoações nossas. 

Confronte-se Mesquinhata por Mesquitanha; e esta por 
Mesquitinha, o mesmo que Mesquitella, diminutivos de Mes- 
quita, povoações nossas também. 

Por seu turno Mesquita vem de mesquita, pequeno tem- 
plo, synonimo de Grijó por Egrejó, povoação que tomou o 



TENTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 433 

nome do baixo latim ecclesiola, diminutivo de ecclesia, templo, 
egreja. 

Ainda temos : A de Geraldo, A de Junho, de Janeiro, 
antigo nome pessoal; A de Justa, A de Martinho, Ademoço, 
por A do Moço. 

A de Mourão, A de Paulos, A do Alcaide, sem allusão 
ao Messias do Alcaide ! . . . 

A do Bello, A do Cavallo, A do Cêa, A do Coelho, 
A do Freire, A do Lindo, A do Malha, A do Motta, A do 
Pisco, talvez por A do Prisco, de Priscus, Prisco, antigo 
nome d'um santo, tirado de priscus, ancião, velho, antigo, 
que deu S. Priscos, freguezia de Braga, S. Priz, povoação 
nossa e S. Prisco, antigo orago da B;egoa, hoje S. Faustino. 

Junte-se A do Rainha, sem ser o meu saudoso amigo 
Júlio César d'Almeida Rainha, da opulenta casa Rainha, de 
Gouveia, que foi meu condiscipulo em Coimbra, deputado 
ás cortes em várias legislaturas, advogado, etc, e que me 
honrou com particular estima até que falleceu na Figueira, 
aproximadamente em 1889, 

Devo-lhe a máxima gratidão, bem como á sua familia 
toda. 

Ainda temos A Dorde por A da Ordem, Adoria por 
A do Dória, A do Rocha, A do Vigário, A dos Bispos, 
A dos Corvos, A dos Ferreiros, A dos Francos, A dos Galle- 
gos, A dos Melros, A dos Negros, A dos Nobres, A dos 
Ruivos, etc. 

Amorim pôde ser, pois, uma forma de A villa (granja, 
quinta ou casa de campo) de Morim por Mourim, Mourinho. 
Também Amorim pôde vir de Almorim por Almourim. O 
Mourinho, porque o prefixo árabe ai, o, a, os, as, foi trivia- 
lissimo entre nós durante a occupação árabe e em tempos 
posteriores. 

Com o mesmo diapasão de Amorim por Almorim te- 
mos varias povoações, taes são : Afeiteira e Alfeiteira, o mes- 
mo que a feiteira, massiço de feitos, fentos, fetos ou fieitos 
planta que deu o nome a centenares de povoações nossas e 

28 



434 TENTATIVA ETYMOLOQICO-TOPONYMICA 

tomou formas tão variadas que em muitos d'elles só com 
uma lente d'arte-nova se lobrigam os fentos ou feitos. 

Veja-se na minha pobre Tentativa Etymologica a lista 
das nossas povoações que tomaram o nome da dita planta. 

Com o mesmo diapasão de Amorim por Almorim tam- 
bém temos Bardeira e Albardeira, Bardo e Albardo; Albar- 
rada e Barrada ; Albarrães por Albarraes e Barraes ; Alcaci- 
mas e Cassima ; Alcalva e Calva; Alcântara e Cantara; Al- 
çarão e Carão; Alçaria e Caria; Alcongosta, Congosta e 
Congostas ; Alcorrego e Corgo por córrego ; Alcobella e Co- 
vella; Alcordal por Alcardal e Cardai; Alfaião e Faião; Al- 
farinha e Farinha; Alfaro 6 Faro; Alfarrobeira e Farrobeira; 
Alfava e Fava; Alfeirão e Feirão ; Alfeirões e Feirões ; Al- 
follões e Foliões; Alfontes e Fontes; Alfreita, Freita eFrei- 
tas; Alfrivida e Firvida; Alfundão e Fundão; Algramassa e 
Gramaça; Almaceda e Maceda; Almargem e Margem ; Almuro 
e Muro; Alpalhão e Palheirão, que deu palhão ; Alparrel por 
Alparral e Parral, o mesmo qne Parreiral; Alpedreira e Pe- 
dreira; Alpedrinha e Pedrinha: Alpendurada e Pendurada; 
Alportel por Alportal, Portel e Portal; Alpossas e Poças; 
Alubagueira por Allabagueira e Lobagueira ; Alufiuha por 
Al-Lufinha e Lufinha ; Alumeara por Al-Lumeara e Lumiara; 
Alvarão, Barão e Santo Varão; Alvariz e Variz; Alvarrão e 
Barrão; Alventella e Ventiella, quasi Ventella; Amadeiras 
por Al-Madeiras — as madeiras, e Madeiras; Amanso por 
Al-manso o Manso, nome d'um santo, etc. ; Amoreira por 
Al-moreira e Moreira. 

Junte-se Arbouça por Al-Bouça — a bouça, e Bouça; 
Arcella e Arcellas por Al-Cella e Al cellas, Cella e Cellas; 
Arochas por Al-Rochas — as rochas, Eocha e rochas ; Arra- 
baçal por Al-Rabacal — o rabaçal, e Rabaçal, povoação que 
tomou o nome das rabaças ; Arramadas por Al-Ramadas — 
as ramadas, Ramada e Ramadas; Arranas por Al-E.anas — 
as raus, Rana e Rans; Arranjei por Al-Raugel — A Rangel, 
Rangel e Rangelinha, povoações nossas. 

Ataboeira por Al-Taboeira e Taboeira ; Avanteira e 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMlCA 435 

Aventeira por Al-Venteira e Venteira; Avargas por Al- Var- 
gas— as várzeas ou varjas, Varga e Vargas; Aventosa por 
Al- Ventosa e Ventosa; Averdiães por Averdiaes — de Al- 
verdiaes — os verdeaes ; Averdião por Alverdião - o verdião, 

ave, etc. n. . 

Do exposto se vê que Amorim pode ser uma íorma de 

Al-Morim por Mourim— O Mourinho. 

Pôde também Amorim ser contracção de A (villa, granja, 
quinta ou casa de campo) de Morim, Mourim ou Mourinho; 
mesmo porque entre as muitas povoações doesta parocbia de 
Amorim, ha uma denominada Mourilhe, que tomou o nome 
de iMaurilius, ii, um dos muitos diminutivos do iMaurus, i 
— Mouro Isto prova que os mouros viveram em Amorim. 

Antes de passarmos adiante diremos que, por seu turno, 
Amorim deu Aborim, povoação e tVeguezia nossa também, 
pela trivial substituição de mo e ho na onomástica portugueza. 

Veja-se o tópico Substituição de letras, na minha pobre 
Tentativa Etijmologica. 

Além de Mourilhe, comprehende Amorim as povoações 

seguintes: 

Travassos, Mandim, Cadilhe, Pedroso, Seneadas e A-ver- 
oMar, que tem os logares de Morincheira, Agro Velho, Pa- 
ranho, Aldeia Nova, Outeirinho, Salvador, Refojos, Perlinha, 
Aldeia, Paço, Caramuja, Paralheira, Finisterra e Boucinha. 
Total, 21 povoações?!... 

Travassos pertence á grande série de povoações nossas, 
ao todo mais de cem, que talvez tomassem o nome do trevo, 

herva, taes são : 

Travassinho, Travassiuhos, Travassô e Travassos por 
Travassolo e Travassolos, diminutivos de Travasse, como 
Travassinho e Travassuihos, supra, e Travasse, Travassos, etc. 

Mandim e Landim, povoações nossas; Mandm e Nan- 
dim, povoações da Galliza, são formas do mesmo nome, pois 
l, m Q n confundi ram-se e substituiram.se. Devem ter a 
mesma etymologia i^uo na minha opinião é Londelinus, i — 
Landelino, nome d'um s^nto, etc. 



436 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

De Landelini, Landim, Nandim e Mandim!. . . 

Pedroso vem do baixo latim petrosus — abundante em 
pedra. 

Seneadas é talvez uma forma de Semeadas — terras se- 
meadas. Confronte-se Cavadas, Estercadas, Lavradas, Rega- 
das, Roçadas, Vessadas, etc, povoações nossas. 

Cadilhe por Cadilho é talvez uma forma de Cadinho 
por Gadinho, povoação nossa também, como Gadelha, Ga- 
delho, quasi Gadilho e Cadilho; Gadinha, Gadanha por Ga- 
denha, ^ Gado, Gadunho por Gadinho, Guediche por Gadi- 
cho e este por Gadinho, como já dissemos. Guedexe por 
Guediche e Guedieiros por Gadieiros, pastores que tratam 
do gado, etc. 

Gado podia dar gadieiros, como boi deu boieiros, zebra 
deu Zebreiros, ovelha deu Ovelheiro e Ovelheiros, etc, po- 
voações nossas. 

Note-se que na onomástica portugueza ca e ga^ Ih e nh^ 
a e e, i e u, trivialmente se confundiram. 

Veja-se na minha pobre Tentativa Etymologiea o tópico 
Substituição de letras. 

A vêr o Mar é versão portugueza de Miramar, que vê 
o mar, povoações hespanholas de Tarragona e Valência. 
Com o mesmo diapasão a Hespanha tem Miraball; Mirabell 
por Miraball; Miraflor, Miraflores, Mirafuentes, Miralcamp 
por Mira el Camp; Miramont, Mirabal, Miravallas, etc. 

Nós também temos Mirabal por Mira vai; Mira Flor; 
Miragaia, freguezia do Porto, em frente de Gaya, e Mira- 
gaya, sete povoações em differentes pontos do nosso paiz. 

A ver o Mar é designação commum ás quatorze povoa- 
ções seguintes : 

Agro Velho, Morincheira, Paranho, Aldeia, Aldeia Nova, 



"^ Aqui está a etymologia d'uma espaçosa vinha chamada Gadanha, 
que temos na nossa quinta do Campo Velho, (Alto Douro), vinha que 
demora nas abas da serra de Adorigo. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 437 

Salvada, Outeirinho, Eefojos, Paço, Perlinha, Caramuja, Pa- 
ralheira, Finisterra e Boucinha. 

Agro Velho é synonimo de Campo Velho, sitio do Alto 
Douro, na margem direita do Tedo com differentes quintas, 
entre ellas uma da minha familia. 

A mencionada quinta está hoje phyloxerada, inculta e 
apenas produz figos e cerca d'uma pipa d'azeite em anos de 
safara, mas antes de ser invadida pela phyloxera produzia 
60 pipas de vinho que por um titulo único vendemos du- 
rante cinco annos, ao negociante do Porto, Augusto de Mo- 
raes, a 72$000 réis a pipa. 

Também durante aquelles cinco annos vendemos a 
50$000 réis o vinho do nosso casal da Corvaceira (Penajoia), 
que dava 40 pipas. Apuramos, pois, n'elle, 2:000$000 e no 
da quinta 4:3'20$000 reis. Total, 6:320$000 reis, durante 
cinco annos, só em vinho. Bom tempo era aquelle ! . . . 
- Prosigamos: 

Morincheira fica para segunda leitura; mas talvez que 
Amorim, Morim, Mourim, Morincheira, Morinheira, quasi Mo- 
rincheira e Morim, povoações nossas, pertençam á grande 
série das nossas povoações que tomaram o nome dos mou- 
ros!. . . Morincheira por Mouricheira e Morinheira por Mou- 
rinheira, recordam Mouraria, povoação de mouros. 

Paranho, como Paranhos, differentes povoações nossas, 
vem do antigo portuguez paranho — terra privilegiada, couto, 
honra. 

Salvada vem de Salvatus — Salvado, nome d'um santo, 
etc, que se encontra em S. Salvados, povoação nossa 
também. 

De Salvatus — Salvata (villa) a granja, quinta ou casa 
de campo de Salvado, como Regulus-- Regulo, nome d'um 
santo, etc, deu Regula (villa), hoje a formosa villa da Regoa. 

Também Salvada, por ser uma aldeia próxima do mar, 
podia tomar o nome d'alguma mulher que tivesse cahido ao 
mar e fosse salva da morto ou salvada. 

Refojos é augmentativo de fojos — armadilhas para ca- 



438 TENTATIVA ETYMOLOaiCO-TOPONYMlCA 

çar feras — ursos, lobos, eto. Teem a mesma etymologia 
Foia, Foio, Foios, Foja, Fojaco, Fojo, Fojo Lobal, Fojos, 
Refojos, Refojos, Refroias, o mesmo que Refoias, etc, po- 
voações nossas. 

Os fojos eram covas, pelo que na mesma accepção de 
armadilhas para caçar feras, temos várias povoações deno- 
minadas covas. Taes são : Cova da Onça, Oova de Lobos, 
Cova do Lobo, Covão do Lobo, Cabadouso, Cabaduço e 
Cabaduços por cava ou cova do urso ou dos ursos. Ca- 
douço por Cabadouço, Cadouçes por Cabadouços, hoje sitio 
muito povoado, muito pittoresco e muito lindo, na Foz do 
Douro, 

Caramuja tomou o nome dos caramujos, moUuscos ma- 
. ritimos univalves. Teem a mesma etymologia Caramujo e 
Caramujeira, povoações nossas. 

Paralheira, por Paranheira, quer dizer terra privilegiada, 
como Paranho, supra, e talvez que pertencesse ao dito Pa- 
ranho ! 

Nós também temos Villarinho das Parauheiras, fregue- 
zia do concelho de Chaves, a qual, na opinião d'um meu il- 
lustrado amigo, filho da localidade, tomou o nome das cha- 
minés da dita parochia, alli chamadas parauheiras. 

Veja-se Villarinho das Parauheiras, artigo meu no Por- 
tugal Antigo e Moderno. 

Perliaha fica para segunda leitura. Como esta povoa- 
ção demora perto do mar, lembrei-me de que Perlinha será 
contracção de peroliuha, pequena pérola ; mas nós temos 
também Perlinha de Baixo, Perlinha de Cima, Perlinha Nova 
6 Perlinha Velha, no districto de Beja, que não tem mar 
nem pérolas, e Perlinhas, na freguezia de Rio Tinto, conce- 
lho de Gondomar, também longe do mar! 

A Hespanha tem Perles, Perleta, Perlines e Perlin, que 
parecem congéneres de Perlmhas, como Perltiirinhos e Per- 
lieiro, povoações nossas. 

Fiat lux. 

Finisterra vem claramente do latim finis terrae — fim 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 439 

da terra, como Finisterra, lajão da praia da Povoa de Var- 
zim, submergido, o que prova que os romanos tiveram de- 
morada residência por estes sitios. Pôde juntar-se Estella, 
outra freguezia d'este concelho, que vem claramente do la- 
tim stella — estrella ; Fão, do latim Fanum — templo ; Apú- 
lia, Espozende por Espozande, do latim sponsandus, i — 
noivo, esposado, ou coisa semelhante, como Esposade, povoa- 
ção nossa também, de sponsatus, i, desposado, casado. 

Casada, Casadinha e Casado são povoações nossas também. 

Paço vem do latim palatium, palácio, e por contracção 
Paço ; mas note-se que os palácios e paços da idade média, 
em Portugal, eram por vezes casas bem humildes, cobertas 
de palha ou giestas, como prova certo foral velho, dado a 
uma povoação de Traz-os -Montes. N'elle se diz: 

«. . .e quando o senhor da terra fizer o seu palácio, vós 
não sois obrigados a fazel-o, mas simplesmente a coadjuval-o 
com os vossos bois, se os tiverdes; sois, porém, obrigados a 
dar-lhe colmo e giestas para o cobrir». 

Cito de memoria, no momento, porque não tenho á mão 
o Portugália Monumenta, onde se encontra o dito foral. 

Palácio, n'aquelles tempos, era uma simples casa com 
sobrado e algumas janellas, salas e quartos. Assim se explica 
o facto de termos disseminadas, pela província, mais de 
mil povoações com os nomes de Paço, Paço, Paços, Palácio, 
Palácios, Palaçoulo, Passinho, Passinhos, Passo, Passo e 
Passos, por Pacinho, Paço, Paço e Paços. 

Polaçoulo, forma anterior de Paço, vem do baixo latim 
palatiolum, oli, ou de palatium, como Passinho por Pacinho 
e este por Palacinho. 

Veja-se, na minha pobre Tentativa Etymologica, o tópico 
— Diminutivos com a desinência olus, ola. 

Aldeia, simples povoação, vem do árabe al-dheía, como 
diz o snr. Cândido de Figueiredo. 

Boucinha é diminutivo de bouça, alteração de balsa» 
terreno inculto, matagal, termo d'origem incerta, como diz 
o snr. Cândido de Figueiredo ; mas nós temos no baixo la- 



4á0 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

tim haucia, bouça e baucella, boucinha^ unde, Vouzella por 
Bouzella, e Bucellas por Boucellas. 

Basta de dislates com relação á etymologia d' Amorim' 
que por seu turno deu o nome ás nossas velhas e saborosas 
peras de amorim. 

Prosigamos com o esboço etymologioo das freguezias 
d'este concelho da Povoa. 



AFROIVAI 

(2.«) 

Argivai. — Na minha opinião, esta freguezia tomou o 
nome de Archibaldi, patronimico de Archibaldus, i — Ar- 
chibaldo, antigo nome pessoal. Confronte-se Archibald, nome 
actual inglez. 

Na idade média, Archibaldi podia lêr-se Ai^Mbaldi e 
Arxibaldi, pois chi, entre nós, soou e ainda hoje por vezes 
soa M e xi. A forma Arxibaldi, sem violência, podia dar 
Argivai, porque xi e gi, na onomástica portugueza, trivial- 
mente se confundiram e substituíram. A escala seria: — Ar- 
chibaldi <^Arxibaldi <^Argibaldi <CArgivaldi <; Argivai. 

Também Arkihaldi podia dar Argivai, pois ki ou qui, na 
onomástica portugueza, deu trivialmente gtii, por seu turno 
gui e gi confundiram-se e substituiram-se. A escala seria: 
Archibaldi Arquibaldi <:^Arguibaldi <CArgibaldi <^Argivaldi 
<^ Argivai. Veja-se, na minha pobre Tentativa Ett/mologica, 
o tópico: — Substituição de Letras. 

Comprehende esta freguezia as povoações de Egreja, 
Calvos, Gandra, Casal do Monte, Quintella, Oliveira, Cassa- 
pos, cujas etymologias são obvias. 

Nós temos varias povoações com os nomes de Galvêlha, 
Calvelhe, Calvêlho, Calvella, Calvêllo, Calvêllos, Calveto, 
Calvilhe, Calvinho, Calvinhos, Calviuo, Calvinos, Calvo, 
Calvos, etc, ao todo mais de cincoenta povoações, cujos 
nomes foram tirados do latim calvus — calvo, que deu Calvo 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMIGA 441 

appellido nobre, antigo e muito honroso, por ser a calvicie 
proveniente do aturado uso dos capacetes ou elmos milita- 
res, no tempo das armas brancas. 

Cassapos por Caçapos, vem do portuguez caçapo — 
coelho novo^ e este do latim dasypus. Por seu turno caçapo 
deu acaçapar e acachapar por acaçapar. 

SALAZAF? 

(3.a) 

3.« — Balazar — de Belizarius, ii — Belizario, nome d 'um 
santo, etc. A escala seria: Belizarius <^Balazariu^ <^^a.- 
lazar. Confronte-se Salazar, appellido e aldeia, tirados talvez 
de Sanctus Lazarius e este de Lazants, nome d'um santo» 
que deu também Lazarinus, «', antigo nome pessoal que se 
encontra em Lazarim, povoação e freguezia nossas. 

Por seu turno Balazares por BeUzariis, muito incons- 
cientemente deu Vai de Azares e Azares, povoações nossas. 

Alguém seguirá a opinião inversa ou que Azares vem 
de azar — sorte infeliz, unde, Vai de Azares e Balazar por 
Vai de Azar. Mas voto contra tal etymologia, porque as men- 
cionadas povoações são muito antigas; vêem da idade média, 
do tempo em que o termo azar não corria, não vogava entre 
o povo, nem voga ainda hoje!. . , 

Comprehende esta parociíia as povoações seguintes : 
Egreja, Casal, Gestrins, Guardinhos, Louzadello, Calvário, 
Terra Raim, Gandra, Villa Nova, Villa Pouca, Tello, Escariz, 
Alem, Martinho e Grezufes. , 

Guardinhos por Gardinhos, vem de Cardinhos ou Car- 
dalinhos, cardos ou cardaes pequenos, pois na onomástica 
portugueza ca, co^ cu e ga, go, gu, trivialmente se confundi- 
ram e substituíram, bem como ga e gua. 

Confronte-se Galdins por Gualdino e Gualdim, Gaitar 
e Gualtar, o mesmo que Baltar, de Walter, nome germânico 
e nome d'um santo; Cardaes, Gardaes por Cardaes; Cardão 



442 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPON-YMICA 



por Cardalão e Guardão por Grardão. Gardães por Guardaes, 
Cardai por Gardal e Guardai por Gardal. 

Cardeira e Guardeira por Gardeira, etc. 

Desculpem-me este espécimen da onomástica portugueza 
comparada. 

Lousadello é diminutivo de Louzado, masculino de Lou- 
zada, que tomaram o nome do chisto, pedra louza, como ou- 
tras muitas povoações nossas. Taes são : Lousa, Lousã, Lou- 
sal, Lousandas por Lousanas, Lousas, Louseira, Louseiro, 
Louseila, Lousinha, Lousinhas, etc. 

Terra Ruim é antithese de Terra Bôa, povoação nossa 
também. 

Villa Pouca tomou o nome de villa na accepção ro- 
mana de granja, quinta ou casa de campo — accepção que 
volveu a ser moda, como provam aqui, no Porto, Fonte 
da Moura, Villa Adriano; Villa Emilia, na Foz do Douro 
e Villa Eva, na freguezia de S. Thiago de Lordello, no 
concelho de Guimarães, entre as estações de Negrelios e 
Lordello. E' uma formosa quinta e vivenda campestre do 
meu bom amigo Eduardo Velloso d' Araújo que, aproveitando 
as iniciaes do seu nome E, V. A. deu á sua formosa quinta 
o nome de Villa Eva. 

Em Lisboa também já temos Villa Martim, Villa Fla- 
miano, etc. 

Pouca vera do latim pauca, pequena. 

Confronte- se Gresufe, em Orense e Grijufe, povoação 
nossa. 

Tello vem de Tellus, antigo nome pessoal, que deu Tel- 
les, appellido vulgar e nome de duas quintas ; Tellonius, ii, 
iis, unde Tellões, nome de duas aldeias e freguezias nossas, 
como Tenões por Tellões e Casal Tello, por Casal do Tello, 
povocição da freguezia de Távora, solar dos Tavoras^ no con- 
celho de Taboaço, freguezia onde eu fui abbade três annos 
— 1861 a 1864 — antes de me transferir para Miragaya, no 
Porto. 

Na dita povoação de Casal Tello, nasceu approximada- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 443 

mente em 1830, o dr. Manuel de Barros Nobre, que foi um 
dos mpns mpliiores amigos dnrante 55 flnno«, desde que nos 
encontraiiius em Coiíubrfl, no anno de lS53, Hié que falleceu 
no Porto, como desembargador da Relação, em 1907. 

Deus o tenha em bom logar, como firmemente creio, 
pois era uma excellente pessoa, muito illustrado e um ma- 
gistrado dignissimo. 

Volvendo a Balazar, temos também Escarjz, contracção 
de Ascaroguis, patronímico de Ascarigus, antigo nome pes- 
soal que deu também três aldeias e duas fregaezias com o 
mesmo nome de Ascarigo, mais quatro aldeias e três fregue- 
zias com o nome de Escariz. 

Alem, outra povoação de Balazar, pertence á grande 
serie das nossas povoações que tomaram o nome do sitio em 
que demoram, com relação a outras ou a outros sitios que 
se destacavam a pequena distancia d'ellas, como rios, mon- 
tes, serras, outeiros, fontes, pontes, etc. Taes são: Alem Ba- 
nho, Alem d'Agua, Alem da Fonte, Alem da Ponte, Alem 
de Baixo, Alem de Cima, Alem de Paços, Alem do Rego, 
Alem do Ribeiro, Alem do Rio, Alem Pinhão, Alem Tâmega, 
Alemtejo, Alemtejão; Alencoào, por Alem do Côa, appellido 
em Escalhão, metathese de Seccalhão, no Cima Côa, etc. 

Entre as nossas muitas povoações, cujos nomes foram 
tirados da sua posição relativa, merecem especial menção 
Trezeste por trans Este, alem do Este, em Braga. Trenze- 
Mar por trans o mar, alem do mar, antigo nome de Fonte- 
bôa, freguezia d'Espozende, denominada assim pelos roma- 
nos, porque alli, no sitio da Barca de Lago, nas grandes 
cheias do Cavado, o rio ainda hoje parece um mar! Tem 
kilometros de largura, pois cobre uma grande veiga que se 
estende até á povoação e freguezia de Barqueiros, distante 
do Cavado, 3 kilometros na estiagem. 

As etymologias das outras povoações de Balazar são 
obvias, exceptuando Gestrins e Grezufes, que ficam para 
segunda leitura. 

Nós temos Grijufe, quasi Grezufe, e a Hespanha tem 



444 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMTCA 

na Galliza, em Orense, Grezufe, mas infelizmente os nossos 
bons visinhos até hoje ainda não. se lembraram de investigar 
a etymologia das suas povoações. 

— Cá e lá mas fadas ha ! 

Passemos adeante e desculpem os nossos bons visinhos 
o bater-lhes á porta, pois já é tempo de acordarem. 

Prosigamos. 

BEIIFRIZ 

(4.a) 

Deixemos também para segunda leitura o nome d'esta 
freguezia que já se chamou Veiriz e Viriz, segundo se lê no 
grande Diccionario Geographico, de Cardoso, e na Chorogra- 
phia Moderna. 

Viriz pôde ser o mesmo que Variz e Veariz ou Viariz, 
povoações nossas, que na minha opinião tomaram o nome 
de Viariguis por Viariquiz, patronímico de Viaricus — Via- 
rico, antigo nome pessoal que também deu ou podia dar 
Veirigo, aldeia nossa. 

Também Viriz por Veriz pôde vir de Veriniz, patroní- 
mico de Ve7'inus, i, que deu Verim, e ó diminutivo de Vertis, i, 
Vero, nome pessoal romano e nome d'uín santo, como Ve- 
ríssimo e Veriauo. 

Na Hespanha também ha Bariz, Beire, Beires, Berines, 
Verin, Viariz em Leão, Virigo, Virin, Viris, etc. 

Ainda diremos que Viris, sem violência podia dar Vei- 
riz; porque na onomástica portugueza i deu trivialmente ei ; 
por seu turno Veiriz podia dar Beiriz, pois como todos sa- 
bem, entre nós b e v trivialmente se confundem, predomi- 
nando o b no Minho, como reminiscência da occupação 
callaica. 

Mas fique a etymologia de Beiriz para segunda leitura, 
porque as meias tintas confundem ; eu já estou muito velho, 
e tenho a vista muito çançada, e a minha lente d'arte nova, 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 445 

forjada por mim a martello, está pedindo outra melhor e 
mais aperfeiçoada. 

Beiriz comprehende as povoações de Fraião, Pedreira 
Mão Poderosa, Coteres, Quinta, Outeiro, Calvos, Paredes e 
Giesteira. 

Fraião por Froião, pôde vir de Froilão e este de Froi- 
lanus, i, is, antigo nome pessoal e diminutivo de Foila, o 
mesmo que Fruela, nomes vulgares na idade média. 

Também Foila deu Froia, povoação nossa, e Faroia, 
apellido. Por seu turno Froilanis deu Forjães, povoação 
nossa também ; e Froilaz, também patronimico de Froila, 
deu Forjaz, appellido nobre d'alta cotação em Coimbra no 
meu tempo d'estudante, 1851 a 1856. 

Também Froilanus deu ou podia dar Forjão, três po- 
voações nossas, como Froilanis deu Forjães supra. 

E' assim a arte nova e rira hien qui rira le dernier / 

A Gallisa, irmã gémea de Portugal, tem Forja, talvez 
por Fruela ou Froia ; Forjan, Frojan, o mesmo que Forjão 
supra ; Frojanes, o mesmo que entre nós Forjães, e Froyan 
por Froylan, forma anterior de Frojan, Forjan, Forjão, Froião 
e Fraião. 

Coteres por Coterres — é uma forma de Goterres, antigo 
nome pessoal na Hespanha, tirado talvez de Gothier, apel- 
lido francez. 

Nós também temos Goterros^ appellido importado da 
Hespanha, e Coterre, aldeia. Por seu turno a Hespanha tem 
Gutierrez na província de Madrid e Gutierrezmonoz na pro- 
víncia d'Avila. 

As etymologias das outras povoações de Beiriz são fáceis. 

Prosigamos : 



446 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 



e:sxc:l_l_a 

(5.») 

Vem claramente do latira Htella — estrella. 

Nós temos varias povoações com os nomes de Estrella, 
Estrellada, Estrello e a grande serra da Estrella, mas com a 
forma latina Estella, quasi Stella, temos somente a freguezia 
de que no momento nos ocupamos. Isto prova que os roma- 
nos tiveram aqui demorada residência, como dissemos no 
tópico Amorim onde mencionamos Apúlia, Fão, Espozende, 
Fonte Boa, antigamente chamada Tranze Mar, por Trans o 
Mar, do latim Trans Maré e Finisterra, nomes acentuada- 
mente latinos, como Estella. 

Mas porque dariam a esta parochia o nome de Estella, 
Estrella ? 

Nós temos Estrella, Estella e Estellina, etc, nomes pes. 
soaes de mulher, tirados de Stella matutina, uma das muitas 
invocações de Nossa Senhora, mencionada na ladainha. Tam- 
bém são nomes pessoaes de mulher Annunciação, Conceição, 
Mercês, na Hespanha Mercedez, Dolores, Carmo, Patrocinia, 
etc, nomes mal formados, porque as invocações á virgem 
não devem ser nomes próprios, mas sobrenomes, precedidos 
da preposição de como Anna da Estrella, da Conceição, das 
Dores, do Carmo, da Luz, da Guia, etc. 

Todos os nomes pessoaes também tanto d'homens como 
de mulheres, devem ser nomes de santos ou de santas e ne- 
nhum dos nomes supra — Estrella, Estella, Estellina, Con- 
ceição, Carmo, Guia, Luz, etc, são nomes de santas. 

Mas, embora fosse muito correcto e muito bem formado 
o nome pessoal Estella ou Estrella, suponho que não tomou 
d'elle o nome a freguezia d'Estella, por ser muito antiga. 
Vem da idade média, do tempo em que as mulheres não ti- 
nham a consideração que teem hoje, pelo que são raras as 
povoações antigas que tomaram o nome d'ellas. Alem d'isso 
nós temos com o nome de Estella apenas aquella freguezia 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 447 

e um casal ou sitio chamado Estella Montes, mas com o 
nome de Estrella, o mesmo que Estella, temos 4 povoações^ 
além da grande serra da Estrella, povoações e serra que evi- 
dentemente não tomaram o nome de mulher alguma chamada 
Estrella ou Estella ! 

Na Hespanha ha Estela em G-erôna ; Esteli em Oviedo; 
Esteio em Oviedo e Lugo ; Estrella, quatro povoações — em 
Jaen, Cuenca, Ternel e Toledo; — Estella (sic) cidade da 
Navarra — e Compostella (S. Thiago de Compostella) cidade 
da Galliza, que tomou o nome de Campus Stellae — campo 
da estrella ou da Inz que em noites seguidas foi vista no 
campo ou terreno, onde appareceu o tumulo de S. Thiago e 
posteriormente se levantou a grande bazilica e a famosa 
cidade de Compostella. Na minha opinião é, pois, detur- 
pação de Campusteihi — campo da estrella, tomando-se o la- 
tim campus não na restricta e própria accepção de campo 
plano e raro^ mas em accepção mais lata, comprehendendo 
terreno agreste e acidentado, como campo de batalha, etc. 
Assim era ou devia ser o chão onde appareceu o tumulo de 
S. Thiago, como prova o grande templo que eu já visitei e 
que foi construido no mesmo local. O dito chão é muito de- 
clivoso, muito accidentado. 

Alguém suppõe que a Serra da Estrella tomou o nome 
de certa estrella que appareceu ao lado d'ella. Será assim, 
mas nos Pirinéus ha também na pendente uma serra, cha- 
mada igualmente Serra da Estrella, de que fazem menção 
Bescherelle e Devars na sua Geographia Universal. 

E' possível, pois, que a nossa grande Serra da Estrella 
tomasse o nome de Serra da Estrella pyrenaica. Também 
ella se chamou serra dos Herminios, talvez deturpação de 
Arménios, povos da Arménia, paiz da Ásia Menor, que fez 
parte do grande império romano e que na minha opinião deu 
o nome á rua Arménia, uma das mais velhas ruas do Porto 
no antigo bairro de Miragaya, que eu supponho romano e de- 
pendência da Cidade romana Cale, hoje Gaya — ena frente 



448 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

de Miragaya, mettendo-se de permeio apenas o rio Douro. ^ 

Também no mesmo bairro de Miragaya e no mesmo ali- 
nhamento da rua Arménia está a rua Aneira, que na minha 
opinião tomou ou podia tomar o nome de Aneira, capital da 
Arménia, no tempo dos romanos. E não é dislate suppor que 
os nomes das ditas ruas — Arménia e Aneira — prendem com 
a batalha de Pharsália, em que César derrotou Pompeu. 

Todos sabem que Dejotaro, sendo então rei de Aneira e 
senhor de grande parte da Arménia, era partidário de Pom- 
peu e o acompanhou na dita batalha com um grande exercito, 
commandado por elle e por um filho. Ambos ficaram prisionei- 
ros de César que os levou para Roma e sendo alli julgados, 
foram absolvidos, porque tiveram por defensor o grande Cí- 
cero, que se immortalisou na defeza, como prova a sua explen- 
dida Oração pro Dejotaro. O pae e o filho foram ambos absol- 
vidos. César perdoou-lhes e mandou-os em paz, mas por certo 
castigou alguns dos chefes e soldados da Armeliia e de Aneira 
que os acompanharam na dita batalha, deportando-os do 
oriente para o occidente do grande império, como os impe- 
radores romanos costumavam também deportar os súbditos 
da parte occidental do grande império para a parte oriental. 

Assim muito natui^almente deportariam para a cidade 
de Cale, hoje Porto, vários súbditos de Aneira e de Armé- 
nia tornando responsável por elles o pretor ou governador 
da cidade, pelo que este muito naturalmente os acantonou 
em dous grupos, sendo talvez alistados e guardados por tro- 
pa. Assim se formaram ou podiam formar e tomar d'elles o 
nome as citadas ruas de Miragaya, ainda hoje chamadas^An- 
cira e Arménia ou dos Arménios, ruas próximas, outr'ora 
talvez contiguas, e no mesmo alinhamento. 

Será tudo isto um dislate? 

Cerqueira Pinto nas suas ^notações ao Catalogo dos 



^ Miragaya com certeza foi parte integrante ou dependência do 
burgo de Cale, hoje Gaya. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMIOA 449 

Bispos do PortOy diz que a rua Arménia tomou o nome dos 
bispos arménios que, na occasião da tomada de Constantino- 
pla pelos turcos, meteram em um navio o corpo de S, Pan- 
taleão e fugiram com elle, até chegarem ao Porto, deposi- 
tando-o na igreja de Miragaya, ficando a velar por elle e 
vivendo na rua mais próxima da dita igreja, como é effecti- 
vamente a rua Arménia. Da rua Ancira não falou. 

E' certo que o corpo de S. Pantaleão veio de Constan- 
tinopla acompanhado por christãos lá do oriente e que foi 
depositado na igreja de Miragaya, onde esteve em grande 
veneração até que foi proclamado padroeiro do Porto e trans- 
ferido para a cathedral, d'onde se evaporou com a preciosa 
arca de prata em que jazia, dada por D. Manoel I. 

Vide Miragaya, longo artigo meu, no Portugal Antigo e 
Moderno. ^ 

Volvendo a Estella, freguezia do concelho da Povoa, já 
dissemos que, na minha opinião, ella não tomou o nome de 
mulher alguma chamada Estrella ou Estella. Tentemos, pois, 
outra etymologia. 

Alguém diz que ella, por estar em sitio muito plano, ao 
longo da beira mar, no centro d'um grande areal, muito ba- 
tido pelo vento norte e muito desabrigado in illo tempore^ 
talvez tomasse o nome de Estella — estrella ou d'algum alto 
marachão, monte ou duna que alli formassem as areias, im- 
pellidas pelo vento norte, alli predominante, e que o dito 
monte d'areia alvejando a meio da grande planície ou do 
grande areal, se avistasse de longe e servisse de mogo ou 
marco, estrella ou guia aos viandantes e aos mareantes. 



^ Também no bairro de Miragaya, na parte que foi demolida para 
se fazer a rua da Nova Alfandega, houve uma rua muito antiga chamada 
rua da Munhota ou Muinhota, que tomou o nome de mulinhota, pequeno 
moinho, moenda ou atafona. Por seu turno atafona deu o nome a outra 
rua do mesmobairro chamada rua da Atafotia. Esta ainda existe, mas não 
vale um caracol — já não tem mulinhota, rnunhota ou atafona alguma — 
e prende com a rua Ancira. 

29 



450 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

E' possível, porque o vastissimo areal d'Estella, antes de 
abrigarem esta parochia pelo grande pinhal que a defende 
e cerca desde tempo immemorial ^ era todo uma campina 
d'areia movediça que devia formar grandes dunas, outeiros 
e montes, durante periodos mais ou menos largos, dunas, ou- 
teiros e montes também movediços e em periodos mais ou 
menos largos transformados em planicies, quebradas e vallos. 

E' isto o que ainda hoje succede nas taes dunas e par- 
ticularmente no Saara, onde por vezes se formam repentina- 
mente taes montes d'areia que soterram as caravanas, pere- 
cendo sepultados nas grandes dunas muitos camêllos, muitos 
viandantes e muitos negociantes cora as suas mercadorias 
todas e só passado tempo, quando as areias formam dunas 
em outros sitios e transformam as dunas anteriores em que- 
bradas ou planicies, se descobrem os restos e ossadas das 
caravanas soterradas. 

E' possivel, pois, como já dissemos, que outr'ora no 
grande areal d'Estella, antes da sementeira dos pinhaes, se 
formassem grandes dunas, outeiros ou montes — e com cer- 
teza se formaram, como na falta d'outro documento prova 
evidentemente a onomástica. Refiro-me ao nome de um dos 
14 povos d'esta freguezia, chamado Outeiro, pequeno moute, 
mas que actualmente é o povo mais plano de Estella. 

Isto é facto ! 

Outeiro vem de alteiro e este de alto, pelo que Outeiro 
em portuguez significou sempre pequeno monte ou colina. 
Assim eram ou deviam ser as nossas muitas povoações, ao 
todo mais de 3:000, denominadas Outurello, Outeiral, Ou- 
teirão, Outeirinho, Outeiro, Outeiros, Outido por Outedo e 
este por Outeiredo, Outil por Outeiril; Outiz por Outeiriz; 



í O dito pinhal é o maior que se encontra ao longo da beira mar 
desde o Porto até Vianna — e tem pinheiros magestosos com cinco metros 
de circumferência no tronco!. . . — Devem contar 300 a 500 annos talvez. 
Refiro-me aos mais antigos, pois tem pinheiros que apenas contarão 50 a 
100 annos. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 4Õ1 

Outinho por Outeiriaho ; Oufcoreça por Outoriça e este por 
Outeiriça; Outorella por Outeirella; Outozello por Outorello ; 
Outrella por Outorella supra ; Outrello por Outeirello ; Ou- 
trete por Outeirete, etc. 

Na Hespanha também ha muitas povoações denominadas 
Otedo por Oteredo ('Outeredo) Otela por Oterela ; Otêo por 
Otedo supra; Oter por Otero; Oterico, Otero, Oteruelo 
Oteruelos, ao todo mais de 100 povoações em várias pro- 
vindas da Hespanha 

A Galliza, irmã gémea de Portugal, tem mais de 400 
povoações com os nomes de Outara por Outera ; Outariz por 
Oateiriz; Onteda por Outeireda ; Outedo por Outeiredo ; 
Outeiral, Outeirino, fórma callaica de Outeirinho ; Outeiro, 
Outeiromeas por Outironias? Outeiros, Outeredo por Ou- 
teiredo ; Outerino por Outeirino, etc. 

Também temos varias povoações que tomaram o nome 
das planícies, como Villa Chã, Villar Chão, etc, e na Hes- 
panha, Villa Plana, Vilarchan, Vilarchão, na Gralliza, mas o 
que nós não temos nem a Hespanha, é Outeiro, designando 
uma planície, afora o Outeiro supra, povoação da freguezia 
de Estella. 

Prosigamos. 

Também Estela, povoação maritima, podia tomar o nome 
d'alguma luz ou fogueira que outr'ora alli alguém por cari- 
dade accendesse como pharol rudimentar para guia dos nave- 
gantes, luz ou fogueira que, vista do alto mar devia parecer 
uma estrella ou stella. 

Por egual motivo D. Miguel da Silva, prelado de Vizeu, 
mandou fazer na Foz do Douro, em 1527, um pharol que foi 
talvez o pharol mais antigo de Portugal, como prova eviden- 
temente uma pequena torre muito solida que ainda hcje se 
vê na Cantareira, extremidade oriental do Passeio Alegre. 

A mencionada torre demora na extremidade S. E. da 
casa actual dos pilotos da barra do Douro, casa que res- 
peitou, mas encobriu a face O. da torre, bem como a face N., 
onde estava a porta d'entrdda para a mesma torre, porta que 



462 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

devia ter alguma ornamentação, talvez a data em que a torre 
foi feita, as armas do dito prelado e qualquer inscripção. 

Na face posterior, que olha para o sul e por consequên- 
cia para o Douro, se vê úma grande inscripção latina que terá 
três metros de largura e quatro d 'altura em letras ainda hoje 
bem legiveis e que dizem o seguinte : 

Michael Silvius, Episcopus electus visensis . . . Em vulgar: 

D. Miguel da Silva, bispo eleito de Vizeu, mandou fa- 
zer esta torre e comprou campos, para que com o rendimento 
d'elles se conservassem n'ella fogos accesos perpetuamente 
para guia dos navegantes. Anno de 4527. 

O mesmo D. Miguel da Silva, posteriormente Cardeal» 
mandou também fazer sobre um penedo que estava no rio 
Douro ao lume d'agua, cercado e nas marés altas coberto 
pela agua, a pequena distancia da torre e do pontal da Can- 
tareira, lado sul^ um monumento curioso, que o Douro ha 
muito derribou e foi substituído por uma valente cruz de 
ferro para nas altas marés indicar o dito escolho. A mencio- 
nada cruz foi também derribada pelo Douro, e deu ao tal 
recife o nome de Cruz de Ferro. Como o tal rochedo fosse 
um perigo constante para a_ navegação, o nosso governo já 
no meu tempo mandou-o despedaçar com dinamite pelos 
mergulhadores que trabalhavam nas obras da barra do Douro 
e que despedaçaram outros penedos. 

E, quando despedaçavam o da Cruz de Ferro encontra- 
ram junto d'elle, no fundo do rio, uma estatua de granito, 
por fortuna ainda intacta, representando um homem, en- 
volto em uma capa, com uma das pontas traçada sobre um 
braço estendido, como que indicando o rumo que os barcos 
deviam seguir. 

Também encontraram junto da estatua quatro grossas 
columnas de granito e uma lapide com uma inscripção latina 
que em vulgar dizia: 

D. Miguel da Silva, bispo de Vizeu, mandou fazer este 
monumento com estas quatro columnas e levantar cinco torres 
para guia dos navegantes. 



TENTATIVA BTYMOLOaiCO-TOPONYMlCA 453 

O director das Obras da Barra maudou trazer para terra 
a dita estatua e as ditas pedras, que durante algum tempo 
estiveram junto da casa dos pilotos, lado oeste. 

Vindo por essa occasião ao Porto o meu saudoso amigo 
e mjBstre, Joaquim Possidonio Narciso da Silva, fundador e 
director da Associação dos Architectos civis e Archeologos 
portuguezes, fui mostrar-lhe as ditas pedras. Ficou muito 
satisfeito e disse-me : — «Hei-de levar tudo isto para o nosso 
Muzeu do Carmo. Logo que regresse a Lisboa, tratarei de 
obter do governo uma portaria, ordenando ao Director das 
Obras da Barra a concessão, — portaria que você lhe entre- 
gará e depois me enviará tudo.» 

Não tardou a portaria. — O Director logo me entregou 
tudo, e eu tudo sem demora mandei para Lisboa, — pelo que 
tudo está e pode verse alli no Muzeu Archeologico do Carmo» 

As cinco torres supra eram simples pyramides caiadas e 
levantadas em terra, a tal ou qual distancia da Foz do Douro, 
indicando o alinhamento ou rumo que os navios e barcos de- 
viam seguir — e julgo que ainda hoje lá se vêem algumas 
d'ellas. 

Mas. — dirão os leitores — custa a crer que um bispo de 
Vizeu nos principies do século xvi — D. Miguel da Silva — 
fizesse obras tão importantes na Foz do Douro! 

Eu nada — absolutamente nada — achei escripto a tal 
respeito, mas, posto que sou, como todos sabem, Petrus in 
cuncfis, nihil in onínibus, uma completa nulidade em tudo, 
julgo que a explicação é fácil : 

D. Miguel da Silva, posteriormente Cardeal, foi um dos 
bispos mais illustrados, mais importantes e mais considera- 
dos que teve Portugal até hoje ! 

Note-se que era filho de D. Diogo da Silva, aio e pos- 
teriormente ministro da puridade e valido d'el-rei D. Ma- 
nuel, o venturoso ! 

Note-se também que D. Miguel da Silva era afilhado do 
próprio rei, pelo que este o mandou educar e formar em 
Roma, onde deu brado com o seu talento, bem como o seu 



454 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

contemporâneo D. Jeronymo Osório, bispo de Silves, famoso 
escriptor e tão abalisado latinista, que alguém atribue a Cicero 
uma das suas obras 1 

Coube também a D. Miguel da Silva a honra de ser vo- 
gal da commissâo que no seu tempo se reuniu em Veneza, 
para rectificar o Roteiro de Antonino. Viajou, pois, muito e 
teve demorada residência em Veneza e em Roma, pelo que 
teve ocasião de ver e reconhecer a importância da pharolagem 
ou illuminação dos portos ; e, quando foi eleito bispo de Vi- 
zeu, era ministro da puridade, ou primeiro ministro de D. 
João 111, Nada, pois, mais natural do que mandar fazer as 
ditas obras na barra do Douro, por ser já muito importante^ 
in illo tempore a segunda de Portugal, e muito perigosa! 

Note-se tambeia que entre os muitos previlegios e doa- 
ções que D. Manoel concedeu aos Silvas de Portalegre, re- 
presentados então ao norte do nosso paiz pelo Bispo de Vi- 
zeu, entrava a dizima nova do pescado na Foz do Douro e 
do Leça. ^ Nada, pois, mais natural do que mandar D. Mi- 
guel da Silva fazer melhoramentos na barra do Douro, onde 
elle e sua familia tinham rendas importantes. 

Note-se finalmente que D. Miguel da Silva foi bispo 
de Vizeu desde 1527 até 1547 ^ e nos primeiros aunos do 
seu episcopado foi não só bispo de Vizeu e escrivão da puri- 
dade, mas conjuntamente abbade commendatario do con- 



' Archivo da Camará Municipal de Gouveia. 

2 Vide Vizeu, longo artigo meu, no Portugal Antigo e Moderno, 
vol. XII, pag. 1593, col. 2.*, n.^ 55; e Prelados de Vizeu, no mesmo vol., 
pag. 1888, col. 2.*, nota l.a, onde prometti dar no Supplemento a. h\ogr2í- 
phia d'este prelado e a de D. Júlio Francisco d'01iveira. Não as dei no 
artigo próprio Vizeu, por serem bastante longas e porque o mencionado 
artigo já ia tão longo, como a legoa da Povoa. 

E não as dei no Siippleniento ao Portugal Antigo e Moderno, por- 
que os editores desistiram do promettido e tão preciso Supplemento ; mas 
como as havia já escripto, para não se perderem, publiquei-as na Vida 
Moderna, jornal semi-litterario do Porto, onde podem ver-se na coUecção 
do anno de 1894. 



TílNTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 455 

vento dos cónegos regrantes de Landim, concelho de Fama- 
licão, e do convento benedictino de Santo Thyrso, ao qual 
pertencia o couto e villa da Foz do Douro. 

Não admira, pois, que o bispo de Vizeu, D. Miguel da 
Silva, mandasse fazer obras tão notáveis na Foz do Douro, 
por ser couto seu!... e porque elle não era como foram mui- 
tos abbades commendatarios, verdadeiros zangões dos con- 
ventos que tinham em commenda. Pelo contrario, benefi- 
ciava-os ! 

De um Livro d'Obitos do mosteiro de Landim consta 
que o dito convento, estando em ruinas, por ser muito antigo, 
foi restaurado por D. Miguel da Silva, seu abbade commen- 
datario, como diz o meu benemérito antessesor Pinho Leal, 
no artigo próprio Landim, vol. iv, pag. 43. Ora, sendo então 
o convento de Landim muito importante e tanto que era 
também couto e titulo de condado, D. Miguel da Silva gas- 
tou por certo com a restauração d'elle mais do que no seu 
couto da Foz do Douro com as mencionadas obras da torre 
6 do pharol, etc. 

Fecharemos este tópico dizendo que a mencionada torre 
do pharol é interiormente abobadada e teve uma imagem com 
um altar, dedicados a S. Miguel, commemorando o nome de 
D. Miguel da Silva, pelo que a pobre torre foi muitos annos 
conhecida por capella de S. Miguel e teve romaria annual e 
festa própria no dia de S. Miguel, o que tudo terminou quando 
o nosso governo mandou fazer a casa dos pilotos, ficando 
escondida, entaipada a porta da dita capella e toda a fron- 
taria da veneranda torre, na parte posterior da reles casa* 

Não demoliram a pobre torre, que em outro qualquer 
paiz seria respeitada e considerada monumento nacional ; 
mas para cumulo de desprezo e da nossa vergonha aos olhos 
das nações todas, no angulo S. E. do eirado da pobre torre 
fizeram e lá se vê côm horror uma latrina para os pilotos!... 

Custa a crer, mas ó facto. 

Note-se que a veneranda torre, decorada pela latrina, 
demora junto da concorridissima estrada — rua do Porto á 



456 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Foz, Mattozinhos, Leça da Palmeira e Leixões, — estrada 
onde passam por anno milhares de forasteiros, nacionaes e 
estrangeiros. 

Note-se também que a veneranda torre e a detestada 
latrina demoram na extremidade leste do formoso Passeio 
Alegre, muito bem tratado, muito bem ajardinado e muita 
concorrido, mormente no tempo de banhos de mar. E' o jar- 
dim publico mais lindo e o mais espaçoso que hoje tem o 
Porto e que muito honra a Camará Municipal Portuense 
pois gastou muito dinheiro com elle. Pedimos portanto á 
Camará Municipal do Porto providencias terminantes para 
que faça desapparecer essa latrina do alto da pobre torre, 
e julgo que o piloto da barra e o chefe da Intendência da 
Marinha á mais leve advertência da Camará immediatamcDte 
a removerão. 

Basta de escândalo, e como reparação, o nosso governo 
e a Commissão dos monumentos nacionaes — commissão 
meramente nominal ... — devem sem demora declarar a 
mencionada torre como monumento nacional. E para a des- 
afrontar, deviam até mandar demolir a parte oriental da reles 
casa dos pilotos, ou antes, a casa toda, conservando apenas a 
veneranda torre, pois está em sitio muito vistoso, muito 
lindo e muito concorrido e ficaria sendo um dos monumentos 
archeologicos mais patrióticos e mais venerandos do Porto 
— e de Portugal todo. 

Desafrontem-no, pois, e no eirado, em vez da immunda 
latrina, ponham um mastro com uma bandeira nacional, e a 
legenda : — Primeiro pharol de Portugal. 

Com vista ao nosso governo e a S. M. El-Rei o senhor 
D. Manoel ii, que, providenciando sobre o assumpto, muito 
se honraria e ao nosso rei, seu antecessor e homonymo D. 
Manoel i, que tanto engrandeceu a marinha nacional e com 
ella o microscópico Portugal. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 457 

MONOGRAPHIA DE ESTELLA 

Freguezia do concelho da Podoq de Uarzim, com um 
esboço eíymologico da mesma íreguezia 



Estella 

Do latim 6/eZZfl— estrella, reminiscência da oceupação 

romana. 

Confronte-se: Apúlia, freguezia limitrophe de Estella, 
ao norte; Fão, do latim fanum, templo, villa e freguezias 
limitrophes da Apúlia, lado norte; Povoa de Varzim, que 
tomou o nome de Cônsul Cayo Varizinio, villa importante e 
sede do concelho e comarca ao sul de Estella, e Extra-Mun- 
dos, grande lagêdo da praia de Varzim. 

Note-se também que Villa do Conde, ao sul da Povoa 
de Varzim, anteriormente se chamou Crasto por Castro, no 
latim Castrum. 

Também na freguezia de Terroso (?) concelho da Povoa, 
houve outro Castro romano, no sitio que ainda hoje tem o 
nome de Crasto. (^) 

Na freguezia de Amorim ha uma povoação chamada Fi- 
nisterra, do latim Finis terras. 

Eates, freguezia do concelho da Povoa, vem de Rena- 
tis, patronímico de Eenatus, i— Renato, nome romano e no- 
me d 'um santo. 

Também nos concelhos da Povoa, Espozende e Villa do 
Conde, trivialmente se encontram fragmentos de telha de 
rebordo, o que tudo prova que esta região foi habitada pe- 
los romanos. 



1 Junte-se Castro, vulgo Crastro, aldeia da freguezia de Rio-Tinto, 
concelho d'Espozende, na margem esquerda do Cavado, próximo do termo 
do concelho da Povoa. 



458 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Alapella 

Confronte-se Al Lapella, diminutivo de lapa, com o pre- 
fixo árabe dl. Confronte-se Alamella e Lamella, diminutivo 
de lama, povoação da freguezia de Palmeira, concelho d'Es- 
pozende, também. Confronte-se Lapa, Lapella e Lapinha, etc, 
varias povoações nossas, como Pella por Lapella e Alapella 
por Al-Lapella, a pequena lapa ou pequena pedra, o mesmo 
que Alpedrinha e Pedrinha, povoações nossas também. 

Com o mesmo diapasão, temos : 

Aladeira e Ladeira; Alagar e Lagar; Alagarinho e La- 
garinho; A lagoa e Lagoa; Alagoas e Lagoas; Alagoinha e 
Lagoinha, etc. ; Alfaião e Faião. 

Miradouro, rua do Porto no bairro dos Guindaes, apru- 
mado sobre o Douro. 

Estella 

Frinjo — de Frinxo, povoação da Galliza, no partido 
judicial de Tuy. 

Contriz de Contoriz, povoação de Lugo, na Galliza. 
Confronte-se também Gondriz^ outra povoação de Lugo, e 
Gondoriz, povoação nossa. 

Baldaia. Veja se Baldante, em Figueiredo e Baldão, no 
Supplemento. 

Apúlia 

De Apúlia, antiga região da Itália, na Grande Grécia, 
E' freguezia mais populosa, mais rica, mais fértil e mais 
mimosa' do que Estella, mas tem muita falta de lenha. 

Estella — Estrella 

Lagoa (Algarve), Senhora ou Nossa Senhora da Luz. 
Nossa Senhora da Luz, orago idem, freguezia de Lagos. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 459 

Luz, freguezia, orago Nossa Senhora da Luz, concelho 
de Tavira, na estrada real próxima do littoral, entre Tavira 
e Faro (3 di^^taiite de Tavira 6 kilometros para S. O. indo 
para Faro. 

Temos, pois, duas freguezias com o nome de Luz, no 
Algarve, outra freguezia de Luz no concelho de Mourão, 
districto d'Evora, a 1 kilometro da margem esquerda do 
Guadiana, mais uma aldeia, duas casas, duas quintas e um 
sitio habitado, todas com o mesmo nome de Luz. Pôde jun- 
tar-se ao mesmo grupo Luzares, Luzeiro, Luzellos, Luzença, 
Luzenças, Luzendas e Luzes, povoações nossas também. Jun- 
te-se Casal da Luz, aldeia. 

Pedra que Luz, casal, na freguezia do Gradil, concelho 
de Mafra. Tomou o nome talvez da mica, pois brilha muito 
e talvez que o palácio de Queluz tomasse o nome de Pedra 
que luz!... Junte-se ainda Vai de Luz e Vai de Luzellos, 
povoações nossas. 

Senhora da Luz, capella e pharol da Foz do Douro e 
me de varias povoações nossas. 

Também temos Senhora da Estrella, casal, o mesmo 
que Senhora da Luz. 

Temos egualmente vários sitios e povoações com os nomes 
de Facho e Faro, nome quasi sj^nonimo de Estella, Estrella 
e Luz. Junte-se Farol ou Pharol do Cabo Mondego, etc, o 
mesmo que Faro, e Lumião, Lumiar, Lumiara e Lumiares, 
povoações nossas também, cujos nomes foram tirados do la- 
tim Lúmen, inis — luz, e pertencem á grande série dos no- 
mes supra. 

Luzares até rima com Lumiares. 

Temos também Nuzellos, talvez forma de Luzellos, pois 
na edade média l e n, mesmo iniciaes, confundiam-se e 
substituiam-se. Confronte-se Landim, povoação portugueza e 
Nandim, povoação gallega, cujos nomes foram tirados de 
Landelinos e Landelino, antigo nome d'um santo, etc. 

Também temos Nandufe por Landufe— de Ganãulphus, i, 



460 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

nome germânico pessoal, o mesmo que Lindolphus, i — Lin- 
dolpho, nome portuguez actual. (^) 

Villa do Conde 

Na interessante publicação Ârcheologia Portugueza, do 
snr. dr. José R. Fortes Juaior, parte ii, pag. 18, o seu illus- 
trado auctor, fallando das velharias encontradas na Povoa 
de Varzim, diz: 

«Mais ao sul, também na orla maritima, o snr. Dr. Al- 
berto Sampaio já notou a presença, sob a duna, de tratos de 
terra arável, de paredes de vedação e de casalejos, restos 
porventura da villa lusitano-romana, conhecida, a partir do 
século X, pelo nome actual de villa de Comité, Villa do 
Conde. 

Ao norte da Povoa de Varzim, a designação toponymica 
de Praia das Mós, promette revelações idênticas . . . 

«Nas proximidades da capella de Santo André, Abre- 
mar, apparecem pelo chão fragmentos de cerâmica de aspe- 
cto luzitano-romano. Mais para o interior, n'uns campos 
marginais da estrada da Povoa a Fão, topam-se frequente- 
mente louças e telhas de rebordo. Em Nabaes, aííirmava o 
insigne Martins Sarmento haver um castro; e ha na reali- 
dade um logar denominado Crasto, onde facilmente se en- 
contram telhas de rebordo e outros pedaços de cerâmica an- 
tiga. 

«Laundos ó bem notória pelas suas mamoirihas, túmu- 
los dos tempos prehistoricos; Terroso pela sua notável civi- 
dade, em cujo sub- solo jazem os escombros d'um importante 



(^) Landulphus, i, vem do germânico Landalf t este do teutonico 
/c/zrf — terra, paiz, e //«//— ajuda, soccorro, em celta iilphe — soccon o, e 
em inglez anglo-saxão helpe, e em flamengo hulp. Veja-se Landeric, Ro- 
land, Rodolphe e Adolphe, em Boucrand (Diccionario etymologico de no- 
mes próprios d'homens). 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 461 

povoado lusitano-romano. Rates pela egreja românica de re- 
motíssimas origens históricas.» 

Não falia de Estella, mas diz que tudo leva a crer que 
na extensa e alegre várzea ao norte da Povoa de Varzim 
(verazini) — «deveria nos primeiros séculos, como talvez an- 
tes e ainda hoje, zumbir uma basta colmeia humana com 
afanosa lida agraria e industrial.» 

O mesmo auctor também na mesma obra, pag. 14, diz 
que Formariz foi antigamente villa fromarizi — Argivae, villa 
argevadi ; Eegufe, villa regaulfi — e Povoa de Varzim, villa 
euracini ou verazini.» 



Estella ou Santa Maria da Estella 

Freguezia do concelho da Povoa de Varzim, etc. 

De Estrella em latim Stella, uma das muitas invocações 
de Nossa Senhora, invocação que figura na ladainha Stella 
matutina ! ... 

Também temos varias povoações com o nome de Estrella, 
Estrellada e Estrello e a grande serra da Estrella. 

A Galliza, irmã gémea de Portugal/tem Compostella ou 
S. Thiago de Compostella, cidade que tomou o nome de 
Campus- Stellae — Gd^m^o da Estrella; segundo resa a lenda 
de S. Thiago, alli foi vista em noites seguidas uma luz ou 
estrella, indicando o local onde appareceu o tumulo do 
Apostolo. 

Senhora da Estrella 

Grande ermida, templo vasto, muito antigo e sanctuario 
com grande romaria annual a 15 d'Agosto. Demora sobre a 
margem esquerda do Douro, na linda povoação de Boaças, 
freguezia de S. Miguel d'01iveira do Douro, concelho e co- 
marca de Sinfães, a montante de Portantigo. 



4H2 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMTCA 

Senhora da Estreita 

Famoso sanctuario do Alemtejo, no termo da villa de 
Marvão. 

Vide Portugal Antigo e Moderno, vol. ix, pag. 123 a 126, 
artigos interessantes, nomeadamente o segundo. 

No mappa das Dioceses lê-se Estella, orago Santa Maria 

— fogos 208, almas 837 (censo de 1878). 

Temos também uma freguezia com o nome de Estrella, 
no concelho de Moura, bispado de Beja. Tem como orago 
Nossa Senhora da Estrella. 

O meu benemérito antecessor Pinho Leal deu-lhe 50 
fogos. 

Ella vae em decadência, porque o Portugal Sacro e Pro- 
fano em 1757 deu-lhe 55 fogos ; Pinho Leal em 1875 deu-lhe 
50 fogos e o censo de 1878 deu-lhe apenas 41 fogos. 

Nossa Senhora da Espectaçâo ou Nossa Senhora do Ó 

Porque se denomina assim ? 

Vide O' no Portugal Antigo e Moderno, vol. vi, pag. 184 

— e O' em Viterbo. Nossa Senhora do O' foi o titulo d'uma 
antiga capella vincular da freguezia da Beberriqueira, con- 
celho de Thomar. 

Vide Thomar, no Portugal Antigo e Modeno, vol. ix, pag. 
572, columna l.a 

Condeixa 

1.° De... 

2.° De Condexa, antiga forma de Condessa. 

Em uma inscripção latina do anno de 1314, D. Mendo 
Bofinho, Conde e senhor da povoação do Castro que tomou 
d'elle o nome de Villa do Conde, foi denominado Condecius. 

Vide Villa do Conde, longo artigo meu, no Portugal 
Antigo e Moderno^ vol. xi, pag. 694, columna 1.* in fine. 



TENTATIVA ETYMOlOGICO-TOPONYMICA 463 

Esposade por Esposado 

Espozende por Espozando, em latim sponsandus, i — e 
Espozendes. 

Confronte-se Casada e Casadinha, aldeias nossas ; Ca- 
sado 8 Casandas, pomar, etc. 

Esposade — Cadeade 

Confronte-se Revinhade e Revinhas, muitas vinhas. 
S. Torcade por S. Torquato. Doe, da Collegiada de Gui- 
marães, anno 1360. 

Desinência ade ^ 

Espozade 

Cadeade 

Morgade 

Venade, Veade, Viade e Viando. 



Estella 



Aldeia de Bufinho 

Bofinha 

Bofinho 

Bufinhos 

Bufo 

Casal dos Bufos 

Pego do Bufo. 



^ O que se segue mostra bem que a Monographia de Estella é um 
trabalho incompleto. O autor deixou-o apenas em verbetes, notas soltas de 
estudo, e sem numeração que indicasse a disposição d'ellas. 

Desculpem os leitores as faltas e tire alguém proveito d'aqui para 
fazer obra mais perfeita. O auctor fez o que pôde e não foi pouco. 



464 ■ TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Baçar e Bassar 

Confronte-se Baçal e Vassal povoações nossas também. 

Do castelhano Bazar, em portuguez Bazar grande em- 
pório de mercadorias e por extensão, feira. 

Confronte-se também Chão da Feira, povoação nossa. 

O castelhano bazar sôa em portuguez Baçar ou Bassar. 
Campo de Baçar é talvez umasynonimia de Campo da Feira, 
nome de quatro povoações nossas. Na Galliza também ha 
Campo da Feira. 

Laundos 

1.° Do antigo castelhano lagunos por lagunosos, lama- 
centos, lodosos, charquentos, pantanosos. Em latim lacunosus, 
de lacus, lago, pântano, charco. Veja-se Valdez. 

2.0 De laguno por lagunero — paludoso, pantanoso. Ibi. 

Sessão e Sustancia 

São provincianismos da Beira e do Minho, etc. 

Quando a terra tem humidade bastante própria e dis- 
pensa irrigação, costumam lá dizer : tem sessão bastante. 

Na mesma accepção costumam dizer no Minho, nomea- 
damente nos concelhos d'Espozende e Povoa de Varzim, que 
os chãos de areia e outros dispensam rega e produzem ce- 
bolas, hortaliças, batatas, etc, porque os ditos chãos conser- 
vam a sustancia todo o anno. 

E' o mesmo que se dissessem que os ditos chãos teem 
humidade ou sessão próprias e as conservam todo o anno. 

Sustancia vem do portuguez substancia e este do latim 
suhstantia ; msLS qual a etymologia de sessão na dita accepção? 

Outro provincianismo é chamar o povo, ás folhas de pi- 
nheiro — agulhas, çaruma, fagulha, faúlha e pluma. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 465 

Estella 

D. Tilia é o nome da distincta professora actual de lá. 

Confronte-se Dunaciaua, nome actual, mas não de santa, 
Donaciano, Donata, Donatilia, Donatilla e Donato, nomes de 
santos, etc, bem como Othilia, Otília e Otilio, contracções 
de Optilia, também santa, e Optilio, nomes tirados do latim 
optare — desejar, que deu também Optata e Optato, Optaciana, 
Optaciano, Optancia, Optancio. Optato é o mesmo que De- 
sejado, também santos, nome tirado do latim desideratus, 
participio passivo de desiderare, o mesmo que optare, desejar. 

Também temos Desiderio, nome de um santo, tirado do 
latim desiderium^ desejo, unde desiderare, desejar. 

Confronte se Desejosa, aldeia e freguezia nossa. Con- 
fronte-se também Othelinda e Othelindo, appel lidos e nomes 
pessoaes, tirados de Othelinus, Othelina, diminutivos de 
Oíhelus, i, Othello, também appellido e nome pessoal, ou de 
Othilinus, o, diminutivo de Othilius, a, supra. 

Confronte-se Laurindo, Laurinda, tirados de Laurinus, o, 
diminutivos de Laurus, a, Florindo, Florinda, de Florinus, 
a, diminutivos de Florus, a, etc. 

As desinências pessoaes inno, a, deram muitas vezes 
indus, a. 

Confronte-se Donato e Donata, nomes de santos, tira- 
dos do latim donatus, a, participio p. de donare — dar. 

Por seu turno Donatus, Donata, deram também Do- 
natilia, Donatillo, Donatilla, Donatillo, Donaciana e Dona- 
ciano, nomes pessoaes e quasi todos nomes de santos, como 
Optatus, Optata, deram Optaciana, Optaciano, Optancia e 
Optancio, também nomes pessoaes e nomes de santos, supra. 

Confronte-se Amada, Amadeu, Amado, Amador, Ama- 
dora, Amancia, Amâncio, Amandia, Amândio e Amando» 
nomes pessoaes e quasi todos nomes de santos, tirados do 
latim amare, amar, — como Amante, appellido, Amabilia, 
nome pessoal, mas não de santa, Mabilia, afiferese de Ama- 
bilia, Mabilina, Mabino e Mabilio por Amabilio, appellidos 

30 



466 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMIOA 

e nomes pessoaes, mas não de santos, tirados do latim ama- 
bilis, e, — amavol. 

Estella 

Confronte-se Senhora da Estrella, casal — Senhora da 
Guia. 

Senhora da Luz — differentes aldeias, casaes, etc. 

Senhora do O' — duas aldeias; confronte-se também Fa- 
cho, muitas povoações nossas. 

Monte do Facho — vários sitios. 

Faro, Farol e Pharol, dififerentes povoações nossas. 

Casal da Luz. 

Alto do Facho. 

Quinta da Estrella. 

Estella 

Freguezia do concelho da Povoa de Varzim. 

Comprehende as povoações da Estrada, Eirado, Egreja, 
Carregosa, Pedrinha, Zimbello, Outeiro, Barros, Tezo e 
Contriz. 

Contriz — vem de Gunderiquiz, patronimico de Gun- 
dericus, nome germânico. A escala seria: Gundericus, Gon- 
dericus, Gonderiquiz, Gundoriques, Gondriz, Condriz, Con- 
triz. ^ 

O mesmo Gonderiquiz na minha opinião deu também 
Gondariz, Gondoriz e Gontariz, povoações nossas. 

Por seu turno Gundericus vem de Gunderik, nome ger- 
mânico, e este do teutonico gund, guerra, combate, e rik, 
poderoso, rico. ^ Gundericus significa, pois, guerreiro ou 
combatente poderoso, rico. ' 



^ Veja-se no Conimbricense, de 30 de Junho de 1906, o meu folhe- 
tim n." 145. 

2 Vide Gondbald, Qondemond, Aláric, Albéric, Baldéric, Frédé- 
ric, Genséric, Théodoric, etc., em Boucrand. O mesmo sufixo teutonico 
rich se encontra como prefixo em Ricardo, etc. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 467 

Zimbello é uma forma de Zimbrello, tirada do zimbro, 
como Zimbral, Zimbreira, Zimbreirinha e Zimbro, povoações 
nossas. 

Por seu turno, zimbro vem de junipero e este do latim 
juniperus. 

Tezo vem do portuguez teso, monte alcantilado, e este do 
latim tensus. 

Carregosa, do portuguez popular carrega, planta de 
chãos apaulados, deu também o nome a muitas outras 
povoações nossas, ao todo mais de 50 e ao Carregal, velho 
sitio do Porto. A forma Recaridus, i, deu Reçarei, povoa- 
ção nossa e Recaredo, antigo nome pessoal. 

Por seu turno, Richard deu Ricardo, nome dum santo, 
e Richemond etc, nomes germânicos. 

Estella 

Confronte-se Estella, montanha de França, na pendente 
norte dos Pyrineus. 

Estella, cidade da Hespanha, já vem do século x; per- 
tence á diocese de Pamplona e á província de Navarra. 
Stella, povoação da Inglaterra, no condado de Durham. 

Stelle, povoação do reino de Hanover, na província de 
Luneburgo, pertencente á Confederação Germânica. 

Estella e Estrella 

São nomes pessoaes, tirados das invocações de Nossa 
Senhora, mas não de nomes de santas — como Conceição, 
Patrocinia, Assumpção, Carmo, Dolores, (Dores), Amparo, 
Mercedes, (Mercez), na Hespanha — Piedade. 



Estella (patois) 



Navio — lavio 
Vasto — basto 



468 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Pinheiro — pinheino 
Loureiro — loureino 
Setembro — setempro 
Mastro — mastno 
Dinheiro — dinheino 
Pedra — pedna 

Melciana — (couve) por merciana, esta por murciana, que 
tomou o nome de Murcia, cidade de Hespanha. 
Cavaco — cabaço 
Pinhal — pilhai 
Cavaquinho — cabaquim 
Absorver — absolver 
Banhos — vanhos 
Castanheiros — castalheiros 
Carqueij a — carqueixa 
Couve — coube 
Feijão — fajão 
Loureiros — loureinos 
Numero — numaro 
Camará — camana 
Desleixo — desteijo 

Exportação de Estella 

Alhos, batatas, cebolas, madeira de pinho em toros, tá- 
boas e pranchões, linho em rama e tecido, muita e óptima 
hortaliça, para Barcellos, Povoa, etc. ; figos, melões e melan- 
cias, muita lenha de pinheiro, muitas pinhas seccas e verdes 
e muitos pinhões mansos e bravos e muitíssimos carros de 
rama de loureiro para o Brazil, no que faz muito negocio. 

Também exporta para a Hespanha muitos ovos e muitas 
gallinhas. 

Espozende por Esposande 

1.0 De... 

2.0 Espozende por Espozande, do baixo latim sponsan- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 469 

dus, i, o mesmo que sponsatus, i, em latim sponsus, i, o des- 
posado, o que está justo para casar. 

Sponsandi deu ou podia dar Espozaude, como sponsati 
deu Espozade, povoação nossa também. 

Confronte-se também Casada, Casadinha e Casado, po- 
voações nossas. 

Pousa, Pousada, Pousade, Pousado, Pagade, de Pacati, etc. 

Cadeade por Cadeado ou catenati. 

Alvalade por Alvalado. 

Venade. 

Freíxíanda 

De Freixiana, abundante em freixos, o mesmo que 
Freixiosa. 

Confronte-se: Anreade, Esposade, Venade, Pagade e 
Cadeade. 

Pousade e Pousado 

Confronte-se S. Torcade por S. Torquato, século xiv. 
«Lourenço Martins, priol de S. Torcade.» 

Doe. da Collegiada de Guimarães, do anno de 1360. 
Revista de Guimarães, vol. 2õ.o, pag. 19. 
Confronte-se Alvallade e Vallado. 

Amorim — pêra 

De Amorim, freguezia e concelho da Povoa, como os 
damascos de Damasco; as tangerinas de Tanger. 

Veja-se a minha louca Tentativa Etymologica, vol. i, 
pag. 363. 

Laundos 

De Lagunos, chãos alagadiços, a modo de brejos ou 
pântanos. 



470 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Confroate-se Laguna — lagoa do Brazil, na província de 
Santa Catharina. 

«O governo do Estado de Santa Catharina solicitou au- 
xilio do governo federal para abertura de um canal, ligando 
a Laguna ao rio Marabituna.» 

Commercio do Porto, de 11 de Junho de 1908, pag. 2.», 
columna 9.». 

K escala seria lagunos, laúnos, Laundos. 

Confronte-se fagulha e faulha, vocábulos portuguezes, 
o mesmo que agulhas, caruma e pluma, rama dos pinheiros. 

Vide pag. 464. 

Faroes 

Veja-se Faro, Bugio e Postos semaphoricos, no Portugal 
Antigo e Moderno. 

Rhodes ou Rodes, Colosso de Rhodes em Bescherelle e 
Devars e Colossus, no Diccionario clássico. 

Monte do Pharo. 

Monte do Facho. 

Senhora da Luz, na Foz. 

Senhora da Luz, em Lagos. 



Matellinho 

De matollinho, diminutivo de matto. Confronte-se Ma- 
tella, Mattellas, Mattinha, Mattinhas, Mattinho, Mattinhos, 
Mattosinhos, etc. 

Também campo deu Campello, Campellos, Campellinho, 
Campellinhos, Campezinhos, Camposinhos, Campinho, Cam- 
pinhos, etc. 

Matto deu ou podia dar Mattellinho, por Mattinho, como 
campo deu Campellinho por Campinho, etc. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 471 



Torroso 

E' deturpação de Terroso, adjectivação de terra, que 
deu Terroso, como pedra deu Pedroso, barro deu Barroso, 
e arena — areia, deu arenosa e arenoso e por contracção ar- 
nosa, Arnoso^ Arosa e Aroso. 

O povo lá diz Torroso, mas na Chorographia Moderna, 
lê-se Terroso. 

Também lama deu Lamosa, Lamoso, etc. 



Boas Eiras e Poaxíras 

São talvez formas do mesmo nome, porque ho e po con- 
fundiram-se, bem como z e x — i e ei. 

A escala seria: Boas Eiras > Boazeiras ^ Poaxeiras > 
Poaxiras. 

Ou antes: Bonas áreas ^Bonas eiras "> Bonazeiras ^ 
Boazeiras >> Poaxeiras >> Poaxiras. 

A bussula é o ouvido e rira hien qui rira le dernierf... 

G — cahindo 

Bagulha, Bagalhão, Bagulho e Baúlhe por Bagulhe, o 
mesmo que Bagulho. 

Laundos — de laúuos e este de lagunos — chãos alaga- 
diços, brejos, pântanos. 

Arco de Baúlhe, freguezia de Cabeceiras de Basto, to- 
mou claramente o nome de bagulho, porque desde longa 
data produz muito vinho em arvores e arcos sobre as es- 
tradas. As vides, estendendo-se de umas para outras arvores, 
formam uma espécie de grinaldas ou arcos, unde Arco de 
Baúlhe, Arco ou Arcos de Bagulho, das uveiras, do vinho. 

Na galliza ha Espozende em Orense; Esponzues (lê-se 
Esponsues) em Santander. 



472 TENTATIVA ETYMOLOaiCO-TOPONYMlCA 

Esposa em Huesca e Lerida. 
Estella em Gerona. 
Esteli em Oviedo. 
Esteio em Oviedo e Lugo. 
Estella, cidade, em Navarra. 

Estrella (quatro povoações), em Jaen, Cuenca, Toledo e 
Teruel. 



Finda aqui o estudo sobre a Póvoa e segue-se uma 
nota etymologica : 



Cambiaço. —Vem do latim eanabis linho cânhamo, que 
deu o nome a varias povoações nossas. Taes são : Cambedo 
por Canabedo; Cambezes por Canavezes e este por Canabi- 
sis, que deu também Campisis por Cambisis ; Cambiaço por 
Canabiaço^ como tabula deu Taboa, Távora e Taboaço por 
tabulaço, abundante em taboas ou castanheiros, por serem as 
taboas de castanho, taboas por excellencia. Confronte-se Po- 
maraço, grande pomar; Gestaço por genestaço, grande ges- 
tal ou giestal; Melgaço, abundante em mel; Milhaço, abun- 
dante em milho ; Gramacho por gramaço, abundante em 
grama, etc. Por seu turno, cânhamo deu calhamaço por ca- 
nhamaço, grande folio de cânhamo. 

Também eanabis deu Canameiras, sitio da Villariça, 
destinado à cultura do cânhamo ; Canaveias e Canaveira por 
Canameira e Canameiras ; Canavezes por Canabisis e Cambi- 
zes; Canavezinhos, diminutivo de Canavezes; Canéve por 
canabe ; Canevezinhos por Canavezinhos ; Cavez por Cana- 
vez, etc._, povoações nossas, mencionadas na Chorographia 
Moderna. 

E' assim a arte-nova — e 7'ira bien qui rira le dernier. . . 

Veja-se a minha pobre Tentativa Etymologica, vol. l.o, 
pag. 336 e vol. 3.°, pag. 145 e 229. 



TENTATIVA ETYMOLOGUCO-TOPONYMICA 473 



Ainda a nossa Casa da Capella e várias etymologias 

Posto que demora em sitio relativamente fando e baixo, 
a pequena distancia do Douro, no sopé d'uma grande encosta 
muito rápida desde a margem esquerda do rio até o ante- 
mural da serra do Poio ou do sitio hoje deserto, denominado 
Gaediche, cidade extincta, na altitude de 300 a 400 metros 
sobre o leito do Douro e distante d'elle o da minha casa da 
Capella, 3 a 4 kilometros — tem esta vistas mais pittorescas 
e mais interessantes do que tem Guediche, nas abas da 
serra, sitio muito alto, muito vistoso, muito lindo e quasi 
plano. 

A minha Penajoia, que teve o antigo nome romano de 
Penajulia, posteriormente Penajuya e Penajudeia por Pena- 
juleia, o mesmo que Penajulia, foi reguengo e villa desde os 
princípios da nossa monarchia, como provam os foraes que lhe 
deram D. Affonso Henriques e D. Manoel. Foi também cidade 
nos tempos da vida nómada e pastoril, cemo prova o local su- 
pra, denominado Guediche, pois ainda hoje na vasta freguezia 
da Penajoia toda, é corrente a tradição de que, no local de 
Guediche, actualmedte deserto, esteve uma grande povoação 
que foi cidade em tempos muito Remotos. 

Eu concordo e de passagem direi que o nome da dita ci- 
dade era bem apropriado, pois, na minha opinião, Guediche 
é deturpação de Gadiche por Gadicho e este por Gadinho. 

Note-se que na onomástica portugueza todas as vogaes 
se confundiram e substituíram, nomeadamente a, e, e o, bem 
como icho e inho, desinências de vários diminutivos de po- 
voações nossas. Taes são: Arneiricho e Arneirinho, diminu- 
tivos de Arneiro, o mesmo que areneiro e Areeiro. 

Também temos Cavalluche por Cavallucho, este por Ca- 
vallicho e este por Cavallinho, nome de varias povoações 
nossas. 

Cavalluche é um casal da quinta do Papagaio (Sacavém), 
pertencente ao meu poly-parente Albino Corvaceira, supra. 



474 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Também temos Gavicho por Gavinho, contracção de 
Gaviãosinho, povoações nossas, como Lagartixo por Lagar- 
tinho, etc. Guediche, por Gadicho, pôde vir, pois, de Ga- 
dinho. E' assim a arte-nova e rira bien qui rira le dernier. 

Note-se que o grande monte do Poio, outr'ora foi habi- 
tado por pastores, negociantes e creadores de gado, e ainda 
hoje no dito monte, baldio commum aos concelhos de La- 
mego, Rezende e Castro-Dayre, se cria e pastoreia muito 
gado lanígero. 

Note-se também que a pastoreação e criação de gado foi 
a industria primitiva mais importante em Portugal e fora de 
Portugal, pelo que não admira que muitas povoações nossas 
tomassem o nome do gado, e que esses nomes, por serem 
muito antigos, muito archaicos, fossem, com o tempo, muito 
deturpados ! . . . 

Além de Guediche por Gadicho e este por Gadinho, 
temos Gadelha e Gadelho ; Gadenha por Gadelha, pois Ih e 
nh confundiram-se e substituiram-se na onomástica portu- 
gueza com l e n. 

Junte-se Gadanha por Gadenha ^ Gadicho por Gadi- 
nho; ^ Guedelha, Guedelhas e Guedilhinhas por Gadelha, 
Gadelhas e Gadelhinhas, povoações nossas que talvez to- 
massem o nome do gado, como outras muitas tomaram o 
nome dos bois^ das vaccas, dos touros, dos porcos e dos bá- 
coros, das ovelhas, carneiros e cabras, cavallos, zebras, adens, 
gallinhas, marrecos e patos, etc. 

Ainda diremos que no tempo da vida nómada e pasto- 
ril, muito naturalmente os pastores, que traziam o gado no 
monte do Poio, tinham, nas abas do dito monte, os curraes 



^ Pertence á nossa quinta do Tédo, supra, uma vinha espaçosa, de- 
nominada Gadanha, que podia tomar, e na minha opinião tomou, o nome 
do gado, pois demora em sitio alto, nas abas da serra de Adorigo. 

2 Note-se que na onomástica portugueza i q u trivialmente se con- 
fundiram e substituiram, como já se confundiam no latim. Veja-se o tópico 
Substituição de letras, na minha pobre Tentativa Etimológica. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 475 



para elle e choupanas, cabanas e casas mais ou menos hu- 
mildes onde viviam os pastores e os donos e negociantes d© 
gado, formando o aldeamento^ cidade ou povoação de Gue- 
diche ou do Gadinho. 

Note se que o sitio é alto, muito alto, mas quasi plano 
— sem fragas nem barrancos — e ainda hoje muito lindo e 
muito vistoso, embora desabrigado e frio, pois demora na 
altitude de 5('0 a 600 metros, sobre o nivel do mar, e é atra- 
vessado de nascente a poente pela antiga estrada de Lamego 
para Rezende, Sinfães, Castello de Paiva, etc. 

A dita estrada foi muito vantajosamente substituida, nos 
fins do século xix, por outra, a maeadam, lindissima, que 
passa a meia encosta da grande ladeira, entre a margem do 
Douro e a estrada velha, atravessando, de nascente a poente 
em linha horizontal a minha Penajoia, etc. 

Também alli passava a antiga estrada de Lamego para 
o Porto, indicada no Roteiro de João Baptista de Castro. 
A dita estrada era commum á de Rezende, mas na extremidade 
O. de Guediche, onde actualmente se vê a povoação de 
S. Thiago, tomava o rumo norte; descia muito precipitada- 
mente pela freguezia da Penajoia até o Douro ; e, atravessan- 
do-se o rio na barca do Molledo, subia depois até Mezão Frio, 
etc. Veja-se o Roteiro citado e Penajoia, no Portugal Antigo e 
Moderno, 

O dito povo de S. Thiago é pequeno, mas muito antigo 
e o mais alto e mais frio da Penajoia toda. Supponho que 
representa a extincta cidade de Guediche, que demorava 
um pouco a montante, devendo ser mais vistosa, mas muito 
mais fria. Não obstante isso, tudo me leva a crer que a dita 
cidade foi o núcleo da minha Penajoia. 

Muito naturalmente os habitantes de Guediche, que de- 
morava nas abas do monte do Poio, no clima da neve, do 
paúlo e do tojo, plantas que ainda hoje brotam espontâneas 
no dito monte, logo que o estado da civilisação lh'o permit- 
tiu, foram descendo da montanha até á margem do rio Douro, 
que elles viam lá do alto e os attrahia, bem como os terre- 



476 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

nos da grande ladeira a juzante de Guediche, pois ao passo 
que iam descendo, eram cada vez mais férteis e mais mimo- 
sos aquelles chãos. Decorreram, porém, muitos séculos para 
attingirem a margem do Douro, o clima das laranjeiras e das 
cerdeiras que na minha Penajoia brotavam expontâneas na 
margem do Douro, e dão cerejas maduras sempre nos fins de 
Abril e alguns annos em Fevereiro, como já dissemos. 

Deviam gastar muitos séculos para arrotearem o chão 
desde Guediche até o Douro, por ser o dito chão muito de- 
clivoso, muito falto de pedra e muito abundante em húmus. 
Não se fazia hoje talvez com dous mil contos o arroteamento 
e ensoealcamento da minha Penajoia, mesmo porque ella 
comprehende sete kilometros ao longo da margem do Douro, 
na linha E. O. e três a quatro de terreno cultivado na linha 
N. S. 

Antes d'aquelle vasto arroteamento e ensoealcamento, a 
minha Penajoia devia ser uma brenha medonha, abundante 
em bichos e feras, cujas ossadas attrahiam os corvos e outras 
aves de rapina. Data, pois, d'aqu6lle tempo a minha Corva- 
ceira, pois sendo hoje mimosíssima e cultivada como um jar- 
dim, podendo dizer-se um viveiro de rouxinoes e d'outras 
aves canoras, tomou com certeza o nome dos corvos, aves 
que ali por certo abundaram no tempo das brenhas e matta- 
gaes, mas de que hoje não ha memoria, como já dissemos. 

Corvo deu Corveira e Corvaceira, como fogo de Fo- 
gueira e fogaceira e lodo deu Lodeira e lodaceira. E' assim 
a arte nova e rira bíen qui rira le dernier! . . . 

A occupação da minha Penajoia demandou muitos sé- 
culos e muito dinheiro, mas na minha opinião já foi habitada 
pelos celtas, como prova uma propriedade que eu lá tenho 
em sitio alto, muito vistoso e muito lindo, Chama-se Alque- 
tes, cujo nome vem talvez do celta ou neo-celta Jconete — mata, 
com o prefixo árabe ai, o, a, os, as. — Alquetes quer, pois, 
dizer — As matas. 

Também o prefixo ai pôde vir do celta ou neo-celta are 
— junto de. . . — em frente de. . . prefixo de Aremorica, hoje 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 477 

Baixa Bretanha, provinda da França, que demora á beira 
mar, em frente ou junto do mar. Sendo assim, Alquetes quer 
dizer: povo, chão ou sitio que está junto das matas. "Note-se 
que no dito chão de Alquetes tem apparecido e apparecem 
muitas velharias, entre ellas fragmentos de telhas de rebordo, 
o que prova que o chão d'Alquetes foi também occupado e 
habitado pelos romanos! ^ Também n'outros sitios da minha 
Penajoia tem apparecido e apparecem telhas de rebordo ou 
romanas. Veja-se Alquetes, no Portugal Antigo e Moderno, 
artigo do meu benemérito antecessor Pinho Leal. 

Também ha na minha Penajoia um sitio^ cujo nome lhe 
foi dado pelos romanos. E' Penim, afferese de Apenimis, i — 
o monte Apenino por Alpenino — pequeno Alpe, monte da 
Itália. 

Note-se que o -tal sitio de Penim é muito escarpado, 
mas muito lindo e de forma cónica. Produz vinho do melhor 
da Penejoia, por estar perto do Douro — e tem no topo ou 
cimo uma bella casa da quinta, pertencente á familia do 
Visconde de Moimenta da Beira, quinta muito antiga, em 
que teem apparecido velharias romanas. E' também muito 
antiga e hoje pertencente á mesma quinta uma capella pró- 
xima, com a invocação de No,ssa Senhora de Ara Coelif 

A casa da quinta foi restaurada e ampliada recentemente 
e por essa occasião os donos d'ella, por ser muito Íngreme 
a estrada publica entre ella e o Douro^ fizeram uma estrada 
sua própria e mais suave, dentro da quinta em lacetes e 
tornando mais accessivel d'esta forma a sua bella quinta de 
Penim ou do Apenino. 

A população da minha Penajoia, com certeza, foi bai- 



^ Eu lá colhi vários fragmentos das mencionadas telhas. Dei um 
d'elles ao meu bom amigo António Moreira Cabral, da rua das Flores 
(Porto), dono d'uma importante livraria particular e d'uma boa coUecção 
de velharias. Dei os restantes, com certas velharias, ao muzeu archeolo- 
gico da Figueira, pois tive a honra de ser um dos vogaes da commissão 
installadora do Muzeu d'essa cidade. 



478 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

xando paulatinamente o muito morosamente da estincta ci- 
dade de Guediche, nas abas de Poio até o rio Douro. Assim 
se explica o facto de estar a matriz de Penajoia muito iso- 
lada e no alto da freguezia. E' uma reminiscência do tempo 
em que a população da exincta cidade ia baixando, mas 
ainda estava muito longe do Douro. 

O sitio que hoje occupa é isolado e alto, relativamente 
á população actual da freguezia, mas talvez que o primitivo 
templo fosse isolado e estivesse em sitio baixo relativamente 
á população da Penajoia, in illo tempore. 

Sendo a Penajoia tão vasta e tão populosa, apenas tem 
junto da Matriz a residência parochial e duas ou três casas 
de quintas, e a montante as pequenas povoações de S. Thiago 
e Sobre- a -Igreja. 

Ainda outro facto, que vem a propósito e é digno de 
nota: na parte mais fria e mais alta da minha Penajulia, 
desde tempo immemorial, só se cultivam pinhaes, casta- 
nheiros bravos para madeira e castanheiros enxertados que 
dão castanhas; mas, outr^ora, os habitantes da cidade extin- 
cta, quando baixaram do monte e chegaram ao clima das 
videiras, foram logo plantando vides e cultivando a vinha, 
nomeadamente na funda ravina do ribeiro da Corvaceira, 
ravina que o povo chama Cobrada por Quebrada. Deram-lhe 
a preferencia para a cultura da vinha, por ser funda e re- 
lativamente abrigada, mas muito declivosa, pelo que tiveram 
de a ensocalcar. 

Desde tempos muito remotos, na dita Quebrada, só se 
cultivam castanheiros, porque o vinho d'ella, por ser bas- 
tante fria e alta, devia ser áspero e muito inferior ao dos 
vinhedos que foram plantados a juzante, em terreno muito 
mais doce e mais ameno até á margem do Douro. 

Isto não é um sonho, pois nós temos na dita Quebrada 
três matos de castanheiros bravos : um chama-se Trancoso 
por Troncoso, e demora no sitio mais alto do mencionado 
ribeiro, na extremidade leste de Guediche; outro chama-se 
Rojão e demora no fundo da dita Quebrada, onde principiam 



TENTATIVA ETYMOLOGTCO-TOPONYMICA 479 

OS vinhedos compactos ; o outro chama-se Penedo do Cabrão, 
nome que tomou d'um grande penhasco ou penedo que 
avulta n'elle. Demora o dito matto a meio da Quebrada e 
tem claros vestígios de ser todo ensocalcado ; andando eu 
por ali ílaneando em certo dia de verão, quando era rapaz, 
vi, com surpreza, entre os castanheiros bravos, o resto d'uma 
videira, com algumas folhinhas verdes! 

Mais : O tal ribeiro da Corvaceira corre precipitadamente 
de sul a norte pelo centro da dita Quebrada e é a linha di- 
visória entre a freguezia da Penajoia, a nascente, e a de 
Samodães, a poente. 

Eu já li e extractei um grosso fólio em pergaminho, que 
foi dos Peixotes Padilhas. Era elle uma inquirição, talvez 
original, a que os nossos reis mandaram proceder, no século 
XIV, com relação aos fdros que tinham em Lamego e no aro 
de Lamego. 

Chegando os inquiridores a Samodães, chamaram, na 
forma do estylo, o parocho e alguns homens bons da fregue- 
zia, para os informarem, e, por essa occasião, disse um dos 
taes homens èons: — «E ha aqui soutos de castanheiros que 
já foram vinha e pagam a El-Rei. . . tanto de foro por anno»* 
Veja-se Villa de Bei, artigo meu, no Portugal Antigo e Moder- 
no, volume 11.°, paginas 1:044, columna l.f». 

Muito provavelmente, os informadores referiam-se aos 
taes soutos da Quebrada, que estavam na margem direita do 
ribeirinho da Corvaceira, no chão pertencente á freguezia de 
Samodães. 

As taes Inquirições não comprehenderam a minha Pe- 
najoia, o que muito senti. Não a comprehenderam, talvez 
porque ao tempo era toda reguengo. Veja-se Penajoia, no 
Portugal Antigo e Moderno. 

De passagem, direi que as taes Inquirições dão a Sa- 
modães os nomes de Camudaaes e Cumadaees, forma anterior 
de Çumadães por Simadães — casaes ou terras que demorara 
lá no alto ou no cimo. Tal é Samodães, pois demora em sitio 
alegre e muito vistoso no alto ou cima d'uraa grande ladeira 



480 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

com relação ao Douro, do qual dista, em recta, 1 kilometro, 
mas entre o Douro e Samodães haverá 300 metros de diffe- 
rença de nivel. 

Na minha opinião, pois, a etymologia de Samodães é 
Cimadaes ou Cimadães e tomou o nome da sua posição rela- 
tiva, como outras muitas povoações nossas, taes são : Cima 
da Rua, Cima de Rezende, Cima de Souto, Cima de Villa, 
Cimalhas, Cimo da Aldeia, Cimo da Lomba, Cimo de Sande, 
Cimo de Villa, Simadas, Simães por Simadães. Simal por 
Simadal; Simalhas, o mesmo que Cimalhas, etc, ao todo 
mais de 300 povoações nossas. 

Com vista ao snr. Conde de Samodães, um dos homens 
mais illustrados do nosso paiz. 

Note-se que o povo, em vez de Samodães, costuma dizer 
Simodães, quasi Simadães e que na edade média todas as vo- 
gaes se confundiram e substituíram, nomeadamente o e a, ieu. 

Ha também na freguezia de Samodães uma povoação 
importante e muito antiga, chamada Angorêz, cuja etymolo- 
gia talvez seja Angora, cidade oriental que pertenceu ao 
império romano e foi muito estimada e muito beneficiada 
pelos romanos e tanto que n'ella ainda hoje se encontram 
muitas velharias romanas, entre as quaes avulta um templo 
de mármore branco, dedicado ao imperador Augusto, como 
dizem Bescherelle e Devars, na sua Geographia e historia 
universal. 

Angora, que os tártaros chamam Ankorah, foi construída 
eôbre as ruinas da velha Ancira, outr'ora capital da Arménia 
e Nero a fez capital da Gallacia. Ainda hoje tem cerca de 
40 : 000 habitantes que são os mais civilisados de toda a 
Ásia Menor, e tem ruas largas, pavimentadas com granito e 
resto dos seus monumentos. 

Angora deu ou podia dar Angorêz, filho de Angora, 
como Braga deu Braguez, Málaga deu malaguênho, malaguez 
e Almalaguez, povoações nossas ; Génova deu genovez, 
França deu francez, Irlanda irlandez, Dinamarca dinamar- 
quez, etc. 



TENTATIVA ETVMOLOGICO-TOPONYMIOA 481 

A dita povoação d'Angorez foi rica e teve casas nobres 
importantes no tempo da velha Companhia dos vinhos. José 
Corrêa Pinto da Fonseca, fallecido ha poucos annos e bem 
conhecido por José Corrêa d'Angorez, excellente pessoa e pae 
do snr. Joaquim Corrêa Pinto da Fonseca, hoje delegado do 
Ministério Publico em Castro d'Ayre, foi o ultimo dos pro- 
prietários mais ricos da dita povoação. Deixou uma fortuna 
de 80 contos, approximadamente. 

Angorez está no clima das laranjeiras, em terreno muito 
mimoso e muito fértil, mas fundo e abafado, pelo que tem 
pouco sol ; teve, porém, já muito menos sol, como diz, com 
espanto, a tradição local. 

Eu não me espanto, jDorque Angorez, como já dissemos, 
está em sitio fundo e abafado, no sopé de terreno muito 
mais alto, que a ensombra, posto que os ditos chãos actual- 
mente estão plantados de vinha, mas faltos de arvoredo. 
Mais e muito mais deviam, pois, ensombral-a os ditos chãos 
e montes quando estavam, como estiveram, povoados d'ar- 
vorêdo, nomeadamente de castanheiros, arvores de grande 
porte, que abundaram na região, attingindo alguns d'elles 
proporções colossaes. 

Ainda hoje se falia com assombro d'um castanheiro que 
houve em Samodães, a montante d'Angorez. Keíiro-me ao 
castanheiro do Salvado, que pompeou no chão assim deno- 
minado, um pouco a juzante da matriz de Samodães e que 
foi no seu tempo o castanheiro maior e mais imponente de 
que ha memoria no concelho de Lamego ! 

Segundo consta, eram necessários seis homens para o 
abraçarem, pelo que devia ter de circumferencia, no tronco, 
mais de lõ metros e contar muitos séculos. Foi mandado 
arrancar em 1840, approximadamente, quando se fez o pala- 
cete ou casa da Fonte, que é hoje do dito sur. conde. Do 
magestoso castanheiro aproveitou o dono para a dita casa 
três ou quatro grandes vigas ou traves, muitos barrotes ou 
caibros, ripas, taboas para portas, janellas, caixilhos, etc. 

Está, pois, livre do sol e da chuva e muito bem acon- 

31 



482 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

dicionado dentro da bella casa do snr. conde, o magestoso 
castanheiro do Salvado. 

Agora, ainda mais algumas etymologias com relação á 
freguezia de Samodães: 

— Salvado vem do latim Salvatus, nome d'um santo 
etc, que deu também S. Salvador, freguezia de Miran- 
della. 

Santinho pôde vir de Santinho, apodo ouappellido, ou 
do latim Santinus por Sandinus^ Santlno, nome pessoal e 
nome d'um santo. 

Sobradinho é diminutivo de Sobrado por Sobredo, con- 
tracção de Sobreiredo, povoações nossas que tomaram o no- 
me dos sobreiros, como outras muitas, ao todo mais de tre- 
zentas. Pode vêr-se a curiosa lista d'ellas nesta minha louca 
Tentativa Etymologka, vol. l.o, pag. 259 a 262 e vol. 3.o pag. 
392. 

Vai de Abrão, quinta de Samodães, tomou o nome de 
Abrahão, como Abraã, Abrahão, Abram e Abrão, povoações 
nossas tambm. 

Cambres, freguezia muito populosa, muito vasta, muito 
importante e muito linda, que parte com a de Samodães, to- 
mou o nome do latim botânico de Pliuio, crambe, es — a cou- 
ve e toda a hortaliça, nome bem apropriado, pois Cambres 
abunda em hortaliça, mas desde tempos muito remotos a sua 
producção principal é o vinho. Já deu mais de 3:000 pipas al- 
guns annos, o que no Douro é muito. 

Eu podia e bem queria dar um esboço etymológico dos 
nomes de todas as quintas e povoações de Cambres, alguns 
dos quaes habent dentem coelhí, mas faltam-rae o tempo e as 
forças. Passemos, pois, adiante. 

No Douro, as três freguezias mais férteis e mais mimo- 
sas são: a de S. José de Godim, junto á Régoa, na margem 
direita do Douro, e, na margem esquerda, a de Cambres e a 
minha Penajoia. A de Godim parece um jardim ! E' muito 
plana e não tem um pinheiro, nem um carvalho, nem um 
castanheiro. Produz muito vinho, muita fructa e algum mi- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 483 

lho, mas todo de secadal, entre certas vinhas, por ser muito 
falta d'agua. 

A de Cambres, limitrophe de Lamego e fronteira á de 
Godim, é muito mais vasta e mais declivosa, mas também 
muito fértil e muito mimosa. Produz muito vinho, muita 
fructa de caroço e de espinho e muita e óptima hortaliça de 
que abastece a formosa villa da Régoa. 

A minha Penajoia ó a mais vasta das três e a mais de- 
clivosa, mas também muito mimosa e a que produz mais 
fructa, da melhor do Douro, de Portugal e do mundo todo, 
desde as laranjas e cerejas até ás castanhas. 



484 TENTATIVA ET YMOLoGICO-TOFuNVMICA 



vestígios da língua arábica em PORTUGAL 

LEXICOISI Ei-rvivioi_OGico 

por ^E^r^ Toão â.e S©-u.s3. 

Augmentado e anotado por Fr. José de S.^" António Moura 



OBSERVAÇÕES IVlirMMAS 

Abobadella. 

1." J)o árabe Abu — Abdallah, nome d'um mouro. 

2.° Do portuguez abobadella, diminutivo de abóbada. 

Abraã. — 1." do árabe; — 2.° de Abrahão, nome biblico. 

Alcochete. — 1.** de alcaxete — o achado da ovelha, — de 
alçai — o achado, — e xate — a ovelha ; — 2.° de alcochete — o 
pequeno coche, — ou de ai corujet — o curujinho, — ou de ai 
tochete por Tojalete e tojalinho ou pequeno tojal. 

Veja se Alcochete, na minha louca Tentativa Etymologica. 

Alcoentre — l.o Do árabe alconaitara — pequena ponte? 
diminutivo de alcantara — ponte ; 2. o de ai e coentro — o 
coentro, planta bem conhecida, que deu também Alcoentriuho, 
— Coentral e Coentros, várias povoações nossas, — e Coentroj 
appellido. 

Alderete — l.» do árabe alderat — o arremesso; 2. o de 
Ilderedíis, i, nome germânico. 

Alduar — 1.° do árabe aldoar — a redonda — do verbo 
danara — cercar á roda; 2.o de llduara, antigo nome pessoal, 
que deu Aldara e Alda, antigos nomes pessoaes. 

Alfafar — l.o do árabe alhofar, que vem de bafara — 
abrir covas; cavar;— 2.o de alfavar por alfaval — o faval? 

Alfaião — ] ."* do árabe alchayam — de chaiama — fazer 
sombra; — 2.° de ai -[- -Faião — a grande faia. Note-se qu® 



TENTATIVA ETYMOI.OGICO-TOPONYMICA 485 

das faias ou choupos brancos tomaram o nome várias povoa- 
ções nossas, entre ellas quatro, com o mesmo nome de Faião. 

Alfeite — não se encontra na dita obra, mas pôde vir de 
Alfeito — o feito, feto ou fetos, a planta que deu o nome a 
muitas povoações nossas. Veja-se a minha pobre Tentativa 
Eti/mologica, 

Algarão — 1.° do árabe Algáro, pequeno rio da Beira. 
Significa submergido; — 2." augmentativo de algar. 

Algares — 1.° do árabe algares — o plantador; — 2.o do 
portuguez algares — fojos, covas, que entre nós deu Ligares 
por ligares e este por Algares. 

Alhares — l." do árabe alháres, e este de harasa — guar- 
dar; — '2.° dos alhos, como outras muitas povoações nossas. 

Almaceda — 1.° do árabe almazaida — aguas crescidas; 
2.° de ai -\- Maceda, o mesmo que Mazêda, povoações nossas 
que tomaram o nome do castelhano manzaneda — bosque de 
maceiras ou macieiras, do castelhano manzana — maçã e ma- 
cieira, arvore e fructa que deram o nome a várias povoações 
nossas e talvez o appellido vulgar Macedo por manzanedo. 

Almarjão — 1.» do árabe almarjam — logar das pedra- 
das, — de rajama — apedrejar alguém; 2." de almarjão, au- 
gmentativo de almargem. 

Almodovar — 1.° do dMdihQ almodaúar — do verbo daúara, 
arredondar. Significa, pois, Almodovar, coisa redonda; — 2.» 
Almodovar — do portuguez — olmo do vai? 

Alvaiazeres — 1." do árabe alahazb' — plantas e outras 
coisas aromáticas que servem para adubar as comidas; — 
2.° Alvaiázere — de Alva-Azere? Note-se que Azere é tam- 
bém povoarão nossa. 

Alvalade — 1.° de albalade — logar habitado e murado — 
'2." Alvalade de Al-vallado — o vallado. 

Note-se que na onomástica portugueza trivialmente se 
confundiram as desinências e q o. 

Assoeira — 1.» do árabe assoeira, que significa imagem 
— do verbo sanara, — pintar, retratar, fazer imagens. 2." — 
Assoeira — de Alou a -[- Soeira. 



486 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Note -se que temos varias povoações com os nomes de 
Soeiro è Soeira — Sueiro e Sueira. 

Azebo — 1.° do árabe azzaíbo — logar do Cabelludo; do 
verbo zaba — ser pelludo, ter muito cabello. 2.° — Azevo — 
contracção de Azevedo e este de azevinhedo. 

Azeval — 1.° do árabe azebal, as immundicies. 2." — De 
Azevo — supra e o mesmo que Azeviahal. 

Badim — !.<> do árabe badim — principiada. 2." — Badim^ 
aífereze de Abbadim, povoação nossa. 

Balouta.— 1.° do árabe òaZ/wto— balota. 2.<>— de vailouca 

— pequena valia. Confronte*se Balouça, Balouço, Balouta, 
Balouto e Valouta, povoações nossas. Note-se que na ono- 
mástica portugueza, ca, co, cu, e ta, to, tu, confundiram-se e 
substituiram-se. 

Barcarena. — 1.° do árabe barr-carreina — terra da nossa 
habitação. 2.° — do antigo portuguez barcarena — que abun- 
da em barcos ou barcas. 

Confronte-se Alcanena, que abunda em canas? 

Beitareins (ou Bitarães?) — 1." do árabe beitarin — os fer- 
radores ^ ; do verbo baitara — ferrar. 2.o — Bitarães — de Vi- 
ctorianis, patronimico de Victorianus, i, diminutivo de Vi~ 
ctorius, li, que deu Bitoure, povoação nossa também. Por seu 
turno Victorius, ã, vem de Victor, oris — Victor, nome d'um 
santo^ etc, e este do latim victor, — vencedor. 

Bensafrim ou Benasafarim, freguezia do Algarve. — 1.' 
do árabe Benassaharin — terra dos feiticeiros. Do verbo sahara 

— encantar, enfeitiçar. 2.° — Bensafrim — de Iben ou Ben Ze- 
phirini — terra do filho de Zephyrino? 

Bencatel. — 1.» do árabe Bencatel, e significa povoação 
do filho do matador; — 2.» de iben — Catelli, filho de Catello, 
antigo nome pessoal? 



^ No diccionário Vestígios da Língua Arábica, lê-se esta nota: 
"Significa propriamente alveitares, e o verbo, d'onde se deriva, exercer a 
alveitaria, ou a arte de veterinária,,. 



TENTATIVA ETYMOLOaiCO-TOPONYMICA 487 

Bertarouca (Pretaronca) no bispado de Lamego. — 1.° do 
árabe Barrtamca — campo trilhado ou frequentado. '2.° — 
Pretarouca — de Tarouca, povoação próxima, com o prefixo 
latino pre — antes ou diante. 

Cacela — 1.° do árabe cacila — pastagem do gado. 2.* 
de cazela, diminutivo de casa, como Casilhas e Cozelhas, eto. 

Gazelas. — !.<' do árabe gazela — lugar da fiadura, — de 
gazala — fiar. 2.o de cazella — casinha, como Cacela supra. 

Farrejal — do árabe farr — fugida e rejal — os homens, 
a fugida dos homens. 2.° Farrejal — de ferragial. 

(iado — do árabe ganáo — riquezas, bens, gado. Artigo 
interressante : Os hespanhoes dizem ganado. 

De ganáo — riqueza, bens, fizeram gado, como os latinos 
de pecudia e este de pecus, udis — gado — fizeram pecunia, 
dinheiro. 

Garvão ou Gravão — serra do Alemtejo. — !.<> do árabe 
gorabon — o corvo. 2.° Garvão ou Gravão — do carvão, em 
Lisboa, cravão, etc. 

Guadalupe — 1.° do árabe Uadeluhh — rio do Seio. 2.'^ 

— de Uad — lupi, rio do lobo ou dos lobos. 

Lalim — freguezia próxima de Lamego e de Lazarim, 
1.0 Do árabe Lalim — Irreprehensivel, — nome dado por 
Zeidan-Ben-huin — rei mouro de Lamego. 2.° — de Larim, 
contracção de Lazarim, para diíferençar as duas, uma da ou- 
tra. Confronte-sê Larim, nome de varias povoações nossas. 

Lazarim — do árabe aláqarin — as duas fortificações. Do 
verbo haçara — fortificar. Também diz que foi fundada pelo 
dito regulo! 

Lazarim — de Lazarinus, i, diminutivo de Lazatus, i, 
Lazaro, nome d'um santo, etc. 

Nandufe (em Sousa Mandufe) — 1.» do árabe Mandufe 

— a sacodida; de nadafa — sacodir a lã com pao; carpear. 
2.<» — Nandufe — de Landufe, e este de Lindolphus, i, que deu 
Lindorpho, nome actual, etc. 

Mesquinhata — 1.'' do árabe masquinat — logar da po- 
breza. 2." Mesquinhata — de Mesquitanha por Mesquitinha, 



488 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

pequena mesquita, o mesmo que Mesquitella, povoação nossa 

também. Veja se Mesquita em Sousa, — artigo interessante. 

Sardoeira — l.» do árabe sardoura — andar á roda. De 

sara — andar, e daura — á roda. 2.° — Sardoeira e Sardoura 

— dos sardões !. . . 

Soeira. — 1.° do árabe Soeirá e signifiica coisa bem pin- 
tada. Do verbo sauara — pintar. '2.o--de Soeiro, antigo nome 
Suarius, hoje appellido. 3.° — do portuguez popular sueira 
por sugeira. 

Sueiras. — l.** do a-rabe suar — manilha ou colar. — 2.» 
de. . . Veja-se Soeira, supra. 

Tamargal.— 1.0 do árabe tamar — tamareira. 2.° — do 
portuguez tamargueira — planta. 

Tougues, Touguinha e Touguinhó. — 1.° do árabe Touche 

— espécie de bandeira ou estandarte que um alferes leva 
diante do Grão-Turco, peio que os ditos alferes se chamam 
Tougues. 2.° — de Thioquis, patronymico de Thiocus, forma 
anterior de Diogo, o mesmo que Diego, Diago, Thiago, Ja- 
cob, Jayme, Jacome, etc. 

Trafaria, na margem esquerda do Tejo. l.o — do árabe 
.tarifía — coisa extrema, final ou ultima. 2." — Trafaria — de 
trafegaria, mercancia, por ser local próprio para permuta de 
mercadorias. 

Zorzaes ou Zurzaes Urjaes, Orjaes e" Jorjaes. 1." — do fran- 
cez orge — cevada. 

Confronte-se Orge, Orgera, Orgens, Orjal e Orje, povoa- 
ções nossas também; como Cevada, Cevadaes, Cevadeira, 
Cevadeiro, Cevadinha o talvez Cedovim por Cedavim, e este 
por Cevadim, o mesmo que Cevadinho ou Cevadinha? 

2."— Da urze ou urge, planta chamada também urgueira 
e torga, unde Urgal, Urgares, Urgeira, Urgezes, Urgueira, 
trigueira, o mesmo que Urgueira, Urjaes, Urjal, Urjariça, 
Urzal e Urzalão, povoações nossas. 

Junte- se Torgada, sitio, Torgal, Torgo, appellido; Tor- 
gos, Torgueda, Trogal, Trogoulhe, Trogueda, Trugal e Tar- 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 489 

quel por Tareai^ o mesmo que Torgal, Trogal e Trugal, 

povoações nossas também. 

3." — Zorzaes ou Zurzaes — de Zorzal, e este do árabe 

zarzúr — o estorninho, ave^ como diz Sousa, no fim dos seus 

Vestígios da Língua arábica, citando Bluteau e Marques. 

— E' assim a arte nova — e inra hien qui rira le dernierf 
Acabaram aqui os meus extractos de Fr. A. de Sousa e 

finis coronal opus. 



Urc5 grandes quintas em Uaboaço — Fidalgos da Uandoma 
— UóDora e Cernache — O Palácio do Freixo 

Távora tem três grandes quintas: — a do Rio Bom, a da 
Avelleira e a das Águias, ou de S. Pedro das Águias. A pri- 
meira demora na fo?. do ribeiro Fradinho, pertencente â opu- 
lenta casa Macedos Pintos, de Taboaço, familia de que já te- 
mos fallado repetidas vezes e que é desde longa data o bloco 
e a familia mais importante e mais rica d'este concelho. 

Pode dizer-se que esta quinta pertence á freguezia de 
Távora, porque demora na extremidade d'esta freguezia, do 
lado de Taboaço e tem a sua casa de habitação e os chãos 
mais mimosos e mais férteis na freguezia de Távora, com- 
prehendendo um bello pomar de laranjeiras que é o maior 
da freguezia de Távora e das duas margens do rio Távora 
todo e talvez de todo o alto Douro. 

Como o dito pomar está em sitio fundo, quente, regadio 
e muito abrigado — as laranjeiras dão-se n'elle muito bem e 
n'elle se encontram quasi todas as variedades de fructa d'es- 
pinho, como laranjas communs, laranjas d'umbigo, tangerinas, 
laranjas azedas ou da China, laranjas limas, laranjas sanguí- 
neas, limões doces e azedos, limas doces e azedas, grandes 
cidras com a forma de limões, toranjas ou cidras com a for- 
ma de grandes limas. etc. 



490 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Ha também na mencionada quinta muitas variedades de 
fructa de caroço deliciosa, mas a sua producção principal é 
azeite do melhor de Portugal. Produz em ânuos de safra 15 
a 20 pipas d'azeite, e a sua producção tende a augmentar, 
porque os seus felizes donos continuam plantando n'ella mui- 
tas oliveiras. Passados 40 ou 50 annos deve produzir mais 
de 50 pipas d'azeite. EUa também produziu bastante e óptimo 
vinho d'embarque, mas actualmente produz pouco, por causa 
da maldita phyloxera e das muitas doenças que perseguem 
as vinhas do Alto-Douro. 

Comprehende a mencionada quinta vastos chãos nas fre- 
guezias de Távora e de Taboaço e maiores ainda na margem 
direita do Távora, pelo que tem sobre este rio uma ponte 
com pegões de pedra e taboleiro de madeira, propriedade 
exclusiva da grande quinta. Os seus felizes donos possuem 
outras muitas quintas nas margens do Távora até á sua foz 
no Espinho. Possuem também muitas quintas em Taboaço, 
era Sendim e n'outras freguezias de Taboaço, pois são abso- 
lutamente os maiores proprietários e os maiores capitalistas 
d'este concelho. 

Veja-se Miragaya, Sendim, Taboaço e Vicente (S.) — si- 
tio, artigos meus no Portugal Antigo e Moderno, e Macedos 
Pintos de Taboaço e a minha obscura familia na 2.* parte 
ou volume d'esta minha louca Tentativa, pag. 76 a 78, 

A segunda quinta d'esta parochia de Távora é a de S. Pe- 
dro das Águias, mencionada supra. 

Comprehende o extincto convento do seu nome e a sua 
respectiva cerca, desde a margem esquerda do Távora até ao 
Monte Coroado, cerca de dois kilometros, a montante do Tá- 
vora e é cortada aproximadamente a meio pela nova estrada 
a macadara da estação do Pinhão a Moimenta da Beira pelo 
Espinho, Taboaço, Távora, Sendim, ete. 

Esta quinta é bastante espaçosa e, além de muita e óptima 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 491 

fructa de caroço e muita hortaliça, produz cerca de Ç-) pipas 
d'azeite e lõO pipas de vinho, tudo em vides americanas en- 
xertadas, escolhidas e muito bam grangeadas. De todas as 
quintas do valle do Távora ó a que produz actualmente mais 
vinho e podia produzir o dobro, porque tem vastos chãos 
ainda ocupados por pinheiros e castanheiros bravos, chãos 
que se prestavam para vinha — e já estariam plantados, se o 
vinho do Douro não estivesse tão barato. Accresce ainda a 
circumstancia de estarem os donos d'esta formosa quinta já 
bastante idosos, terem meios de sobra para viverem com de- 
cência e independência, e não terem successão. 

Falemos agora da quinta da Avelleira, absolutamente a 
maior d'esta freguezia e das duas margens do Távora, bem 
como de todo o concelho de Taboaço. 

Divide-se ella em dois grandes lotes, aproximadamente 
eguaes — um na margem direita e outro na esquerda do Tá- 
vora, ligados entre si pela ponte do Fumo, que ó publica, 
muito antiga, anterior á nossa monarcliia, de um só arco de 
volta inteira, ainda bem conservada e com certas garatujas 
dignas de estudo, pois talvez sejam hyerogliphicos. 

Os dois lotes da quinta da Avelleira talvez tenham 5 ki- 
lometros de circumferencia cada um. O da margem esquerda 
do Távora confina com a quinta de S. Pedro das Águias, su-- 
pra — de um lado, tocando ambas na ponte do Fumo; — do 
lado opposto confina com o ribeiro de Quinta, uma das qua- 
tro povoações da freguezia de Távora. Comprehende alguns 
centos de metros ao longo da margem esquerda d'este rio — 
desde a ponte do Fumo até á foz do dito ribeiro ; d'alli sobe 
por Íngreme encosta — ladeira acima, na extensão de 2 kilo- 



* O manuscripto não diz o numero, mas o Portugal Antigo e Mo- 
derno, vol. IX, pag. 516, fallando d'esta quinta, em 1880, disse: "podendo 
produzir 300 pipas de vinho, apenas chegou a produzir 80 e desde a in- 
vasão do phyloxera, apenas dá quatro ! Devendo dar 20 a 30 pipas de 
azeite, só dá 5 ou 6„. 

(Nota dos editores). 



492 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

metros talvez, sendo também atravessada em linha iiorizon- 
tal pela nova estrada a macadam, supra, que atravessa a 
quinta das Águias, etc, 

O grande lote da margem direita do Távora acompanha 
este rio até mais de 1 kilometro de distancia e n'elle tem 
alguns moinhos; alarga se, porém, para o interior e tem vas- 
tos chãos compactos nas freguezias de Pereiro, Várzea de 
Trevões e Paredes da Beira, todas pertencentes ao concelho 
de S, João da Pesqueira. Este lote, além dos moinhos, com- 
prehende vastos chãos, todos muito seccos e alguns d'elles 
muito Íngremes e muito pedregosos que somente se prestam 
para pastagem de gado lanigero. 

Comprehende também o vasto chão do casal do Paço, 
menos Íngreme e com bastante húmus, que se prestava muito 
bem para vinha, mas que até hoje só tem produzido e pro- 
duz centeio. Entre este casal e a Ponte do Fumo tem a gran- 
de quinta um bom olival que desde tempos muito remotos 
já tem dado 6 a 8 pipas d'azeite em annos de safra. 

No lote da margem esquerda do Távora, tem a grande 
quinta a sua casa d'habitação, muito bem situada em sitio 
vistoso e alto, com um bom portão de pedra brazonado, en- 
tre elle e a casa um espaçoso terreiro e sobre este um bom 
armazém, bons lagares e uma azenha movida por gado para 
fabrico do azeite. 

A casa já foi espaçosa e luxuosa e teve uma linda ca- 
pella, mas o mau fado que persegue esta quinta, tão digna 
de melhor sorte, reduziu a casa a uma habitação humilde 
comprehendendo a capella que foi ha muito profanada e já 
nem se sabe qual era o titulo d'ella. 

Ahi vão agora alguns laivos de historia. 
Quando os ascendentes dos Távoras conquistaram aos 
mouros esta escabrosa região, comprehendendo as duas mar- 
gens do Távora e a margem esquerda do Douro até á villa 
actual da Pesqueira, instituíram e dotaram generosamente o 
convento de S. Pedro das Águias, por gratidão para com os 
monges benedictinos que viviam muito humildemente em 



T"SNTATIVA ETYMOLOGICO- TOPONYMICA 493 

uma caverna ou gruta natural, hoje quasi entupida, aberta 
em um grande penedo que ainda se vê na margem esquerda 
do Távora, junto da veneranda capella de S. Pedro Velho. 

Dotaram também generosamente os parochos da fre- 
guezia, depois villa e honra de Távora, os quaes ficaram 
sendo da apresentação dos Távoras até que estes foram ex- 
tinctos. Reservaram, porém, os ascendentes dos Távoras para 
elles o grande casal do Paço com a sua atalaia ou castello 
do Calfão e a grande quinta da Avelleira, 

O dito casal conservou-se na posse d'um ramo dos Tá- 
voras até ao século xvi, data em que passou para o convento 
d'x\rouca, formando o dote de seis senhoras que professaram 
no dito convento. 

A quinta da Avelleira conservou-se na posse d'outro 
ramo dos Távoras até ao anno de 1759, era que estes foram 
extinctos. O dito ramo era então representado pelos celebres 
fidalgos da Vandoma, assim denominados porque desde longa 
data viviam no Porto em uma casa dentro dos velhos muros, 
junto da porta principal d'elles — a porta da Vandoma, que 
tomou o nome de uma imagem da Senhora da Vandoma, que 
estava em um nicho sobre a dita porta, imagem que figura 
no brezão actual do Porto. 

Os ditos fidalgos pertenciam á nossa primeira nobreza, 
orgulhandose de pertencerem aos Távoras, pelo que tomaram 
d'elles o seu primeiro appellido, intitulando^se Távoras, Noro- 
nhas, Leme e Cernache. Veja-se no Portugal Antigo e Modernot 
vol. vr, pag. 92 e 95, o esboço genealógico d'estes Senhores, 
dado por mim ao meu benemérito antecessor Pinho Leal^ 
como elle próprio declarou no fim do mencionado tópico. 

Os fidalgos da Vandoma eram muito antigos, muito no- 
bres e muito ricos e no século xvii foram representados por 
D. Jeronyrao de Távora Noronha Leme o Cernache, mor- 
gado e Senhor de toda a casa da Vandoma e deão da Sé do 
Porto, cujo deado ao tempo era um dos mais rendosos de 
Portugal. 

Segundo informações que oralmente recebi do 1.° con- 



494 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

de de Campo Bello, homem muito illustrado, Dr. de capello 
pela Universidade de Coimbra, lente da Academia Polyte- 
chnica do Porto, e casado com uma sobrinha e herdeira de 
Álvaro Leite, que succedeu na maior parte dos vinculos da 
Vandoma, exceptuando os do ramo dos Távoras, que pela 
extincção d'estes passaram para a coroa, deu-se o facto 
seguinte : 

Estando no século xvi a casa da Vandoma bastante em- 
penhada e representada por uma senhora ainda nova e sol- 
teira, casou esta com o filho e herdeiro de um dos maiores 
capitalistas do Porto, appellidado Picão. 

Como a riqueza é e foi sempre o lustre da nobreza, su- 
biu de ponto a consideração da nobilíssima casa da Vandoma. 
Continuaram os seus felizes donos a viver no seu velho so- 
lar junto da Sé do Porto e tiveram um filho único muito 
religioso, chamado Hyeronimo ou Jeronymo a quem os pães 
adoravam, e que desde os mais tenros annos se habituou a 
ir para a Só, onde os cónegos o afagavam muito, pelo que se 
ordenou e por ser muito religioso, excellente pessoa e repre- 
sentante de uma casa tão nobre, tão importante e tão rica, 
em breve foi nomeado cónego e pouco depois deão da Só do 
Porto. 

Continuou a viver no seu nobre solar da Vandoma — 
casa muito pequena, muito irregular e sem um palmo de 
cerca, jardim nem quintal. Costumava, pois, ir passear para 
a sua grande quinta do Freixo, na margem direita do Douro, 
freguezia de Campanhã, — quinta muito vistosa, muito mi- 
mosa, muito linda e bastante espaçosa^ pois comprehendia 
mais de 500 metros ao longo da margem do Douro, desde o 
Esteiro de Campanhã até Valbom — e estendia-se muito para 
o norte, comprehendendo a quinta de Villar d'Alen que foi 
do visconde d'este titulo e que ficou separada da quinta do 
Freixo quando se fez a nova estrada do Porto para Gon- 
domar. 

O riquíssimo deão gostava muito da sua mimosa quinta 
do Freixo, pelo que mandou fazer n'ella o sumptuoso palácio 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 495 

do Freixo que foi o palácio mais vistoso e mais imponente 
das duas margens do Douro desde o Porto até á Barca d'Al- 
va, Miranda e Zamora. Não se fazia hoje com trezentos con- 
tos de reis, comprehendendo o palácio e a mobilia corres- 
pondente, os jardins, as muralhas dos jardins e outra em forma 
de bateria d'uma praça de guerra, com duas luxuosas guari- 
tas de pedra nas duas extremidades e, na dita muralha, aber- 
turas para boccas de fogo que tiveram canhões montados 
para salvas nos dias de festa. E ao longo da margem do Douro 
fez uma muralha ainda mais valente, com dous rebolins nas 
duas extremidades, imitando os palácios que avultam nas 
margens do Rheno. 

E o riquissimo deão tudo fez d'um jacto, como prova a 
inspecção do palácio. Alli não havia emendas, alterações, mo - 
dificações nem ampliações posteriores, como eu notei quando 
o dito palácio pertencia ao Visconde do Freixo, que o havia 
comprado e luxuosamente restaurado e mobilado, mas, sendo 
grande capitalista, não restaurou os jardins, nem a muralha 
dos jardins e da bateria, nem a muralha e os rebolins da 
margem do Douro. 

Uma das coisas que mais me impressionou foi a escolha 
do local para a construcção do palácio, pois, sendo a quinta 
bastante espaçosa, o riquissimo deão fez o palácio no sitio 
mais interessante, mais pittoresco e mais vistoso d'ella, junto 
da margem do Douro, que alli é muito largo e muito lindo, 
ficando distanciado apenas o bastante para não ser incommo- 
dado pelo rio, e demora precisamente no vértice d'um an- 
gulo que o Douro alli forma, dominando-se do palácio para 
a esquerda um grande e muito interessante lanço do Douro 
até Avintes e para a direita outro lanço até á serra do 
Pilar. 

O riquissimo deão foi muito mais feliz na escolha do lo- 
cal para o seu formoso palácio, do que foram os fundadores 
do palácio do Escurial, na Hespanha, e o nosso D. João I 
na escolha do local para a lindíssima egreja da Victoria. — 
Foram também menos felizes os Paes de Malgualde na esco- 



496 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

lha do local e da planta para o seu grande palácio — e a fa- 
mília Pereira Moscoso na escolha do local par« o seu palácio 
da Brejoeira, palácio imponente e magestoso, mas nada vis- 
toso. Está escondido em uma quebrada da quinta, que é 
muito árida^ e d'elle não se avista povoação alguma. 

Volvendo ao palácio do Fr(3Íxo^ ainda direi que elle tem 
muitos brazões d'armas e no alto da fronteria, olhando para 
o Douro, tem uma coroa de marquez com um enorme gol- 
finho. A cauda sobrepuja a coroa, a cabeça olha por baixo 
doesta para o rio, lado sul. Os outros brazões olham para o 
nascente, lado opposto á cidade do Porto, onde vivia o ri- 
quíssimo deão, fundador do palácio. Olham todos para o nas- 
cente, bem como o luxuoso portão do palácio, que é também 
brazonado, e até um enorme brazão que avulta em um espaçoso 
pateo exterior, ao poente do palácio, do lado do Porto. O 
tal brazão é enorme. Está no cimo do grande muro que cerca 
o pateo, olha para leste e para o palácio, tem talvez cinco 
Hietros de largura na base e três metros d'altura, e é orna- 
mentado de um 6 do outro lado com bandeiras, tambores e 
peças d'artilheria. 

Também olham para leste os três pequenos brazões que 
estão em um portal, a montante do palácio, na extremidade 
oeste d'um passeio que alli há. 

Os três brazões são muito singelos, mas característicos 
dos Távoras, pois, como todos sabem, o seu brazão primitivo 
era um goifmho, nadando nas aguas d'um rio, tendo por 
timbre o mesmo golfinho. E' este o brazão que se vê no 
palácio dos Condes da Carreira, em Vianna do Castello, por 
serem os ditos condes outro ramo dos Távoras, e o mesmo 
brazão se vê no pequeno portal supra. Tem no alto um es- 
cudo com o golfinho, nadando nas aguas "d'um rio e nas 
paredes do portal se vê d'um lado outro escudo só com um 
golfinho, e do lado opposto outro escudo, representando as 
aguas d'um rio. 

Mas qual o motivo porque olham para leste e voltam 
as costas para o Porto os brazões todos do palácio ? 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 497 

Deram- lhes talvez aquella orientação, porque ao tempo 
a estrada entre o palácio e o. Porto era muito estreita e 
péssima. 

A commuoicação entre o palácio e o Porto era feita pelo 
Douro em escaleres ou barcos luxuosos, tripulados por ma- 
rinheiros escolhidos e fardados, e o embarque ou desembar- 
que fazia-se em um grameiro que havia na margem direita 
do Douro a leste do palácio. Eis o raotiv.o porque na minha 
opinião o palácio tinha a sua luxuosa porta d'entrada e os 
brazões todos voltados para aquelle lado. Por alli certamente 
entrou muitas vezes o riquissimo deão com os seus parentes 
e amigos e, quando passavam nos luxuosos escaleres em frente 
do palácio, salvavam nos dias de festa os canhões que tinha 
montados na bateria supra. 

O archaico transporte era muito mais imponente, mais 
lindo e mais caro do que hoje pôde fazer-se em luxuosos trens 
ou automóveis — e dentro de poucos annos em carros eléctricos 
pela rua do Freixo — rua que liga o Porto com o dito palá- 
cio e com a villa de Gondomar. 

Ainda direi que no tal grameiro supra que foi, como já 
disse, o embarque e desembarque do riquissimo deão, quando 
visitava o seu palácio do Freixo, — desembarcou na 2.» me- 
tade do século xrx o nosso rei D. Luiz, quando visitou a pro- 
víncia de Traz-os-Montes. Elle vinha de Lisboa com a Snr.a 
D. Maria Pia, sua esposa. Pousaram no palácio real do Porto, 
onde ficou a rainha, durante a viagem d'elle por Traz-os- 
Montes. A' vinda embarcou na Régoa, d'onde na falta da li- 
nha férrea, que ao tempo ainla estava em projecto, seguiu 
pelo Douro, rio abaixo, e desembarcou no dito palácio do 
Freixo, onde o esperava a rainha com todo o pessoal da corte, 
alguma tropa e diíferentes bandas marciaes, juntando -se alli 
por essa occasião muito povo e no Douro muitos barcos e mui- 
tos vapores de recreio, etc. 

Foi uma festa imponente e o ultimo adeus ao magestoso 
e luxuoso palácio do Freixo, que tem passado por grandes 
alternativas ! 

32 



498 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

Elle ainda se conserva no mesmo local e promette durar 
séculos, mas, sendo tão grande e tão vistoso, já não parece 
o mesmo e a custo se lobriga, afrontado como estiá pelas gran- 
des fabricas de moagem contiguas. 

bordeio — nomes deriDodos de JOaumg 

Os romanos sympathisaram muito com os loureiros e 
tanto, que era com folhas d'elles que os romanos coroavam 
os vencedores e, nas suas pomposas festas triumphaes, as 
coroas de louro eram o distinctivo dos generaes em honra 
dos quaes se faziam as ditas festas, pelo que no latim, o 
idioma do Lacio e dos romanos, laurus, i, — significava louro 
ou loureiro, a coroa de louro e a victoria. 

De laurus fizeram laurea — a folha do louro, que tam- 
bém entre elles significava o loureiro, a coroa de loureiro, — 
a "gloria militar, a victoria e o triumpho. E talvez que do 
latim laurea provenha Laura, noma actual de mulher, syno- 
nimo de Gloria e de Victoria. 

Também os romanos fizeram de laurus — lau7'etum--o 
bosque de loureiros, que entre nós deu Loreto, nome dum 
sanctuario de Bragança, Loredo e Louredo, varias povoações 
nossas, de que adeante fallaremos. 

Também os romanos fizeram de lauretura — Laurentum, 
Laurento, nome d'uma cidade da Campanea, chamada hoje 
Pratica ou S. Lourenço. 

Por seu turno Laurentum deu entre os romanos Lau- 
rentes e Laurentini — os Laurentinos, filhos de Laurento. 
D aqui provieram Laurentius e Laurentia — Lourenço e Lou- 
rença, Laurentinus, i — Laurentino e Laurentina, Laurindo e 
Laurinda, nomes pessoaes ainda hoje, posto que Laurindo e 
Laurinda podem vir também de Laurim e Laurina, diminuti- 
vos de lauro, antigamente Louro, e Laura. Note-se que o d 
foi letra caprichosa e Laurina podia dar Laurinda, como Ro- 
sina deu Rosinda, Ermelina deu Ermelinda, Luciua deu Lu- 
cinda, etc. 



TENTATIVA ETYMOLOQICO-TOPONYMICA 499 

Lourença, em latim Laiirentia, foi nome romano de 
Acca Laurentia, Laurencia, mulher de Faustulo e ama de Ró- 
mulo e Remo, lendários fundadores de Roma, 

Também no latim lauriis — o loureiro, deu laureatus — 
laureado, coroado ou ornado com folhas de louro, — e Lau- 
rentalia, festas em honra de Acca Laurentia, ou Laurencia, 
ou Lourença, supra. 

O mesmo laurus — loureiro, no latim deu também o 
adjectivo laureus, a, um — coisa de loureiro — ou que cheira 
como loureiro, pelo que o sábio naturalista Plinio chamou 
laurea cerasa — a Cerdeira ou cerejeira enxertada em loureiro. 
Devem ter um aroma particular as cerejas das taes cordeiras. 

Também os romanos de laurus fizeram laurinus, «, um 
— laurino, laurina, coisa de louro — e laurinum oleum — óleo 
lauriuo, feito com a baga do loureiro. 

Também o loureiro foi usado poios romanos, como nós 
ainda usamos em certos condimentos, particularmente no pão 
mustacoo, que usavam, nos festins nupciaes. O dito pão era 
amassado com mosto, queijo, cominhos, erva doce, manteiga, 
raspas de loureiro e folhas de loureiro por baixo. 

Veja-se Laureola e mustaceum no Magnum Lexicon la- 
tino. Laureola, diminutivo de laurea, supra, entre os roma- 
nos significava a folhinha de louro, e também a coroa trium- 
phal. 

Do exposto se vê que os romanos estimavam muito os 
loureiros e foi talvez esse um dos motivos porque muito se 
esforçaram por obterem, como obtiveram, a posse da Lusi- 
tânia e particularmente d'este cantão de Lusitânia, chamado 
hoje Portugal, que ao tempo devia ser um bosque de lou- 
reiros, podendo denominar se Louridal ou Louriçal, pois, sen- 
do um paiz tão pequeno, tem mais de 300 povoações que 
tomaram o nome dos loureiros. 

São ellas as seguintes: todas mencionadas na Chorogra- 
phia 3Ioderna: 

Laureiro, Laurencia, Laurenciano, Lordellinho, Lordello 
(só com este nome 26 povoações); Lordemão, Loredo, Lo- 



500 TENTATIVA ETYMOLOQICO-TOPONYMICA 

reto, Loridos, Lorosos, Lorvão, Louraes, Loural, Loure, Lou- 
reda, Lourede, Louredinho, Louredo (só com este nome 48 
povoações) ; Louredos, Loureira (só com este nome 14 povoa- 
ções); Loureiro e Loureira (só com estes dois nomes 80 po- 
voações); Lourel, Lourença, Loureucinho, Lourenço, Lou- 
renços, Lourentim, Loures, Louriçal, Louriceira (só com este 
nome 14 povoações); Louridal, Lourido, Louridos, Louril, 
Lourim, Lourinha, Lourinhã, Lourinhal, Lourinhos, Louriz, 
Lourizella, Louro, Louros, Lourosa (15 povoações só com 
este nome) ; Lourozella, Louroso, Luriz e Luro, diapasão 
fraucez de Louriz e Louro. Só com os nomes de Lordello, 
Louredo, Loureira, Loureiro e Loureiros, — Louriceira e Lou- 
rosa — 197 povoações e ao todo talvez mais de 300, como já 
dissemos. 

Os loureiros são expontâneos em varias regiões do nosso 
paiz, como os fentos, fectos, feitos ou fieitos — os cardos, os ca- 
dernos ou codornos e os soromenhos, pereiras bravas, — o tojo, 
ervodos ou medronheiros, carvalhos, sobreiros, azinheiras, etc. 
pelo que muitas povoações que tomaram o nome das ditas 
plantas ja vêem dos tempos pre-romanos. Mas que nomes lhes 
dariam os povos anteriores aos romanos? Não sabemos. Ape- 
nas conhecemos as ditas povoações pelos nomes actuaes, to- 
dos afinados pelo diapasão latino ou do povo-rei. 

Contam, pois, algumas das ditas povoações mais de 
'2:000 annos, pelo que os nomes d'ellas com o volver dos sé. 
culos soffreram taes modificações que em alguns d'elles só 
com uma lente d'arte nova superior à minha, forjada por mim 
a martello, se podem distinguir as ditas plantas. 

Os profanos, embora muito illustrados, certamente não 
vêem os loureiros em Lorvão, Luris, Luro, etc, mas nós là va- 
mos e com o auxilio da minha rude lente certamente os verão. 
Laureiro é a forma anterior de loureiro, pois loureiro 
vem do latim laurus, i, que na Hespanha deu lauro e loro, 
e em portuguez loureiro e louro. Também Maurus na Hes- 
panha deu Moro e em portuguez Mouro ; taurus na Hespa- 
nha deu toro e em portuguez touro, etc. 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 501 

Laurencia — pôde vir directamente do latim Laurentia 
— Lourença, nome de mulher, feminino de Lourenço, — ou de 
Laurentia, villa — granja, quinta ou casa de campo de Lau- 
rentius — Lourenço_, nome d'um santo, etc, como Regulus, 
Regulo, antigo nome romano e nome d'um santo, deu Regula, 
villa — hoje a formosa villa da Régoa. 

Laurenciano — vem do latim, Laurentianus, Laurenciano, 
diminutivo de Laurentius — Lourenço, como Laurentinus, i, 
Laurentino que deu Lourentim, povoação nossa também, 
mencionada infra. 

Laurentius — Lourenço, deu Lourenciana^ Lourenciano, 
Lourentina e Lourentino, como Florentius — Florêncio, deu 
Florencia, Florenciana, Florenciano^ Florentina e Florentino, 
nomes de santos, etc. 

Laurentius^ Laurentianus e Laurentinus, como jà disse- 
mos, vem do latim laurentes ou laurentini — oriundos ou fi- 
lhos de Laurentum — Laurento, antigo nome d'uma cidade 
da Itália, na Campania, nome que tomou talvez do latim 
lauretum, louredo ou loreto, quasi Laurentum ou Lourento. 

Loreto, povoação nossa, vem do latim lauretum, bosque 
de loureiros, Louridal ou Louriçal, que deu também Loredo 
ou Louredo e Louredos. 

Lordello vem do baixo latim lauretellum, diminutivo 
de lauretum^ i, supra, que deu Loredo e Louredo, como jà 
dissemos. 

Lordello é, pois, contracção de Loredello, diminutivo de 
Loredo, o mesmo que Louredo e Loreto, do latim lauretum ; 
mas também Loredo e Louredo podem ser contracção de 
loreiredo e loureiredo. Note-se que em Portugal o povo diz 
lóreiro em vez de loureiro, cuja forma anterior, como jà 
dissemos, foi laureiro. 

O provinoianismo lóreiro pertence, pois, à grande série 
de vocábulos portuguezes e nomes de povoações portuguezas^ 
afinadas pelo diapasão francez, em que au valle ó. Ainda 
hoje em Portugal o povo trivialmente diz: ó escurecer, ó 
amanhecer, ó meio dia, eto., em vez de dizer: ao meio, ao 



502 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

amanhecer, etc, e é trivial entre nós a locução: diz ó meu 
criado, ó meu caixeiro, (') meu irmão, etc, em vez de dizer: 
ao meu criado, ao meu caixeiro, ao meu irmão, etc, e note-se 
c|ue em portuguez ao soa au. Aqui temos nós o diapasão 
francez mi soando ó. 

Também na onomástica portngueza se encontra o dia- 
paiíão francez em por im, como Alpoim e Alpoem por Al- 
poim, povoações nossas, Agostem por Agostim, o mesmo que 
Agostinho, etc. 

Também entre nós antigamente, como ainda hoje em 
algumas províncias da França, o r depois de p, t e d era 
forte e soava rr. Assim em umas inquirições da villa d'Are- 
gos, mandadas fazer por um dos nossos reis no século xiir, 
se diz que o juiz inquiridor, depois de chamar certo numero 
de homens bons da villa, chamou também, na forma do es- 
tylo o parocho da freguezia de Anreade, concelho dn Re- 
zende, a que já então pertencia e ainda hoje pertence a po- 
voação d'Aregos, que foi villa muito considerada mas não 
freguezia. E no texto das taes inquirições o parocho de An- 
reade é denominado no latim bárbaro da época — Pontifex 
Amlreadi, parocho de Anreade. Andreadi lia-se, pois, An- 
drreadi! Eis aqui um bello espécimen do diapasão francez na 
onomástica portngueza — e posta em evidencia a nebulosa 
etyraologia de Anreade. 

De passagem direi que a povoação da villa, hoje Caldas 
d'Aregos, tomou o nome do antigo portuguez arenecos — 
areiinhos, pois demora na margem esquerda do Douro que 
ftrma um grande areal junto d'Aregos. A villa era e é divi- 
dida por um ribeiro que vem lá da serra e a corra aproxi- 
madamente a meio. A parte da margem direita, onde esta- 
vam os paços do concelho o um castello, pertencia e per- 
tence á freguezia da Anreade, como já dissemos; a parte da 
margem esquerda, onde está o estabelecimento thermal, per- 
tence a Miomães, outra freguezia de Rezende, que tomou o 
nome de Mumianis, patronímico de Mumianus, i, Mumiano, 



TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 503 

diminutivo de Mnmius — Miiraio, antigo nome pessoal. Mio- 
mães é, pois, metathese de Mumianis, 

Cito de memoria, por não ter á mão o verbete próprio, 
mas julgo que não me engano. Ainda direi que Andreadi é 
patronimico de Andreaes, ae, cujo patronimico foi Andrea- 
dis, nomo grego, que entre n<5s deu André, nome d'um santo, 
Andrade, appellido, e na Hespanha, Santander por Santandré 
— Santo André, cidade importante. 

Veja-se o longo tópico Diapasão francez, na 2.a parte 
d'esta minha louca Tentativa Efi/mòlogica, pag. 27õ e 294- 

Prosigamos. 

Lordeilinho — é diminutivo do Lordello e subdiminutivo 
de Loreto, Loredo e Louredo. 

Loridos é plural de Lorido, o mesmo que Loredo, pois 
na onomástica portugueza as desinências ido e edo, confun- 
diram-se, como em Carvalhedo e Carvalhido, Azevedo e 
Azevido, Roboredo e E-obuido, o mesmo que Roborido, etc. 

Veja-se o longo tópico Desinências... nos Índices da 1.^ 
e 2. a partes da minha louca Tentatioa Etymologica, supra. 

Lorosos — é o mesmo que Lourosos. Veja-se Lourosa, 
Louroso, Lourizella e Lourozella, infra. 

Lorvão —pôde vir de laurns vanus — loureiro já oco, vão, 
com o tronco esburacado, carcomido, por ser muito velho, 
muito antigo. 

Também Lorvão por Lorbão pôde ser uma forma de 
Lormão, tirada de laurns manus por laurus magnus, (?) lou- 
reiro grande? 

Confronte-se Lordemão, povoação nossa também, que 
por certo corresponde a Lordemanos, povoação da Hespanha. 
Uma e outra podem vir de laurus magma ou de Lorede ou 
Loredos magnos — grandes. Por seu turno Lordemão podia 
dar Lormão, Lorbão e Lorvão, pois na onomástica portugueza 
ma, ha e vá confundiram-se. 

Veja-se o meu citado tópico — Substituição de letras, 
supra. Também Lormão e Lormanos podem ser formas de 
Normando e Normandos, pois l e n trivialmente se confun- 



504 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

diram na onomástica portugueza — e a etynaologia de Nor- 
mando é Nort -f mann, Norraaiio — homem do Norte, de que 
os romanos fizeram Normania, hojo Normandia, porque o d 
é letra caprichosa. Também Lorvão pôde vir de Norbanus — 
Norbão ou Norbao, nome ou cognome romano do cônsul 
Cayo Norbano^ etc. Fiat lux. 

Os leitores não estranhem o propor differentes etymo- 
logias para Lorvão, porque em assumptos de tal ordem não 
ha precisão mathematica e os sábios etymologistas írancezes 
por vozes propõem três e mais etymologias para o nome 
d'uma povoação. 

Louraes e Loural são contracções de Loureiraes e Lou- 
reiral. 

Loure e Lourede são o mesmo que Louro e Louredo, 
porque as desinências e e o trivialmente se confundiram na 
onomástica portugueza. Confronte-se Murtede, o mesmo que 
murtedo e Murtosa, como Lourede e Lourosa, etc. 

Loureda — é o mesmo que Lourede e Louredo. 

Loureira é o mesmo que Loureiro, como Castanheira e 
Castanheiro, Pereira e Pereiro, Sobreira e Sobreiro, etc. 
povoações nossas também. 

Lourel e Louril — são formas de Lourel supra, pois na 
onomástica portugueza confundiram-se as desinências eZ, il, 
ai e ar ^ 

Cf Cabril e Cabral, Mourel, Mouril e Moural, etc, 
povoações nossas — e veja-se o meu citado tópico — Desinên- 
cias. . . 

Lourença, Lourencinho, Lourenço, Lourenços e Lou- 
rentim. Veja-se Laurencia e Laurenciano, .supra. 

Loures. — Veja se Loure, supra. 

Louriceira — vem claramente de Loureira — e deu Lou- 
riçal por Louriceiral, o mesmo que Lourel, Louril e Loural. 



^ Confronte-se Avelar e Avellal; Marmelar e Marmelal, etc. povoa- 
ções nossas. 



TÍJNTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 505 

Lourido e Louridos — são formas de Louredo e Loure- 
dos. Veja-se o tópico Loridos, supra, 

Louridal — pôde vir de Lourido ou de Louriçal, pois na 
onomástica portugueza ça e da confundiram-se e substituiram- 
se. Confrontese Cortegaça e Cortegada, povoações nossas, e 
veja-se o meu longo tópico — Substituição de letras^ supra 
mencionado. 

Lourim é uma forma de Lourinho, o mesmo que lourei- 
rinho. Confronte-se Agostem por Agostim e Agostinho, — 
Martim por Martinho, Ferreirim e Ferreirinho, Godim e 
Godinho, etc. 

Lourinha, é contracção de Loureirinha, diminutivo de 
Loureira, supra. 

Lourinhã — vem do baixo latim louriniana, abundante 
em louros ou loureiros e recorda Campanhã e Campeã, que 
tomaram o nome do baixo latim campaniana por camponiana 
ou campiniana — abundante em campos ou campinas, taes 
são : Campanhã, bella fregaezia do aro do Porto, e Campeã, 
freguezia que demora no alto do Marão em uma grande 
campina que eu já visitei e lembra a cratera d'um vulcão 
extincto. 

Lourinhal — é o mesmo que Lourinhã, Louriçal e Lou- 
ridal. — Lourinhos é o mesmo que loureirinhos. 

Louriz — ó plural de Louril, como Cabris, plural de 
Cabril, Mouriz de Mouril, Carris de Carril, etc, povoações 
nossas. 

Lourizella e Lourozella — são formas do mesmo nome e 
diminutivos de Lourosa, contracção de Loureirosa, abun- 
dante em loureiros. 

Louro e Louros — vêem do latim laurus, — loureiro. 

Louroso — é o mesmo que Lourosa, supra. 

Luriz — é diapasão francez de Louriz, supra. 

Finalmente, Luro é também diapasão francez de Louro^ 
pois, como todos sabem, ou em francez lê-se u. 

Veja-se o meu longo tópico Diapasão francez, indicado 
supra. 



506 TENTATIVA ETYMOLOOIGO-TOPONYMICA 

Na Hespanba também ha muitas povoações que toma- 
ram o nome dos loureiros, era castelhano lauros e loros. Taes 
são as seguintes, todas mencionadas na Geografia general 
de Espanha. 

Loreda e Loredo, em Oviedo, Santander e Viscaya ; 
Lordelo, em Pontevedra; Lordemanos, em Leão; Lorenzana, 
em Lugo; Lores, em Oviedo, Pontevedra e Palencia; Loreto, 
em Saragoça e Sevilha; Loriana, em Oviedo; Lorilla (sôa 
Lorilha) em Burgos; Lorio, em Oviedo; Lorona, em Huesca. 

De passagem diremos que Lorona sôa Loronha e deu 
talvez Noronha, aldeia e appellido nossos, pois na onomás- 
tica portugueza l e n trivialmente se confundiram. Veja-se o 
meu longo tópico — Substituição de letras^ indicado supra. 

Somma e segue. 

Loroni, em Oviedo; Lorono, na Viscaya; Loros, em 
Ávila; Loural, Loureda, Louredo, Loureiro e Loureiros, na 
Galliza, irmã gémea de Portugal, pois são claramente por- 
tuguezes os nomes d'estas ultimas cinco povoações. Também 
Lordelo supra é claramente o Lordello portuguez, mas na 
Galliza escrevem Lordelo, pois Lordello pelo diapasão leonez 
e castelhano soaria Lordelho, 

Prosigamos. 

Lourenza, Lourezes, Loureza, Lourido, Lourina, Lou- 
rifio e Louro — também na Galliza ; Llor, Llora, Lloraza, 
Llordal, Llordon, Lloreda, Lloredo, Llorens, Lloret, Llo- 
rito, Llorreda por Lloreda? e Lloural, em Lerida, Gerona, 
Tarragona, Oviedo, Santander, Baleures, etc. 

Desculpem os nossos bons visinhos o bater-lhes á porta, 
pois também já é tempo de acordarem e de investigarem a 
et3'^mologia das suas povoações, estudo até hoje tão descura- 
do também na Hespanha, sendo tão antigo na França. 

NoNesse ohlige — e hurrah! pelos loureiros!. . . 

Como já disse, Lordello vem de Loredello por Loure- 
dello, diminutivo de Louredo, contracção de loureiredo, — 
bosque ou matta de loureiros, — embora em algumas das 
nossas muitas povoações que temos com o nome de Lordello 



TENTATIVA ETYMOLOGtlCO-TOPONYMTCA 507 

não se lobriguem hoje os loureiros, por serem arvores que 
pouco ou nada rendem e terem desapparecido com o pro- 
gresso da nossa agricultura. 

Mas em Lordello do Ouro, freguezia do aro do Porto, 
muito povoada e muito bom agricultada, ainda hoje se vêem 
massiços de loureiros. Pôde lá ver-se, como eu já vi, um na 
rua d^ Serralves, lado norte, indo da matriz parochial para 
a Fonte da Moura, Aldoar e Mattosinhos. 

A pequena distancia da fabrica de lanifícios de Lordello, 
sobe da dita rua para o lado norte ou da rua da Boavista, 
uma estrada carreteira cVancien regime. Corta ella um campo 
que demora em chão superior á dita rua de Serralves e serve 
de supporte á fundagem do dito campo um massiço de lou- 
reiros, faceando com esta ultima rua e com a mencionada 
travessa ou estrada carreteira. 

Eu vi muitas vezes o tal massiço de loureiros espon- 
tâneos, quando ia visitar o meu bom amigo e benemérito 
antecessor Pinho Leal, que viveu alguns annos e falleceu 
na dita rua de Serralves, em 2 de Janeiro de 1884, e talvez 
que em outros sitios da mencionada parochia de Lordello 
do Ouro se encontrem ainda hoje mais loureiros espontâneos. 

Com vista aos filhos da dita parochia e ao meu bom 
e velho amigo, Eduardo Velloso d' Araújo, que vive na sua 
formosa Villa Eva, freguezia de S. Thiago de Lordello, con- 
celho de Guimarães, a pequena distancia da grande fabrica 
de Negrellos, hoje a nossa primeira fabrica de fiação e te- 
cidos d'algodão, da qual é um dos compartes, sendo também 
accionista e director da fabrica de Lordello do Ouro, supry, 
pelo que pôde ter visto muitas vezes o tal massiço de lou- 
reiros expontâneos, na ida do Porto para a fabrica e vice- 
versa. Mas talvez que ainda os não visse, por fazer a viagem 
sempre de trem*e não estar prevenido. 

Por ultimo direi que S. Ex.* foi muito feliz na escolha 
do local e do risco para a sua formosa Villa Eva, e não me- 
nos feliz na escolha do nome d'ella, pois Villa Eva é o pro. 



508 TENTATIVA ETYMOLOGICO-TOPONYMICA 

prio nome d'elle, formado pelas iniciaes E V A — Eduardo 
Velloso d'Araujo. 

Eu disse que os loureiros em Portugal, pouco ou nada 
rendem. Apenas se exporta a folha d'elles para o Brazil, de- 
pois de sêcca, e, segundo me consta, ahi se vende bem, 
por não haver loureiros no Brazil e por ser muito numerosa 
na vasta confederação brazileira a colónia portugueza, que 
muito estima as folhas do loureiro para temperar a comida. 
E para os portuguezes lá residentes devem ter um sabor par- 
ticular, porque lhes avivam a lembrança de Portugal. 



\— -y, I^lm, a.o III © liLltirao •vol-u.r».© OC::^ 



índice: 



^ 


A 


Pag. 


Albergarias 
Alberto . . 
Alcalva. 






• . 


Pag. 

272 
369 
185 


Aboadela . 




182 


Acobaça . . 








185 


Abobleira . 




182 


Alcochete - 






185 £ 


: 484 


Abranches. 




182 


Alconilhes. 








186 


Abrão . . 




482 


Alcorochel. . 








186 


Abeção . 




182 


Aldarete . 








186 


Abitureira . 




182 


Aldegondes 








264 


Aborim 




435 


Aldeia . . 








439 


Adarnal. . 




183 


Aldolva . . 








186 


A de . . 


. . . 432 e 


433 


Aldova. 








368 


A por Al . 


. . . 433 e 


434 


Aldrigo 








186 


Adaúfa . . 





368 


Alem . . 






307 < 


i 443 


Adaúfe. 


156, 257, 258 e 


432 


Alemcarça . 








114 


Adaval . . 


. . . 147 e 


432 


Aleintcm . 








. 187 


Adefroia . 




371 


Alfaião 








187 


Adelaide . 




369 


Alfeite . . 








187 


Adelfo . . 




370 


Alfena . 








. 187 


Adeodato . 




370 


Alforrulo . 








. 187 


Adjuto . . 




370 


Alfredo 








. 383 


Adôa . 




370 


Algodres . 






. 188 


e 264 


Adolpho, 156,258, 368,369 e 


432 


Algoso . . 








. 188 


Adonela . 




427 


Algramassa 








. 188 


Adorigo . 


. . . 183 e 


371 


Alijó . . 






188 


e 424 


Adosinda . 


• • . • • 


373 


Aljustrel . 








. 188 


Adoufe. 




368 


Almaceda . 








. 188 


Afeitai . . 


. . . 184 e 


427 


Almalaguez 








. 425 


Aféreses . 





28 


Almelaguez 








. 188 


Affonsim . 





184 


Almodovár 








. 189 


Agodim 


. 


427 


Almoster . 








. 189 


Agostem . 


• • • • • 


427 


Alpalhão . 








. 189 


Agrellos . 


, , . , , 


184 


Alporxim . 








. 189 


Agro . . 




184 


Alprajares . 






. 161 


e 326 


Aguiar . 




378 


Alquêtes . 






. 189 


e 476 


Aiala . . 




184 


Alter . . 








. 189 


Aido . . 


. . . 404 a 


418 


Alva . . 






. 189 


e 266 


Ajuda . 




370 


Alvaiázere . 








. 190 


At . . . 





434 


Alvarenga . 






. 48 


e 330 


Alapella 


• . • . 


458 


Alvargizes . 






. 


. 190 


Albano. 





185 


Alvariz. . 






. 


. 190 


Albardo . 


• • • • • 


185 


Alvellos . 








. 190 



510 



Alvem 

Alvim 

Alvite .... . . 

Alvre . 

Amandes 

Ameda 

Amonde 

Amorim . 192, 213, 422 e 

Amjiiada 

Analphabetismo e deturpa- 
ção da linguagem. 94 e 

Ancede 

Anciães 

Ancora 

Andaluz 

Andrade . . 330, 340 c 

André 300 e 

Andrezes 

Andrizes 

Angorez, 121, 122, 193, 480 e 

Anhel 

Anissó 

Anquião 

Anrcade, . 304, 330, 502 e 

Ansnr 

Anta 

Antanhol 

Antiga navegação do Douro 

Antunliães 

Apúlia 422 e 

Árabe (vestígios do) . 

Aravor . r 

Arco de Baúlhe .... 
Arcossó .... 48 e 
Arcozello . . . . 48 e 

Arda 

Ardada, etc. 

Arêdes 

Aregos 330 e 

Areosa 

Arganil . . . . 195 e 

Argimiro 

Argivai 

Argoncilhe . . 48, 196 e 

Ârgozello 

Argufe 196 e 

Ariques 

Arjona . 

Arménia e Ancira (ruas) 447 e 

Armental 

Armil 

Arnado 48 e 

Arnal 196 e 



ÍNDICE 






Pag. 






rag. 


191 


Arneiros . 


. 


49 


191 


Amellas 




148 


190 


Arneqninlia . 




196 


380 


Arnoia . . . . 




330 


191 


Arnoso. 


. 48 e 


431 


191 


Aroal . . . . 




196 


192 


Aronha 


• • • 


197 


433 


Aroso . , . . 




331 


192 


Arraiolos . . . 




197 




Arranhadouro. . 


. 93 a 


96 


95 


Arranhar . 




97 


192 


Arranho . 




93 


192 


ArrayoUos 




49 


193 


Arredonda. . . 




197 


193 


Arregaça . 




429 


503 


Arrojello . . . 




198 


340 


Arunce. 




198 


300 


Arvore gigante . 




208 


300 


Asseiceira . 


. 49 e 


198 


481 


Assilhô. . . . 




199 


342 


Assimadas. 




429 


193 


Assomadas 


. 199 e 


429 


193 


Astroga . . . 


• • 


431 


503 


Astromil . . . 


. m 


382 


193 


Asturianos. . . 


• 9 


431 


193 


Astúrias 




431 


194 


Atahide . . . 




199 


327 


Ataia .... 


. 


199 


194 


Ataíde .... 


• * 


386 


458 


Atalaia .... 


. 61 e 


62 


484 


Atrozella . . . 




200 


325 


Auderigo . . . 


. 373 e- 


374 


471 


Aveçào. . . . 




200 


381 


Avelames . . . 


. • 


125 


381 


Avellada . 




200 


494 


A Ver Mar . . 




436 


194 


Avidagos , 


. 200 e 


430 


195 


Avinho. 




430 


502 


Avintes 




201 


431 


Avô .... 




201 


312 


Azares .... 


, , , 


441 


312 


Azavel .... 




430 


440 


Azebal. . . . 




430 


381 


Azebral 




201 


381 


Azenhol . 


. . 


201 


258 


Azere .... 




201 


196 


Azevedo . 




201 


196 


Azurara 


. 202 e 


431 


448 








196 








196 








196 








431 









ÍNDICE 



511 



Babe . 

Bacalar. 

Badini . 

Bagaúsle 

Bairros . 

Balancho 

Balazar. 

Balça . 

Balde . 

Balderic 

Baldomero 

Baldos . 

Balicete. 

Balsemão 

Baltar . 

Báltico . 

Bamonde 

Bandalhão 

Barbeita 

Barcarena 

Barccllos 

Barcelona 

Barcos 

Barreiros 

Barrozende 

Barturim 

Bastida . 

Basto . 

Batalha d'Ouri 

Batalhoz 

Baúlhe . 

Beça 

Beduido 

Beire . 

Beiriz . 

Beiro . 

Belãcs . 

Bellazainia 

Belino . 

Bemdado 

Bemfins 

Bemmonis 

Bemposta 

Bem-que-fede 

Bem Sarilho 

Bemvende . 

Bem Vides. 

Benafatema 

Benafavaes. 

Benafins . 



207, 



205 



150 



207 c 
221 e 



qne 



52 e 
124 ê 









Pag. 




Benagaia . 




213 




Benavente . . 


". '. Í19 ê 


213 


Pag. 


Bencatel 




214 


202 


Benevente . 




350 


202 


Bensafrim . . 


'. '. 214 ê 


486 


203 


Bensaúde . 




369 


203 


Bensimon . . 




214 


390 


Bente . . . 




214 


204 


Berganção . 




214 


441 


Bergieira • 




214 


217 


Berlinda . . 




12 


204 


Bermil . 




214 


186 


Bernaldo . 




215 


383 


Berredo 




215 


383 


Bertiande . 




215 


205 


Bertiandos. 




125 


205 


Bertufe. 




258 


383 


Bestança . 




216 


217 


Besteiros . 


'. '. 216 è 


394 


206 


Bezelga 




216 


206 


Biscaia . . 




216 


206 


Bitarães 


. ' 216, 424 è 


486 


486 


Bitoure. . 




424 


207 


Bitureira . 




425 


420 


Bivar . 




362 


222 


Bodo . . 




390 


109 


Bogadella . 




216 


209 


Bolbngão . 




217 


209 


Bolhão . . 




218 


209 


Borba . 




218 


209 


Bordonhos. 




218 


261 


Borja . . 




219 


210 


Bornes . 


'. '. '. 219 ê 


390 


210 


Botelho . 




219 


i90 


Bouça . 




216 


210 


Boucinha . 




439 


387 


Bouzende . 


'. '219, 373 è 


374 


444 


Brailhe . 




220 


210 


Bramào 




220 


211 


Brancelhe . 




220 


211 


Brandão . 


." .' 220 ê 


381 


153 


Brandião . 


. 220, 372 e 


381 


370 


Brandim . 




381 


211 


Brandinhaes 


'. '. ". 220 è 


381 


211 


Brantaes . 




220 


212 


Brêa . . 


'. '. '. 220 è 


390 


212 


Bretiande . 




125 


212 


Bribáo . 





221 


212 


Brinhola . 




53 


350 


Brisso e Brissc 




221 


213 


Brito . . 


. '. *. 125 e 


215 


213 


Brofe . . 




221 


213 


Bronhido . 





221 



512 


índice 










Pag. 


■ 




Pag. 


Bruço .... 


... 426 


Cahide . . . 




386 


Brufe .... 


. . . 221 


Cajorge . . 


. 


129 


Brunliaes . . . 


... 221 


Calabouço . 




13<1 


Brunhal . . . 


. . . 191 


Calaceiro . 




130 


Brunhaxos. 


. . . 161 


Caleira . 




130 


Brunhoz . 


. . . 221 


Calhamaço. . 




472 


Brussó .... 


... 426 


Calhariz . . 




360 


Bruzende . . . 


221 


Calheiros . 


. ". 227 ( 


; 228 


Buarcos 


! '. '. 221 


Calidónio 


. 


228 


Buçaqueira 


... 222 


Calva . . . 




228 


Bucellas 


... 222 


Cal vão . . . 




113 


Bugalheira. . . 


... 96 


Calvos . 




440 


Buiça .... 


. . . 161 


Camanho . 




228 


Bulia .... 


. . . 217 


Cambedo . 




229 


Bunheira . 


... 222 


Cambezes . 




229 


Burgães 


... 222 


Cambiaço . 


". '. 229 e 472 


Burgete . . . 


... 222 


Cambra . . 


. 


66 


Burgo .... 


. . . 222 


Cambres, 96, ( 


)7, 229, 400 ( 


t 482 


Buriz .... 


... 223 


Camões 




130 


Bussaco . . , 


. . . 222 


Campanhã. 


*229, 230 e 505 


Buttes Chauinont. 


... 223 


Campanlió. 


. . 54 { 


; 230 


Buxalme . , . 


. . . 161 


Campeã 
Campo Velho. 


. . 229 ( 


i 505 
139 


C 




Canameiras 




472 




Canavezes . 


145, 229 


2 472 






Candal . 


. . 230 


2 234 


C e S confundirani-Se . . 103 


Candemil . 


232, 360 


í 401 


m .... 113, 145 e 223 


Candieira . 




. 231 


ca na onomástica hespanhola 146 


Canellas . 






231 


Cabadouso . . 


. . . 223 


Canha . 






. 232 


Cabedello . 


... 223 


Canhado . 






. 161 


Cabcdo . . . 


... 224 


Canidello . 






. 232 


Cabeleiras . 


. . . 125 


Cantanhede 






. 233 


Cabencas . . . 


. . 224 


Cantim. 






. 233 


Cabiçalva . . . 


... 224 


Capareira . 






. 233 


Cabrito. 


... 125 


Capitel. 






. 346 


Caçães .... 


... 125 


Capote . 






. 131 


Caceira. 


... 125 


Carambola 


. - . 




. 133 


Cacella. . . 1 


26, 161 e 224 


Caramella . 






. 133 


Cachadoufe 


... 225 


Caramoxel. 






. 161 


Cachatnorra . 


... 126 


Carámos 






. 133 


Cacheina . 


... 225 


Caramuja . 






. 438 


Cacilhas . 125, 1 


61, 224 e 225 


Caramulo . 






. 133 


Cadarroeira . . 


... 126 


Carapalha . 






. 234 


Cadavaes . 


... 225 


Carapeços . 






. 234 


Cadeirão . 


... 127 


Carapinha . 






. 131 


Cadilhe ... 


... 436 


Cardaes 






. 234 


Cadoeira . 


. . . 129 


Cardunhal. 






. 161 


Cadorneiro 


. • . 226 


Carquere . 






. 236 


Cadouços . 


... 223 


Carrajola . 






54 


Caeiro .... 


... 129 


Carral . . 






. 134 


Caetano 


... 226 


Carrapata . 






. 236 


Cagarraz . . . 


... 129 


Carrasca . 


*. 'l34, 2 


36 


e 251 



índice 



513 



Carrascal . 
Carrasola . 
Carrasqueira . 
Carraxana . 
Carrazeda . 
Carrazedo . 
Carregal . 
Carregosa . 
Carriça. 

Carriche . . . 
Carrola. 

Carroqueiro . . 
Cartem. 
Cartem il . 
Cariijc .... 
Carvalha . 
Carvalhosa 
Carviçaes . 
Carvoal 

Cas 

Casa da Capella . 
Casa da Longra . 
Casaes .... 
Casalão 

Casal de Benzendos 
Casal do Criz. 
Casal Dasco . 
Casal das Rinas . 
Casaldate . 
Casal de Serquidello 
Casal do Secorio . 
Casal d'Ouzende . 
Casal Dona 
Casal Dronho. 
Casal Jusam . 
Casaleixo . . . , 
Casal Mendinho . 
Casal Teiro 
Casarolas . . . , 
Casas . . . , 
Casas circulares 
Casas de Azibreira , 
Casa Vedra . . . 
Casbarra . . . . 
Cascaes . . . . 

Cascão 

Casevel . . . . 
Casilho. . . . , 
Casimiro . . . . 
Casqueira . . . , 
Cassapos . . . . 
Cassilheira. . . . 
Cassima . . . . 



Pag. Pag. 

236 e 237 Cassurrães 250 

. . 135 Castaide 250 

135 e 251 Castainça 250 

237 Castanheiro do Salvado . . 481 

. . 237 Castanheiros . , . . . 250 

. . 237 Castellãos 402 

. . 237 Castello e Castendo . 71 e 401 

. . 467 Castilhão 253 

. . 238 Castrello 253 

. . 238 Castro 253 e 402 

135 Castro Laboreiro .... 253 

135 e 136 Catarata do Salto da Pan- 

. . 238 deira 326 

. . 239 Calarredo 254 

. . 239 Catarroeira 254 

239 e 24U Catem 254 

. . 241 Cateosa 254 

. . 241 Cathejal 254 

. . 241 Catojal 144 

. . 247 Catraia 254 

. . 473 Catrapal 254 

. . 246 Cavalhão 255 

. . 141 Cavalum 255 

142 Cavanca 255 

. . 242 Caveirós 255 

. . 243 Cavez ... 145, '^55 e 472 

. . 242 Cavieiros 289 

. . 242 Caxias 161 e 224 

. . 242 Caya 255 

. . 243 Cazegas 255 

. . 243 Cazeias 487 

, , 243 ce, sa, se confundiram-se , 245 

. . 243 Cebido 255 

. . 244 Cebo 255 

. . 244 Cedofeita 256 

. . 244 Cedovim 256 

. . 244 Cegôa 256 

. . 245 Ceiceira 257 

. . 246 Ceira 257 

. . 245 Cella 257 

. . 326 Celleiró 257 

. 246 Celleiroz 56 

. . 136 Cellus, cclli — na Hespanha. 42 

. . 246 Celorico 257 

. . 247 Cendufe . . . . 257 e 368 

. . 247 Centeno . . . . 258 e 305 

. . 248 Cepães 258 

. . 248 Cepeda 258 

. . 248 Cercosa 258 

. . 249 Cerdal 258 

. . 441 Cerdeira 103 

. . 250 Ceromil 259 

. . 250 Cerqueda 259 

33 



514 



índice 



Cerquida 

Cerra-bodes 

Cerrada 

Certa 

Cerva 

Cervàes 

Cervainhos 

Cête 260 e 

Cever 

Cezár 

Cezimbra 

C e D 

Ch e c 

Chà 

Chabocos 

Chadeira 

Chafé 

Chamoim 

Chanxa 261 e 

Chão d'Ourique .... 

Chapinheira 

Chapitel . . 131, 132 e 

Charam 

Charambeis 

Charrasqueira 

Charrasqueiras .... 

Chavães 

Chaves 

Chaxão 

Ché 

Chedemiam 

Cheira 

Cheires 

Cheleiros 

Chello 

Chestadiços 

Chili 

Chintoada 

Choeiro 

Chòqueiro . . . . 163 e 

Chosenda 

Choupello 

Chousa 

Choutaria ...... 

Choutoria 

Chozende 

Chrestins 

Chrestovo 

Christello 

Chupai 

Chusas 

Chypre 

Cibrão . . . 264, 290 e 



Pag. 
191 
259 
259 
259 
259 
259 
260 
402 
259 
260 
260 
135 
135 
260 
260 
260 
261 
261 
377 
261 
261 
346 
261 
261 
251 
135 
261 
261 
262 
262 
376 
262 
262 
262 
395 
262 
262 
263 
377 
263 
163 
263 
263 
263 
163 
263 
264 
264 
264 
264 
264 
290 
323 



Cid. . 

Cidadelha 

Cidro . 

Cidró . 

Cigarrinhas 

Cilho . 

Cimbres 

Cinheiros 

Cintra . 

Ciparros 

Clergueira 

Cô . . 

Coalhadas 

Coalho . 

Cobertinha 

Cobro . 

Cocanha 

Cocheca 

Cochicolla 

Cochofonis 

Cochoigo 

Cocujães 

Codal . 

Codeçal 

Coeira . 

Coenheiros 

Coensos 

Coffaro. 

Cogorno 

Cogulla 

Coidel . 

Coimbra 

Coira 

Coirual 

Coixa 

Coixo 

Coja 

Cojo 

Colmado 

Colmeosa 

Colomella 

Columbeira 

Comba 

Compostella 

Conchada 

Concubina 

Condeixa 

Condeleça 

Condezende 

Condominhas 

Congorça . 

Congosta . 

Conqueira . 



151, 293 e 



56, 265 



267 



pena. 



270 



27) 



ÍNDICE 



ol5 



Pag. 

Constance ...... 271 

Contarinho 271 

Contriz 466 

Convido 272 

Copa Cabana . . . 272 e 273 

Coqueda 274 

Cordazal 274 

Corgo 274 

Cornados ...... 274 

Corregancha 274 

Cortegaça 275 

Cortegadas 275 

Cortijada— na Hespanha. . 275 

Cortinas 276 

Cortinhola. 276 

Cortizellas 279 

Coruche 276 

Corvaceira. . . . 276 e 476 

Coscos 276 

Coselhas . . . . 161 e 276 

Cosmado 277 

Costilha . . . . 276 e 277 

Costió 277 

Coteres 445 

Coura 269 

Couraça 278 

Cova ' 278 e 438 

Covalhào 279 

Covelinhas 279 

Covello . . . . 279 e 387 

Covilhã 279 

Covo 279 

Coxigo 281 

Cramuce 281 

Crastovães 281 

Crato 282 

Cré 282 

Creixomil . . 164, 249 e 282 

Crespa 282 

Crestello 282 

Crestim 282 

Creta 283 

Cricas 283 

Crixó 164 e 283 

Crucial 283 

Crustello ...... 284 

Cruta 284 

Cruzetes l65 

Cucana 363 

Cujo ........ 285 

Cunha . 285 

Curaceiro 286 

Curadeiras 286 



Curalha 

Curceiro 

Cúria . 

Curtido 

Curtinha 

Cuscus . 

Custió . 

Custoias 

Cutena . 

Cutiàes. 

Cutifo . 

Cuvieiros 

Cuvilhào 

Cuvinhó 

Cyprcste 

Cypriano 



57 e 
57 e 



289, 323 e 



Pag. 
286 
286 
287 
287 
287 
276 
288 
288 
288 
288 
288 
289 
289 
289 
289 
425 



D 

Dabade 290 

Da Baile 290 

Dabeja . 290 

Dadas 290 

Daffóes 291 

Dalhàes 291 

Dama 292 

Damonde 150 

Dardos 292 

Darei 292 

Darnella 292 

Darque 151 e 292 

Das Correias 293 

D. Durão 302 

Decide 293 

Defesa 293 

Degrácias ...... 293 

Deilào 294 

Deiraãos 294 

Deiró 294 

Delfim 370 

Delouca 294 

Demenderes . . . 153 e 294 

Demo 295 

Deo Christe 295 

Derreada 295 

Desinências el, il, ai, con- 

fundiram-se . . 36, 37 e 38 
Desinência inho como prova 

de estima ..... 39 

Desinência ino deu inho. . 65 

Desinência olus, ola . . . 39 

Destriz • 154 



616 



ÍNDICE 



Deveza 293 e 

Diabude 

Diagares . , 

Diapasão ai, il 

Diapasão callaico. 

Diapasão em nova e velha . 

Dias . 151, 152, 253 296 e 

Diccionario do patois por- 
tuguez 

Diés . • 

Diminutivos com a desinên- 
cia y:ellas, celli . 

Diminutivos com a desinên- 
cia icho, ixe, ixo . 

Diminutivos com a desinên- 
cia olus, ola 39, 47, 51 e 

Diminutivos em ceÚus, icho, 
ito, eito, ôco, ôto, etc. . 

Diminutivos exóticos da ono- 
mástica portugueza . 

Diminutivos com a desinên- 
cia ete, eta, ito 

Diminutivos com a desinên- 
cia ico, uco .... 

Diniz 

D. José de Moura Coutinho, 
bispo de Lamego. 

Diogo . . 151, 152, 253 e 

Diogo Dias ..... 

Dobrôa 

Docim 296 e 

Dóide 

Dolmens 

Dolves 

Dolves 155 e 

Dom (tratamento). . . . 

Domingão 

Dominguizo 

Donaciana 

Donai 

Donairia 

Dona Tilia 

Donato 298 e 

Donello 

Donim 

Dordelinho 

Doroso 

Doura 

Douro 

Douro —as três melhores fre- 
guezias 

Do Vida 

Dragas 



Pag. 
380 
295 
296 
134 
158 
138 
371 

104 
170 

41 

42 

100 

41 

44 

43 

43 
296 

107 
371 
296 
296 
373 
297 
385 
358 
297 
297 
297 
297 
465 
298 
298 
465 
465 
375 
375 
299 
299 
299 
299 

482 
158 
300 



Drave 

Drizes 

D. Soeiro 

Duabellos 

Duarte 

Dume 

Duvida 157 e 



. 404 a 

127, 128 e 

58, 302 e 



58, 424 e 



Egídeo . 

Eido 

Eiras notáveis 

Eiró 

Eiró . . 

Eirogo , 

Eituró . 

Eliseu . 

Elvas . 

Engalfinhado 

Enxido . 

Erício . 

Ervidel . 

Escalhão . 

Escalheira . 

Escariz. 

Esculca. 

Escupir 

Escureda . 

Esgueira 

Espalheiros 

Esparto 

Espindo . 

Espinhosa . 

Espio . 

Espórtula . 

Esposende ou Espozende 439, 

468 e 

Estanque 

Estarreja 

Estella 446,457 a 463 e 466 a 

Estiboiral 

Estoril ..... 36 e 

Estujaes ' . 

Etymologias irrisórias . 
Etymologias de nomes de 

povoações hespanholas . 
Etymologias várias para um 

só nome . . . 332 e 
Eugé 



61 e 



73 e 



61, 62e 



Pag. 
300 
300 
302 
301 
301 
302 
158 



296 

418 

129 

390 

129 

•302 

425 

302 

302 

302 

410 

59 

303 

73 

73 

443 

63 

303 

303 

303 

165 

303 

71 

70 

72 

17 

469 
303 
304 
468 
304 
431 
165 
304 

72 

395 
165 



índice 



517 



Fagilde 

Faião 

Fào . • . . . 439 e 

Farminhão 

Farol da Foz do Douro, do 
princípio do século xvi 
451 a 

Farrapa 

Favaios .... 262 e 

Faxeiros 

Faxellas 

Feijão 304 e 

Feijó . . . . . 74 e 

Feijões em 1532 na Hespa- 
nha e em Portugal . . 

Felgueira 

Feras — abundavam antiga- 
mente em Portugal 76 e 

Ferido d'Agua 

Fernão 

Ferrão 

Ferraz 

Ferreira 

Fervença 

Fidalgos da Vandoma, Távo- 
ra e Cernache. . . . 

Figueiró 

Fijó 

Filomena 

Fixoeira 

Fojos 

Fontanaes 

Fonte Cimas . . . 165 e 

Fontellas .... 

Fontoura 

Forjães 

Forjão 

Forjaz . . . 147, 371 e 

Formas antigas dos nomes . 

Fradique .... 308 e 

Fraião 308 e 

Francoim 

Frariz 

Fredesendi 

Freguezias do Douro — as 
três melhores . 

Freiriz 308 e 

Freitas 

Freixianda 

Freixo (palácio) .... 



Pag. 
386 
187 
457 
304 



456 
304 
304 
304 
304 
305 
305 

305 
427 

77 
387 
305 
305 
305 

69 
306 

489 
424 
74 
306 
165 
438 
375 
374 
154 
299 
147 
445 
432 
141 
382 
445 
308 
303 
305 

482 
382 
308 
469 
489 



Pag. 

Frende 309 

Friães 309 

Friande 309 

Froia 371 

Frontelheiro 309 

Fuschini 309 



G — caindo 

Gadanha 

Gadixe . 

Gado . 

Gaiola , 

Galvão . 

Galandim 

Galhardo 

Galifonxe 

Galvão . 

Gandara 

Gandra, 

Qandufe 

Gardaes 

Gardinhos 

Gassamar 

Gatians 

Gávea . 

Gavião . 

Gaviarras 

Gavicho 

Gavim . 

Gavinho 

Gaviôa . 

Gazalha 

gé deu gué 

Geni 

Gémeos 

Gemunde 

Gende . 

Gerez . 

Germanello 

Germanellos 

Germil . 

Germunde 

Gestaço 

gi deu gui 

Gil . . 

Gitano . 

Giz . 

Gomares 

Gomariz 

Gonçalo 



298 



436 e 



309 e 
110 e 



264 



309, 31 



11 



471 
474 
402 
487 

75 
289 
112 
161 
310 
113 

81 

82 
310 
311 
441 
166 
288 
279 
145 

78 
474 
309 
474 

77 
355 

83 
311 
311 
311 
311 
262 
312 
386 
312 
312 
472 

83 
296 
313 
313 
384 
383 
313 



518 



ÍNDICE 



Gondezende ..... 
Gondifellos . . . 264 e 
Gondivae .... 264 e 
Gondomar. . . . 360 e 

Gondufe 

Gontijas , 

Gontije 

Goodolphim 

Gordo 

Goujoim 

Gouveães 

Gouveia 

Gouvinhas 

Gouxa 

Gouxo 

Coveiras 

Gozendo 

Gozundeira 

Gramacho . . . . 281 e 

Grandela ...... 

Grândola e Grândola 

Granjola 

Grijó 

Grimancellos 

Grova 281 e 

Gualdim 

Gualdino .... 315 e 

Guardinhos 

■ Guediche .... 436 e 
Gueirinho 



Guilhabreu 
Guilhafonce 
Guilherme . 
Guilhovai . 
Guilhufe . 
Guimarães . 
Guimarei . 
Guindaes . 
Guissoi . . 
Guistola . 
Guizandaria 
Guizande . 
Gulpilhares 
Gund . 
Gundericus 
Qyssa . 



310 e 



362 e 
258 e 



167 e 



H 



Henrique . 
Herminios 
Hospício . 



316 e 



Pag. 
263 
313 
313 
4ol 
258 
313 
313 
313 
313 
375 
280 
280 
280 
314 
314 
280 
263 
315 
472 
80 
79 
82 
83 
315 
315 
383 
383 
441 
473 
315 
351 
316 
310 
383 
310 
310 
316 
376 
316 
83 
315 
310 
35 
264 
466 
.316 



316 
316 
317 



Pag, 

Hucho 167 

Hungria 340 



Icho 

icho e inho confundiram-se . 

Idanha 

Ildefonso 

Ilhô 

Insua 83 e 

Insuella 

Irijo e Irijó 

Irmensil 



Jacob 152 e 

Jácome 152 e 

Jacques 

Jacynto 

Jallares 

Jalles 319 e 

Jan 

Jancido 

Jarmello 

. . . 152 e 



Jayme 
Jeguintes 
Jesufrei. 
Joaves . 
Jou . . 
Jubal . 
Juhia . 
Juncaveio 
Juvandes 
Juvencio 



319 e 



Laborim . 
Labrujó 
Lacaio . . 
Lacerda 
Lajó e Lajós 
Lalim . 
Lamego 
Lampaças . 
Landeira 
Landim 
Larim . 



253 e 



320 e 



\t>7 

79 

313 

317 

83 

395 

395 

59 

317 



253 
371 
152 
282 
317 
390 
424 
423 
312 
371 
282 
351 
319 
84 
319 
319 
319 
319 
319 



254 

84 

85 

70 

85 

487 

400 

320 

393 

435 

320 



índice 



619 



Pag. 

Laundos . . 464, 469 e 470 

Laureado 499 

Laurentim 498 

Laurentino 501 

Lavandeira 320 

Lavegada 32C 

Laves 320 

Lazarim 441 

Leiró 85 

Lemos 320 

Leomil 360 

Lerdeira 320 

Levegada 320 

Lindolpho 460 

Linho e Linhou .... 84 

Lisboa 321 

Lista das povoações que to- 
maram o nome dos valles 33 

Lobagueira 321 , 

Lobasim 321 

Lobrigos 321 

Lobió 86 

Loivo 86 

Loivos 321 

Lomar . . . . . . . 360 

Lombresinho 168 

Longa 291 

Lordêlo. . . 498, 501 e 506 

Lorcto 501 

Lorjó 86 

Lorvão 503 e 504 

Louredo 498 

Lourenço 498 

Louriçal 505 

Lourinhã 505 

Lourosa 505 

Louzadello 442 

Louzandas 322 

Lubata 322 

Lumião 355 

Lusíadas 322 

Luz 458 e 459 

Luzendas ...... 322 



M 



Má, mal, mau 
Mabilia . . 
Maça . 
Macábio . 
Macário 
Macedo . . 



322 
465 
168 
323 
323 
323 







Pag. 


Macieira de Cambra . . . 


323 


Macrinus, imperador romano 


68 


Mafalda 


370 


Magalhães . 


. 121 e 


382 


Magarellos . . . 


. 


323 


Magrellos . 


. 168 e 


323 


Magro .... 


. 66 e 


67 


Maia .... 




324 


Majapão . . . 




168 


Málaga .... 




189 


Malápio 




324 


Maldonado 


. 298 e 


370 


Malho e Malhoa . 




87 


Mamôa e Mámoa 


37, 384 e . 


385 


Mamouros . . . 




324 


Man ou Mann . 




324 


Mancellos . . . 




324 


Mandim 




435 


Manhente . . , 




324 


Manhufe . . 




258 


Manoel de Barros 


Nobre . 


443 


Mansilha . 




324 


Marbom . . 




169 


Marialva . . 




325 


Marrei ros . 




209 


Marrocos . 




209 


Martinhel . 




169 


Marzugueira . 




325 


Massouco . . . 


. 325 í 


; 326 


Massarelos . . 




168 


Mattellinho. . 




470 


Meda . 




192 


Medeiros . 




328 


Medelim . . 


. 269 


í 295 


Medello 




. 269 


Medim . . . 




269 


Medom. . . 




. 328 


Megre . . . 


. . 66 


s 168 


Meimào 




. 328 


Meira . . 




. 328 


Meixomil . 




. 328 


Mello . . . 


. . 3*28 


e 329- 


Melres . . . 




. 329 


Menano 




. 329 


Menezes . . 




. 360 


Mengas. 




. 170 


Mesquinhata . 


329, 432 


e 487 


Metatheses. . 




26 


Mexedo 




. 329 


Mexedinho. • 




. 329 


Mezào-frio. . 




. 329 


Midões. 




. 329 


Milheiros . . 




87 



520 



INDIOE 



Mim vaqueiro 

Mioma . 

Miomàes 

Mira . 

Miranda 

Mirandella 

Mirão . 

Mó 

Moacho 

Mocambo 

Mocifal. 

Modellos 

Mões . 

Mogadouro 

Mogo , 

Mogueime 

Mojes . 

Moldes . 

Moliana 

Moncada 

Monchique 

Moncôa 

Moncocos 

Mondego 

Monograpl 

Monsarros 

Montareol 

Montijo 

Montinchol 

Montingrão 

Moreiró 

Mortazel . 

Mosteiro . 

Mouriçó 

Mourilhe . 

Mourissó . 

Mouriz . 

Moxes e Mozes 

Mucifal. , 

Muinhota 

Mumadona 

"Mund . , 

Munhota 

Munhoz 

Murça . 

Murracezes 

Muxagata , 



329, 331 



130 



331 



93 



, 335 



de 



Estella 



49 



427 



171 e 



N 



Naçarães 
Nandim 



Pag. 
170 
329 
502 
436 
390 
390 
331 
87 
331 
331 
331 
333 
331 
331 
332 
332 
170 
333 
170 
93 
335 
93 
363 
335 
457 
325 
88 
171 
88 
336 
88 
171 
423 
88 
435 
426 
505 
170 
331 
449 
336 
324 
449 
88 
336 
336 
375 



256 
336 



Pag. 

Nandufe . . 336, 459 e 487 

Navio 88 

Neiva 336 

Nome do autor, sua idade e 

trabalhos 60 

Nomes derivados de Anto- 

nius 38 e 48 

Nomes derivados de adjec- 
tivos numeraes romanos 157 

Nomes derivados de algares 38 

Nomes derivados de amare 465 

de areia . 330 

„ „ da aroeira 1 27 

„ „ de Ataul- 

phus 156 

Nomes derivados das avellei- 

ras 125 

Nomes derivados das cabras 224 
„ „ dos caça- 

pos, coelhos novos . . 144 

Nomes derivados de cam- 
pos, i, campo .... 230 

Nomes derivados dos cara- 

peteiros 234 

Nomes derivados dos cardos 234 
„ „ da carqueja 235 
„ „ dos carra- 
pateiros 236 

Nomes derivados dos carras- 
cos ou carrasqueiros , . 236 

Nomes derivados dos carri- 
ços 238 

Nomes derivados dos carva- 
lhos 240 

Nomes derivados dos coches 

266 e 267 

Nomes derivados dos code- 

ços 267 

Nomes derivados dos coe- 
lhos 143 

Nomes derivados dos coen- 
tros 267 

Nomes derivados das corças 274 
„ „ dos corti- 
ços 275 

Nomes derivados das coru- 
jas 276 e 283 

Nomes derivados de coto (ou- 
teiro pequeno). . . . 277 
Nomes derivados das coto- 
vias 277 

Nomes derivados de covas . 279 
„ ,, de cravos . 282 



índice 



õ'21 



Pag. 

Nomes derivados dos cucos 

232, 266 e 335 

Nomes derivados de Dona . 298 

„ „ de ferro . 305 

de gado . 309 

dos gatos. 288 

, „ dos gatos 

bravos ou texugos , . 76 

Nomes derivados dos gaviões 

78 e 289 

Nomes derivados da grama 

188 e 281 

Nomes derivados de João 

317 e 318 

Nomes derivados de lauros 

na Hespanha .... 506 

Nomes derivados de Laurus 498 
„ „ das lebres . 254 
„ „ dos legu- 
mes 258 

Nomes derivados dos lobos. 86 
de luz . . 459 
„ „ de mantei- 
ga 266 

Nomes derivados da militan- 

ça 155 

Nomes derivados dos moi- 
nhos . . . 332 até 335 

Nomes derivados dos moi- 
nhos, em Hespanha 333 e 334 

Nomes derivados dos mor- 

ganhos ...... 134 

Nomes derivados de nomes 

de senhoras .... 297 

Nomes derivados dos outei- 
ros 450 e 451 

Nomes derivados da palha . 228 
„ „ das penhas 

ou penedos .... 401 

Nomes derivados de poços . gl 
„ „ dos pom- 
bos. . 179 

Nomes derivados dos porcos 209 
„ „ de profis- 
sões 69 

Nomes derivados do queijo . 266 
y „ de quercus 259 
„ „ das raposas 346 
„ „ dos ratos . 134 
„ „ dos salguei- 
ros 50 e 51 

Nomes derivados dos sapos. 143 

das telhas. 107 



Pug. 

Nomes derivados do tojo 179 314 

do trevo . 108 

„ „ dos ujos . 183 

de Walter. 334 

Nomes com a desinência im 

em volta de Lamego. . 428 
Nomes geographicos hespa- 
nhoes derivados de outei- 
ro ou otero .... 451 
Nomes de mulher . . . 446 
Nomes pedindo esponja 76, 

129, 226 e 227 

Nomes com prefixo d por de 25 
Nomes de velhíssimas ruas 

de Miragaya .... 87 

Nonato 336 e 355 

Noninha 355 

Nónio ; 355 

Normando . . . 215 e 504 

Noronha 506 

Nozellos 337 

Numão 309 

Nunelhe 355 

Nunes 355 

Nuzellos . . 336, 337 e 459 



Odivellas . 










432 


Odysseia . 








321 


01 t ou . 








268 


Ois do Bairro . 








337 


Ois da Ribeira 








337 


Oldrões . . 








372 


Onia . . 










337 


Orgens . 










337 


Oriola , . 










88 


Oriz . 










337 


Orjó . 










89 


Ornellas . 








33/ < 


; 338 


Ossaes . 










Ul 


Othelina 










465 


Otília . 










465 


Oucendra 










374 


Oucidres 










. 373 


Ourigo . 










. 372 


Ourique 










372 


Ouriz . 










337 


Ousia . 










. 338 


Outão . 










. 339 


Outeiro 










. 450 


Outil . 










. 337 



522 



índice 



Ouzenda 
Oveco . 
Oyão . 
Ozanda. 



Paço . . 
Paço . . 
Padim . 
Padroeiros ou 

guezias . 
Paes 

Pai . . . 
Paião . . 
Paim . 
Paixão . 
Palácio. 
Palácio do Freixo 
Palácios na idade 
Palaçoulo . 
Palancha . 
Palha-canna 
Palmeirô . 
Pancoito . 
Panoias 
Pão mustáceo 
Parada Thodeia 

340 e 
Paralheira 
Paranho 
Paranhó 
Pardelhas 
Paredes 
Paro 
Pedonho 
Pèdorido 
Pedroso 
Peléas . 
Pella . 
Pelomo . 
Pena . 
Penaguião 
Penajoia 
Penalva 
Penavoente 
Pendilhe 
Pendilho 
■ Penedo . 
Penedono 
Penha . 
Penim . 



339, 391 e 
89, 424 e 



oragos de fre 



ou 



101, 



média 



Todeia 



102, 402 



298 



Pag. 
373 
339 
339 
373 



439 
439 
339 

295 
340 
339 
340 
339 
340 
339 
489 
439 
439 
172 
340 
89 
172 
340 
499 

361 
438 
437 
89 
89 
378 
89 
340 
135 
436 
340 
131 
173 
401 
341 
473 
400 
173 
341 
341 
339 
375 
401 
477 



Penude 

Peonia 

Percota 

Perdurão 

Perestrello 

Perlinha 

Perlonga 

Perral 

Perzegueda 

Peso 

Pesqueira 

Pessós 

Phenícios e gregos . . . 

Piães 

Ficarnel 

Picaró ....... 

Picarotos . . . . . . 

Picarrel 

Pincanhol 

Pindella .... 71 e 

Pindo . . . .71, 120 e 

Pinhanços 

Pinhão 142 e 

Pinho 

Pinhôa 

Poaxiras . . . . 174 e 

Poçoulos 

Pontos do Douro. . . . 

População comparada deLou- 
lé, Póvoa e de alguns bi»- 
pados 

Porisso ....... 

Portas faronhas .... 

Portas fronhas 

Portagide 

Portanxo 

Portigens 

Portimão 

Portinos 

Portouro .... 92 e 

Porvella 

Posição relativa .... 

Possacos 

Potam 

Pote Viceiro . . . 343 e 

Pouca 

Povoa de Sabrinhos . . . 

Povoa de Varzim. . 419 e 

Povoações (vejam-se nomes 
derivados) 

Pracana 

Prachã 

Praisal 



Pag. 

120 

341 

114 

114 

341 

438 

114 

114 

173 

90 

327 

89 

40 

341 

335 

90 

90 

335 

90 

120 

339 

341 

341 

90 

90 

471 

91 

98 



421 
342 
342 
342 
342 
342 
343 
365 
343 
343 
343 
116 
222 
343 
344 
442 
344 
457 



344 
344 
344 



índice 



623 



Prazins 344 

Preanes 174 

Predo 391 

Prefixo a de 147 

Prefixo aélm e além de . 114 

Prefixo ante . . . 113 e 114 

Prefixo ca . . . . 141 e 307 

Prefixo m assimilado. 110 e 123 
Prefixo ca na onomástica hes- 

panhola 146 

Prefixo de por a de. . . assi- 
milado 149 

Prefixo per 114 

Prefixo re 299 

Prefixo trans, o mesmo que 

além ou além de . . . 115 

Pretarouca. . . . ]14e 487 

Presandães 345 

Priana 345 

Priannes 157 

Prim 157 

Prisco 433 

Priz 433 

Prothese — augmento de syl- 
laba ou de letra no prin- 
cipio dos nomes de po- 
voações ...... 31 

Provezende . . . 373 e 374 
Provincianismos (aido, Cer- 
deira, eido, monte, rama- 
da, etc.) 104 

Pruzella 345 

Puxadouro 375 



Quartim 345 

Quartinos 345 

Quatrim 315 

Quebrada 391 

Queires 345 

Queiró 345 

Queiroz 269 

Queixomil . . . . 282 e 345 

Quelfes 345 

Quetriz 345 

Quevedo ^ 346 

'Quinchoso. . . . . . 410 

Quinjeira ...... 175 

Quinta do Calças . . . .148 

Quinta da Insua .... 396 

Quintas grandes em Taboaço 489 



Quintanilha 
Quinteiro . 
Quintola . 
Quires . 



343 e 



Raiva . 

Raivo . 

Ral . . 

Ramesal 

Ramil j. 

Ranha . 

Ranho . 

Ranhollas 

Rapejães 

Rapojães 

Rasca . 

Rates . 

Rato . 

Raul . 

Raulino 

Rebocada 

Reboeira 

Rebogato 

Rebolai. 

Reboleira 

Rebolhões 

Rebólia. 

Robolido 

Rebordans 

Rebordãos 

Rebordello 

Rebordosa 

Reboreda 

Rebunhado 

Reca 

Reçamonda 

Recião . 

Recibal. 

Reconco 

Refojos. 

Refontoura 

Regedoura 

Régoa ou Régua 

Regil . 

Regufe . 

Reguião 

Reimonde 

Reinaldo 

Reirigo 



R 



93 



134 



100, 251 



252 



255 



Pag. 
375 
410 
92 
346 



153 
346 
346 
134 
346 
346 
98 
93 
94 
346 
346 
134 
457 
346 
368 
368 
347 
251 
347 
347 
391 
175 

loa 

251 
252 
391 
392 
347 
347 
97 
347 
347 
348 
348 
348 
347 
299 
353 
347 
348 
258 
348 
349 
348 
349 



524 



índice 



Reiriz 

Reiros 124 e 

Rendimento de quintas no 

Douro 

Rendufe 

Requezende ..... 
Requião .... 347 e 

Rezende 

Ribós 

Riboura 

Rica 

Rick 

Ripança 

Rival 

Rivara 

Rivolia 

Rocamondo . . . . 

Rodolpho 

Rodrigo 

Rojai 

Rol 

Rolim 

Romagom 

Romazelhas 

Roriz 

Rosmono 

Roufe . 

Rozem 



Saara . 
Saavedra . 
Sabadelhe . 
Sabredas . 
Sabrêos 
Sabrosa 
Sabusedo . 
Sadoncelhe 
Sadorninhas 
Saes 
Safarão . 
Safardão . 
Safordão . 
Safredo 
Safurdão . 
Sagres . . 
Salamonde . 
Salema . . 
Salgão . . 
Salgoga 
Salgosa . . 



136, 137, 141 e 



176 e 
351 e 



176 e 



Pag. 
349 
134 

140 
258 
349 
348 
221 
101 

92 
347 
258 

92 
350 
350 

92 
347 
368 
392 
175 
368 
368 
350 
350 
392 
351 
351 
351 



450 
257 
351 
192 
351 
392 
176 
351 
351 
141 
267 
351 
356 
351 
351 
352 
352 
352 
379 
352 
379 



Pag. 

Salto da Pandeira. ... 353 

Salvada 437 

Salvado 482 

Salzeda. . . 176, 374 e 379 

Samadas 429 

Samagayo 323 

Sambade 353 

Sambrana 353 

Sambro 176 

Samcde 353 

Sameice 353 

Samfalhos 176 

Samodãesl]7, 121, 308, 353, 

354, 429, 479 e . . . 480 

Samoqueira 354 

Samor 353 

Samouco . . . . 325 e 326 

Sampaio 353 

Samudas 534 

Sande 264 

Sanfanha 176 

Sanfins 353 

Sanfippo 353 

Sangalhos . . 176, 177 e 355 

. 312, 353 e 

. 269, 318 e 

304, 330, 340 e 

. . . 177e 



Sangemil 
Sanhoane . 
Santander . 
Santecinhos 
Santinho . . . 
Santo Heitorzinho 
Santos Illos . . 
São Colmado . 
São Cosmado . 
São Pantaleão. 



177 e 



355 
353 
503 
376 
482 
58 
376 
177 
177 
449 

São Thiago 152 

São Toínho 356 

Sarafana 356 

Sarafenho 356 

Saraminheira 356 

Sardinheira 356 

Sardoeira 488 

Sargedo . . . . 177 e 387 

Sarolla 177 

Sarrasqueira 177 

Sarzêda 379 

Sauzêda 374 

Scipião 356 

Seara 380 

Sebadelhe ....... 351 

Sebouças 177 

Segodim 356 

Seide 152 e 356 

Seita 357 



índice 



625 



Pag. 

Seixomil . . 249, 282 e 357 

Sejàes 357 

Selhariz 357 

Selhe 357 

Selho 143 

Sella 142 

Sellores 357 

Seloureiros . . . 177 e 357 

Semedo 357 

Semilhans 357 

Senande .... 63 e 380 

Sendufe 257 

Seneadas 436 

Senestal . . . . 177 e 376 

Senhariz 357 

Senhas 177 

Senhorim . . . . 298 e 375 

Senhorinha 298 

Senra 358 e 380 

Senrada 358 

Sequeiro 105 

Serafão 351 

Serdeiró 101 

Sermonde . . . . . . 312 

Sernada 380 

Sernancelhe . . 63, 259 e 380 

Sernande . . . , 63 e 380 

Seroa 147 

Serpigeira 358 

Serpilhão 358 

Serzêdo . . . . 358 e 394 

Sessão — provincianismo . 464 

Sever 259 

Severim 259 

Severino 259 

Sevivos 178 e 359 

Sezem 359 

Sezim 359 

Sibylina ...... 359 

Sigeberto 312 

Sigifredo 312 

Sigismundo 312 

Silgueiros . . . . 178 e 376 

Silho 143 

Sines 359 

Soares 154 

Sobradello 392 

Sobradinho 482 

Sobral 392 

Sobreda 392 

Sobroso 392 

Soeiro 154 

Sdgos 359 



Soliveiras 

Soltas . 

Soromenhos 

Sousa . . 50, 263, 374 e 

Sousellas 

Soutello 

Soutilho 

Souto 

Souzella 

Spinola 

Spinosa 

Subrigal 

Substituição de letras no bai- 
xo latim — extracto de Du- 
cange 5 a 

Suffixo ulph 

Susão 

Sustancia— provincianismo . 



Pag. 

1Í8 

143 

359 

379 

50 

374 

374 

374 

374 

66 

69 

178 



25 
257 

51 
464 



63, 



Tabaçô . 

Tabelladas 

Táboa . 

Taboaço 

Tabosa . 

Tagilde 

Tahide . 

Tainde . 

Talharezes 

Talho . 

Tamanhos 

Tamel . 

Tare 

Távora . 

Távora— fidalgos 

Teixedas 

Teixeiró 

Teixo (um 

Telho . 

Tello. . 

Temes . 

Téra 

Terêna . 

Teso . 

Theodulph 

Theomil 

Thesido 

Thiago. 

Thibau. 

Thodeia 

Thomar 



51 



105 



63 



Lamego) 



152 



^ , • 


105 


, , 


360 


63 e 


360 


, 208e 


360 


, 


208 


348 e 


386 




386 


, 


386 


^ ^ 


360 


, , 


393 


, , 


360 




360 


, , 


360 


, 208 e 


361 




489 




192 




106 


0) . 


106 




106 




442 




361 


, , 


360 




361 


. 


467 


, , 


368 




36n 


, , 


361 


>, 253 e 


371 




373 


. ^ 


361 


360 e 


401 



526 



INDIGU 



Tibães . 
Tibalde 
Tibau . . 
Toco . 
Tojal . 
Toqueirão . 
Toriz . 
Torroso 
Tortozendo 
Tougues . 
Touguinha 
Touguinhas 
Touguinhó. 
Touraes 
Touriga . 
Tovar . . 
Tozende . 
Trafaria 
Tramagal . 
Tranze Mar 
Travasso . 
Travasse . 
Travassos . 
Traz ou trans 
Trenze Mar 
Tricas . 
Trufei . 
Trugal . 
Tufe . 
Tufos . 
Tuzar . 



152, 362 
152 



361 e 



108 



u 



V 



Pag. 
361 

362 
373 
361 
361 
361 
361 
471 
362 
488 
362 
152 
362 
400 
361 
362 
362 
488 
362 
446 
362 
362 
435 
306 
443 
362 
362 
363 
258 
368 
361 



Ubaldo ...... 383 

Ucanha 363 

Ucharia 287 

Ufe 369 

Unhão 363 

Urro 109 

Urros, etc 109 

Ursos — antigamente em Por- 
tugal 36 



Vairâo 51 

Vai d'Azares 363 



Pag. 

Vai de Geans 363 

Valdemar . . , . 363 e 383 

Vai de Menantis ... 363 

Vai d'Oufe 369 

Vai de Vez 145 

Vai de Vinos . . . 179 e 180 

Valdigem 119 

Valduge 120 

Valduve 156 

Valença 364 

Valentim 364 

Valhelhas 364 

Varàes 364 

Variz 364 

Varzim 419 

Vasconcellos 364 

Veiró 210 

Veiros 109 

Velamôço 180 

Vermil 364 

Vermoll . . . . 214 e 364 

Vestiaria 287 

Vestigios da lingua arábica . 484 

Vez (Vai de) 145 

Vial 364 

Vianna 365 

Vião ..... 63 e 145 

Viariz . 365 

Vidago 430 

Vieira 388 

Vieirinhos 365 

Villa 442 

Villa do Conde .... 460 
Villa do Conde— vide Con- 
deixa ...... 462 

Villa Eva 507 

Villariça 125 

Villa Ponche 316 

Vilhenga 365 

Vinho 109 

Viola 63 

Viriz 444 

Visconde de Castello de Bor- 
ges 128 

Vitoreira 425 

Vizeu 366 

Vrêa 220 



Xapelar 181 

Ximenes 366 



índice 



527 



Pag. 



Zabelleiras 365 

Zagalho 355 

Zava 366 

Zebras— antigamente em Por- 
tugal , 36 



Pag. 

Zebras 366 

Zêdes 373 

Zé dos Muros 317 

Zendo 373 

Zezêlhe. ...... 178 

Zido 367 

Zimbello 467 

Zorzaes 488 



ABREVIATURAS 

Cf confronte-se 

Conf confronte-se 

dim diminutivo 

etym. . . ' etymologia 

m masculino 

pop. popular 

+ mais 





ERRATAS 




Pag. 


Linhas 


Erros 


Emendas 


50 


25 


saneia 


saucia 


270 


19 


sucalcos 


socalcos 


271 


22 


tijelas 


tigelas 


278 


33 


votou 


botou 


27g 


7 


Cova 


Cava 


279 


27 


Oovitata 


Covitata 


314 


última 


frentos 


fentos 



A ortografia vai á antiga, conforme se usava ao tempo em que o au- 
tor escreveu. As palavras esdríixulas vão quási sempre sem os acentos 
que agora, com muita vantagem, se empregam. 



índice da introducção 



Antigas casas nobres XIII 

Atadôa XIV 

Carvalho de Barbosa x 

Carvalho de D. Mafalda x 

Cezimbra xiv 

Corvaceira . viH 

Desinência icus. . xvii 

Forles xv 

Fradique xvii 

Frtiriz .... XVH 

Freiriz . XVII 

Froila XV 

Golpilheira Xll 

Guilhomil XVI 

Manrique xvn 

Marajó vn 

Mendo xvii 

Nomes derivados das arvores ■ ix 

» » » aves VII e Vlii 

» » dos carvalhos ix 

> » de casas . xi 

> » de castanheiros x 

> » das condições geográficas Vir 

> » das egrejas e mosteiros . . ■ ' xill 

> » de nomes pessoaes xiv 

» » de paços ou palácios xil 

de plantas xill e xiv 

» > de rios e cascatas vii 

> >! dos sobreiros ix 

Nomes pessoaes servindo de appellidos '. . xv 

Ourique XVi 

Pacheco xii 

Palácios ~ os melhores de Portugal xii 

Palácios cobertos de palha xiir 

Palaçoulo , xii 

Penajoia viii e ix 

Phenicios vi 

Prefixo A de xiv, xv e xvi 

Recarei xvii 

Ricardo xvii 



H^;:^ ;..*:., 



>-^## 










CV - í 




Ferreira, Pedro Augusto 

Tentativa etymologico- 
toponymica 



V.3 




PLEASE DO NOT REMOVE 
CARDS OR SLIPS FROM THIS POCKET 



UNIVERSITY OF TORONTO LIBRARY